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Numero do processo: 10735.002364/2003-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindo-se valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998
DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO COMPROVADA. INEXIGIBILIDADE.
Uma vez comprovada a procedência e regularidade da compensação realizada e devidamente informada em DCTF em suficiência para liquidar a exigência fiscal formalizada mediante lançamento de ofício, não tendo sido tais valores utilizados em outra compensação que não daqueles tributos exigidos no lançamento em apreço, há de se afastar a exigência.
Numero da decisão: 3401-005.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não superar o limite de alçada e da Súmula CARF 103, e em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (que atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento), Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindo-se valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998 DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO COMPROVADA. INEXIGIBILIDADE. Uma vez comprovada a procedência e regularidade da compensação realizada e devidamente informada em DCTF em suficiência para liquidar a exigência fiscal formalizada mediante lançamento de ofício, não tendo sido tais valores utilizados em outra compensação que não daqueles tributos exigidos no lançamento em apreço, há de se afastar a exigência.
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VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido recurso de ofício cujo crédito lançado, incluindose valor do principal acrescido de multa, seja inferior ao estabelecido em portaria editada pelo Ministério da Fazenda. Valor de alçada previsto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, 11/12/1998 a 20/12/1998 DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. COMPENSAÇÃO COMPROVADA. INEXIGIBILIDADE. Uma vez comprovada a procedência e regularidade da compensação realizada e devidamente informada em DCTF em suficiência para liquidar a exigência fiscal formalizada mediante lançamento de ofício, não tendo sido tais valores utilizados em outra compensação que não daqueles tributos exigidos no lançamento em apreço, há de se afastar a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em função de não superar o limite de alçada e da Súmula CARF 103, e em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 23 64 /2 00 3- 44 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 182 2 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (que atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento), Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Relatório 1. Tratase de auto de infração, lavrado com o objetivo de formalizar a cobrança de IPI em virtude de inconsistência na DCTF, uma vez que a contribuinte não comprovou a compensação dos débitos (nenhum registro aos períodos citados), cujo processo informado se trata de processo de outro CNPJ, referente ao período de apuração decendial 01 12/1998 (R$ 1.585.628,75) e 0212/1998 (R$ 114.371,25), acrescido de multa de ofício de 75% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 1.700.000,00 2. A contribuinte, apresentou, em 17/11/1998, a impugnação, na qual argumentou, em síntese: (i) protocolou pedido de compensação com créditos de terceiros (relativo a débitos de 11/1998) e, como não houve o deferimento do pedido (vencimento em 25/11/1998) até o vencimento do débito, efetuou o recolhimento em DARF (25/11/1998); (ii) em 03/12/1998, houve o deferimento manual do DCC (Documento Comprobatório de Compensação); e (iii) como já havia realizado o pagamento do débito (0112/1998) do pedido de compensação, utilizou o crédito deferido para compensação dos débitos relativos a 01 12/1998 e 0212/1998. 3. Em 20/05/2011, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) proferiu o Acórdão DRJ nº 0935.142, situado às fls. 56 a 62, de relatoria da AuditoraFiscal Ana Zulmira Chaves Souza, que entendeu julgar parcialmente procedente a impugnação, vencidas a AuditoraFiscal Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, que apresentou declaração de voto, e a AuditoraFiscal Dulcemar Fernandes de Mello, no tocante à exigência do IPI, para: (i) por maioria de votos, exigir o IPI lançado e respectivos acréscimos moratórios; e (ii) por unanimidade de votos, eximir a contribuinte do pagamento da multa de ofício, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1998 a 10/12/1998, e 11/12/1998 a 20/12/1998 I DÉBITOS DECLARADOS. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. EXIGIBILIDADE. Não comprovada a alegada compensação dos débitos exigidos mediante lançamento de ofício, e constituindo o lançamento ato perfeito segundo a norma vigente à época em que efetivado, há de se manter a exigência. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 183 3 II DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. PENALIDADE. DESCAB1MENTO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Constituindo a DCTF instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente à exigência do crédito tributário, nos termos do artigo 5º do Decreto nº 2.124/84 e, por força do disposto no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. 4. Diante da exoneração do crédito tributário, no importe de R$ 1.275.000,00 referente à cominação da multa de ofício, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997. 5. A contribuinte foi intimada via postal em 16/06/2011, em conformidade com aviso de recebimento, e, em 18/07/2011, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 84 a 96 no qual reiterou as razões de sua impugnação. 6. Em 27/02/2013, foi proferida a Resolução nº 3401000.659, tendo sido nomeado redator ad hoc o Conselheiro Robson José Bayerl, tendo esta 1ª Turma, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Fernando Cleto (relator), Ângela Sartori e Odassi Guerzoni, que votavam por dar provimento integral, convertido o julgamento em diligência para que a unidade adotasse as seguintes providências: (i) confirmar a procedência e regularidade da compensação realizada no Processo Administrativo nº 10768.018397/9891 (IPI – 0668 – 2º DEC.11/98 – R$ 1.700.000,00); (ii) confirmar o recolhimento da quantia para o mesmo período de apuração e tributo , como alegou a recorrente, e, em caso positivo, se este valor foi porventura utilizado em outra compensação que não daqueles tributos exigidos neste lançamento; (iii) informar se o pretenso direito creditório é suficiente para liquidar a exigência fiscal formalizada neste processo; (iv) elaborar relatório circunstanciado das verificações empreendidas e registro das observações julgadas pertinentes; e (v) dar ciência à contribuinte de aludido relatório, franqueandolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. 7. Em 22/10/2015, o Serviço de Orientação e Análise Tributária (Seort) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu (RJ), proferiu a informação fiscal SEORT/DRF/NIURJ nº 90/2015, situada às fls. 145 a 146, na qual a unidade opinou pela manutenção da exigência. 8. A contribuinte, intimada da decisão em 11/02/2016 pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 155, apresentou, em 11/03/2016, em conformidade com protocolo aposto pela unidade local, manifestação, situada às fls. 158 a 167, na qual reiterou a necessidade do provimento do recurso voluntário interposto. 9. Foi proferido despacho de encaminhamento, situado à fl, 173, encaminhando o presente processo ao Conselheiro Robson José Bayerl que, em 11/06/2016, proferiu o Despacho s/n, situado às fls. 174 a 175, com fundamento nos §§ 5º e 8º do RICARF/2015, determinou a distribuição por sorteio, uma vez que a designação extraordinária Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 184 4 para redação de voto vencedor não formalizado pelo redator originalmente designado, na condição de redator ad hoc, não previne a relatoria do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 10. O recurso de ofício não preenche os requisitos formais de admissibilidade, como se passa a expor. 11. Verificase que o valor exonerado pela decisão recorrida, a título de tributos e encargos de multa, não ultrapassou o limite de alçada aplicável à espécie, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), nos termos da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, que dispôs nos seguintes termos: Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 12. Assim, não preenchendo os requisitos formais de admissibilidade, não conheço do recurso de ofício. 13. O recurso voluntário, por seu turno, é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 14. Discutese, em síntese, exigência de IPI relativo ao 4º trimestre de 1998 por sido indicado, como origem da compensação realizada, processo administrativo Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 185 5 referente a outro CNPJ. A contribuinte esclareceu que o intento compensatório se valeu de crédito de terceiro, no Processo Administrativo nº 10735.002430/9894. Contudo, uma vez que não houve o deferimento do encontro de contas até o vencimento do débito referente ao 2º decêndio de novembro de 1998, efetuou o seu recolhimento mediante DARF, no valor de R$ 1.138.483,03, em conformidade com o livro de apuração do IPI, situado à fl. 49: 15. Em igual sentido, a DCTF referente ao 4º Trimestre de 1998, situada à fl. 50: Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 186 6 16. Com o ulterior deferimento da compensação requerida originalmente, com a emissão do Documento Comprobatório de Compensação (DCC) nº 00011156, o indébito remanescente foi utilizado para a quitação de débitos tributários vincendos, em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 21/1997, referentes aos 1º e 2º decêndios de dezembro de 1998, ora em debate, encontrandose o crédito tributário extinto conforme previsão do inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional. 17. Uma vez exonerada a multa de ofício, por decorrência da aplicação da retroatividade benigna do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, restringese a presente assentada a discutir o principal, mantido pela decisão recorrida por entender pela inexistência de prova para acolher a compensação pugnada pela autuada. 18. Argumenta a contribuinte que o crédito por ela detido, no valor de R$ 1.700.000,00, discriminado no DCC, foi efetivamente utilizado para a quitação dos débitos dos dois primeiros decêndios de dezembro. 19. O débito do primeiro decêndio, no valor de R$ 1.585.628,75, foi integralmente quitado com o crédito do DCC, sobejando, assim, R$ 114.371,25 de crédito. A compensação em referência foi devidamente informada na DCTF referente ao 4º trimestre de 1998 com a menção, inclusive, ao número do processo que originou a DCC, em conformidade com documento situado à fl. 53: 20. O débito do segundo decêndio, no valor de R$ 1.435.924,23, foi parcialmente quitado com o crédito sobejante do DCC, e o valor restante (R$ 1.321.522,98) foi recolhido pela contribuinte mediante guia DARF. A compensação e o pagamento em referência foram devidamente informados na DCTF referente ao 4º trimestre de 1998 com a menção, Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 187 7 inclusive, ao número do processo que originou a DCC, em conformidade com documento situado à fl. 54: 21. Com relação à questão, determinada em Resolução, sobre a (i) procedência e regularidade da compensação realizada no Processo Administrativo nº 10768.018397/9891 (IPI – 0668 – 2º DEC.11/98 – R$ 1.700.000,00), respondeu a unidade que: "(...) fica confirmada a procedência e regularidade da compensação realizada no PA 10768.018397/9891 (IPI – 0668 – 2º DEC.11/98 – R$ 1.700.000,00)". 22. Determinouse, ainda, a (ii.a) confirmação do recolhimento da quantia de R$ 1.700.000,00 para o mesmo período de apuração e tributo, como alegou a recorrente, o que de fato foi confirmado pela unidade e, em caso positivo, (ii.b) se este valor foi porventura utilizado em outra compensação que não daqueles tributos exigidos neste lançamento, tendo a diligência concluído que não, nos seguintes termos: "Confirmado o extrato do pagamento (colocado no processo) no valor de R$ 1.700.000,00 no código 0668 e com data de arrecadação em 25/11/1998 (alocação manual em 28/12/1998). (...) Segundo as pesquisas nos sistemas da Receita Federal o valor do pagamento de R$ 1.700.000,00 em 25/11/1998 não consta que foi utilizado em outra compensação, até porque encontrase alocado manualmente no sistema desde 28/12/1998". Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 188 8 23. Questionouse, ainda, se (iii) o pretenso direito creditório seria suficiente para liquidar a exigência fiscal formalizada neste processo. Em desprestígio e desconformidade ao quanto determinado pela Resolução, preferiu a unidade expor o seu entendimento quanto ao mérito ao invés de responder objetivamente à questão formulada e registrou que, como o direito creditório fora utilizado para extinguir o débito referente ao mês de novembro de 1998, não haveria crédito em dezembro. 24. Observese que a Resolução franqueou o registro das verificações empreendidas e o registro das observações julgadas pertinentes no quarto e último quesito, no qual seria aceitável que a autoridade fiscal expusesse as suas considerações a respeito da correta interpretação da legislação de regência. E tampouco haveria qualquer óbice ao desejo da unidade de expor sua opinião quanto ao caso, mas desde que previamente respondidas as questões objetivas formuladas pelo julgador, pois a diligência se trata de expediente processual voltado a sanar a dúvida do aplicador, e não de nova oportunidade para a autuante defender o seu ponto de vista. 25. O que se observa é que em nenhum momento a autoridade fiscal argumenta a insuficiência do crédito para liquidar a exigência fiscal referente ao mês de dezembro de 1998: ao contrário, a documentação acima empresta verossimilhança às alegações da contribuinte, que, em verdade, não são contestadas, e o único obstáculo erigido pela unidade para reconhecer a compensação é formal, e não substantivo: que, uma vez que se aperfeiçoou o encontro de contas pedido, com relação a débitos de novembro, ainda que a contribuinte tivesse extinto por pagamento a exação, a ulterior homologação da compensação implicaria pagamento a maior. 26. A contribuinte, de fato, deveria ter retificado o pedido de compensação original, informando os novos débitos que pretendia compensar. Contudo, diante de todo o contexto em análise, negar acolhida à pretensão da autuada seria incorrer em formalismo exacerbado, pois eventual pedido de ressarcimento de seu crédito, como a própria unidade constata, restaria improfícuo, uma vez que tais valores já há muito se encontram prescritos. 27. A negativa de provimento à contribuinte implicaria, portanto, uma dupla injustiça: de um lado, não poderia ter restituído o valor pago a maior quanto a novembro, pois prescrito. Por outro, deveria pagar novamente o débito de dezembro, pois não reconhecida a compensação mediante DCC, o que, no limite, implicaria, em nosso entendimento, enriquecimento ilícito da Fazenda Pública. 28. Ademais, há de se acrescer a esta constatação o fato de que, quando a autoridade fiscal procedeu à compensação, o débito já se encontrava extinto por pagamento, realizado mediante guia DARF, devendo tal encontro de contas ser desconsiderado em proveito da compensação dos débitos referentes aos 1º e 2º decêndios de dezembro de 1998, nos termos das DCTF situadas às fls. 53 e 54, acima referenciadas. 29. Uma vez reconstruído todo o percurso do crédito, e tendo a unidade confirmado tanto a sua origem como procedência e regularidade, além de ter constatado que não foi utilizado para quitação de outros débitos, uma vez juntados aos autos os documentos acima, que dão conta da suficiência do direito creditório em apreço para liquidar a exigência formalizada neste processo (não questionada pela unidade em diligência fiscal determinada especificamente para esta finalidade), resta comprovada a procedência das razões recursais. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10735.002364/200344 Acórdão n.º 3401005.201 S3C4T1 Fl. 189 9 30. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento integral ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 189DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660309/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.713
