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Numero do processo: 10920.908071/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson Bayerl e Júlio Ramos.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson Bayerl e Júlio Ramos. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 08 07 1/ 20 09 -7 1 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.908071/200971 Resolução nº 3401000.810 S3C4T1 Fl. 74 2 RELATÓRIO Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 12/05/2006 (fls. 02/05), pelo qual a Contribuinte pretende o ressarcimento da COFINS recolhida de modo indevido ou a maior, referente ao mês de setembro de 2001, para compensar com débito da COFINS de abril de 2006. Conforme despacho decisório (fl.07), o pagamento indicado na PER/DCOMP foi localizado, mas foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos da Contribuinte, de modo que não restou crédito a ser ressarcido. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.11/16), mas a DRJ em Florianópolis/SC manteve o indeferimento ao prolatar acórdão (fls. 38/41) com a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 14/05/2012 (fl. 43) e interpôs recurso voluntário em 06/06/2012 (fls.44/52), com as alegações resumidas abaixo: O crédito pleiteado é decorrente da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do alargamento da base de cálculo da COFINS; É desnecessária a retificação da DCTF para reconhecimento do direito creditório. Ao fim, a Recorrente pediu que fosse dado provimento ao recurso voluntário. É o Relatório. VOTO Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.908071/200971 Resolução nº 3401000.810 S3C4T1 Fl. 75 3 A Recorrente busca o ressarcimento de COFINS supostamente recolhida a maior. A Recorrente sustenta que o recolhimento foi efetuado pela base de cálculo prevista no §1o, do art. 3o, da Lei nº 9.718/98, posteriormente julgada inconstitucional pelo STF. O direito creditório foi negado e o indeferimento mantido pela DRJ por falta de retificação da DCTF. No presente caso, a Recorrente tem razão ao afirmar que não é necessária a retificação da DCTF. Isso porque a DCTF foi preenchida conforme a legislação vigente na época. A posterior declaração de inconstitucionalidade pelo STF foi o que evidenciou a forma correta, mas diferente da lei, de calcular a COFINS. O STF, em 10/09/2008, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, com Repercussão Geral reconhecida, prolatou a seguinte decisão: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) (grifo nosso) Um dos precedentes utilizados pelo Supremo para chegar ao julgamento do RE 585.235 e reconhecêlo na sistemática de repercussão geral foi o seguinte: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator (a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator (a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.908071/200971 Resolução nº 3401000.810 S3C4T1 Fl. 76 4 Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170) (grifos nosso) Em suma, o STF julgou que o PIS e a COFINS tributada na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre as receitas oriundas de venda e de prestação de serviço. Portanto, seguindo a linha do STF, tem razão a Recorrente ao afirmar que é inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1o, do art 3o, da Lei nº 9.718/98. Analisadas essas questões, cabe saber, agora, se a Recorrente tem direito ao ressarcimento, isto é, se recolheu a COFINS com a base de cálculo alargada. Não obstante, os elementos presentes nos autos não são suficientes para chegarmos a essa conclusão, motivo que leva à necessidade de conversão do julgamento em diligência, para que os autos retornem à delegacia de origem, a fim de serem respondidos os seguintes quesitos: · No cálculo da COFINS, do mês de setembro de 2001, a Contribuinte incluiu valores que não são oriundos da venda de bens e da prestação de serviço? Caso a resposta seja “sim”, explicar a origem das receitas que compuseram a base de cálculo da COFINS de setembro de 2001. · Incluindo na base de cálculo da COFINS de setembro de 2001 somente os valores oriundos da venda de bens e da prestação de serviço, qual o valor da COFINS devida para esse período? · Subtraindose o valor encontrado na resposta do quesito 2 (dois) do valor efetivamente recolhido a título de COFINS referente ao mês de setembro de 2001, é possível dizer que a Recorrente recolheu valor maior que o devido? · Qual o valor pago a maior? · O valor pago a maior foi ressarcido em outro processo ou utilizado para compensar/quitar outro débito da Recorrente? · Qual é o valor do crédito a ressarcir remanescente? · O valor do crédito a ressarcir é suficiente para compensar o débito declarado na PER/DCOM? · Acrescentar informação que julgue pertinente. Para responder os quesitos acima, a autoridade fiscal poderá intimar a Contribuinte para prestar esclarecimento e/ou apresentar documentos. Ao final, deverá ser elaborado relatório conclusivo, do qual a Recorrente deverá ser intimada para se pronunciar no prazo de 30 (trinta) dias. Finalizado o prazo, os autos devem retornar a este Conselho para julgamento do mérito, ainda que a Contribuinte não tenha se manifestado. Ex positis, converto o julgamento em diligência nos termos propostos acima. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10920.908071/200971 Resolução nº 3401000.810 S3C4T1 Fl. 77 5 É como voto. Relator Jean Cleuter Simões Mendonçca Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 10 /07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918314/2012-86
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1633; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.918314/201286 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.461 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente ELIPSE SOFTWARE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2009 a 31/05/2009 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 14 /2 01 2- 86 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918314/201286 Acórdão n.º 3801003.461 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918314/201286 Acórdão n.º 3801003.461 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918314/201286 Acórdão n.º 3801003.461 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918314/201286 Acórdão n.º 3801003.461 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918314/201286 Acórdão n.º 3801003.461 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10936.721591/2012-05
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010
MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF.
Aplica-se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Alcance da denúncia espontânea (art. 138 do código tributário nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (súmula CARF n° 49)
Numero da decisão: 1803-002.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplicase a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Alcance da denúncia espontânea (art. 138 do código tributário nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (súmula CARF n° 49) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 6. 72 15 91 /2 01 2- 05 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10936.721591/201205 Acórdão n.º 1803002.068 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente processo, de auto de infração de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, para a cobrança da exigência de R$ 500,00, relativa ao mês de janeiro/2010, tendo como fundamento legal o art. 7º da Lei nº 10.246/2002. Devidamente cientificada da exigência, a empresa recorrente apresenta impugnação, argumentando que procedeu à entrega espontânea da declaração, de acordo com o art. 138 do CTN. Assim, se encontra a mesma desobrigada do pagamento da referida multa. A autoridade julgadora a quo entendeu por bem manter o lançamento. Atenta que não foram contestados os fatos que levaram à presente exigência, qual seja, a entrega em atraso da DCTF, uma vez que o prazo estipulado pela legislação era 19/03/2010, para o mês de janeiro/2010, e foi entregue em 30/05/2012. Cita o art. 7º da Lei nº 10.426/2002. E aduz que existindo dispositivos estabelecendo uma obrigação acessória por parte do sujeito passivo, e que impõem uma multa pelo seu descumprimento, sendo tais dispositivos integrantes da legislação tributária, conforme estabelecido nos art. 96 e 100, I, do CTN, a sua observância é obrigatória por parte das autoridades administrativas. Portanto, em relação à legislação que fundamenta a autuação, os agentes do fisco estão plenamente vinculados, e sua desobediência pode causar a responsabilização funcional, conforme previsão do parágrafo único do art. 142 do mesmo Código. Afere que não cumpre à turma de julgamento a quo a apreciação de argüições de ilegalidade ou de inconstitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional, uma vez que tal análise foge à alçada das autoridades administrativas, justamente por não disporem de competência para examinar as hipóteses aventadas. Assim, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, somente podem ser reconhecidos pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Sintetiza, salientando que, em procedimento administrativo fiscal, basta, ao convencimento da autoridade julgadora, a norma jurídica vigente e apta a incidir (eficácia potencial); se válida ou não, já é questionamento a ser apreciado pelo judiciário e, mesmo assim, para que a tutela beneficie a contribuinte deve ser ela parte interessada na contenda judicial ou, se não, deve referida tutela emanar, em última análise, do Supremo Tribunal Federal, segundo os termos do Decreto nº 2.346, de 1997. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10936.721591/201205 Acórdão n.º 1803002.068 S1TE03 Fl. 113 3 No tocante ao instituto da denúncia espontânea, sustenta ser o mesmo plenamente aplicável à hipótese de que se trata, e ressalta que, embora a empresa recorrente tenha apresentado espontaneamente a declaração antes de qualquer atividade administrativa da fiscalização, entendese que, mesmo nesses casos a aplicação da multa permanece pertinente, uma vez que, em se tratando de obrigação acessória, a ela não se aplica o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN. Conclui que a exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea da infração se refere à multa de ofício relativa à obrigação principal, qual seja, aquela decorrente da falta de pagamento do tributo, não alcançando a obrigação acessória. A multa aplicada pela falta de entrega, ou entrega a destempo (após o prazo legalmente estabelecido), nada tem a ver com o fato gerador da obrigação tributária principal. Tratase, sim, de uma penalidade decorrente do descumprimento de uma obrigação acessória formal. Se a obrigação tributária principal não for adimplida, ai sim, a penalidade de ofício aplicada apresenta relação direta com o fato gerador da obrigação principal. Ademais, observa que o § 2º do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê, exatamente, uma redução da multa, nos casos de a declaração ser apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício (redução à metade) ou uma redução a 75%, ou melhor, redução de 25%, no caso da declaração ser apresentada no prazo fixado em intimação, respeitados os limites mínimos estabelecidos no parágrafo 3º do mesmo artigo. E entende que a imposição da penalidade está legalmente prevista, mesmo neste caso de apresentação espontânea da declaração, antes de qualquer procedimento de ofício, com a devida redução da multa à metade. Por fim, lembrar o julgador de primeira instância que mesmo o princípio da boafé não exime a empresa recorrente da penalidade, conforme o art. 136 do CTN. Devidamente cientificada da decisão proferida, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, alegando o já disposto na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente processo, de auto de infração de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, para a cobrança da exigência de R$ 500,00, relativa ao mês de janeiro/2010, tendo como fundamento legal o art. 7º da Lei nº 10.246/2002. A empresa recorrente alega que apresentou a DCTF de forma espontânea, cumprindo os requesitos dispostos no art.138 do CTN. Ocorre que à empresa não assiste razão, Fl. 38DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10936.721591/201205 Acórdão n.º 1803002.068 S1TE03 Fl. 114 4 tomando em conta os inúmeros julgados já proferidos pelo STJ, quanto à aplicação da espontaneidade. Em outras palavras, quanto à multa pelo atraso na entrega da DCTF, temos que a autuação está correta, haja vista que a empresa entregou a DCTF com atraso, de forma intempestiva, dois anos após o prazo regulamentar, definido pela legislação e determinado a todos os contribuintes. A norma disciplinada no artigo 7° da Lei n° 10.426/2002, é clara ao dispor: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar DCTF nos prazos fixados sujeitarseá às multas dispostas na legislação de regência, no caso em tela, a disciplinada no artigo supra citado. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10936.721591/201205 Acórdão n.º 1803002.068 S1TE03 Fl. 115 5 Neste caminho, não podemos olvidar de destacar que a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea, sendo essa a posição da Súmula Carf nº 49, tal como segue: “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. De igual modo, importa em citar a jurisprudência pacífica, em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo Fl. 40DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10936.721591/201205 Acórdão n.º 1803002.068 S1TE03 Fl. 116 6 e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009)” Diante do exposto, voto do sentido de Negar Provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 41DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10936.721591/201205 Acórdão n.º 1803002.068 S1TE03 Fl. 117 7 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/03/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 19311.720396/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RETENÇÃO 11% - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA -. NÃO CONFIGURADA
Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mão-de-obra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91
A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-003.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RETENÇÃO 11% - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA -. NÃO CONFIGURADA Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mão-de-obra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
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NÃO CONFIGURADA Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 96 /2 01 1- 91 Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à retenção de 11% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviços. Conforme Relatório Fiscal, a autuada foi contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e deixou de reter e recolher, em época própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto dos serviços, em desacordo com o que estabelece o art. 31 da Lei 8.212/91. Segundo a fiscalização, a autuada, na condição de tomadora dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema estrutural da ÁREA 6, no município de São Paulo, prestado pelo CONSÓRCIO UNISUL. A autoridade lançadora traz o histórico da legislação municipal que trata do transporte público da cidade de São Paulo para tentar demonstrar que as empresas que prestaram os serviços deixaram de ser permissionárias, passando a efetiva condição de contratadas, com a remuneração fixada em função do custo do serviço prestado, considerando a frota de veículos, equipamentos, mãodeobra e instalações alocados à disposição do sistema. Informa que a operadora deixa de ser remunerada diretamente pela apropriação da tarifa paga pelo usuário, sendo que a arrecadação tarifária centralizada pela contratante é a principal fonte de recursos para o pagamento das empresas contratadas, modelo estabelecido por lei e que ficou conhecido como “municipalização do sistema de transporte”. Esclarece que os contratados têm obrigação de colocar permanentemente à disposição do usuário os serviços especificados pela contratante, nos horários, percursos e demais critérios operacionais, conforme cláusulas contratuais “Das Obrigações da Contratada”, e que a tomadora do serviço determina estritamente todas as condições para sua adequada execução, especificando o percurso e os horários dos ônibus, bem como a quantidade e a qualidade dos recursos (materiais e humanos) a serem disponibilizados pela cedente. A seguir, discorre sobre contratos e como o serviço era prestado, trazendo a legislação correlata sobre a matéria e reafirma o entendimento de que incide retenção de 11% sobre os serviços de operação de transportes de passageiros, pois prestados mediante cessão de mãodeobra, nos termos da Lei 8.212/1991. Conclui que, em que pese as concessionárias prestadoras de serviços de transporte coletivo urbano de passageiros na cidade de São Paulo terem deixado de destacar os valores das retenções, a Secretaria Municipal de Transportes, contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra é a responsável pelo recolhimento das importâncias que deixou de reter, por expressa determinação legal. Defende ainda que o lançamento deva ser feito em face da tomadora do serviço, com fundamento no art. 31, caput e § 1º e art. 33, § 5º da Lei 8.212/91, ficando a prestadora de serviços solidariamente responsável pelo débito, nos termos dos arts. 124, I e II e Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720396/201191 Acórdão n.º 2301003.989 S2C3T1 Fl. 1.002 3 128 do CTN, bem como art. 71 da Lei 8.666/93, pois entende que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota, uma vez que a lei não excluiu a responsabilidade do contribuinte nesses casos em que não há retenção pelo tomador, nem destaque na nota, permanecendo ambos (tomador e prestador) responsáveis pelo recolhimento das contribuições devidas, também com fulcro no artigo 128 do CTN. A autoridade lançadora esclarece, ainda, que foi feito um comparativo entre as multas vigentes antes e depois da MP 449/2008, e aplicada a mais benéfica ao contribuinte para os fatos geradores anteriores a 04/12/2008, conforme o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inciso II, “c”, do CTN, ou seja, aplicouse a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, nas competências de 02/2007 a 11/2008, haja vista ter se demonstrado mais benéfica ao contribuinte, e a multa de 75% da legislação vigente na competência 12/2008. O Município de São Paulo apresentou defesa, alegando, em apertada síntese, que não há notícia de que a auditoria tenha averiguado se as concessionárias recolheram ou não as contribuições cuja ausência de retenção é objeto do auto de infração impugnado. No mérito, defende que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãodeobra e, por isso, ausente a ocorrência do fato gerador relativo ao tributo cobrado no AI em tela. O Consórcio UNISUL que, no entendimento da fiscalização, é responsável solidário pelo débito, também apresentou defesa, por sua empresa líder Viação Cidade Dutra Ltda, alegando, em apertada síntese, que a sujeição passiva solidária a ela imputada é absurda e não merece prosperar Afirma que não há qualquer prova do interesse comum em relação ao débito entre o autuado e o contribuinte tido como passivo solidário, existindo, sim, a hipótese de o Município, no caso de arcar com o pagamento do auto de infração, tentar ação regressiva contra os prestadores. Sustenta que o débito relativo à retenção de 11% é restrito ao tomador de serviços, consistindo em obrigação acessória que somente diz respeito ao mesmo, não podendo ser comungada com o prestador. Requer que sejam considerados créditos da Via Sul os valores demonstrados como retenções relativas à aplicação do percentual de 11% incidente sobre o valor da mão de obra contida no contrato e recibos de mão de obra e jamais a ocorrência de sujeição passiva solidária. A Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 05039.6361, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 907), julgou a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário e recorrendo dessa decisão a este Conselho de Contribuintes. Entenderam os julgadores de primeira instância que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Cientificadas da decisão de primeira instância e do recurso de ofício, a autuada e a responsável solidária não se manifestaram. É o relatório. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720396/201191 Acórdão n.º 2301003.989 S2C3T1 Fl. 1.003 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Todos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. A 6a Turma da DRJ/CPS recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou procedente as impugnações apresentadas e que exonerou o débito lançado contra o MUNICÍPIO DE SÃO PAULO e outros. Entenderam os julgadores de primeira instância, assim como a autuada, que não houve cessão de mão de obra nos serviços prestados. Já a fiscalização entende que o serviço de transporte coletivo público de passageiros do Município de São Paulo foi realizado com cessão de mão de obra. Impõe, portanto, verificar a modalidade com que os serviços públicos de transporte de passageiros do município foram prestados. A fiscalização alega que o Município tomou serviços com cessão de mãode obra das empresas que compõem o CONSÓRCIO UNISUL.e, nessa condição, está diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros, fundamentando a autuação no art. 31, da Lei 8.212/91. A autuada se defende do débito argumentando que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãode obra e, sim, uma concessão de prestação de serviços públicos, e que a prestação de serviços/terceirização não se confunde com a concessão/permissão De fato, a Administração Pública pode recorrer à colaboração de terceiros para melhor cumprir suas atividades e realizar suas funções. Contudo, há que se distinguir terceirização na Administração Pública, das chamadas concessões e permissões de serviços públicos. A terceirização é o instituto pelo qual a Administração busca a parceria com o setor privado para a realização de suas atividades. Tudo aquilo que não é objetivo institucional do órgão público pode ser transferido para terceiros. A Lei nº 8.666/93 define “serviços” como a atividade destinada a obter determina utilidade de interesse para a Administração (art. 6º, II). Portanto, o serviço objeto de terceirização é uma tarefa prestada pelo particular (contratado), imediatamente à Administração, para apoio ao exercício de suas atribuições. