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Numero do processo: 15504.724669/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2007
PLR. METAS E OBJETIVOS. CONDIÇÕES. INEXISTÊNCIA. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
A inexistência no instrumento que institui o programa de PLR de qualquer meta ou objetivo condicionando o seu pagamento, implica sua descaracterização e a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos com base nele.
GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.Restando caracterizada a relação de controle societário entre as empresas, o que evidencia a existência de relação de poder, comando e direção, deve-se atribuir a responsabilidade solidária em função da existência de grupo econômico.
Numero da decisão: 2201-004.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, vencidos os Conselheiros Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso que deram provimento ao recurso voluntário dos solidários.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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METAS E OBJETIVOS. CONDIÇÕES. INEXISTÊNCIA. SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO. A inexistência no instrumento que institui o programa de PLR de qualquer meta ou objetivo condicionando o seu pagamento, implica sua descaracterização e a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos com base nele. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.Restando caracterizada a relação de controle societário entre as empresas, o que evidencia a existência de relação de poder, comando e direção, devese atribuir a responsabilidade solidária em função da existência de grupo econômico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, vencidos os Conselheiros Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso que deram provimento ao recurso voluntário dos solidários. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 46 69 /2 01 1- 58 Fl. 794DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de recursos voluntários (fls. 581/600 e 640/649) apresentados em face do Acórdão nº 0249.995, da 8ª Turma da DRJ/BHE (fls. 537/545), pelo qual foram julgadas improcedentes as impugnações aos autos de infração Debcad nº 37.322.3110 e Debcad nº 37.322.3129. Segundo extraise do relatório fiscal (fls. 89/107) e dos demais documentos que acompanham os autos de infração (fls. 1/88), eles foram compostos a partir dos seguintes levantamentos: Debcad nº 37.322.3110 contribuição da empresa/Gilrat: pagamentos feitos a empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica (levantamento PL); pagamento de participação nos lucros para diretores não empregados (levantamento PD); pagamento de previdência privada para diretores da empresa (levantamentos PR e PR1). Debcad nº 37.322.3129 contribuição dos segurados: apurada a partir dos levantamentos identificados no Debcad nº 37.322.3110. Por economia processual, é necessário registrar desde logo que a impugnação ao lançamento fiscal foi parcial, sendo que a empresa autuada anexou a ela os comprovantes de pagamento dos levantamentos PR e PR1 pagamento de previdência privada para diretores da empresa (fls. 402). Além disso, houve desistência parcial do recurso apresentado para adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária PERT (fls. 667/668). Através dela, a instituição autuada manifestou sua falta de interesse na manutenção da discussão acerca da PLR de diretores (levantamento PD). Dessa forma, a matéria em litígio nessa esfera recursal restringese ao levantamento relativo a pagamentos feitos a empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com lei específica (levantamento PL). Em relação a essa matéria, o relatório fiscal afirma que o pagamento realizado em março de 2007 teve por base apenas as convenções coletivas firmadas, nas quais haveria a garantia de um pagamento mínimo proporcional ao salário do empregado e independente do atingimento de qualquer meta ou resultado. Apenas na hipótese em que esse valor mínimo representasse percentual inferior a cinco por cento do lucro obtido no período, haveria sua majoração até um teto determinado. Nesse caso, entendeu a autoridade fiscal que a garantia de pagamento de um valor determinado independente de qualquer resultado desvirtuaria o programa, colocandoo em confronto com as regras da Lei nº 10.101, de 2000. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 15504.724669/201158 Acórdão n.º 2201004.679 S2C2T1 Fl. 795 3 O auto de infração arrolou as empresas identificadas no item 63 do relatório fiscal (fl. 101) como responsáveis solidárias, sob o fundamento de que comporiam grupo econômico. Em sede de impugnação (fls. 359/381), e considerandose apenas a parte do lançamento que remanesce em litígio, a autuada alegou, em síntese, que: A Lei nº 10.101 apenas exige que os critérios para pagamento sejam objetivos, mas não determina que existam metas a serem cumpridas, pois estas são facultativas. O plano da empresa estabelece uma condição para que os funcionários recebam PLR, que é o auferimento de lucro. Além disso, haveria duas variáveis, limite máximo de 15% e mínimo de 5%. As empresas para as quais foi atribuída responsabilidade solidária apresentaram impugnação em apartado (fls. 424/431), contestando unicamente essa condição, sob alegação de que não foi evidenciada a solidariedade de fato baseada no interesse comum na situação que constitui fato gerador; que a previsão do art. 30, IX, da Lei nº 8.212, de 1991, seria inaplicável por confrontar a Constituição Federal; bem como que não foi comprovado qualquer abuso de personalidade jurídica. A Delegacia de Julgamento julgou improcedentes as impugnações, mantendo integralmente o auto de infração. Dessa decisão, os sujeitos passivos tomaram ciência em datas que variaram entre 1º/11/2013 e 06/11/2013 (fls. 562/580) e os recursos voluntários foram tempestivamente apresentados em 29/11/2013 (fls. 581/600 e 640/649). Em sede recursal, a contribuinte reprisa os argumentos utilizados na impugnação, reafirmando não ser condição para o pagamento de PLR a existência de metas a serem atingidas. As empresas às quais foi atribuída responsabilidade solidária, por outro lado, além dos argumentos já apresentados em sede de impugnação, aduzem que o grupo econômico não poderia ser configurado apenas pela composição do quadro societário, sendo necessário demonstrar que estiveram sob a direção, controle ou administração comum. Neste Colegiado o processo em análise foi distribuído a esta Conselheira em função de conexão com o processo 15504.724670/201182 (fls. 783/787). É o que havia para ser relatado. Voto Fl. 796DF CARF MF 4 Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Os recursos voluntários apresentados preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço. Recurso voluntário Contribuinte Conforme foi destacado no relatório, a matéria que remanesce em litígio restringese à discussão acerca da incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados aos empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR. Segundo a autoridade fiscal e os julgadores de primeira instância, o programa de PLR da autuada não atenderia às exigências da Lei nº 10.101, de 2000, uma vez que o pagamento não estaria condicionado a qualquer meta ou resultado a ser atingido, tendo sido garantido um valor mínimo. A autuada, por sua vez, defende que não há na legislação de regência tal exigência, bem como que o pagamento teria sido condicionado à obtenção de lucro. Quanto a essa questão, registro inicialmente meu entendimento de que há sim exigência legal para que o pagamento de PLR esteja subordinado a critérios e condições. Voltando ao texto legal, temse que: Art. 2º (...) § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Resta claro do texto legal que o instrumento de negociação deve conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos do trabalhador e também quanto a mecanismos de aferição para verificação do seu cumprimento. Logo, é inexorável que o instrumento deve conter critérios e condições de pagamento, cuja observância sejam passíveis de aferição. Os incisos são, com efeito, exemplificativos, mas deles pode ser extraída a racionalidade que orienta a regra. O fato de que não sejam obrigatórios esses critérios e condições, não quer dizer que o PLR pode ser fixado sem qualquer critério ou condição. Ou ainda que seja fixado com critérios e condições sem qualquer pertinência lógica com os exemplos fornecidos pela lei, de onde resulta clara a intenção de que o modelo escolhido seja uma expressão do resultado obtido a partir do esforço adicional empreendido pelos empregados. No caso em análise, analisandose a convenção juntada às fls. 212 e ss, destacase a seguinte cláusula: Fl. 797DF CARF MF Processo nº 15504.724669/201158 Acórdão n.º 2201004.679 S2C2T1 Fl. 796 5 CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2005, em efetivo exercício em 31.12.2006, convencionase o pagamento, pelo banco, até 02.03.2007, de 80% (oitenta por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, reajustadas em setembro/2006, acrescido do valor fixo de R$ 828,00 (oitocentos e vinte e oito reais), limitado ao valor de R$ 5.496,00 (cinco mil, quatrocentos e noventa e seis reais). PARÁGRAFO PRIMEIRO O percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionados no “caput” desta Cláusula, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, observarão, em face do exercício de 2006, como teto, o percentual de 15% (quinze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco. Quando o total de Participação nos Lucros ou Resultados calculado pela regra básica do “caput” desta Cláusula for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco, no exercício de 2006, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2 (dois) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 10.992,00 (dez mil, novecentos e noventa e dois reais), ou até que o total da Participação nos Lucros ou Resultados atinja 5% (cinco por cento) do lucro líquido, o que ocorrer primeiro. PARÁGRAFO SEGUNDO No pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse título, referentes ao exercício de 2006. PARÁGRAFO TERCEIRO O empregado admitido até 31.12.2005 e que se afastou a partir de 1º.01.2006, por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, faz jus ao pagamento integral da Participação nos Lucros ou Resultados, ora estabelecido. PARÁGRAFO QUARTO Ao empregado admitido a partir de 1º.01.2006, em efetivo exercício em 31.12.2006, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, será efetuado o pagamento de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido, por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Ao afastado por doença, acidente do trabalho ou auxílio maternidade fica vedada a dedução do período de afastamento para cômputo da proporcionalidade. PARÁGRAFO QUINTO Ao empregado que tenha sido ou venha a ser dispensado sem justa causa, entre 02.08.2006 e 31.12.2006, será devido o pagamento, até 02.03.2007, de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido no “caput”, por mês trabalhado, ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. PARÁGRAFO SEXTO Fl. 798DF CARF MF 6 O banco que apresentar prejuízo no exercício de 2006 (balanço de 31.12.2006) estará isento do pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados. PARÁGRAFO SÉTIMO A participação nos lucros ou resultados prevista nesta Convenção Coletiva de Trabalho referese ao exercício de 2006, atende ao disposto na Lei nº 10.101, de 19.12.2000, não constitui base de incidência de nenhum encargo trabalhista ou previdenciário por ser desvinculada da remuneração, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade, porém tributável para efeito de imposto de renda, conforme legislação em vigor. Pois bem, essa cláusula estabelece um valor mínimo e um máximo a ser pago a cada empregado, sendo que a variável que irá determinar em que ponto desse intervalo se fixará o valor a ser pago é o lucro da instituição, já que a distribuição não deverá ser inferior a 5% nem superior a 15% dele. Logo há uma variável relativa ao valor efetivamente pago, mas a existência ou não do pagamento, por outro lado, está condicionada apenas ao auferimento de lucro (parágrafo sexto). Ou seja, havendo lucro, qualquer que seja, inferior ou superior ao dos anos anteriores, haverá pagamento de PLR, presumese que, pelo menos, no mínimo ajustado. Para auxiliar a compreensão da norma e sua aplicação ao caso concreto, recorro ao Acórdão nº 9202006.218, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relatora a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que, analisando situação semelhante a destes autos, assim se manifestou: A verba paga a título de PLR tem por objetivo servir como um instrumento de incentivo à produtividade dos trabalhadores e, consequentemente, da empresa, mediante o pagamento de um valor, além do salário e dos demais benefícios devidos ao trabalhador, como forma de estimular o empregado a ter um rendimento operacional que exceda ao seu desempenho corriqueiro exigido como decorrência inerente do contrato de trabalho. Desta forma, o plano de incentivo à produtividade deve conter de maneira clara e objetiva, um fim a ser alcançado pelo desempenho do trabalhador, em vista de um estímulo traduzido na promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR. Conforme a Lei nº 10.101/2000, este fim, ou objetivo extraordinário, pode ser estabelecido como um índice de produtividade, de qualidade da produção ou de lucratividade da empresa. Pode, também, ser traduzido por um programa de metas, de resultados ou de prazos, ou por qualquer uma outra ferramenta gerencial que, efetivamente, anime e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho normal que é de sua rotina e decorrente do seu contrato de trabalho. Assim, se vê que nos incisos I e II do §1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000, o legislador infraconstitucional não teve intenção de detalhar na Lei todos os fins excepcionais a serem almejados nos planos de incentivo à produtividade, delegando às próprias Fl. 799DF CARF MF Processo nº 15504.724669/201158 Acórdão n.º 2201004.679 S2C2T1 Fl. 797 7 empresas a prerrogativa de estabelecer nos seus planos de PLR os objetivos que fossem adequados às suas realidades. E, exemplificativamente, elencou, dentre outros, os seguintes critérios e condições: · Índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; · Programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Entretanto, ainda que a legislação infraconstitucional não obrigue a empresa a seguir este ou aquele objetivo determinado, a existência e delimitação clara e precisa, no plano de PLR, de um fim extraordinário específico a ser atingido pelo seus trabalhadores é indispensável para a caracterização da verba. A empresa tem que detalhar qual o objetivo a ser atingido pelo seu corpo funcional para almejar a PLR e tal meta deve ser estipulada previamente, pois é da natureza da rubrica (para que não integre a base remuneratória), que os valores percebidos sejam fruto não da rotina laboral, mas do cumprimento de algo para o qual o trabalhador teve que implementar mais esforços do que aqueles normalmente utilizados no cumprimento de seu contrato de trabalho. E por isso, a importância da pactuação prévia, eis que somente ciente do que deve ser alcançado como objetivo para que receba o bônus do seu empenho é que vai implementar o esforço necessário para tanto. A inexistência de regramento claro e objetivo desvirtua a natureza da rubrica. A Lei n° 10.101/2000 exige que do acordo constem os “mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado", de modo a assegurar aos empregados a transparência nas informações por parte da empresa, o fornecimento dos dados necessários à definição das metas, a adoção de indicadores de produtividade, qualidade ou lucratividade que sejam compreendidos por todos, a possibilidade de fiscalização do regular cumprimento das regras pactuadas e o acompanhamento progressivo da constituição do direito em debate por parte do empregado Na seqüência do raciocínio, por óbvio, as condições pertinentes ao plano de PLR, devem estar concluídas e ser cientificadas aos trabalhadores em período prévio à apuração dos objetivos pactuados entre as partes, de maneira que o empregado tenha o conhecimento daquilo que precisa fazer, de como precisa fazer, do quanto e quando precisa fazer, de como serão mensurados e avaliados os objetivos estabelecidos pela empresa e de como o empregado será avaliado para fazer jus ao ganho anunciado na negociação coletiva. Fl. 800DF CARF MF 8 Confrontando o caso concreto com o significado da norma apresentado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, não me parece que o plano adotado pela empresa autuada tenha cumprido as condições fixadas em lei. Com efeito, atrelar o pagamento de PLR à mera existência de lucro, ainda mais quando se trata de instituições financeiras e de instrumento firmado no último trimestre do período de referência, não pode ser confundido ou entendimento como estabelecimento de programa de metas, resultados ou prazos, ou ainda de índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa. Índice de lucratividade não é o mesmo que mera obtenção de lucro. A existência de lucro por si só consiste em elemento estanque, inapto a revelar qualquer ganho de produtividade. Para sua obtenção, basta que as receitas sejam superiores aos custos e despesas. O índice de lucratividade, por outro lado, retrata a eficiência com que o lucro é gerado, pois está sujeito a outra variável, estabelecendo uma relação entre aquele e as receitas obtidas. De forma que duas empresas podem obter o mesmo lucro e não serem igualmente lucrativas. Além disso, o termo lucratividade está atrelado a outro, índice, que retrata a oscilação de determinada medida ou gradação. Assim, a norma não apenas faz menção a um elemento por si bastante relativo, como o associa a uma forma de avaliar sua oscilação. Nesse sentido, toda a linguagem utilizada pela norma conduz à conclusão de que os parâmetros estabelecidos por ela têm em comum o fato de serem diferentes formas de medição do incremento na produtividade e eficiência. É claro que as partes podem eleger critérios e condições diferentes daqueles que foram postos de forma exemplificativa pela norma, mas não acredito que o esforço empreendido por ela tenha tido por fim ilustrar o texto de forma retórica, mas sim evidenciar a natureza dos critérios e condições aptos a atender os fins almejados por ela. Deve haver uma pertinência lógica entre os exemplos fornecidos e o adotado no instrumento firmado. Não reconheço essa pertinência na convenção trazida à colação nesse processo. A esses argumentos, adiciono o que foi manifestado pelos meus pares no curso da sessão de julgamento, e que entendo bastante pertinente. A mera obtenção de lucro é um critério que pouco depende do desempenho dos empregados, já que está subordinada também a decisões da empresa quanto ao volume da despesa e investimento. Portanto, não é o meio adequado ao incentivo pretendido pela legislação de regência. Pelas razões expostas, nego provimento ao recurso voluntário apresentado pela empresa autuada. Recurso voluntário Responsáveis solidárias As responsáveis solidárias limitaramse a contestar a responsabilidade que lhes foi atribuída pelo crédito tributário lançado nesse processo. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 15504.724669/201158 Acórdão n.º 2201004.679 S2C2T1 Fl. 798 9 Argumentam que a Lei nº 8.212, de 1991, ofende a Constituição Federal ao lhes atribuir responsabilidade tributária não prevista no Código Tributário Nacional CTN. Esta linha de argumentação não pode ser acatada neste Conselho, conforme evidencia o enunciado nº 2 da Súmula CARF. Também alegam que não tiveram participação nos fatos geradores dos tributos ora exigidos, ou seja, não haveria o interesse comum a que faz referência o art. 124, I, do CTN. Esse argumento igualmente não lhes aproveita, porque não foi essa a base legal para a responsabilidade atribuída. Por fim, defendem que não basta invocar a participação societária para que seja caracterizado o grupo econômico, sendo necessário demonstrar a existência de direção, controle e administração comuns, nos termos prescritos pelo art. 494 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009. Penso que não lhes assiste razão. Embora o relatório fiscal tenha sido econômico no uso das palavras, evidenciou a natureza do grupo ao identificar as empresas como controladas, ou seja, o grupo é de natureza societária. Por amor à clareza, transcrevo abaixo os atos normativos que conduziriam à responsabilidade de que ora se trata: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Decreto nº 3.048, de 1999 Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. IN RFB nº 971, de 2009 Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. A Consolidação das Leis do Trabalho CLT também contém regra a respeito da formação de grupo econômico: Art. 2º (...) Fl. 802DF CARF MF 10 §2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração da outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Tanto a empresa autuada como as responsáveis solidárias foram constituídas sob a égide da Lei das S/A, onde devem ser buscados os fundamentos para definir a natureza da relação entre elas. Nesse sentido, destacase dessa Lei (nº 6.404, de 1976): Art. 243. § 1o São coligadas as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa. § 2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. (...) Nesse sentido, o controle garante preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores, o que é suficiente para revelar a existência de poder de direção, controle e administração. E essa condição não foi contestada por nenhuma das responsáveis solidárias, o que demonstra que efetivamente encontramse sob controle comum, compondo, por isso, o mesmo grupo econômico. Por essas razões, entendo que deve ser negado provimento ao recurso voluntário das empresas listadas como responsáveis solidárias. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer dos recursos voluntários apresentados para lhes negar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 803DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000009/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/2010-00, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de COFINS mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 00 9/ 20 10 -1 3 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 12571.000009/201013 Resolução nº 3301000.706 S3C3T1 Fl. 171 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.521 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000006/2010 71, 12571.000007/201016, 12571.000008/201061, 12571.000009/201013, 12571.000010/201030, 12571.000011/201084, 12571.000012/201029, 12571.000013/201073, 12571.000014/201018, 12571.000015/201062, 12571.000016/201015, 12571.000017/201051, 12571.000018/201004, 12571.000019/201041, 12571.000020/201075, 12571.000021/201010, 12571.000022/201064, 12571.000023/201017, 13931.000367/200820, 13931.000936/200837, 13931.000938/200826, 13931.000941/200840, 13931.000943/200839, 13931.000944/200883, 13931.000945/200828, e 13931.000947/200817, que tratam da análise de créditos de Cofins (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.521, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins Exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 12571.000009/201013 Resolução nº 3301000.706 S3C3T1 Fl. 172 3 Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000201/201000, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 172DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720825/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS AUFERIDAS E NÃO DECLARADAS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Deve- se exigir a diferença do tributo não recolhido em face de receitas não declaradas.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL.
