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Numero do processo: 13884.901197/2009-96
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Diante da ausência de similitude fática entre a decisão recorrida e acórdão paradigma, não se verifica o atendimento do requisito de admissibilidade previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 9101-003.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 13884.901203/2009-13, ao qual o presente processo é vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Luis Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Re^go.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante da ausência de similitude fática entre a decisão recorrida e acórdão paradigma, não se verifica o atendimento do requisito de admissibilidade previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF.
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AUSÊNCIA DE SIMILITUDE NA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Diante da ausência de similitude fática entre a decisão recorrida e acórdão paradigma, não se verifica o atendimento do requisito de admissibilidade previsto no artigo 67 do Anexo II do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 13884.901203/200913, ao qual o presente processo é vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 11 97 /2 00 9- 96 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13884.901197/200996 Acórdão n.º 9101003.551 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A Turma a quo decidiu dar provimento ao recurso voluntário, homologandose as compensacõ̧es pleiteadas e submetidas à sistemática de despachos eletrônicos. A PFN, então, interpôs recurso especial, requerendo a reforma do acórdão a quo em relação às matérias (i) preclusão por apresentação extemporânea de documentos e (ii) b) ausência de retificaçaõ da DCTF. O despacho de admissibilidade decidiu conhecer parcialmente o recurso especial interposto, apenas quanto à segunda matéria, qual seja, ausência de retificaçaõ da DCTF. Não foi manejado agravo pela PFN em face do seguimento apenas parcial de seu recurso. O contribuinte apresentou contrarrazões, no qual se opõe ao conhecimento do recurso especial na parte admitida por despacho, bem como, no mérito, requer lhe seja negado provimento, com a manutenção da decisão recorrida. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que a situação fática e jurídica verificada neste processo é, em todos os aspectos relevantes para solução do litígio, idêntica à verificada no processo 13884.901203/200913, ao qual é vinculado. Isso posto, a este processo aplicase o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.550, exarado em 05 de abril de 2018 no âmbito do referido processo 13884.901203/200913. Transcrevese a seguir, como razões de decidir do presente litígio, o voto que prevaleceu no referido Acórdão nº 9101003.550: Para demonstrar a divergência de interpretação, a recorrente apresentou os acórdãos paradigmas n. 1302001.571 e n. 1301 001.857. O despacho de admissibilidade compreendeu que esse segundo acórdão (n. 1301001.857) não seria hábil para demonstrar divergência de interpretação quanto à matéria, conhecendo o recurso especial, quanto ao tema da necessidade de retificação de DCTF para viabilizar a compensação de estimativas de CSLL recolhidas a maior, apenas em função do primeiro paradigma apresentado (acórdão n. 1302001.571). Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13884.901197/200996 Acórdão n.º 9101003.551 CSRFT1 Fl. 4 3 Contudo, em sede de contrarrazões, o contribuinte argumenta que o acórdão n. 1302001.571 também não seria hábil para demonstrar divergência de interpretação quanto à matéria. Observase que, tal como o acórdão recorrido, o acórdão n. 1302001.571 trata de um caso em que o contribuinte retificou a DIPJ para evidenciar débito tributário menor que o anteriormente declarado e, assim, a existência de créditos tributários, sem que a correspondente DCTF tenha sido também retificada. Destaco o seguinte trecho do acórdão n. 1302 001.571: “A nulidade da decisão recorrida, alegada pela recorrente, é a própria questão de mérito a ser apreciada por este Colegiado, ou seja, ela reside unicamente em saber se a falta de retificação da DCTF pode obstar o reconhecimento do direito creditório que aflorou da retificação apenas da DIPJ, quando verificado que o DARF que consubstancia o direito creditório pleiteado, objeto do pedido de compensação, fora alocado pela própria recorrente, para extinção do débito confessado na DCTF (não retificada).” Contudo, compreendo assistir razão à recorrida quando sustenta diferença substancial entre o acórdão recorrido e o acórdão n. 1302001.571, tornandoo inábil para demonstrar divergência de interpretação capaz de ensejar a interposição de recurso especial. É importante observar que a maior parcela do recurso especial interposto, a qual não foi admitida por despacho, voltase precisamente contra a análise de provas do crédito tributário, pela Turma a quo, juntada aos autos após a decisão de primeira instância. Ocorre que o acórdão a quo restou preponderantemente embasado na necessidade de análise de tais provas apresentadas pelo contribuinte por se tratar de caso submetido a despacho eletrônico, em que os dados são analisados mediante cruzamento eletrônico de informações entre declarações e o contribuinte interessado não tem a oportunidade de apresentar provas antes da prolação da decisão administrativa. No caso dos presentes autos, as provas apresentadas pelo contribuinte foram detalhadamente analisadas pela decisão recorrida, que as compreendeu hábeis para demonstrar a legitimidade do crédito cuja compensação é requerida. Por sua vez, o acórdão n. 1302001.571, indicado como paradigma, analisou hipótese em que apenas a DIPJ retificada teria sido apresentada como prova do crédito pleiteado, o que foi considerado insuficiente, in verbis: “Importante ressaltar que não foi entregue DCTF retificadora. Em consulta aos sistemas da Receita Federal, se verifica que a contribuinte apresentou DCTF original em que declarou IRPJ devido, código 2430 no valor de R$ 1.115.757,32, fl. 51, e, até a presente data, não entregou DCTF retificadora. Assinalese que a declaração Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13884.901197/200996 Acórdão n.º 9101003.551 CSRFT1 Fl. 5 4 retificadora deveria ter sido entregue antes do decisório, pois a disponibilidade do crédito é examinada no momento do despacho proferido pela autoridade a quo. Ademais, a contribuinte pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DIPJ retificadora. Cabe a interessada o ônus de provar o erro em que fundada a modificação. A simples retificação da DIPJ, desacompanhada da retificação da respectiva DCTF (que constitui confissão de divida) e desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações veiculadas em sede de manifestação de inconformidade. (...) Por último, alerto que a apresentacã̧o de DIPJ retificadora não é prova suficiente e incontestável do direito creditório, mas apenas uma das tantas providen̂cias que deveria a recorrente tomar, para demonstrar o seu direito creditório”. Assim, (i) enquanto o acórdão recorrido está preponderantemente embasado na apresentação de provas (além da mera retificação da DIPJ), pela ora recorrida, quanto ao equívoco presente na DCTF e na legitimidade do crédito cuja compensação é requerida, (ii) o acórdão n. 1302001.571, indicado como paradigma, embasouse justamente na não apresentação de provas, além da mera retificação da DIPJ, para a demonstração do crédito cuja compensação é requerida. Não há, portanto, a necessária similitude entre os acórdãos paradigmas requerida pelo art. 67 do RICARF. Nesse seguir, voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto. Aplicandose o voto acima transcrito ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.902093/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2004
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. SUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Deve ser acolhido integralmente o resultado de diligência que comprova saldo de crédito em suficiência para extinguir o crédito tributário por meio de pedido de compensação.
Numero da decisão: 3401-004.355
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Robson José Bayerl, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro André Henrique Lemos), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. SUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Deve ser acolhido integralmente o resultado de diligência que comprova saldo de crédito em suficiência para extinguir o crédito tributário por meio de pedido de compensação.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. SUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Deve ser acolhido integralmente o resultado de diligência que comprova saldo de crédito em suficiência para extinguir o crédito tributário por meio de pedido de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Robson José Bayerl, Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro André AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 20 93 /2 00 8- 95 Fl. 232DF CARF MF 2 Henrique Lemos), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Relatório Adoto, por fidedigno, o relatório realizado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, designado Redator ad hoc, a quem sucedo na relatoria do presente caso, na Resolução CARF nº 3102000.135, proferida por esta turma julgadora em 29/09/2010: O interessado solicitou a compensação de créditos de COFINS, de 2004, com débitos de IRPJ por meio da Dcomp n° 3979.48204.141204.1.3.041387. A DRFUberlândia/ MG emitiu despacho decisório no qual indeferiu a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação. Em resposta, a empresa interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual apresentou DCTF retificadora, datada daquele ano (2008), para sanar a distorção e inconsistência que ocasionou a rejeição da compensação. A DRJ manteve a decisão que indeferiu a compensação sob o argumento de que a manifestação de inconformidade não traria a demonstração da apuração do valor lançado na DCTF retificadora, para que se possa certificar a sua correção. Afirmou, ademais, que na DCTF retificadora não haveriam elementos que comprovem que esse novo valor fora apurado e declarado em data anterior à transmissão da Dcomp n° 3979.48204.141204.1.3.041387. Contra essa decisão o interessado interpôs recurso voluntário, no qual ratifica que os fatores declarados na DCTF retificadora teriam sido pagos antes do pedido de compensação. Esse foi o relatório apresentado pela Conselheira Relatora. Em 18/11/2015, por meio do despacho de fl. 145, com respaldo no art. 17, III, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, este Conselheiro foi designado ad hoc, para formalizar o Resolução nº 3102000.135, de 29 de setembro de 2010, da lavra da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção, relativa a este processo, uma vez que a Relatora, o ExConselheira Beatriz Veríssimo de Sena não mais integra nenhum dos Colegiados deste Conselho (seleção e grifos nossos). Em 29/09/2010, a 2ª turma da 1ª Câmara da 3ª Seção proferiu a Resolução CARF nº 3102000.135, por unanimidade de votos, para a seguinte finalidade: Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10675.902093/200895 Acórdão n.º 3401004.355 S3C4T1 Fl. 233 3 Previamente, ressaltase que a Relatora original, a Ex Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, disponibilizou na Secretaria da Primeira Câmara o relatório acima transcrito, bem como o voto condutor da decisão objeto da presente Resolução, que será aqui igualmente aproveitado. Porém, em virtude da sua renúncia ao mandato de Conselheira, ela ficou impossibilitada de concluir a formalização da citada Resolução. Dessa forma, adoto o voto entregue pela Conselheira Relatora, vazado nos seguintes termos: Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora. Conforme depreendese do relatório, o argumento adotado pela DRJ para rejeitar o pedido de compensação foi o fato de que “não haveria demonstração da apuração do valor lançado na DCTF retificadora anterior ao pedido de compensação”. Verifico da legislação em vigor a época do pedido de compensação que o requisito para o deferimento de pedido de compensação é a verificação de pagamento a maior de COFINS. No caso concreto, cotejandose a DCTF retificadora com o DARF e comprovante de pagamento à fl. 15, observase que há indícios (ainda que não definitivos) de que fora recolhido em 2004 valor a maior a título de COFINS. Por outro lado, não consta dos autos elementos suficientes a afirmar que a retificação realizada em 2009 conteria declarações inverídicas. Assim, converto o julgamento em diligência para que a autoridade local verifique se o débito declarado na DCTF retificadora corresponde ao valor efetivamente devido, intimandose o interessado, oportunamente, a se manifestar acerca do relatório da diligência. Com base nesses fundamentos, a Relatora original converteu o julgamento do recurso em diligência, sendo acompanhada pelos demais integrantes do Colegiado." (seleção e grifos nossos). A unidade, em atenção à resolução determinada, produziu relatório de diligência fiscal, situado às fls. 179 a 180, no qual concluiu nos seguintes termos: Fl. 234DF CARF MF 4 A 1ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF, por meio da Resolução 3102000.135, fls. 146/148, converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência para que seja verificado se o débito de COFINS, relativo ao período de apuração