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Numero do processo: 10640.002169/2001-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1802-000.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência para a 2ª Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luiz bueloni, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel..
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência para a 2ª Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luiz bueloni, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 02 16 9/ 20 01 -1 0 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Resolução nº 1802000.556 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Tratase de pedido de restituição, apresentado em 08/11/2001, de créditos do Imposto sobre o Lucro Liquido, no valor de 4.845,14 UFIR, equivalentes, segundo a contribuinte, a R$8.905,64 e recolhidos em 30/04/90 e 30/04/91. No Despacho Decisório de fls. 19 e 20, foi indeferido o pedido pelo decurso do prazo para pleitear a restituição. O Acórdão n.° 0913.902, da 2ª Turma da DRJ/JFA, as fls. 25 a 28, manteve o indeferimento por motivação igual à citada anteriormente. Já o Acórdão prolatado pela Sexta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes, as fls. 44 a 51, decidiu "AFASTAR a decadência do direito de pedir do recorrente e DETERMINAR a remessa dos autos a DRJ de origem para exame das demais questões, ...". Esse Acórdão foi mantido pela Camara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão as fls. 89 a 111. Afastada a preliminar de decadência, os autos foram encaminhados para exame das demais questões à DRF/Juiz de Fora, a quem compete apreciar originariamente o pedido de restituição, nos termos do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n.°125/2009. Os autos retornaram com o Despacho Decisório de fl. 125, por meio do qual foi indeferido o pedido de restituição, nos seguintes termos: “Pela leitura do texto normativo, depreendese que a revisão de lançamento do ILL, devido pelas sociedades por quotas de responsabilidade limitada, ficou adstrita à análise, em cada caso, de seus contratos sociais. No presente caso, a cláusula décima do contrato social constituído em 28/07/1986 (fl. 119), que permaneceu inalterada na primeira alteração contratual (datada de 21/09/1988, conforme cláusula 3ª, fl. 06), e na segunda (de 15/10/1993, cláusula 10), estabeleceque —"Ao finalde cada –exercício social (..) o resultado liquido semi utilizado pelos sócios da maneira que melhor lhes convier (..)." (grifo acrescentado), ficando assegurada ao sócio a disponibilidade, econômica ou jurídica, do lucro liquido apurado. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Resolução nº 1802000.556 S1TE02 Fl. 4 3 Dessa forma, o disposto na Instrução Normativa n.° 63, de 1997, não ampara a situação sob exame, vez que restou confirmada a ocorrência do fato gerador do ILL, referente aos anos calendário de 1989 e 1990, e, por conseqüência, o crédito tributário correspondente (vencido em abril de 1990 e 1991, respectivamente). Assim sendo, proponho o indeferimento do pedido de fls. 01/03. A contribuinte foi cientificada do indeferimento do pleito, em 17/05/2011, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 127, e apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 128 a 134, na qual, após breve relato do processo, aduz que: o contrato social, em vigor quando da ocorrência dos fatos geradores, não previa a distribuição automática de lucros aos sócios, enquadrandose perfeitamente nos termos do parágrafo único do art. 1° da Instrução Normativa n° 63, de 24/07/97; A 2ª Seção, 1° Câmara, 1ª Turma do CARF julgando caso idêntico de empresa pertencente ao mesmo grupo empresarial da Requerente, Treviso Betim Veículos, analisando cláusula contratual com o Mesmo teor da cláusula sob análise, deixou consignado em sua ementa o seguinte: "Não estando consignado no contrato social a distribuição imediata dos lucros aos sócios, atendidas as determinações do parágrafo único do art. 1° da IN SRF n° 63, de 24/07/1997". E, ao final requer: a) seja reconhecido o direito creditório, b) sejam os valores atualizados mediante a utilização da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n°08 de 29 de junho de 1.997; c)sejam homologadas as compensações eventualmente efetuadas. É o relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (MG) julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990 ILL APLICABILIDADE É devido o ILL quando o contrato social da empresa por quotas de responsabilidade limitada prevê a distribuição dos lucros ou confere aos sócios essa faculdade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Resolução nº 1802000.556 S1TE02 Fl. 5 4 Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão a Recorrente apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10640.002169/200110 Resolução nº 1802000.556 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. O litígio objeto dos autos versa acerca do pedido de compensação tributária de suposto crédito de Imposto sobre o Lucro Liquido (ILL). Desse modo estamos diante de matéria de competência da Segunda Seção, conforme previsão explícita na Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 3º, in verbis: “Art. 3º À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)” Nesse sentido, há diversos precedentes jurisprudenciais deste Conselho Administrativo: ILL. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Declinase da competência, a favor das Câmaras especializadas, quando a causa de pedir do recurso voluntário tenha como fundamento o pagamento indevido do imposto de renda retido na fonte, incidente sobre o lucro líquido, instituído pelo artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1988. Publicado no D.O.U. n° 128 de 06/07/06. (Acórdão 10322.471, Rel. Flávio Franco Corrêa, Data da sessão 25/05/2006). ILL. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. Declinase da competência, a favor das Câmaras especializadas, quando a causa de pedir tenha como fundamento o pagamento indevido do imposto de renda retido na fonte, incidente sobre o lucro líquido, instituído pelo art. 35 da Lei n° 7.713, de 1988. (Acórdão 103 – 22.921, sessão de 02/03/2007, Rel. Paulo Jacinto do Nascimento). Por tudo que foi exposto, voto no sentido de DECLINAR da competência, determinando a remessa dos autos para a 2ª Seção de Julgamento deste Conselho para exame e julgamento deste recurso, por força do art. 3º, II, Anexo II, do RICARF. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002039/2007-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
A ausência de uma precisa descrição dos fatos que possibilite a ampla defesa é causa de nulidade do Auto de Infração, em razão de vício de natureza material, por deixar de atender não só exigência da norma reguladora do Processo Administrativo Fiscal, como também da norma geral tributária (art. 10, III, e 59, II, do Decreto nº 70.235/72, e art. 142 do CTN).
Numero da decisão: 9303-007.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deu provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocada).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas e Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocada para eventuais substituições).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A ausência de uma precisa descrição dos fatos que possibilite a ampla defesa é causa de nulidade do Auto de Infração, em razão de vício de natureza material, por deixar de atender não só exigência da norma reguladora do Processo Administrativo Fiscal, como também da norma geral tributária (art. 10, III, e 59, II, do Decreto nº 70.235/72, e art. 142 do CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deu provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocada). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas e Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocada para eventuais substituições).
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A ausência de uma precisa descrição dos fatos que possibilite a ampla defesa é causa de nulidade do Auto de Infração, em razão de vício de natureza material, por deixar de atender não só exigência da norma reguladora do Processo Administrativo Fiscal, como também da norma geral tributária (art. 10, III, e 59, II, do Decreto nº 70.235/72, e art. 142 do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe deu provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Tatiana Midori Migiyama, substituída pela conselheira Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocada). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas e Semiramis de Oliveira Duro (suplente convocada para eventuais substituições). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 20 39 /2 00 7- 01 Fl. 588DF CARF MF Processo nº 16327.002039/200701 Acórdão n.º 9303007.874 CSRFT3 Fl. 589 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 537 a 542), contra o Acórdão 3302001.921, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 512 a 519), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PRINCÍPIOS DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. Implica preterição do direito de defesa a omissão, em despacho decisório, dos fatos e fundamentos jurídicos que embasaram o lançamento, pois a motivação dos atos administrativos deve ser explícita, clara e congruente. Auto de Infração imotivado deve ser anulado, com base no que dispõe o art. 50 da Lei nº 9.784/99 e os artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. Decisão de Primeira Instância Anulada. Recurso Voluntário Provido (Redação após acolhimento dos Embargos da PGFN) A PGFN opôs Embargos de Declaração (523 a 526), que, após encaminhamento favorável da própria Relatora do Acórdão recorrido (fls. 531 e 532), foram acolhidos (fls. 534 e 535), mas apenas para reformar a parte dispositiva da ementa, que dava a entender que a decisão da instância de piso é que teria sido anulada, quando o foi o próprio lançamento de ofício. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 544 a 546), a PGFN não contesta a nulidade, no entanto, defende que o vício não seria de natureza material, mas sim formal, por meramente deixar de atender exatamente a formalidade da adequada descrição dos fatos no Auto de Infração, prevista no inciso III do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 553 a 560). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 16327.002039/200701 Acórdão n.º 9303007.874 CSRFT3 Fl. 590 3 No mérito, delimitado está que não se discute a nulidade, mas tãosomente a natureza do vício, se formal ou material (decisivo para se estabelecer o prazo decadencial, pois, se formal, possibilitaria, até cinco anos contados da data da decisão administrativa final, a lavratura de outro Auto de Infração, a teor do art. 173, II, do CTN). Inicialmente, observo que, desde a Impugnação (fls. 160), o contribuinte faz referência ao Auto de Infração da Cofins, sendo que, em pesquisa no site do CARF na Internet, vi que o Processo a ele relativo (nº 16327.002038/200759) já percorreu todas as instâncias administrativas, tendo sido levado à apreciação por este Colegiado, que, em julgamento o qual também presidi, o devolveu à Turma a quo, para que se manifestasse justamente acerca da natureza do vício, conforme Acórdão nº 9303004.325, de relatoria da ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. COMPETÊNCIA DO CARF. A manifestação acerca da natureza do vício que ensejou a nulidade do auto de infração, se formal ou material, é de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial para acolher a preliminar de nulidade com retorno dos autos ao colegiado a quo a fim de que seja proferida nova decisão que determine se é vício formal ou material. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara decidiu, por unanimidade, em julgamento relativamente recente (Acórdão nº 3301004.178, de 30/01/2018), que o vício seria de natureza material: AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A ausência da descrição completa dos motivos que levaram a autoridade fiscal a lavrar o lançamento constitui causa de nulidade, caracterizandose como vício material. Recurso voluntário provido. Neste caso, não cabe devolução com o mesmo objetivo à Turma que prolatou o Acórdão recorrido, pois, diferentemente do que ocorreu no Processo da Cofins – conforme reconhecido pela própria PGFN em seu Recurso Especial (fls. 538) “... a ilustre relatora cita jurisprudência aplicável ao caso, explicitando o entendimento de que o tipo de vício descrito teria natureza material, razão pela qual concluise que o r. colegiado entende que vícios na motivação do lançamento acarretam nulidade por ocorrência de vício material”. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 067), vêse que a Auditora efetivamente descreve de forma um tanto “genérica” as infrações apuradas: Fl. 590DF CARF MF Processo nº 16327.002039/200701 Acórdão n.º 9303007.874 CSRFT3 Fl. 591 4 “Em análise à documentação apresentada, verificamos que há divergências de valores, entre as bases de cálculo do PIS apresentadas pelo contribuinte, com os valores descritos nos balancetes mensais, e, há divergência do PIS entre o valor declarado em DCTF e apurado na base de cálculo, e, assim como, há exclusão indevida na apuração da base de cálculo. Dessa forma, foram elaboradas planilhas de cálculo para o PIS (cópias anexas), conforme o Anexo I da IN SRF n° 247/2002.” Após citar e transcrever parte da legislação pertinente (lei, decreto, IN’s), a autoridade fiscal diz, em caráter já conclusivo: “DA BASE DE CÁLCULO Assim sendo, tendo o contribuinte apresentado demonstrativo de base de cálculo do PIS, porém composto com algumas divergências de valores conforme acima já descritos, foram elaboradas novas planilhas, conforme folhas anexas ... Desse modo, então, estão sendo lançadas de oficio as diferenças do PIS acima descritas.” Daí se vê que o problema reside na descrição dos fatos (idêntica para a Cofins – e principal motivação da decisão final do CARF quanto à natureza do vício), pois busca a autuante “escorarse” na planilha do Anexo I da IN/SRF nº 247/2002 – com certa razão, é verdade, pois ela é quem guiava a apuração a ser realizada pelas instituições financeiras, no entender da Receita Federal. No entanto, considerando a complexidade e o nível de detalhamento de cada rubrica da Contabilidade de uma instituição desta natureza e deste porte, entendo que não foi só desatendida – a ponto de cercear a plena defesa, causa de nulidade prevista no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72 – a exigência, como defende ser a recorrente, sob o prisma formal do inciso III do art. 10 do mesmo decreto, mas também a de natureza indiscutivelmente material prevista no art. 142 da norma geral tributária: Art. 10. (do PAF) O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) III a descrição do fato; .................... Art. 142. (do CTN) Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 16327.002039/200701 Acórdão n.º 9303007.874 CSRFT3 Fl. 592 5 À vista do exposto, voto negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 592DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13056.000243/2003-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar o crédito pelo valor de R$181,74, consoante a decisão, acima referida, por representar, de fato, o direito creditório remanescente e determinar que a unidade de origem refaça os cálculos de débito e efetue a respectiva cobrança.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar o crédito pelo valor de R$181,74, consoante a decisão, acima referida, por representar, de fato, o direito creditório remanescente e determinar que a unidade de origem refaça os cálculos de débito e efetue a respectiva cobrança. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 6. 00 02 43 /2 00 3- 03 Fl. 200DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1018.735 5a Turma da DRJ/POA que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o Despacho Decisório (fls.114). Transcrevo, a seguir, o relatório: 1. O contribuinte apresentou Declaração de Compensação, em 14/04/2003, compensando débitos ali arrolados com créditos oriundos de saldos negativos apurados em DIPJ; de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2000, respectivamente, nos valores de R$ 99.21,34 e R$ 54.490,37, fls. 01 e 02. 2. Em 04/07/2007 foi proferido o Despacho Decisório de fls. 114, com base no Parecer DRF/NHO/Seort n° 178/2007, fls.109 a 113, retificando de oficio a DIPJ/2001 e não homologando as compensações declaradas dos saldos negativos de IRPJ e CSLL relativas a anocalendário de 2000, bem como outras que tenham sido vinculadas ao crédito, por ter verificado a utilização dos saldos negativos em períodos posteriores. 3. O Parecerista providenciou a retificação do saldo negativo do IRPJ declarado na Ficha 12A cálculo do IR sobre o Lucro Real PJ Geral, da DIPJ/2001, de R$ 99.251,33 para R$ 80.689,03, fls. 110. 4. A retificação foi motivada pela divergência entre as informações, do mês de setembro/2000, efetuadas pelo contribuinte na Ficha 11 — Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, da DIPJ/2001, no valor de R$ 85.765,46, fls. 43, e a constante da DCTF, no valor de R$ 67.203,16, fls. 48, portanto, resultou uma diferença, "a menor", no saldo negativo do tributo, de R$ 18.562,30 5. Do novo saldo negativo do IRPJ, no valor de R$ 80.689,04, descontandose os valores compensados espontaneamente pelo contribuinte, referentes As estimativas de maio, junho e parcialmente de julho/2001, não restou qualquer direito creditório a ser reconhecido para o tributo. 6. A interessada, quanto ao saldo negativo de IRPJ, expressamente concorda com a retificação de oficio, e ciente de que não haverá saldo suficiente para compensação da estimativa de IRPJ apurada no período 07/2001, fls. 127. 7. 0 Parecerista também providenciou a retificação do saldo negativo da CSLL declarada na Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, da DIPJ/2001, de R$ 54.490,37 para R$ 5.911,02, fls. 111. 8. A retificação foi motivada por ter sido verificado que as estimativas de março, abril e, em parte, maio/2000, foram quitadas por meio de compensação, sem processo, com saldo negativo de 1999. No entanto, o saldo negativo de 1999, no valor de R$ 11.328,25, era insuficiente para efetuar as compensações informadas, por já ter sido totalmente absorvido, em compensações anteriores conforme Tabela 2, As fls. 111. 9. Do novo saldo negativo da CSLL, de R$ 5.911,02, descontandose o valor compensado espontaneamente pelo contribuinte referente A parte da es ativa de maio de 2001, não restou qualquer direito creditório a ser reconhecido para o trib10. A ciência do Parecer e do Despacho Decisório foi dada à interessada, por via postal, em 19/07/2007, fls. 122. 11. A interessada apresentou, em 20/08/2007, manifestação de inconformidade, fls. 126 a 129, requerendo: a) Seja reconhecido o saldo negativo da CSLL no valor de R$ 54.490,37, conforme declarado na DIPJ/2001; Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13056.000243/200303 Acórdão n.º 1001001.108 S1C0T1 Fl. 3 3 b) Seja homologada a compensação efetuada com a estimativa de CSLL apurada na competência maio/2001; c) Sejam homologadas as compensações declaradas até o limite do saldo de CSLL negativa remanescente. 12. Quanto ao saldo negativo de CSLL, alega que o saldo insuficiente decorre da não homologação das compensações efetuadas no processo n° 13056.000253/200331, o qual foi objeto de manifestação de inconformidade. Portanto, uma vez reconhecidas as compensações, daquele processo, os valores pleiteados são corretos. A recorrente foi cientificada da decisão em 27/04/2009 (fl 170) e apresentou o seu recurso voluntário em 26/05/2009 ( fl 171). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente, que: Como verificamos dos autos, a divergência circunscrevese ao saldo negativo de CSLL. A divergência decorre de compensações iniciadas com os saldos negativos de CSLL apurados no ano base 1998, conforme consta da manifestação de inconformidade apresentada no processo 13056.000253/200331 (que será objeto de Recurso Voluntário a ser apresentado oportunamente). A recorrente entende que não há possibilidade de julgamento do presente feito sem o julgamento do processo 13056.000253/200331, porque da decisão daquele processo resultarão efeitos em todas as apurações subseqüentes e, consequentemente, na decisão que ora se discute. A recorrente informa que oportunamente juntará ao presente feito todos os documentos relacionados ao processo antes mencionados. DIANTE DE TODO 0 EXPOSTO, requer: a) Que o presente seja julgado concomitantemente ao processo no 13056.000253/200331, ou fique sobrestado até a decisão final deste devido sua dependência; e b) Que uma vez reconhecido o direito da recorrente no processo 13056.000253/200331, seja dado provimento deste recurso, acatando integralmente a compensação declarada. A DRJ, por sua vez, entendeu que: Fl. 202DF CARF MF 4 1. A interessada, quanto ao saldo negativo de IRPJ, expressamente concorda com a retificação de oficio. 2. 0 manifestante insurgese pelo não reconhecimento do saldo negativo de CSLL/2000 no valor de R$ 54.490,37. Neste aspecto, alega que "o saldo insuficiente de CSLL apontado pelo Auditor Fiscal decorre da não homologação das compensações efetuadas no processo 13056.000253/200331, que foi objeto de manifestação de inconformidade. O contribuinte entende que não há fundamentos para a não homologação, portanto, uma vez reconhecidas as compensações daquele processo, os valores lançados pelo contribuinte estarão corretos", fls. 127 e 128. Tal alegação é improcedente pois o saldo negativo da CSLL/2000 foi reduzido por não terem sido homologadas as compensações das estimativas de abril/2000, parcial e maio/2000, total., no valor de R$ 48.579,35. 3. No processo 13056.000253/2003, já apreciado, foi julgado improcedente a manifestação de inconformidade e mantido o despacho decisório, que não reconheceu o saldo negativo da CSLL/1999 por já ter sido totalmente utilizado em compensações de débitos, a titulo de estimativas da CSLL, de períodos anteriores à Dcomp, conforme Acórdão n° 10 18.639 , de 18/03/2009, dessa 5a Turma de Julgamento, juntei às fls. 162 a 164. 4. Com a decisão foi zerado o saldo negativo da CSLL/1999 de R$ 11.328,25, pois já compensado com estimativas dos meses de março/2000, total e abril/2000, parcia restando um saldo negativo insuficiente (a menor) de R$ 48.579,35. Portanto correta a posição do Parecerista ao considerar somente para fins de compensação o saldo negativo da CSLL/2000 de R$ 5.911,02 [ R$ 54.490,37 — (R$ 48.579,35)]. 5. Pelo que foi acima exposto, voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade para: declarar a definitividade no âmbito administrativo do Despacho Decisório de fls. 114 no que diz respeito ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000; e julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório, fls. 114, e do Parecer DRF/NHO/Seort n° 178/2007, fls. 109 a 113, no que diz respeito ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000. A recorrente alega a vinculação deste processo ao de número 13056.000253/200331, entretanto, face à decisão proferida, abaixo transcrita, entendo ser possível seguir com o julgamento sem prejuízo à recorrente. O processo de número 13056.000253/200331 foi julgado por este CARF que proferiu o seguinte acórdão: Processo n° 13056.000253/200331 Acórdão nº 1803001.785 3ª Turma Especial Sessão de 6 de agosto de 2013 Matéria IRPJ/CSLL COMPENSAÇÃO Recorrente CALÇADOS BIBI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13056.000243/200303 Acórdão n.º 1001001.108 S1C0T1 Fl. 4 5 SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO REMANESCENTE. APROVEITAMENTO NÃO INTEGRAL EM COMPENSAÇÕES ANTERIORES. Reconhecese direito creditório remanescente de saldo negativo, quando comprovado que o seu aproveitamento, em compensações de débitos de períodos anteriores à apresentação da correspondente Declaração de Compensação, não foi integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório adicional de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1999, no valor de R$ 181,74 (cento e oitenta e um reais e setenta e quatro centavos), homologando a compensação até o limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidente substituto Ainda, de acordo com o referido acórdão, admitindose como comprovada a afirmação da recorrente, terseia o valor de R$181,74 ( página 7, da decisão) como direito creditório remanescente, posto que a planilha apresentada pela recorrente não pode ser acatada por divergir da escrituração por ela apresentada. Assim, é de negarse a preliminar de vinculação do processo. Quanto ao mérito, dáse provimento parcial ao recurso para acatar o crédito pelo valor de R$181,74, consoante a decisão, acima referida, por representar, de fato, o direito creditório remanescente e determinar que a unidade de origem refaça os cálculos de débito e efetue a respectiva cobrança. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 204DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12452.000002/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Exercício: 2002, 2003
COISA JULGADA EM AÇÃO ORDINÁRIA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS.
Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial onde se discutia a origem do débito combatido na instância administrativa. Ante a supremacia da instância judicial, não há, na hipótese aqui tratada, que se falar em concomitância, mas sim em aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-006.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a relatora pelas conclusões, por entenderem que a decisão judicial seria aplicável não obstante a concomitância.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Exercício: 2002, 2003 COISA JULGADA EM AÇÃO ORDINÁRIA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial onde se discutia a origem do débito combatido na instância administrativa. Ante a supremacia da instância judicial, não há, na hipótese aqui tratada, que se falar em concomitância, mas sim em aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a relatora pelas conclusões, por entenderem que a decisão judicial seria aplicável não obstante a concomitância. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
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Recorrente ALSTOM HYDRO ENERGIA BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2002, 2003 COISA JULGADA EM AÇÃO ORDINÁRIA FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. Não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial onde se discutia a origem do débito combatido na instância administrativa. Ante a supremacia da instância judicial, não há, na hipótese aqui tratada, que se falar em concomitância, mas sim em aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a relatora pelas conclusões, por entenderem que a decisão judicial seria aplicável não obstante a concomitância. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 2. 00 00 02 /2 00 7- 44 Fl. 1697DF CARF MF 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a exigência dos tributos e penalidades decorrentes da anulação do ato concessório do regime aduaneiro especial de drawback n.º 20020026072. Conforme informado pela fiscalização, a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) prolatou decisão anulatória do citado ato concessório com efeito "ex tunc" (decisão 448/DECEX2006, de 21/8/2006), "pelo fato de que a licitação internacional teria sido realizada pela empresa privada VEGA DO SUL SA., entidade não sujeita a aplicação da Lei 8.666/93". Com isso, passaram a ser exigíveis os tributos incidentes sobre as importações realizadas: "Em procedimento fiscal instaurado para verificar a regularidade do recolhimento dos tributos vinculados a importação, incidentes sobre as operações de importação cujas Declarações de Importação DI foram desembaraçadas ao amparo do Ato Concessório de Drawback no 20020026072, de que foi beneficiária a Pessoa Jurídica Fiscalizada, restou constatado, como se verifica no "Relatório de Auditoria Fiscal" que é parte deste Auto de Infração, que o Ato Concessório foi anulado. A anulação foi prolatada na Decisão n.º 448/DECEX2006, de 21/08/2006 e deu se com efeito "ex tunc" por "existência de vicio de legalidade insanável o que coloca a operação em desconformidade com o previsto no art.5º da lei 8032/90, pelo fato de que a licitação internacional teria sido realizada pela empresa privada VEGA DO SUL SA., entidade não sujeita a aplicação da Lei 8.666/93;". Anulado o ato concessório e sendo o beneficio pleiteado incabível, tornamse devidos os tributos que incidiram sobre as importações. Assim sendo, procedese a revisão das DI efetuandose o langmento dos tributos devidos e dos acréscimos legais cabíveis." (efl. 14 grifei) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente pelo acórdão 1717.864, de 12/04/2007 (efls. 1.038/1.046). Contudo, a empresa interpôs ação ordinária n.º 2007.61.00.0038497 (inicial às efls. 1.215/1.226 e 1.290/1.301) para discutir a validade e legalidade da referida Decisão n.º 448/DECEX2006. A antecipação de tutela pleiteada naquela ação judicial foi deferida para a suspensão do curso do presente processo administrativo enquanto pendente a discussão judicial (efls. 1.060/1.063). Em face desta decisão judicial, a Delegacia de Julgamento proferiu o acórdão 1718.542, de 05/06/2007, anulando o acórdão anterior para apreciar a impugnação quando fosse determinada a retomada do procedimento pelo Poder Judiciário (efls. 1.071/1.072). Em sentença, o pedido formulado na ação judicial foi indeferido (efls. 1.332/1.342), reconhecendo a validade da Decisão n.º 448/DECEX2006. Após apresentação de embargos de Declaração naquela seara, foi interposto Recurso de Apelação pela empresa (e Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 12452.000002/200744 Acórdão n.º 3402006.319 S3C4T2 Fl. 1.698 3 fls. 1.356/1.374), recebido pelo juiz com efeito suspensivo, sem alcançar a antecipação de tutela, revogada pela sentença (efl. 1.437). Por conseguinte, com o retorno regular do trâmite administrativo (conforme despacho da efl. 1.449), a impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, entendendo pela renúncia ao contencioso administrativo em razão do ingresso da ação judicial (concomitância). O Acórdão 1734.924 da 2ª Turma da DRJ/SP2 foi ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2002, 2003 DRAWBACK. FORNECIMENTO NO MERCADO INTERNO. QUESTÃO PREJUDICIAL. Declarada a nulidade do ato concessório de drawback, é inválido o regime aduaneiro suspensivo e são exigíveis os tributos Aduaneiros incidentes sobre a importação. Não recolhidos os tributos pela interessada, é procedente a exigência dos mesmos, acrescidos de juros de mora, e a aplicação das multas previstas nos artigos 44 e 45 da Lei n.º 9.430/1996. A promoção de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento configura renúncia ao contencioso administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 1451 grifei) Intimada desta decisão em 08/10/2009 (efl. 1.465), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 09/11/20091 (efls. 1.469/1.478) alegando, em síntese: (i) a ausência de renúncia ao contencioso administrativo, por haver prejudicialidade e não identidade nas discussões; (ii) a necessidade de aplicação do art. 3º da Lei n.º 11.732/2008 aos autos, por reconhecer o descabimento da alteração do critério jurídico procedido pela decisão DECEX na qualificação de "licitação internacional". Após as contrarrazões da PGFN (efls. 1.500/1.508), os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. Em 13/02/2019 a empresa apresentou petição nos autos (efls. 1.567/1696) informando o trânsito em julgado de decisão favorável aos seus interesses na ação judicial n.º 2007.61.00.0038497, reconhecendo a ilegalidade da decisão 448/DECEX2006 e reestabelecendo o ato concessório de drawback n.º 20020026072. O acórdão transitado em julgado deu provimento ao Recurso de Apelação da empresa, sendo acostado às efls. 1.659/1.664, com a seguinte ementa e dispositivo: · Ementa "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO DRAWBACK LICITAÇÃO INTERNACIONAL LEI N° 11.732/2008 LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA BENEFÍCIO CARACTERIZADO 1 Prazo de 30 (trinta) dias para a interposição do Recurso Voluntário encerrouse em 07/11/2009 (sábado), prorrogandose para o primeiro dia útil subsequente, 09/11/2009 (segundafeira). Fl. 1699DF CARF MF 4 I. O fim do drawback é incentivar a exportação, concedido justamente para colocar a indústria nacional em condições de concorrer com as estrangeiras. 2. O Drawback é um sistema tributário que se dá nas importações para criar direitos à compensação, sujeitas a reversão ou restituição dos impostos pagos pela matéria prima, transformada em produtos que se destinem à exportação. Possui a finalidade de incentivar, criando condições competitivas, desonerando o exportador nacional dos encargos financeiros. 3. Na licitação internacional deve ser observado o estatuto de licitações em vigor, pois a legislação estabelece as condições para a sua realização. O drawback, de fornecimento no mercado interno, concluise ser realizada em território nacional. 4. Imperiosa a vinculação ao instrumento convocatório e o princípio da isonomia para o gozo do beneficio fiscal no Edital internacional de concessão de regime especial de drawback para fornecimento no mercado interno 5. O contrato celebrado entre as partes segue o regramento de nosso sistema legal e constitucional para o gozo do beneficio pleiteado, em. observância, inclusive à Lei n.º 1.732/2008 de natureza interpretativa, cuja aplicação é retroativa (artigo 106, I, CTN). Precedente jurisprudencial. 6. Verba honorária fixada em R$ 50.000,00, nos termos do artigo 20, 94°, do CPC. 7. Apelação provida." (efl. 1.664 grifei) · Dispositivo "Ante o exposto, dou provimento à apelação autoral para julgar procedente o pedido de nulidade da Decisão DECEX n.º 448/2006 (confirmada pela Decisão n.º 645/DECX06), com a consequente restauração do Ato de Concessão de Drawback 20020026072, bem como condeno a União Federal ao pagamento dos honorários de advogado, nos termos da fundamentação." (efls. 1.663/1.664 grifei) Esta decisão transitou em julgado em 22/04/2015, conforme certidão de trânsito da efl. 1.696. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. De pronto, como identificado no relatório, observase que no curso do processo administrativo (que chegou a ficar suspenso por determinação judicial) transitou em julgado decisão final favorável aos interesses da ora Recorrente na ação ordinária n.º 2007.61.00.0038497, reconhecendo a nulidade da Decisão DECEX n.º 448/2006, que cancelou o Ato de Concessão de Drawback 2002002072 e originou o presente Auto de Infração. O acórdão da Apelação proferida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região que transitou em julgado em 22/04/2015 firmou a nulidade da referida decisão que fundamentou a presente autuação: · Auto de Infração "Em procedimento fiscal instaurado para verificar a regularidade do recolhimento dos tributos vinculados a importação, incidentes sobre as operações de importação cujas Declarações de Importação DI foram desembaraçadas ao amparo do Ato Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 12452.000002/200744 Acórdão n.º 3402006.319 S3C4T2 Fl. 1.699 5 Concessório de Drawback no 20020026072, de que foi beneficiária a Pessoa Jurídica Fiscalizada, restou constatado, como se verifica no "Relatório de Auditoria Fiscal" que é parte deste Auto de Infração, que o Ato Concessório foi anulado. A anulação foi prolatada na Decisão n.º 448/DECEX2006, de 21/08/2006 e deu se com efeito "ex tunc" por "existência de vicio de legalidade insanável o que coloca a operação em desconformidade com o previsto no art.5º da lei 8032/90, pelo fato de que a licitação internacional teria sido realizada pela empresa privada VEGA DO SUL SA., entidade não sujeita a aplicação da Lei 8.666/93;". Anulado o ato concessório e sendo o beneficio pleiteado incabível, tornamse devidos os tributos que incidiram sobre as importações. Assim sendo, procedese a revisão das DI efetuandose o lançamento dos tributos devidos e dos acréscimos legais cabíveis." (efl. 14 grifei) · Dispositivo do Acórdão do TRF1 proferido na ação ordinária 2007.61.00.0038497 "Ante o exposto, dou provimento à apelação autoral para julgar procedente o pedido de nulidade da Decisão DECEX n.º 448/2006 (confirmada pela Decisão n.º 645/DECX06), com a consequente restauração do Ato de Concessão de Drawback 20020026072, bem como condeno a União Federal ao pagamento dos honorários de advogado, nos termos da fundamentação." (efls. 1.663/1.664 grifei) Como já julgado por esta turma e me valendo, novamente, das palavras do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro exaradas nos Acórdãos n.º 3402005.549 (Sessão 29/08/2018) e 3402004.987 (Sessão 21/03/2018), "não há concomitância de instâncias quando, ao longo do processo administrativo e antes do advento de decisão administrativa definitiva, sobrevém sentença transitada em julgado em processo judicial". Nesta hipótese, não se trata de concomitância, mas de "aplicação dos efeitos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do correlato processo administrativo." Com efeito, como bem elucidado pelo Conselheiro: "(...) para que haja concomitância de instâncias é imprescindível existir duas ou mais lides análogas que tramitem conjuntamente, afinal, um dos escopos da concomitância é evitar o advento de decisões contraditórias entre si. Acontece que, com o superveniente trânsito em julgado da demanda judicial antes do término da instância administrativa, referida concomitância deixou de existir, havendo, em verdade, a necessidade de se sobrepor a decisão lá proferida em razão da supremacia da instância judicial em detrimento da instância administrativa." (Acórdão 3402005.549, de 29/08/2018 grifei) Assim, com o superveniente trânsito em julgado da demanda judicial ocorrida no presente caso, afastase a concomitância reconhecida pela r. decisão da DRJ, passando a ser necessário analisar os reflexos do trânsito em julgado da decisão judicial para a resolução do presente processo administrativo. No presente caso, a lide quanto à validade da Decisão DECEX n.º 448/2006 que cancelou o Ato Concessório de Drawback 20020026072 foi definitivamente resolvida no sentido da nulidade da decisão e a correspondente restauração deste Ato Concessório. Esta decisão judicial, final e de mérito, revestese da qualidade de coisa julgada material, com a Fl. 1701DF CARF MF 6 produção dos efeitos a ela inerentes na exata forma do art. 502 do Código de Processo Civil de 2015, aprovado pela Lei n.º 13.105/2015: "Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso." (grifei) Como leciona Humberto Theodoro Júnior, "a coisa julgada material, revelando a lei das partes, produz seus efeitos no mesmo processo ou em qualquer outro, vedando o reexame da res in iudicium deducta, por já definitivamente apreciada e julgada."2 Sendo a única motivação do Auto de Infração lavrado no presente processo a Decisão DECEX n.º 448/2006 e o cancelamento Ato Concessório de Drawback 20020026072, o reconhecimento da nulidade da decisão e a correspondente restauração deste Ato Concessório por meio de decisão judicial transitada em julgada deve ser aplicada nessa seara administrativa para cancelar a exigência fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o Auto de Infração. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. 2 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Coisa julgada. In: THEODORO JÚNIOR, Humberto. OLIVEIRA, Fernanda Alvim Ribeiro de. REZENDE, Ester Camila Gomes Norato (coords.). Primeiras lições sobre o novo direito processual civil brasileiro (de acordo com o Novo Código de Processo Civil Lei 13.105, de 16 de março de 2015). Rio de Janeiro: Forense, 2015, p. 346. Fl. 1702DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.720450/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2401-000.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Recorrente FRANCISCO GOMES NETO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausentes as conselheiras Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física (fls. 43/46), anocalendário 2009, tendo sido apurada Dedução Indevida de Pensão Alimentícia, no valor de R$ 77.783,51, por não ter apresentado decisão judicial e falta de previsão legal para dedução decorrente de escritura pública declaratória. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 16 .7 20 45 0/ 20 11 -2 8 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13116.720450/201128 Resolução nº 2401000.715 S2C4T1 Fl. 59 2 O contribuinte apresentou impugnação (fls. 02/05) e documentos (fls. 06/15), considerada tempestiva, alegando que paga duas pensões, uma para a Srª Josina Braga Gomes (de quem é divorciado) e a outra para a menor Raquel de Oliveira Gomes (sua filha), nos valores de R$ 55.783,51 e R$ 22.000,00, em decorrência de decisão judicial e mediante escritura pública, respectivamente. Do Acórdão atacado (fls. 38/40), em síntese, extraise que (a) não comprovou a obrigaroriedade da pensão de R$ 55.783,51 paga alegadamente para Josina Braga Gomes; e (b) para Raquel de Oliveira Gomes (R$ 22.000,00), da mesma forma, não se comprovou o pagamento e a Escritura Pública Declaratória (fls. 09/14) apresentada não é documento hábil (IN RFB nº 803/2007, art. 1 ; e Código de Processo Civil, art. 1.124A). Intimado em 01/10/2014 (fls. 44), o contribuinte interpôs em 20/10/2014 (fls. 46) recurso voluntário (fls. 46/47), acompanhado de documentos (fls. 48/54), em síntese, alega: (a) são duas as pensões; (b) judicial de Josina B. Gomes paga pela unidade pagadora do recorrente, constando do comprovante de rendimentos e requerimento para juntada posterior pela impossibilidade de obter cópia do processo judicial não foi apreciado pelo Acórdão; (c) extrajudicial da menor Raquel de Oliveira Gomes paga para a genitora, Eunice T de Oliveira, conforme Escritura Pública declaratórioa; (d) apresentando documentos, requer o cancelamento da totalidade do lançamento; e (e) protesta por produção adicional de provas. É o relatório. Voto Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Com o recurso, em relação à Josina, apresentouse: (1) acordo de divórcio (petição protocolada em 19/03/1998, fls. 48/50); (2) sentença homologatória (transitada em 26/10/1998, fls. 51/54); e (3) ofício judicial de 2001 para a Superintendência do INSS no Acre determinando desconto em folha de 35% do rendimento mensal bruto (fls 54). Nas fls. 08 e 15, consta o Comprovante de Rendimentos emitido pela fonte pagadora AGU (trabalho assalariado) para o anocalendário 2009, a revelar o pagamento da pensão alimentícia de R$ 55.783,51, mas sem a identificação do beneficiário e em valor percentual inferior a 35% do rendimento bruto. Logo, não há como se ter certeza se a pensão fixada em 1998 para Josina se mantém em 2009 (não foi apresentada certidão judicial atualizada) e nem se o descontado pela fonte pagadora a ela se refere (AGU não identificou beneficiário e percentual diverge). Apesar de entender ser desnecessária a diligência, adoto o entendimento dos demais conselheiros de se deferir o pedido do recorrente para produção adicional de provas, fixando o prazo de 45 dias para que o recorrente obtenha junto à fonte pagadora (Advocacia Geral da União, CNPJ n° 26.934.558/000395) a comprovação acerca do beneficiário da retenção na fonte efetuada no anocalendário de 2009 a título de pensão alimentícia, bem como para que esclareça a origem e o teor da determinação para o desconto. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13116.720450/201128 Resolução nº 2401000.715 S2C4T1 Fl. 60 3 Isso posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima especificados. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 60DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.900587/2015-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 3402-006.199
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 05 87 /2 01 5- 27 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10865.900587/201527 Acórdão n.º 3402006.199 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de pedido de restituição de pagamento a maior de IPI que restou indeferido pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que a decisão da Unidade foi imotivada, não tendo sido apreciado o crédito, limitandose a autoridade a verificar se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ou seja, não haveria esclarecimento do significado de “inexistência de crédito”, caracterizando cerceamento do direito de defesa, motivo pelo qual requer a nulidade da decisão. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº01033.668. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em sede de impugnação, ou seja, continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa por parte do recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.183, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.900572/201569, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.183): "5. O recurso voluntário interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10865.900587/201527 Acórdão n.º 3402006.199 S3C4T2 Fl. 0 3 6. Como visto ao longo do recurso voluntário interposto, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que redundou na não homologação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Assim, mister se faz neste instante destacar a motivação do aludido despacho, a qual segue abaixo transcrita: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito apontado pelo contribuinte teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido utilizado para o pagamento de n. 5441682672, com código n. 5123, referente a PERD/COMP apresentada em 31/12/2010, no valor de R$ 114.590,23. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, resta claro que ele atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação analisada. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10865.900587/201527 Acórdão n.º 3402006.199 S3C4T2 Fl. 0 4 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste Tribunal administrativo, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10865.900587/201527 Acórdão n.º 3402006.199 S3C4T2 Fl. 0 5 valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. 11. Convém lembrar que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. Dispositivo 12. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10865.900587/201527 Acórdão n.º 3402006.199 S3C4T2 Fl. 0 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.729836/2017-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
Numero da decisão: 2001-001.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. . (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho.
