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Numero do processo: 10120.906190/2009-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Comprovado erro de fato no preenchimento da DCTF, nada impede a sua retificação após a ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação, desde que apresentadas provas aptas a permitir o reconhecimento do direito creditório postulado.
Numero da decisão: 1002-000.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. POSSIBILIDADE. Comprovado erro de fato no preenchimento da DCTF, nada impede a sua retificação após a ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação, desde que apresentadas provas aptas a permitir o reconhecimento do direito creditório postulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 61 90 /2 00 9- 12 Fl. 87DF CARF MF 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BSB: Trata o presente processo da Declaração de Compensação nº 36698.26243.140404.1.3.042776, apresentada pelo contribuinte em epígrafe por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, pela qual pretende o reconhecimento do direito creditório representado por pagamento indevido ou a maior, decorrente de pagamento de CSLL (código de receita 6012) relativo ao período de apuração de setembro de 2003, para utilização na quitação de débito tributário relativo à contribuição para o PIS, período de apuração de março de 2004, no valor de R$ 49,20. No despacho decisório eletrônico, emitido em 25/05/2009, a autoridade tributária não homologou a compensação declarada, sob a fundamentação de inexistência do crédito informado, haja vista que o pagamento referente ao DARF discriminado na DCOMP havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração, conforme segue: Características do DARF: Período de Apuração: 30/09/2003 Código de Receita: 6012 Valor Total do DARF: R$ 10.564,43 Data de Arrecadação: 31/10/2003 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF: Número do Pagamento: 1500986311 Valor Original Total: R$ 10.564,43 Débito: Db cód 6012 PA 30/09/2003 Valor Original Utilizado: R$ 10.564,43 Cientificado da decisão proferida pela DRF/Goiânia em 01/06/2009, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 30/06/2009. Nesta, alega ter ocorrido um equívoco no ato de preenchimento da DCTF correspondente, tendo sido informado o valor do pagamento como se devido fosse, e que somente percebeu o erro com a ciência do aludido despacho decisório. Acrescenta, ainda, que procedeu à retificação da DCTF, informando um valor devido de R$ Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10120.906190/200912 Acórdão n.º 1002000.463 S1C0T2 Fl. 88 3 7.395,10. Alega, por conseguinte, possuir um direito creditório na importância de R$ 3.169,33. Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade interposta, com consequente cancelamento do despacho denegatório contestado. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BSB, conforme acórdão n. 03043.746, de 27 de junho de 2011 (efl. 32), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. NÃO ADMISSÃO. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que enseje o não reconhecimento do direito creditório alegado, inviabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 50), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados. Contesta a não homologação da compensação, alegando que "foi discriminado na DIPJ a apuração do valor correto da CSLL e houve o pagamento a maior através do DARF em anexo " e que (sic) "o erro foi que quando fizemos a apuração do lucro do terceiro trimestre de 2003, esquecemos de compensar o prejuízo acumulado conforme balancete, e livro Lalur em anexo no valor de R$ 35.214,75, e depois que tínhamos já pago o DARF no valor de R$ 10.564,43 é que percebemos que foi pago a maior, e deixamos de retificar a DCTF do 3o trimestre 2003, a qual foi retificada posteriormente após a notificação da Receita Federal do Brasil". Sustenta que (sic) "está muito claro quanto ao direito do crédito, e que realmente houve o equívoco e que gerou a diferença a ser compensada, está tudo lançado certinho no livro diário e no livro Lalur em anexo". Ao final, requer o provimento do Recurso Voluntário. Fl. 89DF CARF MF 4 É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF n.º 329. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 36698.26243.140404.1.3.042776 transmitido em 14/04/2004, sob a alegação de que o valor do crédito original de R$ 74,53 nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento de outro débito, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Em sua Manifestação de Inconformidade, o ora Recorrente contestou a não homologação da compensação sob a alegação de erro de preenchimento da DCTF do 3º trimestre do anocalendário de 2003, a qual, conforme relatado, foi julgada improcedente, Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10120.906190/200912 Acórdão n.º 1002000.463 S1C0T2 Fl. 89 5 mormente pela ausência de comprovação do erro alegado e por ter sido a DCTF retificadora apresentada posteriormente à data de emissão do Despacho Decisório de não Homologação da compensação. Tais fatos configuraram ausência do requisito de liquidez e certeza do crédito pleiteado, inviabilizando a homologação do pedido de compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Compulsando os autos, constato que o valor principal do crédito não compensado era de R$ 49,20 e que Recorrente juntou ao Recurso Voluntário diversos documentos com vistas à sua comprovação, a saber: às efls. 51/54 acostou cópia da Parte A e B do LALUR, em que se encontra consignado o valor de R$ 82.167,76 do lucro do 3º trimestre de 2003 que serviu de base de cálculo da CSLL, a qual totalizou o valor de R$ 7.395,10; às efls. 55 apresentou DARF de recolhimento da importância de R$ 10.564,43, correspondente ao período de apuração de 30/09/2003, caracterizando recolhimento indevido de R$ 3.169,33; às efls.57, apresentou o balancete analítico referente a setembro de 2003, consignando o valor de R$ 7.395,10 relativo à provisão de CSLL do período respectivo; às efls. 61, apresentou a página 97 do LivroDiário, relativo a outubro de 2003, que informa o saldo de R$ 3.169,33 de CSLL a recuperar, relativo ao pagamento indevido do 3º trimestre; às efls. 81 foi juntada cópia do LivroDiário de abril de 2004, demonstrando a forma como a Recorrente utilizou parte do crédito de R$ 3.169.33 para quitação de PIS no valor de R$ 49,20 do período de apuração de março de 2004. À vista dos documentos acostados aos autos, entendo que o Recorrente comprova inequivocamente o crédito de R$ 49,20 glosado no Despacho Decisório Eletrônico e que foi a causa da não homologação da compensação, embora só tenha colacionado os documentos comprobatórios respectivos após o prazo previsto na legislação de regência, o que, em tese, levaria à preclusão do direito apresentálos. Entretanto, a preclusão na apresentação de provas em razão de intempestividade não vem sendo encarada em caráter absoluto neste CARF quando o Recorrente traz aos autos comprovação inequívoca do crédito postulado, em prestígio aos Princípios da verdade material e do formalismo moderado. A propósito, como corroboração do entendimento, os seguintes julgados: Fl. 91DF CARF MF 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora. (Acórdão nº 180300.7653 Turma Especial) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. VALOR PAGO A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPROVAÇÃO DO ERRO. Ao restar comprovado nos autos que o débito originalmente confessado em DCTF era superior ao valor efetivamente devido, a retificação da declaração deve ser admitida. Em consequência, o valor pago a maior deve ser reconhecido como direito creditório em favor do contribuinte, passível de restituição e/ou compensação. Assunto IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2004 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL APLICÁVEL. CONSTRUÇÃO POR EMPREITADA COM EMPREGO DE MATERIAIS. Para fins de determinação do percentual aplicável ao lucro presumido das pessoas jurídicas que se dedicam à atividade de construção por empreitada com ou sem emprego de materiais, aos fatos geradores anteriores à vigência das Instruções Normativas SRF nº 480/2004 e nº 539/2005, aplicamse as disposições do ADN COSIT nº 6/1997, até então vigentes. Ao restar comprovado o atendimento cumulativo às três condições estabelecidas por este último normativo, a saber, tratarse de contrato de empreitada, de construção e com o fornecimento de materiais em qualquer quantidade, aplicase o percentual de 8% para determinação do lucro presumido. Não se verificando alguma das referidas condições, o percentual aplicado deve ser de 32%. (Acórdão 130100.533 em 30/03/2011, 1ª Turma da 3ª Câmara) CSLL. ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. Comprovado o erro no preenchimento do PER/DECOMP, ainda que após instaurado o Processo Administrativo Fiscal, deve ser acatada a retificação. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 1402000.438 em 24/02/2011 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10120.906190/200912 Acórdão n.º 1002000.463 S1C0T2 Fl. 90 7 IRPJ REVISÃO DE LANÇAMENTO As condições para revisão do lançamento estão contidas no artigo 149 do CTN. ERRO DE FATO Comprovada a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DIPJ/2001, cabe a sua retificação e, por conseqüência, o reconhecimento do direito pleiteado. (Acórdão 10809.429 da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, sessão em 14/09/2007). Ademais, a própria Administração Tributária, por meio das conclusões exaradas no Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, admite a retificação da DCTF após a data de transmissão do PERD/COMP, mesmo depois da emissão do despacho decisório de não homologação da compensação. Confirase: (...) Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; (...) Dispositivo Considerando que o Recorrente logrou demonstrar inequivocamente o erro de preenchimento na DCTF do 3º trimestre de 2003, voto por dar PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 93DF CARF MF 8 Aílton Neves da Silva Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13739.000641/2007-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
DECADÊNCIA. TERMO DE INÍCIO. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL.
Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-007.376
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 DECADÊNCIA. TERMO DE INÍCIO. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13739.000641/200766 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.376 – 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ROUDINEZ ERBE DE SOUZA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DECADÊNCIA. TERMO DE INÍCIO. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. TRIBUTO SUJEITO AO AJUSTE ANUAL. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento e não se imputando ao contribuinte a prática de conduta com dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 9. 00 06 41 /2 00 7- 66 Fl. 100DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 280100.879 proferido pela Primeira Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 20 de setembro de 2010, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 58: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário, tendo o fisco o prazo de cinco anos, a contar desta data, para efetuar eventuais lançamentos, por força do disposto no § 4° do art. 150, do Código Tributário Nacional. Preliminar de Decadência Acolhida. Recurso Voluntário Provido. Interposto o Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 64 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 88 e seguintes, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à Decadência. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) no caso, impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, afinal a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo; b) acórdão objurgado, a despeito destas ponderações e da dicção do art. 173 do CTN, aplicou o prazo de decadência qüinqüenal, a contar da data de ocorrência de cada fato gerador; c) deve ser reformada a r. decisão recorrida. Essa é a linha adotada pela jurisprudência majoritária no âmbito dos Conselhos de Contribuintes, que, em harmonia com tudo quanto exposto neste recurso, ante a inexistência de pagamento, não admite a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, tal qual previsto no §4º do art. 150 do CTN. Intimado, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 95 e seguintes, requerendo a manutenção da decisão recorrida, em razão da devida aplicação do art. 150,§ 4º, do CTN ao presente caso, tendo em vista a existência de retenção na fonte, portanto a antecipação do pagamento. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13739.000641/200766 Acórdão n.º 9202007.376 CSRFT2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. A controvérsia constante dos presentes autos se refere ao prazo decadencial do lançamento: se seria aplicável o art. 173, I, do CTN ou o art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal. Cabe salientar que a matéria objeto dos autos se encontra pacificada nesse Conselho no sentido da aplicabilidade do art. 150, §4º, do CTN, desde que cumpridos dois requisitos: um positivo, qual seja a existência de pagamento antecipado; e outro negativo, que é ausência de qualificação da multa aplicada, ou seja, inexistência de dolo, simulação ou fraude. Compulsandose os autos, observase que houve retenção do imposto de renda na fonte, consoante Demonstrativo de fls. 13, embora o acórdão recorrido não tenha se firmado nessa premissa fática para consignar o entendimento acerca da aplicação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Assim, aferida a existência da retenção na fonte, impõese a aplicação do Enunciado de Súmula 123 do CARF: Súmula CARF nº 123 Imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos sujeitos a ajuste anual caracteriza pagamento apto a atrair a aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Cabe salientar que a multa aplicada foi no patamar de 75%, razão pela qual se deduz a inexistência de dolo, fraude ou simulação, cumprindose assim o requisito negativo para a aplicação do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Portanto, tendo a ciência do auto de infração em 30/05/2007, fls. 25, no que se refere ao fato gerador ocorrido em 31/12/2001, o lançamento aconteceu a destempo, pois o termo final do prazo de cinco anos ocorreu em 31/12/2006. Diante do exposto, voto por conhecer Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 102DF CARF MF 4 Fl. 103DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.904424/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 24 /2 00 9- 18 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904424/200918 Acórdão n.º 1302003.143 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904424/200918 Acórdão n.º 1302003.143 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904424/200918 Acórdão n.º 1302003.143 S1C3T2 Fl. 5 4 simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10640.904424/200918 Acórdão n.º 1302003.143 S1C3T2 Fl. 6 5 Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001905/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99.
O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ESTÁGIOS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA.
O cumprimento do disposto na legislação vigente à época dos fatos geradores, tais como a apresentação dos termos de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, bem como o Convênio Nacional firmado com o CIEE, afasta o vínculo empregatício, cabendo à autoridade lançadora o ônus de comprovar que os estágios não estariam propiciando a complementação do ensino e da aprendizagem.
Numero da decisão: 2402-006.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a decadência até a competência 11/2003, inclusive, e, no mérito, também por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ESTÁGIOS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. O cumprimento do disposto na legislação vigente à época dos fatos geradores, tais como a apresentação dos termos de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, bem como o Convênio Nacional firmado com o CIEE, afasta o vínculo empregatício, cabendo à autoridade lançadora o ônus de comprovar que os estágios não estariam propiciando a complementação do ensino e da aprendizagem.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a decadência até a competência 11/2003, inclusive, e, no mérito, também por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ESTÁGIOS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO. PREVISÃO LEGAL EXPRESSA. O cumprimento do disposto na legislação vigente à época dos fatos geradores, tais como a apresentação dos termos de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, bem como o Convênio Nacional firmado com o CIEE, afasta o vínculo empregatício, cabendo à autoridade lançadora o ônus de comprovar que os estágios não estariam propiciando a complementação do ensino e da aprendizagem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher a decadência até a competência 11/2003, inclusive, e, no mérito, também por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti (Relator), Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira. Designado para fazer o voto vencedor o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 05 /2 00 8- 10 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 312 2 Mauricio Nogueira Righetti Relator (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração (AI DEBCAD 37.121.901 9), no valor principal de R$ 2.283.049,80, acrescidos de juros Selic e da multa prevista nos já revogados incisos I, II e III do artigo 35 da Lei 8.212/91, referente a contribuições dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação, não declaradas em GFIP e não recolhidas em época própria, relativas à competência de 12/2002 a 12/2006. Como colocado no Relatório do acórdão de piso, o BANCO SANTANDER S.A (CNPJ 90.400.888/000142) é a atual denominação social de BANCO SANTANDER BANESPA S/A, anteriormente denominado de BANCO SANTANDER MERIDIONAL S/A, sucessor, por incorporação, do BANCO SANTANDER BRASIL S/A (CNPJ 61.472.676/0001 72), do BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO S/A BANESPA (CNPJ 61.411.633/0001 87) e do BANCO SANTANDER S/A (CNPJ 33.517.640/000122). Ainda conforme relatado naquele acórdão, Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 313 3 Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 314 4 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 315 5 Ainda segundo o Relatório do acórdão de piso (fls. 198/205), o autuado, em sua impugnação, alegou: Que as competências abrangidas até novembro de 2003 teriam sido alcançadas pela decadência, a teor do artigo 150, § 4º do CTN. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 316 6 E quanto ao mérito, propriamente dito, assim se manifestou: Fl. 316DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 317 7 Como já dito, a DRJ julgou improcedente a impugnação às fls. 197/212: Cientificado do acórdão em 29.06.2009 (fls. 215), apresentou Recurso Voluntário em 23.07.2009 (fls. 216/232), aduzindo, em síntese: Decadência, na forma do artigo 150, § 4º do CTN, na medida em que haveria recolhimentos antecipados relacionados a terceiros. Que o requisito necessário para a realização do estágio foi cumprido pela recorrente, por meio dos contratos firmados com os estagiários, já apresentados à fiscalização, com a interveniência do CIEE, consoante estabelece o artigo 3º da Lei 6.494/77, bem como o artigo 5º do DEcreto 87.497/82. Assim sendo, os Termos de Compromissos são hábeis e suficientes a comprovação do estágio, conforme estabelece, inclusive, o § 1º do artigo 6º daquele Decreto. Que além da existência dos Termos de Compromissos, todos os estagiários freqüentam cursos de educação superior. Além do mais, a recorrente possui condições de proporcionar a experiência prática necessária na linha deformação do estagiário, sendo certo que o estágio propicia a complementação do ensino e da aprendizagem do estudante, planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos. Que todas as informações e relatórios acerca dos estagiários foram encaminhados às IES ou ao CIEE, sendo certo que à Recorrente não cabe a guarda deste material. Que o relatório MAPE, acostado à impugnação, referente ao estagiário Marcello Renato Souza, contém todas as informações acerca do planejamento, acompanhamento, orientação e avaliação do estagiário. Que caso os programas de estágio não estivessem em conformidade com as condições legais, as IES já teriam se pronunciado, solicitando que a recorrente tomasse as providências cabíveis no sentido de regularizar a situação, eis que são as responsáveis pelos estágios, na forma do artigo 2º do Decreto nº 87.497/82. Que o Fisco não comprovou o descumprimento dos requisitos materiais e formais elencados na lei e o fato de o estagiário Marcelo ter autorizado a entrada do Fiscal ou lhe entregado documentos já solicitados não quer dizer que não haja coordenação ou planejamento de suas atividades. Que o Fisco, ao pretender tributar fato lícito e perfeitamente previsto em lei, está conferindo a esta fato uma interpretação econômica que afigurase como procedimento rechaçado pelo ordenamento pátrio. É o relatório. Voto Vencido Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 318 8 Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 29.06.2009 e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 23.07.2009. Observados os demais requisitos, dele passo a conhecer. 1 Da decadência Inicialmente, sustenta o autuado a ocorrência da decadência com relação às competências abrangidas até 11/2003 (período lançado => 12/2002 a 12/2006), à luz do § 4º do artigo 150 do CTN, na medida em que teria havido pagamento antecipado relativo a tal exação e que a ciência do lançamento derase somente em 19.12.2008. Por sua vez, a decisão de piso considerou que como não teria havido recolhimento antecipado relacionado ao fato gerador "remuneração paga a ESTAGIÁRIOS em desacordo com a legislação pertinente", não haveria que se falar na aplicação do dispositivo encimado, mas sim na do artigo 173, I do mesmo diploma. Na sequência, notese que o DAD Discriminativo Analítico de Débito de fls. 28/35 trouxe em seu bojo tão somente os valores pagos a estagiários, razão pela qual não se é capaz de aferir sequer e existência, ou não, de pagamento antecipado a título de contribuição dos segurados naquelas competências. No caso do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, a necessidade de haver pagamento antecipado já está sedimentada não só no CARF, mas no próprio Judiciário, conforme se observa no REsp 973.733/SC. Notese que a Súmula CARF nº 99 1 estabelece que para fins de aplicação da regra prevista no artigo 150, § 4º do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ou seja, com relação a pagamento a determinado(s) segurado(s) (FG), se houve o pagamento antecipado daquela exação (cota empresa, contribuição do empresa ou terceiros, conforme seja o caso), o lançamento de eventual diferença estaria sujeito à regra especial. A contrario sensu, se o pagamento antecipado refere a segurado não declarado ou a exação sob fundamento legal diverso, não há que se falar em lançamento por homologação, mas sim do típico lançamento de ofício, cuja regra para o cômputo da decadência é regida pelo artigo 173 do codex tributário. Confirase entendimento semelhante ao deste Relator, posto no Acórdão nº 9202005.177, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, conforme se observa no seguinte excerto: 1 Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 319 9 De imediato, refuto a tese do acórdão recorrido de que aplicável, ao caso concreto, a súmula CARF nº 99. A referida súmula teve por objetivo pacificar entendimento nos casos de salários indiretos, em que ocorrem lançamentos de diversas rubricas do conceito latu de remuneração. Referida súmula será aplicável, unicamente, aos lançamentos que envolvam salários indiretos, tais como: PLR, vale alimentação, fornecimento de educação, plano de saúde, dentre diversas outras utilidades que podem constituir salários indiretos, quando fornecidos fora das hipóteses de exclusão do conceito de salário de contribuição, previstas no art. 28, §9º da lei 8212/91. Fica fácil essa constatação quando verificamos os paradigmas que ensejaram a aprovação da súmula CARF nº 99. Em resumo e em outras palavras: penso que para que um "pagamento antecipado" possa ser considerado como aquele de que trata o artigo 150 do CTN, é primordial não apenas que diga respeito ao mesmo fato gerador e base de cálculo da autuação, mas também ao mesmo fundamento legal que dá amparo à exação lançada de ofício. Nessa mesma linha, o Acórdão nº 9202005.227, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do CARF, cuja ementa transcrevemos a seguir: CS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. REGRA DECADÊNCIA. ART. 173, I DO CTN. Inexistindo recolhimento antecipado sobre os fatos geradores e fundamentação legal lançada de ofício, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 173, I do CTN. Os recolhimentos efetuados antecipadamente como entidade isenta não são aproveitados para recolhimentos antecipados de entidades sem esse benefício fiscal. (Grifo nosso) Assim considerando, o lançamento em tela trouxe para a tributação fatos geradores não declarados (pagamento a estagiários), não havendo que se falar em sequer parcial pagamento antecipado capaz de atrair a regra especial para a contagem do prazo decadencial. O recorrente, por meio de petitório apresentado somente em 22.07.2015, acostou aos autos cópias de GPS eventualmente recolhidas pelo CNPJ 61.472.676/000172, sob o código "2100 Empresas em Geral", relativas às competências de 12/2002 a 11/2003, dentre outras. Entretanto, penso que tal comprovação deveria ter sido apresentada juntamente à sua Impugnação e/ou, a depender do caso, ao seu Recurso Voluntário, o que não foi feito, contrariando, assim sendo, o disposto no § 4º do artigo 16 do Dec. 70.235/72, fazendo com que referidos documentos não devam ser conhecidos. Além do quê, o autuante, no tópico relativo ao período do lançamento e à aplicação da Súmula Vinculante STF nº 8, após fazer constar a utilização do artigo 173, I do Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 320 10 CTN no lançamento, que seria, segundo ele, a sistemática mais adequado ao caso em que se há o desconhecimento da ocorrência do fato gerador, assentou a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais, vez que teria constatado a ocorrência de situação que, em tese, configuraria o crime de sonegação de Contribuição Previdenciária, à luz do artigo 337A, I, do CPB. Confirase: Consignado desta forma, passo a entender que o Fisco estaria, ainda de outro giro, concluindo pela existência de dolo, fraude ou simulação, que autorizaria o deslocamento no que toca à contagem de prazo da regra especial contida no artigo 150, § 4º do CTN, para a geral prevista naquele artigo 173, I. Por sua vez, o artigo 71 da Lei 4.502/64, define sonegação como sendo toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ou das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Já o artigo 337A, específico para o caso, tipifica a sonegação sempre que a omissão de fatos geradores ou a omissão de segurado empregado em documento de informações previsto pela legislação previdenciária resulte na supressão ou redução de contribuição social previdenciária. Prosseguindo, o dolo, consoante se extrai da definição contida no artigo 18, I, do CPB, estaria caracterizado sempre que demonstrada a intenção do agente na consecução de resultado juridicamente reprovável, por meio de uma conduta tipificada como crime (dolo direto); ou mesmo quando evidenciado que, mesmo não querendo o resultado, assumira o risco de produzilo (dolo eventual). Nessa linha, há de se perquirir se, in casu, estaria configurado o dolo na sonegação a ensejar o deslocamento para a regra geral de contagem de prazo decadencial. À luz do que consta dos autos, em especial do detalhado e pormenorizado Relatório Fiscal, que será melhor abordado no tópico a diante, penso ter restado caracterizada, ao menos, a assunção do risco pelo recorrente na produção do resultado previsto naqueles artigos 71 da Lei 4.502/64 e 337A do CPB, na medida em que não teria declarado em GFIP, os "estagiários" e os valores a eles pagos, quando, em verdade, não teria sido capaz de comprovar a observância aos requisitos previstos na Lei 6.494/77 e no Decreto 87.497/82. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 321 11 Por fim, é de se notar que o lançamento, aperfeiçoado em 19.12.2008, não contemplou a multa de ofício prevista no artigo 44, § 1º da Lei 9.430/96, aplicada aos lançamentos de ofício relativos à presente exação a partir da edição do artigo 35A da Lei 8.212/91, com a redação data pela Medida Provisória 449/2008, de 03.12.2008, em virtude das competências envolvidas. Destarte, voto, quanto a essa matéria, por rejeitar o pleito de reconhecimento da decadência. 2 Do mérito. Prosseguindo, no que tange ao mérito, a questão resumese à comprovação de que se foi, ou não, observado o disposto na Lei 6.494/77 e em sua regulamentação. Os valores pagos a título de bolsa complementação educacional de estagiário, desde que nos termos da Lei 6.494/77, não integram o conceito de salário de contribuição para fins de incidência da exação. 2 A contrario sensu, são considerados segurados obrigatórios na condição de empregado o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa em desacordo com o diploma encimado. 3 A rigor, a atividade de estagiário revestese das principais características encontradas nas relação de emprego, tais como pessoalidade, subordinação e onerosidade. Contudo, a legislação decidiu por retirar os pagamentos a esse título do campo de incidência da contribuição, desde que observadas as exigências previstas naquela Lei 6.494/77. Por sua vez, trago à colação o artigo 1º do diploma acima citado: Art. 1º As pessoas jurídicas de Direito Privado, os órgãos de Administração Pública e as Instituições de Ensino podem aceitar, como estagiários, os alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. . § 1o Os alunos a que se refere o caput deste artigo devem, comprovadamente, estar freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial. § 2º o estágio somente poderá verificarse em unidades que tenham condições de proporcionar experiência prática na linha de formação do estagiário, devendo o aluno estar em condições de realizar o estágio, segundo o disposto na regulamentação da presente lei. § 3º Os estágios devem propiciar a complementação do ensino e da aprendizagem e ser planejados, executados, acompanhados e avaliados em conformidade com os currículos, programas e calendários escolares. 2 Art. 28, § 9º, "i", da Lei 8.212/91 3 Art. 9º, "h", do Decreto 3.048/99. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 322 12 No caso em exame, segundo o Relatório Fiscal, a Fiscalização teria constatado uma série de evidências que apontariam para o descumprimento dos requisitos previstos naquela lei, dentre elas, a falta de documentação correta, a não comprovação de que havia acompanhamento ou avaliação de desempenho dos estudantes pelas instituições de ensino, não apresentação de plano de estágio que o contratante deveria elaborar em conformidade com as respectivas faculdades, falta de comprovação da frequência escolar, a remuneração vinculada a cumprimento de metas, os estudantes desempenhavam funções meramente burocráticas, estando afastados da finalidade do estágio, que é de aprimoramento e complementação do aprendizado escolar por meio da experiência prática conforme prevê o parágrafo 2º, artigo 1º, da Lei 6.494/77. Pois bem. Antes de prosseguir com relação ao que consta dos autos, impõese tecer a seguinte consideração. Como já dito acima, para que as bolsas pagas a estagiários sejam retiradas do campo de incidência da exação, faz necessária a comprovação, por parte daquele que efetua o pagamento e, por conseguinte, se vale da não incidência tributária, de que a relação entre ele e o estudante está formal e materialmente de acordo com o que dispõem a Lei 6.494/77 e o Decreto 87.497/82. Nesse contexto, o § 1º do artigo 6º do decreto encimado, ao estabelecer que o Termo de Compromisso "constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício", não está a afirmar que referido documento seria o bastante para comprovar referida situação, mas sim, que é documento obrigatório para a pretensão em demonstrála. Pareceme óbvia a conclusão encimada. Não se afigura razoável, ao meu sentir, que a existência de um mero documento tivesse o condão de comprovar, de forma cabal, que, na prática, a relação entre o recorrente e o estudante se dá, exclusivamente, no âmbito da prática de estágio supervisionado. Segundo o relato fiscal, nos Acordos de Cooperação e Termo de Compromisso de Estágio que têm, como interveniente o CIEE, as normas e regras previstas são as mesmas mencionadas para todos os contratados, com variações nas atividades, na carga horária e no valor da bolsa, que seria sempre um valor fixo. Na sequência, aduz o autuante que não foram comprovados ou estariam em desacordo com a legislação, os seguintes pontos relacionados àqueles acordos de cooperação e termos de compromisso: i) falta de indicação, nos acordos que possuem a IES como interveniente, de quando e por quem o estagiário teria acompanhamento, seria avaliado, orientado e supervisionado. Haveria, tão somente, previsão de que o banco seria obrigado a fornecer subsídios à IES, sempre que necessário; ii) falta de comprovação das atividades executadas pelos estagiários, além de não terem sido apresentados relatórios de atividades desenvolvidas. Somase a isso, o fato de também não terem sido apresentados os planos de estágios que deveriam ser encaminhados às IES, nos moldes por elas estabelecidos, previstos na maioria dos acordos; Fl. 322DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 323 13 iii) que as atividades desenvolvidas, tais como previstas naqueles instrumentos, não seriam de aprendizado, mas sim de execução, tais como, fazer atendimento e orientação a clientes, elaborar documentos planilhas ou formulários diversos e fazer pesquisas; e iv) falta de comprovação, embora intimado, da frequência escolar do estagiário. A seu turno, a recorrente sustenta que além de todas as informações e relatórios acerca dos estagiários terem sido encaminhados, ou a IES, ou ao CIEE, não seria ela a responsável pela guarda desse material. Não comungo deste entendimento. Muito embora o destinatário das informações, relatórios ou planos de estágios não seja o recorrente, até porque não é o responsável pela avaliação do estágio, a questão é que pelo o fato de ser a beneficiária direta da norma de não incidência, passa a deter interesse direto na comprovação de que sua relação com o estudante se dá, efetiva e exclusivamente, no âmbito de uma atividade de estágio supervisionado. Daí, penso que o eventual encaminhamento de todas aquelas informações, relatórios ou planos de estágios deveria estar prudentemente registrado e salvaguardado com o recorrente, por meio de cópia recebida pelo destinatário, por exemplo. Posto desta forma, a circunstância de supostamente não ter havido, por parte das IES, pronunciamento encaminhado à recorrente acerca de eventuais irregularidades na atividade de estágio, não a desincumbe de tomar as cautelas tendentes a comprovar ter cumprido sua parte no processo. Não importa se, ao final, não há a efetiva avaliação por quem detém referida obrigação ou mesmo se, de uma forma ou de outra, o que se pretende é a mera inserção do estudante no mercado de trabalho; o que se pretende evitar é a desvirtuada utilização da mão deobra do estagiário como se empregado fosse. E nesse ponto, o Relatório Fiscal traz importantes constatações que conduzem ao entendimento deste julgador no sentido de que houvera, sim, o desvirtuamento da atividade de estágio, passando a valerse o recorrente, de uma mãodeobra que, sabidamente, lhe demandaria menor custo. Vejamos: Contrariamente à previsão de que receberia uma bolsa de valor fixo, dependendo do setor e atividade desenvolvida, o estagiário recebia bônus e prêmios, ou seja, remuneração vinculada a uma objetivo específico, qual seja, a superação de metas pré estabelecidas. Foram pagos, ainda, valores a título de "'bônus vendas seguros", que representa um bônus pelo número de seguros vendidos, devido ao estagiário à disposição dos gerentes; tratamento semelhante ao que se dá aos empregados. Relatou o autuante que por meio de consultas à internet, em especial no site da Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp Afubesp, pôdese constatar notícia dando conta do desvirtuamento retro citado. Confirase: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 324 14 Nessa mesma linha de consultas à internet, noticiou o Fisco o fato a seguir, extraído do site da FETECSPCUT. Vejase:: Foi ainda identificado pela Fiscalização na internet, informação acerca de ação trabalhista de 2004, movida em face do Banco do Estado de São Paulo S/A BANESPA, com a seguinte decisão: Fl. 324DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 325 15 A partir de referidas notícias, concluiu o Fisco "que as atividades das pessoas contratadas como estagiárias, na verdade, são atividades destinadas a empregados reconhecidos pelo Justiça Trabalhista e, internamente por todos.". Prosseguindo, passo a colacionar excertos da decisão vergastada, com a qual comungo, na medida em que bem interpreta os fatos descritos pela Autoridade Autuante, concluindo pela incidência da exação em tela. Após trazer ementa de julgado do STJ (REsp 38351), assim concluiu: Fl. 325DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 326 16 Apenas para ilustrar, impõese destacar que nas sessões de junho deste ano foram julgados pela CSRF os processos 16327.001895/200812 (acórdão 9202006939), 16327.001896/200867 (acórdão 9202006941) e 16327.001897/200810 (acórdão 9202 006.942), relacionados a fatos similares ao presente e de interesse do recorrente, oportunidade em que se decidiu, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento. Naquela oportunidade assim se manifestou o relator no acórdão número 9202006.939, cujo excerto transcrevo a seguir. Com a devida vênia ao entendimento manifestado pelo Colegiado a quo, entendo que, com fulcro no estabelecido no art. 28, §9o ., "i", da Lei no . 8.212, de 1991, a referida Lei no . 6.494, de 1977, na forma do seu art. 1o , §§1o ., 2o . e 3o ., estabelece condições a meu ver a serem necessariamente cumpridas e que perpass am a simples celebração do Termo de Compromisso, Fl. 326DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 327 17 dependendo a exclusão da base de cálculo das contribuições da efetiva comprovação, pela concedente, de todos os requisitos estabelecidos, uma vez que é a concedente a beneficiária da exclusão, cabendo a esta, assi m, comprovar o fato constitutivo de seu direito àquela, prevista na referida alínea "i", afastand o, desta forma, a relação de emprego. E prosseguiu o relator: Aplicando tais considerações especificamente quanto ao caso sob análise, entendo que, uma vez tendo se limitado a concedente a apre sentar os Termos de Compromisso de Estágio sem qualquer comprovação de matrícula e frequ ência regular e de compatibilidade de atividades e acompanhamento efetivo, não se desincumbiu aquela concedente satisfatoriamente do ônus supra, qual seja, de comprovação de cumprimento dos requisitos estabelecidos nos §§1o ., 2o . e 3o . do art. 1o da Lei no . 6.494, de 1977, à luz do referido Decreto regulamentador, que restaram, assim, violados, alinhandome aqui ao entendimento da autoridade julgadora de 1a . instância, cujo excerto abaixo é adotado aqui como razão de decidir adicional quanto à matéria: (...) Por todo o fundamentado acima, estou convicto de que a relação havida entre os "estagiários" e o recorrente não se dera, exclusivamente, no âmbito da prática de estágio supervisionado, tal como prevista na Lei 6.494/77. Com efeito, VOTO por CONHECER o recurso apresentado e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Voto Vencedor Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Redator Designado Com o devido respeito ao bem fundamentado voto do ilustre relator, divirjo do seu entendimento no tocante à decadência e ao mérito. 1. Da decadência Relativamente à decadência, o prazo do art. 150, § 4º, do CTN, é igualmente considerado como um prazo de homologação tácita do lançamento por homologação (ou Fl. 327DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 328 18 recolhimento por homologação). Ali está estabelecido que o lançamento por homologação ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, o qual é homologado tacitamente pelo decurso do prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. No caso concreto, as contribuições estão sujeitas ao lançamento por homologação e a contribuinte fez o pagamento antecipado dos valores que entendia devidos. Tal recolhimento antecipado, a propósito, é calculado e efetuado sobre a folha de salários (ou folha de pagamentos) como um todo, e não empregado por empregado, tanto que levado a cabo numa única guia de recolhimento, por competência e por código, e não por pessoa física. Esse recolhimento antecipado, por óbvio, viabiliza a atividade homologatória pelo fisco e inexiste qualquer critério legal que permita concluir que o lustro decadencial seja aferido por trabalhador. E como afirmado pelo ilustre conselheiro relator, a recorrente, por meio de petitório apresentado em 22.07.2015, acostou aos autos cópias de GPS recolhidas pelo CNPJ 61.472.676/000172, sob o código 2100 Empresas em Geral; e, com o devido respeito ao entendimento da relatoria, entendemos que o recolhimento antecipado a que se refere o art. 150, § 4º, do CTN, a Súmula CARF 99 e o recurso repetitivo nº REsp 973.733/SC, é o recolhimento antecipado da exação, considerandose a folha de pagamento como um todo, e não a folha de pagamento por funcionário. Vejase, primeiramente, o julgado do STJ em sede de recurso representativo de controvérsia, o qual alude ao recolhimento antecipado da exação: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). [...] Fl. 328DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 329 19 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Vejase, em segundo lugar, a Súmula CARF 99, a qual alude expressamente ao "valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador", sendo iniludível que houve o citado recolhimento antecipado pelo contribuinte nos fatos geradores nas competências: Súmula CARF nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Insistase que as contribuições em referência são incidentes sobre a folha de salários, na dicção do art. 195, inc. I, alínea a, da CF. Quer dizer, a totalidade da folha deve ser indubitavelmente considerada, inexistindo, ainda, qualquer critério legal que permita concluir que a aferição dos recolhimentos parciais seja feita por empregado ou mesmo por parcela relativa à rubrica especificamente exigida no auto de infração. Logo, entendo que houve sim recolhimentos parciais. Por fim, também entendo que não houve dolo, fraude ou simulação, uma vez que a recorrente agiu de acordo com um modo de proceder que entendeu ser lícito (remuneração de estagiários em conformidade com a Lei 6494/77). Ademais, e como se verá no mérito, a recorrente não só não agiu com dolo, fraude ou simulação, como também agiu de acordo com a lei que regulamentava o estágio à época dos fatos geradores. Logo, quando o lançamento foi notificado ao sujeito passivo, em 19/12/2008, já havido transcorrido o prazo decadencial até a competência novembro/2003, devendo ser acolhida a preliminar de decadência. 2. No mérito No tocante ao mérito, o recurso deve ser provido. Em caso reflexo ao presente, vez que decorrente do mesmo procedimento fiscal e dos mesmos elementos de prova (art. 6º, § 1º, inc. III, e § 8º, do RICARF), a colenda 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento, no PAF 16327.001893/200823, da mesma contribuinte, deu total provimento ao seu recurso, filiandose na tese acolhida pelo então conselheiro do CARF, MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, nos acórdãos 2202 003.727, 2202003.728 e 2202003.729, que igualmente adoto como razões de decidir: "Um documento básico a ser analisado é o convênio firmado entre o contribuinte e o CIEE, cuja cópia está acostada nas folhas 91 e seguintes. Além do contribuinte aqui sucedido, o Banco Santander Brasil S/A (CNPJ 61.472.676/000172), Fl. 329DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 330 20 participaram do mesmo termo de convênio outras instituições, como o BANCO do ESTADO DE SÃO PAULO S/A BANESPA CNPJ/MF.: 61.411.633/0001787. Este Conselho já tratou da questão, no Acórdão 2403002152, Sessão de 17 de julho de 2013, processo 16327.001895/200812, onde o contribuinte era o mesmo Banco Santander S/A, porém lá como sucessor do Banco do Estado de São Paulo BANESPA, acima citado. No Voto, o Conselheiro relator Ivacir Júlio de Souza, assim dispôs, em resumo: 1 Anuindo o Relatório Fiscal na condução do voto “ ad quod ”, o I. Julgador entendeu que não estavam presentes os requisitos materiais e formais exigíveis na lei de regência n.° 6.494, de 07/12/1977. 2 Dado que consta de reiteradas intimações a apresentação dos documentos constantes na cláusula 2 do sobredito convênio, é lícito concluir que a Autoridade autuante não desconhecia que a referida cláusula define obrigações do CIEE e não da Recorrente. As obrigações da Recorrente no referido Convênio estão elencadas na cláusula 3 do documento em apreço e não foram motivo de questionamento sugerindo, pois adimplidas. 3 Em complemento ao acima, no item 3.1 do Relatório Fiscal, o Auditor Fiscal registra que o Contribuinte apresentou CONVÊNIO NACIONAL, firmado com o Centro de Integração Empresa Escola – CIEE. No item 3.2.2 o CIEE está como interveniente em todos os contratos assinados entre as partes, a Autoridade autuante afirmou que existiram pontos em desacordo com a legislação. O sujeito passivo é uma instituição financeira, entretanto, mesmo sublinhando que seria obrigação da Instituição de ensino, o Auditor Fiscal baseou a autuação no Art. 9° , “h” do Decreto n° 3.048 de 06 de maio de 1999. 4 Do despacho no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, a devolução dos documentos ali referidos faz prova de que constataramse produzidos os, também, exigíveis Termos de Compromisso de Estágio acompanhados dos respectivos relatórios. Observa este Relator, a seu turno, que nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, a Autoridade Fiscal fez constar a seguinte observação: Toda documentação solicitada, a qualquer momento, aplicase a todas as empresas incorporadas no período, quando não nomeada na solicitação. Prosseguindo, na análise constante do Acórdão 2403002152: 5 A ação fiscal teve início em 18/10/2007 e encerramento em 19/12/2008. No curso da referida ação, dispondo sobre o estágio de estudantes, a Lei n° 11.788, de 25 de setembro de 2008 alterou a redação do art. 428 da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto Lei no 5.452, de 1o de Fl. 330DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 331 21 maio de 1943, e a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996; revogou as Leis nos 6.494, de 7 de dezembro de 1977, e 8.859, de 23 de março de 1994, o parágrafo único do art. 82 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e o art. 6o da Medida Provisória no 2.16441, de 24 de agosto de 2001. Na nova Lei, o legislador reiterou de forma mais objetiva os aspectos que suscitaram a motivação do lançamento em comento, realçando que o que se pretende com o estágio é fazer com que o educando desenvolva competência próprias da atividade profissional. Desse modo, entendeuse que efetuar os trabalhos típicos dos empregados da empresa concedente não se caracteriza desvio do aprendizado. 6 Ressaltando quais são as obrigações das instituições de ensino, o sobredito destaque do inciso IV do caput do art. 7° revela que o relatório das atividades exigido na ação fiscal é exigência que se faz ao educando com a apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, verbis: Art. 7o São obrigações das instituições de ensino, em relação aos estágios de seus educandos: I – celebrar termo de compromisso com o educando ou com seu representante ou assistente legal, quando ele for absoluta ou relativamente incapaz, e com a parte concedente, indicando as condições de adequação do estágio à proposta pedagógica do curso, à etapa e modalidade da formação escolar do estudante e ao horário e calendário escolar; II – avaliar as instalações da parte concedente do estágio e sua adequação à formação cultural e profissional do educando; III – indicar professor orientador, da área a ser desenvolvida no estágio, como responsável pelo acompanhamento e avaliação das atividades do estagiário; IV – exigir do educando a apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, de relatório das atividades; 7 Não obstante tudo que foi exposto, transcreveuse parte do Relatório fiscal onde a Autoridade autuante registra que todos os estagiários executam sua tarefas ao abrigo do Termo de compromisso o qual tem sido equivocadamente tratado como contrato de estágio : “...os estudantes atuarem oficialmente na empresa por meio de um contrato de estágio, os indícios apurados ...” 8 Cumpre ressaltar que o Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982, regulamentou a exortada Lei n° 6.494/77 e no art. 4° do referido diploma fica definido que cabe às instituições de ensino e não as empresa que concedem os estágios regularem entre outras questões a sistemática de organização, orientação, supervisão e avaliação de estágio curricular, fatos geradores que como destacado alhures motivaram o auto em comento. 10 Aduz que o art. 6º do mesmo sobredito diploma define que a realização do estágio curricular, por parte de estudante, não acarretará vínculo empregatício de qualquer natureza. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 332 22 Caracterizando como Termo de compromisso, afastando assim hipótese de relação trabalhista, o legislador evitou denominar de contrato o pacto entre as partes e no § 1º do art. supra acentua que o Termo de Compromisso será celebrado entre o estudante e a parte concedente da oportunidade do estágio curricular, com a interveniência da instituição de ensino, e constituirá comprovante exigível pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício. 11 Desse modo, entendeuse que as exigências legais previstas na lei n° 6.494/77, regulamentadas pelo Decreto n° 87.497, de 18 de agosto de 1982 foram todas cumpridas pela Recorrente. A exigência fiscal ora em apreço é da responsabilidade das Instituições de ensino, como acima se verificou. 12 Foi citado o entendimento do TST, 3ª Turma: Acórdão do processo Nº RR 46643337.1998.5.09.5555, 21/10/1998 Estágio relação de emprego. Não forma vínculo de emprego o estagiário que firma termo de compromisso, de acordo com a Lei nº 6.494/77, tendo em vista que a admissão no Banco do Brasil se dá exclusivamente através de aprovação em concurso público, nos termos do art. 37, inciso II, da Constituição Federal de 1988.” Para destacar que: Sobre o voto supra, destacando que a relação jurídica entre o estagiário e o Banco é de natureza civil, achandose disciplinada pela Lei nº 6.494/77 e, havendo quaisquer irregularidades na execução do estágio, as mesmas devem ser resolvidas entre o estagiário e/ou estabelecimento de ensino, no presente caso, o CIEE, ACORDAM os Ministros da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, unanimemente, conhecer da Revista, por violação ao art. 37, inciso II, da Constituição Federal e, no mérito, darlhe provimento para declarar inexistente o vínculo empregatício. Novamente a seu turno, observa este Relator que ao analisar o caso com o Banespa Banco do Estado de São Paulo, sociedade anônima, o Conselheiro relator do voto que aqui se toma como paradigma usou ainda o argumento da necessidade de ingresso na sociedade de economia mista do Estado se dar por concurso público, conforme previsto na CF/88. Aqui, o Banco sucedido não tinha o capital majoritariamente pertencente ao Estado e tais argumentos, especificamente, não se aplicam. Prosseguindo nas razões daquele voto: 13 A Lei nº 6.494, de 07.12.77, ao dispor sobre o estágio, estabeleceu em seu art. 4º que "o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza". No art. 3º exige que haja termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com a interveniência obrigatória da instituição de ensino. Tudo isto posto, entendeuse que a relação jurídica entre Fl. 332DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 333 23 o estagiário e o Banco é de natureza civil, à época dos fatos, disciplinada pela Lei nº 6.494/77 revogada pela Lei n° 11.788/2008. Portanto, eventuais hipóteses de irregularidades na execução do estágio, deveriam ser resolvidas entre o estagiário, as instituições de ensino e o agente interveniente, o CIEE. 14 A Autoridade autuante, afirmando ser de interesse, registrou nos item 8.1.2 e 8.1.3 manifestações classistas que não motivam o auto quer pela evidente politização da questão, quer por serem supervenientes aos fatos geradores, como o caso do congresso do ano de 2008. 15 Concluiu então aquele Relator que: Por experiência própria vivenciada em dois momentos em empresas diferentes, durante minha formação, no terceiro grau , eu mesmo fazia questão ainda que na condição de estagiário, de aprender e realizar o máximo possível das tarefas realizadas pelos empregados, de preferência as mais complexas pois do contrário teria passado a maior parte do tempo em absoluta inatividade. Tudo isto sopesado, compulsado os autos, não alcancei desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino que ensejasse caracterizar relação de emprego “stricto sensu ”. Trazendo a esta lide os argumentos acima expostos, os quais se amoldam perfeitamente, entendo, em suma, que foram realizados os termos devidos, com interveniência do CIEE e das instituições de ensino (fl. 98 e ss.) e concluo da mesma forma que foi feito no Acórdão 2403002152, aqui repetidamente citado. CONCLUSÃO. Em conclusão, VOTO por reconhecer a decadência do lançamento tributário até a competência 11/2003, inclusive e, no mérito, por dar provimento ao recurso voluntário." Assim, por compreender que a relação jurídica entre o estagiário e o Banco é de natureza civil, achandose disciplinada pela Lei nº 6.494/77 (vigente à época dos fatos geradores), não deve ocorrer a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos pela contribuinte aos estagiários. Ademais, não verifico que no caso concreto tenham sido descumpridos os requisitos da legislação, razão pela qual não deve ser mantido o lançamento em questão. Portanto, se não restarem desnaturados os termos de compromisso pactuados entre os estagiários, a Recorrente, o Interveniente CIEE e as instituições de ensino, não se caracteriza relação de emprego “stricto sensu”. Logo, cumpridas as exigências da cláusula 3ª do Convênio com o Fl. 333DF CARF MF Processo nº 16327.001905/200810 Acórdão n.º 2402006.740 S2C4T2 Fl. 334 24 Centro Integrado Empresa Escola CIEE, agente interveniente entre o concedente do estágio e o educando, descabe tutela. Por fim, importa referir os seguintes acórdãos deste Conselho cujo resultado do julgamento foi no mesmo entendimento acima exposto: 2403002.152, 2403002.153, 2403002.154, 2202003.728 e 2202003.729. Acrescento ainda que a apresentação dos termos de compromisso a que alude o art. 3º da revogada Lei 6494/77 e do Convênio Nacional firmado com o CIEE demonstram que o sujeito passivo, a rigor, estaria cumprindo o disposto na legislação, de forma a impor à autoridade fiscal o ônus de comprovar que os estágios não estariam propiciando a complementação do ensino e da aprendizagem. A despeito disso, a autoridade administrativa afirmou que a recorrente é quem não teria comprovado o planejamento, o acompanhamento, a orientação, a frequência escolar, etc. Ademais, e como já dito, tais pontos, que supostamente estariam em desacordo com a legislação, eram de incumbência e de verificação das instituições de ensino, e não da concedente dos estágios, como está claro no Convênio Nacional firmado. E nem poderia ser diferente, pois a frequência escolar, por exemplo, somente pode ser aferida de forma inconteste pela instituição educacional, e não pelo sujeito passivo. Por outro lado, e no entender deste conselheiro, não poderia a autoridade autuante e nem o ilustríssimo relator tomar como fundamento de suas razões as notícias propagadas por partes direta e economicamente interessadas no eventual resultado da lide, a exemplo da Associação de Funcionários e da CUT. Quer dizer, somente um exame in loco poderia constatar, a par de outras provas, que os fins colimados pela Lei 6494/77 teriam sido desatendidos. 3. Conclusão Por tais razões, e no mérito, ouso divergir do brilhante voto do conselheiro relator, para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.910043/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE.
Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastando-se entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação.
Numero da decisão: 1402-003.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.910035/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.910035/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastandose entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15374.910035/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 00 43 /2 00 9- 71 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15374.910043/200971 Acórdão n.º 1402003.434 S1C4T2 Fl. 3 2 Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que estimativas recolhidas a maior/indevidamente só podem ser objeto de compensação ao final ou após o período de apuração do IRPJ e da CSLL. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que a Lei nº 9430/96 garante a compensação de quaisquer indébitos, fruto de recolhimento indevido ou maior, não se sustentando legalmente a impossibilidade invocada pela Autoridade Fiscal. Traz excertos jurisprudenciais e doutrinários. Também pugna pela inconstitucionalidade da Instrução Normativa nº 600/05 e invoca do princípio da busca pela verdade material. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, deixando de conhecer a matéria constitucional invocada e, na parte conhecida, negando provimento à defesa, por entender haver vedação expressa no art. 10 da IN nº 600/05 que impediria essa pretensão compensatória da Contribuinte. Ressaltase lá a vinculação daqueles N. Julgadores aos entendimentos da Receita Federal do Brasil. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, abandonando as alegações de inconstitucionalidade, mas reiterando e frisando a legalidade da compensação das estimavas, no mesmo período em que apurado o indébito, trazendo novos julgados deste E. CARF que corroboram sua pretensão e infirmam o posicionamento do v. Acórdão combatido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.428, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.910035/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15374.910043/200971 Acórdão n.º 1402003.434 S1C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.428): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. O tema exclusivo agora sob análise é a possibilidade legal da Contribuinte utilizar em compensação, via DCOMP, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente, ainda no mesmo período de apuração. Como fica muito claro nos autos, o único fundamento para a denegação da compensação foi a suposta vedação da manobra intentada, como se verifica tanto no r. Despacho Decisório como, posteriormente, no v. Acórdão, ora recorrido, que expressamente invocam o art. 10 da IN SRF nº 600/05, vigente à época da transmissão da DCOMP. Registrese que não houve qualquer análise da materialidade do crédito ou da sua quantificação, ainda que a Recorrente tenha carreado documentação aos autos, sendo a motivação da não homologação da compensação exclusivamente jurídica. Pois bem, tal matéria sob apreço é tema há muito debatido neste E. CARF (e no predecessor E. Conselho de Contribuintes), sendo, desde 10 de dezembro de 2012, objeto da Súmula CARF nº 84, a qual, recentemente, em sessão de 03 de setembro de 2018, pela composição do Pleno da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi mantida e teve sua redação revisada: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como se observa da leitura de tal entendimento sumular, da mesma forma como defende a Recorrente, é autorizada a compensação de estimativas recolhidas a maior (indébito) a partir do seu pagamento. Logo, o óbice imposto à Contribuinte não deve prevalecer, em obediência a tal enunciado. Inclusive, não há qualquer limitação temporal da aplicabilidade da Súmula nº 84, mostrandose, no entender deste Conselheiro, irrelevante qual normativo interno da Receita Federal do Brasil regulava a matéria à época do pleito de compensação. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 15374.910043/200971 Acórdão n.º 1402003.434 S1C4T2 Fl. 5 4 Contudo, apenas para robustecer o presente julgamento, esclarecese que existem inúmeros precedentes desta C. 1ª Seção que, especificamente, abordam e afastam a vedação contida no art. 10 da IN nº 600/05, para promover a devida e mandatória aplicação da referida Súmula. Nesse sentido, ilustrando aquilo acima consignado, confirase o recente Acórdão nº 1301003.233, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta C. 1ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Nelso Kichel, publicado em 30/08/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (destacamos) Desse modo, merece reforma o v. Acórdão (assim como r. Despacho Decisório, digase), vez que lícita e viável a postura procedimental da Contribuinte. Porém, como já esclarecido, em momento algum houve investigação sobre a existência e quantificação do crédito empregado, fruto do alegado recolhimento a maior/indevido de estimativa (por consequência lógica do afastamento sumário da regularidade da postura da Recorrente, não havendo, então, em se falar de lapso nos julgamentos pretéritos). Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15374.910043/200971 Acórdão n.º 1402003.434 S1C4T2 Fl. 6 5 De forma reversa, agora, uma vez aceita a circunstância jurídica da compensação, mister proceder à devida análise de materialidade do valor utilizado. Todavia, tal análise não deve ser direta e imediatamente feita por esta C. 2ª Instância, sobre pena de supressão do iter regular processual, bem como do próprio direito de defesa da Contribuinte, devendo os autos serem remetidos à Unidade Local competente para a análise da documentação acostada ao feito e de sistemas de informação internos, proferindose novo Despacho Decisório, com o prosseguimento do regular do processo (garantida, inclusive, a apresentação de nova Manifestação de Inconformidade, Recurso Voluntário e todos outros apelos contemplados pela legislação). Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, invocada tanto no r. Despacho Decisório, como no v. Acórdão recorrido. Devem ser os autos encaminhados à D. Unidade Local competente para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos e sistemas de informações internos da RFB. Deverá também ser retomado o curso natural e ordinário do processo administrativo após tal nova decisão." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.913407/2009-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICA. PREVISÃO NORMATIVA.
A compensação é uma das modalidades de extinção dos débitos tributários colocada à disposição do contribuinte. Para que ocorra, é necessário que ele manifeste a sua vontade, bem como informe os tributos e os valores a serem considerados na operação que, a partir de 2003, passou a ser realizada eletronicamente, por meio do programa PER/Dcomp, instituído pela Instrução Normativa SRF nº 320/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. CABIMENTO.
Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora e de juros de mora. No caso da compensação aplica-se a mesma regra quando, no momento da transmissão da declaração de compensação, os débitos já estavam confessados em DCTF.
Numero da decisão: 3002-000.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICA. PREVISÃO NORMATIVA. A compensação é uma das modalidades de extinção dos débitos tributários colocada à disposição do contribuinte. Para que ocorra, é necessário que ele manifeste a sua vontade, bem como informe os tributos e os valores a serem considerados na operação que, a partir de 2003, passou a ser realizada eletronicamente, por meio do programa PER/Dcomp, instituído pela Instrução Normativa SRF nº 320/2003. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. CABIMENTO. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora e de juros de mora. No caso da compensação aplica-se a mesma regra quando, no momento da transmissão da declaração de compensação, os débitos já estavam confessados em DCTF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PEDIDO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICA. PREVISÃO NORMATIVA. A compensação é uma das modalidades de extinção dos débitos tributários colocada à disposição do contribuinte. Para que ocorra, é necessário que ele manifeste a sua vontade, bem como informe os tributos e os valores a serem considerados na operação que, a partir de 2003, passou a ser realizada eletronicamente, por meio do programa PER/Dcomp, instituído pela Instrução Normativa SRF nº 320/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. CABIMENTO. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora e de juros de mora. No caso da compensação aplicase a mesma regra quando, no momento da transmissão da declaração de compensação, os débitos já estavam confessados em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 34 07 /2 00 9- 18 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13971.913407/200918 Acórdão n.º 3002000.450 S3C0T2 Fl. 51 2 Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Tratam os autos de Pedido de ressarcimento de IPI referente ao 2º trimestre/2007, no valor de R$ 4.655,01, combinado com Declaração de Compensação de débitos de mesmo valor (PER fls. 4 a 19 e Dcomp fls. 29 a 33). A Delegacia da Receita Federal em Blumenau reconheceu integralmente o crédito de IPI, mas homologou apenas parcialmente a compensação, pois foram compensados débitos vencidos sobre os quais incidiriam penalidades moratórias não acrescidas pelo contribuinte, restando ainda R$ 1.404,17 a pagar, referentes a tributo, multa de mora e juros de mora (fls. 21). Em sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apenas solicita a reconsideração da decisão, tendo em vista o reconhecimento integral do pedido de ressarcimento (fl. 20). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 14 33.217 (fls. 36 a 38), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que se tratava de débito já confessado pelo contribuinte em DCTF e vencido na data da transmissão da Dcomp. Esclareceu, ainda, que a extinção do crédito tributário se dá mediante entrega da Dcomp e não da DCTF, cabendo, dessa forma, a cobrança de multa de mora e juros de mora, ambos desconsiderados pelo contribuinte em seus cálculos. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos, cabível a imputação de multa de mora e juros de mora sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 26.04.2011, conforme AR constante à fl. 40, e protocolizou o Recurso Voluntário em 25.05.2011, conforme consta na primeira página da peça recursal à fl. 41. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13971.913407/200918 Acórdão n.º 3002000.450 S3C0T2 Fl. 52 3 Em seu Recurso Voluntário (fls. 41 a 46), o contribuinte alega que: a extinção por compensação se perfaz mediante o confronto entre créditos e débitos, o que fez por meio da apresentação da DCTF, o que entende ser um ato válido e perfeito; a declaração em DCTF anteriormente à transmissão da Dcomp é exigência da própria Receita Federal; a apresentação da Dcomp posteriormente não implica incidência de multa e juros, uma vez que não há fundamentação legal no Despacho Decisório e os débitos já estavam declarados em DCTF; a data de entrega da DCTF é a primeira informação prestada para a Administração e é a data que deve ser considerada para fins de determinação do cumprimento da obrigação tributária – a Dcomp apenas sintetizou as informações que já constavam na DCTF. E, por fim, transcreve jurisprudência para amparar o seu entendimento. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que chega a este Colegiado diz respeito à DCTF ser declaração hábil para a extinção dos débitos do contribuinte, podendo ser considerada a sua data de transmissão para fins de aferição do cumprimento da obrigação tributária, ao invés da data de transmissão da Dcomp. Dito de outra forma, mais simples, devemos definir se o contribuinte quitou seu débito tempestivamente. Comecemos por relembrar que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF tem por finalidade dar a conhecer à Administração Tributária a situação do contribuinte quanto a seus débitos e créditos frente à Fazenda Nacional, constituindose em confissão de dívida e instrumento para a exigência dessa dívida, apenas isso, como se vê no texto legal que é o fundamento para a sua instituição, o art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. (grifado) A Declaração de Compensação, por seu turno, é o instrumento pelo qual o contribuinte externa sua intenção de extinguir débitos por meio de créditos reconhecidos pela Fazenda Nacional. Tratase de uma faculdade, posta à disposição do contribuinte, que pode exercêla se e quando entender conveniente. Por isso, deve ser indicado pelo interessado em declaração própria que pretende efetuar uma compensação, assim como os tributos e valores considerados na operação. A partir de 2003, essa declaração passou a ser realizada por meio eletrônico – o PER/Dcomp é o programa instituído pela Instrução Normativa SRF nº 320/2003 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13971.913407/200918 Acórdão n.º 3002000.450 S3C0T2 Fl. 53 4 para que o contribuinte faça seus pedidos de restituição, ressarcimento e compensação eletronicamente. A Lei nº 9.430/1996 dispõe sobre a compensação da seguinte forma: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (grifado) A DCTF deve ser apresentada regularmente, de forma compulsória, para prestar informações relativas à obrigação principal de 12 diferentes impostos ou contribuições sociais, relacionados na IN RFB nº 1.599/2015 abaixo transcrita, ao passo que a Dcomp deve ser utilizada somente se o contribuinte quiser utilizar a compensação como forma de extinção de seus débitos. Art. 6º A DCTF conterá informações relativas aos seguintes impostos e contribuições administrados pela RFB: I IRPJ; II Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF); V CSLL; VI Contribuição para o PIS/Pasep; VII Cofins; VIII Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), até 31 de dezembro de 2007; IX Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (CideCombustível); X Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico destinada a financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação (Cide Remessa); Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13971.913407/200918 Acórdão n.º 3002000.450 S3C0T2 Fl. 54 5 XI Contribuição do Plano de Seguridade Social do Servidor Público (CPSS); e XII CPRB de que tratam os arts. 7º e 8º da Lei nº 12.546, de 2011, observado o disposto no § 14. (grifado) Diante da miríade de informações que constam na DCTF, como cogitar que a Receita Federal possa compreender quais créditos pretende utilizar em uma compensação (e não em uma restituição) e para quitar quais débitos? Dizer que o débito foi quitado por meio da DCTF é um argumento completamente desarrazoado e que não encontra respaldo em nenhum ponto da legislação. A norma vigente à época dos fatos, Instrução Normativa SRF nº 600/2005, assim dispunha sobre a compensação: Art. 1º A restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), a restituição e a compensação de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. (...) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (grifado) Assim, resta claro que o PER/Dcomp é o instrumento para realizar a compensação e, em sendo em atraso – o que é o caso nestes autos, pois o contribuinte transmitiu a compensação em 2008 para débitos de 2006 já declarados em DCTF –, cabe a aplicação dos acréscimos moratórios, conforme estabelecido no art. 61 da Lei nº 9.430/1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13971.913407/200918 Acórdão n.º 3002000.450 S3C0T2 Fl. 55 6 §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifado) Quanto à alegação de que o Despacho Decisório não tem fundamentação legal, ainda que se trate do sucinto despacho eletrônico, contém a decisão em relação ao ressarcimento e à compensação, contém o local onde podem ser obtidas informações complementares e, ao fim, o fundamento legal tanto para a decisão relativa ao ressarcimento (art. 11 da Lei nº 9.779/1999 e art. 164, inciso I do Decreto nº 4.544/2002), quanto para a decisão relativa à compensação – art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Por fim, quanto à decisão do TRF 2ª Região colacionada, além de conter erro flagrante ao dizer que o contribuinte opta pela compensação na DCTF, pelos motivos acima expostos, não tem o condão de vincular este Colegiado, pois não se encontra entre as hipóteses de observação obrigatória elencadas no art. 62 do Regimento Interno do Carf. Com essas considerações, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13971.913407/200918 Acórdão n.º 3002000.450 S3C0T2 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.000406/00-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1989
IRPJ - RESTITUIÇÃO - CORREÇÃO MONETÁRIA
O tributo pago a maior deve ser atualizado monetariamente, para fins de restituição ou compensação. Os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são aqueles reconhecidos pela pacífica jurisprudência do STJ , a saber: no período de janeiro de 1989 a janeiro de 1991, o IPC; no período de fevereiro a dezembro de 1991, o INPC; a partir de janeiro/92 a dezembro/95, a UFIR. A taxa Selic aplica-se exclusivamente a partir de janeiro de 1996.