março/2004, declarado na DCTF retificadora corresponde ao valor efetivamente devido pelo contribuinte. Conforme se verifica pelos documentos anexados às fls. 150/225, no curso do processo nº 10675.905360/200967, o contribuinte foi intimado em 2012, por meio da Solicitação de Documentos SAORT/DRF/UBE 180/2012, fl. 150, a comprovar a base de cálculo relativa ao período de apuração março/2004, para fins da apuração da contribuição para o PIS cumulativo, incidente sobre faturamento, mesma base de cálculo utilizada para a apuração da COFINS cumulativa, código 2172, de que trata a presente diligência. Essa foi a razão pela qual foram anexados ao presente processo os documentos de fls. 150/225. A DCTF retificadora nº 100.0000.2008.1720503898, entregue em 30/06/2008 foi motivada por erro de fato na apuração da base de cálculo da COFINS, uma vez que o contribuinte deixou de excluir da receita bruta as vendas de autopeças com incidência de tributação monofásica. Referidas vendas constam do relatório anexado às fls. 160/225, e se referem a produtos com classificação fiscal relacionada no Anexo I e II da Lei 10485/2002, para os quais a alíquota da contribuição para a COFINS foi reduzida a 0% (zero por cento), nos casos de receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista. O extrato, anexado às fls. 226/228, comprova o processamento da DCTF retificadora apresentada pela recorrente, consignando no contacorrente da empresa como devido, no período de apuração março de 2004, o débito de COFINS, no valor de R$ 1.682,26, o qual encontrase liquidado pelo pagamento nº 1581679371, realizado em 15/04/2004, no valor total de R$ 5.498,46, remanescendo como pagamento a maior o saldo disponível de R$ 3.816,20, que corresponde ao valor pleiteado como crédito na declaração de compensação, objeto do presente processo. Estas as informações prestadas em cumprimento a Resolução 3102000.135, fls. 146/148. Em pesquisa ao sistema SIEF/PERDCOMP verifiquei que o presente crédito de pagamento indevido ou a maior também constitui objeto do processo nº 10675.902092/200841, em fase de recurso voluntário, junto ao CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, razão pela qual sugiro, caso a autoridade julgadora entenda conveniente, a juntada da presente informação também no referido processo, para subsidiar o julgamento, uma vez se tratar do mesmo crédito ora aqui analisado. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10675.902093/200895 Acórdão n.º 3401004.355 S3C4T1 Fl. 234 5 Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Em conformidade com o relatório de diligência, fundamentado com os documentos de fls. 226 a 228, denotase débito de COFINS, no valor de R$ 1.682,26, liquidado pelo pagamento nº 1581679371, realizado em 15/04/2004, no valor total de R$ 5.498,46, remanescendo, como pagamento a maior, o saldo de R$ 3.816,20, que corresponde ao valor pleiteado como crédito no presente processo: Desta forma, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo integralmente o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Fl. 236DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.720189/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
IMÓVEL RURAL. LOCALIZAÇÃO EM TERRA INDÍGENA DEMARCADA PELO PODER PÚBLICO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Para fazer prova de suas alegações, cabe ao sujeito passivo demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, que a área do imóvel rural, ou parte dela, está inserida em terras indígenas demarcadas pelo Poder Público, produzindo tal situação efeito sobre a posse do imóvel na data do fato gerador do imposto.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016.
Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL.
A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Para fins de exclusão da base de cálculo, a área de reserva legal deverá estar averbada até a data de ocorrência do fato gerador do imposto.
Numero da decisão: 2401-005.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 771,2 ha. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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LOCALIZAÇÃO EM TERRA INDÍGENA DEMARCADA PELO PODER PÚBLICO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Para fazer prova de suas alegações, cabe ao sujeito passivo demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, que a área do imóvel rural, ou parte dela, está inserida em terras indígenas demarcadas pelo Poder Público, produzindo tal situação efeito sobre a posse do imóvel na data do fato gerador do imposto. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016. Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. Tal entendimento alinhase com a orientação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL. A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Para fins de exclusão da base de cálculo, a área de reserva legal deverá estar averbada até a data de ocorrência do fato gerador do imposto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 01 89 /2 00 7- 43 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10218.720189/200743 Acórdão n.º 2401005.483 S2C4T1 Fl. 165 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 771,2 ha. Vencidos os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10218.720189/200743 Acórdão n.º 2401005.483 S2C4T1 Fl. 166 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSB), por meio do Acórdão nº 0340.480, de 24/11/2010, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 147/155): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas do ITR, exigese que essas áreas, informadas na DITR/2005 e glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado, em tempo hábil, junto ao IBAMA, além da averbação tempestiva da área de reserva legal. DA ÁREA INDÍGENA. Para gozar da imunidade tributária constitucionalmente prevista, a pretendida área de preservação permanente deveria, também, estar comprovadamente localizada em área indígena, demarcada e formalizada por Decreto Presidencial, até a data do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2005 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação com ART, em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 02103/00156/2007, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao exercício de 2005, vinculada ao imóvel denominado "Fazenda Tucumanzeira Lote 54", localizado no município de São Félix do Xingu, estado do Pará, com área total de 4.356,0 ha e cadastro fiscal sob o nº 1.946.2204 (fls. 108/113). Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10218.720189/200743 Acórdão n.º 2401005.483 S2C4T1 Fl. 167 4 2.1 A autoridade tributária considerou não comprovada a isenção das seguintes áreas declaradas pelo sujeito passivo (fls. 110/112): (i) Área de Preservação Permanente: 771,2 ha; e (ii) Área de Reserva Legal: 3.484,8 ha. 2.2 Ademais disso, o agente fazendário procedeu também ao arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com base nas informações do Sistema de Preços de Terras (SIPT). 2.3 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração Anual, exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. O contribuinte foi cientificado da autuação por via postal, em 10/10/2007, e impugnou a exigência fiscal no dia 06/11/2007 (fls. 114/115 e 132/143). 4. Intimado em 28/04/2012, também por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário no dia 11/04/2012, em que aduz os seguintes argumentos de defesa (fls. 158/160 e 53/76): (i) o imóvel estava, à época dos fatos geradores, ocupado por índios, tendo em vista a sua localização dentro da área indígena demarcada APYTEREWA; (ii) é descabida a exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) relativamente às áreas declaradas de preservação permanente e de reserva legal, cuja exclusão da base de cálculo tributável do imposto advém diretamente do texto de lei; e (iii) está ausente a capacidade contributiva devido à limitação legal ao uso da propriedade em razão do percentual de 80% para a reserva legal na Amazônia. 5. Por meio do Resolução nº 2801000.313, de 11/09/2014, a 1ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência para o saneamento da instrução processual, dada a divergência documental em razão da introdução de elementos estranhos que diziam respeito ao Processo nº 10218.720146/200768, formalizado em face do mesmo contribuinte (fls. 91/95). As providências foram adotadas, retornando o processo administrativo para prosseguimento. 6. Por fim, tendo em vista que Turma de origem foi extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi realizado novo sorteio e distribuição deste processo administrativo para o julgamento do recurso voluntário (fls. 162/163). É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10218.720189/200743 Acórdão n.º 2401005.483 S2C4T1 Fl. 168 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 7. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Considerações Iniciais 8. Preliminarmente registro que a deficiência parcial na instrução processual identificada pelo relator originário, que motivou a prévia conversão do julgamento em diligência, teve como causa uma falha de anexação dos arquivos digitais resultantes da conversão do processo em papel referente à Notificação de Lançamento nº 02103/00156/2007. 9. No entanto, tal situação documental nos autos, que foi devidamente corrigida pela unidade da RFB, não comprometeu a defesa do contribuinte, a qual se pautou, para fins de elaboração da impugnação e do recurso voluntário, nos documentos e/ou informações que faziam parte dos autos em papel, reproduzidos fielmente no atual estágio do processo administrativo digital. Mérito a) Área Indígena 10. Alega o recorrente que o imóvel rural "Fazenda Tucumanzeira Lote 54", objeto da autuação fiscal, está localizado em uma área de reserva indígena denominada "APYTEREWA". Para comprovar tal fato, colacionou aos autos as cópias dos documentos de fls. 80/87. 11. Pois bem. Não há dúvidas, conforme documentos apresentados pelo contribuinte, a respeito da demarcação e homologação da Terra Indígena "APYTEREWA", localizada no município de São Félix do Xingu (PA), com posse permanente do grupo indígena "PARAKANÃ", por meio do Decreto s/n de 19 de abril de 2007, assinado pelo Presidente da República (fls. 85/86). 11.1 Na realidade, a área destinada aos índios é consequência de um processo administrativo iniciado desde o ano de 1991, com proposta de definição dos seus limites físicos, no total de 773.000 hectares, alcançada por meio da Portaria nº 1.192, de 31 de dezembro de 2001 (fls. 80/84). Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10218.720189/200743 Acórdão n.º 2401005.483 S2C4T1 Fl. 169 6 12. Também é certo que as áreas tradicionalmente ocupadas pelos índios estão submetidas ao regime de preservação permanente, com o intuito de manter o ambiente propício à vida das populações silvícolas, escapando, por conseguinte, da incidência tributária do imposto sobre a propriedade rural. 13. Ocorre que o recorrente não providenciou a juntada aos autos de qualquer documento hábil e idôneo para o fim de demonstrar que a área do imóvel, ou ao menos um parte dela, está realmente inserida dentro dos limites da demarcação oficial das terras indígenas, observada, em uma ou outra hipótese, a correspondência de coordenadas geográficas. 13.1 Em que pese tenha sido realçada a importância pela decisão de piso, o recorrente nem mesmo trouxe aos autos alguma manifestação elaborada pela Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão responsável pela demarcação administrativa e controle das áreas indígenas, ou do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), sinalizando para a verossimilhança dos fatos que pretende fazer prevalecer. 14. É cediço, por constituirse em fato noticiado pela mídia, que na região do município de São Félix do Xingu (PA), sempre houve sérios problemas de ocupação não indígena na área demarcada da reserva "APYTEREWA", mesmo após o decreto presidencial de abril de 2007. 14.1 Por essa razão, tornase fundamental não só a comprovação que o imóvel encontrase incrustado nas terras indígenas demarcadas, mas também que à época do fato gerador do imposto, em 01/01/2005, a área do imóvel rural estava efetivamente ocupada por indígenas, com a supressão, ainda que parcial, da posse do contribuinte para a exploração da propriedade. 14.2 Até porque, segundo os dados declarados pelo contribuinte, foi informada uma área do imóvel aproveitável para a atividade rural, embora pequena, é verdade, quando comparada com a área total da propriedade (fls. 112). 15. Destarte, não tendo o interessado desincumbindose do ônus probatório que lhe é atribuído pelo direito processual, reputo como não confirmada a alegação do recorrente. b) Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal 16. A autoridade fiscal efetivou a glosa das áreas declaradas pelo recorrente a título de preservação permanente e reserva legal, equivalentes, respectivamente, a 771,2 ha e 3.484,8 ha, sob a justificativa de que, após regularmente intimado, deixou de comprovar o cumprimento dos requisitos para usufruir da isenção tributária sobre as áreas de conservação ambiental do imóvel (fls. 110/112). 16.1 Quanto a essas áreas do imóvel rural, o recorrente assevera que a apresentação do ADA não é condição necessária e obrigatória para a fruição da redução do valor a pagar do imposto. 17. Pois bem. Verifico do acórdão recorrido que manteve a exigência da protocolização tempestiva do ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente, além da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel rural, até a data de ocorrência do fato gerador do imposto. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10218.720189/200743 Acórdão n.º 2401005.483 S2C4T1 Fl. 170 7 18. As áreas de preservação permanente e de reserva legal estão excluídas da tributação pelo ITR, segundo previsto na alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Reproduzo a redação do dispositivo de lei na redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) 19. Nada obstante, para fins de afastar a tributação no tocante às áreas não tributáveis a que alude a lei, inclusive de preservação permanente e de reserva legal, é necessária, como regra geral, a informação tempestiva da respectiva área ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por intermédio do ADA, a cada exercício, nos prazos definidos na legislação infralegal. 19.1 Nesse escopo interpretativo, o texto expresso do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10218.720189/200743 Acórdão n.º 2401005.483 S2C4T1 Fl. 171 8 II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. (...) (GRIFEI) 20. Em nível de lei ordinária, a apresentação do ADA para efeito de redução da área tributável, antes opcional, passou a ser obrigatória com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) (GRIFEI) 21. A exclusão da tributação de determinadas áreas de interesse de preservação e de caráter limitado quanto ao seu aproveitamento econômico ficou condicionada à informação tempestiva ao Ibama, permitindo o controle e a verificação delas pelo órgão nacional responsável pela proteção ambiental. 22. Segundo o ponto de vista pessoal, o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, revogado pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, não quis tornar inexigível a apresentação do ADA para o reconhecimento das áreas não tributáveis, em detrimento ao conteúdo do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981: Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis 22.1 A meu ver, o texto do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, cuidou de explicitar apenas que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ficando dispensada, no momento da entrega da declaração, a comprovação da informação da área em ADA. 23. Como argumento de reforço, sublinho que a interpretação da lei acima está alinhada com o entendimento dado pelo Poder Executivo quando da regulamentação da matéria, por meio do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, antes reproduzido. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10218.720189/200743 Acórdão n.º 2401005.483 S2C4T1 Fl. 172 9 24. Nada obstante, a despeito da opinião acima, é mister dizer que o Poder Judiciário tem inúmeros precedentes, aplicáveis a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, a qual aprovou o Novo Código Florestal, no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR, a partir de um determinado viés interpretativo para o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24.1 Com essa finalidade, inclusive, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), órgão responsável pela defesa em juízo do crédito tributário da União, elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, em que dispensa o Procurador da Fazenda Nacional, relativamente a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, de contestar e recorrer nas demandas judiciais que versem sobre a necessidade de apresentação do ADA para fins do reconhecimento do direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal. 24.2 Tal orientação foi incluída no item 1.25, "a", da Lista de dispensa de contestar e recorrer, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). 25. À vista disso, embora o entendimento não tenha caráter vinculante no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a falta de ADA não deve ser considerada impeditiva à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mantendo, desse modo, coerência com a conduta que seria adotada pela Procuradoria da Fazenda Nacional caso a questão controvertida fosse levada à apreciação do Poder Judiciário. 26. Acrescento que o imóvel rural está situado na Amazônia Legal e possui uma área total de 4.356,0 ha, em um região do Rio Xingu com as características que lhe são próprias, incluindo inúmeros afluentes, córregos e suas nascentes, com florestas primitivas no entorno, pelo qual me parece perfeitamente plausível a quantificação declarada pelo contribuinte para a área de preservação permanente. 27. Desse modo, cabe restabelecer a Área de Preservação Permanente de 771,2 ha declarada pelo sujeito passivo. 28. Quanto à área de reserva legal, entretanto, a solução é distinta. É que a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, alhures reproduzida, reportase expressamente às disposições da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, à época o Código Florestal brasileiro. Por sua vez, o art. 16 do Código Florestal disciplinava características da área de reserva legal. Transcrevo o § 8º desse artigo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10218.720189/200743 Acórdão n.º 2401005.483 S2C4T1 Fl. 173 10 casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (...) (GRIFEI) 29. É de verse do texto de lei em destaque que, diferentemente da área de preservação permanente, a legislação traz a obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, a fim de fazer prova formal da área preservada destinada à reserva legal. 29.1 O ato de averbação é dotado de eficácia constitutiva, condicionante do direito de usufruir a isenção fiscal. Para escapar à incidência tributária é indispensável a prévia averbação da área de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel. 29.2 Em outros dizeres, a averbação deverá ocorrer até a data da ocorrência do fato gerador do imposto como prova da existência da área de reserva legal. Senão vejamos, o § 1º do art. 12 do Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. (...) 30. Contudo, dos documentos que instruem os autos, não houve qualquer comprovação da averbação da área de reserva legal, ou seja, inexistente a prova da anotação de reserva legal à margem da inscrição da matrícula, ou das matrículas correspondentes ao imóvel rural objeto do lançamento fiscal. 31. Ressalto que a lei, no momento da declaração fiscal, dispensa a prova da averbação da reserva legal no registro de imóveis. Todavia, não desobriga a posterior comprovação da averbação, desde que solicitado, em procedimento de fiscalização ou no contencioso administrativo tributário. 32. Ainda com base na legislação copiada, o fato de existir limitação em lei da utilização econômica de parcela dos imóveis rurais situados em área de floresta localizada na Amazônia Legal, não dispensa, por outro lado, a averbação da reserva legal na matrícula do imóvel, como condição para considerála como área não tributável (art. 16, inciso I c/c § 8º, da Lei nº 4.771, de 1965). 33. De mais a mais, o afastamento da presunção de constitucionalidade de dispositivo de lei, aprovada pelo Poder Legislativo, demanda apreciação e decisão por parte do Poder Judiciário. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10218.720189/200743 Acórdão n.º 2401005.483 S2C4T1 Fl. 174 11 33.1 Por esse motivo, escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a declaração de inconstitucionalidade de lei tributária pela falta de compatibilidade com princípios constitucionais, tais como a afronta à capacidade contributiva e a não utilização de tributo, com efeito confiscatório. Argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 34. Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 35. Deixo escrito, por fim, que o recorrente não se insurgiu contra a alteração do VTN declarado. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO PARCIAL para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 771,2 hectares. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 174DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.900431/2014-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Diego Diniz Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Diego Diniz Ribeiro. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis/SC, que declarou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Versa este processo sobre Pedido de Ressarcimento (PER) nº 34920.77654.261213.1.1.116780, transmitido em 26/12/2013, de créditos da Cofins de incidência não cumulativa, vinculados à receita não tributada no mercado interno, apurados no 4º trimestre calendário de 2010. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 00 43 1/ 20 14 -1 9 Fl. 7072DF CARF MF Processo nº 10983.900431/201419 Resolução nº 3402001.363 S3C4T2 Fl. 7.073 2 Em julgamento datado de 31 de maio de 2016, a DRJ de Florianópolis/SC declarou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a perícia requerida pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. PIS/PASEP. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Cofins e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. Fl. 7073DF CARF MF Processo nº 10983.900431/201419 Resolução nº 3402001.363 S3C4T2 Fl. 7.074 3 As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. É vedado o direito a créditos da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; nos casos de isenção, quando os bens sejam revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, que são incorporadas ao produto destinado à venda durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação) dão direito a crédito na sistemática não cumulativa da Cofins. As agregadas ao produto apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PARTES E PEÇAS PARA REPOSIÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. As partes e peças de reposição aplicadas em máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, desde que as máquinas e equipamentos em que foram utilizadas sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à Fl. 7074DF CARF MF Processo nº 10983.900431/201419 Resolução nº 3402001.363 S3C4T2 Fl. 7.075 4 venda e desde que não repercutam em aumento, superior a um ano, de vida útil do bem. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No regime não cumulativo da Cofins, as aquisições de combustíveis e lubrificantes geram crédito desde que tais produtos sejam diretamente utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da empresa. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Cofins, entretanto, desde que as máquinas e equipamentos em que são aplicados sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à venda. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÃO COM SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, caput e § 1º, na redação dada pela Medida Provisória nº 497/2010, a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real fazia jus a créditos presumidos da Cofins referentes às mercadorias adquiridas no mercado interno com a suspensão prevista no inciso II do art. 32, da mesma lei, e destinadas à revenda ou industrialização, desde que as receitas das vendas desses bens ou das vendas das mercadorias produzidas a partir deles não se sujeitassem a esta mesma suspensão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, alegando e requerendo: i) que seja reconhecida a sua inconformidade com a integralidade da não homologação pelo despacho decisório ou, subsidiariamente, seja decretada a nulidade do despacho decisório por insuficiência de fundamentação na "informação fiscal"; ii) nulidade do acórdão vergastado por ter indeferido o pedido de perícia; iii) no mérito, defende o conceito de insumo para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS com base na essencialidade do bem ou serviço ao processo produtivo; iv) com relação a cada glosa mantida pelo acórdão da DRJ, afirma que iv.1) teria direito ao crédito de bens sujeito à alíquota zero; iv.2) sobre a devolução de compras de insumo, afirma que a documentação trazida aos autos é suficiente para demonstrar seu direito; Fl. 7075DF CARF MF Processo nº 10983.900431/201419 Resolução nº 3402001.363 S3C4T2 Fl. 7.076 5 iv.3) sobre os bens e serviços não enquadrados no conceito de insumo, rebate cada uma das conclusões do acórdão recorrido (partes e peças necessárias à manutenção do parque industrial; óleos, aditivos, fluídos e graxas; pallets; suíno Fêmea Reprodução C22 Master), procurando demonstrar sua pertinência ao processo produtivo e a autorização legal para a tomada do crédito; v) quanto às notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito, alega que consistem de insumos utilizados na atividade produtiva, conforme descrição do seu processo produtivo, documentos e jurisprudência já citados; vi) no que tange ao aproveitamento de crédito extemporâneo, afirma que não promoveu o creditamento a destempo, mas apenas formalizou o reconhecimento de créditos no exato momento em que escrituradas as correspondentes notas fiscais; ademais, o óbice formal imposto pela Fiscalização ao aproveitamento não encontraria respaldo legal, podendo ocorrer o aproveitamento do crédito em meses subsequentes; vii) sobre os créditos presumidos de atividades agroindustriais, coloca que cumpriu todos os requisitos legais para sua tomada, não lhe sendo aplicável a restrição contida no artigo 34, §1º da Lei n. 12.058/2009. Depois da apresentação do recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos a petição de fls 2449 a 2456, bem como a documentação que lhe sucede, com laudo por ela mesma confeccionado a respeito de seu processo produtivo e utilização dos insumos relativos aos créditos glosados, no intuito de corroborar todas as suas alegações e provas anteriormente