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Numero do processo: 11070.001779/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
Numero da decisão: 3803-003.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1799; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 252 1 251 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.001779/200910 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803003.695 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria PISPER/DCOMP Recorrente REDEMAQ REAL DISTRIBUIDORA DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio, nos termos da Súmula CARF n.º 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação em relação a crédito de PIS referente ao terceiro trimestre/2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 17 79 /2 00 9- 10 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 As fls. 223/224 sobreveio Despacho Decisório, por meio do qual o pleito foi indeferido com fundamento de ausência de previsão legal para o creditamento, uma vez que os créditos nas operações com substituição tributária no regime de tributação da não cumulatividade é vedado pela legislação. Assim, para os julgadores “a quo”, embora o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha autorizado créditos em relação a vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS e COFINS, por outro lado o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 ditou a regra de que a apuração dos créditos, nos termos do art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, necessariamente precisam seguir a regra do art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, razão pela qual há vedação do creditamento quando o produto adquirido estiver sob regime de substituição tributária e cuja saída esteja com suspensão das contribuições. Irresignado com a decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade às fls. 226/227, sob os seguintes argumentos: · Em se tratando do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, se apura o crédito em razão da aquisição de insumos e bens para revenda, por meio da aplicação das alíquotas das contribuições sobre os valores de aquisição destes bens. Neste mesmo sentido, apura o débito mediante a aplicação das alíquotas das contribuições sobre o valor de venda das mercadorias que produz ou revende; · Com a edição da Medida Provisória n° 206/2004, art. 16, atualmente artigo art. 17 da Lei n° 11.033/04, os contribuintes cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero, ou com suspensão, tem direito a manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrente da aquisição de insumos; · Alertou que o regime não cumulativo do PIS e a COFINS não é idêntico ao previsto para o IPI e ICMS, onde lá a sistemática de apuração daqueles tributos é feita pela técnica imposto contra imposto, onde o imposto pago na operação anterior serve para ser abatido do imposto gerado na operação presente; · Na não cumulatividade do PIS e da COFINS, não se perquire se houve ou não tributação da etapa anterior para fins de direito de crédito. Além do que deve ser observado o § 12 do art. 195 da CF, o qual prevê que as contribuições em exame serão não cumulativas, sem qualquer restrição ao creditamento. Às fls. 236/238 a DRJ de Porto Alegre proferiu o Acórdão n.º 1035.3802ª Turma, com o seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de Fl. 308DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001779/200910 Acórdão n.º 3803003.695 S3TE03 Fl. 253 3 ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade do PIS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando A hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Com efeito, a DRJ manifestouse pelo indeferimento do pedido com fundamento na impossibilidade do reconhecimento, na esfera administrativa, da inconstitucionalidade de lei que tenha vedado a apuração de créditos em relação à operações sujeitas a substituição tributária. A DRJ ainda utilizou como argumento para indeferir o pleito, o fato de que não consta no contrato social da empresa a atividade de industrialização de qualquer dos bens objetos do pedido. Apontou ainda que as aquisições para as quais a empresa requer os créditos para o PIS e COFINS estão relacionadas no artigo 43 da Medida Provisória n° 2158 35 de 24 de agosto/2001 e na Lei n° 10.485/2.002, que por sua vez estão sujeitos aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica respectivamente. Em outras palavras, entende a DRJ que as vendas realizadas pelo Recorrente, que por sua vez é comerciantes, fica desonerada da incidência das contribuições, já que diante da substituição tributária a obrigação pelo pagamento do tributo, se dá em relação as operações praticadas pelos fabricantes ou importadores. Deste modo, o art. 1° da Lei n° 10.485/2002 reduziu para zero as alíquotas das contribuições em relação à receita bruta auferida por comerciante, com a venda dos produtos para os quais se desejam os créditos e por esse motivo o creditamente é indevido. Os julgadores de primeiro grau, adotaram ainda a tese em relação a inexistência de direito aos créditos, ainda que o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 tenha dito caber créditos para as vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições, uma vez que o art. 16 da Lei n.º 11.116/2005 determina que a sua apuração segue a regra disposta no art. 3º das Leis n.sº 10.637/2002 e 10.833/2003, que por sua vez proíbem créditos em relação as operações com substituição tributária. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário e basicamente repetiu seus argumentos já trazidos na Manifestação de Inconformidade e reforçou o seu direito aos créditos com fundamento no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, bem como no art. 195 da Constituição Federal, sob o argumento de que a norma constitucional não impôs qualquer restrição aos créditos. Por fim, requer que seu recurso seja conhecido e ao final que o seu direito creditório seja reconhecido. Em que pese a DRJ ter ingressado ao mérito e negado o pedido, cumpre informar que o Recorrente optou por discutir a matéria no Poder Judiciário, conforme citado às fl. 02. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Conforme se observa do contrato social, a Recorrente tem por objeto a revenda de máquinas agrícolas e a distribuição de peças, sendo que adquire os produtos das indústrias para posterior distribuição. Cumpre informar que estes produtos são vendidos sem a incidência do PIS e COFINS. O cerne da questão está em se apurar se há créditos em relação as vendas de produtos com suspensão do pagamento das contribuições, quando a lei estabelece o regime de substituição tributária. Alega o Recorrente que embora as vendas das máquinas e peças agrícolas estejam com a suspensão do pagamento do PIS e COFINS, ainda assim o art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 confere o direito creditório e por essa razão tornase pertinente reproduzir a redação desta norma: Lei n.º 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Em que pese a discussão de mérito, analisando os autos, constatei que a matéria aventada no presente Recurso Voluntário está sendo tratada na esfera judicial, conforme mencionado às fl. 02, tendo por objeto igual pretensão pleiteada administrativamente, qual seja, crédito referente ao PIS e CONFINS. Reputase idênticas 2 (duas) ações que possuam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido, como determinam os §§ 1º e 2º do art. 301, do CPC: Art. 301: “§ 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11070.001779/200910 Acórdão n.º 3803003.695 S3TE03 Fl. 254 5 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Sobre a litispendência, leciona Nelson Nery Junior: “Ocorre a litispendência quando se reproduz ação idêntica a outra que já está em curso. As ações são idênticas quanto têm os mesmos elementos, ou seja, quando têm as mesmas partes, a mesma causa de pedir (próxima e remota) e o mesmo pedido (mediato e imediato). A citação válida é que determina o momento em que ocorre a litispendência (CPC 219 caput). Como a primeira já fora anteriormente ajuizada, a segunda ação, onde se verificou a litispendência, não poderá prosseguir, devendo ser extinto o processo sem julgamento do mérito (CPC 267 V).” (Código de Processo Civil Comentado, 6ª edição, RT, p. 655). Deste modo, optando a Recorrente pela via judicial ocasiona impedimento da manifestação do CARF a respeito na matéria em razão da concomitância verificada. Assim, aplicase a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 24/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.900178/2008-98
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
Ementa:
Não é necessária prévia intimação para que o contribuinte retifique eventuais equívocos observados na DCOMP. O ônus da prova do direito creditório pleiteado em compensação cabe ao contribuinte. Por ser um processo instaurado em decorrência da sua iniciativa, cabe a ele demonstrar os fatos alegados.
Numero da decisão: 1802-001.489
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 Ementa: Não é necessária prévia intimação para que o contribuinte retifique eventuais equívocos observados na DCOMP. O ônus da prova do direito creditório pleiteado em compensação cabe ao contribuinte. Por ser um processo instaurado em decorrência da sua iniciativa, cabe a ele demonstrar os fatos alegados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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O ônus da prova do direito creditório pleiteado em compensação cabe ao contribuinte. Por ser um processo instaurado em decorrência da sua iniciativa, cabe a ele demonstrar os fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 01 78 /2 00 8- 98 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.900178/200898 Acórdão n.º 1802001.489 S1TE02 Fl. 150 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em 26 de agosto de 2011, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade Recorrente, concluindo que o Contribuinte não fazia jus ao direito de processamento da compensação requerida, visto que o crédito supostamente devido inexistia. Para descrever os fatos e, por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão nº 1526.469, verbis: “A Empresa, acima identificada, apresentou a Declaração de Compensação (DCOMP) de número 32159.30593.150104.1.7.020023, em 15/01/2004, buscando compensar a Cofins de outubro de 2003 com crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao período de 01/10/2003 a 31/10/2003 (sic), todo ele decorrente de imposto de renda retido na fonte, como se vê à folha 60. A Delegacia da Receita Federal de Salvador (DRF/Salvador), constatando que a DIPJ /2004, anocalendário 2003, não correspondia aos valores constantes da DCOMP, intimou a Contribuinte para retificar a DIPJ, e, não atendida a intimação, emitiu Despacho Decisório, número de rastreamento 749301813, não homologando a compensação pleiteada. A Contribuinte havia, também, transmitido as DCOMP 23341.57841.150104.1.3.027023, 05348.23253.150104.1.3.02 4599, 03257.52152.130204.1.3.029690, 06832.15627.191004.1.3.020093 e 07526.32682.180005.1.3.02 0710, todas compensando débitos com o crédito informado na DCOMP principal, de número 32159.30593.150104.1.7.02 0023. Assim, indeferido o direito creditório relativo àquela DCOMP, todas as demais DCOMP vinculadas àquele crédito tiveram as compensações nãohomologadas, o que constou no referido Despacho Decisório.” Fl. 150DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.900178/200898 Acórdão n.º 1802001.489 S1TE02 Fl. 151 3 A ciência do citado Acórdão se deu por via postal (fl. 74), em 20/03/2003. Em sua decisão, a DRJ entendeu por bem não reconhecer o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme ementa transcrita abaixo: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 DESISTÊNCIA DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. A desistência de pedido de compensação pelo contribuinte é vedada quando já houve decisão administrativa cientificada. DÉBITO DECLARADO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A Declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário de fls. 144/146, aduzindo que não consta nos autos qualquer elemento comprovador de ter sido notificada validamente para retificar a PER/DCOMP, restando assim nulo o ato, uma vez que não teriam sido respeitados princípios norteadores do processo administrativo. Em cumprimento ao despacho de fl. 148, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho A Recorrente obteve a ciência do Acórdão da DRJ, em 01/08/2011 e interpôs o presente Recurso Voluntário, em 26/08/2011, restando caracterizada a tempestividade do Recurso, sendo também atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente se limita a alegar em seu recurso que não foi notificada para proceder a retificação da DCOMP, entendendo assim ser nulo o processo, tendo em vista não ter sido respeitada todos os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, bem como a Carta Magna. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.900178/200898 Acórdão n.º 1802001.489 S1TE02 Fl. 152 4 Isto porque, consta a informação que Delegacia da Receita Federal de Salvador (DRF/Salvador), constatando que a DIPJ /2004, anocalendário 2003, não correspondia aos valores constantes da DCOMP, intimou a Contribuinte para retificar a DIPJ, e, não atendida a intimação, emitiu Despacho Decisório, número de rastreamento 749301813, não homologando a compensação pleiteada. Não é obrigação da Receita Federal proceder a intimação do contribuinte para a retificação de informação prestada equivocadamente nas respectivas declarações, antes de apreciar o pedido de compensação. Inclusive, a Recorrente ampara essa sua contrariedade apenas na manifestação do relator da própria Delegacia de Julgamento que afirma ter havido a intimação, sem sequer trazer qualquer comprovação do seu direito de crédito. Se na atividade de lançamento é dever da Administração Tributária a fiscalização para a verificação da ocorrência concreta do fato gerador, no caso de pedidos de restituição e compensação, a perspectiva se inverte, sendo dever do contribuinte demonstrar o seu direito creditório. Assim, notase que no presente caso, a Recorrente tendo alegado a existêcia de um crédito, competia fazer prova cabal da existência de seu direito, por ser uma declaração de compensação. Contudo, não é isso que se conclui da análise dos documentos arrolados. Tanto em sua manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, a Recorrente nada apresentou em relação ao crédito. Dessa forma, não tendo demonstrada a existência do pretenso direito creditório, seu reconhecimento é inviável. Nesse sentido, encontramse os seguintes julgados deste Conselho: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 1998 ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O artigo 333 do Código de Processo Civil estabelece que o ônus da prova cabe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito ou ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, cabendo, portanto, ao peticionaste a com provação da certeza e liquidez do direito creditório. DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Na ausência de com provação da liquidez e certeza do direito creditório não deve ser homologada a compensação.” Acórdão 180300.910, 1a. Seção do CARF, 3a. Turma Especial, Dje 13/10/2011. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.900178/200898 Acórdão n.º 1802001.489 S1TE02 Fl. 153 5 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EMENTA Anocalendário: 1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉ DITO NÃO DEMONSTRADO. INDEFERIMENTO. O processo que consubstancia pedido de compensação deve estar instruído com as prova s que demonstrem inequivocamente a liquidez e certeza do crédito alegado, sem as quais o pedido não pode ser aceito.” Acórdão 130200.399, 1a. Seção do CARF, 2a. Turma da 3a. Câmara, Dje 29/07/2011. Assim, fica demonstrada a inexistência do direito creditório, ora pleiteado. Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso, mantendo integralmente a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Relator Marco Antonio Nunes Castilho Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 20 /03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10980.005951/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOTIVO DE FORÇA MAIOR.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. É possível, contudo, juntar documentos após a impugnação, desde que isso seja requerido à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ou por referir-se a fato ou a direito superveniente; ou ainda por destinar-se
a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
Na hipótese, ocorreu motivo de força maior.
PARCELAMENTO. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL DA DÍVIDA.
DESISTÊNCIA DO RECURSO.
A opção, devidamente consignada no processo, pelo parcelamento especial criado pela Lei n.° 11.941, de 2009, acarreta a confissão extrajudicial dos créditos nele incluídos e a conseqüente desistência de seu recurso no tocante aos créditos objeto de parcelamento.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo
contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas
médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os
documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física.
Na hipótese, comprovou-se parte das despesas declaradas.
Numero da decisão: 2101-001.860
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento em parte ao recurso, para acolher o pedido de recebimento de documentos após a impugnação, por motivo de força maior e, no mérito, restabelecer as seguintes deduções com
despesas médicas: (i) exercício 2005: R$ 7.910,20; (ii) exercício 2006: R$ 2.196,17; (iii) exercício 2007: R$ 2.096,02; (iv) exercício 2008: R$ 2.012,31.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para acolher o pedido de recebimento de documentos após a impugnação, por motivo de força maior e, no mérito, restabelecer as seguintes deduções com despesas médicas: (i) exercício 2005: R$ 7.910,20; (ii) exercício 2006: R$ 2.196,17; (iii) exercício 2007: R$ 2.096,02; (iv) exercício 2008: R$ 2.012,31.