Numero da decisão: 9101-003.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1989 IRPJ RESTITUIÇÃO CORREÇÃO MONETÁRIA O tributo pago a maior deve ser atualizado monetariamente, para fins de restituição ou compensação. Os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são aqueles reconhecidos pela pacífica jurisprudência do STJ , a saber: no período de janeiro de 1989 a janeiro de 1991, o IPC; no período de fevereiro a dezembro de 1991, o INPC; a partir de janeiro/92 a dezembro/95, a UFIR. A taxa Selic aplicase exclusivamente a partir de janeiro de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 04 06 /0 0- 65 Fl. 462DF CARF MF 2 Relatório O presente processo originouse no Poder Judiciário, por intermédio de Ação Ordinária (efl 2139) em face da União, registrada sob os autos nº 94.01009007, na qual Condor S/A, visava o reconhecimento de crédito tributário oriundo dos expurgos inflacionários referentes a restituição do IRPJ, apurado no períodobase de 1988/exercício de 1989. Sintetizo abaixo o pleito do contribuinte, naquela ação (efl 126): seja a Ação julgada procedente, com o consequente reconhecimento do crédito ora postulado, oriundo do expurgo da correção monetária na restituição do imposto pago a maior, com o cômputo dos seguintes percentuais: a) 70,28 % correspondente ao mês de janeiro/89 ("Plano Verão"); b) 30,46 % e 44,80 % correspondentes, respectivamente, aos meses de março e abril/90 ("Plano Collor I”); e c) 395,24 % correspondentes ao IPC relativo aos meses de fevereiro a dezembro/91 ("Plano Collor II"); seja acrescido a tal valor o cômputo de juros moratórios incidentes desde a retenção indevida (já que o art. 167, § 1° do CTN só se aplica a processo administrativo), além de juros compensatórios de 12% a.a., e da correção monetária devida desde a data em que a restituição ,se deu a menor até a data do efetivo pagamento, em cálculo a ser efetuado em liquidação final de sentença; reconhecido o crédito, seja acolhido o presente pedido para que a Autora proceda a compensação do crédito com imposto de renda ou imposto sobre produtos industrializados ou imposto sobre operações de câmbio, crédito e seguro vincendos; caso assim não o haja por bem V.Exa., requer seja a Ré condenada a pagar à Autora o "quantum" a ser apurado, acrescido dos consectários legais. Em agosto de 1996, foi proferida sentença favorável ao contribuinte (efl 61 65), cujo dispositivo reproduzo a seguir: Isto posto, julgo procedente em parte a presente ação (excetuado parte do índice de janeiro de 89 e os juros compensatórios), para condenar a ré a pagar ao autor o valor relativo às diferenças de correção monetária do valor restituído (recolhido sobre o ano base de 1988, exercício de 1989) nos períodos de janeiro de 1989 (42,72%), março (30,46%) e abril de 1990 (44,80%) e fevereiro a dezembro de 1991 (IPC), apurado com base no IPC, corrigido monetariamente até a data do efetivo pagamento, acrescido de juros moratórios de um por cento ao mês, a contar da restituição insuficiente (l3.10.93). Reconheço o direito do autor de, alternativamente, compensar o crédito com débitos subseqüentes relativos a imposto federal. Condeno, ainda, o réu ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios que fixo em vinte salários mínimos (face à hipótese de compensação extrajudicial do crédito). Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10920.000406/0065 Acórdão n.º 9101003.852 CSRFT1 Fl. 463 3 Ato contínuo, depois de apresentadas contestação e embargos, a União e o contribuinte interpuseram Apelação (AC 97.04.100779/SC), cuja ementa e acórdão colaciono abaixo (efl 229): EMENTA DEVOLUÇÃO DA DIFERENÇA DO IMPOSTO DE RENDA. CORREÇÃO MONETÁRIA. CABIMENTO. RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. É cabível a devolução da correção monetária que não fora incluída na restituição do Imposto de Renda. É facultado ao contribuinte manifestar a opção de receber o respectivo crédito por meio de precatório regular ou mediante compensação, desde que, caso a parte opte pela compensação do indébito, formule pedido de desistência nos autos quanto à modalidade de execução por repetição, se deferida inicialmente. Caso a opção seja pela compensação, do mesmo modo, deve ser formulado pedido de desistência nos autos quanto à modalidade de execução por precatório. Os juros de mora incidem somente na modalidade de restituição, a partir do trânsito em julgado da decisão, de acordo com o art. 167, par. único, do Código Tributário Nacional e Súmula 31 desta Corte. Não há incidência de juros moratórios na compensação tributária. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação da autora e à remessa oficial e negar provimento ao apelo da União, nos termos do relatório e voto do Relator, que fazer parte integrante do presente julgado. Ciente de tal decisão, o sujeito passivo protocolou Pedido de Restituição, na instância administrativa em 15 de maio de 2000 (efl 75). Na sequência, o Despacho Decisório nº 611/00 (efl 268) deferiu parcialmente o pedido do contribuinte reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 736.816,25 mais juros SELIC, autorizando as compensações pleiteadas. Inconformada, Condor S/A apresentou Manifestação de Inconformidade (efl 273), que foi indeferida pela 3ª Turma da DRJ/FOR, em outubro de 2006, sob o acórdão nº 08 9.290. Ato contínuo, interpôs Recurso Voluntário (efl 381), alegando o seguinte, quanto ao expurgo de 2,36% (tema do Recurso Especial): No que pertine ao expurgo de 2,36% no mês de maio de 1990, necessário de faz a seguinte explanação. O referido expurgo, ao contrário do que entende a fiscalização, é aplicável pela lógica da sentença quando o M. Juiz determina a utilização do IPC, da seguinte forma: Fl. 464DF CARF MF 4 Em síntese, deve ser utilizado o IPC como índice de correção, abatidos os valores recebidos, com o cuidado relativo ao mês de janeiro de 1989, em que só deve ser pesada a inflação do mês (...). Assim, no mês de maio de 1990 aplicável o IPC pelo mesmo fundamento da sentença, devendo tal índice ser reconhecido e aplicado na esfera administrativa por força do Princípio da Moralidade Administrativa (art. 37, da CF/88). Deste modo, com a aplicação da variação do IPC de 7,87% (no mês em referência), abatido o BTN de 5,38%, resta um expurgo aplicável de 2,36% a ser reconhecido administrativamente. Ademais, a sentença foi mantida pelo TRF 4°, o qual tem o referido índice já sumulado. (…) Em março de 2008, sob o acórdão nº 10196.595 (efl 412), a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, deu parcial provimento ao recurso do sujeito passivo, reconhecendo ao recorrente o índice relativo ao expurgo de maio de 1990, de 2,36%, sob a seguinte justificativa: “Ocorre que, como já mencionado nesse voto, com o socorro da lição de Alexandre Freitas Câmara, a sentença fez coisa julgada nos limites do objeto do processo, o que significa dizeer, nos limites do pedido. Assim, o índice relativo a maio de 1990, por não ter sido objeto do pedido, não integra o objeto do processo, não foi contemplado na parte dispositiva da sentença, e consequentemente, não está alcançado pela coisa julgada.” Tal decisão restou assim ementada: IRPJ RESTITUIÇÃO CORREÇÃO MONETÁRIA – O tributo pago a maior deve ser atualizado monetariamente, para fins de restituição ou compensação. Os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são aqueles reconhecidos pela pacífica jurisprudência do STJ , a saber: no período de janeiro de 1989 a janeiro de 1991, o IPC; no período de fevereiro a dezembro de 1991, o INPC; a partir de janeiro/92 a dezembro/95, a UFIR. A taxa Selic aplicase exclusivamente a partir de janeiro de 1996. A Procuradoria, por sua vez, interpôs Recurso Especial (efl 426), alegando violação da coisa julgada material. Ainda, além de apontar que a sentença prolatada na Ação Ordinária retromencionada não faz qualquer alusão ao expurgo referente ao mês de maio de 1990, a recorrente indicou os artigos 472, do CPC/73 e 4º, do Decreto nº 2.346/97 para demonstrar a contrariedade à lei, requisito exigido para a interposição do Recurso Especial, quando da vigência do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, que exigia apenas, em seu §1º, do artigo 7º, a demonstração da contrariedade à lei ou à evidência da prova, para a interposição do Recurso Especial. O Despacho de Admissibilidade, efl 432, deu segmento ao Recurso Especial por entender que a contrariedade à lei restou demonstrada. Recapitulese os artigos indicados: “Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, nao beneficiando, nem prejudicando terceiros...” “Art. 4°. Ficam o Secretário da Receita Federal e o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional,relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10920.000406/0065 Acórdão n.º 9101003.852 CSRFT1 Fl. 464 5 definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os Órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.” Por fim, a recorrente ainda postulou que o pedido de aplicação de correção monetária é implícito e acessório, de tal forma que mesmo que o contribuinte não pedisse tal aplicação, se o juiz a entendesse cabível, poderia determinála de forma expressa, o que não ocorreu no caso concreto e, como o contribuinte não recorreu sobre tal tema no momento oportuno, a matéria estaria precluída, operandose a coisa julgada. Em resposta, Condor S/A apresentou Contrarrazões dizendo que o expurgo de 2,36% no mês de maio de 1990 é aplicável pela lógica determinada na sentença sobre a aplicação do IPC, mais especificamente este trecho: “Em síntese, deve ser utilizado o IPC como índice de correção, abatidos os valores recebidos, com o cuidado relativo ao mês de janeiro de 1989, em que só deve ser pesada a inflação do mês (...).” Defende, então, o contribuinte que “com a aplicação da variação do IPC de 7,87% (no mês em referência), abatido o BTN de 5,38%, resta um expurgo aplicável de 2,36%. Ademais, cumpre destacar que a sentença foi mantida pelo TRF 48, o qual tem o referido índice já sumulado, senão vejamos: "SúmuIa 37: Na liquidação de débito resultante de decisão judicial, incluem se os índices relativos ao IPC de março, abril e maio de 1990 e fevereiro de 1991.”” Ainda, traz jurisprudência do STJ para demonstrar que a correção monetária não é acréscimo ao crédito, mas apenas uma ferramenta que serve para evitar o aviltamento do crédito, em face da desvalorização da moeda. É o relatório. Fl. 466DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Conhecimento O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Foi admitido em 17 de julho de 2008, nos termos do Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, conforme Despacho PRESI NR. 101226/2008, de p. 432, por ter demonstrado, conforme o i. Presidente da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, contrariedade à lei ou à evidência da prova no que tange o reconhecimento, pelo Colegiado a quo, de índice relativo a expurgo de maio de 1990 diferente do determinado em lei. Sendo incontroverso o conhecimento, concordo e adoto as razões do Presidente da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes para conhecer do recurso especial, nos termos do permissivo do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99. Em síntese, a questão posta para análise deste Colegiado está circunscrita à extensão de decisão judicial transitada em julgado em favor do contribuinte, na qual, como restou verificado por este Julgador, não há previsão expressa de utilização do IPC/IBGE para a correção monetária no mês de maio/1990 e o índice oficial de inflação, para o referido mês, era o BTN. No v. acórdão recorrido (p. 412/421), o Colegiado a quo decidiu, por maioria, que “os índices de correção monetária aplicáveis na restituição de indébito tributário são aqueles reconhecidos pela pacífica jurisprudência do STJ, a saber: no período de janeiro de 1989 a janeiro de 1991, o IPC; (...)”. A Procuradoria, em seu recurso especial, não traz acórdão paradigma, uma vez que aponta contrariedade à lei como fundamento para o seu recurso, mas defende, em seu recurso especial (p. 426/430) que “a sentença prolatada necessariamente tem que ser cumprida por ambas as partes envolvidas, em obediência aos termos do artigo 472, do Código de Processo Civil” (Lei 5.869/73), reforçando que “caso fosse intenção do Poder Judiciário de fazer incidir os expurgos referentes ao mês de maio/1990 o teria feito expressamente, ainda que não houvesse pedido expresso do autor na petição inicial, pois se trata de pedido acessório e implícito, sobre o qual deveria ter se manifestado o julgador”. Em outras palavras, a Procuradoria, em seu recurso especial, defende a interpretação literal da decisão transitada em julgado, sob pena de flexibilização da coisa julgada, ressaltando que “não há como admitirmos que este Conselho de Contribuintes emita qualquer opinião axiológica sobre o assunto”. Ressalto, pela importância para o deslinde desta controvérsia, que o recurso especial está datado de 11 de julho de 2008 e que foi juntado aos autos 3 dias depois (p. 431). Esclareço a importância da data. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10920.000406/0065 Acórdão n.º 9101003.852 CSRFT1 Fl. 465 7 Em 20 de novembro de 2008 foi emitido o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, pelo qual, à vista da jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, tendo por base o inciso II, do art. 19, da Lei nº 10.522/2002 e o Decreto nº 2.346/1997, foi feita análise da possibilidade de dispensa de interposição de recursos ou requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões judiciais que entendem pela inclusão dos índices expurgados de planos econômicos no cálculo da correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos. No que interessa ao caso concreto, o Parecer tratou da utilização do IPC/IBGE para a correção monetária no período de mar/90 a fev/91 em substituição ao BTN e ao INPC de fev/91. Feita a análise, a partir do posicionamento reiterado do STJ e, uma vez presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, II, da Lei nº 10.522/2002 c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346/97, recomendouse fossem autorizadas pelo Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação de índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007. A referida Resolução nº 561/2007 foi revogada pela Resolução nº 134/2010 da CJF, a qual consolidou o “Manual de Orientação de procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal”, no qual encontrase o item 4.1.2.1, que trata de “Expurgos Inflacionários”, apresentando a seguinte orientação: 4.1.2.1 EXPURGOS INFLACIONÁRIOS Devemse considerar, também, os expurgos inflacionários, IPC/IBGE integrais (descontando o BTN ou outro índice utilizado, evitando bis in idem), já consolidados pela jurisprudência, salvo decisão judicial em contrário, nos seguintes períodos: jan/89 = 42,72% fev/89 = 10,14% mar/90 a fev/91 = IPC/IBGE em todo o período. Em outras palavras, ao ver deste Julgador, se o contribuinte não tivesse feito qualquer pedido acerca de correção monetária em processo judicial, mas fosse a mesma admitida, sem a indicação dos índices a serem aplicados, a utilização dos expurgos inflacionários seguiria a orientação acima reproduzida e o contribuinte faria jus, em maio/1990, ao IPC/IBGE. No caso concreto, de fato, não há menção, no dispositivo da sentença que transitou em julgado, do índice IPC para o mês de maio/1990 (p. 179), notadamente porque também não fez parte do pedido inicial, conforme destacou a i. Relatora do v. acórdão recorrido (p. 418). Prossegue a i. Relatora: “o índice relativo a maio de 1990, por não ter sido objeto do pedido, não integra o objeto do processo, não foi contemplado na parte dispositiva da sentença, e, consequentemente, não está alcançado pela coisa julgada”. (p. 419) Fl. 468DF CARF MF 8 Ressaltase, por fim, que a decisão transitada em julgado indica a utilização do IPC entre fevereiro a novembro de 1991, mas este não era mais publicado, de tal forma que a própria autoridade administrativa, como ponderou a i. Relatora do v. acórdão recorrido, “concorda com a aplicação do INPC do IBGE”. Por todo o exposto, firmo posicionamento no sentido que a utilização do IPC, em maio/1990, não viola a coisa julgada no caso concreto, e, à vista do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, concluo que se o recurso especial tivesse que ser apresentado posteriormente à edição do referido Parecer, talvez sequer tivesse sido apresentado e que há, no âmbito da Administração Tributária, posicionamento firmado pelo reconhecimento da utilização do IPC para a correção monetária do indébito tributário para o mês de maio/90. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo íntegro o v. acórdão recorrido quanto à parte objeto do recurso especial, qual seja, a utilização do IPC/IBGE como índice de correção monetária do indébito tributário no mês de maio/90. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 469DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.724477/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
DIFERENÇAS ENTRE AS FOLHAS DE PAGAMENTO E AS GFIPS. INEXISTÊNCIA. RETIFICAÇÃO SUGERIDA PELA AUTORIDADE AUTUANTE.
As retificações sugeridas pela própria autoridade administrativa, para decotar eventuais excessos do lançamento, implicam acolhimento da tese do sujeito passivo.
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99.
O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DIRETOR EMPREGADO. INCLUSÃO EM FOLHA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO PROCEDENTE.
Tem-se por procedente o lançamento, quanto a autoridade autuante traz fortes evidências de que a requerente arcara com o ônus da remuneração a trabalhador que lhe prestara serviços e constara em sua folha de pagamento por período considerável.
Numero da decisão: 2402-006.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as contribuições até a competência 10/2005, inclusive, uma vez que atingidas pela decadência. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, José Ricardo Moreira e Denny Medeiros da Silveira, que não reconheceram a ocorrência da decadência em relação às contribuições referentes ao Diretor Empregado. No mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto ao lançamento referente ao Diretor Empregado. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM INSCRIÇÃO NO PAT. NATUREZA NÃO REMUNERATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. DIFERENÇAS ENTRE AS FOLHAS DE PAGAMENTO E AS GFIPS. INEXISTÊNCIA. RETIFICAÇÃO SUGERIDA PELA AUTORIDADE AUTUANTE. As retificações sugeridas pela própria autoridade administrativa, para decotar eventuais excessos do lançamento, implicam acolhimento da tese do sujeito passivo. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF 99. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DIRETOR EMPREGADO. INCLUSÃO EM FOLHA DE PAGAMENTO. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Temse por procedente o lançamento, quanto a autoridade autuante traz fortes evidências de que a requerente arcara com o ônus da remuneração a trabalhador que lhe prestara serviços e constara em sua folha de pagamento por período considerável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 44 77 /2 01 0- 14 Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 565 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as contribuições até a competência 10/2005, inclusive, uma vez que atingidas pela decadência. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, José Ricardo Moreira e Denny Medeiros da Silveira, que não reconheceram a ocorrência da decadência em relação às contribuições referentes ao Diretor Empregado. No mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto ao lançamento referente ao Diretor Empregado. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AIs) em face do sujeito passivo: (a) AI 37.272.0420 PAF 10680.724477/201014, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte da empresa, inclusive a alíquota GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação e cartões de premiação. Também foram constituídas as contribuições da mesma natureza incidentes sobre a contratação de Diretor Administrativo Financeiro, bem como aquelas resultantes do confronto entre as folhas de pagamento e as GFIPs. Por fim, também foram constituídas as contribuições patronais incidentes sobre a contratação de contribuintes individuais; Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 566 3 (b) AI 37.272.0439 PAF 10680.724478/201051, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações a eles pagas, relativas às despesas com alimentação, cartões de premiação e com a contratação de Diretor Administrativo Financeiro. Ainda foram constituídas as contribuições dos segurados contribuintes individuais; (c) AI 37.272.0447 PAF 10680.724481/201074, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades ou fundos, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação, cartões de premiação, contratação de Diretor Administrativo Financeiro e aquelas atinentes às reclamatórias trabalhistas apuradas no curso da fiscalização; (d) AI 37.272.0501 PAF 10680.724489/201031, para a constituição de multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado as GFIPs com informações incorretas ou omissas, mais precisamente pela falta de declaração das remunerações atinentes às despesas com alimentação, cartões de premiação, contratação de Diretor Administrativo Financeiro, bem como a remuneração de contribuintes individuais; (e) AI 37.272.0544 PAF 10680.724493/201007, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades ou fundos, parte patronal, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados, relativas às despesas com alimentação, cartões de premiação, contratação de Diretor Administrativo Financeiro, reclamatórias trabalhistas apuradas no curso da fiscalização e aquelas resultantes do confronto entra as folhas de pagamento e as GFIPs. Para fins ilustrativos, segue uma tabela das autuações: PAF AI Créditos Contribuições ou Multa Rubricas 10680.724477/201014 37.272.0420 Patronal + SAT/RAT Alimentação + Contr. Ind. + Cartões de Premiação + Diretor + Folha x GFIP 10680.724478/201051 37.272.0439 Segurados Alimentação + Contr. Ind. + Cartões de Premiação + Diretor 10680.724481/201074 37.272.0447 Outras entidades ou fundos patronal Alimentação + Cartões de Premiação + Diretor + Reclamatórias Trabalhistas 10680.724489/201031 37.272.0501 CFL 68 Informações incorretas ou omissas: Alimentação + Cartões de Premiação + Diretor + Contr. Ind. 10680.724493/201007 37.272.0544 Outras entidades ou fundos patronal Alimentação + Cartões de Premiação + Diretor + Reclamatórias Trabalhistas + Folha x GFIP Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 567 4 Doravante, adotase parte do relatório do acórdão de impugnação: Consta no relatório fiscal de fls. 131/139 conforme segue: ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT [...] CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A empresa remunerou contribuintes individuais constantes no MEMO SAFIS/DRF/Divinopólis nº 70/2008 sem incluílos nas folhas de pagamento e nas GFIP –Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Tais valores foram apurados com base nos recibos de pagamento. Constatouse, ainda, a ocorrência de pagamentos a outros contribuintes individuais declarados na DIRF – Declaração de Imposto de Retido na Fonte, também não declarados em Folhas de Pagamento e GFIP [...] CARTÃO PREMIAÇÃO A empresa remunerou seus empregados por meio de cartões eletrônicos oferecidos como prêmio no Programa de estímulo ao aumento de produtividade. Os cartões foram fornecidos pela Incentive House S. A, CNPJ 00.416.126/000303 [...] DIRETOR EMPREGADO Foi constatada a contratação de Fernando Luiz Gomes Filho NIT 12288536154 – admitido em 1/10/2003 e demitido em 1/05/2008, para ocupar o cargo de diretor administrativo financeiro. Tal constatação deuse por meio da análise do cadastro de pessoal da empresa, das folhas de pagamento apresentadas em meio digital, das informações constantes das GFIP referentes às competências 12/2003 e 05/2008, e das informações constantes dos atos constitutivos da empresa conforme segue: [...] As remunerações desse segurado foram apuradas, por aferição, com base nas remunerações recebidas ou creditadas para outro diretor representante legal da empresa, tendo em vista que o Sr. Fernando Luiz Gomes Filho foi incluído nas folhas de pagamento com salário zerado acompanhado da seguinte expressão "Folha Confidencial Diretoria" (que não foi apresentada à fiscalização). Especificamente, optouse, para fins de aferição, por utilizar como referência, as remunerações percebidas pelo diretor de logística que está menos sujeito as variações de produtividade. [...] Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 568 5 DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES DE REMUNERAÇÃO DISCRIMINADOS NAS FOLHAS DE PAGAMENTO E NA GFIP Foram encontradas diferenças entre a remuneração incluída nas folhas de pagamento e a remuneração incluída na GFIP. Esses fatos geradores foram identificados nos autos com o código de levantamento FG – Batimento de folha com GFIP (valores de diferenças entre folhas de pagamento e GFIP, de 01/2005 a 08/2005, 11/2005 e 13/2005) . MP 449/2008 Considerando que o contribuinte enviou Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, após a publicação da Medida Provisória nº 449/2008, com omissões, foi lavrado o auto de infração cabível com Código de Fundamentação Legal 78. Especificamente, o sujeito passivo deixou de declarar remunerações para os meses de 01/2005 a 12/2007. O sujeito passivo foi cientificado da autuação em 29/11/2010, conforme assinatura aposta à fl. 3 e apresentou impugnação em 29/12/2010 (fls. 256/270), na qual, essencialmente: DECADÊNCIA Diz que parte do crédito tributário cobrado referese ao ano de 2005, período abrangido pela decadência nos termos do artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. Acrescenta que, como o auto de infração foi lavrado em 12/2010, os valores referentes às competências de 01/2005 a 11/2005 encontramse alcançados pela decadência. AUXILIO ALIMENTAÇÃO Diz que os auxílios de natureza alimentar fornecidos a seus empregados compreendem o gasto na manutenção de restaurante dentro de seu estabelecimento para servir refeições a empregados, gastos com o fornecimento de cestas básicas distribuídas e tickets refeição e alimentação. Afirma que, em relação à sua exclusão do PAT, conforme se verifica dos acordos coletivos de trabalho dos anos de 2005 a 2007, apenas o pagamento do ticket alimentação estava atrelado à assiduidade do empregado (inexistência de faltas injustificadas). Diz que, ainda que se admita que a condição para o recebimento do ticket alimentação exigida em acordo coletivo de trabalho (assiduidade do empregado) tenha o condão de descaracterizar a natureza do benefício pago, não haveria como concluir que essa condição possa desnaturar os demais benefícios relativos à alimentação pagos a seus empregados não abarcados pelo acordo coletivo. Acrescenta que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ é pacífica no sentido de que o pagamento de auxílio alimentação in natura, como no caso, não integra a base de Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 569 6 calculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Cita jurisprudência. Alega que não há como se cogitar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores gastos com a manutenção de restaurante interno, bem como gastos a titulo de cesta básica, alimentação, lanches e ticket refeição, haja vista o inegável caráter indenizatório de tais verbas, pagas para o trabalho e não pelo trabalho, devendo o lançamento fiscal ser julgado improcedente quanto a esses itens. Aduz que além de estar restrita ao ticket alimentação, a condição estipulada em acordo coletivo de trabalho jamais poderia ser assemelhada a um sistema de premiação, para descaracterizar o benefício dado. Diz que não havia metas a serem recompensadas com um prêmio, mas simplesmente, cumprida a carga horária contratada o empregado fazia jus ao benefício. Diz que condicionar o pagamento do ticket alimentação à assiduidade do empregado passa pela avaliação de que o benefício tem por objetivo alimentar o trabalhador que está efetivamente prestando serviço e não remunerálo pelo alcance de determinada meta de produtividade, de modo que se não comparece ao trabalho, não há que se falar em pagamento do valor necessário para se alimentar. Aduz que o fato de possuir um programa de prêmios para os empregados visando a uma maior produtividade, demonstra que o pagamento de ticket alimentação não é uma espécie de premiação ao empregado. Afirma que não há lei ou decreto que proíba essa condição (assiduidade) para a concessão do benefício, sendo que tal vedação foi estabelecida por meio de portaria. Cita doutrina e conclui que aceitar que uma portaria imponha tal vedação viola o princípio da legalidade. Disserta e cita jurisprudência sobre a não incidência de contribuições previdenciárias sobre vale transporte para subsidiar sua afirmação de que o Poder Executivo tenta, há muito tempo, implementar, sem amparo na lei, restrições às formas usualmente aceitas de pagamento de benefícios a empregados, buscando descaracterizar sua natureza indenizatória. Diz ainda que a Portaria nº 87, que o teria excluído do PAT é datada de 19/3/2009, tendo sido publicada no Diário Oficial da União – DOU de 23/3/2009, mas pretende produzir efeitos de forma retroativa, cancelando inscrições de 1995 a 2008. Conclui que tal circunstância revela ilegalidade. Aduz que os fundamentos para a cassação das inscrições não decorrem de atos que lhes houvessem sido posteriores, justificando sua revisão, mas de disposições já existentes nos seus sucessivos acordos coletivos que não a haviam impedido. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 570 7 Afirma que a exclusão do PAT não se tratou de mera inovação interpretativa das normas por parte da administração pública, mas de nova limitação à permanência das empresas no programa. Cita legislação e doutrina que trata de segurança jurídica. Conclui que deve ser julgado improcedente o lançamento no que se refere aos gastos com alimentação in natura ou, ao menos, devese restringir a cobrança da contribuição previdenciária aos valores gastos com a concessão de ticket alimentação a seus empregados. DIRETOR ADMINISTRATIVO FINANCEIRO Diz que a AFRFB abstevese de tecer qualquer consideração a respeito dos esclarecimentos que lhe foram prestados no desenvolvimento do procedimento fiscal, decidindo arbitrar um salário mensal do Diretor Fernando Luiz Gomes Filho com base nas remunerações pagas aos demais diretores. Alega que a autuação não tem qualquer amparo legal já que o referido diretor foi cedido à impugnante pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. Diz que no documento denominado Secondment Service Agreement, a Recofarma comprometese a ceder um diretor à impugnante, o qual continuaria vinculado a ela, responsável pelo pagamento do seu salário. Apresenta o que seria a tradução livre de um trecho do documento como segue: [...] Em razão das alegações do impugnante, os autos do presente processo foram baixados em diligência para que a fiscalização prestasse esclarecimentos (despacho de fls. 455/458). Em 23/12/2013 a fiscalização elaborou a informação fiscal de fls. 462/463 na qual, essencialmente: Esclarece que as despesas com alimentação dos empregados, inclusive despesas com restaurante, identificada nos autos com o código de levantamento AL foram fornecidas in natura. Conclui, após análise dos resumos de folhas de pagamentos juntados por ocasião da impugnação, que os salários de contribuição, rubrica código 8000, são divergentes dos declarados em GFIP. Elaborou quadros às fls. 462 e 463, sendo que, no primeiro recompõe essa diferença, por competência e por estabelecimento, e no segundo (item “c” do despacho) informa, por estabelecimento e competência, as retificações que devem ser efetuadas nos fatos geradores identificados nos autos com o código de levantamento FG. O contribuinte foi cientificado da diligência e de seu resultado, [...], e se manifestou em 27/1/2014 [...], basicamente, conforme segue: Diz concordar parcialmente com a conclusão da diligência realizada. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 571 8 Afirma que a não incidência de contribuições previdenciárias, por força do conteúdo do Ato Declaratório PGFN nº 3, além se de aplicar à rubrica “AL – alimentação e lanches” também se estende aos valores lançados por meio do auto de infração com os códigos de levantamento “RE – restaurante” e “CB – cesta básica”, pois todas elas se referem à alimentação fornecida in natura. Reitera seus argumentos apresentados por ocasião da impugnação acerca de fornecimento de alimentação a empregados. Afirma que, quanto à divergência entre os valores registrados na folha de pagamento e aqueles declarados na GFIP, diz que a DRF reconheceu o equívoco e procedeu á revisão de seus cálculos, excluindo parcela substancial dos valores lançados. Argui, contudo, que em sua “planilha” a DRF deixou de considerar a linha “deduções previdenciárias” existente na folha de pagamento para formação da base de cálculo da contribuição. Apresenta quadro à fl. 465 contendo o que seriam os valores corretos de dedução e quadro à fl. 466 indicando as diferenças entre folha de pagamento e GFIP que existiriam. [...] A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher à previdência social as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer título, a seus empregados. ALIMENTAÇÃO IN NATURA Nos lançamentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre despesas com alimentação in natura fornecida aos segurados empregados aplicase o disposto no Ato Declaratório PGFN nº 3, de 20/12/2011. MULTA RETROATIVIDADE. MOMENTO DO CÁLCULO. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Houve a interposição de recurso de ofício. O sujeito passivo foi eletronicamente intimado da decisão em 03/06/2014 e interpôs recurso voluntário em 18/06/2014, no qual apenas reafirmou as teses atinentes à decadência e à contratação do diretor empregado. Diante da informação expressa, à fl. 255 do PAF 15504.020542/200941, de que a empresa teria incluído a totalidade dos seus débitos no parcelamento, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, para que a unidade de origem verificasse a existência de pedido de parcelamento total ou parcial. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 572 9 Em cumprimento à citada resolução, a unidade de origem informou que a empresa não teria optado pelo parcelamento de débitos previdenciários em fase administrativa. Intimado, o sujeito passivo manifestouse apenas no sentido de requerer o julgamento e o provimento de seu recurso. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento A Portaria MF 63/17 estabeleceu um novo limite para a interposição de recurso de ofício, ao prever que a DRJ recorrerá sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Vejase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. A Súmula CARF 103 preleciona que o limite de alçada deve ser aferido na data de apreciação do recurso em segunda instância: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Neste caso, só o total das contribuições exoneradas é de R$ 5.962.251,77 (veja o valor total lançado, fl. 3, e o total remanescente, fl. 527, DADR DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DÉBITO RETIFICADO), de forma que o recurso de ofício deve ser conhecido. Por outro lado, o recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, tendo sido inclusive demonstrada a inexistência de pedido de parcelamento dos débitos em questão. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 573 10 2 Do recurso de ofício 2.1 DOS PONTOS CONTROVERTIDOS DO RECURSO DE OFÍCIO Analisandose o acórdão de impugnação, constatase que os pontos controvertidos do recurso de ofício são os levantamentos AL, CB, RE, TA, TR e FG. Para ilustrar, vale transcrever o seguinte trecho do acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação e pela manutenção parcial do crédito tributário objeto de impugnação, excluindose todas as contribuições cujos fatos geradores foram identificados nos autos com os códigos de levantamento AL, CB, RE, TA e TR e FG. Esse dispositivo decorre da fundamentação do decisum, que, no tocante ao custeio de alimentação in natura sem PAT e às diferenças entre as folhas e as GFIPs, assim concluiu: Portanto, devem ser excluídos do AI combatido todas as contribuições cujos fatos geradores foram identificados nos autos com os códigos de levantamento AL, CB, RE, TA e TR. ......................................................................................................... Assim, todos os valores lançados com o código de levantamento FG devem ser integralmente excluídos da autuação. Tais levantamentos foram excluídos no DADR DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DÉBITO RETIFICADO e são referentes a: AL ALIMENTACAO E LANCHES, CB CESTA BASICA, FG BATIMENTO FOLHA COM GFIP, RE RESTAURANTE, TA TICKET ALIMENTACAO e TR TICKET REFEICAO. 2.2 DO CUSTEIO DE ALIMENTAÇÃO SEM PAT Nesse particular, vêse que o acórdão de impugnação está amparado no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/11 e no Ato Declaratório 3/11, que por sua vez decorrem da reiterada jurisprudência do STJ a respeito do thema iudicandum, segundo os quais não incidem contribuições previdenciárias sobre a alimentação in natura fornecida pela empresa. Vale transcrever o entendimento do STJ a respeito do assunto e o citado Ato Declaratório: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. SALÁRIO IN NATURA. DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT. NÃOINCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 574 11 eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido. (Resp. 1051294 PR 2008/00873730; Relator(a): Ministra Eliana Calmon; Julgamento: 10/02/2009; Publicação: DJe 05/03/2009) ......................................................................................................... Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". É importante frisar que a fiscalização, após ser provocada por meio de despacho da DRJ, prestou esclarecimentos em informações fiscal e apontou que as despesas com alimentação dos empregados, inclusive despesas com restaurante, identificadas nos autos com o código de levantamento AL, referemse à alimentação fornecida in natura. Vejase: 1. Em resposta ao item 6 do Despacho da 8a. Turma da DRJ/BHTE, após análise da documentação apresentada pela autuada em sua defesa, a fiscalização presta os seguintes esclarecimentos: a) A fiscalização constatou que as despesas com alimentação dos empregados, inclusive despesas com restaurante, lançadas pelo levantamento de código “AL” foram fornecidas in natura; Logo, deve ser negado provimento ao recurso de ofício no ponto atinente ao custeio da alimentação dos trabalhadores, mantendose, assim, as exclusões determinadas em sede de acórdão de impugnação. 2.3 DAS DIFERENÇAS ENTRE AS FOLHAS DE PAGAMENTO E AS GFIPS Nesse tocante, a DRJ excluiu integralmente o levantamento FG BATIMENTO FOLHA COM GFIP, em parte por força da decadência, em outra parte porque a própria autoridade autuante, instada a manifestarse através de despacho daquele órgão de Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 575 12 julgamento, e considerandose o demonstrativo elaborado pelo sujeito passivo em sede de impugnação, retificou o levantamento em sede de diligência. Relativamente à decadência, verseá, em tópico específico e mais abrangente, que a decisão não deve ser reformada. Quanto à outra parcela excluída, vêse que ela ocorreu em decorrência de informação fiscal e de retificação determinada pela própria autoridade autuante, a qual analisou os resumos das folhas de pagamento e concluiu que as divergências remanescentes em GFIP seriam apenas aquelas constantes do quadro demonstrativo que elaborou. Em sendo assim, também deve ser negado provimento ao recurso de ofício nesse ponto. 3 Do recurso voluntário 3.1 DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Os pontos controvertidos do recurso voluntário são apenas aqueles atinentes à decadência e à contratação do diretor empregado. 3.2 DA DECADÊNCIA A esse respeito, o sujeito passivo sustenta a tese de que o prazo decadencial deve ser contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, tendo em vista a existência de recolhimentos antecipados. Como o lançamento teria ocorrido em 22/11/2010, estariam decaídas as contribuições do período de janeiro a novembro de 2005. A DRJ não compactuou desse entendimento, arvorandose na tese de que a existência de recolhimento antecipado se caracterizaria rubrica por rubrica. Vejase: Ora, se o contribuinte sequer incluía tais valores nas folhas de pagamento, não há se falar que tenha ocorrido qualquer antecipação de pagamento relativamente a essas verbas. Portanto, nesses casos, aplicase o disposto no CTN, artigo 173 O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 576 13 E ao contrário do que decidiu a DRJ, caracteriza pagamento antecipado qualquer recolhimento de contribuição previdenciária na competência do fato gerador, independentemente de ter sido incluída na base de cálculo do recolhimento a rubrica específica (ex. custeio de alimentação) exigido no Auto de Infração. Essa questão foi definitivamente pacificada com a edição da Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No mesmo sentido, o entendimento do colendo STJ em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 577 14 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) A existência de recolhimentos parciais em todas as competências é inconteste, tanto porque todas as autuações são relativas a rubricas específicas (custeio de alimentação, cartões de premiação, diferenças entre as folhas e as GFIPs, etc) exigidas em diversos Autos de Infração, quanto porque os recolhimentos parciais foram admitidos em sede de acórdão de impugnação, e também porque a fiscalização constatou a existência de valores declarados em GFIP (vejase que há lançamento por batimento entre as folhas e as guias). Mais ainda, e segundo se depreende do incluso Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal, entre os documentos examinados estão os "Comprovantes de Recolhimento". Logo, a regra decadencial aplicável é a do art. 150, § 4º. Portanto, quando o lançamento foi realizado, em 22/11/2010, já havia transcorrido mais de cinco anos desde os fatos geradores ocorridos de janeiro a outubro de 2005, mas não de novembro de 2005, cujo período de apuração somente se encerrou no dia 30. Portanto, deve ser parcialmente acolhida a preliminar de decadência, para declarar a extinção dos créditos tributários cujo período de apuração vai de janeiro a outubro de 2005. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 578 15 3.3 DO DIRETOR EMPREGADO Basicamente, o sujeito passivo afirma que o Diretor Administrativo Financeiro foilhe cedido pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda, conforme o documento denominado Secondment Service Agreement. Assevera, ainda, que a inclusão do nome do referido diretor na sua folha de pagamento com salário zerado deuse unicamente por razão de hierarquia de trabalho, já que ele era o responsável pela sua gestão administrativofinanceira, ascendendo um grupo de empregados constantes na folha. Conclui que é sem razão o arbitramento levado a efeito pela fiscalização. O acórdão de impugnação discordou dessa argumentação, com base na fundamentação que pode ser sintetizada abaixo: Vêse, que é inconteste que o Sr. Fernando Luiz Gomes Filho prestava serviços para o contribuinte, como diretor financeiro, e que seu nome foi incluído nas folhas de pagamento do impugnante juntamente com a menção de que havia uma folha confidencial relativa à diretoria. [...] Temse, portanto, que o impugnante não trouxe aos autos qualquer elemento ou esclarecimento capaz de explicar porque razões um diretor financeiro que presta serviços em seu favor, vinculado à sua estrutura organizacional, seria incluído na folha de pagamentos (com a indicação da existência de informações mais detalhadas em folha de pagamento confidencial), caso inexistisse remuneração custeada por ele para esse diretor. Tudo levar a crer que tal diretor foi remunerado pelo contribuinte e que o valor de sua remuneração somente não foi incluído na folha por tratar de informação “confidencial” tal como descrito nesses documentos. Ocorre que os documentos denominados Secondment Service Agreement e Exhibit revelam que o Diretor Administrativo Financeiro era empregado de outra empresa, que lhe custeava o salário e que o cedeu para o sujeito passivo por prazo determinado. Vejase, a propósito, que as folhas de pagamento de fls. 322 e seguintes demonstram que ele era realmente empregado da Recofarma. Essas circunstâncias, aliadas ao fato de que a fiscalização não demonstrou a existência efetiva de pagamentos realizados pela recorrente em favor do citado Diretor, muito menos que ele estivesse a ela subordinado, tornam frágil o lançamento e obstaculizam qualquer possibilidade de arbitramento. A rigor, o Diretor Administrativo Financeiro estava subordinado à outra pessoa jurídica e dessa pessoa jurídica recebia a sua remuneração, com todas as consequências trabalhistas e previdenciárias daí decorrentes. Em não havendo remuneração recebida da recorrente, igualmente não há base de cálculo para o lançamento. E como afirmado em sede de impugnação e recurso, isso explica o fato de a folha de pagamento do Diretor Administrativo Financeiro estar com valores zerados. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 579 16 Resumidamente, o recurso voluntário deve ser provido nesse particular. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de: (a) CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; (b) CONHECER do recurso voluntário, para ACOLHER PARCIALMENTE a preliminar de decadência do lançamento, declarandose a extinção dos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram até outubro de 2005, e, no mérito, DARLHE TOTAL PROVIMENTO, para excluir da autuação o levantamento "DE DIERETOR EMPREGADO" (erro de grafia no original). (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti Redator Designado Não obstante as, como de praxe, muito bem fundamentaras razões de decidir do Relator, peço venia para delas dissentir. O ponto de discordância, naquilo que superou o seu entendimento, recai quanto ao lançamento, por arbitramento, sobre valores eventualmente pagos pela autuada àquele Diretor Administrativo Financeiro, Sr Fernando Luiz Gomes Filho. Entendeu o Ilustre Relator que o autuante não teria feito a prova de que a autuada efetuou pagamentos àquele trabalhador, tampouco de que havia subordinação na relação entre ambos, além do quê, haveria um documento denominado Secondment Service Agreement, por meio do qual se atestaria sua cessão à recorrente pela Recofarma Indústria do Amazonas Ltda, a quem competiria o pagamento de seu salário e as conseqüências trabalhistas e previdenciárias dele decorrentes. Não vejo dessa forma. De plano, quanto ao documento apresentado no idioma estrangeiro, filiome ao entendimento da decisão de piso acerca da imprescindibilidade de sua tradução para o vernáculo, a teor do que dispõem os artigos 22 da Lei 9.784/99 e 157 do CPC/731, sem a qual, temse por prejudicada a sua força probatória. 1 Artigo correspondente: 192 do NCPC Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10680.724477/201014 Acórdão n.º 2402006.781 S2C4T2 Fl. 580 17 Por sua vez, consoante aduzido naquele acórdão, referido Diretor, que efetivamente teria prestado serviço para a recorrente, e isso pareceme inconteste, figurou em sua folha de pagamento por quase 5 (cinco) anos, vale dizer, de 12/2003 a 05/2008. Registrese ainda, que tal folha de pagamento, em que pese incluírem aquele trabalhador, não discriminavam os valores de sua remuneração, além de conter a incomum expressão "Folha Confidencial Diretoria". E mais, esta última não teria sido sequer apresentada à Fiscalização. Quanto à alegação de que receberia salário pela cedente Recofarma, a qual arcaria, em função disso, com os encargos trabalhistas e previdenciários, vale destacar que, conforme atestado pelo Fisco, aquele trabalhador teria sido declarado nas GFIP da Recofarma apenas nos meses de 12/2005 e 13/2005, o que conduz à conclusão de que as contribuições incidentes sobre sua remuneração alegadamente lá percebida não teriam sido por ela recolhidas com relação aos demais períodos da autuação. Na sequência, quanto à motivação atinente a questões de hierarquia no trabalho, passo a colacionar a oportuna observação promovida pela DRJ, nos seguintes termos: ] Postos então os fatos, penso pairar sobre o caso uma robusta presunção de que a autuada arcara, de fato, com o ônus da remuneração daquele Diretor Administrativo Financeiro, o qual, repitase, a ela prestara serviços e figurara em sua folha de pagamento por quase 5 (cinco) anos. Forte nas razões acima, VOTO por, nesse ponto, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 580DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720888/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. AMORTIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
O ágio na aquisição de participações societárias é amortizável, quando comprovado o pagamento efetivo do valor negociado e a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, havendo os demais pressupostos normativos para dedutibilidade fiscal.
EMPRÉSTIMO EM MOEDA ESTRANGEIRA. JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE.
As despesas com juros e variação cambial, oriundos de empréstimo em moeda estrangeira, são dedutíveis, quando necessários e usuais às atividades da tomadora.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Em se tratando dos mesmos fatos constitutivos do lançamento de ofício do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, aplica-se no mérito idêntica razão de decidir para a exigência reflexa da contribuição social.
