Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10580.728132/2010-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
QUADRO MÓVEL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO CONTRATANTE DOS SERVIÇOS.
Na qualidade de contribuintes individuais, a remuneração dos profissionais que compõem o Quadro Móvel deve sofrer a retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, de responsabilidade do contratante, que pode ser a federação, a confederação, a liga ou o clube de futebol profissional.
Verificado que a entidade desportiva contraiu contrato de prestação de serviços diretamente com os contribuintes individuais, a ela deve ser imputada a responsabilidade pela retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias, afastando os demais entes do rol do art. 323, V, da IN SRP nº 03/2005.
MULTA AGRAVADA. NÃO PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. NÃO CABIMENTO. DESAGRAVAMENTO.
Deve-se desagravar a multa de oficio, pois o Fisco já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da .fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF.
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa de ofício, assim como determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora, Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão do agravamento da multa de oficio.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. QUADRO MÓVEL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO CONTRATANTE DOS SERVIÇOS. Na qualidade de contribuintes individuais, a remuneração dos profissionais que compõem o Quadro Móvel deve sofrer a retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, de responsabilidade do contratante, que pode ser a federação, a confederação, a liga ou o clube de futebol profissional. Verificado que a entidade desportiva contraiu contrato de prestação de serviços diretamente com os contribuintes individuais, a ela deve ser imputada a responsabilidade pela retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias, afastando os demais entes do rol do art. 323, V, da IN SRP nº 03/2005. MULTA AGRAVADA. NÃO PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. NÃO CABIMENTO. DESAGRAVAMENTO. Deve-se desagravar a multa de oficio, pois o Fisco já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da .fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.728132/2010-50
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5423910
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.593
nome_arquivo_s : Decisao_10580728132201050.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 10580728132201050_5423910.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa de ofício, assim como determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora, Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão do agravamento da multa de oficio. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5803016
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474740920320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2301; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.728132/201050 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.593 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente VITORIA S/A E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. QUADRO MÓVEL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO CONTRATANTE DOS SERVIÇOS. Na qualidade de contribuintes individuais, a remuneração dos profissionais que compõem o Quadro Móvel deve sofrer a retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, de responsabilidade do contratante, que pode ser a federação, a confederação, a liga ou o clube de futebol profissional. Verificado que a entidade desportiva contraiu contrato de prestação de serviços diretamente com os contribuintes individuais, a ela deve ser imputada a responsabilidade pela retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias, afastando os demais entes do rol do art. 323, V, da IN SRP nº 03/2005. MULTA AGRAVADA. NÃO PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. NÃO CABIMENTO. DESAGRAVAMENTO. Devese desagravar a multa de oficio, pois o Fisco já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da .fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 81 32 /2 01 0- 50 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa de ofício, assim como determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora, Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão do agravamento da multa de oficio. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.728132/201050 Acórdão n.º 2403002.593 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1530.569, fls. 441/452, que julgou procedente o lançamento consubstanciado no DEBCAD 37.201.9331, referente ao período de 01/2008 a 06/2009, e almeja o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais, cuja responsabilidade de retenção e recolhimento é de responsabilidade da entidade desportiva que celebra diretamente o contrato de prestação de serviços, não declaradas em GFIP. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 88/103, o contribuinte é sociedade anônima de capital fechado que tem por objeto difundir, aprimorar e gerir atividades de futebol, conforme estatuto registrado na JUCEB. Declara também que o Vitória S.A. contém dois estabelecimentos. No 0001 (matriz) estavam alocados os empregados da antiga Sede e Diretoria e no estabelecimento 0002 (filial) estavam alocados todos os atletas, a comissão técnica e os empregados da Toca do Leão. Todos os empregados foram transferidos para o Esporte Clube Vitória, CNPJ 15.217.003/000159, a partir de 01/07/2009, apesar da desfiliação da FBF – Federação Baiana de Futebol ter ocorrido em 19/02/2009. Portanto, afirma que o Vitória S.A. ao efetuar sua desfiliação da FBF em 19/02/2009 perdeu a condição de clube de futebol profissional passando a contribuir para a Previdência Social como empresa em geral, classificada no FPAS 566. Essa conclusão decorre do disposto no art. 257 da IN n. 971/2009 que afirma que Ocorrendo a desfiliação da respectiva federação, mesmo que temporária, deixa de ocorrer à substituição referida no art. 249, caso em que o clube de futebol profissional passará a efetuar o pagamento da contribuição patronal na forma e no prazo estabelecido para as empresas em geral, devendo a federação comunicar o fato ao CAC ou AFR jurisdicionante de sua sede. Da mesma forma seria a redação do art. 336 da IN SRP n. 03/2005. Dois são os levantamentos referentes ao presente AI. QM e QM2, que referemse às contribuições da empresa incidentes sobre os valores pagos ou creditados aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços na qualidade de quadro Móvel dos Jogos, relativas ao período de 01/2008 a 06/2009, não recolhidas e não declaradas em GFIP. Os valores foram apurados nos respectivos Boletins Financeiros dos jogos – borderô financeiro e estão contabilizadas pela totalização na conta 3.1.3.07.003 – Despesas com Jogos. Quadro móvel é o conjunto de profissionais diretamente envolvidos na realização do evento desportivo, compreendendo: árbitros, bandeirinhas, fiscais, delegados, arrecadadores, bilheteiros, porteiros, seguranças, observadores, maqueiros, gandulas, entre outros. Todos os fatos geradores por não terem sido declarados nas GFIP ensejaram a lavratura do AI com multa de 75% sobre o valor das contribuições apuradas e a aplicação de multa de ofício agravada em 50% apenas a partir de 12/2008, sobre o valor das contribuições Fl. 518DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 apuradas uma vez que intimada, a empresa não prestou todos os esclarecimentos e informações solicitadas até a data do lançamento (parágrafo 2º do art. 44). Para as competências de 01/2008 a 11/2008 aplicouse a multa de 24%. O Auditor ainda arrolou como solidário em razão da caracterização de Grupo Econômico, o Esporte Clube Vitória, CNPJ 15.217.003/000110. Vários foram os argumentos para o fiscal caracterizar o grupo econômico, dentre eles: a) Após alteração contratual do contribuinte principal, foi promovida constituição de entidades interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas; b) O grupo utiliza alternada ou concomitantemente os mesmos empregados, os mesmos espaços, os mesmos atletas, havendo confusão patrimonial, inclusive com relação à pagamento de despesas e transferências; c) As entidades se alternam na filiação à FBF; d) Ambas possuem o mesmo endereço, na Av. Artemio Castro Valente, 1 – Canabrava – Salvador – Bahia – Toca do Leão; e) O exercício da administração pelos mesmos diretores. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa Vitória S.A. contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 346/381. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Salvador, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão n° 1530.569, fls. 441/452, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/06/2009 CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO AOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. EXIGÊNCIA. NÃORECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviço. O atraso total ou parcial no recolhimento das contribuições acarreta o lançamento do crédito, na forma da Lei Orgânica da Seguridade Social e de sua regulamentação. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.728132/201050 Acórdão n.º 2403002.593 S2C4T3 Fl. 4 5 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontrarem plenamente assegurados. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Incide taxa SELIC sobre contribuições sociais recolhidas em atraso, as quais estão previstas na legislação específica. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PAF. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA, DE JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS E DE PROCEDIMENTO DE INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO PROFISSIONAL DOS PATRONOS DA CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. De acordo com o PAF, salvo condições ali expressas, a prova documental será apresentada na impugnação, ficando precluso o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Durante a fase litigiosa do procedimento administrativo, a lei determina que as intimações sejam feitas por via postal, ou por qualquer outro meio ou via, porém com prova de recebimento, exclusivamente, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a Recorrente, Vitória S/A., interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 462/498, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Nulidade do acórdão uma vez que somente após a CBF ter regularizado os registros, substituindo a gestão e administração da prática do Futebol Profissional para o Esporte Clube Vitória, é que foi liberado o Vitória S.A., das obrigações previdenciárias de seus segurados e dela própria, que deuse apenas em 01/07/2009; 2. A autuação não é clara; 3. É necessária a realização de perícia para demonstrar que a FBF quitou as contribuições sob exigência Fl. 520DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 4. Impugna a contribuição a terceiros em especial SESC, SENAC, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA por não enquadrarse na área de atuação das respectivas atividades; 5. O enriquecimento ilícito do Estado; 6. A necessária análise dos princípios constitucionais para o presente caso; 7. A inaplicabilidade de juros capitalizados e a Taxa Selic Concomitante; 8. A Confiscatoriedade da multa É o relatório. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.728132/201050 Acórdão n.º 2403002.593 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA ADMISSIBILIDADE Conforme documentos de fls. 460 e 462, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE DE FALTA DE CLAREZA – DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Uma análise superficial da autuação é suficiente para evidenciar a clareza na descrição dos fatos e nos fundamentos legais. O Auto de Infração faz expressa menção aos dispositivos legais infringidos, constantes no Relatório Fiscal. Ademais, o Relatório Fiscal consignou detalhadamente os levantamentos que compõem o processo em epígrafe, narrando as razões fáticas e legais, não vislumbrando, pois, qualquer restrição ao exercício da ampla defesa e do contraditório. Portanto, não merece acolhida a alegação de cerceamento do direito de defesa por ausência de menção ao dispositivo legal infringido ou de clareza na descrição dos fatos. QUADRO MÓVEL – CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Em que pese, para a fiscalização, a ocorrência de desfiliação por parte da empresa, tal fato é irrelevante para o deslinde da presente controvérsia eis que tal fato afeta tão somente ao recolhimento das contribuições referentes a cota patronal, conforme dispõe o § 6º do art. 22, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 6º A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional destinada à Seguridade Social, em substituição à prevista nos incisos I e II deste artigo, corresponde a cinco por cento da receita bruta, decorrente dos espetáculos desportivos de que participem em todo território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e de transmissão de espetáculos desportivos. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 522DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Portanto, quanto às demais contribuições devidas pelas associações desportivas, impõese o recolhimento na forma das empresas em geral, sendo devidas, pois, as contribuições dos segurados contribuintes individuais, a serem retidas e recolhidas pela entidade desportiva, nos termos do art. 4º, da Lei nº 10.666/03, a seguir transcrito: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) O Quadro Móvel é composto por profissionais que estão diretamente envolvidos na realização do evento desportivo, a exemplo de árbitros, gandulas, porteiros, etc. Considerados contribuintes individuais, o recolhimento de suas contribuições previdenciárias, ante as peculiaridades das entidades desportivas, encontrase regulamentada no art. 323, V, da IN SRP nº 03/2005, in verbis: Art. 323. A responsabilidade pelo recolhimento das contribuições sociais será: (...) V do contratante dos profissionais que compõem o quadro móvel do espetáculo, podendo ser a federação, a confederação, a liga ou o clube de futebol profissional. Vêse, pois, que a responsabilidade pelo recolhimento está diretamente relacionado ao contratante dos serviços prestados, podendo, inclusive, ao clube de futebol profissional lhe ser imputada a responsabilidade acaso verifique que este foi o contratante direto com o contribuinte individual. No exame dos documentos da entidade desportiva, a fiscalização verificou dentre os Boletins Financeiros dos jogos, a composição do Quadro Móvel da Vitória S/A, com a discriminação dos profissionais diretamente contratados por ela, quando dos jogos em que a entidade deteve o mando de jogo. Vêse, pois, que, quando contratante direta, não há responsabilidade subsidiária, tampouco solidária dos demais entes aptos a contrair tais contratos. Uma vez contratante, a ela lhe incumbe o dever de retenção e recolhimento das contribuições dos segurados individuais, razão pela qual não há que se afastar a incidência das contribuições previdenciárias. Ademais, tendo em vista que a Federação Brasileira de Futebol não possui responsabilidade sobre o recolhimento das contribuições dos contribuintes individuais diretamente contratados pela entidade desportiva, descabe o pedido de perícia formulado para tal fim. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE A Recorrente alega, dentre os argumentos elencados, a violação a princípios constitucionais, além da multa revestirse de caráter confiscatório, nos termos do art. 150, IV, da Carta Magna. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.728132/201050 Acórdão n.º 2403002.593 S2C4T3 Fl. 6 9 Ocorre, entretanto, que ao contrário do que pretende a Recorrente, não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF afastar a aplicação de uma lei sob a alegação de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula n. 1 do CARF, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária.” Mister destacar que os incisos I e II do Parágrafo único do art. 62 do Regimento Interno do CARF trazem exceções a essa regra, contudo, não sem aplicam ao caso em tela. Por esses motivos, este julgador não irá se pronunciar acerca das alegações que inconstitucionalidades se não estiverem nas exceções acima, portanto, não subsistem tais argumentos. LEGALIDADE DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado. Ocorre que, nos termos da Súmula CARF 03 a SELIC é aplicável, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No presente caso, foi aplicada a taxa SELIC como índice de atualização monetária, a ser cumulado com os juros de mora. Cuidamse de institutos distintos, conforme se vê acima, razão pela qual não há que se falar em ilegalidade na aplicação da referida taxa em matéria tributária. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO Relata a autoridade fiscal que a empresa deixou de apresentar, apesar de devidamente intimada através do Termo de Intimação Fiscal TIF nº 08, de 14/06/2010, a relação de todos os contribuintes individuais que fizeram parte do quadro móvel constante dos Boletins Financeiros dos jogos emitidos pela CBF e FBF, com todas as remunerações percebidas no mês. A não apresentação dos referidos documentos foi suprida através da coleta de informações através dos Boletins Financeiros em que a entidade desportiva teve o mando de jogo nos sites da Confederação Brasileira de Futebol – CBF e Federação Baiana de Futebol – FBF. Nesse ponto, a fiscalização esclarece que as despesas contidas nos referidos Boletins Financeiros dos jogos encontramse contabilizadas pela totalização na conta 3.1.3.07.003 – Despesas com Jogos. A informação solicitada pela autoridade fiscal, então, foi verificada através do exame da contabilidade da entidade desportiva, não causando embaraço à fiscalização uma vez que foi possível mensurar a base de cálculo sem recorrer a métodos excepcionais, tais como a aferição indireta. