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Numero do processo: 10882.000876/2004-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1997, 1998,1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Crédito Tributário. Prazo Decadencial. Lançamento de Ofício.
Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Cancela-se o crédito tributário lançado referente aos fatos geradores ocorridos entre o ano de 1997 e abril de 1999 que já tinha sido extinto pelo transcurso do prazo decadencial.
LANÇAMENTO. NULIDADE.
Identificados todos os elementos do fato jurídico tributário previsto na regra matriz de incidência na contribuição exigida, por meio dos demonstrativos e da descrição dos fatos presentes no auto de infração, além do enquadramento legal, não ocorre nulidade do lançamento.
FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurado, a partir da escrituração efetuada pela contribuinte, que as bases de cálculo efetivas mostram-se superiores às declaradas à Secretaria da Receita Federal, com o consequente recolhimento a menor da contribuição devida, é cabível o lançamento de ofício que formaliza a exigência.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A retificação das DCTF não pode ser formalizada depois de iniciado o procedimento de fiscalização. Eventuais erros de preenchimento podem ser corrigidos desde que apresentados, na impugnação, os livros fiscais e contábeis, em especial o Livro Razão, onde se comprove a apuração das bases de cálculo que a contribuinte entende efetivas.
Por sua vez, eventuais compensações que teriam efetuado com recolhimentos efetuados a maior em períodos de apuração não autuados, também deveriam ser comprovadas por meio da apresentação do Livro Razão.
Não apresentados os livros fiscais necessários e suficientes, não há como acolher as razões de defesa nesse sentido.
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO
Numero da decisão: 3101-001.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para considerar a decadência para os fatos geradores ocorridos até abril de 1.999.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e José Henrique Mauri.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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E COM. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997, 1998,1999, 2000, 2001, 2002, 2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Cancelase o crédito tributário lançado referente aos fatos geradores ocorridos entre o ano de 1997 e abril de 1999 que já tinha sido extinto pelo transcurso do prazo decadencial. LANÇAMENTO. NULIDADE. Identificados todos os elementos do fato jurídico tributário previsto na regra matriz de incidência na contribuição exigida, por meio dos demonstrativos e da descrição dos fatos presentes no auto de infração, além do enquadramento legal, não ocorre nulidade do lançamento. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurado, a partir da escrituração efetuada pela contribuinte, que as bases de cálculo efetivas mostramse superiores às declaradas à Secretaria da Receita Federal, com o consequente recolhimento a menor da contribuição devida, é cabível o lançamento de ofício que formaliza a exigência. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A retificação das DCTF não pode ser formalizada depois de iniciado o procedimento de fiscalização. Eventuais erros de preenchimento podem ser corrigidos desde que apresentados, na impugnação, os livros fiscais e contábeis, em especial o Livro Razão, onde se comprove a apuração das bases de cálculo que a contribuinte entende efetivas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 08 76 /2 00 4- 63 Fl. 603DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 4 2 Por sua vez, eventuais compensações que teriam efetuado com recolhimentos efetuados a maior em períodos de apuração não autuados, também deveriam ser comprovadas por meio da apresentação do Livro Razão. Não apresentados os livros fiscais necessários e suficientes, não há como acolher as razões de defesa nesse sentido. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para considerar a decadência para os fatos geradores ocorridos até abril de 1.999. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente e José Henrique Mauri. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls.524 a 525 dos autos emanados da decisão da DRJ/CPS, por meio do voto do relator José Carlos Ortolani nos seguintes termos: “Tratase do auto de infração relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, cientificado à contribuinte em 11 de maio de 2004, no valor total de R$ 106.749,60, devido às irregularidades assim descritas à fls. 147/149: "001 — Pis Faturamento Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago (Verificações Obrigatórias) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme descrito no Termo de Verificação fiscal em anexo, o qual integra de forma indissociável o presente auto de infração. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 5 3 [Demonstrativo com fatos geradores de 31/10/1997 a 31/10/2002, valor tributável ou contribuição e percentual da multa] Enquadramento Legal: art. 77, inciso III, do Decretolei n.º 5.844/43; art. 149 da Lei n.º 5.172/66; arts. 1° e 3°, alínea "b", da Lei Complementar n.º 07/70, art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n.º 17/73, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n.º 142/82; arts. 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 9°, da Media Provisória n.º 1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei n.º 9.715/98; arts. 2°, 3°e 17, da Lei n.º 9.718/98. 002— Pis Faturamento. Incidência NãoCumulativa. Diferença Apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago (Verificações Obrigatórias) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal em anexo, o qual integra de forma indissociável, o presente auto de infração. [Demonstrativo com fatos geradores de 31/12/2002 a 30/09/2003, valor tributável ou contribuição e percentual da multa] Enquadramento legal: arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 23, 59 e 63 do Decreto n.º 4.524/02." 2. Consta, ainda, a seguinte descrição dos fatos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 144/145: "Em 13/11/2002 o representante legal da empresa tomou ciência do Termo de Início da Ação Fiscal pelo qual foram solicitados os documentos necessários ao início dos trabalhos relacionados à operação Ressarcimento de IPI, bem como informações a respeito das bases de cálculo das contribuições federais com o fornecimento do programa "Informações a SRF". Em 05/12/2002 o representante legal da contribuinte solicitou dilação do prazo de entrega da documentação e em 22/12/2002 foi entregue parte da documentação, bem como questionário e demonstrativo de informações à SRF, acompanhado do respectivo disquete. A ação fiscal prosseguiu e em 15/03/2004 foram atualizados os dados constantes da planilha Informações à SRF, com as alterações relativas à nãocumulatividade da base de cálculo do PIS. As informações apresentadas pela empresa contribuinte através do sistema "Informações à SRF" foram inseridas no sistema "Papéis de Fiscalização" que efetuou o cotejo das informações prestadas com aquelas constantes dos sistemas internos da SRF a respeito das bases de cálculo e pagamentos. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 6 4 Além desse procedimento, foram verificadas as bases de cálculo pela análise dos Balancetes Analíticos constantes dos Livros Diário dos períodos objeto da auditoria fiscal, conforme intimação de 04/03/2004. Como resultado da análise das informações apresentadas pela empresa, contatouse a existência de diferenças nas bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, em determinados períodos. A empresa foi intimada, em 06/04/2004, a justificar as diferenças apuradas e consignadas na planilha em anexo a este termo —planilha I — que lhe foi apresentada em anexo àquela intimação (fls. 25). Em 14/04/2004 a empresa forneceu planilhas apontando as diferenças que já haviam sido verificadas por esta auditoria fiscal. No entanto, nenhuma justificativa plausível foi apresentada. Diante dessa constatação, da falta de apresentação de documentação comprobatória por parte da contribuinte, em vista das oportunidades oferecidas para apresentar suas justificativas e tendo em conta o tempo decorrido entre o início da ação fiscal e a presente data, bem como no intuito de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, não resta outra alternativa a esta auditoria senão a lavratura de auto de infração para exigência de crédito tributário a favor da Fazenda Nacional relativo às contribuições ao PIS e COFINS." 3. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 167/189, em 09 de junho de 2004, com as seguintes razões de defesa. 3.1. Pleiteia a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos entre o ano de 1997 e o mês de maio de 1999, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, conforme doutrina e jurisprudência que elenca. 3.2. Faz ampla dissertação sobre o princípio da verdade material, para concluir que a autoridade fiscal não teria reconhecido as provas apresentadas, as quais seriam de suma importância, mas foram simplesmente ignoradas. 3.3. Aduz que teria havido erro de fato quando do cumprimento de suas obrigações acessórias. Em suas palavras: "27. Como pode ser observado pela documentação apresentada pela Impugnante (dcto. 04), as diferenças apontadas pela fiscalização derivam de diferenças entre o valor de Pis devido, informado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) bem como na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e o valor do PIS devido, de acordo com os registros contábeis da Impugnante. 28. Em suma, os valores informados como devidos na DCTF não correspondem aos valores DE FATO devidos, como pode ser observado pela análise dos documentos contábeis da Impugnante: demonstrações de resultados mensais e controles gerenciais. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 7 5 29. O que ocorreu no caso em tela foi em Erro de Preenchimento da DCTF e não a falta de recolhimento de PISs, uma vez que este não era devido." 3.4. Reitera que não existe contribuição a ser exigida, conforme estaria claramente comprovado através das planilhas que anexa e por meio dos balancetes dos respectivos anoscalendário. Acrescenta que a documentação apresentada é a legalmente reconhecida, a qual tem por função o registro das operações mercantis e financeiras da empresa, por meio dos quais se apuração a base de cálculo da contribuição. 3.5. Afirma que as declarações apresentadas (DCTF e DIPJ) constituemse em obrigações acessórias, que expressam em linguagem competente os efeitos tributários da relação jurídicotributária manifestada por meio da lei, ou descrição hipotética dos fatos que, se concretizados, desencadeiam os efeitos jurídicos previstos. 3.6. Continua em sua diferenciação sobre obrigações acessórias e principais para concluir que jamais a contribuinte poderia ser obrigada a pagar a contribuição declarada em DCTF ou DIPJ. Transcreve jurisprudência sobre erro material no preenchimento da DCTF. 3.7. Discorre sobre os critérios previstos na regra matriz de incidência da contribuição, focando seus argumentos nos critérios material e quantitativo. Em suas palavras: "59. Pois bem, em havendo a ocorrência, no plano concreto, do fato jurídico descrito em lei, a pessoa jurídica (contribuinte) deverá recolher aos cofres públicos a contribuição do PIS, cuja base de cálculos era o próprio faturamento. (...) 65. O documento hábil que demonstra o montante do faturamento que servirá de base de cálculo para a contribuição do PIS são os documentos contábeis, ora juntados neste processo, a fim de comprovar que as quantias pagas do PIS estão de acordo com a competente legislação. (...) 68. Assim, sendo, não é a DIPJ nem tampouco a DCTF a base de cálculo para fins de apuração do PIS. É a documentação contábil. É nesta em que o contribuinte traduz em linguagem competente e apropriada o quantum de seu faturamento. Quer seja entendido como a totalidade da receita, que ser ele entendido como a receita bruta." 3.8. Alega que teria havido erro no enquadramento legal do lançamento, ensejando a preterição de seu direito de defesa, tendo em conta que não houve falta de recolhimento da contribuição, mas sim um erro de declaração. Requer a nulidade do auto de infração, conforme jurisprudência que transcreve.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº 05.17.760 de fls. 523 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 607DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 8 6 Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 LANÇAMENTO. NULIDADE. Identificados todos os elementos do fato jurídico tributário previsto na regra matriz de incidência na contribuição exigida, por meio dos demonstrativos e da descrição dos fatos presentes no auto de infração, além do enquadramento legal, não ocorre nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. Na forma do artigo 45 da Lei n.º 8.212, de 1991, o direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos extinguese em 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurado, a partir da escrituração efetuada pela contribuinte, que as bases de cálculo efetivas mostramse superiores às declaradas à Secretaria da Receita Federal, com o consequente recolhimento a menor da contribuição devida, é cabível o lançamento de ofício que formaliza a exigência. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A retificação das DCTF não pode ser formalizada depois de iniciado o procedimento de fiscalização. Eventuais erros de preenchimento podem ser corrigidos desde que apresentados, na impugnação, os livros fiscais e contábeis, em especial o Livro Razão, onde se comprove a apuração das bases de cálculo que a contribuinte entende efetivas. Por sua vez, eventuais compensações que teriam efetuado com recolhimentos efetuados a maior em períodos de apuração não autuados, também deveriam ser comprovadas por meio da apresentação do Livro Razão. Não apresentados os livros fiscais necessários e suficientes, não há como acolher as razões de defesa nesse sentido. Lançamento Procedente. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. 524 a 525) onde faz as mesmas alegações apresentadas em sua impugnação. Finalmente, requer: a) Decadência do período compreendido entre ano de 1997 e maio de 1999; b) Referentemente aos demais períodos, a tipificação alegada no auto de infração está incorreta, posto que este possui por base o descumprimento da obrigação principal quando, na realidade, o que ocorreu foi um erro de fato relativamente à obrigação acessória (preenchimento de DCTF e DIPJ), conforme atestado pela DRJ de Campinas (itens 31 a 34 dos r. Despacho) e comprovado através da documentação juntada (Anexos I ao VII); Fl. 608DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 9 7 Requer, ainda, seja afastado qualquer tipo de cobrança face à decadência do direito de constituir qualquer débito com relação aos períodos de apuração objeto do procedimento administrativo de restituição/compensação. Por fim, requer que sejam analisados os documentos contábeis juntados ao presente processo a fim de verificar a veracidade das alegações ora feitas, ainda que tenha que ser determinado o retorno dos autos à Delegacia de origem para esse fim. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe enfrentar a questão preliminar de Decadência, assim: DECADÊNCIA – A respeito da alegação de decadência, importa destacar que o entendimento administrativo que vinha se consolidando era no sentido de ser de dez anos o prazo para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais, nos termos do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 24 de Julho de 1991 conforme voto condutor da decisão recorrida. No entanto, em 20/06/2008, foi publicada a Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal, com o seguinte teor: Súmula Vinculante STF nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Por seu turno, o art. 2º da Lei nº 11.417, de 19 de dezembro de 2006, define os efeitos da edição de súmula vinculante nos seguintes termos: Lei nº 11.417, de 2006: Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 10 8 O Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, aprovado por Despacho do Ministro da Fazenda em 18/08/2008, estabeleceu orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal da Súmula Vinculante nº 8, assim dispondo quanto à fixação do dies a quo dos prazos decadenciais das contribuições para a seguridade social, uma vez afastadas do mundo jurídico as normas contidas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991: d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. . 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; (...) Dizem os artigos 150 e 173 do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifos acrescidos) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Fl. 610DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.000876/200463 Acórdão n.º 3101001.582 S3C1T1 Fl. 11 9 No caso em exame, tendo por norte o entendimento disposto no Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, temse que as exigências relativas aos fatos geradores ocorridos entre o ano de 1997 e o mês de abril de 1999, que tiveram seus vencimentos correspondentes e é uma cobrança parcial aplicase o artigo 150 § 4º do CTN, pois, a ciência do auto de infração ocorreu em 11/05/2004. Os demais argumentos apresentados pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, como são os mesmos de sua impugnação, foram devidamente enfrentados pelo voto condutor da decisão recorrida e desses corroboro e os adoto, também, como razões de decidir, deixando de repetilos aqui por entender desnecessário, mas podendo ser lidos em sessão se necessário. Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência do tributo, referente aos fatos geradores ocorridos entre o ano de 1997 e o mês de abril de 1999, por ter ocorrido a Decadência na forma do artigo 150 § 4º do CTN. E como voto. Relatora – VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Fl. 611DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 05 /08/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11516.004545/2007-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando, ainda assim, caminham lado a lado e não em sentido contrário, não se cogitando em divergência, mas, sim, em convergência das teses.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 01/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando, ainda assim, caminham lado a lado e não em sentido contrário, não se cogitando em divergência, mas, sim, em convergência das teses. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 45 45 /2 00 7- 86 Fl. 602DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório LUIZ ALBERTO MARTINS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 31/10/2007 (AR fl. 380), exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissões de rendimentos apuradas com base em glosas de deduções indevidas de despesas de dependente (001), médicas (002) e instrução (003), ensejando redução do saldo de imposto a restituir, em relação aos anoscalendário 2002 e 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 341/374, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário a Segunda Seção de Julgamento do CARF contra decisão da 4a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, consubstanciada no Acórdão nº 0713.222/2008, às fls. 431/439, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2a Turma Ordinária da 1a Câmara, em 19/01/2012, por unanimidade de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 210201.741, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003, 2004 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. MPF ASSINADO PELO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL SUBSTITUTO. DESCABIMENTO. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento decorrente de fiscalização iniciada através de Mandado de Procedimento Fiscal assinado pelo Delegado da Receita Federal Substituto, já que, na ausência do titular, este assume todas as suas funções, razão pela qual integra o rol de pessoas Fl. 603DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.004545/200786 Acórdão n.º 9202003.306 CSRFT2 Fl. 603 3 competentes para tanto, conforme elencado no art. 6º da Portaria SRF nº 6087/05. PRELIMINAR. REUNIÃO DE PROCESSOS. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO EM UM EXERCÍCIO COM SALDO DE RESTITUIÇÃO DO IRPF APURADO EM OUTROS EXERCÍCIOS. IMPOSSIBILIDADE. Diante da falta de previsão legal para tanto, não merece acolhida o pedido de compensação entre o crédito tributário apurado em nome de um contribuinte com o saldo do imposto a restituir que o mesmo tenha direito em relação a outro Exercício. Da mesma forma, também não há obrigatoriedade de que os processos decorrentes de um mesmo procedimento fiscal sejam reunidos em um só, sendo que a apreciação de ambos em apartado não traz qualquer prejuízo a este contribuinte. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Cabe ao contribuinte comprovar que a despesa por ele declarada se refere a curso universitário ou de especialização, sob pena de não poder deduzir a despesa pretendida, em razão da falta de previsão legal para a dedução pretendida. IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Em alguns casos, porém, pode a autoridade fiscal solicitar que o contribuinte apresente outros elementos comprobatórios da efetividade da despesa e do serviço prestado. Quando estes outros elementos não são apresentados, deve prevalecer a glosa da referida despesa.” Irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 513/544, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Em defesa de sua pretensão, quanto às despesas médicas, sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos n°s 10244.040 e 10244.379, ora adotados como paradigmas, impõe que uma vez apresentados recibos de prestação de serviços, sendo o profissional qualificado e estando em atividade na época da emissão, invertese o ônus da prova, cabendo ao fiscal provar que os serviços não foram prestados. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Transcreve excertos de vários Acórdãos das antigas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, concluindo que oferecem proteção ao pleito do recorrente, estabelecendo que recibos, desde que observados os pressupostos de validade inscritos na legislação de regência, bem como Declarações dos médicos prestadores de serviços, isoladamente, são aptos a comprovar a efetividade e pagamento daqueles serviços, justificando, portanto, a dedução do imposto de renda, na forma procedida pelo autuado. Sustenta não fazer sentido o entendimento encampado no Acórdão recorrido, determinando ser dever do contribuinte corroborar os recibos apresentados, até quando os profissionais intimados reafirmaram a efetiva prestação dos serviços. Esclarece que todos os profissionais prestadores de serviços médicos, uma vez intimados pelo Fisco, confirmaram a realização dos serviços e o recebimento dos valores declarados pelo contribuinte, tendo, assim, este se desincumbido do ônus de comprovar o pretendido, invertendo a fiscalização o dever de demonstrar que tais serviços não foram prestados na forma e valores declarados, ao contrário do que restou assentado no decisum guerreado. Ressalta que a legislação de regência, corroborada pela jurisprudência administrativa, é firme e mansa no sentido de distribuir o ônus da prova à fiscalização, mormente quando não se tratar de hipótese de presunção legal. Com mais especificidade, tratandose de glosas de despesas médicas, cumpridos os requisitos do art. 11 da Lei 8.383/91, invertese o ônus da prova devendo a fiscalização comprovar a invalidade de tais deduções, o que se vislumbra na hipótese vertente, onde o contribuinte apresentou recibos e/ou notas fiscais, existindo, ainda, respostas às intimações fiscais dos prestadores de serviços confirmando as declarações do recorrente. Traz à colação explicação individualizada para cada prestador de serviços médicos, cujas despesas foram glosadas, procurando infirmar os fundamentos da pretensão fiscal, especialmente no sentido de comprovar a efetiva prestação de serviços e, bem assim, o respectivo pagamento. Relativamente à impossibilidade de inovação nas razões do lançamento pela decisão administrativa, no que tange a glosa de despesas com instrução, assevera que o decisório combatido diverge do entendimento inscrito no Acórdão no 10192.978, o qual julgou pela impossibilidade de alteração do critério jurídico utilizado pelo fiscal para a manutenção do julgamento, sempre com vistas aos artigos 142 e 146 do CTN. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir em parte o Recurso Especial do Contribuinte, somente quanto as despesas médicas, sob o argumento de que o recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos decisórios paradigmas, a propósito da mesma matéria, conforme Despacho S/N/2012, às fls. 583/586, ratificado pelo Despacho S/N – 2a Turma/2012, de fl. 587, da lavra do Presidente da CSRF, em face de reexame necessário. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 590/600, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.004545/200786 Acórdão n.º 9202003.306 CSRFT2 Fl. 604 5 É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 1a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão do recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende do recurso especial, como já robustamente demonstrado nos autos, o contribuinte deduziu de seu imposto de renda as despesas médicas suportadas no decorrer dos anoscalendário sob análise. Uma vez intimado a comprovar a efetividade e pagamento de tais serviços, o autuado, no entendimento da fiscalização, não logrou comproválos, na forma que a legislação de regência exigia, ensejando a respectiva glosa e a lavratura do presente auto de infração. Por seu turno, a Turma recorrida, em síntese, entendeu por bem corroborar a pretensão fiscal, sob o argumento de que os documentos apresentados pelo contribuinte, associados com as declarações dos médicos e, bem assim, os fatos demonstrados pela fiscalização apurados no decorrer da ação fiscal, seriam suficientes a justificar a glosa das despesas médicas, procedida pela autoridade lançadora. Inconformado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos n°s 10244.040 e 10244.379, ora adotados como paradigmas, impondo seja conhecido o recurso especial do recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. A fazer prevalecer seu entendimento, sustenta que os decisórios paradigmas impõem que, uma vez apresentados recibos de prestação de serviços, sendo o profissional qualificado e estando em atividade na época da emissão, invertese o ônus da prova, cabendo ao fiscal provar que os serviços não foram prestados. Esclarece que todos os profissionais prestadores de serviços médicos, devidamente intimados pelo Fisco, confirmaram a realização dos serviços e o recebimento dos valores declarados pelo contribuinte, tendo, assim, este se desincumbido do ônus de comprovar o pretendido, invertendo a fiscalização do dever de demonstrar que tais serviços não foram prestados na forma e valores declarados, ao contrário do que restou assentado no decisum guerreado. Ressalta que a legislação de regência, corroborada pela jurisprudência administrativa, é firme e mansa no sentido de distribuir o ônus da prova à fiscalização, mormente quando não se tratar de hipótese de presunção legal. Com mais especificidade, tratandose de glosas de despesas médicas, cumpridos os requisitos do art. 11 da Lei 8.383/91, invertese o ônus da prova devendo a fiscalização comprovar a invalidade de tais deduções, o que se vislumbra na hipótese vertente, Fl. 606DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 onde o contribuinte apresentou recibos e/ou notas fiscais, existindo, ainda, respostas às intimações fiscais dos prestadores de serviços confirmando as declarações do recorrente. Traz à colação explicação individualizada para cada prestador de serviços médicos, cujas despesas foram glosadas, procurando infirmar os fundamentos da pretensão fiscal, especialmente no sentido de comprovar a efetiva prestação de serviços e, bem assim, o respectivo pagamento. Não obstante o esforço do recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que o Contribuinte não logrou comprovar a divergência entre teses arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua Fl. 607DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.004545/200786 Acórdão n.