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Numero do processo: 13891.720131/2013-94
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
DCTF. PERDA DE PRAZO. ENTREGA A DESTEMPO. ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO DE OFÍCIO DE MULTA MÍNIMA. REDUÇÃO DA MULTA PECUNIÁRIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para redução da multa pecuniária mínima aplicada de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma - entrega tardia, fora do prazo, de declaração, ainda que a entrega da declaração tenha ocorrido, de forme espontânea, antes da ciência do início do procedimento de fiscalização.
Há previsão legal apenas para redução de 50% da multa aplicada para pagamento à vista ou redução de 40% para pedido de parcelamento formalizado, no prazo de trinta dias da ciência do lançamento fiscal (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009), porém a contribuinte preferiu impugnar, discutir, o lançamento fiscal, perdendo esse benefício fiscal.
PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DA DCTF. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória.
Pretensa demora ou falta de manifestação do fisco, quanto ao pedido de validação de procuração para utilização de certificação digital protocolizado antes do término do prazo tempestivo para entrega de DCTF, não exime o contribuinte de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação de procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir o contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória autônoma).
O ônus de fazer prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo (Arts. 15 e 16, III, do Decreto nº 70.235/72 e art. 333, II, do Código de Processo Civil).
Numero da decisão: 1802-002.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. DCTF. PERDA DE PRAZO. ENTREGA A DESTEMPO. ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO DE OFÍCIO DE MULTA MÍNIMA. REDUÇÃO DA MULTA PECUNIÁRIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para redução da multa pecuniária mínima aplicada de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma entrega tardia, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 72 01 31 /2 01 3- 94 Fl. 43DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 44 2 fora do prazo, de declaração, ainda que a entrega da declaração tenha ocorrido, de forme espontânea, antes da ciência do início do procedimento de fiscalização. Há previsão legal apenas para redução de 50% da multa aplicada para pagamento à vista ou redução de 40% para pedido de parcelamento formalizado, no prazo de trinta dias da ciência do lançamento fiscal (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009), porém a contribuinte preferiu impugnar, discutir, o lançamento fiscal, perdendo esse benefício fiscal. PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DA DCTF. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 45 3 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano Fl. 45DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 46 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de efls. 30/38 contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/Recife (efls. 22/25) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF mensal do PA setembro/2010 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (efl. 06) que a contribuinte, em 18/04/2013, entregou ao fisco a DCTF mensal do PA setembro/2010, com atraso de 30 (trinta) meses ou fração de mês calendário. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 23/11/2010; b) data de entrega: 18/04/2013; montante dos tributos/contribuições informados na DCTF: R$ 205,49 (efl. 07); multa aplicada: multa mínima R$ 500,00. Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Enquadramento legal: Arts. 115 e 160 da Lei 5.172, de 25/10/1966; Art. 1º da Lei 9.249, de 26/12/1995; Art. 7º, caput e inc. II e § 3º , II, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) A contribuinte tomou ciência, eletronicamente, da Notificação de Lançamento em 18/04/2011 (efl. 06), e apresentou defesa Manifestação de Inconformidade em 06/05/2013 (efls.02/05), cujas razões, em síntese, estão assim resumidas no relatório da decisão a quo e que, nessa parte, transcrevo (efl. 21): (...) Fl. 46DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 47 5 Cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação, alegando, em síntese, que devido ao custo para adquirir um certificado digital, contratou uma contadora e protocolou no dia 12/07/2010 a solicitação de Procuração para a Receita Federal, porém até a presente data a Agência da Receita Federal de Bragança Paulista não informou o deferimento ou indeferimento do pleito. Lembra que após a solicitação a Receita Federal tem até 30 dias para deferir ou indeferir a solicitação. Sem a procuração ficou impedida de apresentar em tempo hábil a DCTF. Conclui afirmando que o atraso na entrega da DCTF foi ocasionado pela própria RFB, não sendo justo a responsabilização da impugnante. Em outro ponto afirma, caso seja mantida aplicação da multa, que o percentual a ser aplicado é de 20% totalizando uma multa de R$ 41,10. (...) A DRJ/Recife, à luz da legislação e dos fatos, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 08/11/2013 (efls.22/25), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF . O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, sujeitaserá a multa especificada na legislação. CERTIFICADO DIGITAL. É obrigação do sujeito passivo a manutenção de certificado digital válido, ou procuração eletrônica, que possibilite a entrega tempestiva de suas declarações/demonstrativos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 03/12/2013 (efl. 28), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 02/01/2014 (efls. 30/38), reiterando as razões já apresentadas na Manifestação de Inconformidade, na primeira instância, e já resumidas anteriormente. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 48 6 Por fim, a recorrente, com base nas citadas razões, pediu: a) a reforma da decisão recorrida, ou seja, a improcedência do lançamento fiscal, b) alternativamente a redução da multa para R$ 41,10 = (20% x R$ 205,49). É o relatório. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 49 7 Voto Conselheiro Relator Nelso Kichel. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega da DCTF mensal do PA setembro/2010, ou seja, pela inobservância do prazo limite no cumprimento de obrigação acessória autônoma. O prazo limite para apresentação tempestiva da DCTF mensal era 23/11/2010, conforme IN RFB nº 974, de 27/11/2009, art. 5º, in verbis: Art. 5º As pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15º(décimo quinto) dia útil do 2º(segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores.(vide art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 1.129, de 2011) § 1º (...) § 2º (...) § 3º (...). Entretanto, a contribuinte cumpriu essa obrigação acessória autônoma a destempo, ou seja, apenas em 18/04/2013 (trinta meses de atraso). Por isso da imposição, em concreto, da multa pecuniária objeto dos autos. Nas razões do recurso, a recorrente alegou: que perdera o prazo para entrega tempestiva da DCTF pela falta de certificação digital, pois para entrega dessa declaração pela internet a RFB passou a exigir assinatura digital, para períodos de apuração a partir de maio/2010, conforme IN RFB nº 974/2009, art. 4º, in verbis: Art. 4ºA DCTF deverá ser elaborada mediante a utilização de programas geradores de declaração, disponíveis na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço < http:// www. receita.fazenda.gov.br>. § 1ºA DCTF deve ser apresentada mediante sua transmissão pela Internet com a utilização do programa Receitanet disponível no endereço eletrônico referido no caput. § 2ºPara a apresentação da DCTF é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido, ficando dispensadas dessa obrigação: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.036, de 1º de junho de 2010) Fl. 49DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 50 8 I as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou aquelas imunes ou isentas do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), para as DCTF referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a abril de 2010; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.036, de 1º de junho de 2010) II os órgãos públicos da administração direta da União e as autarquias e as fundações públicas federais, para as DCTF referentes aos fatos geradores ocorridos até o mês de dezembro de 2010. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.036, de 1º de junho de 2010) § 3ºO disposto nos §§ 1ºe 2ºaplicase, inclusive, aos casos de extinção, incorporação, fusão e cisão total ou parcial. que, não sendo contribuinte do Simples e não sendo empresa inativa, está obrigada à apresentação de DCTF e que, para cumprimento dessa obrigação acessória, o fisco exige o uso da assinatura digital (certificação digital); que a emissão do certificado digital é feita de forma onerosa pelas empresas certificadoras, o que implica assumir custos; que, sendo uma uma empresa pequena (pequeno faturamento), não tem condições assumir tal custo; que contratou uma profissional de contabilidade que possui certificação digital que poderia suprir a falta de certificação digital da recorrente; que nesse sentido, em 12/07/2010, protocolizou, junto à Agência da RFB de Bragança Paulista, pedido de validação de procuração – instrumento de mandato outorgando poderes à profissional de contabilidade, para representar a outorgante (recorrente) perante a RFB, no período de 28/06/2010 a 27/06/2015, podendo a outorgada assinar digitalmente, em nome da outorgante, as declarações a serem transmitidas pela internet. Cópia da procuração (e fl. 08); que o fisco, entretanto, não se manifestou quanto ao pedido protocolado; que ficou impedida de transmitir a DCTF tempestivamente; que, por conseguinte, não tem culpa pela perda do prazo (entrega intempestiva da DCTF). Inexistindo invocação de preliminar, passo à análise do mérito. INFRAÇÃO IMPUTADA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA A recorrente reconhece que apresentou a DCTF em atraso, e não se insurge quanto a esse fato; porém, ataca os efeitos jurídicos dessa perda de prazo, alegando que não teria culpa, pois protocolara pedido de validação de procuração – instrumento do mandato – outorgando poderes, para representála junto à RFB, a profissional de contabilidade contratada para transmissão de DCTF pela internet, a qual possui certificação digital para assinatura Fl. 50DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 51 9 eletrônica (efl. 08); que o fisco não se manifestou antes da data limite para apresentação tempestiva da DCTF, se validava ou não a referida procuração. Quanto ao pleito protocolizado (validação de procuração), a falta de manifestação do fisco, antes de término do prazo tempestivo para entrega da DCTF, não exime a recorrente de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação da procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir a contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória). Em relação à alegada culpa da RFB na demora da validadação de procuração não restou caracterizada nos autos, tanto nesta instância recursal, quanto na primeira instância de julgamento. A propósito, nessa parte adoto também, como razão decidir, a fundamentação constante do voto condutor do acórdão recorrido e que transcrevo a seguir (efls.21/22 ), in verbis: A contribuinte alega que efetuou a Solicitação de Procuração junto a Receita Federal do Brasil e que esta atrasou na validação desta procuração. De acordo com a IN RFB nº 944 de 29/05/2009 que dispõe sobre a outorga de poderes para fins de utilização, mediante certificado digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em especial o art. 3º, §3º, além do registro no sistema próprio para a validação da procuração deverão ser entregues a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador de que trata o inciso III do caput. No presente processo a contribuinte apresenta a Solicitação de Procuração da empresa outorgando poderes a Ana Maria Fioroni Zampronio, porém não apresenta provas que tenha cumprido as demais condições para ter sua procuração validada. Caberia a contribuinte, para provar que a Receita Federal do Brasil não cumpriu o prazo para validação da Procuração, apresentar as provas de que entregou os documentos necessários a validação da procuração, a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador: Art. 3º A procuração emitida por meio do aplicativo referido no art. 2º deverá ser impressa e assinada perante servidor da RFB: ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) I pelo responsável da empresa perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), no caso de Pessoa Jurídica; ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) Fl. 51DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 52 10 II pelo próprio contribuinte, no caso de Pessoa Física; ou ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) III por procurador constituído por procuração pública específica com poderes próprios para a realização da outorga de que trata o art. 1º.( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) § 1º Na impossibilidade de comparecimento do outorgante perante servidor da RFB, será aceita a procuração com firma reconhecida em cartório. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) § 2º Para produzir efeitos junto ao eCAC, observado o disposto no caput, a procuração deverá ser incluída no Sistema de Procurações Eletrônicas do eCAC, mediante validação a ser efetuada em uma unidade de atendimento da RFB, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de sua emissão. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) § 3º Para validação, deverão ser entregues a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador de que trata o inciso III do caput, sendo que a autenticação das cópias também poderá ser efetuada pela própria unidade de atendimento da RFB, mediante apresentação dos documentos originais. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) Não tendo comprovado que cumpriu todos os requisitos determinados pela legislação para validação de sua procuração não há como determinar que a Receita Federal foi quem ocasionou a falta do certificado digital para entrega da DCTF. Nesta instância recursal, a recorrente também não comprovou que tivesse cumprido todos os requisitos determinados pela legislação para validação de sua procuração. Logo, não há como determinar ou imputar que a Receita Federal teria ocasionado a falta do certificado digital para entrega da DCTF. O ônus de fazer prova, de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo. Como demonstrado, a recorrrente não tomou as devidas cautelas para transmissão da DCTF tempestivamente, deixando o prazo, lapso temporal, transcorrer in albis. É cediço que responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 53 11 Nesse sentido, transcrevo o disposto no art. 16 do CTN, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por conseguinte, a mera perda de prazo, por si só, configurou a infração imputada. Por isso da exigência da multa percuniária objeto dos autos. DCTF. PERDA DE PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. ENTREGA ESPONTÂNEA. REDUÇÃO DA MULTA APLICADA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Exceto para os casos de empresa inativa e de empresa do Simples, a multa cominada em abstrato é de 2% (dois por cento) do somatório dos tributos e contribuições confessados na DCTF do respectivo PA, não podendo a multa ser inferior a R$ 500,00 (Lei 10.426/2002, art. 7º, II e § 3º, II), in verbis: Art. 7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) § 3ºA multa mínima a ser aplicada será de:(Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto naLei nº9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.(os grifos não são do original) (...) Fl. 53DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 54 12 No caso objeto dos autos, foi aplicada pelo fisco, em concreto, a multa pecuniária mínima de R$ 500,00. Não há previsão legal de redução da multa mínima aplicada de R$ 500,00, conforme inteligência do disposto nos §§ 2º e 3º, do art. 7º da Lei 10.426/2002, in verbis: Art. 7º (...). § 2ºObservado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Ià metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; IIa setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3ºA multa mínima a ser aplicada será de:(Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto naLei nº9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (os grigos não são do original) (...) DCTF. ENTREGA MENSAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. A DCTF, obrigação acessória autônoma, foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 55 13 Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A partir da edição da IN SRF 126/1998, a DCTF passou a ser instrumento eminentemente de confissão de dívida. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 56 14 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 3) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 57 15 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). A multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em Lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II e § 3º, II, da Lei nº 10.426/2002, conforme texto legal já transcrito alhures. O dispostivo legal citado é norma específica para imposição de multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória autônoma relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Por ter sido aplicada multa mínima de R$ 500,00 para o PA setembro de 2010 (Lei 10.426/2002, art.7º, § 3º, II), incabível sua redução por vedação do § 2º desse mesmo art. 7º da Lei nº 10.426/2002, ainda que a entrega a destempo da declaração tenha sido espontânea, ou seja, antes da ciência do início do procedimentos de fiscalização, conforme já restou enfrentada essa quesão, anteriormente. A única redução de multa prevista legalmente e que a contribuinte faria jus caso não tivesse impugnado o lançamento de ofício (porém impugnou!), seria a consignada no próprio texto da Notificação de Lançamento fiscal (efl. 06), in verbis: (...) 5. INTIMAÇÃO Fica o contribuinte acima identificado INTIMADO a recolher ou impugnar no prazo de trinta dias da ciência da Notificação de Lançamento o presente crédito tributário. A impugnação deve ser dirigida ao Delegado da Receita Federakl do Brasil de sua jurisdição (...). Até o vencimento desta notificação, serão concedidas reduções de 50% para pagamento à vista ou 40% para pedidos de parcelamento formalizados neste mesmo prazo (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009). (...) Fl. 57DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720131/201394 Acórdão n.º 1802002.404 S1TE02 Fl. 58 16 Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 58DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10247.000009/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
ATIVIDADE RURAL. ATIVIDADE PREVISTA NA IN 257/02. APLICÁVEL ALÍQUOTA REDUZIDA.
O exercício de alguma das atividades previstas no artigo 2º da Instrução Normativa 257/02, caracteriza o exercício de atividade rural, sendo aplicável a alíquota de 8% sobre a receita bruta auferida.
LUCRO PRESUMIDO. INEXISTENTE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DEVE SER AFASTADO.
Comprovado que o contribuinte não optou pelo lucro presumido, deve ser afastado o lançamento realizado com base neste regime.
Numero da decisão: 1201-001.092
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário, para reduzir o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% para 8%.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 ATIVIDADE RURAL. ATIVIDADE PREVISTA NA IN 257/02. APLICÁVEL ALÍQUOTA REDUZIDA. O exercício de alguma das atividades previstas no artigo 2º da Instrução Normativa 257/02, caracteriza o exercício de atividade rural, sendo aplicável a alíquota de 8% sobre a receita bruta auferida. LUCRO PRESUMIDO. INEXISTENTE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DEVE SER AFASTADO. Comprovado que o contribuinte não optou pelo lucro presumido, deve ser afastado o lançamento realizado com base neste regime.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário, para reduzir o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% para 8%. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
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Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ATIVIDADE RURAL. ATIVIDADE PREVISTA NA IN 257/02. APLICÁVEL ALÍQUOTA REDUZIDA. O exercício de alguma das atividades previstas no artigo 2º da Instrução Normativa 257/02, caracteriza o exercício de atividade rural, sendo aplicável a alíquota de 8% sobre a receita bruta auferida. LUCRO PRESUMIDO. INEXISTENTE OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DEVE SER AFASTADO. Comprovado que o contribuinte não optou pelo lucro presumido, deve ser afastado o lançamento realizado com base neste regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR provimento ao recurso voluntário, para reduzir o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% para 8%. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 7. 00 00 09 /2 00 9- 28 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL dos anos de 2006 e 2007, em razão da constatação das seguintes infrações, conforme relatado pela DRJ: “II DAS INFRAÇÕES LANÇADAS 2. A Empresa foi autuada pelas seguintes infrações à legislação tributária, a saber: 001 RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93/ RECEITA BRUTA MENSAL SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS – AC 2007 Receita da prestação de serviços escriturada e não declarada, apurada conforme Relatório de Fiscalização em anexo. E assim descreve no Relatório de Fiscalização: [.....] Como o sujeito passivo ora fiscalizado, não procedeu a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano calendário de 2007 (fl. 62), nem a Declaração de débitos e Créditos Federais DCTF (fl .94), que é a declaração que representa a confissão de dívida perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, e além dessas omissões de obrigações acessórias somente realizou pagamentos, a menor, de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL no 1º o Trimestre de 2007, conforme valores retirados dos sistemas da RFB (fl. 445) ficando inadimplente com a RFB por todo o restante de 2007 , procedemos então a lavratura do Auto de Infração para apurar os lançados nos livros fiscais, não declarados e não recolhidos aos cofres públicos de acordo com as planilhas do final do presente relatório. 002 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO A PARTIR DO AC 93 APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO IRPJ apurado a menor DIPJ, em decorrência da aplicação indevida do coeficiente de determinação do lucro presumido de Fl. 551DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10247.000009/200928 Acórdão n.º 1201001.092 S1C2T1 Fl. 551 3 8% sobre as receitas da atividade de Apoio à Produção Florestal, abaixo descritas, quando o correto seria 32%. E assim descreve no Relatório de Fiscalização: [...] Verificada as infrações à legislação tributária, decorrente das diferenças entre os valores declarados com aplicação do coeficiente de determinação do lucro presumido – AC 2006 e os valores não declarados e não pagos referente ao ano calendário de 2007, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e o adicional apurados de acordo com o regime de tributação do lucro presumido sobre as receitas trimestrais aplicouse o percentual de 32% obtendose o lucro presumido trimestral a partir do qual foi apurado o imposto devido, conforme Auto de Infração – IRPJ (Lei 9.249/95, art. 16 e 24, e Lei nº 9.430/96, art. 27, inciso I). [.....] A OPÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO O Contribuinte fez opção pelo regime de tributação com base no Lucro Presumido, conforme mostra a Declaração de Informações Econômicas Fiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) entregue por ele do ano calendário de 2006 (fls. 63 a 92). Já no ano calendário de 2007 o sujeito passivo não efetuou a entrega da DIPJ, porém efetuou pagamentos de IRPJ referentes ao 1º Trimestre de 2007 como lucro presumido, conforme consulta realizada nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls. 445). [....] INFRAÇÕES APURADAS – Aplicação indevida do coeficiente de determinação do lucro – AC 2006 (...) De acordo com a descrição do contrato de prestação de serviços da empresa autuada com a empresa Jarí Celulose S/A, entregues pelo sujeito passivo à fiscalização (fls. 10/45), a atividade desempenhada pelo contribuinte é a prestação de serviço de apoio à produção florestal, CNAE 0230600 como serviços silviculturais de corte e empilhagem de madeira para celulose. Corte de resíduos florestais, desgalhamento, desdobramento, preparação de dormentes, adubação, controle de pragas, irrigação, limpeza, plantio e replantio de mudas, aplicação de produtos químicos em áreas de terceiros; e como o sujeito passivo ora Fl. 552DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 4 autuado não assume todos os encargos do produtor rural abrangendo todo o ciclo produtivo, não resta dúvida de que deve ser aplicado o percentual de 32% sobre a receita bruta auferidas nos respectivos períodos de apuração. (...)” O contribuinte apresentou impugnação ao Auto de infração (fls. 490/500), argumentando, em síntese que: é pessoa jurídica que atua na área rural; nos anos fiscalizados, possuía uma média de 1.000 (mil) empregados que, por força da legislação trabalhista, estavam tutelados e vinculados as normas de controle e proteção ao trabalho rural; a Fiscalização apoiada em aspectos materiais do CNAE não analisou aspectos reais e principiológicos do caso fático. ao contrário do que afirma a Fiscalização (que a atividade da Empresa é a atividade de apoio à ATIVIDADE FLORESTAL), o contribuinte efetivamente executa todas as fases do processo produtivo agrícola(rural), ou seja, limpa a terra, ara, semeia e colhe. passou a adotar, a partir do ano calendário de 2007, a sistemática da apuração pelo Lucro Real, não tendo, como afirma a Fiscalização, optado pelo lucro presumido, muito menos pago qualquer cota relativa a esta opção. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) considerou a impugnação procedente em parte. Em relação a base de cálculo aplicável, em 2006, àqueles que exercem atividade rural foi consignado que não resta dúvida de que a base de cálculo do lucro presumido é de 8% sobre a receita bruta auferida na atividade rural, conforme determina o art. 12 da IN SRF nº 257/2002. Entretanto, no caso, não há elementos no processo para se concluir que as atividades desenvolvidas pelo contribuinte se caracterizam ou não como atividade rural, para os fins da legislação do imposto de renda. Como a interessada cuida apenas da implantação do desmatamento ou reflorestamento, do plantio ou replantio de culturas, adubação, limpeza, recuperação ambiental, sem que desenvolva todas as etapas, concluiu que a atividade exercida é de prestação de serviços e não de atividade rural, para os fins do imposto de renda. Relativamente ao ano calendário de 2007, concluiu que foi indevida a apuração com base no lucro presumido, pois não há comprovação de que o contribuinte tenha formalizado a opção pelo lucro presumido, pelo pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração no ano calendário de 2007. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10247.000009/200928 Acórdão n.º 1201001.092 S1C2T1 Fl. 552 5 Consignou que deveria a fiscalização ter apurado o lucro tributável através do Lucro Real Trimestral, e, caso, a escrituração não estivesse apta a servir de base à tributação, efetuar a tributação pelo Lucro Arbitrado. Desse modo, diante do erro na apuração da base de cálculo dos tributos, que requerem a apuração do lucro tributável, exonerou o crédito tributário lançado no ano calendário de 2007. Diante do valor exonerado, foi apresentado Recurso de Ofício. Ademais, o contribuinte, na parte em que teve sua impugnação indeferida, apresentou Recurso Voluntário, por do qual repisou o argumento de que a atividade por ele exercida é de natureza rural, razão pela qual o percentual aplicável à base de cálculo deve ser de 8%. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. Tratase de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL dos anos de 2006 e 2007, pois a fiscalização considerou indevida a aplicação do coeficiente de determinação do lucro, sob o fundamento de que, de acordo com a descrição dos contratos de prestação de serviços da empresa autuada com a empresa Jarí Celulose S/A (fls. 10/45), a atividade desempenhada pelo contribuinte é a prestação de serviço de apoio à produção florestal, CNAE 0230600, já que este não assume todos os encargos do produtor rural abrangendo todo o ciclo produtivo. Verificadas as infrações decorrentes das diferenças entre os valores declarados com erro na aplicação do coeficiente de determinação do lucro presumido AC 2006 e os valores não declarados e não pagos referentes ao ano calendário de 2007, o IRPJ e o adicional foram apurados de acordo com o regime de tributação presumido. Feitas essas considerações, passo à análise dos argumentos suscitados em sede de Recurso Voluntário. Em relação à atividade rural, esta vem definida na Instrução Normativa 257/02 que dispõe: Fl. 554DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 6 “Atividade Rural Art. 2º A exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica, em decorrência das seguintes atividades consideradas rurais: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração de atividades zootécnicas, tais como apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização; VII a venda de rebanho de renda, reprodutores ou matrizes; VIII a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como: (...)” Ademais, da documentação acostada aos autos, é possível constatar que: (i) todas as notas fiscais referemse a serviços prestados pelo contribuinte para a empresa Jarí Celulose S/A; (ii) os serviços eram prestados na totalidade ou quase totalidade da cadeia de produção, pois foi demonstrado que este realizava o “corte e empilhagem de madeira para celulose, corte de resíduos florestais, desgalhamento, desdobramento, preparação de dormentes, adubação, controle de pragas, irrigação, limpeza, plantio e replantio de mudas, aplicação de produtos químicos em áreas de terceiros”. Assim, resta evidente que a Jari Celulose terceirizava sua atividade e o contribuinte exercia atividade tipicamente rural, razão pela qual dou provimento ao Recurso Fl. 555DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10247.000009/200928 Acórdão n.º 1201001.092 S1C2T1 Fl. 553 7 Voluntário, considerando correta a base de cálculo aplicada em 2006 (de 8% sobre a receita bruta auferida na atividade rural, conforme determina a IN SRF nº 257/2002). Em relação ao ano de 2007, a DRJ exonerou o crédito tributário lançado no período, pois concluiu que houve erro na apuração da base de cálculo dos tributos, pois a fiscalização efetuou a apuração com base no lucro presumido e, no caso, não há comprovação de que o contribuinte tenha formalizado a opção pelo lucro presumido, pelo pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração no ano calendário de 2007. Em razão do valor exonerado no período, houve recurso de ofício, ao qual nego provimento, mantendo a decisão da DRJ, pelas razões que seguem. Dispõe o art. 26, §1º, da lei 9430/96: “Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário.” E, no caso, a fiscalização não demonstrou que o contribuinte teria optado pelo lucro presumido por meio do pagamento. Em que pese a apresentação de relação de pagamentos elaborada pela própria SRF (fl. 445), o contribuinte demonstrou, às fls. 503 a 505, que os pagamentos nos montantes de R$ 49.788,00 (IRPJ) e R$ 4.463,00 (CSLL), alocados pela fiscalização como pagamento do 1º trimestre de 2007, em verdade são referentes ao 4º trimestre de 2006. Assim, não merece reforma a decisão da DRJ nesta parte, devendo ser mantida a exoneração do crédito tributário lançado no ano de 2007. Por todo o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário e nego provimento ao Recurso de Ofício. JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Relator Fl. 556DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 8 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/1 2/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R
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Numero do processo: 13891.720127/2013-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
DCTF. PERDA DE PRAZO. ENTREGA A DESTEMPO. ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO DE OFÍCIO DE MULTA MÍNIMA. REDUÇÃO DA MULTA PECUNIÁRIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para redução da multa pecuniária mínima aplicada de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma - entrega tardia, fora do prazo, de declaração, ainda que a entrega da declaração tenha ocorrido, de forme espontânea, antes da ciência do início do procedimento de fiscalização.