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 09 /2 01 2- 91 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660309/201291 Acórdão n.º 3401004.713 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660309/201291 Acórdão n.º 3401004.713 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660309/201291 Acórdão n.º 3401004.713 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660309/201291 Acórdão n.º 3401004.713 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660309/201291 Acórdão n.º 3401004.713 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660309/201291 Acórdão n.º 3401004.713 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.901075/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 3302-005.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso voluntário em que a própria recorrente não contesta a inexistência do crédito, que motivou a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário, vencido o Conselheiro Diego Weis Junior (relator), que não conhecia do recurso voluntário e anulava a decisão recorrida. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Walker Araújo. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 10 75 /2 00 8- 01 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 52 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/01/2000 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na origem, o recorrente apresentou, em 16.01.2004, DCOMP de nº 17920.48877.160104.1.3.041156, objetivando a compensação de suposto crédito de PIS, oriundo de pagamento indevido ou a maior dessa contribuição, realizado em 14.01.2000, relativo ao período de apuração encerrado em 31.12.1999, no valor original de R$483,671, com débito de CSLL do 4º Trimestre de 2003, no valor original de R$825,72. Sobreveio despacho decisório informando que foi localizado o pagamento informado pelo contribuinte, mas que este fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos próprios, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não sustentou a existência do crédito declarado na DCOMP não homologada, tendo apenas informado que Em 29/12/2005, a empresa temendo que a Receita Federal não processasse o citado PER/DCOMP, a mesma por sua liberalidade quitou este débito com multa e juros, através do Darf código 2372 referente ao período de apuração 31/12/2003, no valor de R$ 10.701,94, portanto não há o que se falar em valores devidos, ou seja, a empresa não é devedora de débito algum, pois foi devidamente quitado, conforme cópia em anexo.(sic) Ao fim, pediu o contribuinte, em manifestação de inconformidade, fosse feita revisão de ofício, contemplando o cancelamento da DCOMP em comento e, por via de conseqüência, cancelada a cobrança decorrente da não homologação. 1 O valor atualizado na data da transmissão da DCOMP 16.01.2004 era de R$832,35. (fl. 3) Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 53 3 Os membros da 3ª Turma da DRJ de Campinas/SP acordaram por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que a desistência ou cancelamento de DCOMP possui rito próprio, sendo vedado, tanto ao contribuinte quanto à autoridade julgadora, a pretensão de desistência/cancelamento naquela fase processual. Alegaram ainda os membros da 3ª Turma da DRJ/CPS, que as questões relativas à existência ou não de pagamento do débito era matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação, devendo ser observada somente na etapa de cobrança do crédito tributário confessado na DCOMP. Inconformada, a contribuinte apresentou, em 15.12.2011, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, onde ratificou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e alegou não ter se utilizado do crédito apontado na DCOMP, vez que promoveu o pagamento integral do débito cuja compensação se pleiteava, o que materializaria erro de fato e não ausência de pagamento. Destaca a recorrente que o pagamento integral do débito ocorreu antes mesmo da ciência quanto à não homologação da compensação declarada, não podendo ser ela compelida ao pagamento em duplicidade do citado débito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade, portanto, passo a apreciálo. 1 Das Etapas de Verificação do PER/DCOMP e da Instauração do Contencioso Administrativo. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito declarado. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio sujeito passivo, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará, em detalhes, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 54 4 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. No caso em estudo, o contribuinte informou, em sua primeira oportunidade de manifestação nestes autos, ter efetuado, em 29.12.2005, por meio de DARF (fl. 13), o pagamento integral do débito que pretendia compensar, bem como pediu, de modo suficientemente claro, a revisão de ofício por meio do cancelamento da DCOMP 17920.48877.160104.1.3.041156. Assim, no que cinge ao suposto crédito de PIS do mês 12/1999, declarado na DCOMP em comento, o próprio contribuinte reconheceu sua inexistência, ainda em sede de manifestação de inconformidade, fazendo com que sequer tenha se instaurado controvérsia administrativa sobre tal matéria, não havendo que se falar em reconhecimento ou não de direito creditório, pois não há crédito em litígio. Contudo, a DRJ conheceu da Manifestação de Inconformidade e ratificou a decisão da DRF, não reconhecendo o direito creditório, sob o fundamento de que o cancelamento seria vedado naquela fase processual, bem como que a questão relativa a existência ou não de pagamento seria matéria estranha ao julgamento administrativo da não homologação de declarações de compensação. No recurso voluntário, o contribuinte ratificou todos os argumentos produzidos por ocasião da manifestação de inconformidade, renovando o pedido de revisão de ofício para o cancelamento da DCOMP e, por conseguinte, da cobrança decorrente de sua não homologação. Repisese que desde sua primeira manifestação neste PAF, a empresa pugnou pela revisão de ofício, com o cancelamento da DCOMP e extinção da cobrança decorrente de sua não homologação. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 55 5 Segundo previsão legal do §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003, é facultado ao sujeito passivo se insurgir, por meio de Manifestação de Inconformidade, contra a não homologação da declaração de compensação. Nesse sentido, temse que a competência dos órgãos de julgamento administrativo, no que diz respeito às declarações de compensação, está adstrita ao reconhecimento ou não do direito creditório, que terá por consectário a homologação, ou não, da compensação declarada. Ocorre que o caso em estudo não versa sobre a não homologação da DCOMP, vez que o próprio contribuinte reconheceu a inexistência de direito creditório, tendo pleiteado a revisão de ofício para que fosse realizado o cancelamento da DCOMP, o que escapa à competência dos julgadores administrativos. Não estando a retificação ou o cancelamento de declarações, entregues pelo sujeito passivo, inseridos na esfera de competências do julgador administrativo, não se pode decidir sobre tal matéria. Tampouco faz sentido decidir sobre matéria não impugnada pelo contribuinte em suas peças, como é o caso do reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da DCOMP em comento, sobre o que, conforme já visto, sequer se instaurou litígio. Noutras palavras, não tendo o contribuinte pugnado pelo reconhecimento do direito creditório não homologado pelo Despacho Decisório, não há e nunca houve litígio administrativo quanto a não homologação, esvaziando a competência dos órgãos de julgamento administrativo, vez que também não podem estes decidir sobre os pedidos formulados nas peças produzidas pelo contribuinte nestes autos. II Do Cancelamento da DCOMP e da Cobrança dos Débitos Indevidamente Compensados. Os artigos 62 e 82, respectivamente das Instruções Normativas SRF nº 600/20052 e RFB nº 900/20083, e seus parágrafos únicos, vigentes no período dos fatos, 2 IN SRF nº 600/2005. ... Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. 3 IN RFB nº 900/2008. ... Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 56 6 sujeitavam a desistência da DCOMP a Pedido de Cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP, e condicionavam o seu deferimento a pendência de decisão administrativa na data de apresentação do pedido de cancelamento. Já o parágrafo único desses dispositivos, estabelecia que seria indeferido o pedido de cancelamento formalizado após a intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Ainda que o contribuinte não tenha sido intimado à apresentação de quaisquer documentos, depois de emitido o Despacho Decisório (decisão administrativa) restou configurada a impossibilidade do sujeito passivo efetuar a desistência da DCOMP por conta própria, mediante a transmissão de pedido gerado a partir do programa PER/DCOMP. Muito embora não tenha o recorrente manifestado pela desistência da DCOMP por via adequada, mediante a utilização do programa PER/DCOMP, no caso concreto restou comprovada nos autos a intenção de desistir da declaração de compensação efetuada em 16.01.2004. Vejamos. O contribuinte solicitou, ainda em sede de manifestação de inconformidade, a revisão de ofício para cancelamento da DCOMP, anexando aos autos o comprovante de pagamento de CSLL relativo ao período de contribuição envolvido na compensação. Frente às alegações do contribuinte, o Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT, da DRF de São Bernardo do Campo/SP, juntou ao processo, em 17.10.2008, cópia da DCTF referente ao tributo cujo débito se pretendia compensar (fls. 23 a 25), evidenciando que o total devido a título de CSLL do 4º Trimestre de 2003 era de R$7.089,26. A recorrente efetuou, em 29.12.2005, antes da emissão do despacho decisório, o pagamento integral do saldo devedor de CSLL declarado em DCTF, no montante original exato de R$7.089,26, conforme comprova a cópia do DARF anexado na fl 13 e o comprovante de arrecadação de fl 36, não remanescendo, portanto, saldo devedor de CSLL do referido período de apuração. Destacase que tanto a transmissão da DCTF, anexada aos autos pela própria autoridade fiscal, quanto o pagamento do tributo devido, nela declarado, foram realizados muito tempo antes da prolação do despacho decisório (quase 3 anos antes), conforme se comprova pelas fls. 13, 23, 24, 25 e 36, combinadas com a fl 14. O Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, dispõe, com efeito, ser possível a revisão de ofício dos atos realizados mediante erro de fato. Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 57 7 incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. (grifei) Dispõe ainda o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, que Não mais sendo possível a retificação por iniciativa do sujeito passivo, esta poderá ser realizada de ofício pela autoridade administrativa da unidade local de jurisdição para reduzir os débitos a serem encaminhados ao órgão da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa, haja vista orientação contida na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 1999, antes referida. Nos termos desta portaria, mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa, e ainda que iniciada a execução fiscal, a retificação de ofício poderá ser efetuada se comprovado o erro de fato no preenchimento da declaração. Consoante ao acima exposto, e observando ainda o contido no parágrafo nº 53 do relatório do Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a revisão de ofício de decisão que não homologou a compensação está condicionada à não apreciação do erro de fato pelos órgãos de julgamento administrativo, em contencioso instaurado em função da apresentação anterior de manifestação de inconformidade. 53. Ressaltese que somente poderá haver revisão de ofício do despacho decisório que não homologou a compensação se o erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL) não tiver sido objeto de apreciação dos órgãos de julgamento administrativo instaurado em função de apresentação anterior de manifestação de inconformidade, conforme já abordado Contudo, uma vez emitido o despacho decisório, restou comprometida a possibilidade de o contribuinte efetuar o pedido de cancelamento da DCOMP pela via adequada, tendo em vista o disposto nas instruções normativas vigentes. Assim, não vislumbrando outro caminho, decidiu o contribuinte por pedir a revisão de ofício em manifestação de inconformidade. Em homenagem ao princípio do formalismo moderado, que deve permear a tramitação dos processos administrativos, não se pode desconsiderar totalmente o pedido do recorrente apenas porque deixou de observar formalidades regulamentares. Portanto, estando Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 58 8 presentes nos autos relevantes indícios de cometimento de erro de fato e da boa fé do contribuinte, entendo que o caso merece especial atenção, a fim de evitar que o erro cometido pelo sujeito passivo culmine em exação indevida. Não cabendo aos órgãos julgadores administrativos decidir sobre o pedido formulado pelo contribuinte em todas as suas manifestações nestes autos, e havendo previsão expressa no sentido de ser possível a revisão de ofício de lançamentos, a fim de evitar a inscrição em divida ativa e conseqüente execução de um crédito tributário indevido, o que seria contrário a princípios caros ao processo administrativo, penso que o pedido do recorrente deve ser analisado por quem detém competência para tanto. Nesse sentido o acórdão de nº 1301002.243, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. ERRO. CONVERSÃO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM PEDIDO DE REVISÃO DE OFÍCIO. PN COSIT Nº 8/2014. Se o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP manejando manifestação de inconformidade, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. Merece destaque, ainda, o seguinte excerto do voto vencedor que deu origem ao acórdão acima citado, da lavra do ilustre conselheiro Flávio Franco Corrêa: Sou da opinião de que o pedido de “cancelamento de ofício do PER/DCOMP”deve ser entendido como pedido de revisão de ofício do despacho decisório, formulado sob o argumento de que tanto o crédito como o débito não existem. Não me atenho à inexistência do crédito, somente, porquanto, se fosse apenas isso, o contribuinte não teria motivo para contestar a decisão da autoridade fiscal. Nessa situação, o contribuinte está ciente de que o crédito declarado é irreal. Vejo o problema por outra óptica quando o contribuinte alega que o débito antes confessado em DCOMP inexiste, mormente quando o contribuinte descobre tal fato no momento de apresentar defesa contra o despacho decisório, tal e qual o ocorrido. Nessa circunstância – vale lembrar o artigo 32, parágrafo único, da IN SRF nº 600/2005 impedia o cancelamento da DCOMP, assim como, hoje em dia, o artigo 93, parágrafo único, da IN RFB nº 1300/2012, também o impede. Consoante o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1/1999 estabelece que “qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 59 9 de fato”. Anotese que citado PN Cosit nº 8/2014 prevê a possibilidade de revisão de ofício de DCOMP “quando a compensação não é homologada por despacho decisório e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter insturado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele”. No caso sob exame, não há e nunca houve litígio quanto ao crédito. Por outro lado, as DRJ e o Carf não são competentes para apreciar reclamações fundadas na inexistência do débito declarado com erro em DCOMP. Portanto, a decisão administrativa não se tornará definitiva passando por essas instâncias. Assim, pela perspectiva do PN Cosit nº 8/2014, o Despacho Decisório à fl. 23 é a decisão que se tornou definitiva e objeto do pedido de revisão de ofício. O novel Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430/2017, dispõe ser da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), dentre outros, no âmbito da respectiva jurisdição, a competência específica para proceder a revisão de ofício e o cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo. Art. 272. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização (Defis), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior (Delex), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Comércio Exterior (Decex), às Delegacias Especiais da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes de São Paulo e de Belo Horizonte (Demac) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, gerir e executar as atividades de fiscalização, de tecnologia e segurança da informação, de comunicação social, de programação e logística e de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: ... III proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; Diante do exposto e tendo em vista o PN Cosit nº 8/2014, voto por não conhecer do recurso, e, de ofício, anular o acórdão recorrido, encaminhando o processo à unidade competente, para que seja recebida e processada a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Voto Vencedor Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 60 10 Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Com o devido respeito aos argumentos do ilustre Relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, em especial quanto a declaração de nulidade do acórdão recorrido. Isto porque, ao contrário do entendimento explicitado pelo relator, não há na decisão recorrida vestígios de vício passíveis de nulidade, tampouco qualquer ato processual capaz de ensejar a incidência do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, a decisão recorrida analisou todos os argumentos explicitados pela Recorrente, bem como as demais questões processuais suscitadas pelas partes, ou seja, não houve nenhum vício na decisão recorrida que seja passível de nulidade. Neste esteira, entendo que a melhor solução à ser dado ao presente caso é aquela decidida por esta Turma, em outra composição, nos autos do processo 13819.901086/200882 (acórdão 3302004.648), de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, envolvendo as mesmas partes e questões fáticas, a saber: Com efeito, no recurso em apreço, a recorrente não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço. A confirmação do asseverado foi feita pela própria recorrente no demonstrativo de apuração e pagamento integral do débito da CSLL do período, colacionado na peça recursal em apreço. Assim, se não está em questão a existência ou não do direito creditório informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos e declarado inexistente pela autoridade fiscal, no âmbito do questionado Despacho Decisório, obviamente, não existe litígio a ser dirimido por este Colegiado. Em consequência, o presente o recurso, inequivocamente, perdeu o seu objeto. De toda sorte, cabe esclarecer que, caso a recorrente não tenha recolhido a parcela do débito confessado na referida DComp, obviamente, a cobrança desse valor deverá ser feita pela unidade da Receita Federal de origem, na forma da legislação vigente. Por todo o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. Nesse passo, considerando que a Recorrente, assim como o fez no citado processo, não contestou o motivo da não homologação da compensação, ou seja, a inexistência do valor crédito utilizado na compensação em apreço e, que toda matéria arguida em sede recursal não faz parte do litígio, ou seja, matéria estranha, outra solução não merece o presente caso, senão o não conhecimento do recurso. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. É como voto. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13819.901075/200801 Acórdão n.º 3302005.431 S3C3T2 Fl. 61 11 (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator Designado. Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 13055.000059/2004-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.927
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA DE PELES PAMPA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 5. 00 00 59 /2 00 4- 46 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13055.000059/200446 Acórdão n.º 9303006.927 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 220200.103, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13055.000059/200446 Acórdão n.º 9303006.927 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13055.000059/200446 Acórdão n.º 9303006.927 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.720607/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 28/04/2009 a 17/10/2011
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTAS. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS.
Solicitada a inclusão parcial de créditos discutidos em parcelamento federal (PERT - Programa de Regularização Tributária), deve se aplicar o art.78, §§2º e 3º do RICARF, não devendo ser conhecido o recurso voluntário interposto pelo contribuinte referente aos valores parcelados.
NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PAINÉIS LCD
Os painéis montados com tela LCD para notebooks classificam-se no código 8473.30.99 da NCM, pela aplicação das RGI/SH nº 1 e 6 e RGC nº 1, com subsídio das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008.
NCM. BATERIAS RECARREGÁVEIS PARA NOTEBOOKS - CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INDEPENDE DA MÁQUINA A QUE SE DESTINAM.
Na acepção da Nota 2, a e b, da Seção XVI da NCM, as baterias recarregáveis para notebooks se classificam na posição 8507, no caso concreto mais especificamente no código tarifário 8507.80.00, e não como parte de máquina automática para processamento de dados.
IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. REQUISITOS DEFINIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
A suspensão do imposto, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, após os exames dos requisitos definidos em lei pela autoridade administrativa. A eficácia da norma isencional tem como condição o atendimentos dos requisitos legais para concessão do beneficio. Não é cabível a fruição do incentivo antes do cumprimentos de todas as obrigações legais por parte do interessado.
DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Julga-se a lide no estado em que se encontra o processo quando os elementos que o integram demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 28/04/2009 a 17/10/2011 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MULTAS. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS. Solicitada a inclusão parcial de créditos discutidos em parcelamento federal (PERT - Programa de Regularização Tributária), deve se aplicar o art.78, §§2º e 3º do RICARF, não devendo ser conhecido o recurso voluntário interposto pelo contribuinte referente aos valores parcelados. NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PAINÉIS LCD Os painéis montados com tela LCD para notebooks classificam-se no código 8473.30.99 da NCM, pela aplicação das RGI/SH nº 1 e 6 e RGC nº 1, com subsídio das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008. NCM. BATERIAS RECARREGÁVEIS PARA NOTEBOOKS - CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INDEPENDE DA MÁQUINA A QUE SE DESTINAM. Na acepção da Nota 2, a e b, da Seção XVI da NCM, as baterias recarregáveis para notebooks se classificam na posição 8507, no caso concreto mais especificamente no código tarifário 8507.80.00, e não como parte de máquina automática para processamento de dados. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. REQUISITOS DEFINIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A suspensão do imposto, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, após os exames dos requisitos definidos em lei pela autoridade administrativa. A eficácia da norma isencional tem como condição o atendimentos dos requisitos legais para concessão do beneficio. Não é cabível a fruição do incentivo antes do cumprimentos de todas as obrigações legais por parte do interessado. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Julga-se a lide no estado em que se encontra o processo quando os elementos que o integram demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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MULTAS. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. RENÚNCIA AO DIREITO EM QUE SE FUNDA O PLEITO. EFEITOS. Solicitada a inclusão parcial de créditos discutidos em parcelamento federal (PERT Programa de Regularização Tributária), deve se aplicar o art.78, §§2º e 3º do RICARF, não devendo ser conhecido o recurso voluntário interposto pelo contribuinte referente aos valores parcelados. NCM. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PAINÉIS LCD Os painéis montados com tela LCD para notebooks classificamse no código 8473.30.99 da NCM, pela aplicação das RGI/SH nº 1 e 6 e RGC nº 1, com subsídio das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008. NCM. BATERIAS RECARREGÁVEIS PARA NOTEBOOKS CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INDEPENDE DA MÁQUINA A QUE SE DESTINAM. Na acepção da Nota 2, “a” e “b”, da Seção XVI da NCM, as baterias recarregáveis para notebooks se classificam na posição 8507, no caso concreto mais especificamente no código tarifário 8507.80.00, e não como parte de máquina automática para processamento de dados. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. REQUISITOS DEFINIDOS NA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A suspensão do imposto, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, após os exames dos requisitos definidos em lei pela autoridade administrativa. A eficácia da norma isencional tem como condição o atendimentos dos requisitos legais para concessão do beneficio. Não é cabível AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 06 07 /2 01 4- 16 Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.629 2 a fruição do incentivo antes do cumprimentos de todas as obrigações legais por parte do interessado. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Julgase a lide no estado em que se encontra o processo quando os elementos que o integram demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração (fls. 63/260), lavrado contra a empresa VISUM SISTEMAS ELETRÔNICOS S/A. (doravante denominada de VISUM), referentes ao Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), vinculado à importação, COFINSImportação, PISImportação, acrescidos de juros de mora e da multa de ofício de 75%, e à multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria prevista no inciso I, do art. 84, da Medida Provisória (MP) nº 2.15835/2001, combinado com os §§ 1° e 2°, do art. 69, da Lei n° 10.833/2003, totalizando o montante de R$ 12.252.457,53, pela adoção de código tarifário da NCM em desconformidade com as regras do Sistema Harmonizado de Mercadorias (SH). Cientificada pessoalmente do Auto de Infração em 22/04/2014 (fls. 264/265), a Recorrente apresentou sua Impugnação em 22/05/2014 (fls. 290/316) e documentos anexos (fls. 317/339), argumentando, em síntese que, as autuações foram baseadas em premissas inválidas, além do que houve erro no lançamento, razão pela qual os Autos de Infração deverão ser considerados improcedentes, consoante as razões constantes dos tópicos subsequentes: (i) QUANTO A IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IPI EM VIRTUDE DE SUA SUSPENSÃO: aduz que uma vez que a fiscalização efetuou lançamento apenas das diferenças do imposto, supondo que parte do imposto teria sido recolhida, pois constam no Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.630 3 Demonstrativo de Apuração valores lançados na coluna "Imposto Recolhido". Porém, nenhum imposto foi recolhido, haja vista que essa possui benefício fiscal de suspensão do IPI; a Recorrente fez jus a esse benefício fiscal de suspensão do IPI na importação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, destinados à elaboração dos produtos indicados no artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, nos termos do § 1°C do artigo 4º da Lei n° 8.248/911 e na alínea "c" do inciso I dos §§ 1º e 7º do artigo 29 da Lei n° 0.637/2002; que essa suspensão, conforme dispõem os §§ 2º e 3º do artigo 11 da Instrução Normativa RFB n° 948/2009 é condicionada à prévia apresentação à RFB, pelo estabelecimento adquirente, de relação dos produtos que a empresa fabrica e das peças e partes a serem adquiridas no mercado interno e externo; que assim procedeu, observando os dispositivos legais acima citados e, especialmente, as disposições da Instrução Normativa RFB n° 948/2009, apresentou à DRF em Curitiba (PR), relações minuciosas contendo as matérias primas, os produtos intermediários e as embalagens que seriam utilizadas no seu processo produtivo e que esses produtos seriam desembaraçados com a devida suspensão do IPI. dessa forma, é equivocado o lançamento do IPI, ante a sua suspensão por ocasião do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, impondose o reconhecimento da nulidade do respectivo Auto de Infração de IPI. (ii) DA INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE NA CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS IMPORTADOS TELAS (DISPLAYS) especificamente, com relação ao produto classificado na posição 9013.80.10, houve apenas uma importação, sendo correta a aplicação na posição 8473.30.92. Entretanto, não há diferença de tributos em relação ao IPI, haja vista o benefício da SUSPENSÃO acima mencionado e ao II, pois a alíquota para os códigos do NCM é ZERO; no que se refere às demais importações, oportuno esclarecer, primeiramente, que houve um equívoco por parte da Impugnante quando elaborou a planilha com a indicação de que a NCM correta para os produtos importados seria a 8473.30.99. Isso porque a informação foi elaborada sem a devida análise técnica. Naquela oportunidade entendeuse tratarem de importações de cristais líquidos. Porém, ao se verificar que constavam nas DI o código 8473.30.92, relativo a telas (displays), e não tendo sido identificada nesta nomenclatura a expressão "cristais líquidos", ou em qualquer outra do grupo 8473, foi informado, erroneamente, que a classificação adequada seria a 8473.30.99, relativa a "outros"; que, entretanto, a classificação correta é aquela indicada nas DIs, qual seja, 8473.30.92 “Telas (‘displays’) para máquinas automáticas para processamento de dados, portáteis”; conforme amplamente demonstrado, a classificação utilizada pela Impugnante está correta, devendo, não só esses, mas todos os lançamentos serem cancelados. (iii) DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS IMPORTADOS BATERIAS com relação às posições 8471.30.90, 8506.50.10, 8506.50.90 e 8507.90.90, a Impugnante se equivocou ao indicálas nas suas Dls, haja vista que a posição 8471 se refere a Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.631 4 "Máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; leitores magnéticos ou ópticos, máquinas para registrar dados em suporte sob forma codificada, e máquinas para processamento desses dados, não especificadas nem compreendidas em outras posições", e o Capítulo 85 se refere a "Máquinas, aparelhos e materiais elétricos e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelho de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios" classificados na seguinte posição: de igual forma se equivocou a Impugnante ao informar em resposta á intimação, que a NCM correta seria a 8507.80.00. Referida resposta foi efetuada sem a devida análise técnica, devendo, portanto, ser desconsiderada. (iv) DO PEDIDO PARA REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA apesar de restar amplamente demonstrado e comprovado que a NCM utilizada pela Impugnante para as telas (displays) e baterias está correta, não é a pretendida pela fiscalização (8507.80.00), mas a indicada pela Impugnante nessa peça de defesa (8473.30.99), no caso de persistirem dúvidas, requerse que seja determinada a realização de perícia técnica especializada, na forma do inciso IV do artigo 16 do Decreto 70.235/1972, com a finalidade de ser verificada, por técnico qualificado, o correto enquadramento dos produtos importados pela ora Impugnante, para a qual indica assistente técnico e apresenta quesitos. (v) DA IMPROCEDÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE AS IMPORTAÇÕES E DA INCONSTITUCIONALIDADE DESSAS CONTRIBUIÇÕES alega que apesar de os lançamentos de PIS e COFINS não serem devidos em razão dos equívocos cometidos pela fiscalização no reenquadramento dos produtos importados, com o que restam também fulminados os lançamentos do II e do IPI, temse, em complemento, que, mesmo mantidos os AIs do II e do IPI, o que se admite por força de argumentação, os valores exigidos de PIS e de COFINS importação também são inexigíveis, haja vista a inconstitucionalidade reconhecida pelo pleno do STF, em regime de Repercussão Geral, de parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04. (vi) DA IMPROCEDÊNCIA DA MULTA REGULAMENTAR SOBRE AS IMPORTAÇÕES DE TELAS DISPLAYS Em face de não haver irregularidade na classificação fiscal dos produtos (telasdisplays) importados pela Impugnante, consoante as razões despendidas nos tópicos antecedentes, pede o cancelamento da exigência relativa à multa regulamentar autuada. (vii) DO PEDIDO Ao final solicita que seja acolhida a Impugnação e julgados totalmente improcedentes os autos de infração de II, IPI, PIS, COFINS e multa regulamentar impugnados; que constatado que a classificação correta das baterias é a da posição 8473.30.99, seja feita a compensação entre os tributos recolhidos a maior e a menor nas respectivas importações, e caso exista saldo credor, seja realizada a sua restituição. Não sendo esse o entendimento, o que se admite apenas por força de argumentação, requer seja deferido o pedido de realização de perícia técnica. Fl. 1631DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.632 5 Da conversão do julgamento em diligência pela DRJ O julgamento do processo foi convertido em diligência (Resolução 08 002.840 2ª Turma da DRJ/FOR fls. 360/375), para que a Unidade de origem tomasse as seguintes providências: "(...) a) prestar informação fiscal acerca da suspensão pleiteada nas respectivas adições que compõem o auto de infração, inclusive quanto aos tributos alcançados; b) esclarecer em relação à divergência acima identificada quanto aos valores apurados no Demonstrativo de Apuração do Imposto sobre produtos Industrializados – IPI, fls.139/158 como sendo relativos aos valores “recolhidos”, enquanto, na respectiva adição, no Siscomex, equivale aproximadamente ao valor devido, já que não há informação de “valor a recolher”; c) Informar as providências adotadas em face da informação prestada pelo sujeito passivo, acostada aos autos pelo impugnante, fls. 341/345 e anexo de fls. 346/356, dirigida à autoridade local, haja vista os procedimentos estabelecidos nos §§ 2º e 3º do art. 11 da IN RFB nº 948, de 2009". Do resultado da diligência elaborada pela Fiscalização A Fiscalização em atenção à referida diligência, apresentou Termo de Diligência (fls. 1.473/1.475) e documentos (fls. 377/1.472), informando que: a) que, no tocante à suspensão do IPI prevista na Lei nº 10.637/2002, regulamentado pela IN RFB nº 948/2009, informou que a VISUM SISTEMAS ELETRÔNICOS S/A entregou no CAC – Centro de Atendimento ao Contribuinte da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, em 30/04/2010, a informação de que trata os §§ 2º e 3º do art. 11 da IN RFB nº 948/2009 (fls 340/356). Por meio de RELAÇÃO exaustiva (fls. 346/356) informou ao CAC os produtos que industrializaria e as partes e peças que iria adquirir nos mercados interno e externo para produzilos (fls. 377/396); que, a partir de então, o sujeito passivo passou a pleitear esse benefício para alguns dos produtos que importava (cópias dos extratos das DIs anexados às fls. 397/1472); consultados os dados dessas importações constantes do Siscomex (cópias dos extratos das DIs anexados às fls. 397/1472), constatase que a partir de 27/05/2010 a maioria das importações constantes do Auto de Infração do presente processo teve pleiteado o benefício de suspensão do IPI previsto Lei nº 10.637/2002. Por outro lado, todas as DIs registradas em data anterior a essa tiveram recolhimento integral de IPI, fatos esses em consonância com a data da entrega do pedido a DRF/Curitiba em 30/04/2010; que às folhas 6 e 7 da relação entregue pelo sujeito passivo a DRF/Curitiba, fls. 346 e 347 do presente processo, constam: “célula de bateria”, posição 8507, e “LCD”, posição 8473, respectivamente; a matéria em pauta neste processo é a classificação das baterias de lítio recarregáveis (código NCM 8507.80.00) e dos painéis montados com telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (código NCM 8473.30.99). Conforme ficou demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, o sujeito passivo confunde Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.633 6 simples telas (displays) com painéis montados com telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis. Assim, podese entender que os artigos discriminados na folha 7 de sua relação, denominados “LCD”, englobam tanto as telas de LCD propriamente ditas, quanto as telas já montadas que foram objeto de lançamento. Quanto às baterias de lítio recarregáveis, apesar de terem sido importadas com cinco (5) classificações diferentes, também se entende que sejam as citadas “células de bateria”, relacionadas na folha 6; e que o sujeito passivo havia pleiteado suspensão de IPI, benefício previsto na Lei nº 10.637/2002, quando da importação de alguns produtos constantes dos Autos de Infração que não foi considerada por ocasião do lançamento. A tabela em anexo, denominada “PLANILHA DE DEMONSTRAÇÃO E APURAÇÃO DOS VALORES DE IPI”, relaciona todas as Adições constantes dos Autos de Infração, com seus respectivos valores, e aponta quais delas tiveram a suspensão do IPI pleiteada pelo sujeito passivo na importação, sobre as quais houve cobrança indevida de IPI no Auto de Infração. Também demonstra o valor devido do IPI que seria correto se excluídas as importações sob o regime de suspensão". Da manifestação da impugnante sobre o Termo de Verificação Fiscal A impugnante em 07/01/2015 (fls. 1.484) foi cientificada da Resolução nº 08 002.840 2ª Turma da DRJ/FOR e das informações prestadas pela Fiscalização e apresentou manifestação (fls. 1.486/1.491) em 03/02/2015, aduzindo em síntese: (a) PRESTAR INFORMAÇÃO FISCAL ACERCA DA SUSPENSÃO PLEITEADA NAS RESPECTIVAS ADIÇÕES QUE COMPÕEM O AUTO DE INFRAÇÃO, INCLUSIVE QUANTO AOS TRIBUTOS ALCANÇADOS: em resposta à indagação da DRJ a Sra. Auditora Fiscal reconheceu a existência da suspensão. Porém, ao invés de excluir todo o lançamento do IPI, eliminou apenas parte, sob a alegação de que a Manifestante somente teria "pleiteado" a referida suspensão em 30/04/2010. Sendo assim, excluiu o IPI lançado até 30.04.2010 e manteve o exigido a partir de 01.05.2010; (Grifei) que a suspensão do IPI das mercadorias importadas pela Manifestante decorre de lei e independe de prévia solicitação por parte do contribuinte importador. O suposto "pleito" a que a Sra. Auditora Fiscal faz menção, se refere ao descumprimento de uma obrigação acessória contida na IN SRF n° 948/2009, por meio da qual o importador deve apresentar a SRF a relação das mercadorias abrangidas pelo benefício que irá importar; porém, tal irregularidade não constou do Auto de Infração. Na verdade, o que pretende a Sra. Auditora Fiscal é, por via transversa, erigir um erro seu, cometido quando da lavratura do Auto de Infração. Isso porque o fundamento legal da autuação foi, como dito, suposto ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL e não descumprimento da obrigação acessória de apresentar relação a SRF; portanto, o lançamento do IPI não pode subsistir na sua integralidade, pois foi exigido com base em fundamentação equivocada. Ainda que a classificação