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Numero do processo: 10715.008159/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.218
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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score : 1.0
Numero do processo: 10831.012378/2005-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/12/2005
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.221
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
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Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 16692.720744/2014-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
SALDO NEGATIVO - IRPJ
Uma vez que o fundamento para a denegação do pedido original foi a não comprovação do oferecimento de receitas correspondentes ao imposto retido, deve ser reconhecido o valor suplementar de direito creditório relativo ao saldo negativo no período no montante comprovado pela defesa.
Numero da decisão: 1401-001.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório ao valor original suplementar de R$ 344.516,91, a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2009, exercício de 2010.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Declararam-se impedidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010 SALDO NEGATIVO - IRPJ Uma vez que o fundamento para a denegação do pedido original foi a não comprovação do oferecimento de receitas correspondentes ao imposto retido, deve ser reconhecido o valor suplementar de direito creditório relativo ao saldo negativo no período no montante comprovado pela defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório ao valor original suplementar de R$ 344.516,91, a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2009, exercício de 2010. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Declararam-se impedidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório ao valor original suplementar de R$ 344.516,91, a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2009, exercício de 2010. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 2. 72 07 44 /2 01 4- 47 Fl. 462DF CARF MF 2 Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Declararamse impedidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: A interessada transmitiu, em 1o de novembro de 2011, o Perdido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) numerado 01402.58429.011111.1.2.021130, pleiteando a restituição do saldo negativo de IRPJ – Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas apurado no exercício de 2010, no valor de R$ 1.003.866,01. DESPACHO DECISÓRIO Tal declaração foi examinada pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório de fls. 207 a 211, nos seguintes termos: 2 - Da apuracao do direito creditorio 10. Avaliando a apuracao do suposto saldo negativo de IRPJ do ano-calendario 2009, no montante de R$ 1.003.866,01, declarado na ficha 12A da DIPJ 2010 a fl. 24, verifica-se que: ▪ O contribuinte não apurou IRPJ devido, antes de descontar as deduções, por ter apurado um prejuízo fiscal no montante de R$ 664.029.788,39, conforme ficha 09A da DIPJ 2010 a fl. 19. ▪ Foi utilizada na apuração do resultado final (ficha 12A) o total de R$ 1.003.866,01 a titulo de IRRF. De acordo com consulta ao sistema Sief/DIRF (fls. 189/205), foi informado em DIRF, através das declarações das fontes pagadoras, IRRF no montante total de R$ 1.002.211,30. Como as receitas sobre serviços e financeiras correspondentes foram oferecidas a tributação, as fontes correspondentes foram validadas. Já o IRRF sobre Juros sobre Capital Próprio (código 5706) não pode ser validado porque a receita correspondente nao foi declarada na ficha 06A, linha 22 (fl. 14). Portanto, o valor que pode ser utilizado na apuração do saldo negativo e de R$ 657.694,39. A DRF de origem encaminhou à interessada a Intimação nº 388/2014, como segue: Assunto: Deferimento Parcial com Intimação para Compensação de Oficio No processo em epigrafe foi reconhecido parcialmente o direito creditório Fl. 463DF CARF MF Processo nº 16692.720744/201447 Acórdão n.º 1401001.933 S1C4T1 Fl. 445 3 pleiteado, todavia quando das verificaçães preliminares para o pagamento do valor deferido, constatou-se a existência de débitos administrados pela RFB em abertos e/ou inscritos em Divida Ativa da União, relacionados em anexo. Com fundamento nos artigos 73 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, do art. 7o do decreto-Lei 2.287, de 23 de julho de 1986; e do Decreto 2.138, de 29 de janeiro de 1997, informa-se que o valor do credito reconhecido será compensado com os débitos existentes conforme relação em anexo. Ressalto que, conforme disposições da IN/RFB 1.300/2012, na existência de debito, ainda que parcelado, o valor da restituição devera ser utilizado para quitá-lo, mediante compensação em procedimento de oficio, sem prejuízo da continuidade da cobrança caso permaneça saldo devedor a ser quitado. MANIFESTAÇÕES Ciente tanto do reconhecimento parcial de seu direito creditório quanto da compensação de ofício, a interessada apresentou as seguintes manifestações: DE FLS. 218 E 219 MANIFESTAÇÃO CONTRARIA A COMPENSAÇÃO DE OFICIO em face da Comunicação em epigrafe (doc. 03), com fundamento no § 2o do artigo 61 da Instrução Normativa SRF n° 1.300 de 21/11/2012, pelas razoes que a seguir passa a expor; [...] No presente caso temos que foi reconhecido o direito creditório da ora Peticionaria. Ocorre que, por meio de comunicação em epigrafe a ilustre Autoridade Administrativa negou a imediata restituição do montante reconhecido sob a alegação da existência de débitos em nome da Peticionaria. Nesta esteira, em que pese os apontamentos elencados, com fundamento no § 3º do artigo 61 da Instrução Normativa SRF n° 1.300/2012 a Peticionaria vem DECLARAR A SUA NÃO-CONCORDÂNCIA com a compensação proposta pela Receita Federal do Fl. 464DF CARF MF 4 Brasil, registrando expressamente sua impugnação e rejeição integral da pretensão fiscal. Pelo exposto, diante da não concordância da Peticionaria com a compensação de oficio, requer- se nos termos do artigo anteriormente citado que o valor do credito já reconhecido nos autos deste processo administrativo seja retido para posterior restituição. DE FLS. 239 A 250 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE [...] Conforme copia da DIPJ de 2010, ano-calendário 2009, ficha 12A e 57 (doc. 04), a ora impugnante demonstra de forma clara e inconteste que teve o montante de R$ 1.033.866,01 (um milhão, trinta e três mil, oitocentos e sessenta e seis reais e um centavo) de imposto de renda retido na fonte, sendo efetivamente contribuinte do imposto. E como tal, sofreu o ônus das retenções do IRRF, estas devidamente informadas, demonstrando o direito a sua restituição e efetuando seu pedido dentro dos parâmetros estabelecidos. Com a finalidade de demonstrar as retenções sofridas, anexa a presente Manifestação, os comprovantes de retenções sofridas (doc. 05) que divergem dos valores informados pelas fontes pagadoras (doc. 06), assim, ainda que as fontes pagadoras tenham prestado informações equivocadas ao fisco, resta demonstrado que a ora Recorrente efetivamente sofreu o ônus das retenções. [...] o valor referente ao recebimento do JCP foi devidamente contabilizado, levado a tributação e devidamente informado para a Receita Federal do Brasil, na Ficha 9A, linha 16, o Despacho Decisório combatido não merece prosperar, devendo ser reformado. Com efeito, espera-se a validação integral do Saldo Negativo de IRRJ do ano-calendário de 2009, deferindo o valor total principal de R$ 1.033.866,01 (um milhão, trinta e três mil, oitocentos e sessenta e seis reais e um centavo) a ser restituído. 4. DO PEDIDO Fl. 465DF CARF MF Processo nº 16692.720744/201447 Acórdão n.º 1401001.933 S1C4T1 Fl. 446 5 Diante de todo o exposto, requer-se que seja dado provimento a presente Manifestação de Inconformidade, reconhecendo Saldo Negativo de IRPJ de 2010, no valor original de R$ 1.033.866,01, consubstanciado no PER/DCOMP n° 01402.58429.0111 1 1.1.2.021130. Requer ainda, a imediata restituição do valor incontroverso, qual seja, o principal de R$ 657.694,39 (seiscentos e cinquenta e sete mil, seiscentos e noventa e quatro reais e trinta e nove centavos). Em 5 de agosto de 2015, a interessada obteve, no curso do processo nº 001490766.2015.403.6100, liminar em mandado de segurança, determinando o julgamento da presente manifestação de inconformidade em trinta dias, contados de 14 de agosto de 2015. Da decisão de primeiro grau A Delegacia de Julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade (fls. 334340), por considerar que a contribuinte não comprovou o oferecimento à tributação das receitas relativos aos juros sobre capital próprio. Ademais, não tomou conhecimento da manifestação relativamente à compensação de ofício do crédito reconhecido. No tocante à parte conhecida, a DRJ registrou que a DIPJ a ser considerada deveria ser a relativa ao nº 1065882, do anocalendário 2009, exercício 2010, cuja linha 16 da ficha 09A (Juros sobre Capital Próprio Recebido Investimento Avaliado pelo Método da Equivalência Patrimonial) teria seu valor zerado. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 345 a 356, e o reapresentou às fls. 389 a 401 e 416 a 428. A razão de reapresentar se refere ao fato de apresentado originariamente o recurso antes mesmo de ter sido formalmente intimado da decisão de primeiro grau. Na sua defesa, após longa digressão sobre os fatos do processo, especialmente o modo como contabiliza os juros sobre o capital próprio, e sobre as peças processuais, aduz que a decisão se equivocou na análise das provas apresentadas. Aduz que, de fato, como afirmado pela Delegacia de Julgamento, a DIPJ a ser analisada é a de número 1065882. Todavia, no campo indicado (linha 16 da ficha 09A), consta o valor da receita de juros sobre o capital próprio. É o relatório do essencial. Fl. 466DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator A questão a ser analisada é fática: se o contribuinte ofereceu ou não à tributação as receitas relativas aos juros sobre capital próprio. Na sua manifestação de inconformidade, aduz que o fez por meio de uma adição na linha 16 da ficha 09A da DIPJ do anocalendário de 2009. Já a DRJ aduz que não consta o referido valor na respectiva linha. Ambos, estão de acordo que a DIPJ a ser analisada é a de nº 1065882. Pois bem, este documento consta já nas primeiras páginas do processo (fls. 10 a 188) e podemos verificar na fl. 10 a identificação do nº 1065882. Já na fl. 18, consta a citada ficha 09A. A sua linha 16 é identificada como uma adição para fins de apuração do lucro real com a seguinte designação: "Juros sobre Capital Próprio Recebido Investimento Avaliado pelo MEP". Lá, ao contrário do afirmado pela autoridade julgadora de primeiro grau e em consonância com o aduzido pela defesa, consta o registro do valor de R$ 2.296.046,10. Esse valor é praticamente idêntico ao que consta em DIRF e reproduzido no despacho decisório de fl. 209, ou seja, R$ 2.296.779,50. Logo, concluímos que o recorrente ofereceu a receita a tributação, não por meio de um item da apuração do resultado (ficha 06A, linha 22, " Receitas de Juros sobre o Capital Próprio"), mas por meio de uma adição (ficha 09A, linha 16) e, portanto, faz jus a que o imposto de renda retido componha o saldo negativo do IRPJ do período. Voto, pois, por dar provimento ao recurso voluntário com o fito de reconhecer, além do montante já reconhecido no presente feito, mais o valor originário de R$ 344.516,91 a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2009, exercício de 2010. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 467DF CARF MF Processo nº 16692.720744/201447 Acórdão n.º 1401001.933 S1C4T1 Fl. 447 7 Fl. 468DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904850/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.965
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 85 0/ 20 11 -1 3 Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 10530.904850/201113 Resolução nº 3201000.965 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 10530.904850/201113 Resolução nº 3201000.965 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 10530.904850/201113 Resolução nº 3201000.965 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 10530.904850/201113 Resolução nº 3201000.965 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.001488/2005-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/11/2000 a 31/12/2000
IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL.
O erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regra-matriz de incidência, decorrente da identificação do estabelecimento matriz em lugar do estabelecimento filial como sujeito passivo da obrigação tributária, que deu causa à anulação do lançamento objeto da lide, constitui vício material.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-005.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ILEGITIMIDADE PASSIVA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/11/2000 a 31/12/2000 IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regramatriz de incidência, decorrente da identificação do estabelecimento matriz em lugar do estabelecimento filial como sujeito passivo da obrigação tributária, que deu causa à anulação do lançamento objeto da lide, constitui vício material. Recurso Especial do Procurador negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 14 88 /2 00 5- 70 Fl. 893DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3402001.897, de 25/09/2012, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/11/2000 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Mera Solução de Consulta não possui o condão de trazer para o pólo passivo da relação jurídicotributária terceiro não contribuinte do tributo lançado, mormente não tendo sido esse terceiro o consulente. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IPI. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. LANÇAMENTO. Salvo se houver expressa determinação judicial, é incabível auto de infração de IPI contra distribuidora de bebida que não se subsume à definição legal de contribuinte desse tributo. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Afastada a responsabilidade da pessoa jurídica pelo crédito tributário, em virtude de erro na identificação do sujeito passivo, fica também afastada a responsabilidade pessoa do sócio dessa pessoa jurídica. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgese contra o fato de se ter decidido pela improcedência total da exigência, quando, no seu entender, deveria ter anulado o lançamento por vício formal. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos CSRF nº 30133.686 e 2302001.330. O exame de admissibilidade encontrase às fls. 859/861. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 868/873). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 9303005.462 CSRFT3 Fl. 894 3 Com efeito, enquanto o acórdão recorrido entendeu improcedente o lançamento por erro de identificação do sujeito passivo, os acórdãos paradigmas concluíram que, nas mesmas condições, o lançamento seria nulo por vício formal. A conferir: Acórdão nº 30133.686: NULIDADE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. É nulo, por vicio formal, de lançamento constituído mediante auto de infração lavrado em face de sujeito passivo diverso daquele elencado pela norma tributária. Acórdão nº 2302001.330: SUJEITO PASSIVO O sujeito passivo da obrigação tributária é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. O erro na identificação do sujeito passivo acarreta a anulação do lançamento por vício formal. Notese que, não obstante a relatora do acórdão recorrido tenha registrado que deixaria de declarar a nulidade do lançamento, em face da permissão prevista no § 3º do art. 59 do PAF, o que fez, foi, na verdade, apreciála, conforme facilmente pode ser observado. Confiramse os seguintes parágrafos da decisão: Todavia, com fundamento no art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, deixo de declarar a nulidade da decisão recorrida e passo à apreciação das demais alegações trazidas no recurso. As razões recursais focalizam precipuamente questões relativas ao erro na identificação do sujeito passivo e, na análise dessa matéria, cumpre primeiro salientar que o fato gerador do IPI lançado descrito no TVF foi a saída de bebidas do estabelecimento industrial para a distribuidora MAS Import e, nesse contexto, contribuinte do imposto definido pelo art. 23, inc. II, do Ripi/98, cuja matriz legal é o art. 35, inc. I, alínea “a”, da Lei nº 4.052, de 30 de novembro de 1964, é o estabelecimento industrial que promoveu a saída do produto industrializado do seu estabelecimento. Assim sendo, é patente a ilegitimidade passiva da MAS Import, nestes autos, visto que, não é ela o industrial que deu saída ao produto industrializado, nos termos do mencionado dispositivo legal. Nesse ponto, por bem esclarecer minha convicção sobre a Fl. 895DF CARF MF 4 matéria, cabe transcrever trecho da sentença proferida pelo Juiz Federal Substituto Odilon Romano Neto, nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.51.04.00014546, também transcrito na decisão recorrida: (...) Desta sorte, vêse com absoluta clareza que as distribuidoras de bebidas não ostentam quer a qualidade de contribuintes de direito, quer a qualidade de contribuintes de fato, circunstância esta corretamente apontada pela autoridade impetrada ao alertar acerca da impossibilidade jurídica de constituição do crédito tributário em face das distribuidoras, que não detêm a qualidade de sujeitos passivos do tributo. (Grifouse) Observese que, à época do lançamento em questão, a antecipação de tutela concedida nos autos da ação n° 98.00073302, que obstara a imposição tributária em questão, já havia sido suspensa por decisão judicial hierarquicamente superior, não mais subsistindo óbice à lavratura do auto de infração contra a o estabelecimento industrial, o real contribuinte do IPI. Ao que parece, a fiscalização entendeu que a contribuinte, Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes, estaria protegido pela Decisão SRRF/7ª RF/Disit nº 139, de 4 de julho de 2000, cuja cópia consta das fls. 392 a 396, confirmada com a Solução de Divergência Cosit nº 27, de 29 de outubro de 2002, que solucionou divergência suscitada pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal da 5ª Região Fiscal. No entanto, a meu ver, ainda que os efeitos dessa consulta pudessem perdurar após a supensão da antecipação de tutela, matéria que não cabe aqui analisar, visto que a pessoa jurídica autuada não figura como consulente, mera Solução de Consulta não poderia ter o condão de transferir a sujeição passiva do contribuinte definido em lei para pessoa jurídica que não se subsume a essa definição. A fiscalização invocou, para atribuir a responsabilidade à Mas Import, o art. 811, inc. I, da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC) fundamento legal do entendimento explicitado nas soluções de consulta; contudo, esse dispositivo legal referese a responsabilidade por prejuízo causado com a execução da medida cautelar. Tratase, portanto, de indenização pelos danos sofridos pelo requerido com a execução da medida cautelar. Essa indenização deve ser apurada e liquidada nos próprios autos da medida cautelar e, de forma nenhuma, se confunde com tributo que, nos dizeres do art. 3° da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Fl. 896DF CARF MF Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 9303005.462 CSRFT3 Fl. 895 5 Assim sendo, não vislumbro que os esclarecimentos a respeito da ação judicial e dos correspondentes depósitos possam vir a determinar a propriedade da incidência do art. 811 do CPC no caso para exigência do tributo devido. Notese que as soluções de consulta citadas alhures, ao consignarem conclusão de que o lançamento do crédito tributário deveria ser feito contra as distribuidoras que propuseram a ação judicial com vista a afastar o destaque do IPI em notas fiscais e o seu conseqüente recolhimento, produziram o mesmo imbróglio gerado pelo Poder Judiciário, ao conceder antecipação de tutela nessas ações propostas por pessoas jurídicas que, não sendo contribuintes do IPI, não poderiam ser legitimadas para deduzir em juízo essa pretensão. Cumpre ressaltar ainda que, no TVF, há referências a indícios de sonegação, indícios de provável conluio entre a MAS Import e a Primo Schincariol e possível esquema comandado pela cervejaria Schincariol para concluir que “está plenamente caracterizada a atitude dolosa por parte da empresa, “tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal” ou de “impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento do (sic) parte da autoridade fazendária””. Todavia, os autos não estão instruídos com elementos de prova necessários a transfigurar os indícios e possibilidades de forma a imprimirse certeza de ocorrência da conduta dolosa. Ademais, ainda que provado o conluio de que se noticiou a existência de indícios, o contribuinte do IPI, nos termos do art. 23, inc. II, do Ripi/98, que foi o fundamento legal do auto de infração para a sujeição passiva da MAS Import, seria o estabelecimento industrial. Pelas razões expostas, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pela MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. para cancelar a exigência tributária, por erro na identificação do sujeito passivo. (g.n.) Posto isto, entendemos assistir razão à Recorrente. Mas, como se passa a demonstrar, apenas em parte. É que, malgrado concordemos com a tese da nulidade, o vício que inquina o lançamento é, a nosso juízo, de ordem material, substancial, portanto, por constituirse na aplicação incorreta da regramatriz de incidência tributária. Sim, porque, no caso, o que houve foi uma errônea aplicação da norma jurídica, já que não permitia cobrar o tributo do distribuidor, mas, sim, do estabelecimento industrial. Noutros termos, o que houve foi um desacordo entre o preceito legal e o caso examinado. O vício, destarte, é de conteúdo, não de formalização, hipótese que o qualifica como material, como defende EURICO DE SANTI, citado por MARCOS VINICIUS NEDER e MARIA TEREZA LÓPEZ (Processo Administrativo Fiscal Comentado, Dialética, 3ª. Ed: São Paulo, 2010, p. 566), para quem Fl. 897DF CARF MF 6 “... se o lançamento objeto de invalidação apresentar vício em seu processo de produção, é caso de anulação; se o vício estiver instalado em seu produto, é caso de nulidade. Vincula, portanto, a anulação aos problemas que se referem ao processo de produção do lançamento (vícios formais) e a nulidade aos problemas inerentes ao conteúdo do ato (vícios materiais).” Ainda sobre o mesmo tema, acrescem NEDER e LÓPEZ, na mesma obra e página: “Assim, se a invalidade do lançamento decorre de problemas nos pressupostos de constituição do ato, ou seja, na aplicação da regramatriz de incidência e na comprovação da ocorrência do fato (direito material), dizse que o vício é material. Se a anulação decorre de vício de forma ou de formalização do ato, o vício é formal e se aplica o artigo 173, inciso II, para reinício da contagem do prazo decadencial”. Concluindo: a nulidade reconhecida, embora não explicitamente, no acórdão recorrido é material, não formal. Em sintonia com o nosso entendimento, reproduzimos a seguinte ementa de decisão prolatada por esta mesma 3ª Turma: IPI. AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regramatriz de incidência, decorrente da identificação do estabelecimento matriz em lugar do estabelecimento filial como sujeito passivo da obrigação tributária, que deu causa à anulação do lançamento objeto da lide, constitui vício material. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9303004.690, 21 de março de 2017) Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 898DF CARF MF Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 9303005.462 CSRFT3 Fl. 896 7 Fl. 899DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.720010/2015-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2010
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. RESP 973.733-SC. RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF.
O Superior Tribunal de Justiça, através do REsp nº 973.733-SC, sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, assentou que o dies a quo para contagem da decadência para o exercício do direito de constituir/formalizar o crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistente pagamento antecipado, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser realizado, nos termos do art. 173, I do Código Tributário Nacional. Manifestação judicial que deve obrigatoriamente ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015).
IPI. SALDOS CREDORES. PAGAMENTOS. EQUIVALÊNCIA. REQUISITOS.
Nos termos do art. 124 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/02), então vigente, considera-se pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, sendo requisito essencial que os créditos apropriados sejam admitidos pela legislação de regência, assim entendidos aqueles que contam com previsão legal e se respaldam em documentação hábil e idônea.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2010
IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica.
Numero da decisão: 3401-003.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para: (a1) rechaçar as alegações de nulidade; e (a2) rejeitar a demanda pelo sobrestamento do julgamento; (b) por maioria de votos, para: (b1) manter o lançamento, no que se refere a créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencido o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b2) excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida; e (c) por voto de qualidade, para rejeitar a argumentação suscitada de ofício, pelo relator, de que teria havido decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 28/04/2010, por decorrer o saldo devedor da glosa das aquisições da Zona Franca de Manaus, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
ROSALDO TREVISAN (PRESIDENTE) - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2010 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. RESP 973.733-SC. RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF. O Superior Tribunal de Justiça, através do REsp nº 973.733-SC, sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, assentou que o dies a quo para contagem da decadência para o exercício do direito de constituir/formalizar o crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistente pagamento antecipado, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser realizado, nos termos do art. 173, I do Código Tributário Nacional. Manifestação judicial que deve obrigatoriamente ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015). IPI. SALDOS CREDORES. PAGAMENTOS. EQUIVALÊNCIA. REQUISITOS. Nos termos do art. 124 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/02), então vigente, considera-se pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, sendo requisito essencial que os créditos apropriados sejam admitidos pela legislação de regência, assim entendidos aqueles que contam com previsão legal e se respaldam em documentação hábil e idônea. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2010 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para: (a1) rechaçar as alegações de nulidade; e (a2) rejeitar a demanda pelo sobrestamento do julgamento; (b) por maioria de votos, para: (b1) manter o lançamento, no que se refere a créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencido o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b2) excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida; e (c) por voto de qualidade, para rejeitar a argumentação suscitada de ofício, pelo relator, de que teria havido decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 28/04/2010, por decorrer o saldo devedor da glosa das aquisições da Zona Franca de Manaus, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. ROSALDO TREVISAN (PRESIDENTE) - Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator. ROBSON JOSÉ BAYERL - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. RESP 973.733SC. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. O Superior Tribunal de Justiça, através do REsp nº 973.733SC, sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, assentou que o dies a quo para contagem da decadência para o exercício do direito de constituir/formalizar o crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistente pagamento antecipado, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser realizado, nos termos do art. 173, I do Código Tributário Nacional. Manifestação judicial que deve obrigatoriamente ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015). IPI. SALDOS CREDORES. PAGAMENTOS. EQUIVALÊNCIA. REQUISITOS. Nos termos do art. 124 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/02), então vigente, considerase pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, sendo requisito essencial que os créditos apropriados sejam admitidos pela legislação de regência, assim entendidos aqueles que contam com previsão legal e se respaldam em documentação hábil e idônea. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 72 00 10 /2 01 5- 73 Fl. 263DF CARF MF 2 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado, da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para: (a1) rechaçar as alegações de nulidade; e (a2) rejeitar a demanda pelo sobrestamento do julgamento; (b) por maioria de votos, para: (b1) manter o lançamento, no que se refere a créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencido o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; e (b2) excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Mara Cristina Sifuentes e Fenelon Moscoso de Almeida; e (c) por voto de qualidade, para rejeitar a argumentação suscitada de ofício, pelo relator, de que teria havido decadência em relação aos fatos geradores anteriores a 28/04/2010, por decorrer o saldo devedor da glosa das aquisições da Zona Franca de Manaus, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. ROSALDO TREVISAN (PRESIDENTE) Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. ROBSON JOSÉ BAYERL Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 16045.720010/201573 Acórdão n.