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Numero do processo: 19985.721302/2013-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. CHEQUES COMPENSADOS NOMINATIVOS A TERCEIROS.
A comprovação do pagamento ao profissional de saúde mediante cheques compensados nominados a terceiros, por si só, é motivo insuficiente para legitimar a glosa das despesas médicas declaradas pelo contribuinte, cabendo a avaliação do conjunto probatório como um todo disponível no caso concreto.
Possível a aceitação quando os recibos de pagamento e a declaração complementar emitidos pelo profissional contêm os requisitos formais previstos na legislação tributária e confirmam a prestação de serviço e o pagamento com a utilização dos cheques nos valores neles indicados.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Mirian Denise Xavier Lazarini. Declaração de voto da Conselheira Maria Cleci Coti Martins.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente Substituta
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente MARIA LÚCIA REGNIER GUIMARÃES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 AJUSTE. GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. CHEQUES COMPENSADOS NOMINATIVOS A TERCEIROS. A comprovação do pagamento ao profissional de saúde mediante cheques compensados nominados a terceiros, por si só, é motivo insuficiente para legitimar a glosa das despesas médicas declaradas pelo contribuinte, cabendo a avaliação do conjunto probatório como um todo disponível no caso concreto. Possível a aceitação quando os recibos de pagamento e a declaração complementar emitidos pelo profissional contêm os requisitos formais previstos na legislação tributária e confirmam a prestação de serviço e o pagamento com a utilização dos cheques nos valores neles indicados. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Mirian Denise Xavier Lazarini. Declaração de voto da Conselheira Maria Cleci Coti Martins. Maria Cleci Coti Martins Presidente Substituta Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 13 02 /2 01 3- 30 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 58 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Cleci Coti Martins, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 59 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo a alteração efetuada na declaração do contribuinte. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0252.651 (fls. 43/46): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PREVIDÊNCIA PRIVADA. GLOSA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não será objeto de análise deste julgamento administrativo a matéria em relação a qual a contribuinte reconhece o acerto do lançamento fiscal. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Mantida a glosa de despesas médicas visto que o direito à sua dedução condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados à contribuinte, bem como dos correspondentes pagamentos. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2010/935584992043496, relativa ao anocalendário 2009, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas as seguintes infrações (fls. 8/14): i) dedução indevida de Previdência Privada; e ii) deduções indevidas de despesas médicas no valor de R$ 9.460,00. 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), reduzindo o valor do imposto a restituir. 3. Cientificado da notificação por via postal em 27/11/2013, às fls. 38, o contribuinte impugnou parcialmente a exigência fiscal, apenas relativamente à glosa das despesas médicas (fls. 2/5). 4. Intimada em 17/3/2014, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 47/48, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 17/4/2014 (fls. 50/51). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 60 4 4.1 Expõe, inicialmente, que foi intimada a apresentar os comprovantes dos efetivos desembolsos compatíveis em datas e valores efetuados ao prestador de serviço Halina Massignan Berejuk. 4.2 Discorda que os recibos e declarações apresentados não façam prova legítima da execução dos serviços prestados, tendo em vista o disposto no inciso III do § 1º do art. 80 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). 4.3 Do valor total das despesas médicas declaradas relativamente ao profissional, equivalente a R$ 19.570,00, a maior parte dos pagamentos, isto é, R$ 10.110,00, restou aceita pela autoridade fiscal. De maneira que não se justifica a glosa do restante pelo fato de os cheques dados em pagamento ao prestador de serviço não se apresentarem a ele nominados. 4.4 Como prova complementar, junta aos autos ficha clínica fornecida pelo prestador dos serviços. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 61 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A respeito das deduções de despesas médicas, prescreve o RIR/99: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Fl. 61DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 62 6 7. O direito à dedução das despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e estão sujeitas à comprovação a juízo da autoridade lançadora. 8. Caso a autoridade fiscal não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou do pagamento correlato, poderá solicitar ao declarante documentos e informações adicionais com vistas à demonstração da legalidade das deduções médicas pleiteadas. 9. Nesse passo, a recorrente foi intimada pela fiscalização a comprovar o efetivo pagamento pelos serviços odontológicos prestados por Halina Massignan Berejuk. 9.1 Entretanto, ao avaliar os documentos apresentados, a autoridade lançadora entendeu que o contribuinte não se desincumbiu integralmente do ônus probatório e glosou parcialmente as despesas médicas, no importe de R$ 9.460,00, devido à apresentação de cheques compensados nominados a terceiros, nos valores de R$ 3.460,00, R$ 2.000,00, R$ 2.000,00 e R$ 2.000,00 (fls. 11/12). 10. Pois bem. Quanto aos pagamentos realizados, para os quais pretendese a dedução para fins do imposto sobre a renda, é indubitável afirmar que o contribuinte deve acautelarse para a eventualidade de comprovação dos fatos perante as autoridades fiscais. 10.1 Inadvertidamente, todavia, o declarante não raro efetua o pagamento ao prestador do serviço com cheque ao portador, e não nominal, situação em que o beneficiário acaba muitas vezes repassando o cheque para terceiros, compensandose em nome de pessoa distinta do prestador do serviço. A aceitação dessa prova depende da avaliação do conjunto probatório disponível no caso concreto. 11. Na situação em apreço, penso possível suavizar a rigidez da análise efetuada em primeira instância, que manteve o ponto de vista da autoridade lançadora. 12. Com efeito, no que tange aos aspectos formais, contêm os recibos comprobatórios dos pagamentos os requisitos arrolados no inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/99, acima reproduzido, tais como nome, endereço e número de inscrição do odontólogo no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). 13. A ficha clínica do paciente, ora recorrente, foi juntada com a finalidade de demonstrar os procedimentos odontológicos de colocação de coroas dentárias. Contudo, o documento confeccionado a partir da utilização de software odontológico não contém a assinatura da Dra. Halina Massignan Berejuk, o que lhe acaba enfraquecendo, é verdade, a sua força probatória (fls. 53). 13.1 Nada obstante, a efetiva prestação de serviços pelo profissional não é fato controvertido, visto que a autoridade fiscal acatou na fase investigatória uma parcela das deduções efetuadas com o tratamento odontológico, com base nos documentos apresentados pelo contribuinte. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 63 7 14. Essa aceitação de parte das deduções declaradas pelo contribuinte recomenda uma avaliação mais detalhada dos cheques ora apontados como destinados ao pagamento parcial do tratamento, não me parecendo razoável desconsiderálos como prova da efetividade do desembolso financeiro pelo só fato de constarem nominativos, quando da compensação, a pessoas distintas do profissional que prestou os serviços de odontologia. 15. Até porque, quanto aos recibos e às cópias de cheques, a fiscalização não contestou a idoneidade desses documentos, apenas entendeu insuficientes para comprovar as despesas odontológicas, por não permitirem a verificação imediata e inequívoca do nexo entre recibos apresentados e os pagamentos correlatos. No entanto, longe da realização de uma valoração de prova de forma isolada, devese ponderála no contexto do conjunto probatório como um todo disponível nos autos. 16. Os documentos de quitação fazem expressa menção aos números e aos valores dos cheques recebidos em pagamento, havendo correspondência entre eles (fls. 16/22). Tais informações foram corroboradas por declaração do prestador acostada às fls. 15. 17. Além disso, em ao menos um dos quatro cheques é possível identificar a compensação em nome de outro cirurgiãodentista, Aridio Costa Júnior, CRO 1033, o que reforça a probabilidade de repasse dos cheques inicialmente recebidos pela Dra. Halina Massignan Berejuk a título de pagamentos pelos serviços prestados à recorrente (fls. 18). 18. De mais a mais, os valores pagos, no montante total de R$ 19.570,00, são compatíveis com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte, representando dez por cento, não se podendo falar em deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados (fls. 25 e 27). 19. Reconheço que infelizmente em nosso país não constitui uma prática incomum beneficiarse de deduções indevidas e utilizarse de recibos e de outros documentos fraudulentos para a comprovação perante as autoridades fiscais. Conduta que exige atuação firme do Poder Público no sentido de coibir e punila. 20. Por outro, lado, mesmo que as declarações e os recibos emitidos pelo prestador dos serviços não impliquem prova absoluta da legalidade das deduções, podendo a fiscalização questionar os documentos, a falta da sua aceitação sem motivos plausíveis, distante da linguagem de provas, resulta certamente em suposições indevidas e prejudiciais aos profissionais envolvidos, o que não se coaduna com o princípio geral de direito, aceito universalmente, que a boafé deve ser presumida, ao passo que a máfé provada pelo interessado. 21. Em conclusão, tendo em vista os requisitos previstos na legislação tributária, sintome confortável em afirmar que o conjunto probatório existente nos autos é hábil e satisfatório para comprovar a regularidade das deduções e afastar, por consequência, a imputação da irregularidade apontada pela fiscalização. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 19985.721302/201330 Acórdão n.º 2401004.383 S2C4T1 Fl. 64 8 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para restabelecer as deduções a título de despesas médicas no importe de R$ 9.460,00 (nove mil quatrocentos e sessenta reais), relativamente ao anocalendário 2009. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 64DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 01/08/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assin ado digitalmente em 01/08/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720020/2014-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 16/03/2008 a 09/12/2011
RECURSO DE OFÍCIO. MULTA REGULAMENTAR. ERRO NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. OMISSÃO DE AJUSTE DO VALOR ADUANEIRO. DESCABIMENTO.
A aplicação da multa regulamentar por erro ou omissão de informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do valor aduaneiro restringe-se às hipóteses previstas na Lei ou em ato do Secretário da Receita Federal, dentre as quais, até o momento, não se inclui a omissão de despesa a ser acrescida ao valor aduaneiro da mercadoria.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. DESPESAS COM CARGA, DESCARGA, E MANUSEIO. MERCOSUL. BRASIL. INCLUSÃO. CONTEÚDO DA EXPRESSÃO "ATÉ O PORTO OU LOCAL DE IMPORTAÇÃO".
O Acordo de Valoração Aduaneira (AVA-GATT) estabelece, em seu Artigo 8, parágrafo 2, que os membros poderão prever a inclusão ou exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos gastos relativos à carga, descarga e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas "até o porto ou local de importação". No MERCOSUL (Decisão CMC no 13/2007, Artigo 5), e no Brasil (Regulamento Aduaneiro, artigo 77, II), tais gastos foram incluídos no valor aduaneiro. A expressão "até o porto ou local de importação" inclui as despesas com descarga no país importador, necessárias para que a mercadoria efetivamente saia da embarcação e chegue ao porto. A chegada da mercadoria ao porto não se confunde com a chegada da embarcação ao porto.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7o DA LEI No 10.865/2004. RE 559.607/SC-RG.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou, em decisão definitiva, a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7o da Lei no 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro, devendo, portanto, tal decisão ser reproduzida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em prestígio ao quanto disposto no § 2o do art. 62 de seu Regimento Interno, excluindo-se da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP-importação e da COFINS-importação as parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições.
Numero da decisão: 3401-003.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, julgado em sessão do mês maio/2016, não tendo participado o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Quanto ao recurso voluntário, julgado em sessão do mês de agosto/2016, por maioria de votos, deu-se parcial provimento para excluir o ICMS e as próprias contribuições da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Rodolfo Tsuboi, que davam provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira apresentou declaração de voto. Os Conselheiros Waltamir Barreiros e Elias Eufrásio não participaram do julgamento do recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, Susy Gomes Hoffman, OAB-SP no 103.145.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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MULTA REGULAMENTAR. ERRO NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. OMISSÃO DE AJUSTE DO VALOR ADUANEIRO. DESCABIMENTO. A aplicação da multa regulamentar por erro ou omissão de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do valor aduaneiro restringese às hipóteses previstas na Lei ou em ato do Secretário da Receita Federal, dentre as quais, até o momento, não se inclui a omissão de despesa a ser acrescida ao valor aduaneiro da mercadoria. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINS IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. DESPESAS COM CARGA, DESCARGA, E MANUSEIO. MERCOSUL. BRASIL. INCLUSÃO. CONTEÚDO DA EXPRESSÃO "ATÉ O PORTO OU LOCAL DE IMPORTAÇÃO". O Acordo de Valoração Aduaneira (AVAGATT) estabelece, em seu Artigo 8, parágrafo 2, que os membros poderão prever a inclusão ou exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos gastos relativos à carga, descarga e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas "até o porto ou local de importação". No MERCOSUL (Decisão CMC no 13/2007, Artigo 5), e no Brasil (Regulamento Aduaneiro, artigo 77, II), tais gastos foram incluídos no valor aduaneiro. A expressão "até o porto ou local de importação" inclui as despesas com descarga no país importador, necessárias para que a mercadoria efetivamente saia da embarcação e chegue ao porto. A chegada da mercadoria ao porto não se confunde com a chegada da embarcação ao porto. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINS IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 20 /2 01 4- 17 Fl. 1309DF CARF MF 2 DA PARTE FINAL DO INCISO I DO ARTIGO 7o DA LEI No 10.865/2004. RE 559.607/SCRG. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou, em decisão definitiva, a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7o da Lei no 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, consequentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro, devendo, portanto, tal decisão ser reproduzida por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em prestígio ao quanto disposto no § 2o do art. 62 de seu Regimento Interno, excluindose da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação as parcelas referentes ao ICMS e ao valor das próprias contribuições. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, julgado em sessão do mês maio/2016, não tendo participado o Conselheiro Rodolfo Tsuboi. Quanto ao recurso voluntário, julgado em sessão do mês de agosto/2016, por maioria de votos, deuse parcial provimento para excluir o ICMS e as próprias contribuições da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Rodolfo Tsuboi, que davam provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira apresentou declaração de voto. Os Conselheiros Waltamir Barreiros e Elias Eufrásio não participaram do julgamento do recurso voluntário. Fez sustentação oral, pela recorrente, Susy Gomes Hoffman, OABSP no 103.145. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO Relator. ROSALDO TREVISAN Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.291 3 Relatório A) AUTO DE INFRAÇÃO 1. Tratase de Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 11762.720020/201417, situado às fls. 04 e seguintes, lavrado com a finalidade de exigir o pagamento das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, acrescidas de multa de ofício e juros de mora e multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro, totalizando crédito tributário no valor histórico de R$ 35.712.522,22. 2. Em conformidade com o Relatório de Fiscalização, situado às fls. 10601080 do presente processo administrativo, a recorrente realizou diversas importações sem adicionar ao valor aduaneiro dos bens importados os gastos relativos à descarga e ao manuseio (capatazia) associados ao transporte até o porto de descarga, o que afetou diretamente o cálculo do valor aduaneiro e resultou, por decorrência, em recolhimento a menor dos tributos incidentes na etapa da importação. 3. Assim, foi realizado o lançamento de ofício (i) do crédito tributário correspondente à diferença dos tributos devidos, acrescido (ii) da multa de ofício de 75% prevista no art. 725, inciso I do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro), conforme Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, inciso I, e § 1°, com a redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, art. 14, e (iii) da multa regulamentar de 1% em razão de informação inexata por conta da ausência da prestação de informação relativa a acréscimos ao valor aduaneiro previstos na legislação, conforme previsão do art. 711, inciso III, parágrafo 1º, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001, art. 84, caput e Lei nº 10.833/2003, art. 69, parágrafo 1º. B) IMPUGNAÇÃO 4. A contribuinte apresentou impugnação, situada às fls. 7076, alegando, em síntese, que: (i) atua no ramo siderúrgico e importa carvão mineral, matéria prima para produção do aço; (ii) é arrendatária do Porto de Itaguaí, operando cargas de diversas companhias de navegação, prestando serviços de disponibilização de berços de atracação, recebimento, armazenagem, conferência, estufagem, movimentação, embarque e desembarque de carga, veículos e outras cargas; (iii) a entrada das mercadorias objeto das declarações de importação fiscalizadas derase pelo Porto de Itaguaí, sob operação da autuada e, logo os serviços de capatazia mencionados pela fiscalização teriam sido prestados pela própria impugnante (por intermédio de empresa filial), em terminal portuário privativo, não configurando despesas, mas sim custos operacionais; (iv) os dispêndios informados pela autuada na planilha encaminhada à autoridade fiscal em resposta a intimação, e adotada integralmente para fins de ajuste do valor aduaneiro declarado, corresponderiam a gastos com o pagamento de funcionários, estando, portanto, relacionados ao desenvolvimento normal de sua atividade ligada ao segmento de exportação/importação do carvão, não integrando o valor da transação comercial; (v) ainda que o serviço de capatazia questionado tivesse sido prestado por terceiros, a interpretação da autoridade fiscal estaria equivocada, pois a legislação determina a Fl. 1311DF CARF MF 4 inclusão das despesas com a movimentação da mercadoria até a chegada da carga ao porto, não havendo, portanto, como incluir na base de cálculo dos impostos e contribuições os gastos incorridos após a atracação do navio no porto de destino; (vi) existência de contradição entre o § 3º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 327, de 2003, o inciso II do mesmo artigo, o art. 8 do AVA e o art. 77 do RA, vez que o § 3º determina que devem ser consideradas as despesas incorridas no Território Nacional enquanto que os demais dispositivos determinam a adição das despesas até a chegada no local onde se dará a importação; (vii) nos termos do art. 100 do CTN, os atos normativos expedidos por autoridades administrativas são normas complementares, que não podem, sob pena de violação ao princípio da legalidade, extrapolar os limites impostos por normas de hierarquia superior e cita acórdão do TRF da 4ª Região em que se teria enfrentado matéria semelhante à que se debate nos autos e jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes; (viii) há vício na fundamentação da multa regulamentar de 1%: confronta o campo “Enquadramento Legal” do auto de infração com a fundamentação da infração no corpo do relatório, alegando que sua defesa fora dificultada, em razão dos vários dispositivos legais citados, o que conduz à nulidade do auto de infração; (ix) nos termos do § 2º do artigo 69 (base para legal do inciso III do art. 711) do Regulamento Aduaneiro, todas as informações exigidas pela norma foram sido exaustivamente atendidas nas declarações de importação objeto de autuação, caracterizando inexistência de tipicidade na conduta infracional atribuída à impugnante pela autoridade fiscal; (x) o lançamento é nulo, em razão de erro na apuração da base de cálculo das contribuições, em conforme com o quanto decidido no Recurso Extraordinário nº 559.937/RS, em que o Supremo Tribunal Federal declarara inconstitucional a expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições", constante do inciso I do artigo 7o da Lei 10.865/2004, que ultrapassou os limites do conceito de valor aduaneiro definido pelo GATT e, neste sentido, a Receita Federal editou a IN RFB nº 1.401/13, revogando expressamente a IN SRF nº 572/05, para excluir da base de cálculo dos impostos e contribuições incidentes sobre o comércio exterior o valor do ICMS e das próprias contribuições; (xi) no lançamento debatido no presente processo, realizado em 24/03/2014, não foram observadas as disposições da IN RFB nº 1.401/13, o que resultou em exigência maior que a devida. Por estas razões, acima resumidas, requereu o cancelamento do auto de infração lavrado em seu desfavor. C) ACÓRDÃO DE 1ª INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA (DRJ) 5. A Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP, em 10/07/2014, entendeu pela procedência parcial da impugnação para a finalidade de exonerar a parcela correspondente à multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro, correspondente ao montante de R$ 32.056.486,30, conforme ementa abaixo transcrita do Acórdão DRJ nº 11 046.960 proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Recife (PE), de fls. 201 209: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/06/2008 a 09/12/2011 COFINS IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ACRÉSCIMOS. Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.292 5 Incluemse na determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas, e, conseqüentemente, na determinação da base de cálculo da Cofins incidente sobre a importação, os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. INCONSTITUCIONALIDADE DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. APLICAÇÃO DE PRECEDENTE JUDICIAL. SUBORDINAÇÃO AO ENTENDIMENTO DA PGFN. A aplicação, no âmbito da Receita Federal, de precedente judicial relativo a matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, fica condicionada à prévia manifestação da PGFN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/2008 a 09/12/2011 PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. ACRÉSCIMOS. Incluemse na determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas, e conseqüentemente, na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a importação, os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 30/06/2008 a 09/12/2011 MULTA REGULAMENTAR. ERRO NA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. OMISSÃO DE AJUSTE DO VALOR ADUANEIRO. DESCABIMENTO. A aplicação da multa regulamentar por erro ou omissão de informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do valor aduaneiro restringese às hipóteses previstas na Lei ou em ato do Secretário da Receita Federal, dentre as quais, até o momento, não se inclui a omissão de despesa a ser acrescida ao valor aduaneiro da mercadoria". Fl. 1313DF CARF MF 6 6. Diante do provimento parcial, recorreuse de ofício nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, com alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e de acordo com o art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 03/01/2008. D) RECURSO VOLUNTÁRIO 7. Em 10/10/2014, a contribuinte interpôs recurso voluntário, situado às fls. 12101242, no qual reiterou os argumentos de sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator I. DO RECURSO DE OFÍCIO I. 1. Descabimento da multa regulamentar de 1% 8. A autoridade fiscal aplicou a multa regulamentar de 1% com fundamento no § 1º, inciso III do art. 711 do Decreto 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro de 2009), cujas matrizes legais seriam, ainda segundo o auto de infração em comento, a Medida Provisória nº 215835, art. 84, caput e a Lei nº 10.833/03, art. 69, § 1º pelo fato de a contribuinte deixar de incluir as despesas com capatazia no campo "acréscimos" das declarações de importação. 9. A contribuinte sustentou que tal conduta infracional não estaria devidamente tipificada na legislação, uma vez que todas as informações apontadas pelo art. 711 do RA/2009 teriam sido prestadas. Aduz, ademais, que sequer seria possível a informação de tais acréscimos porque, em seu entendimento, tais despesas não comporiam a base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação. 10. Deixandose de lado, por um momento, a alegação quanto ao mérito naquilo que se refere à formação da base de cálculo de tais tributos, constatamos, a partir da leitura do art. 711, em seu inciso III, que será aplicada a multa de 1% do valor aduaneiro ao importador que "omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado". 11. Em seguida, o § 1º do dispositivo delimita aquelas informações que ensejam a aplicação da penalidade: além daquelas expressamente definidas pelo Secretário, as informações que "(...) compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo aquelas enumeradas nos incisos I a V". 12. Prosseguimos com o raciocínio do próprio acórdão recorrido: Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.293 7 "(...) o uso da expressão incluindo poderia resultar em dúvida quanto a tratarse de lista exaustiva ou meramente exemplificativa. Nesse último caso, poderseia interpretar que, além daquelas expressamente mencionadas, toda e qualquer informação erroneamente prestada ou omitida na declaração de importação suscitaria a imposição daquela penalidade. Todavia, a meu ver, a leitura atenta daquele dispositivo revela que se trata de enumeração exaustiva, sendo que a extensão da aplicação da penalidade a outras informações exigidas no âmbito da declaração de importação demandaria ato do Secretário. Com efeito, os incisos I a V tratam de dados que fazem parte da declaração de importação, apenas reforçando, como no caso do inciso III (descrição detalhada da mercadoria), elementos considerados essenciais para completude da informação e que não teriam sido objetivamente tratados na DI. No entanto, verificase, nos casos dos incisos II, IV e V (destinação da mercadoria, país de procedência, origem e aquisição, porto de embarque e desembarque), que nenhum detalhe foi acrescido às informações objetivamente requeridas na DI. Assim, pareceme evidenciado que o legislador considerou que, dentre os dados prestados na declaração, aqueles especificamente enumerados seriam de tal forma relevantes para o exercício do controle aduaneiro que sua omissão ou informação inexata ensejaria a aplicação de penalidade. Houvesse a intenção de penalizar todo e qualquer erro, teria o legislador estabelecido diretamente que a omissão ou prestação equivocada de qualquer dado da declaração seria penalizada com a multa em análise. Por outro lado, entendo que a previsão de que apenas o Secretário poderia incluir outras informações no rol daquelas puníveis com a referida multa reforça a convicção de que não se admite a interpretação discricionária, pela autoridade administrativa, de que um ou outro dado da DI, que não aqueles expressamente enumerados, poderia ser considerado relevante para a determinação do procedimento de controle apropriado e, desse modo, ensejar a aplicação de multa em caso de omissão" (seleção e grifos nossos). 13. Por outro lado, a partir da leitura do art. 711, em seu inciso III, há de se recordar que será aplicada a multa de 1% do valor aduaneiro ao importador que "omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado". 14. Em nosso entendimento, o fato de a contribuinte ter deixado de incluir as despesas de capatazia no valor aduaneiro dos produtos importados não configura a previsão do dispositivo, pois não representa "(...) informação de natureza administrativo tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado", pois a necessidade de prestação da informação sobre os valores referentes às despesas com capatazia na declaração de importação, em conformidade com o Fl. 1315DF CARF MF 8 subitem 44.2 o do Anexo I da Instrução Normativa SRF nº 680/2006, não implica que tal dado seja necessário para a determinação do procedimento controle aduaneiro. 15. Na verdade, os dados e informações necessários para a determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado da mercadoria importada podem ser encontrados no art. 20 da Instrução Normativa SRF nº 69, de 10/12/1996 que disciplina o despacho aduaneiro de importação: Instrução Normativa SRF nº 69, de 10/12/1996 Art. 19. Após a recepção dos documentos, a declaração será selecionada para um dos seguintes canais de conferência aduaneira (...). (...) Art. 20. A seleção da declaração a que se refere o artigo anterior será efetuada por intermédio do SISCOMEX, de acordo com limites e critérios estabelecidos pela CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro COANA, que deverá levar em consideração, entre outros, os seguintes elementos: I regularidade fiscal do importador; II habitualidade do importador; III natureza, volume ou valor da importação; IV valor dos impostos incidentes ou que incidiriam na importação; V origem, procedência e destinação da mercadoria; VI tratamento administrativo e tributário; e VII características da mercadoria. 16. Neste sentido, o voto vencedor do Acórdão CARF nº 3302003.197, prolatado em sessão de 17/05/2016 pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, de cujo voto vencedor, de lavra do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, redator designado, extraise o seguinte trecho: "Da simples leitura dos referidos preceitos regulamentares, verificase que o valor aduaneiro e os seus ajustes/acréscimos não constituem elemento ou informação necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado da mercadoria importada. Além disso, não há notícia que exista outro ato normativo que determine que a informação ou a inclusão dos valores das despesas com descarga e manuseio da carga importada seja necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro da operação de importação. Assim, diferente do entendimento do i. Relator, temse que o simples fato de ser obrigatória a prestação da informação sobre os valores das despesas com capatazia na DI, conforme determinado no subitem 44.2 da Instrução Normativa SRF 680/2006, não significa que a dita informação seja necessária à determinação do procedimento controle aduaneiro. Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.294 9 No caso, para que seja configurada a infração, além de obrigatória, a informação ainda precisa ser necessária à determinação do procedimento controle aduaneiro. Sem essa condição, por certo, toda e qualquer informação omitida ou prestada de forma incorreta ou inexata na DI configuraria a prática da referida infração, o que não representa o real alcance da norma em comento, conforme demonstrado precedentemente. Para esse fim, é necessário que ato normativo editado pela RFB explicite que determinada informação ou elemento seja necessário à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, o que ainda não ocorreu com o valor aduaneiro ou com os seus ajustes/acréscimos. Em relação ao valor aduaneiro, cabe consignar que a partir da vigência da Instrução Normativa SRF 327/2003, que instituiu um novo modelo de controle administrativo do valor aduaneiro, os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação passaram a ser realizados após o despacho de importação e não mais no curso do referido despacho. Os novos procedimentos foram estabelecidos no art. 31 da referida Instrução Normativa, a seguir reproduzido: 'Art. 31. Os procedimentos fiscais para verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado às regras e disposições estabelecidas na legislação serão realizados após o despacho aduaneiro de importação, sob a responsabilidade da unidade da SRF com jurisdição sobre o domicílio fiscal do importador e que possua atribuição regimental para executar a fiscalização aduaneira'. Em decorrência desse nova forma de procedimento, foram extintos os critérios de seleção do despacho aduaneiro no Siscomex para análise do referido valor e a Administração redirecionou seus esforços para as atividades de auditorias pós despacho aduaneiro. Assim, a rotina de exame conclusivo do valor aduaneiro foi absorvida pelos procedimentos de uma auditoria de zona secundária. A apresentação da Declaração de Valor Aduaneiro (DVA), inclusive, deixou de ser obrigatória no momento do despacho, podendo ser exigida relativa à mercadoria objeto de valoração, conforme o método aplicado. Em face dessa forma procedimental, no curso da fase de conferência aduaneira do despacho, a informação sobre o valor aduaneiro, incluindo os ajustes, deixou de ser necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. Com base nessas considerações, chegase à conclusão que a conduta imputada a autuada não se subsume a hipótese da infração definida no art. 711, III, do RA/2009" (seleção e grifos nossos). Fl. 1317DF CARF MF 10 17. Com base nos próprios fundamentos da decisão recorrida, aos quais acrescemos os nossos, acima expostos, portanto, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão prolatada no Acórdão nº 11046.960 proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Recife (PE) neste particular. II. DO RECURSO VOLUNTÁRIO 18. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. II. 1. Da inclusão das despesas com capatazia na base de cálculo do PIS/PASEPImportação e da CofinsImportação ("valor aduaneiro") 19. Em percuciente estudo, merecedor de encômios, realizado pelo Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan no Acórdão CARF nº 3401003.137, em sessão de 17/03/2016, na qual votei vencido, chegou o relator à conclusão, depois de longo e pertinente arrazoado, de que "(...) não há óbice internacional à inclusão das despesas com operações de carga, descarga e manuseio realizadas no porto ou local de importação como decorrência de (ou associadas a) um transporte internacional", sendo possível à legislação nacional limitar tal inclusão. 20. Realizou o conselheiro relator do acórdão em referência, em seguida, a análise da legislação brasileira a respeito do tema, de maneira a reconstruir o histórico normativo que norteou a discussão, partindo (i) da edição do Decreto no 2.498/1998 como marco inicial da disciplina da matéria na era pósOMC;1 seguida (ii) da Instrução Normativa SRF no 16/1998;2 (iii) do Ato Declaratório da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira nº 3/2000, que inclui expressamente os gastos de descarga e manuseio no valor aduaneiro;3 (iv) dos artigos 77 e 79 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002);4 os arts. 4º e 1 Decreto no 2.498/1998 Art. 17. No valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira): I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e III o custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e II". 2 IN SRF nº 16/1988 Art. 2º Na apuração do valor aduaneiro, qualquer que seja a condição de entrega da mercadoria negociada entre o importador e o exportador, bem como o método de valoração utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte da mercadoria até a chegada aos locais referidos no inciso anterior; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações indicadas nos incisos anteriores (...). Art. 3º O valor aduaneiro não abrangerá os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória: I custos de transporte e seguro, bem como os gastos associados a esse transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do artigo anterior; e II encargos relativos a construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica da mercadoria importada, executados após a importação. 3 Ato Declaratório da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (AD COANA) nº 3/2000: "Os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, integram o valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada". 4 Decreto no 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro) Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (...): I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e Fl. 1318DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.295 11 5º da Instrução Normativa SRF no 327/2003;5 e, por fim, (v) os arts. 77 e 79 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto no 6.759/2009).6 21. Parecenos, mediante a análise do recorte normativo em referência, perfeitamente possível que o Brasil inclua as despesas de capatazia na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação. Não deve prosperar, de fato, neste sentido, o vetor que fundamentou o voto vencedor do Recurso Especial nº 1.239.625/SC no sentido de que a Instrução Normativa nº 327/2003 desrespeitaria o Acordo de Valoração Aduaneira assim não nos parece e, logo, endossamos o seguinte entendimento externado pelo conselheiro relator do Acórdão CARF nº 3401003.137 em trecho de seu minucioso voto: "(...) na análise internacional (...) não há qualquer comando em tratado internacional vigente que obrigue expressamente nem a inclusão nem a exclusão das despesas com operações de carga, descarga e manuseio realizadas no porto ou local de importação como decorrência de (ou associadas a) um transporte internacional".7 22. Ainda assim, há de se reconhecer que o Superior Tribunal de Justiça tem declarado a ilegalidade da Instrução Normativa nº 327/2003 via decisões monocráticas denegatórias de seguimento de recursos especiais, como se tem notícia, v.g., a partir da III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II (...). Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do valor de transação, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória (...): I os encargos relativos à construção, à instalação, à montagem, à manutenção ou à assistência técnica, relacionados com a mercadoria importada, executados após a importação; e II os custos de transporte e seguro, bem assim os gastos associados ao transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do art. 77. 5 Instrução Normativa SRF no 327/2003 Art. 4º Na determinação do valor aduaneiro, independentemente do método de valoração aduaneira utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas, até a chegada aos locais referidos no inciso anterior; e III o custo do seguro das mercadorias durante as operações referidas nos incisos I e II (...) § 3o Para os efeitos do inciso II, os gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional serão incluídos no valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada (...). Art. 5º No valor aduaneiro não serão incluídos os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, na respectiva documentação comprobatória: I custos de transporte e seguro, bem assim os gastos associados a esse transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do artigo anterior; e II encargos relativos a construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica da mercadoria importada, executadas após a importação. 6 Decreto no 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro) Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (...): I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II (...) Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do valor de transação, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória (...): I os encargos relativos à construção, à instalação, à montagem, à manutenção ou à assistência técnica, relacionados com a mercadoria importada, executados após a importação; e II os custos de transporte e seguro, bem como os gastos associados ao transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do art. 77. 7 Acórdão CARF nº 3401003.137 Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan, sessão de 17/03/2016. Fl. 1319DF CARF MF 12 Decisão Monocrática no Recurso Especial nº 1.577.547, de 10/03/2016, proferida pela Ministra Relatora Regina Helena Costa, que, em suas razões, aponta que o acórdão recorrido teria adotado "(...) entendimento pacificado" na Corte Superior. 23. Em idêntico sentido, o Tribunal Regional da 4ª Região pacificou a matéria, de maneira que, em 05/09/2016, editou a súmula abaixo transcrita: TRF4 Súmula nº 92, de 05/09/2016 "O custo dos serviços de capatazia não integra o 'valor aduaneiro' para fins de composição da base de cálculo do imposto de importação". 24. Colhese, a partir do Recurso nº 505194507.2015.4.04.7100/RS, que tramitou na 1ª Turma do Tribunal Regional da 4ª Região sob relatoria do Desembargador Federal Jorge Antonio Maurique, apontado como precedente para a edição da súmula, a seguinte ementa: "A expressão 'até o porto', contida no Regulamento Aduaneiro, não inclui despesas ocorridas após a chegada do navio a o porto. A Instrução Normativa SRF nº 327/2003, extrapolou o contido no art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira e art. 77 do Decreto nº 4.543, de 2002. Considerando que a capatazia é a atividade de movimentação de mercadorias nas instalações dentro do porto, logo, o que se dá após a chegada na mercadoria no porto, não pode ser considerada na composição do valor aduaneiro para fins de incidência do Imposto de Importação" (seleção e grifos nossos). 25. Observamos, por outro lado, que a amplitude da base de cálculo, ainda que consentânea com o desenho da competência atribuído pelo constituinte, e ainda que em perfeita harmonia com os acordos internacionais dos quais o Brasil participe, apenas se aperfeiçoará caso atendido o requisito da legalidade, o que nos motiva a revisitar o recorte normativo em referência a partir de diversa perspectiva. 26. Ao se analisar com o devido cuidado o estudo realizado pelo conselheiro relator do Acórdão CARF nº 3401003.137, notase o seguinte raciocínio: tanto o o teor do Ato Declaratório COANA no 3/2000, como a Instrução Normativa SRF no 327/2003, neste particular, em absolutamente nada destoam do Acordo de Valoração Aduaneira, e buscam, a bem da verdade, fazer "(...) parte de uma mesma contextualização nacional do AVA", de forma a entre tais instrumentos normativos não se encontrar dissonância, mas harmonia. 27. A ressalva que deve ser feita, com a devida vênia ao açodado voto proferido pelo conselheiro, é no sentido de que, ainda que os instrumentos infralegais sejam consentâneos com os acordos internacionais, de nada valem caso não atendido o pressuposto intransponível da legalidade. 28. Assim, da mesma maneira que ao tratado internacional não cabe criar ou majorar tributos, mas apenas traçar os limites da jurisdição de cada ente soberano,8 ocluindo 8 Conforme a didática metáfora da "máscara" ou gabarito de Klaus Vogel por cujas lacunas é permitido vazar o conteúdo eficacial dos fatos geradores instituídos pelo direito interno, ou seja, o livre e pleno exercício da pretensão tributária do Estado, e fora destes limites não. Fl. 1320DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.296 13 fatos geradores, sem, no entanto, criálos, ao texto infralegal cabe o dever de regulamentar, e não de definir a extensão e o alcance da base de cálculo. 29. Como se sabe, a Lei no 10.865/2004, ao versar sobre a base de cálculo das contribuições em análise, remeteu ao "valor aduaneiro"; não obstante, as normas infralegais que serviram para regulamentar a dicção legal se voltaram ao adjunto adverbial de lugar "até o porto" ou "até a chegada aos locais" para demonstrar a extensão de fatos econômicos que estariam compreendidos na base de cálculo do PIS/PASEPImportação e da CofinsImportação. 30. Observese que o próprio histórico realizado no voto em referência admite a polissemia e a ambigüidade do termo "até o porto", a ponto de sentir necessidade de ler a expressão em todos os idiomas em que se apresenta o texto autêntico do AVA: inglês ("to the port"), francês ("jusqu'au port") e espanhol ("hasta el puerto"). A conclusão do conselheiro, depois de sua análise, é a seguinte, e estas são as suas palavras: "(...) em todas as versões parece surgir uma ambiguidade, derivada usualmente do termo "até" (inclusive na versão inglesa, com variante do termo), sempre que o complemento seja uma coordenada de tempo (que não se consubstancie imediatamente) ou espaço (que se revele uma área, e não um ponto)" (seleção e grifos nossos). 31. Segundo seu voto, e também segundo as nossas convicções, em nenhuma das versões, ou seja, em nenhum dos idiomas em que o texto autêntico do AVA é vertido, cessa a incerteza. 32. Em seguida, o voto passou a realizar a análise internacional do tema e, ato contínuo, noticiou que a ambigüidade da expressão teria sido resolvida, no Brasil, no plano infralegal. Contudo, cabe se apontar para o fato de que a Lei no 10.865/2004, apesar de ser posterior ao Ato COANA nº 03/2000, ao Regulamento Aduaneiro de 2002, e à Instrução Normativa nº 327/2003, que incluíram na base de cálculo as despesas em análise, determinou apenas que "a base de cálculo será o valor aduaneiro" (art. 7º, inciso I). 33. Uma inflexão deve ser feita neste ponto antes de prosseguir no raciocínio: a mudança de posicionamento acerca da composição da base de cálculo por parte da própria Receita Federal entre os anos de 1998 e 2003 merece reprovação, ainda que a posição nova eventualmente melhor se harmonize com a prática internacional. Isto porque a Instrução Normativa SRF no 16/1998 nada previa quanto à inclusão das despesas de capatazia na base de cálculo das contribuições e, sem qualquer alteração legislativa, a Instrução Normativa nº 327/2003 passou a incluílas em deferência ao conteúdo de ato declaratório editado pela própria Receita Federal. É dizer: ao largo de qualquer previsão legal, e de disposição expressa do Código Tributário Nacional, conforme se desenvolverá a seguir, ato meramente regulamentar passou a incluir na base de cálculo fenômeno econômico que antes ali não estava. 34. Somente no ano de 2004 foi editada pelo Congresso Nacional e sancionada pela Presidência da República a Lei 10.865/2004. Mesmo diante do novo posicionamento da Receita Federal, pelo alargamento da base de cálculo, que passou a contemplar as despesas em debate, preferiu o legislador ordinário não demonstrar o que deveria Fl. 1321DF CARF MF 14 ser considerado na composição do valor aduaneiro, em conformidade com o inciso I do seu art. 7º, relegando a expressão "até o porto", portanto, à interpretação dos aplicadores da norma. 35. Neste sentido, ao se realizar o controle de legalidade dos atos administrativos, neste caso o lançamento tributário, ato plenamente vinculado, entendemos que a autoridade fiscal apenas pode fazer aquilo que lhe faculta a lei, e em nenhum momento encontramos este permissivo ao traçarmos, de nossa perspectiva, a moldura normativa oferecida pelo texto da Lei nº 10.865/2004. 36. A omissão do legislador, parecenos, não pode ser considerada como silêncio eloqüente, seja (i) para afirmar que endossou a interpretação administrativa exposta pela Instrução Normativa SRF no 327/2003, seja (ii) para infirmar a despesa de capatazia do valor aduaneiro. 37. A polissemia dos textos se concretiza para a contribuinte como insegurança e incerteza e, ao jurisdicionado, como deriva normativa, restandolhe aguardar, no decurso do mar tormentoso dos anos, o sabor da decisão das cortes administrativas e judiciais: "Nossa ênfase tem recaído sobre a tarefa de legislar em matéria tributária (leis e até mesmo regulamentos) de forma a atender aos requisitos de certeza, transparência, simplicidade e modicidade na relação tributária. Ou seja, não estamos a tratar da busca da praticabilidade no ato de interpretar, mas no de legislar. Uma lei tributária que imponha novo tributo – ou alteração de tributo já existente – deve evitar potenciais dificuldades de interpretação que gerem verdadeiros obstáculos ao atendimento por parte dos contribuintes, o que configuraria falta de previsibilidade e, em sua dimensão jurídica, insegurança"9 (seleção e grifos nossos). 38. Neste sentido, em atenção ao art. 59 da Constituição Federal de 1988, foi editada a Lei Complementar nº 95, de 26/02/1998, que parece ser por vezes deixada de lado no campo tributário ao determinar que as disposições normativas devem ser redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, como no caso presente.10 39. Ocorre, contudo, que, para além da previsão da legalidade como propriedade indissociável do Estado de Direito, garantia do cidadão contra os abusos do poder, conforme se denota a partir da leitura do inciso II do art. 5ª da Constituição Federal de 1988,11 o inciso I do art. 150 veda à União Federal, como limitação ao poder de tributar, exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça, corolário do "(...) direito de concordar com a tributação e controlar o modo como os recursos arrecadados são empregados".12 Assim, em 9 ANDRADE, José Maria Arruda de. Legislador tributário precisa de mais clareza para criar segurança jurídica. Revista Consultor Jurídico, 15 de maio de 2016, 9h05 10 Lei Complementar nº 95, de 26/02/1998 Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: I para a obtenção de clareza: a) usar as palavras e as expressões em seu sentido comum, salvo quando a norma versar sobre assunto técnico, hipótese em que se empregará a nomenclatura própria da área em que se esteja legislando; (...) c) construir as orações na ordem direta, evitando preciosismo, neologismo e adjetivações dispensáveis; II para a obtenção de precisão: a) articular a linguagem, técnica ou comum, de modo a ensejar perfeita compreensão do objetivo da lei e a permitir que seu texto evidencie com clareza o conteúdo e o alcance que o legislador pretende dar à norma; (...) c) evitar o emprego de expressão ou palavra que confira duplo sentido ao texto; d) escolher termos que tenham o mesmo sentido e significado na maior parte do território nacional (...). 11 Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 Art. 5º (...). II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei 12 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 5ª edição, 2015, p. 285. Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.297 15 matéria tributária, um comportamento não deve ser apenas exigido em virtude da lei, mas existe o comando expresso para que a obrigação esteja descrita, prevista, corporificada na lei. Em poucas palavras, tratamos, aqui, da chamada reserva de lei: "(...) ao legislador cumpre definir o antecedente e o conseqüente da norma tributária"13 conseqüente do qual participa, em posição privilegiada, a base de cálculo. "Chamase reserva de lei a característica, que decorre da comparação do artigo 150 com o artigo 5º: enquanto este tolera a delegação, a reserva de lei implica que somente a lei (ela mesma) é que institui ou majora tributo" (seleção e grifos nossos). 40. Partese, então, à questão sobre o que seria instituir ou majorar um tributo, o que ganha prumo a partir da análise do art. 146, II, da Constituição Federal ao dispor que cabe à lei complementar "regular as limitações ao poder de tributar". 41. No ordenamento pátrio, a matéria tributária é regida pelo Código Tributário Nacional que, em geral, cumpre a função prevista pelo inciso II do art. 146 da Constituição. Em seu art. 97 explicita em suas minúcias o conteúdo e a expressão da legalidade, o que serve de norte magnético para o intérprete que se volta ao estudo da base de cálculo: Código Tributário Nacional Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. 42. Todos os momentos da hipótese da relação jurídicotributária devem estar previstos em lei. Em especial, somente a lei pode estabelecer a base de cálculo do tributo. Por outro lado, para que não restem dúvidas, prevê expressamente o § 1º do art. 97 do CTN que a modificação da base de cálculo do tributo se equipara à sua majoração. Em outras palavras: "(...) não se contenta o legislador complementar em exigir que o tributo seja genericamente previsto na lei; tampouco lhe basta a definição da hipótese tributária na lei: também o consequente normativo, isto é o an e o quantum 13 Idem, p. 296. Fl. 1323DF CARF MF 16 debeatur, representados pela definição do sujeito passivo, da base de cálculo e da alíquota, todos devem ser previstos na própria lei".14 43. Não há possibilidade de se prever extensão da base de cálculo de um determinado tributo, portanto, por meio de atos infralegais, salvo naqueles casos expressamente discriminados pela própria norma de regência. Dito de outro modo, o regulamento não é instrumento hábil para a criação ou para a majoração de tributos, e tampouco para a modificação da base de cálculo do tributo que se equipara, ex lege, à sua majoração. Não se concebe que, sem lei, ou, diante da ambiguidade da lei, busquese uma extensão interpretativa unicamente porque este é o valor defendido pelo aplicador. 44. Sem o lastro positivo, o argumento formulado assume feição contramajoritária. Sem o fundamento legal expresso, a decisão cujas razões se apóiam unicamente em construtos doutrinários, sejam nacionais ou internacionais, é inválida. Isto porque a liberdade puramente subjetiva de estabelecer valores “conduz a uma luta eterna de valores e de ideologias, a uma guerra de todos contra todos (...). O que para um é o diabo, para outro é Deus”;15 os valores valem para algo e para alguém – sua dimensão incontida pela falta de deferência ao direito posto apenas conduz à tiranização dos demais elementos que compõem a decisão, e o que resta, a bem da verdade, é a vontade do aplicador manifestada sob um discurso legitimador que ora se vale da doutrina (nacional e internacional), de princípios, de postulados, de interpretações que flertam com a reconstrução histórica de uma pretensa mens legislatoris, e de outros expedientes retóricoracionais.16 O que não se pode obviar, contudo, é a determinação expressa de que, salvo em casos pontuais, a base de cálculo deve estar definida em lei ordinária, por dicção do art. 97 do Código Tributário Nacional. 45. Observese, ademais, a importância da base de cálculo entre todos os elementos constitutivos da obrigação tributária. 46. Recortase do recurso voluntário da contribuinte que os valores acrescidos à base de cálculo alargada das contribuições incidentes sobre a importação correspondem aos custos operacionais com a remuneração de empregados, relacionados ao desenvolvimento de sua atividade precípua (exportação e importação de carvão), e não integrariam, por este motivo, o valor da transação comercial. Do que decorre a questão sobre quais despesas devem ou não ser consideradas “despesas de capatazia”, extensão esta que, à revelia de lei que o defina, fica a cargo da discricionariedade do aplicador, a quem caberá dizer, no caso concreto por exemplo, se o custo pode ou não ser tido como despesa, e, se em caso positivo, em que medida. 47. A questão, portanto, não parece se voltar à indeterminação, pois tal raciocínio redundaria na falácia corporificada na expressão latina de que "in claris cessat interpretatio": "(...) Ao contrário do que muitas vezes aparece na doutrina, não se trata 14 Idem, p. 299. 15 SCHMITT, Carl. “La tiranía de los valores”, In: Revista de Estudios Politicos nº 115, Madrid: Instituto de Estudios Políticos, Enero/Febrero de 1961, p. 75: “(...) ao final da luta entre valorizadores e desvalorizadores se ouvirá em ambos os bandos um horrível pereat mundus”. 16 Supremo Tribunal Federal – ADPF nº 101/DF (24/06/2009) – Trecho do voto do Ministro Eros Grau“(...) quem estabelece os valores? Ora, os valores não são, existem apenas enquanto dotados de validez. Valem para algo ou para alguém. Em outros termos, existem somente enquanto valem para alguém; ou, por outra, não existem (...) A submissão de todos nós a essa tirania é tanto mais grave quanto se perceba que os juristas em especial os juízes quando operam a ponderação entre princípios fazemno, repito, para impor os seus valores, no exercício de pura discricionariedade” Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.298 17 simplesmente do uso ou não de 'conceitos indeterminados' ou de 'termos vagos'". Nas palavras de José Maria Arruda de Andrade, em texto recémpublicado: "Os conceitos são, todos eles, indeterminados. Aprendemos a reagir a comandos e não a acessar essências objetivamente existentes; a linguagem nos serve como instrumentos e ferramentas de interação. Ainda assim, quando pugnamos pela necessidade de se evitar leis obscuras e desnecessariamente complexas, pensamos justamente nos ecletismos, obscurantismos e na falta ou excesso de regulamentação infralegal, sempre potencialmente marcados pela sombra nefasta do consequencialismo interpretativo (aqui, representado na figura da interpretação fazendária que busca entre as possíveis alternativas de sentido apenas a que permita a maior arrecadação)" (seleção e grifos nossos).17 48. Observese que mesmo diante da crítica a tal conclusão, no sentido de que também o contribuinte buscará, entre as possíveis alternativas de sentido, apenas a que permita a menor arrecadação, assentese que se está diante de uma tensão, de interesses em disputa e, por isso mesmo, a nenhuma das pontas da relação (recordese: obrigacional, jurídico tributária, e não de poder ou império) deve ser permitido o acesso à interpretação autêntica naquelas matérias que são reservadas, ratione materiae, à lei, tal como ocorre com relação à base de cálculo ora em debate. 49. Assim, com base nos fundamentos acima expostos, voto pelo provimento do recurso voluntário neste particular para a finalidade de excluir as despesas de capatazia da base de cálculo do PIS/PASEPImportação e da CofinsImportação. II. 2. Da inconstitucionalidade da parte final do inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/2004 50. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 559.007, ao qual foi aplicado o regime da repercussão geral, declarou a inconstitucionalidade da parte final do inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.865, de 30/04/2004, tendo afastado da norma, conseqüentemente, o alargamento do conceito de valor aduaneiro decorrente da expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições". 51. Em consonância com aludida decisão, transitada em julgado em 24/10/2014, a redação atual do dispositivo em comento, a base de cálculo do PIS/Pasep importação e da COFINSImportação sobre "a entrada de bens estrangeiros no território nacional" (inciso I do caput do artigo 3°) deverá ser "o valor aduaneiro", redação dada, ademais, pelo artigo 26 da Lei n° 12.865, de 09/10/2013. 17 ANDRADE, José Maria Arruda de. Legislador tributário precisa de mais clareza para criar segurança jurídica. Revista Consultor Jurídico, 15 de maio de 2016, 9h05 Fl. 1325DF CARF MF 18 52. Em atenção ao art. 62, § 2o do Anexo II do Regimento Interno do CARF, deve este Conselho reproduzir a decisão definitiva de mérito proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal pela sistemática da repercussão geral, prevista no art. 543B do Código de Processo Civil. 53. Assim, como tem reconhecido este colegiado mesmo de ofício, em escorreito cumprimento ao regimento em vigor, devem ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação, nas autuações, as parcelas referentes ao ICMS e às próprias contribuições. Com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, (a) negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a decisão de primeira instância administrativa que afastou a multa regulamentar de 1%; e (b) dar provimento integral ao recurso voluntário interposto, excluindose da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação as parcelas referentes às (b.1) despesas de capatazia, (b.2) ao ICMS e ao valor das próprias contribuições. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.299 19 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado, Manifesto por meio do presente voto divergência em relação ao posicionamento externado pelo relator no que se refere à inclusão de despesas de carga, descarga e manuseio na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação, divergência essa que acabou majoritariamente prevalecendo no seio do colegiado, na apreciação da lide. No entanto, agrego a este voto, sem o caráter vencedor, o esclarecimento de que a acordância com o posicionamento externado pelo relator (e, por consequência, pela DRJ), em relação à matéria sujeita a recurso de ofício, não é total, em que pese isso não afetar o resultado do julgamento, nem de meu voto, na sessão de maio de 2016. Faço a ressalva por entender que a enumeração constante do § 1o do artigo 711 do Regulamento Aduaneiro não é exaustiva, mas exemplificativa. No que se refere à inclusão na base de cálculo das contribuições, a divergência tem por fundamento posicionamento que venho externando neste colegiado recorrentemente (v.g., nos Acórdãos no 3401003.137 e 3401003.138), à luz de análise internacional e nacional do tema. Análise internacional (AVAGATT e as despesas com carga, descarga e manuseio) Como a disciplina aduaneira, desde a metade do século passado, sofre um crescente processo de internacionalização, tornase primordial, a nosso ver, focar inicialmente na legislação internacional.18 Apesar de estarmos analisando, no presente processo, a base de cálculo de tributos nacionais (Contribuição para o PIS/PASEPimportação e COFINSimportação), a Lei Lei no 10.865/2004, ao versar sobre a base de cálculo das contribuições, remeteu ao "valor aduaneiro", termo internacionalmente disciplinado e utilizado como base de cálculo do imposto de importação. Assim, qualquer discussão sobre o conteúdo do "valor aduaneiro" deve iniciar com a análise do acordo internacional que regula a matéria. A base de cálculo do imposto de importação é, hoje, determinada, em regra, segundo o Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), resultante da Rodada Uruguai do GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio), que, no Brasil, foi regularmente incorporado ao ordenamento jurídico nacional, tendo sido aprovado pelo Decreto Legislativo no 30/1994 e 18 Sobre o processo de internacionalização, já tratamos em "Direito Aduaneiro no Brasil: a Hora e a Vez da Internacionalização", In: TREVISAN, Rosaldo. Temas Atuais de Direito Aduaneiro II. São Paulo: LEX, 2015, p. 1160. Fl. 1327DF CARF MF 20 promulgado pelo Decreto no 1.355/1994. E as discussões sobre estar o Brasil (ou outro país participante) ou não cumprindo tal acordo podem ser suscitadas junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), desde sua criação, em 1995, no bojo do Mecanismo de Soluções de Controvérsias da OMC, aprovado na mesma Rodada Uruguai. E o AVA prevê que a base de cálculo do imposto de importação será o "valor aduaneiro", estabelecido segundo seis métodos sequenciais e sucessivos, consagrandose o primado do valor da transação, com os ajustes (obrigatórios e facultativos) previstos no acordo. Um dos ajustes facultativos está previsto no Artigo 8,2 do Acordo:19 "(...) 2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: (a) o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (b) os gastos relativos ao carregamento descarregamento e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e (...)