defendidas. Assim, e tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015), propus via despacho (fls 1769) a abertura de vista dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifestasse acerca das razões e documentos apresentado pela Recorrente e assim submeter a documentação ao contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. Em sua resposta, a PFN requer o desentranhamento dos documentos juntados ao processo de modo intempestivo, com fulcro no artigo 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72 (fls 7066 a 7069). Outrossim, por requisição dessa relatora e deferimento da Presidência da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, foram a mim encaminhados os processos conexos ao presente, seja por se tratar da mesma matéria fática, divididos apenas por razões processuais em processos de ressarcimento de cada trimestre, e que, portanto, devem ser analisados em conjunto (PAFs 10983.900432/201463, 10983.900433/201416, 0983.900434/201452, 10983.900431/201419), seja porque versam sobre a multa isolada pela não homologação dos mesmo pedidos de ressarcimento (PAFs 11516.722404/201559; 11516.722405/201501; 11516.722402/201560 e 11516.722403/2015). É o relatório. VOTO Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. Fl. 7076DF CARF MF Processo nº 10983.900431/201419 Resolução nº 3402001.363 S3C4T2 Fl. 7.077 6 A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em 21/06/2016, conforme informação de fls 2341 a 2343, apresentando Recurso Voluntário em 15/07/2016. Assim, o recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. No presente processo discutese o conceito de insumo para direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS nãocumulativas. Como é consabido, nesse tipo de processo põese em pauta quais aquisições de bens e serviços são capazes de ser considerados como insumos para fins de creditamento das Contribuições sociais em questão, uma vez que a Fiscalização toma como base o conteúdo das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004. Também é de conhecimento geral que a jurisprudência desse Conselho consolidouse no sentido de que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ. Com isso, este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis: 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Tal julgamento é de observância obrigatória pelo CARF, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. Pois bem. Tendo a Recorrente trazido aos autos vasto conjunto probatório sobre o direito que pleiteia, não cabe ao julgador desconsiderar o direito da parte, mas sim permitir que seja o processo seja devidamente trabalhado, já que as premissas utilizadas pela Fiscalização e pela DRJ são divergentes da aqui adotada. Daí sim será possível, com precisão, julgar ser ou não devida a não homologação dos créditos pleiteados no presente processo. É nesse sentido que tem entendido o CARF, como se constata, por exemplo, das Resoluções 3402000.478, 3202000.483, 3202000.480, 3101 000.371, todas referente a mesma empresa, ora Recorrente, que entenderam que as provas apresentadas pela Contribuinte mereciam aprofundamento em diligência à unidade fiscal de origem, haja vista a complexidade Fl. 7077DF CARF MF Processo nº 10983.900431/201419 Resolução nº 3402001.363 S3C4T2 Fl. 7.078 7 de seu processo produtivo e a enormidade de glosas perpetradas pela fiscalização. Todos os processos abarcados pelas referidas resoluções foram posteriormente julgados por este Colegiado, em decisões com embasamento fático incontestável, da lavra do Conselheiro Waldir Navarro. Também assim procedeu recentemente este Colegiado, ao converter em diligência o julgamento de caso análogo ao presente, por meio da Resolução n. 3402001.100, bem como na Resolução n. 3402001.258 (esta última de minha relatoria, referente à mesma empresa ora Recorrente, votada em fevereiro de 2018) Dessarte, havendo indícios contundentes sobre o direito da Recorrente, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim de que: i) elabore, com base nos elementos constantes nesses autos, um parecer conclusivo que possibilite identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado, quanto à participação de cada bem ou serviço no processo produtivo da Recorrente; ii) o referido parecer deverá ser elaborado acompanhado de uma planilha que segregue os bens e serviços considerados pela Recorrente sob os seguintes critérios: a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa, utilizando o conceito de custo de produção (artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99); b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano) e sua eventual incorporação ao ativo imobilizado; c) contato direto com o produto em fabricação; d) agregação ao produto final; e) utilização direta em máquinas ou equipamentos do processo industrial; iii) também no referido parecer devem constar as informações a respeito do crédito aproveitado extemporaneamente pela Recorrente (indicação de que houve escrituração de créditos extemporâneos e prova de que tais créditos existem e não foram utilizados em períodos anteriores), aferindo sua validade, independentemente de retificações do DACON; iv) ato contínuo, dê ciência desse parecer à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Recorrente, abrindolhes prazo regulamentar para manifestação, e; v) Finalmente, devolva o processo para esta 2ª TO/4ª C/3ª S/CARF, para prosseguimento do julgamento. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 7078DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.934790/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.602
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 34 79 0/ 20 09 -3 2 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10980.934790/200932 Resolução nº 3301000.602 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06035.927. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10980.934790/200932 Resolução nº 3301000.602 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10980.934790/200932 Resolução nº 3301000.602 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10980.934790/200932 Resolução nº 3301000.602 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10980.934790/200932 Resolução nº 3301000.602 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10980.934790/200932 Resolução nº 3301000.602 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10980.934790/200932 Resolução nº 3301000.602 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10980.934790/200932 Resolução nº 3301000.602 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720680/2017-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF - DEDUÇÃO INDEVIDA. LIVRO CAIXA. RECEITAS DE ALGUEL
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade.
Numero da decisão: 2002-000.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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LIVRO CAIXA. RECEITAS DE ALGUEL O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 06 80 /2 01 7- 19 Fl. 219DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL fls. 05 a 09, relativa a dedução indevida de livro caixa e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Tais infrações geraram lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 19.935,24, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, à efl. 10 a 180 dos autos. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/CGE que, por unanimidade, em 10/07/2017, no acórdão 0443.494, às efls. 192 a 194, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Contudo, o acórdão da DRJ, ao afastar a omissão de rendimentos e, posteriormente isentar os rendimentos auferidos comete equívoco no apontamento do valor de Importo de Renda Retido na Fonte passível de restituição pelo contribuinte. Recurso voluntário O contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário, em 30/08/2017 às efls. 204 a 214, no qual alega que, como recebe rendimentos de aluguel pode valerse do livrocaixa, deduzindo as despesas com os imóveis, como comissões, condomínios e valores de manutenção. Ainda, insurgese contra a multa de ofício aplicada. Quedase silente quanto a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Às efls. 212, há um comunicado expedido pela SECAT (nº 217/2017) que atesta o pagamento do crédito tributário constituído no processo n° 10830.722426/201755, que não se trata deste processo administrativo fiscal. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/08/2017, efls. 200, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 30/08/2017, efls. 204 , posto que dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário baseiase na compensação indevida de livro caixa de rendimentos auferidos e compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Mantida a autuação pelo acórdão da DRJ. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10830.720680/201719 Acórdão n.º 2002000.030 S2C0T2 Fl. 217 3 Em sede de recurso voluntário o contribuinte não apresente impugnação em relação a compensação indevida de IRRF, logo, matéria que não faz parte da lide, de acordo com artigo 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Quanto a dedução indevida de livro caixa, alega o contribuinte que, como aufere rendimentos de aluguéis, as despesas com os serviços de manutenção dos imóveis ,comissões pagas as administradoras, condomínios, podem ser abatidos dos valores recebidos. O Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto nº 3.000/99) é claro ao delimitar os contribuintes que podem valerse da escrituração do livro caixa, bem como as despesas passíveis de dedução: Despesas Escrituradas no Livro Caixa Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art. 76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º). Fl. 221DF CARF MF 4 § 1º O excesso de deduções, porventura existente no final do anocalendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º). § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 2º). § 3º O Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. Pelo dispositivo legal a escrituração em livrocaixa é própria e taxativa para os casos em que o contribuinte receba rendimentos do trabalho não assalariado, casos dos profissionais liberais, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro. As hipóteses não contemplam a recebimento de valores de aluguéis. Os aluguéis devem der tributados de acordo com a Tabela Progressiva do Imposto de Renda das pessoas físicas e a responsabilidade pelo recolhimento depende da natureza jurídica do locatário: · Se pessoa jurídica, caberá a sociedade empresária recolher o imposto de renda na fonte. O locatário informa em sua DAA a razão social, CNPJ, o valor do aluguel recebido no ano e o imposto retido na fonte, no campo "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica pelo Tirular"; · Se pessoa física, o locatário deve declarar o valor recebido no item "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física e do Exterior", dentro da aba "carnêleão" Em suma, o livrocaixa não pode ser utilizado para escrituração de rendimentos de aluguel. Ainda, insurgese o contribuinte quanto a incidência da multa de ofício de 75%, alegando que não teve a intenção de sonegar tributos. À luz do Direito Tributário, sem adentrar correntes doutrinárias específicas, o lançamento tributário é didaticamente dividido em três modalidades: lançamento de ofício, lançamento por homologação e lançamento por declaração. Conforme dispositivos do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10830.720680/201719 Acórdão n.º 2002000.030 S2C0T2 Fl. 218 5 III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente Fl. 223DF CARF MF 6 extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No lançamento por homologação o contribuinte tem o dever de apurar e pagar o tributo por sua conta, antecipandose a autoridade administrativa. Atualmente, pelo Princípio da Praticidade, a maioria dos tributos, inclusive o imposto de renda, estão sujeitos ao lançamento por homologação e, caso o contribuinte não cumpra seu dever legal, caberá ao Fisco efetuar o lançamento tributário de oficio, cuja conseqüência é aplicação da multa de ofício de 75%, conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não interessa ao presente processo, contudo, como fora mencionado acima, o lançamento por declaração é aquele em que a autoridade administrativa, frente a uma informação prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária, exige o pagamento do tributo (por exemplo, o IPTU). Desta feita, como o contribuinte não cumpriu com o seu dever de lançar devidamente o tributo devido, coube a fiscalização assim proceder, sendo devida a multa de ofício de 75%. Quanto a alegação no recurso voluntário de extinção do crédito tributário mediante o pagamento dos DARF's colacionados, tratase de processo outro que não estes autos, de nº 10803.7.22426/201755, não merecendo prosperar. Por todo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o crédito tributário. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10830.720680/201719 Acórdão n.º 2002000.030 S2C0T2 Fl. 219 7 Thiago Duca Amoni Relator Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.003039/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de obscuridade nos fundamentos da decisão.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS
Os produtos intermediários essenciais utilizados na fabricação de um produto novo, os quais sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, proporcionam o direito ao aproveitamento de créditos de IPI. Não se incluem no conceito produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas.