º 9202003.306 CSRFT2 Fl. 605 7 integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, o Contribuinte ao formular seu Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto demonstrar a divergência entre a tese sustentada no Acórdão atacado e outras decisões das demais Câmaras, Turmas de Câmara, Turmas Especiais ou da própria CSRF, capaz de ensejar a reforma do r. decisório da Câmara recorrida. Com efeito, perfunctória leitura da peça recursal do Contribuinte, conjugada com os Acórdãos confrontados, é capaz de demonstrar que os pressupostos para conhecimento de seu recurso, insculpidos nas normas supratranscritas, não foram observados. De início, impende registrar que os casos de glosas de despesas médicas, via de regra, estão escorados em situações fáticas distintas, conduzindo o julgador a contemplar a matéria com base no conjunto probatório próprio de cada processo, o que dificulta bastante a demonstração de eventual divergência de teses sobre um mesmo fato. Em determinado caso, pode ser que a autoridade julgadora entenda que o simples recibo se presta a comprovar o pagamento e a efetividade dos serviços prestados e deduzidos do imposto de renda. Em outros, podese exigir que, além dos recibos, o contribuinte apresente outros documentos comprobatórios de sua pretensão. Na hipótese vertente, o Acórdão recorrido não acolheu o pleito do contribuinte simplesmente em razão de apresentação de recibos deficientes ou mesmo a sua não apresentação. Aliás, a autoridade lançadora fora por demais diligente, exigindo a comprovação da prestação de serviços, do pagamento e, paralelamente, intimou todos os prestadores de serviços a confirmar as informações prestadas pelo autuado em sua Declaração. Diante das diligências procedidas pela fiscalização, restaram constatadas inúmeras situações: 1) Ausência de recibo, de comprovante de pagamento e não confirmação do prestador de serviço; 2) Apresentação de recibo, ausência de comprovante de pagamento e não confirmação do prestador de serviço; 3) Apresentação de recibo, ausência de comprovante de pagamento e confirmação de serviços prestados a pessoa que não figura como dependente; etc. Como se observa dos autos, ao contrário do que sustenta o contribuinte, não foram todos os prestadores de serviços que confirmaram as informações e valores declarados pelo recorrente em sua Declaração. Alguns deles, afirmaram que não prestaram serviços ao autuado, o que já fragiliza a sua tese. Igualmente, não foram apresentados recibos e/ou NF’s para todos as despesas deduzidas. E, comprovantes de pagamentos, também não fora ofertados em sua plenitude, ao argumento de terem sido efetuados em espécie. Todas essas constatações variando para cada prestador de serviços. Por sua vez, os Acórdãos n°s 10244.040 e 10244.379, adotados como paradigmas, contemplam situações em que o contribuinte apresentou recibos para todos os Fl. 608DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 serviços médicos/odontológicos deduzidos e a fiscalização simplesmente os desconsiderou sem conquanto diligenciar no sentido de comprovar a sua não efetividade e/ou pagamento. Não é o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde a autoridade lançadora, não se contentando com os recibos, exigiu o comprovante de pagamento, intimou os prestadores de serviços e, a partir de fatos apurados no decorrer da ação fiscal, concluiu pela não prestação dos serviços deduzidos na declaração do autuado. Com mais especificidade, no Acórdão n° 10244.040, a fiscalização simplesmente não aceitou os recibos apresentados isoladamente e procedeu a glosa combatida. Em relação ao Acórdão n° 102.44.379, a autoridade lançadora não admitiu os recibos apresentados exclusivamente por se tratar de profissional réu confesso na emissão de recibos frios, razão da glosa levada a efeito. Nos dois Acórdãos paradigmas, decidiuse que caberia ao Fisco se aprofundar na análise dos fatos, com perícias, fichas odontológicas ou qualquer outros meio de prova que demonstre a imprestabilidade e a falsidade do documento apresentado. Foi exatamente o que ocorreu no decisório combatido, como se extrai da justificativa circunstanciada para cada profissional, constante do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 296/321. Nessa toada, não se pode afirmar existir divergência entre teses, mormente em razão dos Acórdãos confrontados não contemplarem situações idênticas ou mesmo parecidas. A rigor, nos parece que a conclusão dos Acórdãos fora no mesmo sentido, determinando que, apresentados documentos pelo contribuinte, cabe ao auditor fiscal comprovar a sua pretensão fiscal. Nestes autos, a Turma recorrida entendeu que assim procedeu devidamente a fiscalização. No caso dos paradigmas, a Câmara concluiu que não. Mais a mais, não há razão para se conhecer do recurso, eis que, mesmo se admitindo que o ônus da prova encontrase com a fiscalização quando apresentados os recibos, no caso vertente, no entendimento da Turma recorrida, o Fisco se desincumbiu de aludido ônus, razão pela qual concluise que as decisões confrontadas, em verdade, caminham lado a lado e não em sentido contrário, não se cogitando em divergência, mas, sim, em convergência das teses. Dessa forma, com a devida vênia ao ilustre Presidente subscritor do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, não entendemos ser possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Ordinária da 1a Câmara da 2a SJ do CARF, uma vez que o recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, sobretudo em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial do Contribuinte em dissonância com as normas regimentais, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 609DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.004545/200786 Acórdão n.º 9202003.306 CSRFT2 Fl. 606 9 Fl. 610DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900507/2011-60
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2006
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA
O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 05 07 /2 01 1- 60 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900507/201160 Acórdão n.º 3801004.011 S3TE01 Fl. 61 2 Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900507/201160 Acórdão n.º 3801004.011 S3TE01 Fl. 62 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 916016895 emitido eletronicamente em 01/04/2011, referente ao PER/DCOMP nº 10555.76789.220607.1.7.040777. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de PIS/Pasep, Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$1.064,82, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 15/02/2006. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 31/05/2011, tendo feito um resumo dos fatos. Em seguida, nas questões de mérito, tece considerações acerca de aspectos constitucionais, cita jurisprudência do Judiciário e entendimentos doutrinários sobre o assunto em pauta. Assevera que o art. 37 da Lei nº 10.865, de 2004, ao prever nova redação para o § 2o do art. 3o da Lei nº 10.833, de 2003, inserindo o inciso II, restringiu o direito ao crédito, nos casos em que os bens ou serviços foram adquiridos com isenção, alíquota 0% ou que não estejam sujeitos à tributação do PIS. Afirma que tal restrição implicou em transgressão ao princípio da nãocumulatividade e que também não foi respeitado o princípio da anterioridade nonagesimal, uma vez que, nos termos do art. 53 da Lei nº 10.865, de 2004, a medida começou a produzir efeitos no dia posterior à publicação da lei. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900507/201160 Acórdão n.º 3801004.011 S3TE01 Fl. 63 4 Diante das razões invocadas, o manifestante requer seja reconhecido o seu direito à restituição referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/Pasep, em virtude da inconstitucionalidade e ilegalidade do art. 37 da Lei nº 10.865, de 2004, bem como não haja a incidência de multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Anexa aos autos um “Relatório aproveitamento”, no qual indica a apuração dos valores de PIS/Pasep que considera terem sido pagos indevidamente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega, em síntese, que não pode haver qualquer diferenciação entre o tratamento tributário dado às instituições financeiras e as demais pessoas jurídicas sujeitas ao recolhimento da COFINS e do PIS, conforme o disposto nos artigos 5o e 150, II, ambos da Constituição, e de acordo com jurisprudência dominante do STF, devendo ser reconhecido o seu direito à restituição referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900507/201160 Acórdão n.º 3801004.011 S3TE01 Fl. 64 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos indevidos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades. A recorrente defende a isonomia de tratamento fiscal no que diz respeito à exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins de despesas operacionais previstas na legislação aplicável às instituições financeiras. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. A Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, em seu art. 3º, § 6º, explicita as exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo das referidas contribuições para as instituições financeiras, seguradoras e assemelhadas, além daquelas facultadas as demais pessoas jurídicas. A recorrente alega que esse tratamento tributário diferenciado ofende ao princípio da igualdade encontrado no art. 5º, caput, da Constituição Federal, bem como o conseqüente princípio da isonomia ou igualdade tributária assegurado na Carta Magna, em seu art. 150, II.. No entanto, o referido tratamento está baseado em disposição literal de norma válida legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional cuja apreciação acerca de eventual inconstitucionalidade foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar tais hipóteses. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. Para firmar esse entendimento, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, por força do disposto no Anexo II, art. 62, caput, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 64DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900507/201160 Acórdão n.º 3801004.011 S3TE01 Fl. 65 6 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas hipóteses de decisão vinculante do STF ou acolhida pela administração tributária. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, considerandose que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, o que não ocorreu no caso em tela, faltando ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. No tocante ao instituto da denuncia espontânea, de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, este não se aplica ao caso vertente uma vez que tratamse os débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação, sujeitos portanto aos acréscimos moratórios previstos no artigo 61, da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, segundo a Súmula 360 do STJ, “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, mesmo que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 65DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13707.001415/2002-65
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,converter o processo em diligência para que a unidade de origem, diante dos documentos acostados pelo sujeito passivo, se manifeste sobre a existência do crédito alegado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
RELATÓRIO
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,converter o processo em diligência para que a unidade de origem, diante dos documentos acostados pelo sujeito passivo, se manifeste sobre a existência do crédito alegado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: O presente processo foi formalizado a partir de impugnação apresentada em 16/04/02 pelo contribuinte em epígrafe, conforme fls. 01/02 e documentos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 07 .0 01 41 5/ 20 02 -6 5 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13707.001415/200265 Resolução nº 3802000.216 S3TE02 Fl. 336 2 anexos, para solicitar o cancelamento do débito fiscal de R$ 309.824,91 referente ao Auto de Infração de Cofins nº 0009693 (fls.04/11). Tratase de Auto de Infração decorrente de auditoria nas DCTF referente ao 2º trimestre de 1997. Nesta, para o mês de junho a impugnante vinculou o débito declarado de Cofins, no valor de R$ 115.065,33, a pagamento no mesmo valor, com data de vencimento em 10/07/1997. O pagamento informado não foi localizado nos sistemas de controle da RFB. Entretanto, localizouse pagamento no valor de R$ 76.710,21, referente ao Cofins, PA 06/1997, vencimento 10/07/1997. A diferença entre o valor declarado e o pagamento efetuado foi lançada de ofício. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de folhas 01 e 02, na qual afirma ser detentora de sentença transitada em julgado (processo 90.001228862) que a desobrigou do recolhimento da FINSOCIAL. De posse da sentença, compensou os valores de FINSOCIAL recolhidos a maior com os valores então devidos da Cofins. Assim, o auto lavrado constituise em verdadeira afronta à decisão do Poder Judiciário que amparou a compensação efetuada, corroborada in totum pelo artigo 2º da IN SRF nº 32 de 09/04/1997. Em 03/06/2009 a interessada apresentou aditamento à impugnação (fls. 66 a 70) na qual reitera os termos da inicial e presta esclarecimentos adicionais acerca da compensação efetuada. Informa que equivocouse no preenchimento da DCTF, deixando de deduzir valor regularmente compensado. Anexa às folhas 121 a 151 planilha demonstrativa da compensação efetuada assim como todos os DARF que dão suporte ao crédito utilizado na compensação. É o relatório. O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RJ 2 no 1332.968, de 22/12/2010, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/06/1997 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Somente se considera para fins de extinção da obrigação tributária a compensação efetivamente efetuada mediante os lançamentos contábeisfiscais próprios. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13707.001415/200265 Resolução nº 3802000.216 S3TE02 Fl. 337 3 Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. O julgamento foi no sentido de considerar procedente em parte o lançamento, exonerandose a multa de ofício aplicada, em face da retroatividade benigna. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória para o restante da parte procedente. Apresenta contrato social e substabelecimento. Em 09/09/2011, a recorrente faz um aditamento ao recurso voluntário, fls. 242 e ss, anexando cópias do livro diário e plano de contas. Bem como, insiste no argumento sobre ser detentora de sentença transitada em julgado (processo 90.001228862) que a desobrigou do recolhimento da FINSOCIAL. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. VOTO O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Considerando que a decisão de primeira instância julgou procedente em parte, tendo em vista exclusão da multa de ofício aplicada. Versa o presente processo de auto de infração decorrente das informações prestadas pela interessada na DCTF relativa ao 2º semestre de 1997. Tendo informado pagamento no montante R$ 191.755,54 e no entanto, recolhido apenas R$ 76.710,21, lançouse de ofício a diferença, em consonância com o que dispunha a legislação à época. A recorrente afirma que sendo detentora de créditos de FINSOCIAL, decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, compensouos com o débito lançado. Somadas, a parcela recolhida e a parcela compensada perfazem o total do débito declarado. Não obstante a informação contida na DCTF, cabe, em consonância com o princípio da verdade material, averiguar a veracidade das alegações da recorrente. Observase que o decidido na primeira instância foi com base numa compensação alegada, mas não comprovada, tendo em vista a não apresentação da sua contabilidade. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13707.001415/200265 Resolução nº 3802000.216 S3TE02 Fl. 338 4 No entanto, somente em 09/09/2011, a recorrente faz um aditamento ao recurso voluntário, fls. 242 e ss, anexando cópias do livro diário e plano de contas Diante dos fatos relevantes e para minha convicção, VOTO PELA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM, no intuito de verificar a confirmação dos créditos aludidos e, se for o caso, abatimento com os valores nos autos de infração, tendo em vista o princípio da verdade material. Portanto, elaborar Relatório sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de outras informações e/ou observações julgadas pertinentes para esclarecer os fatos. Assim como analisar a ação judicial que a mesma insiste ser detentora de sentença transitada em julgado (processo 90.001228862), a qual não houve menção no voto recorrido. Realizada a diligência, devese dar vista ao contribuinte e também a PGFN e querendo manifestaremse no prazo de 30 (trinta) dias; após, encaminhados os autos para prosseguimento no julgamento. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 338DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10935.906223/2012-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/03/2007
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 62 23 /2 01 2- 37 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/03/2007 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906223/201237 Acórdão n.º 1802003.190 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10840.902857/2010-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL
Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Conhecido em parte e na parte conhecida dado Provimento em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Conhecido em parte e na parte conhecida dado Provimento em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 28 57 /2 01 0- 16 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.902857/201016 Acórdão n.º 3801003.766 S3TE01 Fl. 145 2 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.902857/201016 Acórdão n.º 3801003.766 S3TE01 Fl. 146 3 Relatório Tratase de pedido de compensação por intermédio do qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/COFINS. Preliminarmente a Recorrente foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que o valor dessa rubrica foi sistematicamente reduzido nas suas DIPJ retificadoras dos anos calendário de 2001 e 2002. A interessada, em cumprimento ao despacho apresentou demonstrativo de fls. informando que a alteração se deu em decorrência da existência de valores excluídos da base referentes a comissões, descontos obtidos, juros recebidos, receitas financeiras e variação monetária ativa, apresentando na manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário cópia parcial do livro razão e do Registro de Apuração do ICMS. Por despacho decisório, foi reconhecido em parte direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, homologada parcialmente a compensação declarada. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que seu crédito decorre do pagamento a maior de receitas financeiras que devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições e da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo das mesmas. A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Anocalendário: 2002 CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA REGIMENTAL. A instancia administrativa não possui competência regimental para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.902857/201016 Acórdão n.º 3801003.766 S3TE01 Fl. 147 4 A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) para reexame de decisões sobre pedidos de restituição e compensação, em sede recursal administrativa, limitase à matéria objeto do pedido, que tenha sido apreciada pela autoridade a quo competente, e sobre a qual se estabeleça litígio. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Apresenta a Recorrente Recurso Voluntário no qual alega em síntese que: a) é INADMISSÍVEL a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS/PIS, haja vista que, por força da interpretação estabelecida tanto pelo Supremo Tribunal Federal como pelo Superior Tribunal de Justiça à Lei Federal n° 9.718, de 1998, APENAS o faturamento (resultado da venda de mercadorias e serviços) poderá ser objeto de incidência daquela exação, EXCLUÍDAS, assim, as receitas financeiras e outras receitas, que não se encaixam nesse conceito; b) é correta a exclusão de valores de ICMS da base de cálculo da COFINS, eis que não se trata de faturamento ou sequer receita da pessoa jurídica, mas simples ingresso pertencente a terceiros (no caso, o Estado de São Paulo) que circula no caixa da empresa, mas para ela representa ônus. É o que importa relatar. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.902857/201016 Acórdão n.º 3801003.766 S3TE01 Fl. 148 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme apontado são dois os pontos em exame no presente processo, o um a inclusão na base de cálculo das contribuições cumulativas para o PIS e para a COFINS das receitas financeiras da pessoa jurídica; e, o dois a possibilidade de se excluir da respectiva base de cálculo o ICMS. Em prelação ao primeiro ponto, como se sabe, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) julgou indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998 no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.902857/201016 Acórdão n.º 3801003.766 S3TE01 Fl. 149 6 constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), os Conselheiros do CARF são obrigados a aplicar as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, e assim, devemos afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei n.º 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.902857/201016 Acórdão n.º 3801003.766 S3TE01 Fl. 150 7 Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López4: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Quanto à inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS tenho que não é possível aos membros desse conselho examinar a matéria, pois se trata de matéria constitucional e o controle de constitucionalidade das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifouse) (...) § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.902857/201016 Acórdão n.º 3801003.766 S3TE01 Fl. 151 8 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que. fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, Vale observar que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das exceções previstas no §6° do artigo acima transcrito. Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, voto por julgar parcialmente procedente o recurso para reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16624.001883/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2006
BASE DE CÁLCULO. ICMS.
Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 31/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes.
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ICMS. Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 31/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Mara Cristina Sifuentes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 18 83 /2 00 6- 71 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16624.001883/200671 Acórdão n.º 3302002.555 S3C3T2 Fl. 3 2 No dia 19/12/2006 a empresa MERCADINHO FERREIRA DOS SANTOS LTDA. ingressou com o Pedido de Restituição de Cofins, relativo a pagamentos efetuados dos período de apuração de janeiro de 2002 a outubro de 2006, alegando a inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da exação. A DRF em Guarulhos SP indeferiu o pedido da recorrente, alegando a inexistência de previsão legal para excluir o ICMS da base de cálculo da Cofins, integrante do faturamento da empresa, conforme Despacho Decisório de fls. 87/92. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com Manifestação de Inconformidade, cujas razões foram sintetizadas pela decisão recorrida nos seguintes termos: • o fato gerador da Cofins, que é o faturamento, deve ser considerado somente aquilo que a contribuinte fatura, não podendo ampliar tal conceito para o faturamento obtido por outro pessoa, como é o caso do ICMS que é faturado pelo Estado; • o valor do ICMS destacado na nota fiscal é para simples registro contábil fiscal, não devendo em hipótese alguma ser incluído na base de cálculo da Cofins. Admitir o contrário é ferir de morte o princípio da capacidade contributiva e do não confisco; • a lei que instituiu a Cofins não podia alterar o conceito de faturamento utilizado expressamente pela Constituição Federal para definir a competência tributária da União para a cobrança de contribuição sobre o faturamento. Para corroborar o seu entendimento, a manifestante cita o Supremo Tribunal Federal, especificamente trecho do voto do relator Ministro Marco Aurélio no RE n° 240.7852. Por fim, a manifestante ainda alega que: • conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; • com relação à Lei Complementar n° 118, de 9 de fevereiro de 2005, não pode lei interpretativa inovar. Destarte, não se pode admitir que o legislador sobre o pretexto de interpretar a lei edite outra atribuindo à anterior significado que ninguém tinha visto. Ademais, para considerar uma lei interpretativa é necessária que ela tenha o mesmo sentido das decisões judiciais, situação que no vertente caso é totalmente o inverso, pois a Lei Complementar n° 118, de 2005, está colidindo com as decisões uníssonas dos Tribunais Superiores e do Conselho de Contribuintes. A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Campinas SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0525.579, de 05/05/2009, cuja ementa segue abaixo. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16624.001883/200671 Acórdão n.º 3302002.555 S3C3T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2006 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Cofins. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/06/2009, conforme AR de fl. 123, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 29/06/2009, com Recurso Voluntário, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o Recurso Voluntário foi distribuído para relatar e, por força da determinação contida no art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09), o seu julgamento foi sobrestado, nos termos do Despacho nº 3302 008, de 07/01/2011. Com a revogação do referido dispositivo regimental (Portaria MF nº 545/13), o Recurso Voluntário foi sorteado para relatar e, agora, volta à pauta de julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa Recorrente está pleiteando a restituição de Cofins, cujo pagamento considera indevido em face da inclusão do ICMS na base de cálculo da exação. Adentrando no mérito da lide, o ICMS integra a base de cálculo da Cofins, conforme previsto na Lei Complementar nº 70/1991 e nas Leis Ordinárias nº 9.718/1998 e 10.833/03. A previsão legal de exclusão da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo das contribuições contempla o ICMS apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário (art.3º, § 2°, I, da Lei nº 9.718/1998). Assim sendo, a alegação da recorrente de que o valor do ICMS não integra o conceito de faturamento, para fins de inclusão na base de cálculo da Cofins, não tem respaldo Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16624.001883/200671 Acórdão n.º 3302002.555 S3C3T2 Fl. 5 4 na legislação, não existindo nenhuma determinação legal que autorize tal exclusão. Correto está o acórdão recorrido porque o ICMS, por ser um imposto indireto e com mecanismo de cálculo por dentro, contemplando o seu próprio montante em sua base de cálculo, agregase ao preço do produto, integrando também o faturamento. E como tal, há necessidade de expressa previsão legal para a sua exclusão da base de cálculo da Cofins. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003783/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
SIMPLES FEDERAL. OPTANTE EXCLUÍDO. ADOÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. VEDAÇÃO.
É vedada a opção de apuração com base no lucro presumido para o optante excluído do Simples Federal no ano-calendário afetado pelos efeitos da exclusão se já tiver efetuado pagamentos sob outra modalidade de apuração.
NEGÓCIO JURÍDICO. FRAUDE. AFASTAMENTO.
Pela interpretação sistemática do art. 118, c/c 149 do CTN, art. 44 da Lei nº 9.430/96 e art. 72 da Lei nº 4.502/64 pode a autoridade administrativa afastar o negócio jurídico praticado em fraude à lei e tributar o fato gerador considerando os efeitos da lei contornada.
Numero da decisão: 1302-001.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Hélio Eduardo Araújo e Marcelo Guerra.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcelo de Assis Guerra, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 SIMPLES FEDERAL. OPTANTE EXCLUÍDO. ADOÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. VEDAÇÃO. É vedada a opção de apuração com base no lucro presumido para o optante excluído do Simples Federal no ano-calendário afetado pelos efeitos da exclusão se já tiver efetuado pagamentos sob outra modalidade de apuração. NEGÓCIO JURÍDICO. FRAUDE. AFASTAMENTO. Pela interpretação sistemática do art. 118, c/c 149 do CTN, art. 44 da Lei nº 9.430/96 e art. 72 da Lei nº 4.502/64 pode a autoridade administrativa afastar o negócio jurídico praticado em fraude à lei e tributar o fato gerador considerando os efeitos da lei contornada.
