Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10865.720294/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832.
A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
Numero da decisão: 1302-002.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10865.720294/2008-39
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5904007
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.943
nome_arquivo_s : Decisao_10865720294200839.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10865720294200839_5904007.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7429590
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868833583104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.720294/200839 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.943 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria Compensação Recorrente INTERNATIONAL PAPER DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 02 94 /2 00 8- 39 Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10865.720294/200839 Acórdão n.º 1302002.943 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil, pela qual a contribuinte assinala compensação de parcela da dívida do ajuste do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2003, apontando crédito perante a Fazenda Nacional na importância de R$ 2.754.666,18 à conta de pagamento a maior que o devido quando da antecipação em base estimada desse mesmo tributo, havida em 30/09/2003, sob código de receita n 2362. A recorrente foi intimada pela DRFLimeira para que fossem prestados esclarecimentos e apresentados demonstrativos do valor recolhido a maior, vindo aos autos a resposta junto com documentados comprobatórios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP exarou o despacho decisório não homologando a compensação declarada ao fundamento de inexistência de crédito a favor da contribuinte. Referido decisório consigna que no final do anocalendário de 2003 o valor do IRPJ pago durante aquele ano foi exatamente o que deveria ter sido recolhido, exceto em novembro e dezembro em que os pagamentos superaram o devido pelas importâncias de R$ 417.275,10 e R$ 30.998,23, respectivamente. Registra que a anotação feita pela contribuinte em no demonstrativo por ela elaborado mostra que o valor anual do IRPJ ali constante, desconsiderados os excessos de novembro e dezembro, perfaz o montante de R$ 68.118.545,89, exatamente aquele feito constar na Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), antes da dedução das estimativas mensais. Assevera, ainda, que a entrega de declaração de compensação para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste final constitui forma de planejamento tributário na medida em que dito procedimento intenta correção do valor que teria sido "recolhido a maior" (aspas do original) pela Selic e o montante assim obtido é suficiente não só para quitar o tributo obtido na apuração anual como outros tributos. Ao final reafirma que não é possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não há crédito em seu favor, nem tampouco crédito tributário em favor da União por conta do IRPJ apurado no anocalendário de 2003, eis que extinto por pagamento. Regularmente cientificada, ingressou a interessada com a tempestiva peça recursal, acompanhada dos documentos, solicitando a reforma do despacho decisório para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação apresentada. Argumenta, em síntese, que a decisão foi proferida em flagrante desrespeito à legislação tributária, especialmente a que trata da necessidade do lançamento (art. 142 do CTN), inclusive porque alterouse a base de cálculo do tributo, bem assim, que suportada Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10865.720294/200839 Acórdão n.º 1302002.943 S1C3T2 Fl. 4 3 apenas em planilhas e demonstrativos, desconsiderando todas as declarações (DCTF e DIPJ) entregues pela contribuinte, sem desqualificálas ou requalificálas. Aduz que no contexto de tributo sujeito a "lançamento por homologação" a tarefa de constituição do crédito tributário é conferida ao sujeito passivo, conforme prescreve o artigo 150 do CTN, cabendo aos agentes fiscais tão somente a função de homologar, ou não, a atividade ultimada pela contribuinte. Lembra que até mesmo nas hipóteses em que a infração à legislação, tributária não resulte na exigência de crédito tributário fazse necessária a figura do lançamento de oficio, através de suas espécies: auto de infração ou notificação de lançamento.. Reafirma que o Fisco não alterou de oficio o valor da estimativa confessado na DCTF, restando evidenciada a existência de quantia recolhida a maior na medida em que o efetivo pagamento foi de monta superior àquela declarada. Assevera que a opção pelo pagamento por estimativa é exercida com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada) e que o código de receita (2362) é único, não havendo distinção entre a sua forma de apuração (via balancete ou receita bruta). Assim, estimativas pagas que não observaram a forma prevista em lei (no caso o artigo 2° da lei n° 9.430/96) não podem ser informalmente alocadas de oficio, para determinação do saldo de imposto de renda apagar, apenas com o efeito de propiciar a negativa do direito à compensação, uma vez que o valor apurado a recolher na DIPJ ainda permanece inalterado. Por fim, realça que sobre o indébito devem incidir juros Selic desde o mês subsequente ao do pagamento e requer que os débitos indicados no DARF encaminhado para a impugnante juntamente com o despacho decisório ora impugnado fiquem com a exigibilidade suspensa até decisão definitiva na esfera administrativa, nos termos do artigo 74, §9° e §11, da Lei n°9.430, de 1996”. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, como se pode extrair da ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EFEITOS. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA EXIGÊNCIA FISCAL DE QUANTIAS INDEVIDAMENTE COMPENSADAS. O ato administrativo de não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é apto, por si só, para produzir os efeitos de direito, dentre eles o de exigência da parcela do débito fiscal indevidamente compensado, em face da legislação de regência atribuir à declaração de compensação o caráter de confissão de dívida. Em decorrência, não se faz necessário o lançamento para fins de exigência do crédito tributário, nem tampouco sua ausência vicia o ato nãohomologatório. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10865.720294/200839 Acórdão n.º 1302002.943 S1C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1° de janeiro subsequente. Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão retro, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário à apreciação deste Conselho, aduzindo, em síntese, as seguintes razões: A decisão recorrida se fundamenta em premissas equivocadas, haja vista que a discussão sobre a necessidade de lançamento referese à valoração do crédito, pois a retificação de ofício da DIPJ revelase condição prévia para mudança nos valores declarados como "estimativas recolhidas", "IRPJ devido" e "IRPJ a pagar" fundamentos utilizados pela DRF/Limeira para negativa do crédito postulado na compensação. Necessidade de lançamento para alterar a apuração do IRPJ: não é possível que o Fisco modifique a DIPJ da Recorrente apenas com uma planilha e ilações sobre procedimentos que ela teria adotado; é necessário que efetue lançamento. Para negar o crédito sob o argumento de que a DIPJ estaria incorreta e deveria ser alterada, a DRF/Limeira necessariamente deveria ter procedido a retificação de ofício via lançamento. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10865.720294/200839 Acórdão n.º 1302002.943 S1C3T2 Fl. 6 5 O acórdão recorrido equivocase ao confundir o momento da opção pelo regime de tributação (real, presumido ou arbitrado) com o regime de apuração de estimativas mensais; pois, no caso específico da estimativa, a opção é exercida somente com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada pela Recorrente), uma vez que durante o ano somente são realizados os recolhimentos a título de antecipação. Requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório da Recorrente, com a consequente homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.941, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10865.720297/2008 72, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ referente ao mês de novembro de 2003. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, relativa ao mês de agosto de 2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.941): "O contribuinte teve ciência do Acórdão recorrido em 14/10/2009 e protocolou Recurso Voluntário em 29/10/2009. Constatada a tempestividade do presente recurso, deste conheço. Este processo trata da discussão quanto à negativa de homologação da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 25650.06888.120304.1.3.043878 pela DRF/Limeira, que assim o fez por apurar a inexistência do crédito indicado na referida declaração. A PER/DCOMP mencionada, surgiu porque o contribuinte considerou que do pagamento de R$ 6.163.720,21 relativos ao IRPJ devido por estimativa no mês de novembro de 2003, R$ 3.792.647,04 seriam indevidos e, por isso, os utilizou para compensar o IRPJ apurado no ajuste anual daquele mesmo anocalendário e o débito de Cofins nãocumulativa do mês de fevereiro de 2004. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10865.720294/200839 Acórdão n.º 1302002.943 S1C3T2 Fl. 7 6 De acordo com a unidade preparadora, houveram duas retificações da DCTF. Na DCTF original, o contribuinte havia declarado que o valor do IRPJ apurado por estimativa no mês de novembro era R$ 6.163.720,21, mas após o encerramento do período a retificou a fim de reduzilo para R$ 2.371.073,17, mesmo valor informado na DIPJ/2004 (fl. 90). A partir dos demonstrativos encaminhados pelo próprio contribuinte, a DRF/Limeira concluiu que a diferença entre os valores foi decorrente da mudança na forma de apuração da estimativa: inicialmente havia sido feita por meio de levantamento, com apuração do lucro real do período (fls. 14 a 17), devidamente registrado no Livro Diário (fls. 53 a 73) e depois com base na receita bruta (fls. 36 a 42). A alteração na forma de apuração do IRPJ poderá ser procedida dentro do anocalendário, já que não se trata da figura do pagamento, propriamente dito, mas sim de antecipações do quantum devido a título de IRPJ, já que a lei permitia que as estimativas fossem calculadas de acordo com o art. 2º da Lei 9.430/96. Porém, encerrado o período e verificado que o IRPJ apurado é exatamente aquele recolhido, não se poderá mais falar em antecipações feitas a maior, mas sim em saldo negativo (ou a pagar) de IRPJ; este sim sendo passível de repetição. No entanto, como pontuado pela decisão recorrida, no caso dos autos não há busca de compensação deste saldo negativo, mas sim, dos "excessos" mensais, dentre os quais o do mês de novembro em análise. Isso porque, após o encerramento do período, o contribuinte verificou que o lucro mensal por ele de fato auferido era superior ao calculado de acordo com o art. 2º da Lei n.º 9.430/96, o que implicou o pagamento do IRPJ em valor superior àquele que seria obtido com base na receita bruta e acréscimos. Diante disso, o contribuinte considerou que os recolhimentos eram maiores que o devido e encaminhou as declarações objeto deste processo, para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste anual. A DRF/Limeira, não homologou a PER/DCOMP sob o fundamento que findo o período de apuração, não pode a contribuinte alterar a sistemática de apuração para calcular a estimativa com base na receita bruta. Registrase, também, que a Unidade Preparadora não aceitou a exclusão da adição do depósito judicial de INSS no ajuste anual, no montante de R$ 1.741.981,39 (fl. 110) – que teria originado suposto recolhimento a maior no mês de novembro/2003 (R$ 417.275,10) – pois através das informações prestadas pelo contribuinte, apurou que este não havia comprovado que este valor não havia sido efetivamente deduzido como despesa; bem como porque, em razão do regime de Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10865.720294/200839 Acórdão n.º 1302002.943 S1C3T2 Fl. 8 7 competência, este valor não poderia ser apropriado como despesa no anocalendário seguinte. Pois bem. Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, tem se que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Contudo, tal posicionamento foi superado pela súmula CARF n.º 84, verbis: Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10865.720294/200839 Acórdão n.º 1302002.943 S1C3T2 Fl. 9 8 Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Da leitura da súmula acima vêse claramente que o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado consistente na diferença entre o valor recolhido e o valor devido com base na estimativa mensal incidente sobre a recita bruta, homologando as compensações até o montante requerido pelo contribuinte. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.935914/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72.
Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-003.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15374.935914/2009-69
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5904501
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-003.052
nome_arquivo_s : Decisao_15374935914200969.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 15374935914200969_5904501.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7429909
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868836728832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.935914/200969 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302003.052 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO CRÉDITO INEXISTENTE Recorrente IBRAM INSTITUTO BRASILEIRO DE MEDICINA NUCLEAR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROCESSUAL PRECLUSÃO INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Operase preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 59 14 /2 00 9- 69 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15374.935914/200969 Acórdão n.º 1302003.052 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o processo de pedido de compensação de crédito oriundo de pretenso indébito de IRPJ apurado no anocalendário de 2004. Inicialmente, o pleito não foi homologado em razão de, na forma do despacho decisório constante dos autos, terse verificado que o DARF que dera origem ao pedido estar alocado, integralmente, à débito declarado em DCTF. Cientificado do respectivo despacho, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade sustentando, em apertada síntese, que teria se equivocado quando do preenchimento da mencionada DCTF tendo apresentado, junto com a sua petição, cópia de declaração retificadora, por meio da qual, exclui o débito relativo ao primeiro trimestre de 2004. Ao analisar a manifestação do recorrente, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente dado entender que a DCTF retificadora teria sido transmitida em 21/07/2009 e, portanto, após a ciência, pela empresa, de despacho decisório concernente a pedido de compensação tratado em processo conexo, relativo ao mesmo crédito. Ato contínuo, e sem maiores explicações, considerou não demonstrada a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado do acórdão supra em 16 de setembro de 2011 (sextafeira), conforme AR juntado à efls. 110, o recorrente interpôs suas razões de insurgência em 18 de outubro de 2011 (terçafeira), tal como se extrai do carimbo aposto à efls. 112, alegando que: a) a DCTF retificadora seria, per se, suficiente para comprovar o crédito pleiteado, não se observando, na hipótese, a perda da espontaneidade pelo fato de ter sido transmitida após despacho decisório proferido em outro processo de compensação, cujo objeto é o mesmo crédito tratado neste feito; b) a par do alegado anteriormente, a retificação realizada teria se dado porque o contribuinte, sujeito ao regime de lucro presumido, teria aplicado o percentual de presunção de 32% sobre a sua receita bruta quando, como demonstra através de Solução de Consulta de nº 340/04 de 29 de julho de 2004, estaria sujeita ao percentual de 8% por desenvolver atividade hospitalar. A vista do exposto, sustenta que faria, sim, jus ao direito creditório pleiteado, requerendo, pois, a reforma do acórdão combatido e a homologação de seu pleito. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15374.935914/200969 Acórdão n.º 1302003.052 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.047, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.943401/2009 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.047): "O recurso é tempestivo mas, todavia, não merece conhecimento. De fato, o contribuinte argui, em manifestação, apenas e tão somente, que o crédito se originaria de erro no registro de sua DCTF, justificando a respectiva retificação apenas em tal alegação genérica. Apenas quando da interposição de seu recurso voluntário o contribuinte suscita se tratar de empresa que desenvolve atividade hospitalar e que, nesta esteira, faria jus á redução de sua base de presunção... há, neste passo, inegável, e vedada, inovação da matéria em litígio em aberto e incontendível afronta aos preceitos dos arts. 16 e 17 do Decreto 70.235/72. A matéria abordada pelo recurso voluntário, pois, já estaria abarcada por preclusão lógica. Como esta é a única questão tratada no recurso voluntário e, não tendo sido arguída em primeira instância, consentaneamente, o próprio apelo carece dos requisitos mínimos a sua apreciação. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.724611/2011-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva.
PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva. PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13603.724611/2011-61
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5915397
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.243
nome_arquivo_s : Decisao_13603724611201161.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13603724611201161_5915397.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7465411
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868839874560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1988; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13603.724611/201161 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.243 – 3ª Turma Sessão de 11 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Recorrente CNH INDUSTRIAL LATIN AMÉRICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva. PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 46 11 /2 01 1- 61 Fl. 3936DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte, ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3301002.805, de 29/01/2016. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo negou ao contribuinte o direito de creditamento quanto às despesas com fretes na transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada. A Contribuinte apresentou Recurso Especial aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente a quatro matérias: 1) creditamento dos valores despendidos com o treinamento de funcionários; 2) crédito relativo a serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de sistemas de controles deve ser reconhecido; 3) crédito referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente e 4) possibilidade de juntada e da análise das provas apresentadas pelo contribuinte a qualquer tempo. Para comprovar a divergência, aponta os acórdãos nºs 3401002.857, 3402 001.982, 3401002.075. O Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, mediante despacho de admissibilidade, deu seguimento parcial ao Recurso, admitindo apenas a rediscussão referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos. Inconformada com o seguimento parcial de seu recurso, a Contribuinte apresentou agravo no qual alega que as matérias referentes ao aproveitamento dos custos com treinamento de pessoal, com serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão Fl. 3937DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 4 3 de sistemas de controle e com a juntada e análise de provas a qualquer tempo, foram prequestionadas e que as respectivas divergências foram devidamente demonstradas. O Presidente do CARF entendeu estar correto o despacho de admissibilidade, e não conheceu do Agravo por ausência de prequestionamento, nos termos do inciso V, do §3º, do art. 71, do RICARF. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.068, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 13603.724491/201100, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.068): "Os recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, deles tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Passo ao julgamento. "1. Interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 Com efeito, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito Fl. 3938DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 5 4 adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 3939DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 6 5 Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade Fl. 3940DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 7 6 econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/0209115 0), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Em que pese a matéria estar parcialmente decidida pelo Poder Judiciário, pelo menos ao meu juízo, mantenho meus critérios de julgamento para análise de caso a caso, para que se possa aferir de fato se os insumos são essenciais atividade empresária. (...)3 Recurso da Contribuinte Créditos inerentes aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos 3 Deixouse de transcrever, do acórdão do paradigma (9303007.068), a parte do voto na qual foi julgado o recurso especial da Fazenda Nacional, interposto naquele processo, tendo em vista que, no presente processo, o litígio restringese ao recurso especial do contribuinte. Fl. 3941DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 8 7 Conforme depreendese do despacho de admissibilidade a matéria aceita como divergente diz respeito ao direito de crédito de fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática dos recursos repetitivos previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, na sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Fl. 3942DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 9 8 Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêseque na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não Fl. 3943DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 10 9 cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Fl. 3944DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 11 10 Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida Fl. 3945DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 12 11 sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 3946DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 13 12 Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: ∙ Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. Fl. 3947DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 14 13 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. Fl. 3948DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 15 14 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradoresdas Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; Fl. 3949DF CARF MF Processo nº 13603.724611/201161 Acórdão n.º 9303007.243 CSRFT3 Fl. 16 15 A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e dou provimento ao Recurso da Contribuinte. " No presente processo houve interposição de recurso especial apenas pelo contribuinte, de sorte que o decidido no paradigma quanto ao recurso da Fazenda Nacional em nada afeta o presente litígio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 3950DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14489.000588/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/05/2005
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. EXIGIBILIDADE.
A empresa contratante deverá reter 11% (onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada.
Numero da decisão: 2402-006.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Redator-designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2004 a 31/05/2005 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. EXIGIBILIDADE. A empresa contratante deverá reter 11% (onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 14489.000588/2008-36
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5911945
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.252
nome_arquivo_s : Decisao_14489000588200836.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
nome_arquivo_pdf_s : 14489000588200836_5911945.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Redator-designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7440775
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868847214592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1657; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 443 1 442 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14489.000588/200836 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.252 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VALE SUL ALUMÍNIO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 31/05/2005 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. EXIGIBILIDADE. A empresa contratante deverá reter 11% (onze por cento) sobre o valor bruto dos serviços contidos em nota fiscal, fatura ou recibo, e recolher a importância retida em nome da empresa contratada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Redatordesignado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 05 88 /2 00 8- 36 Fl. 443DF CARF MF Processo nº 14489.000588/200836 Acórdão n.º 2402006.252 S2C4T2 Fl. 444 2 Temse Recurso Voluntário de fls. 425/437, voltado contra Acórdão de fls. 413/420, da 10ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário conforme lançado. Transcrevo, por oportuno, o relatório da d. Decisão recorrida: "Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 37.093.6930, consolidado em 31/10/2007), no valor de R$ 4.999,69; acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fis. 109/118) referese à retenção de 11% do valor bruto dos serviços contidos em notas fiscais de prestação de serviços, executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, nas competências de 04/2004 a 05/2005 (descontínuo). 2. Inforrna a Auditoria Fiscal que os valores das retenções que deveriam ser destacadas nas notas fiscais/faturas emitidas pelas CONTRATADAS e retidas pelo CONTRATANTE, foram obtidos observandose os percentuais legais, aplicados diretamente sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas pelos prestadores dos serviços, eis que as bases utilizadas foram menores do que as previstas na legislação ou não houve o destaque do percentual de 11% (onze por cento), nos temios do artigo 31 da Lei n° 8.212/ 1991 c/c o artigo 219 do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. 2.1. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 109/118, e demonstrativos anexados às fls. 123/124, as contribuições foram apuradas com base nas notas fiscais de serviços, correspondentes a serviços considerados como executados mediante cessão de mãodeobra da seguinte natureza: cursos e treinamentos. DA IMPUGNAÇÃO 3. A interessada interpôs impugnação às fls. 135/290, alegando em suma: 3.1. A tempestividade da impugnação; 3.2. Que a autoridade autuante se limitou, tãosomente, a fazer a descrição do fato gerador do tributo sem, contudo, provar a sua ocorrência; 3.3. Que os “regulamentos” listaram diversas atividades definidas ora como empreitada e ora como cessão de mãode obra, para os fins de aplicação da retenção de 11% pelo contratante sobre as faturas de prestação de serviços por terceiros contratados; 3.4. Para os fins de aplicação da retenção aqui discutida, não basta que determinado serviço esteja previsto nos “regulamentos”. É necessário que os serviços sejam prestados mediante cessão de mãodeobra, confomie o conceito legal estabelecido pelo artigo 31, da Lei n° 8.212/91; Fl. 444DF CARF MF Processo nº 14489.000588/200836 Acórdão n.º 2402006.252 S2C4T2 Fl. 445 3 3.5. Que nao possui qualquer relação de subordinação com a empresa contratada para realização das atividades de treinamento, comprovando assim a ausência de cessão de mão deobra; 3.6. Que a impugnante se utiliza de prestador de serviço para realização de cursos e treinamentos. De fato, tal serviço está expressamente listado nos “regulamentos”. Entretanto, os mesmos só estariam sujeitos à retenção, nos termos do artigo 31, § 3°, da Lei n° 8.212/91, se contratado mediante cessão de mão deobra; 3.7. Em que pese o esforço do agente autuante, as justificativas por ele expostas com o objetivo de enquadrar a atividade de treinamento contratada como uma prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra , são notadamente insuficientes: 3.8. O conceito doutrinário de cessão de mãodeobra impõe necessariamente que os prestadores de serviços fiquem subordinados ao contratante, o qual fica responsável pela coordenação das atividades; 3.9. Os serviços prestados à Impugnante, não se coadunam com a definição de cessão de mão de obra, vez que foram executados em caráter esporádico, eventual, sem habitualidade e em curta duração, conforma a necessidade momentânea da Impugnante de promover a atualização profissional de seus funcionários; . 3.10. Em nenhum momento o fiscal autuante demonstrou a existência de uma cessão de mãodeobra, caracterizada pela subordinação dos empregados da contratada à impugnante; 3.11. Requer a realização de diligências e apresentação de novos documentos, sob pena de violar o princípio da ampla defesa constitucionalmente garantido aos litigantes/contribuintes, bem como, que seja conhecida e provida a presente defesa para declarar extinto o crédito tributário." Em seu recurso, reprisa a empresa recorrente os argumentos lançados em sua peça de Defesa, no sentido em que manifesta sua irresignação nos mesmos pontos anteriormente atacados. Nesse sentido, alega não haver, no caso, que se falar em cessão de mãode obra, uma vez que não teria havido uma análise pormenorizada dos serviços ditos como previstos nos regulamentos aplicáveis à matéria. Assim, o entendimento adotado pela d. DRJ, violaria frontalmente a jurisprudência firmada no e. Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria. Destaca o recorrente, às fls. 431, que: "Tal entendimento, no entanto, viola flagrantemente a jurisprudência firmada pelos Tribunais pátrios, em especial aquele já reiteradamente manifestado pelo Eg. Superior Tribunal Fl. 445DF CARF MF Processo nº 14489.000588/200836 Acórdão n.º 2402006.252 S2C4T2 Fl. 446 4 de Justiça STJ. Nesse sentido, cumpre destacar trecho do julgamento do REsp n° 499.955', no qual o Ilmo. Ministro Teori Albino Zavascki afirma: '(..) Além disso, destacase que o rol exemplificativo colocado no § 4 ” do art. 31 deve estar em consonância com as características expostas no § 3°, não se mostrando suficiente,_para a caracterização da cessão de mãodeobra da Lei 8.212/91, a mera realização das atividades elencadas naquele dispositivo. '" Em seguida, aponta que, não se pode falar em "presunção" de que os serviços elencados no §4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, configuramse como de mão de obra, uma vez que, segundo o Regulamento da Previdência Social, estão sujeitos à retenção de 11% aqueles exclusivamente contratados mediante cessão de mãodeobra, conforme o §3º do art. 31 da lei supracitada. Afiança que para que se tenha "cessão de mãodeobra", imporia a dogmática que seria necessária a subordinação, e os demais elementos contidos em lei, o que não ocorre em suas atividades. Dessa forma, "serviços contratados sem cessão de mãodeobra, ainda que expressamente previstos em 'regulamento' não estão sujeitos à retenção de 11%." (fls. 432) No presente caso, advoga no sentido de que não há a configuração dos elementos necessário para terse a cessão de mãodeobra, como a necessidade permanente da contratante, a periodicidade ou sistematicidade necessárias e a subordinação. Afia que os serviços prestados tem execução em caráter esporádico, eventual, sem habitualidade e em curta duração. Colaciona jurisprudência em defesa de sua tese. Ao final, registra: "Com efeito, tendo em vista que na presente hipótese em nenhum momento restou demonstrada a existência de subordinação dos empregados das contratadas à Recorrente, bem como a ingerência desta no desenvolvimento das atividades daquelas, estão ausentes os requisitos essenciais à caracterização da cessão de mãodeobra (pressuposto para a ocorrência do fato gerador da retenção de 11%, a titulo de contribuição previdenciária)." Assim, requer, que seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário e, consequentemente, integralmente cancelada a respectiva NFLD. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Fl. 446DF CARF MF Processo nº 14489.000588/200836 Acórdão n.º 2402006.252 S2C4T2 Fl. 447 5 1 – ADMISSIBILIDADE. Presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, voto por conhecer do recurso e passando à análise de suas razões. 2. DO LANÇAMENTO E DO OBJETO DO RECURSO. Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD n° 37.093.6930, consolidado em 31/10/2007), no valor de R$ 7.907,57, principal, acrescidos de juros e multa, lançado contra a Recorrente por descumprimento de obrigação quanto a retenção e recolhimento de contribuição destinada seguridade social. Tal obrigação estaria lastreada no que dispõe o artigo 31, da Lei n° 8.212/911 e o artigo 219 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, impondo a Recorrente o dever de reter e recolher Contribuição Previdenciária, a razão de 11%, incidente sobre a nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário. Os lançamentos combatidos no presente processos referemse a prestação de serviços realizada pela empresa incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, os quais foram realizados pela empresa J TEC HIDRAULICA PROJETOS E ASSISTÊNCIA TÉCNICA LTDA, CNPJ 40.186.835/000100, classificadas pelo i. fiscal como executados mediante cessão de mão de obra ou empreitada, nas competências de 04/2004 até 05/2005. 1 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). §1º O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). §5º O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). §6º Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 14489.000588/200836 Acórdão n.º 2402006.252 S2C4T2 Fl. 448 6 O Acórdão objurgado deliberou pela improcedência. O Recorrente, por sua vez, centra as discussões no conceito de cessão de mãodeobra e sua inaplicabilidade as operações tomadas por base para o lançamento objetado. 3. DO CONCEITO DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA E DA ALEGAÇÃO DE INDEVIDO ENQUADRAMENTO DOS PRESTADOS À RECORRENTE EM TAL MODALIDADE DE CONTRATAÇÃO. 3.1. DO CONCEITO DE CESSÃO DE MÃODEOBRA. O Art. 31 da Lei 8.212/91, alterado pela Lei nº 9.711/98, estabelece que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive sob regime de trabalho temporário, deverá reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura relativa a tais serviços. 2 Estabelece ainda que tal valor deve ser destacado em nota fiscal ou fatura, sendo objeto de compensação pelo cedente da mão de obra, quando do recolhimento das contribuições de seus segurados, incidentes sobre folha de pagamento e que, na impossibilidade de haver compensação, o saldo remanescente será objeto de restituição. 3 Tratase de contribuição arrecadada sob a sistemática de antecipação do devido por meio da técnica de retenção na fonte pagadora, que passa a condição de responsável solidária em caso de ausência de retenção e recolhimento de tal antecipação. A própria Lei 8.212/91, no parágrafo 3º do Art. 31, dispõe sobre o conceito de cessão de mãodeobra para os fins de incidência da obrigação tributária acessória em estudo. Vejamos: §3º Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. E seguindo em seu intento de limitação do alcance conceitual de cessão de mão de obra, apresentou rol de atividades presumidamente classificáveis como tal, deixando aberta a possibilidade de norma regulamentadora, indicar outras atividades com tal natureza. Vejamos: §4º Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: 2 "Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. 3 Art. 31 [...] §1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. §2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição Fl. 448DF CARF MF Processo nº 14489.000588/200836 Acórdão n.