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Numero do processo: 13305.720032/2015-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. EFETIVO PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. A falta de comprovação da efetiva transferência financeira de importâncias pagas a título de pensão alimentícia, suportada pelo Recorrente, torna ilegítima sua dedutibilidade.
Numero da decisão: 2201-003.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Redator designado.
EDITADO EM: 07/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. EFETIVO PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. A falta de comprovação da efetiva transferência financeira de importâncias pagas a título de pensão alimentícia, suportada pelo Recorrente, torna ilegítima sua dedutibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 5. 72 00 32 /2 01 5- 37 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13305.720032/201537 Acórdão n.º 2201003.849 S2C2T1 Fl. 84 2 Marcelo Milton da Silva Risso Redator designado. EDITADO EM: 07/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face de lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, que é objeto do presente processo. Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2010, ano calendário 2009, do contribuinte acima identificado, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em 26/01/2015, de fls. 31/35. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 12.365,33, recebido pelo titular e/ou dependentes, da fonte pagadora relacionada abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. Omissão de rendimentos do trabalho recebidos do Comando da Aeronáutica pelo dependente Antônio Ozias Malaquias Rocha, conforme informações obtidas da declaração do imposto de renda retido na fonte DIRF dessa fonte pagadora. Glosa do valor de R$ 20.400,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. O recorrente não apresentou nenhum documento previsto pela legislação do imposto de renda para comprovar a pensão alimentícia. Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento de fl. 02, alegando, em síntese, que: Em relação à Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, no valor de R$ 12.365,33, da fonte pagadora Comando da Aeronáutica, Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13305.720032/201537 Acórdão n.º 2201003.849 S2C2T1 Fl. 85 3 do beneficiário Antônio Ozias Malaquias Rocha, CPF 042.317.28321, informa que: “concordo com essa infração”; No que concerne ao pagamento de pensão alimentícia judicial, informa que o valor contestado referese a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, em decorrência de decisão judicial; Anexa comprovantes de pagamentos realizados a título de Pensão Alimentícia e acordo judicial que fixa em 50% o valor pago de pensão alimentícia; Solicita análise da impugnação. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação (fls. 39/43), nos termos da seguinte ementa: PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. GLOSA. Na declaração de ajuste anual do contribuinte poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, no montante efetivamente comprovado. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a infração apontada no lançamento que o contribuinte não tenha expressamente contestado. Cientificado do acórdão da DRJ pessoalemnte 09/05/2016, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 12/05/2016 (fl. 60), alegando, em síntese, que: É desquitado da Sra. Maria de Lourdes da Silva Rocha, portadora do CPF n.°277.327.54387, tendo sido acordado e estabelecido judicialmente o percentual de 50% (cinquenta por cento), a título de pensão alimentícia, tendo como beneficiária a Sra. Maria de Lourdes da Silva Rocha. A dedução da Pensão Alimentícia á devida, uma vez que o contribuinte apresentou todos os recibos dando quitação ao pagamento, referente ao exercício, não podendo a 22ª Turma da DRJ/SPO, desconsiderar os referidos recibos, exigindo que os pagamentos de pensão alimentícia, fossem feitos através de depósitos ou transferências bancárias. Ocorre, que a cidade de Poranga, no exercício em epígrafe, não existiam agências bancárias, com exceção do Bradesco (Banco Postal na época), sendo a beneficiária possuidora apenas de uma conta poupança na Caixa Econômica Federal CEF, da cidade de Crateús, a única existente na região nos anos de 2009 e 2010, tendo o contribuinte que percorrer 112km de distância para efetuar tal procedimento, ficando inviável a operação bancária. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13305.720032/201537 Acórdão n.º 2201003.849 S2C2T1 Fl. 86 4 A Sra. Maria de Lourdes da Silva Rocha, reside desde o ano de 1978 na cidade de Poranga, especificamente na Av. Dr. Epitácio Pinho, s/n, Cep: 62.220000, Centro, por isso a efetivação dos pagamentos em espécie. Diante disso, apresenta o Acordo Judicial, Comprovante de Desquite (Dissolução da Sociedade Conjugal) e Recibos de Quitação, comprovando o efetivo pagamento de pensão alimentícia, em favor da Sra. Maria de Lourdes da Silva Rocha. Assim, em vista das informações fiscais contidas nos autos, da impugnação do contribuinte e dos documentos apresentados, requer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Do Mérito O ponto nodal da controvérsia trazida à baila no presente recurso diz respeito à validade, ou não, dos recibos de pagamentos de pensão alimentícia subscritos pela beneficiária, Sra. Maria de Lourdes da Silva Rocha, excônjuge do recorrente. Inferese dos documentos que dormitam às. 77/81, que o sujeito passivo possui um encargo alimentar de 50% (cinqüenta por cento) de seus rendimentos em favor do ex cônjuge. Mais especificamente, a sentença de homologação separação judicial determinou que o cônjuge varão contribuirá com o referido percentual a título de pensão alimentícia. A decisão judicial não especifica a forma de pagamento, se pagamento em espécie, ou por depósito/transferência bancária. No afã de comprovar a regularidade da dedução com pensão alimentícia perpetrada, o contribuinte trouxe à colação os recibos de pagamentos de fls. 64/76, firmados pela beneficiária, totalizando o valor de R$ 20.400,00 (vinte mil e quatrocentos reais) para o anocalendário 2009. A dedução da base de cálculo relativa ao pagamento de pensão alimentícia encontra previsão no inciso II do caput do art. 4º, bem como na alínea “f” do inciso II do caput do art. 8º, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13305.720032/201537 Acórdão n.º 2201003.849 S2C2T1 Fl. 87 5 II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). Grifouse. A autoridade lançadora glosou a dedução do valor pago a título de pensão alimentícia do sujeito passivo, pelos motivos de fato a seguir exposados: “Glosa do valor de R$ 20.400,00, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Complementação da Descrição dos Fatos Declarante não apresentou nenhum documento previsto pela legislação do imposto de renda para comprovar a pensão alimentícia.”. Todavia, há de se registrar que os recibos firmados pela Sra. Maria de Lourdes da Silva Rocha, cuja juntada fora renovada por ocasião do presente recurso, já se encontravam anexados aos autos (fls. 04/16). Portanto, referidos documentos foram apreciados tanto pela autoridade lançadora, quanto pela autoridade julgadora de primeira instância. O Colegiado a quo ao proferir decisão, por sua vez, fundamentou o motivo da manutenção da glosa da dedução indevida de pensão alimentícia da seguinte forma: Os recibos emitidos pela exesposa não são hábeis a comprovar o efetivo pagamento da pensão alimentícia judicial. O contribuinte não trouxe aos autos cópias de transferências bancárias de valores para a conta de Maria de Lourdes da Silva ou então de saques em sua conta bancária referentes aos pagamentos de pensão alimentícia judicial. Desse modo, não restou comprovado o valor de R$ 20.400,00 pago a título de pensão alimentícia judicial à Maria de Lourdes Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13305.720032/201537 Acórdão n.º 2201003.849 S2C2T1 Fl. 88 6 Silva, conforme informado pelo contribuinte na DIRPF/2010, devendo ser mantida a glosa nos exatos termos em que efetuada pela Fiscalização. Depreendese, portanto, que houve uma inovação em relação à motivação da autoridade lançadora, que se limitou a informar, como já dito alhures que: o declarante não apresentou nenhum documento previsto pela legislação do imposto de renda para comprovar a pensão alimentícia. A decisão de piso foi mais além, como visto, ao asseverar que O contribuinte não trouxe aos autos cópias de transferências bancárias de valores para a conta de Maria de Lourdes da Silva ou então de saques em sua conta bancária referentes aos pagamentos de pensão alimentícia judicial. No entanto, a decisão judicial não vedou o pagamento em espécie, sendo o recibo meio hábil para comprovar a quitação da obrigação alimentar, inteligência do art. 320, do Código Civil, verbis: Art. 320. A quitação, que sempre poderá ser dada por instrumento particular, designará o valor e a espécie da dívida quitada, o nome do devedor, ou quem por este pagou, o tempo e o lugar do pagamento, com a assinatura do credor, ou do seu representante. Não tendo a autoridade lançadora suscitado dúvida quanto à autenticidade do instrtumento de quitação, esse é meio idôneo para comprovar que o sujeito passivo efetivamente pagou R$ 20.400,00 de pensão alimentícia, valor que corresponde a menos da metade dos seus rendimentos declarados. Portanto, resta inconteste o fato de que os pagamentos se deram no estrito cumprimento da decisão judicial, não podendo a autoridade julgadora mencionar requisitos não previstos em lei e que distoam da própria motivação do ato administrativo de lançamento, como é o caso da exigência de comprovação de saques ou transferências bancárias. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. assinado digitalmente Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Voto Vencedor 1 Após o esclarecedor e fundamentado voto do ilustre Conselheiro Relator desta C. Turma, Dr. Daniel Melo Mendes Bezerra, – a quem rendo as minhas homenagens – cujo relatório adoto na integralidade, que deu provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução total efetuada a título de despesa com pensão alimentícia do Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13305.720032/201537 Acórdão n.º 2201003.849 S2C2T1 Fl. 89 7 contribuinte, ouso divergir com a devida venia de seu posicionamento, pelas razões que passo a expor. 2 A legislação do imposto de renda, mais especificamente o Regulamento do Imposto de Renda (Dec. nº 3.000/99, Art. 77) e a Lei nº 9.250/95, Art. 4º, inciso II, determina que o direito às deduções realizadas diretamente na base de cálculo deste imposto está condicionado a requisitos e limitações expressamente previstos e nas formas previstas. 3 Assim, a mencionada legislação permite a dedução de pensão alimentícia judicial da base de cálculo do IRPF, conforme abaixo: Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). 4 De acordo com o artigo supramencionado, o direito à dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família está condicionado à comprovação de dois requisitos: 1) existência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública que obrigue o Recorrente a pagar pensão, e 2) ocorrência do pagamento. 5 Colocadas as premissas materiais, cumpre justificar legalmente o trabalho de fiscalização. 6 Da mesma forma, a legislação do IR, aliada ao Decreto nº 5.844/43 (Art. 11, § 3º) – que trata da cobrança e fiscalização do imposto – dispõem que todas as deduções informadas pelos Recorrentes em suas Declarações de Ajuste Anual são sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, conforme abaixo: Decreto nº 3.000/99 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Decreto nº 5.844/43 Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas neste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. 7 Temse, assim, que a legislação transcrita confere à autoridade fiscal – que age no intuito de defender o interesse público (“arrecadação tributária”) –, o poder de exigir, para análise da dedução de despesas com pensão alimentícia, outros documentos além de recibos, declarações particulares e a própria Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF), que busquem comprovar o efetivo pagamento da pensão e, principalmente, o Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13305.720032/201537 Acórdão n.º 2201003.849 S2C2T1 Fl. 90 8 efetivo desembolso dos valores declarados como despesa a esse título, que demonstrem ter o Recorrente sofrido o ônus econômico das quantias que pretender ver deduzidas. 8 Isso porque recibos e declarações particulares, além da própria DIRPF, não fazem prova única e definitiva da efetiva ocorrência dos pagamentos informados na declaração do Recorrente. Os dados informados nestes documentos não constituem verdade absoluta, ante a sua fragilidade em comprovar a realidade. 9 Quanto aos recibos e declarações, devese distinguir sua força como prova de quitação entre as partes contratantes matéria disciplinada pelo Código Civil da força probatória que estes possuem perante o fisco, questão que se sujeita às normas de direito público que regem a relação tributária. 10 No caso ora analisado, o Recorrente não logrou comprovar a efetiva transferência financeira de importâncias que alega ter pago a título de pensão alimentícia para sua excônjuge. Não logrou ter suportado o ônus financeiro que justifica a dedutibilidade dessa despesa, segundo as normas fiscais. 11 Cabe aqui esclarecer, novamente, que a prova dos pagamentos de pensão não se faz pela mera apresentação de documentos confeccionados por particulares, como é o caso, até mesmo, dos recibos de fls. 64/76 entre o Recorrente e sua excônjuge, os quais informaram terem, respectivamente, pago e recebido pensão. 12 O ônus da prova do direito constitutivo, no caso, é do contribuinte, a teor do art. 373, I do NCPC, na medida em que pretende deduzir de seus rendimentos tributáveis com o valor pago a título de pensão alimentícia, podendo ter juntado aos autos para corroborar com o conjunto probatório outros meios indiciários tais como extratos bancários com os saques dos valores. 13 Isso porque, as declarações pessoais isoladas, desacompanhadas de documentos outros capazes de demonstrar realmente a transferência financeira havida entre o Recorrente e sua excônjuge, não fazem prova definitiva da efetiva ocorrência dos pagamentos complementares citados por ele. Os dados informados neste tipo de documento não constituem verdade absoluta, ante a sua fragilidade em comprovar a realidade. 14 Dessa forma, entendo que, a despeito dos documentos juntados, estes foram insuficientes para comprovar: i) a efetiva transferência financeira de valores do Recorrente para sua excônjuge, a título de pagamento de pensão alimentícia, bem como ii) a assunção do ônus do pagamento da pensão pelo Recorrente. Isto posto, deve ser mantida a decisão de primeira instância que confirmou a glosa de valores de pensão alimentícia. Conclusão 15 Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a decisão de primeira instância, bem como a glosa da despesa de pensão alimentícia. assinado digitalmente Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13305.720032/201537 Acórdão n.º 2201003.849 S2C2T1 Fl. 91 9 Marcelo Milton da Silva Risso Redator designado Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901621/2012-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.970
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 16 21 /2 01 2- 07 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901621/201207 Acórdão n.º 3201002.970 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.602, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901621/201207 Acórdão n.º 3201002.970 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901621/201207 Acórdão n.º 3201002.970 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901621/201207 Acórdão n.º 3201002.970 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901621/201207 Acórdão n.º 3201002.970 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901621/201207 Acórdão n.º 3201002.970 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901621/201207 Acórdão n.º 3201002.970 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901621/201207 Acórdão n.º 3201002.970 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901621/201207 Acórdão n.º 3201002.970 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900271/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.696
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 71 /2 01 3- 71 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.900271/201371 Acórdão n.º 3301003.696 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.730, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.900271/201371 Acórdão n.º 3301003.696 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.900271/201371 Acórdão n.º 3301003.696 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.900271/201371 Acórdão n.º 3301003.696 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.900271/201371 Acórdão n.º 3301003.696 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.900271/201371 Acórdão n.º 3301003.696 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10830.900271/201371 Acórdão n.º 3301003.696 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10830.900271/201371 Acórdão n.º 3301003.696 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.002078/00-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA
Ano Calendário: 1995, 1996, 1997, 1998
IRPF — ATIVIDADE RURAL — PREJUÍZOS COMPENSÁVEIS — CORREÇÃO MONETÁRIA.