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Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. . (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 98 36 /2 01 7- 16 Fl. 192DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013, anocalendário de 2012. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, no valor de R$165.477,70., referente aluguéis recebidos. A contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que do montante glosado , realmente a quantia de R$91.214,15 foi rendimentos de aluguéis recebidos por ela. No entanto o saldo restante referese a aluguéis recebidos por seus filhos e netos. A DRJ Rio de Janeiro, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que apesar de a Impugnante ter apresentado um quadro de resumo referente a 2012 no qual há a especificação dos valores que foram recebidos por ela e a indicação das comissões, não foi trazido aos autos os contratos de aluguel vinculando o recebimento de seus filhos e netos e sequer foi informado pela interessada os seus nomes e identificações(certidões e documentos) . Em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte junta todas as demais documentações necessárias a fim de comprovar que realmente só recebeu o valor não contestado por ela, qual seja o montante de R$91.214,15. Demonstra , através de contratos de aluguéis, escrituras, declarações de imposto de renda pessoa física dos seus filhos e netos, e outros documentos, que de fato a diferença não foi rendimento recebido por ela. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Omissão de rendimentos No caso em comento argumenta de forma clara e objetiva a Recorrente que a parte impugnada do lançamento foi exatamente a que se referia aos aluguéis sob responsabilidade fiscal de seus filhos e netos. Junta diversas documentações como contrato de alugúeis, detalhamento do valor recebido por cada unidade imobiliária, por contribuinte, declaração de imposto de renda pessoa física dos contribuintes envolvidos para comprovar as suas afirmações. Nesta senda entendo que deve ser trazido à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10580.729836/201716 Acórdão n.º 2001001.195 S2C0T1 Fl. 3 3 verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 194DF CARF MF 4 Neste diapasão, verificando os argumentos claros e objetivos trazidos pela Contribuinte, além de toda documentação suporte acostada, especialmente, em sede de Recurso Voluntário, comprovando o quanto alega e principalmente que não houve prejuízo ao erário eis que seus filhos e netos declararam a renda recebida dos aluguéis nas suas respectivas declarações de imposto de renda pessoa física, entendo que deve ser DADO provimento ao Recurso Voluntário para ser exonerada da parcela impugnada. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos moldes acima expostos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.732547/2016-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-03-12T21:51:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-03-12T21:51:02Z; Last-Modified: 2019-03-12T21:51:02Z; dcterms:modified: 2019-03-12T21:51:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:9dbbb9a4-e9a1-4e90-98d4-9dc983e545d7; Last-Save-Date: 2019-03-12T21:51:02Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-03-12T21:51:02Z; meta:save-date: 2019-03-12T21:51:02Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-03-12T21:51:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-03-12T21:51:02Z; created: 2019-03-12T21:51:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 45; Creation-Date: 2019-03-12T21:51:02Z; pdf:charsPerPage: 1452; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-03-12T21:51:02Z | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2.202 1 2.201 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.732547/201639 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.778 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 28 de janeiro de 2019 Assunto Diligência Recorrente HYPERMARCAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 1090 em face da decisão de primeira instância proferida no âmbito da DRJ/SP de fls. 950, que julgou a Impugnação de fls. 645 improcedente e manteve os Autos de Infração de Pis e Cofins de fls. 622 e 628. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 32 54 7/ 20 16 -3 9 Fl. 2202DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.203 2 "Trata o presente processo de Autos de Infração de fls. 622/637 por meio dos quais foram constituídos créditos tributários relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), incidência nãocumulativa, dos períodos de janeiro a dezembro de 2012, nos valores, respectivamente, de R$ 683.579.042,50 e R$ 145.719.693,11, totalizando R$ 829.298.735,61 (fls. 636), aí incluídos os valores principais, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até dezembro de 2016, em razão de insuficiência de recolhimento das citadas contribuições (fls. 623 e 629). As irregularidades constatadas foram contextualizadas no Termo de Verificação Fiscal de fls.556/617, em que inicia a Fiscalização reportandose a ciência do Termo de Início, com solicitação de: apresentação, entre outros documentos, dos Demonstrativos mensais de apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de planilha demonstrativa da elaboração do DACON discriminando despesas e operações que deram origem a créditos do regime nãocumulativo; manifestação acerca de eventual aproveitamento de créditos extemporâneos no período objeto da ação fiscal e da existência de eventual processo de consulta quanto à aplicação da legislação tributária referente às contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS. Identifica, então, a atividade da contribuinte expondo ter ela por objeto uma extensa gama de atividades, segundo se depreendeu da análise de seu estatuto social (fls. 13 a 52) dentre as quais podese destacar de relevância para a presente análise: . o comércio, a indústria, a importação e a exportação de produtos de limpeza (saneantes e domissanitários) e higiene doméstica (...); . a prestação de serviços de industrialização no ramo de bens de consumo; . a exploração da indústria e do comércio de produtos alimentícios e bebidas em geral (...); . a fabricação, o transporte, o armazenamento, a distribuição, a importação e a comercialização de produtos de higiene pessoal, toucador, cosméticos e perfumes; . a fabricação, o transporte, o armazenamento, a distribuição, a importação e a comercialização de medicamentos, de produtos para saúde (correlatos) e de produtos farmacêuticos alopáticos, fitoterápicos e homeopáticos para uso humano, importação de insumos e matérias primas para sua fabricação; . o comércio, a indústria, a importação e a exportação de produtos desinfetantes para controle de insetos e roedores, produtos químicos, inseticidas, defensivos para uso agrícola, aparelhos, instrumentos e engenhos de uso doméstico; Fl. 2203DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.204 3 . a confecção, comercialização, importação e exportação de calças plásticas, fraldas de algodão e congêneres, fraldas descartáveis, absorventes higiênicos, absorventes hospitalares, hastes flexíveis com algodão nas extremidades e algodão para higiene facial e corporal; . a fabricação e comércio de medicamentos para uso veterinário; Registra que a contribuinte teve como forma de tributação o Lucro Real para todo o anocalendário de 2012, destarte obrigada à apuração das contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS segundo os preceitos da nãocumulatividade, regime acerca do qual observa ter como objetivo precípuo evitar a tributação em “cascata”, ou seja, evitar que uma cadeia econômica seja tributada em suas várias etapas. Dessa forma, compensase o valor referente ao tributo devido nas operações anteriores com o valor a ser recolhido na operação considerada. Expõe que, em seu Relatório de Administração de 2012 (fls. 480 a 548,) a Hypermarcas informou ao mercado uma receita líquida de R$ 3,873 bilhões de reais, segundo declarou à época por intermédio de seu CEO no documento referenciado. Analisa, nos itens 7 a 24, as respostas apresentadas pela contribuinte no curso do procedimento transcrevendose os excertos seguintes: 14. Com relação ao teor da resposta retro referida de 01/08/2016, face ao que foi demandado no Termo de Início e demais Termos de Intimação Fiscal expedidos no curso da presente ação fiscal, o sujeito passivo insistiu, não obstante reiteradamente intimado a fazêlo, em não individualizar e detalhar as contas contábeis e seus respectivos lançamentos e saldos mensais que seriam componentes da rubrica “Aquisição de serviços utilizados como insumo” relativa à linha 3 do DACON, em desacordo com o que prescreve o art. 911 do Decreto 3.000 de 26 de Março de 1999, dentre outros aplicáveis à espécie, que conferem o direito de a Administração Tributária analisar as informações que julgar pertinentes, que devese observar eram de domínio do contribuinte, haja vista trataremse de informações atinentes a lançamentos e a saldos mensais componentes de contas contábeis, acerca dos créditos a que a fiscalizada supõe fazer jus, sendo que ipsis litteris: ... 15. Haja vista a multiplicidade de contas contábeis e de lançamentos envolvidos, não há na EFD a individualização adequada para se caracterizar as despesas e gastos gerais que tenham sido eventualmente incluídos pelo sujeito passivo na citada rubrica, supostamente utilizados como insumos em seu processo produtivo e no curso de seu objeto social, isso pois quem pleiteia o crédito deve comprovar o mesmo e não sendo possível fazêlo, deve ser procedida a glosa integral de créditos controversos, quando haja impossibilidade de se apurar a com exatidão a veracidade e a subsunção legal dos referidos créditos ao normativo aplicável, sobretudo no que concerne aos critérios de essencialidade e do emprego dos mesmos na atividade fim da empresa conforme dispõe o art. 3, II da Lei 10.637 de 2002, com Fl. 2204DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.205 4 redação dada pela Lei 11.898 de 2009 e o art. 3, II da Lei 10.833 de 2003. 16. Adicionalmente, cabe frisar que para efeito dos citados dispositivos legais retro mencionados e para adequada análise dos créditos pleiteados, o termo insumo não pode ser interpretado como qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. Nesses termos, foi reiterado o que foi solicitado em outras oportunidades, especificamente para a rubrica em comento, sendo que em sua resposta datada de 25/08/2016 (fls. 373 a 388) após argumentar em síntese que não estava se obstando a apresentar as mencionadas informações, a Hypermarcas finalmente apresentou tabela resumo da natureza dos créditos lançados na rubrica “Aquisição de serviços utilizados como insumo” relativa à linha 3 do DACON, por contacontábil, para os anoscalendário de 2012 e 2013, os quais ressaltou considerar essenciais à sua atividade, segundo entendimento próprio que serão objeto de análise detalhada adiante. 17. Com relação ao Termo de Constatação a fls. 362 a 369, nele restou consignado a constatação por parte da fiscalização de que foram apropriados créditos na linha 16 do DACON, para a rubrica “ Créditos calculados a alíquotas diferenciadas” das fichas 6A e 16A do citado demonstrativo, o valor total de R$ 70.391.118,32 para o ano calendário de 2012 e de R$ 79.480.318,39, para o anocalendário de 2013, entre créditos de valores tributados e não tributados no mercado interno. 18. Por outro lado, verificouse que, conforme consolidado na Tabela 2 abaixo, não obstante o referido creditamento de tais aquisições, foi constatado que a Hypermarcas, na qualidade de fabricante e/ou importador, não ofereceu à tributação as saídas de diversos produtos farmacêuticos, produtos de perfumaria, toucador e higiene pessoal, que segundo o art. 1, I, alíneas a e b, da Lei 10.147 de 2000 com alterações posteriores, deveriam ter sido tributados na saída a alíquotas diferenciadas a saber: Art. 1 A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01; 30.03, exceto no código 3003.90.56; 30.04, exceto no código 3004.90.46; e 3303.00 a 33.07, exceto na posição 33.06; nos itens 3002.10.1; 3002.10.2; 3002.10.3; 3002.20.1; 3002.20.2; 3006.30.1 e 3006.30.2; e nos códigos 3002.90.20; 3002.90.92; 3002.90.99; 3005.10.10; 3006.60.00; 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01; 3401.20.10; e 9603.21.00; todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas:(Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) Fl. 2205DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.206 5 I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: ((Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07, exceto na posição 33.06, e nos códigos 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); e (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) (GRIFOS NOSSOS) 19. Ora que a sistemática diferenciada estabelecida pelo legislador no caso in tela se aplica à fiscalizada, pois tais produtos elencados nos dispositivos legais retro mencionados são parte do objeto social da mesma que se encontra na qualidade de fabricante/importador. A finalidade desse tratamento específico para os citados produtos no contexto da nãocumulatividade é a de concentrar a tributação, daí ser denominada monofásica ou concentrada, uma vez que nesse regime o ônus tributário de toda a cadeia produtiva recai sobre o fabricante ou importador. 20. Em virtude dessa concentração, o legislador impôs alíquotas maiores incidentes sobre as receitas auferidas com a comercialização de tais produtos, conforme constante no art. 1, I, alíneas a e b, da Lei 10.147 de 2000. Em contrapartida, os demais participantes da cadeia de comercialização, no caso os varejistas e atacadistas, claramente não apuram créditos nas aquisições de tais bens, mas têm o benefício de redução a zero das alíquotas das contribuições sociais em comento, conforme demonstrado pela Figura 1 e delimitado pelo art. 2 da citada lei, in verbis: Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. (GRIFOS NOSSOS) .... 21. No caso de atuar como revendedora dos produtos mencionados, a regra inserta no art. 24 da Lei 11.727 de 2008 prescreve que o produtor ou fabricante, como é o caso da Hypermarcas, pode descontar, como o fez segundo demonstrado no Termo de Constatação Fiscal nº 01, créditos relativos à aquisição de tais produtos de outra pessoa jurídica enquadrada na condição de fabricante ou importador, para a revenda no mercado interno ou para exportação, a saber: Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.207 6 Art. 24. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, produtora ou fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, pode descontar créditos relativos à aquisição desses produtos de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante, para revenda no mercado interno ou para exportação. (GRIFOS NOSSOS) § 1º Os créditos de que trata o caput deste artigo correspondem aos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidos pelo vendedor em decorrência da operação. § 2º Não se aplica às aquisições de que trata o caput deste artigo o disposto na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na alínea b do inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (GRIFOS NOSSOS) 22. Nesse sentido, em virtude do fato de a ora fiscalizada fabricar os produtos farmacêuticos, de higiene pessoal, toucador e de perfumaria sujeitos à tributação monofásica, a mesma é obrigada por lei à apuração e pagamento do PIS e da COFINS com base nas alíquotas diferenciadas, concentrando dessa forma a tributação da cadeia. 23. É evidente, portanto, que a regra acima não autoriza que as vendas ou revendas realizadas por fabricante ou importador ocorram a alíquota zero, pois isso seria um contrassenso enorme, haja vista a HYPERMARCAS, nas operações de aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica, se apropriar dos créditos com base em alíquotas diferenciadas referentes a tais aquisições, sem, todavia, oferecer à regular tributação as saídas de tais produtos, aplicando alíquota zero nessas operações, quebrando a cadeia de tributação e subsidiando suas revendas com tal procedimento. (Vide Figura 2) ... 24. Os fabricantes de produtos sujeitos às alíquotas diferenciadas podem descontar créditos em relação às aquisições de produtos de outra pessoa jurídica, produtora ou importadora, para revenda no mercado interno, desde que a pessoa jurídica adquirente seja fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833 (produtos relacionados no inciso I, do art. 1° da lei n° 10.147/00). No caso ilustrado acima, a Hypermarcas adquire produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal de outro fabricante e/ou importador para revenda. Como ela também fabrica produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, ela tem o direito de se creditar do PIS e da Cofins. Dessa forma, restou comprovado que nas aquisições de produtos submetidos à tributação monofásica, a Hypermarcas PODERIA se creditar dos bens adquiridos, como de fato o fez e DEVERIA oferecer à tributação do PIS/COFINS as receitas oriundas das revendas desses produtos. Passa a Fiscalização a verificar os débitos e os créditos relativos às contribuições do PIS/COFINS nas operações praticadas ao longo do período de 2012. Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.208 7 No tópico AI (itens 26 a 38) analisa os débitos , esclarecendo de início ter utilizado como base todas as notas fiscais eletrônicas (NFe) emitidas pela fiscalizada e pelas pessoas jurídicas por esta incorporadas, com base nas quais informa ter sido possível obter a receita bruta da empresa, após a desconsideração das notas fiscais canceladas, consolidandoa por CFOP , conforme planilha que apresenta (fls. 567/568) ... E continua: 27. Com vistas à obtenção da base de cálculo do débito relativo às contribuições para o PIS/COFINS utilizouse os valores das notas fiscais (NFe) que compreendem os itens menos descontos (R$ 4.814.414.281,22), já que esta base está livre do IPI e do ICMS por Substituição Tributária (impostos que compõem o Valor da Nota Proporcional). Outrossim, foram excluídas as receitas oriundas de vendas com isenção para exportações e vendas a alíquota zero para a Zona Franca de Manaus, para fins de obtenção da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. 28. Após a exclusão das receitas isentas e com alíquota zero, segregou se as vendas dos produtos submetidos às tributações monofásica e normal, de forma a se obter a base de cálculo para aplicação das alíquotas e cálculo do débito das contribuições sociais em comento, cujas planilhas demonstrativas foram anexadas a fls. 549 a 553 do processo administrativo fiscal. 29. Nesse contexto, a fiscalizada foi instada a se manifestar acerca do suposto embasamento legal que tenha justificado as razões que a levaram a revender à alíquota zero, ou seja, sem incidência de PIS e COFINS nãocumulativos, bens submetidos a tributação monofásica que deveriam ter sido oferecidos à tributação, e a se creditar com alíquotas diferenciadas nas operações de aquisições de tais produtos conforme Tabela 2 – “Comercialização de produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas não oferecidos à tributação”, apurada com base nas Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) de saídas onde constam os Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.209 8 produtos classificados nas NCM como sujeitos à alíquotas diferenciadas, excluídas as saídas isentas ou não tributadas em virtude de regimes especiais tais como aquelas destinadas à Zona Franca de Manaus (ZFM) e exceções expressamente elencadas em norma. 30. Nesse sentido foi consolidada na Tabela 3 os valores relativos aos débitos apurados de PIS/COFINS referentes às vendas de produtos farmacêuticos, produtos de perfumaria, toucador e higiene pessoal, que segundo o art. 1, I, alíneas a e b, da Lei 10.147 de 2000 com alterações posteriores estão sujeitos à tributação monofásica, com alíquotas diferenciadas do PIS/COFINS. 31. Ato contínuo foi consolidada na Tabela 4 os demais valores relativos aos débitos apurados de PIS/COFINS referentes às vendas de produtos sujeitos à tributação pelo regime nãocumulativo, mas com alíquotas normais do PIS/COFINS. Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.210 9 32. Em sua manifestação, por intermédio da resposta datada de 25/08/2016 a Hypermarcas declarou que: “a base legal para aproveitamento do crédito sobre aquisições de produtos sujeitos a tributação monofásica são as Leis nº 10.637/2002, nº 10.833/03 e nº 11.727/2008, não localizando qualquer vedação expressa à apropriação de créditos” 33. Conforme extensamente mencionado no presente e demonstrado pela Fig. 2, poderia a fiscalizada, como de fato o fez conforme detalhado no Item BI LINHA 01 – DACON – NACIONAIS adiante, se creditar com alíquotas diferenciadas nas operações de aquisições de tais produtos de outros fabricantes. O que causa espanto é que a contribuinte informa que com relação aos débitos, ou seja, as saídas de tais produtos, a mesma aplicou o que assevera o retro citado art. 2 da Lei 10.147 de 2000 e a solução de consulta COSIT nº 24/2002, em um entendimento próprio. Tal argumentação não faz sentido algum, haja vista o retro mencionado artigo é somente aplicável expressamente às pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador, o que claramente não é o caso da Hypermarcas. 34. No caso, a Lei n° 10.865 de 2004 posterior, modificou as Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 alterando a sistemática da tributação do regime monofásico, fazendo com que a receita decorrente da industrialização, assim como a decorrente da revenda, no mercado interno, dos produtos farmacêuticos, de toucador e de perfumaria passassem a estar incluídos na base de cálculo não cumulativa para as pessoas jurídicas submetidas a esse regime (tributadas pelo Imposto de Renda com base no lucro real), sem prejuízo dos citados produtos estarem incluídos na tributação concentrada. 35. Como bem observado na Solução de Consulta COSIT nº 269 de 2011 que assim tratou do tema: “Relevante notar que as pessoas jurídicas enquadradas na condição de industrial ou de importador dos produtos especificados na Lei n° 10.147, de 2000, estão sujeitas às alíquotas diferenciadas do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de venda mesmo quando atuam como meros comerciantes desses produtos, ou seja, quando os Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.211 10 adquirem para revenda, sem sobre eles exercer qualquer tipo de industrialização. Essa interpretação se coaduna com a literalidade da norma instituidora do regime, a qual impõe a alíquota diferenciada para as pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos nela mencionados, instituindo a alíquota zero para as demais. (...) ” (GRIFOS NOSSOS) 36. A própria Hypermarcas confirmou que tinha direito aos créditos nas entradas de produtos porque respaldada no art. 24 da Lei nº 11.727 de 2008, pois era fabricante dos referidos. Destarte, não poderia se passar oportunamente por atacadista e revender esses produtos com alíquota zero, ou seja com isenção tributária. Com essa conduta “híbrida”, se apropriou indevidamente dos valores devidos a título de PIS e Cofins na revenda desses produtos, subsidiando suas revendas e quebrando a cadeia de tributação concentrada como demonstrado na Figura 3. ... 37. Aliás, a exegese normativa do art. 2 da Lei 10.147 de 2000 é cristalina quando afirma que faz jus à alíquota zero somente aqueles contribuintes não enquadrados na condição de industrial ou de importador. Nesse sentido carece de total fundamento a justificativa apresentada pela Hypermarcas para revender à alíquota zero, ou seja, com isenção de PIS e COFINS nãocumulativos, de bens submetidos a tributação monofásica que deveriam ter sido oferecidos à tributação à luz do ordenamento jurídico vigente. Nesse aspecto é importante observar que segundo assevera o art. 111, II da Lei 5.172 de 1966, o Código Tributário Nacional, devese interpretar literalmente qualquer norma que importe na outorga de isenção tributária tal como pretendido pela fiscalizada. Transcreve entendimento doutrinário. No tópico “B” analisa os créditos (itens 39 a 45), abordando individualmente as linhas do DACON, como segue: BI LINHA 01 – DACON – NACIONAIS (itens 46 a 54), em que não detecta incorreções, mas faz observação acerca de créditos extemporâneos, 46. Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos da aquisição de bens para revenda. ... ... 54. Após a análise dos dados apurouse que os créditos oriundos da aquisição de bens para revenda pleiteados pela Hypermarcas estão corretos. Não obstante este fato, conforme consta no tópico sobre Créditos Extemporâneos, parte do crédito pleiteado na linha 16 para a rubrica “Créditos calculados a alíquotas diferenciadas” será glosado em razão de ter sido apresentado extemporaneamente sem a respectiva retificação de DCTF. BII LINHA 02 – DACON – NACIONAIS (itens 55 a 59), em que esclarece que nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.212 11 oriundos da aquisição de bens utilizados como insumos; expõe os procedimentos de análise e consigna, no item 60, para fins de apuração dos créditos será discutida individualmente os valores que foram apropriados pela fiscalizada com base nesta rubrica. Conclui estarem corretos os créditos apropriados em relação a Compra para Industrialização (item 60), Compra de Combustíveis ou Lubrificantes por Consumidor ou usuário Final (item 61) e despesas relativas a industrialização por encomenda (item 62). Em relação a brindes ao consumidor final (item 63 e 64) expõe que não houve de fato creditamento pela fiscalizada dos valores lançados na citada conta, pelo que não houve glosa de tais créditos. Aborda, então, Materiais Promocionais (Valor Total Igual a R$ 4.026.438,05), acerca dos quais discorre nos itens 65 a 74), concluindo que: tais despesas com materiais promocionais, mediante análise dos descritivos dos lançamentos na conta contábil nº 6121507 Materiais Promocionais e das informações prestadas pela fiscalizada, são utilizadas como estratégia de marketing na divulgação dos produtos produzidos/revendidos pela Hypermarcas. Ou seja, não são utilizadas como insumos na produção ou fabricação dos produtos destinadas à venda, razão pela qual serão glosadas. No item BIII, reportase a LINHA 03 – DACON – SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO (itens 75 a 103) apresentando conclusões em quadro explicativo como segue: 103. Tendo sido feitas as considerações necessárias acerca da interpretação e do alcance dos dispositivos legais aplicáveis ao regime nãocumulativo, segue quadro explicativo com análise da pertinência e subsunção legal da dedução da base de cálculo para os respectivos créditos contidos na rubrica “Aquisição de serviços utilizados como insumo” relativa à linha 3 do DACON e, para cada conta contábil, fazendo nesse caso referência direta de uma análise interpretativa do normativo aplicável ao caso, acompanhado da fundamentação legal que justifica o crédito ou a glosa do custo/despesa na base de cálculo de créditos do PIS e da COFINS, para cada natureza das despesas apropriadas. (Tabela 16) Fl. 2212DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.213 12 Fl. 2213DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.214 13 Fl. 2214DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.215 14 Fl. 2215DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.216 15 Na sequência a Fiscalização aborda Créditos Extemporâneos (Referente ao Item 1 do Termo de Intimação nº 01 – Valor total do Crédito igual a R$19.570.620,86) expondo que: 104. A Hypermarcas, em resposta ao Termo de Início da Ação Fiscal, datada de 02/05/2016, informou que no período fiscalizado houve aproveitamento extemporâneo de créditos de Pis e Cofins no período de Abril de 2012, nos valores de e R$ 3.484.240,66 e R$ 16.086.380,20, respectivamente, oriundos das empresas que foram adquiridas e incorporadas no período. 105. Foi demandada, pelo Termo de Intimação Fiscal nº 01, a apresentar demonstrativo de base de cálculo que contivesse as informações necessárias à análise do crédito, quais sejam: Valor; Descrição da Mercadoria/Despesa; Data de Emissão; Número da(s) Nota(s) Fiscal(is); Nome e CNPJ dos Fornecedores; Código NCM, Código CFOP. 106. Nesse sentido, informou in verbis, por meio da resposta datada de 31/05/2016: “Acerca dos créditos extemporâneos apropriados no período fiscalizado, a Contribuinte salienta que como estratégia de crescimento optou pela aquisição e incorporação de empresas que atuavam em segmentos nos quais a fiscalizada possuía interesse, dentre os quais destacamos: Mantecorp Logística, Distribuição e Comércio S.A; Mantecorp Indústria Química e Farmacêutica S.A; DPH Distribuidora de Produtos de Higiene Ltda; Mabesa do Brasil S.A.; Facilit Odontologia e Perfumaria Ltda.; York SA Indústria e Comércio; Sapeka Indústria e Comércio de Fraldas Desc. S.A. Fl. 2216DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.217 16 Após a aquisição, a fiscalizada procedeu a revisão dos procedimentos adotados pelas incorporadas no tocante à apuração do PIS e da COFINS, a fim de alinhar as práticas entre incorporadas e incorporadoras. (...)”107. A fiscalização verificou que não houve retificação da DCTF/DACON pela fiscalizada para declarar, nos termos no normativo vigente, a apropriação de tais créditos extemporâneos de empresas incorporadas. Dessa forma, os créditos extemporâneos, apropriados sem a retificação dos demonstrativos (DACON e DIPJ) e declarações (DCTF) administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) não podem ser admitidos. 108. Tal premissa decorre do fato de que o demonstrativo adequado para apresentar os valores apurados de PIS/PASEP e COFINS é o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON. Com efeito, por meio do artigo 16, da Lei n° 9.779/ 99, o legislador concedeu à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB a prerrogativa de dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos tributos e contribuições por ela administrados, a saber: .... 109. Nesse contexto, a RFB instituiu diversos atos legais decorrentes, que tratam da forma de apresentação e demais condições relativas ao DACON. Em relação ao período fiscalizado, o ato legal que disciplinou as obrigações e condições pertinentes foi a Instrução Normativa RFB n° 1.015/2010, revogada somente em 2014. 110. Não há como acolher a pretensão de utilizar eventuais créditos apurados extemporaneamente sem retificar os DACON e DCTF correspondentes, ou seja, retificar as declarações do mesmo período dos créditos, em face do disposto no art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 1.015/2010: DA RETIFICAÇÃO DO DACON “Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado.” § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. (GRIFOS NOSSOS) 111. Consequentemente, há expressa e inequívoca previsão legal para que os créditos apropriados extemporaneamente pela fiscalizada sejam formalizados por intermédio de DACON RETIFICADORES. Sobre essa questão trata ainda o art. 170 da Lei nº 5.172 de 1966 – o Código Tributário Nacional, acerca da necessidade de serem líquidos e certos tais créditos, havendo várias decisões em processos administrativos orientadas segundo assevera a Solução de Consulta DISIT n° 73, de 20 de abril de 2012, dentre outras, a saber: ... Fl. 2217DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.218 17 112. Logo, não se justifica a pretensão de apropriar créditos extemporâneos sem a respectiva retificação dos DACON e DCTF de períodos pretéritos (cujos créditos foram originados). 113. Cumpre registrar que além de a Hypermarcas não ter retificado os DACON e as DCTF, também não apresentou nenhum demonstrativo de controle dos créditos passíveis de ressarcimento e/ou compensação, considerando o rateio dos créditos comuns entre a receita bruta de exportação e a receita do mercado interno auferida em cada período a que se referem os créditos de PIS e COFINS registrados extemporaneamente. 114. Portanto, não se pode admitir os créditos extemporâneos apropriados pela fiscalizada SEM a retificação dos DACON, pois não é possível avaliar e dimensionar o montante de créditos ressarcíveis nos períodos pretéritos. Ademais, quando um crédito relativo à contribuição PIS/COFINS é apropriado, o valor correspondente ao crédito deve ser excluído do custo e, consequentemente, do Lucro Líquido e da BC da CSLL, aumentando a CSLL e o IRPJ devido. Portanto, é imprescindível a retificação não só do DACON, mas também da DCTF e DIPJ dos mesmos períodos. 115. Destarte, os créditos de Pis e Cofins apropriados no período de Abril de 2012, nos valores de e R$ 3.484.240,66 e R$ 16.086.380,20, respectivamente, oriundos das empresas que foram adquiridas e incorporadas no período, serão glosados em razão de serem extemporâneos e apropriados sem a retificação dos demonstrativos DACON, DIPJ e DCTF, e, sobretudo, pelo fato de sua maioria, mediante análise detalhada dos demonstrativos encaminhados a fls. 72, contar com despesas que não são aplicados na fabricação ou produção dos bens destinados à venda (não são insumos), tais como material promocional, desenv. de embalagens, publicidade, amostras grátis, marketing, etc. 116. A mencionada glosa dos créditos extemporâneos será capitulada na infração INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Nos itens 117 a 125 de seu Termo de Verificação, analisa a Fiscalização a linha 07 do DACON – Fretes, esclarecendo que nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda (base de cálculo igual a R$ 155.796.615,08). Descreve as intimações formalizadas, as solicitações de prazo requeridas e concedidas, as inconsistências detectadas, a reintimação a qual ensejou: 121. ... resposta à intimação datada de 25/11/2016 (fls. 456 a 460) em que apresentou os demonstrativos de despesas com fretes, segregando os fretes relativos às operações de venda dos demais fretes (chamados de “Outras Operações”). Declarou na oportunidade que entende que todas as operações de fretes, quer sejam de venda quer sejam de outras operações, são consideras essenciais a sua atividade. Exemplificou as demais operações que não configuram venda tais como, bonificações para clientes, transferências de produtos e insumos entre Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.219 18 estabelecimentos próprios e remessa de amostra grátis para divulgação de produtos, dentre outros. E expõe que: Ou seja, os fretes cujos créditos foram apropriados sob a rubrica “Outras Operações” referemse, na sua totalidade, a fretes não aplicados nas operações de vendas, motivo pelo qual serão glosados. Expõe posicionamento nesse sentido da jurisprudência administrativa (item 122) e do STJ (item 123) , para concluir: 124. Logo, tendo por regra que somente os fretes relativos às operações de vendas geram direito ao crédito referente às contribuições PIS/COFINS não cumulativas, foram segregados da base de cálculo informada pelo sujeito passivo na resposta datada de 25/11/2016 os fretes nas operações de venda dos demais fretes e elaborado o demonstrativo para glosa dos créditos de fretes referentes à “Outras Operações”, conforme Tabela 18 abaixo.: 125. Portanto, serão glosados os créditos entre estabelecimentos e demais constantes em “Outras Operações” – base de cálculo do crédito igual a R$ 28.481.484,12. No tópico “C” de seu Termo de Verificação, sob o título Das irregularidades Fiscais e da Constituição do Crédito Tributário, descreve a Fiscalização: 126. Verificouse no curso da ação fiscal que o sujeito passivo incluiu, na apuração da base de cálculo do crédito do PIS e da COFINS, contas de custos e de despesas sem amparo na legislação do regime nãocumulativo da PIS e da COFINS aplicável ao caso, mormente a Lei nº 10.637 de 2002, Lei nº 10.833 de 2003 e a Instrução Normativa SRF nº 404 de 2004, dentre outras. 127. Adicionalmente, foi constatado que a Hypermarcas, na qualidade de fabricante e/ou importadora, não ofereceu à tributação as saídas de diversos produtos farmacêuticos, produtos de perfumaria, toucador e higiene pessoal, que segundo o art. 1, I, alíneas a e b, da Lei 10.147 de 2000 com alterações posteriores, deveriam ter sido tributados na saída a alíquotas diferenciadas. Fl. 2219DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.220 19 128. Dessa forma, procedeuse à consolidação dos valores mensais de cada uma das contas objeto de análise e o respectivo total anual declarado pelo contribuinte com base nos diversos demonstrativos enviados, no SPED EFD –Contribuições e no SPED ECD – Escrituração Contábil Digital, para fins de determinação da Base de Cálculo do Pis e da Cofins sobre o Faturamento, para o sujeito passivo no anocalendário de 2012. (Vide Anexos 1 e 2) 129. Para os créditos, foram utilizados os valores mensais com o respectivo valor a glosar, segundo o normativo aplicável a cada conta individualmente, para cada período (mensal) do fato gerador do PIS e da COFINS, apurados segundo a sistemática nãocumulativa, consoante a fundamentação legal constante da Tabela 16, tais dados compõem o Anexo 1 – BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A GLOSAR, parte integrante deste Termo de Verificação Fiscal. 130. Para os débitos, relativos às contribuições PIS/COFINS não cumulativos, a base de cálculo foi apurada com base nas Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) de saídas, emitidas pela fiscalizada, onde constam os produtos classificados nas NCM como sujeitos a alíquotas diferenciadas, excluídas as saídas isentas ou não tributadas em virtude de regimes especiais, tais como aquelas destinadas à Zona Franca de Manaus (ZFM) e exceções expressamente elencadas em norma. 131. Nesse sentido, foram consolidados na Tabela 3 do Item AI do presente Termo e transpostos para o Anexo 2 os valores relativos aos débitos apurados de PIS/COFINS referentes às vendas de produtos farmacêuticos, produtos de perfumaria, toucador e higiene pessoal, que segundo o art. 1, I, alíneas a e b, da Lei 10.147 de 2000, com alterações posteriores, estão sujeitos à tributação monofásica, com alíquotas diferenciadas do PIS/COFINS, que não foram oferecidos à tributação pela Hypermarcas. 132. Ato contínuo, foram consolidados na Tabela 4 do Item AI do presente Termo e transpostos para o Anexo 2 os demais valores relativos aos débitos apurados de PIS/COFINS referentes às vendas de produtos sujeitos à tributação pelo regime nãocumulativo, mas com alíquotas normais do PIS/COFINS, que não foram oferecidos à tributação pela Hypermarcas. 133. As planilhas completas, com os valores relativos aos débitos apurados de PIS/COFINS supra consolidados, foram colacionadas no Processo Administrativo às seguintes folhas: Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.221 20 134. Finalmente, para demonstrar a glosa, elaborouse a planilha intitulada Anexo 2 – DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE PIS/COFINS A TRIBUTAR, em que se destacam os seguintes dados (ver na Planilha a coluna indicada pela letra): . A base de cálculo dos créditos glosada pela Autoridade Fiscal, qual seja aquela composta pelos saldos das contas não admitidas como integrantes da base de cálculo do crédito do PIS/COFINS, na sistemática nãocumulativa (A) (Valores transportados do Anexo 1); . Ato contínuo, a diferença relativa à insuficiência no recolhimento do PIS/COFINS quanto aos créditos, sujeita ao lançamento de ofício (C), foi obtida por meio da aplicação da alíquota correspondente a cada contribuição (B) à base de cálculo do crédito efetivamente apurada pela Autoridade Fiscal (A). . Os valores relativos à insuficiência de recolhimento do PIS e da COFINS, nas saídas (débitos) não oferecidas à tributação, efetivamente apurada pela Autoridade Fiscal, consoante o disposto na legislação aplicável ao caso para a sistemática nãocumulativa, foram inseridos nas colunas (D) para produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas e (E) para produtos sujeitos a alíquotas normais. . Os créditos extemporâneos não admitidos pela fiscalização, conforme detalhado no tópico específico do TVF, foram relacionados na coluna (F). . Por fim, a diferença total a tributar, relativa à insuficiência no recolhimento do PIS e da COFINS, sujeita ao lançamento de ofício (G), foi obtida por meio da soma algébrica das colunas relacionadas anteriormente, conforme detalhado no Anexo 2. Esclarece, ainda, que: 135. Concluído o levantamento fiscal, a glosa dos créditos indevidamente aproveitados na apuração do PIS/PASEP e da COFINS e as saídas não oferecidas à tributação, relativamente ao ano calendário de 2012, foram capituladas nas infrações 3880.0009 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.222 21 O PIS/PASEP, e 6121.0006 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS, conforme detalhadamente descrito no Auto de Infração lavrado em face do sujeito passivo, incluído no processo fiscal em comento, do qual este Termo de Verificação Fiscal é parte integrante. 