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Numero do processo: 19515.722465/2012-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 1402-001.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 24 65 /2 01 2- 95 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Relatório D&P PRIME TECNOLOGIA EM SERVIÇOS DE MÃODEOBRA EMPRESARIAL LTDA ME, contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 03.791.982/000175, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Rua Doze de Outubro, Bairro Lapa, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 362/378, prolatada pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 393/405. Contra o contribuinte, acima identificado, foram lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo SP, em 21/11/2012, os Autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de (fls. 239/286), com ciência pessoal, em 26/11/2012 (fl. 239), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.214.413,95, a título de tributos e contribuições, acrescidos de multa de oficio qualificada de 150% e juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições, referente ao exercício de 2009, correspondente ao anocalendário de 2008. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente ao exercício de 2009, onde a auditora fiscal entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 OMISSÃO DE RECEITA DA ATIVIDADE RECEITA BRUTA MENSAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS: Enquadramento legal art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995 e art. 537 do RIR/99; 2 OMISSÃO DE RECEITAS RECEITA FINANCEIRA OMITIDA: Art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995 e arts. 536 e 537 do RIR/99. O arbitramento do lucro por períodos trimestrais (03/2008; 06/2008; 09/2008 e 12/2008) ocorreu tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas descritos no Termo de Verificação Fiscal. Enquadramento legal, conforme o art. 530, inciso II, do RIR/1999. A Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal (fls.289/294), entre outros, os seguintes aspectos: que em posse da documentação apresentada em 28/10/2011 e em consulta aos Sistemas Corporativos da Receita Federal do Brasil, verificamos que no período sob auditoria fiscal o sujeito passivo, apesar de ter auferido receita de prestação de serviços, apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, opção pelo lucro presumido, com valores zerados; que verificamos que o contribuinte apresentou o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e a Declaração de Débitos e Créditos Fl. 416DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722465/201295 Acórdão n.º 1402001.918 S1C4T2 Fl. 3 3 Tributários Federais – DCTF, referentes ao primeiro semestre de 2008, também com valores zerados. Não foram apresentados DACON e DCTF para o segundo semestre. Verificamos, ainda, que no sistema SINAL não consta nenhum recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; que o arbitramento do lucro, a empresa apresentou a DIPJ com opção pelo lucro presumido, porém com valores zerados. Conforme o art.516, § 4º, do RIR/99, a opção pelo lucro presumido se dá com o pagamento da primeira cota do imposto relativo ao primeiro período de apuração do AC. No entanto, não houve nenhum pagamento de IRPJ, nem declaração dos valores devidos na DCTF; que, nestes casos, não houve de fato a opção pelo lucro presumido, a apuração do IRPJ deveria se dar pelo lucro real, desde que a escrituração contábil tivesse sido efetuada de acordo com as leis comerciais e fiscais. Inexistindo escrituração contábil regular ou ela sendo imprestável para apuração do lucro real, o lucro deverá ser arbitrado, conforme previsão no art. 530 do RIR/99; que a contabilidade apresentada pela empresa para o AC2008 é imprestável para a apuração do lucro real, eis que a contribuinte não registrou todas as suas operações; que, não foi localizada na contabilidade da empresa nenhuma despesa administrativa. Na conta de despesas 412 – “Despesas Administrativas”, foram lançados, a crédito, apenas os valores relativos ao seguro de vida e contribuições sindicais dos empregados, descontados em folha de pagamento. Porém, não houve o lançamento a débito; que, relativo ao pagamento dessas despesas. Excetuandose as despesas trabalhistas, nenhuma outra despesa foi contabilizada; que a empresa presta serviços terceirizados executados mediante cessão de mãodeobra e sofre retenções destacadas em notas fiscais relativas aos serviços prestados a empresas tomadoras. Essas retenções são contabilizadas a débito na conta do Ativo nº 1170100005 – “INSS Retida na fonte”. Por ser uma antecipação da contribuição previdenciária, esses valores devem ser compensados no recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre a folha de pagamento; que o AC2008 os valores retidos foram lançados a débito na referida conta, mas não foram lançados a crédito quando da compensação. Assim, apesar de os valores retidos terem sido compensados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIPS, não foram devidamente contabilizados; que a conta do passivo nº 2140100001 – “INSS a recolher” também não foi devidamente contabilizada. Os valores devidos à Previdência não foram baixados quando da compensação dos valores retidos em notas fiscais, conforme explicado no item anterior. Essa conta também não foi debitada quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, demonstrando a falta de escrituração dos pagamentos efetuados; que a conta caixa nº 1110100001 – “Caixa Geral” não era debitada quando da liquidação das faturas pelos clientes. Em 01/2008 o saldo inicial era zero e foi creditada pelo pagamento das despesas trabalhistas. Até agosto de 2008 permaneceu credora, quando em 01/08/2008 foi debitada a título de “Reversão FAT” e tornouse devedora. O mesmo ocorreu Fl. 417DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 com a conta nº 1120100036 – “Contas a receber”, a qual era debitada na emissão de nota fiscal, mas não era creditada quando do pagamento de fatura pelo tomador; que em 14/09/12 a contribuinte foi intimada, e reintimada, a esclarecer e apresentar documentos comprobatórios relativos às omissões apontadas (fls.173178). Todavia, não foram apresentados documentos comprobatórios, e a resposta não esclareceu as referidas omissões (fls.179180); que tais constatações constituem exemplos da falta de contabilização de todos os fatos contábeis, impedindo a apuração do lucro real, conforme art.516, § 4º, do RIR/99; que, portanto, inexistindo escrituração contábil regular ou sendo ela imprestável para se apurar o lucro real, deve ser feito o arbitramento do lucro, na forma do art.530 do RIR/99; que os valores a tributar, ou seja, na planilha de fls.291 constam os valores de receita de prestação de serviços e de receitas financeiras apurados na contabilidade da empresa para o AC 2008; que foram registrados na contabilidade dois lançamentos a débito na conta de receitas de serviços prestados, datados de 01/04/2008 e 01/05/2008, com histórico de “Reversão FAT”, no total de R$417.403,95. A empresa foi intimada (fls.170171) a justificar e comprovar tais lançamentos; que em resposta (fls.172), a empresa informou que tais ajustes foram efetuados para “acertar o saldo da conta de contas a receber”, e não apresentou nenhum outro documento; que, tais lançamentos não são estorno de lançamento indevido, e considerando que na receita bruta não se incluem apenas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, tais lançamentos devem ser desconsiderados; que por atuar como prestadora de serviços, a empresa terá sua receita omitida de prestação de serviços tributada com a alíquota correspondente à prestação de serviços (32%) acrescida de 20%, conforme o art.519, § 1º, 532, 536 e 537 do RIR/99. Os impostos e contribuições retidos na fonte, destacados nas notas fiscais, foram deduzidos dos valores apurados, conforme demonstrativo de fls.293; que os valores apurados foram lançados de ofício por meio de auto de infração de IRPJ (receita omitida) e de autos reflexos de CSLL, Cofins e PIS; que a empresa não declarou as receitas auferidas na DIPJ, nem os valores devidos de tributos e contribuições em DCTF, para o AC 2008, não sendo oferecidas à tributação, restou caracterizada a sonegação dessas receitas, emitindose a respectiva representação fiscal para fins penais; que tendo em conta que a empresa apresentou a DIPJ e a Dacon com valores zerados para o AC 2008, além da DCTF sem débitos, restou configurada sua intenção de omitir receitas para se eximir do pagamento de tributos. No caso, a empresa, reiteradamente, omitiu os valores auferidos pela prestação de serviços, não podendo alegar, portanto, mero equívoco no preenchimento desses documentos. Fica, assim, configurado o ilícito tipificado no Fl. 418DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722465/201295 Acórdão n.