Há previsão legal apenas para redução de 50% da multa aplicada para pagamento à vista ou redução de 40% para pedido de parcelamento formalizado, no prazo de trinta dias da ciência do lançamento fiscal (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009), porém o sujeito passivo preferiu impugnar, discutir, o lançamento fiscal, perdendo esse benefício fiscal.
PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DA DCTF. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória.
Pretensa demora ou falta de manifestação do fisco, quanto ao pedido de validação de procuração para utilização de certificação digital protocolizado antes do término do prazo tempestivo para entrega de DCTF, não exime o contribuinte de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação de procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir o contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória autônoma).
O ônus de fazer prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo (Arts. 15 e 16, III, do Decreto nº 70.235/72 e art. 333, II, do Código de Processo Civil).
Numero da decisão: 1802-002.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. DCTF. PERDA DE PRAZO. ENTREGA A DESTEMPO. ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO DE OFÍCIO DE MULTA MÍNIMA. REDUÇÃO DA MULTA PECUNIÁRIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para redução da multa pecuniária mínima aplicada de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma - entrega tardia, fora do prazo, de declaração, ainda que a entrega da declaração tenha ocorrido, de forme espontânea, antes da ciência do início do procedimento de fiscalização. Há previsão legal apenas para redução de 50% da multa aplicada para pagamento à vista ou redução de 40% para pedido de parcelamento formalizado, no prazo de trinta dias da ciência do lançamento fiscal (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009), porém o sujeito passivo preferiu impugnar, discutir, o lançamento fiscal, perdendo esse benefício fiscal. PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DA DCTF. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória. Pretensa demora ou falta de manifestação do fisco, quanto ao pedido de validação de procuração para utilização de certificação digital protocolizado antes do término do prazo tempestivo para entrega de DCTF, não exime o contribuinte de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação de procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir o contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória autônoma). O ônus de fazer prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo (Arts. 15 e 16, III, do Decreto nº 70.235/72 e art. 333, II, do Código de Processo Civil).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano.
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ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. DCTF. PERDA DE PRAZO. ENTREGA A DESTEMPO. ESPONTANEIDADE. APLICAÇÃO DE OFÍCIO DE MULTA MÍNIMA. REDUÇÃO DA MULTA PECUNIÁRIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para redução da multa pecuniária mínima aplicada de ofício, por descumprimento de obrigação acessória autônoma entrega tardia, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 1. 72 01 27 /2 01 3- 26 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 42 2 fora do prazo, de declaração, ainda que a entrega da declaração tenha ocorrido, de forme espontânea, antes da ciência do início do procedimento de fiscalização. Há previsão legal apenas para redução de 50% da multa aplicada para pagamento à vista ou redução de 40% para pedido de parcelamento formalizado, no prazo de trinta dias da ciência do lançamento fiscal (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009), porém o sujeito passivo preferiu impugnar, discutir, o lançamento fiscal, perdendo esse benefício fiscal. PERDA DE PRAZO PARA APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DA DCTF. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória. Pretensa demora ou falta de manifestação do fisco, quanto ao pedido de validação de procuração para utilização de certificação digital protocolizado antes do término do prazo tempestivo para entrega de DCTF, não exime o contribuinte de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação de procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir o contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória autônoma). O ônus de fazer prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo (Arts. 15 e 16, III, do Decreto nº 70.235/72 e art. 333, II, do Código de Processo Civil). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 43 3 (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 44 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de efls. 28/36 contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/Recife (efls. 20/23) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF mensal do PA junho/2010 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (efl. 06) que a Contribuinte, em 18/04/2013, entregou ao fisco a DCTF mensal do PA junho/2010, com atraso de 33 (trinta e três) meses ou fração de mês calendário. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 20/08/2010; b) data de entrega: 18/04/2013; montante dos tributos/contribuições informados na DCTF: R$ 160,06 (efl. 07); multa aplicada: multa mínima R$ 500,00. Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$ 500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Enquadramento legal: Arts. 115 e 160 da Lei 5.172, de 25/10/1966; Art. 1º da Lei 9.249, de 26/12/1995; Art. 7º, caput e inc. II e § 3º , II, da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) A Contribuinte tomou ciência, eletronicamente, da Notificação de Lançamento em 18/04/2011 (efl. 06), e apresentou defesa Manifestação de Inconformidade em 03/05/2013 (efls.02/05), cujas razões, em síntese, estão assim resumidas no relatório da decisão a quo e que, nessa parte, transcrevo (efl. 21): (...) Fl. 44DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 45 5 Cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação, alegando, em síntese, que devido ao custo para adquirir um certificado digital, contratou uma contadora e protocolou no dia 12/07/2010 a solicitação de Procuração para a Receita Federal, porém até a presente data a Agência da Receita Federal de Bragança Paulista não informou o deferimento ou indeferimento do pleito. Lembra que após a solicitação a Receita Federal tem até 30 dias para deferir ou indeferir a solicitação. Sem a procuração ficou impedida de apresentar em tempo hábil a DCTF. Conclui afirmando que o atraso na entrega da DCTF foi ocasionado pela própria RFB, não sendo justo a responsabilização da impugnante. Em outro ponto afirma, caso seja mantida aplicação da multa, que o percentual a ser aplicado é de 20% totalizando uma multa de R$ 32,00. (...) A DRJ/Recife, à luz da legislação e dos fatos, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 08/11/2013 (efls.20/23), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF . O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, sujeitaserá a multa especificada na legislação. CERTIFICADO DIGITAL. É obrigação do sujeito passivo a manutenção de certificado digital válido, ou procuração eletrônica, que possibilite a entrega tempestiva de suas declarações/demonstrativos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 03/12/2013 (efl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 02/01/2014 (efls. 28/36), reiterando as razões já apresentadas na Manifestação de Inconformidade, na primeira instância, e já resumidas anteriormente. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 46 6 Por fim, a recorrente, com base nas citadas razões, pediu: a) a reforma da decisão recorrida, ou seja, a improcedência do lançamento fiscal, b) alternativamente a redução da multa para R$ 32,00 = (20% x R$ 160,06). É o relatório. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 47 7 Voto Conselheiro Relator Nelso Kichel. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega da DCTF mensal do PA junho/2010, ou seja, pela inobservância do prazo limite no cumprimento de obrigação acessória autônoma. O prazo limite para apresentação tempestiva da DCTF mensal era 20/08/2010, conforme IN RFB nº 974, de 27/11/2009, art. 5º, in verbis: Art. 5º As pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15º(décimo quinto) dia útil do 2º(segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores.(vide art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 1.129, de 2011) § 1º (...) § 2º (...) § 3º (...). Entretanto, a contribuinte cumpriu essa obrigação acessória autônoma a destempo, ou seja, apenas em 18/04/2013 (trinta e três meses de atraso). Por isso da imposição, em concreto, da multa pecuniária objeto dos autos. Nas razões do recurso, a recorrente alegou: que perdera o prazo para entrega tempestiva da DCTF pela falta de certificação digital, pois para entrega dessa declaração pela internet a RFB passou a exigir assinatura digital, para períodos de apuração a partir de maio/2010, conforme IN RFB nº 974/2009, art. 4º, in verbis: Art. 4ºA DCTF deverá ser elaborada mediante a utilização de programas geradores de declaração, disponíveis na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na Internet, no endereço < http:// www. receita.fazenda.gov.br>. § 1ºA DCTF deve ser apresentada mediante sua transmissão pela Internet com a utilização do programa Receitanet disponível no endereço eletrônico referido no caput. § 2ºPara a apresentação da DCTF é obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido, ficando dispensadas dessa obrigação: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.036, de 1º de junho de 2010) Fl. 47DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 48 8 I as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido ou aquelas imunes ou isentas do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), para as DCTF referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a abril de 2010; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.036, de 1º de junho de 2010) II os órgãos públicos da administração direta da União e as autarquias e as fundações públicas federais, para as DCTF referentes aos fatos geradores ocorridos até o mês de dezembro de 2010. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.036, de 1º de junho de 2010) § 3ºO disposto nos §§ 1ºe 2ºaplicase, inclusive, aos casos de extinção, incorporação, fusão e cisão total ou parcial. que, não sendo contribuinte do Simples, nem empresa inativa, está obrigada à apresentação de DCTF e que, para cumprimento dessa obrigação acessória, o fisco exige o uso da assinatura digital (certificação digital); que a emissão do certificado digital é feita de forma onerosa pelas empresas certificadoras, o que implica assumir custos; que, sendo uma uma empresa pequena (pequeno faturamento), não tem condições assumir tal custo; que contratou uma profissional de contabilidade que possui certificação digital que poderia suprir a falta de certificação digital da recorrente; que nesse sentido, em 12/07/2010, protocolizou, junto à Agência da RFB de Bragança Paulista, pedido de validação de procuração – instrumento de mandato outorgando poderes à profissional de contabilidade, para representar a outorgante (recorrente) perante a RFB, no período de 28/06/2010 a 27/06/2015, podendo a outorgada assinar digitalmente, em nome da outorgante, as declarações a serem transmitidas pela internet. Cópia da procuração (e fl. 08); que o fisco, entretanto, não se manifestou quanto ao pedido protocolado; que ficou impedida de transmitir a DCTF tempestivamente; que, por conseguinte, não tem culpa pela perda do prazo (entrega intempestiva da DCTF). Inexistindo invocação de preliminar, passo à análise do mérito. INFRAÇÃO IMPUTADA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA A recorrente reconhece que apresentou a DCTF em atraso, não se insurge quanto a esse fato; porém, ataca os efeitos jurídicos dessa perda de prazo, alegando que não teria culpa, pois protocolara pedido de validação de procuração – instrumento do mandato – outorgando poderes, para representála junto à RFB, a profissional de contabilidade contratada para transmissão de DCTF pela internet, a qual possui certificação digital para assinatura Fl. 48DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 49 9 eletrônica (efl. 08); que o fisco não se manifestou antes da data limite para apresentação tempestiva da DCTF, se validava ou não a referida procuração. Quanto ao pleito protocolizado (validação de procuração), a falta de manifestação do fisco, antes de término do prazo tempestivo para entrega da DCTF, não exime a recorrente de apresentar a DCTF no prazo legal, seja pela internet, seja em disquete, seja por outro meio (por exemplo, DCTF em papel) diretamente na repartição fiscal ou por via postal com comprovação de data de postagem, pois a referida protocolização do pedido de validação da procuração não tem efeito suspensivo (não tem o condão de eximir a contribuinte de cumprir tempestivamente a obrigação acessória). Em relação à alegada culpa da RFB na demora da validadação de procuração não restou caracterizada nos autos, tanto nesta instância recursal, quanto na primeira instância de julgamento. A propósito, nessa parte adoto também, como razão decidir, a fundamentação constante do voto condutor do acórdão recorrido e que transcrevo a seguir (efls.21/22 ), in verbis: A contribuinte alega que efetuou a Solicitação de Procuração junto a Receita Federal do Brasil e que esta atrasou na validação desta procuração. De acordo com a IN RFB nº 944 de 29/05/2009 que dispõe sobre a outorga de poderes para fins de utilização, mediante certificado digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em especial o art. 3º, §3º, além do registro no sistema próprio para a validação da procuração deverão ser entregues a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador de que trata o inciso III do caput. No presente processo a contribuinte apresenta a Solicitação de Procuração da empresa outorgando poderes a Ana Maria Fioroni Zampronio, porém não apresenta provas que tenha cumprido as demais condições para ter sua procuração validada. Caberia a contribuinte, para provar que a Receita Federal do Brasil não cumpriu o prazo para validação da Procuração, apresentar as provas de que entregou os documentos necessários a validação da procuração, a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador: Art. 3º A procuração emitida por meio do aplicativo referido no art. 2º deverá ser impressa e assinada perante servidor da RFB: ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) I pelo responsável da empresa perante o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), no caso de Pessoa Jurídica; ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) Fl. 49DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 50 10 II pelo próprio contribuinte, no caso de Pessoa Física; ou ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) III por procurador constituído por procuração pública específica com poderes próprios para a realização da outorga de que trata o art. 1º.( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) § 1º Na impossibilidade de comparecimento do outorgante perante servidor da RFB, será aceita a procuração com firma reconhecida em cartório. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) § 2º Para produzir efeitos junto ao eCAC, observado o disposto no caput, a procuração deverá ser incluída no Sistema de Procurações Eletrônicas do eCAC, mediante validação a ser efetuada em uma unidade de atendimento da RFB, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de sua emissão. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) § 3º Para validação, deverão ser entregues a procuração original e cópias autenticadas dos documentos de identificação do outorgante, do outorgado e do procurador de que trata o inciso III do caput, sendo que a autenticação das cópias também poderá ser efetuada pela própria unidade de atendimento da RFB, mediante apresentação dos documentos originais. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.146, de 6 de abril de 2011 ) Não tendo comprovado que cumpriu todos os requisitos determinados pela legislação para validação de sua procuração não há como determinar que a Receita Federal foi quem ocasionou a falta do certificado digital para entrega da DCTF. Nesta instância recursal, a recorrente também não comprovou que tivesse cumprido todos os requisitos determinados pela legislação para validação de sua procuração. Logo, não há como determinar que a Receita Federal teria ocasionado a falta do certificado digital para entrega da DCTF. O ônus de fazer prova, de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito constitutivo do fisco, é do sujeito passivo. Como demonstrado, a recorrrente não tomou as devidas cautelas para apresentação tempestiva da DCTF, deixando o prazo, lapso temporal, transcorrer in albis. É cediço que responsabilidade por infração à legislação tributária é objetiva, não se perquire a razão, o motivo, da perda de prazo que implicou o cumprimento intempestivo da obrigação acessória. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 51 11 Nesse sentido, transcrevo o disposto no art. 16 do CTN, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por conseguinte, a mera perda de prazo, por si só, configurou a infração imputada. Por isso da exigência da multa percuniária objeto dos autos. DCTF. PERDA DE PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. ENTREGA ESPONTÂNEA. REDUÇÃO DA MULTA APLICADA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Exceto para os casos de empresa inativa e de empresa do Simples, a multa cominada em abstrato é de 2% (dois por cento) do somatório dos tributos e contribuições confessados na DCTF do respectivo PA, não podendo a multa ser inferior a R$ 500,00 (Lei 10.426/2002, art. 7º, II e § 3º, II), in verbis: Art. 7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) § 3ºA multa mínima a ser aplicada será de:(Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto naLei nº9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.(os grifos não são do original) (...) Fl. 51DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 52 12 No caso objeto dos autos, foi aplicada pelo fisco, em concreto, a multa pecuniária mínima de R$ 500,00. Não há previsão legal de redução da multa mínima aplicada de R$ 500,00, conforme inteligência do disposto nos §§ 2º e 3º, do art. 7º da Lei 10.426/2002, in verbis: Art. 7º (...). § 2ºObservado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Ià metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; IIa setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3ºA multa mínima a ser aplicada será de:(Vide Lei nº 11.727, de 2008) IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto naLei nº9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (os grigos não são do original) (...) DCTF. ENTREGA MENSAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. A DCTF, obrigação acessória autônoma, foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) Fl. 52DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 53 13 No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A partir da edição da IN SRF 126/1998, a DCTF passou a ser instrumento eminentemente de confissão de dívida. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) Fl. 53DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 54 14 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 3) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Fl. 54DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 55 15 . 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). A multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em Lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II e § 3º, II, da Lei nº 10.426/2002, conforme texto legal já transcrito alhures. O dispostivo legal citado é norma específica para imposição de multa pecuniária por descumprimento de obrigação acessória autônoma relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Por ter sido aplicada multa mínima de R$ 500,00 para o PA junho de 2010 (Lei 10.426/2002, art.7º, § 3º, II), incabível sua redução por vedação do § 2º desse mesmo art. 7º da Lei nº 10.426/2002, ainda que a entrega a destempo da declaração tenha sido espontânea, ou seja, antes da ciência do início do procedimentos de fiscalização, conforme já restou enfrentada essa quesão, anteriormente. A única redução de multa prevista legalmente e que a contribuinte faria jus caso não tivesse impugnado o lançamento de ofício (porém impugnou!), seria a consignada no próprio texto da Notificação de Lançamento fiscal (efl. 06), in verbis: (...) 5. INTIMAÇÃO Fica o contribuinte acima identificado INTIMADO a recolher ou impugnar no prazo de trinta dias da ciência da Notificação de Lançamento o presente crédito tributário. A impugnação deve ser dirigida ao Delegado da Receita Federakl do Brasil de sua jurisdição (...). Fl. 55DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 13891.720127/201326 Acórdão n.º 1802002.401 S1TE02 Fl. 56 16 Até o vencimento desta notificação, serão concedidas reduções de 50% para pagamento à vista ou 40% para pedidos de parcelamento formalizados neste mesmo prazo (Art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosgto de 1991, com redação pela Lei nº 11.941, de maio de 2009). (...) Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 56DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por JOS E DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10660.900362/2006-86
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/06/1999
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 10/06/1999 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 03 62 /2 00 6- 86 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 12 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo contra o acórdão julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 27 de fevereiro de 2014, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. “Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (Per) que visou à restituição de crédito de Cofins (código de arrecadação 2172) oriundo de pagamento indevido/a maior. Referido Per foi indeferido à razão de que, dadas as características do Darf ali discriminado, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição postulada. Na manifestação de inconformidade foi defendido em síntese que: a Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 determinou que a partir de 1º/02/1999, as fundações de direito privado estão isentas da Cofins sobre as receitas provenientes de suas atividades próprias; “Por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, surgindo, incontinenti, o direito de ser restituída dos valores que recolheu aos cofres públicos à título de COFINS”; “providenciou o requerimento através do PER/DCOMP número15693.47903.150703.1.2.047803) sendo surpreendida com o indeferimento do Pedido de Restituição”; “os rendimentos indevidamente tributados não se referem a ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável ou à receitas estranhas às suas atividades próprias”; Ao final, requer: alternativamente “lhe seja reconhecido e autorizado o direito de compensar o seu crédito com outros débitos de competência da Receita Federal do Brasil”; “produção de prova técnica pericial, com a finalidade de demonstrar que se trata de tributo calculado e recolhido tendo em conta as receitas provenientes de suas atividades próprias” Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 14 4 Em razão de Resolução dessa 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência, em síntese, no sentido de que fossem determinadas quais as receitas isentas da contribuinte, nos termos do § 2º do art. 47 da IN/SRF nº 247/2002. Na Informação Processual da DRFVAR/SAORT/GEDOC, em resumo, foram contextualizados os procedimentos fiscais visando ao cumprimento daquela Resolução, dentre os quais: a solicitação de esclarecimento endereçada à contribuinte a apresentar documentos/informações, bem como a insuficiência dos documentos apresentados em decorrência. Aberta a oportunidade para tanto, em face daquela Informação Processual, a contribuinte apresentou suas razões adicionais de defesa. É o relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO INDEVIDO/A MAIOR. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não comprovado documentalmente o direito creditório postulado, malgrado as oportunidades conferidas à contribuinte para esse mister, há que se manter o indeferimento operado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância, sendo injusto o indeferimento da restituição por não haver juntado as notas fiscais que embasaram o lançamento. É o sucinto relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado, determina a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. O contribuinte foi intimado, via solicitação de Esclarecimento, a fornecer nova documentação em que contasse descritivamente: 1 – Planilhas e/ou demonstrativos de apuração das receitas próprias (isentas da COFINS com base no artigo 14, inciso X, c/c o artigo 13, inciso VIII da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001) e das demais receitas, referentes aos períodos de apuração dos supostos créditos objetos das Manifestações de Inconformidades, constantes dos processos acima citados. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 16 6 2 – Cópias dos Livros Contábeis / Fiscais onde constem os lançamentos das receitas mencionadas no item “1”, acompanhados dos documentos que embasaram os lançamentos e que comprovem a natureza das referidas receitas; 3 – Maiores esclarecimentos, que entenderem necessários, para subsidiar as análises e os julgamentos. Em resposta ao solicitado, o contribuinte limitouse a colacionar os mesmos documentos e informa que não possui mais as notas fiscais pertinentes ao fato gerador objeto do pedido de restituição, por entender ser desobrigado de manter esta documentação tão logo tenha decorrido 5 anos. Em divergência do alegado a Nota Cosit nº 338/2007 estabelece que a obrigatoriedade da guarda de documentos fazse necessária até o término da decisão, conforme abaixo, parcialmente transcrito: “A Nota COSIT nº 338, de 2 de outubro de 2007, ratifica a SCI COSIT nº 11 de, 24 de julho de 2006 (...) 2.10 Quanto ao prazo estabelecido que o contribuinte tem obrigação de guardar os documentos relativos a DIRPF apresentada, não se pode olvidar a necessidade do exame dos saldos de Imposto a Restituir apurados pelo contribuinte mesmo após o prazo decadencial para o lançamento, considerando que toda restituição envolve saída de valores dos Cofres Públicos e deve, portanto, ser respaldada em procedimentos capazes de verificar a procedência ou não da respectiva restituição, e, portanto, a restituição pleiteada mediante a DIRPF deve ser pautada nos mesmos procedimentos a que estão sujeitos os demais pedidos de restituição, no sentido de que o interessado deve manter todos os documentos relativos à restituição solicitada enquanto o pedido não tiver sido analisado e decidido.”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando a documentação idônea, completa e capaz de comprovar o direito creditório alegado, devendo ser ressaltado que a delegacia de julgamento propiciou ao contribuinte oportunidade para fazêlo e o recorrente se limitou a apresentar os mesmos documentos outrora colacionados no processo. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 17 7 Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto à necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável à apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147”. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 18 8 Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficientes para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333 O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. II – ao réu, quanto à existência de fato impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Quanto ao argumento do contribuinte de que por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, entendo que esse fato não afasta o seu dever de cumprimento de obrigações acessórias. Determina o art. 14, inc. III do CTN que as entidades protegidas pela imunidade e mais ainda aquelas abrangidas pela isenção possuem o dever de: “III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Este dever implica não somente a escrituração e guarda dos livros, mas também dos documentos correspondentes que confirmem as informações contábeis registradas. Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900362/200686 Acórdão n.º 3801004.584 S3TE01 Fl. 19 9 Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005085/2002-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO, ERRO E CONTRADIÇÃO - OCORRÊNCIA.
