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7517805 #
Numero do processo: 19740.000295/2005-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/2001 a 31/07/2002 FATURAMENTO. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. O faturamento das entidades de previdência privada, compreende a totalidade de suas receitas decorrentes das atividades econômicas do seu objeto social, ou seja, a totalidade das receitas operacionais. COFINS. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXCLUSÕES Inexiste base legal para as exclusões das receitas de aluguel, venda e reavaliação de imóveis nas bases de cálculo da Cofins, para as entidades fechadas de previdência complementar para os fatos geradores anteriores a setembro/2002.
Numero da decisão: 9303-007.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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Acórdão nº  9303­007.480  –  3ª Turma   Sessão de  16 de outubro de 2018  Matéria  63.697.9999 ­ COFINS ­ CRÉDITO ­Outros  Recorrente  FUNDACAO VALE DO RIO DOCE DE SEGURIDADE SOCIAL VALIA   Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/02/2001 a 31/07/2002  FATURAMENTO.  ENTIDADES  FECHADAS  DE  PREVIDÊNCIA  PRIVADA.  O faturamento das entidades de previdência privada, compreende a totalidade  de suas receitas decorrentes das atividades econômicas do seu objeto social,  ou seja, a totalidade das receitas operacionais.  COFINS.  ENTIDADES  FECHADAS  DE  PREVIDÊNCIA  COMPLEMENTAR. EXCLUSÕES   Inexiste  base  legal  para  as  exclusões  das  receitas  de  aluguel,  venda  e  reavaliação  de  imóveis  nas  bases  de  cálculo  da  Cofins,  para  as  entidades  fechadas  de  previdência  complementar  para  os  fatos  geradores  anteriores  a  setembro/2002.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar­lhe provimento, vencidas as  conselheiras  Tatiana  Midori  Migiyama,  Érika  Costa  Camargos  Autran  e  Vanessa  Marini  Cecconello, que lhe deram provimento.   (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em exercício.   (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos  ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 02 95 /2 00 5- 00 Fl. 730DF CARF MF   2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da  Costa Pôssas (Presidente em exercício).  Relatório  Trata o presente processo de auto de infração de Cofins, às e­fls. 169 a 181,  referente ao período de apuração de fevereiro de 2001 a julho de 2002, em valor originário de  R$ 2.717.638,81, multa de ofício  de R$ 2.038.229,03  e  juros  de mora  de  . R$ 1.748.130,86,  montando a R$ 6.503.998,70. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 15/08/2005.  A contribuinte  é  entidade  fechada de previdência  complementar  e  autuação  decorreu de recolhimento de contribuição para a Cofins sem incluir as rubricas com receitas de  aluguéis e rendimentos equiparados na carteira imobiliária, resultado positivo de reavaliação de  investimento imobiliário e ganhos/lucros na venda de investimentos imobiliários. O Termo de  Verificação Fiscal, às e­fls. 153 a 167, detalha o procedimento fiscal e as razões da autação.  Irresignada, em 14/09/2005, a contribuinte apresentou  impugnação, às e­fls.  189 a 219. A 4ª Turma da DRJ/RJOII, apreciou a manifestação em 23/06/2008, e no acórdão  nº 13­20.328,  às  e­fls.  485  a  501,  considerou  procedente  em  parte  o  lançamento,  pela  exoneração  parcial  de  valores  lançados  no  período  de  09/2001  a  12/2001,  por  terem  sido  confirmados recolhimentos da contribuição nesse período.  Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às e­fls. 511  a 539, em 05/09/2008. Os argumentos da contribuinte, estão abaixo resumidos:  · inconstitucionalidade dos arts. 2º, 3º, e 8º da Lei nº  9.718/1998;  · legitimidade da exclusão das receitas de aluguéis, de  vendas e reavaliações de imóveis da base de cálculo,  nos termos da MP nº 66, de 29/08/2002, convertida  na  lei  nº  10.637,  de  30/12/2002,em  face  da  aplicação do art. 106 do CTN; e  · pagamentos relativos às competências de fevereiro a  agosto  de  2001,  e  cujos  comprovantes  foram  anexados  a  este  processo,  não  foram  considerados  pela autoridade julgadora de primeira instância, pelo  que pleiteou a extinção dos créditos a eles relativos.  A  1ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  apreciou o recurso na sessão de 30/04/2010, resultando no acórdão de nº 3301­00.520, às e­fls.  607 a 613, o qual teve a seguinte ementa:  DIFERENÇAS.  VALORES  DECLARADOS.  VALORES  DEVIDOS.  As  diferenças  apuradas  entre  os  valores  da  contribuição  declarados e/ ou pagos e os efetivamente devidos com base nas  receitas  escrituradas  estão  sujeitas  a  lançamento  de  oficio,  Fl. 731DF CARF MF Processo nº 19740.000295/2005­00  Acórdão n.º 9303­007.480  CSRF­T3  Fl. 731          3 acrescidas  das  cominações  legais,  juros  de  mora  e  multa  de  oficio.  BASE DE CALCULO   Até  a  entrada  em  vigor  da  Medida  Provisória  n°  66,  de  29/08/2002,  as  receitas  de aluguéis  e  rendimentos  equiparados  na carteira imobiliária, do resultado positivo de reavaliação de  investimento  imobiliário  e  de  ganhos  e  lucros  na  venda  de  investimentos  imobiliários,  integrantes  do  faturamento  mensal  das  entidades  fechadas  de  previdência  complementar,  estavam  sujeitas à Cofins.  INCONSTITUCIONALIDADE.  APRECIAÇÃO.  INSTÂNCIA  ADMINISTRATIVA   Súmula  N°  2.  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  O acórdão foi assim lavrado:  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  negar  provimento  ao  recurso, mantendo­se  o  crédito  tributário  retificado em primeira instância, nos termos do voto do Relator.  Quanto ao pleito de liquidação retroativa em face de pagamentos realizados,  em seu voto o relator afirma:  ...quanto ao requerimento para a extinção do crédito  tributário  correspondente aos meses de fevereiro a agosto de 2001 por ter  pagado  as  respectivas  parcelas,  compete  à  autoridade  administrativa competente da DRF de origem, fazer a imputação  dos valores pagos às respectivas parceladas lançadas e exigidas  e  se  comprovado  que  os  valores  recolhidos  foram  suficientes  para liquidar o principal e respectivas cominações legais, multa  de oficio e juros de mora, extingui­lo.  Embargos da contribuinte  A  contribuinte  foi  intimada  do  acórdão  nº  3301­00.520  (e­fl.  627),  e  da  alocação dos pagamentos com quitação dos débitos a eles correspondentes, em 26/10/2010 (e­ fl. 649) e manejou embargos de declaração em 29/10/2010, às e­fls. 637 a 643.   A contribuinte afirma a existência de duas contradições a serem sanadas: a)  quanto à admitir existência de pagamento integral referente ao período de fevereiro a agosto de  2001 mas condicionar a extinção a uma imputação dos valores pagos à DRF de origem; e b) a  parte dispositiva do acórdão não deu provimento  integral ao  recurso, apesar de  reconhecer o  pagamento integral na fundamentação.  O  Presidente  da  1ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara  da  Terceira  Seção  de  Julgamento, no despacho de e­fls. 653 e 654, em 27/03/2012, rejeitou os embargos interpostos,  por não encontrar as contradições arguídas, pois as parcelas dos créditos dos referidos meses de  fevereiro a agosto de 2001, forma efetivamente extintas após a imputação pela DRF de origem,  conforme se observa nos documentos às e­fls. 617 a 625.  Fl. 732DF CARF MF   4 Recurso especial da contribuinte  Cientificada do despacho de admissibilidade de seus embargos de declaração,  em  06/02/2013  (e­fl.  682),  a  contribuinte  interpôs  recurso  especial  de  divergência  em  20/02/2013 (e­fl. 713), às e­fls. 661 a 674.  Com  base  nos  acórdãos  paradigmas  nº  3302­00.594  e  nº  3302­00.617,  a  contribuinte apontou a divergência. Esses acórdãos admitiram que, uma vez reconhecida pelo  STF  a  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/1998,  devem  as  autoridades  administrativas  aplicar de  imediato  tal  entendimento,  enquanto o  recorrido  afirmava que não  poderia se manifestar sobre a inconstitucionalidade.  O Presidente  da  3ª  Câmara  da Terceira  Seção  de  Julgamento,  por meio  do  despacho  de  e­fls.  716  a  719,  em  10/11/2015,  deu  seguimento  ao  recurso  especial  de  divergência  da  contribuinte,  com  fundamento  nos  arts.  67  e  68  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela Portaria n°  256  de  22/06/2009,  para  admitir  a  rediscussão  da  questão  do  afastamento  das  receitas  não  enquadradas no conceito de faturamento, a partir da decisão do STF que afastou o alargamento  da base de cálculo prevista no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998.  A  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  teve  ciência  desse  despacho  em  24/11/2015 (e­fl. 720) e informou que não apresentaria contrarrazões, à e­fl. 721.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator  O  recurso  especial  de  divergência  da  contribuinte  é  tempestivo,  cumpre  os  requisitos regimentais e por isso dele conheço.  O  recurso  especial  de  divergência  da  contribuinte  foi  admitido  apenas  em  relação  à  inconstitucionalidade  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/1998,  tal  inconstitucionalidade, no entendimento da recorrente, afastaria as receitas tributadas da base de  cálculo.   Todavia, nessa matéria entendo que andou bem a decisão a quo quando, ao  tratar das exclusões das receitas de aluguéis e rendimentos equiparados na carteira imobiliária,  do resultado positivo de reavaliação de investimento imobiliário e de ganhos e lucros na venda  de investimentos imobiliários, por parte das entidades de previdência complementar, entendeu  somente terem sido essas permitidas com a edição da MP n° 66, de 29/08/2002, convertida na  Lei n° 10.637, de 30/12/2002.   A  análise  das  exclusões  contidas  nos  dispositivos  da  Lei  nº  9.718/1998  permitiu que o relator do recorrido considerasse que também entre as exclusões dos §§ 2º e 6º,  do art. 3, não se encontravam aquelas. Além disso, ele corretamente afirmou, à e­fl. 611:  Também, ao contrário do seu entendimento, aquelas receitas não  estão  incluídas  na  ampliação  da  base  de  cálculo  dessa  contribuição, nos termos do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de  1998,  uma  vez  que,  segundo  a  Resolução  CGPC  n°  05,  de  30/04/2002,  do  Conselho  de  Gestão  da  Previdência  Fl. 733DF CARF MF Processo nº 19740.000295/2005­00  Acórdão n.º 9303­007.480  CSRF­T3  Fl. 732          5 Complementar,  aquelas  receitas  integram  o  faturamento  das  entidades  de  previdência  complementar,  enumerando  os  seguintes  grupos  de  contas:  "Programa  Previdencial"  n°  3.0.0.0.00.00;  "Programa  Assistencial"  n°  4.0.0.0.00.00;  "Programa Administrativo" n° 5.0.0.0.00.00;  e do "Programa  de Investimentos" n° 6.0.0.0.00 00. No presente caso,  todas as  receitas  tributadas  pelo  autuante  foram  escrituradas/contabilizadas em um desses grupos de contas.  (Negritos do original, sublinhei.)  As  receitas  em  questão  estão  vinculadas  ao  objeto  da  entidade,  portanto  compõem seu faturamento.  Essa  turma,  no  acórdão  de  nº  9303­006.484,  em  13/03/2018,  apreciou  essa  matéria, pelo que peço vênia para adotar a argumentação do voto vencedor do  i.  conselheiro  Andrada Marcio Canuto Natal:  As  entidades  de  previdência  complementar  estão  sujeitas  à  contribuição para o PIS de Cofins, nos  termos da Lei nº 9.718,  de 27/11/1998, que assim dispõe:  “Art.  2º.  As  contribuições  para  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS,  devidas  pelas  pessoas  jurídicas  de  direito  privado,  serão  calculadas  com  base  no  seu  faturamento,  observadas  a  legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.  (destaque não­original)  Art.  3º.  O  faturamento  a  que  se  refere  o  artigo  anterior  corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.  (...).  §2º  Para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita  bruta:  I ­ as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos,  o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  ICMS,  quando  cobrado  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário;   II ­ as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados  como perda,  que  não  representem  ingresso  de  novas  receitas,  o  resultado  positivo  da  avaliação  de  investimentos  pelo  valor  do  patrimônio  líquido  e  os  lucros  e  dividendos  derivados  de  investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido  computados como receita;  (...)   IV ­ a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente.  Fl. 734DF CARF MF   6 (...).  §5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no §1º do art. 22  da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os  efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas  para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para  o PIS/PASEP.  §6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o  PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do  art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções  mencionadas no § 5º, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela  Medida Provisória nº 215835, de 2001)  (...);  III  ­  no  caso  de  entidades  de  previdência  privada,  abertas  e  fechadas,  os  rendimentos  auferidos  nas  aplicações  financeiras  destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão,  pecúlio e de resgates;   (...);  §7º As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6º restringe­ se  aos  rendimentos  de  aplicações  financeiras  proporcionados  pelos ativos garantidores das provisões técnicas,  limitados esses  ativos ao montante das referidas provisões.  (...).”  Ora,  de  conformidade  com  este  diploma  legal,  as  receitas  contabilizadas  sob  as  rubricas  "custeio  do  programa  administrativo"  e  ''remuneração  dos  investimentos  administrativos  e  custeio" decorrem de  atividades  operacionais  das entidades de previdência privada e  integram o  faturamento  destas  pessoas  jurídicas.  Tais  receitas  não  estão  elencadas,  no  dispositivo  legal  transcrito  acima,  dentre  aquelas  passíveis  de  dedução  da  base  de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS  e  Cofins.  Ressalte­se,  ainda,  que  o  faturamento  das  entidades  de  previdência  privada  corresponde  à  soma  de  todas  as  receitas  decorrentes das atividades econômicas do seu objeto  social, ou  seja, suas receitas operacionais, dentre elas as de prestação de  serviços tributadas nos lançamentos em discussão.  Assim,  a  decisão  do  Supremo  do  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  proferida  nos  Recursos  Extraordinários  nºs  346.084/PR,  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG  que  reconheceu  a  inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998,  que havia ampliado a base de cálculo do PIS e da Cofins, não se  aplica ao presente caso.  Naquele  julgamento o  Ilmo. Sr. Ministro Cezar Peluzo do STF,  assim, definiu faturamento:  “Faturamento  nesse  sentido,  isto  é,  entendido  como  resultado  econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de  cálculo  da  contribuição,  enquanto  representação  quantitativa  do  fato  econômico  tributado.  Noutras  palavras,  o  fato  gerador  Fl. 735DF CARF MF Processo nº 19740.000295/2005­00  Acórdão n.º 9303­007.480  CSRF­T3  Fl. 733          7 constitucional da COFINS são as operações econômicas que se  exteriorizam  no  faturamento  (sua  base  de  cálculo),  porque  não  poderia  nunca  corresponder  ao  ato  de  emitir  faturas,  coisa  que,  como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois  bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação.”  (grifo não­original)   Ainda,  segundo o  Ilmo. Ministro, “se determinadas  instituições  prestam  tipo  de  serviço  cuja  remuneração  entra  na  classe  das  receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração  de  atividade  própria  do  campo  empresarial,  de  modo  que  tal  produto entra no conceito de ‘receita bruta igual a faturamento’”.  Dessa  forma,  independentemente  do  julgamento  do  STF  que  julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS,  as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei no 8.212,  de 1991, dentre elas as entidades de previdência privada, estão  sujeitas a esta contribuição nos termos da Lei nº 9.718, de 1998,  arts.  2º  e  3º,  ou  seja,  sobre  o  seu  faturamento  mensal  correspondente  à  soma  de  todas  as  receitas  oriundas  de  suas  atividades típicas decorrente de seu objeto social.  Logo,  ainda  que  se  considere  a  inconstitucionalidade  arguida  no  recurso  especial,  esta  não  se  aplicaria  ao  caso  concreto,  pelas  razões  então  expostas  pelo  relator  do  acórdão recorrido e já anteriormente apresentadas no acórdão da DRJ/RJOII (e­fl. 493).   Dessarte,  vejo  como  adequado o  posicionamento  do  acórdão  recorrido  pela  manutenção daquelas receitas na base de cálculo do lançamento.  CONCLUSÃO  Ante  o  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  especial  de  divergência  da  contribuinte para negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos                             Fl. 736DF CARF MF

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Numero do processo: 13890.000568/2003-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. Para que se rechace o Auto de Infração, lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, torna-se mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 106. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz-se mister seu reconhecimento de ofício.
Numero da decisão: 1002-000.494
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, apenas para exonerar a multa de ofício. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA

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1002­000.494  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  07 de novembro de 2018  Matéria  CSLL ­ PAGAMENTO INSUFICIENTE  Recorrente  TERRAR INDUSTRIA E COMERCIO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 1998  PAGAMENTO  A  MENOR  DE  CSLL.  ÔNUS  DA  PROVA  DO  CONTRIBUINTE.  AUSÊNCIA  DE  PROVAS  A  CORROBORAR  O  RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO.  Para  que  se  rechace  o  Auto  de  Infração,  lavrado  em  função  de  elementos  probatórios  não  apresentados  pelo  Contribuinte,  torna­se  mister  a  apresentação  de  elementos  suficientes  a  apontar  o  equívoco  da  Autoridade  Fiscal.  Alegações  genéricas  de  quitação  desacompanhadas  de  seus  respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação.  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  ART.  106.  RECONHECIMENTO  DE  OFÍCIO.  Advindo lei posterior na qual se exonera a punibilidade do Contribuinte, faz­ se mister seu reconhecimento de ofício.      Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso e, no mérito, dar­lhe parcial provimento, apenas para exonerar a multa de ofício.   (assinado digitalmente)  Ailton Neves da Silva ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 00 05 68 /2 00 3- 46 Fl. 93DF CARF MF     2   (assinado digitalmente)  Breno do Carmo Moreira Vieira ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva  (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo  Abrantes Nunes.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário (e­fls. 76 à 78)  interposto contra o Acórdão  n°  12­84.025,  proferido  pela  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  I  (e­fls.  64  à  67),  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  improcedente a Impugnação, tocante à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido  –  CSLL,  mantendo  a  exigência  da  contribuição,  código  2973,  no  valor  de  R$  1.000,01,  acrescida da multa de ofício de 75% e dos juros moratórios cabíveis.  Por  representar  acurácia  na  análise  dos  fatos,  faço  uso  do  Relatório  do  Acórdão a quo:  DO LANÇAMENTO   Trata o presente processo de lançamento tributário formulado a  partir  de  auditoria  interna  em  DCTF,  relativamente  a  fatos  geradores ocorridos no ano­calendário 1998.  A  exigência  fiscal  fora  fundamentada  nos  dispositivos  legais  relacionados no auto de infração (fls.05/10).  DO RECURSO   Inconformada  com  o  feito  fiscal,  do  qual  tomou  ciência  em  21/07/2003  (cfr,  cópia  do  AR  SEDEX  ESPECIAL  de  fl.32),  a  interessada  interpôs  impugnação  de  fl.03,  tendo  sido  protocolizada  na ARF – RIO CLARO/SP,  em 15/08/2003,  onde  alega que:  DO DIREITO   · “Data  vênia”,  o  auto  de  infração  não  tem  qualquer  procedência  uma  vez  que  em  30/04/1998  efetuou  os  pagamentos  parciais  do  débito  apurado,  no  valor  de  R$  4.398,69  conforme  Darf  juntado  aos  autos,  e  como  o  pagamento  do  principal  ocorreu  dentro  do  prazo  legal,  assim improcedem a multa e os juros de mora;  · O  valor  declarado  em  DCTF,  referente  ao  primeiro  trimestre  de  1998,  está  incorreto,  onde  consta  o  valor  R$  16.196,08,  porém  o  valor  da  DIPJ  1999/1998  é  deR$  13.196,08,  valor  este  quitado  pelos  Darf(s),  com  Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13890.000568/2003­46  Acórdão n.º 1002­000.494  S1­C0T2  Fl. 94          3 vencimentos em 30/04/1998, 29/05/1998 e 30/06/1998, com  os  valores  do  principal,  R$  4.398,69  e  juros  nos  vencimentos  de  29/05/1998,  de R$  43,99  e  30/06/1998,  de  R$ 115,69;  CONCLUSÃO   À vista do exposto, tendo em vista os pagamentos efetuados,  demonstrada  a  insubsistência  e  improcedência  do  lançamento requer seja acolhida esta impugnação a fim de  se cancelar o débito.  DA REVISÃO DE OFÍCIO   A  SECAT/DRFB/PIRACICABA  –  SP,  em  análise  do  pedido  de  cancelamento  do  crédito  tributário  apontado  pelo  auto  de  infração  nº  0002044  (fls.05/10),  emitiu  parecer  e  despacho  decisório  de  fls.54/55,  assim  se  pronunciando,  como  abaixo  se  reproduz:  À vista da documentação acostada aos autos do processo, e  em  consulta  aos  sistemas  da  RFB  em  fls.  27  a  39,  identificou­se a disponibilidade do pagamento realizado em  30/04/1998,  no  valor  de  R$  4.398,69,  relativo  à  primeira  quota de CSLL do primeiro trimestre de 1998 (fl. 20).  O  processamento  do  recálculo,  com  a  alocação  deste  pagamento,  resultou  em  um  saldo  a  pagar  da  Io  quota  no  valor de R$ 1.000,01, conforme se comprova no extrato em  fls. 40 a 42.  Quanto  aos  pagamentos  com  vencimento  em 29/05/1998  e  30/06/1998,  verificou­se  que  estes  foram  devidamente  alocados às outras quotas de CSLL do primeiro trimestre de  1998,  nos  autos  do  processo  administrativo  n°  13890.000316/2001­55 (fls. 32 e 34).  Em  relação  às  diferenças  de  valor  entre  a DCTF  e DIPJ,  contatou­se  que  o  requerente  informou  na  DIPJ/1999  entregue em 28/09/1999 um débito de CSLL no  Io  trimestre  de 1998 de R$ 13.196,08, declarando na DCTF entregue em  01/09/1998 a quantia de R$ 16.196,08, fls. 35 a 39.  Em  virtude  do  poder  de  síntese  manifestado  em  Recurso  Voluntário,  transcrevo suas razões:  (...)  No  entanto,  tal  decisão  não  parece  nem  justa  nem  equitativa;  muito menos lógica.  De  fato,  no  item  DA  REVISÃO  DE  OFÍCIO  que  integra  o  RELATÓRIO, extrai­se:  “Quanto  aos  pagamentos  com  vencimento  em  29/05/1998  e  30/06/1998,  verificou­se  que  estes  foram  devidamente  alocados  às  outras  quotas  de  CSLL  do  primeiro  trimestre  de  1998,  nos  Fl. 95DF CARF MF     4 autos do processo administrativo n° 13890.000316/2001­55 (fls.  32 e 34).  Em  relação  às  diferenças  de  valor  entre  a  DCTF  e  DIPJ,  constatou­se que o requerente informou na DIPJ/1999 entregue  em 28/09/1999 um débito de CSLL no 1° trimestre de 1998 de R$  13.196,08,  declarando  na  DCTF  entregue  em  01/09/1998  a  quantia de R$ 16.196,08 (fls. 35 a 39).”  Conforme pode ser verificado por documentos trazidos aos autos  pela  própria  recorrida  (fls.  32/34),  as  extinções  dos  créditos  tributários  relativos  às  quotas  de  CSLL  com  vencimentos  de  29/05/1998 e de 30/06/1998 deram­se, ambos, pelo montante de  R$ 4.398,69.  Ou seja, para essas quotas, a recorrida aceitou o montante total  declarado pela recorrente na DIPJ/1999, ou seja, R$ 13.196,08;  ora,  trata­se da obrigação principal da CSLL relativa aos fatos  geradores do primeiro trimestre de 1998.  O  lançamento  tributário  aqui,  portanto,  é  o  do  primeiro  trimestre de 1998; se a recorrida já aceitou os pagamentos das  quotas  de  29/05/1998  e  30/06/1998  com  base  nas  informações  prestadas  na  DIPJ/1999,  não  pode  exigir  outro  valor  para  extinguir a quota com vencimento em 30/04/1998.  Adotar  esse  entendimento  equivale  a  dizer  que  a  recorrida  aceitou o parcelamento da obrigação principal relativa aos fatos  geradores ocorridos no primeiro trimestre de 1998, em 3 quotas,  considerando  2  possíveis  valores  para  a  mesma  obrigação  principal.  Isso é uma postura inaceitável e não encontra guarida na melhor  doutrina tributária.  A cada lançamento tributário equivale uma obrigação principal  determinada;  em  outras  palavras,  um  lançamento  tributário  só  pode gerar um valor específico para o quantum debeatur.  No presente  caso, a recorrida  já aceitou a obrigação principal  no montante de R$ 13.196,08,  conforme DIPJ/1999  já anexada  aos autos.  Face  ao  exposto,  requer­se  a  integral  procedência  do  presente  RECURSO VOLUNTÁRIO, culminando com a extinção da quota  de  CSLL  com  vencimento  em  30/04/1998  pelo  valor  de  R$  4.398,69.  Não  restou  juntada  nenhuma  prova  adicional  quando  da  apresentação  recursal.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13890.000568/2003­46  Acórdão n.º 1002­000.494  S1­C0T2  Fl. 95          5 Admissibilidade  O Recurso Voluntário  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade  intrínsecos,  uma vez que  é  cabível,  há  interesse  recursal,  a  recorrente detém  legitimidade  e  inexiste  fato  impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, supre os pressupostos  de  admissibilidade  extrínsecos,  pois  há  regularidade  formal,  inclusive  estando  adequada  a  representação  processual,  e  apresenta­se  tempestivo,  tendo  respeitado  o  trintídio  legal,  na  forma  exigida  no  art.  33  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  que  dispõe  sobre  o  processo  administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do  art. 23­B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017.  Portanto, conheço do Recurso Voluntário.  Mérito  Quanto  ao  mérito,  não  tem  razão  o  Recorrente,  haja  vista  a  ausência  de  provas aptas a chancelar seu pedido.  Impende resumir que o cerne do presente PAF é o pagamento a menor (não  localizado), decorrente de CSLL. Nesse espeque, o Contribuinte alega ter quitado a quantia em  aberto, sustentando seu argumento nas DARFs (1° Trimestre de 1998) outrora juntadas desde a  etapa da exordial.   No deslinde do processo, o Recorrente apresentou acervo probatório válido, o  qual culminou na revisão fiscal do auto  lavrado,  reduzindo substancialmente o valor cobrado  pelo Fisco. Noutro giro, embora pleiteie pelo cancelamento  total da autuação, o Contribuinte  não logrou lastrear seu pedido com provas suficientes a mitigar aquela. Aliás, vale ressaltar que  a quantia de R$ 4,398,69 mencionada no Recurso Voluntário  foi  devidamente  expurgada do  quantum  total  do  Auto  de  Infração,  tanto  é  que  só  restaram  para  cobrança  os  R$  1.000,01  residuais. Tal circunstância restou configurada desde o Despacho Decisório n° 323/2011 (e­fl.  54), cujo teor transcrevo:  RELATÓRIO  Trata o presente processo de impugnação de Auto de Infração de  CSLL em fls. 02 a 08.  Na impugnação em fl. 01, o contribuinte alega o pagamento das  três  quotas  do  tributo  dentro  do  vencimento,  com  os  devidos  acréscimos legais, quitando­as integralmente.  Aduz,  também,  erro  no  preenchimento  da  DCTF  relativa  ao  débito  de CSLL do  Io  trimestre  de  1998,  afirmando que  o  valor  exato da exação seria aquele informado na DIPJ/1999, no valor  de R$ 13.196,08.  Para sustentar sua tese, anexou ao requerimento cópia de DARF  em fl. 09.  É o relatório.  FUNDAMENTAÇÃO  Fl. 97DF CARF MF     6 À vista da documentação acostada aos autos do processo, e em  consulta  aos  sistemas  da RFB  em  fls.  27  a  39,  identificou­se  a  disponibilidade do pagamento realizado em 30/04/1998, no valor  de R$ 4.398,69, relativo à primeira quota de CSLL do primeiro  trimestre de 1998 (fl. 20).  O  processamento  do  recálculo,  com  a  alocação  deste  pagamento, resultou em um saldo a pagar da Io quota no valor de  R$ 1.000,01, conforme se comprova no extrato em fls. 40 a 42.  Quanto  aos  pagamentos  com  vencimento  em  29/05/1998  e  30/06/1998,  verificou­se  que  estes  foram  devidamente  alocados  às  outras  quotas  de  CSLL  do  primeiro  trimestre  de  1998,  nos  autos do processo administrativo n° 13890.000316/2001­55 (fls.  32 e 34).  Em  relação  às  diferenças  de  valor  entre  a  DCTF  e  DIPJ,  contatou­se  que  o  requerente  informou  na DIPJ/1999  entregue  em 28/09/1999 um débito de CSLL no Io trimestre de 1998 de R$  13.196,08,  declarando  na  DCTF  entregue  em  01/09/1998  a  quantia de R$ 16.196,08, fls. 35 a 39.  CONCLUSÃO  Face  ao  exposto,  no  exercício  das  atribuições  do  cargo  de  Auditor­Fiscal  da RFB,  e  considerando o  princípio da  verdade  material, assim como das normas que regem a revisão de ofício  do lançamento, art. 145, III c/c art. 149, VIII, do CTN, conclui­se  pela alteração do lançamento, na forma do extrato em fls. 40 a  43.  Tendo  sido  instaurada  a  fase  litigiosa  do  procedimento  fiscal,  pela  apresentação  tempestiva  da  impugnação,  conforme  se  comprova  na  cópia  do  AR  em  fl.  23,  proponho  o  encaminhamento  deste  processo  a  DRJ  para  julgamento  das  demais alegações do contribuinte.  É o parecer.  Quanto  ao mais,  tais  aspectos  foram detalhadamente  reiterados  em  sede  de  Acórdão a quo, os quais utilizo como parte integrante do presente decisum, em homenagem ao  §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF:  DO MÉRITO   DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS   Trata­se de auto de infração com origem em auditoria interna de  DCTF, onde foram detectadas inconsistências no 1º trimestre do  ano­calendário  de  1998  quanto  aos  valores  declarados  e  recolhidos.  A interessada, em sua peça de defesa de fl.03, assevera ter pago  todas as três quotas do 1º  trimestre do ano­calendário de 1998  dentro  do  prazo  legal,  conforme  documentação  juntada  aos  autos,  e  que  assim,  o  auto  de  infração  nº  0002044,  de  fl.05/10  seria  improcedente.  Acrescenta,  outrossim,  ter  havido  um  engano  quanto  à  DCTF  deste  1º  trimestre,  declarou  R$  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13890.000568/2003­46  Acórdão n.º 1002­000.494  S1­C0T2  Fl. 96          7 16.196,08,  quando  em  verdade,  segundo  sua  DIPJ  1999/1998  seria R$ 13.196,08.  O  trabalho  de  revisão  fiscal  levado  a  efeito  pela  SECAT/DRFB/PIRACICABA  –  SP,  em  recálculo  do  crédito  tributário, se manifestou, informando que o pagamento por meio  de  DARF,  de  fl.12  (R$  4.398,69,  em  30/04/1998),  foi  devidamente  alocado,  o  que  veio  a  transformar  o  crédito  tributário  de  R$  5.398,70  (1ª  quota),  em  apenas,  como  saldo  remanescente,  em  R$  1.000,01  (R$  5.398,70  –  R$  4.398,69)(fls.49/52).  No  que  tange  às  duas  outras  quotas,  com  vencimentos  em  20/05/1998 e 30/06/1998, seus recolhimentos foram devidamente  alocados e se encontram nos autos do processo administrativo nº  13890.000316/2001­55(fls.41/43).  Pois bem, haja vista que os valores de recálculo já constam do  EXTRATO  DO  PROCESSO  (fl.60),  nada  mais  a  ser  feito  ou  refeito, a não ser ratificar o trabalho de revisão supradito.  DAS  CONSIDERAÇÕES  FINAIS  Do  exposto,  entendo  que  o  parecer/despacho  decisório  exarado  pela  SECAT/DRFB/PIRACICABA – SP deva ser ratificado, no intuito  de  ser  expurgado  do  cômputo  total  do  auto  de  infração  nº  0002044, de fl.05/10, cujo valor Principal da Contribuição é de  R$ 5.398,70, o valor do pagamento da 1ª quota do 1º trimestre,  realocado,  de  R$  4,398,69  (fl.12),  comprovadamente  alocado  (fls.49/52).  DA CONCLUSÃO   Dessa  forma,  DECIDO  pela  MANUTENÇÃO  do  débito  remanescente, uma vez que a interessada não logrou elidi­lo, da  contribuição,  sob  o  código  2973,  CSLL  –  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO,  no montante  de R$  1.000,01,  sobre  os  quais  deverão  incidir a multa de ofício de 75% e os juros moratórios cabíveis.  Portanto,  em  respeito  à  verdade  material  e  à  escorreita  instrução  carreada  neste Processo Administrativo Fiscal,  torna­se mister desacatar o pleito do Contribuinte, pois  não  há  qualquer  comprovação  de  erro  de  fato,  e  tampouco  elementos  probatórios  aptos  a  lastrear a improcedência do Auto de Infração.  Da multa de ofício  Outrossim, há de se reconhecer o afastamento da multa de ofício, com fulcro  no princípio da retroatividade benigna, consignado no art. 106 do CTN. Conforme se examina  na análise intertemporal, a legislação vigente à época do lançamento era a Medida Provisória  n° 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, cujo teor do art. 90 continha a seguinte redação:  Art.  90.  Serão  objeto  de  lançamento  de  ofício  as  diferenças  apuradas,  em  declaração  prestada  pelo  sujeito  passivo,  decorrentes  de  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  indevidos  ou  não  comprovados,  Fl. 99DF CARF MF     8 relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela  Secretaria da Receita Federal.  Contudo, tal panorama legislativo foi alterado pela Lei n° 10.833/2003 (com  redação dada pela Lei n° 11.051/04), retirando a exigibilidade da multa para as circunstâncias  diversas daquelas insculpidas em seu art. 18, leia­se:  Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida  Provisória no 2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à  imposição de multa  isolada em razão da não­homologação de  compensação  declarada  pelo  sujeito  passivo  nas  hipóteses  em  que  ficar  caracterizada  a  prática  das  infrações  previstas  nos  arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964.  (...)  § 4oA multa prevista no caput deste artigo também será aplicada  quando  a  compensação  for  considerada  não  declarada  nas  hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no9.430, de 27 de  dezembro de 1996. (GN)  Logo,  torna­se  imperativo  reconhecer  o  beneplácito  decorrente  da  modificação legal, exonerando o Contribuinte da multa de ofício que lhe foi aplicada.    Dispositivo  Ante o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar­ lhe parcial provimento, apenas para exonerar a multa de ofício.  É como Voto.    (assinado digitalmente)  Breno do Carmo Moreira Vieira                              Fl. 100DF CARF MF

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Numero do processo: 13864.720253/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE A autoridade administrativa não é competente para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Improcedentes as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.
Numero da decisão: 1201-002.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE A autoridade administrativa não é competente para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Improcedentes as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplica-se idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos.