º 1402001.918 S1C4T2 Fl. 4 5 art.71 da Lei nº 4.502/64, duplicandose o percentual da multa de ofício conforme previsão do art.44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Em sua peça impugnatória de fls. 308/331, instruída pelo documento de fls. 332/341, apresentada, tempestivamente, em 26/12/2012, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que cumpre consignar, a título de alegação preliminar, que a presente ação fiscal é nula de pleno direito, posto que não foi observado o prazo do Mandado de Procedimento Fiscal, o qual foi, de forma irregular, estendido por vezes; que o MPF foi cancelado por decurso de prazo, conforme o art.15 do Decreto nº 3.969/2001. Sendo assim, a autuação é nula, pois não foi observado o prazo de expiração do MPF, o qual foi estendido várias vezes, sem expedição de MPF complementar; que o lançamento foi efetuado fora do prazo previsto na própria prorrogação, em desacordo com o art.150 da CF/88 e art.142 e 196 do CTN. A contribuinte também não foi intimada de todas as prorrogações de prazo do MPF; que do cerceamento de defesa: fundamentação em dispositivo legal não apresentado, o TVF está fundamentado em regulamento interno, cujo acesso não é permitido ao contribuinte, ocorrendo cerceamento de defesa. Extraise do relatório fiscal descrição dos fatos constante do auto de infração; que tratase de ação fiscal por ato gerador específico, desenvolvida nos moldes da Orientação Interna daquele órgão, ferindo o ordenamento jurídico e a Constituição, que proíbe o confisco e o enriquecimento ilícito. O lançamento também fere o princípio da publicidade dos atos praticados pela Administração Pública, previsto no art.37 da CF/88; que dos fatos e fundamentos jurídicos que embasam a improcedência do lançamento, para cumprir o devido processo legal, a contribuinte necessita ter prévio conhecimento das medidas impostas contra ela pela Administração Fazendária, inclusive em relação à formalização do lançamento, como prevê o art.142 do CTN. Por sua vez, o lançamento deve conter: constatação da ocorrência do fato jurídico; identificação do sujeito passivo; apuração do montante a pagar, por meio da determinação da base de cálculo e da alíquota, legalmente previstas; definição dos temos de exigibilidade, prazos e condições de pagamento, de acordo com a lei; que a fiscalização, alegando falta de credibilidade dos documentos, desconsiderou os lançamentos neles contidos, e lançou um valor impossível de ser aceito, utilizando base de cálculo fictícia, e impôs multa de 150%, quando o limite máximo legal seria de 20%. Pelo exposto, é nulo o lançamento; que da inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, portanto, a instituição de tributos deve observar o princípio da legalidade, consoante o art.5º, II, 146, III, e 153, da CF/88, e art. 97 do CTN; que a contribuição referida no art.22, II, “a”, “b” e “c”, da Lei nº 8.212/91, possui alíquotas variadas sem estabelecer critérios para determinação das alíquotas, ficando ao arbítrio do Poder Executivo o enquadramento dos contribuintes em cada alíquota; Fl. 419DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que, posteriormente, os Decretos nº 612/92, 2.173/97 e 3.048/99 completaram a tipificação legal, porém contrariando o CTN e o art.150, I, da CF/88, que sujeitam à lei a instituição dos elementos tipificadores do tributo; que, sendo assim, deve ser afastada a cobrança da presente contribuição; que da indevida cobrança das contribuições com vencimento em 11/2012 (Nº51000766), eis que o auto foi lavrado no próprio mês, antecipandose que a contribuinte não iria recolher o que seria devido ao Fisco, ou seja, a contribuinte é empresa de mãodeobra que presta serviços terceirizados a outras empresas, cobrando apenas taxas de administração e tendo lucro ínfimo com a operação. Apesar disso, a fiscalização considerou seu faturamento como um todo, o que não é o caso; que a empresa não pode ser onerada com os tributos lançados, pois não se beneficia dos recursos arrecadados, nem tem relação pessoal ou direta com fato gerador da obrigação tributária, conforme o art.149 da CF/88 e art.121 do CTN. Concluise que os tributos lançados não possuem a base de cálculo sobre a qual se fundamentou a autuação, além de ter sido lançada multa confiscatória, o que torna a cobrança inconstitucional; que da taxa Selic, há incidência de bis in idem na aplicação da Taxa Selic concomitantemente com o índice de correção monetária. Além disso, essa taxa é inconstitucional, pois o Banco Central do Brasil (Bacen) não tem competência para fixar taxa aplicável a tributos e contribuições; que do pedido, requer seja julgada procedente a impugnação, caso contrário seja a multa reduzida a 20%; que, apenso aos autos consta o processo de representação penal 19515.722585/201292. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, a Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2001, dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais da RFB; que o prazo máximo de cada Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização – MPFF é de 120 dias; que o MPF foi sucessiva e validamente prorrogado até 07/12/12, conforme fls.03, sendo a ciência à contribuinte efetuada de forma eletrônica, por meio do código de acesso informado no Termo de Início de Procedimento Fiscal, do qual a contribuinte foi regularmente cientificada em 21/09/11 (fls.0405). Por sua vez, a ciência à autuação ocorreu em 26/11/12; que, sendo assim, restam improcedentes as alegações de que teria havido decurso do prazo de validade do MPF, de que o lançamento teria ocorrido após o prazo do MPF e de que a contribuinte não teria sido cientificada das prorrogações do MPF. Quanto ao MPF complementar, registrese que, com a edição da Portaria RFB nº 11.371, de 12/12/2007, desde 01/01/2008 tal modalidade não mais subsiste; Fl. 420DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722465/201295 Acórdão n.º 1402001.918 S1C4T2 Fl. 5 7 que o MPF consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal do Brasil para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo; que, portanto, o MPF um instrumento interno de planejamento e gerência das atividades de fiscalização, praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão, não têm o condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado; que o regramento acerca do MPF não se sobrepõe à atividade vinculada e obrigatória a que estão submetidos os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. A obrigatoriedade do lançamento tributário, sob pena de responsabilidade funcional, quando constatada irregularidade cometida pelo sujeito passivo da obrigação tributária, deflui do Código Tributário Nacional, art. 142; que do direito à defesa e da validade dos autos de infração, ou seja, de a impugnante requerer o cancelamento dos autos de infração, esclareçase que o art. 142 do CTN fornece a definição legal de lançamento, estabelecendo como requisitos indispensáveis à sua constituição: a verificação da ocorrência do fato gerador, a identificação do sujeito passivo, a determinação da matéria tributável e o cálculo do montante do crédito a favor da Fazenda Pública. O parágrafo único do mesmo artigo dispõe sobre a vinculação e a obrigatoriedade do lançamento. A vinculação consiste na cerrada observância dos ditames legais quando de sua efetivação; enquanto que a obrigatoriedade do lançamento impede que o agente, para não faltar com o dever de ofício, que lhe foi atribuído por lei, uma vez constatada a ocorrência de infração, deixe de lavrar o competente auto para a formalização e cobrança do crédito tributário devido pelo sujeito passivo; que só a inobservância dos pressupostos legais para a constituição do lançamento e para lavratura do auto de infração, ou a incompetência do autuante, são causas suficientes para invalidar a autuação e, consequentemente, o lançamento nela consignado. Como isso não ocorreu no presente caso, descabe a anulação ou cancelamento dos autos de infração em análise; que do arbitramento do lucro, a impugnante alega que a fiscalização teria entendido pela falta de credibilidade dos documentos apresentados, desconsiderado os lançamentos e utilizado base de cálculo fictícia na autuação; que a respeito dessa alegação, é preciso dizer que a impugnante apresentou a DIPJ do AC2008 com opção pelo lucro presumido, porém com valores zerados, o mesmo acontecendo com a DTCF e o Dacon relativos ao 1º semestre de 2008 (fls.73120). No 2º semestre de 2008 não houve apresentação nem do Dacon, nem da DCTF; que, embora a empresa tenha assinalado a opção pelo lucro presumido, não consta nenhum recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS ou Cofins para o AC2008. Além disso, a empresa também não registrou todos os fatos contábeis em sua escrituração, impedindo que a fiscalização realizasse a apuração pelo lucro real; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 que deve ser consignado que a empresa, embora intimada e reintimada (fls.170171, 173178) a apresentar documentos e esclarecimentos em relação às omissões verificadas em sua contabilidade, não atendeu satisfatoriamente o solicitado, não restando alternativa à fiscalização que não fosse o arbitramento do lucro, conforme previsto nos art.519, §1º, 530, 532, 536 e 537 do RIR/99. Salientese também que a impugnante não apresentou em sua defesa nenhum documento hábil apto a comprovar suas alegações; que do agravamento da multa de ofício, ou seja, a impugnante alega que a multa de 150% seria confiscatória e inconstitucional, devendo ser reduzida para o limite de 20%; que, portanto, sobre o agravamento da multa, é preciso dizer que sua capitulação legal consta no art.44, inciso I, §1º, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art.14 da Lei nº 11.488/2007; que a empresa reiteradamente omitiu as receitas para eximirse do pagamento de tributos, inclusive apresentando DIPJ, Dacon e DCTF com valores zerados, bem como omitindo de sua contabilidade as receitas de prestação de serviços; que, por outro lado, a impugnante