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Numero do processo: 16227.000010/2009-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2001
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATOS GERADORES APURADOS EM GFIP. LANÇAMENTO POR SUPOSIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura como lançamento fundado em suposições aquele cujos fatos geradores houveram-se por apurados diretamente das informações assentadas nas GFIP apresentadas pela empresa, elaboradas sob o domínio, comando e responsabilidade do próprio sujeito passivo, circunstância que torna despicienda a discriminação pormenorizada dos fatos jurígenos tributários no corpo do Relatório Fiscal, eis que são do inteiro conhecimento do Contribuinte, fulgurando as informações nele consignadas como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - CONFRONTO GFIP X GPS.
Uma vez constatada a diferença entre o valor declarado em GFIP e o recolhido através de GPS, é dever da autoridade fiscal promover o lançamento do crédito para apurar as diferenças declaradas e não recolhidas.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
Súmula CARF n° 04: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
É legítima a cobrança dos encargos legais em percentuais estabelecidos de acordo com a própria legislação, bem como também é legítima a cobrança dos juros com a utilização da taxa Selic no seu cálculo, conforme Súmula n° 04 do CARF e posicionamento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, sob o rito da repercussão geral (RE 582.461/SP) e dos recursos repetitivos (REsp 879.844/MG).
MULTA. MP 449/08. LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a eventual aplicação de penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009.
Numero da decisão: 2401-005.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Thiago Duca Amoni (suplente convocado), que davam provimento parcial ao recurso para que a multa fosse limitada a 20%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite Relator
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATOS GERADORES APURADOS EM GFIP. LANÇAMENTO POR SUPOSIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não se configura como lançamento fundado em suposições aquele cujos fatos geradores houveramse por apurados diretamente das informações assentadas nas GFIP apresentadas pela empresa, elaboradas sob o domínio, comando e responsabilidade do próprio sujeito passivo, circunstância que torna despicienda a discriminação pormenorizada dos fatos jurígenos tributários no corpo do Relatório Fiscal, eis que são do inteiro conhecimento do Contribuinte, fulgurando as informações nele consignadas como bastante e suficiente para fazer prova do fato afirmado. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO CONFRONTO GFIP X GPS. Uma vez constatada a diferença entre o valor declarado em GFIP e o recolhido através de GPS, é dever da autoridade fiscal promover o lançamento do crédito para apurar as diferenças declaradas e não recolhidas. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 22 7. 00 00 10 /2 00 9- 77 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 205 2 É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. Súmula CARF n° 04: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. É legítima a cobrança dos encargos legais em percentuais estabelecidos de acordo com a própria legislação, bem como também é legítima a cobrança dos juros com a utilização da taxa Selic no seu cálculo, conforme Súmula n° 04 do CARF e posicionamento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, sob o rito da repercussão geral (RE 582.461/SP) e dos recursos repetitivos (REsp 879.844/MG). MULTA. MP 449/08. LEI 11.941/09. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a eventual aplicação de penalidade mais benéfica deve observar o regramento traçado em portaria conjunta da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal do Brasil, no caso a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Thiago Duca Amoni (suplente convocado), que davam provimento parcial ao recurso para que a multa fosse limitada a 20%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite – Relator (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Redator Designado Fl. 205DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 206 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de crédito tributário decorrente de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n° 35.359.5009, cujo fato gerador tem origem nos pagamentos e ou créditos mensais efetuados a segurados empregados em Folha de Pagamento, em rubricas que integram o salário de contribuição, retidas de segurados empregados e não recolhidas à Seguridade Social, no total de R$ 194.993,37 (cento e noventa e quatro mil, novecentos e noventa e três reais e trinta e sete centavos), consolidado em 27/02/2002. Os documentos examinados durante a ação fiscal foram: (a) Comprovantes de Recolhimentos – GPS e (b) Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP/SEFIP – período 09/2001; 10/2001 e 11/2001. O contribuinte foi cientificado do lançamento em epígrafe no dia 19/06/2002, conforme certidão de fl. 57 dos autos e, dentro do prazo regulamentar, interpôs impugnação, colacionando, em síntese, as seguintes alegações de defesa: (a) De plano a presente autuação deve ser anulada, por total falta de amparo jurídico, na medida em que o Sr. Auditor Fiscal da Previdência Social não partiu de qualquer indício materialmente comprovado para a conclusão encontrada. (b) Sendo a atividade tributária do Estado vinculada à lei, e sendo o ato do lançamento um meio para a satisfação plena da arrecadação tributária, não pode o Estado, no afã de satisfazer sua pretensão arrecadadora, utilizarse do método indutivo de tributação, na medida em que este não tem qualquer amparo legal. Ademais, a vinculação do lançamento vem expressamente fixada em lei, conforme termos do artigo 142 do CTN. (c) Não havendo qualquer comprovação pelo Fisco, da ocorrência do fato tributável, não há que se falar em ônus da prova do contribuinte, porquanto para o direito, o fato não provado não é fato, e, assim sendo, nada há a ser desconstituído. (d) De qualquer sorte, se o Douto Julgador Administrativo entender a favor da parte contrária, a autora amparada legalmente pela Lei n° 9.250/95 e Instruções Normativas n° 21/97 e 73/97, possui créditos de outros tributos federais que poderão ser compensados com o suposto débito constante na NFLD em referência. (e) A sanção somente teria espaço nas hipóteses em que não houver o adimplemento de qualquer obrigação. (f) Do exame da legislação previdenciária, verificase que além de penalizar o contribuinte inadimplente, com a cobrança de multa, e se ver indenizada pela aplicação de correção monetária, a administração pública ainda pretende auferir ganho de capital, como se Fl. 206DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 207 4 investidora de mercado financeiro fosse, ao compelir o contribuinte ao pagamento de juros, e o que é pior, juros acumulados, em razão da Taxa de Custódia – SELIC, que penaliza duplamente o contribuinte. (g) Mesmo que fosse devia a importância exigida pelo Fisco Previdenciário, a título de tributo, o valor da sanção praticamente o supera, o que, além de configurarse extorsivo numa economia estável, acaba por impedir ou inviabilizar eventual pagamento, na medida em que expungiria o contribuinte de parcela significativa de seu patrimônio, se não de sua totalidade. (h) A Taxa de Juros Selic, foi criada pela Lei n° 8.981/95 para regular as operações do Sistema Financeiro e por se tratar de lei ordinária, é inaplicável aos tributos, tendo em vista que o artigo 163 da Constituição Federal é claro e expresso ao determinar que a Lei Complementar disporá sobre a normatização do Sistema Financeiro. (i) Frisese que a Taxa de Juros Selic não é composta apenas de juros moratórios, mas incorpora, também, percentual equivalente à correção monetária no período de sua apuração, destarte, sua cumulação com a correção monetária ou outro índice como a TR é ilegal por ocorrer bis in idem. (j) Ao final, requer a procedência da defesa, com o consequente arquivamento do processo administrativo e a anulação da NFLD em referência. Caso não seja este o entendimento, requer nova fiscalização, tendo em vista que o contribuinte possui pedido de compensação referentes a débitos cobrados pelo INSS com créditos de outros tributos. À fl. 60, consta despacho proferido pelo Serviço de Análise de Defesas e Recursos, solicitando a baixa dos autos em diligência para a juntada dos documentos: TIAF, TIAD e TEAF. À fl. 61, consta despacho proferido pela Gerência Executiva do INSS de Osasco, informando o seguinte: Conforme consta, a empresa acima identificada procedeu ao pedido de parcelamento formalizandose a competente LDC para o débito da parte patronal. A referida LDC foi devidamente assinada e encaminhada ao setor de cobrança. Constatada a existência de débito referente à parte de segurados nas competências 09/2001; 10/2001 e 11/2001, foi notificada a apresentar as competentes GPSs. Considerando que não foi comprovado o recolhimento foi lavrada a NFLD Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n°. 35.358.5009, com base em documento denominado GEFIP, motivo ensejador da não juntada de TIAF, TIAD e TEAF. Ao Sr. Chefe da Seção de Fiscalização. Posteriormente, sobreveio a DecisãoNotificação n° 21.028/00073/2003 (fls. 62/69), proferida pelo Instituto Nacional do Seguro Social de Osasco/SP, que julgou Fl. 207DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 208 5 procedente o lançamento fiscal, rejeitando as preliminares suscitadas na impugnação, além de declarar o contribuinte devedor à Seguridade Social do crédito previdenciário de R$ 194.993,37, consolidado em 27/02/2002. Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) Preliminarmente, ante a manifestação da impugnante de que a autuação deve ser anulada, pois não amparada em lei, ressaltamos que o lançamento está amparado no inciso I do artigo 30 da Lei n° 8.212/91. (b) Em face da argumentação de que foi utilizado método indutivo para levantamento das contribuições lançadas em NFLD, lembramos que de acordo com o relatório fiscal de fls. 11/12, foram informados os documentos utilizados para levantamento do mencionado débito, a saber: GFIP e GPS, e ainda, que o documento GFIP se constitui de valores declarados pelo contribuinte, não assistindo, portanto, razão ao mesmo quando afirma que o AFPS utilizouse de presunção para tal levantamento. Vale observar o texto do Decreto n° 2.803/98 que regulamenta o art. 32 da Lei n° 8.212/91. (c) Sendo assim, a NFLD em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo das parcelas mensais, tudo conforme a legislação. Portanto, e de acordo com o exposto, inadmissível a afirmação de que foi utilizado método indutivo não amparado em lei. (d) Com relação às alegações da impetrante de serem ilegais os acréscimos moratórios e o uso da taxa Selic para correção dos tributos fiscais, tal aplicação é decorrente de leis que se encontravam em vigor na época do fato gerador (art. 3°, da Lei n° 8.218/91; arts. 58 e 61, da Lei n° 8.383/91; arts. 3° e 4°, da Lei n° 8.620/93; art. 13, da Lei n° 9.065/95; art. 84, da Lei n° 8.981/95; art. 34, da Lei n° 8.212/91). (e) As Leis mencionadas disciplinam e determinam a aplicação dos juros moratórios e a aplicação da taxa SELIC para o cálculo de contribuições previdenciárias recolhidas fora do prazo, portanto, não procede a alegação da empresa, uma vez que a utilização de acréscimos moratórios e a taxa SELIC, estão embasadas em legislação federal. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 78/81), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: (a) Preliminarmente, a empresa peticionária esclarece que aforou mandado de segurança perante a Justiça Comum Federal, com o objetivo de elidir a iníqua obrigação disposta no artigo 306 do Decreto n° 3.048/99, que vincula o seguimento ou conhecimento de recurso interposto em processo de discussão de crédito previdenciário à comprovação do depósito de 30% do valor discutido, motivo pelo qual, pede o seguimento do apelo recursal enquanto a Justiça examinar a impetração sob exame. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 209 6 (b) A auditoria fiscal não contemplou a estrita necessidade legal de autuar apenas posteriormente a uma ampla investigação e valoração dos fatos, ante o princípio da verdade material, o que não ocorreu, posto que se baseou, àquela autoridade, em meros documentos declaratórios, mas que não comprovam a veracidade do comprovado. (c) O escrito no documento particular prova o conteúdo, mas não a fidedignidade dos fatos nele contidos (CPC, artigo 368, parágrafo único). (d) A Taxa Selic penaliza duplamente a recorrente, sendo certo que só poderia ter sido instituída mediante a edição de Lei Complementar, jamais de Lei Ordinária. Inclusive, na forma em que se encontra, da autuação deve ser afastada a incidência da atualização SELIC, seja porque contrária ao artigo 163 da Constituição, seja porque sua aplicação equivale ao estabelecimento de sanção iníqua, o que também fere o dispositivo da Constituição, artigo 5°, inciso XLVIII. Ao final, a recorrente pleiteou a reforma da decisão de piso, no sentido de julgar insubsistente o lançamento procedido pela Auditoria Fiscal, consubstanciado na anulação da indevida NFLD 35.3585009, de 27/02/2002. Às fls. 93/100, consta cópia do Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte, a fim de que garantir o direito de recorrer administrativamente sem a efetuação do depósito prévio, correspondente a 30% da exigência fiscal, em favor da Previdência Social, por força do Decreto n° 70.235/72. Às fls. 106/108, consta despacho proferido pela Gerência Executiva do INSS em Osasco, Seção de Análise de Defesas e Recursos, determinando a remessa à Procuradoria para prosseguimento, considerando que a empresa não apresentou o recolhimento de 30% do valor do débito, conforme determina o art. 126, da Lei n/ 8.213/91, na redação dada pela Lei n° 9.639/98, além de que as alegações da empresa não teriam trazido nenhum fato novo capaz de modificar o lançamento. Às fls. 119/120, consta Pedido de Reconsideração em face da decisão proferida pela Gerência Executiva do INSS em Osasco, que negou seguimento apresentado em 04/09/2003, sob o fundamento de que a empresa não apresentou o recolhimento de 30% do valor do débito, conforme determina o art. 26, da Lei n° 9.639/98. À fl. 122, consta despacho proferido pela Gerência Executiva do INSS em Osasco, Seção de Análise de Defesas e Recursos, negando o Pedido de Reconsideração apresentado pelo contribuinte. Às fls. 158/159, consta Certidão atestando a inscrição do débito em dívida ativa. Às fls. 163/168, consta petição do contribuinte informando a concessão da ordem pleiteada no Mandado de Segurança, assegurando o direito de interpor recurso administrativo sem o prévio depósito de 30% do débito em discussão e cópia da decisão proferida. À fl. 173, consta despacho do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) da Receita Federal do Brasil, encaminhando o processo à Procuradoria da Fl. 209DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 210 7 Fazenda Nacional para que fosse procedida a devolução do crédito tributário n° 35.358.5008 para a fase administrativa, em razão da concessão da ordem no mandado de segurança. À fl. 176, consta despacho da Procuradoria da Fazenda Nacional determinando o cancelamento da inscrição por decisão judicial, proferida nos autos do MS n° 2003.61.00.0226480 e o retorno à fase administrativa. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Fl. 210DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 211 8 turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 2. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme certidão de fls. 102 e vislumbro a presença dos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 3. Preliminar. 