º 3401003.880 S3C4T1 Fl. 264 3 Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de Auto de Infração (fls. 0206), em 27/04/2015, do qual o contribuinte foi cientificado no dia seguinte, 28/04/2015 (conforme fls. 02), para cobrança de crédito tributário no valor de R$17.401.964,81 (dezessete milhões, quatrocentos e um mil, novecentos e sessenta e quatro reais e oitenta e um centavos), a título de Imposto sobre Produtos Industrializados ("IPI"), multa de 75% (setenta e cinco por cento) prevista no artigo 80, caput, da Lei nº 4.502/1964, com redação dada pelo artigo 13 da Lei nº 11.488/2007, e juros de mora, referente a fatos geradores ocorridos entre 01/04/2010 e 31/12/2010. O motivo do lançamento é a utilização de créditos básicos indevidos pela Recorrente, eis que, segundo o Auto de Infração, “o estabelecimento industrial deixou de recolher o imposto fabril em decorrência da escrituração e utilização de créditos básicos indevidos – entradas isentas da Zona Franca de Manaus”. (fls. 03) No relatório fiscal de fls. 07 e seguintes, a Fiscalização inicialmente expõe que: “Visto, LG, acumular expressivos saldos credores em seu Registro de Apuração do IPI (doravante, RAIPI), há mais de década, tem solicitado ressarcimentos de seus saldos positivos do tributo fabril. Em razão de seus pedidos de ressarcimento, há mais de década também, a Fazenda Nacional vem auditando as operações fiscais relacionadas às atividades industriais da Empresa. Dentre as irregularidades reiteradamente praticadas por nós verificadas em LG, sobrelevavase a de inserir, no seu Registro de Apuração do IPI (RAIPI), “créditos em razão de aquisições de mercadorias/insumos advindos da Zona Franca de Manaus. Não obstante serem aquisições beneficiadas com isenção do imposto, LG “calculava” hipotéticos “créditos” e os transferia para sua escrita fiscal. Ou seja: entradas sem destaque de IPI fictamente produziam valores que se transmudavam em créditos no RAIPI da Empresa. Que abatiam débitos de IPI e, por conseguinte, incrementava valores de pedidos de ressarcimento”. Em seguida, a Fiscalização indica os dispositivos que tratam do crédito básico de IPI até o ano de 2010, no Regulamento do IPI de 2002, os artigos 163 e 164, e no período subsequente, sob a vigência do Regulamento do IPI de 2010, os artigos 225 e 226, informando que em dois processos administrativos de interesse da própria contribuinte, a instância administrativa final referendou o entendimento da Fiscalização quanto à ilegitimidade de escrituração e utilização de tais créditos. São os processos nº 16048.000007/200708, que trata de pedido de ressarcimento referente ao 4º Trimestre do ano de 2006, no qual foi proferido o Acórdão nº 3201.007.767, e o processo nº 16048.000005/200719, que trata de pedido de ressarcimento Fl. 265DF CARF MF 4 referente ao 3º Trimestre do ano de 2006, no qual foi proferido o Acórdão nº 3201.001.766, cujas ementas possuem a mesma redação, estando a seguir transcrita a ementa do primeiro processo: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO BÁSICO DE IPI. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI e decorrente do principio constitucional da não cumulatividade; tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício darse nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos. (Processo nº 16048.000007/200708; Data da Sessão: 14/10/2014; Relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO; Acórdão nº 3201001.767) Ao final, a Fiscalização conclui que “dado o entendimento esposado pela Fiscalização e corroborado pela instância recursal, retiramos da escrita da LG os valores indevidos por ela escriturados no interregno de abril a dezembro de 2010, apurando IPI a pagar conforme consta da folha inaugural deste processo fiscal". Contra o lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, julgada improcedente, em 30/11/2015, pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre ("DRJ/POA"), em acórdão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2010 AQUISIÇÃO DE PRODUTO ISENTO. ZONA FRANCA. CRÉDITO PRESUMIDO. INADMISSIBILIDADE. O princípio constitucional da nãocumulatividade implementase pelo sistema de créditos do imposto. O princípio visa tãosomente a evitar que o somatório dos recolhimentos parciais, efetuados nas várias etapas ao longo da circulação econômica, não ultrapasse o valor que seria devido caso houvesse incidência unifásica na última operação. A impossibilidade do creditamento por parte do adquirente de insumo isento não afronta o princípio da nãocumulatividade, eis que o tributo não foi cobrado na etapa anterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2010 JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC Efetuada a cobrança de juros de mora em perfeita consonância com a legislação vigente, não há base para retificar ou elidir os acréscimos legais lançados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2010 Fl. 266DF CARF MF Processo nº 16045.720010/201573 Acórdão n.º 3401003.880 S3C4T1 Fl. 265 5 PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS E DOCUMENTOS. A interposição da impugnação instaura o litígio e consubstancia o momento processual adequado para a apresentação das razões e das provas escritas em que se fundamenta, admitindose, excepcionalmente, a juntada de novos documentos escritos em momento posterior somente nas hipóteses de que tratam os §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (acrescentados pelo art. 67 da Lei nº 9.532/97), não aplicáveis ao caso em pauta”. O contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado dessa decisão em 19/01/2016, conforme "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem Comunicado" de fls. 141, apresentando tempestivo Recurso Voluntário de fls 168 e seguintes, em 18/02/2016 (fls. 165 167), no qual requer a nulidade da decisão recorrida ou a sua reforma, pedindo ainda o sobrestamento do feito até o julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891, com base nos seguintes argumentos: (i) a decisão recorrida seria nula, por ter incorrido em uma série de omissões, o que implicaria a sua falta de motivação e o cerceamento do direito de defesa da Recorrente; (ii) a decisão deveria ser reformada, defendendo a Recorrente que teria direito ao crédito de IPI decorrente das aquisições de insumos isentos advindos da Zona Franca de Manaus e que seria ilegal a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício; e (iii) o feito deveria ser sobrestado não com fundamento no artigo 151 do CTN, mas em virtude da existência de Recurso Extraordinário submetido à sistemática da repercussão geral, com fundamento nos princípios da celeridade e economia processual e na efetividade do processo. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, para que o Colegiado aprecie a matéria principal discutida nesses autos, relativa ao direito de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus, além das matérias relativas à nulidade da decisão recorrida, à incidência de SELIC sobre multa de ofício, e o pedido de sobrestamento do feito. Considerando ainda que a Recorrente foi cientificada, em 28/04/2015, de lançamento para constituição de créditos tributários ocorridos entre 01/04/2010 e 31/12/2010, submeto ao Colegiado a apreciação, de ofício, da extinção de parte do crédito tributário por decadência (artigo 156, inciso V, do CTN). Pedido de sobrestamento do feito A Recorrente argumenta que o feito deveria ser sobrestado não com fundamento no artigo 151 do CTN, mas em virtude da existência de Recurso Extraordinário submetido à sistemática da repercussão geral, com fundamento nos princípios da celeridade e economia processual e na efetividade do processo. Fl. 267DF CARF MF 6 Como se verifica, a Recorrente não aponta uma regra sequer, a ser interpretada à luz dos princípios invocados, que pudesse dar fundamento ao seu pedido. De qualquer maneira, é entendimento desta Turma que, após a publicação da Portaria MF nº 545/2013, a qual revogou os dispositivos do Regimento Interno do CARF então vigente que determinavam o sobrestamento de processos administrativos até o julgamento final pelo STF de processos em que reconhecida a repercussão geral (artigo 62A, parágrafos 1º e 2º), o CARF deve julgar os processos que se encontrem nessa condição, como se verifica da ementa abaixo: “RETORNO SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÙMULA 2CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, os retornos de sobrestamento sem decisão definitiva do STF (em matérias de reconhecida repercussão geral) devem ser julgados tomando como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF”. (Acórdão nº 3401.003.445; Sessão de 30/03/2017; Relator: Rosaldo Trevisan) Esse entendimento permite que o CARF seja palco para debates sobre matérias pendentes de apreciação pelo STF, nos quais as matérias possam ser dissecadas tanto por contribuinte quanto por Fazenda Nacional, sendo objeto de decisões nos mais variados sentidos, dado o número de Turmas em cada Seção, o que permite oxigenar as discussões, em prestígio ao contraditório e à ampla defesa, e resulta na possibilidade de uma exame mais maduro da causa pelo Poder Judiciário, após a devida apreciação por órgão administrativo especializado na matéria. Tal vantagem seria perdida se o CARF ficasse engessado, esperando por uma decisão definitiva de mérito, em toda a questão que fosse submetida ao rito da repercussão geral. Ante o exposto, proponho ao Colegiado rejeitar o pedido de sobrestamento. Decadência em lançamentos de IPI O CTN estabelece como regra geral que o início da contagem do prazo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, segundo dispõe o artigo 173, inciso I1. Porém, no que se refere aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, prevalece a regra especial esculpida no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN2, nos quais o prazo para a contagem da decadência tem início com a ocorrência do fato gerador. 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 2 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 16045.720010/201573 Acórdão n.º 3401003.880 S3C4T1 Fl. 266 7 A partir da leitura desses dispositivos, a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça ("STJ") e seguida por esse Tribunal Administrativo é no sentido de que, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve ser aplicado o prazo do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, quando o contribuinte efetua algum pagamento, e o prazo previsto no artigo 173, inciso I, na inexistência de pagamento ou na hipótese de dolo, fraude ou simulação. Porém, nos casos que envolvem o IPI, merece ainda destaque o artigo 124 do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), que prevê: "Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: (...) III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Seguindo esse tecido normativo, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de forma não unânime, afirmou que “a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher considerase pagamento, para efeito de contagem de prazo decadencial para lançamento tributário". (Processo nº 19515.002386/200454; Acórdão nº 9303003.299; 3ª Turma; Sessão de 24/03/2015; Relator: Joel Miyazaki; Voto Vencedor: Júlio Cesar Alves Ramos) Assim, no presente caso, com fundamento no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, e artigo 124, parágrafo único, inciso III, do Decreto nº 4.544/2002, considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento em 28/04/2015, devem ser cancelados todos os créditos tributários cujo fato gerador ocorreu antes de 28/04/2010, proposta que submeto, de ofício, à apreciação e decisão do Colegiado. Nulidade da Decisão Recorrida A Recorrente alega que a decisão recorrida seria nula, por ter incorrido em uma série de omissões, o que implicaria a sua falta de motivação e o cerceamento do direito de defesa da Recorrente. Dentre os argumentos que a decisão recorrida deveria ter apreciado e não o fez, a Recorrente menciona: (i) as exceções ao princípio da não cumulatividade deveriam constar expressamente no texto constitucional; (ii) os fundamentos contidos nos precedentes administrativos e judiciais trazidos pela Recorrente; (iii) o entendimento do lançamento resultaria na anulação do benefício, pois a situação seria de mero diferimento, e teria como resultado a desindustrialização da área; e (iv) parecer atestando que sem o crédito de IPI não há benefício fiscal na Zona Franca de Manaus. Ao analisar a questão principal que se discute nesses autos, a existência de direito de crédito de IPI na aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, a decisão recorrida realmente deixou de se manifestar expressamente sobre alguns dos argumentos trazidos pela Recorrente e sobre o parecer acima mencionado, porém, enfrentou as questões relevantes e apresentou fundamentação, a meu entender, suficiente, para defender o seu posicionamento de que inexistiria o direito de crédito discutido, em razão da ausência de dispositivo expresso outorgando o direito de crédito. Fl. 269DF CARF MF 8 Pelo exposto, entendo que a manutenção do lançamento pela decisão recorrida se deu dentro das prescrições legais, sem ofensa ao direito da Recorrente ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal, motivo pelo qual voto pelo não acolhimento desta preliminar de nulidade. Direito de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus A questão que se coloca nesses autos é se, à luz do ordenamento jurídico vigente, a Recorrente faz jus ao direito de crédito de IPI decorrente de operações de aquisição de insumos oriundos da Zona Franca de Manaus. Impende esclarecer que não há qualquer questionamento quanto à isenção fruída pelos fornecedores da Recorrente, tendo a Fiscalização se voltado apenas contra o direito de crédito de IPI escriturado pela Recorrente, de modo que a discussão se cinge a esse último aspecto. A Constituição da República prevê, em seu artigo 153, parágrafo 3, inciso II, que o IPI será "será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores" (grifos nossos). Já com relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre prestações de Serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação ("ICMS"), a não cumulatividade encontra assento constitucional no artigo 155, parágrafo 2º, inciso I, da Constituição da República, que determina que o ICMS "será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal" (grifos nossos). Porém, em relação ao ICMS, de forma diversa do que ocorre com o IPI, há uma ressalva expressa ao direito de crédito em relação à isenção, pois, de acordo com o artigo 155, parágrafo 2º, inciso II, da Constituição da República, "II a isenção ou nãoincidência, salvo determinação em contrário da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes; b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores". Essa ressalva vem de antes da Constituição de 1988, mais precisamente, decorre da Emenda Constitucional nº 23/1983, conhecida como "Emenda Passos Porto", e alterou unicamente a disciplina de créditos e débitos do ICMS, para transformar o que era regra direito de crédito nas aquisições isentas em exceção, mantendo incólume a disciplina de créditos e débitos referente ao IPI. Nas palavras do Ministro Marco Aurélio: "Deuse a transformação da regra em exceção, como disse: a isenção ou a não incidência implicará crédito e estou modificando a ordem das expressões "não implicará" é a regra "crédito de imposto para abatimento daquele incidente nas operações seguintes, salvo determinação em contrário da legislação". O crédito, portanto, tãosomente no tocante ao ICM, só poderia decorrer de disposição legal. Houve modificação, em si, quanto ao IPI? Não. O IPI continuou com o mesmo tratamento que conduziu esta Corte a assentar uma jurisprudência tranquilíssima no sentido do direito ao crédito. Não houve mudança. A Fl. 270DF CARF MF Processo nº 16045.720010/201573 Acórdão n.º 3401003.880 S3C4T1 Fl. 267 9 Emenda Constitucional nº 23 apenas alterou o preceito da Carta então em vigor que regulava o ICM"3. Como se verifica, existia uma jurisprudência firme, no sentido de que a aquisição de insumo isento gerava direito de crédito de IPI, com fundamento direto no princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, previsto no artigo 153, parágrafo 3º inciso II, da Constituição da República, considerando ainda que o legislador constituinte quando pretendeu ressalvar esse direito em relação à isenção, o teria feito de forma expressa, como se deu em relação ao ICMS. Entretanto, no ano de 2007, houve uma guinada no entendimento do Supremo Tribunal Federal ("STF"), por ocasião dos Recursos Extraordinários nº 353.657/PR e nº 370.682/SC, passando o STF a não reconhecer o direito de crédito de IPI não somente nas aquisições isentas, mas também nas aquisições sujeitas à alíquota zero e não tributadas, conforme ementas de julgados a seguir: "IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. (...) (RE 353.657, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, DJe 7.3.2008) ***** "Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido". (RE 370682, Rel. Min. Ilmar Galvão, Relator(a) p/ Acórdão: Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe 19.12.2007) Essa jurisprudência foi reafirmada no ano de 2015, em processo de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, em que foi reconhecida a repercussão geral do tema, em decisão que possui a ementa a seguir: "Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência". (RE 398365 RG, Relator: Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/08/2015) Com base nesse entendimento do STF, a Fazenda Nacional defende a impossibilidade de os contribuintes escriturarem crédito de IPI em decorrência de aquisições isentas de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. Segundo a Fazenda, tal como decidido pelo STF, o princípio constitucional da não cumulatividade não albergaria o direito de 3 RE 212.4842. Data de Julgamento: 05/03/98. Fl. 271DF CARF MF 10 crédito em aquisições isentas, sendo necessário para o surgimento do direito de crédito que a operação anterior esteja sujeita ao efetivo pagamento do IPI. Portanto, a ausência de direito de crédito nas aquisições isentas da Zona Franca de Manaus teria como fundamento o artigo 153, parágrafo 3, inciso II, da Constituição da República. Além disso, os defensores dessa corrente, muitas vezes, apontam o artigo 150, parágrafo 6ª, da Constituição da República4, como um fundamento adicional para não se reconhecer o direito de crédito em tais situações, pois esse dispositivo constitucional exigiria lei específica para a concessão do direito de crédito. No CARF, o entendimento quanto à matéria também vacilou, ao longo dos anos, seguindo as oscilações ocorridas no âmbito do Poder Judiciário. No ano passado, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais teve a oportunidade de apreciar novamente a matéria, firmando o entendimento, por maioria de votos, favorável à tese da Fazenda Nacional, em decisão que possui a seguinte ementa: Ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 IPI. CRÉDITOS DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. ZFM. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF, o que não acontece no caso dos produtos adquiridos da ZFM e da Amazônia Ocidental, uma vez que não satisfizeram as condições estabelecidas no art. 82, inc. III do RIPI/2002". (Acórdão nº 9303004.205; Sessão de 09/08/2016; Relatora: Vanessa Marini Cecconello; Redator Designado: Andrada Márcio Canuto) Trecho do Voto Vencedor: "Como a sistemática da nãocumulatividade não dá direito à apropriação de crédito de IPI em entradas de insumos não tributados por tal imposto, este creditamento só poderá ser admitido quando autorizado por lei específica, pois a Constituição Federal proíbe expressamente a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o §6º do art. 150 da CF, situação que se harmoniza com a opção do constituinte pelo sistema de crédito para efetivação do princípio da nãocumulatividade. (...) Desta forma, para que haja o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos desonerados, a título de crédito presumido, fazse necessário lei específica nesse sentido. 4 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 16045.720010/201573 Acórdão n.º 3401003.880 S3C4T1 Fl. 268 11 Por esta razão que, o Regulamento de IPI de 2002, em seu art. 175, estabeleceu o benefício de creditamento ficto de IPI, como se devido fosse, nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, de fornecedores situados na Zona Franca de Manaus, apenas quando da ocorrência de isenção prevista no inciso III do art. 82 do RIPI/2002". Contudo, a situação jurídica da Zona Franca de Manaus é peculiar, de modo que não se pode olhar para as aquisições de insumos isentos daquela região do país e de seus efeitos, no que dizem respeito à tributação do IPI, da mesmo forma que se olha para as demais aquisições isentas de insumos. Tanto é assim que o Ministro Marco Aurélio deixou claro, no julgamento dos Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário nº 566.819 que naquele recurso não se estava em jogo situação jurídica regida "por legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus", a indicar que, não se poderia aplicar diretamente, sem um detido exame de todos os nuances envolvidos, a tese firmada pelo STF quanto à generalidade dos casos de aquisições isentas às aquisições isentas da Zona Franca de Manaus. Como bem observado em seu Voto, nos debates ocorridos em sessão de julgamento, após o Ministro Marco Aurélio fazer essa ressalva, também a Ministra Cármen Lúcia admitiu, dizendo "o caso da Zona Franca, por exemplo, que aí é outra coisa". Aliás, os precedentes do STF que firmaram a tese pela ausência de direito à crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos não tinham como origem fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus. Portanto, é inegável a particularidade existente quanto ao regime jurídico das aquisições de insumos isentos daquela região, para efeito de direito de crédito de IPI, o que decorre da realidade histórica, geográfica, econômica e social da Região Norte do país, que desde a Constituição de 1946 (artigo 199) merece atenção especial dos Poderes Legislativo e Executivo, com vistas ao seu desenvolvimento, proteção e integração ao território nacional. Em 1953, foi editada a Lei nº 1.806/1953, que dispôs sobre o Plano de Valorização Econômica da Amazônia, criou a superintendência da sua execução e deu outras providências. Após, veio a Lei nº 3.173/1957, que cria uma zona franca na cidade de Manaus. Em seguida, a Lei nº 5.173/1966, que tratou do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, extinguiu a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) e criou a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Finalmente, foi editado o DecretoLei nº 288/1967, que regula a Zona Franca de Manaus e, em seu artigo 9º, confere a isenção de IPI da qual se discute a possibilidade de gerar direito de crédito para o adquirente, nos seguintes termos: "Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional". Essa isenção, e aqui começa a distinção que é necessária ser feita, não é uma isenção de natureza fiscal, portanto, não é regida diretamente pelo artigo 176 e seguintes do Fl. 273DF CARF MF 12 Código Tributário Nacional. É uma isenção de natureza extrafiscal que tem como fundamento de validade o artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, in verbis: "Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. § 1º Lei complementar disporá sobre: I as condições para integração de regiões em desenvolvimento; II a composição dos organismos regionais que executarão, na forma da lei, os planos regionais, integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, aprovados juntamente com estes. § 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei: (...) III isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas". (grifos nossos) Na realidade, tratase de uma isenção de incentivo regional que tem matriz na própria Constituição, não se sujeitando, portanto, ao requisito de estar prevista em lei específica, tal como determina o artigo 150, parágrafo 6º, da Constituição da República. É da própria Constituição que essa isenção emana, com o objetivo de efetivar os objetivos fundamentais da República, listados no artigo 3º, da Constituição5. Além disso, o regime jurídico aplicável à Zona Franca de Manaus foi expressamente recepcionado pela Constituição de 1988, que no artigo 40 do ADCT afirma: "Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus". E, depois, as Emendas Constitucionais de nº 42/2003 e 83/2014, incluíram os artigos 92 e 92A, para ampliar o prazo previsto no artigo 40 do ADCT, primeiro, por mais 10 (dez) anos, e depois, por mais 50 (cinquenta) anos, o que resulta na manutenção da Zona Franca até o ano de 2073. Sobre esse ponto, a Ministra Carmen Lúcia já teve a oportunidade de afirmar: "Para preservar o projeto desenvolvimentista concebido sob a vigência da ordem de 1967 para a região setentrional do país, o poder constituinte originário tornou expressa a manutenção, por tempo determinado, da disciplina jurídica existente, afirmando a finalidade de apoio ou fomento para a criação de um centro industrial, comercial e agropecuário na região da Zona Franca de Manaus. O quadro normativo préconstitucional de incentivo fiscal à Zona Franca de Manaus foi alçada à estatura constitucional pelo art. 40 do ADCT, adquirindo, 5 Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I construir uma sociedade livre, justa e solidária; II garantir o desenvolvimento nacional; III erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 16045.720010/201573 Acórdão n.º 3401003.880 S3C4T1 Fl. 269 13 por força dessa regra transitória, natureza de imunidade tributária". (ADI nº 310; julgada em 19/02/2014) Portanto, a isenção e demais benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus possuem estatura constitucional, com fundamento de validade nos artigos 43, parágrafo 2º, III, da Constituição da República e artigos 40, 92 e 92A, do ADCT. Agora, com relação à isenção de IPI, a sua particularidade reside justamente na necessidade de estar acompanhada do direito de crédito do adquirente para que tenha efetividade, devendose, portanto, fazer a distinção e afastar a aplicação da jurisprudência que se firmou para a generalidade dos casos. Como mencionado, o objetivo da isenção é extrafiscal, no sentido de estimular a instalação de um pólo industrial na região, ocupála para garantir a segurança nacional e a proteção da Floresta Amazônica e de toda a sua biodiversidade, gerar desenvolvimento econômico e social na região, diminuir a pobreza e fazer a integração dessa região com o restante do país. Porém, nesse caso, se a isenção não andar junta, de mãos dadas, com o direito de crédito, perdese o benefício almejado. A única forma da isenção ser efetiva é acompanhada do direito de crédito. Para ilustrar, peço vênia para tomar emprestado o exemplo singelo, porém, interessante, levantado pelo Ministro Luís Roberto Barroso, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891, que será novamente mencionado adiante. A situação hipotética colocada é a seguinte: uma indústria em São Paulo, capital, tem a opção de comprar ordinariamente um determinado insumo que custa sem o IPI $100. De um fornecedor localizado em Santo André, SP, incide IPI no valor de $20, o que resulta em um custo total de R$120, com a possibilidade de crédito de $20. Portanto, um custo efetivo de $100. Já o fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus está beneficiado pela isenção, portanto, $0 (zero) a título de IPI. Admitindose que a isenção não gera direito de crédito ao adquirente, os dois fornecedores ofertariam o insumo a um mesmo custo à indústria de São Paulo, capital, pelo valor de $100, sendo a única vantagem de se comprar na Zona Franca de Manaus um diferimento no desembolso do IPI. Enquanto ao se comprar do fornecedor de Santo André, SP, a indústria deverá desembolsar o IPI de forma imediata, na compra de fornecedor da Zona Franca de Manaus, a indústria só teria que fazer o desembolso na operação seguinte. A pergunta que deve ser feita é se esse mero diferimento seria incentivo suficiente para que se adquira insumos na Zona Franca de Manaus ou para que determinada empresa se instale na Zona Franca e tenha condições de oferecer com competitividade seus produtos no mercado. A resposta é não. Nesse cenário, as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus perdem, por completo, qualquer atratividade, levando em consideração que elas já largam em desvantagem e nunca conseguiriam ter o mesmo preço sem IPI de uma empresa localizada, por exemplo, em Santo André, SP, em razão de custos de logística, como frete e seguros no transporte. Enquanto a distância entre Manaus e São Paulo, capital, gira em torno de 4.000km, a depender do trajeto, a distância entre Santo André e São Paulo, capital, é de 20km. Mas não é só. A distância do mercado consumidor é apenas uma entre as diversas dificuldades enfrentadas por aqueles que empreendem naquela região, existindo Fl. 275DF CARF MF 14 inúmeros desafios a serem enfrentados na instalação e desenvolvimento de um projeto industrial naquela parte do país, como dificuldades para obtenção de mãodeobra especializada, de fornecedores de bens e serviços etc. Por todas essas dificuldades e tendo em vista os objetivos fundamentais da República, arrolados no artigo 3º, da Constituição, é que um plano de desenvolvimento para a região foi concebido, vem sendo pensado, aprimorado e implementado por todas essas décadas. Portanto, a isenção sem que venha acompanhada do direito de crédito, perde se, por completo, e o direito de crédito existe justamente para, em conjunto com outros incentivos, anular esse custo de logística e tentar colocar as empresas lá localizadas em grau de competitividade com empresas localizadas em outros lugares do país. Não por outro motivo, o Ministro Marco Aurélio, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 212.4842, afirmou: “não podemos confundir isenção com diferimento, nem agasalhar uma óptica que importe reconhecerse a possibilidade de o Estado dar com uma das mãos e retirar com a outra”. Nessa linha de entendimento, oportuno citar o alentado voto do Juiz Federal Roberto Jeuken, no julgamento da Apelação em Mandado de Segurança nº 1999.61.00.014490 0, pela 3ª Turma do Tribunal Regional da 3ª Região: “De fato, as isenções de produtos oriundos das chamadas zonas livre de comércio, qualificamse como um incentivo regional assegurado diretamente no corpo da lei maior, conforme se depreende da análise do art. 43 e § 2º, não obstante a necessidade da lei instituidora, inclusive porque a opção poderá se dar em face dos outros benefícios assegurados no mesmo preceptivo, esmaecendose, portanto as objeções que pudessem ser opostas em face do art. 150, § 6° da mesma, na redação conferida pela EC. 03, de 17.03.93. Não se cuida portanto de desoneração emergida da vontade discricionária do legislador ordinário, com fundamento direto nas raias do art. 176 do CTN, onde a previsão do art. 150 § 6º opera seus efeitos e sim de outorga derivada daquele assento constitucional, desde a promulgação do vigente ordenamento, revestindose assim de igual estatura e de maior antigüidade em relação a exigência contida neste outro cânone magno.(...) Portanto, poderá ser afirmado que a migração destas isenções para o âmbito da lei maior, confere as mesmas, relevo superior ao já desfrutado no âmbito do parágrafo único do artigo 176 do CTN, onde dotada de características especiais, frente as demais normas isentivas, fundadas no seu caput.. Tal peculiaridade coloca estas desonerações de caráter regional, por força daquele preceito, no mesmo patamar constitucional da incumulatividade, em ordem a que a desconsideração dos créditos dela advindos, substanciaria a prática de dar com uma mão e tirar com a outra (voto do Ministro Marco Aurélio no RE 212.484), não admitida no Excelso Pretório. (...) Contudo, naqueles casos onde a outorga deita lastro no art. 43 da lei maior, a atuação legislativa processase no patamar da própria Constituição, e em sede privativa da União, a qual tem dentre suas elevadas funções, a de promover a unidade nacional através do desenvolvimento regional. Portanto, neste contexto, o direito ao crédito emerge das próprias finalidades que estão subjacentes a este especial atuar, proporcionando a efetividade do benefício. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 16045.720010/201573 Acórdão n.º 3401003.880 S3C4T1 Fl. 270 15 De sorte que, no caso, o direito ao crédito é o discrímen que qualifica a utilização destes créditos e não aquele direito fundado tão somente na primeira parte do inciso II do art. 153, §3º (será nãocumulativo) então erigido ao patamar de um princípio absoluto, intocável e balizador da compensação que efetivarseá ao em olvido a técnica indicada na mesma sede e no mesmo dispositivo, porém considerada como de uma categoria, mera regra de aplicação de um princípio maior, a ser ajustada consoante farto entendimento doutrinário pátrio, para contemplar crédito de imposto e não imposto pago. Portanto, no caso daquelas isenções concedidas as empresas situadas na Zona Franca de Manaus, a exemplo do que também ocorreria nas chamadas Zonas Livres de Comércio, é preciso ter presente que a desoneração tem objetivos de desenvolvimento regional, colaborando de molde a baratear a aquisição dos insumos, e a obtenção de preço final mais competitivo, nos produtos resultantes do processo de industrialização, na medida em que o adquirente não precisa pagar o valor do imposto. De fato, se as empresas, adquirindo o produto intermediário a preços mais vantajosos, não pudessem creditarse do montante que seria devido à título de IPI, que se erigia no diferencial que motivara a aquisição de empresa situada em local distante, se tomado em conta as regiões sul e sudeste, por certo ela acabaria mudando de fornecedor, tendo em vista outras indústrias do mesmo ramo, situadas na mesma região, barateando o transporte. Portanto, a finalidade buscada com a isenção, barateamento do custo de produção, restaria frustrado e aquelas empresas lá situadas, que fizeram elevados investimentos para iniciar a produção em locais que no muito das vezes, além de distantes, são inóspitos e não possuem mão de obra qualificada, não iriam adiante”. (grifos nossos) Verificase, por conseguinte, que a isenção deve estar acompanhada do direito de crédito, sob pena de se tornar inócua, não atingindo as finalidades para as quais foi instituída, tornando letra morta todo o regime jurídico cuidadosamente editado com esse objetivo e os dispositivos constitucionais que o recepcionaram e lhe deram vida longa até 2076. Além disso, nesse caso, a não aceitação do direito de crédito implica a transformação da figura da isenção e uma figura de mero diferimento que, muito embora seja uma espécie de benefício fiscal, não foi aquele escolhido pelo legislador para o atingimento do fim por ele pretendido. Observem que o legislador possui, nos termos do artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, três instrumentos para atingir o desenvolvimento e reduzir as desigualdades regionais: a isenção, a redução de tributos e o diferimento de tributos. Ao ter escolhido a isenção, que é o maior incentivo possível e adequado ao atingimento dos fins almejados, não se pode interpretar a sua aplicação, de um modo que a torne ineficaz, esvaziada, com a mesma força de um benefício de diferimento que é uma mera alteração no prazo de pagamento do tributo ou na data de ocorrência do fato gerador , justamente o menor incentivo, a arma de menor calibre, dentre os que poderia o legislador se utilizar. E o único modo de a isenção ser plena, na sistemática própria do IPI, é que venha acompanhada do respectivo direito de crédito. Fl. 277DF CARF MF 16 Portanto, ante o exposto, podese concluir que: (i) a isenção do artigo 9º DecretoLei nº 288/1967 se qualifica como uma isenção para incentivo regional e tem fundamento direto no artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, sendo recepcionada na ordem constitucional vigente, conforme artigos 40, 92 e 92A, do ADCT; (ii) não tem como fundamento legal, dessa forma, no artigo 176 e seguintes do CTN, não se sujeitando, assim, ao disposto no artigo 150, parágrafo 6º, da Constituição da República; (iii) nesse caso, a outorga de isenção para incentivo regional só é eficaz e produzirá os efeitos pretendidos, atingindo os fins para os quais foi concebida, se acompanhada do direito de crédito, que não tem como fundamento o princípio da não cumulatividade previsto no artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Constituição da República, mas encontra fundamento de validade de igual estatura, qual seja, o no artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, considerandose ainda a especial posição que ocupa a Zona Franca de Manaus e seu regimento jurídico no ordenamento jurídico pátrio. Por fim, cabe ressaltar que esse entendimento está em linha com as manifestações do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.819, no qual a Ministra Relatora Rosa Weber já proferiu seu voto, reconhecendo o direito de crédito nas aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus, sendo seguida pelos Ministros Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. Todavia, o julgamento foi interrompido com um pedido de vistas do Ministro Teori Zavascki, que expôs que seu entendimento até o início do julgamento era pelo não reconhecimento do direito de crédito, mas que, diante dos debates, havia pensado ser mais prudente pedir vistas para aprofundar seus estudos sobre a matéria. A grande preocupação que o Ministro Teori Zavascki externou dizia respeito ao fundamento para amparar o direito de crédito, já que o direito de crédito no caso não possuía assento no princípio da não cumulatividade, artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Constituição da República, sendo certo que o artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, prevê apenas a isenção e não a isenção acompanhada pelo direito de crédito. Com relação a esse ponto, na linha do que já se expôs, acredito que o direito de crédito tenha fundamento no próprio artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República e artigo 9º, do DecretoLei nº 288/1967, pois essa isenção, para ser efetiva e atingir o seu objetivo de incentivo regional, deve obrigatoriamente estar acompanhada do direito de crédito. Por esse motivo, quando, anos mais tarde, o legislador tratou de projetos específicos para produção de “produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária” e outorgou a isenção na saída dos produtos da Zona Franca de Manaus, ele deixou claro que aquela isenção era acompanhada do direito de crédito (artigo 6, caput, e parágrafo 1º, do Decreto nº 1.435/1975), não havendo razões para se impor tratamento diferenciado para um e outro caso. Além disso, à época da edição da legislação que inseriu a isenção que está a se tratar, o entendimento era firme no sentido de que, ao determinar a isenção em uma operação, a operação seguinte fruiria direito de crédito de IPI, pois, como lembrado pelo Ministro Marco Aurélio no julgamento do RE nº 212.4842, até determinado momento, a "jurisprudência tranquilíssima no sentido do direito ao crédito". Assim, o emprego de uma interpretação histórica, levando em conta a intenção original do legislador e a norma que se extraía da legislação à época e que foi considerada por aqueles que se instalaram na região setentrional, também levaria a essa conclusão. Ademais, o direito de crédito guarda ainda fundamento nos artigos que alçaram o regime jurídico da Zona Franca de Manaus à estatura constitucional, artigos 40, 92 e Fl. 278DF CARF MF Processo nº 16045.720010/201573 Acórdão n.