." (grifo nosso) Entretanto, o texto autêntico do AVA, conforme o Acordo Constitutivo da OMC, foi concluído nos idiomas inglês, francês e espanhol. Assim, a versão em língua portuguesa, no que destoar da constante dos textos autênticos, não prevalece, nas discussões no âmbito da OMC. No caso em análise, não parecem existir divergências na tradução que afetem a compreensão do Artigo 8,2, como se vê nos textos do AVA em inglês, francês e espanhol: Inglês: "2. In framing its legislation, each Member shall provide for the inclusion in or the exclusion from the customs value, in whole or in part, of the following: (a) the cost of transport of the imported goods to the port or place of importation; (b) loading, unloading and handling charges associated with the transport of the imported goods to the port or place of importation; and (...)" (grifo nosso) Francês: "2. Lors de l'élaboration de sa législation, chaque Membre prendra des dispositions pour inclure dans la valeur en douane, ou en exclure, en totalité ou en partie, les éléments suivants: a) frais de transport des marchandises importées jusqu'au port ou lieu d'importation, b) frais de chargement, de déchargement et de manutention connexes au transport des marchandises importées jusqu'au port ou lieu d'importation, et (...)"(grifo nosso) Espanhol: "2. En la elaboración de su legislación cada Miembro dispondrá que se incluya en el valor en aduana, o se excluya del mismo, la totalidad o una parte de los elementos siguientes: 19 Texto em língua portuguesa retirado do Decreto n. 1.355/1994. Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.300 21 a) los gastos de transporte de las mercancías importadas hasta el puerto o lugar de importación; b) los gastos de carga, descarga y manipulación ocasionados por el transporte de las mercancías importadas hasta el puerto o lugar de importaci ón; y (...)" (grifo nosso) Contudo, em todas as versões parece surgir uma ambiguidade, derivada usualmente do termo "até" (inclusive na versão inglesa, com variante do termo), sempre que o complemento seja uma coordenada de tempo (que não se consubstancie imediatamente) ou espaço (que se revele uma área, e não um ponto). Quando dizemos que um seguro é vigente até o dia "X" (por exemplo, 14 de fevereiro de 2016), estamos, incluindo ou excluindo o dia 14 de fevereiro de 2016? A meu ver, estamos incluindo, mas isso poderia ser objeto de controvérsia interpretativa. Daí os contratos de seguro estabelecerem, em regra, que a cobertura cessa a um horário determinado (horas, minutos e segundos) do dia "X", para tornar inequívoca a acepção, estabelecendo coordenada de tempo que se consubstancia imediatamente. No caso, uma alternativa à solução da ambiguidade seria simplesmente esclarecer, no contrato, que "o seguro já não estará vigente no dia 15 de fevereiro de 2016, e daí para diante". Da mesma forma, quando dizemos que podem (a critério dos países membros) ser incluídos custos de transporte, e de carga (ou carregamento), descarga (ou descarregamento) e manuseio a ele associados, "até o porto", que é uma área, e não um ponto (aliás isso resta claro no art. 3o, I "a" do Regulamento Aduaneiro brasileiro Decreto no 6.759/2009), estamos nos referindo inclusive a gastos incorridos no porto, como a descarga? E uso, na pergunta, a descarga (ao invés da carga e do manuseio), propositalmente, porque é pouco provável que venha a existir descarga no porto de embarque, no exterior. Estaria o legislador internacional disciplinando, v.g., com o termo "descarga", presente em todos os idiomas do AVA, somente os casos em que a mercadoria sofresse a operação em ponto intermediário do transporte? Entendemos que não, e estamos, com tal visão, na companhia de um dos maiores especialistas do mundo em valoração aduaneira, o argentino Daniel ZOLEZZI, que foi presidente do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira da Organização Mundial das Aduanas (Conselho de Cooperação Aduaneira), e, em sua conhecida obra sobre o tema, revelou: "Los gastos de descarga, por lo general, sólo tienen lugar en el puerto o lugar de importación, hecho que los redactores del Acuerdo conocían bien. Si hubieran pensado incluir en la base de valoración únicamente a los gastos de descarga en los que se incurre en puertos o lugares intermedios, la redacción del Artículo 8 del Acuerdo hubiera sido otra".20 E a forma de incorporação das disposições do AVA por alguns blocos econômicos/regionais endossa as considerações que fizemos sobre a "descarga", com apoio em ZOLEZZI. Vejase como a Comunidade Andina (CAN) disciplinou a faculdade concedida pelo Artigo 8,2 do AVA, na Decisão no 378/1995: 20 ZOLEZZI, Daniel. Valor en Aduana (Código Universal de la OMC). Buenos Aires: La Ley, 2003, p. 198. Fl. 1329DF CARF MF 22 "Art. 5. Todos los elementos descritos en el numeral 2 del artículo 8 del Acuerdo del Valor del GATT de 1994 formarán parte del valor en aduana, excepto los gastos de descarga y manipulación en el puerto o lugar de importación, siempre que se distingan de los gastos totales de transporte. (...) Art. 6. A los efectos del artículo 8, numeral 2 del Acuerdo del Valor del GATT de 1994, se entenderá por "lugar de importación" la primera oficina aduanera del territorio del País Miembro en la que la mercancía deba ser sometida a formalidades aduaneras." Não teve dúvida o legislador andino de que o Artigo 8,2 do AVA regulou a descarga no país importador. Caso contrário, não haveria sequer de cogitar a exclusão dos custos com descarga no porto ou local de importação. Também a União Europeia, em suas três codificações, tratou do tema, cabendo aqui mencionar a última Regulamento UE no 952/2013, especificamente em seu artigo 71, 1, "e", que considera, no valor aduaneiro: "e) As seguintes despesas, até ao local onde as mercadorias são introduzidas no território aduaneiro da União: i) as despesas de transporte e de seguro das mercadorias importadas, e ii) as despesas de carga e de manutenção conexas com o transporte das mercadorias importadas." Ausente, também aí, a "descarga". Entretanto, patente a restrição ao Art. 8,2 do AVA, com a menção a "introdução no território aduaneiro da União". O MERCOSUL, por seu turno, resolveu simplesmente transformar a faculdade outorgada no Art. 8,2 do AVA em obrigatoriedade, como resta claro do Artigo 5o da "Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias", Anexa à Decisão do Conselho do Mercado Comum (CMC) no 13/2007 (incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto no 6.780/2009): "Artigo 5. Ao valor aduaneiro serão incluídos os seguintes elementos: a) os gastos de transporte das mercadorias importadas até o porto ou lugar de importação; b) os gastos com carga, descarga e manuseio, ocasionados pelo transporte das mercadorias importadas até o porto ou lugar de importação; c) o custo do seguro das mercadorias." (grifo nosso) A referida Decisão CMC até tentou, em seu artigo 6o, seguir a linha adotada na União Europeia, de que "o porto ou lugar de importação" seria o ponto de introdução das mercadorias no território aduaneiro do bloco, mas teve que recuar, no art. 27, em função da inexistência, até a aprovação do Código Aduaneiro do MERCOSUL, de precisa identificação do que seja efetivamente o "território aduaneiro do MERCOSUL". Em síntese, o MERCOSUL fez exatamente o que o Brasil já havia feito ao incorporar o acordo de valoração aduaneira resultante da Rodada Tóquio do GATT, basicamente com as mesmas disposições, no Decreto no 92.930/1986 (art. 2o). No mesmo sentido, a Argentina editou o Decreto no 1.026/1987 (com a inclusão no art. 5o). Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.301 23 Há que se destacar, assim, na análise internacional, que não há qualquer comando em tratado internacional vigente que obrigue expressamente nem a inclusão nem a exclusão das despesas com operações de carga, descarga e manuseio realizadas no porto ou local de importação como decorrência de (ou associadas a) um transporte internacional. No acervo de contenciosos da OMC,21 não consta que o tema aqui em análise tenha sido discutido. Dos 17 contenciosos sobre o AVA, a maioria se refere a tratamento aplicável a mercadorias específicas, e os dois que envolvem o Brasil (DS183 e DS197, ambos em fase de consultas) tratam de "preços mínimos". Assim, não há vestígio de regulação específica da matéria na organização internacional que administra o AVA, nem em seu Comitê de Valoração Aduaneira (CVA), nem no Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (CTVA) da Organização Mundial de Aduanas (OMA), também expressamente mencionado como competente para o tratamento do tema no próprio AVA. 22 Incorreto, assim, afirmarse que a vedação à inclusão das despesas com operações de carga, descarga e manuseio realizadas no porto ou local de importação como decorrência de (ou associadas a) um transporte internacional encontra expressa vedação no AVA. E tal afirmação incorreta está presente, inclusive, em julgamento efetuado pela Primeira Turma do STJ, ainda que por voto de desempate da Min. Regina Helena Costa, no RESp no 1.239.625/SC: 23 "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. DESPESAS DE CAPATAZIA. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 4º, § 3º, DA IN SRF 327/2003. ILEGALIDADE. 1. Cingese a controvérsia em saber se o valor pago pela recorrida ao Porto de Itajaí, referente às despesas incorridas após a chegada do navio, tais como descarregamento e manuseio da mercadoria (capatazia), deve ou não integrar o conceito de "Valor Aduaneiro", para fins de composição da base de cálculo do Imposto de Importação. 2. Nos termos do artigo 40, § 1º, inciso I, da atual Lei dos Portos (Lei 12.815/2013), o trabalho portuário de capatazia é definido como "atividade de movimentação de mercadorias nas instalações dentro do porto, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura de volumes para a conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário". 3. O Acordo de Valoração Aduaneiro e o Decreto 6.759/09, ao mencionar os gastos a serem computados no valor 21 Disponível em: https://www.wto.org/english/tratop_e/dispu_e/dispu_agreements_index_e.htm?id=A27. Acesso em: 08.fev.2016. 22 O CTVA da OMA já emitiu 7 Decisões, e diversas opiniões consultivas, comentários e notas explicativas, trazendo ainda o sítio web da organização (http://www.wcoomd.org/en/topics/valuation/instrumentsand tools/decisions_of_the_wto_committee_on_customs_valuation.aspx) alguns estudos de caso. 23 Após o votovista do Sr. Ministro Ari Pargendler conhecendo do recurso especial, mas negandolhe provimento, acompanhando o voto do Sr. Ministro Relator, e o voto do Sr. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho acompanhando o voto divergente do Sr. Ministro Sérgio Kukina, verificouse o empate, suspendendose o julgamento do feito até a composição do "quorum". Prosseguindo o julgamento, após o votodesempate da Sra. Ministra Regina Helena Costa, a Turma, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Sérgio Kukina e Napoleão Nunes Maia Filho, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Fl. 1331DF CARF MF 24 aduaneiro, referemse à despesas com carga, descarga e manuseio das mercadorias importadas até o porto alfandegado. A Instrução Normativa 327/2003, por seu turno, referese a valores relativos à descarga das mercadorias importadas, já no território nacional. 4. A Instrução Normativa 327/03 da SRF, ao permitir, em seu artigo 4º, § 3º, que se computem os gastos com descarga da mercadoria no território nacional, no valor aduaneiro, desrespeita os limites impostos pelo Acordo de Valoração Aduaneira e pelo Decreto 6.759/09, tendo em vista que a realização de tais procedimentos de movimentação de mercadorias ocorre apenas após a chegada da embarcação, ou seja, após a sua chegada ao porto alfandegado. 5. Recurso especial não provido" (grifo nosso) A nosso ver, o tribunal superior realizou uma análise eminentemente nacional (à luz da legislação nacional e da acepção nacional de termos, conforme se depreende do item 2 da ementa) de um tratado internacional, deturpando o teor internacionalmente consagrado dos termos do acordo. Confundese, na decisão da corte, por exemplo, chegada da mercadoria com atracação do navio (conforme se depreende do item 1 da ementa). Por certo que chegada da embarcação é algo que não se confunde com chegada da mercadoria. Uma mercadoria chega ao porto quando nele toca em solo, ou é descarregada em caminhões, esteiras, silos, tanques etc., enquanto que uma embarcação chega ao porto simplesmente quando nele atraca.24 Analisar um acordo internacional com base no entendimento nacional sobre seus termos é, basicamente, descumprir o acordo, o que inclusive permite a discussão em foros internacionais competentes. Por isso, vemos com preocupação a decisão do STJ, reiterese, tomada por desempate, deficiente na análise internacional do tema, o que acabou por distorcer a discussão, e, por consequência, a conclusão alcançada. Acrescentese ainda, nesta análise internacional, que a faculdade outorgada pelo Art. 8,2 do AVA é uma faculdade de adotar bases "FOB" (Free on Board) ou "CIF" (Cost, Insurance and Freight) nas operações. A própria OMC, em seu sítio web, em tópico relativo a informações técnicas sobre valoração aduaneira, esclarece que a faculdade concedida no Art. 8, 2 é pertinente no caso de a países que adotam a valoração em base CIF (Cost, Insurance and Freight).25 No Brasil, é usual dizermos que adotamos bases "CIF" de valoração na importação, e bases "FOB" na importação. Os termos "FOB" e "CIF" são internacionalmente consagrados, e representam dois dos onze INCOTERMS®, termos internacionais de comércio ("international comercial terms") surgidos em 1936, e que, após revisões em 1953, 1967, 1976, 1980, 1990 e 2000, chegaram à versão de 2010, veiculada na Publicação no 715/2010, da CCI (Câmara Internacional de Comércio), e reconhecidos, no Brasil, pela Resolução CAMEX no 21/2011, que assim designa os INCOTERMS "FOB" E "CIF": "FOB FREE ON BOARD (named port of shipment) LIVRE A BORDO (porto de embarque nomeado) O vendedor encerra suas obrigações e responsabilidades quando a mercadoria, desembaraçada para a exportação, é entregue, arrumada, a bordo do navio no porto de embarque, ambos indicados pelo 24 A única hipótese em que uma atracação corresponderia a uma chegada de mercadoria ao porto seria se a própria embarcação fosse a mercadoria importada, transportada por "meios próprios" (v.g., no caso de importação, por empresa brasileira, de navio que chega ao país navegando, e não carregado em um outro navio). 25 Disponível em: https://www.wto.org/english/tratop_e/cusval_e/cusval_info_e.htm. Acesso em 08.fev.2016. Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.302 25 comprador, na data ou dentro do período acordado. Utilizável exclusivamente no transporte aquaviário (marítimo ou hidroviário interior). CIF COST, INSURANCE AND FREIGHT (named port of destination) CUSTO, SEGURO E FRETE (porto de destino nomeado) Além de arcar com obrigações e riscos previstos para o termo FOB, o vendedor contrata e paga frete, custos e seguro relativos ao transporte da mercadoria até o porto de destino combinado. Utilizável exclusivamente no transporte aquaviário (marítimo ou hidroviário interior)" (grifo nosso) Não é preciso muito esforço para concluir que o Brasil adotou base mais próxima do CIF (com seguro e frete) nas importações, ao incluir os ajustes que o AVA considerou facultativos (Art. 8,2).26 Mas o que buscamos é destacar que também aí, no INCOTERM "CIF", está presente a expressão "até o porto de destino". Vejamos, então, como é entendida, na única tradução efetuada no Brasil, por especialista em publicações da CCI: "O vendedor deve pagar todas as despesas relativas às mercadorias, até que tenham sido entregues ao transportador, a bordo do navio, mais o frete o outros custos para enviar a mercadoria até o local de destino, incluindo as despesas de descarregamento".27 Dito isso, e verificado, por diversos meios, em com variados exemplos, que não há óbice internacional à inclusão das despesas com operações de carga, descarga e manuseio realizadas no porto ou local de importação como decorrência de (ou associadas a) um transporte internacional, passase à análise da legislação brasileira, pois, como nos exemplos trazidos na discussão internacional, a própria legislação nacional (ou mesmo regional, no caso de blocos econômicos) pode limitar tal inclusão, tendo em conta que o Art. 8,2 do AVA estabelece tão somente uma faculdade. Análise nacional, no Brasil (AVAGATT e as despesas com carga, descarga e manuseio) A análise nacional, no Brasil, inicia com o Decreto no 2.498/1998, primeira disciplina brasileira da matéria na era pósOMC, que se limitou a copiar o texto do Art. 8,2 do AVA em seu artigo 17:28 "Art. 17. No valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira): 26 É nesse sentido o voto da Ministra Ellen Gracie no RE n.559.937/RGRS: "Cabe observar que o valor aduaneiro compreende também os custos de transporte, de carga, descarga e manuseio e de seguro, de modo que corresponda ao valor do produto posto no país importador, ou seja, ao preço CIF (cost, insurance and freight) e não ao simples preço FOB (free on board)." 27 LUNARDI, Angelo Luiz. Condições Internacionais de Compra e Venda INCOTERMS 2010. 4. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2014, p.137. 28 Já havia disciplina anterior em relação ao acordo de valoração aduaneira celebrado na Rodada Tóquio do GATT, em 1979, e promulgado pelo Decreto n. 92.930/1986, que, como já exposto, tornou, em seu art. 2o, obrigatória a inclusão dos elementos relacionados no Art. 8,2 (que não foi alterado na substância). Tal decreto era disciplinado pela IN SRF n. 39/1994. Fl. 1333DF CARF MF 26 I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e III o custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e II". Em relação à disciplina procedimental, a primeira norma da era pósOMC a tratar da matéria, no Brasil, foi a Instrução Normativa SRF no 16/1998, em seus arts. 2o e 3o: "Art. 2o Na apuração do valor aduaneiro, qualquer que seja a condição de entrega da mercadoria negociada entre o importador e o exportador, bem como o método de valoração utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte da mercadoria até a chegada aos locais referidos no inciso anterior; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações indicadas nos incisos anteriores." "Art. 3o O valor aduaneiro não abrangerá os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória: I custos de transporte e seguro, bem como os gastos associados a esse transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do artigo anterior; e II encargos relativos a construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica da mercadoria importada, executados após a importação." Veja que a norma trabalha com as expressões "até a chegada aos locais" (ao se referir ao excerto do AVA que usa "até o porto ou local" Art. 8,2) e "a partir dos locais" (ao se referir ao excerto do AVA que faz menção a custos de transporte "após a importação" Nota Interpretativa ao Artigo 1,3). Busca, assim, resolver o aparente conflito interpretativo a partir de uma fórmula parecida com a que adotamos no exemplo do seguro do automóvel, no tópico anterior deste voto ("o seguro já não estará vigente no dia 15 de fevereiro de 2016, e daí para diante"). No Brasil, somente nos portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados (conhecidos como locais de "zona primária") poderá efetuarse a entrada ou a saída de mercadorias procedentes do exterior ou a ele destinadas (art. 8o do Regulamento Aduaneiro). Assim, objetivou a Instrução Normativa esclarecer que ficava vedada a inclusão, no valor aduaneiro, de qualquer custo incorrido "do portão para fora" do porto, por exemplo. Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.303 27 E tal fórmula se repetiu em normas posteriores, chegando aos Regulamentos Aduaneiros de 2002 e 2009. E dela decorre o Ato Declaratório da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (AD COANA) no 3/2000: "Os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, integram o valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada". No Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto no 4.543/2002), a matéria foi disciplinada nos artigos 77 e 79: "Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no1.355, de 1994):(Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II." (grifo nosso) "Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do valor de transação, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafo 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no1.355, de 1994): I os encargos relativos à construção, à instalação, à montagem, à manutenção ou à assistência técnica, relacionados com a mercadoria importada, executados após a importação; e II os custos de transporte e seguro, bem assim os gastos associados ao transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do art. 77." (grifo nosso) E, disciplinando o disposto no Regulamento Aduaneiro de 2002, que, em seu art. 731, XX, expressamente revogou o Decreto no 2.498/1998, foi editada a Instrução Normativa SRF no 327/2003, hoje vigente, que tratou do tema em seus arts. 4o e 5o, incorporando, no § 3o do art. 4o, grosso modo, o conteúdo do AD COANA no 3/2000: "Art. 4o Na determinação do valor aduaneiro, independentemente do método de valoração aduaneira utilizado, serão incluídos os seguintes elementos: Fl. 1335DF CARF MF 28 I o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas, até a chegada aos locais referidos no inciso anterior; e III o custo do seguro das mercadorias durante as operações referidas nos incisos I e II. (...) § 3o Para os efeitos do inciso II, os gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional serão incluídos no valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada." (grifo nosso) "Art. 5o No valor aduaneiro não serão incluídos os seguintes encargos ou custos, desde que estejam destacados do preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, na respectiva documentação comprobatória: I custos de transporte e seguro, bem assim os gastos associados a esse transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do artigo anterior; e II encargos relativos a construção, instalação, montagem, manutenção ou assistência técnica da mercadoria importada, executadas após a importação." (grifo nosso) Por fim, o Regulamento Aduaneiro vigente (Decreto no 6.759/2009), em seus arts. 77 e 79, mantém a linha adotada no anterior, em relação ao tema: "Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no1.355, de 1994; e Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias, Artigo 7o, aprovado pela Decisão CMC no13, de 2007, internalizada pelo Decreto no6.870, de 4 de junho de 2009):(Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). I o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II." (grifo nosso) "Art. 79. Não integram o valor aduaneiro, segundo o método do valor de transação, desde que estejam destacados do preço Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.304 29 efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, na respectiva documentação comprobatória (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafo 2, aprovado pelo Decreto Legislativo no30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994): I os encargos relativos à construção, à instalação, à montagem, à manutenção ou à assistência técnica, relacionados com a mercadoria importada, executados após a importação; e II os custos de transporte e seguro, bem como os gastos associados ao transporte, incorridos no território aduaneiro, a partir dos locais referidos no inciso I do art. 77." (grifo nosso) Não se vê, pelos textos aqui transcritos, nenhuma incompatibilidade entre os dispositivos normativos apontados. A utilização da expressão "até a chegada ao" (presente, v.g., no art. 77, II do Regulamento Aduaneiro e no art. 4o, II da Instrução Normativa SRF no 327/2003) não é incompatível com o teor do Ato Declaratório COANA no 3/2000, ou com o § 3o do art. 4o da Instrução Normativa SRF no 327/2003, visto que todos fazem parte de uma mesma contextualização nacional do AVA, historicamente construída, dentro da faculdade outorgada no âmbito do acordo. Da análise nacional do tema, então, não brota dissonância interna, nem em relação ao AVA. Podese até discordar da decisão do país em optar por incluir as despesas com descarga no valor aduaneiro, ou afirmar que a maioria dos países do mundo segue linha diversa, mas não há fundamento, com a legislação hoje vigente, para dizer que isso afronte o AVA, internacionalmente, ou mesmo o Regulamento Aduaneiro brasileiro. Pelo exposto, entendo que deve prosperar o entendimento da fiscalização no que se refere à inclusão das despesas com carga, descarga e manuseio na base de cálculo das contribuições incidentes na importação, sendo irrelevante se quem presta tais serviços é um terceiro ou uma filial da empresa recorrente, cabendo ainda adicionar que as manifestações jurisprudenciais apresentadas, a nosso ver, restam alheias às considerações que externamos sobre o caráter internacional da matéria. Conselheiro Rosaldo Trevisan Fl. 1337DF CARF MF 30 Declaração de Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira Declaração de Voto: Apresento declaração de voto apenas em relação à base de cálculo do PIS/COFINS importação, notadamente se inclui “os gastos relativos à descarga/manuseio associados ao transporte dos bens importados” (capatazia), após oportuno exame das considerações do Conselheiro Rosaldo Trevisan, que foram expostas em processo de sua relatoria, cuja decisão foi formalizada no Acórdão CARF nº 3401003.137 (Processo nº 12466.721968/201316; Data da Sessão: 16/03/2016), em conjunto com a manifestação do Conselheiro Leonardo Branco, na relatoria deste processo, que me trouxeram novas luzes a respeito do tema. A PIS/COFINS importação foi instituída pela Lei nº 10.865/2004, que prevê, na entrada de bens estrangeiros no território nacional, que a base de cálculo das contribuições será o valor aduaneiro, conforme artigos 3º, inciso I, e artigo 7º, inciso I, abaixo transcritos: "Art. 3º O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; (...) Art. 7º A base de cálculo será: I o valor aduaneiro, na hipótese do inciso I do caput do art. 3º desta Lei;" Com isso, levando em consideração que a lei instituidora dessas contribuições adotou como base de cálculo o conceito de valor aduaneiro, sem explicitar o seu conteúdo nem dispor expressamente sobre o que estaria incluído e excluído nesse conceito, na mesma linha do que já previa a legislação de regência do Imposto de Importação29, revelase essencial para se determinar a base de cálculo das contribuições a correta compreensão do significado de valor aduaneiro. Ao longo dos últimos anos, a Receita Federal editou uma série de atos, pelos quais se manifestou pela inclusão dos “gastos relativos ao carregamento descarregamento e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação” no conceito de valor aduaneiro, como se verifica pela análise da Instrução Normativa SRF no 16/1998 (artigos 2º e 3º), do Ato Declaratório da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (AD COANA) no 3/200030, do Regulamento Aduaneiro de 2002, Decreto no 4.543/2002 (artigos 77 e 79), da Instrução Normativa SRF no 327/2003 (artigos 4º e 5º) e do Regulamento Aduaneiro atualmente vigente, Decreto no 6.759/2009 (artigos 77 e 79). Tratamse, todos, de atos infralegais, de caráter regulamentar, que, como se sabe, não se destinam a criar, restringir ou extinguir direitos, mas detalhar, pormenorizar os 29 DecretoLei nº 37/1966: "Art.2º A base de cálculo do imposto é: (...) II quando a alíquota for "ad valorem", o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art.7º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT". 30 Ato Declaratório da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (AD COANA) no 3/2000: "Os gastos relativos à descarga e ao manuseio de mercadorias importadas, associados ao transporte internacional, integram o valor aduaneiro, independentemente da responsabilidade pelo ônus financeiro e da denominação adotada". Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.305 31 direitos previstos em Lei, o que se reflete, no campo do direito tributário, na limitação ao poder de tributar consistente na proibição de instituir ou aumentar tributos por atos dessa natureza, o que só é permitido à Lei, em obediência ao princípio da legalidade, previsto na Carta da República em seu artigo 150, inciso I31, e no Código Tributário Nacional, em seus artigos 3º e 9732. Portanto, tais atos devem ter fundamento de validade em uma Lei que inclua a parcela analisada na base de cálculo das contribuições. Do exame do artigo 77 do Regulamento Aduaneiro atual, Decreto no 6.759/2009, percebese que tais atos infralegais não buscam fundamento de validade nem no artigo 7º, inciso I, da Lei nº 10.865/2004 nem em dispositivos que tratam da base de cálculo do Imposto de Importação, que, como visto acima, apenas determinam que a base de cálculo será o valor aduaneiro, mas apontam como fundamento legal 2 (dois) diplomas que decorrem do plano internacional e tratam justamente do conceito de valor aduaneiro: (i) o Acordo de Valoração Aduaneira ("AVA"), Artigo 8, parágrafos 1 e 2; e (ii) a Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias, Artigo 7º, aprovado pela Decisão Conselho do Mercado Comum (“CMC”) nº 13/2007. Nesse ponto, importante destacar que a Carta da República outorga ao Presidente da República competência privativa para "celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a referendo do Congresso Nacional", que, assim, possui competência exclusiva para "resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional" (artigos 49, inciso I, e 84, inciso VIII, da Carta da República). À luz dessas competências constitucionais, a jurisprudência que se firmou no e. Supremo Tribunal Federal é no sentido de que os tratados internacionais em geral e os acordos celebrados pelo Brasil no âmbito do Mercosul não têm aplicabilidade imediata no plano do direito positivo interno, dependendo, para tanto, de uma série de atos de caráter políticojurídico, que foram bem descritos e definidos no julgamento do CR 8.279AgR, de relatoria do Min. Celso de Mello: "A recepção dos tratados internacionais em geral e dos acordos celebrados pelo Brasil no âmbito do Mercosul depende, para efeito de sua ulterior execução no plano interno, de uma sucessão causal e ordenada de atos revestidos de caráter políticojurídico, assim definidos: (a) aprovação, pelo Congresso Nacional, mediante decreto legislativo, de tais convenções; (b) 31 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 32 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (...) Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Fl. 1339DF CARF MF 32 ratificação desses atos internacionais, pelo chefe de Estado, mediante depósito do respectivo instrumento; (c) promulgação de tais acordos ou tratados, pelo presidente da República, mediante decreto, em ordem a viabilizar a produção dos seguintes efeitos básicos, essenciais à sua vigência doméstica: (1) publicação oficial do texto do tratado e (2) executoriedade do ato de direito internacional público, que passa, então – e somente então – a vincular e a obrigar no plano do direito positivo interno. Precedentes. O sistema constitucional brasileiro não consagra o princípio do efeito direto e nem o postulado da aplicabilidade imediata dos tratados ou convenções internacionais." (CR 8.279AgR, Rel. Min. Presidente Celso de Mello, julgamento em 1761998, Plenário) Com relação ao AVA, esse acordo foi devidamente aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30/1994 e, após, promulgado pelo Decreto Presidencial nº 1.355/1994, de modo que, uma vez que seguiu os trâmites necessários para sua internalização no ordenamento jurídico nacional, pode, em tese, ser admitido o seu status de Lei, para fins de definição de base de cálculo. Contudo, mesmo admitido o seu status de Lei, a norma que se extrai do AVA não tem o condão de amparar os atos infralegais da Receita Federal, simplesmente porque não determinou a inclusão de "gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional" no conceito de valor aduaneiro, outorgando apenas a faculdade de incluir ou não tais gastos aos Estados Contratantes. É ler: "Artigo 8 1. Na determinação do valor aduaneiro, segundo as disposições do Artigo 1, deverão ser acrescentados ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas: (...) 