Os prejuízos da atividade rural e excesso de redução por investimentos, nos termos da legislação pertinente — Lei IV 8.023/1990, arts. 14 a 16 -, são compensáveis, corrigidos monetariamente, constituindo ilícito enriquecimento do Estado o óbice administrativo h sua correção plena, por índices legalmente admitidos, para efeitos de sua compensado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2801-000.318
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Sandro Machado dos Reis
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Os prejuízos da atividade rural e excesso de redução por investimentos, nos termos da legislação pertinente — Lei IV 8.023/1990, arts. 14 a 16 -, são compensáveis, corrigidos monetariamente, constituindo ilícito enriquecimento do Estado o óbice administrativo h sua correção plena, por indices legalmente admitidos, para efeitos de sua compensaydo . Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. FORMALIZ DO EM: 0 3 DEZ 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henrique Resende, Sandro Machado dos Reis, Rubens Mauricio Carvalho (Conselheiro Processo 11' 11075.002078/00-76 S2-TE01 Acórao n°2801-00318 Fl 2 convocado), Ana Neyle Olímpio Holanda (Conselheira convocada), Marcelo Magallídes Peixoto e Julio Cezar Fonseca Furtado. Relatório Adoto Adoto o relatório da Delegacia de Julgamento, primeira instância julgadora, que ora transcrevo: "0 interessado acima qualificado foi autuado, exigindo-lhe o crédito tributário no montante de R$ 268.614,54, nele compreendidos imposto, multa de oficio e juros de mom, relativo aos anos-calendários 1995 a 1998, em decorrência da apuração de compensação indevida de prejuizos da atividade rural. A fiscalização, de posse das declarações de rendimentos do contribuinte, verificou, inicialmente, que o prejuízo da atividade rural foi incorre/amante apurado na declaração do exercicio 1995, com indevida utilização nas declaragbes de rendimentos de exercícios posteriores. Como conseqüência da análise preliminar, em face da comprovação da transposição incorreta e posterior utilização de significativos montantes de prejuízos da Atividade Rural nos exercícios de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000, foi expedido o Termo de Intima cão Fiscal n" 05/0463/00, de 25/08/00, solicitando que o contribuinte demonstrasse contabihnente a origem dos prejuízos de exercícios anteriores, compensados na declaração de ajuste anual do exercício 1996, corroborado por documentação pertinente. Em resposta à intimação, o contribuinte apresentou os Demonstrativos dos Prejuízos Fiscais de 1990 a 1993, em valores da época (fls. 175 e 176), que demonstram em m esumo o .seguinta. O saldo de Prejuízos da Atividade Rural e Incentivos Fiscais apurados em 1989 ('Cm's 70.229.315,00 e Cr$ 18.667.099,00) são somados ao produto encontrado pela correção destes valores (Cr$ 70.566415,71 de Pr ejitizos. da Atividade Rural e Cr$ 18.756,701,08 de Incentivos Fiscais), através da utilização do índice de 100,480 %, proveniente da diferença entre o IPC de 1990 e a BTAIF informado pelo sujeito passivo. Posteriormente o Prejuízo da Atividade Rural encontrado é somado ao valor do Prejuízo da Atividade Rural apurado no ano base de 1990 (Cr$ 191 596.015,00), totalizando um saldo acumulado de Prejuízos da Atividade Rural a compensar de Cr$ 332.391..745,71 e saldo de Incentivos Fiscais de Cr$ 37.423.800,08, no ano calendário de 1990. O saldo de Prejuizos da Atividade Rural e Incentivos Fiscais apurados em 1990 (ChS 332.391.745,71 e Cr$ 37.423.800,08, respectivamente), são somados ao produto da con egão destes valores (Cr$ 1.370,673.297,73 de Prejuízos da Atividade Rural mais os Incentivos Fiscais), através do percentual de 370,637%, 2 Processo re' 11075.002078/00-76 S2-C1T2 Acórdão n.° 2801-00.318 Fl 2 correspondente ao indice 1NPC/IBGE informado pelo sujeito passivo, totalizando Cr$ 1.740.488.843,52 de Prejuízos da Atividade Rural mais Incentivos Fiscais.. Posteriormente, parte do Prejuízo da Atividade Rural mais Incentivos Fiscais, anteriormente encontrado, é utilizado para compensar o lucro da Atividade Rural apurado no período base de 1991 (Cr$ 67.610486,00), restando um saldo acumulado de Prejuízos da Atividade Rural mais Incentivos Fiscais a compensar de Cr$ 1. 672 .878.357,51. Estes montantes, calculados ao final do ano de 1991, foram convertidos em UFIR, atrave.;s do fator 597,06, resultando no produto de 2.801.859,71 UFIR de Prejuízos da Atividade Rural mais Incentivos Fiscais, no ano de 1992. Parte do valor do saldo de Prejuízos da Atividade Rural mais incentivos é compensado com o Resultado Tributável do ano- base 1992 (322.328,53 UFIR), resultando no saldo de 2.479.531,18 UF1R de Prejuízos da Atividade Rural mais Incentivos Fiscais a compensar. No ano-calendário 1993, parte do saldo existente do Prejuízo da Atividade Rural mais incentivos Fiscais é compensado com o Resultado Tributável apurado (3.5.50,07 UFIR), restando um saldo de 2.475.980,41 UFIR de Prejuízos da Atividade Rural mais Incentivos Fiscais. Posteriormente, este valor é integrahn ente transposto a linha 04 - prejuízos do exercício anterior, do anexo da Atividade Rural da Declaração de Rendimentos do exercício de 1995, ano- calendário de 1994, coin utilização indevida deste valor nos Anexos da Atividade Rural dos anos subseqüentes. Diante dessas quest5es, foi verificada a necessidade de maiores esclarecimentos quanto aos fatos expostos, sendo emitida nova Intimação Fiscal de n." 05/0484/00, de 19/09/00, solicitando demonstrativos mensais dos indices utilizados para atualização monetária dos prejuízos fiscais apurados nos anos-calendário de 1990 e 1991, assim como a base legal dou regulamentar e/ou normativa que autorizou a utilização do índice da diferença entre o IPC e a BTN Fiscal no ano-base de 1990 e do índice do INPC/IBGE no ano-calendário de 1991, para atualização dos prejuízos a compensar apurados na Atividade Rural pelas pessoas fisicas. • entrega da resposta e dos documentos solicitados ocorreu dentro do prazo regulamentar Tendo como base o item 28 da exposição de motivos da Medida Provisória 11. 0 167, de 1990, os artigos 14 e 16 da Lei 8.023, de 1990, a Lei 8,200, de 1991, e o art. 16 da Lei n."8.218, de 1991, o contribuinte justifica que os dispositivos legais fundamentam a utilização da diferença entre o IPC e a BTN Fiscal no ano-base de 1990 e o INPC/IBGE 110 ano-base 1991, para atualização dos 1 3 Prejuízos apurados no Anexo da Atividade Rural conforme resposta à Intimação n," 05/0484/00 (fls. 179 a 181). Apresenta igualmente tabelas mensais dos indices utilizados para atualização dos Prejuízos e Incentivos Fiscais dos anos 1990 e 1991 (fl. 182), O procedimento adotado seria o estabelecido na Lei 8.200, de 1991, que dispõe sobre a correção monetária das demonstrações financeiras para efeitos .fiscais e societários das Pessoas Jurídicas tributadas corn base no Lucro Real. Entende o contribuinte que, por motivos óbvios, o mesmo direito de atualização monetária complementar dos prejuízos apurados na Atividade Rural estendeu-se as pessoas fisicas que exploram a respectiva atividade. Além disso, cita o art. 16 da Lei n." 8.218, de 1991, que trata sobre a correção do custo da aquisição, na apuração do ganho de capital das pessoas fisicas A fiscalizagdo desconsiderou a parcela não comprovada do prejuízo da Atividade Rural, oriunda da correção dos Prejuízos da Atividade Rural, com base na variação entre o BINF e o IPC no ano de 1990 e a variação mensal do Lidice Nacional de Preços ao Consumidor — 1NPC no ano de 1991, registrada na Declaração de Ajuste Anual de 1995 (2.445 309,37), e posteriormente utilizada nas declarações dos exercícios de 1996, 1997, 1998 e 1999, para efeito de apuração do Resultado da Atividade Rural. Do prejuízo lançado na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1995, no valor de 2.475.980,38 UFIR, apenas 30.671,01 UFIR, guardam correlação com a escrituração do contribuinte e estão devidamente comprovados, por isto são passíveis de compensação de acordo com as determinações legais, já que estão regishados no Quadro 5, linha 11- prejuízo a compensar do Anexo da Atividade Rural da Declaração de Ajuste Anual de 1994 fl. 35). Este prejuízo, passível de compensação na declaração do exercício de 1995, é totalmente absorvido pelo resultado positivo da Atividade Rural do respectivo exercício, não havendo mais prejuízos a serem compensados nos períodos subseqüentes. Após as correções efetuadas, o resultado tributável da Atividade Rural totaliza R$ 165.888,38 no exercício de 1996, R$ 71.015,58 no exercício de 1997, R$ 79.786,78 no exercício de 1998 e R$ 81.234,55 no exercício de 1999. Na apuração do resultado tributável da Atividade Rural, foram comparados os valores do resultado após a compensação do prejuízo (receita bruta total menos despesas de custeio e investimento menos prejuízo do exercício anterior) e da opção pelo arbitramento sobre a receita bruta (20% do valor da Receita Bruta total), sendo considerado o menor dos valores apurados, conforme Demonstrativo de Apuração do Resultado da Atividade Rural dos anos-calendários de 1994 a 1999(fts. 160 a 168). Tendo enz vista que o resultado tributável da Atividade Rural apresentou saldo positivo nos exercícios sob exame, o valor apurado foi transportado para resultado tributável da Atividade 4 Processo n" 11075.002078/00-76 S2-C1T2 Acórd5o n 0 280100.318 Fl 3 Rural da ficha Rendimentos Tributáveis da Declaração, modelo completo, apurando-se assim o imposto devido, conforme demonstrado nas Declarações Ajustadas (fls.. 169 a 173).. Por sua vez, em decorrência do direito ao abatimento das despesas dedutiveis declaradas pelo contribuinte nas declarações de ajuste anual dos exercícios de 1996 a 2000 e de acordo com a legislação vigente ez ocorrência dos fatos geradores do Imposto de Renda Pessoa Física, foram consideradas as deduções informadas, para a apuração da base de cálculo do imposto e posterior lavratura do Auto de Infração, O contribuinte, às/is» 184 a 218, mediante representantes legais devidamente constituídos, impugna total e tempestivamente o auto de infração, juntando a procuração del l. 219, fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. I- Dos fatos. 1, É uma pessoa fisica que tem por principal atividade a exploração da agricultura e pecuária e, conforme lhe faculta a legislação, pode compensar com os resultados positivos de exercícios posteriores, os prejuízos e os incentivos fiscais apurados em exercícios anteriores. .2. Os valores lançados pelos Agentes Fiscais tiveram origem no fato de que o impugnante atualizou monetariamente, para fins de compensação, os saldos de prejuízos e de incentivos fiscais, tomando por base, respectivamente, a diferença entre o IPC e a BTNF de 1990 e a variação plena do INPC entre fevereiro e dezembro de 1991, procedimento esse que não encontra expresso previsão legal, 3 A fiscalização desconsiderou os valores correspondentes el atualização monetária realizada pelo impugnante sobre os saldos de prejuízos e de incentivos fiscais dos anos-base 1989 e 1990 e, coin base nisto, glosou parte dos valores compensados pelo contribuinte ao término dos anos-calendário 1995 a 1999, IL-Do direito. Questão Preliminar A decadência do direito de langar, O fato de o contribuinte ter efetuado a atualização monetária dos saldos de prejuízos e de incentivos fiscais nos anos-base 1989 e 1990 não pode dar origem a qualquer lançamento tributário em face de já ter ocorrido o período decadencial previsto no artigo 173 do CT?'!, regra constante do artigo 898 do atual Regulamento do Imposto de Renda. 2, O prazo decadencial relativo aos tributos e contribuições dos anos-base 1990 e 1991, extinguiu-se, respectivamente, em 31/12/1996 e 31/12/1997, sem levar em consideração que a moderna jurisprudência tem se manifestado no sentido de que dito prazo tem o seu termo inicial contado na data da entrega da declaração de imposto de renda, pois é a partir dai que o .fisco 5 tem condições de realizar as verificações que entender necessárias sobre as informações declaradas pelos contribitintes. Com base nisso, requer que seja declarado nulo e sem nenhum efeito o auto de infra cão em comento. III— Quanto ao mérito. 1. A partir do ano de 1990, os artigos 14 a 16 da Lei n" 8.023, de 1990, autorizaram as pessoas físicas e jurídicas a procederem a atualização monetária das compensações oriundas dos saldos de redução por investimentos e dos prejuízos fiscais apurados em decorrência da exploração da atividade rural, tomando por base a variação do B7N, 2. Tendo em vista que posteriormente à publicação daqueles dispositivos legais os sucessivos pianos econômicos trataram de extinguir o BTN, as pessoas .físicas deixaram de proceder atualizagão monetária das referidas compensações (redução pot. investimentos e prejuízos ,fiscais), e isto já a partir do ano de 1990, enquanto tal direito continuou plenamente assegurado cis pessoas jurídicas Demonstrará que seu modo de proceder foi absolutamente correio, na medida em que, se assim não tivesse procedido, estaria ele sujeito ao pagamento de tributo sem a necessária e anterior previsão 3. Em atendimento its orientações contidas nos anexos da Atividade Rural editados pelo Ministério da Fazenda, os contribuintes, pessoas fisicas, adotaram os seguintes procedimentos no que se refere à compensação das reduções por investimentos e dos prejuízos da atividade rural: Exercício 1990. Os saldos a compensar das reduções por investimentos e dos prejuízos fiscais, existentes em 31 de dezembro de 1989 foram convertidos em quantidade de BTNF, tomando por base o valor de NCz$ 7,1324; Exercício 1991. Ent 31/12/1990 os saldos foram atualizados monetariamente tomando por base o seu montante multiplicado por Cr$ 17,7867. Este valor, na verdade, foi resultante da divisão do MY de fevereiro de 1991 pelo valor deste em 31/12/1989; Exercício 1992.. Não foi procedida nenhuma atualização monetária sobte referidos saldos, Assim, no período entre janeiro de 1990 e dezembro de 1991, a correção monetária sobre os saldos mencionados foi de 1.678,67% (Cr$ 126,8621 x 100.' 7,1324 ('-) 100), 4. No ano de 1990, com a introdução do Plano Brasil Novo, o governo Federal editou nova legislação preconizando desindexação da economia., 0 BTN, que até então vinha sendo 6 Processo n° 1075.002078/00-76 S2-C1T2 AcOrao n.