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1201­002.331  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de julho de 2018  Matéria  SIMPLES NACIONAL ­ OMISSÃO DE RECEITAS  Recorrente  VETEC COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA.   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2007  INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE  A  autoridade  administrativa  não  é  competente  para  apreciar  inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo.  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.  Improcedentes as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos  quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.  SIMPLES  NACIONAL.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  PRESUNÇÃO.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.  Caracterizam­se  como  omissão  de  receita,  por  presunção  legal,  os  valores  creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.  O Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  conforme  sua  Súmula nº 2.  OUTROS  TRIBUTOS  OU  CONTRIBUIÇÕES.  LANÇAMENTO  REFLEXO.  Havendo  a  omissão  de  receita  tributável  pelo  IRPJ,  aplica­se  idêntico  entendimento  aos  demais  tributos  e  contribuições  sociais,  com  a  incidência  sobre os mesmos fatos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 02 53 /2 01 1- 46 Fl. 990DF CARF MF     2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.   (assinado digitalmente)  Eva Maria Los ­ Presidente em exercício.   (assinado digitalmente)  Rafael Gasparello Lima ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Eva  Maria  Los  (presidente  em  exercício),  José  Carlos  de  Assis  Guimarães,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Rafael  Gasparello  Lima,  Paulo  Cezar  Fernandes  de  Aguiar,  Gisele  Barra  Bossa,  Lizandro  Rodrigues de Sousa  (suplente convocado  em  substituição à  conselheira Ester Marques Lins  de  Sousa ) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis  Fabiano Alves  Penteado). Ausentes,  justificadamente,  os  conselheiros Ester Marques  Lins  de  Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.  Relatório  O  acórdão  nº  05­38.281,  proferido  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Campinas,  julgou  improcedente  a  impugnação  administrativa,  conforme se extrai da sua ementa:  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO  DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007  LANÇAMENTO.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.  A não comprovação da origem dos valores depositados em conta  bancária  após  regular  intimação,  autoriza  a  presunção  de  omissão de receita.   INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.  A  declaração  de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade  de  leis  e  atos  normativos  é  prerrogativa  do  Poder  Judiciário,  não  podendo ser apreciada pela Administração Pública.  PROCEDIMENTO  FISCAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  VIOLAÇÃO.  ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO FISCAL. INOCORRÊNCIA.  O  atendimento  por  parte  do  contribuinte  às  intimações  fiscais  sobre as operações  financeiras  realizadas  em contas bancárias  de  sua  titularidade  não  configura  indevida  violação  do  sigilo  bancário, visto que sob seu consentimento.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido   Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13864.720253/2011­46  Acórdão n.º 1201­002.331  S1­C2T1  Fl. 274          3 Resumidamente,  o  acórdão  recorrido  narrou  os  fatos  que proporcionaram  a  imposição fiscal:  Trata­se de crédito lançado contra empresa optante pelo Simples  compreendendo  o  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ,  Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, Contribuição para o  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  Cofins,  Contribuição  para  o  PIS/Pasep,  e  à  Contribuição  Patronal  Previdenciária,  conforme  Demonstrativos  Consolidados  do  Crédito  Tributário,  fls. 02 e fls. 05.  Conforme  Termo  de  Verificação  Fiscal,  fls.  604/607,  o  contribuinte foi intimado no Termo de Início de Ação Fiscal (fls.  42/44),  datado  de  26/03/2010,  a  apresentar  os  documentos  constitutivos  da  empresa,  livros  contábeis  fiscais  e  os  extratos  bancários  de  todas  as  contas­correntes,  de  aplicações  financeiras  e  cadernetas  de  poupança  de  todas  as  contas  mantidas  pelo  declarante  junto  a  instituições  financeiras  no  Brasil e no exterior.  Relata a fiscalização que, em correspondência de 10/08/2010, o  contribuinte apresentou os extratos dos Bancos Banco do Brasil;  Itaú;  Bradesco,  Safra  e  Caixa  Econômica  Federal  –  e,  posteriormente,  enviou  o  extrato  bancário  do  Banco  Real,  em  carta de 30/08/2010.  Após a análise dos extratos, a fiscalização intimou o contribuinte  a  comprovar  os  créditos  bancários  apurados  nos  respectivos  extratos, de acordo com planilha para comprovação de créditos,  já  excluídos  desta  planilha  os  créditos  oriundos,  conforme  histórico,  das  reapresentações  de  cheques  devolvidos,  transferência  de  depósitos  de  mesma  titularidade,  bem  como  empréstimos para cobertura de saldos negativos.  Segundo relata a fiscalização, o contribuinte apresentou planilha  com origem dos valores depositados, parte destes considerados  comprovados conforme Termo às fls. 552, porém em relação aos  demais  valores,  justificados  pelo  contribuinte  como  sendo  empréstimos bancários, não houve apresentação dos respectivos  contratos,  à  exceção  do  contrato  com  a  Caixa  Econômica  Federal.  Tendo  em  vista  que  os  valores  excederam o  faturamento  anual  que  permite  o  enquadramento  no  Simples,  conforme  determinação  legal,  foi  elaborada  Representação  Fiscal  para  exclusão do contribuinte do Simples.  Após  ciência  da  autuação  em  19/12/2011,  mediante  remessa  postal,  fls.  710,  o  contribuinte  apresentou  defesa,  fls.  712/734  alegando em síntese o que segue.  Afirma  que  é  empresa  optante  da  sistemática  simplificada  de  arrecadação  de  tributos  SIMPLES  e  foi  fiscalizada  unicamente  com  base  em  sua  movimentação  bancária,  referente  ao  ano  calendário  2007,  e,  como  houve  alteração  para  o  SIMPLES  Nacional no período, foram lavrados dois autos de infração que  Fl. 992DF CARF MF     4 compõem este processo, o que enseja a apresentação de defesa  única para ambos os períodos, os quais padecem do mesmo vício  de inconstitucionalidade por quebra do sigilo bancário.  Destaca que grande parte da movimentação bancária se refere a  empréstimos  bancários  obtidos  e  reconhecidos  pela  autoridade  fiscal  em  seu  relatório,  motivo  pelo  qual  não  configuram  “auferimento”  de  renda,  não  se  confundindo  com  faturamento  ou  receita  bruta,  e  não  sendo  base  de  cálculo  para  as  contribuições sociais exigidas, devendo ser anulada a autuação  por se originária de prática abusiva, ilegal e inconstitucional da  quebra do sigilo bancário e com base de cálculo que comporta  valores estranhos a sua regra matriz constitucional.  Aduz  que  o  direito  ao  sigilo  bancário  é  cláusula  pétrea  constitucional,  não  podendo  ser  violado  pelo  Fisco  e  não  havendo no presente caso qualquer das hipóteses contidas na Lei  Complementar n°105/01,  sendo  inconstitucional a utilização de  dados  sigilosos  em  situações  outras  que  não  as  expressamente  previstas em seu artigo 1°  , §4°, Transcreve decisão recente do  STF  pacificando  a  questão  no  tocante  à  quebra  do  sigilo  bancário que somente se dá mediante autorização judicial, .  Alega que os empréstimos bancários obtidos junto às instituições  financeiras  não  podem  ser  base  de  incidência  do  imposto  de  renda, que tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade  econômica e acréscimo patrimonial conforme artigo 43 do CTN,  não  podendo  ser  tributado  com  base  em  presunção,  transcrevendo jurisprudência administrativa a respeito.  Acrescenta que os empréstimos bancários não se confundem com  o fato gerador das contribuições ao PIS e COFINS, pois não são  produtos  do  exercício  da  atividade  empresarial  e  diferem  do  conceito  de  faturamento  e  receita  bruta,  sendo  ilegal  sua  tributação.  Requereu  ao  final  a  nulidade  da  autuação  pela  inconstitucionalidade  da  quebra  do  sigilo  bancário  e  alargamento das hipóteses de incidência dos tributos exigidos.  Juntou  documentos,  fls.  735/856:  cópia  contrato  social  e  da  presente autuação.  Às  fls. 711, consta que foi elaborado Termo de Arrolamento de  bens. Este processado sob n° 13864.720272/201172.  A  contribuinte  interpôs  o  tempestivo  Recurso  Voluntário,  reiterando  os  mesmos argumentos da impugnação administrativa.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator.  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo,  havendo  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.  Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13864.720253/2011­46  Acórdão n.º 1201­002.331  S1­C2T1  Fl. 275          5 I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO  O  acórdão  recorrido  ratificou  a  exigência  tributária,  explicitando  a  inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício.  Igualmente,  não  vislumbro  quaisquer  das  hipóteses  dos  artigos  59  e  60  do  Decreto  nº  70.235/19721,  ratificando  a  ausência  de  nulidade  e  prevalecendo  a  validade  da  constituição do crédito tributário, tal como formalizado.  Por  sua  vez,  não  é  nula  a  exigência  consubstanciada  em  informações  financeiras  da  contribuinte,  obtidas  pela  Receita  Federal  do  Brasil  sem  prévia  autorização  judicial.   Atualmente,  a  jurisprudência  do  Egrégio  Supremo  Tribunal  Federal,  uniformizada  pelo  acórdão  prolatado  no  Recurso  Extraordinário  (RE)  nº  601.314/SP,  com  efeito da repercussão geral estabelecida no artigo 543­B do Código de Processo Civil vigente à  época, possibilita o acesso dessas informações bancárias no exercício do procedimento fiscal:  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL.  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DIREITO  AO  SIGILO  BANCÁRIO.  DEVER  DE  PAGAR  IMPOSTOS.  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  DA  RECEITA  FEDERAL  ÀS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  ART.  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  105/01.  MECANISMOS  FISCALIZATÓRIOS.  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF.  PRINCÍPIO  DA  IRRETROATIVIDADE  DA  NORMA  TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01.  1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre  o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos  referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que  se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da  tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a  autonomia individual e o autogoverno coletivo.  2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é  uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em  ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências  ou  ofensas,  qualificadas  como  arbitrárias  ou  ilegais,  de  quem  quer  que  seja,  inclusive  do  Estado  ou  da  própria  instituição  financeira.                                                              1 “Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;   II ­ os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.   §  1º  A  nulidade  de  qualquer  ato  só  prejudica  os  posteriores  que  dele  diretamente  dependam  ou  sejam  conseqüência.   § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao  prosseguimento ou solução do processo.   § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a  autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir­lhe a falta.   Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em  nulidade e  serão sanadas quando  resultarem em prejuízo para o  sujeito passivo,  salvo  se este  lhes houver dado  causa, ou quando não influírem na solução do litígio”     Fl. 994DF CARF MF     6 3.  Entende­se  que  a  igualdade  é  satisfeita  no  plano  do  autogoverno  coletivo  por  meio  do  pagamento  de  tributos,  na  medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez  vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação  das necessidades coletivas de seu Povo.  4.  Verifica­se  que  o  Poder  Legislativo  não  desbordou  dos  parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de  conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu  requisitos  objetivos  para  a  requisição  de  informação  pela  Administração Tributária às instituições financeiras, assim como  manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras  do contribuinte, observando­se um translado do dever de  sigilo  da esfera bancária para a fiscal.   5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01  não  atrai  a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  uma  vez  que  aquela  se  encerra  na  atribuição  de  competência  administrativa  à  Secretaria  da  Receita  Federal,  o  que  evidencia  o  caráter  instrumental  da  norma  em  questão.  Aplica­se,  portanto,  o  artigo  144,  §1º,  do  Código  Tributário  Nacional.  6.  Fixação  de  tese  em  relação  ao  item  “a”  do  Tema  225  da  sistemática  da  repercussão  geral:  “O  art.  6º  da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende  o  direito  ao  sigilo  bancário,  pois realiza a  igualdade em relação aos cidadãos, por meio do  princípio  da  capacidade  contributiva,  bem  como  estabelece  requisitos  objetivos  e  o  translado  do  dever  de  sigilo  da  esfera  bancária para a fiscal”.  7.  Fixação  de  tese  em  relação  ao  item  “b”  do  Tema  225  da  sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  tendo em vista o caráter  instrumental da norma, nos termos do  artigo 144, §1º, do CTN”.  8. Recurso extraordinário a que se nega provimento.  O  artigo  145,  parágrafo  primeiro,  da  Constituição  Federal,  consagra  o  princípio da capacidade contributiva, orientando que  "sempre que possível os  impostos  terão  caráter  pessoal  e  serão  graduados  segundo  a  capacidade  econômica  do  contribuinte,  facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos,  identificar,  respeitados  os  direitos  individuais  e  nos  termos  da  lei,  o  patrimônio,  os  rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte."  A autoridade administrativa é competente para exigir informações financeiras  da  contribuinte,  mediante  intimação  escrita,  consoante  o  artigo  197  do  Código  Tributário  Nacional:  "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à  autoridade  administrativa  todas  as  informações  de  que  disponham  com  relação  aos  bens,  negócios  ou  atividades  de  terceiros:  (...)  Fl. 995DF CARF MF Processo nº 13864.720253/2011­46  Acórdão n.º 1201­002.331  S1­C2T1  Fl. 276          7 II  –  os  bancos,  casas  bancárias,  Caixas  Econômicas  e  demais  instituições financeiras;"  A  Lei  Complementar  nº  105/2001  permitiu  a  requisição  de  informações  diretamente nas instituições financeiras, ressaltando que não configuraria violação ao dever de  sigilo:  Art.1º  As  instituições  financeiras  conservarão  sigilo  em  suas  operações ativas e passivas e serviços prestados.   (...)   §3º Não constitui violação do dever de sigilo:  (...)  VI  –  a  prestação  de  informações  nos  termos  e  condições  estabelecidos  nos  artigos  2º,  3º,  4º,  5º,  6º,  7º  e  9º  desta  Lei  Complementar.  (...)  Art.5º  O  Poder  Executivo  disciplinará,  inclusive  quanto  à  periodicidade  e  aos  limites  de  valor,  os  critérios  segundo  os  quais  as  instituições  financeiras  informarão  à  administração  tributária  da  União,  as  operações  financeiras  efetuadas  pelos  usuários de seus serviços.  (...)  §2º As informações transferidas na  forma do caput deste artigo  restringir­se­ão a informes relacionados com a identificação dos  titulares  das  operações  e  os  montantes  globais  mensalmente  movimentados,  vedada  a  inserção  de  qualquer  elemento  que  permita  identificar  a  sua  origem  ou  a  natureza  dos  gastos  a  partir deles efetuados.  (...)  §4º  Recebidas  as  informações  de  que  trata  este  artigo,  se  detectados  indícios  de  falhas,  incorreções  ou  omissões,  ou  de  cometimento  de  ilícito  fiscal,  a  autoridade  interessada  poderá  requisitar  as  informações  e  os  documentos  de  que  necessitar,  bem  como  realizar  fiscalização  ou  auditoria  para  a  adequada  apuração dos fatos.  §5º As  informações  a  que  refere  este  artigo  serão  conservadas  sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor.  Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão examinar documentos, livros e registros de instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente.  Fl. 996DF CARF MF     8 Parágrafo  único. O  resultado  dos  exames, as  informações  e  os  documentos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  conservados  em  sigilo, observada a legislação tributária.    Este instrumento de fiscalização foi aperfeiçoado pela Lei nº 10.174/2001 e o  Decreto  nº  3.724/2001,  com  validade  constitucional  reconhecida  pelo  Colendo  Supremo  Tribunal Federal.   Finalmente,  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  mediante  sua  Súmula  nº  2,  delimita  que  "não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária".  II. MÉRITO  De  acordo  com  artigo  57,  parágrafo  terceiro,  do  Regulamento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (RICARF),  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro  teor,  ressalvando  que  inexistiu  novos  argumentos  ou  provas,  quando  da  interposição  do  Recurso Voluntário:  O  impugnante  alega  que  o  lançamento  padece  de  vicio  de  inconstitucionalidade  por  quebra  de  sigilo  bancário,  colacionando jurisprudência do STF a respeito da requisição de  informações  financeiras  pelo  fisco  diretamente  às  Instituições  Financeiras, sem prévia autorização judicial.  Contudo, da análise dos autos, verifica­se que a  jurisprudência  colacionada  pelo  impugnante  não  guarda  relação  com  o  caso  aqui  debatido,  visto  que  não  houve  solicitação  de  informações  bancárias  por  parte  do  fisco  diretamente  as  Instituições  Financeiras,  tendo  o  contribuinte,  após  regularmente  intimado  em  ação  fiscal,  apresentado  espontaneamente  seus  extratos  bancários,  fls.  542,  porém  não  comprovando  a  origem  dos  “supostos”  empréstimos  concedidos,  o  que  autoriza  o  fisco  ao  levantamento dos valores devidos.  Por outro lado, no tocante às argüições de inconstitucionalidade  em  relação  à  Lei  Complementar  105/2001,  deve­se  esclarecer  que  não  cabe  na  esfera  administrativa  apreciar  alegações  relacionadas  à  validade,  legalidade  ou  constitucionalidade  de  qualquer dispositivo da legislação, dado este controle não ser da  alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do  Poder  Judiciário,  nos  termos  do  art.  102,  incisos  I,  “a”  e  III,  “b” e § 1º da Constituição Federal.  Enquanto  a  norma  não  é  declarada  inconstitucional  pelos  órgãos  competentes  do  Poder  Judiciário  e  não  é  eliminada  do  sistema normativo, tem presunção de validade vinculante para a  Administração Pública.  Quaisquer  discussões  que  versem  sobre  a  constitucionalidade,  legalidade  ou  equidade  das  leis  exorbitam  da  competência  das  autoridades  administrativas,  às  quais  cabe  apenas  cumprir  as  determinações  da  legislação  em  vigor,  principalmente  em  se  tratando  de  norma  validamente  editada,  segundo  o  processo  legislativo constitucionalmente estabelecido.  Fl. 997DF CARF MF Processo nº 13864.720253/2011­46  Acórdão n.º 1201­002.331  S1­C2T1  Fl. 277          9 Nesse  contexto,  a  autoridade  administrativa,  por  força  de  sua  vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele  dá  o  Poder  Executivo,  deve  limitar­se  a  aplicá­la,  sem  emitir  qualquer  juízo  de  valor  acerca  da  sua  constitucionalidade  ou  outros  aspectos  de  sua  validade.  Incabível  é  a  apreciação,  na  esfera  administrativa,  de  alegações  relacionadas  à  validade,  ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação.  Por  fim,  ressalte­se  que  o  Decreto  nº  70.235/72  é  também  expresso  no  sentido  da  impossibilidade  em  comento,  ao  prescrever, em seu art. 26­A, que:  Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.  (...)  § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;  II – que fundamente crédito tributário objeto de:  a)  dispensa  legal  de  constituição  ou  de  ato  declaratório  do  Procurador­Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e  19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;  b) súmula da Advocacia­Geral da União, na forma do art. 43 da  Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou  c)  pareceres  do  Advogado­Geral  da  União  aprovados  pelo  Presidente  da  República,  na  forma  do  art.  40  da  Lei  Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” grifei  Sustenta ainda o impugnante que os depósitos em conta corrente  seriam decorrentes de empréstimos bancários que não podem ser  considerados fatos geradores do Imposto de Renda e das demais  contribuições sociais.   Cumpre registrar que a autoridade fiscal intimou o contribuinte  a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas  bancárias  que  relacionou  em  anexo  à  intimação,fls.  527/539,  mediante “documentação hábil e idônea, da origem dos recursos  utilizados  nessas  operações”.  Ressaltou,  ainda,  no  referido  Termo  que  “a  não  comprovação  da  origem  dos  recursos  utilizados  nas  operações  de  crédito  ensejará  lançamento  de  ofício,  a  título  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimento,  nos  termos do artigo 849, do RIR/99, sem prejuízo de outras sanções  legais que couberem”.  Em  resposta,  o  contribuinte  apresentou  planilha,  fls.  579/584,  demonstrando  parte  das  origens  dos  depósitos  efetuados  em  contas  bancárias  de  sua  titularidade,  todavia,  em  relação  aos  Fl. 998DF CARF MF     10 empréstimos  bancários,  consta  do  item  11  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  que  não  apresentou  todos  os  contratos  de  empréstimos  com  as  Instituições  Financeiras,  limitando­se  a  apresentar os contratos com a Caixa Econômica Federal de n°  25.2741.702.000068/91;  25.2741.704.000050/00,  e  25.2741.606.00000007/76,  fls.  597/599,  mas  que  tiveram  sua  liberação em conta em 31/08/2006, período que não corresponde  ao fiscalizado, de 01/2007 a 12/2007.  Cabe  ressaltar  que  o  contribuinte  tem  a  obrigação,  ainda  que  inscrito  no  SIMPLES,  de  manter  sob  boa  guarda  a  prova  das  operações  por  ele  realizadas. Neste  sentido,  a  Lei  nº  9.317,  de  1996:  Art. 7º. A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas  no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada  que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano­ calendário  subseqüente  ao  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3º e 4º.  §  1º  A  microempresa  e  empresa  de  pequeno  porte  ficam  dispensadas  de  escrituração  comercial  desde  que  mantenham,  em boa guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e  não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes:  a)  Livro  Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturada  toda  a  sua  movimentação financeira, inclusive bancária;  b)  Livro  Registro  de  Inventário,  no  qual  deverão  constar  registrados  os  estoques  existentes  no  término  de  cada  ano­ calendário;  c)  todos  os  documentos  e  demais  papéis  que  serviram  de  base  para a escrituração dos referidos livros.  Nesse  contexto  é  que  se  coloca  a  presunção  utilizada  para  formalização  do  presente  lançamento,  veiculada  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996  e  artigo  849  do  Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99:  Art.42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.  § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.  Decreto nº 3.000/99 RIR  Fl. 999DF CARF MF Processo nº 13864.720253/2011­46  Acórdão n.º 1201­002.331  S1­C2T1  Fl. 278          11 Art.849.Caracterizam­se também como omissão de receita ou de  rendimento,  sujeitos  a  lançamento  de  ofício,  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  a  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimada,  não  comprove,  mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos  utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42).  Ademais,  no  presente  lançamento  foi  adotada  a  forma  de  tributação  pela  sistemática  do  Simples,  por  meio  da  qual,  evitando que a  tributação  incida  sobre o patrimônio,os  valores  devidos  são  obtidos  mediante  aplicação  de  percentual  sobre  a  receita, em função da faixa em que essa se enquadra, conforme  preceitua o artigo 23 da Lei nº 9.317, de 1996,  Partindo­se  da  premissa  segundo  a  qual  o  contribuinte  está  inserido  no  regime  simplificado  de  pagamento  de  impostos  e  contribuições Simples, as alegações sobre a composição da base  de  cálculo  e  regime  de  apuração  de  cada  exação  considerada  individualmente  perde  terreno  fértil.  Isto  porque,  a  partir  da  opção ao regime do Simples,  o  contribuinte optante passa a  se  submeter a um regime substitutivo, onde a tributação se dá pela  incidência  de  percentual  variável  conforme  o  faturamento  do  contribuinte.  Dispunha  a  Lei  nº  9.317/96  sobre  o  Simples  Federal, verbis:  Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considera­se:  (...).  § 2º Para os  fins do disposto neste artigo, considera­se  receita  bruta o produto da  venda de bens  e  serviços nas operações de  conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas  operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e  os descontos incondicionais concedidos.  Art.  3º  A  pessoa  jurídica  enquadrada  na  condição  de  microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art.  2º,  poderá  optar  pela  inscrição  no  Sistema  Integrado  de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.  §  1º  A  inscrição  no  SIMPLES  implica  pagamento  mensal  unificado dos seguintes impostos e contribuições:  a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ;  b)  Contribuição  para  os Programas  de  Integração  Social  e  de  Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP;  c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL;  d)  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  COFINS;  e) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI;  Fl. 1000DF CARF MF     12 f)  Contribuições  para  a  Seguridade  Social,  a  cargo  da  pessoa  jurídica,  de  que  tratam  a  Lei  Complementar  no  84,  de  18  de  janeiro  de  1996,  os  arts.  22  e  22­A  da  Lei  no  8.212,  de  24  de  julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994.  Art.  5°  O  valor  devido  mensalmente  pela  microempresa  e  empresa  de  pequeno  porte,  inscritas  no  SIMPLES,  será  determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal  auferida, dos seguintes percentuais:  I  para  a microempresa,  em  relação  à  receita  bruta  acumulada  dentro do ano­calendário:  (...)  II para a empresa de pequeno porte, em relação à receita bruta  acumulada dentro do ano­calendário;  (...)  § 1º O percentual a  ser aplicado em cada mês, na  forma deste  artigo,  será  o  correspondente  à  receita  bruta  acumulada  até  o  próprio mês.  §  2º  No  caso  de  pessoa  jurídica  contribuinte  do  IPI,  os  percentuais referidos neste artigo serão acrescidos de 0,5 (meio)  ponto percentual.  Art.  6º  O  pagamento  unificado  de  impostos  e  contribuições  devidos  pela  microempresa  e  pela  empresa  de  pequeno  porte  inscritas no Simples  será  feito de  forma centralizada até o 20o  (vigésimo)  dia  do mês  subseqüente  àquele  em  que  houver  sido  auferida a receita bruta.  Vê­se,  portanto,  que  não  estão  sendo  tributados  os  depósitos  bancários  (créditos  em  conta)  em  si,  mas  a  renda  que  eles  representam. Os  depósitos  são,  na  verdade,  apenas  a  forma,  o  sinal  de  exteriorização  pelo  qual  se  manifesta  a  omissão  de  receita,  quando  não  comprovada  a  origem  financeira  dos  recursos utilizados.  Outrossim, a defesa não apresentou prova documental (contrato  de  empréstimo)  para  verificação  da  coincidência  de  datas  e  valores  dos  eventuais  empréstimos  liberados  pelo  banco  em  relação aos depósitos questionados.  Portanto,  ao  ser  intimado  pela  fiscalização,  caberia  ao  contribuinte  comprovar  a  origem  de  tais  créditos  bem  como  o  seu  regular  oferecimento  à  tributação,  sob  pena  de  restar  configurada a presunção legal de omissão de receitas.  Neste  contexto,  subsiste  incólume  a  infração  constatada,  impondo­se  a  manutenção  das  exigências  de  IRPJ,  CSLL,  contribuição  ao  PIS,  Cofins  e  Contribuição  ao  INSS,  formalizadas no âmbito da sistemática do SIMPLES.  Diante  do  exposto,  voto  pela  improcedência  da  impugnação  e  pela manutenção do crédito tributário exigido.  Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 13864.720253/2011­46  Acórdão n.º 1201­002.331  S1­C2T1  Fl. 279          13 A Recorrente não evidenciou qualquer argumento  jurídico que  infirmasse  a  constituição do crédito  tributário, ocasionando sua preservação  integral,  consoante o  acórdão  recorrido.  Não  há  elementos  suficientes  para  inverter  o  ônus  da  prova,  que  é  própria  da  contribuinte, demonstrando a inexistência de omissão de receitas.   A  improcedência  sobre  a  presunção  fiscal  de  omissão  de  receita  ocorre  mediante  documentos  hábeis  e  idôneos,  segundo  o  artigo  42  da  Lei  nº  9.430/1996  e  a  explanação do acórdão recorrido. O artigo 923 do Regulamento do  Imposto sobre a Renda e  Proventos  de  Qualquer  Natureza  (RIR/1999),  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.000/1999,  igualmente, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais."   A  presunção  juris  tantum  foi  estabelecida  em  norma  vigente,  invertendo  o  ônus  de  prova  quanto  à  omissão  de  receitas  para  a  contribuinte.  O  Código  de  Processo  Civil/1973, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese  no artigo 334:  "Art. 334. Não dependem de prova os fatos:  (...)  IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade."  Em especial, quanto à valoração da multa de ofício, não qualificada, havendo  previsão  normativa  expressa,  novamente,  não  é  competente  o  presente  rito  para  avaliar  sua  eventual  improcedência,  consoante  a  Súmula  2º  deste Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais.  As considerações acima são bastante para meu convencimento, prescindindo  de qualquer perícia ou outra diligência, segundo o artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972.  Isto  posto,  voto  pelo  conhecimento  do  Recurso  Voluntário,  rejeitando  a  nulidade arguida e, no mérito, NEGO­LHE PROVIMENTO.  (assinado digitalmente)  Rafael Gasparello Lima ­ Relator                                Fl. 1002DF CARF MF

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7513164 #
Numero do processo: 11065.910530/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 SÚMULA CARF 16. O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE

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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-11-12T12:33:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-11-12T12:33:20Z; Last-Modified: 2018-11-12T12:33:20Z; dcterms:modified: 2018-11-12T12:33:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-11-12T12:33:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-11-12T12:33:20Z; meta:save-date: 2018-11-12T12:33:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-11-12T12:33:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-11-12T12:33:20Z; created: 2018-11-12T12:33:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2018-11-12T12:33:20Z; pdf:charsPerPage: 1295; 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matérias­primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados  na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos  termos  do  art.  11  da  Lei  nº  9.779,  de  1999,  alcança,  exclusivamente,  os  insumos  recebidos  pelo  estabelecimento  do  contribuinte  a  partir  de  1º  de  janeiro de 1999.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Maysa de Sá Pittondo Deligne ­ Relatora.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 05 30 /2 01 1- 91 Fl. 500DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Pedro  Sousa  Bispo,  Renato  Vieira  de  Avila  (suplente  convocado)  e  Cynthia  Elena  de  Campos.  Ausente  justificadamente  a  Conselheira  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  sendo  substituída  pelo  Conselheiro  Renato  Vieira  de  Avila  (suplente  convocado).  Relatório  Trata­se de Pedido de Ressarcimento de IPI referente ao 2º trimestre de 2006,  parcialmente  deferido  pela  fiscalização,  ao  qual  foram  vinculados  pedidos  de  compensação.  Conforme  indicado  no  Relatório  Fiscal  das  e­fls.  302/305,  não  foi  reconhecido  o  direito  creditório relativo aos créditos extemporâneos, lançados pelo contribuinte em notas fiscais de  entrada  de  aquisições  de  insumos  anteriores  a  01/01/1999,  portanto  já  prescritos  e  não  ressarcíveis, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e na IN SRF nº 33/99. Como indicado no  relatório:    "3.1. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS INDEVIDOS  Para comprovar os créditos básicos de IPI, o contribuinte relacionou notas fiscais  de própria emissão relativas a créditos extemporâneos de IPI do período anterior à  Lei 9779/99. Esses créditos, além de estarem sujeitos ao efeito da decadência (art.  168,  Código  Tributário  Nacional,  Lei  5172/66),  são  indevidos  por  disposição  expressa da IN/RFB 33/1999, art. 4o., conforme a seguir:  IN 33/1999 ­ Art. 4º ­ O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no  art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de  MP, PI e ME aplicados na  industrialização de produtos,  inclusive  imunes,  isentos  ou  tributados  à  alíquota  zero, alcança,  exclusivamente,  os  insumos  recebidos no  estabelecimento  industrial  ou  equiparado  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1999.  (grifou­se)  Lei 9779/99, art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados ­  IPI, acumulado em cada trimestre­calendário, decorrente de aquisição de matéria­ prima,  produto  intermediário  e  material  de  embalagem,  aplicados  na  industrialização,  inclusive  de  produto  isento  ou  tributado  à  alíquota  zero,  que  o  contribuinte não puder compensar com o  IPI devido na saída de outros produtos,  poderá ser utilizado de  conformidade com o disposto nos arts. 73  e 74 da Lei no  9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da  Receita Federal do Ministério da Fazenda.(grifou­se)." (e­fl. 302/303 ­ grifei)    Inconformada,  a  empresa  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  julgada improcedente, em acórdão ementado nos seguintes termos:    "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006  CRÉDITOS  DO  IPI.  RESSARCIMENTO.  PRESCRIÇÃO.  O  prazo  prescricional  qüinqüenal é aplicável aos pleitos administrativos referentes a créditos do imposto,  conforme  disposição  da  legislação  tributária  sobre  a  matéria  (Decreto  nº  20.910/32).  IPI.  RESSARCIMENTO.  O  direito  ao  aproveitamento/utilização,  nas  condições  estabelecidas no art. 11, da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre  somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matérias­primas, produtos  intermediários  e material  de  embalagem,  ingressados  no  estabelecimento  à  partir  de 01/01/1999, onerados pelo imposto e aplicados na industrialização.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Fl. 501DF CARF MF Processo nº 11065.910530/2011­91  Acórdão n.º 3402­005.716  S3­C4T2  Fl. 501          3 Direito Creditório Não Reconhecido" (e­fl. 468)    Intimada  desta  decisão  em  08/11/2013  (e­fl.  483),  a  empresa  apresentou  Recurso Voluntário em 10/12/2013 (e­fls. 485/496) sustentando, em síntese, a não ocorrência  de prescrição e a validade do crédito pleiteado, vez que a Lei n.º 9.779/99 é dotada de natureza  meramente  declaratória  do  direito  à  não  cumulatividade  consagrado  no  art.  153,  §3º  da  Constituição  Federal  de  1988,  que  vige  desde  sua  promulgação.  Com  isso,  a  Instrução  Normativa  n.º  33/99  teria  extrapolado  sua  competência  ao  indicar  um  marco  inicial  para  a  tomada do crédito do art. 11 da Lei n.º 9.779/1999.  Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho.  É o relatório.  Voto             Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne  O Recurso Voluntário é  tempestivo e merece ser conhecido. A controvérsia  de mérito que envolve o presente Recurso é resolvida pela aplicação da Súmula CARF n.º 16,  na forma exigida pelo art. 45, VI, do Regimento Interno do CARF ­ RICARF. Referida súmula  expressa:    "O  direito  ao  aproveitamento  dos  créditos  de  IPI  decorrentes  da  aquisição  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  utilizados  na  fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do  art.  11  da Lei  nº  9.779,  de  1999, alcança,  exclusivamente,  os  insumos  recebidos  pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999." (grifei)    Assim,  ainda  que  se  ultrapassasse  a  ocorrência  da  prescrição  do  direito  do  contribuinte, cuja análise não resolve a lide no presente caso, o direito creditório pleiteado deve  ser negado, por buscar atingir os  insumos recebidos no estabelecimento do contribuinte antes  de 01/01/1999. Com isso, irretocável o despacho decisório e a r. decisão recorrida.  Diante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Maysa de Sá Pittondo Deligne.                Fl. 502DF CARF MF

