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Numero do processo: 10935.904623/2012-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 26/06/2007
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.750
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/06/2007 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 23 /2 01 2- 16 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10935.904623/201216 Acórdão n.º 3402004.750 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição fundado em suposto pagamento indevido ou a maior face suposta inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições. No que tange esta matéria, o pedido restou indeferido conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada desta decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ, através do Acórdão nº 06045.492, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da impugnante, tendo em vista que não há, na legislação de regência, previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A contribuinte foi cientificada dessa decisão, tendo apresentado recurso voluntário tempestivo, onde alega que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins e do PIS, por não estar abrangido nos conceito de "faturamento", tratandose de mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.699, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.902211/201233, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.699): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10935.904623/201216 Acórdão n.º 3402004.750 S3C4T2 Fl. 4 3 Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/771 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR2, sob a sistemática do art. 543C do 1 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. 2 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10935.904623/201216 Acórdão n.º 3402004.750 S3C4T2 Fl. 5 4 CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10935.904623/201216 Acórdão n.º 3402004.750 S3C4T2 Fl. 6 5 sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10935.904623/201216 Acórdão n.º 3402004.750 S3C4T2 Fl. 7 6 n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10935.904623/201216 Acórdão n.º 3402004.750 S3C4T2 Fl. 8 7 das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10935.904623/201216 Acórdão n.º 3402004.750 S3C4T2 Fl. 9 8 Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito creditório decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 15563.720271/2015-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador, sabido dever a impugnação vir acompanhada de todos os elementos hábeis de prova necessários à confirmação das alegações da interessada contidas em seu arrazoado.
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada pelo contribuinte regularmente intimado para tal.
LANÇAMENTOS DE CSLL, PIS E COFINS. SUPORTE FÁTICO COMUM.
Por não apresentarem fato novo que suscite conclusão diversa, devem os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS acompanharem o decidido quanto ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica-IRPJ, por terem suporte fático comum.
Numero da decisão: 1302-002.388
Decisão: Visto, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador, sabido dever a impugnação vir acompanhada de todos os elementos hábeis de prova necessários à confirmação das alegações da interessada contidas em seu arrazoado. OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada pelo contribuinte regularmente intimado para tal. LANÇAMENTOS DE CSLL, PIS E COFINS. SUPORTE FÁTICO COMUM. Por não apresentarem fato novo que suscite conclusão diversa, devem os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS acompanharem o decidido quanto ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, por terem suporte fático comum. Visto, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 71 /2 01 5- 71 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 15563.720271/201571 Acórdão n.º 1302002.388 S1C3T2 Fl. 455 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Por bem relatar os fatos e argumentos que compõem o objeto deste processo, adoto o relatório da DRJ/RJO, e passo a transcrevêlo: “O presente processo tem origem nos seguintes autos de infração, lavrados pela DRF/Nova Iguaçu em 08/12/2015: De Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, no valor de R$ 6.969.013,45 (fls. 379/385); Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, no valor de R$ 459.954,89 (fls. 396/400); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 2.508.844,84 (fls. 386/390), e de Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, no valor de R$ 2.118.580,09 (fls. 391/395); acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75%, e demais acréscimos moratórios conforme legislação vigente. A autuação, conforme a descrição dos fatos dos autos de infração e o Termo de Verificação Fiscal de fls 183/187, decorre da presunção de omissão de receitas, no ano calendário de 2010, a partir da manutenção no passivo de obrigações cuja a exigibilidade não foi comprovada. A interessada, intimada em 03/03/2015 e 02/10/2015, não comprovou a exigibilidade do valor total de R$ 27.876.053,82, resultado dos valores constantes em diversas contas de exigível com o histórico “01/01/2010 SALDO EXERCÍCIO 2009” (fl. 181/182), ensejando, assim, a presunção de omissão de receitas deste valor. O lançamento teve como enquadramento legal para o IRPJ o art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 40 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 281, inciso II, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou, em 06/01/2016, sua impugnação de fls. 212/240, onde argui a tempestividade, descreve a autuação e suas atividades e argui a nulidade do auto de infração por vício insanável em virtude de cerceamento do direito de defesa, uma vez que: Fl. 455DF CARF MF Processo nº 15563.720271/201571 Acórdão n.º 1302002.388 S1C3T2 Fl. 456 3 1. Em 23/03/2015 apresentou demonstrativo contendo informações solicitadas e cópias da documentação contábil, não constando nos autos a petição da referida resposta à intimação, mas somente o demonstrativo da ficha 34A da Declaração de Informações da Pessoa JurídicaDIPJ; e, 2. Em resposta à intimação de 02/06/2015 apresentou comprovantes de pagamentos das obrigações que ocorreram nos anos de 2011 e 2012, que também não constam dos autos, mas somente a sua petição. Protesta que a fiscalização não analisou os documentos apresentados, bem como não juntou aos autos a íntegra dos documentos comprobatórios apresentados, não havendo nos autos relação do que foi ou não apresentado. Além disso, protesta que não foi precisa a descrição dos fatos e dos dispositivos legais pertinentes, nem teriam sido individualizados os valores glosados. Alega no mérito, em apertada síntese, que: O conceito de passivo fictício implicaria necessariamente a comprovação que o contribuinte mantém obrigação já paga em seu passivo; Para lançar mão da presunção a autoridade lançadora tem que comprovar a infração; A Fiscalização não teria provado o fato imputado e descrito a autuação, apoiandose apenas em presunção legal sem demonstrar qual seria o pressuposto autorizador desta conclusão, sendo impossível fundar o lançamento exclusivamente em mera presunção; As presunções humanas, meros indícios e as ilações não são suficientes para fundamentar lançamentos contábeis Afirma que anexou à época da fiscalização uma série de documentos e registros contábeis referentes a pagamentos de obrigações que não foram juntados aos autos, nem foram analisados detidamente, determinando quais documentos haviam sido aceitos e quais seriam inidôneos e quais obrigações entendeu não terem sua exigibilidade comprovada, de forma individualizada e o porque de tal conclusão. Destaca que somente as obrigações registradas no passivo entre 01/01/2010 e 31/12/2010 poderiam ser classificadas como passivo fictício, uma vez que saldos de exercícios anteriores não se prestam para amparar a presunção de omissão de receitas; Protesta que equívocos cometidos nos registros de saldos de contas contábeis anteriores a 01/01/2010 não podem, legitimar a adoção de presunção em favor do Fisco, pois não permite a constituição do crédito tributário. Requer que o julgamento seja convertido em diligência para que possa refazer a apuração contábil, no prazo de 90 dias, e juntar documentos que estariam sendo providenciados junto aos fornecedores, indicando assistente técnica e protestando por quesitos suplementares no curso da diligência. Encerra pedindo a anulação do lançamento por inobservância da garantia de defesa ou por não ter sido contemplada a correta individualização da matéria tributável, ou alternativamente, que sejam diferidas as diligências.” No julgamento das razões acima expostas, a DRJ/RJO julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme denota a ementa do acórdão a seguir transcrito: Fl. 456DF CARF MF Processo nº 15563.720271/201571 Acórdão n.º 1302002.388 S1C3T2 Fl. 457 4 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido quando desnecessário e prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador, sabido dever a impugnação vir acompanhada de todos os elementos hábeis de prova necessários à confirmação das alegações da interessada contidas em seu arrazoado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada pelo contribuinte regularmente intimado para tal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2010 LANÇAMENTOS DE CSLL, PIS E COFINS. SUPORTE FÁTICO COMUM. Por não apresentarem fato novo que suscite conclusão diversa, devem os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS acompanharem o decidido quanto ao lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, por terem suporte fático comum. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada do Acórdão de impugnação, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário para apreciação deste Conselho, reiterando os argumentos aduzidos na sua impugnação, sem rebater nenhum argumento lançado pelo acórdão da DRJ/RJO. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 15563.720271/201571 Acórdão n.º 1302002.388 S1C3T2 Fl. 458 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Tendo em vista a ciência formal do acórdão DRJ em 06/05/2016, e o protocolo do Recurso Voluntário em 06/06/2016, fica caracterizada sua tempestividade. Sendo assim, conheço do presente recurso. Cabe frisar, que nos termos do §3º, do art. 57 do RICARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329, de 2017, adoto como razões de decidir a decisão recorrida em todos os seus termos, que abaixo transcrevo, litteris: “Da Preliminar Ao contrário do que alega a interessada, não houve ofensa ao seu direito de ampla defesa. O lançamento atende integralmente aos preceitos de ordem pública expressos no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário NacionalCTN). Além disso, o auto de infração foi lavrado por autoridade competente e apresenta os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Nesse sentido, o auto contêm o enquadramento legal das infrações atribuídas à interessada e apresenta uma descrição clara dos fatos, permitindo a ela conhecer perfeitamente as infrações que lhe estão sendo atribuídas. Tanto é assim, que se defende sem qualquer dificuldade. Alem disso, à luz do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, Processo Administrativo FiscalPAF, somente são nulos por cerceamento do direito de defesa os despachos e decisões, o que não é o caso. Quanto aos documentos que a interessada protesta terem sido por ela apresentados e que não foram juntados aos autos, cumpre destacar que a mesma poderia tê los juntado à impugnação, ou mesmo após esta, o que, até a presente data, não fez. Assim, protestos pela falta de juntada de documentos aos autos são inócuos se a interessada teve nova oportunidade de fazêlo, omitindose. Já a individualização dos valores glosados restou clara no Termo de Verificação Fiscal, qual seja, a totalidade dos valores lançados em diversas contas com o histórico “01/01/2010 SALDO EXERCÍCIO 2009”, no montante de R$ 27.876.053,82, conforme relação de fls. 181/182, cuja interessada não apresentou documentação comprobatória de sua exigibilidade. Destarte, não merece acolhida a preliminar de nulidade suscitada. Do pedido de perícia: Quanto ao pedido de diligência ou perícia formulado pela interessada, embora previsto no art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972, verificase que, no caso presente, revelase com intuito meramente protelatório, uma vez que a interessada já poderia ter juntado aos autos os documentos para os quais pede perícia ou diligência para tal. Em consonância com o art. 18 do mesmo Decreto, temos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93). Fl. 458DF CARF MF Processo nº 15563.720271/201571 Acórdão n.º 1302002.388 S1C3T2 Fl. 459 6 Portanto, pelos motivos expostos, indefiro o pedido da interessada, lembrando que a impugnação deve vir acompanhada de todos os elementos hábeis de prova necessários à confirmação das alegações da interessada contidas em seu arrazoado. Do mérito: O art. 40 da Lei nº 9.430/1996, que embasou a autuação, criou a presunção legal de omissão de receitas quando da manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada: Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita. Nos casos de presunções legais o ônus da prova fica invertido, cabendo ao contribuinte provar os fatos registrados em sua escrituração. Sobre o assunto vale citar JOSÉ LUIZ BULHÕES PEDREIRA (In: “Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas” – JUSTEC – RJ – 1979 – pág. 806.). “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso”. (Grifei) Segundo os autos, a interessada, durante a fase fiscalizatória, foi regularmente intimada a comprovar a exigibilidade dos valores lançados em diversas contas com o histórico “01/01/2010 SALDO EXERCÍCIO 2009”, não constando nos autos que tenha trazido aos autos a comprovação necessária. A interessada protesta que juntou naquela fase fiscalizatória documentos que não constam dos autos. Porém, não pode utilizar tal argumento a seu favor, uma vez que teve oportunidade nesta fase impugnatória de mais uma vez juntar tais documentos, o que não fez, pedindo diligência protelatória para tal, que por tal motivo, já foi negada no presente voto. A Fiscalização entendeu, portanto, que tais valores restaram não comprovados, configurando receitas omitidas, procedendo à tributação na forma do art. 40 da Lei nº 9.430/1996, não cabendo à Fiscalização, no caso de presunções legais, buscar provas que favoreçam a interessada, nem demonstrar expressamente a omissão, diante, repitase, da presunção legal. A alegação de que o valor glosado se refere a exercício anterior, logo não podendo ser autuado em 2010, não procede, uma vez que o art. 40 é claro em determinar que a presunção se refere a “manutenção no passivo” e não a “lançamento no passivo”, abrangendo a presunção, portanto, valores lançados em exercícios anteriores que se mantiveram na contabilidade durante o anocalendário autuado. A baixa dos valores na contabilidade em exercício posterior também não comprova a exigibilidade, uma vez que os valores de passivo fictício se mantêm registrados até, exatamente, o surgimento de disponibilidade de caixa para sua baixa contábil. Concluise, portanto, que a autuação corretamente se deu em base legais vigentes, não carecendo de qualquer reparo, devendose manter o lançamento de IRPJ em sua íntegra. Dos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins: Fl. 459DF CARF MF Processo nº 15563.720271/201571 Acórdão n.º 1302002.388 S1C3T2 Fl. 460 7 Com relação aos lançamentos de Programa de Integração Social – PIS, Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, por não apresentarem fato novo que suscite conclusão diversa, devem os mesmos acompanhar o decidido quanto ao lançamento matriz de Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ, por terem suporte fático comum.” Conclusão À vista do exposto, NEGO provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 460DF CARF MF
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Numero do processo: 13808.002147/00-18
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício:1998 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. As despesas são dedutíveis quando são incorridas, necessárias, usuais ou normais, sendo indispensável a comprovação que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTO DECORRENTE.