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PRAZO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. MOTIVO DE FORÇA MAIOR. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. É possível, contudo, juntar documentos após a impugnação, desde que isso seja requerido à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ou por referirse a fato ou a direito superveniente; ou ainda por destinarse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Na hipótese, ocorreu motivo de força maior. PARCELAMENTO. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL DA DÍVIDA. DESISTÊNCIA DO RECURSO. A opção, devidamente consignada no processo, pelo parcelamento especial criado pela Lei n.° 11.941, de 2009, acarreta a confissão extrajudicial dos créditos nele incluídos e a conseqüente desistência de seu recurso no tocante aos créditos objeto de parcelamento. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os documentos apresentados devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto sobre a renda de pessoa física. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Na hipótese, comprovouse parte das despesas declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para acolher o pedido de recebimento de documentos após a impugnação, por motivo de força maior e, no mérito, restabelecer as seguintes deduções com despesas médicas: (i) exercício 2005: R$ 7.910,20; (ii) exercício 2006: R$ 2.196,17; (iii) exercício 2007: R$ 2.096,02; (iv) exercício 2008: R$ 2.012,31. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandro Naoki Nishioka, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 44 a 49), no qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) correspondente aos anoscalendários de 2004, 2005, 2006 e 2007 (exercícios 2005, 2006, 2007 e 2008). As infrações apontadas pela Fiscalização encontramse relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 46 a 49, resumindose a: (i) dedução indevida com dependentes; (ii) dedução indevida de despesas médicas; e (iii) dedução indevida de despesas com instrução. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 53 a 60), por meio de seu representante (procuração às fls. 62 e 63), informando ser portador de moléstia grave desde 2004, razão pela qual esteve impossibilitado de fazer sua própria defesa junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Por esse motivo, requer que, antes da decisão final no âmbito administrativo, sejalhe possibilitada a entrega de documentos até então não encontrados, que comprovariam as deduções consideradas indevidas pelo Fisco. Em sua peça impugnatória, alega serem legais as deduções com dependentes no período fiscalizado, assim como sustenta estarem as despesas com instrução devidamente comprovadas. Junta aos autos Certidões de Casamento e de Nascimento (fls. 88 a 90) para comprovar a relação de dependência da cônjuge — Sra. Mara Lúcia Perly — e dos filhos Fl. 194DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005951/200989 Acórdão n.º 2101001.860 S2C1T1 Fl. 2 3 Giordano Bruno e Lucas Edoardo, assim como da sogra — Sra. Irene Laras da Silva, esta nos anoscalendários de 2004 e 2005. A fim de comprovar as despesas com instrução de dependentes, anexa os documentos às fls. 91 a 101. No tocante às despesas médicas, indica os profissionais e as despesas correspondentes a cada um, apresentando documentos. Alega estar envidando esforços para encontrar a documentação que comprovaria as demais despesas deduzidas. Protesta contra a multa qualificada de 150%, aplicada sobre as despesas supostamente havidas com Telemed Serviços Médicos S/C Ltda., nos anoscalendários 2004 e 2005, por considerála indevida em face dos seus problemas de saúde. Requer o restabelecimento das deduções com dependentes e de despesas com instrução; a manutenção das despesas médicas e a exclusão da multa qualificada de 150% e, não sendo esta este o entendimento adotado, a manutenção das despesas comprovadas e o não encaminhamento da representação penal antes da decisão final do processo administrativo, conforme artigo 83 da Lei n.° 9.430, de 1996. Ao examinar o pleito, a 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) decidiu pela procedência parcial do lançamento, por meio do Acórdão n.º 0623.430, de 18 de agosto de 2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 IMPUGNAÇÃO. RAZÕES. PROVA. SUSPENSÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, com a impugnação devem ser trazidos todos os documentos em que se funda, admitindo se sua juntada a destempo somente nos casos expressamente previstos na legislação de regência; a falta de documentação comprobatória não obsta à prolação da decisão e o prosseguimento do Processo Administrativo Fiscal. DEDUÇÕES COM DEPENDENTES. COMPROVAÇÃO. Só podem ser dependentes, para efeito de dedução dos rendimentos tributáveis, aqueles que atenderem aos requisitos legais e a relação de dependência estiver devidamente comprovada. DEPENDENTE. SOGRA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Por falta de amparo legal, não há como acolher a sogra como dependente na declaração do contribuinte. DESPESAS DE INSTRUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Comprovadas as despesas com instrução, admitese a dedução correspondente da base de cálculo na apuração do IRPF devido. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, admitindose a dedução apenas daquelas que restaram devidamente comprovadas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Demonstrada a intenção deliberada do contribuinte em deduzir despesas médicas inexistentes em sua declaração de ajuste anual, tornase perfeitamente aplicável a multa qualificada de 150%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em 16 de outubro de 2009, foi interposto Recurso Voluntário em nome do Espólio de Giordano Grassi Perly, em peça assinada por Mara Lúcia da Silva Perly e Giordano Bruno Perly, respectivamente viúva e filho do contribuinte. Foi anexada Certidão de Óbito (fls. 132) e uma comunicação de cancelamento da procuração anteriormente concedida a Giuliane Grassi Perly, assinada pela própria, informando que a viúva seria a inventariante no espólio e, a partir de então e, por conseguinte, sua representante no processo. Foram acostados aos autos os documentos às fls. 133 a 147. O recorrente requer sejam aceitos os documentos agora juntados aos autos, considerando que a doença que acometeu o contribuinte e culminou com o seu falecimento configura motivo de força maior, e que ele estava física e mentalmente incapacitado para manifestarse sobre o requerido pela Fiscalização, assim como seus familiares, “cujos esforços, como é compreensível, estavam na ocasião voltados para um problema familiar que infelizmente não teve solução”. No mérito, sustenta o seguinte: 1. Despesas Médicas a) Exercício 2005 Em aditamento ao que foi esclarecido na impugnação sobre a dedução de R$ 7.000,00, apresenta declaração de 4.8.2009, feita pelo Dr. LUCIANO JOSÉ BIASI, acompanhada dos originais dos respectivos recibos, inclusive com procedimentos cirúrgicos, anestesista e exame laboratorial, no total de R$ 6.497,89 (R$ 150,00 + R$ 825,60 + R$ 4.455,36 + R$ 1.028,16 + R$ 38,77). Esclarece que a despesa de R$ 230,00 (duzentos e trinta reais) referese a consultas feitas em 2004, com o Dr. JOÃO VALENTIN DORIGAN NETO, CPF 233.339.019 00, já falecido, com endereço na Rua Fernando Moreira n° 32, 10.º andar, Centro, CEP 80.410 120, Curitiba (PR), conforme declaração feita pela sua exsecretária. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005951/200989 Acórdão n.º 2101001.860 S2C1T1 Fl. 3 5 Justifica a despesa com CLINIPAM Clínica Paran. Assist. Médica Ltda., no valor de R$ 1.962,12, em 2004, por meio de declaração datada de 28.8.2009, com registro do valor de R$ 1.976,52, relativo a exames da Sra. Mara Lucia Perly. Da Borden Química Ind. e Com. Ltda. Assistência Médica e Odontológica, CNPJ 61.460.150/000172, sucedida por Hexion Química Ind. e Com. Ltda., com o mesmo CNPJ, foi justificado na impugnação o valor de R$ 1.034,24. No entanto, o documento da mencionada empresa demonstra que, em 2004, as despesas com assistência médica somaram R$ 1.359,36, e, com assistência odontológica, R$ 192,00, no total de R$ 1.551,36, razão pela qual pede seja excluído da exigência o valor da diferença, R$ 517,12 (R$ 1.551,36 R$ 1.034,24). b) Exercício 2006 Junta os seguintes documentos: Declaração de ORALPAR – Odontologia, assinado por Renata Strobel Camargo, informando que o contribuinte fez tratamento odontológico no valor de R$ 600,00. Declaração de CLINIPAM — Clínica Paranaense Assistência Médica, relativa a despesa no valor de R$ 2.196,17 com exames da Sra. Mara Lucia Perly. A diferença não documentada é de R$ 244,83 (R$ 2.441,00 R$ 2.196,17). Declaração de Hexion Química Ind. Com. Ltda. (fls. 141 e 142) correspondente a pagamentos nos valores de R$ 1.498,64 e R$ 192,00, a título de plano de saúde e plano odontológico, respectivamente, para o contribuinte e seus dependentes (esposa e dois filhos menores). c) Exercício 2007 Junta Declaração da Hexion Química Ind. e Com. Ltda., de 30.7.2009, informando que o declarante participava do plano de saúde da empresa (cód. 2153) mantido junto a Paraná Clínicas — Planos de Saúde S/A, com o qual, em 2006, o declarante e seus dependentes despenderam o valor de R$ 1.645,44, cuja dedução pede seja mantida na declaração do exercício. A diferença não documentada é de R$ 1.000,00 (R$ 2.645,44 R$ 1.645,44). Outra declaração da mesma empresa, da data acima, trata do plano odontológico por ela mantido junto à Gama Odonto S.A., com o qual, em 2006, o declarante e seus dependentes despenderam R$ 450,58, valor este a ser mantido como dedutível na mesma declaração. A diferença não documentada é de R$ 1.000,00 (R$ 1.450,58 R$ 450,58). d) Exercício 2008 Anexa Declaração da Hexion Química Ind. e Com. Ltda., de 30.7.2009, informando que o declarante participava no plano de saúde da empresa (cód. 2153) mantido junto à Paraná Clínicas — Planos de Saúde S/A, com o qual, em 2007, o declarante e seus dependentes despenderam o valor de R$ 1.761,60, cuja dedução pedese seja mantida na declaração do exercício supra. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Outra declaração da mesma empresa, da data acima, trata do plano odontológico por ela mantido junto a Gama Odonto S.A., com o qual, em 2007, o declarante e seus dependentes despenderam R$ 250,71. 2. Representação Fiscal para Fins Penais Pede a exclusão da representação fiscal para fins penais ante o falecimento do declarante, à vista do princípio constitucional mors omnia solvit (a morte tudo extingue) e do art. 5.°, XLV, da Constituição Federal, que dispõe que nenhuma pena passará da pessoa do réu. 3. Parcelamento de Débitos autorizado pela Lei n.° 11.941, de 2009 Com base nesse ato legal e em decorrência dos benefícios fiscais nele autorizados, os signatários do Recurso resolvem parcelar o pagamento dos débitos fiscais relativos às seguintes despesas não comprovadas nas declarações de rendimentos do declarante dos exercícios de 2005 a 2008, respectivamente, consoante exposto acima, como segue: Exercício 2005: Total não documentado: R$ 2.500,00 + R$ 4.274,11 (R$ 502,11 + R$ 2.500,00 + R$ 1.272,00) = R$ 6.774,11. Exercício 2006: Total não documentado: R$ 5.874,00 + R$ 6.780,00 + R$ 244,83 + R$ 1.404,00 = R$ 14.302,83. Exercício 2007: Total não documentado: R$ 7.500,00 + R$ 9.000,00 + R$ 1.000,00 + R$ 1.000,00 = R$ 18.500,00. Exercício 2008: Total não documentado: R$ 3.480,00 + R$ 4.870,00 = R$ 8.350,00. Nada alega no tocante às multas e pede, ao final, seja afastado o pedido de Representação Fiscal para Fins Penais, restabelecendose as seguintes deduções: Exercício 2005: R$ 6.497,89 + R$ 230;00 + R$ 1.962,12 + R$ 517,12 = R$ 9.207,13. Exercício 2006: R$ 600,00 + R$ 2.196,17 = R$ 2.796,17. Exercício 2007: R$ 1.645,44 + R$ 450,58 = R$ 2.096,02. Exercício 2008: R$ 1.761,60 + R$ 250,71 = R$ 2.012,31. O julgamento foi convertido em diligência, para o fim de intimar a viúva do contribuinte, Mara Lucia Perly, e o filho, Giordano Bruno Perly, a apresentar documentos aptos a comprovar a sua legitimidade para representar, como administradores provisórios ou como inventariantes, o Espólio de Giordano Grassi Perly, na data da interposição do Recurso Voluntário. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005951/200989 Acórdão n.º 2101001.860 S2C1T1 Fl. 4 7 As duas pessoas físicas que assinaram o recurso voluntário foram intimadas, por meio do Edital n.º 112/2011. Giordano Bruno Perly não se manifestou. Mara Lucia Perly esclareceu que o processo de inventário não havia sido iniciado até a data, e, por este motivo, não poderia juntar o termo de inventariante. Declarou ser administradora provisória do espólio e juntou documentos. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Dos documentos anexados após a impugnação Em sua peça recursal, com base nos artigos 15 e 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, o espólio do recorrente, por meio de seu representante, pede sejam aceitos os documentos que anexa aos autos juntamente com o Recurso Voluntário. Alega força maior, porque, na ocasião da impugnação, o contribuinte estava física e mentalmente incapacitado para manifestarse sobre o requerido pela Fiscalização, assim como seus familiares, todos voltados para o tratamento da sua doença. Do exame dos autos, verificase que a primeira Intimação ao contribuinte (Intimação n.° 036/2009, do SEFIS da DRF em Curitiba) foi feita em 7.4.2009, com ciência em 13 de abril do mesmo ano (fls. 2 e 3). O Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 50) foi lavrado em 16.6.2009. A ciência ao contribuinte do Auto de Infração foi dada em 22.6.2009 (fls. 52). Nesse período, o contribuinte já se encontrava gravemente doente (vide, principalmente, fls. 84 a 86), tanto que veio a falecer em 11 de agosto do mesmo ano, sendo a causa da morte, atestada na Certidão de Óbito (fls. 132), “a) metástase cerebral, b) melanoma maligno”. O Decreto n.° 70.235, de 1972, ao tratar do momento da apresentação das provas, assim prescreve: Art. 16 [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (g.n.) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 199DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (g.n.) É sabido que o tratamento da neoplasia maligna, principalmente nos seus últimos estágios, é muito difícil para o doente e para a família. Por esse motivo, perfeitamente justificável a alegação da Recorrente quanto à dificuldade em produzir as provas necessárias neste processo, nos prazos estipulados, já que coincidiram com os dois últimos meses de vida do contribuinte e com o período imediatamente posterior à sua morte. Diante do exposto e requerido, com base no artigo 16, §§ 4.º e 5.°, do Decreto n.º 70.235, de 1972, acima transcritos, acolho a alegação de motivo de força maior e passo a analisar todas as provas que integram os presentes autos, inclusive aquelas apresentadas posteriormente à impugnação. 2. Do parcelamento No recurso voluntário, a representante do espólio do contribuinte declara ter pedido parcelamento de parte dos débitos integrantes do lançamento perpetrado por meio do Auto de Infração integrante deste processo. Tal pedido concretizouse no processo n.º 10980.005951/200989, e para ele foram transferidos os débitos a serem parcelados, conforme demonstrativo e Termo de Transferência de Crédito Tributário, emitidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (PR), acostados às fls. 148 e 149 dos autos. Referido pedido, que teve por fundamento a Lei n.º 11.941, de 2009, submetese à seguinte regra, constante do seu artigo 5.º: Art. 5o A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Depreendese, das normas veiculadas pelo texto legal acima transcrito, que, uma vez protocolado pedido de parcelamento, não cabe mais, no âmbito administrativo, recurso que verse sobre os créditos nele envolvidos. No caso em análise, nem todos os créditos lançados e mantidos em primeira instância administrativa foram objeto de pedido de parcelamento. Por esse motivo, antes de analisar as glosas feitas pela fiscalização e confirmadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), tratamos de discorrer individualmente sobre as deduções reconhecidamente indevidas pela interessada e incluídas no processo de parcelamento, que são aquelas que não integram o presente litígio, a fim de identificar também as deduções ainda em discussão. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005951/200989 Acórdão n.