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Numero do processo: 10283.720983/2008-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 1916 a 1988) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA (fl. 836 a 854) que manteve parcialmente as Autuações sofridas pela ora Recorrente (fls. 12 a 93). Distribuído os autos anteriormente a este Relator, na sessão de julgamento de 11 de abril de 2017, por unanimidade de votos desta mesma C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a v. Resolução nº 1402-000.430 (fls. 2330 a 2345), determinando diligência para a análise de documentação e outras providências, visando à confirmação de procedência das alegações da Contribuinte. Tendo em vista, então, que trata-se de retorno de diligência, anteriormente determinada por este mesmo Conselheiro, adoto, a seguir, trechos do relatório antes elaborado: O processo, originalmente, versava sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 46 a 93), incluindo aplicação de multa isolada, referente aos anos-calendário de 2003, 2004 e 2007, complementadas por autuação exclusivamente de CSLL (fls. 12 a 23) referente apenas ao ano-calendário de 2003. As Autuações possuem uma multiplicidade de acusações fiscais, podendo ser dividas e organizadas dentro dos seguintes temas (fls. 838 - Relatório Acórdão DRJ): 1. Omissão de receitas decorrente da não comprovação de descontos incondicionais concedidos - com reflexos no IRPJ, PIS, COFINS e 2. Exclusão não autorizada na apuração do lucro real - com reflexo no IRPJ; 3. Falta de adição, ao lucro líquido, da parcela de custo de produtos importados de pessoa vinculada, que excede ao preço parâmetro de transferência - com reflexos no IRPJ e CSLL; 4. Isenção de IRPJ indevida sobre receitas de atividades não incentivadas; 5. Insuficiência de recolhimento de IRPJ, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor do tributo declarado/pago - anos-calendário 2003, 2004 e 2007 (infrações 5 e 6 do AI de IRPJ); 6. Insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor pago - meses fev/02, jan/04, mar/04 (infrações 7 e 8 do AI de IRPJ); 7. Insuficiência de recolhimento da CSLL, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor declarado/pago - anos calendário 2003 e 2004 (infração 1 do AI de CSLL de fls. 09-20); 8. Insuficiência de recolhimento de estimativas mensais da CSLL, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor declarado/pago - meses fev/03, jan/04, mar/04, set/07, nov/07 e dez/07 (infração 2 do AI de CSLL de fls. 09-20); Sustenta e explica a Fiscalização, em suma, que os descontos incondicionais não comprovados são oriundos da diferença entre as devoluções de vendas registradas no Livro de Apuração do ICMS e as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais escriturados na DIPJ; que a redução indevida do lucro real se refere à conta SCRAP DE OBSOLECÊNCIA registrada no LALUR; assim como o Contribuinte não fez qualquer ajuste de preço de transferência de produtos importados na DIPJ. Também aponta objetivamente para ausência de recolhimento de inúmeras estimativas. Cientificada da lavratura das Autuações, a Recorrente ofereceu Impugnação (fls. 737 a 773), alegando a lisura de sua postura tributária e contábil, que podem ser resumidas nos seguintes tópicos e alegações (fls. 839 a 842 - Relatório Acórdão DRJ): Da omissão de receitas 1. Os descontos incondicionais não comprovados são decorrentes das operações indicadas na tabela à fl. 724, abaixo reproduzida: 2. Por falta de documentos comprobatórios, recolheu o IRPJ e CSLL devidos pela falta de comprovação das operações "Diferença Devoluções" e "Outros"; 3. No que diz respeito à "Venda de Sucata", o valor efetivamente pago pela operação foi inferior ao registrado na nota fiscal, conforme acordo entre as partes. Razão porque a diferença entre o valor da nota fiscal e o valor pago foi lançada a título de descontos incondicionais; 4. A alegação resta comprovada pela análise dos comprovantes de pagamento fornecidos pelas empresas ARIAU e JL ELÉTRON, bem como pela declaração desta última; 5. No entanto, recolheu o PIS, a COFINS e o ICMS sobre o valor da nota fiscal, conforme guias de recolhimento do ICMS. Motivo da exclusão destes tributos na apuração do resultado; 6. As exclusões referentes às "Notas de Débito" correspondem a reduções no preço de venda de mercadorias, baseadas em critérios previamente acordados entre as partes, mas que, por divergência em sua interpretação, acabaram não constando na nota fiscal originalmente emitida. Razão porque as montadoras emitiram uma nota de débito à vendedora, informando as correções efetuadas no preço; 7. A alegação pode ser comprovada pela análise das planilhas totalizadoras das notas de débito (fls. 768-781 do Anexo), fichas de "Alterações de Pedido de Mercadorias - Preços" (fls. 762-767 do Anexo) e "Nota de Débitos" exemplificativas (fls. 782-804 do Anexo); 8. No entanto, recolheu o PIS, a COFINS e o ICMS sobre o valor da nota fiscal, conforme guias de recolhimento do ICMS, motivo da exclusão destes tributos na apuração do resultado; Da exclusão na apuração do lucro real 9. A fiscalização não justificou a glosa da exclusão da conta "Scrap de Obsolescência" na apuração do lucro real. O que se traduz em cerceamento do direito de defesa; 10. A exclusão se refere a provisões não dedutíveis, constituídas e adicionadas ao lucro real de período da apuração anterior, que tenham sido utilizadas para absorver os gastos provisionados; Do preço de transferência 11. Apurou os ajustes de preço de transferência com base no método de Preços Independentes Comparados (PIC), conforme ficha 41 da DIPJ; 12. Após o início da ação fiscal, efetuou também os ajustes com base no método do Preço de Revenda Menos Lucro - 60 (PRL-60), com base no art. 18 da Lei n° 9.430/96, tendo apurado um ajuste total de R$ 258.564,61, sobre o que efetuou o recolhimento de IRPJ e CSLL acrescido da multa de ofício e dos juros de mora; 13. A fiscalização não comprovou que o método de cálculo do preço parâmetro de transferência adotado era mais favorável ao sujeito passivo, conforme determina o art. 4 o da IN SRF 243/2002; 14. A fiscalização promoveu o cálculo do preço parâmetro PRL-60 com base nas alterações promovidas pela IN SRF 243/2002, que por sua vez alterou indevidamente a metodologia de cálculo prevista no art. 18 da Lei n° 9.460/96, devendo, portanto esta parte do lançamento ser cancelado pela ilegalidade das alterações promovidas pela referida instrução normativa; Da isenção indevida 15. Reconhece que, por equívoco, aplicou a isenção do IRPJ sobre atividades não incentivadas. Pelo que recolheu o imposto devido com a multa de 50%; Da insuficiência de recolhimento de IRPJ 16. Não houve insuficiência de IRPJ, ano-calendário 2003, pois a diferença apurada, no valor de R$ 86.528,81, refere-se à compensação do débito de estimativa mensal de IRPJ, PA mar/03, no mesmo valor, com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2002, no valor de R$ 77.956,77; 17. A insuficiência de recolhimento de IRPJ, ano-calendário 2004, foi de apenas R$ 1.947,19, porque compensou o débito de estimativa IRPJ, PA jan/04, no valor de R$ 23.407,44, com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2003, no valor de R$ 22.891,42; 18. Não houve insuficiência de IRPJ, ano-calendário 2007, vez que a diferença apurada, no valor de R$ 90.997,87, foi informada indevidamente como estimativa, quando na verdade se refere ao IRRF nos montantes de R$ 66.721,36 e R$ 24.276,51, relativos aos meses de out/2007 e nov/2007, respectivamente, conforme ficha 11 da DIPJ 2008/2007; Da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ 19. Não houve insuficiência de recolhimento de estimativa do IRPJ,PA fev/03, porque o valor recolhido, R$ 65.581,56, corresponde ao débito apurado com base na estimativa sobre a receita bruta; 20. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, PA jan/04, apurada no valor de R$ 23.407,44, foi compensada com o crédito do saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2003; 21. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, PA mar/04, apurada no valor de R$ 3,61, foi compensada com o crédito remanescente do saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2003; Do PIS e COFINS 22. Os lançamentos de PIS e COFINS são indevidos porque não excluíram os descontos incondicionais, objetos da autuação por omissão de receita, da base de cálculo destas contribuições; Da insuficiência de recolhimento da CSLL 23. Reconhece o débito da CSLL, ano-calendário 2003, no valor de R$ 6.931,79, decorrente da insuficiência de recolhimento da contribuição. Pelo que recolheu o valor devido; 24. Não houve insuficiência de recolhimento da CSLL, ano-calendário 2004, pois a diferença apurada, no valor de R$ 1.135.168,54, refere-se à compensação dos débitos de estimativa mensal, PA jan/04 e fev/04, nos valores de R$ 81.295,94 e R$ 90.262,71, respectivamente, com o crédito de saldo negativo da CSLL, ano-calendário 2003, no valor de R$ 166.584,56; Da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais da CSLL 25. Não houve insuficiência de recolhimento da estimativa da CSLL, PA fev/03, porque o valor recolhido, R$ 140.069,24, corresponde ao débito apurado com base na estimativa sobre a receita bruta; 26. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da CSLL, PA jan/04, apurada no valor de R$ 81.295,94, foi compensada com o crédito do saldo negativo da CSLL, ano-calendário 2003; 27. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da CSLL, PA abr/04, no valor de R$ 90.262,71, apurada com base no balancete de suspensão e redução, é indevida porque não considerou a compensação do débito de estimativa mensal de CSLL, PA mar/04, no mesmo valor; 28. As insuficiências de recolhimento das estimativas mensais da CSLL, PA set/07, nov/07 e dez/07, são indevidas porque os pagamentos efetivados, mediante DARF e Declarações de Compensação, foram superiores aos informados na DIPJ. A defesa foi encaminhada para a DRJ de Belém para julgamento, sendo proferido o v. Acórdão, ora recorrido. Foi considerado como não impugnada a seguinte parcela do débito em questão: Procedeu-se, então, ao julgamento, acolhendo parcialmente o apelo apresentado, cancelando todos os débitos de PIS e COFINS e, parcialmente, as exigências dos demais tributos. Confira-se a ementa e trechos dessa r.decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 DESCONTOS INCONDICIONAIS. Caracterizam-se como descontos incondicionais as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. NULIDADE. É nulo, por cerceamento do direito de defesa, o lançamento, ou parte deste, que não demonstra o fundamento fático da infração. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IMPRESTABILIDADE DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. NOVA APURAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determiná-lo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando qualquer dos métodos previstos na legislação. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de I a instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. ÔNUS D A PROVA. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita. COMPENSAÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória 66/2002, a Declaração de Compensação passou a ser o instrumento apropriado para a efetivação da compensação tributária, inclusive entre tributos de mesma espécie. VERDADE MATERIAL. A escrituração fiscal apresentada pelo sujeito passivo tem presunção de veracidade, até prova em contrário. Comprovado erro do sujeito passivo, deve-se prevalecer no lançamento a verdade material dos fatos. LANÇAMENTO REFLEXO. PIS. COFINS. É improcedente o lançamento reflexo de PIS e COFINS que teve por fundamento infração restrita à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...) DA APURAÇÃO Feitas as considerações acima, passo a apurar os créditos devidos neste processo. Tabela 7 — Infrações (valores em R$) Tabela 8 - Apuração do IRPJ (valores em R$) Tabela 9 - Apuração da multa isolada - IRPJ (valores em R$) Tabela 10 - Apuração da CSLL (valores em R$) Tabela 11 — Apuração da multa isolada — CSLL (valores em R$) DA CONCLUSÃO Ante tudo exposto, voto no sentido de: 1. Considerar não impugnados os créditos indicados na Tabela 12, cujo saldo remanescente deve ser apurado a partir dos recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo; 2. Na parte impugnada, julgar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, mantendo os créditos indicados na Tabela 12, que devem ser acrescidos dos encargos moratórios. Tabela 12 - Créditos não impugnados e créditos mantidos Inconformada com a improcedência parcial de sua defesa, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, repisando as alegações em relação às infrações mantidas pela DRJ, demonstrando especificamente os motivos de reforma do v. Acórdão e apontando para a solidez da documentação acostada nos autos. Faz o seguinte quadro explicativo da matéria controversa: Na sequência, foi apresentada petição do Contribuinte (fls. 1989 a 1994) informando da presença de erro formal no v. Acórdão da DRJ, requerendo que a matéria lá trazida seja apreciada em conjunto com seu Recurso Voluntário. Encaminhados aos autos a este E. CARF, em sessão de julgamento de 05/03/2013, foi observado que diversos documentos, originalmente juntados aos autos em papel, estavam ilegíveis na versão digital do processo, sendo determinado a sua nova digitalização pela origem. Retornado os autos ao E. Conselho, o antigo Relator do feito verificou que, na verdade, os documentos continuaram ilegíveis, determinando um novo retorno à Unidade Local para saneamento (fls. 2022). Cumprida aquela determinação, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Frise-se que, apesar do v. Acórdão ter cancelado parcialmente as autuações sofridas, o valor da exclusão efetuada não dá ensejo à hipótese de Recurso de Ofício. Como mencionados, o Recurso Voluntário foi submetido a apreciação deste N. Colegiado em 11 de abril de 2017, sendo proferida a v. Resolução nº 1402-000.430, nos seguintes termos: Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) Em relação à infração de Omissão de Receitas, considerando a alegação do Contribuinte, de que parte da diferença remanescente de R$ 5.839.513,14 deve-se a descontos, ainda que posteriores à emissão das notas fiscais, apenas recebendo valores muito inferiores àqueles expressos nas notas fiscais de venda de sucatas: 1.a.1.) analise a documentação de fls. 1138 a 1170/1475 a 1735/2028 a 2326, a planilha de fls. 1921, bem como outras provas que julgar necessárias, em comparação com a globalidade da escrituração fiscal da Recorrente do período, visando confirmar os valores realmente recebidos e escriturados por tais vendas; 1.a.2.) diligencie junto às empresas ARIAU, JL ELETRON, FIAT e FORD, ou, eventualmente, suas sucessoras, (exata qualificação constante das notas fiscais acostadas autos), para que, verificando a contabilidade de tais pessoas jurídicas do mesmo período, sejam confirmadas as informações constantes dos documentos emitidos e o teor das declarações fornecidas por tais Contribuintes; 1.a.3.) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados; 1.b.1) considerando a planilha de fls. 1923, verifique, na contabilidade e demais declarações fornecidas pelo Contribuinte no período colhido, especificamente em relação à incidência, recolhimento e compensação de PIS, COFINS e ICMS, se o valor declarado na Ficha 6A na DIPJ já contempla o montante de tais tributos, especificamente incidentes nas vendas de sucata sob análise (duplicidade) ou se trata-se de outros tributos, de mesma natureza, que recaíram sobre outras operações; 1.b.2) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados. 2) Em relação às infrações e penalidades atinentes à Ausência de Recolhimento de Estimativas Anuais, sejam analisados os documentos de fls. 1843 a 1914, bem como a contabilidade e as declarações, inclusive de compensação, do Contribuinte, referentes ao período colhido, a fim de se determinar se houve a comprovação de quitação (seja por pagamento ou compensação) de tais valores tidos originalmente como não recolhidos; 2.a) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados. 3) Tendo em vista que muitas folhas dos autos não se encontram ordenadas e dispostas de forma lógica e racional, inclusive em dissonância com a ordem dos atos do rito processual administrativo, sejam devidamente reordenadas as folhas dos autos. 4) Não sendo possível a providência anteriormente determinada, seja, então, produzido índice analítico exaustivo, indicando, por folha, cada uma das peças, documentos, decisões, expedientes, atos e ocorrências presentes nos autos. Como mencionado, deverá ser toda a diligência reduzida a Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, dando-se ciência ao Contribuinte, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do devido retorno dos autos para julgamento. Encaminhados os autos à Unidade Local de Fiscalização, foram emitidos termos de Intimação para as empresas FCA (FIAT), FORD e JL ELETRON (fls. 2350 a 2358) e para a própria Recorrente (fls. 2381 e 2388 a 2389), requerendo documentação fiscal e contábil complementar. Dos demais contribuintes envolvidos, apenas a empresa JL ELETRON respondeu positivamente à intimação, trazendo cópias de seu Livro de Registro Entradas (fls. 2407 a 2411). A Recorrente, em suma, após prorrogação de prazo, atendeu a essa primeira intimação, apresentando cópias dos Livros Diário e Razão de 2003, bem como balancetes do mesmo período. Em relação à solicitação de notas fiscais e notas de débitos emitidas por FCA (FIAT), FORD e JL ELETRON, alegou não possuir a integra de tal documentação, trazendo apenas parte delas, lembrando da possibilidade da Autoridade Fiscal diligenciar junto às empresas. Por fim, em relação às Declarações de Compensação, informou não as possuir em arquivo e frisou a possibilidade da Unidade Local pesquisar em sistemas da Receita Federal do Brasil. Mesmo diante do atendimento de tal intimação, a Autoridade Fiscal emitiu nova intimação requerendo (fls. 2388 a 2389): Em resposta imediata a tal intimação, a Recorrente peticionou requerendo um prazo adicional de 30 (trinta) dias, em face do exíguo período de 5 (cinco) dias concedido. Não há registro nos autos da concessão ou não de tal prazo. Em seguida, foi elaborado e juntado aos autos o Relatório Fiscal solicitado (fls. 2416 a 2429), no qual, em resumo, entendeu-se que, em referência ao valor controverso de omissões de receitas apuradas (R$ 5.376.813,42), apenas as alegações de defesa sobre as transações com JL ELETRON teriam respaldo documental, em razão da apresentação, durante a diligência, de Livro de Registro de Entrada de tal empresa, que atestava ter-se pago apenas R$ 147.000,00 pelas mercadorias vendidas e não R$ 1.720.202,71, como teria inicialmente apurado a Fiscalização. Em relação à empresa ARIAÚ COMÉRCIO E COMPONENTES LTDA, consignou que esta foi baixada. No que tange às demais infrações de omissão de receitas, apenas consignou que as empresas FORD e FCA (FIAT) responderam negativamente à intimação para apresentar documentação referente às transações e notas de débito emitidas. No que tange ao valor do ICMS, PIS e COFINS referente a tais descontos, que também foram deduzidos pelo Contribuinte, a Unidade Local apenas analisou a Ficha 6A da DIPJ 2004 e afirma que não há qualquer elemento de prova que corrobore que, como alegado, os valores constantes nas Linhas 13 e 14, também deduzidos, referem-se aos mesmos tributos, mas incidentes sobre outras operações - confirmando a duplicidade de redução apontada pelo Fisco. Já em relação aos recolhimentos insuficientes, em relação aos quais alega o Contribuinte ter procedido a compensações para a sua liquidação, inexistindo saldo insuficiente de pagamento, a Fiscalização afirma serem procedentes as exigências, pela falta de apresentação pelo Contribuinte da Declaração de Compensação correspondente e, em face da efetiva apresentação de dois documentos de tal natureza, entendeu que referiam-se a período diverso, prevalecendo tal infração. Ainda, consigna que alguns documentos apresentados pela Contribuinte já constavam dos autos (as duas, acima referidas, Declarações de Compensação e Algumas notas de débitos da FORD MOTOR COMPANY DO BRASIL LTDA, cuja soma total é R$ 440.726,39) motivo pelo qual não se procedeu à sua juntada aos autos. Não comenta sobre as notas de débito, além da sua duplicidade nos autos. Por fim, no que tange aos Livros contábeis do ano-calendário de 2003 entregues, afirma que: Embora tenha apresentado os livros Diário e Razão de sua escrituração Fiscal, nada concluímos sobre a escrituração dos fatos contábeis, tendo em vista sua complexa nomenclatura, dificultando a análise dos lançamentos efetuados. Considerando nossa falta de entendimento sobre a escrituração contábil, solicitamos esclarecimentos sobre sistemática adotada na escrituração de fatos contábeis, bem como cópia dos lançamentos, no livro razão, das contas que serviram para Demonstração do Resultado do Período, enumeradas no Termo de Diligência Fiscal nº 01, datado de 16/11/2017. Apesar do pedido de prazo para apresentar os referidos documentos o sujeito passivo não os fez até o momento. (Relatório lavrado em 30/11/2017 - fls. 2429) Com o encerramento da diligência em 06/03/2018, foi concedido à Recorrente prazo para a devida Manifestação sobre o Relatório. Ao seu turno, a Contribuinte apresentou o arrazoado de fls. 2435 a 2463, primeiramente denunciando a suposta nulidade do Relatório de diligência e o não atendimento satisfatório à v. Resolução em questão, em razão de inúmeras falhas, omissões e condutas da Autoridade Fiscal. Em resumo, primeiro aponta-se para o fato de que, mesmo tendo a Recorrente apresentado, após a primeira intimação, os Livros e demais documentos contábeis solicitados (inclusive por meio físico), a Autoridade Fiscal emitiu uma segunda intimação, em 16/11/2017, contendo mais 10 (dez) requisições sobre a documentação já apresentada, concedendo prazo de 5 (cinco) dias para seu atendimento. Ainda que no Relatório (datado de 30/11/2017) afirme que a Recorrente teria solicitado prazo adicional em 21/11/2017 e, até aquele momento, não teria apresentado a documentação solicitada, deixando de proceder à análise dos Livros, a Contribuinte demonstra que não só houve todo o esclarecimento necessário, como a Autoridade Fiscal promoveu diligências, in loco, reunindo-se com funcionários mais de uma vez e teria concedido prazo até 20/02/2018 para tais esclarecimentos, mostrando-se satisfeito com tais análises. Além disso, teria sido surpreendida a Recorrente com versão prévia do Relatório de diligência, com apenas 13 páginas, sem o seu teor final, sobre a ausência de análise dos Livros de 2003 em razão silêncio da Contribuinte, apenas complementando-o com folha avulsa. Confira-se a conclusão sobre a nulidade defendida: Ou seja, (i) além de registrar expressamente que a Manifestante não teria prestado os esclarecimentos devidos em nenhum momento durante a fiscalização – o que já se demonstrou que ser verdade -, (ii) o d. agente fiscal também modificou o conteúdo do relatório conclusivo ora combatido, entregando à Manifestante páginas avulsas cujo contexto é impossível de se compreender, já que está claramente incompleto (iii) e ainda se recusou a conceder novo prazo para que a Manifestante oferecesse seus comentários, registrando que a primeira data de ciência (06/03/2018) seria a data válida para fins de contagem do prazo de 30 dias. (fls. 2444). Em seguida, mostra a procedência do seu direito, trazendo os documentos e esclarecimentos prestados, supostamente de forma a corroborar suas alegações e suprir as falhas da diligência. Também justifica a ausência de documentos prestados referentes às compensações e aponta para outras incoerências e omissões do Relatório. A Contribuinte também instrui tal peça com a seguinte documentação (não paginável): 01) “Resumo de Movimentação - Livro Razão (2003)” – Se refere aos saldos contábeis do livro razão, com referência ao livro razão apresentado ao d. agente fiscal, conforme solicitado no “item 01” do segundo TDF (Arq_nao_pag.zip); 02) “Dossiê - Escrituração Contábil - Livro Razão (2003)” – Dossiê contendo as fotos das páginas do livro razão apresentado ao d. agente fiscal, fazendo referência ao livro fiscal através de legendas, para atendimento às solicitações dos “itens 02 e 03” do segundo TDF (contabilizações das vendas de sucatas e vendas para Ford Motor Company) (Arq_nao_pag.zip); 03) “Livro Fiscal de Saídas (2003)” - Livro Fiscal com os registros de saídas apresentados, fazendo referência ao livro contábil através de legendas, para atendimento às solicitações dos “itens 02 e 03” do segundo TDF (contabilizações das vendas de sucatas e vendas para Ford Motor Company) (Arq_nao_pag.zip); 04) “Análise Livros Contábil x Fiscal (2003)” - Análise dos livros fiscais versus livros contábeis, somente para conferência (Arq_nao_pag.zip); Na sequência, os autos foram novamente encaminhados a este Conselheiro. É o relatório.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 1916 a 1988) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA (fl. 836 a 854) que manteve parcialmente as Autuações sofridas pela ora Recorrente (fls. 12 a 93). Distribuído os autos anteriormente a este Relator, na sessão de julgamento de 11 de abril de 2017, por unanimidade de votos desta mesma C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a v. Resolução nº 1402-000.430 (fls. 2330 a 2345), determinando diligência para a análise de documentação e outras providências, visando à confirmação de procedência das alegações da Contribuinte. Tendo em vista, então, que trata-se de retorno de diligência, anteriormente determinada por este mesmo Conselheiro, adoto, a seguir, trechos do relatório antes elaborado: O processo, originalmente, versava sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 46 a 93), incluindo aplicação de multa isolada, referente aos anos-calendário de 2003, 2004 e 2007, complementadas por autuação exclusivamente de CSLL (fls. 12 a 23) referente apenas ao ano-calendário de 2003. As Autuações possuem uma multiplicidade de acusações fiscais, podendo ser dividas e organizadas dentro dos seguintes temas (fls. 838 - Relatório Acórdão DRJ): 1. Omissão de receitas decorrente da não comprovação de descontos incondicionais concedidos - com reflexos no IRPJ, PIS, COFINS e 2. Exclusão não autorizada na apuração do lucro real - com reflexo no IRPJ; 3. Falta de adição, ao lucro líquido, da parcela de custo de produtos importados de pessoa vinculada, que excede ao preço parâmetro de transferência - com reflexos no IRPJ e CSLL; 4. Isenção de IRPJ indevida sobre receitas de atividades não incentivadas; 5. Insuficiência de recolhimento de IRPJ, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor do tributo declarado/pago - anos-calendário 2003, 2004 e 2007 (infrações 5 e 6 do AI de IRPJ); 6. Insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor pago - meses fev/02, jan/04, mar/04 (infrações 7 e 8 do AI de IRPJ); 7. Insuficiência de recolhimento da CSLL, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor declarado/pago - anos calendário 2003 e 2004 (infração 1 do AI de CSLL de fls. 09-20); 8. Insuficiência de recolhimento de estimativas mensais da CSLL, decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor declarado/pago - meses fev/03, jan/04, mar/04, set/07, nov/07 e dez/07 (infração 2 do AI de CSLL de fls. 09-20); Sustenta e explica a Fiscalização, em suma, que os descontos incondicionais não comprovados são oriundos da diferença entre as devoluções de vendas registradas no Livro de Apuração do ICMS e as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais escriturados na DIPJ; que a redução indevida do lucro real se refere à conta SCRAP DE OBSOLECÊNCIA registrada no LALUR; assim como o Contribuinte não fez qualquer ajuste de preço de transferência de produtos importados na DIPJ. Também aponta objetivamente para ausência de recolhimento de inúmeras estimativas. Cientificada da lavratura das Autuações, a Recorrente ofereceu Impugnação (fls. 737 a 773), alegando a lisura de sua postura tributária e contábil, que podem ser resumidas nos seguintes tópicos e alegações (fls. 839 a 842 - Relatório Acórdão DRJ): Da omissão de receitas 1. Os descontos incondicionais não comprovados são decorrentes das operações indicadas na tabela à fl. 724, abaixo reproduzida: 2. Por falta de documentos comprobatórios, recolheu o IRPJ e CSLL devidos pela falta de comprovação das operações "Diferença Devoluções" e "Outros"; 3. No que diz respeito à "Venda de Sucata", o valor efetivamente pago pela operação foi inferior ao registrado na nota fiscal, conforme acordo entre as partes. Razão porque a diferença entre o valor da nota fiscal e o valor pago foi lançada a título de descontos incondicionais; 4. A alegação resta comprovada pela análise dos comprovantes de pagamento fornecidos pelas empresas ARIAU e JL ELÉTRON, bem como pela declaração desta última; 5. No entanto, recolheu o PIS, a COFINS e o ICMS sobre o valor da nota fiscal, conforme guias de recolhimento do ICMS. Motivo da exclusão destes tributos na apuração do resultado; 6. As exclusões referentes às "Notas de Débito" correspondem a reduções no preço de venda de mercadorias, baseadas em critérios previamente acordados entre as partes, mas que, por divergência em sua interpretação, acabaram não constando na nota fiscal originalmente emitida. Razão porque as montadoras emitiram uma nota de débito à vendedora, informando as correções efetuadas no preço; 7. A alegação pode ser comprovada pela análise das planilhas totalizadoras das notas de débito (fls. 768-781 do Anexo), fichas de "Alterações de Pedido de Mercadorias - Preços" (fls. 762-767 do Anexo) e "Nota de Débitos" exemplificativas (fls. 782-804 do Anexo); 8. No entanto, recolheu o PIS, a COFINS e o ICMS sobre o valor da nota fiscal, conforme guias de recolhimento do ICMS, motivo da exclusão destes tributos na apuração do resultado; Da exclusão na apuração do lucro real 9. A fiscalização não justificou a glosa da exclusão da conta "Scrap de Obsolescência" na apuração do lucro real. O que se traduz em cerceamento do direito de defesa; 10. A exclusão se refere a provisões não dedutíveis, constituídas e adicionadas ao lucro real de período da apuração anterior, que tenham sido utilizadas para absorver os gastos provisionados; Do preço de transferência 11. Apurou os ajustes de preço de transferência com base no método de Preços Independentes Comparados (PIC), conforme ficha 41 da DIPJ; 12. Após o início da ação fiscal, efetuou também os ajustes com base no método do Preço de Revenda Menos Lucro - 60 (PRL-60), com base no art. 18 da Lei n° 9.430/96, tendo apurado um ajuste total de R$ 258.564,61, sobre o que efetuou o recolhimento de IRPJ e CSLL acrescido da multa de ofício e dos juros de mora; 13. A fiscalização não comprovou que o método de cálculo do preço parâmetro de transferência adotado era mais favorável ao sujeito passivo, conforme determina o art. 4 o da IN SRF 243/2002; 14. A fiscalização promoveu o cálculo do preço parâmetro PRL-60 com base nas alterações promovidas pela IN SRF 243/2002, que por sua vez alterou indevidamente a metodologia de cálculo prevista no art. 18 da Lei n° 9.460/96, devendo, portanto esta parte do lançamento ser cancelado pela ilegalidade das alterações promovidas pela referida instrução normativa; Da isenção indevida 15. Reconhece que, por equívoco, aplicou a isenção do IRPJ sobre atividades não incentivadas. Pelo que recolheu o imposto devido com a multa de 50%; Da insuficiência de recolhimento de IRPJ 16. Não houve insuficiência de IRPJ, ano-calendário 2003, pois a diferença apurada, no valor de R$ 86.528,81, refere-se à compensação do débito de estimativa mensal de IRPJ, PA mar/03, no mesmo valor, com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2002, no valor de R$ 77.956,77; 17. A insuficiência de recolhimento de IRPJ, ano-calendário 2004, foi de apenas R$ 1.947,19, porque compensou o débito de estimativa IRPJ, PA jan/04, no valor de R$ 23.407,44, com o crédito de saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2003, no valor de R$ 22.891,42; 18. Não houve insuficiência de IRPJ, ano-calendário 2007, vez que a diferença apurada, no valor de R$ 90.997,87, foi informada indevidamente como estimativa, quando na verdade se refere ao IRRF nos montantes de R$ 66.721,36 e R$ 24.276,51, relativos aos meses de out/2007 e nov/2007, respectivamente, conforme ficha 11 da DIPJ 2008/2007; Da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ 19. Não houve insuficiência de recolhimento de estimativa do IRPJ,PA fev/03, porque o valor recolhido, R$ 65.581,56, corresponde ao débito apurado com base na estimativa sobre a receita bruta; 20. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, PA jan/04, apurada no valor de R$ 23.407,44, foi compensada com o crédito do saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2003; 21. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, PA mar/04, apurada no valor de R$ 3,61, foi compensada com o crédito remanescente do saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2003; Do PIS e COFINS 22. Os lançamentos de PIS e COFINS são indevidos porque não excluíram os descontos incondicionais, objetos da autuação por omissão de receita, da base de cálculo destas contribuições; Da insuficiência de recolhimento da CSLL 23. Reconhece o débito da CSLL, ano-calendário 2003, no valor de R$ 6.931,79, decorrente da insuficiência de recolhimento da contribuição. Pelo que recolheu o valor devido; 24. Não houve insuficiência de recolhimento da CSLL, ano-calendário 2004, pois a diferença apurada, no valor de R$ 1.135.168,54, refere-se à compensação dos débitos de estimativa mensal, PA jan/04 e fev/04, nos valores de R$ 81.295,94 e R$ 90.262,71, respectivamente, com o crédito de saldo negativo da CSLL, ano-calendário 2003, no valor de R$ 166.584,56; Da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais da CSLL 25. Não houve insuficiência de recolhimento da estimativa da CSLL, PA fev/03, porque o valor recolhido, R$ 140.069,24, corresponde ao débito apurado com base na estimativa sobre a receita bruta; 26. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da CSLL, PA jan/04, apurada no valor de R$ 81.295,94, foi compensada com o crédito do saldo negativo da CSLL, ano-calendário 2003; 27. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da CSLL, PA abr/04, no valor de R$ 90.262,71, apurada com base no balancete de suspensão e redução, é indevida porque não considerou a compensação do débito de estimativa mensal de CSLL, PA mar/04, no mesmo valor; 28. As insuficiências de recolhimento das estimativas mensais da CSLL, PA set/07, nov/07 e dez/07, são indevidas porque os pagamentos efetivados, mediante DARF e Declarações de Compensação, foram superiores aos informados na DIPJ. A defesa foi encaminhada para a DRJ de Belém para julgamento, sendo proferido o v. Acórdão, ora recorrido. Foi considerado como não impugnada a seguinte parcela do débito em questão: Procedeu-se, então, ao julgamento, acolhendo parcialmente o apelo apresentado, cancelando todos os débitos de PIS e COFINS e, parcialmente, as exigências dos demais tributos. Confira-se a ementa e trechos dessa r.decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 DESCONTOS INCONDICIONAIS. Caracterizam-se como descontos incondicionais as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. MOTIVAÇÃO INSUFICIENTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DEFESA. NULIDADE. É nulo, por cerceamento do direito de defesa, o lançamento, ou parte deste, que não demonstra o fundamento fático da infração. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IMPRESTABILIDADE DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. NOVA APURAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determiná-lo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando qualquer dos métodos previstos na legislação. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As autoridades julgadoras de I a instância não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. ÔNUS D A PROVA. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita. COMPENSAÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória 66/2002, a Declaração de Compensação passou a ser o instrumento apropriado para a efetivação da compensação tributária, inclusive entre tributos de mesma espécie. VERDADE MATERIAL. A escrituração fiscal apresentada pelo sujeito passivo tem presunção de veracidade, até prova em contrário. Comprovado erro do sujeito passivo, deve-se prevalecer no lançamento a verdade material dos fatos. LANÇAMENTO REFLEXO. PIS. COFINS. É improcedente o lançamento reflexo de PIS e COFINS que teve por fundamento infração restrita à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...) DA APURAÇÃO Feitas as considerações acima, passo a apurar os créditos devidos neste processo. Tabela 7 — Infrações (valores em R$) Tabela 8 - Apuração do IRPJ (valores em R$) Tabela 9 - Apuração da multa isolada - IRPJ (valores em R$) Tabela 10 - Apuração da CSLL (valores em R$) Tabela 11 — Apuração da multa isolada — CSLL (valores em R$) DA CONCLUSÃO Ante tudo exposto, voto no sentido de: 1. Considerar não impugnados os créditos indicados na Tabela 12, cujo saldo remanescente deve ser apurado a partir dos recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo; 2. Na parte impugnada, julgar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, mantendo os créditos indicados na Tabela 12, que devem ser acrescidos dos encargos moratórios. Tabela 12 - Créditos não impugnados e créditos mantidos Inconformada com a improcedência parcial de sua defesa, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, repisando as alegações em relação às infrações mantidas pela DRJ, demonstrando especificamente os motivos de reforma do v. Acórdão e apontando para a solidez da documentação acostada nos autos. Faz o seguinte quadro explicativo da matéria controversa: Na sequência, foi apresentada petição do Contribuinte (fls. 1989 a 1994) informando da presença de erro formal no v. Acórdão da DRJ, requerendo que a matéria lá trazida seja apreciada em conjunto com seu Recurso Voluntário. Encaminhados aos autos a este E. CARF, em sessão de julgamento de 05/03/2013, foi observado que diversos documentos, originalmente juntados aos autos em papel, estavam ilegíveis na versão digital do processo, sendo determinado a sua nova digitalização pela origem. Retornado os autos ao E. Conselho, o antigo Relator do feito verificou que, na verdade, os documentos continuaram ilegíveis, determinando um novo retorno à Unidade Local para saneamento (fls. 2022). Cumprida aquela determinação, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Frise-se que, apesar do v. Acórdão ter cancelado parcialmente as autuações sofridas, o valor da exclusão efetuada não dá ensejo à hipótese de Recurso de Ofício. Como mencionados, o Recurso Voluntário foi submetido a apreciação deste N. Colegiado em 11 de abril de 2017, sendo proferida a v. Resolução nº 1402-000.430, nos seguintes termos: Diante de todo o exposto, resolve-se por determinar a realização de diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização: 1) Em relação à infração de Omissão de Receitas, considerando a alegação do Contribuinte, de que parte da diferença remanescente de R$ 5.839.513,14 deve-se a descontos, ainda que posteriores à emissão das notas fiscais, apenas recebendo valores muito inferiores àqueles expressos nas notas fiscais de venda de sucatas: 1.a.1.) analise a documentação de fls. 1138 a 1170/1475 a 1735/2028 a 2326, a planilha de fls. 1921, bem como outras provas que julgar necessárias, em comparação com a globalidade da escrituração fiscal da Recorrente do período, visando confirmar os valores realmente recebidos e escriturados por tais vendas; 1.a.2.) diligencie junto às empresas ARIAU, JL ELETRON, FIAT e FORD, ou, eventualmente, suas sucessoras, (exata qualificação constante das notas fiscais acostadas autos), para que, verificando a contabilidade de tais pessoas jurídicas do mesmo período, sejam confirmadas as informações constantes dos documentos emitidos e o teor das declarações fornecidas por tais Contribuintes; 1.a.3.) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados; 1.b.1) considerando a planilha de fls. 1923, verifique, na contabilidade e demais declarações fornecidas pelo Contribuinte no período colhido, especificamente em relação à incidência, recolhimento e compensação de PIS, COFINS e ICMS, se o valor declarado na Ficha 6A na DIPJ já contempla o montante de tais tributos, especificamente incidentes nas vendas de sucata sob análise (duplicidade) ou se trata-se de outros tributos, de mesma natureza, que recaíram sobre outras operações; 1.b.2) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados. 2) Em relação às infrações e penalidades atinentes à Ausência de Recolhimento de Estimativas Anuais, sejam analisados os documentos de fls. 1843 a 1914, bem como a contabilidade e as declarações, inclusive de compensação, do Contribuinte, referentes ao período colhido, a fim de se determinar se houve a comprovação de quitação (seja por pagamento ou compensação) de tais valores tidos originalmente como não recolhidos; 2.a) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados. 3) Tendo em vista que muitas folhas dos autos não se encontram ordenadas e dispostas de forma lógica e racional, inclusive em dissonância com a ordem dos atos do rito processual administrativo, sejam devidamente reordenadas as folhas dos autos. 4) Não sendo possível a providência anteriormente determinada, seja, então, produzido índice analítico exaustivo, indicando, por folha, cada uma das peças, documentos, decisões, expedientes, atos e ocorrências presentes nos autos. Como mencionado, deverá ser toda a diligência reduzida a Relatório formal com tais informações e fundamentação de suas conclusões, dando-se ciência ao Contribuinte, com a abertura do devido prazo legal para manifestação, antes do devido retorno dos autos para julgamento. Encaminhados os autos à Unidade Local de Fiscalização, foram emitidos termos de Intimação para as empresas FCA (FIAT), FORD e JL ELETRON (fls. 2350 a 2358) e para a própria Recorrente (fls. 2381 e 2388 a 2389), requerendo documentação fiscal e contábil complementar. Dos demais contribuintes envolvidos, apenas a empresa JL ELETRON respondeu positivamente à intimação, trazendo cópias de seu Livro de Registro Entradas (fls. 2407 a 2411). A Recorrente, em suma, após prorrogação de prazo, atendeu a essa primeira intimação, apresentando cópias dos Livros Diário e Razão de 2003, bem como balancetes do mesmo período. Em relação à solicitação de notas fiscais e notas de débitos emitidas por FCA (FIAT), FORD e JL ELETRON, alegou não possuir a integra de tal documentação, trazendo apenas parte delas, lembrando da possibilidade da Autoridade Fiscal diligenciar junto às empresas. Por fim, em relação às Declarações de Compensação, informou não as possuir em arquivo e frisou a possibilidade da Unidade Local pesquisar em sistemas da Receita Federal do Brasil. Mesmo diante do atendimento de tal intimação, a Autoridade Fiscal emitiu nova intimação requerendo (fls. 2388 a 2389): Em resposta imediata a tal intimação, a Recorrente peticionou requerendo um prazo adicional de 30 (trinta) dias, em face do exíguo período de 5 (cinco) dias concedido. Não há registro nos autos da concessão ou não de tal prazo. Em seguida, foi elaborado e juntado aos autos o Relatório Fiscal solicitado (fls. 2416 a 2429), no qual, em resumo, entendeu-se que, em referência ao valor controverso de omissões de receitas apuradas (R$ 5.376.813,42), apenas as alegações de defesa sobre as transações com JL ELETRON teriam respaldo documental, em razão da apresentação, durante a diligência, de Livro de Registro de Entrada de tal empresa, que atestava ter-se pago apenas R$ 147.000,00 pelas mercadorias vendidas e não R$ 1.720.202,71, como teria inicialmente apurado a Fiscalização. Em relação à empresa ARIAÚ COMÉRCIO E COMPONENTES LTDA, consignou que esta foi baixada. No que tange às demais infrações de omissão de receitas, apenas consignou que as empresas FORD e FCA (FIAT) responderam negativamente à intimação para apresentar documentação referente às transações e notas de débito emitidas. No que tange ao valor do ICMS, PIS e COFINS referente a tais descontos, que também foram deduzidos pelo Contribuinte, a Unidade Local apenas analisou a Ficha 6A da DIPJ 2004 e afirma que não há qualquer elemento de prova que corrobore que, como alegado, os valores constantes nas Linhas 13 e 14, também deduzidos, referem-se aos mesmos tributos, mas incidentes sobre outras operações - confirmando a duplicidade de redução apontada pelo Fisco. Já em relação aos recolhimentos insuficientes, em relação aos quais alega o Contribuinte ter procedido a compensações para a sua liquidação, inexistindo saldo insuficiente de pagamento, a Fiscalização afirma serem procedentes as exigências, pela falta de apresentação pelo Contribuinte da Declaração de Compensação correspondente e, em face da efetiva apresentação de dois documentos de tal natureza, entendeu que referiam-se a período diverso, prevalecendo tal infração. Ainda, consigna que alguns documentos apresentados pela Contribuinte já constavam dos autos (as duas, acima referidas, Declarações de Compensação e Algumas notas de débitos da FORD MOTOR COMPANY DO BRASIL LTDA, cuja soma total é R$ 440.726,39) motivo pelo qual não se procedeu à sua juntada aos autos. Não comenta sobre as notas de débito, além da sua duplicidade nos autos. Por fim, no que tange aos Livros contábeis do ano-calendário de 2003 entregues, afirma que: Embora tenha apresentado os livros Diário e Razão de sua escrituração Fiscal, nada concluímos sobre a escrituração dos fatos contábeis, tendo em vista sua complexa nomenclatura, dificultando a análise dos lançamentos efetuados. Considerando nossa falta de entendimento sobre a escrituração contábil, solicitamos esclarecimentos sobre sistemática adotada na escrituração de fatos contábeis, bem como cópia dos lançamentos, no livro razão, das contas que serviram para Demonstração do Resultado do Período, enumeradas no Termo de Diligência Fiscal nº 01, datado de 16/11/2017. Apesar do pedido de prazo para apresentar os referidos documentos o sujeito passivo não os fez até o momento. (Relatório lavrado em 30/11/2017 - fls. 2429) Com o encerramento da diligência em 06/03/2018, foi concedido à Recorrente prazo para a devida Manifestação sobre o Relatório. Ao seu turno, a Contribuinte apresentou o arrazoado de fls. 2435 a 2463, primeiramente denunciando a suposta nulidade do Relatório de diligência e o não atendimento satisfatório à v. Resolução em questão, em razão de inúmeras falhas, omissões e condutas da Autoridade Fiscal. Em resumo, primeiro aponta-se para o fato de que, mesmo tendo a Recorrente apresentado, após a primeira intimação, os Livros e demais documentos contábeis solicitados (inclusive por meio físico), a Autoridade Fiscal emitiu uma segunda intimação, em 16/11/2017, contendo mais 10 (dez) requisições sobre a documentação já apresentada, concedendo prazo de 5 (cinco) dias para seu atendimento. Ainda que no Relatório (datado de 30/11/2017) afirme que a Recorrente teria solicitado prazo adicional em 21/11/2017 e, até aquele momento, não teria apresentado a documentação solicitada, deixando de proceder à análise dos Livros, a Contribuinte demonstra que não só houve todo o esclarecimento necessário, como a Autoridade Fiscal promoveu diligências, in loco, reunindo-se com funcionários mais de uma vez e teria concedido prazo até 20/02/2018 para tais esclarecimentos, mostrando-se satisfeito com tais análises. Além disso, teria sido surpreendida a Recorrente com versão prévia do Relatório de diligência, com apenas 13 páginas, sem o seu teor final, sobre a ausência de análise dos Livros de 2003 em razão silêncio da Contribuinte, apenas complementando-o com folha avulsa. Confira-se a conclusão sobre a nulidade defendida: Ou seja, (i) além de registrar expressamente que a Manifestante não teria prestado os esclarecimentos devidos em nenhum momento durante a fiscalização – o que já se demonstrou que ser verdade -, (ii) o d. agente fiscal também modificou o conteúdo do relatório conclusivo ora combatido, entregando à Manifestante páginas avulsas cujo contexto é impossível de se compreender, já que está claramente incompleto (iii) e ainda se recusou a conceder novo prazo para que a Manifestante oferecesse seus comentários, registrando que a primeira data de ciência (06/03/2018) seria a data válida para fins de contagem do prazo de 30 dias. (fls. 2444). Em seguida, mostra a procedência do seu direito, trazendo os documentos e esclarecimentos prestados, supostamente de forma a corroborar suas alegações e suprir as falhas da diligência. Também justifica a ausência de documentos prestados referentes às compensações e aponta para outras incoerências e omissões do Relatório. A Contribuinte também instrui tal peça com a seguinte documentação (não paginável): 01) “Resumo de Movimentação - Livro Razão (2003)” – Se refere aos saldos contábeis do livro razão, com referência ao livro razão apresentado ao d. agente fiscal, conforme solicitado no “item 01” do segundo TDF (Arq_nao_pag.zip); 02) “Dossiê - Escrituração Contábil - Livro Razão (2003)” – Dossiê contendo as fotos das páginas do livro razão apresentado ao d. agente fiscal, fazendo referência ao livro fiscal através de legendas, para atendimento às solicitações dos “itens 02 e 03” do segundo TDF (contabilizações das vendas de sucatas e vendas para Ford Motor Company) (Arq_nao_pag.zip); 03) “Livro Fiscal de Saídas (2003)” - Livro Fiscal com os registros de saídas apresentados, fazendo referência ao livro contábil através de legendas, para atendimento às solicitações dos “itens 02 e 03” do segundo TDF (contabilizações das vendas de sucatas e vendas para Ford Motor Company) (Arq_nao_pag.zip); 04) “Análise Livros Contábil x Fiscal (2003)” - Análise dos livros fiscais versus livros contábeis, somente para conferência (Arq_nao_pag.zip); Na sequência, os autos foram novamente encaminhados a este Conselheiro. É o relatório.