136. No que tange à análise de direito creditório, conforme previsto pelo Art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/2003 e no §2º do Art. 15 da Lei nº 10.865/2004, verificouse que o sujeito passivo já se utilizou dos créditos disponíveis relativos ao período de fiscalização e posteriores, não cabendo nesse sentido compensação de ofício, Relatório Fiscal – Saldo de Ofício PIS/COFINS (conforme doc. de fls. 554). ... De fls. 618/621 constam: Anexo 1 Base de Cálculo Creditos a Glosar.xls (demonstrativo mensal de créditos a glosar) e Anexo 2 Demonstrativo Pis Cofins a Tributar.xls (demonstrativo de apuração de PIS/Cofins a tributar [Valores em R$]) Cientificada em 13/12/2016 conforme fls. 640, a contribuinte solicitou em 11/01/2017, conforme fl. 644, a juntada de impugnação de fls. 645/798, acompanhada de documentos 799/927 (documentos de identificação, procuração, Atas de Assembleia, Autos de Infração e Termo de Verificação), com as razões de defesa a seguir sintetizadas. Ao expor os fatos assevera que a Fiscalização entendeu ter a contribuinte apurado incorretamente débitos e créditos de PIS e Cofins. Em suas palavras: No que tange aos débitos (Item “AI) Da Verificação dos Débitos (PIS/COFINS Não Cumulativos)”), entendeu o Sr. Agente Fiscal que, em razão da condição de fabricante da Impugnante, há a incidência do PIS e da COFINS com alíquotas diferenciadas na revenda dos produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal sobre os quais a Impugnante não realizou qualquer operação de industrialização de que trata o artigo 4º do Regulamento do IPI, afastandose, portanto, a aplicação da alíquota zero adotada pela Impugnante nas operações desta natureza. ... No que se refere aos créditos (item “B. Análise dos Créditos”), consignou o Sr. Agente Fiscal que parte deles é indevida em razão da falta de fundamentação na legislação vigente. Em preliminar alega ser inadmissível a Mudança de Critério Jurídico da Fiscalização, com afronta ao art. 146, do CTN, reportandose aos autos do processo administrativo nº 16004.720544/201314, decorrente de lançamentos de PIS e COFINS relativos aos períodos de 2009 e 1º e 2º Trimestres de 2010, e expondo que: para uma mesma realidade fática (aquisição de produtos, pela Impugnante, sujeitos à tributação monofásica para mera revenda no mercado interno)1, foram aplicados diferentes critérios jurídicos para fundamentar a lavratura dos autos de infração: (i) na primeira autuação (objeto do processo administrativo nº 16004.720544/2013 Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.223 22 142), houve a glosa de créditos sem questionamento da aplicação da alíquota zero; enquanto (ii) no lançamento em apreço, a Autoridade Fiscal acolheu expressamente o aproveitamento de créditos e tributou a revenda com a aplicação das alíquotas diferenciadas. Invoca o art. 146 do CTN, cita entendimentos doutrinários e posicionamentos do CARF, alega que o reconhecimento da aplicação da alíquota zero às revendas é consistente com diversas Soluções de Consultas e expõe que: nem se alegue que se trataria de um erro de fato, e não de uma mudança de critério jurídico, tendo em vista que (i) a posição adotada, quanto à alíquota zero, no primeiro auto de infração (processo nº 16004.720544/201314) é consistente com o entendimento exarado em diversas Soluções de Consulta da Receita Federal; e (ii) tal entendimento já foi convalidado de maneira unânime pela DRJ naqueles autos. Ademais, a eventual configuração de erro de fato acarretaria, necessariamente, a caracterização de excesso de exação tanto por parte do agente lançador, quanto pela DRJ, o que não pode ser admitido. Argui, então, a nulidade da autuação, nos seguintes termos: Com base na legislação, nas doutrinas e na jurisprudência do E. CARF acima colacionadas, é patente que a Autoridade Fiscal não poderia ter alterado o critério jurídico adotado na autuação lavrada em 2013 (objeto do processo administrativo nº 16004.720544/2013 14), cujo o lançamento foi mantido pela DRJ, quando da fundamentação do presente lançamento, em razão das claras disposições do artigo 146, do CTN, motivo pelo qual deve esta E. Turma Julgadora decretar a nulidade dos autos de infração ora combatidos. No tocante ao mérito, inicia abordando a autuação quanto aos débitos das contribuições e defendendo, no tópico III.1.1, a Correta Aplicação da Alíquota Zero do PIS e da COFINS na Revenda de Produtos Sujeitos ao Regime Monofásico – Lei nº 10.147/2000. Para tanto apresenta histórico de alterações da legislação sobre a tributação de produtos do regime monofásico Produtos Farmacêuticos, de Perfumaria, de Higiene Pessoal e de Toucador – Lei nº 10.147/2000, como segue: Em 21/12/2000, por meio da Lei nº 10.147, foi instituído o denominado “regime monofásico” do PIS e da COFINS para os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador nela listados, concentrando a apuração e o recolhimento das contribuições nas “pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos”, ficando os demais contribuintes desonerados, em razão da aplicação da alíquota de zero. Destaca alterações ao longo do tempo da Lei nº 10.147/2000 pela Medida Provisória nº 2.15835 e pelas Leis nº 10.548/2002, 10.865/2004 e 12.839/2013 (esta última não estava vigente para os fatos geradores da presente autuação), apenas para inclusão ou Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.224 23 exclusão de diferentes produtos no regime monofásico, como, por exemplo, os produtos de perfumaria, trazidos pela Lei nº 10.865/2004, sem alterações substanciais com relação à hipótese de incidência trazida em seu texto original. Já o parágrafo 1º, do artigo 1º, e o artigo 2º da Lei nº 10.147/2000, permanecem até hoje com a sua redação original (supracitada), ... Assevera que a Lei nº 10.147/2000 aplica o conceito de industrialização estabelecido na legislação do IPI. Reportase ao Parecer Normativo Cosit nº 24 /2013 sobre a não incidência de IPI na revenda. Cita a SC 12/2003 no mesmo sentido e também doutrinas sobre o IPI. Menciona normas de vigilância sanitária, como a Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, objetivando evidenciar a característica comercial do distribuidor de medicamentos e insumos farmacêuticos. Cita Solução de Consulta nº 88/2010 da DISIT 7ª RF, Solução de Consulta nº 15/2009 da DISIT 8ª RF e Solução de Divergência nº 41/2008. Cita também a Solução de Consulta 24/2002 da Cosit, da qual destaca: “a pessoa jurídica que, independentemente de ter a industrialização como atividade, adquirir, no mercado nacional, produtos tributados na forma do inciso I do art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, e os revender sem realizar sobre eles nenhuma das operações de que trata o art. 4º do Ripi, não pratica atividade de industrialização, podendo beneficiar se da alíquota zero prevista no art. 2º da citada lei”. Observa que o artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396/2013, o qual transcreve, é taxativo ao afirmar que as Soluções de Consulta COSIT e de Divergência possuem efeitos vinculantes no âmbito da RFB, fato não observado pelo Sr. Agente Fiscal. Menciona novamente o art. 146 do CTN. Alega ainda que desenhos utilizados pela Fiscalização em seu Termo de Verificação muito se assemelham àqueles contidos no “Manual do PIS e da COFINS”, publicado pela Editora Fiscosoft, sem, contudo, citar nota explicativa do livro que informa que os fabricantes de autopeças devem aplicar alíquota zero. Ainda contrapondose ao tema, faz a interessada uma analogia com a tributação das bebidas frias, asseverando que: " em especial atenção aos princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada, não poderia o Sr. Agente Fiscal alargar, sem embasamento legal claro e expresso, e ferindo também os conceitos determinados pela já citada legislação regulatória, a incidência das alíquotas diferenciadas às operações de revenda praticadas pela Impugnante." E completa: Fl. 2224DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.225 24 "Nesse sentido, evidente que apenas por intermédio de alterações na legislação ordinária do PIS e da COFINS seria possível estender a aplicação das alíquotas majoradas destas contribuições aos produtos sujeito ao regime monofásico para o fim de atingir as receitas de mera revenda." Também busca fazer analogia com a Operação de Industrialização por Encomenda, invocando novamente a Solução de Divergência COSIT nº 42, de 03 de novembro de 2008, concluindo da seguinte forma: "...a despeito de ter natureza híbrida (que é irrelevante para a análise das normas em questão artigos 1º e 2º da Lei nº 10.147/00), efetuou a mera revenda de produtos sujeitos à tributação monofásica do PIS e da COFINS, sem praticar qualquer operação de industrialização preconizada no artigo 4º, do RIPI, de modo que faz jus à aplicação da alíquota zero, nos exatos termos do quanto asseverado na Solução de Consulta nº 42/08." Sob o título Da Aplicabilidade da Alíquota Zero Independentemente do Aproveitamento de Créditos, acrescenta que: "... a Lei nº 11.727/2008 não introduziu qualquer modificação na determinação de alíquotas das contribuições para as pessoas jurídicas incluídas no regime monofásico de tributação do PIS e da COFINS. Ou seja, as regras nela veiculadas tratam somente do reconhecimento de créditos, sem, no entanto, criar ou alterar a regra matriz de incidência sobre as receitas auferidas pelos fabricantes na hipótese de revenda dos produtos em questão, que se encontra, desde 2000, prevista na Lei nº 10.147/2000 de maneira inalterada. Esclarece que: Portanto, ainda que de acordo com o artigo 24, da Lei nº 11.727/2008, reproduzido anteriormente, a pessoa jurídica produtora / fabricante dos produtos sujeitos à sistemática de tributação concentrada possa reconhecer créditos de PIS e COFINS sobre esses produtos adquiridos de importadores, produtores ou fabricantes, quando destinados à revenda, seria necessário o afastamento da alíquota zero para a hipótese de revenda de maneira expressa por lei, como ocorreu para o setor de bebidas frias. Sustentando que o Agente Fiscal deixou de analisar qual deveria ser a tributação nas hipóteses em que a Impugnante praticou a revenda de mercadorias adquiridas de outros revendedores, e não outros industriais, nas quais não se apropriou de créditos, defende ter havido Falta de Motivação dos Lançamentos e Iliquidez das Autuações, alegando hipóteses em que a Fiscalização levou em consideração, de forma desmotivada, as receitas oriundas das revendas (i) tanto dos produtos comprados de revendedores, (ii) quanto os produtos sujeitos à desoneração das contribuições mediante a metodologia de crédito presumido, sendo que em ambos os casos, a Impugnante não se apropriou de qualquer crédito na aquisição dos produtos destinados à revenda. Classifica de Equivocadas as Premissas Adotadas pela Fiscalização, apontando ser Inadmissível Utilização de Considerações Econômicas Fl. 2225DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.226 25 para Fins de Constituição do Crédito Tributário, expondo que: A autuação não tem motivação legal e um lançamento não pode ser efetuado com base em critérios subjetivos, baseados em princípios e noções distorcidas da própria legislação vigente, como ocorreu no presente caso. Acrescenta que: a Solução de Consulta nº 269, de autoria da DISIT e não da COSIT, como indevidamente argumentado pelo Sr. Agente Fiscal, utilizada como base de argumentação pela Fiscalização, expressa um entendimento totalmente isolado da Receita Federal e, ainda, discrepante das (i) Solução de Divergência nº 41/08, e (ii) Solução de Consulta nº 24/02, pronunciada pela COSIT (reproduzidas e abordadas no tópico anterior em sentido favorável à tese defendida pela Impugnante), as quais, incontestavelmente, devem prevalecer sobre a Solução da DISIT reportada do TVF. é interessante notar que a Solução de Consulta DISIT nº 269/11, aventada pela Fiscalização, não adentrou à análise do § 1º, do artigo 1º, da Lei nº 10.147/00, segundo o qual “para os fins desta Lei, aplica se o conceito de industrialização estabelecido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI.”. Discorre acerca de interpretação finalística, reportandose a métodos hermenêuticos para expor que: o raciocínio trazido pela Fiscalização representa, na realidade, um inconformismo com a norma, na medida em que a suposta finalidade legislativa apontada pela Fiscalização (i) carece de amparo em atos normativos,(ii) ignora o grande lapso temporal existente entre as duas normas e (iii) foge à interpretação literal da norma, o que é descabido como será demonstrado a seguir, devendo esta DRJ determinar o cancelamento integral das autuações. Se de um lado, a Fiscalização se desvencilha por completo da interpretação literal para aplicar a legislação em consonância com uma suposta e presumida finalidade arrecadatória; a Impugnante, por outro lado, aplica as leis com base em uma interpretação literal (que é a mais adequada e apropriada quando se trata de aspectos essenciais do fato gerador, conforme já exposto) e que se coaduna com a teoria finalística (intento da legislação pela instituição de uma norma indutora para desoneração da cadeia produtiva), observando inclusive as orientações emitidas formalmente pela própria Receita Federal por meio da Resposta à Consulta COSIT nº 24/02, que continua válida, e pela Solução de Divergência nº 41/08, que também não foi revogada. Aponta, também, que, em caso de prevalecer a autuação, deve ser apurado crédito presumido: Embora a Fiscalização tenha lavrado as autuações sob a alegação de que a Impugnante procede à industrialização dos produtos sujeitos à tributação monofásica e, portanto, deve recolher as contribuições com base nas alíquotas diferenciadas, deixou de apurar o montante de crédito presumido a ser abatido do cálculo das contribuições ora exigidas. Fl. 2226DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.227 26 Também questiona lançamento de crédito tributário no valor de R$ 693.883,70, descrito no item 31 do Termo de Verificação, alegando falta de esclarecimento na autuação e impossibilidade de a Impugnante precisar a razão da cobrança. Ainda, a título argumentativo, caso se entenda pela manutenção do presente lançamento, invoca disposições do art. 100 e 112 do CTN e requer que ao menos sejam cancelados os valores referentes à multa de ofício e aos juros de mora. Apresenta suas conclusões acerca dos débitos, como segue: (i) A Fiscalização não poderia ter alterado o critério jurídico adotado na autuação lavrada em 2013 (objeto do processo administrativo nº 16004.720544/201314) quando da fundamentação do presente lançamento, em razão das claras disposições do artigo 146, do CTN, motivo pelo qual deve esta C. Turma Julgadora decretar a nulidade dos autos de infração ora combatidos. (ii) O Sr. Agente Fiscal reconheceu que a Impugnante atuou nas operações ora discutidas como mera revendedora dos produtos sujeitos à tributação monofásica, visto que não procedeu a qualquer operação de industrialização com relação a tais produtos (fls. 10 e 11 do TVF); (iii) Portanto, partindose da premissa de que a Impugnante apenas revendeu tais produtos, não há que se cogitar seu enquadramento no artigo 1º, da Lei nº 10.147/2000, que traz como sujeito passivo do fato gerador da obrigação tributária as pessoas jurídicas que “procedam à industrialização”; (iv) De acordo com a legislação do IPI, o industrial é aquele que promove uma das operações de industrialização, previstas no artigo 4º, do RIPI (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento, etc.), o que não ocorre na mera revenda de produtos, motivo pelo qual se afastam as alegações fiscais no sentido de que a Impugnante atua como “industrial” nestas operações; (v) De acordo com a legislação regulatória, fabricante é aquele que promove as alterações necessárias para a obtenção do produto final, se aproximando, portanto, às diretrizes do IPI; (vi) De acordo com o permissivo contido no artigo 2º, da Lei nº 10.147/2000, as pessoas jurídicas que somente revenderem os produtos sujeitos à tributação monofásica poderão se valer da alíquota zero nesta operação, como forma de garantir a eficiência e finalidade do regime monofásico; (vii) O aproveitamento da alíquota zero pela Impugnante encontra respaldo na legislação, na doutrina específica sobre tributação dos produtos sujeitos ao regime monofásico e nas Soluções de Divergência e Consulta COSIT, visto que todas essas fontes esclarecem que as etapas de revenda, independentemente da pessoa jurídica que a promova (industrial ou comercial), devem ser beneficiadas com a alíquota zero; Fl. 2227DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.228 27 (viii) Ademais, em obediência ao princípio da segurança jurídica, que deve ser resguardado aos contribuintes, os Auditores Fiscais estão obrigados a observar as Soluções de Consulta proferidas pela COSIT, e as Soluções de Divergência de Consultas, em razão destes atos normativos representarem o entendimento da Receita Federal acerca de determinada norma jurídica; (ix) Pela análise da legislação aplicável à tributação das bebidas frias, é evidente que quando o legislador ordinário decidiu tributar às alíquotas diferenciadas as revendas de bebidas frias promovidas por fabricantes, o fez expressamente, motivo pelo qual não há como se acatar a interpretação extensiva e distorcida da Fiscalização para tributar as operações no presente caso; (x) O Sr. Agente Fiscal não poderia ter se aproveitado de considerações econômicas e arrecadatórias, tampouco de uma interpretação distorcida finalística das normas, para imputar à Impugnante as alíquotas diferenciadas sobre a receita oriunda da mera revenda. A Fiscalização deixou de aplicar uma interpretação literal das normas que versam sobre aspectos essenciais do fato gerador (como a alíquota); (xi) A própria Solução de Divergência nº 42/08 afasta uma interpretação econômica e teleológica para a aplicação dos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.147/00, asseverando a irrelevância da natureza da pessoa jurídica (industrial ou comercial) e a necessidade de observância da operação por ela promovida (industrialização ou comercialização); (xii) É descabida a interpretação conjunta da Lei n° 10.147/00 e da Lei n° 11.727/08 realizada pela Fiscalização, no sentido de que a apropriação de créditos na aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica, impediria a Impugnante de proceder à revenda à alíquota zero; (xiii) Não é possível se aplicar qualquer punição ao contribuinte que seguiu orientações emanadas pela própria Receita Federal, como determina o parágrafo único do artigo 100 do CTN; e (xiv) O Sr. Agente Fiscal não teceu qualquer comentário acerca das operações de (i) revenda de produtos adquiridos de revendedores, (ii) revenda de produtos adquiridos de industrial e beneficiados pelo artigo 3º, da Lei nº 10.147/00 (crédito presumido), e (iii) do lançamento no valor de R$ 693.883,70, evidenciandose, assim, a falta de motivação e a iliquidez dos autos de infração, o que acarreta na sua nulidade. Opõese também a Impugnante à glosa de créditos (item III.2 da peça de impugnação, fl. 717) alegando que a totalidade dos créditos glosados .... foram imprescindíveis para a realização da atividade empresarial da impugnante, e assim, enquadramse perfeitamente no conceito de insumos, para fins de creditamento de PIS e