° 2801-00318 Fl. 4 atualizado tomando por referencia a variação do IPC, passou a ter COMO base a variação média de pregos, restando evidenciado, por conseguinte, a intenção das autoridades governamentais de, novamente, manipular os efetivos indices de inflação. Tal manipulação acabou sendo reconhecida na edição da Lei n" 8.200, de 1991 e do seu decreto regulamentador (n" 332, de 1991), através dos quais o próprio governo federal determinou que as pessoas jurídicas procedessem a uma corre cão monetária complementar relativa ao ano-base 1990, utilizando o IPC como indexador Dessa forma, se for levado em conta que o anexo da atividade rural do ano-base 1990 determinou que a correção monetária dos saldos de redução por investimentos e dos prejuízos fiscais suportados pelas pessoas físicas que explora in atividade rural fosse feita com base tão somente no último valor do BTNF (126,8621), deixando de considerar a efetiva variação do 1PC ocorrida no mesmo período, podemos afirmar que aqueles saldos fi caram defasados naquele ano em 3.465,99 % No ano-base 1991, como já demonstrado, não foi procedida nenhuma atualização monetária sobre tais saldos. Entretanto, no referido período foi instiuddo o FAP - Fator de Atualização Patrimonial para a correção monetária das demonstrações financeiras das pessoas jurídicas. Este novo indexador indicou, para aquele ano, ulna inflação de 370%, a qual também não foi considerada pelo legislador para fins de correção monetária por parte das pessoas físicas, como no caso do impugnante. Desta forma, fiat evidente que os valores correspondentes aos saldos de redução por investimentos e dos prejuízos .fiscais, por não terem sido atualizados monetariamente, ficaram extremamente defasados, o que acaba gerando lucros fi ctícios e, por conseguinte, o pagamento de imposto de !Vida sem o respectivo ganho, o que é vedado pelo nosso ordenamento jurídico. .5. Os resultados da atividade rural auferidos por pessoas físicas devem ser apurados de confonnidade com o estabelecido pelos artigos 4' e 14 a 16 da Lei 17" 8.023/1990, que determinam lima forma de apuração de grande semelhança corn a das pessoas jurídicas, que tam bem oferecemà tributação os seus resultados depois de compensados os eventuais saldos de prejuízos 6. No caso, o não reconhecimento integral da correção monetária sobre os saldos de excesso de redução por investimentos e dos prejuízos fiscais teriam t majorado indevidamente o resultado da atividade rural. 7. Durante os anos de 1990 e 1991, a efetiva inflação alcançou números muito diferentes daqueles preconizados pelas autoridades governamentais, tanto que o governo federal publicou a Lei n°8200, determinando para as pessoas jurídicas a feitura de uma nova correção monetária relativa ao período- 7 base de 1990, tomando por base a variação do IPC. A correção monetária relativa ao ano de 1991 teve por base o FAP Fator de Atualização Patrimonial. ASSIM TODAS AS PESSOAS JURIDICAS TIVERAM RECONHECIDO DIREITO DE ATUALIZAR MONETARIAMENTE SUAS CONTAS, INCLUSIVE PREJUÍZOS FISCAIS, COM O USO DE INDEXADORES REPRESENTATIVOS DA EFETIVA INFLAÇÃO OCORRIDA NAQUELES ANOS ERA DE SE ESPERAR, POR ISSO, QUE, AO SER EDITADO 0 ANEXO DA ATIVIDADE RURAL, O MINISTÉRIO DA FAZENDA DETERMINASSE USO DOS MESMOS PROCEDIMENTOS PARA QUE AS PESSOAS FÍSICAS TA PUDESSEM CORRIGIR MONETARIAMENTE OS SEUS PREJUÍZOS FISCAIS E O SALDO DA REDUÇÃO POR INVESTIMENTOS. CONTUDO, TAL FATO NÃO OCORREU. Como reforço, basta ver que em 1991 o Ministério da Fazenda determinou o uso da TR, como indexador, para fins de atualização monetária dos custos dos bens vendidos pelas pessoas físicas, para • fins de determinação do Ganho de Capital. 8 São inúmeras as decisbes já proferidas em processos movidos por pessoas jurídicas, reconhecendo o direito de proceder os necessários ajustes contábeis para ,fins de complementação da correção monetária relative ao ano-base de 1990. Não 56 o legislador, mas também o Poder Judiciário e o I" Conselho de Contribuintes (do qual transcreve ementa de acórdão) acabaram por reconhecer que a atualização monetária deve ser reconhecida tomando por base os reais indices de inflação. 9. A Lei n°8.023, de 1990, regula a tributação dos resultados da atividade rural, quer sejam auferidos por pessoas fisicas ou por pessoas jurídicas. Assim, ao tratar da matéria relativa a prejuízos .fiscais, determinou que os procedimentos seriam uniformes, independentemente da categoria de contribuintes (pessoas físicas ou pessoas juildicas)., De acorda com a exposição de motivos da Medida Provisória n" 167, de 1990, que foi transformada na Lei n° 8.023, de 1990, ficou demonstrado que relativamente aos períodos-base 1990 e 1991, as pessoas juridicas tiveram reconhecido o direito de procederem a correção monetária ampla sobre os saldos dos seus prejuízos fiscais, LOGO, NÃO SE PODE ADMITIR QUE, TENDO A LEI, DE FORMA CLARA E EXPRESSA, DETERMINADO IGUAL TRATAMENTO TAMBÉM PARA AS PESSOAS FISICAS, NÃO POSSAM ELAS RECONHECEREM OS DANOSOS EFEITOS DA INFLAÇÃO SOBRE OS EXCESSOS DE REDUÇÃO POR INVESTIMENTOS E SOBRE OS PREJUÍZOS FISCAIS, 10. A não atualização monetária dos excessos de redução por investimentos e dos prejuízos fiscais se constitui numa forma indireta de aumentar a arrecadação. A incidência de imposto de renda sobre resultados fictícios não encontra respaldo no ordenamento jurídico. 8 Processo n° 11075002078100-76 S2-C1T2 Acórd5° n 0 2801-00.318 Fl 5 A lei estabelece de forma clara e precisa que renda é o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e que o fato gerador do imposto é a disponibilidade econômica ou jurídica da própria renda Portanto, nenhum artificio legal pode ter o condão de fazer incidir imposto sobre valores que extrapolem os limites estabelecidos em lei. Não se pode admitir que os excessos de redução por investimentos e os saldos dos prejuízos fiscais sejam recuperados por valores inexpressivos numa época em que reconhecidamente a inflação foi exorbitante. Tal modo de proceder; na verdade se constitui numa forma indireta de aumento de tributo sent lei, o que, como visto, é vedado pela Constituição Federal e pelo Código Tributário Nacional, 11. Mesmo a alegação de inexistência de dispositivo legal que autorize a correção monetária dos excessos por redução de investimentos e dos prejuízos liseals por parte das pessoas . físicas que explorem atividade rural, não pode se constituir em obstáculo para tutelar o seu direito, isto porque, o artigo 108, incisos I e IV, do Código Tributário Nacional tent plena aplicação no caso, ou seja, a analogia e a eqüidade. De acordo com os estudiosos do Mina, a analogia é o instrumento a ser utilizado para preencher as lacunas da lei nos casos em que há a necessidade de se criar nova norma jurídica para .ser aplicada ao caso examinado para alcançar a -situação de fato. Por isso, tendo o legislador se manife,stado através da Lei Ii" 8.023, de 1990 no sentido de permitir a atualização monetária dos saldos de redução por investimentos e dos prejuízos fiscais suportados tanto por pessoas jurídicas quanto por pessoas físicas, na exploração da atividade rural, e tendo em vista que os reflexos deste direito .foram amplamente reconhecidos pelas pessoas jurídicas, não é justo nem jurídico que as pessoas físicas, em condições semelhantes, ,fiquem impedidas de reconhecer idênticos efeitos, e isto, pelo simples fato do Ministério da Fazenda ter silenciado quando da elaboração do Anexo da Atividade Rural, A eqüidade é outro dos princípios que pode ser aplicado ao caso, tendo em vista que é através dela que se busca aproximar ojusto e o eqüitativo.. Assim, também a eqüidade pode ser argüida favor dos interesses das pessoas físicas ás quais deve ser dodo o mesmo tratamento dispensado ás pessoas furidicas, pare que seja pago tão somente o justo valor do imposto. 12. 0 Fisco tomou por base os valores que, segundo os seus levantamentos, devem ser objeto de tributação, e sobre eles acrescentou, a titulo de ¡tiros de mora, o percentual equivalente taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIG. 9 Está muito clam que houve tuna duplicidade de atualização sobre o montante apontado como devido, pois se o imposto devido já foi convertido em LIFIR sobre ele não pode ser aplicado nenhum outro índice de atualização monetária. A SEL1C, na verdade, se constitui man taxa média mensal utilizada pelo mercado financebo nas suas transações, e que, por isso mesmo, não pode ser aplicada sobre créditos tributários. Historicamente, o legislador sempre respeitou a regra contida no ,sç' I" do artigo 161 do Código Tributário Nacional que estabelece, como regra geral, a incidência de juros de mora calculados d taxa de 1% ao mês Os dispositivos de lei que autorizam a aplicação da taxa SELIC, representam flagrante aft onta ao ,sç I" do art, 161 do CTN e ao art. 150, I, da Constituição Federal, na medida em que, induvidosamente, utilizou-se do expediente de se aplicar a SELIC como forma de aumentar o tributo sem lei que o estabeleça, IV- Conclusão O auto de infração é inconsistente pelas seguintes razões. 1 . A origem do lançamento reporta-se aos anos de 1989 e 1990, período jcí atingido pela decadência, o que impede a ação fiscal. 2, A não atualização monetária dos valores correspondentes aos prejuizos e incentivos . fiscais a compensai', em períodos de elevada inflação, acaba gerando lucros fictícios e, por conseqüência, o pagamento do imposto de renda sem a ocorrência do respectivo fato gerador, qual seja, a renda, nos telmos dos artigos 43 do CTN e 153, inciso III, da Constituição Fedei al 3. A inexistência de previsão legal para a atualização monetária dos valores correspondentes aos prejuízos e incentivos fiscais a compensar tão somente para as pessoas fisicas que exercem atividade agrícola, não pode ser considerada como fator impeditivo para a adoção de tal procedimento, isto porque, na hipótese, aplica-se integralmente o disposto no artigo 108, do CM que contém autorização expressa determinando o uso da analogia ou da eqüidade para este 4. A aplicação da taxa SELIC, no caso de mantido o auto de infiação, deve ser substituída pelos juros de I% ao Inds. Após, apresentação de recurso voluntário pelo contribuinte, reafirmando seus argumentos de defesa. o relatório Voto Conselheiro Sandra Machado dos Reis, Relator 1 0 Processo n" 11075.002078/00-76 S2-C1T2 Acórdão n ° 2801-00318 FL 6 Conheço do Recurso, porque presentes os seus requisitos de admissibilidade. Trata-se de Auto de Infração lavrado em razão do ora Recorrente tel promovido a atualização monetária de seu prejuízo fiscal corn base no BTN, quando da realização da compensação tributária com débitos posteriores. Com efeito, a tributação da atividade rural encontra-se disciplinada pela Lei IV 8.023/90, a qual, em seus arts.14 a 16, autoriza a compensação do prejuízo e do excesso de redução por investimento, com resultado positivo de anos-base posteriores atualizados pela BTN, como forma de minimizar os efeitos inflacionários. A Lei IV 8.200/90, por sua vez, que dispôs sobre a correção monetária das demonstrações financeiras para fins fiscais e societários, reconheceu a defasagem existente entre os indices de correção monetária corn base na BNTF e no IPC ate janeiro de 1991 e, a partir de fevereiro deste mesmo ano, com animo na variação do INPC. certo que a atividade rural exercida por pessoa fisica assemelha-se As demais pessoas jurídicas que apuram o resultado tributável com base no lucro real, e para a qual a Lei n° 8,200/90 exigiu a contabilização dos reflexos da correção monetária das demonstrações financeiras, tanto da diferença entre os indices do IPC e BTNF até janeiro de 1991, como a variação do INPC, a partir de fevereiro daquele mesmo ano. Nesse sentido, não há corno não se aplicar a regra de correção estatuída para as pessoas jurídicas que apuram o IR com base no lucro real também As pessoas fisicas (atividade rural). Afinal, alem da atividade desempenhada ser rigorosamente idêntica, tem-se, ainda que os prejuízos da atividade agrícola são compensáveis, corrigidos monetariamente, constituindo ilícito enriquecimento do Estado o óbice administrativo à correção destes de acordo com indices oficiais, ate porque não se liquida inflação por ato legal. Ademais, deve-se ressaltar que a correção monetária não representa adição ao valor originariamente apurado, tratando-se de mera atualização de valor original que ficou defasado em decorrência dos efeitos inflacionários. Dessa forma, a dar guarida A necessária correção monetária do prejuízo fiscal apurado pelo Recorrente, deve-se ressaltar que o art. 108 do Código Tributário Nacional é claro ao determinar a utilização da analogia e a equidade na integração da legislação tributária, as quais devem ser aplicadas no enfrentamento da questão. importante salientar que a analogia e equidade, neste ponto, não estariam criando regra nova, posto que o principio da correção monetária já se encontra estatuído na Lei n° 8.023/90, girando a discussão tão-somente em torno do índice que melhor reflita a perda inflacionária no período. A propósito, cumpre colacionar decisões proferidas por este Egrégio Conselho de Contribuintes em casos idênticos ao presente, nos quais se reconheceu que também As pessoas fisicas é garantida a correta atualização monetária para fins de compensação de prejuízos fiscais. Veja-se: li a—ma-Mad do os Reis 'IRPF — ATIVIDADE RURAL — PREJUÍZOS COMPENSÁVEIS — CORREÇÃO MONETÁRIA — Os prejuízos da atividade rwal e excesso de redução por investimentos, nos termos da legislação pertinente — Lei 12' 8.023/90, artigos 14 e 15 -, são compensáveis, corrigidos monetariamente, constituindo ilícito enriquecimento do Estado, o óbice administrativo ci sua correção plena, por indices lega hnente admitidos, para efeitos de sua compensação." (RV 130.767, Relator Roberto William (Jonçalves, Quarta Camara do 1 0 Conselho de Contribuintes, Sessão de 2710212003) Note-se, assim, que o direito h escorreita atualização monetária é indiscutivelmente conferido aos contribuintes, razão pela qual não deve prosperar a alegação da Fazenda no sentido de que o ora Recorrente teria realizado a compensação de seus débitos de forma equivocada, eis que seu prejuízo fora integralmente corrigido. Pelo exposto, uma vez que o Recorrente não extrapolou seu direito ao atualizar monetariamente o valor de seu prejuízo fiscal, não deve prosperar o Auto de Infração que glosou sua compensação . Pelo exposto, DOU provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. Sala m 03 de fevereiro de 2010 12
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Numero do processo: 10925.900785/2012-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
No caso dos autos, não se verifica a divergência jurisprudencial, pois há convergência de entendimentos entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas. Além disso, nos acórdãos paradigmas há substrato fático distinto daquele existente no caso em análise, razão pela qual não é possível estabelecer-se a comparação necessária para fins de comprovação do dissenso interpretativo.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.223