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1402­000.762  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  21 de novembro de 2018  Assunto  OMISSÃO DE RECEITAS/PREÇO DE TRANSFERÊNCIA  Recorrente  VISTEON AMAZONAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência.    (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente Substituto.    (assinado digitalmente)  Caio Cesar Nader Quintella ­ Relator.    Participaram da sessão de  julgamento os  conselheiros: Marco Rogério Borges,  Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa,  Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Junia  Roberta  Gouveia  Sampaio  e  Paulo  Mateus Ciccone (Presidente Substituto).     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 20 98 3/ 20 08 -9 4 Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.520            2 Relatório    Trata­se de Recurso Voluntário (fls. 1916 a 1988) interposto contra v. Acórdão  proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém/PA (fl. 836 a  854) que manteve parcialmente as Autuações sofridas pela ora Recorrente (fls. 12 a 93).    Distribuído os autos anteriormente a este Relator, na sessão de julgamento de 11  de abril de 2017, por unanimidade de votos desta mesma C. 2ª Turma Ordinária, foi proferida a  v. Resolução  nº  1402­000.430  (fls.  2330  a  2345),  determinando  diligência  para  a  análise  de  documentação e outras providências, visando à confirmação de procedência das alegações da  Contribuinte.    Tendo  em  vista,  então,  que  trata­se  de  retorno  de  diligência,  anteriormente  determinada por este mesmo Conselheiro, adoto, a seguir, trechos do relatório antes elaborado:    O processo, originalmente, versava sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS  e  COFINS  (fls.  46  a  93),  incluindo  aplicação  de  multa  isolada,  referente aos anos­calendário de 2003, 2004 e 2007, complementadas  por autuação exclusivamente de CSLL  (fls. 12 a 23)  referente apenas  ao ano­calendário de 2003.  As  Autuações  possuem  uma  multiplicidade  de  acusações  fiscais,  podendo ser dividas e organizadas dentro dos seguintes temas (fls. 838  ­ Relatório Acórdão DRJ):  1.  Omissão  de  receitas  decorrente  da  não  comprovação  de  descontos  incondicionais concedidos ­ com reflexos no  IRPJ, PIS, COFINS e 2.  Exclusão  não  autorizada  na  apuração  do  lucro  real  ­  com  reflexo  no  IRPJ;  3.  Falta  de  adição,  ao  lucro  líquido,  da  parcela  de  custo  de  produtos  importados  de  pessoa  vinculada,  que  excede  ao  preço  parâmetro  de  transferência ­ com reflexos no IRPJ e CSLL;  4.  Isenção  de  IRPJ  indevida  sobre  receitas  de  atividades  não  incentivadas;  5. Insuficiência de recolhimento de IRPJ, decorrente da diferença entre  o valor escriturado na DIPJ e o valor do tributo declarado/pago ­ anos­ calendário 2003, 2004 e 2007 (infrações 5 e 6 do AI de IRPJ);  6.  Insuficiência  de  recolhimento  de  estimativas  mensais  de  IRPJ,  decorrente da diferença entre o valor escriturado na DIPJ e o valor pago  ­ meses fev/02, jan/04, mar/04 (infrações 7 e 8 do AI de IRPJ);  Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.521            3 7.  Insuficiência  de  recolhimento  da  CSLL,  decorrente  da  diferença  entre  o  valor  escriturado  na  DIPJ  e  o  valor  declarado/pago  ­  anos  calendário 2003 e 2004 (infração 1 do AI de CSLL de fls. 09­20);  8.  Insuficiência  de  recolhimento  de  estimativas  mensais  da  CSLL,  decorrente  da  diferença  entre  o  valor  escriturado  na  DIPJ  e  o  valor  declarado/pago ­ meses fev/03, jan/04, mar/04, set/07, nov/07 e dez/07  (infração 2 do AI de CSLL de fls. 09­20);  Sustenta  e  explica  a  Fiscalização,  em  suma,  que  os  descontos  incondicionais  não  comprovados  são  oriundos  da  diferença  entre  as  devoluções de vendas registradas no Livro de Apuração do ICMS e as  vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais escriturados  na  DIPJ;  que  a  redução  indevida  do  lucro  real  se  refere  à  conta  SCRAP  DE  OBSOLECÊNCIA  registrada  no  LALUR;  assim  como  o  Contribuinte  não  fez  qualquer  ajuste  de  preço  de  transferência  de  produtos  importados  na  DIPJ.  Também  aponta  objetivamente  para  ausência de recolhimento de inúmeras estimativas.  Cientificada  da  lavratura  das  Autuações,  a  Recorrente  ofereceu  Impugnação  (fls.  737  a  773),  alegando  a  lisura  de  sua  postura  tributária e contábil, que podem ser resumidas nos seguintes tópicos e  alegações (fls. 839 a 842 ­ Relatório Acórdão DRJ):  Da  omissão  de  receitas  1.  Os  descontos  incondicionais  não  comprovados  são  decorrentes  das  operações  indicadas  na  tabela  à  fl.  724, abaixo reproduzida:    2. Por  falta  de  documentos  comprobatórios,  recolheu  o  IRPJ  e CSLL  devidos  pela  falta  de  comprovação  das  operações  "Diferença  Devoluções" e "Outros";  3. No que diz respeito à "Venda de Sucata", o valor efetivamente pago  pela operação foi inferior ao registrado na nota fiscal, conforme acordo  entre as partes. Razão porque a diferença entre o valor da nota fiscal e o  valor pago foi lançada a título de descontos incondicionais;  4.  A  alegação  resta  comprovada  pela  análise  dos  comprovantes  de  pagamento  fornecidos  pelas  empresas  ARIAU  e  JL  ELÉTRON,  bem  como pela declaração desta última;  5. No entanto,  recolheu o PIS, a COFINS e o  ICMS sobre o valor da  nota  fiscal,  conforme  guias  de  recolhimento  do  ICMS.  Motivo  da  exclusão destes tributos na apuração do resultado;  6.  As  exclusões  referentes  às  "Notas  de  Débito"  correspondem  a  reduções  no  preço  de  venda  de  mercadorias,  baseadas  em  critérios  previamente acordados entre as partes, mas que, por divergência em sua  Fl. 2521DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.522            4 interpretação,  acabaram  não  constando  na  nota  fiscal  originalmente  emitida. Razão  porque  as montadoras  emitiram  uma  nota  de  débito  à  vendedora, informando as correções efetuadas no preço;  7.  A  alegação  pode  ser  comprovada  pela  análise  das  planilhas  totalizadoras  das  notas  de  débito  (fls.  768­781  do  Anexo),  fichas  de  "Alterações  de  Pedido  de  Mercadorias  ­  Preços"  (fls.  762­767  do  Anexo) e "Nota de Débitos" exemplificativas (fls. 782­804 do Anexo);  8. No entanto,  recolheu o PIS, a COFINS e o  ICMS sobre o valor da  nota  fiscal,  conforme  guias  de  recolhimento  do  ICMS,  motivo  da  exclusão destes tributos na apuração do resultado;  Da exclusão na apuração do lucro real 9. A fiscalização não justificou a  glosa  da  exclusão  da  conta  "Scrap  de Obsolescência"  na  apuração  do  lucro real. O que se traduz em cerceamento do direito de defesa;  10.  A  exclusão  se  refere  a  provisões  não  dedutíveis,  constituídas  e  adicionadas ao lucro real de período da apuração anterior, que tenham  sido utilizadas para absorver os gastos provisionados;  Do  preço  de  transferência  11.  Apurou  os  ajustes  de  preço  de  transferência  com  base  no  método  de  Preços  Independentes  Comparados (PIC), conforme ficha 41 da DIPJ;  12. Após o  início da ação fiscal, efetuou  também os ajustes com base  no método do Preço de Revenda Menos Lucro ­ 60 (PRL­60), com base  no  art.  18  da  Lei  n°  9.430/96,  tendo  apurado  um  ajuste  total  de  R$  258.564,61,  sobre  o  que  efetuou  o  recolhimento  de  IRPJ  e  CSLL  acrescido da multa de ofício e dos juros de mora;  13. A  fiscalização  não  comprovou que  o método de  cálculo  do  preço  parâmetro  de  transferência  adotado  era  mais  favorável  ao  sujeito  passivo, conforme determina o art. 4 o da IN SRF 243/2002;  14. A fiscalização promoveu o cálculo do preço parâmetro PRL­60 com  base nas alterações promovidas pela IN SRF 243/2002, que por sua vez  alterou indevidamente a metodologia de cálculo prevista no art. 18 da  Lei  n°  9.460/96,  devendo,  portanto  esta  parte  do  lançamento  ser  cancelado  pela  ilegalidade  das  alterações  promovidas  pela  referida  instrução normativa;  Da  isenção  indevida  15.  Reconhece  que,  por  equívoco,  aplicou  a  isenção do IRPJ sobre atividades não incentivadas. Pelo que recolheu o  imposto devido com a multa de 50%;  Da insuficiência de recolhimento de IRPJ 16. Não houve insuficiência  de IRPJ, ano­calendário 2003, pois a diferença apurada, no valor de R$  86.528,81, refere­se à compensação do débito de estimativa mensal de  IRPJ, PA mar/03, no mesmo valor, com o crédito de saldo negativo de  IRPJ, ano­calendário 2002, no valor de R$ 77.956,77;  17. A insuficiência de recolhimento de IRPJ, ano­calendário 2004, foi  de apenas R$ 1.947,19, porque compensou o débito de estimativa IRPJ,  PA jan/04, no valor de R$ 23.407,44, com o crédito de saldo negativo  de IRPJ, ano­calendário 2003, no valor de R$ 22.891,42;  Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.523            5 18. Não houve  insuficiência  de  IRPJ,  ano­calendário 2007,  vez  que  a  diferença  apurada,  no  valor  de  R$  90.997,87,  foi  informada  indevidamente como estimativa, quando na verdade se refere ao IRRF  nos montantes de R$ 66.721,36 e R$ 24.276,51, relativos aos meses de  out/2007  e  nov/2007,  respectivamente,  conforme  ficha  11  da  DIPJ  2008/2007;  Da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ 19.  Não  houve  insuficiência  de  recolhimento  de  estimativa  do  IRPJ,PA  fev/03, porque o valor recolhido, R$ 65.581,56, corresponde ao débito  apurado com base na estimativa sobre a receita bruta;  20. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, PA  jan/04,  apurada  no  valor  de  R$  23.407,44,  foi  compensada  com  o  crédito do saldo negativo de IRPJ, ano­calendário 2003;  21. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ, PA  mar/04,  apurada  no  valor  de R$  3,61,  foi  compensada  com  o  crédito  remanescente do saldo negativo de IRPJ, ano­calendário 2003;  Do PIS e COFINS 22. Os lançamentos de PIS e COFINS são indevidos  porque não excluíram os descontos incondicionais, objetos da autuação  por omissão de receita, da base de cálculo destas contribuições;  Da insuficiência de recolhimento da CSLL 23. Reconhece o débito da  CSLL,  ano­calendário  2003,  no  valor  de  R$  6.931,79,  decorrente  da  insuficiência  de  recolhimento  da  contribuição.  Pelo  que  recolheu  o  valor devido;  24. Não houve insuficiência de recolhimento da CSLL, ano­calendário  2004, pois a diferença apurada, no valor de R$ 1.135.168,54, refere­se à  compensação dos débitos de estimativa mensal, PA jan/04 e fev/04, nos  valores  de  R$  81.295,94  e  R$  90.262,71,  respectivamente,  com  o  crédito de  saldo negativo da CSLL,  ano­calendário 2003, no valor de  R$ 166.584,56;  Da insuficiência de recolhimento das estimativas mensais da CSLL 25.  Não houve  insuficiência  de  recolhimento  da  estimativa  da CSLL, PA  fev/03, porque o valor recolhido, R$ 140.069,24, corresponde ao débito  apurado com base na estimativa sobre a receita bruta;  26. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da CSLL, PA  jan/04,  apurada  no  valor  de  R$  81.295,94,  foi  compensada  com  o  crédito do saldo negativo da CSLL, ano­calendário 2003;  27. A insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da CSLL, PA  abr/04,  no  valor  de R$  90.262,71,  apurada  com  base  no  balancete  de  suspensão e redução, é indevida porque não considerou a compensação  do débito de estimativa mensal de CSLL, PA mar/04, no mesmo valor;  28.  As  insuficiências  de  recolhimento  das  estimativas  mensais  da  CSLL, PA set/07, nov/07 e dez/07, são indevidas porque os pagamentos  efetivados,  mediante  DARF  e  Declarações  de  Compensação,  foram  superiores aos informados na DIPJ.  Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.524            6 A  defesa  foi  encaminhada  para  a  DRJ  de  Belém  para  julgamento,  sendo  proferido  o  v.  Acórdão,  ora  recorrido.  Foi  considerado  como  não impugnada a seguinte parcela do débito em questão:    Procedeu­se,  então,  ao  julgamento,  acolhendo  parcialmente  o  apelo  apresentado,  cancelando  todos  os  débitos  de  PIS  e  COFINS  e,  parcialmente, as exigências dos demais tributos. Confira­se a ementa e  trechos dessa r.decisão:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­  IRPJ   Ano­calendário: 2003   DESCONTOS  INCONDICIONAIS.  Caracterizam­se  como  descontos  incondicionais  as  parcelas  redutoras  do  preço  de  venda,  quando  constarem na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e  não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos.  MOTIVAÇÃO  INSUFICIENTE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DEFESA. NULIDADE. É nulo, por cerceamento do direito de defesa, o  lançamento, ou parte deste, que não demonstra o fundamento fático da  infração.  PREÇO  DE  TRANSFERÊNCIA.  IMPRESTABILIDADE  DA  DOCUMENTAÇÃO  SUPORTE.  NOVA  APURAÇÃO.  Sendo  os  documentos  apresentados  pela  contribuinte  insuficientes  ou  imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência,  a fiscalização poderá determiná­lo com base em outros documentos de  que dispuser, aplicando qualquer dos métodos previstos na legislação.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA.  ILEGALIDADE.  As  autoridades  julgadoras  de  I  a  instância  não  possuem  competência  para  apreciar  a  ilegalidade da Instrução Normativa expedida por autoridade hierárquica  superior.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA.  OBSERVÂNCIA.  As  Instruções  Normativas  gozam  de  presunção  de  legalidade  e  são  de  observância  obrigatória  pelos  servidores  subordinados  à  autoridade  que  expediu  o  ato normativo.  ÔNUS D A PROVA. O ônus da prova cabe a quem ela aproveita.  COMPENSAÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória 66/2002, a  Declaração  de  Compensação  passou  a  ser  o  instrumento  apropriado  para a efetivação da compensação tributária, inclusive entre tributos de  mesma espécie.  Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.525            7 VERDADE MATERIAL. A escrituração fiscal apresentada pelo sujeito  passivo  tem  presunção  de  veracidade,  até  prova  em  contrário.  Comprovado erro do sujeito passivo, deve­se prevalecer no lançamento  a verdade material dos fatos.  LANÇAMENTO  REFLEXO.  PIS.  COFINS.  É  improcedente  o  lançamento reflexo de PIS e COFINS que teve por fundamento infração  restrita à base de cálculo do IRPJ e da CSLL.  Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte  (...)  DA  APURAÇÃO  Feitas  as  considerações  acima,  passo  a  apurar  os  créditos devidos neste processo.  Tabela 7 — Infrações (valores em R$)    Tabela 8 ­ Apuração do IRPJ (valores em R$)    Tabela 9 ­ Apuração da multa isolada ­ IRPJ (valores em R$)    Tabela 10 ­ Apuração da CSLL (valores em R$)    Fl. 2525DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.526            8 Tabela 11 — Apuração da multa isolada — CSLL (valores em R$)    DA CONCLUSÃO Ante tudo exposto, voto no sentido de:  1. Considerar não impugnados os créditos indicados na Tabela 12, cujo  saldo  remanescente  deve  ser  apurado  a  partir  dos  recolhimentos  efetuados pelo sujeito passivo;  2. Na parte impugnada, julgar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM  PARTE, mantendo os créditos indicados na Tabela 12, que devem ser  acrescidos dos encargos moratórios.  Tabela 12 ­ Créditos não impugnados e créditos mantidos      Inconformada  com  a  improcedência  parcial  de  sua  defesa,  a  Recorrente apresentou Recurso Voluntário, repisando as alegações em  relação  às  infrações  mantidas  pela  DRJ,  demonstrando  especificamente os motivos de reforma do v. Acórdão e apontando para  a solidez da documentação acostada nos autos. Faz o seguinte quadro  explicativo da matéria controversa:  Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.527            9   Na  sequência,  foi  apresentada  petição  do  Contribuinte  (fls.  1989  a  1994) informando da presença de erro formal no v. Acórdão da DRJ,  requerendo que a matéria lá  trazida seja apreciada em conjunto com  seu Recurso Voluntário.  Encaminhados aos autos a este E. CARF, em sessão de julgamento de  05/03/2013,  foi  observado  que  diversos  documentos,  originalmente  juntados  aos  autos  em  papel,  estavam  ilegíveis  na  versão  digital  do  processo,  sendo  determinado  a  sua  nova  digitalização  pela  origem.  Retornado os autos ao E. Conselho, o antigo Relator do feito verificou  que,  na  verdade,  os  documentos  continuaram  ilegíveis,  determinando  um novo retorno à Unidade Local para saneamento (fls. 2022).  Cumprida  aquela  determinação,  os  autos  foram  encaminhados  para  este Conselheiro relatar e votar.  Frise­se  que,  apesar  do  v.  Acórdão  ter  cancelado  parcialmente  as  autuações  sofridas,  o  valor  da  exclusão  efetuada  não  dá  ensejo  à  hipótese de Recurso de Ofício.    Como mencionados, o Recurso Voluntário foi submetido a apreciação deste N.  Colegiado  em  11  de  abril  de  2017,  sendo  proferida  a  v.  Resolução  nº  1402­000.430,  nos  seguintes termos:  Fl. 2527DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.528            10   Diante  de  todo  o  exposto,  resolve­se  por  determinar  a  realização  de  diligência, para que a D. Unidade Local de fiscalização:  1)  Em  relação  à  infração  de  Omissão  de  Receitas,  considerando  a  alegação do Contribuinte, de que parte da diferença remanescente de  R$ 5.839.513,14 deve­se a descontos, ainda que posteriores à emissão  das  notas  fiscais,  apenas  recebendo  valores  muito  inferiores  àqueles  expressos nas notas fiscais de venda de sucatas:  1.a.1.) analise a documentação de fls. 1138 a 1170/1475 a 1735/2028 a  2326,  a  planilha  de  fls.  1921,  bem  como  outras  provas  que  julgar  necessárias, em comparação com a globalidade da escrituração fiscal  da  Recorrente  do  período,  visando  confirmar  os  valores  realmente  recebidos e escriturados por tais vendas;  1.a.2.)  diligencie  junto  às  empresas  ARIAU,  JL  ELETRON,  FIAT  e  FORD,  ou,  eventualmente,  suas  sucessoras,  (exata  qualificação  constante  das  notas  fiscais  acostadas  autos),  para  que,  verificando a  contabilidade  de  tais  pessoas  jurídicas  do  mesmo  período,  sejam  confirmadas  as  informações  constantes  dos  documentos  emitidos  e  o  teor das declarações fornecidas por tais Contribuintes;  1.a.3.)  fundamente  em  Relatório,  de  forma  detalhada,  as  conclusões  obtidas,  seja  no  sentido  de  reduzir,  cancelar  ou  manter  os  valores  lançados;  1.b.1) considerando a planilha de fls. 1923, verifique, na contabilidade  e demais declarações fornecidas pelo Contribuinte no período colhido,  especificamente em relação à incidência, recolhimento e compensação  de PIS, COFINS e ICMS, se o valor declarado na Ficha 6A na DIPJ já  contempla o montante de  tais  tributos,  especificamente  incidentes nas  vendas  de  sucata  sob  análise  (duplicidade)  ou  se  trata­se  de  outros  tributos, de mesma natureza, que recaíram sobre outras operações;  1.b.2)  fundamente  em  Relatório,  de  forma  detalhada,  as  conclusões  obtidas,  seja  no  sentido  de  reduzir,  cancelar  ou  manter  os  valores  lançados.  2)  Em  relação  às  infrações  e  penalidades  atinentes  à  Ausência  de  Recolhimento de Estimativas Anuais, sejam analisados os documentos  de  fls.  1843  a  1914,  bem  como  a  contabilidade  e  as  declarações,  inclusive  de  compensação,  do  Contribuinte,  referentes  ao  período  colhido, a  fim de se determinar  se houve a comprovação de quitação  (seja  por  pagamento  ou  compensação)  de  tais  valores  tidos  originalmente como não recolhidos;  2.a)  fundamente  em  Relatório,  de  forma  detalhada,  as  conclusões  obtidas,  seja  no  sentido  de  reduzir,  cancelar  ou  manter  os  valores  lançados.  3)  Tendo  em  vista  que  muitas  folhas  dos  autos  não  se  encontram  ordenadas  e  dispostas  de  forma  lógica  e  racional,  inclusive  em  dissonância  com a  ordem dos  atos  do  rito  processual  administrativo,  sejam devidamente reordenadas as folhas dos autos.  Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.529            11 4) Não sendo possível a providência anteriormente determinada, seja,  então, produzido índice analítico exaustivo, indicando, por folha, cada  uma das peças, documentos, decisões, expedientes, atos e ocorrências  presentes nos autos.  Como mencionado, deverá  ser  toda a diligência  reduzida a Relatório  formal  com  tais  informações  e  fundamentação  de  suas  conclusões,  dando­se  ciência  ao  Contribuinte,  com  a  abertura  do  devido  prazo  legal  para  manifestação,  antes  do  devido  retorno  dos  autos  para  julgamento.    Encaminhados os autos à Unidade Local de Fiscalização, foram emitidos termos  de Intimação para as empresas FCA (FIAT), FORD e JL ELETRON (fls. 2350 a 2358) e para a  própria  Recorrente  (fls.  2381  e  2388  a  2389),  requerendo  documentação  fiscal  e  contábil  complementar.    Dos  demais  contribuintes  envolvidos,  apenas  a  empresa  JL  ELETRON  respondeu positivamente à  intimação,  trazendo cópias de seu Livro de Registro Entradas (fls.  2407 a 2411).    A  Recorrente,  em  suma,  após  prorrogação  de  prazo,  atendeu  a  essa  primeira  intimação, apresentando cópias dos Livros Diário e Razão de 2003, bem como balancetes do  mesmo período. Em relação à solicitação de notas fiscais e notas de débitos emitidas por FCA  (FIAT), FORD e JL ELETRON, alegou não possuir a  integra de  tal documentação,  trazendo  apenas  parte  delas,  lembrando  da  possibilidade  da  Autoridade  Fiscal  diligenciar  junto  às  empresas. Por  fim, em relação às Declarações de Compensação,  informou não as possuir em  arquivo e frisou a possibilidade da Unidade Local pesquisar em sistemas da Receita Federal do  Brasil.    Mesmo diante do atendimento de tal intimação, a Autoridade Fiscal emitiu nova  intimação requerendo (fls. 2388 a 2389):    Fl. 2529DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.530            12       Em  resposta  imediata  a  tal  intimação,  a Recorrente  peticionou  requerendo um  prazo adicional de 30 (trinta) dias, em face do exíguo período de 5 (cinco) dias concedido.    Não há registro nos autos da concessão ou não de tal prazo.    Em seguida, foi elaborado e juntado aos autos o Relatório Fiscal solicitado (fls.  2416  a  2429),  no  qual,  em  resumo,  entendeu­se  que,  em  referência  ao  valor  controverso  de  omissões  de  receitas  apuradas  (R$  5.376.813,42),  apenas  as  alegações  de  defesa  sobre  as  transações com JL ELETRON teriam respaldo documental, em razão da apresentação, durante  a diligência, de Livro de Registro de Entrada de tal empresa, que atestava ter­se pago apenas  R$  147.000,00  pelas  mercadorias  vendidas  e  não  R$  1.720.202,71,  como  teria  inicialmente  apurado a Fiscalização.    Em  relação  à  empresa  ARIAÚ  COMÉRCIO  E  COMPONENTES  LTDA,  consignou  que  esta  foi  baixada.  No  que  tange  às  demais  infrações  de  omissão  de  receitas,  apenas  consignou  que  as  empresas  FORD  e  FCA  (FIAT)  responderam  negativamente  à  intimação para apresentar documentação referente às transações e notas de débito emitidas.  Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.531            13   No que tange ao valor do ICMS, PIS e COFINS referente a tais descontos, que  também foram deduzidos pelo Contribuinte,  a Unidade Local  apenas analisou a Ficha 6A da  DIPJ 2004 e afirma que não há qualquer elemento de prova que corrobore que, como alegado,  os valores constantes nas Linhas 13 e 14, também deduzidos, referem­se aos mesmos tributos,  mas incidentes sobre outras operações ­ confirmando a duplicidade de redução apontada pelo  Fisco.    Já  em  relação  aos  recolhimentos  insuficientes,  em  relação  aos  quais  alega  o  Contribuinte ter procedido a compensações para a sua liquidação, inexistindo saldo insuficiente  de  pagamento,  a  Fiscalização  afirma  serem  procedentes  as  exigências,  pela  falta  de  apresentação pelo Contribuinte da Declaração de Compensação correspondente e, em face da  efetiva apresentação de dois documentos de  tal natureza, entendeu que  referiam­se a período  diverso, prevalecendo tal infração.    Ainda,  consigna  que  alguns  documentos  apresentados  pela  Contribuinte  já  constavam dos autos (as duas, acima referidas, Declarações de Compensação e Algumas notas  de  débitos  da  FORD  MOTOR  COMPANY  DO  BRASIL  LTDA,  cuja  soma  total  é  R$  440.726,39) motivo pelo qual não se procedeu à sua juntada aos autos. Não comenta sobre as  notas de débito, além da sua duplicidade nos autos.    Por fim, no que tange aos Livros contábeis do ano­calendário de 2003 entregues,  afirma que:    Embora  tenha  apresentado  os  livros  Diário  e  Razão  de  sua  escrituração  Fiscal,  nada  concluímos  sobre  a  escrituração  dos  fatos  contábeis,  tendo  em  vista  sua  complexa  nomenclatura,  dificultando  a  análise dos lançamentos efetuados.  Considerando  nossa  falta  de  entendimento  sobre  a  escrituração  contábil,  solicitamos  esclarecimentos  sobre  sistemática  adotada  na  escrituração de fatos contábeis, bem como cópia dos lançamentos, no  livro razão, das contas que serviram para Demonstração do Resultado  do Período, enumeradas no Termo de Diligência Fiscal nº 01, datado  de 16/11/2017.  Apesar do pedido de prazo para apresentar os referidos documentos o  sujeito  passivo  não  os  fez  até  o  momento.  (Relatório  lavrado  em  30/11/2017 ­ fls. 2429)    Com o encerramento da diligência em 06/03/2018,  foi concedido à Recorrente  prazo para a devida Manifestação sobre o Relatório.  Fl. 2531DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.532            14 Ao  seu  turno,  a  Contribuinte  apresentou  o  arrazoado  de  fls.  2435  a  2463,  primeiramente denunciando a suposta nulidade do Relatório de diligência e o não atendimento  satisfatório à v. Resolução em questão, em razão de inúmeras falhas, omissões e condutas da  Autoridade Fiscal.    Em resumo, primeiro aponta­se para o  fato de que, mesmo tendo a Recorrente  apresentado, após a primeira intimação, os Livros e demais documentos contábeis solicitados  (inclusive por meio físico), a Autoridade Fiscal emitiu uma segunda intimação, em 16/11/2017,  contendo mais 10 (dez) requisições sobre a documentação já apresentada, concedendo prazo de  5 (cinco) dias para seu atendimento.    Ainda  que  no Relatório  (datado  de  30/11/2017)  afirme  que  a Recorrente  teria  solicitado  prazo  adicional  em  21/11/2017  e,  até  aquele  momento,  não  teria  apresentado  a  documentação solicitada, deixando de proceder à análise dos Livros, a Contribuinte demonstra  que  não  só  houve  todo  o  esclarecimento  necessário,  como  a  Autoridade  Fiscal  promoveu  diligências, in loco, reunindo­se com funcionários mais de uma vez e teria concedido prazo até  20/02/2018 para tais esclarecimentos, mostrando­se satisfeito com tais análises.    Além  disso,  teria  sido  surpreendida  a  Recorrente  com  versão  prévia  do  Relatório  de  diligência,  com  apenas  13  páginas,  sem  o  seu  teor  final,  sobre  a  ausência  de  análise dos Livros de 2003 em razão silêncio da Contribuinte, apenas complementando­o com  folha avulsa. Confira­se a conclusão sobre a nulidade defendida:    Ou  seja,  (i) além de  registrar  expressamente  que  a Manifestante  não  teria  prestado  os  esclarecimentos  devidos  em  nenhum  momento  durante a fiscalização – o que já se demonstrou que ser verdade ­, (ii) o  d. agente fiscal  também modificou o conteúdo do relatório conclusivo  ora  combatido,  entregando  à  Manifestante  páginas  avulsas  cujo  contexto  é  impossível  de  se  compreender,  já  que  está  claramente  incompleto (iii) e ainda se recusou a conceder novo prazo para que a  Manifestante oferecesse seus comentários, registrando que a primeira  data de ciência (06/03/2018) seria a data válida para fins de contagem  do prazo de 30 dias. (fls. 2444).    Em  seguida,  mostra  a  procedência  do  seu  direito,  trazendo  os  documentos  e  esclarecimentos  prestados,  supostamente  de  forma  a  corroborar  suas  alegações  e  suprir  as  falhas  da  diligência.  Também  justifica  a  ausência  de  documentos  prestados  referentes  às  compensações e aponta para outras incoerências e omissões do Relatório.    A  Contribuinte  também  instrui  tal  peça  com  a  seguinte  documentação  (não  paginável):  01)  “Resumo  de  Movimentação  ­  Livro  Razão  (2003)”  –  Se  refere  aos  saldos  Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.533            15 contábeis  do  livro  razão,  com  referência  ao  livro  razão  apresentado  ao  d.  agente  fiscal,  conforme  solicitado  no  “item  01”  do  segundo  TDF  (Arq_nao_pag.zip);  02)  “Dossiê  ­  Escrituração Contábil ­ Livro Razão (2003)” – Dossiê contendo as fotos das páginas do livro  razão apresentado ao d. agente fiscal, fazendo referência ao livro fiscal através de legendas,  para atendimento às  solicitações dos “itens 02  e 03” do  segundo TDF  (contabilizações das  vendas de sucatas e vendas para Ford Motor Company) (Arq_nao_pag.zip); 03) “Livro Fiscal  de Saídas (2003)” ­ Livro Fiscal com os registros de saídas apresentados, fazendo referência  ao livro contábil através de legendas, para atendimento às solicitações dos “itens 02 e 03” do  segundo TDF  (contabilizações  das  vendas  de  sucatas  e  vendas  para Ford Motor Company)  (Arq_nao_pag.zip); 04) “Análise Livros Contábil x Fiscal (2003)” ­ Análise dos livros fiscais  versus livros contábeis, somente para conferência (Arq_nao_pag.zip);    Na sequência, os autos foram novamente encaminhados a este Conselheiro.    É o relatório.                                  Fl. 2533DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.534            16 Voto  Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella ­ Relator     Reitera­se que o Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria  se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de  admissibilidade  igualmente foram atendidos.    Como relatado, trata­se de retorno de diligência, determinada pela v. Resolução  nº 1402­000.430, proferida por esta mesma C. 2ª Turma Ordinária, em sessão de 11 de abril de  2017.    Frise­se  previamente  que  as  Resoluções,  ainda  que  não  tragam  conteúdo  ou  vinculação meritória, são decisões soberanas em seus próprios termos e finalidade, assim como  um Acórdão, sendo efetiva matéria processual a ser preliminarmente analisada, quando do seu  retorno ao Colegiado, o seu devido cumprimento e adequação àquilo firmado anteriormente.    Analisando o sucinto Relatório de diligência elaborado, primeiro nota­se que a  Autoridade Fiscal deixou de fazer qualquer comentário analítico ou conclusivo sobre os Livros  Diário  e Razão  de  2003  entregues  pela Contribuinte,  justificando  tal  postura  no  fato  de  que  nada  concluímos  sobre  a  escrituração  dos  fatos  contábeis,  tendo  em  vista  sua  complexa  nomenclatura, dificultando a análise dos lançamentos efetuados. Considerando nossa falta de  entendimento  sobre  a  escrituração  contábil,  solicitamos  esclarecimentos  sobre  sistemática  adotada na escrituração de fatos contábeis, bem como cópia dos lançamentos, no livro razão,  das contas que serviram para Demonstração do Resultado do Período, enumeradas no Termo  de Diligência Fiscal nº 01, datado de 16/11/2017. Apesar do pedido de prazo para apresentar  os referidos documentos o sujeito passivo não os fez até o momento.    Não só tal justificativa de não apreciação de documentos é bastante excepcional  dentro  da  dinâmica  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  como  salta  aos  olhos  a  ausência  de  manifestação  da  Fiscalização  sobre  a  concessão  ou  denegação  do  mencionado  pedido de dilação de prazo  (fls. 2390 a 2392),  assim como o descompasso das datas  entre  a  intimação  (efetuada  em  16/11/2017),  o  referido  pedido  de  dilação  (protocolado  em  21/11/2107), a data do Relatório acostado aos autos (30/11/2017 ­ sem assinatura) e a data do  Termo de Encerramento de Diligência  (emitido  em 05/03/2018 e  assinado pelo Contribuinte  em 06/03/2018), a partir da qual foi conferido 30 dias para Manifestação da Parte.  Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.535            17   Posto  isso,  e  avançando  na  apreciação  do  feito,  temos  que  a Manifestação  da  Recorrente, oposta  logo depois a  tal Relatório, deixa mais claro e evidenciado o ocorrido no  deslinde dos trabalhos da Fiscalização.    A Contribuinte aponta para a nulidade de tal procedimento, trazendo provas de  que, de fato, teria sido atendido o segundo Termo de Intimação (fls. 2388 a 2389), não só com  a  apresentação  de  todos  itens  de  documentação  lá  listados,  mas  com  os  devidos  esclarecimentos à Autoridade Fiscal, e que esta teria visitado a empresa nos dias 12/12/2017 e  20/02/2018, conforme traz controle interno de visitantes aos autos ­ vide fls. 2506 a 2513.    Além  disso,  junta­se  aos  autos  também  documento  antes  inexistente  no  processo,  tratando­se de  aparente versão prévia  do Relatório de diligência  (ainda que  com a  mesma  data  daquele  efetivamente  juntado  pela  Autoridade  Fiscal)  com  apenas  13  folhas  ao  invés  de  14,  como  consta  dos  autos,  sem  o  mencionado  trecho  final  com  a  justificativa  da  ausência de análise dos Livros contábeis de 2003 (vide fls. 2466 a 2478).    E, além disso, acosta cópias, protocoladas, de outros dois Pedidos de dilação  de prazo  para  o  cumprimento  do  segundo Termo de  Intimação,  supostamente  não  atendido,  apresentados antes do encerramento da diligência, que não foram juntadas aos autos pela  Autoridade Fiscal, cujos protocolos datam de 03/01/2018 e 26/01/2018 (fls. 2499 a 2504).     Também afirma­se que, após a suposta apresentação, avulsa, em 07/03/2018, de  folhas  complementares  à  primeira  versão  do  Relatório  fiscal,  este  primeiro  entregue  em  06/03/2018, não houve qualquer  formalização de sua substituição ou recálculo do prazo para  Manifestação.    Em resumo, estas são as nulidades apresentadas pela Recorrente. Posteriormente  na  peça  se  apresentou  os  esclarecimentos  e  apontamentos  antes  solicitados  pela Autoridade  Fiscal (supostamente não atendidos, nos termos do Relatório), justificativas e contrapontos em  relação aos itens mantidos e comentários sobre as omissões da análise procedida.    Pois bem, independentemente daquilo exposto na Manifestação da Contribuinte,  este Conselheiro entende ser manifestamente inadequado o Relatório de diligência, mormente  no que tange à ausência de análise dos Livros Diário e Razão apresentados.    Fl. 2535DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.536            18 Não  só  é  deveras  sucinta  a  análise  procedida,  valendo­se  apenas  de menções  pontuais à documentação juntada (cuja análise das fls. 1138 a 1170; 1475 a 1735; 1843 a 1914;  1921 e 2028 a 2326 era parte objetiva da diligência), como a escusa para não analisar os Livros  apresentados, data maxima  venia, mesmo  que  se  verídica  for  (em  face  de  questionamento  e  provas em contrário da Contribuinte), não basta para motivar tal omissão nos trabalhos.    E ressalte­se que a grande maioria dos tópicos e subtópicos da v. Resolução nº  1402.002.430 dependiam do confronto de provas pré­existentes e outras, a serem obtidas, com  a escrituração do Contribuinte. Tal postura, claramente, acabou prejudicando e comprometendo  a eficácia do cumprimento daquele decisório.    Ora,  os  Livros  Diário  e  Razão  foram  devidamente  ofertados  pela  Recorrente,  como solicitado no primeiro Termo de Intimação. Diante disso, a simples existência de dúvidas  sobre o  teor dos  registros  (o  que  é  justificável  ocorrer) não  pode, per  si,  fundamentar  a  não  análise de tais documentos ­ com efeito prático e concreto idêntico ao seu não oferecimento.    Ainda  que  tenha  se  registrado  que  foram  solicitados  esclarecimentos  à  Contribuinte e esta não teria se manifestado, os próprios autos mostram que tal ocorrência não  foi tão objetiva como descrita.    Nos  autos  não  há  propriamente  pedido  por  esclarecimentos,  mas,  sim,  a  requisição da apresentação pela Contribuinte de 10 (dez) novos itens a serem extraídos daquela  primeira documentação fornecida, concedendo­se prazo de apenas 05 (cinco) dias para tanto.    E, agravando o ocorrido, como já mencionado, não há registro sobre concessão  ou não da dilação de prazo requerida pela Recorrente, em 21/11/207, por mais 30 (trinta) dias.  Por  sua  vez,  o Relatório  juntado  aos  autos  (que  não  está  assinado)  é  datado  de  30/11/2014,  denotando  o  lapso  de  14  (quatorze)  dias  a  partir  tal  nova  requisição  feita  pela  Autoridade  Fiscal.     Já o Termo de Encerramento da Diligência foi datado somente em 05/03/2018 e  entregue ao Contribuinte 06/03/2018: mais de 90 dias a contar  suposta data de conclusão do  Relatório Fiscal e mais de 100 dias do primeiro pedido de dilação de prazo da Recorrente.    Não poderia nesse, interregno, ter sido concedida tal dilação de prazo?    Fl. 2536DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.537            19 Nesse  sentido,  a Recorrente  em  sua Manifestação  demonstra  que,  na  verdade,  houve  efetivo  esforço  junto  à  Fiscalização  para  prestar  tais  esclarecimentos,  tendo  sido  tal  acontecimento  omitido,  atestando­se  forma  inversa.  São  bastante  contundentes  as  provas  trazidas aos autos, apontando que, mesmo após 21/11/2017, procedeu­se ao atendimento (ou ao  menos à tentativa) daquilo solicitado.    Também é clara a ausência de motivação para não se investigar a documentação  já  acostada  ao  feito,  referente  à  empresa ARIAÚ COMÉRCIO E COMPONENTES  LTDA,  limitando­se a atestar sua baixa, assim como inexiste explicação para a conclusão de que o PIS  e a COFINS lançados nas Linhas 13 e 14, seria o mesmo registrado na Linha 11 da Ficha 6A,  sem  qualquer  verificação  da  apuração  destes  em  outras  Declarações,  como  determinado  em  diligência,  e  igualmente  sem  verificar  recolhimentos,  inclusive  de  ICMS,  registrados  pelo  Contribuinte em outros livro (utilizados pela Fiscalização quando do lançamento de ofício).    E a  tudo acima ponderado, soma­se o fato da comprovada ausência de juntada  de  pedidos  de  dilação  de  prazo,  protocolados  pela  Recorrente,  expressamente  referentes  à  presente  diligência,  aos  autos  e  a  existência  de  uma  minuta  previa  do  Relatório,  sem  essa  justificativa final para deixar de analisar os livros contábeis ­ ambos documentos em poder da  Contribuinte e somente por ela trazidos ao feito.    Sem  mais  se  aprofundar  no  debate  da  veracidade  daquilo  ocorrido  e  da  adequação  da  postura  da  Autoridade  Fiscal,  conclui­se,  sem  margens  para  dúvidas,  pela  necessária  desconsideração  do  Relatório  agora  trazido,  evidenciando  a  necessidade  de  realização de nova diligência.    Frise­se  que  prevalece  o  entendimento  deste  Conselheiro  pela  necessária  verificação dos registros dos Livros da Recorrente, em confronto com o resto da documentação  presente,  vez  que  em  processo  de  matéria  muito  semelhante,  relacionada  a  descontos  incondicionais não constantes de notas fiscais, diante de claro e robusto conjunto probatório do  contribuinte,  exprimindo  que,  efetivamente,  tinha  se  praticado  tal  redução,  afastou­se  a  infração imputada (vide Acórdão nº 1402­002.676, de 25/07/2017, relatoria do I. Conselheiro  Marco Rogério Borges)    Diga­se  também  que,  perante  tais  circunstâncias,  agora  consta  dos  autos  precisamente  os  elementos  requeridos  pela  Unidade  Local,  fato  este  que  facilitaria  a  manipulação de toda a documentação envolvida.    No  que  tange  às  infrações  de  insuficiência  de  recolhimento  de  estimativas  anuais, cuja as alegações da Recorrente baseiam­se na ocorrência de inúmeras compensações  Fl. 2537DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.538            20 correspondentes  a  tal  pagamentos  não  verificados,  o  Relatório  certificou  a  ausência  da  apresentação,  após  intimação  da  Contribuinte,  das  Declarações  em  que  se  procedeu  a  tal  manobra  e,  no  caso  de  duas  presentes  nos  autos,  apontou­se  para  sua  incompatibilidade  temporal com os débitos.    Na  v.  Resolução  nº  1402.002.430  somente  determinou­se  a  análise  dos  documentos  de  fls.  1843  a  1914,  bem  como  a  contabilidade  e  as  declarações,  inclusive  de  compensação, do Contribuinte, referentes ao período colhido, a fim de se determinar se houve  a  comprovação  de  quitação  (seja  por  pagamento  ou  compensação)  de  tais  valores  tidos  originalmente como não recolhidos.    A Recorrente afirma que já apresentou a documentação que possui e diante do  fato de já ter se passado mais de 15 anos desde a sua apresentação não possui mais registros em  seu  poder,  acrescentando que,  através  do  e­CAC,  não  é  possível  tal  resgate  de  informações,  dado o tempo transcorrido. Porém, afirma, desde as suas Respostas às intimações da diligência,  que poderia  a Autoridade Fiscal  ter  procedido à  consulta  interna,  para a  confirmação de  tais  compensações.    Ainda que, realmente, não tenha havido a determinação de consulta a sistemas e  registros  da  Receita  Federal  do  Brasil  na  v.  Resolução  a  quo  proferido,  sendo  ônus  do  Contribuinte a apresentação de tal documentação, mesmo após tal período de tempo, uma vez  que,  para  o  convencimento  deste  Relator,  antes  da  prolatação  do  seu  voto  de mérito,  faz­se  necessária  a  realização  de  nova  diligência,  é  possível,  razoável  e  racional  incluir  tal  nova  determinação na presente decisão ­ o que não gera qualquer prejuízo ao Fisco.    Por derradeiro, sobre a possibilidade de se designar outro Auditor Fiscal para a  realização dos trabalhos atinentes à nova diligência, entende este Conselheiro que não possui  tal competência, tratando­se de tema exclusivamente atinente à organização interna da Receita  Federal do Brasil (que não se confunde com este E. CARF ou o Ministério da Fazenda).    Diante  de  todo  o  exposto,  resolve­se  por  determinar  a  realização  de  nova  diligência,  retornando  aos  autos  à  Unidade  Local  de  Fiscalização,  para  que,  observando  o  Parecer COSIT nº 2/2018:    1) Em relação à  infração de Omissão de Receitas, considerando a alegação do  Contribuinte, de que parte da diferença remanescente de R$ 5.839.513,14 deve­se a descontos,  ainda que posteriores  à  emissão das notas  fiscais,  apenas  recebendo valores muito  inferiores  àqueles expressos nas notas fiscais de venda:  Fl. 2538DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.539            21   1.a)  analise  a  documentação  de  fls.  1138  a  1170/1475  a  1735/2028  a  2326,  a  planilha  de  fls.  1921,  os  Livros  Razão  e  Diário  dos  anos­calendário  pertinentes,  o  teor  explicativo da Manifestação da Contribuinte de fls. 2435 a 2513 (considerando os anexos não  pagináveis),  bem  como  quaisquer  outras  provas  que  julgar  necessárias,  podendo  proceder  a  intimações  e  requerimentos,  visando confirmar os valores  realmente  recebidos  e  escriturados  por tais vendas;    1.b.) fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja  no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados;    2.a) considerando a planilha de fls. 1923, verifique, na contabilidade disponível  e  demais  declarações  de  tributos/registros  fiscais  de  qualquer  natureza,  mantidos  pelo  Contribuinte  no  período  colhido,  especificamente  em  relação  à  incidência,  recolhimento  e  compensação de PIS, COFINS e ICMS, se o valor declarado na Ficha 6A na DIPJ já contempla  o  montante  de  tais  tributos,  especificamente  incidentes  nas  vendas  de  sucata  sob  análise  (duplicidade) ou se trata­se de outros tributos, de mesma natureza, que recaíram sobre outras  operações;    2.b)  fundamente em Relatório, de forma detalhada, as conclusões obtidas, seja  no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados.    3.a) Em relação às infrações e penalidades atinentes à Ausência de Recolhimento  de Estimativas Anuais,  sejam analisados os documentos de  fls.  1843 a 1914,  consultando os  sistemas e registro da Receita Federal do Brasil que podem atestar a efetuação de compensação  de tais débitos, a fim de se determinar se houve a comprovação de quitação de tais valores tidos  como não recolhidos;    3.a)  fundamente em Relatório, de  forma detalhada, as conclusões obtidas,  seja  no sentido de reduzir, cancelar ou manter os valores lançados.    4) elaborar planilha com resumo explicativo da conclusões obtidas no Relatório,  indicando  eventuais  reduções,  cancelamentos  ou  manutenções  de  valores,  apontado  remissivamente para seu fundamento no corpo do referido documento elaborado.    Como mencionado, deverá ser toda a diligência reduzida a Relatório formal com  tais  informações  e  fundamentação de  suas  conclusões,  dando­se  ciência  à Recorrente,  com a  Fl. 2539DF CARF MF Processo nº 10283.720983/2008­94  Resolução nº  1402­000.762  S1­C4T2  Fl. 2.540            22 abertura do devido prazo legal para nova Manifestação, antes do devido retorno dos autos para  julgamento.    (assinado digitalmente)  Caio Cesar Nader Quintella   Fl. 2540DF CARF MF