A omissão de receita é base de cálculo das contribuições no Simples. Comprovada a omissão de receita, é cabível o lançamento da diferença não recolhida.
Numero da decisão: 1201-002.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS AUFERIDAS E NÃO DECLARADAS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Deve- se exigir a diferença do tributo não recolhido em face de receitas não declaradas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. A omissão de receita é base de cálculo das contribuições no Simples. Comprovada a omissão de receita, é cabível o lançamento da diferença não recolhida.
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RECEITAS AUFERIDAS E NÃO DECLARADAS. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Deve se exigir a diferença do tributo não recolhido em face de receitas não declaradas. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. A omissão de receita é base de cálculo das contribuições no Simples. Comprovada a omissão de receita, é cabível o lançamento da diferença não recolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 08 25 /2 01 1- 84 Fl. 496DF CARF MF 2 Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório SUELI CARMO DE SOUZA ZONER EPP recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 12 65.208, sessão de 7 de maio de 2014, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão de primeira instância, completandoo ao final: O presente processo tem origem nos autos de infração de fls. 339/341, 342/344, 345/347, 348/350, 351/353 e nos demonstrativos de fls. 331/338, lavrados pela DRF –Marília/SP, dos quais a interessada acima identificada foi cientificada em 10/05/2011, conforme fazem provas as ciências nos próprios autos de infração, fls. 339, 342, 345, 348 e 351, consubstanciando exigência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica – Simples Nacional no valor de R$ 13.188,76; da contribuição social sobre o lucro líquido – Simples Nacional, R$ 12.816,05; da contribuição para o financiamento da seguridade social – Simples Nacional, R$ 39.318,17; da contribuição para o PIS – Simples Nacional, R$ 9.274,82; e da contribuição Previdenciária Patronal – CPP – Simples Nacional, R$ 128.540,83, acrescidos da multa de ofício no percentual de 75%(setenta e cinco por cento) e dos juros moratórios. 2. Conforme descrição no auto de infração, fls. 340/341, e no relatório fiscal, fls. 355/357, o autuante apurou omissão de receita de valores não declarados e não contabilizados referentes a serviços profissionais prestados a pessoa jurídica, código 1708, nos valores mensais elencados em fls. 355/356. Tipificou a infração no artigo 24 da Lei nº 9.249/95 e nos arts. 18 e 34 da Lei Complementar nº 123/2006. 3. Com o objetivo de comprovar a infração, juntou aos autos os documentos de fls. 2/330. 4. Consta dos autos a solicitação, em 26/05/2011, de parcelamento, fl. 366, que foi indeferida, consoante Despacho Decisório DRF/MRA/Sacat nº 104, de 07/06/2011, fls. 369/375. 5. Em seguida ao pedido, em 03/06/2011, inconformada com o lançamento, a interessada apresentou a impugnação de fls. 376/388, arguindo, em síntese: 5.1. Como preliminar que: 5.1.1. “Atendeu através da singela correspondência de fls. 15 e 16, elaborada por indução e à vista unicamente dos elementos constantes do Termo de Intimação Fiscal de folhas 13 e 14, o qual não se fez acompanhar de qualquer documento comprobatório dos dados de receita de remuneração por Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13830.720825/201184 Acórdão n.º 1201002.491 S1C2T1 Fl. 3 3 serviços prestados que apontava, fato este que configurou verdadeiro cerceamento de defesa e indução a erro”; 5.1.2. “requer a cientificação do contribuinte, ora impugnante, quanto a data e horário de julgamento da presente impugnação, para fins de apresentação de memoriais e sustentação oral, sob pena de nulidade dos atos praticados sem a observação deste pleito”; 5.2. No mérito, aduziu que: 5.2.1. somente com a cópia integral do processo, compulsando os documentos, constatou que o somatório de seus valores ficou muito aquém daquele utilizado como base de cálculo, pois somam R$ 280.153,54. Elaborou planilha com a relação dos documentos constante dos autos, fls. 379/382 e fez a comparação com as bases de cálculo apuradas pelo autuante, fl. 382. Conclui que o lançamento com base no montante de R$ 1.462.103,09 não tem respaldo em documentação hábil devendo ser rejeitado; 5.2.2. cita o art. 142 do CTN para alicerçar o argumento que cabe a comprovação da ocorrência do fato gerador, sendo atividade vinculada e obrigatória, trazendo aos autos julgados e doutrina quanto à matéria; 5.2.3. a aplicação da multa no percentual de 75% vai contra o que dispõe o inciso IV do art. 150 da CF/88, pois caracteriza autêntico confisco, verificado tratarse de empresa de pequeno porte inscrita no Simples Nacional; 5.2.4. o princípio do não confisco se mostra garantidor do princípio da capacidade contributiva; 5.2.5. conclui solicitando a declaração de insubsistência do lançamento e cancelado os autos de infração. E a redução do percentual da multa; 5.2.6. ainda, que se aguarde a decisão final do RE 582461 RG/SP que trata do caráter confiscatório da multa. 6. Esta Turma de Julgamento exarou o julgamento, Acórdão nº 1262.846, de 28/01/2014, concluindo pelo não conhecimento da impugnação apresentada, em face da apresentação de um pedido de parcelamento. Todavia, foi deferida liminar no Mandado de Seguraça impetrado por Sueli Carmo de Souza ZonerEPP, processo nº 000492749.2014.4.02.5101 (2014.51.01.0049274) e nesta decisão, o Poder Judiciário considerou o cabimento da impugnação como também que deva ser conhecida a impugnação por esta 5ª Turma de Julgamento da DRJ/RJO. É o relatório. Cientificada da decisão de Primeira Instância e com ela não se conformando, a contribuinte SUELI CARMO DE SOUZA ZONER EPP interpôs recurso voluntário trazendo as mesmas alegações do primeiro apelo. Fl. 498DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. De acordo com o Anexo II, artigo 57, parágrafo terceiro, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do recurso voluntário: (...) 11. DO LANÇAMENTO. 11.1. Conforme auto de infração, fl. 340, e informação fiscal, fls. 355/357, dos quais a interessada foi cientificada, o autuante apurou omissão de receita não declarada e não escriturada nos valores elencados em fls. 355/356. 11.2. Conforme já mencionado e transcrito acima, a Sra. Sueli Carmo de Souza Zoner, fls. 14/15, sócia e responsável pela empresa, depois de intimada, declarou ter recebido de receita R$ 9.250,00, oriunda do serviço prestado à TMC – transporte Multimodal de Carga Ltda, CNPJ nº 02.350.315/000194 e R$ 1.452.853,09, pelos serviços prestados à empresa Rodojacto Ltda, CNPJ nº 55.065.981/000147. 11.3. Quanto à declaração feita, ressalto que esta foi endereçada ao Delegado da RFB em Marília/SP 13(treze) dias após à intimação feita, tendo a Sra. Sueli confessado de maneira espontânea o recebimento da receita e que pelo que consta dos autos o autuante não estava presente, quando feita esta declaração. 11.4. Na intimação referida, fl. 14, o autuante informa à interessada que: “Diligências realizadas em ambas pessoas jurídicas coletaram boletos de adiantamento, recibos de caixa, depósitos, cópia de cheques, cujas operações não se encontram escrituradas no livrocaixa da fiscalizada quando do atendimento ao Termo de início da Ação Fiscal”. Há nos autos intimação para a empresa Rodojacto, fls. 68/71, e TCM Transportes Multimodal de Cargas Ltda, fls. 250/252, a fim de confirmar se a interessada percebeu a receita. Em resposta, as empresas confirmaram os valores constantes de suas Dirf, com a apresentação dos comprovantes de rendimentos pagos, fls. 73 e 253. Quanto às receitas da Rodojacto foram juntado aos autos os documento de controle interno do rendimento e irrf, fls. 74/79; parte dos recibos de caixa e relação de contas a pagar, fls. 81/249. Da empresa TMC Fl. 499DF CARF MF Processo nº 13830.720825/201184 Acórdão n.º 1201002.491 S1C2T1 Fl. 4 5 Transporte Multimodal de Carga Ltda, foram juntados os documentos de fls. 254/258. 11.5. Observase que os documentos foram trazidos aos autos com o objetivo de comprovar a transação comercial da interessada com as empresas TMC Transporte Multimodal de carga Ltda e Rodojacto, uma vez que a própria interessada declarou o auferimento das receitas, especificando o montante em centavos dos valores das receitas auferidas. A interessada questiona o valor lançado como receita mas não junta aos autos qualquer documento que gerasse dúvida quanto aos valores apurados como receita pelo autuante, que são as receitas declaradas pela própria interessada e confirmadas pelos comprovantes anuais de rendimentos pagos e de retenção de IRRF, fls. 73 e 253. 11.6. Assim disciplina o Código de Processo Civil, quanto à confissão: Art. 348 – Há confissão, quando a parte admite a verdade de um fato, contrário ao seu interesse e favorável ao adversário. A confissão é judicial ou extrajudicial. ..... Art. 350. A confissão judicial faz prova contra o confidente, não prejudicando, todavia, os litisconsortes. ....... Art. 353. A confissão extrajudicial, feita por escrito à parte ou a quem a represente, tem a mesma eficácia probatória da judicial; feita a terceiro, ou contida em testamento, será livremente apreciada pelo juiz. 11.7. A declaração feita por escrito e sendo manifestação do contribuinte, sem ter sido coagida a expressar tais afirmações, poderia ser revogada, segundo art. 352 do CPC, caso a interessada demonstrasse, de alguma forma, que houve erro de sua parte na confissão feita. Contudo, qual o foi erro cometido? A interessada foi intimada a informar se auferiu receita, conforme intimação de fls. 13/14. Em resposta, fls. 15/16, apresenta descrição minuciosa da operação realizada, citando CNPJ, valor, operação e natureza da receita. Mais, descreve fatos específicos quanto às operações comerciais quando informa que manifestações quanto a repartições públicas eram feitas pela Rodojacto. 11.8. Em sua impugnação, em face de não ter sido apresentada a totalidade dos documentos das receitas, considera que os lançamentos deveriam ser refeitos, com base na documentação apresentada. A documentação apresentada somente confirma e comprova a confissão feita pela interessada, que a interessada auferiu receita no valor de R$ 1.452.853,09 de operação comercial com a empresa Rodajacto, CNPJ nº 55.065.981/0001 47 e R$ 9.250,00 com a empresa TCM – Transporte Multimodal de Cargas Ltda, CNPJ nº 02.350.315/000194. Deve ser Fl. 500DF CARF MF 6 salientado que a declaração de fls. 15/16 é prova, nos termos do art. 350 e 353 do CPC, transcritos acima. 11.9. Com o objetivo de alicerçar sua impugnação, cita o art. 142 do CTN, com a arguição que não teria sido comprovada a ocorrência do fato gerador. Transcrevo o dispositivo legal citado: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 11.10. O texto legal citado é um procedimento que é obrigatório à Autoridade Administrativa. Neste, está presente a inclinação do procedimento de lançamento com o fim de se verificar se ocorreu o fato gerador do tributo. Considero que foi, exatamente, o que fez a Autoridade. Conseguiu a confissão da interessada do recebimento das receitas não declaradas, buscou nas empresas, que se utilizaram dos serviços, a omissão de receita e juntou aos autos provas documentais das receitas, como: comprovantes anuais de rendimento pagos emitidos pelas empresas Rodojacto e TMC, documentos internos e recibos de caixa. Comparouos com a receita declarada, e verificou que as receitas não haviam sido escrituradas. Aqui, deve ser observado que a interessada não questionou a falta de declaração quando da resposta à intimação de fls. 13/16, como também não arguiu o fato em sua defesa. 11.11. Por derradeiro, há que se verificar que a interessada, em fls. 366, pediu o parcelamento do crédito lançado que é, também, confissão, agora do crédito lançado, que foi indeferido. 11.12. Em face da sua confissão feita pelo contribuinte, fls. 15/16, dos comprovantes anuais de rendimentos, que apontam para a percepção pela interessada das receitas que foram objeto de lançamento, fls. 73 e 253, das informações colhidas juntos as empresas Rodojacto e TMC – Transporte Multimodal de Carga Ltda, dos documentos trazidos aos autos, fls. 74/249, e dos documentos internos de fls. 74/79, que também coincidem com os valores lançados, considero prova suficiente para considerar que a interessada auferiu as receitas de fls. 13/14, que geraram os lançamentos, fls. 355/356. 12. DA MULTA LANÇADA. 12.1. Em face da apuração de omissão de receita e insuficiência de pagamento, o autuante aplicou a multa de ofício no percentual de 75%. 12.2. Primeiro, há que se esclarecer que a multa mantida neste julgamento será a prevista na legislação tributária, não sendo, assim, cabível, nesta esfera administrativa, a alegação de Fl. 501DF CARF MF Processo nº 13830.720825/201184 Acórdão n.º 1201002.491 S1C2T1 Fl. 5 7 confisco ou que a multa deveria seguir o princípio da capacidde contributiva pois este julgador está vinculado à aplicação da lei, não sendo possível e cabível se aguardar o julgamento do RE 582461 RG/SP, citado pela interessada. Quanto à redução da multa, somente será possível se a lei assim permitir, não podendo ser aplicável a lançamento de ofício reduções não previstas em lei. 12.3. A base legal para a aplicação da multa foi a Lei n.º 9.430/1996, art. 44, alterada pela Lei n.º 11.488/2007, fl. 341, que assim determina: Lei n.º 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Lei n.º 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ....... 12.4. Como foi apurada omissão de receita, mantida neste julgamento, é procedente a multa de ofício lançada, pois estas receitas não foram declaradas e não foi feito o devido recolhimento dos tributos. (....) Pelo exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 502DF CARF MF 8 Fl. 503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900845/2008-46
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para comprovar a alocação de pagamento a débito.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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score : 1.0
Numero do processo: 16327.001389/2009-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
LEI Nº 13.655, de 25/04/2018 - LINDB. APLICABILIDADE AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. PRELIMINAR NÃO CONHECIDA.
O art. 24 da Lei nº 13.655, de 25/04/2018 não se aplica ao contencioso administrtivo tributário, de modo a vincular o julgador administrativo à jurisprudência supostamente predominante à época da prática dos atos que ensejaram as autuações objeto do processo.
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE - DEMONSTRAÇÃO DO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. A alegada divergência interpretativa pode ser caracterizada mediante a demonstração da aplicação de diferentes critérios jurídicos, na avaliação das provas constantes dos acórdãos em confronto (recorrido e paradigma).