Numero da decisão: 1201-002.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanhou o relator pelas conclusões.Vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanhou o relator pelas conclusões.Vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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AMORTIZAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. O ágio na aquisição de participações societárias é amortizável, quando comprovado o pagamento efetivo do valor negociado e a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, havendo os demais pressupostos normativos para dedutibilidade fiscal. EMPRÉSTIMO EM MOEDA ESTRANGEIRA. JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE. As despesas com juros e variação cambial, oriundos de empréstimo em moeda estrangeira, são dedutíveis, quando necessários e usuais às atividades da tomadora. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando dos mesmos fatos constitutivos do lançamento de ofício do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, aplicase no mérito idêntica razão de decidir para a exigência reflexa da contribuição social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanhou o relator pelas conclusões.Vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 08 88 /2 01 2- 41 Fl. 1827DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Tratase de lançamento de ofício de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), anoscalendário de 2008 a 2010, compreendendo as infrações abaixo resumidas: 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS Valores equivalentes a 48,53% do montante dos juros contabilizados sobre o empréstimo de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) indevidamente deduzidos como despesas operacionais nas seguintes contas: 302080201 para 2008 7550, para 2009 e, 61210103 para 2010, conforme demonstrado no “Termo de Verificação Fiscal” em anexo, notadamente o tópico 9.3. 0002 AMORTIZAÇÃO VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS – ÁGIO Valores relativos ao ágio excluídos indevidamente na apuração do Lucro Real dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, conforme demonstrado no “Termo de Verificação Fiscal” em anexo. 0003 EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS VARIAÇÃO CAMBIAL Valores referentes a variação cambial regime caixa excluídos indevidamente na apuração do Lucro Real dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, conforme demonstrado no “Termo de Verificação Fiscal” em anexo, notadamente o tópico 9.3. A imposição do mencionado Auto de Infração reduziu o saldo acumulado de prejuízo fiscal e base negativa em R$ 15.491.386,77 (anocalendário: 2008), R$ 23.571.188,47 (anocalendário: 2009) e R$ 30.426.732,56 (anocalendário: 2010), sendo assim, não sobrevindo a exigência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com acréscimo de juros e multa de ofício. Contudo, ainda que não identificada a ausência de pagamento de qualquer exação, a acusação fiscal interpretou que a conduta era típica da hipótese de multa de ofício qualificada, formalizando a Representação Fiscal para Fins Penais (processo administrativo nº 13161.720889/201296). Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.026 3 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por unanimidade, julgou improcedente a impugnação administrativa da contribuinte, como se infere da ementa do acórdão nº 0431.313: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. AMORTIZAÇÃO. A amortização de ágio na aquisição de participações societárias não é cabível em casos de planejamento tributário com a utilização de mecanismos tendentes a evitar o conhecimento do fisco relativamente à natureza ou circunstâncias materiais e às reais características essenciais do fato gerador. EMPRÉSTIMO EM MOEDA ESTRANGEIRA. JUROS E VARIAÇÃO CAMBIAL. DEDUTIBILIDADE. As despesas com juros e variação cambial decorrentes de empréstimo em moeda estrangeira só são dedutíveis se este é necessário e usual às atividades da tomadora. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. As Delegacias da Receita Federal de Julgamento não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA. Aplicamse à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa. Impugnação Improcedente. Outros Valores Controlados Em Recurso Voluntário, extraise a narrativa dos principais fatos sobre a controvertida aquisição de participação societária: A Recorrente (“Usina Eldorado”) é uma, dentre outras pessoas jurídicas, controladas pela ETH Participações S.A. (“ETH”), holding das empresas produtoras de etanol, energia elétrica e açúcar, controlada pela Odebrecht S.A.. Até o início de 2008, as ações representativas do capital da Recorrente eram de propriedade dos senhores Marcelo Maçães Coutinho, Luis Ricardo Maçães Coutinho e Bruno Coutinho Gonçalves Fernandes e da Companhia Eldorado de Agronegócios, por eles controlada (conjuntamente denominados “FAMÍLIA COUTINHO”). À época, ETH já havia constituído a Fl. 1829DF CARF MF 4 sociedade empresária NOVA BOIPEBA, com o objetivo angariar os recursos necessários, centralizar as negociações e tomar todas as medidas necessárias com o propósito de adquirir a participação societária na Recorrente. A FAMÍLIA COUTINHO, de sua parte, concordava em transmitir as ações da Recorrente à NOVA BOIPEBA, desde que por meio da permuta dos seus papéis por participação em outra empresa, sem que houvesse torna de recursos. Diante disso, a ETH, que, na mesma data de formação da NOVA BOIPEBA, havia constituído também outra sociedade – a Nova Mucuri Participações S.A. (“NOVA MUCURI”) –, capitalizou a NOVA BOIPEBA com parte dos recursos necessários para que esta, juntamente com os valores que captasse, aumentasse o capital de NOVA MUCURI no montante suficiente para viabilizar a permuta de ações. Nessa medida, os fatos que se sucederam até que houvesse a transferência da integralidade das ações da Recorrente detidas pela FAMÍLIA COUTINHO e ulterior incorporação de NOVA BOIPEBA podem ser assim resumidos: 27.02.08: Constituição de NOVA BOIPEBA e NOVA MUCURI, ambas de propriedade de ETH. 09.03.08: Subscrição de aumento de capital de NOVA BOIPEBA, pela ETH, com a previsão de aporte de R$ 150.000.000,00. 10.03.08: Subscrição de capital de NOVA MUCURI, pela NOVA BOIPEBA, com a previsão de aporte de R$ 234.539.000,00. 12.03.08: Transferência de recursos, no valor de R$ 150.000.000,00, pela ETH à NOVA BOIPEBA, a título de integralização de capital. 12.03.08: NOVA BOIPEBA contrai empréstimo, na modalidade de repasse de recursos captados no exterior, mediante a assinatura de Cédula de Crédito Bancário, com o Banco ABN Amro Real S.A.. 12.03.08: Transferência de recursos, no valor de R$ 234.539.000,00 pela NOVA BOIPEBA à NOVA MUCURI, a título de integralização de capital. 18.03.08: Subscrição de “Contrato de Permuta e Outras Avenças” entre, de um lado, ETH e NOVA BOIPEBA e, de outro, FAMÍLIA COUTINHO. Na mesma data, são formalizadas as transferências das ações de NOVA MUCURI à FAMÍLIA COUTINHO e das ações da Recorrente para ETH e NOVA BOIPEBA. 30.04.08: Uma vez concretizado o negócio para o qual havia sido constituída, NOVA BOIPEBA foi incorporada por sua controlada (ora Recorrente). Como o preço da permuta foi superior ao valor de patrimônio líquido contábil da Recorrente, NOVA BOIPEBA registrou a diferença a maior no seu custo de aquisição como ágio por expectativa de rentabilidade futura, na forma do artigo 385 do Decreto n. 3.000/99 (Regulamento do Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.027 5 Imposto de Renda – “RIR/99”), com fundamento em estudo econômico elaborado à época da transação. Em decorrência da última operação societária acima apontada, a Recorrente, na condição de sucessora por incorporação, passou a amortizar o ativo diferido formado pelo montante até então registrado a título de ágio, à razão de 1/60 avos ao mês, com fundamento nos artigos 7o e 8o da Lei n. 9.532/97 (art. 386 do RIR/99 e art. 75 da Instrução Normativa – IN n. 390/04), regulamentados pela IN n. 11/99. Pelo mesmo motivo, passou a apropriar no seu resultado as despesas com juros e variação cambial, oriundos do empréstimo originário do repasse de recursos captados no exterior, o que tem fundamento nos artigos 377 e 378 do RIR/99 e nos artigos 18, 73 e 74 da IN n. 390/04. (fls. 1278 a 1279) O Termo de Verificação Fiscal (TVF) interpretou que os negócios jurídicos acima se materializaram com abuso de direito, substituindo a compra e venda direta da participação societária na Recorrente pela ETH Participações S.A. (“ETH”), proporcionando vantagem tributária indevida com a ulterior dedutibilidade do ágio e das despesas financeiras: A aquisição pela ETH das participações societárias na Usina Eldorado resultou na geração do ágio no montante de R$ 159.151.115,17 (cento e cinquenta e nove milhões, cento e cinquenta e um mil, cento e quinze reais e dezessete centavos) fruto da aplicação de métodos e critérios legais e contábeis. Como vimos, a fiscalização não questiona se houve ou não o pagamento pela aquisição das participações. O que não pode ser aceito é o ágio pertencente ao investidor ETH, que é o verdadeiro titular, ter sido transferido por intermédio de uma engenharia de fatos societários que só existiram no papel para a Usina, que é a investida. A Usina é uma empresa operacional e com potencial para aproveitálo, porém, este ágio não lhe pertence. Outro fato, que do mesmo modo não pode ser aceito, são os custos financeiros decorrentes do empréstimo de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) realizados inicialmente em nome da Nova Boipeba e, transferidos para a Usina quando da incorporação às avessas. O empréstimo foi contraído com o objetivo de realizar o pagamento da aquisição da Usina – fato inquestionável. Ocorre que, os recursos necessários para a aquisição da investida (Usina) são de responsabilidade da investidora que é a ETH. Se a investidora ETH buscou capital junto a instituições financeiras para realizar a aquisição, cabe a ela arcar com os ônus decorrentes do empréstimo. Esses custos jamais poderiam ser artificialmente transferidos para a própria investida para serem por ela suportados, são despesas financeiras que não lhe pertencem. Para rememorar, cabe aqui um breve resumo dos principais fatos que justificam a autuação fiscal: Fl. 1831DF CARF MF 6 Criação da Nova Mucuri e Nova Boipeva na mesma data, com diferença de 30 minutos, com sede no mesmo endereço, com os mesmos acionistas, com o mesmo capital social e estatuto, de duração efêmera e usadas como empresas veículos ou de passagem; Nova Boipeba nunca captou recursos de outros grupos econômicos, não se comportou como holding, o empréstimo realizado em seu nome foi feito pela Odebrecht; Os históricos contábeis dos lançamentos que registram a subscrição das ações da Nova Mucuri pela Nova Boipeba indicam “Aquisição Eldorado”, denunciam a verdadeira intenção da transferência; O único patrimônio da Nova Mucuri são os R$ 232.540.000,00 depositados no ABN Amro Real utilizados para realizar o pagamento pela aquisição; A Celebração do contrato denominado de “Permuta e Outras Avenças” divorciado da verdadeira realidade dos fatos. As diversas justificativas traçadas no “Protocolo de Incorporação e Justificação” foram uma a uma desmontadas pela fiscalização; O resultado final produzido pela sucessão de todos esses atos societários não alteram o resultado final. A ETH Participações sempre foi e continua sendo a verdadeira adquirente e proprietária da Usina; As Atas da Assembléia Geral Extraordinária assinadas em 30/04/2008 em São Paulo/SP e ao mesmo tempo em Rio Brilhante/MS, ambas secretariadas pelo Sr. Luciano Dequech, demonstram sua artificialidade; A criação da Nova Boipeba e Nova Mucuri e os atos societários praticados decorrentes de sua criação, não tiveram qualquer propósito negocial, não há qualquer substância econômica que possa ser extraída; O “nexo causal” está perfeitamente caracterizado: a operação real de compra e venda de ações com ágio, transformada artificialmente em operação de permuta com incorporação às avessas, com a finalidade de deduzir como despesa o ágio gerado pela aquisição de suas próprias ações e transferir os custos financeiros do empréstimo de US$ 100.000.000,00 que deveriam ser suportados pelos verdadeiros investidores (Grupo ETH) e, O princípio da verdade material que determina que a Autoridade Fiscal deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. Considerando os fatos relatados os trabalhos fiscais concluíram por: não considerar como despesas dedutíveis o ágio aproveitado pela contribuinte nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 e, não considerar os custos financeiros contabilizados como despesas financeiras decorrentes do empréstimo de US$ Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.028 7 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) contraídos junto ao ABN Amro Real S/A em nome da Nova Boipeba pela Odebrecht. (...) Em 12/03/2008 a Nova Boipeba Participações S/A, com garantias prestadas pela Odebrecht S.A., contraiu financiamento bancário junto ao Banco Real/ABN Amro Bank no valor de US$ 100.000.000,00 (cem milhões de dólares americanos) equivalente a R$ 169.080.000,00 (cento e sessenta e nove milhões e oitenta mil reais), conforme lançamento na conta 2.1.1.2.01.07. Em 30/04/2008, nesta mesma conta, em processo de incorporação, a obrigação foi transferida para a Usina Eldorado S.A.. Revelamse como indedutíveis na base de cálculo do IRPJ e CSLL os encargos financeiros decorrentes de parte do empréstimo contraído para adquirir a participação acionária na própria Usina Eldorado S.A. Foi usado na aquisição da Eldorado o valor de R$ 82.539.000,00 (oitenta e dois milhões, quinhentos e trinta e nove mil reais) que corresponde a 48,53% do empréstimo e transferido o valor de R$ 87.535.915,33 (oitenta e sete milhões, quinhentos e trinta e cinco mil, novecentos e quinze reais e trinta e três centavos) que corresponde a 51,47%. Devem ser glosados os valores dos juros deduzidos indevidamente (48,53%), bem como ajustada a variação cambial no Lalur (regime caixa), pelo percentual do valor efetivamente transferido (51,47%). Assim, as despesas de juros e variação cambial (caixa) decorrentes do valor que foi utilizado na aquisição das ações da própria Usina Eldorado S.A., não cumprem os requisitos de dedutibilidade do artigo 299 do RIR/99, sendo, portanto, consideradas despesas desnecessárias. Os juros sobre o financiamento foram lançados nas contas: 302080201 – Juros s/Empréstimos e Financiamentos no ano calendário 2008; 7550 – Juros sobre Empréstimos e Financiamentos no anocalendário 2009 e 6.2.1.01.03 – Juros s/Financiamento no anocalendário de 2010. Conforme planilhas anexas, fizemos o rateio efetuado a glosa dos valores considerados como despesas desnecessárias que correspondem a 48,53%, valor utilizado na aquisição da própria Usina Eldorado S.A.. (fls. 1137 a 1139) Em 08 de maio de 2013 (fl. 1.276), a contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, sendo intimada do acórdão recorrido em 23 de abril de 2013 (fl. 1.252). Por sua vez, a Fazenda Nacional protocolou seus Memoriais (fls. 1.363 a 1.390), ratificando o Termo de Verificação Fiscal e contraditando os argumentos da Recorrente. Em 03 de fevereiro de 2015, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, por maioria, proferiu a Resolução nº 1101000.146, convertendo o julgamento do recurso em diligência para a seguinte finalidade: Fl. 1833DF CARF MF 8 De outro lado, subsidiariamente, a recorrente acrescenta que ETH foi extinta em 2009, mediante cisão, por meio da qual parte do seu acervo foi incorporada na Recorrente (docs. J.). Referido documento evidencia que o investimento detido por ETH Participações S/A foi vertido para a autuada, apurandose a diferença de R$ 681,41 correspondente a ágio por rentabilidade futura, a ser registrado no ativo intangível da autuada, e isto porque a participação societária na investida estava registrada em ETH Participações S/A no valor de R$ 106.135.964,10, justamente por desconsiderar a aquisição paga com parte do empréstimo que foi deslocado para contratação por Nova Boipeba Participações S/A, com os efeitos antes expostos (fls. 1332/1345). Em tais condições, como antes dito, a extinção do investimento mantido pela adquirente na adquirida implementaria o requisito legal para dedução fiscal do ágio pago na sua aquisição. Por sua vez, como a autuada passaria a ser sucessora da cindida, a partir daquele momento figuraria como efetiva devedora da totalidade do empréstimo a ser pago. Tratase, portanto, de fato relevante para a solução do litígio, mas que demanda sua confirmação e complementação. Por tais razões, necessária se faz a CONVERSÃO do julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal do domicílio do sujeito passivo: · Confirme a cisão noticiada nos documentos juntados às fls. 1332/1345, juntando aos autos os atos correspondentes e a evolução contábil do investimento mantido por ETH Participações S/A na autuada nos períodos fiscalizados; · Informe os registros contábeis promovidos por ETH Participações S/A e a autuada por ocasião da cisão; e · Demonstre a evolução do empréstimo originalmente contraído por Nova Boipeba Participações S/A e posteriormente sucedido pela autuada, detalhando seus pagamentos e juros incorridos desde sua contratação até o último período autuado. Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. (fls. 1.442 e 1.443). Finalizada a diligência solicitada pela Resolução nº 1101000.146 (fls. 1.411 a 1.443), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS exarou a respectiva Informação Fiscal (fls. 1.623 a 1.797). Em 04 de maio de 2016, a Recorrente se manifestou sobre essa Informação Fiscal (fls. 1.800 a 1.802). Considerando a extinção da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, mediante novo sorteio, fui designado relator. É o relatório. Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.029 9 Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, relevante a Informação Fiscal, elaborada em atendimento à Resolução nº 1101000.146, noticiando fatos que influenciam no julgamento do presente recurso, como a seguir transcrevo: Fl. 1835DF CARF MF 10 Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.030 11 Fl. 1837DF CARF MF 12 Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.031 13 Fl. 1839DF CARF MF 14 A redatora designada daquela Resolução nº 1101000.146, conselheira, Edeli Pereira Bessa, evidenciava sua discordância quanto à dedutibilidade do ágio e das despesas financeiras, porém, quando justificou a pertinência da citada diligência, explanou que "a recorrente acrescenta que ETH foi extinta em 2009, mediante cisão, por meio da qual parte do seu acervo foi incorporada na Recorrente (docs. J.). Referido documento evidencia que o investimento detido por ETH Participações S/A foi vertido para a autuada, apurandose a diferença de R$ 681,41 correspondente a ágio por rentabilidade futura, a ser registrado no ativo intangível da autuada, e isto porque a participação societária na investida estava registrada em ETH Participações S/A no valor de R$ 106.135.964,10, justamente por desconsiderar a aquisição paga com parte do empréstimo que foi deslocado para contratação por Nova Boipeba Participações S/A, com os efeitos antes expostos." Em seguida, conclui tal redatora, "como antes dito, a extinção do investimento mantido pela adquirente na adquirida implementaria o requisito legal para dedução fiscal do ágio pago na sua aquisição. Por sua Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.032 15 vez, como a autuada passaria a ser sucessora da cindida, a partir daquele momento figuraria como efetiva devedora da totalidade do empréstimo a ser pago." Uma vez cientificada da Informação Fiscal com a conclusão da diligência, a Recorrente se manifestou nos seguintes termos: O processo em referência tem origem em autuações de IRPJ e CSLL relativas aos anos de 2008 a 2010 calcadas nas glosas de: (1) amortização de ágio originário da aquisição do investimento na ora Requerente pela NOVA BOIPEBA e (2) juros e variação cambial incorridos em empréstimo tomado pela NOVA BOIPEBA, por ser necessário à aquisição do investimento na Requerente. (...) O objetivo da diligência é atestar se, documentalmente, procedem as alegações da Requerente no sentido de que mesmo que admitida como correta a premissa fiscal isto é, a incorporação de NOVA BOIPEBA pela Requerente possibilitou a indevida transferência do ágio da ETH Participações S/A, real adquirente, para a adquirida sem a unificação dos seus patrimônios , ainda assim as autuações devem ser tidas por improcedentes. O raciocínio da Requerente, conforme consta das suas manifestações, foi calcado no fato de que a ETH Participações S/A foi extinta em 2009, tendo ocorrido versão de parte de seu patrimônio para a Recorrente, sem que tenha havido registro em duplicidade do ágio na operação (tanto do investimento detido por ETH Participações S/A, quanto daquele que foi adquirido por NOVA BOIPEBA). Nesse sentido, a fim de realizar o trabalho determinado pelo Tribunal, a unidade de origem formulou quatros requerimentos de documentos, por meio do Termo de Intimação Fiscal NR.001, devidamente atendido pele Requerente mediante a apresentação de petição em 09.10.2015. Após o exame da documentação obtida, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal ora avaliada, que comprova as alegações da Recorrente, de modo a demonstrar a improcedência das autuações fiscais. Vejase: 1. Consta das páginas 1 e 2 da Informação Fiscal de que, em 27.07.2009, a ETH Participações foi extinta e teve parte do seu acervo incorporado na ora Requerente (Usina Eldorado), passando as suas ações a serem detidas pela ETH Bioenergia. Portanto, nesse ponto, a diligência confirmou exatamente aquilo que já havia aduzido a Requerente. 2. Na sequência, a Informação Fiscal passa a tratar da evolução contábil do investimento. Nesse ponto, após descrever diferentes dados da evolução patrimonial e contábil da Requerente, a Fiscalização destacou que não teria sido apresentado na diligência o balanço patrimonial encerrado em 31.07.2009, nem Fl. 1841DF CARF MF 16 a demonstração de resultado de exercício de 01.01.2009 a 31.07.2009 A assunção, porém, não procede. As demonstrações financeiras preparadas para fins da cisão da ETH Participações o que inclui o balanço patrimonial e a demonstração de resultado do exercício acompanharam os respectivos atos societários. Os documentos contábeis são datados de 30.06.2009, para o que não há qualquer ilegalidade, na medida em que a legislação faculta o uso de balanço e demonstração de resultado de até 30 dias antes do evento societário, tal como se deu no caso concreto (evento societário de 27.07 e documentos contábeis de 30.06). Os eventuais reflexos patrimoniais posteriores à elaboração dos documentos societários deveriam ser refletidos nas sucessoras, na proporção de suas participações nos patrimônios transmitidos, conforme consta dos atos societários. Dessa forma, nada impedia que a Fiscalização examinasse o balanço patrimonial e a demonstração de resultado vinculados à operação societária. 3. Ainda no que respeita aos dados contábeis, igualmente improcedente é a afirmação de que o investimento da ETH Bioenergia na Requerente escriturado na conta de investimento (1.3.1.1.01.09) era R$ 120.184.927,52, enquanto o valor correto seria R$ 104.956.756,33 (página 4 da Informação Fiscal). A assunção está equivocada. Na época do evento societário, o investimento tinha o valor de R$ 120.184.927,52. Não há divergência. Apenas posteriormente, ao fim de 2009, é que foi reduzido para R$ 104.956.756,33. 4. Por fim, cumpre tratar da improcedente, impertinente e descabida nota 5, objeto do item 3.4., da Informação Fiscal, a qual trata da apropriação dos juros e do empréstimo no qual a Requerente sucedeu as empresas extintas (página 8). Por meio dela, foi afirmado que: “(...) a fiscalização quando da autuação entendeu que houve a continuidade do empréstimo original, não havendo, na prática, qualquer liquidação apenas a troca de papéis e de instituição financeira, por consequência, manteve a glosa de parte dos encargos financeiros até 31.12.2010. Lembramos que a autuada em nenhum momento contestou tal fato, restando preclusa a discussão”. A ilação feita não só é improcedente, como também impertinente e incabível, devendo ser rechaçada porque: 4.1. A peça fiscal não afirma que os juros seriam indedutíveis em razão de ter havido a continuidade da operação de financiamento original. A acusação é de que quem a teria contraído teria sido ETH e, nessa medida, seria vedado à Requerente (Eldorado) vir a registrálo. Vejase: “Ocorre que, os recursos necessários para a aquisição da investida (Usina) são de responsabilidade da investidora que é a ETH. Se a investidora ETH buscou capital junto a instituições financeiras para realizar a aquisição, cabe a ela arcar com os ônus decorrentes do empréstimo. Esses custos jamais poderiam ser artificialmente transferidos para a própria investida para serem por ela suportados, são despesas financeiras que não lhe pertencem” (Página 13 do Termo de Verificação Fiscal). Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.033 17 Tanto é certo que essa era a acusação fiscal, que as autoridades julgadoras jamais cogitaram de preclusão na contestação dos lançamentos ou mesmo de ausência de ataque das razões dos autos de infração pela Requerente. 4.2. Independentemente do exposto acima, qualquer que tenha sido a acusação fiscal, é certo que não cabe à unidade de origem, por lhe faltar competência legal, afirmar que dada matéria é ou não preclusa. A conduta representa indevida intromissão na seara reservada à DRJ e ao CARF, aos quais o Decreto 70.235, de 1972, atribui competência exclusiva para decidir sobre litígios na esfera administrativa. Desse modo, deve ser descartada a observação feita, por não ter qualquer base a assunção fiscal. 