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Vêse, pois, que não houve qualquer embaraço à fiscalização. A jurisprudência deste Conselho tem se firmado no sentido de que, para se proceder o agravamento da penalidade é necessário que a conduta do sujeito passivo esteja associado a um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Ou seja, é medida aplicável nos casos em que o fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgado os artifícios postos pelo sujeito passivo. No caso concreto, percebese das fls. 59 e seguintes do auto de infração, especificamente o TIF nº 08, fl. 69, que o contribuinte respondeu efetivamente a todos as intimações, apresentando os documentos solicitados e prestando declarações explícitas, deixando apenas de discorrer acerca de um ponto específico de uma das intimações, que não causou qualquer prejuízo ao desenrolar da fiscalização. Nesse sentido, destaco a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, à respeito do tema, in verbis: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO PARCIAL DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. (CARF Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF; Processo 10746.000457/200677, Acórdão 9101001.468, 1ª turma, Sessão de 16 de agosto de 2012, Relator Conselheiro José Ricardo da Silva) **************************************************** IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 MULTA. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. Somente nos casos dispostos no Art. 44 da Lei 9.430/1996 é que a legislação determina o agravamento da multa de ofício. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. Devese desagravar a multa de oficio, pois o Fisco já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da .fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (CARF Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, Processo n. 11080.003205/200371, Acórdão 9202001.949, 2ª Turma, Relator Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Redator Designado, Marcelo Oliveira) Fl. 525DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.728132/201050 Acórdão n.º 2403002.593 S2C4T3 Fl. 7 11 Em razão de todo o exposto, entendo por afastar o agravamento da multa por não atendimento à fiscalização, uma vez que a omissão de esclarecimento de um ponto específico de um termo de intimação que em nada prejudicou o lançamento, devido ao completo atendimento à fiscalização dos demais assuntos e documentos. RECÁLCULO DA MULTA Com relação à aplicação da multa, mister tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, Fl. 526DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10580.728132/201050 Acórdão n.º 2403002.593 S2C4T3 Fl. 8 13 CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo parcial provimento do Recurso Voluntário para afastar o agravamento da multa de ofício, assim como determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96), nos termos do voto. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720673/2007-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
Ementa:
CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS-ART. 62-A DO RICARF. O E. STF pacificou a matéria sob o entendimento de que a cessão de créditos do ICMS, provenientes de aquisições de insumos para exportações não detém natureza jurídica de faturamento. Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-003.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMS-ART. 62-A DO RICARF. O E. STF pacificou a matéria sob o entendimento de que a cessão de créditos do ICMS, provenientes de aquisições de insumos para exportações não detém natureza jurídica de faturamento. Recurso negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11020.720673/2007-42
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5424316
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-003.232
nome_arquivo_s : Decisao_11020720673200742.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 11020720673200742_5424316.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5807128
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474773426176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 140 1 139 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.720673/200742 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.232 – 3ª Turma Sessão de 27 de novembro de 2014 Matéria COFINS Ressarcimento Recorrente Fazenda Nacional Interessado Indústria de Móveis B&B LTDA ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: CESSÃO DE CRÉDITO DE ICMSART. 62A DO RICARF. O E. STF pacificou a matéria sob o entendimento de que a cessão de créditos do ICMS, provenientes de aquisições de insumos para exportações não detém natureza jurídica de faturamento. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 06 73 /2 00 7- 42 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA 2 Relatório Em Recurso Especial de Divergência, fls. 104/116, admitido pelo Despacho nº 3200192 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária/3ª Seção (fl. 120/122), datado de 19.12.2012, insurge a Fazenda Nacional contra o Acórdão 3202000.498 (fls. 86/102), que deu provimento ao recurso voluntário por maioria de votos. O Acórdão traz a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA. Deve ser mantida a homologação da compensação declarada pela contribuinte quando há crédito suficiente para tanto. Recurso voluntário provido. Em seu recurso de divergência a Fazenda Nacional pleiteia a reforma do julgado por entender que tanto o PIS quanto a COFINS têm como base de cálculo o valor do faturamento (receita bruta) mensal auferido pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade exercida ou a classificação contábil adotada para suas receitas, respeitadas as devidas exclusões legais. Considera que a cessão de créditos de ICMS a outras pessoas jurídicas com a finalidade de recebimentos de vantagens patrimoniais caracteriza disponibilidade financeira e patrimonial e, por se enquadrar no conceito de faturamento, deve ser incluída na base de cálculo da COFINS. Ao decidir que a cessão de créditos de ICMS não constitui receita e, portanto, encontrase fora do campo de incidência da contribuição, entendeu a recorrente que o colegiado deu interpretação equivocada ao 1º d§o art. 1º da Lei nº 10.637/2002. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Processo nº 11020.720673/200742 Acórdão n.º 9303003.232 CSRFT3 Fl. 141 3 Na mesma toada, defende a ora recorrente que o art. 1º, §3º do referido diploma legal, não excluía, à época, as operações originadas pela cessão de direitos em troca de insumos utilizados na industrialização. Nesse sentido, o pleito é para que o Recurso Especial aviado seja reconhecido e provido no mérito, reformando o Acórdão guerreado. Contrarrazões fls. 129/132. Pleiteia o contribuinte a manutenção do decisum vergastado, sustentando que o princípio da nãocumulatividade do ICMS garante que os saldos credores que forem acumulados nas operações de exportação podem ser imputados pelo devedor a qualquer estabelecimento seu no Estado. Havendo saldo remanescente, o art. 25, §1º, da Lei Complementar 87/96 garante a transferência do crédito a outros contribuintes do mesmo Estado. Argumenta que as operações de venda de mercadorias para o exterior são imunes ao ICMS, PIS e COFINS. Em conseqüência disso, as receitas obtidas pelo exportador também ficariam imunes às contribuições sociais. Por entender, ainda, que a transferência de saldo credor de ICMS não corresponde a um ingresso de recurso nem pode ser considerada receita, pleiteia a manutenção do julgado e o acolhimento de suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O presente litígio instaurase em razão de ser reconhecida ou não a inserção na base de cálculo da COFINS valores decorrentes de cessões de créditos de ICMS vinculados às receitas de exportação cessões essas autorizadas pela LC 87/96. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA 4 Conveniente lembrar que as operações que destinem mercadorias ao exterior são imunes a incidência do ICMS e ainda, está garantido pela CF/88 a manutenção e aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações anteriores, fato que contribui para a formação de acúmulo de créditos desse tributo. Inicio posicionamento com fundamento no voto do Ministro Ricardo Lewandowski sobre a matéria no RE 240785/MG de 08.10.2014, no sentido de que a natureza jurídica da cessão de crédito do ICMS não permite entendêlo compondo o patrimônio da empresa nem tampouco como sendo uma renda própria ou mesmo faturamento. A ampla maioria dos Ministros do E. STF quando desse julgamento, reconheceu o direito dos exportadores de excluírem da base de cálculo do PIS/COFINS os valores recebidos a título de ICMS por conta da cessão de créditos decorrentes de exportação. Constato, também na ementa do RE 606107/RS da relatoria da Ministra Rosa Weber o seguinte excerto: “.........IV O art. 155, §2º, X, “a” da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos – imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do impsto cobrado nas operações e prestações anteriores. Não incidem , pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional.” Assim sendo, o atual momento jurisdicional não se coaduna com o entendimento da Fazenda Nacional quando pretende exigir transferências de créditos do ICMS na base de cálculo da COFINS o que me faz votar pelo improvimento deste Recurso Especial. Sala das Sessões, 27 de novembro de 2014. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/01/2015 por FRAN CISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007930/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3101-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do Recurso Voluntário nos termos do art. 62-A do anexo II do Regimento Interno do CARF.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes. Waldir Navarro Bezerra e Raquel Motta Brandão Minatel.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11080.007930/2008-23
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414561
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3101-000.293
nome_arquivo_s : Decisao_11080007930200823.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 11080007930200823_5414561.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do Recurso Voluntário nos termos do art. 62-A do anexo II do Regimento Interno do CARF. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes. Waldir Navarro Bezerra e Raquel Motta Brandão Minatel. RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5778874
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474781814784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1739; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.007930/200823 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3101000.293 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de agosto de 2013 Assunto PIS/COFINS Recorrente IPA IND. DE PROD. AUTOMOTIVOS RGS LTDA Recorrida UNIÃO FEDERAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento do Recurso Voluntário nos termos do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes. Waldir Navarro Bezerra e Raquel Motta Brandão Minatel. RELATÓRIO Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 253 versos a 254 dos autos emanados da decisão DRJ/POA através do voto do relator José Luiz Feistauer de Oliveira, nos seguintes termos: “Tratase de impugnação contra autos de infração relativos a insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS não cumulativos no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2005, conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal de fls. 152 a 162. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 07 93 0/ 20 08 -2 3 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.007930/200823 Resolução nº 3101000.293 S3C1T1 Fl. 4 2 0 interessado discorda do lançamento, pois entende que sua receita, auferida com a venda de autopeças listadas nos Anexos da Lei n° 10.485/2002, estaria sujeita a alíquota zero das Contribuições para o PIS e a Cofins. Afirma que o presente caso se trataria de industrialização por encomenda, rebatendo as considerações do relatório fiscal com documentos anexados onde procura evidenciar que a empresa encomendante forneceria um dos componentes do seu produto final. Considera, também, que o simples fato da empresa encomendante ser uma empresa montadora de automóveis não inibiria a configuração da hipótese legal, pois entende que a condição legalmente imposta diria apenas que os adquirentes das autopeças vendidas pela encomendante devam necessariamente ser atacadistas, varejistas ou consumidores finais. 0 que seria diferente de exigir que o próprio encomendante seja atacadista, varejista ou consumidor final. Assim, sustenta que bastaria uma declaração da empresa encomendante, firmando um compromisso quanto a destinação adequada dos produtos encomendados, para que se considerem atendidos, pela perspectiva da empresa executora, os requisitos do Art. 10, inc. III da Lei n° 11.051/2004. Cita e transcreve o Art. 52 da IN/SRF n° 594/2005, o qual afirma ser aplicável aos fatos aqui discutidos. Entende que, na verdade, não caberia qualquer exigência relativa a destinação do produto pela encomendante para que vigore a redução a zero das alíquotas das Contribuições para o PIS e a Cofins. Transcreve soluções de consulta proferidas por unidades da RFB para embasar seus argumentos. Conclui, então, que estariam cumpridos ambos os requisitos legais necessários à aplicação da alíquota zero para as Contribuições nas vendas que realizou em 2005. Defende também que a cessão de créditos de ICMS a terceiros não pode ser considerada como receita, pois se trataria da única alternativa legal para aproveitamento dos mesmos e tais transferências se dariam por valor igual ou inferior ao nominal. Acrescenta que tal operação de cessão de créditos de ICMS seria um negócio jurídico sem repercussão positiva em seu patrimônio líquido. Para embasar seus argumentos, cita e transcreve jurisprudência administrativa cujo entendimento seguiu o mesmo sentido de sua manifestação. Contesta, por último, a parcela relativa ao rateio de créditos proporcionalmente entre as receitas no mercado interno e externo. Defende que, ao contrário do procedimento de auditoria fiscal adotado, a totalidade dos créditos lhe sejam apropriáveis. Argumenta que as receitas de exportação devam ser somadas as receitas no mercado interno sujeitas a não cumulatividade, comparativamente a receita bruta total pois afirma que no período auditado não auferiu receitas no mercado interno sujeitas a apuração cumulativa das Contribuições. Para embasar tal argumento, cita e transcreve a ementa de uma solução de consulta proferida pela DISIT da SRRF na 7 RF. Ao final, reitera sinteticamente seus argumentos, requer o recebimento da presente impugnação e pede seu provimento integral com o cancelamento do auto de infração impugnado.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1026.511 de fls. 253 traz a seguinte ementa: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.007930/200823 Resolução nº 3101000.293 S3C1T1 Fl. 5 3 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 Ementa: ALÍQUOTA. REDUÇÃO A ZERO. As alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins aplicáveis a pessoa jurídica executora de industrialização por encomenda ficam reduzidas a zero, nos casos previstos no Art. 10 da Lei 11.051/2005, com redação dada pela Medida Provisória n° 252, de 15 de junho de 2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 Ementa: TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Inexiste autorização legal expressa para a soma das receitas de exportação as receitas sujeitas a incidência nãocumulativa das Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, na determinação da relação percentual existente entre o somatório destas receitas e a receita bruta total, quando o contribuinte optar pelo método de rateio proporcional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls.261 a 277) recorrendo das seguintes acusações restantes na decisão recorrida: . indevida nãoinclusão, às respectivas bases de cálculo, de supostas receitas auferidas com a cessão onerosa de créditos acumulados do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS, devido à unidade federativa; e. apropriação de créditos sem consideração ao necessário rateio proporcional às receitas de exportação e de mercado interno. E depois de longas alegações, em síntese apresenta as seguintes conclusões: (a) do ponto de vista jurídico e contábil, "receita" se define como um implemento de caráter positivo no patrimônio líquido do sujeito de direitos e pode viabilizarse seja pelo acréscimo ou pela valorização de direitos, seja para supressão ou redução de obrigações; (b) a cessão de direitos de crédito de ICMS, principalmente quando esta seja a única alternativa legalmente admitida para aproveitálos, caracteriza mera substituição de direitos e, porque não tem sequer potencialmente impacto no patrimônio líquido do cedente, não se constitui em fonte de receita; c) adequadamente interpretados, os arts. 3º, §§ 7º e 8º e 6º, §§ 1º e 3C da Lei nº 10.833/03 admitem a apropriação de créditos proporcionais às receitas de exportação, sob o método do rateio proporcional. E finalmente requer: Fl. 423DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11080.007930/200823 Resolução nº 3101000.293 S3C1T1 Fl. 6 4 Seja recebido o seu Recurso Voluntário em seus regulares efeitos e, Provido, para o fim de, reformando parcialmente o r.acórdão recorrido, cancelar integralmente o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo, dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Quanto a primeira acusação remanescente na decisão recorrida, ou seja, tributação das cessões de crédito de ICMS pelo PIS e COFINS não cumulativos, acredito ser o caso de sobrestamento até a publicação do acórdão pelo STF, nos termos do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF. É como voto. Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /03/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900018/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. INOVAÇÃO DO PRETENSO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Nas vias recursais não é legítima a inovação na indicação do direito creditório, sob pena de suprimir-se o enfrentamento da autoridade administrativa primitiva, a quem compete analisar as declarações de compensação.