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. Recorrente APC DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. No caso dos autos, não se verifica a divergência jurisprudencial, pois há convergência de entendimentos entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas. Além disso, nos acórdãos paradigmas há substrato fático distinto daquele existente no caso em análise, razão pela qual não é possível estabelecerse a comparação necessária para fins de comprovação do dissenso interpretativo. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 07 85 /2 01 2- 96 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10925.900785/201296 Acórdão n.º 9303005.223 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte APC DO BRASIL LTDA. com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do então vigente Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802003.328 proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, em 22/07/2014, que negou provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à obrigatoriedade de retificação da DCTF para compensação de pagamento indevido ou a maior. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou os acórdãos paradigmas nºs 3302002.226 e 3102001.790. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) no ano de 2009, procedeu à revisão de seus livros de apuração do PIS e da COFINS, verificando pagamentos a maior no ano de 2006. Para aproveitar referido crédito, formalizou requerimento de compensação, procedendo à retificação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON. No entanto, não procedeu à alteração das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, pois transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos, tendo requisitado a alteração de ofício; Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10925.900785/201296 Acórdão n.º 9303005.223 CSRFT3 Fl. 4 3 (b) o acórdão recorrido reputa imprescindível a retificação da DCTF para análise do pedido de compensação, bem como entende que no caso dos autos houve omissão da Contribuinte na apresentação de provas demonstrando o erro nas informações prestadas na DCTF, sendo o ônus de prova quanto a tal fato inteiramente do Sujeito Passivo; (c) quanto à necessidade de retificação na DCTF para homologação do pedido de compensação, não há óbice legal à apuração do crédito do Contribuinte, mesmo que a DCTF retificadora não tenha sido transmitida e/ou seja adotada a providência após o despacho decisório; (d) o entendimento da decisão recorrida privilegia a forma em detrimento do conteúdo, objetivo contrário ao do processo administrativo e que viola o princípio do formalismo moderado insculpido no art. 2º, §único, inciso IX, da Lei nº 9.784/99; (e) no que tange à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido restituir pela Contribuinte, aduz que, diversamente do processo judicial, na esfera do contencioso administrativo federal, a prova, em princípio, é de iniciativa do julgador, consoante art. 29 da Lei nº 9.784/99. Assim, a Contribuinte juntou aos autos os documentos que considerava hábeis para comprovar a certeza e liquidez do indébito tributário; nesse caso, entendendo o órgão julgador serem os mesmos insuficientes, providência que se impunha era a intimação da parte para apresentar outros documentos, de modo a apurar o crédito em discussão, e não simplesmente negar o pedido de compensação; (f) por fim, requer o provimento do recurso especial, determinandose o retorno dos autos à origem para apuração da liquidez e certeza do crédito do Contribuinte. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 29 de junho de 2015, proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de homologação do pedido de compensação sem a prévia retificação da DCTF e de o órgão julgador solicitar outros documentos que entendia necessários para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a sua negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10925.900785/201296 Acórdão n.º 9303005.223 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.213, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10925.900311/201244, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.213): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário com base nos seguintes fundamentos: (a) a Contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório para demonstrar a certeza e liquidez do indébito tributário, pois ausente a comprovação de erro ou pagamento a maior que teriam originado o indébito pretendido compensar; (b) embora não tenha transmitido a DCTF retificadora, por força do princípio da verdade material, a empresa teria direito à compensação se demonstrados os atributos de certeza e liquidez do crédito tributário, não tendo se limitado a indeferir o pedido tão somente pela inexistência da DCTF retificadora. Para elucidar a assertiva, segue a transcrição de trechos do voto proferido pelo Colegiado a quo para manter o indeferimento do pedido de compensação, in verbis: [...] Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, insatisfeito, o contribuinte instaurou o presente processo com o fundamento de que o valor informado por ele em DCTF é maior do que o valor devido. Aponta a origem do erro, que como já frisado, seria a revisão de seus débitos fiscais do PIS e da COFINS no anocalendário de 2006. Porém não demonstra a sua existência, ou seja, a forma como isso foi apurado. Apenas noticia que o valor correto é aquele constante no DACON retificador transmitido em 2009 (fls. 32/51) do respectivo período e não junta cópia de documentos aos autos atestando com isso comprovar o pagamento a maior, a não ser a cópia do despacho decisório, do DARF pago, do Dacon retificador e a DCTF. (fls. 30/94). Afirma em seu recurso que “ (...) pois a certeza e a liquidez estão devidamente demonstrados através do DACON que demonstra que nada tem a pagar das guias pagas indevidamente a maior” pois com isso considera ser suficientes elementos para demonstrar os créditos apurados. O DACON trazido aos autos é retificador e verificase que foi entregue antes da ciência do despacho decisório. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10925.900785/201296 Acórdão n.º 9303005.223 CSRFT3 Fl. 6 5 Muito embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF. Quando muito, a incoerência do contribuinte macula de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado. Verificase, ainda, que o contribuinte tentou retificar a supracitada DCTF para adequála ao pedido em tela e aos dados do Dacon. Contudo, não obteve sucesso (a transmissão não foi concluída), uma vez que havia se esgotado o prazo (05 anos) para que a recorrente tivesse o direito de apresentar ou retificar a DCTF (fl. 48). Ressaltamos que à época vigorava a IN RFB no 1.110/2010, cujo artigo 9, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de “(...) mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (...)”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, não produziria qualquer efeito (art. 9, § 2º, I, “c”). A mesma instrução normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON (este efetivado) do período, conforme artigo 9, § 6º, da citada Instrução Normativa. De fato, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Resta claro, portanto, que acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. Visando verificar o seu direito, ao apreciar o material probante juntado pelo sujeito passivo, notase que o Recorrente, à época de sua manifestação de inconformidade, não apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora. Embora tenha juntado naquela Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10925.900785/201296 Acórdão n.º 9303005.223 CSRFT3 Fl. 7 6 oportunidade documentos intitulados “Cópia do Despacho Decisório, DARF pago, Dacon Retificador e DCTF (retificadora não processada)”. Todavia, neste recurso nenhum novo documento foi juntado ao processo, ou seja, não foi anexado aos autos documentos comprobatórios, tais como demonstrativos de cálculos, a DIPJ retificada, cópia de Livros Fiscais, notas fiscais e dos documentos contábeis como os Livros Diário e Razão, balancete, etc). Ora, não pode ser atribuída ao julgador – até pelo momento processual, em que apenas excepcionalmente seria aceita a juntada de prova, por haver comprovação de plano da materialidade do crédito – a tarefa de conferir e comprovar à diferença desses montantes para fins da recomposição do faturamento do Recorrente. Ou seja, a recorrente não apresentou nenhuma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento. Vêse que o contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez de forma satisfatória. Dessa forma, fica afastada a possibilidade de utilização da referida DCTF (retificadora) como prova no presente processo. Insta salientar que a simples tentativa de transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil a legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor do PIS e da COFINS era efetivamente devido. Tal se dá pelo simples fato de que o processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – às vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Salientamos que o ônus da prova do direito é da Recorrente, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Vêse que o contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez de forma satisfatória. Neste espeque, repisese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS declarado na DCTF originária. Por consequência, tampouco restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF que a recorrente pretende retificar. Assim sendo, não há fundamentos para que se aceite agora a retificação extemporânea da DCTF e a homologação da compensação promovida pela Recorrente. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10925.900785/201296 Acórdão n.º 9303005.223 CSRFT3 Fl. 8 7 Logo, tendo disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. [...] (grifouse) Depreendese da análise do julgado, portanto, que o indeferimento do pedido de compensação não se embasou exclusivamente na ausência de transmissão de DCTF retificadora, mas também por não ter o Contribuinte provado a certeza e liquidez do indébito tributário pretendido restituir. Inclusive, destacou o Colegiado a quo ser possível a aceitação da compensação independente da retificação da DCTF, em hipóteses excepcionais, quando devidamente comprovado o crédito alegado, em vista do princípio da verdade material. Nessa esteira, o confronto do acórdão recorrido com os acórdãos paradigmas revela a inexistência de dissenso interpretativo, requisito indispensável à interposição do recurso especial de divergência. Verificase existir, entre os julgados, convergência de entendimentos, na medida em que os paradigmas apresentados compartilham do entendimento explicitado na decisão recorrida no sentido de ser imprescindível, para ser deferido o pedido de compensação, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo ser apreciadas as provas trazidas aos autos e, se necessário, solicitadas outras. Além disso, em todos os julgados, paradigmas e recorrido, foi consignado que a DCTF e a DACON, retificadoras ou originais, embora sejam fontes de informação válida para o Fisco, não são documentos hábeis para comprovar por si só a certeza e liquidez do indébito pretendido ressarcir. Para elucidar a assertiva, seguem transcritas as ementas dos acórdãos paradigmas: Acórdão nº 3302002.226 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2007 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou da DACON, que contenham erro material. A DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicitar outras sempre que necessário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acórdão nº 3102001.790 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/11/2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL INDEPENDENTE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Caso exista a apresentação de documentos que possam comprovar o direito creditório, estes Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10925.900785/201296 Acórdão n.º 9303005.223 CSRFT3 Fl. 9 8 deverão ser analisados pelas instâncias julgadoras, independente da existência de retificação da DCTF. Recurso Voluntário Provido em Parte Inexistente, portanto, a divergência jurisprudencial a justificar a interposição e o prosseguimento do recurso especial. Além disso, conforme se verifica dos acórdãos paradigmas, naqueles autos houve a juntada de documentação comprobatória da certeza e liquidez do crédito tributário pelo contribuinte, a qual, entretanto, não foi analisada pela DRJ no julgamento das manifestações de inconformidade, tendo se embasado unicamente nos dados constantes em DCTF. Também por esta razão é que no acórdão paradigma nº 3302002.226 foi consignado competir ao julgador analisar a prova trazida aos autos pelo Sujeito Passivo e, se entender necessário outros elementos para o seu convencimento, intimálo a apresentar no processo. Seguem excertos dos acórdãos paradigmas para ilustrar a assertiva: Acórdão nº 3302002.226 [...] Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Ao final, requer: a) Caso não haja satisfeita com as provas juntadas a esta, solicitar procedimento fiscalizatório para confirmalas, voltando a vosso crivo com o objetivo de confirmar as compensações e cassando o despacho decisório; b) Ou satisfeito com os documentos ora anexados confirmar as compensações cassando o despacho decisório. [...] Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. A existência de informação na DCTF ou na DACON, em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratarem a DCTF e a DACON, de instrumentos de controle da própria Receita Federal. [...] Acórdão nº 3102001.790 [...] Cientificada da decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando que não utilizou o seu direito de crédito quando da apuração do PIS, estando correto os valores informados na declaração de compensação, anexando ao recurso, cópias do livro Razão, Livro Diário e planilha de cálculo. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10925.900785/201296 Acórdão n.º 9303005.223 CSRFT3 Fl. 10 9 [...] Ressalto que a apresentação genérica de argumentos, alegando simplesmente ilegalidade no procedimento fiscal, sem apontar fatos concretos ou quaisquer provas que indiquem erro na decisão prolatada pelo Fisco, não pode prosperar, visto que, a produção de provas é obrigação de quem contesta e não da autoridade julgadora. O fato que estamos discutindo na presente lide é se foram apresentadas provas e se estas são suficientes para a comprovação das alegações constantes do Recurso. [...] Diante do exposto, entendo que o mérito do direito creditório deva ser analisado e tendo em vista que a autoridade de piso não se manifestou sobre esta matéria, voto no sentido de determinar o retorno dos autos a autoridade a quo para que seja realizado novo julgamento apreciando o mérito do direito creditório pleiteado pela Recorrente a luz dos documentos apresentados. No caso dos autos, por sua vez, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar, mediante a devida produção de provas nas oportunidades que teve para se manifestar no processo, a certeza e liquidez do indébito tributário, o que resultou no indeferimento de sua pretensão pelos julgadores. Portanto, não foi apenas o fato de não ter apresentado a DCTF retificadora que fulminou a sua pretensão, mas também não ter se desincumbido da apresentação de provas, as quais seriam consideradas à luz do princípio da verdade material, norteadora do processo administrativo fiscal. Assim, não merece ter prosseguimento o recurso especial da Contribuinte, tendo em vista: a ausência de divergência jurisprudencial e a inexistência de similitude fática entre os julgados paradigmas e o acórdão recorrido. Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 196DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.000810/2004-09
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGA M EN I 0 DE IMPOS1 OS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES.
Ano-calendairio: 2003.,
SIMPLES. EXCLUSÃO. PRATICA DE ATIVIDADE, VEDADA
No caso concreto a instalação e manutenção de equipamentos industriais
caracteriza prestação de serviço profissional de engenheiro.
