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Numero do processo: 19740.000295/2005-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/07/2002
FATURAMENTO. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA.
O faturamento das entidades de previdência privada, compreende a totalidade de suas receitas decorrentes das atividades econômicas do seu objeto social, ou seja, a totalidade das receitas operacionais.
COFINS. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXCLUSÕES
Inexiste base legal para as exclusões das receitas de aluguel, venda e reavaliação de imóveis nas bases de cálculo da Cofins, para as entidades fechadas de previdência complementar para os fatos geradores anteriores a setembro/2002.
Numero da decisão: 9303-007.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. O faturamento das entidades de previdência privada, compreende a totalidade de suas receitas decorrentes das atividades econômicas do seu objeto social, ou seja, a totalidade das receitas operacionais. COFINS. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXCLUSÕES Inexiste base legal para as exclusões das receitas de aluguel, venda e reavaliação de imóveis nas bases de cálculo da Cofins, para as entidades fechadas de previdência complementar para os fatos geradores anteriores a setembro/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 95 /2 00 5- 00 Fl. 730DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração de Cofins, às efls. 169 a 181, referente ao período de apuração de fevereiro de 2001 a julho de 2002, em valor originário de R$ 2.717.638,81, multa de ofício de R$ 2.038.229,03 e juros de mora de . R$ 1.748.130,86, montando a R$ 6.503.998,70. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 15/08/2005. A contribuinte é entidade fechada de previdência complementar e autuação decorreu de recolhimento de contribuição para a Cofins sem incluir as rubricas com receitas de aluguéis e rendimentos equiparados na carteira imobiliária, resultado positivo de reavaliação de investimento imobiliário e ganhos/lucros na venda de investimentos imobiliários. O Termo de Verificação Fiscal, às efls. 153 a 167, detalha o procedimento fiscal e as razões da autação. Irresignada, em 14/09/2005, a contribuinte apresentou impugnação, às efls. 189 a 219. A 4ª Turma da DRJ/RJOII, apreciou a manifestação em 23/06/2008, e no acórdão nº 1320.328, às efls. 485 a 501, considerou procedente em parte o lançamento, pela exoneração parcial de valores lançados no período de 09/2001 a 12/2001, por terem sido confirmados recolhimentos da contribuição nesse período. Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 511 a 539, em 05/09/2008. Os argumentos da contribuinte, estão abaixo resumidos: · inconstitucionalidade dos arts. 2º, 3º, e 8º da Lei nº 9.718/1998; · legitimidade da exclusão das receitas de aluguéis, de vendas e reavaliações de imóveis da base de cálculo, nos termos da MP nº 66, de 29/08/2002, convertida na lei nº 10.637, de 30/12/2002,em face da aplicação do art. 106 do CTN; e · pagamentos relativos às competências de fevereiro a agosto de 2001, e cujos comprovantes foram anexados a este processo, não foram considerados pela autoridade julgadora de primeira instância, pelo que pleiteou a extinção dos créditos a eles relativos. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 30/04/2010, resultando no acórdão de nº 330100.520, às efls. 607 a 613, o qual teve a seguinte ementa: DIFERENÇAS. VALORES DECLARADOS. VALORES DEVIDOS. As diferenças apuradas entre os valores da contribuição declarados e/ ou pagos e os efetivamente devidos com base nas receitas escrituradas estão sujeitas a lançamento de oficio, Fl. 731DF CARF MF Processo nº 19740.000295/200500 Acórdão n.º 9303007.480 CSRFT3 Fl. 731 3 acrescidas das cominações legais, juros de mora e multa de oficio. BASE DE CALCULO Até a entrada em vigor da Medida Provisória n° 66, de 29/08/2002, as receitas de aluguéis e rendimentos equiparados na carteira imobiliária, do resultado positivo de reavaliação de investimento imobiliário e de ganhos e lucros na venda de investimentos imobiliários, integrantes do faturamento mensal das entidades fechadas de previdência complementar, estavam sujeitas à Cofins. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Súmula N° 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, mantendose o crédito tributário retificado em primeira instância, nos termos do voto do Relator. Quanto ao pleito de liquidação retroativa em face de pagamentos realizados, em seu voto o relator afirma: ...quanto ao requerimento para a extinção do crédito tributário correspondente aos meses de fevereiro a agosto de 2001 por ter pagado as respectivas parcelas, compete à autoridade administrativa competente da DRF de origem, fazer a imputação dos valores pagos às respectivas parceladas lançadas e exigidas e se comprovado que os valores recolhidos foram suficientes para liquidar o principal e respectivas cominações legais, multa de oficio e juros de mora, extinguilo. Embargos da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão nº 330100.520 (efl. 627), e da alocação dos pagamentos com quitação dos débitos a eles correspondentes, em 26/10/2010 (e fl. 649) e manejou embargos de declaração em 29/10/2010, às efls. 637 a 643. A contribuinte afirma a existência de duas contradições a serem sanadas: a) quanto à admitir existência de pagamento integral referente ao período de fevereiro a agosto de 2001 mas condicionar a extinção a uma imputação dos valores pagos à DRF de origem; e b) a parte dispositiva do acórdão não deu provimento integral ao recurso, apesar de reconhecer o pagamento integral na fundamentação. O Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no despacho de efls. 653 e 654, em 27/03/2012, rejeitou os embargos interpostos, por não encontrar as contradições arguídas, pois as parcelas dos créditos dos referidos meses de fevereiro a agosto de 2001, forma efetivamente extintas após a imputação pela DRF de origem, conforme se observa nos documentos às efls. 617 a 625. Fl. 732DF CARF MF 4 Recurso especial da contribuinte Cientificada do despacho de admissibilidade de seus embargos de declaração, em 06/02/2013 (efl. 682), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência em 20/02/2013 (efl. 713), às efls. 661 a 674. Com base nos acórdãos paradigmas nº 330200.594 e nº 330200.617, a contribuinte apontou a divergência. Esses acórdãos admitiram que, uma vez reconhecida pelo STF a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, devem as autoridades administrativas aplicar de imediato tal entendimento, enquanto o recorrido afirmava que não poderia se manifestar sobre a inconstitucionalidade. O Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por meio do despacho de efls. 716 a 719, em 10/11/2015, deu seguimento ao recurso especial de divergência da contribuinte, com fundamento nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, para admitir a rediscussão da questão do afastamento das receitas não enquadradas no conceito de faturamento, a partir da decisão do STF que afastou o alargamento da base de cálculo prevista no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998. A Procuradoria da Fazenda Nacional teve ciência desse despacho em 24/11/2015 (efl. 720) e informou que não apresentaria contrarrazões, à efl. 721. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. O recurso especial de divergência da contribuinte foi admitido apenas em relação à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, tal inconstitucionalidade, no entendimento da recorrente, afastaria as receitas tributadas da base de cálculo. Todavia, nessa matéria entendo que andou bem a decisão a quo quando, ao tratar das exclusões das receitas de aluguéis e rendimentos equiparados na carteira imobiliária, do resultado positivo de reavaliação de investimento imobiliário e de ganhos e lucros na venda de investimentos imobiliários, por parte das entidades de previdência complementar, entendeu somente terem sido essas permitidas com a edição da MP n° 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002. A análise das exclusões contidas nos dispositivos da Lei nº 9.718/1998 permitiu que o relator do recorrido considerasse que também entre as exclusões dos §§ 2º e 6º, do art. 3, não se encontravam aquelas. Além disso, ele corretamente afirmou, à efl. 611: Também, ao contrário do seu entendimento, aquelas receitas não estão incluídas na ampliação da base de cálculo dessa contribuição, nos termos do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, uma vez que, segundo a Resolução CGPC n° 05, de 30/04/2002, do Conselho de Gestão da Previdência Fl. 733DF CARF MF Processo nº 19740.000295/200500 Acórdão n.º 9303007.480 CSRFT3 Fl. 732 5 Complementar, aquelas receitas integram o faturamento das entidades de previdência complementar, enumerando os seguintes grupos de contas: "Programa Previdencial" n° 3.0.0.0.00.00; "Programa Assistencial" n° 4.0.0.0.00.00; "Programa Administrativo" n° 5.0.0.0.00.00; e do "Programa de Investimentos" n° 6.0.0.0.00 00. No presente caso, todas as receitas tributadas pelo autuante foram escrituradas/contabilizadas em um desses grupos de contas. (Negritos do original, sublinhei.) As receitas em questão estão vinculadas ao objeto da entidade, portanto compõem seu faturamento. Essa turma, no acórdão de nº 9303006.484, em 13/03/2018, apreciou essa matéria, pelo que peço vênia para adotar a argumentação do voto vencedor do i. conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal: As entidades de previdência complementar estão sujeitas à contribuição para o PIS de Cofins, nos termos da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, que assim dispõe: “Art. 2º. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (destaque nãooriginal) Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Fl. 734DF CARF MF 6 (...). §5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no §1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. §6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5º, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...); III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (...); §7º As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6º restringe se aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (...).” Ora, de conformidade com este diploma legal, as receitas contabilizadas sob as rubricas "custeio do programa administrativo" e ''remuneração dos investimentos administrativos e custeio" decorrem de atividades operacionais das entidades de previdência privada e integram o faturamento destas pessoas jurídicas. Tais receitas não estão elencadas, no dispositivo legal transcrito acima, dentre aquelas passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. Ressaltese, ainda, que o faturamento das entidades de previdência privada corresponde à soma de todas as receitas decorrentes das atividades econômicas do seu objeto social, ou seja, suas receitas operacionais, dentre elas as de prestação de serviços tributadas nos lançamentos em discussão. Assim, a decisão do Supremo do Supremo Tribunal Federal (STF) proferida nos Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG que reconheceu a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que havia ampliado a base de cálculo do PIS e da Cofins, não se aplica ao presente caso. Naquele julgamento o Ilmo. Sr. Ministro Cezar Peluzo do STF, assim, definiu faturamento: “Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador Fl. 735DF CARF MF Processo nº 19740.000295/200500 Acórdão n.º 9303007.480 CSRFT3 Fl. 733 7 constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação.” (grifo nãooriginal) Ainda, segundo o Ilmo. Ministro, “se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’”. Dessa forma, independentemente do julgamento do STF que julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, dentre elas as entidades de previdência privada, estão sujeitas a esta contribuição nos termos da Lei nº 9.718, de 1998, arts. 2º e 3º, ou seja, sobre o seu faturamento mensal correspondente à soma de todas as receitas oriundas de suas atividades típicas decorrente de seu objeto social. Logo, ainda que se considere a inconstitucionalidade arguida no recurso especial, esta não se aplicaria ao caso concreto, pelas razões então expostas pelo relator do acórdão recorrido e já anteriormente apresentadas no acórdão da DRJ/RJOII (efl. 493). Dessarte, vejo como adequado o posicionamento do acórdão recorrido pela manutenção daquelas receitas na base de cálculo do lançamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 736DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13890.000568/2003-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO.
Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, torna-se mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação.
RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO.
Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz-se mister seu reconhecimento de ofício.
Numero da decisão: 1002-000.494
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, apenas para exonerar a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, torna-se mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz-se mister seu reconhecimento de ofício.
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ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, tornase mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz se mister seu reconhecimento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe parcial provimento, apenas para exonerar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 00 05 68 /2 00 3- 46 Fl. 93DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 76 à 78) interposto contra o Acórdão n° 1284.025, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (efls. 64 à 67), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, tocante à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mantendo a exigência da contribuição, código 2973, no valor de R$ 1.000,01, acrescida da multa de ofício de 75% e dos juros moratórios cabíveis. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: DO LANÇAMENTO Trata o presente processo de lançamento tributário formulado a partir de auditoria interna em DCTF, relativamente a fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998. A exigência fiscal fora fundamentada nos dispositivos legais relacionados no auto de infração (fls.05/10). DO RECURSO Inconformada com o feito fiscal, do qual tomou ciência em 21/07/2003 (cfr, cópia do AR SEDEX ESPECIAL de fl.32), a interessada interpôs impugnação de fl.03, tendo sido protocolizada na ARF – RIO CLARO/SP, em 15/08/2003, onde alega que: DO DIREITO · “Data vênia”, o auto de infração não tem qualquer procedência uma vez que em 30/04/1998 efetuou os pagamentos parciais do débito apurado, no valor de R$ 4.398,69 conforme Darf juntado aos autos, e como o pagamento do principal ocorreu dentro do prazo legal, assim improcedem a multa e os juros de mora; · O valor declarado em DCTF, referente ao primeiro trimestre de 1998, está incorreto, onde consta o valor R$ 16.196,08, porém o valor da DIPJ 1999/1998 é deR$ 13.196,08, valor este quitado pelos Darf(s), com Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13890.000568/200346 Acórdão n.º 1002000.494 S1C0T2 Fl. 94 3 vencimentos em 30/04/1998, 29/05/1998 e 30/06/1998, com os valores do principal, R$ 4.398,69 e juros nos vencimentos de 29/05/1998, de R$ 43,99 e 30/06/1998, de R$ 115,69; CONCLUSÃO À vista do exposto, tendo em vista os pagamentos efetuados, demonstrada a insubsistência e improcedência do lançamento requer seja acolhida esta impugnação a fim de se cancelar o débito. DA REVISÃO DE OFÍCIO A SECAT/DRFB/PIRACICABA – SP, em análise do pedido de cancelamento do crédito tributário apontado pelo auto de infração nº 0002044 (fls.05/10), emitiu parecer e despacho decisório de fls.54/55, assim se pronunciando, como abaixo se reproduz: À vista da documentação acostada aos autos do processo, e em consulta aos sistemas da RFB em fls. 27 a 39, identificouse a disponibilidade do pagamento realizado em 30/04/1998, no valor de R$ 4.398,69, relativo à primeira quota de CSLL do primeiro trimestre de 1998 (fl. 20). O processamento do recálculo, com a alocação deste pagamento, resultou em um saldo a pagar da Io quota no valor de R$ 1.000,01, conforme se comprova no extrato em fls. 40 a 42. Quanto aos pagamentos com vencimento em 29/05/1998 e 30/06/1998, verificouse que estes foram devidamente alocados às outras quotas de CSLL do primeiro trimestre de 1998, nos autos do processo administrativo n° 13890.000316/200155 (fls. 32 e 34). Em relação às diferenças de valor entre a DCTF e DIPJ, contatouse que o requerente informou na DIPJ/1999 entregue em 28/09/1999 um débito de CSLL no Io trimestre de 1998 de R$ 13.196,08, declarando na DCTF entregue em 01/09/1998 a quantia de R$ 16.196,08, fls. 35 a 39. Em virtude do poder de síntese manifestado em Recurso Voluntário, transcrevo suas razões: (...) No entanto, tal decisão não parece nem justa nem equitativa; muito menos lógica. De fato, no item DA REVISÃO DE OFÍCIO que integra o RELATÓRIO, extraise: “Quanto aos pagamentos com vencimento em 29/05/1998 e 30/06/1998, verificouse que estes foram devidamente alocados às outras quotas de CSLL do primeiro trimestre de 1998, nos Fl. 95DF CARF MF 4 autos do processo administrativo n° 13890.000316/200155 (fls. 32 e 34). Em relação às diferenças de valor entre a DCTF e DIPJ, constatouse que o requerente informou na DIPJ/1999 entregue em 28/09/1999 um débito de CSLL no 1° trimestre de 1998 de R$ 13.196,08, declarando na DCTF entregue em 01/09/1998 a quantia de R$ 16.196,08 (fls. 35 a 39).” Conforme pode ser verificado por documentos trazidos aos autos pela própria recorrida (fls. 32/34), as extinções dos créditos tributários relativos às quotas de CSLL com vencimentos de 29/05/1998 e de 30/06/1998 deramse, ambos, pelo montante de R$ 4.398,69. Ou seja, para essas quotas, a recorrida aceitou o montante total declarado pela recorrente na DIPJ/1999, ou seja, R$ 13.196,08; ora, tratase da obrigação principal da CSLL relativa aos fatos geradores do primeiro trimestre de 1998. O lançamento tributário aqui, portanto, é o do primeiro trimestre de 1998; se a recorrida já aceitou os pagamentos das quotas de 29/05/1998 e 30/06/1998 com base nas informações prestadas na DIPJ/1999, não pode exigir outro valor para extinguir a quota com vencimento em 30/04/1998. Adotar esse entendimento equivale a dizer que a recorrida aceitou o parcelamento da obrigação principal relativa aos fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 1998, em 3 quotas, considerando 2 possíveis valores para a mesma obrigação principal. Isso é uma postura inaceitável e não encontra guarida na melhor doutrina tributária. A cada lançamento tributário equivale uma obrigação principal determinada; em outras palavras, um lançamento tributário só pode gerar um valor específico para o quantum debeatur. No presente caso, a recorrida já aceitou a obrigação principal no montante de R$ 13.196,08, conforme DIPJ/1999 já anexada aos autos. Face ao exposto, requerse a integral procedência do presente RECURSO VOLUNTÁRIO, culminando com a extinção da quota de CSLL com vencimento em 30/04/1998 pelo valor de R$ 4.398,69. Não restou juntada nenhuma prova adicional quando da apresentação recursal. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13890.000568/200346 Acórdão n.º 1002000.494 S1C0T2 Fl. 95 5 Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, supre os pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, não tem razão o Recorrente, haja vista a ausência de provas aptas a chancelar seu pedido. Impende resumir que o cerne do presente PAF é o pagamento a menor (não localizado), decorrente de CSLL. Nesse espeque, o Contribuinte alega ter quitado a quantia em aberto, sustentando seu argumento nas DARFs (1° Trimestre de 1998) outrora juntadas desde a etapa da exordial. No deslinde do processo, o Recorrente apresentou acervo probatório válido, o qual culminou na revisão fiscal do auto lavrado, reduzindo substancialmente o valor cobrado pelo Fisco. Noutro giro, embora pleiteie pelo cancelamento total da autuação, o Contribuinte não logrou lastrear seu pedido com provas suficientes a mitigar aquela. Aliás, vale ressaltar que a quantia de R$ 4,398,69 mencionada no Recurso Voluntário foi devidamente expurgada do quantum total do Auto de Infração, tanto é que só restaram para cobrança os R$ 1.000,01 residuais. Tal circunstância restou configurada desde o Despacho Decisório n° 323/2011 (efl. 54), cujo teor transcrevo: RELATÓRIO Trata o presente processo de impugnação de Auto de Infração de CSLL em fls. 02 a 08. Na impugnação em fl. 01, o contribuinte alega o pagamento das três quotas do tributo dentro do vencimento, com os devidos acréscimos legais, quitandoas integralmente. Aduz, também, erro no preenchimento da DCTF relativa ao débito de CSLL do Io trimestre de 1998, afirmando que o valor exato da exação seria aquele informado na DIPJ/1999, no valor de R$ 13.196,08. Para sustentar sua tese, anexou ao requerimento cópia de DARF em fl. 09. É o relatório. FUNDAMENTAÇÃO Fl. 97DF CARF MF 6 À vista da documentação acostada aos autos do processo, e em consulta aos sistemas da RFB em fls. 27 a 39, identificouse a disponibilidade do pagamento realizado em 30/04/1998, no valor de R$ 4.398,69, relativo à primeira quota de CSLL do primeiro trimestre de 1998 (fl. 20). O processamento do recálculo, com a alocação deste pagamento, resultou em um saldo a pagar da Io quota no valor de R$ 1.000,01, conforme se comprova no extrato em fls. 40 a 42. Quanto aos pagamentos com vencimento em 29/05/1998 e 30/06/1998, verificouse que estes foram devidamente alocados às outras quotas de CSLL do primeiro trimestre de 1998, nos autos do processo administrativo n° 13890.000316/200155 (fls. 32 e 34). Em relação às diferenças de valor entre a DCTF e DIPJ, contatouse que o requerente informou na DIPJ/1999 entregue em 28/09/1999 um débito de CSLL no Io trimestre de 1998 de R$ 13.196,08, declarando na DCTF entregue em 01/09/1998 a quantia de R$ 16.196,08, fls. 35 a 39. CONCLUSÃO Face ao exposto, no exercício das atribuições do cargo de AuditorFiscal da RFB, e considerando o princípio da verdade material, assim como das normas que regem a revisão de ofício do lançamento, art. 145, III c/c art. 149, VIII, do CTN, concluise pela alteração do lançamento, na forma do extrato em fls. 40 a 43. Tendo sido instaurada a fase litigiosa do procedimento fiscal, pela apresentação tempestiva da impugnação, conforme se comprova na cópia do AR em fl. 23, proponho o encaminhamento deste processo a DRJ para julgamento das demais alegações do contribuinte. É o parecer. Quanto ao mais, tais aspectos foram detalhadamente reiterados em sede de Acórdão a quo, os quais utilizo como parte integrante do presente decisum, em homenagem ao §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: DO MÉRITO DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS Tratase de auto de infração com origem em auditoria interna de DCTF, onde foram detectadas inconsistências no 1º trimestre do anocalendário de 1998 quanto aos valores declarados e recolhidos. A interessada, em sua peça de defesa de fl.03, assevera ter pago todas as três quotas do 1º trimestre do anocalendário de 1998 dentro do prazo legal, conforme documentação juntada aos autos, e que assim, o auto de infração nº 0002044, de fl.05/10 seria improcedente. Acrescenta, outrossim, ter havido um engano quanto à DCTF deste 1º trimestre, declarou R$ Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13890.000568/200346 Acórdão n.º 1002000.494 S1C0T2 Fl. 96 7 16.196,08, quando em verdade, segundo sua DIPJ 1999/1998 seria R$ 13.196,08. O trabalho de revisão fiscal levado a efeito pela SECAT/DRFB/PIRACICABA – SP, em recálculo do crédito tributário, se manifestou, informando que o pagamento por meio de DARF, de fl.12 (R$ 4.398,69, em 30/04/1998), foi devidamente alocado, o que veio a transformar o crédito tributário de R$ 5.398,70 (1ª quota), em apenas, como saldo remanescente, em R$ 1.000,01 (R$ 5.398,70 – R$ 4.398,69)(fls.49/52). No que tange às duas outras quotas, com vencimentos em 20/05/1998 e 30/06/1998, seus recolhimentos foram devidamente alocados e se encontram nos autos do processo administrativo nº 13890.000316/200155(fls.41/43). Pois bem, haja vista que os valores de recálculo já constam do EXTRATO DO PROCESSO (fl.60), nada mais a ser feito ou refeito, a não ser ratificar o trabalho de revisão supradito. DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS Do exposto, entendo que o parecer/despacho decisório exarado pela SECAT/DRFB/PIRACICABA – SP deva ser ratificado, no intuito de ser expurgado do cômputo total do auto de infração nº 0002044, de fl.05/10, cujo valor Principal da Contribuição é de R$ 5.398,70, o valor do pagamento da 1ª quota do 1º trimestre, realocado, de R$ 4,398,69 (fl.12), comprovadamente alocado (fls.49/52). DA CONCLUSÃO Dessa forma, DECIDO pela MANUTENÇÃO do débito remanescente, uma vez que a interessada não logrou elidilo, da contribuição, sob o código 2973, CSLL – LANÇAMENTO DE OFÍCIO, no montante de R$ 1.000,01, sobre os quais deverão incidir a multa de ofício de 75% e os juros moratórios cabíveis. Portanto, em respeito à verdade material e à escorreita instrução carreada neste Processo Administrativo Fiscal, tornase mister desacatar o pleito do Contribuinte, pois não há qualquer comprovação de erro de fato, e tampouco elementos probatórios aptos a lastrear a improcedência do Auto de Infração. Da multa de ofício Outrossim, há de se reconhecer o afastamento da multa de ofício, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, consignado no art. 106 do CTN. Conforme se examina na análise intertemporal, a legislação vigente à época do lançamento era a Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, cujo teor do art. 90 continha a seguinte redação: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, Fl. 99DF CARF MF 8 relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Contudo, tal panorama legislativo foi alterado pela Lei n° 10.833/2003 (com redação dada pela Lei n° 11.051/04), retirando a exigibilidade da multa para as circunstâncias diversas daquelas insculpidas em seu art. 18, leiase: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. (...) § 4oA multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. (GN) Logo, tornase imperativo reconhecer o beneplácito decorrente da modificação legal, exonerando o Contribuinte da multa de ofício que lhe foi aplicada. Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar lhe parcial provimento, apenas para exonerar a multa de ofício. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 100DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.720253/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE
A autoridade administrativa não é competente para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
Improcedentes as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO.
Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.