º 3401003.880 S3C4T1 Fl. 271 17 92A do ADCT, que indicam e garantem uma proteção e irredutibilidade de direitos que visem o desenvolvimento e proteção da Zona Franca de Manaus. Pelo exposto, entendo que o Recorrente tem direito de crédito de IPI sobre as aquisições de insumos isentas oriundas da Zona Franca de Manaus, motivo pelo qual o Auto de Infração deve ser cancelado. Ilegalidade da incidência da SELIC sobre a Multa de Ofício Por fim, pede a Recorrente o afastamento da taxa SELIC sobre a multa de ofício aplicada, em razão do disposto no artigo 61 da Lei no 9.430/1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. A questão que se coloca é se a expressão “débitos” incluiria também a multa de ofício e, com isso, além do tributo lançado, aplicarseia a taxa SELIC para atualização da multa de ofício. A respeito do tema, destaco a seguir julgado proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, no qual o Relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, após fazer uma detida análise da legislação de regência, conclui pela inaplicabilidade da taxa SELIC sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal. É ler: “Segue se então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe:(...) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: (...) Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: (...) Fl. 279DF CARF MF 18 Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocício, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma”. (Processo no 10580.725551/201111; Sessão de 27/07/2013; Relator: Rosaldo Trevisan) Além das razões expostas no julgado em questão, acrescento que a ausência de previsão legal de aplicação de juros de mora sobre multa de ofício decorre da própria natureza desses encargos. Enquanto a multa de ofício constitui uma sanção que tem por finalidade penalizar o devedor pelo inadimplemento da obrigação de pagar o tributo, os juros de mora têm por objetivo indenizar o credor pelo atraso no cumprimento da obrigação de pagar o tributo por devido dentro do prazo estabelecido por Lei. Dessa maneira, tendo os juros de mora e a multa de ofício naturezas distintas, não cabe aplicar juros de mora sobre a multa de ofício, sob pena de se atribuir à multa de ofício um caráter indenizatório que a mesma não possui. O valor da multa de ofício não serve para indenizar o Estadocredor pelo atraso na prestação do tributo, serve para penalizar o contribuinte que deixou de pagar tributo. Com isso, o valor da multa de ofício não pode ser majorado em função do tempo que perdurar a mora do contribuinte devedor, com juros compensatórios da mora, por ausência de previsão e em razão da sua própria natureza. Pelas razões expostas, entendo inaplicável a taxa SELIC sobre a multa de ofício, motivo pelo qual dou provimento ao recurso voluntário interposto quanto a essa matéria. Conclusão Pelo exposto, proponho ao Colegiado, de ofício, (i) cancelar os créditos tributários cujo fato gerador ocorreu antes de 28/04/2010, e conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário, para: (ii) indeferir o pedido de sobrestamento do feito; (iii) afastar a nulidade da decisão recorrida; (iv) cancelar o Auto de Infração, tendo em vista o reconhecimento do direito de crédito de IPI decorrente de aquisições isentas oriundas da Zona Franca de Manaus; e (v) afastar a aplicação da SELIC sobre a multa de ofício. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 280DF CARF MF Processo nº 16045.720010/201573 Acórdão n.º 3401003.880 S3C4T1 Fl. 272 19 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado A designação para redigir o voto vencedor abarca a decadência do direito à constituição/formalização do crédito tributário, aventada de ofício pelo i. Relator, e o direito ao crédito presumido (ficto) de IPI pelas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem da Zona Franca de Manaus ZFM, tendo em vista a prejudicialidade da segunda matéria sobre a primeira, como adiante se demonstrará, e ainda que o tema decadência seja preliminar de mérito, inverterei a ordem de enfrentamento processual das questões. Nesse diapasão, temse que a não cumulatividade do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vem fixada no art. 153, § 3º, II da CF/88, como princípio vetor do tributo, nos seguintes termos: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. Fl. 281DF CARF MF 20 IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)” (destaquei) Como se observa do preceptivo em destaque, a apuração não cumulativa do IPI, que ora interessa, se dá pelo abatimento do valor cobrado nas aquisições e o valor devido pela saída do produto tributado, de modo que é pressuposto inarredável para o direito ao creditamento, na etapa seguinte do ciclo produtivo, que tenha havido cobrança de imposto na etapa imediatamente anterior e não a mera incidência tributária. Neste sentido a redação do art. 49 do Código Tributário Nacional: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes.” A própria norma legal impositiva do imposto em comento, Lei nº 4.502/64, de maneira transversa, sinaliza nessa direção, quando determina que seja estornado o crédito do imposto relativo aos insumos empregados na fabricação de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, nestes termos: “Art. 25. A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 2º (Revogado pelo DecretoLei nº 2.433, de 1988) § 3º. O Regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento do débito correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo ou os resultantes da industrialização estejam sujeitos à alíquota zero, não estejam tributados ou gozem de isenção, ainda que esta seja decorrente de uma operação no mercado interno equiparada a exportação, ressalvados os casos expressamente contemplados em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989)” Com efeito, se se deveria estornar o crédito efetivo pela aquisição tributada de matériaprima, produto intermediário e material embalagem aplicados na industrialização de produtos que não sofriam a incidência do tributo, lato senso, com mais razão ainda na hipótese em que a própria aquisição do insumo já ocorresse de forma desonerada do imposto, raciocínio não prejudicado pelo advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 16045.720010/201573 Acórdão n.º 3401003.880 S3C4T1 Fl. 273 21 Como se observa dos textos legais, é condição sine qua non para aproveitamento dos créditos de IPI, pela sistemática de apuração não cumulativa, a efetiva cobrança do imposto na aquisição, aqui entendida na acepção de exigir, fazer com que seja pago, e não simplesmente que incida a norma tributária, de modo que a isenção, a não tributação ou a sujeição à alíquota zero, não garantem direito de crédito pela sistemática não cumulativa de apuração do IPI. Essa é a orientação contemporânea do Supremo Tribunal Federal, fixada no RE 398.365/RS, e também no CARF, como exposto no voto vencido, a partir da análise histórica da jurisprudência pátria acerca do tema. Abro um parêntese apenas para dissentir da afirmação que era firme a jurisprudência do STF, desde a promulgação da CF/88, no sentido de admitir o crédito presumido pelas aquisições isentas de IPI, ante a inexistência de vedação constitucional semelhante àquela prevista para o ICMS (art. 155, § 2º, II, “a”), ao passo que esse entendimento somente sedimentouse com a decisão prolatada no RE 212.484/RS, em 05/03/98. Tocante à apropriação do crédito presumido de IPI pelas aquisições de insumos, isentas, provenientes da ZFM, especificamente, a questão está afetada à sistemática da repercussão geral no RE 592.891/SP, porém, pendente de decisão de mérito. Portanto, inexiste qualquer precedente judicial, com força vinculante, que submeta este tribunal administrativo a conferir o direito de crédito em debate, a teor do art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015) e 26A do Decreto nº 70.235/72. Respeitante ao exame históricoeconômico da criação da ZFM engendrado pelo i. Relator, como fundamento para o reconhecimento do direito de crédito, entendo que as razões ali arroladas não são suficientes para garantir o pretendido creditamento, uma vez que não há, na legislação de regência daquela área, qualquer dispositivo que estipule o direito vindicado. Consoante art. 150, § 6º da CF/88, qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só pode ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias taxativamente enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, de sorte que o reconhecimento do crédito ficto pelas aquisições de insumos isentas da ZFM, a meu sentir, viola o texto constitucional. Mesmo a alegação de pretensa extrafiscalidade da isenção sub examine não se apresenta como fundamento ao deferimento do crédito, isto porque a envergadura constitucional da ZFM, como elemento catalisador do desenvolvimento econômico e social da região, não arrima essa conclusão, porquanto os incentivos fiscais criados pelo DL 288/67 e legislação correlata, como instrumentos para alcance daquele objetivo, não elencam esse crédito presumido (ou ficto, como preferem alguns) dentre eles. Com efeito, quando assim o quis, o legislador textualmente implementou crédito dessa natureza, como ocorreu no art. 6º, § 1º do DecretoLei nº 1.435/75, verbis: “Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de Fl. 283DF CARF MF 22 produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o ‘caput’ deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA.” Outrossim, não se pode olvidar que os benefícios fiscais da ZFM não se limitam à isenção do IPI pelas saídas de produtos industrializados para outros ponto do território nacional, mas se estendem à isenção pelas aquisições de insumos, por parte de empresas localizadas na ZFM, de qualquer parte do território nacional ou mesmo do exterior, com garantia de isenção, também, do Imposto de Importação respectivo. Essas medidas necessariamente redundam em desoneração tributária de toda a cadeia produtiva, com claros ganhos de produtividade para empresas instaladas na área de abrangência da ZFM, daí porque a análise de cunho econômico não pode ser, com o devido respeito, simplista, como no exemplo proposto pelo voto vencido, sem considerar todas as demais variáveis. Outrossim, aspectos de natureza econômica, ao menos em sede contenciosa administrativa, não servem de sustentáculo à concessão do crédito postulado. Mesmo porque, se enveredarmos por essa trilha, algumas situações reais constatadas causariam espécie e obnubilariam o pretenso direito creditório arguido, como verificamos em outros processos julgados na mesma assentada, de titularidade da mesma pessoa jurídica, concernentes a pedidos de ressarcimento, onde a apropriação de créditos pelas aquisições isentas da ZFM resultou em elevação do saldo credor apurado e requerido, de maneira que a União foi instada a devolver, sob forma de ressarcimento, valores que nunca adentraram os cofres públicos. Ou seja, pretendese o ressarcimento ou devolução do que nunca foi pago, por força da isenção, o que, a meu sentir, carece de lógica jurídica. Demais disso, os ganhos decorrentes desses incentivos regionais poderiam ser qualificados também como financeiros, pela ótica da ausência de desembolso por parte dos adquirentes, acarretada pela desoneração, dos tributos incidentes diretamente sobre as aquisições. Por esse ângulo, perde força o argumento de necessidade de reconhecimento do direito de crédito como forma de não equiparálo a mero diferimento, como anotado no voto vencido, isso porque, a análise conjuntural exige a avaliação de todas as variantes econômicas, aí incluída a integralidade dos incentivos da ZFM, e não apenas a isenção do IPI pelas saídas de produtos industrializados, isoladamente. Não se pode perder de vista, ainda, que o princípio da seletividade interfere nessa equação, ao estabelecer alíquotas distintas para os produtos, em função da sua Fl. 284DF CARF MF Processo nº 16045.720010/201573 Acórdão n.º 3401003.880 S3C4T1 Fl. 274 23 essencialidade, ao invés de uma alíquota linear ou única, o que resulta na possibilidade de, em certa etapa do ciclo produtivo, posterior àquela beneficiada com isenção, que incida uma alíquota menor que a etapa anterior ou até mesmo uma alíquota zero, profligando qualquer possibilidade de se verificar diferimento do tributo. Noutro giro, reconhecer o crédito presumido/ficto pelas aquisições isentas de matériaprima, produto intermediário e embalagens da ZFM equivale, por via oblíqua, a investir o julgador administrativo em legislador ordinário, ao passo que, como enfadonhamente repetido, não existe qualquer dispositivo que, explícita ou implicitamente, confira o direito de crédito ora altercado, seja pela leitura do art. 43, § 2º da CF/88, seja pelos arts. 40, 92 e 92A do ADCT. Por esse motivo, compartilho a mesma perspectiva do saudoso Min. Teori Albino Zavascki, citado pelo i. Relator, segundo o qual, mesmo tomando o art. 43, § 2º da CF/88 como lastro constitucional para as vantagens fiscais atribuídas à ZFM, de modo a pretensamente afastar o art. 153, § 3º e sua regulação ordinária do princípio da não cumulatividade, o seu texto prevê tãosomente que os incentivos regionais compreenderão, dentre outros, isenções, reduções ou diferimento de tributos, nada mencionando sobre créditos presumidos ou fictos. Notese que a própria dicção do sobredito artigo, consubstanciado na expressão “dentre outros”, conduziria à possibilidade de criação do indigitado direito de crédito, ao estabelecer que os incentivos regionais não se limitam àqueles catalogados, todavia é mister do legislador ordinário a sua implementação, não do julgador administrativo. Em apertada síntese: a apropriação de créditos pelas aquisições isentas de insumos da Zona Franca de Manaus carece de respaldo legal, devendo ser mantida a glosa realizada pelas autoridades fiscais. Fincado nessa premissa, passo à analise da decadência, argüida de ofício pelo i. Relator, de pronto rechaçandoa. Com efeito, segundo o art. 124 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) considerase pagamento a apuração de saldo credor originário do confronto entre os créditos admitidos e os débitos no período de apuração, senão vejase: “Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou Fl. 285DF CARF MF 24 III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.” (destacado) Portanto, não é qualquer saldo credor que corresponde a pagamento, mas apenas aquele originário da apropriação de créditos legítimos, assim entendidos, aqueles admitidos pela legislação de regência do imposto e comprovados por documentação contábil e fiscal idônea. Nesse sentido, parcela do saldo credor verificado nestes autos advém do creditamento de aquisições isentas da ZFM como dito alhures, sem previsão legal , não havendo como reconhecêlos a condição de “créditos admitidos”, daí porque não podem ser equiparados a pagamentos os saldos credores havidos sob estas circunstâncias. Afastada a existência de aludidos “pagamentos”, inocorrente a predita decadência, posto que a sua regulação passa a ser feita pelo art. 173 do Código Tributário Nacional e não pelo seu art. 150, § 4º, como decidido no REsp 973.733/SC, julgado sob o rito do recurso repetitivo. Com estas considerações, voto por julgar inocorrente a decadência levantada de ofício e para manter as glosas de créditos pelas aquisições isentas de matériasprimas, material intermediário e de embalagem da Zona Franca de Manaus – ZFM. Robson José Bayerl Fl. 286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002471/2003-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/04/1998 a 10/05/2001
BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO.