º 2101001.860 S2C1T1 Fl. 5 9 2.1. Exercício 2005: No recurso voluntário, a interessada reconhece terem sido indevidas as deduções dos seguintes valores: R$ 2.500,00 + R$ 502,11 + R$ 2.500,00 + R$ 1.272,00 = R$ 6.774,11. Examinando os autos, verificase que os valores de: R$ 2.500,00, R$ 2.500,00 e R$ 502,11 (total de R$ 5.502,11) são de despesas médicas indevidamente deduzidas, e R$ 1.272,00 corresponde a dedução indevida com dependente. Todos eles foram considerados no parcelamento (vide fls. 148). No tocante às despesas médicas, tendo em vista que (i) o valor declarado, de R$ 15.743,48 foi integralmente glosado pela fiscalização (fls. 47); (ii) que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento restabeleceu a dedução de R$ 1.034,24 (fls. 115 verso); e (iii) o montante de R$ 502,11 foi incluído no cálculo do parcelamento, remanesce controvertida a glosa de despesas médicas no montante de R$ 9.207,13 (R$ 15.743,48 – R$ 1.034,24 R$ 5.502,11). 2.2. Exercício 2006: No recurso voluntário, a interessada reconhece terem sido indevidas as deduções dos seguintes valores: R$ 5.874,00 + R$ 6.780,00 + R$ 244,83 + R$ 1.404,00 = R$ 14.302,83. Examinando os autos, concluise que R$ 5.874,00 correspondem a dedução indevida de despesas médicas com Telemed Serviços Médicos S/C Ltda; R$ 6.780,00 a dedução indevida de despesas médicas com Georgiana Pascotto Amaral; R$ 244,83 corresponde à diferença de valores pagos a Clinipam – Clínica Paranaense de Assistência Médica Ltda., deduzidos indevidamente a título de despesas médicas; e R$ 1.404,00 correspondem a dedução indevida com dependente. Todos eles foram considerados no parcelamento (vide fls. 148). No tocante às despesas médicas, tendo em vista que (i) o valor declarado, de R$ 15.695,00, foi integralmente glosado pela fiscalização (fls. 47); e (ii) o montante de R$ 12.898,83 foi incluído no cálculo do parcelamento, remanesce controvertido o montante de R$ 2.796,17. 2.3. Exercício 2007 No recurso voluntário, a interessada reconhece terem sido indevidas as deduções dos seguintes valores: R$ 7.500,00 + R$ 9.000,00 + R$ 1.000,00 + R$ 1.000,00 = R$ 18.500,00. Examinando os autos, verificase que R$ 7.500,00 correspondem a dedução indevida de despesas médicas com Georgiana Pascotto Amaral; R$ 9.000,00 a dedução indevida de despesas médicas com Sirlei G. Bueno; R$ 1.000,00 correspondem a dedução indevida da diferença das despesas médicas com Gama Odonto S/A; R$ 1.000,00 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 correspondem a dedução indevida da diferença das despesas médicas com Paraná Clínicas Plano de Saúde S/A Ltda. Todos eles foram considerados no parcelamento (vide fls. 148). No tocante às despesas médicas, tendo em vista que (i) o valor declarado, de R$ 20.596,02, foi integralmente glosado pela fiscalização (fls. 47); e (ii) o montante de R$ 18.500,00 foi incluído no cálculo do parcelamento, remanesce controvertido o montante de R$ 2.096,02. 2.4. Exercício 2008: Neste exercício, a recorrente reconhece terem sido indevidas as deduções dos seguintes valores: R$ 3.480,00 + R$ 4.870,00 = R$ 8.350,00. Examinando os autos, constatase que R$ 3.480,00 correspondem a dedução indevida de despesa médica com Liliana Santos Fernandes e R$ 4.870,00 a dedução indevida de despesa médica com Walkiria Prado Macedo de Carvalho. Ambos foram considerados no parcelamento (vide fls. 148). No tocante às despesas médicas, tendo em vista que (i) o valor declarado, de R$ 10.362,31 foi integralmente glosado pela fiscalização (fls. 47); (ii) o montante de R$ 8.350,00 foi incluído no cálculo do parcelamento, remanesce controvertido o montante de R$ 2.012,31. 3. Das glosas com despesas indevidas com dependente, mantidas na decisão a quo: A Fiscalização glosou as deduções com dependentes nos quatro exercícios fiscalizados, sendo quatro dependentes nos exercícios 2005 e 2006 e três nos exercícios 2007 e 2008. A primeira instância administrativa restabeleceu as deduções com três dependentes nos quatro exercícios, mas manteve a glosa da despesa declarada com Irene Laras da Silva nos dois primeiros exercícios fiscalizados, por entender que não é possível admitir sogra como dependente quando o cônjuge dependente não aufere rendimentos. Manifestouse nos seguintes termos: “Como se verifica, não há previsão legal para a dedução da sogra como dependente para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda. Esclareçase que, eventualmente, pode ocorrer a dedução, como dependente, dos sogros, quando a declaração é efetuada pelos cônjuges em conjunto, tributando os rendimentos de ambos, hipótese em que os pais, tanto de um como de outro, poderiam ser considerados dependentes, desde que esses não auferissem rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, por se tratar de declaração elaborada pelos respectivos filhos. Ressaltese que, nessa situação, a dedução não ocorreria por se tratarem de sogros, mas de pais de um dos contribuintes cujos rendimentos estariam sendo tributados na declaração. De outra parte, verificase que a norma não prevê a possibilidade de dedução baseada exclusivamente no critério de "dependência econômica". Na realidade, a possibilidade de dedução de dependente tem sempre implícita essa condição, Fl. 202DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005951/200989 Acórdão n.º 2101001.860 S2C1T1 Fl. 6 11 além de se restringir às pessoas arroladas nos incisos I a VII do art. 35 transcrito. No caso presente, não há rendimentos do cônjuge sendo tributados em conjunto, desse modo, descabe reconhecer o direito de deduzir a sogra como dependente. Por outro lado, cabe restabelecer a dedução correspondente a três dependentes, nos montantes de R$ 3.816,00, R$ 4.212,00, R$ 4.548,96 e R$ 4.753,80, nos anoscalendário de 2004 a 2007, respectivamente, uma vez que as Certidões de Casamento e de Nascimento às fls. 88/90 comprovam a relação de dependência do cônjuge — Sra. Mara Lúcia Perly — e dos filhos Giordano Bruno e Lucas Edoardo Perly.” Em sede de recurso voluntário, a interessada admitiu ser indevida a dedução da despesa com a dependente Irene Laras da Silva (sogra do contribuinte), no total de R$ 1.272,00 em 2005 e R$ 1.404,00 em 2006, e parcelou o imposto correspondente, conforme pode ser constatado às fls. 148 dos autos (vide item 2). Não restou, portanto, em litígio qualquer dedução de despesa com dependente. 4. Despesas médicas 4.1.Exercício 2005 Em sua declaração de ajuste (fls. 19 a 21), o contribuinte consignou despesas médicas, integralmente glosadas pela Fiscalização, no valor total de R$ 15.743,48, assim discriminadas: a) Luciano José Biasi: R$ 7.000,00 b) Georgiana Pascotto do Amaral: R$ 2.500,00 c) João V. Dorigon Neto: R$ 230,00 d) Telemed Serviços Médicos S/C Ltda: R$ 2.500,00 e) Clinipam – Clín. Paranaense de Assist. Méd.: R$ 1.962,12 f) Borden Química Ind. e Com. Ltda – Assistência Médica e Odontológica: R$ 1.551,36 a) Do valor de R$ 7.000,00 declarado como pago a Luciano José Biasi, o recorrente apresentou recibos no valor de R$ 5.430,96 (fls. 133 a 136), além de Atestados (fls. 69, emitido na época dos fatos e fls. 102, no qual o médico declara que o recorrente se encontrava em tratamento de melanoma desde 2004) e Declaração (fls. 133). Diante desses documentos e do conjunto das demais provas dos autos, a exemplo dos resultados de exames anexados às fls. 71 e 72, entendo terem ficado comprovadas as despesas consignadas nos recibos apresentados, devendose restabelecer a dedução do valor de R$ 5.430,96 (permanece a glosa de R$ 1.066,93, haja vista que o montante de R$ 502,11, foi considerado no cômputo do parcelamento, vide item 2). Fl. 203DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 b) A despesa declarada com Georgiana Pascotto Amaral, no valor de R$ 2.500,00, foi reconhecida como indevida no recurso voluntário e considerada no cômputo do parcelamento (vide item 2). c) A despesa de R$ 230,00, declarada com João V. Dorigon Neto, não ficou comprovada. Às fls. 139 foi anexada uma declaração de terceira pessoa, que o recorrente informa ser sua exsecretária, Rosilda Nassar. Nessa declaração, consta que o médico, falecido, cuidou do contribuinte nos meses 3, 6, 8 e 10 de 2004 e recebeu, pelos serviços, R$ 230,00. Tendo em vista que essa despesa não foi considerada no cômputo do parcelamento (vide item 2), a glosa fica mantida. d) O valor de R$ 2.500,00, declarado como pago a Telemed Serviços Médicos S/C Ltda, não ficou comprovado por meio de qualquer documento. Ante os indícios de sonegação verificados, a fiscalização aplicou, ao imposto correspondente, multa qualificada. O montante foi reconhecido como dedução indevida no recurso e considerado no cômputo do parcelamento(vide item 2). e) O valor de R$ 1.962,12, pago a Clinipam – Clínica Paranaense de Assistência Médica Ltda, ficou comprovado por meio da Declaração às fls. 140. f) O valor de R$ 1.551,36, pago a Borden Química Ind. e Com. Ltda., a título de assistência médica e odontológica, ficou integralmente comprovado por meio dos documentos anexos às fls. 141 a 143 dos autos (o CNPJ 61.460.150/000172, de Borden Química Ind. e Com. Ltda., empresa da qual o contribuinte declarou ter auferido tributáveis no anocalendário 2004 e para a qual declarou ter feito pagamentos a título de despesas médicas, vide fls. 20, é o mesmo de Hexion Química Ind. e Com. Ltda., constante dos documentos às fls. 141 a 143). Tendo em vista que a DRJ em Curitiba já havia restabelecido a dedução correspondente a parte desse valor (R$ 1.034,24), cabível restabelecer o restante, isto é, o valor de R$ 517,12. Foi juntado aos autos, em sede de recurso, recibo emitido em 18 de fevereiro de 2004, por Mônica M. Sant’Ana, no valor de R$ 1.028,16 (fls. 137). No entanto, não há dedução dessa despesa na declaração de ajuste do contribuinte e também, sobre a questão, nada foi alegado ou justificado no recurso voluntário. O mesmo se diz quanto ao documento apresentado às fls. 138, emitido, em 15.1.2004, pela Liga Paranaense de Combate ao Câncer – Hospital Erasto Gaertner, que não tem valor fiscal e não consta como despesa na declaração de ajuste do contribuinte. Em resumo, no exercício 2005 devese restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 7.910,20. 4.2.Exercício 2006 Em sua declaração de ajuste (fls. 22 a 25), o contribuinte consignou despesas médicas, integralmente glosadas pela Fiscalização, no valor total de R$ 15.695,00, assim discriminadas: a) Georgiana Pascotto Amaral – R$ 6.780,00 b) Renata Strobel Camargo – R$ 600,00 c) Telemed Serviços Médicos S/C Ltda. – R$ 5.874,00 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005951/200989 Acórdão n.º 2101001.860 S2C1T1 Fl. 7 13 d) Clinipam – Clínica Paranaense de Assistência Médica – R$ 2.441,00 a) A despesa com Georgiana Pascotto Amaral, no valor de R$ 6.780,00, não ficou comprovada. A representante do espólio do contribuinte admitiu, no recurso, que a dedução era indevida e o valor correspondente foi considerado no cômputo do parcelamento (vide item 2). b) O valor de R$ 600,00, declarado como pago a Renata Strobel Camargo, não ficou comprovado por meio da declaração anexada às fls. 146 dos autos. É que esta declaração, único documento apresentado para comprovar a despesa declarada, além de genérica, não atesta o recebimento, do valor correspondente, pelo prestador do serviço. Este valor não foi considerado no parcelamento e, assim, mantémse a glosa. c) Em seu recurso voluntário, o recorrente admite que a despesa de R$ 5.874,00, declarada com Telemed Serviços Médicos S/C Ltda foi indevidamente deduzida e o valor foi considerado no cômputo do parcelamento (vide item 2). d) Ficou comprovado, por meio do documento às fls. 147, o pagamento a Clinipam – Clínica Paranaense de Assistência Médica Ltda no valor de R$ 2.196,17. A diferença entre o valor declarado (fls. 24) e o comprovado: R$ 2.441,00 – R$ 2.196,17 = R$ 244,83, que o próprio recorrente admite, em seu recurso (fls. 127), não estar documentada, foi considerada no cômputo do parcelamento (vide item 2). Em resumo, no exercício 2006, devese restabelecer a dedução de R$ 2.196,97. 4.3.Exercício 2007 Em sua declaração de ajuste (fls. 26 a 28), o contribuinte consignou despesas médicas, integralmente glosadas pela Fiscalização, no valor total de R$ 20.596,02, assim discriminadas: a) Georgiana Pascotto Amaral – R$ 7.500,00 b) Sirlei G. Bueno – R$ 9.000,00 c) Gama Odonto S/A R$ 1.450,58 d) Paraná Clínicas Plano de Saúde S/A – R$ 2.645,44 Os pagamentos a Georgiana Pascotto Amaral, no valor de R$ 7.500,00 (letra “a”), e a Sirlei G. Bueno, no valor de R$ 9.000,00 (letra “b”), não ficaram comprovados em sede de impugnação. No recurso voluntário, a representante do espólio do contribuinte admitiu a dedução indevida das despesas e elas foram consideradas no cômputo do parcelamento (item 2). c) Ficou comprovado, por meio dos documentos às fls. 142 e 144, o pagamento a Gama Odonto S/A no valor de R$ 450,58. A diferença entre o valor declarado e o comprovado: R$ 1.450,85 – R$ 450,58 = R$ 1.000,00, admitida como indevida pela representante do espólio, no recurso voluntário, foi considerada no cômputo do parcelamento (vide item 2). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 14 d) Ficou comprovado, por meio dos documentos às fls. 141 e 144, o pagamento a Paraná Clínicas Plano de Saúde S/A Ltda no valor de R$ 1.645,44. A diferença entre o valor declarado e o comprovado: R$ 2.645,44 – R$ 1.645,44 = R$ 1.000,00, admitida como indevida pela representante do espólio, no recurso voluntário, foi considerada no cômputo do parcelamento (vide item 2). Em resumo, no exercício 2007, deve ser restabelecida a dedução de R$ 2.096,02 a título de despesa médica. Exercício 2008 Em sua declaração de ajuste (fls. 30 a 34), o contribuinte consignou despesas médicas, integralmente glosadas pela Fiscalização, no valor total de R$ 10.362,31, assim discriminadas: a) Paraná Clínicas Plano de Saúde S/A – R$ 1.761,60 b) Gama Odonto S/A – R$ 250,71 c) Liliana Santos Fernandes – R$ 3.480,00 d) Walkiria Prado Macedo de Carvalho – R$ 4.870,00 a) Ficou comprovada, por meio dos documentos às fls. 141 e 145, a despesa com Paraná Clínicas Plano de Saúde S/A Ltda, no montante de R$ 1.761,60. b) Ficou comprovado, por meio dos documentos às fls. 142 e 145, o pagamento a Gama Odonto S/A no valor de R$ 250,71. Não ficaram comprovados os pagamentos feitos a Liliana Santos Fernandes (R$ 3.480,00) e Walkiria Prado Macedo de Carvalho (R$ 4.870,00) que, admitidos como dedução indevida no recurso voluntário, foram incluídos no cálculo do parcelamento (vide item 2). Em resumo, devese restabelecer, no exercício 2007, a dedução de R$ 2.012,31. 5. Da representação fiscal para fins penais No recurso voluntário, a representante do espólio do contribuinte pede a exclusão da representação fiscal para fins penais ante o falecimento do declarante. Ocorre que este Conselho não é competente para se manifestar sobre questões concernentes a processo administrativo de representação fiscal para fins penais. A exclusão da representação fiscal em virtude do falecimento do contribuinte deve ser discutida nos limites da Lei nº 9.784, de 1999, ou no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou no âmbito do Ministério Público Federal. Este tema já foi objeto da Súmula n.º 28 deste Conselho, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10980.005951/200989 Acórdão n.º 2101001.860 S2C1T1 Fl. 8 15 Essa é a posição consolidada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso, para acolher o pedido de recebimento de documentos após a impugnação, por motivo de força maior, em face da doença grave que acometeu o contribuinte e, no mérito, restabelecer as seguintes deduções com despesas médicas: (i) exercício 2005: R$ 7.910,20; (ii) exercício 2006: R$ 2.196,17; (iii) exercício 2007: R$ 2.096,02; (iv) exercício 2008: R$ 2.012,31. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 207DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 25/ 09/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11065.100457/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 TRIBUTÁRIO.
CONTRIBUIÇÃO. COFINS. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Não é possível o creditamento sobre despesas com combustíveis e lubrificantes quando não comprovado pela recorrente a sua utilização no processo produtivo.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE TERCEIROS PARA A REMOÇÃO DE LIXO INDUSTRIAL. CABIMENTO.
As despesas com serviços de terceiros para a remoção e destinação de resíduos industriais gera direito ao crédito de PIS, em face de obrigatoriedade legal e por ser material resultante do processo de industrialização.