Numero da decisão: 1301-001.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. INOVAÇÃO DO PRETENSO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Nas vias recursais não é legítima a inovação na indicação do direito creditório, sob pena de suprimir-se o enfrentamento da autoridade administrativa primitiva, a quem compete analisar as declarações de compensação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13830.900018/2008-48
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5414130
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.662
nome_arquivo_s : Decisao_13830900018200848.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13830900018200848_5414130.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5778443
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474819563520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.900018/200848 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.662 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2014 Matéria CSLL. Recorrente COMÉRCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO CICALTU LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO DIREITO CREDITÓRIO. INOVAÇÃO DO PRETENSO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Nas vias recursais não é legítima a inovação na indicação do direito creditório, sob pena de suprimirse o enfrentamento da autoridade administrativa primitiva, a quem compete analisar as declarações de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 00 18 /2 00 8- 48 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. A ora recorrente apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de folhas 01 a 05, pretendendo compensar débitos de CSLL atinentes ao período de apuração de outubro a dezembro de 2003, com crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL, relativo ao 4º trimestre de 2003, no valor de R$ 3.381,78 (fl. 05). A autoridade administrativa proferiu Despacho Decisório (fl. 08), por meio do qual não reconheceu o alegado direito creditório e, por conseguinte, não homologou as compensações declaradas, fundamentando que "não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/Dcomp". Irresignada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 12/13), alegando, em síntese, que o direito creditório indicado se deu mediante compensação com valores recolhidos a maior em exercícios anteriores (anosbase 1995, 1996, 1997 e 1998), sendo que nos anosbase de 1996, 1997 e 1998, teria apresentado prejuízo fiscal, conforme demonstrado nas fichas de demonstração do lucro líquido, bem como apresentou saldo de pagamento de contribuição social sobre o lucro líquido, passível de compensação em períodos posteriores, conforme fichas de cálculo da contribuição sobre o lucro, pertencentes às declarações de rendimentos da pessoa jurídica, entregues em épocas oportunas, defendendo que nos anosbase subsequentes a 1996, a empresa apresentou prejuízo fiscal, com exceção do ano base de 2000, e que os recolhimentos devidos referentes à contribuição a ser recolhida mensalmente por estimativa foram sendo compensados, de conformidade com as DIPJ, apresentadas nas épocas oportunas e que o crédito relativo ao ano base de 2002 a ser compensado em 2003 foi de R$ 24.003,81, conforme DIPJ/2003, reconhecendo que o valor original do saldo negativo informado na PER/Dcomp diverge do valor do saldo negativo informado na DIPJ, em razão de o programa exigir informação de valores iguais, ou seja, o valor do pedido a ser compensado e o valor do crédito de saldo negativo tem que ser idênticos, aduzindo, todavia, que o direito de compensar o valor da contribuição social sobre o lucro pago a maior em exercícios anteriores é perfeitamente legal e requerendo ao final, fosse acatada a Manifestação de Inconformidade. A 5ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 32 em diante, indeferiu a solicitação da contribuinte assinalando que em 08/03/2007 foi entregue à recorrente o Termo de Intimação de folha 06, solicitando retificação da DIPJ correspondente ou apresentação de PER/Dcomp retificadora, nos seguintes termos: "Solicitase retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição. Outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deverão ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido nesta intimação ". Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13830.900018/200848 Acórdão n.º 1301001.662 S1C3T1 Fl. 3 3 Feito este esclarecimento, registrou a decisão recorrida que a contribuinte, embora devidamente intimada, não apresentou à autoridade de origem quaisquer esclarecimentos, de modo que, no despacho decisório, a autoridade administrativa, a quem foi dada a competência originária da análise da declaração de compensação, entendeu inexistente o direito creditório em razão da divergência de valores informados na PER/Dcomp e DIPJ. Ressaltouse ainda, que no caso em tela, a recorrente pleiteia compensar débitos de CSLL atinentes ao período de apuração de outubro a dezembro de 2003, com crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL, apurado no 4º trimestre do anocalendário 2003, pela sistemática do lucro real trimestral, o que evidenciaria a inconsistência lógica do pedido, por evidente impossibilidade de apuração simultânea de débito e crédito da contribuição no mesmo período. Afirmou a decisão recorrida, destarte, que a Manifestação de Inconformidade (fls. 12/13), estaria acompanhada dos documentos de folhas 14 a 38, informando que a divergência decorre dos saldos negativos de CSLL de anos anteriores (1995, 1996, 1997, 1998), que foram utilizados para quitação do referido tributo. Diante deste cenário dos fatos, concluiu a decisão recorrida que não haveria reparos a promover no despacho decisório, eis que a intenção da contribuinte não seria outro senão o de obter o reconhecimento de direito creditório com fundamento diverso do inicialmente postulado, o que evidenciaria inovação ao pedido inicial, de sorte que como novo pedido, não haveria de ser apreciado naquela instância julgadora, seja porque tal pedido não fora dirigido à autoridade fiscal, seja porque é competência precípua do Delegado da Receita Federal do Brasil manifestarse quanto ao mérito da questão, ou seja, quanto ao valor do direito creditório em discussão, sob pena de avocar para si uma competência que não lhe é cabida, pois não se trata apenas de examinar a presença do direito em tese, mas também de se verificar se o tributo reclamado originou efetivamente aquele crédito, bem como se referido indébito já não foi liquidado em compensações e se, até mesmo, já não decaiu o direito de a contribuinte pleitear a restituição do tributo em questão. A contribuinte foi devidamente cientificada da decisão acima relatada e interpôs Recurso Voluntário (fls. 41 em diante), reiterando seus argumentos já relatados, e aduzindo que estava convicta de que o procedimento adotado era plenamente de acordo com as normas reguladoras das matérias à época dos fatos, por isso deixou de fazer as retificações solicitadas pelo fisco. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal visto no relatório acima circunstanciado, cuidase na espécie de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de folhas 01 a 05, pretendendo compensar débitos de CSLL atinentes ao período de apuração de outubro a dezembro de 2003, com crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL, relativo ao 4º trimestre de 2003, no valor de R$ 3.381,78 (fl. 05). A autoridade administrativa proferiu Despacho Decisório (fl. 08), por meio do qual não reconheceu o alegado direito creditório e, por conseguinte, não homologou as compensações declaradas, fundamentando que "não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/Dcomp". O acerto da decisão proferida pela autoridade administrativa, foi reconhecido pela DRJ em Ribeirão Preto/SP, porquanto a contribuinte apresentara, na Manifestação de Inconformidade, fundamento distinto para o seu alegado direito creditório, em relação aquele apresentado nas declarações de compensação. Já assinalei em outras oportunidades, que eventuais entraves formais ou equívocos de preenchimento, não têm o condão, por si só, de invalidar um direito creditório que esteja comprovado nos autos, ou seja, não é razoável que uma compensação não seja homologada, pura e simplesmente, porque a apresentase alguma divergência entre o direito creditório indicado na DIPJ e aquele constante na declaração de compensação, quando for possível aferir a existência material do pretenso direito. Todavia, não é esta a hipótese dos autos. Na espécie, como anotado pela decisão recorrida a autoridade administrativa, longe de apenas reputar divergências entre os supostos créditos constantes na DIPJ com aqueles indicados nos PER/DCOMP, intimou a contribuinte, conforme se vê no Termo de folha 06, a retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o valor do saldo negativo apurado no período é, se fosse o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição, advertindo que outras divergências entre as informações do PER/DCOMP, da DIPJ e da DCTF do período deveriam ser sanadas pela apresentação de declarações retificadoras no prazo estabelecido naquela intimação. O que se teve, portanto, ante a clara incongruência entre as informações prestadas pela contribuinte nas declarações de compensação, foi uma intimação saneadora dos vícios que já se apontava antes mesmo de proferirse o Despacho Decisório, tendo a contribuinte ignorado as determinações, punindo assim, o reconhecimento do pretenso direito creditório. Como cediço, no procedimento de compensação, mister que o contribuinte apresente, desde a primitiva declaração de compensação, que o seu direito creditório preenche Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13830.900018/200848 Acórdão n.º 1301001.662 S1C3T1 Fl. 4 5 os requisitos de certeza e liquidez, aferíveis de pronto, mas sempre possibilitando a verificação destes dois critérios. Tem razão a decisão recorrida, portanto, ao proclamar que nas vias recursais não é legítima a inovação na indicação do direito creditório, sob pena de suprimirse o enfrentamento da autoridade administrativa primitiva, a quem compete analisar as declarações de compensação. Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de Negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 24 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 03/10/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10280.903626/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1201-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que a Delegacia de origem verifique junto ao Contribuinte a existência e respectivo valor do saldo negativo de CSLL no ano-calendário de 2004, bem como, confirme se tal crédito já foi objeto de outras compensações.
(Assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente Convocado), Luis Fabiano Alves Penteado e Cristiane Silva Costa (em substituição ao Conselheiro Rafael Correia Fuso).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10280.903626/2009-71
anomes_publicacao_s : 201412
conteudo_id_s : 5403078
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1201-000.149
nome_arquivo_s : Decisao_10280903626200971.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
nome_arquivo_pdf_s : 10280903626200971_5403078.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que a Delegacia de origem verifique junto ao Contribuinte a existência e respectivo valor do saldo negativo de CSLL no ano-calendário de 2004, bem como, confirme se tal crédito já foi objeto de outras compensações. (Assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente. (Assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente Convocado), Luis Fabiano Alves Penteado e Cristiane Silva Costa (em substituição ao Conselheiro Rafael Correia Fuso).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5742346
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474821660672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 189 1 188 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.903626/200971 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1101000.149 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de agosto de 2014 Assunto CSLL Compensação Recorrente ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que a Delegacia de origem verifique junto ao Contribuinte a existência e respectivo valor do saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2004, bem como, confirme se tal crédito já foi objeto de outras compensações. (Assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (Assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco (Suplente Convocado), Luis Fabiano Alves Penteado e Cristiane Silva Costa (em substituição ao Conselheiro Rafael Correia Fuso). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 03 62 6/ 20 09 -7 1 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 21/ 10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARA UJO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 190 ___________ RELATÓRIO Tratase o presente processo da não homologação da Declaração de Compensação referente ao pagamento a maior da CSLL no anocalendário de 2004. O valor original em cobrança é igual a R$ 237.581,81. Conforme sintetiza o relatório proferido pela 3a Turma da DRJ/PA, através do Acórdão n° 01.25.088 (fls. 6467), temos a seguinte situação: DO PEDIDO Tratase de declaração de compensação transmitida em 13/04/2006 pela contribuinte acima identificada na qual indicou crédito de R$ 289.830,36, resultante de pagamento indevido ou a maior, originário de DARF relativo à receita de código 6773, do período de apuração de 31/12/2004, no valor de R$ 4.336.295,99. A Delegacia de origem, em análise datada de 25/05/2009, registra que “a partir das características do DARF discriminado no PERD/COMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PERD/COMP”, Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese que: a) Ao final do anocalendário de 2004, (...), foi constatado o pagamento a maior da CSLL, no referido ano calendário, no valor de R$ 2.612.217,12 (...) assim levando em conta o montante apurado como pagamento a maior no ajuste anual de 2004, procedeu, a empresa, a compensação legal que lhe entendia devida, a qual, para sua surpresa, não foi homologada pela N. fiscalização, pelas razões retro mencionadas. b) O crédito tributário adquirido pela empresa deveuse ao pagamento a maior da CSLL, no anocalendário de 2004, tributo esse que, consoante legislação atinente ao assunto, é administrado pela Secretária da Receita Federal e é passível de restituição. c) Ocorre, no presente caso, pois a única razão que se vê é essa, que a Receita Federal, ao analisar o montante apurado como pago a maior pela contribuinte, qual seja R$ 2.612.217,12 (...), não atentou ao fato que tal crédito disponível à empresa, no momento em que foi efetuada a compensação, fora atualizado pela taxa SELIC, atualização essa legalmente prevista na legislação que toca o assunto, digase inclusive, pela própria Instrução Normativa 900 da RFB de dezembro de 2008. Contrariando as alegações expostas pela interessada, a DRJ/PA julgou improcedente a Impugnação, pelo fato de que não foi identificada a origem do indébito Fl. 199DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 21/ 10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARA UJO Processo nº 10280.903626/200971 Resolução nº 1101000.149 S1C1T1 Fl. 191 3 tributário, e a DIPJ não é o instrumento suficientemente necessário para constituição de crédito tributário a restituir/compensar. Contra referido acórdão, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual ratifica os termos da Impugnação. É o Relatório. VOTO Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e encontrase revestido das formalidade legais, atendendo os pressupostos de admissibilidade, dela se conhecendo. Passo, portanto ao exame do processo, consoante os argumentos aduzidos na impugnação e no Recurso Voluntário. O crédito em discussão no montante de R$ 2.612.217,12, foi tratado pela interessada como crédito originado em pagamento indevido ou a maior. No entanto, em exame da DIPJ do período, foi identificado que tratase na realidade de um crédito originado pelo saldo negativo de CSLL, conforme disposto na ficha 17 da referida declaração. A formalização de um crédito tributário a compensar oriundo de um pagamento indevido ou a maior, tem origem na DCTF, onde o contribuinte deve demonstrar qual foi o valor pago do débito e o montante que deve ser alocado à aquele tributo. Cabe ao contribuinte também efetuar a declaração de compensação para utilizar o crédito gerado nessa situação. No entanto, a formalização de um crédito tributário a compensar gerado através de um saldo negativo de declaração, não necessita de ser formalizado pela DCTF. Neste caso, o contribuinte deve transmitir declaração de compensação de saldo negativo de CSLL, e tal informação é validada com as fichas da DIPJ. No caso em tela, o contribuinte demonstrou em sua DIPJ um saldo negativo de CSLL, visto que no ano de 2004, foi pago o total de estimativa de R$ 37.690.247,12, contudo, o valor devido era de R$ 35.078.029.99, gerando desta forma o saldo negativo de R$ 2.612.217,13. Ocorre que no momento da formalização do referido crédito através da declaração de compensação, o contribuinte selecionou a opção de “pagamento indevido ou a maior”, contudo, para essa situação o correto seria “ saldo negativo de CSLL”. Por se tratar desta modalidade de compensação, o primeiro procedimento realizado foi a checagem na DCTF do período, porém tal valor não foi identificado em DCTF como pago a maior, por se tratar de saldo negativo da CSLL. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 21/ 10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARA UJO Processo nº 10280.903626/200971 Resolução nº 1101000.149 S1C1T1 Fl. 192 4 O contribuinte deveria ter assinalado a opção de saldo negativo no momento inicial da confecção da declaração de compensação. Pela utilização indevido do instrumento de restituição/compensação, o crédito ficou disposto apenas na DIPJ do anocalendário de 2004. No entanto, essa obrigação acessória não é suficiente para formalizar a utilização do referido crédito. Em documento de fls. 121, encontrase um demonstrativo da existência do crédito tributário, contudo, o mesmo não é suficiente para efetivar o crédito em questão. Por este motivo, entendo ser necessária a diligência para confirmação e autenticação do possível saldo negativo da CSLL no ano calendário de 2004. Diante do exposto, voto por CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA para que a Delegacia de origem verifique junto ao Contribuinte a existência e respectivo valor do saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2004, bem como, confirme se tal crédito já foi objeto de outras compensações. É como voto. (Assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 201DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 21/ 10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARA UJO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724074/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008
PREMIAÇÕES PAGAS POR TERCEIROS A EMPREGADOS DA EMPRESA AUTUADA POR ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO AMBIENTE DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA O EMPREGADOR.
Os pagamentos efetuados por terceiros, fornecedores de produtos/serviços, que mantêm contrato de parceria com o empregador, aos empregados deste por atividades desenvolvidas no ambiente laboral, não constituem fato gerador da contribuição incidente sobre os pagamentos efetuados em razão da relação empregatícia.
Recurso Voluntário Provido.
Se o órgão de julgamento puder decidir a causa em favor do sujeito passivo, deverá abster-se de declarar pronunciar nulidade que a este beneficiaria.
Numero da decisão: 2401-003.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos conhecer do recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não conhecia por entender haver concomitância. II) por maioria de votos excluir do polo passivo os responsáveis solidários. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluía. III) por maioria de votos, dar provimento ao recurso em virtude da improcedência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que, no mérito, negava. Deixou de ser apreciada a questão referente a declaração de nulidade de decisão de primeira instância, em virtude de a decisão de mérito ter sido favorável ao sujeito passivo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewans Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 PREMIAÇÕES PAGAS POR TERCEIROS A EMPREGADOS DA EMPRESA AUTUADA POR ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO AMBIENTE DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA O EMPREGADOR. Os pagamentos efetuados por terceiros, fornecedores de produtos/serviços, que mantêm contrato de parceria com o empregador, aos empregados deste por atividades desenvolvidas no ambiente laboral, não constituem fato gerador da contribuição incidente sobre os pagamentos efetuados em razão da relação empregatícia. Recurso Voluntário Provido. Se o órgão de julgamento puder decidir a causa em favor do sujeito passivo, deverá abster-se de declarar pronunciar nulidade que a este beneficiaria.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10166.724074/2012-48
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5414440
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2401-003.796
nome_arquivo_s : Decisao_10166724074201248.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10166724074201248_5414440.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos conhecer do recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não conhecia por entender haver concomitância. II) por maioria de votos excluir do polo passivo os responsáveis solidários. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluía. III) por maioria de votos, dar provimento ao recurso em virtude da improcedência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que, no mérito, negava. Deixou de ser apreciada a questão referente a declaração de nulidade de decisão de primeira instância, em virtude de a decisão de mérito ter sido favorável ao sujeito passivo. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewans Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5778753
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474854166528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2175; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 928 1 927 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.724074/201248 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.796 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de dezembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CAIXA ECONOMICA FEDERAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL LANÇADO ANTERIORMENTE. INOCORRÊNCIA DE RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Ainda que os lançamentos objeto de ação anulatória contenham os mesmos fatos geradores e fundamentos jurídicos presentes nos lançamentos agora impugnados, para esses não há de se declarar ocorrência de renúncia à discussão administrativa em razão do ajuizamento da ação anulatória proposta para desconstituir as lavraturas anteriores. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. NÃO DECLARAÇÃO DE NULIDADE QUE A ESTE BENEFICIARIA. Se o órgão de julgamento puder decidir a causa em favor do sujeito passivo, deverá absterse de declarar pronunciar nulidade que a este beneficiaria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 PREMIAÇÕES PAGAS POR TERCEIROS A EMPREGADOS DA EMPRESA AUTUADA POR ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO AMBIENTE DE TRABALHO. INEXISTÊNCIA DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA O EMPREGADOR. Os pagamentos efetuados por terceiros, fornecedores de produtos/serviços, que mantêm contrato de parceria com o empregador, aos empregados deste por atividades desenvolvidas no ambiente laboral, não constituem fato gerador da contribuição incidente sobre os pagamentos efetuados em razão da relação empregatícia. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 74 /2 01 2- 48 Fl. 934DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) por maioria de votos conhecer do recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não conhecia por entender haver concomitância. II) por maioria de votos excluir do polo passivo os responsáveis solidários. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluía. III) por maioria de votos, dar provimento ao recurso em virtude da improcedência do lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira que, no mérito, negava. Deixou de ser apreciada a questão referente a declaração de nulidade de decisão de primeira instância, em virtude de a decisão de mérito ter sido favorável ao sujeito passivo. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewans Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 2401003.796 S2C4T1 Fl. 929 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 03 56.342 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Brasília (DF), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir as lavraturas abaixo: a) Auto de Infração AI n.º 37.348.2361: contribuições patronais para a Seguridade Social; e b) Auto de Infração AI n.º 37.348.2370: contribuição dos segurados. Ambos os AI contemplam os mesmos fatos geradores, quais sejam as remunerações pagas a segurados empregados a serviço da autuada a título de premiações. O lançamento foi estruturado em dois levantamentos: a) pagamentos de premiações pela FPC PAR Corretora de Seguros S/A aos empregados da CEF, diretamente ou por intermédio das empresas "ALQUIMIA" e "WEB PRÊMIO"; b) pagamento de premiações pelas empresas do GRUPO CAIXA SEGUROS (grupo formado pelas empresas Caixa Consórcios S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Capitalização S/A e Caixa Seguradora S/A) aos empregados da CEF, por intermédio das empresas "ALQUIMIA" e "WEB PRÊMIO". Foram arroladas no polo passivo na condição de devedoras solidárias as empresas Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A e FPC PAR Corretora de Seguros S/A, que segundo o fisco integram grupo econômico. De acordo com a autoridade lançadora, as empresas são interligadas entre si e controladas direta ou indiretamente pelo mesmo grupo de pessoas, formando inequivocamente um grupo econômico. A seguir apresenta os fatos que conduziram a esta conclusão. A autuada e demais solidárias apresentaram defesa, com alegações que levaram o órgão julgador de primeira instância determinar a realização de diligência para que o fisco se manifestasse sobre a alegação de existência de recolhimentos relativos às contribuições lançadas. Em resposta a diligência, foi emitida informação fiscal segundo a qual as guias apresentadas foram apropriadas em lançamentos efetuados contra a empresa FPC PAR. Do resultado da diligência foram cientificadas a autuada e a empresa FCP PAR, as quais se manifestaram para rebater o teor da informação fiscal. A DRJ, então, declarou o lançamento procedente em parte. Foi reconhecida a decadência para a competência 04/2007, por aplicação da regra do § 4.º do art. 150 do CTN. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Foi excluída a qualificação da multa, por entender o órgão a quo que não houve a demonstração pelo fisco da ocorrência de fraude ou dolo. Em razão da existência de ação judicial, na qual a autuada busca a anulação de lançamentos contemplando os mesmos fatos geradores e com os idênticos fundamentos do que ora se julga, não foram conhecidos os argumentos de ilegitimidade passiva da Caixa Econômica Federal, bem como da improcedência do lançamento. Também deixaram de ser conhecidas as alegação da FCP PAR apresentados após a impugnação. Esta empresa foi excluída do polo passivo, posto que a DRJ não vislumbrou a sua participação no grupo econômico apontado pelo fisco. Foram negados os pedidos para realização de perícia e para juntada posterior de novos documentos. A autuada interpôs recurso, no qual, em síntese apertada, alegou que: a) a Caixa Econômica Federal CEF não renunciou à discussão administrativa referente ao presente AI, posto que, embora tenha ajuizado uma ação anulatória de débito, relativa à incidência de contribuições sobre "prêmios" concedidos a seus empregados por empresas parceiras, o referido lançamento se refere a período anterior ao que agora se discute; b) ao mencionar na sua defesa a existência de ação judicial discutindo os mesmos fatos geradores, pretende a recorrente a suspensão do feito administrativo; c) o reconhecimento da concomitância somente seria possível se a discussão travada nas lides administrativa e judicial fosse exatamente a mesma, o que não se verifica na espécie; d) deve, portanto, ser anulada a decisão de primeira instância, por claro cerceamento ao direito de defesa da recorrente; e) mesmo diante da nulidade da decisão da DRJ, o CARF pode decidir a demanda em favor do sujeito passivo, com base no § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972; f) inexiste o grupo econômico apontado pelo fisco, posto que em momento algum este demonstra a concentração do controle do grupo em quaisquer das empresas listadas; g) não havendo grupo econômico, devese afastar a solidariedade prevista no inciso IX do art. 30 da Lei n.