3.1. Da alegada ausência de comprovação do fato gerador (art. 142 do CTN). Preliminarmente, alega a recorrente que o lançamento em questão foi baseado em indícios frágeis da prática da suposta infração, sem elementos de prova que indicassem, de modo cabal, a prática de suposta retenção irregular de contribuições devidas. Nesse sentido, a autoridade fiscal não teria observado a necessidade legal de autuar apenas posteriormente a uma ampla investigação e valoração dos fatos, ante o princípio da verdade material, tendo se baseado apenas em meros documentos declaratórios. É certo que a constituição do crédito tributário, por meio do lançamento de ofício, como atividade administrativa vinculada, exige do Fisco a observância da legislação de regência, a fim de constatar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível (art. 142 do CTN). A não observância da legislação que rege o lançamento fiscal ou a falta de seus requisitos, tem como consequência a nulidade do ato administrativo, sob pena de perpetuar indevidamente cerceamento do direito de defesa. Contudo, entendo que não assiste razão à recorrente, estando hígida a exigência em epígrafe, não havendo que se falar em prejuízo à ampla defesa. Pois bem. Cabe ressaltar que o lançamento em questão diz respeito às Contribuições Sociais devidas à Seguridade Social e não recolhidas, correspondente à parte dos Segurados empregados, retida em folha de pagamento, com origem na diferença constatada mediante o confronto entre os valores declarados pela própria recorrente em GFIP e aqueles efetivamente recolhidos à Previdência Social por meio de GPS. Vale destacar que, conforme consta no § 1°, do art. 225, do Decreto n° 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), as informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do nãorecolhimento. Ademais, o § 4°, do art. 225, do mesmo diploma legal determina que “o preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa”. Ora, tendo sido os fatos geradores apurados diretamente a partir das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, documentos esses representativos de confissão de dívida, apresentados pelo sujeito passivo à fiscalização, elaborados sob o seu Fl. 211DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 212 9 domínio e responsabilidade, e confeccionados sob seu comando e orientação, não procede a alegação recursal de que não existiriam provas, mas apenas suposições, no que diz respeito à ocorrência dos fatos geradores apurados. Portanto, o contribuinte confessou que deve à Previdência Social e não comprovou o pagamento da totalidade do valor que reconheceu como devido. Ao alegar que cabe ao fisco a demonstração irrefutável da ocorrência do fato, buscar transferir o ônus de provar que o valor por ela confessado está equivocado para a fiscalização da Previdência Social, o que não se sustenta. Decerto, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse sentido, a fiscalização comprovou, mediante documentação idônea, elaborada sob a responsabilidade e domínio da própria Recorrente, que foi feito o pagamento a segurados empregados de remuneração referentes às competências 09/2001, 10/2001 e 11/2001, cujas contribuições previdenciárias destes decorrentes não foram integralmente recolhidas à Seguridade Social. Caberia à recorrente, por exemplo, comprovar que teria se equivocado no preenchimento da GFIP ou da GPS, e proceder à sua retificação, consoante a legislação que rege a matéria, ônus esse que não se desincumbiu, não sendo possível afastar a fidedignidade do conteúdo da NFLD em debate. No presente caso, autoridade agiu em conformidade com os dispositivos legais que disciplinam o lançamento, discriminando no Anexo “Fundamentos Legais do Débito – FLD” (fl. 10/11) os dispositivos legais aplicáveis ao caso, além de descrever no “Relatório Fiscal” (fls. 13/14) os fatos geradores das contribuições, bem como os documentos que serviram de base e para a apuração das contribuições devidas, cujos valores estão demonstrados no “Discriminativo Analítico de Débito – DAD” (fls. 08) e “Discriminativo Sintético do Débito – DSD” (fls. 06), além de mencionar os valores dos acréscimos legais a título de Juros e Multa, com a correspondente fundamentação legal. Assim, entendo que não há que se falar em prejuízo ao exercício da ampla defesa, pois os valores lançados, com base em documento de confissão de dívida, estão devidamente demonstrados, sendo que o “Discriminativo Analítico de Débito – DAD” (fls. 08), indica por competência o quanto foi apurado, os recolhimentos considerados, e a diferença existente entre os valores recolhidos e os efetivamente devidos. Constatado que não foi procedido o recolhimento das contribuições devidas, e considerando as disposições legais que atribuem prerrogativa de arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas na Legislação Previdenciária, e à fiscalização a obrigação legal de verificar se as contribuições devidas estão sendo realizadas em conformidade com o ali estabelecido, não pode o agente fiscal se furtar ao cumprimento do legalmente estabelecido, sob pena de responsabilidade, de conformidade com o art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Como bem assentado pela decisão de piso, a NFLD em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conorme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da Fl. 212DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 213 10 obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado de relatório discriminativo das parcelas mensais, tudo conforme a legislçaão. Dessa forma, não procede o argumento de que a fiscalização não demonstrou a origem da infração e a existência do débito, já que os valores devidos à Previdência Social foram confessados pela própria recorrente por meio de instrumento próprio, ou seja, GFIP, e a diferença apurada no abatimento GFIP x GPS ensejou a lavratura da NFLD em tela. A recorrente não se desincumbiu do ônus de elidir o lançamento tributário em epígrafe, não logrando acostar aos autos qualquer indício de prova material idônea e apta a desconstituir o presente crédito tributário que, ao meu ver, está perfeitamente hígido. 4. Mérito. 4.1. Da aplicação da taxa SELIC para o cálculo de contribuições previdenciárias. Prossegue a recorrente, alegando que a aplicação da Taxa SELIC seria inconstitucional, e, ainda, acabaria por penalizar duplamente o contribuinte, sendo certo que só poderia ter sido instituída mediante a edição de Lei Complementar, jamais de Lei Ordinária. Inclusive, a atualização pela SELIC, no seu entendimento, seria contrária ao artigo 163 da Constituição, seja porque sua aplicação equivaleria ao estabelecimento de sanção iníqua, o que também feriria o dispositivo da Constituição, artigo 5°, inciso XLVIII. Inicialmente, oportuno observar que já está sumulado o entendimento segundo o qual falece competência a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tratase, ainda, de mandamento previsto no art. 26A, do Decreto n° 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 213DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 214 11 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A proibição consta, ainda, no art. 62, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 343/2015, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e Fl. 214DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 215 12 e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Temse, pois, que não é da competência funcional do órgão julgador administrativo a apreciação de alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, outorgada pela própria Constituição Federal, falecendo competência a esta autoridade julgadora, salvo nas hipóteses expressamente excepcionadas no parágrafo primeiro do art. 62 do Anexo II, do RICARF, bem como no art. 26A, do Decreto n° 70.235/72, não sendo essa a situação em questão. Portanto, não assiste razão ao contribuinte. Cumpre lembrar, ainda, que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados está prevista no art. 34, da Lei n° 8.212/91, sendo que sua incidência sobre débitos tributários já foi pacificada, conforme Súmula n° 04, do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, sobre a utilização da SELIC no cálculo dos juros de mora, o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça, sob o rito da repercussão geral (art. 543B do CPC) e dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), já pacificaram o entendimento no sentido da constitucionalidade e da legalidade da aplicação da Taxa Selic aos débitos tributários (STF, Tribunal Pleno, RE 582.461/SP, Rel. Min. GILMAR MENDES, DJ de 18/05/2011 e STJ, Primeira Seção, REsp 879.844/MG, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 25/11/2009). E, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, a interpretação adotada deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 215DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 216 13 infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Por essas razões, afasto a pretensão recursal a respeito da impossibilidade de aplicação da Taxa SELIC para o cálculo das contribuições previdenciárias recolhidas fora do prazo. 4.2. Retroatividade benéfica em matéria de penalidade (art. 106, II, “c”, do CTN). Tendo em vista que o Recurso Voluntário (fls. 78/81), foi protocolizado em setembro de 2003, e a multa fora aplicada em observância ao art. 35, II e III, da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.876/99, entendo que deva ser reconhecido, de ofício, e por força do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, o recálculo da multa de mora aplicada, com base na redação do art. 35 da Lei n° 8.212/99 dada pela Lei n° 11.941/09 c/c art. 61 da Lei n° 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. É ver os dispositivos supracitados, na redação anterior e na redação atualmente vigente: LEI N° 8.212/99 COM REDAÇÃO ANTERIOR À LEI N° 11.941/09 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 216DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 217 14 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito Fl. 217DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 218 15 não foi objeto de parcelamento (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (grifo nosso) LEI N° 8.212/99 COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 11.941/09 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (grifo nosso) LEI N° 9.430/96 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (grifo nosso) Esclareço que na legislação anterior inexistia a multa de ofício, em decorrência do lançamento de ofício, existindo tão somente a multa de mora, em decorrência no atraso do recolhimento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. A punição do art. 35 da referida lei apenas se relacionava com demora no pagamento, sendo mensurada de acordo com o momento em que houvesse o recolhimento. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 219 16 Com o advento da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, os §§ 1° a 4° do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foram revogados, tendo sido dada nova redação ao caput do art. 35, que limitou a multa de mora ao patamar de 20% (vinte por cento), ante a exigência de se aplicarem as disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, entendo que a comparação da multa de mora com a multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91 c/c art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 não se sustenta, eis que o dispositivo trata de multa de ofício, que não existia na legislação à época do lançamento. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma razão de existir, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Assim, se a mora era punida com multa moratória, com a alteração da legislação só é possível a aplicação da nova multa moratória, prevista no caput do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, independentemente se o contribuinte declarou o débito em GFIP ou não. Esse entendimento possui eco, ainda, na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que, em diversas oportunidades, decidiu pela aplicabilidade do limite de 20% (vinte por cento) previsto no art. 35 da Lei n° 8.212/91 c/c as disposições do art. 61 da Lei n° 9.430/96, em obediência ao art. 106, II, do CTN: RECURSO ESPECIAL Nº 1.689.832 SP (2017/01922940) RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES RECORRENTE : MACK COLOR ETIQUETAS ADESIVAS LTDA ADVOGADO : LUIZ GUILHERME GOMES PRIMOS SP118747 RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO N. 2/STJ. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. NORMA TRIBUTÁRIA SUPERVENIENTE DE CARÁTER PUNITIVO, PORÉM MAIS BENIGNA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. DECISÃO (...) I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 1973. II In casu, controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212/91 pela Lei n. 11.941/09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430/96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). III Esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212/91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. Precedentes. IV Recurso Especial provido. (REsp 1585929/SP, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2016, DJe 26/04/2016) Diante do exposto, com base no art. 932, V, do CPC/2015 c/c o art. 255, § 4º, III, do RISTJ e a Súmula 568/STJ, dou provimento ao recurso especial, nos termos da fundamentação. Publiquese. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 220 17 Intimemse. Brasília (DF), 1º de fevereiro de 2018. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES Relator (STJ REsp: 1689832 SP 2017/01922940, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Publicação: DJ 06/02/2018) RECURSO ESPECIAL Nº 1.473.004 PR (2014/01957156) RELATOR : MINISTRO OG FERNANDES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL PR000000O RECORRIDO : LATICINIOS CAMPO MOURÃO LTDA ME ADVOGADO : JOAQUIM QUIRINO MENDES PR034184 DECISÃO Vistos, etc. (...) No que diz respeito à aplicação retroativa da legislação tributária mais benéfica, melhor sorte não socorre a Fazenda Nacional, pois o art. 35A da Lei n. 8.212/1991, prevendo nova sistemática de aplicação de multas, tem origem na Lei n. 11.941/2009. Desse modo, aplicase a legislação vigente na época em que os fatos geradores ocorreram, nos termos do art. 144, bem como a penalidade mais benéfica em relação a atos não definitivamente julgados, conforme orientação normativa constante do art. 106, II, c, todos do CTN: Art. 106. A lei aplica se a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. [...] Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. (...) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. REDUÇÃO DA MULTA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 128, 460, 512 E 515 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES STJ. 1. É pacífico o entendimento desta Corte no sentido de que, tratandose de execução não definitivamente julgada, aplicase o disposto no art. 106 do CTN, que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfico ao contribuinte mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. 2. Não configura julgamento extra petita a redução de multa, de ofício, com base em lei mais benéfica ao contribuinte, em processo no qual se discute a nulidade do débito fiscal. Precedentes do STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (AgRg no Ag 1.026.499/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/8/2009, DJe 31/8/2009). Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, do CPC/2015, c/c o art. 255, § 4º, II, do RISTJ e a Súmula 568/STJ, nego provimento ao recurso especial. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 18 de outubro de 2017. Ministro Og Fernandes Relator (STJ REsp: 1473004 PR 2014/01957156, Relator: Ministro OG FERNANDES, Data de Publicação: DJ 20/10/2017) Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 221 18 RECURSO ESPECIAL Nº 1.686.484 SP (2017/01782875) RELATORA: MINISTRA REGINA HELENA COSTA RECORRENTE : BRASMANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ADVOGADO : JOSÉ RAIMUNDO DE ARAÚJO DINIZ SP060608 RECORRIDO : FAZENDA NACIONAL INTERES. : RICAHRD CHENG TSU FU INTERES. : KUN TU LEE INTERES. : HSIEH HSIEN LIANG DECISÃO Vistos. (...) O art. 35A da Lei n. 8.212/91, prevendo nova sistemática de aplicação de multas, tem origem na Lei n. 11.941/09. Desse modo, considerando que os fatos são pretéritos a 2009, aplicase a legislação vigente à época em que os fatos geradores ocorreram, nos termos do art. 144, bem como a penalidade mais benéfica em relação a atos não definitivamente julgados, conforme orientação normativa constante do art. 106, II, 'c', todos do CTN (REsp 1452527/RS, Rel. Min. Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 07/05/2015, DJe 10/06/2015). 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 941.577/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe 25/10/2016) Isto posto, com fundamento no art. 557, § 1ºA, do Código de Processo Civil, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial, para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). Publiquese. Intimese. Brasília (DF), 09 de outubro de 2017. MINISTRA REGINA HELENA COSTA Relatora (STJ REsp: 1686484 SP 2017/01782875, Relator: Ministra REGINA HELENA COSTA, Data de Publicação: DJ 18/10/2017) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PREMISSA EQUIVOCADA. SÚMULA 284/STF. INAPLICABILIDADE. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA. REDUÇÃO PARA 20%. ART. 35 DA LEI N. 8.212/91 E ART. 106, II, C, DO CTN. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. PRECEDENTES. HONORÁRIOS. CABIMENTO. 1. Tratandose de ato não definitivamente julgado, aplicase a lei mais benéfica ao contribuinte, para redução de multa, conforme dispõe o art. 106, inciso II, alínea c, do CTN. 2. O art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela Lei n. 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa seguir o patamar de 20% que, sendo mais propícia ao contribuinte, deve ser a ele aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. 3. Precedentes: AgRg no AREsp 185.324/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 27.8.2012; AgRg no REsp 1216186/RS, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16/5/2011; REsp 1117701/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 19/10/2009. 4. O art. 35 da Lei n. 8.212/91, com a redação anterior à Lei n. 11.940/09, não distingue a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), hipótese prevista tão somente com o advento da Lei n. 11.940/09, que introduziu o art. 35A à Lei de Custeio da Seguridade Social, restringindo sua incidência aos casos ocorridos após sua vigência, sob pena de retroação. 5. É firme o entendimento no sentido de que a procedência do incidente de exceção de pré Fl. 221DF CARF MF Processo nº 16227.000010/200977 Acórdão n.º 2401005.667 S2C4T1 Fl. 222 19 executividade, ainda que resulte apenas na extinção parcial da execução fiscal ou redução de seu valor, acarreta a condenação na verba honorária. Precedentes. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos. (STJ EDcl no AgRg no REsp: 1275297 SC 2011/02091671, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 03/12/2013, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 10/12/2013) Ante o exposto, voto no sentido de determinar, de ofício, o recálculo da multa de mora aplicada, com base na redação do art. 35 da Lei n° 8.212/99 dada pela Lei n° 11.941/09 c/c art. 61 da Lei n° 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para determinar, de ofício, o recálculo da multa de mora aplicada, com base na redação do art. 35 da Lei n° 8.212/99 dada pela Lei n° 11.941/09 c/c art. 61 da Lei n° 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Redator Designado Divirjo tão somente por considerar que, em face do disposto no art. 57 da Lei n° 11.941, de 2009, a apreciação do cabimento ou não de aplicação de penalidade mais benéfica deve observar a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14, de 2009, e ser realizada apenas no momento do pagamento, do parcelamento ou do ajuizamento da execução. Logo, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.001298/2005-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1992 a 31/05/1995
INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA.