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-001.021
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos créditos de combustíveis e lubrificantes, vencidos o relator e os conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Otávio Carneiro Silva Corrêa, designada como redatora a conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim; e, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário quanto aos serviços de remoção de lixo industrial, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. COFINS. CRÉDITO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Não é possível o creditamento sobre despesas com combustíveis e lubrificantes quando não comprovado pela recorrente a sua utilização no processo produtivo. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE TERCEIROS PARA A REMOÇÃO DE LIXO INDUSTRIAL. CABIMENTO. As despesas com serviços de terceiros para a remoção e destinação de resíduos industriais gera direito ao crédito de PIS, em face de obrigatoriedade legal e por ser material resultante do processo de industrialização. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto aos créditos de combustíveis e lubrificantes, vencidos o relator e os conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Otávio Carneiro Silva Corrêa, designada como redatora a conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim; e, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário quanto aos serviços de remoção de lixo industrial, nos termos do voto do relator. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIMREDATORA DESIGNADA Fl. 168DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Judith do Amaral Marcondes Armando e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa apurado no período de 01/01/2009 a 31/03/2009. O ingressado discorda da glosa parcial sustentando o direito a apurar créditos sobre aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos pelos veículos de sua frota, que argumenta serem vinculados diretamente com as atividades da empresa. Explica que os veículos seriam utilizados no transporte de matérias primas, produtos intermediários, material de embalagem e até de funcionários entre os diversos estabelecimentos da empresa. Conclui pela existência de amparo legal para o creditamento pretendido, o qual atenderia ao princípio da não cumulatividade. Informa que a Primeira Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já teria dado provimento a 22 recursos interpostos pela interessada onde também pleiteava o mesmo creditamento sobre as aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos pela sua frota. Contesta, também, a glosa dos créditos apurados sobre os custos de remoção de resíduos industriais, os quais sustenta que fariam parte de seu custo de industrialização. Explica que a remoção diária dos resíduos é necessária para a operação regular da empresa. Novamente cita que por 22 vezes teve seus recursos, sobre a mesma matéria, providos pela Primeira Câmara do CARF. Ao final, requer o provimento integral da presente manifestação de inconformidade para que seja reconhecido seu direito ao creditamento em litígio. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/POA n.º 28.672, de 30/11/2010: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2009 A 31/03/2009 CRÉDITOS IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para o cálculo de créditos de PIS e ou Cofins sobre valores pagos a título de combustíveis utilizados pelos veículos da empresa, tampouco sobre o montante despendido a título de remoção de resíduos industriais, uma vez que ambos não se caracterizam como insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em face da decisão, o contribuinte é intimado, interpondo recurso voluntário. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11065.100457/200921 Acórdão n.º 3201001.021 S3C2T1 Fl. 2 3 É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. A recorrente discute nos autos o direito ao crédito de COFINS dos gastos com combustíveis e lubrificantes bem como referente às remoções de resíduos industriais. Do crédito de COFINS. Uma análise fria da letra da lei quanto à não cumulatividade do PIS e da COFINS nos permite amplas discussões sobre o real alcance do direito ao creditamento daquelas parcelas na sistemática não cumulativa. Alguns entendem que o conceito de insumo deva ser equiparada às despesas necessárias (operacionais) utilizadas para fins de Imposto de Renda; outros, deve ser somente aqueles bens consumidos no processo produtivo, como o IPI, com ênfase para o Parecer Normativo CST nº 65 de 1979. Entretanto, a jurisprudência e a doutrina estão caminhando para um meio termo, qual seja, utilizando o conceito de insumos frente ao grau de dependência que as despesas em questão guardam com o processo produtivo da Recorrente, a fim de avaliar se a glosa mantida pela decisão recorrida deve prosperar. Em outras palavras, as glosas deverão ser revistas sempre que a seguinte pergunta for respondida negativamente: o serviço poderia ser prestado sem que essa despesa fosse incorrida? Se o grau de dependência é tão grande que a ausência dessa despesa inviabiliza a própria prestação de serviços, tal despesa seguramente deve ensejar o direito ao crédito, ainda que o critério adotado pela autoridade julgadora não seja plenamente atendido. Um bom exemplo disso é a despesa com equipamentos de proteção individual que afastam a contaminação por cola dos empregados que atuam na industrialização de sapatos. Além de ser uma exigência legal, a não utilização dos equipamentos de proteção do trabalhador podem leválo, no mais extremo dos casos, à morte por intoxicação. Desse modo, como não considerar indispensável a aquisição de equipamentos de proteção individual que visam proteger o trabalhador e possibilitar a confecção do calçado, objetivo social da empresa? Tais despesas, por verto, são imprescindíveis à autuação da empresa, gerando então créditos de COFINS. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 4 Este é o entendimento que deve permear a discussão sobre o direito de crédito de PIS e COFINS, sendo esta a base do meu voto ao analisar os diferentes tipos de créditos pleiteados. Assim, a análise deve ser realizada casuisticamente, considerando o grau de dependência da despesas/serviço com a atividade prestada pelo potencial beneficiário do crédito da contribuição analisada. Do crédito de COFINS sobre os combustíveis e lubrificantes A legislação do COFINS é clara ao permitir o crédito sobre a compra de combustíveis. Entretanto, este direito não pode ser indiscriminado, mas, conforme exposto inicialmente, apenas pode ser creditado em relação aos utilizados diretamente na produção, afastados, assim, os gastos com carros de diretores, representantes comerciais etc. Assim, deve ser deferido o crédito de combustível ligado diretamente à produção da empresa. Voto vencedor Redatora Designada –Mércia Helena Trajano DAmorim Discordo do relator neste item, no decorrer da sessão de julgamento, houve dissenso quanto à possibilidade de creditamento da Recorrente quanto aos gastos com combustíveis e lubrificantes. Tendo inaugurado o voto divergente, coubeme à incumbência de redigir o voto vencedor, sendo o que passo a fazer. A Lei nº 10.833/2003 disciplinou diversos aspectos relacionados com matéria tributária, estabelecendo nova sistemática para apuração nãocumulativa da Cofins, permitindo descontos de créditos calculados em relação a custos e despesas sobre as quais incidissem a mesma contribuição. Assim dispõe o art. 3º da referida Lei, o qual trata dos créditos: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ....... II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ...... O princípio da nãocumulatividade acontecerá na cadeia produtiva. Ou seja, a cada etapa, podese excluir da base de cálculo o que já foi recolhido anteriormente pela cadeia, ou seja, a Cofins incidirá sobre o valor agregado nos diversos estágios produtivos e de comercialização. No entanto, nem tudo que seja custo, despesa ou encargo incorridos para a consecução do faturamento mensal, base de cálculo da Cofins, poderá ser considerado crédito a Fl. 171DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11065.100457/200921 Acórdão n.º 3201001.021 S3C2T1 Fl. 3 5 deduzir, pois, a admissibilidade de aproveitamento de créditos repousa necessariamente nos custos, despesas e encargos classificados nos incisos do art. 3º da lei mencionada. Com o intuito de regulamentar o dispositivo legal, a Receita Federal do Brasil editou as IN 404/04, que conceitua “insumo” nos seguintes termos: A Instrução Normativa SRF n° 404/2004, dispõe: “Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: ...... b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou ........ § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; ........” (grifouse) Além das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem que compõe visualmente o produto final, poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. No que diz respeito aos serviços, cabe dizer que o ato normativo, ao definir “insumo” como “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”, deu um caráter mais amplo ao conceito, uma vez que exigiu apenas que os mesmos fossem aplicados ou consumidos na industrialização, sem reproduzir a exigência de “ação direta” sobre o produto em fabricação, tal como havia feito com relação aos bens. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 6 Dessa forma, os serviços prestados por pessoas jurídicas contribuintes da Cofins, domiciliadas no País, que sejam utilizados na linha de produção da empresa, poderão gerar direito ao crédito, sendo exemplo os serviços contratados para a manutenção das máquinas de produção. Assim sendo, foi correta a glosa sobre combustíveis e lubrificantes, uma vez que é possível a utilização dessas despesas quando os tais produtos se caracterizarem como “insumo”, conforme definição acima exposta e que efetivamente haja comprovação dos gastos sobre os mesmos, o que não ocorreu ao caso. Por todo o exposto, entendo que não é possível o creditamento sobre despesas com combustíveis quando não comprovado pela recorrente a sua utilização no processo produtivo. Do crédito de COFINS sobre a remoção de resíduos industriais Segundo o site do IBAMA, o licenciamento ambiental foi regulamento pela União em 1981, por meio da Lei 6.938 – Política Nacional de Meio Ambiente. O artigo 10 estabeleceu que “A construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados efetiva e potencialmente poluidores, bem como os capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento de órgão estadual competente, integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente SISNAMA, e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em caráter supletivo, sem prejuízo de outras licenças exigíveis.” De acordo com o Decreto n° 99.274, de 1990, que regulamenta a Lei n° 6.938/1981, o processo de licenciamento ambiental é composto por três tipos de licenças, conforme as etapas do empreendimento: A Licença Prévia (LP), exigivel na fase preliminar do planejamento de atividade, contendo requisitos básicos a serem atendidos nas fases de localizacao, instalacvao e operacao; a Licença de Instalação (LI), que autoriza o início da implantação, e a Licença de Operação (LO), que autoriza o início da atividade licenciada e o funcionamento de seus equipamentos de controle de poluição, de acordo com o previsto nas Licenças Prévia e de Instalação. Para que sejam concedidas as referidas licenças, as empresas, principalmente as industriais que produzem grande quantidade de resíduos tóxicos, são obrigadas a dar destinacao ecológica para os mesmos, ou seja, são obrigadas a tratálos e dar uma destinação ambiental correta. Dentre estas indústrias, a do setor coureiro calçadista é a que mais produz resíduos noviços, como o couro, sendo obrigadas a dar tratamento aos mesmos, sob pena de inviabilização do próprio negócio por pare dos órgãos fiscalizadores. As indústrias do setor coureiro calçadista produzem grande quantidade de resíduos decorrentes de seu processo industrial, sendo obrigadas a dar uma destinação ambiental correta, bem como a retirálos de sua área industrial, haja vista que, do contrário, inviabilizaria a própria consecução de seu objetivo social. Neste sentido, bem esclarece a recorrente: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11065.100457/200921 Acórdão n.º 3201001.021 S3C2T1 Fl. 4 7 Para que melhor seja compreendida a irresignação da Recorrente diante da glosa desses créditos por parte do Fisco, devese levar em consideração as seguintes informações: Os resíduos industriais em comento se constituem por restos de couro, lodo que se forma no fundo dos tanques, onde o mesmo é tratado, gordura e demais impurezas que saem das peças do produto durante o processo de seu tratamento e outros itens de menor grandeza; É tão grande o volume dessas impurezas, que são necessárias duas a três viagens diárias de um ou dois caminhões basculantes: uma para retirar a parte seca e outra para retirar o lodo, a gordura e outras impurezas; Por isso, a Recorrente paga para uma pessoa jurídica retirar esses resíduos, que os levam ao seu destino final, sob pena de paralisação de suas atividades. Assim, entendo que a destinação dos resíduos industriais geram direito ao crédito de PIS e COFINS, pois são imprescindíveis para a continuidade da própria atividade da empresa, estando diretamente ligada à produção industrial. Ademais, como bem informado pelo contribuinte, a não retirada deste resíduos impediria a própria continuidade da empresa. Parecer da PGFN sobre “Os insumos no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS”, realizado em outubro de 2011, é claro sobre o assunto: Nesse sentido, somente deve ser considerado insumo, para fins de creditamento, aquilo que seja inerente ao processo de produção do bem destinado à venda e ao ato de prestação de um serviço dos quais decorram a receita tributada. Ora, a destinação de resíduos industriais, por ser inerente ao processo produtivo, bem como por ser uma obrigação legal, gera direito ao crédito de PIS e COFINS. Este é o entendimento desta Corte: Processo n° 11065.000463/200807 Recurso n° 269.870 Voluntário Acórdão n° 340101.103 4a Câmara / 1a Turma Ordinária Sessão de 9 de dezembro de 2010 Matéria PIS PASEP NAO CUMULATIVIDADE RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR Recorrente INDÚSTRIA DE PELES MINUANO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 8 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escriturai do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. TRANSPORTE DOS INSUMOS E DA MÃO DEOBRA DO PARQUE INDUSTRIAL. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da nãocumulatividade do PIS e Cofins as indústrias têm direito a créditos sobre os dispêndios com combustíveis e lubrificantes dos veículos utilizados no transporte dos insumos e da mãodeora do parque industrial. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. SERVIÇOS DE TERCEIROS PARA A REMOÇÃO DE LIXO INDUSTRIAL. INSUMOS. Os créditos decorrem das aquisições efetuadas no mês de serviços, utilizados como insumos, na produção ou na fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, entendendose como insumos, para esse fim, "os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto". De se enquadrar nessa descrição os gastos com serviços contratados junto a terceiros, pessoas jurídicas, para a remoção de lixo industrial. Este é também o meu entendimento. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Luciano Lopes de Almeida Moraes Mércia Helena Trajano DAmorimredatora designada Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 11065.100457/200921 Acórdão n.º 3201001.021 S3C2T1 Fl. 5 9 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 14337.000002/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2000 a 30/06/2000
DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-001.855
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido a aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do art. 173, inc. I para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do fisco com o início da fiscalização.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, devido a aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pela aplicação do art. 173, inc. I para os fatos geradores não homologados tacitamente até a data do pronunciamento do fisco com o início da fiscalização. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relatora. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Edgar Silva Vidal, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14337.000002/200877 Acórdão n.º 230101.855 S2C3T1 Fl. 794 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos empregados, à da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Consta do Relatório Fiscal da NFLD (fls. 422 a 445, vol. III) que a contribuição lançada decorre da mãodeobra utilizada nas obras matriculadas no CEI sob os números 12.014.07479/76 e 12.014.08150/70, e a base de cálculo foi extraída das folhas de pagamento, recibos de férias, termos de rescisão de contrato de trabalho, GFIPs e GRFPs. Conforme relato fiscal, a empresa notificada foi contratada pela SABESP sob regime de empreitada total para a edificação das obras acima identificadas, e sem previsão contratual da retenção implementada pela Lei 9711/98 que venha a elidir a solidariedade. A autoridade lançadora informa que o contratante das edificações, no caso a SABES, responde solidariamente com o construtor pelos débitos constatados nas obras em questão, sendo cientificado do crédito constante nesta NFLD. A notificada e a empresa contratante impugnaram o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0110.915, da 4a Turma da DRJ/BEL, (fls. 764 a 792, vol. IV), julgou o lançamento procedente. Inconformadas com a decisão, as empresas recorrentes apresentaram recursos tempestivos, alegando, entre outras coisas, decadência do débito. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora Os recursos são tempestivos e não há óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, as recorrentes alegam decadência do débito. Verificase, dos autos, que a fiscalização lavrou a presente NFLD com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 14337.000002/200877 Acórdão n.º 230101.855 S2C3T1 Fl. 795 5 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Constatase, no presente caso, que a ciência da NFLD pela ESTACON se deu em 27/11/2007, e pelo responsável solidário em 29/11/2007, conforme AR de fls. 533, e o débito se refere às competências compreendidas no período de 02/2000 a 06/2000, inclusive. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto por CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, por decadência. É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /03/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23/03/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10530.721234/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS ENTES PÚBLICOS SERVIDORES EFETIVOS EXIGÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO SERVIDORES IRREGULARES CONTRATO
NULO PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES
PREVIDENCIÁRIAS Para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas são considerados empresa, conforme prevê o art. 15 da Lei n° 8.212/1991 A partir da publicação da Emenda Constitucional n° 20/1998, que alterou o art. 40 da Constituição Federal, os servidores ocupantes exclusivamente de
cargos em comissão, ou contratados temporários, como os descritos na NFLD em questão não poderiam mais estar amparados por Regime Próprio de Previdência, aplicando-se o RGPS, nos termos do § 13 do referido dispositivo.
A fiscalização previdenciária é competente para caracterizar segurado empregado para efeitos previdenciários, sempre que presentes os requisitos descritos no art. 12, I da Lei 8212/91.
A contratação de servidores sem concurso público após CF/88, gera a nulidade do contrato, sem pagamento das verbas trabalhistas, porém o pagamento pela prestação dos serviços é fato gerador de contribuições previdenciárias.
COMPENSAÇÃO SALÁRIO FAMÍLIA E MATERNIDADE NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 8212/91.
Para que possa ser descontado os valores pagos à título de salário família e maternidade o contratante tem que comprovar o beneficiário ao qual o benefício se destina, bem como comprovar a regularidade do pagamento por meio de documentos previstos na legislação previdenciária.
A simples alegação, sem comprovação não possui o condão de desconstituir o lançamento.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.316
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS ENTES PÚBLICOS SERVIDORES EFETIVOS EXIGÊNCIA DE CONCURSO PÚBLICO SERVIDORES IRREGULARES CONTRATO NULO PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas são considerados empresa, conforme prevê o art. 15 da Lei n° 8.212/1991 A partir da publicação da Emenda Constitucional n° 20/1998, que alterou o art. 40 da Constituição Federal, os servidores ocupantes exclusivamente de cargos em comissão, ou contratados temporários, como os descritos na NFLD em questão não poderiam mais estar amparados por Regime Próprio de Previdência, aplicando-se o RGPS, nos termos do § 13 do referido dispositivo. A fiscalização previdenciária é competente para caracterizar segurado empregado para efeitos previdenciários, sempre que presentes os requisitos descritos no art. 12, I da Lei 8212/91. A contratação de servidores sem concurso público após CF/88, gera a nulidade do contrato, sem pagamento das verbas trabalhistas, porém o pagamento pela prestação dos serviços é fato gerador de contribuições previdenciárias. COMPENSAÇÃO SALÁRIO FAMÍLIA E MATERNIDADE NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 8212/91. Para que possa ser descontado os valores pagos à título de salário família e maternidade o contratante tem que comprovar o beneficiário ao qual o benefício se destina, bem como comprovar a regularidade do pagamento por meio de documentos previstos na legislação previdenciária. A simples alegação, sem comprovação não possui o condão de desconstituir o lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