º 8.212/1991; h) a vedação de recebimento pelos empregados da CEF de quaisquer prêmios ou vantagens de terceiros não se aplica às operações realizadas com empresas com que a CEF tenha firmado acordo operacional de cooperação; i) os prêmios não têm natureza salarial, funcionando como instrumento de gestão e incentivo para aumento da produtividade nas atividades empresariais; j) a aceitação dos programas de premiação é facultativa, além de que os empregados recebem "pontos" de bonificação, que, uma vez acumulados, podem ser trocados por produtos previamente anunciados em catálogos; Fl. 937DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 2401003.796 S2C4T1 Fl. 930 5 k) há de se diferenciar as premiações oferecidas pela própria CEF (endomarketing) daquelas repassadas aos empregados pelas empresas parceiras; l) nas campanhas realizadas pela recorrente não há uma periodicidade definida, tampouco uniformidade nos objetivos, o que retira das premiações o caráter salarial, por falta de habitualidade; m) a jurisprudência tem entendido que a ausência de habitualidade, periodicidade e certeza dos prêmios desconfiguram a sua feição remuneratória. Cita decisões; n) em relação às campanhas de bonificações oferecidas pelas empresas parceiras, melhor sorte não assiste à acusação fiscal, uma vez que as pontuações oferecidas não se revestem dos critérios mínimos para caracterização da pretendida natureza remuneratória, uma vez que ausente requisito essencial representado pela habitualidade; o) os empregados da CEF não promovem diretamente a venda dos produtos das empresas parceiras, mas apenas efetuam as indicações destes aos clientes, funcionando como elo entre o interessado na aquisição do produto/serviço e a empresa fornecedora; p) não se pode dizer que as premiações assumem natureza salarial, posto que são benefícios pagos não pelo empregador, mas por terceiros; q) também não podem as premiações ser tratadas como gorjetas, posto que estas são pagas aos empregados por clientes e não por fornecedores de produtos serviços; r) as gueltas, que são prêmios pagos por terceiros fornecedores como forma de incentivar a comercialização preferencial de seus produtos ou serviços, somente assumem feição salarial quando o empregador tem controle sobre os valores repassados, o que não se observa na presente situação; s) as parcelas tomadas pelo fisco não se enquadram no conceito de saláriode contribuição, posto que são premiações efetuadas por fornecedores aos funcionários da CEF, sem que esta tenha qualquer controle sobre as pontuações creditadas; t) qualquer eventual obrigação tributária decorrente das premiações sob enfoque é de responsabilidade das empresas fornecedoras, não podendo ser imputada à CEF; u) por isso, a partir do exercício de 2007, as empresas parceiras passaram a efetuar o recolhimento dos tributos supostamente devidos, de forma a excluir a CEF de qualquer imposição fiscal. Esses recolhimentos devem ser identificados mediante a realização de diligência fiscal. Ao final, pedese a nulidade da decisão recorrida ou, caso o CARF pretenda apreciar o mérito da causa, que se reconheça a improcedência da lavratura. Interpuseram recurso comum as empresas do Grupo Caixa Seguros (Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A). Na peça de inconformismo, alegaram que: a) a decisão de primeira instância deve ser anulada, posto que inexiste a concomitância ali reconhecida, uma vez que a ação anulatória n.º 005604036.2011.4.01.3400 Fl. 938DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 não tem as recorrentes como partes, e possui objeto totalmente distinto do presente processo administrativo; b) reconhecida a inexistência de grupo entre a CEF e a FCP PAR, dissolvese o suposto vínculo empregatício entre esta e os empregados daquela e devem ser excluídos do lançamento os valores que envolvem a FCP PAR; c) embora consideradas responsáveis solidárias pelas contribuições lançadas, as recorrentes não foram devidamente intimadas nem do resultado da diligência fiscal, tampouco da decisão de primeira instância. Por isso todos os atos do processo a partir da diligência fiscal são nulos; d) as recorrentes efetivamente não formam grupo econômico com a CEF, mas apenas atuam em parceria na captação de clientes. Em nenhum momento o fisco demonstrou a existência de controle entre a autuada e as empresas do Grupo Caixa Seguradora ou viceversa; e) não é crível que a CEF, empresa pública cujo único sócio é a União, forme grupo econômico com empresas privadas; f) a CEF têm participação acionária nas recorrentes, mas os sócios majoritários são de origem francesa, sendo que a relação entre as empresas arroladas no polo passivo do débito é apenas comercial; g) a utilização da marca da CEF pela empresas parceiras decorre de cessão de uso, não podendo ser usada para caracterizar a existência de grupo econômico, também a inserção de links das recorrentes na página eletrônica da CEF não pode ser tomada para comprovar este fato; h) a jurisprudência do CARF não aceita que meras presunções sejam adotadas para dar sustentação a conclusões fiscais que imponham responsabilidade tributária; i) por outro lado, para ser chamada para o polo passivo na condição de solidária, não basta que uma empresa seja integrante de grupo econômico, mas que esta efetivamente participe das ações geradoras da obrigação tributária; j) a premiação não representa sistemática substitutiva da remuneração dos empregados da CEF, mas um adicional pago àqueles que aceitam participar das campanhas e atingem as condições estabelecidas no programa de incentivo; k) apresenta os principais aspectos do marketing de incentivo, para comprovar que as premiações não se subsumem ao conceito de saláriodecontribuição; l) os valores constantes nas notas fiscais emitidas pelas empresas de marketing de incentivo não se referem apenas a prêmios, mas também a retribuição pelos serviços prestados por estas à contratante e a reembolsos de despesas para realização das campanhas; m) o traço característico dos programas de premiação é a eventualidade, que retira o caráter remuneratório dos prêmios; n) o fisco não cuidou de segregar as diversas formas de pagamentos de incentivo, as quais não se relacionavam apenas a premiação por alcance de metas, mas também concursos culturais destinados a filhos de empregados das recorrentes e de empresas parceiras; Fl. 939DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 2401003.796 S2C4T1 Fl. 931 7 o) faz considerações doutrinárias sobre a hipótese de incidência de contribuições, para aplicálas ao caso concreto dos pagamentos decorrentes de marketing de incentivo, onde conclui não haver subsunção dos fatos à norma tributária; p) prejudicou o seu direito de defesa a denegação dos pedidos de realização de perícia e de juntada posterior de documentos; q) apresentam quesitos para produção da prova pericial e indica profissional para atuar como assistente técnico; r) deve ser mantida a exclusão da multa qualificada, uma vez que não restou configurada a existência de sonegação e fraude; Ao final, requereram: a) declaração de nulidade da decisão recorrida; b) que seja afastada a concomitância declarada no acórdão da DRJ; c) que sejam excluídos do lançamento os valores pagos pela FCP PAR; d) o afastamento da solidariedade imputada às recorrentes; e) que se declare improcedente a lavratura; f) o acatamento para a realização de prova pericial; g) que se faculte a juntada de novos documentos. É o relatório. Fl. 940DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Do cerceamento ao direito de defesa No curso da instrução do processo, após o oferecimento da impugnação, o feito foi baixado em diligência para que para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse acerca de guias de recolhimento pertencentes à empresa FCP PAR e que as impugnantes alegaram que alterariam o resultado da apuração fiscal. Fruto de tal incidente processual, foi emitida Informação Fiscal, a qual veiculou parecer conclusivo acerca do objeto da diligência em apreço, moldado nos seguintes termos: "3. Visando a comprovação do pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as premiações, a CEF anexou algumas Guias da Previdência social (GPS) recolhidas pela empresa FPC PAR que em tese comprovariam o recolhimento das contribuições previdenciárias em questão. 4. Destacase ainda que a empresa FPC PAR e as empresas do Grupo Caixa Seguro, também apresentaram impugnação, anexando as mesmas GPS, nas quais afirmam que tais guias se referem ao crédito previdenciário em questão. 5. Tendo em vista tais alegações, o referido processo foi encaminhado em diligência à fiscalização para que a mesma se manifestasse informando se as GPS apresentadas se referem de fato ao crédito previdenciário objeto do processo 10166.724075/201292 e em caso afirmativo, elaborasse uma planilha discriminando mensalmente os valores a serem deduzidos das rubricas lançadas nos AIOP. 6. Isto posto, cabe ressaltar que as GPS anexadas pelas empresas, foram sim consideradas e devidamente apropriadas quando da apuração do crédito previdenciário lavrado em nome da empresa FPC PAR. Em face de tais apropriações, os AIOP DEBCAD n° 37.376.8109 e 37.376.8117 lavrados contra esta empresa contêm lançamento tãosomente das competências 04 a 07/2007, período no qual não houve nenhum recolhimento. Conforme Relatório Fiscal (folha 19) dos autos de infração DEBCAD n° 37.376.8109 e 37.376.8117. 7. No entanto, os créditos previdenciários objetos deste processo fiscal, lavrados contra a CEF, AIOP DEBCAD n° 51.015.025 e n°51.015.0268, referemse ao pagamento de remunerações pagas aos empregados da CEF. Ficando portando esta empresa Fl. 941DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 2401003.796 S2C4T1 Fl. 932 9 diretamente responsável pelo pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela mesma, ou seja, não há possibilidade de se aproveitar o recolhimento efetuado por outra empresa (FPC PAR), mediante GPS exclusivas da mesma, para apropriação no crédito previdenciário da Caixa Econômica Federal.” Com efeito, prestouse tal parecer de alicerce para o livre convencimento da autoridade judicante administrativa a quo e como fundamento da decisão de primeira instância lavrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília/DF, que culminou na declaração de procedência parcial da lavratura. Compulsando os autos, todavia, não logrei me deparar com qualquer indício de prova material que demonstrasse terem sido as devedoras solidárias integrantes do Grupo Caixa Seguros (Caixa Capitalização S/A, Caixa Vida e Previdência S/A, Caixa Consórcios S/A, Caixa Seguradora S/A) devidamente cientificadas da juntada da Informação Fiscal referida nos parágrafos precedentes. Nesse panorama, verificase ter sido lavrada a Decisão Administrativa ora guerreada sem que tenha sido oportunizada a parte das empresas arroladas no polo passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado da diligência fiscal em questão. Observese que, por esse motivo, as empresas do Grupo Caixa Seguros deixaram de se manifestar sobre o resultado da diligência e, em grau de recurso, suscitaram a irregularidade processual consistente na falta de cientificação do pronunciamento fiscal. A privação do conhecimento das razões aduzidas pela Fiscalização, as quais se prestaram na fundamentação da decisão recorrida, configurou, ao meu sentir, hipótese de cerceamento de defesa, pela efetiva exclusão do contraditório além de supressão de instância eis que a contradita das empresas do Grupo Caixa Seguros ficou reservada, tão somente, à instância recursal. A situação fática retratada no presente caso, consistente na usurpação do direito ao contraditório, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no Decreto nº 70.235/72, que rege os Processos Administrativos Fiscais nas ordens do Ministério da Fazenda, ao qual, hodiernamente, também se submetem os procedimentos fiscais e os processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições previdenciárias, sendo aquelas, destas, espelho. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Nesse contexto, encaminho pela declaração de nulidade do Acórdão combatido, com fulcro no art. 59, II do Decreto nº 70.235/72, para ciência das empresas do Grupo Caixa Seguros do teor da Informação Fiscal a fl. 637, devendo ser reaberto o prazo normativo para se manifestar nos autos. Da inexistência de renúncia à discussão administrativa A DRJ deixou de enfrentar o mérito da questão sob a alegação de que houvera renúncia do sujeito passivo em discutir administrativamente a questão, por ter ajuizado ação judicial visando à anulação de créditos lavrados em ação fiscal pretérita, cujos fatos geradores e fundamentos da lavratura coincidem integralmente com aqueles constantes nos AI sob enfoque. Não devemos concordar com este entendimento. Na verdade, a ação proposta se refere a lançamentos específicos e o resultado do julgamento não irá se refletir no presente caso. Ali discutese pontualmente a nulidade da relação jurídica que deu ensejo às NFLD n.º 37.114.4612 e 37.114.4663, débitos estes estranhos ao presente processo administrativo. É o que se observa do relatório da sentença da Justiça Federal do DF, Processo n. 00560403620114013400, conforme excerto do seu relatório: “Tratase de ação sob o procedimento ordinário ajuizada pela CAIXA ECONÓMICA FEDERAL contra a UNIÃO FEDERAL, objetivando invalidar os autos de infração referentes às contribuições previdenciárias (e seus consectários), decorrentes de autuações promovidas pela fiscalização federal no ano de 2007.” Observese que o manejo da ação anulatória leva a provimento jurisdicional de natureza constitutiva com vistas a anular um lançamento específico, não derramando efeitos sobre futuros atos de constituição do crédito tributário. Por outro lado, mesmo que se reconhecesse a renúncia da CEF, esta situação não afetaria as impugnações apresentadas pelas devedoras solidárias, que não fazendo parte da lide judicial referida, não poderiam sofrer os efeitos da renúncia à discussão administrativa. Assim, também por este motivo, é cabível a anulação do acórdão da DRJ para esta apreciasse o mérito da causa. Todavia, ao invés de declarar a nulidade da decisão da DRJ, vamos lançar mão do § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235/1972, acima transcrito, para apreciar o mérito da causa, posto que os dados do processo permitem que esse colegiado tem todos os elementos para se pronunciar sobre a matéria principal da lide. Inexistência de responsabilidade da CEF sobre as contribuições lançadas Conforme os fatos relatados, a exação tem como fato gerador a concessão de prêmios a empregados da CEF por empresas que com esta mantinham contratos operacionais de venda de produtos e serviços. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10166.724074/201248 Acórdão n.º 2401003.796 S2C4T1 Fl. 933 11 Esse sistema de bonificação tinha por finalidade incentivar os empregados da autuada a comercializarem os produtos das empresas parceiras, a FCP PAR e as aquelas integrantes do Grupo Caixa Seguros. O entendimento do fisco, chancelado pela Delegacia de Julgamento, é de que o fato dos prêmios serem disponibilizados por tarefas executadas por empregados da CEF, nas dependências desta e dentro da sua jornada de trabalho tornaria esta sujeito passivo das contribuições incidentes sobre os valores repassados a título de bonificação. A autuada, por sua vez, afirma que não pode responder pela dívida, haja vista que os pagamentos não foram por ela efetuados, além de que nunca possuiu controle sobre a sistemática de pontuação que resulta na concessão dos bônus de produtividade. Em adição acrescenta que a FCP PAR, inclusive, vem efetuando o recolhimento das contribuições sobre essas verbas, por ser esta empresa o verdadeiro sujeito passivo da obrigação sobre tela. A solução desta contenda, a meu ver, resolvese com a interpretação da regra jurídica que tratado do fato gerador da contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração paga aos seus empregados. O inciso I do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991 dispõe: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) Desse dispositivo pode ser extraído que, a grosso modo, o fato gerador desse tributo é o pagamento pelo sujeito passivo de remuneração a segurados para retribuir o trabalho que estes desenvolvem pelo vínculo de emprego que estes mantêm com aquele. Não tenho dúvida que no caso sob enfoque temse o pagamento de remuneração a segurados empregados da CEF, pelo trabalho desenvolvido no ambiente laboral. Assim, o critério material do fato gerador encontrase satisfeito. Todavia, há nesses pagamentos uma particularidade que o fisco deixou de levar em conta. Falo do critério pessoal do fato gerador, qual seja a definição da pessoa que pratica o fato gerador das contribuições, sendo o contribuinte do tributo. Segundo a regra matriz de incidência, o sujeito passivo é aquele que paga a remuneração, ou seja a pessoa que disponibiliza os recursos que são repassados aos trabalhadores em razão da prestação do serviço. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Os autos revelam que essa pessoa não é a CEF, mas as empresas ditas parceiras. Cai por terra assim a sujeição passiva da autuada, haja vista que não há a comprovação de que sequer as verbas eram repassadas pela instituição bancária. Sobre essa questão é bom que se diga que essas premiações não podem ser confundidas com as gorjetas, posto que estas decorrem de pagamentos feitos por clientes do empregador que repassam a este os valores, os quais posteriormente são rateados entre os empregados. O caso aqui apreciado traz verba de natureza diversa, tratase das "gueltas", que são gratificações ou prêmios pagos por terceiro (normalmente um distribuidor ou fornecedor) aos empregados de uma empresa, com a anuência do empregador e no exercício de sua atividadefim. Tais pagamentos têm como objetivo principal o aumento das vendas de certos produtos e/ou serviços oferecidos pelo terceiro através de um incentivo financeiro concedido ao trabalhador. Embora se assemelhem, as gueltas se diferenciam das gorjetas, não sendo possível considerálas saláriodecontribuição, uma vez que de acordo com § 1.º do art. 108 do CTN, a analogia não pode ser utilizada para se exigir tributo não previsto em lei. Assim, mesmo sabendo que a jurisprudência trabalhista dominante tem entendido que, por se assemelharem às gorjetas, as gueltas teriam reflexo no cálculo das verbas laborais, não é esta solução que deve ser dada no direito previdenciário tributário, haja vista que as referidas parcelas não se subsumem ao conceito de base de cálculo da contribuição patronal sobre a remuneração de empregados, nos termos do citado inciso I do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991. Feitas essas considerações, encaminho pelo provimento do recurso, por entender que as verbas em questão não representam pagamento pelo empregador de remuneração aos seus empregados. Conclusão Voto por excluir do polo passivo os devedores solidários e, no mérito, por dar provimento ao recurso, deixando de apreciar possível nulidade na decisão recorrida, uma vez que o mérito da causa está sendo resolvido em favor do sujeito passivo. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 945DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003130/2006-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PRELIMINAR DE NULIDADE. GLOSA PARCIAL DE CRÉDITO SEM LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. PRECLUSÃO MATERIAL.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
PIS. BASE DE CÁLCULO. CONTRAPARTIDA DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. GLOSA PROPORCIONAL DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com o Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, é inconstitucional a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Aplicação do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Logo, é indevida a glosa proporcional do crédito apurado pelo sujeito passivo sob a alegação de que o mesmo teria deixado de incluir na base de cálculo das contribuições a contrapartida da transferência onerosa de créditos de ICMS decorrentes de exportação.