estivesse incorreta, as mercadorias estariam abrangidas pela suspensão do IPI, pois o que importa para a obtenção do benefício é a destinação que é dada a esses bens e não a sua classificação na NCM; caso fosse possível a supressão do benefício com base em descumprimento de uma obrigação acessória, deveria ter sido esse o fundamento legal da autuação; Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.634 7 a descrição do fato e a disposição legal infringida são requisitos obrigatórios do Auto de Infração, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972. No caso presente não constou do Auto de Infração a descrição do fato agora apontado pela fiscalização na resposta à diligência. Tampouco houve indicação do fundamento legal supostamente infringido; o Auto de Infração é nulo haja vista a existência de preterição do direito de defesa da Manifestante, em razão de não terem sido indicados o fato e o enquadramento legal corretos, sendo, portanto, nulo o lançamento nos termos do art. 59 Decreto nº 70.235/1972; Nesse sentido destaca decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, transcrevendo trechos de ementas do Acórdão n° 20310.410 (Processo 10830003142/200280) e Acórdão n° 30131.611 (Processo 10074001301/9945). (b) ESCLARECER QUANTO AOS VALORES APURADOS NO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IPI (FLS.139/158) COMO SENDO RELATIVOS AOS VALORES "RECOLHIDOS", ENQUANTO, NA RESPECTIVA ADIÇÃO, NO SlSCOMEX, EQUIVALE APROXIMADAMENTE AO VALOR DEVIDO. JÁ QUE NÃO HÁ INFORMAÇÃO DE "VALOR A RECOLHER": informa que com relação a esse item, a Sra. Auditora Fiscal indicou na planilha "Demonstração e Apuração dos Valores do IPI" coluna com valores relativos a "Imposto Recolhido IPI", exceto quando às adições nº 11/10490013.048 e 11/17877240.035, nos valores de R$ 35.812,00 e R$ 14.557,00. Entretanto, nos períodos correspondentes a fiscalização considerou a suspensão do IPI, portanto, a falta de recolhimento desses valores não acarretou o restabelecimento da exigência de diferenças de IPI. quanto aos demais períodos, apesar de também abrangidos pela suspensão, a fiscalização deduziu os valores apontados na coluna "Imposto Recolhido IPI" e apurou supostas diferenças a recolher. Porém, como demonstrado no item antecedente, tal exigência não pode subsistir, haja vista que o fundamento para o lançamento no Auto de Infração foi outro que não o agora pretendido pela fiscalização. (c) INFORMAR AS PROVIDÊNCIAS ADOTADAS EM FACE DA INFORMAÇÃO PRESTADA, ACOSTADA AOS AUTOS (FL.341/345 E ANEXO DE FLS. 346/356), DIRIGIDA À AUTORIDADE LOCAL, HAJA VISTA OS PROCEDIMENTOS ESTABELECIDOS NOS §§ 2° E 3° DO ART. 11 DA IN RFB N° 948, DE 2009. com relação a esse item, a fiscalização aponta descumprimento de obrigação acessória constante da Instrução Normativa RFB n° 948/2009, como elemento justificador para manutenção de parte do lançamento do IPI. porém, reprisese, tal fundamento não integrou a autuação, tanto no que se refere à descrição fática, quanto ao enquadramento legal. Portanto, não pode ser aceita, devendo o Auto de Infração ser anulado. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ/FNS nº 0837.823, de 15/02/2017, abaixo transcrito (fls. 1.494/1.495): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 28/04/2009 a 17/10/2011 Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.635 8 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os painéis montados com tela LCD para notebooks classificamse código 8473.30.99 da NCM, pela aplicação das RGI/SH nº 1 e 6 e RGC nº 1, com subsídio das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008. BATERIAS RECARREGÁVEIS PARA NOTEBOOKS CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INDEPENDE DA MÁQUINA A QUE SE DESTINAM. Na acepção da Nota 2, “a” e “b”, da Seção XVI da NCM, as baterias recarregáveis para notebooks se classificam na posição 8507, no caso concreto mais especificamente no código tarifário 8507.80.00, e não como parte de máquina automática para processamento de dados. REVISÃO ADUANEIRA. CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. EXIGÊNCIA DE DIFERENÇA DE TRIBUTOS. Constatado recolhimento a menor dos tributos aduaneiros no registro da declaração de importação, em função do emprego de classificação fiscal incorreta, em desacordo com as regras do Sistema Harmonizado, cabe o lançamento de ofício, em sede de procedimento fiscal de revisão aduaneira. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de um por cento, não inferior a R$ 500,00 (quinhentos reais), sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/04/2009 a 17/10/2011 DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Julgase a lide no estado em que se encontra o processo quando os elementos que o integram demonstram ser suficientes para a plena formação de convicção. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 28/04/2009 a 17/10/2011 PISIMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. A Nota PGFN/CASTF/Nº 547/2015 vincula o entendimento da RFB sobre a matéria relacionada à base de cálculo das contribuições incidentes nas operações de importação, sendo nela reconhecida a inconstitucionalidade da seguinte parte do Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.636 9 artigo 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente notificado do julgado em 27/03/2017 (fl. 1.571) e não concordando, a Recorrente apresentou seu recurso voluntário em 26/04/2017 (fls. 1.572), reiterando os argumentos expendidos na sua Impugnação, em resumo com as seguintes razões: (i) da necessidade de Realização de Perícia Técnica, visando responder as seguintes questões: As telas (displays) importados pela Recorrente se destinam á aplicação em quais produtos finais? A que tipo de produto, ou produtos, se refere a descrição contida na subposição abaixo, considerandose o texto nela contido? Os displays de cristal líquido importados foram classificados corretamente pela Recorrente na posição NCM 8473.30.92? Caso o entendimento seja de que a classificação fiscal utilizada pela Recorrente não esteja correta, queira o Sr. Perito indicar, de forma justificada, qual a classificação correta. As baterias importadas pela Recorrente destinamse exclusivamente à produção de que tipos de produtos? A que produtos se referem o capítulo 8473 e o capítulo 8507 da NCM? Considerando as respostas dos quesitos "d" e "e", podese afirmar que as baterias importadas pela Recorrente se classificam na posição 8473.30.99? h) Caso o entendimento seja de que a classificação das baterias não seja a da posição 8473.30.99, queira o Sr. Perito indicar, de forma justificada, qual a classificação correta. Para tanto, a Recorrente reitera a indicação, como Assistente Técnico, do Sr. Celso Satoshi Saito, brasileiro, casado. Engenheiro Eletricista inscrito no Crea sob o n° PR 29796/D, residente e domiciliado na Rua Eduardo Sprada. n° 4831, Casa 31. Bairro Cidade Industrial. CEP 81.270010. em CuritibaPR. (ii) Da Impossibilidade de exigência de IPI em razão da sua suspensão, uma vez que Conforme apontado pela Recorrente em sua impugnação, os Autos de Infração foram lançados para exigência de IPI não recolhido pela Recorrente em razão do seu enquadramento nas disposições da Lei 8.248/91, a qual lhe confere o benefício fiscal de suspensão do IPI. (iii) Da Inexistência de irregularidade na Classificação dos Produtos Importados Telas (Displays) e da Correta Classificação dos Produtos Importados Baterias; Ao final, requer provimento ao Recurso Voluntário para cancelar os lançamentos remanescentes dos Autos de Infração, em decorrência da correta classificação efetuada pela Recorrente quando da importação de telas (displays) e baterias de lítio. É o relatório. Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.637 10 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, e dele tomo conhecimento. 2. Do pedido de compensação e de restituição de tributos Requer a Recorrente em seu recurso que, "(...), seja efetuada a compensação dos valores de IPI relativos às baterias de lítio bem como reconhecido o direito da Recorrente à restituição dos valores pagos a maior". Como bem pontuado pela decisão a quo, ainda que assistisse razão à VISUM no tocante à existência de tributos pagos a maior, não é no âmbito do julgamento administrativo de exigência de tributos federais que tais pedidos são analisados. Os pedidos de compensação e de restituição de tributos administrados pela RFB pagos a maior são regidos por ritos próprios, conforme disposto na Lei nº 9.430/1996 e na IN RFB nº 1.300, de 2012. Dessa forma, não aprecio os pedidos, por considerálos descabidos, uma vez que não é da competência deste Colegiado processar pedidos de compensação e de restituição de tributos federais. 3. Do Auto de Infração Conforme relatado, em de 12/03/2014, foram lavrados os Autos de Infração de fls. 63/260, para lançamento de créditos de IPI, II, PIS, COFINS e Multa Regulamentar, relativos a fatos geradores ocorridos no PA de 04/2009 a 07/2013, perfazendo um crédito tributário no valor de R$ 12.252.457,53, incluindo os juros de mora, multas regulamentares. A Recorrente apresentou Impugnação, a qual foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/FORTALEZA (CE), para MANTER o crédito tributário no montante de R$ 9.763.931,81, e EXONERAR o sujeito passivo do crédito tributário no montante de R$ 2.488.525,72, conforme demonstrado nas Tabelas 1 e 2 apresentadas às fls. 1.496/1.497. Em síntese, desonerados os créditos tributários referentes aos seguintes tributos: a) IPI e acréscimos legais, em razão das importações terem sido efetuadas ao amparo de suspensão do tributo não atingida pela classificação fiscal incorreta adotada na importação e/ou por reenquadramento tarifário indevido, em virtude de não comprovada a identificação da mercadoria como painel com tela LCD, no valor total de R$ 1.854.620,19; b) II e acréscimos legais e a multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro em virtude do reenquadramento tarifário indevido, pela comprovação da identificação da mercadoria, como painel com tela LCD, no valor total de R$ 288.466,78 e de R$ 19.633,49, respectivamente, e c) Contribuições sociais para o PIS e Cofins incidentes sobre importação e os respectivos acréscimos legais, no valor total de R$ 58.117,13 e de R$ 267.688,13, Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.638 11 respectivamente, em consequência da vinculação ao entendimento do STF quanto à inconstitucionalidade da inclusão de parcelas das próprias contribuições e do ICMS em suas bases de cálculos. Observase que a DRJ deixou de recorrer de Ofício do citado Acórdão perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não obstante a previsão no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, em virtude de o crédito tributário exonerado, à época, ser inferior ao limite de alçada previsto no artigo 1º da Portaria MF nº 63, de 2017 (R$ 2.500.000,00). Assim, após apresentação do Recurso Voluntário, os autos foram encaminhados para análise e julgamento deste CARF. No entanto, há que se ressaltar que às fls. 1.610/1.614, consta uma Petição protocolada pela Recorrente, datada de 27/09/2017, formulando o seguinte pedido: Ao final do documento, requer o desmembramento dos débitos relacionados que foram incluídos no referido PERT (Programa Especial de Regularização Tributária) e para tanto, solicita que os autos sejam encaminhados à Equipe de Parcelamento da Unidade de origem (controladora do processo) para as providências e que, com relação aos débitos remanescentes, seja dado seguimento à análise do Recurso Voluntário apresentado. Desta forma, em 04/10/2017, o processo foi encaminhado à ALF/CURITIBA/PR, para as providências necessárias quanto ao pedido de fls. 1.610/1.614 e após concluir os trabalhos e promovendo as informações pertinentes, os autos retornaram a este CARF para prosseguimento do julgamento. Em seu Despacho de fl. 1.625, a ALF/CURITIBA/PR, informa que, (...) Os valores contidos na planilha da Petição juntada nos autos em fls. 1.610 a 1.614 foram transferidos para o processo 15165.723251/201715, conforme termo de transferência de crédito tributário juntado nos autos em fls. 1.620 a 1.624. Diante disso , e do despacho contido em fls. 1.616 a 1.617 devolvo o presente processo ao CARF para prosseguimento do Recurso Voluntário dos créditos não abrangidos pelo PERT". Pois bem. Na forma do Requerimento de fls. 1.610/1.613, a Recorrente apresentou Pedido de Desistência PARCIAL do RECURSO, com fundamento nas disposições do art. 5º da Medida Provisória (MP) n° 783, de 2017 (PERT), requerendo (...) a desistência parcial e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito em que se funda o recurso voluntário interposto nos autos, nos termos e para os efeitos do art. 5º da Medida Provisória nº 783/17 e do art. 8º da Instrução Normativa RFB nº 1.711, de 2017". Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.639 12 4. Dos efeitos do Pedido de Parcelamento Consta no requerimento de fls. 1.610, que a Recorrente solicita pedido de desistência PARCIAL do Recurso Voluntário apresentado neste processo (nº 15165.720607/201416), que se encontra sob análise. Sobre o efeito do Pedido de DESISTÊNCIA Parcial do Recurso, por aderir ao PERT (Programa de Regularização Tributária), conforme o RECIBO de adesão ao PROGRAMA ESPECIAL DE REGULARIZAÇÃO TRIBUTÁRIA às fl. 1.615, referente a débitos discutidos em processo administrativo fiscal, o art. 78, § 2º e § 3º, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF), que desta forma disciplina (grifei): Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. (grifei). § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. 5º (...). Como em sua Petição a Recorrente afirma que PARTE dos créditos discutidos neste processo foram incluídos no "PERT" (parcelamento), e que seu pedido foi confirmado pela RFB, tal fato implica na aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nas normas expedidas pela Fazenda Nacional (Instrução Normativa RFB nº 1.711, de 2017). Conforme se depreende da leitura dos parágrafos 2º e 3º do art. 78 do RICARF, o pedido formalizado pelo Recorrente, importa na desistência (no caso parcial) do Recurso Voluntário e em renúncia ao direito sobre o qual se funda a própria ação, conforme se verifica pela petição de fls. 1.610/1.613. Desta forma, não se conhece parcialmente do Recurso interposto pelo Recorrente de (fls. 1.574/1.604), uma vez que consumado sua desistência parcial do recurso, conforme documento protocolado em 29/09/2017, o que denota sua concordância com a dívida (parcial) em discussão, motivo pelo qual deve ser declarada a definitividade do crédito lançado quanto aos seguintes tributos e valores: (i) referente ao Imposto de Importação lançado no valor de R$ 2.531.293,93, acrescido da Multa 75% no valor de R$ 1.898.470,40; e (ii) a Multa de 1%, no valor de R$ Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.640 13 303.517,95; valores que foram devidamente descritos no pedido da Recorrente (fls. 1.610/1.613) e convalidados pelos valores discriminados no Despacho da ALF/CURITBA/PR no Termo de Transferência de Crédito Tributário de fls. 1.620/1.624. Posto isto, concluise que restou sob discussão no Recurso Voluntário, apenas os debites referentes ao IPI, acrescido da Multa proporcional de 75% e os Juros de mora, perfazendo o valor total de R$ 4.056,486,60, sustentado conforme o demonstrativo elaborado pela DRJ à fl. 1.496. 5. Da Classificação (NCM) dos produtos importados Primeiramente, há que se ressaltar que, muito embora a Recorrente se socorreu do Parcelamento dos débitos discutidos neste processo, no caso parcialmente, a empresa não desistiu de seu Recurso Voluntário. Vejase trecho da Petição (fl. 1.613): Portanto, neste caso, asseverase a necessidade de se apreciar a discussão sobre a Classificação Fiscal das mercadorias travada nos autos. 