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da preliminar de aplicação da Lei nº 13.655, de 25/04/2018, ao presente julgamento, suscitada da tribuna, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que a conheceram. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 LEI Nº 13.655, de 25/04/2018 - LINDB. APLICABILIDADE AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. PRELIMINAR NÃO CONHECIDA. O art. 24 da Lei nº 13.655, de 25/04/2018 não se aplica ao contencioso administrtivo tributário, de modo a vincular o julgador administrativo à jurisprudência supostamente predominante à época da prática dos atos que ensejaram as autuações objeto do processo. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE - DEMONSTRAÇÃO DO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. A alegada divergência interpretativa pode ser caracterizada mediante a demonstração da aplicação de diferentes critérios jurídicos, na avaliação das provas constantes dos acórdãos em confronto (recorrido e paradigma). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da preliminar de aplicação da Lei nº 13.655, de 25/04/2018, ao presente julgamento, suscitada da tribuna, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que a conheceram. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício)
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 LEI Nº 13.655, de 25/04/2018 LINDB. APLICABILIDADE AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. PRELIMINAR NÃO CONHECIDA. O art. 24 da Lei nº 13.655, de 25/04/2018 não se aplica ao contencioso administrtivo tributário, de modo a vincular o julgador administrativo à jurisprudência supostamente predominante à época da prática dos atos que ensejaram as autuações objeto do processo. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DEMONSTRAÇÃO DO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. A alegada divergência interpretativa pode ser caracterizada mediante a demonstração da aplicação de diferentes critérios jurídicos, na avaliação das provas constantes dos acórdãos em confronto (recorrido e paradigma). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. A ausência da estipulação entre as partes trabalhadora e patronal, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso, a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 89 /2 00 9- 12 Fl. 936DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer da preliminar de aplicação da Lei nº 13.655, de 25/04/2018, ao presente julgamento, suscitada da tribuna, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que a conheceram. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto as conselheiras Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício) Relatório Cuidase de Recursos Especiais interpostos pela Fazenda Nacional e Pela Contribuinte Credit Suisse HedgingGriffo Asset Management S.A. em face do Acórdão nº 2301003.957, proferido na sessão de 19 de março de 2014, assim ementado: Fl. 937DF CARF MF Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 9202007.145 CSRFT2 Fl. 3 3 Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS. A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e b)convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à Fl. 938DF CARF MF 4 produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. A legislação privilegia a livre negociação entre as partes, ressaltando apenas pontos que devem reger todos os acordos. É muito comum e normal que no curso das negociações para entabular o acordo final sejam definidas as metas primordiais que se buscam alcançar, não se podendo afirmar que os empregados, quando da assinatura do acordo desconheciam os objetivos a serem perseguidos. Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, na questão da data de assinatura do acordo para pagamento de PLR ser posterior ao período de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente Fl. 939DF CARF MF Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 9202007.145 CSRFT2 Fl. 4 5 informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP.g A Fazenda Nacional interpôs Embargos Declaratórios em face da decisão acima, os quais foram acolhidos, ensejando a prolação, na sessão de 21 de setembro de 2016, do Acórdão nº 2301004.833, assim ementado: Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS. SUMULA CARF 88. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. INCONSTITUCIONALIDADE ADICIONAL DE 2,5%. Aplicação da Sumula CARF 02, segundo a qual proclama que esse órgão não tem competência para analisar a inconstitucionalidade de normas. TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI 10.101/00. DATA DE ASSINATURA DOS ACORDOS E DIVERGÊNCIA NOS VALORES PAGOS AOS EMPREGADOS. A Lei 10.101/2000 regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: a) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado Fl. 940DF CARF MF 6 pelo sindicato da respectiva categoria; e b)convenção ou acordo coletivo. Dos instrumentos decorrentes da negociação entre empresa e empregados/sindicato deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Como está claro na Lei, a isenção tributária concedida busca integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Por lógica, não há como incentivar a produtividade se o período a que se referem os resultados já estiverem no passado. Como no presente caso a assinatura dos acordos foi após o período para aferição das metas o incentivo à produtividade não será alcançado, pois não há incentivo para se alcançar algo que já ocorreu, proibindo, conforme a Lei, a concessão de isenção desses valores, por ausência de requisito determinado, motivo da negativa de provimento ao recurso do sujeito passivo, neste ponto. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/00. PAGAMENTO DE VALORES NÃO IDÊNTICOS AOS EMPREGADOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não descumpre a legislação o fato de os empregados receberem valores diversos, na medida em que a Lei 10.101/00 não exige que todos sejam agraciados igualmente, situação essa que conspiraria com a própria norma que pretende o comprometimento e o cumprimento das metas pelas partes, sendo que cada qual estará sujeito à álea de atingir os objetivos programados, podendo receber mais ou menos. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para as obrigações principais, se mais benéficas ao contribuinte. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em negar provimento ao recurso, em relação à incidência contribuições previdenciárias sobre a PLR, em relação à data de assinatura do acordo ser posterior ao período de aferição, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por Fl. 941DF CARF MF Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 9202007.145 CSRFT2 Fl. 5 7 voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, na questão da substituição salarial, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antônio de Souza Correa e Mauro José Silva, que votaram em dar provimento ao recurso; III) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de que fique claro que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Marcelo Oliveira. Sustentação oral: Marcelo Horácio. OAB: 213.001/SP.g O Recurso da Fazenda Nacional visa rediscutir a forma de cálculo utilizada para determinação de multa mais benéfica em razão da publicação da MP n 449, de 04/12/2008. Em Exame de Admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara, da 2ª Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 544 a 546. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz o seguinte: que antes das inovações da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada). que com o advento da MP nº 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91. que o referido art. 32A é preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. que o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. que, contudo, a MP nº 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, cuja leitura corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma no sentido de que o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Fl. 942DF CARF MF 8 que se deve privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. que, por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91. que a autoridade fiscal deve aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. que a esse respeito a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 1.027, de 22/04/2010, explicando qual é o procedimento adequado a ser utilizado; que no presente feito exigese contribuições previdenciárias que dizem respeito a período anterior à data de 30 de novembro de 2008, estabelecida pela Instrução Normativa nº 1.207/2010 como marco divisor para análise da multa cabível. que deve ser aplicado o disposto no inciso I, do art. 4º da citada instrução normativa, que determina a comparação entre os seguintes valores para aferição da multa mais benéfica ao sujeito passivo: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. que, considerando que a autoridade fiscal efetuou o lançamento nos exatos termos determinados pela Instrução Normativa nº 1.027/2010, que goza de presunção de validade, deve ser mantida a multa na forma constante no auto de infração de obrigação principal. A contribuinte tomou ciência do Acórdão nº 2301003.957, do Acórdão de Embargos (nº 2301004.833), do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento, em 29/05/2017 (Termo de Abertura de Documento, efls. 552) a contribuinte apresentou, em 09/06/2017, contrarrazões, nas quais aduz, em síntese: que não há divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o paradigma indicado; que o acórdão recorrido tratou de um critério de aplicação da multa, e o paradigma tratou de outro critério, o que não representa uma divergência, pois a comparação “multa (anterior) x multa (posterior) ” não é idêntica à “soma das multas (anteriores) x multa (posterior); que, quanto ao mérito, a multa de mora, aplicada antes de dezembro de 2008, era o único tipo de multa previsto à época dos fatos ora analisados para imputação em relação às obrigações principais referentes às contribuições previdenciárias. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 9202007.145 CSRFT2 Fl. 6 9 que a multa de mora cobrada nas autuações fiscais, que antes era calculada de forma majorada no tempo, permaneceu vigente no ordenamento no caput do artigo 35 da Lei nº 8.212/9, e conforme redação nova limitouse a 20%, nos ditames do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. que o Sr. Auditor Fiscal não pode escolher, ao seu próprio critério conforme podemos observar da lavratura da autuação, qual multa deve ser aplicada para descumprimento das obrigações principais relativas às contribuições previdenciárias. que foi apontado no Auto de Infração que seria realizado um cálculo para apuração e aplicação de multa de ofício (comparandose as multas anteriormente previstas e a nova multa de ofício) em caso que evidentemente trata de fato gerador anterior à alteração normativa. que mostrase incabível a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, tendo em vista que esta penalidade sequer existia na legislação previdenciária à época do fato gerador questionado na autuação. que na construção do raciocínio da Recorrente e da Autoridade Fiscal gera se um aparente benefício ao contribuinte, este que, no entanto, revelase extremamente danoso ao se elucidar a situação de aplicação da norma e cálculo da sanção, pois se está tentando aplicar, de forma retroativa, uma multa de ofício que não existia quando da verificação do fato gerador, e que não pode ser utilizada como critério analítico do cálculo realizado pela Autoridade Fiscal. que para se chegar à aplicação proposta pela Recorrente é preciso incorrer, necessariamente, em um dos equívocos ora apontados: (i) conceber que seria aplicável à época do fato gerador, em duplicidade, a multa por descumprimento de obrigação, visto que estavam previstos os mesmos fatos na esfera da multa de mora; (ii) aplicar multa de ofício que não estava prevista pelo ordenamento quando do fato gerador, multa esta que extrapola em muito os valores que deveriam ser corretamente aplicados por conta do benefício da retroatividade benigna. que não seria possível conceber a aplicação de multa genérica independentemente de sua natureza, na medida em que a multa aplicável à situação de mora é completamente diversa da multa punitiva, motivo pelo qual jamais poderia ser admitido o procedimento adotado para a definição da multa mais benéfica, já que considera multas completamente distintas como se tivessem uma mesma natureza. que fatos que eram anteriormente puníveis com a multa de mora, com a alteração normativa, e dentro da vigência da lei anterior, não podem gerar ônus punitivo em maior escala ao contribuinte, e, por conseguinte, a equiparação de multas completamente distintas (multa de ofício e multa de mora) pretendida pelo Fisco é inconcebível, motivo pelo qual esta C. CSRF deverá negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Recorrente. que não se pode comparar a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91 com a soma das multas dispostas nos arts. 32 e 35 da mesma Lei; que nos ditames do acórdão recorrido, houve de forma correlata e direta alteração normativa mais benéfica para o contribuinte, carecendo de qualquer sentido uma vinculação da discussão de alteração de dispositivo normativo (artigo 35 da Lei nº 8.212, que Fl. 944DF CARF MF 10 continuou a fazer referência direta ao artigo 61 da Lei nº 9.430/1996), que se tornou menos oneroso, com uma nova multa criada pelo ordenamento, qual seja a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91. que a Procuradoria da Fazenda Nacional, em seu Recurso Especial, não fez a correlação da legislação aplicável ao caso e sua pertinência com os paradigmas apontados, isso porque a discussão faz jus à multa de ofício (75%) que foi apurada no presente caso e é tratada neste processo administrativo. que a Fazenda Nacional utilizase desse subterfúgio para aplicar multa que não possui correlação com o fato jurídico discutido, por uma simples razão: esse fato foi diretamente beneficiado por uma expressiva diminuição decorrente da imposição de uma porcentagem limite que não pode ser ultrapassada com o advento do novo artigo 35 da Lei nº 8.212/91. que, caso esta C. CSRF entenda por superar os óbices legais até aqui apontados, é certa que deverá restar consignada a improcedência de autos de infração de multa isolada por descumprimento de obrigação acessória, na medida em que a multa punitiva do art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 abarcaria as duas condutas. que o Recurso Especial ora combatido sequer apresentou um conceito coerente para a avaliação da retroatividade benigna, razão pela qual não poderia servir como fundamento para reformar o acórdão recorrido. A Contribuinte também interpôs, em 31/07/2017 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada, efls. 801, após tomar ciência do Despacho de Admissibilidade dos Embargos por ela interpostos, em 19/07/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fls. 731) Recurso Especial no qual pretende rediscutir a seguinte matéria: PLR possibilidade de assinatura dos acordos ao final do exercício. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da 3ª Câmara, da 2ª Seção do CARF deu seguimento ao apelo do contribuinte, os termos do Despacho de fls. 913 a 920. Em suas razões recursais, a contribuinte alega, em síntese: que o equivocado posicionamento do acórdão recorrido decorre da sua incorreta interpretação do §10, do artigo 20, da Lei nº 10.101/2000, uma premissa errada que calculou todo seu racional sobre o tema. Concluiu, assim, que o caso da Recorrente seria um acordo sem metas préestabelecidas e em suposto descumprimento à legislação. Confiramse as (poucas e) exatas palavras do voto vencedor do acórdão recorrido neste ponto; que a lei não dispõe que o instrumento deva ser assinado previamente ao período em que será aferida a participação nos lucros, e apenas estabelece que, se utilizados como critérios e condições acordos de metas, resultados e prazos, estes devem ser pactuados previamente. que a redação do §10, do artigo 20, da Lei nº 10.101/2000, ora em discussão, no qual se conclui que é clara a intenção do legislador de que conste do instrumento, caso seja adotado como critério de participação nos lucros e resultados, o programa de metas e/ou resultados, devendo apenas este ser pactuado previamente; que o artigo 2º dispõe que "a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados". Dessa negociação decorrerá um Fl. 945DF CARF MF Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 9202007.145 CSRFT2 Fl. 7 11 instrumento, que formalizará o acordo, conforme se verifica da expressa disposição do parágrafo primeiro deste dispositivo; que ao contrário da conclusão contida no acórdão recorrido, não é o acordo em si que deve ser pactuado previamente, mas sim que as condições e os critérios a serem considerados no instrumento sejam negociados e pactuados previamente, caso atrelados a metas, resultados e prazos. que basta uma leitura atenta e não tendenciosa aos dispositivos de lei acima transcritos para concluir que inexiste qualquer previsão legal da necessidade de formalização / assinatura do acordo previamente ao período de apuração de metas, mas tão somente que as condições e os critérios sejam negociados previamente. que o instrumento é consequência da negociação, e não sua origem. que como acertadamente decidido no acórdão paradigma nº 2202003.372, é evidente que não é a data da assinatura do acordo que denota ou comprova quando iniciaram as negociações entre as partes. que a assinatura das partes no documento apenas evidencia o acordo final a que chegaram após todo o trâmite previsto pela legislação de todo e qualquer acordo de participação nos lucros e resultados. que além de não haver na Lei nº 10.101/2000 a fixação de prazo para assinatura de um Acordo de PLR (a obrigação é de que as metas sejam previamente negociadas entre as partes), não é a data da assinatura do Acordo de PLR que denota quando ocorreram as negociações entre as partes. que as negociações que envolvem um Acordo de PLR não são um procedimento simples e imediatista, no qual as partes avençam imediatamente todas as peculiaridades relativas a um plano de participação nos lucros ou resultados. que leva um considerável tempo até que um acordo seja lavrado e finalizado em sua integralidade. Nenhuma das partes possui ingerência sobre a outra para exigir celeridade nas negociações. Devese atender a legislação e a razoabilidade, como fez a Recorrente e a comissão de seus empregados. que a assinatura apenas formaliza, perante terceiros, aquilo que vem sendo negociado no transcorrer dos dias, das semanas e dos meses (como ocorre com qualquer negociação efetiva de um plano de PLR). que esperar (ou pior, exigir) que Acordos de PLR sejam assinados nos primeiros meses do ano é fruto do pleno desconhecimento de como ocorrem as negociações, de como elas são importantes e complexas. que a Recorrente não possui qualquer ingerência sobre seus empregados ou sobre o Sindicato de classe para forçar ou agilizar as propostas relacionadas aos planos de PLR. que, mesmo que existisse tal ingerência, a Recorrente jamais a exerceria porque certamente acabaria por desestimular os seus empregados na busca por maiores e melhores resultados. Fl. 946DF CARF MF 12 que, haja vista que restou comprovado pela Recorrente ao longo de todo processo administrativo que seus empregados tiveram conhecimento prévio dos critérios utilizados na distribuição de PLR, resta evidente a insubsistência das alegações que sagraram se vencedoras no acórdão recorrido, devendo ser prontamente reformadas. que mostra impertinente a adoção da data de assinatura do acordo como requisito supostamente exigido pela Lei no 10.101/00 para que os instrumentos de PLR da Recorrente sejam considerados válidos, nos termos da pacífica jurisprudência deste E. CARF sobre o tema, devidamente comprovada pelos acórdãos paradigmas nos 2202003.372 e 9202 003.370. O processo, com o Recurso Especial da contribuinte foi encaminhado a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN em 03/10/2017 e, em 09/10/2017, apresentou as contrarrazões de fls. 922 a 928, nas quais aduz, em síntese: que a Participação nos Lucros ou Resultados da empresa, para não sofrer a incidência de contribuição previdenciária, precisa atender às exigências legais estabelecidas nos artigos 2º e 3º da Lei nº 10.101, de 2000; que o pagamento da PLR deve atender cumulativamente aos seguintes requisitos\; a) deve ter sido objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, e tal negociação pode ser feita através de acordo celebrado por uma comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, ou por convenção ou acordo coletivo; b) os instrumentos de negociação devem conter regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos de participação, como índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa e programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; c) que o instrumento de acordo celebrado deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) A periodicidade mínima para pagamento deve ser de um semestre e no máximo duas vezes no mesmo ano. que a ausência de um desses requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como PLR;] que somente valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/00; que, no caso, não houve a celebração de acordo prévio ao exercício, atitude que impede os funcionários de terem conhecimento prévio a respeito de quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação, tendo como consequência a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR em desconformidade com a Lei nº 10.101/2000; que, para fazer valer o disposto no § 1º do art. 2º da Lei nº 10101/2000 que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas a priori, ou seja, antes do início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com seus empregados; que os acordos firmados pela recorrente foram postergados ao início do exercício para o qual deveria ser aferida a participação dos empregados na obtenção do lucro ou resultado; que os próprios acordos trazem a previsão de estabelecimento de metas a serem atingidas pelos empregados, levando a inferir que se trata de uma previsão para o futuro e não para um exercício passado. Fl. 947DF CARF MF Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 9202007.145 CSRFT2 Fl. 8 13 que a classificação de determinada verba com "participação nos lucros" exige de maneira imprescindível o estrito cumprimento dos requisitos legais e, no caso em estudo, restou demonstrado que a participação nos lucros foi efetivada em desacordo com os parâmetros legais, razão pela qual não pode ser admitida a sua exclusão do salário de contribuição. que o próprio art,. 