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Ou seja, o Órgão Público contrata uma empresa de limpeza, para manutenção de suas instalações, ou de segurança, para guardar suas repartições, ou mesmo de construção civil, para reformas e obras em suas edificações, ou mesmo de transporte de passageiros, para transportar seus funcionários. Assim, a Administração estaria terceirizando suas atividadesmeio. O objetivo da terceirização restringese ao repasse a empresas privadas especializadas de determinadas atividadesmeio ou atividades executivas e bucrocráticas de apoio (serviços administrativos), realizadas no âmbito interno da Administração Pública, a fim de que o ente ou órgão público possa se empenhar nas suas competências finalísticas dispostas em lei. Já as atividades fins são voltadas diretamente aos administrados, e sua prestação é obrigatória pelo Estado, que o fará como serviço público, sob regime de direito público. Constatase que, cada vez mais, prestações de serviços públicos vêm sendo repassadas para a iniciativa privada, por meio dos institutos da concessão e da permissão, formas de descentralização de serviços por colaboração. Da mesma forma, a Administração vem enxugando seus quadros e dinamizando a execução de suas atividades através da contratação de terceiros, vale dizer, por meio da terceirização. No entanto, a diferença é que, na terceirização, a Administração Pública apenas transfere a execução material de determinadas atividades, ao passo que as concessionárias e permissionárias de serviços públicos também recebem a gestão operacional. O art. 175 da CF/88, estabelece que Art. 175 "Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos". Segundo Maria Sylvia Di Pietro (2005, p. 239): A concessão tem por objeto um serviço público; não uma determinada atividade ligada ao serviço público, mas todo o complexo de atividades indispensáveis à realização de um específico serviço público, envolvendo a gestão e a execução material. [...] A Administração transfere o serviço em seu todo, estabelecendo as condições em que quer que ele seja desempenhado; a concessionária é que vai ter a alternativa de terceirizar ou não determinadas atividades materiais ligadas ao objeto da concessão. A locação de serviços tem por objeto determinada atividade que não é atribuída ao Estado como serviço público e que ele exerce apenas em caráter acessório ou complementar da atividadefim, que é o serviço público." Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2010, p. 703): [...] Nos simples contratos de prestação de serviço, o prestador do serviço é simples executor material para o Poder Público contratante. Daí que não lhe são transferidos poderes públicos. Persiste sempre o Poder Público como o sujeito diretamente relacionado com os usuários e, de conseguinte, como responsável direto pelos serviços. O usuário não entretém relação jurídica alguma com o contratadoexecutor material, mas com a entidade pública à qual o serviço está afeto. Por isto, quem cobra pelo serviço prestado – e o faz para si próprio – é o Poder Público. O contratado não é remunerado por tarifas, mas pelo valor avençado com o contratante governamental. Em suma: o serviço continua a ser prestado diretamente pela entidade pública a que está afeto, a qual apenas se serve de um agente material. Já na concessão, tal como se passa igualmente na permissão – e em contraste com o que ocorre nos meros contratos administrativos de prestação de serviços, ainda que públicos –, o concedente se retira do encargo de prestar diretamente o serviço e transfere para o concessionário a Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720396/201191 Acórdão n.º 2301003.989 S2C3T1 Fl. 1.004 7 qualidade, o título jurídico, de prestador do serviço ao usuário, isto é, o de pessoa interposta entre o Poder Público e a coletividade. A Locação de Serviços é regida pela Lei 8.666/93, e a Concessão/Permissão de Serviços Públicos pela Lei Federal 8.987/95. Na Terceirização não há a transferência da gestão do Serviço Público ao Privado. É só uma modalidade de execução No caso dos presentes autos, verificase que o Município firmou um contrato de concessão de um serviço público, o de transporte coletivo. E, entendo que não restou demonstrada, nos autos, a cessão de mãodeobra nos serviços prestados pela concessionária Consórcio UNISUL.. O conceito legal de cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. Por colocação à disposição da empresa contratante entendese a cessão do trabalhador, em caráter nãoeventual, respeitados os limites do contrato. Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. Da análise dos contratos firmados entre a Prefeitura do Município de São Paulo e o Consórcio UNISUL, constatase que não houve contratação de serviços de mero fornecimento de mão de obra, mas sim uma concessão de execução do serviço de transporte coletivo de passageiros. Verificase que o Consórcio UNISUL assumiu a prestação de serviços públicos como um todo, diretamente ao usuário. E a fiscalização não demonstrou, nos autos, que houve cessão de mão de obra à Prefeitura nos serviços prestados. Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 Assim entendo que a fiscalização não demonstrou que o serviço público de transporte de passageiros prestado pelo CONSÓRCIO UNISUL se enquadra na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção se realizados mediante cessão de mãodeobra. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 A atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142: E, para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que os requisitos necessários para configuração da cessão de mãodeobra foram cumpridos, ou seja, que o serviço prestado se enquadra no conceito legal de cessão de mãodeobra, que houve colocação de empregados à disposição do contratante, submetidos ao seu poder de comando, e que o serviço tenha sido prestado no estabelecimento do tomador ou de terceiros. No caso em estudo, verificase que houve transferência da execução e exploração de um serviço público, e as empresas concessionárias é que desenvolvem as atividades materiais, por sua conta e risco, e diretamente em face dos usuário, com a finalidade de atender as necessidades de “deslocamento da população” urbana do município de São Paulo. Mesmo estando a modalidade de concessão de transporte de passageiros no rol do § 2o, do art. 219, do Decreto 3.048/99, entendo que para o implemento da condição expressa no caput tem que ficar demonstrada a cessão de mão de obra, o que não ocorreu nos autos. Não restou comprovado que a autuada tomou mão de obra das contratadas, pois os serviços eram prestados diretamente aos passageiros, usuários finais, e não à Prefeitura Municipal. O contrato apresentado não demonstra que a concessionária tenha se obrigado a colocar mão de obra por ela contratada à disposição da Prefeitura. Pela cláusula 4.1.5, citada no Relatório Fiscal, verificase apenas que a empresa assumiu o compromisso de operar com pessoal devidamente capacitado e habilitado, e de cumprir as obrigações decorrentes da legislação trabalhista. E, como observou com muita propriedade o relator do acórdão recorrido, a constituição, manutenção e a permanente utilização de uma estrutura material e humana na execução dos serviços contratados se trata “de uma das mais elementares obrigações de qualquer concessionária de serviço público”. E o fato de os serviços serem executados nas vias públicas, indicadas pela contratante, não configura, por si só, a cessão de mão de obra que enseja a retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91. Da mesma forma, a determinação de condições e especificação do percurso e dos horários dos ônibus são características dos contratos administrativos em geral, conforme disposto na Lei 8.987/95, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, pois, nesse tipo de contrato, as cláusulas são fixadas unilateralmente pela Administração, já que o serviço continua público, sendo delegada à concessionária apenas a execução dos serviços. Como também é incumbência do poder público concedente a fiscalização dos serviços prestados, nos termos do art. 29, da citada Lei 8.987/95, que também não conceituou a forma de remunerar a concessionária pela execução dos serviços. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720396/201191 Acórdão n.º 2301003.989 S2C3T1 Fl. 1.005 9 Assim, a forma como o CONSÓRCIO UNISUL foi remunerado pelos serviços de transporte público não descaracteriza a concessão, como não também não demonstra a ocorrência da situação fática do art. 31, da Lei 8.212/91. Observase ainda que a autuada não teve ônus algum, já que não arcou com o custo de tais serviços. Conforme palavras do próprio auditor notificante, “Com o total da arrecadação da tarifa (fonte primária de recursos), mais os subsídios autorizados (quando previstos), a SPTrans efetua os pagamentos às empresas prestadoras, de acordo com a participação das mesmas no custo total do sistema...”.(...) Os pagamentos aos operadores do transporte são registrados na contabilidade da SPTrans em uma conta própria (“Conta Sistema”), que não afeta seu resultado, ou seja, não gera receita, nem despesa para a empresa. (...). Basicamente, temos a entrada de recursos representada pela venda dos bilhetes de passagem (atualmente venda de créditos do Bilhete Único), mais os valores repassados pela Prefeitura (gratuidades e compensação tarifária) e as saídas quando do pagamento aos operadores que prestam serviços no sistema de transporte coletivo. O fato de constar, da cláusula 19.1.25, do contrato de concessão do serviço público de transporte de passageiros, a previsão de criação de Grupo de Trabalho para apresentar critérios para desconto da parcela da remuneração de cada concessionária a ser destinado ao pagamento do INSS, não prova que tal parcela se refere à retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91, ou que tenha sido efetivado o desconto. Mesmo porque, se se tratasse da retenção de 11%, não seria necessária a constituição de um Grupo de Trabalho para apresentação de critérios, uma vez que a aplicação do referido art. 31 é imediata e obrigatória. Por tudo que foi exposto, entendo que não restou configurada a cessão de mão de obra na prestação de serviço público de transporte urbano no Município de São Paulo, assistindo razão à primeira instância administrativa em julgar o lançamento improcedente. A fiscalização imputou à concessionária, ainda, a responsabilidade solidária pelo débito. Fundamenta seu entendimento nos arts. 124, I e II e 128 do CTN, bem como no art. 71 da Lei 8.666/93, argumentando que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota. Contudo, não assiste razão ao auditor autuante. Após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Portanto, não há que se falar em solidariedade pelo débito correspondente à retenção de 11%, nos casos em que não houve a retenção pelo tomador, como entendeu de forma equivocada a fiscalização, pois, conforme consta do próprio relato fiscal, o desconto se presume feito pela empresa a isso obrigada, nos termos do § 5o, do art. 33, da Lei 8.212/91. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 A fiscalização é contraditória em seu relatório, pois, ao mesmo tempo em que cita o mencionado § 5o para fundamentar o débito, o auditor autuante retira a aplicabilidade do referido dispositivo legal ao afirmar que permanece a responsabilidade solidária da tomadora nos casos em que ela “não realizar a obrigação que está a seu cargo”. A retenção é uma obrigação principal legal imposta à empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. Ou seja, a obrigação é somente da contratante, de proceder ao recolhimento da retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91 e, ao contrário do que afirma a autoridade lançadora, não há omissão de qualquer natureza nesse sentido na lei de custeio. Nesse sentido e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.018177/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS COM DEPENDENTES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ALTERAÇÃO DA GUARDA HOMOLOGADA EM JUÍZO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO
A dedução de dependentes de filho de casal separados com acordo judicial sobre a guarda, não pode ser alterado com declaração particular firmada pelo mesmo, e a exoneração do pagamento de pensão, sem apresentação das circunstancias em que ocorreu, também não torna dedutível a despesa, uma vez que a guarda ficou estabelecida ao cônjuge e não ao declarante autuado.
DESPESAS COM INSTRUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO
As deduções de despesas de instrução, a exemplo de todas as outras, depende de comprovação, a juízo da autoridade fiscal lançadora, conforme estabelece o art. 73 do RIR. A alegação de incêndio na instituição de ensino não afasta a pretensão fiscal.
Numero da decisão: 2102-002.891
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2008 DESPESAS COM DEPENDENTES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ALTERAÇÃO DA GUARDA HOMOLOGADA EM JUÍZO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO A dedução de dependentes de filho de casal separados com acordo judicial sobre a guarda, não pode ser alterado com declaração particular firmada pelo mesmo, e a exoneração do pagamento de pensão, sem apresentação das circunstancias em que ocorreu, também não torna dedutível a despesa, uma vez que a guarda ficou estabelecida ao cônjuge e não ao declarante autuado. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO As deduções de despesas de instrução, a exemplo de todas as outras, depende de comprovação, a juízo da autoridade fiscal lançadora, conforme estabelece o art. 73 do RIR. A alegação de incêndio na instituição de ensino não afasta a pretensão fiscal.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ALTERAÇÃO DA GUARDA HOMOLOGADA EM JUÍZO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO A dedução de dependentes de filho de casal separados com acordo judicial sobre a guarda, não pode ser alterado com declaração particular firmada pelo mesmo, e a exoneração do pagamento de pensão, sem apresentação das circunstancias em que ocorreu, também não torna dedutível a despesa, uma vez que a guarda ficou estabelecida ao cônjuge e não ao declarante autuado. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO As deduções de despesas de instrução, a exemplo de todas as outras, depende de comprovação, a juízo da autoridade fiscal lançadora, conforme estabelece o art. 73 do RIR. A alegação de incêndio na instituição de ensino não afasta a pretensão fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.018177/200895 Acórdão n.º 2102002.891 S2C1T2 Fl. 67 2 Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Mauricio Carvalho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 4a. Turma da DRJ/CTA, de 12 de julho de 2011 (fls. 52/54), que por unanimidade de votos julgou procedente em parte a impugnação apresentada, cancelando a exigência suplementar e alterando o resultado da declaração de ajuste anual para imposto a restituir no valor de R$ 704,46, em valores originais, com os acréscimos legais. Com efeito, face ao Recorrente restou lavrada a Notificação de Lançamento em 10/11/2008, onde foi exigido o valor de R$ 4.598,24 de IRPF suplementar, R$ 3.448,68 de multa de ofício e R$ 827,22 de juros de mora, totalizando assim, R$ 8.874,14, decorrente a) da glosa da dedução de dependentes no valor de R$ 4.548,96, da genitora Thereza Lourenço, filho Carlos Roberto Lourenço Filho e filha Elaina Lourenço; b) dedução com despesas de instrução no valor de R$ 3.746,88; c) dedução de despesas médicas no valor de R$ 4.512,00; e d) pensão alimentícia judicial de R$ 10.845,96. Apresentada impugnação com documentos para afastar a pretensão fiscal, a DRJ/CTA restabeleceu a dedução como dependente da genitora do Recorrente, e da despesa medica com o plano de saúde no valor de R$ 4.546,44, onde tem como beneficiários o próprio Recorrente e sua genitora, assim como restabeleceu a dedução a título de pensão judicial, de R$ 10.845,96. Em grau de Recurso Voluntário, aduz que o filho declarado como dependente realmente vive nesta condição, pois efetivamente sempre residiu com ele, sendo que a ex esposa só detinha a guarda “no papel” e para receber a pensão alimentícia, apresentando também declaração firmada pelo filho, e que a reversão da condição de dependente também legitimaria as despesas glosadas, a ele relativas; que se torna impossível obter documentos comprobatórios dos pagamentos com instrução, uma vez que o edifício onde funcionava a Faculdade Tuiuti sofreu um incêndio, os pagamentos eram parcialmente efetuados através de débitos automáticos e os comprovantes bancários na sua maioria estão com os dados apagados; que nos anexos da folha de separação judicial consta que os filhos ficariam em sua casa; e junta ainda original do recibo no valor de R$ 300,00, relativo ao filho Carlos Roberto, onde consta CCF – Condição de Capacidade Física. Remanesce assim para apreciação deste colegiado, a) a dedução como dependente do filho Carlos Roberto Lourenço Filho, uma vez que da filha não foi objeto do Recurso, silenciando sobre ela, e da genitora já foi restabelecida, b) da despesa com instrução e c) da despesa médica no valor de R$ 300,00. É o relatório. Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.018177/200895 Acórdão n.º 2102002.891 S2C1T2 Fl. 68 3 O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Inicialmente, cabe mencionar que o acordo judicial firmado em audiência realizada em 10 de novembro de 2004, perante a 1a Vara de Família de CuritibaPR, dentre as suas clausulas, estabelece que a guarda do menor permanecerá com a genitora (fl. 16), não constando nenhum outro adendo ou anexo, que tenha estabelecido de forma diferente. Efetivamente, à fl. 20, consta publicação relativa a dispositivo da sentença judicial exonerando o Recorrente do pagamento de pensão ao filho Carlos Roberto, mas sem qualquer outro documento que aponte a sua causa, se pelo fato de residir com o pai ou idade, uma vez que estava completando a maioridade, pois nasceu em 1o/10/88 e a publicação é de 22/11/2006, ou outra qualquer, uma vez que não foi apresentada a integra da sentença, o que poderia ser feito, sem maiores dificuldade ao Recorrente. Assim, considerando que a dedutibilidade de filho como dependente está condicionada à decisão dos pais homologada em juízo, sob a sua guarda, não há como afastar a pretensão fiscal, devendo assim ser mantida a glosa com relação à dedução da base de cálculo do imposto na condição de dependente, por falta de documento que comprove esta condição. A declaração firmada pelo próprio filho, não tem o condão de alterar a homologação judicial. Como corolário, a despesa médica pertinente ao filho não considerado como dependente, também se torna indedutível, uma vez que como tal, somente é permitida legalmente as do próprio contribuinte ou daqueles aceitos como dependentes, conforme estabelece o inciso II, do par. 1o do art, 80 do RIR. Quanto à despesa com instrução, a apresentação de documentos tornase indispensável para legitimar o abatimento. Afastada a dedução com despesas desta natureza em nome do filho, não considerado como dependente, dentre os comprovantes de pagamento de fls. 24/31, não consta nenhum outro onde figure como beneficiária a Sociedade Educacional Tuiuti Ltda., e na peça recursal, foi alegada apenas a impossibilidade de apresentar qualquer meio de comprovação, em função do incêndio sofrido por aquela instituição de ensino, o que obviamente, não pode ser aceito como argumento capaz de afastar a pretensão fiscal. O Recorrente não apresentou um único documento. Seja declaração da instituição de ensino ou extrato bancário, se houve débito em conta, como alegou, não seria impossível apresentálo, ou algo equivalente, comprovando o pagamento ou transferência do valor envolvido. Com efeito, o artigo 73, § 1° do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) e o artigo 46 da IN SRF n° 15/2001 estabelecem: Regulamento do Imposto de Renda RIR199 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei n°5.844, de 1943, art. 11, § 3°). (grifamos) Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.018177/200895 Acórdão n.º 2102002.891 S2C1T2 Fl. 69 4 Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 12448.734145/2011-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2011
TAXA DE EMBARQUE. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. INGRESSO TRANSITÓRIO
O montante arrecadado pela a título de taxa de embarque são valores devidos pelos passageiros que utilizam os serviços aeroportuários, cujo montante é, totalmente repassado à INFRAERO, não representando receita própria da empresa aérea.
Numero da decisão: 3302-001.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios acompanhou o relator pelas conclusões.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
EDITADO EM: 29/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto.
Sustentação Oral:
Dra. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564.