º 2402006.252 S2C4T2 Fl. 449 7 I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974. E por fim segue estabelecendo outras obrigações inerentes a operacionalização de tal obrigação, como a determinação, ao cedente da mãodeobra, do dever de elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante4. O Regulamento Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em seu Art. 219, §2º passou a listar uma série de atividades que seriam presumidamente classificadas como cessão de mãodeobra. Entretanto, não deixou de estabelecer como premissa de aplicação da presunção, uma avaliação quanto ao conceito de cessão de mão de obra. Vejamos: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: [...] Assim, ainda que os serviços seja referentes as atividades listadas nos incisos do §2º do Art. 219 do RPS, não se pode deixar de verificar se a contratação de tais serviços se enquadra no conceito de cessão de mãodeobra. Importante registrar que para alguns, o fato da atividade constar do Rol de serviços de que trata o §2º do Art. 219 do RPS, implicaria em presunção legal de incidência da obrigação acessória de retenção, que somente poderia ser afastada com base em provas hábeis e idôneas capazes de demonstrar que a contratação não se realizou sob o regime de cessão de mãodeobra. Para este relator, o rol em questão representa, em realidade, uma prescrição taxativa dos serviços que, se prestados sob o regime de cessão de mãodeobra, gerariam a obrigação do contratante, sob pena de responsabilidade solidária, de reter e recolher, por 4 §5º O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante." Fl. 449DF CARF MF Processo nº 14489.000588/200836 Acórdão n.º 2402006.252 S2C4T2 Fl. 450 8 antecipação do devido pelo contratado, parte da contribuição previdenciárias incidente sobre a folha de pagamentos dos empregados da cedente, que estejam a seu serviço. Assim, aqueles serviços que, mesmo prestados sob o regime de cessão de mão de obra, não tiverem previsão em tal lista, não gerariam o dever de retenção ou responsabilidade solidária do contratante. Em qualquer dos casos, é imprescindível à validade do lançamento, a demonstração de que a contratação atende as características de uma locatio operarum. Em que pese haver algumas variações quanto ao conceito de cessão de mão deobra, uma vez que a lei tomou para sí o deve de definila, não caberia ao interprete, em nosso sentir, desconsiderar os elementos de tal conceito ao interpretar a aplicabilidade do mesmo aos fatos econômicos em análise. Nesse sentido, seria objeto de analise, apenas as operações que tivessem por objeto a cessão de mãodeobra, ou seja, a cessão de qualquer outro elemento que não se amolde ao conceito de mão de obra, não se amoldaria a hipótese legal de incidência da obrigação em estudo. De Placito e Silva assim define o que vem a ser, para fins jurídicos, a mão deobra: “MÃODEOBRA. Assim se entende, na execução de qualquer trabalho ou obra, o esforço pessoal ou a ação pessoal do trabalhador ou obreiro, sem que se tome em conta o material empregado. Corresponde ao serviço simplesmente necessário à feitura da obra, que se quer executar. A mãodeobra tanto se entende a que é executada manualmente como a mecânica. Em quaisquer dos casos, a mãodeobra exprime somente o serviço para a execução do trabalho ou da obra, não se computando nele o que for necessário para que seja executado.” 5 Portanto, o que se loca, o objeto da cessão, é a força de trabalho dos segurados que mantém relação de emprego para com a empresa cedente. Nesse sentido, ainda que se necessite de trabalhadores para a execução, nem todo contrato de prestação de serviço, ainda que constante do rol previsto no RPS, seria classificado como cessão de mão de obra. Sendo a cessão da força de trabalho objeto do contrato de cessão de mãode obra, um corolário lógico é que o segurado relacionado a tal cessão, permaneça à disposição do contratante para realização do serviço, não importando, em nosso sentir, se a determinação do que será realizado se dará pelo contratante ou por preposto do contratado, eis que a subordinação não integra o conceito legal de cessão de mãodeobra para fins previdenciários. A força de trabalho cedida e sob disponibilidade do contratante, deve ser empregada em seu estabelecimento ou de terceiros por este determinando. Por derradeiro, a atividade realizada deve ter por característica a continuidade, eis que serviços esporádicos, pontuais, não se amoldam ao conceito de cessão de mãodeobra definidos pela Lei 8.231/91. 5 DE PLÁCIDO E SILVA, Vocabulário Jurídico, Forense: Rio de Janeiro, 1984, p. 418419 Fl. 450DF CARF MF Processo nº 14489.000588/200836 Acórdão n.º 2402006.252 S2C4T2 Fl. 451 9 Isso posto, entendemos delimitado o conceito que informará nosso convencimento quando da analise de cada uma das operações objeto de lide, eis que somente pela analise individual dos elementos probatórios disponíveis nos autos, será possível avaliar a legalidade do lançamento combatido e mantido pela decisão objetada. 4. DAS OPERAÇÕES REALIZADAS POR TEC HIDRAULICA PROJETOS E ASSISTÊNCIA TECNICA LTDA, CNPJ 40.186.835/000100. A operação realizada entre a Recorrente e a empresa TEC HIDRAULICA consistiu na prestação de serviços de treinamento de operadores de descarregador pneumático, formação de operadores de guindaste, operador de varredeira elétrica, operador de empilhadeira entre outros. O lançamento, no presente caso, não demonstrou, seja pelos registros, seja pelas provas, tratarse de serviço prestado no estabelecimento do Recorrente, de modo continuo e por funcionários postos a disposição do mesmo. In casu, o lançamento tem por fundamento apenas a presunção decorrente do fato de serviços de treinamento e educação constarem do rol de atividades sujeitas a retenção de 11%, sem contudo, demonstrar de modo inequívoco o enquadramento da operação no conceito de cessão de mãodeobra. Outrossim, a natureza dos cursos constantes nas referidas notas fiscais, por si, já denotam uma ausência de continuidade, demandando uma demonstração inequívoca de que funcionários da TEC HIDRAULICA estiveram à disposição da Recorrente e que tais treinamentos ocorreram em suas dependências. O tipo de treinamento e a recorrência das notas fiscais se denotam muito mais uma atividade de prestação de serviços de cunho comercial do que uma relação em que a mão de obra seja o objeto contratado. Percebam que cada curso é pago e limitado a um conjunto de horas aula, não havendo indicativos de pessoalidade de qualquer ordem, não havendo como prosperar o entendimento manifestado pela DRJ. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Voto Vencedor Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Redatordesignado Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, dele divirjo pelas razões de fato de de direito a seguir delineadas. De plano, verificase no caso concreto a subsunção dos serviços em apreço treinamento de operadores de descarregador pneumático, formação de operadores de guindaste, Fl. 451DF CARF MF Processo nº 14489.000588/200836 Acórdão n.º 2402006.252 S2C4T2 Fl. 452 10 operador de varredeira elétrica, operador de empilhadeira, entre outros ao disposto no art. 219, § 2°., XII, do Decreto n. 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS). De se observar que o conceito de cessão de mãodeobra encontrase delineado no art. 31, § 3°., da Lei n. 8.212/1991, reproduzido no caput do art. 219 do RPS; na Circular INSS/DAF/CGA n. 46, de 24 de junho de 1999; e na Ordem de Serviço INSS/DAF n. 209, de 20 de maio de 1999, todos vigentes à época dos fatos. Em particular, a Ordem de Serviço INSS/DAF n. 209/1999 ao definir serviços contínuos, esclarece que: Serviços contínuos são aqueles que se constituem em necessidade permanente do contratante, ligados ou não a sua atividade fim, independente de sua periodicidade.(grifei) Nessa perspectiva, a prestação de serviços de treinamento de operadores de descarregador pneumático, formação de operadores de guindaste, operador de varredeira elétrica, operador de empilhadeira, entre outros, que caracterizou a operação entre a Recorrente e a empresa TEC HIDRÁULICA, em apreço, não demanda para caracterização das infrações que fundamentaram o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD 37.093.6930 (efls. 05/26) de demonstração, por parte da autoridade lançadora, de que tais serviços foram prestados no estabelecimento da Recorrente, de modo contínuo e por funcionários postos a disposição do mesmo. Outrossim, não há que se falar de presunção, conforme o entendimento do i. Relator, vez que evidente a subsunção dos fatos à norma, conforme sobejamente comprovado nos autos. De se observar que os dispositivos legais que tratam da matéria em nenhum momento exigem a caracterização inequívoca do enquadramento da operação no conceito de cessão de mãodeobra, como pretende o i. Relator, uma vez que isso ocorre ex vi legis. Diferente do que afirma o i. Relator, não se depreende do tipo de treinamento e da recorrência das notas fiscais que resta caracterizada uma atividade de prestação de serviços de cunho comercial. Bem ao contrário, o treinamento diz respeito a equipamentos pesados, voltados a atividades profissionais específicas da Recorrente, que requerem orientação e coordenação do conteúdo ministrado de acordo com as suas necessidades, incidindo, sem nenhuma margem de dúvida, o instituto de cessão de mãodeobra, na forma caracterizada pela autoridade lançadora e confirmada pela decisão recorrida. Desta forma, não merece reparo a decisão recorrida, mantendose o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD 37.093.6930 (efls. 05/26). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 452DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000007/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2004
DIPJ.RETIFICAÇÃO.
A retificação da DIPJ/2005, destinada a retificar erro, efetuada mediante decisão da autoridade monetária, não está condicionada à aceitação da autoridade para ter validade.
COMPENSAÇÃO. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CSLL.
PERCENTUAL DE 30%. Não havendo exceções previstas em lei, a exclusão de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração.
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. o art. 60 da Lei nº 9.430/96 estende às
entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo.
Numero da decisão: 1302-000.597
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, que sobrestava o julgamento em função de matéria submetida à repercussão geral.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2004 DIPJ.RETIFICAÇÃO. A retificação da DIPJ/2005, destinada a retificar erro, efetuada mediante decisão da autoridade monetária, não está condicionada à aceitação da autoridade para ter validade. COMPENSAÇÃO. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CSLL. PERCENTUAL DE 30%. Não havendo exceções previstas em lei, a exclusão de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. o art. 60 da Lei nº 9.430/96 estende às entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 19740.000007/2008-51
conteudo_id_s : 5902228
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-000.597
nome_arquivo_s : Decisao_19740000007200851.pdf
nome_relator_s : EDUARDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 19740000007200851_5902228.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, que sobrestava o julgamento em função de matéria submetida à repercussão geral.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
id : 7425258
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868894400512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 225 1 224 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.000007/200851 Recurso nº 174.817 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 130200.597 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria CSLL EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO Recorrentes BANCO NACIONAL S/A EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DIPJ.RETIFICAÇÃO. A retificação da DIPJ/2005, destinada a retificar erro, efetuada mediante decisão da autoridade monetária, não está condicionada à aceitação da autoridade para ter validade. COMPENSAÇÃO. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CSLL. PERCENTUAL DE 30%. Não havendo exceções previstas em lei, a exclusão de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL fica limitada a 30% do lucro líquido ajustado do período de apuração. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. o art. 60 da Lei nº 9.430/96 estende às entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, que sobrestava o julgamento em função de matéria submetida à repercussão geral. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000007/200851 Acórdão n.º 130200.597 S1C3T2 Fl. 226 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Eduardo de Andrade e Daniel Salgueiro da Silva. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos, adoto o relatório da DRJ/RJO, relativamente aos fatos até aquele momento ocorridos. Trata o presente processo de Auto de Infração, relativo ao anocalendário de 2004, lavrado no âmbito da Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro Deinf/RJ, por meio do qual está sendo exigido do interessado, acima identificado, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 88/92), no valor de R$ 23.253.526,98, acrescidos da multa de ofício de 75% e demais encargos moratórios. A descrição dos fatos e o enquadramento legal encontramse narrados no auto de infração, bem como no Termo de Verificação Fiscal de fls. 75/87, dos quais o interessado recebeu cópias e tomou ciência. Em suma, a fiscalização procedeu sua atividade na instituição financeira em tela, que se encontra em regime de Liquidação Extrajudicial determinada pelo Banco Central do Brasil — Bacen, e constatando a inobservância do limite de compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL, determinado na lei, em 30% do lucro líquido ajustado, por ter o interessado ultrapassado este limite, apurou a compensação indevida e lavrou o auto de infração correspondente, A fiscalização relata ter verificado que o interessado havia feito uma consulta à SRF, questionando se estaria dispensado de obedecer ao limite legal de 30% na compensação da base de cálculo negativa da CSLL, de apuração em períodos anteriores, pelo fato de se encontrar em Liquidação Extrajudicial. Mesmo obtendo resposta negativa â sua consulta, o interessado procedeu à compensação integral do saldo acumulado da base de calculo negativa da CSLL, com o lucro líquido ajustado no período, em desobediência à legislação tributária. Além disso, a fiscalização constatou divergências entre os valores declarados na sua DIPJ/2005 e no Lalur, tendo em vista o interessado ter apresentado uma declaração retificadora, na qual levou em conta a alteração de entendimento determinada pelo Bacen, quanto à forma de remuneração dos empréstimos do Proer de que era detentor. Como conseqüência deste ajuste, houve uma redução da base de cálculo da CSLL, apurada no anocalendário de 2004. Neste caso, a fiscalização negou a possibilidade de o interessado retificar a sua declaração para apurar saldo negativo de CSLL maior que o declarado originalmente, pois considerou que, se não houve erro no preenchimento da declaração original, que na época emque foi feita obedeceu aos critérios então Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000007/200851 Acórdão n.º 130200.597 S1C3T2 Fl. 227 3 vigentes, a legislação não permitia a retificação para aumentar o saldo negativo da CSLL compensável. O interessado inconformado com o auto de infração apresentou, em 13 de fevereiro de 2008, apresentou impugnação de fls. 109/132, na qual alega, em síntese, o seguinte; A fiscalização afastou a possibilidade de excluir do lucro real, mediante declaração retificadora do anocalendário de 2004, os valores referentes aos ajustes dos créditos Proer, os quais têm natureza de encargos sobre empréstimos efetuados ao amparo do Proer, em função de taxas pactuadas originalmente nos contratos, quando a empresa ainda estava sob o Regime de Administração Temporária (RAET). Ao contabilizar as despesas de atualização monetária dos empréstimos Proer, adotou como regra a aplicação da Taxa Referencial TR, como indexador, e o fez por entender aplicável ao seu caso. Todavia, o Bacen, na qualidade de gestor, entendeu que este procedimento não estaria em conformidade com o artigo 26 do DecretoLei n° 7.661/1945 (antiga Lei de Falências e Concordatas) e com o artigo 24 da Lei n° 11.101/2005 (nova Lei de Falências e Concordatas) e enviou um comunicado determinando a implementação dos ajustes dos créditos Proer com base em novo índice por ele estabelecido. Seguindo a orientação do Bacen e visando a providenciar a adequação das informações prestadas à SRF de modo a refletir a real situação patrimonial, procedeu a retificação de sua DIPJ/2005, referente ao anocalendário de 2004. A fiscalização entendeu que a motivação apresentada não seria suficiente para justificar a retificação da declaração, já que não se qualificaria como erro passível de retificação, em atenção ao artigo 147 do CTN. Ocorre que tal entendimento é equivocado, já que a própria fiscalização reconheceu que as alterações promovidas foram motivadas por mudança de entendimento por conta do órgão regulador, o Bacen, da contabilização dos créditos contra as instituições em liquidação. Importante ressaltar que a Lei n° 6.404/1976 trata do assunto no seu artigo 186, § Io e dá amparo ao seu procedimento; e que as informações prestadas à SRF observaram o artigo 150 do CTN, o qual permite ao contribuinte a apuração do tributo e informar ao fisco o procedimento realizado de forma antecipada (fl. 113). Mas, tendo em vista mudanças de procedimento contábil determinada pelo Bacen, verificouse a necessidade de retificar as informações prestadas ao fisco, o que fez corretamente, modificando a apuração originária das bases de cálculo dos tributos. O fiscal ao impor a aplicação do artigo 147 do CTN, esquecese que a possibilidade de modificação de critério de lançamento é aplicável somente ao Fisco, já que este não pode fundamentar eventual modificação em erro de direito (mudança na interpretação da norma legal), mas no caso a questão é diversa, já que o contribuinte tem o direito de proceder à retificação de suas informações quando estas não se amoldam com a realidade fática e jurídica. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000007/200851 Acórdão n.º 130200.597 S1C3T2 Fl. 228 4 A jurisprudência administrativa em torno do assunto é favorável à retificação da declaração de rendimento, antes do lançamento de ofício (cita diversas ementas fls. 114/115). No caso em tela estamos tratando de critério de apuração aplicado de forma errada, gerando saldo menor de prejuízo fiscal e ferindo a regra dos artigos 43 e 44 do CTN conceito legal de renda/ lucro. A fiscalização em nenhum momento questionou o aspecto material da exclusão do lucro, mas apenas o aspecto formal a impossibilidade de retificação das informações. O fiscal não contesta o direito à exclusão das despesas com obrigações dos contratos de empréstimos Proer, mas inviabiliza o acerto do valor do tributo, questionando a forma aplicada declaração retificadora. O lançamento tributário deve se submeter ao princípio da verdade material, o qual determina que a fiscalização busque a verdade dos fatos e a correta aplicação do direito. Por força deste princípio a fiscalização deverá reconhecer até mesmo de ofício como legítima a forma de retificação por ele implementada. A questão em tela não envolve a discussão da existência de erro de fato ou de direito, mas a possibilidade de ele poder ajustar suas bases fiscais, por meio de declaração retificadora, para que haja uma incidência fiscal justa e uniforme, em respeito à lei societária e à legislação tributária (artigo 832, do RIR/1999; c/c artigos 43 e 44 do CTN). É legítima a compensação integral da base de cálculo negativa da CSLL dos exercícios anteriores. Com o advento da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, as entidades submetidas ao regime de Liquidação Extrajudicial e de Falência passaram a sujeitar se às mesmas normas de incidência tributária aplicáveis àquelas pessoas jurídicas em situação regular, ficando portanto sujeitas ao recolhimento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, caso venham a apurar base de cálculo positiva desses tributos. Todavia, as empresas em fase de Liquidação que tiverem que observar o limite de compensação de 30% da base de cálculo negativa da CSLL, por força da Lei n" 8.981/1995, tais empresas estarão gravadas pelo IRPJ e pela CSLL, em virtude de uma base de cálculo que não representa efetivamente um acréscimo patrimonial. Desta forma, estarão sendo violados preceitos constitucionais e da legislação complementar em clara afronta ao conceito de lucro como acréscimo patrimonial e de prejuízo com perda patrimonial; o conceito de renda e lucro, constantes do CTN e da Constituição de 1988 e consagrado na doutrina. A compensação integral dos prejuízos não é um favor fiscal do legislador, não pode ser manipulado, condicionado, restringido, como na hipótese em tela, em que não se permite a compensação integral dos seus prejuízos com lucros futuros, no seu caso impossível, já que as suas atividades estão encerradas e sem nenhuma perspectiva de obtenção de lucro. O presente regime jurídico consagra uma restrição injustificável, por desnaturar o conceito de acréscimo patrimonial, por alterar a natureza jurídica do Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000007/200851 Acórdão n.º 130200.597 S1C3T2 Fl. 229 5 prejuízo e por ignorar os conceitos de direito privado utilizados pela Constituição, para delimitar o poder de tributar. Apesar de a lei n° 8.981/1995 não contemplar situaçõeslimíte, como é o caso das empresas em extinção, o seu caso, o objetivo do legislador é limitar a compensação de prejuízos para as empresas em atividade normal, para as quais presumese a capacidade de absorver prejuízos com a continuidade de seus negócios. Uma empresa em Liquidação Extrajudicial não tem perspectiva de continuidade e ao se aplicar pura e simplesmente o artigo 42 da lei n° 8.981/1995, sem levar em conta sua situação especial, o obriga a pagar tributo indevidamente, pois se esta tributando uma "nãorenda", eis que os prejuízos gerados no passado, por não poderem ser compensados no decorrer do processo de liquidação serão "jogados fora". Este fato por si só nos leva a concluir que o dispositivo legal mencionado não deve ser interpretado de forma restrita, pois nos casos de situaçãolimite, a compensação de prejuízos pode e deve ser feita integralmente (100%), sob pena de se descapitalizar ainda mais a empresa e fraudar a ordem de preferência dos credores (em especial os credores trabalhistas) da massa falida. Neste caso, cabe uma interpretação mais ampla da norma, ou seja, nas situações especiais estaria implícita a autorização, já que não houve proibição expressa, buscandose atingir o objetivo da norma, a vontade do legislador, O limite de compensação de 30% dos prejuízos fiscais, para as empresas que se encontram em processo de extinção, viola os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da progressividade. Para ilustrar a sua alegação cita doutrina e jurisprudência, das quais transcreve excertos. A cobrança de juros de mora e multa de ofício é indevida, pois a lei n° 6.024/1974, que rege os atos de intervenção e Liquidação Extrajudicial de instituições financeiras, resguardou a igualdade entre os credores para a satisfação dos seus créditos. Caso sejam aplicados a multa de ofício e os juros de mora, os credores vão suportar o ônus, o que afronta o princípio basilar da execução coletiva, aplicável ao presente caso. O artigo 18 da lei n° 6.024/1974 prevê, com a decretação da Liquidação Extrajudicial, a não fluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo, não reclamação de correção monetária de quaisquer dívidas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas. O processo de Liquidação Extrajudicial destinase a operacionalizar o pagamento e a distribuição dos créditos aos credores. Todavia, a quitação do suposto débito ocorre no momento da intervenção e decretação da Liquidação Extrajudicial e, em conseqüência, deixa de existir a mora que incidia sobre o débito, já o crédito vencido ou vincendo extinguese com o oferecimento do patrimônio do devedor aos credores, tornandose uma massa liquidanda. Diante deste dispositivo legal, não poderão ser cobrados, no curso da Liquidação Extrajudicial, quaisquer valores a título de juros de mora e penas pecuniárias. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000007/200851 Acórdão n.º 130200.597 S1C3T2 Fl. 230 6 Por todo o exposto, requer que seja conhecida e julgada procedente a presente impugnação, a fim de reconhecer a inexistência de crédito fiscal reclamado, determinandose o cancelamento do auto de infração. A 1ª Turma da DRJ/RJO, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, julgar o lançamento procedente em parte, para considerar indevida a exigência de crédito tributário de CSLL (fls.8892) no valor de R$ 23.253.526,98, acrescido dos encargos legais decorrentes, e considerar devida e obrigatória a aplicação do limite de 30% do lucro líquido ajustado para calcular a compensação da base negativa de CSLL acumulada. O voto condutor do acórdão prolatado, em estreito resumo, se fundamenta nas seguintes conclusões: • A retificação promovida pelo recorrente, que motivou o lançamento, é correta, porque não é mais necessária manifestação prévia da RFB à entrega da declaração, porque a declaração foi processada e aceita, porque foi prestada antes de procedimento fiscal, e porque foi motivada com base em decisão prolatada pelo órgão regulador federal das instituições financeiras. • A aplicação do limite de 30% do lucro líquido ajustado à compensação de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL está prescrita pelo art. 58, parágrafo único da Lei nº 8.981/95, art. 44 da Lei nº 8.383/91, e art. 16 da Lei nº 9.065/95. A extensão dos efeitos de tal norma às entidades em liquidação extrajudicial é realizada pelo art.60 da Lei nº 9.430/96. Assim, deixa de analisar argüição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de tais leis, matéria reservada ao Poder Judiciário. Impossível, também, aplicar interpretação mais benéfica a pessoa jurídica em liquidação extrajudicial, permitindo compensação integral, por inexistência de previsão legal. • Não se aplica ao caso o art. 18 da Lei nº 6024/74, que dispõe sobre os efeitos da decretação da liquidação extrajudicial. A aplicação de juros Selic é determinada pelos art. 5º e 61 da Lei nº 9.430/96. O presidente da 1ª Turma recorreu de ofício, tendo em vista a exoneração ser superior a R$ 1.000.000,00 conforme art. 1º da Portaria MF nº 3, de 04 de janeiro de 2008. Irresignado, o recorrente também interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que: • A limitação dos 30% à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL viola o conceito de prejuízo e lucro do direito privado (art. 110 do CTN), o conceito de lucro como acréscimo patrimonial previsto no art. 153, III, da CF/88 e no art. 43 do CTN, e retira a legalidade do ato administrativo (no sentido amplo) de lançamento. Viola, também, o §1º do art. 145 da CF/88 (princípio da capacidade contributiva), porque a situação de liquidação extrajudicial implica tributação do patrimônio e não do lucro. • A Nota PGFN/PAG/722/2006, aprovada pelo Ministro da Fazenda, veicula entendimento de que descabe multa punitiva após a decretação da liquidação extrajudicial de instituição financeira, nos termos da Lei nº 6.024/74. Junta acórdão da DRJ/RJO que a aplicou. Também não cabe cobrança de juros moratórios contra a massa (art. 18, Lei nº 6.024/74). Além disso, restou definido que os juros são aplicados nos termos da Lei nº 8.212/91 (que aplica a TRD), enquanto que se verifica que foram aplicados juros SELIC. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000007/200851 Acórdão n.º 130200.597 S1C3T2 Fl. 231 7 Requer, por fim, o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO DE ANDRADE, Relator. O recurso de ofício satisfaz os requisitos de admissibilidade, e portanto, dele conheço. O recurso voluntário foi recebido como tempestivo, e, portanto, dele também conheço. Inicialmente, passo a analisar a matéria objeto do recurso de ofício. (a) Retificação da declaração com base em determinação do Bacen que implicou valorização dos créditos do Proer A fiscalização concluiu indevida a retificação da declaração do recorrente porque, segundo entendeu, não ficou demonstrado o erro necessário para legitimála, nos termos do art. 147 do CTN. Entende que o erro deva ser algo grosseiro, não bastando para caracterizálo a produção de valores incorretos devido à falta de informação que sobrevenha ulteriormente, para garantir a precisão do recálculo. A retificação de que se trata resultou no aumento da parcela a ser excluída do lucro real, ocasionada por ulterior determinação do BACEN que resultou na valorização dos créditos do PROER. Notase que o litígio se restringe à admissibilidade do envio de declaração retificadora, vez que a autoridade fiscal não questionou o mérito da retificação que levou à exclusão procedida naquela declaração retificadora. O acórdão da DRJ considerou improcedente a exação porquanto entendeu que a retificação promovida pelo recorrente, que motivou o lançamento, é acertada, já que não é mais necessária manifestação prévia da RFB à entrega da declaração, porque a declaração foi processada e aceita, porque foi prestada antes de procedimento fiscal, e porque foi motivada com base em decisão prolatada pelo órgão regulador federal das instituições financeiras. Adiciono a tais argumentos, com os quais concordo, que a autuação baseada no art. 147 é anacrônica, e não se aplica ao caso, considerandose que o referido artigo se destina aos lançamentos por declaração, situação que não se verifica no caso do IRPJ e da CSLL, em que a contribuição do contribuinte é máxima, devendo apurar referidos tributos, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000007/200851 Acórdão n.º 130200.597 S1C3T2 Fl. 232 8 lançálos devidamente na contabilidade, efetuar e prestar a declaração de rendimentos e a DCTF, e os recolher no prazo legal, aguardando mera homologação, tácita ou expressa. Tais nuances são facilmente detectáveis na simples leitura do referido dispositivo (art. 147), senão vejamos: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Verificase de pronto que tais dispositivos não são aplicáveis ao caso, porquanto o lançamento não é efetuado pela autoridade administrativa, que se limita a, no máximo, homologálo, e nem essa retifica de ofício a declaração prestada pelo sujeito passivo, como o fazia nos tempos em que o lançamento se dava por declaração, quando a declaração era submetida ao seu exame antes do seu protocolo. Assim, descabe cogitar do direito do sujeito passivo de retificar sua declaração na hipótese de lançamento por homologação, especialmente aquela ocorrida antes do início de procedimento fiscal, ou da homologação expressa, caso esta venha a existir. Passo à análise das matérias levantadas no recurso voluntário. (b) A limitação dos 30% à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL Alegação de violação ao conceito de prejuízo e lucro do direito privado (art. 110 do ctn), e o previsto no art. 43 do CTN, e retira a legalidade do ato administrativo (no sentido amplo) de lançamento. O direito a compensar prejuízos passados (lançados nas rubricas de prejuízo fiscal e bases negativas de CSLL) implica, a meu ver, ingerência de períodos anteriores de apuração no corrente período. Tal ingerência, concedida pelo legislador, e amparada pelo princípio contábil da continuidade, deve ser interpretada de forma restrita, na forma e nos casos expressamente contemplados. A regra geral, estampada no art. 43 do CTN, ao determinar que o fato gerador seja constituído pela aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, nada diz sobre o período a ser considerado para averiguação Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000007/200851 Acórdão n.º 130200.597 S1C3T2 Fl. 233 9 do acréscimo patrimonial. Esta tarefa coube à legislação específica do imposto, que o concebe, na atualidade, como anual ou trimestral, para as pessoas jurídicas, recebendo a influência de parcela do prejuízo de períodos anteriores, limitada a 30% do resultado atual. Por outro lado, o conceito de lucro e prejuízo utilizados no direito privado não foram maculados pela legislação do IR, posto que esta tomou o cuidado de qualificar o lucro que constitui a base de cálculo do IR, denominandoo Lucro Real, daquele que melhor serve para informar os acionistas sobre a saúde financeira da empresa, denominado lucro líquido do exercício, nos termos da Lei nº 6.404/76. O Poder Judiciário já decidiu sobre a questão, havendo, primeiramente decisões favoráveis à limitação no STJ EREsp nº 429.730 (1ª Seção, 04/2005), AgRg no REsp nº 776.036 (1ª Turma, 04/2007), REsp nº 576.286 (2ª Turma, 10/2006), REsp nº 462.204 (2ª Turma, 08/2006), entre outros, e posteriormente, o STF pacificou a questão no julgado do RE nº 344.994, cujo julgamento estava suspenso desde 11/11/04, em virtude de pedido de vista da Ministra Ellen Gracie. O RE foi interposto contra acórdão do TRF da 4ª Região, que reconhecera a validade da limitação estabelecida nos artigos 42 e 58 da Medida Provisória nº 812/94, posteriormente convertida na Lei nº 8.981/95. Ao retomar o julgamento, o plenário decidiu que a compensação de prejuízos apurados em exercícios anteriores, prevista na lei mencionada, traduzse em benefício fiscal, e, por esse motivo, restringese às condições fixadas em lei, e, além disso, considerou constitucionais os artigos 42 e 58 da Lei nº 8.981/95. Assim, não vejo qualquer afronta ao art. 43 do CTN e ao conceito de lucro e prejuízo, conforme utilizados no direito privado, a limitação de 30% à compensação de prejuízos passados. O fato de estar a recorrente em situação de liquidação extrajudicial não altera tal análise, posto que após a vigência do art.60 da Lei nº 9.430/96, tais entidades passaram a submeterse expressamente às normas gerais sobre tributos e contribuições das demais pessoas jurídicas, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo. (c) A limitação dos 30% à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL viola o conceito de prejuízo e lucro como acréscimo patrimonial previsto no art. 153, III, da cf/88, violando, também, o §1º do art. 145 da CF/88 (princípio da capacidade contributiva), porque a situação de liquidação extrajudicial implica tributação do patrimônio e não do lucro Relativamente às alegações sobre violação à Constituição, especialmente aos art. 153, III, e 145, §1º, da CF/88, vale dizer que o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 veda aos órgãos de julgamento administrativo de qualquer instância afastar aplicação de lei por motivo de inconstitucionalidade. A Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória pelos membros do CARF, também veda a apreciação de inconstitucionalidade de lei tributária no âmbito deste Órgão, senão se veja: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19740.000007/200851 Acórdão n.º 130200.597 S1C3T2 Fl. 234 10 Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, deixo de apreciar tais questões, dado o limite de cognição que limita o julgamento administrativo. (d) Aplicação de juros de mora e multa de ofício após decretação de liquidação extrajudicial de instituição financeira – Lei nº 6.024/74 Nota PGFN/PAG/722/2006, aprovada pelo Ministro da Fazenda O art. 18, “d”, da Lei nº 6.024/76 determina, como efeito da decretação de liquidação extrajudicial, que não fluem juros contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo. Tal norma, de alcance geral, passou a encontrar limite a partir de 1997, em face do art. 60 da Lei nº 9.430/96, que expressamente estende às entidades em situação de liquidação extrajudicial as normas gerais sobre tributos e contribuições, no período em que perdurarem os procedimentos para realização do ativo e pagamento do passivo. Assim, é correta a aplicação da multa de ofício de 75% e a fluência de juros Selic sobre o crédito constituído. Isto posto, voto para negar provimento ao recurso de ofício, e negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, 29 de junho de 2011. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator Fl. 10DF CARF MF Emitido em 11/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE Assinado digitalmente em 05/07/2011 por EDUARDO DE ANDRADE, 11/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.723320/2011-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
DEDUÇÃO - PREVIDÊNCIA PRIVADA - FAPI.