5.1 Dos painéis montados com Telas (displays) Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) especificamente, com relação ao produto classificado na posição 9013.80.10, houve apenas uma importação, sendo correta a aplicação na posição 8473.30.92. Entretanto, não há diferença de tributos em relação ao IPI, haja vista o benefício da SUSPENSÃO acima mencionado e ao II, pois a alíquota para os códigos do NCM é ZERO". Como se vê, a empresa informa que a classificação correta é aquela indicada nas DIs, qual seja, 8473.30.92 “Telas (‘displays’) para máquinas automáticas para processamento de dados, portáteis”. Complementa argumentando que no que se refere às demais importações, esclarece que houve um equívoco por parte da Recorrente quando elaborou a planilha com a indicação de que a NCM correta para os produtos importados seria a 8473.30.99. Isso porque a informação foi elaborada sem a devida análise técnica. Naquela oportunidade entendeuse tratarem de importações de cristais líquidos. Porém, ao se verificar que constavam nas DI o código 8473.30.92, relativo a telas (displays), e não tendo sido identificada nesta nomenclatura a expressão "cristais líquidos", ou em qualquer outra do grupo 8473, foi informado, erroneamente, que a classificação adequada seria a 8473.30.99, relativa a "outros". Pois bem. A matéria em discussão nestes autos tratase de classificação das seguintes mercadorias: Baterias de lítio recarregáveis (código NCM 8507.80.00) e dos Painéis montados com telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (código NCM 8473.30.99). Conforme ficou demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, a Recorrente confunde Telas (displays) com Painéis montados com telas (displays) para máquinas Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.641 14 automáticas de processamento de dados portáteis. Assim, podese entender que os artigos discriminados à folha 347, denominados “LCD”, englobam tanto as telas de LCD propriamente ditas, quanto as telas já montadas que foram objeto de lançamento. Quanto às baterias de lítio recarregáveis, apesar de terem sido importadas com cinco (5) classificações diferentes, também se entende que sejam as citadas “células de bateria”, relacionadas às fls. 346/347. Às folhas fls. 346/347 deste processo consta a relação entregue pelo sujeito passivo à DRF/Curitiba, onde constam os produtos: “célula de bateria”, posição 8507, e “LCD”, posição 8473, respectivamente. Compulsando os autos, entendo que não há controvérsia quanto à aplicação ou destinação dos produtos, que se destinam para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (Notebooks). A Fiscalização afirma que os painéis com telas ou displays (fls. 45/46 e 55) e as baterias recarregáveis (fls. 53 e 57) destinamse a máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (Notebooks) e a VISUM defende que as telas ou displays (fls. 47/52 e 303) e as baterias recarregáveis (fls. 308) são destinadas a máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (notebooks), muito embora exista discordância em relação a outros pontos. Nesse diapasão, o Fisco sustenta nos autos que os produtos descritos pela importadora nas respectivas DI e adições (tabelas de fls. 30/39), como Telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados, portáteis e Dispositivos de cristais líquidos (LCD) e classificados incorretamente pela Recorrente nos códigos tarifários da NCM 8473.30.92 e 9013.80.10, respectivamente, tratamse de Painéis montados com telas (displays) que se classificam no código tarifário da NCM 8473.30.99, tendo como suporte técnico as informações e documentos apresentados pela própria VISUM em atendimento à intimação da Fiscalização (fls. 2/20, 22/24 e 26/27). Nesta Planilha acostadas às fls. 30/39, encontrase informações importantes elaboradas pela Recorrente para a efetiva identificação dos produtos de cada DI, como a “NCM Correta”, o “Material” e a “Descrição Detalhada”, informações para cada DI e adições. Em algumas DI/Adições mantém a classificação fiscal adotada na importação e descreve o material como “Cristais (líquido polarizador), laminas polarizadas e lâmpada”, em outras indica como NCM correta a 8473.30.99 e identifica o material como “Vários”. Na coluna “Descrição Detalhada” é feita uma distinção entre os produtos “Cristais (líquido polarizador), laminas polarizadas e lâmpada” e “Vários”. O primeiro é descrito como “Transmitir informação em forma de imagem, texto ou vídeo e agregar o conjunto estrutural superior do Notebook” e o outro como “Transmitir informação em forma de imagem, texto ou vídeo e agregar o conjunto estrutural inferior do Notebook”. Notase claramente dessas duas descrições, que o primeiro pode ser apenas uma tela LCD a ser agregada ao painel superior do "Notebook", mas o segundo, já é um painel superior completo a ser agregado na parte inferior do "Notebook". Somase aos fatos acima, o que se verifica observando as fotos de fl. 40 deste processo, constatase que não resta qualquer dúvida quanto à perfeita identificação dos produtos importados como Painéis montados com LCD (tela) e das LCD 10”, 12” e 14”, apresentada pela própria importadora no curso do procedimento fiscal. Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.642 15 Há que se ressaltar que no que se refere à classificação fiscal dos produtos comprovadamente identificados como Painéis montados com LCD (tela) para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (Notebooks), para os quais adotou o código tarifário da NCM 8473.30.92, a divergência entre Fiscalização e impugnante reside apenas ao nível de subitem da Nomenclatura do Mercosul. A Fiscalização entende que o subitem “8473.30.92 Telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados, portáteis”, adotado pelo sujeito passivo, aplicase aos “módulos LCDTFT” para Notebook somente quando as telas (displays) de LCD são apresentadas isoladamente. Diante do exposto, para as operações em que a Fiscalização logrou êxito em comprovar que os produtos importados não são telas (displays) de LCD isoladas, mas painéis montados com telas LCD para Notebooks, tenho por correto o reenquadramento fiscal do código tarifário da NCM 8473.30.92, que foi adotado pelo importador, para o código da NCM 8473.30.99. Nessa seara, adoto como fundamentos, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os argumentos expostos pela decisão recorrida para manter o lançamento nesta parte, que passam a fazer parte integrante do presente voto, mesmo porque a Recorrente repisa os argumentos da Impugnação, bem como estão em consonância aos precedentes deste Conselho Administrativo. A decisão de piso consigna que os produtos importados objeto da autuação, em que o “módulo LCDTFT” é empregado em processo industrial que consiste na montagem de diversos componentes (módulo LCDTFT, carcaça plástica, estrutura de fixação, etc.) cujo resultado é a fabricação de uma outra parte semiacabada de notebook, tal conjunto não pode mais ser descrito ou classificado apenas como sendo uma tela de visualização para notebook. E que, inexistindo dentro do item 8473.30.9 um subitem específico para esses módulos montados com telas, devese adotar o subitem residual 8473.30.99. "A Fiscalização conclui que, com base na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI/SH 1 (texto da posição 8473 e nota 2 da Seção XVI) e 6 (texto da subposição 8473.30) e na Regra Geral Complementar da Nomenclatura do Mercosul RGC/NCM 1 (texto do item 8473.30.9 e do subitem 8473.30.99) e também em subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008, os módulos já montados em estrutura plástica contendo uma tela de visualização, próprios para notebooks, deveriam ser classificadas no código 8473.30.99. A RGI/SH nº 1 (RGI1) diz que a classificação das mercadorias é determinada pelo texto das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Ou seja, caso possível o enquadramento da mercadoria numa posição tarifária, com base no texto da posição e/ou de Nota de Seção e de Capítulo, não é necessário recorrer a nenhuma outra Regra. E, pela aplicação da RGI nº 6, temos que a classificação fiscal de mercadorias é determinada pelo texto das subposições das Notas de subposição correspondentes. Ou seja, caso possível o enquadramento da mercadoria numa subposição, com base no texto correspondente da subposição e/ou de Nota de subposição correspondente, não é necessário recorrer a nenhuma outra Regra. (RGI1) Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.643 16 posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) I, II, III, IV e V, a RGI nº 1 (RGI1) e a NESH I à RGI nº 6, adiante transcritas explicitam a metodologia para aplicação dessas RGI: Nota Explicativa I) A Nomenclatura apresenta, sob uma forma sistemática, as mercadorias que são objeto de comércio internacional. Essas mercadorias são agrupadas em Seções, Capítulos e Subcapítulos que receberam títulos os mais concisos possíveis, indicando a categoria ou o tipo dos produtos que se encontram ali classificados. Em muitos casos, porém, foi materialmente impossível, em virtude da diversidade e da quantidade de mercadorias, englobálas ou enumerálas completamente nos títulos daqueles agrupamentos II) A Regra 1 começa, portanto, por determinar que os títulos “têm apenas valor indicativo”. Desse fato não resulta nenhuma conseqüência jurídica quanto à classificação. III) A segunda parte da Regra prevê que se determina a classificação: a) de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e b) quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. IV) A disposição III) a) é suficientemente clara, e numerosas mercadorias podem classificarse na Nomenclatura sem que seja necessário recorrer às outras Regras Gerais Interpretativas (por exemplo, os cavalos vivos (posição 01.01), as preparações e artigos farmacêuticos especificados pela Nota 4 do Capítulo 30 (posição 30.06)). V) Na disposição III) b) a)A frase “desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas”, destinase a precisar, sem deixar dúvidas, que os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo prevalecem, para a determinação da classificação, sobre qualquer outra consideração. Por exemplo, no Capítulo 31, as Notas estabelecem que certas posições só englobam determinadas mercadorias. Consequentemente, o alcance dessas posições não pode ser ampliado para englobar mercadorias que, de outra forma, aí se incluiriam por aplicação da Regra 2 b). (RGI6) A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Nota Explicativa I) As Regras 1 a 5 precedentes estabelecem mutatis mutandis a classificação ao nível das subposições dentro de uma mesma posição. Por sua vez, a RGC1, in verbis, estabelece a aplicação das Regras Gerais para interpretação do Sistema Harmonizado para o enquadramento da mercadoria em Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.644 17 determinado item e, subseqüentemente, subitem da NCM, dentro de cada posição ou subposição do SH, no âmbito do Mercosul. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. Os textos dos códigos NCM/TEC são os transcritos abaixo: Código TEC Descrição 8473 PARTES E ACESSÓRIOS (EXCETO ESTOJOS, CAPAS E SEMELHANTES) RECONHECÍVEIS COMO EXCLUSIVA OU PRINCIPALMENTE DESTINADOS ÀS MÁQUINAS OU APARELHOS DAS POSIÇÕES 84.69 A 84.72. 8473.30 Partes e acessórios das máquinas da posição 84.71 8473.30.9 Outros. 8473.30.92 Telas (displays) para máquinas automáticas para processamento de dados, portáteis. 8473.30.99 Outros Primeiramente, cabe destacar a incontroversa classificação fiscal dos notebooks na posição tarifária 8471 (fls. 57 e 297/300). E que tenho por correto o reenquadramento dos painéis montados com LCD destinados a formarem notebooks para o código tarifário 8473.30.99 da NCM feito pela Fiscalização, tendo em vista que em consonância com regras de classificação pertinentes, acima transcritas. Cabe aqui esclarecer que a aplicação do princípio da especialidade ou especificidade insculpido na RGI3, alínea “a”, a seguir copiado, alegado pela impugnante na defesa da manutenção do enquadramento tarifário no código 8473.30.92, não tem qualquer respaldo, uma vez que essa regra somente se aplica quando existe mais de uma opção possível de enquadramento, consoante corrobora a NESHI a essa regra. REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.645 18 c) Nos casos em que as Regras 3 a) e 3 b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. NOTA EXPLICATIVA I) Esta Regra prevê três métodos de classificação das mercadorias que, a priori, seriam suscetíveis de se incluírem em várias posições diferentes, quer por aplicação da Regra 2 b), quer em qualquer outro caso. Esses métodos utilizamse na ordem em que são incluídos na Regra. Assim, a Regra 3 b) só se aplica quando a Regra 3 a) não solucionar o problema da classificação; quando as Regras 3 a) e 3 b) forem inoperantes, aplicase a Regra 3 c). A ordem na qual se torna necessário considerar sucessivamente os elementos da classificação é, então, a seguinte: a) posição mais específica, b) característica essencial, c) posição colocada em último lugar na ordem numérica". No caso sob análise, não existe mais de uma opção possível de enquadramento fiscal, mas sim divergência quanto à identificação do produto, as telas LCD para notebooks isoladas se classificam no código tarifário 8473.30.92 da NCM, mas os Painéis com telas LCD importados e aqui tratados se classificam no código tarifário 8473.30.99, como apropriadamente fundamentou a Fiscalização. 5.2 Das Baterias recarregáveis para Notebooks Aduz a Recorrente que "(...) com relação às posições 8471.30.90, 8506.50.10, 8506.50.90 e 8507.90.90, a Impugnante se equivocou ao indicálas nas suas Dls, haja vista que a posição 8471 se refere a "Máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; leitores magnéticos ou ópticos, máquinas para registrar dados em suporte sob forma codificada, e máquinas para processamento desses dados, não especificadas nem compreendidas em outras posições", e o Capítulo 85 se refere a "Máquinas, aparelhos e materiais elétricos e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelho de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios" E prossegue informando que de igual forma se equivocou ao informar em resposta à intimação, que a NCM correta seria a 8507.80.00. Referida resposta foi efetuada sem a devida análise técnica, devendo, portanto, ser desconsiderada. Com relação a Bateria recarregável, a controvérsia versa apenas no que pertine à classificação fiscal, uma vez que a Fiscalização e a Recorrente afirmam que se tratam de Baterias recarregáveis para notebooks. Essa questão também restou muito bem articulada pela decisão de piso, que também adoto como fundamentos para decidir, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99. "A partir da documentação apresentada pela importadora (fls. 25 e 41/42), a Fiscalização concluiu que os produtos importados, assinalados na tabela às fls. 53/54 como: “BATERIA DE LÍTIO”, “BATERIA RECARREGÁVEL”, “MODULO ACUMULADOR DE ENERGIA”, etc., classificados em diferentes códigos tarifários da NCM pelo importador, são baterias de lítio recarregáveis para noteboks. Assim sendo, reenquadrou tais baterias para o código tarifário da NCM 8507.08.80, com base na RGI1 nos textos e Nesh das posições 8506 e 8507, trechos adiante Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.646 19 copiados. Essas Nesh explicitam que o fato dessas baterias serem recarregáveis as enquadra na posição 8507 e não na 8506, adotada pelo importador na maioria das operações. E, em consonância com a RGI6 e textos dos desdobramentos da posição 8507, na subposição 8507.80.00, sem desdobramento ao nível de Mercosul. Nesh da Posição 8506 [...]A característica principal da pilha elétrica é não poder ser fácil nem eficazmente recarregada. [...] A presente posição não compreende as pilhas elétricas recarregáveis, as quais se classificam, como acumuladores elétricos, na posição 85.07. Nesh da Posição 8507 Os acumuladores elétricos ou “pilhas (ou baterias) secundárias” caracterizamse pelo fato de que a ação eletrolítica é reversível de modo que o acumulador pode ser recarregado. Utilizamse para acumular energia elétrica e restituíla à medida que as necessidades o exijam. A passagem de uma corrente contínua num acumulador provoca algumas reações químicas (carga); quando os bornes de um acumulador são em seguida ligados a um circuito externo, essas reações químicas efetuamse em sentido inverso, produzindo assim uma corrente contínua (descarga). O ciclo “cargadescarga” pode ser repetido. [...]Inúmeros acumuladores alcalinos podem ter a aparência externa de pilhas ou de baterias da posição 85.06 Os desdobramentos das posições 8506 e 8507 da NCM vigentes à época da autuação são os adiante transcritos. CÓDIGO DESCRIÇÃO 8506 PILHAS E BATERIAS DE PILHAS, ELÉTRICAS. 8506.50 De lítio 8506.50.10 Com volume exterior não superior a 300 cm³ 8506.50.90 Outras 8506.80 Outras pilhas e baterias de pilhas 8506.80.10 Com volume exterior não superior a 300 cm³ 8507 ACUMULADORES ELÉTRICOS E SEUS SEPARADORES, MESMO DE FORMA QUADRADA OU RETANGULAR. 8507.10 De chumbo, do tipo utilizado para o arranque dos motores de pistão 8507.20 Outros acumuladores de chumbo 8507.30 De níquelcádmio 8507.40.00 De níquelferro 8507.50.00 De níquelhidreto metálico Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.647 20 8507.80.00 Outros acumuladores 8507.90 Partes Em síntese, a Fiscalização fundamentou o reenquadramento tarifário de acordo com o exposto e com base na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado/RGI/SH 1 (texto da posição 85.07) e 6 (texto da subposição 8507.80) e também em subsídios extraídos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh), aprovadas pelo Decreto n.º 435, de 1992, e atualizadas pelas IN RFB n.º 807, de 2008, as Baterias de Lítio Recarregáveis devem ser classificadas no código 8507.80.00. Argumenta a impugnante que, “de fato, com relação às posições 8471.30.90, 8506.50.10, 8506.50.90 e 8507.90.90, se equivocou ao indicálas nas suas DIs”, mas que também se equivocou “ao informar em resposta à intimação, que a NCM correta seria a 8507.80.00”. Acrescenta a impugnante que as baterias importadas se destinam exclusivamente a notebooks, classificados na posição 8471 Máquinas automáticas para processamento de dados e suas unidades; leitores magnéticos ou ópticos, máquinas para registrar dados em suporte sob forma codificada, e máquinas para processamento desses dados, não especificadas nem compreendidas em outras posições. Referidas baterias se constituem em peças e partes desses equipamentos, em razão da sua destinação ser exclusiva para esses produtos. E que, por tais baterias constituírem peças e partes desses equipamentos, em razão da sua destinação exclusiva a esses produtos se enquadram na posição da NCM 8473 Partes e acessórios (exceto estojos, capas e semelhantes) reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas e aparelhos das posições 84.69 a 84.72. E, seguindo esse mesmo raciocínio no código tarifário 8473.30 Partes e acessórios das máquinas da posição 84.71. Assim, entende que a classificação correta é a da posição 8473.30.99 "outros", haja vista que nessa se enquadram todos os produtos aplicáveis em máquinas de processamento de dados para os quais não haja descrição mais específica, que é o caso das baterias por ela importadas. Entretanto, não assiste razão à Impugnante, tendo em vista expressa determinação da Nota 2, letras “a” e “b”, da Seção XVI11 da NCM, que abrange os capítulos 84 e 85 da NCM, adiante copiada, segundo a qual, as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85, incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem, mesmo que exclusivamente ou principalmente destinadas a qualquer dessas máquinas. As Considerações Gerais dos Capítulos 84 e 85 e da Posição 8507, trechos abaixo copiados, também determinam no mesmo sentido: Capítulo 84: explicita que as partes elétricas de máquinas ou aparelhos do Capítulo 84, ainda que especialmente concebida para essas máquinas, que consistam em artefatos incluídos em qualquer uma das posições do Capítulo 85, enquadramse neste último. Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.648 21 Capítulo 85: determina que os acumuladores ou baterias recarregáveis se classificam na posição 85.07. Posição 8507: Os acumuladores servem para fornecer eletricidade a um grande número de aplicações, inclusive, máquinas automáticas portáteis para processamento de dados. Notas da Seção XVI 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: (grifei) a) as partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; (grifei) b) quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas em uma mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artefatos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; (grifei) c) as outras partes classificamse nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38, conforme o caso, ou, não sendo possível tal classificação, nas posições 84.87 ou 85.48. Considerações Gerais do Capítulo 84 C. PARTES Para as regras gerais que respeitam à classificação de partes, tomarseão como referência as Considerações Gerais da Seção. No que diz respeito mais especificamente às partes elétricas de máquinas ou aparelhos do presente Capítulo, deve notarse que as partes que consistam em artefatos incluídos em qualquer uma das posições do Capítulo 85 incluemse neste último. É este o caso, principalmente, dos motores elétricos (posição 85.01), dos transformadores elétricos (posição 85.04), dos eletroímãs, dos ímãs, das cabeças magnéticas para guindastes e mandris eletromagnéticos da posição 85.05, dos aparelhos e dispositivos elétricos de arranque e de ignição para motores de ignição por centelha (faísca*) ou por compressão (posição 85.11), dos comutadores, quadros de comando, caixas de junção, etc. (posições 85.35 a 85.37), das lâmpadas, tubos e válvulas eletrônicos, etc., da posição 85.40, dos diodos, transistores e dispositivos semelhantes semicondutores (posição 85.41), dos circuitos integrados e microestruturas eletrônicas (posição 85.42), dos carvões para usos elétricos da posição 85.45, dos isoladores da posição 85.46, das peças isolantes da posição 85.47, etc. Estas disposições são aplicáveis mesmo aos artefatos que sejam especialmente concebidos para serem utilizados com uma determinada máquina do presente Capítulo, salvo nos casos em que, combinados Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.649 22 com outros elementos, percam a característica intrínseca de artefatos especificamente elétricos. (grifei) Considerações Gerais do Capítulo 85 A. ALCANCE GERAL E ESTRUTURA DO CAPÍTULO O presente Capítulo compreende: As máquinas e aparelhos para a produção, transformação ou acumulação de eletricidade, tais como os geradores, transformadores, etc. (posições 85.01 a 85.04), as pilhas (posição 85.06) e os acumuladores (posição 85.07). Considerações Gerais da Posição 8507 [...] Os acumuladores alcalinos podem ter formas e dimensões específicas, de modo a integraremse no dispositivo para o qual devem fornecer eletricidade. Podem estar contidos em caixas estanques. Inúmeros acumuladores alcalinos podem ter a aparência externa de pilhas ou de baterias da posição 85.06. Os acumuladores servem para fornecer eletricidade a um grande número de aplicações, por exemplo, veículos automóveis, carrinhos de golfe, empilhadeiras, ferramentas manuais com motor, telefones celulares, máquinas automáticas portáteis para processamento de dados, lanternas portáteis. Os acumuladores de chumbo possuem, às vezes, um pesalíquidos que, ao medir a densidade do eletrólito, indica aproximadamente o nível de carga do acumulador. Os acumuladores classificamse aqui, mesmo desprovidos de seu eletrólito. (grifei)". Diante do exposto, tenho por correto o reenquadramento tarifário das Baterias recarregáveis destinadas a Notebooks no código tarifário da NCM 8507.80.00 conforme efetuado pelo Fisco. 6. Das Importações com benefício fiscal de suspensão do IPI Aduz a Recorrente em seu recurso que "(...) Conforme apontado pela Recorrente em sua impugnação, os Autos de Infração foram lançados para exigência de IPI não recolhido pela Recorrente em razão do seu enquadramento nas disposições da Lei nº 8.248/91, a qual lhe confere o benefício fiscal de suspensão do IPI". Em resumo, alega que ao amparo de benefício previsto § 1°C do artigo 4º da Lei n° 8.248/1991 e pela alínea "c" do inciso I dos §§ 1º e 7º do artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, com fundamento nos quais, por ter cumprido as formalidades legais exigidas, especialmente, as disposições da Instrução Normativa RFB n° 948, de 2009, passou a fazer jus à suspensão do IPI na importação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, destinados à elaboração dos produtos indicados no mencionado artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, e que, portanto, tais tributos não poderiam ser objeto de lançamento de ofício desse imposto. Argumenta em seu recurso, que apesar de ter apresentado à DRF em Curitiba (PR), relações minuciosas contendo as matérias primas, os produtos intermediários e as embalagens que seriam utilizadas no seu processo produtivo, com o que esses produtos seriam desembaraçados com a devida suspensão do IPI, a fiscalização exigiu o imposto, sob a alegação de que até a data do protocolo, a Recorrente não poderia usufruir do benefício. Assim, Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.650 23 como o protocolo do demonstrativo foi efetuado em 30/04/2010, somente após essa data faria jus ao benefício, sendo, portanto, ilegal o lançamento a partir de 01/05/2010, haja vista estarem os produtos "baterias de lítio" e "painéis montados com telas (displays)" na relação, não afetando, portanto, a suspensão e por essa razão, os lançamentos de IPI das importações ocorridas após 30/04/2010 foram exonerados. E continua afirmando que, "(...) Porém, a fiscalização defendeu que referido documento não constitui obrigação acessória e que o benefício não é concedido de forma automática, tendo que ser previamente solicitado na DI. Entretanto, essa alegação não possui respaldo legal e não se concretiza na prática. Vejase que além de não haver qualquer modelo fornecido pela Receita Federal do Brasil para a prestação das referidas informações, a Instrução Normativa determina que o protocolo não implica na formalização de processo. Ou seja, o alcance do benefício, portanto, independe de prévia autorização por parte do fisco. Não obstante esse fato temse, ainda, que a legislação prevê que o protocolo da informação na importação deve ser realizado no momento do desembaraço da mercadoria. Portanto, caso seja detectada alguma irregularidade, o IPI deve ser sido exigido e recolhido naquela oportunidade". Cita julgados deste CARF e conclui afirmando que todas as mercadorias foram desembaraçadas com a referida suspensão, sendo que a relação exigida pela IN n° 928/2009, não foi solicitada no momento do desembaraço. Como se vê, a Recorrente alega que faz jus ao benefício fiscal de suspensão do IPI na importação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, destinados à elaboração dos produtos indicados no artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, nos termos do § 1ºC do artigo 4º da Lei n° 8.248/91 e na alínea "c" do inciso I dos §§ 1º e 7º do artigo 29 da Lei n° 10.637/2002. Que essa suspensão, conforme dispõem os §§ 2º e 3º do artigo 11 da Instrução Normativa RFB n° 948/2009, é condicionada à prévia apresentação à RFB, pelo estabelecimento adquirente, de relação dos produtos que a empresa fabrica e das peças e partes a serem adquiridas no mercado interno e externo. Que assim procedeu, observando os dispositivos legais acima citados e, especialmente, as disposições da IN RFB n° 948/2009, apresentou à DRF em Curitiba (PR), relações minuciosas contendo as matérias primas, os produtos intermediários e as embalagens que seriam utilizadas no seu processo produtivo. Pois bem. O art. 4º da citada lei nº 8.248, de 1991, desta forma dispõe: Art. 4º As empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação que investirem em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação farão jus aos benefícios de que trata a Lei no 8.191, de 11 de junho de 1991. (Redação dada pela Lei nº 10.176, de 2001). § 1º O Poder Executivo definirá a relação dos bens de que trata o § 1ºC, respeitado o disposto no art. 16A desta Lei, a ser apresentada no prazo de trinta dias, contado da publicação desta Lei, com base em proposta conjunta dos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Ciência e Tecnologia e da Integração Nacional. (Redação dada pela Lei nº 10.176, de 2001). (....) § 1ºC. Os benefícios incidirão somente sobre os bens de informática e automação produzidos de acordo com processo produtivo básico definido pelo Poder Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.651 24 Executivo, condicionados à apresentação de proposta de projeto ao Ministério da Ciência e Tecnologia. (Parágrafo incluído pela Lei nº 10.176, 2001. (Grifei) Já o art. 29 da Lei nº 10.637, de 2002, assim dispõe: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003). § 1º (...). I estabelecimentos industriais fabricantes, preponderantemente, de: a. (...) c) bens de que trata o § 1ºC do art. 4º da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo; (Incluído pela Lei nº 11.908, de 2009). II pessoas jurídicas preponderantemente exportadoras. (...). § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; (grifei) Em relação ao art. 11 da IN RFB n° 948/2009, no CAPÍTULO III DOS PRODUTOS DO CAPÍTULO 88 e DOS BENS DE INFORMÁTICA, desta forma dispõe: Art. 11. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do IPI as matérias primas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem adquiridos por estabelecimento industrial fabricante, preponderantemente, de: I (...) II bens de que trata o § 1ºC do art. 4º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, que gozem do benefício referido no caput do mencionado artigo. § 1º (...) § 2º As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem importados diretamente por estabelecimento industrial fabricante de que trata este artigo serão desembaraçados com suspensão do IPI, ficando o desembaraço com suspensão do imposto condicionado à apresentação, pelo contribuinte, de cópia, com recibo de entrega, da informação a que se refere o § 3º. § 3º O estabelecimento adquirente de que trata este artigo deverá informar, sem formalização de processo, à DRF ou à Derat de seu domicílio fiscal os produtos Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.652 25 que elabora e as peças e partes que irá adquirir nos mercados interno e externo. (Grifei) Entendo que para melhor deslinde desta questão, fazse necessário verificarmos o resultado da Diligência, em que a Fiscalização, em atenção a solicitação requerida pela DRJ em Fortaleza (CE), apresentou o Relatório Fiscal de fls. 1.473/1.475 e documentos de fls. 377/1.472. Na sequencia, reproduzo os principais trechos do resultado da Diligência realizada: "(...) no tocante à suspensão do IPI prevista na Lei nº 10.637/2002, regulamentado pela IN RFB nº 948/2009, informou que a VISUM SISTEMAS ELETRÔNICOS S/A., que entregou no CAC Centro de Atendimento ao Contribuinte, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, em 30/04/2010, a informação de que trata os §§ 2º e 3º do art. 11 da IN RFB nº 948/2009 (fls 340/356). Por meio de RELAÇÃO exaustiva (de fls. 346/356) informou ao CAC os produtos que industrializaria e as partes e peças que iria adquirir nos mercados interno e externo para produzilos (fls. 377/396). Que, a partir de então, o sujeito passivo passou a pleitear esse benefício para alguns dos produtos que importava (cópias dos extratos das DIs anexados às fls. 397/1.472). Que consultados os dados dessas importações constantes do Siscomex (cópias dos extratos das DIs anexados às fls. 397/1472), constatase que a partir de 27/05/2010 a maioria das importações constantes do Auto de Infração do presente processo teve pleiteado o benefício de suspensão do IPI previsto Lei nº 10.637/2002. Por outro lado, todas as Declarações de Importação registradas em data anterior a essa tiveram recolhimento integral de IPI, fatos esses em consonância com a data da entrega do pedido a DRF/Curitiba em 30/04/2010. Que às folhas 6 e 7 da relação entregue pelo sujeito passivo à DRF/Curitiba, fls. 346/347 do presente processo, constam: “célula de bateria”, posição 8507, e “LCD”, posição 8473, respectivamente. Que a matéria em pauta neste processo é a classificação das baterias de lítio recarregáveis (código NCM 8507.80.00) e dos painéis montados com telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis (código NCM 8473.30.99). Conforme ficou demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, o sujeito passivo confunde simples telas (displays) com painéis montados com telas (displays) para máquinas automáticas de processamento de dados portáteis. Assim, podese entender que os artigos discriminados na folha 7 de sua relação, denominados “LCD”, englobam tanto as telas de LCD propriamente ditas, quanto as telas já montadas que foram objeto de lançamento. Quanto às baterias de lítio recarregáveis, apesar de terem sido importadas com cinco (5) classificações diferentes, também se entende que sejam as citadas “células de bateria”, relacionadas na folha 6. Que o sujeito passivo havia pleiteado suspensão de IPI, benefício previsto na Lei nº 10.637/2002, quando da importação de alguns produtos constantes dos Autos de Infração, que não foi considerada por ocasião do lançamento. A tabela em anexo, denominada “PLANILHA DE DEMONSTRAÇÃO E APURAÇÃO DOS VALORES DE IPI”, relaciona todas as Adições constantes dos Autos de Infração, com seus respectivos valores, e aponta quais delas tiveram a suspensão do IPI pleiteada pelo sujeito passivo na importação, sobre as quais houve cobrança indevida de IPI no Auto de Infração. Também demonstra o valor devido do IPI que seria correto se excluídas as importações sob o regime de suspensão". Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.653 26 Como se observa das informações e documentos apresentados pela Fiscalização em sede de Diligência (Termo de Diligência de fls. 1.473/1.475), comprovam que as importações registradas até 27/05/2010, foram registradas com recolhimento integral do IPI e, somente a partir dessa data é que a VISUM passou a registrar importações requerendo a suspensão do IPI (fls. 1.474 e 397/1472) e, que essa situação de IPI suspenso de fato não foi considerada na autuação das importações assinaladas na “PLANILHA DE DEMONSTRAÇÃO E APURAÇÃO DOS VALORES DE IPI” (fls. 1.476/1.479), o que caracterizou a ilegalidade dessas autuações, conforme bem observado e já considerado (exonerado) pela decisão de piso, conforme se depreende do trecho da decisão recorrida abaixo reproduzido (fl. 1.516): "Diante do exposto, revelamse indevidas as autuações de IPI e respectivos acréscimos legais apenas para as importações registradas ao amparo do benefício de suspensão do IPI, identificadas pela autoridade autuante às fls. 1.476 e 1.479, assinaladas na tabela abaixo, uma vez que a reclassificação tarifária autuada mesmo correta não atinge a suspensão do IPI na importação das mesmas, já que foram atendidas as exigências legais para usufruição do benefício". Assim, resta claro que a empresa VISUM, somente a partir de 30/04/2010, data de entrega à RFB (DRF em Curitiba), da informação de que trata os §§ 2º e 3º do art. 11 da IN RFB nº 948/2009 (fls 340/356 e 377/396), é que estava apta a pleitear esse benefício de suspensão do IPI na importação de produtos indicados na relação exaustiva apresentada (fls. 346/356). Isto porque da leitura do §2º do art. 11 da IN RFB nº 948, de 2009, resta muito claro a obrigação da empresa para usufruir do benefício fiscal: § 2º As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem importados diretamente por estabelecimento industrial fabricante de que trata este artigo serão desembaraçados com suspensão do IPI, ficando o desembaraço com suspensão do imposto condicionado à apresentação, pelo contribuinte, de cópia, com recibo de entrega, da informação a que se refere o § 3º. Notese que na circunstância em questão, o benefício não se refere a uma exclusão fiscal, mas sim, uma "isenção extrafiscal", cuja situação jurídica do beneficiado dependerá do cumprimento prévio de condições previstas para obter o direito de suspensão no momento da ocorrência do fato gerador. Ademais, o art. 111, II, do CTN (Código Tributário Nacional), estabelece que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: II outorga de isenção; Nesse contexto, a hipótese normativa incidente sobre a realidade, torna o fato em si, em fato jurídico, e com isso faz surgir uma relação jurídica. Nesta dinâmica, a linguagem do direito condiciona a realidade alterando e regrando as condutas e disciplinando o comportamento dos seres humanos, nas suas relações de intersubjetividade, conforme expressa Paulo de Barros Carvalho, no Curso de Direito Tributário, 1991. A Constituição Federal delega à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria tributária. A lei nº 5.172/66, que aprova o CTN, no art. Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.654 27 96, estabelece que a expressão legislação tributária compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, acerca de tributos e suas relações jurídicas. No art. 100, I, o CTN estende o conceito, dispondo que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são normas complementares das leis, dos tratados, das convenções internacionais e dos decretos. As normas jurídicas citadas pelo Fisco e também pela Recorrente, e que incluíam a IN RFB nº 948/2009, pertencem ao sistema jurídico positivo, sendo normas válidas desde a data de sua publicação. O parágrafo 7º do art. 29 da lei nº 10.637/2002, previa que para o gozo dos benefícios nela definidos, teria que atender aos termos e às condições estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. Ou seja, a sistemática de fruição do benefício, estabelece que as mercadorias serão desembaraçados com suspensão do IPI, ficando o desembaraço com suspensão do imposto condicionado à apresentação, pelo contribuinte, de cópia, com recibo de entrega, da informações à RFB, que se refere o § 3º da IN RFB 948/2009. Portanto, são completamente equivocadas as argumentações da Recorrente que as importações registradas no período anterior à apresentação de documentação comprobatória da condição para o implemento da importação com suspensão do IPI, imposta pelos §§ 2º e 3º da IN RFB nº 948/2009, é descumprimento de obrigação acessória, que não constou da autuação original, e de que o referido benefício fiscal é decorrente de lei e independe de prévia solicitação do importador. Ressaltase ainda que no mesmo sentido, a própria Recorrente reconhece em seu Recurso Voluntário (trecho abaixo reproduzido, fls. 1.581) que para pleitear a suspensão do IPI na importação dos produtos, de que trata o § 1°C do artigo 4º da Lei n° 8.248/1991, teria que cumprir as condições impostas pelo 7º do artigo 29 da Lei n° 10.637/2002 combinado com o art. 11 da IN RFB nº 948/2009. Vejase: "4.2 Tal benefício decorre da aplicação do disposto pelo §1°C do artigo 4o da Lei n° 8.248/91 e pela alínea "c" do inciso I dos §§ 1 e 7o do artigo 29 da Lei n° 10.637/2002, com fundamento nos quais a Recorrente, por ter cumprido as formalidades legais exigidas, passou a fazer jus à suspensão do IPI na importação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, destinados à elaboração dos produtos indicados no mencionado artigo 29 da Lei n° 10.637/2002". Portanto, resta inequívoco que tal benefício não é concedido de forma automática, tem que ser previamente solicitado na Declaração de Importação (DI), mediante o cumprimento prévio de condições estabelecidas. Não tendo a VISUM solicitado o benefício de suspensão de IPI nas importações registradas (DIs) antes de 27/05/2010, posto que nem mesmo habilitada para tal estava até 27/04/2010, e também em algumas registradas após essa data, significa que tais operações foram realizadas no regime comum de tributação. Portanto, não há que falar que o Fisco esteja inovando a autuação e que a tenha fundamentado no descumprimento de obrigação acessória exigida para a suspensão do IPI na importação. O que a Fiscalização muito propriamente fez, foi demonstrar que as importações não foram feitas ao amparo do benefício fiscal da suspensão do IPI, portanto, em tese, passíveis de serem autuadas por erro no enquadramento fiscal adotado pelo importador. Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.655 28 Isto posto, voto no sentido negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose hígida a decisão recorrida. 7. Do pedido de realização perícia técnica. A Recorrente apresenta os quesitos transcritos em seu Recurso Voluntário a serem respondidos por perícia técnica. Entretanto, tais quesitos são relacionados à classificação fiscal de produtos ou são pontos incontroversos, o que configura a desnecessidade de tal perícia técnica, não vislumbrando, a existência de qualquer ofensa ao principio da verdade material ou da legalidade a ser reparada mediante a perícia solicitada, que se mostra desnecessária e descabida. A maioria dos quesitos descritos, tratam de questões referentes à classificação fiscal, não considerada como aspecto técnico a ser objeto de perícia, consoante o § 1° do artigo 30 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Diante do exposto, indefiro a perícia técnica solicitada, por considerála prescindível e descabida, nos termos dos artigos 18 e 30, § 1°, do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que os elementos presentes aos autos são suficientes para a formação da plena convicção do julgador. 8. Conclusão Diante dos fundamentos expostos, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) para não conhecer do Recurso Voluntário no que concerne aos débitos comprovadamente parcelados (PERT) pela Recorrente, conforme o contido no item "4" deste voto; e (b) na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 15165.720607/201416 Acórdão n.º 3402005.345 S3C4T2 Fl. 1.656 29 Fl. 1656DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660281/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.685
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 81 /2 01 2- 91 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660281/201291 Acórdão n.º 3401004.685 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660281/201291 Acórdão n.º 3401004.685 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660281/201291 Acórdão n.º 3401004.685 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660281/201291 Acórdão n.º 3401004.685 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660281/201291 Acórdão n.º 3401004.685 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660281/201291 Acórdão n.º 3401004.685 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000120/2011-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS JUNTADAS AO PROCESSO DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo.
Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS JUNTADAS AO PROCESSO DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS JUNTADAS AO PROCESSO DEVEM ESTAR DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. Necessária apresentação de comprovação que satisfaça a exigência da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 01 20 /2 01 1- 93 Fl. 62DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e Jose Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 6.826,87, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2008. A justificação do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento motivador da lavratura o fato de que a Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos de despesas médicas de acordo com a exigência da legislação tributária para usufruir da dedução na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à posição de que para utilizar o benefício da dedução das despesas médicas na declaração de ajuste do imposto sobre a renda é indispensável à apresentação de documentação que atenda ao exigido na legislação tributária, como segue: Em desfavor do contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento (fl. 5), relativamente ao anocalendário de 2008, na qual foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) Suplementar no valor de R$ 6.826,87, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Na declaração de ajuste anual, o contribuinte informou como resultado imposto a pagar no valor de R$ 10.107,38. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, referida alteração decorrera da glosa de despesas médicas no valor de R$ 24.825,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Vejamos as justificativas da fiscalização extraídas do processo (imagem retirada do original – fls. 6 e 7): (...) Em sua impugnação, o autor alega essencialmente que os pagamentos das despesas médicas foram realizados em espécie, não sendo razoável exigir outros documentos comprobatórios. Aduz ainda que os recibos com todos os requisitos formais se constituem na prova requerida pela fiscalização. A fiscalização efetua a glosa das despesas com os profissionais de saúde em virtude da ausência da prova do efetivo pagamento ou da efetividade da prestação do serviço. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13984.000120/201193 Acórdão n.º 2001000.424 S2C0T1 Fl. 63 3 A glosa se refere à prova do efetivo pagamento das despesas e não sobre requisitos formais dos documentos. Dessa forma, a controvérsia está situada na seara da comprovação da transferência do numerário (cheques, depósitos bancários etc.) e/ou da efetividade da prestação dos serviços (laudos, exames, prontuários médicos etc.). A matéria tratada neste processo é regida pelos seguintes dispositivos do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000, de 26 de março de 1999: Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 – Decreto 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Nos termos do inciso III do § 1º, do art. 80, combinado com o § 1º, do art.73, todos do RIR/1999, acima transcritos, para que as despesas médicas constituam dedução, é necessária a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da prestação dos serviços, limitando se, ainda, a pagamentos especificados e comprovados ou justificados, a juízo da autoridade lançadora. No caso de deduções, o ônus da prova é do contribuinte, consoante artigo 73 do RIR/99. Neste contexto, a comprovação das deduções de despesas médicas deve conter os requisitos essenciais (nome, CPF, Fl. 64DF CARF MF 4 endereço do profissional e identificação da pessoa beneficiada pelo serviço), além de outros elementos adicionais de prova, tais como, a efetividade da prestação do serviço e/ou do efetivo pagamento, a exemplo de fichas ou prontuários de atendimento, laudos médicos, cópias de prescrições, cópias dos cheques, transferências bancárias, extratos bancários etc. (...) Esclareçase que a autuação não possui como fundamento a falsidade documental, mas a falta de comprovação da efetividade do pagamento e da prestação dos serviços, em decorrência da imprestabilidade dos recibos, apresentados isoladamente, para fruição do benefício fiscal. Quando se tem a finalidade de utilizar despesas médicas como dedução, o contribuinte deve ter em mente que o pagamento correspondente não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também a Administração Tributária. Por essa razão, deve conservar, além dos recibos, outros meios probantes do pagamento e da realização do serviço. (...) (...) De todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação, para determinar a manutenção do valor lançado a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 6.826,87, acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 6.826,87, referente à glosa do valor das despesas médicas. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Em relação a presente Intimação de Nº 278/2014, referente Acórdão: 1146.356, que não aceita a impugnação, mantendo o Crédito Tributário, é a primeira instância da SRF que relata como solução alternativa a possibilidade do interessado demonstrar a realização dos serviços através de cópias de exames, laudos, requisições, prontuários, fichas de atendimento ou outros documentos de natureza similar que servissem de sustentação do serviço. Portanto, nenhuma instância anterior fez esta alusão (grifo nosso). Continuamos entendendo que os recibos apresentados atendem aos dispositivos que a SRF dispõe no item 9 do referido Acórdão de não atendimento (a falta de comprovação da efetividade do pagamento e da prestação dos serviços, em decorrência da imprestabilidade dos recibos, apresentados isoladamente, para fruição do beneficio fiscal). Nada impede que se façam pagamentos em moeda corrente, até porque muitos não usam cheques ou cartão de crédito/débito, ou tem preferência pelo pagamento em dinheiro. Nos recibos há sim Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13984.000120/201193 Acórdão n.º 2001000.424 S2C0T1 Fl. 64 5 comprovação de efetividade do pagamento (identificado como sendo pago em dinheiro) bem como a da prestação de serviço, também identificada nos recibos (Tratamento odontológico, acompanhamento psicológico, etc.). Concordaria caso os recibos não contemplassem a forma de pagamento, a identificação dos serviços prestados e a quem foi prestado. Sabese que a SRF cruza informações, e não acredito que os profissionais que prestaram os serviços e emitiram os respectivos recibos (já encaminhados anteriormente), não tenham declarado em suas respectivas declarações, e se neguem a confirmar a autenticidade dos respectivos documentos. Ainda mais, com certeza suas declarações foram aceitas com pagamento de impostos relativo à prestação destes serviços. A exigência da descrição de determinados procedimentos profissionais da prestação de serviços médicos, como exemplo o prontuário, muitas vezes esbarram em regulamentações de Classe (entre outras, os Psicólogos, Psiquiatras, etc.), através de Códigos de Ética Profissional, que impedem o fornecimento a terceiros de prontuários, para não expor a constrangimento o paciente. A duplicidade de informações implica em várias dificuldades, entre outras, o dispêndio de tempo do profissional em achar as informações em função do tempo decorrido, de se achar o profissional, que muitas vezes encontrase ausente (férias, congressos, cursos de pós graduação, etc.), e outras vezes até não se encontra mais no município. Por último, acreditando ter cumprido o solicitado, encaminho em anexo, as informações dos profissionais localizados e disponíveis para tanto, informando ao mesmo tempo, que após aposentado, tenho residido a maior parte do meu tempo em Balneário Camboriú e viajando para outras cidades, onde me sirvo de profissionais da área de saúde, e muitas vezes com dificuldade de receber e tomar conhecimento de correspondências. Nestes Termos pede Deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é intempestivo e por isso não deve ser conhecido. O recurso em análise não atende aos requisitos de admissibilidade, pois, o prazo legal e 30 (trinta) dias para interposição de contestação já havia transcorrido na data em Fl. 66DF CARF MF 6 que foi protocolada a entrega da defesa em sede de recurso no segundo grau administrativo. Registrese que o prazo é contado de forma contínua, excluindose o dia de início e incluindo se o do vencimento. Também é de considerar que os prazos se iniciam e vencem em dia de expediente normal do órgão de trâmite regular do processo, no prazo máximo de 30 dias da notificação. De acordo com os arts. 5º e 15º do Decreto 70.235/72, o prazo para a interposição de recurso é de trinta dias, nos seguintes termos: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Observase dos autos a cronologia dos acontecimentos acerca do acontecido em relação ao trâmite regular da notificação da decisão de piso que aconteceu em 11/06/2014, por edital (fls. 38 e 39), e o Recorrente somente apresentou o Recurso Voluntário em 15/07/2014. O Recorrente apresentou no dia 11/07/2014, correspondência com pedido de dilação de prazo, procedimento que não encontra ampara na legislação pertinente. Ainda que protocolada no último dia de prazo para a interposição de Recurso Voluntário o pedido de dilação de prazo não substitui a devida contestação cujo direito legal lhe estava assegurado até aquela data. Também não produziu argumentos que pusessem servir de justificativa para o não cumprimento do prazo regulamentar com a ocorrência de caso fortuito ou força maior que lhe tivesse impedido de apresentar o Recurso na data aprazada. Assim, como a impugnação foi apresentada a destempo não há condições de julgamento de mérito nesta etapa recursal por intempestividade. Desta forma, descabe o julgamento de mérito nesta fase processual, por descumprimento de regra fundamental por parte da Contribuinte, e por ausência de manifestação quanto a eventual impedimento de cumprimento da formalidade de entrega do Recurso Voluntário em tempo legal nesta instância. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestividade nesta fase de julgamento administrativo. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.903521/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Relatório
1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância:
O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 25912.06857.130504.1.3.04-2580[...].
A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 30/06/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...].
Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA.
Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que:
- detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP.
- o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior.
- de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de maio de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito.
- quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social.
- no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50.
- a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior.
- o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário.
A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.
2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.165, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo:
ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2004
Retificação da Declaração de Compensação.
A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação.
Manifestação de inconformidade improcedente.
Direito creditório não reconhecido.
3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos:
3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa.
3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato.
3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável.
4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática.
5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas.