Numero da decisão: 1201-002.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE A autoridade administrativa não é competente para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Improcedentes as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE A autoridade administrativa não é competente para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Improcedentes as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplicase idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 02 53 /2 01 1- 46 Fl. 990DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório O acórdão nº 0538.281, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas, julgou improcedente a impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A não comprovação da origem dos valores depositados em conta bancária após regular intimação, autoriza a presunção de omissão de receita. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. PROCEDIMENTO FISCAL. SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO. ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O atendimento por parte do contribuinte às intimações fiscais sobre as operações financeiras realizadas em contas bancárias de sua titularidade não configura indevida violação do sigilo bancário, visto que sob seu consentimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13864.720253/201146 Acórdão n.º 1201002.331 S1C2T1 Fl. 274 3 Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Tratase de crédito lançado contra empresa optante pelo Simples compreendendo o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, Contribuição para o PIS/Pasep, e à Contribuição Patronal Previdenciária, conforme Demonstrativos Consolidados do Crédito Tributário, fls. 02 e fls. 05. Conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 604/607, o contribuinte foi intimado no Termo de Início de Ação Fiscal (fls. 42/44), datado de 26/03/2010, a apresentar os documentos constitutivos da empresa, livros contábeis fiscais e os extratos bancários de todas as contascorrentes, de aplicações financeiras e cadernetas de poupança de todas as contas mantidas pelo declarante junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior. Relata a fiscalização que, em correspondência de 10/08/2010, o contribuinte apresentou os extratos dos Bancos Banco do Brasil; Itaú; Bradesco, Safra e Caixa Econômica Federal – e, posteriormente, enviou o extrato bancário do Banco Real, em carta de 30/08/2010. Após a análise dos extratos, a fiscalização intimou o contribuinte a comprovar os créditos bancários apurados nos respectivos extratos, de acordo com planilha para comprovação de créditos, já excluídos desta planilha os créditos oriundos, conforme histórico, das reapresentações de cheques devolvidos, transferência de depósitos de mesma titularidade, bem como empréstimos para cobertura de saldos negativos. Segundo relata a fiscalização, o contribuinte apresentou planilha com origem dos valores depositados, parte destes considerados comprovados conforme Termo às fls. 552, porém em relação aos demais valores, justificados pelo contribuinte como sendo empréstimos bancários, não houve apresentação dos respectivos contratos, à exceção do contrato com a Caixa Econômica Federal. Tendo em vista que os valores excederam o faturamento anual que permite o enquadramento no Simples, conforme determinação legal, foi elaborada Representação Fiscal para exclusão do contribuinte do Simples. Após ciência da autuação em 19/12/2011, mediante remessa postal, fls. 710, o contribuinte apresentou defesa, fls. 712/734 alegando em síntese o que segue. Afirma que é empresa optante da sistemática simplificada de arrecadação de tributos SIMPLES e foi fiscalizada unicamente com base em sua movimentação bancária, referente ao ano calendário 2007, e, como houve alteração para o SIMPLES Nacional no período, foram lavrados dois autos de infração que Fl. 992DF CARF MF 4 compõem este processo, o que enseja a apresentação de defesa única para ambos os períodos, os quais padecem do mesmo vício de inconstitucionalidade por quebra do sigilo bancário. Destaca que grande parte da movimentação bancária se refere a empréstimos bancários obtidos e reconhecidos pela autoridade fiscal em seu relatório, motivo pelo qual não configuram “auferimento” de renda, não se confundindo com faturamento ou receita bruta, e não sendo base de cálculo para as contribuições sociais exigidas, devendo ser anulada a autuação por se originária de prática abusiva, ilegal e inconstitucional da quebra do sigilo bancário e com base de cálculo que comporta valores estranhos a sua regra matriz constitucional. Aduz que o direito ao sigilo bancário é cláusula pétrea constitucional, não podendo ser violado pelo Fisco e não havendo no presente caso qualquer das hipóteses contidas na Lei Complementar n°105/01, sendo inconstitucional a utilização de dados sigilosos em situações outras que não as expressamente previstas em seu artigo 1° , §4°, Transcreve decisão recente do STF pacificando a questão no tocante à quebra do sigilo bancário que somente se dá mediante autorização judicial, . Alega que os empréstimos bancários obtidos junto às instituições financeiras não podem ser base de incidência do imposto de renda, que tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica e acréscimo patrimonial conforme artigo 43 do CTN, não podendo ser tributado com base em presunção, transcrevendo jurisprudência administrativa a respeito. Acrescenta que os empréstimos bancários não se confundem com o fato gerador das contribuições ao PIS e COFINS, pois não são produtos do exercício da atividade empresarial e diferem do conceito de faturamento e receita bruta, sendo ilegal sua tributação. Requereu ao final a nulidade da autuação pela inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário e alargamento das hipóteses de incidência dos tributos exigidos. Juntou documentos, fls. 735/856: cópia contrato social e da presente autuação. Às fls. 711, consta que foi elaborado Termo de Arrolamento de bens. Este processado sob n° 13864.720272/201172. A contribuinte interpôs o tempestivo Recurso Voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13864.720253/201146 Acórdão n.º 1201002.331 S1C2T1 Fl. 275 5 I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido ratificou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício. Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, ratificando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. Por sua vez, não é nula a exigência consubstanciada em informações financeiras da contribuinte, obtidas pela Receita Federal do Brasil sem prévia autorização judicial. Atualmente, a jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal, uniformizada pelo acórdão prolatado no Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314/SP, com efeito da repercussão geral estabelecida no artigo 543B do Código de Processo Civil vigente à época, possibilita o acesso dessas informações bancárias no exercício do procedimento fiscal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 994DF CARF MF 6 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. O artigo 145, parágrafo primeiro, da Constituição Federal, consagra o princípio da capacidade contributiva, orientando que "sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte." A autoridade administrativa é competente para exigir informações financeiras da contribuinte, mediante intimação escrita, consoante o artigo 197 do Código Tributário Nacional: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) Fl. 995DF CARF MF Processo nº 13864.720253/201146 Acórdão n.º 1201002.331 S1C2T1 Fl. 276 7 II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" A Lei Complementar nº 105/2001 permitiu a requisição de informações diretamente nas instituições financeiras, ressaltando que não configuraria violação ao dever de sigilo: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Fl. 996DF CARF MF 8 Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Este instrumento de fiscalização foi aperfeiçoado pela Lei nº 10.174/2001 e o Decreto nº 3.724/2001, com validade constitucional reconhecida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". II. MÉRITO De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do Recurso Voluntário: O impugnante alega que o lançamento padece de vicio de inconstitucionalidade por quebra de sigilo bancário, colacionando jurisprudência do STF a respeito da requisição de informações financeiras pelo fisco diretamente às Instituições Financeiras, sem prévia autorização judicial. Contudo, da análise dos autos, verificase que a jurisprudência colacionada pelo impugnante não guarda relação com o caso aqui debatido, visto que não houve solicitação de informações bancárias por parte do fisco diretamente as Instituições Financeiras, tendo o contribuinte, após regularmente intimado em ação fiscal, apresentado espontaneamente seus extratos bancários, fls. 542, porém não comprovando a origem dos “supostos” empréstimos concedidos, o que autoriza o fisco ao levantamento dos valores devidos. Por outro lado, no tocante às argüições de inconstitucionalidade em relação à Lei Complementar 105/2001, devese esclarecer que não cabe na esfera administrativa apreciar alegações relacionadas à validade, legalidade ou constitucionalidade de qualquer dispositivo da legislação, dado este controle não ser da alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário, nos termos do art. 102, incisos I, “a” e III, “b” e § 1º da Constituição Federal. Enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é eliminada do sistema normativo, tem presunção de validade vinculante para a Administração Pública. Quaisquer discussões que versem sobre a constitucionalidade, legalidade ou equidade das leis exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada, segundo o processo legislativo constitucionalmente estabelecido. Fl. 997DF CARF MF Processo nº 13864.720253/201146 Acórdão n.º 1201002.331 S1C2T1 Fl. 277 9 Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Incabível é a apreciação, na esfera administrativa, de alegações relacionadas à validade, ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação. Por fim, ressaltese que o Decreto nº 70.235/72 é também expresso no sentido da impossibilidade em comento, ao prescrever, em seu art. 26A, que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” grifei Sustenta ainda o impugnante que os depósitos em conta corrente seriam decorrentes de empréstimos bancários que não podem ser considerados fatos geradores do Imposto de Renda e das demais contribuições sociais. Cumpre registrar que a autoridade fiscal intimou o contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias que relacionou em anexo à intimação,fls. 527/539, mediante “documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações”. Ressaltou, ainda, no referido Termo que “a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de crédito ensejará lançamento de ofício, a título de omissão de receita ou de rendimento, nos termos do artigo 849, do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem”. Em resposta, o contribuinte apresentou planilha, fls. 579/584, demonstrando parte das origens dos depósitos efetuados em contas bancárias de sua titularidade, todavia, em relação aos Fl. 998DF CARF MF 10 empréstimos bancários, consta do item 11 do Termo de Verificação Fiscal, que não apresentou todos os contratos de empréstimos com as Instituições Financeiras, limitandose a apresentar os contratos com a Caixa Econômica Federal de n° 25.2741.702.000068/91; 25.2741.704.000050/00, e 25.2741.606.00000007/76, fls. 597/599, mas que tiveram sua liberação em conta em 31/08/2006, período que não corresponde ao fiscalizado, de 01/2007 a 12/2007. Cabe ressaltar que o contribuinte tem a obrigação, ainda que inscrito no SIMPLES, de manter sob boa guarda a prova das operações por ele realizadas. Neste sentido, a Lei nº 9.317, de 1996: Art. 7º. A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3º e 4º. § 1º A microempresa e empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos referidos livros. Nesse contexto é que se coloca a presunção utilizada para formalização do presente lançamento, veiculada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e artigo 849 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Decreto nº 3.000/99 RIR Fl. 999DF CARF MF Processo nº 13864.720253/201146 Acórdão n.º 1201002.331 S1C2T1 Fl. 278 11 Art.849.Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). Ademais, no presente lançamento foi adotada a forma de tributação pela sistemática do Simples, por meio da qual, evitando que a tributação incida sobre o patrimônio,os valores devidos são obtidos mediante aplicação de percentual sobre a receita, em função da faixa em que essa se enquadra, conforme preceitua o artigo 23 da Lei nº 9.317, de 1996, Partindose da premissa segundo a qual o contribuinte está inserido no regime simplificado de pagamento de impostos e contribuições Simples, as alegações sobre a composição da base de cálculo e regime de apuração de cada exação considerada individualmente perde terreno fértil. Isto porque, a partir da opção ao regime do Simples, o contribuinte optante passa a se submeter a um regime substitutivo, onde a tributação se dá pela incidência de percentual variável conforme o faturamento do contribuinte. Dispunha a Lei nº 9.317/96 sobre o Simples Federal, verbis: Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: (...). § 2º Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Art. 3º A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2º, poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1º A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS; e) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; Fl. 1000DF CARF MF 12 f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994. Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: I para a microempresa, em relação à receita bruta acumulada dentro do anocalendário: (...) II para a empresa de pequeno porte, em relação à receita bruta acumulada dentro do anocalendário; (...) § 1º O percentual a ser aplicado em cada mês, na forma deste artigo, será o correspondente à receita bruta acumulada até o próprio mês. § 2º No caso de pessoa jurídica contribuinte do IPI, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos de 0,5 (meio) ponto percentual. Art. 6º O pagamento unificado de impostos e contribuições devidos pela microempresa e pela empresa de pequeno porte inscritas no Simples será feito de forma centralizada até o 20o (vigésimo) dia do mês subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita bruta. Vêse, portanto, que não estão sendo tributados os depósitos bancários (créditos em conta) em si, mas a renda que eles representam. Os depósitos são, na verdade, apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receita, quando não comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. Outrossim, a defesa não apresentou prova documental (contrato de empréstimo) para verificação da coincidência de datas e valores dos eventuais empréstimos liberados pelo banco em relação aos depósitos questionados. Portanto, ao ser intimado pela fiscalização, caberia ao contribuinte comprovar a origem de tais créditos bem como o seu regular oferecimento à tributação, sob pena de restar configurada a presunção legal de omissão de receitas. Neste contexto, subsiste incólume a infração constatada, impondose a manutenção das exigências de IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS, Cofins e Contribuição ao INSS, formalizadas no âmbito da sistemática do SIMPLES. Diante do exposto, voto pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário exigido. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 13864.720253/201146 Acórdão n.º 1201002.331 S1C2T1 Fl. 279 13 A Recorrente não evidenciou qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão recorrido. Não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova, que é própria da contribuinte, demonstrando a inexistência de omissão de receitas. A improcedência sobre a presunção fiscal de omissão de receita ocorre mediante documentos hábeis e idôneos, segundo o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 e a explanação do acórdão recorrido. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, igualmente, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para a contribuinte. O Código de Processo Civil/1973, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no artigo 334: "Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Em especial, quanto à valoração da multa de ofício, não qualificada, havendo previsão normativa expressa, novamente, não é competente o presente rito para avaliar sua eventual improcedência, consoante a Súmula 2º deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. As considerações acima são bastante para meu convencimento, prescindindo de qualquer perícia ou outra diligência, segundo o artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972. Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitando a nulidade arguida e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 1002DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910530/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
SÚMULA CARF 16.
O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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LEI 9.779/99 Recorrente AMAPA DO SUL SA INDUSTRIA DA BORRACHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 SÚMULA CARF 16. O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 05 30 /2 01 1- 91 Fl. 500DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de IPI referente ao 2º trimestre de 2006, parcialmente deferido pela fiscalização, ao qual foram vinculados pedidos de compensação. Conforme indicado no Relatório Fiscal das efls. 302/305, não foi reconhecido o direito creditório relativo aos créditos extemporâneos, lançados pelo contribuinte em notas fiscais de entrada de aquisições de insumos anteriores a 01/01/1999, portanto já prescritos e não ressarcíveis, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e na IN SRF nº 33/99. Como indicado no relatório: "3.1. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS INDEVIDOS Para comprovar os créditos básicos de IPI, o contribuinte relacionou notas fiscais de própria emissão relativas a créditos extemporâneos de IPI do período anterior à Lei 9779/99. Esses créditos, além de estarem sujeitos ao efeito da decadência (art. 168, Código Tributário Nacional, Lei 5172/66), são indevidos por disposição expressa da IN/RFB 33/1999, art. 4o., conforme a seguir: IN 33/1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. (grifouse) Lei 9779/99, art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.(grifouse)." (efl. 302/303 grifei) Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente, em acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITOS DO IPI. RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO. O prazo prescricional qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto, conforme disposição da legislação tributária sobre a matéria (Decreto nº 20.910/32). IPI. RESSARCIMENTO. O direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ingressados no estabelecimento à partir de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 501DF CARF MF Processo nº 11065.910530/201191 Acórdão n.º 3402005.716 S3C4T2 Fl. 501 3 Direito Creditório Não Reconhecido" (efl. 468) Intimada desta decisão em 08/11/2013 (efl. 483), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 10/12/2013 (efls. 485/496) sustentando, em síntese, a não ocorrência de prescrição e a validade do crédito pleiteado, vez que a Lei n.º 9.779/99 é dotada de natureza meramente declaratória do direito à não cumulatividade consagrado no art. 153, §3º da Constituição Federal de 1988, que vige desde sua promulgação. Com isso, a Instrução Normativa n.º 33/99 teria extrapolado sua competência ao indicar um marco inicial para a tomada do crédito do art. 11 da Lei n.º 9.779/1999. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. A controvérsia de mérito que envolve o presente Recurso é resolvida pela aplicação da Súmula CARF n.º 16, na forma exigida pelo art. 45, VI, do Regimento Interno do CARF RICARF. Referida súmula expressa: "O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999." (grifei) Assim, ainda que se ultrapassasse a ocorrência da prescrição do direito do contribuinte, cuja análise não resolve a lide no presente caso, o direito creditório pleiteado deve ser negado, por buscar atingir os insumos recebidos no estabelecimento do contribuinte antes de 01/01/1999. Com isso, irretocável o despacho decisório e a r. decisão recorrida. Diante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 502DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720983/2008-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 1916 a 1988) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA (fl. 836 a 854) que manteve parcialmente as Autuações sofridas pela ora Recorrente (fls. 12 a 93).
Distribuído os autos anteriormente a este Relator, na sessão de julgamento de 11 de abril de 2017, por unanimidade de votos desta mesma C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a v. Resolução nº 1402-000.430 (fls. 2330 a 2345), determinando diligência para a análise de documentação e outras providências, visando à confirmação de procedência das alegações da Contribuinte.
Tendo em vista, então, que trata-se de retorno de diligência, anteriormente determinada por este mesmo Conselheiro, adoto, a seguir, trechos do relatório antes elaborado:
O processo, originalmente, versava sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 46 a 93), incluindo aplicação de multa isolada, referente aos anos-calendário de 2003, 2004 e 2007, complementadas por autuação exclusivamente de CSLL (fls. 12 a 23) referente apenas ao ano-calendário de 2003.
As Autuações possuem uma multiplicidade de acusações fiscais, podendo ser dividas e organizadas dentro dos seguintes temas (fls. 838 - Relatório Acórdão DRJ):
1. Omissão de receitas decorrente da não comprovação de descontos incondicionais concedidos - com reflexos no IRPJ, PIS, COFINS e 2. Exclusão não autorizada na apuração do lucro real - com reflexo no IRPJ;
3. Falta de adição, ao lucro líquido, da parcela de custo de produtos importados de pessoa vinculada, que excede ao preço parâmetro de transferência - com reflexos no IRPJ e CSLL;
4. Isenção de IRPJ indevida sobre receitas de atividades não incentivadas;
5. Insuficiência de recolhimento de IRPJ, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor do tributo declarado/pago - anos-calendário 2003, 2004 e 2007 (infrações 5 e 6 do AI de IRPJ);
6. Insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor pago - meses fev/02, jan/04, mar/04 (infrações 7 e 8 do AI de IRPJ);
7. Insuficiência de recolhimento da CSLL, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor declarado/pago - anos calendário 2003 e 2004 (infração 1 do AI de CSLL de fls. 09-20);
8. Insuficiência de recolhimento de estimativas mensais da CSLL, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor declarado/pago - meses fev/03, jan/04, mar/04, set/07, nov/07 e dez/07 (infração 2 do AI de CSLL de fls. 09-20);
Sustenta e explica a Fiscalização, em suma, que os descontos incondicionais não comprovados são oriundos da diferença entre as devoluções de vendas registradas no Livro de Apuração do ICMS e as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais escriturados na DIPJ; que a redução indevida do lucro real se refere à conta SCRAP DE OBSOLECÊNCIA registrada no LALUR; assim como o Contribuinte não fez qualquer ajuste de preço de transferência de produtos importados na DIPJ. Também aponta objetivamente para ausência de recolhimento de inúmeras estimativas.
Cientificada da lavratura das Autuações, a Recorrente ofereceu Impugnação (fls. 737 a 773), alegando a lisura de sua postura tributária e contábil, que podem ser resumidas nos seguintes tópicos e alegações (fls. 839 a 842 - Relatório Acórdão DRJ):
Da omissão de receitas 1. Os descontos incondicionais não comprovados são decorrentes das operações indicadas na tabela à fl. 724, abaixo reproduzida:
2. Por falta de documentos comprobatórios, recolheu o IRPJ e CSLL devidos pela falta de comprovação das operações "Diferença Devoluções" e "Outros";
3. No que diz respeito à "Venda de Sucata", o valor efetivamente pago pela operação foi inferior ao registrado na nota fiscal, conforme acordo entre as partes. Razão porque a diferença entre o valor da nota fiscal e o valor pago foi lançada a título de descontos incondicionais;
4. A alegação resta comprovada pela análise dos comprovantes de pagamento fornecidos pelas empresas ARIAU e JL ELÉTRON, bem como pela declaração desta última;
5. No entanto, recolheu o PIS, a COFINS e o ICMS sobre o valor da nota fiscal, conforme guias de recolhimento do ICMS. Motivo da exclusão destes tributos na apuração do resultado;
6. As exclusões referentes às "Notas de Débito" correspondem a reduções no preço de venda de mercadorias, baseadas em critérios previamente acordados entre as partes, mas que, por divergência em sua interpretação, acabaram não constando na nota fiscal originalmente emitida. Razão porque as montadoras emitiram uma nota de débito à vendedora, informando as correções efetuadas no preço;
7. A alegação pode ser comprovada pela análise das planilhas totalizadoras das notas de débito (fls. 768-781 do Anexo), fichas de "Alterações de Pedido de Mercadorias - Preços" (fls. 762-767 do Anexo) e "Nota de Débitos" exemplificativas (fls. 782-804 do Anexo);
8. No entanto, recolheu o PIS, a COFINS e o ICMS sobre o valor da nota fiscal, conforme guias de recolhimento do ICMS, motivo da exclusão destes tributos na apuração do resultado;
Da exclusão na apuração do lucro real 9. A fiscalização não justificou a glosa da exclusão da conta "Scrap de Obsolescência" na apuração do lucro real. O que se traduz em cerceamento do direito de defesa;
10. A exclusão se refere a provisões não dedutíveis, constituídas e adicionadas ao lucro real de período da apuração anterior, que tenham sido utilizadas para absorver os gastos provisionados;
Do preço de transferência 11. Apurou os ajustes de preço de transferência com base no método de Preços Independentes Comparados (PIC), conforme ficha 41 da DIPJ;
12. Após o início da ação fiscal, efetuou também os ajustes com base no método do Preço de Revenda Menos Lucro - 60 (PRL-60), com base no art. 18 da Lei n° 9.430/96, tendo apurado um ajuste total de R$ 258.564,61, sobre o que efetuou o recolhimento de IRPJ e CSLL acrescido da multa de ofício e dos juros de mora;
13. A fiscalização não comprovou que o método de cálculo do preço parâmetro de transferência adotado era mais favorável ao sujeito passivo, conforme determina o art. 4 o da IN SRF 243/2002;
14. A fiscalização promoveu o cálculo do preço parâmetro PRL-60 com base nas alterações promovidas pela IN SRF 243/2002, que por sua vez alterou indevidamente a metodologia de cálculo prevista no art. 18 da Lei n° 9.460/96, devendo, portanto esta parte do lançamento ser cancelado pela ilegalidade das alterações promovidas pela referida instrução normativa;
Da isenção indevida 15. Reconhece que, por equívoco, aplicou a isenção do IRPJ sobre atividades não incentivadas. Pelo que recolheu o imposto devido com a multa de 50%;
Da insuficiência de recolhimento de IRPJ 16. Não houve insuficiência de IRPJ, ano-calendário 2003, pois a diferença apurada, no valor de R$ 86.528,81, refere-se à compensação do débito de estimativa mensal de IRPJ, PA mar/03, no mesmo valor, com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2002, no valor de R$ 77.956,77;
17. A insuficiência de recolhimento de IRPJ, ano-calendário 2004, foi de apenas R$ 1.947,19, porque compensou o débito de estimativa IRPJ, PA jan/04, no valor de R$ 23.407,44, com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2003, no valor de R$ 22.891,42;
18. Não houve insuficiência de IRPJ, ano-calendário 2007, vez que a diferença apurada, no valor de R$ 90.997,87, foi informada indevidamente como estimativa, quando na verdade se refere ao IRRF nos montantes de R$ 66.721,36 e R$ 24.276,51, relativos aos meses de out/2007 e nov/2007, respectivamente, conforme ficha 11 da DIPJ 2008/2007;
Da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ 19. Não houve insuficiência de recolhimento de estimativa do IRPJ,PA fev/03, porque o valor recolhido, R$ 65.581,56, corresponde ao débito apurado com base na estimativa sobre a receita bruta;
20. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, PA jan/04, apurada no valor de R$ 23.407,44, foi compensada com o crédito do saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2003;
21. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, PA mar/04, apurada no valor de R$ 3,61, foi compensada com o crédito remanescente do saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2003;
Do PIS e COFINS 22. Os lançamentos de PIS e COFINS são indevidos porque não excluíram os descontos incondicionais, objetos da autuação por omissão de receita, da base de cálculo destas contribuições;
Da insuficiência de recolhimento da CSLL 23. Reconhece o débito da CSLL, ano-calendário 2003, no valor de R$ 6.931,79, decorrente da insuficiência de recolhimento da contribuição. Pelo que recolheu o valor devido;
24. Não houve insuficiência de recolhimento da CSLL, ano-calendário 2004, pois a diferença apurada, no valor de R$ 1.135.168,54, refere-se à compensação dos débitos de estimativa mensal, PA jan/04 e fev/04, nos valores de R$ 81.295,94 e R$ 90.262,71, respectivamente, com o crédito de saldo negativo da CSLL, ano-calendário 2003, no valor de R$ 166.584,56;
Da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais da CSLL 25. Não houve insuficiência de recolhimento da estimativa da CSLL, PA fev/03, porque o valor recolhido, R$ 140.069,24, corresponde ao débito apurado com base na estimativa sobre a receita bruta;
26. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da CSLL, PA jan/04, apurada no valor de R$ 81.295,94, foi compensada com o crédito do saldo negativo da CSLL, ano-calendário 2003;
27. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da CSLL, PA abr/04, no valor de R$ 90.262,71, apurada com base no balancete de suspensão e redução, é indevida porque não considerou a compensação do débito de estimativa mensal de CSLL, PA mar/04, no mesmo valor;
28. As insuficiências de recolhimento das estimativas mensais da CSLL, PA set/07, nov/07 e dez/07, são indevidas porque os pagamentos efetivados, mediante DARF e Declarações de Compensação, foram superiores aos informados na DIPJ.
A defesa foi encaminhada para a DRJ de Belém para julgamento, sendo proferido o v. Acórdão, ora recorrido. Foi considerado como não impugnada a seguinte parcela do débito em questão:
Procedeu-se, então, ao julgamento, acolhendo parcialmente o apelo apresentado, cancelando todos os débitos de PIS e COFINS e, parcialmente, as exigências dos demais tributos. Confira-se a ementa e trechos dessa r.decisão:
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DESCONTOS INCONDICIONAIS. Caracterizam-se como descontos incondicionais as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.
MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. NULIDADE. É nulo, por cerceamento do direito de defesa, o lançamento, ou parte deste, que não demonstra o fundamento fático da infração.
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IMPRESTABILIDADE DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. NOVA APURAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determiná-lo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando qualquer dos métodos previstos na legislação.
INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de I a instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior.
INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo.
ÔNUS D A PROVA. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita.
COMPENSAÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória 66/2002, a Declaração de Compensação passou a ser o instrumento apropriado para a efetivação da compensação tributária, inclusive entre tributos de mesma espécie.
VERDADE MATERIAL. A escrituração fiscal apresentada pelo sujeito passivo tem presunção de veracidade, até prova em contrário. Comprovado erro do sujeito passivo, deve-se prevalecer no lançamento a verdade material dos fatos.
LANÇAMENTO REFLEXO. PIS. COFINS. É improcedente o lançamento reflexo de PIS e COFINS que teve por fundamento infração restrita à base de cálculo do IRPJ e da CSLL.
Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...)
DA APURAÇÃO Feitas as considerações acima, passo a apurar os créditos devidos neste processo.