COFINS, restando, portanto, integralmente impugnados. Defende, no item III.2.1, a Correta Escrituração dos Créditos Escrituração Fiscal Digital das Contribuições ao PIS e da COFINS (“EFDContribuições”), expondo ter reiterado durante todo o curso do procedimento de fiscalização que as informações referentes às Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.229 28 contribuições ao PIS e da COFINS encontravamse devidamente escrituradas na EFDContribuições e não nas Dacons transmitidas. fls. 721, mas a Fiscalização, de forma totalmente equivocada e arbitrária, entendeu por ignorar estas informações e proceder à análise dos créditos com base nas linhas da Dacon. Afirma que, em consequência, foram glosados créditos em valores superiores aos apropriados de fato pela Impugnante, maculandose assim os lançamentos fiscais em sua integralidade. Questiona o procedimento fiscal, alegando existirem equívocos na autuação (item III.2.2) que ensejariam a nulidade dos lançamentos, como segue: ao verificar os créditos apropriados pela Impugnante durante o ano calendário de 2012, a Fiscalização, valeuse, de forma totalmente equivocada e indevida, apenas das informações constantes na Dacon e na ECD; são inadequados os procedimentos adotados pela Fiscalização, que trata a análise de créditos do PIS e COFINS como “recomposição da base de cálculo” desses tributos, incluindo conceitos próprios do Imposto de Renda como “despesas escrituradas como não dedutíveis”; o Sr. Agente Fiscal adotando procedimento para o qual não há suporte algum na legislação fiscal, procedeu, com base exclusivamente em contas contábeis à “recomposição da base de cálculo” dos créditos que, com base nas explicações da Impugnante, entende que a contribuinte deveria ter apropriado, para, na sequência, determinar a tributação total desse valor a título de glosa de crédito. Aponta, a título de exemplo, “recomposições” feitas pela Fiscalização referentes a despesas com Patrocínio Eventos (fls. 34 e 35 do TVF), Comissão de Vendas (fls. 36 e 37 do TVF), Serviços Diversos Prestados (fls. 37 e 38 do TVF), que teriam ensejado glosa indevida de créditos por ignorar completamente a apuração feita pela Impugnante e demonstrada na EFDContribuições, bem como as informações expressamente prestadas ao longo do processo fiscalizatório. Argumenta, ainda que a Fiscalização: ao invés de proceder à glosa dos créditos e, consequente, recomposição do tributo a ser recolhido, “transformou”, de forma automática, os créditos glosados com base em reapurações e independentes do montante apropriado pela Impugnante em falta de recolhimento das contribuições. incluiu, ainda, na base de cálculo de créditos glosada valores relativos a serviços que haviam sido considerados pela própria fiscalização como insumos, reportandose a serviços de comunicação que ora admite a tomada de crédito com relação a comunicações ora nega, sem nenhuma explicação para tanto. Alega exiguidade do prazo de 30 (trinta) dias concedidos aos contribuintes para preparar a sua defesa pois seria impossível apontar Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.230 29 TODOS os erros numéricos e conceituais cometidos ... principalmente quando o Sr. Agente Fiscal abandona em seus trabalhos a forma do EFDContribuições. Defende a nulidade dos autos de infração pelo não cumprimento das formalidades essenciais (intrínsecas) aos atos de lançamento, tais como a liquidez e certeza do montante exigido. Cita ementas de Acórdãos do CARF e conclui que, em razão dos equívocos cometidos pelo Sr. Agente Fiscal na apuração da base de cálculo dos autos de infração lavrados, os créditos tributários objeto dos presentes lançamentos fiscais devem ser considerados ilíquidos e incertos, motivo pelo qual a Impugnante aguarda que essa C. Turma Julgadora decrete a nulidade das autuações fiscais ora combatidas. Acrescenta que, mesmo que pudesse ser superada a nulidade invocada, a glosa dos créditos não prevaleceria na medida em que os bens e serviços geradores dos respectivos créditos enquadramse no conceito de insumos para fins de creditamento do PIS e da COFINS. É o que se passa a demonstrar. A Impugnante tece Considerações Sobre o Regime da Não Cumulatividade Para o PIS e a COFINS (item III.2.3, fls. 733) em que: discorre sobre o conceito de nãocumulatividade, defendendo a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS na forma como realizado pela Impugnante, já que as despesas questionadas pela Fiscalização caracterizamse como essenciais para a realização de sua atividade empresarial, não havendo como desconsiderar os créditos para fins de apuração do PIS e a COFINS, sob pena de tais tributos incidirem sobre base de cálculo superior ao mero valor agregado em etapa posterior. alega não se tratar de benefício fiscal, e sim de metodologia pelo qual o tributo deve ser calculado, anulandose ou não os efeitos das etapas econômicas anteriores, portanto, por se tratar de regime constitucional sua interpretação deve ser necessariamente ampla e irrestrita, afastandose qualquer tipo de interpretação literal que só seria cabível na hipótese de benefício fiscal, assim definido pelo artigo 111 do Código Tributário Nacional. expõe que, de acordo com o regime da nãocumulatividade, darão direito a crédito de PIS e COFINS as despesas com bens e serviços utilizados como insumo no desenvolvimento da atividade econômica do contribuinte e na geração de suas receitas, base de cálculo das contribuições em tela. No item III.2.4 de sua Impugnação (fls. 740), a contribuinte aborda o Conceito de Insumo para fins de Creditamento do PIS e da COFINS. Reportase a Instruções Normativas RFB nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, e alega que o conceito de insumos das Instruções Normativas é mais restrito que o da lei. Alega contradição da Fiscalização ao exigir tributos da Impugnante por meio de uma interpretação finalística do regime da não Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.231 30 cumulatividade, e se valer de um conceito mais restritivo de insumos do que aquele contido nas Leis aplicáveis. Como o PIS e a COFINS são tributos que incidem sobre a receita, ... a aferição do valor agregado na base tributável nas contribuições (receita) pelo contribuinte restaria prejudicada pela aplicação dos conceitos inerentes e exclusivos à produção e circulação de mercadorias, que não se alinham perfeitamente à base tributável de receita. Argumenta que a Constituição Federal não faculta à lei restringir parcialmente a nãocumulatividade através da limitação da apropriação dos créditos. Cita excertos de doutrina e de decisões judiciais e do CARF sobre o conceito de insumos. Ainda nesse tópico, reportandose à Tabela 16 – Fundamentação legal para glosa admissão/de créditos do regime não cumulativo”, argumenta que a Fiscalização, em total descumprimento ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo tributário, se valeu de uma análise superficial da atividade empresarial da Impugnante, alegando, sob fundamentos genéricos, que serviços essenciais ao processo produtivo da companhia não seriam aptos a gerar créditos no âmbito destas contribuições. fls. 753 Destaca, também, acerca dos créditos questionados na autuação, que o procedimento adotado pela Impugnante tem por pressuposto e necessidade observar de forma incondicional as normas regulatórias expedidas pela Anvisa, sem as quais tornase ilegal o negócio da Impugnante. Exemplifica mencionando a Resolução RDC nº 39/2013 da Anvisa, a qual estipula a metodologia para a concessão de certificados de boas práticas de fabricação e de certificado de boas práticas de distribuição e armazenamento. Na sequência aborda os créditos glosados iniciando por Créditos Relativos a Serviços de Análise Laboratorial, Consultoria, Produção e Desenvolvimento de Embalagens, Informática e Comunicação (item III.2.4.1), argumentando que: o conceito de insumo adotado restringe indevidamente o princípio constitucional da nãocumulatividade do PIS e da COFINS; é indispensável que se interprete o termo “insumos” de forma mais ampla, analisandose os bens e serviços que participam da produção das receitas tributadas pelo PIS e pela COFINS, e não apenas o que é diretamente consumido na produção; a contratação dos referidos serviços não corresponde à mera liberalidade da Impugnante, mas sim de serviços essenciais e imprescindíveis à manutenção e desenvolvimento de suas fontes de receita; o serviço de analise laboratorial é utilizado para atestar a qualidade da indústria, promovendo a elaboração de procedimentos, análise de exigências regulatórias, previstas tanto pela ANVISA quanto pela VISA, e inspeções tanto nos fornecedores como nas fábricas; Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.232 31 o serviço impõe regras do sistema de Gestão de Qualidade. em atenção às normas expedidas pelos agentes reguladores, a Impugnante adquire diversos serviços de instituições especializadas no controle de qualidade de produtos farmacêuticos, como por exemplo, o ICF – Instituto de Ciências Farmacêuticas – laboratório que prestava serviços de pesquisa e desenvolvimento de produtos; a Fiscalização glosou créditos decorrentes de despesas com serviços que são, por lei, obrigatórios à atividade exercida pela Impugnante. Cita ementa de Acórdão da CSRF e Solução de Consulta nº 145, de 2001. Em relação aos serviços de consultoria, produção e desenvolvimento de embalagens e informática, a Impugnante reportase a inúmeras finalidades essenciais ao desenvolvimento de suas atividades, tais como: a) identificação e controle de procedimentos a serem cumpridos por exigências regulatórias, como os avisos que são obrigatórios nas embalagens dos produtos, b) desenvolvimento de novos produtos, c) pesquisas de mercado; d) gerenciamento das informações de laboratório e e) desenvolvimento de programas de elaboração e controle de orçamento das fábricas, cronograma de atividades essenciais, controle de custos e receitas incorridos no período. Defende que também devem ser consideradas para fins de creditamento as despesas incorridas pela Impugnante com os serviços de comunicação, pois é evidente que os gastos com este tipo de despesa são absolutamente necessários para que os funcionários da companhia possam exercer as suas atividades profissionais, geradoras da receita operacional da Impugnante. Reitera que o conceito de insumo no contexto de tais contribuições deve ser entendido de forma ampla, de modo a contemplar todos os dispêndios necessários e relacionados à atividade principal da empresa, sendo fonte de geração de sua receita e faturamento. Também reprisa que a glosa de crédito deve se restringir aos créditos apropriados, não podendo em nenhuma hipótese ultrapassalos. Acerca de dispêndios com Mãodeobra temporária, alega, no item III.2.4.2, que os serviços contratados são essenciais para a geração de receitas da impugnante e para a plena consecução de sua atividade, caracterizandose, assim, como insumos. Assevera que a maior parte destas despesas está relacionada à contratação temporária de empresa especializada em carregamento e descarregamento de produtos, atividade esta que é essencial à condução dos negócios da Impugnante. Quanto a serviços de Reparação de Máquinas e Instalações, argumenta, no item III.2.4.3, que: os serviços de reparação de máquinas e instalações são essenciais à consecução das atividades operacionais da Impugnante; Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.233 32 o conceito de “insumo” no âmbito do PIS e da COFINS deve ser entendido de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios que são essenciais e inerentes à atividade principal do contribuinte; os serviços de reparação máquinas e instalações se enquadram no conceito de insumo, na medida em que a sua subtração obsta totalmente a atividade operacional da Impugnante. Cita Solução de Consulta nº 36, de 10/01/2011 e ementas de Acórdãos do CARF e da CSRF. Aborda, no item III.2.4.4, Outros Serviços Essenciais à Atividade da Impugnante, alegando que a Fiscalização: glosou créditos decorrentes de serviços gerais prestados, outros gastos gerais, outros gastos com pessoal administrativo e outros gastos comerciais, sem, no entanto, fazer investigação alguma acerca da natureza e essencialidade destas despesas à atividade operacional da Impugnante; não explicou os motivos de sua glosa e exemplifica a proibição da apropriação de crédito com base em despesas que não geraram apropriação de crédito, tais como decoração, recargas de extintores, arquivos de documento e marcenaria. Acrescenta que não há uma análise das despesas que, de fato, geraram apropriação de crédito, pelo que os lançamentos fiscais são nulos por ausência de fundamentação. Quanto a Créditos Relativos a Fretes e Serviços de Paletização e Reacondicionamento de Produtos, alega, no item III.2.3.5, que: foram glosados os créditos sobre despesas com frete, por não se tratarem de frete na operação de venda. o frete que gera receitas não está vinculado exclusivamente ao transporte da mercadoria vendida, mas sim a todas as etapas que podem anteceder ou suceder a venda; são intrínsecas à geração de receitas da Impugnante as despesas de frete inerente a: (i) transferência de mercadorias ou insumos de uma unidade para outra; (ii) entrega de mercadorias que foram dadas em bonificação aos clientes; e (iii) retirada de mercadorias devolvidas pelos clientes e/ou logística reversa, que são de responsabilidade da Impugnante, entre outras; As despesas de frete referentes à transferência de produtos acabados encontram respaldo expresso no artigo 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003 e artigo 15, II, dessa mesma lei. tal qual ocorre com o conceito de insumo, devido às características amplas da base tributável do PIS e da COFINS (receitas), bem como pela falta de limitação constitucional, é necessário se entender de uma maneira ampla o conceito de OPERAÇÃO de venda. A OPERAÇÃO de venda é composta por todas as atividades, anteriores, concomitantes e Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.234 33 mesmo posteriores, que suportam a realização de maneira continuada das vendas promovidas pelo contribuinte; a correta gestão do estoque, a distribuição deste entre os diversos estabelecimentos dos contribuintes, o transporte de toda a mercadoria remetida ao cliente, e não só a adquirida por ele, compõe em seu conjunto a OPERAÇÃO de venda. Cita ementa de Acórdão do CARF sobre a possibilidade de apuração de crédito de frete entre estabelecimentos. Acrescenta que: o mesmo podese dizer com relação às despesas com frete ligadas às bonificações originadas de vendas. Isso porque, a bonificação não se configura como uma doação da Impugnante, mas sim como extensão da própria venda por ela realizada, razão pela qual a despesa de frete com a bonificação deve ser passível de creditamento pelo PIS e pela COFINS por não se caracterizar como uma mera liberalidade, mas como parte do próprio negócio praticado pela Impugnante para criar um maior vínculo com seus clientes. outro não pode ser o raciocínio empregado para os custos dispendidos pela Impugnante com relação aos dispêndios com a paletização e o reacondicionamento dos produtos, sendo que estes serviços também se relacionam ao adequado transporte de mercadorias. Cita excerto de voto em Acórdão da CSRF mencionando pallets. Quanto a Créditos Relativos a Comissões Pagas a Pessoas Jurídicas, defende, no item III.2.4.6, que dispêndios com os representantes comerciais são essenciais à atividade da impugnante, já que tais pessoas são incumbidas de aumentar as vendas dos produtos comercializados pela Impugnante. Acerca de Créditos Relativos aos Serviços de Marketing, Publicidade e Propaganda (item III.2.4.7), argumenta: é necessário que a Impugnante, para alavancar a sua atividade empresarial (venda de produtos com as suas marcas), efetue uma gestão agressiva de marketing, além, obviamente, de cuidar de maneira diligente de questão mercadológica de marcas consagradas de bens de consumo presentes no mercado brasileiro; boa parte de suas vendas são motivadas pelos investimentos em marketing realizados para divulgar suas marcas, para classificação como insumo, a despesa deve ser um gasto, ou custo, diretamente relacionado com o cumprimento da atividade fim da empresa; deve agregar algum valor ou qualidade no produto final; e deve ser indispensável na atividade principal da empresa. o mercado no qual está inserida a Impugnante adota alto investimento na publicidade dos produtos comercializados. Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.235 34 Transcreve artigo doutrinário que entendeu pela possibilidade de creditamento para PIS/COFINS das despesas de marketing e publicidade. Acrescenta que: a principal atividade da Impugnante consiste no desenvolvimento de marcas e produtos. Deste modo, notório que a Impugnante se dedica arduamente ao desenvolvimento e fortalecimento de suas marcas, de modo a agregar valor aos seus produtos, aumentando a atratividade destes, bem como impulsionando o mercado consumidor a pagar valores superiores pelos produtos oferecidos pela companhia no mercado nacional. nem se alegue que o processo de desenvolvimento de marcas não se caracterizaria como um processo de produção, para fins de geração de crédito no âmbito destas contribuições. Isto porque, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o termo “produção”, constante do artigo 3º, inciso II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, é amplo e, por isso, não pode ser equiparado ao conceito de “industrialização”. Cita, também, posicionamento do STJ, alertando que a sistemática da nãocumulatividade das contribuições ao PIS e da COFINS visam a desoneração do processo produtivo e não apenas da cadeia produtiva. Conclui que as despesas incorridas com relação a serviços contabilizados nas contas de marketing devem gerar direito a crédito do PIS e da COFINS, porquanto cada uma dessas despesas contribui diretamente para a atividade operacional da Impuguante, consistente no processo de desenvolvimento e divulgação de marcas em diferentes setores do mercado consumidor, de modo a alavancar os seus negócios e, por consequência, as receitas submetidas à tributação pelas referidas contribuições. Na oposição à glosa de cada tipo de crédito argumenta a Impugnante no sentido de que, caso não seja acatado seu entendimento acerca da admissibilidade do crédito, a glosa deve se restringir aos créditos apropriados, não podendo em nenhuma hipótese ultrapassalos. Acerca da Forma de Reconhecimento e Aproveitamento de Créditos Extemporâneos (item III.2.4.8), argumenta que: a legislação citada pelo Sr. Agente Fiscal com o fito de justificar a manutenção da glosa dos créditos (artigo 10 da Instrução Normativa nº 1.015/2010) não traz qualquer menção à obrigatoriedade de o contribuinte retificar a DACON ou a DCTF para aproveitar os créditos de PIS e COFINS extemporaneamente. a legislação permite que o saldo credor possa ser utilizado nos meses subsequentes... tendo apenas como limite o prazo de cinco anos, conforme solução de consulta a seguir transcrita, em conformidade com o artigo 3º, §4 das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 é garantido ao contribuinte o direito de apropriação extemporânea dos créditos de PIS e de COFINS sem qualquer restrição ou imposição sobre a forma do seu aproveitamento. Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.236 35 Cita a Solução de Consulta nº 143 de 2007 e nº 260 de 2008. Cita a pergunta 66 do pergunta e respostas do SPED disponível no site da Receita Federal do Brasil. Cita Acórdãos do CARF no sentido de permitir a utilização do crédito extemporâneo. Acrescenta que o ordenamento jurídico não prevê a forma como devem ser aproveitados os créditos extemporâneos de PIS e COFINS, sendo certo, com base na melhor doutrina e jurisprudência, que referido direito pode ser exercido, basicamente, através de dois procedimentos distintos, a saber: 1) retificação das obrigações acessórias anteriores, para abater os respectivos créditos de PIS e COFINS, resultando em um recolhimento a maior que poderá ser restituído ou compensando com outros tributos administrados pela RFB; e 2) registro extemporâneo dos créditos de PIS e COFINS no corrente período, apropriando diretamente no regime nãocumulativo. Cita pergunta do manual da EFD de PIS e COFINS, da qual entende haver uma opção, e não a obrigatoriedade de retificar os documentos fiscais quando do reconhecimento de crédito extemporâneo. Cita Acórdão do CARF neste sentido. No item III.3, defende a Necessidade de Recomposição Integral da Apuração, expondo que: Evidente pela análise do Anexo 02 que acompanhou o TVF que o Sr. Agente Fiscal não recompôs a apuração do PIS e da COFINS nos termos da legislação vigente. De fato, notase que o “Total a Tributar – Coluna G” foi extraído diretamente de tal anexo sem qualquer recomposição. É mandatório que o Sr. Agente Fiscal recomponha toda a apuração da Impugnante, levando em conta os fatos contestados e incontestes, para determinação do valor das contribuições supostamente não pagas. Mencionese a título exemplificativo o valor do ICMS incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. Tal como já decidido pelo STF, tal valor não compõe o conceito de faturamento e deveria ter sido excluído da base de cálculo em questão. Assim sendo, não tendo o Sr. Agente Fiscal realizado a recomposição integral da apuração, necessário se faz o cancelamento das autuações em questão. Defende, ainda, a Ilegalidade da Cobrança de Juros sobre Multa, reportandose ao art. 13 da Lei nº 9.065/95, ao art. artigo 84 da Lei nº 8.981/95 e ao § 1º do artigo 113 do CTN, para expor seu entendimento de que: (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), de Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.237 36 modo que a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal. Cita Acórdão do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Finaliza requerendo o cancelamento integral das autuações ou, ao menos, (i) o reconhecimento do crédito presumido nos termos do tópico III.1.1 ou a exclusão das receitas de revenda de produtos adquiridos de industrial pelo artigo 3º, da Lei nº 10.147/00 (crédito presumido), da base de cálculo das autuações, nos termos do tópico III.1.1; (ii) a exclusão das receitas oriundas da revenda de produtos adquiridos de revendedores da base de cálculo das autuações, (iii) a exoneração da multa e dos juros de mora, em razão da aplicação do artigo 100, do CTN; (iv) a limitação da glosa ao valor dos créditos efetivamente apropriados pela Impugnante; e (v) o reconhecimento da não incidência de juros sobre a multa. Instruem a impugnação: Documentos de identificação, procuração e atos constitutivos (fls. 799/844), cópia dos Autos e do Termo de Verificação e anexos (fls. 845/929), documento 4 denominado “Anexo V Índice Máximo de perdas Toleradas” (fls. 932/943)." A Turma de julgamento da DRJ/SP proferiu o Acórdão de primeira instância administrativa fiscal com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a inconstitucionalidade e ilegalidade de disposições que integram a legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.238 37 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A mudança de critério jurídico ocorre, basicamente, com a substituição, pelo órgão de aplicação do direito, de uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer delas seja incorreta. A formalização de Auto de Infração com aplicação da lei não configura mudança de critério jurídico em relação a lançamento anterior em que utilizado entendimento distinto para quantificação do montante devido. INDUSTRIAL. ALIQUOTAS DIFERENCIADAS. REVENDA As pessoas jurídicas enquadradas na condição de industrial ou de importador dos produtos especificados na Lei n° 10.147, de 2000, estão sujeitas às alíquotas diferenciadas do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de venda mesmo quando atuam como meros comerciantes desses produtos, ou seja, quando os adquirem para revenda, sem sobre eles exercer qualquer tipo de industrialização. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS Para efeito da apuração de créditos na sistemática não cumulativa da contribuição ao PIS e da Cofins, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tãosomente como aqueles bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. SERVIÇOS DE ANÁLISE LABORATORIAL, CONSULTORIA, SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGENS, SERVIÇOS DE INFORMÁTICA E COMUNICAÇÃO. MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. REPARAÇÃO DE MÁQUINAS E INSTALAÇÕES. SERVIÇOS GERAIS. É vedada a apuração de crédito das contribuições em relação a dispêndios com bens e serviços que mantenham relação indireta com a produção de bens ou com a prestação de serviços. Dispêndios referentes a fases anteriores ou posteriores à produção ou à prestação de serviço, não se revestindo da condição de serem aplicados ou consumidos diretamente no produto fabricado ou no Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.239 38 serviço prestado, não permitem a apuração de crédito das contribuições. FRETES. OPERAÇÕES DE VENDA. OUTRAS OPERAÇÕES. A Lei restringe o direito de apuração de crédito calculado sobre despesas com frete pago ou creditado a pessoa jurídica domiciliada no País, na operação de venda e quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora. Operações de outra natureza como bonificações para clientes, transferências de produtos e insumos entre estabelecimentos próprios e remessa de amostra grátis para divulgação de produtos, não ensejam direito a crédito. PUBLICIDADE. PROPAGANDA. MARKETING. Dispêndios com: materiais promocionais, serviços de criação e veiculação de publicidade, promoções e eventos de marketing, patrocínio de eventos, assessoria e consultoria de marketing, pesquisa de mercado consumidor, feiras, convenções e eventos de vendas no cliente, ainda que contribuam para as atividades operacionais, não ensejam créditos de contribuições por não serem diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação dos bens ou produtos comercializados, não se inserindo, assim, no conceito de insumo previsto na legislação. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PERMISSÃO, QUANTIFICAÇÃO E APROVEITAMENTO. O aproveitamento de bases de cálculo extemporâneas não se admite fora do período originário. Somente se admite a utilização de saldo de créditos extemporâneos se ainda não decaído / prescrito o direito a sua utilização, após a apresentação do Dacon retificador (ou EFD Contribuições) do período de origem do crédito retificado (adicionado das novas bases de cálculo) e demonstrando o quantum o saldo de crédito foi alterado. Se ao final ainda restar saldo de créditos não aproveitados do respectivo período, aí sim estes saldos poderão ser aproveitados em meses subsequentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA DESCRIÇÃO FÁTICA E IDÊNTICA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. Aplicase ao lançamento de Cofins o disposto em relação ao lançamento de Contribuição para o PIS/Pasep, vez que decorrente da mesma descrição fática e idêntica matéria tributável. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Após, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.240 39 Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta Resolução. Para evitar supressão de instância, é preciso reconhecer que os autos não estão em condições de julgamento. Depreendendose da análise do processo, vêse que o cerne da lide envolve a matéria do creditamento de Pis e Cofins no regime não cumulativo, sobre os insumos do processo produtivo, com fundamento no Art. 3.º das Leis 10637/02 e 10833/03, matéria recorrente nesta seção de julgamento. Sobre o regime não cumulativo, de forma majoritária, este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Esta dicotomia retrata, em parte, a presente lide administrativa. Sem a qual não há solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento da matéria, é importante que seja analisado quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase do processo produtivo eles estão vinculados. Embora alguns produtos não possam ser considerados insumos para a legislação do IPI, para a legislação do Pis e da Cofins podem. Outra matéria importante nos autos é a autuação sobre a operação monofásica do contribuinte, nos moldes da Lei 10.147/00. Como previsto na Lei 10.147/00, nos artigos expostos a seguir, a industrialização e alguns outros requisitos são essenciais para a utilização da alíquota zero ou do aproveitamento do crédito presumido nas operações monofásicas de fármacos: "Art. 1o A Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01; 30.03, Fl. 2240DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.241 40 exceto no código 3003.90.56; 30.04, exceto no código 3004.90.46; e 3303.00 a 33.07, exceto na posição 33.06; nos itens 3002.10.1; 3002.10.2; 3002.10.3; 3002.20.1; 3002.20.2; 3006.30.1 e 3006.30.2; e nos códigos 3002.90.20; 3002.90.92; 3002.90.99; 3005.10.10; 3006.60.00; 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01; 3401.20.10; e 9603.21.00; todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 7.660, de 23 de dezembro de 2011, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) I – dois inteiros e dois décimos por cento e dez inteiros e três décimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos referidos no caput; I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: ((Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: (Redação dada pela Medida Provisória nº 609, de 2013) I – incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: ((Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07, exceto na posição 33.06, e nos códigos 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); e (Redação dada pela Medida Provisória nº 609, de 2013) b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07, exceto na posição 33.06, e nos códigos 3401.11.90, exceto 3401.11.90 Ex 01, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); e (Redação dada pela Lei nº 12.839, de 2013) II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. Fl. 2241DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.242 41 § 1o Para os fins desta Lei, aplicase o conceito de industrialização estabelecido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. § 2o O Poder Executivo poderá, nas hipóteses e condições que estabelecer, excluir, da incidência de que trata o inciso I, produtos indicados no caput, exceto os classificados na posição 3004. § 3o Na hipótese do § 2o, aplicase, em relação à receita bruta decorrente da venda dos produtos excluídos, as alíquotas estabelecidas no inciso II. Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador." Com implicação direta nestas matérias, até o presente momento não é possível concluir se houve industrialização ou não dos produtos sobre os quais o contribuinte optou por revender com alíquota zero. Não há no lançamento nenhum detalhamento a respeito do cumprimentos ou não dos requisitos da Lei, não há no lançamento o apontamento discriminado das operações e a subsunção dos fatos à norma. Mais um motivo que leva a crer que a auditoria que o fiscal deveria ter feito, não foi feita. O certo seria individualizar os itens e conferir quais os itens que não ensejaram a aplicação da alíquota zero ou o aproveitamento do crédito presumido ou não. A questão jurídica que merece destaque é a seguinte, se o fiscal quis descaracterizar a utilização da alíquota zero, por quaisquer motivos, seja porque a empresa industrializou quando não poderia ter industrializado, seja porque não cumpriu todos os requisitos na legislação, ele deveria ter apurado os fatos e não simplesmente autuado de forma genérica, com base em outro lançamento. A questão principal, portanto, é: para efeito fiscal a sua condição geral de industrial foi considerada, para fazer prova em favor do lançamento, mas para fazer prova a favor do contribuinte as suas provas, alegações e operações não foram analisadas. Tal procedimento no lançamento, confirmado em decisão de primeira instância sem a aparente busca da verdade material, pode configurar a ausência de motivação da decisão proferida pela DRJ/SP, o que conflita com o disposto no art. 93, inciso IX da Constituição Federal, bem como ao prescrito no art. 31 do Decreto n. 70.235/723 e art. 2.º da lei n. 9.784/99. Seguir com o presente julgamento no estado em que se encontra poderia resultar em supressão de instância ou ofensa ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. Diante de todo o exposto, se faz necessária a análise dos pontos trazidos em impugnação, como as alegações de falta de comprovação dos fatos através de provas no lançamento e impossibilidade de presunção, as alegações de que a fiscalização deveria ter procedido o confronto das informações com os livros, notas fiscais, valores das entradas e saídas, consumo efetivo, contagem física, giro de estoque e capacidade industrial, de forma a Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.243 42 remontar a fórmula da produção do contribuinte nas diversas etapas de industrialização dos semi elaborados e finais. Como muito bem apontou o colega e Conselheiro Walker Araujo em seu voto vencedor no Acórdão 3302000.713, em processo do mesmo contribuinte, que possui os mesmos fatos, a conversão em diligência é necessárias para a solução da lide: "Analisando o processo, não há como auferir corretamente entenda se, com base em todo suporte documental carreado aos autos , se nas referidas planilhas que deram suporte ao cálculo do montante exigido, há apenas produtos que foram objeto de produção própria ou produtos adquiridos de terceiros para revenda que são também fabricados pela recorrente (produtos coincidentes) ou produtos que foram revendidos e que não são fabricados pela recorrente. Tal fato é de suma importância para o deslinde do processo, posto que, partindo da premissa de que a Recorrente não industrializa os produtos que ela revende, fica afastado seu enquadramento no artigo 1º, da Lei nº 10.147/2000, do contrário, correto o lançamento fiscal. Neste ponto, entendo que há necessidade de converter o processo em diligência, para que seja comprovado/esclarecido pelas partes, se os produtos revendidos indicados na planilha foram também objeto de produção própria ou não. A segunda questão diz respeito ao fato de que na primeira autuação, objeto do processo administrativo nº 16004.7220544/201314, a fiscalização glosou créditos sem questionamento da aplicação da alíquota zero, ao passo que neste processo, os mesmos fiscais acolheram expressamente o aproveitamento de créditos e tributaram a revenda com a aplicação das alíquotas diferenciadas. Ou seja, há dúvidas quanto aos critérios jurídicos adotados e quanto à situação fática considerada pela fiscalização em ambos processos, merecendo, assim, esclarecimentos quanto a diferença de tratamento. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para: i) À recorrente: Especificar os produtos revendidos que também são produzidos pela recorrente. A autoridade fiscal deve atestar e, em caso de discordância, apresentar a relação dos produtos que entende serem produzidos e revendidos pela recorrente, separando dos que são revendidos, mas não são produzidos pela recorrente, juntando suporte documental comprobatório das divergências consideradas; ii) À autoridade fiscal: esclarecer a distinção entre a situação fática autuada no processo 16004.720544/201314, no qual houve glosa de créditos e não cobrança de débitos, e este processo, já que tratam de períodos imediatamente subsequentes, tendo a recorrente afirmado em ambas fiscalizações que atuava na fabricação e revenda de produtos mencionados no artigo 1º da Lei 10.147/2000. Fl. 2243DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.244 43 Após, intimese a Recorrente para, querendo, apresentar sua manifestação, nos termos do artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011. É como voto." A mesma solução foi apontada pelo ilustre Conselheiro, Presidente Substituto e excolega de Turma de Julgamento, Winderley Morais, no Acórdão proferido por esta Turma de Julgamento (3201001.065), conforme exposto a seguir: "Estáse as voltas novamente com a discussão sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. Matéria que tem sido objeto de julgamento em diversas turmas desta terceira seção. É cediço que a situação atual do julgamento no CARF é de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Em razão destes posicionamentos, nos deparamos com situações distintas no processo. A Fiscalização ao auditar a empresa, utilizando as regras da IN 404/04, não se atem ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo da empresa, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. De outro giro, o contribuinte ao se deparar com a posição adotada pelo Fisco e considerando o seu próprio entendimento sobre o conceito de insumo. Apresenta os seus recursos administrativos alegando que as aquisições de bens e serviços informados como insumo em sua totalidade são procedentes, aplicando um conceito amplo de insumo em que todas as despesas seriam aptas a serem consideradas para fruição dos créditos das contribuições. Conforme dito alhures, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitas situações, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.245 44 glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente, para no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços, que pretende aferir créditos para apuração do PIS e da COFINS não cumulativos; b) A Unidade Preparadora deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, deverá ser franqueado o prazo de 30 dias para manifestação da recorrente e, findo tal prazo, devolver os autos para prosseguimento do julgamento." Em face do exposto, com fundamento no Art. 31, 59, 60 e 61 do Decreto 70.235/72 (Lei do Processo Administrativo Fiscal), no Art. 142 e 145 do Código Tributário Nacional e Regimento Interno deste Conselho, votase pela conversão do presente processo em diligência, para que a unidade preparadora: a) Intime a Recorrente, para no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período: 1 detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços, que pretende aferir créditos para apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, para comprovar a relação de essencialidade e pertinência em seu processo produtivo; 2 especificar e comprovar de forma resumida quais operações possuíam produtos industrializados e quais não, quais eram os produtos revendidos e se havia algum produto, dentro destes revendidos, que sofreu algum processo de industrialização por parte deles. Tudo com base no período que foi autuado; 3 A autoridade fiscal deve individualizar os itens e conferir quais os itens que não ensejaram a aplicação da alíquota zero ou o aproveitamento do crédito presumido ou não e por que; deve atestar e, em caso de discordância, apresentar a relação dos produtos que entende serem produzidos e revendidos pela recorrente, separando dos que são revendidos, mas não são produzidos pela recorrente, juntando suporte documental comprobatório das divergências consideradas; deve confrontar as informações com os livros, notas fiscais, valores das entradas e saídas, consumo efetivo, contagem física, giro de estoque e capacidade industrial, de forma a remontar a fórmula da produção do contribuinte nas diversas etapas de industrialização dos semi elaborados e finais. A Unidade Preparadora deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a Fl. 2245DF CARF MF Processo nº 10880.732547/201639 Resolução nº 3201001.778 S3C2T1 Fl. 2.246 45 possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída tais verificações, o contribuinte deverá ser notificado do relatório fiscal e deverá ser franqueado o prazo de 30 (prorrogável) dias para manifestação da recorrente, prorrogável uma única vez por igual período e, findo tal prazo, devolver os autos para prosseguimento do julgamento. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 2246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17335.720401/2017-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTOS QUE IDENTIFIQUE O USUÁRIO DO SERVIÇO DO PLANO DE SAÚDE. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DO COMPROVANTE.