Embargos Acolhidos em Parte.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-005.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de obscuridade nos fundamentos da decisão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos. IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS Os produtos intermediários essenciais utilizados na fabricação de um produto novo, os quais sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, proporcionam o direito ao aproveitamento de créditos de IPI. Não se incluem no conceito produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas. Embargos Acolhidos em Parte. Crédito Tributário Mantido.
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OBSCURIDADE. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de obscuridade nos fundamentos da decisão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de contradição entre a decisão e os seus fundamentos. IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS Os produtos intermediários essenciais utilizados na fabricação de um produto novo, os quais sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, proporcionam o direito ao aproveitamento de créditos de IPI. Não se incluem no conceito produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas. Embargos Acolhidos em Parte. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 30 39 /2 00 7- 28 Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302005.454 S3C3T2 Fl. 1.602 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Tratamse de embargos de declaração opostos em face do Acórdão nº 3302 002.100, admitidos pelo despacho de efls. 1585/1588, para sanar omissão, obscuridade e contradição alegadas, a seguir transcritas a partir dos embargos opostos: 1. Quanto às partes e peças, seja esclarecida a omissão no acórdão embargado para fins de determinar, para cada um dos produtos autuados neste item (doc. 03, cit.), qual teria sido o critério não atendido para efeitos de deferimento do crédito, a fim de que se possibilite à Empresa compreender os fundamentos da glosa e, consequentemente, possa exercer plenamente o seu direito de defesa nos termos do Decreto nº 70.235/72 e Lei nº 9.784/99. 2. Quanto ao tratamento de águas e gases, seja sanada a contradição no acórdão embargado, haja vista que o fundamento utilizado para inadmissão do crédito, qual seja, o não pertencimento ao ciclo transformacional da Empresa, foi refutado pelo CARF no julgamento dos produtos refratários. Além disso, o Eg. Conselho expressamente aponta que o Parecer Normativo nº 65/79 tornouse imprestável para definir a tomada de crédito na atualidade, o qual foi utilizado neste caso para indeferimento do crédito. Assim, necessário o aclaramento do feito para determinar se o pertencimento ao ciclo transformacional será ou não critério determinante para a tomada do crédito, bem como se os parâmetros fixados pelo o Parecer Normativo nº 65/79 deverão ser estritamente adotados para fins de tomada do crédito destes produtos. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. Os embargos foram totalmente admitidos. Quanto à alegação de omissão quanto ao critério de glosa das partes e peças em comparação ao critério utilizado para reversão da glosa dos produtos refratários, verificase que o acórdão embargado assim fundamentou a reversão da glosa dos produtos refratários: Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302005.454 S3C3T2 Fl. 1.603 3 "Importante observar que o Acórdão recorrido segue o critério adotado pela fiscalização (fls. 582), no sentido de limitar o crédito quando houvera i) ausência de contato direto com o produto; ii) quando houvera contato direto, porém o material pertenceria ao ciclo operacional; iii) parte ou peça de maquinário; iv) preenchidas todas as condições anteriores, vida útil superior a um ano. Ora, da análise dos descritivos acima, e utilizandome do próprio suposto critério adotado pela fiscalização, vejo claramente preenchidas a condição relativa ao contato direto (refratários), ainda que sua denominação seja de “peça”, pois peça indica a integração ao ativo imobilizado como algo que seja fundamental ao seu próprio funcionamento. Vejo preenchida também a condição de vida útil, uma vez que esta vida útil em todos os casos é brevíssima, o que indica ainda mais o contato direto com material em altíssima temperatura. Restaria apenas decidir quanto ao ciclo. Conquanto entenda que a classificação do insumo dentro do ciclo possa ser um indicativo, que no caso concreto essa classificação não seria determinante. Entrementes, entendolhes todos como pertencentes ao ciclo transformacional, e não o operacional, o que nos dizeres do próprio relator do Acórdão recorrido seria um dos elementos para tornar o insumo passível de creditamento. Concluindo, quanto a esses itens, voto no sentido de dar provimento à pretensão da recorrente. Concluise que para os refratários, o colegiado entendeu, por maioria de votos, que tais produtos refratários tinham contato direto com o produto em fabricação, não eram peças ou parte de maquinário, possuíam vida útil não superior a um ano e pertenciam ao ciclo transformacional. Quanto à condição de não ser peça ou parte de maquinário, dispôs que "ainda que sua denominação seja de“peça”, pois peça indica a integração ao ativo imobilizado como algo que seja fundamental ao seu próprio funcionamento.". O texto poderia suscitar alguma dúvida, mas nesta matéria foi seguido pelo redator José Antônio Francisco, que elaborou o voto vencedor no qual restou evidente que a aplicação do REsp 1.075.508, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos, afastaria a necessidade do contato físico direto, mas exigiria o desgaste de forma imediata e integral, afastando da condição de insumo todas as partes e peças utilizadas em maquinário do parque industrial. Tal restrição restou consignada na ementa da decisão embargada. Assim, não restam dúvidas que para os refratários, o relator, que foi acompanhado pelo redator designado para o voto vencedor, entendeu que os produtos refratários tinham contato direto com o produto em fabricação, não eram peças ou partes de maquinário, possuíam vida útil não superior a um ano e pertenciam ao ciclo transformacional. Esta conclusão restou evidenciada na ementa do acórdão, abaixo transcrita: IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302005.454 S3C3T2 Fl. 1.604 4 Os produtos intermediários essenciais utilizados na fabricação de um produto novo, os quais sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, proporcionam o direito ao aproveitamento de créditos de IPI. Não se incluem no conceito produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas. Já sobre o item 2 partes e peças o relator assim concluiu: "Quanto a tais itens, possível verificar a relativa heterogeneidade de sua classificação. Há peças, há aqueles com desgaste menor, outros com desgaste maior, uns com presença de refratários em sua composição, outros pertencentes ao ciclo operacional. Entendo que os únicos itens que preenchem as características mencionadas no item anterior, e que tornaria possível o creditamento são os itens “m)” e “n)”. Quanto aos demais, nego provimento a pretensão da recorrente." Reiterase que, para dar crédito, o relator estava entendendo pelo atendimento aos critérios utilizados pela fiscalização: contato direto, vida útil não superior a um ano, pertencer ao ciclo transformacional e não ser peça, condições estas que deviam ser atendidas cumulativamente. Em sua peça recursal, a recorrente elenca as glosas mantidas sobre peças cuja vida útil seria inferior a um ano. A respeito, destacase abaixo os motivos da glosa de cada item de acordo com a fiscalização (efls. 25/30) e as informações constantes no laudo apresentado, bem como nos Termos de Diligência Fiscal: I) CONJUNTO MECÂNICO PNALV. GAVETA LS 50 INTE: a glosa fiscal ocorreu por ser parte/peça de equipamento e não ter contato direito com o produto em fabricação; no TDF 13/2007 está consignado que é uma peça mecânica do equipamento denominado "panela de aço", que não entra em contato direto com o aço, o que foi confirmado pelo laudo apresentado na peça recursal: m) TUBO CALORIZADO, TIPO CCC, DN 3/4 PLO, CO: como o próprio laudo atestou, é parte de equipamento, assim como no TDF 30/2007 que informa ser acoplado no equipamento denominado "manipulador de lanças"; o) TERMOPAR IMERSÃO, SENSOR S, PTPTRH10%, TUBO PAPELÃO 610 MM C/305MM REVESTIDO REFRATÁRIO E TERMOPAR IMERSÃO, SENSOR S, PTPTRH10%, TUBO PAPELÃO: a glosa fiscal informou ser instrumento de medida, portanto não enquadrado no conceito de matériaprima, mas de produto intermediário latu sensu, o que foi confirmado no TDF 7/2007 e 