Ausência de dedução para Previdência Privada - FAPI na Declaração de Ajuste Anual do Contribuinte que justifique a glosa de qualquer valor. Ausência de duplicidade de deduções para as previdências oficial e privada.
Numero da decisão: 2001-000.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir a glosa do valor de R$ 9.884,45 do valor total do crédito tributário lançado, por ausência da duplicidade da dedução apontada.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. DEDUÇÃO - PREVIDÊNCIA PRIVADA - FAPI. Ausência de dedução para Previdência Privada - FAPI na Declaração de Ajuste Anual do Contribuinte que justifique a glosa de qualquer valor. Ausência de duplicidade de deduções para as previdências oficial e privada.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.723320/2011-64
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5917785
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.614
nome_arquivo_s : Decisao_10840723320201164.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10840723320201164_5917785.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir a glosa do valor de R$ 9.884,45 do valor total do crédito tributário lançado, por ausência da duplicidade da dedução apontada. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7471240
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868903837696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1617; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 137 1 136 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.723320/201164 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.614 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO PENSÃO ALIMENTÍCIA Recorrente FRANCISCO MANGO NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento à legislação vigente. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. DEDUÇÃO PREVIDÊNCIA PRIVADA FAPI. Ausência de dedução para Previdência Privada FAPI na Declaração de Ajuste Anual do Contribuinte que justifique a glosa de qualquer valor. Ausência de duplicidade de deduções para as previdências oficial e privada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir a glosa do valor de R$ 9.884,45 do valor total do crédito tributário lançado, por ausência da duplicidade da dedução apontada. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 33 20 /2 01 1- 64 Fl. 137DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 14.579,61, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2007. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento o fato de que o Recorrente não poderia ter utilizado como dedução do imposto de renda a pagar o valor de pensão alimentícia em razão da inocorrência de dissolução da sociedade conjugal. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à manutenção do casamento e do convívio familiar inclusive sob o mesmo teto, em desacordo com a legislação, mesmo que o acordo tenha sido homologado em decisão judicial, nos termos que segue: CONTRIBUIÇÃO PARA PREVIDÊNCIA PRIVADA Relativamente à contribuição para previdência privada, o lançamento está correto, pois o contribuinte lançou equivocadamente em duplicidade como contribuição à Previdência Privada o valor de R$9.884,45, o qual correspondeu à sua contribuição à Previdência Oficial, conforme demonstrado na consulta ao sistema DIRF, fl.41. DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA Tratase de lançamento referente à infração de dedução indevida de pensão alimentícia, o contribuinte discorda do lançamento, sob o argumento de que a pensão alimentícia glosada decorre de decisão judicial. Nos termos art. 8º, inciso II, alínea f, da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995, poderá ser deduzida da base de cálculo do imposto devido no anocalendário a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais. No presente caso, o interessado comprovou que a pensão alimentícia paga a sua esposa e filhos decorre de decisão judicial. Entretanto, os valores pagos não são dedutíveis na DIRPF, uma vez que não decorrem de dissolução de sociedade conjugal. (...) Por assim evidenciado, até o momento, para fins da dedução da base de cálculo do IRPF, em referência nesta análise, temse que: as Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10840.723320/201164 Acórdão n.º 2001000.614 S2C0T1 Fl. 138 3 importâncias pagas relativas ao suprimento de alimentos, em face do Direito de Família, serão aquelas em dinheiro e somente a título de prestação de alimentos provisionais ou a título de pensão alimentícia. Constatado a que título se refere os suprimentos de alimentos, vale analisar outro alcance: a natureza da prestação de alimentos provisionais e da pensão alimentícia, para fins da dedução da base de cálculo do IRPF, diante do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou por escritura pública, quando decorrentes de dissolução conjugal. Conforme já destacado, o disposto nos arts. 4º, inciso II, e 8º, inciso II, alínea “f”, ambos da Lei nº 9.250, de 1995, em redação original, dispôs que as importâncias pagas a título de prestação de alimentos provisionais ou a título de pensão alimentícia seriam aquelas em cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente. Com a alteração promovida pelo art. 21 da Lei nº 11.727, de 2008, foi acrescentada ao texto legal a possibilidade do referido cumprimento se dar, também, por escritura pública nos termos a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil. A diretriz tributária leva em consideração, por vezes, o fato de a sociedade conjugal representar célula única, acabando por permitir mecanismos normativos envolvendo declaração em conjunto, relação de dependência e guarda de menores. Tal postura normativa vai justamente ao encontro dos preceitos aqui citados constantes da Constituição Federal e do Código Civil, em especial a que se refere à mútua assistência. De modo totalmente transverso, tal diretriz, no caso de dissolução da sociedade conjugal, encara tal fato como se fosse uma divisão da unidade da célula familiar, de forma a promover previsão normativa que envolve regramento inerente a tal fim, tanto para aquele que paga a pensão alimentícia, quanto ao que recebe. Nesse sentido, percebese presentes disposições normativas como a que trata da possibilidade de dedução da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste de importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por escritura pública. E ainda, a que dispõe a respeito da pensão alimentícia recebida de pessoa física, determinando, neste caso, a tributação efetuada sob a forma de carnêleão recolhimento mensal obrigatório. Entendese que a norma tributária, na matéria em referência, não pretendeu, em momento algum, alcançar situação que se revelasse como a descrita na questão aqui em análise, apresentada pela Consulente – pensão alimentícia, sem dissolução da sociedade conjugal. Percebese que tal situação se mostra muito mais como redistribuição e administração de renda no seio da unidade familiar, por questões, possivelmente, de foro interno daquela unidade, que foram buscadas no judiciário. Fl. 139DF CARF MF 4 Considerandose a dissolução da sociedade conjugal como uma divisão celular, tal fato acaba por gerar duas células, uma que fornece e outra que recebe o rendimento. A que fornece permitese a dedução da base de cálculo do imposto e àquela que recebe tributase o rendimento. Para fins da legislação do imposto, considerandose a citada autonomia, difícil imaginar que em sociedade conjugal acordante da necessidade de que um pensione alimentos ao outro, sem objetivo de dissolução da sociedade, que mantém, inclusive, coabitação, consiga apartar os valores da pensão alimentícia daqueles inerentes às despesas rotineiras da família. Tomandose, por hipótese, que a esposa receba pensão alimentícia do marido, e que, conforme já observado, tal pensão se destinaria a suprir necessidades da existência, tais como habitação, alimentação, saúde, vestimenta. Como se daria a segregação da alimentação? A segregação da habitação? E assim em diante. Se a esposa já recebe a pensão alimentícia para corresponder tais necessidades, ela ainda participaria da alimentação conjunta da família? Do lazer conjunto? Das despesas pela coabitação? Para fins tributários, entendese pouco provável que tal reengenharia doméstica possa ocorrer, mantendose a autonomia de quem fornece em relação a quem recebe o rendimento. Tribunais já têm mantido entendimento que tal situação (pensão alimentícia sem dissolução da sociedade conjugal) acaba por ter objetivo meramente de alcance de benefício fiscal no universo do IRPF. Da conclusão em relação à análise relativa à pensão alimentícia, sem dissolução da sociedade conjugal. Diante dos fundamentos até aqui apresentados, entendese que: para fins da dedução da base de cálculo do IRPF, de que tratam os arts. 4º, inciso II, e 8º, inciso II, alínea “f”, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, e tendo em vista o disciplinamento contido a Instrução Normativa nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, tratandose de sociedade conjugal, a dedução somente se aplica, quando o provimento de alimentos a título de prestação de alimentos provisionais ou a título de pensão alimentícia for decorrente da dissolução daquela sociedade. Sendo assim, tratando o presente caso de pagamento de pensão alimentícia sem a dissolução da sociedade conjugal, não se vislumbra atendimento aos requisitos necessários para dedução dos valores pagos, nos termos da legislação transcrita. Portanto, deve ser mantida a glosa da pensão alimentícia. Em face do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, mantendo integralmente o Crédito Tributário ora abordado. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento em R$ 14.579,61, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10840.723320/201164 Acórdão n.º 2001000.614 S2C0T1 Fl. 139 5 Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Já no que pertine a dedução indevida de Pensão Alimentícia, veementemente enfocada no v. Acórdão (fls. 42/54), cujo documento ora se anexa, esta merece ser totalmente revista, uma vez eu é de conhecimento deste Órgão que o demandado paga pensão alimentícia, mensalmente, inclusive, esta é descontada diretamente pela sua Fonte Pagadora, consoante comprovado nos demonstrativos de pagamento, já inserido nos autos, bem como e principalmente o Comprovante de Rendimentos Pagos e Retenção de Imposto de Renda na Fonte, cujo documento ora se anexa (Doc. IV/VIII); Insta ressaltar mais uma vez a legalidade no tocante a Ação de Oferta de Alimentos, visto que a mesma fora peticionada, atendendo ao preceito do Artigo 319, do Código de Processo Civil (anteriormente Artigo 282), assinada por profissional de direito, distribuída e homologada por autoridade competente, ou seja um Juiz de direito, portanto, da maneira mais transparente possível e dentro das Normas de Direito, inclusive com a determinação judicial para expedição de Ofício à Fonte Pagadora do mesmo (Doc. IX); Assim, consoante demonstram os documentos acima citados, existe no caso em apreço uma decisão judicial, ou seja, um acordo homologado judicialmente, e não um acordo particular entre as partes consoante erroneamente declinado no respeitável Acórdão, sendo certo que a pensão ficou estipulada no montante de 72% dos rendimentos líquidos do Alimentante, sendo dividida em três partes, ou seja: para a esposa, Sra. ANDRÉA CARLA ROSSI MANGO, (36%) E para os filhos: RENAN ROSSI MANGO (18%) e ANDREI ROSSI MANGO (18%); Nesse diapasão, no caso em apreço, não existe qualquer deliberação pessoal, e sim determinação judicial, e o Ofício nº 2246/2003. Datado de 12/08/2003 (Doc. X), não deixa qualquer dúvida a respeito do aqui tratado, lembrando ainda que, para pagar alimento não existe nenhuma regra que o casal deva estar separado para tal fim, viva ou não sob o mesmo teto. Observase que a Lei cuidou de estabelecer as despesas com instrução dos alimentos, quando arcadas pelo Alimentante em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, são dedutíveis no ajuste anual, em campo próprio, respeitandose o limite anual individual correspondente. No mais, limitouse a determinar que estava tratando das pensões pagas em face das normas de Direito de Família e condicionar à existência de acordo homologado judicialmente ou decisão judicial; Portanto, no caso, deve ser considerada a existência de acordo homologado judicialmente estabelecendo a obrigação do contribuinte de pagar alimentos à esposa e aos filhos, perfeitamente compatível com as normas do Direito de Família. A pensão foi paga por meio de desconto em folhas de pagamentos e, diferentemente do que entendeu a autoridade lançadora, não restou comprovado que o interessado Fl. 141DF CARF MF 6 pudesse se desobrigar de tal encargo, eis que, se a hospedagem aos alimentados é incontroversa, não o é o cumprimento simultâneo de sustento; Entretanto, o caso tem uma peculiaridade. Os pais efetivamente não entraram na justiça com uma ação de separação, de sorte que não há nenhuma determinação judicial acerca da guarda dos filhos, sendo ambos os pais responsáveis por eles; Desta forma, era facultado a qualquer um dos cônjuges incluir os filhos como dependentes no ajuste anual, consoante Lei nº 9.250, de 1995, artigo 35, Inciso III, § 2º e 3º a seguir transcrito; (...) No caso em apreço o Recorrente optou por elaborar as declarações de Imposto de Renda em separado, ou seja: os três beneficiários da citada Pensão Alimentícia, Sra. ANDREA CARLA ROSSI MANGO, RENAN ROSSI MANGO e ANDREI ROSSI MANGO, hoje em dia elaboram INDIVIDUALMENTE as suas Declarações d Renda, inclusive com recolhimento do Carnê Leão, sendo que na época era elaborada uma única declaração em nome do Recorrente, consoante comprova o documento ora anexado, o que por si só demonstra ser incabível a presente cobrança (Doc. XI); Além do acima exaustivamente demonstrado, frisase nesta oportunidade que o Recorrente encaixase perfeitamente “nos casos raros” mencionados no acórdão, ou seja, pela profissão e cargo que exerce, possui um regime diferenciado de trabalho – Regime Especial de Trabalho Policial – destinados aos ocupantes dos cargos, funções, posto e graduações indicados na Lei nº 10.291, de 26 de novembro de 1968 e Lei Complementar nº 1.188, de 27 de novembro de 2012 (Doc. XIII e XIV); Acompanhado o item precedente, o Recorrente tratase de um Oficial da Polícia Militar do Estado de São Paulo, e trabalha à frente do Serviço Operacional do 51º Batalhão, localizado na cidade e Comarca de Ribeirão Preto/SP, e é diuturnamente chamado em horas de folga, sábados, domingos, feriados e muitas vezes à noite desloca se para o local do ocorrido, tendo que permanecer até a solução do problema, sendo que muitas vezes priva o convívio familiar pelo profissional, tendo em vista a profissão que almejou, só este fato basta para que tenha alguém para cuidar e resolver o melhor para a família. Por derradeiro, cumpre esclarecer, que pelo acima amplamente demonstrado, tanto legal quanto documental, concluise que o demandado, nada deve a Receita Federal, consoante erroneamente inserido na exordial, vez que a pensão fora fixada em juízo, inclusive com expedição de Ofício a sua Empregadora, lembrando, ainda, que por se tratar de AÇÃO JUDICIAL somente o juiz da Vara que foi homologada a Ação, pode, se provocado, alterar tal situação; Finalmente, além do acima transcrito, referente a matéria sob judice anexase, neste oportunidade, dois documentos referentes à matéria aqui guerreada, os quais, igualmente, ampara o direito de ofertar alimentos e ter seus respectivos valores deduzidos, junto a Receita Federal (Doc. XV e XVII); Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10840.723320/201164 Acórdão n.º 2001000.614 S2C0T1 Fl. 140 7 Ainda em se tratando desse assunto, vale destacar, nesta oportunidade, que os três beneficiários da citada Pensão Alimentícia, Sra. ANDREIA CARLA ROSSI MANGO, RENAN ROSSI MANGO e ANDREI ROSSI MANGO, elaboram INDIVIDUALMENTE as suas Declarações de Renda, consoante demonstramos documentos ora anexados, o que por si só demonstra ser incabível a presente cobrança. (Doc. XX/XXXVII); Ante o exposto, restou sobejamente provada a INSUBSISTÊNCIA E IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO FISCAL, motivo pelo qual, aguardase o ACOLHIMENTO DO PRESENTE RECURSO para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado (Demonstrativo de Débito Intimação nº 515/2017 e cálculo de fls. 54), arquivandose os autos. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. CONTRIBUIÇÃO PARA PREVIDÊNCIA PRIVADA No informe de rendimentos anexado ao processo fl. 30, consta que o desconto na Fonte Pagadora a título de Contribuição Previdenciária Oficial foi no valor de R$ 9.884,45, e assim constou na DAA do Recorrente nas fls. 31 e 34. Na fl. 34 do processo onde consta o RESUMO da declaração, na parte que se refere à DEDUÇÕES – Contribuições à previdência privada e FAPI, o formulário não apresenta qualquer valor neste item, não se configurando duplicidade de valor e tampouco dedução a este título. O Acórdão vergastado faz a seguinte afirmação para manutenção do Lançamento em relação à Previdência Privada FAPI: Relativamente à contribuição para previdência privada, o lançamento está correto, pois o contribuinte lançou equivocadamente em duplicidade como contribuição à Previdência Privada o valor de R$9.884,45, o qual correspondeu à sua contribuição à Previdência Oficial, conforme demonstrado na consulta ao sistema DIRF, fl.41. Ocorre que ao examinarse a fl. 41, indicada pela Fiscalização, contatase a incorreta afirmação vez que na 3º coluna da tabela aparece o valor de R$ 9.884,45 como contribuição para a “Previdência Oficial”. E, na 6º coluna da tabela, que corresponde à “Previdência Privada e FAPI” não aparece qualquer valor como dedução. Assim que não procede a alegada duplicidade de dedução como apontada no Acórdão contestado. Fl. 143DF CARF MF 8 DA DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA A divergência no presente processo para decisão colegiada de segundo grau administrativo se refere à pensão alimentícia judicial paga a esposa e aos dois filhos do Recorrente, no anocalendário de 2007. A contenda é que de um lado há o rigor na interpretação fiscal restritiva da legislação pela Autoridade Fiscalizadora, e de outro, a busca do Contribuinte de ver enquadrada legalmente a pensão alimentícia como dedutível do imposto sobre a renda. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). III a quantia, por dependente, de: (Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) c) à quantia, por dependente, de: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10840.723320/201164 Acórdão n.º 2001000.614 S2C0T1 Fl. 141 9 Decreto nº 3.000/99. Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. Lei nº 5.478/68. Art. 24. A parte responsável pelo sustento da família, e que deixar a residência comum por motivo, que não necessitará declarar, poderá tomar a iniciativa de comunicar ao juízo os rendimentos de que dispõe e de pedir a citação do credor, para comparecer à audiência de conciliação e julgamento destinada à fixação dos alimentos a que está obrigado. (grifei) A autoridade fiscal fundamentou a recusa da dedução do valor das pensões alimentícias da esposa e dos filhos do Recorrente em razão de seu procedimento estar em desacordo com a legislação que rege a matéria, considerando o disposto no art. 24 da Lei 5.478/68, especialmente no que se refere ao fato de o Recorrente não ter deixado a residência comum do casal, dando prosseguimento à vida conjugal e familiar. Salientese que o único dispositivo da legislação que desce ao detalhe da manutenção do convívio conjugal é exatamente o disposto no art. 24 da referida lei que trata especificamente sobre ação alimentar e dá as providências para o tratamento das questões pertinentes ao caso em debate. A análise do presente caso deve cercar o texto e a interpretação do que diz o art. 24 da Lei nº 5.478/68, até mesmo porque a iniciativa do Recorrente em propor o acordo para homologação judicial partiu da indicação desta referência legal para a fixação da pensão alimentícia aos, até então, classificados como dependentes do Contribuinte, pelo que se observa da propositura inicial ao Juiz, como segue: FRANCISCO MANGO NETO, brasileiro, casado, policial militar, portador do RG nº 10.406.506 SSP/SP e do CIC nº 054.105.06804, residente e domiciliado à Av. Gal. Álvaro de Góis Valeriani, 1021, Jd. Aeroporto, Porto Ferreira – SP, por seu advogado subscrito, vem respeitosamente à presença de V.Exa., com fundamento no artigo 24 e seguintes da Lei 5478/68, ajuizar a presente... AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS. (grifei) Em sequência o Recorrente informa o status da condição matrimonial e diz da concordância dos cônjuges na iniciativa e nas condições definidas para a estipulação da pensão alimentícia, nos seguintes textos: Os requerentes FRANSCISCO MANGO NETO E ANDREA CARLA ROSSI MANGO, são casados pelo regime de comunhão parcial de Fl. 145DF CARF MF 10 bens, desde, conforme se demonstra pela inclusa certidão de casamento em anexo, o casal possui dois filhos, já qualificados acima. Nesta oportunidade, concordando com os termos da oferta proposta nesta ação a requerente ANDREA CARLA ROSSI MANGO, por si e representando seus filhos menores impúberes, assina a presente petição pugnando em conjunto com o requerente FRANCISCO MANGO NETO pela homologação do acordo firmado. Ao final da petição consta um item que dá caráter temporário, sem data fim, ao acordo da oferta de alimentos, bastando para seu término apenas uma comunicação unilateral do varão do lar do casal, para sua exoneração, segundo se interpreta, sem sequer demandar da manifestação judicial para tanto, nos seguintes termos: As partes acordam ainda que, cessados os motivos do afastamento do cônjuge varão do lar do casal, cessam os alimentos, bastando apenas uma comunicação unilateral para sua exoneração. Quando da homologação judicial o despacho do Juiz fez constar no ofício à fonte pagadora que a cessação do acordo para efeito de descontos, farseia mediante petição conjunta dos cônjuges, diretamente a unidade pagadora, confirmando o caráter excepcional e temporário da vontade do Recorrente em fazer com que o crédito do valor acordado fosse diretamente para a conta corrente da esposa, denominandoo de pensão alimentícia, embora a eventualidade das características do caso. DESPACHO DO JUIZ Consigne no ofício que a cessação dos descontos das pensões alimentícias se fará mediante petição conjunta subscrita por ambos Requerentes. Resta evidente o caráter temporário por motivos de afastamentos do varão, seja em razão de cursos em outra localidade como por motivo de deslocamentos motivados pelas peculiaridades de seu trabalho. Contudo, a petição de homologação de acordo judicial para pagamento do que denominou de pensão alimentícia foi formalizada com base no art. 24, da Lei nº 5.478/68, cujos termos define como pressuposto a condição de afastamento do lar, o que se entende razoável, por motivos de rompimento de convivência, do contrário, motivo não há para a separação de recursos destinados a manutenção das necessidades familiares por via judicial. É de se ter claro que o oferecimento de pensão alimentícia ou sua determinação por decisão judicial tem como pressuposto o sustendo de parte da família em razão de rompimento do convívio no lar, e em princípio sob o mesmo teto. O distanciamento dos cônjuges fazse elemento motivador para a separação de recursos administrados na manutenção das despesas domésticas. Ao contrário, se ambos vivem juntos desnecessário o divisionismo financeiro e muito menos por decisão judicial. Se conflito de convivência sob o mesmo teto não há, motivo não também não existe para a procura de mediador judicial para definição de quantitativo financeiro sob administração de um ou outro cônjuge. Inconfundível a classificação denominada “obrigação de prestação alimentar” com os “deveres familiares de sustento da família”. Estes não cessam enquanto persistir a instituição do casamento ou união conjugal. De outro lado a pensão alimentícia só nasce quando o conflito conjugal se estabelece e o convívio familiar fica dificultado pela ausência de um ou de outro de forma a impossibilitar a administração conjunta das necessidades de sustento familiar. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10840.723320/201164 Acórdão n.º 2001000.614 S2C0T1 Fl. 142 11 Assim que, o genitor que deixar de conviver com seus dependentes deve fornecer as condições financeiras para seus sustentos na forma de prestação de alimentos, a fim de garantirlhes a subsistência, nas condições antes oferecidas como provedor do sustento familiar. Fato que não corresponde a realidade deste caso vez que a convivência familiar sob o mesmo teto ficou mantida conforme admitido pelo Contribuinte ao longo de sua defesa recursal. O Recorrente manteve a sociedade conjugal e distribuiu generosamente a sua renda de forma que para a esposa caberia 36% e 18% para cada um dos dois filhos, de forma que lhe restasse 28% de seu rendimento líquido. Na verdade sua renda ficou partilhada em quatro partes e assim oferecida à tributação, de forma favorecida, de vez que submetida à incidência mas observado o limite de isenção individual e/ou escalonamento de alíquotas em razão do partilhamento remuneratório, visto que para cada um foi apresentado uma declaração individualizada por dependente e, na sua declaração a dedução como pensão alimentícia do total de 72% de seus rendimentos. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou propositura ao judiciário para o pagamento de pensão alimentícia aos seus dependentes com base no disposto no art. 24 da Lei nº 5.478/68 e, não tendo satisfeito as condições para utilização daquele dispositivo, especialmente porque o Contribuinte não deixou o lar e o convívio familiar, e ainda porque afastamentos temporários não se enquadram em tal hipótese, motivos que o impede da utilização do benefício da dedução do imposto por prestação de alimentos nos termos da legislação pertinente. Ressaltese que os dependentes mantiveram essa condição, expresso inclusive nos termos da defesa recursal, embora a formalização de individualização mediante apresentação de DAA em separado da esposa e filhos, o que foi considerado em favor do Recorrente por ocasião da feitura do lançamento, apropriandolhes os benefícios de dedução das despesas de saúde, educação e dedução fixa por dependente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, para excluir a glosa do valor de R$ 9.884,45 do valor total do crédito tributário lançado, por ausência da duplicidade da dedução apontada. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720101/2015-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011, 2012
INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação do rendimento omitido, os créditos serão analisados individualizadamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. TITULARIDADE. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. LIMITES. PESSOAS FÍSICAS.
Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes.
Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS.
O montante de rendimentos tributados na declaração de ajuste anual somente deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito e tributados a título de presunção para o respectivo ano calendário quando plausível admitir que transitaram pela referida conta, estando assim abrangidos nos depósitos objetos de tributação.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
DEPÓSITO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM
A simples presença do nome do depositante no extrato bancário, ou no comprovante do depósito, não é hábil para comprovar a origem do crédito na conta bancária. É necessário demonstrar a que título o depósito foi efetuado.
IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL
O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física é complexivo anual, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, de sorte que sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual.
Numero da decisão: 2202-004.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011, 2012 INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação do rendimento omitido, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. TITULARIDADE. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. LIMITES. PESSOAS FÍSICAS. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. O montante de rendimentos tributados na declaração de ajuste anual somente deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito e tributados a título de presunção para o respectivo ano calendário quando plausível admitir que transitaram pela referida conta, estando assim abrangidos nos depósitos objetos de tributação. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DEPÓSITO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM A simples presença do nome do depositante no extrato bancário, ou no comprovante do depósito, não é hábil para comprovar a origem do crédito na conta bancária. É necessário demonstrar a que título o depósito foi efetuado. IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODO-BASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física é complexivo anual, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, de sorte que sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15868.720101/2015-62
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5918995
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.750
nome_arquivo_s : Decisao_15868720101201562.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 15868720101201562_5918995.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7477919
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868913274880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2.799 1 2.798 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.720101/201562 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.750 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA Recorrente RICARDO ULPIANO DOS SANTOS VIOL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011, 2012 INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação do rendimento omitido, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. TITULARIDADE. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. LIMITES. PESSOAS FÍSICAS. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 01 /2 01 5- 62 Fl. 2799DF CARF MF 2 bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. O montante de rendimentos tributados na declaração de ajuste anual somente deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito e tributados a título de presunção para o respectivo ano calendário quando plausível admitir que transitaram pela referida conta, estando assim abrangidos nos depósitos objetos de tributação. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DEPÓSITO BANCÁRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM A simples presença do nome do depositante no extrato bancário, ou no comprovante do depósito, não é hábil para comprovar a origem do crédito na conta bancária. É necessário demonstrar a que título o depósito foi efetuado. IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO ANUAL. TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA. APURAÇÃO MENSAL O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física é complexivo anual, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, de sorte que sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Fl. 2800DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.800 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 01033.313, proferido pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA (DRJ/BEL), que julgou parcialmente procedente o lançamento, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo trechos do relatório do acórdão recorrido em relação à autuação, com maiores detalhes às controvérsias decorrentes da parte do lançamento fiscal mantida pela DRJ/BEL: 1. Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente aos exercícios 2011/2012, anoscalendário 2010/2011, por AFRF da DRF/ARAÇATUBA/SP. A ciência do lançamento ocorreu em 15/09/2015, fl. 1.902. O valor do crédito tributário apurado foi de R$3.927.801,80. 2. De acordo com o Auto de Infração, fls. 1.872/1.892, os motivos da autuação foram: Omissão de rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, pela intermediação de compra de bovinos, comissão.recebidos da pessoa jurídica Minerva S.A.; Omissão de rendimentos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, pela intermediação de compra de bovinos, comissão, recebidos da pessoa jurídica Frigorífico Casbe Boiadeiro Ltda.; Omissão de rendimentos recebidos da pessoa física, Jose Antonio Scatolin, CPF 118.101.65849, correspondentes ao arrendamento de 50% do imóvel rural denominado Fazenda Por do Sol. Omissão de rendimentos (juros e outros acréscimos) recebidos da pessoa física, Espólio de Alcion de Assis Figueiredo, sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório, desclassificados como receita da atividade rural; Omissão de rendimentos (juros e outros acréscimos) recebidos da pessoa física, Edmundo Aguiar Borges Ribeiro, sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório, desclassificados como receita da atividade rural; Fl. 2801DF CARF MF 4 Rendimentos (arrendamento) recebidos da pessoa jurídica Unialco S.A. Álcool e Açúcar, desclassificados como receita da atividade rural; Omissão da totalidade de rendimentos da atividade rural no valor de R$ 130.958,56; Omissão de rendimentos por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou , mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; 3. O relatório fiscal, fls. 1.712/1.768, assim detalha os elementos probantes que motivaram a autuação: O sujeito passivo escriturou no Livro Caixa da Atividade rural do anocalendário 2010 receitas superiores às declaradas no Demonstrativo de atividade Rural, Receitas e Despesas da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, conforme demonstrado na tabela de fl.1.733; Na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2011, na ficha Atividade Rural, Receitas e Despesas Brasil, os valores das receitas e despesas não correspondem às receitas e despesas escrituradas no Livro Caixa da Atividade Rural, a seguir discriminamos os totais do ano informado na DAA e no Livro Caixa da Atividade Rural: ANO CALENDÁRIO 2011 RECEITA (R$) DESPESAS (R$) Demonstrativo da Atividade Rural DAA 6.369.322,82 1.502.852,06 Livro Caixa da Atividade Rural 4.902.325,36 3.858.975,76 O sujeito passivo foi intimado a esclarecer as diferenças acima, porém, não fez. Verificamos que o sujeito passivo escriturou receitas e despesas não relacionadas com a atividade rural, tais como recebimentos de empréstimos escriturado como parceria pecuária, recebimentos de empréstimo por dação em pagamento de gado e apartamento, valor de cessão de créditos recebidos da Unialco e aquisição de imóvel rural sem discriminação da terra nua e informado seu valor total na ficha Declaração de Bens e Direitos, discriminados na forma apresentada no Livro Caixa na tabela de fls. 1.734/1.735; [...] RECEITA DE R$ 217.500,00, DA PARCERIA PECUÁRIA COM EDMUNDO AGUIAR BORGES RIBEIRO. O sujeito passivo escriturou indevidamente como receita da atividade rural o valor recebido de Edmundo Aguiar Borges Ribeiro, CPF 959.021.478 91, em 06/07/2011, a importância de R$ 217.500,00, para justificar este lançamento apresentou o Instrumento Particular de Contrato de Parceria Pecuária, datado de 08/02/2010, com uma planilha da partilha dos lucros. Tratase o Instrumento Particular de Contrato de Parceria Pecuária, de 08/02/2010, entre o Sr. Edmundo Aguiar Borges Fl. 2802DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.801 5 Ribeiro, denominado Parceiro Criador, proprietário da Fazenda São Matheus, localizada no município de Querencia do Norte PR e o Sr. Ricardo Ulpiano dos Santos Viol, denominado Parceiro Proprietário de um rebanho de 150 cabeças de bovinos com idade de até 30 meses, avaliado pelo Parceiro Criador em 13,70 arrobas por animal e de comum acordo entre as partes. O prazo do contrato foi de 01 (um) ano contado da data do contrato que foi em 08/02/2010, com término em 08/02/2011, com as seguintes cláusulas na repartição dos frutos, que transcrevemos a seguir: "7) Os frutos da parceria serão divididos da seguinte forma: Do peso final do gado abatido em Frigorífico, será descontado a quantia inicial de 13,70@ por animal, valor este correspondente ao capital do Parceiro Proprietário. E o resultado será dividido para cada parceiro como seus frutos na parceria, em partes iguais, 50% para cada um; 8) Será necessária a presença de ambas as partes para que se marque a data, preço e quantidade de bois que servirão para abate" O sujeito passivo informou na sua resposta de 26/05/2014, item 7.2, que os 150 bovinos foram avaliados em 20 (vinte) arrobas cada um, que o contrato foi rescindido em 06/07/2011 por consequência da entrega do imóvel rural Fazenda Cruzeiro (Dois Irmãos) em 06/07/2011, não houve a emissão de nota fiscal de produtor. Intimado em 15/08/2014 para apresentar Notas Fiscais do Produtor e as GTA Guia de Transito Animal, das 150 cabeças de bovinos dadas em regime de parceira. Em sua resposta de 04/09/2014 informou que não as encontrou. No item 38.2, deste termo foi descrito a intimação e a resposta do parceiro criador, onde ele apresenta o mesmo cálculo do item 40.1.3, e também informa que na data da assinatura do contrato de parceria, o sujeito passivo, Ricardo Ulpiano dos Santos Viol entregou ao Sr. Edmundo Aguiar Borges Ribeiro o valor de R$ 135.000,00, que seria suficiente a para aquisição dos animais, porém, os bois não foram adquiridos, o Sr. Edmundo já possuía os animais, havia adquirido 151 cabeças da mesma categoria indicada no instrumento de parceria, entre os dias 30/09/2009 e 02/10/2009. O contribuinte diligenciado Edmundo Aguiar Borges Ribeiro apresentou as notas fiscais de produtor da aquisição de 151 bovinos no total de R$ 113.650,00 (R$ 113.650,00 : 151 cabeças = R$ 752,65), ao preço médio por cabeça de R$ 752,65 (150 x R$ 752,65 = R$ 112.897,50). Já o valor entregue ao parceiro criador (Sr. Edmundo) de R$ 135.000,00, compraria 179 bovinos, uma quantidade de bovinos muito superior ao estipulado no alegado contrato de parceria, diferença a maior de 29 bovinos, este fato desclassifica a parceira. Outros fatos que desclassificam o contrato de parceria são: Fl. 2803DF CARF MF 6 Não houve a entrega dos 150 bovinos pelo parceiro proprietário Ricardo Ulpiano dos Santos Viol ao parceiro criador Edmundo Aguiar Borges Ribeiro; O alegado parceiro proprietário Ricardo Ulpiano dos Santos Viol não possuía os animais e não os comprou; O alegado parceiro criador Edmundo Aguiar Borges Ribeiro adquiriu 151 bovinos em 30/09/2009 e 02/10/2009, e o alegado contrato de parceria é de 08/02/2010, portanto 130 dias depois da data que o alegado parceiro criador adquiriu os bovinos; O alegado contrato de parceria é de um ano contado da data de sua assinatura (08/02/2010), com término em 08/02/2011; Os bovinos foram abatidos em 17/06/2011, conforme Nota Fiscal do frigorífico, 128 dias após o término do alegado contrato; Acordaram, as partes, que o peso dos bovinos seria de 20 arrobas cada um, os animais abatidos, conforme Nota Fiscal e planilhas do Frigorífico apresentadas pelo parceiro criador (Sr. Edmundo), os animais abatidos pesaram em média 17,49 arrobas, contra 20 arrobas Estipuladas no encerramento da parceria; Informaram as partes que o lucro foi de R$ 165.000,00 repartido 50% para cada parte no valor de R$ 82.500,00; O cálculo apresentado pelas partes está errado, conforme alegado contrato de parceria, Cláusula 7, que transcrevemos a seguir; Do peso final do gado abatido em Frigorífico, será descontado a quantia inicial de 13,70@ por animal, valor este correspondente ao capital do Parceiro Proprietário. E o resultado será dividido para cada parceiro como seus frutos na parceria, em partes iguais, 50% para cada um;" Conforme estipulado nesta cláusula demonstramos como seria o resultado da parceria: h.1) Peso inicial de cada bovino, pertencentes ao parceiro proprietário.......................13,70@ h.2) Peso final de cada bovino acordado entre as partes..............................................20.00(5) h.3) (h.2 h.1) Peso, resultado a ser repartido entre as partes..............................06,30@ h.4) Valor da arroba acordado entre as partes........................................................R$ 100,00 h.5) Peso total a ser repartido dos 150 bovinos (150cb x 6,30@)................................945,00@ h.6) (h.4 x h.5) resultado em dinheiro a ser repartido..................................R$ 94.500,00 Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.802 7 h.7) Participação das partes no resultado (50% de R$ 94.500,00)... R$ 47.250,00 O lucro total da alegada parceria seria de R$ 94.500,00 e não como calculou as partes o valor de R$ 165.000,00; O valor que o alegado parceiro proprietário deveria receber por esta alegada parceria seria de: Capital do alegado parceiro proprietário, 150 cabeças de bovinos pesando 13,70@ cada um totalizando 2.055,00@ Valor da arroba acordado entre as partes no final da parceria R$100,00 Capital do alegado parceiro proprietário no final da parceria R$205.500,00 50% do lucro, conforme demonstrado na letra "h.7", acima R$ 47.250,00 Totalizando o valor que receberia de R$ 252.750,00 Portanto, o valor que o alegado parceiro proprietário Ricardo Ulpiano dos Santos Viol receberia é de R$ R$ 252.750,00, e não o valor informado pelas partes de R$ 217.500,00; Ainda, o alegado contrato não terminou com abate dos bovinos em 17/06/2011, conforme Nota Fiscal de Entrada n° 6340, Série 4, emitida em 17/06/2011, pelo Frigorífico Marfrig Alimentos S.A.. Conforme informação do alegado parceiro criador Sr. Edmundo Aguiar Borges Ribeiro, de 01/09/2014, permaneceu esse ajuste em vigor até a 15/07/2011, data em que foi passada ao Sr Ricardo Ulpiano dos Santos Viol escritura de venda de imóvel rural denominado Fazenda Cruzeiro, localizada no município de Guararapes SP; O sujeito passivo escriturou no Livro Caixa da atividade Rural o recebimento no dia 06/07/2011, portanto antes da partilha, abate em 17/06/2011, e do recebimento em 15/07/2011; fls. 60 e fls. 376, do PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL; e 40.2 Portanto, concluímos que se trata empréstimo no valor de R$ 135.000,00 it ao Sr. Edmundo Aguiar Borges Ribeiro pelo sujeito passivo em 08/02/2010, quitado em 06/07/2011, com rendimentos recebido pelo sujeito passivo de R$ 82.500,00 (R$ 217.500,00 R$ 135.000,00 = R$ 82.500,00). [...] RECEITA DE R$ 274.734,00, DA PARCERIA PECUÁRIA ENTRE O SUJEITO PASSIVO E JOSÉ ANTONIO SCATOLIN. O sujeito passivo intimado a comprovar a origem dos créditos, a seguir discriminados, item 44.1, alegou que: referem a receitas da atividade rural correspondente a parceria pecuária com o Sr. José Antonio Scatolin, não escriturou e não foram oferecidos a tributação, também, alegou que recebeu em dinheiro de José Antonio Scatolin a importância total de R$ 274.734,00, sendo R$ 137.367,00 referente ao anocalendário 2010 e R$ 137.367,00 referente ao anocalendário 2011. [...] Fl. 2805DF CARF MF 8 Concluímos, que não se trata de parceira pecuária e sim de arrendamento rural, pelos seguintes fatos: A área do imóvel rural onde foram apascentados os bovinos foi adquirida do parceiro pecuarista, Jose Antonio Scatolin, em 12/08/2019 (sic), e está em comum no imóvel rural pertencente 50% para o proprietário pecuarista José Antonio Scatolin e 50% para o parceiro proprietário Ricardo Ulpiano dos Santos Viol, eles são proprietários de parte ideal do imóvel rural, conforme Escritura Pública de 12/08/2009, Declaração do Imposto Territorial Rural DITR, dos anoscalendário 2009, 2010 e 2011 e Contrato Particular de Parceria Pecuária, cláusula 01; O rebanho objeto da parceria pecuária para partição dos nascimentos é composto somente de fêmeas, sem nenhum touro e também em nenhuma cláusula consta que usará a inseminação artificial nas vacas, visto que a taxa de prenhes por inseminação artificial é em torno de 50%, conforme estudos, portanto este fato é de elevada importância para este tipo de parceria, verificase que a taxa de nascidos e criados até 16/10/2010 foi de 85,268%, conforme Contrato Particular de Parceria Pecuária, cláusula 02 e Demonstrativo da 1ª Partilha de Lucros da Parceria Pecuária, fls.1285, do PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL; Dos riscos; é atípico as partes em comum suportar prejuízos causados por descuidos de outra parte, também não se pode aceitar que desvalorização do produto da parceria é risco, cláusula 07, fls. 1283 do PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL; A parceria teve inicio em 02/01/2010 com término em 01/01/2015, porém, até 31/12/2011 houve apenas uma partição de lucros em 16/06/2010, com as seguintes características: 1) A 1ª e única partição refere ao período de 02/01/2010 a 17/09/2010, porém, foi realizada no dia 16/06/2010, com a cotação do preço dos bovinos de 12 meses do mesmo dia da partilha, 16/06/2010; (ver item 44.3 deste e fls. 1285 do PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL) 2) Se das 2111 vacas 1800 tivessem paridas em 02/01/2010 no dia do início do contrato, os nascidos estariam em 16/06/2010 com 165 dias, cinco meses e meio, o preço de cotação deveria corresponder ao preço de desmama, para bezerros e bezerras, e não a cotação do preço de bezerros e bezerras de 12 meses; 2.1) Observamos, que desmamar bezerros e bezerras com 165 é muito precoce e traz muito estresse para as vacas e para os bezerros e bezerras, reduz o desenvolvimento dos bezerros e bezerras e pode afetar o desempenho da vaca, o desmame tradicional é entre 06 a 08 meses, com bom tratamento pós desmama para a idade de 06 meses, verificase que a desmama muito precoce não favorece as partes; 3) Considerando o preço de cotação de bezerros e bezerras com 12 meses em 16/06/2010, o valor pertencente ao sujeito passivo pela alegada parceria em 16/06/2010 seria de: (item 44.3, letra "c") Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.803 9 BOVINOS VALOR UNITÁRIO (R$) QUANTIDADE VALOR TOTAL (R$) MACHOS 750,00 102,90 77.175,00 FÊMEAS 570,00 105,60 60.192,00 TOTAL DOS BOVINOS EM 16/06/2010 137.367,00 4) No mesmo, Demonstrativo da 1a Partilha de Lucros da Parceria referente ao período de 02/01/2010 a 17/09/2010, relativo ao contrato de 02/01/2010, repete para o ano 2011 os mesmos valores em moeda do ano 2010, totalizando R$ 137.367,00, sem nenhuma apuração no ano 2011, não consta a quantidade dos bezerros e bezerras nascidas a partir de 17/06/2010 a partilhar; 5) Como pode apurar em 2011 o mesmo valor do ano anterior 2010, se no ano 2010 até 16/06/2010 houve 1800 crias com 2111 vacas, certamente na partilha referente o período a partir de 17/06/2010 haveria mais crias a partilhar e houve aumento do preço dos bovinos, porém, inexplicavelmente informa o mesmo; 6) Ambos os parceiros informam que não houve emissão de Nota Fiscal de Produtor, o parceiro proprietário Ricardo Ulpiano dos Santos Viol em sua resposta de 27/07/2015 declara que recebeu os lucros da parceria do parceiro pecuarista Jose Antonio Scatolin e que não houve a necessidade de emissão de notas porque o gado objeto da parceria pecuária está todo em nome do parceiro pecuarista. Intimado o parceiro pecuarista Jose Antonio Scatolin em sua resposta de 16/07/2015 informa que não tem nota fiscal dos bovinos da parceria e que os bovinos já se encontravam na área quando da parceira realizada uma vez que a área do Sr. Ricardo foi adquirida do próprio Sr. Jose Antonio Scatolin. A área é em com comum, tratase de parte ideal de 50% do imóvel rural denominado Fazenda Por do Sol em Corumbá MS; 7) Verificase que os alegados pagamento de antecipação de lucros da parceria ocorrem nos primeiros 31 dias após a assinatura do contrato e em valor superior ao valor da primeira partilha, as demais, alegadas, antecipações ocorreram no dia 14/09/2010 e 17/09/2010 data esta do ultimo dia da primeira apuração, em moeda corrente nacional, conforme discriminamos a seguir: Data do inicio da parceria 02/01/2010; Valor da primeira partilha R$ 137.367,00; Pagamento de antecipação de lucro em 29/01/2010 no valor de R$ 83.735,00, após 27 dias da assinatura do contrato, corresponde a 60,957% do total da 1a partilha; Pagamento de antecipação de lucro em 02/02/2010 no valor de R$50.000,00, após 30 dias da assinatura do contrato e 03 (três) dias após a primeira antecipação, corresponde a 36,399%, que até esta data já foram pagos R$ 133.734,00, que corresponde a 97,355% do valor da 1a partilha; Fl. 2807DF CARF MF 10 Pagamento de antecipação de lucro em 03/02/2010 no valor de R$ 41.000,000, após 31 dias da assinatura do contrato e 01 (um) dia após a segunda antecipação, corresponde a 29,847%, que até esta data totaliza R$ 174.734,00 e superou 27,202% do valor da primeira partilha; e Continuou as antecipações com os pagamentos em 14/09/2010 no valor de 50.000,00 e em 17/09/2010 no valor de R$ 50.000,00, antecipação com três dias uma da outra, totalizando R$ 100.000,00 correspondente a 72,80% do valor de R$ 137.367,00 do infundado valor atribuído ao ano 2011. Constatamos que não houve a entrega do produto da alegada parceria ao parceiro proprietário, Ricardo Ulpiano dos Santos Viol, não foi emitido Nota Fiscal de Produtor, os animais objeto da partilha (os nascidos) foram escriturados somente em nome do parceiro pecuarista, Jose Antonio Scatolin, que os animais já se encontravam na área que o sujeito passivo, Ricardo Ulpiano dos Santos Viol adquiriu de José Antonio Scatolin, o resultado da alegada parceria foi pago em dinheiro. O sujeito passivo não declarou nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF nos anos calendário 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014 a exploração do imóvel rural objeto da alegada parceria pecuária, adquirido em 12/08/2009. Concluímos, que o Sr. José Antonio Scatolin apascentava todo o seu rebanho em toda a área do seu imóvel rural, quando alienou 50% deste imóvel ao sujeito passivo Sr. Ricardo Ulpiano dos Santos Viol, e as áreas ficaram em comum, o alienante José Antonio Scatolin manteve seu rebanho em todo imóvel e por utilizar toda a pastagem do imóvel rural pagou em dinheiro ao sujeito passivo, caracterizando arrendamento rural. [...] Por todo o exposto, fica demonstrado de que se trata de arrendamento rural, portanto desclassificamos a parceria rural e tributamos os recebimentos como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física, alugueis, sujeito ao carnêleão. DOS CRÉDITOS E DEPÓSITOS BANCÁRIOS Encaminhamos ao sujeito passivo os Termos de Constatação e Intimação Fiscal, datados de 20/04/2015 e 27/04/2015, para dele exigir a comprovação mediante apresentação de documentação hábil e idônea e coincidente em datas e valores, das origens e naturezas dos recursos creditados e depositados em suas contas correntes e de poupança, discriminados nas planilhas de 01 a 08. Após solicitação de prorrogação de prazo, o sujeito passivo em 21/05/2015, apresentou cópia de; comprovantes de depósitos, declarações, carta manuscrita, conforme mencionados no item 31; A carta manuscrita apresentada esclarece que a atividade de intermediação de compra de bovinos, onde é representante de várias empresas frigoríficas e nas negociações com pecuaristas Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.804 11 usava sua rotatividade financeira fazendolhes adiantamentos, recebia deles valores para pagar compromissos destes, como compra de gado, sal mineral, combustível, etc. porque os pecuaristas são pessoas que vivem muito no mundo rural, todas atividades foram realizadas pela pessoa jurídica RICARDO ULPIANO DOS SANTOS VIOL ME, CNPJ 07.564.900/0001 00; Lembramos que a ação fiscal é na pessoa física Ricardo Ulpiano dos Santos Viol, CPF 023.633.04896; Apresentou declarações particulares todas com o mesmo teor prestado pelos supostos clientes, onde eles informam que enviaram recursos ao sujeito passivo para que este honrasse compromissos em seus nomes e o restante serlhesiam restituídos em espécie e recorre a assessoria do sujeito passivo para comercialização de seu rebanho; são os seguintes declarantes: [...] Não procedem às alegações do sujeito passivo para comprovar a origem dos recursos creditados e depositados em suas contas bancárias, discriminados individualmente nas PLANILHAS DE 01 A 08, com as alegações que correspondem a adiantamentos feitos por pecuarista para o sujeito passivo honrar compromissos em seus nomes e o restante devolverlhes em moeda corrente, comissão na intermediação de bovinos, transferência usada para entrada e saída, vejamos: [...] A auditoria elabora planilha às fls. 1782/1870, na qual descreve, depósito a depósito, porque não os considerou como origem comprovada, e lavrou o auto de infração aplicando a multa qualificada de 150%. Cientificado da autuação, a recorrente apresentou impugnação (fls. 1923/2017), que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/BEL, excluindo do lançamento a omissão de rendimentos decorrente dos valores recebidos do espólio de Alcion de Assis Figueiredo (R$ 221.282,00); valores recebidos da Unialco S.A. Álcool e Açúcar (R$ 540.643,28); e desqualificou a multa de 150% sobre os depósitos bancários de origem não comprovada. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2011 e 2012 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 2809DF CARF MF 12 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO PROGRESSIVA. A forma de tributação dos rendimentos omitidos deve observar a natureza dos rendimentos. Atendida a intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários, os rendimentos comprovados e não informados ao agente arrecadador, devem ser tributados conforme a natureza do rendimento. Se os rendimentos não forem comprovados consideramse os depósitos como rendimentos omitidos sujeitos a tributação mensal e ao ajuste anual. ATIVIDADE RURAL. RESULTADO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A legislação permite que, à opção do contribuinte, o resultado da atividade rural da pessoa física seja calculado de forma presumida, por estimativa, à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário. Nesse caso, tanto a falta de escrituração de receitas no Livro Caixa como a declaração de receita em valor inferior ao montante escriturado configuram omissão de rendimentos, passível de ser apurada em lançamento de ofício. ATIVIDADE RURAL. PARCERIA. COMPROVAÇÃO. Os arrendatários, os condôminos e os parceiros na exploração da atividade rural, pagarão o imposto, separadamente, na proporção dos rendimentos que couberem a cada um, desde que a situação esteja comprovada documentalmente. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Nos casos de lançamento de ofício do crédito tributário, a legislação determina a aplicação de multa correspondente a setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. A referida penalidade pecuniária não pode ser dispensada, tendo em vista a natureza vinculada do lançamento. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Incabível a imposição da multa qualificada de 150% quando não ficou demonstrado de forma inequívoca que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em hipóteses tipificadas nos art. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte foi cientificado do Acórdão da DRJ/BEL em 24/01/2017. Inconformado com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 23/02/2017 (efls. 2374/2495), juntando documentos às fls. 2497/2640, e repisando os argumentos da impugnação na parte mantida pela DRJ, nos seguintes tópicos: · erro de cálculo na apuração do crédito tributário Fl. 2810DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.805 13 · improcedência da infração 2 omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas físicas Antonio Scatolin · improcedência da infração 3 omissão de rendimentos juros e outros acréscimos recebidos de pessoa física Edmundo Aguiar Borges · improcedência da infração 6 omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada o inconstitucionalidade do artigo 42 da lei 9.430/96 o depósito bancário não é renda nem proventos o improcedência do lançamento do imposto com base nos depósitos bancários com utilização da tabela progressiva anual em vez da tabela progressiva mensal o comprovação de que o recorrente exerce a atividade de intermediação na venda e compra de bovinos o comprovação da origem dos depósitos e créditos bancários · improcedência da infração 7 falta de recolhimento do IRPF devido a título de carne leão (multa isolada) · erro de identificação do sujeito passivo Por fim, o recorrente requer o cancelamento do crédito tributário; e, no caso de ser mantida a exigência fiscal, o recálculo do imposto relativo a 2011 para reduzilo no valor de R$ 86.853,72; e produção de provas. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Delimitação da Lide Considerando que a DRJ/BEL exonerou uma parte de crédito tributário e o recorrente recolheu outra parte, a lide se limita às seguintes infrações: Fl. 2811DF CARF MF 14 · Omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa física AC2010 José Antonio Scatolin (R$ 274.734,00) + Multa de 75% e Multa Isolada (22.334,07+24.332,22+26.807,22 = R$ 73.473,51), por não ter recolhido carnêleão; · Omissão de rendimentos (juros e outros acréscimos) recebidos de pessoa física AC2011 Edmundo Aguiar Borges (R$ 82.500,00) + Multa de 75% e Multa Isolada (R$ 21.963,55) por não ter recolhido carnêleão; · Depósitos bancários de origem não comprovada AC 2010 (2.494.124,63) e AC 2011 (R$ 1.429.069,15) + multa de 75%. Erro na apuração da base de cálculo De início, o recorrente alega erro na apuração da base de cálculo pelo julgador a quo, após efetuar as exclusões do lançamento referente à atividade rural que autuante havia desclassificado. Ele assevera que, o julgador de primeira instância entendeu que o valor declarado deveria ser ajustado pelo valor apurado pela fiscalização, mas ao efetuar o cálculo considerou o valor de R$ 4.902.325,36 e não R$ 3.323.166,86, que foi o valor apurado após a desclassificação dos valores de atividade rural, conforme tabela abaixo (fls. 1735): Não assiste razão ao recorrente. Analisando o acórdão recorrido para entender a lógica utilizada pelo julgador a quo, ele afirma que a receita declarada deveria ser ajustada à receita escriturada no Livro Caixa, conforme apurada pelo Fisco. Isso porque, o Auditor Fiscal recompôs esse Livro de acordo com os documentos apresentados pelo contribuinte, por isso que o julgador usa a frase "receitas escrituradas no livro caixa, por estarem contidas em uma prova material". Veja trechos do acórdão que explicam essa composição: 12. Considerando que o contribuinte já estava em fiscalização nos 3 anos calendário anteriores em razão de movimentações superiores em mais de 170 vezes aos valores de receita declarada, o Fisco entendeu que a retificação promovida pelo Fl. 2812DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.806 15 contribuinte em sua D1RPF/2011, elevando a receita de atividade rural para R$6.369.322,82, e apurando o resultado tributável limitado a 20% de R$1.273.864,56, foi com o intuito de esconder seus reais rendimentos, pois em sua declaração em original/2011, o valor declarado foi zero. 13. Verificase sobre este item, que a fiscalização apurou receita de atividade rural no valor de R$3.323.166,86, fl. 1735, após efetuar a desclassificação dos seguintes recebimentos em relação ao escriturado pelo contribuinte de R$4.902.325,36 no livrocaixa. 