28, § 9º da Lei nº 8.212/91 é expresso ao verberar que a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa não integram o salário de contribuição apenas nos casos em que paga ou creditada de acordo com lei específica, o que não foi o caso dos presentes autos. É o relatório. Voto Cuidase de Recursos Interpostos pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte. Por envolver a matéria de fundo da autuação, começo o exame por este último. O Recurso interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Antes de examinar o recurso interposto no momento próprio, analiso questão de ordem levantada pelo Contribuinte da Tribuna e que argúi preliminar de aplicação ao caso da Lei nº 13.655, de 25/04/2018. Sustenta o Contribuinte, em síntese, que a jurisprudência predominante à época dos fatos que ensejaram a autuação era majoritariamente no sentido da desnecessidade de pactuação dos instrumentos de PLR previamente ao período de apuração dos lucros e resultados e que, segundo sua interpretação do art. 24 da Lei nº 13.655, de 2018, este Conselho não mais poderia alterar essa orientação em relação ao contribuinte. Eis o teor do referido dispositivo: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Não assiste razão ao Recorrente. O dispositivo claramente dirigese ao controle interno de ato, contrato, ajuste, processoou norma administrativa, daí dirigido às Fl. 948DF CARF MF 14 esferas adminstrativas, “controladoras ou juridiciais”. Vale dizer, visa proteger a decisão de autoridade administrativa praticada conforme orientação vigente à época de sua prática. Há uma enorme diferença com o que ocorre com o processo administrativo tributário em que se analisa a validade de ato praticado pela autoridade administrativa (lançamento, por exemplo) à luz do contraditório, devendo o julgador administrativo, singular ou colegiado, decidir conforme sua convicção. Vincular a decisão presente ao que fora decidido no passado em outros processos é absolutamente incompatível com os princípios que regem o processo administrativo tributário. Tal posição implica em atribuir aos órgãos julgadores administrativos o poder de determinar, em cada caso e de maneira definitiva, a posição a ser adotada por toda a administração tributária. No caso presente significaria atribuir aos colegiados do CARF – supondo ser verdadeiro o fato alegado de que a jurisprudência do CARF era predominante no sentido pretendido pelo Contribuinte, o que se admite apenas para argumentar – o poder de decidir de forma definitiva e vinculante a toda a administração tributária, a interpretação quanto à desnecessidade de pactuação prévia no PLR. Para isso existem outros instrumentos, como a súmula, à qual pode ser atribuída força vinculante, por ato do Ministro da Fazenda. Registro, por fim, que a prevalecer a interpretação proposta pelo Recorrente – o que se admite apenas para argumentar – a regra valeria tanto para decisões favoráveis quanto desfavoráveis aos contribuintes. Isto é, jurisprudências predominantes num determinado sentido, favorável ou contrária aos interesses dos contribuinte, não poderia ser alterada posteriormente em relação a práticas realizadas durante a predominância dessa jurisprudência, o que configuraria, para o contribuinte prejudicado cerceamento de direito de defesa. Não bastasse isso, o conceito de jurisprudência predominante é, no mínimo vago, para ser definidor da validade ou não de condutas em matéria tributária. Para isso, repito, existe as sumulas, que nada mais são do que a consolidação, num ato, aí sim, vinculante aos órgãos julgadores, de jurisprudência predominante. Penso que a pretensão do Recorrente é uma tentativa de restringir a atuação do Colegiado no exercício de sua livre convicção quanto ao mérito da questão posta em julgamento, com base em numa interpretação extensiva de norma que, a meu juízo, tem destinação específica outra que não o contencioso administrativo tributário. Não conheço, portanto, da preliminar. Quanto ao mérito, a matéria em discussão diz respeito à possibilidade de classificação dos valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR como saláriodecontribuição, considerada a circunstância de que o acordo entre a empresa e os trabalhadores somente foi firmado ao final do exercício a que referem os pagamentos, após o período de aferição das metas. Decidiuse no acórdão recorrido que essa circunstância inviabilizaria a não incidência da contribuição sobre os pagamentos feitos a título de PLR, por violação aos requisitos previstos em lei, conforme voto vencedor do julgado, posição contra a qual se insurge a ora recorrente. Entendo, em sintonia com a posição que tem prevalecido neste colegiado, que a exclusão dos valores pagos a título de PLR do conceito de saláriodecontribuição está condicionado, de forma inarredável, ao cumprimento dos requisitos legais para a concessão Fl. 949DF CARF MF Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 9202007.145 CSRFT2 Fl. 9 15 dessa forma de benefício, sendo a formalização do acordo entre empresa e trabalhadores previamente ao período de aferição das metas uma dessas condições. Como é cediço, a Constituição ao proclamar no seu artigo 7º, XI o direito dos trabalhadores à participação nos lucros e resultados remeteu à lei a definição dos parâmetros e condições dessa participação. E a norma infraconstitucional que disciplina essa matéria é a Lei nº 10.101, de 2001 que dispõe o seguinte: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores." (grifei) Como se vê, a lei prevê a necessidade de que seja firmado instrumento de decorrente de negociação com regras claras e precisas e que estabeleçam, entre outras condições, programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente. Ora, a escolha pelo legislador do termo previamente não foi por acaso e não pode simplesmente ser ignorado na interpretação da norma. O termo "previamente" significa anterior a algum outro acontecimento de referência. Não pode ser confundido com "durante" e muito menos com "posterior". Fixar previamente metas, resultados e prazos como condição para o pagamento de PLR significa definir (previamente) a contrapartida a ser oferecida pelos trabalhadores em termos de esforço para fazer jus ao benefício. A fixação de tais parâmetros posteriormente ao período a que se refere os pagamento desnatura completamente o instituto, transformao em mera formalidade. Não acolho, por outro lado, a alegação de que, embora a assinatura do acordo seja posterior, as negociações são anteriores e, portanto, de conhecimento dos trabalhadores. Admitir essa interpretação, a meu juízo, também significa um distanciamento inaceitável do que prescreve a lei, que ao referirse a pacto prévio remete a instrumento formal. É ato jurídico e como tal, para ter efeito perante terceiros, requer formalização por meio de ato escrito e Fl. 950DF CARF MF 16 firmado. Acordos verbais, explícitos ou implícitos, são realidades comuns ao mundo fora do Direito. E, ainda que se admitisse acordos verbais tácitos ou implícitos entre as partes, estes jamais teriam eficácia perante terceiros. No presente caso é incontroverso que o acordo foi assinado após o período a que se referem os pagamentos e, portanto, não se pactuou previamente as metas, resultados e prazos. O art. 28, da Lei nº 8.212. de 1991, por sua vez, define saláriode contribuição que, no caso, de empregados compreende as parcelas referidas no inciso I. Mas o mesmo art. 28, no seu § 9º relaciona as hipóteses de exclusão de verbas do conceito de salário decontribuição. Confirase: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Como se vê, embora o § 9º relacione entre as hipóteses de exclusão do conceito de saláriodecontribuição a participação nos lucros e resultados (alínea "j"), é categórico ao condicionar essa exclusão ao pagamento ou creditamento dessa verba "de acordo com lei específica". A lei não poderia ser mais clara: se paga a PLR de acordo com a lei específica, não integra o saláriodecontribuição; se paga em desacordo, integra. No presente caso, como vimos, a ausência de fixação prévia de metas, resultados e prazos descumpre frontalmente o que estabelecido em lei. Nessas condições, afastada a exceção do art. 28, § 9º, "j", a verba paga a título de PLR integra o saláriodecontribuição neste caso. Ante o exposto, conheço do recurso interposto pelo contribuinte, rejeito a preliminar e, no mérito, negolhe provimento. Passo ao exame do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. O recurso foi interposto tempestivamente. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, ante as contrarrazões aduzidas pela Contribuinte, examino a matéria. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 9202007.145 CSRFT2 Fl. 10 17 Afirma a Contribuinte que não há divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o paradigma indicado pela Fazenda Nacional; que os dois julgados tratam de diferentes critérios de aplicação da multa. Compulsando acórdão recorrido e paradigma verifico que não assiste razão à Contribuinte neste ponto. Com efeito, no acórdão recorrido se entendeu que a aplicação ao caso da retroatividade benigna, referida no art. 106, II, "c" do CTN levaria à aplicação da multa prevista no art. 35, caput da Lei nº 8.212, de 1991, se mais benéfica; já os paradigmas, analisando situações similar, preconizam a aplicação ao caso da multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, caso esta se revele mais benéfica ao sujeito passivo, e ser mais benéfica significaria ser menor do que as duas penalidades aplicadas anteriormente, pelo descumprimento das obrigações acessória e principal. Portanto, há nítido dissídio jurisprudencial. Ante o exposto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Quanto ao mérito, a matéria em discussão diz respeito à definição da(s) penalidade(s) aplicável(eis) no caso de lançamento de ofício quando se apure infrações relacionadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, após as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, em razão da aplicação do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir reproduzido: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Antes das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, a Lei nº 8.212, de 1991 previa, para os casos de lançamento de ofício de contribuições sociais de que trata os incisos “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11, a incidência de uma penalidade para o caso de falta de declaração em GFIP de verba tributável (art. 32, § 5º) e outra penalidade pelo recolhimento insuficiente (art. 35, II). Eis a redação dos referidos dispositivos, antes da MP n° 449, de 2008: Art. 32. A empresa é também obrigada a: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. [...] Fl. 952DF CARF MF 18 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Incidiam, portanto, duas penalidades para duas infrações materialmente distintas: a falta de declaração de verba tributável e o recolhimento insuficiente do tributo. A partir da vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, essas duas penalidades foram substituídas por uma só: a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Vejamos: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 953DF CARF MF Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 9202007.145 CSRFT2 Fl. 11 19 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). Para aferir qual a penalidade mais benigna, se a prevista anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008 ou a posterior à mudança legal, devemos sopesar, consideradas as naturezas materiais das infrações previstas, isto é, a relação entre as condutas e as infrações previstas, aquela menos onerosa para o infrator, conforme entendimento consolidado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016): AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 954DF CARF MF 20 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duascondutas. Como, para as duas condutas: a falta de declaração e o pagamento insuficiente, para as quais a legislação anterior previa a incidência de duas penalidades, cumulativamente, a nova legislação prevê apenas a incidência de uma única penalidade, na aplicação da retroatividade benigna, devese comparar a soma das multas previstas (arts. 35, II, e 32, § 5o, da Lei n° 8.212, de 1991) à multa prevista na nova legislação (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991). Mais especificamente, como a nova legislação prevê multa de 75%, na ausência de evidente intuito de fraude, haverá retroatividade benigna se a penalidade aplicável, segundo a legislação vigente à época do lançamento, ultrapassar esse percentual. No caso de incidência das multa previstas nos §§ 4º e 5º, do art. 32 e do art. 35, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior à MP nº 449, de 2008, se a soma das duas penalidades for superior a 75%. No caso de aplicação, por qualquer razão, de apenas uma das penalidades, a comparação deve ser feita com o valor desta. Esse é o entendimento compatível com a posição da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, segundo entendimento também consolidada deste Colegiado, conforme voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou Fl. 955DF CARF MF Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 9202007.145 CSRFT2 Fl. 12 21 omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a Fl. 956DF CARF MF 22 estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação Fl. 957DF CARF MF Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 9202007.145 CSRFT2 Fl. 13 23 acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. A citada Portaria 14, de 2009, que, vale ressaltar, está em perfeita consonância com a jurisprudência do CARF, é clara quanto aos procedimentos a serem observados para aplicação, em cada caso, da retroatividade benigna. Vejamos: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 958DF CARF MF 24 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3 A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº Fl. 959DF CARF MF Processo nº 16327.001389/200912 Acórdão n.º 9202007.145 CSRFT2 Fl. 14 25 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Conheço, portanto, do recurso interposto pela Fazenda Nacional e doulhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face ao exposto, não conheço da preliminar de aplicação da Lei nº 13.655, de 2018, conheço do Recurso Especial interposto pelo contribuinte, rejeito a preliminar de não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. E conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator Fl. 960DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903871/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 38 71 /2 01 3- 12 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº 01033.548.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.616, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903870/201378, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.616): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o recorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta pelo contribuinte em 06 (seis) de março de 2017 (segundafeira) (fl. 143). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 07 (sete) de março de 2017 (terçafeira), vencendo, por sua vez, no dia 05 (cinco) de abril de 2017 (quartafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 12 (doze) de abril de 2017 (quartafeira) (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. A intempestividade, inclusive, é atestada pela unidade preparadora, conforme se observa da informação de fl. 150. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903871/201312 Acórdão n.º 3402005.617 S3C4T2 Fl. 3 3 Dispositivo 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo." Importante frisar que, assim como no paradigma, nos autos ora em apreço o Recurso Voluntário somente foi interposto após o transcurso do prazo legal. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.722002/2012-67
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe negaram provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe negaram provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 20 02 /2 01 2- 67 Fl. 63DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2009, anocalendário de 2008, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 28.776,55, por falta de previsão legal (despesas de não dependentes), gerando um saldo de imposto de renda suplementar de R$ 7.913,56, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação e juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que as despesas glosadas se referem a despesas próprias e de sua esposa. Por fim, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação.. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que não há previsão legal para dedução de despesas médicas que não sejam próprias ou de seus dependentes. Em sede de Recurso Voluntário, repisa os mesmos argumentos e repisa a suposta possibilidade de deduzir despesas de sua esposa, já que não foi utilizada na declaração própria. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10840.722002/201267 Acórdão n.º 2001000.523 S2C0T1 Fl. 3 3 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os todos os documentos necessários a comprovar as despesas médicas incorridas por ele, no entanto não logrou êxito em comprovar a dependência de sua esposa para fins de dedução do imposto de renda. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou a situação de dependência da esposa , nos seguintes termos: “[...] A regra estabelecida na legislação acima exposta deixa claro que as deduções de despesas médicas se limitam às despesas do próprio contribuinte e de seus dependentes, cabendo ao outro cônjuge informar as despesas próprias quando apresentar declaração em separado. Excepcionalmente, no exercício de 2008, anocalendário de 2007, foi aberta a possibilidade de que um dos cônjuges declarasse a totalidade das despesas com plano de saúde quando o outro cônjuge apresentasse declaração no modelo completo e não aproveitasse a despesa. Possibilidade que não foi aceita para os exercícios subsequentes. O livro de perguntas e respostas do exercício de 2009, que orienta o preenchimento da declaração de ajuste do exercício não deixa margem a dúvidas: PLANO DE SAÚDE —DECLARAÇÃO EM SEPARADO 358 — O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? O contribuinte, titular de plano de saúde, não pode deduzir os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado, pois somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na Fl. 65DF CARF MF 4 declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Apesar dos argumentos da defesa no sentido de que o fato de o contribuinte informar o total das despesas não causaria prejuízos ao erário, tendo em vista os motivos já expostos nesta Decisão, não é possível aceitar as despesas de sua esposa como dedutíveis em sua declaração de ajuste, no exercício 2009. Em resumo, VOTO por julgar improcedente a impugnação, para manter, integralmente, o lançamento. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não ha permissão legal para tal a legislação apenas acata como dedutíveis as despesas médicas relativas ao interessado e a seus dependentes. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10840.722002/201267 Acórdão n.º 2001000.523 S2C0T1 Fl. 4 5 LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação da DRJ de que a contribuinte não atendeu ao quanto exigido por lei, voto pelo não acolhimento do recurso voluntário e manutenção do lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a glosa das despesas médicas acima mencionadas. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, relator do voto vencedor. Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Fl. 67DF CARF MF 6 No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902324/2008-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
DCTF RETIFICADORA. VALIDADE DE APRESENTAÇÃO COMO FORMA DE LEGITIMAR A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO.
A apresentação de DCTF retificadora, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário.
Numero da decisão: 3001-000.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 DCTF RETIFICADORA. VALIDADE DE APRESENTAÇÃO COMO FORMA DE LEGITIMAR A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO. A apresentação de DCTF retificadora, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário.