2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: (a) o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (b) os gastos relativos ao carregamento descarregamento e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e (c) o custo do seguro" Dessa maneira, se, de um lado, o AVA contemplou as parcelas a serem consideradas pelos Estados Contratantes na determinação do valor aduaneiro, de outro lado, facultou a inclusão ou exclusão de determinadas parcelas, entre as quais se incluem os "gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional". Assim, a meu ver, fica demonstrada a impossibilidade de o AVA, por si só, justificar a inclusão dos "gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional" no conceito de valor aduaneiro, por manifesta ausência de norma dispondo nesse sentido, o que só veio a ocorrer, no plano internacional, em relação ao Brasil, com a "Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias", Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 11762.720020/201417 Acórdão n.º 3401003.216 S3C4T1 Fl. 1.306 33 aprovada pela Decisão CMC nº 13/2007, cujo anexo da Decisão CMC nº 13/2007 prevê o seguinte: "ARTIGO 1 A base de cálculo do Imposto de Importação será o valor aduaneiro das mercadorias importadas, determinado conforme as normas do Acordo sobre a implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994 (GATT), assim como as demais disposições relacionadas com o mesmo e procedentes do ordenamento jurídico do MERCOSUL. CAPÍTULO 2 DETERMINAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO ARTIGO 5 Ao valor aduaneiro serão incluídos os seguintes elementos: a) os gastos de transporte das mercadorias importadas até o porto ou lugar de importação; b) os gastos com carga, descarga e manuseio, ocasionados pelo transporte das mercadorias importadas até o porto ou lugar de importação; c) o custo do seguro das mercadorias". Essa segunda norma foi internalizada pelo Decreto nº 6.870/2009, que foi publicado em 04/06/2009. Pelo exposto até aqui, já poderseia concluir, tendo em conta ainda a aplicação da anterioridade nonagesimal prevista no art. 195, parágrafo 6º, da Carta República, ao PIS/COFINSimportação, como reconhecido pelo jurisprudência33, que para os fatos geradores ocorridos antes de 04/09/2009, não há como se majorar a base de cálculo da PIS/COFINSimportação com os "gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional", por inexistência de qualquer Lei nesse sentido. 33 TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. LEI Nº 10.865/04. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES DO COLENDO STJ E DESTA CORTE. 1. Apelação contra sentença que julgou improcedente mandado de segurança preventivo em que se discute a constitucionalidade da sistemática de recolhimento das contribuições para o PIS e para a COFINS sobre o valor das importações realizadas, nos termos da Lei nº 10.865/2004, a qual alargou o conceito de valor aduaneiro. 2. Os tratados internacionais incorporamse ao ordenamento jurídico brasileiro com status de lei ordinária, motivo pelo qual não se faz necessária a observância pelo art. 7º da Lei nº. 10.865/04 do conceito de 'valor aduaneiro' fornecido pelo GATT. 3. Desnecessidade de lei complementar para a instituição do PISimportação e COFINSimportação, tendo em vista que a Emenda Constitucional nº 42/2003, acrescentou nova fonte de custeio para a seguridade social, com o inciso IV do art. 195 da Carta Constitucional. 4. As contribuições sociais previstas no art. 195 da Constituição Federal não se sujeitam ao postulado da anterioridade geral (art. 150, III, "b"), e sim o da anterioridade nonagesimal, conforme literal disposição do parágrafo 6º do art. 195 da Lei Maior. 5. Precedentes do colendo STJ e desta Corte Regional. 6. Apelação não provida. (AMS 200481000220773, Desembargador Federal Bruno Leonardo Câmara Carrá, TRF5 Terceira Turma, DJE Data::07/07/2011 Página::824.) Fl. 1341DF CARF MF 34 Mas não é só. Para o período posterior, nem mesmo a edição do Decreto nº 6.870/2009 é capaz de justificar a inclusão das despesas de capatazia no valor aduaneiro. Isso porque o Decreto nº 6.870/2009 é um Decreto Presidencial, não tendo havido a necessária e anterior aprovação pelo Congresso Nacional, ao contrário do que ocorreu com o AVA. Conseqüência disso, levando em consideração que o "sistema constitucional brasileiro não consagra o princípio do efeito direto e nem o postulado da aplicabilidade imediata dos tratados ou convenções internacionais"34, é que não há como se reconhecer qualquer status de Lei às disposições dessa norma, que também não pode ser utilizada pela Receita Federal para dar fundamento a supostas regulamentações que acabam por majorar a base de cálculo do PIS/COFINSImportação, em relação ao período posterior a 04/09/2009. Por conseguinte, em prestígio e observação ao princípio da legalidade (Carta da República, artigo 150, inciso I; CTN, artigos 3º e 97), penso que descabe a inclusão dos "gastos relativos à descarga da mercadoria do veículo de transporte internacional no território nacional" no conceito de valor aduaneiro. Essa conclusão, além de consentânea com a legislação de regência do PIS/COFINSImportação e com as limitações ao poder de tributar previstas na Carta da República, está em linha com a jurisprudência de ambas as Turmas de Direito Público do e. Superior Tribunal de Justiça que a ela conclusão chegou, porém, por razões diferentes (REsp 1.239.625/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 4.11.2014; e AgRg no REsp 1434650/CE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/06/2015). Pelo exposto, feitas essas breves considerações, acompanho o voto do ilustre Relator. É como voto. Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira 34 CR 8.279AgR, Rel. Min. Presidente Celso de Mello, julgamento em 1761998, Plenário. Fl. 1342DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934836/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.764
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT HARALD S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 48 36 /2 00 9- 13 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10980.934836/200913 Acórdão n.º 3402003.764 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de PIS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10980.934836/200913 Acórdão n.º 3402003.764 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.934836/200913 Acórdão n.º 3402003.764 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.934836/200913 Acórdão n.º 3402003.764 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000611/2004-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
IMPOSTO DE RENDA. ROYALTIES. LIMITES PARA PAGAMENTO A
DOMICILADOS NO PAÍS.
O art. 71 da Lei n° 4.506/64, embora haja estabelecido modificações, no que concerne a dedutibilidade de despesas de royalties, não revogou o art. 74 da Lei n° 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance.
Numero da decisão: 1802-000.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, João Francisco Bianco e Gilberto Baptista. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto
vencedor, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 IMPOSTO DE RENDA. ROYALTIES. LIMITES PARA PAGAMENTO A DOMICILADOS NO PAÍS. O art. 71 da Lei n° 4.506/64, embora haja estabelecido modificações, no que concerne a dedutibilidade de despesas de royalties, não revogou o art. 74 da Lei n° 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance.
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Recorrente RENO COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA Recorrida ia TURMA/DRJ - BELÉM/PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003 IMPOSTO DE RENDA. ROYALTIES. LIMITES PARA PAGAMENTO A DOMICILADOS NO PAÍS. O art. 71 da Lei n° 4.506/64, embora haja estabelecido modificações, no que concerne a dedutibilidade de despesas de royalties, não revogou o art. 74 da Lei n° 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior, João Francisco Bianco e Gilberto Baptista. Designado o Conselheiro Nelso Kichel para redigir o voto vencedor, nos termos do relatório e votos que.,integram o presente julgado. ,_-------------------:__---- _ _,.. - — ------ :-__;-,,--.-:-."--:--̀--:--...------_,-'-- -::---:-----2---- - - er Ma iirqe-s-f.,---ilis de Sousante. , • Edwal Casoni d 41 P- • . les Júnior- Relator.0.10 ....0001111111,1111 . NELSO rCHEL edator Desi ado. ,, 1 EDITADO EM: 8 JUL 2010 Participaram da Sessão de Julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e João Francisco Bianco (Vice Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário apresentado pela contribuinte Reno Comércio de Alimentos Ltda., por meio do qual pretende ver refoiniada decisão proferida pela i a Turma da DRJ de Belém/PA. Versa o processo em análise acerca de auto de infração (fls. 04 — 05) lavrado em desfavor da recorrente para ajustar a base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas atinente aos anos calendário 1999, 2000, 2001 e 2002. Depreende-se do Termo de Verificação Fiscal encartado às folhas 10 a 13, resumidamente, que a recorrente não teria observado os limites máximos de dedução com despesas de royalties na base de cálculo do IRPJ, tendo em conta o disposto nos artigos 74 da Lei no. 3.470/58 e 12 da Lei IV. 4.131/62 combinado com as portarias MF 436/58, 113/59, 314/70 e 60/94. A par disso, de bom alvitre registrar singelamente os fatos narrados no aludido Termo de Verificação Fiscal. Lá consignou-se que a recorrente é empresa subfranqueada do sistema "MCDonald's, e nessa condição fez constar nas DIPJ's pertinentes aos anos calendários 1999 a 2002, na linha referente a despesas com royalties no país, valores que desconsideraram o limite legal de 4% para dedutibilidade. Em decorrência disso, relembrou a autoridade administrativa, que o artigo 352 do RIR199 admite a dedução de despesas com royalties quando esta for necessária para que o contribuinte mantenha a posse ou fruição do bem ou direito que produz o rendimento. Nessa ordem de ideias, e relembrando a disposição do artigo 355 do RIR/99, aduziu-se que os coeficientes percentuais máximos para as deduções previstas no dito artigo foram estabelecidos pelo Ministro da Fazenda nas Portarias 436/58, 113/59, 314/70 e 60/64. Em análise do panorama normativo que segundo a Fiscalização impunha à recorrente o limite de 4%, constatou-se que os valores deduzidos como despesas operacionais foram superiores consoante quadro demonstrativo de folha 12. - Os valores não dedutíveis, portanto, foram objeto do auto de infração para os fins de ajustar a base de cálculo do IRPJ, porquanto existiam prejuízos fiscais no período. Ciente do lançamento (fl. 04) a recorrente apresentou Impugnação (fls. 279 — 292). De início teceu esclarecimentos acerca do regime de contratação das franquias "McDonald's, concluindo por afirmar que além da licença de uso de marca, há uma série de obrigações entre as partes, porquanto se dispõe colaboração mútua nos termos contratualmente estipulados, contrato que a seu turno, obriga a franqueadora a prestar assessoria periódica, comunicando os conhecimentos especializados, novos desenvolvimentos, técnicas e aperfeiçoamento nas áreas de projeto e construção dos restaurantes, fabricação de equipamentos, gerenciamento, preparação de alimentos e serviços de atendimento pertinentes às operações do restaurante. A contraprestação, por óbvio, é consistente no pagamento dos royalties. 22, Processo n° 10845.000611/2004-10 Sl-TE02 Acórdão n.° 1802-00.426 Fl. 2 Com essas notações propedêuticas, a recorrente passou a arrazoar acerca da dedutibilidade das tais despesas (royalties), afirmando, destarte, que o entendimento da Fiscalização decorreria de interpretação equivocada do quadro normativo vigente, tendo em conta a nova disciplina jurídica dos contratos de franquia estabelecida pela Lei n°. 8.955/94, que a seu turno utilizaria a expressão royalties em acepção diversa daquela adotada pela legislação tributária editada nos idos de 1958 (na qual se funda a autuação), devendo-se ser observado o conceito elastecido pela lei inovadora. A par dessas considerações, afirmou a recorrente que as limitações à dedutibilidade de despesas com royalties não mais poderiam ser aplicadas indistintamente a todas as relações de franquia celebradas entre particulares, devendo excluir-se dessa limitação aquelas cujo objeto seja muito mais amplo e complexo do que a mera licença de uso de marca e serviços de assistência. Isso se justificaria por dois motivos. Primeiro deles se deveria porque o artigo 74 da Lei n°. 3.470/58, teria sido revogado tacitamente pela Lei n°• 4.506/64, nos moldes do artigo 2° da Lei de Introdução ao Código Civil, porquanto a matéria foi inteiramente disciplinada por lei ulterior. Segundo ponto a reafirmar o entendimento da recorrente se deveria à amplitude do conceito trazido pela Lei de Franquia Empresarial. Não bastasse isso, as limitações à dedutibilidade de royalties não encontrariam fundamento de validade no direito positivo, posto que a apuração da renda tributável exige a consideração de todas as despesas necessárias incorridas pela pessoa jurídica, nos termos do artigo 153 da Constituição da República. Conheceu da Impugnação a P Turma da DRJ de Belém/PA, que nos termos do acórdão e voto de folhas 321 a 325 julgou o lançamento procedente, fundamentando para tanto, que as deduções com royalties obedecem os limites máximos estabelecidos no artigo 74 da Lei n°. 3.470/58, ocorrendo que o artigo 71 da Lei n°. 4.506/64, ao estabelecer modificações em relação à dedutibilidade não o revogou, apenas delimitou seu alcance. Afirmou-se de igual forma, não prosperar o entendimento da recorrente de que por ser mais amplo, o sentido de royalties a ser utilizado para fins de dedutibilidade seria aquele descrito na Lei n°. 9.955/94, assim entendeu a ilustrada Turma faltar qualquer amparo legal que sustentasse esse entendimento, além do que, em razão da vinculação da atividade da administração pública, ficaria vedado que o julgador administrativo afastar a aplicação de dispositivo legal vigente. Igual fundamento utilizou a decisão recorrida ao enfrentar o argumento da recorrente de que as limitações à dedutibilidade de royalties não encontram fundamento de validade no direito positivo, posto que a renda tributável exige a consideração de todos as despesas necessárias incorridas pela pessoa jurídica, na forma do artigo 153, III da Constituição da República, reafirmando-se não ser aquela sede acertada para discutir-se a negação de vigência e eficácia dos preceitos e normas postas, e de mais a mais, as leis vigentes gozariam de presunção de legalidade e constitucionalidade. Quanto ao acúmulo de coeficientes de dedutibilidade estabelecidos pela Portaria MF n'.. 436/58, entendeu-se pela não aplicação ao caso concreto, conquanto, a recorrente apresenta às folhas 188 a 221, um único contrato de franquia com bjeto a aqui ição do direito de explorar um Restaurante McDonald's, que a seu turno, prevê um único tipo de royalties de acordo com a divisão estabelecida pela aludida Portaria. O dito tipo de royalties seria aquele previsto no item 2 (produtos alimentares) do 2° grupo o qual estabelece coeficiente máximo de dedução de 4%, isso porque nos termos do inciso II da citada Portaria, a utilização do coeficiente de 1%, pelo uso da marca industrial ou nome de comércio, só é possível quando o uso da marca ou nome não seja decorrente da utilização da patente, processo ou foimula de fabricação, o que não seria o caso dos autos Diante disso, concluiu-se que a recorrente de fato empregou erroneamente o percentual de 5%, como se fosse resultante da soma entre os coeficientes de 4%, para os royalties de uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, e 1% para os royalties de uso de marca, sendo por tudo, procedente o ajuste efetuado na base de cálculo do Imposto de Renda. Cientificada do lançamento (fl. 327), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 328 — 345), invocando como razões de recorrer o conceito de franquia e de royalties e a ausência de fundamentação legal do lançamento tributário, e novamente insistindo na revogação tácita do artigo 74 da Lei no. 3.470/58, ou alternativamente a aplicação cumulativa dos coeficientes percentuais da Portaria MF 436/58, pugnando ao fim por provimento. É relatório. _ Processo n° 10845.000611/2004-10 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.426 Fl. 3 Voto Vencido Conselheiro EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Como visto alhures, a autuação decorre de utilização incorreta do coeficiente percentual de dedutibilidade das despesas com royalties. Antes de tudo, sem prejuízo da decisão recorrida haver se cercado do mesmo cuidado, de bom alvitre reproduzir o quadro normativo invocado no auto de infração, versando acerca da dedutibilidade dos royalties, cita-se nesse mister o artigo 74 da Lei n°. 3.470/58, in verbis: Artigo 74. Para os fins da determinação do lucro real das pessoas jurídicas como o define a legislação do imposto de renda, somente poderão ser deduzidas do lucro bruto a soma das quantias devidas a título de "royalties" pela exploração de marcas de indústria e de comércio e patentes de invenção, por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes até o limite máximo de 5% (cinco por cento) da receita bruta do produto fabricado ou vendido. § 1. Serão estabelecidos e revistos periodicamente mediante ato do Ministro da Fazenda, os coeficientes percentuais admitidos para as deduções de que trata este artigo, considerados os tipos de produção ou atividades, reunidos em grupos, segundo o grau de essencialidade. (.) (meus os destaques e as supressões) Veja-se, diante disso, que pelos artigos referidos se faculta deduzir os gastos com royalties na apuração do tributo devido ao patamar de 5% da receita bruta oriunda do produto fabricado ou vendido. Até aí não haveria óbice algum ao procedimento empreendido pela recorrente, tendo em vista que não se deduziu coeficiente superior a 5%. A questão, contudo, reside na disposição entabulada pelo supracitado § I° do artigo da 74 da Lei n°. 3.470/58, o qual afirmou que os coeficientes percentuais admitidos para as deduções de que se trata serão estabelecidos e revistos pelo Ministro da Fazenda, e serão separados em grupos, segundo o grau de essencialidade. Em um quadro geral e abstrato o que se teve no auto de infração e na decisão recorrida, portanto, foi a consideração de um coeficiente máximo de 5%, podendo haver oscilações dentro dessa linha limítrofe, e precisamente sobre essa permissividade da lei, que vigoraria a Portaria MF n°. 436/58, que estabelece os coeficientes percentuais máximos para as mencionadas deduções, considerando os tipos de produção ou atividade, segundo o grau de essencialidade, observe-se, litteris: O Ministro de Estados e Negócios da Fazenda, no uso das suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. 74. e ,sç 5S. 1° e 2°, da Lei n" 3.470, de 28 de novembro de 1958, relativamente à dedução de "royalties", pela exploração de marcas e patentes, de despesas de assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhante, bem como de quotas para amortização do valor de patentes, na determinação do lucro real das pessoas jurídicas, resolve: a) Estabelecer os seguintes coeficientes percentuais máximos para as mencionadas deduções, considerados os tipos de produção ou atividade, segundo o grau de essencialidade: I - "royalties", pelo uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, despesas de assistência técnica, cientifica, administrativa ou semelhantes: 1° GRUPO - INDÚSTRIAS DE BASE (omissis) 2" GRUPO - INDÚSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO — ESSENCIAIS Tipos de produção - Percentagens . • 2 - Produtos alimentares - 4% (-) 13- OUTRAS INDÚSTRIAS DE TRANSFORMAÇÃO -1% (-) II - "Royalties", pelo uso de marcas de indústria e comércio ou nome comercial, em qualquer tipo de produção ou atividade, quando o uso da marca ou nome não seja decorrente da utilização de patente, processo ou fórmula de fabricação. Feito o cotejo básico da legislação de regência invocada na decisão recorrida, necessário se faz, advertir-se que o enfrentamento das questões colocadas, reclama sejam as razões da recorrente segregadas e estratificadas, pois repousam sobre premissas diversas, muito embora em todos os argumentos procure demonstrar a regularidade da dedução. Cuide-se num primeiro momento de apreciar-se, na ordem colocada pela própria recorrente, o conceito de franquia e royalties, pois segundo a-filmou-se em sede de Recurso Voluntário um conceito mais abrangente, por si só, seria capaz de infirmar a autuação, visto que o contrato de franquia de que dispõe e complexo e dotado de um abrangência que transcende os conceitos da lei que limita a dedutibilidade. Processo n° 10845.000611/2004-10 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.426 Fl. 4 Nesse aspecto, não assiste razão à recorrente. Sistematicamente não há interpretação capaz - salvo a inaceitável tergiversação - tampouco permissivo legal, que autorize não aplicar dispositivo apenas porque se sugere um conceito mais abrangente do que a tutela dada pela lei. Ademais, não se pode confundir o tratamento geral conferido pela Lei n°. 8.955/94, com a especificidade da dedutibilidade de despesas com royalties para fins de apuração do lucro real e, por conseguinte, do imposto devido. Ainda que os conceitos da lei superveniente tenham elastecido a conceituação de franquias e até mesmo dos royalties, tenha este a definição que tiver, sua dedutibilidade estará condicionada aos moldes especificamente fixados, salvo, se houver modificação quanto ao coeficiente ou regramento especifico no campo da dedutibilidade (o que se verá nas linhas seguintes), o que não ocorre como sugerido pela recorrente. Vale dizer, portanto, que pouco importa qual a dimensão do instituto, sua dedutibilidade é condicionada. Se a legislação é obsoleta, arcaica e seus conceitos não acompanharam as inovações da sociedade, é celeuma que se reserva para discussão em outro palco, que não a estreita via de apreciação das autoridades administrativas, a quem compete tão somente zelar pelo cumprimento da estrita legalidade, razão pela qual, não há falar em inaplicabilidade da limitação por verificado elastecimento no conceito de royalties dado por lei superveniente. Outro aspecto sustentado pela recorrente refere-se à suposta revogação tácita do artigo 74 da Lei n°. 3.470/58, e nesse aspecto, melhor sorte lhe socorre, visto que de fato o artigo 71 da Lei n° 4.560/64, ulteriormente à Lei que embasa a autuação disciplinou inteiramente a matéria relativa à dedutibilidade dos royalties sem, contudo, manter em seus dispositivos a limitação percentual, operando-se, destarte, a revogação tácita da legislação anterior, consoante entabula o artigo 2°, § 1° da Lei de Introdução ao Código Civil, e corrobora a sedimentada Jurisprudência Administrativa uniformizada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais por meio do Ac. CSRF/01-04.046/2002, cuja ementa é abaixo transcrita, litteris: ACÓRDÃO CSRF/01-04.046 Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF - Primeira Turma / ACÓRDA0 CSRF/01-04.046 em 19.08.2002 IRPJ IRPJ - IMPOSTO DE RENDA - ROYALTIES - LEI N°3.470/58 - LEI N° 4.506/64 - O art. 71 da Lei n°4.560/64 deu nova redação ao art. 74 da Lei n° 3.470/58, operando-se a revogação tácita (LICC, art. 2°, § 1°) (AC 95.04.49769-1TRF 4" Região e REO 91.02.05879-0 TRF 2" Região, Ac. 1° CC, 101-88.802 e 107- 04.228). Recurso especial do contribuinte conhecido e provido. Por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Verinaldo Henrique da Silva e Zuelton Furtado. EDISON PEREIRA RODRIGUES - PRESIDENTE Publicado no DOU em: 05.08.2003 Relator: JOSÉ CARLOS PASSUELLO Recorrente: PETRALCO COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida: TERCEIRA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessado: FAZENDA NACIONAL Publicação: 05.08.2003 (meus os destaques) tDiante disso, resta rejudicada a fundamentação que suporta a autuação, razão pela qual, conheço do Recurso luntário ra os fins de dar-lhe provimento. e Edwal Casoni de au . - ande Junior nIlliglit .\ 8 ----------Ç , Processo n° 10845.000611/2004-10 SI-TE02 Acórdão n.° 1802-00.426 Fl. 5 Voto Vencedor Conselheiro NELSO KICHEL, Redator Designado Não obstante as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir no ponto que trata da revogação tácita do artigo 74 da Lei n° 3.470/58 pelo artigo 71 da Lei n° 4.506/64. Diversamente do entendimento perfilhado pelo relator, o art. 71 da Lei n° 4.506/64, embora tenha estabelecido modificações no que concerne a dedutibilidade de despesas a título de royalties, não revogou o art. 74 da Lei n° 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance. Nesse sentido, a jurisprudência do Pretório Excelso e do Superior Tribunal de Justiça posta-se sólida e tranqüila em reconhecer que o art. 71 da Lei n. 4.506/64 não revogou o art. 74 da Lei n. 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance, como veremos mais adiante. Neste âmbito administrativo, a Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF em duas oportunidades, pelo menos, já se manifestou acerca dessa matéria. Na Sessão de 25/10/1985, conforme Acórdão CSRF/01-0586, ficou decidido, por unanimidade de votos, que o art. 71 da Lei n° 4.506/64 não revogou as disposições contidas no art. 74 da Lei n° 3.470/58, pois as disposições deste diploma legal são mais abrangentes em relação àquele. A propósito, consta textualmente do voto condutor do relator, in verbis: (-) Da análise feita até aqui neste voto, dos fatos de que tratam os presentes autos e da legislação aplicável, podem ser tiradas, com toda segurança, as seguintes conclusões: 1' ) o artigo 74, da Lei n° 3.470, de 28/11/58, que não faz distinção quanto ao domicílio dos beneficiários dos pagamentos de "royalties" ou de assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, não foi revogado pelos artigos 12 e 13, da Lei n°4.131, de 03/09/62, e 52 e 71, da Lei n°4.506, de 30/11/64, que trataram de despesas dessa natureza, quando os beneficiários são domiciliados no exterior; 2") (..) 39 (.) 1 Diante de todo o exposto, e de tudo o mais que dos autos consta, ( voto no sentido de se negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. 9 (.) Após essa decisão da CSRF, o Supremo Tribunal Federal — STF, por intermédio da l a Turma, em 17/06/88, em sede de Recurso Extraordinário n° 104.368-7/SP, DJ. 28/02/1992, relator Ministro Néri da Silveira, prolatou decisão no mesmo sentido da CSRF, ou seja, pela vigência do art. 74 da Lei n° 3.470/58, nos seguintes termos: 'Recurso Extraordinário. Imposto de Renda. 'Royalties'. Deduções por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, em montante superior ao limite estabelecido no art. 74, da Lei n. 3.470, de 1958. Lei n. 4.506, de 30/1271964, art. 71 e seu paragrafo único. R.I.R. de 1966, arts. 232, 233 e 234. A Lei n. 4.50611964, embora haja estabelecido modificações, no que concerne a declutibilidade de despesas como 'royalties', não revogou o art. 74, da Lei n. 3.470/1958. RIR. de 1966, arts. 174 e 175. Acórdão que negou vigência ao art. 74, da Lei n. 3.4701958, devidamente prequestionado, e ao art. 175, do RIR de 1966. Recurso extraordinário conhecido e provido, para restabelecer a sentença". Entretanto, curiosamente — muito tempo depois — a CSRF em 19/08/2002, além de mudar o seu entendimento quanto à matéria, desconsiderou o citado precedente jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal, pois dicidiu que o art. 74 da Lei n° 3.470/58 foi revogado tacitamente pelo art. 71 da Lei n° 4.506/64, conforme Acórdão n° CSRF/01-04046, cuja ementa foi redigida nos seguintes termos: (-) IRPJ - IMPOSTO DE RENDA ROYALTIES. LEI N° 3.470/58. LEI N° 4.506/64.. O art. 71 da Lei n°4.560/64 deu nova redação ao art. 74 da Lei n° 3.470/58, operando-se a revogação tácita (LICC, art., 2°, ,55' 1°) (AC 95 04 49769-1 TI?? 4a Região e REO 91 02 05879-0 TRF 2a Região, Ac. 1° CC, 101-88.802 e 107- 04.228). Recurso especial do contribuinte conhecido e provido. (-) No voto do relator dessa decisão da CSRF, consta ainda que a decisão do STF, em sede de Recurso Extraordinário n° 104368-7/SP, não poderia ser considerada jurisprudência; que tal decisão de tuinia do STF, em que participaram apenas três Ministros, foi prolatada quando a matéria infraconstirucional competia ainda ao STF; que, porém, a partir da vigência da Constituição Federal/88 essa matéria foi transferida para o Superior Tribunal de Justiça - STJ; que, por conseguinte, — para formar jurisprudência no âmbito judicial —, seriam necessárias outras decisões, agora do STJ. De sorte que o STJ — Côrte Superior de uniformização de interpretação da legislação infraconstitucional —, depois dessa decisão da CSRF, já enfrentou, de forma reiterada essa questão, cuja jurisprudência é mansa e pacifica, reconhecendo plena vigência ao art. 74 da Lei n° 3.470/58, mormente quanto a pagamentos e limites de despesas com royalties a residentes no Pais. A propósito, convém transcrever as seguintes ementas de decisões do STJ, em sede de Recurso Especial : Processo n° 10845.000611/2004-10 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.426 Fl. 6 1) - REsp. 778.575/RS, de 21/02/2006. Relator Ministro João Otávio de Noronha. Publicação — DJ: 29/03/2006, p. 132: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MARCAS E PATENTES. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. ROYALTIES. ART. 74 DA LEI N. 3.470/58. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 4.506/64. NÃO- OCORRÊNCIA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. I. O art. 71 da Lei n. 4.506/64, ao estabelecer modificações em relação à dedutibilidade de despesas com royalties, não revogou o art. 74 da Lei n. 3.470/58, tendo apenas delimitado o seu alcance. 2. Precedentes: STF, RE n. 104.368-7-SP, relator Ministro NÉRI DA SILVEIRA, DJ de 28.2.1992. STJ, REsp n. 204.696-RJ, relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 22.8.2005; REsp n. 260.513-RS, relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 24.10.2005. 3. Recurso especial provido. 2) - REsp. n° 260.513/RS. Julgamento 06/10/2005. Relator Ministro Castro Meira. Publicação DJ:24/10/2005.p. 227: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ROYALTIES. LEIS N'S 4.506/64 (ART. 71)E 3.470/58 (ART. 74). I. O artigo 71 da Lei n°4.506/64 não revogou o artigo 74 da Lei n°3.470/58, tendo apenas delimitado seu alcance. 2. Recurso especial provido. 3) — REsp. n° 204.696-RJ, DJ de 22/08/2005, relator Ministro João Otávio de Noronha: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MARCAS E PATENTES. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. ROYALTLES. ARTS. 122 DO CÓDIGO COMERCIAL E 129 DO CÓDIGO CIVIL. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. ART. 74 DA LEI 1V. 3.470/58. REVOGAÇÃO PELA LEI N. 4.506/64. NÃO-OCORRÊNCIA. ARTS. 174 E 175 DO REGULAMENTO DO IR. RECURSO ESPECIAL IMPRO VIDO. I. Ressente-se o recurso do indispensável prequestionamento, se os dispositivos infraconstitucionais apontados como violados não foram objeto de específico exame na instância ordinária. (Súmulas n. 282 e 356/STF) 2. 'A Lei n. 4.506/1964, embora haja estabelecido modificações, no que concerne a dedutibilidade de despesas como 'royalties', não revogou o art. 74, da Lei n. 3.470/1958. R.I.R. de 1966, arts. 174 e 175" (STF, RE n. 104.368-7-SP, Primeira Turma, Rel. Min. NÉRI DA SILVEIRA). noida 3. Recurso especial a que se nega provimento". Portanto, em relação às despesas com royalties — pagamentos a domiciliados no Pais — persitem os limites de dedutibilidade do art. 74 da Lei n° 3.470/58 e respectivas Portarias. Quanto ao acúmulo de coeficientes de dedutibilidade estabelecidos pela Portaria MF n°. 436/58, inaplicável ao caso concreto, conquanto, a recorrente apresentou às folhas 188 a 221, um único contrato de franquia com objeto a aquisição do direito de explorar um Restaurante McDonald's, que a seu turno, prevê um único tipo de royalties de acordo com a divisão estabelecida pela aludida Portaria. O dito tipo de royalties é aquele previsto no item 2 (produtos alimentares) do 2° grupo o qual estabelece coeficiente máximo de dedução de 4%, isso porque nos termos do inciso II da citada Portaria, a utilização do coeficiente de 1%, pelo uso da marca industrial ou nome de comércio, só é possível quando o uso da marca ou nome não seja decorrente da utilização da patente, processo ou fórmula de fabricação, o que não é o caso dos autos. Diante disso, concluiu-se que a recorrente de fato empregou erroneamente o percentual de 5%, como se fosse resultante da soma entre os coeficientes de 4%, para os royalties de uso de patentes de invenção, processos e fórmulas de fabricação, e 1% para os royalties de uso de marca, sendo por tudo, procedente o ajuste efetuado na base de cálculo do Imposto de Renda. Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. 7.1 - elso Kicli--N ---"-- \ 2 .\