Não constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, devem ser rejeitados os embargos de declaração, pois não há incorreções a serem sanadas.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3801-004.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar aos embargos de declaração e manter a decisão original, nos termos deste voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Não constatada a ocorrência de contradição, erro e omissão na decisão embargada, devem ser rejeitados os embargos de declaração, pois não há incorreções a serem sanadas. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar aos embargos de declaração e manter a decisão original, nos termos deste voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 50 85 /2 00 2- 15 Fl. 723DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 3801004.626 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração contra acórdão da 1ª Turma Especial da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento que teria sido omisso com relação a exclusão da base de cálculo do crédito presumido de IPI das receitas decorrentes de vendas para o exterior de produto não industrializado. Cumpre memorar que a impugnação do contribuinte foi julgada improcedente pela Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ/RPO), não reconhecendo crédito presumido de exportação de produto não tributável, não reconhecendo o crédito de aquisição de insumos de pessoas físicas, não reconhecendo a atualização monetária dos créditos pela Selic, conforme ementa colacionada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 RECEITA OPERACIONAL BRUTA. CONCEITO. No período em questão, a receita operacional bruta a ser considerada no cálculo do crédito presumido deve incluir as receitas, inclusive os comerciais. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Operação que resulta em produto nãotributável, não é considerada operação industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível a atualização monetária de valores referentes a créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência de juros de mora calculados pela taxa Selic sobre os montantes pleiteados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O recurso voluntário foi apresentado, às fls.656 a 682, tempestivamente, no qual a empresa trazia, em síntese: 1 – O conceito de receita operacional bruta, afirmando que,no seu caso, os insumos não foram industrializados, não incidindo, dessa forma, tributo; Fl. 724DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 3801004.626 S3TE01 Fl. 4 3 2 Afirma ser incabível a exclusão dos produtos não tributáveis da base de cálculo do crédito presumido de IPI; 3 Afirma que não há restrição legal para o creditamento de produto industrializado não tributado e produto industrializado tributado; 4 Afirma que o ressarcimento de IPI sobre produtos não tributados. 5 Requer que seja utilizado os valore dos insumos adquiridos de pessoas físicas como base de cálculo para crédito presumido de IPI e a atualização de correção monetária pela Selic. O julgamento da 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento foi no sentido de lhe dando provimento por meio da seguinte ementa (fls. 700 a 709): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DE VALORES DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO O cálculo da receita operacional bruta, para fins de determinação do crédito presumido deve incluir as receitas, inclusive os comerciais. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS Devese permitir o cômputo dos custos com estes insumos, tendo em vista que a Lei no 9.363/96 não vedou o direito ao crédito do contribuinte quando suas compras são realizadas por meio de cooperativas ou de pessoas físicas. O direito ao crédito regese pelo princípio da legalidade de tal modo que as Instruções Normativas no 23/97 e 103/97 restringiram indevidamente o direito a tomada de tais créditos, quando da aquisição de insumos de cooperativas e pessoas físicas. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. É pacífica a utilização da Taxa Selic para a atualização monetária. Recurso Voluntário Provido. A Fazenda Nacional, irresignada com a decisão, opôs embargos de declaração (fls. 713 a 718), alegando a ocorrência de omissão do acórdão quanto a análise da exclusão das receitas de produtos não tributados da base de cálculo do crédito presumido de IPI, informando que, por vezes o acórdão cita exclusão dos produtos não tributados sem contudo adentrar do mérito. É o relatório Fl. 725DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 3801004.626 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. A apresentação dos Embargos de Declaração é tempestiva e atende aos demais pressupostos, portanto dele tomase conhecimento. Cumpre salientar que a competência do CARF para a apreciação de Embargos de Declaração decorre dos art. 64 e art. 65 de seu Regimento Interno, os quais colaciono: PORTARIA Nº 256, DE 22 DE JUNHO DE 2009: Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração. Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão. A embargante alega que a decisão foi omissa por não ter se pronunciado quanto à análise da exclusão da base de cálculo do crédito presumido de IPI na aquisição de produto não tributado. Entendo que carece de razão a embargante, quanto à alegação de omissão, visto que o acórdão menciona expressamente quanto à exclusão das receitas de produtos não tributados da base de cálculo do crédito presumido de IPI ao se referir aos produtos destinados à exportação. Deste modo, parece ser a real intenção da embargante a revisão do julgado e não sua complementação. Colaciono trechos do acórdão atacado para fins de evidenciar o apontado: “Admitindose a restrição do direito de crédito em um caso, devese igualmente entenderse sobre a impossibilidade do surgimento de incidência sobre mesma situação. Entendo, assim, por manter a neutralidade fiscal de modo que ao se retirar de seu valor total a quantia relativa às exportações não industrializados, mas adquiridos apenas para revenda, é de se determinar, por conseqüência, a exclusão de tais vendas também do cômputo da “Receita Operacional Bruta” (...) “Entendo, pelo PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para reformar o acórdão da DRJ, especialmente para (i) determinar que assim como foram excluídos da “Receita de Exportação” os valores oriundos da revenda de produtos agrícolas (não Fl. 726DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10950.005085/200215 Acórdão n.º 3801004.626 S3TE01 Fl. 6 5 industrializados), os mesmos valores também sejam excluídos da “Receita Operacional Bruta”, para fins de apuração do percentual a ser utilizado no cálculo do crédito presumido objeto dos autos; (ii) permitir que insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas integrem o cômputo do crédito presumido de IPI, ora em análise, assim como (iii) para permitir que seja atualizado o valor do crédito cujo ressarcimento foi requerido e deferido, por meio da aplicação da Taxa SELIC, desde a data da apresentação do Pedido de Ressarcimento, nos termos acima expostos.” Os embargos de declaração não são a via adequada para a revisão de acórdãos, tendo em vista a existência de instrumento recursal correto para este requerimento, no caso o Recurso Especial. Em face do exposto, encaminho meu voto no sentido de REJEITAR os embargos de declaração apresentados. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904104/2008-46
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Renato Mothes de Moraes e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação declarada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 41 04 /2 00 8- 46 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904104/200846 Acórdão n.º 3803006.705 S3TE03 Fl. 66 2 O contribuinte havia transmitido Declaração de Compensação referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição, do período de apuração identificado na ementa supra, no valor atualizado até então de R$ 4.862,18. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a declaração de nulidade do despacho decisório, alegando que apresentara DCTF retificadora após a ciência da decisão de origem, declaração essa que, segundo ele, comprovaria o valor correto da contribuição devida no período. A DRJ São Paulo I/SP não reconheceu o direito creditório, amparandose nos seguintes fundamentos: a) falta de comprovação do crédito pleiteado; b) a retificação da DCTF promovida em data posterior à ciência do Despacho Decisório não tem o condão, por si só, de infirmar ou modificar a decisão da repartição de origem; c) “a Declaração de Compensação encerra confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, sendo defeso ao Fisco, sem que o Sujeito Passivo comprove cabalmente a ocorrência de equívocos, alterar, ex officio, as informações prestadas pelo Contribuinte”; d) “a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida”; e) “ao instruir o processo somente com cópia da DCTF Retificadora transmitida após a emissão do Despacho Decisório, o Contribuinte não demonstrou a origem do crédito”. Cientificado da decisão em 02/12/2011, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22/12/2011, requereu a homologação da compensação e repisou o argumento relativo à devida comprovação do crédito a partir da apresentação da DCTF retificadora, esta transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo violação do princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904104/200846 Acórdão n.º 3803006.705 S3TE03 Fl. 67 3 Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca de declaração de compensação não homologada por falta de comprovação do crédito pleiteado. Para justificar o direito alegado, o Recorrente se vale apenas da DCTF retificadora transmitida após a ciência do despacho decisório, argüindo que o seu não acatamento configura ofensa ao princípio da verdade material, nada trazendo aos autos que pudesse demonstrar a origem e comprovar, com documentação hábil e idônea, o crédito argüido. De acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Destaquese que nem mesmo após a Delegacia de Julgamento ter alertado o Recorrente da necessidade de comprovação do crédito pleiteado, com base em documentos hábeis e idôneos, ele se predispôs a instruir os autos com qualquer elemento de sua escrita fiscal, não tendo nem mesmo demonstrado a origem do pagamento efetuado a maior. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.904104/200846 Acórdão n.º 3803006.705 S3TE03 Fl. 68 4 Apenas a apresentação da DCTF retificadora, transmitida após a ciência do despacho decisório, desacompanhada de qualquer outro elemento de prova, inclusive sem menção à justificativa do pagamento realizado a maior, não é apta a demonstrar e comprovar o direito creditório pleiteado. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo pode ir além das provas carreadas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Nesse contexto, por ausência de prova do direito creditório pleiteado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.007194/2011-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 22/08/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 22/08/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/08/2011 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 22/08/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 71 94 /2 01 1- 55 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007194/201155 Acórdão n.º 3803006.626 S3TE03 Fl. 299 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/08/2011 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 30/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007194/201155 Acórdão n.º 3803006.626 S3TE03 Fl. 300 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007194/201155 Acórdão n.º 3803006.626 S3TE03 Fl. 301 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 304DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.007194/201155 Acórdão n.º 3803006.626 S3TE03 Fl. 302 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 306DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10907.000624/92-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 1991, 1992
FINSOCIAL. JULGAMENTO ANTERIOR ACERCA DO IRPJ SOBRE MESMO FATO GERADOR. DECORRÊNCIA PROCESSUAL.
Aplicável o fenômeno da decorrência processual, quando a decisão prolatada no processo principal (IRPJ) é do mesmo fato gerador e período relacionado ao FINSOCIAL em discussão.
Se no processo que trata do IRPJ relativo ao mesmo período de apuração, foi afastada a tributação decorrente de suposta distribuição disfarçada de lucros, não faz sentido julgar de forma diferente em relação ao FINSOCIAL decorrente do mesmo fato gerador.
Numero da decisão: 1201-001.090
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL ARAÚJO Presidente
(Assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator
EDITADO EM: 11/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Exercício: 1991, 1992 FINSOCIAL. JULGAMENTO ANTERIOR ACERCA DO IRPJ SOBRE MESMO FATO GERADOR. DECORRÊNCIA PROCESSUAL. Aplicável o fenômeno da decorrência processual, quando a decisão prolatada no processo principal (IRPJ) é do mesmo fato gerador e período relacionado ao FINSOCIAL em discussão. Se no processo que trata do IRPJ relativo ao mesmo período de apuração, foi afastada a tributação decorrente de suposta distribuição disfarçada de lucros, não faz sentido julgar de forma diferente em relação ao FINSOCIAL decorrente do mesmo fato gerador.
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JULGAMENTO ANTERIOR ACERCA DO IRPJ SOBRE MESMO FATO GERADOR. DECORRÊNCIA PROCESSUAL. Aplicável o fenômeno da decorrência processual, quando a decisão prolatada no processo principal (IRPJ) é do mesmo fato gerador e período relacionado ao FINSOCIAL em discussão. Se no processo que trata do IRPJ relativo ao mesmo período de apuração, foi afastada a tributação decorrente de suposta distribuição disfarçada de lucros, não faz sentido julgar de forma diferente em relação ao FINSOCIAL decorrente do mesmo fato gerador. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL ARAÚJO – Presidente (Assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator EDITADO EM: 11/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 06 24 /9 2- 13 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 21/ 10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARA UJO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de processo que discute a exigência de FINSOCIAL relativo ao exercício de 1991 e 1992, decorrente de suposta prática de distribuição disfarçada de lucro pela Contribuinte. Após a apresentação da impugnação, foi emitida “informação fiscal” para propor a revisão no lançamento. Em seguida, foi lavrado Auto de Infração Retificador para incluir período de apuração de 12/1990. A contribuinte apresentou impugnação e a DRJ de Curitiba julgou em 28/04/95, o lançamento procedente. Apresentado recurso voluntário, a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, deu parcial provimento ao recurso, através do acórdão nº 10318.563, para excluir da exigência a importância que exceder a aplicação da alíquota de 0,5% nos moldes do DecreLei n. 1.940/82. A contribuinte interpôs, então, Recurso Especial de Divergência á Câmara Superior de Recurso Fiscais, que seu seguimento ao recurso apenas para reconhecer a preliminar de nulidade ao auto de infração de reratificação, deixando, entretanto, de analisar oo argumento da contribuinte de que esta não era empresa exclusivamente prestadora de serviços, por considerar que houve preclusão quanto a este último argumento. Ciente desta decisão, a contribuinte apresentou Agravo de despacho para que fosse integralmente admitido o recurso de divergência. No reexame de admissibilidade a Presidente do CSRF manteve a decisão que deu seguimento ao recurso apenas no que se refere à preliminar de nulidade do segundo auto de infração lavrado e, ato seguinte, a 1ª Turma da Câmara Superior de recursos fiscais, reformou o acórdão Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e declarou a nulidade de todos os atos processuais a partir da reratificação. Retornando os autos para novo julgamento, a DRJ de Curitiba deu parcial procedência ao recurso para manter a tributação em razão da omissão de receita decorrente de suprimento de caixa e reduziu a multa de oficio para 75%, conforme previsto na Lei nº 9.430/96. O contribuinte apresentou recurso voluntário para em síntese, apresentar o argumento de que o processo decorre do auto de infração nº 10907.000621/9295 que trata de IRPJ, CSLL e IRFonte e 10907.000623/9251 de PIS, ambos já encerrados e, trazer jurisprudência sobre suprimento de caixa relativa a fatos ocorridos antes da vigência da Lei nº 9430/96 É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 21/ 10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARA UJO Processo nº 10907.000624/9213 Acórdão n.º 1201001.090 S1C2T1 Fl. 311 3 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. De fato, o que se discute no presente processo é a distribuição disfarçada de lucro em razão da conta corrente de titularidade do Sr. Mario Pinto do Nascimento relativa à soma das parcelas contabilizadas no mês de janeiro de 1990. Durante o período de fiscalização, foi verificado que ocorria retiradas e depósitos na conta do titular e estes valores foram considerados pela fiscalização como sendo retiradas de lucro. A totalidade das retiradas ou débitos em valores era destinada na conta do Sr. Mario e a fiscalização entendeu que estes valores corresponderiam à empréstimos. Entretanto, é certo que, a contribuinte não foi, à época dos fatos (1991 e 1992), intimado a apresentar prova direta da omissão destas receitas antes destas serem glosadas pelo Fisco. Sendo assim, a não comprovação e a intimação para se demonstrar a origem e a destinação dos valores não foi configurada no presente caso. Cabe neste ponto uma ressalva, a contribuinte alega que este processo está vinculado ao processo administrativo nº 10907.000621/9225 que trata de IRPJ, CSLL e IRFonte relativo ao mesmo período – exercício de 1991 e 1992. Na verdade, não foi reconhecido o pedido de julgamento conjunto deste processo e cada um seguiu de forma independente. O citado processo administrativo já encerrou e naquela ocasião, dentre outros fundamentos lá existentes, ficou afastado o entendimento de ocorrência de suprimento de caixa. Confirase: “Ementa: RECURSO DE OFÍCIO IMPROVIMENTO Negase provimento ao recurso, quando a decisão recorrida de oficio dá correta interpretação à lei aplicável aos fatos., DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS EMPRÉSTIMO A SÓCIOS Insubsiste o lançamento quando o Fisco tributa integralmente os valores lançados a débito de sócio, desconsiderando os valores lançados a crédito. PATRIMÔNIO LÍQUIDO MAJORAÇÃO INDEVIDA GLOSA DA CORREÇÃO MONETÁRIA A indevida majoração do patrimônio líquido gerada por provisão não constituída ou constituída a menor gera indevida contrapartida devedora na correção monetária da cobrança subseqüente. IR FONTE FALTA DE PROVISÃO Cancelada a exigência do IR Fonte, não pode subsistir a exigência relativa ao seu não provisionamento. Recurso de oficio improvido. Recurso voluntário provido em parte.” Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 21/ 10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARA UJO 4 Entendo que aqui se aplica o fenômeno da decorrência processual, largamente aceito neste Conselho, pelo qual devese aplicar no processo reflexo, a decisão prolatada no processo principal (IRPJ), se efetivamente decorrentes e relacionados aos mesmo fatos geradores e períodos, como é o presente caso. Assim, no que aqui importa, que é a discussão acerca da distribuição disfarçada de lucros, tendo em vista que no processo que trata do IRPJ relativo ao mesmo período de apuração, foi afastada a tributação em relação a este assunto, não faz sentido algum julgar de forma diferente em relação ao FINSOCIAL decorrente do mesmo fato gerador. Com estes fundamentos, voto por CONHECER do Recurso e no mérito DAR PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 21/ 10/2014 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARA UJO
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Numero do processo: 16327.001716/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO. REFAZIMENTO POSTERIOR DA CONTABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DOS CRITÉRIOS DA AUTUAÇÃO
O ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração retificada, porquanto o lançamento foi fundado na desclassificação escrituração por imprestável porque registrada, por partidas mensais, sem acompanhamento de livros auxiliares.