14 Mesmo considerando a receita escriturada em livrocaixa, ao efetuar os cálculos para a apuração do imposto devido no ano calendário 2011, a fiscalização inseriu no campo "rendimentos tributáveis declarados", o valor de R$1.273.864,56 (correspondente a 20% da receita declarada de R$6.369.322,82), e deduziu o imposto declarado de R$337.798,31, conforme demonstrativo de apuração constante do Auto de Infração de fls. 1881/1882. 15. Certo é que a fiscalização elegeu corretamente as receitas escrituradas no livro caixa, por estarem contidas em uma prova material. Porém, ao realizar o cálculo do imposto devido no anocalendário 2011, entendemos que a receita declarada deveria ser ajustada ao apurado pelo fisco, no valor de R$980.465,07, correspondente a 20% da receita escriturada em livrocaixa de R$4.902.325,36, como descrito às fls. 1734/1736. (Grifei). Assim, conforme se observa às fls. 1881/1882, o julgador a quo ajustou corretamente o valor, considerando que ele colocou o valor apurado pela fiscalização de acordo com o Livro Caixa e os documentos apresentados, antes da desclassificação dos rendimentos como receita de atividade rural, que seria o valor que o contribuinte teria declarado se tivesse escriturado o Livro Caixa de acordo com esses documentos. Ocorre que, no julgamento de primeira instância foi dado razão ao impugnante quanto à improcedência dos lançamentos referentes aos seguintes valores: DATA RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF VALOR 25/05/2011 Recebido da Pessoa Jurídica Unialco S.A. Álcool e Açúcar 150.438,05 15/07/2011 Recebido da Pessoa Jurídica Unialco S.A. Álcool e Açúcar 129.876,08 15/09/2011 Recebido da Pessoa Jurídica Unialco S.A. Álcool e Açúcar 129.613,81 16/11/2011 Recebido da Pessoa Jurídica Uniajco S.A. Álcool e Açúcar 130.715,34 Data PESSOA FÍSICA VALOR 20/03/2011 Recebido da Pessoa Física Espólio de Alcion de Assis Fiqueiredo 86.963,82 12/09/2011 Recebido da Pessoa Física Espólio de Alcion de Assis Figueiredo 134.318,18 Total 761.925,28 E, acertadamente, quando do cálculo do imposto de 2011, às fls. 2353, a autoridade julgadora, excluiu esses valores da infração lançada pela auditoria: Valor lançado pela auditoria: Fl. 2813DF CARF MF 16 Valor ajustado pelo julgador a quo: Veja que o valor de R$ 846.404,28 foi reduzido para R$ 84.479,00, cuja diferença é exatamente igual ao valor que a autoridade julgadora excluiu do lançamento: R$ 761.925,28. Caso o julgador tivesse utilizado o cálculo proposto pelo recorrente (valor apurado pelo Fisco após a desclassificação dos rendimentos de atividade rural), os valores desclassificados pela DRJ seriam excluídos duas vezes, o que não estaria correto. Por isso, não vejo razão para correção do ajuste efetuado pelo julgador a quo. Omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoa física AC2010 José Antonio Scatolin A defesa alega que o contrato de parceria confirma que o recorrente assumiu riscos da atividade rural, uma vez que ele prevê a forma de remuneração do parceiro proprietário, em um percentual da produção equivalente a 12,25% dos machos de até 12 meses e 11% das fêmeas de até 12 meses, avaliados a preço de mercado. E que o parceiro não pagaria valor fixo se está estipulado no contrato um percentual da produção. Acrescenta que pelo art. 96, § 1º, da Lei nº 4.504/64 bastaria a existência, de um dos riscos, isoladamente, para se estivesse caracterizada a parceria, e que o recorrente recebeu antecipações de lucros por conta dessa parceria, conforme estipulado na Cláusula 6ª do contrato, o que não descaracterizaria a parceria, nos termos do § 3º do art. 96 da citada Lei. Cita Acórdão Carf nº 2202002.706, nesse sentido. Entende que as interpretações equivocadas em relação ao contrato de parceria surgiram em função do Decreto nº 59.566/1966 que ao regulamentar o Estatuto da Terra, deu uma interpretação restritiva de que para a caracterização da parceria rural seria necessária a partilha cumulativa de todos os riscos da operação, e que a Lei nº 11.443/07 trouxe um conceito mais abrangente da parceria rural. Conclui afirmando que o julgador a quo levantou a questão de que o contrato não estava registrado em cartório, e poderia ter sido feito em data posterior à postada. Entende que se o julgador considera o contrato inábil por falta de registro, ele também não seria hábil para comprovar o arrendamento rural, e assim o lançamento deveria ser cancelado. E sobre a falta de emissão de nota fiscal utilizada pelo julgador para descaracterizar a parceria, informa que não houve a emissão, porque os pagamentos representam antecipações. Para análise da controvérsia, oportuno reproduzir a legislação que dispõe sobre contratos de parceria: Lei nº 4.504/64 Fl. 2814DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.807 17 Art. 96 [...] § 1º Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso específico de imóvel rural, de parte ou partes dele, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e/ou facilidades, com o objetivo de nele ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e/ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matériasprimas de origem animal, mediante partilha, isolada ou cumulativamente, dos seguintes riscos: (Incluído pela Lei nº 11.443, de 2007). I caso fortuito e de força maior do empreendimento rural;(Incluído pela Lei nº 11.443, de 2007). II dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais estabelecidos no inciso VI do caput deste artigo;(Incluído pela Lei nº 11.443, de 2007). III variações de preço dos frutos obtidos na exploração do empreendimento rural.(Incluído pela Lei nº 11.443, de 2007). § 2oAs partes contratantes poderão estabelecer a prefixação, em quantidade ou volume, do montante da participação do proprietário, desde que, ao final do contrato, seja realizado o ajustamento do percentual pertencente ao proprietário, de acordo com a produção.(Incluído pela Lei nº 11.443, de 2007). § 3oEventual adiantamento do montante prefixado não descaracteriza o contrato de parceria. (Incluído pela Lei nº 11.443, de 2007). (Grifei) Decreto nº 59.566/66 Art 4º Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra, por tempo determinado ou não, o uso especifico de imóvel rural, de parte ou partes do mesmo, incluindo, ou não, benfeitorias, outros bens e ou facilidades, com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola, pecuária, agroindustrial, extrativa vegetal ou mista; e ou lhe entrega animais para cria, recria, invernagem, engorda ou extração de matérias primas de origem animal, mediante partilha de riscos do caso fortuito e da fôrça maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei (artigo 96, VI do Estatuto da Terra). Parágrafo único. para os fins dêste Regulamento denominase parceiro outorgante, o cedente, proprietário ou não, que entrega os bens; e parceirooutorgado, a pessoa ou o conjunto familiar, representado pelo seu chefe, que os recebe para os fins próprios das modalidades de parcerias definidas no art. 5º. Art 5º Dáse a parceria: Fl. 2815DF CARF MF 18 [...] II pecuária, quando o objetivo da cessão forem animais para cria, recria, invernagem ou engorda; [...] Art 36. Na ocorrência de fôrça maior, da qual resulte a perda total do objeto do contato, êste se terá por rescindido, não respondendo qualquer dos contratantes, por perdas e danos. Todavia, se ocorrer perda parcial, repartirseão os prejuízos havidos, na proporção estabelecida para cada contratante. (Grifei). De acordo com a legislação, a parceria pecuária se dá com a cessão dos animais; e mediante partilha dos riscos enumerados no § 1º do art. 96: caso fortuito e de força maior; dos frutos, produtos ou lucros; das variações de preço dos frutos. Primeiramente, há que se observar o sentido do termo "risco" utilizado no § 1º. Para isso, é preciso definir a palavra: Risco: [...] S. m. 1. Perigo ou possibilidade de perigo. 2. Situação em que há probabilidade mais ou menos previsíveis de perda ou ganho como, p.ex., num jogo de azar, ou numa decisão de investimento. 3. Em contratos de seguros, evento que carreta o pagamento da indenização: [...]. 4. Jur. Possibilidade de perda ou de responsabilidade pelo dano. [...]1. (Grifei) O risco no sentido amplo de sua definição não envolve apenas ocorrências negativas, mas também ocorrências positivas. Portanto, quando o parágrafo diz em partilha de risco, entendo que se refere em partilhar aspectos negativos (tais como, perda total ou parcial tanto da terra onde os animais serão apascentados, quanto dos próprios animais; perda total ou parcial de todos os frutos, produtos ou lucros obtidos da parceria; variações negativas de preços dos frutos da parceria), e positivos (frutos, produtos, lucros, como retornos do capital investido; variação de preço positiva dos frutos da parceria) que podem decorrer da parceria. A dúvida pode surgir no uso pelo legislador das expressões "isolada e cumulativamente". Tais termos se referem à partilha ou aos riscos? O que significaria "partilha isolada dos seguintes riscos"? E "partilha cumulativa dos seguintes riscos"? Significaria que uma das partes poderia arcar com todos os riscos? Entendo que não, porque se assim fosse, deixaria sem sentido a palavra "partilha", já que apenas uma das partes arcaria com eles. A meu ver, a interpretação do § 1º é que os riscos dos incisos podem ocorrer isolada ou cumulativamente, e na existência de um ou mais deles, os parceiros irão partilhar os resultados sejam negativos ou positivos. Portanto, as expressões isolada e cumulativa fazem referência à ocorrência dos riscos. Não há sentido em atribuir tais expressões ao termo partilha, porque despontariam os seguintes questionamentos: · No caso de o contrato estipular que quando ocorresse perda total ou parcial, tanto da terra onde os animais serão apascentados, quanto dos próprios animais, o"Parceiro A" arcaria com os prejuízos e/ou deveria indenizar o Parceiro B? 1 Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio da língua portuguesa. 3 ed. Curitiba: Positivo, 2004. Fl. 2816DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.808 19 · Nos casos de perda total ou parcial de todos os frutos, produtos ou lucros obtidos da parceria, quem arcaria seria o "Parceiro B", devendo indenizar o Parceiro A? · Nos casos de variações negativas de preços dos frutos da parceria o "Parceiro A" arcaria com os reflexos delas, devendo indenizar as perdas do Parceiro B? Não vejo que esse tenha sido o sentido de parceria exposto pela Lei, que a meu ver, teve a finalidade de estipular que os parceiros deveriam partilhar a exposição/resultados da ocorrência de um ou mais riscos, ocorressem eles isolada ou cumulativamente. O importante do § 1º para o conceito de parceria é que ambas as partes terão participação nos riscos, sejam eles quais forem, o que não pode em um contrato de parceria é que apenas uma das partes arque com todos os reflexos da ocorrência de um ou mais riscos. E esse é sentido do art. 36 do Decreto nº 59.566/66, que esboça a finalidade da Lei, ao dispor que, na perda total do objeto do contrato decorrente de força maior o contrato será rescindido e nenhuma das partes responderá por perdas e danos, e ainda, se essa perda for parcial os prejuízos decorrentes dela serão repartidos entre as partes. Diante da exposição acima, voltamos ao caso concreto. Pelo contrato de parceria efetuado entre o Recorrente e José Antonio Scatolin, fls. 1283/1284, podese extrair os seguintes dados: · Parceiro pecuarista: José Antonio Scatolin; · Parceiro proprietário: Ricardo Ulpiano; · Recorrente é proprietário em comum com Scatolin da Fazenda Por do Sol; · Parceiro pecuarista é proprietário dos rebanhos 2111 bovinos: fêmeas com mais de 36 meses; 940 fêmeas entre 24 e 36 meses; · Scatolin colocará o rebanho na fazenda, sendo zelados por empregados do parceiro pecuarista; · Prazo do contrato: 5 anos, de 02/01/2010 e 01/01/2015; · A divisão dos frutos: dos totais de nascimentos, Scatolin ficará com 87,75% dos machos, e 89% das fêmeas; Ricardo com 12,25% dos machos de até 12 meses e 11% das fêmeas de até 12 meses; a avaliação será a preço de mercado dos nascimentos de bovinos; · Poderia haver antecipação de lucros, que seria descontada do resultado final; · No caso de prejuízos por desvalorização, descuidos dos empregados ou motivos de força maior seriam suportados pelos parceiros em Fl. 2817DF CARF MF 20 comum em relação ao resultado; se ocorrer perda de capital, a responsabilidade é exclusiva do parceiro pecuarista (Scatolin). · Todas despesas da criação serão de responsabilidade do parceiro pecuarista; · Primeira partilha referente ao período de 01/01/2010 a 17/09/2010, ocorreu em 06/2010. Primeiramente, verifico que todos os riscos negativos estipulados no contrato são suportados pelo parceiro pecuarista (Scatolin), visto que até nos casos de força maior, erros dos empregados ou desvalorização do produto, ele que arcará com a perda do capital. O reflexo dessa ocorrência para o recorrente seria apenas em um resultado menor do que o esperado. Além de não despender recursos financeiros para as despesas da criação e engorda dos bovinos, o parceiro proprietário (Ricardo) estaria protegido contra riscos, e ainda, desfrutaria dos resultados positivos, podendo estes ser em maior ou menor medida, de acordo com ocorrências adversas. E mais, ao ceder sua terra para a criação dos gados, na ocorrência de intempéries, que resultasse na redução do capital, sua propriedade não seria afetada por tal redução, visto que a perda do capital seria de responsabilidade integral do parceiro pecuarista. Portanto, vejo que um dos requisitos indispensáveis para a caracterização da parceria, a partilha dos riscos, não foi observado em tal contrato, pois o parceiro proprietário estaria totalmente protegido contra as adversidades que ocorressem na criação de bovinos. Além disso, o autuante enumera várias inconsistências do contrato e da efetivação dele, que o afasta do caráter de parceria, principalmente, no que diz respeito à apuração do resultado desta, que, ao que consta nos autos, não ocorreu conforme estipulado, considerando a existência de antecipações ao recorrente de quase 100% na primeira partilha, dos rebanhos em apenas 2 meses de parceria, além de, quando da primeira partilha ocorrida pouco mais de 5 meses do início da parceria, os bezerros foram avaliados pelo preço de bezerros de 12 meses quando em verdade poderiam no máximo contar com 5 meses, e ainda não ter havido apuração relativa à partilha no AC2011, com valor repassado ao recorrente idêntico ao da primeira partilha. Além disso, o recorrente não trouxe aos autos documentos que comprovassem que tenha havido o ajuste da partilha ao final do contrato em decorrência das antecipações que alega ter recebido. Por todas essas condições aliada à falta de partilha de riscos do negócio, entendo que o lançamento deve ser mantido. Omissão de rendimentos (juros e outros acréscimos) recebidos de pessoa física AC2011 Edmundo Aguiar Borges O recorrente alega que a auditoria e a autoridade julgadora a quo não consideraram as provas constantes nos autos, diante do contrato de parceria assinado pelas partes e duas testemunhas. Acrescenta que a autoridade julgadora se baseou apenas em parte da resposta do parceiro Edmundo à intimação fiscal. De acordo com o contrato de parceria (fls. 462), extraio os seguintes dados: o parceiro criador: Edmundo Aguiar proprietário da fazenda São Matheus Fl. 2818DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.809 21 o parceiro proprietário: Ricardo Ulpiano dará 150 cabeças de bovinos para serem apascentados na propriedade de Edmundo o Edmundo aceitou o rebanho, avaliado em 13,70 @ por animal o Edmundo zelará e custeará o rebanho até o dia do abate o prazo do contrato: 1 ano, até 08/02/2011 o no caso de morte dos animais, Edmundo indenizará Ricardo, nos casos fortuitos, Edmundo deverá repor a carcaça correspondente a 13,70@. o os frutos da parceria seriam divididos da seguinte forma: do peso final do gado abatido seria descontado 13,70@ por animal (capital de Ricardo), e cada um ficaria com 50% do restante. Diante do exposto nas linhas anteriores, em relação à legislação sobre parceria rural, e aplicandoa ao presente caso, verifico que no contrato de parceria efetuado entre o recorrente e Edmundo, o risco seria suportado apenas por este, senão, vejamos (fls. 462): 6 ) Se houver mortes dos animais, objeto deste contrato, o Parceiro Criador deverá indenizar o Parceiro Proprietário, tendo tolerância na morte de 0,7% do total do rebanho e nos casos fortuitos (raio, furto, roubo) o Parceiro Criador deverá repor a carcaça correspondente à 13,70 @; 7 ) Os frutos da parceria serão divididos da seguinte forma: Do peso final do gado abatido em Frigorífico, será descontado a quantia inicial de 13,70 @ por animal, valor este correspondente ao capital do Parceiro Proprietário. E o resultado será dividido para cada parceiro como seus frutos na parceria, em partes iguais, 50% para cada um; Pelo contrato, vejo que, em casos fortuitos o risco é do Parceiro Criador (Edmundo), pois este deverá repor o animal morto, na mesma medida do que foi entregue pelo Parceiro Proprietário (Ricardo), ou seja, à 13,70@. O Parceiro Proprietário nada perderia, visto que todas as despesas com a criação dos bovinos seriam do Parceiro Criador. No caso de morte dos animais o Parceiro Criador deverá indenizar o Parceiro Proprietário, ou seja, mais uma vez o risco é todo daquele, pois a tolerância de morte para que não haja indenização é de apenas 1 bovino (aproximadamente 0,07% dos 150 bovinos). Para fins de divisão dos frutos, do peso final do gado haverá o desconto das 13,70@ por animal (capital inicial do parceiro proprietário), e mais uma vez o risco será do Parceiro Criador, visto que, o Parceiro Proprietário nenhuma despesa teve com a criação e engorda do gado, e no mínimo receberá as mesmas arrobas dadas como capital inicial. Vamos a seguinte hipótese: o 1@ = aproximadamente 12 kg. o 1 animal de 13,70@ pesa 164,4 quilos, o Digamos que o peso final do gado abatido foi de 15,8@, o que equivale a aproximadamente 189,60 quilos. Fl. 2819DF CARF MF 22 o A parte a ser dividida será de 25,2 quilos (189,60 164,4), ou seja, o Parceiro Proprietário terá 177 quilos para venda, e o Parceiro Criador 12,60 quilos. Não houve qualquer estipulação de riscos em relação à variação do preço da arroba por bovino abatido. Considerando que o recorrente deu R$ 135.000,00 à Edmundo para compra de 150 bovinos, cada bovino custou R$ 900,00, o que corresponde a R$ 65,69 o preço da arroba (900/13,7). Suponhamos que haja uma queda de 9,21% no preço da arroba bovina, ocasionando uma redução no preço da arroba para R$ 59,64, o recorrente receberia R$ 900,00 (dado inicialmente) mais um rendimento de R$ 68,19. Ou seja, mesmo com uma variação negativa de preço, o recorrente receberia no mínimo seu valor do capital inicial, portanto, sem assunção de qualquer risco, visto que nenhuma despesa despendeu para a cria e engorda do bovino. Assim, considero que o contrato estipulado entre o recorrente e Edmundo não tem características de parceria, porque lhe faltou o requisito essencial: a partilha de riscos, ocorram eles isolada ou cumulativamente. Mesmo que assim não fosse, devemos perceber outro detalhe do conceito de parceria, que é a efetiva entrega dos animais para a existência da parceria pecuária. Conforme se verifica no relato fiscal e provas dos autos, o recorrente não entregou animais ao Parceiro Criador, que já era proprietário de 151 bovinos antes do contrato de partilha, e nem há qualquer prova nos autos da venda desses bovinos ao recorrente, nenhuma prova de propriedade deste sobre os animais. Nem há provas para qualquer argumento que venha no sentido de que o Parceiro Criador tenha comprado os bovinos em nome do Parceiro Proprietário e os R$ 135.000,00 dados por este tenha sido o reembolso por essa compra. A conclusão pode ser tirada do relato fiscal e das declarações apresentadas pelo recorrente e por Edmundo: Foi apresentado, pelo sujeito passivo, Instrumento Particular de Contrato de Parceria Pecuária, datado de 08/02/2010, firmado com o Sr. Edmundo Aguiar Borges Ribeiro, denominado parceiro criador e proprietário da Fazenda São Mateus, localizada no município de Querencia do Norte, estado do Paraná, NIRF nº 30977126, para engorda de 150 cabeças de bovinos com idade de até 30 meses, avaliado de comum acordo em 13,70 arrobas, apascentados pelo parceiro criador, com prazo de um ano a contar da data do contrato com vencimento em 08/02/2011. Solicitamos os documentos fiscais dessa parceria, em 26/05/2014 o sujeito passivo apresentou por escrito a seguinte resposta: "Tratase de encerramento de Parceria Pecuária, partilha de lucros com base na avaliação dos 150 (cento e cinqüenta) bovinos de 20 (vinte) arrobas cada um, constantes do Contrato de Parceria de 08/02/2010 que foi rescindido por conseqüência da entrega do imóvel rural Fazenda Cruzeiro (Dois Irmãos) em 06/07/2011 e realizado a partilha de lucros, não houve emissão de nota fiscal produtor;" [...] 6 13/06/2014 o sujeito passivo solicitou o prazo de 10 dias, que foi concedido no ato 7 Apresentou em 25/06/2014 as seguintes justificativas: Fl. 2820DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.810 23 [...] 7.2 Que ratifica e esclarece justificando a veracidade dos fatos ocorridos na parceria pecuária, os 150 bois objeto da parceria pecuária foram apascentados em regime de engorda em nome de Edmundo Aguiar Borges Ribeiro, proprietário da Fazenda São Mateus e vinculados ao Contrato de Parceria cujo capital inicial foi de R$ 135.000,00, conforme avaliação feita de comum acordo entre ambos, pesando 13,70 arroba cada um ao preço de R$ 65,69 a arroba, no encerramento da partilha o parceiro Edmundo Aguiar Borges Ribeiro pagou ao parceiro proprietário o capital inicial juntamente com o lucro de 50% no valor de R$ 82.500,00 para cada parceiro, calculado mediante avaliação de comum entre ambos, 150 bois pesando 20 arrobas cada um ao preço de R$ 100,00 a arroba, entretanto como os bovinos estavam apascentados em nome de Edmundo Aguiar Borges Ribeiro ele ficou com os bovinos e pagou o capital ao parceiro proprietário; [...] 38.2.1 Em 01/09/2014 o contribuinte diligenciado Edmundo Aguiar Borges Ribeiro, informou que: Firmou contrato de parceria para engorda de 150 bois com peso médio de 13,7 arrobas líquidas, como arroba líquida entendida a metade do peso do animal; Ricardo Ulpiano dos Santos Viol, na data da assinatura do contrato de parceria, entregou a ele o valor de R$ 135.000,00, que seria suficiente para a aquisição dos animais; Os bois não foram adquiridos, porque ele produtor já os possuía os animais, pois adquirira 151 cabeças da mesma categoria dos indicados no instrumento de parceria, entre os dias 30/09 e 02/10/2009, mas não os transferiu ao Sr. Viol (sujeito passivo); O contrato foi cumprido de maneira informal, para quando da venda ser repartido o ganho do acréscimo de peso a partir de 13,7 arrobas por cabeça, repartindo o ganho de peso na proporção de 50% para cada contratante; A parceria foi desenvolvida de modo informal, permanecendo esse ajuste em vigor até 15/07/2011, data em que foi passada ao Sr Viol (sujeito passivo) escritura de venda de imóvel rural denominado Fazenda Cruzeiro, localizado no município de Guararapes SP, que era propriedade de sua tia Sra. Lucília Abadia França de Aguiar Ribeiro, imóvel que ele tomava conta; No ajuste final ficou convencionado que o valor correspondente ao peso do gado depois da engorda seria de 20 arrobas por cabeça, e o preço por arroba de R$ 100,00. O acréscimo no valor do gado seria de R$ 165.000,00, sendo R$ 82.500,00 para cada um, como ganho. O direito do Sr. Viol (sujeito passivo). Esse dinheiro não foi entregue ao Sr Viol Fl. 2821DF CARF MF 24 (sujeito passivo), e sim entrou no acerto geral por ocasião da compra de Fazenda Cruzeiro; A venda do gado foi feita em seu nome, como ocorreu na compra e incluiu os valores na apuração do resultado anual da atividade rural; e Juntou 04 Notas Fiscais de Produtor, referentes às compras dos animais, a NFe nº 6340 de venda e o Pedido 026195 com pesagens e com a data do vencimento 15/07/2011, emitidos pelo frigorífico MARFRIG; e Diante disso, entendo que o contrato firmado entre o recorrente e Edmundo não se caracteriza como parceria. Portanto, a fiscalização agiu com acerto ao efetuar o lançamento como omissão de rendimentos (juros e outros acréscimos) recebidos de pessoa física, considerando que o recorrente deu um montante em moeda corrente a Edmundo recebendo de volta, além do valor original, um montante caracterizado por rendimento, conforme apontado pela auditoria. Omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada AC 2010 e 2011 Inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/96 O recorrente alega a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/96, desenvolvendo seu arrazoado baseado nas garantias fundamentais e princípios assegurados pela Constituição Federal, tais como legalidade, razoabilidade e segurança jurídica. Em que pese, as fundamentadas alegações levantadas pelo recorrente acerca da inconstitucionalidade do dispositivo apontado, os Conselheiros deste órgão julgador não podem apreciar inconstitucionalidades e ilegalidades, pois estão vinculados aos normativos expedidos por este Conselho. Diante disso, nos termos da Súmula Carf nº 2, seus membros estão impedidos de analisar a alegação pautada pelo recorrente: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Além disso, os julgadores de segunda instância devem obediência ao Regimento Interno da Casa, nos termos de seu art. 62: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Depósito bancário não é renda nem proventos Em relação a essa alegação, lembro que não se está tributando o depósito bancário, por si só. O lançamento foi baseado em uma presunção legal, estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.420/96, que permite a tributação apenas sobre os créditos cuja origem não tenha sido comprovada, não cabendo à autoridade autuante a prova do consumo da renda, nos termos da Súmula Carf 26: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 2822DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.811 25 Aliás, oportuna a transcrição da exposição da Conselheira relatora Núbia Matos Moura no Acórdão nº 156.673, de 08/10/2008, um dos que serviram como paradigma para a edição da citada Súmula, acerca da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96: [...] a partir da vigência da Lei nº 9.430, de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Em outras palavras, ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar o fato alegado, qual seja omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte para afastar a presunção provar que o fato presumido não existiu no caso. (Grifei) Portanto, não se trata aqui de estabelecer se os depósitos bancários são renda ou proventos, mesmo porque, na presunção legal aqui debatida, a Lei não atribuiu tal dever ao Fisco. A competência é de saber se o contribuinte comprovou a origem de tais recursos, o que lhe afastaria a tributação. Aliás, é obrigação do contribuinte manter em boa guarda os documentos enquanto não extinto o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário, pelos mesmos prazos concedidos à Administração Tributária para rever de ofício o lançamento efetuado, na forma dos artigos 149 e 173, ambos do CTN. Improcedência do lançamento do imposto com base nos depósitos bancários com utilização da tabela progressiva anual em vez da tabela progressiva mensal A alegação do recorrente também foi analisada no acórdão recorrido, que ao citar os arts. 38, 83, 849, todos do Decreto nº 3.000/99, explicou que apesar de os rendimentos serem tributados mensalmente, ao final do anocalendário todos os rendimentos são submetidos ao ajuste anual. Aliás, tal informação é corroborada pela Súmula Carf. nº 38 que dispõe o seguinte: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Portanto, estabelecido está que os fatos geradores do IRPF relativo aos anos calendário 2010 e 2011 ocorreram em 31/12/2010 e 31/12/2011, respectivamente, estando certa a aplicação da tabela progressiva anual efetuada pela auditoria e confirmada pelo julgador a quo. Aliás, o acórdão 2102003.221, de 20/01/2015, explica de forma sucinta e objetiva essa questão: Fl. 2823DF CARF MF 26 Quanto ao tempo de ocorrência do fato gerador, a doutrina adotou a seguinte classificação: instantâneos, periódicos e continuados. Os fatos geradores periódicos, também denominados complexivos, são aqueles que se realizam ao longo de um intervalo de tempo, como é o caso do IRPF, que embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual. Portanto, correta a atuação da fiscalização, no que se refere à utilização da tabela progressiva anual. Comprovação de que o recorrente exerce a atividade de intermediação na venda e compra de bovino O recorrente alega que a auditoria não considerou que os recursos em sua conta bancária provinham de sua atividade profissional, que realizava por meio da pessoa jurídica RICARDO ULPIANO DOS SANTOS VIOL ME, CNPJ 07.564.900/000100. Relembra de ter anexado aos autos as notas fiscais emitidas por essa firma individual (fls. 912, 1577 a 1581, 1654 a 1706), que tem como descrição dos serviços a intermediação de compra de bovinos. E que pela confiança que gozava entre seus clientes, estes depositavam valores em suas contas bancárias mesmo sem contratos escritos, para pagamento desde diária de funcionários até compra de gado, efetuando em espécie ou por cheque nominativo a ele próprio (fls. 640 a 667 e 672 a 693). Afirma que isso pode ser provado pela comparação entre os valores debitados em sua conta 237 110 81.3192, e os créditos considerados de origem não comprovada, conforme demonstrativo às fls. 2412/2436, afirmando que todos os cheque discriminados nesse demonstrativo foram nominais ao próprio recorrente, que sacava o dinheiro igual ao valor de face no cheque para pagar os compromissos de seus clientes, e que a administração desses recursos era efetuada de forma gratuita. Não vejo equivalência das alegações do recorrente com os documentos acostados aos autos. O mesmo arrazoado foi analisado pelo julgador a quo, que assim se pronunciou: 106. O contribuinte cita Notas Fiscais emitidas pela firma individual Ricardo Ulpiano dos Santos Viol, na tentativa de comprovar a origem dos depósitos arguidos pela fiscalização, porém, três fatores precisam ser esclarecidos para o não acolhimento do citado material probante: 107. Vejamos as notas de fls. 912, 1577 a 1581, 1654 a 1706, conforme a planilha abaixo: [...] 