O direito de o contribuinte pleitear indébitos decorrentes de pagamentos indevidos e/ou a maior de tributo sujeito a lançamento por homologação, inclusive contribuição social, cujo pedido foi protocolado até a data de 8 de junho de 2005, prescreve em 10 (dez) anos contados dos respectivos fatos geradores; assim, ocorreu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 31/05/2005, incorrendo para os demais.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1995 a 31/08/1997
BASE DE CÁLCULO. COMERCIAL IMPORTADORA.
A base de cálculo da contribuição devida pelas empresas comerciais importadoras e exportadoras é o faturamento mensal, assim entendido, o total de suas receitas operacionais decorrentes da revenda de mercadorias importadas no mercado interno e da prestação de serviços de intermediação na importação por conta e ordem de terceiros.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO. CERTEZA/LIQUIDEZ. PROVAS.
A certeza e liquidez de crédito financeiro decorrente de pagamentos indevidos e/ ou a maior, objeto de pedido de restituição, devem ser provadas pelo requerente, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis que deram origem ao indébito pleiteado.
Numero da decisão: 9303-007.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, e Jorge Olmiro Lock Freire, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1992 a 31/05/1995 INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. O direito de o contribuinte pleitear indébitos decorrentes de pagamentos indevidos e/ou a maior de tributo sujeito a lançamento por homologação, inclusive contribuição social, cujo pedido foi protocolado até a data de 8 de junho de 2005, prescreve em 10 (dez) anos contados dos respectivos fatos geradores; assim, ocorreu a decadência para os fatos geradores ocorridos até 31/05/2005, incorrendo para os demais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1995 a 31/08/1997 BASE DE CÁLCULO. COMERCIAL IMPORTADORA. A base de cálculo da contribuição devida pelas empresas comerciais importadoras e exportadoras é o faturamento mensal, assim entendido, o total de suas receitas operacionais decorrentes da revenda de mercadorias importadas no mercado interno e da prestação de serviços de intermediação na importação por conta e ordem de terceiros. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO. CERTEZA/LIQUIDEZ. PROVAS. A certeza e liquidez de crédito financeiro decorrente de pagamentos indevidos e/ ou a maior, objeto de pedido de restituição, devem ser provadas pelo requerente, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis que deram origem ao indébito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 12 98 /2 00 5- 77 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 11543.001298/200577 Acórdão n.º 9303007.045 CSRFT3 Fl. 514 2 Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, e Jorge Olmiro Lock Freire, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado tempestivamente pelo contribuinte contra o acórdão nº 3403002.020, de 23/04/2013, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. nos termos da seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1992 a 31/08/1997 BASE DE CÁLCULO. EMPRESA IMPORTADORA FUNDAPIANA. Antes de agosto de 2001 não existia regra diferenciada de incidência do PIS e da Cofins para as empresas importadoras, nas operações de importação por conta e ordem de terceiros. Recurso Voluntário Negado" Inconformado com essa decisão, o contribuinte interpôs embargos de declaração, alegando omissões. Contudo, analisados os embargos, estes foram rejeitados pelo Presidente da 4ª Câmara, nos termos do despacho Admissibilidade de Embargos de Declaração às fls. 432e/436e. Ainda irresignado, apresentou Recurso Especial, requerendo a reforma do acórdão recorrido a fim de que seja deferido seu pedido de restituição, alegando, em síntese, que realizou importações por conta e ordem de terceiros, e, equivocadamente, calculou e recolheu a contribuição para o PIS sobre os valores das mercadorias importadas e repassadas para os seus clientes, quando, de fato, deveria ter calculado e recolhido sobre as receitas de prestação dos serviços da intermediação. Sustentou ainda que, antes do advento da MP nº 2.15835/2001, art. 81, a base de cálculo da contribuição era a receita auferida com a intermediação e não das mercadorias importadas. Esse também é o entendimento esposado no Parecer PGFN nº 1.316/2001 e na Nota Cosit nº 163/2001. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 11543.001298/200577 Acórdão n.º 9303007.045 CSRFT3 Fl. 515 3 Por meio do despacho às fls. 483e/486e, o Presidente da Quarta Câmara deu seguimento ao recurso especial do contribuinte. Intimado do recurso especial do contribuinte e do despacho de sua admissibilidade, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão recorrido, sob o argumento de que, ao contrário do alegado por ele, de fato, em relação às receitas tributadas, não houve prestação de serviços de intermediação e sim a importação e revenda de mercadorias para terceiros, conforme demonstrado na decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Inicialmente, ressalto que a análise e manifestação sobre as alegações, quanto à MP nº 2.15838/2001, ficaram prejudicadas, pelo fato de que, no período de apuração dos indébitos reclamados (setembro/1992 a agosto/1997), esse diploma legal não existia. Remanesce todavia a análise, em relação aos indébitos reclamados, decorrentes dos recolhimentos correspondentes aos fatos geradores ocorridos a partir de 30/06/1995 até 31/08/1997. No entanto, conforme será demonstrado a seguir, tantos os indébitos atingidos pela prescrição como os não atingidos são incertos e ilíquidos. Ao contrário do entendimento do contribuinte, os valores recolhidos por ele, a titulo de PIS, eram devidos e não constituem indébitos. A legislação tributária que trata da contribuição para o PIS, vigente no período, objeto do pedido de restituição, assim dispunha: Lei Complementar (LC) nº 7, de 1970: "Art. 1.º É instituído, na forma prevista nesta Lei, o Programa de Integração Social, destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento das empresas. § 1º Para os fins desta Lei, entendese por empresa a pessoa jurídica, nos termos da legislação do Imposto de Renda, e por empregado todo aquele assim definido pela Legislação Trabalhista. (...). Art. 2º O Programa de que trata o artigo anterior será executado mediante Fundo de Participação, constituído por depósitos efetuados pelas empresas na Caixa Econômica Federal. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 11543.001298/200577 Acórdão n.º 9303007.045 CSRFT3 Fl. 516 4 (...). Art. 3º O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: (...). b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue: (...)." Lei nº 9.718, de 1998: "Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (...); IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...)." De acordo com todos esses diplomas legais, a base de cálculo da contribuição para o PIS cumulativo é o faturamento mensal da pessoa jurídica, inclusive de comercial importadora, assim entendido o total de suas receitas operacionais decorrentes da venda/revenda de mercadorias importadas e da prestação de serviços. O contribuinte alega que os valores das importações efetuadas por conta e ordem de terceiros não integram seu faturamento e, consequentemente, a base de cálculo do Fl. 516DF CARF MF Processo nº 11543.001298/200577 Acórdão n.º 9303007.045 CSRFT3 Fl. 517 5 PIS cumulativo. Assim, a contribuição calculada e paga sobre tais valores foi indevida, constituindo indébito passível de repetição. Nos pedidos de restituição de indébitos tributários o ônus de provar a certeza e liquidez dos valores reclamados é do requerente. No presente caso, o contribuinte, em momento algum, demonstrou e provou, mediante demonstrativos, documentos fiscais (notas fiscais e livros de Registro de Entradas de Mercadorias, de Registro de Saídas de Mercadorias e de Apuração do ICMS) e contábeis (Razão e/ ou Diário) que os valores das contribuições pagas e reclamadas como indébitos foram apurados sobre os valores de mercadorias importadas por conta e ordem de terceiros. Em todas as fases de seus recursos, as provas apresentadas se limitaram às planilhas às fls. 21e/24e, às cópias dos DARF às fls. 25e/119e, da nota fiscal de entrada de mercadoria nº 017705 às fls. 198e, da nota fiscal de venda de mercadoria às fls. 200e. As planilhas e as cópias dos DARF desacompanhadas dos documentos fiscais e contábeis que lhes deram origem não comprovam os indébitos alegados e pleiteados. Já as cópias das notas fiscais fazem provas contra o contribuinte. A nota fiscal de entrada registra e comprova a compra de mercadoria para comercialização, ou seja, para revenda, sendo que a nota fiscal de venda comprova a venda de mercadoria adquirida com esse fim. Nenhuma nota fiscal de prestação de serviço, ou seja, de intermediação na importação de mercadorias por conta e ordem de terceiros, foi apresentada. Além disto, o extrato "CONSULTA DECLARAÇÕES IRPJ" às fls. 203e, do exercício de 1996, registra Receitas da Revenda de Mercadorias, no valor de R$1.137.024.374,91 (um bilhão cento e trinta e sete milhões vinte e quatro mil trezentos e setenta e quatro reais e noventa e um centavos), para o ano calendário de 1995, e de R$0,00 (zero reais) de prestação de serviços. Contudo, o contribuinte pleiteou indébitos para aquele ano calendário, no valor de R$7.273.689,13 (sete milhões duzentos e setenta e três mil seiscentos e oitenta e nove reais e treze centavos). Ora, se não houve receitas de prestação de serviços, para aquele ano calendário, os valores recolhidos foram apurados somente sobre receitas de revendas de mercadorias. Somente estes fatos são suficientes para comprovar que no ano calendário de 1995 não houve pagamentos a maior e/ ou indevidos, tendo em vista que foram apurados sobre as receitas de revenda de mercada, nos termos dos diplomas legais citados e transcritos anteriormente, LC nº 7, de 1970, e Lei nº 9.718, de 1998. Caberia ao contribuinte ter apresentado demonstrativo do cálculo das contribuições pagas a maior e/ ou indevidamente e o demonstrativo das contribuições devidas sobre as receitas de prestação de serviços de intermediação de importações de mercadorias por conta e ordem de terceiros, acompanhados dos respectivos documentos fiscais e contábeis e, principalmente, dos livros fiscais citados anteriormente, comprovando os indébitos reclamados e suas certezas e liquidezes. Contudo, nada disto foi apresentado. Com relação a provas, a Lei nº 13.105, de 16/3/2015 (Novo Código de Processo Civil), assim dispõe: “Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; [...].” Fl. 517DF CARF MF Processo nº 11543.001298/200577 Acórdão n.º 9303007.045 CSRFT3 Fl. 518 6 Também, a Lei nº 9.784, de 29/1/1999, que regulamenta o processo administrativo, determina: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Assim, demonstrado que, na data de protocolo do pedido de restituição, o direito de o contribuinte pleitear os indébitos decorrentes dos fatos geradores ocorridos mensalmente, a partir de 31/09/1995 ate 31/05/1995, encontravase prescrito pelo decurso do prazo de 10 (dez) anos contados das datas dos respectivos fatos geradores, e para os demais fatos geradores, 31/06/1998 a 31/08/1997, a certeza e liquidez dos valores pleiteados não foram demonstradas e comprovadas, mediante documentos fiscais e contábeis, não há que se falar em indébitos tributos e muito menos repetição de valores. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 518DF CARF MF Processo nº 11543.001298/200577 Acórdão n.º 9303007.045 CSRFT3 Fl. 519 7 Fl. 519DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000370/2008-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.102
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/07/2004 a 30/09/2004 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 70 /2 00 8- 67 Fl. 548DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3403002.005, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo não reconheceu o direito de aproveitamento de créditos da contribuição sobre despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. A Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. No primeiro exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho de admissibilidade do então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo, também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso à primeira instância, tudo nos termos do despacho do Presidente da Terceira Turma da CSRF, que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte, que foram admitidas e serão objeto de análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa e à apresentação de provas após o recurso à primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.070, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 11080.002375/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 5 4 consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifesta se para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob Fl. 551DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 6 5 dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não Fl. 552DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 7 6 sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. [...] Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto Fl. 553DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 8 7 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 554DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 9 8 de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para Fl. 555DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 10 9 tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 556DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 11 10 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: Fl. 557DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 12 11 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazenálos por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que Fl. 558DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 13 12 o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Fl. 559DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 14 13 Recurso Especial do Contribuinte negado Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa." Fl. 560DF CARF MF Processo nº 11686.000370/200867 Acórdão n.º 9303007.102 CSRFT3 Fl. 15 14 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido em parte e, na parte conhecida, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 561DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002044/2004-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2002, 01/10/2002 a 31/03/2004
IMUNIDADE. ART. 195, §7° DA CF/88. ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. FEDERAÇÃO ESPORTIVA DE FUTEBOL. IMPOSSIBILIDADE.