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VALIDADE DE APRESENTAÇÃO COMO FORMA DE LEGITIMAR A UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO. A apresentação de DCTF retificadora, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 23 24 /2 00 8- 21 Fl. 141DF CARF MF 2 Relatório Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação declarada através de Dcomp, em razão de, analisadas as informações prestadas, não foi possível confirmar a existência do crédito informado, tendo em vista que o DARF indicado como elemento material do pagamento indevido, não ter sido localizado nos sistemas de controle da autoridade fazendária. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, a recorrente alega ter apresentado regular declaração de compensação, na qual solicitou a liquidação de débitos apontados e devidos. Pagamento a maior Para a quitação destes débitos, a contribuinte socorreuse de seu direito a compensação em razão da existência de pagamento a maior, por meio de DARF, a título de PIS (cód. 6912), efetuado em abril de 2003 no valor de R$ 19.364,94. Das informações constantes em DCTF Informa a recorrente, que em análise da DCTF relativa ao 2.º trimestre de 2003, posteriormente retificada, consta a informação, que a seu ver é suficiente, para a constatação da existência do crédito. A partir daí, colaciona planilha resumo de ficha da DCTF, na qual se arrebatam os valores de débito apurado e o respectivo crédito vinculado, mediante o pagamento constante em DARF, que, no caso portanto, é superior ao informado em DCTF. Ao subtrair o saldo do débito apurado com o valor efetivamente recolhido em DARF, constata a existência de saldo a seu favor, invocando, para si, as prerrogativas constantes no artigo 74 da Lei 9.430/96. DCTF Retificadora A recorrente retificou sua DCTF, conforme documento acostado em e fls. 31, em 28 / 06 / 2005, antes, portanto, da emissão do Despacho de Decisório, emitido em 12 / 08 / 2008. Do erro no preenchimento da Dcomp Além da ocorrência do pagamento indevido, que, conforme acima, denotase que a contribuinte busca comprovar sua ocorrência com o exame das fichas da DCTF, informa, ainda, outro equívoco, agora, no preenchimento da própria Dcomp. Referese a recorrente, ao fato de ter preenchido, na Dcomp em comento, informações equivocadas a respeito da DARF, cuja referência no despacho decisório, foi pela sua não localização. Segundo consta do exposto em fls. 07 destes eautos, as linhas "Valor do Principal" e "Valor Total do DARF" da citada página 03 da Per/Dcomp, constou, consoante seu Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10830.902324/200821 Acórdão n.º 3001000.489 S3C0T1 Fl. 141 3 relato, o valor equivocado de R$ 13.964,94, enquanto que o valor correto, presente no DARF que materializou o pagamento a maior, é R$ 19.364,94. Da possibilidade de Revisão de Ofício Em se tratando de erro de fato, segundo seu entendimento, de fácil verificação, pugna a recorrente pela revisão de ofício do ato administrativo, com fundamento no artigo 149 do CTN. Da suspensão da exigibilidade do crédito Requer, ainda, a declaração de suspensão da exigibilidade do crédito tributário levado à compensação. Desistência da Compensação Cumpre ressaltar que a recorrente apresenta petição requerendo a desistência, exclusivamente no tocante à compensação pleiteada, tendo em vista que procedeu à liquidação dos débitos indicados na Dcomp. No entanto, ratifica que não renuncia ao direito creditório pleiteado, requerendo sua apreciação pela DRJ. DRJ/CPS A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0533.781 3 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INEXISTENTE. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Fl. 143DF CARF MF 4 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: a) houve erro de preenchimento na DCOMP no tocante às informações relativas ao DARF que teria originado o pagamento indevido; no caso, teria ocorrido erro de digitação no campo DATA DE ARRECADAÇÃO; b) a compensação deve ser prontamente homologada tendo em vista que erro de fato não constitui fato gerador de obrigação tributária; a verdade material deve ser buscada pela esfera administrativa; c) o despacho decisório deve ser declarado nulo; d) os débitos devem ter sua exigibilidade suspensa até o término da discussão na esfera administrativa. A contribuinte, posteriormente, fez juntar aos autos a desistência das compensações declaradas, apresentando DARFs de recolhimento dos débitos, pagos com as condições estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009. Informa que a desistência em tela restringese à compensação efetuada e não ao direito de crédito pleiteado no Pedido de Restituição. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente aduz seu argumento principal para contestar a ausência de documento DARF, conforme alegado pelo voto condutor do mencionado acórdão de primeira instância administrativa. Manifestação de Inconformidade como meio adequado à oposição ao DD Sob a alegação esposada a respeito do meio processual apto à discussão do tema trazido em destaque, combate o argumento utilizado, no qual o meio adequado para o fim intentado seria a retificadora da Dcomp. Invocou o artigo 77 da IN 900/08, concluindo que, uma vez analisada a Dcomp pela RFB e expedido o competente despacho decisório, descabida seria a entrega de Dcomp retificadora. Da existência do DARF A recorrente argumenta que, em que pese a desqualificação da manifestação de inconformidade como meio processual apto a discutir o erro ocorrido em Dcomp, a DRJ enfrenta a questão de mérito, sendo rebatida neste tópico do recurso voluntário ora relatado. Neste ponto, a recorrente repisa os argumentos expostos na manifestação de inconformidade, no sentido de ter havido, mero erro de digitação, pois, onde se deveria ter constado R$ 19.364,94, constou R$ 13.964,94, nas linhas "Valor do Principal" e "Valor Total do DARF", fazendo com que o sistema informatizado da RFB não localizasse o referido DARF. Concluiu, ao final, por rebater o argumento no qual não existe o documento DARF, com o pagamento a maior, mas, tão somente, que, ao preencher a ficha competente da Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10830.902324/200821 Acórdão n.º 3001000.489 S3C0T1 Fl. 142 5 Dcomp, referiuse ao mencionado documento DARF de forma equivocada, invertendo os algarismos acima mencionados, inclusive, ressalta a existência do DARF, que foi acostado nos autos juntamente com a peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que denegou o direito à compensação por ausência de prova do erro material cometido. Admissibilidade do Recurso Cabimento da Manifestação de Inconformidade O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Considero, neste caso, que a manifestação de inconformidade é o meio adequado para a discussão do tema posto em líde. Conforme se constata, tratase aqui, da negativa de restituição, vez que a compensação fora liquidada e devidamente extintos os débitos indicados à extinção mediante a compensação, o que leva à aplicação do artigo 74 da Lei 9430/96. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos. DOS FATOS A recorrente recolheu, por meio de DARF, referente ao mês de abril de 2003, o valor de R$ 19.364,94 a titulo de PIS. O documento de arrecadação encontrase nestes autos, tendo sido acostado tempestivamente em sede de manifestação de inconformidade e indicado sob o código de DOCUMENTO 02. No entanto, alega que ao analisar a DCTF relativa ao 2.º trimestre de 2003, identificou a existência de um pagamento a maior no valor de R$ 1.036,81, ou seja, o montante efetivamente devido a título de PIS pela recorrente seria o valor de R$ 18.328,13, o que foi posteriormente retificado, mediante a entrega de DCTF retificadora, em 28 de junho de .2005. Com isso, a contribuinte apresentou DCOMP em 01.11.2006, pleiteando a liquidação de débitos, utilizandose do crédito proveniente do pagamento a maior já citado. No entanto, foi proferido Despacho Decisório pela DRF – Campinas – SP, que não homologou a compensação pleiteada por não ter localizado nos sistemas da RFB o DARF discriminado. Fl. 145DF CARF MF 6 A recorrente, então, alegou que o sistema informatizado da RFB não localizou o crédito da contribuinte por mero erro de fato na informação prestada no PER/DCOMP. Deveras, ao analisar a DCOMP apresentada pela recorrente, podese inferir que a mesma preencheu o DARF com o valor equivocado de R$ 13.964,94, sendo o correto R$ 19.364,94. MÉRITO O tema tratado neste item, diz respeito à forma regulamentar para comprovar a ocorrência de erro material e o consequente pagamento indevido ou a maior de tributo. Especificamente, o tema adentra aos casos relacionados com os Despachos Decisórios Eletrônicos. Esta modalidade de compensação caracterizase pelo cruzamento automatizado de dados eletronicamente inseridos no ambiente virtual da Receita Federal. Em especial, ocorre o cruzamento dos dados lançados na PER/DCOMP e na DCTF. O voto condutor do acórdão recorrido enfrentou o mérito trazido em sede da manifestação de inconformidade, concluindo pela não existência do crédito requisitado haja vista a falta de documento DARF comprovando a efetividade do pagamento. Seguese a excertos da mencionada decisão de piso que revelam os fundamentos do raciocínio jurídico empreendido para concluir pela negativa do crédito: O ato combatido aponta como causa da não homologação a não localização do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito. Inexistente o pagamento dado por indevido e fonte do direito creditório, impossível a extinção do débito declarado por meio de compensação. Assim, o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária, informações estas oriundas de documentos e declarações cuja origem é a própria contribuinte. A correção do despacho é admitido pela própria interessada quando reconhece a inexistência de um documento de arrecadação com as características indicadas na Declaração de Compensação. Ocorre, como já se esclareceu que, inexistente o documento DARF, não há que se falar em direito creditório dele originado. Débito Informado Corretamente na DCTF Retificadora No caso presente, a contribuinte, após ter constatado, na competência em questão, os pagamentos ocorridos de forma indevida, retificou, em junho de 2005, a sua DCTF original, informando o valor corretamente apurado. Compulsando os autos, mais especificamente a DCTF retificadora acostada na manifestação de inconformidade sob código de DOCUMENTO 01., verificase que os argumentos expostos no Recurso Voluntário correspondem à veracidade dos fatos, vez que, no mencionado documento consta, na página 26, Grupo do Tributo: PIS, Código da Receita 6912 1, não cumulativo, o débito apurado e informado no montante de R$ 18.328,13. A DCTF retificadora, ainda mais quando enviada anteriormente ao Despacho Decisório, como no caso destes autos, como se sabe, assume, em termos de veracidade e legitimidade, as informações anteriormente enviadas e transmitidas. Acórdão nº 9303005.396 Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10830.902324/200821 Acórdão n.º 3001000.489 S3C0T1 Fl. 143 7 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Nesta Turma Extraordinária também tem sido este o entendimento: Acórdão nº 3001000.099 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Mero Erro Material no Preenchimento da DCOMP Neste ponto, o despacho decisório, por basearse nas informações prestadas pelo próprio contribuinte, acabou por declarar como não homologadas as compensações, haja vista os valores indicados como pago, no DARF competente, terem sido alocados equivocadamente no campo relativos às informações necessárias ao seu reconhecimento. Destacase, então, que em DOCUMENTO 03, acostado em se de manifestação de inconformidade, consistente na DComp enviada, reparase, na página 03, que efetivamente equivocouse a contribuinte em preencher o valor correto do DARF efetivamente pago e acostados a estes autos, qual seja, o valor de R$ $ 19.364,94, e, não , o equivocado valor de R$ 13.964,94. Ante ao evidente erro material de preenchimento, e, estando nos autos presentes os elementos necessários ao entendimento e reconhecimento da legitimidade do crédito, por haver sido retificada, em tempo, sua DCTF, e, considerando insuficiente o erro material cometido no preenchimento da DCOMP, relativamente às informações contidas no DARF, para retirar a legitimidade do crédito alegado pela recorrente, aponto que este tem sido o entendimento conforme se denota do acórdão cuja ementa segue transcrita: Acórdão: 1803001.646 Fl. 147DF CARF MF 8 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 PRINCIPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A COMPROVAÇÃO DE EFETIVO ERRO DE FATO, NO PREENCHIMENTO DA PER/DCOMP EXIGE EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E ADEQUADA VALORAÇÃO DAS PROVAS, QUE SE APRECIE O PEDIDO, AFASTANDO ÓBICES FORMAIS QUE SUPOSTAMENTE PRECONIZAM A INTANGIBILIDADE DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS. Dos Documentos efetivamente acostados O contribuinte se limitou a juntar nos Autos, em sede de Manifestação de Inconformidade, somente a DCTF retificada, o DARF pago e a DCOMP. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, declarando a existência de pagamento a maior conforme apontado na DCTF retificadora, sendo, portanto, assegurado ao contribuinte, a restituição de seu crédito. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 148DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.722537/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA.
É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo.
Numero da decisão: 3301-004.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar a responsabilidade dos sujeitos passivos solidários.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo.
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AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar a responsabilidade dos sujeitos passivos solidários. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 25 37 /2 01 3- 27 Fl. 11296DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.297 2 (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão no 1057.038 2ª Turma da DRJ/POA (fls 11.080 e seguintes): Contra a cooperativa antes qualificada foram lavrados dois Autos de Infração, a saber: a) o primeiro formalizou a exigência de COFINS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 2.069.776,25, referente a fatos geradores entre 30/04/2008 e 31/12/2009. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora. Constou fundamentação legal. Houve ciência em 26/04/2013; b) o segundo formalizou a exigência de PIS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 448.451,51, referente a fatos geradores entre 30/04/2008 e 31/12/2009. Esse valor (principal) foi acrescido de multa de ofício de 150% e juros moratórios. Constou base legal. Houve ciência em 26/04/2013. Foi produzido longo Termo de Verificação Fiscal, onde ficou registrado (excertos): II DA SOLIDARIEDADE PASSIVA 4. Os fatos e infrações relatados neste Termo foram praticados com infração à legislação cooperativista e tributária, com a interveniência dos sócios e membros do conselho de administração e conselho fiscal citados abaixo, e que por isso sãosolidariamente responsabilizados, nos termos do inciso I do art. 124, e do incisoIII do art. 135, ambos do Código Tributário Nacional (...) 5. A ação fiscal abrangeu o período de jan/2008 a dez/2009. 7. Os representantes legais declararam, por escrito, não possuir a COOPERSAÚDE processos judiciais ou administrativos concernentes a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; nem processos de consulta formulados. 8. O período de janeiro a março de 2008 foi objeto de lançamento através de auto de infração de 28/12/2012 (processo n° 10580720.011/201311), tomando ciência a contribuinte Fl. 11297DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.298 3 nesse mesmo dia. Esse lançamento teve como fundamento a falta de recolhimento das contribuições para o Pis e Cofins. 9. Novos fatos que chegaram a conhecimento desta fiscalização, posteriormente à lavratura do auto de infração referido no parágrafo anterior, e levaram à qualificação da multa e à responsabilização dos membros do Conselho de Administração e membros do Conselho Fiscal. 10. Depoimentos colhidos em diversos processos trabalhistas (vide parágrafos 60 e seguintes deste Termo) e na Ação Civil Pública tombada sob n° 5290076.2009.5.05.0196, em 19/05/2009, na 6ª Vara do Trabalho de Feira de Santana, impetrada pelo Ministério Público do Trabalho, configuraram desvirtuamento da atuação da COOPERSAÚDE, com repercussão no tratamento tributário da cooperativa. IV DESENVOLVIMENTO DA AÇÃO FISCAL 15. Em 13/07/2012, a COOPERSAÚDE foi intimada, e reintimada em 10/09/2012, a apresentar, dentre outros documentos, memória de cálculo da apuração do PIS e COFINS, com a indicação da rubricas contábeis de registro orrespondentes, e que esclarecesse por escrito por que não havia apurado e declarado as referidas contribuições. 16. Em resposta, elaborou as planilhas reproduzidas abaixo que explicitam a segregação das receitas em decorrentes de atos cooperados (que eram repassados a estes na proporção dos serviços prestados a terceiros) e as correspondentes taxas administrativas cobradas dos membros. Só sobre as últimas a contribuinte entende que havia incidência do PIS e da COFINS, que eram contabilizados nas contas 21104 e 21105, respectivamente. 29. Importa que, nem sobre as receitas de taxas administrativas, nem sobre as receitas dos serviços médicos prestados, a fiscalizada recolheu as devidas contribuições de COFINS e PIS, contribuições essas, repisese, provisionadas e baixadas contabilmente, como se tivessem sido pagas, mas efetivamente não recolhida. V A ATUAÇÃO DA CONTRIBUINTE 40. Figuram como associados da COOPERSAÚDE, segundo relação fornecida por ela: médicos; enfermeiros, bioquímicos, farmacêuticos, odontologistas, cirurgiões dentistas, fisioterapeutas, nutricionistas, auxiliares de enfermagem, técnicos de laboratório, agentes de serviços hospitalares, técnicos de enfermagem, técnicos de radiologia, agentes de serviços gerais, técnicos de laboratório, técnicos de administração hospitalar, assistentes sociais, coordenadores administrativos, técnicos auxiliares odontológicos (vide "Relação Cooperados Coopersaúde"). Então, possui nos seus quadros elenco de profissionais capaz de assumir qualquer serviço de saúde, da atividade meio à atividade fim. Fl. 11298DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.299 4 45. Constatase então que a totalidade do faturamento da COOPERSAÚDE foi oriundo de contratos com órgãos públicos com o objeto de fornecimento de profissionais da área de saúde, para cumprir jornadas de trabalho em estabelecimentos dos contratantes, segundo as determinações administrativas destes, e com a determinação de observação da legislação trabalhista e previdenciária pela contratada. 57. A primeira conclusão, conforme o teorizado, é que não se pode considerar como atos cooperativos típicos as relações estabelecidas entre a pessoa jurídica COOPERSAÚDE e as contratantes de sua mão de obra especializada. No mínimo, à primeira vista, seriam atos nãocooperativos intrínsecos se cumprissem os requisitos legais. Com a prática de atos externos (contratos de prestação de serviços com terceiros) há faturamento. Os profissionais alocados na prestação dos trabalhos receberam a contraprestação da cooperativa (e não do contratante) na proporção do labor realizado. 62. A segunda conclusão que se assenta, tomadas em conta as constatações que defluem dos fatos documentados nos processos trabalhistas, é que a COQPERSÁUDE não atendeu aos princípios cooperativos, descumprindo frontalmente a Lei n° 5.178/17: não propiciou que os associados obtivessem retribuição superior à que obteriam caso não estivesses associados; não houve prestação de serviços pela cooperativa aos reclamantes; houve de fato, prestação de serviços pela cooperativa aos terceiros contratantes; a cooperativa se prestou a fraudar relação de emprego e o próprio instituto do cooperativismo. 63. A terceira conclusão: a de que os administradores da autuada ao descumprirem dispositivos da Lei n° 5.764/1971, dispositivos do próprio Estatuto Social (a exemplo do art. 15o que proíbe vantagens e privilégios a associado em detrimento dos demais associados) e perpetrarem infrações a dispositivos da legislação tributária, devem ser responsabilizados solidariamente. Os fatos correspondentes a essa conclusão estão narrados no tópico, "VIII. Da Responsabilidade dos Membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal". 