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Numero do processo: 13161.001377/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições.
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA.
A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.
1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro.
2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.
VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho - Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 13 77 /2 00 7- 60 Fl. 335DF CARF MF 2 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 49 3 Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 337DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao crédito pleiteado referente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, e, manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto. Em sede de Embargos Declaratórios foram acolhidos os argumentos da Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua plenitude, diante de omissão quando da análise procedida que resultou num Acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302003.287. O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal, o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos realizados pela contribuinte: “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 50 5 IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a matéria circunscrevese a questão se Recorrente é considerada agroindustrial ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); VI. Deferimento dos créditos básicos vinculados às operações de exportações realizados no período.” Do relatório fiscal constatas as razões das glosas: 1. CRÉDITO BÁSICO 1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins sobre as compras de pessoa jurídica. Através do Termo de Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo do Dacon. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM O contribuinte apurou créditos da contribuição para Pis e da Cofins sobre os fretes de operações de venda/armazenagem, transferência e compras de mercadorias. Conforme será demonstrado, apenas os fretes vinculados a operações de venda geram direito a apuração de crédito da contribuição para Pis e da Cofins. 1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao crédito da nãocumulatividade das contribuições para o Pis e da Cofins se for comprovado que o ônus foi suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso II e art. 93) Através do Termo de Intimação Fiscal 003 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento a título de fretes sobre venda/despesa de armazenagem as pessoas jurídicas. Fl. 339DF CARF MF 6 Pela análise da documentação solicitada, a contribuinte comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de 2007, foi a responsável pelo pagamento dos serviços de fretes contratados. Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou seja, o ônus foi suportado pela vendedora. 1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA As transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte implicam em mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores. Portanto, não integram a “operação de venda” referida no art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para o consumidor final, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins. Cumpre registrar que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, consoante entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), exarado na Solução de Divergência nº 11, de 27 de setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB na internet. A exclusão das transferências de mercadorias foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito. As mercadorias transportadas nos fretes das operações de compra foram fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto, nos fretes de operações de compra não existe a apuração do crédito. A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.3 ENERGIA ELÉTRICA Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 51 7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins contratadas com pessoa jurídica domiciliada no País, incorridas a partir do período de apuração de fevereiro de 2004 (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição conforme os registros da memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA É permitida a apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o Pis e da Cofins sobre os valores relativos as despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados na atividade da empresa (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IV). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos decorrentes de despesa com aluguéis. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04) 1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da não cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País ou importados, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso II do § 3º). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos de aquisição de imobilizado. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA A luz do dispositivo transcrito, o enquadramento legal para utilização do crédito presumido decorre das seguintes condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que os produtos fabricados sejam destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 341DF CARF MF 8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estabeleceu os capítulos de classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal que dão direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela contribuinte foram soja NCM 1201.90.00 e milho NMC 1005.90.10. Assim, referidos produtos estão classificados entre os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º da Lei 10.925/2004, com a regulamentação reproduzida na alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660. 2.2 AGROINDÚSTRIA A Lei nº 10.925, de 2004, não faz nenhuma menção explícita a atividade de agroindústria. O art. 8º do referido diploma legal aponta a necessidade de produção de mercadorias para apuração do crédito presumido, nos seguintes termos: “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal […]”. Grifouse O termo agroindústria foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e (...) Grifouse Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que produza mercadoria. O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o direito de apurar o crédito presumido nele previsto aplicase também nas aquisições efetuadas de pessoa de cooperativa de produção agropecuária. 3.3 DESTINAÇÃO À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em resposta a intimação fiscal a contribuinte limitouse a reproduzir o disposto no Regulamento Técnico Anexo a Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, a afirmar que “ Como visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, as mercadorias relacionadas no Caput do Art. 8º da lei 10.925/2004, produzidas pela contribuinte estão dentro nos padrões a serem destinadas a alimentação humana ou animal, atendendo todos os requisitos para apuração do Crédito Presumido de Pis e Cofins. A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na maior parte dos casos pode inviabilizar a comprovação de tal Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 52 9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit). 2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifouse 3. CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO Os créditos relativos ao mercado interno não tributado estão vinculados as seguintes operações: vendas suspensas; vendas com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a operações não tributadas no mercado interno foram integralmente indeferidos. 4.1 – VENDAS SUSPENSAS Conforme analisado no subitem 3.2, a Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista. Assim, nas operações realizadas no período a contribuinte faz jus a suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º Tabela 04). 4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO A partir do mês de agosto/2004 os insumos vendidos pela contribuinte aos associados (adubos, fertilizantes e sementes) tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero (art. 1º da Lei 10.925/2004). Entretanto, a venda de insumos a associados deve ser registrada como exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de Fl. 343DF CARF MF 10 agosto de 2001 e não como uma venda não tributada sujeita à alíquota zero. O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o Pis e da Cofins. Portanto, ao registrar indevidamente as exclusões de base de cálculo como vendas sujeitas à alíquota zero, houve a manutenção indevida dos créditos vinculados a estas operações. O valor do crédito vinculado as operações de venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) 4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO O legislador estabeleceu tratamento diferenciado para operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas operações, o procedimento previsto é o de excluir os valores respectivos das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Nesta sistemática, NÃO existe previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo. O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a contribuinte manteve indevidamente o direito a crédito nas operações de entradas vinculadas as exclusões de base de cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 215835/01 e art 17 leis 10.684/03). O valor do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) O julgado encontrase resumido a ementa: ACÓRDÃO. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Deve ser apreciada como embargos de declaração a manifestação do contribuinte na qual se alegue omissão quanto a questões suscitadas na defesa ou impugnação, acerca das quais o órgão julgador deveria ter se pronunciado. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA. Não se homologa compensação quando o direito creditório não ficar comprovado. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins depende da comprovação documental do respectivo direito. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 53 11 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. REQUISITO. O crédito presumido destinado às cooperativas agroindustriais beneficiam apenas aquelas entidades que realizam algum processo que possa ser consideração como industrialização, observadas nas exclusões contidas na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, vedada a compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido. JUROS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos: 1. Créditos de aquisições de insumos, comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 2. Créditos de aquisições de energia elétrica – comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 3. Fretes sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos; 4. Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; 5. Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas, processo produtivo; 6. Forma de utilização do crédito presumido, restrições da colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento; 7. Manutenção dos créditos vinculados as receitas com suspensão de incidência de PIS e Cofins; 8. Receitas sujeitas a alíquotas zero, reclassificação indevidas das vendas efetuadas pela fiscalização considerando como venda de bens a associados; Fl. 345DF CARF MF 12 9. Ressarcimento de créditos vinculados as receitas sem incidência de PIS e Cofins, exclusões permitidas as sociedades Cooperativas; 10. Previsão legal para incidência da SELIC. Inicialmente, faz introdução quanto aquisições de matéria prima e do processo produtivo: “O critério da nãocumulatividade permite a realização de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, tudo descrito no Art. 3o das respectivas Leis (10.637 e 10.833). Para o exercício regular de suas atividades, dentre os custos, despesas e encargos suportados, a contribuinte adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços utilizados como insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) para a produção de mercadorias classificadas na NCM nos Capítulos 8 a 12, constantes do Caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3 das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva, onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência das denominadas Contribuições ao Fundo de Participação no Programa de Integração Social PIS (Lei Complementar n° 7, de 7.9.70) , e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo diesel, caminhões, colhedeiras, máquinas, peças, ferramentas, etc. Daí, o direito ao crédito sobre as aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, ser presumido, conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art. 8 o da Lei 10.925/2004. Os créditos sobre os bens e serviços utilizados como insumos conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme Inciso I do parágrafo 1 o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o parágrafo 2o do art. 8o da lei 10.925/2004, independente da finalidade que se dará a mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.” Considerando que estes 56 (cinqüenta e seis) processos estão vinculados ao MPF 0140200.2011.00053 e: a) que possuem igual teor, pois o mérito discutido é o mesmo em todos os processos; b) considerando os princípios da economia e celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações apresentadas para cada processo); d) o tempo utilizado pelo julgador para análise individual de cada processo; e) a possibilidade de julgamento simultâneo. Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56 vezes), os mesmos documentos que intencionam evidenciar seu direito, discorrer longamente em cada processo em 56 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 54 13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas cada uma, sobre os fundamentos que entende lhe assegurar o direito a crédito complementar; em ANEXAR todos os documentos, bem assim, EM APRESENTAR na versão estendida da manifestação de inconformidade todos os fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para todos os processos mencionados na página inicial, no processo n. 13161.001928/200795, conforme consta anexado nas folhas 84 à 267 do referido processo” Em síntese argumenta em suas razões que: III DAS RAZÕES DE REFORMA Fundamentos legais, discorre sobre o tema: “DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 DAS PREMISSAS DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS E SUA INTERPRETAÇÃO Para o adequado enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumprenos trazer a baila, as premissas que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos de enunciação do direito positivo, constantes respectivamente das Justificativas dos Senhores Ministros da Fazenda, por ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) 3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES Tanto a lei 10.637/2002 quanto a lei 10.833/2003, determinam que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados, créditos calculados sobre os itens relacionados no Art. 3o de ambas as Leis. Sendo inicialmente autorizado o ressarcimento dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o PIS no Art. 5 o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6 o da Lei 10.833/03. Portanto, partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente. Ao contrário, importaria em afirmar que incidem as referidas contribuições quando da realização de exportações, pois, não teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que incidiu nas etapas anteriores ao ato de exportar, o que representaria custo, ônus tributário, o que é vedado pelo Legislador Constitucional e, que contraria a prática internacional de não exportar tributos. 3.1.3 DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO. Fl. 347DF CARF MF 14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser utilizado para ressarcimento ou compensação, a parcela de créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao que as Leis (10.637 e 10.833) denominaram de isenção conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6 o da lei 10.833/2003 para a Cofins. Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins, conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi editada a medida provisória 206/2004, posteriormente convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17. Portanto, resta muito claro que o art. 17 da lei 11.033/2004 confirmou o direito a manutenção dos créditos apurados na forma do art. 3 o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às receitas nele mencionadas. Assim, também partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não cumulatividade, evitando o efeito cascata, ou seja, a cumulatividade. Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos (saldo credor), mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. 3.1.4 DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins, possuiu sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI. No caso, não estamos tratando de apuração de créditos IPI, estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e Cofins é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de créditos de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. IV Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB No período analisado, em conformidade com o art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos. Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 55 15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado devendo ser considerada encerrada a fase probatória. Todavia, não concorda a contribuinte, pois estas aquisições como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas. Ressaltase, que a fiscalização durante sua análise teve várias maneiras e oportunidades de efetivamente comprovar a existência destas aquisições, uma vez que todos os livros e registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado em atendimento as diversas intimações, sejam por meio dos documentos físico ou digital. Assim, considerando que para o caso em questão há documentos que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o crédito deve ser deferido, em observância ao principio da verdade material. 4.1.1 AQUISISÕES DE INSUMOS Mencionase que a fiscalização indeferiu parte dos créditos apurados sobre as aquisições de insumos utilizados na produção, sob o argumento que parte destas aquisições não foram comprovadas, uma vez que, segundo seu entendimento, não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais (documento físico) relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, e que ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo ao recurso. Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização. Registrese que estas aquisições, constam registradas na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. Assim, considerando que estas Notas Fiscais de aquisições de insumos foram devidamente registradas e escrituradas, a fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas aquisições, uma vez que, estas informações estão relacionadas em documentos, tais como: livros digitais de entradas e saídas, razões contábeis, arquivos contábeis, arquivos digitais de entradas e saídas formato SINTEGRA, todos apresentados a fiscalização pela contribuinte em atendimento as intimações recebidas. Para além disso, todos os comprovantes que evidenciam a ocorrência da efetiva aquisição dos insumos referente as notas Fl. 349DF CARF MF 16 fiscais relacionadas Tabela 05 elaborada pela fiscalização anexa ao Relatório Fiscal, seguiram no ANEXO I da manifestação de inconformidade então protocolada para melhor análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n° 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos de demais registros, conforme podese observar nos documentos constantes nas folhas 166 a 225 do processo 13161.001928/200795, e que ora, para melhor analise deste colegiado, novamente são apresentados anexo a este recurso, confirmando o direito ao crédito. Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de insumos anteriormente desconsideradas pela fiscalização, conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao Relatório Fiscal para ciência, requer a contribuinte a manutenção do crédito sobre estas as aquisições. 4.1.2 DA ENERGIA ELÉTRICA Relativo às despesas de energia elétrica, da mesma forma que manifestou entendimento sobre as aquisições de insumos, entendeu a fiscalização que algumas aquisições não estariam comprovadas, argumentando que não teriam sido apresentadas pela contribuinte as faturas relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuja ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, indeferindo desta forma, o crédito apurado sobre estas faturas. Todavia s.m.j., o argumento da fiscalização está equivocado, pois tais notas fiscais, foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentou cópia digitalizada destes documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004 onde a contribuinte apresentou os originais destes documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a existência destes documentos, juntamente com manifestação de inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ, contribuinte apresentou novamente as faturas de energia elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05 elaborada pela fiscalização), conforme pode ser verificado nos documentos (ANEXO II) constantes nas folhas 226 a 267 do processo 13161.001928/200795, e que ora, em virtude de não terem sido considerados no julgamento da DRJ, no intuito de facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os apresenta, anexo, a este recurso. Assim, considerando o principio da verdade material, uma vez que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e, que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 56 17 não apresentação da documentação, requer a contribuinte a manutenção do crédito de PIS e Cofins apurados sobre a totalidade das despesas com Energia Elétrica. 4.2 DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS DE MERCADORIAS Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no inciso IX do art. 3o estão relacionados ás despesas de armazenagem e frete na operação de venda. Todavia, ao efetuar a verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que não seria possível apurar créditos sobre os fretes, relativo às transferências de insumos, mercadorias entre estabelecimentos, entendendo que estas operações não integrariam as operações de venda, argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias. Ocorre que este "deslocamento" como denominado pela fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude de diversos fatores interligados a operação de produção e venda destas mercadorias. O fato é que estas transferências representam custos necessários a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados, pois nenhuma empresa almeja ter seus custos e despesas majorados sem que realmente seja estritamente necessário. Portanto, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos também fazem parte dos custos de produção necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir todas as etapas de produção, não podendo a mercadoria ser comercializada, enviada para o destino. 4.3 DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E SEMENTES A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para revenda, dentre as quais fertilizantes e sementes sujeitas a alíquota 0% de PIS e Cofins. Sobre a aquisição de sementes e fertilizantes não houve aproveitamento de crédito, pois a contribuinte observou o disposto no § 2o do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que veda o aproveitamento de crédito sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda, é necessário que estas mercadorias sejam transportadas do Fl. 351DF CARF MF 18 estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento do comprador, para isso, é preciso contratar os serviços de transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas mercadorias até o seu destino. Logo, quando o ônus desta despesa é suportado pelo adquirente, (caso da recorrente) esta despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida. Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa anterior, pois para a pessoa jurídica que prestou o serviço de frete, estas operações representam sua receita/faturamento, portanto base de calculo das contribuições nesta fase da operação. Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão e, sim, operação regularmente tributada de PIS e Cofins, daí a não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente. Ou seja, uma coisa é a mercadoria outra coisa é o frete. Que apesar de ser custo de aquisição, todavia, são operações distintas, de fornecedores igualmente distintos, mediante Notas Fiscais específicas. O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito nas aquisições de fretes aplicados no transporte de mercadorias tributadas a alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso II do Parágrafo 2 o do art. 3 o da Lei 10.833/2003. Neste fundamento, claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente, este não é o caso. Posto que, os fretes são alcançados pelas Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o direito ao crédito nos serviços contratados (fretes) e aplicados no transporte daquelas mercadorias. 4.4 DO CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL – PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM. A Contribuinte diante da mecânica do PIS e da COFINS não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004. Todavia entendeu a fiscalização que a contribuinte não se enquadraria como empresa produtora, por conseguinte e não faria jus a apuração do referido crédito. Mas vejamos mais informações. 4.4.1 ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CONCEITO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 57 19 A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF 660 exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no artigo 5º da referida IN. 4.4.3 AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO A Contribuinte adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural insumos, utilizados no processo produtivo em conformidade com o inciso II do art.3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660. Ressaltamos que os produtos agropecuários resultantes da atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6), resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da NCM Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3 o da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833). Portanto, faz jus a Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação. 4.4.4 DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O contribuinte é equiparado a estabelecimento produtor de acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65: Art. 4o Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei n° 34, de 1966) (grifo acrescido) Por conseguinte, realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para o comércio.” Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte, confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência para que fosse anexada cópia integral dos autos do processo administrativo 13161.001928/200795, ao argumento de que as provas capazes de nortear a decisão teriam sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem. Fl. 353DF CARF MF 20 Retorna os autos para apreciação das matérias, registrase, em que pese a diligência determinada, restou esclarecido, posteriormente, que os documentos objeto da determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente. Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. O debate encontra focado em glosas. No tocante aos créditos básicos oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação. O deferimento parcial dos créditos se refere aos insumos: ENERGIA ELÉTRICA, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS, FRETE e AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO, EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC. A fiscalização reconhece o direito a apropriação de créditos para as contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições de insumos aconteceu por meio do “Termo de Intimação – 003”, atendido, o contribuinte apresentou diversos documentos, entretanto, insuficientes a comprovar totalidade do crédito almejado, cabendo glosar parte. É cristalino o direito de tomar crédito relativo as contribuições a descontar referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal. Em resposta a Interessada sustenta que os livros de registros de entrada estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido. Registrase, na fase inicial o julgador de piso determinou diligência no sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa total pelo fato da contribuinte deixar de apresentar documentação ao fundamento da incapacidade de pessoal, vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação. Concluído os trabalhos fiscais, o resultado mostrou existência de crédito o que foi reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões advém o voluntário, o que passase a examinar item a item: 1. DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS. As glosas em sua totalidade, como se vê do relatório fiscal aconteceu por insuficiência documental a título de comprovação. Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados junto com o voluntário fazem parte do rol da documentação examinado pela fiscalização em trabalhos diligenciais, visto que, o relatório fiscal menciona o número das planilhas (tabela), entretanto, essas planilhas não encontram nos autos. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 58 21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes, cujo crédito foi glosado, devese reconhecer o direito de descontar crédito das contribuições com ressalvas, visto que, no caso da energia o relatório fiscal menciona ter reconhecido parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o reconhecimento ao direito de apurar credito se restringe se as faturas anexadas aos autos, não sendo as mesmas aferidas pela fiscalização. Assim, sou inclinado reconhecer o direito a tomada do crédito das notas de aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem pertinentes a atividade da cooperativa, bem como, relacionadas com as faturas de energia, desde que não sejam as mesmas incluídas no rol daquelas que serviram para deferimento parcial pela fiscalização. 1.1 DA GLOSA DOS INSUMOS. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF FORNECEDOR VALOR 23/03/05 10161 EURO GRAOS LTDA 281.400,00 14/04/05 467141 AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE 493.884,30 26/04/05 7771 KAZU CEREAIS LTDA 290.000,00 26/04/05 13951 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 286.000,00 08/08/05 40721 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 269.898,44 13/10/05 288801 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 650.000,00 19/12/05 29481 D'OESTE CEREAIS LTDA 409.500,00 15/03/06 112421 PROCOMP AGROPECUARIA LTDA 271.238,49 20/03/06 3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 416.800,00 14/03/07 18731 KAZU CEREAIS LTDA 273.400,00 11/04/07 73311 KASPER E CIA LTDA 1.490.000,00 20/04/07 658241 LR AGROPECUARIA LTDA 363.635,39 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter conseguido encontrar parte das notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua escrituração contábil e fiscal, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 166/225), as cópias das notas fiscais de nºs 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara tais documentos aos presentes autos. Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que foram apresentados os referidos documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, as demais cópias de documentos apresentados não se prestam para comprovar a respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a Fl. 355DF CARF MF 22 comprovar as supostas operações de aquisição. A cópia da nota fiscal de nº 2948 não fora localizada nos autos. Assim, os créditos relativos as notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331 devem ser restabelecidos. 1. 2 GLOSA DE ENERGIA. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição de energia elétrica foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF CNPJ FORNECEDOR VALOR 09/08/04 27643 15.413.826/000150 12.632,67 13/08/04 273527 15.413.826/000150 14.016,00 19/08/04 28157 15.413.826/000150 35.147,35 19/08/04 28159 15.413.826/000150 31.133,05 20/08/04 28160 15.413.826/000150 10.689,13 01/09/04 28444 15.413.826/000150 40.973,62 09/09/04 616170 15.413.826/000150 14.040,33 14/09/04 28948 15.413.826/000150 42.539,70 14/09/04 28950 15.413.826/000150 29.725,81 14/09/04 910115 15.413.826/000150 17.213,00 06/12/04 758100 15.413.826/000150 12.143,06 10/12/04 841834 15.413.826/000150 11.270,00 14/12/04 987063 15.413.826/000150 32.906,66 21/12/04 92633 15.413.826/000150 30.573,39 07/01/05 406656 15.413.826/000150 11.001,64 15/03/05 58958 15.413.826/000150 21.085,00 16/03/05 149601 15.413.826/000150 20.394,47 16/03/05 149599 15.413.826/000150 19.717,11 06/06/05 604193 15.413.826/000150 18.076,86 06/07/05 541925 15.413.826/000150 14.470,31 26/09/05 317457 15.413.826/000150 20.696,10 03/10/05 579804 15.413.826/000150 19.708,12 04/10/05 579814 15.413.826/000150 34.273,16 08/09/06 576517 03.747.565/000125 19.361,01 19/02/07 233576 15.413.826/000150 10.158,24 08/03/07 1924 15.413.826/000150 10.123,00 19/03/07 151839 15.413.826/000150 30.148,74 10/04/07 605375 03.747.565/000125 10.026,33 08/05/07 316013 15.413.826/000150 11.167,38 20/07/07 24102 15.413.826/000150 10.043,49 21/08/07 19789 15.413.826/000150 10.132,90 21/08/07 19928 15.413.826/000150 10.076,62 01/10/07 41729 15.413.826/000150 30.678,69 3389 15.413.826/000150 13.561,00 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre valor de aquisição da energia elétrica acobertado pelas notas fiscais discriminadas na referida Tabela não podia ser desconsiderado, porque tais documentos foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004, em que apresentara os originais dos citados documentos, inclusive as faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 59 23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 226/267), as cópias das notas fiscais discriminadas na citada Tabela. E para melhor análise, anexara tais notas fiscais aos presentes autos. De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas. Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925. 1.3 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA. O motivo da glosa deuse ao fundamento de que tratase de meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, implicaria em mero deslocamento com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, motivo pelo qual, entendeu não integrar operação de venda. Ao contrário da posição do fisco, sustenta o contribuinte tratarse de transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos, não há dúvida de que seriam evitados. Não há como ignorar que algumas atividades a armazenagem dos insumos são necessários, bem como, o seu remanejamento posterior. É de conhecimento notório, constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento das safras de grão. A imprensa, repetidamente, divulga que no auge da colheita de grãos os produtores são obrigados a estocar os grãos em carrocerias de caminhões e em outros locais muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas por intermédio das publicações dos periódicos. Essa Turma é sensível ao entendimento da necessidade de estocagem de insumos e sua transferência posteriormente para outro estabelecimento, desde que, não se revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede e ou outro estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, nesses casos os custos de transferência configura insumo necessário a atividade da empresa. Bem afirmou a Recorrente, o frete nesses casos de transferência possui o único objetivo é de concluir todas as etapas de produção, pois a soja colhida no campo e adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação. Não pode esquecer, que tratase de agroindústria, cuja atividade industrial se refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao consumo humano ou animal. Fl. 357DF CARF MF 24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratarse de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao destino dos insumos, inclino no sentido de afastar a glosa e reconhecer o direito quanto aos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06” que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização. 1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Tratase de glosa de crédito oriundo do frete de transporte de mercadoria pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o direito. O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratarse de frete de operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime não cumulativo. Não se pode perder de vista que o inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 realmente fixa alíquota igual a zero, sendo assim, para aqueles insumos veda o crédito de produto adquirido justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 60 25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. A transferência direcionada a estabelecimentos da mesma pessoa jurídica com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente que o ônus foi da cooperativa recorrente. Recentemente, em voto impa proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, 2ª T. 3ª Câmara, 2ª Seção, processo administrativo nº 10925.720202/201415, afastou glosa em caso semelhante. Considerando à ausência das “tabelas 04 e 06 nestes autos, confiante na consignação da fiscalização, afasto também glosa, para reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete. 1.5 ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA. A glosa procedida decorreu de análise da documentação apresentada e julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratarse de valores inferiores ao montante declarado pela Interessada. Nestes autos não se enxerga resistência a glosa, sendo assim, mantémse intacta a decisão de piso nesta parte. 1.6 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado. Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa glosa. 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido apontado pelo contribuinte restou glosado ao fundamento da inexistência de comprovação da atividade agroindustrial, e, pela ausência de comprobação da destinação, isso é, se era para alimentação humana e/ou animal, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Consta que o contribuinte teria sido intimado para comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em síntese teria a recorrente sido considerada tãosó cooperativa de produção agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigandoa proceder o estorno dos créditos da não cumulatividade, e, não podendo apurar crédito presumido nos moldes ocorrido. Fl. 359DF CARF MF 26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratarse de produtos classificados no CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, por essa razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º da Lei nº 10.825/2004, gozam do direito de descontar o crédito oriundo das aquisições de insumos, para tanto, basta produzir as mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal. A Interessada justifica sua condição agroindústria, sustentando tratarse de exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscarse a saber se o beneficiamento dispensado a soja, milho e o trigo enquadram no rol das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM. Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in natura. O beneficiamento de grãos e sementes é realizado por máquinas projetadas com base em uma ou mais características físicas do produto e dos contaminantes a serem retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as propriedades físicoquímicas, permitindo acondicionamento e armazenagem resguardar qualidade. A pesquisa universitária divulgada notícias que o beneficiamento se revela etapa importante na qualidade dos grãos e sementes: “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos, rachados ou partidos; sementes de ervas daninhas, material inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e qualidade.” No processo de beneficiamento surge a padronização e classificação, essa última configura prática obrigatória em todos os segmentos de marcado, seja interno ou externo. A comercialização do produto depende do tratamento após colheita, tornando indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as transações. Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto. Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância: “Nos países desenvolvidos, os problemas de colheita, armazenamento e manuseio (secagem, limpeza, movimentação, etc.)de grãos, constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar a vida comercial dos produtos. Uma prioridade das nações mais pobres deve ser a redução do trágico desperdício que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados, secagem mal processada, transporte inadequado, controle de qualidade, etc. ...” Recentemente foi noticiado pela imprensa a união das duas maiores indústrias de beneficiamento da América Latina, Camil Alimentos, beneficiadora de arroz e Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 61 27 feijão e Cosan Alimentos, dona das marcas de varejo de açúcar união e da Barra, e, capitaneadas pela Gávea Investimentos. O destaque dáse em razão da união de duas maiores indústrias de beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim, não dúvida alguma de as atividades desenvolvidas pela Recorrente enquadraa na qualidade agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004. As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura uma etapa da industrialização, motivo pelo qual deve a interessada ser considerada agroindústria. De modo que resta assegurado pelo legislador ordinário o direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS e a COFINS em favor agroindústria, que realizar exportações, podendo compensar os referidos créditos com os débitos das contribuições ou com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal. Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante o CARF. Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÕES VINCULADO VENDA COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. Outro ponto de discórdia se refere ao direito a manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista. Sustenta a Interessada, passado apenas cinco dias do inicio da vigência do parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004, dispositivo que vedava às pessoas jurídicas o aproveitamento do crédito, foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de 2004, publicada em 09.08.2004. É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206, convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Em sendo, assim, inexiste óbice a manutenção de crédito proveniente de aquisições com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Fl. 361DF CARF MF 28 Assim, impõe restabelecer esse direito de manutenção de crédito a Recorrente. DIREITO DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO VENDA A ASSOCIADOS INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO No que tange a manutenção do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa. É de conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.15835 de 2001, a sociedades cooperativas passaram a ser tributadas sobre a totalidade de suas receitas conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº 9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens. Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da Contribuição Social para o PIS/PASEP e a COFINS, são explícitas em relação aos créditos, não deixam dúvida que só podem ser utilizados para desconto dos valores da contribuição apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Todas as vezes que a intenção do legislador foi no sentido de se manter o crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição, salvo expressa disposição legal. O exemplo mais comum é o crédito apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, manifestamente a legislação pertinente autoriza. No caso específico tratase negócio com o associado da cooperativa, também possui caráter de alienação, assim sendo, encontra respaldo legal na norma prevista pelo art. 17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a possibilidade legal do respectivo crédito, é vedado quando não se verificando esses pressupostos. Assim, dou provimento para modificar a decisão recorrida e assegurar o direito de manutenção do crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC DECORRENTE DE ÓBICE DA ADMINISTRAÇÃO. No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial no 1.037.847RS, julgado na Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 62 29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lídima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; REsp 613.97/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; REsp 52.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; REsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para: 1 em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas Fl. 363DF CARF MF 30 fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, e (ii) da energia de elétrica, exceto das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925; 2 afastar, também, glosa dos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se refere à exclusão de transferência entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização; 3 reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete, cujos insumos adquiridos não geram créditos; 4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratarse de agroindústria; 5 afastar glosa e manter o crédito proveniente de aquisições vinculado a venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS; 6 – tornar sem efeito glosa dos créditos das aquisições de mercadorias vendidas aos associados da cooperativa; 7 – reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic tendo em razão ter havido oposição do Fisco à compensação/restituição. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, cabe consignar que a controvérsia cingese (i) a glosa de créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa Selic sobre a parcela do crédito pleiteado. A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS As glosas dos créditos básicos foram motivadas por falta de comprovação, falta de cumprimento de requisitos legais e por falta de amparo legal, conforme a seguir demonstrado. De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por: I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 63 31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Tabela 03 e 04); [...]. O órgão colegiado de primeiro grau manteve, integralmente, as referidas glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório fiscal. Inconformada com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a manutenção das referidas glosas. Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator, a saber: a) em relação aos créditos básicos, a totalidade da glosa das despesas com fretes relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota zero; b ) crédito presumido agroindustrial. I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS. A glosa parcial dos créditos básicos realizada pela fiscalização está relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens destinados à venda não comprovadas; b) parte do custo de aquisição de energia elétrica não comprovada; c) parte das despesas com aluguéis da pessoa jurídica não comprovada; d) a totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, por falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não comprovada. Aqui será analisada apenas a questão referente à totalidade da glosa das despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero). De acordo com citado relatório fiscal, por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado. No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, Fl. 365DF CARF MF 32 bem como os gastos com frete sobre as operações de compras de bens que geram direito a crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição dos bens. De outra parte, não gera direito a crédito os gastos com frete relativos aos serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores; e b) nas compras de mercadorias que não geram direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004. O entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302003.207, de onde se extrai os excertos pertinentes, que seguem transcritos: No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...]§ 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 64 33 §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. [...] Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou Fl. 367DF CARF MF 34 fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. 2 Com base nesse entendimento, rejeitase as alegações da recorrente de que gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo a: a) transferências das mercadorias entre estabelecimentos, porque representava uma etapa intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque os fretes sobres essas compras estavam oneradas pelas citadas contribuições, estando desta forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo com fretes sobre tais aquisições. Por essas considerações, por falta de amparo legal, deve ser mantida integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização. II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. A falta de amparo legal foi o motivo da glosa do valor integral do crédito presumido agroindustrial apropriado pela recorrente no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302003.207, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 65 35 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Da leitura do referido preceito legal, extraise que não são todos os produtos de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de crédito presumido agroindustrial, mas apenas aqueles destinados à alimentação humana ou animal. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária, uma vez que a sua atividade econômica limitavase a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura”, atividade típica de cerealista, que a própria Lei 10.925/2004 havia excluído do conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcrevese os excertos pertinentes extraídos do relatório fiscal: Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que exerceu a atividade de produção de mercadorias (agroindústria). Em resposta a intimação fiscal, a contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode 3 A atual redação do inciso é a seguinte: "I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 369DF CARF MF 36 ser sintetizado nas seguintes etapas: 1º ETAPA: Recebimento e Classificação; 2º ETAPA – Descarga das Mercadorias; 3º ETAPA – Prélimpeza dos Grãos; 4º ETAPA – Secagem; 5º ETAPA – Póslimpeza; 6º Armazenagem e Controle de Qualidade; 7º ETAPA Expedição. As etapas produtivas descritas subsumemse as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura. A própria Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da Lei 10.925/2004). Para a fiscalização, para que fosse considerada cooperativa de produção agroindustrial, a recorrente deveria receber a produção de seu cooperado, industrializála e vender o produto industrializado, o que não fora feito. De outra parte, a contribuinte alegou que desenvolve o processo produtivo/atividade econômica de beneficiamento, por meio do qual eram alteradas as características originais e obtidos os grãos aperfeiçoados/beneficiados a serem comercializados/exportados. Nos excertos a seguir transcritos, a recorrente expõe as razões pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão: As aquisições de matériasprimas (produtos resultantes da atividade rural) realizadas junto a pessoas físicas ou jurídicas com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das mercadorias soja beneficiada, trigo beneficiado, e milho beneficiado, classificados na NCM respectivamente nos capítulos 12 e 10. Não há que se falar em mercadorias classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que tenhamos as matériasprimas provenientes da atividade rural, que são o principal "insumo" destas mercadorias. Como se vê, as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS e da COFINS nãocumulativa, tem fundamento para apuração o crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002 e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Do cotejo entre o entendimento da fiscalização e o da recorrente, fica evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou seja, se a atividade por ela exercida era de produção agroindustrial ou, simplesmente, de produção agropecuária. A Lei 10.925/2004 não contém a definição da atividade de produção agroindustrial nem da atividade de cooperativa de produção agropecuária, no entanto, nos termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base nessa competência, por meio da Instrução Normativa SRF 660/2006, o Secretário da RFB definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 66 37 I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e [...] As atividades de produção de que trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990, são as atividades rurais típicas, não exercidas pela recorrente, conforme se infere dos elementos coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontramse mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos créditos, tinha a seguinte redação: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5 [...](grifos não originais) No período de apuração dos créditos presumidos em apreço, os produtos exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM. Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na 4 "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) 5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 371DF CARF MF 38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº 20, que tem o seguinte teor, in verbis: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Assim, por se tratar de comercialização/exportação de produto in natura, a atividade de produção realizada pela recorrente representa típica atividade de beneficiamento de produtos agropecuários, que não se caracteriza como operação de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura de origem vegetal (grãos), conforme definição estabelecida no art. 3º, § 1º, III, da Instrução Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...] (grifos não originais) Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da recorrente limitase a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chegase a conclusão de que a recorrente não exerce a atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária. E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a atividade de beneficiamento e atividade de industrialização encontrase nitidamente Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 67 39 evidenciada, por exemplo, no art. 15, IV, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzido: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] (grifos não originais) Outro dado relevante que ratifica a conclusão de que a recorrente exercia a atividade de produção agropecuária, em vez da atividade de produção agroindustrial, está no fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado processo nº 10010.031138/041361), as receitas de venda no mercado interno dos referidos produtos de origem vegetal sob regime de suspensão6, regime de tributação não aplicável às cooperativas de produção agroindustrial, mas às cooperativas de produção agropecuária, nos termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1odo art. 8odesta Lei; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifos não originais) Assim, se acatada a pretensão da recorrente, o que se admite apenas por hipótese, ela seria duplamente beneficiada, pois, além de não submeter a tributação das referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às referidas receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004, a seguir analisado. Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com 6 Os valores e o percentual de participação da receita submetida ao regime de suspensão encontramse discriminados na Tabelas de nº 03 (fls. 644/645), integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), apenso a este processo. Fl. 373DF CARF MF 40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitamse ao regime de tributação normal das citadas contribuições. Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de grãos encontravase disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e pelas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois, diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada essa finalidade específica, certamente, tais preceitos normativos não têm qualquer relevância para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço. Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária, independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito presumido em apreço, conforme determina o art. 8º, § 4º, I, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º [...] § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente. III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03 e 04 (fls. 643/653), integrantes do processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a fiscalização propôs o deferimento apenas dos valores dos créditos básicos vinculados às receitas de exportação. No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas no mercado interno, a fiscalização manifestouse pelo indeferimento integral, sob o argumento de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno não sujeitas à tributação, especificamente, as receitas de venda com suspensão e sujeitas à Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 68 41 alíquota zero, bem como as exclusões da base de cálculo permitidas, exclusivamente, às sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas. Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo. III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas Com Suspensão. Segundo a fiscalização, na condição de cooperativa agropecuária de produção, as operações de venda realizadas pela recorrente no mercado interno estavam amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, em decorrência, ela deveria ter providenciado o estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do art. 8º do citado diploma legal. Art. 8º [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que a restrição contida no citado preceito legal fora revogada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, nos termos do § 1º do art. 2º da Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sem razão a recorrente, porque, embora tenha entrado em vigor posteriormente, o novo preceito legal não é incompatível e tampouco regula inteiramente a matéria disciplinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que instituiu o crédito presumido agroindustrial e as vedações às manutenções tanto do referido crédito presumido quanto dos créditos vinculados as receitas de venda efetuadas com suspensão por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária. Diferentemente do alegado, como o citado art. 17 da Lei 11.033/2004 instituiu norma de nítido caráter geral sobre manutenção, pelo vendedor, dos créditos Fl. 375DF CARF MF 42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ao caso em apreço, aplicase o disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a lei nova não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda se encontra em vigor, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Com base nessas considerações e tendo em conta que ficou anteriormente demonstrado que a recorrente, no período de apuração dos créditos, exercia atividade de cooperativa de produção agropecuária, com respaldo no inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados as receitas de venda com suspensão. III.2) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas de Venda Excluídas da Base de Cálculo. De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS”, conforme estabelece o art. 17 da Lei 11.033/2004. Por decorrência, não havia suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo. Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que tanto a base de cálculo e o fato gerador destas contribuições correspondiam ao faturamento total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004. Para a recorrente, posteriormente ao advento da Medida Provisória 1.858 6/1999, cuja redação definitiva foi mantida na vigente Medida Provisória 2.15835/2001, os dispositivos que asseguravam isenção das citadas contribuições foram revogados, passando desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998. Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo da não incidência, logo o resultado obtido das exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável. Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência das referidas contribuições, ou em razão das respectivas operações de venda estarem fora do campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 69 43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões, especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção agropecuária. E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de manutenção do crédito das referidas contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados à base cálculo zerada, em razão das exclusões da base de cálculo das referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos glosados. IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: Fl. 377DF CARF MF 44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.7 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a sua pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. VI) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, em relação às questões aqui analisadas, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 70 45 Voto Vencedor 2 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à reversão total da glosa relativa aos créditos vinculados às vendas de adubos, fertilizantes e sementes pela recorrente aos seus associados, as quais tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei 10.925/2004. Salientase que tais créditos foram glosados originalmente por falta de apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; [...] No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos vinculados a exclusões do artigo 15 da MP nº 2.158 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acrescentou ainda que tais operações são atos cooperativos conforme definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações de compra e venda, conforme extraise do excerto abaixo do relatório fiscal: "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”): Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Grifouse. Fl. 379DF CARF MF 46 A luz do dispositivo legal, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Por decorrência, não há suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo." Verificase, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos, fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido, impende8 reproduzir a recente decisão do STJ no REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13161.001377/200760 Acórdão n.º 3302003.287 S3C3T2 Fl. 71 47 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, tais operações não podem ser consideradas como mercantis, e, portanto, não se tratam de vendas, configurando operações não incidentes e não receitas de vendas não incidentes. Salientase que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. Destarte, entendo ser inaplicável o referido artigo para efeito de vinculação de créditos a estas parcelas. Porém, a glosa pura e simples dos créditos vinculados a estas operações, conforme realizada pela autoridade fiscal, pareceme equivocada. É que tais créditos referemse a custos, despesas e encargos comuns que foram vinculados a estas parcelas mediante rateio entre receitas. Assim, não sendo tais operações receitas de vendas, também não podem compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas, devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento. Frisese que a decisão não se refere às aquisições específicas de adubos, sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaramse à alíquota zero, como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral. É como voto. Fl. 381DF CARF MF 48 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 382DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720692/2013-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3401-000.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, Rubem Mauro Silva Rodrigues, OAB-DF nº 31.251.