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OPTANTE EXCLUÍDO. ADOÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. VEDAÇÃO. É vedada a opção de apuração com base no lucro presumido para o optante excluído do Simples Federal no anocalendário afetado pelos efeitos da exclusão se já tiver efetuado pagamentos sob outra modalidade de apuração. NEGÓCIO JURÍDICO. FRAUDE. AFASTAMENTO. Pela interpretação sistemática do art. 118, c/c 149 do CTN, art. 44 da Lei nº 9.430/96 e art. 72 da Lei nº 4.502/64 pode a autoridade administrativa afastar o negócio jurídico praticado em fraude à lei e tributar o fato gerador considerando os efeitos da lei contornada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Guilherme Pollastri, Hélio Eduardo Araújo e Marcelo Guerra. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 37 83 /2 01 0- 41 Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcelo de Assis Guerra, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.685 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face de acórdão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/POA, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade: (1) julgar improcedente a impugnação contra a exclusão do Simples Nacional e Simples Federal; (2) julgar parcialmente procedente a impugnação ao crédito tributário, para cancelar o auto de infração de IRPJ de fls. 19 a 22 (numeração digital), que contém as exigências com fatos geradores dos anoscalendário 2006 e dos dois primeiros trimestres do anocalendário 2007, mais os lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e Cofins), relativos aos mesmos períodos; (3) julgar improcedente a impugnação apresentada por Lucio A. Neumann & Cia. Ltda., mantendo a sujeição passiva solidária do requerente. O julgado seguiu assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. Aplicase o art. 173 do CTN no que se refere à decadência no caso de comprovada a ocorrência de dolo ou fraude. NULIDADE. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL O erro na citação do enquadramento legal de determinada infração não causa nulidade do auto de infração quando, através da descrição dos fatos, é possível a pessoa jurídica compreender as razões de autuação e exercer seu direito defesa. SIMPLES. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. A manifestação de inconformidade contra a exclusão do SIMPLES não possui efeito suspensivo. SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO (AC 2005 A 2009). O contribuinte excluído do Simples se sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão. ARBITRAMENTO DO LUCRO. DEFICIÊNCIAS DA ESCRITURAÇÃO (AC 2005). Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Impõemse o arbitramento do lucro quando o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis, a escrituração dos livros Diário, Razão ou Caixa. EXCLUSÃO DO SIMPLES. SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DOS RESULTADOS. OPÇÃO DA CONTRIBUINTE (AC 2006 e 1º e 2º TRIM. 2007). A empresa excluída do Simples deve, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, ser tributada pelas regras do lucro real, lucro real ou, excepcionalmente, pelo Lucro arbitrado. Em tendo a contribuinte optado pelo lucro real, não pode a autoridade fiscal adotar o lucro real. A eventual impossibilidade de adoção da sistemática de opção do contribuinte imporia o arbitramento do lucro. EXCLUSÃO DO SIMPLES. SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DOS RESULTADOS. OPÇÃO DA CONTRIBUINTE. LUCRO PRESUMIDO. ARBITRAMENTO DE LUCRO POSTULADO EM IMPUGNAÇÃO DE LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. (3º e 4º TRIM. 2007 e AC 2008 e 2009). O arbitramento de lucros pela autoridade fiscal é uma salvaguarda do crédito tributário posta a serviço da fazenda pública e não pode ser utilizado como instrumento de defesa do sujeito passivo para elidir ou reduzir o imposto apurado. Se a repartição fiscal, em face de pedido da própria parte e diante dos livros por ela apresentados, após o exame da escrita, faz prevalecer a tributação com base no lucro presumido opção expressamente externada pela contribuinte , não pode a autuada opor dúvidas sobre a veracidade de sua escrituração para obter o arbitramento do lucro. A existência de omissão de receitas não é o bastante para sustentar a desclassificação da escrita. UNICIDADE EMPRESARIAL. EXISTÊNCIA DE FATO. PROVA. TRIBUTAÇÃO. Empresas que formalmente se apresentam como distintas, mas atuam conjuntamente como se uma só fossem, devem ser tributadas considerando essa unicidade empresarial. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita por um conjunto de indícios que, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTROLES PARALELOS. PROVA. A existência de controles paralelos cuja autenticidade e veracidade de informações foi exaustivamente comprovada, inclusive com circularização junto a terceiros demonstrando que a receita efetiva era significativamente maior do que a declarada ao Fisco, autoriza o lançamento por omissão de receitas. A omissão também fica evidenciada pela prática de não emissão de documentário fiscal ou emissão de meia nota. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.686 5 É cabível a responsabilização pelo crédito tributário a uma pluralidade de sujeitos passivos, quando praticados atos ou negócios com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Este processo foi formado originalmente em papel e depois digitalizado. Com isso, a numeração das páginas apostas no papel não coincidem necessariamente com a numeração do documento digitalizado. Nas referências que faço à numeração de páginas utilizarei a numeração do documento digitalizado. A empresa teve lavrados contra si autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 3, 19 e 40), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 68), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 90) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 11, 31 e 53). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 3.938.865,52, calculado até 30/11/2010. O relatório da ação fiscal está às fls. 113/200. A ciência dos autos de infração ocorreu em 20/02/2010. A contribuinte impugnou as exigências em 19/01/2011, através da petição de fls. 1511/1572. 1. Razões de autuação O Ministério Público Federal solicitou à Receita Federal do Brasil – RFB – a realização de auditoria na Forest Decorações Ltda (adiante, Forest). O pedido inicial ocorreu em 2006, reiterado depois, em 2009. As empresas Forest e Lúcio A. Neumann e Cia. Ltda. (adiante referida pelo nome de fantasia, Black Forest) foram alvo de busca e apreensão de documentos, efetuada com autorização judicial. Foram apreendidos documentos em papel e em formato digital, além de um notebook também foi retido para ter o disco rígido copiado. Foi constatado que a Forest e Black Forest tinham computadores interligados por rede, funcionando um equipamento como servidor, mas esse não foi localizado. Os autuantes consideraram que as duas empresas seriam, em verdade, um único empreendimento, que convencionaram chamar de Empreendimento Forest. A imposição fiscal foi efetuada considerandose não cada empresa individualmente, mas englobadamente. Os agentes do fisco assim concluíram a respeito (fls. 137/138): 2.10. CONCLUSÃO SOBRE A UNICIDADE DO EMPREENDIMENTO FOREST Ante todo o exposto, resta inequivocamente comprovado e demonstrado que Forest Decorações e Black Forest compõem, na verdade, uma única empresa. Como pudemos verificar, as lojas pertencem às mesmas pessoas físicas, atuam de fato no mesmo ramo (muito embora compartilhem um mesmo CNAE inapropriado), apresentamse conjuntamente aos clientes (slogans e propaganda), auxiliamse e se confundem quando entram em Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 contato com clientes e fornecedores e, sobretudo, utilizam sistematicamente funcionários, documentos, controles e administração umas da outras. Destacase, em particular, a existência de vendas efetuadas por uma loja que tiveram o respectivo documento fiscal emitido pela outra. Desta forma, todas as situações e operações econômicas e financeiras, bem como as implicações tributárias envolvendo ambas as lojas devem ser consideradas em conjunto, como sendo do Empreendimento Forest. Às fls. 138/139 os autuantes listam os diversos documentos apreendidos em meio físico, meio digital ou no notebook da Senhora Bárbara Sandra Medeiros e Souza. Após, demonstram haver convergência entre dados constantes nesses documentos com os documentos componentes da escrituração. Foi possível identificar assim, exemplificativamente, que todas as vendas contabilizadas estão registradas em determinada planilha, mas o documento contempla também outras vendas, para as quais não se emitiu documentário fiscal. Há referência à utilização de códigos para mascarar a ocorrência de omissão de receitas (fls. 119 sublinhei): 0 documento identificado no "Termo de Apreensão em Mandado de Busca e Apreensão" como 11 08 01 (um) Livro Caixa 2008" apresenta, ao invés do valor por extenso das receitas auferidas, códigos que se referem às vendas diárias ocorridas entre 01/01/2008 e 07/02/2010. Aparentemente, esses códigos, que normalmente são formados por seis dígitos, foram gerados pela inversão dos números integrantes do valor total de vendas por dia com duas casas decimais, excluindose a virgula. Exemplificando, o código para R$ 234,56 seria 654320; para R$ 2.100,98, 890012. Adiante transcrevo a título exemplificativo a validação de dados efetuada pelos autuantes com relação ao mês de janeiro/2008. É feito o comparativo entre uma planilha apreendida e o livro caixa da empresa: 3.2.5. Divergências Constatadas entre Livro Caixa e Planilha (Receitas Auferidas) Conforme comentamos no fim do item 3.2.4, na comparação entre o Livro Caixa (Livro a) e o arquivo "Relatorio.xlsx" (Planilha d), identificamos alguns meses em que, numa primeira análise, havia diferenças relevantes. Discorreremos sobre esses casos mês a mês. Em janeiro de 2008, temos a seguinte situação: Livro Caixa Planilha d Diferença Janeiro/08 128.107,90 179.400,00 51.292,05 No entanto, olhandose mais atentamente para a folha do mês de janeiro de 2008 (fl. 1140) no Livro a), abaixo do código total (7890009701821), que representa o valor total mensal de R$ 128.107,90, encontramos a seguinte orientação: Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.687 7 "ANEXAR COD ABAIXO". 0 "código abaixo" está assim redigido, ao fim da mesma folha: Z =+/– 000750 = 0031500 Ora, como já vimos, no Livro a) os registros são lidos de trás para frente. Logo, tal a anotação remete à existência de um valor adicional a ser somado ("anexado"), que seria de aproximadamente R$ 51.300,00 (código 0031500). Se o somarmos ao valor anteriormente codificado (R$ 128.107,90), encontramos um total que converge com o registrado na Planilha d) (R$ 179.400,00), na folha 1377. Além disso, analisandose a penúltima folha do Livro Caixa (fl 1167),que apresenta uma codificação das receitas mensais da Forest Decorações, obtemos, mediante multiplicação dos três últimos dígitos do mês de JAN/08 (897), pelo número 200 (vide item 3.2.7, no qual esse sistema de decodificação é explicado), os mesmos R$ 179.400,00 (897 X 200 = 179.400). Intimado a falar sobre as conclusões fiscais, a contribuinte limitouse a negar a autoria dos documentos e no tocante aos dados retirados do notebook da Senhora Bárbara, afirmou que ela não tem vínculo jurídico com a empresa e os documentos não diriam respeito à pessoa jurídica. Os autuantes no tópico “Vínculo da Senhora Bárbara Sandra Medeiros e Souza” os agentes do fisco procuram demonstrar a atuação da Senhora Bárbara no Empreendimento Forest, mencionando, entre outros detalhes, que foi ela quem orientou os funcionários e atendeu a equipe de fiscalização quando da apreensão dos documentos. Foi efetuada a circularização em vários clientes com intuito de validar o banco de dados do programa Oryon, extraído do notebook apreendido. Em todas as mais de 40 circularizações os clientes confirmaram ter efetuado as compras. As conclusões foram (fl. 170): a) 0 fragmento apreendido do banco de dados do Oryon realmente representa as vendas da Forest Decorações, posto que TODOS os clientes circularizados com base nas suas informações confirmaram os dados. Notese também que todos os documentos fiscais emitidos pela loja, constantes nos quadros apostos nos itens 4.2.01 a 4.02.07, encontraram o respectivo registro no Banco de Dados Oryon. b) Além disto, o Livro Caixa apreendido também representa as vendas da Forest Decorações, posto que seus dados sempre coincidem com os registros do Banco de Dados do Oryon. c) Não houve emissão de documento fiscal para parcela relevante das vendas realizadas pelo sujeito passivo, com consequente omissão na escrituração contábil. A fiscalização identificou também a utilização do expediente conhecido como meia nota, consistente em emitir documentário fiscal por valor inferior ao da venda. Às fls. 170/173 estão referidas as evidências e provas que justificam a conclusão. Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Os autuantes sob o tópico 5. Da Imprestabilidade da Contabilidade para Aferição do Lucro Real (fls. 173/183) refere as razões pelas quais não haveria possibilidade de tributação pelo lucro real. Referem que para fazer frente às vendas não contabilizadas, deve o sujeito passivo também omitir contabilmente suas compras e pagamentos, de modo a não permitir que seu caixa fique negativo (saldo contábil credor). São arroladas as provas de que relevante margem das compras foi mantida à margem da contabilidade e pagas em espécie. A conclusão é a que segue: De todo o acima exposto concluise pela total imprestabilidade da contabilidade do sujeito passivo, nos anos de 2008 e 2009, posto que além de não registrar a totalidade das receitas auferidas, também não registra parcela relevante das despesas e pagamentos efetuados. Lembrese ainda a existência de vultosos valores de saldo credor de caixa no inicio de 2008. A imprestabilidade da contabilidade nos anos de 2008 e 2009, somada à exclusão do sistema SIMPLES de tributação (próximo item), imporiam a tributação pelo regime do Lucro Arbitrado caso o sujeito passivo optasse pela apuração pelo Lucro Real. Também tornouse inevitável a tributação pelo Lucro arbitrado no ano de 2005, posto que o contribuinte NÃO apresentou a contabilidade de uma das lojas (Black Forest), de modo que a fiscalização, para o ano de 2005, não dispunha de contabilidade regular, que abrangesse todas as operações do empreendimento Forest. No que tange aos anos de 2006 e 2007, embora tenhamos indicativos de que o procedimento de não escrituração de diversas despesas ou custos tenha também ocorrido neste período, frente à ausência de provas colhidas neste sentido (os documentos e arquivos apreendidos, regra geral, referemse aos anos de 2008 e 2009), optamos por aceitar a contabilidade do contribuinte para fins de tributação no regime do Lucro Real Anual (vide item seguinte — Exclusão do Simples), obviamente juntandose as duas contabilidades e inserindose as receitas omitidas (vide item 7). A empresa Forest Decorações foi excluída do Simples Federal, com efeitos a contar de 2005, pois a receita total do empreendimento Forest em 2004 foi superior ao limite permitido e porque houve prática reiterada de infração à legislação tributária. Também foi excluída do Simples Nacional, com efeitos a contar de 1º de julho de 2007, pelas mesmas razões, considerandose agora, que em 2006 o empreendimento obteve receita bruta superior ao limite de lei. Às fls. 188/190 são apresentadas as tabelas com o total de receitas auferidas pelo empreendimento. As receitas foram consideradas como pertencentes à Forest Decorações tendo em vista que ela, de fato, assumiu o papel de matriz do grupo. Adicionalmente é dito (fls. 191): Importante ressaltar, entretanto, que o sujeito passivo esteve sob o regime do SIMPLES FEDERAL até junho de 2007 e do SIMPLES NACIONAL a partir de então. Por esse motivo, e tendo em vista a manifestação da Forest Decorações a esse respeito (item 1.4.5), enquadramos o sujeito passivo em três regimes de tributação, dependendo do período considerado: Lucro Arbitrado, Lucro Real e Lucro Presumido. Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.688 9 A sistemática completa de apuração pode ser observada nos Autos de Infração lavrados e Demonstrativos (fl 2 a 110). Para fins de apuração das exigências de IRPJ e CSLL, os autuantes dizem que em função das peculiaridades do caso teria sido necessário adotar três regimes de tributação, como descrito adiante. A) Período entre janeiro e dezembro de 2005 (exSimples Federal) A Black Forest não escriturava livros Caixa, Diário e Razão (Termo de Constatação de fls. 473) e o arbitramento tornouse a única alternativa. B) Período entre janeiro de 2006 e junho de 2007 (exSimples Federal) Os autuantes dizem que não foram encontradas provas suficientes que evidenciassem a imprestabilidade da [...] contabilidade, razão pela qual foi adotado o Lucro real. C) Período entre julho de 2007 e dezembro de 2009 (exSimples Nacional) Em função da vontade manifestada pelo sujeito passivo (item 1.4.5) e com o disposto no parágrafo 2º do Art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, foi adotado o lucro real. O PIS e Cofins foram calculados pelo regime cumulativo ou não cumulativo, dependendo das características de cada período analisado. Os detalhes estão às fls. 194/195. Os tributos previamente recolhidos pelo Empreendimento Forest foram compensados com as parcelas apuradas nos autos de infração (fls. 195/197). As exigências foram gravadas com multa de 150%, pois restou claro que o sujeito passivo optou (DOLO) por escriturar tão somente uma parcela do total de suas receitas, despesas e custos, a despeito de manter um bem organizado controle paralelo, enquadrandose perfeitamente no conceito de sonegação. A utilização de subterfúgios para blindar seus controles, como a utilização de códigos, também a emissão de meia nota, e a escrituração das receitas como se pertencentes a duas empresas distintas, configurariam a ocorrência de fraude. Para fins de garantia do crédito tributário, a Black Forest (razão social: Lúcio A Neumann e Cia Ltda) foi nomeada como sujeito passivo solidário, pois teria interesse direto na situação que constitui o fato gerador, uma vez que se confundiria, de fato, com o sujeito passivo principal. 2. Razões de defesa – Forest Decorações Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 A Forest Decorações apresentou a impugnação de fls. 1493/1555. Transcrevo adiante, em itálico, o resumo das alegações constante da petição. Após o resumo, quando necessário à compreensão das razões de defesa, complemento o texto com os demais argumentos apresentados pela contribuinte. Os destaques da transcrição são os constantes do original. Preliminares: a) Inicialmente, argúise a ilegal desconsideração da personalidade jurídica da empresa Black Forest (Lúcio A Neumann e Cia. Ltda.), que é apontada nos autos como devedora solidária e cuja receita, dimensionada por critérios inconsistentes, foi somada àquela imputada pelo Fisco à Forest Decorações, qualificada no processo como sujeito passivo; a desconsideração da personalidade jurídica da Black Forest foi decidida pelo Fisco com base em razões irrelevantes e em virtude de procedimentos que são usuais no mercado (entre empresas distintas), tudo ao arrepio do Poder Judiciário; como consequência da desconsideração da Black Forest, o Fisco concluiu que as duas empresas operavam conjuntamente, num esquema de "unicidade empresarial'; todavia, a Black Forest é de fato uma empresa independente da Forest Decorações, mantém sede própria, é legalmente constituída, comercializa as mercadorias que compra, cumpre suas obrigações tributárias, entrega suas DIPJs e outras declarações exigidas pelo Fisco, tudo independentemente da Forest Decorações, que foi erigida pelo Fisco à condição de sujeito passivo titular, certamente por ser a de maior receita; conforme exposto no item que desenvolve este tema (2.1), admitese a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica, mas apenas em determinados casos e por autorização do Poder Judiciário, requisitos não cumpridos nestes autos (arguições no item 2.1 da Impugnação). A impugnante reafirma que os pontos em comum encontrados pelo fisco entre as duas empresas não são suficientes para caracterizar a unicidade empresarial, e diz (fls. 1523): “Exemplo disso são os grandes conglomerados empresariais, especialmente financeiros, que sob um mesmo teto e sob o comando de um mesmo grupo de pessoas, administram dezenas de empresas, sem que isso provoque a "unicidade empresarial" inferida, no caso, pelo Fisco. Esses grupos, inclusive concentram diversas atividades que são comuns a todas as empresas, a exemplo da contabilidade, do processamento de dados, da cobrança, do faturamento, do marketing, do atendimento ao cliente, etc., em uma única central de serviços, vinculada a uma das empresas, sendo que seus custos são rateados por todas as usuárias, divididos por critérios vinculados ao índice de uso de cada uma. Isso, obviamente, não caracteriza a unicidade empresarial e não autoriza o Fisco a tributar, de forma unificada, as empresas que integram tal organização”. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.689 11 b) 0 segundo ponto arguido nas alegações preliminares diz respeito à inusitada e ilegal tributação conjunta das empresas Forest Decorações e Black Forest; segundo o Fisco, as duas empresas eram mantidas independentes pelos sócios no intuito de burlar os limites de receita bruta, cujo excesso, quando verificado, provoca a exclusão do Simples; porém, conforme se infere da planilha de fls. 210, mesmo somando a receita bruta, esta não alcançou, nem de longe, o limite para a exclusão do Simples; independentemente disso, não há fundamentação legal que permita ao fisco decidir pela tributação conjunta de duas empresas independentes, nomeando a de maior faturamento como sujeito passivo e a outra como devedora solidária (arguições no item 2.2 da Impugnação). c) O terceiro ponto de defesa, ainda pertencente às preliminares, é consequência do arguido em "a" e "b", acima, e visa a exclusão, do pólo passivo da presente autuação, da empresa Black Forest, indicada como devedora solidária; a Black Forest, por ser uma empresa absolutamente independente da Forest Decorações, legalmente responde somente por tributos por ela devidos, não podendo constar, portanto, no pólo passivo de outro sujeito passivo na qualidade de responsável solidária; se houve infração ao contrato social, como sugere o Fisco, o que aqui se admite para possibilitar a argumentação, a responsabilidade é pessoal dos sócios, ao teor do disposto no art. 135 do CTN (arguições no item 2.3 da Impugnação). Diz ainda a impugnante (fls. 1531): Em consonância com o disposto nos artigos reproduzidos, a jurisprudência administrativa entende que não pode haver a responsabilização solidária de uma pessoa jurídica por débitos de outra pessoa jurídica, a exemplo do que foi decidido no Acórdão n° 10615.475 de 26/04/06, prolatado pela 6a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes e publicado no DOU em 18/07/06. Destarte, resta claro o equivoco cometido pelo Fisco, qual seja, o erro na identificação do sujeito passivo, a Forest Decorações, e erro na indicação da Black Forest como devedor solidário, o que caracteriza uma nulidade processual. Por fim, cumpre destacar que somente o erro na indicação do sujeito passivo já é suficiente para condenar à nulidade o lançamento. É o que vem entendendo o Conselho de Contribuintes: "o equivoco quanto à indicação do sujeito passivo acarreta a extinção do processo em qualquer instância em que venha a ser arguida" (Acórdão 1° CC, no 10171.342/80). d) Um quarto ponto a arguir nas razões preliminares também diz respeito à Black Forest que, por ser optante pelo Simples, não pode ter seus resultados tributados pelo Lucro Arbitrado, pelo Lucro Real ou pelo Lucro Presumido, ainda mais em conjunto Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 com os resultados da Forest Decorações; para tanto, no mínimo, ela deveria ter sido previamente excluída do Simples Federal e do Simples Nacional, sistemas em que está efetivamente cadastrada e segundo os quais apurou seus tributos (arguições no item 2.4 da Impugnação). e) Por fim, para encerrar as razões preliminares, cabe arguir decadência parcial do lançamento, em vista do disposto no art. 150, § 4º, do CTN, que alcança fatos geradores ocorridos antes de 20/12/2005, nos termos do alegado no item 3.4 desta Impugnação, onde se contesta a aplicação da multa qualificada; ainda neste item, também arguise a decadência em relação exclusão do Simples, da empresa Forest Decorações, pois o Fisco se baseou em fatos de 2004, já homologados quando, em 20/12/2010 (fl. 202), declarou a mencionada exclusão (arguições no item 2.5 da Impugnação). Mérito f) No mérito, inicialmente, arguise a indevida exclusão do Simples da empresa Forest Decorações, cujo procedimento está apoiado em fatos incomprovados, além de decaídos; nesse contexto, conforme arguido no desenvolvimento da matéria em questão (item 3.1), mostrase a improcedência da exclusão, que implica a insubsistência integral do lançamento aqui hostilizado (arguições no item 3.1 da Impugnação). Diz ainda a impugnante (fls. 1536): No que concerne ao primeiro motivo alegado para a exclusão, isto 6, excesso de receita, este motivo jamais ocorreu, mesmo computando a propalada omissão de receita a ela imputada pelo Fisco. É o que se observa das planilhas de fls. 189 e 180, contidas no item 7.2 do Relatório Fiscal. Quanto ao segundo argumento, de que teria incorrido em prática reiterada de infração à legislação tributária, este motivo está sendo contestado nesta Impugnação, e somente após o trânsito em julgado poderá alicerçar eventual exclusão do Simples. g) 0 segundo aspecto de mérito, este de suma relevância no deslinde desta controvérsia, contesta a ilegal escolha, pelo Fisco, das formas de tributação do IRPJ (e reflexos) adotadas nestes autos; segundo as normas que regulam a matéria, cabe ao Fisco apenas impor, em determinadas situações e desde que estejam previstas em Lei, o Lucro Arbitrado; assim, além da ilegal soma dos resultados de duas empresas independentes, agravam os equívocos que viciam o lançamento a adoção de diversas formas de apuração das bases de cálculo dos tributos, escolhidas por critérios não revelados; é de destacar que a empresa, regularmente intimada, optou pelo Lucro Presumido, e mesmo assim, apesar "da imprestabilidade da contabilidade para aferição do lucro real' (fl. 173), o Fisco apurou o Lucro Real e tributou as empresas, conjuntamente, por essa Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.690 13 sistemática, em 2006 e no 1° semestre de 2007, com o que, dentre outras disposições legais, desobedeceu ao disposto no art. 32, § 2°, da Lei Complementar n° 123/2006 (arguições no item 3.2 da impugnação). Condensamos abaixo as razões da impugnante acerca de cada forma de tributação adotada pelo fisco: 3.2.2 Do Arbitramento em 2005 Afora outras irregularidades, haveria erro no enquadramento legal. O dispositivo legal apontado é o art. 530, I do RIR/99, mas o enquadramento correto seria o inciso III do art. 530. 