64. Contudo, repisese o já dito que será explicitado no próximo tópico: a distinção entre atos cooperativos e não cooperativos não é relevante para incidência das contribuições para o Pis e para a Cofins. Independentemente de se tratar de ato cooperado ou não cooperado, as receitas apuradas pela COOPERSAÚDE são tributadas pelo Pis e pela Cofins. Mas restou comprovado que as receitas recebidas pela COOPERSAÚDE não foram decorrentes de atos cooperativos típicos. As irregularidades, documentadas indicaram fraude do próprio instituto do cooperativismo. VII – DA RESPONSABILIDADE DOS MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO E DO CONSELHO FISCAL Fl. 11299DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.300 5 88. De outro lado, a multicitada Lei n° 5.764/71, no art. 49, determina que os administradores eleitos ou contratados respondem solidariamente pelos prejuízos resultantes de seus atos, se procederem com culpa ou dolo. Mas a sociedade também responderá por esses atos se os houver ratificado ou deles logradoproveito (parágrafo único do art 49). 89. As contas. da COOPERSAÚDE foram aprovadas pela Assembléia Geral.Mas relembrese que só participavam das reuniões os mesmos 11 associados,contando dentre estes os diretores do Conselho de Administração e membros doConselho Fiscal, segundo os registros em Ata. 93. Estabelecida a cadeia de responsabilidades estatutárias, as condutas dos administradores elencados no parágrafo 4 (quatro) deste termo, além de constituírem infrações à Lei n° 5.764/1971 e ao Estatuto da cooperativa, estãoenquadradas na hipótese de responsabilidade tributária prevista no CódigoTributário Nacional (CTN), no art. 135, inciso III, por infração à lei tributária e ao estatuto social: pela baixa, sem causa ou destinatário identificado, das provisões das contribuições sociais para o Pis e para Cofins, objeto deste,lançamento; pelo não recolhimento das contribuições; pela não declaração, em DCTF, nem das obrigações incontroversas, que reconhecem serem decorrentes de atos cooperados, pelas infrações à legislação, cooperativista, e fraude à legislação trabalhista, que repercutem na descaracterização do ato cooperativo, conforme narrado em tópicos precedentes. VIII DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA 94. No § 1º do art. 44 da Lei 9.430/1996, há determinação de que a multa de oficio de 75% deve ser duplicada nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, ou seja, nos casos de sonegação, fraude ou conluio. 95. Restou claro que os atos e negócios foram praticados com o fim de modificar as características essências do fato gerador de modo a reduzir o montante das contribuições devidas, constituindo a fraude definida no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964. 96. A multa de ofício referente a esta infração foi aplicada nos termos da Lei 9.430/96, artigo 44, inciso I, e § 1º, com nova redação dada pela Lei 11.488/2007. Em 28/05/2013 a contribuinte transmitiu (email eletrônico), através de procuradores, arrazoado impugnatório referente aos lançamentos (PIS/COFINS) onde alegou (em síntese): Dos fatos • o Fisco pretende impor curioso e particular entendimento segundo o qual a sociedade não pratica qualquer tipo de ato cooperativo. Conclui que por ter seus ingressos derivados da prestação de serviços para terceiros não associados/cooperados, a Fl. 11300DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.301 6 cooperativa pratica unicamente atos não cooperativos. Em sua concepção, os atos cooperativos seriam tão somente, apenas, única e exclusivamente aqueles praticados interna corporis, ou seja, entre os próprios cooperados, pelos próprios cooperados e para os próprios cooperados. Afirma, também, ser irrelevante tratar de segregação contábil entre atos cooperativos e não cooperativos, eis que todos os atos praticados são não cooperativos, constituindose, integralmente, hipótese de incidência do PIS e da COFINS; • em seu Relatório o Fisco concluiu: I) que não podem ser considerados como atos cooperativos típicos aqueles estabelecidos entre a cooperativa e terceiros não associados/cooperados; II) que as constatações do quanto documentado no processo trabalhista são de que a sociedade não atendeu aos princípios cooperativos (dentre os quais a ausência de participação associativa; ausência de adesão espontânea; e da dupla qualidade e retribuição pessoal diferenciada); III) que os administradores da cooperativa seriam responsáveis solidários pelos créditos tributários, uma vez que teriam infringido dispositivos do próprio Estatuto Social. Da impugnação. Natureza jurídica. Preenchimento de todas as condições para ser sociedade cooperativa • desde sua constituição, a cooperativa sempre atuou no intuito de atingir o bem comum dos cooperados. Dos valores recebidos pelos serviços prestados pessoalmente pelos seus cooperados, uma parte (Taxa Administrativa) é destinada ao custeio da estrutura administrativa, melhorias na estrutura física da sede e também na comunicação social da entidade, de forma a cumprir o seu objetivo social; • considerando que os valores recebidos dos tomadores de serviço, depois de descontado um percentual para o pagamento das despesas da cooperativa, são repassados diretamente aos cooperados em razão do trabalho desenvolvido por cada um deles e, considerando que eventual sobra dos valores destinados à administração da cooperativa e à realização do seu objeto social é devolvida aos cooperados também na proporção do seu trabalho, resta indubitável que a cooperativa, cumpre um dos requisitos básicos da sociedade cooperativa, qual seja a não realização de lucro; • não restam dúvidas de que a negociação da prestação dos serviços de seus cooperados, incumbida à cooperativa, caracterizase como ato cooperativo típico, integralmente alinhado ao quanto preceituado na lei das cooperativas (Lei nº 5.764/1971), inclusive sem qualquer objetivo de lucro, vez que seu objeto social concerne, justamente, à aproximação de seus cooperados do mercado consumidor; Fl. 11301DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.302 7 • o Fisco desconsiderou as demandas trabalhistas ajuizadas e que foram julgadas improcedentes por considerarem a ora autuada como sendo uma sociedade cooperativa típica. Frisese que os juízos trabalhistas reconhecem a existência de relação de cooperativismo e o atendimento aos princípios da dupla condição e da retribuição pessoal diferenciada; • no campo da prestação de serviços a terceiros, frisese que todos os cooperados têm a liberdade de trabalhar quando e onde escolherem. Não há hierarquia ou ordem da cooperativa para que tal ou qual cooperado necessariamente vá trabalhar em tal ou qual hospital; • conclui que; a) pelos documentos carreados, a intenção cooperativista é claríssima, agindo sempre a cooperativa em benefício dos cooperados; b) os cooperados sabem e concordam com os termos das ações tomadas pela cooperativa. Supostas ações trabalhistas são insignificantes ante o número de cooperados. Natureza do ato cooperativo típico. Não incidência de PIS/COFINS sobre ingressos decorrentes de atos cooperativos • ato não cooperativo é aquele que nada diz respeito ao objeto de uma sociedade cooperativa, caracterizando uma atividade mercantil praticada pela pessoa jurídica. O resultado positivo auferido em razão da prática de tal ato, mesmo que praticado pela cooperativa, configura auferimento de receita, sendo, portanto, passível de tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Já ato cooperativo, ou ato cooperado, é aquele pelo qual a cooperativa realiza a sua finalidade social, qual seja a prestação de serviços aos seus associados. Conforme a Lei nº 5.764/1971 (parágrafo único do art. 79), os atos cooperados não implicam em operações mercantis, tampouco em contrato de compra e venda; • todos os ingressos contábeis verificados pelo Fisco são decorrentes e pertencem aos cooperados, em razão da prestação de serviços realizados de forma pessoal por estes, à exceção da taxa administrativa retida para o custeio da estrutura da sociedade. Tratase de ato cooperativo típico, concernente ao objetivo social da cooperativa, envolvendo esta e o cooperado; • não se pode dizer que, por ser um terceiro o tomador do serviço prestado pessoalmente pelos cooperados, restaria descaracterizado o ato cooperativo, já que se trata de um negócio feito pela cooperativa em nome dos cooperados e com o intento de que estes alcancem o mercado consumidor e aufiram renda. Não seria razoável pensar que os cooperados poderiam prestar serviços apenas a outros cooperados, o que inviabilizaria economicamente a atividade; Fl. 11302DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.303 8 • a intermediação da contratação dos serviços de seus cooperados, efetuada pela cooperativa, configura ato cooperativo típico. Tendo em vista que a cooperativa repassa os honorários auferidos aos cooperados, em razão direta dos serviços prestados por cada um, tais ingressos jamais poderiam ser considerados como receita/faturamento da cooperativa; • o Fisco considerou como sendo faturamento todos os ingressos havidos pela cooperativa, inclusive as receitas decorrentes da prática de ato cooperativo típico. A autuação é, portanto, improcedente; • ao contrário do pretendido pelo órgão fiscalizatório, o conceito de faturamento não se amolda aos atos cooperados, havendo por isso a não incidência do PIS ou da COFINS sobre os referidos atos; • a análise do Relatório Fiscal leva à conclusão de que o Fisco considerou como receita e, por decorrência, como base de cálculo para a tributação pela COFINS e pelo PIS, o somatório do valor das notas fiscais emitidas no período fiscalizado. Ocorre que os ingressos no caixa dos honorários dos associados, pela prática de atos cooperados, não se confundem com receitas da cooperativa. No caso concreto, o ingresso no caixa de valores decorrente de atos cooperados não se enquadra no conceito de faturamento/receita por não ser uma riqueza própria da Sociedade. Assim, no mérito, deve ser declarada a total improcedência do auto de infração. Divergências contábeis. Erros de preenchimento • o Fisco apontou a existência de divergências contábeis. Cumpre esclarecer que os erros em questão são atribuíveis apenas e tão somente à equipe de contabilidade da cooperativa. Tais erros por si só não são capazes de criar fatos geradores, nem implicam em confissão de dívida. No Direito Tributário deve prevalecer, sempre, a verdade real, sendo que a verdade real é que tratase de uma cooperativa de trabalho e como tal, no exercício do seu mister, os ingressos decorrentes da prática de atos tipicamente cooperativos não podem ser considerados como sendo faturamento, daí porque não se submetem à incidência nem do PIS nem da COFINS. Regularidade nas contratações com o Poder Público • o relatório fiscal busca demonstrar que a relação entre a cooperativa e os contratados (órgãos do Poder Público) teria caráter empresarial, não podendo se confundir com a relação de intermediação sem fins lucrativos próprios das sociedades cooperativas. Diz que os contratos firmados trazem terminologias próprias de quem contrata com sociedades empresárias; • de fato, as terminologias aplicadas aos contratos são terminologias próprias da contratação de sociedades empresárias. Tanto que nela há termos como salários, recolhimento de FGTS, responsabilização pelo transporte, etc. Contudo, a mera avaliação Fl. 11303DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.304 9 literal/textual dos contratos não é capaz de levar à compreensão da relação jurídica travada entre as partes contratantes. Quanto ao negócio jurídico, o primeiro ponto a se levar em consideração é o fato de que os contratos firmados são elaborados juntamente com o edital de licitação. Ou seja, os contratos não são personalizados, são genéricos, e são elaborados exclusivamente pelo Poder Público, sem a participação dos contratados. E como a maioria das licitantes são sociedades empresárias, não faria sentido a elaboração de um contrato somente para cooperativas; • as atecnias contidas nos contratos firmados com o Poder Público não têm o condão de desvirtuar a realidade fática e o enquadramento jurídico que deve ser dado aos negócios firmados pela cooperativa, sendo improcedente a autuação; • caso a autuação seja julgada procedente, descaracterizando a prestação do serviço como ato cooperativo, deveria o Fisco devolver aos órgãos contratantes toda a contribuição previdenciária devida pelo tomador de serviço de cooperativa que foi paga no período. Tal contribuição de 15% sobre o valor pago a cooperativas e devido pelas contratantes está prevista no art. 22, IV , da Lei nº 8.212/1991. Conclusão e pedidos • a cooperativa requer que seja reconhecida a total improcedência da autuação. Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, indicando, de logo, e em especial, a juntada posterior de documentos, pareceres, decisões dos Tribunais Administrativos e Judiciais, inclusive em contra prova, diligências, exames, vistorias, perícias e revisão do lançamento. A repartição preparadora atestou a tempestividade da peça de contestação. Encaminhado o processo a esta DRJ, foi ele julgado em 26/11/2013, tendo sido proferido o Acórdão nº 1047.673, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999 a base cálculo da COFINS é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999, a base cálculo do PIS passou a ser a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. Impugnação Improcedente Fl. 11304DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.305 10 Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão a contribuinte ingressou com recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (03/04/2014 – fl. 5.081). Em 24/02/2015 o CARF proferiu o Acórdão nº 3201001.871 (2ª Câmara/1ª Turma Ordinária), cuja ementa está a seguir transcrita (fl. 10.224): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 MATÉRIA IMPUGNADA E NÃO APRECIADA NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ANULAÇÃO DA DECISÃO. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Comprovado a falta de ciência do auto de infração quanto a solidários da exigência fiscal, devese anular o julgamento para que a Unidade de Origem providência a ciência de todos os arrolados no processo como solidários, abrindo o prazo legal para apresentação de impugnação e a partir daí seja dado prosseguimento ao processo nos termos previstos no Decreto nº 70.235/72; Recurso Voluntário Provido em Parte Acordou, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância e determinar que a unidade de origem desse ciência do auto de infração a todos os responsáveis solidários. Devolvido o processo ao Órgão de origem, foi dada ciência do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal aos responsáveis solidários, conforme segue: Cientificados, os responsáveis solidários apresentaram, através de procurador, duas impugnações. Na primeira (fls. 10.950 a 10.985), os responsáveis solidários Ubirajara Jorge Muniz da Silva, Rômulo José Cunha Araújo, Marlea Fl. 11305DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.306 11 Paladino Ferreira da Silva Machado, Marcelo César Almeida de Oliveira Pinto, Edmo de Castro Dourado Jr., Carlos Costa Neto, Ana Maria Guimarães Dortas Matos e Victória Villarpando dos Santos argumentaram (em síntese): Fatos • o Fisco promoveu cobrança de crédito tributário de PIS/COFINS, pretendendo também imputar responsabilização solidária aos integrantes dos Conselhos Administrativo e Fiscal da Cooperativa, lastreando sua intenção no art. 135, III do CTN; • disse que a Cooperativa, por ter seus ingressos derivados da prestação de serviços para terceiros não associados/cooperados, pratica unicamente atos não cooperativos. Entendeu que atos cooperativos seriam apenas, única e exclusivamente, aqueles praticados interna corporis, ou seja, entre os próprios cooperados; • em seu Relatório, concluiu o Fisco que: 1. não podem ser considerados como atos cooperativos típicos aqueles estabelecidos entre a Cooperativa e terceiros não associados/cooperados (item 57); 2. as constatações do quanto documentado no processo trabalhista são de que a Coopersaúde não atendeu aos princípios cooperativos (dentre os quais a ausência de participação associativa; ausência de adesão espontânea; dupla qualidade e retribuição pessoal diferenciada); 3. os conselheiros da Coopersaúde seriam responsáveis solidários pelos créditos tributários, vez que teriam infringido dispositivos do próprio Estatuto Social. Decadência do crédito tributário • o lançamento trata de supostos fatos geradores ocorridos entre 04/2008 e 12/2009. Mas os impugnantes somente foram notificados do Auto de Infração em 11 de junho de 2015. Dessa forma, o prazo de cinco anos para lançamento do crédito, que deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, foi completamente esgotado (ainda que considerado o suposto fato gerador mais recente – dez/2009). Quer se conte o prazo decadencial pelo art. 150, § 4°, quer se conte pelo art. 173, I, do CTN, estará o crédito tributário extinto, sendo por isso a autuação inteiramente improcedente. Fl. 11306DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.307 12 Ilegitimidade dos impugnantes para figurar como responsáveis tributários • o Fisco aduziu que os impugnantes foram beneficiados financeiramente, dando a entender que se valeram da Cooperativa para satisfazer ambições próprias. Esclarece se, no entanto, que estes nunca auferiram qualquer ganho ou remuneração em razão da participação na diretoria ou nos conselhos administrativos ou fiscais da Cooperativa. Toda e qualquer remuneração que eventualmente receberam decorreu do seu labor como cooperados, qual seja a prestação de serviços médicos; • o Fisco responsabilizou genericamente todos os membros do conselho administrativo e do conselho fiscal por imaginada mas não apontada ação culposa ou dolosa, quando, no máximo, poderia têlos acusado de terem feito uma gestão ruim. Há de se diferenciar, contudo, gestão ruim de gestão fraudulenta. A gestão ruim não implica em responsabilização tributária. E a gestão fraudulenta não tem qualquer comprovação da sua existência nos autos (até porque não existiu); • o não pagamento de um tributo que a Cooperativa considerava (e ainda considera) indevido não é ato capaz de implicar corresponsabilização dos seus conselheiros. No máximo, acaso se conclua pela existência de tributo a pagar, podese exigir o pagamento pela Cooperativa; • o Conselho Fiscal é órgão consultivo e sua função consultiva foi desempenhada e aprovada pela Assembléia Geral, órgão máximo da administração. Não houve qualquer erro procedimental por parte dos Impugnantes, não se podendo impor a pecha de violadores do art. 134 ou 135 do CTN; • o CTN prevê duas espécies de responsabilidades. A pessoal (art. 135) e a solidária (art. 134). Com relação à responsabilidade pessoal, à míngua de qualquer comprovação de auferimento de vantagem por parte dos Impugnantes, e especialmente considerando que não foram apontados quais teriam sido os atos omissivos e/ou comissivos praticados que deram azo a imputação de responsabilização solidária, não sabem os impugnantes a razão pela qual foram alçados à condição de corresponsáveis pelo débito; • no caso da solidariedade, o art. 134 do CTN traz previsão que autoriza a responsabilização. Mas dos sete incisos do mencionado dispositivo, nenhum permite a responsabilização solidária dos sócios. Frisese que o inciso Fl. 11307DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.308 13 VII somente autoriza este tipo de responsabilização nos casos de liquidação de sociedade de pessoas. Mas não se está a trata da liquidação da Cooperativa, então esse inciso não se aplica à hipótese dos autos. Dessa forma, a imputação da responsabilidade dos Impugnantes não pode prosperar, pois não existe previsão legal nem no art. 135 nem no art. 134 do CTN para que os Impugnantes sejam responsáveis pelo crédito tributário lançado. Quanto ao Conselho Fiscal • o Fisco atribuiu a todos os integrantes dos Conselhos Administrativo e Fiscal, ora Impugnantes, o mesmo grau de responsabilidade por todo o crédito tributário apurado. Mas essa técnica de responsabilização não pode prosperar, pois conforme se lê da autuação, o período fiscalizado engloba as competências de 04/2008 a 12/2009, sendo que os Impugnantes não compuseram a titularidade do Conselho Fiscal durante todo o período da autuação. Eles foram eleitos para o Conselho Fiscal somente no período de abril/2009 a abril/2010. Ainda que alguma responsabilidade pudesse ser atribuída, essa somente poderia se limitar aos meses de abril/2009 a dezembro/2009, pois este é o único período autuado que coincide com a época em que os Impugnantes compuseram o Conselho Fiscal (nesse caso se deveria apurar o grau de responsabilidade que seria atribuível a cada um dos Impugnantes) Acusação específica. Victória Villarpando • quanto à corresponsabilização, houve imputação à Victoria Villarpando de violação ao art. 29, § 4°, da Lei nº 5.764/1971, que proíbe a filiação à cooperativa de agentes de comércio e empresários que atuem no mesmo setor econômico. Mas houve erro na conceituação de agente de comércio e empresário. Ambos os termos têm conceituação legal. Agente de Comércio é uma denominação que foi substituída pelo Representante Comercial, e tem previsão e regulamento na Lei nº 4.886/1965. Empresário, por sua vez, na forma dos arts. 966 e 9675 do CC, é aquele inscrito no registro Público de Empresas Mercantis e que exerce diretamente atividade