O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.572
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO. As despesas são dedutíveis quando são incorridas, necessárias, usuais ou normais, sendo indispensável a comprovação que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 21 47 /0 0- 18 Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.002147/0018 Acórdão n.º 1801001.572 S1TE01 Fl. 2.485 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DECORRENTE. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 179183, com a exigência do crédito tributário no valor de R$113.096,81, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao anocalendário de 1996, apurado no regime de tributação com base no lucro real anual. O lançamento fundamentase nas seguinte infrações em conformidade com o Termo de Constatação Fiscal, fls. 231232 e os Demonstrativos, fls 247250: (a) glosa de despesas médica das notas fiscais emitidas em nome de outra pessoa jurídica, qual seja, SL S/A Assistência Médico Hospitalar, em relação às quais foi intimada sem êxito a apresentar as Cartas de Correção respectivas e que estão escrituradas na conta nº 31.150 Custo Contas Médicas no valor de R$1.051.641,17em relação; na conta nº 33.617 – Assessoria Serviços Dir. Prest. Empresas em relação no valor de R$87.030,59; Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.002147/0018 Acórdão n.º 1801001.572 S1TE01 Fl. 2.486 3 (b) glosa de despesas de procedimentos médicos ambulatoriais referentes a publicidade de clientes registradas na conta nº 32103 – Propaganda – Cortesias no valor de R$60.421,83 por se tratar de mera liberalidade. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 195, art. 197, art. 242, art. 243, art. 247 e art. 311 do Regulamento do Imposto de Renda, previsto no Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR, de 1994. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 184188, com a exigência do crédito tributário no valor de R$43.567,65 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 e art. 19 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Cientificada em 17.08.2000, fls. 181 e 186, a Recorrente apresenta a impugnação em 18.09.2000, fls. 192202, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que a partir de 1995, devido à cisão, tem por objeto social tão semente a administração e operação de planos de saúde. A pessoa jurídica SL S/A Assistência Médico Hospitalar (Hospital e Maternidade São Leopoldo S/A), CNPJ 44.005.312/000163 ficou com a prestação de serviços hospitalares em geral. Tece esclarecimentos sobre a atividade econômica desenvolvida. Diz que adota a sistemática de pagamentos antecipados pelos associados com a finalidade de garantir eventuais a cobertura de custos de prestação de serviços médicos, hospitalares, ambulatoriais, odontológicos e laboratoriais. Argumenta que Reconhece a Impugnante, que houve durante o período, especialmente nos primeiros meses subseqüentes à cisão, algumas falhas na escrituração dos pagamentos efetuados, sendo que, apesar de ter comunicado a todos os prestadores de serviços a alteração da razão social e do [CNPJ] da empresa que remanesceu com os contratos, em alguns casos, seus funcionários da época, por evidente lapso, não agiram com a diligência necessária na conferência do efetivo recebimento das cartas de correção, razão pela qual, não conseguiu atender aos pedidos da d. fiscalização no sentido de apresentar todas as cartas de correção, vindo a ser autuada. De se salientar que, talvez também por lapso, embora tenha apresentado na oportunidade as cartas de correção relativas e as notas abaixo relacionadas, as mesmas não foram excluídas do demonstrativo, razão pela qual, pede vênia para juntar nesta oportunidade os documentos, requerendo ainda, a exclusão dos valores do demonstrativo apresentado pela fiscalização: Para tanto, relaciona as Notas Fiscais das seguintes pessoas jurídicas: Elkis e Furlanetto CDAC Ltda, Beneficência Médica Brasileira S/A, Oficia de Desenvolvimento S/C Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.002147/0018 Acórdão n.º 1801001.572 S1TE01 Fl. 2.487 4 Ltda, Hospital e Maternidade Santa Joana S/A e Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Procura demonstrar que Por outro lado, [...] o que se verifica, na realidade, é que as despesas glosadas [...] foram efetivamente suportadas pela SL SAÚDE, conforme comprovam as cópias dos documentos ora anexadas, que demonstram, sem sombra de dúvida, a efetiva prestação dos serviços à SL SAÚDE e que as despesas realizadas são normais ao tipo de atividade desenvolvida pela empresa, ou seja, a operação de planos de saúde. [...]. No caso das despesas contabilizadas na conta 31.150 — Custos Contas Medicas, todas são originárias de contratos firmados com a antiga SL S/A relativos a Planos de Saúde [...] e os serviços foram prestados aos beneficiários desses planos [...]. No caso das despesas lançadas na conta 33.671 — Asses. Servs.Dir. Prest. Empresas, também se tratam de despesas normais e necessárias à atividade da empresa, como prestação de serviços de advocacia exatamente em face da cisão das empresas [...]. Argui que no processo administrativo fiscal de constituição do crédito tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional) devese buscar a verdade material. Defende que Ora, in casu, o que se denota e que a autuação foi lavrada, ao menos no que tange à glosa das despesas operacionais contabilizadas, em face da ocorrência de meras falhas formais — ou seja, a ausência de cartas de correção relativas a Notas Fiscais emitidas pelas empresas — que receberam os pagamentos por serviços efetivamente prestados aos beneficiários dos planos de saúde administrados pela SL SAÚDE [e] nem por isso, causou qualquer prejuízo ao Erário Público. [...] Assim, uma vez glosada a despesa da empresa que realmente as efetuou e não tendo sido estas "utilizadas" pela "empresa do grupo", que continuou e continua com o CGC anterior, estará havendo, no mínimo exigência indevida de exação. [...] [E] sendo as despesas em questão assumidas em virtude da cisão, ainda que existente o erro na formalização, é de ser reconhecida a normalidade, necessidade, nexo de causalidade e a evidente pertinência e comprovação da realização das mesmas, razão pela qual deve ser julgada totalmente procedente a presente impugnação, com a decretação da nulidade do Auto de Infração, e conseqüentemente, da multa de oficio e demais consectários. Da mesma forma, no que tange à glosa das despesas contabilizadas como de propaganda, não incorreu em infração a ora Impugnante. [...] [E] uma das formas de promover e divulgar suas atividades, ou seja, os planos de saúde, é conceder aos clientes especiais ou não serviços não previstos nos Contratos, com intuito de marketing e/ou ainda, para prevenir eventual procedimento judicial obrigando o atendimento e não mera liberalidade. Apresenta argumentos contra os consectários, quais sejam, a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic e em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.002147/0018 Acórdão n.º 1801001.572 S1TE01 Fl. 2.488 5 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Diante do exposto e à vista da plena comprovação da correção da conduta adotada pelo contribuinte, tendo sido demonstrada a inocorrência da infração apontada no Auto de Infração, mas apenas mero erro na formalização escritural, requer e espera a ora Impugnante seja a presente Impugnação acolhida, por tempestiva, conhecida e afinal julgada inteiramente procedente, declarandose a insubsistência do Auto de Infração e cancelandose a exigência fiscal nele contida, no que se refere is glosas dos valores relativos is despesas efetivamente realizadas, conforme exaustivamente provado, cancelandose, por conseqüência, as multas e os acréscimos moratórios consignados no auto de infração. Outrossim, com fundamento no art. 5°, XXXIV, letra "b" da Constituição Federal, requer a Impugnante que seja ressalvado o seu direito de ser notificada da juntada de qualquer documento pela d. autoridade fiscal, ou de qualquer outro fato superveniente que venha a ocorrer nos presentes autos, a fim de que possa se manifestar sobre os mesmos, sob pena de violação ao principio do devido processo legal (art. 5°, LIV da CF/88), do contraditório e ampla defesa (art. 5°, LV), alem de representar inequívoca negativa de vigência ao princípio da verdade material (principio maior informador do processo administrativo fiscal). Por fim, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive pericial e outros documentos, bem como sejam determinadas todas as diligencias e providencias que esse D. Julgador eventualmente venha a entender necessárias ao deslinde da questão, tudo conforme o direito e a justiça. Termos em que, juntandose a esta as cópias de documentos anexas em 07 (sete) volumes, P. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 7ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 7.687, de 11.08.2005, fls. 24552464: “Lançamento Procedente em Parte”, tendo em vista que foram consideradas como corretas as despesas médicas no total de R$216.504,06 referentes às Notas Fiscais nºs 52356, 52248, 52252, 51911, 49813, e 52243 emitidas pelo Hospital e Maternidade São Luiz, bem como a Nota Fiscal nº 84827 emitida pela Santa Casa de Misericórdia. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1996 Ementa: GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. 0 contribuinte deve lastrear seus lançamentos contábeis com documentação hábil e idônea. Desta forma, correta a glosa de despesas escrituradas com base em nota fiscal emitida em favor de terceiros. GLOSA DE DESPESAS. CARTA DE CORREÇÃO. Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.002147/0018 Acórdão n.º 1801001.572 S1TE01 Fl. 2.489 6 Embora não exista norma legal, é costume aceitar as cartas de correção como documento contábil quando estas não alteram elementos da nota fiscal referente aos impostos devidos. Ademais, devem demonstrar inequivocamente que foram efetivamente recebidas pela empresa emissora da nota fiscal. Destarte, deve ser cancelado o lançamento na parte correspondente as despesas comprovadas pelo contribuinte. DESPESAS COM PROPAGANDA. CORTESIAS. INDEDUTIBILIDADE. Correta a glosa com cortesias fornecidas pelo contribuinte quando não configurada qual a relação existente entre a empresa e os clientes beneficiados. Ademais, existe expressa disposição legal vedando a dedutibilidade de despesas com brindes, configurando tais pagamentos, mera liberalidade. Notificada em 21.07.2009, fl. 2469, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.07.2009, fls. 24702475, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Discorda da necessidade de efetivação do depósito como pressuposto de admissibilidade recursal por ter sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Menciona O recorrente é cumpridor de todos os seus deveres tributários, ainda que acessórios. Nesse passo, a alegação da autoridade fiscalizadora de que a escrituração foi incompleta pode ser sanada a qualquer tempo, não podendo o recorrente sofrer tamanha penalidade por ato que pode ser refeito, como é cediço. Todos os documentos apresentados são provas hábeis e idôneas que legitimaram a escritura contábil e fiscal. Certo é que se a autoridade fiscal entendeu que não restaram preenchidos todos os requisitos tinha a faculdade de converter em diligência e proceder a perícia, o que afasta o argumento de que a recorrente não esclareceu a relevância desses pedidos. Tal prova por si só comprova a relevância para o caso em tela. Isto porque, a autoridade julgadora não considerou algumas cartas de correção porque não havia o registro de recebimento por parte da empresa que emitiu originariamente a nota fiscal. Todavia, tem o contribuinte o direito de provar por todos os meios a verdade em suas informações. Ou seja, não pode o contribuinte ser penalizado (como se fosse uma inverdade suas informações) tão somente por uma eventual precariedade em certa formalidade documental. Frisese, todas as despesas glosadas foram suportadas pela recorrente. Outrossim, a fim de evitar tautologia a recorrente reitera "in totum" os argumentos trazidos em sua defesa. De outra consideração, não existiu prejuízo algum ao Fisco que recebeu o tributo no valor devido. Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.002147/0018 Acórdão n.º 1801001.572 S1TE01 Fl. 2.490 7 Ademais, o artigo 112, CTN, exige a interpretação mais favorável ao acusado, quanto as definições de infrações ou cominações de penalidades, principalmente quando houver suposto descumprimento da obrigação. [...] Ora, não é correto o recorrente, que é um contribuinte adimplente que "sempre" honrou com suas obrigações, estar compelido a efetuar o pagamento de multa indevida de valor elevado. Sendo a multa aplicada indevida e em valor exorbitante a torna "com efeito" confiscatório, que é proibido em nosso ordenamento jurídico. Conclui Ante o exposto, requer o acolhimento das razões do recurso dandolhe provimento, a fim de converter o auto em diligência e após seja extinto o presente auto de infração, arquivandose o processo. Termos em que, pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.002147/0018 Acórdão n.º 1801001.572 S1TE01 Fl. 2.491 8 Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que tem direito à dedução das despesas incorridas a título de prestação de serviços, ainda que as notas fiscais estejam em nome da SL S/A Assistência Médico Hospitalar, CNPJ 44.005.312/000163 e que tenham sido registradas com erro por inexistires as cartas de correção respectivas e aquelas relativas despesas de propaganda ainda que decorram de cortesia de clientes. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.002147/0018 Acórdão n.º 1801001.572 S1TE01 Fl. 2.492 9 natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O lucro real, anual ou trimestral, é determinado pelo lucro líquido do período de apuração ajustado, nos termos legais, pelas adições dos valores que não sejam dedutíveis e dos os ganhos e rendimentos de capital e pelas exclusões dos valores autorizados, do prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, das perdas no recebimento de créditos decorrentes das suas atividades e das provisões expressamente autorizadas. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, por via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial3. Os registros contábeis devem ser realizados com observância dos princípios de contabilidade, devem conter a data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu, a conta devedora, a conta credora, o histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso baseado em tabela auxiliar inclusa em livro próprio, o valor do registro contábil e a informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamento contábil. Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, as despesas devem ser apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem. Estas despesas, para serem dedutíveis, devem ser incorridas, necessárias, usuais ou normais para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. São consideradas incorridas aquelas de competência do período de apuração relativos aos bens empregados nas operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica, em relação aos quais já tenha nascido a obrigação correspondente, ainda que o respectivo pagamento venha a ocorrer em período subseqüente. Por via de regra são comprovados mediante a apresentação da nota fiscal correspondente. No que se refere às despesas decorrentes da prestação de serviços, vale esclarecer que para serem dedutíveis é indispensável a comprovação que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. Pode conter obrigações documentadas por duplicata, que é o título de crédito emitido com base em obrigação proveniente de compra ou venda mercantil que tem a característica de ser causal, uma vez que sua emissão está vinculada à relação jurídica que lhe dá origem. No 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.002147/0018 Acórdão n.º 1801001.572 S1TE01 Fl. 2.493 10 momento da emissão da fatura o vendedor pode extrair uma duplicata que, sendo assinada pelo comprador, serve como documento de comprovação da dívida devidamente registrada. Ainda, no comprovante devem estar com identificação do beneficiário e da operação ou a causa que deu origem ao rendimento4. Esses gastos somente são dedutíveis quando incorridos, necessários, usuais ou normais à atividade econômica e à manutenção da fonte produtora. Também devem ser comprovadas mediante a efetividade da prestação de serviços e o desembolso realizado coincidentes em datas e valores com a escrituração contábil e fiscal. Em relação às despesas de propaganda, temse que somente serão admitidas, desde que diretamente relacionados com a atividade explorada pelo sujeito passivo e observado o regime de competência. Além disso, para efeito de apuração do lucro real é vedado a dedução das despesas com brindes5 e que é permitida a utilização de carta de correção, para regularização de erro ocorrido na emissão de documento fiscal, desde que o erro não esteja relacionado com as variáveis que determinam o valor do imposto tais como: base de cálculo, alíquota, diferença de preço, quantidade, valor da operação ou da prestação ou a correção de dados cadastrais que implique mudança do remetente ou do destinatário ou a data de emissão ou de saída6. Tem cabimento a análise da situação fática. A glosa de despesas médica das notas fiscais escrituradas na conta nº 31.150 Custo Contas Médicas e na conta nº 33.617 – Assessoria Serviços Dir. Prest. Empresas tem base sólida, porque esses documentos foram emitidas em nome de outra pessoa jurídica, qual seja, SL S/A Assistência Médico Hospitalar, CNPJ 44.005.312/000163, em conformidade com as cartas de correção respectivas, recibo de prestação de serviços, notas de débito, autorizações de atendimento e conta paciente, bem como as duplicatas de prestação de serviços, fls. 76178, 277303, 306603, 606903, 9071203, 12071467, 18372106, 21102407 e 24112449. As cartas de correção de notas fiscais constantes nos autos referemse à SL S/A Assistência Médico Hospitalar, CNPJ 44.005.312/000163, pessoa jurídica distinta da Recorrente e assim não podem fundamentar sua alegação de que as despesas ali constantes são dedutíveis por ser a titular tomadora do serviço. A glosa de despesas de procedimentos médicos ambulatoriais registradas na conta nº 32103 de propaganda e cortesias de clientes no valor de R$60.421,83 registrada no Livro Razão no período de 31.01.1996 a 31.12.1996, fl. 71, deve ser mantida como correta por se tratar de mera liberalidade em relação à qual não há comprovação que o dispêndio correspondente à contrapartida de algo recebido. Ademais, é vedado a dedução do lucro real das despesas com brindes. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova robustos, de modo que o conjunto probatório já produzido nos autos evidencia que o procedimento de ofício está correto. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. 4 Fundamentação legal: §§ do art. 45 e §§ do art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, §§ do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, Lei nº 5.474, de 18 de Julho de 1968 Parecer Normativo CST nº 58, 01 de setembro de 1977 e Resolução CFC nº 1.330, de 18 de março de 2011. 5 Fundamentação legal: art. 47 e art. 54 da Leis n° 4.506, de 30 de novembro de 1964 e art. 54 Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985. 6 Fundamentação legal: Ajuste do Sistema Nacional Integrado de Informações EconômicoFiscais (SINIEF) nº 01, de 30 de março de 2007 e art. 199 do Código Tributário Nacional. Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.002147/0018 Acórdão n.º 1801001.572 S1TE01 Fl. 2.494 11 A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês7. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.20098 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos10. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem 7 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 9 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 10 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. Fl. 2494DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13808.002147/0018 Acórdão n.º 1801001.572 S1TE01 Fl. 2.495 12 ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo13. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 13 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 2495DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2 013 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11040.721006/2014-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
PESSOA FÍSICA EQUIPARADA À PESSOA JURÍDICA - INÍCIO DA EQUIPARAÇÃO .