A assistência social se volta a auxílio de necessitados, é amparo estatal ou privado de natureza humanitária aos reconhecidamente carentes, garantia da dignidade da pessoa humana em seus aspectos sociais. Entretanto, as finalidades institucionais de Federação Esportiva (art. 217, CF /88), embora de elevado interesse social, não são equiparáveis às instituições de assistência social, eis que ausentes os traços axiológicos da assistência social prescritos nos art. 6° e 203, CF/88.
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL.
Entende-se por faturamento, para fins de construção da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. As receitas financeiras e ganho de capital não compõem o faturamento de Federação Esportiva.
ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. ISENÇÃO. ART. 14, X, DA MP N° 2.158-35/01. RECEITAS CONTRAPRESTACIONAIS. FEDERAÇÕES ESPORTIVAS.
A isenção prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001 atinge as receitas relativas às atividades finalísticas da Federação Esportiva, inclusive, as de caráter contraprestacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-004.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ART. 195, §7° DA CF/88. ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. FEDERAÇÃO ESPORTIVA DE FUTEBOL. IMPOSSIBILIDADE. A assistência social se volta a auxílio de necessitados, é amparo estatal ou privado de natureza humanitária aos reconhecidamente carentes, garantia da dignidade da pessoa humana em seus aspectos sociais. Entretanto, as finalidades institucionais de Federação Esportiva (art. 217, CF /88), embora de elevado interesse social, não são equiparáveis às instituições de assistência social, eis que ausentes os traços axiológicos da assistência social prescritos nos art. 6° e 203, CF/88. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de construção da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. As receitas financeiras e ganho de capital não compõem o faturamento de Federação Esportiva. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. ISENÇÃO. ART. 14, X, DA MP N° 2.15835/01. RECEITAS CONTRAPRESTACIONAIS. FEDERAÇÕES ESPORTIVAS. A isenção prevista no art. 14, X, da Medida Provisória n° 2.15835/2001 atinge as receitas relativas às atividades finalísticas da Federação Esportiva, inclusive, as de caráter contraprestacional. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 44 /2 00 4- 34 Fl. 315DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 316 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Auto de Infração, de efls. 65 a 75, lavrado contra o contribuinte em epígrafe, em decorrência da diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da COFINS, no total de R$1.126.549,59, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 01/2001 a 06/2002 e 10/2002 a 03/2004, incluídos principal, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/08/2004. Na descrição dos fatos do Auto de Infração, efl. 73, consta que, durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas, nos períodos de apuração de jan./01 a mar./04 (exceto nos períodos de jul./02 a set./02), divergências entre o valor da COFINS devido e o valor escriturado, declarado e/ou pago, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal e seu anexo. A motivação da autuação está descrita no Termo de Verificação Fiscal, efls. 61/64, nesses termos: a) A Entidade é pessoa jurídica sem fins lucrativos (art. 2° do Estatuto Social) que, em que pese a suspensão do benefício fiscal da isenção, para os anos 1997 a 2000, goza, no presente momento, "ex lege", dos benefícios da isenção fiscal previstos pela Lei 9.532/97, no que respeita aos anoscalendário 2001 a 2004. b) O disposto no inciso X, do art. 14, da MP 2.15835/01, estabelece isenção para as entidades referidas no art. 13 (do mesmo diploma legal), referidos a seguir: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, al/quota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; Fl. 316DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 317 3 (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 0 de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas ás atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. c) O parágrafo 2° do art. 47, da Instrução Normativa 247/02, definiu o que se entende por "receitas derivadas das atividades próprias" das associações sem fins lucrativos: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 90 desta Instrução Normativa: II são isentas da Cofins em relação cis receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) §2° Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (grifado) Art. 9°. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades: (...) IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei no 9,532, de 1997; (grifado) d) Dessa forma, excluídas as receitas próprias, as demais receitas estão fora do campo de isenção legal, e são, portanto, tributáveis. e) No exame dos balancetes mensais apresentados pelo Contribuinte, relativos à movimentação contábil de jan./01 a mar./04, foram identificadas como tributáveis as receitas constantes das seguintes contas do Razão: f) No período abrangido pelas Verificações Obrigatórias (jan./01 a mar./04), constatouse que foram informados em DCTF valores de COFINS para os períodos de apuração de jul. a set./02 (DCTF do 3° trimestre/02); como esses valores, a serem deduzidos na apuração da COFINS, excedem aos valores devidos, não haverá lançamento de ofício de COFINS para os períodos de apuração de jul./02 a set./02. 9) No período abrangido pelas Verificações Obrigatórias (jan./01 a mar./04), não foram encontrados recolhimentos, na pesquisa feita no sistema SINAL 08, para o código 2172; Fl. 317DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 318 4 Considerados os critérios e dados acima descritos, elaborouse planilha anexa, denominada DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA BASE DE CALCULO DA COFINS VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS, na qual se apuraram os valores a tributar da COFINS. Em impugnação, a Entidade alegou: 1) não prospera o procedimento fiscal lavrado contra a Entidade, relativo aos anos de 2001 a 2004, por encontrarse ela ao abrigo da imunidade do art. 195, § 7°, da Constituição Federal e Lei Complementar 70/91, art. 6°, III; 2) deve ser observado que o preceptivo do artigo 217 da Constituição erige a prática de esportes como um direito da pessoa, por isso, o desporto encontrase inserido na Carta Magna, no Título VIII "Da Ordem Social"; 3) ad argumentandum tantum, ainda que a Entidade não estivesse amparada pela imunidade, não poderia ser tributada em relação aos valores das contas 46120 (receitas financeiras) e 46510 (receitas diversas), por se tratarem de receitas derivadas das atividades próprias da Entidade, sendo, portanto, parcelas isentas; 4) as "receitas financeiras" decorrem de empréstimos a clubes filiados, taxa de administração (com base no Estatuto), descontos obtidos, bem como aplicações financeiras propriamente ditas, sendo que, assistir e socorrer os clubes filiados está dentro das finalidades sociais da Federação; 5) as "receitas diversas" referemse à taxa de inspeções e vistorias de estádios e reembolso de seguro, cujas atividades e cobrança estão em sintonia com as finalidades da Entidade e autorizadas pelo seu Estatuto; 6) é ilegal e inconstitucional a utilização da taxa Selic como juros moratórios. A 4ª Turma da DRJ/RJOII, negou provimento à impugnação, acórdão n° 13 19.085, com decisão assim ementada: IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NÃOAPLICAÇÃO. Pelas atividades desempenhadas, as federações esportivas, ainda que sem fins lucrativos, não se confundem com as entidades beneficentes de assistência social, não se lhes aplicando o benefício constitucional a essas restrito. RECEITAS DE ATIVIDADES DE NATUREZA ECONÔMICO FINANCEIRA. FEDERAÇÕES ESPORTIVAS. INCIDÊNCIA. A isenção prevista na Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, atinge tãosomente as receitas relativas as atividades próprias, não incluindo as receitas de atividades de natureza econômico financeira auferidas pelas federações esportivas. Em seu recurso voluntário, a Entidade reitera os fundamentos de sua impugnação; declara que é imune e que todas as suas receitas se subsumem à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 319 5 É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário atende aos pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Imunidade tributária das entidades de assistência social Entende a Recorrente que se enquadra no conceito de entidade de “assistência social”, por isso está sujeita à imunidade tributária do art. 195, §7° da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A assistência social tem como fundamento os art. 6° e 203 da CF/88: Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II o amparo às crianças e adolescentes carentes; III a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V a garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de têla provida por sua família, conforme dispuser a lei. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 320 6 Registrese que, nos termos do disposto no art. 3° da Lei nº 8.742/93, consideramse entidades e organizações de assistência social aquelas que prestam, sem fins lucrativos, atendimento e assessoramento aos beneficiários, conforme o art. 203, da CF/88. Observese os art. 1° e 2° do Estatuto da Federação Paulista de Futebol, que dispõem sobre suas finalidades desportivas: Art. 1º. A Federação Paulista de Futebol (FPF), doravante denominada, simplesmente, Federação, fundada em 11 de fevereiro de 1935, com sede e foro na Capital do Estado de São Paulo, é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, de finalidades desportivas, com personalidade jurídica e patrimônio próprios, gozando, nos termos do artigo 217, inciso I, da Constituição Federal, de autonomia administrativa, quanto à sua organização e funcionamento, e se rege pelas normas legais no País e adotando as regras desportivas fixadas pela FIFA e pela CBF. Art. 2º. A Federação, que funcionará por tempo indeterminado e exercerá as suas atividades segundo o disposto neste Estatuto e leis acessórias, tem por fim: a) dirigir o futebol no Estado de São Paulo, incentivando a sua difusão e aperfeiçoamento; b) promover a realização de campeonatos, torneios e competições de futebol; c) incrementar a cultura física, intelectual, moral e cívica dos desportistas, especialmente da juventude; d) contribuir para o progresso material e técnico das associações filiadas, que constituem a base da organização desportiva nacional. Sem dúvida a sua finalidade se coaduna com o prescrito pelo art. 217 da CF/88: Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e nãoformais, como direito de cada um, observados: I a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento; II a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento; III o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não profissional; IV a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional. Dispõe a Lei n° 9.615/1.998, que institui as normas gerais sobre desporto, em seu art. 4º, § 2º que: Fl. 320DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 321 7 § 2° A organização desportiva do País, fundada na liberdade de associação, integra o patrimônio cultural brasileiro e é considerada de elevado interesse social, inclusive para os fins do disposto nos incisos I e III do art. 5° da Lei Complementar n. 75, de 20 de maio de 1993. Como visto acima, a assistência social se volta ao auxílio de necessitados, é amparo estatal ou privado de natureza humanitária aos reconhecidamente carentes, que não se confunde com a concessão de benefício previdenciário. A assistência social é garantia da dignidade da pessoa em seus aspectos sociais. Por sua vez, as finalidades institucionais da Federação Paulista de Futebol são de elevado interesse social, contudo não são equiparáveis às instituições de assistência social, eis que ausentes os traços axiológicos da assistência social prescritos no supracitado art. 203 da CF/88. Por essa razão, deve ser indeferido o seu pleito de reconhecimento de imunidade para fins de cancelamento do referido auto de infração. Por fim, restam prejudicados seus argumentos de cumprimento dos art. 9° e 14 do CTN, uma vez que não se está diante de entidade imune. Nulidade do auto de infração por violação ao disposto no art. 32 da Lei n° 9.430/96 Sustenta a Recorrente a nulidade de todo o procedimento fiscal, em virtude da inobservância do art. 32 da Lei n° 9.430/96, que dispõe sobre o procedimento de “suspensão da imunidade e da isenção”: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 322 8 § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 10. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicamse, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência. (...) Entendo não haver nulidade, porquanto a acusação fiscal teve como base a glosa de isenção das receitas em virtude do caráter contraprestacional, que escaparam da definição adotada pela fiscalização de “receita própria”, para fins do benefício fiscal do art. 14, X, da MP n° 215835/2001. Não houve a desconsideração do caráter não lucrativo e da isenção das demais receitas da Recorrente. Portanto, afasto tal alegação, por considerar não estar o procedimento fiscal eivado de nulidade. Natureza das contas contábeis autuadas 46510, 46120 e 46520 Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu a fiscalização e o voto condutor da DRJ que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem como mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. Foi aplicado o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Fl. 322DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 323 9 Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Por outro lado, a fiscalização também atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as demais receitas da Recorrente, excetuadas aquelas consideradas como “receitas próprias”, conforme o conceito da Instrução Normativa supracitada. Diante disso, foram tributadas pela COFINS, as receitas das contas contábeis n° 46510, 46120 e 46520. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997. Na interpretação do conceito de “receitas próprias”, o STJ, no julgamento do REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, na sistemática de recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, entendeu que a receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835/2001, alcança as receitas Fl. 323DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 324 10 obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, ou seja, as mensalidades. Quer isso significar que o parágrafo §2º do art. 47 da IN 247/2002 ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01, ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. Vejase o teor do julgado: REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.158 35/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 325 11 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Entendo que tal raciocínio se aplica ao presente caso, porquanto na conta contábil n° 46.510 “RECEITAS DIVERSAS”, constam escrituradas receitas de contraprestação entre a Federação e os Clubes, conta contábil que comporta a recuperação de despesas e as inspeções e vistorias de estádios, ou seja, despesas administrativas relacionadas aos serviços prestados pela Federação, conforme a tabela de taxas administrativas e tabela de “reembolso de despesas administrativas” (disciplinados pelos atos normativos da Presidência, Resolução e Circular, efls. 179190). Ademais, no Estatuto da Federação Paulista de Futebol, art. 73, são listadas as receitas estatutárias abaixo: Art. 72 Constituem receitas da FEDERAÇÃO: a) emolumentos de filiação e permanência, ou de inscrição de contratos de atletas profissionais, transferências de atletas, licença pra competições internacionais, despesas de comunicação e outros, inclusive os relativos a processos de recursos; b) reembolso de gastos efetuados no interesse de associação na cessão e transferência de contrato de atleta profissional; c) emolumentos pela prestação de serviços, nos processos de transferência internacional de atleta profissional; d) multas e indenizações; e) anuidades; f) rendas provenientes da locação de bens móveis ou imóveis; g) auxílios, subvenções ou doações não sujeitas a encargos; h) arrecadação de percentual incidente sobre a renda bruta das competições, campeonatos ou torneios organizados pela FEDERAÇÃO, na forma disposta no art. 76 e seus Parágrafos, deste Estatuto; i) rendas das partidas realizadas pela seleção paulista de futebol; j) rendas resultantes das aplicações de bens patrimoniais; Fl. 325DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 326 12 k) rendas provenientes de patrocínios e da exploração da denominação da FEDERAÇÃO e de seus símbolos; I) as rendas resultantes de televisionamento, filmagem, internet e qualquer outro meio de transmissão de competições organizadas pela FEDERAÇÃO; m) qualquer renda eventual; n) rendas resultantes de exploração e/ou a prestação de serviços relativos aos direitos de imagem e demais direitos das entidades de prática desportiva, inclusive os direitos de que trata o artigo 42 da Lei 9615/98, que disputarem campeonatos organizados pela FEDERAÇÃO, em âmbito nacional e internacional; o) emolumentos e correção monetária, por serviços prestados às entidades de prática desportiva, quando houver antecipações de receitas. Observase que o Estatuto dispõe que fazem parte da receita da Federação, os reembolsos e taxas cobradas pelas atividade da Federação em prol dos associados. Por conseguinte, entendo que a conta contábil n° 46.510 “RECEITAS DIVERSAS” referese a receitas próprias da Federação, motivo pelo qual deve ser cancelada a autuação. Alargamento da base de cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG – Exclusão da base de cálculo da COFINS das Receitas Financeiras e de Ganho de Capital Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade estatutária restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Fl. 326DF CARF MF Processo nº 19515.002044/200434 Acórdão n.º 3301004.845 S3C3T1 Fl. 327 13 Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Logo, apenas o faturamento decorrente das atividades finalísticas (não se podendo incluir outras receitas) pode ser tributado pela COFINS. Diante disso, considerando que a conta autuada n° 46520 referese a ganhos de capital na venda do imóvel na Av. Brigadeiro Luiz Antonio, deve ser excluída da base de cálculo da COFINS. Outrossim, a conta autuada n° 46120 referese a “RECEITAS FINANCEIRAS”, também deve ser excluída da base de cálculo. Assim, as receitas financeiras e ganho de capital não podem compor a base de cálculo da COFINS. Em suma, a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as contraprestacionais são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, ao passo que a exclusão das receitas financeiras e ganho de capital se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 327DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.726404/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/09/2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.893