Numero da decisão: 1802-000.761
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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Si- I' E02 H I MINISTÉRio DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIM FIRA SEÇÃO DF JULGAMENTO Processo n" 1.3609..000810/2004-09 Recurso re 000.000 Voluntdrio Acórdão n° 1802-00.761 — 2' Turma Especial Sessão de 25 de mein) de 20 1 1 Matéria SIMPLES Recorrente JF Montagens Industriais Ltda.. ME. Recorrida 4t Turma/DRJ - Belo Horizonte/MG. ASSUN 0: SISTEMA INTEGRADO DE PAGA M EN I 0 DE IMPOS1 OS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS IW PEQLENO POR - SIMPLES. Ano-calendkirio: 2003., SIMPLES. EXCLUSÃO. PRATICA DE ATIVIDADE, VEDADA No caso concreto a instalação e manutenção de equipamentos industriais caracteriza prestação de serviço profissional de engenheiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. EDITADO EM: ' /- Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, João Francisco Bianco, Jose de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kiehel e André Almeida Blanco. 1 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 4" Turma da DR.1 de Belo Horizonte/MG A recorrente é empresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas dc Pequeno .1.3orte --- SIMPLES e corno tal, foi excluída de oficio pelo Ato Declaratório Executivo DRF/STI., n° 513.128, de 02 de agosto de 2004 (11.. 17), com efeitos a partir de 14/10/2002, ante a verificada prática de atividade vedada, consistente na instalação, reparação e manutenção de máquinas para itld óstnia metalúrgica Devidamente notificada (if 25), a recondite apresentou em Manifestação de In.contOrmidade (fls. 01 - 06) alegando em síntese que nenhum dos socios ou funcionários tem curso superior clop. registro no CREA. nem mesmo a empresa está registrada neste conselho, aduzindo ainda, que para a atividade de montagem 6 realizada corn o simples conhecimento de nível médio e que não se vincula a nenhum conhecimento especifico de engenheiro No mais, transcreveu ementas de decisões proferidas em virtude da instauração de processo de consulta pelas la e 8" Regiões Fiscais, requerendo ao fim o cancelamento do Ato Declaratório. Tendo em vista a Resolução DRIDE1E n" 705, de 21 de dezembro de 2006 (Ps. 28 - 30), foi realizada diligência com observância do disposto no art, 10, § do art. 15 e § 2' do art. 22 da Portaria MF n°58, de 17 de março de 2006, para caracterizar os tipos de serviços efetivarnente prestados pela empresa mediante os quais são aufcridas as receitas, Em atendimento, a unidade preparadora providenciou a juntada dos documentos de firlhas 31 a 309. A 4`' Turma da DRJ de Belo Horizonte, nos termos do acórdão e voto de Colhas 311 a 314, indeferiu a solicitação, registrando que na Especificação dos Serviços Prestados constante das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, de n.`" 000001 a 000110, relativamente ao período de 03/02/2003 a 11/10/2006, tblhas 201 a 274, estão registrados, dentre outros: "montagem de 01. desmoldador de gusa"; manutenção na tubulação de agua de retorno"; manutenção do do alto 1.'orno"; "montagem tubulação de água refrigeração Al'"; %urea de cabo de aço do SKP AF II", registrando-se que os clientes que contrataram seus serviços exercem atividades de siderurgia e indústria de ferro gusa, verificando-se, pois, que pelo lato de a reconente obter receita proveniente da manutenção de equipamentos industriais, fica caracteriza a prestação de serviço profissional de engenheiro, mantendo-se o Ato Deciaratório. Cientilicada da decisão desfavorável (if 316), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (lis,. 317 323) reiterando que não praticou atividade vedada e pugnando Por provimento.. f, o relatório. Process° n" 13609.000810/2004-09 5 1 - E E02 Acórdiio n." I 802-00.761 Fl 2 Voto Conselheiro Relator, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de admissibilidade, dele tomo conhecimento Apresenta-se para julgamento situação em que o contribuinte optante pelo • SIMPLES é excluído do dito sistema poi meio de Ato Declaratório no qual. se constata a prática de atividade Vedada ainda na vigência da Lei n" 9317/96. 0 contribuinte desde os primitivos arrazoados que apresentou, tern sustentado que não exercia atividade típica de engenheiro, eis que suas atividades se limitavam aquelas de nível médio e consistiam na instalação) e manutenção de equipamentos para industrias de siderurgia. Tenho sustentado em casos semelhantes que o rol do inciso XIII do artigo 9" da revogada Lei 9.317/96, dizia respeito a profissões regulamentadas, em que a sociedade estivesse voltada à prestação d.e serviços para contratação em razão da qualificação técnica do profissional ou do seu especial talento e que indiscutivelmente esse é o desiderato da impossibilidade de opção pelo regime em comento, reprisada no artigo 17 da Lei Complementar n" I 23/06.. Desta forma, não se olvida que o legislador, ao entender que os profissionais liberais possuem qualificação especial, não seriam sujeitados ao impacto do domínio de mercado das grandes empresas, nem constituiriam, em satisfatória escala, urna grande fonte de geração de empregos, enfim, suas atividades não se equiparam corn as de uma microempresa, ainda que muito se assemelhem., Todavia, sem prejuízo do que tenho sustentado em situações semelhantes, o caso concreto não permite chegar-se A conclusão preconizada pela recorrente. Corn efeito, o contrato social da recorrente, encartado As .folhas 09 a 42, de fato não permite uma conclusão capaz de encenar a dúvida, porquanto a Clausula Segunda reza apenas que a recorrente tern por Finalidade a prestação de serviços de instalação e reparação das ditas máquinas.. Terminasse po r. aí o conjunto documental dos autos, de fato assistiria razão recorrente, não vejo como qualificar de privativo de profissional de engenharia a mera instalação e manutenção de máquinas. Ocorre, que a cuidadosa 4" Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG, no intuito de buscar a verdade material, converteu o _julgamento em diligência, resultando assim, que se node observar nos autos diversos contratos firmados corn as clientes da recorrente, de onde se extrai a extrema complexidade dos serviços prestados, espancando qualquer dúvida acerca da atividade privativa de profissional de engenharia.. Edwal Casoni andes Junior Tem-se, portanto, que a atividade alegada no ato de exciusao dc fato esbarra na vedacilo indicada no inciso XIII 9" da Lei n° 9317/96, motivo pelo qual, voto no sentido de NEGAR provitnento ao Recurso Voluntário, para os tins de considerar a atividade desenvolvida pela recorrente VE DA para os tins de enquadramento no regime do SIMPLES. 4
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001310/2005-25
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1802-001.157
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.001310/200525 Acórdão n.º 180201.157 S1TE02 Fl. 39 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que indeferiu a solicitação da Contribuinte para que fosse mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal). A exclusão do regime simplificado operouse pelo Ato Declaratório Executivo n° 29, emitido pela DRF Montes Claros/MG em 08/09/2005 (fls. 04), com efeitos a partir de 01/09/2003. O motivo da exclusão está assim descrito: “a empresa realiza somente prestação de serviços contábeis desde a sua constituição, prevista no inciso XIII, do art. 9° da Lei n° 9.317/96”. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 1 a 3, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0921.548 (fls. 17 a 19), a Contribuinte alegou que desde o seu registro nos órgãos oficiais não registrou nenhuma emissão de documentos fiscais ou recibos e que o escritório de contabilidade tem o seu funcionamento pelo contador Afonso Celso Soares, profissional liberal, sócio da Requerente, que emite os recibos dos seus serviços e os declara em sua DIRPF regularmente. Além disso, fez referência a Acórdão da DRJ/Campinas/SP, que manteve uma empresa no Simples por não exercer atividade vedada, e anexou aos autos, entre outros documentos, os recibos das Declarações Anuais Simplificadas 2004 e 2005. Como já mencionado, a DRJ Juiz de Fora/MG indeferiu a solicitação da Contribuinte, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SIMPLES. VEDAÇÃO Estando a empresa inserida na hipótese de vedação do sistema, previstas no art. 9° da Lei. 9317/96, não há como acatar a solicitação de revogação do Ato Declaratório de Exclusão. Solicitação Indeferida Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 04/12/2008 (AR às fls. 22), a Contribuinte apresentou em 08/01/2009 o recurso voluntário de fls. 23 a 27, e o processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Este é o Relatório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.001310/200525 Acórdão n.º 180201.157 S1TE02 Fl. 40 3 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Não há condição para se conhecer do Recurso. O prazo para sua apresentação é de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, mas a contribuinte o protocolizou depois de esgotado esse prazo. A ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu em 04/12/2008, uma quintafeira, e o último dia para a apresentação do recurso seria 05/01/2009, segundafeira, conforme as regras do art. 210 do Código Tributário Nacional. Todavia, o recurso só foi apresentado em 08/01/2009, portanto, a destempo. Assim, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 40DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720064/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/05/2011
MULTA REGULAMENTAR. EMBARAÇAR, DIFICULTAR OU IMPEDIR A FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DOLOSA DE INFORMAÇÃO FALSA RELATIVA À COBERTURA CAMBIAL. BURLA DO LIMITE DE HABILITAÇÃO SIMPLIFICADA DE PEQUENA MONTA.
A prestação dolosa de informação falsa de operação sem cobertura cambial no registro da declaração de importação, utilizada para burlar o controle aduaneiro do limite de habilitação simplificada de pequena monta, configura ato que impede o controle eletrônico de verificação do referido limite, dificultando a fiscalização aduaneira.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/05/2011 MULTA REGULAMENTAR. EMBARAÇAR, DIFICULTAR OU IMPEDIR A FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DOLOSA DE INFORMAÇÃO FALSA RELATIVA À COBERTURA CAMBIAL. BURLA DO LIMITE DE HABILITAÇÃO SIMPLIFICADA DE PEQUENA MONTA. A prestação dolosa de informação falsa de operação sem cobertura cambial no registro da declaração de importação, utilizada para burlar o controle aduaneiro do limite de habilitação simplificada de pequena monta, configura ato que impede o controle eletrônico de verificação do referido limite, dificultando a fiscalização aduaneira. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 442 1 441 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11829.720064/201417 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.755 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria Multa por Embaraço Recorrente MARCELO LIGIERO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/05/2011 MULTA REGULAMENTAR. EMBARAÇAR, DIFICULTAR OU IMPEDIR A FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DOLOSA DE INFORMAÇÃO FALSA RELATIVA À COBERTURA CAMBIAL. BURLA DO LIMITE DE HABILITAÇÃO SIMPLIFICADA DE PEQUENA MONTA. A prestação dolosa de informação falsa de operação “sem cobertura cambial” no registro da declaração de importação, utilizada para burlar o controle aduaneiro do limite de habilitação simplificada de pequena monta, configura ato que impede o controle eletrônico de verificação do referido limite, dificultando a fiscalização aduaneira. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 64 /2 01 4- 17 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 11829.720064/201417 Acórdão n.º 3302004.755 S3C3T2 Fl. 443 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Multa Regulamentar por embaraço à fiscalização aduaneira, capitulada no artigo nos artigos 728, inciso IV, alínea "c" e 735, inciso III, alínea "d" do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009), por informação falsa, de forma dolosa, relativa à cobertura cambial na Declaração de Importação, via sistema eletrônico, no período de 01/2010 a 12/2012. A fiscalização lavrou Termo de Verificação Fiscal, no qual informou que a presente autuação decorreu da fiscalização em CARLOS PIOLTINI DOS SANTOS IMPORTAÇÃO, na qual constatouse que a contribuinte acima estava habilitada no SISCOMEX na modalidade simplificada de pequena monta, de acordo com o artigo 2º, II, b, 6 da IN SRF nº 650/2006, estando sujeito ao limite de US$ 150.000, ou equivalente em outra moeda, para as importações CIF, em cada período consecutivo de seis meses. A partir das intimações realizadas na fiscalização da CARLOS PIOLTINI e dos documentos necessários à importação, a autoridade fiscal constatou que a contribuinte estava fraudando as informações relativas à cobertura cambial, ora informando importações "sem cobertura" que, na realidade, eram com cobertura, ora retificando DI´s de "com" para "sem" cobertura, com posterior retificação, retornando à condição de "com" cobertura, no intuito de não ultrapassar o limite de US$ 150.000, situação que o sistema bloquearia as importações. A fiscalização salientou que as retificações de DI´s somente são efetivadas, depois de aceitas pela fiscalização aduaneira, exceto em relação à informação relativa à operação cambial (IN SRF 650/2006, artigo 44), o que propiciou à CARLOS, mediante a autuação dos despachantes aduaneiros, a burla aos limites da habilitação simplificada de pequena monta. Em impugnação, a recorrente aduziu, resumidamente, que: "1) o Autuado solicitou informação ao Importador tendo em vista que nada consta na Fatura Comercial instrutiva da DI n° 11/0999668 quanto à modalidade de pagamento do câmbio; 2) o valor CIF declarado na DI referida no item anterior é correto e não foi contestado pela Fiscalização, sendo que o mesmo não ultrapassou o valor de estima de controle, pois o quadro apresentado pelo Impugnante e que se encontra anexado aos autos prova que o Sr. Fiscal Autuante não utilizou o critério legal de reabilitação de valores aplicados em outras DI's; 3) o Autuado jamais foi chamado a falar no processo a não ser agora em sede de autuação; 4) o Defendente formalizou apenas 2 (duas) DFs, uma com cobertura cambial e outra sem cobertura cambial e jamais retificou as informações declaradas; 5) as 15 (quinze) DFs restantes descritas no auto de infração não tiveram a participação do Impugnante, eis que o Importador Fl. 443DF CARF MF Processo nº 11829.720064/201417 Acórdão n.º 3302004.755 S3C3T2 Fl. 444 3 tinha a seu serviço vários outros despachantes que atuavam em estabelecimentos fiscais profissionais diferentes e sem conexão com o Autuado; 6) o Impugnante não detém informações internas quanto aos valores de estimativa do Importador, máxime nos casos de vários profissionais atuando em vários locais e em épocas diversas, cabendo a ele, quando nada constar na fatura comercial, indagar ao Importador, sendo isto o que fez o ora Autuado; 7) não há que se falar em embaraço ou impedimento de ação fiscal pelo simples fato de que o valor declarado na DI pelo Autuado não ultrapassou o de estimativa para controle, o que até retira o elemento dolo que tanto o Senhor Fiscal falou em sua peça; 8) se infração tivesse ocorrido esta seria a cominada pelo artigo 711, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, aplicável ao importador, nada tendo a ver com embaraço à fiscalização e a figura do embaraço pressupõe a existência de um ato de resistência a uma ação fiscal positiva, comissiva e visível (do Fisco) e no caso concreto não existiu ação fiscal positiva ou comissiva, sendo atípica a capitulação indicada no auto de infração; 9) a sanção aplicada fere o Princípio da Tipicidade, que é ínsito ao da Legalidade, pois além de não ter sido ultrapassado o limite, em relação ao Autuado, a informação foi dada de boa fé em função da orientação do Importador, ferindo, também, o Princípio da Razoabilidade e mesmo o da Proporcionalidade, pois o fato gerou 3 (três) autuações, uma delas colocando o profissional como solidário em multa equivalente ao valor da mercadoria, o que é um absurdo." A Vigésima Turma da DRJ em São Paulo proferiu o Acórdão nº 16067.120, julgando a impugnação improcedente. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando que não teve participação no registro das demais DI´s mencionadas no Termo de Verificação Fiscal; que não retificou as duas DI´s que registrou; que não pode ser responsabilizado por todo um quadro geral de importações; que o valor CIF constante da DI que registrara não ultrapassou o limite da habilitação de pequena monta no SISCOMEX; que não foi chamado pelo Fisco a esclarecer a situação; que não ocorrera o embaraço, pois a fiscalização exerceu sua ação fiscalizatória, concretizada com a lavratura do próprio Auto de Infração; que o acórdão recorrido contém imprecisões; que agiu sob orientação do importador e anexou documento em papel, manuscrito, no qual informa que recebera autorização para registrar "sem cobertura". Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Fl. 444DF CARF MF Processo nº 11829.720064/201417 Acórdão n.