RESSARCIMENTO DE PIS. CABIMENTO DE JUROS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Há expressa vedação legal quanto ao cabimento de juros no ressarcimento de PIS. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995 se aplica somente aos casos de compensação e restituição, que não se confundem com ressarcimento.
Numero da decisão: 3201-001.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, dar parcial provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Joel Miyazaki - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. GLOSA PARCIAL DE CRÉDITO SEM LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. PRECLUSÃO MATERIAL. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. PIS. BASE DE CÁLCULO. CONTRAPARTIDA DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. GLOSA PROPORCIONAL DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, é inconstitucional a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Aplicação do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Logo, é indevida a glosa proporcional do crédito apurado pelo sujeito passivo sob a alegação de que o mesmo teria deixado de incluir na base de cálculo das contribuições a contrapartida da transferência onerosa de créditos de ICMS decorrentes de exportação. RESSARCIMENTO DE PIS. CABIMENTO DE JUROS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Há expressa vedação legal quanto ao cabimento de juros no ressarcimento de PIS. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995 se aplica somente aos casos de compensação e restituição, que não se confundem com ressarcimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11020.003130/2006-86
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5416235
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3201-001.674
nome_arquivo_s : Decisao_11020003130200686.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : DANIEL MARIZ GUDINO
nome_arquivo_pdf_s : 11020003130200686_5416235.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, dar parcial provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo. (ASSINADO DIGITALMENTE) Joel Miyazaki - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5781110
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:34:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474864652288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2386; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 181 1 180 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.003130/200686 Recurso nº 265.056 Voluntário Acórdão nº 3201001.674 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria RESSARCIMENTO PIS 2º TRIM. 2006 Recorrente INDÚSTRIA DE MÓVEIS B & B LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. GLOSA PARCIAL DE CRÉDITO SEM LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. PRECLUSÃO MATERIAL. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. PIS. BASE DE CÁLCULO. CONTRAPARTIDA DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. GLOSA PROPORCIONAL DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, é inconstitucional a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Logo, é indevida a glosa proporcional do crédito apurado pelo sujeito passivo sob a alegação de que o mesmo teria deixado de incluir na base de cálculo das contribuições a contrapartida da transferência onerosa de créditos de ICMS decorrentes de exportação. RESSARCIMENTO DE PIS. CABIMENTO DE JUROS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Há expressa vedação legal quanto ao cabimento de juros no ressarcimento de PIS. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995 se aplica somente aos casos de compensação e restituição, que não se confundem com ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 31 30 /2 00 6- 86 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Acordam os membros do colegiado da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, dar parcial provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo. (ASSINADO DIGITALMENTE) Joel Miyazaki Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente do Pedido de Ressarcimento — PER/DCOMP de fl. 01/04 relativo aos valores de PIS não cumulativo do 1° trimestre de 2006, totalizando R$ 5.504,52, com base no DACON de fls.14/64. A DRF em Caxias do Sul/RS, ao proceder à análise dos créditos verificou que a contribuinte não incluiu na base de cálculo da contribuição os valores dos créditos de ICMS transferidos a terceiros. Sanada tal irregularidade, conforme consta dos elementos de fls. 65/83 provenientes daquela, DRF, redundou que o crédito foi inferior ao pretendido (R$ 4.746,75). A interessada apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade (fls. 88/140), argumentando que o crédito de ICMS transferido a terceiros não pode ser considerado receita, pois a operação não gera aumento de patrimônio, mas mera recuperação de custos. Considerar que os valores dos créditos de ICMS transferidos a terceiros constituem base de cálculo das contribuições seria incorrer em bitributação, o que é rejeitado pelo direito tributário. Também argumenta que os créditos de ICMS seriam decorrentes de exportação e sua tributação configuraria grave ofensa ao comando constitucional da imunidade das exportações. Pleiteia que o valor do ressarcimento sofra atualização monetária pela Taxa Selic. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 17/12/2008, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) indeferiu a solicitação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1018.079 (fls. 155/156): Fl. 182DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 11020.003130/200686 Acórdão n.º 3201001.674 S3C2T1 Fl. 182 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 BASE DE CÁLCULO O crédito de ICMS transferido para terceiros faz parte da base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos. TAXA SELIC VEDAÇÃO LEGAL De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de Cofins objetos de ressarcimento. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 07/01/2009 (f1.158), tendo protocolado seu recurso voluntário em 29/01/2009 (fls. 161/169), que, em síntese, requer a reforma do acórdão recorrido com base na mesma linha de argumentação empregada na manifestação de inconformidade, acrescendolhe a preliminar de nulidade do acórdão, tendo em conta que glosou parte do crédito objeto do pedido de ressarcimento, mediante alteração da base de cálculo do PIS devido, sem que, para tanto, tenha constituído o crédito tributário com o lançamento. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por atender em parte aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, o recurso voluntário deve ser conhecido também parcialmente. A parte não conhecida referese à preliminar arguida em sede recursal e o motivo do não conhecimento será pormenorizado adiante. Introdução Conforme já antecipado no relatório, o litígio surgiu pela divergência entre a fiscalização e a ora Recorrente quanto ao saldo credor de PIS relativo ao 4º trimestre de 2005, objeto de pedido de ressarcimento na forma do art. 5º, § 2º, da Lei nº 10.637 de 2002. Segundo a fiscalização, durante o processo de análise do pedido em questão, apurouse saldo credor inferior ao pretendido pela Recorrente após ter sido constatado que créditos de ICMS por ela transferidos a terceiros não foram incluídos na sua base de cálculo do PIS. A manifestação de Fl. 183DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 inconformidade apresentada pela ora Recorrente não foi acolhida pela instância a quo, ocasionando o recurso voluntário em exame. Preliminar A Recorrente alega que a decisão recorrida é nula, tendo em conta que glosou parte do crédito objeto do pedido de ressarcimento, mediante alteração da base de cálculo da COFINS devida, sem que, para tanto, tenha constituído o crédito tributário com o lançamento. Com isso, teria violado o art. 142 do Código Tributário Nacional. Ocorre que essa argumentação não foi suscitada na fase impugnatória tal como exigido nos arts. 16, inc. III, e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Percebese, pois, que se trata de caso clássico de preclusão material. É o que se depreende dos seguintes arestos do CARF: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO. Considera se preclusa a matéria relacionada a inclusão do responsável tributário no pólo passivo da obrigação tributária quando este em sede impugnatória não contesta tal matéria, vindo a fazêlo apenas em sede recursal. (Acórdão nº 1401001.137, Rel. Cons. ANTONIO BEZERRA NETO, Sessão de 12/03/2014) ......................................................................................................... PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. (Acórdão nº 2302003.151, Rel. Cons. ARLINDO DA COSTA E SILVA, Sessão de 13/05/2014) ......................................................................................................... RECURSO VOLUNTÁRIO. CORREÇÃO DO VALOR RECONHECIDO. TAXA SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de discutir assunto não contestado desde a manifestação de inconformidade. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 11020.003130/200686 Acórdão n.º 3201001.674 S3C2T1 Fl. 183 5 (Acórdão nº 3102002.136, Rel. Cons. RICARDO PAULO ROSA, Sessão de 29/01/2014) Com efeito, a preliminar ora analisada não pode ser conhecida. Mérito a) Tributação da transferência de créditos de ICMS a terceiros O tema da incidência de PIS e Cofins sobre a contrapartirda financeira da transferência de créditos de ICMS decorrentes de exportação já foi objeto de julgamento do Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, nos termos da ementa abaixo transcrita: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 2211 2013 PUBLIC 25112013) Considerando o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, segundo o qual as decisões definitivas do STF julgadas sob o regime do art. 543B do Código de Processo Civil são vinculantes para os membros do CARF, devendo ser reproduzidas, o acórdão proferido no Recurso Extraordinário nº 606.107/RS deve ser reproduzido. Com efeito, a decisão recorrida deve ser reformada neste particular. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 11020.003130/200686 Acórdão n.º 3201001.674 S3C2T1 Fl. 184 7 b) Aplicação de juros sobre os créditos passíveis de ressarcimento Por fim, a Recorrente alega que são devidos juros sobre os créditos quando seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Além disso, sustenta que tais juros devem ser calculados pela Taxa Selic, consoante previsão legal contida no art. 39, § 4º, da Lei n° 9.250, de 1995. A instância a quo, a seu turno, aplicou os arts. 13 e 15, inc. VI, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, que assim dispõem: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI no art. 13 desta Lei. Inicialmente, convém consignar que o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995 referese a casos de compensação ou restituição, e não de ressarcimento. A distinção é necessária, pois o crédito passível de compensação ou restituição é aquele decorrente de um pagamento indevido ou a maior, ao passo que o crédito passível de ressarcimento é aquele decorrente de um benefício fiscal a exemplo do crédito presumido de IPI. Desse modo, o referido dispositivo não é aplicável ao caso concreto. Por outro lado, os dispositivos que versam sobre o ressarcimento do saldo credor de PIS vinculado a operações de exportação foram bem aplicados pela instância a quo. Em matéria de benefício fiscal, é legítimo ao poder concedente estabelecer como o beneficiário deverá usufruílo. Por essa razão, se a União estabeleceu que não aplicará juros sobre os valores a serem ressarcidos, utilizandose do veículo legislativo próprio para tanto, não se pode contestar tal restrição, e, portanto, mantenho a decisão recorrida também nesse particular. Conclusão Diante de todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de reconhecer o direito creditório indevidamente glosado em razão da transferência onerosa de crédito de ICMS decorrente de exportação. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720315/2011-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. UNIFORME. VERBA PARA O TRABALHO.
Entende-se por salário de contribuição, para o empregado e trabalhador avulso, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.