Equipara-se à pessoa jurídica, o proprietário ou titular de terrenos ou glebas de terra que, sem efetuar o registro dos documentos de incorporação ou loteamento, neles promova a construção de prédio com mais de duas unidades imobiliárias ou a execução de loteamento, se iniciar a alienação das unidades imobiliárias ou dos lotes de terreno antes de decorrido o prazo de sessenta meses contados da data da averbação, no Registro Imobiliário, da construção do prédio ou da aceitação das obras do loteamento. A equiparação ocorrerá na data da primeira alienação.
Numero da decisão: 1001-000.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 PESSOA FÍSICA EQUIPARADA À PESSOA JURÍDICA - INÍCIO DA EQUIPARAÇÃO . Equipara-se à pessoa jurídica, o proprietário ou titular de terrenos ou glebas de terra que, sem efetuar o registro dos documentos de incorporação ou loteamento, neles promova a construção de prédio com mais de duas unidades imobiliárias ou a execução de loteamento, se iniciar a alienação das unidades imobiliárias ou dos lotes de terreno antes de decorrido o prazo de sessenta meses contados da data da averbação, no Registro Imobiliário, da construção do prédio ou da aceitação das obras do loteamento. A equiparação ocorrerá na data da primeira alienação.
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente CARLOS ALBERTO PRESTES IRIBARREM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 PESSOA FÍSICA EQUIPARADA À PESSOA JURÍDICA INÍCIO DA EQUIPARAÇÃO . Equiparase à pessoa jurídica, o proprietário ou titular de terrenos ou glebas de terra que, sem efetuar o registro dos documentos de incorporação ou loteamento, neles promova a construção de prédio com mais de duas unidades imobiliárias ou a execução de loteamento, se iniciar a alienação das unidades imobiliárias ou dos lotes de terreno antes de decorrido o prazo de sessenta meses contados da data da averbação, no Registro Imobiliário, da construção do prédio ou da aceitação das obras do loteamento. A equiparação ocorrerá na data da primeira alienação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 10 06 /2 01 4- 78 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11040.721006/201478 Acórdão n.º 1001000.036 S1C0T1 Fl. 109 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Recife (PE), mediante o Acórdão nº 1150.692, de 15 de julho de 2015 (efls. 69/73), objetivando a reforma do referido julgado. Em homenagem à economia processual, adotarei parte do Relatório constante no referido Acórdão de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrevêlo: Trata o presente processo das seguintes Notificações de Lançamento por atraso na entrega das DCTF: Notificação de Lançamento n° Período Valor da Multa (R$) 19.94.17.87.40.3316 1° semestre de 2009 R$ 3.617,86 17.61.08.03.12.9368 2° semestre de 2009 R$ 9.596,89 19.03.49.02.71.4374 Janeiro de 2010 R$ 801,96 14.03.27.13.23.6340 Fevereiro de 2010 R$ 500,00 12.63.38.55.39.6377 Março de 2010 R$ 3.176,34 17.42.09.24.13.1325 Abril de 2010 R$ 500,00 19.04.22.85.96.8377 Maio de 2010 R$ 500,00 11.38.05.95.38.6340 Junho de 2010 R$ 500,00 15.78.14.32.51.8331 Julho de 2010 R$ 500,00 11.35.07.40.84.7339 Agosto de 2010 R$ 500,00 13.21.45.89.47.23.41 Setembro de 2010 R$ 500,00 11.10.45.20.08.3350 Outubro de 2010 R$ 500,00 18.85.04.90.66.0350 Novembro de 2010 R$ 500,00 13.67.20.64.84.3358 Dezembro de 2010 R$ 500,00 13.15.15.87.31.6308 Janeiro de 2011 R$ 500,00 16.44.29.23.41.4370 Fevereiro de 2011 R$ 500,00 15.87.10.35.34.3372 Março de 2011 R$ 500,00 15.51.02.51.00.2307 Abril de 2011 R$ 500,00 17.04.12.40.24.1339 Maio de 2011 R$ 500,00 14.29.31.14.05.6306 Junho de 2011 R$ 1.002,41 13.54.13.97.83.0360 Julho de 2011 R$ 3.129,22 14.97.37.86.81.2345 Agosto de 2011 R$ 500,00 11.97.27.43.52.5374 Setembro de 2011 R$ 2.100,08 17.11.05.83.73.2395 Outubro de 2011 R$ 500,00 16.70.33.45.74.5309 Dezembro de 2011 R$ 500,00 11.22.04.33.83.9314 Fevereiro de 2012 R$ 784,75 13.16.04.79.99.0302 Março de 2012 R$ 502,06 12.48.25.14.15.4336 Abril de 2012 R$ 500,00 10.76.17.65.94.7316 Junho de 2012 R$ 500,00 11.67.04.35.76.0393 Julho de 2012 R$ 547,50 12.12.09.00.19.0341 Agosto de 2012 R$ 500,00 10.70.10.08.31.1304 Setembro de 2012 R$ 513,00 11.53.10.31.02.3306 Dezembro de 2012 R$ 500,00 11.14.25.21.43.5333 Julho de 2013 R$ 1.675,35 13.26.19.83.19.7364 Setembro de 2013 R$ 836,84 13.78.24.40.65.7300 Dezembro de 2013 R$ 500,00 Cientificado da lavratura das Notificações em epígrafe, a contribuinte apresentou sua impugnação alegando o seguinte: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11040.721006/201478 Acórdão n.º 1001000.036 S1C0T1 Fl. 110 3 Alega que o contribuinte foi devidamente equiparado a Pessoa jurídica, contudo esta equiparação só tomou forma a partir do início da fiscalização, conforme Termo de Intimação nº 05/088/2013 recebido no dia 22//11/2013. Afirma que neste momento o contribuinte identificou a equiparação da sua atividade realizada na pessoa física à realizada como se pessoa jurídica fosse. Foi constituído o CNPJ com a DBE datada de 11/12/2013. Destaca que somente a partir desta inscrição é que a empresa poderia efetuar a entrega das declarações obrigatórias para as pessoas jurídicas. Ao final conclui da seguinte forma: Assim é descabido a cobrança de multa por atraso de entrega de declarações vencidas com data anterior a emissão do DBE, visto que a referida empresa equiparada nem inscrição no CNPJ apresentava, E, sem esta, não teria possibilidade de apresentar a referida Declaração de Imposto de Renda de Pessoa JurídicaDIPJ. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 PESSOA FÍSICA EQUIPARADA À PESSOA JURÍDICA INÍCIO DA EQUIPARAÇÃO . Equiparase à pessoa jurídica, o proprietário ou titular de terrenos ou glebas de terra que, sem efetuar o registro dos documentos de incorporação ou loteamento, neles promova a construção de prédio com mais de duas unidades imobiliárias ou a execução de loteamento, se iniciar a alienação das unidades imobiliárias ou dos lotes de terreno antes de decorrido o prazo de sessenta meses contados da data da averbação, no Registro Imobiliário, da construção do prédio ou da aceitação das obras do loteamento. A equiparação ocorrerá na data da primeira alienação. Ciente da decisão de primeira instância em 29/07/2015, conforme Aviso de Recebimento à efl. 85, a recorrente apresentou recurso voluntário em 28/08/2015 (efls. 87/93), conforme Extrato do Processo à efl. 95, o que corrobora o carimbo de recepção à efl. 87, pois este não se encontra legível. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11040.721006/201478 Acórdão n.º 1001000.036 S1C0T1 Fl. 111 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao cálculo do valor da multa exigida. Gira a lide sobre a multa por atraso na entrega da DCTF, referente aos anos calendário 2009 a 2013, conforme planilha transcrita no relatório. A base legal dos lançamentos foi o art. 7º da Lei nº 10.426/2001, com a redação que lhe foi dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3; [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; [...] § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11040.721006/201478 Acórdão n.º 1001000.036 S1C0T1 Fl. 112 5 Em seu recurso, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, a recorrente não discorda da equiparação a Pessoa jurídica, mas alega que esta equiparação "só tomou forma a partir do início da fiscalização, conforme Termo de Intimação nº 05/088/2013 recebido no dia 22//11/2013". Transcrevo, a seguir, a legislação sobre a Pessoa Física equiparada a Pessoa Jurídica, disposta no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999, tem por matriz legal os DecretosLei nºs. 1.381/74 e 1.510/76, em seus artigos 150 a 166: Incorporação ou Loteamento sem Registro Art. 152. Equiparase, também, à pessoa jurídica, o proprietário ou titular de terrenos ou glebas de terra que, sem efetuar o registro dos documentos de incorporação ou loteamento, neles promova a construção de prédio com mais de duas unidades imobiliárias ou a execução de loteamento, se iniciar a alienação das unidades imobiliárias ou dos lotes de terreno antes de decorrido o prazo de sessenta meses contados da data da averbação, no Registro Imobiliário, da construção do prédio ou da aceitação das obras do loteamento (DecretoLei nº 1.381, de 1974, art. 6º, § 1º, e DecretoLei nº 1.510, de 1976, arts. 10, inciso IV, e 16). § 1º Para os efeitos deste artigo, caracterizarseá a alienação pela existência de qualquer ajuste preliminar, ainda que de simples recebimento de importância a título de reserva (Decreto Lei nº 1.381, de 1974, art. 6º, § 2º). §2º O prazo referido neste artigo será, em relação aos imóveis havidos até 30 de julho de 1977, de 36 meses contados na data da averbação (DecretoLei nº 1.381, de 1974, art. 6º, § 1º, e DecretoLei nº 1.510, de 1976, arts. 10, inciso IV e 16). (...) Subseção II Início da Equiparação Momento de Determinação Art. 156. A equiparação ocorrerá (DecretoLei nº 1.381, de 1974, art. 6º, § 3º, e DecretoLei nº 1.510, de 1976, art. 11): I na data de arquivamento da documentação do empreendimento, no caso do art. 151; II na data da primeira alienação, no caso do art. 152; III na data em que ocorrer a subdivisão ou desmembramento do imóvel em mais de dez lotes ou a alienação de mais de dez quinhões ou frações ideais desse imóvel, nos casos referidos no art. 153. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11040.721006/201478 Acórdão n.º 1001000.036 S1C0T1 Fl. 113 6 A fiscalização constatou que, de acordo os fatos verificados na auditoria, a recorrente se enquadra na situação do inciso II do artigo Art. 156, acima transcrito, tendo o contribuinte se equiparado à pessoa jurídica em 04/02/2009. Os argumentos da recorrente foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Conforme explicitado no Relatório Fiscal do processo nº 11040.720397/2014 11, acima em parte transcrito, a contribuinte foi fiscalizada e ficou constatado que desde de 04/02/2009 a atividade exercida pela pessoa física, na época, deveria ser equiparada a condição de pessoa jurídica (PJ) e desta forma ser tributada, com todas as obrigações de uma PJ. Cabe ressaltar que o contribuinte não contesta que a atividade de construção de prédio residencial, composto de dezesseis apartamentos e dezesseis boxes de garagem, e a alienação de diversas unidades desta construção à equipara à pessoa jurídica. O contribuinte contesta que quando da fiscalização e da equiparação à pessoa jurídica já estaria em atraso. No prazo final de entrega da declaração estava impedida de apresentar já que não tinha à época CNPJ. Acontece que a legislação já determinava que espontaneamente o contribuinte que inicia a construção de prédio residencial composto de dezesseis apartamentos e dezesseis boxes de garagem e aliena diversas unidades já constitua uma pessoa jurídica e passe a cumprir todas as obrigações de uma PJ. Um contribuinte que cumpriu as determinações legais tinha possibilidade de apresentar suas declarações obrigatórias tempestivamente. No presente caso o contribuinte descumpriu a legislação que determinava a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica e decorrente de sua infração deixou de registrar o CNPJ e de cumprir todas as obrigações como PJ, inclusive de apresentar as declarações obrigatórias. O descumprimento das obrigações acessórias como pessoa jurídica foram ocasionadas pelo próprio contribuinte. Da mesma forma que nos autos de infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins estão sendo cobrados os tributos desde de 04/02/2009 com aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, as obrigações acessórias também retroagem a data que a contribuinte deveria ter constituído o CNPJ da pessoa jurídica. Se o contribuinte tivesse constituído à pessoa jurídica no momento da primeira alienação do prédio residencial construído, conforme determina a legislação, estaria de posse do CNPJ e não estaria impedida de cumprir suas obrigações acessórias tempestivamente. Não faço, pois, reparos à decisão recorrida e voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11040.721006/201478 Acórdão n.º 1001000.036 S1C0T1 Fl. 114 7 Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902215/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 15 /2 00 9- 34 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902215/200934 Acórdão n.º 1302002.520 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (IRPJ) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902215/200934 Acórdão n.º 1302002.520 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902215/200934 Acórdão n.º 1302002.520 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902215/200934 Acórdão n.º 1302002.520 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902215/200934 Acórdão n.º 1302002.520 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 49DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.900006/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO. DÉBITO INFORMADO INDEVIDAMENTE. CANCELAMENTO.
Comprovado nos autos, inclusive por diligência realizada pela Autoridade Fiscal, que os débitos apurados pelo contribuinte em seus livros auxiliares e registros contábeis estão todos satisfeitos, com consequente extinção do crédito tributário, lícito presumir que o PER/DCOMP foi equivocadamente apresentado, impondo seu cancelamento, sob pena de eventual inscrição em dívida ativa e execução de valores indevidos.