RECOLHIMENTOS EFETIVADOS APÓS A AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. PROVIDÊNCIA DA LIQUIDAÇÃO
Apesar de não acarretar a mudança do lançamento, os recolhimentos efetivados pela contribuinte após a efetivação da autuação (decorrente do apontado refazimento de sua contabilidade) devem ser considerados quando da liquidação do montante do crédito tributário devido.
MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. SÚMULAS CARF No 14, 25 e 96. APLICAÇÃO
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.
A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros.
Numero da decisão: 1301-001.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO. Ausente justificadamente os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Participaram do julgamento os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Alexandre Fernando Limiro. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Roseli Moraes Coelho OAB/SP nº 173931.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Alexandre Fernando Limiro (Suplente Convocado).
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Factoring Recorrente KAPITAL FACTORING SOC DE FOM COML LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. ARBITRAMENTO. REFAZIMENTO POSTERIOR DA CONTABILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE MUDANÇA DOS CRITÉRIOS DA AUTUAÇÃO O ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração retificada, porquanto o lançamento foi fundado na desclassificação escrituração por imprestável porque registrada, por partidas mensais, sem acompanhamento de livros auxiliares. RECOLHIMENTOS EFETIVADOS APÓS A AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. PROVIDÊNCIA DA LIQUIDAÇÃO Apesar de não acarretar a mudança do lançamento, os recolhimentos efetivados pela contribuinte após a efetivação da autuação (decorrente do apontado refazimento de sua contabilidade) devem ser considerados quando da liquidação do montante do crédito tributário devido. MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO DA PENALIDADE. SÚMULAS CARF No 14, 25 e 96. APLICAÇÃO A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 16 /2 00 7- 66 Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO AO RECURSO. Ausente justificadamente os Conselheiros Valmir Sandri e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Participaram do julgamento os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Alexandre Fernando Limiro. Fez sustentação oral pela recorrente Dra. Roseli Moraes Coelho OAB/SP nº 173931. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimarães, Joselaine Boeira Zatorre (Suplente Convocada) e Alexandre Fernando Limiro (Suplente Convocado). Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever as circunstâncias contidas nos autos, adoto o relatório apresentado pela decisão de primeira instância: Tratase de impugnação (fls. 1825 a 1839) a Auto de Infração de IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ, por RECEITA OPERACIONAL OMITIDA — OMISSÃO DE RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, de CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL, por FALTA DE RECOLHIMENTO, de CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS, por OMISSÃO DE RECEITA, e de CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS, por FALTA/INSUFICIÊNCIA DO PIS (fls. 1766 a 1798), relativo a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004, lavrado pela DEINF/SPO, em 25/09/2007. 2. O crédito tributário assim constituído foi composto pelos valores a seguir discriminados 3. Como enquadramento legal do lançamento do IRPJ, o autuante assinala os artigos 530, inciso II, 532 e 537, do RIR/99 (fls. 1767 e 1768). Para a CSLL, o artigo 22, da Le. 10.684/2003, e o artigo 37, da Lei 10.637/2002 (fl. 1776). Para o PIS, os artigos 1° e 3°, w a Lei Complementar 07/70, o artigo 24, parágrafo 2°, da Lei 9.249/95, os artigos 2°, inciso I, alínea a, e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91, do Decreto 4.527/2002 (fls. 1792 e 1793). Para a COFINS, os artigos 2°, inciso II, e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91, do Decreto 4.527/2002 (fl. 1784). 4. Como fundamento legal para a exigência de juros de mora, consigna o artigo 61, parágrafo 3°, da Lei 9.430/96 (fls. 1772, 1779, 1789 e 1797), e, para a multa de oficio de 150%, o artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, o artigo 10, parágrafo único, da Lei Complementar 70/91, o artigo 86, parágrafo 1°, da lei 7.450/85, e o artigo 2°, da Lei 7.683/88. (fls. 1772, 1779, 1789 e 1797). 5. No Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 1802 a 1814), o autuante noticia que: Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 i) não teriam sido contabilizadas, no anocalendário de 2004, as operações decorrentes de movimentações financeiras relativas às contas correntes do BANCO ITAU S/A e do BANCO BRADESCO S/A, conforme Termo de Constatação Fiscal n° 0001, de 29/05/2007(vol. IX fl. 1631), operações essas que foram discriminadas em planilhas pelo autuado (vol. I fls. 171 a 199; vol. II, vol. III, vol. IV e vol. V fls. 802 a 897), com base nos extratos bancários das contas mencionadas, em resposta à intimação da autoridade fiscal para o fornecimento da documentação hábil e idônea que desse suporte às citadas operações (vol. I fl. 165); ii) intimado (vol. IX fl. 1630), em 29/05/2007, a regularizar a escrituração contábil do ano, o autuado declarou estar impossibilitado de fazêlo, por diversos motivos (vol V fl. 1633), o que veio a ensejar a desclassificação de sua escrita contábil e o arbitramento do lucro para o anocalendário de 2004, por parte da autoridade fiscal; a disparidade constatada entre as movimentações financeiras e os registros contábeis do Razão e as declarações, DIPJ, à Receita Federal, bem como os demonstrativos feitos de operações de factoring contabilizadas e nãocontabilizadas demonstram que a escrituração contábil e a fiscal mantidas pelo autuado seriam imprestáveis para fins de determinação do lucro real; obrigado ao regime de tributação pelo lucro real, o autuado deveria manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, abrangendo todas as operações, a teor do artigo 251, do RIR/99; iii) para fins de arbitramento do lucro, foram reconhecidos como receita bruta conhecida, os valores declarados nos demonstrativos de operações de factoring elaborados pelo próprio contribuinte em atendimento a intimações (vol. 10 fl. 1816, vol. I — fls. 171 a 199, vol. II, vol. III, vol. IV e vol. V — fls. 802 a 897); essa receita omitida serviu de base, também, para a tributação reflexa de CSLL, COFINS e PIS; foram considerados, em beneficio do autuado, os pagamentos com DARF declarados em DCTF, com base nos registros dos sistemas de controle da RFB; iv) a conduta do autuado de omitir receitas de factoring e ad valorem, mantendo à margem da escrituração contábil movimentações financeiras junto ao BANCO ITAÚ e BANCO BRADESCO evidencia, ainda, artificio doloso que caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do inciso II, do artigo 957, do RIR199, tornando exigível a multa de 150%, nos termos do parágrafo 1°, do artigo 44, da Lei 9.430/96; com base nas tabelas por ele apresentadas, constatouse a existência de contratos de cessão de crédito, envolvendo duplicatas mercantis de clientes costumeiros, e sua posterior liquidação financeira, mediante recursos das contas bancárias do autuado; a conduta de declarar e recolher valores menores que o devido, de forma a impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária corresponde à conduta descrita como crime contra a ordem tributária, definido no artigo 1°, da lei 8.137/91. 6. Cientificado do lançamento em 25/09/2007 (vol IX fls. 1766, 1773, 1782 e 1791), o autuado impugnou o Auto de Infração em 24/10/2007 (vol X fl. 1825), alegando que : i) inexistiu artifício doloso pois que todas as solicitações foram atendidas desde o início do procedimento fiscal, bem como apresentados os documentos no prazo devido; ii) reconhecendo o equívoco, promoveu a regularização da escrita fiscal, apurou os tributos devidos, que se resumiriam ao PIS e COFINS, não havendo débito de IRPJ e CSLL, e junta a documentação necessária à verificação das informações prestadas, para o anocalendário de 2004: Diário Geral (vol X fls. 1849 a 2000, vol XI — fls. 2003 a 2093), Razão Analítico (vol. XI — fls. 2094 a 2199, vol. XII, fls. 2202 a 2281), Balancete de Verificação (vol. XII — fls. 2282 a 2333), Recibo de Entrega da DIPJ (vol. XII — fl. 2334), cópia da DIPJ 2005/2004 (vol. XII — fls. 2335 a 2394) e cópias dos DARF's comprobatórios do recolhimento das citadas contribuições (vol. X fls. 1840 a 1846); iii) o equívoco ocorreu na discriminação contábil interna da empresa, pelo que foram efetuados lançamentos em contas que não representavam a realidade da transação comercial, situação ora regularizada na retificação da contabilidade; Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 4 5 iv) a impossibilidade de retificação informada em resposta à intimação se deveu principalmente por não se vislumbrar ausência de lançamentos contábeis; não houve impossibilidade de regularização de contabilidade, que justificasse o arbitramento, já que o autuado entendia que a escrituração fiscal estava correta; v) a regularização da escrita foi tempestiva porque efetuada na fase de impugnação, demonstrando a correta apuração dos tributos pelo lucro real, consoante o estipulado no artigo 148, do CTN, no artigo 21, do Decretolei 1.967/82 e nos artigos 269, parágrafo 2°, e 832, do Decreto 300/99; após a regularização da escrituração não pode ser desconsiderado pela autoridade fiscal o regime de apuração obrigatoriamente adotado pelo autuado, o de lucro real, em lugar do arbitrado ou do lucro presumido; vi) não há demonstração nos autos relativa à identificação de operações de factoring nos extratos bancários; vii) assim, deverá ser desconsiderada a presunção trazida pelo lucro arbitrado, tomandose por base de cálculo dos tributos, o lucro real; viii) os princípios que regem o direito tributário devem ser observados antes de qualquer presunção de omissão de receita, devendo a autoridade fiscal atender ao da interpretação mais benéfica, contido no artigo 112, inciso II, do CTN; ix) a omissão de receita não constitui elemento suficiente para justificar o arbitramento de lucro, visto depender de aprofundamento do procedimento fiscal, e não apenas de amostragem de alguns documentos; haver omissão de receita é necessária a intenção de sonegar pagamento de imposto devido, o que não se verificou nos autos, pois, constatado o equívoco na contabilidade procedeuse à sua regularização no prazo legal; x) a teor do artigo 24, da Lei 9.249/95, no caso de omissão de receita deve ser observado o regime de tributação a que o contribuinte está vinculado; xi) do mesmo modo, deveria ser apurada a base de cálculo para fins de tributação reflexa, da CSLL, COFINS e PIS, nos termos do artigo 24, parágrafo 2°, da Lei 9.249/95, uma vez que é conhecida a atividade do autuado e seu regime de tributação; xii) o arbitramento do lucro é passível de contestação administrativa e judicial nos termos do artigo 148, do CTN, e, portanto, a decisão da autoridade fiscal deve ser revista; também não constitui modalidade de lançamento, consoante a doutrina e a jurisprudência, sendo passível de revisão em razão de apresentação de fatos concretos que elidam os fundamentos que levaram a sua aplicação; xiii) deveria o valor tributável ser trazido para patamar mais próximo da realidade econômica de lucro, levando em conta os valores apresentados pelo autuado relativos a despesas correntes, prejuízo e outros tributos; foram erroneamente considerados como receitas todos os valores relativos à diferença entre o valor pago e o valor de face dos títulos, sem considerar as substituições de título realizadas, "Operação Zero" e "Operação Desconto" e as despesas extra título, bancárias, cartoriais e outras; xiv) inexistindo a alegada omissão de receitas, estaria descaracterizado o intuito de fraude, tornando inaplicável a penalidade prevista no artigo 44, parágrafo 1°, da Lei 9.430/96; a multa seria aplicável apenas em casos comprovadamente irregulares e contrários ao direito, com prejuízo ao erário, evadindose do pagamento de tributos, o que não ocorreu nos autos; não houve qualquer intenção de omitir, sonegar ou disfarçar rendimentos passíveis de tributação; xv) além disso, a multa é excessivamente onerosa, caracterizandose como verdadeiro confisco, vedado pelo artigo 150, inciso IV, da CF; o princípio da capacidade contributiva deve ser observado, não podendo o contribuinte ser penalizado de tal forma que inviabilize a continuidade de suas atividades; não pode, ainda, a multa ser Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 utilizada como técnica de arrecadação, como tributo disfarçado de penalidade; no caso de ser cabível, o percentual deveria se limitar ao contido no artigo 59, da Lei 8.383/91, devendo, ainda, ser considerado o princípio da aplicação de lei mais benéfica, a teor do artigo 112, do CTN; xvi) o autuado foi injustificadamente enquadrado no artigo 1°, da Lei 8.137/90, alegandose a prática de crime contra a ordem tributária, o que não ocorreu; xvii) com base no exposto, requer o acolhimento da escrituração contábil regularizada tempestivamente, do regime de lucro real para tributação, e dos valores apurados e recolhidos, consoante os documentos anexados; seja reconhecida a inexistência de omissão de receita, com a exclusão do lucro arbitrado; subsidiariamente, seja acolhida a manutenção do regime de tributação de lucro real para a omissão de receita, com dedução das despesas mencionadas para se alcançar a verdade material; requer, também, a exclusão da multa de 150%, ou, subsidiariamente, a redução para o percentual de 20%, nos termos do artigo 59, da Lei 8.383/91; requer sejam restituídos os valores pagos equivocadamente de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2004, em razão da regularização levada a efeito da contabilidade, para fins da compensação prevista no artigo 74, da Lei 9.430/96 e 891, do Decreto 3000/99; pleiteia, por fim, a realização de perícia contábil se necessária for, designando perito e, posteriormente, quesitos. 7. Em razão dos fatos que ensejaram o presente lançamento, a autoridade fiscal também formulou Representação Fiscal para Fins Penais, cujo processo, de n° 163 .101717/200719, foi anexado ao presente processo. A partir da análise dessas considerações de defesa, entendeu a douta 8a Turma da DRJ de São Paulo I pela PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO, destacando de seu acórdão os seguintes fundamentos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. PERÍCIA CONTÁBIL. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia quando o contribuinte não apresenta os motivos que o justifiquem, sendo, ainda, tal providência desnecessária na situação em que o processo está suficientemente instruído para a formação da convicção do julgador. REGULARIZAÇÃO DE ESCRITA FISCAL NA FASE DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DO LANÇAMENTO, POR ARBITRAMENTO, PARA LUCRO REAL. Nos casos em que a escrita fiscal é insuficiente para a identificação da movimentação financeira e para a determinação do lucro real, tornase obrigatório o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, por força de expresso comando legal, e, assim, levado a efeito, tal regime opera de forma definitiva. A entrega de nova escrituração pelo contribuinte na fase de impugnação não lhe confere direito a obter na instância de julgamento a alteração daquele regime. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DISSEMELHANÇA COM A VALORAÇÃO DE BEM OU SERVIÇO. O arbitramento do lucro da pessoa jurídica produz estimativa do resultado de todas as transações do exercício, distinguindose tal procedimento do mero arbitramento do valor de umbem ou serviço específico, este, sim, comportando a avaliação contraditória, administrativa e judicial, prevista no artigo 148, do CTN, e regulado, entre outros, pelo artigo 124, do RIR/99. Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 5 7 SONEGAÇÃO. ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. NÃO ELISÃO DA ILICITUDE. O fato de o contribuinte atender a intimações da autoridade fiscal na fase de fiscalização não elide a ilicitude da conduta praticada em momento anterior, quando, de forma intencional, deixou de declarar, no transcorrer de todo o anocalendário, receitas de factoring geradoras de movimentações financeiras em valores elevados, impedindo o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência de fatos geradores de obrigações tributárias. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE. AGRAVADA. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A contestação direcionada a pretenso defeito de comando legal que fixa penalidade em percentual agravado, compõe matéria cuja apreciação foge à competência das autoridades julgadoras administrativas, às quais cabe aplicar a lei aos casos concretos, sem deterem poderes para afastála, o que é prerrogativa do Poder Judiciário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Aplicamse aos lançamentos dos tributos reflexos as normas fiscais de regência do lançamento do IRPJ, no que cabíveis. Lançamento Procedente Regularmente intimada, pela contribuinte foi então interposto o seu competente Recurso Voluntário, pretendendo a reforma integral da decisão de origem, e, por conseqüência, a completa desconstituição do lançamento, aduzindo, para tanto, o seguinte: Preliminarmente, destaca a inexigibilidade do arrolamento de bens para fins de processamento de seu Recurso Voluntário, nos termos definidos no julgamento da ADIN 19767 pelo Colendo STF. Além disso, aponta também a necessidade de suspensão dos procedimentos de cobrança e da Representação Fiscal para fins Penais, tendo em vista que, a teor do que aponta o Art. 33 do Decreto 70.235/72, a interposição do Recurso Voluntário importa em concessão de seu efeito suspensivo. Da nulidade do Acórdão exarado pela DRJ, tendo em vista o “pungente cerceamento do direito de defesa”, tendo em vista que, segundo aponta, não teriam sido analisados pela Delegacia de Julgamento, todos os argumentos apresentados pela defesa. O acórdão de julgamento de primeira instância teria ferido a Lei e a Constituição – segundo a recorrente – por ter “deixado de apreciar os tópicos da impugnação”, especificamente no que aponta: a) Ausência de manifestação no julgado sobre o pagamento dos tributos apurados e apresentação de nova escrituração fiscal A recorrente afirma que, após ser “surpreendida” com as autuações fiscais do IRPJ, CSLL, PIS/COFINS, refez toda a sua contabilidade, apurando e recolhendo todos os montantes de tributos devidos, o que não foi considerado pela decisão, sequer, para promover o eventual abatimento do total contido na autuação fiscal. b) Ausência de manifestação no julgado sobre a DIPJ retificadora Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 Ao revisar a sua contabilidade, foi então apresentada a respectiva DIPJ retificadora, (em 23/10/2007), o que não foi apreciado pela decisão de primeira instância, simplesmente por apontar a inexistência de previsão legal para esse procedimento. Que inexistindo impedimento legal que impeça à contribuinte o refazimento de seus cálculos, não pode a ela ser negada a possibilidade, inclusive após a instauração do procedimento fiscal, nos termos, inclusive, expressamente admitidos pelo Art. 833 do RIR/99 e do Art. 148 do CTN. Cita precedente do CARF (Processo 10425.00781/200356, Acórdão 10322.047, Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, Sessão de 10/08/2005). Que, a par dessas considerações, fazse necessária a realização de perícia contábil, tendo em vista que, promovendose a contribuinte a retificação de seus registros, somente com uma nova e profunda análise de sua contabilidade é que se poderia apontar eventuais erros ou equívocos que pudessem, assim, sustentar a autuação pretendida. Que o indeferimento, pela Corte de origem, da realização dessa prova, afronta os princípios da legalidade, contraditório e ampla defesa. No mérito, sustenta a recorrente a validade de sua nova escrita contábil, sendo nula a decisão de primeira instância que, sobre ela, não teria tecido uma única consideração sequer.. A modificação por ela perpetrada não teria “modificado” o seu regime de tributação, mas sim apenas teria corrigido os equívocos até então existentes. Sustenta que, ao contrário do considerado pela decisão recorrida, a contribuinte em momento algum teria “confessado” ou “reconhecido” a regularidade da autuação, tendo, ao revés, insistentemente pretendido a análise de sua nova contabilidade para a comprovação de total invalidade do lançamento efetivado. Em face dessas considerações, a contribuinte se vê, ainda, prejudicada em seu direito de contraporse ao julgado apontado, reiterando, então, todas as considerações antes apresentadas em sua impugnação (antes aqui, inclusive, especificamente apontadas), e requerendo, assim, a revisão da decisão recorrida, e, conseqüentemente, a completa desconstituição do lançamento efetivado. Destaca, em tópicos, a reiteração dos seguintes apontamentos: a) Da desconsideração do Lucro arbitrado Que a contribuinte seria tributada com base no lucro real, sendo indevida a manutenção, pela decisão recorrida, da apuração dos tributos devidos com base no lucro arbitrado. Que – in verbis , “após a regularização da escrita fiscal, deixou de existir o fundamento para o arbitramento do lucro, composto nas autuações fiscais, visto que a nova contabilidade se mostra apta a verificação correta de todas as movimentações fianceiras”. Além disso, O montante apurado como receita bruta conhecida, deve ser rigorosa o suficiente para, no mínimo, aproximarse da realidade da hipótese de incidência tributária, para isto, deve ser identificada por amostragem sobre a receita declarada, mesmo em caso de desconstituição da escrita fiscal, e não simplesmente fazerse uma conta de mais e menos, consoante se verifica no anexo I do Termo de Verificação de Infração Fiscal. Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 6 9 Assim, errado o entendimento do julgador, ao considerar correto o arbitramento do lucro com base em receitas fictícias, caracterizando efetiva penalidade, e exorbitando a capacidade contributiva do recorrente, tornando ilegal a exigência tributária. b) Da aplicabilidade do regime de tributação da recorrente: Lucro Real Considerando que a contribuinte teria apresentado a nova escrituração, deveria, então, ser aqui considerada a sua forma regular de tributação, que é a de tributação pelo Lucro Real. c) Equivocada manutenção do entendimento de omissão de receita Que, no presente feito, inexiste qualquer comprovação de que a atuação da contribuinte teria sido realizada com qualquer pretensão de fraude. A recorrente apresentou escrituração fiscal correta, retificando os equívocos identificados, mesmo que após a instauração do procedimento fiscal, situação que não é vedada no ordenamento jurídico. d) Impropriedade da multa agravada Que os argumentos contidos no acórdão combatido não trazem motivação suficiente para manutenção da multa na forma qualificada, aplicada percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), pois, simplesmente fundamentou que tal percentual se encontra descrito na lei. Não existe nos autos do procedimento fiscal, qualquer atitude ou intenção de omitir receita, ou eximirse de qualquer obrigação tributária, tendo apresentado toda a documentação solicitada pelo agente fiscalizador, fato este que, diferente do entendimento do julgador, caracteriza sim, a boafé da recorrente, e desautoriza a aplicação da multa em seu percentual máximo. Por essas razões, requer a desqualificação da penalidade aplicada. e) Do princípio da capacidade contributiva Que o total dos tributos constantes das autuações fiscais impugnadas ultrapassa, em muito, a capacidade contributiva da empresa recorrente, absorvendo a totalidade de seu patrimônio líquido, caracterizando verdadeiro confisco, nos termos do artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Por todas essas razões, requer então que seja dado provimento ao recurso interposto, por ser justo e devido. Vindo o feito à apreciação na sessão do dia 25 de maio de 2011, na 2a Turma Ordinária desta 3a Câmara, sob a relatoria da ilustre Conselheira Dra. LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, concluiuse, naquela oportunidade, pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, tendo em vista a necessidade de análise e manifestação, pelos agentes da fiscalização, a respeito dos documentos juntados aos Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 10 autos pela contribuinte e, segundo ela, até então não analisados, o que então, por meio da Resolução 1302000.081, foi assim especificamente determinado: “Voto portanto por converter o julgamento em diligência e solicito à autoridade preparadora por favor que tome as seguintes providências. 