25/2007. p) ARRUELA CERÂMICA, DIAMETRO INTERNO 258,50MM: peça de equipamento segundo TDF 52/2007; q) CILINDRO LAMINADOR, LAM. SENDZIMIR Ill: parte de equipamento, segundo TDF 50/2007 e 51/2007; Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302005.454 S3C3T2 Fl. 1.605 5 r) CILINDRO LAMINADOR, LAM. SEDIZIMIR II: a glosa da fiscalização foi por não ter contato direito e ser parte/peça de equipamento. Segundo o TDF 45/2007 e 48/2007, tem contato direto e segundo o laudo pertencem ao laminador de bobinas Sendzimir 2; s) CILINDRO LAMINADOR, LAM. SEDIZIMIR II: a glosa da fiscalização foi por não ter contato direito e ser parte/peça de equipamento. Os TDF 46/2007 e 47/2007 informam que não tem contato direto com o produto em fabricação e são peças do equipamento “cadeira de laminação”, o que foi confirmado no laudo; t) CILINDRO LAMINADOR, LAM. STECKEL — ACABADOR, DIAMETRO, 736,00 MM, DES. 614712028: glosa fiscal por ser parte/peça de equipamento; segundo TDF 37/2007, faz parte do equipamento denominado laminador Steckel e possui contato direto; u) CILINDRO LAMINADOR, LAM. STECKEL — ACABADOR, DIAMETRO 1450MM DES. 613102001: glosa fiscal por ser parte/peça de equipamento e por não ter contato direto, bem como ter vida útil superior a um ano; segundo TDF 39/2007, faz parte do equipamento denominado laminador Steckel acabador e não possui contato direto e possui vida útil média de quatro anos. ; v) CILINDRO LAMINADOR, LAMINADOR DESBASTADOR ROUGHER DIÂMETRO 930MM, DES 613102005: segundo TDF 38/2007 faz parte do equipamento “laminador Debastador Rougher”, com contato direto e vida útil de 24 meses; E CILINDRO LAMINADOR, LAMINADOR EDGER: segundo TDF 40/2007 faz parte do equipamento “laminador Debastador Rougher”, com contato direto e vida útil de três anos; w) CILINDRO LAMINADOR, LAMINADOR DESBASTADOR ROUGHER, DES. 613102266: segundo TDF 44/2007 tratase de cilindro de encosto, de mesma aplicação do cilindro referido no TDF 39/2007, ou seja, dar apoio ao cilindro de trabalho, não entrando em contato direto; x) SEGUIMENTO DE MANDRIL, DESENHO 615606016 IT. 1, 1A, 6, DESENHO 615606017 1E. 1A: segundo a fiscalização é parte/peça de equipamento, confirmado no TDF 41/2007 como parte do equipamento denominado “bobinadeira jiral”, com vida útil inferior a um ano; y) CORREIA TRANSPORTADORA, LARG. 36 POLEGADAS E CORREIA TRANSPORTADORA, LARG. 30 POLEGADAS: segundo a fiscalização, pertence ao ativo permanente, possui vida útil acima de um ano e é parte/peça de equipamento. Segundo o TDF 49/2007 é parte do equipamento denominado “transportador 86”, com vida útil superior a um ano e transporta matériaprima até os silos do autoforno. A segunda correia, segundo TDF 57/2007 faz parte do equipamento”Transportador de correias TC1” e transporta matériaprima. Em que pese o voto do relator não ter detalhado o motivo da manutenção da glosa de cada item, depreendese que todos os itens glosados neste tópico Partes e peças, como a própria denominação indica, foram considerados partes/peças de equipamentos, à exceção do concreto refratário aluminoso e do tubo calorizado (sendo vencido quanto ao tubo calorizado, por se tratar de peça/parte de equipamento, conforme fundamentado no voto vencedor), bem como alguns itens por possuírem vida útil superior a um ano e outros por não Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302005.454 S3C3T2 Fl. 1.606 6 entrarem em contato direto com o produto em fabricação, conforme acima detalhado e de acordo com o detalhamento que a própria recorrente efetuou na peça recursal. Assim, o voto condutor do acórdão embargado passa a ser integrado com as considerações tecidas acima, sendo a glosa relativa ao tópico 3.6.2 PARTES DE PEÇAS do recurso voluntário fundamentada na condição de que tais produtos (à exceção do concreto refratário) foram considerados pelo colegiado como partes/peças de equipamentos e que algumas peças não entravam em contato direto com o produto em fabricação e outras possuíam vida útil superior a um ano, conforme DEMONSTRATIVO DE JUSTIFICATIVAS DAS GLOSAS RELATIVAS A PRODUTOS NÃO CARACTERIZADOS COMO MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO OU MATERIAL DE EMBALAGEM, efls. 25/30, Termos de Diligência Fiscal – TDF mencionados no acórdão embargado e laudo juntado em recurso voluntário e de acordo com o entendimento proferido no voto vencedor acerca do julgado pelo STJ no Resp. 1.075.508. A segunda alegação diz respeito à contradição na análise do item 3. Produtos destinados ao tratamento de água e de gases, uma vez que o relator manteve a glosa de créditos em razão de que os produtos pertenceriam ao ciclo operacional e não transformacional, ao passo que na análise do item Produtos refratários, consignou que a classificação dentro do ciclo seria um indicativo, mas não seria determinante. Transcrevemse os excertos referentes à contradição: 1. Produtos refratários "Restaria apenas decidir quanto ao ciclo. Conquanto entenda que a classificação do insumo dentro do ciclo possa ser um indicativo, que no caso concreto essa classificação não seria determinante. Entrementes, entendolhes todos como pertencentes ao ciclo transformacional, e não o operacional, o que nos dizeres do próprio relator do Acórdão recorrido seria um dos elementos para tornar o insumo passível de creditamento." 3. Produtos destinados ao tratamento de água e de gases "Quanto a esse último grupo, temos que esses produtos são “aplicados” ao produto final, complementando as suas características. Desgastamse, é fato, porém pertencem ao ciclo operacional. Não entendo como passível de auferimento de créditos." De fato, há a contradição apontada, que deve ser dirimida pela exclusão da consideração realizada na análise dos produtos refratários, posto que o relator claramente utilizou a inserção no ciclo operacional ou transformacional como elemento determinante para a manutenção da glosa dos produtos destinados ao tratamento de água e de gases. Assim, retificase o parágrafo mencionado na análise do item 1, nos seguintes termos. Onde se lê: "Restaria apenas decidir quanto ao ciclo. Conquanto entenda que a classificação do insumo dentro do ciclo possa ser um indicativo, que no caso concreto essa classificação não seria Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302005.454 S3C3T2 Fl. 1.607 7 determinante. Entrementes, entendolhes todos como pertencentes ao ciclo transformacional, e não o operacional, o que nos dizeres do próprio relator do Acórdão recorrido seria um dos elementos para tornar o insumo passível de creditamento." Leiase: "Restaria apenas decidir quanto ao ciclo. Entendolhes todos como pertencentes ao ciclo transformacional, e não o operacional, o que nos dizeres do próprio relator do Acórdão recorrido seria um dos elementos para tornar o insumo passível de creditamento." Relativamente à aplicação do Parecer Normativo nº 65/1979, não vejo tal contradição, uma vez que nem no voto condutor nem no voto vencedor, tal parecer foi fundamento legal para manutenção da glosas, mas sim as condições de não possuir contato direto, não pertencer ao ciclo operacional, ser parte ou peça de maquinário ou equipamento e ter vida útil superior a um ano, que estão em consonância com decidido no REsp 1.075.508, que, no entendimento do voto vencedor consignado, inclusive na ementa do acórdão, estabeleceu que o insumo para gerar crédito deve sofrer desgaste de forma imediata e integral durante o processo de fabricação, afastando do conceito os bens do ativo permanente (componentes de maquinário), partes e peças de máquinas e produtos não utilizados diretamente na produção, ou seja, que sofrem desgaste indireto, porém, afastando também a necessidade de contato físico direto com o bem em fabricação, condição esta prevista no PN Cosit nº 65/1979 em seu item 10.1, abaixo transcrito: 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. Assim, pareceme claro que o PN Cosit nº 65/1979 não foi fundamento jurídico utilizado para manutenção das glosas, mas as condições já mencionadas, que estão em consonância com o decidido pelo STJ no Resp 1.075.508. Diante do exposto, voto para acolher parcialmente os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, sem, contudo, imprimirlhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 13629.003039/200728 Acórdão n.º 3302005.454 S3C3T2 Fl. 1.608 8 Fl. 1608DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11041.000121/2005-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICO-JURÍDICO. INADMISSIBILIDADE.
A admissão do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fático-jurídica entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer a divergência na interpretação da legislação tributária.