Numero da decisão: 1402-002.801
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do PER/Dcomp 15138.85745.311003.1.3.04-3204, bem como de seus efeitos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se suspeito o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.:
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO. DÉBITO INFORMADO INDEVIDAMENTE. CANCELAMENTO. Comprovado nos autos, inclusive por diligência realizada pela Autoridade Fiscal, que os débitos apurados pelo contribuinte em seus livros auxiliares e registros contábeis estão todos satisfeitos, com consequente extinção do crédito tributário, lícito presumir que o PER/DCOMP foi equivocadamente apresentado, impondo seu cancelamento, sob pena de eventual inscrição em dívida ativa e execução de valores indevidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do PER/Dcomp 15138.85745.311003.1.3.043204, bem como de seus efeitos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse suspeito o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.: (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 00 06 /2 00 8- 47 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10855.900006/200847 Acórdão n.º 1402002.801 S1C4T2 Fl. 328 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10855.900006/200847 Acórdão n.º 1402002.801 S1C4T2 Fl. 329 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em face de decisão exarada pela 5ª Turma da DRJ/RPO em sessão de 26 de junho de 2009 (fls. 105/108)1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta e manteve o Despacho Decisório que declarou não homologada a compensação pleiteada (nº de rastreamento 745564757 – 14/02/2008 fls. 5) e PER/DCOMP nº 15138.85745.311003.1.3.04 3204 (fls. 4), referente estimativa de CSLL – competência setembro/2003: Irresignado, o sujeito passivo interpôs manifestação de inconformidade (fls. 9/10) onde pontuou ser “tributada pelo Lucro Real, com base no Balanço Geral Anual”; que, 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10855.900006/200847 Acórdão n.º 1402002.801 S1C4T2 Fl. 330 4 “levanta mensalmente balanço de redução ou suspensão de imposto à pagar, tendo recolhido todos os meses .que acusaram valor à pagar”; que, “tratase de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP”; e que, “como recolhe por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado”. E segue assentando que “só está obrigado a apresentar o PER/DCOMP o contribuinte que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pelo órgão”; e que, “no caso deste contribuinte tratase simplesmente de dedução e não crédito contra a SRF a ser restituído, ressarcido ou compensado”. E conclui aduzindo que se está diante de “PER/DCOMP vazio” e que, “todo imposto devido em cada período de apuração foi pago conforme comprovam as guias de pagamento e documentos anexos”. Apreciando a MI, a 5ª Turma da DRJ/RPO negou o pedido, pontuando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida e que a empresa não se desincumbiu do ônus de provar o recolhimento do referido débito. Textualmente: “Nesse contexto, portanto, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo de CSLL, são indispensáveis para que se comprove a alegação aqui firmada pela contribuinte. Registrese que a contribuinte deve vincular, em sua escrita contábil/fiscal, o recolhimento visando quitar obrigação tributária a uma certa apuração, que constitua sua causa (fato gerador), demonstrando a regular composição da respectiva base de cálculo tributável. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com essa intenção, limitandose tão somente a apresentar cópias de documentos de arrecadação, os quais se mostram, por si só, insuficientes a dar respaldo a suas alegações”. O Acórdão combatido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Ainda que as características de débito discriminado em DCOMP coincidam com as de débito quitado por pagamento em DARF, são considerados, sem prova em contrário, débitos distintos. Solicitação Indeferida Cientificada em 13/10/2009 (fls. 111), a contribuinte acostou recurso voluntário em 09/11/2009 (fls. 112) no qual basicamente repetiu os argumentos expostos na impugnação Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10855.900006/200847 Acórdão n.º 1402002.801 S1C4T2 Fl. 331 5 inaugural, acrescentando que a DCTF também havia sido preenchida erroneamente para corresponder aos valores impropriamente lançados no PER/DCOMP. Além disso, anexou cópia de registros contábeis para comprovar os valores efetivamente apurados e pagos e, ao final, tornou a pedir que se constate a inexistência do débito. Subindo os autos ao Colegiado de 2º Piso, a então 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1102000.054, de 03/08/2011 – fls. 182/183) em manifestação vazada nos seguintes termos: “Considerando que a Recorrente reconhece, em suas razões, a inexistência de crédito passível de compensação, resta definir se deve ser ou não cancelada a cobrança do débito declarado. A identidade das informações prestadas na DIPJ e registradas no Livro de Registro de Apuração do Lucro Real, assim como a guia DARF colacionada, constituem forte indício de que é inexistente o débito confessado em PER/DCOMP, contudo, julgo necessária a conversão do feito em diligência para que seja confirmada a inexistência de débito, mediante análise dos livros fiscais da Recorrente, e da DCTF correspondente, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício”. Cumprida a diligência, com a Informação Fiscal de 04/05/2016 (fls. 311/312), os autos retornaram para julgamento e foram redistribuídos a este Relator em razão da extinção da Turma original (2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul). É o relatório do essencial. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10855.900006/200847 Acórdão n.º 1402002.801 S1C4T2 Fl. 332 6 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 13/10/2009 – fls. 111 e protocolização da peça recursal em 09/11/2009 fls. 112), a representação do contribuinte está corretamente formalizada (fls. 113/114) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares a enfrentar. Passo ao mérito. Na verdade, diante do que foi relatado, o que se discute nestes autos não é o improvimento do pedido de compensação, já que o próprio recorrente reconhece, explicitamente, ter cometido equívoco na transmissão do PER/DCOMP nº 15138.85745.311003.1.3.043204, referente estimativa de CSLL – competência setembro/2003, MAS se o DÉBITO informado na compensação pode ser cancelado nesta fase processual. Em outro dizer, não há compensação em litígio, resumindose a lide em discutir o pedido de cancelamento do débito informado na compensação. Foi neste contexto que a então 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul analisou e converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1102000.054, de 03/08/2011 – fls. 182/183), tendo a Relatoria original já se manifestado, previamente, no sentido de que “a identidade das informações prestadas na DIPJ e registradas no Livro de Registro de Apuração do Lucro Real, assim como a guia DARF colacionada, constituem forte indício de que é inexistente o débito confessado em PER/DCOMP, contudo, julgo necessária a conversão do feito em diligência para que seja confirmada a inexistência de débito, mediante análise dos livros fiscais da Recorrente, e da DCTF correspondente, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício”. Na Informação Fiscal (fls. 311/312), o autor do procedimento de diligência, conclusivamente, assentou que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no ano calendário de 2003 foram efetivamente pagos, de modo que seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados, constatação que se fez à vista da escrita contábil e fiscal e demais documentos apresentados pelo sujeito passivo. A Informação Fiscal supra mostra o cenário: “Os resultados contábeis dispostos no LALUR foram confrontados com a contabilidade, notadamente com os balancetes mensais que integram o Livro Diário, e as exclusões ao Lucro Real foram verificadas neste mesmo livro (foram incluídas no processo as contas de resultado dos balancetes). Deste procedimento, foi possível concluir que os valores do IRPJ e da CSLL por estimativa devidos no decorrer do anocalendário 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal, são os seguintes: Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10855.900006/200847 Acórdão n.º 1402002.801 S1C4T2 Fl. 333 7 Estes valores, por sinal, estão grafados nas contas “I.R.P.J S/ LUCRO REAL” e “CONTR. SOCIAL S/ LUCRO REAL” do Livro Razão. Há pagamentos correspondentes, conforme atestam telas extraídas dos sistemas da RFB. Os montantes informados em DCTF são incongruentes com a escrita contábil e fiscal, em sintonia com os equívocos cometidos como informa, aliás, o próprio contribuinte na sua manifestação de inconformidade e em seu recurso voluntário ao CARF. Assim, pelo exposto, em atendimento à demanda do CARF, concluo que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no anocalendário 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal do sujeito passivo, são aqueles dispostos na “Tabela 2” acima, para os quais existem pagamentos correspondentes. Consequentemente, seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP que geraram os processos administrativos de nos. 10855.900002/200869, 10855.900005/200801, 10855.900006/200847, 10855.900008/200836, 10855.900015/200838, 10855.900017/200827, 10855.900019/200816, 10855.900025/200873, 10855.900029/200851, 10855.900030/200886, 10855.900035/200817, 10855.900040/200811 e 10855.900041/200866”. (negritado). Em suma, a diligência determinada confirmou e atestou, à vista da escrituração e documentos acostados pelo recorrente, que os débitos de estimativas originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados são inexistentes, incluindo os do presente. Nesse eito, considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa, o que se revela absolutamente desconexo e inoportuno. Demais disso e adicionalmente este Relator compulsou o processo e confirmou que os valores apontados pelo recorrente e atestados pela diligência têm coerência com os registros contábeis e fiscais e consistência com a DIPJ e DARF acostados aos autos. Vejase (CSLL devida por estimativa – setembro/2003): Ø DIPJ Ficha 16 – linha 10 (fls. 52): Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10855.900006/200847 Acórdão n.º 1402002.801 S1C4T2 Fl. 334 8 Ø Livro Razão (fls. 278): Ø Lalur (fls. 150 – numeração manual): Ø DARF recolhido (fls. 169 – numeração manual): Nesse patamar, a posição defendida pelo recorrente se robustece. Entretanto, antes de finalizar este voto é preciso enfrentar posicionamento dos que entendem que o cancelamento ou retificação de PER/DCOMP por iniciativa do contribuinte exige a apresentação desse pedido [de cancelamento] antes da decisão administrativa sobre a homologação. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10855.900006/200847 Acórdão n.º 1402002.801 S1C4T2 Fl. 335 9 Essa a linha defendida inclusive pela D. PGFN em alguns dos vários processos2 anteriores envolvendo o próprio recorrente, tratando da mesma matéria, e que, após procedimento de diligência semelhante ao aqui estampado, foram decididos favoravelmente ao sujeito passivo. Esse cenário se mostra presente, por exemplo, no PA nº 10855.900742/200803, tendo a Fazenda Nacional se insurgido contra a decisão do Colegiado (especificamente a 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul) interpondo Recurso Especial (admitido e ainda aguardando apreciação pela E. CSRF) e no qual a PGFN sustentou, depois de acostar decisões divergentes, que a Lei nº 9.430/1996 e a IN RFB nº 900, de 2008, definem haver previsão legal para o cancelamento da PER/DCOMP por iniciativa do contribuinte, porém desde que o procedimento ocorra antes do Despacho Decisório. Literalmente, a manifestação da PGFN em RE manejado no mencionado processo (fls. 507, daqueles autos): “Esta lógica do sistema também vem disposta no art. 77 da Instrução Normativa n° 900, de 30 de dezembro de 2008: “o pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador”. (g.n) No presente caso, o contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 24/04/2008 e apresentou manifestação de inconformidade pretendendo o cancelamento da compensação do débito de IRPJ em 20/05/2008. Dessa forma, se for cancelada a declaração de compensação na forma como está nos autos, haverá flagrante violação ao princípio da isonomia, pois de todos os demais contribuintes é exigida obediência ao procedimento constante da legislação, não existindo qualquer justificativa que autorize abrir exceção para a recorrida”. De fato, a leitura literal e formalista dos textos citados pode levar à posição assumida pela PGFN. Entretanto, no caso concreto, TODOS os documentos e a situação fática estampada revelam tratarse de evidente erro do contribuinte na elaboração e transmissão do PER/DCOMP, gerando, a princípio, uma compensação que, por falta de crédito correspondente que a suportasse, acabou por ser não homologada, levando ao nascimento de uma obrigação tributária contra o sujeito passivo em face da natureza de “confissão de dívida” de que se reveste a DCOMP. Pois bem, é evidente que quaisquer trabalhos, manuais, científicos, técnicos, burocráticos, etc., exercidos por seres humanos, sujeitamse a “erros”, consequência natural da falibilidade que é inerente à espécie, de modo que, não aceitar que possam ser corrigidos 2 Processos nºs 10855.900020/200841, 10855.900023/200884, 10855.900024/200829, 10855.900032/200875, 10855.900043/200855, 10855.900451/200815, 10855.900498/200871, 10855.900511/200891, 10855.900742/200803, 10855.900751/200896 e 10855.900758/200816. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10855.900006/200847 Acórdão n.º 1402002.801 S1C4T2 Fl. 336 10 significaria absoluto despropósito, desde que obedecidas as regras e normas que definam como estas correções se processem. No âmbito do direito administrativofiscal federal envolvendo as “declarações de compensações”, matéria ainda muito longe de ter seu procedimento devidamente pacificado e consolidado, bastando ver as inúmeras decisões e regramentos que tratam do tema, temse que, por ser confissão de dívida, as DCOMP não homologadas devem ser retificadas, alteradas, corrigidas até o momento em que exarado o Despacho Decisório (DD) pela autoridade competente para apreciar o pedido, no caso, o titular da Unidade de origem (DRF), havendo, inclusive, a possibilidade de que o contribuinte, ANTES do DD, regularize eventuais pendências na DCOMP, na forma prevista pela Nota Corec nº 30, de 2013. Porém, no caso concreto, NÃO ESTÁ em julgamento um eventual direito creditório do contribuinte que tenha sido indeferido, MAS, um débito tributário surgido pela não homologação da compensação, PORÉM JÁ SATISFEITO, digase, extinto. Dizendo de forma diversa e como bem apontado pelo Acórdão nº 1102 001.270, da então 2ª Turma, 4ª Câmara, 1ª Sejul, sessão de 27/11/2014 – Processo nº 10855.900742/200803 em face do mesmo contribuinte, com voto condutor do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio: “Diante do que foi relatado, não há compensação em litígio. O que se discute é o pedido de cancelamento do débito informado na compensação uma vez que a própria recorrente reconhece o equívoco na apresentação da PER/DCOMP. Considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa. (...) Portanto, não há que se dar prosseguimento à cobrança do referido débito. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o débito informado na presente compensação”. Acórdão com a seguinte ementa: Em suma, naquele processo, como neste, NÃO HÁ DÉBITO ORIUNDO DE COMPENSAÇÃO em litígio, mas mera informação equivocada do recorrente que, mesmo Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10855.900006/200847 Acórdão n.º 1402002.801 S1C4T2 Fl. 337 11 não tendo seguido a rigidez formal de requerer a retificação ou mesmo o cancelamento da DCOMP antes do Despacho Decisório, só o fazendo a posterior, não pode ser penalizado com o prosseguimento de um feito que poderá levar ao extremo de uma execução fiscal, SEM QUE HAJA DÉBITO DE TRIBUTO, posto que já recolhido.. A propósito, a própria Administração Tributária Federal, mediante Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, enfrentou o tema com a seguinte posição conclusiva (destaques acrescidos): 46. Tratase, neste ponto, de analisar a possibilidade de rever de ofício despacho decisório anteriormente proferido que não homologou compensação efetuada via Dcomp quando, ultrapassada a possibilidade de discussão administrativa via manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresenta petição para apontar ocorrência de erro de fato. 47. Para que o débito em cobrança amigável, ou enviado para inscrição, possa ser revisto, tornase necessário que o despacho decisório anteriormente proferido seja revisto. Aplicável, aqui, por analogia (uma vez que inexiste, no caso, ato de lançamento da autoridade fiscal) o inciso VIII do art. 149 do CTN, limitada à hipótese de comprovação pelo contribuinte de erro de fato no preenchimento da declaração, haja vista o disposto na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 12 de maio de 1999. 