4.3. Por fim, no mérito, a alegação da Fiscalização também se mostra indevida. Isso porque, se houve a troca de uma operação financeira por outra, com a substituição do agente financeiro de uma para outra, é fora de dúvida que o primeiro negócio foi extinto e substituído pelo segundo. Logo, não houve uma continuidade do empréstimo original, como quer fazer crer a inovadora alegação da unidade de origem. Prova irrefutável do seu desacerto são as palavras da Resolução 1101000.146 ao solicitar informações sobre “a evolução do empréstimo originalmente contraído por Nova Boipeba Participações S/A e posteriormente sucedido pela autuada, detalhando seus pagamentos e juros incorridos desde sua contratação até o último período autuado”. Em conclusão, à vista de todo o exposto, verificase que o material acostado aos autos ao longo do processo serve de sustentação aos argumentos aduzidos pela Requerente em impugnação e em recurso voluntário. Por esses motivos, reitera se o pedido feito a partir das peças anteriormente mencionadas pelas razões nelas descritas, que, se requer, sejam aqui consideradas como se integralmente reproduzidas, a fim de ser reconhecida a improcedência integral das autuações em exame. Em Memoriais, a Fazenda Nacional reafirma a exigência fiscal, alegando a impossibilidade da amortização do ágio, eis que faltava propósito negocialeconômico, havendo planejamento abusivo mediante uma empresa veículo. Destacase: Um breve histórico das operações societárias levadas a termo pela Contribuinte fazse necessário para a compreensão da matéria. Entretanto, é preciso ter em mente, ao analisar tais operações, que a vontade real subjacente, a despeito da via trilhada, foi a compra da Usina Eldorado S.A. (de propriedade da Família Coutinho) pela ETH Participações. Ocorre, que, ao invés da realização de uma aquisição direta, foi adotada a via do artificialismo, trilhada com o exclusivo propósito de economia tributária, através da geração de ágio fictício. Com efeito, após uma sucessiva e concatenada estruturação societária, por vias oblíquas, o Grupo ETH adquiriu a Usina Eldorado S.A. Fl. 1843DF CARF MF 18 Para entendermos a situação fática, valemonos de histórico sintético constante do Termo de Verificação Fiscal para afirmar que, em 27/02/2008, empresas do Grupo ETH constituíram a sociedade Nova Boipeba Participações S.A., com capital social de R$ 1000,00. É importante destacar as seguintes constatações da Fiscalização (fls. 08 do TVF) sobre esta empresa: a Nova Boipeba Participações S.A “não possui sede social e corpo administrativo, não é operacional e não desenvolve qualquer atividade, está constituída a (sic) apenas dois meses” das operações que originaram o ágio. Em 10/03/2008, a irmã gêmea da Nova Boipeba, a empresa Nova Mucuri Participações S.A, aumenta seu capital social de R$ 1.000,00 para R$ 232.540.000,00, sendo este totalmente subscrito por Nova Boipeba Participações S.A, coincidentemente o mesmo valor a ser pago pela compra da Usina Eldorado S.A. pelo Grupo ETH. Ante a incapacidade financeira da recémconstituída Nova Boipeba Participações S.A em suportar o aumento de capital por ela subscrito na Nova Mucuri, a ETH Participações S.A. transfere R$ 150.000.000,00 para a Nova Boipeba Participações S.A. em 12/03/2008. Essa transferência entre ETH e Nova Boipeba se dá a título de aumento de capital, cuja ata é de 09/03/2008. O restante dos recursos financeiros para honrar o aumento de capital da Nova Mucuri são oriundos de empréstimo tomado em nome da Nova Boipeba Participações S.A. pela Odebrecht S.A. (...) Notem que o próprio lançamento contábil de 12/03/2008 já admite expressamente a real intenção das transferências (AQUISIÇÃO ELDORADO), e não qualquer propósito econômiconegocial outro senão o atalho para o aproveitamento de ágio. Feitas tais transferências financeiras e registrado o respectivo lançamento contábil, temos que a Nova Boipeba Participações S.A. detém as ações da Nova Mucuri Participações S.A, e esta, por sua vez, tem como seu único patrimônio os R$ 232.540.000,00 depositados no ABN Amro Real S.A. Em 18/03/2008, as partes vendedora (Família Coutinho) e compradora (ETH Participações) celebram “Contrato de Permuta e Outras Avenças”, no qual a Família Coutinho permuta (vende, em verdade) sua participação societária na Usina Eldorado para o Grupo ETH, via Nova Boipeba Participações S.A., se apropriando do único bem existente na Nova Mucuri Participações S.A (os R$ 232.540.000,00 depositados no ABN Amro Real S.A.). Essa suposta operação de permuta é que teria dado origem ao ágio escriturado na Nova Boipeba Participações S.A., fundamentado na expectativa de rentabilidade futura da Usina Eldorado S.A. Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.034 19 A engenharia societária orquestrada desde o início para o aproveitamento do ágio gerado tem seu desfecho com a incorporação da Nova Boipeba Participações S.A. pela Usina Eldorado S.A, em 30/04/2008. A partir de então, a incorporadora passou a amortizar o ágio lançado quando da aquisição do investimento (“permuta” entre Família Coutinho e ETH, envolvendo ações da Nova Mucuri e ações da Nova Boipeba). (fls. 1.366 a 1.368) O ágio provém da expectativa de rentabilidade futura (artigo 385, § 2º, inciso II, do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999), demonstrada por laudo específico (fls. 225 a 240), quando da sucessão por incorporação da Nova Boipeba S.A. pela Usina Eldorado S.A., ora Recorrente, com expressa previsão normativa sobre sua amortização na apuração do lucro real, segundo o artigo 386, inciso III, do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): (...) III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (grifei) O pagamento do ágio proporciona sua amortização com lucros futuros, como leciona Sérgio de Iudicibus, Eliseu Martins e Ernesto Gelbcke1: "O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deverá ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados e que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas." Não há divergência sobre a possibilidade de dedução do ágio, quando constituído pela expectativa de rentabilidade futura, mas, sim, se na hipótese dos autos existiu artificialidade na reorganização societária, com fim específico de auferir redução tributária indevida. 1 (15) IUDICIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de contabilidade das sociedades por ações. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1995, p. 270 Fl. 1845DF CARF MF 20 A Fazenda Nacional prossegue em seus Memoriais (fls. 1.369 e 1.370) sustentando que "a empresa ETH Participações S.A, quem realmente efetivou o investimento, não deixou de existir nem perdeu seus investimentos na fiscalizada Usina Eldorado S.A.". E, complementa, que "constatou a Fiscalização, a Nova Boipeba Participações S.A. se prestou como mero veículo para geração aproveitamento de ágio pela Usina Eldorado S.A. Dessa forma, requisito legal específico, constante da legislação aplicável à matéria, não foi cumprido, qual seja: a absorção do patrimônio da empresa que de fato realizou o investimento. Neste caso, a absorção do patrimônio foi da empresa veículo (Nova Boipeba Participações S.A.), e não da ETH Participações S.A Somente se tivesse havido a incorporação da ETH Participações S.A pela Usina Eldorado é que o requisito legal (absorção de patrimônio) teria sido obedecido." Divirjo o posicionamento da Fazenda Nacional, principalmente, diante da Informação Fiscal, concluindo a diligência pela extinção da ETH Participações S.A. em 27 de julho de 2009, com seu acervo incorporado pela Usina Eldorado S.A., assim sendo, transferindo o controle societário à ETH Bioenergia S.A2. Concordando com a assertiva da Recorrente, opino pela improcedência do lançamento de ofício, sobretudo, identificando a substância da aquisição de participação societária com (i) Pagamento efetivo do valor negociado; (ii) Confusão patrimonial entre a investidora e a investida e; (iii) Propósito econômico. Consequentemente, dedutíveis as despesas financeiras, incluindo juros e variação cambial de empréstimo contratado no exterior. O Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira (fls. 225 a 240) não pressupõe qualquer formalidade especial, sendo necessário sua contemporaneidade aos fatos, como in casu, explicitando o motivo que justificava o pagamento superior ao valor patrimonial, que propiciou o ágio. Inobstante, o negócio jurídico indireto, havido pela interposição de empresa veículo, isoladamente, não comprova a evasão fiscal. Nesse sentido, citase a ementa do acórdão nº 1102001.182, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. USO DE EMPRESA VEÍCULO. APROVEITAMENTO POR OUTRA EMPRESA DO GRUPO. PROPÓSITO NEGOCIAL. POSSIBILIDADE. Em regra, é legítima a dedutibilidade de despesas decorrentes de amortização de ágio efetivamente pago, devidamente fundamentado na mais valia do ativo ou em rentabilidade futura, e decorrente de transação entre partes independentes. Caso exista um propósito negocial válido e se demonstre ser possível a dedução do ágio por incorporação direta, não há óbices para que o grupo econômico “transfira” o ágio efetivamente pago para outra de suas empresas, aproveitandose do benefício fiscal em outra parte da estrutura societária, mesmo se para isso se utilizar de empresa veículo. Do mesmo modo que é necessário frear os planejamentos que criem benefícios fiscais aos quais o contribuinte não faça jus, não se deve permitir que um formalismo exacerbado impeça o uso de direito legitimamente adquirido. ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. 2 Informação Fiscal, páginas 1 e 2. Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.035 21 A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Contudo, não é possível se admitir que laudo elaborado mais de um ano após os fatos, sem qualquer suporte em documentos contemporâneos à aquisição de terceiros, sirva para fundamentar o ágio em uma das modalidades que permitam o benefício fiscal. O interesse pela reorganização societária como menor incidência ou com benefício tributário não é vedado pela legislação, ao contrário, o artigo 2º da Lei nº 6.404/1976 preconiza que "A companhia pode ter por objeto participar de outras sociedades; ainda que não prevista no estatuto, a participação é facultada como meio de realizar o objeto social, ou para beneficiarse de incentivos fiscais." A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, quando proferiu o acórdão nº 1402 001.341, relatado pelo conselheiro, Antônio José Praga, entendeu "que constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios." Outrossim, quanto ao planejamento tributário e seu propósito, interessante o ensinamento do conselheiro, Marcelo Cuba Netto, relator do acórdão nº 1201001.267: "(...)Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos." De acordo com Ricardo Lodi Ribeiro, "o planejamento fiscal é uma conduta inerente ao desenvolvimento regular das atividades das empresas, assegurado constitucionalmente pelo princípio da livre iniciativa (artigo 170, CF). Porém, o abuso no exercício dessa liberdade, a partir de um planejamento tributário que se afaste dos princípios mais caros à nossa ordem constitucional, é combatido por mecanismos introduzidos no direito positivo, como as cláusulas antielisivas. No entanto, a ponderação entre a liberdade de planejar as atividades econômicas e as pautas valorativas baseadas na Justiça Fiscal oferece um modelo em que o combate ao planejamento fiscal é condicionado aos certos requisitos, que devem estar conjuntamente presentes: · prática de um ato jurídico, ou um conjunto deles, cuja forma escolhida não se adequa à finalidade da norma que o ampara, ou à vontade e aos efeitos dos atos praticados pelo contribuinte; Fl. 1847DF CARF MF 22 · intenção, única ou preponderante, de eliminar ou reduzir o montante de tributo devido; · identidade ou semelhança de efeitos econômicos entre os atos praticados e o fato gerador do tributo; · proteção, ainda que sob o aspecto formal, do ordenamento jurídico à forma escolhida pelo contribuinte para elidir o tributo; · forma que represente uma economia fiscal em relação ao ato previsto em lei como hipótese de incidência tributária. "3 Ricardo Mariz de Oliveira distingue que “É essencial compreender que o negócio indireto diferenciase da simulação porque nesta há desconformidade entre o desejado e o praticado, o que obriga as partes a realizar atos paralelos ocultos de desfazimento ou neutralização dos efeitos do praticado ostensivamente, ao passo que no negócio indireto as partes desejam e mantêm o ato praticado e se submetem por inteiro ao seu regime jurídico e a todas as suas consequências.” 4. Paulo Ayres Barreto, dissertando sobre "a efetiva e real intenção do contribuinte que pratica certos atos que geram economia fiscal ou redução dos tributos devidos", ressalta que "Se os seus atos tiveram motivações outras, e não as de natureza tributária, a operação se legitima. Na hipótese contrária, ou seja, se restar comprovado que o único propósito de seus atos foi alcançar um ganho fiscal ou a redução de tributos, os efeitos desta natureza não se legitimam." 5 Em síntese, compartilho do mesmo entendimento do acórdão nº 1201 001.554, desta 1ª Turma Ordinária, prolatado sob a relatoria do conselheiro, Luis Fabiano Alves Penteado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 ÁGIO FUNDAMENTADO EM EXPECTATIVA DE RESULTADOS FUTUROS. DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO. A legislação que permite a dedução da amortização do ágio em determinadas circunstâncias e desde que preenchidos determinados requisitos é norma indutora de comportamento do contribuinte. Uma vez norteado o permissivo legal para a amortização do ágio contido no art. 7° da Lei 9532/97 ou art. 386 do RIR/99 e, de fato concretizada a confusão patrimonial que reúne as despesas de amortização fiscal do ágio e os lucros que motivaram o pagamento do ágio baseado em expectativa de 3 RIBEIRO, Ricardo Lodi. Justiça, Interpretação e Elisão Tributária. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003, p. 145 146. 4 Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto sobre a Renda, 11º Simpósio, IOB de Direito Tributário. 5 BARRETO, Paulos Ayres. Elisão tributária limites normativos. Tese apresentada ao concurso à livre docência do Departamento de Direito Econômico e Financeiro da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. São Paulo: USP, 2008, p. 232233. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.036 23 rentabilidade futura, possibilitando o emparelhamento de receitas e despesas, tornase legal a amortização do ágio. Não havendo ocorrência de fraude ou simulação e tendo sido verdadeiras e legitimas as operações perpetradas, inclusive, com a ocorrência do efetivo pagamento do preço, a dedução do ágio é possível, ainda que o benefício fiscal seja o principal ou mesmo o único elemento motivador. Uma vez demonstrado o devido propósito negocial e substância econômica na realização de reorganizações societárias, a dedução da amortização do ágio tornase ainda mais justificada. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. Finalmente, ressalvase a certeza sobre a existência do empréstimo, posteriormente, liquidado. No entanto, presumiu a acusação fiscal que houve um continuidade do empréstimo original, diferente da sua extinção, como se constata da Informação Fiscal. Limitase a discordância à constituição de uma estrutura societária artificial com único propósito de obter vantagem tributária indevida. Novamente, meu convencimento é pela improcedência do Auto de Infração. O empréstimo foi, nitidamente, compatível com propósito da sociedade, configurando despesas operacionais "necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora", conforme o artigo 299 do Regulamento de Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Logo, insustentável a glosa das despesas com juros e variação cambial, provenientes da contratação de empréstimo em moeda estrangeira. O outrora relator, Benedicto Celso Benício Júnior, declarou seu voto antes da conversão julgamento em diligência pela Resolução nº 1101000.146, existindo minha concordância com seus termos e, sendo assim, reiteroo parcialmente: Fl. 1849DF CARF MF 24 Os lançamentos em apreço são manifestamente improcedentes. (...) Com efeito, entendo que o fato de o Grupo ETH ter constituído a Nova Boipeba com vistas a centralizar os esforços atinentes à aquisição das ações da ora Recorrente não encontra qualquer óbice na legislação de regência, sendo inquestionável que tal entidade não agiu enquanto agente meramente passivo durante todo o processo de aquisição. Deveras, é certo que foi a Nova Boipeba não foi capitalizada com cifras suficientes à aquisição da Recorrente, de modo que foi ela – a Nova Boipeba, e não a ETH Participações – que buscou no mercado financeiro empréstimo cujo montante extrapolava o investimento feito por sua controladora. O fato de que a Odebrecht S/A tenha constado como fiadora nesse negócio jurídico apenas revela o absurdo de uma das considerações tecidas pela r. autoridade fiscal: obviamente, a instituição financeira mutuante jamais permitiria que um determinado mutuário fosse fiador de si mesmo, de modo que é absolutamente despropositada a assertiva no sentido de que a Odebrecht, e não a Nova Boipeba – que figura como mutuária no contrato –, tenha entabulado a avença em análise. Salientese que, consoante organograma que repousa ao fólio n. 1220, por mais que a Odebrecht seja controladora da ETH Participações, é certo que uma terceira sociedade detinha 1/3 das ações dessa última companhia – participação essa bastante expressiva –, o que revela o desacerto nas equiparações entre a ETH Participações e a Odebrecht, fiadora do contrato. O pressuposto dos lançamentos em destaque consiste na afirmação da r. autoridade fiscal no sentido de que, se a ETH Participações tivesse adquirido as ações da Recorrente diretamente, o ágio em destaque não seria amortizável para fins fiscais. No modelo proposto pela autoridade fiscal, a participação societária adquirida com ágio permaneceria indefinidamente no Ativo da ETH Participações, sem que ocorressem quaisquer das hipóteses de reorganização societária a que alude o art. 386 do RIR/99 e, consequentemente, sem que a mais valia pudesse ser amortizada para fins da apuração do lucro real da investidora. A afirmação é hialinamente falaciosa. Com efeito, é certo que, se a ETH Participações tivesse adquirido as ações da Recorrente diretamente, ainda assim o ágio de que aqui se cuida existiria, uma vez que o preço ajustado com os antigos controladores da Usina extrapolava o valor do Patrimônio Líquido dessa. Nesse cenário – sendo certo que a mais valia em questão teve como fundamento a rentabilidade futura da Recorrente, o que jamais foi contestado pela r. autoridade fiscal –, é realmente jocosa a consideração da autoridade fiscal no sentido de que Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.037 25 jamais ocorreria a confusão entre investimento e investida que ensejasse a amortização fiscal da mais valia. De fato, pareceme insustentável qualquer consideração no sentido de que o administrador da ETH Participações, no quadro da compra direta das ações da Recorrente, devesse simplesmente manter o ativo diferido de que aqui se cuida inerte, sem que diligenciasse com vistas à sua amortização. Realmente, o ágio de que aqui se cuida é da ordem de R$ 159.151.115,17, valor que representava basicamente o DOBRO do Patrimônio Líquido da ora Recorrente ao tempo da aquisição da participação societária aqui discutida. Assim sendo, penso que se o administrador da ETH Participações – no cenário imaginado pela r. autoridade fiscal, qual seja, compra direta das ações da Usina Eldorado – não procedesse a um rearranjo societário com sua investida com vistas à amortização fiscal do ágio em análise, estaria ele agindo em franco descumprimento dos deveres de diligência ínsitos à sua posição, na esteira dos arts. 153 e 154 da Lei das S/A, que rezam, verbis: Art. 153. O administrador da companhia deve empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios. Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. Frisese que é a própria lei que estabelece que o ágio com lastro em rentabilidade futura pode ser amortizado fiscalmente SE, E SOMENTE SE, ocorrer uma das hipóteses a que se refere o art. 386 do RIR/99. Destarte, é óbvio que a boa gestão da ETH Participações envolveria inequivocamente a prática dos atos societários a que alude o citado dispositivo com vistas ao aproveitamento das vultosas cifras pagas aos antigos controladores que sobejavam o patrimônio líquido da investida. Ainda que não se considere que a norma que emerge da conjugação dos arts. 385 e 386 do RIR/99 efetivamente induza os agentes econômicos a materializarem os atos que ativam a fruição do “benefício fiscal” em referência, revelase desconectada de qualquer racionalidade econômica uma reconstrução de eventos que não encerre tais atos quando eles podem facilmente ser praticados e quando eles se constituem em condição ao gozo da benesse fiscal. Ou seja, na reconstrução dos negócios jurídicos empreendida, observase claramente que a r. autoridade autuante parou um passo antes do que ordinariamente seria de se esperar, e, ao que tudo indica, essa reconstrução parcial do que ocorreria Fl. 1851DF CARF MF 26 normalmente foi assim parcial apenas para que a autoridade fiscal atingisse o seu desiderato de provar que o ágio em destaque não seria amortizável. Caso a ETH Participações tivesse adquirido as ações da Recorrente e, posteriormente, tivesse procedido à cisão seguida de incorporação a que se referiu o contribuinte no excerto de seu Recurso Voluntário supratranscrito, é inegável que a amortização da mais valia ocorreria basicamente nos mesmos moldes daquela que teve lugar após a incorporação da Nova Boipeba pela ora Recorrente, o que revela que a conclusão a que chegou a r. autoridade fiscal é inconsistente com as próprias premissas que adota. (...) Importante salientar que, de acordo com informação trazida pelo sujeito passivo unicamente em seu Recurso Voluntário, a ETH Participações efetivamente foi extinta em 2009, através de cisão, sendo que essa fração do seu acervo foi incorporada na Recorrente. Essa alegação do contribuinte repousa à fl. 1290 dos autos, sendo que os documentos a comprovar o alegado constam das fls. 1311 e seguintes. Mister apontar, ademais, a completa infelicidade da r. decisão recorrida – da qual não se extrai nada de aproveitável – ao fazer as seguintes assertivas, litteris: Além das dificuldades operacionais apontadas, o ponto crucial é que, na aquisição da Usina Eldorado por ETH e posterior cisão parcial desta, a nova empresa, originada da cisão, não poderia amortizar o ágio, uma vez o destaque de o patrimônio ser o da já empresa adquirida. Além disso, ela não seria a adquirente original e, dessa forma, não poderia cogitar de ágio, uma vez não ter efetuado pagamento algum. (fl. 1246) Penso despiciendo tecer maiores considerações sobre a erronia das afirmações, sendo certo que o ágio deve acompanhar o investimento cuja aquisição determinou seu surgimento e que a assertiva de que o ágio não seria aproveitável pelo fato de a sociedade resultante não ter efetuado pagamento significaria, ao fim e ao cabo, a completa impossibilidade de amortização fiscal de ágio em se tratando de incorporação às avessas, o que obviamente fere de morte o texto de lei. Por todo o exposto, mostrase completamente descabida a glosa da amortização do ágio levada a efeito pela r. autoridade autuante, razão pela qual acolho o Recurso Voluntário para cancelar as exigências de que aqui se cuida. A mesma sorte devem ter as glosas dos juros e da variação cambial passiva atinentes à parcela do mútuo de US$ 100.000.000,00 que foi utilizada para a aquisição das ações da ora Recorrente. A glosa aqui discutida é maculada em sua essência. Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 13161.720888/201241 Acórdão n.º 1201002.465 S1C2T1 Fl. 1.038 27 Com efeito, os valores objetos de glosa correspondem às despesas de juros e variação cambial passiva relacionados ao mútuo contraído pela Nova Boipeba de US$ 100.000.000,00; mais especificamente, a glosa recaiu sobre os juros e variação passiva correspondentes à fração do empréstimo (48,53%) que efetivamente foi utilizada na aquisição das ações da ora Recorrente. Já se disse nesse voto que o fato de a Odebrecht S/A – controladora indireta da ETH Participações – ter afiançado o empréstimo tomado pela Nova Boibepa não permite a ilação precipitada da r. autoridade fiscal no sentido de que a Odebrecht seria a verdadeira mutuária. Ora, a instituição financeira, obviamente após uma análise de crédito, houve por bem emprestar valores à entidade Nova Boipeba, sendo que o fato de a sua controladora indireta constar como garante dessa avença não é suficiente para que a personalidade jurídica do tomador seja desconsiderada, não dando o necessário suporte à especulação de que fiador e afiançado correspondam a uma única sociedade. Após a incorporação às avessas, a ora Recorrente naturalmente absorveu todo o patrimônio da Nova Boipeba, que foi extinta nesse mesmo ato societário, assumindo consequentemente todo o passivo da incorporada, que também era composto do mútuo em destaque. Assim sendo, tendo em vista que a Recorrente não contraiu pessoalmente a obrigação a que se ligam os juros e a variação cambial em destaque, é certo que o exame acerca da dedutibilidade dessas despesas apenas deve gravitar em torno da origem dessa obrigação, é dizer, devese perquirir se a despesa era dedutível na sucedida. De fato, observase que, in casu, a sucessora realmente teve que fazer face aos juros atinentes a mútuo que não contraiu, tratase de passivo formado por negócio jurídico entabulado pela sucedida. Se o negócio jurídico de que derivam os deveres de pagar juros foi firmado pela sucedida, pretender que sejam tais despesas necessárias, úteis ou usuais para a sucessora acaba por revelar critério absurdo e perverso, a sociedade resultante é assume o patrimônio da incorporada a título universal nos termos da lei. Uma breve incursão pela situação inversa – qual seja, se a sucessora tivesse assumido um mútuo ativo gerador de receitas financeiras – prestase a elucidar a questão. Poderia, nessa hipótese, a sociedade resultante simplesmente deixar computar tais juros ativos em seu resultado pelo simples fato de que não foi ela que firmou o negócio jurídico do empréstimo? A resposta é obviamente negativa, sendo certo que o sujeito passivo imaginado não poderia lançar mão desse Fl. 1853DF CARF MF 28 argumento para fulminar uma autuação por omissão de ditas receitas. In casu, o empréstimo foi inquestionavelmente necessário para o fiel cumprimento dos propósitos da Nova Boipeba, e não há dúvidas de que a própria autoridade autuante jamais questionou a imprescindibilidade desse financiamento para a consecução da aquisição da participação societária da ora Recorrente. Salientese que é completamente equivocada a afirmação de que os recursos necessários para a aquisição da investida (Usina) são de responsabilidade da investidora que é a ETH. Realmente, a ETH Participações não é nem mutuária e nem fiadora do empréstimo de que aqui se cuida, posições essas assumidas respectivamente pela Nova Boibepa – sucedida pela Recorrente – e pela Odebrecht S/A. Destarte, tendo em vista que indubitavelmente não participou dessa avença, não se consegue vislumbrar como poderia a ETH Participações responder, tributária ou civilmente, por tal negócio jurídico, o que apenas vem a corroborar o que restou dito nas linhas anteriores. (fls. 1.418 a 1.431) Isto posto, voto pelo conhecimento e DOU PROVIMENTO integral ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 1854DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.721045/2017-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2014
DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO
Cabe revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria.
DAS ÁREAS AMBIENTAIS
Lastreado em provas documentais hábeis, cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal e acatar uma área coberta por florestas nativas resultante do somatório dessa área declarada com a área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural.