Dr. Paulo Riscado, Procurador da Fazenda Nacional.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2011 TAXA DE EMBARQUE. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. INGRESSO TRANSITÓRIO O montante arrecadado pela a título de taxa de embarque são valores devidos pelos passageiros que utilizam os serviços aeroportuários, cujo montante é, totalmente repassado à INFRAERO, não representando receita própria da empresa aérea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios acompanhou o relator pelas conclusões. WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 29/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto. Sustentação Oral: Dra. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564. Dr. Paulo Riscado, Procurador da Fazenda Nacional.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2011 TAXA DE EMBARQUE. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. INGRESSO TRANSITÓRIO O montante arrecadado pela a título de “taxa de embarque” são valores devidos pelos passageiros que utilizam os serviços aeroportuários, cujo montante é, totalmente repassado à INFRAERO, não representando receita própria da empresa aérea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios acompanhou o relator pelas conclusões. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 41 45 /2 01 1- 07 Fl. 320DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 EDITADO EM: 29/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Fábia Regina Freitas e Gileno Gurjão Barreto. Sustentação Oral: Dra. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP 195.564. Dr. Paulo Riscado, Procurador da Fazenda Nacional. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. “Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração em virtude da apuração de falta de recolhimento da COFINS no regime cumulativo, sendo exigido de contribuição R$ 5.727.852,22, multa de ofício de R$ 4.295.888,99 e Juros de Mora de R$ 827.115,34 com valor total de crédito tributário na importância de R$ 10.850.744,25 – fl.100. Igualmente, utilizandose dos mesmos elementos de prova, foi lavrado auto de infração em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição ao PIS, também no regime cumulativo, sendo exigido de contribuição R$ 1.241.034,43, multa de ofício de R$ 930.775,62 e Juros de Mora de R$ 179.208,05 valor total de crédito tributário de R$ 2.351.018,10 – fl. 120. No Termo de Constatação de Infração Fiscal, o autuante esclarece em linhas gerais que: • O contribuinte registrou em sua contabilidade parte dos valores recebidos dos seus clientes (Receita Bruta) no ato da venda das passagens, em conta separada da sua Receita Bruta, a título de Taxa de Embarque, desde o nascedouro da Receita Bruta no ato da venda das passagens; • Conforme os vôos vão sendo realizados os valores que foram creditados na conta de passivo circulante referente a Receita de Vôos Futuros são trazidas a tributação, porém os valores creditados na conta Taxa de Embarque ficam completamente a margem de qualquer tipo de tributação; • A existência e o funcionamento do terminal de passageiros não são só necessários, mas imprescindíveis ao funcionamento da empresa de transporte aéreo de passageiros, logo o valor pago por estas empresas e permissionárias do terminal é despesa Fl. 321DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12448.734145/201107 Acórdão n.º 3302001.980 S3C3T2 Fl. 3 3 necessária e operacional, e como despesa desta natureza tem que ser provida pela Receita Bruta da empresa; • Ao cobrar e receber dos clientes o valor correspondente a taxa de embarque, a empresa está auferindo receita, e quando efetua o pagamento ao terminal, devido a sua utilização, está incorrendo em uma despesa operacional; • O artigo 2º e 3º da lei 9.718/98 define que a base de cálculo das contribuições é o faturamento caracterizado pela Receita Bruta, sendo que o § 2º, artigo 3º, prevê as hipóteses de exclusão dessa base; • Não há previsão legal para a exclusão da taxa de embarque da base de cálculo do Cofins e do PIS e, no caso às receitas de atividade aplicamse as alíquotas 0,65% e 3%, respectivamente para PIS e COFINS. O enquadramento legal são os artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e arts. 10, inciso XVI e art. 15, inciso V da Lei nº 10.833/03. Irresignado, o contribuinte apresentou em 03/11/2011, a impugnação de fl.160 e seguintes, alegando em síntese que: • Pretendem os autos de infração exigir da impugnante as contribuições ao PIS e a Cofins sobre o valor da Taxa de Embarque devida à Infraero por todos os passageiros de transporte aéreo por força da Lei nº 6.009/73. As empresa aéreas, pelo princípio da eficiência, foram apenas eleitas responsáveis pela arrecadação desta taxa junto aos passageiros e pelo repasse; • Por ser mera responsável pela arrecadação e repasse do valor, a impugnante contabiliza o valor da taxa de embarque como uma conta de passivo; • Com relação a Taxa de Embarque, que foi objeto do auto de infração, prevista no inciso I do artigo 3º da Lei nº 6.009/73, incide sobre o passageiro do transporte aéreo; • A referida taxa tem a finalidade de remunerar os serviços prestados pela Infraero diretamente aos passageiros, e não às empresas aéreas; • Apenas no artigo 5º da Portaria nº 602/GC5, é que se estabeleceu a forma como seria processada a cobrança da tarifa de embarque, atribuindo à empresa aérea que vendesse o bilhete a responsabilidade por arrecadar do passageiro e posteriormente repassar o valor à Infraero; • Posteriormente, a Resolução ANAC nº 8/2007, ao alterar a Portaria nº 602/GC5, veio ratificar que o sujeito ativo da taxa de embarque é a Infraero e o sujeito passivo o passageiro, ficando apenas a responsabilidade da cobrança atribuída a outras entidades, como as empresas de transporte aéreo; Fl. 322DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 • Destarte, não há como caracterizar a taxa de embarque exigida dos passageiros pela Infraero por intermédio das empresas aéreas, uma receita destas empresas. A taxa de embarque, por expressa disposição do artigo 5º da Lei nº 6.009/73 c/c artigo 15 do Decreto nº 89.121/83, constitui receita da Infraero; • Ademais, cabe ressaltar que a própria Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC determina que os valores atinentes às taxas governamentais, tal como a Taxa de Embarque, sejam destacados do bilhete, devendo ser apresentados de forma individualizada ao passageiro, uma vez que referido valor não representa cusoa da prestação do serviço de transporte aéreo e será repassado aos entes governamentais; • Os valores arrecadados sob essa rubrica não representam receita própria da impugnante, mas sim mero ingresso transitório, que não se sujeitam às contribuições ao PIS e a COFINS; • A natureza jurídica de uma importância recebida pela empresa, isto é, se a mesma constitui um mero ingresso transitório ou uma receita, está ligada à eventual efeito modificativo no patrimônio da empresa que a recebe. Inclusive, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF reconhece que nem todo ingresso configura uma receita; • No caso concreto, o valor decorrente da Taxa de Embarque é, apenas e tão somente, um ingresso temporário na contabilidade da Impugnante, pois não modifica o seu patrimônio, mas sim o da Infraero, razão pela qual não há que se falar que a Impugnante está indevidamente excluindo aquele valor da base de cálculo das contribuições, como equivocadamente entendeu o autuante; • Não ocorreu uma exclusão da base de cálculo pois a receita nunca foi nem nunca será da impugnante, mas mero ingresso temporário; • Por todo o exposto, é a presente para requerer seja julgada integralmente procedente a presente impugnação, cancelando as autuações fiscais, inclusive os juros e a multa de ofício.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 17ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão supra em 11/07/2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 09/08/2012. É o relatório. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12448.734145/201107 Acórdão n.º 3302001.980 S3C3T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Travase nos presentes autos discussão acerca da possibilidade de exigência das contribuições ao PIS e à COFINS supostamente incidentes sobre a denominada “Taxa de Embarque”, devida pelas companhias aéreas, instituída pela Lei nº 6.009/73, conforme disposto em seu artigo 3º, in verbis: “Art. 3º As tarifas aeroportuárias a que se refere o artigo anterior, são assim denominadas e caracterizadas: I Tarifa de embarque devida pela utilização das instalações e serviços de despacho e embarque da Estação de Passageiros; incide sobre o passageiro do transporte aéreo;” Entende a i. fiscalização que os valores cobrados a título de “taxa de embarque” pela Recorrente seriam receitas tributadas pelo PIS e pela Cofins, a despeito da mesma ser repassada à INFRAERO. Por sua vez, a Recorrente alega que os referidos valores não se tratam de receitas auferidas por ela, motivo pelo qual não há que se falar em incidência de PIS e COFINS sobre estes valores, que são arrecadados pela Recorrente, mas que são repassados, integralmente, à INFRAERO. Razão assiste à Recorrente. Vejamos. Nos termos do artigo 3º da Lei nº 6.009/73, temos que: “Art. 3º As tarifas aeroportuárias a que se refere o artigo anterior, são assim denominadas e caracterizadas: I Tarifa de embarque devida pela utilização das instalações e serviços de despacho e embarque da Estação de Passageiros; incide sobre o passageiro do transporte aéreo; Por sua vez, o artigo 5º da referida Lei, dispõe que as receitas auferidas a título de “taxa de embarque” serão receitas próprias da Administração Federal indireta, sendo, no caso dos aeroportos a INFRAERO, conforme disposto no artigo 15, inciso II do Decreto nº 89.121/83, o qual regulamentou a Lei nº 6.009/73. “Lei nº 6.009/73: Fl. 324DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 6 Art. 5º Os recursos provenientes dos pagamentos a que se refere o artigo 2º desta Lei, inclusive de multas contratuais, correção monetária e juros de mora, constituirão receita própria: I – do Fundo Aeronáutico, nos casos dos aeroportos diretamente administrados pelo Comando da Aeronáutica; ou (Redação dada pela Lei nº 11.182, de 2005) II Das entidades da Administração Federal Indireta, no caso dos aeroportos por estas administradas.” “Decreto nº 89.121/83: Art. 4º A tarifa de embarque será cobrada do passageiro do transporte aéreo, antes do embarque, e será quantificada em função da categoria do aeroporto e da natureza da viagem (doméstica ou internacional). (...) Art. 15 Os recursos provenientes do pagamento das tarifas aeroportuárias, dos preços específicos e das multas contratuais, correção monetária e juros, constituirão receita: (...) II da Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária INFRAERO e de suas subsidiárias quando se tratar de tarifas aeroportuárias e preços específicos arrecadados em aeroportos por elas administrados.” Face a legislação supracitada podemos concluir, sem sombra de dúvidas, que o montante arrecadado pela Recorrente a título de “taxa de embarque” são valores devidos pelos passageiros que utilizam os serviços aeroportuários, cujo montante é, totalmente repassado à INFRAERO, constituindo receita desta. Conforme exposto pela Recorrente: “As empresas aéreas, como a Recorrente, apenas arrecadam o valor da “Taxa de Embarque”, devida pelo passageiro à INFRAERO, atuando por conta e ordem desta entidade, em respeito às normas que dispõem sobre a forma de processamento e cobrança daquela, especificamente o artigo 5º da Portaria ANAC nº 602/GC5/2000 e artigo 1º da Resolução ANAC nº 08/2007, que assim preconizam: Portaria ANAC nº 602/GC5/2000 “DA COBRANÇA Art. 5º O preço relativo à Tarifa de Embarque, acrescido do ATAERO, é devido pelo passageiro e será cobrado pelas empresas de transporte aéreo nacionais e estrangeiras, antes do respectivo embarque.” Resolução ANAC nº 08/2007 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12448.734145/201107 Acórdão n.º 3302001.980 S3C3T2 Fl. 5 7 “Art. 1º O preço relativo à Tarifa de Embarque, Acrescido do ATAERO, é devido pelo passageiro e será cobrado pela INFRAERO ou outra administradoras de aeroportos, credores dessa tarifa, que poderão delegar essa atividade às empresas de transporte aéreo, nacionais e estrangeiras, como também às agências de viagem, por elas previamente credenciadas, na forma definida em contrato. Parágrafo único: Parte do valor da Tarifa de Embarque poderá ser utilizado para remunerar aquele que prestar efetivamente o serviço de cobrança a que se refere o caput.” Portanto, sendo tais valores, apenas arrecadados pela Recorrente, por expressa disposição legal, e, posteriormente, repassados à INFRAERO, não há que se falar em incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, sobre tais valores, que por sua vez tratamse de mero “ingresso” transitório que não modifica o patrimônio da Recorrente, não podendo portanto ser denominado de “receita”. Ao fim, a título exemplificativo, e para espancar quaisquer dúvidas remanescentes, importante mencionar que o auto fora lavrado sob a égide da não cumulatividade das referidas contribuições. Que a autoridade fiscal buscou, como tem sido infelizmente cada vez mais comum, uma forma “em tese” de obter o crédito tributário, ao capitular seu lançamento em dispositivo legal que não permitiria a sua utilização no contexto, o que de per si resultaria na sua nulidade de pleno direito. Além de, na opinião desse relator, ser incompatível com o desempenho da função da autoridade fiscal em um Estado Democrático de Direito onde a Fazenda Pública é plenamente vinculada à Lei. Que ainda assim, caso fosse o lançamento analisado sob a lógica das contribuições nãocumulativas, teríamos um débito dos tributos, acompanhado de um conseqüente crédito, posto que essa transferência seria uma despesa ou custo (tanto faz) passível de crédito no mesmo montante, por ser essencial à atividade desempenhada. O resultado final a ser lançado seria, portanto, ZERO. Por todo exposto, conheço do recurso, e doulhe provimento integral. GILENO GURJÃO BARRETO Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 326DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 30/05/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.000209/2003-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
IPI - RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO - PRAZO DECADENCIAL - ART. 168 do CTN - PN/SRF Nº 515/71.
O direito de pleitear o ressarcimento de créditos (básicos ou incentivados), extingue-se no prazo de 5 anos previsto no art. 168 do CTN, contados a partir da data em que o crédito foi ou deveria ter sido efetivado pelo estabelecimento industrial, quando se adquirem os direitos, ao crédito e à pretensão contra a Fazenda Pública ao seu ressarcimento (arts. 147, 148, 150, 165 a 168 do RIPI/98; arts. 164, 165, 167, 179 a 186 do RIPI/02).
IPI - RESSARCIMENTO DE CRÉDITO BÁSICO OU PRESUMIDO - CORREÇÃO MONETÁRIA - TAXA SELIC.
Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição a partir de 01/01/96 (art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95) e, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a referida Taxa incide também sobre o ressarcimento de créditos de IPI. Precedentes da CSRF.
Numero da decisão: 3402-002.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alexandre Torquato OAB/PR 52658.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Simoyama (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes, justificadamente as Conselheiras Silvia de Brito Oliveira e Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI - RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO - PRAZO DECADENCIAL - ART. 168 do CTN - PN/SRF Nº 515/71. O direito de pleitear o ressarcimento de créditos (básicos ou incentivados), extingue-se no prazo de 5 anos previsto no art. 168 do CTN, contados a partir da data em que o crédito foi ou deveria ter sido efetivado pelo estabelecimento industrial, quando se adquirem os direitos, ao crédito e à pretensão contra a Fazenda Pública ao seu ressarcimento (arts. 147, 148, 150, 165 a 168 do RIPI/98; arts. 164, 165, 167, 179 a 186 do RIPI/02). IPI - RESSARCIMENTO DE CRÉDITO BÁSICO OU PRESUMIDO - CORREÇÃO MONETÁRIA - TAXA SELIC. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição a partir de 01/01/96 (art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95) e, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a referida Taxa incide também sobre o ressarcimento de créditos de IPI. Precedentes da CSRF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alexandre Torquato OAB/PR 52658. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Simoyama (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes, justificadamente as Conselheiras Silvia de Brito Oliveira e Nayra Bastos Manatta.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI RESSARCIMENTO/RESTITUIÇÃO PRAZO DECADENCIAL ART. 168 do CTN PN/SRF Nº 515/71. O direito de pleitear o ressarcimento de créditos (básicos ou incentivados), extinguese no prazo de 5 anos previsto no art. 168 do CTN, contados a partir da data em que o crédito foi ou deveria ter sido efetivado pelo estabelecimento industrial, quando se adquirem os direitos, ao crédito e à pretensão contra a Fazenda Pública ao seu ressarcimento (arts. 147, 148, 150, 165 a 168 do RIPI/98; arts. 164, 165, 167, 179 a 186 do RIPI/02). IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO BÁSICO OU PRESUMIDO CORREÇÃO MONETÁRIA TAXA SELIC. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição a partir de 01/01/96 (art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95) e, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, a referida Taxa incide também sobre o ressarcimento de créditos de IPI. Precedentes da CSRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral o Dr. Carlos Alexandre Torquato OAB/PR 52658. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 02 09 /2 00 3- 37 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Simoyama (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausentes, justificadamente as Conselheiras Silvia de Brito Oliveira e Nayra Bastos Manatta. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 632/651) contra o Acórdão DRJ/RPO nº 1418.755 de 05/03/08 constante de fls. 627/628 exarado pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir” a Manifestação de Inconformidade de fls. 587/624, mantendo o Despacho Decisório nº 018 (fls. 579/581) da DRF de Cascavel – PR, que indeferiu o Pedido de Ressarcimento de crédito de IPI Crédito de IPI protocolado em 30/12/02 (apurado em conformidade ao disposto na Lei n.° 9.363, de 13/12/96, regulamentada pela Portaria MF n°. 93 de 27/04/2004 DOU 30/04/2004 e IN/ SRF n° 419 de 10/05/2004 – DOU 21/05/2004), no valor de R$ 151.050,95 e referente ao primeiro trimestre de 1997, bem como a DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃODCOMP no valor de R$ 36.228,77. Por seu turno, a r. decisão de fls. 627/628 da 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP, houve por bem “indeferir” a Manifestação de Inconformidade de fls. 587/624, mantendo o Despacho Decisório nº 018 (fls. 579/581) da DRF de Cascavel – PR, aos fundamentos sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 CRÉDITOS DO IPI. RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO. 0 prazo prescricional qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme disposição da legislação tributária sobre a matéria (Decreto n° 20.910/32). RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DO IPI. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes á. Taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Solicitação Indeferida” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 360/372 vol. II) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão recorrida tendo em vista: Fl. 675DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10935.000209/200337 Acórdão n.º 34023.402.330 S3C4T2 Fl. 3 3 a) a inocorrência da decadência proclamada pela r. decisão recorrida eis que não se trataria de lançamento por homologação prevista no § 4º do art. 150 do CTN, mas sim do art. 173, inc. I do CTN; b) que o indeferimento do crédito presumido seria conseqüência de interpretação restritiva da legislação, razão pela qual seriam “legítimos” os créditos de IPI em face da possibilidade de inclusão na base de calculo do crédito presumido do IPI, nos termos do artigo 2° da Lei n° 9.363/96, compras de matéria prima de pessoas físicas (agricultores) e cooperativas (item 03 da planilha), no caso de exportação de óleo degomado e farelo de soja (produtos industrializados); c) que também seria legítima a correção monetária conforme a jurisprudência citada. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, mas no mérito não merece provimento. Como é curial e já assentou o E. STJ “o benefício outorgado (...) pela Lei 9.363/96, atinge diretamente as empresas produtoras e exportadoras, consideradas dentro desse contexto também as suas filiais, sob pena de inviabilizar os efeitos pretendidos pelo aludido benefício, na medida em que apenas uma empresa pode ser diretamente responsável pela operação de exportação, sem a necessidade de que cada uma de suas filiais seja igualmente responsável na referida operação” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no R.Esp. nº 499935RS, Reg. nº 2003/00146211, em sessão de 03/03/05, rel. MIn. FRANCISCO FALCÃO, publ. in DJU de 28/03/05 pág. 188). Da mesma forma é inquestionável a base de cálculo do crédito presumido do IPI, através do qual se efetua o ressarcimento do PIS e da COFINS incidente sobre as operações do ciclo de comercialização dos insumos integrantes dos produtos industrializados destinados à exportação , é o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, integrados no processo de produção do produto final destinado à exportação. Assim, desde logo anoto que, ao contrário do que sustenta a oraRecorrente, não há dúvida que o IPI se insere na hipótese de lançamento por homologação prevista no art. 150, § 4º do CTN, cujo prazo decadencial para homologação, contase da data do fato gerador ou período de apuração, conforme expressamente dispõem os arts. 111 e 116 do RIPI/98, então vigente (arts.56, Incs. I e III e 61, Inc. I do RIPI/82; arts.124 Incs. I e III e 129, Incs. I do RIPI/02): “Art. 111. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 190 e 191 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74). Fl. 676DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; (...) III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.” “Art. 116. O direito de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados: I da ocorrência do fato gerador, quando, tendo o sujeito passivo antecipado o pagamento do imposto, a autoridade administrativa não homologar o lançamento, salvo se tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150, § 4º); (...).” Nessa ordem de idéias, o E. Superior Tribunal de Justiça já esclareceu que “as normas dos artigos 150, §4º e 173” do CTN “não são de aplicação cumulativa ou concorrente, antes são reciprocamente excludentes, tendo em vista a diversidade dos pressupostos da respectiva aplicação: o art. 150, § 4º aplicase exclusivamente aos tributos ‘cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa’; o art. 173, ao revés, aplicase tributos em que o lançamento, em princípio, antecede o pagamento”. Assim, entende aquela E. Corte que “a aplicação concorrente dos artigos 150, § 4º e 173”, a par de ser “juridicamente insustentável” e padecer de invencível “ilogicidade”, apresentase como “solução (...) deplorável do ponto de vista dos direitos do cidadão porque mais que duplica o prazo decadencial de cinco anos, arraigado na tradição jurídica brasileira como o limite tolerável da insegurança jurídica” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no R. Esp. nº 638.962PR, rel. Min. Luiz Fux, publ. no DJU de 01/08/05 e na RDDT 121/238) Na regulamentação da não cumulatividade, a legislação de regência (Lei n. 9.779/99, art. 11; Lei 9.430/96, art. 74, § 3º na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) expressamente reconhece que os saldos credores de IPI sejam os decorrentes de aquisições de MP, PI e ME (créditos básicos inclusive isentos, imunes ou tributado à alíquota zero – cf. art. 4º da IN/SRF nº 33, de 04/03/99, art. 4º) sejam os decorrentes de crédito presumido (cf. arts. 1º a 4º da Lei nº 9.363/96; arts. 165 a 168 do RIPI/98) , que o contribuinte não possa compensar com o IPI devido na saída de outros produtos industrializados, são passiveis de restituição ou ressarcimento (arts. 165, 178 e 190 do RIPI/98; arts. 179, 195 § 2º, 207 e 208 do RIPI/02), e podem ser utilizados pelo o contribuinte para quitação ou compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF, somente sendo vedada a compensação nas hipóteses legalmente previstas de: a) “saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física” (§ 3º, inc. I do art. 74 da Lei nº 9430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02 DOU de 31/12/02); b) “débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação” (§ 3º, inc. II do art. 74 da Lei nº 9430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02 DOU de 31/12/02) Como também é elementarmente sabido, o direito à repetição do indébito tributário, seja em razão de erro de fato ou de direito, decorre diretamente da própria Constituição e encontra seu fundamento jurídico nos princípios da legalidade da Tributação e Fl. 677DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10935.000209/200337 Acórdão n.º 34023.402.330 S3C4T2 Fl. 4 5 da Administração constitucionalmente assegurados (arts. 37 e 150, inc. I da CF/88) que, como ensina Brandão Machado, consubstanciam, não só o “fio diretor do comportamento da administração pública”, mas também a “fonte” do direito público subjetivo do indivíduo de não ser tributado senão exatamente como prescreve a lei (cf. in “Estudos em homenagem ao Prof. Ruy Barbosa Nogueira”, Ed. Saraiva, 1984, pág. 86), cuja inobservância enseja violação do direito de quem paga o tributo, que por sua vez adquire, no exato momento em que cumpre a obrigação tributária indevida, os direitos ao crédito e à pretensão contra a Fazenda Pública, da restituição do indébito. Da mesma forma, a Jurisprudência indiscrepante da Câmara Superior de Recursos Fiscais há muito já assentou que “o ressarcimento é uma espécie do gênero restituição”, seja decorrente de créditos básicos ou créditos incentivados (cf. Ac. CSRF/02 01.911 da 2ª Turma da CSRF, no Rec. nº 202119191, Proc. nº 13064.000120/9917, Rel. Cons. Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva, em sessão de 12/04/2005), razão pela qual “aplicase ao ressarcimento de créditos a taxa SELIC, sob pena da afronta aos princípios da isonomia e do enriquecimento sem causa” (cf. Ac. CSRF/0202.063 da 2ª Turma da CSRF, no Rec. nº 202118165, Proc. nº 10860.001211/9781, Cons. Rogério Gustavo Dreyer, em sessão de 17/10/2005; Ac. CSRF/0201.690 da 2ª Turma da CSRF, no Rec. nº 202113793, Proc. nº 10830.001417/9759, Rel. Cons. Rogério Gustavo Dreyer, em sessão de 11/05/2004; CSRF/02 01.414 da 2ª Turma da CSRF, no Rec. nº 201112809, Proc. nº 13839.000017/9761, Cons. Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 08/09/2003; Ac. CSRF/0201.319 da 2ª Turma da CSRF, no Rec. nº 201110145, Proc. nº 10945.008245/9793, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 12/05/2003; Ac. CSRF/0201.395 da 2ª Turma da CSRF, no Rec. nº 201 112433, Proc. nº 10930.000011/9919, Rel. Cons. Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva, em sessão de 08/09/2003), que deve incidir “a partir da data da protocolização do pedido”, (cf. Ac. CSRF/0202.372 da 2ª Turma da CSRF, no Rec. nº 201124692, Proc. nº 13854.000209/9780, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, em sessão de. 24/07/2006; Ac. CSRF/0201.780 da 2ª Turma da CSRF, no Rec. nº 201115732, Proc. nº 10980.015234/9912, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 24/01/2005). Ressaltese que através do Parecer Normativo CST nº 515 de 10/08/71, a própria Administração Tributária há muito já reconheceu expressamente que “o crédito não utilizado na época própria”, tem natureza jurídica e consubstancia “uma dívida passiva da União”, entendendo aplicável, naquela oportunidade, o prazo prescricional de cinco anos previsto no do art. 1º do Decreto nº 20.910 de 06/01/32, para o exercício de qualquer direito ou direito de ação contra a Fazenda Pública, “contados da data do ato ou fato do qual se originaram”, ou seja, no caso específico de créditos do IPI, contados da “entrada dos produtos no estabelecimento” industrial, “acompanhada da respectiva Nota Fiscal” (cf. PN/SRF nº 515/71, item 5; arts. 147, 148 e 150 do RIPI/98; arts. 164, 165 e 167 do RIPI/02). Não obstante, cumprindo sua vocação especifica de estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária especialmente sobre decadência (art. 146, inc. III, alínea “b da CF/88), a Lei Complementar recepcionada pela Constituição (ex. vi do § 5º do art. 34 do ADCT/CF), posteriormente veio estabelecer que o direito de pleitear a restituição do indébito tributário, seja qual for a modalidade do pagamento indevido, extinguese em 5 anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido (arts. 165 e 168 do CTN), tal como reconhecido pelos PGFN/CAT 678/99 e PGFN/CAT 1538/99. Sendo o ressarcimento de créditos do IPI “uma espécie do gênero restituição”, vez que “o crédito não utilizado na época própria”, tem natureza jurídica de “uma dívida passiva da União” (tal como expressamente reconhecido pela Jurisprudência e pela própria Administração tributária), não há duvida que o Fl. 678DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 direito de pleitear o ressarcimento dos referidos créditos (básicos ou incentivados), extinguese no mesmo prazo de 5 anos previsto no art. 168 do CTN, contado a partir da data em que o crédito foi ou deveria ter sido efetivado, quando se adquirem os direitos, ao crédito e à pretensão contra a Fazenda Pública ao seu ressarcimento (cf. PN/SRF nº 515/71, item 5; arts. 147, 148 e 150 do RIPI/98; arts. 164, 165 e 167 do RIPI/02). No caso concreto, tratandose de pedido de ressarcimento formulado em 31/12/02 (fls. 01) parece evidente que não poderia abranger créditos anteriores a 31/12/97, ou seja, não poderia abranger créditos de IPI referendes ao 1º trimestre de 1997 como pleiteado no Pedido de Ressarcimento. Ao reconhecer a possibilidade de restituição ou ressarcimento de saldos credores de IPI, que o contribuinte não possa compensar com o IPI devido na saída de outros produtos industrializados , é evidente que a lei não pretendeu ressarcir saldos credores que tenham por objeto créditos relativos a período, cujo direito ao creditamento, já se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN). Da mesma forma ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação de pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ou ao ressarcimento, já não se ache extinto pela decadência (art. 168 do CTN), o que inocorre no caso. Os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, pelos motivos expostos voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de fevereiro de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 679DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/03/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 13971.720017/2008-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1)
DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE.
Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-003.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1983; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 705 1 704 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720017/200815 Recurso nº 13.971.720017200815 Voluntário Acórdão nº 3403003.060 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria COFINS PEDIDO ELETRONICO DE RESSARCIMENTO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à tutela do Poder Judiciário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 17 /2 00 8- 15 Fl. 705DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Ausente momentaneamente o Conselheiro Ivan Allegretti. Relatório ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA transmitiu, em 27/07/2007, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER nº 24863.04175.270707.1.5.092675, de créditos da apuração não cumulativa de COFINSexportação, no valor de R$ 253.644,45, referente ao segundo trimestre de 2006. A DRFBlumenauSC, por meio do Despacho Decisório Saort/DRF/BLU nº 208/2008, fls. 549 a 568, deferiu o pleito parcialmente, em R$ 213.138,56. A glosa no valor de R$ 40.505,89 deveuse às seguintes irregularidades constatadas na tomada de créditos: a) devolução de produtos que seriam utilizados como insumo: relata, a autoridade fiscal, que constatou por meio da análise do arquivo digital das notas fiscais de saída e da memória de calculo, na qual a contribuinte declara os CFOP utilizados para a quantificação dos créditos da linha dois do DACON, que a mesmo não excluiu, da base de cálculo do crédito apurado, a totalidade das devoluções de bens que seriam utilizados no processo produtivo. Conclui que a diferença de R$2.692,27, apurada em relação aos valores dos registros com CFOP 5.201 e 6.201, foi reduzida da base de cálculo. b) referentes a serviços utilizados como insumo: b.1) serviços de transporte rodoviário de cargas: relata a autoridade fiscal que o preenchimento de parcela relevante dos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) não foi efetuado em conformidade com o exigido pela legislação do ICMS. Aponta como principais irregularidades: a emissão do CTRC posteriormente à prestação do serviço; o valor da nota fiscal informada no CTRC inferior ao nele informado; notas fiscais informadas nos CTRC não registradas no Livro de Registro de Entrada. Acrescenta que os "serviços de transporte muitas vezes superam o valor da própria mercadoria transportada e que as distâncias percorridas entre a origem e o destino não são compatíveis com os valores médios de frete praticados no mercado". Conclui que "em função das deficiências encontradas a aferição da idoneidade dos documentos fica completamente prejudicada" b.2) serviços não especificados: foram glosados os serviços em relação aos quais a interessa, instada a apresentar a memória de cálculo para os créditos referente a linha três (Serviços Utilizados com Insumo), informou utilizar os CFOP 1.949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada). Observa que enquanto o montante informado das operações com esse CFOP, para fins de creditamento, é de R$ 142.895,97, no RLE "nenhuma nota fiscal relacionada solicita crédito de PIS e/ou COFINS". Glosouse a glosa da totalidade do valor solicitado considerando que a requerente não especificou quais as notas fiscais registradas no LRE estariam compondo o valor solicitado e as que entradas com o CFOP 1.949, "por referirse a outras entradas não previstas nos demais códigos, a principio, não correspondem a bens e serviços utilizados como insumo"; c) energia elétrica: foram glosados os valores incluídos nas faturas, e no cômputo do crédito, que não são passíveis do desconto legalmente previsto, quais sejam os valores referentes As doações ao Hospital Annegret Neitzke e ao pagamento de juros e multa de mora e correção monetária decorrentes de pagamentos extemporâneos; Fl. 706DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720017/200815 Acórdão n.º 3403003.060 S3C4T3 Fl. 706 3 d) alugueis de prédios: foi glosado o valor indicado no contrato de locação como despesa de energia elétrica, por não integrar tal despesa o valor do aluguel contratado; e) locação de máquinas e equipamentos: a autoridade fiscal glosou os valores referentes as despesas com locação de caminhões e carrocerias reboques, de propriedade da empresa controladora, Rohden Artefatos de Madeiras Ltda., pois, de acordo com a NCM, "caminhão é espécie do género veiculo e não do gênero máquina". Em Manifestação de Inconformidade, fls. 580 a 585, controverteramse as seguintes glosas: a) Dos serviços de transporte rodoviário de cargas, alegando que não existem os supostos "vícios formais" a ensejar a glosa referente aos fretes das aquisições de insumos mas, quando muito, meras irregularidades. Explica: que diariamente contratava fretes de terceiras pessoas as quais transportavam madeira bruta das florestas até seu estabelecimento; que tais serviços eram realizados por pessoas humildes que, muitas vezes, ao invés de emitirem uma nota fiscal (conhecimento de frete) para cada operação de transporte, emitiam uma nota fiscal conjunta com a totalidade dos serviços prestados em determinado período. Argumenta que a referida falha não prejudicou o fisco pois não houve omissão dos valores referentes aos fretes e não impediu que a empresa transportadora recolhesse PIS e COFINS sobre esses valores. Ao final pugna que "caso se entenda que não tem como auferir os valores a serem ressarcidos, que se determine o retorno dos autos à DRF em Blumenau para análise do crédito". b) Dos serviços não especificados, argumentando que os valores das entradas com CFOP 1.949 foram incluídos corretamente na apuração do crédito, vez que se tratam de importâncias relativas a serviços de pessoa jurídica utilizados na extração de madeira e manutenção de máquinas, cujo direito ao crédito está previsto no art. 3 , II, da Lei 10.833/2003. Alega que, com o mesmo CFOP existem entradas com direito ao crédito e outras sem, e que a Autoridade Administrativa, antes de glosar todos os valores pleiteados, deveria ter intimado a recorrente para prestar as informações necessárias; desta feita, anexa aos autos as notas fiscais que diz comprovarem o direito pleiteado. A 4ª Turma da DRJ/FNS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedenteO Acórdão nº 07020.578, de 23 de julho de 2010, fls. 638 a 646, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO! PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO., COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 707DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM SERVIÇOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 650 a 662, após síntese dos fatos relacionados com a lide, discorre sobre o sistema de distribuição do ônus da prova no processo administrativo, articulandoo com o princípio da verdade material, para concluir que não se pode indeferir requerimento efetuado pelo contribuinte sob o argumento de que o mesmo não logrou êxito na comprovação de seu direito. No mérito, rechaça a vinculação da tomada de crédito por fretes pagos no transporte de insumo com a natureza do bem transportado. Invoca a Lei de Regência. Explica que para a árvore chegar até a indústria, é necessário que haja um meio de transporte que a leve ao local e que esta condução normalmente é feita pela própria a empresa contratada para 0 corte da árvore. Refere soluções em processos de consulta. Aduz que o fato de os transportes se referirem, em parte, a produtos adquiridos de pessoas físicas, não tem o condão de limitar ou excluir a possibilidade da percepção de créditos. Insiste na regularidade dos conhecimentos que ampararam o creditamento. Alternativamente, pede que se retornem os autos à DRJ para análise do crédito. Quanto à glosa de serviços não especificados, registrados sob o CFOP 1949 e 2949, pugna pela adoção do conceito econômico de insumo e se admita a tomada de crédito sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas e serviços de fumigação, haja vista que tais produtos são considerados como insumo, sendo, igualmente, integrado ou consumido no processo de produção de mercadorias industrializadas destinadas ao exterior. Destaca que seu processo industrial começa já no momento em que seus prestadores de serviços se dirigem até a localidade onde estão as árvores e realizam o corte da forma exigida pela recorrente. Da mesma forma, considerandose que as máquinas são empregadas na produção de bens da recorrente eis que indispensáveis à obtenção do resultado final a medida que se impõe é o deferimento do ressarcimento do crédito em relação às aquisições de peças e serviços empregados na manutenção das máquinas e veículos. Os presentes autos foram encaminhados para julgamento em conjunto com os processos conexos de nºs 13971.720775/200914, 13971.720776/200951,13971.720778/2009 40 e 13971.720926/200764, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II à Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em razão do sorteio ocorrido em 28/05/2014. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720017/200815 Acórdão n.º 3403003.060 S3C4T3 Fl. 707 5 Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 650 a 662 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 07020.578, de 23 de julho de 2010. Devolvemse a esta Turma Recursal as discussões a respeito do ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte; do direito à tomada de crédito sobre os fretes pagos no transporte de insumos, sobre os gastos com a extração de madeira, manutenção de máquinas . Tenho notícia de que ROHDEN PORTAS E PAINÉIS LTDA, ora recorrente, ajuizou, em 30/09/2013, a Ação Ordinária nº 500358124.2013.404.7213, distribuída à 1ª Vara da Justiça Federal em Rio do SulSC, almejando que se declare o seu direito ao creditamento do PIS e da COFINS calculados sobre: a) aquisição de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos; b) serviços de extração de madeira, baldeamento e manutenção de máquinas; c) serviços de armazenagem de mercadorias; d) depreciação de bens do ativo imobilizado – aquisição de florestas por meio de contrato de compra e venda; e) fretes utilizados para o transporte de mercadorias adquiridas de pessoas físicas, transporte de insumos utilizados na industrialização e transporte rodoviário de cargas. Requer, ainda, seja reconhecido o direito da autora aos créditos discutidos na presente peça exordial, os quais foram glosados pela autoridade fiscal nos processos administrativos nºs 13975.000463/200357, 13975.000464/200300, 13975.000496/200305, 13975.000018/2004 78, 13975.000217/200567, 13975.000215/200578, 13975.000213/2005 89, 13975.000212/200534, 13975.000210/2005 45, 13975.000199/200513, 13971.720021/200875, 13971.720022/200810, 13971.720023/200864, 13971.720024/2008 17, 13971.720025/200853, 13971.720026/200806, 13971.910941/201189, 13971.910944/201112, 13971.910945/2011 67, 13971.910950/201170, 13971.910958/2011 36, 13971.910959/201181, 13975.000218/200510, 13975.000216/2005 12, 13975.000214/200523, 13975.000224/200569, 13975.000209/200511, 13971.001997/2006 83, 13971.001996/2006 39, 13971.720016/200862, 13971.720017/200815, 13971.720018/200851, 13971.720019/200804, 13971.720020/2008 21, 13971.910942/2011 23, 13971.910943/201178, 13971.910946/201110, 13971.910949/201145, 13971.910960/2011 13, 13971.910955/201101, corrigidos monetariamente pela taxa referencial SELIC deste a data do protocolo dos pedidos administrativos. Como se vê, à exceção das primeira matéria, as demais foram submetidas à tutela do Poder Judiciário. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 1 (DOU nº 244, de 22 de dezembro de 2009): Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 6 Em face da renúncia à discussão administrativa dessas matérias, só se conhecerá das alegações recursais atinentes ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte. Ônus da prova nos processos de iniciativa do contribuinte Em que pese a dissertação da recorrente, comungo integralmente com as considerações sobre a distribuição do ônus probatório tecidas pela relatora da decisão recorrida, AFRFB Andréa Luiza Vasconcelos Mendes. Cabe ao contribuinte, até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela Autoridade Fiscal para não acatar, ou acatar apenas parcialmente o pleito repetitório. Decerto, não basta ao contribuinte apenas alegar sem provar não basta, simplesmente vir aos autos discordado do entendimento do fiscal, afirmando que entende possuir o direito ao crédito o contribuinte deve ser capaz de comprovar cabalmente o direito ao crédito que pleiteia, demonstrando sua conformidade com os dispositivos legais de regência. Este é o princípio fundamental do sistema de distribuição do onus probandi adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Fl. 710DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13971.720017/200815 Acórdão n.º 3403003.060 S3C4T3 Fl. 708 7 Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Aliás, este Colegiado já se pronunciou diversas vezes no sentido de que toca ao interessado a produção das provas do direito creditório alegado. Confirase: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos Fl. 711DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN 8 nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Conclusão Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário e, na parte conhecida, quanto ao ônus da prova nos processos administrativos de iniciativa do contribuinte, por negar provimento. Sala de sessões, em 22 de julho de 2014 Fl. 712DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 16832.000238/2010-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
EXISTÊNCIA OU NÃO DE RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS
As despesas incorridas por regime de competência compreendem o valor total das parcelas mensais devidas, que incluem a diferença de reajuste das parcelas mensais que a contribuinte interpretava como indevidas. O que se poderia discutir eventualmente é se essa diferença constituiria, mensalmente, por regime de competência, despesa de provisão até o reconhecimento pela própria contribuinte de que a diferença era devida. Isso não foi objeto de questionamento por parte do autuante, que fundou sua pretensão em outro motivo. Para ele, houve uma receita de recuperação de custos ou despesas, correspondente à aludida diferença. No caso, inexiste lugar para receita de recuperação de custos ou despesas. Exigência fiscal indevida.