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, Rubem Mauro Silva Rodrigues, OABDF nº 31.251. Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo de lançamento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, período janeiro/2010 a junho/2011, decorrente da reversão de saldos credores, objeto de pedidos de ressarcimento, pela glosa de créditos indevidos nos serviços e bens utilizados como insumos, cálculo do crédito presumido da Lei nº 10.925/04, bens para revenda, aluguel de máquinas e equipamentos, aluguéis de imóveis, arrendamento mercantil, energia elétrica, devoluções de vendas, despesas de armazenagem e fretes sobre vendas, depreciação de bens do ativo imobilizado e apuração do crédito pelo método do rateio proporcional, conforme relatório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 69 2/ 20 13 -6 7Fl. 3513DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.720692/201367 Resolução nº 3401000.945 S3C4T1 Fl. 3 2 Informou a fiscalização, ainda, que o lançamento tem origem no exame dos pedidos de ressarcimento que relacionou. Em manifestação de inconformidade o contribuinte requereu o sobrestamento do processo até que fossem julgadas as manifestações de inconformidade dos processos de ressarcimento; que todos os valores lançados no CFOP 1.125 correspondem a serviços utilizados como insumos; que as aquisições de produtos classificados nas NCM que arrolou geram direito a crédito presumido, a teor do art. 34 da Lei nº 12.058/2009; que as aquisições de lenha/bagaço, mesmo de pessoas físicas, garantem crédito, por se tratar de combustível aplicado no processo produtivo; que o valor das peças de reposição de valor superior a R$ 326,61 (art. 301 do RIR/99), glosados pelo Fisco em razão da necessidade de ativação, devem gerar crédito com base nas quotas de depreciação dos bens correspondentes no ativo imobilizado; que o termo insumo admite interpretação extensiva, desde que, direta ou indiretamente, seja necessário à produção e/ou prestação do serviço; que alíquota aplicável no cálculo do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04 deve levar em consideração a natureza dos bens produzidos e não das respectivas aquisições, como entendeu a fiscalização; que as aquisições de ovinos não foram realizadas com suspensão do tributo, uma vez que a fornecedora não exerce atividade agropecuária, mas sim agroindustrial; que a fiscalização não considerou todos os créditos vinculados ao mercado interno, a teor dos arts. 33 da Lei nº 12.058/09 e 8º, § 3º da Lei nº 10.925; que, em relação aos bens de revenda, aluguel de máquinas, equipamentos e imóveis, as glosas são improcedentes, haja vista que todos os valores informados nos DACONs estão corretos; que os créditos de arrendamento mercantil, referentes às empresas que cita, foram indevidamente glosados, porque objeto de contratos de sublocação, com cessão de direitos, firmados com a pessoa jurídica que figura nos contratos de arrendamento mercantil; que as desconsiderações de créditos pela devolução de vendas, tomados em relação a produtos sujeitos à saída com suspensão, são indevidos, pois, na operação original, sofreram a incidência das contribuições; que faz jus aos créditos sobre fretes incidentes sobre as aquisições de insumos e sobre as transferências de insumos e produtos acabados entre seus estabelecimentos; e, por fim, que a multa aplicada não possui embasamento, por ser confiscatória e inadmissível perante o ordenamento jurídico. A DRJ Porto Alegre/RS manteve as conclusões da autuação, em decisão assim ementada: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 3514DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.720692/201367 Resolução nº 3401000.945 S3C4T1 Fl. 4 3 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe à impugnante o ônus probatório daquilo que alega. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. BOVINO PARA ABATE. INDUSTRIALIZAÇÃO. Relativamente ao boi vivo (NCM 01.02), com o advento da Lei nº 12.058, de 2009, não mais se aplica o disposto nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, sendo que as alterações trazidas por aquela Lei permitiram a apuração do crédito presumido na sua aquisição por pessoa jurídica produtora de determinadas mercadorias, tão somente quando a referida produção fosse destinada à exportação e desde que atendidos os requisitos exigidos pela legislação pertinente. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA CONFORME NATUREZA DO INSUMO. Na apuração do crédito presumido, o percentual a ser observado tem relação com a natureza do insumo adquirido, e não do bem/mercadoria produzida. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente geram direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME NÃOCUMULATIVO. ALUGUÉIS DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. A pessoa jurídica poderá descontar do valor da contribuição devida créditos calculados em relação a despesas com alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, desde que estes sejam utilizados nas atividades da empresa e as despesas pagas a pessoa jurídica. Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.720692/201367 Resolução nº 3401000.945 S3C4T1 Fl. 5 4 REGIME NÃOCUMULATIVO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Uma vez que a venda do produto não gerou débito da contribuição, tendo em vista tributação suspensa, não há que se falar em crédito relativo à operação de devolução. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Observada a legislação de regência, a regra geral é que em se tratando de despesas com serviços de frete, somente dará direito à apuração de crédito o frete contratado relacionado a operações de venda, onde ocorra a entrega de bens/mercadorias vendidas diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora. REGIME NÃOCUMULATIVO. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente os que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COBRANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O tempestivo protocolo de peça reclamatória suspende a exigibilidade do crédito tributário eventualmente lançado/cobrado, até o desfecho do processo administrativo.” O recurso voluntário, com alguma variação, repete a argumentação deduzida na impugnação. Em 12/09/2014 o contribuinte apresentou um pedido de aditamento de impugnação onde juntou uma planilha com a relação dos documentos relativos aos serviços utilizados como insumos, requerendo a revisão das glosas efetuadas; discorreu sobre o crédito presumido da agroindústria e apresentou relação das notas fiscais de aquisição correspondentes; por fim, abordou as glosas de arrendamento mercantil e devolução de vendas, colacionando contratos de sublocação e de arrendamento,bem assim, demonstrativo das devoluções de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.720692/201367 Resolução nº 3401000.945 S3C4T1 Fl. 6 5 O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que, dele conheço. Como relatado, cuidase, na espécie, de auto de infração originário de recomposição de saldos credores de PIS/PASEP e Cofin não cumulativos, em face de glosas realizadas em pedidos de ressarcimento formulados pelo contribuinte, como destaca o Termo de Verificação Fiscal – TVF, às fls. 2.325 e ss.: “1. O presente procedimento de fiscalização teve origem no Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD) nº 08.1.80.002012000488, que determinou a análise dos Pedidos de Ressarcimento de PIS e de Cofins não cumulativos – mercado interno e exportação do período compreendido entre o 1º trimestre de 2010 e o 2º trimestre de 2011 (fl. 03). (...) 3. No âmbito dessa análise, foi constatado que parte do crédito PIS/Cofins não cumulativo pleiteado era indevido (fls. 2286 a 2323). No caso, a insuficiência de créditos alcançou também o montante utilizado para realizar as deduções pretendidas nos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio e junho de 2011, de modo que se constatou a necessidade de constituição de ofício, por meio de Auto de Infração, dos valores não declarados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e informados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). (...) 5. Constatada a insuficiência de créditos para realizar as deduções, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF) nº 08.1.90.002013010009 (fl. 02), no qual tem base o atual procedimento de fiscalização. (...) 8. Como esta fiscalização teve origem no resultado do exame dos Pedidos de Ressarcimento realizado no curso da diligência determinada pelo MPFD nº 08.1.80.002012000488, segue relatório com as intimações expedidas e respectivas respostas do sujeito passivo apresentadas no âmbito daquela diligência.” Como se extrai da leitura dos trechos transcritos, claramente o lançamento consubstanciado nestes autos é decorrente das glosas aplicadas nos pedidos de ressarcimento. Notese que o termo “decorrente”, nesse caso, não tem a conotação genérica que se costuma empregar, mas o sentido estrito do art. 6º, II, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, verbis: “Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: Fl. 3517DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.720692/201367 Resolução nº 3401000.945 S3C4T1 Fl. 7 6 I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies.” (destacado) Portanto, tratandose de processo decorrente, fruto de procedimento fiscal anterior de diligência, a autuação sub examine está imbricada com os processos de ressarcimento, não se revestindo da qualidade de principal, em relação àqueles, mas sim, acessório, haja vista que o direito creditório, que afinal implicou no débito ora contestado, será Fl. 3518DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.720692/201367 Resolução nº 3401000.945 S3C4T1 Fl. 8 7 decidido naqueles processos, pois qualquer reversão lá reconhecida causará efeito aqui, não sendo a recíproca verdadeira. Desse modo, não é possível, ou melhor, não se mostra adequado o julgamento deste processo antes daqueles, sob pena de ocasionar inconvenientes insuperáveis quando da liquidação desta decisão, haja vista que, como dito, qualquer modificação que redunde alteração dos saldos credores apurados naqueles processos terá obrigatória influência neste, enquanto, ao contrário, qualquer modificação aqui produzida não se refletirá forçosamente naqueloutros. Com intuito de identificar os processos principais, onde albergados os pedidos de ressarcimento, colacionase o quadro demonstrativo elaborado pela autoridade autuante: PROCESSO TRIBUTO TIPO RESSARCIMENTO LOCALIZAÇÃO ATUAL (*1) 10880.941549/201293 PIS/PASEP MI 1º trimestre 2010 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941550/201218 COFINS MI 1 º trimestre 2010 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941541/201227 PIS/PASEP ME 1º trimestre 2010 SEDIS/SEGAP/CARF 10880.941542/201271 COFINS ME 1º trimestre 2010 SEDIS/SEGAP/CARF 10880.941551/201262 PIS/PASEP MI 2º trimestre 2010 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941552/201215 COFINS MI 2 º trimestre 2010 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941543/201216 PIS/PASEP ME 2º trimestre 2010 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941544/201261 COFINS ME 2º trimestre 2010 SEDIS/SEGAP/CARF 10880.941553/201251 PIS/PASEP MI 3º trimestre 2010 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941554/201204 COFINS MI 3 º trimestre 2010 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941545/201213 PIS/PASEP ME 3º trimestre 2010 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941546/201250 COFINS ME 3º trimestre 2010 SEDIS/SEGAP/CARF 10880.941555/201241 PIS/PASEP MI 4º trimestre 2010 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941556/201295 COFINS MI 4 º trimestre 2010 SEDIS/SEGAP/CARF 10880.941547/201202 PIS/PASEP ME 4º trimestre 2010 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941548/201249 COFINS ME 4º trimestre 2010 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941557/201230 PIS/PASEP MI 1º trimestre 2011 SEDIS/SEGAP/CARF 10880.941558/201284 PIS/PASEP ME 1º trimestre 2011 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941559/201229 COFINS MI 1 º trimestre 2011 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941560/201253 COFINS ME 1º trimestre 2011 EAPEX/EADIC/DIORT/SERAT/SP 10880.941561/201206 COFINS MI 2 º trimestre 2011 SEDIS/SEGAP/CARF 10880.941562/201242 PIS/PASEP MI 2º trimestre 2011 SEDIS/SEGAP/CARF 10880.941563/201297 COFINS ME 2º trimestre 2011 SEDIS/SEGAP/CARF 10880.941564/201231 PIS/PASEP ME 2º trimestre 2011 SEDIS/SEGAP/CARF (*1) Posição em 13/05/2016. Verificase de aludido quadro que, nada obstante alguns já estarem no CARF, boa parte dos processos encontrase, ainda, na própria unidade preparadora, aguardando, inclusive, prolação de despacho decisório, conforme consulta realizada ao sistema eprocesso, em 13/05/2016. Neste diapasão, a teor das disposições do já aludido art. 6º, §§ 4º e 5º, Anexo II do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), a solução a ser dada ao caso corresponde à conversão do julgamento para se aguardar a decisão definitiva a ser oportunamente exarada naqueles feitos. Fl. 3519DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.720692/201367 Resolução nº 3401000.945 S3C4T1 Fl. 9 8 Com estas considerações, na linha do que exposto, voto por converter o julgamento em diligência, com devolução deste processo à unidade preparadora, para que aguarde a decisão definitiva irreformável, em âmbito administrativo, nos processos relacionados e, em seguida, anexe cópia de aludidas decisões administrativas e devolva a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Robson José Bayerl Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 06/09/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10670.000018/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Data do fato gerador: 01/12/2002
Ementa:
Conforme artigo 14, inciso V, da Lei n° 9.317/96 a exclusão da sistemática Simples dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer na prática reiterada de infração à legislação tributária. 0 art. 15, n° V, do mesmo diploma legal dispõe que os efeitos da exclusão de oficio, por esse motivo, começam a operar a partir, inclusive, do mês de ocorrência da infração.
Numero da decisão: 1302-000.607
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Marcos Rodrigues de Mello
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 01/12/2002 Ementa: Conforme artigo 14, inciso V, da Lei n° 9.317/96 a exclusão da sistemática Simples dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer na prática reiterada de infração à legislação tributária. 0 art. 15, n° V, do mesmo diploma legal dispõe que os efeitos da exclusão de oficio, por esse motivo, começam a operar a partir, inclusive, do mês de ocorrência da infração.
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I SI-C3T2 Fl. 1.533 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Process n° 10670.000018/2008 -38 Recun.o n° 169.737 Voluntário Acórrhio n° 1302-00.607 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 29/11/2011 Matéria Simples - exclusão Recorrente CERÂMICA SALINAS Recorrida 2 TURMA/DRJ JFA - MG ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 01/12/2002 Ementa: Conforme artigo 14, inciso V, da Lei n° 9.317/96 a exclusão da sistemática Simples dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer na prática reiterada de infração à legislação tributária. 0 art. 15, n° V, do mesmo diploma legal dispõe que os efeitos da exclusão de oficio, por esse motivo, começam a operar a partir, inclusive, do mês de ocorrência da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi Aute!tcado disitaImente em C410712011 por MARCOS IX)DRIGUES DC MI—LLO, As..;;Ina /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Impresso em 10/: 112011 por NAfDIAI.FONOR FERREIRA LIMA em 04/07 DF CAR!' M 1'1. 2 Processo no 10670.000018/2008-38 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.607 Fl. 1.534 Relatório Trata—se de recurso voluntário em relação ao acórdão DRJ que julgou improcedente manifestação de inconformidade da empresa supra identificada, contra o Ato Declaratórió ._ Executivo — ADE n° 002/20078, que em 08/01/2008, declarou o contribuinte EXCLUÍDO da sistemática de pagamento simplificado dos tributos e contribuições — SIMPLES, de que trata a Lei 9317/96, com efeitos retroativos a 01/12/2002. De conformidade com o ADE 002/2008 a empresa optou indevidamente pelo SIMPLES, tendo em vista que a receita bruta foi superior a R$ 1.200.000,00 nos anos- calendário imediatamente anteriores, situação que se enquadra no inciso II do art. 9 0 da Lei 9.317/96 alterado pelo art. 6° da Lei 9779/99 e também por ter incidido em prática reiterada de infração à legislação tributária conforme disposto no inciso V do artigo 14 da Lei 9.317/96. Às fls. 1484/1488 o contribuinte manifesta sua inconformidade argüindo que quando aderiu a sistemática do SIMPLES preenchia as condições legais para sê-lo. No decorrer de suas atividades a empresa manteve relação contratual com a Cesal Produtos Cerâmicos Ltda., que fornecia-lhe matéria-prima (argila). "Ocorre, todavia, que em virtude de um procedimento de fiscaliza cão a empresa Cesal Produtos Cerâmicos Lida foi considerada como inexistente em virtude de não ter sido encontrado em sua sede maquinários e peças para comprovação do exercício de sua atividade." "Com efeito a referida empresa não possui maquinário em sua sede, isso em virtude de que realiza a intermediação de mercadorias, comprando o barro de terceiros e revendendo para a empresa Cerâmicas Salinas Ltda. Sendo assim, possui apenas alguns bens suficientes ao exercício dessa atividade de intermediação." "A Receita Federal, todavia, desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Cesal Produtos Cerâmicos e atribuiu seu lucro à empresa Cerâmica Salinas..". razão de ter extrapolado o limite máximo do SIMPLES. "No entanto, essa atribuição não corresponde â realidade. A Cesal Produtos Cerâmicos Ltda possui sede própria, contabilidade própria e sempre que necessário poderá apresentar os livros obrigatórios, demonstrando a regularidade de sua atividade." A Receita teria desconsiderado a personalidade jurídica "sem ao menos realizar a fiscalização de seus livros e documentos fiscais." "Na notificação fiscal, indicou genericamente que a exclusão da empresa recorrente do Simples de acordo com o disposto nos artigos 14 ao 16 da Lei 9.317/96, não indicando o real motivo", afirmando não ter se enquadrado em nenhuma hipótese do art. 14 da citada lei. Relativamente a Cesal afirma que o cancelamento de sua inscrição trouxe prejuízos exorbitantes economicamente para a empresa além de prejuízos para os empregados, "tendo em vista que o cessar das atividades da empresa Cesal Produtos Cerâmicos Lida, não terá como mantê-los, ocasionando desemprego." Autentwado digtiWrnena; em 04107/2011 por MARCOS RODRIGLIS DL MEL LO, f-,:,ado (.1 lir en:e en 04/07 12011 por MARCOS RODRIGULS DE li■ ELLO 2 Impresso ern 10/11;2011 por NADIA LEONOR FERREIRA LIMA Dr CA It F MF F1. 3 Processo n° 10670.000018/2008-38 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.607 Fl. 1.535 No tocante a recorrente a exclusão retroagindo ao ano de 2002, traz uma rise financeira já que terá de recolher valores exorbitantes de tributos sem os benefícios da legislação do Simples. Solicita a anulação do ato de exclusão da interessada e a re-inscrição da empresa Cesa: PrOdutos Cerâmicos Ltda por não existirem provas suficientes dos fatos que fundamentaram a decisão. A DRJ decidiu: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 01/12/2002 OMISSÃO DE RECEITAS. INFRAÇÃO REITERADA. Conforme artigo 14, inciso V, da Lei n° 9.317/96 a exclusão da sistemática Simples dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer na prática reiterada de infração à legislação tributária. 0 art. 15, no V, do mesmo diploma legal dispõe que os efeitos da exclusão de oficio, por esse motivo, começam a operar a partir, inclusive, do mês de ocorrência da infração. Além do mais a exclusão da sistemática do Simples ocorreu também por ter, a empresa, excedido no ano-calendário de 2002, o limite máximo previsto no inciso II da art. 9° da Lei 9.317/96. Ciente do acórdão DRJ em 19/09/2008, a recorrente apresentou recurso em 18/10/2008. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO 0 recurso 6. tempestivo e deve ser conhecido. Reproduzo os argumentos do voto DRJ, que manteve a exclusão da recorrente do sistema simples, com os quais concordo e assumo neste voto: A empresa nos anos de 2001 a 2005 registrou receitas em cifras muito próximas ao limite máximo para permanência no SIMPLES, não obstante a cisão realizada em 2001, vertendo para a Cerâmica Fort Ltda, parte de seu patrimônio. Ern 12/11/2002, foi constituída a Cesal Produtos Cerâmicos Ltda, cujo objetivo social era o comércio atacadista e varejista de material para a construção, fabricação de artefatos de cimento para a construção civil e a fabricação de telhas, tijolos, lajotas, manilhas e semelhantes de barro cozido. A sede da Autenticado digitalmeilte em 041071201 1 por MARCOS 11ODRiGUES DL MELLO, AsSOado 'Iiritalmente ei 04/07 /2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Impresso em 10111/2011 por NADIA LEON'jR FERREIRA LIMA 3 DF CARF Ml Fl. 4 Processo n° 10670.000018/2008-38 SI -C3T2 Acórdão n.° 1302-00.607 Fl. 1.536 empresa de acordo com contrato social é na BR 251, KM . 314, no município de Salinas/MG, em imóvel cedido, em comodato, pela Cerâmica Salinas Lida N. 348). 0 quadro societário da Cesal é constituídos por filhos dos sócios da recorrente. A Fiscalização concluiu que a Salinas utilizava-se do seguinte estratagema — a Cesal emitia nota fiscal de remessa de argila para industrialização. Concluída a fabricação a Salinas emitia nota fiscal de prestação de serviços e de devolução de matéria prima. Porém a Cesal lido existia de fato. Toda essa troca de notas fiscais servia para acobertar vendas feitas diretamente pela Salinas que registrava em seus livros fiscais somente a prestação de serviços, mantendo assim, sua receita total dentro dos limites legais da Lei 9317/96. Segundo a recorrente, a Cesal não possuía maquindrio porque realizava a intermediação de mercadorias, comprando o barro de terceiros e revendendo-o para a Cerâmicas Salinas Ltda. Alega, mas não junta elemento de prova. 0 que há comprovado são notas fiscais de remessa de argila para industrialização e posterior devolução com nota de prestação de serviço. Ressalte- se, inclusive, que a Cesal não comprova pagamentos â Salinas por tais serviços. Alega que fazia intermediação de mercadorias, intermediador, o mediador, o agente de negócios; o corretor são negociantes que exercem suas atividades colocando-se entre o produtor e o consumidor; é popularmente conhecido como atravessador. A remuneração utilizada nesta modalidade é a corretagem, um percentual sobre as vendas. Não é usual da intermediação a compra e venda, isso são atos de comércio. A Cesal, como afirma a recorrente, fazia intermediagdo de mercadorias, comprando o barro de terceiros e revendendo-o para a Cerâmica Salinas Ltda, porém tais operações não estão espelhadas nos livros fiscais da Cesal. Ou será porque quern intermedia, não compra, nem vende. A alegação (intermediagdo), inclusive reforça a conclusão do Fisco, qual seja, não houve industrialização por encomenda. Havia apenas utilização de documentário fiscal para dar suporte a uma operação que de fato não ocorria. Não procede também a alegação que a Cesal Produtos Cerâmicos Lida, possui contabilidade própria e a Receita desconsiderou sua personalidade jurídica "sem ao menos realizar a fiscalização de seus livros e documentos fiscais." A contabilidade foi analisada. Tanto que a análise da escrituração evidenciou o que já havia sido dito, conforme Declaração prestada ao Fisco (fi . 333): A Cesal não possuía empregados no período fiscalizado, não pagou energia elétrica, não possuía maquincirios e/ou equipamentos, não possuía veículos, não comprova pagamentos a Salinas, nem mesmo a integralizagtio de seu capital. Na sede da empresa — imóvel cedido em comodato pela recorrente, havia uma mesa e uma Autenticado digitaimente em 04 0712011 1);)r MARCOS RO COOS D MaLO, Am3 d clig:Umente ei (10407 12011 por MARCOS RODRtGUES DE MELLO Impresso crr 10/11/2011 por NADIA 1_EONOR FE - RIRA ILMA DI: CARL' Mt' H. 5 Processo n° 10670.000018/2008-38 Sl-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.607 Fl. 1.537 cadeira e suas despesas resumiam-se a pagamentos de pró- labore e a duas notas fiscais de serviços de assessoria tributária. Se a Cesal não possuía empregados não há que se falar em desemprego e se não existia, de fato, não há que se falar em iy;-ejuizos exorbitantes" corno alega a recorrente a respeito da empresa Cesal. Assim, não tendo o contribuinte ilidido as provas juntadas aos autos que evidenciam que ela - Cerâmica Salinas Ltda, utilizou- se de artificios para reduzir indevidamente receitas e com isso manter-se na sistemática do SIMPLES, acata-se o feito fiscal, qual seja imputar-lhe, proporcionalmente a receita tida como da Cesal Produtos Cerâmicos e assim fazendo, a recorrente ultrapassa, em 2002, o limite máximo da Lei 9317/96. Também não procede a afirmação de que havia indicação genérica para a do enquadramento legal para exclusão da empresa recorrente do Simples - "artigos 14 ao 16 da Lei 9.317/96, não indicando o real motivo". Consta do ADE 002/2008 (.11. 1481): a empresa foi excluída do SIMPLES, em razão de a receita bruta ter superado a R$ 1.200.000,00 nos anos-calendário imediatamente anteriores, situação esta que se enquadra no inciso II do art. 9° da Lei 9.317/96, alterado pelo art. 6° da Lei 9.779/99 e também por ter o contribuinte incidido em prática reiterada de infração a legislação tributária conforme disposto no inciso V do artigo 14 da Lei 9.317/96, com efeitos a partir de 01/12/2002, de acordo com inciso V do artigo 15 da Lei 9317/96. A seguir transcreve-se esses dispositivos legais: Art. 9' Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: II - na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (Redação dada pela Medida Provisória If 2.189-49, de 2001) (Vide Medida Provisória n°275, de 2005) Art. 14. A exclusão dar-se-á de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: V - prática reiterada de infração à legislação tributária; VI - Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: AulentIcado digitaImente em 04/07/2011 por MARCOS IZOL)Ii!GUES DL MELLO. As1;inaclo d;‹,j11!non1e en 04107 /2011 por MARCOS RODR;GUI-S DE MELLO Impre:sso em 10/1112011 per NADA LEONOR FE ■ZREIRALIMA DF CARF MF Fl. 6 Processo n0 10670.000018/2008-38 S1-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.607 Fl. 1.538 V - a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Vê-se que o Ato Declaratório Executivo 002/2008 foi bem especifico no enquadramento da empresa, não assistindo razão recorrente também neste aspecto. Saliente-se que a motivação legal para que os efeitos da exclusão ocorresse no mês e não no exercício subseqüente, deve-se el pratica reiterada à legislação tributária, caracterizada pela montagem de uma operação de industrialização por encomenda, que na verdade não ocorreu e não somente pelo excesso de receita. O relatório fiscal e o voto condutor do acórdão DRJ são muito claros ao descrever o "esquema" utilizado pela recorrente para, de forma fraudulenta, manter no sistema simplificado de pagamento de imposto federais instituído pela Lei 9317. Como sua receita anual se aproximava muito do limite para adesão ao simples, a empresa, através de seus sócios ou familiares, "criou" nova empresa, que apenas aparentava ter funcionamento, para que aquela assumisse parcela de sua receita, impedindo que o limite para adesão ao simples fosse ultrapassado. A fiscalização provou que não foi demonstrada a integralização de capital na nova empresa (Cesal Produtos Cerâmicos) e que esta não possuía capacidade operacional, administrativa e financeira, o que levou a administração tributária a declará-la inapta, não se manifestando a empresa sobre a inaptidão, que tornou-se definitiva. Diante da inexistência de fato da Cesal, correta a postura da fiscalização de considerar parcela de sua receita como pertencente A. recorrente e excluir das suas receitas as decorrentes de prestação de serviços, pois de fato não existiram. Também está correta a data dos efeitos da exclusão, tendo em vista que a recorrente adotou o mesmo procedimento desde 2002 até 2005, configurando a conduta reiterada. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Autenticac:o digitaln tE;n12 em 04 10712011 por N,1.-',,RDOS ReL4:IGUES L3 V.LLLO, f■ssirK:do Cig!;41tnente en 04.107 12011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 Impresso em 101:1/2011 oor NADIA LEONOR FERR7-.11--A LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.906886/2008-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Dec 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 03/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FABRICAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO "NT". NECESSIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO.