Tabela 7 Infrações (valores em R$)
Tabela 8 - Apuração do IRPJ (valores em R$)
Tabela 9 - Apuração da multa isolada - IRPJ (valores em R$)
Tabela 10 - Apuração da CSLL (valores em R$)
Tabela 11 Apuração da multa isolada CSLL (valores em R$)
DA CONCLUSÃO Ante tudo exposto, voto no sentido de:
1. Considerar não impugnados os créditos indicados na Tabela 12, cujo saldo remanescente deve ser apurado a partir dos recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo;
2. Na parte impugnada, julgar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, mantendo os créditos indicados na Tabela 12, que devem ser acrescidos dos encargos moratórios.
Tabela 12 - Créditos não impugnados e créditos mantidos
Inconformada com a improcedência parcial de sua defesa, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, repisando as alegações em relação às infrações mantidas pela DRJ, demonstrando especificamente os motivos de reforma do v. Acórdão e apontando para a solidez da documentação acostada nos autos. Faz o seguinte quadro explicativo da matéria controversa:
Na sequência, foi apresentada petição do Contribuinte (fls. 1989 a 1994) informando da presença de erro formal no v. Acórdão da DRJ, requerendo que a matéria lá trazida seja apreciada em conjunto com seu Recurso Voluntário.
Encaminhados aos autos a este E. CARF, em sessão de julgamento de 05/03/2013, foi observado que diversos documentos, originalmente juntados aos autos em papel, estavam ilegíveis na versão digital do processo, sendo determinado a sua nova digitalização pela origem. Retornado os autos ao E. Conselho, o antigo Relator do feito verificou que, na verdade, os documentos continuaram ilegíveis, determinando um novo retorno à Unidade Local para saneamento (fls. 2022).
Cumprida aquela determinação, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar.
Frise-se que, apesar do v. Acórdão ter cancelado parcialmente as autuações sofridas, o valor da exclusão efetuada não dá ensejo à hipótese de Recurso de Ofício.
Como mencionados, o Recurso Voluntário foi submetido a apreciação deste N. Colegiado em 11 de abril de 2017, sendo proferida a v. Resolução nº 1402-000.430, nos seguintes termos:
Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização:
1) Em relação à infração de Omissão de Receitas, considerando a alegação do Contribuinte, de que parte da diferença remanescente de R$ 5.839.513,14 deve-se a descontos, ainda que posteriores à emissão das notas fiscais, apenas recebendo valores muito inferiores àqueles expressos nas notas fiscais de venda de sucatas:
1.a.1.) analise a documentação de fls. 1138 a 1170/1475 a 1735/2028 a 2326, a planilha de fls. 1921, bem como outras provas que julgar necessárias, em comparação com a globalidade da escrituração fiscal da Recorrente do período, visando confirmar os valores realmente recebidos e escriturados por tais vendas;
1.a.2.) diligencie junto às empresas ARIAU, JL ELETRON, FIAT e FORD, ou, eventualmente, suas sucessoras, (exata qualificação constante das notas fiscais acostadas autos), para que, verificando a contabilidade de tais pessoas jurídicas do mesmo período, sejam confirmadas as informações constantes dos documentos emitidos e o teor das declarações fornecidas por tais Contribuintes;
1.a.3.) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados;
1.b.1) considerando a planilha de fls. 1923, verifique, na contabilidade e demais declarações fornecidas pelo Contribuinte no período colhido, especificamente em relação à incidência, recolhimento e compensação de PIS, COFINS e ICMS, se o valor declarado na Ficha 6A na DIPJ já contempla o montante de tais tributos, especificamente incidentes nas vendas de sucata sob análise (duplicidade) ou se trata-se de outros tributos, de mesma natureza, que recaíram sobre outras operações;
1.b.2) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados.
2) Em relação às infrações e penalidades atinentes à Ausência de Recolhimento de Estimativas Anuais, sejam analisados os documentos de fls. 1843 a 1914, bem como a contabilidade e as declarações, inclusive de compensação, do Contribuinte, referentes ao período colhido, a fim de se determinar se houve a comprovação de quitação (seja por pagamento ou compensação) de tais valores tidos originalmente como não recolhidos;
2.a) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados.
3) Tendo em vista que muitas folhas dos autos não se encontram ordenadas e dispostas de forma lógica e racional, inclusive em dissonância com a ordem dos atos do rito processual administrativo, sejam devidamente reordenadas as folhas dos autos.
4) Não sendo possível a providência anteriormente determinada, seja, então, produzido índice analítico exaustivo, indicando, por folha, cada uma das peças, documentos, decisões, expedientes, atos e ocorrências presentes nos autos.
Como mencionado, deverá ser toda a diligência reduzida a Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, dando-se ciência ao Contribuinte, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do devido retorno dos autos para julgamento.
Encaminhados os autos à Unidade Local de Fiscalização, foram emitidos termos de Intimação para as empresas FCA (FIAT), FORD e JL ELETRON (fls. 2350 a 2358) e para a própria Recorrente (fls. 2381 e 2388 a 2389), requerendo documentação fiscal e contábil complementar.
Dos demais contribuintes envolvidos, apenas a empresa JL ELETRON respondeu positivamente à intimação, trazendo cópias de seu Livro de Registro Entradas (fls. 2407 a 2411).
A Recorrente, em suma, após prorrogação de prazo, atendeu a essa primeira intimação, apresentando cópias dos Livros Diário e Razão de 2003, bem como balancetes do mesmo período. Em relação à solicitação de notas fiscais e notas de débitos emitidas por FCA (FIAT), FORD e JL ELETRON, alegou não possuir a integra de tal documentação, trazendo apenas parte delas, lembrando da possibilidade da Autoridade Fiscal diligenciar junto às empresas. Por fim, em relação às Declarações de Compensação, informou não as possuir em arquivo e frisou a possibilidade da Unidade Local pesquisar em sistemas da Receita Federal do Brasil.
Mesmo diante do atendimento de tal intimação, a Autoridade Fiscal emitiu nova intimação requerendo (fls. 2388 a 2389):
Em resposta imediata a tal intimação, a Recorrente peticionou requerendo um prazo adicional de 30 (trinta) dias, em face do exíguo período de 5 (cinco) dias concedido.
Não há registro nos autos da concessão ou não de tal prazo.
Em seguida, foi elaborado e juntado aos autos o Relatório Fiscal solicitado (fls. 2416 a 2429), no qual, em resumo, entendeu-se que, em referência ao valor controverso de omissões de receitas apuradas (R$ 5.376.813,42), apenas as alegações de defesa sobre as transações com JL ELETRON teriam respaldo documental, em razão da apresentação, durante a diligência, de Livro de Registro de Entrada de tal empresa, que atestava ter-se pago apenas R$ 147.000,00 pelas mercadorias vendidas e não R$ 1.720.202,71, como teria inicialmente apurado a Fiscalização.
Em relação à empresa ARIAÚ COMÉRCIO E COMPONENTES LTDA, consignou que esta foi baixada. No que tange às demais infrações de omissão de receitas, apenas consignou que as empresas FORD e FCA (FIAT) responderam negativamente à intimação para apresentar documentação referente às transações e notas de débito emitidas.
No que tange ao valor do ICMS, PIS e COFINS referente a tais descontos, que também foram deduzidos pelo Contribuinte, a Unidade Local apenas analisou a Ficha 6A da DIPJ 2004 e afirma que não há qualquer elemento de prova que corrobore que, como alegado, os valores constantes nas Linhas 13 e 14, também deduzidos, referem-se aos mesmos tributos, mas incidentes sobre outras operações - confirmando a duplicidade de redução apontada pelo Fisco.
Já em relação aos recolhimentos insuficientes, em relação aos quais alega o Contribuinte ter procedido a compensações para a sua liquidação, inexistindo saldo insuficiente de pagamento, a Fiscalização afirma serem procedentes as exigências, pela falta de apresentação pelo Contribuinte da Declaração de Compensação correspondente e, em face da efetiva apresentação de dois documentos de tal natureza, entendeu que referiam-se a período diverso, prevalecendo tal infração.
Ainda, consigna que alguns documentos apresentados pela Contribuinte já constavam dos autos (as duas, acima referidas, Declarações de Compensação e Algumas notas de débitos da FORD MOTOR COMPANY DO BRASIL LTDA, cuja soma total é R$ 440.726,39) motivo pelo qual não se procedeu à sua juntada aos autos. Não comenta sobre as notas de débito, além da sua duplicidade nos autos.
Por fim, no que tange aos Livros contábeis do ano-calendário de 2003 entregues, afirma que:
Embora tenha apresentado os livros Diário e Razão de sua escrituração Fiscal, nada concluímos sobre a escrituração dos fatos contábeis, tendo em vista sua complexa nomenclatura, dificultando a análise dos lançamentos efetuados.
Considerando nossa falta de entendimento sobre a escrituração contábil, solicitamos esclarecimentos sobre sistemática adotada na escrituração de fatos contábeis, bem como cópia dos lançamentos, no livro razão, das contas que serviram para Demonstração do Resultado do Período, enumeradas no Termo de Diligência Fiscal nº 01, datado de 16/11/2017.
Apesar do pedido de prazo para apresentar os referidos documentos o sujeito passivo não os fez até o momento. (Relatório lavrado em 30/11/2017 - fls. 2429)
Com o encerramento da diligência em 06/03/2018, foi concedido à Recorrente prazo para a devida Manifestação sobre o Relatório.
Ao seu turno, a Contribuinte apresentou o arrazoado de fls. 2435 a 2463, primeiramente denunciando a suposta nulidade do Relatório de diligência e o não atendimento satisfatório à v. Resolução em questão, em razão de inúmeras falhas, omissões e condutas da Autoridade Fiscal.
Em resumo, primeiro aponta-se para o fato de que, mesmo tendo a Recorrente apresentado, após a primeira intimação, os Livros e demais documentos contábeis solicitados (inclusive por meio físico), a Autoridade Fiscal emitiu uma segunda intimação, em 16/11/2017, contendo mais 10 (dez) requisições sobre a documentação já apresentada, concedendo prazo de 5 (cinco) dias para seu atendimento.
Ainda que no Relatório (datado de 30/11/2017) afirme que a Recorrente teria solicitado prazo adicional em 21/11/2017 e, até aquele momento, não teria apresentado a documentação solicitada, deixando de proceder à análise dos Livros, a Contribuinte demonstra que não só houve todo o esclarecimento necessário, como a Autoridade Fiscal promoveu diligências, in loco, reunindo-se com funcionários mais de uma vez e teria concedido prazo até 20/02/2018 para tais esclarecimentos, mostrando-se satisfeito com tais análises.
Além disso, teria sido surpreendida a Recorrente com versão prévia do Relatório de diligência, com apenas 13 páginas, sem o seu teor final, sobre a ausência de análise dos Livros de 2003 em razão silêncio da Contribuinte, apenas complementando-o com folha avulsa. Confira-se a conclusão sobre a nulidade defendida:
Ou seja, (i) além de registrar expressamente que a Manifestante não teria prestado os esclarecimentos devidos em nenhum momento durante a fiscalização o que já se demonstrou que ser verdade -, (ii) o d. agente fiscal também modificou o conteúdo do relatório conclusivo ora combatido, entregando à Manifestante páginas avulsas cujo contexto é impossível de se compreender, já que está claramente incompleto (iii) e ainda se recusou a conceder novo prazo para que a Manifestante oferecesse seus comentários, registrando que a primeira data de ciência (06/03/2018) seria a data válida para fins de contagem do prazo de 30 dias. (fls. 2444).
Em seguida, mostra a procedência do seu direito, trazendo os documentos e esclarecimentos prestados, supostamente de forma a corroborar suas alegações e suprir as falhas da diligência. Também justifica a ausência de documentos prestados referentes às compensações e aponta para outras incoerências e omissões do Relatório.
A Contribuinte também instrui tal peça com a seguinte documentação (não paginável): 01) Resumo de Movimentação - Livro Razão (2003) Se refere aos saldos contábeis do livro razão, com referência ao livro razão apresentado ao d. agente fiscal, conforme solicitado no item 01 do segundo TDF (Arq_nao_pag.zip); 02) Dossiê - Escrituração Contábil - Livro Razão (2003) Dossiê contendo as fotos das páginas do livro razão apresentado ao d. agente fiscal, fazendo referência ao livro fiscal através de legendas, para atendimento às solicitações dos itens 02 e 03 do segundo TDF (contabilizações das vendas de sucatas e vendas para Ford Motor Company) (Arq_nao_pag.zip); 03) Livro Fiscal de Saídas (2003) - Livro Fiscal com os registros de saídas apresentados, fazendo referência ao livro contábil através de legendas, para atendimento às solicitações dos itens 02 e 03 do segundo TDF (contabilizações das vendas de sucatas e vendas para Ford Motor Company) (Arq_nao_pag.zip); 04) Análise Livros Contábil x Fiscal (2003) - Análise dos livros fiscais versus livros contábeis, somente para conferência (Arq_nao_pag.zip);
Na sequência, os autos foram novamente encaminhados a este Conselheiro.
É o relatório.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 1916 a 1988) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA (fl. 836 a 854) que manteve parcialmente as Autuações sofridas pela ora Recorrente (fls. 12 a 93). Distribuído os autos anteriormente a este Relator, na sessão de julgamento de 11 de abril de 2017, por unanimidade de votos desta mesma C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a v. Resolução nº 1402-000.430 (fls. 2330 a 2345), determinando diligência para a análise de documentação e outras providências, visando à confirmação de procedência das alegações da Contribuinte. Tendo em vista, então, que trata-se de retorno de diligência, anteriormente determinada por este mesmo Conselheiro, adoto, a seguir, trechos do relatório antes elaborado: O processo, originalmente, versava sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 46 a 93), incluindo aplicação de multa isolada, referente aos anos-calendário de 2003, 2004 e 2007, complementadas por autuação exclusivamente de CSLL (fls. 12 a 23) referente apenas ao ano-calendário de 2003. As Autuações possuem uma multiplicidade de acusações fiscais, podendo ser dividas e organizadas dentro dos seguintes temas (fls. 838 - Relatório Acórdão DRJ): 1. Omissão de receitas decorrente da não comprovação de descontos incondicionais concedidos - com reflexos no IRPJ, PIS, COFINS e 2. Exclusão não autorizada na apuração do lucro real - com reflexo no IRPJ; 3. Falta de adição, ao lucro líquido, da parcela de custo de produtos importados de pessoa vinculada, que excede ao preço parâmetro de transferência - com reflexos no IRPJ e CSLL; 4. Isenção de IRPJ indevida sobre receitas de atividades não incentivadas; 5. Insuficiência de recolhimento de IRPJ, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor do tributo declarado/pago - anos-calendário 2003, 2004 e 2007 (infrações 5 e 6 do AI de IRPJ); 6. Insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor pago - meses fev/02, jan/04, mar/04 (infrações 7 e 8 do AI de IRPJ); 7. Insuficiência de recolhimento da CSLL, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor declarado/pago - anos calendário 2003 e 2004 (infração 1 do AI de CSLL de fls. 09-20); 8. Insuficiência de recolhimento de estimativas mensais da CSLL, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor declarado/pago - meses fev/03, jan/04, mar/04, set/07, nov/07 e dez/07 (infração 2 do AI de CSLL de fls. 09-20); Sustenta e explica a Fiscalização, em suma, que os descontos incondicionais não comprovados são oriundos da diferença entre as devoluções de vendas registradas no Livro de Apuração do ICMS e as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais escriturados na DIPJ; que a redução indevida do lucro real se refere à conta SCRAP DE OBSOLECÊNCIA registrada no LALUR; assim como o Contribuinte não fez qualquer ajuste de preço de transferência de produtos importados na DIPJ. Também aponta objetivamente para ausência de recolhimento de inúmeras estimativas. Cientificada da lavratura das Autuações, a Recorrente ofereceu Impugnação (fls. 737 a 773), alegando a lisura de sua postura tributária e contábil, que podem ser resumidas nos seguintes tópicos e alegações (fls. 839 a 842 - Relatório Acórdão DRJ): Da omissão de receitas 1. Os descontos incondicionais não comprovados são decorrentes das operações indicadas na tabela à fl. 724, abaixo reproduzida: 2. Por falta de documentos comprobatórios, recolheu o IRPJ e CSLL devidos pela falta de comprovação das operações "Diferença Devoluções" e "Outros"; 3. No que diz respeito à "Venda de Sucata", o valor efetivamente pago pela operação foi inferior ao registrado na nota fiscal, conforme acordo entre as partes. Razão porque a diferença entre o valor da nota fiscal e o valor pago foi lançada a título de descontos incondicionais; 4. A alegação resta comprovada pela análise dos comprovantes de pagamento fornecidos pelas empresas ARIAU e JL ELÉTRON, bem como pela declaração desta última; 5. No entanto, recolheu o PIS, a COFINS e o ICMS sobre o valor da nota fiscal, conforme guias de recolhimento do ICMS. Motivo da exclusão destes tributos na apuração do resultado; 6. As exclusões referentes às "Notas de Débito" correspondem a reduções no preço de venda de mercadorias, baseadas em critérios previamente acordados entre as partes, mas que, por divergência em sua interpretação, acabaram não constando na nota fiscal originalmente emitida. Razão porque as montadoras emitiram uma nota de débito à vendedora, informando as correções efetuadas no preço; 7. A alegação pode ser comprovada pela análise das planilhas totalizadoras das notas de débito (fls. 768-781 do Anexo), fichas de "Alterações de Pedido de Mercadorias - Preços" (fls. 762-767 do Anexo) e "Nota de Débitos" exemplificativas (fls. 782-804 do Anexo); 8. No entanto, recolheu o PIS, a COFINS e o ICMS sobre o valor da nota fiscal, conforme guias de recolhimento do ICMS, motivo da exclusão destes tributos na apuração do resultado; Da exclusão na apuração do lucro real 9. A fiscalização não justificou a glosa da exclusão da conta "Scrap de Obsolescência" na apuração do lucro real. O que se traduz em cerceamento do direito de defesa; 10. A exclusão se refere a provisões não dedutíveis, constituídas e adicionadas ao lucro real de período da apuração anterior, que tenham sido utilizadas para absorver os gastos provisionados; Do preço de transferência 11. Apurou os ajustes de preço de transferência com base no método de Preços Independentes Comparados (PIC), conforme ficha 41 da DIPJ; 12. Após o início da ação fiscal, efetuou também os ajustes com base no método do Preço de Revenda Menos Lucro - 60 (PRL-60), com base no art. 18 da Lei n° 9.430/96, tendo apurado um ajuste total de R$ 258.564,61, sobre o que efetuou o recolhimento de IRPJ e CSLL acrescido da multa de ofício e dos juros de mora; 13. A fiscalização não comprovou que o método de cálculo do preço parâmetro de transferência adotado era mais favorável ao sujeito passivo, conforme determina o art. 4 o da IN SRF 243/2002; 14. A fiscalização promoveu o cálculo do preço parâmetro PRL-60 com base nas alterações promovidas pela IN SRF 243/2002, que por sua vez alterou indevidamente a metodologia de cálculo prevista no art. 18 da Lei n° 9.460/96, devendo, portanto esta parte do lançamento ser cancelado pela ilegalidade das alterações promovidas pela referida instrução normativa; Da isenção indevida 15. Reconhece que, por equívoco, aplicou a isenção do IRPJ sobre atividades não incentivadas. Pelo que recolheu o imposto devido com a multa de 50%; Da insuficiência de recolhimento de IRPJ 16. Não houve insuficiência de IRPJ, ano-calendário 2003, pois a diferença apurada, no valor de R$ 86.528,81, refere-se à compensação do débito de estimativa mensal de IRPJ, PA mar/03, no mesmo valor, com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2002, no valor de R$ 77.956,77; 17. A insuficiência de recolhimento de IRPJ, ano-calendário 2004, foi de apenas R$ 1.947,19, porque compensou o débito de estimativa IRPJ, PA jan/04, no valor de R$ 23.407,44, com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2003, no valor de R$ 22.891,42; 18. Não houve insuficiência de IRPJ, ano-calendário 2007, vez que a diferença apurada, no valor de R$ 90.997,87, foi informada indevidamente como estimativa, quando na verdade se refere ao IRRF nos montantes de R$ 66.721,36 e R$ 24.276,51, relativos aos meses de out/2007 e nov/2007, respectivamente, conforme ficha 11 da DIPJ 2008/2007; Da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ 19. Não houve insuficiência de recolhimento de estimativa do IRPJ,PA fev/03, porque o valor recolhido, R$ 65.581,56, corresponde ao débito apurado com base na estimativa sobre a receita bruta; 20. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, PA jan/04, apurada no valor de R$ 23.407,44, foi compensada com o crédito do saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2003; 21. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, PA mar/04, apurada no valor de R$ 3,61, foi compensada com o crédito remanescente do saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2003; Do PIS e COFINS 22. Os lançamentos de PIS e COFINS são indevidos porque não excluíram os descontos incondicionais, objetos da autuação por omissão de receita, da base de cálculo destas contribuições; Da insuficiência de recolhimento da CSLL 23. Reconhece o débito da CSLL, ano-calendário 2003, no valor de R$ 6.931,79, decorrente da insuficiência de recolhimento da contribuição. Pelo que recolheu o valor devido; 24. Não houve insuficiência de recolhimento da CSLL, ano-calendário 2004, pois a diferença apurada, no valor de R$ 1.135.168,54, refere-se à compensação dos débitos de estimativa mensal, PA jan/04 e fev/04, nos valores de R$ 81.295,94 e R$ 90.262,71, respectivamente, com o crédito de saldo negativo da CSLL, ano-calendário 2003, no valor de R$ 166.584,56; Da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais da CSLL 25. Não houve insuficiência de recolhimento da estimativa da CSLL, PA fev/03, porque o valor recolhido, R$ 140.069,24, corresponde ao débito apurado com base na estimativa sobre a receita bruta; 26. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da CSLL, PA jan/04, apurada no valor de R$ 81.295,94, foi compensada com o crédito do saldo negativo da CSLL, ano-calendário 2003; 27. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da CSLL, PA abr/04, no valor de R$ 90.262,71, apurada com base no balancete de suspensão e redução, é indevida porque não considerou a compensação do débito de estimativa mensal de CSLL, PA mar/04, no mesmo valor; 28. As insuficiências de recolhimento das estimativas mensais da CSLL, PA set/07, nov/07 e dez/07, são indevidas porque os pagamentos efetivados, mediante DARF e Declarações de Compensação, foram superiores aos informados na DIPJ. A defesa foi encaminhada para a DRJ de Belém para julgamento, sendo proferido o v. Acórdão, ora recorrido. Foi considerado como não impugnada a seguinte parcela do débito em questão: Procedeu-se, então, ao julgamento, acolhendo parcialmente o apelo apresentado, cancelando todos os débitos de PIS e COFINS e, parcialmente, as exigências dos demais tributos. Confira-se a ementa e trechos dessa r.decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 DESCONTOS INCONDICIONAIS. Caracterizam-se como descontos incondicionais as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. NULIDADE. É nulo, por cerceamento do direito de defesa, o lançamento, ou parte deste, que não demonstra o fundamento fático da infração. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IMPRESTABILIDADE DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. NOVA APURAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determiná-lo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando qualquer dos métodos previstos na legislação. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de I a instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. ÔNUS D A PROVA. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita. COMPENSAÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória 66/2002, a Declaração de Compensação passou a ser o instrumento apropriado para a efetivação da compensação tributária, inclusive entre tributos de mesma espécie. VERDADE MATERIAL. A escrituração fiscal apresentada pelo sujeito passivo tem presunção de veracidade, até prova em contrário. Comprovado erro do sujeito passivo, deve-se prevalecer no lançamento a verdade material dos fatos. LANÇAMENTO REFLEXO. PIS. COFINS. É improcedente o lançamento reflexo de PIS e COFINS que teve por fundamento infração restrita à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...) DA APURAÇÃO Feitas as considerações acima, passo a apurar os créditos devidos neste processo. Tabela 7 Infrações (valores em R$) Tabela 8 - Apuração do IRPJ (valores em R$) Tabela 9 - Apuração da multa isolada - IRPJ (valores em R$) Tabela 10 - Apuração da CSLL (valores em R$) Tabela 11 Apuração da multa isolada CSLL (valores em R$) DA CONCLUSÃO Ante tudo exposto, voto no sentido de: 1. Considerar não impugnados os créditos indicados na Tabela 12, cujo saldo remanescente deve ser apurado a partir dos recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo; 2. Na parte impugnada, julgar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, mantendo os créditos indicados na Tabela 12, que devem ser acrescidos dos encargos moratórios. Tabela 12 - Créditos não impugnados e créditos mantidos Inconformada com a improcedência parcial de sua defesa, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, repisando as alegações em relação às infrações mantidas pela DRJ, demonstrando especificamente os motivos de reforma do v. Acórdão e apontando para a solidez da documentação acostada nos autos. Faz o seguinte quadro explicativo da matéria controversa: Na sequência, foi apresentada petição do Contribuinte (fls. 1989 a 1994) informando da presença de erro formal no v. Acórdão da DRJ, requerendo que a matéria lá trazida seja apreciada em conjunto com seu Recurso Voluntário. Encaminhados aos autos a este E. CARF, em sessão de julgamento de 05/03/2013, foi observado que diversos documentos, originalmente juntados aos autos em papel, estavam ilegíveis na versão digital do processo, sendo determinado a sua nova digitalização pela origem. Retornado os autos ao E. Conselho, o antigo Relator do feito verificou que, na verdade, os documentos continuaram ilegíveis, determinando um novo retorno à Unidade Local para saneamento (fls. 2022). Cumprida aquela determinação, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Frise-se que, apesar do v. Acórdão ter cancelado parcialmente as autuações sofridas, o valor da exclusão efetuada não dá ensejo à hipótese de Recurso de Ofício. Como mencionados, o Recurso Voluntário foi submetido a apreciação deste N. Colegiado em 11 de abril de 2017, sendo proferida a v. Resolução nº 1402-000.430, nos seguintes termos: Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) Em relação à infração de Omissão de Receitas, considerando a alegação do Contribuinte, de que parte da diferença remanescente de R$ 5.839.513,14 deve-se a descontos, ainda que posteriores à emissão das notas fiscais, apenas recebendo valores muito inferiores àqueles expressos nas notas fiscais de venda de sucatas: 1.a.1.) analise a documentação de fls. 1138 a 1170/1475 a 1735/2028 a 2326, a planilha de fls. 1921, bem como outras provas que julgar necessárias, em comparação com a globalidade da escrituração fiscal da Recorrente do período, visando confirmar os valores realmente recebidos e escriturados por tais vendas; 1.a.2.) diligencie junto às empresas ARIAU, JL ELETRON, FIAT e FORD, ou, eventualmente, suas sucessoras, (exata qualificação constante das notas fiscais acostadas autos), para que, verificando a contabilidade de tais pessoas jurídicas do mesmo período, sejam confirmadas as informações constantes dos documentos emitidos e o teor das declarações fornecidas por tais Contribuintes; 1.a.3.) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados; 1.b.1) considerando a planilha de fls. 1923, verifique, na contabilidade e demais declarações fornecidas pelo Contribuinte no período colhido, especificamente em relação à incidência, recolhimento e compensação de PIS, COFINS e ICMS, se o valor declarado na Ficha 6A na DIPJ já contempla o montante de tais tributos, especificamente incidentes nas vendas de sucata sob análise (duplicidade) ou se trata-se de outros tributos, de mesma natureza, que recaíram sobre outras operações; 1.b.2) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados. 2) Em relação às infrações e penalidades atinentes à Ausência de Recolhimento de Estimativas Anuais, sejam analisados os documentos de fls. 1843 a 1914, bem como a contabilidade e as declarações, inclusive de compensação, do Contribuinte, referentes ao período colhido, a fim de se determinar se houve a comprovação de quitação (seja por pagamento ou compensação) de tais valores tidos originalmente como não recolhidos; 2.a) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados. 3) Tendo em vista que muitas folhas dos autos não se encontram ordenadas e dispostas de forma lógica e racional, inclusive em dissonância com a ordem dos atos do rito processual administrativo, sejam devidamente reordenadas as folhas dos autos. 4) Não sendo possível a providência anteriormente determinada, seja, então, produzido índice analítico exaustivo, indicando, por folha, cada uma das peças, documentos, decisões, expedientes, atos e ocorrências presentes nos autos. Como mencionado, deverá ser toda a diligência reduzida a Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, dando-se ciência ao Contribuinte, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do devido retorno dos autos para julgamento. Encaminhados os autos à Unidade Local de Fiscalização, foram emitidos termos de Intimação para as empresas FCA (FIAT), FORD e JL ELETRON (fls. 2350 a 2358) e para a própria Recorrente (fls. 2381 e 2388 a 2389), requerendo documentação fiscal e contábil complementar. Dos demais contribuintes envolvidos, apenas a empresa JL ELETRON respondeu positivamente à intimação, trazendo cópias de seu Livro de Registro Entradas (fls. 2407 a 2411). A Recorrente, em suma, após prorrogação de prazo, atendeu a essa primeira intimação, apresentando cópias dos Livros Diário e Razão de 2003, bem como balancetes do mesmo período. Em relação à solicitação de notas fiscais e notas de débitos emitidas por FCA (FIAT), FORD e JL ELETRON, alegou não possuir a integra de tal documentação, trazendo apenas parte delas, lembrando da possibilidade da Autoridade Fiscal diligenciar junto às empresas. Por fim, em relação às Declarações de Compensação, informou não as possuir em arquivo e frisou a possibilidade da Unidade Local pesquisar em sistemas da Receita Federal do Brasil. Mesmo diante do atendimento de tal intimação, a Autoridade Fiscal emitiu nova intimação requerendo (fls. 2388 a 2389): Em resposta imediata a tal intimação, a Recorrente peticionou requerendo um prazo adicional de 30 (trinta) dias, em face do exíguo período de 5 (cinco) dias concedido. Não há registro nos autos da concessão ou não de tal prazo. Em seguida, foi elaborado e juntado aos autos o Relatório Fiscal solicitado (fls. 2416 a 2429), no qual, em resumo, entendeu-se que, em referência ao valor controverso de omissões de receitas apuradas (R$ 5.376.813,42), apenas as alegações de defesa sobre as transações com JL ELETRON teriam respaldo documental, em razão da apresentação, durante a diligência, de Livro de Registro de Entrada de tal empresa, que atestava ter-se pago apenas R$ 147.000,00 pelas mercadorias vendidas e não R$ 1.720.202,71, como teria inicialmente apurado a Fiscalização. Em relação à empresa ARIAÚ COMÉRCIO E COMPONENTES LTDA, consignou que esta foi baixada. No que tange às demais infrações de omissão de receitas, apenas consignou que as empresas FORD e FCA (FIAT) responderam negativamente à intimação para apresentar documentação referente às transações e notas de débito emitidas. No que tange ao valor do ICMS, PIS e COFINS referente a tais descontos, que também foram deduzidos pelo Contribuinte, a Unidade Local apenas analisou a Ficha 6A da DIPJ 2004 e afirma que não há qualquer elemento de prova que corrobore que, como alegado, os valores constantes nas Linhas 13 e 14, também deduzidos, referem-se aos mesmos tributos, mas incidentes sobre outras operações - confirmando a duplicidade de redução apontada pelo Fisco. Já em relação aos recolhimentos insuficientes, em relação aos quais alega o Contribuinte ter procedido a compensações para a sua liquidação, inexistindo saldo insuficiente de pagamento, a Fiscalização afirma serem procedentes as exigências, pela falta de apresentação pelo Contribuinte da Declaração de Compensação correspondente e, em face da efetiva apresentação de dois documentos de tal natureza, entendeu que referiam-se a período diverso, prevalecendo tal infração. Ainda, consigna que alguns documentos apresentados pela Contribuinte já constavam dos autos (as duas, acima referidas, Declarações de Compensação e Algumas notas de débitos da FORD MOTOR COMPANY DO BRASIL LTDA, cuja soma total é R$ 440.726,39) motivo pelo qual não se procedeu à sua juntada aos autos. Não comenta sobre as notas de débito, além da sua duplicidade nos autos. Por fim, no que tange aos Livros contábeis do ano-calendário de 2003 entregues, afirma que: Embora tenha apresentado os livros Diário e Razão de sua escrituração Fiscal, nada concluímos sobre a escrituração dos fatos contábeis, tendo em vista sua complexa nomenclatura, dificultando a análise dos lançamentos efetuados. Considerando nossa falta de entendimento sobre a escrituração contábil, solicitamos esclarecimentos sobre sistemática adotada na escrituração de fatos contábeis, bem como cópia dos lançamentos, no livro razão, das contas que serviram para Demonstração do Resultado do Período, enumeradas no Termo de Diligência Fiscal nº 01, datado de 16/11/2017. Apesar do pedido de prazo para apresentar os referidos documentos o sujeito passivo não os fez até o momento. (Relatório lavrado em 30/11/2017 - fls. 2429) Com o encerramento da diligência em 06/03/2018, foi concedido à Recorrente prazo para a devida Manifestação sobre o Relatório. Ao seu turno, a Contribuinte apresentou o arrazoado de fls. 2435 a 2463, primeiramente denunciando a suposta nulidade do Relatório de diligência e o não atendimento satisfatório à v. Resolução em questão, em razão de inúmeras falhas, omissões e condutas da Autoridade Fiscal. Em resumo, primeiro aponta-se para o fato de que, mesmo tendo a Recorrente apresentado, após a primeira intimação, os Livros e demais documentos contábeis solicitados (inclusive por meio físico), a Autoridade Fiscal emitiu uma segunda intimação, em 16/11/2017, contendo mais 10 (dez) requisições sobre a documentação já apresentada, concedendo prazo de 5 (cinco) dias para seu atendimento. Ainda que no Relatório (datado de 30/11/2017) afirme que a Recorrente teria solicitado prazo adicional em 21/11/2017 e, até aquele momento, não teria apresentado a documentação solicitada, deixando de proceder à análise dos Livros, a Contribuinte demonstra que não só houve todo o esclarecimento necessário, como a Autoridade Fiscal promoveu diligências, in loco, reunindo-se com funcionários mais de uma vez e teria concedido prazo até 20/02/2018 para tais esclarecimentos, mostrando-se satisfeito com tais análises. Além disso, teria sido surpreendida a Recorrente com versão prévia do Relatório de diligência, com apenas 13 páginas, sem o seu teor final, sobre a ausência de análise dos Livros de 2003 em razão silêncio da Contribuinte, apenas complementando-o com folha avulsa. Confira-se a conclusão sobre a nulidade defendida: Ou seja, (i) além de registrar expressamente que a Manifestante não teria prestado os esclarecimentos devidos em nenhum momento durante a fiscalização o que já se demonstrou que ser verdade -, (ii) o d. agente fiscal também modificou o conteúdo do relatório conclusivo ora combatido, entregando à Manifestante páginas avulsas cujo contexto é impossível de se compreender, já que está claramente incompleto (iii) e ainda se recusou a conceder novo prazo para que a Manifestante oferecesse seus comentários, registrando que a primeira data de ciência (06/03/2018) seria a data válida para fins de contagem do prazo de 30 dias. (fls. 2444). Em seguida, mostra a procedência do seu direito, trazendo os documentos e esclarecimentos prestados, supostamente de forma a corroborar suas alegações e suprir as falhas da diligência. Também justifica a ausência de documentos prestados referentes às compensações e aponta para outras incoerências e omissões do Relatório. A Contribuinte também instrui tal peça com a seguinte documentação (não paginável): 01) Resumo de Movimentação - Livro Razão (2003) Se refere aos saldos contábeis do livro razão, com referência ao livro razão apresentado ao d. agente fiscal, conforme solicitado no item 01 do segundo TDF (Arq_nao_pag.zip); 02) Dossiê - Escrituração Contábil - Livro Razão (2003) Dossiê contendo as fotos das páginas do livro razão apresentado ao d. agente fiscal, fazendo referência ao livro fiscal através de legendas, para atendimento às solicitações dos itens 02 e 03 do segundo TDF (contabilizações das vendas de sucatas e vendas para Ford Motor Company) (Arq_nao_pag.zip); 03) Livro Fiscal de Saídas (2003) - Livro Fiscal com os registros de saídas apresentados, fazendo referência ao livro contábil através de legendas, para atendimento às solicitações dos itens 02 e 03 do segundo TDF (contabilizações das vendas de sucatas e vendas para Ford Motor Company) (Arq_nao_pag.zip); 04) Análise Livros Contábil x Fiscal (2003) - Análise dos livros fiscais versus livros contábeis, somente para conferência (Arq_nao_pag.zip); Na sequência, os autos foram novamente encaminhados a este Conselheiro. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 20 98 3/ 20 08 -9 4 Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.520 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1916 a 1988) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA (fl. 836 a 854) que manteve parcialmente as Autuações sofridas pela ora Recorrente (fls. 12 a 93). Distribuído os autos anteriormente a este Relator, na sessão de julgamento de 11 de abril de 2017, por unanimidade de votos desta mesma C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a v. Resolução nº 1402000.430 (fls. 2330 a 2345), determinando diligência para a análise de documentação e outras providências, visando à confirmação de procedência das alegações da Contribuinte. Tendo em vista, então, que tratase de retorno de diligência, anteriormente determinada por este mesmo Conselheiro, adoto, a seguir, trechos do relatório antes elaborado: O processo, originalmente, versava sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 46 a 93), incluindo aplicação de multa isolada, referente aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2007, complementadas por autuação exclusivamente de CSLL (fls. 12 a 23) referente apenas ao anocalendário de 2003. As Autuações possuem uma multiplicidade de acusações fiscais, podendo ser dividas e organizadas dentro dos seguintes temas (fls. 838 Relatório Acórdão DRJ): 1. Omissão de receitas decorrente da não comprovação de descontos incondicionais concedidos com reflexos no IRPJ, PIS, COFINS e 2. Exclusão não autorizada na apuração do lucro real com reflexo no IRPJ; 3. Falta de adição, ao lucro líquido, da parcela de custo de produtos importados de pessoa vinculada, que excede ao preço parâmetro de transferência com reflexos no IRPJ e CSLL; 4. Isenção de IRPJ indevida sobre receitas de atividades não incentivadas; 5. Insuficiência de recolhimento de IRPJ, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor do tributo declarado/pago anos calendário 2003, 2004 e 2007 (infrações 5 e 6 do AI de IRPJ); 6. Insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor pago meses fev/02, jan/04, mar/04 (infrações 7 e 8 do AI de IRPJ); Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.521 3 7. Insuficiência de recolhimento da CSLL, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor declarado/pago anos calendário 2003 e 2004 (infração 1 do AI de CSLL de fls. 0920); 8. Insuficiência de recolhimento de estimativas mensais da CSLL, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor declarado/pago meses fev/03, jan/04, mar/04, set/07, nov/07 e dez/07 (infração 2 do AI de CSLL de fls. 0920); Sustenta e explica a Fiscalização, em suma, que os descontos incondicionais não comprovados são oriundos da diferença entre as devoluções de vendas registradas no Livro de Apuração do ICMS e as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais escriturados na DIPJ; que a redução indevida do lucro real se refere à conta SCRAP DE OBSOLECÊNCIA registrada no LALUR; assim como o Contribuinte não fez qualquer ajuste de preço de transferência de produtos importados na DIPJ. Também aponta objetivamente para ausência de recolhimento de inúmeras estimativas. Cientificada da lavratura das Autuações, a Recorrente ofereceu Impugnação (fls. 737 a 773), alegando a lisura de sua postura tributária e contábil, que podem ser resumidas nos seguintes tópicos e alegações (fls. 839 a 842 Relatório Acórdão DRJ): Da omissão de receitas 1. Os descontos incondicionais não comprovados são decorrentes das operações indicadas na tabela à fl. 724, abaixo reproduzida: 2. Por falta de documentos comprobatórios, recolheu o IRPJ e CSLL devidos pela falta de comprovação das operações "Diferença Devoluções" e "Outros"; 3. No que diz respeito à "Venda de Sucata", o valor efetivamente pago pela operação foi inferior ao registrado na nota fiscal, conforme acordo entre as partes. Razão porque a diferença entre o valor da nota fiscal e o valor pago foi lançada a título de descontos incondicionais; 4. A alegação resta comprovada pela análise dos comprovantes de pagamento fornecidos pelas empresas ARIAU e JL ELÉTRON, bem como pela declaração desta última; 5. No entanto, recolheu o PIS, a COFINS e o ICMS sobre o valor da nota fiscal, conforme guias de recolhimento do ICMS. Motivo da exclusão destes tributos na apuração do resultado; 6. As exclusões referentes às "Notas de Débito" correspondem a reduções no preço de venda de mercadorias, baseadas em critérios previamente acordados entre as partes, mas que, por divergência em sua Fl. 2521DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.522 4 interpretação, acabaram não constando na nota fiscal originalmente emitida. Razão porque as montadoras emitiram uma nota de débito à vendedora, informando as correções efetuadas no preço; 7. A alegação pode ser comprovada pela análise das planilhas totalizadoras das notas de débito (fls. 768781 do Anexo), fichas de "Alterações de Pedido de Mercadorias Preços" (fls. 762767 do Anexo) e "Nota de Débitos" exemplificativas (fls. 782804 do Anexo); 8. No entanto, recolheu o PIS, a COFINS e o ICMS sobre o valor da nota fiscal, conforme guias de recolhimento do ICMS, motivo da exclusão destes tributos na apuração do resultado; Da exclusão na apuração do lucro real 9. A fiscalização não justificou a glosa da exclusão da conta "Scrap de Obsolescência" na apuração do lucro real. O que se traduz em cerceamento do direito de defesa; 10. A exclusão se refere a provisões não dedutíveis, constituídas e adicionadas ao lucro real de período da apuração anterior, que tenham sido utilizadas para absorver os gastos provisionados; Do preço de transferência 11. Apurou os ajustes de preço de transferência com base no método de Preços Independentes Comparados (PIC), conforme ficha 41 da DIPJ; 12. Após o início da ação fiscal, efetuou também os ajustes com base no método do Preço de Revenda Menos Lucro 60 (PRL60), com base no art. 18 da Lei n° 9.430/96, tendo apurado um ajuste total de R$ 258.564,61, sobre o que efetuou o recolhimento de IRPJ e CSLL acrescido da multa de ofício e dos juros de mora; 13. A fiscalização não comprovou que o método de cálculo do preço parâmetro de transferência adotado era mais favorável ao sujeito passivo, conforme determina o art. 4 o da IN SRF 243/2002; 14. A fiscalização promoveu o cálculo do preço parâmetro PRL60 com base nas alterações promovidas pela IN SRF 243/2002, que por sua vez alterou indevidamente a metodologia de cálculo prevista no art. 18 da Lei n° 9.460/96, devendo, portanto esta parte do lançamento ser cancelado pela ilegalidade das alterações promovidas pela referida instrução normativa; Da isenção indevida 15. Reconhece que, por equívoco, aplicou a isenção do IRPJ sobre atividades não incentivadas. Pelo que recolheu o imposto devido com a multa de 50%; Da insuficiência de recolhimento de IRPJ 16. Não houve insuficiência de IRPJ, anocalendário 2003, pois a diferença apurada, no valor de R$ 86.528,81, referese à compensação do débito de estimativa mensal de IRPJ, PA mar/03, no mesmo valor, com o crédito de saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2002, no valor de R$ 77.956,77; 17. A insuficiência de recolhimento de IRPJ, anocalendário 2004, foi de apenas R$ 1.947,19, porque compensou o débito de estimativa IRPJ, PA jan/04, no valor de R$ 23.407,44, com o crédito de saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2003, no valor de R$ 22.891,42; Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.523 5 18. Não houve insuficiência de IRPJ, anocalendário 2007, vez que a diferença apurada, no valor de R$ 90.997,87, foi informada indevidamente como estimativa, quando na verdade se refere ao IRRF nos montantes de R$ 66.721,36 e R$ 24.276,51, relativos aos meses de out/2007 e nov/2007, respectivamente, conforme ficha 11 da DIPJ 2008/2007; Da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ 19. Não houve insuficiência de recolhimento de estimativa do IRPJ,PA fev/03, porque o valor recolhido, R$ 65.581,56, corresponde ao débito apurado com base na estimativa sobre a receita bruta; 20. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, PA jan/04, apurada no valor de R$ 23.407,44, foi compensada com o crédito do saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2003; 21. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, PA mar/04, apurada no valor de R$ 3,61, foi compensada com o crédito remanescente do saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2003; Do PIS e COFINS 22. Os lançamentos de PIS e COFINS são indevidos porque não excluíram os descontos incondicionais, objetos da autuação por omissão de receita, da base de cálculo destas contribuições; Da insuficiência de recolhimento da CSLL 23. Reconhece o débito da CSLL, anocalendário 2003, no valor de R$ 6.931,79, decorrente da insuficiência de recolhimento da contribuição. Pelo que recolheu o valor devido; 24. Não houve insuficiência de recolhimento da CSLL, anocalendário 2004, pois a diferença apurada, no valor de R$ 1.135.168,54, referese à compensação dos débitos de estimativa mensal, PA jan/04 e fev/04, nos valores de R$ 81.295,94 e R$ 90.262,71, respectivamente, com o crédito de saldo negativo da CSLL, anocalendário 2003, no valor de R$ 166.584,56; Da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais da CSLL 25. Não houve insuficiência de recolhimento da estimativa da CSLL, PA fev/03, porque o valor recolhido, R$ 140.069,24, corresponde ao débito apurado com base na estimativa sobre a receita bruta; 26. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da CSLL, PA jan/04, apurada no valor de R$ 81.295,94, foi compensada com o crédito do saldo negativo da CSLL, anocalendário 2003; 27. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da CSLL, PA abr/04, no valor de R$ 90.262,71, apurada com base no balancete de suspensão e redução, é indevida porque não considerou a compensação do débito de estimativa mensal de CSLL, PA mar/04, no mesmo valor; 28. As insuficiências de recolhimento das estimativas mensais da CSLL, PA set/07, nov/07 e dez/07, são indevidas porque os pagamentos efetivados, mediante DARF e Declarações de Compensação, foram superiores aos informados na DIPJ. Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.524 6 A defesa foi encaminhada para a DRJ de Belém para julgamento, sendo proferido o v. Acórdão, ora recorrido. Foi considerado como não impugnada a seguinte parcela do débito em questão: Procedeuse, então, ao julgamento, acolhendo parcialmente o apelo apresentado, cancelando todos os débitos de PIS e COFINS e, parcialmente, as exigências dos demais tributos. Confirase a ementa e trechos dessa r.decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DESCONTOS INCONDICIONAIS. Caracterizamse como descontos incondicionais as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. NULIDADE. É nulo, por cerceamento do direito de defesa, o lançamento, ou parte deste, que não demonstra o fundamento fático da infração. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IMPRESTABILIDADE DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. NOVA APURAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando qualquer dos métodos previstos na legislação. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de I a instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. ÔNUS D A PROVA. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita. COMPENSAÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória 66/2002, a Declaração de Compensação passou a ser o instrumento apropriado para a efetivação da compensação tributária, inclusive entre tributos de mesma espécie. Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.525 7 VERDADE MATERIAL. A escrituração fiscal apresentada pelo sujeito passivo tem presunção de veracidade, até prova em contrário. Comprovado erro do sujeito passivo, devese prevalecer no lançamento a verdade material dos fatos. LANÇAMENTO REFLEXO. PIS. COFINS. É improcedente o lançamento reflexo de PIS e COFINS que teve por fundamento infração restrita à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...) DA APURAÇÃO Feitas as considerações acima, passo a apurar os créditos devidos neste processo. Tabela 7 — Infrações (valores em R$) Tabela 8 Apuração do IRPJ (valores em R$) Tabela 9 Apuração da multa isolada IRPJ (valores em R$) Tabela 10 Apuração da CSLL (valores em R$) Fl. 2525DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.526 8 Tabela 11 — Apuração da multa isolada — CSLL (valores em R$) DA CONCLUSÃO Ante tudo exposto, voto no sentido de: 1. Considerar não impugnados os créditos indicados na Tabela 12, cujo saldo remanescente deve ser apurado a partir dos recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo; 2. Na parte impugnada, julgar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, mantendo os créditos indicados na Tabela 12, que devem ser acrescidos dos encargos moratórios. Tabela 12 Créditos não impugnados e créditos mantidos Inconformada com a improcedência parcial de sua defesa, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, repisando as alegações em relação às infrações mantidas pela DRJ, demonstrando especificamente os motivos de reforma do v. Acórdão e apontando para a solidez da documentação acostada nos autos. Faz o seguinte quadro explicativo da matéria controversa: Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.527 9 Na sequência, foi apresentada petição do Contribuinte (fls. 1989 a 1994) informando da presença de erro formal no v. Acórdão da DRJ, requerendo que a matéria lá trazida seja apreciada em conjunto com seu Recurso Voluntário. Encaminhados aos autos a este E. CARF, em sessão de julgamento de 05/03/2013, foi observado que diversos documentos, originalmente juntados aos autos em papel, estavam ilegíveis na versão digital do processo, sendo determinado a sua nova digitalização pela origem. Retornado os autos ao E. Conselho, o antigo Relator do feito verificou que, na verdade, os documentos continuaram ilegíveis, determinando um novo retorno à Unidade Local para saneamento (fls. 2022). Cumprida aquela determinação, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Frisese que, apesar do v. Acórdão ter cancelado parcialmente as autuações sofridas, o valor da exclusão efetuada não dá ensejo à hipótese de Recurso de Ofício. Como mencionados, o Recurso Voluntário foi submetido a apreciação deste N. Colegiado em 11 de abril de 2017, sendo proferida a v. Resolução nº 1402000.430, nos seguintes termos: Fl. 2527DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.528 10 Diante de todo o exposto, resolvese por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) Em relação à infração de Omissão de Receitas, considerando a alegação do Contribuinte, de que parte da diferença remanescente de R$ 5.839.513,14 devese a descontos, ainda que posteriores à emissão das notas fiscais, apenas recebendo valores muito inferiores àqueles expressos nas notas fiscais de venda de sucatas: 1.a.1.) analise a documentação de fls. 1138 a 1170/1475 a 1735/2028 a 2326, a planilha de fls. 1921, bem como outras provas que julgar necessárias, em comparação com a globalidade da escrituração fiscal da Recorrente do período, visando confirmar os valores realmente recebidos e escriturados por tais vendas; 1.a.2.) diligencie junto às empresas ARIAU, JL ELETRON, FIAT e FORD, ou, eventualmente, suas sucessoras, (exata qualificação constante das notas fiscais acostadas autos), para que, verificando a contabilidade de tais pessoas jurídicas do mesmo período, sejam confirmadas as informações constantes dos documentos emitidos e o teor das declarações fornecidas por tais Contribuintes; 1.a.3.) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados; 1.b.1) considerando a planilha de fls. 1923, verifique, na contabilidade e demais declarações fornecidas pelo Contribuinte no período colhido, especificamente em relação à incidência, recolhimento e compensação de PIS, COFINS e ICMS, se o valor declarado na Ficha 6A na DIPJ já contempla o montante de tais tributos, especificamente incidentes nas vendas de sucata sob análise (duplicidade) ou se tratase de outros tributos, de mesma natureza, que recaíram sobre outras operações; 1.b.2) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados. 2) Em relação às infrações e penalidades atinentes à Ausência de Recolhimento de Estimativas Anuais, sejam analisados os documentos de fls. 1843 a 1914, bem como a contabilidade e as declarações, inclusive de compensação, do Contribuinte, referentes ao período colhido, a fim de se determinar se houve a comprovação de quitação (seja por pagamento ou compensação) de tais valores tidos originalmente como não recolhidos; 2.a) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados. 3) Tendo em vista que muitas folhas dos autos não se encontram ordenadas e dispostas de forma lógica e racional, inclusive em dissonância com a ordem dos atos do rito processual administrativo, sejam devidamente reordenadas as folhas dos autos. Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.529 11 4) Não sendo possível a providência anteriormente determinada, seja, então, produzido índice analítico exaustivo, indicando, por folha, cada uma das peças, documentos, decisões, expedientes, atos e ocorrências presentes nos autos. Como mencionado, deverá ser toda a diligência reduzida a Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, dandose ciência ao Contribuinte, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do devido retorno dos autos para julgamento. Encaminhados os autos à Unidade Local de Fiscalização, foram emitidos termos de Intimação para as empresas FCA (FIAT), FORD e JL ELETRON (fls. 2350 a 2358) e para a própria Recorrente (fls. 2381 e 2388 a 2389), requerendo documentação fiscal e contábil complementar. Dos demais contribuintes envolvidos, apenas a empresa JL ELETRON respondeu positivamente à intimação, trazendo cópias de seu Livro de Registro Entradas (fls. 2407 a 2411). A Recorrente, em suma, após prorrogação de prazo, atendeu a essa primeira intimação, apresentando cópias dos Livros Diário e Razão de 2003, bem como balancetes do mesmo período. Em relação à solicitação de notas fiscais e notas de débitos emitidas por FCA (FIAT), FORD e JL ELETRON, alegou não possuir a integra de tal documentação, trazendo apenas parte delas, lembrando da possibilidade da Autoridade Fiscal diligenciar junto às empresas. Por fim, em relação às Declarações de Compensação, informou não as possuir em arquivo e frisou a possibilidade da Unidade Local pesquisar em sistemas da Receita Federal do Brasil. Mesmo diante do atendimento de tal intimação, a Autoridade Fiscal emitiu nova intimação requerendo (fls. 2388 a 2389): Fl. 2529DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.530 12 Em resposta imediata a tal intimação, a Recorrente peticionou requerendo um prazo adicional de 30 (trinta) dias, em face do exíguo período de 5 (cinco) dias concedido. Não há registro nos autos da concessão ou não de tal prazo. Em seguida, foi elaborado e juntado aos autos o Relatório Fiscal solicitado (fls. 2416 a 2429), no qual, em resumo, entendeuse que, em referência ao valor controverso de omissões de receitas apuradas (R$ 5.376.813,42), apenas as alegações de defesa sobre as transações com JL ELETRON teriam respaldo documental, em razão da apresentação, durante a diligência, de Livro de Registro de Entrada de tal empresa, que atestava terse pago apenas R$ 147.000,00 pelas mercadorias vendidas e não R$ 1.720.202,71, como teria inicialmente apurado a Fiscalização. Em relação à empresa ARIAÚ COMÉRCIO E COMPONENTES LTDA, consignou que esta foi baixada. No que tange às demais infrações de omissão de receitas, apenas consignou que as empresas FORD e FCA (FIAT) responderam negativamente à intimação para apresentar documentação referente às transações e notas de débito emitidas. Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.531 13 No que tange ao valor do ICMS, PIS e COFINS referente a tais descontos, que também foram deduzidos pelo Contribuinte, a Unidade Local apenas analisou a Ficha 6A da DIPJ 2004 e afirma que não há qualquer elemento de prova que corrobore que, como alegado, os valores constantes nas Linhas 13 e 14, também deduzidos, referemse aos mesmos tributos, mas incidentes sobre outras operações confirmando a duplicidade de redução apontada pelo Fisco. Já em relação aos recolhimentos insuficientes, em relação aos quais alega o Contribuinte ter procedido a compensações para a sua liquidação, inexistindo saldo insuficiente de pagamento, a Fiscalização afirma serem procedentes as exigências, pela falta de apresentação pelo Contribuinte da Declaração de Compensação correspondente e, em face da efetiva apresentação de dois documentos de tal natureza, entendeu que referiamse a período diverso, prevalecendo tal infração. Ainda, consigna que alguns documentos apresentados pela Contribuinte já constavam dos autos (as duas, acima referidas, Declarações de Compensação e Algumas notas de débitos da FORD MOTOR COMPANY DO BRASIL LTDA, cuja soma total é R$ 440.726,39) motivo pelo qual não se procedeu à sua juntada aos autos. Não comenta sobre as notas de débito, além da sua duplicidade nos autos. Por fim, no que tange aos Livros contábeis do anocalendário de 2003 entregues, afirma que: Embora tenha apresentado os livros Diário e Razão de sua escrituração Fiscal, nada concluímos sobre a escrituração dos fatos contábeis, tendo em vista sua complexa nomenclatura, dificultando a análise dos lançamentos efetuados. Considerando nossa falta de entendimento sobre a escrituração contábil, solicitamos esclarecimentos sobre sistemática adotada na escrituração de fatos contábeis, bem como cópia dos lançamentos, no livro razão, das contas que serviram para Demonstração do Resultado do Período, enumeradas no Termo de Diligência Fiscal nº 01, datado de 16/11/2017. Apesar do pedido de prazo para apresentar os referidos documentos o sujeito passivo não os fez até o momento. (Relatório lavrado em 30/11/2017 fls. 2429) Com o encerramento da diligência em 06/03/2018, foi concedido à Recorrente prazo para a devida Manifestação sobre o Relatório. Fl. 2531DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.532 14 Ao seu turno, a Contribuinte apresentou o arrazoado de fls. 2435 a 2463, primeiramente denunciando a suposta nulidade do Relatório de diligência e o não atendimento satisfatório à v. Resolução em questão, em razão de inúmeras falhas, omissões e condutas da Autoridade Fiscal. Em resumo, primeiro apontase para o fato de que, mesmo tendo a Recorrente apresentado, após a primeira intimação, os Livros e demais documentos contábeis solicitados (inclusive por meio físico), a Autoridade Fiscal emitiu uma segunda intimação, em 16/11/2017, contendo mais 10 (dez) requisições sobre a documentação já apresentada, concedendo prazo de 5 (cinco) dias para seu atendimento. Ainda que no Relatório (datado de 30/11/2017) afirme que a Recorrente teria solicitado prazo adicional em 21/11/2017 e, até aquele momento, não teria apresentado a documentação solicitada, deixando de proceder à análise dos Livros, a Contribuinte demonstra que não só houve todo o esclarecimento necessário, como a Autoridade Fiscal promoveu diligências, in loco, reunindose com funcionários mais de uma vez e teria concedido prazo até 20/02/2018 para tais esclarecimentos, mostrandose satisfeito com tais análises. Além disso, teria sido surpreendida a Recorrente com versão prévia do Relatório de diligência, com apenas 13 páginas, sem o seu teor final, sobre a ausência de análise dos Livros de 2003 em razão silêncio da Contribuinte, apenas complementandoo com folha avulsa. Confirase a conclusão sobre a nulidade defendida: Ou seja, (i) além de registrar expressamente que a Manifestante não teria prestado os esclarecimentos devidos em nenhum momento durante a fiscalização – o que já se demonstrou que ser verdade , (ii) o d. agente fiscal também modificou o conteúdo do relatório conclusivo ora combatido, entregando à Manifestante páginas avulsas cujo contexto é impossível de se compreender, já que está claramente incompleto (iii) e ainda se recusou a conceder novo prazo para que a Manifestante oferecesse seus comentários, registrando que a primeira data de ciência (06/03/2018) seria a data válida para fins de contagem do prazo de 30 dias. (fls. 2444). Em seguida, mostra a procedência do seu direito, trazendo os documentos e esclarecimentos prestados, supostamente de forma a corroborar suas alegações e suprir as falhas da diligência. Também justifica a ausência de documentos prestados referentes às compensações e aponta para outras incoerências e omissões do Relatório. A Contribuinte também instrui tal peça com a seguinte documentação (não paginável): 01) “Resumo de Movimentação Livro Razão (2003)” – Se refere aos saldos Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.533 15 contábeis do livro razão, com referência ao livro razão apresentado ao d. agente fiscal, conforme solicitado no “item 01” do segundo TDF (Arq_nao_pag.zip); 02) “Dossiê Escrituração Contábil Livro Razão (2003)” – Dossiê contendo as fotos das páginas do livro razão apresentado ao d. agente fiscal, fazendo referência ao livro fiscal através de legendas, para atendimento às solicitações dos “itens 02 e 03” do segundo TDF (contabilizações das vendas de sucatas e vendas para Ford Motor Company) (Arq_nao_pag.zip); 03) “Livro Fiscal de Saídas (2003)” Livro Fiscal com os registros de saídas apresentados, fazendo referência ao livro contábil através de legendas, para atendimento às solicitações dos “itens 02 e 03” do segundo TDF (contabilizações das vendas de sucatas e vendas para Ford Motor Company) (Arq_nao_pag.zip); 04) “Análise Livros Contábil x Fiscal (2003)” Análise dos livros fiscais versus livros contábeis, somente para conferência (Arq_nao_pag.zip); Na sequência, os autos foram novamente encaminhados a este Conselheiro. É o relatório. Fl. 2533DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.534 16 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Reiterase que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Como relatado, tratase de retorno de diligência, determinada pela v. Resolução nº 1402000.430, proferida por esta mesma C. 2ª Turma Ordinária, em sessão de 11 de abril de 2017. Frisese previamente que as Resoluções, ainda que não tragam conteúdo ou vinculação meritória, são decisões soberanas em seus próprios termos e finalidade, assim como um Acórdão, sendo efetiva matéria processual a ser preliminarmente analisada, quando do seu retorno ao Colegiado, o seu devido cumprimento e adequação àquilo firmado anteriormente. Analisando o sucinto Relatório de diligência elaborado, primeiro notase que a Autoridade Fiscal deixou de fazer qualquer comentário analítico ou conclusivo sobre os Livros Diário e Razão de 2003 entregues pela Contribuinte, justificando tal postura no fato de que nada concluímos sobre a escrituração dos fatos contábeis, tendo em vista sua complexa nomenclatura, dificultando a análise dos lançamentos efetuados. Considerando nossa falta de entendimento sobre a escrituração contábil, solicitamos esclarecimentos sobre sistemática adotada na escrituração de fatos contábeis, bem como cópia dos lançamentos, no livro razão, das contas que serviram para Demonstração do Resultado do Período, enumeradas no Termo de Diligência Fiscal nº 01, datado de 16/11/2017. Apesar do pedido de prazo para apresentar os referidos documentos o sujeito passivo não os fez até o momento. Não só tal justificativa de não apreciação de documentos é bastante excepcional dentro da dinâmica do contencioso administrativo fiscal federal, como salta aos olhos a ausência de manifestação da Fiscalização sobre a concessão ou denegação do mencionado pedido de dilação de prazo (fls. 2390 a 2392), assim como o descompasso das datas entre a intimação (efetuada em 16/11/2017), o referido pedido de dilação (protocolado em 21/11/2107), a data do Relatório acostado aos autos (30/11/2017 sem assinatura) e a data do Termo de Encerramento de Diligência (emitido em 05/03/2018 e assinado pelo Contribuinte em 06/03/2018), a partir da qual foi conferido 30 dias para Manifestação da Parte. Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.535 17 Posto isso, e avançando na apreciação do feito, temos que a Manifestação da Recorrente, oposta logo depois a tal Relatório, deixa mais claro e evidenciado o ocorrido no deslinde dos trabalhos da Fiscalização. A Contribuinte aponta para a nulidade de tal procedimento, trazendo provas de que, de fato, teria sido atendido o segundo Termo de Intimação (fls. 2388 a 2389), não só com a apresentação de todos itens de documentação lá listados, mas com os devidos esclarecimentos à Autoridade Fiscal, e que esta teria visitado a empresa nos dias 12/12/2017 e 20/02/2018, conforme traz controle interno de visitantes aos autos vide fls. 2506 a 2513. Além disso, juntase aos autos também documento antes inexistente no processo, tratandose de aparente versão prévia do Relatório de diligência (ainda que com a mesma data daquele efetivamente juntado pela Autoridade Fiscal) com apenas 13 folhas ao invés de 14, como consta dos autos, sem o mencionado trecho final com a justificativa da ausência de análise dos Livros contábeis de 2003 (vide fls. 2466 a 2478). E, além disso, acosta cópias, protocoladas, de outros dois Pedidos de dilação de prazo para o cumprimento do segundo Termo de Intimação, supostamente não atendido, apresentados antes do encerramento da diligência, que não foram juntadas aos autos pela Autoridade Fiscal, cujos protocolos datam de 03/01/2018 e 26/01/2018 (fls. 2499 a 2504). Também afirmase que, após a suposta apresentação, avulsa, em 07/03/2018, de folhas complementares à primeira versão do Relatório fiscal, este primeiro entregue em 06/03/2018, não houve qualquer formalização de sua substituição ou recálculo do prazo para Manifestação. Em resumo, estas são as nulidades apresentadas pela Recorrente. Posteriormente na peça se apresentou os esclarecimentos e apontamentos antes solicitados pela Autoridade Fiscal (supostamente não atendidos, nos termos do Relatório), justificativas e contrapontos em relação aos itens mantidos e comentários sobre as omissões da análise procedida. Pois bem, independentemente daquilo exposto na Manifestação da Contribuinte, este Conselheiro entende ser manifestamente inadequado o Relatório de diligência, mormente no que tange à ausência de análise dos Livros Diário e Razão apresentados. Fl. 2535DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.536 18 Não só é deveras sucinta a análise procedida, valendose apenas de menções pontuais à documentação juntada (cuja análise das fls. 1138 a 1170; 1475 a 1735; 1843 a 1914; 1921 e 2028 a 2326 era parte objetiva da diligência), como a escusa para não analisar os Livros apresentados, data maxima venia, mesmo que se verídica for (em face de questionamento e provas em contrário da Contribuinte), não basta para motivar tal omissão nos trabalhos. E ressaltese que a grande maioria dos tópicos e subtópicos da v. Resolução nº 1402.002.430 dependiam do confronto de provas préexistentes e outras, a serem obtidas, com a escrituração do Contribuinte. Tal postura, claramente, acabou prejudicando e comprometendo a eficácia do cumprimento daquele decisório. Ora, os Livros Diário e Razão foram devidamente ofertados pela Recorrente, como solicitado no primeiro Termo de Intimação. Diante disso, a simples existência de dúvidas sobre o teor dos registros (o que é justificável ocorrer) não pode, per si, fundamentar a não análise de tais documentos com efeito prático e concreto idêntico ao seu não oferecimento. Ainda que tenha se registrado que foram solicitados esclarecimentos à Contribuinte e esta não teria se manifestado, os próprios autos mostram que tal ocorrência não foi tão objetiva como descrita. Nos autos não há propriamente pedido por esclarecimentos, mas, sim, a requisição da apresentação pela Contribuinte de 10 (dez) novos itens a serem extraídos daquela primeira documentação fornecida, concedendose prazo de apenas 05 (cinco) dias para tanto. E, agravando o ocorrido, como já mencionado, não há registro sobre concessão ou não da dilação de prazo requerida pela Recorrente, em 21/11/207, por mais 30 (trinta) dias. Por sua vez, o Relatório juntado aos autos (que não está assinado) é datado de 30/11/2014, denotando o lapso de 14 (quatorze) dias a partir tal nova requisição feita pela Autoridade Fiscal. Já o Termo de Encerramento da Diligência foi datado somente em 05/03/2018 e entregue ao Contribuinte 06/03/2018: mais de 90 dias a contar suposta data de conclusão do Relatório Fiscal e mais de 100 dias do primeiro pedido de dilação de prazo da Recorrente. Não poderia nesse, interregno, ter sido concedida tal dilação de prazo? Fl. 2536DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.537 19 Nesse sentido, a Recorrente em sua Manifestação demonstra que, na verdade, houve efetivo esforço junto à Fiscalização para prestar tais esclarecimentos, tendo sido tal acontecimento omitido, atestandose forma inversa. São bastante contundentes as provas trazidas aos autos, apontando que, mesmo após 21/11/2017, procedeuse ao atendimento (ou ao menos à tentativa) daquilo solicitado. Também é clara a ausência de motivação para não se investigar a documentação já acostada ao feito, referente à empresa ARIAÚ COMÉRCIO E COMPONENTES LTDA, limitandose a atestar sua baixa, assim como inexiste explicação para a conclusão de que o PIS e a COFINS lançados nas Linhas 13 e 14, seria o mesmo registrado na Linha 11 da Ficha 6A, sem qualquer verificação da apuração destes em outras Declarações, como determinado em diligência, e igualmente sem verificar recolhimentos, inclusive de ICMS, registrados pelo Contribuinte em outros livro (utilizados pela Fiscalização quando do lançamento de ofício). E a tudo acima ponderado, somase o fato da comprovada ausência de juntada de pedidos de dilação de prazo, protocolados pela Recorrente, expressamente referentes à presente diligência, aos autos e a existência de uma minuta previa do Relatório, sem essa justificativa final para deixar de analisar os livros contábeis ambos documentos em poder da Contribuinte e somente por ela trazidos ao feito. Sem mais se aprofundar no debate da veracidade daquilo ocorrido e da adequação da postura da Autoridade Fiscal, concluise, sem margens para dúvidas, pela necessária desconsideração do Relatório agora trazido, evidenciando a necessidade de realização de nova diligência. Frisese que prevalece o entendimento deste Conselheiro pela necessária verificação dos registros dos Livros da Recorrente, em confronto com o resto da documentação presente, vez que em processo de matéria muito semelhante, relacionada a descontos incondicionais não constantes de notas fiscais, diante de claro e robusto conjunto probatório do contribuinte, exprimindo que, efetivamente, tinha se praticado tal redução, afastouse a infração imputada (vide Acórdão nº 1402002.676, de 25/07/2017, relatoria do I. Conselheiro Marco Rogério Borges) Digase também que, perante tais circunstâncias, agora consta dos autos precisamente os elementos requeridos pela Unidade Local, fato este que facilitaria a manipulação de toda a documentação envolvida. No que tange às infrações de insuficiência de recolhimento de estimativas anuais, cuja as alegações da Recorrente baseiamse na ocorrência de inúmeras compensações Fl. 2537DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.538 20 correspondentes a tal pagamentos não verificados, o Relatório certificou a ausência da apresentação, após intimação da Contribuinte, das Declarações em que se procedeu a tal manobra e, no caso de duas presentes nos autos, apontouse para sua incompatibilidade temporal com os débitos. Na v. Resolução nº 1402.002.430 somente determinouse a análise dos documentos de fls. 1843 a 1914, bem como a contabilidade e as declarações, inclusive de compensação, do Contribuinte, referentes ao período colhido, a fim de se determinar se houve a comprovação de quitação (seja por pagamento ou compensação) de tais valores tidos originalmente como não recolhidos. A Recorrente afirma que já apresentou a documentação que possui e diante do fato de já ter se passado mais de 15 anos desde a sua apresentação não possui mais registros em seu poder, acrescentando que, através do eCAC, não é possível tal resgate de informações, dado o tempo transcorrido. Porém, afirma, desde as suas Respostas às intimações da diligência, que poderia a Autoridade Fiscal ter procedido à consulta interna, para a confirmação de tais compensações. Ainda que, realmente, não tenha havido a determinação de consulta a sistemas e registros da Receita Federal do Brasil na v. Resolução a quo proferido, sendo ônus do Contribuinte a apresentação de tal documentação, mesmo após tal período de tempo, uma vez que, para o convencimento deste Relator, antes da prolatação do seu voto de mérito, fazse necessária a realização de nova diligência, é possível, razoável e racional incluir tal nova determinação na presente decisão o que não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Por derradeiro, sobre a possibilidade de se designar outro Auditor Fiscal para a realização dos trabalhos atinentes à nova diligência, entende este Conselheiro que não possui tal competência, tratandose de tema exclusivamente atinente à organização interna da Receita Federal do Brasil (que não se confunde com este E. CARF ou o Ministério da Fazenda). Diante de todo o exposto, resolvese por determinar a realização de nova diligência, retornando aos autos à Unidade Local de Fiscalização, para que, observando o Parecer COSIT nº 2/2018: 1) Em relação à infração de Omissão de Receitas, considerando a alegação do Contribuinte, de que parte da diferença remanescente de R$ 5.839.513,14 devese a descontos, ainda que posteriores à emissão das notas fiscais, apenas recebendo valores muito inferiores àqueles expressos nas notas fiscais de venda: Fl. 2538DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.539 21 1.a) analise a documentação de fls. 1138 a 1170/1475 a 1735/2028 a 2326, a planilha de fls. 1921, os Livros Razão e Diário dos anoscalendário pertinentes, o teor explicativo da Manifestação da Contribuinte de fls. 2435 a 2513 (considerando os anexos não pagináveis), bem como quaisquer outras provas que julgar necessárias, podendo proceder a intimações e requerimentos, visando confirmar os valores realmente recebidos e escriturados por tais vendas; 1.b.) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados; 2.a) considerando a planilha de fls. 1923, verifique, na contabilidade disponível e demais declarações de tributos/registros fiscais de qualquer natureza, mantidos pelo Contribuinte no período colhido, especificamente em relação à incidência, recolhimento e compensação de PIS, COFINS e ICMS, se o valor declarado na Ficha 6A na DIPJ já contempla o montante de tais tributos, especificamente incidentes nas vendas de sucata sob análise (duplicidade) ou se tratase de outros tributos, de mesma natureza, que recaíram sobre outras operações; 2.b) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados. 3.a) Em relação às infrações e penalidades atinentes à Ausência de Recolhimento de Estimativas Anuais, sejam analisados os documentos de fls. 1843 a 1914, consultando os sistemas e registro da Receita Federal do Brasil que podem atestar a efetuação de compensação de tais débitos, a fim de se determinar se houve a comprovação de quitação de tais valores tidos como não recolhidos; 3.a) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados. 4) elaborar planilha com resumo explicativo da conclusões obtidas no Relatório, indicando eventuais reduções, cancelamentos ou manutenções de valores, apontado remissivamente para seu fundamento no corpo do referido documento elaborado. Como mencionado, deverá ser toda a diligência reduzida a Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, dandose ciência à Recorrente, com a Fl. 2539DF CARF MF Processo nº 10283.720983/200894 Resolução nº 1402000.762 S1C4T2 Fl. 2.540 22 abertura do devido prazo legal para nova Manifestação, antes do devido retorno dos autos para julgamento. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2540DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.916631/2011-87
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 42496.08868.301106.1.2.027496, em 30.11.2006, efls. 5567, utilizandose do saldo negativo de Imposto sobre a Renda da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 66 31 /2 01 1- 87 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.916631/201187 Acórdão n.º 1003000.307 S1C0T3 Fl. 119 2 Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$23.367,78 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real do 2º trimestre do anocalendário de 2006, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, efl. 44, cientificado a Recorrente em 17.10.2011, efl. 76, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO [...] RETENÇÕES FONTE [...] SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP [...] 42.796,95 [...] 42.796,95 CONFIRMADAS [...] 30.489,16 [...] 30.489,16 [...] Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN SRF 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1145.199, de 27.02.2014, efls. 8189: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. É reconhecido o direito creditório até o limite das retenções comprovadas. Carece de certeza e liquidez a parcela do crédito pleiteado utilizada para compor o saldo negativo da IRPJ que não teve sua retenção na fonte comprovada. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. A contribuição retida na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensada se o contribuinte possuir comprovante hábil da retenção em seu nome. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte [...] Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11080.916631/201187 Acórdão n.º 1003000.307 S1C0T3 Fl. 120 3 Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer, adicionalmente ao despacho, o direito creditório no montante de R$ 9.576,29. Notificada em 21.05.2014, efl. 95, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.06.2014, efls. 97115, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos expõe que: DA DECADÊNCIA Se extrai dos documentos já anexados, que se está diante de pedidos de compensação formulados no segundo trimestre de 2006, decididos e cientificados ao recorrente em 18 de outubro de 2011, ou seja, fora do prazo quinquenal previsto na Lei 9.430/96, [...] Há, portanto, decadência a atingir o pretenso crédito tributário em debate. DO MÉRITO A controvérsia cingese em torno dos comprovantes de retenção na fonte e demais documentos anexados na manifestação de inconformidade (Comprovantes de rendimentos, Notas fiscais e Livro Razão). A fundamentação invocada pelo Fisco para as glosas consistiu na não confirmação da retenção na fonte de várias das parcelas de composição do crédito informadas pela recorrente nas PER/DCOMP. O Fisco, no Acórdão que julgou a manifestação de inconformidade, opõese à possibilidade de comprovação das retenções na fonte por meio de documentação outra, que não DIRFs de recolhimento, manifestandose nestes termos: [...] Em diversas demandas que espelham situação idêntica a presente, ou seja, pedido de compensação de [IRPJ] e admissibilidade dos registros contábeis do prestador de serviços/recorrente, como meio de prova das retenções, têmse dado acolhimento à pretensão na via judicial. [...] Portanto, a exigência de que a empresa recorrente prove a retenção exclusivamente por meio de um documento, cuja produção cabe ao terceiro é no mínimo teratológica, contrária aos princípios mais elementares, norteadores da nossa Carta Maior. Evidente assim, tratarse de previsão não sistemática, porque proíbe a compensação do imposto/contribuição, legalmente hábil a compensar. Insofismável que o critério utilizado pelo Fisco revelase, não só, ato de intransigência, de medida extrema, como também, implica tratamento muito mais rigoroso para as empresas cumpridoras de suas obrigações ficais e tributárias, como a ora recorrente, prejudicadas por uma gama imensa de outras empresas que, por inúmeras razões, não logram uma administração fiscal bem sucedida e regular perante o Fisco. [...] Portanto, pelo retro asseverado, deve o Fisco, ante aos atuais posicionamentos jurisprudenciais, bem como pelo já declinado na manifestação de inconformidade, não limitar à utilização de outros documentos ou provas que não o Comprovante Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11080.916631/201187 Acórdão n.º 1003000.307 S1C0T3 Fl. 121 4 Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. E, com o devido acolhimento dos demais documentos (Notas fiscais e Livro Razão, etc), fazendose uma análise percuciente, bem como, com o cotejamento destes com a tabela elaborada, trazidos na manifestação de inconformidade, Vossas Excelências verão que o saldo de R$2.731,50 (R$12.307,79 R$9.576,29), deverá também ser reconhecido como direito creditório. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Ante ao todo exposto, a recorrente requer dignese Preclaro Julgador em julgar procedente o Recurso Voluntário para reconhecer a decadência e, se este não for o entendimento, que seja reconhecido o direito creditório postulado, comprovado através de outros documentos que não exclusivamente o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Per/DComp e revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11080.916631/201187 Acórdão n.º 1003000.307 S1C0T3 Fl. 122 5 suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas2. O de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que tem direito ao reconhecimento da decadência do direito de lançar. A objeção de decadência por ser matéria de ordem pública pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício e a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta dolosa qualificada pela sonegação, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial representativo da 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.916631/201187 Acórdão n.º 1003000.307 S1C0T3 Fl. 123 6 controvérsia nº 973.733/SC3, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4. No presente caso, tratase de exame de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) (art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996) e não de constituição de crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte, no contexto do trâmite do contencioso administrativo, ou seja, na fase litigiosa do procedimento, instaurada pela regular apresentação da manifestação de inconformidade, não tem aplicação as determinações do §4º do art. 150 e inciso I do art. 170 do Código Tributário Nacional (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A instauração na fase litigiosa no procedimento implementase plenamente as garantias do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório com a citação válida para o aperfeiçoamento da relação processual e com a observância de todos os requisitos legais que conferem existência, validade e eficácia ao ato administrativo. A partir da notificação, de acordo com as formalidades legais, o crédito tributário já existe não podendo se cogitar do transcurso da decadência. A contestação aduzida na peça recursal, por isso, não pode ser ratificada. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 5. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente 3 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://www.conjur.com.br/dl/relatoriovoto resp973733stjrecurso.pdf> .Acesso em: 26 nov. 2018. 4 Fundamentação Legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional. 5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.916631/201187 Acórdão n.º 1003000.307 S1C0T3 Fl. 124 7 da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais6. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal7. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza8. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). 6 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 8 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.916631/201187 Acórdão n.º 1003000.307 S1C0T3 Fl. 125 8 Em relação à dedução do valor de tributo retido na fonte, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente9. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período10. A legislação expressamente permite a dedução dos valores de IRRF são considerados, entre outros, como antecipações do IRPJ devido o código de arrecadação nº 1708 a título de remuneração de prestações de serviços efetuados por pessoas jurídicas (art. 52 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985), em cujo regime de tributação o imposto retido é deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual (art. 630 do Regulamento IRPJ). Ademais, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Sobre a alegação de que os débitos foram alcançados pela homologação tácita, temse que a Recorrente formalizou o Per/DComp nº 42496.08868.301106.1.2.027496, em 30.11.2006, efls. 5567 e foi cientificada do Despacho Decisório Eletrônico, efl. 44, em 17.10.2011, efl. 76, com as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido. Logo não se verifica o interregno no cinco anos entre a apresentação do Per/DComp e a notificação do Despacho Decisório. Na Análise das Parcelas de Crédito Imposto de Renda Retido na Fonte, e fls. 4549, estão discriminadas as parcelas confirmadas, confirmadas parcialmente e não confirmadas em conformidade com as informações constantes nos registros internos da RFB apresentadas pelas fontes pagadoras. A Recorrente procura demonstrar a tese de defesa 9 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 10 Fundamentação Legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.916631/201187 Acórdão n.º 1003000.307 S1C0T3 Fl. 126 9 apresentando planilha de lançamentos contábeis, Notas Fiscais e os Informes de Rendimentos efls. 1543. Estes documentos foram correta e devidamente considerados pela autoridade julgadora de primeira instância, que na apreciação dessas provas formou livremente sua convicção, conforme o regime de tributação previsto (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim, as alegadas diferenças apontadas pela Recorrente na peça recursal não foram demonstradas de modo que os fundamentos de fato e direito constantes no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1145.199, de 27.02.2014, efls. 8189, são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Nos termos do art. 170 do CTN, para que o sujeito passivo postule a restituição/compensação de tributos é necessário que seu direito seja líquido e certo. Assim é que, em se tratando de restituição ou compensação, é dever da Administração investigar a certeza e liquidez do crédito suplicado, independentemente de estar ele consignado em declaração apresentada pelo contribuinte. Assim, compete ao interessado na restituição/compensação, como se apresenta o presente pleito, fazer prova da efetiva apuração de saldo negativo do tributo, mediante comprovação de todas as parcelas que lhe deram origem, além de evidenciar sua efetiva disponibilidade para a aspirada utilização. No caso concreto, conforme se relatou, o saldo negativo do IRPJ informado no PER/DCOMP foi formado em sua quase totalidade por retenções na fonte desse tributo, no código 1708, num montante de R$ 42.796,95, tendo sido confirmado, no procedimento eletrônico de investigação dos atributos do crédito, apenas, um total de R$ 30.489,16, razão pela qual não se reconheceu, relativamente à parcela de R$ 12.307,79, a certeza e liquidez necessárias à pretendida compensação. Nesse procedimento eletrônico de reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação, a Receita Federal, através de uma seqüência contínua de operações, cruza dados dos diversos sistemas da RFB, informações prestadas através das diversas declarações do contribuinte ou de terceiros (DCOMP, DIPJ, DCTF, DIRF etc.), além das próprias retenções (Sistemas Sinal 04, 1RPE e SIEF Pagamentos), procedimento cuja participação da postulante é primordial, materializandose através da correção dos valores informados no PER/DCOMP e nos diversos sistemas envolvidos, além do atendimento às intimações, quando necessárias, no intuito de comprovar o pretendido direito. De acordo com a manifestante, a desconsideração da parcela acima não pode prosperar por se tratar de IRPJ retido na fonte pelas tomadoras do serviço, consoante comprovação nos autos através de Cartas de Rendimentos Pagos e/ou creditados (Comprovante de Rendimentos), Notas Fiscais e Livro Razão, cabendo a si utilizar os referidos créditos, pois já laborou, sofreu retenções e cumpriu com todos os seus deveres. Quanto à prova das retenções, há de observar legislação própria, [...]. Vêse, portanto, que a compensação do imposto/contribuição na fonte está condicionada à existência do respectivo comprovante de retenção, cujo modelo é aprovado mediante ato normativo baixado pela Administração Tributária. Logo, os demais documentos anexados pela defesa (Notas Fiscais e Livro Razão) não Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.916631/201187 Acórdão n.º 1003000.307 S1C0T3 Fl. 127 10 constituem comprovantes de retenção do imposto na fonte, nos termos da legislação de regência. Ademais, no que concerne à legislação dos elementos envolvidos na presente análise: Comprovantes de retenção, DIRF e DIPJ, de acordo com a Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, que instituiu a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e estabeleceu normas para a sua apresentação, A partir do anocalendário de 1999, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar a DIPJ, centralizada pela matriz. (Art. 2º), entendimento este seguido pela IN RFB nº 1.028, de 30 de abril de 20107, que revogou a primeira. Nesse mesmo diapasão, dispõe a legislação sobre a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, desde sua criação (IN SRF nº 3, de 2 de janeiro de 2001): [...] Quanto ao comprovante de retenção, a Instrução Normativa SRF n.º 119, de 28 de dezembro de 2000, ao aprovar o modelo de Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, relativo a rendimentos pagos ou creditados por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas, sujeitas à retenção na fonte, assim determinou: [...] Dessa forma, verificase que, no comprovante de retenção, deve constar, entre elementos, as informações relativas ao nome empresarial e ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) do estabelecimento matriz, tanto da fonte pagadora quanto da que prestou o serviço.Logo, informações dos comprovantes de rendimento relativas às filiais das empresas envolvidas serão consideradas como concernentes às matrizes. De acordo com a planilha de cálculo elaborada pelo próprio contribuinte foram observadas, em alguns situações a seguir transcritas, retenções de IRPJ na fonte de determinadas fontes pagadoras, informadas no PER/DCOMP, não consideradas no procedimento de análise do crédito, que resultou no despacho decisório em litígio, quando comparadas aos comprovantes de rendimentos anexados: CNPJ PROVA VALOR NO PER/DCOMP VALOR CONFIRMADO CARTA DE RENDIMENTO DIFERENÇA A SER CONSIDERADA 02.896.118/000175 FL.16 38,28 0,00 38,28 38,28 04.041.933/002121 FL.17 169,32 0,00 169,43 169,32 04.962.478/003330 FL.18 66,06 0,00 66,06 66,06 05.356.949/000304 FL.19 77,75 0,00 103,84 77,75 48.539.407/007635 FL.21 279,83 0,00 257,97 257,97 76.535.764/000224 FL.24 7.265,84 0,00 7.265,84 7.265,84 86.183.449/000662 FL.25 152,91 0,00 101,94 101,94 91.046.284/000293 FL.28 451,84 0,00 473,92 473,90 91.235.549/000463 FL.31, 33 e 34 1.069,59 0,00 1.107,63 1.069,59 92.741.990/000307 FL.36 56,79 0,00 18,93 18,93 93.365.690/000163 FL.41 41,76 0,00 41,76 41,76 93.859.403/000171 FL.42 64,95 0,00 64,95 64,95 TOTAL 9.576,29 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11080.916631/201187 Acórdão n.º 1003000.307 S1C0T3 Fl. 128 11 Quanto à não apresentação de documentos comprovadores destaco, em função do Princípio da Verdade Material, regulador do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235/72), além dos próprios comandos ali existentes, dos quais destaco o art. 16, que a manifestação de inconformidade deverá vir acompanhada com os elementos de prova que possuir, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. [...] O dispositivo acima, é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Esta formulação foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal, quanto ao contribuinte que contesta. Prevalecendo, sempre, no processo administrativotributário, a máxima ônus probandi incumbit ei qui dicit. Portanto, aquele que argúi direito em seu favor deverá demonstrar e provar esse direito, seja ele o sujeito ativo ou o sujeito passivo da relação jurídicotributária. Esclarecese, por fim, quanto à alegada prescrição dos débitos, que não é da competência dos órgãos da RFB ligados ao julgamento (DRJ e CARF) qualquer referência ao débito relativamente a sua cobrança – fase posterior ao julgamento. É da competência dos órgãos ligados ao julgamento apenas investigar os atributos do direito creditório (certeza e liquidez). Quanto à exigibilidade do débito cuja compensação não foi homologada, ela permanecerá suspensa no curso da discussão administrativa, à vista do que prescreve o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Logo, carecendo de certeza e liquidez a maior parcela do crédito pleiteado utilizada para compor o saldo negativo do IRPJ cuja retenção na fonte não ficou comprovada, não há como postular a sua restituição, em função do que dispõe o art. 170 do CTN 4. Ante o exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer, adicionalmente ao despacho, o direito creditório no montante de R$ 9.576,29. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade11. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.916631/201187 Acórdão n.º 1003000.307 S1C0T3 Fl. 129 12 Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.903181/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 81 /2 00 9- 52 Fl. 56DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10725.903155/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10725.903181/200952 Acórdão n.º 1402003.380 S1C4T2 Fl. 3 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 58DF CARF MF 4 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.353, de 15/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903155/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.353): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.903181/200952 Acórdão n.º 1402003.380 S1C4T2 Fl. 4 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado Fl. 60DF CARF MF 6 em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.903181/200952 Acórdão n.º 1402003.380 S1C4T2 Fl. 5 7 A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. Fl. 62DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001112/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 06/06/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA CONTRA PESSOA JURÍDICA EXTINTA. NULIDADE.
É nulo auto de infração lavrado contra pessoa jurídica já extinta. A sucessão se dá, no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão.
Extinta a pessoa jurídica, a fiscalização somente pode ser voltar contra o sucessor legal da empresa extinta.
Numero da decisão: 2402-006.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pinho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 06/06/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA CONTRA PESSOA JURÍDICA EXTINTA. NULIDADE. É nulo auto de infração lavrado contra pessoa jurídica já extinta. A sucessão se dá, no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Extinta a pessoa jurídica, a fiscalização somente pode ser voltar contra o sucessor legal da empresa extinta.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pinho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1492; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 186 185 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.001112/200871 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.581 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de setembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COMERCIALIZADORA BRASILEIRA DE ENERGIA EMERGENCIAL CBEE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 06/06/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA CONTRA PESSOA JURÍDICA EXTINTA. NULIDADE. É nulo auto de infração lavrado contra pessoa jurídica já extinta. A sucessão se dá, no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Extinta a pessoa jurídica, a fiscalização somente pode ser voltar contra o sucessor legal da empresa extinta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pinho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 12 /2 00 8- 71 Fl. 186DF CARF MF Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vicepresidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0334.411, da 5ª Turma da DRJ de Brasília (fls. 85/90), que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração DEBCAB nº 37.147.8391. Relata a autoridade fiscal que a CBEE é uma empresa pública, cuja criação foi autorizada pela Medida Provisória n° 2.209, de 29/08/2001, em que ficou definido que a empresa extinguirseia aos 30/06/2006. Informa que o Decreto nº 5.826/2006 dispõe sobre o processo de inventariança da CBEE e trata da transferência de direitos e obrigações/dívidas da empresa para a União, e que por meio do Decreto n° 6.191/2007, ficou designado o Ministério de Minas e Energia como responsável para atender à fiscalização, conforme disposto em seu art. 4º. De acordo com o relatório fiscal, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, por ter infringido o art. 32, IV e §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/90, c.c. o art. 225, IV, § 4º do Decreto nº 3.048/99, ao declarar nas Guias de Recolhimento e Informações à Previdência Social — GFIP seus diretores na categoria 05 Contribuinte Individual, Diretor não Empregado nas competências de 01 a 03 e 05/2003. Ainda em 02/2003, a empresa declarou em GFIP dois de seus diretores como categoria 04 empregado sob contrato de trabalho por prazo determinado (Lei n° 9.601/98), o que demonstra a indefinição da empresa, até então, em relação ao vínculo dos diretores da CBEE. Ressalta que, a partir de 04/2003 até 03/2006, a CBEE passou a informar, em GFIP, os diretores como categoria 01 Empregados e deu tratamento remuneratório e tributário corno se empregados fossem, demonstrando seu entendimento em relação ao vínculo entre os diretores e a empresa. Foi aplicada multa no valor de R$ 439,21 (quatrocentos e trinta e nove reais e vinte e um centavos), nos termos do art. 32, IV e § 6°, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.528/97, c.c. o art. 284, III, e 373 do Decreto nº 3.048/99. Não foram verificadas circunstancias agravantes nem atenuantes. Em sua impugnação, apresentada aos 15/12/08, a UNIÃO FEDERAL, sucessora legal da autuada, por intermédio do Ministério das Minas e Energia, órgão ao qual foi atribuída competência para “atender e providenciar as informações necessárias à fiscalização previdenciária em andamento na documentação da extinta CBEE” (art. 4º, IV do Decreto nº 6.191, de 20 de agosto de 2007), alega, em síntese: legitimidade da União Federal para apresentação de impugnação, na qualidade de sucessora da extinta CBEE, nos termos do art. 23 da Lei nº 8.029/90 e do Decreto nº 3.900, de 29 de agosto de 2001, por intermédio do Ministério das Minas e Energia, órgão ao qual foi atribuída competência para representála nas questões afetas à fiscalização previdenciária envolvendo aquela empresa, que deram origem ao presente auto de infração, nos termos do art. 4º, IV do Decreto nº 6.191, de 20 de agosto de 2007; Fl. 187DF CARF MF nulidade do auto de infração, uma vez que a CBEE foi criada com período de duração prédeterminado, tendo sido extinta aos 30/06/2006, pelo que não mais existe e é destituída de personalidade jurídica e sem capacidade para receber intimações, notificações ou responder por qualquer infração. Os direitos e obrigações da empresa extinta foram transferidos à União Federal, por força do que dispõe o art. 23 da Lei nº 8.029/90 c.c. o art. 2.209/01 e 3º do Decreto nº 5.829/06. Assim, o presente auto de infração é nulo de pleno direito, uma vez que lavrado com vício de forma, indicando sujeito passivo desprovido de personalidade jurídica, ao invés de seu sucessor, no caso, a União Federal; em função do AI ter sido lavrado erroneamente contra empresa já extinta, a recorrente argumenta que teve seu direito de defesa cerceado, na medida em que os servidores do Ministério de Minas e Energia, por não constarem como representantes legais da CBEE junto à RFB, tiveram negado, por diversas vezes, o acesso a documentos e informações relacionados à empresa junto àquele órgão; que, compulsando a documentação da extinta CBEE, a área técnica do Ministério de Minas e Energia não obteve êxito em justificar o descumprimento de obrigações acessórias que constituíram objeto de parte da autuação em comento; que procurou sanar as falhas verificadas com relação à ausência de informações e incorreções na GFIP, consignando a enorme dificuldade para tanto uma vez que a CBEE não possui mais sistemas ativos; que no tocante à suposta incorreção na classificação dos diretores da extinta empresa na GFIP como contribuintes individuais, em vez de empregados, e a consequente ausência de recolhimentos decorrentes dessa informação equivocada, embora a CBEE os tenha classificado, no período de abril/2003 a março /2006 como empregados, eles nunca foram empregados da empresa; ao contrário, pertenciam ao órgão de direção da entidade e, destarte, não estavam presentes os requisitos necessários à relação de emprego, principalmente a subordinação jurídica. No caso em tela, os diretores não se sujeitavam a ordens superiores, nem a horário de trabalho prédeterminado e as normas citadas, relacionadas às diretrizes estabelecidas pelo Conselho de Administração, não demonstram subordinação jurídica entre os diretores e aquele órgão colegiado; que no tocante às contribuições supostamente não recolhidas referentes às parcelas dos segurados exconselheiros e a sua consequente informação na GFIP, elas não foram recolhidas porque não eram devidas, sendo que a que foi considerada devida, caso do único conselheiro que mantinha concomitantemente atividade junto à CBEE e vínculo de natureza privada, foi recolhida de forma regular; que, com relação à classificação incorreta na GFIP dos dois diretores cedidos, não má fé, mas por equívoco da Caixa Econômica Federal, que não realizou a correção do código após a consulta n°37284.000817/200571 feita à RFB/MPS. por fim, requer seja declarada a nulidade dos AIs e o conseqüente cancelamento dos débitos nele apontados. Caso não seja reconhecida a ausência das infrações apontadas, requer a aplicação da multa mais benéfica nos termos da MP 449/08. A DRJ em Brasília julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário integralmente, em julgado assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 188DF CARF MF Período de apuração: 01/01/2003 a 06/06/2006 AIOA DEBCAD n.° 37.147.8391 (69) OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Apresentar a empresa GFIP com informação incorreta, em campo não relacionado a fatos geradores de contribuições sociais. tipifica infração, por descumprimento de obrigação acessória, ensejando aplicação de penalidade. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária não definitivamente julgado, aplicase a lei superveniente, na ocorrência do pagamento, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada dessa decisão aos 25/02/2010 (fls. 132), a UNIÃO FEDERAL, por meio do Ministério das Minas e Energia, interpôs recurso voluntário tempestivamente, aos 24/03/2010 (fls. 133/149), reafirmando os argumentos já apresentados na impugnação, acima transcritos, e acrescentando, ainda, os seguintes: que por meio da Solução de Consulta nº 122 – SRRF/1ºRF/Disit, de 14/07/09, própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece, expressamente, que “a CBEE deixou de possuir personalidade jurídica desde 30 de junho de 2006, tendo sido incorporada à União, na qualidade de sucessora de seus direitos e obrigações (...)”. Conclui, portanto, que a própria Secretaria da Receita Federal reconhece a extinção da personalidade jurídica da extinta CBEE por força de disposição legal, argumentos constantes de suas impugnações apresentadas perante aquele mesmo órgão e que foram rechaçadas na decisão recorrida por fundamento diametralmente oposto ao exposto na solução de consulta em tela, atuação esta contraditória da RFB, que implica em insegurança jurídica para a União Federal e que compete a este Conselho solucionar; e que a União Federal, na qualidade de sucessora da extinta CBEE, seria a responsável pelo recolhimento dos valores constantes do auto de infração impugnado. Todavia, é, também, a credora desses mesmos valores, havendo, dessa forma, nítida confusão, instituto previsto no art. 381 do Código Civil, que é causa de extinção das obrigações. Nesse passo, esclarece está em curso desde 27/09/10 o procedimento conciliatório nº 00400.010485/2008 66, em trâmite perante a Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Pública Federal, que tem por objeto justamente os créditos tributários objeto do presente auto de infração, bem como dos demais, resultantes da mesma ação fiscalizatória, conforme se verifica da Nota Técnica nº 15 – Disit01, de 08/10/2010 (fls. 202). Naquele procedimento, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2061/2009 (fls. 1289/1297), de 29/10/2009, a PGFN se manifestou a respeito da aplicação, ao presente caso, “do Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008, no sentido da extinção do crédito tributário em decorrência de confusão”. Informa, ainda, que a Portaria PGFN nº 1.382, de 20 de outubro de 2009, aprovou o Plano de Trabalho de Depuração da Dívida Ativa que, dentre os 09 grupos de trabalho constituídos, o de nº 01 tem listadas, entre suas ações, a de “realizar o levantamento das empresas estatais extintas cujas obrigações foram assumidas pela União, com o objetivo de apurar a existência de confusão entre credor e devedor.” Assim, argumenta que não há motivos plausíveis para a manutenção do presente auto de infração, devendo ser garantida a eficiência que deve nortear a atuação da Administração. Fl. 189DF CARF MF Requer, finalmente, que o recurso seja conhecido e provido, para que seja declarada a nulidade do auto de infração, diante da existência de vício insanável em sua expedição em desfavor de empresa extinta, que não possui personalidade jurídica para responder pelos débitos apontados; sucessivamente, que seja reconhecida a ausência das infrações apontadas no auto de infração, com o cancelamento dos respectivos débitos, pelas razões expostas; ou, ainda, a aplicação a multa menos gravosa. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. PRELIMINAR – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO a) AI lavrado contra empresa extinta, destituída de personalidade jurídica A recorrente alega nulidade insanável do auto de infração, uma vez que teria sido lavrado contra a CBEE quando essa empresa já houvera sido extinta. A Companhia Brasileira de Energia Emergencial é uma empresa pública que, nos termos do art. 37, XIX da CF, teve sua criação autorizada pela Medida Provisória de nº 2.209, de 29 de agosto de 2001, instrumento este que também previu a data de sua extinção em seu art. 3º, nos seguintes termos: “Art. 3º A CBEE extinguirseá em 30 de junho de 2006, observado o disposto no art. 23 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990.” Por meio do Decreto nº 3.900, de 29 de agosto de 2001, a CBEE foi, então, criada e aprovado o seu estatuto, que igualmente dispôs, em seu art. 4°, sobre a extinção da empresa aos 30 de junho de 2006, conforme abaixo: Decreto 3.900, de 29 de agosto de 2001: “O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, incisos IV e VI, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.209, de 29 de agosto de 2001, DECRETA: Art. 1º Fica criada a Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial CBEE, empresa pública federal, vinculada ao Ministério de Minas e Energia. (...)”. (destaques originais) Estatuto Social da CBEE: Fl. 190DF CARF MF “(...) Art. 4º A CBEE extinguirseá em 30 de junho de 2006, observado o disposto no art. 23 da Lei n° 8.029, de 12 de abril de 1990. (...)”. (destacamos) O art. 23 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, a que fazem alusão tanto os arts. 4º do Estatuto Social da Empresa quanto o art. 3º da Medida Provisória 2.209/01, que autorizou a sua criação, dispõe: Art. 23. A União sucederá a entidade, que venha a ser extinta ou dissolvida, nos seus direitos e obrigações decorrentes de norma legal, ato administrativo ou contrato, bem assim nas demais obrigações pecuniárias. § 1° O Poder Executivo disporá, em decreto, a respeito da execução dos contratos em vigor, celebrados pelas entidades a que se refere este artigo, podendo, inclusive, por motivo de interesse público, declarar a sua suspensão ou rescisão. O art. 26 da mesma lei, por sua vez, dispõe o seguinte: Art. 26. São cancelados os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, de responsabilidade das entidades que vierem a ser extintas ou dissolvidas em virtude do disposto nesta lei. Nesse contexto, o Decreto nº 5.826, de 20 de julho de 2006, trata do processo de Inventariança da Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial, e estabelece, em seu art. 1º, que compete ao Ministério de Minas e Energia a coordenação e a supervisão dos procedimentos administrativos relativos ao inventário dos bens, direitos e obrigações da extinta CBEE. O art. 3º do aludido Decreto determina que “os direitos e obrigações atribuídos à extinta CBEE ficam transferidos para a União, nos termos do art. 23 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990” e seu art. 6º, que “a transferência de dívidas oriundas da extinta CBEE à Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda será realizada na forma do Decreto nº 1.647 de 28 de setembro de 1995”, cujo art. 1º, “caput”, estabelece que “fica autorizado o Ministério da Fazenda a negociar as obrigações vencidas e vicendas, decorrentes de norma legal ou ato, inclusive contrato, das entidades que tenham a assunção de suas obrigações, pela União, autorizada por lei”. Por fim, o Decreto nº 6.191, de 20 de agosto de 2007, dispõe sobre a conclusão dos trabalhos da Inventariança da extinta CBEE e determina, em seu art. 4º, IV: “Art. 4o Cabe ao Ministério de Minas e Energia: (...) IV atender e providenciar as informações necessárias à execução do processo de fiscalização previdenciária em andamento na documentação da extinta CBEE; (...)”