Numero da decisão: 2201-004.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2014 DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO Cabe revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS Lastreado em provas documentais hábeis, cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal e acatar uma área coberta por florestas nativas resultante do somatório dessa área declarada com a área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2014 DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO Cabe revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS Lastreado em provas documentais hábeis, cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal e acatar uma área coberta por florestas nativas resultante do somatório dessa área declarada com a área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 10 45 /2 01 7- 71 Fl. 316DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso de Ofício, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), de fls. 297/308, a qual julgou procedente a impugnação decorrente do lançamento de Imposto Territorial Rural ITR, exercício de 2013, acrescido de multa lançada e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado "Fazenda Santa Rita", cadastrado na RFB sob o nº 0.642.2926, com área declarada de 12.692,8ha, localizado no Município de João Pinheiro /MG. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 13.231.998,15 (treza milhões, duzentos e trinta e um mil, novecentos e noventa e oito reais e quinze centavos), já incluídos os juros e a multa. Ante a clareza do Relatório constante da decisão proferida pela DRJ, transcrevo: A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão da DITR/2013 incidentes em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal nº 06113/00018/2016 de fls. 08/12, para o contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Ato Declaratório Ambiental (ADA) protocolado dentro de prazo legal junto ao IBAMA, nos termos do art. 10, § 3º, inciso I, do Decreto nº 4.382/2002; 2º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) registrada no CREA, detalhando a localização e a dimensão do imóvel e das áreas de preservação permanente declaradas, previstas nos termos dos artigos 4º e 5º da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, por coordenadas geográficas, com ao menos um ponto de amarração georreferenciado do perímetro do imóvel; 3º Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 6º da Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012; 4º Certidão do registro de imóveis, com a averbação da área de reserva legal; 5º Termo de Responsabilidade/Compromisso de Averbação da Reserva Legal ou Termo de Ajustamento de Conduta da Reserva Legal, acompanhado de certidão emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis comprovando que o imóvel não possui matrícula no registro imobiliário. 6º documentos, tais como Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo/florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, que Fl. 317DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 317 3 comprovem as áreas de florestas nativas declaradas, identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos do inciso II, “e”, do § 1º, art. 10 da Lei nº 9.393/1996, que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente georreferenciadas ao sistema geodésico brasileiro. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 13, acompanhada dos documentos de fls. 14/30, requerendo a prorrogação do prazo por mais 10 dias, até o dia 14.07.2016. O contribuinte apresentou as correspondências, às fls. 34 e 38, acompanhadas dos documentos de fls. 39/41, requerendo a prorrogação do prazo, por mais 10 dias, ou seja, até 25.07.2016. Por meio de correspondência, às fls. 56, recebida pela fiscalização em 27.07.2016, o contribuinte requereu a prorrogação de prazo por mais 15 dias, até 09.08.2016, e juntando aos autos os documentos de fls. 58/59. Na data solicitada anteriormente, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 64 e 74, acompanhadas dos documentos de fls. 66/78 e 80/95, requerendo a concessão de prazo até o dia 24.08.2016. O contribuinte apresentou a correspondência, às fls. 50, em 24.08.2016, às fls. 52, requerendo a prorrogação do prazo, por mais 20 dias, ou seja, até 13.09.2016. Em 13.09.2016, às fls. 46, o contribuinte apresentou a correspondência de fls. 44, requerendo a prorrogação de prazo para a entrega dos Laudos solicitados. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes na DITR/2013, a fiscalização resolveu glosar as áreas de preservação permanente de 3.508,0 ha, de reserva legal de 3.104,8 ha, de interesse ecológico de 336,5 ha e coberta por florestas nativas de 1.988,8 ha, com consequente redução do Grau de Utilização (GU) de 97,6% para 26,5% e aumentos do VTN tributável e da alíquota aplicada de 0,45% para 20,00%, e disto resultando imposto suplementar de R$6.014.544,62, conforme demonstrado às fls. 06. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 03/05 e 07. Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento, em 07.08.2017 (fls. 96), apresentou, em 06.09.2017 (fl. 98), impugnação de fls. 101/133, alegando em síntese: Fl. 318DF CARF MF 4 menciona que, independentemente da área de atuação, o Grupo Votorantim sempre pautou suas atividades e desenvolvimento com atenção e cuidado com o meio ambiente e o uso sustentável, sendo pioneiro no estabelecimento de rígidos princípios e valores corporativos e em inúmeros projetos de preservação ambiental; destaca que o Grupo Votorantim detém a maior reserva de mata atlântica do país, com 31 mil hectares protegidos, tendo criado importante e pioneiro projeto denominado Legado das Águas, que proporciona o uso sustentável da floresta e dos recursos ecossistêmicos, proporcionando conhecimento por meio de pesquisas científicas e promovendo o desenvolvimento das comunidades locais; informa que o imóvel é composto pelas matrículas 11.560, 11.561, 11.562 e 13.395, do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de João Pinheiro (doc. 03); registra que, não obstante constar no complemento da descrição dos fatos informação sobre um arbitramento do VTN, o demonstrativo de apuração do imposto devido não tem nenhuma referência a tal arbitramento, de modo que entende que essa menção foi efetuada equivocadamente; afirma que faz jus à isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente, de reserva legal, de interesse ecológico e de florestas nativas declaradas, motivo pelo qual é necessário o acolhimento da impugnação para julgar improcedente o lançamento; ressalta que, desde já, que não instruiu a defesa com todos os documentos técnicos que comprovam as áreas declaradas na DITR/2013, o que será feito oportunamente e antes da Decisão ser proferida pela DRJ, visto que o prazo de 30 dias se mostrou exíguo para a conclusão das análises e estudos técnicos necessários à comprovação das referidas áreas; cita a legislação referente ao ITR (Lei nº 9.393/1996, Decreto nº 4.382/2002 e IN/SRF nº 256/2002) e transcreve o art. 10 da Lei nº 9.393/1996, para resumir que o ITR é apurado por meio da aplicação da alíquota sobre a área tributável do imóvel rural, que é resultado da subtração da área total do imóvel rural por determinadas áreas não tributáveis, como, por exemplo, a área de preservação permanente, cuja definição está estabelecida no artigo 4º da Lei nº 12.651/2012; observa que a legislação tributária permite a exclusão de determinadas áreas no cômputo da área tributável do imóvel para fins de apuração do ITR com o objetivo de incentivar e permitir a criação e manutenção de áreas ambientais, em respeito à política do meio ambiente e de uso sustentável dos recursos naturais, temas extremamente importantes e atuais e, desse modo, a cobrança do ITR sobre essas áreas que são preservadas é contrária à política em favor do meio ambiente; considera que mesmo que o contribuinte venha a falhar na difícil missão de observar todas as regras acessórias para comprovação das áreas ambientais, não se pode ignorar a verdade material dos fatos, de modo a equivocadamente se Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 318 5 prestigiar a forma sobre o conteúdo, sob pena de negar a efetiva vigência da norma fiscal; registra que, mesmo que não tenha atendido ao pedido da fiscalização da melhor forma possível, notase que outros documentos apresentados e que ainda serão trazidos aos autos, comprovam a existência das áreas ambientais declaradas, motivo pelo qual não deve prosperar o lançamento lavrado com base em sua completa desconsideração; ressalta ser importante fixar a premissa de que a apreciação dos elementos que comprovam as áreas isentas do ITR não pode ser pautada pela formalidade legal, mas pelo conteúdo e racional de todos os elementos de prova já apresentados e que ainda o serão antes da Decisão da DRJ, haja vista o primado do princípio da verdade material; o princípio da verdade material, que dentre suas vertentes, leva ao entendimento de que a forma não pode se sobrepor ao conteúdo, inclusive admitindo que os processos administrativos de exigência e apuração do crédito tributário sejam convertidos em diligência, para real investigação dos fatos, tem como finalidade última resguardar a legalidade da Administração Tributária; considera que o entendimento da Doutrina, das DRJ e do CARF privilegiam o conteúdo em detrimento a forma, em linha com o princípio da verdade material, transcrevendo excertos doutrinários e de Decisões Administrativas, para embasar sua tese e, assim, requer que a análise do feito seja baseada na busca da verdade material, sobrepondo o conteúdo em detrimento de formalidades previstas na legislação; contesta a desconsideração das áreas declaradas de preservação permanente, de reserva legal, de interesse ecológico e de florestas nativas, não obstante a apresentação do ADA/2013 (doc. 04), o qual foi tempestivamente registrado no IBAMA; destaca que o trabalho da fiscalização limitouse a uma mera intimação para fornecer inúmeros documentos em prazo exíguo, não realizando nenhuma diligência, vistoria ou outra forma de análise, para apuração da veracidade das informações declaradas; diz que, por lapsos, infelizmente, não conseguiu atender a contento as solicitações da fiscalização, o que, por si só, não pode representar elemento suficiente para embasar o lançamento, ainda mais na astronômica quantia cobrada; enfatiza que o ADA, que indica exatamente as áreas ambientais declaradas, configura elemento de presunção da veracidade da informação, pois, em caso de questionamento da fiscalização, cabe a ela reunir os elementos ou, ao menos, os indícios que levaram à desconsideração dos dados declarados, sob pena de tornar inútil o próprio ADA; Fl. 320DF CARF MF 6 considera que não compete à RFB desconsiderar as informações do ADA, sob pena de usurpar a competência do IBAMA, em conformidade com o disposto no art. 9° da IN/IBAMA n° 05/2009, transcrevendoo, pois, compete apenas a ele averiguar a regularidade das informações do ADA, ressaltando que o IBAMA jamais questionou a regularidade das informações do ADA no que concerne as áreas ambientais declaradas; apresenta mapas geográficos do imóvel (doc. 05), que mostram as áreas de preservação permanente contidas na propriedade e tais mapas, no mínimo, demonstram o descuido e a falta de zelo que culminou na lavratura da Notificação de Lançamento, uma vez que o lançamento não reconheceu nenhuma área de preservação permanente, o que evidencia a ausência de adoção de medidas para a real apuração dos fatos no caso concreto e, por conseguinte, a sua completa improcedência; protesta pela posterior juntada de outros documentos, em especial o Laudo Técnico, que comprovará as áreas ambientais, com o objetivo de afastar qualquer dúvida sobre a exatidão das informações declaradas, não obstante já tenha apresentado o ADA e o mapa geográfico do imóvel, que já apontam para a improcedência da autuação; considera que, em relação à reserva legal, apresentou as Certidões das matrículas nº 11.560, 11.561, 11.562 e 13.395, que compõem o imóvel (doc. 03), onde se verifica a sua averbação, conforme exigências do RITR/02 e da IN/SRF 256/02 e, além disso,os mapas geográficos do imóvel (doc. 05), também, demonstram a existência da área de reserva legal; destaca que o CARF reiteradamente decidiu que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel dispensa, inclusive, a apresentação do ADA, sendo medida suficiente para assegurar a não tributação da área, observando que a averbação foi realizada em 23.01.1989, data muito anterior ao fato gerador do ITR/2013; menciona que, com o objetivo de afastar qualquer dúvida ou questionamento sobre a exatidão das informações da DITR, protesta pela posterior juntada aos autos do Laudo Técnico que comprovará a área declarada como de reserva legal; registra que, no caso da área de interesse ecológico, o art. 10, § 1º, II, “b” e “c”, da Lei nº 9.393/96 estabelece que ela deverá ser declarada por ato do órgão público competente e, desse modo, protesta pela posterior juntada desse documento, pois não foi possível apresentálo no exíguo prazo legal para a impugnação e, assim, com a apresentação do ato do Poder Público competente e do ADA, resta inquestionavelmente comprovada a área declarada como de interesse ecológico, não havendo razões para manutenção do lançamento; observa que a fiscalização deveria ter adotado outras medidas para apurar a exatidão das informações da DITR e no ADA/2013, como a vistoria in loco, novas intimações e etc. e, assim não procedendo, o lançamento carece dos fundamentos Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 319 7 mínimos para ter sua validade confirmada, sendo imprescindível reconhecer sua improcedência; destaca que a apresentação “intempestiva” do Laudo não pode servir de fundamento para manutenção do improcedente lançamento, sob pena de ferir os princípios da legalidade e da verdade material, inclusive como reconhece a jurisprudência do CARF; pelo exposto, requer o provimento da impugnação, para julgar integralmente improcedente o lançamento; alternativamente, requer seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de apurar as áreas do imóvel isentas do ITR, com o consequente recálculo do imposto, considerando a área tributária e o correto GU e alíquota; protesta pela posterior juntada aos autos dos documentos comprobatórios das áreas ambientais, nomeadamente o Laudo Técnico, que comprovará a existência das áreas declaradas como não tributáveis, sem prejuízo de outros elementos materiais para o deslinde da questão, de modo a demonstrar irrefutavelmente a improcedência do lançamento, tendo em vista a impossibilidade de apresentálo no curto prazo para a apresentação da impugnação. Em 21.11.2017, às fls. 193, o contribuinte apresenta impugnação complementar, às fls. 195/216, para juntar o Laudo Técnico das Áreas Ambientais, às fls. 217/296, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: informa que o Laudo Técnico foi elaborado considerando os documentos e informações relativas ao exercício de 2013, de modo a atestar a realidade fática do imóvel, independentemente das informações declaradas ou consideradas pela Notificação de Lançamento; salienta que o Laudo Técnico é o instrumento hábil e competente para comprovar a existência das áreas ambientais do imóvel, juntamente com todos os documentos comprobatórios a ele acostados, evidenciando a necessidade de cancelamento da Notificação de Lançamento; destaca que o Laudo Técnico concluiu que a área ambiental efetivamente existente na Fazenda Santa Rita foi declarada a menor na DITR/2013, resultando, ao contrário do que afirma a Notificação de Lançamento, no pagamento a maior do ITR; ressalta que o Laudo Técnico não pôde ser apresentado no momento do oferecimento da impugnação, pois estava em processo de elaboração, com a devida análise dos documentos e informações referentes ao imóvel, o que não pôde ser concluído no exíguo prazo de 30 dias para Fl. 322DF CARF MF 8 protocolo da defesa e, assim, a apresentação do Laudo Técnico nessa oportunidade encontra amparo no art. 16, § 4º, “a”, do Decreto nº 70.235/1972; observa que, ainda que se entenda que a apresentação do Laudo Técnico não está amparada pelo referido dispositivo, o que se admite para fins argumentativos, a orientação reiterada do CARF, inclusive da CSRF, no sentido de aceitar provas apresentadas até mesmo no momento do acesso recursal em respeito à primazia da verdade material; enfatiza que a cobrança do ITR pretendida sobre áreas ambientais que são preservadas pelos contribuintes vai na contramão de todo o ideal e política em favor do meio ambiente e diz que, ainda que o contribuinte venha a falhar na difícil missão de observar todas as regras acessórias para comprovação das áreas ambientais, não se pode ignorar a verdade material dos fatos atestada pelo Laudo Técnico, de modo a, equivocadamente, prestigiar a forma sobre o conteúdo, sob pena de negar a efetiva vigência da norma fiscal; ressalta a inafastável premissa de que a apreciação dos elementos que comprovam as áreas isentas do ITR não pode ser pautada pela formalidade legal, mas pelo conteúdo e racional de todos os elementos de prova apresentados, haja vista o primado do princípio da verdade material; esclarece que declarou área de preservação permanente de 3.508,0 ha, que foi desconsiderada, resultando no acréscimo da área tributável, na majoração da alíquota aplicável e, por fim, na apuração de suposto saldo complementar do ITR; informa que no ADA/2013, registrado tempestivamente junto ao IBAMA, declarou a mesma área de preservação permanente; observa que, como mencionado na impugnação, não compete a RFB desconsiderar as informações constantes no ADA, sob pena de usurpar a competência atribuída ao IBAMA, transcrevendo o art. 9° da IN/IBAMA n° 05/2009, para embasar sua tese; entende que, compete apenas ao IBAMA averiguar a regularidade das informações constantes no ADA, ressaltando que o IBAMA jamais questionou a regularidade das informações objeto do ADA no que concerne às áreas de (i) preservação permanente, (ii) reserva legal, (iii) interesse ecológico e (iv) floresta nativa; menciona que nos Processos Administrativos nº 13609.720504/201707 e 13609.720505/201743, formalizados Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 320 9 contra ela, anos de 2013 e 2014, pela desconsideração das áreas ambientais da Fazenda Santa Cecília, a DRJ reconheceu as áreas declaradas como de preservação permanente, vez que (i) constante no ADA tempestivamente apresentado ao IBAMA e (ii) comprovado pelo Mapa acostado aos autos, transcrevendo excerto do Acórdão nº 03076.566 do Processo nº 13609.720504/201707; considera que, em que pesem as informações declaradas, as quais são passíveis de reconhecimento pela DRJ, como evidenciado em caso análogo, o Laudo Técnico apurou que a APP representa, na realidade, 3.557,4 ha, esclarecendo que a informação do Laudo tem base no Georreferenciamento realizado no imóvel, o qual apurou com maior exatidão a área total do imóvel, suas áreas internas e seus respectivos limites; ressaltar que essa pequena diferença positiva apurada pelo Laudo Técnico a título de área de preservação permanente é constituída de vegetação nativa típica do Bioma Cerrado, enquadrandose também no conceito de áreas cobertas por florestas nativas, para fins de exclusão do cálculo do ITR e, assim, o nãocômputo da área 3.557,4 ha de preservação permanente na apuração do ITR é medida que se impõe; registra que declarou uma área de reserva de legal de 3.104,8 ha, tendo a Fiscalização desconsiderado tal informação, alegando a falta de comprovação, contudo, apresentou o ADA no qual consta a mesma área declarada na DITR e, também, apresentou as certidões das matrículas nº 11.560, 11.561, 11.562 e 13.395 do imóvel e nelas é possível verificar a averbação dessas áreas, conforme as exigências do RITR/02 e da IN/SRF nº 256/02; diz que a Lei n° 6.015/73, que dispõe sobre os Registros Públicos, estabelece a presunção de que todos os atos são de conhecimento geral ou, ao menos, estão disponíveis para acesso, pois o art. 17 dispõe que “qualquer pessoa pode requerer certidão do registro sem informar ao oficial ou ao funcionário o motivo ou interesse do pedido.”; registra que o Laudo Técnico apurou que toda a área declarada como reserva legal está devidamente averbada nas matrículas do imóvel, conforme atestam os registros AV.2 da matrícula 11.560, AV.2 da matrícula 11.561, AV.4 da matrícula 11.562 e AV.2 da matrícula 13.395, todas anteriores ao exercício de 2013 e, desse modo, o imóvel deve ter reconhecida como reserva legal a área declarada de 3.104,8 ha, que está averbada; destaca que o CARF reiteradamente decidiu que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel rural dispensa, inclusive, a apresentação do ADA, sendo medida suficiente para assegurar a não tributação da área; observa que as averbações levadas em consideração pelo Laudo Técnico foram efetivadas antes de 2013, pelo que estavam plenamente regulares para a DITR/2013 e, desse modo, toda a Fl. 324DF CARF MF 10 área de 3.104,8 ha declarada na DITR/2013 está averbada e, portanto, deve ser reconhecida para fins de exclusão do ITR; esclarece que declarou na DITR a área de interesse ecológico de 336,5ha, que também foi desconsiderada sob a mesma alegação de falta de comprovação da respectiva área, informando que essa área encontrase em consonância com o ADA/2013, entregue tempestivamente ao IBAMA e entregue após ser intimada do procedimento fiscal, contudo, em que pesem as informações declaradas na DITR/2013, o Laudo Técnico concluiu que essa área de 336,5 ha foi equivocadamente classificada como de interesse ecológico; diz que o Laudo Técnico verificou que, na realidade, tal área referese a uma área de compensação, contudo, o processo de lavratura do Termo de Responsabilidade não foi finalizado e, por consequência, a averbação na matrícula não foi levada a efeito, de modo que essa área não pode ser considerada como reserva legal ou de interesse ecológico; destaca que o Laudo Técnico apurou que essa área é coberta por florestas nativas primária e secundária de vegetação típica do Bioma Cerrado, em consonância com o artigo 10, § 1º, II, “e”, da Lei nº 9.393/1996, concluindo, portanto, que a área de 336,5 ha deve ser considerada como coberta por floresta nativa, sendo isenta do ITR/2013; comenta que a Fiscalização desconsiderou a área de florestas nativas declarada de 1.988,8 ha, utilizandose do mesmo argumento de falta de apresentação de documentos comprobatórios, contudo, já havia apresentado o ADA/2013, entregue tempestivamente ao IBAMA, no qual consta a mesma informação da DITR; menciona que nos Processos Administrativos nº 13609.720504/201707 e 13609.720505/201743, formalizados contra ela, para cobrança de ITR dos anos de 2013 e 2014, pela desconsideração das áreas ambientais da Fazenda Santa Cecília, a DRJ reconheceu as áreas declaradas como cobertas por floretas nativas, vez que (i) constante no ADA tempestivamente apresentado ao IBAMA e (ii) comprovado pelo Mapa acostado aos autos, transcrevendo excerto do Acórdão nº 03076.566 do Processo nº 13609.720504/201707; considera que o Laudo Técnico concluiu pelo acréscimo da área coberta por florestas nativas de 1.988,8 ha para 2.356,2 ha, pela reclassificação de áreas antes declaradas como de reserva legal (averbada após o exercício de 2013) e de interesse ecológico; registra que o Laudo Técnico demonstrou e comprovou que as áreas acrescidas são cobertas por florestas nativas primária e secundária com vegetação típica do Bioma Cerrado, em consonância com o artigo 10, § 1º, II, “e”, da Lei nº 9.393/1996 e, por isso, tais áreas não são utilizadas para suas atividades industriais e comerciais, devendo ser reconhecido o cumprimento dos requisitos para seu reconhecimento como áreas cobertas por florestas nativas e, portanto, não sujeitas ao ITR; Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 321 11 destaca que a apresentação “intempestiva” do Laudo não pode fundamentar a manutenção do improcedente lançamento, sob pena de ferir os princípios da legalidade e da verdade material, inclusive como reconhece a jurisprudência do CARF; conclui que, comprovada a existência de área coberta por florestas nativas de 2.356,2 ha, é necessário o seu reconhecimento com o cancelamento do lançamento; pelo exposto, requer a recepção e análise do Laudo Técnico das Áreas Ambientais de 2013, acostado aos autos, que conduz ao provimento da impugnação e, por consequência, ao julgamento de improcedência do lançamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou procedente a impugnação, cancelandose o crédito tributário, conforme ementa abaixo (fls. 296): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2013 DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser realizada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS Com base em provas documentais hábeis, cabe restabelecer as áreas de preservação permanente e de reserva legal e acatar uma área coberta por florestas nativas resultante do somatório dessa área declarada com a área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico, para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Do Recurso de Ofício A Fazenda recorreu de ofício. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Fl. 326DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O presente recurso de ofício não merece prosperar, tendo em vista que a decisão recorrida está pautada nas fartas provas trazidas aos autos e que foram decisivas para fosse dado provimento à impugnação do contribuinte. Diante do caráter didático da decisão, passo a transcrever trechos que demonstram as razões pelas quais a pretensão fazendária não merece prosperar. Não obstante a autuação referirse à glosa das áreas declaradas de preservação permanente de 3.508,0 ha, de reserva legal de 3.104,8 ha, de interesse ecológico de 336,5 ha e coberta por florestas nativas de 1.988,8 ha, o requerente, aventando a ocorrência de erro de fato nos dados informados na correspondente DITR/2013, pretende que sejam acatadas as áreas ambientais informadas no Laudo Técnico – Áreas Ambientais 2013, às fls. 217/294, elaborado por Engenheiro Agrônomo, com ART registrada no CREA, às fls. 295/296, que informa que a área declarada como sendo de interesse ecológico seria uma área coberta por florestas nativas. Apesar da hipótese de erro de fato somente ter sido arguida pelo contribuinte na fase de impugnação, portanto, após a materialização do procedimento de ofício, cabe a mesma ser analisada, observandose aspectos de ordem legal. Caso fosse negada essa oportunidade ao contribuinte, estaria sendo ignorado um dos princípios fundamentais do Sistema Tributário Nacional, qual seja, o da estrita legalidade e, como decorrência, o da verdade material. Porém, na hipótese levantada, o lançamento regularmente impugnado somente poderá ser alterado, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, em caso de evidente erro de fato, devidamente comprovado por meio de provas documentais hábeis e idôneas. Pois bem, no caso do pedido de acatamento de áreas não tributáveis, cabe observar que, com base na legislação de regência das matérias, exigese o cumprimento de uma obrigação para fins de acatar a exclusão de qualquer uma delas da incidência do ITR, que consiste na informação dessas áreas no Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado tempestivamente no IBAMA, que é uma exigência, de caráter genérico, para a exclusão de qualquer área nãotributável e, também, que a eventual área de reserva legal esteja averbada tempestivamente à margem da matrícula do imóvel, no cartório competente, que é uma exigência específica para essa área. Quanto à exigência relativa ao ADA, de caráter genérico, pois se aplica a qualquer área ambiental, seja de preservação permanente, coberta por florestas nativas ou de utilização limitada (RPPN, Servidão Florestal, Área Imprestável/Declarada como de Interesse Ecológico e Reserva Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 322 13 Legal), ela está prevista na IN/SRF nº 256/2002 (aplicada ao ITR/2002 e subsequentes) e no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei nº 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. Para o exercício de 2013, o prazo expirou em 30.09.2013, data final para a entrega da DITR/2013, de acordo com a IN/RFB nº 1.380/2013 c/c a IN/IBAMA nº 05/2009. No presente caso, o requerente acostou aos autos o ADA – Exercício 2013, às fls. 172, protocolado no IBAMA, em 27.09.2013, contemplando as áreas ambientais declaradas, de preservação permanente de 3.508,0 ha, de reserva legal de 3.104,8 ha, de interesse ecológico de 336,5 ha e coberta por florestas nativas de 1.988,8 ha, conforme declarado na DITR/2013, sendo essa providência tempestiva para o exercício em questão. No que se refere à área de reserva legal, faziase necessário comprovar nos autos, também, a sua averbação, em tempo hábil, à margem da matrícula do imóvel. A exigência específica de que a área de reserva legal esteja averbada à margem da matrícula do imóvel, encontravase prevista no art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771/1965 (até o exercício 2012) e, para exercícios posteriores, como é o caso do exercício 2013, nos artigos 18, 29 e 30 da Lei nº 12.651/2013; art. 11, § 1º, da IN/SRF nº 256/2002 e art. 12, § 1º do Decreto nº 4.382/2002 – RITR. Ressaltese que a averbação deve ser realizada até 01.01.2013 (data do fato gerador do ITR/2013, art. 1º da Lei nº 9.393/1996). Para comprovar o cumprimento dessa exigência, o interessado instruiu a sua defesa com as Certidões das Matrículas nº 11.560, 11.561, 11.562 e 13.395, que compõem o imóvel, às fls. 157/170, do Cartório de Registro de Imóveis. Constatase nos autos, que uma área de reserva legal de 1.430,0 ha, às fls. 157/158, foi averbada em 25.10.1993, junto à matrícula nº 11.560; que uma área de reserva legal de 1.223,0 ha, às fls. 160, foi averbada em 23.01.1989, junto à matrícula nº 11.561; que uma área de reserva legal de 415,6 ha, às fls. 166/167, foi averbada em 04.10.2007, junto à matrícula nº 11.562 e que uma área de reserva legal de 36,2 ha, às fls. 169/170, foi averbada em 04.10.2007, junto à matrícula nº 13.395, sendo tais providências tempestivas para o exercício em questão, para uma área total de reserva legal de 3.104,8 ha (1.430,0 ha + 1.223,0 ha + 415,6 ha + 36,2 ha), sendo tais providências tempestivas para o exercício 2013. Considerando que há áreas ambientais informadas no ADA/2013, áreas de reserva legal averbadas tempestivamente à margem da matrícula do imóvel e áreas constantes no citado Laudo, para as áreas ambientais no ano de 2013, Fl. 328DF CARF MF 14 especificamente às fls. 244, cabe apresentar quadro comparativo com essas informações, para a análise da hipótese de erro de fato na DITR suscitada pelo impugnante, como se segue: Da análise dos dados sintetizados no quadro anterior e da documentação constante nos autos e considerando que o Laudo Técnico, elaborado por profissional legalmente habilitado, foi apresentado com a finalidade de corrigir o erro de fato suscitado e que, além disso, há exigências legais para a exclusão de áreas ambientais da área tributável do ITR e em obediência ao disposto no art. 145, I, do CTN, concluise por acatar: uma área de preservação permanente de 3.508,0 ha, constante no ADA e contida no Laudo; uma área de reserva legal de 3.104,8 ha – averbada à margem da matrícula do imóvel e informada no ADA e Laudo e uma área coberta por florestas nativas de 3.325,3 ha (1.988,8 ha + 336,5 ha) – caracterizada no Laudo e informada no ADA como coberta por florestas nativas (1.988,8 ha) e de interesse ecológico (336,5 ha), totalizando uma área ambiental no imóvel de 8.938,1 ha, conforme consta na DITR/2013 e no ADA/2013. Salientese que, por ter sido comprovada a ocorrência de erro de fato na DITR/2013, em relação à área anteriormente declarada como sendo de interesse ecológico de 336,5 ha e caracterizada no Laudo Técnico como sendo área coberta por florestas nativas, não se fez necessária o cumprimento da exigência específica para reconhecimento de uma área de interesse ecológico, que consiste na apresentação de Ato específico do órgão ambiental competente, atestando qual a área do imóvel, devidamente caracterizada e dimensionada, é considerada de interesse ambiental para proteção do referido ecossistema, nos termos do art. 10, § 1º, II, “b” e “c”, da Lei nº 9.393/96. Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgada procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado na Notificação nº 06113/00018/2017 de fls. 02/07, relativa ao exercício de 2013, para restabelecer as áreas declaradas de preservação permanente de 3.508,0 ha e de reserva legal de 3.104,8 ha e acatar uma área coberta por florestas nativas de 2.325,3 ha, resultante do somatório das Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13609.721045/201771 Acórdão n.º 2201004.746 S2C2T1 Fl. 323 15 áreas declaradas anteriormente de interesse ecológico e coberta por florestas nativas, comprovadas com documentação hábil, no exercício de 2013, desconsiderandose a exigência. Sendo assim, correta a decisão recorrida, devendo ser cancelado o crédito tributário objeto do presente PAF. Conclusão Diante do exposto, conheço do presente recurso de ofício e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 330DF CARF MF
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