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A fiscalização previdenciária é competente para caracterizar segurado empregado para efeitos previdenciários, sempre que presentes os requisitos descritos no art. 12, I da Lei 8212/91. A contratação de servidores sem concurso público após CF/88, gera a nulidade do contrato, sem pagamento das verbas trabalhistas, porém o pagamento pela prestação dos serviços é fato gerador de contribuições previdenciárias. COMPENSAÇÃO SALÁRIO FAMÍLIA E MATERNIDADE NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 8212/91. Para que possa ser descontado os valores pagos à título de salário família e maternidade o contratante tem que comprovar o beneficiário ao qual o Fl. 182DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 benefício se destina, bem como comprovar a regularidade do pagamento por meio de documentos previstos na legislação previdenciária. A simples alegação, sem comprovação não possui o condão de desconstituir o lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721234/201030 Acórdão n.º 240102.316 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.268.4777, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela cargo da empresa, incluindo a relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa em virtude dos riscos ambientais do trabalho sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais no período de 01/2006 a 12/2008. Destacase que conforme descrito no relatório fiscal, fl. 43, na ação fiscal foi detectado que os valores apurados com base na folha de pagamento do Município de Teofilândia foram, em regra, superiores ao declarado nas Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIPs apresentadas pela empresa até o início do procedimento fiscal. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 18/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 24/03/2010. Não conformada com a notificação, foi apresentada impugnação, fls. 97 a 122. A Decisão de 1 instância confirmou a procedência do lançamento, fls. 139 a 146. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. Não se pode, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tãosomente dar aplicação aos comandos legais. O Poder Judiciário é o órgão competente para declarar qualquer irregularidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal, juntamente com os demais discriminativos e anexos que compõem o Auto de Infração, cumprem a sua função de informar com precisão e clareza sobre os fatos geradores, as alíquotas aplicadas, as contribuições lançadas, os períodos a que se referem e os dispositivos legais e normativos que amparam o lançamento, permitindo ao impugnante o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 151 a 177 . Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 1. Alega a nulidade do Auto de Infração, por não constarem no Relatório Fiscal informações acerca do levantamento DAL. Os relatórios que acompanham o Auto de Infração apresentam o débito de modo bastante resumido. Os fatos e os fundamentos legais que motivaram o lançamento não foram apontados nos autos, de modo que houve violação aos princípios constitucionais da motivação, da ampla defesa e do contraditório. 2. No mérito, afirma que a fiscalização considerou empregados não somente os servidores celetistas, mas também os funcionários públicos, os avulsos e até mesmo os prepostos de empresas de contratação de mão de obra, os quais, por serem excluídos do RGPS à época, não possuíam qualquer vinculação com o município. 3. Alega que a dotação orçamentária ou a rubrica constante dos balancetes como sendo relativa ao pessoal não engloba apenas salários e adicionais, mas contempla indenizações, auxílios, contribuições sociais e diversas outras parcelas sobre as quais não incidem as contribuições previdenciárias. 4. Argumenta que, ante a vigente ordem constitucional, a fixação de dívida de pessoa jurídica de direito público pelo regime de estimativa é inaceitável, pois sua utilização significa a quebra do pacto federativo. A contabilidade dos entes públicos registra, com exatidão, todas as parcelas pagas. Por isso, não há hipótese de sonegação de pagamentos, nem de arbitramento, uma vez que este somente se justifica nos casos de sonegação de faturamento ou de lucro, o que não se aplica aos municípios. Do mesmo modo, não é possível aplicarse aos municípios as hipóteses previstas no art. 148 do CTN. 5. Contesta a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º salário, sob o argumento de que a lei nº 8.212, de 1991, ao incluílo na base de cálculo das contribuições previdenciárias, ampliou o conceito de salário para fins de tributação, o que é vedado pelo art. 110 do CTN. A incidência da contribuição sobre o 13º salário, por não estar prevista no texto constitucional, somente poderia ser feita por lei complementar. 6. Argui ser inconstitucional e ilegal a cobrança de contribuições para o SAT/RAT. 7. Alega que parcela substancial do débito apurado referese a contribuições incidentes sobre remuneração decorrente de contratos de trabalho celebrados a partir de 1988, sem que houvesse a prévia aprovação em concurso público, de modo que inexistiu relação de emprego válida e capaz de gerar efeitos jurídicos, sejam eles trabalhistas ou tributários. 8. Argumenta que houve a incidência de contribuição sobre o salário família pago pelo município aos servidores. Entretanto, o salário família não perde a sua natureza pela ocorrência de erros nos aspectos formais da documentação. Ele não muda de natureza jurídica. 9. É possível apenas a sua glosa, ou seja, a Previdência não aceita o ônus do seu pagamento, por aspectos relacionados à documentação. Não há justificativa, portanto, para a sua inclusão na base de cálculo das contribuições. 10. Argumenta ser ilegal e inconstitucional a incidência de juros SELIC sobre os créditos de natureza tributária. 11. Requer seja declarada a suspensão da exigibilidade do crédito discutido e reconhecida a improcedência dos valores lançados. O processo foi encaminhado a este conselho para julgamento. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721234/201030 Acórdão n.º 240102.316 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 51. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO NULIDADE PELA FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO DO LEVANTAMENTO DAL Preliminarmente, quanto a falta de fundamentação do levantamento DAL entendo que razão não assiste ao recorrente. Quanto ao argumento da recorrente, de que a fiscalização previdenciária deixou de descrever a fundamentação de forma clara, principalmente no que diz respeito a identificação dos fatos geradores, o que acabou cerceando o direito de defesa, não lhe confiro razão. Os fatos geradores objeto da presente notificação, bem como as bases de cálculo foram devidamente descritas no relatório fiscal, fls. 43 a 53, e nos relatórios que acompanham o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP,, dentre eles o Discriminativo Análitico de Débito DAD. Ademais, não há de se falar em desconhecimento, considerando que os dados foram fornecidos pelo próprio ente público durante o procedimento fiscal, apurados por meio das FOPAG e GFIP, possuindo o recorrente pleno acesso às informações. Quanto ao levantamento DAL, encontramos tanto no relatório DAD as competência que ensejaram sua cobrança, bem como às fls. 35, a fundamentação legal no relatório FLD, senão vejamos: 601 ACRESCIMOS LEGAIS MULTA 601.09 Competências : 03/2007 a 12/2007, 01/2008 a 04/2008, 09/2008 a 11/2008 Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35, I, II, III (com a redacao dada pela Lei n. 9.876, de 26.11.99); Regulamento da Previdencia Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 239, III, ¨a¨, ¨b¨ e ¨c¨, paragrafos 2. ao 6. e e 11, e art. 242, paragrafos 1. e 2. (com a redacao dada pelo Decreto n. 3.265, de 29.11.99). CALCULO DA MULTA: PARA PAGAMENTO DE OBRIGACAO VENCIDA, NAO INCLUIDA EM NOTIFICACAO FISCAL DE LANCAMENTO: 8% dentro do mes do mes de vencimento da obrigacao; 14%, no mes seguinte; 20%, a partir do segundo mes seguinte ao do vencimento da obrigacao; PARA PAGAMENTO DE CREDITOS INCLUIDOS EM NOTIFICACAO FISCAL DE LANCAMENTO: 24% em ate 15 dias do recebimento da notificacao; 30% apos o 15. dia do recebimento da notificacao;40% apos a apresentacao de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, ate quinze dias Fl. 186DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 da ciencia da decisao do Conselho de Recursos da Previdencia Social CRPS; 50% apos o 15. dia da ciencia da decisao do Conselho de Recursos da Previdencia Social CRPS, enquanto nao inscrito em Divida Ativa; PARA PAGAMENTO DO CREDITO INSCRITO EM DIVIDA ATIVA: 60%, quando nao tenha sido objeto de parcelamento; 70%, se houve parcelamento; 80%, apos o ajuizamento da execucao fiscal, mesmo que o devedor ainda nao tenha sido citado, se o credito nao foi objeto de parcelamento; 100% apos o ajuizamento da execucao fiscal, mesmo que o devedor ainda nao tenha sido citado, se o credito foi objeto de parcelamento. OBS.: NA HIPOTESE DAS CONTRIBUICOES OBJETO DA NOTIFICACAO FISCAL DE LANCAMENTO TEREM SIDO DECLARADAS EM GFIP, EXCETUADOS OS CASOS DE DISPENSA DA APRESENTACAO DESSE DOCUMENTO, SERA A REFERIDA MULTA REDUZIDA EM 50% (CINQUENTA POR CENTO). Observase anexo ao relatório fiscal e mencionado no corpo do próprio relatório, cópias com a devida intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação Fiscal, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária. Assim, o contribuinte teve a oportunidade de apresentar todos os documentos pertinentes a comprovação da obrigação, bem como documentos pertinentes ao pagamento de salário família. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, entendo que razão não assiste ao recorrente. Quanto à necessidade de justificativa para realização de auditoria ou mesmo motivação da autuação, entendo que razão também não assiste ao recorrente para que se decrete a nulidade do procedimento, destacase que ao autoridade fiscal possui competência para verificar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Simplesmente alegar, sem demonstrar o cumprimento da legislação, ou mesmo quais os vícios contidos no lançamento não servem como meio para anular o lançamento. Notese que o relatório fiscal, encontrase detalhado, permitindo ao recorrente o exercício do amplo direito de defesa, razão porque correto foi o procedimento adotado. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou o descumprimento de obrigação acessória, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato o Auto de Infração de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 187DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721234/201030 Acórdão n.º 240102.316 S2C4T1 Fl. 4 7 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Superadas as preliminares, passo ao exame do mérito DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiuse a atacar a validade do procedimento fiscal, e diversas inconstitucionalidades (SAT, contribuição sobre 13 salário, SELIC) sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados. Ou seja, não houve a contestação dos valores apurados. Dessa forma, em relação aos fatos geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão de 1 instância presumese a concordância da recorrente com a referida decisão. Porém necessário a apreciação da vinculação realizada, apreciando se os pontos trazidos pelo auditor justificam o lançamento. Em primeiro lugar, para efeitos da legislação previdenciária, os órgãos e entidades públicas são considerados empresa, conforme prevê o art. 15 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.15.Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Assim, o ente público – MUNICÍPIO DE NOVO TRIUNFO – PREFEITURA MUNICIPAL é considerado empresa perante a previdência social, devendo, portanto, contribuir para o RGPS, dentro dos prazos previstos na lei previdenciária. Com relação a vinculação dos trabalhadores que prestavam serviços de forma irregular, ou mesmo sem vínculo efetivo com o município, seja enquanto autônomo, eventual ou mesmo avulso ao ente público e mesmo que se encontrassem vinculados ao RPPS, acredito que a autoridade previdenciária tem sido responsável ao vincular novos segurados ao RGPS, pois simplesmente excluir segurados do RPPS dos Estados e Municípios, bem como de suas autarquias e fundações e atraílos para o RGPS deixou, a muito tempo, de ser do interesse público. Para esclarecer tal assertiva, devemos ter em mente que existe no Brasil, atualmente, pelo menos dois regimes de previdência igualmente legítimos e válidos, que são o Regime Geral de Previdência Social RGPS e os Regimes Próprios de Previdência RPPS, podendo estes serem criados no âmbito da União, Estados, DF e Municípios. Também devese levar em consideração que a própria Constituição Federal de 1988 garante, aos que figurarem na condição de trabalhador empregado, seja nas acepções de servidor público, funcionários público, contratados por prazo determinado, ou quaisquer outros tipos de empregados amparo por um regime de previdência, que lhe garanta pelo menos, os benefícios básicos de aposentadoria e pensão. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Dessa forma, pela legislação previdenciária vigente, não podendo o trabalhador estar devidamente amparado por regime próprio de previdência social RPPS, obrigatória sua filiação ao RGPS. Toda a argumentação do recorrente consubstanciase na autonomia do ente público em criar regime próprio de previdência social – RPPS e ter sob seu albergue todos os servidores que entender devido, desde que lhes garanta o alcance de benefícios previdenciários. Relata também que a contratação irregular por gerar contrato nulo e os contratações eventuais, não podem ensejar a cobrança de contribuições. No entanto, entendo não possuir essa argumentação substrato para afastar a exigência de contribuições previdenciárias para o Regime Geral de Previdência Social – RGPS. É fato que até a EC nº 20/1998, qualquer tipo de trabalhador poderia estar vinculado ao RPPS, seja na qualidade de servidor efetivo, comissionado, celetista etc, porém após a referida norma constitucional à vinculação aos ditos RPPS, ficou adstrita aos servidores efetivos, ou seja, assim considerados aqueles que ingressaram no serviço público mediante concurso público, sendo que, todo o restante dos trabalhadores, passou obrigatoriamente ao RGPS. Neste sentido dispõe o texto constitucional. Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. § 13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social.(grifo nosso) Além do que, a matéria reservada à previdência social é concorrente entre a União, Estados e DF, conforme dispõe o art. 24, XII da Carta Magna. Em se tratando de legislação concorrente, a competência da União limitarseá a estabelecer normas gerais (art. 24, §1º da CF/1988). Existe a norma geral editada pela União, no caso a Lei n ° 9.717/1998 e nessa hipótese os demais entes federados devem observar essa norma. Ou seja, o texto constitucional destaca claramente a impossibilidade de inclusão de servidores, salvo os efetivos, bem como de qualquer outra modalidade de trabalhadores no RPPS do ente instituidor. Assim, qualquer tipo de vínculo com o RPPS de ente público, salvo na condição de efetivo, não encontra guarida no texto constitucional, razão porque a vinculação de tais trabalhadores só encontra albergue no Regime Geral de Previdência Social – RGPS. Dessa forma, qualquer espécie de contratação de trabalhadores, mesmo que irregular por parte do ente público estadual, acaba por ensejar a vinculação de ditos trabalhadores ao RGPS na forma da lei. Nesse sentido, dispõe o art. 9º do Decreto 3.048/99, que regulamenta a Lei nº 8.212/91: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721234/201030 Acórdão n.º 240102.316 S2C4T1 Fl. 5 9 i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; j) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regime próprio de previdência social; l) o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal; Uma vez que a notificada remunerou segurados, conforme informação prestada pelo próprio recorrente durante o procedimento fiscal, por meio da entrega das folhas de pagamento deveria ter efetuado o recolhimento da totalidade das contribuições devidas à Previdência Social. Quanto ao argumento de que se tratam de servidores irregulares, e portanto a jurisprudência dos tribunais afasta qualquer modalidade de vinculação, sendo nula de pleno direito sem gerar o pagamento de verbas rescisórias, também entendo que razão não assiste ao recorrente em relação a possibilidade de cobrança de contribuições previdenciárias. É certo que a contratação irregular, ou seja, sem concurso público após a CF/88, feri o disposto no art. 37 do texto constitucional, portanto incabível qualquer espécie de vinculação ao ente público. Neste mesmo sentido, dispõe a Súmula 363 do TST, senão vejamos: Súmula 363 TST CONTRATO NULO – EFEITOS A contratação de servidor público, após a CF/88, sem prévia aprovação em concurso público, encontra óbice no respectivo art. 37, II e § 2º, somente lhe conferindo direito ao pagamento da contraprestação pactuada, em relação ao número de horas trabalhadas, respeitado o valor da hora do salário mínimo, e dos valores referentes aos depósitos do FGTS. Assim, entendo que a cobrança de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos realizados a título de remuneração, que nada mais são do que uma contraprestação pelos serviços prestados, estão em perfeita consonância, não apenas com o teor da referida súmula, bem como com a jurisprudência dos tribunais que impossibilitam a vinculação efetiva de pessoas sem concurso público, e mais ainda, com os dispositivos da lei 8212/91, que determinam a condição de segurados empregados e da base de cálculo de contribuições. Isto posto, não entendo que a autoridade fiscal vinculou o servidor irregular ao ente público, determinando o pagamento de qualquer verba rescisória. O que bem fez o auditor, foi determinar a vinculação “para efeitos previdenciários” de segurado que prestava serviços na condição de empregado, conforme disposto no art. 12, I da Lei 8212/91, e dessa forma, a existência de pagamentos, enseja a cobrança de contribuições previdenciárias, vez que Fl. 190DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 conforme descrito anteriormente nos termos da CF/88, todo trabalhador possui direito ao amparo previdenciário, conforme podese inferir dos termos do art. 6º e 195 do referido texto. Ainda, conforme disposto na lei previdenciária, qualquer trabalhador que preste serviços com as características de empregado, como o encontrado no lançamento em questão, possui a condição de segurado empregado perante a previdência: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; As contribuições da empresa sobre os serviços prestados por contribuintes individuais, para o período posterior à competência março de 2000, inclusive, às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). Uma vez que a recorrente remunerou segurados, deveria a notificada efetuar o desconto e recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo nos termos do art. 33, § 5º da lei 8212/91. A base de cálculo da contribuição das empresas sobre os valores pagos aos segurados empregados, encontramse descrita no art. 22 da Lei 8212/91. DA CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (Ver nota no final do art.)I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99. Ver nota no final do art.) Fl. 191DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721234/201030 Acórdão n.º 240102.316 S2C4T1 Fl. 6 11 A obrigação da empresa em arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço mediante desconto sobre as respectivas remunerações está prevista no art. 30, I da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art.30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/01/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (...) Face as citadas normas, o trabalho do auditor autuante, foi no sentido de cumprir a legislação aplicável, determinando, para aqueles segurados em que incabível a vinculação ao RPPS, vinculálos como segurados do RGPS. SALÁRIO FAMÍLIA No que tange a exclusão dos valores pagos pelo ente público à título de salário família e salário maternidade, razão também não confiro ao recorrente. Na diligência fiscal realizada após a impugnação, o auditor afastou a possibilidade de compensação de tais valores, uma vez que mesmo intimado a empresa não identificou os beneficiários de tais pagamentos, bem como não apresentou a documentação pertinente a concessão dos benefícios. Destacase que em grau de recurso, o recorrente apresenta os mesmos argumentos da defesa, sem contudo, fazer prova das alegações, assim como não o fez na impugnação. Ademais, a concessão de benefícios e sua possível compensação no âmbito do RGPS está adstrita a comprovação das condições para recebimento do benefício. Portanto, se a concessão pela empresa (no caso ente público) não obedeceu os critérios exigidos pela previdência social, não será possível a compensação desses valores. QUANTO AS INCONSTITUCIONALIDADES No que tange a arguição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou Fl. 192DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não procede o argumento do recorrente de que a cobrança da contribuição devida em relação ao RAT – Riscos Ambientais do Trabalho (antigo SAT) é ilegal/inconstitucional, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante; estando tais conceitos descritos em Decreto (que não possui atribuição para tanto). A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho RAT é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721234/201030 Acórdão n.º 240102.316 S2C4T1 Fl. 7 13 Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceu os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, devese afastar a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou os parâmetros, deixando para o regulamento (Decreto) apenas a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Reforçando tal entendimento já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa segue abaixo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721234/201030 Acórdão n.º 240102.316 S2C4T1 Fl. 8 15 III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, bem como, a graduação dos riscos de acidente de trabalho, não precisariam estar definidos em lei. O Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. Não se deve considerar que a cobrança do RAT (antigo SAT) ofenderia o princípio da isonomia, uma vez que o art. 22, § 3º da Lei n ° 8.212/1991 previa que, com base em estatísticas de acidente de trabalho, poderia haver alteração no enquadramento da empresas para fins de contribuição em relação aos acidentes de trabalho, não havendo que se falar em tratamento igual entre contribuintes em situação desigual. Nesse sentido, dispõe o § 3º do art. 22 da Lei n ° 8.212/1991: Art. 22 (...) § 3º ao dispor que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Não há que se falar em violação do art. 3º do CTN, pois toda a atividade de cobrança da referida contribuição é vinculada ao que dispõe as normas regulamentares acima expostas, não permanecendo ao alvedrio da autoridade fiscal. Também não há violação ao art. 153, § 1º da Constituição Federal pelo já exposto. Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 196DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de 1 instância, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 197DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10530.721234/201030 Acórdão n.º 240102.316 S2C4T1 Fl. 9 17 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11065.723038/2011-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/08/2009
PRELIMINAR DE NULIDADE. LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF.
É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária.
RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs.