3.2.3 Do Lucro Real em 2006 e 1º Semestre de 2007 As ilegalidades e irregularidades podem ser resumidas nos seguintes pontos: ao mesmo tempo, nos mesmos Autos de Infração, o Fisco resolveu tributar duas empresas distintas, pelo Lucro Real, ambas optantes pelo Simples, sem que uma delas sequer fosse excluída desta sistemática simplificada por Ato Declaratório Executivo de Exclusão, imprescindível; após relatar em 10 páginas (fls. 173 a 183) as deficiências da contabilidade sob o pomposo titulo (sic) "DA IMPRESTABILIDADE DA CONTABILIDADE PARA AFERIÇÃO DO LUCRO REAL" (fl. 173), o Fisco tributou as duas empresas, conjuntamente, pelo Lucro Real, que ele mesmo determinou (fl. 18 a 38); além da propalada imprestabilidade da contabilidade, o Lucro Real foi adotado pelo Fisco sem que, jamais, nenhuma das duas empresas que tiveram seu "Lucro Real" somado tivessem elaborado um Livro de Apuração do Lucro Real LALUR; e isto que o LALUR, nos termos do art. 260 do RIR/99 é um livro fiscal obrigatório para as empresas tributadas pelo Lucro Real, sob pena de, não o possuindo, terem seu Lucro Arbitrado (art.530, do RIR199); 3.2.4 Do Lucro Presumido no 2º Semestre de 2007 e em 2008 e 2009 A mudança de lucro real para lucro presumido na metade do ano de 2007 não teria merecido qualquer justificativa. O sistema contábil teria se mantido constante. E segundo o fisco estaria eivado de vícios em todos os anos. No relatório de trabalho fiscal, fls. 182/183 haveria a descrição da imprestabilidade da contabilidade nos anos de 2008 e 2009. Diz a impugnante que se a contabilidade é imprestável para o Lucro real ela o é também para o lucro real, mais ainda quando a empresa não possui livro caixa. O relatório também descreveria omissões na escrituração e manutenção do livro registro de inventário, pois está afirmado que para fazer frente a vendas não contabilizadas o contribuinte lançaria mão do artifício de omitir contabilmente suas compras (fls. 173). Conclui (fls. 1547): Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 “Em outra parte do Relatório Fiscal, onde o Fisco tenta justificar a "UNICIDADE EMPRESARIAL DO EMPREENDIMENTO FOREST' (fl. 124), diz que "há casos em que, embora uma loja efetive a venda, é a outra que emite o documento fiscal, demonstrando a inexistência de separação entre as operações comerciais das duas lojas e consequente confusão patrimonial' (fl. 133). Nesse contexto, não há Livro Registro de Inventário que mereça fé. Assim, se no período de julho de 2007 a dezembro de 2009, a contabilidade é imprestável, e não existe Livro Caixa, e o Livro Registro de Inventário não merece credibilidade, a única forma de tributação que poderia ter sido imposta é o Lucro Arbitrado”. h) Também no mérito, no item 3.3 desta defesa, a impugnante argui irregularidades na quantificação da Receita Bruta inferida pelo Fisco; certamente, no afã de prestar contas aos que requeriam o procedimento fiscal, bem como para amainar a preocupação destes "com a aparente sensação de impunidade do contribuinte" (Oficio n° 221/2009/DRF/CXL/SEFIS), o Fisco preocupouse em apresentar um lançamento elevado, mesmo que para isso tivesse que buscar "receita" em qualquer anotação recolhida quando da realização da "busca e apreensão" e mesmo que tivesse que somar, ao arrepio da Lei, a receita assim apurada, imputada a duas empresas independentes; para constatar a inconsistência da receita apurada pelo Fisco, basta observar a planilha de fls. 189, do Relatório Fiscal, que consolida a receita total (declarada e omitida) da atividade que o Fisco denomina de "Empreendimento Forest (fl. 189); evidentemente, um simples olhar sobre os valores grafados na mencionada planilha, todos representados por números "redondos", indica de plano que aqueles valores não correspondem à efetiva receita de duas empresas que vendem "quinquilharias"; de fato, a verdadeira receita é a representada pelos valores individuais declarados pelas duas empresas, que estão mostrados na planilha de fls. 210, e que, frisese, contrariando a mais elementar lógica matemática, estão inclusos na tabela de fls. 189 (arguições no item 3.3 da Impugnação). Aduz, ainda, que os documentos apreendidos representariam, no máximo, indícios de possível indício fiscal, mas não prova, assim (fls. 1549): Tais arquivos, assim como as outras pretensas provas trazidas aos autos, até podem representar indícios de um possível ilícito fiscal, mas não conduzem a uma conclusão de certeza do valor. Enquanto meros relatórios, especialmente quando colhidos em computador de terceiros, estes não são suficientes para a caracterização de omissão de receitas. Não passam de uma simples prova indiciária. Para confirmar a suspeita, fazse necessário uma apuração aprofundada, para que, diante de novos indícios homogêneos, cheguese a uma conclusão suficientemente forte para caracterizar a certeza dos valores. Afinal, as situações trazidas aos autos não configuram omissão de receitas, mas são apenas indícios, pois relatórios de Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.691 15 computador não figuram nas hipóteses de presunção legal, mas apenas hominis. i) Ainda no mérito, arguise o irregular emprego da multa de oficio qualificada, pois ela foi generalizadamente aplicada a todos os resultados, independentemente de comprovado, especificamente em relação a cada um, a ação dolosa que o maculasse; neste contexto, por exemplo, não podem ser incluídos os resultados derivados das receitas já declaradas pelas duas empresas, bem como aqueles extraídos dos livros contábeis e fiscais, em relação aos quais, nem por hipótese, cabe a qualificação da multa (arguições no item 3.4 da Impugnação). Diz ainda a impugnante (fls. 1536): E não se diga que esse equívoco do Fisco não produz efeitos, sob o argumento de que os tributos recolhidos sobre tal base, pelo Simples, foram compensados com os valores apurados nos Autos de Infração. Esse raciocínio, embora verdadeiro em tese, matematicamente é incorreto, pois a carga tributária imposta nos Autos de Infração é bem superior à paga originariamente segundo a sistemática do Simples. Ademais, segundo o disposto no art. 112 do CTN, as compensações devem ser deduzidas, em primeiro lugar, dos débitos tributários marcados com multa qualificada, para depois, em havendo sobras, reduzirem os débitos com multa de oficio normal. j) Por fim, mesmo reconhecendo que o critério usual nos julgamentos administrativos é o de atribuir aos lançamentos reflexivos o decidido no processo matriz, a Impugnante reivindica que as arguições desta defesa, embora orientadas para o Auto de Infração de IRPJ (matriz), sejam estendidas, no que couber, As contribuições de CSLL, PIS e COFINS constituídas neste processo (arguições no item 3.5 da Impugnação). 3. Defesa de Black Forest contra a Sujeição Solidária Passiva A empresa Black Forest (Lucio A. Neumann e Cia. Ltda.) apresentou defesa contra a sua nomeação como sujeito passivo solidário (fls. 1557/1572). Inicialmente a defesa repisa argumentos de defesa apresentados pela Forest Decorações, em especial sobre a ilegal desconsideração da personalidade jurídica da Black Forest e a ilegal soma, para fins de autuação, das receitas/resultados de duas empresas independentes. Também repete os argumentos de defesa no tocante à inexistência nos autos de indicação de que a Black Forest tenha sido excluída do Simples. Depois traz alegações acerca da ilegitimidade passiva e da ilegal sujeição solidária passiva da Black Forest, que passamos a resumir. Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 A Black Forest não poderia ser incluída no pólo passivo porque não possuiria qualquer relação com os pretensos débitos atribuídos pelo fisco. Não haveria amparo legal para responsabilizar a impugnante; não haveria interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Caso houvesse qualquer infração ao contrato social, somente as pessoas elencadas nos arts. 134 e 135 do CTN é que poderiam ser responsabilizados. Menciona jurisprudência administrativa dando conta que não pode haver responsabilização solidária de uma pessoa jurídica por débitos de outra pessoa jurídica. Haveria nulidade processual por erro na identificação do sujeito passivo. A parcela exonerada não mereceu remanescer porque, no entender do colegiado, tendo o contribuinte optado por apurar o lucro de 2006 e 2007 com base no lucro presumido, e havendo previsão expressa para esta opção no §2º do art. 32 da Lei Complementar nº 123/2006, a fiscalização não poderia têlo reenquadrado no critério de apuração do lucro real, mas tão somente no lucro arbitrado. No entender do colegiado, o art. 26 da Lei nº 9.430/96, que determina que a opção pela tributação com base no lucro presumido seja aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. Assim, ficaram afastados os lançamentos sob o critério do lucro real, relativos aos anos calendário de 2006 e 2007 (este último, apenas os lançamentos relativos aos 1º e 2º trimestres). Forest Decorações, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a) a desconsideração da personalidade jurídica da Black Forest é ilegal, pois as provas são insuficientes para presumir o “Empreendimento Forest” (fl. 114), não há competência para o agente fiscal efetuar a desconsideração (a competência é judicial – art. 50, Código Civil), e as exigências são feitas ao desamparo da lei, não havendo fundamentação legal para autorizar a tributação unificada das duas empresas; b) a falta de rateio das despesas não autoriza a conclusão quanto à unificação, nem mesmo a confusão dos estoques, pois o fisco considerou bom o Livro Registro de Inventário. O dito promíscuo uso de empregados decorre da necessidade de os empregados auferirem comissões com compartilhamento de comissão com o vendedor da outra loja; c) não há interesse comum que justifique a solidariedade (art. 124, CTN); d) a não exclusão da Black Forest do Simples é ilegal, pois não foi editado Ato Declaratório de Exclusão; e) há decadência dos fatos anteriores a 20/12/2005, pois o lançamento foi notificado em 20/12/2010; f) parte da base de cálculo tributada já foi tributada na sistemática do simples. Assim, não pode incidir multa qualificada sobre ela; g) o excesso de receitas observado no anocalendário de 2004 não poderia estribar exclusão do Simples, decretada em dezembro de 2010, porque já ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data dos fatos e a data da exclusão; h) o segundo argumento (prática reiterada de infração à legislação tributária) somente poderia alicerçar a exclusão após trânsito em julgado; Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.692 17 i) o Fisco não pode acatar a escolha da fiscalizada (2º semestre de 2007 e 2008) se ela não cumpriu com as obrigações acessórias pertinentes, especialmente a escrituração elaborada nos termos da legislação fiscal e comercial (art. 527, RIR). Assim, de acordo com o Relatório Fiscal (fl. 174184) somente o lucro arbitrado seria possível. Isto porque não foram as empresas tributadas separadamente, mas o Empreendimento (fl. 1592); j) o enquadramento correto do arbitramento do anocalendário de 2005 é o art. 530, III e não o art. 530, I, ambos do RIR. Assim, o lançamento é nulo por erro na disposição legal infringida; l) se a contabilidade em 2008 e 2009 era imprestável para o lucro real (fl. 182), também o era para o lucro presumido, e se não havia livro caixa, impunhase o arbitramento. Também, segundo o Fisco, o livro de inventário não era confiável, tendo em vista que (fl. 174) no entender da fiscalização, para fazer frente às vendas não contabilizadas, o sujeito passivo omitia, também, compras e pagamentos, para evitar saldo credor de caixa; m) o Empreendimento Forest não possui contabilidade. Então, somente poderia ser tributado pelo lucro arbitrado; n) as provas colhidas em procedimento de busca e apreensão apresentam dúvidas e não servem para alicerçar o lançamento. As receitas apuradas e declaradas pela Forest Decorações e pela Black Forest foram desconsideradas, adotandose valores colhidos em anotações e em meios magnéticos arrecadados no cumprimento do MBA. Os valores foram obtidos de computador de pessoa que não trabalha na empresa, há valores que correspondem a previsões e metas. Assim, não merecem crédito. Relatórios de computadores são hipóteses de presunções hominis. Os dados colhidos são de números “redondos”; o) por não ter sido provada a simulação de existência de duas empresas, para lograr o resultado de uma só e por ter sido comprovada a emissão de meianota de somente uma parte da base de cálculo não pode prosperar a aplicação da multa qualificada sobre todo o crédito tributário; p) também não cabe aplicação de multa qualificada sobre a parcela que foi contabilizada e oferecida à tributação, embora tenha havido compensação com os valores apurados nos autos de infração (planilha de fls.210); q) não há definição da autoria dos ilícitos (Forest ou Black Forest). Por sua vez, Lucio A Neumann e Cia Ltda (Black Forest), na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou e endossou argumentos levantados na defesa de Forest Decorações, em especial: a) a ilegalidade da desconsideração da personalidade jurídica da Lucio A Neumann e Cia Ltda (Black Forest); b) a ilegalidade da soma, para fins de autuação, das receitas/resultados de duas empresas independentes; Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 c) a ilegalidade da sujeição passiva solidária da Black Forest, pois não há interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; d) a ilegalidade da não exclusão da Black Forest do Simples, por ausência de Ato Declaratório de Exclusão. É o relatório. Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.693 19 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso de ofício satisfaz os requisitos de admissibilidade, por ser o montante do crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, e portanto, dele conheço. A parcela exonerada pelo colegiado a quo é devida ao fato de que tendo o contribuinte optado por apurar o lucro de 2006 e 2007 com base no lucro presumido, e havendo previsão expressa para esta opção no §2º do art. 32 da Lei Complementar nº 123/2006, a fiscalização não poderia têlo reenquadrado no critério de apuração do lucro real, mas tão somente no lucro arbitrado. No entender do colegiado, o art. 26 da Lei nº 9.430/96 determina que a opção pela tributação com base no lucro presumido seja aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. Assim, ficaram afastados os lançamentos sob o critério do lucro real, relativos aos anoscalendário de 2006 e 2007 (este último, apenas os lançamentos relativos aos 1º e 2º trimestres). Desta decisão tomada pelo colegiado a quo devo divergir. Ocorre que a menção explícita à possibilidade de adoção do regime do lucro presumido somente foi positivada pela Lei Complementar nº 123/2006, que veio a reger o Simples Nacional. O período em tela é o anocalendário de 2006 e o primeiro semestre de 2007, em que a lei de regência do Simples Nacional (Lei nº 9.317/96) prescrevia tão somente que a pessoa excluída do Simples ficaria sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, verbis: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Neste sentido, a norma geral de tributação aplicável às demais pessoas jurídicas neste ponto era (e ainda o é) a Lei nº 9430/96 que prescreve ser o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário aquele que define as opções pelo lucro real anual (art. 3º, parágrafo único) ou o lucro presumido (art. 26, §1º). Na ausência deste pagamento, o regime geral aplicável é o do lucro real trimestral, verbis: Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. ... Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. § 1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. Assim, a exclusão do Simples, em situação que já envolvesse recolhimentos efetuados sob esta sistemática, era inibidora da adoção dos regimes do lucro real anual ou presumido, acaso já efetuados recolhimentos no regime simplificado, tal qual se dá no caso vertente. Desta forma, restava tão somente aos contribuintes a adoção do lucro real trimestral ou a sujeição ao arbitramento. No caso vertente, a intimação fiscal (fls. 385) dizia: Por conseguinte, em conformidade com o parágrafo 2° do Art. 32 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, o sujeito passivo supra mencionado poderá optar pelo recolhimento do IRPJ e da CSLL na forma estabelecida pelo Lucro Presumido, Lucro Real Trimestral ou Lucro Anual. Ressalvese que a opção pelo Lucro Real, seja Trimestral ou Anual, depende de manutenção da escrituração contábil sem vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinálo. Assim, tendo o fiscal mencionado o art. 32 da LC 123/2006, constatase que não houve confusão ou erro no documento fiscal, sendo que a intimação dizia respeito expressamente ao período regido pelo Simples Nacional, e, portanto, ao período posterior a 01/07/2007. Desta forma, o período de 01/01/2006 a 01/07/2007 poderia sim ter sido apurado mediante o critério do lucro real, havendo, como havia condições para tal. Relativamente à mudança de critério de apuração no ano de 2007 (lucro real trimestral no 1º e 2º trimestres e lucro presumido nos 3º e 4º semestres) esta não restaria ao desamparo legal, em confronto com o art.26 da Lei nº 9.430/96, porquanto o §2º do art. 32 da Lei Complementar nº 123/2006 é lex posterior (de 2006) e também lex especialis (regendo situação específica de exclusão do Simples Nacional), derrogando, portanto, o art. 26 da Lei nº 9.430/96 neste ponto. Assim, voto para dar provimento ao recurso de ofício e restabelecer a exigência exonerada. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.694 21 Os recursos voluntários são tempestivos, e portanto, deles também conheço. (a) Das provas carreadas pela fiscalização para admitir um único sujeito passivo e validar as informações obtidas em Mandado de Busca e Apreensão A fiscalização elenca vários elementos para concluir a unidade de sujeição passiva, dentre eles: a) apresentação na internet – tanto a Forest (http://forestdecoracoes.com.br) como a Black Forest (http://bforest.com.br) apresentamse na internet como empresa da família Neumann, dedicadas à decoração e comercialização de relógios alemães (fl. 124/125); b) quadro societário – ambas as empresas têm como sócios exatamente as mesmas pessoas físicas, Lúcio Afonso Neumann (pai) e Marcelo Secco Neumann (filho), cfr. fls. 126, sendo que a administração de ambas está a cargo de Marcelo Secco Neumann. Percebese, ainda, que os limites de participação foram estabelecidos com observância do limite de participação societária para possibilitar enquadramento no Simples Federal (5% e 95%); c) mesmo CNAE (comércio varejista de suvenires, bijuterias e artesanatos) sendo que a atividade principal de ambas é o comércio de produtos de decoração, relógios, entre outros, e em ambos os casos é igualmente dissociada do que reza seu CNAE; d) mesmo escritório contábil (VOLDEMATOR SERVIÇOS E ASSESSORIA CONTÁBIL LTDA, CNPJ 90.615.014/000102); e) localização muito próxima; situamse praticamente um em frente ao outro; f) administração comum, feita no mezanino da Forest Decorações, onde se concentrava TODA a documentação das empresas; g) ambas utilizam o mesmo programa para controle de vendas e estoques, denominado Oryon, que permitia o controle online de todas as vendas efetuadas por quaisquer dos estabelecimentos do Empreendimento Forest (fl.130); h) anúncio de mercadorias idênticas, inclusive com mesmo código de referência, nos sítios da internet; i) existência de várias mensagens de email apreendidas na execução do MBA (Mandado de Busca e Apreensão) que demonstram a confusão empresarial entre Forest e Black Forest (citados pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, fl. 131); j) existência de vendas iniciadas por uma empresa e finalizadas por outra, em que verificouse que os orçamentos e pedidos foram tomados pela Forest, mas o documento fiscal foi emitido pela Black Forest (fl.132); Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 l) a publicidade era compartilhada, e foram identificados emails com conteúdo publicitário, enviados pelo computador localizado na recepção da Forest, que anunciavam as duas lojas simultaneamente; m) orientação do escritório contábil para que certas obviedades fossem observadas, as quais jamais seriam fornecidas, caso os empreendimentos fossem distintos. Assim, v.g., há email enviado por Marlene (provavelmente funcionária do escritório contábil) em que o sujeito passivo foi orientado a “nas compras, Lucio e Forest, cada estabelecimento deve ter nota de compra separada dos produtos, pois são estabelecimentos distintos, se for mandada mercadoria de um estabelecimento para outro, deve ser enviada NF de venda” (fl. 1352), conforme TVF, fls.133; n) presença de vários documentos que indicam controle comum, arrecadados no cumprimento do MBA, como agenda de trabalho de Emília B Cardoso, de 2009, em que foram identificadas operações e controles referentes a Black Forest, enquanto que a referida funcionária é empregada da Forest Decorações (não registrada na data em que foi cumprido o MBA – fl.134). Também foi apreendido na Forest Decorações um caderno intitulado “livro dos acontecimentos da loja” que também continha vários registros concernentes à Black Forest (fl. 134); o) documentos digitais encontrados na Forest Decorações continham o logotipo da Black Forest; a funcionária Viviane Fraga, empregada da Forest Decorações enviava emails como se fosse da Black Forest; noutro arquivo, denominado “Valores a serem descontados dos funcionários presentes. doc" há uma relação de funcionários da Forest Decorações que inclui Odete Foss Lechner, registrada na Black Forest; na pasta da funcionária Emília consta o arquivo “Planilha de atividades”, que indica que no dia 5 de cada mês uma das atividades do setor financeiro da Forest era realizar o “Fechamento de contas em geral – FOREST, BLACK FOREST e PESSOAL”; p) documentos físicos encontrados na Black Forest indicam confusão patrimonial. Em uma das agendas apreendidas na Black Forest contém uma anotação de 24/10/09 informando que o Sr. Luís Augusto, que comprara um aparelho de telefone da Forest Decorações, viera trocar o mesmo, levando um aparelho da Black Forest. As vendas de uma loja eram por vezes feitas com formulários da outra (fl. 136). Um bloco, embora estampado com o logotipo da Black Forest, tinha uma anotação informando o email comercial2@forestdecoracoes.com.br que pertence à Forest Decorações; q) vários outros documentos, tanto em meio físico como digital foram arrecadados, demonstrando a confusão, para demonstrar e quantificar a omissão de receitas. No livro físico intitulado “08 – 01 (um) livro Caixa 2008” pelo Termo de Apreensão do MBA havia as anotações à forma de livro caixa, que discriminava o total de vendas por dia no período de 01/01/2008 a 07/02/2008. No entanto, ao invés das receitas, eram informados códigos formados por seis dígitos, que posteriormente foram identificados como sendo gerados pela inversão dos números relativos às vendas do dia com duas casas decimais, excluindose a vírgula. Como exemplo, o código para R$ 234,56 seria 65432; para R$ 2.100,98 seria 890012. Nele havia, também, uma folha avulsa que informava as receitas, despesas e custos incorridos tanto na Forest quanto na Black até o mês de agosto de 2009. A fiscalização aduziu que comparou os dados dos documentos arrecadados (o livro anterior estava entre eles) e verificou que as notas e os cupons fiscais emitidos (obtidos diretamente ou mediante procedimento de circularização) pelas duas lojas convergiam com os dados ali lançados (fl. 139). Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.695 23 A convergência dos dados foi exposta pela fiscalização na tabela de fls.143 (Livro caixa com Planilha d), donde se constata que em 24 meses (janeiro/2008 a dezembro/2009) a aproximação dos dados comparados é muito grande. A convergência também foi demonstrada ao se cuidar das adições dos valores em código (fl. 145). Além disso, a fiscalização ainda circularizou os clientes indicados nos bancos de dados que confirmaram as vendas (feitas sem a emissão de cupons fiscais). Tratamse, pois, de provas diretas do ilícito e não de presunções (muito menos de presunções hominis), especialmente na medida em que os dados colhidos passam a convergir com outros, garantindo sua certeza. A reunião de tantos elementos de convicção migrando em mesmo sentido impossibilita descrer que de fato tratavase de apenas e tão somente um negócio, gerido de forma comum, pelas mesmas pessoas. Na verdade, a divisão em duas pessoas jurídicas visava tão somente ao fim de possibilitar tributação mais favorável, facultando a permanência das duas pessoas jurídicas, Forest Decorações e Black Forest, no regime simplificado. A criação das pessoas jurídicas e a divisão do faturamento comum entre elas era portanto desejada pelas partes envolvidas, em prejuízo tão somente da Fazenda Nacional, situação que caracteriza a fraude, pela qual duas ou mais pessoas associamse para praticar um ato jurídico em detrimento de terceiro. A prática de fraude brutal também se verificou, com a emissão de meias notas. Por fim, o desejo de escamotear o propósito ilícito deixouse transparecer em algumas passagens, como no email da funcionária do escritório de contabilidade, avisando para emitir notas de um estabelecimento para o outro, ou na adoção do Livro Caixa que continha códigos de vendas diárias de mercadorias de modo a encobrir os dados ali inseridos. Vejo, assim, como perfeitamente demonstrado que as pessoas envolvidas nos quadros sociais de Forest Decorações e Black Forest de fato deram seguimento a um único negócio, fraudulentamente dividido em duas pessoas jurídicas, com o propósito único de lograr menor tributação, escondendo (sonegando) do Fisco a real condição de lucratividade do negócio empreendido. b) O afastamento do negócio jurídico praticado A prática deste tipo de fraude contra a Fazenda, associada a este tipo de resultado autoriza o Fisco a afastar os efeitos do negócio jurídico praticado, tributando a situação como se houvesse um único beneficiário, como de fato há. Não se cuida, assim, de desconsideração do negócio jurídico nos termos da Lei Civil, que depende de autorização judicial, e tem como efeitos a decretação de nulidade do ato jurídico praticado. No âmbito tributário é dado à autoridade administrativa tão somente afastar os efeitos do ato praticado, que continua válido e produzindo seus efeitos civis, mas remanesce afastado para efeitos tributários. Tal dicção é dada pelo art. 118 do CTN. O art. 118, ao falar em “a definição legal do fato gerador é interpretada” está, por uma forma sucinta, fazendo menção ao ato do aplicador em fazer a subsunção do fato à norma obrigacional. A definição do fato gerador que interpreta é aquela constante da lei. E a interpretação é o ato do aplicador, face ao fato concreto Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 24 a ele apresentado, em cotejálo face ao dispositivo de lei. Não há dúvidas nisso. Tratase de disposição de cunho evidente. Assim, esta subsunção do aplicador, consoante a redação do art. 118, poderá ser feita com abstração da validade dos atos efetivamente praticados, o que faz com que: a) o ato nulo possa ser apreciado como válido para que sobre ele se faça a subsunção da norma ao fato, e esta é a faceta mais comumente conhecida deste dispositivo; b) o ato válido, aparentemente, porque não decretada sua nulidade ou ineficácia pelo Poder Judiciário, possa ser reconhecido como nulo ou ineficaz, para o estrito efeito de realizar a subsunção do fato à norma. Nesta situação, verificado um negócio jurídico com objetivo de fraudar a lei tributária obrigacional (que é imperativa), ainda que seja ele válido, poderá a autoridade fazendária considerar desde já sua natureza in fraus legis para o efeito meramente tributário, abstraindo, portanto, de sua validade, e da decretação de sua nulidade pelo Poder Judiciário. Ora, se praticado in fraus legis, o ato é nulo (art. 166, VI, CC), portanto. É este reconhecimento que a autoridade administrativa não precisa aguardar de uma decisão judicial, para o efeito de efetuar a subsunção do fato à hipótese de incidência legal, assim considerandoo, porque pode abstrair de sua validade jurídica para efetuála, feita a subsunção com a repugnação do ato em fraude à lei. A autoridade administrativa, no seu dever de ofício, pode lançar o crédito tributário de ofício nesta situação. Porque verifica a aquisição de capacidade econômica que é captada pela lei tributária, e não remanesce presa aos efeitos do ato em fraude à lei, porque pode – para este efeito – levar em consideração sua nulidade, independentemente de decisão judicial. Tal consideração de nulidade, todavia, embora seja uma expressão forte, equivale tão somente à abstração da validade para efetuar a subsunção do fato à norma geral. Como afirmou Heleno Tôrres1, a previsão de ineficácia do negócio jurídico tanto pode advir de normas de direito privado, quanto de direito tributário; a única diferença e que, neste último caso, suas conseqüências afetam apenas a relação tributária, sem qualquer implicação com a relação de direito privado; e no caso das normas de direito privado, suas implicações afetam tanto a relação de direito privado quanto aquela de direito tributário. Assim, como o art. 149, VII do CTN permite o lançamento de ofício, verificada a fraude, poderá esta autoridade, ato contínuo, efetuar o lançamento relativamente a tal fato gerador. No caso da legislação federal, a redação dos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 analisados conjuntamente com o art. 44 da Lei nº 9.430/96 impõe reconhecerse falta de pagamento ou de declaração constitutiva do débito. Pressupõese, assim, o descumprimento da obrigação tributária principal, justamente este que vem a ser objeto da penalidade. Desta forma, esta combinação de dispositivos autoriza, também, o lançamento do crédito tributário, ainda que no caso da fraude à lei, nos termos em se daria, caso fosse realizado o negócio jurídico direto. Negarse isso equivale a defender uma situação por demais esdrúxula, que consistiria no poder conferido à autoridade fazendária para abstrair da validade do ato em 1 TÔRRES, Heleno. Direito Tributário e Direito Privado – Autonomia privada, simulação, elusão tributária. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2003, p. 378. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.696 25 fraude à lei ou simulado, lançar a multa qualificada sobre o crédito que restou não adimplido, mas, no entanto, absterse de lançar o crédito tributário, por ausência de autorização legal para tanto (norma que permita a desconsideração do negócio in fraus legis). Além desta situação incompatível com a sistematicidade do ordenamento, haveria um total e insuperável conflito com o conceito de sanção, porquanto ela deriva de um ato ilícito. A sanção do art. 72 pressupõe falta de pagamento e fraude. Mas entenderse que poderia a autoridade considerar falta de pagamento para o fim de aplicar a multa qualificada, sem todavia, poder lançar o crédito decorrente da falta de pagamento é absurdo. Pela teoria administrativa dos poderes implícitos, se a autoridade possui o dever de realizar algo, também possui as competências para tanto. Assim, se a autoridade pode (e, considerando que seu atuar, no direito tributário é vinculado), então, deve abstrair da validade do ato jurídico praticado para fazer a subsunção legal, se verificálo simulado ou em fraude à lei, impedir que ela possa afastar o ato simulado ou que possa efetuar o lançamento desconsiderando os efeitos do contorno à lei imperativa, significa negar sua competência. Tal teoria também restaria violada em tal caso, porquanto terseia que admitir que a autoridade fazendária possui o poder de identificar o ilícito, tem o dever de lançar o ilícito e sancionálo, mas numa determinada hipótese resta alijada deste poder. Por fim, por uma condição verdadeiramente existencial, o sistema jurídico deve ostentar coerência, e em muitas vezes ela advém da interpretação sistemática, visando a articular os dispositivos cogentes de forma que venha a ter sentido e eficácia. Este é, ao nosso ver, o que pretendeu afirmar Tulio Rosembuj2 ao dizer que al desvelar el fraude de ley el efecto consiste en la plena sujeción del hecho a la ley defraudada. Acreditamos, então, que pelo menos no que tange à legislação federal, nenhuma norma antielisiva necessite ser criada para que a autoridade fazendária possa afastar o ato em fraude à lei ou simulado, e tributar o negócio jurídico direto ou o ato dissimulado. c) A tributação conjunta dos resultados Verificase que a materialidade dos fatos geradores experimentados pela Forest e pela Black Forest foi adicionada mêsamês, tendo sido descontados os tributos recolhidos por ambas, consoante apregoou a fiscalização no auto de infração e no Relatório de Fiscalização. A fiscalização afirma que segregou os pagamentos por tributo (IRPJ, CSLL, etc) e promoveu o abatimento. De se ver que o procedimento seguiu acertado, não cabendo alegações quanto a possível aplicação de multa qualificada tão somente sobre a parcela não recolhida, porquanto tudo o que foi lançado não foi recolhido. Se o que foi recolhido o foi à alíquota inferior, na tributação em separado, isto se deu porque considerados individualmente os faturamentos, de acordo com a sistemática do Simples, estariam sujeitos a alíquotas menores. Todavia, tal situação somente foi permitida pela prática fraudulenta. Ao serem os fatos geradores corretamente tributados, com a reunião das rubricas e com a alteração do regime de apuração (do Simples para Lucro Arbitrado ou 2 ROSEMBUJ, Túlio. El fraude de ley, la simulación y el abuso de las formas en el derecho tributario. 2ª ed. Prólogo de Franco Gallo. MadridBarcelona: Marcial Pons, 1999, p.80. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 26 Presumido) evidentemente que haverá aumento de alíquotas. Se, todavia, for abatido o imposto pago, não há irregularidades. d) a Solidariedade (art. 124, CTN) Afigurase correta a meu ver a constatação de interesse comum, hábil para promover a extensão da responsabilidade pelo crédito também à Black Forest (Lucio A Neumann e Cia Ltda). Isto porque, ao agirem em conluio, Forest Decorações e Black Forest lograram ambas reduzir sua carga tributária, o que a fortiori também resultou na menor carga tributária do Empreendimento Forest, pela soma de parcelas inferiores. Assim, o interesse foi comum, e caracterizado pelo fim de associarse e praticar atos que implicaram em divisão de faturamento, com vistas a pagar menos tributo. Não se trata, pois, daquele interesse envolto na bilateralidade compradorvendedor, sempre lembrado na crítica de Paulo de Barros Carvalho3, para quem tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. Assim, assemelhase, v.g., ao caso do IPTU, em que havendo duas ou mais pessoas proprietárias do mesmo imóvel possuem interesse comum, porquanto ambas, Forest Decorações e Black Forest encontramse ambas no mesmo pólo e não em posições antagônicas. Desta forma, mantenho o vínculo de solidariedade, com fulcro no art. 124 do CTN. e) A não exclusão do Simples de Black Forest Argúi a recorrente que a não exclusão da Black Forest do Simples é ilegal, pois não foi editado Ato Declaratório de Exclusão. Todavia, tal omissão está em consonância com os demais procedimentos adotados pela fiscalização, que considerou toda a receita pertencente a uma só pessoa jurídica, e, assim, rechaçou os efeitos dos fatos geradores da outra pessoa jurídica, porquanto já haviam sido considerados na apuração da primeira pessoa jurídica. Desta forma, se toda a receita bruta de Black Forest foi juntada ao acervo de Forest Decorações nada ali restou para ser tributado, e, portanto, descabe qualquer alusão à exclusão do Simples por extravasamento do limite da receita bruta. Assim, como não houve a exclusão do Simples de Black Forest também não poderia haver ato declaratório de exclusão. f) Alegação de que o excesso de receitas observado no anocalendário de 2004 não poderia estribar exclusão do Simples, decretada em dezembro de 2010 3 BARROS CARVALHO, Paulo. Curso de Direito Tributário. 13ª ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p.311. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.697 27 Alegou a recorrente que o excesso de receitas observado no anocalendário de 2004 não poderia estribar exclusão do Simples, decretada em dezembro de 2010 porque já ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data dos fatos e a data da exclusão. Vale lembrar, todavia, que a exclusão do Simples não se deu meramente por extravasamento do limite de receita bruta, mas também pela prática reiterada de infração à legislação tributária. Além disso, não se vê dos autos que tenha a fiscalização tomado por base os fatos geradores do anocalendário de 2004, como haveria de se ver quando a exclusão é feita por extravasamento dos limites de receita, em que a fiscalização usualmente efetua a tributação do anocalendário em que se verifica o extravasamento de acordo com a sistemática do Simples, e posteriormente, faz o lançamento dos fatos geradores omitidos no anocalendário seguinte já no regime comum de tributação, quando então produz efeitos a exclusão. Assim, tomados em conta os fatos geradores de 2005, como se vê dos autos, não seria possível a tributação dos fatos geradores deste mesmo anocalendário por arbitramento, vez que a exclusão feita apenas por extravasamento dos limites de receita somente se opera, nos termos do art. 14, V, da revogada Lei nº 9.317/96 (vigente para os fatos deste processo) no anocalendário subseqüente ao do extravasamento. Vêse, até pelo momento em que a exclusão surtiu efeitos que o fato determinante foi a prática reiterada de infração à legislação tributária, sendo o extravasamento dos limites mero reforço argumentativo. Assim, a alegação merece reparo, pois não é o exame de fatos geradores já sob o manto da decadência que repercute na exclusão do Simples Federal, mas a constatação de prática reiterada de infração à legislação tributária, verificada a partir de 01/01/2005, que tem comando distinto na legislação. Desta forma, como os efeitos da exclusão decorrente de prática reiterada de infração à legislação tributária operam a partir, inclusive, do mês de início da ocorrência da prática infracional (art. 14, V, Lei nº 9.317/96) e tal data foi estipulada no ADE de exclusão como 01/01/2005 (fl.204), vêse que a tributação já efetuada por arbitramento no primeiro trimestre de 2005 (fl.5) está em consonância com tal situação, corroborando a conclusão acima. Convém ressaltar, ainda, que a exclusão do Simples não possui efeito suspensivo, valendo assim que publicada. Deste modo, não há necessidade de se aguardar o julgamento em definitivo na esfera administrativa para que o ato produza efeitos. g) O arbitramento é ato privativo da autoridade administrativa Alega a recorrente que o Fisco não pode acatar a escolha da fiscalizada (2º semestre de 2007 e 2008) se ela não cumpriu com as obrigações acessórias pertinentes, especialmente a escrituração elaborada nos termos da legislação fiscal e comercial (art. 527, RIR). Assim, de acordo com o Relatório Fiscal (fl. 174184) somente o lucro arbitrado seria possível. Isto porque não foram as empresas tributadas separadamente, mas o Empreendimento (fl. 1592). Ora, tal alegação em primeiro lugar soa mal, pois a ninguém é dado beneficiarse de sua própria torpeza. Primeiro se elege um regime, e depois se alega que o regime eleito não poderia ter sido considerado, porque se descumpriu os deveres que o regime eleito prescrevia. Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 28 Todavia, há outras razões que me fazem concluir pelo acerto do trabalho fiscal e a principal delas é o fato de que o arbitramento é medida extrema, somente podendo ser utilizado caso a fiscalização não possua condições de efetuar o lançamento por outra forma. Relativamente à questão da conduta da autoridade fiscal, é cediço que a atividade da autoridade fiscal, nos termos do art. 142 do CTN, é vinculada à lei, não restando qualquer margem de discricionariedade ao auditorfiscal. Todavia, há que se ponderar sobre o tempero desta regra, já há muito observado pela doutrina, vez que a Lei em várias oportunidades abre mais de uma via à autoridade, como foi bem observado por Paulo de Barros Carvalho4, ao comentar o conceito de ato vinculado. Vejamos. Todavia, não concordo com a tendência ao absoluto que inspira essa definição. Parto de outras premissas, que não concedem garantias de unissignificação, a não ser para os termos das linguagens formalizadas (Lógica, Matemática, etc), entendendo que todos os vocábulos das linguagens de objetos não ideais são vagos e, ao menos potencialmente, ambíguos. Para mais, não creio possa existir comportamento da Administração Pública destituído de apreciação subjetiva. Tomo a liberdade, por conseguinte, de relaxar um pouco os termos dessa construção doutrinária, para poder mobilizála adequadamente, no terreno dos tributos. De se ver que a regras estabelecidas pelo caput e parágrafo único do art.14 da Lei nº 8.218/91 como pelo inciso I do 47 da Lei nº 8.981/95 tutelam o interesse da Fazenda Nacional, protegendoa tanto do seu agente quanto do contribuinte faltoso (por vincular ambos a procedimento que fornece saída para a negativa de colaboração do contribuinte com o procedimento fiscal). E nisto reside a principal diferença desta regra de imposição de procedimento vinculado veiculada pelo art. 142 do CTN que visa a tutelar tanto a Fazenda Nacional quanto o contribuinte, assegurando que a imposição tributária se pautará por critérios unicamente objetivos, garantindo segurança jurídica a ambos. Quanto à questão sobre a obrigatoriedade ou não do arbitramento, e se os comandos estipulados pelo caput e parágrafo único do art.14 da Lei nº 8.218/91 como pelo inciso I do 47 da Lei nº 8.981/95 hão de ser vistos como faculdade da Administração ou como direito do contribuinte, vejo, como de fato mencionei, que a norma visa a proteger o interesse da Fazenda Nacional. Assim, olhando a questão sob o ângulo da realidade factual, vejo que o limite estipulado pela norma é intransponível para o contribuinte, que fica sujeito ao arbitramento se não ostentar os requisitos ali exigidos. Por outro lado, tendo o agente público condições de apurar insuficiência de crédito pontual, baseado em uma escrita fornecida, que confira certa fidelidade dos dados escriturados, o lançamento poderá ser efetuado com base no regime de apuração eleito pelo contribuinte, pois do contrário, ao invés de se tutelar a Fazenda Nacional estarseá penalizandoa duplamente. No caso vertente, o auditorfiscal considerou que possuía elementos bastantes para crer na fidelidade da receita bruta, único elemento indispensável porquanto o regime eleito era o do Lucro Presumido. Ora, de mais a mais, viuse que do cumprimento do MBA houve 4 Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, p.372, 13ªed, Saraiva, São Paulo. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.003783/201041 Acórdão n.º 1302001.292 S1C3T2 Fl. 1.698 29 arrecadação farta de elementos probatórios relativos aos fatos geradores relativos ao período de 2008 a 2009. Assim, no exercício de sua competência privativa, a autoridade administrativa aceitou os elementos presentes, dando por conhecida a receita bruta, e manteve o regime de tributação de eleição, no que andou bem. Relativamente ao arbitramento do anocalendário de 2005, verificase que a autoridade fiscal no Relatório de Fiscalização (que é parte do auto de infração) assevera que os livros diário e razão de 2005 não possuíam dados suficientes para determinar o resultado tributável através do regime do lucro real para todo o Empreendimento Forest. Assim, efetuou o arbitramento com base no art. 530, VI do RIR (fl. 192), o qual determina o arbitramento nas situações em que o contribuinte não mantém em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas o livro razão ou fichas de resumo e totalização dos lançamentos do Diário. O enquadramento está de acordo com a descrição da infração e a recorrente pôde se defender de tal ato de forma ampla, não havendo qualquer cerceamento do direito de defesa. h) Aplicação da multa qualificada Afigurase correta a aplicação da multa qualificada no caso vertente, em que mediante ardil as empresas Forest Decorações e Black Forest buscaram fraudar a lei que rege o Simples Federal e o Simples Nacional, dividindo a receita bruta em duas empresas, com vistas a não extravasar o limite de receita bruta de nenhuma delas e lograr, além de permanecerem ambas no Simples, estarem indevidamente sujeitas a alíquotas menores em decorrência da receita bruta parcialmente tributada em cada uma delas. As robustas provas que mostram o desejo de ocultar os controles comuns e a exposição como uma só empresa perante clientes, fornecedores e empregados alicerçam esta conclusão e demonstram o dolo no sentido de reduzir a dimensão dos fatos geradores e de pagar menos tributo. Verificouse, ainda, a prática da fraude brutal, com emissão fraudulenta de documentos fiscais (meiasnotas). Os atos praticados resultaram em falta de pagamento, sendo então devida a multa exigida no percentual de 150%. Pela manutenção da multa qualificada, e constatação da conduta dolosa no pagamento a menor de tributos fica também afastada a decadência relativa aos fatos anteriores a 20/12/2005, devendo ser aplicado o art. 173, I, do CTN. Assim, voto para dar provimento ao recurso de ofício, restabelecendo o crédito relativo ao período de 01/01/2006 a 30/06/2007 e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 30 Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 22/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13827.000163/2005-33
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA.
A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização.
ÁLCOOL OUTROS FINS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. RATEIO.
As receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência não-cumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores.
Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido.
DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-003.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 01 63 /2 00 5- 33 Fl. 731DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 A nãocomprovação dos créditos, referentes à nãocumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. ÁLCOOL OUTROS FINS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. RATEIO. As receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência não cumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 732 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 646/652 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que homologou parcialmente a Declaração de Compensação (Dcomp fls. 8/10), cujo crédito provém do saldo credor da contribuição da COFINS não cumulativos, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao mês de agosto de 2004. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp), a fls.8 a 10, cujo crédito provém do saldo credor da Cofins, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao mês de agosto/2004, no valor de R$ 343.693,65. A DRF/Bauru, por meio do despacho decisório de fls. 313/316, homologou parcialmente a compensação, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 190.622,00. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, de fls. 299/303, o crédito foi deferido parcialmente devido à glosa de vários itens relativos aos créditos apurados pela requerente, conforme descrito no citado termo. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, às fls.339/373, alegando, preliminarmente, duplicidade de autuação, porquanto em data anterior foi lavrado auto de infração sob as mesmas alegações, cuja verificação fiscal abrangeu os anos de 2004 e 2005, conforme documentos que anexa. Assim, tratarseia da mesma exigência fiscal em razão de um mesmo fato. Ainda em preliminar, alega que “a inclusão, no auto de infração, de valores não devidos, face à parte da exigência estar abrangida pelo instituto da decadência ou em razão da glosa indevida...” “...retira do presente a liquidez e certeza, o que por si só torna nula a lavratura do auto de infração...” Prosseguindo, também em preliminar, argumenta que o despacho decisório e o termo de constatação seriam nulos porquanto não discriminam especificamente quais os produtos que não se enquadram como insumo, tampouco apresentam a motivação e a fundamentação legal das glosas, além de a fiscalização ter apontado no termo de constatação o descumprimento de vários artigos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), que seriam totalmente inaplicáveis ao caso concreto. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Assim, faltariam elementos essenciais ao ato administrativo, tais como, motivo, agente, objeto, forma, finalidade, resultando no cerceamento do direito de defesa e na nulidade do procedimento. Também discorre longamente sobre a motivação do ato administrativo, para concluir que a motivação que o ato deve conter tem que ser acessível ao destinatário, de modo que este prescinda de advogado ou especialista para exercer seu direito de defesa. Por fim, argumenta que o ato combatido ofende também o princípio da verdade material, o que também levaria a sua nulidade. Quanto ao mérito, alega, em resumo, que o conceito de insumo para o PIS e Cofins não pode ser transposto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS), pois a nãocumulatividade das contribuições sociais não se restringe às empresas industriais. Assim, insumo, no âmbito da nãocumulatividade, não seria composto somente pelas matériasprimas utilizadas diretamente na produção, mas por todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens e serviços, anexando excerto de texto de jurista nesse sentido. Ainda quanto ao mérito, repete as alegações preliminares quanto à ausência de discriminação e fundamentação das glosas, discorrendo brevemente sobre seu processo produtivo e o aproveitamento dos insumos que, segundo seu entendimento, gerariam direito ao crédito das contribuições. Quanto aos insumos, argumenta que a graxa foi indevidamente glosada, pois nada mais é que um lubrificante indispensável ao funcionamento das máquinas do processo produtivo, e, assim como este, deveria dar direito ao crédito, conforme entendimento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio de Solução de Divergência que cita. O mesmo se aplica aos combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo, cujo aproveitamento do crédito está previsto na Lei nº 10.833, de 2003, na IN SRF nº 404, de 2004, e ainda em entendimento da Administração Tributária. Com relação ao estoque de abertura do álcool carburante, a contribuinte alega que a fiscalização glosou valores dos créditos a ele relativos e não estabeleceu o rateio proporcional entre o álcool carburante (regime cumulativo) e o álcool para outros fins (regime nãocumulativo), pois, segundo a recorrente, também teria havido venda deste último tipo, conforme notas fiscais que anexa. O mesmo se pode dizer em relação aos insumos utilizados para a produção de álcool carburante, ou seja, deveria haver o rateio entre os insumos utilizados na produção de álcool carburante, álcool para outros fins e açúcar. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 733 5 Reclama também a recorrente que teria havido glosa indevida de créditos relativos a embalagens, haja vista que o acondicionamento do açúcar constituise em etapa da industrialização. No que tange aos créditos relativos aos serviços prestados, argumenta, em resumo, que a legislação permite o desconto de tais créditos desde que utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços, e não somente aqueles aplicados diretamente na produção dos produtos, e ainda que a fiscalização não teria sido clara no embasamento da glosa. Em relação à glosa dos créditos referentes aos serviços que, segundo a fiscalização, a contribuinte não teria comprovado que não houve aumento da vida útil do bem em mais de um ano, alega que não há como fazer prova negativa e que houve inversão do ônus da prova já que a fiscalização é que teria que provar o que alegou para embasar a glosa. Quanto aos créditos oriundos do aluguel de máquinas e equipamentos, argúi que tais bens são utilizados tanto na movimentação da matériaprima, que geraria crédito, quanto no transporte e empilhamento de mercadorias, que não geraria crédito, assim a fiscalização deveria ter segregado proporcionalmente os créditos relativos a esse item. No tocante aos créditos relativos a arrendamento mercantil, argumenta que a fiscalização, apesar de não citar no termo de constatação nem no despacho decisório, glosou esse crédito sem maiores explicações. Alega também que para os créditos relativos a insumos adquiridos de pessoa jurídica foram utilizados os percentuais relativos ao crédito presumido, reduzindo assim o seu valor sem base legal ou justificativa. Por fim, argumenta que houve aplicação indevida de rateio do crédito em casos em que o crédito deveria ser integral, como nos serviços de ensacamento, marcação e manuseio de sacaria e em relação à levedura. Diante de tais alegações, que incluem a imputação de falta de clareza e de cerceamento do direito de defesa à decisão da autoridade a quo, considerando ainda que a recorrente cita itens que, de acordo com os autos, os respectivos créditos não teriam sido objeto de glosa e também tendo em vista que o termo de constatação, de fls. 299/303, contém apenas uma descrição vaga das glosas, pois não detalha os itens glosados acompanhados dos respectivos valores, o presente foi baixado em diligência à DRF para que os auditoresfiscais responsáveis discriminassem, por item, os valores dos créditos glosados, bem assim esclarecessem o porquê de cada glosa. Em atendimento à diligência foi expedido o Termo de Diligência, de fls.613/620, com os esclarecimentos solicitados. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Ciente do termo acima, a requerente apresentou a manifestação de fls.631/639, onde alega, em resumo, que as IN nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, são ilegais, porquanto extrapolam o disposto nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, ao restringirem o conceito de insumo no âmbito da não cumulatividade. Repete ainda alegação da manifestação inicial no sentido de que o conceito de insumos para as contribuições sociais não é o mesmo que o aplicado no âmbito do IPI, se assemelhando mais aos conceitos utilizados no imposto de renda, abrangendo todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa, conforme decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e da Justiça, das quais transcreve partes. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A nãocomprovação dos créditos, referentes à não cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporado diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito ao crédito no regime de incidência nãocumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 736DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 734 7 Cientificada da referida decisão em 18/12/2012 (fl. 665), a interessada, em 15/01/2013 (data da transmissão de arquivos via sistema de validação e autenticação de arquivos digitais – fl. 667), apresentou o recurso voluntário de fls. 668/695, com as alegações resumidas abaixo: a) preliminarmente, argumenta que a questão não foi decidida com isenção, falta do princípio da motivação, inconsistências dos dados, subjetivismo, demonstração da efetiva irregularidade, e ainda ausência, no Acórdão, de apreciação de todas as razões suscitadas, solicitando a nulidade da decisão DRJ, posto que cuidou ela de matéria estranha à versada na Manifestação de Inconformidade. Argumenta ofensa ao princípio da verdade material, ensejando que o lançamento de ofício, está irremediavelmente eivado de nulidade, portanto deve ser decretada a insubsistência do despacho decisório ora combatido. Cita jurisprudências administrativas e judiciais; b) quanto ao mérito, no que se refere aos tópicos abaixo relacionados, questiona o Fisco pelas glosas dos créditos, expressando seus argumentos para cada item, observandose que na maioria deles, houve por parte fiscalização algum tipo de restrição ao conceito de insumos: b.1 Da Definição de Insumos no Contexto da NãoCumulatividade; b.2 Dos Insumos Consumidos Pela Recorrente; b.3 Dos Produtos Lubrificantes (graxas); b.4 Os Lubrificantes Utilizados no Processo Produtivo; b.5 Falta Distinção Entre o Álcool Cumulativo e Não Cumulativo; b.6 Os Materiais de Embalagem Específicos Para o Açúcar; b.7 O Valor do Estoque de Abertura; b.8 Dos Serviços Tomados Pela Recorrente; b.9 Do Aluguel de Máquinas e Equipamentos; b.10 Do Leasing; b.11 Da Aquisição de Insumos de Pessoas Jurídicas, e b.12 Da Aplicação Indevida do Rateio. Diante do exposto, requer que seja declarada a nulidade da decisão ora recorrida ou, se assim não entender, que seja dado provimento ao presente recurso em face da improcedência do feito fiscal e, como decorrência, ser com o reconhecido o direito creditório da Recorrente e a consequente homologação das compensações objeto do pleito. É o relatório. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra 1) Admissibilidade do recurso Quanto ao recurso voluntário, não consta, dos autos, claramente no documento, a data em que o mesmo foi protocolizado. Todavia, admito que o aludido recurso foi protocolizado em 15/01/2013, data em que foi recebido o arquivo digital da empresa segundo o correspondente recibo do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (fl. 667). Assim, considerando que o arquivo transmitido é identificado como “RECURSO VOLUNTÁRIO – PROCESSO 10825.720014/200869”, e que a unidade preparadora encaminhou o processo para este CARF, julgoo como tempestivo. No mais, o recurso voluntário preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. 2) Preliminar de Nulidade da decisão recorrida Alegou a recorrente a nulidade do Acórdão de primeira instancia, argumentando que teria havido a ausência de apreciação de todas as razões suscitadas e que a questão não foi decidida com isenção, havendo inconsistências dos dados, subjetivismo, não demonstração da efetiva irregularidade e porque o acórdão recorrido não se ateve aos aspectos fundamentais colocados à análise do julgador. Conclui alegando que a decisão em discussão cuidou de matéria estranha à versada na Manifestação de Inconformidade, proferindo, assim, decisão de natureza diversa da que foi demandada, sem a motivação e violando a garantia do recorrente e que o Termo de Diligência, em sua visão, nada acrescentou aos autos. A preliminar deve ser rejeitada, pois o acórdão recorrido escorouse no entendimento explícito no sentido de que as aquisições de insumos e dos serviços só geram créditos quando os bens e serviços são aplicados diretamente no produto em fabricação. Especificamente quanto a graxa, a decisão invocou e adotou a interpretação contida na Solução de Divergência Cosit nº 12/2007 para negar o crédito pleiteado pelo contribuinte, o que atende ao disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Portanto, verificase na decisão, que a DRJ detalhou todas as razões pelas quais resultou na improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo, como exposto, o direito creditório. Contudo, temos que observar que o julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem detalhar ao máximo seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita no Acórdão, não se tem por omisso o julgado. Em suma, os motivos de não reconhecer o direito creditório postulado, residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte e que nos presentes autos, não restou comprovada qualquer restrição ao direito de defesa da recorrente. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 735 9 Portanto, o contribuinte pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à preliminar de nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Preliminar de nulidade rejeitada. 3) Ofensa ao Princípio da verdade material A recorrente argumenta que o ato combatido ofende também o princípio da verdade material, o que também levaria a sua nulidade, conforme consta do item 44 do recurso voluntário: (...) “44 Temos, por conseqüência, que o lançamento de ofício vestibular está irremediavelmente eivado de nulidade, aliás, insanável. Isto posto, deve ser provida a manifestação de inconformidade ora interposta para o fim de ser decretada, ab initio, a insubsistência do despacho decisório ora combatido, conforme as preliminares acima alinhadas” (g.n). Frisese que o presente processo não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de despacho decisório que homologou parcialmente a compensação apresentada via Dcomp, ou seja, análise de compensação entre créditos e débitos tributários. Notese que no acórdão da DRJ restou demonstrado com clareza essa questão. Observese: (...) Primeiramente, quanto às alegações preliminares de que haveria duplicidade de autuação, pois o período em questão já havia sido objeto de auto de infração, e que faltaria liquidez e certeza ao lançamento, cumpre esclarecer que a impugnante enganase, porquanto o presente não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de despacho decisório que homologou parcialmente compensação apresentada via DComp. Assim, não há que se falar em duplicidade de lançamento, pois os procedimentos envolvidos são distintos, este processo, como acima explicado, tratase de análise de compensação entre créditos e débitos tributários e aquele, de constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, tampouco a homologação parcial de Declaração de Compensação necessita de liquidez e certeza, requisitos estes exigidos para o lançamento do crédito tributário (...). Portanto, no que se refere às preliminares de insubsistência, também não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende o contribuinte, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação parcial do crédito alegado, como também, não ficou caracterizado cerceamento de defesa, uma vez que a recorrente foi regularmente intimada nos autos. Preliminar de insubsistência do despacho decisório rejeitada. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 4) Do Mérito Como já exposto, a lide envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa da COFINS de competência do mês de agosto de 2004. A recorrente, cujo nome de fantasia é Destilaria Tonon, tem por objeto a fabricação de álcool nas suas diversas especificações, e a sua comercialização nos mercados interno e externo (exportação), podendo, em nome dela, serem praticados todas as operações, principais e acessórias, relacionadas com tal atividade. Acrescentese que através do processamento da canadeaçúcar a destilaria produz álcool e açúcar. Consta dos autos que no anocalendário 2004, a empresa enquadravase no regime não cumulativo da COFINS para as receitas decorrentes da produção de açúcar, energia elétrica, levedura e da venda de créditos de carbono e no regime cumulativo para as receitas decorrentes da produção do álcool carburante. O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos – bens ou serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 736 11 Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame nos autos diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento da COFINS nãocumulativo em vista da aquisição de matériasprimas e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.833/2003, bem como do correspondente preceito da Lei no 10.637 de 2002, prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 4.1) Da definição de insumos no contexto da nãocumulatividade Sabese que essa questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividade do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). A recorrente aduz em seu recurso que, (...) “ao contrário do que ocorre na legislação do IPI, as leis que regulam o regime do PIS e da COFINS não cumulativos não delimitam o significado de insumo. No entanto, a Receita Federal, extrapolando sua competência, expediu as Instruções Normativas 247/02 e 404/04, que se amoldando a legislação do IPI, restringiu o significado de insumo para o PIS e a COFINS não cumulativos”. E segue defendendo que, “ (...) Dessarte, devem ser considerados insumos os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento. Sob essa ótica, o insumo pode integrar as etapas que resultam no produto ou serviço ou até mesmo as posteriores, desde que seja imprescindível para o funcionamento do fator de produção”. Ou seja, pelo entendimento da contribuinte, insumo, no âmbito da não cumulatividade, não seria composto somente pelas matériasprimas utilizadas diretamente na produção, mas por todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens e serviços, anexando excerto de texto de jurista nesse sentido. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 No entanto, da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização. No regime nãocumulativo de PIS/Cofins, a Lei dispõe de maneira diferente da legislação do IPI, reconhecendo o crédito em relação à aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes” (art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). O legislador, como visto, vai além do âmbito da industrialização, utilizando termos mais amplos, referindose à produção ou fabricação de bens e, também, à prestação de serviços. O contexto em que ocorre a incidência de PIS/Cofins, apresenta como fato gerador a receita bruta ou faturamento, referindose, assim, a todo tipo e amplitude de atividade produtiva, não se limitando apenas à fase de industrialização. Desde o primeiro momento este Conselho recusou a pretensão de confinar o conceito de insumo aos mesmos critérios da legislação do IPI, conforme serve de exemplo o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual foi negado provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional: CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado Acórdão 9303001.035, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 23/08/2010 Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos – bens ou serviços – que sejam aplicados na produção – de bens ou serviços –, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem Fl. 742DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 737 13 ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Assim, na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04, integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/992. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. Portanto, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela Recorrente frente os elementos e constatações presentes nos autos. 4.2) Dos Insumos consumidos pela recorrente A recorrente discorre em seu recurso voluntário que no desenvolvimento de sua atividade produtiva, adquire diversas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e serviços que são empregados no processo de fabricação e comercialização de seus produtos. Dentre eles, aqueles arrolados nos demonstrativos de fls. 450/455 (Análise dos dados elaboradas pela fiscalização durante a ação fiscal), em que parte foram objeto de glosa e que no entender da recorrente, geram o direito ao crédito da COFINS. Ressalta que os produtos e serviços concorrem decisivamente para a obtenção do açúcar e do álcool, ou seja, inúmeros produtos e serviços que são adicionados ao caldo durante a decantação, fermentação, destilação (álcool) ou filtração, evaporação, cozimento centrifugação e secagem (açúcar) visando um só e único fim: o produto final industrializado. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a todos os custos e despesas necessários à manutenção da sua atividade, com base no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, mas não trouxe aos autos nenhum elemento hábil à comprovação de que os bens glosados nos demonstrativo (fls. 450/455), se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O simples exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Alguns dos itens glosados definitivamente se verifica que não integram o custo de produção. Por outro lado, outros itens poderiam gerar o crédito das contribuições, como por exemplo produtos químicos, lubrificantes e combustíveis, se aplicados na produção; materiais de manutenção/reparos, desde que efetuados na fábrica ou em máquinas utilizadas diretamente na produção. Embora a Recorrente trouxe aos autos uma descrição do processo produtivo da empresa (Etapas do Processo Industrial e Fluxogramas fls.392/407), por si só não permite ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no referido processo produtivo. No caso sob análise, quanto aos elementos probatórios, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para pleitear o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor solicitado. Ressaltese que para todos os itens glosados nos autos, a fiscalização elaborou uma Planilha denominada “Análise de dados da empresa feita durante a ação fiscal” (fls. 450/455), que contém a discriminação e identificação das despesas apresentadas pela Recorrente, as linhas do DACON, data e e número da Nota Fiscal, insumos, serviços, produtos, fornecedores, valores, receitas, e a informação da manutenção do item ou a glosa efetuada pela fiscalização e seu motivo. Para tanto foi tomado a devida ciência da empresa. 4.3) Os Produtos Lubrificantes Graxa Sobre este item, a recorrente argumenta em seu recurso voluntário que, (...) “quanto aos insumos, nas alegações para justificar o feito fiscal, a fiscalização referese expressamente às aquisições de graxa feitas pela Recorrente e glosa os créditos a ela relativo invocando a Solução de Divergência nº 12/07”. Tal contraditório se apresenta enfrentado, uma vez que nas planilhas demonstrativas das glosas e no relatório do Termo de Diligência (fl. 614), onde no item “Lubrificantes” a fiscalização descreve a motivação do ato: glosa – graxa não é lubrificante, por definição da (ANP). A recorrente visando elucidar a questão no intento de elidir a glosa perpetrada pelo Fisco, reproduz várias conceituação do vocábulo “graxa”, pesquisado em abalizadas publicações linguísticas e técnicas (dicionários, sites, Wikipédia, etc.), visando conceituar o termo graxa, concluindo que a graxa nada mais é que um lubrificante indispensável ao funcionamento de máquinas, equipamentos, motores, etc. Isto porque, Fl. 744DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 738 15 conforme definido na legislação (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, II e § 2º; Lei nº 10.865, de 2004, art. 40) os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para a COFINS. No entanto, o Fisco em seu Termo de Constatação Fiscal (fls. 299/303), informa que: (...) “Com relação aos insumos, aplicandose o disposto na IN SRF 404/2004, art. 8o, inciso I, "b" e § 4 o , inciso I, "a", foram glosados valores referentes à compra de graxa (conforme Solução de Divergência Cosit 12/2007) e óleos lubrificantes empregados nos veículos da empresa. Relação das notas fiscais, com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 377 a 379”. Quando da elaboração do Termo de Diligência (fls. 613/620), a fiscalização relata que: (...) Lubrificantes foram glosadas as notas fiscais de compra de óleo utilizado em máquinas agrícolas e de graxa, em razão da Solução de Divergência Cosit 12/2007. O inciso II do artigo 3 o da Lei 10.833/03 prevê o desconto de créditos sobre lubrificantes, e conforme consta da citada Solução de Divergência, graxa não é lubrificante, em definição da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Solução de Divergência 12 de 24 de outubro de 2007 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Não se consideram insumos, para fins de desconto de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas (...). Como se nota, o Fisco escorouse na Solução de Divergência Cosit nº 12/2007, que conclui que não são considerados insumos, para fins de desconto de créditos da contribuição para o PISPasep e da Cofins, os materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas. No entanto, entendo que o produto graxa, no caso, tem a finalidade de preservar a integridade e o regular funcionamento das máquinas utilizadas na atividade produtiva e, portanto, atividade intrínseca ao processo produtivo da empresa. Não há atividade produtiva sem a constante preservação dos maquinários. O dicionário Wikipédia ao se referir ao vocábulo “graxa” dános o seguinte ensinamento: “Graxas são o nome genérico e popular dado a lubrificantes pastosos compostos (semi plásticos) ou de alta viscosidade, compostos de misturas de óleos lubrificantes minerais (de diversas viscosidades) e seus aditivos e especialmente do ponto de vista químico, sais de determinados ácidos graxos com cálcio, sódio, lítio, alumínio, bário e magnésio (geralmente chamados de sabão que em formam com os óleos de origem mineral uma emulsão, que atuam como agente espessador. Em tais formulações o óleo mineral entra como o verdadeiro lubrificante e o espessador, além de conferir a viscosidade à mistura, atua na retenção do óleo mineral” (g.n). Fl. 745DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 Portanto, no que se refere ao produto graxa, devese reconhecer o direito de crédito do PIS e da COFINS, pois o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 é expresso em reconhecer tal direito em relação às aquisições de combustíveis e lubrificantes, não havendo dúvida de que a graxa é um lubrificante e de que tem a sua aplicação como lubrificante nos equipamentos e máquinas utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Com base nos conceitos acima, concluo, pois, pelo reconhecimento do direito de crédito na aquisição de graxa, glosado pelo Fisco conforme demonstrativo de fl. 451.. 4.4) Os Lubrificantes Utilizados no Processo Produtivo Nos termos relatados nos autos, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Neste tópico específico, argumenta a recorrente em seu recurso voluntário no que se refere ao entendimento oficial concernente à apuração indevida de créditos sobre combustíveis e lubrificantes, alega a interessada que estes teriam sido efetivamente utilizados no processo produtivo, e que: (...) “Segundo a disposição expressa no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/02, 22 e segundo, ainda, a disciplina contida no art. 66, inciso I, alínea ”b”, da Instrução Normativa SRF 247/02, geram direito a créditos da COFINS os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços destinados à venda”. E segue, (...) “Esclarecendo o alcance da norma em comento, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação – COSIT, expediu a Solução de Divergência nº 37/08, firmando o entendimento abaixo transcrito:”(...). Por outro lado, de acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 299/303, o Fisco relata que: (...) “Com relação aos insumos, aplicandose o disposto na IN SRF 404/2004, art. 8o, inciso I, "b" e § 4 o , inciso I, "a", foram glosados valores referentes à compra de graxa (conforme Solução de Divergência Cosit 12/2007) e óleos lubrificantes empregados nos veículos da empresa. Relação das notas fiscais, com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 377 a 379”. No Relatório de Diligência (fls. 613/620) a fiscalização, esclarece ainda que, (...) “Lubrificantes – Foram glosadas as notas fiscais de compras de lubrificantes para máquinas agrícolas (...)”