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente COTRANS LOCACAO DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/09/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 64 04 /2 01 1- 55 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.726404/201155 Acórdão n.º 3302005.893 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, ressaltando, inicialmente, cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o lançamento não contém de forma clara a descrição do fato e a indicação legal infringida, dificultando o oferecimento de impugnação consistente. Ressalta que trinta dias não é prazo suficiente para tudo analisar e verificar todas as perícias necessárias, para impugnar especificamente cada ponto. Disserta sobre o princípio do contraditório, citando doutrinadores. Realça que houve erro quanto ao enquadramento legal dos fatos, pois foi omitida a determinação da base de cálculo adotada pelo sistema fiscal, em ofensa ao art. 37, caput, da CF e art. 142, parágrafo único, do CTN. Alega transcurso do prazo decadencial entre parte dos fatos geradores do imposto e à formalização da exigência, já que os créditos considerados como rendimentos foram totalmente quitados, sendo que o lançamento somente foi efetivado após as exigências de cobrança, que, segundo esclarece, depois de transcorrido o prazo de lançados a documentação cobrada. Diz que nem sequer a regra decadencial seria a do 173 do CTN, em razão da multa agravada, eis que inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude. Complementa que o simples fato de se tratar de tributação baseada em presunção da falta de cumprimento de uma obrigação acessória é suficiente, de per se, para afastar a acusada existência de dolo. Observa, ainda sobre o tema, da impossibilidade do agravamento da multa de ofício em matéria de omissão na entrega de documentação acessória pautada em presunção legal, discussão já superada no E. 1° Conselho de Contribuintes. Em um último ponto, pondera que se sobre o lançamento deve incidir acréscimos moratórios, calculados à razão da Taxa Selic, não pode prosperar, pois afrontam o art. 161, § 1°, do CTN, e art. 192, § 3°, da Constituição Federal. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06040.031. O contribuinte cientificado do Acórdão de Impugnação ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: ü Da Denúncia Espontânea; ü Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.726404/201155 Acórdão n.º 3302005.893 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.880, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.880): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 26 de abril de 2013, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 21 de maio de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da Denúncia Espontânea; Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Passase à análise. Da Denúncia Espontânea. Sobre o assunto assim se manifestou o Recurso Voluntário (folhas 2 e 3): O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66, ao instituir normas gerais a serem observadas pelo legislador ordinário na elaboração de leis de tributação, estabelece a exclusão da responsabilidade pela prática de infração, na seguinte situação: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.726404/201155 Acórdão n.º 3302005.893 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, o contribuinte que se antecipa à ação do Fisco e denuncia espontaneamente a infração, não pode ser responsabilizado pela prática do ato contrário à legislação, devendo ainda, ser excluída toda e qualquer penalidade a ser imposta a quem desta forma agir. A infração ou ilícito tributário retrata, conforme referido acima, o comportamento humano contrário às prescrições das normas tributárias e, de acordo com o ensinamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, resulta basicamente de: "a) não pagar o tributo previsto em lei ou de fazêlo a destempo ou a menos; b) praticar atos vedados pela lei tributária ou deixar de praticar atos obrigatórios, segundo esta mesma lei"\ O inadimplemento, total ou parcial, da prestação tributária ou o seu adimplemento a destempo ou, ainda, o descumprimento de deveres instrumentais, acarretam, pois, a imposição de sanções de natureza fiscal, que possuem duplo efeito: o intimidativo (psicológico) que visa evitar a violação do direito e; o repressivo, que se verifica após perpetrado o desrespeito à norma tributária. As sanções fiscais multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm, portanto, natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição Plenária, decidiu que "não se distingue mais entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária"2. Demonstrado que as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), é de se afirmar que, qualquer que seja sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.726404/201155 Acórdão n.º 3302005.893 S3C3T2 Fl. 6 5 · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.726404/201155 Acórdão n.º 3302005.893 S3C3T2 Fl. 7 6 prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.726404/201155 Acórdão n.º 3302005.893 S3C3T2 Fl. 8 7 A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.905069/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo da análise dos Pedidos de ressarcimento nº 37194.62373.200112.1.1.080783 e 03098.79974.200112.1.1.097470 referentes à apuração de créditos de PIS e COFINS não cumulativos decorrentes de operações no mercado externo, de que tratam os arts. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 e os arts. 3º e 6º da Lei nº 10.833/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 05 06 9/ 20 12 -6 7 Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 10783.905069/201267 Resolução nº 3301000.765 S3C3T1 Fl. 2.590 2 Foi efetuada análise dos pedidos de ressarcimento e compensação com créditos de PIS e COFINS, em relação ao período de 10/2005 a 12/2008 no processo nº 15586.720027/201206. Foi lavrado o PARECER SEFIS nº 23/2012, cuja ciência ocorreu em 13/03/2012. No curso da fiscalização a interessada apresentou os Pedidos de Ressarcimento nº 37194.62373.200112.1.1.08078.3 no valor de R$ 125.032,74, e nº 03098.79974.200112.1.1.097470, no valor de R$ 761.207,76, referentes ao PIS e COFINS do 2º trimestre de 2008, respectivamente. Os referidos pedidos não foram contemplados e apreciados pelo Parecer nº 23/2012, muito embora tenha sido realizada a apuração do saldo de créditos do 2º trimestre. Com base nestes Demonstrativos, e em todos os elementos de prova carreados no referido processo, restou comprovada a ausência de créditos passiveis de ressarcimento em relação ao 2º trimestre de 2008. Os pedidos de ressarcimento foram indeferidos, por ausência de créditos, e sobre os créditos indevidos foram aplicadas multas isoladas, com base no art. 62 da Lei nº 12.249/2010, por meio do processo nº 15586.720646/201292, que foi apensado a este. Os pedidos de ressarcimento foram indeferidos por meio do PARECER SEFIS Nº 119/2012 e do respectivo Despacho Decisório de folhas 743/747. A interessada foi cientificada em 25/07/2012 e apresentou manifestação de inconformidade ( 754/802), em 23/08/2012, alegando em síntese: conexão com o processo nº 15586.720027/201206 no qual foi analisado o direito creditório, sendo necessário o sobrestamento dos autos até o seu julgamento definitivo; A interessada repete todas as alegações efetuadas no processo nº 15586.720027/201206, quanto às glosas efetuadas e também alega nulidade já que o parecer não se baseou nos valores demonstrados no DACON. Em 27/03/2013 foi apresentada petição (fls. 2.260/2.264) na qual a interessada alega que a DRJ julgou o processo 15586.720027/201206, por meio do acórdão nº 1252.642, procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada. Diante disso, as glosas que não foram mantidas por meio do julgamento citado também não devem ser mantidas no processo em análise. Encerra ratificando todas as demais alegações efetuadas na manifestação de inconformidade. É o relatório." A DRJ no Rio de Janeiro (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 1255.386 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 10783.905069/201267 Resolução nº 3301000.765 S3C3T1 Fl. 2.591 3 Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO ANALISADO EM OUTRO PROCESSO. Deve ser indeferido Pedido de Ressarcimento, cuja ausência de crédito a ser reconhecido foi apurada em outro processo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO ANALISADO EM OUTRO PROCESSO. Deve ser indeferido Pedido de Ressarcimento, cuja ausência de crédito a ser reconhecido foi apurada em outro processo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Inconformado, contribuinte interpôs recurso voluntário, em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Trata o presente processo de indeferimento de Pedidos de Ressarcimento (PER) de créditos de PIS e COFINS do 2° trimestre de 2008, ao qual foram vinculadas Declarações de Compensação (DCOMP) que, por conseguinte, não foram homologadas. A legitimidade dos créditos de PIS e COFINS dos 4° Trimestre de 2005 ao 4° Trimestre de 2008 é discutida nos autos do processo n° 15586.720027/201206, que encontra se nesta pauta para julgamento. Contudo, citado processo foi convertido em diligência, nos seguintes termos (trecho do voto condutor): Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 10783.905069/201267 Resolução nº 3301000.765 S3C3T1 Fl. 2.592 4 "PROPOSTA PARA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Tanto em relação ao presente processo quanto aos indicados nas tabelas anteriormente apresentadas e que se encontram no apenso, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, a recorrente apontou diversas inconsistências entre as planilhas de cálculo da fiscalização e os DACON, notas fiscais de entrada e livros contábeis. E carreou aos autos cópias dos citados documentos. Adicionalmente, alegou que a DRJ, ao recalcular as glosas, em função da decisão que proferiu, teria equivocadamente aumentado os valores das glosas efetuadas pela unidade de origem. Em razão dos grandes volumes de valores e informações, apliquei alguns testes nos valores relativos ao presente processo, cujos resultados apresento a seguir, e que me fizeram trazer para esta turma proposta de conversão do presente julgamento em diligência. Processo objeto da presente contenda créditos de PIS/COFINS do 4° trimestre de 2005 Na fl. 07 do Parecer SEFIS n° 23/2012, consta que a fiscalização foi realizada com base em planilhas fornecidas pela recorrente, contendo as apurações de PIS e COFINS, e nos arquivos magnéticos de notas fiscais de compra e venda. E, com base nas citadas planilhas, a fiscalização elaborou novo demonstrativo de apuração do PIS do 4° trimestre de 2005 (fl. 18.275), em que contemplou as glosas. Contudo, em ambas as peças de defesa, a recorrente relatou que cometeu dois equívocos que terminaram por induzir a fiscalização a erros, a saber: i) Na planilha de apuração do PIS, apôs que o total dos créditos era de R$ 1.163.316,16 m(fl. 18.275). Contudo, no DACON, havia R$ 1.274.881,05 (fls 3 a 23). A diferença monta a R$ 111.564,89. ii) Foram fornecidas para a fiscalização arquivos magnéticos contendo a totalidade das compras e não apenas aquelas que geraram créditos. Com isto, a fiscalização teria efetuado glosas de créditos que, de fato, não haviam sido tomados, no total de R$ 209.441,49. ii a) Apresentou exemplos, com indicação das contas contábeis dos custos e dos correspondentes créditos incluídos no DACON, por meio dos quais demonstra que alguns créditos glosados não foram computados no total dos créditos de PIS. Diante de tais alegações, a DRJ realizou diligência, cujos quesitos foram transcritos no relatório e cuja conclusão final (Termo de Encerramento de Diligência, fls. 18.169 a 18;161), em síntese, foi a de que o Parecer SEFIS n° 23/2012 não merecia reparos. Destaco do relatório de diligência os seguintes aspectos: a) No item 3 (fls. 18.176 e 18.177), o agente fiscal confirma que havia diferenças entre os arquivos de notas fiscais de compra e o DACON. E, por este motivo, adotou a planilha originalmente fornecida pelo contribuinte, em detrimento do DACON. a 1) Concluise que a diferença apontada pela recorrente realmente existe e não foi regularizada pelo trabalho de diligência b) Nos itens 4 (fls. 18.177 e 18.178) e 8 (fl. 18.179), o agente fiscal afirma somente foram glosados créditos efetivamente Fl. 2592DF CARF MF Processo nº 10783.905069/201267 Resolução nº 3301000.765 S3C3T1 Fl. 2.593 5 registrados. E que não procedem as alegações de que teria registrado crédito presumido e a fiscalização glosado crédito integral. b 1) Contudo, mais uma vez, adotou como base para seu trabalho o arquivo digital de notas de entrada e as planilhas preparadas pelo contribuinte que, como já vimos, divergiam do DACON. No voto condutor da decisão de piso, as divergências alegadas pelo contribuinte foram assim tratadas (fl. 18.302): "A interessada foi intimada (fl. 51/52) a apresentar planilha em arquivo excel, contendo os registros de todas as entradas que geraram crédito das contribuições não cumulativas, e que serviram de base para os valores informados no DACON. Tal planilha foi juntada às fls. 16.802/17.661. Assim sendo, os valores informados na planilha é que serviram de base para apuração do direito ao crédito da nãocumulatividade. De fato, tais valores são divergentes daqueles informados no DACON, o que resulta em um reconhecimento de crédito a menor por falta de comprovação, quando menor. Caberia a interessada, ao identificar que deixou de informar créditos a que teria direito na planilha, apresentar a documentação comprobatória de seu direito na manifestação de inconformidade. Do valor informado na planilha foram efetuadas glosas de crédito utilizados indevidamente que serão tratados nos itens a seguir. A interessada alega que não teria pleiteado no DACON alguns dos créditos glosados pela fiscalização. Considerando que a informação destes créditos consta na planilha utilizada pela fiscalização, sua glosa não causaria qualquer prejuízo na apuração do crédito." (g.n.) Com a devida vênia, entendo que a postura adotada pela DRJ desconsiderou as alegações e documentos carreados aos autos, além de desprestigiar o Princípio da Verdade Material, norteador do processo administrativo, fundado no Princípio Constitucional da Legalidade. De fato, há a divergência entre o DACON e a planilha fornecida pela recorrente e adotada pela fiscalização. E são consistentes os demonstrativos de cálculo dos créditos contidos nas peças de defesa. São apresentadas as contas contábeis dos custos computados nas bases de cálculo dos créditos declarados (DACON), cuja leitura evidencia que há sim uma real possibilidade de terem sido glosados créditos não aproveitados pela recorrente. Isto posto, diante das evidências, cabe à autoridade julgadora administrativa requerer que os fatos aduzidos pela recorrente sejam melhor perscrutados. E o caminho natural é a realização de diligência. Assim sendo, proponho que a unidade de origem intime o contribuinte a: i) Apresentar novas planilhas de apuração de PIS do 4° trimestre de 2005, porém, desta feita, que deem suporte aos valores incluídos no DACON. ii) Conciliar as planilhas com as notas fiscais de entrada contidas nos autos. Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 10783.905069/201267 Resolução nº 3301000.765 S3C3T1 Fl. 2.594 6 iii) Indicar nas planilhas todas as divergências que alega existirem entre o trabalho da fiscalização e o DACON entregue. A unidade de origem deverá validar as novas planilhas e, caso necessário, recalcular o novo saldo de créditos de PIS do 4° trimestre, após as glosas. O mesmo trabalho deverá ser realizado para os créditos de PIS e COFINS dos demais trimestres fiscalizados, quais sejam, 1° trimestre de 2006 ao 4° trimestre de 2008." Isto posto, proponho que este julgamento seja convertido em diligência, para que seja realizado para o presente processo trabalho idêntico ao proposto para o de n° 15586.720027/201206 e que foi acima transcrito. O resultado do trabalho deve ser formalizado por meio de relatório, do qual deve ser dada ciência ao contribuinte e aberto prazo para manifestação. Em seguida, os autos devem retornar para o CARF conclusos para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2594DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.006148/2008-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 61 48 /2 00 8- 00 Fl. 381DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo ao acórdão 330100.766, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE A legislação é taxativa em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado na escrita fiscal, às aquisições de matériasprimas, insumos e produtos intermediários efetivamente utilizados na industrialização de produtos e não as suas revendas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), está condicionada à certeza e liquidez dos créditos financeiros declarados.” Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Discutese o direito de o sujeito passivo compensar créditos escriturais de IPI pagos na importação de insumos para fabricação de embalagens de material plástico/papelão, tendo em vista que sua atividade se caracteriza como industrialização, nos termos do art. 4º do RIPI, na medida em que realiza correções de deformações, melhoria no acabamento e impressão gráfica nos estojos para ovos (beneficiamento); Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11020.006148/200800 Acórdão n.º 9303007.349 CSRFT3 Fl. 565 3 · O acórdão recorrido limitase a afirmar que a atividade exercida pelo sujeito passivo consiste na importação de embalagens plásticos/papelão para acondicionamento de ovos in natura e revenda no mercado interno, sendo que, para alguns clientes, realiza, sob encomenda, impressões gráficas, as quais não se caracterizam como processo de industrialização; · A atividade envolve complexo processo de industrialização: correção de deformações nas embalagens e impressões gráficas. Em Despacho à fls. 314, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · O sujeito passivo afirma que realiza o beneficiamento das embalagens importadas, na medida em que efetua correção de deformações, melhoria de acabamento e impressão gráfica, na hipótese de encomendas. Por seu turno, o acórdão recorrido entendeu que a contribuinte autuada apenas coloca rotulagem, marcação e impressão gráfica com indicação do produto ou indicação da granja, e que isso não o torna um estabelecimento industrial; · A empresa, por ser estabelecimento apenas equiparado a industrial, não tem direito ao ressarcimento do IPI em virtude de não ter agregado insumos ao produto adquirido e vendido por ele; · O imposto pago na aquisição foi repassado para o adquirente dos respectivos produtos, como muito bem asseverado pela fiscalização, pelo acórdão proferido em primeira instância e pelo acórdão recorrido. É o relatório. Voto Fl. 383DF CARF MF 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que não devo conhecêlo, vez que não há similitude fática entre os arestos recorrido e os indicados como paradigma. Recordase que a lide versa sobre o direito ao ressarcimento de crédito de IPI para o sujeito passivo – que foi considerado pelo colegiado a quo como “equiparado a industrial”, vez que se alegou naquela ocasião que o sujeito passivo importa embalagem para acondicionamento de ovos e as revende no mercado, aplicando impressões gráficas para alguns casos. O sujeito passivo, por sua vez, argumenta que realiza o beneficiamento das embalagens e ainda efetua impressões gráficas tornandoa estabelecimento industrial. E que, sendo assim, teria direito à suspensão da incidência do IPI sobre a saída dos produtos que industrializa. O acórdão recorrido, então, ao definir que o estabelecimento do sujeito passivo era equiparado a industrial, e não industrial, não reconheceu o direito ao ressarcimento do IPI, consignando a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE A legislação é taxativa em atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado na escrita fiscal, às aquisições de matérias primas, insumos e produtos intermediários efetivamente utilizados na industrialização de produtos e não as suas revendas. ” Traz como fundamento que o art. 11 da Lei 9.779/99 é taxativo ao atribuir o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI apurado na escrita fiscal às operações decorrentes de industrialização e não da revenda de produtos. Enquanto, temse que o acórdão indicado como paradigma de nº: · 20308.994: Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11020.006148/200800 Acórdão n.º 9303007.349 CSRFT3 Fl. 566 5 Trata de sujeito passivo que realiza montagem para a saída de produto – através da união de peças e partes ou unidade autônoma. O Colegiado entendeu que essa atividade seria industrial. Para melhor elucidar, transcrevo a ementa consignada: “IPI — IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — Para os efeitos de incidência do IPI, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade ou o aperfeiçoe para o consumo (parágrafo único do art. 46 do CTN). Ao explicitar como se caracteriza a industrialização, para o mesmo efeito, o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/82 dispõe, em seu art. 3 0, inciso III, que constitui industrialização a montagem, consistente na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal. Nesse sentido definiu a operação que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento).” Vêse que não há similitude fática com o caso vertente, vez que não houve discussão de importação de produto, beneficiamento desse produto e revenda ou venda do produto “beneficiado” – embalagem – o que sabemos que poderia gerar a discussão acerca da caracterização como estabelecimento industrial ou equiparada a industrial. O que seria a lide principal do caso vertente. Além disso, não se discutiu o art. 11 da Lei 9.779/99. · 20219.344: Trata de sujeito passivo que efetivamente fabrica as próprias caixas. Tanto é assim, que essa turma ao apreciar recurso especial interposto pelo sujeito passivo, assim consolidou em acórdão 9303006.483: Fl. 385DF CARF MF 6 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/1999 a 20/01/2002 ATIVIDADE PREPONDERANTEMENTE INDUSTRIAL. NÃO INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 156 DO STJ. A atividade de confecção de caixas de papelão com logotipo, sob encomenda, para embalagem de mercadorias, prestada por empresa industrial, não constitui mera prestação de serviço de composição gráfica, devendo ser considerada, para efeitos fiscais, como atividade de industrialização. A inserção, no produto assim confeccionado, de impressões gráficas, contendo a identificação da mercadoria a ser embalada e o nome do seu fornecedor, é um elemento eventual, cuja importância pode ser mais ou menos significativa, mas é invariavelmente secundaria no conjunto da operação. ” Ademais, naquele caso, estava se discutindo a incidência de IPI na industrialização de embalagens “personalizadas por encomenda”. Proveitoso trazer que naquele julgamento essa conselheira apresentou declaração de voto, trazendo fatores cruciais para concordar com o relator pelas conclusões, vez que percebeu que não se tratava de produtos feitos por encomenda. Diferentemente do caso vertente, onde se discute se o sujeito passivo seria estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, vez que realiza beneficiamento de embalagem importada. Para assim, se considerado estabelecimento industrial, reconhecer o direito à suspensão da incidência do IPI sobre a saída dos produtos que industrializa. Em vista de todo o exposto, por não haver similitude fática entre os arestos recorrido e os indicados como paradigma, entendo que o recurso especial interposto pelo sujeito passivo não deva ser conhecido, em respeito ao art. 67 do RICARF – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, por conseguinte, voto por não conhecer o Recurso Especial. É o meu voto. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11020.006148/200800 Acórdão n.º 9303007.349 CSRFT3 Fl. 567 7 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 387DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13602.000108/2005-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. IRRF.
Não é admissível que o julgamento de primeira instância promova a glosa de IRRF, sob pena de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório.
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO
O imposto retido na fonte pode ser deduzido na declaração de rendimentos se restarem comprovadas a sua efetiva retenção e a inclusão dos rendimentos correspondentes à base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual.
Numero da decisão: 2002-000.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer o IRRF no valor de R$3.007,46, desconsiderado na decisão do colegiado de primeira instância.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. IRRF. Não é admissível que o julgamento de primeira instância promova a glosa de IRRF, sob pena de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO O imposto retido na fonte pode ser deduzido na declaração de rendimentos se restarem comprovadas a sua efetiva retenção e a inclusão dos rendimentos correspondentes à base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer o IRRF no valor de R$3.007,46, desconsiderado na decisão do colegiado de primeira instância. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1553; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 59 1 58 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13602.000108/200588 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.266 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 28 de agosto de 2018 Matéria IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. Recorrente GILSON DA SILVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. IRRF. Não é admissível que o julgamento de primeira instância promova a glosa de IRRF, sob pena de violação aos princípios da ampla defesa e do contraditório. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO DO IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO O imposto retido na fonte pode ser deduzido na declaração de rendimentos se restarem comprovadas a sua efetiva retenção e a inclusão dos rendimentos correspondentes à base de cálculo do imposto apurado no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para restabelecer o IRRF no valor de R$3.007,46, desconsiderado na decisão do colegiado de primeira instância. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 2. 00 01 08 /2 00 5- 88 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13602.000108/200588 Acórdão n.º 2002000.266 S2C0T2 Fl. 60 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 5ª Turma da DRJ/BHE, que considerou procedente em parte o lançamento, em decisão assim ementada (fls.44/47): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DEDUÇÕES. São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por maioria e voto de qualidade, em julgar procedente em parte o lançamento, nos termos do relatório e voto da relatora que integram o presente julgado. Vencidos os julgadores Luciano Coimbra Teixeira, Heloísa de Moraes Silveira e Maria Helena Dias Cyrino. Participaram da presente sessão, além da presidente e da relatora, Luciano Coimbra Teixeira, Heloisa de Moraes Silveira, Marcelo Veiga Ferreira e Maria Helena Dias Cyrino. Ausente justificadamente Alba Andrade de Oliveira Dib. Intimese para pagamento no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações. Em face do sujeito passivo foi emitido o Auto de Infração de fls. 19/26, relativo ao anocalendário 2001, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$36.631,76 (IRRF correspondente de R$1.734,63). O Auto de Infração alterou o resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$2.415,06 para saldo de imposto a pagar de R$10.754,16. Cientificado da notificação em 30/4/2005 (fls.35), o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 31/5/2005 (fls. 2/26). Em apertada síntese, ele não contestou a omissão apontada, mas pleiteou a consideração de deduções a título de pensão judicial, dependente e instrução. Pediu ainda o cancelamento de penalidades, tendo em vista sua boafé. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13602.000108/200588 Acórdão n.º 2002000.266 S2C0T2 Fl. 61 3 Intimado da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário em 18/12/2008 (fls. 52/57), em que alega os seguintes argumentos de defesa: no montante dos rendimentos declarados e considerados na autuação está incluso aquele pago pela Prefeitura Municipal de Rio Espera, no valor de R$28.036,34. pelo entendimento do colegiado de primeira instância, que excluiu o IRRF relativo a essa fonte pagadora, caberia a exclusão dos rendimentos, o que não foi feito. os rendimentos advindos dessa fonte pagadora foram pagos ao contribuinte, que é o responsável por leválos ao ajuste na Declaração, fazendo jus a compensar o IRRF correspondente. alega que essa situação não se altera, pelo fato de existir determinação judicial no sentido de que todo o rendimento seja repassado para a beneficiária da pensão alimentícia. defende que o saldo de imposto a pagar é de R$3.016,72, conforme demonstrativo elaborado na sua defesa (fl.54), e não de R$2.415,06 como declarado à Receita Federal do Brasil. requer o acolhimento do seu recurso sem penalidades, uma vez que os equívocos não ocorreram por máfé sua. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade Conforme informado à fl. 58, não foi localizado o Aviso de Recebimento AR relativo à ciência ao recorrente da decisão de primeira instância. Na ausência de prova da entrega ao contribuinte do acórdão de impugnação, é de se considerar o recurso tempestivo, e deve, portanto, ser conhecido e apreciado. Mérito Compensação de IRRF Embora a autuação veicule a omissão de rendimentos recebidos das fontes pagadoras de CNPJ os 16.752.446/000102 e 18.295.329/000192 (fl.21), o litígio a ser apreciado recai sobre o IRRF relativo à Prefeitura Municipal de Rio Espera MG, CNPJ nº 24.179.665/000171. Como já relatado, o sujeito passivo concordou expressamente com a omissão de rendimentos a ele atribuída e requereu a consideração de algumas deduções (pensão judicial, dependente e instrução). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13602.000108/200588 Acórdão n.º 2002000.266 S2C0T2 Fl. 62 4 Na apreciação do feito, o colegiado de primeira instância acatou as retificações pleiteadas, mas alterou o valor do IRRF compensado, de R$4.892,75 para R$1.885,29, consignando: Registrese que somente pode ser deduzida do imposto devido na declaração de rendimentos a importância descontada na fonte sobre rendimentos oferecidos à tributação (art.12 da Lei n° 9.250, 26 de dezembro de 1995). Uma vez que todo o valor pago pela Prefeitura Municipal de Rio Espera foi repassado à ex esposa a título de pensão alimentícia não há base de cálculo para a retenção de imposto de renda na fonte, fl.11. Portanto, a quantia descontada dos R$28.036,34, deduzidos como pensão alimentícia, não pode ser utilizada pelo contribuinte como dedução do imposto. Por conseguinte, o imposto retido na fonte perfaz R$1.885,29 (R$4.892,75 R$3.007,46). O entendimento da decisão de piso não pode prosperar. Vejamos. Primeiro, pelo fato de a decisão de piso ter levado a efeito, na verdade, uma nova autuação, uma inovação do lançamento original. Ao assim proceder, restou prejudicado o direito da ampla defesa e do contraditório do sujeito passivo. Os rendimentos e o IRRF vinculados ao Município de Rio Espera MG foram declarados pelo contribuinte (fl.31) e não foram objeto da autuação. Ainda que a decisão tenha beneficiado o contribuinte, por acatar as deduções não declaradas por ele, não poderia ter efetuado a glosa parcial do IRRF declarado, o que só poderia ocorrer mediante novo lançamento. Segundo, pelo fato de restar demonstrado nos autos que o contribuinte faz jus a compensar o valor do IRRF em discussão. O comprovante de rendimentos de fl. 57 confirma que o rendimento foi auferido pelo contribuinte, tendo ocorrido a retenção na fonte do IR, ainda que, num segundo momento, o rendimento tenha sido integralmente repassado para uma terceira pessoa a título de pensão alimentícia judicial (fl.12). Dessa feita, deve ser acatado o recurso do contribuinte no sentido de se restabelecer o IRRF de R$3.007,46. Multa de Ofício Ao final de seu recurso, o recorrente requer o cancelamento da penalidade aplicada, uma vez que os equívocos não ocorreram por máfé sua. Sobre o imposto suplementar calculado pela fiscalização, foi aplicada multa de ofício proporcional de 75% (setenta e cinco por cento), com esteio no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13602.000108/200588 Acórdão n.º 2002000.266 S2C0T2 Fl. 63 5 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) A penalidade aplicada, no percentual de 75%, é uma sanção pecuniária com origem no descumprimento de obrigação principal consistente na falta de pagamento do imposto. O percentual independe do dolo na conduta do sujeito passivo, incidindo proporcionalmente ao montante do imposto não pago que foi identificado quando do lançamento de ofício. Caso ficasse comprovado que o sujeito passivo agiu com dolo, a autoridade lançadora aplicaria o percentual duplicado para a multa punitiva, correspondendo a 150% (cento e cinquenta por cento), nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, antes reproduzido. Portanto, a existência de boafé e a falta de uma intenção dolosa do recorrente não é suficiente para eximir sua responsabilidade e afastar a aplicação da multa de ofício, tampouco dispensar a exigência do imposto e dos juros de mora. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento parcial, para restabelecer o IRRF no valor de R$3.007,46, desconsiderado na decisão do colegiado de primeira instância. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.905391/2009-23
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O acórdão recorrido fez extensa análise sobre os efeitos retroativos do Laudo Constitutivo e do Ato Declaratório Executivo que reconheceram o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda calculado com base no lucro da exploração, especificamente na parte em que esses efeitos retroativos afetam a apuração das estimativas mensais (tanto para as que haviam sido apuradas por BSR, quanto pela receita bruta). O acórdão paradigma, por sua vez, tratou de lançamento de multa isolada sobre estimativas não recolhidas, calculadas com base na receita bruta, num caso em que a contribuinte defendia valores de estimativas calculados com base em balancetes de suspensão/redução, que foram transcritos no LALUR de forma extemporânea. O acórdão recorrido não trata de indébito de estimativa gerado por mudança de regime (de receita bruta para BSR). E o acórdão paradigma não empreendeu nenhuma análise sobre os efeitos retroativos de um benefício fiscal reconhecido em Laudo Constitutivo e Ato Declaratório Executivo. Aliás, essas questões sobre os efeitos retroativos de um benefício fiscal são completamente estranhas ao paradigma. Não há paralelo entre as decisões cotejadas para que se possa caracterizar divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Os contextos absolutamente distintos justificam as diferentes decisões.