Numero da decisão: 1103-001.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 EXISTÊNCIA OU NÃO DE RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS As despesas incorridas por regime de competência compreendem o valor total das parcelas mensais devidas, que incluem a diferença de reajuste das parcelas mensais que a contribuinte interpretava como indevidas. O que se poderia discutir eventualmente é se essa diferença constituiria, mensalmente, por regime de competência, despesa de provisão até o reconhecimento pela própria contribuinte de que a diferença era devida. Isso não foi objeto de questionamento por parte do autuante, que fundou sua pretensão em outro motivo. Para ele, houve uma receita de recuperação de custos ou despesas, correspondente à aludida diferença. No caso, inexiste lugar para receita de recuperação de custos ou despesas. Exigência fiscal indevida.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 EXISTÊNCIA OU NÃO DE RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS As despesas incorridas por regime de competência compreendem o valor total das parcelas mensais devidas, que incluem a diferença de reajuste das parcelas mensais que a contribuinte interpretava como indevidas. O que se poderia discutir eventualmente é se essa diferença constituiria, mensalmente, por regime de competência, despesa de provisão até o reconhecimento pela própria contribuinte de que a diferença era devida. Isso não foi objeto de questionamento por parte do autuante, que fundou sua pretensão em outro motivo. Para ele, houve uma receita de recuperação de custos ou despesas, correspondente à aludida diferença. No caso, inexiste lugar para receita de recuperação de custos ou despesas. Exigência fiscal indevida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 02 38 /2 01 0- 62 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 551 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 552 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ, no valor de R$ 678.063,19, e de CSL, no montante de R$ 244.102,75, referentes aos anoscalendários de 2005 e 2006, acrescidos de multa de ofício de 75% e de juros moratórios. A contribuinte foi cientificada da autuação em 13/4/2010. Fundamentalmente, os autos de infração decorreram do fato de a fiscalização ter identificado suposta omissão, por parte da contribuinte, de recuperação dos custos/despesas decorrentes dos pagamentos efetuados por essa à Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), ansiando, por falta de recolhimento, o lançamento de ofício do IRPJ e, conseqüentemente, da CSL. Afirmou que, pela análise do Contrato de Arrendamento CDEP JUR 083/98 de 1998, em que a contribuinte figura como arrendatária e a CDRJ como arrendadora, é possível concluir que os pagamentos realizados pela contribuinte foram efetuados em valores inferiores aos constantes nas notas ficais, as quais continham anotações manuscritas com a palavra “glosa”. Acerca da conclusão retromencionada, a contribuinte esclareceu que a realização das glosas derivou do fato de a CDRJ ter aplicado um reajuste indevido às parcelas mensais estabelecidas no Contrato de Arrendamento supracitado. Foi realizada diligência junto à CDRJ, a qual apresentou as notas fiscais e os lançamentos contábeis solicitados, e afirmou que ela não realizou questionamento judicial relacionado aos valores pagos pela contribuinte. Em decorrência da intimação feita pela fiscalização, a contribuinte atestou que até 2004 ela creditava o valor das glosas diretamente na conta de despesas, tendo, no ano seguinte, feito constar do passivo os valores dessas glosas. Além disso, prestou os seguintes esclarecimentos acerca das despesas de arrendamento, conforme trecho infratranscrito de fls. 230 (eprocesso): “A MultiCar assinou contrato de arrendamento com a CDRJ em 10/12/1998, por 25 anos, prorrogáveis por mais 25 anos (C DEPJUR no 083/98), com as seguintes condições: a) Parcela inicial de R$ 16.295.000,00 paga no ato do leilão (downpayment). b) 300 parcelas mensais de R$ 143.533,00 cada, vencendose a primeira parcela no final do primeiro mês após a entrega do Terminal RollonRolloff. c) Entrega do Terminal após 120 dias após a assinatura do contrato, ou seja, 10/04/1993.” Fl. 552DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 553 4 A contribuinte apresentou documentos e realizou esclarecimentos adicionais acerca das despesas de arrendamento, de modo a apontar as seguintes divergências quanto a correção das parcelas mensais: A CDRJ atrasou em três anos a entrega dos cais, o que trouxe interpretações diferentes pela DCRJ e a contribuinte, no que tange o cálculo da correção das parcelas; A CDRJ requereu a quitação da diferença entre o valor das prestações do arrendamento cobrado por ela e do efetivamente pago pela contribuinte. Tal diferença decorreu do fato de a segunda ter corrigido as prestações a partir da data da entrega efetiva total do cais, ao passo que a primeira corrigiu as prestações a partir da data original da proposta, qual seja, novembro de 1998; A divergência total das glosas realizadas pela contribuinte, corrigida pela Taxa Referencial, com o acréscimo de 1% a titulo de juros de mora, perfaz o valor de R$ 16.404.380,00; A contribuinte requer as mesmas condições estabelecidas no Contrato para o caso de inadimplência sobre o valor da parcela inicial paga por ela no ato do leilão, qual seja R$ 16.295.00,00; Até a entrega do cais incidiu sobre o valor das prestações do arrendamento a variação da TR mais juros de 1% ao mês e, após a data de entrega e até outubro de 2009, o saldo passou a ser corrigido pelo IGPM; O atraso da data da entrega das obras do cais perfez, em moeda de outubro de 2009, o montante de R$ 17.504.101,00; Através da análise da proposta de acordo e das informações presentes na CartaPRE 02/2010, concluiuse que a CDRJ é credora do montante de R$ 16.404.380,00, referente às glosas, e devedora do valor correspondente a R$ 17.401.101,00; A fiscalização considerou que são fiéis as negociações feitas, de acordo com a CartaDIRPRE 1543/2010 e a CartaPRE 02/2010, de modo a formalizar e implementar o acordo, inclusive quanto ao imediato pagamento das parcelas fixas mensais. Por fim, de acordo com o artigo 392, II, do RIR, concluiu que os custos/despesas que a recorrente teve nos anoscalendários de 2005 e 2006 foram os valores efetivamente pagos, sendo que as glosas (valores não pagos) devem ser tributadas a título de recuperação de custos/despesas. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 268 a 281 (e processo). Requereu o cancelamento integral dos autos de infração lavrados, conforme trecho do relatório do acórdão da DRJ infratranscrito, de fl. 536 a 541 (eprocesso): Fl. 553DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 554 5 “Inconformada com os lançamentos efetuados, dos quais tomou ciência em 13/04/2010, nos próprios autos de infração (fls. 233/239), interpôs a interessada, em 12/05/2010, a impugnação de fls. 267/281, instruída com os documentos de fls. 282/470 para requerer o cancelamento integral dos autos de infração lavrados, pelos seguintes motivos: 4.1. a interessada é pessoa jurídica de direito privado, tendo como objeto social, dentre outras atividades, a prestação de serviços de recebimento, armazenagem e movimentação de contêineres e mercadorias relacionadas diretamente a veículos, no recinto das instalações portuárias sob administração da Companhia Docas do Rio de Janeiro, localizada no Porto do Rio de Janeiro/RJ, em Terminal RollOn RollOff; 4.2. após vencer leilão de processo de licitação, ao amparo da Lei nº 8.666/1993, celebrou contrato de arrendamento do Terminal RollOn RollOff com a “DOCAS”, em 10/12/1998 (as condições estão especificadas no Termo de Constatação Fiscal, vide item 3.9.1.); 4.3. com a entrega do Terminal em junho/2002, a “DOCAS” iniciou a cobrança das parcelas mensais do arrendamento, tendo corrigido as prestações a partir de dezembro/1998, de acordo com o disposto na cláusula 9ª, inciso I, do Contrato de Arrendamento celebrado e na Lei nº 8.666/1993; 4.4. contudo, sentindose prejudicada pelo atraso na entrega do Terminal Portuário arrendado, a interessada resolveu glosar parte dos pagamentos correspondentes aos valores cobrados pela “DOCAS”, equivalente à parcela do reajuste aplicado; 4.5. em que pese o atraso na entrega do Terminal, em prejuízo da interessada, não se pode sustentar que os valores glosados das parcelas do arrendamento são indevidos, quer pelas disposições contratuais, quer pelo estabelecido pela Lei nº 8.666/1993, que institui as normas para os contratos oriundos de licitação firmados pela Administração Pública; 4.6. mensalmente, a “DOCAS” encaminhava a cobrança do arrendamento à interessada com o seu valor atualizado desde dezembro/1998, em cumprimento ao disposto no art. 9º, inciso I, do Contrato, entretanto, a interessada pagava apenas parte do valor da fatura recebida da “DOCAS”, desconsiderando parcela do reajuste aplicado; 4.7. a despeito do pagamento parcial, a interessada, tributada pelo lucro real, reconheceu como devidos os valores integrais cobrados pela “DOCAS”, em cumprimento ao regime de competência dos exercícios, previsto no art. 177 da Lei nº 6.404/1966 (Lei das Sociedades Anônimas), por se tratar de despesas operacionais devidas e incorridas, contraídas pela interessada, dedutíveis da base de cálculo dos gravames, independentemente de seu pagamento; Fl. 554DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 555 6 4.8. os valores mensais cobrados pela “DOCAS” foram reajustados a partir da data do Contrato (dezembro/1998), de acordo com a legislação, e nos termos em que foi celebrado, motivo pelo qual são consideradas despesas operacionais devidas e incorridas, passíveis de dedução da base tributável do IRPJ e da CSLL; 4.9. as negociações havidas entre a interessada e a “DOCAS”, constante da “Resolução de Pendência”, serviram apenas para apurar os valores efetivamente devidos entre as partes, a título de reajuste do preço do Contrato, ficando ratificado, ao final, que as parcelas mensais do arrendamento deveriam ser reajustadas a partir da data de assinatura do Contrato (dezembro/1998), até mesmo por disposição legal (art. 55, inciso III, da Lei nº 8.666/1993), sendo, portanto, integralmente devidos os valores faturados pela “DOCAS”, ao passo que as diferenças pendentes de pagamento deveriam ser quitadas com os devidos encargos previstos no Contrato de Arrendamento; 4.10. em respeito ao regime de competência, mensalmente as parcelas de arrendamento foram devidamente registradas contabilmente em contas do Passivo, com base nas faturas emitidas pela “DOCAS”, tendo como contrapartida uma conta de resultado; 4.11. as diferenças nos pagamentos parciais mensalmente efetuados permaneceram registradas como devidas no Passivo – Contas a Pagar, tendo a interessada deduzido o valor total das faturas emitidas pela “DOCAS”, por se tratar de despesa operacional devida e incorrida, nos termos dos arts. 219, 275, 299 e 300, todos do RIR/1999; 4.12. de acordo com a legislação citada, os valores cobrados pela “DOCAS”, independentemente de seu pagamento, são dedutíveis do lucro real apurado no período, logo, o argumento da Fiscalização de que os valores não pagos pela interessada à “DOCAS”, correspondentes às parcelas cobradas nos exercícios de 2005 e 2006, são recuperação de custo/despesa, não deve prosperar, uma vez que não representam qualquer redução indevida do lucro real; 4.13. dar o tratamento de recuperação de custo/despesa à presente questão seria adotar o regime de caixa, não aplicável ao caso por disposição legal; 4.14. o procedimento adotado pela interessada encontra amplo respaldo na jurisprudência do CARF (Acórdãos CSRF/0102.637, de 16/03/1999; 10516.946, de 17/04/2008; 10195.212, de 19/10/2005; 10517.247, de 15/10/2008; 10321.283, de 12/06/2003; 10192.961, de 26/01/2000) e no próprio Regulamento do Imposto de Renda; 4.15. concluise que, de acordo com o regime de competência as despesas incorridas são aquelas de competência do período de apuração, relativas a bens ou serviços consumidos nas transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, Fl. 555DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 556 7 tenham sido pagas ou não, devendo ser apropriadas no período de apuração em que os bens forem empregados ou os serviços consumidos; 4.16. a interessada reconhece o critério de reajuste praticado pela “DOCAS”, tanto que os valores correspondentes às glosas efetuadas estão sendo admitidos, acrescidos dos devidos encargos de juros e correção, de acordo com o estabelecido em contrato (cláusula nona, § 1º), aplicandose o índice TR mais 1% aos valores devidos em atraso, conforme demonstrativo constante do relatório “Resolução de Pendências” elaborado pela interessada e anuído pela credora “DOCAS”; 4.17. a adequação do critério de reajuste das parcelas mensais do arrendamento praticado pela “DOCAS”, desde a cobrança da primeira parcela, se confirma como aplicável, sendo aceito pela interessada, conforme se verifica por meio dos comprovantes de pagamento correspondentes às parcelas de arrendamento dos meses de janeiro, fevereiro e março/2010, que contempla o reajuste das parcelas pactuadas desde dezembro/1998 até a efetiva data de cobrança da parcela, a saber: 4.18. as parcelas dos meses de janeiro, fevereiro e março/2010, no valor de R$ 391.551,56 encontramse assim divididas: R$ 234.930,94 pagos à “DOCAS” (parcelamento do arrendamento) e R$ 156.620,62, depositados na 11ª Vara Cível do Rio de Janeiro, conforme mandado de penhora daquele Juízo, em ação ordinária de obrigação de fazer da qual a “DOCAS” é ré; 4.19. a cobrança das parcelas pela “DOCAS”, materializadas em suas notas fiscais, corresponde exatamente ao contratado, valor que deve ser computado com base no regime de competência, razão pela qual não podem ser reconhecidos como recuperação de custos/despesas os valores não quitados pela interessada em decorrência do arrendamento firmado com a “DOCAS”; 4.20. inexistindo diferença de IRPJ e CSLL a ser recolhida, não há qualquer conduta passível de ser caracterizada como infração que justifique a aplicação da multa de 75% e a cobrança dos juros moratórios, nos termos do art. 113 do CTN. Do aditamento à impugnação Fl. 556DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 557 8 5. Em 16/01/2012, a interessada aditou razões à inicial, às fls. 482/490, instruindoa com os documentos de fls.491/530, para acrescentar os seguintes esclarecimentos: 5.1. por ocasião da entrega de sua impugnação, em 12/05/2010 a “MULTICAR” e a “DOCAS” já se reuniam na tentativa de compor um acordo visando a quitação recíproca dos créditos e débitos envolvidos na operação de arrendamento; 5.2. sempre foi reconhecido, tanto pela “MULTICAR” como pela “DOCAS”, que os valores das parcelas mensais do Contrato de Arrendamento eram devidos e incorridos, previstos em cláusula contratual, sendo de responsabilidade da arrendatária “MULTICAR” o seu adimplemento; 5.3. restava, no entanto, a discussão sobre o reconhecimento do crédito da “MULTICAR” correspondente à variação monetária da parcela paga inicialmente (downpayment), em decorrência da mora contratual, que até aquele momento não era admitida pela “DOCAS”; 5.4. a “MULTICAR” reconhecia, por competência, os valores das parcelas mensais do arrendamento, inclusive o reajuste a partir de dezembro/1998, conforme previsão contratual, contudo, reteve as quantias relativas à correção objetivando o ressarcimento dos valores correspondentes à variação monetária da parcela inicial disponibilizada (downpayment), considerando o atraso de 43 meses na entrega do Terminal; 5.5. recentemente, em 08/09/2011, as partes se reuniram e celebraram o 7º Termo Aditivo ao Contrato de Arrendamento (fls. 511/515), por meio do qual a “DOCAS” aceitou formalmente o valor reivindicado pela “MULTICAR”, em decorrência do desajuste na equação econômico financeira do Contrato, uma vez ausente dispositivo contratual aplicável ao atraso ocorrido na entrega do Terminal, tendo sido estabelecido, por fim, o Reconhecimento Recíproco dos Créditos envolvidos; 5.6. este acontecimento constitui fato superveniente à lavratura dos autos de infração e à apresentação de impugnação pela “MULTICAR”, consoante o disposto no art. 15, § 4º, alínea “b” e § 5º, do Decreto nº 70.235/1972; 5.7. embora a “MULTICAR”, em decorrência do atraso na entrega do Terminal, tivesse reivindicado o direito de receber juros e atualização monetária, calculados no período em que se estendeu a mora contratual (43 meses), sobre o valor de R$ 16.295.000,00 pago à vista (downpayment), tal fato não era reconhecido pela “DOCAS”; 5.8. porém, a pretensão da “MULTICAR” restou acatada pela “DOCAS”, resultando no ajuste contido 7º Termo Aditivo ao Contrato de Arrendamento CDEPJUR Nº 083/98, celebrado em 08/09/2011, do qual consta a previsão do reconhecimento recíproco de créditos; Fl. 557DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 558 9 5.9. nos termos pactuados, foi reconhecido pela “DOCAS” em favor da “MULTICAR”, o crédito decorrente da aplicação de juros e atualização monetária sobre a parcela inicial do preço pago inicialmente em favor da “DOCAS”, encargos esses apurados em razão do período de tempo no qual a “DOCAS” encontravase em mora quanto à sua obrigação contratual de disponibilizar as instalações portuárias para exploração da “MULTICAR”; 5.10. tal crédito, por sua vez, restou consumido na quitação da diferença de valores das parcelas fixas mensais devidas a “DOCAS”, daí resultando na quitação mútua prevista no § 2º, da Cláusula Terceira, do 7º Termo Aditivo; 5.11. desse modo, aplicandose o regime de competência aos novos fatos apresentados, o reconhecimento contábil das receitas só poderá ser assim considerado na data em que a “DOCAS” expressou o firme desejo de assumir o compromisso de efetivar o pagamento, conforme regra constante do art. 9º, da Resolução nº 750/93, do Conselho Federal de Contabilidade; 5.12. portanto, a atualização do valor do “downpayment”, por não haver compensação específica estabelecida no Contrato de Arrendamento, deve ser apropriado contabilmente, produzindo os efeitos fiscais aplicáveis, apenas no período em que se tornou efetivamente exigível, ou seja, quando reconhecido pela “DOCAS” em 08/09/2011; 5.13. contudo, se ainda assim a Delegacia de Julgamento concluir ter havido recuperação de custos/despesas, vale destacar que tal reconhecimento ocorreu tão somente em 2011, quando da baixa do Passivo correspondente à despesa de arrendamento devida e incorrida mensalmente, tendo como contrapartida conta de Receita correspondente ao crédito reconhecido em 2011 pela “DOCAS” em favor da “MULTICAR”; 5.14. da análise do instrumento que reconhece a quitação recíproca dos créditos e débitos contraídos pelas contratantes “MULTICAR” e “DOCAS”, concluise que há de ser reconhecido o valor integral das parcelas mensais do arrendamento celebrado como despesas devidas, incorridas e agora definitivamente pagas, da forma como procedeu a interessada, devendo ser reconhecida a exatidão das deduções realizadas, haja vista o caráter operacional de tais despesas, o que, por si só, põe fim a qualquer pretensão da Fiscalização quanto à adição de suposta recuperação de custo/despesa na base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos exercícios de 2005 e 2006.” DA DECISÃO DA DRJ Em 13/6/2013, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, acolher as razões da impugnação interposta, com o cancelamento das exigências do IRPJ e CSL, e, de acordo com o artigo 1º da Portaria MF Fl. 558DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 559 10 333/97 com a alteração do artigo 1º da Portaria MF 3/2008, recorrer de ofício ao CARF, conforme o voto do acórdão da DRJ infratranscrito, de fls. 152 e 153 (eprocesso): “Dos requisitos de admissibilidade 7. A impugnação é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dela conheço. Do mérito 8. A “MULTICAR” e a “DOCAS” celebraram Instrumento Particular de Contrato de Arrendamento Para Exploração do Terminal RollOn RollOff do Porto do Rio de Janeiro, objeto do Edital de Leilão PND/MT/CDRJ Nº 004/98 (fls. 106/130). 