º 3302004.755 S3C3T2 Fl. 445 4 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O recorrente inicia sua defesa, defendendo a suposta impropriedade de o Termo de Verificação Fiscal ter abordado aspectos de DI´s que não foram registradas pelo recorrente e que não poderia ser penalizado pelo quadro geral das importações de um importador em determinado período. Esclareçase, porém, que tal fato não ocorreu. A acusação fiscal é de que o despachante prestou informação falsa, dolosamente, quanto à operação ser "sem cobertura cambial", relativa à DI nº 11/09996618, em seu registro original, não lhe sendo imputada nenhuma conduta relativa às demais DI´s, nem mesmo de ter retificado esta referida DI. O fato de o Termo de Verificação Fiscal ter demonstrado toda a arquitetura desenvolvida para burlar o limite da habilitação simplificada de pequena monta não implica a imputação de todas condutas ao recorrente, mas apenas serve para o convencimento do modus operandi praticado pelo importador em todo o período, e das condutas dos despachantes aduaneiros, que, conforme mencionado no termo, foram em número de quatro, incluindo o recorrente. Por outro lado, as inconsistências alegadas na decisão recorrida em nada interferem o julgamento em questão, pois não integram o Auto de Infração e a acusação efetivamente feita. Assim, embora a recorrente tenha razão em afirmar que não procedera à retificação de DI alguma, tal fato não lhe foi imputado, como deixa transparecer em seu recurso, conforme o excerto abaixo: "O auto de infração afirmou que o Autuado retificou a informação como forma de burlar os controles aduaneiros e depois, diante das Razões de Impugnação, entendeu que não ocorreu a retificação, mas não deu o “braço a torcer”, e reconheceu que esse fato não teria importância (vejase a ementa)" Em momento algum, o Auto de Infração imputou à recorrente a conduta de retificar a DI mencionada anteriormente. Esta acusação foi realizada em relação a outras DI´s, conforme Tabela 3, mas não em relação à DI registrada pelo recorrente, cuja acusação cingiu se à informação falsa prestada no registro original da DI nº 11/09996618, adição 1, em 31/05/2011, às 18:02:03, valor CIF de US$ 19.706,60, de "sem cobertura cambial" e mais nada. A acusação é de que tal informação falsa burlou o limite de US$ 150.000,00, pois, conforme demonstrado na tabela 3, a coluna "Valor total das importações fraudado" indica o valor que o SISCOMEX computava a cada novo registro ou retificação de DI das importações com cobertura cambial nos últimos seis meses. Este valor estava em US$ 140.117,66 antes do registro da DI nº 11/09996618. Se ela fosse registrada "com cobertura cambial", seu valor CIF de US$ 19.706,60 seria acrescido aos US$ 140.117,66, o que totalizaria US$ 159.824,26, ultrapassando o limite da habilitação, fazendo com que a importação fosse bloqueada. É esta a acusação, de que tal informação foi prestada de forma Fl. 445DF CARF MF Processo nº 11829.720064/201417 Acórdão n.º 3302004.755 S3C3T2 Fl. 446 5 dolosa, dificultando a fiscalização, entendida como o controle aduaneiro como um todo, incluindo os controles efetuados eletronicamente. Aliás, quanto à correta modalidade da operação cambial que deveria ser informada, não há controvérsia quanto a ser "com cobertura cambial", conforme admitido pela recorrente. De fato, nas efls. 241/248, constam a fatura comercial, o conhecimento de embarque e contrato de câmbio, demonstrando tratarse de operação com cobertura cambial e não sem cobertura, como fora informado. Outro ponto levantado pelo recorrente diz respeito à inexistência de embaraço, pois a fiscalização exercera suas atividades fiscais. Pois bem, a conduta imputada foi a do artigo 728, inciso IV, alínea “c” combinado com a alínea “d” do inciso III do artigo 735, ambos do Decreto nº 6.759/2009, abaixo transcritos: Art. 728. Aplicamse ainda as seguintes multas (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 107, incisos I a VI, VII, alínea “a” e “c” a “g”, VIII, IX, X, alíneas “a” e “b”, e XI,com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003, art. 77): [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; [...] Art. 735. Os intervenientes nas operações de comércio exterior ficam sujeitos às seguintes sanções (Lei nº 10.833, de 2003, art. 76, caput): [...] III cancelamento ou cassação do registro, licença, autorização, credenciamento ou habilitação para utilização de regime aduaneiro ou de procedimento simplificado, exercício de atividades relacionadas com o despacho aduaneiro, ou com a movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos, na hipótese de: [...] d) prática de ato que embarace, dificulte ou impeça a ação da fiscalização aduaneira, inclusive a prestação dolosa de informação falsa ou o uso doloso de documento falso nas atividades relacionadas com o despacho aduaneiro; (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Verificase que o próprio decreto tipifica a conduta de prestação dolosa de informação falsa nas atividades relacionadas com o despacho aduaneiro. Apesar de a redação da alínea “d” ter sido dada pelo Decreto nº 8.010/2013, tal fato não caracteriza nova hipótese Fl. 446DF CARF MF Processo nº 11829.720064/201417 Acórdão n.º 3302004.755 S3C3T2 Fl. 447 6 legal, mas apenas referenda o entendimento do Poder Executivo de que a conduta ali mencionada consiste em ato que embaraça, dificulta ou impede a fiscalização aduaneira, configurando norma meramente interpretativa, uma vez que o decreto não pode criar hipótese de aplicação de penalidade, reservada à lei, mas apenas possui função regulamentadora, nos limites impostos pela lei. Por certo, a informação prestada impediu a fiscalização aduaneira quanto à ultrapassagem do limite de habilitação. A principal questão colocada pela recorrente diz respeito à inexistência de dolo ou máfé de sua parte, por ter seguido orientação dada pelo importador, anexando documento (efls. 348), em papel e manuscrito, o qual contém a seguinte informação: "31/05 Recebi autorização do Ricardo p/ registrar sem cobertura" Em relação à responsabilidade do despachante aduaneiro, destacase que o exercício da atividade de despachante aduaneiro é cercado de uma série de requisitos dispostos no artigo 810 do Decreto nº 6.759/2009 e na IN RFB nº1.209/2011, de modo que o despachante representa o importador nas atividades descritas no artigo 808 do Decreto nº 6.759/2009: Art. 808. São atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias, inclusive bagagem de viajante, na importação, na exportação ou na internação, transportadas por qualquer via, as referentes a: I preparação, entrada e acompanhamento da tramitação e apresentação de documentos relativos ao despacho aduaneiro; II subscrição de documentos relativos ao despacho aduaneiro, inclusive termos de responsabilidade; III ciência e recebimento de intimações, de notificações, de autos de infração, de despachos, de decisões e de outros atos e termos processuais relacionados com o procedimento de despacho aduaneiro; IV acompanhamento da verificação da mercadoria na conferência aduaneira, inclusive da retirada de amostras para assistência técnica e perícia; V recebimento de mercadorias desembaraçadas; Assim, ele é responsável por verificar os documentos relativos ao despacho aduaneiro, ou seja, a via original da fatura comercial, a via original do conhecimento de embarque, o comprovante dos pagamentos, além de outros, nos termos do artigo 553 do Decreto nº 6.759/20091. 1 Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º): (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível; e Fl. 447DF CARF MF Processo nº 11829.720064/201417 Acórdão n.º 3302004.755 S3C3T2 Fl. 448 7 A respeito, é esclarecedor transcrever parte do Parecer/DIANA/SRRF08 Nº 4/2016 do processo nº 11829.720058/201460, relativo à sanção administrativa de cassação do credenciamento como interveniente em operações de comércio exterior, aplicada pelo Ato Declaratório Executivo nº 03/2016, cujas razões adoto de forma complementar, como fundamento de decidir, nos termos do §1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/1999: "O Recorrente alega que na condição de despachante aduaneiro atua apenas como interveniente, por conta e ordem do importador, responsabilizandose somente por inserir na declaração de importação os dados e elementos fornecidos pelo mandante, sem qualquer ingerência sobre os termos da negociação. O representante legal do importador no Siscomex não é apenas um digitador das informações; cabe a ele conhecer e aplicar a legislação aduaneira, bem como informar corretamente os dados da operação que irá intermediar junto às autoridades competentes. É de seu conhecimento, que a habilitação na modalidade simplificada, criada para facilitar o comércio exterior, pressupunha o cumprimento do valor limite de importações definido na norma, US$ 150,000,00 no período de 6 (seis) meses. Caso contrário, o importador deveria solicitar a habilitação ordinária, com requisitos muito mais complexos exigidos pela legislação. Como plenamente demonstrado no auto de infração, os despachantes aduaneiros credenciados pelo importador “administravam” o limite do valor acumulado de importações (US$ 150.000,00 no período de 6 meses), através da manipulação das informações cambias das adições das declarações. Em nenhum momento do contraditório, seja na impugnação, seja no recurso administrativo, o recorrente apresentou qualquer documento que provasse que as importações foram realizadas sem cobertura cambial. Ao contrário do que alega o Recorrente, no caso da fatura que embasa o registro da DI não conter informação sobre a existência ou não da cobertura cambial, inferese que a mesma é com cobertura cambial. É do conhecimento do representante legal do importador, que somente devem ser informadas como importações sem cobertura cambial os casos de doação, empréstimo, remessa para teste, arrendamento simples, aluguel, e admissão temporária, entre outros. Resta claro, pois, que a conduta do Sr. Marcelo Ligiero e dos demais despachantes aduaneiros que atuavam em nome do importador, em relação ao período analisado, teve o intuito de ocultar o valor real das importações da CARLOS PIOLTINI Parágrafo único. Poderão ser exigidos outros documentos instrutivos da declaração aduaneira em decorrência de acordos internacionais ou por força de lei, de regulamento ou de outro ato normativo. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Fl. 448DF CARF MF Processo nº 11829.720064/201417 Acórdão n.º 3302004.755 S3C3T2 Fl. 449 8 DOS SANTOS IMPORTAÇÃO com cobertura cambial, pelo motivo da habilitação ter sido concedida na modalidade simplificada. Não se trataram de equívocos isolados e sim de prestação de falsa informação, intencional, nas fichas câmbio das adições das declarações de importação, com o objetivo de fraudar o controle aduaneiro, permitindo que outras declarações com cobertura cambial fossem registradas posteriormente. A responsabilidade é de todos os despachantes credenciados pelo importador que concorreram para a prática da ocultação do valor real importado com cobertura cambial. Ao contrário do que alega no recurso, não procede a informação de que em 27/10/2011, quando do registro da DI nº 11/0999661 8 em 31/05/2011 havia limite disponível para registro da DI, no valor de US$ 19.706,00. Conforme a tabela 3 do auto de infração, quando do registro da DI nº 11/09996618, o valor acumulado das importações nos últimos seis meses “fraudado” (ou seja, incluindo àquelas cuja informação da ficha câmbio foi fraudulentamente informado como “sem cobertura cambial”) era de US$ 140.117,66, quando o valor real importado nos últimos seis meses já era de US$ 179.245,60. Ora, uma vez que o valor “fraudado” já estava em US$ 140.117,66, não era possível registrar nova DI no valor de US$ 19.706,00, motivo pelo qual a mesma foi registrada com a informação de “sem cobertura cambial”. O sistema Siscomex bloqueia e impede o registro da declaração quando o valor limite é atingido. O Recorrente também alega que este valor acumulado real no valor de US$ 179.245,60 não reflete a realidade, pois não abate do total o valor correspondente ao do mês que iniciou o semestre. Ora, como bem exemplificado no auto de infração, que reproduziu página da RFB na internet que explica e responde questões acerca das modalidades de habilitação, o valor a ser considerado é o dos últimos seis meses, e não o acumulado no semestre, como alega o Recorrente." [...] Com relação à tipificação da sua conduta, o Recorrente sustenta que o enquadramento indicado no auto de infração é atípico, pois o evento não ocultou a importação do controle aduaneiro, pois esta foi declarada acompanhada de todos os documentos que a instruem, legítimos e autênticos, sendo que os tributos foram pagos e não contestados. Ao contrário do que alega o Recorrente, o controle aduaneiro não se restringe apenas a verificação física das mercadorias. A hipótese prevista no artigo 735 do Regulamento Aduaneiro e no art. 76 da Lei nº 10.833/2003 não se restringe a ocultar uma importação, sem o registro da correspondente declaração de importação. O controle aduaneiro inclui também as informações de natureza administrativa, tributária, cambial ou comercial. Nesse sentido, o controle aduaneiro para importações sem cobertura cambial Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11829.720064/201417 Acórdão n.º 3302004.755 S3C3T2 Fl. 450 9 não é o mesmo que seria feito se fosse corretamente informado que se tratava de uma importação com cobertura cambial. O fato da mercadoria ter sido desembaraçada e o fato de terem sido recolhidos os tributos não afastam a tipicidade do ato. A ação dolosa se deu no âmbito do controle exercido pela Receita Federal do limite de importações e exportações da empresa que atua no comércio exterior, bem como dos requisitos que são exigidos quando da concessão da habilitação e monitoração desta empresa." Como bem salientado no parecer acima, o despachante não é um mero digitador de informação. A fatura comercial (commercial invoice) é o documento que representa a operação de venda da mercadoria e deve conter os elementos descritos no artigo 557 do RA/2009, no qual especificase as condições e moeda de pagamento e os termos de condição de venda (INCOTERMS). No caso, a fatura comercial se referia a um operação de compra de 3.801,60 metros quadrados de porcelanato (polished tiles), com condição de venda FOB em Foshan na China. O documento não permite inferir se tratar de operação sem cobertura cambial, que é destinada a doação, empréstimo, remessa para teste, arrendamento simples, aluguel, e admissão temporária, entre outros, como já mencionado no parecer transcrito, do que, efetivamente, não se trata a fatura comercial. A Solução de Consulta Cosit nº 89/2017 esclarece bem a finalidade da fatura comercial: "A fatura comercial é o documento que espelha a operação de compra e venda entre o importador brasileiro e o exportador estrangeiro, sendo um documento de natureza contratual e de apresentação obrigatória para fins de instrução da declaração de importação (DI), conforme dispõe o inciso II do art. 553 do Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 – Regulamento Aduaneiro (RA/2009). 6. Recordese que toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro, que deve ser declarado segundo as regras estabelecidas no Acordo de Valoração Aduaneira AVA/GATT (Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio). Nesse contexto, a fatura comercial é documento de fundamental importância para a valoração aduaneira e deve,obrigatoriamente, refletir o valor da transação comercial efetuada." Aliás, a IN SRF nº 680/2006 dispensa a apresentação de fatura comercial em hipótese de importação que não corresponda a uma venda internacional de mercadoria, conforme alínea "a" do inciso II do §2º do artigo 18, abaixo transcrito: Art. 18. A DI será instruída com os seguintes documentos: [...] § 2º Não será exigida a apresentação: [...] Fl. 450DF CARF MF Processo nº 11829.720064/201417 Acórdão n.º 3302004.755 S3C3T2 Fl. 451 10 II de fatura comercial, na hipótese de a mercadoria ingressar no País: a) em importação que não corresponda a uma venda internacional da mercadoria, tal como o retorno de exportação temporária ou a admissão temporária de bens; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1356, de 03 de maio de 2013) Assim, a mera informação do importador contida em uma folha de papel manuscrita não pode ser admitida como excludente da responsabilidade do despachante aduaneiro, diante da posse de uma fatura comercial representativa de uma operação comercial, com indicação de condição de venda "FOB". Assim, resta evidente que houve prestação dolosa de informação falsa de operação “sem cobertura cambial”, utilizada para burlar o controle aduaneiro do limite de habilitação simplificada de pequena monta. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 451DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.003027/99-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/05/1995 a 31/12/1998
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA.
Para qualificação da multa de ofício em relação ao Pis e Cofins, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964.
Numero da decisão: 9303-005.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos, que lhe deu provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. Julgamento iniciado na sessão de 18/05/2017 e concluído na sessão de 22/06/2017.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/05/1995 a 31/12/1998 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. Para qualificação da multa de ofício em relação ao Pis e Cofins, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964.