108. As três situações que impossibilitam o uso das notas fiscais acima relacionadas como meio de comprovar a origem dos depósitos questionados são as seguintes: • Não há qualquer concordância entre datas e valores em relação aos depósitos de origem não comprovada relacionados pela fiscalização às fls. 1782/1869; Fl. 2824DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.812 27 • As notas fiscais mencionadas foram emitidas pela PESSOA JURÍDICA Ricardo Ulpiano dos Santos Viol, CNPJ Nº 07.564.900/000100, quando o sujeito passivo da autuação é o Sr.Ricardo Ulpiano, PESSOA FÍSICA; • Ainda que houvesse coincidência entre datas e valores, caberia ao fiscalizado a comprovação mediante escrituração contábil idônea, como o livrocaixa por exemplo, sobre como tais valores foram tributados. Realmente, verificando os documentos citados, não é possível ver a relação das notas fiscais com os valores constantes nas planilhas às fls. 1754/1762 apresentadas no Relatório Fiscal, além de o recorrente não trazer nenhuma planilha que demonstrasse a correlação dessas notas com os depósitos de origem não comprovada listados pela fiscalização. Entendo que seja possível haver diferença entre os valores constantes em notas fiscais com os valores depositados, entretanto, é necessário que essa diferença seja apresentada valor a valor e com documentos hábeis e idôneos para que possam servir como prova da origem dos recursos. Ademais, em relação a esse argumento, a fiscalização explicou em seu relato fiscal que, apesar de o recorrente ter afirmado que fazia saques na correspondência dos valores depositados em cheques pelos clientes, o recorrente não informou de quais contas saíam esses saques, além de não ter localizado esses saques nos extratos apresentados. Entendo que, o comparativo apresentado no recurso voluntário, fls 2412/2436, que relaciona os débitos na conta por meio de cheques, não é suficiente para provar as alegações do recorrente, visto que apenas demonstram as saídas, mas não trazem qualquer informação sobre a origem das entradas de recursos. Comprovação da origem dos depósitos e créditos bancários O recorrente inicia sua defesa ressaltando o rigorismo da auditoria fiscal, ao relacionar entre os depósitos de origem não comprovada o valor de R$ 10,00 (fls. 1782/1869), e se insurge em relação a ela ter considerado como não comprovados depósitos inferiores a R$ 100,00, pelo motivo de não ter encontrado o saque, sendo que o recorrente realizou saques no montante de R$ 9.427.519,44 para créditos de origem não comprovada no montante de R$ 3.923.193,78. Primeiramente, apesar dos dispositivos legais sobre presunção legal já terem sido exaustivamente transcritos tanto no Termo de Verificação Fiscal, quanto no acórdão recorrido, para fins de resposta à alegação do recorrente, entendo necessário transcrevêlos: Art.42. [...] §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: [...] II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil Fl. 2825DF CARF MF 28 reais).(Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997)(Vide Lei nº 9.481, de 1997) A Lei nº 9.481/97 dispôs sobre esses valores da seguinte forma: Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. (Grifei) Veja que o legislador não estabelece limite mínimo para que um depósito seja considerado como rendimento omisso no caso de não comprovação da origem, desde que seja ultrapassado o somatório de R$ 80.000,00. A Súmula Carf nº 61 consolidou o entendimento nesse sentido: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Como vimos, o Auditor fiscal informa que o valores inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassam o somatório de R$ 80.000,00. Assim se pronunciou a autoridade fiscal (fls. 1762): Mister lembrar que a atividade de fiscalização é plenamente vinculada, nos termos do art. 142, parágrafo único, do CTN. Dessa forma, não cabe à autoridade fiscal fazer juízo de valor se deve ou não inserir determinado depósito no lançamento, é sua obrigação lançar tudo que apurar. Por isso, entendo que o que o recorrente chama de rigorismo e ímpeto fiscalista, eu chamaria de estrito cumprimento do dever legal. O julgador a quo também julgou acertadamente, não se utilizando da pobre interpretação literal da Lei, como entende o recorrente, porque de outra forma não poderia atuar, considerando que em matéria tributária, é essa a interpretação que deve prevalecer a teor do art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Portanto, se os depósitos devem ser comprovados de forma individual, não cabe a justificativa globalizada ou genérica dos fatos. Ademais, o fato de o montante de saques superar o valor de créditos apontados pela fiscalização como de origem não comprovada não serve de justificativa da origem, mesmo porque tais saques podem ter sido decorrentes de Fl. 2826DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.813 29 valores cuja origem foi comprovada. Nem mesmo o fato de haver saldo negativo em conta é razão para eximir da obrigação de comprovar a origem dos recursos. Redepósitos de cheques devolvidos não devem ser considerados como de origem não comprovada O recorrente alega que os valores constantes na planilha abaixo devem ser excluídos do lançamento, pois se tratam de devolução de cheque: Compulsando os autos, mais precisamente as fls. 1782/1870, assim como, as planilhas constantes no Termo de Verificação Fiscal, constatase que tais valores não foram lançados pela fiscalização, que inclusive ressaltou o seguinte: 26 Em 20/04/2015 lavramos o Termo de Constatação e Intimação Fiscal, intimando o sujeito passivo a comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias relacionados, individualmente, nas planilhas de 01 a 08. Para relacionarmos os depósitos/outros créditos, de posse dos extratos em meio magnético, inicialmente, efetuamos a conciliação entre os lançamentos de todas as contas bancárias para excluir os depósitos e outros créditos decorrentes de transferências entre as diversas contas em nome do sujeito passivo, estornos, cheques devolvidos, redução de saldo devedor. Posteriormente, excluímos também os lançamentos com histórico correspondente a resgate de aplicações financeiras, transferências da conta de investimento para a conta corrente, transferências entre contas, rendimentos e remunerações de aplicações, os recebimentos, transferências e TED, cujos pagadores e remetentes foram ás pessoas jurídicas; Frigorífico Três Fronteiras Ltda., JBS confinamento Ltda., Frigorífico Minerva S.A., Unialco S/A Açúcar e Álcool e Frigosul Frigorífico Sul Ltda. (Grifei). Portanto, entendo não assistir razão ao recorrente. Transferências entre contas do próprio Recorrente O recorrente afirma que o depósito no valor de R$ 50.000,00, constante às fls. 1802, como de origem não comprovada, tratavase de transferência de mesma titularidade, conforme fls. 695, pois se localizava entre os valores de R$ 49.000 e R$ 51.000,00 que o Auditor Fiscal considerou como transferência, por não ter relacionado como depósitos de origem não comprovada. E afirma que referido valor corresponde à transferência do dinheiro que foi sacado por meio do cheque nº 9242 no valor de R$ 53.000,00, fls. 648. Fl. 2827DF CARF MF 30 Compulsando os autos verifico os seguintes extratos: Extrato às fls. 695 se refere à conta 0110 10084989: Extrato à fls. 648 se refere à conta 0110 00813192: Não assiste razão ao recorrente. Primeiramente, não há como supor que o Auditor Fiscal considerou os depósitos efetuados na conta 011010084989, nos valores de R$ 49.000 e R$ 51.000,00, como transferência, simplesmente porque o autuante não os relacionou na planilha às fls. 1782/1870, principalmente, porque a auditoria relaciona tanto depósitos com origem comprovada quanto com origem não comprovada. Aliás, o próprio histórico no extrato demonstra que se trata de depósito e não transferência, porque quando feito nessa modalidade o extrato assim o discrimina a exemplo de outros lançamentos observados na mesma folha de extrato (fls. 648): Segundo, o § 3º, inciso II, do art. 42 da Lei nº 9.430/96 se refere à transferência entre contas de mesma titularidade, o que se entende que essa transferência é no Fl. 2828DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.814 31 mesmo valor, ou seja, se quero transferir R$ 50.000,00 da Conta A para a Conta B, haverá um débito na Conta A e um respectivo crédito no mesmo valor na Conta B. Como se observa no caso apresentado pela recorrente, houve um saque no valor de R$ 53.000,00 por meio de cheque na conta 011000813192, e um depósito na conta 011010084989, no valor de R$ 50.000,00, ou seja, não se tratou da forma de transferência de que trata a Lei: Art.42.[...] §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (Grifei) Portanto, não há como acolher essa alegação do recorrente. Recursos transferidos da pessoa jurídica Ricardo Ulpiano dos Santos Viol ME O recorrente alega que os depósitos abaixo relacionados, constantes às fls. 1859/1860 foram transferências da pessoa jurídica Ricardo Ulpiano dos Santos Viol ME (conta 237 01104 101.4153), conforme Extrato, também reproduzido logo abaixo: Entendo que referida alegação não comprova a origem dos recursos. Primeiro, por serem transferências entre contas de titularidades distintas, de acordo com o Princípio da Entidade. Segundo, porque o recorrente não trouxe qualquer prova de a que título se deu referidas transferências. A meu ver, a simples demonstração de quem transferiu o recurso não é suficiente para comprovar sua origem, porque o recorrente pode receber uma Fl. 2829DF CARF MF 32 transferência bancária por um serviço prestado a terceiro, entretanto, para que a origem seja efetivamente comprovada deve apresentar como documentos hábeis e idôneos os documentos correlacionados ao referido pagamento por meio de depósito em conta bancária. Créditos e depósitos com o histórico "o próprio favorecido" O recorrente alega que na planilha às fls. 1782/1870 a auditoria considerou como depósitos de origem comprovada, os recursos para os quais foi apresentado extrato, em que aparecia no histórico "o próprio favorecido", e para outros considerou como origem não comprovada porque o extrato indicava que o depósito foi efetuado por "o próprio favorecido". Alegou isso para esclarecer que o fato de no extrato aparecer essa expressão não indica que o depósito tenha sido efetuado pelo recorrente, mas pode ter sido efetuado por terceiros; e nos casos em que mesmo aparecendo a expressão o "próprio favorecido", a auditoria aceitou como prova de comprovação de origem. Verificando as planilhas que o recorrente fez constar em seu Recurso Voluntário, constato que a razão da não aceitação de comprovação da origem pela fiscalização, não foi apenas porque constava no extrato que o depósito tinha sido efetuado pelo "próprio favorecido", mas também porque as declarações apresentadas pelo recorrente se referiam a depósitos de outra fiscalização, conforme se observa às fls. 2451/2455, de onde extraio o seguinte exemplo: Se observarmos a planilha citada, todos os depósitos contém essa informação, a exceção do último depósito, em que o autuante não considera comprovada a origem não apenas por conter a expressão "o próprio favorecido", mas porque não foram apresentados documentos de origem: Essa informação também é corroborada no próprio Termo de Verificação Fiscal, fls. 1752: 45.3 Apresentou declarações particulares todas com o mesmo teor prestado pelos supostos clientes, onde eles informam que enviaram recursos ao sujeito passivo para que este honrasse compromissos em seus nomes e o restante serlhesiam restituídos em espécie e recorre a assessoria do sujeito passivo para comercialização de seu rebanho; são os seguintes declarantes: Fl. 2830DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.815 33 45.3.1 Cópias das declarações anexadas no Processo Administrativo Fiscal nº 15.868.720.208/201268, fiscalização do período 2007, 2008 e 2009: Vera Lúcia Benes, Ricardo Benes Cardoso, Nívea Maria Lopes Ferreira, Mauro Viol e esposa Helaine Santos Viol, Mauricio Benes Cardoso, Olair Felizola Moraes, Guilherme Carramachi de Araújo Cintra, João Alves Regueiro Neto representado Guiomar Alves Rigueiro e autorização de Gil Medeiros Freitas, estas se referem aos créditos e depósitos dos anos 2007, 2008 e 2010, não tendo nenhuma correspondência com os créditos e depósitos dos anos 2010 e 2011, discriminados individualmente para o sujeito passivo comprovar a origem e natureza deles: Da mesma forma, para os depósitos em que foi comprovada a origem, apesar de no comprovante de depósito constar a expressão "o próprio favorecido", o recorrente apresentou os documentos comprobatórios da origem, conforme fls. 1423/1575, o que levou a auditoria a aceitálos para tal fim. Portanto, insubsistente a alegação do recorrente. Saques em dinheiro origem dos depósitos em dinheiro O recorrente alega que os saques efetuados por meio de cheques são legítimos para provar que os recursos movimentados em suas contas pertenciam a seus clientes para compra de bovino e/ou pagamento de dívidas e despesas destes, e que se os extratos bancários são provas hábeis e idôneas a favor do Fisco para efetuar o lançamento, eles também o são a favor do contribuinte. Essa alegação já foi analisada em tópico anterior, onde entendi que a existência de saques em contas bancárias, mesmo que superiores aos créditos, por si só, não são suficientes para comprovar qualquer origem de recurso, ou mesmo, como o recorrente diz, que os recursos eram de seus clientes para compra e venda de bovino. Além dessas alegações o recorrente deveria ter trazido provas dessas operações, tais como, notas fiscais da compra em nome dos terceiros clientes, recibos das despesas e dívidas pagas em nome deles, correlacionandoos aos depósitos e saques apontados. A presunção legal de que dispõe o Fisco, não estabeleceu a este a obrigatoriedade de provar o consumo da renda efetuada pelo contribuinte, mas deu ao recorrente a possibilidade de provar que tais recursos tinham uma origem. Oportuno ainda, mencionar que esse entendimento também foi exarado no acórdão nº 10249.298, de 08/10/2008, um dos acórdãos paradigmas da Súmula Carf 26, em cujo trecho do voto extraise o seguinte: Em outras palavras, ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar o fato alegado, qual seja omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte para afastar a presunção provar que o fato presumido não existiu no caso. Nestes termos, os saques por ventura efetuados nas contas bancárias em questão não são considerados no lançamento e não têm nenhuma influência na determinação do valor dos rendimentos omitidos, que são determinados pelos créditos de origem não comprovada. Fl. 2831DF CARF MF 34 Pelo visto nos autos, a auditoria ofereceu ao recorrente todas as oportunidades de fazer prova, nos 17 meses de duração da fiscalização. Além disso, o recorrente teve o prazo destinado à impugnação na primeira instância, e agora no fase recursal. Somando todo esse período já se vão mais de 4 anos. Entretanto, o recorrente se limitou a fazer alegações genéricas, desacompanhadas de provas correlacionadas aos depósitos relacionados pela fiscalização. Lucros distribuídos pela pessoa jurídica Ricardo Ulpiano dos Santos Viol, CNPJ nº 07.564.900/000100 e declarados pelo Recorrente O recorrente alega que recebeu lucros distribuídos pela firma individual Ricardo Ulpiano dos Santos Viol (CNPJ 07.564.900/000100), em 31/12/2009, no valor de R$ 426.400,00, e, em 31/12/2010 no valor de R$ 261.270,00, conforme DIRPF 2010 e 2011, e Livro Caixa da pessoa jurídica dos anos de 2009 e 2010. Afirma que nas firmas individuais, na prática, o titular vai retirando o lucro ao longo do ano, mas apenas no final do ano há o registro contábil no Livro Caixa. Informa que foi o que aconteceu no seu caso; retirou dinheiro em moeda corrente de valores do próprio ano, mas que juridicamente estavam à sua disposição desde a distribuição no final do ano anterior. A meu ver, há algumas contradições na alegação do recorrente. Primeiro, em tópico anterior, ele informa que os saques por meio de cheques eram recursos de seus clientes para compra de bovino, pagamento de despesas e dívidas destes. Agora, o recorrente informa que os saques em cheque decorreram de distribuição de lucros de anos anteriores efetuados pela empresa da qual é titular, fazendo uso da mesma planilha com demonstrativo dos valores sacados por meio de cheques. Ora, ou os recursos são dos clientes ou são do recorrente. A informação agora dada pelo recorrente não se firma verídica, pois a fiscalização foi feita na pessoa física do recorrente, e os depósitos que serviram de base para o lançamento foram os efetuados em suas contas bancárias. Quando o recorrente afirma que sacava dinheiro em cheque por conta dos lucros distribuídos pela empresa, é certo que se lucros distribuídos fossem, por lógica, eles teriam sido sacados das contas bancárias da pessoa jurídica, e não da pessoa física como ocorre no caso. Veja que a planilha disposta no Recurso Voluntário é de valores extraídos dos extratos bancários de fls. 640 a 667 e 672 a 673, que são todas de titularidade do recorrente, e não da pessoa jurídica. O que o recorrente deveria ter feito era comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias, que se decorressem de lucros distribuídos deveria haver um crédito na conta bancária da pessoa jurídica e um débito correspondente na conta bancária da pessoa física (no caso de ter sido feito no mesmo valor), tudo correlacionado individualmente pelo recorrente, com provas hábeis e idôneas da real distribuição de lucros. Se saiu recurso da Conta Caixa da pessoa jurídica tal fato deveria ter sido registrado no Livro Caixa no momento da saída creditandose a conta Caixa sob a rubrica distribuição de lucros. Ademais, se está registrado no Livro Caixa um crédito em 31/12 relativo a distribuição de lucro, o certo é que esse dinheiro tenha saído dos cofres da empresa nessa data, e não estaria mais à disposição do recorrente no ano seguinte. Nesse caso, seria mais lógico que o recorrente tirasse dinheiro durante o ano, e no final deduzisse do lucro que lhe seria distribuído após a contabilização, mas toda saída deveria estar registrada no Livro Caixa em ordem cronológica das retiradas. Acrescento que, o fato de terem sido declarados lucros distribuídos nas DIRPF's não prova a origem dos depósitos em conta corrente. Nesse sentido o Acórdão nº Fl. 2832DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.816 35 9202004.286, de 19/07/2016, no qual se entendeu que o contribuinte deve provar que os recursos apontados na DIRPF efetivamente transitaram por suas contas Bancárias: Quanto à possibilidade de exclusão de valores em DIRPF, com a devida vénia aos que se posicionam de forma diversa, cediço que, no caso específico de haver rendimentos tributáveis declarados pelo autuado, passa a depender a correta aplicação da presunção, caso se opte por tributar a totalidade dos depósitos não comprovados (ou seja, sem qualquer exclusão dos rendimentos já oferecidos a tributação), de pressuposto adicional, qual seja, de não estarem os rendimentos tributáveis declarados contidos em tais depósitos, ou, mais propriamente, dos rendimentos tributados constantes da Declaração de Ajuste Anual (DAA) não terem transitado por contas de depósito ou investimento. E este também o entendimento majoritário em vigor neste CARF, muito bem exposto, de forma resumida, pelo seguinte excerto do Acórdão CARF 10617.117, verbis: "(...) Antes de tudo, devese ter em mente que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 criou uma presunção de omissão de rendimentos a partir dos depósitos de origem não comprovada. Ademais, o art. 42, § 3o, da Lei n° 9.430/96 determinou que os créditos na conta bancária serão objeto de uma análise individualizada, porém já excepcionando duas situações em que os valores não poderiam ser considerados, especificamente quando houver transferências entre contas da própria pessoa física, o que é óbvio, já que a mera transferência não poderia ser criadora de riqueza nova, e quando os valores estiveram abaixo de determinado teto. Entretanto, como toda presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, a do art. 42 da Lei nº 9.430/96 deve ser utilizada cum grano salís. Ora, não parece plausível defender que os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias do recorrente. (gn.) Assim, por exemplo, na experiência judicante deste Primeiro Conselho de Contribuintes, temse observado que a própria fiscalização, às vezes, abate os rendimentos declarados do total de depósitos bancários de origem não comprovada. Como exemplo, vejase o processo n° 10540.000250/00690, recurso n° 154.826, julgado na sessão de 11/09/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Acórdão n° 10617.051 (vide fls. 17, 21,26, 31 e 231). (...)" Referendando tal posicionamento, de se citar, ainda, os Acórdãos CARF Acórdãos n°s 280102.085, de 30 de janeiro de 2011, 2102001.079, de 10 de fevereiro de 2011, 210202.220, de 14 de agosto de 2012, 220200.415, de 04 de fevereiro de 2010 e 2801003.568, de 17 de julho de 2014. Fl. 2833DF CARF MF 36 O recorrente aduz que, os saques nas contas bancárias e os lucros distribuídos são aptos a justificar os depósitos em dinheiro nos meses seguintes. Entretanto, tal alegação contraria o disposto na Súmula Carf nº 30, no sentido de que depósitos de um mês não servem para justificar depósitos em meses subsequentes: Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Portanto, considerando que o recorrente não provou que os depósitos em suas contas tinham correspondência com os lucros distribuídos declarados em DIRPF, o lançamento deve ser mantido. Depósitos cujos depositantes estão identificados nos extratos são considerados comprovados O recorrente alega que se há identificação, nos extratos bancários, da pessoa que fez os depósitos, comprovada está a origem. A questão já foi analisada em tópico anterior. Conforme asseverado, o motivo da não aceitação da comprovação da origem foi a falta de documento que assim o comprovasse, e não pela pessoa que efetuou o depósito. Em sua justificativa, a fiscalização informa que o depositante é uma pessoa, mas o recorrente apresenta declaração de outra pessoa; ou da própria depositante, só que referente a depósitos de outra ação fiscal; ou simplesmente não apresenta qualquer documento que embase o depósito efetuado por essas pessoas. Como exemplo, extraio imagem da planilha constante no Recurso Voluntário (fls. 2475): Para todos os demais exemplos apresentados pelo recorrente, aparecem as mesmas justificativas da não aceitação da comprovação da origem, à exceção do seguinte: Fl. 2834DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.817 37 Entretanto, para tal depósito, o autuante justificou no Termo de Verificação Fiscal a razão da não aceitação da comprovação da origem, fls. 1754: g) Para comprovar a origem do TedT remetido por Engels Rogério Viol no dia 09/04/2010 na conta corrente mantida no Banco Bradesco S.A. 237, Agência 110, conta corrente 81.3192 no valor de R$ 80.000,00, o sujeito passivo apresentou declaração do remetente com a alegação que enviou o dinheiro para o sujeito passivo honrar seus compromissos e o restante lhe restituir em espécie, sem nenhuma comprovação do feito. Portanto não comprovou a origem do crédito. Concluindo: declarações particulares sem a corroboração de nenhum outro documento comprobatório das transações financeiras, do negócio jurídico e a da devida escrituração contábil, não é documento eficaz como meio de prova para comprovar a origem de depósitos, em razão do disposto no parágrafo único do artigo 219 do Código Civil e do parágrafo único do artigo 368 do Código de Processo Civil. Respeitando as posições divergentes, entendo que, comprovar a origem não é apenas indicar quem efetuou o depósito, mas correlacionar documentos que demonstrem em razão de que fato, serviço, etc., o depósito foi efetuado. Créditos de origem não comprovada e inexistência de acréscimo patrimonial O recorrente novamente alega que o total de saques em cheques supera o valor dos créditos considerados pela fiscalização como não comprovados, em razão da intermediação na compra de bovinos para seus clientes, acrescentando o entendimento de que o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispõe que os créditos serão analisados e não comprovados individualmente, de onde extrai que a Lei não exige a comprovação documental de depósito por depósito questionado. Tal alegação já foi amplamente debatida ao longo do voto, só tenho a acrescentar que a análise a ser efetuada pela fiscalização envolve os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação da origem de que dispõe o caput do artigo 42 da citada Lei; se tais documentos não são apresentados, ou, se apresentados, não forem hábeis e idôneos, em sua análise a fiscalização só poderá concluir pela falta de comprovação; por isso, a Lei diz expressamente "mediante documentação hábil e idônea". Créditos bancários considerados de origem não comprovada, tributados no mês, são origens para os créditos bancários posteriores, independentemente de coincidência de datas e valores Novamente o recorrente alega que depósitos efetuados em um mês servem para comprovar a origem dos depósitos posteriores, que os rendimentos tributados se transformam em disponibilidade, e a lei não lhes presumem consumidos, e assim, entende que Fl. 2835DF CARF MF 38 se o Fisco não prova que eles foram consumidos, deve considerálos disponibilidade para justificar créditos posteriores. Cita acórdão nº 1049068, de 05/11/2002, nesse sentido. Acrescenta que o único caso de presunção legal de rendimento consumido está no parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.250/1995. Referida alegação já foi debatida em tópico anterior deste voto, oportunidade e que se transcrevi trechos do acórdão nº 9202004.286, de 19/07/2016, que explica não ser tal questionamento possível, razões com as quais adotei para decidir. Além do que, na oportunidade transcrevi as Súmulas Carf nº 26 e 30, que não me permitem acatar as alegações do recorrente. Multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carne Leão Requer o recorrente que na improcedência dos créditos que originam a aplicação da presente multa que esta também assim o seja. Considerando meu entendimento de que os lançamentos efetuados pela fiscalização são procedentes, conforme visto ao longo deste voto, a multa isolada deve ser mantida. Erro na identificação do sujeito passivo Alega o recorrente que restou provado ao longo de seu Recurso Voluntário, que os créditos em suas contas bancárias eram decorrentes de sua atividade de intermediação na compra e venda de bovinos como pessoa jurídica, e que o Fisco deveria comprovar se tais créditos são pertencentes à pessoa jurídica ou à pessoa física, principalmente, quando o titular das contas bancárias é titular de firma individual. Considera que o fato de o julgador de primeira instância ter usado, descuidadosamente, por duas vezes somente o termo "receitas" em trecho do acórdão, e em sequência ter confundido "omissão de rendimentos" com "omissão de receitas", admitiu que os créditos nas contas do Recorrente, não comprovados, caracterizam omissão de receitas que só pode ser atribuída a pessoa jurídica. Assevera que, ainda que tais créditos não tenham origem comprovada, a tributação sobre eles deveria ser de 32%, por serem créditos da pessoa jurídica, e esta ter optado pelo regime do lucro presumido. E mais, que o Princípio da Entidade utilizado pelo julgador a quo, não pode se sobrepor ao princípio da verdade material. Cita o acórdão nº 1101 000.996 no sentido de que se os depósitos, cuja origem não tenha sido comprovada, fossem efetuados na conta do sócio da empresa e este afirmasse que eles eram pagamentos efetuados à empresa devem ser lançados em nome desta. Primeiramente, devese deixar claro que, a ação fiscal foi desenvolvida na pessoa física do recorrente, e ao ser intimado para comprovar a origem dos depósitos bancários apresentou notas fiscais da pessoa jurídica que foram analisados pela fiscalização, a qual demonstrou que tais documentos não tinham qualquer relação com os créditos constantes nas contas bancárias do recorrente, conforme vimos em tópico anterior deste voto. Certo é que, se o recorrente tivesse apresentado documentos hábeis a provar essa correlação dos depósitos com as receitas da pessoa jurídica, tais créditos não teriam sido lançados pela fiscalização. Os documentos acostados ao Recurso Voluntário demonstram que a conta 237 01104 101.4153 (Bradesco) tem por titular a Pessoa Jurídica, e a conta 237 110 81.3192 (Bradesco), a Pessoa Física. E, foram depósitos desta última conta que a auditoria fiscal Fl. 2836DF CARF MF Processo nº 15868.720101/201562 Acórdão n.º 2202004.750 S2C2T2 Fl. 2.818 39 intimou o recorrente a comprovar a origem, fato que não que as cópias de cheques acostadas às fls. 2508/2619, não foram hábeis para tal, pois apenas afirmam que o recorrente efetuava saques da conta de sua titularidade por meio de cheques, cuja assinatura é do próprio recorrente. Deixou o recorrente de trazer aos autos, qualquer documento ou planilha correlacionando os créditos relacionados pela fiscalização como decorrente da atividades da pessoa jurídica, em contrariedade à Súmula Carf nº 32: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Por isso, não há como acatar a alegação do recorrente, razão pela qual não merece reforma o acórdão recorrido. Juntada de documentos O recorrente protesta por todos os meios de prova. Em relação a isso, importante lembrar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo Fiscal, no art. 16 e parágrafos, e art. 18, aborda a questão nos seguintes termos: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 2837DF CARF MF 40 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Os dispositivos acima transcritos demonstram que a juntada de documentos após a impugnação somente é permitida nas situações expressamente previstas, devendo ser indeferidos eventuais pedidos em desacordo com o estatuído. Por fim, registrese que é justamente nesta fase do processo administrativo que a interessada deve exercer o seu direito de ampla defesa, ocasião em que deve comprovar suas alegações. No presente caso, o que se verifica é que não foram trazidos novos documentos aos autos que fossem subsistentes para promover qualquer alteração no lançamento. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 2838DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.900553/2013-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO À ISENÇÃO. AÇÕES E BONIFICAÇÕES ADQUIRIDOS DENTRO DO PRAZO LEGAL.