. De acordo com os dispositivos legais e normativos supratranscritos, notadamente o art. 3º da Medida Provisória nº 2.209/01, verificase que, de fato, a CBEE extinguiuse, por determinação legal, aos 30 de junho de 2006. Fl. 191DF CARF MF Notese que esse instrumento que, atendendo a exigência constitucional, autorizou a criação da empresa pública, também previu expressamente a sua futura extinção naquela mencionada data, mediante do uso da forma verbal “extinguirseá”, expressão peremptória, que não deixa nenhuma margem a dúvida em relação a esse fato. Pois bem. A respeito do início da existência da pessoa jurídica, ensina a doutrina: “Enquanto a pessoa natural, em razão de sua estrutura biopsicológica, tem o início da sua personalidade com o nascimento com vida (CC, art. 2º), a pessoa jurídica terá o início de sua personalidade conferido pelo ordenamento jurídico. Se se trata de pessoa jurídica de direito público, a personalidade é conferida pela norma jurídica (em sentido amplo). De outro prisma, em se tratando de pessoa jurídica de direito privado (dependendo, por conseguinte, da vontade humana), será o registro do seu ato constitutivo no órgão competente que lhe conferirá personalidade jurídica. Nessa esteira, o art. 45 do Estatuto Civil é de clareza meridiana ao proclamar que “começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro.” (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. CURSO DE DIREITO CIVIL 1 E LINDB. São Paulo: Atlas, 2015, p. 358359). Quanto ao término da existência da pessoa jurídica de direito privado, ensina nos a doutrina que pode se dar por diferentes razões, quais sejam: “01) Pela dissolução deliberada de seus membros, por unanimidade e mediante distrato, ressalvados os direitos de terceiros e da minoria; 02) Quando for determinado por lei; 03) Em decorrência de ato governamental; 04) No caso de termo extintivo ou decurso de prazo; 05) Por dissolução parcial, havendo falta de pluralidade de sócios (NCPC 599 a 609); e 06) Por dissolução judicial." (TARTUCE, Flávio. Manual de Direito Civil. Volume único. São Paulo: Método, 2017, p. 177) E prossegue chamando a atenção para o fato de que: “Não se pode esquecer que a extinção da pessoa jurídica não se opera de modo instantâneo. Como bem ensina Maria Helena Diniz, qualquer que seja o fato extintivo, temse o fim da entidade; porém, se houver bens de seu patrimônio e dívidas a resgatar, ela continuará em fase de liquidação, durante a qual subsiste para a realização do ativo e pagamento de débitos. Encerrada a liquidação promoverseá o cancelamento da pessoa jurídica. Regras nesse sentido constam do art. 51 do CC”. (Idem) (destacamos) Pois bem. Considerando que o auto de infração foi lavrado aos 05 de novembro de 2008, realmente, conforme o acima exposto, essa providência se deu em face de pessoa jurídica extinta, uma vez que conforme determinado pelo art. 3º da MP nº 2.209/01, a CBEE extinguirseá aos 30/06/06. Fl. 192DF CARF MF Mesmo que tenhamos em mente a ressalva constante do trecho acima reproduzido, no sentido que de que havendo bens do patrimônio da empresa e dívidas a resgatar, ela continuará em fase de liquidação, atentese para o fato de que quando da autuação, a empresa já havia sido sucedida pela União Federal e já se encontrava em processo de inventariança, devidamente representado o seu sucessor nesse processo, em tudo semelhante à liquidação à que alude o excerto doutrinário, pelo Ministério das Minas e Energia, conforme art. 1º do Decreto nº 5.826/06. Notese que esse fato não era desconhecido da fiscalização, uma vez que todos os instrumentos normativos acima citados foram juntados aos autos pela própria autoridade fiscal (fls. 18/34) que, inclusive, fez, no relatório da fiscalização (fls. 86/97), um histórico da sequência de todos os acontecimentos envolvendo a criação e a extinção da CBEE na data mencionada, a sua sucessão pela União Federal, com a assunção de seu ativo e passivo por essa pessoa jurídica de direito público interno, conforme determinado pelo art. 23 da Lei nº 8.029/90, seu processo de inventariança, a representação da União Federal nas demandas de interesse da extinta CBEE pelo Ministério das Minas e Energia etc. Nesse contexto, causa espécie a autuação da CBEE quando essa mesma empresa já houvera sido extinta há mais de 2 anos e sucedida pela União Federal, com procedimento de inventário instaurado e normativamente regulado. A propósito da responsabilidade dos sucessores no Direito Tributário, Luciano Amaro esclarece que; “A sucessão se dá no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Se se trata de obrigação cujo cumprimento independe de providência do sujeito ativo, cabe a sucessor adimplila, nos termos da lei. Se depende de providência do sujeito ativo (lançamento), já tomada, competelhe também satisfazer o direito do credor. Se falta essa providência, cabelhe aguardar e efetuar o pagamento, do mesmo modo que faria o sucedido”. (in Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 320). Diante do exposto, temse que o único procedimento técnica e juridicamente correto seria se voltar a fiscalização contra o sucessor legal da empresa extinta, o que, no presente caso, entendemos que tampouco seria possível por se tratar o sucessor da União Federal. Com efeito, a admitirse hipótese que tal, estarseia diante da União, por intermédio da Receita Federal do Brasil, autuando a própria União visando à constituição e cobrança de crédito tributário, o que, convenhamos, não tem sentido algum. A par de todos esses fatos, a r. decisão recorrida entendeu que a preliminar de ilegitimidade passiva da CBEE não pode prosperar, pois no entendimento da r. relatora, conforme Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral constante do sítio da RFB, o CNPJ da empresa continua ativo. Ademais, entendeu que o documento comprobatório de regularidade do contribuinte perante a Previdência Social, inclusive de baixa da empresa, é a Certidão Negativa de Débito CND, e que só após a expedição desse documento é que a empresa terá o seu CNPJ encerrado, o que não é o caso dos autos, devendo, portanto, continuar respondendo por qualquer débito ou infração até o encerramento da pessoa jurídica. Entendemos que não lhe assiste razão. Com efeito, como já expusemos, a CBEE foi extinta por determinação legal aos 30 de junho de 2006 e, também por determinação legal, qual seja o art. 23 da Lei nº 8.029/90, foi sucedida pela União Federal, tratandose, pois, esse ente público do legitimado para responder pelo seu passivo a partir de então. Fl. 193DF CARF MF E conforme disciplinado no art. 45 do Código Civil, a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado tem início com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, qual seja, o Registro Civil das Pessoas Jurídicas. A inscrição no CNPJ, conforme art. 2º, “caput”, da IN/RFB nº 1634/2006, “compreende as informações cadastrais das entidades de interesse das administrações tributárias da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios”. Ou seja, tanto nos termos da lei civil, como da própria IN em comento, não tem nenhuma relação com a existência da pessoa jurídica. Assim, o fato de a empresa ainda possuir CNPJ ativo não a torna parte legítima para responder pelo crédito tributário se já havia sido extinta e sucedida por outra pessoa jurídica. Salientese que um dos documentos juntados pela recorrente com o recurso voluntário, a Solução de Consulta nº 122 SRRF/1 RF/Disit, de 14 de julho de 2009 (fls. 1260/1276), nos dá conta de que aos 30 de junho de 2006, a CBEE protocolizou pedido de baixa do seu CNPJ junto à RFB por intermédio do Documento Básico de Entrada do CNPJ – DBE e, desde então, vem tomando as providências necessárias para o encerramento de sua inscrição, que não havia sido efetivada até a data do encerramento do processo de inventário da empresa, nem da aprovação da Solução de Consulta em questão. Cumpre mencionar, por fim, que como argumenta o recorrente em seu recurso, conforme consta desse mesmo documento, a extinção da personalidade jurídica da CBEE é ali reconhecida pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil nos seguintes termos (fls. 1255): “17. Conforme sobejamente comprovado nos parágrafos anteriores, a existência da pessoa jurídica CBEE extinguiuse em 30 de junho de 2006, por determinação expressa do art. 3° da Medida Provisória n° 2.209, de 2001. Em conseqüência, foi formalizado pedido de baixa da pessoa jurídica no CNPJ, pendente de apreciação perante a RFB. Embora a CBEE tenha deixado de existir, no plano jurídico, continua a figurar no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, fazendo jus a situação cadastral denominada "suspensa". Registrese que a ausência da baixa da pessoa jurídica, no CNPJ, em nada modifica sua condição jurídica de empresa extinta e sucedida pela União, qualificações estas que decorrem, imediatamente, de comando legal.” (Destacamos) Desse modo, entendemos que, realmente, o presente auto de infração padece de nulidade insanável, que deve ser reconhecida por este colegiado. b) Impossibilidade de constituição/cobrança do débito em face do sucessor – confusão A União Federal, na qualidade de sucessora legal da extinta CBEE, é a responsável pelos débitos constantes do presente auto de infração. Todavia, é também, ao mesmo tempo, a credora desses mesmos valores, operandose, dessa forma, o fenômeno da confusão, causa de extinção das obrigações, conforme previsão do art. 381 do Código Civil: Art. 381. Extinguese a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor. O recorrente esclarece em seu recurso voluntário que está em curso desde 27/09/10 o procedimento conciliatório nº 00400.010485/200866, em trâmite perante a Fl. 194DF CARF MF Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Pública Federal, que tem por objeto justamente os créditos tributários objeto do presente auto de infração, bem como dos demais, resultantes da mesma ação fiscalizatória, conforme se verifica da Nota Técnica nº 15 Disit01, de 08/10/2010 (fls. 202). Naquele procedimento conciliatório, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2061/2009, de 29/10/2009 (fls. 1289/1297), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional se manifestou expressamente a respeito da aplicação, ao caso, do Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008, no sentido da extinção do crédito tributário discutido no presente processo em decorrência de confusão, nos seguintes termos: “(...) 22. Na verdade, o problema posto no primeiro questionamento se identifica com o caso examinado pelo Parecer PGFN/PGA N° 1336/2008, senão, vejamos: “2. Tais hipóteses, embora raras, podem ocorrer, como se tem verificado. Exemplos disso residem em empresas públicas ou sociedades de economia mista que são extintas e, por determinação legal, são sucedidas no seu passivo, inclusive o tributário, pela União. Recentemente, podese citar o caso da Rede Ferroviária Federal S/A RFFSA, cuja liquidação e extinção foi determinada pela Medida Provisória n° 353, de 22/01/2007, atual Lei n° 11.483, de 31/05/2007, no bojo da qual se estabeleceu a sucessão pela União daquela sociedade de economia mista. 3. Mais freqüentes são os casos que decorrem da cobrança das contribuições previdenciárias em face da União que era feita inicialmente pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, atualmente sucedido pela União, nos termos da Lei n° 11.457, de 16/03/2007. 4. Inquestionavelmente nessas hipóteses em que a União é credora e devedora do mesmo crédito, quase que invariavelmente por causas subseqüentes, estáse diante daquilo que o Código Civil denomina de confusão (arts. 381 e 384). Eis o tratamento dado por aquele Diploma: "Art. 381. Extinguese a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e devedor. Art. 382. A confusão pode verificarse a respeito de toda a dívida, ou só de parte dela. Art. 383. A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a obrigação até a concorrência da respectiva parte no crédito, ou na divida, subsistindo quanto ao mais a solidariedade. Art. 384. Cessando a confusão, para logo se restabelece, com todos os seus acessórios, a obrigação anterior" 5. O efeito da confusão, como se verifica da leitura dos artigos acima transcritos é a extinção do crédito. Daí a indagação: o mesmo ocorre com o crédito tributário? 6. A resposta parece ser positiva, afinal, qual a razoabilidade da União fazer o pagamento de um determinado crédito para si própria? Imaginese se esse crédito decorre de uma decisão judicial, a qual somente pode ser cumprida com a expedição de um precatório, nos termos do art. 100 da CR/88. Terseia a União movimentando toda a sua estrutura, seja no Poder Executivo, seja no Poder Judiciário, para expedir um precatório em nome próprio. Nada mais sem sentido e contrário ao princípio constitucional da eficiência que rege a Administração Pública. Fl. 195DF CARF MF 10. Dessa forma, há segurança em afirmarse que a confusão é hipótese de extinção do crédito tributário e caberá à administração tributária dar consequências a essa conclusão, (i) seja no âmbito da dívida ativa da União, com a adoção dos atos administrativos competentes para a extinção do crédito ali inscrito; (ii) seja no âmbito judicial, com a extinção das execuções fiscais e ações de defesa em decorrência providência contida no item anterior. (...)”. 23. A leitura do Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008 revela a afinidade entre as matérias. Em ambos os casos, houve sucessão legal de débitos, de modo a tornar a União Federal credora e devedora da mesma relação jurídicotributária. Forçoso reconhecer, a essa altura, a existência de confusão nos processos administrativos fiscais em curso, apta a ensejar a extinção dos mesmos. 24. Corroborando esse entendimento, a Lei n° 8.029, de 1990, aplica os mesmos efeitos da confusão à sucessão das entidades públicas cuja extinção regulou, nos termos do seu art. 26: “Art. 26. São cancelados os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, de responsabilidade das entidades que vierem a ser extintas ou dissolvidas em virtude do disposto nesta lei.” 25. Em suma, é de se responder afirmativamente à primeira indagação, quanto à aplicabilidade, à hipótese em epígrafe, do desfecho proposto no Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008.” (destacamos) À luz do direito vigente e aplicável à espécie, bem como da manifestação da PGFN, acima transcrita, temos que se por hipótese a CBEE ainda não houvesse sido extinta por ocasião da lavratura do auto de infração (o que, conforme expusemos no item anterior, não é o caso), ainda assim, o crédito tributário daí resultante seria extinto em decorrência da confusão por ser a União Federal a sucessora legal da empresa e, também, a credora do tributo em questão. Essa realidade leva, em consequência, também à nulidade insanável do auto de infração pela impossibilidade de constituição do crédito em face do sucessor da CBEE, visto se tratar da União Federal, uma vez que se confundem, na mesma pessoa jurídica, credor e devedor do tributo que se visa cobrar. Vejase que o recorrente trouxe aos autos o Parecer PGFN/CAT/nº 1315/2009, no qual a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional faz referência a outro parecer, qual seja o Parecer PGFN/CAT/N° 375/2009 (fls. 1283), que versava sobre lançamentos de contribuições previdenciárias contra órgão federal, mais especificamente, contra o Tribunal Regional Eleitoral do Estado da Bahia. Neste último parecer, o ProcuradorChefe da Procuradoria da União na Bahia concluiu pela inviabilidade de autuação de órgãos públicos, uma vez que desprovidos de personalidade jurídica própria e, consequentemente, de titularizar direitos e obrigações. Assim, segundo o Parecer PGFN/CAT/nº 1315/2009: 24. Quanto ao caso em deslinde, resguardado melhor juízo, entendese como desnecessária a instauração de CCAF para a solução da controvérsia. A uma, porque já existe o entendimento da PGFN acerca da impossibilidade de autuação de órgão público pela SRF13. A duas, porque se a autuação deveria recair sobre ente dotado de personalidade jurídica, tal ente seria a União, já que o TRE/BA é órgão integrante do Poder Judiciário da União e, nesse cenário, haveria a configuração Fl. 196DF CARF MF da confusão, uma das formas de extinção do crédito tributário, nos moldes preconizados no Parecer PGFN/PGA/N° 1336/2008. (...).” O Parecer PGFN/CAT nº 2061/2009 também faz referência ao Parecer PGFN/CAT nº 152/2009, que trata de hipótese semelhante à versada no parecer acima, relativamente, todavia, à cobrança de créditos previdenciários em face de outro órgão federal, qual seja o Tribunal Regional Federal de São Paulo. Neste último parecer, a PGFN foi enfática no sentido da inviabilidade de autuação da União pela própria União: “23. Para que houvesse viabilidade jurídica da autuação em voga, considerando que o TRE/SP não é detentor de personalidade jurídica própria, a medida deveria recair sobre o ente dotado de personalidade jurídica, no caso, a União. Como o referido Tribunal é órgão integrante do Poder Judiciário da União, estamos diante de uma situação em que a União, em sua função executiva, autua a União, em sua função judicial. É a União autuando a própria União, o que parece desprovido de lógica e razoabilidade. 24. Mesmo que se chegasse à conclusão da viabilidade da autuação, parecenos que poderia existir confusão nos pólos ativo e passivo de eventual ação judicial a ser promovida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o que levaria, fatalmente, à extinção do crédito tributário. (...).”(grifamos) Notese que o que se discute nos pareceres em questão é de quem se deve exigir o pagamento do crédito tributário, concluindo a PGFN (a nosso ver, acertadamente) que o lançamento deve ocorrer não no órgão responsável pela infração, já que destituído de personalidade jurídica, mas na pessoa jurídica de Direito Público do qual faz parte, ressalvando que não se poderá efetivar a cobrança do próprio ente titular do direito para tanto competente em razão da existência de confusão. No caso tratado nos presentes autos, a CBEE, embora não se tratasse de órgão público, mas de empresa pública, já havia sido extinta ao tempo da lavratura do auto de infração. Daí a necessidade da autuação ter ocorrido na pessoa do seu sucessor, o que, no caso, é inviável, por conta da confusão, segundo entendimento manifestado pela própria PGFN nos pareceres acima mencionados, porque o seu sucessor legal, ente titular do crédito, é também o responsável pela sua cobrança. Por fim, oportuno, nesta oportunidade, lembrar do mandamento inserto no art. 373 do NCPC, segundo o qual “o juiz apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na decisão as razões da formação do seu convencimento”. Tratase do “princípio do livre convencimento motivado”, a cujo respeito nos ensina Nelson Nery Junior: “3. Livre convencimento motivado. O juiz é soberano na análise das provas produzidas nos autos. Deve decidir de acordo com o seu convencimento, mas sempre vinculado à prova dos autos. Decisão sem fundamentação é nula pleno iure (CF 93 IX). O sistema não se contenta com o fundamento meramente formal, pois e exige que o juiz dê fundamentos substanciais indicadores do seu convencimento. (...)” (destacamos) (NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Fl. 197DF CARF MF Comentários ao Código de Processo Civil. Novo CPC – Lei 13.105/2015. São Paulo: RT, 2015, p. 992) Por todo o exposto, entendemos, também pelas razões acima, que o auto de infração é nulo de pleno direito e assim deve ser reconhecido, uma vez que o crédito tributário não poderia (nem poderá) ser constituído em face do sucessor legal da CBEE, tendo em vista se tratar da União Federal. c) Cerceamento de defesa A recorrente alega, ainda, que haveria nulidade do auto de infração por ter tido seu direito de defesa cerceado em decorrência de ter sido lavrado contra sujeito passivo desprovido de personalidade jurídica, ao invés do seu legítimo sucessor. Argumenta que em função disso, os servidores do Ministério de Minas e Energia, por não constarem como representantes legais da empresa extinta junto à RFB, tiveram negado, por diversas vezes, o acesso a documentos e informações relacionados à CBEE junto àquele órgão, inclusive para a obtenção de guias de pagamento de valores de tributos considerados devidos. Afirma que essas dificuldades caracterizam afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa, assegurados no art. 5º, LV da CF, o que constitui nulidade insanável, que deve ser reconhecida. Sobre este ponto, entendemos que não tem razão o recorrente. Embora não discordemos do fato de que seus procuradores possam, realmente, ter enfrentado embaraços no que diz respeito à obtenção de documentos e guias junto a Receita Federal do Brasil, fato é que isso não impediu o regular exercício do direito de defesa por parte do ente público. De acordo com o art. 277, do CPC, “quando a lei prescrever determinada forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade”. Tratase do “princípio da instrumentalidade das formas” que, como nos ensinam Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, “na contraposição entre forma do ato e o objetivo a ser alcançado, o direito processual prefere o segundo. Em razão disso se desenvolveu a ideia de sobredireito processual, criado para minimizar as consequências do descumprimento da técnica processual, interpretandose as regras sobre validade do instrumento e condições de admissibilidade do julgamento de mérito de acordo com o fim visado pela formalidade em si e pelo próprio processo como um todo” (Idem, p. 822). No mesmo sentido: (...) A relevância da formas no processo se limita a que garantam que certos objetivos sejam cumpridos. Formas são “garantias, sob certo aspecto. Cumprida a finalidade do ato, passa a ser irrelevante ter o não ter sido observada a forma prescrita em lei. (...)” (WAMBIER, Tereza Arruda Alvim; CONCEIÇÃO, Maria Lúcia Lins; RIBEIRO, Leonardo Ferres da Silva; MELLO, Rogério Licastro Torres de. Primeiros Comentários ao Novo Código de Processo Civil. São Paulo: RT, 2015, p. 460) Entendemos, desse modo, que não há falar em nulidade, uma vez que não houve prejuízo ao exercício do direito de defesa por parte do recorrente no presente caso concreto. Fl. 198DF CARF MF MÉRITO Em sua impugnação, a recorrente reproduz os argumentos de mérito trazidos em sua defesa nos autos de infração das obrigações principais conexos, objetivando, com isso, afastar a incidência da penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória. Todavia, entendemos que o que o Código Tributário Nacional chama impropriamente de “obrigações acessórias” se trata, em verdade, de deveres instrumentais impostos por lei no interesse do Fisco objetivando viabilizar a fiscalização do recolhimento dos tributos. Nessa linha, a obrigação dita acessória independe da efetiva existência da obrigação principal. Nesse sentido, ensina o professor Luciano Amaro1: “A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. As obrigações tributárias acessórias (ou formais ou, ainda, instrumentais) objetivam dar meios à fiscalização tributária para que esta investigue e controle o recolhimento de tributos (obrigação principal) a que o próprio sujeito passivo da obrigação acessória, ou outra pessoa, esteja, ou possa estar, submetido. Compreendem as obrigações de emitir documentos fiscais, de escriturar livros, de entregar declarações, de não embaraçar a fiscalização etc. Desse modo, a lei impõe obrigações ao indivíduo “X”, por uma ou mais de várias possíveis razões: a) ora se atende o interesse, de controlar o recolhimento de tributos do indivíduo “X” (obrigação principal de “X”). mediante registros formais do fato gerador desses tributos (emissão de notas, escrituração de livros etc. que traduzem obrigações acessórias de “X”); b) ora, aquilo a que se visa, com a obrigação acessória de “X”, é o controle do cumprimento da obrigação principal de “Y”, que mantém alguma relação jurídica com “X”; c) ora se quer apenas investigar a eventual existência de obrigação principal de “X” ou de “Y” (por exemplo, “X” pode ser isento de tributos e, não obstante, possuir obrigações formais para preenchimento das condições a cujo cumprimento a lei subordina o direito a isenção). Em suma a obrigação acessória de “X” não supõe que “X” (ou “Y”) possua, necessariamente, alguma obrigação principal; basta a probabilidade de existir obrigação principal de “X” ou de “Y”.” (destacamos) É dizer, havendo ou não obrigação principal, a “obrigação acessória”, no presente caso, o dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto remanesce íntegro, conforme determina o art. 32, IV da Lei nº 8.212/91. Ou seja, esta infração ocorre quando da apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores, estando o responsável sujeito à penalidade administrativa de multa, calculada na forma dos artigos 284, inciso I, e III, do RPS e 32, IV, § 6°, c.c. o art. 92 da Lei n.º 8.212/91. Nessa linha, esclarecedor também é o ensinamento de Roque Antônio Carraza sobre os deveres instrumentais: 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249. Fl. 199DF CARF MF “Inadimplida a prestação [aludindo aos deveres instrumentais], que se traduz num fazer, num nãofazer ou num suportar, a relação jurídica que veicula um dever extinguese, cedendo lugar a um liame de índole sancionatória – geralmente a uma penalidade de cunho pecuniário (multa) , o que, retornando à idéia inicial, demonstra que o “vinculo dos deveres instrumentais nasce e se exaure no padrão eficacial médio”. Além disso, o legislador, ao sancionar o descumprimento de um dever jurídico com uma multa, está se limitando a recorrer a um dos mais corriqueiros expedientes do Direito para impor a obediência de seus mandamentos, isto é, está acenando com medida que vulnera fundo um dos bens mais precisos da pessoa: a propriedade. Aliás, cumprido ou não, o dever jurídico remanesce integro, a apontar as sendas pelas quais seus destinatários haverão de conduzirse. Remarcamos que os deveres instrumentais não se confundem com os tributos. Apenas, por assim dizer, documentam a incidência ou a nãoincidência (v.g., a isenção), em ordem a permitir que os tributos venham lançados e cobrados com exatidão e as isenções se façam corretamente sentir.” (CARRAZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: Malheiros, 2005, p. 330.) (destacamos) Em outros termos, ainda que o recorrente estivesse regular no que diz respeito ao recolhimento de contribuições previdenciárias à Seguridade Social e, em face disso, a mesma diligência fiscalizatória não tivesse culminado também na lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação principal (o que, de fato, não ocorreu), ainda assim, a presente autuação por descumprimento de “obrigação acessória” restaria íntegra, uma vez que restou devidamente comprovado que o recorrente, de fato, cometeu diversas impropriedades em sua GFIP no período de 2003 a 2006, estando configurada a infração em questão. DA MULTA LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE No que diz respeito à multa, o recorrente argumenta que a medida provisória n° 449, de 03.12.2008, alterou a lei n° 8.212/91, revogando o artigo 32, § 4°, que estabelecia os valores de multas aplicáveis pelo descumprimento do disposto no artigo 32, IV, da referida lei, incluindo o artigo 32A à lei em comento, instituindo novos valores aplicáveis à multa em referência. Desse modo, caso se trate de norma posterior mais benéfica, sua aplicação a fatos pretéritos é de rigor, em obediência ao artigo 106, II, c,do Código Tributário Nacional, caso não seja modificado o entendimento quanto às .supostas infrações apontadas no auto em referência. Neste ponto, salientese que a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem aplicando à presente discussão a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09, segundo a qual: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada Fl. 200DF CARF MF na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. É dizer, o entender daquele órgão, deverá haver a comparação entre a soma das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35 A da Lei 8212/91, conforme abaixo: APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. (CSRF, Recurso Especial do Procurador, PAF 19647.019537/200831, acórdão 9202005.667, relatora Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, julgado em 26/07/2017, por unanimidade) Assim, considerando que as decisões da CSRF vêm sendo tomadas por unanimidade, não havendo, por outro lado, nenhuma decisão do Superior Tribunal de Justiça em sentido diverso proferida em sede de recurso representativo de controvérsia, deve ser negado provimento ao recurso voluntário neste ponto. Cabe ressaltar, todavia, que a autoridade executora do presente julgado deverá observar, na liquidação, as conclusões do Parecer mencionado em questão. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário, para declarar a nulidade do auto de infração. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 201DF CARF MF Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901854/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Relatório
A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais.