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7552030 #
Numero do processo: 11080.916631/2011-87
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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1003­000.307  –  Turma Extraordinária / 3ª Turma   Sessão de  05 de dezembro de 2018  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  RUDDER SERVIÇOS GERAIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006  PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.  O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação  inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a  preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Sérgio  Abelson,  Bárbara  Santos  Guedes,  Mauritânia  Elvira  de  Sousa  Mendonça  e  Carmen  Ferreira  Saraiva  (Presidente).    Relatório  A  Recorrente  formalizou  o  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/DComp)  nº  42496.08868.301106.1.2.02­7496,  em  30.11.2006,  e­fls.  55­67,  utilizando­se  do  saldo  negativo  de  Imposto  sobre  a  Renda  da     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 66 31 /2 01 1- 87 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11080.916631/2011­87  Acórdão n.º 1003­000.307  S1­C0T3  Fl. 119          2 Pessoa  Jurídica  (IRPJ)  no  valor  original  de R$23.367,78  apurado  pelo  regime  de  tributação  com  base  no  lucro  real  do  2º  trimestre  do  ano­calendário  de  2006,  para  compensação  dos  débitos ali confessados.  Em  conformidade  com  o  Despacho  Decisório  Eletrônico,  e­fl.  44,  cientificado a Recorrente em 17.10.2011, e­fl. 76, as informações relativas ao reconhecimento  do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido:  Analisadas  as  informações  prestadas  no  documento  acima  identificado  e  considerando  que  a  soma  das  parcelas  de  composição  do  crédito  informadas  no  PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social  devida e a apuração do saldo negativo, verificou­se:  PARCELAS  DE  COMPOSIÇÃO  DO  CRÉDITO  INFORMADAS  NO  PER/DCOMP      PARC. CREDITO [...]  RETENÇÕES FONTE [...]  SOMA PARC. CRED.  PER/DCOMP [...]  42.796,95 [...]  42.796,95  CONFIRMADAS [...]  30.489,16 [...]  30.489,16      [...]  Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário  Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6° e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º  da IN SRF 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36  da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008.  Cientificada,  a  Recorrente  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade.  Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 11­45.199, de 27.02.2014,  e­fls. 81­89:   COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.  A  certeza  e  a  liquidez  dos  créditos  são  requisitos  indispensáveis  para  a  compensação autorizada por lei. É reconhecido o direito creditório até o limite das  retenções comprovadas. Carece de certeza e liquidez a parcela do crédito pleiteado  utilizada para compor o saldo negativo da IRPJ que não teve sua retenção na fonte  comprovada.  RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.  A  contribuição  retida  na  fonte  sobre  quaisquer  rendimentos  somente poderá  ser  compensada  se  o  contribuinte  possuir  comprovante  hábil  da  retenção  em  seu  nome.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte [...]  Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11080.916631/2011­87  Acórdão n.º 1003­000.307  S1­C0T3  Fl. 120          3 Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos,  julgar  procedente  em  parte  a  manifestação  de  inconformidade,  para  reconhecer,  adicionalmente ao despacho, o direito creditório no montante de R$ 9.576,29.  Notificada  em  21.05.2014,  e­fl.  95,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário  em  20.06.2014,  e­fls.  97­115,  esclarecendo  a  peça  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge.  Relativamente aos fatos expõe que:  DA DECADÊNCIA  Se  extrai  dos  documentos  já  anexados,  que  se  está  diante  de  pedidos  de  compensação formulados no segundo trimestre de 2006, decididos e cientificados ao  recorrente em 18 de outubro de 2011, ou seja, fora do prazo quinquenal previsto na  Lei 9.430/96, [...]  Há, portanto, decadência a atingir o pretenso crédito tributário em debate.  DO MÉRITO   A  controvérsia  cinge­se  em  torno  dos  comprovantes  de  retenção  na  fonte  e  demais documentos anexados na manifestação de inconformidade (Comprovantes de  rendimentos, Notas fiscais e Livro Razão).  A  fundamentação  invocada  pelo  Fisco  para  as  glosas  consistiu  na  não  confirmação da retenção na  fonte de várias das parcelas de composição do crédito  informadas pela recorrente nas PER/DCOMP.  O Fisco, no Acórdão que julgou a manifestação de inconformidade, opõe­se à  possibilidade  de  comprovação  das  retenções  na  fonte  por  meio  de  documentação  outra, que não DIRFs de recolhimento, manifestando­se nestes termos: [...]  Em  diversas  demandas  que  espelham  situação  idêntica  a  presente,  ou  seja,  pedido  de  compensação  de  [IRPJ]  e  admissibilidade  dos  registros  contábeis  do  prestador  de  serviços/recorrente,  como meio  de  prova  das  retenções,  têm­se  dado  acolhimento à pretensão na via judicial. [...]  Portanto,  a  exigência  de  que  a  empresa  recorrente  prove  a  retenção  exclusivamente  por meio  de  um  documento,  cuja  produção  cabe  ao  terceiro  é  no  mínimo teratológica, contrária aos princípios mais elementares, norteadores da nossa  Carta Maior.  Evidente  assim,  tratar­se  de  previsão  não  sistemática,  porque  proíbe  a  compensação do imposto/contribuição, legalmente hábil a compensar.  Insofismável  que  o  critério  utilizado  pelo  Fisco  revela­se,  não  só,  ato  de  intransigência,  de medida  extrema,  como  também,  implica  tratamento muito mais  rigoroso para as empresas cumpridoras de suas obrigações ficais e tributárias, como  a  ora  recorrente,  prejudicadas  por  uma  gama  imensa  de  outras  empresas  que,  por  inúmeras  razões,  não  logram  uma  administração  fiscal  bem  sucedida  e  regular  perante o Fisco. [...]  Portanto, pelo retro asseverado, deve o Fisco, ante aos atuais posicionamentos  jurisprudenciais,  bem como pelo  já declinado na manifestação de  inconformidade,  não  limitar  à  utilização  de  outros  documentos  ou  provas  que  não  o Comprovante  Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11080.916631/2011­87  Acórdão n.º 1003­000.307  S1­C0T3  Fl. 121          4 Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na  Fonte.  E, com o devido acolhimento dos demais documentos (Notas fiscais e Livro  Razão,  etc),  fazendo­se  uma  análise  percuciente,  bem  como,  com  o  cotejamento  destes com a tabela elaborada, trazidos na manifestação de inconformidade, Vossas  Excelências verão que o  saldo de R$2.731,50  (R$12.307,79  ­ R$9.576,29), deverá  também ser reconhecido como direito creditório.  Com  o  objetivo  de  fundamentar  as  razões  apresentadas  na  peça  de  defesa,  interpreta  a  legislação  pertinente,  indica  princípios  constitucionais  que  supostamente  foram  violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor.  Concernente ao pedido expõe que:  Ante  ao  todo  exposto,  a  recorrente  requer  digne­se  Preclaro  Julgador  em  julgar procedente o Recurso Voluntário para reconhecer a decadência e, se este não  for o entendimento, que seja reconhecido o direito creditório postulado, comprovado  através  de  outros  documentos  que  não  exclusivamente  o  Comprovante  Anual  de  Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte.  É o Relatório.    Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento.  A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos.   O Per/DComp  e  revestido  das  formalidades  legais  com a  regular  intimação  para que a Recorrente pudesse cumpri­lo ou impugná­lo no prazo legal. A decisão de primeira  instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa  jurídica foi  regularmente  cientificada.  Assim,  estes  atos  contêm  todos  os  requisitos  legais,  o  que  lhes  conferem existência, validade e eficácia.   As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com  os meios e  recursos a ela  inerentes  foram observadas. Ademais os atos administrativos estão  motivados,  com  indicação  dos  fatos  e  dos  fundamentos  jurídicos  decidam  recursos  administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão  da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício,  que  foi  regularmente  analisado  pela  autoridade  de  primeira  instância.  Ademais,  a  decisão  administrativa  não  precisa  enfrentar  todos  os  argumentos  trazidos  na  peça  recursal  sobre  a  mesma  matéria,  principalmente  quando  os  fundamentos  expressamente  adotados  são  Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11080.916631/2011­87  Acórdão n.º 1003­000.307  S1­C0T3  Fl. 122          5 suficientes  para  afastar  a  pretensão  da Recorrente  e  arrimar  juridicamente  o  posicionamento  adotado.   Sobre  a  matéria,  cabe  indicar  o  entendimento  emanado  em  algumas  oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1:  Não  há  falar  em  negativa  de  prestação  jurisdicional  quando,  como  ocorre  na  espécie  vertente,  "a  parte  teve  acesso  aos  recursos  cabíveis  na  espécie  e  a  jurisdição  foi  prestada  (...)  mediante  decisão  suficientemente  motivada,  não  obstante  contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min.  Sepúlveda Pertence, DJ de 10­8­2007), e "o órgão judicante não  é  obrigado  a  se  manifestar  sobre  todas  as  teses  apresentadas  pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões  de  seu  convencimento"  (AI  690.504  AgR,  rel.  min.  Joaquim  Barbosa, DJE de 23­5­2008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen  Lúcia,  j.  13­10­2009,1ª  T,  DJE  de  13­11­2009.]  =AI  811.144  AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 28­2­2012, 1ª T, DJE de 15­3­2012  = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 17­8­2010,  1ª T, DJE de 24­9­2010 (grifos do original)  As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram  reunidos  nos  autos  do  processo,  que  estão  instruídos  com  as  provas  produzidas  por  meios  lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e  recursos  a  ela  inerentes  foram  observadas2.  O  de  o  enfrentamento  das  questões  na  peça  de  defesa denotar perfeita  compreensão da descrição dos  fatos que  ensejaram o procedimento  e  estando  a  decisão  motivada  de  forma  explícita,  clara  e  congruente,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  dos  atos  em  litígio. A  proposição  afirmada  na  peça  recursal,  desse modo,  não  tem  cabimento.  A Recorrente diz que tem direito ao reconhecimento da decadência do direito  de lançar.  A  objeção  de  decadência  por  ser  matéria  de  ordem  pública  pode  ser  conhecida a requerimento da parte ou de ofício e a qualquer tempo e em qualquer instância de  julgamento.  Este  instituto  pode  ser  definido  como  a  perda  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário pelo  lançamento,  tendo em vista decurso do  lapso  temporal de  cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação,  no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame  prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a  fluir da ocorrência  do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta dolosa qualificada pela sonegação, pela  fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o  prazo de cinco anos se  inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de  mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial representativo da                                                              1  BRASIL.  Supremo  Tribunal  Federal.  A  constituição  e  o  supremo  do  art.  93.  Disponível  em:  <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018.    2  Fundamentação  legal:  inciso  LIV  e  inciso  LV  do  art.  5º  da  Constituição  Federal,  Lei  nº  9.317,  de  05  de  dezembro de 1996, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de  1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.  Fl. 122DF CARF MF Processo nº 11080.916631/2011­87  Acórdão n.º 1003­000.307  S1­C0T3  Fl. 123          6 controvérsia nº 973.733/SC3, cujo  trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser  reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4.  No  presente  caso,  trata­se  de  exame  de  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/DComp)  (art.  74  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996)  e  não  de  constituição  de  crédito  tributário  pelo  lançamento,  assim  entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar  o  sujeito  passivo  e,  sendo  caso,  propor  a  aplicação  da  penalidade  cabível  (art. 142 do Código Tributário Nacional).   Por  conseguinte,  no  contexto  do  trâmite  do  contencioso  administrativo,  ou  seja, na fase litigiosa do procedimento, instaurada pela regular apresentação da manifestação de  inconformidade, não tem aplicação as determinações do §4º do art. 150 e inciso I do art. 170 do  Código Tributário Nacional (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972).   A instauração na fase litigiosa no procedimento implementa­se plenamente as  garantias  do  devido  processo  legal,  da  ampla  defesa  e do  contraditório  com  a  citação  válida  para o aperfeiçoamento da relação processual e com a observância de todos os requisitos legais  que conferem existência, validade e eficácia ao ato administrativo. A partir da notificação, de  acordo  com  as  formalidades  legais,  o  crédito  tributário  já  existe  não  podendo  se  cogitar  do  transcurso  da  decadência.  A  contestação  aduzida  na  peça  recursal,  por  isso,  não  pode  ser  ratificada.   A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido.  O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB,  passível de restituição, pode utilizá­lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002,  a  compensação  somente  pode  ser  efetivada  por  meio  de  declaração  e  com  créditos  e  débitos  próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os  pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo  à data do protocolo.   Posteriormente,  ou  seja,  em  de  30.12.2003,  ficou  estabelecido  que  a  Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos  débitos  indevidamente  compensados,  bem  como  que  o  prazo  para  homologação  tácita  da  compensação  declarada  é  de  cinco  anos,  contados  da  data  da  sua  entrega.  Ademais,  o  procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para  os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 5.   O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os  ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente                                                              3 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux,  Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://www.conjur.com.br/dl/relatorio­voto­ resp­973733­stj­recurso.pdf> .Acesso em: 26 nov. 2018.  4 Fundamentação Legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional.  5 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170­A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto­ Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996,  art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11080.916631/2011­87  Acórdão n.º 1003­000.307  S1­C0T3  Fl. 124          7 da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de  ato  ou  negócio. A  escrituração mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  dela  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza, ou assim definidos em preceitos legais6.   Instaurada  a  fase  litigiosa  do  procedimento,  cabe  à  Recorrente  detalhar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  basear  expondo  de  forma  minuciosa  os  pontos  de  discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré­constituída  imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora,  orientando­se  pelo  princípio  da  verdade  material  na  apreciação  da  prova,  deve  formar  livremente  sua  convicção mediante  a  persuasão  racional  decidindo  com  base  nos  elementos  existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos.   Cabe  à  Recorrente  produzir  o  conjunto  probatório  nos  autos  de  suas  alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação  inequívoca da  liquidez  e  da  certeza do  valor  de  direito  creditório  pleiteado.  Para  que  haja  o  reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior  de  tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados  informados  em  todos os  livros de  escrituração obrigatórios por  legislação  fiscal  específica bem como os  documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal7.  A  pessoa  jurídica  pode  deduzir  do  tributo  devido  o  valor  dos  incentivos  fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre  receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base  de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de  determinação  do  saldo  de  IRPJ  a  pagar  ou  a  ser  compensado  no  encerramento  do  ano­ calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza8.  Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a  lapso  manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de  ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e  compreensão  das  características  da  situação  fática  tais  como  inexatidões materiais  devidas  a  lapso  manifesto  e  os  erros  de  escrita  ou  de  cálculos.  A  Administração  Tributária  tem  o  poder/dever  de  revisar  de  ofício  o  procedimento  quando  se  comprove  erro  de  fato  quanto  a  qualquer  elemento definido na  legislação  tributária como  sendo de declaração obrigatória. A  este  poder/dever  corresponde  o  direito  de  a  Recorrente  retificar  e  ver  retificada  de  ofício  a  informação  fornecida  com  erro  de  fato,  desde  que  devidamente  comprovado  (art.  32  do  Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149  do Código Tributário Nacional).                                                              6 Fundamentação legal  : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de  1985,  art.  6º  e  art.  9º  do Decreto­Lei  nº  1.598, de 26  de dezembro de 1977,  art.  37 da Lei nº 8.981,  de 20  de  novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.  7 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e  art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996.  8 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e  art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996.  Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.916631/2011­87  Acórdão n.º 1003­000.307  S1­C0T3  Fl. 125          8 Em relação à dedução do valor de tributo retido na fonte, a legislação prevê  que no  regime de  tributação com base no  lucro  real  a pessoa  jurídica pode deduzir do valor  apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a  base de  cálculo  correspondente9.  Para  tanto,  as  pessoas  jurídicas  são  obrigadas  a  prestar  aos  órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram  no  ano­calendário  anterior,  por  si  ou  como  representantes  de  terceiros,  com  indicação  da  natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das  pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração  de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF).   Também  as  pessoas  jurídicas  que  efetuarem  pagamentos  com  retenção  do  imposto  na  fonte  devem  fornecer  à  pessoa  jurídica  beneficiária,  até  o  dia  31  de  janeiro,  documento  comprobatório,  em  duas  vias,  com  indicação  da  natureza  e  do  montante  do  pagamento,  das  deduções  e  do  imposto  retido  no  ano­calendário  anterior,  que  no  caso  é  o  Informe de Rendimentos. Assim, o valor  retido na  fonte  somente pode ser  compensado  se  a  pessoa  jurídica  possuir  comprovante  de  retenção  emitido  em  seu  nome  pela  fonte  pagadora  para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período10.   A  legislação  expressamente  permite  a  dedução  dos  valores  de  IRRF  são  considerados, entre outros, como antecipações do IRPJ devido o código de arrecadação nº 1708  a  título de  remuneração de prestações de serviços efetuados por pessoas  jurídicas  (art. 52 da  Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985), em cujo  regime de  tributação o  imposto  retido é  deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual (art. 630 do  Regulamento IRPJ).  Ademais,  na  apuração  do  IRPJ,  a  pessoa  jurídica  poderá  deduzir  do  IRPJ  devida  o  valor  retido  na  fonte,  desde  que  comprovada  a  retenção  e  o  cômputo  das  receitas  correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80).  Feitas  essas  considerações normativas,  tem cabimento  a  análise da  situação  fática  tendo  em  vista  os  documentos  já  analisados  pela  autoridade  de  primeira  instância  de  julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário.  Sobre  a  alegação  de  que  os  débitos  foram  alcançados  pela  homologação  tácita, tem­se que a Recorrente formalizou o Per/DComp nº 42496.08868.301106.1.2.02­7496,  em 30.11.2006, e­fls. 55­67 e foi cientificada do Despacho Decisório Eletrônico, e­fl. 44, em  17.10.2011,  e­fl.  76,  com  as  informações  relativas  ao  reconhecimento  do  direito  creditório  foram  analisadas  das  quais  se  concluiu  pelo  deferimento  parcial  do  pedido.  Logo  não  se  verifica  o  interregno  no  cinco  anos  entre  a  apresentação  do  Per/DComp  e  a  notificação  do  Despacho Decisório.  Na Análise das Parcelas de Crédito ­ Imposto de Renda Retido na Fonte, e­ fls.  45­49,  estão  discriminadas  as  parcelas  confirmadas,  confirmadas  parcialmente  e  não  confirmadas  em conformidade com as  informações constantes nos  registros  internos da RFB  apresentadas  pelas  fontes  pagadoras.  A  Recorrente  procura  demonstrar  a  tese  de  defesa                                                              9 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003.  10 Fundamentação Legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do Decreto­Lei nº 1.968, de 23  de novembro de 1982 e art. 10 do Decreto­Lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.  Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11080.916631/2011­87  Acórdão n.º 1003­000.307  S1­C0T3  Fl. 126          9 apresentando planilha de lançamentos contábeis, Notas Fiscais e os Informes de Rendimentos  e­fls.  15­43.  Estes  documentos  foram  correta  e  devidamente  considerados  pela  autoridade  julgadora  de  primeira  instância,  que  na  apreciação  dessas  provas  formou  livremente  sua  convicção, conforme o  regime de  tributação previsto  (art. 7º da  Instrução Normativa SRF nº  459, de 17 de outubro de 2004 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972).   Assim, as alegadas diferenças apontadas pela Recorrente na peça recursal não  foram demonstradas de modo que os fundamentos de fato e direito constantes no Acórdão da 3ª  Turma/DRJ/REC/PE nº 11­45.199, de 27.02.2014, e­fls. 81­89,  são acolhidos de plano nessa  segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999):  Nos  termos  do  art.  170  do  CTN,  para  que  o  sujeito  passivo  postule  a  restituição/compensação de tributos é necessário que seu direito seja líquido e certo.  Assim  é  que,  em  se  tratando  de  restituição  ou  compensação,  é  dever  da  Administração  investigar  a  certeza  e  liquidez  do  crédito  suplicado,  independentemente  de  estar  ele  consignado  em  declaração  apresentada  pelo  contribuinte. Assim,  compete  ao  interessado  na  restituição/compensação,  como  se  apresenta  o  presente  pleito,  fazer  prova  da  efetiva  apuração  de  saldo  negativo  do  tributo, mediante comprovação de todas as parcelas que lhe deram origem, além de  evidenciar sua efetiva disponibilidade para a aspirada utilização.  No caso concreto, conforme se  relatou, o saldo negativo do  IRPJ  informado  no PER/DCOMP foi formado em sua quase totalidade por retenções na fonte desse  tributo, no código 1708, num montante de R$ 42.796,95, tendo sido confirmado, no  procedimento eletrônico de  investigação dos atributos do crédito,  apenas, um  total  de R$ 30.489,16, razão pela qual não se reconheceu, relativamente à parcela de R$  12.307,79, a certeza e liquidez necessárias à pretendida compensação.  Nesse  procedimento  eletrônico  de  reconhecimento  do  direito  creditório  e  a  consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação, a Receita  Federal, através de uma seqüência contínua de operações, cruza dados dos diversos  sistemas  da  RFB,  informações  prestadas  através  das  diversas  declarações  do  contribuinte ou de terceiros (DCOMP, DIPJ, DCTF, DIRF etc.), além das próprias  retenções  (Sistemas  Sinal  04,  1­RPE  e  SIEF  Pagamentos),  procedimento  cuja  participação  da  postulante  é  primordial, materializando­se  através  da  correção  dos  valores  informados  no PER/DCOMP e nos diversos  sistemas  envolvidos,  além do  atendimento  às  intimações,  quando  necessárias,  no  intuito  de  comprovar  o  pretendido direito.  De acordo com a manifestante, a desconsideração da parcela acima não pode  prosperar por se tratar de IRPJ retido na fonte pelas tomadoras do serviço, consoante  comprovação  nos  autos  através  de  Cartas  de  Rendimentos  Pagos  e/ou  creditados  (Comprovante de Rendimentos), Notas Fiscais e Livro Razão, cabendo a si utilizar  os referidos créditos, pois já laborou, sofreu retenções e cumpriu com todos os seus  deveres.  Quanto à prova das retenções, há de observar legislação própria, [...].  Vê­se,  portanto,  que  a  compensação  do  imposto/contribuição  na  fonte  está  condicionada  à  existência  do  respectivo  comprovante  de  retenção,  cujo  modelo  é  aprovado mediante ato normativo baixado pela Administração Tributária. Logo, os  demais  documentos  anexados  pela  defesa  (Notas  Fiscais  e  Livro  Razão)  não  Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.916631/2011­87  Acórdão n.º 1003­000.307  S1­C0T3  Fl. 127          10 constituem comprovantes de retenção do imposto na fonte, nos termos da legislação  de regência.  Ademais, no que concerne à legislação dos elementos envolvidos na presente  análise:  Comprovantes  de  retenção,  DIRF  e  DIPJ,  de  acordo  com  a  Instrução  Normativa  SRF  nº  127,  de  30  de  outubro  de  1998,  que  instituiu  a  Declaração  Integrada de Informações Econômico­Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e estabeleceu  normas  para  a  sua  apresentação,  A  partir  do  ano­calendário  de  1999,  todas  as  pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar a DIPJ, centralizada  pela matriz.  (Art.  2º),  entendimento  este  seguido pela  IN RFB nº  1.028,  de  30  de  abril de 20107, que revogou a primeira.  Nesse mesmo diapasão, dispõe a legislação sobre a Declaração do Imposto de  Renda Retido na Fonte – DIRF, desde sua criação (IN SRF nº 3, de 2 de janeiro de  2001): [...]  Quanto ao comprovante de retenção, a  Instrução Normativa SRF n.º 119, de  28  de  dezembro  de  2000,  ao  aprovar  o  modelo  de  Comprovante  Anual  de  Rendimentos  Pagos  ou Creditados  e  de Retenção  de  Imposto  de Renda  na  Fonte,  relativo  a  rendimentos  pagos  ou  creditados  por  pessoas  jurídicas  a  outras  pessoas  jurídicas, sujeitas à retenção na fonte, assim determinou: [...]  Dessa forma, verifica­se que, no comprovante de retenção, deve constar, entre  elementos, as informações relativas ao nome empresarial e ao Cadastro Nacional de  Pessoa Jurídica (CNPJ) do estabelecimento matriz,  tanto da fonte pagadora quanto  da  que  prestou  o  serviço.Logo,  informações  dos  comprovantes  de  rendimento  relativas às filiais das empresas envolvidas serão consideradas como concernentes às  matrizes.  De  acordo  com  a  planilha  de  cálculo  elaborada  pelo  próprio  contribuinte  foram  observadas,  em  alguns  situações  a  seguir  transcritas,  retenções  de  IRPJ  na  fonte  de  determinadas  fontes  pagadoras,  informadas  no  PER/DCOMP,  não  consideradas  no  procedimento  de  análise  do  crédito,  que  resultou  no  despacho  decisório  em  litígio,  quando  comparadas  aos  comprovantes  de  rendimentos  anexados:      CNPJ  PROVA  VALOR NO  PER/DCOMP  VALOR  CONFIRMADO  CARTA DE  RENDIMENTO  DIFERENÇA A  SER  CONSIDERADA  02.896.118/0001­75  FL.16  38,28  0,00  38,28  38,28  04.041.933/0021­21  FL.17  169,32  0,00  169,43  169,32  04.962.478/0033­30  FL.18  66,06  0,00  66,06  66,06  05.356.949/0003­04  FL.19  77,75  0,00  103,84  77,75  48.539.407/0076­35  FL.21  279,83  0,00  257,97  257,97  76.535.764/0002­24  FL.24  7.265,84  0,00  7.265,84  7.265,84  86.183.449/0006­62  FL.25  152,91  0,00  101,94  101,94  91.046.284/0002­93  FL.28  451,84  0,00  473,92  473,90  91.235.549/0004­63  FL.31, 33 e 34  1.069,59  0,00  1.107,63  1.069,59  92.741.990/0003­07  FL.36  56,79  0,00  18,93  18,93  93.365.690/0001­63  FL.41  41,76  0,00  41,76  41,76  93.859.403/0001­71  FL.42  64,95  0,00  64,95  64,95  TOTAL  9.576,29    Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11080.916631/2011­87  Acórdão n.º 1003­000.307  S1­C0T3  Fl. 128          11   Quanto à não apresentação de documentos comprovadores destaco, em função  do  Princípio  da  Verdade  Material,  regulador  do  Processo  Administrativo  Fiscal  (Decreto  nº  70.235/72),  além  dos  próprios  comandos  ali  existentes,  dos  quais  destaco  o  art.  16,  que  a manifestação  de  inconformidade  deverá  vir  acompanhada  com os  elementos de prova que possuir,  sob  risco de  impedir  sua apreciação pelo  julgador administrativo. [...]  O dispositivo acima, é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a  quem dela se aproveita. Esta formulação foi, com as devidas adaptações, trazida para  o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente  atribuída tanto ao autor do procedimento, a autoridade fiscal, quanto ao contribuinte  que contesta.  Prevalecendo,  sempre, no processo administrativo­tributário, a máxima ônus  probandi  incumbit  ei  qui  dicit.  Portanto,  aquele  que  argúi  direito  em  seu  favor  deverá demonstrar e provar esse direito, seja ele o sujeito ativo ou o sujeito passivo  da relação jurídico­tributária.  Esclarece­se, por fim, quanto à alegada prescrição dos débitos, que não é da  competência  dos  órgãos  da  RFB  ligados  ao  julgamento  (DRJ  e  CARF)  qualquer  referência ao débito relativamente a sua cobrança – fase posterior ao julgamento. É  da competência dos órgãos ligados ao julgamento apenas investigar os atributos do  direito  creditório  (certeza  e  liquidez).  Quanto  à  exigibilidade  do  débito  cuja  compensação não foi homologada, ela permanecerá suspensa no curso da discussão  administrativa, à vista do que prescreve o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de  dezembro de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  Logo,  carecendo  de  certeza  e  liquidez  a maior  parcela  do  crédito  pleiteado  utilizada  para  compor  o  saldo  negativo  do  IRPJ  cuja  retenção  na  fonte  não  ficou  comprovada, não há como postular a sua restituição, em função do que dispõe o art.  170 do CTN 4.  Ante o exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a manifestação  de  inconformidade,  para  reconhecer,  adicionalmente  ao  despacho,  o  direito  creditório no montante de R$ 9.576,29.  No  que  concerne  à  interpretação  da  legislação  e  aos  entendimentos  doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para  os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do  art. 100 do Código Tributário Nacional.   Atinente  aos  princípios  constitucionais,  cabe  ressaltar  que  o  CARF  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação ou deixar de observar  tratado, acordo internacional,  lei ou decreto, sob fundamento  de inconstitucionalidade11.   Tem­se  que  nos  estritos  termos  legais  o  procedimento  fiscal  está  correto,  conforme  o  princípio  da  legalidade  a  que  o  agente  público  está  vinculado  (art.  37  da                                                              11 Fundamentação legal: art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento  Interno do CARF e Súmula CARF nº 2.  Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.916631/2011­87  Acórdão n.º 1003­000.307  S1­C0T3  Fl. 129          12 Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº  9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26­A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art.  62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de  julho de 2015).   Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no  mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                                Fl. 129DF CARF MF

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Numero do processo: 10725.903181/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).