Faz jus à isenção do Imposto de Renda sobre o ganho de capital na alienação de ações apenas as ações adquiridas até 31/12/1983. As ações e as bonificações posteriores não cumprem o requisito contido na legislação de regência.
O Código Tributário Nacional estabelece que a legislação que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, não se admitindo interpretação extensiva, ampliativa ou analógica.
Numero da decisão: 9202-007.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a isenção apenas sobre as ações adquiridas até 31/12/1983, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento integral.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO À ISENÇÃO. AÇÕES E BONIFICAÇÕES ADQUIRIDOS DENTRO DO PRAZO LEGAL. Faz jus à isenção do Imposto de Renda sobre o ganho de capital na alienação de ações apenas as ações adquiridas até 31/12/1983. As ações e as bonificações posteriores não cumprem o requisito contido na legislação de regência. O Código Tributário Nacional estabelece que a legislação que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, não se admitindo interpretação extensiva, ampliativa ou analógica.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10850.900553/2013-30
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5901334
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-007.101
nome_arquivo_s : Decisao_10850900553201330.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 10850900553201330_5901334.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a isenção apenas sobre as ações adquiridas até 31/12/1983, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento integral. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7423227
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868932149248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10850.900553/201330 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202007.101 – 2ª Turma Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IRPF Recorrente LEDA ZANCANER SALLES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO À ISENÇÃO. AÇÕES E BONIFICAÇÕES ADQUIRIDOS DENTRO DO PRAZO LEGAL. Faz jus à isenção do Imposto de Renda sobre o ganho de capital na alienação de ações apenas as ações adquiridas até 31/12/1983. As ações e as bonificações posteriores não cumprem o requisito contido na legislação de regência. O Código Tributário Nacional estabelece que a legislação que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, não se admitindo interpretação extensiva, ampliativa ou analógica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer a isenção apenas sobre as ações adquiridas até 31/12/1983, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento integral. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 05 53 /2 01 3- 30 Fl. 1366DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte contra o Acórdão n.º 2402005.165 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 12 de abril de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 606: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO DE IRPF SOBRE GANHO DE CAPITAL. DECRETOLEI Nº 1.510/1976. DIREITO ADQUIRIDO. SÚMULA 544/STF. 1. Controvérsia sobre o reconhecimento da isenção relativa ao ganho de capital decorrente de alienação de ações ocorridas na vigência da Lei nº 7.713/1988 (lei revogadora da isenção estipulada no Decretolei nº 1.510/1976), as quais já seriam de titularidade do alienante por pelo menos cinco anos antes da sua entrada em vigência. 2. Implementada a condição antes mesmo da norma ser revogada, mesmo que a alienação tenha ocorrido sob a égide da lei revogadora, deve ser mantida a norma isentiva, sendo plenamente aplicável a Súmula nº 544/STF, tendo em vista os efeitos da garantia fundamental do direito adquirido. 3. Cabe ao requerente comprovar que implementou a condição antes de a norma ser revogada. 4. Recorrente que não provou o implemento da condição estabelecida no Decretolei nº 1.510/1976. Recurso Voluntário Negado. Posteriormente, foram opostos Embargos de Declaração pela Contribuinte, contudo, consoante do Despacho de Admissibilidade de fls. 1.118 a 1120, foram rejeitados monocraticamente. Em seguida, foi interposto Recurso Especial, fls. 1.126 a 1.158, admitido, por meio do Despacho de fls. 1.341 a 1.344, para rediscutir a questão atinente à comprovação do período de titularidade da participação societária ensejadora do direito à isenção relativa ao Ganho de capital Decreto n.º 1.510/1976. Aduz a Contribuinte, em síntese, que: a) o acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário por entender que a Recorrente, em que pesem todos os Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10850.900553/201330 Acórdão n.º 9202007.101 CSRFT2 Fl. 3 3 documentos e esclarecimentos apresentados, não teria comprovado o atendimento à condição exigida pela lei concessora da isenção, isto é, a manutenção da participação societária pelo período de 5 anos da vigência do DecretoLei n.º 1.510/76. Por outro lado, a decisão firmou nos presentes autos a premissa de que a detenção das ações por cinco anos na vigência desse Decreto implica o direito à isenção; b) foram opostos embargos instruídos e lastreados pelas Declarações de Imposto de Renda do SR. Aurélio Zancaner, desde 1982, além de informes da Usina São Domingos fornecidos anualmente ao Sr. Aurélio, para o preenchimento dessas declarações; c) vale ressaltar que esses documentos acostados aos autos nem mesmo deveriam ser essenciais para a comprovação da detenção das ações pelo período alegado, pois o documento competente para tanto, conforme a Lei das Sociedades Anônimas, é o livro de Registro de Ações, que já consta dos autos, desde longa data; d) a Declaração de ajuste anual deixa claro que o aumento das 8867.518 ações, detidas ao término do ano de 1995, para as 1.230.561, detidas ao término de 1996, não se confunde com a aquisição de ações. Está claro são bonificações. e) todas as Declarações de Ajuste Anual constantes do anexo 03 dos embargos de declaração refletem perfeitamente o Livro de registro de Ações da Usina São Domingos, também reproduzido no quadro acima, demonstrando que a evolução do patrimônio do Sr. Aurélio Zancaner na Usina São Domingos foi devidamente declarada pelo fisco; f) os aumentos de capital ocorridos a partir de 01/01/1982 5 anos antes da revogação da norma isentiva tratam de meras capitalizações de reservas de lucros e/ou correção monetária do capital social, com aumento do valor nominal das ações ou o aumento proporcional do número de ações atribuídas a cada acionista na medida das respectivas participações, informação essa que pode ser extraída com facilidade do Livro de Registro de Ações da Companhia; g) cumpre esclarecer que, nos anos de 1987, 1988, 1991 e 1994, houve efetiva aquisição de quantidades ínfimas de ações, o que igualmente se abstrai, com clareza, do Livro de Registro de Ações e das Declarações de Ajuste Anual; h) a única outra alteração no percentual do patrimônio da Usina São Domingos detido pelo Sr. Aurélio que se pode verificar é o aumento de 4,547690%, no ano de 1994, para 6,742790%, em 1995; i) o aumento referido não representa alteração do patrimônio do Sr. Aurélio, pois houve redução do capital social da Usina, em decorrência da retirada de alguns acionistas, o que majorou a participação percentual dos remanescentes; Fl. 1368DF CARF MF 4 j) somandose todo percentual de participação societária alienado em 2005 que não teria direito à isenção do IRPF sobre o ganho de capital, por de fato ter sido adquirido após a revogação da norma isentiva, chegase à ínfima quantia de 0,351885%; k) só incidiu IRPF na alienação de 0,351885% dentre os 6,742790% do patrimônio da Usina São Domingos havido pelo Sr. Aurélio; l) os 0,351885% do patrimônio da Usina adquiridos pelo Sr. Aurélio após a revogação da regra isentiva representam apenas 5,22% do total alienado; m) notase que, dos R$ 164.717, 49 pagos a título de IRPF sobre ganho de capital via DARF pela Recorrente em 2006 (referente à sua meação das 5ª e 6ª parcelas dos pagamentos da alienação efetuada pelo espólio, apenas R$ 8.596, 09 eram efetivamente devidos pela Recorrente. Intimada, a Procuradoria da Fazenda apresentou contrarrazões, fls. 1.346 a 1.363, sustentando: a) na ata da Assembléia Geral Extraordinária, datada de 19/11/1977, realmente se nota a menção ao número de ações em que estava dividido o capital social (50.429.691 ações), bem como a participação do Sr AURÉLIO ZANCANER no quadro societário da Usina São Domingos (fls. 62 e 66), sem contudo haver nota sobre o quantum de ações por ele detidas naquela ocasião; b) nas assembléias ocorridas em 30/04/1980, 30/04/1981, 30/04/1982 e 30/04/1983, todas realizadas com o propósito de deflagrar a duplicação do capital social com a emissão de novas ações ordinárias, se constata a participação do citado sócio (fls. 69, 72, 76, 79). Todavia, de nenhum destes documentos é possível extrair a data de aquisição da participação acionária alienada; c) não socorre a pretensão da requerente o anexar das Declarações de Ajuste exercícios 2005 e 2006 (fls. 84 e 94), visto que ali se registra de maneira genérica que 2.022.839 ações foram adquiridas até 31/12/2002, o que torna inviável concluir se a data de aquisição das 2.960.087 ações cuja alienação decorreu o imposto entendido como indevido realmente se deu no prazo de cinco anos antes de ter entrado em vigor a Lei nº 7.713, de 1988. Ainda tornase imperioso registrar que sobre as 937.248 ações recebidas em 2004 em virtude de aumento de capital não há de se falar em isenção albergada pelo Decretolei nº 1.510, de 1976; d) a aquisição de ações é representada por títulos ou certificados de propriedade correspondentes e ainda registradas em livros próprios aos cuidados da empresa emissora; e) na situação in comento a necessidade de indubitável comprovação se tornaria ainda mais sentida, visto que a Usina São Domingos tinha como praxe o aumento de capital, fato que Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10850.900553/201330 Acórdão n.º 9202007.101 CSRFT2 Fl. 4 5 deu ensejo a diversas emissões de ações em datas diferentes. Se tomássemos como referência o percentual de ações de titularidade do espólio de AURÉLIO ZANCANER (6,74279%) citado no instrumento de reembolso de fl. 43 e o número de ações que compunha o capital social da Usina São Domingos em 1977 (50.429.691 ações conforme ata de fl. 62) e 1983 (2.420.625.168 ações conforme ata de fl. 79), notarseia que o espólio incrementou seu patrimônio de 3.400.368 ações em 1977 para 163.217.671 ações em 1983; f) foram consideradas herdeiras de AURÉLIO ZANCANER, a requerente e Eliana Zancaner Castilho, sendo a partilha de bens entre elas homologada em 13/09/2005 e transitada em julgado em 29/09/2005, cabendo metade do patrimônio a cada uma (fls. 104 e 131). Porém, o Pedido de Restituição, protocolado em 27/07/2010 (fl. 02), tem como objeto a integralidade do crédito tributário considerado indevido (R$ 164.717,49); g) terminada a partilha cabe a cada herdeiro, e não mais ao inventariante, papel exercido pela requerente, a legitimidade para pleitear o direito à restituição que entende cabível sobre o montante de seu quinhão hereditário. Assim, concluise que a requerente somente seria sujeito passivo interessado em metade do crédito tributário e não consta nos autos nenhuma autorização da outra herdeira a amparar a sua pretensão de ver se restituída do montante total. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade A divergência jurisprudencial suscitada, conforme narrado, tem como objeto a rediscussão sobre à comprovação do período de titularidade da participação societária ensejadora do direito à isenção relativa ao Ganho de capital Decreto n.º 1.510/1976. Assim, notase que a matéria controvertida limitase à demonstração do cumprimento dos requisitos constantes do mencionado Decreto para o gozo do direito à isenção nele previsto, razão pela qual deixo de apreciar a rediscussão sobre argumentos acerca dos efeitos da revogação da norma alegados em sede de contrarrazões pela Procuradoria da Fazenda. Também sobre a questão relativa à ilegitimidade da contribuinte para pleitear a restituição integral do imposto considerado indevido, aduzida em sede de contrarrazões, Fl. 1370DF CARF MF 6 considerando que o Recurso foi interposto pela Contribuinte e que a matéria não foi objeto de Recurso pela Fazenda Nacional, não vislumbro a possibilidade de análise de tal alegação, pois não seria possível reformar o acórdão recorrido em prejuízo da Recorrente. No que se refere à matéria objeto da divergência, o Acórdão recorrido consignou o entendimento no sentido de que a Contribuinte não comprovou a data da subscrição da aquisição da participação societária alienada, impedindo que se possa aferir, de forma segura, a aplicabilidade do benefício fiscal por ela invocado. Compulsandose os autos, verificase a seguinte documentação: a) a Ata da Assembléia realizada em 19 de novembro de 1977, fls. 61 a 66; a Ata da Assembléia realizada em 30 de abril de 1980, fls. 67 a 69; a Ata da Assembléia realizada em 30 de abril de 1981, fls. 70 a 73; a Ata da Assembléia de 30 de abril de 1982, fls. 74 a 76; a Ata da Assembléia de 30 de abril de 1983, fls. 77 a 79. b) também constam dos autos, fls. 80 a 98, as Declarações de bens dos exercícios 2005 a 2006, demonstrando a propriedade das referidas ações pelo Sr. Aurélio Zancaner, bem como a sua alienação, devidamente declarados ao fisco. c) Contrato de Reembolso das ações ordinárias nominativas a acionistas retirantes da Usina São Domingos Açúcar e Álcool S/A e outras Avenças, sendo que a alienação foi remunerada por uma entrada mais 7 parcelas semestrais, entre julho de 2004 e julho de 2007 (doc. 04 da Manifestação de inconformidade); d) DARF do recolhimento indevido efetuado sobre a parcela recebida pela Recorrente em 16/07/2007 (Docs. 05 e 06 da Manifestação de Inconformidade). e) Formal de partilha extraído dos autos do inventário dos bens do Sr. Aurélio Zancaner (doc 09), demonstrando que a recorrente recebeu a metade dos bens do Sr. Aurélio, dentre os quais as aludidas ações da Usina são Domingos, tendo sua irmã, Sra. Eliana Zancaner, herdado a outra metade. f) Livro de registro de ações da Companhia (Doc. 04 do Recurso Voluntário), que permite verificar a evolução histórica das ações detidas pelo Sr. Aurélio na Usina São Domingos. g) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Usina São Domingos, realizada em 09.09.1995 (Doc. 06 dos Embargos de Declaração), que reflete a redução do capital da sociedade em razão da retirada de alguns dos seus acionistas, o que majorou a participação percentual dos remanescentes. h) Ata da Assembléia extraordinária da Usina São Domingos, realizada em 16.09.1995 (Doc. 07 dos Embargos de Declaração), que reflete a participação societária percentual dos acionistas remanescentes, dentre ele o Sr. Aurélio Zancaner, que restou com os mencionados 6,74279%. Em seu Recurso Especial, a Contribuinte assevera que o aumento das ações detidas em 1995 para as detidas ao término de 1996 não se confunde com a aquisição de ações, tratandose de bonificações, ou seja, os aumentos de capital ocorridos a partir de Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10850.900553/201330 Acórdão n.º 9202007.101 CSRFT2 Fl. 5 7 1982 (5 anos antes da revogação da norma isentiva) tratam de meras capitalizações de reservas de lucros e/ou correção monetária do capital social, com aumento do valor nominal das ações ou o aumento proporcional do número de ações atribuídas a cada acionista na medida das respectivas participações, informação essa que pode ser extraída do Livro de Registro de Ações. Esclarece a Recorrente que, nos anos de 1987 (a participação passou de 4,195805% para 4,270630%), 1988 (a participação passou de 4,270630% para 4,363811%), 1991 (a participação passou de 4,363811% para 4,438500%) e 1994 (a participação passou de 4,438500% para 4,547690%), houve efetiva aquisição de quantidades ínfimas de ações, o que igualmente se extrai do livro de registro de ações e das Declarações de ajuste. Outra alteração no percentual do patrimônio da Usina, além das mencionadas, é o aumento de 4,547690%, no ano de 1994, para 6,742790%, em 1995. O referido aumento, segundo a Recorrente, não representa alteração no patrimônio pessoal do Sr. Aurélio, pois, como se extrai da Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada em 09/09/1995 (Doc. 06 dos Embargos de Declaração), houve redução do capital social da usina, em decorrência da retirada de alguns de seus acionistas, o que majorou a participação percentual dos remanescentes. Não assiste razão à Contribuinte quanto a esse fundamento, pois o direito de retirada ocasiona o reembolso da participação societária ao sócio retirante, com base no patrimônio líquido da sociedade, havendo, por conseqüência, uma redução do capital da sociedade, mas ocasionando o aumento do número de ações de titularidade dos sócios. Tal aumento do número de ações não está abarcado pela isenção, pois a titularidade das ações foi posterior ao lapso temporal disposto no Decreto 1.510/76, não cumprindo, desse modo, os requisitos ali previstos. Assim, somandose o percentual de participação social alienado em 2005 que não teria direito à isenção do IRPF sobre o ganho de capital, por de fato ter sido adquirido pós a revogação da norma isentiva, chegase ao percentual de 0,351885%. Com esse panorama, temse que o percentual da participação societária referente às aquisições realizadas em 1997, 1988, 1991 e 1994 não se submete à isenção sob análise, pois não cumprido o requisito constante do Decreto 1.510/1976. Notase também, pela Planilha de fls. 1.152 que, a partir de 1983, houve uma seqüência de bonificações das ações, o que ocasionou o aumento do número de ações, sucessivamente, exceto nos anos de 1997, 1998 e 2003. Portanto, além das exclusões referentes à aquisições realizadas, também faz se necessário excluir o aumento de ações decorrente da retirada de outros sócios, no ano de 1995, as bonificações ocorridas fora do lapso temporal de 5 anos estabelecido no Decreto, estando abarcadas pela isenção apenas as ações adquiridas e bonificações ocorridas até 31/12/1983, que, pela documentação acostada aos autos, foram alienadas após os 5 anos da manutenção da titularidade. Fl. 1372DF CARF MF 8 A conclusão expressa está em consonância com o Ato Declaratório PGFN n.º 12, de 25 de junho de 2018, que assim dispõe: “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).” As bonificações ocorridas fora do prazo contido no Decreto não resulta no direito à isenção do ganho de capital na alienação, exclusivamente por não ter o investidor, dentro da vigência do Decreto 1.510/76, completado os 5 anos com tais bens em seu patrimônio. Ainda que se diga que tais ações seriam frutos de ações adquiridas anteriormente, não há que se falar em extensão da regra isentiva, pois resultaria em afronta ao preceito contido no art. 111 do CTN, que trata da interpretação literal de normas isentivas. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial assegurando o direito à isenção apenas sobre as ações adquiridas até 31/12/1983. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz . Fl. 1373DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.725596/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE OU CONSIGNATÁRIA.
A pessoa jurídica adquirente ou consignatária de produtos rurais fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária.
COOPERATIVA E PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ATO COOPERATIVO. PROVA.
Para caracterização de entrega de produção rural como ato cooperativo, é necessária comprovação, mediante documentos societários, contábeis e fiscais aptos para tanto, de que a operação examinada se dá entre o associado e a cooperativa nos termos da legislação de regência, segregando-a frente às demais aquisições realizadas junto a terceiros.