O art. 1º da Lei n° 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento do PIS e da Cofins em favor de empresa produtora e exportadora de produtos nacionais, desde que submetido a processo produtivo de industrialização.
No presente caso, como não foi comprovada a industrialização, não cabe o crédito presumido de IPI na exportação de produto classificado na TIPI como NT.
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-004.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Luiz Augusto do Couto Chagas, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTO NT. Recorrente PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 03/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FABRICAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO "NT". NECESSIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO. O art. 1º da Lei n° 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento do PIS e da Cofins em favor de empresa produtora e exportadora de produtos nacionais, desde que submetido a processo produtivo de industrialização. No presente caso, como não foi comprovada a industrialização, não cabe o crédito presumido de IPI na exportação de produto classificado na TIPI como NT. Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 68 86 /2 00 8- 58 Fl. 2046DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Luiz Augusto do Couto Chagas, Júlio César Alves Ramos, Valcir Gassen, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3202000.756, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: · por unanimidade de votos: (a) negou provimento ao recurso voluntário quanto ao pedido de homologação tácita do pedido de ressarcimento; e (b) deu provimento ao recurso quanto à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos créditos referentes aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas; · pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso quanto às demais questões suscitadas. Em vista da decisão, foi consignado, então, acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 03/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Sob o fundamento legal do art. 150, §4º, do CTN, não há que se falar em homologação tácita de pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte, vez que aquele dispositivo legal trata da homologação tácita do lançamento, o qual diz respeito à constituição de crédito tributário da Fazenda Pública para com o contribuinte, e não de crédito do contribuinte para com a Fazenda Pública. Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 10880.906886/200858 Acórdão n.º 9303004.330 CSRFT3 Fl. 2.046 3 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C do Código de Processo Civil (repercussão geral), devem ser observadas no julgamento deste Tribunal Administrativo. Em razão disso, para a fruição do benefício do crédito presumido de IPI, previstos nas leis nº. 9.363/98 e 10.276/2001, na composição da base cálculo devem ser aceitos os créditos referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS (RESP 993.164MG, submetido ao rito do artigo 543C do CPC ). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VALOR DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. INAPLICABILIDADE DA PORTARIA MF nº 356/88. VARIAÇÕES CAMBIAIS. O valor das variações cambiais não compõe o valor da receita de exportação no cálculo do crédito presumido de IPI. A Portaria MF nº. 356/88 não se aplica para fins de cálculo do valor da receita de exportação, visto não ter aplicação em relação a negócios que não foram realizados levando em consideração a moeda “cruzado”. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VENDAS PARA ZONA FRANCA DE MANAUS. Em relação ao cálculo do crédito presumido de IPI, não se incluem na receita de exportação as vendas para a Zona Franca de Manaus/ZFM, ainda que tais vendas sejam equiparadas à exportação para fins de outros benefícios fiscais. Recurso voluntário provido em parte" Irresignado com a decisão do Colegiado, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial requerendo que o recurso seja regularmente processado ao final, anulando neste particular do direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI em exportação de produtos NT reconhecendo o direito em ter homologado seu pedido de compensação. Fl. 2048DF CARF MF 4 O Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo foi admitido, conforme Despacho a fl. 1988 a 1991. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, em síntese, que: · a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS no valor agregado dos produtos exportados, o fez na seara do IPI, de tal sorte que apenas os estabelecimentos industriais, contribuintes do IPI na forma da legislação pertinente, podem usufruir o incentivo fiscal; · Considerando que no presente caso ocorreu exportação de produtos com notação NT, não são considerados industrializados e, portanto, estão fora de incidência do IPI o que se conclui que o sujeito passivo não faz jus ao crédito presumido de IPI estabelecido pela Lei 9.363/96. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela sua admissibilidade – o que concordo com a análise feita em Despacho de fls. 1988/1991, vez que comprovadas as divergências confrontadas. Ora, o Colegiado do acórdão recorrido traz que a exportação de produtos classificados como Não Tributáveis (NT) na TIPI não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI. Enquanto, o acordão indicado como paradigma traz que a notação na TIPI como NT se mostra absolutamente irrelevante nesse caso. Fl. 2049DF CARF MF Processo nº 10880.906886/200858 Acórdão n.º 9303004.330 CSRFT3 Fl. 2.047 5 Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a lide – se haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, à pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado). A priori, importante trazer que o sujeito passivo é uma pessoa jurídica que tem como objeto social o exercício das seguintes atividades, em território nacional ou no exterior: · A industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral, principalmente os derivados de proteína animal e produtos. alimentícios que utilizem a cadeia de trio como suporte a distribuição; · A industrialização e comercialização de rações e nutrimentos para animais, · A prestação de serviços de alimentação em geral; · A industrialização, refinação e comercialização de óleos vegetais; · A exploração, conservação, armazenamento, embalagem e comercialização de grãos, seus derivados e subprodutos; · As atividades de reflorestamento, extração; industrialização e comercialização de madeiras; · A comercialização rio varejo e no atacado de bens de consumo e de produção, inclusive a Comercialização de equipamentos e veículos para o desenvolvimento de sua atividade logística; · A exportação e, a importação de bens.de produção e de consumo; · A participação em outras sociedades, objetivando a mais ampla consecução dos fins sociais; e · A participação em projetos necessários e operação dos negócios da Companhia. Fl. 2050DF CARF MF 6 Frisase que na receita de exportação, o sujeito passivo considerou as vendas de mercadorias de produção própria destinadas ao exterior o que confere com os valores extraídos dos balancetes declarados em DIPJ. Dessa forma, importante analisar se a caracterização da pessoa jurídica requerente como estabelecimento industrial, à luz da legislação do IPI, poderia influir no direito ao incentivo fiscal. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. Não obstante, vêse que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo de produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 10880.906886/200858 Acórdão n.º 9303004.330 CSRFT3 Fl. 2.048 7 Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a titulo de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um beneficio às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. No caso em comento, analisando os autos do processo, é de se verificar que o Auditor Fiscal não considerou na receita de exportação as vendas para o exterior de "pâncreas de suíno congelado" sob alegação de que produtos não tributados — NT que "não geram direito ao crédito presumido". Ora, não procede tal entendimento, pois a Lei n° 9363/96, em seu artigo 1º , estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido é a produção e exportação de mercadorias nacionais, sendo irrelevante que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. Sendo a Perdigão Agroindustrial responsável pela industrialização, comercialização e exploração de alimentos em geral, principalmente os derivados de proteína animal, irrefutável que para se proceder com a exportação de pâncreas de suíno congelado, o sujeito passivo efetivamente produziu/industrializou esse produto, Fl. 2052DF CARF MF 8 vez que, para tanto, é necessário, criação, abate, separação de carnes e miúdos, manutenção, refrigeração, etc. Em vista de todo o exposto, dou provimento ao Recurso Interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 10880.906886/200858 Acórdão n.º 9303004.330 CSRFT3 Fl. 2.049 9 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, redator: Com a devida vênia, divirjo, em parte, da il. Relatora. A razão é simples: enquanto o art. 1º da Lei nº 9.363, de 199, estabeleceu, para a empresa produtora e exportadora, crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS/Cofins, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo, o parágrafo único de seu art. 3º, remeteu à legislação do Imposto de Renda e do próprio IPI respectivamente, a definição dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Resta claro, portanto, que, havendo a fabricação e posterior exportação de produto com notação "NT" na TIPI, por situarse fora do campo de incidência do IPI, não há como autorizar o creditamento sobre as aquisições de insumos utilizados no seu fabrico. Os termos a que antes nos referimos têm, portanto, significado técnico jurídico. Adotando o mesmo entendimento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FABRICAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO "NT". NECESSIDADE DE INDUSTRIALIZAÇÃO. O art. 1º da Lei n° 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento do PIS e da Cofins em favor de empresa produtora e exportadora de produtos nacionais, desde que submetido a processo produtivo de industrialização. No presente caso, como não foi comprovada a industrialização, não cabe o crédito presumido de IPI na exportação de produto classificado na TIPI como NT. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (CSRF, 3ª Turma, redator do voto vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Acórdão nº 9303002.330, de 20/06/2013) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2054DF CARF MF 10 Fl. 2055DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001264/00-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2000
Pedido de Compensação Convertido em Declaração de Compensação. Homologação Tácita.
Os pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 1º/10/2002, e que não dizem respeito a crédito de terceiros, foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação, com efeitos retroativos à data de seus respectivos protocolos. Um desses efeitos é a homologação tácita do pleito, no prazo de 5 (cinco) anos a contar, também, do protocolo do pedido. Passado esse prazo, sem apreciação do pleito pela autoridade administrativa, considera-se homologada tacitamente a compensação declarada.
Numero da decisão: 9101-002.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2000 Pedido de Compensação Convertido em Declaração de Compensação. Homologação Tácita. Os pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 1º/10/2002, e que não dizem respeito a crédito de terceiros, foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação, com efeitos retroativos à data de seus respectivos protocolos. Um desses efeitos é a homologação tácita do pleito, no prazo de 5 (cinco) anos a contar, também, do protocolo do pedido. Passado esse prazo, sem apreciação do pleito pela autoridade administrativa, considera-se homologada tacitamente a compensação declarada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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PARTICIPAÇÕES ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 Pedido de Compensação Convertido em Declaração de Compensação. Homologação Tácita. Os pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 1º/10/2002, e que não dizem respeito a crédito de terceiros, foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação, com efeitos retroativos à data de seus respectivos protocolos. Um desses efeitos é a homologação tácita do pleito, no prazo de 5 (cinco) anos a contar, também, do protocolo do pedido. Passado esse prazo, sem apreciação do pleito pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 12 64 /0 0- 77 Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 11040.001264/0077 Acórdão n.º 9101002.515 CSRFT1 Fl. 2.456 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de fls. 1.041 e ss, do volume 5 digitalizado, contra o Acórdão nº 110200.019 (fls. 1.028 e ss do volume 5 digitalizado) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário interposto pela pessoa jurídica JOSAPAR JOAQUIM OLIVEIRA S.A. PARTICIPAÇÕES, em face da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS, que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra o despacho decisório que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas nos autos. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Decorrido tal prazo sem que tenha ocorrido manifestação do Fisco, ocorre a homologação tácita da compensação. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação à possibilidade de se declarar a homologação tácita das compensações pleiteadas, quando a Lei nº 9.430, de 1996, ainda não previa prazo para homologação de pedido de restituição/compensação. Neste ponto, após transcrever trechos de decisão paradigmática, alega que o acórdão combatido firmou o entendimento de que o pedido de compensação formalizado pelo contribuinte, em 10/10/2000, foi homologado tacitamente por decurso de prazo, enquanto que em situação análoga, outra turma deste órgão colegiado posicionouse no sentido de que a previsão legal de homologação tácita não se aplica a pedidos de compensação apresentados antes de 30/10/2003. Indicou como paradigma o Acórdão n° 20311.648, que tem a seguinte ementa, no que importa à questão: Acórdão n° 20311.648 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. Recurso provido em parte. Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 11040.001264/0077 Acórdão n.º 9101002.515 CSRFT1 Fl. 2.457 3 Ao final pede pelo provimento de seu apelo com a reforma do acórdão atacado, afastandose a homologação tácita e conseqüente indeferimento da compensação. Pelo Despacho de fls. 1.064 e ss do volume 5 digitalizado, a presidência da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF, dá seguimento ao Recurso Especial. Na seqüência, a pessoa jurídica JOSAPAR JOAQUIM OLIVEIRA S.A. PARTICIPAÇÕES apresenta Contrarrazões (volume 5 digitalizado). Em resumo, inicia por apontar que o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário com fundamento no § 5º, do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996 e com base no art. 150, § 4º c/c o art. 156, VII, ambos do CTN, mas que a PFN não demonstrou, de forma analítica, com indicação dos pontos nos paradigmas que divergem da parte do acórdão recorrido que deu interpretação à lei tributária em prol da pessoa jurídica, com base no art. 150, § 4º c/c o art. 156, VII, ambos do CTN, o que caracterizaria a preclusão do apelo da Fazenda Nacional que envolva a aplicação desses dispositivos, implicando no não conhecimento do Recurso Especial. No mérito, ressalta que o acórdão recorrido declarou, expressamente, a homologação tácita das compensações, por entender que o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, determina que o prazo para a homologação de pedido de compensação é de 5 (cinco) anos, e que o § 4º, do mesmo artigo, afirma que os pedidos de compensação pendentes de análise são convertidos em declaração de compensação, o que não deixaria dúvida a respeito da ocorrência, in casu, da homologação tácita, cujo prazo teve início com a realização da compensação. Aponta que, de acordo como a decisão combatida, ainda que não se entenda pela aplicação do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, o próprio CTN, nos artigos 150, § 4º e 156, VII, determinaram a homologação tácita dos fatos geradores ocorridos no ano de 1997, o que justificaria reconhecer a homologação tácita das compensações. Ao final pede que o Recurso Especial da PFN seja não conhecido, por ausência de demonstração de divergência em relação a todos os fundamentos adotados pelo acórdão recorrido para conceder o pleito e pelo não provimento do Recurso Especial, no mérito. É o relatório. Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 11040.001264/0077 Acórdão n.º 9101002.515 CSRFT1 Fl. 2.458 4 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Preliminarmente. Os autos foram encaminhados à PFN, para ciência do acórdão recorrido, em 09/06/2010, e lá recepcionados em 17/06/2010, como demonstra a cópia da tela do sistema COMPROT à fl. 1.040 do volume 5 digitalizado. Como o Recurso Especial foi protocolizado no CARF em 02/07/2010, verificase a tempestividade da peça recursal. Quanto à preliminar de não conhecimento do Recurso Especial, por ausência de demonstração de divergência quanto ao suposto segundo fundamento adotado pelo acórdão recorrido para deferir a compensação, observo que o recorrente tem o direito de apresentar Recurso Especial contra qualquer parte de decisão prolatada. Dito de outro modo, não é obrigatório que se aponte divergência de interpretação em relação a todos os fundamentos de decidir adotados pelo colegiado. Ademais, não há qualquer equívoco no despacho de admissibilidade do Recurso Especial apresentado. A comparação entre o acórdão recorrido e aquele indicado como paradigma, pela PFN, caracterizou perfeitamente a divergência de conclusões entre os colegiados, sobre fatos similares. Mérito No mérito, entendo que se operou, no presente caso, a homologação tácita das compensações. Com efeito, a previsão para que ocorra a homologação tácita de uma compensação declarada à RFB somente surgiu com a publicação, em 30/12/2003, da Lei nº 10.833 que, pelo art. 17, deu nova redação ao § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. [...] [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. [...]" (*) negritei Observese, na parte destacada em negrito do texto acima, que o dispositivo se refere, expressamente, à homologação tácita da compensação declarada, ou seja, aplicase a homologação tácita exclusivamente às declarações de compensação. O instrumento em comento a Declaração de Compensação, somente surgiu com a alteração feita, no mesmo art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, pela Lei nº 10.637, publicada Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 11040.001264/0077 Acórdão n.º 9101002.515 CSRFT1 Fl. 2.459 5 em 31/12/2002 (mas fruto de conversão em lei da Medida Provisória nº 66, de 10/2002), que no art. 49, dispôs: Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Produção de efeito "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo."(NR) (*) destaquei Assim, de acordo com a nova redação do art. 74, da Lei nº 9.430, de 1996, a partir de 1º de outubro de 2002, data em que a Lei nº 10.637, de 2002, passou a atribuir efeitos ao seu art. 49, os pedidos de compensação ainda pendentes de apreciação pela autoridade administrativa nessa data 1º/10/2002, foram automaticamente convertidos em Declaração de Compensação. Por oportuno, consigno que não se trata de compensação com créditos de terceiros. Dessa forma, o pedido de compensação apresentado pela interessada, em 10/10/2000, que se encontrava pendente de apreciação pela autoridade administrativa em 1º/10/2002, foi, nessa data, automaticamente convertido em Declaração de Compensação. Nessas condições, com a alteração legislativa perpetrada no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003, que deu nova redação ao § 5º daquele artigo, sobre a Declaração de Compensação da interessada, fruto da conversão anterior do Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 11040.001264/0077 Acórdão n.º 9101002.515 CSRFT1 Fl. 2.460 6 pedido de compensação (em 1º/10/2002), passou a correr o prazo para a homologação tácita, que é de 5 (cinco) anos, a contar da data do protocolo do pleito. Observese que os efeitos da Declaração de Compensação, atribuídos ao pedido de compensação feito pela interessada, retroagiram à data do protocolo do pedido, e não à data da conversão do pedido em declaração de compensação. E isso se deu por expressa ordem legal, já que o próprio § 4º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, acima transcrito, é que determinou que "para os efeitos previstos neste artigo" efeitos de Declaração de Compensação os pedidos de compensação convertidos em Declaração de Compensação naquela data 1º/10/2002 serão assim considerados "desde o seu protocolo". Portanto, quando da introdução, na legislação, da previsão da homologação tácita da Declaração de Compensação, no prazo de 5 (cinco) anos a contar "da data da entrega" o pedido da interessada já havia sido convertido em Declaração de Compensação. Não havia mais pendência de "pedido de compensação". Somente havia, pendente de apreciação pela autoridade administrativa, Declaração de Compensação. Ocorre que a declaração de compensação da interessada deixou de ser "pendente de apreciação pela autoridade administrativa", somente em 23/10/2006, quando o órgão de origem procedeu à revisão da apuração dos resultados da pessoa jurídica, dos anos calendário 1997 e 1998, e proferiu decisão declarando que não haveria direito creditório suficiente a suportar os débitos indicados para a quitação via compensação. Contudo, quando o órgão de origem proferiu a referida decisão, em 23/10/2006, já havia se operado a homologação tácita da declaração de compensação da interessada, fruto da conversão automática de seu pedido de compensação apresentado em 10/10/2000, ou seja, já havia transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados da data do protocolo do pleito, em 10/10/2000. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da PFN, e mantenho a decisão do colegiado a quo que reconheceu a homologação tácita das compensações declaradas nestes autos. É como voto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 2460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721613/2014-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO A MAIOR DA PARCELA ISENTA. APOSENTADORIA. MAIOR DE 65 ANOS.
Constatado o aproveitamento da parcela isenta dos proventos de aposentadoria auferidos por contribuintes maiores de 65 anos, em montante superior ao estipulado nos termos do inciso VI do art. 4º, e inciso I e § 1º do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, deve ser mantida a exigência tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO A MAIOR DA PARCELA ISENTA. APOSENTADORIA. MAIOR DE 65 ANOS. Constatado o aproveitamento da parcela isenta dos proventos de aposentadoria auferidos por contribuintes maiores de 65 anos, em montante superior ao estipulado nos termos do inciso VI do art. 4º, e inciso I e § 1º do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, deve ser mantida a exigência tributária. Recurso Voluntário Negado.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO A MAIOR DA PARCELA ISENTA. APOSENTADORIA. MAIOR DE 65 ANOS. Constatado o aproveitamento da parcela isenta dos proventos de aposentadoria auferidos por contribuintes maiores de 65 anos, em montante superior ao estipulado nos termos do inciso VI do art. 4º, e inciso I e § 1º do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, deve ser mantida a exigência tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 16 13 /2 01 4- 59 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 26/08/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 26/08/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10166.721613/201459 Acórdão n.º 2402005.418 S2C4T2 Fl. 84 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 4.259,29, relativo ao anocalendário 2012. O lançamento (fls. 9/14) foi decorrente da constatação de que a contribuinte, portadora de moléstia grave desde 22/10/2012, utilizouse indevidamente da isenção relativa à parcela isenta dos proventos de aposentadoria para declarantes com 65 anos ou mais, havendo sido, assim, considerado tributável o valor de R$ 14.685,18 recebido a título de parcela isenta do INSS. Houve o ajuste dos rendimentos tributáveis relativos à Fonte Pagadora Instituto Geiprev (CNPJ 00.529.784/000140), já que a contribuinte comprovou ser portadora de moléstia grave a partir de 22/10/2012. Irresignada, a contribuinte impugnou o lançamento (fls. 3/4), alegando que protocolou o processo 10166.728378/201365 em 27/9/2013 na qual solicitou a restituição de R$ 4.688,02 em razão de ser portadora de moléstia grave que a isenta do IR, conforme laudo pericial expedido pelo INSSDF. Solicita também naquele processo o pagamento de parte do 13º salário, não calculado. Em razão de ser isenta do imposto de renda demanda a improcedência do lançamento fiscal; declarou rendimentos tributáveis da Geiprev de R$ 61.059,87 e foi reduzido o valor de R$ 5.078,84, sendo considerado como rendimentos tributáveis da Geiprev o valor de R$ 55.981,03. Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau (fls. 35/39), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 8/10/2014 (fls. 67/60), defendendo que: .. é isenta por moléstia grave, e o valor cobrado está exatamente dentro do período de isenção compreendido pela moléstia grave, que foi deferido a partir de 22 de outubro de 2012, mas não está computado este período no total de janeiro a novembro de 2012, do demonstrativo da fl. 38 da intimação recorrida, visto que a isenção começa em outubro e no demonstrativo a tributação vai até o mês de novembro de 2012. Nesse sentido, pede a nulidade do lançamento e a devolução da importância de R$ 704,78 do imposto retido do seu 13º salário. Mediante a prolação da Resolução nº 2402000.536 (fls. 65/67), em 12/4/2016, esta Turma determinou fosse o julgamento convertido em diligência, para que a Delegacia de origem juntasse a Dirf entregue pelo INSS relativa ao anocalendário 2012 atinente à contribuinte. Cumprida a diligência demandada (fls. 69/76), retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 26/08/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, razão pela qual passo ao seu exame. Compulsando os autos, verificase ser incontroverso que a contribuinte é portadora de moléstia grave nos termos dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.71/88, c/c o art. 30 da Lei nº 9.250/95. Ocorre que também resta inconteste que tal benefício adveio a partir de 22/10/2012, data de emissão do laudo pericial do INSS (fl. 6), atestando aquela condição. Por conseguinte, até o mês de setembro de 2012 seus rendimentos eram tributáveis, devendo ser considerada, entretanto, a parcela isenta dos proventos de aposentadoria para os maiores de 65 anos prevista no inciso XV do art. 6º da Lei nº 7.713/88 c/c o § 1º do art. 8º da Lei nº 9.250/95. A alínea 'f' do inciso VI do art. 4º dessa lei, aliás, estipulou que tal parcela corresponde a R$ 1.637,11 mensais, para o anocalendário 2012. Contudo, a fiscalização constatou, no exame da DIRPF/2013, que a contribuinte utilizouse em duplicidade dessa isenção no decorrer do período que vai de janeiro a setembro de 2012, razão pela qual fez os ajustes pertinentes (fls. 9/14). Nesse rumo, abateu dos rendimentos declarados como recebidos de uma das fontes pagadoras, a Geiprev, o montante de R$ 5.078,84, pois a contribuinte tinha declarado como valor tributável recebido nesse ano um total de R$ 61.059,87, fl. 17, enquanto o valor correto, já computando a parcela isenta atinente aos meses de janeiro a setembro de 2012, R$ 14.733,99, era de R$ 55.981,56. Noutro giro, impôsse tributar o montante de R$ 14.685,18 indevidamente considerados como isentos para os referidos meses, no tocante ao valor recebido do INSS, visto que todas as parcelas isentas para maiores de 65 anos já haviam sido devidamente aproveitadas para fins de aferição dos rendimentos auferidos do Geiprev. Destarte, tendo em vista a correção dos cálculos efetuados pela fiscalização (fl. 12), corroborados pelo aresto contestado (fl. 37/38), não há reparos a fazer no lançamento. Anotese que, ao contrário do aventado pela recorrente, no demonstrativo de fl. 38 é efetivamente considerada, para o mês de outubro, a isenção por moléstia grave. Por fim, no que tange ao pleito de restituição do valor de imposto de renda retido na fonte sobre o décimo terceiro salário, cabe explicar que se trata de rendimento sujeito a tributação exclusiva, não havendo sido objeto de exame no lançamento de ofício ora abordado, que versou sobre os rendimentos levados ao ajuste anual na declaração do exercício 2013. Eventual interesse em devolução dessa retenção deverá, consequentemente, ser veiculado pelas vias próprias, protocolizandose, na unidade de atendimento da jurisdição da contribuinte, pedido de restituição atinente a essa parcela. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 26/08/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10166.721613/201459 Acórdão n.º 2402005.418 S2C4T2 Fl. 85 5 Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 26/08/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 03/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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