econômica de natureza não intelectual/científica; • nenhum dos dois conceitos se confunde com o fato de Victoria Villarpando ser sócia de uma atividade empresária. Ser sócia de uma atividade empresária não faz dela (cooperada) uma empresária. O Fisco valeuse do termo empresária em seu conceito popular/não jurídico. Para fins Fl. 11308DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.309 14 legais, empresária não é quem tem empresa ou quem é sócia de uma empresa. Quanto aos pagamentos ao Presidente da Cooperativa • quanto ao pagamento de prolabores ao presidente da Cooperativa, disse o Fisco que foi ele beneficiado pelo pagamento de vultuosas quantias em dinheiro, entendendo que tais pagamentos seriam escusos, atribuindo responsabilidade ao Conselho Fiscal. Mas os cooperados não se insurgiram contra os honorários pagos ao presidente, jamais questionaram o montante que foi pago à presidência da cooperativa; • a decisão de pagar bem ou mal ao seu dirigente cabe exclusivamente à Cooperativa e seus cooperados, sendo a remuneração ao Presidente plenamente compatível com as funções que exercia, estando no mesmo patamar dos dirigentes de qualquer empresa privada do mesmo porte do ramo de saúde. Além disso, os valores de honorários pagos ao Presidente foram mencionados em ata das Assembléias Ordinárias e devidamente arquivadas na Junta Comercial. E o arquivamento de tais atas na JUCEB dá plena publicidade ao ato. Ausência de responsabilidade dos impugnantes • o Fisco afirma que a Cooperativa arrebanhava profissionais de nível superior, notadamente médicos, como se empregados fossem, para lucrar com as atividades desempenhadas pelos mesmos. Falou sobre sentenças e de ação civil pública contra a Cooperativa. Mas as ações trabalhistas individuais não representam fatores capazes de desqualificar a sua atividade. Os juízos trabalhistas reconheceram a existência de relação de cooperativismo e o atendimento aos princípios da dupla condição e da retribuição pessoal diferenciada; • na Justiça Trabalhista os casos em que os cooperados foram considerados empregados têm proporção irrelevante; • podese concluir da seguinte forma: 1) pelos documentos carreados, a intenção cooperativista é claríssima, agindo sempre a Cooperativa em benefício dos cooperados; 2) os cooperados sabem e concordam com os termos das ações tomadas pela cooperativa. Supostas ações trabalhistas são insignificantes ante o número de cooperados. Fl. 11309DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.310 15 • a baixa adesão às Assembléias realizadas não são determinantes para a descaracterização da cooperativa, visto que os editais de convocação são devidamente publicados. O fato dos cooperados não comparecerem em grande número não desnatura o caráter cooperativa; • a afirmação de que os associados da Cooperativa estariam tomando o lugar de empregados públicos e concursados é desimportante na seara tributária. Se há irregularidade, quem deve ser investigado é o Município, Estado ou órgão contratante, nunca a Cooperativa. Tal investigação caberia exclusivamente ao Ministério Público, denotandose que a autuação extrapola o dever de fiscalização do ente tributante. Ação Civil Pública nº 005290076.2009.5.05.0196 • conforme o relatório fiscal, a base angular de sua fundamentação está no quanto decidido na Ação Civil Pública 005290076.2009.5.05.0196. Mas o que decidido naqueles autos em nada vincularam a Cooperativa, pois tratouse de ação movida pelo Ministério Público do Trabalho em face, apenas e unicamente, do município de Feira de SantanaBA. A Cooperativa não participou do processo e nunca nele teve a oportunidade de se defender. Assim, nenhum efeito tem aquele julgado sobre a Cooperativa; • a Cooperativa não presta serviço apenas ao Município de Feira de Santana, ou seja, não haveria como desvirtuar toda sua atividade com base em conclusões relativas a apenas um município; • não é nem nunca foi objeto da ACP a desconstituição do caráter cooperativo da Cooperativa. A insurgência do MPT foi a não realização de concurso público para o preenchimento de vagas, eis que o Município de Feira de Santana preferiu efetuar estas contratações através de outras pessoas jurídicas. E não foram contratadas apenas cooperativas, mas também sociedades empresárias; • o resultado das ações trabalhistas das quais a Cooperativa fazia parte e que tinham por objeto a descaracterização de seu caráter cooperativo, foram desconsiderados pelo Fisco. A Cooperativa tem sua condição de cooperativa vigente, estando em situação regular perante todos os órgãos reguladores, inclusive o Ministério do Trabalho e Emprego, além de não ter contra si nenhuma medida administrativa ou judicial tendente a cassar ou modificar essa condição. Assim, os Impugnantes entendem que não cabe discussão Fl. 11310DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.311 16 acerca da qualidade de cooperativa da entidade da qual são associados. Ato cooperativo não é apenas aquele praticado entre associados de uma cooperativa de trabalho • tratase de uma cooperativa de trabalho médico, cujo objeto é a intermediação do trabalho de seus associados. Não há contratação de hospitais, clínicas, laboratórios, não há fornecimento de medicamentos, não há despesas com diárias hospitalares nem prestação de serviços através de terceiros. Também não há contratação de bens ou serviços de terceiros. A missão da Cooperativa consiste em arrecadar os honorários dos contratantes, descontar a taxa de administração para cobrir suas despesas e repassar o saldo para o seus cooperados; • entendeu o Fisco que as atividades da Cooperativa, ao intermediar a prestação de serviços de seus cooperados a terceiros, não poderiam ser consideradas como ato cooperado. Atos cooperados seriam aqueles praticados entre os cooperados e aqueles praticados entre cooperativas. Não haveria, portanto, ato cooperado entre cooperados e terceiros. Mas esse entendimento está ultrapassado segundo o Poder Judiciário. Ao limitar o ato cooperativo apenas àquele praticado entre cooperados e entre cooperativas, faz esvaziarse a própria razão de ser da existência destas espécies societárias; • a intermediação realizada pela Cooperativa não desnatura os serviços prestados pelos seus associados como ato cooperado. Não cobrança de PIS/COFINS de atos cooperativos • disse o Fisco ser desimportante se a pessoa jurídica autuada enquadravase ou não no conceito de cooperativa, visto que os ingressos havidos eram considerados como faturamento, devendo ser tributados pelo PIS/COFINS independentemente de serem atos cooperativos ou não. Mas segundo a legislação, as receitas oriundas de atos cooperativos não são atos de mercado. Não se tratando de atos de mercado, não há de se falar em faturamento. Ausente o faturamento, não ocorre a hipótese de incidência do PIS/COFINS; • não poderia o Fisco considerar os honorários repassados as cooperados como faturamento ou receita da Cooperativa. O ingresso de valores no caixa das cooperativas, quando da prática de atos cooperados, não se confunde com faturamento, nem com receitas próprias. As receitas Fl. 11311DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.312 17 decorrentes de atos praticados pela Cooperativa não podem ser consideradas como faturamento, sendo improcedente a autuação. Meros ingressos temporários de remunerações repassadas aos cooperados não podem ser faturamento • em razão dos serviços prestados pelos cooperados serem específicos e determinados, variando conforme duração do atendimento, especialidade e local do serviço, pode a Cooperativa determinar quanto cada um dos terceiros paga a cada um dos cooperados. A Cooperativa, obedecendo a seu fim societário, temporariamente recebe recursos de terceiros, repassandoo ao cooperado. Antes retém a taxa administrativa; • o serviço é prestado diretamente pelo cooperado ao terceiro (clínica, hospital, laboratório, etc). Da mesma forma, o preço é pago pelo terceiro ao cooperado, servindo a Cooperativa de mera facilitadora dessa transação, em obediência ao seu estatuto social. O serviço é prestado pelo cooperado e não pela cooperativa. Daí porque a receita (contraprestação) pelo serviço é paga ao cooperado e não à cooperativa. O mero ingresso temporário desse pagamento nas contas da Cooperativa não torna tal numerário receita dessa. Não há que se falar, portanto, em faturamento da Cooperativa, não se falando, por conseguinte, em incidência de PIS/COFINS. Erros contábeis criando fatos geradores fictícios • as divergências contábeis (erros de preenchimento de DIPJ, DACON e DCTF) apontadas pelo Fisco são atribuíveis apenas e tão somente à equipe de contabilidade da cooperativa. Mas em momento algum a Cooperativa quer se esquivar da responsabilidade. A intenção é apenas demonstrar que houve erros contábeis. Não é porque houve erro de preenchimento de DIPJ, DACON e DCTF que os fatos geradores ali apontados ocorreram. Considerando que ao que parece a autuação originária levou em consideração estes erros como fator relevante para assumir que a Cooperativa sabia ser devedora, e, mais do que isso, para considerar devidos ou confessados os créditos, pugna pelo reconhecimento da existência de mero equívoco contábil, sem que isso prejudique a boafé dos Impugnantes. Fl. 11312DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.313 18 Ausência de prova de irregularidade na contratação com Órgãos Públicos • a ACP ajuizada pelo MPT teve seu mérito julgado em segunda instância (TRT), tendo o Tribunal determinado ao Município de Feira de Santana a substituição da contratação de empresas e cooperativas para prestação de serviços de saúde por profissionais contratados através de concurso público. Pela leitura do julgado trabalhista, o vício foi atribuível somente à Prefeitura, que para não engessar os recursos advindos do Governo Federal prefere contratar sociedades prestadoras de serviço a imobilizar recursos com a contratação de profissionais através de concurso público; • a denúncia de que funcionários públicos indicavam àqueles que lhes pediam empregos para que se filiassem às sociedades e cooperativas contratadas pela Prefeitura em nada prejudica a Cooperativa, pois esta em momento algum entrou em conluio com esta atitude. Tudo que a Cooperativa fez foi participar de uma licitação, vencendoa. Não se pode considerar que toda a atividade da Cooperativa advém de fraude. Motivos autorizadores da multa qualificada (sonegação, fraude ou conluio) • inexistente no processo qualquer prova do cometimento de fraude, sonegação ou conluio, não havendo razão para aplicação de multa qualificada de 150%. Deve ela ser extinta, de modo que os Impugnantes não sejam corresponsabilizados pelo crédito excutido. A Cooperativa pugna, também, pela redução da multa de ofício, de 150% para 75% porquanto inexistiu fraude, conluio ou simulação. Caráter confiscatório da multa • a multa merece ser reduzida, porquanto a imposição de multa moratória de 150% denota clara intenção confiscatória. Em recente julgado o STF entendeu que a multa de 30% já tem caráter confiscatório, reduzindoa para 20%. Se a multa de 30% já é considerada abusiva, a de 150% aplicada ao caso concreto é ainda mais. Ultrapassado o pedido de improcedência da autuação, pede a Cooperativa a redução da multa aplicada para 20% do crédito tributário exigido. Necessidade de aplicação do princípio da legalidade e da moralidade administrativas • pelo princípio da legalidade e da moralidade, deveria o Fisco, apurando o recolhimento a maior de tributo, providenciar a restituição do indébito tributário. Tratase de Fl. 11313DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.314 19 ato de ofício. Seu não cumprimento implica em tese no crime de prevaricação, na modalidade deixar de praticar ato de ofício. Assim, deveria o Fisco devolver aos órgãos contratantes toda a contribuição previdenciária devida pelo tomador de serviço da Cooperativa que foi paga no período. Tal contribuição de 15% sobre o valor pago a cooperativas e devido pelas contratantes está prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/1991. A Cooperativa pugna por esta providência. Pedidos • os Impugnantes pugnam pelo conhecimento e provimento de sua impugnação para que: a) se julgue improcedente a autuação; b) se extinga a solidariedade determinada na autuação; c) se reduza o valor da multa de ofício de 150% para 20%; e d) se reduza a multa de ofício de 150% para 75% • pugna, ainda, para que, acaso seja julgada procedente a autuação, determinese a devolução dos valores pagos indevidamente pelos contratantes da Cooperativa da contribuição de 15% prevista no art. 22, IV da Lei nº 8.212/1991. Na segunda (fls. 11.006 a 11.037) o responsável solidário Paulo César Queiroz Rocha repetiu, basicamente, os mesmos argumentos da impugnação apresentada pelos outros responsáveis solidários. Além disso assentou excerto onde esclarece que toda a sua remuneração consta da escrituração contábil da cooperativa, foi registrada em atas de Assembleias Gerais arquivadas na Junta Comercial do Estado da Bahia, o que dá plena publicidade ao ato e foi oferecida à tributação pelo IR. Disse que todo o prólabore recebido estava e ainda é compatível com as funções que desempenha. Referiu que o autuante não possui competência para julgar ser o valor do prolabore percebido alto ou não. Entendeu que não se pode considerar que a Cooperativa pratica atos fraudulentos. Na fl. 11.048 a Cooperativa, por prudência, reiterou os termos da impugnação que apresentou inicialmente (fls. 3.460 a 3.481). A DRF de origem remeteu o processo a DRJ para julgamento (fl. 11.075). Fl. 11314DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.315 20 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento exarou novo acordão, considerando julgando a impugnação parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fls. 11.080/11.081): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 CARF. FALTA DE CIÊNCIA DE DEVEDORES SOLIDÁRIOS. DECISÃO ANULADA. NOVO JULGAMENTO. Anulada a decisão de primeira instância pelo CARF porquanto as principais peças fiscais não foram cientificadas aos devedores solidários, devese proceder a novo julgamento com o enfrentamento das questões propostas nas impugnações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. PRAZO DE DECADÊNCIA. INCLUSÃO DE RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS NO PÓLO PASSIVO. CIENTIFICAÇÃO. O instituto da decadência se refere ao direito de constituição do crédito tributário pelo lançamento, sendo que a atribuição de responsabilização solidária diz respeito à garantia de cobrança daquele crédito. Os responsáveis solidários podem ser chamados a responder pelo crédito tributário em qualquer fase processual, administrativa ou judicial, não havendo possibilidade de acatamento de arguição de decadência pela sua cientificação em momento posterior. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, constitui infração apenável com multa qualificada, nos termos da legislação de regência. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999 a base cálculo da COFINS é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. SOCIEDADE COOPERATIVA. A partir de novembro de 1999 a base cálculo do PIS é a receita bruta proveniente de atos cooperativos e não cooperativos, sendo permitidas somente as exclusões e deduções previstas em lei. Impugnação Improcedente Fl. 11315DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.316 21 Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recursos Voluntários pela COOPERATIVA DE SAÚDE E SERVIÇOS CORRELATOS COOPERSAUDE (fl. 11.176/11.206) e também pelos devedores solidários (fls. 11.209/11.224 e 11254/11273) Tendo em conta que a Cooperativa apresentou REQUERIMENTO DE IMPUGNAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO OU RECURSO ADMNISTRATIVO (fl. 11.294), seu Recurso Voluntário não será analisado, sendo tratados no voto os demais Recursos Voluntários. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar Defendem os recorrentes devedores solidários que houve decadência, segundo eles houve extinção do crédito tributário porque o prazo decadencial apenas se interromperia após a notificação ou intimação de todos os autuados. Informam que se trata de lançamento fiscal contra a Coopersaúde (considerada devedora principal) e nove outros cooperados, pessoas físicas, elencados no autor de infração como "responsáveis solidários". Defendem que no casos de lançamento multitudinário, exigindo obrigação única de responsáveis solidários, segundo a lei e também a jurisprudência do CARF, a interrupção da decadência se dá apenas no momento da intimação de todos os responsáveis, ou seja, apenas quando o último devedor solidário é intimado da lavratura do auto de infração. Citam os seguintes precedentes deste CARF: Número do Processo nº 15586.000258/200813 Data da sessão11/04/2016 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, 1) em relação ao recurso voluntário: por maioria de votos, declarar a decadência do crédito tributário. Vencidos a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Júnior. Em primeira votação, foram identificadas três teses: (a) nulidade da decisão da primeira instância e intimação dos responsáveis pessoa física (b) decadência do crédito tributário e (c) exclusão do polo passivo das pessoas físicas não intimadas no momento oportuno. Em primeira Fl. 11316DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.317 22 votação, manifestaramse pela tese "b" os Conselheiros Alice Grecchi, Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior; pela tese "a" a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Júnior; e pela tese "c" os Conselheiros Ivacir Julio de Souza e Fabio Piovesan Bozza; submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foi excluída a tese "c". Em nova votação, restou vencedora a tese "b", vencida a relatora e os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Júnior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. Ementa(s) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2001 a 30/06/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo. Recurso Voluntário Provido Número do Processo nº 19563.000083/200774 Data da sessão: 08/12/2015 Acórdão nº 2301004.372 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento as recurso voluntário para reconhecer nulidade do lançamento. Vencidos a relatora e os conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e João Bellini Junior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Alice Grecchi. Ementa(s): Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OCORRÊNCIA. É dever legal e constitucional da Administração Tributária proceder a notificação de todos os responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído, de modo que, no presente caso, ao deixar de cientificálos do lançamento, restou violada a garantia constitucional do devido processo legal, e por consequência, cerceado o direito de defesa dos interessados na condição de responsáveis solidários pelo crédito ora discutido. Portanto, tal vício não pode ser sanado, eis que a intimação dos responsáveis Fl. 11317DF CARF MF Processo nº 10580.722537/201327 Acórdão n.º 3301004.985 S3C3T1 Fl. 11.318 23 tributários quando solidários é requisito intrínseco à validade do lançamento, a qual deve ser perfectibilizada dentro do prazo decadencial, de modo que o presente não subsiste por vício que acarreta a nulidade do mesmo. Recurso Voluntário Provido. Asseveram os recorrentes que se tratam de créditos tributários de PIS e Cofins referentes ao período de 04/2008 a 12/2009, e a intimação do último responsável solidário se deu em 18 de junho de 2015 (conforme se verifica na fl. 10.947). Na decisão recorrida entendeuse que a constituição do crédito tributário é contra o devedor originário, enquanto que a responsabilidade do terceiro é de cunho meramente declaratório (e não constitutivo); por isso, não haveria preclusão ou a nulidade em se deixar de apurar a responsabilidade tributária solidária no momento da lavratura do auto de infração, não correndo, por consequência, o instituto da decadência desfavoravelmente à responsabilização dos devedores solidários no caso de lançamento constituído no tempo oportuno, não cabendo razão aos responsáveis tributários neste aspecto. Contudo, no presente caso, houve lançamento originalmente contra os devedores solidários, aplicandose a eles as mesmas regras de lançamento aplicáveis ao devedor principal. Desse modo, seguimos na esteira das decisões citadas, no sentido de que o lançamento somente se perfez integralmente com a citação do último sujeito passivo indicado no Auto de Infração. Dessarte, assiste razão às recorrentes. Tendo em conta o exposto, voto por dar parcial provimento aos Recursos Voluntários dos devedores solidários. Cumpre registrar que a apresente decisão não se aplica à devedora principal (COOPERATIVA DE SAÚDE E SERVIÇOS CORRELATOS COOPERSAUDE), em razão desta ter desistido do Recurso Voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 11318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.906459/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DO IPI. LEGITIMIDADE.