48. Consoante a citada portaria, qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato. 49. No caso da Dcomp, o encaminhamento de débito para inscrição em dívida ativa dáse quando a compensação efetuada não é homologada por despacho decisório da autoridade administrativa (em função de análise manual ou eletrônica), e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter instaurado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele. 50. A declaração de compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e tem caráter de confissão de dívida (§§2º e 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). Ocorre, porém, que o débito ali declarado, em regra, teve sua constituição operada por outro meio (lançamento de ofício ou declaração do contribuinte, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, p. ex.). Dessa forma, na hipótese de regular alteração no meio originário que constituiu o crédito tributário – como, p.ex., uma retificação da DCTF –, a redução do valor do débito implicará a necessidade de correção deste valor na Dcomp (já extinto pela própria declaração), que pode se dar tanto por meio de retificação da Dcomp por parte do contribuinte, quando cabível, como por revisão de ofício, caso a matéria já não esteja sob a alçada da DRJ, em virtude de manifestação de inconformidade interposta. 51. Extraise do exposto que, se o contribuinte apresentar petição com alegação de erro de fato no preenchimento da Dcomp após o prazo de trinta dias estabelecido no §7º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou após a conclusão de contencioso administrativo porventura instaurado, ainda que o débito já se encontre inscrito na dívida ativa e em execução fiscal, a autoridade administrativa deve analisar o pleito e, se pertinente, proferir nova decisão, de ofício, para revisar o despacho decisório anterior que não homologou a compensação e retificar a Dcomp. Contudo, deverão ser observados os trâmites da referida portaria conjunta se o débito já tiver sido encaminhado para inscrição na dívida ativa. Ora, se é admitida “petição com alegação de erro de fato no preenchimento da Dcomp após o prazo de trinta dias estabelecido no §7º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou após a conclusão de contencioso administrativo porventura instaurado”, quanto mais Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10855.900006/200847 Acórdão n.º 1402002.801 S1C4T2 Fl. 338 12 lógico que isso seja possível, enquanto AINDA NÃO CONCLUÍDO o contencioso administrativo (caso dos autos). Mais a mais, não se perca o foco, o contribuinte – inequivocamente – comprovou o erro de fato havido no preenchimento da DCOMP, comprovação feita mediante os livros, registros e documentos por ele apresentados e devidamente conferidos e atestados pela autoridade fiscal que presidiu a diligência determinada pelo CARF. Assim, por tudo o que se expôs, respeitando a posição divergente assumida pelos que, como a PGFN no processo antes referido (nº 10855.900742/200803), defendem que retificações em DCOMP devem ser feitas preteritamente à edição do Despacho Decisório, penso que, neste caso específico, por se tratar de mero – e comprovado –erro de fato e, principalmente, por ter sido devidamente satisfeito o débito tributário surgido pela não homologação da compensação, ou seja, NÃO HÁ CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM DISCUSSÃO OU COBRANÇA, a restrição invocada não se aplica, até em face do informalismo e verdade material que devem nortear o processo administrativofiscal. Mais ainda, o improvimento do recurso aqui analisado, comprovada a inexistência de valor em litígio, além de pelejar contra o princípio da celeridade processual prevista na Carta Constitucional (art. 5º, LXXVIII), poderá levar ao absurdo de ser emitida CDA e consequente execução fiscal contra débito não existente. Por fim, mas não menos relevante, destaco que o DARF acostado mostra código de recolhimento 2484 “CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL”, referese à estimativa do mês de setembro de 2003 e está confirmado junto ao banco de dados da RFB, conforme atesta o próprio agente diligenciador em extrato juntado (fls. 290): Mais ainda, por pertinente, registrese que mencionado valor foi declarado em DCTF (extrato juntado na diligência – fls. 285), de forma que os sistemas internos da RFB já devem apontar para sua vinculação e devida alocação com o recolhimento efetuado pelo contribuinte: Nestas condições, por tudo o que consta nos autos e com suporte na conclusão da diligência, fonte de que deve se fiar o julgador (conforme pacificado no CARF)3 e nos documentos com ela juntados, mostrase impraticável e despropositado dar 3 Processo nº 10580.011166/200200 Acórdão nº 110100008 – Sessão de 11/03/2009 – Relator Valmir Sandri Decisão – Provimento parcial ao recurso para reduzir a matéria tributável para (...) valor apurado na diligência fiscal. RECOMPOSIÇÃO DE BASES A diligência fiscal resultou em recomposição das bases tributáveis objeto do lançamento. O julgamento administrativo é norteado pelo Princípio da Verdade Material, constituindose em Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10855.900006/200847 Acórdão n.º 1402002.801 S1C4T2 Fl. 339 13 prosseguimento à cobrança do referido débito, pelo que encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e determinar o CANCELAMENTO do PER/DCOMP nº 15138.85745.311003.1.3.043204 fls. 4 dos autos , referente estimativa de CSLL – competência setembro/2003, bem como TODOS OS SEUS EFEITOS. É como voto. Brasília (DF), em 19 de outubro de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada. Fl. 339DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.004286/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/12/2004 a 31/07/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 42 86 /2 00 7- 81 Fl. 67DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10510.004286/200781 Acórdão n.º 2202004.195 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13859.000069/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano calendário:2004
PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES
Pedido de inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e
Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Negado.
Numero da decisão: 1401-000.812
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maurício Pereira Faro
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 9. 00 00 69 /2 00 5- 15 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13859.000069/200515 Acórdão n.º 1401000.812 S1C4T1 Fl. 479 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que indeferiu o pedido de inclusão no SIMPLES. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto o relatório do órgão julgador a quo: “Trata o presente processo de pedido de inclusão da empresa no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples, com efeitos retroativos a 1° de janeiro de 2004. Segundo informado na petição de fls. 01/03, a interessada fez cinco tentativas de formalizar a sua opção pelo Simples e sempre viu suas iniciativas frustradas, sob o fundamento de que (i) havia falta de informação dos sócios administradores, (ii) a qualificação dos sócios/administradores era diferente da informada no ato constitutivo/alterador, (iii) a qualificação informada do sócio deve ser igual a qualificação do responsável pela empresa na base do CNPJ e a qualificação do sócio incompatível com a natureza jurídica da empresa constante na base do CNPJ, entre outras, (iv) a data do registro é diferente da data informada no evento e que o nome empresarial era diferente do informado na FCPJ/QSA/FC e, finalmente, (v) refez todo o procedimento, mas a Unidade da Receita Federal em Taquaritinga não a incluiu no Simples. Na mesma petição, a requerente informou que durante o ano calendário de 2004 fez os pagamentos dos tributos pela sistemática do Simples, inclusive as contribuições devidas ao INSS e que a alteração contratual da empresa, bem como as atualizações promovidas perante a JUCESP e à Receita Federal estão em conformidade com a legislação tributária, o que justifica a sua inclusão no Simples a partir de 1° de janeiro de 2004. No curso da análise da solicitação da interessada, foi expedida a intimação de fls. 42, para que a empresa apresentasse cópias sequenciais de notas fiscais de vendas e serviços prestados, emitidas nos meses de maio, junho, julho e agosto de 2004, bem como de cópias de contratos de prestação de serviços firmados a partir de 01/01/2004. Em atendimento à intimação, a empresa apresentou cópias das notas fiscais solicitadas e informou, conforme documento de fls. 44, que não tem hábito de celebrar contratos de prestação de serviços. Analisado o pedido da interessada, juntamente com a documentação anexada aos autos, a Delegacia da Receita Federal em Araraquara indeferiu o pedido de inclusão no Simples, em razão da constatação de que a empresa exerce atividade classificada como obra de construção civil, hipótese Fl. 494DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13859.000069/200515 Acórdão n.º 1401000.812 S1C4T1 Fl. 480 3 vedada legalmente à opção pelo Simples, conforme previsto no inciso V do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996. Cientificada do despacho decisório denegatório do seu pedido de inclusão retroativa no Simples, a empresa apresentou manifestação de inconformidade tecendo argumentos com intuito de obter a reforma da decisão administrativa. Alegou que a única atividade da empresa é de preparação de massa de concreto e argamassa para construção e que a informação constante em notas fiscais emitidas, de execução de guias e sarjetas extrusada, tipo gs45, deveuse à designação correta do tipo de concreto adequado ao seu uso, mas que foram cobrados da Prefeitura Municipal de Taquaritinga apenas o concreto, composto de cimento, brita e areia.. Em reforço a seus argumentos, apresentou Atestado de Esclarecimento expedido pelo Diretor de Serviços Municipais da Prefeitura Municipal de Taquaritinga, no qual se afirma que a empresa "foi fornecedora de concreto usinado para execução de guias e sarjetas", para aquela municipalidade, e que;"embora a mesma tenha algumas faturas como execução, tratase apenas de fornecimento de concreto para execução de guias e sarjetas. Guias estas que são do tipo extrusada, em que a Prefeitura se utiliza de uma máquina especial (extrusora de guias e sarjetas do tipo pavimaq) para executálas no próprio local da obra, cabendo a Empresa em questão apenas o fornecimento do concreto adequado ao local da obra...". Anexou, também, Certidão emitida pelo Diretor do Depto. de Adm. Geral e Contabilidade da Prefeitura Municipal de Taquaritinga onde consta que a empresa é cadastrada junto ao cadastro de pagamento de Impostos e Taxas Municipais com a atividade de Fornecedora de Concreto Usinado. Alegando que ficou constatado que a empresa é realmente preparadora de massa de concreto e argamassa para construção, requereu sua inclusão no Simples, com efeitos retroativos a 1° de janeiro de 2004. Em síntese, é o relatório.” Analisando a questão entendeu o órgão julgador a quo por julgar improcedente, o pedido da ora contribuinte, nos seguintes termos: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 PEDIDO DE INCLUSÃO NO SIMPLES Impugnação Improcedente Fl. 495DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13859.000069/200515 Acórdão n.º 1401000.812 S1C4T1 Fl. 481 4 Pedido de inclusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Negada. Irresignada, interpôs a contribuinte o recurso voluntário ora analisado, reiterando os argumentos anteriormente expostos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Mauricio Pereira Faro A manifestação de inconformidade é tempestiva e dotada dos demais requisitos legais de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Assim, dela conheço.O pedido da inclusão no SIMPLES foi indeferido pela Autoridade Administrativa sob o fundamente de que a empresa executa obra de construção civil, hipótese vedada legalmente para opção pelo sistema integrado de pagamentos de impostos e contribuições das microempresas e empresas de pequeno porte. A decisão exarada pelo Delegado da Receita Federal em Araraquara está amparada no fato de a empresa ter realizado "execução de guias e sarjetas" para a Prefeitura Municipal de Taquaritinga, conforme atestam notas fiscais anexadas aos autos, o que configura o exercício de obra da construção civil. Como a empresa afirma que exerce exclusivamente atividades de preparação de massa de concreto e argamassa para construção, há necessidade de comprovação se a interessada exerce a atividade de construção civil, na abrangência definida pela legislação tributária, ou se apenas comercializa insumos para a construção civil. Analisando o conjunto de notas fiscais acostadas aos autos, entendo que a alegação da empresa não merece ser acolhida. Fixando análise somente nas notas fiscais emitidas para a Prefeitura Municipal de Taquaritinga, vemos, na descrição dos produtos objeto do documento fiscal, dois tipos distintos de operações realizadas com a Prefeitura:venda de concreto usinado ou execução de guia e sarjeta tipo GS45 A distinção de um ou outro produto não é mera designação para 'a mesma operação. Conforme podese observar no quadro destinado aos "dados do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza", em cada nota fiscal há o destaque do valor relativo ao material comercializado e ao valor relativo aos serviços. Nas notas fiscais cuja operação é meramente a venda de "concreto usinado", o valor dos serviços prestados representa aproximadamente 10% (dez por cento) do total da nota fiscal, ao passo que a operação de "execução de guia e sarjeta estrusada tipo GS45", o valor relativo aos serviços é de aproximadamente 25% (vinte e cinco por cento) do total da nota fiscal. Fiz esta análise em uma grande amostragem das notas fiscais e em todas as notas analisadas há essa convergência, evidenciando que na execução de guia e sarjeta estrusada, há um emprego maior de serviços prestados, o que me leva a concluir que a empresa executa, sim, os serviços de assentamento de guias e sarjetas. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13859.000069/200515 Acórdão n.º 1401000.812 S1C4T1 Fl. 482 5 Assim sendo, tal atividade inserese no rol de serviços que se enquadram na conceituação de obras da construção civil. Neste sentido, o artigo 9° da Lei n° 9.317, de 05/12/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97, dispõe: "(..) Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (.) V que se dedique à compra e venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis; 5S 4° Compreendese na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo. (..)" O Ato Declaratório (Normativo) COSIT n° 30, de 14/10/1999, que dispõe sobre a vedação ao exercício da opção pelo Simples aplicável às atividades de construção de imóveis dita que: “Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que a vedação ao exercício da opção pelo Simples, aplicável à atividade de construção de imóveis, abrange as obras e serviços auxiliares e complementares da construção civil, tais como: 1— a construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; II — sondagens, fundações e escavações; III—construção de estradas e logradouros públicos; IV—construção de pontes, viadutos e monumentos; V— terraplenagem e pavimentação; VI — pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e VII — qualquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo." Por outro lado, o fato de haver notas fiscais de mera remessa de materiais para a execução dos serviços, não altera em nada este entendimento, posto que a remessa poderia se dar tanto para a execução dos serviços por conta própria da Prefeitura Municipal de Taquaritinga, quanto pela empresa Concrix. Pela justificativa apresentadas, entendo que a execução dos serviços coube à Recorrente, caracterizando, portanto, execução de obra de construção civil. Dessa forma, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 13859.000069/200515 Acórdão n.º 1401000.812 S1C4T1 Fl. 483 6 (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator Fl. 498DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 20/03/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720632/2007-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução das áreas de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.