A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo débitos de tributos anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente reduzidos e o lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 24/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
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LANÇAMENTO. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF. É legítima a utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária. RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs. A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo débitos de tributos anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente reduzidos e o lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termo do voto do relator (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 24/03/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 30 38 /2 01 1- 87 Fl. 782DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Transcrevo o Relatório do acórdão recorrido, por bem descrever os fatos. Autuação O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) lotado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHB), por falta de recolhimento de débitos do IPI, que haviam sido informados em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs), declarações essas que, segundo a fiscalização, foram fraudulentamente retificadas, para que os mesmos débitos fossem zerados. A exigência foi formalizada no Auto de Infração das fls. 519 a 522 e se refere ao IPI, no valor de R$ 400.155,69, acrescido de juros de mora e da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude), somando, na data da autuação R$ 1.078.446,18. Os motivos do lançamento de ofício encontramse explicitados no Relatório Fiscal das fls. 528 a 554, a seguir resumido. O autor do procedimento fiscal apurou que as DCTFs retificadoras que zeraram os débitos do estabelecimento foram elaboradas e apresentadas por terceiro, no caso, o Sr. Cláudio Alexandre Ferreira dos Santos, inscrito no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) sob nº 011.253.95133, que foi favorecido por um pagamento de R$ 59.000,00, depositado em 6 de janeiro de 2010, na conta nº 000037349, mantida pela citada pessoa física na agência nº 0002 da Caixa Econômica Federal. Para operacionalizar a retificação das DCTFs, o citado Sr. Cláudio necessitou do número e de dados das DCTFs originais, do nome do responsável pelo Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de Industrial Hahn Ferrabraz S/A, além de procuração e de cópia de documento de identidade do responsável pelo mesmo estabelecimento no cadastro CNPJ. A fiscalização ressalta que, embora tenha constatado falsidade no reconhecimento da firma na procuração utilizada e falsidade na autenticação das cópias dos documentos, foi possível concluir que as informações e os documentos antes mencionados somente poderiam ser fornecidos pelo próprio estabelecimento fiscalizado, ou por alguém que tivesse acesso aos mesmos elementos. Segue o AuditorFiscal, referindo que o citado Sr. Cláudio alegou ter sido contratado pelo Sr. Ambrósio Alves da Silva, inscrito no CPF sob nº 088.750.571 68, recebendo desse último toda a orientação para os procedimentos a serem realizados, bem assim os documentos e dados necessários para a retificação das DCTFs, sendo que o Sr. Ambrósio confirmou ter contratado o Sr. Cláudio, a pedido de uma pessoa de nome Márcia. Além disso, o Sr. Cláudio alegou ter sido o Sr. Ambrósio quem depositou os R$ 59.000,00 em sua conta bancária. Apesar de o Sr. Ambrósio negar que tenha efetuado qualquer pagamento ao Sr. Cláudio, a fiscalização analisou o teor da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), referente ao Sr. Ambrósio, relativa ao mês de janeiro de 2010, verificando a existência de débitos de R$ 78.274,68, Fl. 783DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 4 3 na conta por ele mantida na Caixa Econômica Federal, movimentação financeira que é compatível com o depósito efetuado na conta do Sr. Cláudio. Na sequência, em relação à Srª Márcia, citada pelo Sr. Ambrósio como sendo quem o havia contratado, a fiscalização localizou duas contribuintes com nomes e outros dados (nome da mãe e data de nascimento) muito semelhantes: Márcia Regina da Paz, inscrita no CPF sob nº 484.285.31153, e Marcya Regina Pas, inscrita no CPF sob nº 060.935.92740, sendo que, com base em informações e documentos obtidos no curso da investigação, foi possível concluir que se trata da Srª Marcya Regina Pas, referindo a fiscalização que, para adquirir imóveis comerciais em Brasília/DF, a Srª Marcya utilizou documentos falsos. Além disso, a Srª Marcya é titular, desde agosto de 2009, da conta nº 0746010, na agência nº 1228 do Banco Bradesco S/A, conta cuja análise da movimentação financeira referente ao mês de janeiro de 2010 revelou que os débitos totalizaram R$ 183.113,81. Tal movimentação, confrontada com o crédito total de R$ 129.973,00 na conta do Sr. Ambrósio na Caixa Econômica Federal, levou a fiscalização a considerar a possibilidade de que a Srª Marcya tenha transferido recursos para o Sr. Ambrósio. Adiante, o AuditorFiscal verificou que, no mês de janeiro de 2010, foram depositados R$ 150.000,00 na conta da Sra. Marcya no Banco Bradesco S/A, pelo Sr. Assilio Simão Pereira, inscrito no CPF sob nº 647.733.02100, que, no mesmo mês, recebeu R$ 300.000,00 de Industrial Hahn Ferrabraz S/A. Apesar da alegação de que não teve conhecimento nem qualquer participação nas retificações das DCTFs, o estabelecimento fiscalizado apresentou contrato celebrado com MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda., inscrito no CNPJ sob nº 01.456.679/000190, representado pela sócia majoritária Márcia Maria Pereira, inscrita no CPF sob nº 516.778.49134, pessoa jurídica que foi contratada para extinção de débitos de Industrial Hahn Ferrabraz S/A, mediante procedimento administrativo, com a utilização de crédito escritural específico. A fiscalização menciona que os períodos de apuração a que se referem os débitos que seriam extintos são os mesmos em relação aos quais foram apresentadas DCTFs retificadoras, a saber: dezembro de 2008 a outubro de 2009. O AuditorFiscal também refere que, em relação aos períodos de apuração antes mencionados, não foi apresentado, em nome do estabelecimento fiscalizado, qualquer pleito de compensação de tributos, motivo pelo qual não foi possível apurar a natureza do crédito escritural específico, a que aludiu o contrato firmado com MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. Além disso, a citada MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. revelou a contratação do Sr. Eduardo Scalia da Cunha, para assessorála na execução dos serviços prestados ao estabelecimento fiscalizado, sendo que o referido Sr. Eduardo, por meio de mensagens eletrônicas enviadas aos advogados do estabelecimento, a saber, Hector Furlong e Cassius Zenon da Silva, reportava o estágio dos serviços já executados e cobrava do fiscalizado o pagamento por conta desses serviços. Mensagens eletrônicas enviadas pelo Sr. Eduardo no dia 29 de dezembro de 2009, logo após a retificação das DCTFs, dão conta de que, de um débito superior a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais), restariam apenas R$ 804,77, sendo que o restante já teria sido extinto. Para comprovar essa informação, o Sr. Eduardo anexou extrato da situação fiscal do estabelecimento, obtido em 28 de dezembro de 2009, Fl. 784DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 5 4 por meio do Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) pelo Sr. Cláudio, que foi a pessoa que retificou as DCTFs, “zerando” os débitos do estabelecimento fiscalizado. Segue o AuditorFiscal, dizendo que, sob o argumento de extinção dos débitos de Industrial Hahn Ferrabraz S/A, o Sr. Eduardo passou a cobrar o pagamento pelos serviços, o que levou o estabelecimento fiscalizado a efetuar depósito de R$ 300.000,00, em 6 de janeiro de 2010, na conta mantida por Assílio Simão Pereira no Banco Bradesco S/A, sendo que o Sr. Assilio, por sua vez, repassou imediatamente metade dos recursos recebidos (R$ 150.000,00) para a Srª Marcya. O Sr. Assílio, ressalta a fiscalização, é enteado da Srª Márcia Maria Pereira, sóciagerente de MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. A fiscalização também destaca que, na mesma data (6 de janeiro de 2010), o Sr. Cláudio recebeu o pagamento pela retificação das DCTFs, por ele realizada. A fiscalização pondera que, embora não tenha tido acesso às contas bancárias do Sr. Ambrósio e da Srª Marcya, as informações e os documentos analisados no curso da auditoria permitiram concluir que o estabelecimento fiscalizado efetuou depósito na conta bancária do Sr. Assílio que, por sua vez, transferiu parte desses recursos para a Srª Marcya. A Srª Marcya transferiu recursos para a conta do Sr. Ambrósio que, por sua vez, realizou o depósito de R$ 59.000,00 na conta do Sr. Cláudio, que, repetindo, é a pessoa que retificou as DCTFs. Segundo o autor do procedimento fiscal, ainda que o estabelecimento fiscalizado alegue desconhecer e não ter participado dos procedimentos de retificação das DCTFs, ficou evidenciado que Industrial Hahn Ferrabraz S/A contratou MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. para extinguir débitos tributários relativos a períodos de apuração de dezembro de 2008 a outubro de 2009, que são os mesmos períodos a que se referem as DCTFs retificadas. Além disso, Industrial Hahn Ferrabraz S/A forneceu informações e documentos que permitiram a retificação das DCTFs. Também ficou evidenciado que o estabelecimento sob fiscalização realizou pagamento de R$ 300.000,00, em 6 de janeiro de 2010, depois de tomar conhecimento de que débitos de mais de R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) haviam sido extintos, extinção que ocorreu por meio das DCTFs retificadoras apresentadas em 24 e 28 de dezembro de 2009. Em 15 de abril de 2010, quando já estava sob a fiscalização iniciada em 25 de fevereiro de 2010, e após a retificação das DCTFs, Industrial Hahn Ferrabraz S/A promoveu o distrato do contrato de prestação de serviços com MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. Neste documento, o fiscalizado isentou MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. de qualquer responsabilidade e reconheceu a inocência da citada empresa de consultoria, em relação a qualquer evento, ainda que dele resultasse prejuízo ou dano de ordem material ou moral, vale dizer, ainda que MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda. tenha retificado DCTFs para extinguir débitos tributários, Industrial Hahn Ferrabraz S/A isentou a contratada de qualquer responsabilidade. Por tudo isso, o AuditorFiscal entendeu que o estabelecimento interessado neste processo é responsável por terem sido zerados indevidamente débitos tributários regularmente declarados, mediante a apresentação de DCTFs retificadoras, contendo informações falsas, o que levou à lavratura dos competentes autos de infração, para formalizar as exigências respectivas. As infrações foram enquadradas nos arts. 34, II, 122, 124, 125, III, 127, 199, 200, IV, e 202, III, do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 6 5 Esse enquadramento sujeitou o interessado à multa de ofício de 150%, conforme os seguintes dispositivos: art. 80, caput, e § 6º, II, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. O mesmo enquadramento tornou devidos juros de mora, previstos no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Contra o sujeito passivo, também foi formalizada representação fiscal para fins penais, objeto do Processo nº 11065.723324/201142, apensado ao presente, conforme termo na fl. 555. Impugnação O sujeito passivo tomou ciência do lançamento de ofício em 3 de agosto de 2011, conforme consta na fl. 520, e, na sequência, em 2 de setembro de 2011, apresentou impugnação tempestiva, por meio do arrazoado das fls. 558 a 572, firmado por advogados, credenciados pela procuração da fl. 575 e pelos documentos das fls. 576 a 597, e instruído com os documentos das fls. 598 a 717, apresentando os argumentos que seguem: “.................... DA IMPUGNAÇÃO Merece ser julgado improcedente o Auto de Infração acima indicado, na medida em que parte de premissa falsa, ao incluir a ora impugnante em esquema ilícito doloso que objetivava redução de tributos. A leitura do relatório fiscal demonstra trabalho investigativo de fôlego da nobre fiscalização federal e desnuda uma série de procedimentos ilícitos dos quais a ora impugnante foi vítima de quadrilha especializada. De fato, a impugnante contratou a empresa MP Consultoria para revisão administrativa de débitos fiscais vencidos junto ao INSS, RFB e PGFN. E a necessidade de tal contratação se deve ao fato de que a impugnante foi adquirida pela atual empresa controladora dos seus antigos proprietários em meados do ano de 2004 com uma série de dívidas antigas préexistentes, sem que os adquirentes tivessem conhecimento do histórico de tais débitos. Daí a necessidade de contratar empresa especializada para apuração dos débitos e revisão de suas exigibilidades, bem como afastar cobrança indevida que eventualmente incidisse por força de decadência/prescrição, Súmula Vinculante 08 do STF, redução para 20% da multa fiscal (Lei 9430/96), enquadramento na Lei no 11.941, etc. Entre os serviços que seriam prestados estava a extinção pela compensação/pagamento de débitos apurados com créditos escriturais específicos da Receita Federal (cláusula sexta, alínea ‘b’), quando seria pago o valor de R$ 300.000,00 de forma parcelada, conforme cláusula sétima, alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do contrato particular de prestação de serviço, assinado entre as partes celebrantes. Contudo, assinado o contrato válido, não poderia imaginar a impugnante que a realização do trabalho acordado seria feita de forma ilícita, não convencional, à margem do procedimento fiscal correto e do contrato celebrado. Ora, não acordou a impugnante que se fizesse extinção Fl. 786DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 7 6 de créditos tributários pela simples entrega de DCTFs retificadoras, ‘zerando’ os débitos já informados em DCTFs anteriores. Para tal procedimento simplório sequer seria necessário contratar e pagar terceiros para se realizar. A própria impugnante o faria por conta própria. Tal procedimento simplório, associado à leitura do relatório fiscal anexo ao Auto de Infração, que denota toda a profundidade do trabalho investigativo da nobre fiscalização federal, não deixa margem de dúvida que a impugnante foi vítima de uma Quadrilha bem organizada de estelionatários, com intuito de lesar o contribuinte mediante promessa de economia tributária lícita, através de procedimento fiscal fraudulento e oneroso para a pessoa passiva. Vejamos os fatos. Narra o relatório fiscal que a procuração de Francisco José Calero de Freitas outorgada para Cláudio Alexandre Ferreira dos Santos, indivíduo que transmitiu as DCTF retificadoras, apresentava irregularidades graves, como instrumento, autenticações e reconhecimento de firmas falsos, originários do 2o Ofício de Notas e Protestos de Brasília e 7º Ofício de Notas do DF (Samambaia). E a falsidade é conformada pelas serventias extrajudiciais que, ou não localizaram a procuração original ou não reconheceram as autenticações ou reconhecimento de firma apresentadas para conferência. Chama atenção também o que o Sr. Cláudio Alexandre, indivíduo que transmitiu as DCTF retificadoras, afirma que o objetivo das retificações das DCTF era para obtenção de CND. Ora, basta a simples conferência nos registros da RFB para se observar que no período indicado das infrações, não houve solicitação da impugnante de expedição de qualquer tipo de certidão (CND, Positiva, CPEN). Contudo, tal observação a nobre fiscalização federal deixou, comodamente, de citar no seu relatório fiscal. Com o trabalho investigativo se chega ao nome do contratante de Cláudio, o Sr. Ambrósio Alves da Silva, que num primeiro depoimento alega que fez o contato com Cláudio a pedido de Márcia (supostamente Marcya Regina Pas). Após, em nova intimação para outros esclarecimentos, o Sr. Ambrósio não é mais encontrado no seu endereço conhecido. Contudo, com base na DIMOF, o trabalho investigativo conclui que o mesmo apresenta movimentação compatível com o valor repassado para o Sr. Cláudio. Após diligências e consulta aos cadastros da DIMOB e da DIMOF, o fisco federal se volta então para Marcya Regina Pas, cujo endereço é desconhecido, pessoa que teria contactado o Sr. Ambrósio, que por sua vez teria contratado o Sr. Cláudio para transmitir as retificações das DCTFs. Essa, por sua vez, utiliza carteira de identidade e comprovante de rendimentos falsificados, além de inadimplir contrato de compra de imóvel, posteriormente rescindido. O trabalho investigativo conclui que a mesma apresenta movimentação compatível com o valor repassado para o Sr. Ambrósio. E as pessoas acima nominadas vinculamse diretamente a Assílio Simão Pereira, enteado de Márcia Maria Pereira, sóciagerente da empresa Fl. 787DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 8 7 MP Consultoria, indivíduo cuja conta bancária foi solicitada à impugnante fazer o depósito do valor inicial dos honorários acordados. Parte desses recursos transferidos para Sr. Assílio foi repassado para Eduardo Scalia da Cunha, pessoa de confiança, informalmente contratada por MP Consultoria e que passou a tratar diretamente do serviço junto ao contribuinte. Notese que a fiscalização flagra no depoimento do Sr. Eduardo contradição ao afirmar que não participou da retificação das DCTFs, quando passa a enviar mensagens para representantes do contribuinte cobrando pelo serviço prestado. Este é o liame que junta a empresa MP Consultoria, através do prestador de serviço Eduardo, diretamente a Assílio (enteado da sócia da MP Consultoria Márcia Pereira), que por sua vez ao final do iter se chega a Cláudio (pessoa que transmitiu as retificações de DCTFs), contratado por Ambrósio por ordem de Marcya Pas, cuja conta bancária recebeu depósitos de Assílio no valor de R$ 150.000,00. O caminho percorrido pelo liame de relações e de utilização de documentos falsificados caracteriza bem a teia de fatos sequenciais antijurídicos bem organizados que envolveram a empresa, tornandoa vítima dessas pessoas. Alega o relatório fiscal que as informações prestadas pela fiscalizada, com vistas a informar que não teve qualquer participação com as retificações de DCTFs, são infundadas, pois forneceu informações e documentos que permitiram as retificações glosadas e promoveu distrato contratual posterior com a empresa MP Consultoria, isentandoa de responsabilidades. Ora, parece óbvio que o distrato ocorreu em decorrência dos primeiros sinais de que o serviço inicial estava sendo feito de forma irregular e diversa do acordado, fato que embasa a necessidade premente de encerrar relação comercial (rescisão) que poderia acarretar prejuízo ainda maior ao contribuinte, uma vez que faltava ainda pagar à contratada o valor de quatro milhões de reais pela segunda etapa do serviço acordado. Num primeiro momento, ante a falta de elementos mais concretos de ilícitos, a imposição da MP Consultoria em ser isentada da responsabilidade não foi nenhuma demasia. Somente após, quando a empresa teve noção de toda a extensão das irregularidades cometidas que se concluiu primeiro, pelo envolvimento da MP Consultoria com o ilícito e segundo, a máfé (mais uma) da contratada na imposição de somente assinar o distrato se existisse cláusula de isenção de responsabilidade. Por sua vez, a afirmação da fiscalização de que a impugnante teria fornecido documentos e informações que permitiriam a retificação das DCTF é de toda equivocada. Ora, para elaborar as retificações não era necessário que a empresa repassasse os dados das DCTFs originais. Com a procuração eletrônica falsificada, a quadrilha de estelionatários poderia ter acesso a esses dados pelo próprio e CAC. Ademais, por força contratual a impugnante deveria fornecer todos os documentos necessários para a execução do serviço (Cláusula Quarta), e num primeiro momento (Nov/2009) foilhe solicitada a entrega de documentos das pessoas que estariam responsáveis pela empresa junto a RFB, entre elas o Sr. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 9 8 Francisco Freitas que estava em vias de se afastar da sociedade (substituído por Nelson A. Sobrinho) aguardando apenas o arquivamento da ata na Junta Comercial (10/12/2009) para ser transmitida a sua exclusão de responsabilidade de CNPJ no cadastro do fisco federal, cujo prazo legal é de 30 dias. O que precisa ser registrado pelos nobres julgadores desse contencioso é que a impugnante não obteria nenhum benefício se estivesse envolvida nas irregularidades apontadas no relatório fiscal, pois na época o valor total da dívida era de mais de setenta milhões de reais, não fazendo sentido a empresa buscar economia por via tortuosa de menos de 10% do débito tributário (aproximadamente 4 milhões de reais). Sequer houve solicitação da impugnante de expedição de qualquer tipo de certidão (CND, Positiva, CPEN) no período!!!!! Também não houve baixa na contabilidade da empresa dos créditos ‘extintos’ pela contratada!!!!! E pior, a empresa não foi incluída no programa da Lei no 11.941/09 pela contratada, conforme contrato (talvez pela convicção dos estelionatários que o procedimento ilícito daria certo), nem posteriormente, quando a impugnante buscou acesso ao programa via requerimento à PGFN, evidenciandose mais a máfé dos agentes acima nominados!!!!! O que estava acertado, numa primeira fase dos trabalhos, era que a extinção de débitos decorreria de compensação/pagamento com créditos escriturais específicos da Receita Federal (cláusula sexta, alínea ‘b’), entre esses créditos estariam os residuais de empresas encerradas, os decorrentes de demandas judiciais, pedidos de ressarcimento e outros procedimentos de direito de créditos para consumo. E é nesse sentido a troca de emails entre o Sr. Eduardo e o representante da empresa, quando aquele cobra os honorários iniciais acertados no contrato após o pagamento de dívidas pequenas residuais (R$ 804,77) e ‘extinção’ dos débitos, deixando clara a necessidade de pagar o ‘dono’ do pretenso crédito, o que denota mais uma atitude de máfé daquele integrante da quadrilha contra a impugnante. Tais fatos só vieram à tona após o início do trabalho da fiscalização, confirmando fatos que começavam a trazer desconforto para a impugnante, justificando o fato da empresa, confrontada pelo Termo de Constatação e Intimação Fiscal no 15, nada ter o que manifestar naquele momento na medida em que estava tomando ali conhecimento das pessoas que a haviam envolvido no ilícito. Toda a explanação acima e pelos elementos que constam nos autos evidenciam que a empresa foi tão vítima de quadrilha de estelionatários quanto o erário, motivo pelo qual seria demasia o enquadramento do auto de infração em multa qualificada de 150%. Enfim, tudo conforme já suficientemente evidenciado, de modo a gerar dúvidas quanto à sua exata participação nos eventos ilícitos, algo inexistente na realidade, a impugnante invoca em seu favor a interpretação prevista no art. 112, que contém o seguinte conteúdo: Fl. 789DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 10 9 ‘Art 112 A lei tributária que define infrações ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida ................; II à natureza ou circunstâncias materiais do fato, ou à sua natureza ou extensão dos seus efeitos;’ Sobre essa prescrição do CTN, o prof. Luciano Amaro assevera: ‘(...) 7. INTERPRETAÇÃO BENIGNA No direito penal vigora o princípio in dúbio pro reo; no campo das infrações e das sanções tributárias, preceito analógico e utilizado, ao prescrever o Código Tributário Nacional a interpretação benigna (isto é, favorável ao acusado), quando houver dúvida sobre a capitulação do fato, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou sobre a natureza ou extensão dos seus efeitos, bem como sobre a autoria, imputabilidade ou punibilidade, e ainda sobre a natureza ou graduação da penalidade aplicável (art. 112).’ (In ‘DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO’ Editora Saraiva, São Paulo SP, 8ª edição 2002, pp. 215/216) Luciano Amaro conclui o estudo sobre o art. 112 do CTN lecionando: ‘(...) De qualquer modo, o princípio in dúbio pro reo, que informa o preceito codificado, tem uma aplicação ampla: qualquer que seja a dúvida, sobre a interpretação da lei primitiva ou sobre a valorização dos fatos concretos efetivamente ocorridos, a solução há de ser mais favorável ao acusado’. (grifamos) (ob. Cit, p. 216 in fine). Por fim, é necessário colocar que o procedimento investigativo fiscal, ao tomar informações financeiras dos investigados pelo DIMOF, foi contaminado por vício insanável conforme se depreende da atual jurisprudência do STF que prevê conflito com a Carta Magna qualquer norma que atribui à RFB o afastamento do sigilo bancário, conforme acórdão in verbis: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 389.808 PARANÁ RELATOR: MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S):G.V.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A ADV.(A/S) :JOSÉ CARLOS CAL GARCIA FILHO E OUTRO(A/S) RECDO.(A/S) :UNIÃO ADV.(A/S):PFN DEYSI CRISTINA DA'ROLT SIGILO DE DADOS AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção a quebra do sigilo submetida ao crivo de órgão equidistante o Judiciário e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Fl. 790DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 11 10 Receita Federal –parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte.’ Logo, frente aos fatos acima narrados, concluise que a impugnante foi vítima de quadrilha especializada em vender procedimentos tributários em tese lícitos, com vistas a extorquir dinheiro de empresas através de práticas aparentemente corretas junto ao fisco, mas que na verdade resultam em fraude fiscal. Não foi por outro motivo que a impugnante apresentou queixacrime junto a Delegacia de Polícia de Planaltina/DF, e sempre colaborou com a fiscalização, entregando todos os documentos necessários para o bom andamento do trabalho do fisco federal. Assim, deve ser deferida ao contribuinte a permissão de reconstituir as DCTFs que originaram o débito, ante a sua falta de dolo ou culpa, bem como o não enquadramento do AI na multa qualificada de 150% do imposto. 3. DO PEDIDO Isso posto, a Impugnante confia que os eméritos Julgadores dessa c. Delegacia de Julgamento, dêem integral provimento a esta defesa técnica, com o cancelamento do crédito tributário trazido à luz por intermediário (sic) do AI ora contraditado, tudo tendo em mira os princípios da segurança jurídica, da certeza do direito e o da boafé, de maneira que a JUSTIÇA FISCAL se materialize na sua plenitude, para efeito de anular o procedimento fiscal baseado em dados resultantes do DIMOF frente a jurisprudência do STF acima citada que prevê conflito com a Carta Magna qualquer norma que atribui à RFB o afastamento do sigilo bancário, ou, caso assim não entenda, permitir que o contribuinte faça o cancelamento das DCTFs indevidamente retificadas e a reconstituição dos débitos que dali foram originados, excluindose a multa fiscal de 150%.” Inconformada com a autuação a empresa interessada apresentou impugnação, julgada improcedente pela 3a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS, nos termos do Acórdão no 1035.990, de 08/12/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. PRELIMINAR DE NULIDADE. AÇÃO FISCAL. UTILIZAÇÃO DE DADOS INFORMADOS EM DIMOF. A utilização de dados existentes em Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (Dimof), para caracterizar a responsabilidade do sujeito passivo por infração à legislação tributária, não configura nulidade da autuação. RETIFICAÇÃO FRAUDULENTA DE DCTFs. A retificação fraudulenta de DCTFs, reduzindo a zero débitos do IPI anteriormente informados nas declarações originais, justifica a formalização da exigência dos débitos indevidamente zerados, mediante lavratura de auto de infração, inclusive com lançamento da multa de ofício majorada, de 150%, por circunstância qualificativa (fraude). Fl. 791DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 12 11 Ciente desta decisão em 20/12/2011 (AR de fl. 770), a interessada ingressou, no dia 30/12/2011, com o recurso voluntário de fls. 771/779, no qual renova os argumentos da impugnação. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo a atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a recorrente apresentou DCTFs retificadoras, do período objeto da autuação, reduzindo o valor do IPI a recolher para valores irrisórios. A operação foi detectada pela RFB e instaurado procedimento fiscal para a sua apuração. O trabalho fiscal desenvolvido está bem descrito no Relatório Fiscal, integrante do auto de infração. Em seu protesto, a empresa autuada, basicamente, alega que as retificações das DCTF foram feitas sem o seu conhecimento e autorização, se constituindo em um golpe contra ela aplicado pelo conjunto de pessoas envolvidas na operação, pleiteando, ao final, o cancelamento da autuação ou, no mínimo, a redução da multa que fora majorada indevidamente. O litígio instaurado não envolve o valor do IPI lançado, restringindose à questão da responsabilidade da recorrente pelas retificações fraudulentas das DCTFs. Sobre a alegação de nulidade do lançamento por ter os agentes do Fisco utilizado informações da Dimof para demonstrar movimentações financeiras das pessoas arroladas na investigação, não há nenhum óbice para a utilização dos dados da Dimof com esta finalidade, ainda mais que os valores movimentados não serviram de base para efetuar lançamento de tributos, embora também não exista vedação neste sentido. Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, nesta parte. Sobre o mérito, ou seja, a responsabilidade da recorrente pelas retificações fraudulentas das DCTF, não há nenhuma dúvida de que este fato ocorreu. Quanto à responsabilidade da recorrente, assim se manifestou a decisão recorrida: Sobre o assunto, convém transcrever o art. 465 do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002, em vigor na época: “Art. 465. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária que importe em inobservância de preceitos estabelecidos ou disciplinados por este Regulamento ou pelos atos Fl. 792DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 13 12 administrativos de caráter normativo destinados a complementá lo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 64). Parágrafo único. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável, e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (Lei nº 5.172, de 1966, art. 136).” A retificação fraudulenta das DCTFs torna obrigatória a leitura do art. 481 do mesmo RIPI de 2002, que segue reproduzido: “Art. 481. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 72).” Pois bem. O impugnante se diz vítima de “quadrilha especializada”, que teria agido ao abrigo do contrato celebrado com a empresa MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda., para revisão administrativa de débitos fiscais vencidos, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), revisão essa que teria sido justificada pela assunção do controle do estabelecimento em meados de 2004, com uma série de dívidas antigas pré existentes, sem que os adquirentes tivessem conhecimento do histórico de tais débitos. Ocorre que o impugnante deixou de evidenciar a espécie de interesse específico que teria movido a referida “quadrilha”, no contexto da infração apurada, que beneficiou sim o estabelecimento Industrial Hahn Ferrabraz S/A, independentemente da extensão dos efeitos, até ser flagrado pela fiscalização, restando despropositada a alegação de que nada teria lucrado com a irregularidade apurada pelo fisco. Dentre os serviços que seriam prestados por força do contrato antes mencionado, figurava a extinção, por compensação/pagamento, de débitos apurados, com “créditos escriturais específicos da Receita Federal”, serviço remunerado pela quantia de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais). Vejase que o impugnante não esclareceu a natureza dos tais “créditos escriturais específicos”, que seriam opostos aos débitos de sua responsabilidade, limitandose a aludir vagamente a créditos “(...) residuais de empresas encerradas, os decorrentes de demandas judiciais, pedidos de ressarcimento e outros procedimentos de direito de créditos para consumo (...)”. Tampouco evidenciou ter diligenciado no sentido de se certificar sobre a existência e regularidade de créditos que porventura lhe favorecessem, a partir do que, no mínimo, assumiu o risco da prática de infrações à legislação tributária e ficou caracterizada conduta que revela enorme descuido no trato do assunto. Em razão disso, é inútil, na defesa, imputar máfé à empresa MP Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda., por ter imposto Fl. 793DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 14 13 cláusula de isenção de responsabilidade no encerramento da relação contratual com o impugnante. No tocante à alegada dúvida quanto à natureza ou circunstâncias materiais do fato, ou à sua natureza ou extensão dos seus efeitos, motivo pelo qual a defesa invocou o art. 112 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), cabe esclarecer que inexiste dúvida quanto à retificação fraudulenta das DCTFs, cuja responsabilidade, em conclusão, foi corretamente atribuída pela fiscalização ao sujeito passivo, Industrial Hahn Ferrabraz S/A., inclusive com a imposição da multa majorada de 150% sobre o IPI não recolhido. No recurso voluntário a empresa autuada não trouxe nenhum fato novo ou prova nova capaz de infirmar o apurado pela Fiscalização e o acima dito pela decisão recorrida. Portanto, sem reparos a fazer na decisão recorrida. Sobre o pedido para cancelar as declarações retificadoras e fazer uma reconstituição dos débitos, como bem disse a decisão recorrida, não pode ser atendido em face do que dispõe o art. 138, Parágrafo Único, do CTN, e o art. 7º do Decreto nº 70.235/72, transcritos na decisão recorrida. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.723038/201187 Acórdão n.º 3302002.004 S3C3T2 Fl. 15 14 Fl. 795DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/03/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.007752/2008-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 30/06/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621, JULGADO SOB O RITO DO ARTIGO 543-B, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Em regime de repercussão geral, decidiu o Plenário do STF, em caráter definitivo, ao ensejo do julgamento do recurso extraordinário nº 566.621, que o prazo para a repetição do indébito, se exercido após 9 de junho de 2005, é de cinco anos a contar do respectivo pagamento antecipado. Inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da LC nº 118/05 e aplicação ao processo administrativo-fiscal por força do artigo 62-A, do Anexo II, do RICARF. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.783
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/06/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621, JULGADO SOB O RITO DO ARTIGO 543B, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Em regime de repercussão geral, decidiu o Plenário do STF, em caráter definitivo, ao ensejo do julgamento do recurso extraordinário nº 566.621, que o prazo para a repetição do indébito, se exercido após 9 de junho de 2005, é de cinco anos a contar do respectivo pagamento antecipado. Inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da LC nº 118/05 e aplicação ao processo administrativofiscal por força do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Em 05.06.2008 (fls. 01/37), o recorrente pediu a restituição de COFINS dos períodos 06 a 12/1998, supostamente paga a maior em virtude da inclusão indevida do ICMS na sua base de cálculo. O despacho decisório da DRF/Curitiba, de 30.06.2008 (fls. 40/43), indeferiu a restituição, em razão de (i) ausência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição e (ii) ocorrência de prescrição do direito de restituição. A recorrente, então, manifestou inconformidade (fls. 45/59), sustentando: a) a inocorrência da decadência, uma vez que o E. STJ, no julgamento do AI/ERESP n° 644.736/PE, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4° da LC nº 118/05, consolidando o entendimento de que tal norma não deveria ser aplicada retroativamente; b) a inconstitucionalidade e a ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, invocando o julgamento do RE nº 240.785/MG, ainda em trâmite no E. STF; c) aplicação da taxa SELIC na restituição do tributo, conforme a previsão legal contida no art. 39, §4°, da Lei n° 9.250/95. Em 01.06.2011, a DRJ/CuritibaPR desproveu a inconformidade (fls. 63/66), mantendo incólume a prescrição do direito à restituição, bem como a ausência de previsão expressa autorizando a pretendida exclusão. Em 30.08.2011, a recorrente, intimada do v. acórdão em questão, interpõe o presente voluntário (fls. 108/117), requerendo o sobrestamento do feito até o julgamento final do RE nº 240.785/MG, com base na Portaria MF nº 586/10, e insistindo nos argumentos relacionados ao prazo decenal para a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e à exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. Em matéria de decadência do direito à repetição de indébito tributário, o termo inicial do prazo de 5 anos é, regra geral, a extinção do crédito tributário (art. 168, I), a Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10980.007752/200824 Acórdão n.º 3403001.783 S3C4T3 Fl. 2 3 qual, de acordo com o art. 3º da LC nº 118/05, equivale ao pagamento antecipado da obrigação tributária, significando que a decadência ocorreria quando se passassem 5 anos do pagamento antecipado. Ademais, se dizendo meramente interpretativo, o art. 4º da LC nº 118/05 pretendeu que este método de contagem do prazo decadencial fosse retroativo, isto é, atingisse, inclusive, pretensões formuladas antes do próprio advento da lei complementar. O embate histórico dessas orientações teóricas – se o termo a quo seria o pagamento antecipado ou a homologação do pagamento – parece, enfim, ter terminado. Por muitos anos, confrontaramse o posicionamento daqueles que enxergavam no pagamento antecipado, realizado pelo sujeito passivo ao cabo da apuração espontânea da exação, o fato extintivo da obrigação tributária, com a orientação segundo a qual somente a homologação do pagamento, tácita ou expressa, é que produziria tal efeito de extinguir a relação jurídica. Recentemente, porém, o Plenário do STF se pronunciou sobre a matéria, fazendoo ao ensejo do julgamento do recurso extraordinário nº 566.621, submetido ao regime da repercussão geral. Assim, foi reconhecida pelo STF a inconstitucionalidade do art. 4º da LC nº 118/05 na parte em que pretendia aplicar retroativamente os efeitos do art. 3º, ratificandose que somente as demandas judiciais e administrativas versando sobre a restituição do indébito tributário formuladas durante o período de vacatio legis da LC nº 118/05 poderiam alcançar os pagamentos relativos a fatos geradores consumados nos dez anos anteriores. Por oposição, as pretensões endereçadas à Fazenda Nacional ou ao Judiciário após o dia 9 de junho de 2005, data em que considerou vigentes as disposições da LC nº 118/05, é que passaram a se submeter ao prazo mais reduzido, no qual o termo a quo é o pagamento antecipado realizado pelo obrigado. Confirase, nesse sentido, trechos do votocondutor do acórdão, da Ministra Ellen Gracie: “Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela de seus direitos. (...) Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (...) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Assim, vencida a vacatio legis de 120 dias, é válida a aplicação do prazo de cinco anos às ações ajuizadas a partir de então, restando inconstitucional apenas sua aplicação às ações ajuizadas anteriormente a esta data.” Tendo sido dirimida, como dito, no âmbito de recurso extraordinário já submetido ao rito do artigo 543B do Código de Processo Civil e tendo ocorrido o trânsito em julgado do r. acórdão no dia 27 de fevereiro de 2012, a matéria há de ser decidida no mesmo sentido quando ventilada ao ensejo do contencioso administrativofiscal, a teor do artigo 62A, Anexo II, do Regimento Interno do órgão, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, com a redação da Portaria MF nº 586/10. No caso concreto, a restituição foi requerida pela ora recorrente no dia 05.06.2008, de tal sorte que a ela se aplica o regime jurídico previsto na LC nº 118/05, no âmbito do qual o prazo decadencial para o exercício do direito à repetição do indébito é de cinco anos, a contar do respectivo pagamento antecipado efetuado pelo sujeito passivo. Isso significa que a pretensão é intempestiva relativamente a todos os fatos geradores da COFINS ora pleiteados, razão pela qual a decadência – que o órgão julgador de Primeira Instância pronunciara para todo o pedido – deve ser mantida. Isto posto, voto pelo desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 11968.001109/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/10/2007, 16/10/2007, 18/10/2007
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATO NORMATIVO. EXCEÇÕES NÃO VERIFICADAS. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não havendo decisão plenário do Supremo Tribunal Federal no sentido de declarar a inconstitucionalidade da Portaria ALF/SPE nº 44 de 2005, não são aplicáveis as exceções contidas no art. 26-A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235 de 1972 e no art. 62, parágrafo único, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores.