A primeira via da nota fiscal conforma-se no documento imprescindível para conferir certeza e liquidez (legitimidade) a créditos do IPI aproveitados na escrita fiscal da interessada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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TINTAS GRÁFICAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DO IPI. LEGITIMIDADE. A primeira via da nota fiscal conformase no documento imprescindível para conferir certeza e liquidez (legitimidade) a créditos do IPI aproveitados na escrita fiscal da interessada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 64 59 /2 00 8- 11 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 166 2 Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 116 a 123) interposto pelo Contribuinte, em 25 de abril de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0942.080 (fls. 100 a 108), de 21 de dezembro de 2012, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 42 a 48). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Em análise no presente processo a DCOMP nº 01452.57054.120105.1.3.017085, juntada às fls. 02/32 dos autos, por meio da qual pretendeu a extinção de débitos de valor original total igual a R$191.648,64, tendo por lastro crédito originário de saldo credor do IPI apurado ao final do 4º trimestre calendário de 2004. A verificação da legitimidade do direito creditório pretendido foi consolidada no termo de constatação fiscal de fls. 92/99 1 , que assim se pronunciou: “No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal acima identificado, intimou se, em 14/07/2009, o sujeito passivo em tela a apresentar os elementos contábeis e fiscais relativos ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. A intimação buscava examinar o direito do contribuinte a créditos originados na compra de insumos utilizados na industrialização de seus produtos, os quais foram objeto do pedido de ressarcimento/compensação PER/DCOMP no 01452.57054.120105.1.3.017085, no 07427.80520.180405.1.3.019730, no 00165.14506.200705.1.3.014608 e no 22620.11013.111005.1.3.010498, referente ao 4o trimestre de 2004, 1o, 2o e 3o trimestres de 2005, respectivamente. O procedimento fiscal iniciouse com a adoção dos procedimentospadrão aplicáveis à espécie, quais sejam: a) verificar se as Notas Fiscais de Aquisição registradas na Per/Dcomp possuem como destinatário o estabelecimento detentor do crédito; b) verificar se as Notas Fiscais de Aquisição registradas na Per/Dcomp foram efetivamente registradas no Livro Registro de Entradas; c) verificar se os valores do IPI consignados na Per/Dcomp correspondem aos valores registrados nas Notas Fiscais de Aquisição; d) apor nos originais das Notas Fiscais de Aquisição a informação de que as mesmas foram utilizadas na Per/Dcomp sob exame; Fl. 166DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 167 3 e) testar, por amostragem, se os valores totais do Livro Registro de Entradas estão corretos; f) verificar se os totais dos Livros de Registro de Entradas e do Livro de Registro de Saídas foram corretamente transportados para o Livro Registro de Apuração do IPI; g) verificar por amostragem se as classificações fiscais dos insumos adquiridos pela empresa, bem como dos produtos por ela fabricados, estão classificados corretamente; h) verificar se os valores dos créditos utilizados pela empresa foram estornados no Livro de Apuração do IPI. Após a análise dos elementos apresentados constatamos a ausência de documentos, os quais foram objeto de nova intimação, realizada em 10/09/2009, requerendo os elementos remanescentes, sendo que a própria intimação alertava o contribuinte sobre os riscos inerentes a não apresentação dos elementos intimados. À vista dos elementos apresentados e das faltas observadas passamos as seguintes considerações: II DO PERÍODO O pedido de ressarcimento e compensação abrange os créditos de IPI relativos às compras de insumos aplicados em produtos tributados efetuadas conforme tabela a seguir: Trimestre Per/Dcomp 4º/2004 01452.57054.120105.1.3.01‐7085 (...) III DA LEGALIDADE DO PEDIDO No tocante a todos os pedidos, o pleito do contribuinte encontra amparo na legislação de regência, a saber: artigo 11 da Lei 9.779, de 19/01/99, artigos 1o e 4o da IN 33/99 e Ato Declaratório Interpretativo SRF no 5, de 17 de abril de 2006 D.O.U. de 18.4.2006, art. 208 do RIPI /2002 e Lei 9.430/96. IV DA LEGITIMIDADE PARCIAL DOS CRÉDITOS Ref: PER/DCOMP no 01452.57054.120105.1.3.017085 a. Os produtos vendidos, relacionados com o pedido de ressarcimento e compensação, constam na Tabela de incidência do IPI – TIPI – como tributados, inclusive à alíquota zero; b. O estabelecimento é industrial, de forma a permitirlhe o direito ao crédito; c. As notas fiscais (primeiras vias) de aquisição de insumos, que originaram o presente pedido, obedecem às prescrições regulamentares, e encontramse Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 168 4 corretamente escrituradas no Livro Registro de Entradas do estabelecimento, à exceção daquelas listadas na PER/DCOMP da referência, conforme quadro a seguir, as quais não foram apresentadas a esta fiscalização, ou seja, o contribuinte creditouse a maior em R$139.115,47. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 169 5 V – CONCLUSÃO a. Resta cristalino que, ao sujeito passivo, foram dadas todas as oportunidades e prazo razoável para apresentação de documentos e esclarecimentos acerca das informações constantes das PERD/COMP citadas, não restando ao FISCO senão desconsiderar os valores dos créditos para os quais não houve apresentação de documentação de suporte. b. Conforme o descrito, para cada PERD/COMP, no item IV, opino pelo reconhecimento dos créditos do IPI a serem ressarcidos/compensados, nos seguintes valores: Trimestre Per/Dcomp Valor Fl. 169DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 170 6 4º/2004 01452.57054.120105.1.3.017085 R$52.533,1 (...) c. Fica o contribuinte intimado a retificar o Livro Registro de Apuração do IPI, de acordo com os valores apurados no presente termo. d. A seguir, encontramse planilhas com demonstrativos de análise de crédito do IPI, extraídos da PERD/COMP, bem como Demonstrativo das Glosas e do Crédito Remanescente, referente à PERD/COMP do 4o trimestre de 2004. (...)” A resposta à interessada foi dada por intermédio do despacho decisório no 851562775 (fl. 33), emitido eletronicamente, que reconheceu parcialmente o lastro creditório e homologou, também parcialmente (até o limite do lastro creditório reconhecido), as compensações declaradas, conforme os detalhamentos de fls. 34/35. Eis o teor do despacho decisório: “ Valor do crédito solicitado/utilizado: R$191.648,64 Valor do crédito reconhecido: R$52.533,17 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/11/2009. PRINCIPAL MULTA JUROS 139.155,47 27.823,09 86.933,24 Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, opção Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto ‘Restituição...Compensação’, item PER/DCOMP, Despacho Decisório. Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei no 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto no 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” A interessada, por sua vez, apresentou em 30/12/2009, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 87/88), sua manifestação de inconformidade de fls. 42/48, abaixo transcrita. “(...) irresignada diante da r. decisão espelhada no r. Despacho Decisório exarado no processo de crédito em epígrafe, cientificado em 03 de dezembro de corrente, vem (...) propor manifestação de inconformidade. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 171 7 (...) O fundamento da negativa homologatória foi a suposta insuficiência de crédito para compensar integralmente os débitos informados do PER/DCOMP, gerando uma homologação parcial, face a glosa de créditos considerados indevidos. A bem de toda a verdade e justiça, sob nenhuma hipótese pode ser negada a restituição pleiteada, não podendo prosperar a negativa de homologação, visto que os créditos originados na compra de insumos utilizados na industrialização de seus produtos são legítimos, não havendo qualquer irregularidade ou posicionamento divergente na doutrina jurídica quanto à legitimidade dos créditos cujo ressarcimento é requerido. O pedido de ressarcimento e compensação em tela, abrande créditos de IPI relativos às compras de insumos aplicados em produtos tributados, apurados no 04o trimestre de 2004. Segundo Termo de Constatação Fiscal (Número do Mandado de Procedimento Fiscal no 0719000.2009.032473), encerrada em 22 de outubro de 2009. o Contribuinte teria deixado de exibir as notas fiscais de aquisição de insumos, originadoras do pedido de compensação, glosando assim o valor de R$139.115,47. De fato, o Requerente não localizou as originais das Notas Fiscais de entradas de insumos, que ofertam supedâneo ao crédito suso mencionado. Contudo, CONSEGUIU COM SEUS FORNECEDORES CÓPIAS AUTENTICADAS DE SUAS VIAS FIXAS. Contudo, ao mostrálas ao I. Agente da Fiscalização, o mesmo afirmou que por ordens superiores não poderia aceitálas. Gizese que tais cópias ficaram sob a guarda do Auditor Fiscal. Assim, exsurge que o processo encontrase instruído com acerto, espelhando a documentação trazida à colação, onde subjaz que o crédito solicitado está materializado legalmente, não sendo possível a negativa do pedido do mesmo. (...) Diante da legalidade do pedido de compensação, o não reconhecimento do mesmo fere o Princípio da Legalidade, conquista do Estado de Direito, dispositivo contemplado em nossa Carta Magna. O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, desdobramento necessário do Estado de Direito e que identificase como uma das colunas mestras do Direito em geral, restou manietado na imposição em foco. (...) Na seara do direito público, o agente do Estado, em consonância ao princípio da restritividade, possui a faculdade de fazer apenas o que a norma jurídica o autoriza de modo expresso, ao passo que agindo na sociedade, como simples particular, o cidadão comum pode fazer tudo o que não seja proibido e deixar de fazer aquilo que a lei não obriga. (...) Fl. 171DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 172 8 Outro Princípio Constitucional aplicável no caso concreto em pauta, é o da Impessoalidade, previsto no artigo 37, caput, o qual impõe ao administrador público que só pratique o ato para o seu fim legal, ou seja, é unicamente aquele que a norma de direito indique. Enfim o agente público deve se pautar em um outro princípio norteador de sua atividade que é o Principio da Moralidade Pública sendo óbvio afirmar que a negativa de homologação do crédito pleiteado, se constituiu em verdadeira arbitrariedade. Portanto, não há como sustentarse a negativa ora atacada, sob pena de violação dos direitos e garantias da Recorrente, vez que a mesma repousa plena de vícios, devendo ser anulada in totum. Ex positis, requer a reforma da decisão que não outorgou azo pleno à compensação requerida, a fim de que reste concedida a mesma, em sua totalidade, como ato da mais cristalina J U S T I Ç A ! ” Tendo em vista a negativa do acórdão ao pleito do Contribuinte este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0942.080 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DO IPI. LEGITIMIDADE. A primeira via da nota fiscal conformase no documento imprescindível para conferir certeza e liquidez (legitimidade) a créditos do IPI aproveitados na escrita fiscal da interessada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte aduz pela legalidade do pedido de compensação objeto deste processo, uma vez que, segundo ele, o fundamento utilizado pela DRJ de que há insuficiência de crédito para compensar integralmente os débitos e que a homologação só pode ser parcial, é equivocado. Conforme se verifica no seguinte trecho extraído do Recurso, que cito como forma de elucidar os argumentos trazidos pelo Contribuinte (fls. 119): Fl. 172DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 173 9 Encerra o Contribuinte alegando que, em vista do princípio da legalidade e da impessoalidade, inerentes a administração pública, a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido deve ser anulada totalmente, e deve ser concedida a compensação requerida em sua totalidade. Ao verificar os motivos trazidos pela DRJ em seu julgamento, observo que houve sim o respeito aos princípios levantados pelo Contribuinte e que se há uma ausência de comprovação do alegado pelo Contribuinte isso acarreta em uma ausência de requisito obrigatório para que seja concedida a compensação, conforme se verifica nesse seguinte trecho do voto do referido acórdão, que utilizo como razões para decidir (fls. 106 a 107): Da análise dos elementos constantes dos autos, verificase que o cerne da controvérsia gira em torno de o Fisco na ter reconhecido o direito creditório do IPI relacionado a notas fiscais que não foram apresentadas pela interessada quando intimada e reintimada para tanto. Tais notas fiscais, e os respectivos créditos glosados do IPI (que perfazem o valor total de R$139.115,47), constam de tabela aposta no termo de constatação fiscal que instrui o despacho decisório eletrônico, com transcrição no relatório desta peça decisória. Na sua defesa, a interessada confirmou que não havia localizado “as originais das Notas Fiscais de entradas de insumos, que ofertam supedâneo ao crédito suso mencionado”, tendo alegado que, “Contudo, CONSEGUIU COM SEUS FORNECEDORES CÓPIAS AUTENTICADAS DE SUAS VIAS FIXAS. Contudo, ao mostrálas ao I. Agente da Fiscalização, o mesmo afirmou que por ordens superiores não poderia aceitálas. Gizese que tais cópias ficaram sob a guarda do Auditor Fiscal”. No entendimento deste relator, as alegações da reclamante não encontram guarida. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 174 10 De plano, tais alegações estão totalmente destituídas de algum elemento material a lhes conferir veracidade, como, por exemplo, algumas cópias daquelas notas fiscais ou o certificado emitido pela autoridade fiscal, formalizando o recebimento e a guarda da documentação alegada. Mas ainda que alguma das exemplificações acima tivesse sido efetivada pela reclamante, o direito creditório adstrito às referidas notas fiscais continuaria, perante os ditames da legislação tributária e a submissão das autoridades fiscais administrativas (o que inclui este julgador) ao princípio da estrita legalidade, não sendo passível de reconhecimento. Isso porque, a teor da legislação tributária, a apresentação pela contribuinte da primeira via da nota fiscal com o destaque do IPI conformase em requisito imprescindível para conferir certeza e liquidez – ou seja, legitimidade – ao direito creditório do IPI a estabelecimento industrial. Nesse diapasão, os arts. 344 e 345 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), dispõem que a primeira via da nota fiscal é a que acompanha os produtos e a que deve permanecer em poder do destinatário, configurandose, portanto, no documento fiscal que lastreia de veracidade os registros constantes dos livros fiscais, sendo, assim, essencial para conferir legitimidade aos créditos e débitos do IPI escriturados e, consequentemente, a saldo credor do imposto ao final de determinado período de apuração. Deveras, não se pode prescindir da primeira via da nota fiscal como o elemento comprobatório material efetivamente capaz de conferir certeza e liquidez aos créditos do imposto aproveitados na escrita da interessada. Com isso, na ausência da primeira via na nota fiscal, revelamse destituídas da força comprobatória acima as outras vias da nota fiscal, sejam terceiras, quartas ou demais. Atentese que as demais vias das notas fiscais têm cada qual, à luz dos arts. 344/352 do RIPI/2002, finalidades específicas e distintas da primeira via, sendo vedada expressamente (art. 349) a substituição de uma(s) pela(s) outra(s): “Art. 349. As diversas vias das notas fiscais não se substituirão em suas respectivas funções e a sua disposição obedecerá ordem seqüencial que as diferencia, vedada a intercalação de vias adicionais.” (grifo acrescido) E a título informativo, vale salientar que a legislação do IPI prevê hipótese específica até para a utilização de cópias reprográficas da primeira via da nota fiscal, conforme o parágrafo único do art. 350 do RIPI/2002: “Art. 350. As Unidades da Federação poderão autorizar a confeccã̧o da nota fiscal em treŝ vias. Parágrafo único. O contribuinte poderá utilizar cópia reprográfica da primeira via da nota fiscal, para: I substituir a quarta via, quando realizar operacã̧o interestadual ou de exportacã̧o a que se refere o art. 348; II utilizála como via adicional, quando a legislação a exigir, exceto quando ela deva acobertar o trânsito do produto.” Fl. 174DF CARF MF Processo nº 15374.906459/200811 Acórdão n.º 3301005.075 S3C3T1 Fl. 175 11 No caso em tela, como já assinalado, nenhuma das primeiras vias das notas fiscais em questão foi apresentada pela reclamante como elemento comprobatório do direito creditório por ela pugnado. A propósito, é na manifestação de inconformidade que a interessada deve apresentar as razões e as provas concretas que fundamentem de modo veemente a divergência ao trabalho e às conclusões do Fisco. Assim sendo, não há como ser reconhecido o direito creditório do IPI no valor total de R$139.115,47 atinente àquelas notas fiscais. Isso implica a não homologação das compensações lastreadas nesse crédito denegado. De fato, observase que o Contribuinte falhou em comprovar, por meios hábeis, quais sejam, as primeiras vias das notas fiscais, o direito creditório de IPI objeto do presente processo, fazendo com que não se admita a homologação das compensações realizadas. Portanto, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, mantendo o entendimento consubstanciado no Acórdão ora recorrido. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 175DF CARF MF
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