Numero da decisão: 2202-004.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE OU CONSIGNATÁRIA. A pessoa jurídica adquirente ou consignatária de produtos rurais fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. COOPERATIVA E PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ATO COOPERATIVO. PROVA. Para caracterização de entrega de produção rural como ato cooperativo, é necessária comprovação, mediante documentos societários, contábeis e fiscais aptos para tanto, de que a operação examinada se dá entre o associado e a cooperativa nos termos da legislação de regência, segregando-a frente às demais aquisições realizadas junto a terceiros.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10120.725596/2014-55
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5919739
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.817
nome_arquivo_s : Decisao_10120725596201455.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10120725596201455_5919739.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7480939
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:29:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868960460800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 5.905 1 5.904 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.725596/201455 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.817 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SUBROGAÇÃO. PRODUTOR RURAL. Recorrente COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DOS PRODUTORES RURAIS DO SUDOESTE GOIANO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2011 PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ADQUIRENTE OU CONSIGNATÁRIA. A pessoa jurídica adquirente ou consignatária de produtos rurais fica sub rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária. COOPERATIVA E PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. ATO COOPERATIVO. PROVA. Para caracterização de entrega de produção rural como ato cooperativo, é necessária comprovação, mediante documentos societários, contábeis e fiscais aptos para tanto, de que a operação examinada se dá entre o associado e a cooperativa nos termos da legislação de regência, segregandoa frente às demais aquisições realizadas junto a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 55 96 /2 01 4- 55 Fl. 5905DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado). Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à seguridade social, incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural da pessoa física ou segurado especial, por subrogação, para as competências 01/2010, 02/2010, 01/2011 a 03/2011. Conforme Relatório Fiscal (fls. 58/62), da análise da documentação digital apresentada, Sped Contábeis, Sped NFe (Nota Fiscal Eletrônica), GFIPs e GPS, confrontando as informações ali declaradas, verificouse que a contribuinte para as competências 01 e 02 de 2010, 01, 02 e 03, de 2011, não recolheu a totalidade das contribuições incidentes sobre a aquisição de produto rural de produtores rurais (segurado especial e pessoa física), por ela devida na qualidade de subrogada, bem como não declarou os fatos geradores dessas contribuições na GFIP, motivo pelo qual foram lavrados os seguintes autos de infração: 1. Auto de Infração, DEBCAD nº 51.045.9080, contribuição previdenciária incidente sobre os produtos rurais adquiridos ou recebidos em consignação de produtores rurais pessoas físicas, na qualidade de subrogada. 2. Auto de Infração, DEBCAD nº 51.045.9099, contribuições devidas ao SENAR, incidentes sobre os produtos rurais adquiridos ou recebidos em consignação de produtores rurais pessoas físicas, devidas pela fiscalizada na qualidade de subrogada. A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 2689/2700), alegando, em síntese, que: 1. A comercialização dos produtos entre o produtor rural e sua cooperativa se realiza com os seguintes passos: a) O produtor rural entrega sua produção na Cooperativa (momento em que é emitida a Nota Fiscal de entrada); b) quando o produtor rural quer vender o produto, o mesmo assina uma "Autorização de Venda", momento em que é fixado o preço do produto; c) a Cooperativa emite um Recibo de Acerto, onde relaciona os valores descontados e pagos/depositados em favor do Cooperado; 2. O valor financeiro da comercialização do Produto Rural só é obtido quando da assinatura da "Autorização de Venda" pelo Produtor Rural, momento em que se convenciona o preço da comercialização e, de conseqüência, procedese a retenção do "FUNRURAL" para posterior repasse à Previdência Social; Fl. 5906DF CARF MF Processo nº 10120.725596/201455 Acórdão n.º 2202004.817 S2C2T2 Fl. 5.906 3 3. As diferenças encontradas pelo Auditor Fiscal ocorreram somente nos meses de Janeiro a Março em virtude do maior volume da colheita e entrega de grãos pelos associados ocorrer neste período. Período este que as entradas de grãos superam as "Autorizações de Vendas". No período de abril a dezembro, conforme demonstrativo, as "Autorizações de Vendas" são muito superiores; 4. Nos termos da alínea “f”, e inciso I, do art. 166 e da alínea “b” inciso I, do 171 da Instrução Normativa RFB nº 971 de 2009, considerase ocorrido o fato gerador, somente no momento da comercialização dos produtos rurais recebidos pela cooperativa, nas competências e nas proporções dos pagamentos, vez que é neste momento que os produtores rurais recebem pelo produto e deste valor é que a COMIGO procede a retenção e o repasse da contribuição à Previdência Social. Dessa forma, o fato gerador da contribuição do FUNRURAL é a receita constante das "Autorizações de Venda", onde consta o valor da comercialização rural que será pago ao cooperado (produtor rural), o valor da retenção do funrural (2,3%); 5. No mesmo sentido dispõem os incisos III e IV, da Lei nº 8.212, de 1991, assim não resta qualquer dúvida que a incidência da contribuição social sobre a comercialização dos produtos rurais tem o fato gerador e base de cálculo a importância decorrente da "OPERAÇÃO DE VENDA" e não nas entradas das mercadorias na Cooperativa, tal como entende a autoridade lançadora; 6. Para comprovar suas alegações a defesa juntou aos autos, em forma de anexos, várias planilhas intituladas APURAÇÃO E RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NA COMERCIALIZAÇÃO DOS PRODUTOS RURAIS (FUNRURAL) NOS EXERCÍCIOS DE 2010 e 2011, documentação comprobatória das vendas/fixações de preços; decisões judiciais; pagamentos GPS; depósitos judiciais e demais comprovantes, identificados por competência (mês/ano), e numerados a partir do doc. n° 07 ao 30. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0736.409 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 5.661/5.667) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. A contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/02/2015 (fls. 5675/5684), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação. A Agência da Receita Federal do Brasil em Rio Verde/GO informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. Conforme decidido pela 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento na Resolução nº 2402000.532 (fls. 5688/5692), datada de 09/03/2016, foi determinada a realização de diligência nos seguintes termos: Fl. 5907DF CARF MF 4 (...) a fim de que o Fisco verifique nos documentos contábeis ou em outros documentos o mês (competência) de transferência dos produtos rurais, de modo a identificar a data (competência, mês) da efetiva venda do produto rural para a Cooperativa, bem como se o valor concernente às contribuições sociais foram devidamente recolhidos na forma da legislação previdenciária (Lei 8.212/1991). Após isso, o Fisco deverá emitir Parecer ou Informação Fiscal sobre os fatos constatados. Elaborada a Informação demandada (fls. 5695/5724), e acostada a manifestação da contribuinte a respeito (fls. 5727/5822), retornaram os autos ao CARF para prosseguimento. Mediante a Resolução nº 2402000.589, determinouse, em 04/04/2017 (fls. 5825/5831), fosse a autuada intimada prestar uma série de esclarecimentos adicionais, em particular no que toca à contabilização das operações envolvendo as aquisições da produção de pessoas físicas, e, após a respectiva resposta e manifestação da fiscalização (fls. 5838/5858), voltaram os autos mais uma vez para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante relatado, a recorrente foi autuada por não ter retido/recolhido, na qualidade de responsável por subrogação, as contribuições previdenciárias incidentes quando da aquisição de produção rural de pessoas físicas. Tal fato foi constatado quando da análise do SpedContábil, Notas Fiscais eletrônicas (NFe), GFIP e GPS, havendo sido realizado o lançamento tendo por base as NFe de fls. 63/2679. A respeito do tema, gizam os arts. 25, incisos I e II, e 30, inciso III, da Lei nº 8.212/91: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (...) I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (...) Fl. 5908DF CARF MF Processo nº 10120.725596/201455 Acórdão n.º 2202004.817 S2C2T2 Fl. 5.907 5 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (...)(grifei) Em sede recursal, a contribuinte defendeu, por uma via, que o recolhimento das contribuições deveria ter por base não o valor constante na NFe de entrada, que atesta a entrega e transferência da produção à cooperativa, mas sim o valor relativo ao preço de venda do produto ao comprador final, fixado mediante a emissão do documento denominado "Autorização de Venda", o qual é acompanhado de um recibo de acerto, no qual são relacionados os valores pagos em favor do cooperado. Sem embargo, é de se notar que a subrogação se dá no contexto da relação jurídica firmada entre o produtor rural e o responsável, no momento em que este adquire ou é consignatário da produção daquele, e pelos valores registrados no documento que atesta essa transação em específico. A transferência ulterior da produção desse último para terceiro não atende, então, ao aspecto temporal do fato gerador do recolhimento por subrogação. Ou seja, a lei é clara ao estabelecer que o fato gerador das contribuições devidas no regime de subrogação ocorre no momento em que ocorre a operação de venda ou consignação da produção do produtor pessoa física junto ao obrigado a efetuar o recolhimento, seja ele empresa ou cooperativa. É então, e não com a posterior alienação a terceiros do produto entregue à empresa ou cooperativa, que se dá o que a norma denomina como sendo "comercialização de sua produção", no que se refere ao produtor rural pessoa física. Já no caso em que o produtor rural é associado a uma cooperativa, deve ser destacado que a entrega de sua produção àquela para fins de comercialização ou industrialização não configura contrato de compra e venda, tampouco contrato de remessa em consignação mercantil, mas sim ato cooperativo típico, nos termos do art. 79 da Lei nº 5.764/71: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Por conseguinte, não se consubstancia tal transferência de bens em suporte fático para a retenção das contribuições previdenciárias sujeitas ao regime de subrogação Fl. 5909DF CARF MF 6 regrado pelo art. 30 da Lei nº 8.212/91; inexiste operação de aquisição ou consignação, em síntese, não há, nesse átimo, comercialização da produção rural da pessoa física. Não obstante, tais conclusões requerem seja devidamente comprovado, para o caso concreto, trataremse as operações em foco de entrega de bens por associado produtor rural à cooperativa. Há elementos de prova nos autos que são circunstanciais, e que podem ser interpretadas em diversos sentidos. Por exemplo, nas NFe de entrada, que ampararam o lançamento fiscal, consta como natureza da operação "compra p/ind. oper c/ merc. suj. reg. sub. trib.", e não operação de entrega de bens de associado à cooperativa. No entanto, tal discriminação pode darse para fins de atender a exigências da legislação do ICMS, e não corresponder à efetiva natureza da transação. Por outro lado, vale salientar que a cooperativa em tela industrializa diversos insumos fornecidos pelos produtores rurais, não se podendo, sem maiores elementos, acatar o entendimento de que as NFe correspondem todas, ou ao menos em sua maioria, a situações em que a cooperativa recebe os bens dos produtores rurais a ela associados para posterior venda no mercado, pois a recorrente opera, notória e frequentemente, como compradora final desses produtos, podendo inclusive adquirir produtos de terceiros não associados. Neste ponto, cabe reprisar considerações já trazidas por este relator quando da prolação da Resolução nº 2402000.589, de modo que passem a integrar a presente fundamentação (fls. 5829/5830): Noutro giro, na resposta da autoridade à diligência é destacada a necessidade de que a cooperativa contabilize "em contas próprias representativas de seu estoque o valor da produção rural advinda de seus cooperados rurais pessoas físicas ou segurados especiais", para poder valerse do conceito de ato cooperativo constante do art. 79 da Lei nº 5.764/71. Decerto, é imprescindível que a cooperativa contabilize em separado os estoques próprios, formados pela aquisição como destinatária final de terceiros não cooperativados, seja para industrialização, seja para comercialização a título próprio, dos estoques formados sob a guarida de ato cooperativo. Em tal caso, se viabiliza o adequado controle tanto da entrega do produto quanto dos repasses devidos ao cooperativado em função da venda final do produto entregue à cooperativa para comercialização, refletindose contabilmente a operação típica de ato cooperativo. Mister notar que, se trata aqui de cooperativa agroindustrial, ou seja, que além de comercializar produtos agrícolas, por definição também realiza transformação e beneficiamento de matérias primas rurais. Visita ao sítio da internet da epigrafada1 revela que a COMIGO tem em seu leque de produtos, dentre outros, farelo de soja, óleo de soja, fertilizantes, rações, etc. Em outros termos, atua ela firmemente na industrialização de grãos e demais produtos adquiridos dos cooperativados, e não simplesmente realiza, aproveitando se da economia de escala, distribuição e comercialização dos produtos in natura. Conclusão que é corroborada pelos elementos contábeis carreados pela diligência, como a demonstração de fl. 5706. Nesse contexto, é ônus da recorrente, e não da fiscalização, ao contrário do asseverado por aquela, demonstrar que possui adequado controle da quantidade 1 www.comigoserver.com,visitado em 17/02/2017. Fl. 5910DF CARF MF Processo nº 10120.725596/201455 Acórdão n.º 2202004.817 S2C2T2 Fl. 5.908 7 exata de propriedade da cooperativa e de cada produtor associado, e que as atividades envolvidas se tratam de ato cooperativo típico, nos termos do art. 79 da Lei nº 5.764/71. Registrese que a autuada traz exemplo, em manifestação sobre a diligência, da movimentação de um determinado produtor rural associado, desde a entrada do produto na cooperativa até as vendas posteriores, movimentação essa que se enquadra, ao princípio, na narrativa dos fatos tal como apresentada em sua defesa (fls. 5730 e ss). É contudo, evidência pontual e assistemática, que não tem o condão de trazer maior luz aos fatos em tela. Com efeito, a contabilização em separado é exigência legal, consoante se afere da leitura do art. 87 da Lei nº 5.764/71: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Para esclarecer os procedimentos levados a efeito pela recorrente, a mencionada Resolução especificou os elementos a serem apresentados (fls. 5830/5831) descrever minuciosamente, e exemplificar, como eram realizados os lançamentos contábeis relativos às entregas feitas por produtores pessoas físicas mediante as quais adquiria as matériasprimas para fins de industrialização de produtos tais como óleo de soja e rações; a par disso, explicar se tem a consideração de que tais operações de industrialização e/ou comercialização em nome próprio se tratam de atos cooperativos típicos, fundamentando juridicamente, e demonstrando, contabilmente, como o resultado dessas operações era efetivamente revertido aos produtores rurais pessoa física, aí incluindo as devoluções de eventuais sobras; ainda com relações as situações acima mencionadas, explicar em que momento se dava e como eram calculado os valores retidos de contribuições previdenciárias devidos por subrogação, e os respectivos documentos envolvidos; descrever minuciosamente, e exemplificar, como eram realizados os lançamentos contábeis relativos às aquisições de produtores pessoas físicas nas quais as matérias primas eram entregues em condições típicas de ato cooperativo, nos termos da legislação de regência; explicar como eram realizadas na contabilidade as diferenciações entre as operações típicas de cooperativa, ou seja, ato cooperativo, e aquelas em atuava como adquirente final de produtores rurais pessoas físicas, sem repasse a associados e vendendo a terceiros em nome próprio, ou, ainda, atuava adquirindo matérias primas de não associados, fazendo, nesse rumo, a devida referência às contas sintéticas/analíticas e, caso preciso, carreando aos autos os livros auxiliares que viabilizavam tal feito; ao final, explicar conclusivamente, trazendo à colação os documentos necessários para tanto, se havia a devida segregação, como prescrito pela Norma Fl. 5911DF CARF MF 8 Brasileira de Contabilidade T 10.8 – ENTIDADES COOPERATIVAS2, no estoque e nas demais das contas naturalmente impactadas (ingressos, dispêndios, despesas, receitas, etc), das operações vinculadas a atos cooperativos frente às demais. Sendo o caso, deverá trazer a quantificação efetiva e em separado dessas operações, associandoas às respectivas notas fiscais (de entrada e de saída, ou documento que entenda equivalente neste último caso), relativamente a cada um dos períodos de apuração objeto de lançamento fiscal. Em sua resposta, além de repisar argumentos já trazidos, a contribuinte afirmou, quanto à Norma Brasileira de Contabilidade T.10.8, que: Nas aquisições (entradas) de grão são controlados separadamente os grãos do associado e de não associado. Quanto aos ingressos e dispêndios, receitas e despesas são realocadas na proporção da entrada de produtos de cooperados e não associados. Entretanto, não foram discriminados quaisquer documentos que apoiassem tais assertivas, o que não passou despercebido pela autoridade fiscal em sua informação: (...) 2. A mesma não demonstrou e não juntou documentação para provar a segregação na contabilidade das operações típicas de atos cooperativos das operações em nome próprio, tanto de cooperados quanto de terceiros. 3. No documento da cooperativa aqui em anexo, no item Contabilização à fl. 5, a mesma afirma que os procedimentos de contabilização são os mesmos para todos os processos de aquisições, portanto não evidenciando, demonstrando e comprovando com a quantificação associada às respectivas Notas Fiscais de Entrada e Saída ou documento equivalente, a segregação nos títulos próprios da contabilidade, conta estoque, das operações de aquisição para comercialização e/ou industrialização em nome próprio sem ato cooperativo das com atos cooperativos dos associados, e também, das aquisições de terceiros não associados; 4. Isto nos restou claro quando da fiscalização na cooperativa em que constatamos a utilização pela mesma em sua contabilidade apenas da conta 106000002 Estoque, onde efetua a contabilização tanto para as operações com atos cooperativos como as operações que não envolvem atos cooperativos, sem a segregação já mencionada, conforme verificados no Diário/Razão do Sped contábil, e os balanços e balancetes anexados pela fiscalização em nosso parecer fiscal anterior. Ou seja, poderia a recorrente, caso mantivesse os registros em conformidade com as prescrições legais, ter comprovado perfeitamente que os produtos ingressados sob as NFe examinadas foram adquiridos de associados da cooperativa, e não de terceiros fornecedores aliás, nos relatórios por ela colacionados constam apontadas as pessoas físicas sob o genérico título de "fornecedores", e não associados ou cooperados, e nas notas fiscais a denominação de "clientes", não de associados. Ou poderia evidenciar, ainda, que as NFe em apreço corresponderiam a operações em que ela não atua como comprador final/consumidor industrial, mas apenas revende a terceiros a produção rural das pessoas físicas. Sequer o Livro de Matrícula com a relação dos associados, documento de rigor previsto nos arts. 22 e 23 da Lei nº 5.764/71, foi carreado aos autos. 2 Resolução 920/2001 do CFC, DOU 1 de 30/12/2001. Fl. 5912DF CARF MF Processo nº 10120.725596/201455 Acórdão n.º 2202004.817 S2C2T2 Fl. 5.909 9 Em suma, verificase que os recolhimentos efetuados pela recorrente com lastro nas "autorizações de venda'" não se adequam à hipótese de incidência das contribuições em tela, que se dá tendo por base de cálculo e momentos distintos frente aos pagamentos vinculados àquelas autorizações. Além disso, não realizou a contribuinte, através dos documentos fiscais/contábeis/societários apropriados, os controles necessários para respaldar eventual pleito embasado nas especificidades do ato cooperativo. Não havendo prova suficiente a amparar os argumentos recursais, não assiste razão à contribuinte. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 5913DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728070/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE BENS IMÓVEIS POR EMPRESA QUE NÃO TEM COMO OBJETO A ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. GANHO DE CAPITAL.
Para efeitos tributários, a receita proveniente da venda de imóveis, que não foram construídos ou adquiridos com tal finalidade, sujeita-se à apuração de ganho de capital, independentemente, de a atividade imobiliária também integrar aquele objeto.
ART. 138 DO CTN - INAPLICABILIDADE
O art. 138 do CTN se presta ao afastamento de penalidades decorrentes de vícios na escrituração contábil e fiscal porventura retificada antes do início da ação fiscal, sendo inplicável, apenas, para se permitir a mudança do objeto social da empresa, com intento claro e apenas de furtar-se à apuração do ganho de capital.
Numero da decisão: 1302-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE BENS IMÓVEIS POR EMPRESA QUE NÃO TEM COMO OBJETO A ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. GANHO DE CAPITAL. Para efeitos tributários, a receita proveniente da venda de imóveis, que não foram construídos ou adquiridos com tal finalidade, sujeita-se à apuração de ganho de capital, independentemente, de a atividade imobiliária também integrar aquele objeto. ART. 138 DO CTN - INAPLICABILIDADE O art. 138 do CTN se presta ao afastamento de penalidades decorrentes de vícios na escrituração contábil e fiscal porventura retificada antes do início da ação fiscal, sendo inplicável, apenas, para se permitir a mudança do objeto social da empresa, com intento claro e apenas de furtar-se à apuração do ganho de capital.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12448.728070/2011-17
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5902715
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-003.074
nome_arquivo_s : Decisao_12448728070201117.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
nome_arquivo_pdf_s : 12448728070201117_5902715.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7428205
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:26:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050868965703680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 127 1 126 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.728070/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.074 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de agosto de 2018 Matéria IRPJ E CSLL GANHO DE CAPITAL Recorrente SPARTACUS S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE BENS IMÓVEIS POR EMPRESA QUE NÃO TEM COMO OBJETO A ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. GANHO DE CAPITAL. Para efeitos tributários, a receita proveniente da venda de imóveis, que não foram construídos ou adquiridos com tal finalidade, sujeitase à apuração de ganho de capital, independentemente, de a atividade imobiliária também integrar aquele objeto. ART. 138 DO CTN INAPLICABILIDADE O art. 138 do CTN se presta ao afastamento de penalidades decorrentes de vícios na escrituração contábil e fiscal porventura retificada antes do início da ação fiscal, sendo inplicável, apenas, para se permitir a mudança do objeto social da empresa, com intento claro e apenas de furtarse à apuração do ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 80 70 /2 01 1- 17 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 12448.728070/201117 Acórdão n.º 1302003.074 S1C3T2 Fl. 128 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório Tornando curta uma discussão que já se apresenta de forma sucinta, a recorrente foi autuada em 2011 por ter deixado de apurar ganho de capital em venda de imóvel realizada no ano calendário de 2008, suportando, pois, a exigência do IRPJ e da CSLL. In casu, a empresa detinha como objetivo social (tal qual se dessume da Ata de Assembléia Extraordinária datada de 02 de abril de 2004 e fls. 63/64) o exercício das seguintes atividades (conforme art. 3º, modificado, de seu estatuto): (...) estacionamento de veículos, revenda veículos, compra e venda de veículos, lavagem, manutenção, borracharia, lubrificação e serviços de instalações elétricas de veículos, e posto de venda de gasolina e serviços; administração de bens próprios, planejar e executar empreendimentos comerciais e industriais, agenciar e intermediar tratativas comerciais, para os mercados interno e do exterior, por conta própria e de terceiros; a prática das operações denominadas, em conjunto "factoring"; a participação direta ou assinadosse a outras sociedades, no país e no exterior, quer como acionista ou cotista; processamento de dados; podendo, ainda, prestar outras assistências relacionadas com a sua atividade". Nos idos de 2007, adquiriu o imóvel, cerne da querela, pelo valor de R$ 518.680,28 (conforme escritura pública juntada à efls. 39/41), vendendoo, no ano subsequente, pelo valor de R$ 5.250.000,00 (escritura pública de efls. 42/45), ocasião em que, tal qual se extrai da DIPJ, declarou uma receita sujeita ao percentual de tributação de 32% no importe de R$ 4.931.330,72 (ficha 14A, efls. 8, para o IRPJ e ficha 18A, efls. 12, para a CSLL). Em linhas gerais, a empresa não apurou ganho de capital, tendo considerado o resultado da venda do predito imóvel como receita operacional. Em vista disto, a D. Auditoria, sem maiores delongas, autuou o contribuinte que, cientificado do predito auto de infração, apresentou impugnação em que sustenta ter promovido, ao longo da ação fiscal, "alteração contratual" (a despeito de se tratar de S/A, foi esta a expressão utilizada pelo impugnante), que teria passado a contemplar a atividade de compra e venda de imóveis, bem como de incorporação imobiliária; em razão disto, arumentou que, como ação fiscal não teria se findado, faria jus aos efeitos do art. 138 do CTN... Cumpre apenas destacar que a citada "alteração contratual" não se encontra juntada aos autos, não tendo sido trazida, também, na impugnação administrativa. Instada a se pronunciar sobre o caso, a DRJ/RJ houve por bem julgar improcedente a impugnação, mormente por entender inaplicáveis, ao caso, os preceitos do mencionado art. 138 do CTN. Vejase, a seguir, a ementa do acórdão ora recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 12448.728070/201117 Acórdão n.º 1302003.074 S1C3T2 Fl. 129 3 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE PARARETROATIVIDADE DE ATIVIDADE DA EMPRESA. O Instituto da denúncia espontânea é inábil para retroagir atividade incluída nos estatutos da empresa somente após a ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE PARA RETROATIVIDADE DE ATIVIDADE DA EMPRESA. O Instituto da denúncia espontânea é inábil para retroagir atividade incluída nos estatutos da empresa somente após a ocorrência do fato gerador. A empresa tomou ciência do julgado supra em 30/09/2014, tal como se observa do "Termo de abertura de documento" de efls. 107, tendo manejado o seu recurso voluntário em 16/10/2014 (termo de solicitação de juntada de efls. 122), por meio do qual, até de forma mais resumida, reprisa os argumentos trazidos em sua impugnação. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e, por isso, dele conheço. De acordo com a Lei 9.249/95, art. 15, § 4º, observase que somente as atividades ali descritas estarão sujeitas ao percentual de presunção tratado no caput: § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. Em linhas gerais, a premissa necessária à tipificação de atividade imobiliária sujeita à tributação na forma caput do art .15, do diploma legal anteriormente citado, é a percepção de receitas advindas das operações ali, taxativamente, descritas, atentandose, ao que interessa ao feito, as atividades de "venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda". A aquisição "para revenda" é o ponto central para se definir a possibilidade para se definir a natureza da atividade de venda de bens imóveis como, aliás, já tive a oportunidade de me manifestar em caso similar, quando do julgamento do PA de nº Fl. 129DF CARF MF Processo nº 12448.728070/201117 Acórdão n.º 1302003.074 S1C3T2 Fl. 130 4 10380.721152/201480, acórdão de nº 1302002.327, publicado em 31/10/2017, e cuja ementa reproduzo a seguir: IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE. GANHO DE CAPITAL. ATIVIDADE IMOBILIÁRIA. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE. EFEITOS TRIBUTÁRIOS A receita obtida com da venda de bens do ativo permanente sujeitase à apuração de ganho de capital. No regime do lucro presumido, o ganho de capital deve ser somado à base de cálculo, obtida pela aplicação de percentual pertinente à atividade econômica sobre a receita bruta auferida no trimestre. Para efeitos tributários, a receita proveniente da venda de imóveis, que não foram construídos ou adquiridos com tal finalidade, mas, diversamente, para serem usados como meio de obtenção de renda ou para o desempenho de atividade econômica prevista no objeto social da empresa, sujeitase à apuração de ganho de capital, independentemente, de a atividade imobiliária também integrar aquele objeto e da reclassificação contábil, efetivada, no anocalendário precedente ao da venda, pela transferência dos bens do ativo permanente para o ativo circulante, como se mercadorias fossem. O caso presente, vejam bem, é muito mais simples que a situação analisada por ocasião do julgado acima, já que, à época da venda do imóvel objeto da análise fiscal, a empresa sequer tinha como objeto a compra e venda de bens desta natureza, deixando evidente, ao menos pelos elementos que constam dos autos, que a sua intenção revelada não era a de exploração da atividade imobiliária. Quanto a invocação do art. 138 ao caso, único argumento sustentado pelo contribuinte, por certo, como bem apontado pelo acórdão recorrido, é de todo descabida, já que o mencionado preceito se destina à finalidade absolutamente distinta da que pretende o recorrente... o art. 138 se presta para a retificação, pelo contribuinte, de uma situação ilícita por ele previamente identificada, evitandose, assim, a aplicação das sanções administrativas e moratórias "incidíveis" sobre o predito ilícito. E, no caso, mesmo que os livros e documentos contábeis da empresa não tenham sido juntados ao feito, pela autoridade lançadora, e mesmo que o predito imóvel tivesse sido registrado em conta de ativo circulante (estoques), semelhante anotação representaria contradição patente já que, insistase, pelo objeto social então vigente, o contribuinte nem mesmo poderia registrar tal estoque, por não deter, repitase, atividade imobiliária como uma de suas atividades operacionais, como, aliás, asseverou o D. Relator do acórdão recorrido: A venda de imóvel que gerou a autuação objeto do presente processo ocorreu em fevereiro do anocalendário de 2008, ou seja, antes da alteração contratual citada e quando a interessada não tinha em seu contrato social a previsão de atividade imobiliária, logo, correto foi considerar o lucro na venda do imóvel como ganho de capital e não como receita da atividade da empresa. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 12448.728070/201117 Acórdão n.º 1302003.074 S1C3T2 Fl. 131 5 Verdade seja dita, o contribuinte, cientificado do início da ação fiscal, lançou mão de subterfúgio para tentar evitar a autuação eminente, mediante (alegada) alteração de seu objeto social, estratégia que, pelo que foi dito acima, é absolutamente ineficaz. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