No presente caso, não ficou provado que a verba de auxílio uniforme não foi utilizada para a aquisição e uniformes, indispensáveis ao trabalho. Portanto, pela regra matriz, não há incidência de contribuição, motivo da negativa do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201412
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. UNIFORME. VERBA PARA O TRABALHO. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado e trabalhador avulso, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. No presente caso, não ficou provado que a verba de auxílio uniforme não foi utilizada para a aquisição e uniformes, indispensáveis ao trabalho. Portanto, pela regra matriz, não há incidência de contribuição, motivo da negativa do provimento do recurso.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 15540.720315/2011-06
anomes_publicacao_s : 201501
conteudo_id_s : 5421938
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9202-003.511
nome_arquivo_s : Decisao_15540720315201106.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCELO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15540720315201106_5421938.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5797099
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474876186624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2083; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15540.720315/201106 Recurso nº 999.999 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.511 – 2ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado EXPRESSO GARCIA LTDA ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. UNIFORME. VERBA PARA O TRABALHO. Entendese por salário de contribuição, para o empregado e trabalhador avulso, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. No presente caso, não ficou provado que a verba de auxílio uniforme não foi utilizada para a aquisição e uniformes, indispensáveis ao trabalho. Portanto, pela regra matriz, não há incidência de contribuição, motivo da negativa do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 03 15 /2 01 1- 06 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15540.720315/201106 Acórdão n.º 9202003.511 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão que decidiu dar provimento a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 UNIFORME Não integra o salário de contribuição o valor correspondente a vestuário fornecido ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores referentes a "Ajuda Uniforme" Em síntese, o litígio em questão versa sobre a incidência, ou não, de tributação previdenciária nos valores fornecidos pela recorrente a seus segurados para adquirir uniformes de trabalho. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Há decisão divergente sobre o assunto, que definiu que se o auxílio uniforme for efetuado em pecúnia há a incidência (Acórdão 20600591); 2. A recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais; 3. Porém, existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias; 4. O legislador ordinário excluiu do salário de contribuição a parcela “in natura” fornecida ao empregado; Fl. 587DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 5. Portanto, para a não incidência da Contribuição Previdenciária, é imprescindível que o pagamento seja feito “in natura”, o que não abrange os valores fornecidos em pecúnia; 6. No caso, o contribuinte efetuou pagamentos mensais aos empregados, de valores fixos, sob o titulo de ajuda de custo/uniformes, em desacordo com a legislação de regência; 7. Desse modo, não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, deve persistir o lançamento; 8. Requer o acolhimento e o provimento de seu recurso. Por despacho deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida deve ser mantida, por seus argumentos. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 15540.720315/201106 Acórdão n.º 9202003.511 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Como já informamos, em síntese, o litígio em questão versa sobre a incidência, ou não, de tributação previdenciária nos valores fornecidos pela recorrente a seus segurados para adquirir uniformes de trabalho, valores em pecúnia. A legislação previdenciária possui dispositivo sobre o assunto. Lei 8.212/1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; Para a decisão recorrida o valor em pecúnia não modifica a determinação da regra isentiva, para a decisão paradigma sim, somente se o uniforme fosse concedido “in natura” é que não haveria a tributação. Discordo da decisão paradigma. A natureza jurídica do pagamento não foi questionada pelo Fisco, ou seja, o valor era para uniformes. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Portanto, em meu entender, não é o fato da empresa adquirir e fornecer, ou o fato da empresa acordar valor mensal aos empregados para adquirir e manter o uniforme que mudará o fundamento da regra isentiva. Além do mais, como citado acima, o núcleo da regra matriz da tributação é a remuneração auferida pelos segurados que prestam serviço à empresa. Para definir remuneração devemos analisar os valores, a fim de incluir no conceito só os que tenham caráter retributivo do serviço, trabalho, prestado. Assim, estão fora do conceito de remuneração os valores referentes a indenização, ressarcimento, parcelas para o trabalho, etc. O auxílio uniforme possui como fundamento a compra e manutenção de uniformes para a prestação do serviço à recorrente. Portanto, configurase como verba paga para o trabalho, não estando no conceito de remuneração. A única forma do Fisco tributar esses valores seria demonstrando que o mesmo não possui característica de auxílio uniforme, como por exemplo, se for pago para quem não usa uniforme, se possuir valor excessivo, etc. Portanto, como a Lei 8.212/1991 possui regra isentiva para esse pagamento e por ele não estar contido na definição de remuneração, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 590DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720178/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB.
A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciam-se motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mão-de-obra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico - CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil - SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91.
DECADÊNCIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO
Servirá para comprovar o início da obra em período decadencial documento que tenha vinculação inequívoca à obra e seja contemporâneo do fato a comprovar.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO.
Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) somente quando restar demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, buscou defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, alterando a multa aplicada nos Autos de Infração de Obrigação Principal para 75% (art. 44 da Lei n° 9.430/96 e aplicável por força do art. 35-A da Lei n° 8.212/91), porque não restou demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, buscou defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB. A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciam-se motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mão-de-obra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico - CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil - SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91. DECADÊNCIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO Servirá para comprovar o início da obra em período decadencial documento que tenha vinculação inequívoca à obra e seja contemporâneo do fato a comprovar. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO. Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) somente quando restar demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, buscou defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16095.720178/2011-60
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5424313
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 06 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2302-003.592
nome_arquivo_s : Decisao_16095720178201160.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
nome_arquivo_pdf_s : 16095720178201160_5424313.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, alterando a multa aplicada nos Autos de Infração de Obrigação Principal para 75% (art. 44 da Lei n° 9.430/96 e aplicável por força do art. 35-A da Lei n° 8.212/91), porque não restou demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, buscou defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
id : 5807125
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474883526656
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2248; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 816 1 815 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720178/201160 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.592 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2015 Matéria Construção Civil: Arbitramento de Contribuições Recorrente INDÚSTRIA DE FELTROS SANTA FÉ S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2010 a 30/04/2010 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. CRITÉRIO CUB. A deficiência na escrituração contábil e a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil consubstanciamse motivos justos, suficientes e determinantes para a apuração, por aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, mediante a utilização das tabelas do Custo Unitário Básico CUB, divulgadas mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil SINDUSCON, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/91. DECADÊNCIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. COMPROVAÇÃO Servirá para comprovar o início da obra em período decadencial documento que tenha vinculação inequívoca à obra e seja contemporâneo do fato a comprovar. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DO ELEMENTO SUBJETIVO. Sobre o imposto apurado em procedimento fiscal, incide multa de ofício qualificada (150%) somente quando restar demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, buscou defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 78 /2 01 1- 60 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, alterando a multa aplicada nos Autos de Infração de Obrigação Principal para 75% (art. 44 da Lei n° 9.430/96 e aplicável por força do art. 35A da Lei n° 8.212/91), porque não restou demonstrado que o contribuinte, mediante uma das condutas dolosas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, buscou defraudar o fisco. Art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/1996. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 16095.720178/201160 Acórdão n.º 2302003.592 S2C3T2 Fl. 817 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo recorrente, mantendo todos créditos tributários lançados. Adotase trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 708 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase, o presente processo, de constituição de crédito por descumprimento de obrigação principal e acessória, relativo às contribuições sociais devidas sobre a mãodeobra utilizada na execução de obra de construção civil de responsabilidade da Indústria de Feltros Santa Fé S/A., composto pelos seguintes Autos de Infração: DEBCAD Nº 50.009.2435, referente às contribuições sociais, parte patronal, de que tratam os incisos I e II do Art.22 da Lei n° 8.212/91. Valor total R$ 228.338,00, consolidado em 25/08/2011, aí já incluídos os juros a multa de ofício. DEBCAD Nº 50.009.2443, referente às contribuições dos segurados empregados, de que trata o art. 20 da Lei nº 8.212/91. Valor total R$ 79.439,30, consolidado em 25/06/2011, aí já incluídos os juros e a multa de ofício. DEBCAD Nº 50.009.2451, referente às contribuições de que trata o art. 3º da Lei nº 11.457, de 16/03/2007, destinadas a Terceiros – FNDE Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. Valor total R$ 57.593,51, consolidado em 25/08/2011, aí já incluídos os juros e a multa de ofício. DEBCAD Nº 50.009.2419 – CFL.34 – infração por descumprimento de obrigação acessória, deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, referentes à obra de construção civil. Valor da multa aplicada R$ 15.244,14 (quinze mil, duzentos e quarenta e quatro reais e quatorze centavos); DEBCAD Nº 50.009.2427 – CFL 38 infração por descumprimento de obrigação acessória – não atendimento às intimações para a apresentação das folhas de pagamento de todos os segurados trabalhadores na obra de construção civil. Valor da multa aplicada R$ 15.244,14 (quinze mil, duzentos e quarenta e quatro reais e quatorze centavos); Consta no relatório fiscal de fls. 88/95: 2. Fato Gerador Fl. 818DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 2.1. O fato gerador do crédito previdenciário foi a utilização de mão de obra de construção civil, que foi apurado por aferição indireta pela apresentação deficiente de documentos. Procedimento em conformidade com o artigo 33, §§ 3º, 4º e 6º s Lei nº 8.212 de 24/07/91, c/c os artigos 231, 233, 234 e 235 do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/1999, Motivos que levaram esta fiscalização a utilizar a aferição indireta: 2.2 O contribuinte foi intimado durante a diligência fiscal ... e durante a fiscalização, ... todos os termos anexados ao processo, a apresentar os documentos da obra de construção civil em questão, como: GFIP; folha de pagamento de todos os trabalhadores da obra, contabilidade, comprovantes de recolhimento – GPS – Guia da Previdência Social referentes aos trabalhadores da obra, bem como os recolhimentos referentes à retenção de 11% código de pagamento 2631, das Contribuições retidas sobre Notas Fiscais/Fatura de prestação de Serviços – além de: contratos de empreitadas e subempreitadas; projetos aprovados; Alvarás de Licença e Habitese, IPTU. 2.3 O contribuinte foi intimado a esclarecer porque não foi elaborada GFIP e recolhimento através de GPS, com a utilização da matrícula CEI (CADASTRO ESPECÍFICO DO INSS), da mão de obra aplicada à obra de construção civil, bem como demonstração na contabilidade da mão de obra empregada na construção civil. 2.4 Durante a Diligência e a Fiscalização concluímos que: O contribuinte não fez declaração em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na CEI – Cadastro Específico do INSS, da mão de obra empregada em sua obra de construção civil. 2.5 O contribuinte não efetuou recolhimentos no CEI da obra; 2.6 O contribuinte, mesmo intimado, não apresentou folha de pagamento no CEI da obra, e não demonstrou a contabilização desta mão de obra, aplicada em sua construção civil; 2.7 O contribuinte utiliza as contas contábeis 1.13.02.01.00146 “CONSTRUÇÃO EM ANDAMENTO”: 1.13.02.01.00275 – PRED.EDIFIC. MOGI e l.13.02.01.00285 – CONSTR. Em ANDAMENTO GALPÃO 3 porém não lança em título próprios, o que significa dizer, não contabiliza cada obra, por matrícula CEI, em uma conta especifica, ou, ao menos, em subtítulo, deixando igualmente de lançar os valores de folhas de pagamento da obra. 2.8 O contribuinte apresentou a esta fiscalização notas fiscais de obra de construção civil, contabilizadas na conta acima descrita, porém, tanto com período anterior como posterior ao Alvará de Licença para a construção. Estas notas fiscais, tanto material, quanto de mãodeobra, não apresentavam a CEI da obra. Fl. 819DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 16095.720178/201160 Acórdão n.º 2302003.592 S2C3T2 Fl. 818 5 2.9 O contribuinte apresentou à fiscalização a justificativa datada de 22/03/2011, e anexada ao processo pelos fatos acima relatados, porém, desconsiderados por esta fiscalização por estar frontalmente em desacordo com a legislação. 2.10 Período de Lançamento: Início em 28/10/2008 – Alvará de licença para construção, reforma, conservação e demolição: Nº 64.81000 – Proprietário Roberto Amado Junior (loc. Ind. De Feltros Santa Fé S/A); Nº 64.81001 – Proprietário Ind. De Feltros Santa Fé S/A Término em 29/04/2010 – Auto de conclusão emitido em 29/04/2010 –ART nº 92221220110405776. 2.11 A empresa apresentou notas fiscais anteriores à data do início da obra, porém não foram consideradas por esta fiscalização, em razão de serem anteriores ao Alvará emitido/homologado pela Prefeitura – sendo este a última relação Proprietário/Obra constatado. 3. Documentos 3.1. A empresa apresentou diversas notas fiscais com retenção de 11%, porém foram desconsideradas por esta fiscalização por estarem em desacordo com a norma – já que foram emitidas com o CEI da obra e sem a GFIP correspondente. 3.2. Foram aproveitadas as notas fiscais, dentro do período da obra, referentes a concreto, de acordo com o Art. 356, III da IN RFB 971 de 13/11/2009: 3. 3. Alvará de Licença para Construção, Reforma, Conservação e Demolição nº 64.81001, emitido em substituição do Alvará 64.81000 de 28/10/2008; Auto de Conclusão de 29/04/2010; ART nº 92221220110405776 e cópia de guia de recolhimento do ART. 4. Aferição: 4.1. Foi utilizado o valor do Custo Unitário Básico – CUB do Sinduscon Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Fl. 820DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Estado de São Paulo, na forma da IN 971 de 11 de novembro de 2009 sucessora a IN/MPS/SRP nº 03, de 14/07/2005. ... 