O documento utilizado para comprovação da despesa com plano de saúde deve identificar o beneficiário do serviço. Permitida a dedução do imposto sobre a renda de despesa efetuada com o contribuinte em tratamento próprio e de dependente. A glosa da dedução, parcial ou total, se justifica quando não cumpridos os requisitos legais de comprovação.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 2001-001.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa de despesa médica no valor de R$ 3.460,66.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTOS QUE IDENTIFIQUE O USUÁRIO DO SERVIÇO DO PLANO DE SAÚDE. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DO COMPROVANTE. O documento utilizado para comprovação da despesa com plano de saúde deve identificar o beneficiário do serviço. Permitida a dedução do imposto sobre a renda de despesa efetuada com o contribuinte em tratamento próprio e de dependente. A glosa da dedução, parcial ou total, se justifica quando não cumpridos os requisitos legais de comprovação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado.
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DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTOS QUE IDENTIFIQUE O USUÁRIO DO SERVIÇO DO PLANO DE SAÚDE. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DO COMPROVANTE. O documento utilizado para comprovação da despesa com plano de saúde deve identificar o beneficiário do serviço. Permitida a dedução do imposto sobre a renda de despesa efetuada com o contribuinte em tratamento próprio e de dependente. A glosa da dedução, parcial ou total, se justifica quando não cumpridos os requisitos legais de comprovação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte ou reconhecido o crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa de despesa médica no valor de R$ 3.460,66. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 33 5. 72 04 01 /2 01 7- 57 Fl. 88DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável para a contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas, plano de saúde. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 1.392,22, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2014. A fundamentação do Lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de não ter sido apresentada comprovação da despesa do plano de saúde com a individualização dos participantes. A constituição do Acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa individualizadamente por participante do plano de saúde, como segue: Contra o sujeito passivo em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, exercício 2015, anocalendário 2014. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 1.392,22, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento decorreu da constatação da seguinte infração: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A glosa do valor de R$ 5.748,62, correspondente à dedução indevida a título de despesas médicas, foi efetuada por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo discriminado. 1) CLINORTO Clínica Odontológica Ltda glosa de R$ 10,00, por falta de comprovação; valor declarado (R$ 2.100,00) valor comprovado (R$ 2.090,00). 2) ASSPDF Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (R$ 5.738,62): valor declarado (R$ 20.924,47) valor comprovado (R$ 15.185,85). Cientificado da exigência o sujeito passivo apresentou impugnação acostada às fls. 2/4, alegando, em síntese, que: quanto à infração de dedução indevida das despesas médicas com a CLINORTO Clínica Odontológica Ltda (R$ 10,00), concorda com essa infração; e quanto à infração de dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 5.738,62, este se refere a despesas médicas com o pagamento de plano de saúde, cujo comprovante contém a especificação dos beneficiários e do valor pago referente a cada um deles. Anexa documentação comprobatória. Inicialmente, cumpre observar que não foi objeto de contestação a infração apurada de despesas médicas (parcial no valor de R$ 10,00). Tal infração será considerada matéria não impugnada nos termos do Fl. 89DF CARF MF Processo nº 17335.720401/201757 Acórdão n.º 2001001.099 S2C0T1 Fl. 89 3 art. 58 do Decreto 7.574, de 2011, razão pela qual resultou em crédito definitivamente constituído, restando preclusos novos questionamentos a respeito. O direito à dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está previsto no art. 80 do Decreto nº 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda/99 (RIR/99), que assim dispõe: (...) Do exposto, constatase que, para que as despesas médicas constituam dedução, fazse necessária a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços e da efetividade das despesas, limitandose a pagamentos especificados e comprovados. Para tanto, é necessário que o documento comprobatório da despesa contenha a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de seu emitente, bem como a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço prestado. Ademais, somente podem ser deduzidas despesas médicas com os profissionais elencados no caput do art. 80, anteriormente transcrito, razão pela qual o documento probatório deve apresentar o número do registro profissional de quem o emitiu. No caso em tela, foi glosado, e impugnado pela contribuinte, o seguinte pagamento informado na Declaração de Ajuste Anual a título de despesas médicas: Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (R$ 5.738,62). Em sua defesa, a contribuinte discorre sobre os fatos e consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes. A documentação de fls. 5/14 e 41 não atende ao art. 80 do RIR/1999 por não discriminar os participantes do plano de saúde e seus respectivos valores. O documento para dedução dos gastos com plano de saúde deve indicar os participantes do plano e somente são dedutíveis os valores correspondentes ao contribuinte e seus dependentes legais indicados na declaração de IRPF. Portanto, a glosa deve ser mantida (R$ 5.738,62). Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo a infração apurada pela autoridade lançadora. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter o recálculo do imposto suplementar a apagar no valor de R$ 1.392,22, referente ao ano calendário de 2014. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: Fl. 90DF CARF MF 4 A funcionária que me atendeu informoume que a multa referente ao Exercício 2014 – AnoBase 2013 ainda não estava processada ainda para pagamento. Se já estiver pronta para pagamento, quero solicitar o desconto de 30% e parceladamente. Resolvi voltar à ASSPDF e solicitar declaração discriminada de pagamentos de 2014, constando valores pagos por mim, meu filho Lucas Francesco e Miriam, não mais minha dependente legal. Não entendo a diferença de mais de R$ 5.000,00 constante no relatório do Acórdão 0379.161 – 3ª Turma da DRJ/BSB de 14/03/3018...(...) É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A Autoridade Fiscal sustenta suas afirmações com base nos seguintes ocorrências apontadas no Lançamento: 1 – CLINORTO CLINICA ODONTOLÓGICA LTDA – glosa de R$ 10,00, por falta de comprovação; 2 – ASSPDF – Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal – glosa de R$ 5.738,62, por falta de comprovação. A declaração emitida pela ASSPDF não é documento hábil a comprovar despesas médicas, vez que a citada empresa não presta serviços médicos e a declaração não especifica a finalidade dos pagamentos. Desta forma, a vim de comprovar despesas com plano de saúde pleiteadas na declaração de ajuste, a contribuinte foi intimada a apresentar declaração emitida pela operadora de saúde contratada, com valores discriminados pelo beneficiário do plano de saúde, incluindo demonstrativo de despesas médicas reembolsadas pelo plano de saúde. Considerando que a contribuinte não apresentou a declaração emitida pela operadora de saúde contratada, esta fiscalização considerou como comprovados os valores informados pela AMIL na Declaração de Serviços Médicos e de Saúde (DMED), quais sejam R$ 11.973,03 relativo à própria contribuinte e R$ 3.212,82, relativo ao dependente Lucas Francesco Fernandes Bacelar. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 17335.720401/201757 Acórdão n.º 2001001.099 S2C0T1 Fl. 90 5 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) Fl. 92DF CARF MF 6 II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) A decisão do acórdão diz que a infração é resultado da dedução indevida de despesas médicas pagas a plano de saúde de forma que não permite identificar os beneficiários. O valor informado na DAA como dedutível foi de R$ 20.924,47, tendo sido admitido somente R$ 15.185,85, restando como glosado o valor de 5.738,62, mais a diferença de valor comprovado de R$ 10,00, fl. 41. O Valor informado como pago para Clinorto Clinica Odontológica Ltda foi de R$ 2.100,00, todavia a soma das notas de prestação de serviços somam R$ 2.090,00, o que resulta de uma diferença de R$ 10,00, que não foi contestada no recurso, fl. 40. Transcrevo a seguir os termos finais da decisão do Acórdão da DRJ que glosou parte das despesas de saúde tidas como dedutível pela contribuinte: A documentação de fls. 5/14 e 41 não atende ao art. 80 do RIR/1999 por não discriminar os participantes do plano de saúde e seus respectivos valores. O documento para dedução dos gastos com plano de saúde deve indicar os participantes do plano e somente são dedutíveis os valores correspondentes ao contribuinte e seus dependentes legais indicados na declaração de IRPF. Portanto, a glosa deve ser mantida (R$ 5.738,62). A Autoridade Fiscal diz não reconhecer a ASSPDF – Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal como prestadora de serviço de saúde porque a entidade não o faz de forma direta. Todavia, o vínculo da Recorrente se dá com o plano de saúde, que é dedutível, sendo este administrado pela entidade associativa, que obedece a criteriosa exigência de regramento legal. A Amil é a empresa operadora do sistema de saúde que presta serviço aos associados da entidade por convênio com a ASSPDF. Neste sentido, as contribuições para a entidade são legítima e legalmente dedutíveis do imposto. Portanto, válida a comprovação da despesa de saúde através de recibo ou declaração de recebimento das contribuições pelo plano de saúde ao qual faz parte a Recorrente. A Autoridade fiscal admite o vínculo de dependência de Lucas Francesco Fernandes Bacelar, fl. 41, no anexo ao Lançamento, da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. A condição de dependência do filho fica confirmada pela juntado aos autos, fl. 55, da Certidão de Curatela Definitiva expedida pelo Poder Judiciário. Foi também anexada aos autos a declaração de escolaridade do aluno Lucas Bacelar, fl. 54. Assim que as despesas a considerar como devidas para efeito de dedução do imposto sobre a renda são aquelas que se referem à Contribuinte e seu dependente Lucas Francesco Fernandes Bacelar. Como os documentos anexados anteriormente pela Recorrente foram considerados insuficientes para comprovar as despesas com o plano de saúde, especialmente o da fl. 56 que menciona o pagamento para ASSPDF – Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal na forma totalizada, agora em sede de Recurso Voluntário foi trazido aos autos Fl. 93DF CARF MF Processo nº 17335.720401/201757 Acórdão n.º 2001001.099 S2C0T1 Fl. 91 7 o comprovante da mesma entidade, apresentado de forma discriminada da contribuição mês a mês e por beneficiário do plano de saúde. Pelo que se observa do referido documento, fl. 83, os pagamentos foram assim discriminados: Ana Fernandes R$ 13.769,04, Lucas R$ 3.694,77 e Mirian R$ 3.460,66, totalizando o valor de R$ 20.924,47, que corresponde ao valor informado na DAA da Recorrente como dedutível. Ocorre que, pelas razões expostas anteriormente somente são dedutíveis as despesas de Ana Fernandes e Lucas, seu dependente legal, que totalizam R$ 17.463,81, glosada, portanto, a despesa referente à Mirian no valor de R$ 3.460,66. Assim que, em vista da comprovação complementar providenciada pela Recorrente em sede de Recurso Voluntário, a glosa parcial da despesa com plano de saúde fica reduzida para R$ 3.460,66, razão pela qual novo cálculo deverá ser providenciado na Unidade de Origem do processo para a determinação do crédito tributário remanescente, considerando a parte não impugnada no valor de R$ 10,00. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, para manter a glosa de despesa médica no valor de R$ 3.460,66. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003240/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
Por ter aplicação obrigatória, o mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal.
EQUIVALÊNCIA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA À PAGAMENTO INDEVIDO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO.
A extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007.
O mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3201-004.872
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, aprecie o mérito do litígio. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Por ter aplicação obrigatória, o mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal. EQUIVALÊNCIA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA À PAGAMENTO INDEVIDO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. A extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007. O mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, aprecie o mérito do litígio. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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CONTRIBUIÇÕES. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente PARÁ AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Por ter aplicação obrigatória, o mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal. EQUIVALÊNCIA DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA À PAGAMENTO INDEVIDO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. A extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007. O mérito deve ser analisado no presente processo administrativo fiscal. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, aprecie o mérito do litígio. Vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 32 40 /2 00 7- 93 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10850.003240/200793 Acórdão n.º 3201004.872 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da decisão de primeira instância proferida no âmbito da DRJ/SP, que manteve o Despacho Decisório da DRF/São José do Rio Preto e, consequentemente, não reconheceu o crédito de pleiteado. O processo teve início com pedido de restituição de Cofins, vinculado a compensação. Segundo informado pelo contribuinte, o direito creditório decorre de pagamento efetuado a maior, mediante compensação efetuada anteriormente, que se mostrou indevida em razão de o STF ter julgado inconstitucional a cobrança da contribuição sobre receitas que não se enquadram no conceito de faturamento. A Manifestação de Inconformidade apresentada foi julgada improcedente pela DRJ/SP, nos termos do Acórdão 14054.895, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. IMPOSSIBILIDADE. Não existe a possibilidade jurídica do pedido de restituição de compensação indevida. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Cientificada da decisão acima, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, ser perfeitamente possível a restituição de débitos extintos pela via da compensação (compensação tratada no processo 13804.000953/200153, devidamente homologada), e que apresentou documentos (planilha e balancete) que comprovam os valores indevidamente compensados em razão da inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei 9.718/1998. É o relatório. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10850.003240/200793 Acórdão n.º 3201004.872 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.871, de 28/01/2019, proferido no julgamento do processo 10850.003238/200714, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.871): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Logo, por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme Regimento Interno deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. A decisão de primeira instância manteve o entendimento do Despacho Decisório que negou a possibilidade de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS estabelecida no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases os Res nºs 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Sobre o tema, é importante registrar que é obrigatório a este Conselho a aplicação de decisão do STF em sede de repercussão geral ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), conforme Art. 62 A, de nosso regimento interno. Desta forma, "faturamento" tem conceito definido pelo STF e, no caso em concreto, "receitas" não operacionais não são receitas ligadas ao faturamento advindo da prestação de serviços ou venda de bens, conforme definido no STF. O segundo entendimento do despacho decisório, mantido em primeira instância e que deve ser enfrentado, tratou da não equivalência da compensação indevida ao pagamento indevido. Contudo, diversos precedentes deste conselho registraram o entendimento de que a extinção, por compensação, quando em valor maior que o devido, também pode ser restituído/compensado, para evitar o enriquecimento ilícito da União. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10850.003240/200793 Acórdão n.º 3201004.872 S3C2T1 Fl. 5 4 A própria Receita Federal admite a situação, como se vê no Parecer Cosit 12/2007, exposto parcialmente a seguir: "20. Na linha do PN Cosit nº 8, de 2014 (item 35, já citado), extinto o crédito tributário não há mais falar em revisão de ofício de lançamento, sendo necessária a formalização de pedido de restituição em caso de haver erro de fato no lançamento. O pagamento ou a compensação do objeto da prestação pelo sujeito passivo representa a sua concordância com o seu dever jurídico, ou seja, com a existência da relação jurídica obrigacional entre ele e o sujeito ativo (Estado), bem assim com o lançamento realizado, responsável pela quantificação do objeto da relação. Tais atos ensejam a extinção da relação obrigacional e, por consequência, incabível, em princípio, revisão de ofício do lançamento. 21. Todavia, a incorporação ao patrimônio pelo sujeito ativo de valor a que não fazia jus como portador do direito subjetivo de sua percepção, ou seja, de tributo indevido, representaria uma violação ao princípio que veda o locupletamento sem causa, e permite nascer uma nova relação obrigacional, mas agora com os pólos invertidos Em vista disso, o legislador introduziu no CTN o art. 165, que autoriza a restituição da importância paga indevidamente pelo sujeito passivo. Nesse sentido, posicionamento de Luciano Amaro : O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. 22. Este pagamento de tributo indevido pode ter advindo de ato espontâneo do sujeito passivo, que recolheu valor superior ao objeto da relação obrigacional devido, ou de pagamento/compensação exatamente no montante do tributo lançado (cobrado), mas cuja quantificação foi feita de forma irregular. É o que se depreende dos incisos I e II do art. 165 do CTN: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 23. A hipótese de interesse do estudo aqui efetuado é a do pagamento indevido de tributo em virtude de erro na quantificação do crédito tributário, ou seja, de erro no lançamento. 24. Logo, a formalização de pedido de restituição, desde que no prazo de cinco anos estabelecido no art. 168 do CTN, com interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 09 de fevereiro de 2005, é o caminho legal para que o sujeito passivo possa demonstrar a existência de erro no lançamento após a extinção do crédito tributário: CTN Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10850.003240/200793 Acórdão n.º 3201004.872 S3C2T1 Fl. 6 5 LC nº 118, de 09/02/2005 Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. 25. Uma revisão do débito (e não do lançamento) decorrerá de provocação do contribuinte. Caso a postulação seja apenas para fins de cancelamento de um débito já quitado, sem expressamente requerer a restituição do valor pago, ainda assim deve ser aplicada a analogia para fazer incidir o art. 168 do CTN para se promover a revisão do débito e seu cancelamento, na linha do item 36 do PN Cosit nº 8, de 2014 (já transcrito), e os valores antes alocados ao débito cancelado poderão, a partir daí, ser utilizados pelo sujeito passivo ‒ quer seja para pleitear restituição ou para quitar outros débitos, p.ex., por meio de declaração de compensação, ou mesmo compensação de ofício ‒, atentandose que o prazo que alude o art. 168 do CTN remete, no caso, à data da extinção do crédito tributário, ou seja, do pagamento indevido (e não da data do cancelamento do débito). 26. Não foi estabelecida pelo CTN a necessidade de prévia alteração do lançamento efetuado de forma irregular para que o sujeito passivo possa pleitear e ter deferida a devolução do valor pago a maior ou indevidamente, ainda que seja necessária a utilização do elemento quantitativo ali contido para aferição dos cálculos e fins operacionais. Conclusão 27. Com base no exposto, concluise que depois de extinto o crédito tributário lançado de ofício ou confessado, seja por meio de pagamento ou por meio de compensação, não há que se cogitar em revisão de ofício do lançamento (ressalvados os casos de inexatidões e erros materiais, erros de cálculo) ou da declaração (seja a de obrigação acessória como a DCTF, seja a de compensação), mas sim a análise de pedido de restituição formulado nos termos dos arts. 165 e 168 do CTN." Diante do exposto, votase pelo PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, o fisco aprecie o mérito do litígio." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou deu PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que, ultrapassadas as questões decididas no voto, o fisco aprecie o mérito do litígio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 327DF CARF MF
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