1 – Relacione, em planilha, os valores totais declarados pela contribuinte em sua DIPJ ou contabilidade original a título de receitas passíveis de tributação, por período base, referenciando ao lado as folhas deste processo onde essas informações ficam evidentes. 2 – Relacione, em planilha, os valores totais declarados pela contribuinte em sua nova contabilidade e DIPJ retificadora a título de receitas passíveis de tributação, por período base, referenciando ao lado as folhas deste processo onde essas informações ficam evidentes. 3 – Relacione ainda em planilha os valores totais de receita objeto de tributação pelo lucro arbitrado, por período de apuração, referenciando ao lado as folhas deste processo onde as informações que formam base para o cômputo dessa receita ficam evidentes. 4 – Acuse em planilha a diferença entre os valores totais de receita apurados conforme 3 e conforme 2. 5 – Relacione em planilha o valor dos tributos efetivamente pagos relacionados ao anocalendário de 2004 após o lançamento fiscal, descrevendo data do pagamento, código de pagamento, tributo, valor principal, juros e multa, computando o valor residual do lançamento fiscal após a imputação desses pagamentos. 6 – Intime a contribuinte para que tome ciência dos documentos acostados ao processo conforme providências 1 a 5. 7 – Conceda prazo de trinta dias para a contribuinte apresentar por escrito suas considerações sobre os documentos 1 a 5 e suas explicações, com base nas informações presentes neste processo, acerca das diferenças 4. A contribuinte deve explicar de forma específica e analítica por período de apuração porque entende que a receita considerada pela autoridade fiscal não é efetivamente receita tributável, com base nos documentos constantes deste processo. 8 – Após esse prazo, acoste eventual manifestação expressa da contribuinte a este processo para que posteriormente o processo seja encaminhado a este Conselho visando prosseguir o julgamento.” Baixados os autos ao órgão preparador, foi então promovida a diligência determinada, promovendose a análise dos documentos e apresentando as seguintes respostas aos quesitos apresentados: 1) "Relacione, em planilha, os valores totais declarados pelo contribuinte em sua DIPJ ou contabilidade original a titulo de receitas passíveis de tributação por período base, referenciando ao lado as folhas .deste processo onde essas informações ficam evidentes. Resp: Os valores totais declarados pelo contribuinte, em sua contabilidade original, a titulo de receitas passíveis de tributação, por período base, estão descritos na tabela constante do ANEXO I. Estas informações constam do RAZÃO (FLS.60 e 61); e DIPJ (FLS.1685). Os valores totalizados mensalmente correspondem às compras dos títulos descritos às pág. 76 a 151: Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 7 11 2) Relacione, em planilha, os valores totais declarados pelo contribuinte em sua nova contabilidade e DIPJ retificadora a titulo de receitas passíveis de tributação, por período base, referenciando ao lado as folhas deste processo onde essas informações ficam evidentes. Resp: Os valores totais declarados pelo contribuinte, em sua contabilidade após a retificação da DIP], a titulo de receitas passíveis de tributação, por período base, estão descritas na tabela constante do ANEXO II. Estas informações constam do RAZÃO (FLS.2276 a 2278); BALANCETE DE VERIFICAÇÃO (FLS.2333) e DIP.] (FLS.2339). 3) Relacione ainda em planilha os valores totais de receita objeto de tributação pelo lucro arbitrado, por período de apuração, referenciando ao lado as folhas deste processo onde as informações que formam base para o cômputo dessa receita ficam evidentes. Resp: Ver ANEXO III 4) Acuse em planilha a diferença entre os valores totais de receita apurados, conforme 3 e conforme 2. Resp: Ver ANEXO IV 5) Relacione em planilha o valor dos tributos efetivamente pagos relacionados ao anocalendário de 2004 após o lançamento fiscal, descrevendo data do pagamento, código de pagamento, tributo, valor principal, juros e multa, computando o valor residual do lançamento fiscal após a imputação desses pagamentos. Resp: Ver ANEXO V 6) Intime o contribuinte para que tome ciência dos documentos acostados ao processo, conforme providências 1 a 5. 7) Conceda prazo de trinta dias para o contribuinte apresentar por escrito suas considerações sobre os documentos 1 a 5 e suas explicações, com base nas informações presentes neste processo, acerca das diferenças. A contribuinte deve explicar de forma especifica e analítica por período de apuração, porque entende que a receita considerada pela autoridade fiscal não é efetivamente receita tributável, com base nos documentos constantes deste processo. Intimada a contribuinte dos atos apontados, por ela então foi apresentada petição (fls. 2504 e seguintes), destacando o seguinte: Que os valores descritos no ANEXO II estão equivocados, pois não apresentam a realidade da receita declarada, conforme descrita no Diário Geral de fls. 1849 a 2088 (lançamento de encerramento fl. 2088); Razão Analítico de fls. 2094 a 2281 (lançamento de encerramento fls. 2276 a 2278); Balancetes de Verificação de fls. 2282 a 2333 (conta 4.1.1.001, fl. 2333); e DIPJ retificadora de fls. 2334 a 2394 (demonstração do resultado fl. 2339). Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 12 A partir daí, passa a analisar operações específicas, apontando que os valores apontados não representavam receitas, pois corresponderiam a substituições e negociações de títulos, cujos registros já constavam antes da contabilidade e, por isso, já teriam sido regularmente tributados. Diante dos esclarecimentos e demonstrações que apresenta, considera que o montante apurado pela autoridade não constitui receita tributável, pois partiu de valores de face em duplicidade. O valor correto dos títulos negociados, substituídos e renegociados, estão devidamente descritos no Diário Geral de fls. 1849 a 2088; Razão Analítico de fls. 2094 a 2281; Balancetes de Verificação de fls. 2282 a 2333. Que em face de toda a documentação anexada ao procedimento fiscal a autoridade tinha todos os elementos para ao menos aproximar o lucro arbitrado da realidade, desconsiderando o valor de face das operações onde o valor pago é igual a R$ 0,00 ou negativo (fls. 171 a 897), tendo por elementos os documento s . relativos as amostragens solicitadas. Este é o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 8 13 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. Tratase, no presente feito, de oposição apresentada pela contribuinte contra o agir dos agentes da fiscalização fazendária que, analisando os seus registros contábeis, constataram a nãocontabilização das movimentações financeiras nas contas mantidas nos bancos ITAÚ e BRADESCO, o que teria então importado na apuração dos montantes devidos a partir da sistemática do Arbitramento da Receita, e, com isso, lavrado o auto de infração respectivo. A contribuinte, conforme apontado, em sua impugnação, apresenta então o “refazimento” de sua contabilidade – promovida após o recebimento do auto de infração , sustentando então, a partir daí, a invalidade da aplicação do arbitramento, tendo em vista que já teria então regularmente “sanado” todos os vícios e equívocos anteriormente cometidos, requerendo, assim, a desconstituição do lançamento. Em inicial análise das circunstâncias de fato constantes no presente processo, a ilustre Sra. Relatora originária do feito, Dra. Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, entendeu por bem a conversão do julgamento em diligência, para que a fiscalização então promovesse a análise dos documentos apresentados após a impugnação – inicialmente não promovido pela DRJ , evitando, assim, eventual cerceamento ao direito de defesa. Pois bem. Inicialmente, conforme se verifica nos autos, apresentase efetivamente inconteste que, quando da efetivação da fiscalização originária, os livros contábeis da contribuinte não continham os regulares e necessários registros em relação às movimentações financeiras, nem tampouco por ela havia sido então, até aquele momento, promovido a apuração de qualquer tributo incidente sobre as operações ali então expressadas, o que, de fato, somente fora efetivamente realizado após a lavratura do auto de infração. Em primeiro lugar, relevante destacar que, conforme apontado nos autos, a contribuinte, ao pretender, após a lavratura do Auto de Infração, a “retificação” de seus registros contábeis, na verdade, confirma e reconhece o apontamento inicialmente realizado pelos agentes fiscais a respeito da imprestabilidade da contabilidade quando da análise realizada, o que, por si só, já se mostra – ao meu ver – completamente regular para a verificação da regularidade do lançamento promovido por meio da sistemática do Arbitramento dos Lucros. A respeito deste ponto, relevante as considerações trazidas pela r. decisão de primeira instância que, analisando a pretensão de retificação dos procedimentos pela contribuinte após a lavratura do auto de infração, assim, inclusive, especificamente destacou: Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 14 12. Ora, exsurge, de plano, das explicações apresentadas com respeito à questão de regularização de sua escrita fiscal na fase de impugnação, que o autuado incorre em manifesta contradição ao dizer que a escrituração estava correta, ao mesmo tempo em que reconhecia a necessidade de regularização. Se correta estivesse, não mereceria correção. A regularização mostrouse tão impositiva, em razão da intimação da autoridade fiscal e dos fatos apurados pelo próprio autuado, que o levou a apresentar nova versão do Diário Geral (vol 10 fls. 1849 a 2000, vol 11 — fls. 2003 a 2093), do Razão Analítico (vol. 11 — fls. 2094 a 2199, vol. 12, fls. 2202 a 2281), dos Balancetes de Verificação (vol. 12 — fls. 2282 a 23333), e da DIPJ 2005/2004 retificadora (vol. 12 — fls. 2335 a 2394). Ele próprio confessa na peça irresignatória que "constatada a incorreção, após análise minuciosa dos livros contábeis, a impugnante reconheceu o equívoco e promoveu a regularização de sua escrita contábil..." (fl. 1827) e que "por equívoco na discriminação contábil interna da empresa, eram efetuados lançamentos em contas que não representavam a realidade da transação comercial, situação regularizada na retificação da contabilidade..." (fl. 1828). 13. Se esse é o fato, e incontroverso, pois pelo próprio autuado reconhecido, não paira dúvida quanto à legitimidade do arbitramento do lucro, tendo em conta que o recurso ao arbitramento impõese à autoridade fiscal por força do disposto no artigo 47, da Lei 8.981/95, a seguir reproduzido, repetido no artigo 530, do RIR/99, quando a escrituração do contribuinte contém deficiências que a tomam imprestável para se identificar a movimentação financeira e se determinar o lucro real da pessoa jurídica. (Destaques nossos) Essa é, objetivamente, a questão tratada nestes autos. Toda a discussão empreendida pela contribuinte, conforme se verifica, assentase no fato de que, com o refazimento de sua contabilidade, não poderia ser mantido o lançamento por arbitramento, da forma como promovido pela decisão de primeira instância, devendo, assim, ser reconhecida a “nulidade” do lançamento. A respeito da pretensa “nulidade”, não há o que se admitir nos presentes autos, sobretudo porque, tratandose de correções promovidas pela contribuinte a posteriori, sua eventual admissão não afetaria, absolutamente, a validade da autuação promovida. Aliás, pelo contrário. A necessidade da “retificação” ou “refazimento” da contabilidade da contribuinte, na verdade, apenas confirma a correção da análise dos agentes fiscais que apontavam que a contribuinte, apesar de regularmente intimada para tanto, não teria promovido a identificação, ao tempo e modo devido, da origem e natureza dos recursos mantidos nas contas bancárias mencionadas. Penso que essa consideração, por si só, já se mostra suficiente para a manutenção do lançamento. A questão, então, a ser aqui considerada, penso, diz respeito à possibilidade de sua modificação, sobretudo, em face dos “ajustes” promovidos pela contribuinte após a formalização do ato. Em que pese todo o esforço da contribuinte, ora recorrente, entendo que o dever de manutenção da regular contabilidade é procedimento que se impõe a todos os contribuintes, não sendo lícita a sua efetivação somente após a realização de fiscalização que assim o descortine. Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 9 15 O arbitramento dos lucros, e, no caso, a consideração da omissão de receitas, são conseqüências da aplicação direta das disposições dos artigos 530 do RIR/99 e também do Art. 42 da Lei 9.430/96, sendo, a esse respeito, aqui então relevante o seu destaque. Vejamos: Decreto 3.000/99 (RIR/99) Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. Lei 9.430/96 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 16 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Ora, considerando que, comparecendo os agentes fiscais no estabelecimento da contribuinte, promovendo a regular intimação para que ela então apresentasse explicações e os regulares registros relativos aos movimentos mantidos nas contas bancárias por ela mantidas (especificamente Bancos Itaú e Bradesco), não tendo sido por ela atendido, regular se mostra a efetivação do lançamento por arbitramento. A oposição, pela via da impugnação, somente seria admissível para a comprovação de inobservância, pelos agentes da fiscalização, dos critérios então legalmente estabelecidos para a aplicação do Lançamento por Arbitramento, o que, nos presentes autos, efetivamente não se verifica. A oposição da contribuinterecorrente, insistase nesse ponto, limitase a indicar o refazimento de sua contabilidade após a efetivação do lançamento, o que, penso, não pode ser admitido para a configuração de erro ou falha no auto de infração lavrado. Aliás, nesse sentido, assim se orienta a jurisprudência desta Corte Administrativa, conforme, inclusive, podese aqui destacar a partir do seguinte excerto: Número do Processo 10140.002546/200143 Contribuinte BUSATTO & BASTOS LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 10/09/2003 Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 10 17 Relator(a) Kazuki Shiobara Nº Acórdão 10194346 Tributo / Matéria IRPJ auto eletrônico (exceto glosa de comp.prej./LI) Decisão Por maioria de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os ConselheirosValmir Sandri e Edison Pereira Rodrigues que votavam por converter o julgamento em diligência. Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Inocorre o alegado cerceamento do direito de defesa quando a fiscalização, na fase de auditoria demonstra de forma cabal a imprestabilidade da escrituração contábil, e intima reiteradamente (seis vezes) o sujeito passivo para prestar esclarecimentos sobre as irregularidades apuradas, mas o sujeito passivo não apresentou qualquer esclarecimento. Os livros retificados e documentos apresentados após seis meses depois de expirado o prazo de impugnação não altera o lançamento original porque a declaração apresentada não foi e nem será alterada porque o sujeito passivo não tem direito à espontaneidade assegurada pela legislação vigente. IRPJ. LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO DE LUCRO. IMPRESTABILIDADE DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. A escrituração contábil, por partidas mensais, sem registro de livros auxiliares, não pode ser aceita como prova idônea para apuração dos resultados no exercício e impõe desclassificação da escrituração contábil. A comprovação de que as receitas declaradas perante o Fisco Estadual é maior do que as constantes da escrituração contábil e que os valores correspondentes aos lucros acumulados e correção monetária de capital escriturado no livro Diário são diferentes dos utilizados para aumento de Capital Social, devidamente registrado na Junta Comercial, servem como provas subsidiárias para firmar convicção sobre a imprestabilidade da escrituração contábil. IRPJ. ARBITRAMENTO DE LUCRO. LANÇAMENTO CONDICIONAL. Inexistindo arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração retificada, porquanto o lançamento foi fundado na desclassificação escrituração por imprestável porque registrada, por partidas mensais, sem acompanhamento de livros auxiliares. LANÇAMENTO REFLEXIVO. O decidido no lançamento principal estendese aos demais lançamentos reflexivos, face à relação de causa e efeito que vincula um ao outro. Negado provimento ao recurso voluntário. (Grifo e destaque nosso) A determinação da diligência, por força da Resolução no 1302000.081, não possui o condão de admitir as razões da contribuinte. Para que pudessem ser consideradas, deveriam as “retificações” ter sido apresentadas ainda na fase fiscalizatória, ou ainda, aqui deveriam se relacionar a falhas nos procedimentos adotados pelos agentes fiscais, o que, por sua vez, efetivamente não se verifica. Em face dessas considerações, entendo como impossibilitada a pretensão expressa pela contribuinte no sentido de admitir a sua “nova contabilidade”, apresentada nos autos apenas quando da apresentação de sua impugnação, para, de qualquer forma, considerar como inválidos os procedimentos dos agentes da fiscalização, sobretudo porque, conforme se verifica, não existe nos autos qualquer apontamento a respeito da invalidade dos procedimentos adotados pelos respectivos agentes lançadores. Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 18 Com essas considerações, entendo que não assiste razão à recorrente, não se podendo aqui desconsiderar a completa imprestabilidade da contabilidade da contribuinte – especificamente em relação à inexistência de registros relativos às contas bancárias apontadas , não se admitindo, assim, a desconstituição do lançamento da forma como pretendida. Os novos registros apresentados, e, sobretudo, os recolhimentos ulteriormente efetivados pela contribuinte a título de tributos incidentes sobre a dita operação, entretanto, deverão ser considerados quando da eventual cobrança de valores devidos, após o encerramento do presente feito, promovendose, especificamente, as respectivas deduções aplicáveis na espécie. Da qualificação da multa de ofício A par das considerações apresentadas, a respeito da impossibilidade de admissão dos argumentos da contribuinte para a desconstituição do lançamento efetivado, relevante aqui ainda destacar a específica abordagem por ela apresentada em relação à invalidade da aplicação da multa qualificada. Isso porque, conforme se verifica, tratase de lançamento efetivado com base no arbitramento dos lucros, especificamente relacionados à ausência de contabilização, pela contribuinte, das movimentações bancárias contidas nas Contas dos bancos Itaú e Bradesco. Em que pese considerarmos inadmissível a desconstituição do lançamento após a lavratura do auto de infração, importante destacar que, no caso, estáse no campo exclusivo e específico da aplicação da “presunção de receita”, conforme, inclusive, especificamente apontado pelas disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, sendo certo que, em relação à aplicação da qualificadora da multa nestas hipóteses, este Conselho já pacificou o seu entendimento, vazado, atualmente, nas disposições da Súmula CARF no 14, que, a esse respeito, inclusive, assim especificamente pontifica: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Na mesma linha, aponta s Súmula CARF no 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Também nesse sentido, destacamse as disposições da Súmula CARF nº 96, vejamos: Súmula CARF nº 96: Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 16327.001716/200766 Acórdão n.º 1301001.699 S1C3T1 Fl. 11 19 A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. No caso dos autos, a aplicação do arbitramento decorre, especificamente, da ausência de contabilização, pela contribuinte, dos valores movimentados nas contas bancárias apontadas, o que, ao nosso ver, não caracteriza a materialização de nenhuma das hipóteses contidas nos Art. 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64, o que impõe, portanto, o necessário reconhecimento da invalidade da aplicação da multa qualificada, determinando então a sua redução ao patamar regular de 75% (setenta e cinco por cento). Conclusão Em face de todo o exposto, encaminho o meu voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário da contribuinte, reconhecendo, especificamente, a ausência de fundamento para a aplicação da multa qualificada, determinando, então, a sua redução de 150% para 75%, mantendo a autuação em todas as suas demais disposições, nos termos aqui então apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 27/11/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/11/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.722535/2011-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2008
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