5. Enquadramento: 5.1. Para o enquadramento da Obra, objeto desta fiscalização, foi enquadrado em função da área construída, finalidade de uso, área preponderante na Tabela do Custo Unitário Básico – CUB, tudo em conformidade com a IN 971 de 13/11/20009 arts. 335 a 379, sucessora da IN/MPS/SRP nº 03, de 14/07/2005, de acordo com o quadro demonstrativo seguinte: ... QUADRO DEMONSTRATIVO DOS DADOS DO ENQUADRAMENTO DE OBRA 5.2. Os percentuais de mão de obra de 4, 8, 14 e 20%, previstos no Art. 351 da IN 971, para a obra de construção civil enquadrada como tipo 11 (alvenaria), foram aplicadas em conformidade com o disposto no Art. 364, II § 2 e 3 da referida IN in verbis: Art. 364. A obra de construção civil que utilize componentes pré fabricados ou prémoldados será enquadrada de acordo com o disposto nos arts. 346 a 348 e terá redução de 70% (setenta por cento) no valor da remuneração apurada de acordo com o art. 359, desde que: II.. § 2º O percentual a ser aplicado sobre a tabela CUB para apuração da remuneração por aferição indireta será sempre o correspondente ao tipo 11 (alvenaria). § 3º A remuneração da mão de obra contida em nota fiscal ou fatura relativas à fabricação ou à montagem, de préfabricado ou de prémoldado, não poderá ser aproveitada no cálculo por aferição indireta da mãodeobra 5.3. Em razão do acima disposto, a remuneração da mão de obra contida nas notas fiscais ou faturas relativas a préfabricado ou Fl. 821DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 16095.720178/201160 Acórdão n.º 2302003.592 S2C3T2 Fl. 819 7 de prémoldado, apresentadas a esta fiscalização pelo contribuinte, não foram consideradas. 6. Base de Cálculo e Período de Lançamento: 6.1. A Base de Cálculo foi obtida por aferição indireta com base no CUB –Sinduscon, referência ABRIL/2010. O Discriminativo de Apuração da Base de Cálculo foi anexado ao Relatório Fiscal e está no formato ARO – Aviso de Regularização de Obra, para melhor entendimento. O demonstrativo contém o desconto de Concreto usinado obtidos com a atualização da notas fiscais apresentadas, atualizados conforme Tabela Prática INSS/04/2010, e conforme IN 971/2009, in verbis: ... 9. QUANTO AO CNAE E FAP: 9.1. IN 971 de 13/11/2009 – Art.72 § 1º III – a obra de construção civil edificada por empresa cujo objeto não seja construção ou prestação de serviços na área de construção civil será enquadrada no código CNAE e grau de risco próprios da construção civil, e não da atividade econômica desenvolvida pela empresa; os trabalhadores alocados na obra não serão considerados para os fins do inciso I; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.080, de 3 de novembro de 2010). (...) 10. Da qualificação da multa – (multa de ofício de 150%) 10.1. O contribuinte em sua obra de construção civil, acima descrita, deixou de: 10.2 Apresentar as folhas de pagamentos de todos os segurados trabalhadores na obra de construção civil; 10.3 Informar em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e informações à Previdência Social, no CEI da obra, as remunerações de todos os trabalhadores da obra; 10.4 Lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os tais recolhidos, referentes à obra de construção civil; 10.5. Recolher as contribuições devidas, no CEI da obra. 10.6. Diante do exposto, ficou configurado, inequivocamente o evidente intuito de “SONEGAÇÃO” de informação à RECEITA FEDERAL. “art. 957. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de importo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44): Fl. 822DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 (omitido); II – de centro e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (...) (grifamos) Já o art. 71. da Lei 4.502,64, prevê: (...) Art.71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais: II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. 10.7 Devese portanto, lançar a multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, sem prejuízo da elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público da União, em vista de constatação, em tese, de crime contra a ordem tributária, com previsão na Lei n° 8.137/90, e sonegação de Contribuição Previdenciária prevista no Decretolei n° 2.848/40, o que está sendo implementada por esta fiscalização. Inconformada com o lançamento, a empresa impugnouo, em 11/10/2011, por meio do expediente anexado às fls. 184/208 (...) Encaminhado os autos para esta Unidade, em sessão realizada no dia 19 de julho de 2012, o julgamento foi convertido em Diligência, nos termos da Resolução nº 3.413 –9ª Turma DRJ/CPS, fls. 637/648. Em cumprimento à Resolução acima identificada, a autoridade fiscal manifestouse nos termos do Despacho de fls 651/655, prestando os esclarecimentos solicitados. Cientificado do resultado da Diligência, o contribuinte, nos termos do documento de fls. 662/686, apresenta complemento à impugnação, em síntese, reiterando os mesmos argumentos anteriormente expendidos. Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendo todos créditos tributários lançados. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 16095.720178/201160 Acórdão n.º 2302003.592 S2C3T2 Fl. 820 9 O recorrente foi cientificado do julgamento, tendo apresentado Recurso Voluntário no qual alega, em síntese: * o contribuinte teria feito prova da manutenção de escrituração contábil regular, não sendo comprovado que a escrituração não reflete a real situação dos negócios da empresa; * o primeiro projeto era em nome de pessoa física, que iniciou a construção. O projeto foi alterado, mudando a titularidade para pessoa jurídica, que passou a registrar na escrituração contábil a conclusão da obra. Portanto, as despesas iniciais teriam sido suportadas por pessoa física, com documentação em seu nome; * como utilizou apenas mão de obra terceirizada, não poderia ter GFIP própria da obra de construção civil; * não consta a fundamentação da responsabilidade solidária (art. 30, VI, da Lei n° 8.212/91); * descabimento da multa de 150%; * decadência parcial, em virtude de a obra ter se iniciado em 30 de agosto de 2004. É o relatório. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Voto CONSELHEIRO RELATOR ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Critérios do lançamento. Fundamentação Legal. Da análise dos autos depreendese que a motivação do lançamento encontrase devidamente consignada, tendo sido os fatos corretamente descritos e juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal. Consubstanciamse na constituição de crédito tributário, cujo fato gerador foi a utilização de mão de obra de construção, apurado por aferição indireta pela apresentação deficiente de documentos. Como visto relatório supra, as contribuições foram apuradas por aferição indireta, conforme artigo 33, §§ 3º, 4º e 6º s Lei nº 8.212 de 24/07/91, c/c os artigos 231, 233, 234 e 235 do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/1999. Tal procedimento foi adotado em virtude da recorrente não lançar em títulos próprios cada obra, por matrícula CEI, em uma conta especifica, ou, ao menos, em subtítulo, deixando igualmente de lançar os valores de folhas de pagamento da obra. Ademais, embora intimada, deixou de apresentar parte dos documentos, além de ter sido apurada a falta de declaração da obra em GFIP e a ausência de recolhimentos no CEI da obra. Os fatos apurados estão devidamente consignados no Relatório Fiscal (fls. 90/91) e ainda mais aclarados diante do atendimento às solicitações da DRJ (fls. 651/655). Portanto, não procede a alegação de que teria feito prova da manutenção de escrituração contábil regular, não sendo comprovado que a escrituração não reflete a real situação dos negócios da empresa. Também não merece prosperar a alegação de que não consta a fundamentação da responsabilidade solidária (art. 30, VI, da Lei n° 8.212/91), pois tanto o Relatório Fiscal quanto a informação fiscal decorrente da diligência são expressa quanto a toda a fundamentação legal do débito. Outrossim, como consignado no decisório a quo, ainda que não seja construtora, a empresa, enquanto responsável por obra se submete às exigências previstas, nas normas específicas, e a respeito, a IN 971/2009, assim dispõe: Art. 325. São responsáveis pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil o proprietário do imóvel, o dono da obra, o incorporador, o condômino da unidade imobiliária não incorporada na forma da Lei nº 4.591, de 1964, e a empresa construtora. Parágrafo único. A pessoa física, dona da obra ou executora da obra de construção civil, é responsável pelo pagamento de contribuições em relação à remuneração paga, devida ou creditada aos segurados que lhe prestam serviços na obra, na mesma forma e prazos aplicados às empresas em geral. (...) Fl. 825DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 16095.720178/201160 Acórdão n.º 2302003.592 S2C3T2 Fl. 821 11 Art. 328. O responsável pela obra de construção civil, pessoa jurídica, está obrigado a efetuar escrituração contábil relativa a obra, mediante lançamentos em centros de custo distintos para cada obra própria ou obra que executar mediante contrato de empreitada total, conforme disposto no inciso IV do art. 47, observado o disposto nos §§ 5º, 6º e 8º do mesmo artigo. Parágrafo único. Para os fins deste artigo, entendese por responsáveis pela obra as pessoas jurídicas relacionadas no art. 325. Afirma que, como utilizou apenas mão de obra terceirizada, não poderia ter GFIP própria da obra de construção civil. Ocorre que a mesma não atendeu o que dispõe a mencionada Instrução Normativa nº 971/2009: Das Obrigações Previdenciárias na Construção Civil Art. 326. O responsável por obra de construção civil, em relação à mãode obra diretamente por ele contratada, está obrigado ao cumprimento das obrigações acessórias previstas no art. 47, no que couber. Art. 327. O responsável por obra de construção civil está obrigado a recolher as contribuições arrecadadas dos segurados e as contribuições a seu cargo, incidentes sobre a remuneração dos segurados utilizados na obra e por ele diretamente contratados, de forma individualizada por obra e, se for o caso, a contribuição social previdenciária incidente sobre o valor pago à cooperativa de trabalho, em documento de arrecadação identificado com o número da matrícula CEI. § 1º Se a obra for executada exclusivamente mediante contratos de empreitada parcial e subempreitada, o responsável por ela deverá emitir uma GFIP identificada com a matrícula CEI, com a informação de ausência de fato gerador (GFIP sem movimento), conforme disposto no Manual da GFIP. (grifei) § 2º Sendo o responsável uma pessoa jurídica, o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados do setor administrativo deverá ser Portanto, o inconformismo da recorrente não merece prosperar. Decadência. Aduz a recorrente a decadência parcial, em virtude de a obra ter se iniciado em 30 e agosto de 2004. Aduz ainda que o primeiro projeto era em nome de pessoa física, que iniciou a construção. O projeto teria sido alterado, mudando a titularidade para pessoa jurídica, que Fl. 826DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 passou a registrar na escrituração contábil a conclusão da obra. Portanto, as despesas iniciais teriam sido suportadas por pessoa física, com documentação em seu nome. Da análise da contabilidade, a autoridade fiscal concluiu que a mesma não identificou na contabilidade da empresa, durante a ação fiscal, a transferência da parte da obra realizada pela pessoa física ROBERTO ROBERTO AZEVEDO JÚNIOR ou mesmo a parte da obra efetuada pela empresa SANTEC FIBRAS RECICLADAS LTDA. Nos termos do art. 322 cc. arts. 372 e 373 da IN 971, há meios adequados à comprovação e regularização de construção parcial ou obra inacabada em nome de antecessores (no caso, integrantes do mesmo grupo de empresas). Todavia, a recorrente não adotou o procedimento ali indicado e tampouco apresentou os documentos considerados aptos a comprovar as suas alegações. Ao não comprovar que a parte supostamente construída anteriormente estava regularizada, não apresentando os respectivos elementos para tal comprovação, assumiu o ônus pela responsabilidade da totalidade da construção, até porque, da forma em que a documentação fora apresentada, a autoridade fiscal, considerou o período da obra, a partir dos elementos que dispunha, ou seja, Alvará e o Termo de Conclusão da Obra, atestado por Engenheiro Civil/Empresa, postos nestes termos do relatório fiscal, fls. 90/91. Quanto a data inicial da obra, como restou consignado na informação fiscal (fls. 652), o documento hábil mais antigo, para comprovar o início da obra, apresentado em seu nome, foi o Alvará de licença datado de 28/10/2008. Assim, concluise que foi legítimo o procedimento adotado pela autoridade fiscal, não havendo elementos aptos a se concluir que a obra foi iniciada em 30 de agosto de 2004 e que, portanto, teria havido decadência parcial. Multa. Quanto à qualificação da multa, entendo que, para a aplicação da multa duplicada, nos termos do art. 44, § 1º da Lei 9.430/1996, a remissão aos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/1964, mister se faz a demonstração do intuito doloso do sujeito passivo impedindo ou retardando o conhecimento do fato gerador ou sua ocorrência em suas características essenciais. No caso em tela, o Relatório Fiscal indica como razões que a recorrente, em sua obra de construção civil, deixou de: 10.2 Apresentar as folhas de pagamentos de todos os segurados trabalhadores na obra de construção civil; 10.3 Informar em GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e informações à Previdência Social, no CEI da obra, as remunerações de todos os trabalhadores da obra; 10.4 Lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os tais recolhidos, referentes à obra de construção civil; 10.5. Recolher as contribuições devidas, no CEI da obra.” Fl. 827DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 16095.720178/201160 Acórdão n.º 2302003.592 S2C3T2 Fl. 822 13 10.6. Diante do exposto, ficou configurado, inequivocamente o evidente intuito de “SONEGAÇÃO” de informação à RECEITA FEDERAL. Discordamos da conclusão de que inequivocamente restou configurado pelos fatos arrolados que houve evidente intuito de sonegação. Com efeito, tratamse de simplórias omissões por parte da recorrente, das quais se denota o descumprimento da legislação tributária, mas não o evidente intuito de sonegação. Não restou demonstrado qualquer ardil para defraudar o fisco, mas apenas o comportamento ou a omissão encontrados em virtualmente todas as ações de fiscalização com lançamento de crédito tributário por ocorrência de fato gerador não oferecido à tributação. Em casos como tais, entendo que se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei n° 8.212/91. Sendo assim, voto pela redução da multa para o patamar trivial em casos de lançamento de oficio (75%). Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO alterando a multa aplicada nos Autos de Infração de Obrigação Principal para 75% (art. 44 da Lei n° 9.430/96 e aplicável por força do art. 35A da Lei n° 8.212/91). É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 828DF CARF MF Impresso em 06/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 05/ 02/2015 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694467/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10880.694467/2009-49
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5423739
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3302-000.498
nome_arquivo_s : Decisao_10880694467200949.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10880694467200949_5423739.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO
dt_sessao_tdt : Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
id : 5801828
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:35:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047474888769536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1653; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 307 1 306 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.694467/200949 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.498 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2015 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de setembro/2004, indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 94 46 7/ 20 09 -4 9 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 308 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 309 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 310 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 311 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 312 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 313 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 314 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 315 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 316 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 317 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 318 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 319 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 320 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 320DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694467/200949 Resolução nº 3302000.498 S3C3T2 Fl. 321 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 321DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