Nas saídas de produtos tributados sem o destaque do imposto em nota fiscal com base em autorização judicial, a base de cálculo do imposto corresponde ao valor da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/04/1998 a 10/05/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 7º II, da Portaria MF nº 147, de 2007, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas.
Recurso Especial do Procurador provido
Recurso Especial da Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9303-005.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/04/1998 a 10/05/2001 BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. Nas saídas de produtos tributados sem o destaque do imposto em nota fiscal com base em autorização judicial, a base de cálculo do imposto corresponde ao valor da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/04/1998 a 10/05/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 7º II, da Portaria MF nº 147, de 2007, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Recurso Especial do Procurador provido Recurso Especial da Contribuinte não conhecido
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BASE DE CÁLCULO. Recorrentes FAZENDA NACIONAL COOPERATIVA DE PRODUTORES DE CANA, AÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO LTDA. COPERSUCAR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/04/1998 a 10/05/2001 BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. Nas saídas de produtos tributados sem o destaque do imposto em nota fiscal com base em autorização judicial, a base de cálculo do imposto corresponde ao valor da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/04/1998 a 10/05/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 7º II, da Portaria MF nº 147, de 2007, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Recurso Especial do Procurador provido Recurso Especial da Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Júlio César Alves Ramos na sessão anterior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 24 71 /2 00 3- 75 Fl. 1541DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 20179.473, de 26/07/2006, proferido pela 1ª Câmara do Conselho de Contribuintes, que fora assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1998 a 14/07/1998 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IPI. PAGAMENTO ANTECIPADO E COMPENSAÇÃO ENTRE DÉBITOS E CRÉDITOS DO IMPOSTO. DECADÊNCIA. A apuração de débitos do IPI, não compensados escrituralmente com créditos do imposto, descaracteriza a existência de pagamento antecipado, fazendo deslocarse o termo inicial do prazo de decadência para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1998 a 31/05/2002 Ementa: JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora não são exigíveis, relativamente a valores depositados integralmente a partir de l 2 de dezembro de 1998, que não podem ser levantados unilateralmente pelo autor da ação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/1998 a 31/05/2002 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. RENUNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A opção do sujeito passivo pela discussão judicial a respeito da incidência do tributo e eventual direito de crédito importa na renúncia às instâncias administrativas, relativamente à matéria discutida no Judiciário. Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 10840.002471/200375 Acórdão n.º 9303005.266 CSRFT3 Fl. 1.542 3 MATÉRIA DE DEFESA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. É vedado, no processo administrativo, discussão sobre inconstitucionalidade de lei, como pressuposto para afastamento de exigência legal. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/03/1998 a 31/05/2002 Ementa: BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. Nas saídas de produtos tributados, sem o destaque do imposto em nota fiscal com base em autorização judicial, da base de cálculo do imposto deverá ser excluído o valor relativo ao IPI, não destacado, mas controlado à parte na escrituração fiscal. Recurso provido em parte. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente, com fundamento do art. 7º do então Regimento Interno da CSRF, (Portaria MF nº 147, de 25/06/2007), insurgiuse contra o entendimento de que, nas saídas de produtos tributados sem o destaque do imposto em nota fiscal com base em autorização judicial, da base de cálculo do imposto deverá ser excluído o valor relativo ao IPI, não o destacado, mas controlado à parte na escrituração fiscal. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 1440/1442. A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 1446/1451). A contribuinte também apresentou recurso especial (fl. 1452/1457), por meio do qual se insurgiu contra a contagem do prazo decadencial. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão CSRF nº 0103.888. A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial interposto pela contribuinte (fl. 1483 e ss.). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. De início, cabe ressaltar que este recurso especial foi apresentado com fundamento no art. 7º, Inciso I, do Anexo II da Portaria MF nº 152, de 2007, quando há decisão não unânime de Câmara (como no caso), contrária à lei (é o que se sustenta ter ocorrido) ou à evidência da prova. Pois bem. O litígio reside em definir o valor da operação, para o efeito de calcular o IPI devido nas saídas de produtos tributados pelo imposto. Fl. 1543DF CARF MF 4 Em síntese, a contribuinte ingressou com uma ação judicial e obteve o direito de não destacálo nas vendas de açúcar que promoveu na qualidade de substituto tributário. Todavia, a despeito de não destacar o IPI nas notas fiscais de venda, acresceu, ao valor do produto, o imposto não destacado – fato não declarado nas notas fiscais! –, controlandoo à parte da escrituração. Nesse cenário, entendeu a Câmara baixa por referendar o procedimento adotado pela contribuinte. São estas as razões que motivaram a proposta do relator do acórdão recorrido: O art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 67, de 14/07/1998, que dispôs sobre a incidência do IPI sobre açúcares de cana, tem a seguinte redação: Art. 1o Os estabelecimentos industriais que deram saídas a açúcares de cana do tipo demerara, cristal superior, cristal especial, cristal especial extra e refinado granulado, no período de 6 de julho de 1995 a 16 de novembro de 1997, e a açúcar refinado do tipo amorfo, no período de 14 de janeiro de 1992 a 16 de novembro de 1997, com lançamento, em Nota Fiscal, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ou com indicação do imposto tendo em vista decisão judicial, e que não tenham promovido seu recolhimento, deverão oferecer à tributação e recolher ao Tesouro Nacional, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da publicação desta Instrução Normativa, Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 10840.002471/200375 Acórdão n.º 9303005.266 CSRFT3 Fl. 1.543 5 o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro, quando cabíveis, e as Contribuições para o PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), respeitados os períodos de apuração do imposto e de cada contribuição. (g.n.) No caso em exame, a contribuinte informou nas notas fiscais que a exigibilidade do IPI estava suspensa por determinação judicial, indicando, logo em seguida, o valor do IPI que deixou de ser exigido. No valor da operação, contudo, incluiu o IPI não destacado no valor do produto vendido – algo absolutamente discrepante da legislação e em flagrante prejuízo a seus clientes, que, assim, não puderam se creditar do que, por esta via indireta, pagaram. Ao exemplo que a própria contribuinte forneceu na sua primeira peça de defesa apresentada no processo nº 13856.000266/200211 (fl. 533 do aludido processo): na nota fiscal nº 003762, na qual também houve o registro da suspensão da exigibilidade do IPI e a indicação do montante suspenso (R$ 248,04), o valor da operação, tal como constou da nota, foi de R$ 5.208,75, o qual, como assevera a contribuinte, corresponde ao somatório do que ela entende como o valor correto da operação, acrescido do IPI não exigido (R$ 5.208,75 = R$ 4.960,71 + R$ 248,04). Portanto, a base de cálculo do IPI que a contribuinte entende correta é, no caso, R$ 4.960,71, não a indicada na nota fiscal (R$ 5.208,75). A nota fiscal, destaquese, não trouxe qualquer esclarecimento a respeito do fato de que o valor da operação correspondia ao preço do produto acrescido do IPI não exigido (o valor unitário do produto foi majorado pela contribuinte: 25.450 kg a R$ 0,204666 = R$ 5.208,75). Está registrado nos autos que, em lançamento anterior, foram cobrados os valores do IPI indicados nas notas fiscais com a exigibilidade suspensa, mas neste apenas a diferença entre aqueles que o Fisco e a contribuinte entendem corretos (no caso exemplificado, R$ 260,42 R$ 248,04). Portanto, a questão a ser dirimida é saber se a diferença de IPI é ou não devida pela contribuinte, ou seja, se a base de cálculo era o valor indicado como o valor da operação, nas condições em que se apresentavam as notas fiscais, ou se é menor, com a redução do IPI suspenso e indicado. A razão, acreditamos, está com o Fisco. Com efeito, nos termos do art. 118, II, Decreto nº 2.637, de 25/06/1998, que aprovou o Regulamento do IPI então vigente, a base de cálculo é o valor da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial: Art. 118. Salvo disposição em contrário deste Regulamento, constitui valor tributável: I dos produtos de procedência estrangeira: a) o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo dos tributos aduaneiros, por ocasião do despacho de importação, acrescido do montante desses tributos e dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, inciso I, alínea "b"); Fl. 1545DF CARF MF 6 b) o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento equiparado a industrial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 18); II dos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, inciso II, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). § 1º O valor da operação referido nos incisos I, alínea "b" e II, compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário (Lei nº 4.502, de 1964, art. 14, § 1º, DecretoLei nº 1.593, de 1977, art. 27, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 15). (g.n.) Ao acrescer ao valor do produto o IPI suspenso por determinação judicial, a contribuinte nada mais fez que reajustar, para mais, o seu preço de venda, com a clara finalidade de não arcar com o prejuízo financeiro que adviria se fosse perdedor da demanda judicial que ela mesma interpôs. Somente se poderia cogitar da pretensão da contribuinte se, nas notas fiscais que emitiu, o IPI devido estivesse devidamente destacado (não só indicado), o que não é o caso. Ademais, não obstante tenham arcado com a diferença que a contribuinte quer ver reduzido do valor da operação, seus clientes não puderam se creditar do que a contribuinte chama de "IPI", que nada mais corresponde, ainda que em igual valor ao imposto que seria devido, a um acréscimo no valor do produto como forma de sa acautelar de futuro prejuízo financeiro. Forte nessas razões, conheço e dou provimento ao recurso especial da PFN. O recurso especial apresentado pela contribuinte, contudo, não deve ser conhecido. É que o acórdão recorrido entendeu aplicar, na contagem do prazo decadencial, o disposto no art. 173, I, do CTN, com base no seguinte argumento: Em relação especificamente ao IPI, dispõe expressamente o Regulamento do Imposto, para fim específico de interpretação do art. 150 do CTN, que, na hipótese de apuração de saldo credor na escrituração fiscal, considerase a compensação entre débitos e créditos como pagamento, conforme abaixo reproduzido (atual Regulamento, cujo texto é idêntico ao do vigente à época das infrações): "Art. 124. (omissis) Parágrafo único. Considerase efetuado o pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. " Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 10840.002471/200375 Acórdão n.º 9303005.266 CSRFT3 Fl. 1.544 7 No presente caso, entretanto, tratase de lançamento em face da apuração de débitos, que não foram compensados escrituralmente com créditos, de forma que não há que se falar em pagamento antecipado, razão pela qual a regra a ser aplicada é a do art. 173, I, do CTN. Assim, não houve decadência. (g.n.) É inequívoco, o acórdão fundamentouse em regra específica da legislação do IPI, para afirmar que, no caso julgado, não houve pagamento, de modo que seria aplicável a regra prevista no art. 173, I, do CTN. O acórdão paradigma, no entanto, tratou do prazo decadencial no âmbito do IRPJ e da CSLL, não do IPI, que, como se viu, tem regra própria a respeito do momento em que se considera ocorrido o pagamento. Não havendo similitude fática entre os acórdão cotejados, não há como conhecer do recurso. Ante o exposto, conheço e dou provimento ao provimento ao recurso especial da PFN, e não conheço do recurso especial apresentado pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1547DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.720088/2014-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 9202-005.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
PATRÍCIA DA SILVA - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento para determinar o cálculo do tributo de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) PATRÍCIA DA SILVA Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 00 88 /2 01 4- 85 Fl. 232DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Na impugnação, o contribuinte alegou que: a) o Lançamento foi realizado sem procedimento prévio de investigação junto ao contribuinte; b) não se trataria de ação trabalhista, e sim de ação ordinária em razão da qual foram obtidos pelos litigantes valores indevidamente cerceados pelo Estado do Paraná,percebidos durante período em que já estava aposentado e com a isenção devidamenteconcedida, por ser portador de neoplasia maligna, doença não passível de controle ou remissão; c) Ofício de 31/10/2011 informa que, a partir do mês de novembro, continuaria isento e que as parcelas anteriores ao mês de novembro poderiam ser pleiteadas junto à Receita Federal do Brasil; d) na Ação Judicial nº 27.362/91, foi solicitada e julgada procedente a isenção de Imposto de Renda relativamente ao precatório recebido; e) passou a receber os seus proventos de inatividade sem incidência da tributação; f) diante do pedido do Interessado na referida Ação Judicial nº 27.362/91, bem como o laudo pericial, o Juiz daqueles autos, ante a concordância do Estado, teria acolhido o pedido de Fl. 233DF CARF MF Processo nº 19985.720088/201485 Acórdão n.