Numero da decisão: 9303-006.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICO-JURÍDICO. INADMISSIBILIDADE. A admissão do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fático-jurídica entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer a divergência na interpretação da legislação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11041.000121/200512 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.713 – 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria COFINS RESSARCIMENTO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRIGORÍFICO MERCOSUL S/A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICOJURÍDICO. INADMISSIBILIDADE. A admissão do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. Para tanto, é essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fáticojurídica entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer a divergência na interpretação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 1. 00 01 21 /2 00 5- 12 Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 9303006.713 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 380200.467, de 01 de junho de 2011 (efolhas 01 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Integra a base de cálculo da Cofins nãocumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem. RECEITA DE VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS. OBRIGATORIEDADE. Somente as vendas para empresa comercial exportadora com o fim de específico, devidamente comprovadas, estão fora do campo de incidência da Cofins nãocumulativa. Na ausência dessa comprovação, os valores supostamente informados com sendo da referida receita devem ser adicionados à base de cálculo da referida Contribuição. DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 9303006.713 CSRFT3 Fl. 4 3 Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Cofins nãocumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA UTILIZADOS NA ATIVIDADE DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUTIBILIDADE DO CRÉDITO. ADMITIDA. Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas de locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE ATENDIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 9303006.713 CSRFT3 Fl. 5 4 ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração. CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte. A divergência suscitada no recurso especial da Fazenda Nacional (efolhas 105 e segs) diz respeito à possibilidade de apropriação de créditos calculados sobre as despesas com a locação de veículos de carga e máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de transporte da própria locatária. A divergência suscitada no recurso especial do contribuinte (efolhas 1.134 e segs) diz respeito à (i) ausência de concomitância ou de renúncia tácita à instância administrativa; (ii) exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas auferidas com o Fundopem/RS; (iii) direito de crédito sobre despesas de transporte com veículos de frota própria e encargos de depreciação de veículos; e (iv) litispendência administrativa. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de exame de admissibilidade às efolhas 1.126 e seguintes. Por ter sido apresentado fora do prazo e a tempestividade não ter sido objeto do pedido, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido, em decisão irrecorrível1, conforme despacho de efolhas 1.302 e segs. 1 Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão. (...) § 3º Será definitivo o despacho do presidente da câmara recorrida, que decidir pelo não conhecimento de recurso especial interposto intempestivamente, bem como aquele que negarlhe seguimento por absoluta falta de indicação de acórdão paradigma proferido pelos Conselhos de Contribuintes ou pelo CARF. Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 9303006.713 CSRFT3 Fl. 6 5 Contrarrazões do contribuinte às efolhas 1.287 e seguintes. Requer que não seja dado seguimento ao recurso especial e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. § 4º O disposto no § 3º não se aplica se a tempestividade for prequestionada. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial A contrarrazoante argumenta que o recurso interposto pela Fazenda Nacional está fundamentado no que defende ser a correta conceituação de insumos, enquanto o acórdão recorrido decidiu sobre o direito de crédito nas operações de locação de veículos de carga por considerálos espécie de máquinas e equipamentos contemplados no art. 3º, inciso IV, da Lei 10.833/2003. Assim, não haveria divergência de interpretação da legislação tributária, pois, enquanto o recorrido interpretou a amplitude do conceito de máquinas e equipamentos encontrado no inciso IV do art. 3º, o paradigma tratou da abrangência do conceito de insumo, encontrado no inciso II do art 3º. O despacho de admissibilidade do recurso especial reconheceu a divergência sob o seguinte fundamento. A decisão recorrida de fato, ao conceder o direito ao crédito da Cofins às despesas com a locação de veículos de carga utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, aplicou um conceito de insumos divergente daquele utilizado no acórdão paradigma apresentado, que em sentido diametralmente oposto, entendeu que apenas devem dar direito ao crédito os insumos que integram o produto final ou que sejam consumidos diretamente durante o processo produtivo (conceito de insumos utilizado na legislação do IPI). Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 9303006.713 CSRFT3 Fl. 7 6 O despacho identifica o dissenso com a transcrição das ementas dos acórdãos contrapostos. Para demonstrar a leitura empregada pelo recorrido, transcreveu o excerto da ementa do voto que interessava ao exame. Observese. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...) DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA UTILIZADOS NA ATIVIDADE DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUTIBILIDADE DO CRÉDITO. ADMITIDA. Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas de locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. A contrarrazoante argumenta que o conceito de insumos foi discutido em outro momento, quando o relator do processo abordava outra matéria, estranha ao recurso especial. Conclui da seguinte forma. A conceituação de insumos (inciso II do diploma legal) e sua abrangência é tratada unicamente na questão das despesas com frota própria e na dos encargos de depreciação de veículos, matérias estranhas ao Recurso Especial aqui contrarrazoado. De plano, anotese que não há divergência sobre qual foi a matéria destacada pela recorrente para demonstrar o dissenso jurisprudencial. Como fica claro no excerto que segue, extraído do recurso especial, a divergência de interpretação do vernáculo "insumos", presente na legislação que regula a incumulatividade das Contribuições, foi a questão nuclear do recurso. Para satisfazer esta exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, invocamos o Acórdão 20312.448, o qual, diversamente do entendimento demonstrado nos autos onde se Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 9303006.713 CSRFT3 Fl. 8 7 decidiu por alargar demasiadamente o conceito de insumos decidiu que apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito referente ao PIS/COFINS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3 2 das Leis n 2 10.637/2002 e 10.833/2003, adotandose no contexto da nãocumulatividade do PIS/COFINS a tese da definição de insumos prevista na legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo n 2 65/79. O despacho de exame de admissibilidade do recurso especial confirma isso. Também não há divergência sobre a matéria objeto do recurso. Faço, a seguir, nova transcrição de excerto extraído do recurso especial, agora para demonstrar o conteúdo material da lide, no momento atual. Em apertada síntese, recorre a Fazenda Nacional, em face do acórdão que julgou parcialmente procedente o Recurso Voluntário do contribuinte, reconhecendo que "quando pagas à pessoa jurídica, as despesas com a locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Cofins nãocumulativa" Pois bem. Da leitura do acórdão recorrido, é fácil identificar o momento no qual a matéria ora recorrida foi abordada. Observese os fundamentos da decisão que se tomou sobre ela. Da glosa dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação de veículos de transporte. De acordo com item 4 da Informação Fiscal que serviu de base para a decisão consignada no citado Despacho Decisório, a glosa dos referidos créditos foi realizada com base no entendimento de que somente as despesas de aluguéis de “prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”, enquadravase na hipótese prevista no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 9303006.713 CSRFT3 Fl. 9 8 (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Segundo a Autoridade Fiscal, ainda que utilizados nas atividades da Recorrente, as despesas com a locação de veículos de carga não poderiam ser utilizadas como base de cálculo do crédito em questão, porque os referidos veículos não seriam prédios, nem tampouco máquinas e equipamentos. Discordo. No meu entendimento, a expressão genérica “máquinas e equipamentos” compreende também os veículos de transporte de carga que, no caso em tela, foram utilizados no transporte de animais e de carne fresca, complementando os serviços de transporte realizados em frota da própria Recorrente. Segundo o Dicionário Houaiss7, máquina “é qualquer equipamento que empregue força mecânica, composto de peças interligadas, cada qual com uma função específica, e em que o trabalho humano é substituído pela ação do mecanismo”. Logo, é indubitável que os veículos de transporte de carga são uma espécie de máquina, aliás, uma das máquinas mais complexas. Cabe enfatizar que a dedutibilidade do referido crédito não está condicionada a que as máquinas e os equipamentos locados sejam utilizados na “fabricação de produtos destinados à venda”, conforme exigido para os encargos de depreciação. Deveras, no caso em tela, a exigência é que as máquinas e os equipamentos sejam utilizados “nas atividades da empresa”. Aliás, sobre tal requisito inexiste controvérsia, pois a própria Autoridade Fiscal asseverou que os mencionados veículos foram utilizados na atividade de transporte de animais e bois realizada pela Recorrente. Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 9303006.713 CSRFT3 Fl. 10 9 Com base nessas considerações, entendo que deve ser restabelecida a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesa de locação com os referidos veículos de transporte de carga. Inegavelmente, a razão pela qual o recorrido decidiu pela reversão da glosa dos créditos constituídos sobre as despesas com aluguéis de veículos passa muito longe do que venha ser o conceito válido de insumos para efeito de apuração da contribuição no sistema não cumulativo. Com razão a contrarrazoante quando argumenta que esse assunto foi abordado quando se decidia sobre outra matéria, sobre a glosa dos créditos apurados sobre as despesas de transporte com frota própria. Mais uma vez, me socorro da transcrição do teor da decisão recorrida. Consta no voto. Da glosa dos créditos apurados sobre as despesas de transporte com frota própria. De acordo com a citada Informação Fiscal, as despesas de transporte com frota própria não se enquadravam no conceito de insumo estabelecido no transcrito inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o estabelecido nas alíneas “a” e “b” do § 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, que seguem transcritos: (...) Diante do exposto, fica esclarecido que, para a Fiscalização, o processo de produção ou industrialização da Recorrente inicia se com abate dos bovinos e termina com a embalagem dos produtos finais (carcaça, carne e couro). Logo, segundo esse entendimento, não seria insumo os demais dispêndios não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação dos produtos finais. (...) Da leitura do excerto transcrito, fica claro que, para a Recorrente, o seu processo de produção compreende desde os Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 9303006.713 CSRFT3 Fl. 11 10 cuidados com os animais vivos até a entrega dos produtos finais industrializados (carcaça, carne e couro) no estabelecimento do cliente. Assim, segundo esse entendimento, seria insumo tanto as despesas com realizadas com o transporte dos animais vivos como dos produtos finais entregues nos estabelecimentos dos clientes. (...) Não procedem as alegações da Recorrente, pois, nos termos do inciso II do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003, são considerados insumos somente as despesas vinculadas aos serviços aplicados “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” ou seja, aplicados no processo produtivo. No presente caso, obviamente, as despesas realizadas com os referidos veículos estavam relacionadas com os serviços de transporte prestados nas fases anterior e posterior ao processo industrialização dos produtos vendidos. Observese. Há diversos problemas com a demonstração da dissensão jurisprudencial por meio da qual intentouse o apelo a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em primeiro plano, constatase que não há identidade fáticojurídica entre a matéria ora discutida e matéria decidida nos paradigma. Neste, discutese se veículos são máquinas na acepção do inciso IV do art. 3º da Lei 10.833/2003. Naquele, a extensão do conceito do vernáculo insumos encontrado no inciso II do mesmo art. 3º. É verdade que o recorrido decidiu sobre insumos, assunto tratado nos paradigma, mas não é dessa decisão que a Fazenda Nacional recorre em sede de recurso especial. E nem poderia, pois nesse ponto a decisão recorrida lhe foi favorável. De fato, como consta no excerto antes transcrito, ao adentrar a essa questão específica, a instância a quo entendeu que não procediam "as alegações da Recorrente, pois, nos termos do inciso II do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003, são considerados insumos somente as despesas vinculadas aos serviços aplicados 'na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda' ou seja, aplicados no processo produtivo (...)". Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 9303006.713 CSRFT3 Fl. 12 11 Significa dizer que não há causa de pedir em relação à matéria posta no recurso especial. Por mais que essa instância recursal restringisse o conceito válido para o termo insumos encontrado na legislação das Contribuições, o resultado da lide não se modificaria neste particular, pois o crédito correspondente já foi negado. E nem na essência da controvérsia identificase qualquer relação entre os assuntos. A decisão ora contraditada diz respeito ao emprego de veículos locados nas atividades da empresa. Tratase de um crédito com gastos de locação de máquinas, equipamentos ou imóveis empregados em qualquer setor/atividade da empresa: administrativo, produtivo, mercadológico, vendas ou qualquer outro. Observese. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Ante o exposto, não vejo como conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13601.000619/2003-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998
NULIDADE. NÃO ACATADA. Não estão presentes os casos de nulidade descritos no Decreto nº 70.235/1972.
COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. DENTRO LIMITES DA AÇÃO JUDICIAL.
Os créditos tributários objeto da compensação com o indébito decorrente da ação foram declarados em DCTF e lançado de ofício, nos limites da decisão judicial que autorizou a compensação com o próprio Finsocial e COFINS. Não cabendo então à administração conceder crédito além do que foi autorizado judicialmente.