Tratando-se de crédito bancários cujo histórico (cobrança) identifica cabalmente a origem dos recursos depositados (vendas a prazo), aplica-se ao caso o tratamento previsto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2008 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. Tratando-se de crédito bancários cujo histórico (cobrança) identifica cabalmente a origem dos recursos depositados (vendas a prazo), aplica-se ao caso o tratamento previsto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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CAMPOS ANACLETO COUROS EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2008 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Tratandose de crédito bancários cujo histórico (“cobrança”) identifica cabalmente a origem dos recursos depositados (vendas a prazo), aplicase ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 25 35 /2 01 1- 11 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 678 2 caso o tratamento previsto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 480488, com a exigência do crédito tributário no valor de R$17.802,87, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao período de janeiro a junho do anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada [...]. Art. 5º da Lei n°9.317/96 c/c art. 3º da Lei n° 9.732/98.; Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Arts. 186 e 188 do RIR/99. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 679 3 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 489492 com a exigência do crédito tributário no valor de R$12.849,52 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada [...] Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar n° 7/70 c/c art.1º, parágrafo único da Lei Complementar n° 17/73 e arts. 2° , inciso I, 3° e 9º, da Medida Provisória n° l.249/95 e suas reedições; art. 5° da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 3° da Lei n° 9.732/98. III – O Auto de Infração às fls. 494500 com a exigência do crédito tributário no valor de R$17.802,87a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, [...] Art. 1º da Lei n°7.689/88; art. 5º da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 3º da Lei n° 9.732/98. IV – O Auto de Infração às fls. 501507 com a exigência do crédito tributário no valor de R$53.324,02 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, [...] Art. 1º da Lei Complementar n° 70/91; art. 5º da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n° 9.430/96; art. 3º da Lei n° 9.732/98. V O Auto de Infração às fls. 508514 com a exigência do crédito tributário no valor de R$152.669,21 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Falta/insuficiência de recolhimento apurada, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, [...] Fl. 679DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 680 4 Art. 5º da Lei n° 9.317/96; Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Art. 3º da Lei n° 9.732/98. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 524530, com as alegações abaixo sintetizadas. Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal e suscita que: 01. A Impugnante é contribuinte que prima pelo rigoroso cumprimento de todos os seus deveres legais, sobremodo aqueles relacionados às questões fiscais. 02. Devido ao estreito relacionamento pessoal que o titular da Impugnante mantinha com os titulares de outras empresas, estas, aproveitandose da reputação e do crédito que a Impugnante tinha junto a instituições financeiras, procediam o desconto de suas duplicatas por intermédio da Impugnante que, depois do desconto, realizava o repasse dos valores líquidos descontados àquelas empresas. 03. Embora a Impugnante tenha colaborado com a fiscalização da melhor forma possível, apresentando todos os esclarecimentos solicitados e cópias de contratos, extratos bancários, borderôs de desconto de duplicatas, e demais documentos que comprovavam a licitude de seus atos, a d. Fiscalização, precipitadamente, interpretou que os créditos em conta bancária da Impugnante, advindo dos referidos descontos de duplicatas, caracterizaria omissão de receitas, com base no art. 42 da Lei nº 9430/1996. 04. Destarte, foram lavrados Autos de Infração exigindo o pagamento da importância de R$254.448,48 (duzentos e cinquenta e quatro mil, quatrocentos e quarenta e oito reais e quarenta e oito centavos), a título de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte SIMPLES, cujos Autos de Infração integram o presente Processo Administrativo Fiscal; e a importância de R$86.744,05 (oitenta e seis mil, setecentos e quarenta e quatro reais, e cinco centavos), a título de IRPJ, CSLL, COFINS, e PIS, cujos Autos de Infração constante do Processo Administrativo Fiscal n9 10950.722534/201176. 05. Assim, sem se despir da venia devida à atividade fiscal, a Impugnante ousa discordar das conclusões vazadas na presente medida, razão pela qual pretende demonstrar nas linhas seguintes, em homenagem ao princípio do contraditório e à máxima da justiça, que a referida exação fiscal, além de se revestir da incontornável arbitrariedade, distanciase da realidade fática e jurídica aplicável ao caso, o que lhe conferiu ensejo à interposição da presente impugnação, pautadas nas razões a seguir colacionadas. 06. Como já mencionado, a d. Fiscalização adotou como argumento basilar para a lavratura dos Autos de Infração, ora combatidos, a presunção prescrita no art. 42 da Lei 9.430/96, [...]. 07. Conforme se denota, a presunção iuris tantum introduzida pelo permissivo citado aplicase tãosomente nos casos em que o Contribuinte, após regularmente intimado, deixar de esclarecer e comprovar a origem dos recursos financeiros mantidos em instituições financeiras. 08. Ocorre que, ao contrário do que pretende fazer parecer a d. Fiscalização, no caso em tela, a Impugnante não se absteve de esclarecer e comprovar as origens dos recursos financeiros em comento, tendo, para tanto, apresentado todos os documentos pertinentes, não sendo, portanto, aplicável a presunção legal supracitada. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 681 5 09. Como mencionado anteriormente, a Impugnante apresentou borderôs e cópias das duplicatas emitidas por outras empresas, cujos proprietários eram ou poderiam vir a ser parceiros comerciais. Tais documentos comprovam efetivamente as operações por ela realizadas, no entanto, a d. Fiscalização os desconsiderou, levantando hipóteses que não prosperam, conforme os esclarecimentos adiante descortinados. 10. Primeiramente, a d. Fiscalização aduz que os "borderôs de descontos" apresentados contêm apenas o nome dos sacados e não dos emitentes das duplicatas. No entanto, isto não ensejaria óbice para a comprovação da operação, pois o nome do emitente pode ser extraído das cópias das respectivas duplicatas apresentadas durante a fiscalização. 11. Da mesma maneira não deve prosperar a argumentação do Fisco a respeito da possível inidoneidade da documentação apresentada, lastreada na alegação de que não restou comprovado o efetivo fornecimento desses documentos pelo Banco do Brasil S/A. 12. É de bom alvitre lembrar que em momento algum a d. Fiscalização colocou em dúvida a autenticidade das duplicatas descontadas, bem como das respectivas notas fiscais, documentos estes entregues para análise, após a sua obtenção junto ao Banco do Brasil. 13. Cumpre salientar que a Impugnante apresentou, de boafé, toda a documentação solicitada (borderôs, cópia de duplicatas, cópia de notas fiscais), que foi obtida junto ao Banco do Brasil, em decorrência da relação comercial mantida com a citada instituição financeira. 14. O fato de os borderôs não conterem todas as informações, que a d. Fiscalização julgou necessárias, não pode ser utilizada para desconsiderar a efetividade das operações de descontos de duplicatas de terceiros. 15. Cabe ressaltar que em resposta à intimação da d. Fiscalização, a Impugnante, em homenagem ao princípio da transparência e lealdade perante o fisco, abriu mão do sigilo bancário, sugerindo que a própria fiscalização efetuasse os pedidos de esclarecimentos, em relação à documentação fornecida, diretamente ao Banco do Brasil. 16. Outro ponto que merece ser questionado, dentre as conclusões da d. Fiscalização, é a suposta inocorrência de repasse dos valores líquidos, objeto dos descontos de duplicatas, aos verdadeiros proprietários. 17. Tal prática era realizada pela Impugnante como espécie de "favor", a fim de fortalecer o seu ramo de atuação, promover o desenvolvimento de seus parceiros comerciais, bem como fomentar os negócios destes, que no final das contas, tudo isso acabava por refletir no sucesso dos negócios da própria/ impugnante. 18. Assim, como já demonstrado, o aludido bom relacionamento entre os titulares das empresas permite a dispensa de formalidades, de sorte que os valores advindos das duplicatas descontadas eram sempre restituídos integralmente às empresas a que eram devidos, de uma forma ou de outra, conforme conveniência da interessada, ora por pagamento em pecúnia, ora por quitação de obrigações destas para com a Impugnante. 19. Insta dizer, que a Impugnante não auferiu receitas financeiras com estas operações, pois em todos os casos a restituição se deu por meio de transferências Fl. 681DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 682 6 diretas ou por quitação de obrigações das empresas detentoras do direito, cujas quitações previamente autorizadas e indicadas por estas. A vantagem que a Impugnante pode considerar como conseguida seria a da manutenção do bom relacionamento, visando operações futuras envolvendo a própria Impugnante e as empresas para as quais prestou o favor. 20. Neste diapasão, os valores considerados como receitas omitidas neste processo, já sofreram o rigor da tributação na empresa emitente das respectivas duplicatas. Logo, tributar tais valores novamente configurase na situação de "bis in idem" vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. 21. Por outro lado, a d. Fiscalização tenta caracterizar a omissão de receitas, utilizandose para tanto a argumentação de que as cláusulas do contrato de descontos de duplicatas, firmado entre o Banco do Brasil e a Impugnante, não permitiria o desconto de títulos de terceiros, concluindo erroneamente que as operações seriam da própria Impugnante. 22. É verdade que consta do citado contrato estas vedações. Contudo, se houve quebra do acordado, tendo em vista que todos os títulos descontados não são de origem da Impugnante, este fato não é suficiente para se determinar a incidência de tributos sobre tais valores. 23. Poderia até alegar que houve transgressão a norma de caráter financeiro, cuja competência é do Banco Central do Brasil, mas jamais que houve infração a leis tributárias. 24. Por fim, cumpre salientar que as operações realizadas pela Impugnante, em favor de inumas empresas parceiras, como forma de desenvolver seu ramo de atuação comercial, não encontram quaisquer óbices, mormente quando respeitados todos os permissivos legais, em especial os tributários. 25. A Impugnante comprova por intermédio da documentação, ora acostada ao autos, a origem de cada crédito de cobrança, fazendo a correlação entre o borderô de desconto e a respectiva duplicata, permitindo, desta forma, a identificação segura da empresa emitente e do valor do respectivo crédito. 26. Assim, restando plenamente comprovada as origens de todos os recursos financeiros apontados pela d. Fiscalização, concluise que, além de afastar a presunção de omissão de receitas, os mesmos não se enquadram no rol de receitas tributáveis. III DO PEDIDO 27. Diante do exposto, REQUERSE de Vossa Senhoria seja reconhecida, pelos fatos e fundamentos trazidos à colação, a total IMPROCEDÊNCIA da medida fiscal impugnada, uma vez que foram cabalmente esclarecidas e comprovadas as origens dos recursos financeiros apontados pelo d. Fisco, afastando por completo a presunção de omissão de receitas prescrita pelo art. 42 da Lei 9.430/96. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 06 41.607, de 21.06.2013, fls. 635654: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 682DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 683 7 Data do fato gerador: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007 SIMPLES FEDERAL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS. A falta de apresentação da declaração ou a apresentação (extemporânea) com valores zerados e a existência de movimentação bancária não devidamente justificada, autorizam a presunção de omissão de receitas e o respectivo lançamento para a exigência dos valores devidos a título de Simples. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Tratandose de exigência fundamentada em irregularidade apurada em ação fiscal realizada na esfera do Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples, o decidido quanto àquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos decorrentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 13.08.2013, fl. 661, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.09.2013, fls. 663669, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: I SÍNTESE DOS FATOS [...] 04. Contudo, a r. decisão ora recorrida amparase em fundamentos equivocados e dissociados da realidade fática, razão pela qual merece ser reformada, in totum, conforme restará cabalmente demonstrado adiante. II DO DIREITO A DA ORIGEM DOS CRÉDITOS 05. Como já mencionado, a d. Fiscalização adotou como argumento basilar para a lavratura dos Autos de Infração, ora combatidos, a presunção prescrita no art. 42 da Lei 9.430/96, [...]. 06. Conforme se denota, a presunção iuris tantum introduzida pelo permissivo citado aplicase tãosomente nos casos em que o Contribuinte, após regularmente intimado, deixar de esclarecer e comprovar a origem dos recursos financeiros mantidos em instituições financeiras. 07. Contudo, ao contrário do que pretende fazer parecer a d. Fiscalização, no caso em tela, a Recorrente não se absteve de esclarecer e comprovar as origens dos recursos financeiros em comento, tendo, para tanto, apresentado todos os documentos pertinentes, não sendo, portanto, aplicável a presunção legal supracitada. 08. Ocorre que a Recorrente apresentou borderôs e cópias das duplicatas emitidas por outras empresas, cujos proprietários eram ou poderiam vir a ser parceiros comerciais. Tais documentos comprovam efetivamente as operações por ela realizadas, no entanto, a d. Fiscalização os desconsiderou, levantando hipóteses que não prosperam, conforme os esclarecimentos adiante descortinados. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 684 8 09. Primeiramente, a d. Fiscalização aduz que os "borderôs de descontos" apresentados contêm apenas o nome dos sacados e não dos emitentes das duplicatas. No entanto, isto não ensejaria óbice para a comprovação da operação, pois o nome do emitente pode ser extraído das cópias das respectivas duplicatas apresentadas durante a fiscalização. 10. Da mesma maneira não deve prosperar a argumentação do Fisco a respeito da possível inidoneidade da documentação apresentada, lastreada na alegação de que não restou comprovado o efetivo fornecimento desses documentos pelo Banco do Brasil S.A. 11. É de bom alvitre lembrar que em momento algum a d. Fiscalização colocou em dúvida a autenticidade das duplicatas descontadas, bem como das respectivas notas fiscais, documentos estes entregues para análise, após a sua obtenção junto ao Banco do Brasil. 12. Cumpre salientar que a Recorrente apresentou, de boafé, toda a documentação solicitada (borderôs, cópia de duplicatas, cópia de notas fiscais), que foi obtida junto ao Banco do Brasil, em decorrência da relação comercial mantida com a citada instituição financeira. 13. O fato de os borderôs não conterem todas as informações, que a d. Fiscalização julgou necessárias, não pode ser utilizada para desconsiderar a efetividade das operações de descontos de duplicatas de terceiros. 14. Cabe ressaltar que em resposta à intimação da d. Fiscalização, a Recorrente, em homenagem ao princípio da transparência e lealdade perante o fisco, abriu mão do sigilo bancário, sugerindo que a própria fiscalização efetuasse os pedidos de esclarecimentos, em relação à documentação fornecida, diretamente ao Banco do Brasil. 15. Outro ponto que merece ser questionado, dentre as conclusões da d. Fiscalização, é a suposta inocorrência de repasse dos valores líquidos, objeto dos descontos de duplicatas, aos verdadeiros proprietários. 16. Tal prática era realizada pela Recorrente como espécie de "favor", a fim de fortalecer o seu ramo de atuação, promover o desenvolvimento de seus parceiros comerciais, bem como fomentar os negócios destes, que no final das contas, tudo isso acabava por refletir no sucesso dos negócios da própria Recorrente. 17. Assim, como já demonstrado, o aludido bom relacionamento entre os titulares das empresas permite a dispensa de formalidades, de sorte que os valores advindos das duplicatas descontadas eram sempre restituídos integralmente às empresas a que eram devidos, de uma forma ou de outra, conforme conveniência da interessada, ora por pagamento em pecúnia, ora por quitação de obrigações destas para com a Recorrente. 18. Insta dizer, que a Recorrente não auferiu receitas financeiras com estas operações, pois em todos os casos a restituição se deu por meio de transferências diretas ou por quitação de obrigações das empresas detentoras do direito, cujas quitações previamente autorizadas e indicadas por estas. A vantagem que a Recorrente pôde considerar como conseguida seria única e exclusivamente a da manutenção do bom relacionamento, visando operações futuras envolvendo a própria Recorrente e as empresas para as quais prestou o favor. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 685 9 19. Neste diapasão, os valores considerados como receitas omitidas neste processo, já sofreram o rigor da tributação na empresa emitente das respectivas duplicatas. Logo, tributar tais valores novamente configurase na situação de "bis in idem" vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. 20. Por outro lado, a d. Fiscalização tenta caracterizar a omissão de receitas, utilizandose para tanto a argumentação de que as cláusulas do contrato de descontos de duplicatas, firmado entre o Banco do Brasil e a Recorrente, não permitiria o desconto de títulos de terceiros, concluindo erroneamente que as operações seriam da própria Recorrente. 21. É verdade que consta do citado contrato estas vedações. Contudo, se houve quebra do acordado, tendo em vista que todos os títulos descontados não são de origem da Recorrente, este fato não é suficiente para se determinar a incidência de tributos sobre tais valores. 22. Poderia até alegar que houve transgressão a norma de caráter financeiro, cuja competência é do Banco Central do Brasil, mas jamais que houve infração a leis tributárias. 23. Por fim, cumpre salientar que as operações realizadas pela Recorrente, em favor de algumas empresas parceiras, como forma de desenvolver seu ramo de atuação comercial, não encontram quaisquer óbices, mormente quando respeitados todos os permissivos legais, em especial os tributários. 24. A Recorrente comprova por intermédio da documentação, ora acostada aos autos, a origem de cada crédito de cobrança, fazendo a correlação entre o borderô de desconto e a respectiva duplicata, permitindo, desta forma, a identificação segura da empresa emitente e do valor do respectivo crédito. 25. Assim, restando plenamente comprovada as origens de todos os recursos financeiros apontados pela d. Fiscalização, concluise que, além de afastar a presunção de omissão de receitas, os mesmos não se enquadram no rol de receitas tributáveis. III DO PEDIDO 26. Em face de todo o exposto e do mais que consta dos autos em discussão, REQUERSE a Vossas Senhorias seja o presente Recurso Voluntário conhecido e integralmente provido, com a reforma a reforma in totum do v. acórdão n° 0641.607 da 2ª Turma da DRJ/CTA, uma vez que foram cabalmente esclarecidas e comprovadas as origens dos recursos financeiros apontados pelo d. Fisco, afastando por completo a presunção de omissão de receitas prescrita pelo art. 42 da Lei 9.430/96. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 685DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 686 10 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 687 11 exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 480514 e o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0641.607, de 21.06.2013, fls. 635654, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 688 12 desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração6. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram 6 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 689 13 evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada7. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo8. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade9, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. A matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) é objeto de recuso extraordinário com repercussão geral em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), tema de nº 225, sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC) 10 e por essa razão não se pode aplicar o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Está registrado no Termo de Verificação e Encerramento de Procedimento Fiscal , fls. 449471, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 8 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 9 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. 10 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>. Acesso em 16 ago. 2014. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 690 14 No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 09.1.05.00 2010004087, e de acordo com o disposto nos artigos 841, 844, 845, 849, 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), procedeuse a fiscalização no contribuinte acima identificado, doravante denominado "Sujeito Passivo", iniciada a fim de se verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas aos impostos e contribuições inclusos no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte SIMPLES, referente aos fatos geradores ocorridos no primeiro semestre de 2007, e ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no que se refere ao 2o semestre de 2007. Durante o procedimento fiscal, foram constatadas infrações à legislação tributária que culminaram na lavratura de autos de infração para a constituição dos impostos e contribuições incluídos no sistema Simples, referentes aos meses do 1º semestre de 2007, bem como autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, e reflexos na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, na Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e na Contribuição para a Integração Social PIS/Pasep, no que se refere aos períodos de apuração compreendidos no 2º semestre de 2007. 1. DO SUJEITO PASSIVO Consoante Declaração de Firma Mercantil Individual [...], o Sujeito Passivo qualificado em epígrafe (com registro de constituição na Junta Comercial do Paraná em 23/04/2002, sob o n° NIRE 41105381938 Escritório Regional de Ivaiporã, como Empresa de Pequeno Porte), tem como (único) titular o Sr. ITAMAR CAMPOS ANACLETO (inscrito no CPF sob o n° 973.114.56991), tendo declarado como atividade principal o "Comércio Atacadista de Couros, Peles, Chifres, Ossos, Cascos, Crinas, Lã, Pelos e Cerdas em Bruto" (Código de Atividade Econômica n° "51.225/06"). Mediante Requerimento de Empresário (alteração registrada em 14/06/2005; [...], alterou determinados dados, entre os quais o acréscimo da expressão "EPP" ao nome empresarial, e a inclusão do comércio de penas e plumas entre suas atividades (objeto). De acordo com as informações contidas nas bases de dados informatizadas da Receita Federal do Brasil RFB, o Sujeito Passivo foi optante do Simples Federal (Lei n° 9.317/96) no período compreendido entre 01/01/2007 e 30/06/2007 (1º Semestre de 2007). Apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES (PJSI) n° 8048069 [...] como EPP, referente aos citados períodos (entre 01/01/2007 e 30/06/2007), porém de forma intempestiva, em 15/12/2010, e declarando (Ficha 04A Demonstração das Receitas e Simples a Pagar) não ter auferido qualquer receita bruta ("0,00") e inexistir Simples devido/a pagar. Verificouse, entretanto, a existência de registro de dois recolhimentos sob o código (6106) do sistema Simples relativos aos períodos de apuração de março (R$780,00) e abril (R$978,75, de principal) de 2007 (efetuados em 20/04/2007 e 25/06/2007, respectivamente; fls.). No que concerne aos períodos de apuração compreendidos no 2° Semestre de 2007, consta que o Sujeito Passivo não optou pelo regime de tributação do Simples Nacional (LC n° 123/2006; fls.), não apresentou Declaração DIPJ (fls.), nem Demonstrativo Dacon (fls.), e tampouco Declaração DCTF (fls.). Também não efetuou qualquer recolhimento (fls.). Fl. 690DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 691 15 Cabe mencionar que o Sujeito Passivo foi representado durante o procedimento fiscal pelos seus procuradores, com poderes, entre outros, de representação perante a Receita Federal do Brasil, conforme instrumento de mandato incluso (fls.). A entrega das manifestações (e respectivos anexos) do Sujeito Passivo deuse, como regra, por encaminhamento por via postal. 