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IMPROCEDÊNCIA. Para qualificação da multa de ofício em relação ao Pis e Cofins, é necessária a configuração do intuito doloso ensejador de uma das situações descritas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Júlio César Alves Ramos, que lhe deu provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. Julgamento iniciado na sessão de 18/05/2017 e concluído na sessão de 22/06/2017. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 30 27 /9 9- 66 Fl. 1940DF CARF MF Processo nº 11065.003027/9966 Acórdão n.º 9303005.296 CSRFT3 Fl. 1.941 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 20309.408 de 29 de janeiro de 2004 (fls. 1872 a 1882 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do antigo CARF, que decidiram: I) por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida; e II) no mérito, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir a multa de oficio aplicada de 150% para 75% do valor da contribuição devida. A discussão dos presentes autos tem origem em auto de infração lavrado para exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, em que foi apurado crédito tributário no valor de R$ 520.965,24, incluídos aí os devidos acréscimos legais calculados até 31/08/1999. A infração detectada foi a falta de recolhimento do tributo sobre as receitas obtidas com a venda de cartelas de bingo. O Contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, argumentando em síntese, que a empresa contratada (Bingopar) era quem, em seu próprio nome, efetivamente explorava o bingo permanente e praticava o fato gerador da Cofins. Ainda, que a legislação da Cofins apenas estatui a obrigatoriedade do recolhimento desta contribuição incidente sobre a receita bruta das vendas de mercadorias (art. 2° da Lei Complementar n°70/1991), sem estabelecer nenhuma outra regra específica. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/ RS julgou o lançamento procedente. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Coluntário, o Colegiado entendeu em dar provimento parcial ao recurso: Fl. 1941DF CARF MF Processo nº 11065.003027/9966 Acórdão n.º 9303005.296 CSRFT3 Fl. 1.942 3 I) por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida; e II) no mérito, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir a multa de oficio aplicada de 150% para 75% do valor da contribuição devida, conforme acórdão assim ementado in verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE PERÍCIA A realização de diligências ou perícias depende do livre convencimento do julgador. Sendo o indeferimento da perícia fundamentado, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Desnecessária a perícia quando o processo contém todos os elementos para a formação da livre convicção do julgador. Preliminar rejeitada. COFINS BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição é o total da receita bruta obtida em bingos realizados por entidades desportivas, ou à sua ordem. JOGOS DE BINGO SUJEITO PASSIVO Para os fatos geradores ocorridos anteriormente ao advento da Medida Provisória n° 1.926, de 22/10/1999, a entidade desportiva detentora da autorização para exploração de sorteios destinados a angariar recursos para o fomento do desporto é a responsável pelas obrigações tributárias inerentes às receitas obtidas em jogos de bingo, ainda que a prestação de serviços de instalação, manutenção e administração estivesse a cargo de pessoa jurídica distinta. ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS ISENÇÃO Antes da edição da Medida Provisória no 1.8586/1999, não havia isenção da Cofins para as entidades sem fins lucrativos. MULTA DE OFÍCIO No caso de não pagamento da Cofins, dentro do prazo estabelecido em lei, cabe lançamento de oficio com aplicação de multa de oficio. MULTA AGRAVADA Somente é cabível o agravamento da multa de oficio quando presente o intuito de fraude. Recurso parcialmente provido. Fl. 1942DF CARF MF Processo nº 11065.003027/9966 Acórdão n.º 9303005.296 CSRFT3 Fl. 1.943 4 O Contribuinte opôs embargos de declaração às fls. 1906 a 1911, sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho às fls. 1922 a 1927. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1884 a 1895) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada da Fazenda Nacional diz respeito a redução do agravamento da multa de ofício. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 1899, sob o argumento de se tratar de decisão não unânime, sujeita à revisão pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, se contrariar lei ou evidência de prova, nos termos do inciso I, do art. 32 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16/03/98, vigente à época da interposição do presente Recurso Especial. Entendendo assim, que o acórdão recorrido, decidiu em tese, de forma contrária à evidência de prova informada pelo contribuinte, juntada aos autos. O Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 1912 a 1918), manifestando pelo não seguimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido v.acórdão no tocante a redução da multa de ofício aplicada. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso o que concordo com o despacho de fls 1899. Para melhor elucidar a questão, importante trazer que a discussão dos presentes autos tem origem em auto de infração lavrado para exigência de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, em que foi apurado crédito tributário no valor de R$ 520.965,24, incluídos aí os devidos acréscimos legais calculados até 31/08/1999. A Fl. 1943DF CARF MF Processo nº 11065.003027/9966 Acórdão n.º 9303005.296 CSRFT3 Fl. 1.944 5 infração detectada foi a falta de recolhimento do tributo sobre as receitas obtidas com a venda de cartelas de bingo. O Contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração, argumentando em síntese, que a empresa contratada (Bingopar) era quem, em seu próprio nome, efetivamente explorava o bingo permanente e praticava o fato gerador da Cofins. Ainda, que a legislação da Cofins apenas estatui a obrigatoriedade do recolhimento desta contribuição incidente sobre a receita bruta das vendas de mercadorias (art. 2° da Lei Complementar n°70/1991), sem estabelecer nenhuma outra regra específica. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/ RS julgou o lançamento procedente. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O colegiado entendeu em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio aplicada de 150% para 75% do valor da contribuição devida. Desta maneira, e de se recordar o trecho do voto trazido pela ilustre Conselheira Luciana Pato Peçanha Martins, o que, por conseguinte, compartilho do entendimento exposto no Voto, o qual peço licença para transcrever: Fl. 1944DF CARF MF Processo nº 11065.003027/9966 Acórdão n.º 9303005.296 CSRFT3 Fl. 1.945 6 Ventiladas tais considerações, vêse que a lide traz a discussão acerca da desqualificação da multa de ofício de 150% para 75% no caso vertente. O Colegiado entendeu que a fiscalização não comprovou se a Sociedade tinha conhecimento ou se beneficiava da fraude cometida pela empresa Bingopar e que não houve caráter doloso por parte da Sociedade. A multa de ofício qualificada é prevista no art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, senão vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Portanto, nos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64 o percentual da multa de ofício é duplicado, com a qualificação da multa. Por seu turno, os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, definem a expressão "evidente intuito de fraude", nos seguintes termos: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 1945DF CARF MF Processo nº 11065.003027/9966 Acórdão n.º 9303005.296 CSRFT3 Fl. 1.946 7 Conforme dispositivos legais acima transcritos, nas hipóteses de lançamento de ofício será aplicada multa sobre a totalidade ou diferença do imposto, no montante de 75% (setenta e cinco por cento) ou de 150% (cento e cinquenta por cento), este último nos casos de evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Portanto, a multa de 150% terá aplicação sempre que for constatada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Para o enquadramento do ilícito fiscal nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, imprescindível a presença de dolo na conduta do contribuinte, devendo o mesmo praticar intencionalmente a conduta com o propósito de obter o resultado de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo devido. A caracterização do elemento dolo exige a presença de substancial conjunto probatório sobre a prática do ato infracional, não se prestando para tal a existência de meros indícios da intenção dolosa por parte do agente. E no caso dos autos, no curso da ação fiscal, foi constatado que: Ou seja, foi constatado que a Contribuinte/Sociedade: Fl. 1946DF CARF MF Processo nº 11065.003027/9966 Acórdão n.º 9303005.296 CSRFT3 Fl. 1.947 8 Assim, não há prova contundente de ter a contribuinte agido com "evidente intuito de fraude", ônus do qual não se desincumbiu o Fisco. Sendo a conduta do sujeito passivo dissociada dos conceitos qualificadores de fraude, sonegação e conluio, capazes de configurar o dolo, a mesma enquadrase em equívocos e erros na interpretação da legislação aplicável, afastando qualquer possibilidade de agravamento da penalidade da multa. Em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo a decisão recorrida quanto a exigência de multa isolada de 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1947DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.001269/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO.
O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços.
Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê-los a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota-parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria.
Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quota-parte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregá-los em "produtos" em relação à sua quota-parte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cota-parte.
CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR.
Aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.019
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. Recorrente COOPAVEL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DESCABIMENTO. O crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços. Se o criador de aves, por contrato de parceria, não tem o direito de usar, gozar ou dispor da coisa, posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou, inclusive a sua (quota parte), não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria, mas sim em prestação de serviço; não cabendo portanto crédito presumido à agroindústria. Não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador por parceira com relação a sua quotaparte e os demais animais, ou produz ou presta serviço, na totalidade, indistintamente, sem segregálos em "produtos" em relação à sua quotaparte e "serviços" em relação aos demais. Na espécie, temos caracterizada a prestação de serviço do criador para a agroindústria, inclusive em relação a cotaparte. CRÉDITO PRESUMIDO. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO E MERCADO INTERNO. NÃO DISCRIMINAÇÃO POR PRODUTO OU SETOR. Aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Não se discrimina o cálculo por produto ou setor. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 12 69 /2 01 1- 87 Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 10935.001269/201187 Acórdão n.º 3301004.019 S3C3T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de PIS nãocumulativo(a) Exportação, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que possui o direito ao ressarcimento/compensação do crédito presumido acima (apurado nos termos do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 2004) em face da introdução do art. 56A na Lei 12.350, de 2010, realizada pelo art. 9º da Medida Provisória nº 517, de 2010. Por sua vez, a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel – PR, após a realização de uma auditoria fiscal, emitiu Despacho Decisório reconhecendo parcialmente o direito creditório solicitado, sem a incidência de atualização monetária ou de juros de mora. A contribuinte foi cientificada do mencionado despacho decisório, apresentando manifestação de inconformidade, cujo teor é resumido a seguir. Incialmente, após um breve relato dos fatos, no item “Do Indeferimento/Glosa dos Créditos Presumidos”, subitem “1) Do direito a apuração do crédito presumido sobre a aquisição da produção dos produtores rurais nos contratos de parceira avícola/suinícola”, a interessada sustenta que os contratos de parceria caracterizam juridicamente as operações realizadas como produção de bens e não como prestação de serviços. Diz que, como não existe (ainda) lei específica, os contratos de parceria rural estão sob a égide do art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 1964, e do Decreto nº 59.566, de 1966. Sustenta que o produtor, ao final da realização do objeto do contrato, recebe uma parte da produção, e que “Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quotaparte da produção com a agroindústria (parceiro outorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência.” Alega que referido entendimento, de que, nos contratos de parceira rural, a parte da produção do produtor rural é considerada como sendo produção Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 10935.001269/201187 Acórdão n.º 3301004.019 S3C3T1 Fl. 4 3 própria, é corroborado pela legislação do Funrural (art. 168 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009) e confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ. Argumenta, também, que a administração tributária, em face do que dispõe o art. 110 do Código Tributário Nacional – CTN, não pode alterar a definição de institutos privados, qualificando as operações como prestação de serviços para efeito da apuração do crédito presumido e como produção própria para efeito da incidência da contribuição para o Funrural. No subitem a seguir, denominado “2) Da alíquota para apuração do crédito presumido da produção de carnes”, a contribuinte defende a aplicação do percentual de 60% sobre a alíquota básica da contribuição (PIS 60% sobre alíquota de 1,65%, com alíquota efetiva de 0,99 % e Cofins 60% sobre a alíquota de 7,60%, com alíquota efetiva de 4,56%) para a apuração do crédito presumido relativo à produção de carnes. Alega que a legislação (art. 8º da Lei 10.925, de 2004) é clara ao definir que a alíquota é aplicada de acordo com os produtos fabricados e não conforme os insumos adquiridos. Diz que apurou o crédito presumido sobre os insumos adquiridos (aves/suínos e milho/ração) aplicando o percentual de 60%, mas que a autoridade fiscal, de forma diversa, apurou o crédito utilizando o percentual de 35% (sobre a alíquota básica da contribuição). Acrescenta que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF corrobora o seu entendimento e que os seus produtos constam compreendidos no capítulo 2 da NCM, devendo ser aplicado, portanto, o percentual de 60 % (previsto no inciso I, § 3º, do mencionado art. 8º). Na sequencia, no subitem “3) Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido”, a interessada defende a aplicação do método de rateio proporcional de forma setorial, de modo que sejam aplicados percentuais específicos para os setores de carne (receita de exportação carnes/receita bruta total carnes) e de óleo (receita de exportação óleo/receita bruta total óleo). Diz que o método aplicado pela fiscalização, de apuração de um índice único (receita de exportação/receita bruta total), com a inclusão de todas as receitas auferidas pela cooperativa no computo da receita bruta total, demonstrase ilegal e afronta os artigos 56A e 56B da Lei 10.350, de 2010, uma vez que o objetivo da inclusão do citados artigos foi o de permitir a conversão dos créditos acumulados em moeda (ativo financeiro). Argumenta que o método do rateio proporcional, previsto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, deve ser interpretado de modo que “o crédito presumido a ressarcir deve corresponder ao apurado sobre os bens adquiridos e utilizados na produção dos bens exportados com direito ao crédito presumido.” Sustenta que a interpretação da autoridade tributária ao diminuir o indíce do percentual de exportação, e consequentemente o valor do crédito presumido apurado, viola o princípio constitucional da isonomia, uma vez que diferencia empresas que mantém uma única atividade das que exercem diversas atividades econômicas. Logo a seguir, no item “Da Atualização Monetária dos Créditos Obstados Ilegalmente”, a contribuinte defende a atualização monetária dos créditos, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos. Alega que a correção monetária Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 10935.001269/201187 Acórdão n.º 3301004.019 S3C3T1 Fl. 5 4 deve ser aplicada para manter a integralidade dos créditos e não para punir a mora da administração pública em ressarcilos e que a devolução dos créditos em valores originais representa um enriquecimento sem causa da União. Diz, também, que a aplicação da atualização aos pedidos de ressarcimento vem sendo reconhecida, conforme a jurisprudência administrativa (Conselho Administrivo de Recursos Fiscais – CARF) e judicial (Superior Tribunal de Justiça – STJ) que colaciona na manifestação. Em outro item, denominado “Da Suspensão da Exigibilidade da Multa Isolada Lançada de Ofício”, a interessada pugna pela suspensão da exigibilidade da multa isolada, lançada no percentual de 50% sobre o valor do crédito indeferido, por meio do auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311. Sustenta que a exigibilidade da referida multa deve restar suspensa com a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do pedido de ressarcimento a ela relativo, conforme prevê o § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, inserido pelo art. 20 da Lei nº 12.844, de 2013. Por último, no item “Do Pedido”, a contribuinte solicita: (i) a suspensão da exigibilidade da multa isolada lançada no auto de infração constante do processo administrativo nº 10935.722746/201311; (ii) o acolhimento da manifestação apresentada para o fim de reformar o despacho decisório e acolher as razões e argumentos apresentados; (iii) proceder à devolução do crédito presumido solicitado com a atualização monetária, por meio da aplicação da taxa Selic acumulada, desde a formalização dos pedidos administrativos até a data do efetivo pagamento. Registrese, quanto ao pedido de suspensão da multa de ofício isolada (de 50%), que a contribuinte foi orientada pela autoridade a quo a apresentar impugnação específica para o processo administrativo nº 10935.722746/201311. Anotese, também, que a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade complementar, por meio da qual acrescenta argumentos a respeito do percentual a ser aplicado sobre as alíquotas básicas (de PIS e Cofins) para a apuração do crédito presumido sobre os insumos adquiridos, relativamente à produção de carnes. No caso, a interessada repisa o seu entendimento de que deve ser aplicado o percentual (de 60%), levandose em conta, portanto, a origem dos insumos adquiridos e não a dos produtos fabricados. Acrescenta, também, que a polêmica na aplicação do referido percentual foi resolvida com a edição do art. 33 da Lei nº 10.865, de 2013, que inseriu o § 10 ao art. 8º da Lei 10.925, de 2004, o qual dispôs nos seguintes termos: “Para efeito de interpretação do inciso I do 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Por fim, é de se ressaltar a existência do mandado de segurança nº 5005004.61.2013.404.7005/PR, o qual tem como objetivo, entre outros, o reconhecimento do direito à correção monetária pela taxa Selic do crédito reconhecido no presente processo (assim como em outros 23 processos de Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 10935.001269/201187 Acórdão n.