. Já nas PLANILHAS denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 451), a fiscalização esclarece, na coluna especificada para os Lubrificantes, quais notas fiscais os créditos foram mantidos e os que foram glosados, além das graxas, justificando: lubrificantes trator. Restando claro, portanto, que somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. De acordo com os dispositivos legais (arts. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003) já reproduzidos, é possível constatar que a lei prevê, de forma expressa, o Fl. 746DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 739 17 direito de creditamento relativo a combustíveis e lubrificantes utilizados como insumos na prestação de serviços ou na produção de bens ou produtos destinados à venda. Com efeito, revendo os termos da fiscalização, verifico que, concernente aos combustíveis e lubrificantes adquiridos, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles utilizados em tratores e por não serem insumos diretamente ligados ao processo produtivo do açúcar e outros produtos sujeitos a não cumulatividade, na premissa que o termo “insumo” referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo, razão porque apenas estes materiais poderiam ser admitidos como tal. No caso a fiscalização tomou a cautela de segregar as aquisições dos produtos dentre os quais foram aplicados ou não no processo produtivo da empresa. Podemos observar que, dos combustíveis adquiridos, que foram mantidos os créditos constam da relação da planilha denominada “análise dos dados da empresa feita durante a ação fiscal” (fls. 450/455). Relativamente à prova dos gastos efetuados com tais bens e serviços, há que se ressaltar que a Fiscalização, deixou consignado que teve acesso a toda a documentação apresentada pelo contribuinte, tendo glosado os créditos respectivos em razão da falta de sua vinculação entre os serviços serem considerados insumos diretamente ligados ao processo produtivo do açúcar e outros produtos sujeitos a não cumulatividade. Por outro lado, a recorrente em seu recurso, não demonstrou, mediante apresentação de provas, que tais glosas foram indevidas, ou seja que tais aquisições foram objeto de aplicação no processo produtivo da requerente. Como é sabido, não podem descontar da contribuição para a COFINS apurada mensalmente, créditos calculados em relação aos valores das aquisições de materiais de consumo, por absoluta falta de amparo legal uma vez que tais despesas não se encontram relacionados no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, nem tampouco caracterizam insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Diante disso, entendo que não assiste razão a recorrente, pois o fisco somente glosou aquisição de produtos (combustível e lubrificantes) cuja utilização se dava em veículos (veículos, máquinas agrícolas, tratores, caminhões) utilizados para fins diversos e não diretamente ligado ao processo produtivo da empresa, não podendo ser considerada na base de cálculo de créditos das contribuições sociais, pois tais dispêndios não estão diretamente atrelados ao processo produtivo, tão pouco podem ser considerados insumos, não atendendo, portanto, os requisitos do inciso II do art. 3° das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Assim, não há como acolher os argumentos da recorrente no que diz respeito ao alegado direito de creditamento relativamente às aquisições de combustíveis e lubrificantes que foram empregados, conforme apurado pela fiscalização, para fins diversos ao processo produtivo da empresa. 4.5) Falta de Distinção Entre o Álcool Cumulativo e Não Cumulativo Argumenta a recorrente que no que se refere à glosa relativa aos insumos empregados no fabrico do álcool carburante (cumulativo), tampouco assiste razão à fiscalização. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 4.5.1) Produtos Químicos utilizados Em seu recurso aduz que: (...) “A fiscalização glosou o crédito de vários produtos químicos que possuem emprego geral no processo produtivo, ou seja: são aplicados tanto na industrialização do álcool como do açúcar, conforme se vê na planilha – utilização anexada aos autos, sem a mínima preocupação em estabelecer o necessário e indispensável rateio proporcional para distinguir a quantidade destinada à produção do álcool e daquela destinada à produção do açúcar. Com efeito, revendo os termos da fiscalização, verifico que, concernente aos produtos químicos adquiridos, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles utilizados no tratamento de água, na limpeza de caldeiras, nas torres de resfriamento e os utilizados exclusivamente na fabricação de álcool, na premissa que o termo “insumo” refere se aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo, razão porque apenas estes materiais poderiam ser admitidos como tal. Tal fato, consta quando o Fisco relata em seu Termo de Diligência (fls. 613/620) que glosou as compras de determinados produtos químicos: (...) Visando a esclarecer a analise feita na ação fiscal, complementamos as informações contidas no Termo de Constatação Fiscal de 29/06/2009 com as despesas glosadas pela fiscalização de acordo com as linhas da ficha 04 do DACON. Estão sendo anexadas fotocópias de notas fiscais de produtos químicos, lubrificantes, serviços, fretes, razões de contas contábeis, estoque de abertura, contratos de prestação de serviços, descritivos manutenção e demais elementos que serviram de base para as glosas. LINHA 2 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO Neste item foram apresentadas notas fiscais de aquisição de produtos químicos, lubrificantes, embalagens e cana adquirida de pessoas jurídicas. Os produtos de utilização comum na produção do álcool e açúcar foram rateados de acordo com o percentual não cumulativo, apurado com base nas receitas, e os de uso exclusivo do açúcar foram considerados sem aplicação do rateio. Produtos Químicos a fiscalização glosou as compras de produtos químicos que não são utilizados diretamente na produção do açúcar. Já nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 450/451), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para os Produtos Químicos, que para algumas notas fiscais os créditos foram mantidos e outros foram glosados, assim motivados: glosa álcool e glosa – caldeira, mantido com rateio e mantido sem rateio. Portanto, não assiste razão a Recorrente, pois como se verifica no referido Termo, o Fisco informou ainda que os produtos de utilização comum na produção do álcool dos outros produtos não cumulativos, como o açúcar e levedura, foram rateados de acordo com o percentual não cumulativo, apurado com base nas receitas, e os de uso exclusivo dos produtos não cumulativos foram considerados sem aplicação do rateio. Em seu recurso voluntário, embora a recorrente tenha discorrido sobre os insumos consumidos por ela (produtos químicos), em momento algum demonstrou e provou que os bens cujos créditos foram glosados são consumidos no processo de fabricação de seus produtos. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 740 19 A configuração de insumo depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. Com já relatado, como se trata de um pedido de interesse exclusivo da requerente, ressarcimento de contribuições sociais recolhidas, que implica renúncia por parte do ente tributante, o ônus da comprovação dos valores que compõem o crédito postulado é todo da requerente. Desta forma, a composição do valor do crédito pretendido, deve ser devidamente comprovada e explicitada, por parte de quem o postula, de modo a que não restem dúvidas quanto à natureza e montante das operações. Não podem descontar da contribuição para o PIS/Pasep apurada mensalmente, créditos calculados em relação aos valores das aquisições de materiais de consumo, por absoluta falta de amparo legal uma vez que tais despesas não se encontram relacionados no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, nem tampouco caracterizam insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Portanto, não tendo o contribuinte se observado do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, correto as glosas de parte dos Produtos Químicos adquiridos pela Recorrente, conforme consta dos demonstrativos de fls. 450/451. 4.5.2) Álcool Cumulativo e Não Cumulativo Neste mesmo tópico a Recorrente prossegue alegado em seu recurso que: (...) “Ainda seguindo este confuso raciocínio, em momento algum a fiscalização preocupouse em verificar se todo o álcool produzido teria sido, de fato, comercializado como álcool carburante (hidratado ou anidro) – CUMULATIVO ou se, como comprovadamente ocorreu, teria havido também a comercialização de álcool destinado a outros fins que não ao consumo como combustível e, portanto, NÃOCUMULATIVO. A par deste fato, a Recorrente apresentou cópias de inúmeras notas fiscais emitidas que comprovam cabalmente que a operação de venda por elas acobertadas referemse à venda de álcool etílico hidratado ou álcool etílico anidro destinados à utilização de diversos outros fins que não ao uso como combustível. As operações de vendas do álcool “Outros Fins“ foi igualmente comprovada através do registro contábil daquelas vendas no período de auditado, conforme espelhado nas folhas do Razão Analítico juntado aos autos. A título de exemplo, listamos abaixo algumas notas fiscais, dentre aquelas já anexadas, que evidenciam, apenas pela singela leitura da razão social do destinatário da mercadoria, não se tratar de operação relativa à venda de álcool anidro ou hidratado para fins carburantes, já que a comercialização de álcool combustível somente é permitida, pela Agência Nacional de Petróleo ANP, para as distribuidoras por ela credenciadas. NF. 072121 – 02/08/2004 – Minasucar S/A. NF. 072949 – 17/08/2004 – Cloroetil Solventes Acéticos S/A. NF. 072252 – 04/08/2004 – Butilamil Inds. Reunidas S/A. Ora, como é conhecimento comezinho, o álcool carburante ou combustível, quando do advento da lei instituidora do regime nãocumulativo permaneceu no regime cumulativo, enquanto Fl. 749DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 20 que o álcool não destinado ao uso como combustível foi tangido ao regime da nãocumulatividade. Decorre daí a certeza da precariedade e subjetividade do trabalho realizado pela fiscalização que, por consequência atestam a incontestável nulidade da glosa efetuada”. Tal fato, foi mencionado quando o Fisco relata em seu Termo de Diligência (fls. 613/620) quando efetua analisa sobre o estoque de álcool: Com relação ao estoque de álcool, temos no Livro de Produção Diária, a seguinte variação do estoque, porém, não há identificação do destino do produto, se é álcool carburante ou outros fins: (...). (...)Podemos concluir que houve venda de álcool para outros fins, porém, a empresa não apresentou elementos que pudessem definir o volume correto das vendas do álcool para fins não carburante para ser mantido o seu credito presumido do estoque de abertura, conforme solicitado no item 8, do Termo de Diligência Fiscal (...). A DRJ, sobre a questão, não se pronunciou, mesmo considerando que tais argumentos estava presentes na manifestação de inconformidade, conforme trecho do Acórdão recorrido, abaixo destacado (fl. 648): (...) Com relação ao estoque de abertura do álcool carburante, a contribuinte alega que a fiscalização glosou valores dos créditos a ele relativos e não estabeleceu o rateio proporcional entre o álcool carburante (regime cumulativo) e o álcool para outros fins (regime nãocumulativo), pois, segundo a recorrente, também teria havido venda deste último tipo, conforme notas fiscais que anexa. Como é sabido, em que pese o exposto, na fase impugnatória do processo administrativo fiscal ainda há a possibilidade de a requerente aduzir provas aos autos, conforme disposto no § 4º, do art. 16 do PAF. No caso vertente, a interessada apresentou cópia de notas fiscais de venda de álcool para “Outros fins” (fls. 411/420), além de outros documentos, como cópia do livro Razão Analítico (fl. 408/410), o que comprovam documentalmente esse tipo de venda e podem ser aceitos. Destarte, para apuração do crédito relativo às vendas de álcool para “Outros fins”, efetivamente comprovadas pela Recorrente, na fase impugnatória, os insumos utilizados na sua produção devem ser rateados na proporção da receita por elas gerada em relação à receita total da venda de álcool. Verificase que, pelo exposto acima, que a decisão a quo não analisou as vendas de álcool para “Outros fins” efetivamente comprovadas através de documentação hábil juntadas aos autos (cópia de Notas Fiscais). Na linha do acima relatado, os respectivos valores de créditos devem ser ajustados pela Delegacia da RFB de origem. Quanto aos demais argumentos da recorrente, não podem ser considerados, tendo em vista que não foram acostados aos autos, mais provas hábeis contrária em sede de manifestação de inconformidade e tampouco nesta fase, objetivando comprovar o alegado pela Recorrente. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 741 21 Assim, temse que devem ser reconhecidos o direito pleiteado pela Recorrente, concernente apenas para as Notas Fiscais de venda álcool “Outros fins” nºs 072252, 073034, 073133, 073523, 073860, 072121, 072949, 073290, 073539 e 073772, emitidas no mês de agosto de 2004, cujas cópias foram juntadas aos autos às fls. 411 a 420. Verificase que as mesmas, foram devidamente contabilizadas no Livro Razão Analítico, conforme extratos de fls. 408/410. Concluindo, temos que as receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência nãocumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. 4.6) Materiais de Embalagem Específicos Para o Açúcar Aduz a recorrente que: (...) “A glosa, de forma inexplicável, atingiu os créditos oriundos da aquisição de sacaria destinada especificamente à embalagem do açúcar. O acondicionamento do açúcar constituise em etapa da industrialização e, como tal em face do princípio da não cumulatividade das contribuições, deve ter todos os valores relativos às suas aquisições de fornecedores considerados para fins de dedução de créditos. Neste aspecto, diante da obviedade do direito ao creditamento, cremos desnecessária argumentação mais aprofundada acerca deste tema”. A fiscalização no seu Termo de Diligência (fls. 613/620) apresenta como fundamentação da glosa dessas aquisições pela seguinte motivação: (...) Embalagens Glosada a nota fiscal da Polikraft referente a aquisição de sacos para embalagens de levedura. O contribuinte ensaca seus produtos em embalagens retornáveis ou em sacas de 25 kgs que não atendem ao previsto na legislação. Ou seja, a empresa não utiliza as chamas "embalagens de apresentação", aceitas pela legislação como dando direito ao crédito, e sim as "embalagens de transporte". A embalagem de apresentação é aquela incorporada ao produto durante o processo de fabricação, há que se ter como tal aquela que é usualmente empregada para a venda do produto ao consumidor final e que contenha o produto em quantidades compatíveis com sua venda no varejo; e também podese ter como tal aquela que, apesar de conter quantidades maiores, contenham rótulos destinados exclusivamente ao propósito de promover ou valorizar o produto; de outro lado, há que se ter como embalagens de transporte aquelas que se destinam apenas ao transporte dos produtos, por comportarem quantidades superiores às usualmente vendidas no varejo e não conterem indicações promocionais destinadas à valorização do produto (são, geralmente, latas, caixas, engradados, tambores, as sacas (te 50/ikgs, etc). Essas embalagens não fazem parte do processo produtivo, o produto é embalado após a produção. Fundamentação legal: art. 3 o , II, da Lei 10.833/2003 c/c o artigo 8°,I, b CL §4°,I, a da Instrução Normativa SRF n° 404/2004. Com efeito, revendo os termos do relatório do Fisco, verifico que, concernente ao material de embalagem específico para o açúcar, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles produtos por se tratarem de embalagens retornáveis, de transporte e não de apresentação, na premissa que o termo “insumo” referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo. Nas PLANILHAS denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 451), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as Embalagens, que tais notas fiscais os créditos foram glosados, assim motivados: glosa – não se agrega ao produto. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22 No entanto, a recorrente alega que a glosa, atingiu os créditos oriundos da aquisição de sacaria destinada especificamente à embalagem do açúcar. O acondicionamento do açúcar constituise em etapa da industrialização e, como tal em face do princípio da não cumulatividade das contribuições, deve ter todos os valores relativos às suas aquisições de fornecedores considerados para fins de dedução de créditos. Como já frisado anteriormente sobre o conceito de insumos, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do IRPJ, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, verificase que a fiscalização, consoante já destacado, não reconheceu o direito ao crédito relativo às aquisições de Embalagens (no caso sacaria), assentado nos seguintes fundamentos: Glosadas por se tratarem de embalagens de transporte e não de apresentação. A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito de insumo restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: Art. 66. [...] § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. O Recorrente, portanto, mesmo considerando os critérios da IN SRF nº 247/2002 e ao conceito de insumo adotado pela jurisprudência do CARF, tem direito ao crédito relativo às aquisições de embalagens (sacaria – embalagem do açúcar). Por fim, afastada a interpretação restritiva adotada pela decisão recorrida, descabe a exigência de prova da venda dos materiais de embalagens com o produto ao consumidor final. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 742 23 4.7) O Valor do Estoque de Abertura Descreve a recorrente em seu recurso, que: (...)A mesma indesculpável falha e condenável parcialidade está presente quando se verifica que foram glosados os valores de todo o estoque de abertura do álcool sem se proceder a necessária e inafastável proporcionalidade entre o álcool carburante e o não carburante. Ora, como é conhecimento comezinho, o álcool carburante ou combustível, quando do advento da lei instituidora do regime nãocumulativo permaneceu no regime cumulativo, enquanto que o álcool não destinado ao uso como combustível foi tangido ao regime da nãocumulatividade. Decorre daí a certeza do precário trabalho realizado pela fiscalização e a conseqüente nulidade da glosa efetuada. Tais fatos revelam, além de ser de extrema fragilidade e arbitrariedade a verificação efetuada, que a fiscalização não tem observado in totum as regras da própria RFB, o que torna ainda mais marcante em todo o procedimento fiscal a opção pelo hipotético e pela presunção”. No referido Termo de Constatação (fl. 301), a fiscalização observa que: (...) O estoque de abertura a ser considerado para a COFINS foi diminuído de R$ 64.442,75 para R$ 9.584,96 com a glosa dos valores referentes a álcool carburante (estoque de produto acabado) e dos produtos químicos utilizados na produção do álcool carburante. Na sequência, o fisco, no momento de elaborar o Termo de Diligência, informa que: Com relação ao estoque de álcool, temos no Livro de Produção Diária, a seguinte variação do estoque, porém, não há identificação do destino do produto, se é álcool carburante ou outros fins: (...). (...) Com as informações contidas nos razões apresentados da venda de álcool outros fins e com as informações prestadas nos valores de venda dos diversos tipos de álcool temos o seguinte: (...). (...) Podemos concluir que houve venda de álcool para outros fins, porém, a empresa não apresentou elementos que pudessem definir o volume correto das vendas do álcool para fins não carburante para ser mantido o seu credito presumido do estoque de abertura, conforme solicitado no item 8 do Termo de Diligência Fiscal. O mesmo ocorrendo com os produtos químicos em estoque utilizados na produção de álcool. Neste momento, assiste razão a recorrente, pois ao se analisar a questão da venda de álcool para “Outros fins”, no caso vertente, a interessada apresentou aos autos cópias das referidas notas fiscais (venda de álcool para “outros fins” (fls. 411/420) acompanhado de cópia da escrituração no livro Razão analítico (fls. 408/410), o que comprovam documentalmente esse tipo de venda e podem ser aceitos. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 24 Destarte, para apuração do crédito relativo às vendas de álcool para outros fins, efetivamente comprovadas pela impugnante, na fase impugnatória, as receitas relativas a vendas de álcool para outros fins são tributadas pela contribuição social (COFINS) no regime de incidência nãocumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção desse álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. Portanto, assiste razão a Recorrente, pois verificase que nem todo o álcool produzido teria sido comercializado como álcool carburante (hidratado ou anidro – regime cumulativo). Desta forma, deverá ser reavaliado o estoque de abertura do álcool e proceder a reavaliação da necessária proporcionalidade entre o álcool carburante e o não carburante, conforme ficou descrito no Termo de Constatação Fiscal (fls. 299/303 e demonstrativos de fls. 295/298). 4.8) Serviços Tomados Pela Recorrente Nos termos relatados neste processo, o Fisco glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Sobre este item, a recorrente argumenta em seu recurso que: (...) “concluise que insumo , no contexto das regras desta não cumulatividade da contribuição ao PIS, comporta a contratação de serviços destinados a execução de outros serviços. Mais ainda, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02 e o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, conjugados com as demais regras previstas nesta lei, autoriza nos a concluir que a expressão “serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” acolhe a possibilidade de haver a contratação de serviços para a execução de outros serviços, quaisquer que sejam, desde utilizados com o escopo final que é a obtenção do produto final industrializado. Resta, destarte evidenciado que não foi a preocupação da autoridade lançadora a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. Por derradeiro, cumpre esclarecer que nenhum dos serviços, tomados pela Recorrente e que foram utilizados no seu processo produtivo, se enquadram entre aqueles que são passíveis de registro no ativo imobilizado ou permanente, de acordo com as normas contábeis geralmente aceitas, bem como com as de regência do Imposto de Rendas Pessoas Jurídicas, eis que se tratam de serviços que em sua essência e própria finalidade devem e foram lançados diretamente como custo de produção” (...). Como já abordado neste relatório, os §§ 2º e 3º do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e da Lei nº 10.833/03 vedam o crédito da contribuição à COFINS e ao PIS se os bens e serviços forem adquiridos de pessoa física ou de pessoa jurídica não estabelecida no País. Desta forma, as exceções às regras de apropriação de créditos já estão claramente dispostas em tais parágrafos, cumprindo, assim, a função que lhes foi atribuída pela alínea “c ” do inciso III, do art. 11, da Lei Complementar nº 95/09. Verificase que no Termo de Constatação Fiscal (fls. 299/303), consta que: (...) “As despesas com prestação de serviço com direito ao crédito do PIS não cumulativo estão disciplinadas pelo disposto na IN SRF 404/2004, art. 8º, inciso I, “'b". " Fl. 754DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 743 25 b.1 " , § 4º , I. '"b". Foram objetos de glosa as despesas apresentadas pela empresa que não se enquadravam na definição supramencionada: "os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto"; neste caso, açúcar e outros produtos sujeitos ao regime não cumulativo do PIS. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 377 a 379”. Foram glosadas as notas fiscais de serviço que não correspondiam ao conceito de insumo na fabricação de açúcar e levedura, as que deveriam ter sido ativadas (vez que a empresa não comprovou que não houve aumento da vida útil do bem reparado em mais de um ano) e aquelas cuja descrição não permitia determinar se correspondiam a custo ou despesa operacional. Também não procede as alegações da recorrente no que concerne que não houve a preocupação da autoridade lançadora quanto a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. No Termo de Diligência (fls. 613/620) a fiscalização elaborou relatório bem detalhado no tópico “LINHA 3 SERVIÇOS UTILIZADOS COM INSUMO”, onde descreve que, LINHA 3 SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO A fiscalização entendeu que a informação contida na linha 13Outros valores com direito à crédito deveria ser informada na linha 3 da ficha 4 do Dacon serviços utilizados como insumo, por se tratar de serviços prestados por pessoa jurídica. Portanto não houve glosa total do informado pela Santa Cândida na Linha 13 — Ficha 04, mas simplesmente a análise como sendo linha 3 da mesma ficha: (...). Seguindo o tópico, a fiscalização explicita no documento toda fundamentação e as base legal sobre os conceitos de insumos para fins de creditamento sobre tais bens e serviços, especificando as glosas efetuados (fl. 616): (...) Com a base legal acima foram efetuadas as seguintes glosas: "não corresponde ao conceito de insumo" notas fiscais de serviços não relacionados com o processo produtivo, citados no anexo, como por exemplo leitura mensal, controle de pragas, assessoria técnica, locação de toalhas, conserto de rádio, copias de chaves, locomoção de motoristas. "NF não identifica se é custo ou despesa" notas fiscais com descrição genérica não sendo possível identificar se é despesa ou custo. "valor que deveria ser incorporado ao ativo" notas fiscais de reformas de equipamentos que deveriam ser ativadas em razão do aumento da vida útil do bem reparado. As partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que respondam diretamente pela fabricação ou produção de bens destinados à venda, podem ser consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativas, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes da ação diretamente exercida no processo de fabricação do produto que está sendo produzido e desde que não estejam incorporadas ao ativo imobilizado da empresa. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 26 Com efeito, revendo os termos do relatório do Fisco, se verifica que, concernente aos materiais acima especificados, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles enquadrados no conceito do termo “insumo”, este quando referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo. Nas PLANILHAS denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 450/455), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as L03 – Serviços Utilizados como insumo, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. As glosas estão assim motivadas: as que não corresponde ao conceito de insumo, valor que deveria ser incorporado ao ativo e nota fiscal não identificada se é custo ou despesas. Quanto a alegação de que nenhum dos serviços, tomados pela Recorrente e que foram utilizados no seu processo produtivo, se enquadram entre aqueles que são passíveis de registro no ativo imobilizado ou permanente, de acordo com as normas contábeis geralmente aceitas, bem como com as de regência do IRPJ, verificamos que a fiscalização relata em seu Termo de Constatação Fiscal que: (...) “Foram glosadas as notas fiscais de serviço que não correspondiam ao conceito de insumo na fabricação dos produtos de incidência nãocumulativa, as que deveriam ter sido ativadas (vez que a empresa não comprovou que não houve aumento da vida útil do bem reparado em mais de um ano) e aquelas cuja descrição não permitia determinar se correspondiam a custo ou despesa operacional”. Se as partes e peças adquiridas no caso, forem para máquinas ou equipamentos que estiverem no ativo imobilizado, deixarão de ser consideradas como insumos e poderão gerar créditos decorrentes de depreciação futura, conforme previsto na Lei n° 10.637/2002, art. 3º, Inciso VI, combinado com o seu § 1º, Inciso III, (c/ artigo 15 da Lei nº 10.833/2003). Desta forma, esses produtos que atuam diretamente em todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, que representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorra sua aplicação, devem ser capitalizados, consoante estabelece o art. 346 do RIR (Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/1999) . Verificase no Termo de Diligência que: (...) A Santa Cândida possui uma moenda com seis ternos. Apresentou descritivos de manutenção da recepção de cana, do preparo da cana e da moenda. Da descrição verificase que as mesas alimentadoras, as esteiras metálicas, bem como a moenda são desmontadas e recuperadas ao final da Safra com troca de pinos, buchas e outras peças de acordo com o projeto de engenharia. Os ternos são compostos por castelo, bagaceira, cabeçotes, rolos e pentes. Nas notas fiscais de serviços não se verifica a aquisição ou instalação desses elementos anualmente. As notas fiscais de serviços glosadas referemse a soldas, frisamentos, aplicações de chapas inox, válvulas, hidrojateamento, recuperação de cilindros, desfibrilador, usinagem, etc, portanto são substituições de partes e peças que resultam em aumento da vida útil em mais de um ano, devendo ser ativadas. Também consideramos que devem ser ativados as notas fiscais de fornecimento de mão de obra de pedreiros, pintores e serviços de engenharia. Fl. 756DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 744 27 Como se vê, consta do Termo de Constatação que a empresa Santa Cândida possui uma moenda com seis ternos e ainda apresentou descritivos de manutenção da recepção de cana, do preparo da cana e da moenda. Verificase que as mesas alimentadoras, esteiras metálicas, bem como a moenda são desmontadas e recuperadas ao final da safra com troca de pinos, buchas e outras peças de acordo com o projeto de engenharia. Assim, não procede as alegações da recorrente no que concerne não haver a preocupação da autoridade lançadora quanto a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. A fiscalização elaborou um demonstrativo, detalhando que como regra foram glosados os serviços que não se enquadravam no conceito de insumo, ou seja, os serviços que não quedaramse demonstrados que estavam diretamente ligados à produção dos produtos não cumulativos. Portanto, uma vez que a Recorrente não junta provas contrárias nos autos, correto as glosas de parte dos valores dos serviços tomados pela Recorrente, 4.9) Aluguel de Máquinas e Equipamentos Aduz a recorrente em seu recurso que: (...) “Segundo a dicção do Fisco, não geram direito a crédito o aluguel de máquinas, escavadeira ou guindaste, porque a Recorrente não demonstrou terem sido eles utilizados na fabricação do açúcar. A respeito há que se ter presente que a escavadeira é utilizada na tanto movimentação da matériaprima (canadeaçúcar), como no transporte e movimentação do açúcar em bruto. O mesmo se dá com o guindaste que faz a movimentação dos contêineres de açúcar, tanto no empilhamento e armazenagem quanto no carregamento nos veículos de transporte. É também utilizado na movimentação de peças e equipamentos pesados. Assim, ou se deveria reconhecer o direito ao crédito integral ou, ao menos, proporcional na hipótese de movimentação da matériaprima da qual deriva tanto o açúcar como o álcool. Tal questão foi dessa forma analisada pela fiscalização em seu Termo de Constatação Fiscal (fls. 100/103): Também não geraram direito a crédito o aluguel de máquinas que não se enquadravam no disposto no art. 66, inciso II, i b" da IN 247/2002: "aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa". Assim, não foram consideradas as Notas Fiscais referentes a aluguel de escavadeira, andaimes ou guindastes, máquinas que a empresa não demonstrou terem sido utilizadas na fabricação de açúcar e outros produtos com direito ao crédito da COFINS não cumulativo. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 377 A 379 (grifamos). O artigo 3º da Lei nº 10.637/02 prevê a utilização das despesas de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 28 Porém, como se verifica no Termo de Diligência efetuado pela fiscalização (fls. 613/620, Linha 6 –Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, tais despesas foram glosadas porque verificouse que tratam de locação de máquinas e equipamentos referente à atividade de construção civil da empresa: LINHA 6 DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOAS JURÍDICAS O artigo 3 o da Lei 10.833/03 prevê a utilização das despesas de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Foi considerada, alem do apresentado, a NF 1030 de 06/08/04 da Transelev referente a uma empilhadeira Mitsubishi. Já, quando analisamos as planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 452), a fiscalização demonstra, na coluna especificada: L06 – Aluguel de Máquinas e Equipamentos, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. Concluindo, notese que neste caso, não assiste razão a recorrente, uma vez que todas as notas fiscais apresentadas e informado pela Santa Cândida, foram totalmente mantidos pela fiscalização, conforme demonstrativo – L06, de fl. 452. Assim, não conheço do recurso no que se refere a essa parte, por falta de interesse recursal. 4.10) Do Leasing A empresa em seu recurso argumenta que, (...) “A Fiscalização, é omissa ao fato tanto no Despacho Decisório como no Termo de Verificação Fiscal, porém elaborou os demonstrativos e fichas do DACON de acordo com seu critério e entendimento, desprezando as informações prestadas anteriormente pela Recorrente no mesmo DACON relativamente aos créditos, oriundos de operações de arrendamento mercantil (leasing), que foram sumariamente glosados. Assim, no DACON elaborado pelo Fisco não constou sequer uma das aquisições de bens na modalidade de leasing, sendo que, na realidade existem várias no período examinado que, inexplicavelmente, foram desprezadas. Nada há no bojo dos autos que indique, especifique, ou sequer sugira o porque da glosa ou da omissão naquele DACON dos valores relativos aos contratos de leasing ignorados pelo Fisco. Não procede a alegação de omissão colocada pela recorrente, senão vejamos o que foi relatado sobre este tema no Termo de Constatação Fiscal (fls. 299/303): A partir de 01/05/2004 em virtude de alterações na Lei 10.637/2002, introduzidas pela Lei 10.865/2004, deixaram de dar direito a crédito: despesas financeiras, aquisições de máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados à venda anteriores a 01/05/2004. Portanto, os valores referentes a esses lançamentos foram glosados. E o Fisco segue informando no Relatório de Diligência (fls. 613/620): LINHA 8 ARRENDAMENTO MERCANTIL mantidas as despesas informadas de duas Saveiros e uma Kombi. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 745 29 Nas PLANILHAS denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 453), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as L08 – Arrendamento Mercantil, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. Notese que, neste caso específico, todas as notas fiscais apresentadas e informado pela Santa Cândida, os créditos foram totalmente mantidos pela fiscalização, conforme se visualiza no demonstrativo de fl. 453. Portanto não assiste razão a recorrente em reclamar de omissão ou do motivo da glosa efetuado pelo fisco. Assim, não conheço do recurso no que se refere a essa parte por falta de interesse recursal. 4.11) Da Aquisição de Insumos de Pessoas Jurídicas De acordo com a Administração tributária, a vinculação dos créditos aos tipos de receitas auferidas deve ser realizada diretamente quando for possível identificar a sua vinculação exclusiva a cada tipo de receita, sendo que, em relação aos custos comuns das atividades cumulativas e não cumulativas, facultase à pessoa jurídica a utilização de qualquer dos critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, ou seja, a apropriação direta (no caso de a pessoa jurídica possuir sistema de custos integrado e coordenado com a escrituração) ou o rateio proporcional. No que se refere a esse tópico, a recorrente alega que: (...) “No indigitado DACON elaborado pela Fiscalização foi utilizado e aplicado, indevidamente, para fins de cálculo do valor a ser creditado nas aquisições de canadeaçúcar, efetuadas de Pessoa Jurídica, o mesmo critério e método de apuração adotado para se apurar o Crédito Presumido (para o PIS 70% e para a COFINS 80%), reduzindo, sem base legal, o montante do crédito a ser aproveitado pela Recorrente. Igualmente, ao item imediatamente anterior, nada há nos autos e nas notas feitas a ele que esclareça o motivo e justifique tamanha parcialidade”. Vejase o que informa a fiscalização no Termo de Diligência (fl. 615): (...) Cana Adquirida de Pessoa Jurídica A empresa informou o total de cana adquirida de pessoa jurídica R$ 2.027.170,69. A fiscalização aplicou sobre este valor o percentual 57,95% referente a cana utilizada na produção do açúcar e acrescentou o frete proporcional a cana adquirida de pessoa jurídica utilizada na produção do açúcar, valor informado como sendo linha 3 e apurado na conta 30101003004020 Despesas de Fabricação Transporte de Cana de Açúcar, demonstrados no anexo do Termo de Constatação Fiscal. Observese que, quanto ao rateio cabe esclarecer que o percentual das receitas cumulativas e nãocumulativas foi informado pela própria requerente, conforme consta das planilha à fls. 274/294 (informações da própria fiscalizada), sendo nela apurado o percentual das receitas cumulativas (álcool carburante) em relação ao total das receitas e, por diferença, o percentual das nãocumulativas. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 30 Como se sabe, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência "não cumulativa" do PIS/PASEP em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Para tanto, a pessoa jurídica deverá alocar, a cada mês, separadamente para a modalidade de incidência as parcelas dos custos respectivos. No caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à "não cumulatividade" e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: a) apropriação direta, inclusive, em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b) rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Verificase que o método eleito pela Recorrente foi aceito pela Fisco e aplicado consistentemente por todo o período analisado. 4.12) Da Aplicação Indevida de Rateio Dispõe o § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 que “Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas”. Como já abordado no tópico anterior, a regra acima implica em que, se o contribuinte auferir receitas sujeitas aos regimes cumulativo e nãocumulativo, os insumos apenas gerarão crédito na proporção em que forem aplicados nestas últimas. A comercialização de álcool “para fins carburantes” submetese à incidência de PIS/Cofins pelo regime cumulativo, de modo que, por não se submeter ao regime não cumulativo das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os insumos aplicados na sua produção não geram direito de crédito. Nesse contexto a recorrente alega em seu recurso que: “Houve, ainda, no DACON da fiscalização, aplicação indevida de rateio proporcional para fins de apurar o valor do crédito, em situações em que o crédito deve ser integral, a exemplo dos serviços de ensacamento, marcação e manuseio da sacaria, serviços estes utilizados especificamente na produção do açúcar. Da mesma forma, esse erro crasso foi cometido em relação à levedura, sendo que por serem ambos os produtos não cumulativos, o crédito corresponde a 100%”. Como se observa, a Recorrente sustenta que a fiscalização, ao fazer os ajustes na base de cálculo do PIS e COFINS, distorceu os valores do crédito em que nos casos citados os créditos deveriam ser integrais. Vejase que no Termo de Diligência elaborado pela fiscalização, esclarece que (fls. 613/620): Fl. 760DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 746 31 (...) PERCENTUAIS DE RATEIO COM BASE NAS RECEITAS Conforme previsão contida na Lei 10.833/03 artigos 6o (exportação) e 3o , § 8o , II (não cumulativas) os rateios tem a seguinte regra: "rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. " A fiscalização apurou, primeiramente, o percentual das receitas cumulativas (álcool carburante) em relação ao total das receitas no mês, e considerando a diferença para 100% como o percentual das receitas não cumulativas, mesmo valor utilizado pela Santa Cândida 65,36%. O percentual de exportação foi obtido, pela fiscalização, como sendo o total das exportações de produtos não cumulativos (açúcar e levedura) dividido pelo total das receitas não cumulativas (descontandose as receitas cumulativas do total das receitas no mês) resultando em 79,49%. A empresa apurou como sendo o total das exportações de produtos não cumulativos dividido pelo total das receitas descontado o álcool exportado (não descontou o álcool no mercado interno como nos meses anteriores), apurando 71,99%. Portanto, não conseguimos vislumbrar as inconsistências apresentadas pela recorrente, uma vez que não demonstra claramente, com base em documentos e números, onde se encontra as referidas distorções, pois examinando os autos e verificandose os rateio mencionados, concluise pela inclusão de tais serviços nas referidas composições dos rateios, exceto àqueles que foram objeto de glosa. Isto posto, não leva a outro caminho senão à manutenção da forma com procedeu a fiscalização nesse tópico, fazendose, obviamente, os ajustes necessários, decorrentes desta decisão. 5) Das provas Como já analisado neste voto, a fiscalização apurou glosas de bens e serviços. A recorrente, porém, com exceção relativo às vendas de álcool para outros fins efetivamente comprovadas pela Recorrente, não anexou aos autos as provas junto com suas manifestações contrárias aos outros itens glosados, o que acaba por ser um empecilho à comprovação de suas alegações. Não sendo possível a análise do vínculo entre as supostas determinações e os gastos que elas o teriam obrigado. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, afim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16.A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993)” Fl. 761DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 32 No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art.396. Compete à parte instruir a petição inicial (art.283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. 6) Da apresentação das provas O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, não foram trazidas aos autos quaisquer outros documento que provassem que o sujeito passivo realizou gastos em decorrência das glosas de bens e serviços apurados pelo fisco, excetuandose a já comentada. 7) Conclusão Diante das considerações e fundamentos acima expostos, voto da seguinte forma: a) não conhecer do recurso voluntário na parte concernente aos seguintes itens: despesas com aluguel de máquinas e equipamentos (item 4.9) e relativo às operações de arrendamento mercantil – Leasing (item 4.10), por falta de interesse recursal. Fl. 762DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13827.000163/200533 Acórdão n.º 3802003.604 S3TE02 Fl. 747 33 b) na parte conhecida, para: rejeitar as preliminares, e c) dar provimento parcial, para reconhecer o direito do crédito calculado da COFINS não cumulativo calculado sobre os seguintes itens: graxa (item 4.3); dos insumos utilizados nas vendas de álcool para “outros fins” (referente às notas fiscais comprovadas no item 4.5.2); na aquisição de material de embalagem (item 4.6), e o ajuste no valor do Estoque de Abertura (item 4.7), conforme o contido neste voto; d) negar provimento em relação aos seguintes itens: lubrificantes (item 4.4), serviços utilizados como insumos (item 4.8) e dos produtos químicos adquiridos pela recorrente (item 4.5.1), e e) manter o entendimento do Fisco em relação aos créditos decorrentes da aquisição de insumos de pessoas jurídicas, já que os cálculos foram baseados em dados da próprio sujeito passivo (itens 4.11 e 4.12), de acordo com o contido neste voto. Este julgado limitouse a reconhecer o direito em tese, ficando a quantificação do crédito, o cálculo e a homologação da compensação declarada a cargo da autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 763DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10580.726261/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RECOMPOSIÇÃO SALARIAL. ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção.
IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal.
MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considera-se que houve boa-fé do contribuinte e exonera-se a multa de ofício.
Numero da decisão: 2101-002.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO.
Nome do relator: Relator
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ABONO URV. São tributáveis as parcelas recebidas a título de recomposição salarial para compensar os efeitos inflacionários. Inexistência de dispositivo legal autorizativo da não incidência/isenção. IMPOSTO DE RENDA. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. A competência para legislar sobre Imposto de Renda é da União. Não se reconhece legislação que seja emitida sem esse requisito formal. MULTA DE OFÍCIO. Comprovado que a fonte pagadora induziu o contribuinte ao erro, considerase que houve boafé do contribuinte e exonerase a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EIVANICE CANARIO DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA LEAO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 62 61 /2 00 9- 70 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário visa reverter a decisão do Acórdão 1523.315 3ª Turma da DRJ/SDR, que manteve integralmente o lançamento tributário do contribuinte. Na autuação foram lançadas as parcelas mensais recebidas em 36 parcelas iguais, de janeiro/2004 a dezembro 2006 (exercícios 2005, 2006 e 2007), a título de URV, relativamente aos períodos 1/04/1994 a 31/08/2001. Tendo em vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, o recurso foi sobrestado para aguardar o julgamento do recurso 614.406/RS que versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente, conforme Resolução 2101000.030. Contudo, em virtude da revogação desse dispositivo de sobrestamento pela Portaria MF 545/2013, estáse procedendo o julgamento do recurso voluntário. No recurso voluntário, o contribuinte apresenta os seguintes argumentos. a) A parcela recebida acumuladamente referese à recomposição salarial, correção do capital, porque não implementada no tempo certo. Essa parcela referese à diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. b) Isonomia com o estabelecido na Resolução/STF nº 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais. c) Entende que se os valores fossem calculados mês a mês, e refazendo as DIRF´s (2004, 2005 e 2006) poderia ser beneficiado. d) Mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamenta em lei Estadual. Colaciona decisões sobre o assunto e também sobre pareceres administrativos (PGFN, AGU). e) O lançamento deve ser considerado nulo tendo em vista vício de forma na apuração da base de cálculo do tributo, tendo em vista o entendimento do STJ referente ao assunto. f) Falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado. Esta questão não teria sido enfrentada na primeira instância. Por último, colaciona decisões judiciais e deste Conselho sobre o assunto e requer a improcedência do auto de infração e, caso seja mantida a ação fiscal, que seja excluída a multa no importe de 75% do débito e os juros de mora. Importante observar que o lançamento já considerou o cálculo do tributo tendo em vista jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. No novo cálculo o imposto de Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726261/200970 Acórdão n.º 2101002.536 S2C1T1 Fl. 3 3 renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente foi calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. É o relatório. Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins O recurso é tempestivo, e atende aos requisitos legais e dele conheço. Preliminarmente o contribuinte alega ilegitimidade ativa da União para cobrar imposto de renda com base no art. 157, I da Constituição Federal de 1988. A Turma a quo assim se pronunciou sobre o assunto: "É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União". Grifei Não merece reparos a decisão a quo quanto a esse aspecto, pois a competência constitucional para instituir e legislar (além de fiscalizar, cobrar, autuar, etc.) sobre o imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza é da União, conforme art. 153, inc. III da CF/88 e art. 6 da lei 5172/66. Tal competência é indelegável. Como a competência legislativa sobre o tributo em questão é única e exclusiva da União, não se reconhece, no âmbito deste processo administrativo federal tributário, diplomas legais que não sejam oriundos de tal competência, como por exemplo, legislação estadual que teria considerado tal verba como indenizatória. Assim, não há que se falar em supressão de instâncias, violação do contraditório ou da ampla defesa. Também não deve prosperar o argumento de isonomia com os magistrados federais, tendo em vista a Resolução/STF 245/2002. Tal resolução não é lei federal (i.e. não seguiu os trâmites previstos para a elaboração e aprovação dentro das casas legislativas que compõem o Congresso Nacional) e abrange apenas membros do Poder Judiciário da União. Portanto, não pode ser considerada no âmbito deste processo administrativo tributário federal. Considero afastada a possibilidade de sobrestamento do processo tendo em vista a alteração no Regimento Interno deste CARF conforme consta do relatório. Relativamente ao mérito, o contribuinte alega que a natureza da URV é indenizatória, porque visava corrigir o poder aquisitivo do cruzeiro real em relação à URV. Assim, a nova moeda (URV) não seria contaminada pelo ciclo inflacionário e evitaria a perda Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 do poder aquisitivo da moeda antiga, o cruzeiro real. Em que pese o argumento da defasagem salarial ante o aumento da inflação e, neste caso a correção salarial não representaria aumento de patrimônio ou renda, mas manutenção dos mesmos observase que não existem dispositivos legais que definam, em caso de aumento salarial, o que seria reposição salarial e o que seria aumento de renda/patrimônio e tampouco essa distinção na forma de tributação. São tributados igualmente os aumentos salariais que corrigem defasagem em relação à inflação e aqueles aumentos de salário reais, que realmente significam aumento de patrimônio do trabalhador. Assim, não se pode considerar o argumento do contribuinte por falta de previsão legal. Considerar o reajuste salarial motivo do rendimento recebido acumuladamente como parcela indenizatória, seria tratar de forma não isonômica os contribuintes que recebem reajustes salariais para corrigir o valor da inflação e têm esses valores tributados como se aumento salarial fosse. Sob outro ângulo, o par. 2, art. 108 do Código Tributário Nacional estabelece que "o emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento do devido tributo" e, no caso deste processo, não há que se falar em quebra da capacidade contributiva, pois os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte estão sendo tributados conforme legislação federal vigente no País. Não tributar tais rendimentos, seria dispensar tratamento diferenciado ao contribuinte, o que não condiz com um Estado Democrático de Direito. Observase ainda que o constituinte elegeu como direitos dos trabalhadores (art. 7, IV, CF/88) "salário mínimo nacionalmente unificado,... com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo..", contudo, não definiu qualquer dispositivo isentivo de imposto de renda para os tais reajustes periódicos que somente preservariam o poder aquisitivo do salário. Entendo que as diferenças salariais decorrentes da URV são acréscimos salariais (não importando se seriam reajustes em decorrência da inflação ou aumento real de salário) que não teriam sido incorporados aos salários na época própria. A partir do momento em que são recebidos, se constituem em renda tributável cujo fato gerador é definido pelo art. 43 do Código Tributário Nacional. Caso tivessem sido recebidos na época certa, teriam sido devidamente tributados. Então, os valores do principal recebidos acumuladamente são sim produto de trabalho e, como tal, devem ser tributados. O art. 43 da Lei 5172/66 (Código Tributário Nacional) define como fato gerador do imposto a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda (o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza, (quaisquer acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior). Mais ainda, no par. 1o. do mesmo artigo fica claro que "a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento". Com relação ao lançamento do tributo que deveria ter sido retido na fonte, o entendimento consolidado deste Conselho está expresso na Sumula CARF n. 12 determina que: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Compulsandose os autos, verificouse que a fonte pagadora realmente fez constar no informe de rendimentos os valores recebidos acumuladamente como não tributáveis, Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.726261/200970 Acórdão n.º 2101002.536 S2C1T1 Fl. 4 5 e o próprio contribuinte entende que tais valores realmente não seriam tributáveis. Não obstante, a existência de um dispositivo legal considerando a verba não tributável foi decisiva para que o requerente adotasse o procedimento incorreto. Desta forma, entendo que o erro é escusável, em acordo com a súmula 73 do CARF, a seguir transcrita. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Os valores devidos já estão calculados conforme o parecer PGFN/CRJ N. 287/2009, que está em consonância com a Jurisprudência do STJ, ou seja os valores recebidos pelo contribuinte foram tributados pelo regime de competência. O referido parecer está assim ementado. "Tributário. Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça." Há que se esclarecer que o recolhimento mensal do tributo, cuja retenção seja feita na fonte, constituise numa antecipação do imposto devido a ser calculado definitivamente na declaração de ajuste anual. Assim, caso tenha sido retido um valor mensal inferior ao necessário, haverá que ser compensado no imposto a pagar da declaração de ajuste anual. Observase ainda que o acórdão de primeira instância explicitou a forma de cálculo dos valores devidos enfatizando que, "nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão". Não se pode confundir anocalendário (ano em que o rendimento é recebido) com exercício, que se refere ao ano em que é feito o ajuste anual (normalmente no ano seguinte). Assim, como exemplo, os rendimentos recebidos relativamente ao anocalendário 1994 referemse à tributação ocorrida no exercício 1995, que na tabela progressiva de IRPF, na faixa de tributação do contribuinte consta 26,6%, corretamente aplicado pela autoridade fiscal. O contribuinte se insurge contra a tributação dos juros recebidos acumuladamente. Entretanto, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Fl. 134DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts.24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; O presente processo não trata de verbas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho e, portanto, não se lhe pode aplicar o decidido no REsp 1089720/RS. Recurso voluntário provido em parte para exonerar o contribuinte da multa de ofício em decorrência de erro escusável, consoante jurisprudência deste Conselho. Maria Cleci Coti Martins Relatora Fl. 135DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 25/08/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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