O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional.
Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.807.
Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior.
Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa:
* Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios.
* Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ.
* Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003.
* Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma:
"O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência).
Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)."
* Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS.
* Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei.
* As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico.
É o relatório.
Voto
Conselheiro Waldir Navarro Bezerra
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402-001.475):
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.807. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. 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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 85 4/ 20 14 -1 6 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.901854/201416 Resolução nº 3402001.483 S3C4T2 Fl. 3 2 O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08038.807. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PISCOFINS: artigos 149, 195, I "b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regramatriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13839.901854/201416 Resolução nº 3402001.483 S3C4T2 Fl. 4 3 de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/201427, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.475): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso Como observado pela 5ª Turma da DRJ/FOR em decisão recorrida, a análise da questão está relacionada à classificação das comissões pagas a representantes comerciais como insumos, que geram direito ao crédito das contribuições, ou como despesas necessárias à atividade da empresa, sem vinculação ao processo produtivo e incapazes de gerar crédito na sistemática nãocumulativa. Assim alega a Contribuinte: i) Que é pessoa jurídica de direito privado e, na consecução de suas atividades comerciais, procede à contratação de representantes comerciais para escoamento de sua produção própria, sendo que tal modalidade de venda representa aproximadamente 87% do faturamento. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13839.901854/201416 Resolução nº 3402001.483 S3C4T2 Fl. 5 4 ii) Que a função desempenhada por tais representantes é notadamente imprescindível para sua cadeia produtiva, na medida em que estes são responsáveis pela intermediação dos negócios, com a prospecção de clientes e desenvolvimento do mercado, assim como participam diretamente no processo negocial, lançando os pedidos aceitos no sistema e formatando as cargas. Além do mais, frequentemente efetua a contratação do transporte das mercadorias vendidas. iii) Em razão do critério da essencialidade, é incontestável que os valores desembolsados quanto à atividade realizada pelos representantes comerciais devem ser entendidos como insumo na cadeia de produção e vendas dos produtos que fabrica, conformando base de cálculo para a assunção de créditos escriturais relativos às contribuições destinadas ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), já que está sujeita à sistemática de apuração nãocumulativa das referidas contribuições. Outrossim, a Recorrente apresenta em razões de recurso, o seguinte comparativo entre empresas que não possuem representantes comerciais, em especial no tocante ao direito de crédito: (i) – as pessoas jurídicas sem representante comercial terão 100% da receita para si; (ii) – já aquelas que se utilizam dos representantes não terão 100% das receitas para si, uma vez que uma parte ficará com eles a título de comissão, sendo de total plausibilidade assim o crédito par a bater PIS e COFINS. Constatase que o fundamento pelo qual a DRJ/FOR julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade se atém ao critério estabelecido pelo artigos 2º e 3º, II da Lei nº 10.637/2002, bem como da INSRF nº 247/2002. Vejamos: No presente caso, as comissões pagas aos representantes comerciais não podem ser consideradas como aplicadas ou consumidas diretamente na fabricação de bens destinados à venda. Tampouco podem ser considerados serviços adquiridos de pessoas jurídicas para a consecução das atividades principais da empresa. Assim, as comissões pagas aos representantes comerciais são despesas que não se caracterizam como insumos, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Este também é o entendimento da Solução de Consulta nº 98, da SRRF07/Disit, transcrito abaixo: (...) 17. Dessa forma, os bens e serviços que forem necessários ou essenciais para o desempenho da atividade da empresa mas que não puderem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços não se caracterizam como “insumos”, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13839.901854/201416 Resolução nº 3402001.483 S3C4T2 Fl. 6 5 18. Isso distingue os “insumos” das despesas dedutíveis para efeitos de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, que, de acordo com o art. 299 do Decreto nº. 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), são todas aquelas despesas necessárias, usuais e normais para as operações da empresa. (...) Isso posto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade. Inicialmente, consignase que o contribuinte do PIS e da COFINS nãocumulativos, segundo as Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04, tem direito de tomar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como “insumos” na fabricação de produtos destinados à venda. De fato havia divergências quanto ao conceito de insumos aplicável às contribuições sociais. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça concluiu através do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170 PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, que o conceito de insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma dos artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Por este precedente, o STJ declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, invocada para fundamentar a decisão recorrida, bem como declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, as quais restringiam o direito de crédito aos insumos que fossem diretamente agregados ao produto final, ou que se desgastassem com o contato físico com o produto ou serviço final. Outrossim, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em data de 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aceitando o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme Ementa abaixo transcrita: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13839.901854/201416 Resolução nº 3402001.483 S3C4T2 Fl. 7 6 Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Em síntese, "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, são "todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes". Os critérios em referência devem ser aplicados casuisticamente, utilizandose do chamado “teste de subtração” do insumo, de modo a verificar a imprescindibilidade e a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Neste sentido, transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara m a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele i tem – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste d e subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13839.901854/201416 Resolução nº 3402001.483 S3C4T2 Fl. 8 7 Superada a discussão em referência, cabe a análise quanto à configuração da essencialidade ou relevância do representante comercial às atividades desenvolvidas pela empresa. Através do atos constitutivos, é possível verificar que a Recorrente tem por objeto social as seguintes atividades: Constatase, ainda, como atividade econômica principal a fabricação de artefatos de cimento para uso na construção (CNAE 23 30302) e, por atividade econômica secundária a seguinte descrição: CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 52.11799 Depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis 46.79604 Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente 23.49401 Fabricação de material sanitário de cerâmica 47.44001 Comércio varejista de ferragens e ferramentas 28.13500 Fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios Por sua vez, a Contribuinte argumenta desde a Manifestação de Inconformidade que mais de 80% (oitenta por cento) das vendas de produtos que comercializa ocorre por meio de representantes comerciais autônomos, que assumem papel imprescindível na consecução da atividade comercial da empresa, representando esta modalidade de venda em aproximadamente 87% (oitenta e sete por cento) do seu faturamento. Não obstante os fundamentos que embasam as razões recursais, o fato é que neste processo administrativo não há nenhuma prova que ateste a essencialidade da representação comercial na atividade da empresa Recorrente. Todavia, considerando a recente decisão proferida em sede de repercussão geral pelo Superior Tribunal de Justiça, resultando na incidência do artigo 62, § 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, em atenção à busca pela verdade material, fazse necessária a realização de diligência para uma melhor compreensão sobre as características da atividade desenvolvida pela empresa, possibilitando identificar se as despesas em análise configuram insumos que permitam o direito ao crédito em análise. Por tais motivos, nos termos previstos pelo artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13839.901854/201416 Resolução nº 3402001.483 S3C4T2 Fl. 9 8 Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721265/2014-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 17/03/2011, 08/07/2011, 21/07/2011
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO SE ESTABELECE EM MATÉRIA DE PROVA. ART. 67, DO ANEXO II, DO RICARF.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. O recurso especial não se presta à reapreciação de provas.
CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. ART. 33 DA LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.
A aplicação da multa de 10% do valor da operação, por cessão do nome, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 substitui a pena não-pecuniária de declaração de inaptidão, nos termos do parágrafo único do art. 81 da Lei n° 9.430/96, e não a pena de perdimento, motivo pelo qual é inaplicável a retroatividade benigna.
Numero da decisão: 9303-007.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 17/03/2011, 08/07/2011, 21/07/2011 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO SE ESTABELECE EM MATÉRIA DE PROVA. ART. 67, DO ANEXO II, DO RICARF. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. O recurso especial não se presta à reapreciação de provas. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. ART. 33 DA LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação da multa de 10% do valor da operação, por cessão do nome, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 substitui a pena não-pecuniária de declaração de inaptidão, nos termos do parágrafo único do art. 81 da Lei n° 9.430/96, e não a pena de perdimento, motivo pelo qual é inaplicável a retroatividade benigna.
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ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO SE ESTABELECE EM MATÉRIA DE PROVA. ART. 67, DO ANEXO II, DO RICARF. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. O recurso especial não se presta à reapreciação de provas. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. ART. 33 DA LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação da multa de 10% do valor da operação, por cessão do nome, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 substitui a pena não pecuniária de declaração de inaptidão, nos termos do parágrafo único do art. 81 da Lei n° 9.430/96, e não a pena de perdimento, motivo pelo qual é inaplicável a retroatividade benigna. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 12 65 /2 01 4- 96 Fl. 447DF CARF MF 2 Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto por IDB do Brasil Trading Ltda. ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, contra o acórdão nº 3301004.054, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, que negou provimento ao recurso voluntário, cuja ementa transcrevese a seguir: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO, REAL COMPRADOR E RESPONSÁVEL PELAS OPERAÇÕES. DANO AO ERÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO DAS MERCADORIAS. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. CABIMENTO. Nos termos do art. 23, inciso V, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455/76, consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras, na importação, na hipótese de ocultação do real comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros; sendo tais infrações punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, quando a esta não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. RECURSOS DE TERCEIROS UTILIZADOS PARA A REALIZAÇÃO DE IMPORTAÇÕES. PRESUNÇÃO DE IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. O art. 27 da Lei nº 10.637/02 estabelece que a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. MULTA APLICÁVEL. A multa disposta no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não substitui nem revoga a multa prevista no art.23, inciso V, parágrafo 1º do Decretolei 1.455/1976. Recurso Voluntário Negado Na origem, foi lavrado auto de infração para a imposição da multa capitulada no art. 23, V, §§ 1° e 3º, do DecretoLei n° 1.455/76 (interposição fraudulenta comprovada), às mercadorias importadas através das DIs nº 11/04888990, 11/12602986 e 11/13548578, registradas respectivamente em 17/03/2011, 08/07/2011 e 21/07/2011, em decorrência da ocultação do real adquirente, mediante fraude e simulação. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10983.721265/201496 Acórdão n.º 9303007.691 CSRFT3 Fl. 448 3 O recurso voluntário manteve a acusação fiscal em sua integralidade. Inconformada, a empresa interpôs recurso especial, aduzindo divergência jurisprudencial quanto a duas matérias: 1) ausência dos pressupostos para caracterização da infração e 2) impossibilidade de aplicar a multa substitutiva de perdimento ao importador ostensivo após o advento do art. 33 da Lei nº 10.488/2007. Indicou como paradigmas os acórdãos n° 3201 002.581 e 310200.944. 1) Divergência ausência dos pressupostos para caracterização da infração acórdão paradigma n° 3201002.581 O acórdão recorrido concluiu que os elementos colacionados pela fiscalização permitem a verificação da ocorrência de importação por conta e ordem e não importação com recursos próprios e posterior revenda no mercado interno, o que configura a simulação e interposição fraudulenta de terceiros. É o que se observa da ementa transcrita acima. Por outro lado, o acórdão paradigma n° 3201002.581, em análise de importações efetuadas pela mesma empresa IDB, mas com suposta adquirente diversa, assentou que os fatos indiciários colacionados pela fiscalização não foram suficientes para comprovar a interposição fraudulenta e o dolo do contribuinte: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. NÃO OCORRÊNCIA. Não constatada a interposição fraudulenta e ocultação do real sujeito passivo, mediante simulação, nas operações de comércio exterior, a pessoa jurídica indicada como interposta e os indicados como beneficiários dessa interposição não respondem pela infração que lhes foi imputada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INDICAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Não ocorre a responsabilidade solidária por mera indicação dos responsáveis solidários, pela autoridade autuante. Não havendo fraude, não há responsabilidade solidária. Em suma, a divergência apontada é: no acórdão recorrido os fatos indiciários foram considerados suficientes para caracterizar a interposição fraudulenta e no acórdão paradigma, fatos semelhantes não foram aceitos como prova da interposição fraudulenta. Ambos os julgados analisaram acusação fiscal de interposição fraudulenta na modalidade provada, tendo como importadora a empresa IBD do Brasil. 2) Divergência Impossibilidade de aplicar a multa substitutiva de perdimento ao importador ostensivo após o advento do art. 33 da Lei nº 10.488/2007 acórdão paradigma n° 310200.944 No acórdão recorrido, a multa equivalente a 100% do valor aduaneiro (substitutiva do perdimento) foi mantida, sendo rechaçado o pleito do contribuinte de que, com o advento do art. 33 da Lei n° 11.488/07, ao caso deveria ser aplicada a multa de 10% sobre o valor aduaneiro, em razão da cessão do nome: Fl. 449DF CARF MF 4 Aduz a recorrente, que, com o advento da multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07, a multa de 100% do valor aduaneiro, objeto do presente auto de infração, deixou de ser aplicável ao importador ostensivo. A posição mais recente deste Conselho é contrária a esta tese, a exemplo do Acórdão 3301003.085, desta Turma, de 27/09/2016. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário da IDB. Em sentido contrário, o acórdão paradigma n° 310200.944 consignou que, em virtude dos princípios da especialidade e da retroatividade benigna (art. 106 do CTN), no caso de interposição fraudulenta, a pena a ser aplicada é o art. 33 da Lei nº 11.488/2007, cancelando a multa equivalente a 100% do valor aduaneiro: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. FALTA DE CAPACIDADE ECONÔMICOFINANCEIRA. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou do responsável pela operação enseja a aplicação da pena de perdimento da mercadoria, por dano ao Erário, pena convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas nos casos em que elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas, independentemente da extensão dos efeitos dos fatos apurados. APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA ART. 106, II, “C”, DO CTN. O art. 33 da Lei nº 11.488/2007 passou a estabelecer multa de 10% (dez por cento) sobre o valor da operação acobertada quando se verificar que a pessoa jurídica tiver cedido o seu nome, mediante disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros. Entendo ser essa, exatamente, a hipótese em comento. Por ser norma posterior mais benéfica, deve o art. 33 da Lei nº 11.488/2007 ser aplicado ao caso, ao invés do § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002. Aplicação do art. 106, II, “c”, do CTN. Assim, a divergência se dá na aplicação ou não da multa substitutiva do perdimento ao importador ostensivo (aquele que cedeu o nome), após a edição do art. 33 da Lei nº 10.488/2007. O exame de admissibilidade acolheu as duas matérias, efls. 416422. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, efls. 424444. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10983.721265/201496 Acórdão n.º 9303007.691 CSRFT3 Fl. 449 5 prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recursos especiais, nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de recurso especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do recurso voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no art. 67 do Regimento Interno do CARF. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de recurso especial de divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o recurso especial de divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, consequentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos, não tendo espaço para questões probatórias, que já ficaram devidamente julgadas no recurso voluntário. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. Passo ao julgamento. 1) Divergência ausência dos pressupostos para caracterização da infração acórdão paradigma n° 3201002.581 Conforme relatado, tratase de exigência de multa substitutiva do perdimento, aplicada com fundamento no art. 23, V, e §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, em virtude da interposição fraudulenta de terceiros em operação de comércio exterior. A autoridade lançadora deve trazer elementos de prova para caracterização da interposição fraudulenta, uma vez que o ônus recai sobre quem alega o fato ou o direito (CPC/2015, art. 373). Dessa forma, a prova deve ser efetiva e inequívoca. Entendeu o acórdão recorrido que as provas trazidas pela fiscalização foram suficientes para a caraterização do ilícito, como se observa no voto condutor: Do acima exposto, de plano, destaco os seguintes fatos: 1) As notas fiscais de saída da IDB para a ARQUITECH foram emitidas nas mesmas datas das respectivas notas de entrada nas importações, com identidade de mercadorias e nas mesmas quantidades, o que demonstra que a ARQUITECH adquiriu as mercadorias pelo menos no dia em que a IDB emitiu as notas de entrada em função das operações de importação. Tendo em vista que a aquisição de mercadorias importadas é um processo que envolve uma complexa negociação prévia e que o despacho aduaneiro de importação é um procedimento que, em média, toma cerca de 40 horas, é fato a demonstrar que a ARQUITECH negociou a aquisição de tais mercadorias antes do registro das término do despacho das importações; Fl. 451DF CARF MF 6 2) As mercadorias saíram diretamente do porto de importação para espaço locado pela ARQUITECH, sem passar pela IDB, corroborando a aquisição prévia das mercadorias; 3) A IDB encaminhou à fiscalização relação de pagamentos totalmente diferentes, em datas e valores, em resposta à primeira intimação e à segunda intimação da fiscalização, respectivamente, o que põem em dúvida se realmente se refeririam às notas fiscais de saída ou ao processo de importação; e 4) Pagamentos informados pela IDB como recebidos da ARQUITECH constam na contabilidade da empresa IDB na conta “Adiantamento de Importação”. (...) O conjunto de fatos expostos demonstra que as importações autuadas foram negociadas antes da efetivação destas, tendo a ARQUITECH carreado recursos para a sua efetivação. De plano, é forçoso concluir que não se trata de importações por conta própria para posterior revenda, como quer fazer crer a recorrente. Dentre as hipóteses restantes, previstas na legislação, o conjunto probatório aponta para a ocorrência, de fato, de importações por conta e ordem da ARQUITECH. (...) O Código Civil, em seu art. 167, define o instituto da simulação: "Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: [...] aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem". (...) O se verifica, para cada DI autuada, é que havia um negócio aparente, uma importação por conta própria da IDB; e uma negócio real, uma importação por conta e ordem da ARQUITECH; caracterizandose assim a simulação. Assim, restou caracterizada a ocultação da ARQUITECH, adquirente numa importação por conta e ordem de fato, sujeito passivo, portanto (art. 121, II, do Código Tributário Nacional, C/C art. 32, parágrafo único, III, "c", do DecretoLei n° 37/66)), mediante simulação. É infração punível com a pena de perdimento das mercadorias, conforme previsto no artigo 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, aplicandose a multa equivalente ao valor aduaneiro, nos termos do §3° do mesmo artigo. Ocorre que no acórdão paradigma n° 3201002.581, na análise de importações efetuadas pela mesma empresa IDB para outra suposta adquirente (a Intermix Ltda.), a Turma chegou à conclusão de que os fatos indiciários colacionados pela fiscalização não foram suficientes para comprovar a interposição fraudulenta e o dolo do contribuinte: De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 10, as mercadorias tinham a Intermix Ltda como destinatário prédeterminado, que Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10983.721265/201496 Acórdão n.º 9303007.691 CSRFT3 Fl. 450 7 a Intermix Ltda era conhecida da IDB do Brasil antes da importação, que houve proximidade das notas fiscais de entrada e saída, que todas as mercadorias daquelas DIs foram vendidas para a Intermix Ltda e inclusive as mercadorias da DI 12/04855678 vendidas à empresa Juri Comércio Ltda (NF 937) foram vendidas da própria Juri à Intermix (NF 152) e que um sócio da Intermix adiantou por depósito os valores à Juri Ltda (fls 166), que pagamentos e transferências bancárias da Intermix Ltda estão na conta "adiantamento de importação" na contabilidade da IDB, que a IDB recebeu transferências da Intermix Ltda em valores equivalentes nos exatos dias em que liquidou os contratos de câmbio dessas DIs e em datas anteriores aos registros destas, que a Intermix Ltda pagou mercadoria que não havia sido desembaraçada (NFs 938, 653, 747). (...) E dentro desta linha de raciocínio está uma das principais razões pela qual o contribuinte merece interpretação favorável, uma vez que não há nos autos uma prova comercial mais contundente de que estaria se tratando de outra modalidade que não a da importação direta, a prova de que o real adquirente realmente tenha encomendado a mercadoria. O que poderia ser comprovado somente na situação em que algum documento ou troca de email ou correspondência demonstrasse que o interposto tem o direito de crédito da importação sobre o encomendante, que firma compromisso prévio de pagamento ao encomendar a mercadoria. (...) Não há nos autos comprovação de que os sócios da Intermix Ltda negociaram com as exportadoras ou mesmo escolhiam os produtos a serem importados, não comprovado o repasse de mercadorias ou subfaturamento de preços, não comprovada a quebra da cadeia do IPI e, principalmente, não estão comprovados nos autos os elementos subjetivos do tipo. Levantou o contribuinte também que os tributos foram regularmente adimplidos e nesse ponto, não houve qualquer contestação da fiscalização ou da DRJ. Não é possível constatar fraude e dano ao erário sem que ao menos tenham sido juntadas provas de quebra da cadeia de recolhimento do IPI, falta de destaque do tributo e consequente ausência do recolhimento do tributo nas demais etapas de comercialização da mercadoria importada. É o que poderia justificar possível ocultação do sujeito passivo na importação. (...)" Então, confrontando os dois acórdãos, observase que o inconformismo da recorrente está centrado em questões fáticas relacionadas ao ônus de prova. Para a recorrente, o auto de infração não teria sido lavrado em decorrência de provas materiais robustas, motivo Fl. 453DF CARF MF 8 pelo qual deveria ser cancelado. Na sua peça recursal, claramente afirma que o acórdão recorrido apresenta interpretação diametralmente oposta ao paradigma na análise de provas. Entendo que tratase de manejo indevido do recurso especial, que não se presta à reapreciação de provas, mas sim à uniformização de divergências de interpretação. No cotejo entre os acórdãos, não há objetivamente divergência dada à legislação tributária entre Turmas, pois se está diante de valoração das provas trazidas aos autos. A divergência jurisprudencial não se estabelece em matéria de prova, por isso foi violado o disposto no art. 67, do Anexo II, do RICARF. Logo, voto por não conhecer do recurso especial nesta parte. Impossibilidade de aplicar a multa substitutiva de perdimento ao importador ostensivo após o advento do art. 33 da Lei nº 10.488/2007 acórdão paradigma n° 310200.944 Entendo que restou configurada a divergência neste segundo tópico, pois o acórdão recorrido manteve a aplicação da penalidade do art. 23, V, do Decretolei nº 1.455/1976, afirmando que esta não foi substituída pela multa disposta no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Por sua vez, o acórdão paradigma indicou que a multa equivalente a 100% do valor aduaneiro da mercadoria, aplicada ao importador, com base no art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976 deve ser reduzida para 10% do valor da operação, nos termos do art. 33 da Lei n° 11.488/2007, em observância à retroatividade benigna (art. 106, II, "c", do CTN). O art. 23, V, do DecretoLei nº 1.455/76 voltase a apenar a interposição fraudulenta de terceiros com o perdimento da mercadoria, ou multa no respectivo valor aduaneiro, sendo aplicável ao real adquirente e ao importador como responsável tributário (art. 95, I, do DecretoLei nº 37/66). Por outro lado, a multa de 10% prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é aplicável ao importador que ceder o nome em operações de comércio exterior para acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, sendo o adquirente posto na condição de responsável tributário. Vêse, por conseguinte, que se tratam de penas diferentes para condutas diversas. Por isso, a aplicação da multa de 10% do valor da operação, por cessão do nome, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Isso porque a multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 substitui a pena não pecuniária de declaração de inaptidão, nos termos do parágrafo único do art. 81 da Lei n° 9.430/96, e não a pena de perdimento, motivo pelo qual é inaplicável a retroatividade benigna. No mesmo sentido, esta 3ª Turma já se posicionou, acórdão n° 9303006.509, cujas razões do voto do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal transcrevo a seguir: Até a promulgação da Lei nº 11.488/2007, a cessão do nome para o acobertamento do real beneficiário da operação trazia como consequência (i) a pena de perdimento da mercadoria ou conversão em multa e (ii) proposição de inaptidão do CNPJ (IN SRF 568/2005). O artigo 348, inciso III, da IN SRF 568/2005 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10983.721265/201496 Acórdão n.º 9303007.691 CSRFT3 Fl. 451 9 dispunha sobre a inaptidão da inscrição do CNPJ de entidade considerada inexistente de fato. O artigo 419, inciso III, considerava inexistente de fato a pessoa jurídica que "tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários;". Treze dias após a edição da Lei nº 11.488/2007, foi publicada a IN RFB nº 748/2007, revogando a IN RFB 568/2005. O artigo 41 da nova IN suprimiu a hipótese de cessão de nome com vistas ao acobertamento dos reais beneficiários em operações no exterior, como causa de declaração da inexistência de fato da PJ. Ou seja, também os atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal confirmam que a penalidade prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 foi introduzida no ordenamento jurídico com propósito substituir a declaração de inaptidão pelo simples ato de ceder o nome. Todas as premissas até aqui adotadas e as conclusões a que remetem são, ainda, reforçadas pelo Parecer de encaminhamento do projeto de lei de Conversão da MP nº 351/2007 na Lei nº 11.488/2007, com a seguinte observação: “Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros.” A derradeira conclusão é a de que o ato de ceder o nome com vistas ao acobertamento do real beneficiário acarreta duas infrações, cujos bens jurídicos tutelados são distintos: o próprio erário e o controle aduaneiro como um todo, e a integridade do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica. Enquanto o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 resguarda a higidez do CNPJ, coibindo seu uso indevido, em substituição da declaração de inaptidão, o inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976 protege o Erário e o próprio controle aduaneiro. Em suma, correta a capitulação legal da infração. Dispositivo Ex positis, conheço parcialmente do recurso interposto, e na parte conhecida, nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 455DF CARF MF 10 Fl. 456DF CARF MF
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