º 3301004.019 S3C3T1 Fl. 6 5 ressarcimento), acumulada a partir do protocolo dos pedidos de ressarcimento até o seu efetivo pagamento. A DRJ decidiu pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06050.190. Inconformada com os indeferimentos e glosas mantidos na decisão recorrida, a COOPAVEL defende a ilegalidade destas. Ao final, pugna pela inclusão das aquisições de produtos da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria avícola/suinícola na base de cálculo para a apuração do crédito presumido; e que, na apuração do crédito a ser ressarcido seja utilizado o índice de exportação aferido da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos do setor carnes e óleo de soja degomado com a receita bruta total destes produtos (índice setorial). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.013, de 31 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.000742/201117, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.013):Relator "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido da Cofins da recorrente lastreiase no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011: Da Lei nº 10.925/2004: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 10935.001269/201187 Acórdão n.º 3301004.019 S3C3T1 Fl. 7 6 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Da Lei nº 12.350/2010: Art. 56A. O saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes na data de publicação desta Lei, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II ser ressarcido em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] § 2º O disposto neste artigo aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Art. 56B. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, poderá: (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). [...] II solicitar seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Parágrafo único. O disposto no caput aplicase aos créditos presumidos que tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita auferida com a venda no mercado interno ou com a exportação de farelo de soja classificado na posição 23.04 da NCM, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Direito à apuração do crédito presumido sobre a alegada aquisição da produção dos criadores nos contratos de parceria avícola/suinícola Conforme relatado, a Delegacia de origem efetuou glosa relativa às entradas de frangos e suínos provenientes dos contratos de parceria, tendo em vista o entendimento de que essas operações não se qualificam como compra efetiva mas sim como pagamento de serviços prestados (mão de obra) para seus associados. Esta argumentou ter havido "uma simulação de compra de bens (aves/suínos) a qual representa o pagamento dos serviços prestados pelos produtores rurais com os cuidados no trato e criação dos lotes de aves ou suínos". Por consequencia, considerou não haver direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei 10.925, de 2004, entendendo Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 10935.001269/201187 Acórdão n.º 3301004.019 S3C3T1 Fl. 8 7 que "referido crédito somente pode ser apurado sobre a aquisição de bens, mas não de serviços". De fato, o dito art. 8º fala em " calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003", estas que delimitam o creditamento da insumos no desenho da Pis/Pasep e da Cofins não cumulativas,"bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda"; restingindo o crédito presumido aos bens, excluindo os serviços. Se são bens e tratase de prestação de serviços, reproduzo a argumento da fiscalização: “Nestes contratos de parceria, fica evidente que as aves e animais já são de propriedade da cooperativa, apenas são remetidos às propriedades rurais dos associados para a contra prestação de serviços na sua criação e posterior devolução, devendo o parceiro, em resumo, seguir rígido sistema de manejo pré estabelecido, adotar na alimentação exclusivamente a ração e medicamentos fornecidos pela contratante e ao final do prazo estabelecido, devolver o lote completo de animais ou aves, recebendo como pagamento por seus serviços o resultado de um índice que mede o êxito do seu trabalhão (IEP – Índice de Eficiência Produtiva). Para subsidiar esta conclusão destacamos alguns fatos que traduzem por si o entendimento de que não há compra de mercadoria, mas pagamento de prestação de serviços: • A cooperativa não paga diretamente em espécie o resultado do trabalho do associado medido pelo IEP, usa o artifício de entregar simbolicamente seu equivalente valor em produto (aves/suínos), mas com uma cláusula de fidelidade nos contratos, obriga o parceiro a vender exclusivamente para a própria cooperativa tal parte, ou seja, faz um operação triangular, para ocultar o pagamento a título de serviços prestados, substituindo pelo imediato pagamento de uma suposta compra de produtos (que documentalmente já é de sua propriedade, ou seja, como pode comprar aquilo que já é seu?); • Sem entrar na seara tributária com o reflexo de tal procedimento equivocado, o fato é que representa uma distorção da realidade, onde o parceiro é investido na qualidade de proprietário das aves/suínos de forma virtual e apenas por alguns segundos, tempo suficiente para a emissão da nota fiscal de compra, instrumento que na pratica retrata o pagamento por seus serviços; • Ao término da criação, o transporte integral do lote de aves/suínos, da propriedade rural até o frigorífico é realizado pela Coopavel, para garantir que não haja desvio da produção. Somente no abate o parceiro/produtor rural tomará conhecimento do valor de seus serviços prestados, ocasião em que para recebelo aceita a emissão de uma nota fiscal simulando a venda de parte do lote, que não é seu, pois apenas detém a posse precária e não a propriedade; • Os contratos de parceria caracterizam o criador como fiel depositário das aves ou suínos; Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 10935.001269/201187 Acórdão n.º 3301004.019 S3C3T1 Fl. 9 8 • Se os próprios contratos de parcerias definem que o criador receberá pelas suas tarefas/trabalhos para cada lote que concluir a criação, um valor pecuniário, logo, considerando não pertencer ao criador a propriedade dos animais e aves, ração e medicamentos utilizados no trato, é impróprio que este possa vender à cooperativa parte do lote (que não é seu), para mascarar o pagamento dos serviços prestados, dandolhe a versão de ‘aquisição de mercadorias’;” (Grifos deste relator). A recorrente defendo o contrário: "a operação realizada tem natureza jurídica de produção de bens da quotaparte do produtor rural nos contratos de parceria e não de prestação de serviços como se pretendeu na decisão recorrida"(Grifos deste relator). Traz o art. 96 do Estatuto da Terra (Lei nº 4.504/1964) que trata dos contratos de parceria rural. Diz que seu § 5º prevê que as regras dos contratos de parceria rural não se aplicam aos contratos de parceria agroindustrial para a criação de aves e suínos que possuirão legislação específica; mas que, como até então não foi publicada a lei específica, tem se mantido a aplicação das regras da parceria rural. Observa que esse artigo fora regulamentado pelo Decreto nº 59.566/1966, destacandose, para o presente caso, partes do seu art. 4º: Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa [...] lhe entrega (a outra pessoa) animais para cria, recria, invernagem, engorda [...] mediante partilha de riscos do caso fortuito e da força maior do empreendimento rural, e dos frutos, produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem, observados os limites percentuais da lei. (Grifos do original. Explicação entre parênteses, deste relator). E prossegue: Nos contratos de parceria avícola/suinícola o objeto do contrato é a criação de frangos/suínos para o abate. A agroindústria (parceiraoutorgante) se obriga ao fornecimento de pintos e suínos para cria, recria, medicamentos, ração, assistência técnica e transporte e o produtor rural (parceirooutorgado) se obriga ao alojamento em estrutura própria (aviário) e ao desenvolvimento desses animais até chegarem ao ponto ideal de abate, arcando com as despesas trabalhistas e previdenciárias da contratação de funcionários, energia elétrica, manutenção, etc. [...] A parte do produtor é caracterizada como produção rural própria e não prestação de serviços. Ao final da realização do objeto do contrato, o produtor recebe parte da produção e não por haver prestado serviços. Apenas por força do contrato de parceria avícola/suinícola o produtor se obriga a comercializar a sua quota parte da produção com a agroindústria (parceirooutorgante). Se a previsão contratual não existisse o produtor rural estaria livre para comercializar a sua quotaparte da produção conforme sua conveniência. Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10935.001269/201187 Acórdão n.º 3301004.019 S3C3T1 Fl. 10 9 O Código Civil estabelece o conceito de proprietário/ direito de propriedade como um conjunto de direitos: Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Se o criador não tem o direito de usar, gozar, dispor da coisa; posto que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvêlos a quem lhe entregou; inclusive a sua, assimchamada, quotaparte; por força do contrato de parceria; não há que se falar em aquisição de bens por parte da agroindústria; mas sim em prestação de serviço por parte do criador; não sendo portanto cabível o pretendido direito ao crédito presumido. O animal, que se representa sua quotaparte é apenas um parâmetro, uma referência para sua remuneração. E mais, não se pode diferenciar a atividade exercida pelo criador com relação a sua quotaparte dos demais animais, como dizer que com relação a um animal produz e aos outros presta serviço. Traz a recorrente em seu favor, a Instrução Normativa RFB nº 971/2009: [...] no capítulo I do título III ao dispor das normas e procedimentos das atividades rural e agroindustrial, menciona nos incisos XI e XIV do artigo 165 sobre o contrato de parceria rural. Expressamente, o § único do artigo 168 da referida instrução normativa prescreve que a quotaparte do parceiro é considerada produção rural própria do produtor rural e base de incidência da contribuição previdenciária sobre a receita da comercialização da produção rural. [...] Parágrafo único. A parte da produção que na partilha couber ao parceiro outorgante é considerada produção própria." (Grifos do original). Este entendimento também é confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça, que instado a se manifestar sobre a incidência da contribuição previdenciária (funrural) nos contratos de parceria avícola, concluiu pela incidência da contribuição sobre a receita auferida pelo produtor rural quando da comercialização da sua quotaparte na produção a empresa agroindustrial (parceiro outorgante). [...] O artigo 110 do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172/1966) veda a possibilidade do ente competente de alterar a definição de institutos de direito privado [...] De fato, tal Instrução Normativa ´considera a quotaparte do parceiro produção rural própria, mas para fins específicos de incidência da contribuição previdenciária. Não pode ela alterar o instituto da propriedade esculpido no Código Civil, por força do referido art. 110 do Código Tributário. Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 10935.001269/201187 Acórdão n.º 3301004.019 S3C3T1 Fl. 11 10 Traz a recorrente jurisprudência deste CARF em seu socorro. Importante examinar os termos dos contratos de parceria que regulam as relações em pauta: “A retenção de frangos pelo CRIADOR em índice superior ao permitido, [...]caracterizará o furto, respondendo o mesmo penal e civilmente pelo ato praticado. “O CRIADOR. por cada lote criado, receberá pecuniariamente o valor apurado através da tabela referente ao Índice de Eficiência Produtiva IEP, observandose o seguinte: Peso Médio (X) Sobrevivência (X) 100 % (:) Conversão Alimentar (X) Idade dos Frangos.” “Facultase ao CRIADOR utilizar 0,15% (zero vírgula quinze por cento) do total de aves do lote em formação, para o seu próprio sustento. Não consumindo o total permitido, obrigase o CRIADOR a entregar todo o saldo de aves viáves e remanescentes não consumidas.” “O CRIADOR se obriga ainda: [...] “O CRIADOR por este instrumento constituise fiel depositário das aves postas em seu poder pela COOPAVEL, para que efetue a criação obejto deste instrumento, devendo respeitar orientações técnicas, zelando pela sua guarda e conservação, sendo que não o fazendo por ato de sua responsabilidade, responderá pelas penas de depositário infiel, nos termos da lei, especialmente se der causa ao desaparecimento de frangos não autorizados por este instrumento. As penas do depositário infiel serão de ordem civil e criminal.” (Grifos do original) O fato de ser constituído fiel depositários das aves (entendo, de todas elas) postas em seu poder pela COOPAVEL demonstra que, como já examinado, não são suas as aves, apenas presta serviço com relação a elas. Sua remuneração é pelo Índice de Eficiência Produtiva e não pela venda de animais. Se pode reter parte dos animais é para o seu sustento, não sendo estas devolvidas ao produtor, apenas se houver saldo. Situação semelhante ocorre com os contratos relativos aos suínos. Assim, nesse tema, nego provimento ao recurso voluntário. Do índice de exportação para ressarcimento do crédito presumido Consta do acórdão recorrido que a Delegacia de origem recalculou o crédito presumido (relativamente às aquisições comprovadas e não glosadas) aplicando um novo critério de rateio proporcional; desconsiderando a aplicação do índice setorial de exportação utilizado pela recorrente. Empregou a unidade índice de exportação calculado mediante a comparação das exportações realizadas (de carne e de óleo de soja degomado) com a receita bruta total da empresa no período: Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10935.001269/201187 Acórdão n.º 3301004.019 S3C3T1 Fl. 12 11 Em síntese, a autoridade fiscal, após determinar as aquisições de milho, soja, e animais realizadas de pessoas físicas que poderiam conceder o direito ao crédito presumido, aplicou: (i) o índice de exportação de carnes (frango e suíno), calculado por meio da divisão do total de exportações de carne pela receita bruta total, sobre as aquisições de animais (frango e suínos) e de milho com direito à crédito; e (ii) o índice de exportação de óleo degomado, calculado por meio da divisão do total das exportaçoes de óleo pela receita bruta total, sobre as aquisições de soja in natura com direito à crédito. No caso, a fiscalização partiu da premissa de que o milho foi empregado exclusivamente na fabricação da ração e a soja somente na industrialização do óleo de soja degomado, caracterizandose, portanto, a existência de consumo direto nos respectivos processos produtivos e de exportações de carne e de óleo de soja degomado. A contribuinte, por outro lado, aplicou e defende a aplicação das seguintes fórmulas: A recorrente alega ilegalidades na forma de apuração utilizada pelo Fisco, tendo em vista o disposto nos já citados artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, os quais autorizam a compensação com débitos próprios ou o ressarcimento em dinheiro, respectivamente: a) de saldo de créditos presumidos apurados a partir do ano calendário de 2006 na forma do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, existentes à data de publicação da lei; e b) para a pessoa jurídica, inclusive cooperativa, que até o final de cada trimestrecalendário, não conseguir utilizar os créditos presumidos apurados na forma do inciso II do § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004; remetendo o cálculo aos §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e §s 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). Argumenta que, quanto à primeiro situação, a exposição de motivos da Medida Provisória nº 517/2010, na qual fora convertida a dita lei, traz que a finalidade da medida é monetizar o estoque de créditos presumidos vinculados às receitas de exportação, permitindo que as pessoas jurídicas consigam realizar estes ativos de modo a reduzir os custos de produção (grifos do original). Reproduzo, para análise mais detalhada, os disposições em pauta: Art. 3º. [...] § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 10935.001269/201187 Acórdão n.º 3301004.019 S3C3T1 Fl. 13 12 § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (Grifos deste relator). A recorrente, optante pelo rateito proporcional, assim interpretou o respectivo dispositivo: [...] o crédito presumido a ressarcir vinculado a receita de exportação será apurado pela aplicação sobre os custos (bens adquiridos) da relação percentual da receita bruta da exportação dos produtos com direito ao crédito presumido em relação a receita bruta total dos produtos com direito ao crédito presumido, ou seja, obtido conforme a seguinte fórmula. Entendo pelo acerto da Delegacia de origem e da Delegacia de Julgamento: a disposição do 3o, § 8o , II, da Lei n. 10.833/2003 não deixa margem à interpretação da recorrente, posto que baseia o rateio na "relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total". Se é "receita bruta total" não é receita bruta total por produto (ou setor) carne e óleo de soja degomado como quer fazer crer a recorrente. A exposição de motivos que traz em seu favor não tem o poder de alterar o significado da lei, no máximo direcionar a seu interpretação quando houver margem para tanto. Ainda assim, também não ampara a fórmula defendida pela recorrente, por não discriminar produtos/ setores. Aduz a recorrente que o Receita Federal estaria a violar o princípio constitucional da isonomia, "diferenciado para empresas que investem e produzem através de diversas atividades em unidade filiais, das empresas que mantém uma única atividade e assim não tem que computar para Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10935.001269/201187 Acórdão n.º 3301004.019 S3C3T1 Fl. 14 13 cálculo de seu crédito receita de outras atividades. De plano, não compete a este Conselho se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Ainda assim, entendo que o legislador, ao estatuir a opção pelo método da apropriação direta, permite que a empresa compute operação a operação o seu crédito. Já na opção pelo rateio proporcional, o legislador elegeu um método mais geral e simplificado, para empresas com incidência nãocumulativa da COFINS, para apenas parte de suas receitas, sem o detalhamento por produto/ setor. Assim, nessa questão, nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, nego provimento os recurso voluntário da COOPAVEL." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, o Crédito Presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, c/c os artigos 56A e 56B da Lei nº 12.350/2010, incluídos pela Lei nº 12.431/2011, e o cálculo de rateio proporcional no regime da não cumulatividade se aplica tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 2368DF CARF MF
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