Numero da decisão: 3401-005.015
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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NÃO ACATADA. Não estão presentes os casos de nulidade descritos no Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. DENTRO LIMITES DA AÇÃO JUDICIAL. Os créditos tributários objeto da compensação com o indébito decorrente da ação foram declarados em DCTF e lançado de ofício, nos limites da decisão judicial que autorizou a compensação com o próprio Finsocial e COFINS. Não cabendo então à administração conceder crédito além do que foi autorizado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 1. 00 06 19 /2 00 3- 48 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13601.000619/200348 Acórdão n.º 3401005.015 S3C4T1 Fl. 163 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório que consta no acórdão DRJ Belo Horizonte nº 0233.796, de 8 de agosto de 2011: Contra a interessada foi lavrado o auto de infração de fls. 16/26 com exigência de crédito tributário no valor de R$423.377,59 a titulo de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juro de mora e multa proporcional de 75%. Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal — Cofins/1998" (fl. 19), verificase que a autuação é resultado de procedimento de auditoria interna da DCTF, na qual foi apurada "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata". O Anexo Ia indica que não se confirmaram os valores informados para os meses de julho a setembro de 1998. A situação dos Darfs foi indicada como: "Comp. c/ pagto não Localizado". Já o Anexo I assinala que não foram confirmados os valores apontados para os meses de outubro a dezembro de 1998. Como ocorrência foi atestado: "Proc jud não comprovado". Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do referido auto de infração. Irresignada, tendo sido cientificada em 18/07/2003, a empresa apresentou, em 15/08/2003, o arrazoado de fls. 1/7, acompanhado dos documentos de fls. 8/37, com as suas razões de defesa a seguir reunidas sucintamente. Assevera que não restou claro no auto de infração se houve falta de recolhimento de tributo, pagamento a menor (só do principal) ou declaração inexata, impossibilitando a defesa da impugnante, sendo evidente o vício de forma a acarretar a nulidade do auto de infração. Alega ter havido no caso "afronta a Carta Magna, ao 'due process of law', direito inalienável do administrado". A falta de confirmação do recolhimento da COFINS decorreu do fato de que, sendo a impugnante detentora de créditos por pagamentos indevidos do Finsocial, compensou os débitos relativos à COFINS, conforme lhe faculta o art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991. Entende a contribuinte "que a lei não exige crédito liquido e certo, impõe apenas o reconhecimento de que o tributo objeto da compensação seja indevido, como no caso em exame" e que é livre a compensação dos valores recolhidos indevidamente ou a maior, "independentemente de prévia solicitação à Receita Federal". Afirma a autuada que o seu Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13601.000619/200348 Acórdão n.º 3401005.015 S3C4T1 Fl. 164 3 direito foi resguardado "nos termos das decisões proferidas nos autos do processo n° 1999.38.00.0027195", apelação cível n° 2000.01.00.0602424/MG. Considera inconstitucionais a multa, porque confiscatória e ilegal, por inexistência de matéria imponível e dolo, assim como o juro, que se deve limitar a 1% ao mês, como de lei. Ademais entende que a penalidade deve ser aplicada quando há dano, o que não teria acontecido no caso em tela. Para corroborar seu entendimento, a contribuinte transcreve, pela peça impugnatória, doutrina acerca dos assuntos levantados. Requer ao final, "por desafiar decisão judicial que vincula a Fazenda Pública Federal", a anulação do auto de infração, "julgandose procedente a presente impugnação, por primado de Justiça". O julgamento foi convertido em diligência para que: 1) fosse verificado na documentação da contribuinte se a mesma faz jus aos créditos que alega ter em virtude da ação judicial n° 1999.38.00.0027195, apelação cível n° 2000.01.00.060242 4/MG (valores discriminados no campo VALOR DO PRINCIPAL LANÇADO h. fl. 23), tendo em vista as informações já prestadas pela contribuinte e a Instrução Normativa n° 21, de 10 de março de 1997, mormente os seus arts. 12, §7° e 17; 2) fossem prestadas quaisquer outras informações que julgar necessárias; Na resolução de diligência foi recomendado, para que a contribuinte não alegue cerceamento de direito de defesa e não persevere no argumento de nulidade do lançamento, que a mesma deverá ter ciência dos novos valores apurados durante a diligência para, caso queira, apresentar razões adicionais especificas de defesa, devendo ser cientificada, inclusive, de eventuais documentos que vierem a ser anexados a este processo provenientes dos procedimentos da diligência, sendo que a autoridade preparadora deverá aguardar o prazo legal de trinta dias da ciência para, somente então, devolver o presente processo para esta DRJ. A DRJ Belo Horizonte nº 0233.796, de 8 de agosto de 2011, decidiu por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998 Os equívocos cometidos quando do lançamento devem ser corrigidos, a fim de que esse possa adequarse a realidade dos fatos. Verificada a falta de recolhimento da contribuição, impõese o lançamento de oficio nos termos da legislação vigente. A interessada apresenta recurso voluntário, onde traz as seguintes alegações e pedidos: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13601.000619/200348 Acórdão n.º 3401005.015 S3C4T1 Fl. 165 4 1. A cobrança fiscal é imprecisa, não apontando qual a irregularidade no recolhimento da Cofins, se teria ocorrido falta de recolhimento, pagamento a menor ou declaração inexata, afrontando os dispositivos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972; 2. Os pleitos da contribuinte foram baseados na ação judicial nº 1999.38.00.0027195, sobre pagamentos indevidos de Finsocial, e a autoridade fazendária reconheceu somente as compensações realizadas em jul98, ago98 e parte de set98, não reconhecendo as competências de outubro, novembro e dezembro de 1998. Isso porque somente foram considerados o valor do principal informado nos DARF´s, ignorando os valores pagos referentes aos encargos por atraso; 3. Também não foi considerado o DARF, com código 3885, por se tratar de recolhimento de PIS, sendo que a interessada retificou essa informação para o código 6120, Finsocial. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Na fl. 155, dos autos, consta despacho da DRF Contagem, em que atendendo à Resolução CARF nº 3401.000767, da 4ª Câmara, da 1ª Turma Ordinária informa que: Na ausência de prova de ciência postal ou pessoal, consideramos a data da ciência a da protocolização do Recurso Voluntário, ou seja, 25/11/2011. E no recurso voluntário, fls. 114 a 122, a recorrente informa que recebeu o indeferimento de sua compensação em 24/10/2011, e protocolou o recurso em 25/11/2011, e conforme contagem dos prazos estatuída pelo art. 5º do Decreto nº 70.235/1972 seu recurso seria tempestivo. Considerando o informado pela DRF Contagem, o presente recurso voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A contribuinte repisa o argumento de nulidade da autuação por afronta aos dispositivos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, sendo que considera a cobrança fiscal imprecisa por não apontar qual a irregularidade ocorreu no recolhimento da Cofins, se teria ocorrido falta de recolhimento, pagamento a menor ou declaração inexata. A alegação não merece prosperar já que o Decreto nº 70.235/72 aponta os casos de nulidade: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13601.000619/200348 Acórdão n.º 3401005.015 S3C4T1 Fl. 166 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Não vejo presentes nenhum dos casos de nulidade descritos no Decreto nº 70.235/1972, já que o auto de infração, fls. 17 a 25, deixa claro que foi lavrado em virtude erros ou inconsistências verificadas em DCTF dos 1º a 4º trimestres de 1997 e 1998, segundo o dispostos nas INs SRF nº 45/98 e 77/98, sendo que o relatório de auditoria relaciona os débitos e respectivos DARF´s vinculados como pagamento ou compensação com DARF sem processo. Também não houve prejuízo para a recorrente já que ela conseguiu apresentar provas e impugnação. Afastada a preliminar de nulidade suscitada, examinamse as razões de discordância da recorrente. Os pleitos da contribuinte foram baseados na ação judicial nº 1999.38.00.0027195, sobre pagamentos indevidos de Finsocial. A recorrente alega que a autoridade fazendária reconheceu somente as compensações realizadas em julho, agosto e parte de setembro de 1998, não reconhecendo as competências de outubro, novembro e dezembro de 1998, isso porque somente foi considerado o valor do principal informado nos DARF´s, ignorando os valores pagos referentes aos encargos por atraso. Conforme consta do relatório de diligência empreendida a pedido da DRJ, fls. 80 a 82, os créditos tributários objeto da compensação com o indébito decorrente da ação foram declarados em DCTF e lançado de ofício no AI DCTF nº 917/2003, nos limites da decisão judicial que autorizou a compensação com o próprio Finsocial e COFINS. Não cabendo então à administração conceder crédito além do que foi autorizado judicialmente. A atuação da administração pública deve se ater ao limite da lide. A atualização dos valores pagos a maior foi realizada considerando os índices oficiais de correção monetária e expurgos inflacionários de 1990 e 1991 (tabela fl. 62), e a compensação resultou na extinção somente parcial da Cofins (PA 07/98, PA 08/98 e parte PA 09/98), Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13601.000619/200348 Acórdão n.º 3401005.015 S3C4T1 Fl. 167 6 conforme "Demonstrativo das Vinculações Auditadas de Compensação com DARF" folha 63. A recorrente apresenta apenas alegações sem apresentar documentos como embasamento, por isso devem ser confirmados os cálculos efetuados pela DRF. A recorrente também alega que não foi considerado o DARF, com código 3885, por se tratar de recolhimento de PIS e sendo retificado para o código 6120, Finsocial. Entretanto esse DARF específico não consta da DCTF apresentada, e nem consta do pleito em sede de impugnação. Por isso precluso o direito da recorrente sobre a inclusão extemporânea desse crédito alegado. Por todo o exposto voto no sentido de conhecer o recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.729852/2013-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2007
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.151
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 52 /2 01 3- 89 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11080.729852/201389 Acórdão n.º 3402005.151 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.856, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.729852/201389 Acórdão n.º 3402005.151 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.729852/201389 Acórdão n.º 3402005.151 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.729852/201389 Acórdão n.º 3402005.151 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.729852/201389 Acórdão n.º 3402005.151 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.729852/201389 Acórdão n.º 3402005.151 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.729852/201389 Acórdão n.º 3402005.151 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.729852/201389 Acórdão n.º 3402005.151 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.729852/201389 Acórdão n.º 3402005.151 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 372DF CARF MF
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