9. Por força da Cláusula Oitava do Contrato celebrado (fls.111), a arrendatária “MULTICAR” se obrigou a pagar à “DOCAS” o preço do arrendamento, no valor de R$ 31.560.000,00, do seguinte modo: a) uma parcela inicial, no valor de R$ 16.295.000,00, já recebida quando da celebração do contrato (inciso I); b) 300 parcelas mensais, no valor de R$ 142.533,00 cada, vencendo a 1ª parcela no final do 1º mês após a entrega total do Terminal à arrendatária, que deveria ocorrer em até 120 dias da assinatura do contrato, prazo previsto para a conclusão das obras em andamento, observado, quanto ao pagamento das parcelas, o disposto na Cláusula Décima (inciso II). 10. Tendo em vista que a assinatura do Contrato ocorreu em 10/12/1998, a entrega total do Terminal Portuário arrendado deveria ter ocorrido em 10/04/1999. No entanto, tal não aconteceu, pois somente em 19/06/2002 o Terminal foi entregue (Termo Aditivo de fls. 145/147). Sentindose prejudicada pelo atraso na sua entrega, a interessada resolveu glosar parte dos pagamentos cobrados pela “DOCAS”, equivalente à parcela do reajuste aplicado. 11. Contabilmente, as parcelas glosadas do arrendamento foram mensalmente registradas em contas do Passivo da “MULTICAR” (Contas a Pagar), com base nas faturas emitida pela “DOCAS”, tendo como contrapartida uma conta de resultado. O procedimento contábil adotado pela interessada é mencionado pelo fiscal autuante no Termo de Constatação Fiscal. O registro dos valores glosados nos anos calendário de 2005 e 2006, no montante de R$ 1.405.737,39 e R$ 1.306.515,47, respectivamente, foram anexados aos autos às fls. 169/170 e 216. 12. De acordo com os esclarecimentos adicionais prestados pela “MULTICAR”, às fls. 175/176, com a entrega do Terminal, que somente ocorreu em julho/2002, a “DOCAS” passou a cobrar as parcelas mensais aplicando o reajuste previsto na Cláusula Décima do Contrato de Arrendamento, tomando como índice inicial para reajuste o mês de novembro/1998, data da apresentação da proposta de arrendamento do Terminal, o que levou a “MULTICAR” a glosar sucessivamente parte das parcelas fixas mensais. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 560 11 13. Prosseguindo em sua análise, a “MULTICAR” acrescenta que, sem adentrar no mérito da melhor interpretação da cláusula de reajuste do contrato, o critério de reajustamento das parcelas mensais adotado pela “DOCAS” encontra respaldo na legislação que estabelece as normas gerais sobre licitações e contratos administrativos (Lei nº 8.666/1993 e normas complementares). 14. Ressalta, ainda, que do entendimento mantido entre as partes, prevaleceu o critério adotado pela “DOCAS” para o cálculo do índice inicial da fórmula de reajuste da parcela mensal, confirmando, pois, como devidas, todas as parcelas glosadas pela “MULTICAR”, ficando estabelecido, que tais parcelas seriam liquidadas com os devidos acréscimos por se tratar de pagamentos em atraso (variação da TR prorata mais juros de 1% ao mês, nos termos do parágrafo primeiro da Cláusula Nona do Contrato de Arrendamento, de fls. 112). 15. Assim, se as partes acordaram que incumbiria à “MULTICAR” proceder à complementação dos pagamentos efetuados mensalmente à “DOCAS”, nos valores das parcelas glosadas no decorrer dos anos calendário de 2005 e 2006, corrigidas monetariamente, concluo que, as importâncias apropriadas mensalmente pela “MULTICAR”, de acordo com o regime de competência, correspondentes à totalidade das parcelas mensais cobradas pela “DOCAS”, caracterizamse como despesas dedutíveis na apuração do lucro real, uma vez comprovado que foram valores incorridos e efetivamente devidos e pagos, não obstante a postergação do pagamento das parcelas complementares. 16. Se a “MULTICAR” ficou na obrigação de complementar as parcelas mensais pagas, de modo a corresponderem aos valores efetivamente cobrados pela credora “DOCAS”, e se esses valores foram registrados na contabilidade da “MULTICAR”, não restou caracterizada nestes autos a recuperação de custos argüida pelo fiscal autuante. Tal situação somente ocorreria se ao término das tratativas entre a “MULTICAR” e a “DOCAS” ficasse acordado que os valores glosados não seriam devidos. Nesse caso, incumbiria à “MULTICAR” proceder à baixa das glosas mensais registradas em seu Passivo em contrapartida a uma conta de Receita, o que, aí sim, caracterizaria a ocorrência de recuperação de custos. Tal, entretanto, não foi a hipótese dos autos. 17. No caso dos autos, o fato de a “MULTICAR” ter se tornado credora da “DOCAS” em relação à atualização monetária do valor por ela pago inicialmente (downpayment), não caracteriza recuperação de custos/despesas, visto que, a autuação se ateve simplesmente à glosa dos pagamentos mensais efetuados pela “MULTICAR” e não à importância paga por ela quando da celebração do Contrato. 18. À vista do exposto, voto no sentido de acolher as razões da impugnação interposta, para, no mérito, determinar o Fl. 560DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 561 12 cancelamento das exigências do IRPJ e da CSLL, objeto dos autos de infração de fls. 232/243.” É o relatório. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 562 13 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata Tratase de remessa de ofício ou, na linguagem do PAF, de recurso de ofício, nos termos do art. 34, I, do Decreto 70.235/72 e do art. 1º da Portaria MF 8/08. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Como se viu do relatório, parte das despesas registradas por regime de competência, e que correspondia ao reajuste das parcelas mensais devidas à Companhia Docas, não eram pagas pela contribuinte, por ela entender ser indevido o reajuste, em face da mora da Companhia Docas na entrega do bem arrendado à contribuinte. O autuante considerou que essa parte das despesas deduzidas constitui receita de recuperação de custos ou despesas, nos termos do art. 392, II, do RIR/99, reputandoa como receitas omitidas nos anoscalendário de 2005 e 2006. Os limites objetivos da lide se fixam no tratamento da referida parte das despesas incorridas pela contribuinte como receita de recuperação de custos ou despesas, conforme o art. 392, II, do RIR/99. A parte em questão referese ao reajuste a partir de dezembro de 1998, pela TR + 1% ao mês das parcelas mensais devidas relativas aos anos calendário de 2005 e 2006, diminuído do reajuste dessas parcelas mensais calculadas às mesmas taxas a partir de julho de 2002 (data da entrega do terminal arrendado à contribuinte). A contribuinte celebrou com a Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), em 10/12/98, contrato de arrendamento para exploração do Terminal Rollon Rolloff – fls. 339 a 363 – cujas cláusulas oitava, nona, décima e décima primeira definem o preço, os termos dos pagamentos e o prazo, a seguir sintetizadas e no que importa a este feito: a) pagamento de parcela inicial de R$ 16.295.000,00; b) pagamento de 300 parcelas mensais de R$ 142.533,00 cada, vencendose a 1ª parcela após a entrega total do terminal à arrendatária, que se deve dar em até 120 dias da assinatura do contrato, com reajuste conforme a cláusula décima; c) as parcelas mensais devem ser pagas no último dia útil de cada mês a partir da vigência do contrato, com reajuste de TR + 1% ao mês, por atraso (cláusula nona); d) o prazo do arrendamento é de 25 anos contado a partir da entrega total do terminal à arrendatária. Segundo a contribuinte, a partir da entrega do terminal arrendado, com atraso, em junho de 2002, a CDRJ passou a cobrar as parcelas mensais do arrendamento, corrigindoas a partir de dezembro de 1998 pela TR + 1% ao mês (cláusula nona, parágrafo primeiro). Fl. 562DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 563 14 Diante da mora da arrendadora (CDJR), a contribuinte procedia ao pagamento sem o reajuste com as mencionadas taxas a partir de dezembro de 1998, mas somente a partir de julho de 2002. O pagamento parcial das parcelas mensais era efetuado com anotações manuscritas nas notas fiscais do valor que a contribuinte discordava: essas são as chamadas glosas efetuadas pela contribuinte sobre as parcelas devidas – conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF), fl. 229. Conforme o descrito no TVF (fl. 229), até o final de 2004, o valor das glosas nas notas fiscais era creditado na conta de despesa da contribuinte, de modo que o valor da despesa correspondia ao valor pago (= líquido das glosas). A partir de 2005, o valor das glosas nas notas fiscais passaram a constar no passivo da contribuinte, i.e., a despesa passou a ser o valor das parcelas mensais devidas sem as glosas (sem crédito na conta de despesa em contrapartida a baixa parcial ou débito no passivo). Para solução da divergência de interpretações quanto ao reajuste das parcelas mensais, a contribuinte e a Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) procuraram viabilizar entendimentos e acordo, em negociações no âmbito da revisão do contrato. A contribuinte diz que a diferença dos reajustes, objeto das glosas feitas nas notas fiscais (não pagamento), referese aplicação da TR + 1% ao mês sobre as parcelas mensais a partir de dezembro de 1998 e a aplicação da TR + 1% ao mês a partir de junho de 2002. Entretanto, conforme a memória de cálculo do relatório elaborado pela Z3M Planejamento Ltda., a diferença dos reajustes se dá entre a aplicação das referidas taxas a partir de novembro de 1998 (data da apresentação da proposta decorrente da licitação de que a contribuinte foi a vencedora) e a aplicação dessas taxas a partir de julho de 2002 fls. 194 a 196. Tal diferença até outubro de 2009 totaliza R$ 16.404.379,84 (fl. 196), mesmo valor que consta na CartaPRE 2/2010 da contribuinte para a CDRJ de fase procedente à puntuação das negociações entre as partes (fl. 211). É o mesmo valor que consta descrito no TVF (fl. 230). Conquanto isso não interfira no desate da questão, a observação é feita para precisão dos dados constantes nos autos. Anotase também que o termo de entrega do Terminal Rollon Rolloff é datado de 19/6/02 (fl. 380). Por outro lado, a contribuinte entendeu serlhe devido pela CDRJ, pela mora na entrega do Terminal Rollon Rolloff, valor decorrente da aplicação das mesmas taxas sobre o pagamento inicial (downpayment) de R$ 16.295.000,00 até a entrega do terminal, e de IGPM a partir de então. Esse valor totaliza até outubro de 2009 R$ 17.540.101,72, segundo a memória de cálculo do relatório elaborado pela Z3M Planejamento Ltda. (fls. 194 e 195). Na mencionada CartaPRE 2/2010 da contribuinte para a CDRJ da fase procedente à puntuação das negociações figura igualmente o valor de R$ 17.540.101,00 (fl. 212). Na descrição do TVF o valor é equívoco de R$ 17.401.101,00 (fl. 230). No item V da CartaPRE 2/2010, a contribuinte reconhece que a CDRJ é credora, pela diferença dos reajustes já citados, de R$ 16.404.380,00, e no item VI é dito que pelo critério acordado, a contribuinte é credora da CDRJ no montante de R$ 17.540.101,00, conforme observado no parágrafo antecedente. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 564 15 Consta nos autos a CartaDIRPRE 1.543/2010, datada de 22/1/10, da Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), na qual ela reconhece que o conteúdo da Carta PRE 2/2010 da contribuinte expressa fielmente as negociações entre as partes, podendo ser formalizada e concretizada, inclusive quanto ao imediato pagamento das parcelas mensais de arrendamento (fls. 214 e 215). O sétimo aditivo ao contrato de arrendamento (fls. 511 a 515), datada de 8/9/11, materializa o acordo entabulado na CartaPRE 2/2010 e na CartaDIRPRE 1.543/2010. A cláusula terceira desse aditivo contratual reconhece os créditos recíprocos da CDRJ e da contribuinte, conforme a memória de cálculos do relatório elaborado pela Z3M Planejamento Ltda., aprovado pela CartaDIRPRE 1.543/10, com a outorga de quitação mútua dos créditos recíprocos (parágrafo segundo da cláusula terceira). A cláusula quarta do aditivo contratual prevê a prorrogação do arrendamento por mais 25 anos, contados de 19/7/2027. Pois bem. Disso tudo, fica claro que a diferença entre o reajuste das parcelas mensais desde novembro de 2008 pela TR + 1% ao mês e o reajuste das parcelas a partir de julho de 2002 era devida pela contribuinte à Companhia Docas do Rio de Janeiro. Essa diferença monta até outubro de 2009 R$ 16.404.379,84 (arredondada para R$ 16.404.380,00). Também foi reconhecido o direito creditório da contribuinte contra a Companhia Docas do Rio de Janeiro o valor de R$ 17.540.101,00, pelo reajuste a favor da contribuinte às mesmas taxas acima descritas até junho de 2002 e de IGPM a partir de então até outubro de 2009 sobre a parcela inicial do arrendamento paga (R$ 16.295.000,00) em 1998 pela contribuinte. 300 meses correspondem a 25 anos, de modo que cada uma das 300 parcelas mensais devidas pelo arrendamento do Terminal Rollon Rolloff corresponde à despesa mensal incorrida por regime de competência. A parte relativa à glosa das parcelas mensais (que só foram adimplidos com o sétimo aditivo contratual, por compensação) é, em princípio, tal como a outra parte “incontroversa” das parcelas mensais, despesas efetivas incorridas por regime de competência. Disse, em princípio, pois se poderia discutir se a parte das parcelas mensais objeto de divergência interpretativa seriam despesas mensais de provisão por regime de competência. Isso até o momento em que se pôs termo à divergência. Quanto ao valor decorrente do reajuste a favor da contribuinte da parcela inicial por ela paga (downpayment), decorrente da mora na entrega do terminal, não tenho dúvida de que tal valor só se tornou receita auferida por regime de competência, com o sétimo aditivo contratual, em 2011, ou, no limite, em 2010 com a CartaDIRPRE 1.543/2010. Sucede que, quanto a esse valor pretendido pela contribuinte, o contrato e seu anexo nada preveem a respeito (fls. 339 a 368). Somese ainda a convenção da prudência que também interditaria o reconhecimento como receita efetiva auferida mensalmente, até o entabulamento definitivo do sétimo aditivo contratual, no qual a CDRJ reconheceu ser devido tal valor. Diríamos isso, inclusive à luz das normas internacionais de contabilidade que atenuaram a prudência, Fl. 564DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 565 16 notadamente com a IAS 37 do IASB (International Accouting Standard Board), “incorporada” ao direito contábil doméstico pelo Pronunciamento Técnico CPC 25 – não porém pelo direito tributário. A contribuinte acostou aos autos cópia do Razão de 2005 e 2006 da conta do passivo 2.111.109.012, na qual se encontram registradas as glosas (valores que não haviam sido pagos) – fls. 450 e 451. Noto que nessa conta estão registrados somente os valores das glosas – o que indica que a parte paga mensalmente era registrada diretamente contra Caixa ou Bancos, em contrapartida a débito de despesa. O total anual registrado na referida conta do passivo é o que o autuante considerou como receita de recuperação de custos ou despesas omitida em 2005 e em 2006 – fls. 234 e 240. Também foi acostada aos autos cópia do Razão de 2005 e 2006 da conta de resultado (despesa) 4.121.101.001, em que se encontram registradas as contrapartidas daquele passivo, bem como os valores pagos mensalmente – fls. 453 e 454. Certo é que as despesas incorridas por regime de competência compreendem o valor total das parcelas mensais devidas, que incluem aquela diferença de reajuste das parcelas mensais. Como disse, o que se poderia discutir eventualmente é se essa diferença constituiria, mensalmente, por regime de competência, despesa de provisão até o reconhecimento pela própria contribuinte de que a diferença era devida. Quando muito, o efeito dessa discussão seria a postergação de IRPJ e de CSL, caso, por ex., a contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal e base negativa de CSL nos anoscalendário em que as despesas foram deduzidas, e lucro real e base positiva de CSL no anocalendário em que se pôs termo à divergência, e 30% de tais lucro real e base positiva de CSL se revelem insuficientes à absorção dos prejuízo fiscal e base negativa de CSL que sejam recompostos. Mas o que pontuei no parágrafo precedente não foi objeto de questionamento nem consideração por parte do autuante, que fundou sua pretensão em outro motivo. Para ele, houve uma receita de recuperação de custos ou despesas, correspondente à aludida diferença. Logo, ainda que a referida diferença fosse, mensalmente, uma despesa de provisão de parcelas mensais, inexistiria lugar para receita de recuperação de custos ou despesas. Ora, só cabe falar em recuperação de custos ou despesas se tiver de se dar uma reversão do passivo constituído no valor daquela diferença, em contrapartida a receita. Não há o menor sentido para isso, no caso vertente. Que o motivo do lançamento é a recuperação de custos ou despesas, e não a indedutibilidade de despesas, isso fica claro da afirmação feita pelo autuante no TVF: “os efetivos custos/despesas que a MultiCar teve nos anos calendário de 2005 e 2006 foram os efetivamente pagos, devendo em consequência, as glosas [valores que não vinham sendo pagos] serem tributadas a título de recuperação de custos/despesas nos termos do art. 392, inciso II do RIR/99.” (fl. 230, grifos nossos) Fl. 565DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16832.000238/201062 Acórdão n.º 1103001.028 S1C1T3 Fl. 566 17 E se reforça pela descrição posta no instrumento específico do auto de infração: “Recuperação ou devolução de custos/despesas – omissão” (fl. 234, grifamos). De outra parte, nada tem de ver com recuperação de custos ou despesas a quantia de R$ 17.540.101,00. Este valor representa receita da contribuinte, auferida no sétimo aditamento contratual, ou, quando muito, com a CartaDIRPRE 1.543/10, consequente à mora da CDRJ na entrega do terminal, e que corresponde a reajustes aplicados sobre o pagamento inicial feito (downpayment) pela contribuinte em 1998 para o arrendamento. Enfim, posto isso tudo, fica claro o dislate da pretensão fiscal. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso de ofício. É o meu voto. Sala das Sessões, em 9 de abril de 2014. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 566DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/04/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/04/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 16327.721033/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTO DECORRENTE.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Por esta razão, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL dele decorrente.