2. DO PROCEDIMENTO FISCAL O presente procedimento fiscal teve início em 14/07/2010, com o recebimento (via postal, conforme "AR" , no endereço constante do cadastro CNPJ) do Termo de Início de Fiscalização, mediante o qual o Sujeito Passivo foi intimado a apresentar os documentos e esclarecimentos nele consignados, sobretudo no que se refere à movimentação financeira no anocalendário de 2007. No dia 04/08/2010, o procurador Dr. José Aderlei de Souza (OAB/PR n° 37.226) compareceu na Seção de Fiscalização desta Delegacia da Receita Federal do Brasil em MaringáPR (DRF/MGA) apresentando manifestação (datada de 03/08/2010; fls.), requerendo prorrogação de prazo (30 dias) para apresentação dos elementos solicitados, e o instrumento de mandato mencionado. A fiscalização concedeu o prazo requerido, cientificando o procurador do despacho na própria petição. Por meio da manifestação datada de 31/08/2010 (recebida no dia 01/09/2010; por via postal; fls.), o Sujeito Passivo, por seus procuradores, apresentou os extratos referentes à contacorrente n° 12.1452, da agência n° 06335, do Banco do Brasil S.A, relativos aos meses de janeiro a dezembro de 2007 (fls.), além de cópia (simples) dos mencionados atos de constituição e de alteração da firma individual. No que se refere aos demais itens da intimação constantes do Termo de Início de Fiscalização (Livros Diário, Razão, Caixa, Registro de Inventário, Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração de ICMS, e demais elementos), informou que "... não dispõe dos demais documentos, considerando que a empresa encontrase com inscrição baixada no CADICMS junto a Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná" (g.n.). Conforme descrito no Termo de Intimação Fiscal (TIF) de 21/09/2010 (fls.), a fiscalização elaborou, a partir da análise dos citados extratos bancários da conta de depósito mantida no Banco do Brasil S.A, o "Demonstrativo dos Depósitos e Créditos a Comprovar" (Anexo I ao termo fiscal; fls.), intimando o Sujeito Passivo a (no prazo de 20 dias do recebimento): (1) comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem individualizada dos recursos depositados na conta bancária, conforme créditos relacionados e individualizados no demonstrativo anexo (Anexo I); (2) indicar e comprovar, dentre os créditos listados no demonstrativos citado (Anexo I): a) possíveis transferências interbancárias (entre contas da mesma titularidade); e b) empréstimos contraídos no período; (3) apontar cheques devolvidos e outros estornos de créditos, ocorridos no período, em suas contascorrentes, além dos já considerados no Anexo I. Em resposta ao referido TIF (de 21/09/2010), o Sujeito Passivo apresentou manifestação (subscrita por seus procuradores, com data de 13/10/2010, recebida em 14/10/2010; por via postal; [...]) acompanhada de determinados extratos [...] reputados como "comprovantes" relativos a "desconto de duplicatas descontadas junto à instituição financeira". Alegou que os "créditos abaixo relacionados" (relacionados aos citados extratos) teriam "como origem o favor financeiro a outra empresa que, sem crédito junto aos bancos, solicitou a Requerente que efetuasse os Fl. 691DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 692 16 referidos descontos e restituísse os valores líquidos, conforme consta dos respectivos extratos [...]". (destaques na transcrição). Ademais, requereu "dilação do prazo para a apresentação dos demais comprovante em decorrência da greve geral dos bancários, iniciada em 29/09/2010, que impossibilitou a obtenção dos demais comprovantes". Mediante o Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo, de 25/10/2010 [...], e considerando a alegação acima mencionada e os extratos apresentados, o Sujeito Passivo foi intimado a (no prazo de 20 (vinte) dias): a) apresentar cópia fornecida pela instituição financeira dos borderôs e das respectivas duplicatas referentes aos créditos relacionados em sua manifestação (histórico "Cobrança"); b) indicar, de forma precisa e completa, e demonstrar qual seria a "outra empresa " referida que teria sido beneficiária do "favor financeiro" prestado pela fiscalizada; c) esclarecer em que termos e condições as supostas operações de "favor financeiro" teriam ocorrido, e apresentar documentos comprobatórios dos créditos e de sua cessão; d) demonstrar, de forma pormenorizada, e mediante documentação hábil e idônea, a alegação de que houve restituição, à beneficiária do "favor financeiro", dos "valores líquidos" pertinentes aos descontos de duplicatas correlacionando cada crédito à respectiva restituição. Outrossim, o Sujeito Passivo foi intimado a (no prazo de 20 (vinte) dias): e) apresentar cópia da ficha cadastral, do cartão de autógrafos e de procuração (em havendo) referentes à(s) conta(s)corrente bancária(s) de sua titularidade. No que se refere ao pedido de dilação de prazo, "para apresentação dos demais comprovantes", embora não especificados os "demais comprovantes" que pretendia apresentar, sua finalidade, e tampouco o prazo pretendido, mas considerando que é cediço o fato da ocorrência de "greve geral dos bancários", concedeuse prazo adicional de 20 (vinte) dias (contados a partir da ciência do termo fiscal de 25/10/2010, de forma que este e os prazos acima referidos tivessem o mesmo termo final) para cumprimento integral da intimação para comprovar a origem dos recursos depositados em conta(s) bancária(s) de sua titularidade, bem como para as demais providências, objeto do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 21/09/2010. A título de atendimento dos esclarecimentos, demonstrações e documentos requeridos mediante o Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo lavrado em 25/10/2010, o Sujeito Passivo encaminhou manifestação (subscrita por seus procuradores; fls.) datada de 16/11/2010, recebida pela fiscalização em 22/11/2010, acompanhada de determinados elementos [...]. Apresentou cópia (simples) de: borderôs acompanhados das respectivas duplicatas descontadas no anocalendário de 2007, junto ao Banco do Brasil" (sem mencionar se foi fornecida pela instituição financeira); ficha cadastral, acompanhado do respectivo cartão de autógrafos, relativa a conta corrente da intimada junto ao Banco do Brasil S/A " (declarando não existir procuração "bancária"). Afirmou esclarecer que o motivo do 'favor financeiro' residiria no fato das empresas favorecidas não terem limite de crédito e, que "dado ao estreito relacionamento entre os titulares das empresas envolvidas e, é bom que se frise, com a aquiescência e instrução da própria, instituição financeira, houveram por bem efetuarem os referidos descontos dos títulos em nome da Intimada, que em face do seu retrospecto possuía os referidos limites creditícios. " [...]". (g.n.). Fl. 692DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 693 17 Afirmou, ainda, que as devoluções dos valores "às favorecidas operavam de maneira aleatória, mediante a sua solicitação, muitas vezes verbal, ou quitando compromissos conforme a situação". Outrossim, asseverou que as empresas favorecidas pelo favor financeiro seriam "Master Comércio de Couros LTDA., e Memory Comércio de Couros LTDA ", conforme se depreenderia das "cópias " de duplicatas apresentadas. Constou, no Termo de Reintimação Fiscal (TRF) de 17/12/2010 (fls.), no que se refere à intimação descrita na alínea "d" do Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo de 25/10/2010 (para demonstrar, analiticamente, a restituição), que o Sujeito Passivo, em sua manifestação, limitouse a apresentar a alegação acima descrita, ou seja, que "... as devoluções dos valores às favorecidas operavam de maneira aleatória, mediante a sua solicitação, muitas vezes verbal, ou quitando compromissos conforme a situação " (g.n.). Por conseguinte, como descrito no termo fiscal, considerando a vagueza dessa alegação, aliada à completa ausência de comprovação das "devoluções" relativas ao "favor financeiro" que teria sido prestado a determinadas empresas, o Sujeito Passivo foi reintimado a, no prazo de 20 (vinte) dias, atender a citada intimação (alínea "d" do termo fiscal de 25/10/2010), ou seja: "I) demonstrar, de forma pormenorizada, e mediante documentação hábil e idônea, a alegação de que houve restituição, à beneficiária do "favor financeiro", dos "valores líquidos"pertinentes aos descontos de duplicatas correlacionando cada crédito à respectiva restituição. " (destaques no original). O Sujeito Passivo (por seus procuradores), em manifestação (sem data) recebida no dia 11/01/2011 [...], e fazendo menção a esclarecimentos prestados, asseverou que "a restituição dos valores às favorecidas não seguiam um padrão ou formalidade, ora eram devolvidos em dinheiro, ora eram utilizados como crédito a ser abatido de operações comerciais entre as favorecidas e a Fiscalizada " (g.n.). Salientou que, devido ao "estreito relacionamento entre os titulares das empresas envolvidas", e à "informalidade" como teria se operado "as movimentações financeiras" "não permite neste momento a arrecadação de documentos que pudessem de forma cabal comprovar tais operações". Disse, contudo, que "está diligenciando no sentido de reunir o maior número possível de documentos relativos às diversas operações". Constou, ainda, a "título de informação", que em contato "com as empresas emitentes das notas fiscais e respectivas duplicatas, objetos dos descontos bancários, houve a manifestação de que todos os valores realmente foram devolvidos e, se necessitarem de declaração neste sentido, estão dispostas a fornecerem tais documentos " (g.n.). Mediante o Termo de Intimação Fiscal de 04/02/2011 (fls.), o Sujeito Passivo foi intimado a apresentar: I) cópia autenticada do Contrato para Desconto de Títulos (Clausulas Gerais, Cláusulas Especiais, Comunicação de Alterações e quaisquer outros documentos relativos ao Contrato n° 063.302.819), firmado entre o sujeito passivo e o Banco do Brasil S.A. (Agência de IvaiporãPR, n° 06335); II) extratos/relatórios fornecidos pelo Banco do Brasil S.A. especificando os títulos descontados (durante o ano de 2007) por borderô/remessa ("Consulta Títulos/Remessa"); III) cópia autenticada de todas as propostas de adesão ("Proposta de Contratação" ou documento equivalente) referentes aos débitos de "BrasilPrev" discriminados (efetivados na conta n° 12.1452 da Agência n° 06335 do Banco do Fl. 693DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 694 18 Brasil S.A.); IV) cópia autenticada de todas as propostas de adesão ("Proposta/Ficha de Cadastro de Título de Capitalização" ou documento equivalente) referentes aos débitos de "Ourocap" discriminados (efetivados na conta n° 12.1452 da Agência n° 06335 do Banco do Brasil S.A.). No dia 25/02/2011, foi recebida a resposta datada de 22/02/2011 [...], acompanhada, no que se refere ao Contrato para Desconto de Títulos, apenas de cópia (simples) das Cláusulas Especiais (fls.) parte do Contrato. Em razão do atendimento parcial do TIF de 04/02/2011, lavrouse o Termo de Reintimação Fiscal de 04/03/2011 [...], mediante o qual o Sujeito Passivo foi reintimado a cumprir integralmente os elementos requeridos no mencionado TIF, e intimado a comprovar que as cópias de borderôs e de duplicatas apresentadas como anexo da manifestação datada de 16 de novembro de 2010 (recebida no dia 22/11/2010) foram fornecidas pelo Banco do Brasil S.A. ou seja, demonstrar que atendeu, na forma como especificado, a intimação constante da alínea "a" do Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo de 25/10/2010, ou esclarecer a origem das referidas cópias. Em resposta, datada de 31/03/2011 (recebida em 04/04/2011; [...]), o Sujeito Passivo, limitouse a apresentar cópias (simples; inclusive com cópias de verso e anverso em folhas distintas; fls.) de borderôs e duplicatas, e afirmar "esclarecer" que "todos os borderôs e duplicatas, apresentados anteriormente, foram igualmente fornecidos pelo Banco do Brasil provavelmente obtidos diretamente do sistema informatizado da citada instituição bancária". (gn.). Assim, conforme descrito no Termo de Reintimação Fiscal (TRF) de 02/05/2011 [...], não tendo apresentado qualquer comprovante que as cópias foram fornecidas pelo Banco do Brasil S.A., o Sujeito Passivo foi reintimado a demonstrar que atendeu, na forma como especificado, a intimação constante da alínea "a" do Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo de 25/10/2010, abaixo reproduzida , ou esclarecer a origem das referidas cópias: Alínea "a" do termo fiscal de 25/10/2010: "[...] 1. apresentar cópia fornecida pela instituição financeira dos borderôs e das respectivas duplicatas referentes aos créditos relacionados em sua manifestação (histórico "Cobrança"); b) [...]"Foi, outrossim, reintimado, por meio do mesmo TRF, a cumprir integralmente os elementos requeridos nos itens I a IV do TIF de 04/02/2011. Em resposta, datada de 16/05/2011 (recebida em 17/05/2011; [...]), restringiu se a encaminhar cópia (simples) das Cláusulas Gerais do Contrato para Desconto de Títulos (fls.). Por fim, no Termo de Ciência e Intimação Fiscal de 08/06/2011 [...], foi descrito que o Sujeito Passivo, não optante por qualquer regime/sistema de tributação em relação aos períodos de apuração compreendidos no 2° Semestre de 2007, sujeitarseia ao recolhimento do IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) pelo regime do Lucro Real. Contudo, constou, para a tributação da pessoa jurídica com base no Lucro Real, é obrigatória a escrituração do Livro Diário e do Livro Razão, conforme estabelecido nos artigos 258 e 259 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), livros que não foram apresentados, ainda que desde o início da ação fiscal tenha sido objeto de intimação nesse sentido. Em resposta à referida intimação (em manifestação datada de Fl. 694DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 695 19 31/08/2010; fls.), o sujeito passivo limitouse a informar que "...não dispõe dos demais documentos, considerando que a empresa encontrase com inscrição baixada no CADICMS junto a Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná" (destacamos). Constou, no termo fiscal, que o efeito da ausência de apresentação dos Livros Diário e Razão, no que se refere ao interregno entre 01/07/2007 e 31/12/2007, seria a apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro arbitrado, conforme estabelecido no art. 530, inciso III, do RIR/99. Em decorrência, o Sujeito Passivo foi intimado a manifestar se iria apresentar ou recompor sua escrituração, de acordo com o estabelecido para o regime do Lucro Real, referente aos períodos de apuração compreendidos no 2º Semestre de 2007, bem como foi cientificado de que a ausência de manifestação, no prazo estabelecido, ou a apresentação da escrituração sem atendimento dos requisitos estabelecidos na legislação (de forma a permitir a correta determinação do lucro real ou a efetiva movimentação financeira, conforme o caso), implicaria a tributação, do IRPJ e da CSLL (referentes ao 2o Semestre de 2007), com base no lucro arbitrado (art. 530, inc. III, do RIR/99). O Sujeito Passivo, contudo, cientificado em 13/06/2011 (conforme "AR"), mantevese silente e inerte. Finalmente, por meio do Termo de Ciência Fiscal de 01/08/2011, o Sujeito Passivo foi cientificado de que a fiscalização considerou não comprovada a origem dos recursos utilizados nos créditos/depósitos efetuados em sua contacorrente bancária, "pelas razões que serão analiticamente expostas em termo fiscal próprio (do qual será cientificado oportunamente)" (referência efetuada ao presente Termo), e que, "por conseguinte, os respectivos saldos bancários (totais líquidos creditados) restaram caracterizados como receitas omitidas (art. 42 da Lei n° 9.430/96), consoante demonstrativo em anexo (Demonstrativo Sintético dos Depósitos e Créditos Não Comprovados)". 3. DAS INFRAÇÕES; Da análise dos elementos colocados à disposição da fiscalização em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização e demais intimações lavradas, e das demais informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, foram constatadas as seguintes irregularidades: 3.1 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A Lei n° 9.430/96 determina, em seu artigo 42, a obrigatoriedade de comprovação da origem dos recursos transacionados em conta bancária, caracterizando como omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida em instituição financeira, nos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Neste diapasão, com fulcro no artigo 11, § 2°, da Lei n° 9.311/96, identificou se a existência de ativos financeiros em instituições bancárias nacionais de titularidade do Sujeito Passivo no anocalendário de 2007 não informados em declarações, nem tampouco levados à tributação. Com efeito, a fiscalização solicitou ao Sujeito Passivo que apresentasse os extratos bancários de todas as contas correntes de sua titularidade com o escopo de Fl. 695DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 696 20 se obter a comprovação da origem dos recursos transacionados no período, desde que embasadas por documentação hábil e idônea. Por configurarem contas de titularidade de uma empresa, os valores nelas depositados envolvem, ressalvada a produção de prova irrefutável que permita elidir a presunção legal, recursos provenientes de sua atividade, ou seja, receita oriunda da venda de mercadorias, produtos e serviços, passível, portanto, de tributação. Ao se efetuar a conciliação bancária, procedeuse ao levantamento dos registros representativos de movimentações financeiras que, em tese, não são suscetíveis de incidência pelo Imposto de Renda, tais como empréstimos bancários, resgate de aplicações financeiras, estorno e cheques devolvidos. Nesta linha, mediante o Termo de Intimação Fiscal de 21/09/2010, o Sujeito Passivo foi intimado a comprovar, com fulcro em documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em contacorrente de sua titularidade, cujos créditos foram individualizados no "Demonstrativo de Depósitos e Créditos a Comprovar" Anexo I do citado Termo. Os valores identificados, a partir dos dados contidos no campo "Histórico" e/ou "Documento" dos extratos bancários, como estornos de créditos e devoluções de cheques depositados foram consignados na coluna "Débito" (servindo de dedução na apuração dos saldos mensais). Não foram identificados créditos decorrentes de empréstimos contraídos no período, bem como transferências entre contas de mesma titularidade (conta única). Ainda assim, o Sujeito Passivo foi intimado a apontar cheques devolvidos e outros estornos de créditos além dos considerados no Demonstrativo anexo, assim como indicar e comprovar, dentre os créditos listados no referido Demonstrativo, possíveis transferências interbancárias (entre contas de mesma titularidade) e empréstimos contraídos no período, porém não apontou qualquer operação adicional. Conforme será adiante declinado, a fiscalização considera que o Sujeito Passivo não comprovou a origem dos recursos relativos a qualquer dos créditos e depósitos relacionados no Demonstrativo dos Depósitos e Créditos a Comprovar, anexo do Termo de Intimação Fiscal de 21/09/2010. Os créditos e depósitos (cuja origem dos recursos são) considerados não comprovados, sintetizados a cada mês do ano de 2007, e os respectivos saldos mensais, são, portanto, os seguintes: Banco do Brasil S/A C/C 12.1452 2007 Valores Debitados Valores Creditados Saldos Mensais Janeiro 0,00 334.643,54 334.643,54 Fevereiro 0,00 386.259,79 386.259,79 Março 0,00 420.416,00 420.416,00 Abril 0,00 120.673,16 120.673,16 Maio 0,00 141.026,10 141.026,10 Junho 0,00 96.627,31 96.627,31 Julho 0,00 5.000,00 5.000,00 Agosto 0,00 100.000,00 100.000,00 Setembro 0,00 117.487,36 117.487,36 Outubro 0,00 216.725,19 216.725,19 Novembro 1.507,00 206.296,79 204.789,79 Dezembro 0,00 17.217,66 17.217,66 Total 1.507,00 2.162.372,90 2.160.865,90 Fl. 696DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 697 21 3.1.1 DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS UTILIZADOS EM CRÉDITOS EM CONTA DE DEPÓSITO 3.1.1.1 INEXISTÊNCIA DE CONTROVÉRSIA CRÉDITOS EM RELAÇÃO AOS QUAIS O SUJEITO PASSIVO NÃO TENTOU JUSTIFICAR A ORIGEM DOS RECURSOS Ressaltese que o Sujeito Passivo, intimado a comprovar a origem individualizada dos recursos creditados em sua contacorrente bancária, limitouse, durante todo o procedimento fiscal, a buscar justificar a origem dos recursos relativos a determinados créditos com o histórico "Cobrança" discriminados em sua manifestação datada de 13/10/2010 (recebida em 14/10/2010). Portanto, sequer foram objeto de tentativa de justificar a origem (dos recursos) os demais créditos/depósitos relacionados no Demonstrativo anexo ao TIF de 21/09/2010 (e não discriminados na citada manifestação do Sujeito Passivo, tais como: lançamentos com o histórico Transferência on line; Depósito Cheque BB Liquidado; Depósito em dinheiro; Desbloqueio de depósito; DOC Crédito em Conta Corrente; e o lançamento, com o histórico "Cobrança", efetuado em 14/12/2007, no valor de R$6.898,83), passível, destarte, de tributação como omissão de receitas, de acordo com o estabelecido no art. 42 da Lei n° 9.430/96. 3.1.1.2 CRÉDITOS EM RELAÇÃO AOS QUAIS O SUJEITO PASSIVO BUSCOU (SEM ÊXITO) JUSTIFICAR A ORIGEM DOS RECURSOS SOB ALEGAÇÃO DE "FAVOR FINANCEIRO" O Sujeito Passivo, conforme relatado anteriormente (item 2. Do Procedimento Fiscal), fazendo menção aos "créditos abaixo relacionados", na manifestação de 13/10/2010 (recebida em 14/10/2010), sustenta que os referidos créditos, decorrentes de desconto de duplicatas junto ao Banco do Brasil S.A, teriam como origem (dos recursos) "o favor financeiro a outra empresa que, sem crédito junto aos bancos, solicitou a Requerente que efetuasse os referidos descontos e restituísse os valores líquidos, conforme consta dos respectivos extratos: [...]". (destaques na transcrição)". Passase, pois, a analisar a procedência da alegação da origem dos recursos (relativos aos créditos bancários em que paira controvérsia determinados créditos sob o histórico "Cobrança") decorrentes de "favor financeiro" prestado a terceiro(s), em conjunto com os elementos que acompanharam as manifestações do Sujeito Passivo, a fim de verificar se tem o condão de afastar a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96. 3.1.1.2.1 Da Falta de Comprovação da Alegada Restituição/Devolução A primeira questão que deve ser apreciada, inclusive pela relevância, é a relativa à comprovação da restituição/devolução dos valores líquidos pertinentes aos referidos descontos de duplicatas. Por meio do Termo de Intimação Fiscal e Concessão de Prazo de 25/10/2010, o Sujeito Passivo foi intimado (alínea "d") a demonstrar, de forma pormenorizada, e mediante documentação hábil e idônea, a alegação de que houve restituição à beneficiária do "favor financeiro", dos "valores líquidos" pertinentes aos descontos de duplicatas correlacionando cada crédito à respectiva restituição. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 698 22 Antes de prosseguir, uma breve observação: na primeira oportunidade em que foi apresentada a alegação de "favor financeiro" (manifestação de 13/10/2010, recebida em 14/10/2010), o Sujeito Passivo deu a entender que uma única empresa seria beneficiária do "favor", senão vejamos: "... tendo como origem o favor financeiro a outra empresa que, sem crédito junto aos bancos, solicitou a Requerente que efetuasse os referidos descontos e restituísse os valores líquidos, ..." (destaques na transcrição). Contudo, em manifestações posteriores (p.ex., na manifestação de 16/11/2010, itens 4 e 5) passou a expressarse no plural "... o motivo do favor financeiro" reside no fato das empresas favorecidas "... as devoluções dos valores às favorecidas..." (destaques na transcrição). Pois bem, retomando a questão inicial (comprovação da restituição), na manifestação datada de 16/11/2010 (item 5), o Sujeito Passivo (por seus procuradores) afirmou que as "devoluções dos valores às favorecidas operavam de maneira aleatória, mediante a sua solicitação, muitas vezes verbal, ou quitando compromissos conforme a situação ". (g.n.) Notase, pois, além da inusual alegação, que o Sujeito Passivo não apontou (muito menos demonstrou) sequer uma restituição/devolução que tivesse efetuado, seja de que modo fosse. Não obstante, a fiscalização proporcionou ao Sujeito Passivo nova oportunidade para a demonstração das alegadas restituições/devoluções, reintimandoo para esse fim, por meio do Termo de Reintimação Fiscal de 17/12/2010. Em resposta, o Sujeito Passivo (por seus procuradores), em manifestação (sem data) recebida no dia 11/01/2011, e fazendo menção a esclarecimentos prestados, asseverou que "a restituição dos valores às favorecidas não seguiam um padrão ou formalidade, ora eram devolvidos em dinheiro, ora eram utilizados como crédito a ser abatido de operações comerciais entre as favorecidas e a Fiscalizada " (g.n.) Salientou que, "em decorrência do estreito relacionamento entre os titulares das empresas envolvidas" e a "informalidade" como teria se operado "as movimentações financeiras entre as empresas não permite neste momento a arrecadação de documentos que pudessem de forma cabal comprovar tais operações" (destaques na transcrição). Aqui é imperioso notar que nem neste (naquele) momento e tampouco em momento algum durante o procedimento fiscal o Sujeito Passivo apresentou documentos que pudessem de forma cabal comprovar tais operações" ainda que tenha dito que estava "diligenciando no sentido de reunir o maior número possível de documentos relativos às diversas operações ". Ressaltese, ainda, que aqui não se está tratando de documentação relativa aos créditos em sua contacorrente, mas de documentos relativos à alegação de restituição de valores aos supostos beneficiários de incomprovado "favor financeiro", decorrentes de mencionados descontos de títulos. Ressaltese, outrossim, e novamente (para fixação de questão) que sequer tentou indicar, apontar, mencionar uma restituição que pudesse ter havido, para corroborar sua alegação. Neste ponto, cabe mencionar que os Livros Caixa, Diário e Razão (requeridos) poderiam, em tese (e se fosse o caso), prestaremse ao Sujeito Passivo na tentativa de provar o que alega (escriturados, por óbvio, de forma regular e Fl. 698DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 699 23 respaldados em documentos hábeis, idôneos, e à disposição para apresentação e aferição pela autoridade fiscal). Contudo, como ele próprio asseverou, "a informalidade" teria sido a conduta adotada, e, por coincidência (?), referidos livros não foram apresentados sob a injustificável alegação de que "não dispõe dos demais documentos" em razão de a empresa encontrarse com a "inscrição baixada no CADICMS". O máximo esforço despendido no sentido de evidenciar as ditas restituições foi dizer que em contato "com as empresas emitentes das notas fiscais e respectivas duplicatas, objetos dos descontos bancários, houve a manifestação de que todos os valores realmente foram devolvidos e, se necessitarem de declaração neste sentido, estão dispostas a fornecerem tais documentos". Ora, perguntase, por qual motivo já não obteve e apresentou referidas declarações? E qual valor probante o Sujeito Passivo entende que teriam estas declarações, ainda mais com a sua assertiva do "estreito relacionamento entre os titulares das empresas envolvidas"? E, por sua vez, a sua afirmação de que havia "operações comerciais entre as favorecidas e a Fiscalizada" (g.n.), não reforçaria ainda mais a conclusão de que exerceu suas atividades habituais e obteve receitas não oferecidas à tributação? Tampouco é razoável supor que tivesse pretendido se desincumbir de seu ônus (decorrente da presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96) de comprovar a origem dos recursos utilizados em seus créditos bancários, transferindoo para o fisco. Assim, o fato de o Sujeito Passivo não ter comprovado as ditas restituições à(s) suposta(s) beneficiária(s), de per si, já é mais do que suficiente para infirmar, de modo absoluto, a (exótica) alegação de "favor financeiro" que pressupõe, naturalmente (se passasse pelo crivo da razoabilidade de sua existência) a devolução, restituição, reembolso, ressarcimento etc, do exato valor correspondente ao entregue ao prestador da graça ou benesse. 3.1.1.2.2 Do Contrato para Desconto de Títulos Títulos Provenientes de Vendas ou Serviços Realizados pelo Financiado Decorrentes do Exercício de sua Atividade O Sujeito Passivo apresentou, como anexo à manifestação datada de 13/10/2010, determinados extratos referentes a operações de descontos de duplicatas, emitidos por sistema do Banco do Brasil S.A., cujas liberações corresponderiam aos créditos com histórico "Cobrança" relacionados em sua resposta. De início, há que se observar que em todos os extratos apresentados ("Detalhamento de titulo") consta o mesmo número de operação ("Operação: 063.302.819") e linha de crédito ("Linha de credito: 0065 DESCONTO DE TÍTULOS"). Assim, cediço que as operações de financiamento bancário são condicionadas a uma série de requisitos, especialmente em relação à destinação do crédito, a fiscalização, intimou (TIF de 04/02/2011) e reintimou (TRF de 04/03/2011 e de 02/05/2011) o Sujeito Passivo a apresentar o pertinente Contrato para Desconto de Títulos tanto as Cláusulas Especiais como as Cláusulas Gerais (partes integrantes e indissociáveis do Contrato), como eventuais outros documentos relativos ao Contrato n° 063.302.819, firmado entre o Sujeito Passivo e o Ba m do Brasil S.A (agência de IvaiporãPR, n° 06335). Importa transcrever excerto das Cláusulas Especiais do Contrato (de 04/10/2006, e em que constam os dados da operação de crédito, entre os quais o limite de R$700.000,00) relativo à declaração do Sujeito Passivo (denominado Fl. 699DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 700 24 Financiado) de possuir o pleno conhecimento e estar de acordo com o teor com as condições constantes das Cláusulas Gerais, integrantes do contrato: "O Banco do Brasil S.A., por sua agência supra, doravante denominado apenas FINANCIADOR, neste ato representado pelos Senhores abaixo assinados, concede ao FINANCIADO acima um crédito rotativo, até o valor supra indicado, sujeito ao vencimento acima estipulado e aos encargos pactuados em cada BORDERO emitido pelo FINANCIADO, na forma e condições estabelecidas nas CLAUSULAS GERAIS de que o FINANCIADO DECLARA. AO ASSINAR ESTE INSTRUMENTO, TER PLENO CONHECIMENTO, ESTAR DE ACORDO COM SEU TEOR, TER RECEBIDO COPIA DAS REFERIDAS CLAUSULAS GERAIS. QUE INTEGRAM O PRESENTE CONTRATO. FORMANDO COM ELE UM TODO ÚNICO E INDIVISÍVEL PARA TODOS OS FINS DE DIREITO REGISTRADAS NO CARTÓRIO (...) " (g.n.). Pois bem, estabelecida a relação de unicidade e indivisibilidade entre as Cláusulas Especiais e as Cláusulas Gerais (cujas cópias foram apresentadas pelo Sujeito Passivo; fls.), podese apresentar informação de grande relevo para a apreciação da alegação do "favor financeiro", senão vejamos, mediante transcrição da primeira das Cláusulas Gerais: "PRIMEIRA ABERTURA DE CRÉDITO O FINANCIADOR concede ao FINANCIADO, e este aceita, um crédito disponibilizado mediante solicitação, até o limite indicado nas Cláusulas Especiais do Contrato, exclusivamente destinado ao desconto de títulos registrados em cobrança junto ao FINANCIADOR, provenientes das vendas ou serviços realizados pelo FINANCIADO em decorrência do exercício de sua atividade comercial ou empresarial. [...]" (destacamos) O Contrato (pactuado entre o Sujeito Passivo e o Banco do Brasil S.A.) para Desconto de Títulos, pois, é taxativo e translúcido no sentido de condicionar a abertura de crédito tãosomente ao desconto de títulos provenientes de vendas ou serviços, e que estas vendas (ou serviços) sejam decorrentes do exercício de sua atividade comercial ou empresarial. Assim, o Contrato do qual decorre as mencionadas operações de desconto de duplicatas não permite operações da natureza da alegada pelo Sujeito Passivo — do incomum "favor financeiro", e não subsiste, também, a alegação de "...aquiescência e instrução da própria instituição financeira...". Ao contrário, inferese do Contrato que o Banco do Brasil S.A. pressupôs que as informações prestadas (por meio eletrônico), pelo Sujeito Passivo, eram relativas a duplicatas de vendas decorrentes da atividade empresarial de seu cliente (financiado). Ademais, é notório que as instituições financeiras têm como pressuposto da abertura de (qualquer) crédito a análise da capacidade de pagamento de seu cliente, que, no caso de uma empresa, passa pela análise de suas demonstrações contábeis, incluindo a verificação da natureza, espécie e volume de suas receitas, bem como da continuidade do exercício da atividade empresarial. No caso, o limite de crédito aprovado foi de valor bastante significativo, de R$700.000,00 (setecentos mil reais), pressupondo, pois, que o Banco do Brasil S.A., por seus dirigentes, tenha se subsidiado de elementos seguros acerca da atividade e das receitas operacionais de seu cliente. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 701 25 Como, pois, pretender justificar (e sem qualquer demonstração) que os créditos com histórico "Cobrança" não sejam decorrentes de sua atividade empresarial, mas sim de um excêntrico "favor financeiro " entre empresas? 3.1.1.2.3 Dos Extratos e Cópias de Duplicatas e Borderôs Retomando a análise dos extratos de processamento apresentados em 14/10/2010 (relativos aos descontos de duplicatas, tomados individualmente), deve ser observado, inicialmente, que o Sujeito Passivo, embora intimado e reintimado (TIF de 04/02/2011 e TRF de 04/03/2011 e de 02/05/2011), não apresentou extrato geral especificando os títulos descontados por borderô. Em decorrência, não se pode identificar, pelos extratos apresentados (analíticos; "Detalhamento de título"), o nome do emitente da respectiva duplicata, pois consta tãosomente o nome do sacado. Aliás, também cabe observar que os nomes dos sacados constantes do quadro inserto na manifestação de 13/10/2010 representam tãosomente o nome do sacado constante de um dos extratos referentes a cada liberação diária (na ordem em que apresentados pelos procuradores). Assim, os valores discriminados não representam que teria havido uma única operação de desconto e com um único sacado em cada dia de liberação. No que se refere às cópias (simples) de borderôs e duplicatas apresentadas como anexo das manifestações datadas de 16/11/2010 e 31/03/2011 (recebimento em 22/11/2010 e 04/04/2011, respectivamente), deve ser destacado que o Sujeito Passivo, embora intimado e reintimado (TIF de 04/03/2011 e TRF de 02/05/2011), não produziu qualquer prova no sentido de que as cópias (simples) teriam sido fornecidas pelo Banco do Brasil S.A. Restringiuse a afirmar "esclarecer que todos os borderôs e duplicatas, apresentados anteriormente, foram igualmente fornecidos pelo Banco do Brasil, [...] obtidos diretamente do sistema informatizado da citada instituição bancária" (destaque na transcrição). Interessante notar, a respeito, o teor do requerimento impresso nas cópias de todos os borderôs entregues: "Com base no contrato acima indicado, solicitamos proceder ao desconto dois) titulo(s) relacionados abaixo, encaminhados por meio eletrônico" (destaques na transcrição). Relevante, neste aspecto, verificar o que foi estabelecido na cláusula Terceira do Contrato para Desconto de Títulos (Cláusulas Gerais): que caberá ao Financiado, quando se utilizar de sistemática de envio dos dados dos títulos por meio eletrônico, a responsabilidade pela inclusão de todas as informações necessárias, bem como pela legitimidade e correção dos dados desses títulos. E, no parágrafo único, que o Financiado "ASSUME O ENCARGO DE FIEL DEPOSITÁRIO DOS TÍTULOS, DOS BORDERÔS" e demais documentos que deu causa à emissão dos títulos e do borderô, obrigandose a guardar esses documentos até a quitação do crédito disponibilizado e a entregálos ao Financiador, devidamente endossados (os títulos), "QUANDO" (se) solicitados. Ora, a disposição contratual acima, em conjunto com o requerimento de solicitação de desconto dos títulos encaminhados por meio eletrônico, a apresentação de cópias simples (e não de cópias de microfilmes etc), e falta de qualquer demonstração de que os elementos reprográfícos teriam sido fornecidos pelo Banco do Brasil S.A., convergem no sentido de que se tratam de cópias produzidas pelo (ou do arquivo do) próprio Sujeito Passivo. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 702 26 Também interessante notar nenhuma das duplicatas (cópias) contêm assinatura dos sacados (compradores) aposta no local apropriado do título de crédito {aceite ordinário), e tampouco foram apresentados elementos alternativos pertinentes às outras categorias de aceite —como comprovante do recebimento das mercadorias {aceite por presunção), ou comunicação do aceite, pelo comprador ao vendedor {aceite por comunicação). Aliás, há duplicatas (cópias) que sequer possuem assinatura dos emitentes (p.ex., emitente: Master Couros; sacado: BCB Ind Com de Couros Ltda.; emissão: 20/04/2007; vencimento: 15/05/2007 (n° 0654/01) e 20/05/2007 (n° 0654/02); valor: R$11.733,84), um dos requisitos da duplicata mercantil. Importa observar do que foi acima exposto, que não se está afirmando que não tenha havido descontos de duplicatas no Banco do Brasil S.A., e que não tenha havido créditos na contacorrente do Sujeito Passivo em decorrência de operações de desconto dessa espécie de título de crédito. O que se considera aqui demonstrado é que não há como se assegurar que os créditos com histórico "Cobrança", ainda que decorrentes de operações de desconto de duplicatas, sejam pertinentes às duplicatas (cópias simples) apresentadas pelo Sujeito Passivo. Contudo, e também deve ser destacado, ainda que as duplicatas descontadas correspondam às cópias apresentadas, e tenham como emitentes as empresas nelas consignadas, melhor sorte não restaria ao Sujeito Passivo na tentativa de comprovar a origem dos recursos, utilizados nos créditos objeto da intimação fiscal nesse sentido seja pelas razões já expostas ou pelas que se seguirão. 3.1.1.2.4 Da Alegação do "favor financeiro" e do Ônus de Comprovar a Origem dos Recursos Antes de prosseguir, é oportuna uma pequena digressão acerca da natureza jurídica das duplicatas mercantis. Estabelece o art. 1º da Lei n° 5.474, de 1968, que nas vendas mercantis (entre partes domiciliadas no território brasileiro), com prazo de pagamento não inferior a 30 dias, é obrigatória a emissão, pelo vendedor, de uma fatura para apresentação ao comprador (a partir de 1970, possibilitouse a adoção da "nota fiscalfatura"). Por sua vez, o art. 2ºdo mesmo diploma legal, faculta ao vendedor a extração (a partir da fatura/nota fiscalfatura) de um título de crédito denominado duplicata, "para circulação como efeito comercial". Como todo título de crédito, representa uma obrigação pecuniária, e obedece aos princípios gerais do direito cambiário: cartularidade, literalidade e autonomia. Pelo princípio da cartularidade, para que o credor de um título de crédito exerça os direitos por ele representados é indispensável que se encontre na posse do documento (cártula). E, constando do título de crédito, cláusula "à ordem", significa que o seu credor pode negociar o crédito por ele representado mediante um ato jurídico, trasladador da titularidade do crédito, de efeitos cambiais, denominado endosso. E o possuidor de título de crédito endossado ("em branco ", sem identificação do endossatário; ou "em preto ", com indicação de seu nome) é tido como detentor do crédito nele representado. Assim, com o endosso, o endossatário adquire o crédito expressado no título de crédito ("à ordem"), crédito que é transferido do endossante (alienante) que, naturalmente, deixa de ser credor do título. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 703 27 Portanto, diante da legislação, finalidade, e do que sói ocorrer (inclusive no ramo de comercialização de couros), a única conclusão razoável no caso (e considerando, para efeito de argumentação, que as cópias de duplicatas representem as que foram objeto das operações de desconto relativas aos extratos apresentados), é que clientes do Sujeito Passivo, como forma de pagamento de mercadorias adquiridas, tenham entregue duplicatas por eles emitidas em face de terceiros, as quais foram descontadas pelo Sujeito Passivo junto ao Banco do Brasil S A. Contudo, não se pode perder de vista que descabe ao fisco, ante a presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, provar a origem dos recursos utilizados nos créditos bancários. O ônus de comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, como estabelecido na legislação, é do Sujeito Passivo. E não se pode olvidar que não se trata (simplesmente) de provar a origem dos créditos, mas a origem dos recursos relativos a determinados créditos (com o histórico "Cobrança"). E a alegação do "favor financeiro", acompanhada dos elementos apresentados pelo Sujeito Passivo, a título de comprovar a origem dos recursos utilizados nos mencionados créditos bancários, por todas as razões acima externadas, não se sustenta, não tem como prosperar. Resultando, pois, não comprovada a origem dos recursos utilizados nos aludidos créditos, os valores creditados caracterizamse omissão de receitas, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. 4. DA TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS OMITIDAS 4.1 SIMPLES PERÍODOS: 01/2007 A 06/2007 Nos termos do artigo 18 da Lei n° 9.317, de 1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, aplicamse aos impostos e contribuições inclusos neste sistema de tributação favorecida as mesmas presunções de omissão de receitas previstas nas leis de regência destes tributos, conquanto apuráveis com base nos livros e documentos a que estejam obrigados a manter as ME e EPP. Considerando que o Sujeito Passivo foi optante do Simples Federal no período compreendido entre 01/01/2007 e 30/06/2007 (1º semestre de 2007), porém apresentou a respectiva Declaração Simplificada (PJSI) somente após o início da ação fiscal, e ainda assim constando "0,00" nos campos relativos à receita bruta e Simples devido/a pagar (Ficha 04A Demonstração das Receitas e Simples a Pagar), e que não tentou ou não logrou êxito (conforme exposto anteriormente) em comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos e créditos havidos em sua contacorrente bancária (no Banco do Brasil), então os saldos bancários mensais (totais líquidos mensais) referentes aos meses de janeiro a junho de 2007 (compendiados no Demonstrativo Sintético dos Depósitos e Créditos Não Comprovados; item 2.1), caracterizamse, por presunção legal (art. 42 da Lei n° 9.430/96), receitas omitidas,passíveis de tributação pelo sistema Simples, e relacionadas abaixo: Banco do Brasil S/A C/C 12.1452 1º Semestre 2007 Valores Debitados Valores Creditados Saldos Mensais Receitas Omitidas Fl. 703DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 704 28 Janeiro 0,00 334.643,54 334.643,54 334.643,54 Fevereiro 0,00 386.259,79 386.259,79 386.259,79 Março 0,00 420.416,00 420.416,00 420.416,00 Abril 0,00 120.673,16 120.673,16 120.673,16 Maio 0,00 141.026,10 141.026,10 141.026,10 Junho 0,00 96.627,31 96.627,31 96.627,31 Total 0,00 1.499.645,90 1.499.645,90 1.499.645,90 Cabe registrar que os recolhimentos, de Simples (cód. 6106), identificados nos sistemas da RFB (relativos aos períodos de apuração de março (R$780,00) e abril (R$978,75, de principal) de 2007 (efetuados em 20/04/2007 e 25/06/2007, respectivamente), estão sendo considerados como dedução dos respectivos tributos e períodos de apuração objeto de lançamento de ofício relativo ao Simples motivo pelo qual a infração foi identificada, em cada Auto de Infração, como insuficiência/falta de recolhimento (com apuração a partir dos descritos valores de saldos de depósitos bancários de origem não comprovada). [...] 6. CONCLUSÃO E ENCERRAMENTO DO PROCEDIMENTO Diante da constatação das infrações acima descritas, e em observância à legislação tributária, formalizouse o correspondente crédito tributário (inclusive relativo à multa de ofício e aos juros de mora). No que se refere aos períodos de apuração do 1º Semestre de 2007, mediante autos de infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep, e da Contribuição para a Seguridade Nacional INSS, todos pertencentes à sistemática de tributação favorecida do SIMPLES, e exigidos no Processo Administrativo Fiscal (digital) n° 10950722.535/201111. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A Recorrente foi cientificada do Termo de Início de Fiscalização, fls. 0406 em 14.07.2010, fl. 07, e apresenta a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) em 15.12.2010, fl. 429. O enunciado as Súmula CARF nº 33 prevê que “a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”, cujas decisões reiteradas e uniformes do CARF ali consubstanciadas são de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72 do Anexo II da Portaria MF 256, de 22 de junho e 2009, que aprova o Regimento Interno do CARF. Portanto, a DSPJ entregue em 15.12.2010, fl. 429, não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Além disso, a Recorrente, optante pelo Simples no período objeto do procedimento fiscal, apresentou a DSPJ com valores zerados nos campos relativos à receita bruta e aos tributos devidos na Ficha 04A Demonstração das Receitas e Simples a Pagar), e que não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos conta corrente mantida junto ao Banco do Brasil S/A, e por essa razão caracterizamse, por presunção Fl. 704DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 705 29 legal, receita omitida passível de tributação pela sistemática do Simples (art. 7º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro 1996). O motivo destacado pela defendente, por conseqüência, não pode ser verificado. Sobre o “desconto de duplicatas” temse que a Recorrente não comprovou essas operações bancárias, limitandose a apresentar cópias de borderôs e duplicatas, e afirmar que “a restituição dos valores às favorecidas não seguiam um padrão ou formalidade, ora eram devolvidos em dinheiro, ora eram utilizados como crédito a ser abatido de operações comerciais”. Nesse sentido, não foram apresentados documentos que comprovassem de forma clara, precisa e congruente, coincidentes em datas e valores que de fato essas operações bancárias foram realizadas Ademais, os valores discriminados pela Recorrente não representam que teria havido uma única operação de desconto e com um único sacado em cada dia de liberação. Assim, não se produziu nos autos um conjunto probatório robusto de forma clara, explícita e congruente que afaste a caracterização de omissão de receitas no sentido em que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O arrazoado estabelecido pela defendente, contudo, não se prova como verídico. Desse modo, os elementos constantes nos autos evidenciam que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 11. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 11 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 706 30 Carmen Ferreira Saraiva Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado. Se se trata, no caso, de créditos bancários com histórico “cobrança”, não se trata, na realidade, de “depósito bancário de origem não comprovada”, eis que cabalmente identificada a origem dos recursos depositados (vendas a prazo). Irrelevante, por outro lado, serem da própria Recorrente ou de terceiros os correspondentes títulos objeto de cobrança. Aplicase, no caso, o tratamento previsto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de seguinte teor: Art. 42. [...]. [...]. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Assim sendo, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da exigência fiscal os créditos bancários com o histórico “cobrança” (Anexo I, de fls. 60 e 61 – ND). Por decorrência, devem ser recalculados os percentuais do Simples aplicáveis sobre a receita bruta, em face da alteração acima procedida. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 706DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10950.722535/201111 Acórdão n.º 1803002.465 S1TE03 Fl. 707 31 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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