Numero da decisão: 9101-003.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10380.905399/2009-90, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O acórdão recorrido fez extensa análise sobre os efeitos retroativos do Laudo Constitutivo e do Ato Declaratório Executivo que reconheceram o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda calculado com base no lucro da exploração, especificamente na parte em que esses efeitos retroativos afetam a apuração das estimativas mensais (tanto para as que haviam sido apuradas por BSR, quanto pela receita bruta). O acórdão paradigma, por sua vez, tratou de lançamento de multa isolada sobre estimativas não recolhidas, calculadas com base na receita bruta, num caso em que a contribuinte defendia valores de estimativas calculados com base em balancetes de suspensão/redução, que foram transcritos no LALUR de forma extemporânea. O acórdão recorrido não trata de indébito de estimativa gerado por mudança de regime (de receita bruta para BSR). 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Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10380.905399/200990, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre direito creditório apurado a partir de estimativa mensal de IRPJ. A recorrente insurgese contra o acórdão recorrido, por meio do qual a respectiva turma da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer direito creditório decorrente de pagamento indevido de estimativa mensal de IRPJ. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos a seguir: o r. acórdão ao tempo em que reconheceu o direito creditório no pagamento de estimativa, se quedou silente a respeito da escrituração do balancete de suspensão ou redução da estimativa; ocorre que somente pode ser feito o reconhecimento das estimativas com a transcrição tempestiva dos balancetes no diário; a questão, inclusive, foi objeto do v. voto condutor do r. acórdão da d. DRJ, verbis: [...]; por meio de embargos de declaração foram apontadas a omissão e a contradição do r. acórdão; os embargos de declaração, no entanto, foram desprovidos sob as razões abaixo, verbis: [...]; Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 4 3 o entendimento do r. acórdão diverge da jurisprudência pacífica do CARF, v.g.: ‘IRPJ/CSL FALTA DE TRANSCRIÇÃO NO LIVRO DIÁRIO DOS BALANCETES DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO DOS TRIBUTOS DEVIDOS POR ESTIMATIVA Não milita a favor do sujeito passivo, o argumento de que balancetes de suspensão autorizariam o não recolhimento de estimativas, quando ditos balancetes não foram transcritos no Livro Diário, como determina a legislação concedente do benefício, mormente quando diferenças nas transcrições dos balanços não são esclarecidas. Acórdão 108 07095.’ de outra banda, o r. acórdão desafiado sustenta que ‘(...) em face da excepcionalidade da situação analisada – reconhecimento do benefício fiscal de redução do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) com efeitos ex tunc, cuja dedução é admissível na determinação do imposto devido mensalmente com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução (BSR), no período abrangido por esse mesmo balanço ou balancete –, tenha o sujeito passivo escriturado ou não balancetes de suspensão ou redução da estimativa. (...)’ portanto, a divergência reside na vinculação entre o direito de redução de estimativas à transcrição dos balancetes de suspensão e redução no diário. No ver do r. acórdão paradigma, a redução das estimativas somente cabe em face da escrituração dos balancetes de suspensão e redução de estimativas e sua transcrição no diário. De outra banda, o r. acórdão desafiado sustenta a possibilidade da suspensão ou redução de estimativas independentemente da escrituração dos balancetes e sua transcrição no diário; data venia, por força da legislação tributária, em particular a IN SRF nº 93, de 24/12/1997, art. 12, § 5º, alíneas: a e b, bem como a IN SRF nº 460, art. 10, não cabe prosperar o entendimento do r. acórdão desafiado; posto isso, requer a Fazenda Nacional seja o presente recurso conhecido e provido, para que seja reformado o v. acórdão proferido pela e. Câmara a quo, nos termos acima aduzidos, mantendose, via de conseqüência, a decisão proferida em primeira instância. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente de Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho, deu seguimento ao recurso. Os autos foram encaminhados à unidade de origem para que a contribuinte fosse cientificada do Acórdão recorrido, do recurso especial da PGFN, e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e ela apresentou tempestivamente, as contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: o presente recurso especial é de todo descabido e deve ser rejeitado. Isso porque o único argumento desenvolvido pela Fazenda Nacional consiste na exigência de prévia escrituração de balancete de suspensão, como condição para a redução da base de cálculo estimada do IRPJ e da CSLL. Tal argumento, todavia, é de todo e por todo alheio à situação tratada nestes autos; aqui a Recorrida demonstrou que pagou o IRPJ por estimativa de forma incorreta e a maior no mês, pois não deduziu da respectiva base de cálculo o valor Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 5 4 correspondente ao Benefício fiscal concedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste ADENE em 20.12.2005 (com efeitos retroativos a janeiro de 2005), nos termos do §6º, do art. 223, do RIR/99; fácil notar, portanto, que o erro que levou ao pagamento a maior do IRPJ em nada se refere à apuração dos resultados da Recorrida. Não houve alteração na metodologia de pagamento do imposto com base no lucro estimado, que continuou a servir de base de calculo, apenas com os ajustes relativos ao mencionado incentivo fiscal. Assim, ter ou não o balancete de suspensão é completamente irrelevante, até porque repitase no caso de que aqui se cuida não foi utilizado o resultado apurado em balancete, e sim o mesmo lucro estimado com a dedução do citado beneficio fiscal; não há dúvida que a decisão que a Fazenda Nacional aponta como paradigma trata de assunto diverso. Naquele caso, o contribuinte afirma que apurou lucro menor que o estimado e isto justificaria o não recolhimento dos tributos calculados por estimativa. Por isso é que foi decidido pela necessidade da prévia escrituração dos balancetes de suspensão, que indicam uma nova base de cálculo para o imposto. O que é totalmente diferente do caso da Recorrida, que se limitou a aproveitar um benefício fiscal, sem sair da sistemática de pagamento do IRPJ por estimativa; tanto é assim, que o acórdão que rejeitou os embargos de declaração apresentados pela PFN, nos quais alegava a omissão no que diz respeito à exigência da escrituração do balancete de suspensão, concluiu que "o entendimento da Embargante — correto, aliás — se aplica a situações normais, em que não se verifica como na presente hipótese — 'fato superveniente e relevante, com reflexos retroativos por força de lei'. inexiste, portanto, a divergência jurisprudencial necessária ao cabimento do presente recurso; face ao exposto, pede a Vossas Excelências que não conheçam do presente Recurso Especial, ou, caso assim não entendam, pede que lhe neguem provimento, confirmando integralmente o v. Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 10380.905399/200990, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.709, exarado em 09 de agosto de 2018, no âmbito do referido processo 10380.905399/200990. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, o voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.709: Não há condições para se conhecer do recurso especial. As alegações da contribuinte em sede de contrarrazões são procedentes. É importante compreender bem o contexto dos presentes autos. O acórdão recorrido esclarece que ele se reporta a diversos processos da Recorrente, atinentes a Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), cujos créditos pleiteados, decorrentes de pagamentos indevidos do IRPJ mensal por estimativa, são referentes aos meses de fevereiro, março, setembro, outubro e novembro de 2005 (meses de pagamento). No caso do processo sob exame, o litígio abrangeu o Per/Dcomp em que a contribuinte utilizou crédito decorrente do pagamento de estimativa de IRPJ realizado em 30/11/2005, referente ao mês de outubro/2005. Ainda de acordo com o acórdão recorrido: os despachos decisórios dos vários processos não homologaram as compensações declaradas mediante Per/DComp, com fundamento no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; contudo, a questão referente à impossibilidade de restituição/compensação de estimativas já foi superada nas decisões de primeira instância, que negaram apenas em parte os pleitos da contribuinte; as decisões de primeira instância negaram a caracterização de pagamento indevido de estimativa, mas o admitiram como pagamento a maior do imposto (saldo negativo), reconhecendo Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 7 6 parcialmente o direito creditório pleiteado, considerandoo válido, para efeito de atualização monetária, a partir de janeiro de 2006; já era fato incontroverso, após as decisões de primeira instância, a existência de direito creditório por parte da Recorrente; a única discussão que remanescia nos autos era quanto ao termo inicial a ser considerado para a efetivação desse direito creditório, se da data de cada pagamento efetuado, no decorrer do anocalendário de 2005, ou se de janeiro de 2006, como entenderam as decisões recorridas. Definidos os contornos da controvérsia na fase de recurso voluntário, o acórdão recorrido empreendeu a seguinte análise em relação à parte do direito creditório que ainda não havia sido reconhecida: 8. Chamo a atenção para o fato de que não se está diante de pedido de retificação ou de elaboração de BSR (Balancete de suspensão ou redução), mas de pleito de restituição/compensação de valor pago indevidamente. 9. Assim, não procede a extensa argumentação da decisão recorrida, no sentido de ser impossível dita retificação ou elaboração e de que o BSR apresentado alteraria a forma de apuração do débito de estimativa, originalmente determinado sobre a receita bruta (em alguns processos). 10. Abrese, aqui, um parêntese para se destacar o que segue. 11. Por meio do Laudo Constitutivo nº 0334/2005, de 20 de dezembro de 2005, expedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste (ADENE), teve a Recorrente reconhecido o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda, nos termos do art. 13 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, com a nova redação dada pelo art. 3º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e alterações posteriores, conforme Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001 e Decreto nº 4.213, de 26 de abril de 2002, sendo o início do prazo de fruição do benefício o anocalendário de 2005. 12. Posteriormente, pelo Ato Declaratório Executivo nº 016, de 13 de março de 2006, a Delegacia da Receita Federal em FortalezaCE reconheceu que a Recorrente faz jus à redução do imposto de renda, e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, relativamente ao empreendimento de que trata o Laudo Constitutivo nº 0334/2005, expedido pelo Ministério da Integração Nacional, na forma ali discriminada (Percentual de redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveís: 75% (setenta e cinco por cento); Início do prazo de fruição do beneficio: anocalendário 2005; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 8 7 Prazo total de fruição: 10 anos; Término do prazo de fruição do beneficio: anocalendário de 2014). 13. Fechado o parêntese, observase que, na determinação do imposto devido mensalmente com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução (BSR), no período abrangido por esse mesmo balanço ou balancete, admitese a dedução dos incentivos fiscais Regionais de Redução e/ou Isenção do Imposto. 14. Logicamente, se o citado Laudo Constitutivo, e o respectivo Ato Declaratório Executivo, houvesse sido emitido antes do início do anocalendário de 2005, não teria feito uso, a Recorrente, da determinação do imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (o que se deu em alguns processos), mas, sim, daquela primeira (BSR). 15. Não é, pois, correto, se pretender equiparar a situação em análise a uma espécie de “mudança de opção” (em alguns processos), tomada ao livre arbítrio da Recorrente, para a situação excepcional ora analisada. 16. Tratase, como visto, de fato superveniente e relevante, com reflexos retroativos por força de lei, como segue (anocalendário em que o empreendimento entrou em operação 2002): Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de dezembro de 2013 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste Sudene e Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia Sudam, terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais, calculados com base no lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo darseá a partir do anocalendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, ampliação, modernização ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do ano calendário subseqüente ao do início da operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) §2º Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no §1º, a fruição do benefício darseá a partir do anocalendário da expedição do laudo. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 9 8 §3º O prazo de fruição do benefício fiscal será de 10 (dez) anos, contado a partir do anocalendário de início de sua fruição. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 17. Essa, aliás, a conclusão a que chegou a Informação Fiscal que instruiu a edição do mencionado Ato Declaratório Executivo: 4.4. De acordo com os parágrafos 1º a 3º do art. 73 da Instrução Normativa nº 267, de 23 de dezembro de 2002 c/c o § 3º do art. 1º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001, com a redação dada pelo art. 32 da Lei nº 11.196/2005, a fruição do benefício se dará, a partir do anocalendário 2005 até o anocalendário 2014, tendo em vista que o empreendimento entrou em operação no anocalendário 2002 e o Laudo Constitutivo foi expedido em 20 de dezembro de 2005 (fls. 24 a 28). 18. E se referido favor fiscal possui, inegavelmente, efeitos ex tunc, não se pode pretender limitar esses efeitos com fundamento em procedimentos adotados pela Recorrente, quando ainda não reconhecido a ela aquele benefício. 19. Portanto, é de se conferir eficácia plena ao Laudo Constitutivo, e respectivo Ato Declaratório Executivo, que reconheceram o benefício fiscal de redução do imposto de renda de forma retroativa, de modo a propiciar à Recorrente todos os direitos que possuiria se tais normas individuais e concretas houvessem sido editadas contemporaneamente aos fatos tributários. 