º 9202005.437 CSRFT2 Fl. 233 3 isenção de Imposto de Renda; decisão que deve ser acatada, nos termos da Constituição Federal, em seu art. 5º, inciso XXXVI; g) a decisão judicial, tendo por base o artigo 157, inciso I, da Constituição Federal, asseguraria pertencer ao Estado o produto da arrecadação do IR incidente sobre rendimentos pagos, a qualquer título, pelo Estado, suas autarquias e fundações e a atribuição do Estado quando se trata de tributação do Imposto de Renda em aposentadoria já teria sido formalizada pelo Judiciário, nos autos de recurso representativo de controvérsia, nas ementas que o Interessado transcreve em sua impugnação; h) a partir da alteração promovida pela Portaria MF nº 586/2010 no Regimento Interno do CARF, inserindo o artigo 52A, os julgamentos de mérito, proferidos pelo STF, com repercussão geral reconhecida, e pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, teriam passado, obrigatoriamente, a serem reproduzidos pelos Conselheiros do CARF; e i) a isenção também teria foi deferida pelo Fisco Federal no autos do Processo Administrativo nº 10980.005051/200851. A impugnação foi indeferida, em síntese, pelos fundamentos abaixo: a) um dos requisitos para a isenção alegada é que os rendimentos sejam proventos de aposentadoria; b) atendendo à intimação (fl. 91) para comprovar a natureza dos valores recebidos na Ação Judicial nº 27362/1991/TJPR, o Impugnante encaminhou cópia da decisão judicial (fls. 94/98), onde se pode identificar que o objeto da ação são os efeitos nas remunerações dos Procuradores do Estado do Paraná decorrentes do Decreto 5.764/89, portanto, parte ou a totalidade dos valores recebidos pelo Impugnante na referida ação judicial é referente a período em que estava ativo como Procurador da Procuradoria Geral do Estado, cargo no qual se aposentou em agosto de 1991; mesmo intimado a comprovar a natureza dos rendimentos recebidos o Impugnante não apresentou o detalhamento dos valores a fim de se identificar se constava parcela correspondente ao período em que estava aposentado; c) a ação judicial em comento não foi ajuizada contra a União e na Justiça federal, portanto à União não se aplicam os efeitos do reconhecimento da isenção naquela ação; e d) a previsão do inciso I do art. 157 da Constituição não afeta a competência da união de cobrar o imposto, nem de figurar no pólo passivo de ação declaratória de reconhecimento do direito à isenção. A ciência do acórdão ocorreu em 24/06/2014 e o recurso voluntário foi interposto no dia 15/07/2014 amparado nas alegações a seguir resumidas: 1. o acórdão recorrido baseiase na suposição, equivocada, de que os rendimentos não foram recebidos durante a Fl. 234DF CARF MF 4 aposentadoria e foi omisso quanto à existência de decisão da própria Receita Federal que reconhece a isenção; 2. o lançamento foi feito nos últimos dias antes de ocorrer prescrição e o recorrente não foi intimado para prestar esclarecimentos antes da lavratura do auto de infração, em ofensa aos trâmites normais do processo administrativo fiscal; 3. com amparo em laudo pericial, na concordância do Estado do Paraná e no fato de a este pertencer o produto da arrecadação do IRRF, foi concedida isenção na ação judicial, o que deve ser acatado, por força do inciso XXXVI do art. 5º da Constituição de 1988; 4. o argumento de que a União deve participar do pólo passivo nas ações em que se discute a isenção é incongruente, pois de forma reiterada e vigorosa a União declara não ações judiciais que não tem legitimidade para figurar no pólo passivo, o entendimento consagrado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, entendimento que consta do REsp 989419/RS; 5. os rendimentos objeto da autuação foram recebidos durante período em que o recorrente já estava aposentado em a isenção devidamente concedida; 6. o CARF reconhece o direito à isenção quando comprovada a doença grave e os rendimentos são recebidos em período em que o contribuinte está aposentado (Acórdão 20200.597, de 17/06/2010); 7. a condição de aposentado e portador de neoplasia maligna já foi reconhecida; e 8. colocase a disposição para apresentar documentação adicional porventura necessária, requerendo determinação de diligência caso se entenda necessária. Requereu prioridade de tramitação com base no Estatuto do Idoso. Em sessão plenária de 11/03/2015, foi dado provimento ao Recurso Voluntário em epígrafe, prolatandose o Acórdão nº 2802003.351 (fls. 158 a 167), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. A atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 19985.720088/201485 Acórdão n.º 9202005.437 CSRFT2 Fl. 234 5 IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. NÃO APLICAÇÃO EM RELAÇÃO A RENDIMENTOS DO SERVIÇO ATIVO RECEBIDOS APÓS APOSENTADORIA. A isenção de imposto de renda outorgada aos proventos de aposentadoria recebidos por portador de doença grave não se aplica ao rendimentos do período ativo, ainda que recebidos após a data da aposentadoria. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA DO ENTENDIMENTO PROFERIDO PELO STF NO RE 614.406/RS. Art. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Aplicação do entendimento do STF no RE614.406, julgado na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil CPC. Assim, nestes casos, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deveria ter considerado os meses a que se referem os rendimentos. Julgado do STJ no regime do art. 543C do CPC. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao apurar o imposto sobre rendimentos recebidos acumuladamente de uma forma reconhecida como inconstitucional pelo plenário do STF, no rito do art. 543B do CPC, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o Fl. 236DF CARF MF 6 lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário provido.” O processo foi encaminhado à PGFN em 20/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 168). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre 30 dias após essa data. Em 23/04/2015, tempestivamente, foi interposto o Recurso Especial de fls. 169 a 176 (Despacho de Encaminhamento de fls. 177), disciplinado pelos art. 64, 67 e 68 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015. O apelo suscita a manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos, bem como a distinção de vício formal e material, aspecto em que não foi admitido. A Fazenda Nacional transcreve a ementa do acórdão recorrido, indica como paradigma o Acórdão 2201002.386. Em contrarrazões ao Recurso o Contribuinte alega, em síntese: a) que a decisão paradigmática (Acórdão 2201=2.386 foi julgado antes da formação do precedente do STF, devendo assim ser inadimitido; b) Que o recorrido possui decisão judicial transitada em julgado, bem como parecer da própria Receita Federal declarando a isenção relativamente ao IR. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Admissibilidade Entendo que apesar da alegação do recorrido da ausência de similitude fática em razão de um paradigma terse dado antes do RE 614.406, entendo que este último não é contrário ao disposto no REsp 1.118.429, não havendo assim discrepância a fundamentar alegada inadmissibilidade. Da análise do tema, observo que assiste razão o acórdão recorrido, pois o referido lançamento não pode prosperar. Isso porque o art. 12 da Lei nº 7.713/88 teve sua constitucionalidade afastada. O referido dispositivo legal que era utilizado para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido, teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nª Fl. 237DF CARF MF Processo nº 19985.720088/201485 Acórdão n.º 9202005.437 CSRFT2 Fl. 235 7 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da Repercussão Geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, vejamos: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) Nesse sentido cito aqui voto do Ilustre Conselheiro Relator Martin da Silva Gesto, no processo 11080.731461/201324, julgado recentemente (17/02/2016) já pela nova composição de conselheiros deste Tribunal Administrativo: De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. Como sabemos, este tribunal está adstrito aos julgamentos dos Tribunais Superiores, seja do Superior Tribunal de Justiça (processos julgados na sistemática Repetitivo de Controvérsia), seja do Supremo Tribunal Federal (sistemática da Repercussão Geral), portanto, o entendimento da Suprema Corte, quanto a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Artigo 62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica de dispositivo legal, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos Fl. 238DF CARF MF 8 constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. Alías, muito bem fundamentado o motivo da nulidade, conforme o Voto do relator do acórdão recorrido, verbis: Ainda que nos autos não tenha sido apontado o art. 12 da Lei 7.713/1988 como fundamentação legal da autuação, o demonstrativo do lançamento (fls. 47/49) evidencia que os valores recebidos acumuladamente foram tributados com base na tabela progressiva anual correspondente ao ano calendário do recebimento acumulado, sem qualquer indicação de que tenham sido empregadas alíquotas correspondentes aos exercícios (competência trabalhista) envolvidos. O conjunto de princípios inspiradores do processo administrativo fiscal indica que não se poderia cerrar os olhos, no caso destes autos, a uma tributação de forma contrária ao que definiu o Supremo Tribunal Federal – STF, apenas porque ao impugnar a omissão de rendimentos, o recorrente não argumentou o que o STF veio a decidir posteriormente à interposição do recurso voluntário. Referese aos princípios da busca da verdade material, do formalismo moderado, da legalidade da tributação e ao da autotutela da Administração. Em razão de debates travados neste Colegiado acerca da espécie de provimento cabível nesses casos, resumidamente, os fundamentos adotados para aplicação da solução que resulta em excluir do lançamento os rendimentos recebidos acumuladamente foram: a) Haveria uma mudança de critério jurídico. Ao adotar interpretação da tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não há razão para adotar entendimento doutrinário controvertido acerca da interpretação do art. 146 do CTN1 para justificar que não haveria mudança de critério jurídico. Ressaltase que a razão subjacente à norma insculpida no referido dispositivo do CTN é a segurança dos direitos individuais do contribuinte. Se entenderse – à guiza de argumentação – que, em relação ao fatos já ocorridos, não seria possível alterar um critério certo por outro igualmente certo, com muita mais razão, em relação a fatos já ocorridos, seria vedada a mudança de um critério errado por outro certo. b) Não cabimento de revisão de ofício do lançamento A possibilidade de revisão de ofício do lançamento encontra, no mínimo, óbice no parágrafo único do art. 149, uma vez que o prazo decadencial já teria sido ultrapassado. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19985.720088/201485 Acórdão n.º 9202005.437 CSRFT2 Fl. 236 9 c) O vício material do lançamento representa mais do que mero erro de aplicação de alíquota. Deveria ter sido calculado o imposto levandose em conta as tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao contribuinte. Diversamente, o lançamento adotou o regime de caixa sobre o montante recebido acumuladamente. O vício contido no lançamento não pode ser resumido a um mero erro na aplicação da alíquota. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, a autoridade fiscal empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Reduzir a questão à correção da alíquota implica utilizar no lançamento uma fórmula de apuração em que a base de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente é definida independente do ajuste anual. Todavia, o Ajuste Anual é a regra para os rendimentos da pessoa física e não consta da interpretação dada pelo STJ (em recurso repetitivo, portanto de reprodução obrigatória) ou pelo STF, que essa sistemática (ajuste anual) tenha sido afastada. A título de exemplo, cito trecho do Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas da expostas pela Secretaria da receita Federal indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência firmada no STJ: 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. Fl. 240DF CARF MF 10 c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. (...) Pelo conjunto de razões acima expostas, a manutenção da exigência com uma nova apuração, na essência, representaria um novo lançamento com outro critério jurídico. Substituirseia um critério declarado inconstitucional pelo que foi reconhecido como constitucional. Ocorre que não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos mas tão somente afastar a exigência indevida. A decisão do STF no RE 614.406/RS implica reconhecimento de que seria inconstitucional a exigência pelo regime de caixa no caso dos rendimentos recebidos acumuladamente. Dessa forma, não se pode admitir a exigência de tributo com os fundamentos adotados no acórdão recorrido pois seria compactuar com a inconstitucionalidade declarada pelo STF relativa ao regime de caixa. Isto conduz à questão acima descrita de que a manutenção do lançamento exigiria adotarse outro critério jurídico pelo órgão julgador, uma inovação não autorizada, o que implica o cancelamento da exigência por este órgão julgador. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendo o cancelamento da autuação fiscal por vício material conforme a decisão da acórdão da turma a quo. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à manutenção do cancelamento da exigência, promovido pelo Colegiado a quo. Reitero aqui, inicialmente, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de Fl. 241DF CARF MF Processo nº 19985.720088/201485 Acórdão n.º 9202005.437 CSRFT2 Fl. 237 11 diferença remuneratória que se deduz, a partir dos elementos constantes dos autos, como perceptível quando do servidor na ativa (para maior detalhamento, vide Acórdão de Impugnação, em sua fl. 06). Todavia, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que Fl. 242DF CARF MF 12 tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.720682/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Numero da decisão: 1401-002.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório suplementar no valor originário de R$143.194,94 a título de saldo negativo de CSLL para o ano de 2003 e para realizar as compensações declaradas até o montante do valor reconhecido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbos.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório suplementar no valor originário de R$143.194,94 a título de saldo negativo de CSLL para o ano de 2003 e para realizar as compensações declaradas até o montante do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 06 82 /2 00 8- 91 Fl. 407DF CARF MF 2 Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbos. Relatório O presente feito já foi analisado por este colegiado, em 09/12/2015. Naquela oportunidade foi baixado em diligência, mas fui o relator. De todo modo, reproduzo o relatório então confeccionado: Tratase de recurso voluntário interposto por PUMA SERVIÇOS ESPECIALIZADOS DE VIGILÂNCIA contra acórdão proferido pela DRJ/Belém que concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade acerca de pedido de compensação de crédito decorrente de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2003. A empresa protocolou seu pedido com base nos valores informados em sua DIPJ/2004, os quais apontavam o seguinte: . CSLL a pagar: R$ 80.088,05 . () CSLL antecipadas por estimativas compensadas: R$ 241.245,05 . Saldo negativo: R$ 161.157,00 A unidade de origem consolidou as estimativas compensadas naquele anocalendário numa tabela, contendo treze itens (fls. 109 e 110 do processo eletrônico), que foi elaborada no Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 0124/2009. De acordo com essa tabela, as estimativas consideradas efetivamente compensadas totalizaram um valor de R$ 98.040,11 e correspondem aos seus itens 1, 2, 3, 4, 5 e 7. Por sua vez, as estimativas correspondentes aos itens 8, 10, 11, 12 e 13 não foram incluídas naquela totalização. Segundo o Parecer, todos essas estimativas referemse aos créditos suscitados no processo nº 10280.001636/201384, porém, somente as indicadas no primeiro conjunto de itens foram efetivamente compensadas no processo. Quanto às estimativas correspondentes aos itens 6 e 9 daquela mesma tabela, o Parecer informa que suas compensações não foram homologadas conforme decisões proferidas pela DRJ/Bélem, respectivamente, nos autos dos processos nº 10280.001575/200355 e 10280.001574/200319. Assim, considerando que sua verificação apurou que o valor das estimativas efetivamente compensadas (R$ 98.040,11) superou a CSLL a pagar em apenas R$ 17.952,06, a unidade de origem homologou a compensação pleiteada no presente processo até esse limite. A empresa, então, apresentou manifestação de inconformidade questionando o não reconhecimento da totalidade do crédito Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10280.720682/200891 Acórdão n.