Resta imprestável o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
Numero da decisão: 9202-005.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa da Área de Preservação Permanente (APP) declarada e considerar o Valor da Terra Nua (VTN) constante do laudo apresentado, de R$ 525,00 por hectare, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução das áreas de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta imprestável o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa da Área de Preservação Permanente (APP) declarada e considerar o Valor da Terra Nua (VTN) constante do laudo apresentado, de R$ 525,00 por hectare, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2019; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 199 1 198 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.720632/200756 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.686 – 2ª Turma Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CORSO EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução das áreas de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta imprestável o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa da Área de Preservação Permanente (APP) declarada e considerar o Valor da Terra Nua (VTN) constante do laudo apresentado, de R$ 525,00 por hectare, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 06 32 /2 00 7- 56 Fl. 199DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2201001.523, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase o presente processo de Notificação de Lançamento da exigência do Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2004, no valor total de R$ 51.054,45, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Pinhão", com NIRF — Número do Imóvel na Receita Federal — 2.069.4482, localizado no município de São Francisco de Paula/RS. O Contribuinte apesentou impugnação, à fl. 35/52. A DRJ de Campo Grande julgou, integralmente, procedente o lançamento, fls. 104/115. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 122/140, no qual rebate, em síntese, a prescindibilidade do ADA, reforçando a argumentação já feita anteriormente. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 143/149, DEU PROVIMENTO EM PARTE ao Recurso Ordinário, para restabelecer a área declarada a título de reserva legal equivalente a 146,5 ha, considerar 117,90ha a título de área de preservação permanente e restabelecer o valor do VTN declarado. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A Área de Preservação Permanente identificada pelos parâmetros definidos no artigo 2º do Código Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11020.720632/200756 Acórdão n.º 9202005.686 CSRFT2 Fl. 200 3 Florestal, com a redação dada pela Lei 7.803, de 1989, deve ser devidamente comprovada pelo sujeito passivo para permitir sua exclusão da área tributável pelo ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. O VTN médio extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Às fls. 151/180, a Fazenda Nacional igualmente interpôs Recurso Especial por divergência em relação aos seguintes pontos: 1. Necessidade de apresentação tempestiva do ADA os acórdãos, recorrido e paradigmas, partem de premissas fáticas idênticas, tendo em vista que todos discutem lançamentos relativos ao ITR de exercícios posteriores ao advento da Lei nº 10.165/2000, que alterou a redação do art. 17O, da Lei nº 6.938/81, para chegar a conclusões distintas. Enquanto o acórdão impugnado defende que, para a isenção do ITR sobre áreas de reserva legal e de preservação permanente, é possível dispensar a apresentação do ADA, com base no art. 17O da Lei nº 6.938/81, os acórdãos paradigmas, também tendo por base o mesmo dispositivo legal, entendem que a comprovação da existência da área de reserva legal e de preservação permanente por meio do ADA se tornou indispensável a partir do exercício de 2001 (com a vigência da Lei nº 10.165/2000). 2. Aceitação do desdobramento da área de 264,4 hectares, declarada como de Reserva Legal, em 146,5 hectares de Área de Reserva Legal e 117,9 hectares de Área de Preservação Permanente, com fundamento em erro de fato – o acórdão recorrido admitiu o erro de fato do Contribuinte ao informar a área de reserva legal em discrepância com a decisão do acórdão paradigma, que inadmitiu o erro de fato para possibilitar a isenção do ITR. 3. Possibiliade de arbitramento do VTN pelo valor médio das DITR no acórdão paradigma, diante da falta de apresentação pelo contribuinte de laudo técnico apto a confirmar o VTN declarado, mantevese o arbitramento do VTN efetuado pela autoridade fiscal com base nas informações do SIPT, o qual, naquele caso, havia sido apurado a partir das médias das DITRs apresentadas no município. Patente, portanto, a divergência jurisprudencial. Enquanto no acórdão paradigma nº 2102 01.664 manteve se o lançamento de ITR em que o arbitramento do VTN foi efetuado com base na média das DITRs do município, no acórdão recorrido cancelou se a autuação sob o argumento de que o arbitramento não pode ser feito com base no preço médio de terra para pastagem, informada pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA). E mais, o paradigma, ao referir se à necessidade de que o laudo técnico de avaliação produzido pelo contribuinte atenda às normas técnicas da ABNT, assentou que “somente laudo técnico que analisa pormenorizadamente o imóvel rural, segundo a norma da abnt vigente na data da produção do laudo, pode contraditar o valor do sipt”. Às fls. 182/189, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso especial apenas em relação às duas matérias: 1. obrigatoriedade de apresentação tempestiva do ADA, para exclusão da APP Área de Fl. 201DF CARF MF 4 Preservação Permanente e da ARL Área de Reserva Legal da tributação do ITR/2004 e 3. possibilidade de arbitramento do VTN pelo valor médio das DITR. Devidamente intimado à fl. 196, o Contribuinte mantevese inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase o presente processo de Notificação de Lançamento da exigência do Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2004, no valor total de R$ 51.054,45, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Pinhão", com NIRF — Número do Imóvel na Receita Federal — 2.069.4482, localizado no município de São Francisco de Paula/RS. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à obrigatoriedade de apresentação tempestiva do ADA, para exclusão da APP Área de Preservação Permanente e da ARL Área de Reserva Legal da tributação do ITR/2004 e à possibilidade de arbitramento do VTN pelo valor médio das DITR. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11020.720632/200756 Acórdão n.º 9202005.686 CSRFT2 Fl. 201 5 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de preservação permanente é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da existência de ADA tempestivo para reconhecimento da área como de preservação permanente. A DRJ não analisou os documentos anexados pelo Contribuinte As alterações no cálculo do imposto estão demonstradas às fls. 04 e 05. 0 fiscal autuante relata que em procedimento fiscal do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao ITR, do exercício de 2004, a contribuinte após regularmente intimada não comprovou a isenção relativas às Áreas de preservação permanente e reserva legal declaradas no DIAT. Valor da Terra Nua declarado não foi comprovado por meio de Laudo de Avaliação de imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, razão pela qual esses itens foram modificados e emitida a Notificação de Lançamento para cobrança do Fl. 203DF CARF MF 6 imposto suplementar acrescido de juros e multa de oficio como determinado em lei O Acórdão recorrido da Turma Ordinária assim dispôs: Tratase, nos termos da legislação em vigor, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo sua apuração e recolhimento de responsabilidade do contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, sujeitandose a posterior homologação como explicitado no art. 10º, da Lei nº 9.393/96. Entendo estarem presentes os requisitos para a fruição de parte da dedução dessas áreas da base de cálculo do tributo em questão, é que nas matrículas estão averbadas áreas que totalizam 264,4 hectares de área de utilização limitada Assim, demonstrada a existência de 264,4 hectares de reserva legal, área passível de exclusão da base de cálculo. Resta claro o erro de fato. Assim, entendo comprovada a área declarada a título de reserva legal de 146,5 hectares e 117,9 a título de APP. O Recorrente questiona, ainda, o arbitramento do VTN pela autoridade fiscal. Sustenta, como relatado anteriormente, que a SRF não obteve, junto aos órgãos competentes, as informações previstas em lei como necessárias sobre preços de terras para alimentar o SIPT trazendo como comprovação os documentos de fls. 6 (fls.,7 do PDF) No caso em exame, entretanto, o arbitramento se baseou única e exclusivamente nas informações do SIPT, como se verifica do extrato da tela do sistema da Receita Federal do Brasil de fls. 34.. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. Em linhas gerais temos condições diferentes para reconhecimento da isenção quando se trata de (a) área de reserva legal e (b) área de preservação permanente. (a) Assim quanto a área de Reserva Legal, e meu ver não existe prazo para comprovação de sua existência, logo não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é isso que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11020.720632/200756 Acórdão n.º 9202005.686 CSRFT2 Fl. 202 7 (b) Já quanto a área de preservação permanente, para que esta seja considerada isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, não considero a apresentação de ADA como prova exclusiva de sua existência, pois a meu ver existem outros documentos hábeis a esta comprovação, como, por exemplo, laudos, fotos, averbações. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, em relação ao exercício 2004, observo que o contribuinte trouxe duas vezes aos autos as matrículas do imóvel com as devidas averbações, sejam elas: 1. matricula 21.799 averbado 31,4 ha fls 69 APP 2. matrícula 21.800 averbado 116,5 ha fls 70 ARL 3. matrícula 21. 801 averbado 116,5 ha fls 71 ARL Todas estas informações corroboradas por laudo técnico, apresentado as fls. 25/29 e 70/78. É fato que as averbações falam de área de proteção permanente e área de reserva limitada, não especificando exatamente cada uma, mas isso, a meu ver, não retira da terra sua natureza de isenção ao ITR. Necessário contudo analisar as porções de terra que são isentas. O Contribuinte declarou 146,5 ha de área de reserva legal e 219, 8 de preservação permanente. Das averbações acostadas observo a existência de um total de 264,4 ha de área de utilização limitada. Deste modo, conforme alegações do Contribuinte, as quais podem ser verificadas com as provas dos autos, mantenho a decisão do acórdão recorrido: Assim, demonstrada a existência de 264,4 hectares de reserva legal, área passível de exclusão da base de cálculo. Resta claro o erro de fato. Assim, entendo comprovada a área declarada a título de reserva legal de 146,5 hectares e 117,9 a título de APP. Ainda quanto ao Valor da Terra Nua VTN entendo que deva ser aplicado o VTN constante do laudo apresentado pelo Contribuinte as fls 28, vez que este é contemporâneo à época dos fatos. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e darlhe provimento parcial, na extensão exposta acima. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 205DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Inicialmente, alinhome integralmente ao posicionamento esposado pela relatora quanto ao VTN, fazendo notar que, com fulcro no disposto nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 1996, quando combinado com o art. 12, II, da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, só seria de se aceitar, no caso em questão, o arbitramento pelo SIPT quando efetuado com utilização do VTN médio que leve em consideração também o fator de aptidão agrícola, verbis: Lei 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.(g.n.) Lei 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIIdimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) (grifei) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11020.720632/200756 Acórdão n.º 9202005.686 CSRFT2 Fl. 203 9 indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Noto que, a partir do disposto no demonstrativo de efl. 7, foi utilizado, para fins de arbitramento, pela autoridade fiscal, o valor de VTN constante do SIPT sem aptidão agrícola, assim, sem plena observância ao requisito legal de sua consideração para fins do arbitramento realizado. Assim, de se considerar o VTN constante do laudo apresentado pelo Contribuinte à efl. 36 (fl. 28), superior ao declarado pelo contribuinte, em linha com o proposto pela Relatora. Todavia, com a devida vênia ao entendimento esposado pela relatora quanto à exclusão da área de preservação permanente, ouso discordar. Acerca do tema, entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos Fl. 207DF CARF MF 10 comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito de apresentação do ADA não foi efetivamente cumprido pelo contribuinte. Quanto à natureza da averbação de efl. 81, no caso das áreas de preservação permanente, faço notar que ali se está diante de áreas que: a) destinamse proteção aos cursos d'água, lagoas, nascentes, topos de morros, restingas e encostas, hipótese em que, entendo, carecem de análise do IBAMA acerca de seu interesse ambiental ou b) são declaradas por ato do Poder Público, destinandose a atenuar a erosão, fixar dunas, formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias, auxílio à defesa nacional, proteção de sítios de excepcional beleza, de valor científico ou histórico, asilos de fauna e flora, de proteção à vida e manutenção das populações silvícolas e para assegurar o bemestar público. Em ambas as hipóteses, para as áreas de preservação permanente, de se rejeitar a natureza constitutiva de qualquer averbação realizada. Aqui, especificamente no caso das APPs, somente possuem esta natureza Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11020.720632/200756 Acórdão n.º 9202005.686 CSRFT2 Fl. 204 11 constitutiva, em meu entendimento, respectivamente: a) o ADA (ou ainda, a protocolização de seu requerimento, ambos, notese, representando ciência ao competente órgão ambiental) ou b) o referido ato do Poder Público. Assim, insuprível, quanto à área de preservação permanente de 219,8 ha. declarada, a não apresentação do ADA pela averbação de efl. 81. Destarte, quanto à matéria de APP, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a restabelecer a glosa de 219,8 ha. perpretada pela autoridade lançadora. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por lhe dar provimento parcial, para restabelecer a glosa da Área de Preservação Permanente (APP) declarada e considerar o Valor da Terra Nua (VTN) constante do laudo apresentado, de R$ 525,00 por hectare. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 209DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720290/2008-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84.
É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008.
BASE DE CÁLCULO. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. RIR/99, ARTS. 223 E 230.
A base de cálculo da estimativa mensal é o percentual da receita bruta definido pelo artigo 223, do RIR/99. O contribuinte pode suspender ou reduzir a base de cálculo da estimativa, nos termos do artigo 230, do RIR/99, mas não majorá-la.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832.