20. Afirma a decisão recorrida que, no caso, se trataria de “pagamento a maior”, ou seja, devido segundo determinação legal vigente à época em que efetuado, e não de “pagamento indevido”. 21. Se, por “pagamento devido” deve ser entendido aquele efetuado de acordo com a lei vigente ao tempo de sua realização – como, aliás, entende a própria decisão recorrida estáse diante de um pagamento indevido, já que a lei vigente àquela época era a que concedia o benefício fiscal à Recorrente, fato esse reconhecido posteriormente, de forma expressa, tanto pela ADENE, quanto pela RFB. 22. Afirma, ainda, a decisão recorrida que a utilização do BSR seria uma opção do contribuinte e se destinaria a suspender ou reduzir o pagamento do imposto/contribuição devido em cada mês (tendo por referência o que seria recolhido com base na receita bruta), uma vez demonstrado que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto/contribuição, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 10 9 23. Sucede, porém, que, no presente caso, em face da retroação do benefício fiscal obtido pela Recorrente, o BSR terá outra função, que não a de simples redução ou suspensão de antecipação mensal, qual seja, apurar se e em que mês no período correspondente, efetuouse pagamento que, em face daquele benefício, não se teria procedido (“pagamento indevido”). 24. Não se trata, portanto, de “gerar pagamento indevido de estimativa”, mas, apenas, de reconhecer a sua inevitável existência no caso em análise. 25. Defende, ainda, a decisão recorrida, que o ato concessivo do incentivo fiscal possuiria caráter constitutivo, não podendo retroagir ao início do ano de 2005. 26. Considerando, porém, que a própria Delegacia da Receita Federal em Fortaleza reconheceu a redução de imposto de renda, por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 16, de 13/03/2006, com início do prazo de fruição do beneficio no anocalendário 2005, não se sustenta o alegado “caráter constitutivo do ato concessivo do incentivo fiscal”, mas sim, a sua natureza meramente declaratória, com a inevitável retroação de seus efeitos ao início do anocalendário apontado. 27. Por fim, ainda que ultrapassado tudo o que se disse, devese ter presente o contido no § 3º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de seguinte teor (destacouse): Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. [...]. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. 28. Considerandose que 100% (cem por cento) da receita da Recorrente é incentivada, apenas 25% dessa receita comporia a base de cálculo para determinação do imposto devido mensalmente com base em estimativa sobre a receita bruta (redução de 75%): [...] Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório, a Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 11 10 título de pagamento a maior de estimativa, de R$ 122.336,10, relativo a novembro de 2005, na parte correspondente à Selic calculada até janeiro de 2006, e homologar a compensação pleiteada dos débitos que a ele façam referência até o limite do direito creditório reconhecido (processos nºs 10380.905400/200986, 10380.905399/200990, 10380.905398/200945, 10380.905397/200909 e 10380.904905/200923). É como voto. Vêse que o acórdão recorrido fez extensa análise sobre os efeitos retroativos do Laudo Constitutivo e do Ato Declaratório Executivo que reconheceram o benefício fiscal de Redução do Imposto de Renda calculado com base no lucro da exploração, especificamente na parte em que esses efeitos retroativos afetam a apuração das estimativas mensais (tanto para as que haviam sido apuradas por BSR, quanto pela receita bruta). O acórdão paradigma, por sua vez, não guarda nenhuma relação com esse tipo de situação. Aquela decisão tratou de lançamento de multa isolada sobre estimativas não recolhidas, calculadas com base na receita bruta, num caso em que a contribuinte defendia valores de estimativas calculados com base em balancetes de suspensão/redução, que foram transcritos no LALUR de forma extemporânea. O acórdão recorrido não trata de indébito de estimativa gerado por mudança de regime (de receita bruta para BSR). E o acórdão paradigma não empreendeu nenhuma análise sobre os efeitos retroativos de um benefício fiscal reconhecido em Laudo Constitutivo e Ato Declaratório Executivo. Aliás, essas questões sobre os efeitos retroativos de um benefício fiscal são completamente estranhas ao paradigma. Não bastasse isso, o acórdão recorrido ainda destacou que mesmo que se considerasse a estimativa mensal apurada a partir da receita bruta (o que teria ocorrido em alguns processos), ainda assim a contribuinte estaria autorizada a excluir da receita bruta total o valor da receita bruta ou redução a que tiver direito. Nesse ponto, o acórdão recorrido transcreve orientação extraída da própria página eletrônica da Receita Federal: Perguntas e Respostas – DIPJ 2006: 604 Na determinação da base de cálculo estimada qual o tratamento aplicável às receitas provenientes de atividades incentivadas (isenção ou redução)? A pessoa jurídica que gozar de incentivos fiscais calculados com base no lucro da exploração poderá excluir da receita bruta total, para fins de determinação da base de cálculo estimada, o valor da receita bruta ou redução a que tiver direito. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10380.905391/200923 Acórdão n.º 9101003.712 CSRFT1 Fl. 12 11 O valor efetivo do benefício de isenção ou redução calculado com base no lucro da exploração será determinado em 31 de dezembro de cada ano. Disponível em: <www.receita.fazenda.gov.br/publico/perguntao/dipj2006 / PergRespDIPJ2006.pdf>. Acesso em: 30 mar. 2014. Ou seja, mesmo no caso das estimativas apuradas a partir da receita bruta, o valor devido também seria afetado pelo benefício fiscal, gerando indébito a ser restituído/ compensado desde a data do pagamento indevido da estimativa, e não apenas a partir da apuração do saldo negativo no ajuste anual. Realmente, não há paralelo entre as decisões para que se possa caracterizar a alegada divergência jurisprudencial. Os contextos absolutamente distintos justificam as diferentes decisões. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, não conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.722087/2016-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO. PROGRAMA PER/DCOMP. PAGAMENTOS HÁ MAIS DE CINCO ANOS. UTILIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária, tal como a observância do prazo de cinco anos para o seu protocolo, está autorizado o indeferimento sumário do pedido.
Também deve ser sumariamente indeferido o pedido quando não utilizado o instrumento eletrônico sendo possível fazê-lo.
Numero da decisão: 2201-004.714
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakasu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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FORMULÁRIO. PROGRAMA PER/DCOMP. PAGAMENTOS HÁ MAIS DE CINCO ANOS. UTILIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária, tal como a observância do prazo de cinco anos para o seu protocolo, está autorizado o indeferimento sumário do pedido. Também deve ser sumariamente indeferido o pedido quando não utilizado o instrumento eletrônico sendo possível fazêlo. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakasu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 20 87 /2 01 6- 95 Fl. 132DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 126/129) protocolado em face do Acórdão nº 0134.355 da 2ª Turma da DRJ/BEL (fls. 117/121), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte em vista do Despacho Decisório nº 15, de 2017, da Delegacia da Receita Federal de Curitiba (fls. 95/97). Originalmente o contribuinte protocolou em 15/12/2016 o formulário Pedido de Restituição ou ressarcimento onde, invocando o Ato Declaratório PGFN nº 5, de 03/11/2016, relativo a isenção do imposto de renda dos portadores de moléstia grave, solicitou a restituição das prestações mensais do imposto de renda pagas desde setembro de 2009 no âmbito do REFIS, porque as teria pago com proventos de aposentadoria. O Despacho Decisório nº 15, de 2017, da DRF/Curitiba/PR, indeferiu o pedido sob o argumento de que deveria ter sido utilizado o programa PER/Dcomp. Tendo o contribuinte apresentado manifestação de inconformidade, foi proferido o Acórdão nº 0134.121, da DRJ/BEL (fls. 105/110), que anulou o Despacho Decisório impugnado, por entender ser inexigível, na espécie, o uso do mencionado programa. A Delegacia de Curitiba manifestouse através do Despacho de fls. 114/116, contestando a correção do Acórdão. Em vista dessa manifestação, a DRJ/BEL reviu a decisão anterior através do Acórdão nº 0134.355 (fls. 117/121), pelo qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte por acatar os argumentos da unidade de origem, no sentido de que o pedido deveria ter sido realizado com o programa eletrônico. Cientificado dessa decisão em 12/07/2017 (fl. 123), o contribuinte apresentou tempestivamente seu recurso voluntário em 09/082017 (fls. 126/129). Em sede recursal, alega serem isentos do imposto de renda os portadores de melanoma, moléstia de que teria sido diagnosticado, independentemente da contemporaneidade dos sintomas. Quanto ao meio utilizado, alega que o programa PER não permite formular pedido de restituição de tributo cujo recolhimento ocorreu há mais de cinco anos da data da geração do arquivo para envio à Receita Federal. Segundo alega, ao tentar utilizar esse programa, teria surgido o seguinte aviso: "DARF apresentada data de arrecadação com mais de 5 anos com relação à data de criação (art. 168 do CTN). A gravação do arquivo para entrega na RFB somente ocorrerá se este documento for retificador. Deseja prosseguir com a emissão do documento? (Sim/Não)." Neste Colegiado, o processo em análise foi distribuído em sessão pública para esta Conselheira. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10907.722087/201695 Acórdão n.º 2201004.714 S2C2T1 Fl. 133 3 É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. O contribuinte protocolou em 15/12/2016 pedido de restituição de valores que teriam sido pagos no âmbito de parcelamento concedido e pago a partir de setembro de 2009. Pelos documentos juntados, vêse que o pedido compreende pagamentos realizados no período de 10/09/2009 a 07/12/2016 (fls. 90). Tanto o despacho decisório proferido pela autoridade competente para análise do pleito, quanto a decisão de primeira instância administrativa julgaram improcedente a pretensão do contribuinte com base na inobservância da forma adequada: foi utilizado formulário em papel e não o pedido eletrônico. Da Instrução Normativa RFB nº 1300, destaco o que segue: Art. 111. Será indeferido sumariamente o pedido de restituição, de ressarcimento ou de reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 113, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para formular o pedido. (...) Art. 113. Ficam aprovados os formulários: I Pedido de Restituição ou Ressarcimento Anexo I; (...) § 2º Os formulários a que se refere o caput poderão ser utilizados pelo sujeito passivo somente nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento, o reembolso ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerido ou declarado eletronicamente à RFB mediante utilização do programa PER/DCOMP. § 3º A RFB caracterizará como impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2º deste artigo, no § 2º do art. 3º, no § 6º do art. 21, no caput do art. 32 e no § 1º do art. 41, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento, de reembolso ou de compensação no aludido programa, bem como a existência de falha no programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Fl. 134DF CARF MF 4 Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. (...) § 5º Aplicase o disposto no § 1º do art. 46 e no art. 111, quando a impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP decorrer de restrição nele incorporada em cumprimento ao disposto na legislação tributária. Na hipótese em análise, o pedido feito pelo contribuinte abrange a restituição de quantias que, na data do pedido, já haviam sido pagas há mais de cinco anos. Nesse caso, a impossibilidade de utilização do programa decorre a aplicação do § 5º acima transcrito, já que há uma restrição decorrente da legislação tributária. Portanto, em relação aos pagamentos feitos em data anterior a dezembro de 2011, havia efetivamente uma impossibilidade de utilização do programa eletrônico decorrente de restrição nele incorporada em cumprimento da legislação tributária, o que autorizaria o indeferimento sumário. Quanto aos pagamentos feitos a partir de dezembro de 2011, o contribuinte deveria ter utilizado o instrumento adequado, ou seja, o programa PER/Dcomp. Por essa razão, deve ser igualmente aplicado o art. 111, pelo qual impõese o indeferimento do pedido feito indevidamente em formulário. A despeito disso, a título meramente informativo e no sentido de auxiliar o contribuinte na compreensão do seu direito, embora as autoridades que precederam a análise nesse CARF não tenham adentrado a questão de mérito, aparentemente o direito invocado pelo contribuinte decorre de equívoco de sua parte quanto ao Ato Declaratório PGFN nº 5, de 2016. Isso porque, se forem analisados os precedentes judiciais mencionados nesse ato, verseá que eles reconhecem a situação de isenção para os proventos auferidos após a cura provável da doença. No caso em análise, o contribuinte pede a restituição de um parcelamento feito com base em processo que tem como ano de protocolo 2004, o que permite concluir que se trata de incidência tributária sobre rendimentos obtidos nesse ano (2004) ou em anos anteriores. O laudo apresentado pelo contribuinte identifica como termo de início para a doença diagnosticada o ano de 2008. Repitase: o direito à isenção atinge rendimentos obtidos a partir da data em que a doença é diagnosticada, nunca antes. Por outra vertente, o fato de o tributo de anos anteriores estar sendo pago com rendimentos isentos não afeta a higidez do crédito tributário decorrente de fatos ocorridos antes de surgir o direito à isenção. Ou seja, aparentemente o contribuinte está conferindo uma aplicação retroativa à isenção, com base em decisões judiciais e ato declaratório que tratam de sua aplicação prospectiva (para o futuro). Conclusão Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10907.722087/201695 Acórdão n.º 2201004.714 S2C2T1 Fl. 134 5 Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e lhe negar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 136DF CARF MF
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