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1402­003.380  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de agosto de 2018  Matéria  DCOMP  Recorrente  MEDICON LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2010  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE  A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida  na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos  e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do  art.  66,  caput  e §1º  da Lei  nº  8.383,  de 30/12/1991,  tornou­se  inadmissível  ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.  COMPENSAÇÃO  DE  INDÉBITO  TRIBUTÁRIO.  CRÉDITO  PROVENIENTE  DA  APURAÇÃO  DE  SALDO  NEGATIVO  DA  CSLL.  DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.  O  lapso  temporal  conferido  para  o  exercício  do  direito  de  compensação  mediante  utilização  de  crédito  proveniente  de  saldo  negativo  da  CSLL,  encerra­se  com  decurso  do  prazo  de  5  (cinco)  anos  contados  da  data  de  encerramento  do  período  de  apuração  correspondente,  a  teor  do  preceito  expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da  interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.  INEFICÁCIA  DA  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  TRANSMITIDA  APÓS  O  DECURSO  DO  PRAZO  DECADENCIAL  ESTABELECIDO  PELA  LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  ALTERAÇÃO  DAS  VINCULAÇÕES  INFORMADAS  EM  RELAÇÃO  À  ESTIMATIVA  MENSAL  CONFESSADA.  COMPENSAÇÃO  SEM  PROCESSO  INFORMADA  EXTEMPORANEAMENTE.  Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui­se  ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial  estabelecido  pela  legislação  tributária,  mormente  quando  as  alterações  levadas  a  efeito  pelo  sujeito  passivo  apresentam­se  desacompanhadas  de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 81 /2 00 9- 52 Fl. 56DF CARF MF     2  material  probatório  competente  que  demonstre  cabalmente  a  ocorrência  de  erro de fato no preenchimento da declaração.  Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e  §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991,  revela­se necessária  a comprovação  da  validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora  e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal  associada ao crédito reivindicado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  10725.903155/2009­24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente e Relator     Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges,  Caio  César  Nader  Quintella,  Sergio  Abelson  (Suplente  Convocado),  Leonardo  Luis  Pagano  Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros  (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).    Relatório    Trata  o  presente  feito  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  do  r.  despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a  DCTF­Retificadora foi apresentada extemporaneamente.  Aduz  em  síntese  a  Recorrente  a  nulidade  do  despacho  decisório  por  ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho  decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir  das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um  ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte.  Ocorre  que  ao  tempo  do  julgamento  já  teria  sido  transmitida  DCTF­ retificadora que deixou de ser considerada.   Segundo a recorrente:  Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10725.903181/2009­52  Acórdão n.º 1402­003.380  S1­C4T2  Fl. 3          3    Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito.  Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n  regime  de  apuração  do  lucro  presumido  quando  aplicou  erroneamente  o  percentual  de  presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços  hospitalares.  Afirma que apresentou DCOMP­retificadoras para corrigir dados da DCOMP  original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos.  Afirma que  não  há  prazo  fixado  em  lei  para  retificar  suas  declarações,  não  sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro.   Sustenta que divergência entre DCTF­retificadora e DIPJ não pode ser visto  como  impedimento  para  a  compensação,  tratando­se  tão  somente  de  obstáculo  de  natureza  formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações  prestadas por DCTF e/ou DIPJ.  Por fim, acrescenta que:     Conclui  sustentando  que  aplica­se  ao  caso  a  tese  do  5  +5,  consolidada  no  julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo.    É o relatório.   Voto               Conselheiro Paulo Mateus Ciccone ­ Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  Fl. 58DF CARF MF     4  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1402­003.353,  de  15/08/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10725.903155/2009­ 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402­003.353):    "1. DA ADMISSIBILIDADE:  O  Recurso  é  tempestivo  e  interposto  por  parte  competente, posto que o admito.  2. DO MÉRITO  Conforme  bem  apontou  o  Conselheiro  Frederico  Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976:  De  acordo  com  as  normas  introduzidas  no  ordenamento  jurídico conferiu­se nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430,  de  27/12/1996,  passando  a  exigir  a  apresentação  de  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP)  com  a  finalidade  de  tornar  eficaz  o  exercício  da  compensação  de  débitos tributários com eventual indébito tributário apurado  pelo  contribuinte,  inclusive  em  relação  a  tributos  e  contribuições de mesma natureza.   Assim  sendo,  a  entrega  da PER/DCOMP  instituiu­se  como  premissa  para  a  determinação  da  extinção  do  crédito  tributário mediante compensação.   Diante  disso,  a  partir  da  vigência  do  referido  dispositivo  legal,  a  compensação  sem  processo,  entre  tributos  e  contribuições de mesma espécie e destinação constitucional,  formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei  nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do  art.  74  da  Lei  nº  9.430,  de  27/12/1996,  regulamentada  na  Instrução  Normativa  SRF  nº  21,  de  1997,  tornou­se  inadmissível  para  cumprimento  do  novel  regime  de  compensação introduzido no sistema tributário.   Sendo  assim,  não  merece  qualquer  reparo  as  conclusões  firmadas  pela  autoridade  administrativa  responsável  pela  análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto,  plenamente  legítima  a  delimitação  de  reconhecimento  do  direito creditório levada a efeito no despacho decisório  A  jurisprudência  consolidada  desta  turma  segue  no  sentido de que é possível a  compensação de débitos  tributários  via PER/DCOMP quando  transmitida DCTF retificadora desde  que exista prova inequívoca do crédito apontado.  Esse também foi o entendimento adotado pela Receita  Federal  quando  emitiu  o  Parecer  Normativo  COSIT  nº  2  de  2015:  Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.  RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO  PER/DCOMP  E  CIÊNCIA  DO  DESPACHO  DECISÓRIO.  POSSIBILIDADE.  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.903181/2009­52  Acórdão n.º 1402­003.380  S1­C4T2  Fl. 4          5  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  PARA  COMPROVAÇÃO  DO  PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.  As  informações  declaradas  em  DCTF  –  original  ou  retificadora  –  que  confirmam  disponibilidade  de  direito  creditório  utilizado  em  PER/DCOMP,  podem  tornar  o  crédito  apto  a  ser  objeto  de  PER/DCOMP  desde  que  não  sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras  declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto  no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo,  no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para  analisar  outras  questões  ou  documentos  com  o  fim  de  decidir sobre o indébito tributário.   Não  há  impedimento  para  que  a  DCTF  seja  retificada  depois  de  apresentado  o  PER/DCOMP  que  utiliza  como  crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original,  ainda  que  a  retificação  se  dê  depois  do  indeferimento  do  pedido  ou  da  não  homologação  da  compensação,  respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de  2010.   Retificada  a  DCTF  depois  do  despacho  decisório,  e  apresentada  manifestação  de  inconformidade  tempestiva  contra  o  indeferimento  do  PER  ou  contra  a  não  homologação  da  DCOMP,  a  DRJ  poderá  baixar  em  diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a  revisão  do  despacho  decisório  implique  o  deferimento  integral  daquele  crédito  (ou  homologação  integral  da  DCOMP),  cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão  de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete  ao  órgão  julgador  administrativo  decidir  a  lide,  sem  prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do  sujeito passivo.   O  procedimento  de  retificação  de  DCTF  suspenso  para  análise por parte da RFB, conforme art. 9º­A da IN RFB nº  1.110,  de  2010,  e  que  tenha  sido  objeto  de  PER/DCOMP,  deve  ser  considerado  no  julgamento  referente  ao  indeferimento/não  homologação  do  PER/DCOMP.  Caso  o  procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua  homologação,  o  julgamento  referente  ao  direito  creditório  cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o  processo ser baixado para a revisão do despacho decisório.  Caso  o  procedimento  de  retificação  de  DCTF  se  encerre  com  a  não  homologação  de  sua  retificação,  o  processo  do  recurso contra tal ato administrativo deve, por continência,  ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao  direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não  ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação  da  DCTF,  a  autoridade  administrativa  deve  comunicar  o  resultado  de  sua  análise  à DRJ  para  que  essa  informação  seja  considerada  na  análise  da  manifestação  de  inconformidade contra o indeferimento/não­homologação do  PER/DCOMP.  A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de  fazê­la  em  decorrência  de  alguma  restrição  contida  na  IN  RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado  Fl. 60DF CARF MF     6  em  PER/DCOMP,  e  ainda  não  decaído,  seja  comprovado  por outros meios.   O  valor  objeto  de  PER/DCOMP  indeferido/não  homologado,  que  venha  a  se  tornar  disponível  depois  de  retificada  a  DCTF,  não  poderá  ser  objeto  de  nova  compensação, por força da vedação contida no inciso VI do  § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.   Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de  inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do  PER/DCOMP  compete  à  autoridade  administrativa  de  jurisdição  do  sujeito  passivo,  observadas  as  restrições  do  Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46  a 53.   Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172,  de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº  5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil  (CPC);  art.  5º  do Decreto­lei  nº  2.124,  de  13  de  junho  de  1984; art. 18 da MP nº 2.189­49, de 23 de agosto de 2001;  arts. 73  e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996;  Instrução Normativa RFB  nº  1.110,  de  24  de  dezembro  de  2010;  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.300,  de  20  de  novembro  de  2012;  Parecer  Normativo  RFB  nº  8,  de  3  de  setembro de 2014.   e­processo 11170.720001/2014­42  Se  de  um  lado  é  incontroversa  a  possibilidade  de  se  retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo  não  se pode afirmar quando a  retificação é posterior ao prazo  decadencial.  O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a  restituição  extingue­se  com  o  decurso  do  prazo  de  5  (cinco)  anos, contados: I ­ nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165,  da data da extinção do crédito tributário.   De  sua  parte  o  art.  165  do CTN  dispõe: Art.  165. O  sujeito  passivo  tem  direito,  independentemente  de  prévio  protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a  modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do  artigo  162,  nos  seguintes  casos:  I  ­  cobrança  ou  pagamento  espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da  legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias  materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.  Por entender que a decadência objetiva a pacificação  das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco  lançar  como  de  o  contribuinte  aproveitar  dos  créditos,  através  de compensação.  Nessa  toada,  adiro  ao  precedente  desta  turma  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  16306.000011/2010­75  em  que se decidiu :  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  COMPENSAÇÃO  SEM  PROCESSO. INADMISSIBILIDADE  Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.903181/2009­52  Acórdão n.º 1402­003.380  S1­C4T2  Fl. 5          7  A  partir  da  vigência  da  Medida  Provisória  nº  66,  de  29/08/2002,  convertida  na  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002,  a  compensação sem processo, entre tributos e contribuições de  mesma  espécie  e  destinação  constitucional,  nos  termos  do  art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou­ se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da  Lei nº 9.430, de 27/12/1996.  COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO  PROVENIENTE  DA  APURAÇÃO  DE  SALDO  NEGATIVO  DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA  DE REGÊNCIA.  O  lapso  temporal  conferido  para  o  exercício  do  direito  de  compensação mediante utilização de crédito proveniente de  saldo  negativo da CSLL,  encerra­se  com decurso  do  prazo  de  5  (cinco)  anos  contados  da  data  de  encerramento  do  período  de  apuração  correspondente,  a  teor  do  preceito  expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional  (CTN)  à  luz  da  interpretação  dada  pelo  art.  3º  da  Lei  Complementar nº 118/2005.  INEFICÁCIA  DA  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  TRANSMITIDA  APÓS  O  DECURSO  DO  PRAZO  DECADENCIAL  ESTABELECIDO  PELA  LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  ALTERAÇÃO  DAS  VINCULAÇÕES  INFORMADAS  EM  RELAÇÃO  À  ESTIMATIVA  MENSAL  CONFESSADA.  COMPENSAÇÃO  SEM  PROCESSO  INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.  Para  efeitos  de  determinação  da  pertinência  do  crédito  declarado,  constitui­se  ineficaz  a  DCTF  retificadora  transmitida  após  o  decurso  do  prazo  decadencial  estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as  alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam­ se desacompanhadas de material probatório competente que  demonstre  cabalmente  a  ocorrência  de  erro  de  fato  no  preenchimento da declaração.  Ainda  que  alegada  a  realização  da  compensação  sob  a  égide  art.  66,  caput  e  §1º  da  Lei  nº  8.383,  de  30/12/1991,  revela­se necessária a comprovação da validade e existência  das  novas  vinculações  informadas  na DCTF  retificadora  e  da  efetividade  da  compensação  na  data  de  vencimento  da  estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.  Referido  precedente  é  aplicável  ao  caso  concreto.  A  recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou  cabalmente o pagamento a maior, restringindo­se a apontar que  aplicou  o  percentual  de  presunção  inadequado  sem  apresentar  as  provas  do  erro  ou  que  fazia  jus  ao  referido  percentual,  em  linha com as exigências da legislação tributária.  Esses motivos são o suficiente para além de manter a  decisão  recorrida  no mérito,  afastar  a  nulidade  suscitada  pela  Recorrente em sede preliminar.      Fl. 62DF CARF MF     8    3. CONCLUSÃO:     Por  todo  o  exposto,  voto  pela  manutenção  da  decisão recorrida.  É como voto."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de  negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito.    (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone                                  Fl. 63DF CARF MF

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Numero do processo: 14041.001112/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 06/06/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA CONTRA PESSOA JURÍDICA EXTINTA. NULIDADE. É nulo auto de infração lavrado contra pessoa jurídica já extinta. A sucessão se dá, no plano da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Extinta a pessoa jurídica, a fiscalização somente pode ser voltar contra o sucessor legal da empresa extinta.
Numero da decisão: 2402-006.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pinho (presidente da turma), Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI

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2402­006.581  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de setembro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  COMERCIALIZADORA BRASILEIRA DE ENERGIA EMERGENCIAL ­  CBEE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/10/2003 a 06/06/2006  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  LAVRATURA  CONTRA  PESSOA  JURÍDICA  EXTINTA.  NULIDADE.  É nulo auto de infração lavrado contra pessoa jurídica já extinta. A sucessão se dá, no plano  da obrigação tributária, por modificação subjetiva passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar  a posição do antigo devedor, no estado em que a obrigação se encontrava na data do evento  que motivou a sucessão.  Extinta  a  pessoa  jurídica,  a  fiscalização  somente  pode  ser  voltar  contra  o  sucessor legal da empresa extinta.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Acordam os membros do  colegiado,  por unanimidade  de votos,  em  cancelar o  lançamento.  (assinado digitalmente)  Mário Pereira de Pinho Filho ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Renata Toratti Cassini ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Mário  Pinho  (presidente  da  turma),  Denny  Medeiros  da  Silveira,  Luis  Henrique  Dias  Lima,  Mauricio     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 12 /2 00 8- 71 Fl. 186DF CARF MF     Nogueira  Righetti,  João  Victor  Ribeiro  Aldinucci  (vice­presidente),  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.      Relatório  Cuida­se de recurso voluntário  interposto em face do Acórdão nº 03­34.411,  da 5ª Turma da DRJ de Brasília (fls. 85/90), que julgou improcedente a impugnação apresentada  contra o Auto de Infração DEBCAB nº 37.147.839­1.  Relata a autoridade fiscal que a CBEE é uma empresa pública, cuja criação  foi autorizada pela Medida Provisória n° 2.209, de 29/08/2001, em que  ficou definido que a  empresa extinguir­se­ia aos 30/06/2006. Informa que o Decreto nº 5.826/2006 dispõe sobre o  processo de inventariança da CBEE e trata da transferência de direitos e obrigações/dívidas da  empresa para a União, e que por meio do Decreto n° 6.191/2007, ficou designado o Ministério  de Minas e Energia como responsável para atender à fiscalização, conforme disposto em seu  art. 4º.  De  acordo  com  o  relatório  fiscal,  trata­se  de  auto  de  infração  por  descumprimento de obrigação acessória, por ter infringido o art. 32, IV e §§ 3º e 6º da Lei nº  8.212/90,  c.c.  o  art.  225,  IV,  §  4º  do  Decreto  nº  3.048/99,  ao  declarar  nas  Guias  de  Recolhimento  e  Informações  à  Previdência  Social —  GFIP  seus  diretores  na  categoria  05­  Contribuinte Individual, Diretor não Empregado nas competências de 01 a 03 e 05/2003.    Ainda em 02/2003, a empresa declarou em GFIP dois de seus diretores como  categoria 04 ­ empregado sob contrato de trabalho por prazo determinado (Lei n° 9.601/98), o  que  demonstra  a  indefinição  da  empresa,  até  então,  em  relação  ao  vínculo  dos  diretores  da  CBEE.  Ressalta que, a partir de 04/2003 até 03/2006, a CBEE passou a informar, em  GFIP, os diretores como categoria 01 ­ Empregados e deu tratamento remuneratório e tributário  corno se empregados fossem, demonstrando seu entendimento em relação ao vínculo entre os  diretores e a empresa.    Foi aplicada multa no valor de R$ 439,21 (quatrocentos e trinta e nove reais e  vinte e um centavos), nos termos do art. 32, IV e § 6°, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela  Lei  n°  9.528/97,  c.c.  o  art.  284,  III,  e  373  do  Decreto  nº  3.048/99.  Não  foram  verificadas  circunstancias agravantes nem atenuantes.    Em  sua  impugnação,  apresentada  aos  15/12/08,  a  UNIÃO  FEDERAL,  sucessora legal da autuada, por intermédio do Ministério das Minas e Energia, órgão ao qual  foi  atribuída  competência  para  “atender  e  providenciar  as  informações  necessárias  à  fiscalização previdenciária em andamento na documentação da extinta CBEE” (art. 4º,  IV do  Decreto nº 6.191, de 20 de agosto de 2007), alega, em síntese:   ­  legitimidade  da  União  Federal  para  apresentação  de  impugnação,  na  qualidade de sucessora da extinta CBEE, nos termos do art. 23 da Lei nº 8.029/90 e do Decreto  nº 3.900, de 29 de agosto de 2001, por intermédio do Ministério das Minas e Energia, órgão ao  qual  foi  atribuída  competência  para  representá­la  nas  questões  afetas  à  fiscalização  previdenciária envolvendo aquela empresa, que deram origem ao presente auto de infração, nos  termos do art. 4º, IV do Decreto nº 6.191, de 20 de agosto de 2007;  Fl. 187DF CARF MF     ­  nulidade  do  auto  de  infração,  uma  vez  que  a  CBEE  foi  criada  com  período de duração pré­determinado, tendo sido extinta aos 30/06/2006, pelo que não mais  existe  e  é  destituída  de  personalidade  jurídica  e  sem  capacidade  para  receber  intimações,  notificações ou  responder por qualquer  infração. Os direitos  e obrigações da empresa extinta  foram transferidos à União Federal, por força do que dispõe o art. 23 da Lei nº 8.029/90 c.c. o  art. 2.209/01 e 3º do Decreto nº 5.829/06. Assim, o presente auto de infração é nulo de pleno  direito,  uma  vez  que  lavrado  com  vício  de  forma,  indicando  sujeito  passivo  desprovido  de  personalidade jurídica, ao invés de seu sucessor, no caso, a União Federal;   ­ em função do AI ter sido lavrado erroneamente contra empresa já extinta, a  recorrente argumenta que teve seu direito de defesa cerceado, na medida em que os servidores  do Ministério  de Minas  e  Energia,  por  não  constarem  como  representantes  legais  da CBEE  junto  à  RFB,  tiveram  negado,  por  diversas  vezes,  o  acesso  a  documentos  e  informações  relacionados à empresa junto àquele órgão;  ­  que,  compulsando  a  documentação  da  extinta  CBEE,  a  área  técnica  do  Ministério de Minas e Energia não obteve êxito em justificar o descumprimento de obrigações  acessórias que constituíram objeto de parte da autuação em comento;  ­  que  procurou  sanar  as  falhas  verificadas  com  relação  à  ausência  de  informações e incorreções na GFIP, consignando a enorme dificuldade para tanto uma vez que  a CBEE não possui mais sistemas ativos;   ­ que no tocante à suposta incorreção na classificação dos diretores da extinta  empresa  na  GFIP  como  contribuintes  individuais,  em  vez  de  empregados,  e  a  consequente  ausência de recolhimentos decorrentes dessa informação equivocada, embora a CBEE os tenha  classificado,  no  período  de  abril/2003  a  março  /2006  como  empregados,  eles  nunca  foram  empregados da empresa; ao contrário, pertenciam ao órgão de direção da entidade e, destarte,  não  estavam  presentes  os  requisitos  necessários  à  relação  de  emprego,  principalmente  a  subordinação jurídica. No caso em tela, os diretores não se sujeitavam a ordens superiores, nem  a  horário  de  trabalho  pré­determinado  e  as  normas  citadas,  relacionadas  às  diretrizes  estabelecidas pelo Conselho de Administração, não demonstram subordinação jurídica entre os  diretores e aquele órgão colegiado;  ­ que no  tocante às contribuições supostamente não recolhidas  referentes às  parcelas  dos  segurados  ex­conselheiros  e  a  sua  consequente  informação  na  GFIP,  elas  não  foram  recolhidas porque não eram devidas,  sendo que a que  foi considerada devida, caso do  único  conselheiro  que  mantinha  concomitantemente  atividade  junto  à  CBEE  e  vínculo  de  natureza privada, foi recolhida de forma regular;  ­  que,  com  relação  à  classificação  incorreta  na  GFIP  dos  dois  diretores  cedidos,  não  má  fé,  mas  por  equívoco  da  Caixa  Econômica  Federal,  que  não  realizou  a  correção do código após a consulta n°37284.000817/2005­71 feita à RFB/MPS.  ­  por  fim,  requer  seja  declarada  a  nulidade  dos  AIs  e  o  conseqüente  cancelamento dos débitos nele apontados. Caso não seja reconhecida a ausência das infrações  apontadas, requer a aplicação da multa mais benéfica nos termos da MP 449/08.  A DRJ em Brasília  julgou a  impugnação  improcedente e manteve o crédito  tributário integralmente, em julgado assim ementado:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Fl. 188DF CARF MF     Período de apuração: 01/01/2003 a 06/06/2006  AIOA ­ DEBCAD n.° 37.147.839­1 (69)  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.  Apresentar a empresa GFIP com informação incorreta, em campo não relacionado a fatos  geradores  de  contribuições  sociais.  tipifica  infração,  por  descumprimento  de  obrigação  acessória, ensejando aplicação de penalidade.  MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Tratando­se de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária não  definitivamente julgado, aplica­se a lei superveniente, na ocorrência do pagamento, quando  cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Intimada dessa decisão aos 25/02/2010 (fls. 132), a UNIÃO FEDERAL, por  meio  do  Ministério  das  Minas  e  Energia,  interpôs  recurso  voluntário  tempestivamente,  aos  24/03/2010  (fls. 133/149),  reafirmando os argumentos  já apresentados na  impugnação, acima  transcritos, e acrescentando, ainda, os seguintes:  ­  que  por  meio  da  Solução  de  Consulta  nº  122  –  SRRF/1ºRF/Disit,  de  14/07/09,  própria  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  reconhece,  expressamente,  que  “a  CBEE  deixou  de  possuir  personalidade  jurídica  desde  30  de  junho  de  2006,  tendo  sido  incorporada  à União, na qualidade de  sucessora  de  seus direitos  e obrigações  (...)”. Conclui,  portanto,  que  a  própria  Secretaria  da Receita  Federal  reconhece  a  extinção  da  personalidade  jurídica  da  extinta  CBEE  por  força  de  disposição  legal,  argumentos  constantes  de  suas  impugnações  apresentadas  perante  aquele  mesmo  órgão  e  que  foram  rechaçadas  na  decisão  recorrida por  fundamento diametralmente oposto  ao  exposto na  solução de  consulta  em  tela,  atuação esta contraditória da RFB, que implica em insegurança jurídica para a União Federal e  que compete a este Conselho solucionar; e  ­  que  a União Federal,  na qualidade de  sucessora da extinta CBEE,  seria  a  responsável pelo recolhimento dos valores constantes do auto de infração impugnado. Todavia,  é, também, a credora desses mesmos valores, havendo, dessa forma, nítida confusão, instituto  previsto  no  art.  381  do Código Civil,  que  é  causa  de  extinção  das  obrigações. Nesse  passo,  esclarece está em curso desde 27/09/10 o procedimento conciliatório nº 00400.010485/2008­ 66, em trâmite perante a Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Pública  Federal,  que  tem  por  objeto  justamente  os  créditos  tributários  objeto  do  presente  auto  de  infração, bem como dos demais, resultantes da mesma ação fiscalizatória, conforme se verifica  da Nota Técnica nº 15 – Disit01, de 08/10/2010 (fls. 202). Naquele procedimento, por meio  do Parecer PGFN/CAT nº 2061/2009 (fls. 1289/1297), de 29/10/2009, a PGFN se manifestou  a respeito da aplicação, ao presente caso, “do Parecer PGFN/PGA nº 1336/2008, no sentido da  extinção  do  crédito  tributário  em  decorrência  de  confusão”.  Informa,  ainda,  que  a  Portaria  PGFN  nº  1.382,  de  20  de  outubro  de  2009,  aprovou  o  Plano  de  Trabalho  de Depuração  da  Dívida Ativa que, dentre os 09 grupos de trabalho constituídos, o de nº 01 tem listadas, entre  suas ações, a de “realizar o levantamento das empresas estatais extintas cujas obrigações foram  assumidas  pela  União,  com  o  objetivo  de  apurar  a  existência  de  confusão  entre  credor  e  devedor.”  Assim,  argumenta  que  não  há motivos  plausíveis  para  a manutenção  do  presente  auto  de  infração,  devendo  ser  garantida  a  eficiência  que  deve  nortear  a  atuação  da  Administração.  Fl. 189DF CARF MF     Requer,  finalmente,  que  o  recurso  seja  conhecido  e  provido,  para  que  seja  declarada  a  nulidade  do  auto  de  infração,  diante  da  existência  de  vício  insanável  em  sua  expedição  em  desfavor  de  empresa  extinta,  que  não  possui  personalidade  jurídica  para  responder  pelos  débitos  apontados;  sucessivamente,  que  seja  reconhecida  a  ausência  das  infrações  apontadas  no  auto  de  infração,  com o  cancelamento  dos  respectivos  débitos,  pelas  razões expostas; ou, ainda, a aplicação a multa menos gravosa.  Sem contrarrazões.  É o relatório.    Voto             Conselheira Renata Toratti Cassini, Relatora  O recurso voluntário é  tempestivo e estão presentes os demais  requisitos de  admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido.  PRELIMINAR – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO  a)  AI lavrado contra empresa extinta, destituída de personalidade jurídica  A recorrente alega nulidade insanável do auto de infração, uma vez que teria  sido lavrado contra a CBEE quando essa empresa já houvera sido extinta.   A Companhia Brasileira de Energia Emergencial é uma empresa pública que,  nos  termos do art. 37, XIX da CF,  teve sua criação autorizada pela Medida Provisória de nº  2.209, de 29 de agosto de 2001, instrumento este que também previu a data de sua extinção em  seu art. 3º, nos seguintes termos:  “Art. 3º A CBEE extinguir­se­á em 30 de junho de 2006, observado o disposto no  art. 23 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990.”  Por meio do Decreto nº 3.900, de 29 de agosto de 2001, a CBEE foi, então,  criada e aprovado o  seu estatuto, que  igualmente dispôs, em seu  art. 4°,  sobre a extinção da  empresa aos 30 de junho de 2006, conforme abaixo:  Decreto 3.900, de 29 de agosto de 2001:    “O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art.  84,  incisos  IV  e  VI,  da  Constituição,  e  tendo  em  vista  o  disposto  na  Medida  Provisória nº 2.209, de 29 de agosto de 2001,  DECRETA:  Art. 1º Fica criada a Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial ­ CBEE,  empresa pública federal, vinculada ao Ministério de Minas e Energia.  (...)”. (destaques originais)  Estatuto Social da CBEE:  Fl. 190DF CARF MF      “(...)  Art. 4º A CBEE extinguir­se­á em 30 de junho de 2006, observado o disposto no  art. 23 da Lei n° 8.029, de 12 de abril de 1990.  (...)”. (destacamos)  O art. 23 da Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, a que fazem alusão tanto os  arts.  4º  do Estatuto  Social  da Empresa  quanto  o  art.  3º  da Medida  Provisória  2.209/01,  que  autorizou a sua criação, dispõe:  Art.  23. A União  sucederá  a  entidade,  que  venha a  ser  extinta  ou  dissolvida, nos  seus  direitos  e  obrigações  decorrentes  de  norma  legal,  ato  administrativo  ou  contrato, bem assim nas demais obrigações pecuniárias.  § 1° O Poder Executivo disporá, em decreto, a respeito da execução dos contratos  em vigor, celebrados pelas entidades a que se refere este artigo, podendo, inclusive,  por motivo de interesse público, declarar a sua suspensão ou rescisão.  O art. 26 da mesma lei, por sua vez, dispõe o seguinte:  Art.  26.  São  cancelados  os  débitos  de  qualquer  natureza  para  com  a  Fazenda  Nacional,  de  responsabilidade  das  entidades  que  vierem  a  ser  extintas  ou  dissolvidas em virtude do disposto nesta lei.  Nesse contexto, o Decreto nº 5.826, de 20 de julho de 2006, trata do processo  de Inventariança da Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial, e estabelece, em seu  art.  1º,  que  compete  ao  Ministério  de  Minas  e  Energia  a  coordenação  e  a  supervisão  dos  procedimentos administrativos relativos ao inventário dos bens, direitos e obrigações da extinta  CBEE.   O  art.  3º  do  aludido  Decreto  determina  que  “os  direitos  e  obrigações  atribuídos à extinta CBEE ficam transferidos para a União, nos  termos do art. 23 da Lei nº  8.029,  de  12  de  abril  de  1990”  e  seu  art.  6º,  que  “a  transferência  de  dívidas  oriundas  da  extinta CBEE à Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda será realizada na  forma do Decreto nº 1.647 de 28 de setembro de 1995”, cujo art. 1º, “caput”, estabelece que  “fica  autorizado  o Ministério  da  Fazenda  a  negociar  as  obrigações  vencidas  e  vicendas,  decorrentes de norma legal ou ato, inclusive contrato, das entidades que tenham a assunção  de suas obrigações, pela União, autorizada por lei”.  Por  fim,  o  Decreto  nº  6.191,  de  20  de  agosto  de  2007,  dispõe  sobre  a  conclusão dos trabalhos da Inventariança da extinta CBEE e determina, em seu art. 4º, IV:  “Art. 4o Cabe ao Ministério de Minas e Energia:  (...)  IV ­ atender e providenciar as informações necessárias à execução do processo de  fiscalização previdenciária em andamento na documentação da extinta CBEE;  (...)”.  De  acordo  com  os  dispositivos  legais  e  normativos  supratranscritos,  notadamente  o  art.  3º  da Medida  Provisória  nº  2.209/01,  verifica­se  que,  de  fato,  a  CBEE  extinguiu­se, por determinação legal, aos 30 de junho de 2006.   Fl. 191DF CARF MF     Note­se  que  esse  instrumento  que,  atendendo  a  exigência  constitucional,  autorizou a criação da  empresa pública,  também previu  expressamente  a  sua  futura  extinção  naquela  mencionada  data,  mediante  do  uso  da  forma  verbal  “extinguir­se­á”,  expressão  peremptória, que não deixa nenhuma margem a dúvida em relação a esse fato.  Pois  bem.  A  respeito  do  início  da  existência  da  pessoa  jurídica,  ensina  a  doutrina:  “Enquanto a pessoa natural, em razão de sua estrutura biopsicológica, tem o início  da sua personalidade com o nascimento com vida  (CC, art. 2º), a pessoa  jurídica  terá o início de sua personalidade conferido pelo ordenamento jurídico. Se se trata  de  pessoa  jurídica  de  direito  público,  a  personalidade  é  conferida  pela  norma  jurídica (em sentido amplo). De outro prisma, em se tratando de pessoa jurídica de  direito  privado  (dependendo,  por  conseguinte,  da  vontade  humana),  será  o  registro  do  seu  ato  constitutivo  no  órgão  competente  que  lhe  conferirá  personalidade  jurídica.  Nessa  esteira,  o  art.  45  do  Estatuto  Civil  é  de  clareza  meridiana ao proclamar que “começa a existência legal das pessoas jurídicas de  direito  privado  com  a  inscrição  do  ato  constitutivo  no  respectivo  registro.”  (FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. CURSO DE DIREITO CIVIL  1 E LINDB. São Paulo: Atlas, 2015, p. 358­359).  Quanto ao término da existência da pessoa jurídica de direito privado, ensina­ nos a doutrina que pode se dar por diferentes razões, quais sejam:  “01)  Pela  dissolução  deliberada  de  seus  membros,  por  unanimidade  e  mediante distrato, ressalvados os direitos de terceiros e da minoria;   02) Quando for determinado por lei;   03) Em decorrência de ato governamental;   04) No caso de termo extintivo ou decurso de prazo;   05) Por dissolução parcial, havendo falta de pluralidade de sócios (NCPC 599  a 609); e   06)  Por  dissolução  judicial."  (TARTUCE,  Flávio. Manual  de Direito Civil.  Volume único. São Paulo: Método, 2017, p. 177)  E prossegue chamando a atenção para o fato de que:  “Não  se  pode  esquecer  que  a  extinção  da  pessoa  jurídica  não  se  opera  de modo  instantâneo.  Como  bem  ensina  Maria  Helena  Diniz,  qualquer  que  seja  o  fato  extintivo,  tem­se  o  fim da  entidade;  porém,  se houver  bens  de  seu  patrimônio  e  dívidas a resgatar, ela continuará em fase de  liquidação, durante a qual subsiste  para  a  realização  do  ativo  e  pagamento  de  débitos.  Encerrada  a  liquidação  promover­se­á o cancelamento da pessoa jurídica. Regras nesse sentido constam do  art. 51 do CC”. (Idem) (destacamos)  Pois  bem.  Considerando  que  o  auto  de  infração  foi  lavrado  aos  05  de  novembro de 2008, realmente, conforme o acima exposto, essa providência se deu em face de  pessoa jurídica extinta, uma vez que conforme determinado pelo art. 3º da MP nº 2.209/01, a  CBEE extinguir­se­á aos 30/06/06.  Fl. 192DF CARF MF     Mesmo  que  tenhamos  em  mente  a  ressalva  constante  do  trecho  acima  reproduzido,  no  sentido  que  de  que  havendo  bens  do  patrimônio  da  empresa  e  dívidas  a  resgatar, ela continuará em fase de liquidação, atente­se para o fato de que quando da autuação,  a  empresa  já  havia  sido  sucedida  pela  União  Federal  e  já  se  encontrava  em  processo  de  inventariança, devidamente representado o seu sucessor nesse processo, em tudo semelhante à  liquidação à que alude o excerto doutrinário, pelo Ministério das Minas e Energia, conforme  art. 1º do Decreto nº 5.826/06.  Note­se  que  esse  fato  não  era  desconhecido  da  fiscalização,  uma  vez  que  todos  os  instrumentos  normativos  acima  citados  foram  juntados  aos  autos  pela  própria  autoridade  fiscal  (fls.  18/34)  que,  inclusive,  fez,  no  relatório  da  fiscalização  (fls.  86/97),  um  histórico da sequência de todos os acontecimentos envolvendo a criação e a extinção da CBEE  na data mencionada, a sua sucessão pela União Federal, com a assunção de seu ativo e passivo  por essa pessoa jurídica de direito público interno, conforme determinado pelo art. 23 da Lei nº  8.029/90, seu  processo  de  inventariança,  a  representação  da União Federal  nas  demandas  de  interesse da extinta CBEE pelo Ministério das Minas e Energia etc.  Nesse  contexto,  causa  espécie  a  autuação  da  CBEE  quando  essa  mesma  empresa  já  houvera  sido  extinta  há  mais  de  2  anos  e  sucedida  pela  União  Federal,  com  procedimento de inventário instaurado e normativamente regulado.  A  propósito  da  responsabilidade  dos  sucessores  no  Direito  Tributário,  Luciano Amaro esclarece que;  “A sucessão se dá no plano da obrigação  tributária, por modificação subjetiva  passiva. Assim, o sucessor passa a ocupar a posição do antigo devedor, no estado  em que a obrigação se encontrava na data do evento que motivou a sucessão. Se  se trata de obrigação cujo cumprimento independe de providência do sujeito ativo,  cabe  a  sucessor  adimpli­la,  nos  termos  da  lei.  Se  depende  de  providência  do  sujeito ativo (lançamento), já tomada, compete­lhe também satisfazer o direito do  credor.  Se  falta  essa  providência,  cabe­lhe  aguardar  e  efetuar  o  pagamento,  do  mesmo  modo  que  faria  o  sucedido”.  (in Direito  Tributário  Brasileiro.  São  Paulo: Saraiva, 2009, p. 320).  Diante do exposto, tem­se que o único procedimento técnica e juridicamente  correto  seria  se  voltar  a  fiscalização  contra  o  sucessor  legal  da  empresa  extinta,  o  que,  no  presente  caso,  entendemos  que  tampouco  seria  possível  por  se  tratar  o  sucessor  da  União  Federal. Com efeito, a admitir­se hipótese que tal, estar­se­ia diante da União, por intermédio  da Receita Federal do Brasil, autuando a própria União visando à constituição e cobrança de  crédito tributário, o que, convenhamos, não tem sentido algum.  A par de todos esses fatos, a r. decisão recorrida entendeu que a preliminar de  ilegitimidade  passiva  da  CBEE  não  pode  prosperar,  pois  no  entendimento  da  r.  relatora,  conforme  Comprovante  de  Inscrição  e  de  Situação  Cadastral  constante  do  sítio  da  RFB,  o  CNPJ  da  empresa  continua  ativo.  Ademais,  entendeu  que  o  documento  comprobatório  de  regularidade do contribuinte perante a Previdência Social,  inclusive de baixa da empresa, é a  Certidão  Negativa  de  Débito  ­  CND,  e  que  só  após  a  expedição  desse  documento  é  que  a  empresa terá o seu CNPJ encerrado, o que não é o caso dos autos, devendo, portanto, continuar  respondendo por qualquer débito ou infração até o encerramento da pessoa jurídica.  Entendemos  que  não  lhe  assiste  razão.  Com  efeito,  como  já  expusemos,  a  CBEE foi extinta por determinação legal aos 30 de junho de 2006 e, também por determinação  legal, qual seja o art. 23 da Lei nº 8.029/90, foi sucedida pela União Federal, tratando­se, pois,  esse ente público do legitimado para responder pelo seu passivo a partir de então.   Fl. 193DF CARF MF     E  conforme  disciplinado  no  art.  45  do Código Civil,  a  existência  legal  das  pessoas  jurídicas  de  direito  privado  tem  início  com  a  inscrição  do  ato  constitutivo  no  respectivo registro, qual seja, o Registro Civil das Pessoas Jurídicas.   A  inscrição  no CNPJ,  conforme  art.  2º,  “caput”,  da  IN/RFB  nº  1634/2006,  “compreende  as  informações  cadastrais  das  entidades  de  interesse  das  administrações  tributárias  da União,  dos  estados,  do Distrito  Federal  e  dos municípios”. Ou  seja,  tanto  nos  termos  da  lei  civil,  como  da  própria  IN  em  comento,  não  tem  nenhuma  relação  com  a  existência da pessoa jurídica.  Assim,  o  fato  de  a  empresa  ainda  possuir  CNPJ  ativo  não  a  torna  parte  legítima  para  responder  pelo  crédito  tributário  se  já  havia  sido  extinta  e  sucedida  por  outra  pessoa jurídica.   Saliente­se que um dos documentos  juntados pela  recorrente com o  recurso  voluntário,  a Solução  de Consulta  nº  122  SRRF/1 RF/Disit,  de  14  de  julho  de  2009  (fls.  1260/1276),  nos  dá  conta  de  que  aos  30  de  junho de 2006,  a CBEE protocolizou  pedido  de  baixa do seu CNPJ junto à RFB por intermédio do Documento Básico de Entrada do CNPJ –  DBE  e,  desde  então,  vem  tomando  as  providências  necessárias  para  o  encerramento  de  sua  inscrição, que não havia sido efetivada até a data do encerramento do processo de inventário da  empresa, nem da aprovação da Solução de Consulta em questão.  Cumpre  mencionar,  por  fim,  que  como  argumenta  o  recorrente  em  seu  recurso,  conforme  consta  desse mesmo  documento,  a  extinção  da  personalidade  jurídica  da  CBEE  é  ali  reconhecida  pela  própria  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  nos  seguintes  termos (fls. 1255):  “17. Conforme sobejamente comprovado nos parágrafos anteriores, a existência da  pessoa  jurídica  CBEE  extinguiu­se  em  30  de  junho  de  2006,  por  determinação  expressa do art. 3° da Medida Provisória n° 2.209, de 2001. Em conseqüência, foi  formalizado pedido de baixa da pessoa jurídica no CNPJ, pendente de apreciação  perante  a  RFB.  Embora  a  CBEE  tenha  deixado  de  existir,  no  plano  jurídico,  continua a figurar no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, fazendo jus a situação  cadastral denominada "suspensa". Registre­se que a ausência da baixa da pessoa  jurídica, no CNPJ, em nada modifica sua condição jurídica de empresa extinta e  sucedida  pela  União,  qualificações  estas  que  decorrem,  imediatamente,  de  comando legal.” (Destacamos)  Desse modo, entendemos que, realmente, o presente auto de infração padece  de nulidade insanável, que deve ser reconhecida por este colegiado.  b)  Impossibilidade  de  constituição/cobrança  do  débito  em  face  do  sucessor  –  confusão  A  União  Federal,  na  qualidade  de  sucessora  legal  da  extinta  CBEE,  é  a  responsável  pelos  débitos  constantes  do  presente  auto  de  infração.  Todavia,  é  também,  ao  mesmo  tempo,  a  credora  desses mesmos  valores,  operando­se,  dessa  forma,  o  fenômeno  da  confusão, causa de extinção das obrigações, conforme previsão do art. 381 do Código Civil:  Art.  381.  Extingue­se  a  obrigação,  desde  que  na mesma  pessoa  se  confundam  as  qualidades de credor e devedor.   O  recorrente  esclarece  em  seu  recurso  voluntário  que  está  em  curso  desde  27/09/10  o  procedimento  conciliatório  nº  00400.010485/2008­66,  em  trâmite  perante  a  Fl. 194DF CARF MF     Câmara  de Conciliação  e Arbitragem da Administração Pública Federal,  que  tem por  objeto  justamente os créditos tributários objeto do presente auto de infração, bem como dos demais,  resultantes da mesma ação fiscalizatória, conforme se verifica da Nota Técnica nº 15 ­ Disit01,  de 08/10/2010 (fls. 202).   Naquele  procedimento  conciliatório,  por  meio  do  Parecer  PGFN/CAT  nº  2061/2009,  de  29/10/2009  (fls.  1289/1297),  a  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  se  manifestou  expressamente  a  respeito  da  aplicação,  ao  caso,  do  Parecer  PGFN/PGA  nº  1336/2008, no sentido da extinção do crédito tributário discutido no presente processo em  decorrência de confusão, nos seguintes termos:  “(...)  22. Na verdade, o problema posto no primeiro questionamento se identifica com o  caso examinado pelo Parecer PGFN/PGA N° 1336/2008, senão, vejamos:  “2. Tais hipóteses, embora raras, podem ocorrer, como se tem verificado. Exemplos  disso  residem  em  empresas  públicas  ou  sociedades  de  economia  mista  que  são  extintas  e,  por  determinação  legal,  são  sucedidas  no  seu  passivo,  inclusive  o  tributário,  pela  União.  Recentemente,  pode­se  citar  o  caso  da  Rede  Ferroviária  Federal  S/A  ­  RFFSA,  cuja  liquidação  e  extinção  foi  determinada  pela  Medida  Provisória  n°  353,  de  22/01/2007,  atual  Lei  n°  11.483,  de  31/05/2007,  no  bojo  da  qual se estabeleceu a sucessão pela União daquela sociedade de economia mista.  3.  Mais  freqüentes  são  os  casos  que  decorrem  da  cobrança  das  contribuições  previdenciárias em face da União que era  feita inicialmente pelo Instituto Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS,  atualmente  sucedido  pela  União,  nos  termos  da  Lei  n°  11.457, de 16/03/2007.  4. Inquestionavelmente nessas hipóteses em que a União é credora e devedora do  mesmo crédito, quase que invariavelmente por causas subseqüentes, está­se diante  daquilo  que  o  Código  Civil  denomina  de  confusão  (arts.  381  e  384).  Eis  o  tratamento dado por aquele Diploma:  "Art.  381.  Extingue­se  a  obrigação,  desde  que  na mesma  pessoa  se  confundam  as  qualidades de credor e devedor.  Art.  382.  A  confusão  pode  verificar­se  a  respeito  de  toda  a  dívida,  ou  só  de  parte  dela.  Art. 383. A confusão operada na pessoa do credor ou devedor solidário só extingue a  obrigação  até  a  concorrência  da  respectiva  parte  no  crédito,  ou  na  divida,  subsistindo quanto ao mais a solidariedade.  Art.  384.  Cessando  a  confusão,  para  logo  se  restabelece,  com  todos  os  seus  acessórios, a obrigação anterior"  5. O efeito da confusão, como se verifica da leitura dos artigos acima transcritos é a  extinção do crédito. Daí a indagação: o mesmo ocorre com o crédito tributário?  6. A  resposta  parece  ser  positiva,  afinal,  qual  a  razoabilidade  da  União  fazer  o  pagamento de um determinado crédito para si própria? Imagine­se se esse crédito  decorre  de  uma  decisão  judicial,  a  qual  somente  pode  ser  cumprida  com  a  expedição  de um precatório,  nos  termos  do  art.  100  da CR/88. Ter­se­ia  a União  movimentando  toda  a  sua  estrutura,  seja  no  Poder  Executivo,  seja  no  Poder  Judiciário, para expedir um precatório em nome próprio. Nada mais sem sentido e  contrário  ao  princípio  constitucional  da  eficiência  que  rege  a  Administração  Pública.  Fl. 195DF CARF MF     10.  Dessa  forma,  há  segurança  em  afirmar­se  que  a  confusão  é  hipótese  de  extinção  do  crédito  tributário  e  caberá  à  administração  tributária  dar  consequências a essa conclusão, (i) seja no âmbito da dívida ativa da União, com a  adoção dos atos administrativos competentes para a extinção do crédito ali inscrito;  (ii) seja no âmbito  judicial, com a extinção das execuções  fiscais e ações de defesa  em decorrência providência contida no item anterior.  (...)”.  23. A  leitura  do  Parecer  PGFN/PGA  nº  1336/2008  revela  a  afinidade  entre  as  matérias. Em ambos os casos, houve sucessão legal de débitos, de modo a tornar a  União Federal credora e devedora da mesma relação jurídico­tributária. Forçoso  reconhecer, a essa altura, a existência de confusão nos processos administrativos  fiscais em curso, apta a ensejar a extinção dos mesmos.  24. Corroborando esse entendimento, a Lei n° 8.029, de 1990, aplica os mesmos  efeitos da confusão à sucessão das entidades públicas cuja extinção regulou, nos  termos do seu art. 26:  “Art.  26.  São  cancelados  os  débitos  de  qualquer  natureza  para  com  a  Fazenda  Nacional,  de  responsabilidade  das  entidades  que  vierem  a  ser  extintas  ou  dissolvidas em virtude do disposto nesta lei.”  25. Em suma, é de se responder afirmativamente à primeira indagação, quanto à  aplicabilidade,  à  hipótese  em  epígrafe,  do  desfecho  proposto  no  Parecer  PGFN/PGA nº 1336/2008.” (destacamos)  À luz do direito vigente e aplicável à espécie, bem como da manifestação da  PGFN, acima transcrita, temos que se por hipótese a CBEE ainda não houvesse sido extinta por  ocasião da lavratura do auto de infração (o que, conforme expusemos no item anterior, não é o  caso), ainda assim, o crédito tributário daí resultante seria extinto em decorrência da confusão  por  ser  a  União  Federal  a  sucessora  legal  da  empresa  e,  também,  a  credora  do  tributo  em  questão.   Essa realidade leva, em consequência, também à nulidade insanável do auto  de infração pela impossibilidade de constituição do crédito em face do sucessor da CBEE, visto  se  tratar  da União  Federal,  uma  vez  que  se  confundem,  na mesma pessoa  jurídica,  credor  e  devedor do tributo que se visa cobrar.  Veja­se  que  o  recorrente  trouxe  aos  autos  o  Parecer  PGFN/CAT/nº  1315/2009, no qual a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional faz referência a outro parecer,  qual  seja  o  Parecer  PGFN/CAT/N°  375/2009  (fls.  1283),  que  versava  sobre  lançamentos  de  contribuições  previdenciárias  contra  órgão  federal,  mais  especificamente,  contra  o  Tribunal  Regional Eleitoral do Estado da Bahia.  Neste último parecer, o Procurador­Chefe da Procuradoria da União na Bahia  concluiu  pela  inviabilidade  de  autuação  de  órgãos  públicos,  uma  vez  que  desprovidos  de  personalidade jurídica própria e, consequentemente, de titularizar direitos e obrigações.   Assim, segundo o Parecer PGFN/CAT/nº 1315/2009:   24.  Quanto  ao  caso  em  deslinde,  resguardado  melhor  juízo,  entende­se  como  desnecessária a instauração de CCAF para a solução da controvérsia. A uma, porque  já existe o entendimento da PGFN acerca da impossibilidade de autuação de órgão  público pela SRF13. A duas, porque se a autuação deveria recair sobre ente dotado  de  personalidade  jurídica,  tal  ente  seria  a  União,  já  que  o  TRE/BA  é  órgão  integrante do Poder Judiciário da União e, nesse cenário, haveria a configuração  Fl. 196DF CARF MF     da  confusão,  uma  das  formas  de  extinção  do  crédito  tributário,  nos  moldes  preconizados no Parecer PGFN/PGA/N° 1336/2008.  (...).”  O  Parecer  PGFN/CAT  nº  2061/2009  também  faz  referência  ao  Parecer  PGFN/CAT  nº  152/2009,  que  trata  de  hipótese  semelhante  à  versada  no  parecer  acima,  relativamente, todavia, à cobrança de créditos previdenciários em face de outro órgão federal,  qual seja o Tribunal Regional Federal de São Paulo.  Neste  último  parecer,  a  PGFN  foi  enfática  no  sentido  da  inviabilidade  de  autuação da União pela própria União:  “23. Para que houvesse viabilidade jurídica da autuação em voga, considerando  que o TRE/SP não é detentor de personalidade jurídica própria, a medida deveria  recair  sobre o ente dotado de personalidade  jurídica, no  caso, a União. Como o  referido  Tribunal  é  órgão  integrante  do  Poder  Judiciário  da  União,  estamos  diante de uma situação em que a União, em sua função executiva, autua a União,  em  sua  função  judicial.  É  a  União  autuando  a  própria  União,  o  que  parece  desprovido de lógica e razoabilidade.  24. Mesmo que se chegasse à  conclusão da viabilidade da autuação, parece­nos  que poderia existir confusão nos pólos ativo e passivo de eventual ação judicial a  ser promovida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o que levaria, fatalmente,  à extinção do crédito tributário.  (...).”(grifamos)  Note­se que o que se discute nos pareceres em questão é de quem  se deve  exigir o pagamento do crédito tributário, concluindo a PGFN (a nosso ver, acertadamente) que  o  lançamento  deve  ocorrer  não  no  órgão  responsável  pela  infração,  já  que  destituído  de  personalidade  jurídica,  mas  na  pessoa  jurídica  de  Direito  Público  do  qual  faz  parte,  ressalvando que não se poderá efetivar a cobrança do próprio ente titular do direito para  tanto competente em razão da existência de confusão.  No  caso  tratado  nos  presentes  autos,  a  CBEE,  embora  não  se  tratasse  de  órgão público, mas de empresa pública, já havia sido extinta ao tempo da lavratura do auto de  infração. Daí  a  necessidade  da  autuação  ter  ocorrido na pessoa  do  seu  sucessor,  o  que,  no  caso, é inviável, por conta da confusão, segundo entendimento manifestado pela própria PGFN  nos  pareceres  acima  mencionados,  porque  o  seu  sucessor  legal,  ente  titular  do  crédito,  é  também o responsável pela sua cobrança.   Por  fim,  oportuno,  nesta  oportunidade,  lembrar  do mandamento  inserto  no  art.  373  do  NCPC,  segundo  o  qual  “o  juiz  apreciará  a  prova  constante  dos  autos,  independentemente  do  sujeito  que  a  tiver  promovido,  e  indicará  na  decisão  as  razões  da  formação do seu convencimento”.  Trata­se do “princípio do livre convencimento motivado”, a cujo respeito nos  ensina Nelson Nery Junior:  “3.  Livre  convencimento  motivado.  O  juiz  é  soberano  na  análise  das  provas  produzidas  nos  autos.  Deve  decidir  de  acordo  com  o  seu  convencimento,  mas  sempre vinculado à prova dos autos. Decisão sem fundamentação é nula pleno iure  (CF 93 IX). O sistema não se contenta com o fundamento meramente formal, pois e  exige  que  o  juiz  dê  fundamentos  substanciais  indicadores  do  seu  convencimento.  (...)”  (destacamos)  (NERY  JUNIOR,  Nelson;  NERY,  Rosa  Maria  de  Andrade.  Fl. 197DF CARF MF     Comentários  ao  Código  de  Processo  Civil.  Novo  CPC  –  Lei  13.105/2015.  São  Paulo: RT, 2015, p. 992)  Por todo o exposto, entendemos,  também pelas razões acima, que o auto de  infração é nulo de pleno direito e assim deve ser reconhecido, uma vez que o crédito tributário  não poderia (nem poderá) ser constituído em face do sucessor legal da CBEE, tendo em vista  se tratar da União Federal.  c)  Cerceamento de defesa  A recorrente  alega,  ainda,  que haveria nulidade  do  auto de  infração por  ter  tido seu direito de defesa cerceado em decorrência de  ter  sido  lavrado contra sujeito passivo  desprovido de personalidade jurídica, ao invés do seu legítimo sucessor.  Argumenta  que  em  função  disso,  os  servidores  do  Ministério  de  Minas  e  Energia,  por  não  constarem  como  representantes  legais  da  empresa  extinta  junto  à  RFB,  tiveram  negado,  por  diversas  vezes,  o  acesso  a  documentos  e  informações  relacionados  à  CBEE  junto  àquele  órgão,  inclusive  para  a  obtenção  de  guias  de  pagamento  de  valores  de  tributos considerados devidos.   Afirma  que  essas  dificuldades  caracterizam  afronta  aos  princípios  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  assegurados  no  art.  5º,  LV da CF,  o  que  constitui  nulidade  insanável, que deve ser reconhecida.  Sobre  este ponto,  entendemos que não  tem  razão o  recorrente. Embora não  discordemos do fato de que seus procuradores possam, realmente, ter enfrentado embaraços no  que diz respeito à obtenção de documentos e guias junto a Receita Federal do Brasil, fato é que  isso não impediu o regular exercício do direito de defesa por parte do ente público.  De  acordo  com  o  art.  277,  do  CPC,  “quando  a  lei  prescrever  determinada  forma, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade”.  Trata­se  do  “princípio  da  instrumentalidade  das  formas”  que,  como  nos  ensinam Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery,   “na  contraposição  entre  forma  do  ato  e  o  objetivo  a  ser  alcançado,  o  direito  processual prefere o segundo. Em razão disso se desenvolveu a ideia de sobredireito  processual, criado para minimizar as consequências do descumprimento da técnica  processual,  interpretando­se  as  regras  sobre  validade  do  instrumento  e  condições  de  admissibilidade  do  julgamento  de  mérito  de  acordo  com  o  fim  visado  pela  formalidade em si e pelo próprio processo como um todo” (Idem, p. 822).   No mesmo sentido:  (...)  A  relevância  da  formas  no  processo  se  limita  a  que  garantam  que  certos  objetivos sejam cumpridos. Formas são “garantias, sob certo aspecto. Cumprida a  finalidade  do  ato,  passa  a  ser  irrelevante  ter  o  não  ter  sido  observada  a  forma  prescrita  em  lei.  (...)”  (WAMBIER,  Tereza  Arruda Alvim;  CONCEIÇÃO, Maria  Lúcia Lins; RIBEIRO, Leonardo Ferres da Silva; MELLO, Rogério Licastro Torres  de.  Primeiros  Comentários  ao  Novo  Código  de  Processo  Civil.  São  Paulo:  RT,  2015, p. 460)  Entendemos,  desse modo,  que  não  há  falar  em  nulidade,  uma  vez  que  não  houve  prejuízo  ao  exercício  do  direito  de  defesa  por  parte  do  recorrente  no  presente  caso  concreto.  Fl. 198DF CARF MF     MÉRITO   Em sua impugnação, a recorrente reproduz os argumentos de mérito trazidos  em sua defesa nos autos de infração das obrigações principais conexos, objetivando, com isso,  afastar a incidência da penalidade pelo descumprimento da obrigação acessória.  Todavia,  entendemos  que  o  que  o  Código  Tributário  Nacional  chama  impropriamente  de  “obrigações  acessórias”  se  trata,  em  verdade,  de  deveres  instrumentais  impostos por lei no interesse do Fisco objetivando viabilizar a fiscalização do recolhimento dos  tributos. Nessa linha, a obrigação dita acessória  independe da efetiva existência da obrigação  principal.  Nesse sentido, ensina o professor Luciano Amaro1:  “A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia  supor,  à  vista  do  princípio  geral  de  que  o  acessório  segue  o  principal)  que  a  obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação  principal  à  qual  necessariamente  se  subordine.  As  obrigações  tributárias  acessórias  (ou  formais  ou,  ainda,  instrumentais)  objetivam  dar  meios  à  fiscalização  tributária  para  que  esta  investigue  e  controle  o  recolhimento  de  tributos  (obrigação  principal)  a  que  o  próprio  sujeito  passivo  da  obrigação  acessória,  ou outra pessoa,  esteja,  ou possa estar,  submetido. Compreendem as  obrigações  de  emitir  documentos  fiscais,  de  escriturar  livros,  de  entregar  declarações,  de  não  embaraçar  a  fiscalização  etc.  Desse  modo,  a  lei  impõe  obrigações ao indivíduo “X”, por uma ou mais de várias possíveis razões: a) ora se  atende  o  interesse,  de  controlar  o  recolhimento  de  tributos  do  indivíduo  “X”  (obrigação  principal  de  “X”).  mediante  registros  formais  do  fato  gerador  desses  tributos  (emissão  de  notas,  escrituração  de  livros  etc.  que  traduzem  obrigações  acessórias de “X”); b) ora, aquilo a que se visa, com a obrigação acessória de “X”, é  o  controle  do  cumprimento  da  obrigação  principal  de  “Y”,  que  mantém  alguma  relação jurídica com “X”; c) ora se quer apenas investigar a eventual existência de  obrigação principal de “X” ou de “Y” (por exemplo, “X” pode ser isento de tributos  e, não obstante, possuir obrigações formais para preenchimento das condições a cujo  cumprimento a lei subordina o direito a isenção).  Em  suma  a  obrigação  acessória  de  “X”  não  supõe  que  “X”  (ou  “Y”)  possua,  necessariamente,  alguma  obrigação  principal;  basta  a probabilidade  de  existir  obrigação principal de “X” ou de “Y”.” (destacamos)  É  dizer,  havendo  ou  não  obrigação  principal,  a  “obrigação  acessória”,  no  presente  caso, o dever de  informar mensalmente ao  Instituto Nacional do Seguro Social, por  intermédio da GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores  de  contribuição previdenciária e outras  informações de  interesse daquele  Instituto  remanesce  íntegro, conforme determina o art. 32, IV da Lei nº 8.212/91.  Ou seja, esta infração ocorre quando da apresentação do documento com erro  de  preenchimento  nos  dados  não  relacionados  aos  fatos  geradores,  estando  o  responsável  sujeito à penalidade administrativa de multa, calculada na forma dos artigos 284, inciso I, e III,  do RPS e 32, IV, § 6°, c.c. o art. 92 da Lei n.º 8.212/91.   Nessa  linha,  esclarecedor  também  é  o  ensinamento  de  Roque  Antônio  Carraza sobre os deveres instrumentais:                                                              1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249.     Fl. 199DF CARF MF     “Inadimplida a prestação [aludindo aos deveres  instrumentais], que se  traduz  num fazer, num não­fazer ou num suportar, a relação jurídica que veicula um  dever  extingue­se,  cedendo  lugar  a  um  liame  de  índole  sancionatória  –  geralmente a uma penalidade de cunho pecuniário (multa) ­, o que, retornando à  idéia inicial, demonstra que o “vinculo dos deveres instrumentais nasce e se exaure  no padrão eficacial médio”.  Além disso, o legislador, ao sancionar o descumprimento de um dever jurídico com  uma multa, está se limitando a recorrer a um dos mais corriqueiros expedientes do  Direito  para  impor  a  obediência  de  seus mandamentos,  isto  é,  está  acenando  com  medida que vulnera fundo um dos bens mais precisos da pessoa: a propriedade.  Aliás,  cumprido  ou  não,  o  dever  jurídico  remanesce  integro,  a  apontar  as  sendas pelas quais seus destinatários haverão de conduzir­se.  Remarcamos  que  os  deveres  instrumentais  não  se  confundem  com  os  tributos.  Apenas,  por  assim  dizer,  documentam  a  incidência  ou  a  não­incidência  (v.g.,  a  isenção),  em  ordem  a  permitir  que  os  tributos  venham  lançados  e  cobrados  com  exatidão e as isenções se façam corretamente sentir.” (CARRAZA, Roque Antônio.  Curso  de Direito  Constitucional  Tributário.  São  Paulo: Malheiros,  2005,  p.  330.)  (destacamos)  Em  outros  termos,  ainda  que  o  recorrente  estivesse  regular  no  que  diz  respeito ao recolhimento de contribuições previdenciárias à Seguridade Social e, em face disso,  a  mesma  diligência  fiscalizatória  não  tivesse  culminado  também  na  lavratura  de  auto  de  infração por descumprimento de obrigação principal (o que, de fato, não ocorreu), ainda assim,  a  presente  autuação  por  descumprimento  de  “obrigação  acessória”  restaria  íntegra,  uma  vez  que  restou  devidamente  comprovado  que  o  recorrente,  de  fato,  cometeu  diversas  impropriedades em sua GFIP no período de 2003 a 2006, estando configurada a infração em  questão.  DA MULTA ­ LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE  No que diz respeito à multa, o recorrente argumenta que a medida provisória  n° 449, de 03.12.2008, alterou a lei n° 8.212/91, revogando o artigo 32, § 4°, que estabelecia os  valores de multas aplicáveis pelo descumprimento do disposto no artigo 32, IV, da referida lei,  incluindo  o  artigo  32­A  à  lei  em  comento,  instituindo  novos  valores  aplicáveis  à multa  em  referência.   Desse modo, caso se trate de norma posterior mais benéfica, sua aplicação a  fatos pretéritos é de rigor, em obediência ao artigo 106,  II, c,do Código Tributário Nacional,  caso não seja modificado o entendimento quanto às .supostas infrações apontadas no auto em  referência.  Neste  ponto,  saliente­se  que  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  vem  aplicando à presente discussão a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/09, segundo a qual:  Art.  3º  A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos  por  descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei  nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e  5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à  dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  Fl. 200DF CARF MF     na forma do art. 35­A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela  Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, com  a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.  É dizer, o entender daquele órgão, deverá haver a comparação entre a soma  das multas por descumprimento das obrigações principal e acessórias, de acordo com a redação  anterior à Lei 11941/09, com a multa de ofício calculada na forma da atual redação do art. 35­ A da Lei 8212/91, conforme abaixo:   APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI  Nº  11.941/2009.  PORTARIA  PGFN/RFB  Nº  14  DE  04  DE  DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da  retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  dispositivos,  percentuais  e  limites. É  necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  que  sejam  aplicáveis  ao  mesmo  tipo  de  conduta.  O  cálculo  da  penalidade  deve  ser  efetuado  em  conformidade  com  a  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.  (CSRF,  Recurso  Especial  do  Procurador,  PAF  19647.019537/2008­31,  acórdão  9202­005.667,  relatora  Rita  Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri,  julgado  em  26/07/2017,  por  unanimidade)  Assim,  considerando  que  as  decisões  da  CSRF  vêm  sendo  tomadas  por  unanimidade, não havendo, por outro  lado, nenhuma decisão do Superior Tribunal de Justiça  em  sentido  diverso  proferida  em  sede  de  recurso  representativo  de  controvérsia,  deve  ser  negado provimento ao recurso voluntário neste ponto.   Cabe  ressaltar,  todavia,  que  a  autoridade  executora  do  presente  julgado  deverá observar, na liquidação, as conclusões do Parecer mencionado em questão.  CONCLUSÃO  Por  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  e  dar  provimento  ao  recurso voluntário, para declarar a nulidade do auto de infração.     (assinado digitalmente)  Renata Toratti Cassini  Relatora Fl. 201DF CARF MF                               Fl. 202DF CARF MF