º 1401002.057 S1C4T1 Fl. 408 3 apontado. Basicamente, argumentou que: (i) enquanto não proferida uma decisão final, o pedido contido nos autos do processo nº 10280.001636/201384 alcançaria todas as compensações a ele vinculadas, incluindo os itens 1, 2, 3, 4, 5 e 7 (homologadas pela decisão originária) e os itens 8, 10, 11, 12 e 13 (pendentes de análise pela DRJ/Belém); (ii) o mesmo se diga em relação às compensações vinculadas aos processos nº 10280.001575/200355 (item 6) e 10280.001574/200319 (item 9), os quais encontravamse ainda pendentes de análise pela segunda instância de julgamento; e (iii) os débitos referentes às compensações não homologadas serão cobrados no âmbito dos respectivos processos, de modo que permanecerá o direito à compensação da totalidade do saldo negativo pleiteado no presente processo. A 1ª Turma da já mencionada DRJ/Belém proferiu, então, o Acórdão nº 0127.007, de 29 de agosto de 2013, por meio do qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Assim figurou a ementa daquele julgado: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTINÇÃO. COMPENSAÇÃO. ULTERIOR. HOMOLOGAÇÃO. não havendo ulterior homologação da extinção do crédito tributário através da compensação, a manifestação de inconformidade não tem a natureza jurídica de extinção, mas de recurso administrativo, portanto, de suspensão do crédito tributário exigido. Apesar de não se manifestar acerca das compensações pendentes de julgamento no processo nº 10280.001636/201384, a DRJ foi categórica em afirmar que os recursos dos processos nº 10280.001575/200355 e 10280.001574/200319 foram improvidos tanto na 1ª quanto na 2ª instância administrativa. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário no qual, essencialmente, repete as razões de defesa da manifestação de inconformidade. Acrescenta, ainda, que as compensações das estimativas vinculadas ao processo nº 10280.001636/201384, que se encontrava pendente de análise (itens 8, 10, 11, 12 e 13), restaram homologadas pelo Acórdão nº 0114.041 proferido pela 1ª Turma da DRJ/Belém. Por sua vez, o débito da estimativa vinculada ao processo nº 10280.001575/200355 (item 6), apesar de ter sua compensação não reconhecida administrativamente, já é objeto de cobrança através da inscrição em dívida ativa de nº 20 6 13 00156971. Quanto ao débito da estimativa vinculada ao processo nº 10280.001574/200319 (item 9), sua cobrança estava suspensa pois ainda estaria em discussão administrativa. Fl. 409DF CARF MF 4 O feito foi, como já aduzimos anteriormente, baixado em diligência por meio da resolução 1401000.356, nos seguintes termos: Quanto aos débitos vinculados aos processos nº 10280.001636/201384 (itens 8, 10, 11, 12 e 13) e 10280.001575/200355 (item 6), considero que a recorrente juntou provas suficientes para afastar qualquer insurgência ao seu pleito. Com efeito, as PER/DCOMP listadas nos itens 8, 10, 11, 12 e 13 da tabela (fls. 109 e 110 do processo eletrônico) do Parecer SEORT/DRF/BEL Nº 0124/2009 fazem parte do conjunto de declarações de compensação homologadas pelo Acórdão nº 0114.041 proferido pela 1ª Turma da DRJ/Belém (vide a Tabela 1 fls. 361 e 376 do processo eletrônico a qual foi integralmente contemplada no voto condutor da decisão recorrida fls. 372 do processo eletrônico). Quanto à estimativa vinculada ao processo nº 10280.001575/200355 (item 6 da mesma tabela daquele Parecer), de fato, o valor originário de R$ 15.008,80 é objeto da cobrança contida na inscrição em dívida ativa de nº 20 6 13 00156971 (fls. 373 e 374 do processo eletrônico). No que se refere ao débito de estimativa vinculado ao processo nº 10280.001574/200319 (item 9), no valor de R$ 11.917,29, verifico que foi negado seguimento ao recurso especial impetrado pela empresa (conforme despacho de admissibilidade datado de 16/09/2015). Portanto, de acordo com as decisões da primeira e segunda instâncias administrativas, a compensação do referido debito não foi homologada. Nada obstante, em 16/11/2015, aquele processo foi encaminhado para a unidade de origem e ainda não há confirmação de que, tal como aconteceu com a estimativa do item 6, seu valor originário está inscrito em dívida ativa. Destarte, por prudência e também porque não vislumbro prejuízo para as partes, entendo que deva se aguardar a confirmação da inscrição em dívida ativa do débito daquele último processo. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem aguarde a inscrição em dívida ativa do débito contido no processo de nº 10280.001574/200319, retornando o presente processo para a conclusão do seu julgamento após confirmada a mencionada providência. O feito retornou ao julgamento após a inscrição na dívida do processo nº 10280.001574/200319 É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10280.720682/200891 Acórdão n.º 1401002.057 S1C4T1 Fl. 409 5 Participei do primeiro julgamento em que baixamos o feito em diligência. Na época, possuía entendimento bastante estrito acerca da possibilidade de aproveitamento de estimativas não compensadas para fins de cálculo do saldo negativo de IRPJ e de CSLL. O conselheiro relator, contudo, entendia que era possível o reconhecimento, mas após a inscrição em dívida ativa e, por isso, propôs a diligência, com a qual, na época, não concordei. Afinal, sempre tive a convicção de que estimativas não podem ser lançadas, nem cobradas. Caso não recolhidas, a omissão deve ser punida com a multa isolada e repercutir no saldo negativo do período ou no tributo a recolher que, este sim, deve ser lançado relativamente à diferença não recolhida. Desse modo, uma compensação não homologada não poderia repercutir na formação do saldo negativo do período. Nada obstante, mudei meu posicionamento, porque a Administração Tributária entende de modo diverso e efetivamente cobra estimativas declaradas em Dcomp não homologadas. Citese, nesse sentido o Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013, cuja conclusão reproduzimos abaixo: CONCLUSÃO 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Em razão dessa premissa, tanto a Receita Federal do Brasil, quanto a Procuradoria da Fazenda Nacional já se manifestaram no sentido de a estimativa objeto de compensação não homologada compensada possa compor o saldo negativo do período, conforme podemos constatar na Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006 e no Parecer/PGFN/CAT nº 88/2014, cujas ementas transcrevo abaixo: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Fl. 411DF CARF MF 6 PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. A Câmara Superior de Recursos Fiscais também já assentou esse entendimento, conforme podemos constatar pela ementa do Acórdão nº 9101002.493, de 23/11/2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Não há, pois, razão para a glosa da estimativa extinta por meio de compensação posteriormente não homologada, independentemente da fase de cobrança. Desse modo, deve ser considerado o saldo negativo original de R$ 161.157,00 menos a parcela já reconhecida e utilizada para fins de compensação no montante de R$ 17.952,06. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 10280.720682/200891 Acórdão n.º 1401002.057 S1C4T1 Fl. 410 7 Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório suplementar no valor originário de R$ 143.194,94 a título de saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2003 e para realizar as compensação declaradas até o montante do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 413DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.901927/2008-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO.
O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal.
PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO.
Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.075
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇOES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 19 27 /2 00 8- 95 Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10166.901927/200895 Acórdão n.º 9303005.075 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803000.956, de 28/10/2008, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO A ausência nos autos de material comprobatório consistente na escrituração contábil e fiscal que justifique a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, impede formar convicção sobre as alegações de existência de crédito. Contra a decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, que, acolhidos, mas sem modificação do julgamento, resultou em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10166.901927/200895 Acórdão n.º 9303005.075 CSRFT3 Fl. 4 3 A contribuinte, então, apresentou novos embargos, aos quais, todavia, foi negado seguimento. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão, à luz do que reza o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido no Acórdão nº 902001.634. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. Cientificada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.065, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.065): Da Admissibilidade "Com a devida vênia ao bem fundamento voto do Ilustre Conselheiro Relator, a maioria dos membros do Colegiado divergiu do seu entendimento quanto à admissibilidade do recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte, prevalecendo o entendimento pelo prosseguimento do apelo especial. O presente processo administrativo originouse de pedido de compensação transmitido pela Contribuinte, em 11/03/2004, de créditos de COFINS decorrentes de pagamento indevido ou a maior, para liquidação de débitos próprios. Sobreveio despacho decisório não homologando o pedido de compensação, sob o fundamento de inexistência de crédito disponível para compensação com os débitos informados. Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10166.901927/200895 Acórdão n.º 9303005.075 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendose insurgido a Contribuinte por meio de manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por manter a não homologação da compensação em razão do saldo insuficiente para compensar e, ainda, acrescentou os seguintes argumentos: a Contribuinte não trouxe aos autos elemento de prova de erro material no preenchimento da DCTF; e a simples apresentação das cópias da DIPJ e da DCTF, bem como de planilha elaborada pelo Sujeito Passivo, sem a devida escrituração, não são suficientes para comprovar as suas alegações. Em sede de julgamento de recurso voluntário, sobreveio o acórdão nº 380300.949, ora recorrido, que lhe negou provimento em razão da ausência de provas nos autos, consistente na escrituração contábil e fiscal da empresa, que justificassem a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, conforme trecho destacado acima pelo nobre Relator, in verbis: [...] No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído". [...] Opostos embargos de declaração pela Contribuinte, a decisão de negativa de provimento ao recurso voluntário foi complementada, nos termos do acórdão nº xxx, para acrescentar considerações quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos sobre o equívoco das informações prestadas em DCTF, in verbis: [...] Compulsando o voto condutor da decisão embargada, há que se dar razão à Embargante, já que, aparentemente, o relator limitou se a refutar o poder probante das provas acostadas aos autos até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, sem nada acrescentar quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos no recurso voluntário, no sentido de evidenciar o erro cometido nas informações prestadas em DCTF. [...] Talvez tal omissão expliquese pela preclusão temporal que se operou. É que, de acordo com as normas processuais, é na manifestação de inconformidade que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10166.901927/200895 Acórdão n.º 9303005.075 CSRFT3 Fl. 6 5 As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. [...] Este colegiado já teve oportunidade de manifestarse nesse sentido, por meio do Acórdão nº 380302.042, de 6 de outubro de 2011: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Ainda que, por liberalidade injustificada, se conhecesse dos documentos aportados aos autos intempestivamente, o recorrente o recorrente não se preocupou em identificar, inequivocamente, a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, limitandose a apresentar planilha de demonstração do valor recolhido a maior de cálculo e demonstrativos outros, sem resguardo de qualquer formalidade e, principalmente, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada. [...] Conforme se depreende da fundamentação do acórdão que acolheu os embargos de declaração, não houve alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário, nem mesmo acréscimo de argumentos à decisão, mas sim restou esmiuçado e detalhado o entendimento de que a não apresentação das provas do crédito tributário em momento oportuno implica na preclusão de o contribuinte fazêlo. Além disso, no acórdão de embargos de declaração não houve a apreciação dos documentos juntados com o recurso voluntário, conforme pretendia o Recorrente, mas simplesmente foram listados e concluiu o julgador, nos mesmos termos do acórdão então embargado, ser imprescindível a juntada de escrita fiscal e contábil para comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido compensar. A Contribuinte interpôs, ainda, novos embargos de declaração por entender que permanecia a omissão no julgado quanto à documentação apresentada, e a existência de contradição e obscuridade, tendo sido os mesmos rejeitados consoante despacho nº 3803000.154, de 21/09/2012 (fls. 581 a 584), de cujo inteiro teor extraise que: Fl. 584DF CARF MF Processo nº 10166.901927/200895 Acórdão n.º 9303005.075 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Inexiste vício a sanar na decisão embargada. [...] Portanto, com a devida vênia ao entendimento contrário, um único fundamento prevaleceu para negar provimento ao recurso voluntário: a não apresentação de documentos hábeis a comprovar a pretensão compensatória da empresa quando da apresentação da manifestação de inconformidade, nesses compreendidos a escrita fiscal e contábil, acarreta a preclusão e impede o julgador de formar convicção quanto ao direito creditório. Não há de se falar, assim, em fundamentos autônomos e suficientes, cada um por si só, para manutenção da decisão recorrida. O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte face à negativa de provimento ao recurso voluntário, atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e reproduzido na Portaria MF nº 343/2015, devendo ter prosseguimento. Ao invocar a existência de dissenso jurisprudencial quanto à "inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão", colacionou o acórdão paradigma nº 902001.634, comprovando a divergência de entendimentos, conforme se extrai da ementa do julgado paradigmático: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10166.901927/200895 Acórdão n.º 9303005.075 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Diante do exposto, entendeu a maioria do Colegiado por conhecer do recurso especial da Contribuinte, nos termos do voto que me coube redigir apenas quanto à admissibilidade do recurso." Do Mérito (...) Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalecente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 586DF CARF MF
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