Numero da decisão: 1401-001.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Ausente justificadamente o Conselheiro Maurício Pereira Faro.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTO DECORRENTE. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Por esta razão, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL dele decorrente.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IRPJ. DEDUÇÃO DE PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. A perda no recebimento de créditos detidos contra empresa controladora/controlada/coligada/interligada não é dedutível na apuração do lucro real, conforme a legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO DECORRENTE. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Por esta razão, o decidido quanto ao IRPJ aplicase à CSLL dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 10 33 /2 01 1- 13 Fl. 831DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Ausente justificadamente o Conselheiro Maurício Pereira Faro. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 16327.721033/201113 Acórdão n.º 1401001.064 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 711724): Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 466483, em fiscalização empreendida junto à contribuinte supramencionada foram apurados os fatos descritos a seguir: 1. Introdução A fiscalização iniciouse na contribuinte Santander Investimentos em Participações S/A (SIP), CNPJ 02.736.455/000103, que, após cisão total, foi sucedida por Banco Santander (Brasil) S/A, doravante Banco Santander, CNPJ 90.400.888/000142. No curso dos trabalhos de fiscalização, constatouse dedução indevida de despesa com perda no recebimento de direitos de crédito, razão pela qual efetuouse lançamento de ofício de IRPJ e CSLL do ano calendário 2007. 2. Da contribuinte A empresa Santander Companhia Securitizadora de Créditos (Securitizadora) teve sua denominação sucessivamente alterada para Santander Participações e Serviços S/A, Santander Administradora de Valores Mobiliários S/A e finalmente Santander Investimentos em Participações S/A. [...] [...] Conforme a Ata da Reunião da Diretoria da SIP realizada em 28/07/2009 (fls.397398), houve a propositura da operação de cisão total dessa empresa, com versão de parcelas de seu patrimônio para o Banco Santander e para a Santander Advisory Service S/A (SAS), CNPJ 04.270.778/000171, extinguindose a SIP. Essa cisão total foi aprovada na Assembléia Geral Extraordinária realizada em 31/08/2009, conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária de fls.395396. Segundo o Instrumento Particular de Protocolo e Justificação de Cisão Total da SIP com versão de parcelas do seu patrimônio para o Banco Santander e SAS (fls.399403), o acervo líquido contábil transferido aos sucessores foi de R$979.758.052,15, sendo que R$910.345.200,67 foram vertidos ao Banco Santander. O patrimônio transferido ao Banco Santander, conforme o art. 6º desse Instrumento, é composto de obrigações tributárias da SIP, uma vez que para a SAS foi vertido apenas o acervo líquido Fl. 833DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 contábil de R$69.412.851,48, correspondentes única e exclusivamente à totalidade da participação detida pela SIP no capital social da Santander S/A Serviços Técnicos, Administrativos e de Corretagem de Seguros, CNPJ n° 53.312.907/000190. Assim, a sociedade sucedida SIP (anterior Securitizadora) é referida neste termo como “contribuinte”. 3. Da forma de apuração do IRPJ e da CSLL Conforme a legislação em vigor (art.14, II, da Lei nº 9.718/98 c/c art.28 da Lei nº 9.430/96), a contribuinte está obrigada à apuração do lucro real, que toma por base o lucro líquido do exercício com os ajustes definidos em lei. No anocalendário de 2007 a contribuinte declarou o IRPJ e a CSLL por período de apuração anual, apurando os valores de R$11.246.221,18 (IRPJ) e R$4.016.542,87 (CSLL). 4. Dos fatos 4.1. Verificação de perda em operação de crédito ocorrida em 2007 A contribuinte deduziu, conforme linha 21 da ficha 05A – Despesas Operacionais, da DIPJ do anocalendário 2007 (fls.64), o valor de R$46.270.073,49 como “Perdas em operações de crédito” em 31/12/2007. A contribuinte informou às fls.352 que o valor de R$46.270.073,49 foi deduzido como perda nos temos do art.9º da Lei nº 9.430/96, no momento de sua liquidação (13/09/2007). Conforme o Instrumento Particular de Cessão Parcial dos Direitos do Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito (fls. 8993), celebrado entre a contribuinte e o Banco do Estado de São Paulo S/A, CNPJ 61.411.633/000187 (Banespa), a Banespa S/A Adm. de Cartões de Crédito e Serviços (Banespa ACC) detinha um crédito de R$885.000.000,00 contra a São Paulo Transportes S/A (SPT), nos termos da “Confissão de Dívidas e Reescalonamento de Dívidas e Outras Avenças”, firmado em 20/03/97 entre a Banespa ACC e a SPT. Para assegurar o recebimento dos créditos, a Banespa ACC ajuizou ação de execução contra a SPT (Processo nº 5287006, em trâmite na 21ª Vara Cível de São Paulo). Em 31/01/2002, tais créditos eram detidos pelo Banespa, que os negociou com a Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP) conforme Instrumento de Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito (fls. 7988). Conforme cláusula quarta desse contrato, a operação de cessão dos créditos do Banespa para a PMSP seria efetuada por meio de quatro cessões parciais distintas, que seriam liquidadas à vista nas seguintes datas: a) a primeira cessão parcial seria efetivada em até quinze dias após a publicação da lei autorizativa do negócio, equivalente a 25% do valor do crédito na data da cessão; Fl. 834DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 16327.721033/201113 Acórdão n.º 1401001.064 S1C4T1 Fl. 4 5 b) a segunda cessão parcial seria efetivada no dia 02/02/2003, equivalente a 33,33 % do valor não cedido dos créditos na data dessa cessão (25% dos créditos restantes); c) a terceira cessão parcial seria efetivada no dia 02/02/2004, equivalente a 50 % do valor do crédito não cedido na data dessa cessão (25% dos créditos restantes); d) a quarta e última cessão parcial seria efetivada no dia 02/02/2005, equivalente a 100% do valor não cedido na data dessa cessão (25% dos créditos restantes). Em virtude de atraso na edição da Lei Municipal (Lei nº 13.544/2003) que autorizaria o negócio jurídico entre a PMSP e o Banespa, houve o aditamento do primeiro contrato, alterando as datas e porcentagens de cessão e pagamentos. Em 30/04/2003, nos termos do Instrumento de Aditamento e Ratificação (fls.385391), celebrado entre a PMSP e o Banespa, foi alterada a cláusula IV do Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito, de 31/01/2002, da seguinte forma: a) a primeira cessão parcial seria efetivada no dia 19/05/2003, equivalente a 20,09% dos créditos na data da cessão; b) a segunda cessão parcial seria efetivada no dia 02/02/2004, equivalente a 33,33% dos créditos não cedidos na data dessa cessão (26,60% dos créditos restantes); c) a terceira cessão parcial seria efetivada no dia 02/02/2005, equivalente a 50% dos créditos não cedidos na data dessa cessão (26,645% dos créditos restantes); d) a quarta e última cessão parcial seria efetivada no dia 02/02/2006, equivalente a 100% dos créditos não cedidos na data dessa cessão (26,645% dos créditos restantes). Em 14/11/2003, conforme Instrumento Particular de Cessão Parcial dos Direitos do Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito (fls. 8993), celebrado entre o Banespa e a contribuinte (Securitizadora), foram cedidos a esta os direitos relativos aos créditos (dívida da SPT) correspondentes aos itens "b" e "c" da cláusula quarta da formalização da cessão entre o Banespa e a PMSP. A primeira parcela de direitos creditórios cedidos à contribuinte era decorrente da promessa de segunda cessão parcial de créditos prevista contratualmente, e que deveria ser efetivada em 02/02/2004 em valores equivalentes a 33,33% dos créditos não cedidos na promessa de primeira sessão (26,60% dos créditos originais). A segunda parcela dos direitos creditórios cedidos à contribuinte era decorrente da promessa de terceira cessão parcial de créditos, que deveria ser efetivada em 02/02/2005, e equivaleria a 50% dos créditos não cedidos anteriormente (26,645% dos créditos originais). Fl. 835DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 Assim, o total de direitos creditórios a ser cedido à contribuinte é de 52,45% (26,60% + 26,645%) dos créditos originais da SPT devidos ao Banespa. O valor da primeira parcela é de R$70.445.035,39 (26,60% dos créditos originais, que deveriam ser cedidos à PMSP em 02/02/2004). O valor da segunda parcela é de R$72.899.853,59 (26,645% dos créditos originais, que deveriam ser cedidos à PMSP em 02/02/2005). O preço total foi R$143.344.888,98, pago à vista em 11/2003. A primeira parcela (26,60% dos créditos originais, decorrente da promessa de segunda cessão parcial dos créditos) foi, de fato, cedida pelo Banespa à PMSP, na data prevista (02/02/2004). Por sua vez, o Banespa recebeu o pagamento da PMSP pela cessão desses créditos na mesma data de 02/02/2004. Houve também o pagamento pelo Banespa, naquela data, dos direitos sobre tais créditos à contribuinte, em cumprimento ao Contrato de Cessão celebrado por eles em 14/11/2003, pelo valor atualizado conforme cláusula de atualização monetária e juros. A segunda parcela (26,645% dos créditos originais, decorrente da promessa de terceira cessão parcial dos créditos) não foi cedida pelo Banespa à PMSP, pois esta não efetuou o respectivo pagamento, inadimplindo o Contrato aditado em 30/04/2003. Registrese que o objeto do contrato de promessa de cessão celebrado entre a contribuinte e o Banespa foram os direitos de crédito derivados das operações de cessão de crédito que estavam previstas em função do contrato de promessa de cessão de créditos celebrado entre o Banespa e a PMSP. 4.2. Do descumprimento de cláusula contratual pelo Banespa Nos termos da cláusula 4.4 do instrumento contratual firmado entre a contribuinte e o Banespa (fls.92), na hipótese de a PMSP se recusar, por qualquer motivo, a adquirir os créditos (e não houvesse a cessão parcial respectiva de direitos de crédito do Banespa contra a SPT para a PMSP), ficou ajustado que o cedente (Banespa), com a expressa anuência da cessionária (contribuinte), cederia a esta outros créditos de sua propriedade, em valor equivalente aos direitos de crédito advindos das aquisições parciais pela PMSP dos créditos contra a SPT detidos pelo Banespa e que deveriam ter sido cedidos (e os direitos sobre tais créditos liquidados) nas datas contratadas. Em 02/02/2004, o saldo atualizado das obrigações da PMSP, no vencimento da cessão de crédito correspondente à 2ª parcela, era de R$73.484.407,44, sendo liquidado pela PMSP. Na data de 02/02/2005, o saldo atualizado das obrigações da PMSP com o Banespa, no vencimento da cessão de crédito correspondente, era de R$92.820.706,37, o qual não foi liquidado. Intimada a justificar a não substituição dos direitos creditórios em função do inadimplemento da PMSP, a contribuinte alegou que não houve a substituição dos créditos por falta de manifestação formal da PMSP e pelo prosseguimento da Fl. 836DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 16327.721033/201113 Acórdão n.º 1401001.064 S1C4T1 Fl. 5 7 atividade de cobrança visando o cumprimento dos compromissos assumidos pela PMSP junto ao Banespa (fls.383). Portanto, a contribuinte não comprovou qualquer esforço no sentido de exigir do Banespa a substituição dos direitos de crédito pelos quais havia pago, mesmo com o inadimplemento da PMSP no contrato vigente entre ela e o Banespa. Como a contribuinte era sociedade integrante do mesmo grupo econômico do Banespa, não havia interesse da primeira em acionar o segundo na busca de adimplemento do contrato havido entre os dois. O crédito que a contribuinte detinha contra o Banespa e seu sucessor não se confunde com o crédito que o Banespa detinha contra a SPT e que fora prometido pelo Banespa em cessão à PMSP. Sendo o crédito da contribuinte um direito exigível contra seu controlador, coligado ou interligado, à época, deparase com a vedação estabelecida no § 6º do art. 9º da Lei n° 9.430/96, na dedução de eventuais perdas havidas no recebimento de tal crédito. Concluise dos documentos apresentados (fls. 94105 e 385391) que o objetivo dos negócios jurídicos havidos entre a PMSP e o Banespa era a transferência de posse do Edifício conhecido por "Banespinha", situado junto ao viaduto do Chá, no centro de São Paulo capital, que interessava ao Município para instalação de sua sede administrativa, bem como a redução da dívida existente entre a SPT e o Banespa, em fase de cobrança judicial, e a contraprestação social estabelecida contratualmente a ser efetivada pelo Banespa e seus sucessores. Em 2007, a PMSP resolveu adquirir os créditos contra a SPT detidos agora pelo Banco Santander (sucessor do Banespa na propriedade desses créditos), e que não tinham sido cedidos nas datas previstas no contrato inadimplido parcialmente. Assim, em 12/09/2007, pelo Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito e Outras Avenças (fls.94105), tendo como promitente cedente o Banco Santander e como cessionária a PMSP, constou que: a cessionária adquiriu, por Instrumentos Particulares de Contrato de Cessão Parcial de Créditos, 46,72% dos créditos detidos contra a SPT o cedente e a cessionária, em razão do inadimplemento parcial pela cessionária, especificamente em relação à terceira e quarta promessas de cessão previstas no Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito, firmado em 31/01/2002, manifestam o interesse de realizar a cessão definitiva da totalidade dos créditos ainda detidos pelo cedente. Conforme cláusula quarta do referido Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito e Outras Avenças (fls.97), temse: Fl. 837DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 a a primeira cessão parcial seria efetivada em 13/09/2007, equivalente a 50% do valor dos créditos detidos pelo cedente na data da cessão; b a segunda e última cessão parcial seria efetivada em duas parcelas distintas e sucessivas, nos dias 28/09 e 31/10 de 2007, equivalente a 100% do valor não cedido dos créditos detidos pelo cedente na data da cessão. Nos termos da cláusula quinta do mesmo instrumento contratual (fls.98), para aquisição dos créditos referidos na cláusula quarta, item "a " (primeira cessão parcial do novo contrato de Promessa de Cessão), a cessionária (PMSP) pagaria ao cedente (Banco Santander) em 13/09/2007, o preço de R$90.000.000,00. Tal valor correspondia, na relação jurídica existente entre a contribuinte e seu controlador (Banco Santander), à parcela inadimplida, em 02/02/2005, do direito de crédito derivado da cessão de direitos creditórios do contrato entre Banespa e PMSP. Por tais direitos creditórios derivados a contribuinte pagaria o valor de R$72.899.853,59, referentes aos mesmos 50% dos créditos ainda não cedidos naquela data ou 26,645% dos créditos originais e que deveriam ser cedidos pelo Banespa à PMSP. Esse crédito foi liquidado, junto ao Banco Santander, pela PMSP em 13/09/2007, no montante de R$90.000.000,00. O valor dos direitos creditórios derivados dos créditos cedidos na primeira parcela à PMSP, pelo Banco Santander, atualizado segundo a fórmula prevista no contrato celebrado entre aquelas partes (fls.94105), era de R$136.270.073,49. As atualizações do valor originário da aquisição dos direitos creditórios em questão (valor originário de R$72.899.853,59 na data de celebração do Contrato de Cessão de Direitos Creditórios entre a contribuinte e o Banco Santander) foram contabilizadas no ativo (direitos creditórios) em contrapartida a conta de resultados (receita tributável). Na data de 13/09/2007 os créditos do Banco Santander contra a SPT cedidos à PMSP e que deram origem ao direito creditório da contribuinte contra o Banco Santander estavam avaliados em R$136.270.073,79, valor baixado do ativo correspondente. Registrese que, para a aquisição dos créditos referidos na cláusula quarta, item "b" (segunda cessão parcial do novo contrato havido entre Banespa e PMSP), a cessionária pagaria ao cedente (Banco Santander), em 28/12/2007, o preço de R$34.000.000,00, e, em 31/10/2007, o preço de R$34.000.000,00. Tal operação produziria efeitos apenas no Banco Santander, visto não envolver o surgimento de direitos creditórios derivados, para a contribuinte. 4.3. Da vedação à dedução da perda apurada A perda apurada pela contribuinte, após a contabilização do recebimento da parcela (R$90.000.000,00) correspondente ao item "a" da cláusula quarta do Contrato de Promessa de Cessão Fl. 838DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 16327.721033/201113 Acórdão n.º 1401001.064 S1C4T1 Fl. 6 9 de Direitos de Crédito e Outras Avencas, firmado entre o Banco Santander e a PMSP em 12/09/2007 (fls.97), correspondeu ao valor de R$46.270.073,49, considerado despesa dedutível conforme declarado na DIPJ/2008 (fls. 64). Entretanto, o §6º do art.9º da Lei n°9.430/96 estabeleceu a vedação do reconhecimento da dedutibilidade de perdas havidas em recebimento de créditos derivados de negócios jurídicos celebrados entre controladora e controlada ou mesmo coligada ou interligada. Portanto, o legislador não conferiu a tais perdas o atributo de dedutibilidade na apuração do resultado do exercício. O referido item "a" da cláusula quarta do instrumento contratual firmado entre o Banco Santander e a PMSP em 12/09/2007 (fls.94105) correspondeu ao item "b" da cláusula quarta do Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito firmado entre as mesmas partes em 31/01/2002 e aditado em 30/04/2003, mediante Instrumento de Aditamento e Ratificação firmado entre o Banespa e a PMSP (fls.385391), que possibilitou a cessão à PMSP dos correspondentes créditos detidos pelo Banespa (e depois da parcela ainda detida pelo Banco Santander) contra a SPT. 5. Da responsabilidade dos sucessores Conforme os artigos 129 a 133 (Seção 11) do Capítulo V do CTN, e o art. 207 do RIR/99, os sucessores respondem pelos créditos tributários devidos pela sucedida constituídos posteriormente aos atos de sucessão, dentre os relativos a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. 6. Conclusão Em vista da vedação legal à dedução de perdas em operação de crédito havidas entre controladora, controlada, coligada ou interligada, e sendo a contribuinte fiscalizada, na data da apuração da perda no recebimento do direito de crédito derivado do negócio jurídico de cessão de crédito havido entre o Banco Santander Banespa e a PMSP, uma sociedade controlada, coligada ou interligada do Banco Santander, sucessor do Banco Santander Banespa, o qual, por sua vez, sucedeu o Banespa, deve ser efetuado o lançamento de ofício do IRPJ e reflexos, com a glosa da despesa indevidamente deduzida (despesa com reconhecimento de perda em operação de crédito). Os direitos de crédito havidos pela contribuinte contra o Banco Santander, embora correlacionados aos direitos derivados das cessões de crédito havidas entre o Banespa/Banco Santander Banespa e a PMSP, e tendo por objeto créditos detidos pelo Banco Santander Banespa contra a SPT, com eles não se confundem. Os pagamentos recebidos pela contribuinte em sua conta corrente, mantida no Banco Santander, foram efetuados pelo Banco Santander, evidenciando que não houve pagamento da Fl. 839DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 10 PMSP diretamente a ele. O pagamento do Banco Santander Banespa de 13/09/2007 (extrato de fls.235), em cumprimento ao contrato existente entre este (pessoa jurídica interligada) e a contribuinte, originou a perda indedutível nos termos do art.9º, § 6º, da Lei nº 9.430/96. Pelo exposto, deve ser glosada a despesa deduzida indevidamente das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, no ano calendário 2007, no valor de R$46.270.073,49, efetuandose o lançamento de ofício com multa de 75%. [...] Da Impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 485504, acompanhada dos documentos de fls. 505708, alegando em síntese que: 1. Dos fatos A dedutibilidade da perda ocorreu com a PMSP, e não com empresa pertencente ao grupo Santander, conforme histórico dos fatos a seguir: A) Banespa ACC x SPT Em 20/03/97 foi elaborado o instrumento Confissão de Dívida e Reescalonamento de Dívidas e Outras Avenças, entre a Banespa ACC e a SPT, com vencimento em 20/05/04, no valor de R$300.650.427,66 (citado no Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito firmado em 31/01/2002 entre o Banespa e a PMSP, fls. 79). B) Banespa x PMSP Em 31/01/2002 foi firmado o Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito, instrumento através do qual o Banespa cedeu à PMSP os créditos que detinha contra a SPT, no valor original de R$885.000.000,00. A cessão dos créditos do Banespa para a PMSP seria efetuada em quatro cessões distintas, liquidadas da seguinte forma: i) 1ª cessão: até 15 dias após a publicação da lei autorizativa da cessão, no valor de 25% do valor dos créditos na data da cessão; ii) 2ª cessão: até 02/02/03, parcela de 33,33% do valor não cedido do saldo remanescente dos créditos na data da cessão; iii) 3ª cessão: até 02/02/04, parcela de 50% do valor não cedido do saldo remanescente dos créditos na data da cessão; iv) 4ª cessão: até 02/02/05, parcela de 100% do valor não cedido do saldo remanescente dos créditos na data da cessão. C) Banespa x PMSP Em 30/04/2003, em virtude do atraso na edição da Lei Municipal que autorizaria o negócio jurídico entre a PMSP e o Banespa, Fl. 840DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 16327.721033/201113 Acórdão n.