Normas Gerais de Direito Tributário
NORMA DE CONTROLE ADUANEIRO. MULTA ADMINISTRATIVA
Aplica-se a multa prevista no art.107, inciso IV, "f' do Decreto-Lei n° 37/1966 (com a redação do art. 77 da Lei n° 10.833/2003), quando a infração cometida relacionada às operações, no âmbito de procedimento simplificado de regime de trânsito aduaneiro disciplinado em ato especifico da RFB, consubstancia-se na não entrega ou no atraso da entrega do documento de prestação de informações.
Numero da decisão: 3201-001.040
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras e os Conselheiros Wilson Sampaio Sahade Filho e Daniel Mariz Gudiño.
Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/10/2007, 16/10/2007, 18/10/2007 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE ATO NORMATIVO. EXCEÇÕES NÃO VERIFICADAS. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não havendo decisão plenário do Supremo Tribunal Federal no sentido de declarar a inconstitucionalidade da Portaria ALF/SPE nº 44 de 2005, não são aplicáveis as exceções contidas no art. 26-A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235 de 1972 e no art. 62, parágrafo único, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores. Normas Gerais de Direito Tributário NORMA DE CONTROLE ADUANEIRO. MULTA ADMINISTRATIVA Aplica-se a multa prevista no art.107, inciso IV, "f' do Decreto-Lei n° 37/1966 (com a redação do art. 77 da Lei n° 10.833/2003), quando a infração cometida relacionada às operações, no âmbito de procedimento simplificado de regime de trânsito aduaneiro disciplinado em ato especifico da RFB, consubstancia-se na não entrega ou no atraso da entrega do documento de prestação de informações.
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MULTA ADMINISTRATIVA Aplicase a multa prevista no art.107, inciso IV, "f' do DecretoLei n° 37/1966 (com a redação do art. 77 da Lei n° 10.833/2003), quando a infração cometida relacionada às operações, no âmbito de procedimento simplificado de regime de trânsito aduaneiro disciplinado em ato especifico da RFB, consubstanciase na não entrega ou no atraso da entrega do documento de prestação de informações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras e os Conselheiros Wilson Sampaio Sahade Filho e Daniel Mariz Gudiño. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO – Redatora Designada EDITADO EM: 27/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Daniel Mariz Gudino, Wilson Sampaio Sahade Filho, Judith do Amaral Marcondes Armando, Adriene Maria de Miranda Veras e Fabio Miranda Coradini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões dos recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente processo de auto de infração no valor de R$ 20.000,00, referente à multa, prevista no art.107, inciso IV, "f'”, do DecretoLei n° 37/1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003, em face da intempestiva prestação de informação, por parte do operador portuário, relacionada a operações por ele executadas, no âmbito de procedimento simplificado jungido ao regime de trânsito aduaneiro. A Alfândega do Porto de Suape, visando franquear otimização quanto aos procedimentos relativos ao trânsito de mercadorias entre os recintos alfandegados sob sua jurisdição aduaneira, com esteio no parágrafo único do art. 288 do então vigente Decreto n° 4.543/2002, resolveu expedir a Portaria n° 44, de 04/07/2005 (fls. 32/34). Superados os requisitos previstos em sobredita Portaria, à fruição da transferência automática em tela, o beneficiário deverá, consoante os termos do § 2° do art. 2° desse diploma, promover a apresentação de documento próprio, denominado Folha de Controle de Carga, à unidade aduaneira, até o primeiro dia útil seqüente à conclusão da operação. Porém explana, em suma, a fiscalização , o beneficiário, operador portuário em tela, no que tange à execução das transferências atinentes às operações destacadas às fl. 4 e 10/18, não laborara em sintonia com os moldes prescritos, visto que referidos atestes formais foram providenciados de forma intempestiva, conforme informação posta a fl. 4, ferindo, portanto, os ditames da Portaria em análise. À vista disso, a fiscalização aduaneira, diante da intempestividade da comunicação formal, efetuou a exigência da Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11968.001109/200737 Acórdão n.º 3201001.040 S3C2T1 Fl. 2 3 penalidade pecuniária correspondente, resultando na exação em tela. Da Impugnação O contribuinte, após ter sido cientificado, pessoalmente, do lançamento em estudo, em 20/11/2007, consoante faz prova a ciência posta à fl. 1, apresentou, em 13/12/2007, sua impugnação, conforme peça e documentos de fls. 38/44, onde, após breve histórico dos fatos relacionados ao feito em apreço, desenvolveu sua defesa, conforme a seguir, em resumo, exposta: a autuação, em seu alicerce, ofende o principio da estrita legalidade, visto que, no direito brasileiro, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, sendo em virtude de lei; em seara tributária, reza o inciso I do art. 150 da CF/88 que a exigência ou o aumento de tributo não prescinde de lei que o estabeleça; o Sistema Tributário Nacional pautase pelo principio da estrita legalidade, descabendo, assim, qualquer obrigação legalmente desabrigada; obrigação emanada por "mera Portaria do Inspetor da Alfândega do Porto de Suape” não tem o condão de provocar imposição de natureza tributária; somente a lei, sob ângulo formal, pode inaugurar obrigação, carecendo legitimidade, desse modo, a Portaria ALF/SPE n° 44/2005 para introduzila de forma originária; sob outro prisma, à luz do principio da eventualidade, o auto de infração, igualmente, não merece ser acolhido, posto que nulo, tendo em vista ocorrência de equivoco quanto ao enquadramento da suposta infração cometida. Para acolher a tipificação apresentada pelos fatos, pelo menos em tese, a fiscalização, ao revés de haver consignado a alínea "f'” do inciso IV do art. 107 do Decretolei n° 37/66 como fundamento legal da penalidade, deveria têlo feito sob o molde da alínea "f", ou mesmo a "g", do inciso VII do mencionado dispositivo legal. Por fim, em face dos termos da impugnação supra, o contribuinte requer o acatamento de sua defesa, conseqüentemente, a insubsistência da exação em apreço. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 29/05/2009, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou improcedente a impugnação da Recorrente, conforme Acórdão n° 0815.608 (fls. 77/84): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/10/2007, 16/10/2007, 18/10/2007 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 OPERADOR PORTUÁRIO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. PENALIDADE. 0 cumprimento intempestivo da obrigação acessória de prestar informação sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela RFB, sujeita o operador portuário ao pagamento da multa prevista na legislação tributária. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão em 29/06/2009 (fl. 46), tendo protocolado seu recurso voluntário em 24/07/2009 (fls. 49/53), o qual, em síntese, reitera os argumentos já defendidos em sua impugnação. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 11/08/2011. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual dele tomo conhecimento. Pela análise do recurso, verifico que há duas questões a serem enfrentadas, a saber: (i) a impossibilidade de portaria exigir o cumprimento de obrigação não prevista em lei estrita e (ii) a nulidade do lançamento tendo em vista o suposto erro no enquadramento da infração. De início, ressalto que a Recorrente em momento algum contesta o fato de ter descumprido a obrigação instituída pela Portaria ALF/SPE n° 44/2005. Invoca dispositivos constitucionais para alegar que a exigência de obrigação tributária por portaria, sem prévia estipulação em lei, fere o princípio da legalidade estrita. Em outras palavras, a Recorrente pretende que seja declarada a inconstitucionalidade da Portaria ALF/SPE n° 44/2005. Sobre esse primeiro argumento de defesa, cumpreme esclarecer que o CARF não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade de leis, salvo quando o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal já houver se pronunciado nesse sentido. É o que se depreende da leitura da Súmula CARF nº 2, do art. 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235 de 1972, e do art. 62, parágrafo único, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 2009, e alterações posteriores. Confirase: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decreto nº 70.235 de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11968.001109/200737 Acórdão n.º 3201001.040 S3C2T1 Fl. 3 5 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (...) Anexo II do Regimento Interno do CARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...) Por esses fundamentos, encontrome impedido de dar provimento ao recurso com base nessa linha de argumentação. Quanto ao segundo argumento de defesa, qual seja a nulidade do lançamento tendo em vista o erro no enquadramento da infração, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF já se pronunciou, a saber: IRPF – ERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO – ENQUADRAMENTO LEGAL – LANÇAMENTO NULO. A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. Recurso especial negado. (Acórdão nº 920201.956, Rel. Cons. Manoel Coelho Arruda Junior, Sessão de 15/02/2012) Pois bem, o dispositivo que a fiscalização utilizou para justificar a infração foi o art. 107, IV, “f”, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003, que assim dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 (...) f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; (...) Por outro lado, a Recorrente alega que, se houvesse realmente infringido norma infralegal, as penalidades aplicáveis ao caso seriam aquelas previstas no art. 107, VII, “f” ou “g”, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003, que assim dispõem: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (...) f) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; g) por dia, pelo descumprimento de condição estabelecida para utilização de procedimento aduaneiro simplificado; (...) No caso concreto, a própria fiscalização reconhece que a Portaria ALF/SPE nº 44 de 2005 estabeleceu procedimento simplificado para transferências de carga entre recintos alfandegados sob jurisdição da Alfândega do Porto de Suape (fl. 02). Confirase: Assim, visando tornar mais ágeis as transferências de carga entre recintos alfandegados sob jurisdição da Alfândega do Porto de Suape, esta unidade editou a Portaria ALF/SPE n° 44, de 4 de julho de 2005 (fls. 23/24), estabelecendo procedimento simplificado para essas operações, que seriam divididas, segundo suas características, em duas modalidades: TRANSFERÊNCIA DIRETA e TRANSFERÊNCIA SIMPLIFICADA. (Grifei) Ora, o art. 5º da Portaria ALF/SPE n° 44 de 2005 estabelece que “o não atendimento das disposições acima sujeitará o responsável à vedação de utilização (do) modelo simplificado de transferência aqui previsto...”, logo, lastreado na fundamentação do próprio auto de infração, mais precisamente o item “DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS)”, entendo que a penalidade aplicável seria aquela prevista no art. 107, VII, “g”, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003. Ainda que pudessem pairar dúvidas sobre o referido enquadramento legal, o caso em exame exigiria a aplicação do art. 112, I, do Código Tributário Nacional, a confirmar o erro no enquadramento legal da infração. Nesse sentido, peço vênia para transcrever o citado dispositivo legal, in verbis: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11968.001109/200737 Acórdão n.º 3201001.040 S3C2T1 Fl. 4 7 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; (...) Diante de todo o exposto e seguindo a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF, entendo que assiste razão à Recorrente, de modo que DOU PROVIMENTO ao seu recurso voluntário para declarar nulo o lançamento recorrido. É como voto. Daniel Mariz Gudiño – Relator Voto Vencedor Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando Com relação à primeira questão enfrentada pelo I. relator, qual seja “a impossibilidade de portaria exigir o cumprimento de obrigação não prevista em lei estrita”, e que portanto seria inconstitucional, tenho que concordar, pois como bem salientado o CARF não tem competência para se manifestar acerca da constitucionalidade de leis, salvo nas exceções previstas expressamente pela lei que regulamenta o PAF Federal (Decreto nº 70.235 de 1972, art. 26A, § 6º, I,) pelo RICARF (art. 62, inciso I) e o que dispõe a Súmula CARF nº 2, que me furto de transcrever novamente aqui. Apenas aduzo que a argüição de inconstitucionalidade de ato da administração pela própria administração, o que não cabe aqui, só é possível no judiciário, havendo também a alternativa, porém com escopo limitado, da iniciativa legislativa, conforme previsto no art. 49, inciso V, da Constituição1. Porém, com relação ao fundamento que levou o I. Relator a dar provimento ao recurso voluntário no que diz respeito a “a nulidade do lançamento tendo em vista o suposto erro no enquadramento da infração”, ouso divergir. Isto porque, primeiro, data venia, não há dúvida sobre os fatos ocorridos e a legislação penal tributária aplicável à matéria, não havendo, portanto, que se cogitar da aplicação do art. 112 do CTN. Segundo, porque, a meu ver, o que ocorreu foi um descumprimento de uma portaria que prevê um regime simplificado específico aplicável ao Porto de Suape, emitido totalmente conforme prevê a legislação aplicável à espécie (o que afastaria a eiva de ilegalidade). Refirome à Portaria n° 44, de 04/07/2005, que visa a franquear a otimização dos procedimentos relativos ao trânsito de mercadorias entre os recintos alfandegados daquela jurisdição aduaneira, e que tem como fundamento o parágrafo único do art. 288 do Decreto n° 4.543/2002 (vigente à época). Ora, o descumprimento das normas previstas na portaria, implica sanção, e foi que ocorreu no caso, conforme relatado no Auto de Infração. A penalidade aplicável é 1 Ver VALADÃO, Marcos Aurélio Pereira. Sustação de atos do Poder Executivo pelo Congresso Nacional com base no artigo 49, inciso V, da Constituição de 1988. Revista de Informação Legislativa, p. 287301, n. 153. Brasília, jan/mar/2002. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 aquela prevista no art.107, inciso IV, "f” do DecretoLei n° 37/1966 (com a redação do art. 77 da Lei n° 10.833/2003), sendo a infração cometida relacionada às operações executadas pelo autuado, no âmbito de procedimento simplificado do regime de trânsito aduaneiro disciplinado pela citada Portaria. Não há porque entender que a penalidade elencada não se aplica ao caso. Aplicase por ser específica à espécie, não há outra forma de se ler o dispositivo, que transcrevo abaixo (art. 107, IV, “f”, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833 de 2003) in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; Ora, vencido o prazo para a prestação de informações, constatase a desobediência proclamada e tornase cabível a penalidade acima prevista. Isto posto nego provimento ao recurso voluntário do Contribuinte. Judith do Amaral Marcondes Armando – Redatora Designada. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 27/07/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por DANIE L MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13855.000672/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Diante da inexistência de obscuridade, omissão e contradição na decisão recorrida devem ser rejeitados os embargos de declaração.
Numero da decisão: 3301-001.404
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos declaratórios opostos pela Usina Açucareira Guaíra Ltda.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Diante da inexistência de obscuridade, omissão e contradição na decisão recorrida devem ser rejeitados os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos declaratórios opostos pela Usina Açucareira Guaíra Ltda. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Alan Fialho Gandra e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Usina Açucareira Guaíra Ltda. contra a o Acórdão nº 3803001.751, proferido na sessão de 01 de junho de 2011. Alega a Embargante, em apertada síntese, que teria havido (i) erro material quanto ao período de apuração; (ii) erro material quanto à determinação da alçada, pois, no seu entender, como os processos administrativos nºs 13855.000667/200605; 13855.000668/200641; 13855.000669/200696; 13855.000670/200696; 13855.000671/200665; 13855.000672/2006 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 18 foram objeto de uma única fiscalização, deveriam ter sido julgados conjuntamente, o que deslocaria a competência para as turmas ordinárias, vez que o valor global das autuações é superior a um milhão de reais; (iii) erro material quanto à instrução dos autos, uma vez que a prova da retificação das DCTF´s e das PER/DCOMP’s deveria ter sido anexada aos autos pela autoridade preparadora, mas não foi. Em face das razões apresentadas, requereu fossem acolhidos e providos os embargos de declaração opostos, a fim de que fossem sanadas as contradições apontadas e, como conseqüência, reconhecido o direito do contribuinte às compensações pleiteadas. Voto Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Assim, em face das alegadas omissões, deles tomo conhecimento. No que se refere ao alegado erro material quanto à determinação da alçada, alega a Embargante que os processos administrativos nºs 13855.000667/200605; 13855.000667/200605; 13855.000668/200641; 13855.000669/200696; 13855.000670/2006 96; 13855.000671/200665; 13855.000672/200618 deveriam ter sido julgados conjuntamente nos termos do art. 6º, Anexo II, do RICARF. Ocorre que o que se verifica é verdadeiro pedido inaugural de reunião dos processos, e não qualquer erro no julgamento. Com efeito, prescreve o referido dispositivo legal que, verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. O parágrafo único, por sua vez, estabelece que, os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. Ou seja, o que este enunciado normativo estabelece é autorização para a distribuição por conexão de alguns processos, sujeitandose cada um deles, todavia, ao rito de previsto no Regimento. Diante desta prescrição e tendo em vista o procedimento que foi adotado nos autos, não se identifica qualquer erro que pudesse implicar ausência de competência desta Turma para o julgamento do presente processo. No caso concreto, o que se verificou foi, nos exatos termos determinados pela lei, a sua distribuição direcionada, mas não o julgamento conjunto, o que, reiterese, não fora sequer pleiteado nos autos. Também não procede a alegação de erro material quanto à instrução dos autos. Como bem colocado no acórdão recorrido, nos pedidos de compensação o ônus da prova compete ao sujeito passivo. Isso decorre da máxima da Teoria Geral do direito de que a prova compete a quem alega. Sendo assim, carece de qualquer razão jurídica a embargante quando sustenta que caberia à autoridade preparadora promover à juntada aos autos das DCTF´s e das PER/DCOMP’s retificadoras. Igualmente não merece acolhida a alegação de erro quanto à identificação do período de apuração do crédito, tendo em vista que o alegado crédito efetivamente se refere ao 2º trimestre de 2003, como consta no acórdão recorrido. Em face da inexistência dos vícios apontados, REJEITO os embargos declaratórios. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13855.000672/200618 Acórdão n.º 3301.001.404 S3C3T1 Fl. 137 3 [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé – Relatora Fl. 212DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/04/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
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