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Numero do processo: 13839.901854/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.807. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402-001.475):
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.807. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. 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3402­001.483  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  25 de outubro de 2018  Assunto  CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Recorrente  TEGULA SOLUÇÕES PARA TELHADOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros  Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a  diligência proposta.      (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator.     Participaram do presente  julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra  (Presidente),  Diego  Diniz  Ribeiro,  Maria  Aparecida  Martins  de  Paula,  Cynthia  Elena  de  Campos,  Pedro  Sousa  Bispo, Maysa  de  Sá  Pittondo Deligne,  Rodrigo Mineiro  Fernandes  e  Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis  Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.    Relatório  A  Contribuinte  formalizou  perante  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter  recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 85 4/ 20 14 -1 6 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.901854/2014­16  Resolução nº  3402­001.483  S3­C4T2  Fl. 3          2  O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí,  indeferiu  o  Pedido  de  Restituição  por  considerar  inexistente  o  crédito,  fundamentando  pela  aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional.  Inconformada  com  esta  decisão,  a  recorrente  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08­038.807.  Devidamente  notificada  desta  decisão,  a  contribuinte  interpôs  o  Recurso  Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para  que  seja  reconhecido  o  direito  aos  créditos  requeridos  a  título  de  pagamento  indevido  ou  a  maior.  Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa:  * Tem por objeto social a atividades no mercado  interno e externo, sobretudo,  fabricação  de  artefatos  de  cimento  para  uso  na  construção,  depósitos  de  mercadorias  para  terceiros,  exceto  armazéns  gerais  e  guarda­móveis,  comércio  atacadista  especializado  de  materiais  de  construção  não  especificados  anteriormente;  fabricação  de material  sanitário  de  cerâmica;  comércio  varejista  de  ferragens  e  ferramentas;  fabricação  de  válvulas,  registros  e  dispositivos semelhantes, peças e acessórios.  * Houve  pedido  de  restituição  de  pagamento  indevido  ou  a maior  a  título  de  COFINS/PIS no  regime não  cumulativo  em  razão  de  créditos  decorrentes  de  pagamentos  de  comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ.  * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e  constitucionais  do  PIS­COFINS:  artigos  149,  195,  I  ­"b"  e  parágrafo  12º,  239,  todos  da  Constituição Federal,  bem como pelas  seguintes  legislações: Leis Complementares n.  7/70  e  70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003.  * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma:   "O  PIS/PASEP  no  regime  cumulativo  está  estruturado  da  seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo:  pessoa  jurídica;  (iii)  –  critério  material:  faturamento  de  mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de  cálculo  (valor  do  faturamento)  e  alíquota  (0,65%);  (v)  –  critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal:  faturamento mensal (critério da competência).  Do  mesmo  modo,  a  COFINS  no  regime  cumulativo  tem  a  seguinte regra­matriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União;  (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material:  faturamento  de  mercadorias  e/ou  serviços;  (iv)  –  critério  quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota  (3%);  (v)  –  critério  territorial:  território  nacional;  (vi)  –  critério  temporal:  faturamento  mensal  (critério  da  competência)."  * Argumentou pelo regime da não­cumulatividade para o PIS/COFINS.  *  Argumentou  que,  diante  de  gastos,  custo,  pagamento  realizado  pelo  contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz  Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13839.901854/2014­16  Resolução nº  3402­001.483  S3­C4T2  Fl. 4          3  de  contribuir,  de  forma  direta  ou  indireta,  para  a  obtenção  de  receita  daquela,  há  de  se  considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando  crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito  no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício  desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar  a constitucionalidade da lei.  *  As  comissões  de  representantes  comerciais  nada  mais  são  do  que  a  remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica  que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  n Resolução  3402­001.475  de  25  de  outubro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  13839.901466/2014­27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos  que  prevaleceram  naquela  decisão  (Resolução  3402­001.475):  "Pressupostos legais de admissibilidade  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido.    Da necessidade de diligência para julgamento do recurso  Como  observado  pela  5ª  Turma  da  DRJ/FOR  em  decisão  recorrida,  a  análise  da  questão  está  relacionada  à  classificação  das  comissões  pagas  a  representantes  comerciais  como  insumos,  que  geram  direito  ao  crédito  das  contribuições,  ou  como  despesas  necessárias  à  atividade  da  empresa,  sem  vinculação  ao  processo  produtivo e incapazes de gerar crédito na sistemática não­cumulativa.   Assim alega a Contribuinte:  i) Que é pessoa  jurídica de direito privado e, na consecução de  suas  atividades  comerciais,  procede  à  contratação  de  representantes  comerciais  para  escoamento  de  sua  produção  própria,  sendo  que  tal  modalidade  de  venda  representa  aproximadamente  87%  do  faturamento.  Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13839.901854/2014­16  Resolução nº  3402­001.483  S3­C4T2  Fl. 5          4  ii)  Que  a  função  desempenhada  por  tais  representantes  é  notadamente imprescindível para sua cadeia produtiva, na medida em  que  estes  são  responsáveis  pela  intermediação  dos  negócios,  com  a  prospecção  de  clientes  e  desenvolvimento  do  mercado,  assim  como  participam  diretamente  no  processo  negocial,  lançando  os  pedidos  aceitos  no  sistema  e  formatando  as  cargas.  Além  do  mais,  frequentemente  efetua  a  contratação  do  transporte  das  mercadorias  vendidas.  iii) Em razão do critério da  essencialidade,  é  incontestável que  os  valores  desembolsados  quanto  à  atividade  realizada  pelos  representantes  comerciais  devem  ser  entendidos  como  insumo  na  cadeia de produção e  vendas dos produtos que  fabrica,  conformando  base  de  cálculo  para  a  assunção  de  créditos  escriturais  relativos  às  contribuições destinadas ao Programa de Integração Social (PIS) e à  Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social  (COFINS),  já  que  está  sujeita  à  sistemática  de  apuração  não­cumulativa  das  referidas contribuições.  Outrossim,  a  Recorrente  apresenta  em  razões  de  recurso,  o  seguinte comparativo entre empresas que não possuem representantes  comerciais, em especial no tocante ao direito de crédito:   (i)  –  as  pessoas  jurídicas  sem  representante  comercial  terão  100% da receita para si;    (ii)  –  já  aquelas  que  se  utilizam  dos  representantes  não  terão  100%  das  receitas  para  si,  uma  vez  que  uma  parte  ficará  com  eles a  título de  comissão,  sendo de  total  plausibilidade assim o  crédito par a bater PIS e COFINS.  Constata­se  que  o  fundamento  pelo  qual  a  DRJ/FOR  julgou  improcedente  a Manifestação  de  Inconformidade  se  atém  ao  critério  estabelecido pelo artigos 2º e 3º, II da Lei nº 10.637/2002, bem como  da IN­SRF nº 247/2002. Vejamos:  No  presente  caso,  as  comissões  pagas  aos  representantes  comerciais  não  podem  ser  consideradas  como  aplicadas  ou  consumidas  diretamente  na  fabricação  de  bens  destinados  à  venda. Tampouco podem ser considerados serviços adquiridos de  pessoas  jurídicas para a consecução das atividades principais da  empresa.  Assim,  as  comissões  pagas  aos  representantes  comerciais são despesas que não se caracterizam como insumos,  não  sendo  admissível,  portanto,  a  apuração  de  créditos  relativamente a esses dispêndios.  Este também é o entendimento da Solução de Consulta nº 98, da  SRRF07/Disit, transcrito abaixo:        (...)  17. Dessa forma, os bens e serviços que forem necessários ou essenciais  para o desempenho da atividade da empresa mas que não puderem ser  considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços  não  se  caracterizam  como  “insumos”,  não  sendo  admissível,  portanto,  a  apuração de créditos relativamente a esses dispêndios.  Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13839.901854/2014­16  Resolução nº  3402­001.483  S3­C4T2  Fl. 6          5  18. Isso distingue os “insumos” das despesas dedutíveis para efeitos de  apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, que, de acordo com o  art.  299  do Decreto  nº.  3.000,  de  26  de março  de  1999  (RIR/99),  são  todas aquelas despesas necessárias, usuais e normais para as operações  da empresa.        (...)  Isso  posto,  julgo  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade.     Inicialmente,  consigna­se  que  o  contribuinte  do  PIS  e  da  COFINS  não­cumulativos,  segundo  as  Leis  10.637/02,  10.833/03  e  10.865/04, tem direito de tomar créditos calculados em relação a bens  e  serviços  utilizados  como  “insumos”  na  fabricação  de  produtos  destinados à venda.  De  fato  havia  divergências  quanto  ao  conceito  de  insumos  aplicável às contribuições sociais.  No entanto, o Superior Tribunal de Justiça concluiu através do  julgamento  do  Recurso  Especial  nº  1.221.170  ­  PR,  processado  em  sede  de  recurso  representativo  de  controvérsia,  que  o  conceito  de  insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma  dos artigo 3º,  inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve  ser  aferido  à  luz  dos  critérios  da  essencialidade  ou  relevância,  vale  dizer,  considerando  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  determinado  item  –  bem  ou  serviço  –  para  o  desenvolvimento  da  atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.  Por este precedente,  o STJ declarou a  ilegalidade da  Instrução  Normativa  ­  SRF nº  247/2002,  invocada para  fundamentar  a  decisão  recorrida, bem como declarou a ilegalidade da Instrução Normativa ­  SRF nº 404/2004, as quais restringiam o direito de crédito aos insumos  que  fossem  diretamente  agregados  ao  produto  final,  ou  que  se  desgastassem com o contato físico com o produto ou serviço final.   Outrossim, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou  em  data  de  03/10/2018  a  Nota  Explicativa  SEI  nº  63/2018/CRJ/PGACET/PGFN­MF,  aceitando  o  conceito  de  insumos  para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça,  conforme Ementa abaixo transcrita:  Documento público. Ausência de sigilo.  Recurso  Especial  nº  1.221.170/PR  Recurso  representativo  de  controvérsia.  Ilegalidade  da  disciplina  de  creditamento  prevista  nas  IN  SRF  nº  247/2002  e  404/2004.  Aferição  do  conceito  de  insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância.  Tese  definida  em  sentido  desfavorável  à  Fazenda  Nacional.  Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no  art.  19,  IV,  da Lei  n°  10.522,  de  2002,  e  art.  2º, V, da Portaria  PGFN n° 502, de 2016.  Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13839.901854/2014­16  Resolução nº  3402­001.483  S3­C4T2  Fl. 7          6  Nota Explicativa  do  art.  3º  da  Portaria Conjunta  PGFN/RFB  nº  01/2014.  Em  síntese,  "insumos",  para  efeitos  do  art.  3º,  II,  da  Lei  10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, são "todos aqueles bens  e  serviços pertinentes  ao, ou que viabilizam o processo produtivo  e  a  prestação  de  serviços,  que  neles  possam  ser  direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade  mesma  da  prestação  do  serviço  ou  da  produção,  isto  é,  cuja  subtração  obsta  a  atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do  produto ou serviço daí resultantes".  Os critérios em referência devem ser aplicados casuisticamente,  utilizando­se do chamado “teste de subtração” do insumo, de modo a  verificar  a  imprescindibilidade  e  a  importância  de  determinado  item  para  o  desenvolvimento  da  atividade  econômica  desempenhada  pelo  contribuinte.  Neste  sentido,  transcrevo  os  itens  14  a  17  da  SEI  nº  63/2018/CRJ/PGACET/PGFN­MF:  "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros  do STJ adotara m a interpretação intermediária, considerando que  o  conceito  de  insumo  deve  ser  aferido  à  luz  dos  critérios  de  essencialidade  ou  relevância.  Dessa  forma,  tal  aferição  deve  se  dar  considerando­se  a  imprescindibilidade  ou  a  importância  de  determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva,  consistente  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  de  prestação de serviços.  15.  Deve­se,  pois,  levar  em  conta  as  particularidades  de  cada  processo  produtivo,  na  medida  em  que  determinado  bem  pode  fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes  níveis  de  importância,  sendo  certo  que  o  raciocínio  hipotético  levado  a  efeito  por meio  do  “teste  de  subtração”  serviria  como  um  dos  mecanismos  aptos  a  revelar  a  imprescindibilidade  e  a  importância para o processo produtivo.  16. Nesse diapasão, poder­se­ia caracterizar como insumo aquele  i  tem  –  bem  ou  serviço  utilizado  direta  ou  indiretamente  ­  cuja  subtração  implique  a  impossibilidade  da  realização  da  atividade  empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial  que torne o serviço ou produto inútil.  17.  Observa­se  que  o  ponto  fulcral  da  decisão  do  STJ  é  a  definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que,  uma  vez  retirados  do  processo  produtivo,  comprometem  a  consecução  da  atividade­fim  da  empresa,  estejam  eles  empregados  direta  ou  indiretamente  em  tal  processo.  É  o  raciocínio que decorre do mencionado “teste d e subtração” a que  se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques."    Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13839.901854/2014­16  Resolução nº  3402­001.483  S3­C4T2  Fl. 8          7  Superada  a  discussão  em  referência,  cabe  a  análise  quanto  à  configuração  da  essencialidade  ou  relevância  do  representante  comercial às atividades desenvolvidas pela empresa.  Através  do  atos  constitutivos,  é  possível  verificar  que  a  Recorrente tem por objeto social as seguintes atividades:    Constata­se,  ainda,  como  atividade  econômica  principal  a  fabricação de artefatos de cimento para uso na construção (CNAE 23­ 30­3­02) e, por atividade econômica secundária a seguinte descrição:  CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS  SECUNDÁRIAS  52.11­7­99  ­  Depósitos  de  mercadorias  para  terceiros,  exceto  armazéns  gerais  e  guarda­móveis  46.79­6­04  ­  Comércio atacadista especializado de materiais de construção não  especificados anteriormente 23.49­4­01  ­ Fabricação de material  sanitário  de  cerâmica  47.44­0­01  ­  Comércio  varejista  de  ferragens  e  ferramentas  28.13­5­00  ­  Fabricação  de  válvulas,  registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios  Por sua vez, a Contribuinte argumenta desde a Manifestação de  Inconformidade  que  mais  de  80%  (oitenta  por  cento)  das  vendas  de  produtos  que  comercializa  ocorre  por  meio  de  representantes  comerciais  autônomos,  que  assumem  papel  imprescindível  na  consecução  da  atividade  comercial  da  empresa,  representando  esta  modalidade  de  venda  em  aproximadamente  87%  (oitenta  e  sete  por  cento) do seu faturamento.  Não obstante os fundamentos que embasam as razões recursais,  o fato é que neste processo administrativo não há nenhuma prova que  ateste  a  essencialidade  da  representação  comercial  na  atividade  da  empresa Recorrente.  Todavia,  considerando  a  recente  decisão  proferida  em  sede  de  repercussão  geral  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  resultando  na  incidência  do  artigo  62,  §  2º  do  Regimento  Interno  deste  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais e, em atenção à busca pela verdade  material, faz­se necessária a realização de diligência para uma melhor  compreensão  sobre  as  características  da  atividade  desenvolvida  pela  empresa,  possibilitando  identificar  se  as  despesas  em  análise  configuram insumos que permitam o direito ao crédito em análise.  Por tais motivos, nos termos previstos pelo artigo 29 do Decreto  nº  70.235/1972,  proponho  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  que  a  Autoridade  Fiscal  da  Unidade  de  Origem  intime  a  Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13839.901854/2014­16  Resolução nº  3402­001.483  S3­C4T2  Fl. 9          8  Contribuinte  para  apresentar  nos  autos  a  comprovação  de  que  os  serviços  prestados  por  representantes  comerciais  em  sua  atividade  empresarial  são  essenciais  e  relevantes,  em  especial:  Notas  Fiscais,  Balanço  Analítico,  Livros  Diário  e  Razão,  bem  como  demais  documentos  que  se  fizerem  necessários  para  a  elucidação  sobre  o  objeto deste litígio.  Com  a  apresentação  dos  documentos  pela  Contribuinte  e  elaboração  de  Relatório  Fiscal  com  os  esclarecimentos  necessários  pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do  resultado  da  diligência  para,  querendo,  se manifestarem no  prazo  de  30 (trinta) dias.  Após as providências acima,  com ou sem manifestação,  retorne  os autos a este Colegiado para julgamento."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista  nos §§  1º  e 2º  do  art.  47  do Anexo  II  do RICARF,  o  colegiado  decidiu  converter  o  presente  processo  em  diligência  para  que  a  Autoridade  Fiscal  da  Unidade  de  Origem  intime  a  Contribuinte  para  apresentar  nos  autos  a  comprovação  de  que  os  serviços  prestados  por  representantes  comerciais  em  sua  atividade  empresarial  são  essenciais  e  relevantes,  em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário  e Razão, bem como  demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio.  Com  a  apresentação  dos  documentos  pela  Contribuinte  e  elaboração  de  Relatório  Fiscal  com  os  esclarecimentos  necessários  pela  Autoridade  Fiscal,  intimar  a  Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no  prazo de 30 (trinta) dias.  Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este  Colegiado para julgamento.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra    Fl. 130DF CARF MF

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Numero do processo: 10983.721265/2014-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 17/03/2011, 08/07/2011, 21/07/2011 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO SE ESTABELECE EM MATÉRIA DE PROVA. ART. 67, DO ANEXO II, DO RICARF. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. O recurso especial não se presta à reapreciação de provas. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. ART. 33 DA LEI 11.488/07. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação da multa de 10% do valor da operação, por cessão do nome, nos termos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 substitui a pena não-pecuniária de declaração de inaptidão, nos termos do parágrafo único do art. 81 da Lei n° 9.430/96, e não a pena de perdimento, motivo pelo qual é inaplicável a retroatividade benigna.
Numero da decisão: 9303-007.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO

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Acórdão nº  9303­007.691  –  3ª Turma   Sessão de  21 de novembro de 2018  Matéria  INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA  Recorrente  IDB DO BRASIL TRADING LTDA  Interessado  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 17/03/2011, 08/07/2011, 21/07/2011  RECURSO  ESPECIAL  DE  DIVERGÊNCIA.  ADMISSIBILIDADE.  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL  NÃO  SE  ESTABELECE  EM  MATÉRIA DE PROVA. ART. 67, DO ANEXO II, DO RICARF.  A  admissibilidade  do  recurso  especial  de  divergência  está  condicionada  à  demonstração  de  que  outro Colegiado  do CARF,  julgando matéria  similar,  tenha  interpretado  a mesma  legislação  de maneira  diversa  da  assentada  no  acórdão recorrido. O recurso especial não se presta à reapreciação de provas.  CESSÃO  DE  NOME.  INFRAÇÃO.  MULTA.  DEZ  POR  CENTO  DO  VALOR  DA  OPERAÇÃO.  ART.  33  DA  LEI  11.488/07.  RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.  A aplicação da multa de 10% do valor da operação, por cessão do nome, nos  termos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não prejudica a aplicação da multa  equivalente  ao valor  aduaneiro das mercadorias,  pela  conversão da pena  de  perdimento  dos  bens,  prevista  no  art.  23,  inciso  V,  do  Decreto­Lei  nº  1.455/76.  A multa  do  art.  33  da  Lei  nº  11.488/2007  substitui  a  pena  não­ pecuniária de declaração de inaptidão, nos termos do parágrafo único do art.  81  da  Lei  n°  9.430/96,  e  não  a  pena  de  perdimento,  motivo  pelo  qual  é  inaplicável a retroatividade benigna.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, em negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício   (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 12 65 /2 01 4- 96 Fl. 447DF CARF MF     2 Demes Brito ­ Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Andrada  Márcio  Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge  Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo  da  Costa Pôssas (Presidente em Exercício).  Relatório  Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  por  IDB  do  Brasil  Trading  Ltda.  ao  amparo  do  art.  67  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, contra  o  acórdão  nº  3301­004.054,  proferido  pela  1ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara,  que  negou  provimento ao recurso voluntário, cuja ementa transcreve­se a seguir:  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA.  OCULTAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO,  REAL  COMPRADOR  E  RESPONSÁVEL  PELAS OPERAÇÕES. DANO AO ERÁRIO. IMPOSSIBILIDADE  DE  APREENSÃO  DAS  MERCADORIAS.  MULTA  EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. CABIMENTO.  Nos  termos  do  art.  23,  inciso  V,  c/c  o  §3º,  do  Decreto­Lei  n°  1.455/76, consideram­se dano ao Erário as infrações relativas às  mercadorias  estrangeiras,  na  importação,  na  hipótese  de  ocultação  do  real  comprador  ou  responsável  pela  operação,  mediante  fraude  ou  simulação,  inclusive  a  interposição  fraudulenta de terceiros; sendo tais infrações punidas com multa  equivalente ao  valor  aduaneiro da mercadoria,  na  importação,  quando  a  esta  não  for  localizada,  ou  tiver  sido  consumida  ou  revendida.  RECURSOS  DE  TERCEIROS  UTILIZADOS  PARA  A  REALIZAÇÃO  DE  IMPORTAÇÕES.  PRESUNÇÃO  DE  IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS.  O  art.  27  da  Lei  nº  10.637/02  estabelece  que  a  operação  de  comércio  exterior  realizada mediante  utilização  de  recursos  de  terceiro  presume­se  por  conta  e  ordem  deste,  para  fins  de  aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no  2.158­35, de 24 de agosto de 2001.  MULTA APLICÁVEL.  A multa disposta no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 não substitui  nem revoga a multa prevista no art.23, inciso V, parágrafo 1º do  Decreto­lei 1.455/1976.  Recurso Voluntário Negado   Na origem, foi lavrado auto de infração para a imposição da multa capitulada  no art. 23, V, §§ 1° e 3º, do Decreto­Lei n° 1.455/76 (interposição fraudulenta comprovada), às  mercadorias  importadas  através  das  DIs  nº  11/0488899­0,  11/1260298­6  e  11/1354857­8,  registradas  respectivamente  em  17/03/2011,  08/07/2011  e  21/07/2011,  em  decorrência  da  ocultação do real adquirente, mediante fraude e simulação.  Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10983.721265/2014­96  Acórdão n.º 9303­007.691  CSRF­T3  Fl. 448          3 O  recurso  voluntário  manteve  a  acusação  fiscal  em  sua  integralidade.  Inconformada,  a  empresa  interpôs  recurso  especial,  aduzindo  divergência  jurisprudencial  quanto  a  duas  matérias:  1)  ausência  dos  pressupostos  para  caracterização  da  infração  e  2)  impossibilidade de aplicar a multa substitutiva de perdimento ao importador ostensivo após o  advento  do  art.  33  da  Lei  nº  10.488/2007.  Indicou  como  paradigmas  os  acórdãos  n°  3201­ 002.581 e 3102­00.944.  1)  Divergência  ­  ausência  dos  pressupostos  para  caracterização  da  infração  ­  acórdão  paradigma n° 3201­002.581  O  acórdão  recorrido  concluiu  que  os  elementos  colacionados  pela  fiscalização  permitem  a  verificação  da  ocorrência  de  importação  por  conta  e  ordem  e  não  importação com recursos próprios e posterior revenda no mercado interno, o que configura a  simulação  e  interposição  fraudulenta  de  terceiros.  É  o  que  se  observa  da  ementa  transcrita  acima.  Por  outro  lado,  o  acórdão  paradigma  n°  3201­002.581,  em  análise  de  importações  efetuadas  pela  mesma  empresa  IDB,  mas  com  suposta  adquirente  diversa,  assentou  que  os  fatos  indiciários  colacionados  pela  fiscalização  não  foram  suficientes  para  comprovar a interposição fraudulenta e o dolo do contribuinte:     INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA.  PENA  DE  PERDIMENTO.  CONVERSÃO EM MULTA. NÃO OCORRÊNCIA.  Não  constatada  a  interposição  fraudulenta  e  ocultação  do  real  sujeito passivo, mediante simulação, nas operações de comércio  exterior,  a  pessoa  jurídica  indicada  como  interposta  e  os  indicados como beneficiários dessa interposição não respondem  pela infração que lhes foi imputada.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA.  INDICAÇÃO  NO  AUTO  DE INFRAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.  Não ocorre a responsabilidade solidária por mera indicação dos  responsáveis solidários, pela autoridade autuante. Não havendo  fraude, não há responsabilidade solidária.  Em suma, a divergência apontada é: no acórdão recorrido os fatos indiciários  foram  considerados  suficientes  para  caracterizar  a  interposição  fraudulenta  e  no  acórdão  paradigma, fatos semelhantes não foram aceitos como prova da interposição fraudulenta.   Ambos os julgados analisaram acusação fiscal de interposição fraudulenta na  modalidade provada, tendo como importadora a empresa IBD do Brasil.  2)  Divergência  ­  Impossibilidade  de  aplicar  a  multa  substitutiva  de  perdimento  ao  importador  ostensivo  após  o  advento  do  art.  33  da  Lei  nº  10.488/2007  ­  acórdão  paradigma n° 3102­00.944  No  acórdão  recorrido,  a  multa  equivalente  a  100%  do  valor  aduaneiro  (substitutiva do perdimento) foi mantida, sendo rechaçado o pleito do contribuinte de que, com  o advento do art. 33 da Lei n° 11.488/07, ao caso deveria ser aplicada a multa de 10% sobre o  valor aduaneiro, em razão da cessão do nome:  Fl. 449DF CARF MF     4 Aduz a recorrente, que, com o advento da multa do art. 33 da Lei  nº  11.488/07,  a  multa  de  100%  do  valor  aduaneiro,  objeto  do  presente auto de infração, deixou de ser aplicável ao importador  ostensivo. A posição mais recente deste Conselho é contrária a  esta tese, a exemplo do Acórdão 3301003.085, desta Turma, de  27/09/2016.  Por  todo  o  exposto,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário  da  IDB.  Em  sentido  contrário,  o  acórdão  paradigma n°  3102­00.944  consignou que,  em virtude dos princípios da especialidade e da retroatividade benigna (art. 106 do CTN), no  caso  de  interposição  fraudulenta,  a  pena  a  ser  aplicada  é  o  art.  33  da  Lei  nº  11.488/2007,  cancelando a multa equivalente a 100% do valor aduaneiro:  INTERPOSIÇÃO  FRAUDULENTA.  FALTA DE CAPACIDADE  ECONÔMICO­FINANCEIRA.  PENA  DE  PERDIMENTO.  CONVERSÃO EM MULTA.   A ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou  do  responsável  pela  operação  enseja  a  aplicação  da  pena  de  perdimento da mercadoria, por dano ao Erário, pena convertida  em multa equivalente ao valor aduaneiro das mesmas nos casos  em que elas não sejam localizadas ou  tenham sido consumidas,  independentemente da extensão dos efeitos dos fatos apurados.   APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA ART. 106, II, “C”, DO  CTN.   O art. 33 da Lei nº 11.488/2007 passou a estabelecer multa de  10%  (dez  por  cento)  sobre  o  valor  da  operação  acobertada  quando  se  verificar  que  a  pessoa  jurídica  tiver  cedido  o  seu  nome, mediante disponibilização de documentos próprios, para a  realização  de  operações  de  comércio  exterior  de  terceiros.  Entendo  ser  essa,  exatamente,  a  hipótese  em  comento.  Por  ser  norma  posterior  mais  benéfica,  deve  o  art.  33  da  Lei  nº  11.488/2007 ser aplicado ao caso, ao invés do § 3º do art. 23 do  Decreto­Lei nº 1.455/1976, com a redação dada pelo art. 59 da  Lei nº 10.637/2002. Aplicação do art. 106, II, “c”, do CTN.  Assim,  a  divergência  se  dá  na  aplicação  ou  não  da  multa  substitutiva  do  perdimento ao importador ostensivo (aquele que cedeu o nome), após a edição do art. 33 da Lei  nº 10.488/2007.  O exame de admissibilidade acolheu as duas matérias, e­fls. 416­422.  A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, e­fls. 424­444.  No essencial é o Relatório.   Voto             Conselheiro Demes Brito ­ Relator   O  recurso  foi  apresentado  com  observância  do  prazo  previsto,  restando  contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade,  Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10983.721265/2014­96  Acórdão n.º 9303­007.691  CSRF­T3  Fl. 449          5 prerrogativa,  em  última  análise,  da  composição  plenária  da  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais, a qual  tem competência para não conhecer de recursos especiais, nos quais  não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos.  Primeiramente,  se  faz  necessário  relembrar  e  reiterar  que  a  interposição  de  recurso  especial  junto  à  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  ao  contrário  do  recurso  voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além  da  necessidade  de  atendimento  a  diversos  outros  pressupostos,  estabelecidos  no  art.  67  do  Regimento Interno do CARF.  Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamado de recurso especial de  divergência  e  tem  como  objetivo  a  uniformização  de  eventual  dissídio  jurisprudencial,  verificado entre as diversas Turmas do CARF.  Neste passo, ao julgar o recurso especial de divergência, a Câmara Superior  de  Recursos  Fiscais  não  constitui  uma  Terceira  Instância,  mas  sim  a  Instância  Especial,  responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, consequentemente, pela garantia da  segurança  jurídica  dos  conflitos,  não  tendo  espaço  para  questões  probatórias,  que  já  ficaram  devidamente julgadas no recurso voluntário.   Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie.   Passo ao julgamento.   1)  Divergência  ­  ausência  dos  pressupostos  para  caracterização  da  infração  ­  acórdão  paradigma n° 3201­002.581  Conforme relatado, trata­se de exigência de multa substitutiva do perdimento,  aplicada com fundamento no art. 23, V, e §§ 1º e 3º, do Decreto­Lei nº 1.455/1976, em virtude  da interposição fraudulenta de terceiros em operação de comércio exterior.  A autoridade lançadora deve trazer elementos de prova para caracterização da  interposição  fraudulenta,  uma  vez  que  o  ônus  recai  sobre  quem  alega  o  fato  ou  o  direito  (CPC/2015, art. 373). Dessa forma, a prova deve ser efetiva e inequívoca.  Entendeu o acórdão recorrido que as provas trazidas pela fiscalização foram  suficientes para a caraterização do ilícito, como se observa no voto condutor:  Do acima exposto, de plano, destaco os seguintes fatos:  1) As notas fiscais de saída da IDB para a ARQUITECH foram  emitidas nas mesmas datas das respectivas notas de entrada nas  importações,  com  identidade  de  mercadorias  e  nas  mesmas  quantidades,  o  que  demonstra  que  a ARQUITECH adquiriu  as  mercadorias pelo menos no dia em que a IDB emitiu as notas de  entrada em função das operações de importação. Tendo em vista  que a aquisição de mercadorias  importadas é um processo que  envolve  uma  complexa  negociação  prévia  e  que  o  despacho  aduaneiro  de  importação  é  um  procedimento  que,  em  média,  toma cerca de 40 horas, é fato a demonstrar que a ARQUITECH  negociou a aquisição de  tais mercadorias antes do registro das  término do despacho das importações;  Fl. 451DF CARF MF     6 2) As mercadorias  saíram  diretamente  do  porto  de  importação  para  espaço  locado  pela  ARQUITECH,  sem  passar  pela  IDB,  corroborando a aquisição prévia das mercadorias;  3)  A  IDB  encaminhou  à  fiscalização  relação  de  pagamentos  totalmente diferentes, em datas e valores, em resposta à primeira  intimação  e  à  segunda  intimação  da  fiscalização,  respectivamente,  o  que  põem  em  dúvida  se  realmente  se  refeririam  às  notas  fiscais  de  saída  ou  ao  processo  de  importação; e  4)  Pagamentos  informados  pela  IDB  como  recebidos  da  ARQUITECH  constam  na  contabilidade  da  empresa  IDB  na  conta “Adiantamento de Importação”.  (...)  O  conjunto  de  fatos  expostos  demonstra  que  as  importações  autuadas  foram negociadas antes da  efetivação destas,  tendo a  ARQUITECH  carreado  recursos  para  a  sua  efetivação.  De  plano,  é  forçoso  concluir  que  não  se  trata  de  importações  por  conta  própria  para  posterior  revenda,  como  quer  fazer  crer  a  recorrente.  Dentre  as  hipóteses  restantes,  previstas  na  legislação, o conjunto probatório aponta para a ocorrência, de  fato, de importações por conta e ordem da ARQUITECH.  (...)  O Código Civil, em seu art. 167, define o instituto da simulação:  "Haverá  simulação  nos  negócios  jurídicos  quando:  [...]  aparentarem  conferir  ou  transmitir  direitos  a  pessoas  diversas  daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem".  (...)  O  se  verifica,  para  cada DI  autuada,  é  que  havia  um  negócio  aparente,  uma  importação  por  conta  própria  da  IDB;  e  uma  negócio  real,  uma  importação  por  conta  e  ordem  da  ARQUITECH; caracterizando­se assim a simulação.  Assim,  restou  caracterizada  a  ocultação  da  ARQUITECH,  adquirente numa importação por conta e ordem de fato, sujeito  passivo,  portanto  (art.  121,  II,  do Código  Tributário Nacional,  C/C art. 32, parágrafo único, III, "c", do Decreto­Lei n° 37/66)),  mediante  simulação.  É  infração  punível  com  a  pena  de  perdimento  das  mercadorias,  conforme  previsto  no  artigo  23,  inciso  V,  do  Decreto­Lei  nº  1.455,  de  07  de  abril  de  1976,  aplicando­se a multa equivalente ao valor aduaneiro, nos termos  do §3° do mesmo artigo.  Ocorre  que  no  acórdão  paradigma  n°  3201­002.581,  na  análise  de  importações  efetuadas  pela  mesma  empresa  IDB  para  outra  suposta  adquirente  (a  Intermix  Ltda.), a Turma chegou à conclusão de que os fatos indiciários colacionados pela fiscalização  não foram suficientes para comprovar a interposição fraudulenta e o dolo do contribuinte:     De  acordo  com  o  Relatório  Fiscal  de  fls.  10,  as  mercadorias  tinham a Intermix Ltda como destinatário pré­determinado, que  Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10983.721265/2014­96  Acórdão n.º 9303­007.691  CSRF­T3  Fl. 450          7 a  Intermix  Ltda  era  conhecida  da  IDB  do  Brasil  antes  da  importação, que houve proximidade das notas fiscais de entrada  e saída, que todas as mercadorias daquelas DIs foram vendidas  para  a  Intermix  Ltda  e  inclusive  as  mercadorias  da  DI  12/04855678 vendidas à empresa Juri Comércio Ltda (NF 937)  foram  vendidas  da  própria  Juri  à  Intermix  (NF 152)  e  que  um  sócio da  Intermix adiantou por depósito os  valores à Juri  Ltda  (fls 166), que pagamentos e transferências bancárias da Intermix  Ltda  estão  na  conta  "adiantamento  de  importação"  na  contabilidade  da  IDB,  que  a  IDB  recebeu  transferências  da  Intermix  Ltda  em  valores  equivalentes  nos  exatos  dias  em  que  liquidou  os  contratos  de  câmbio  dessas  DIs  e  em  datas  anteriores  aos  registros  destas,  que  a  Intermix  Ltda  pagou  mercadoria que não havia  sido desembaraçada  (NFs 938, 653,  747).   (...)  E  dentro  desta  linha  de  raciocínio  está  uma  das  principais  razões pela qual o contribuinte merece interpretação  favorável,  uma  vez  que  não  há  nos  autos  uma  prova  comercial  mais  contundente de que estaria se tratando de outra modalidade que  não  a  da  importação  direta,  a  prova  de  que  o  real  adquirente  realmente tenha encomendado a mercadoria.  O  que  poderia  ser  comprovado  somente  na  situação  em  que  algum  documento  ou  troca  de  e­mail  ou  correspondência  demonstrasse  que  o  interposto  tem  o  direito  de  crédito  da  importação  sobre  o  encomendante,  que  firma  compromisso  prévio de pagamento ao encomendar a mercadoria.  (...)  Não  há  nos  autos  comprovação  de  que  os  sócios  da  Intermix  Ltda  negociaram  com as  exportadoras  ou mesmo  escolhiam  os  produtos  a  serem  importados,  não  comprovado  o  repasse  de  mercadorias  ou  subfaturamento  de  preços,  não  comprovada  a  quebra  da  cadeia  do  IPI  e,  principalmente,  não  estão  comprovados nos autos os elementos subjetivos do tipo.  Levantou  o  contribuinte  também  que  os  tributos  foram  regularmente  adimplidos  e  nesse  ponto,  não  houve  qualquer  contestação da fiscalização ou da DRJ.  Não  é  possível  constatar  fraude  e  dano  ao  erário  sem  que  ao  menos  tenham  sido  juntadas  provas  de  quebra  da  cadeia  de  recolhimento do IPI,  falta de destaque do tributo e consequente  ausência  do  recolhimento  do  tributo  nas  demais  etapas  de  comercialização  da  mercadoria  importada.  É  o  que  poderia  justificar possível ocultação do sujeito passivo na importação.  (...)"  Então,  confrontando  os  dois  acórdãos,  observa­se  que  o  inconformismo  da  recorrente está centrado em questões fáticas relacionadas ao ônus de prova. Para a recorrente, o  auto de  infração não  teria  sido  lavrado  em decorrência de provas materiais  robustas, motivo  Fl. 453DF CARF MF     8 pelo  qual  deveria  ser  cancelado.  Na  sua  peça  recursal,  claramente  afirma  que  o  acórdão  recorrido apresenta interpretação diametralmente oposta ao paradigma na análise de provas.  Entendo  que  trata­se  de  manejo  indevido  do  recurso  especial,  que  não  se  presta à reapreciação de provas, mas sim à uniformização de divergências de interpretação.  No  cotejo  entre  os  acórdãos,  não  há  objetivamente  divergência  dada  à  legislação  tributária entre Turmas, pois se está diante de valoração das provas trazidas aos  autos.  A  divergência  jurisprudencial  não  se  estabelece  em  matéria  de  prova,  por  isso  foi  violado o disposto no art. 67, do Anexo II, do RICARF.  Logo, voto por não conhecer do recurso especial nesta parte.  Impossibilidade de aplicar a multa  substitutiva de perdimento ao  importador ostensivo  após o advento do art. 33 da Lei nº 10.488/2007 ­ acórdão paradigma n° 3102­00.944  Entendo que  restou  configurada  a divergência  neste  segundo  tópico,  pois  o  acórdão  recorrido  manteve  a  aplicação  da  penalidade  do  art.  23,  V,  do  Decreto­lei  nº  1.455/1976,  afirmando  que  esta  não  foi  substituída  pela multa  disposta  no  art.  33  da  Lei  nº  11.488/2007. Por  sua vez,  o  acórdão paradigma  indicou que  a multa  equivalente a 100% do  valor aduaneiro da mercadoria, aplicada ao importador, com base no art. 23 do Decreto­lei nº  1.455/1976 deve ser reduzida para 10% do valor da operação, nos termos do art. 33 da Lei n°  11.488/2007, em observância à retroatividade benigna (art. 106, II, "c", do CTN).  O  art.  23,  V,  do  Decreto­Lei  nº  1.455/76  volta­se  a  apenar  a  interposição  fraudulenta  de  terceiros  com  o  perdimento  da  mercadoria,  ou  multa  no  respectivo  valor  aduaneiro, sendo aplicável ao real adquirente e ao importador como responsável tributário (art.  95, I, do Decreto­Lei nº 37/66).   Por outro  lado, a multa de 10% prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é  aplicável  ao  importador  que  ceder  o  nome  em  operações  de  comércio  exterior  para  acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, sendo o adquirente posto na condição  de responsável tributário.  Vê­se,  por  conseguinte,  que  se  tratam  de  penas  diferentes  para  condutas  diversas.   Por  isso, a aplicação da multa de 10% do valor da operação, por cessão do  nome,  nos  termos  do  art.  33  da  Lei  nº  11.488/2007,  não  prejudica  a  aplicação  da  multa  equivalente  ao  valor  aduaneiro  das mercadorias,  pela  conversão  da  pena  de  perdimento  dos  bens.  Isso porque a multa do  art.  33 da Lei nº 11.488/2007  substitui  a pena não­ pecuniária  de  declaração  de  inaptidão,  nos  termos  do  parágrafo  único  do  art.  81  da  Lei  n°  9.430/96, e não a pena de perdimento, motivo pelo qual é inaplicável a retroatividade benigna.  No mesmo sentido, esta 3ª Turma já se posicionou, acórdão n° 9303­006.509,  cujas razões do voto do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal transcrevo a seguir:  Até  a  promulgação  da  Lei  nº  11.488/2007,  a  cessão  do  nome  para  o  acobertamento  do  real  beneficiário  da  operação  trazia  como consequência (i) a pena de perdimento da mercadoria ou  conversão em multa e (ii) proposição de inaptidão do CNPJ (IN  SRF  568/2005).  O  artigo  348,  inciso  III,  da  IN  SRF  568/2005  Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10983.721265/2014­96  Acórdão n.º 9303­007.691  CSRF­T3  Fl. 451          9 dispunha  sobre  a  inaptidão  da  inscrição  do CNPJ  de  entidade  considerada  inexistente  de  fato.  O  artigo  419,  inciso  III,  considerava  inexistente  de  fato  a  pessoa  jurídica  que  "tenha  cedido  seu  nome,  inclusive  mediante  a  disponibilização  de  documentos  próprios,  para  a  realização  de  operações  de  terceiros,  com  vistas  ao  acobertamento  de  seus  reais  beneficiários;".  Treze dias após a edição da Lei nº 11.488/2007, foi publicada a  IN RFB nº 748/2007, revogando a IN RFB 568/2005. O artigo 41  da nova IN suprimiu a hipótese de cessão de nome com vistas ao  acobertamento dos reais beneficiários em operações no exterior,  como  causa  de  declaração  da  inexistência  de  fato  da  PJ.  Ou  seja,  também  os  atos  normativos  editados  pela  Secretaria  da  Receita Federal confirmam que a penalidade prevista no artigo  33  da  Lei  nº  11.488/2007  foi  introduzida  no  ordenamento  jurídico com propósito substituir a declaração de inaptidão pelo  simples ato de ceder o nome.  Todas  as  premissas  até  aqui  adotadas  e  as  conclusões  a  que  remetem  são,  ainda,  reforçadas  pelo  Parecer  de  encaminhamento  do  projeto  de  lei  de  Conversão  da  MP  nº  351/2007 na Lei nº 11.488/2007, com a seguinte observação:  “Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art.  81  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  contida  no  art.  15  do  PLV,  sugerimos  a  adequação  dos  critérios  legais  para  se  declarar  a  inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável  no  caso  de  cessão  de  nome  da  empresa  para  realização  de  operações de comércio exterior de terceiros.”  A derradeira conclusão é a de que o ato de ceder o nome com  vistas  ao  acobertamento  do  real  beneficiário  acarreta  duas  infrações, cujos bens jurídicos tutelados são distintos: o próprio  erário e o controle aduaneiro como um todo, e a integridade do  Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica. Enquanto o artigo 33 da  Lei nº 11.488/2007 resguarda a higidez do CNPJ, coibindo seu  uso  indevido,  em  substituição  da  declaração  de  inaptidão,  o  inciso  V  do  artigo  23  do Decreto­lei  nº  1.455/1976  protege  o  Erário e o próprio controle aduaneiro.  Em suma, correta a capitulação legal da infração.  Dispositivo  Ex positis, conheço parcialmente do recurso interposto, e na parte conhecida,  nego provimento.   É como voto.   (assinado digitalmente)  Demes Brito     Fl. 455DF CARF MF     10                               Fl. 456DF CARF MF

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