É o relatório.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 25912.06857.130504.1.3.04-2580[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 30/06/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: - detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. - o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. - de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de maio de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF do débito. - quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. - no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. - a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. - o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada. 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 02-25.165, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 03 52 1/ 20 08 -2 8 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10680.903521/200828 Resolução nº 1201000.485 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] referente ao PER/DCOMP n° 25912.06857.130504.1.3.042580[...]. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL, recolhido em 30/06/2003 [...] e de compensar os débitos discriminados no referido PER/DCOMP [...]. Das análises processadas foi constatado que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório [...], o interessado apresenta manifestação de inconformidade [...], argumentando que: detectou erro quanto à especificação do tipo de crédito tributário na DCOMP. o crédito tributário se refere a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não pagamento indevido ou maior. de fato o DARF estava comprometido com a CSLL Estimativa devida na competência de maio de 2003, vinculação na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do débito. quando da apuração da Contribuição Social Anual em dezembro de 2003, os valores recolhidos a título de estimativa foram superiores ao devido no período de apuração, restando saldo negativo da Contribuição Social. no ano de 2003 recolheu a título de estimativa de CSLL o valor de R$ 148.477,84 [...], apurou uma contribuição social igual a R$ 32.558,34 [...], resultando em recolhimento a maior no valor de R$ 115.919,50. a Lei n° 9.430, de 1996 em seu art. 6°, §1°, item II, estabelece que o saldo do imposto a ser pago recolhido por estimativa será compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos a restituição do montante pago a maior. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10680.903521/200828 Resolução nº 1201000.485 S1C2T1 Fl. 4 3 o erro no preenchimento da declaração PER/DCOMP não elimina a existência do crédito tributário. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, homologando a compensação declarada.” 2. Em sessão de 19 de janeiro de 2010, a 2ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade para não reconhecer o direito creditório, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0225.165, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, da forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendentes de decisão administrativa na data da sua apresentação. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório não reconhecido”. 3. A DRJ/BHE não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Apesar de constar nos documentos juntados que a Recorrente recolheu CSLL por estimativa, não há que se falar em saldo negativo de CSLL em razão da Interessada não ter optado por exercer a faculdade de deduzir a CSLL paga por estimativa, prevista no artigo 2º, §4º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, visto que a linha 41 da Ficha 17 da DIPJ 2004 está zerada. Portanto, não há saldo negativo de CSLL oriundo de pagamento por estimativa. 3.2. A opção pela dedução da CSLL paga por estimativa deve ser exercida na DIPJ dentro do prazo legal, não devendo ser reconhecida a dedução efetuada extemporaneamente. No mais, a retificação de ofício da declaração de rendimentos para modificar a dedução de CSLL é incabível, visto que o não exercício dessa opção não se caracteriza como erro de fato. 3.3. Quanto ao pedido de compensação, a própria Recorrente afirma que errou no preenchimento da DCOMP quanto à especificação do tipo de crédito tributário, pois o crédito se refere a saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2003 e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Sustenta que o contribuinte tem a obrigação de indicar corretamente qual a origem do crédito para exercer o direito à restituição e que o referido erro é insanável. 4. Cientificada da decisão (AR de 17/05/2010), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/06/2010, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que: (i) a Recorrente comprovou que efetuou recolhimentos de CSLL por estimativa ao longo do ano de 2003 e ao final do exercício apurou prejuízo fiscal, Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10680.903521/200828 Resolução nº 1201000.485 S1C2T1 Fl. 5 4 resultando em saldo negativo de CSLL; (ii) o crédito existia, fato este que não foi negado pelo acórdão da DRJ/BHE; e (iii) o impedimento do exercício do direito à restituição se deu sob alegação de descumprimento de mera formalidade no preenchimento de formulário e ignora a realidade fática. 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de reconhecer a existência do seu crédito e para homologar as declarações de compensação apresentadas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.483, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.903455/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2003 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhida em 30/06/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.483): "6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 8. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10680.903521/200828 Resolução nº 1201000.485 S1C2T1 Fl. 6 5 9. No mais, em homenagem ao princípio da verdade material, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. 10. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 11. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto) (grifos nossos). 12. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 13. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 14. Considero que não há, no presente caso, controvérsia acerca do preenchimento do requisito (i) constante do item 12, mas do (ii) e (iii). Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10680.903521/200828 Resolução nº 1201000.485 S1C2T1 Fl. 7 6 15. No mais, é incontroverso que entre maio de 2003 e novembro de 2003 a Recorrente recolheu o IRPJ por Estimativa relativo às competências de abril a outubro de 2003 no total de R$277.538,27, conforme demonstrado nas guias de fls. 18/20. 16. Em dezembro de 2003, apurouse prejuízo fiscal e constatouse que não era devido IRPJ para o ano de 2003, daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ no anocalendário de 2003. 17. Ocorre que, a DRJ (fls. 29/32) considerou que o despacho decisório (fl. 4) não merece reformas porque o erro cometido pelo contribuinte é material e, portanto, tratase de vício insanável. 18. Por outro lado, a Recorrente, tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em seu Recurso Voluntário, afirma que, apesar de ter errado no preenchimento do formulário de compensação sobre a origem do crédito ao preencher como “pagamento indevido ou a maior” ao invés de “saldo negativo de IRPJ” o crédito decorrente do recolhimento de IRPJ estimativa não deixou de existir. 19. Para comprovar suas alegações, a Recorrente apresenta documentação probatória hábil, tais como: (i) seis DARFs de recolhimento de IRPJ referente ao segundo e terceiro trimestres de 2003 (fls.18/20); (ii) fichas 09A e 17 do ano calendário de 2003 da DIPJ original (fls.13/14); e (iii) a totalização por tributo e contribuição no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2003 da DCTF. 20. A priori, a documentação trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 21. Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 22. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) providencie a juntada aos autos cópia integral da DIPJ 2004, ano calendário de 2003; (iii) verifique as DCTFs apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo a cada um dos meses para fins de verificação de recolhimentos a maior de estimativa mensal, observandose, no que couber, as disposições da IN RFB nº 1.110/2010; (iii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas ao saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2003, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerando se, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 23. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10680.903521/200828 Resolução nº 1201000.485 S1C2T1 Fl. 8 7 24. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.001115/2009-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2006, 2007
APURAÇÃO ANUAL. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual do tributo, deixam de recolher as antecipações devidas com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes por ele próprio levantados, impõe-se a aplicação de multas exigidas isoladamente sobre as parcelas não pagas, em face do
descumprimento do dever legar de antecipar as estimativas. Tal penalidade não se confunde com outra, a ser aplicada pela falta de pagamento do tributo eventualmente apurado ao final do exercício.
Numero da decisão: 1301-000.640
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir
Sandri.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual do tributo, deixam de recolher as antecipações devidas com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços/balancetes por ele próprio levantados, impõese a aplicação de multas exigidas isoladamente sobre as parcelas não pagas, em face do descumprimento do dever legar de antecipar as estimativas. Tal penalidade não se confunde com outra, a ser aplicada pela falta de pagamento do tributo eventualmente apurado ao final do exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 225DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 200 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório BRASKEM S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1523.559, de 28/04/2010, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de auto de infração (fls. 02 a 17), lavrado em 11/11/2009, em nome do contribuinte acima identificado, para a exigência de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), juntamente com a multa de ofício isolada, referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006, conforme discriminado no Demonstrativo consolidado do crédito tributário (fl. 01). De acordo com a descrição dos fatos constante no auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fl. 04 a 06), foram apontadas as seguintes infrações: 1 – Falta de recolhimento da CSLL O contribuinte auferiu base tributável positiva de Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no período de janeiro de 2005 a maio de 2006. Porém, apesar de apurar e declarar o IRPJ, não efetuou pagamento ou declaração da CSLL. Intimado a explicar o motivo do não pagamento/declaração, o contribuinte informou que possui trânsito em julgado favorável ao mandado de segurança nº 89.00.044699, que declarou inconstitucional a CSLL instituída nos termos da Lei nº 7.689/88. Apesar do contribuinte possuir decisão favorável no processo judicial, foi constatado que a União ingressou com a ação rescisória nº 93.01.328119, visando desconstituir a ação anterior, onde obteve acórdão favorável que rescindiu a decisão, conforme acórdão da Segunda Seção do Tribunal Regional Federal da 1ª Região que, por unanimidade, julgou procedente a ação rescisória. Tal decisão foi objeto de Recurso Especial no Superior Tribunal de Justiça , que negou provimento ao recurso. Atualmente, estão pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal alguns Agravos de Instrumentos impetrados pela empresa. Esta situação não obsta a constituição do crédito tributário via lançamento de ofício. 2 – Multas Isoladas – Falta de recolhimento da Contribuição Social sobre a base estimada No período de janeiro de 2005 a maio de 2006, a empresa optou pela apuração do lucro Real com estimativas mensais; assim, estava obrigada a recolher mensalmente a CSLL por estimativa quando da apuração de base de cálculo positiva, conforme artigos 2º e 28 da Lei nº 9.430/96. Como não efetuou tais Fl. 226DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 201 3 recolhimentos deverá ser lançada de ofício a multa isolada no percentual de 50% do imposto devido, conforme dispõe o artigo 44, §1º, IV da lei nº 9.430/96. Os valores da multa estão expressos no demonstrativo de apuração da multa isolada, parte integrante e indissociável deste Auto de Infração. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal em 12/11/2009 (fl.03) e apresentou impugnação em 11/12/2009 (fls 115 a 152), alegando em síntese, que: a) quanto à exigência principal, isto é, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Requerente aderiu ao parcelamento de que trata a Lei acima referida1, como prova a copia do anexo recebido; todavia, a Requerente não se conforma com a lavratura do auto no que concerne à multa isolada, que é a parte do auto que é ora impugnada; b) cita os dispositivos legais que estabelecem a aplicação da multa isolada, dentre os quais o art. 44 da Lei 9.430/1996, aduzindo que não há duvida de que a redação da lei é obscura e pouco feliz. No entanto, não é possível ignorarse que, sobre uma mesma infração – a falta de recolhimento de um tributo, não se podem lançar duas multas, simultaneamente; c) Na verdade, o artigo 44 da Lei 9.430/96 estabelece apenas duas modalidades de penalidade de ofício, no caput, incisos I e II – 75% pela falta de recolhimento do tributo e 150%, nos casos de fraude. O §1º não estabelece novas penalidades, mas apenas as condições em que poderão ser exigidas aquelas multas estabelecidas no caput para a hipótese de não recolhimento do tributo; d) Assim, a multa pelo não recolhimento do tributo poderá ser exigida quando da cobrança de tributo supostamente exigível e não pago, ou, isoladamente, quando não sendo o caso de se exigir o tributo, pela verificação de base negativa no ano fiscal, o contribuinte houver deixado de recolher o tributo por estimativa, nos meses em que teria ele sido devido; e) Ao contrário, define uma única ilicitude e se refere apenas a duas formas diversas de se cobrar a mesma multa de oficio; uma juntamente com o tributo devido e outra isoladamente, quando não houver tributo a recolher no momento da imposição, mas tiver o contribuinte deixado de recolhêlo anteriormente, antes do ajuste, quando seria devido, embora passível de posterior compensação. Esta multa isolada tem características de multa formal, uma vez que o seu próprio “isolamento” já demonstra a inexistência da ilicitude definida no caput, qual seja, a falta de recolhimento do tributo; f) A ilicitude da multa isolada, tal como prevista a sua exigência no inciso IV do §1º é passível de discussão, sendo a legalidade duvidosa, ante o CTN e a Constituição. No entanto, o objeto da presente discussão é, tão somente, a impossibilidade de que, sobre uma mesma infração alegada – o não recolhimento de um tributo, incida em duplicidade, a mesma e única multa estabelecida no caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Repitase, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 definiu uma só infração e estipulou uma única multa para a falta de recolhimento do tributo, sendo sofística e ilegal a pretensão de sua cobrança em duplicidade, como ocorre no presente auto de infração; g) É evidente que estamos diante de uma norma com conteúdo dúbio, mal redigida e que não autoriza expressamente a dúplice imputação de sanção no caso concreto. A única hipótese que a multa isolada faz algum sentido é quando ela é 1 A impugnante se refere à Lei nº 11.941/2009. Esta nota não consta do relatório aqui transcrito. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 202 4 aplicada no curso do anocalendário, como forma de compelir à antecipação, mas não quando o ano está findo, como ocorre no caso vertente; h) A orientação adotada pela CSRF começou a ser construída nas Câmaras, do que é bom exemplo o voto proferido pelo Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, que examinou de forma exaustiva a impossibilidade de incidência simultânea da multa de oficio de 75% com a isolada de 75% sobre a mesma base de cálculo e mesmo fato (transcreve o aludido voto); i) Para ensejar tal multa isolada seria preciso que o não pagamento por estimativa constituísse uma obrigação acessória distinta da obrigação principal de recolher o tributo, o que a lei não estabelece e não está expresso na norma sob exame; j) o Direito Tributário baseiase numa concretude material absoluta e o fato é que o contribuinte não pagou a CSLL por entender, à época, que não estaria sujeito à obrigação tributária, baseado em decisão judicial transitada em julgado. Esse é o fato: a CSLL não foi paga. E esse fato constituiria apenas único descumprimento de uma única obrigação tributaria passível de aplicação de uma única multa, se fosse o caso; k) No acórdão CSRF/105.320 relatado pelo Conselheiro Marcos Vinicius e já citado nesta peça, deuse especial ênfase ao sentido da multa, fazendo, inclusive, uma comparação com o Direito Penal, exatamente como se fez nesta petição, abordando o instituto da subsunção de sanções distintas para idêntica ou assemelhada conduta, quando a sanção maior assimila a menor, partindo do pressuposto de que nela já se contém a sanção menor. l) o fenômeno da subsunção em tema de sanção é inerente ao estado democrático de direito. Qualquer sanção deve ser razoável e, havendo uma única ação ou omissão, como ocorre nestes autos, não é licito à Administração iniciar uma busca frenética para dividir a conduta de forma a apenar mais o administrado. m) ante todo o exposto, requerse seja conhecida e acolhida a presente impugnação parcial, a fim de anular o lançamento no tocante à cobrança da multa isolada (código 694). A 1ª Turma da DRJ em Salvador/BA analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1523.559, de 28/04/2010 (fls. 157/160v), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005, 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. As argüições de nulidade do auto de infração só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 2005, 2006 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. LANÇAMENTO DE MULTAS. FATOS DISTINTOS. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 203 5 A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais da CSLL autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de ofício incidente sobre a CSLL anual apurada em decorrência da constatação de infrações à legislação fiscal, pois são decorrentes de fatos geradores diversos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. Ciente da decisão de primeira instância em 21/05/2010, conforme Aviso de Recebimento à fl. 164, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/06/2010 conforme carimbo de recepção à folha 165. No recurso interposto (fls. 165/178), a recorrente repisa os argumentos contrários à aplicação de “duas multas, ou seja, duas sanções sobre o mesmo fato, o mesmo tributo e a mesma base de cálculo”, trazendo também jurisprudência mais recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais em apoio a sua tese. Conclui com o pedido de afastamento da aplicação da multa isolada. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata o presente processo de multas exigidas isoladamente por falta de recolhimento de estimativas, cumuladas com tributo e multa de ofício pelo não pagamento da exação apurada ao final do exercício. Quanto ao principal e à multa proporcional, foram objeto de parcelamento e não mais integram a lide. Resta o litígio, assim, somente sobre as multas isoladas. Embora a matéria seja polêmica, comportando interpretações divergentes, entendo que a obrigação de recolher as estimativas não se confunde com a apuração do tributo ao final do período de apuração. É o que extraio dos dispositivos legais aplicáveis, abaixo transcritos: Fl. 229DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 204 6 Lei nº 8.981/1995: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Lei nº 9.430/1996: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 205 7 §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2oA parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. [...] Art.28.Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. A regra é a da apuração trimestral do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Se o contribuinte opta pela apuração anual, deve se submeter às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente à obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. Para que possa suspender ou reduzir esses recolhimentos, a lei impõe a elaboração de balanços ou balancetes de suspensão ou redução do imposto. Aos contribuintes que, tendo optado pela apuração anual e pela suspensão/redução do imposto com base em balancetes, deixam de efetuar o recolhimento ou o fazem a menor, a sanção é aquela estabelecida pelo inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, em sua redação à época dos fatos: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Ide setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 231DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 206 8 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; IIcento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; [...] Esse artigo teve sua redação alterada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, e o percentual aplicável passou a ser de 50%, conforme o inciso II, alínea “b”. Eis a redação atual do art. 44 da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 232DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13502.001115/200959 Acórdão n.º 130100.640 S1C3T1 Fl. 207 9 A penalidade aplicada isoladamente, insisto, é pelo descumprimento do dever de antecipar a estimativa mensal por imposição legal, e não se confunde com outra penalidade, a ser aplicada pela insuficiência do recolhimento do tributo ao final do período de apuração anual. Do exame dos autos, constato que as multas foram corretamente aplicadas, em cumprimento às determinações legais acima. Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 233DF CARF MF Emitido em 30/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 08/08/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10980.914215/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.856
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 15 /2 01 2- 19 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914215/201219 Acórdão n.º 3201003.856 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 077.923, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914215/201219 Acórdão n.º 3201003.856 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914215/201219 Acórdão n.º 3201003.856 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914215/201219 Acórdão n.º 3201003.856 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 54DF CARF MF
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