º 1401001.064 S1C4T1 Fl. 7 11 foi feito aditamento do contrato de 31/01/2002, que passou a vigorar com as seguintes datas: i) 1ª cessão: até 19/05/2003; ii) 2ª cessão: até 02/02/2004; iii) 3ª cessão: até 02/02/2005; iv) 4ª cessão: até 02/02/2006. D) Banespa x Securitizadora (SIP) Em 14/11/2003, o Banespa e a então Santander Companhia Securitizadora de Créditos (Securitizadora), atual SIP, firmaram Instrumento Particular de Cessão Parcial dos Direitos do Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito, cujo objeto foi a cessão dos direitos relativos aos créditos correspondentes aos itens "b" e "c" da cláusula quarta (fls.386) da formalização da cessão entre o Banespa e a PMSP, ao preço de R$143.344.888,98 (extrato às fls. 631), sendo R$70.445.035,39 referente à parcela vencível em 02/02/2004 e R$72.899.853,59 referente à parcela vencível em 02/02/2005. A parcela vencível em 02/02/2004 foi devidamente paga pela PMSP à Securitizadora, porém a parcela vencível em 02/02/2005 não foi paga pela PMSP. Em 12/09/2007, para regularizar o pagamento da parcela devida à Securitizadora e da parcela devida ao Banespa (relativa à quarta cessão parcial com vencimento para 02/02/06), foi firmado novo Contrato de Promessa de Cessão de Crédito entre o Banespa (detentor originário do direito à cessão) e a PMSP, no qual estabeleceuse que, para quitação dos compromissos assumidos anteriormente pela PMSP, esta pagaria pela quitação da 3ª parcela devida à Securitizadora (contrato de 30/04/2003, com vencimento em 02/02/2005), o valor de R$90.000.000,00, com vencimento em 13/09/2007 (valor atualizado para essa parcela em 31/08/2007 era de R$136.270.073,49, do qual a empresa abriu mão de uma parte do débito para receber parte da dívida, gerando a perda ora em debate), e, para liquidar a obrigação devida ao Banespa (4ª parcela do contrato de 30/04/2003), duas parcelas de R$34.400.000,00, com vencimentos em 28/09/2007 e 31/10/2007. O quadro a seguir exemplifica a perda apurada: Valor atualizado da 3ª parcela em 31/08/2007 Valor pago à securitizadora em 13/09/2007 Perda apurada com o recebimento a menor do crédito R$136.270.073,49 R$90.000.000,00 R$46.270.073,49 Com o compromisso firmado e a realização do pagamento feito pela PMSP, no valor de R$90.0000.000,00, creditado à impugnante, surgiu o direito do reconhecimento das perdas havidas, uma vez que o crédito adquirido pela Securitizadora e que deveria ser adimplido pela Municipalidade perfazia o montante atualizado de R$136.270.073,49. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 12 2. Do Direito 2.1. Da cessão de crédito A cessão de crédito, prevista no art.286 do Código Civil, é negócio jurídico por meio do qual o cedente transfere ao cessionário um direito que possui, proveniente de obrigação não cumprida. O direito adquirido de forma onerosa pela Securitizadora (contrato lavrado em 14/11/03, fls. 8993), de receber as segunda e terceira parcelas decorrentes do contrato de 31/01/2002, não se confunde com o direito que a PMSP passou a ter sobre os créditos da SPT, nem com o crédito relativo à primeira e quarta parcelas que o Banespa tinha direito de receber da PMSP. No caso, existia um primeiro contrato de confissão de dívida, no qual a SPT reconhecia e confessava a existência de dívida com a Banespa ACC (referido na cláusula primeira do Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito, fls. 79). Em seguida, conforme consta do instrumento de 31/01/2002 (fls.7988), visando liquidar a referida dívida, a PMSP se obrigou a adquirir o crédito em quatro parcelas (o que se concretizou), com a assinatura do contrato de promessa de cessão de direitos de crédito firmado entre a PMSP e o Banespa. Na Cláusula Décima Segunda do referido contrato restou estabelecida a vedação para Cessionária (PMSP) ceder, transferir ou caucionar os direitos e obrigações referentes à cessão de crédito. No entanto, referida proibição não impediria que a Cedente (Banespa) realizasse qualquer cessão e/ou transferência de seus direitos. Assim, conforme já citado, com base na referida cláusula e no art. 286 do Código Civil, o Banespa cedeu mediante pagamento (cessão onerosa) à Securitizadora o direito de receber a segunda e a terceira parcela do contrato de 31/01/2002. Assim, a Securitizadora passou a ser a detentora do crédito relativo às segunda e terceira parcelas, que deveriam ter sido pagas respectivamente nos dias 02/02/2004 e 02/02/2005, enquanto o Banespa passou a deter apenas a quarta e última parcela (a qual não é objeto dessa análise). As cessões de crédito realizadas entre (i) a PMSP e o Banespa, e (ii) entre o Banespa e a Securitizadora, não se confundem, são transferências de direitos autônomas, com diferentes objetivos. A perda apurada pela Securitizadora não decorreu de crédito devido por empresa do mesmo grupo, pois o direito relativo à segunda e terceiras parcelas após a realização das cessões passou a ter como partes a PMSP (devedora) e a Securitizadora. Exemplificando as operações de cessão: Cessões realizadas Cedente Cessionário Objeto Remuneração Fl. 842DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 16327.721033/201113 Acórdão n.º 1401001.064 S1C4T1 Fl. 8 13 1ª cessão Banespa PMSP Aquisição dos créditos da SPT 4 parcelas vencíveis em 4 anos cf. contrato de 31/01/2002 e retificações 2ª cessão Banespa Securitizadora Direito de receber a 2ª e 3ª parcelas do contrato de 31/01/2002 relativo à 1ª cessão Pagamento à vista no valor de R$143.344.888,98 De acordo com as cessões realizadas, o Banespa passou a ter o direito de receber da PMSP apenas a 4ª parcela, enquanto que a Securitizadora passou a ter o direito de receber a segunda e terceira parcelas. Notese que as partes e o objeto da 1ª cessão diferem da 2ª cessão. Após a realização da 2ª cessão, a relação entre as partes ficou: Devedor Objeto Credor PMSP 1ª e 4ª parcelas Banespa PMSP 2ª e 3ª parcelas Securitizadora Assim, qualquer prejuízo no recebimento da 3ª parcela não decorre de valores devidos pelo Banespa à Securitizadora, mas de crédito devido pela PMSP à Securitizadora. Concluise que: a. Pelo instrumento de cessão de 31/01/2002 a PMSP obrigouse a pagar um valor certo e determinado ao Banespa; b. Com o instrumento de cessão de 14/11/2003 a Securitizadora passou a deter parte do direito de receber o pagamento devido pela PMSP (correspondente à 2ª e 3ª parcelas do acordo celebrado); c. As perdas ocorridas com o recebimento de créditos devidos pela PMSP e apuradas pela Securitizadora não são perdas entre empresas coligadas. 2.2. Da perda parcial do crédito face à quitação da obrigação mediante desconto Conforme o instrumento de cessão parcial firmado em 14/11/2003, entre o Banespa e a Securitizadora, item 4.3, o preço pago pela PMSP pela aquisição do crédito relativo à 3ª parcela caberia integralmente à Securitizadora. O fato de o Banespa ter repassado a quantia de R$90.000.000,00 à Securitizadora decorreu de existir previsão expressa em contrato, especificando a quem pertenceria o montante pago pela PMSP pela aquisição dos direitos creditórios decorrentes da terceira parcela do contrato de 31/01/2002. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 14 Se o Banespa não fizesse o repasse, incorreria em enriquecimento ilícito, pois o direito creditório não lhe pertencia mais, tendo em vista a transferência da titularidade ocorrida em 14/11/2003. Ademais, o fato de o Banespa ter administrado a cobrança, repactuando o débito devido pela PMSP com seus credores (Banespa e Securitizadora), não lhe transfere de volta o crédito cedido a título oneroso para a Securitizadora. Pela diversidade de negócios jurídicos realizados e pelo montante devido pela PMSP ao conglomerado Santander, certo é que a negociação das dívidas de forma separada por CNPJ poderia dificultar o recebimento de qualquer valor, o que poderia resultar em um prejuízo maior (R$136.000.000,00). Em uma negociação visando o recebimento de créditos devidos de uma mesma pessoa, para empresas do mesmo grupo, deve ser feita uma composição global, abrindose mão de pequena parte do crédito para receber o restante. Não houve atos simulados para reduzir a carga tributária. A contribuinte tem o direito de se utilizar de uma perda efetiva (cuja finalidade era receber parte do crédito devido), não cabendo ao Fisco emitir juízo de conveniência aos atos de gestão de negócios usuais da impugnante. A fiscalização não analisou as características específicas da contribuinte e das operações realizadas para não gerar um prejuízo maior para a empresa que seria a perda de todo o crédito cobrado. O agente fiscal deve utilizar a presunção respeitando a proporcionalidade; isso não foi observado na autuação, que manteve o foco exclusivamente na lei. 2.3. Da prova do pagamento feito para a Securitizadora (impugnante) Conforme o extrato de fls. 628, foi depositado na conta corrente da Securitizadora, em 13/09/2007, o valor de R$90.000.000,00. O comprovante às fls.627 atesta que a PMSP pagou à impugnante tal valor para quitação da dívida de R$136.270.073,49, não havendo que se falar em benefício ilegal por conta de valores devidos entre empresas coligadas. 2.4. Da substituição do crédito A substituição dos créditos que deveriam ser adquiridos pela PMSP só seria possível caso esta se recusasse a adquirilos, conforme item 4.4 do instrumento de cessão parcial de fls.92. Ocorre que não houve recusa da PMSP em adquirir os créditos, não podendo o atraso no pagamento ser considerado como recusa. E não existe, no instrumento celebrado entre as partes, qualquer data prevista para que o Banespa (cedente) fizesse a substituição dos créditos supra citados, ficando a critério das partes a data limite para sua ocorrência, caso a PMSP apresentasse recusa à aquisição dos créditos. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 16327.721033/201113 Acórdão n.º 1401001.064 S1C4T1 Fl. 9 15 Se as partes decidiram de forma global tratar da questão da aquisição dos créditos, não pode tal ato ser interpretado como recusa da PMSP ou descaso das empresas (Banespa e Securitizadora) em exigir o cumprimento das obrigações assumidas. Assim como a legislação prevê que as convenções particulares relativas à responsabilidade sobre pagamento de tributos não podem ser opostas à Fazenda para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias (art.123 do CTN), não pode o Fisco interferir nos negócios privados e lícitos realizados no objeto social da pessoa jurídica. 3. Do pedido Requerse, então, o cancelamento das exigências fiscais, protestando, conforme art.38 da Lei nº 9.784/99 pela apresentação de novos documentos e alegações referentes à matéria em exame. A 10ª Turma da DRJ São Paulo I, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, por meio de Acórdão assim ementado (fls. 710): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 IRPJ. DEDUÇÃO DE PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. A perda no recebimento de créditos detidos contra empresa controladora/controlada/coligada/interligada não é dedutível na apuração do lucro real, conforme a legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao IRPJ aplicase à CSLL dele decorrente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 16 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do Acórdão em 11/04/2012 (sic, fls. 735), a contribuinte interpôs em 03/04/2012 o recurso voluntário de fls. 737758, reiterando os argumentos apresentados na fase impugnatória. Acrescentou que, conforme precedente do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 750), “são dedutíveis as perdas provenientes de renegociação de dívida, quando ficar caracterizado que o ato não se deu por mera liberalidade do credor, mas no seu interesse”. Com base em outro precedente do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, defendeu que “é legítima a dedução na determinação do lucro real, das perdas no recebimento de créditos, quando demonstrada a absoluta relação de pertinência entre as perdas sofridas e a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, o que torna as despesas necessárias e dedutíveis nos termos do art. 299 do RIR/99”. Por sua vez, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou as contrarrazões de fls. 764776, em que sustenta, basicamente, que perda deduzida pela Securitizadora não ocorreu em face da PMSP, mas, sim, decorreu da relação jurídica firmada com o Banespa, empresa pertencente ao mesmo grupo (atualmente, Grupo Santander). É o relatório. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 16327.721033/201113 Acórdão n.º 1401001.064 S1C4T1 Fl. 10 17 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. De plano, convém registrar quer o minucioso relato acima apresentado permite constatar a existência de 4 contratos relevantes para o deslinde da presente questão. São eles, em ordem cronológica: 1º) Contrato firmado entre BANESPA e SP TRANS, versando sobre confissão de débito da SP TRANS em favor do BANESPA; 2º) Contrato firmado entre BANESPA e PMSP, versando sobre a cessão parcial de créditos confessados pela SP TRANS em favor do BANESPA, referidos no 1º contrato; 3º) Contrato firmado entre BANESPA e SECURITIZADORA (contribuinte), versando sobre parte dos direitos decorrentes do 2º contrato. A execução do presente contrato dependia do adimplemento da PMSP em relação ao 2º contrato, fato que não se verificou na prática; 4º) Contrato firmado entre SANTANDER e PMSP, por meio do qual a PMSP decidiu adimplir os créditos objeto do 1º contrato. A perda glosada no presente processo referese ao 3º contrato, firmado entre BANESPA e SECURITIZADORA (contribuinte). A solução do presente litígio resumese a identificar se a aludida perda, deduzida pela contribuinte ocorreu em face da PMSP (conforme alegado pela recorrente) ou em face do Banespa, pessoa jurídica pertencente ao mesmo grupo econômico da contribuinte (conforme alegado pelo Fisco). Para tanto, convém analisar o inteiro teor da cláusula 4 do Instrumento Particular de Cessão Parcial de Direitos firmado entre o BANESPA (cedente) e a SANTANDER COMPANHIA SEGURITIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS (cessionária, que figura como contribuinte no presente processo): 4. O CEDENTE promete ceder nas datas aprazadas para a realização das cessões dos direitos de crédito mencionados no item 2, e seus respectivos subitens, acima, parte dos créditos que detém junto à São Paulo Transportes, para que a CESSIONÁRIA possa cumprir perante a Prefeitura do Município de São Paulo as obrigações assumidas pelo CEDENTE, através da Cláusula “Quarta – Da Formalização da Cessão”, alíneas “b” e “c”, do “Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito”, aditado através da cláusula primeira do “Instrumento de Aditamento e Ratificação” retro mencionados, cedendo os créditos nos termos da promessa existente. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 18 4.1. Uma vez firmados entre o Banespa e a Securitizadora os contratos de Cessão dos Créditos referentes às parcelas prometidas em cessão à Prefeitura do Município de São Paulo, conforme acima previstos, a CESSIONÁRIA se compromete em caráter irrevogável e irretratável, a cedêlos nos termos e condições estabelecidas no “Contrato de Promessa de Cessão de Direitos de Crédito” e seu respectivo “Instrumento de Aditamento e Ratificação” desde que a municipalidade pague, na forma e condições convencionadas, o preço prometido devidamente acrescido dos acessórios (juros e correção), bem como atenda todas as demais obrigações previstas naqueles instrumentos. (grifei) 4.2. Para a efetivação das Cessões à Prefeitura do Município de São Paulo o CEDENTE informará aquela municipalidade a realização deste negócio jurídico. 4.3. O preço pago pela Prefeitura do Município de São Paulo pela aquisição dos créditos caberá integralmente à Cessionária. 4.4. Na hipótese de a Prefeitura do Município de São Paulo, por qualquer motivo, recusarse a adquirir os créditos, fica desde já ajustado que o CEDENTE, com a expressa anuência da CESSIONÁRIA, cederá a esta outros créditos de sua propriedade, em valor equivalente ao que seria pago pela Prefeitura do Município de São Paulo. Como facilmente se percebe, o objeto do contrato firmado entre o BANESPA e a contribuinte (SIP) era, apenas, uma parte dos direitos de crédito decorrentes do contrato anterior, firmado entre BANESPA e Prefeitura Municipal de São Paulo, o qual tinha por objeto os créditos confessados pela SP TRANS em favor do BANESPA. Conforme a cláusula 4.4 do instrumento contratual retrotranscrito, na hipótese de a PMSP se recusasse, por qualquer motivo, a adimplir suas obrigações contratuais perante o BANESPA nas datas contratadas, ficou ajustado que o cedente (BANESPA), com a expressa anuência da cessionária (contribuinte), cederia a esta outros créditos de sua propriedade, em valor equivalente aos direitos de crédito decorrentes das aquisições parciais pela PMSP dos créditos contra a SPT detidos pelo Banespa. Na data de 02/02/2005, o saldo atualizado das obrigações da PMSP com o BANESPA, no vencimento da cessão de crédito correspondente, era de R$92.820.706,37. Tal valor, contudo, não foi liquidado. Quando intimada a justificar a não substituição dos direitos creditórios, prevista em contrato, a contribuinte limitouse a alegar que não houve a substituição dos créditos por falta de manifestação formal da PMSP e pelo prosseguimento da atividade de cobrança visando o cumprimento dos compromissos assumidos pela PMSP junto ao Banespa (fls.383). Tal alegação demonstra, cabalmente, que a contribuinte não comprovou qualquer esforço concreto no sentido de exigir do BANESPA a substituição dos direitos de crédito pelos quais havia pago, mesmo após o inadimplemento da PMSP no contrato anteriormente entre ela e o BANESPA. Devese ter em conta que a contribuinte era sociedade integrante do mesmo grupo econômico do BANESPA. Os elementos constantes dos autos revelam, com clareza, que Fl. 848DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 16327.721033/201113 Acórdão n.º 1401001.064 S1C4T1 Fl. 11 19 não houve interesse da contribuinte em acionar o BANESPA na busca de adimplemento do contrato havido entre os dois. Vale dizer que o crédito que a contribuinte detinha contra o BANESPA e seu sucessor não se confunde com o crédito que o Banespa detinha contra a SP TRANS e cuja cessão foi prometido pelo BANESPA em favor da PMSP. Em outras palavras, nunca houve qualquer relação contratual entre a contribuinte e a SP TRANS ou entre a contribuinte e a PMSP. Assim, o crédito da contribuinte constituía um direito exigível contra seu controlador, coligado ou interligado, à época. Conseqüentemente, agiu corretamente o Fisco, ao aplicar a vedação prevista no § 6º do art. 9º da Lei n° 9.430/96, na dedução de eventuais perdas havidas no recebimento de tal crédito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 849DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2014 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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