A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
Numero da decisão: 9101-003.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento com retorno dos autos à Unidade de Origem, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. BASE DE CÁLCULO. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. RIR/99, ARTS. 223 E 230. A base de cálculo da estimativa mensal é o percentual da receita bruta definido pelo artigo 223, do RIR/99. O contribuinte pode suspender ou reduzir a base de cálculo da estimativa, nos termos do artigo 230, do RIR/99, mas não majorá-la. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. BASE DE CÁLCULO. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. RIR/99, ARTS. 223 E 230. A base de cálculo da estimativa mensal é o percentual da receita bruta definido pelo artigo 223, do RIR/99. O contribuinte pode suspender ou reduzir a base de cálculo da estimativa, nos termos do artigo 230, do RIR/99, mas não majorála. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo (relator), Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento com retorno dos autos à Unidade de Origem, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 02 90 /2 00 8- 51 Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 3 2 vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Adriana Gomes Rego e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto (1) à necessidade de lançamento para alterar a apuração do IRPJ; e (2) à possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior. Apenas a segunda divergência foi admitida no exame de admissibilidade do recurso especial. Houve negativa de seguimento do recurso em relação à primeira divergência, conforme o despacho decisório exarado em 13/10/2015 pela Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento. E a negativa de seguimento do recurso em relação à primeira divergência foi confirmada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caráter definitivo, conforme o despacho de reexame de admissibilidade exarado em 14/10/2015. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1301001.731, 26/11/2014, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, por unanimidade de votos, manter a negativa em relação à compensação pretendida pela contribuinte. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 4 3 O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Quanto à matéria admitida do recurso (possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior), a contribuinte desenvolve os argumentos apresentados a seguir: BREVE HISTÓRICO DOS FATOS a Recorrente apresentou Declaração de Compensação eletrônica (programa PER/DCOMP), informando como origem de crédito valores mensais pagos a maior durante o anocalendário de 2003, no caso pagamento em excesso a título de estimativa do Imposto de Renda (IRPJ) do mês de abril de 2003 que foi recolhida em 31/05/2003, conforme DARF com o código de receita 2362. Esse valor excedente no montante de R$ 2.082.315,44 foi utilizado na questionada PER/DCOMP para a compensação de IRPJ apurado no ajuste anual daquele mesmo anocalendário; naquele mês, a Recorrente recolheu um DARF no valor de R$ 4.576.991,55, referente à estimativa de abril/2003. No entanto, revendo a apuração da estimativa, identificou que havia recolhido R$ 2.082.315,44 a mais do que o efetivamente devido, conforme DIPJ tempestivamente apresentada. Identificado o indébito, a DCTF do período foi retificada para demonstrar o valor correto do débito apurado, assim como a existência de valor indevido (recolhido a maior); a DRF/Limeira, ao proceder à análise das declarações de compensação entregues pela Recorrente, entendeu por bem não homologálas; a negativa em relação à compensação foi mantida na primeira e na segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido); contudo, o r. Acórdão ora recorrido deve ser reformado, pois confronta persuasiva jurisprudência deste E. Tribunal e, até mesmo, pronunciamentos da Secretaria da Receita Federal do Brasil favoráveis aos interesses da Recorrente, o que será demonstrado em sequência; DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL QUANTO À POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS RECOLHIDAS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 5 4 logo de início, cumpre ressaltar que o acórdão recorrido marcha contra matéria já sumulada, pois a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. Tribunal já pacificou a controvérsia tratada no atual processo, de tal forma que o entendimento foi consolidado na recente Súmula n° 84, cujo enunciado tem o seguinte teor: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. importa destacar que o Acórdão n° 120100.404, indicado como uma das decisões que serviram de fundamento para o enunciado da Súmula n° 84 do CARF, foi proferido nos autos de outro processo desta mesma empresa, contendo idêntica matéria referente a outro período de apuração, com decisão em favor da contribuinte ora Recorrente, conforme se vê da ementa abaixo transcrita: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004. COMPENSAÇÃO. O pagamento da estimativa mensal do IRPJ realizado em montante superior ao calculado com base na receita bruta e acréscimos traduz se em pagamento maior que o devido e, portanto, é passível de restituição/compensação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Anocalendário: 2004. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. MOMENTO. Inexistindo, na data da transmissão da DCOMP, norma que proíba a compensação da estimativa de IRPJ paga a maior antes de encerrado o período de apuração anual, não há razão para exigirse que o indébito integre o saldo do imposto a pagar ou a restituir calculado ao final do ano. tal acórdão foi mantido por esta C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais na ocasião do julgamento de recurso especial interposto pela D. Procuradoria da Fazenda Nacional (Acórdão n° 9101002.063); nesse mesmo sentido entendeu o Acórdão n° 1202000.458, proferido por este C. Conselho Administrativo, com o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. Rejeitase preliminar de nulidade do Despacho Decisório, quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 6 5 contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. na linha da citada jurisprudência administrativa, os valores a titulo de estimativa recolhidos em montante superior à opção de cálculo exercida pelo contribuinte (receita bruta ou balancete), são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação, com a incidência de juros SELIC desde o mês subsequente ao do pagamento; contudo, mesmo diante da existência da Súmula CARF n° 84 em favor do contribuinte e de todos os acórdãos paradigmas que fundamentaram a sua criação, o r. Acórdão recorrido decidiu negar provimento ao recurso voluntário e afastar matéria já decida definitivamente no âmbito administrativo; ora, existindo Súmula contrária ao entendimento acima transcrito, proferido pelo r. Acórdão recorrido, é de se considerar que estão superados todos os argumentos ali esgrimidos, notadamente o seu principal fundamento, no sentido de que não é possível postular créditos derivados do pagamento por estimativa mensal, para fins de compensação, uma vez que, como se tratam de meras antecipações, devem ser levadas ao ajuste anual do imposto, cabendo a restituição unicamente de eventual saldo negativo (fls. 07 do acórdão); como é sabido, as Súmulas aprovadas pelo CARF são de adoção e aplicação obrigatória por seus membros, conforme reza o §4º, do art. 72 do RICARF, sob pena de perda de mandato (inciso VI, do art. 45 do RICARF); dessa forma, versando a discussão exclusivamente sobre questão de direito, qual seja: "a possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido", demonstrada a divergência jurisprudencial entre acórdãos proferidos em casos idênticos, e, principalmente, em razão da existência de Súmula, o presente Recurso Especial deve ser conhecido e provido para que seja aplicado ao caso o entendimento sumulado por este E. Tribunal Administrativo no Enunciado n° 84, de 10/12/2012. Como já mencionado, quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 13/10/2015, deu seguimento parcial ao recurso, reconhecendo a existência de divergência apenas em relação à segunda divergência, que trata da possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior, nos seguintes termos: [...] 1ª Divergência: Necessidade de lançamento para alterar a apuração do IRPJ. [...] Na comparação entre os acórdãos recorrido e paradigmas a divergência suscitada não se estabelece. De se notar que a ementa do primeiro paradigma, acima transcrita, deixa claro que, naquele período ano 2000 a DCTF não representava instrumento hábil e suficiente para exigência de crédito tributário, razão pela qual qualquer diferença apurada no confronto da DCTF com a DIPJ, deveria ser exigida através de lançamento de ofício. Na mesma toada o segundo paradigma, que firmou Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 7 6 entendimento no sentido de que, após 1998, a DIPJ não mais seria instrumento de confissão de dívida, sendo necessário o lançamento de ofício para exigir débitos declarados a menor, em DCTF, ou apurados na escrita fiscal do contribuinte. Situação totalmente distinta a do acórdão recorrido em que o relator consignou que a Declaração de Compensação tem natureza jurídica de confissão de dívida e, assim, é instrumento hábil e suficiente para exigir o pagamento do débito nela confessado, não absorvido por compensação indeferida, dispensando, assim, o lançamento daquilo que já fora constituído e confessado pela própria contribuinte. Dessa forma, as situações comparadas são totalmente distintas, o que justifica as conclusões dissonantes. 2ª Divergência: Possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior. [...] Os paradigmas indicados fixaram entendimento no sentido de que recolhimentos a título de estimativas de IRPJ ou de CSLL, efetuados indevidamente ou em valores maiores que os devidos, podem ser utilizados como direito creditório em compensações por caracterizaram indébitos na data em que foram recolhidos. Em razão da sólida jurisprudência do CARF e do antigo Conselho de Contribuintes nesse mesmo sentido, foi editada a Súmula CARF nº 84, de seguinte teor: Súmula CARF nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vêse que o entendimento fixado no acórdão recorrido encontrase superado pelo teor da Súmula CARF nº 84, já que afirmou que somente ao final do período de apuração, em 31 de dezembro de cada ano, é que se poderia averiguar eventual pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ/CSLL, já que as estimativas mensais seriam mera antecipação e não pagamentos extintivos de obrigação tributária. Dessa forma, os paradigmas apresentados, que inclusive se referiram à Súmula CARF nº 84 (ao menos o primeiro), caracterizam a divergência suscitada neste ponto. Por todo o exposto, e com base no que dispõe o art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº. 343, de 09/06/2015, proponho seja DADO SEGUIMENTO PARCIAL ao recurso, apenas em relação à segunda divergência suscitada, e seja negado seguimento ao recurso relativamente à primeira divergência argüida. Em 28/06/2016, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e o referido órgão não apresentou contrarrazões ao recurso. É o relatório. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 8 7 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) em que utilizou crédito a título de pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ referente ao mês de abril/2003, para quitar débito do próprio IRPJ, referente ao ajuste anual desse mesmo ano de 2003. A Delegacia de origem não homologou a compensação pleiteada, e essa negativa foi mantida tanto pela decisão de primeira instância administrativa, quanto pela decisão de segunda instância (acórdão ora recorrido). A controvérsia que chega a essa fase de julgamento do recurso especial diz respeito à possibilidade de compensação de estimativas mensais recolhidas indevidamente ou a maior. Essa matéria realmente foi pacificada pelo CARF, inclusive com a edição da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O problema é que a referida súmula não é suficiente para reverter as decisões anteriores. Chamo a atenção para o fato de que a Súmula CARF nº 84 foi aprovada pela 1ª Turma da CSRF na sessão de 10/12/2012, muito antes portanto da sessão em que foi proferido o acórdão recorrido (26/11/2014), e que, mesmo assim, o acórdão recorrido manteve, por unanimidade de votos, a negativa em relação à compensação pleiteada. Esse aspecto já é indicativo de que a controvérsia estabelecida nos presentes autos envolve outras questões, além daquela tratada pela referida súmula. O despacho decisório da Delegacia de origem apresenta de forma bastante detalhada as razões que justificaram a negativa da compensação: RELATÓRIO Trata o presente processo da declaração de compensação eletrônica n.° 2450628001.120304.1.3.045724, em que houve a utilização do crédito no montante de R$2.082.315,44 (dois milhões, oitenta e dois mil, trezentos e quinze reais e quarenta e quatro centavos), referente ao recolhimento de IRPJ do mês de abril de 2003 (fls. 1 a 5). O contribuinte foi intimado a esclarecer o que motivou o recolhimento da estimativa de IRPJ a maior, a apresentar demonstrativo de apuração do valor recolhido a maior e do que considerava correto e o Livro Diário (fls. 6 e 7). Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 10 9 Em atendimento apresentou os demonstrativos, informou que o valor que considerava recolhido a maior havia sido utilizado para liquidação do saldo de ajuste anual e que o novo cálculo foi decorrente de erro na apuração das estimativas mensais calculadas por meio de sistema informatizado, mas que havia efetuado as correções devidas e preenchido a DIPJ com valores recalculados (fls. 8 a 44). Posteriormente, encaminhou o livro Diário do qual foi extraída cópia (fls. 45 a 69). O pagamento foi confirmado (fl. 88). FUNDAMENTAÇÃO O contribuinte considera que ao pagar R$ 4.576.991,55 relativos ao IRPJ devido por estimativa no mês de abril de 2003, R$ 2.082.315,44 seriam indevidos (fl. 2) e, por isso, os utilizou para compensar o IRPJ apurado no ajuste anual daquele mesmo anocalendário (fl. 4). Na DCTF original, o contribuinte havia declarado que o valor do IRPJ apurado por estimativa no mês de abril era R$ 4.576.991,55 (fl. 74), mas após o encerramento do período a retificou (fl. 71) a fim de reduzilo para R$ 2.494.676,11 (fl. 75), mesmo valor informado na DIPJ/2004 (fl. 85). De acordo com os demonstrativos encaminhados pelo contribuinte, a diferença entre os valores foi decorrente da mudança na foma de apuração da estimativa: inicialmente havia sido feita por meio de levantamento de balancete, devidamente registrado no Livro Diário (fls. 47 a 70) com apuração do lucro real do período (fls. 30 a 33) e depois com base na receita bruta (fls. 34 e 35): [...] Observase que com a mudança de metodologia o valor do IRPJ apurado foi significativamente reduzido. A legislação permite que o contribuinte obrigado à apuração pelo lucro real o apure somente no dia 31 de dezembro de cada ano, mas deve efetuar recolhimentos mensais com base em estimativas, conforme art. 2° da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: [...] Por sua vez o art. 35 da Lei n.° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 permite a suspensão ou a redução do pagamento devido em cada mês, desde que fique demonstrado que o valor acumulado já pago excedia o valor do imposto calculado com base no lucro real do período, inclusive o adicional: [...] Comparandose os pagamentos de IRPJ efetuados pelo contribuinte durante o anocalendário de 2003 (fl. 88) com o IRPJ a recolher informado nos demonstrativos (fl. 32/v), verificase que haveria recolhimento a maior somente para os meses de novembro e dezembro de 2003: [...] Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 11 10 De acordo com a anotação feita pelo contribuinte, seriam maiores que o devido R$417.275,10 do mês de novembro e R$ 30.998,23 do mês de dezembro (fl. 32/v). Não por mera coincidência o IRPJ total apurado no demonstrativo, no valor de R$68.118.545,89 é exatamente o valor do IRPJ antes da dedução dos recolhimentos por estimativa (fls. 82 e 83): [...] Ao levantar os balanços para apurar o lucro real do período, o contribuinte foi obtendo o valor correto do IRPJ que deveria ter sido recolhido, motivo pelo qual até os centavos batem, após a exclusão da diferença dos valores de novembro e dezembro. Durante o anocalendário, esses recolhimentos poderiam ser considerados maiores que o devido já que a lei permitia que as estimativas fossem calculadas de acordo com o art. 2° da Lei 9.430/96. Porém, encerrado o período e verificado que o IRPJ apurado é exatamente aquele que recolheu, não se pode mais falar em recolhimentos a maior. A opção pela apuração anual, com recolhimentos mensais por estimativa é dada ao contribuinte haja vista as dificuldades operacionais para a apuração do imposto com base no lucro real. Se, contudo, o contribuinte resolve apurálo mensalmente, e o faz de forma correta, fatalmente irá antecipar o resultado do final do período. E foi isso que aconteceu. Findo o período, o valor do IRPJ pago durante o ano foi exatamente aquele que o contribuinte deveria recolher, nem um centavo a mais ou a menos, exceto pelos valores de novembro e dezembro: [...] Tanto que o total do crédito indicado nas declarações de compensação, excluídos os R$ 448.273,33 relativos à diferença de recolhimentos dos meses de novembro e dezembro resulta em R$ 42.395.501,08, mesmo valor do IRPJ a pagar apurado na Ficha 12A da DIPJ/2004: [...] Portanto, não se pode dizer que o pagamento do IRPJ devido por estimativa no mês de abril de 2003 foi maior que o devido. Em contrário senso, se o contribuinte apurasse prejuízo no final do período e não houvesse efetuado nenhum recolhimento por estimativa, ele (o IRPJ) não poderia mais ser exigido. Ocorre que, após o encerramento do perÍodo, o contribuinte verificou que o lucro mensal por ele de fato auferido era superior ao calculado de acordo com o art. 2° da Lei n.° 9.430/96, o que implicou o pagamento do IRPJ em valor superior àquele que seria obtido com base na receita bruta e acréscimos. Diante disso, considerou que os recolhimentos eram maiores que o devido e encaminhou declarações de compensação para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste anual. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 12 11 Esse tipo de procedimento não é inócuo, pois permite a correção do valor que teria sido “recolhido a maior” pela Selic e o montante assim obtido é suficiente não só para quitar o tributo obtido na apuração anual como outros tributos, numa forma de planejamento tributário. Acrescentese que como o contribuinte efetivamente pagou o IRPJ do anocalendário de 2003, o crédito tributário encontrase extinto, conforme art. 156, I do Código Tributário Nacional. A compensação pressupõe que ambas as partes sejam credoras e devedoras ao mesmo tempo e o que se observa é que este requisito não é obedecido seja pela inexistência de crédito e de débito por parte do contribuinte seja pela ausência de crédito tributário ou de recolhimento a maior a ser restituído por parte da União. Assim, não é possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não há crédito em seu favor nem crédito tributário em favor da União, pois o IRPJ apurado no anocalendário de 2003 já foi extinto por pagamento. CONCLUSÃO Isso posto, submeto à apreciação da Sra. Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária a proposta de que não seja homologada a compensação declarada por ausência de crédito em favor do contribuinte e de crédito tributário em favor da União Federal, condições indispensáveis à compensação. Vêse que a negativa da compensação não foi motivada pelo superado entendimento de que os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa simplesmente não eram passíveis de restituição/compensação. A negativa foi motivada pelo não reconhecimento do alegado excedente no mês de abril/2003, o que é bem diferente. O alegado excedente ficou vinculado ao ajuste anual por uma série de razões que sintetizo a seguir: a contribuinte recolheu durante todo o anocalendário de 2003 exatamente os valores de estimativa que apurou nos balancetes cumulativos, e não houve erro nessa apuração; os balancetes foram registrados no livro Diário, e o valor das estimativas foram declarados em DCTF; no encerramento do período de apuração, os recolhimentos de estimativa deixaram de ser meras antecipações, e passaram a configurar pagamento do IRPJ anual; as estimativas recolhidas foram suficientes para a quitação do IRPJ anual, e ainda geraram um pequeno excedente (saldo negativo); após o encerramento do período, a contribuinte percebeu que os valores das estimativas seriam menores se elas tivessem sido calculadas com base na receita bruta mensal, em vez de terem sido apuradas com base nos balancetes cumulativos; Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 13 12 na DIPJ, a contribuinte registrou estimativas apuradas com base na receita bruta, e retificou as DCTF anteriormente apresentadas, para que essa declaração também indicasse valores de estimativas calculadas com base na receita bruta (que eram menores que os valores das estimativas apuradas com base nos balancetes); é com base nos valores constantes dessas declarações que a contribuinte alega a ocorrência de recolhimento indevido ou a maior de estimativa; por outro lado, ficaram constando na DIPJ valores menores a título de estimativas (estimativas apuradas com base na receita bruta), o que resultou na apuração de saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; o que se tinha em 31/12/2003 era o IRPJ anual quitado, com a formação de um pequeno saldo negativo. Com o procedimento adotado pela contribuinte, passouse a ter excessos mensais nas estimativas, com saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; a contribuinte, então, apresentou declarações de compensação dos alegados excessos mensais de estimativas de 2003 para quitar o IRPJ desse mesmo período apuração; com tal procedimento, a contribuinte pretendeu levar não só as estimativas para o ajuste anual (no seu valor nominal), mas as estimativas acrescidas da Selic, o que não foi admitido. É importante registrar que a Delegacia de origem não concluiu apenas pela inexistência do direito creditório em favor da contribuinte (pagamento indevido ou a maior de estimativa). Ela também apontou a inexistência do débito objeto da compensação (IRPJ/ajuste anual), consignando que esse débito já estava definitivamente quitado pelas estimativas recolhidas ao longo de 2003, com base nos balancetes. A controvérsia neste processo se deu porque a Administração Tributária, desde o início, não reconheceu que houve pagamento indevido ou a maior de estimativa. O que esteve em questão foi o não reconhecimento do direito creditório, e não aquele superado entendimento de que os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa simplesmente não eram passíveis de restituição/compensação. O litígio se deu sobre a própria comprovação do excesso na estimativa, e não sobre a possibilidade de compensação desse excesso. No curso do processo, a contribuinte procurou demonstrar que ela poderia modificar o valor das estimativas que inicialmente havia apurado e recolhido, que poderia retificar a DCTF para reduzir o valor das estimativas inicialmente declaradas, que o Fisco tinha que realizar um procedimento específico para não aceitar os valores das estimativas informadas na DIPJ e na DCTFretificadora, etc., mas não logrou êxito nesse intento. Nem mesmo conseguiu apresentar um paradigma para que essas questões pudessem ser examinadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Isso demandaria a apresentação de um paradigma que não só tratasse da possibilidade de modificação no regime de apuração de estimativas após o encerramento do período de apuração, para fins de caracterização de excedentes mensais num contexto fático semelhante ao que foi acima retratado, mas que também tratasse da possibilidade de computar Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 14 13 juros Selic no aproveitamento de estimativa para a quitação de IRPJ do próprio período a que ela se refere, o que não foi feito. Por outro lado, a parte admitida do recurso especial, que trata apenas da possibilidade de compensação/restituição de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa (Súmula CARF nº 84) não é suficiente para reverter os fundamentos apontados desde o início para a negativa da compensação, e que foram encampados pelo acórdão recorrido. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. Acaso vencedor, proponho a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. A controvérsia neste processo se deu porque a Administração Tributária, desde o início, não reconheceu que houve pagamento indevido ou a maior de estimativa. O que esteve em questão foi o não reconhecimento do direito creditório, e não aquele superado entendimento de que os pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa simplesmente não eram passíveis de restituição/compensação. O litígio se deu sobre a própria comprovação do excesso na estimativa, e não sobre a possibilidade de compensação desse excesso. A parte admitida do recurso especial, que trata apenas da possibilidade de compensação/restituição de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa (Súmula CARF nº 84) não é suficiente para reverter os fundamentos apontados desde o início para a negativa da compensação, e que foram encampados pelo acórdão recorrido. Não há paralelo entre recorrido e paradigma, para fins de caracterização de divergência jurisprudencial a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Uma vez vencido no conhecimento, no mérito o recurso especial não deve ser provido. A contribuinte efetivamente pagou o IRPJ do anocalendário de 2003, o crédito tributário encontrase extinto, conforme art. 156, I do Código Tributário Nacional. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; A compensação pressupõe que ambas as partes sejam credoras e devedoras ao mesmo tempo e o que se observa é que este requisito não é obedecido seja pela inexistência de crédito e de débito por parte do contribuinte seja pela ausência de crédito tributário ou de recolhimento a maior a ser restituído por parte da União. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 15 14 Assim, não é possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não há crédito em seu favor nem crédito tributário em favor da União, pois o IRPJ apurado no anocalendário de 2003 já foi extinto por pagamento. Ademais, adoto, como razões de decidir, os demais fundamentos do despacho decisório da Delegacia de origem anteriormente transcrito. Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 16 15 Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora Designada Com a devida vênia ao ilustre Relator, ouso divergir no que concerne ao conhecimento e mérito do recurso especial. Para o conhecimento, adoto as razões da Presidente de Câmara, além das razões de mérito a seguir tratadas. A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, previa enquanto vigente (período de 28/12/2005 a 30/12/2008): Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Nesse período, entendiase que só era autorizada a compensação de crédito de estimativa mensal ao final do ano calendário, apurandose o saldo de IRPJ ou CSLL a pagar. Nestes autos, o contribuinte apresentou pedido de compensação (PERDCOMP), identificando recolhimentos a maior de estimativas mensais do ano de 2003. A compensação foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal em Limeira, em decisão proferida em 08/12/2008 (fls. 94): A opção pela apuração anual, com recolhimentos mensais por estimativa é dada ao contribuinte haja vista as dificuldades operacionais para a apuração do imposto com base no lucro real. Se, contudo, o contribuinte resolve apurálo mensalmente e o faz de forma correta fatalmente irá antecipar o resultado do final do período. E foi isso que aconteceu. Findo o período, o valor do IRPJ pago durante o ano foi exatamente aquele que o contribuinte deveria recolher, nem um centavo a mais ou a menos, exceto pelos valores de novembro e dezembro: (...) Portanto, não se pode dizer que o pagamento do IRPJ devido por estimativa de fevereiro de 2003 foi maior que a devido. Em contrário senso, se o contribuinte apurasse prejuízo no final do período e não houvesse efetuado nenhum recolhimento por estimativa, ele não poderia mais ser exigido. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 17 16 Ocorre que, após o encerramento do período, o contribuinte verificou que o lucro mensal por ele de fato auferido era superior ao calculado de acordo com o art. 2° da Lei n.° 9.430/96, o que implicou o pagamento do IRPJ em valor superior àquele que seria obtido com base na receita bruta e acréscimos. Diante disso, considerou que os recolhimentos eram maiores que o devido e encaminhou declarações de compensação para compensar justamente o valor do IRPJ resultante do ajuste anual. Notase que a DRF aplicou o entendimento da IN SRF 600/2005 então vigente. Diante disso, entendeu que inexistiria crédito (a compensar) considerando o saldo ao final do período, mas não analisou as estimativas individualmente – cujo recolhimento indevido foi apontado pelo contribuinte. Ressaltese que a opção pelo pagamento de estimativas mensais é manifestada com o pagamento correspondente ao mês de janeiro, nos termos do parágrafo único artigo 222, do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99): Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º, parágrafo único). A base de cálculo da estimativa mensal é um percentual da receita bruta, nos termos do artigo 223, do RIR/99 e alíquota é definida pelo artigo 228, do mesmo regulamento. O contribuinte pode suspender ou reduzir o pagamento da estimativa, desde que demonstre que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto devido, por balanços e balancetes mensais, na forma do artigo 230, do RIR/99: Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 35, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). Como o artigo 230 menciona a suspensão ou redução do pagamento do imposto, o balancete mensal não legitima o aumento do valor da estimativa, considerando a base de cálculo e alíquota definidas por demais dispositivos anteriormente citados. Sobreleva considerar, ainda, que a estimativa mensal não é obrigação tributária autônoma, mas mera técnica de arrecadação, pela qual se antecipam pagamentos de IRPJ e da CSLL. A relação entre a estimativa e o fato gerador ao final do ano é confirmada pelo artigo 231, do RIR/99, que estabelece a compensação destas no saldo a pagar ao final do período. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 18 17 Não obstante a relação umbilical entre a obrigação à estimativa e a obrigação de pagamento do saldo ao final do ano, tal fato não altera a base de cálculo da estimativa, como tampouco a possibilidade de retificação de declarações que contenham informações equivocadas. Ressalto que a legislação autoriza a retificação de declarações em caso de erro, como expressamente prescreve o artigo 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Em sentido similar, é o artigo 832, do RIR/99 ao tratar da possibilidade de retificação de declaração de rendimentos na hipótese de erro: Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (DecretoLei nº 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto. Sobreleva considerar, outrossim, que não há norma impedindo a retificação de estimativas mensais, em hipótese de erro. A único impedimento, por força da legislação vigente, é para retificação da opção pelo pagamento de estimativas mensais: Art. 232. A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 220, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao lucro real, ou a referida no art. 221, será irretratável para todo o ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 3º). Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 19 18 § 1º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data do evento, observado o disposto nos §§ 1º a 5º do art. 235 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 1º). § 2º Na extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º, § 2º). Nesse panorama, o recolhimento em valor superior ao devido, de acordo com as normas acima citadas, constitui recolhimento indevido passível de restituição ou compensação. Acrescento que a disposição da Instrução Normativa 600/2005, que aparentemente vedava a restituição de recolhimento a maior de estimativa, não foi reproduzido na Instrução Normativa subsequente (IN RFB 900/2008), que passou a dispor: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: IX o débito relativo ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL apurados na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação original da IN); A partir de então, só seria vedada a restituição da própria estimativa mensal – coerentemente com as demais normas da legislação federal , não sendo mais impedida a restituição do recolhimento a maior da estimativa de IRPJ e CSLL. Exatamente nesse contexto originouse a Súmula CARF nº 84, legitimando a restituição de indébito por pagamento de estimativa indevidamente ou a maior: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O caso destes autos, no entendimento da maioria deste Colegiado é de aplicação da Súmula CARF 84, assegurandose a análise dos créditos do contribuinte pleiteados nestes autos. Por fim, acrescento como razão de decidir o voto do Conselheiro Marcelo Cuba Neto proferido no acórdão nº 120100.413 (processo administrativo nº 10865.720311/200838), originado também por compensação do contribuinte International Paper do Brasil Ltda: Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 20 19 O art. 2º da Lei nº 9.430/96, a seguir transcrito, estabelece que as pessoas jurídicas que optarem pela apuração do IRPJ com base no lucro real anual ficam obrigadas a realizar pagamentos mensais por estimativa, calculados a partir da receita bruta e acréscimos, a título de antecipação do imposto devido ao final do período. (...) Ocorre que o art. 35 da Lei nº 8.981/95, adiante transcrito, facultou àqueles contribuintes reduzirem ou suspenderem os referidos pagamentos mensais de IRPJ calculados com base na receita bruta e acréscimos, desde que demonstrem, através de balancetes mensais, que o somatório daqueles pagamentos excede o imposto devido com base no lucro real do período em curso: (...) De ver que em relação à CSLL valem as mesmas regras de apuração ora mencionadas, desde que o contribuinte, como no caso sob exame, tenha optado pela apuração anual do IRPJ. Pois bem, pela análise das normas acima transcritas é possível concluir o seguinte: a) o contribuinte que optar pelo lucro real anual tem a obrigação de realizar pagamentos mensais de IRPJ e CSLL, cujo montante é calculado com base na receita bruta e acréscimos; b) tal obrigação, entretanto, pode ter seu montante reduzido, ou mesmo ser suspensa, caso o contribuinte demonstre que o somatório das estimativas pagas com base na receita bruta e acréscimos, até determinado mês, excede o valor do IRPJ ou da CSLL devidos com base no lucro real ajustado, calculado até aquele mês. Em outras palavras, a obrigação de pagar a estimativa mensal de IRPJ ou CSLL tem como montante máximo um valor calculado a partir da receita bruta e acréscimos. A apuração do lucro real do período em curso, mediante o levantamento de balancete, tem o condão de reduzir o montante daquela obrigação, ou mesmo suspendêla, mas nunca o de atribuir ao contribuinte obrigação de pagar estimativa de IRPJ ou CSLL em montante superior ao calculado com base na receita bruta e acréscimos. Assim sendo, o pagamento de estimativa de IRPJ ou de CSLL realizado em montante superior ao legalmente exigido à extinção da obrigação é considerado pagamento maior que o devido, ainda que apurado através de balancetes. No caso sob exame a ora recorrente, optante pelo lucro real anual, levantou balancete mensal e pagou a CSLL devida com base no lucro líquido do período em curso, ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação da contribuição. Posteriormente, percebeu que o montante da CSLL assim calculado e pago era superior ao devido com base na receita bruta e acréscimos. Assim, em face de tudo o que foi visto acima, e por força do disposto no art. 165 do CTN, combinado com o art. 74, caput, da Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10865.720290/200851 Acórdão n.º 9101003.030 CSRFT1 Fl. 21 20 Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, concluise que a contribuinte tem direito a compensar a CSLL por estimativa paga a maior. Quanto à possibilidade dessa compensação ser realizada antes de encerrado o período base anual, é de se dizer que a Instrução Normativa SRF nº 210/2002, vigente em 12/03/2004, data da transmissão da DCOMP sob exame, não o proibia, razão pela qual devese ter por permitida. Por fim, como não estavam em vigor à época da transmissão da referida DCOMP, desnecessário adentrar ao exame da legalidade do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, e do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, que passaram a proibir a compensação da estimativa de IRPJ e CSLL paga a maior antes de encerrado o período base anual. Ressaltese ainda que o art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, atualmente em vigor, aboliu tal proibição. Por tais razões, voto por conhecer o recurso especial do contribuinte e darlhe provimento para reformar o acórdão recorrido e, assim, determinar o retorno dos autos à Unidade de Origem, para análise do crédito de estimativa mensal pleiteado nestes autos. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 367DF CARF MF
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