sequer justificou em sua defesa os fatos constatados pela fiscalização a respeito da omissão de receitas, silenciando também sobre as declarações e demonstrativos apresentados com valores zerados. Em sede de impugnação, optou por rebater a aplicação da multa agravada com alegações de confisco e inconstitucionalidade; que, portanto, não cabe à instância julgadora administrativa apreciar a validade da legislação vigente, matéria afeta ao Poder Judiciário; que a impugnante alega incidência de bis in idem na aplicação da Selic com correção monetária, e que essa taxa seria inconstitucional. Em primeiro lugar, deve ser dito que não houve lançamento de correção monetária no auto de infração. Deve ser mantida a exigência dos juros moratórios calculados com base na taxa Selic. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 LUCRO ARBITRADO. DIPJ, DCTF E DACON COM VALORES ZERADOS. CONTABILIDADE SEM REGISTRO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Constatado que a empresa entregou DIPJ, DCTF e Dacon com valores zerados, e que não houve escrituração de todos os fatos contábeis para o anocalendário 2008, correto o arbitramento do lucro. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses Fl. 422DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722465/201295 Acórdão n.º 1402001.918 S1C4T2 Fl. 6 9 eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. A impugnação deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento questionado. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE DE NORMAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade de normas. FISCALIZAÇÃO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. PRORROGAÇÃO. VALIDADE. O MPF tem prazo de validade de 120 dias, período no qual poderá ser prorrogado tantas vezes quantas necessárias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS INTENCIONAL E REITERADA. DIPJ, DCTF E DACON APRESENTADOS COM VALORES ZERADOS. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. A omissão de receitas reiterada sujeita a contribuinte ao lançamento com multa de ofício agravada, nos termos da legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. CABIMENTO. A utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 423DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 20/02/2014, conforme Termo constante às fl. 391, e, com ela não se conformando, a contribuinte, interpôs, intempestivamente em (27/03/2014), o recurso voluntário de fls. 393/405, instruído pelos documentos fls. 406/407, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que da credibilidade dos documentos apresentados, ou seja, não se fez esclarecido em primárias decisões, o fato de que houve base de cálculo fictícia pela D. Fiscalização, sob a alegação de não credibilidade em documentos apresentados; que, se faz óbvio, a nulidade dos atos praticados em desfavor do contribuinte, vez que tais atos administrativos foram escapulidos à moralidade, impessoalidade, eficiência e legalidade estrita expressas constitucionalmente, pois, sob a dúvida em qualquer situação, como a credibilidade documental, base de cálculo etc., deveria o Auditor buscar instruções sobre o necessário ou até mesmo, na impossibilidade, seguir em favor do administrado. Ainda mais ao se tratar de multas exorbitantes em 150% do valor tido fictamente como principal, bem como elevar tal disparate à representação criminal, alegando se tratar de crime de sonegação fiscal; que do arbitramento para a base de cálculo, notase, em análise ao procedimento fiscal em questão, gigantesca discrepância de informações no que tange ao fato de se utilizar o arbitramento do lucro para constituir daí os valores supostamente devidos. Isso porque, não se conhece das reais razões que levaram a D. fiscalização a conclusão de que a escrituração mantida pelo contribuinte seria imprestável para a determinação de lucro real. Tratado de maneira completamente ilusória, o rumo que se tomou para constituir tal base de cálculo; que, portanto, vale lembrar ainda, sobre a atividade desenvolvida pela empresa. Própria desta, se perfaz o trâmite de grande valores em sua contabilidade, como é pratica deste mercado de qualificação de mãodeobra, mas estes valores não fazem parte de seu lucro, sobrando à contribuinte, ínfimos valores, se comparados aos movimentos gerais; que, portanto, fatos estes, não levados em consideração, quanto do arbitramento do lucro pela D. fiscalização. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722465/201295 Acórdão n.º 1402001.918 S1C4T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Impõese, assim, necessário verificar se, em verdade, houve ou não apresentação tempestiva do recurso voluntário, bem como se existe alguma justificativa razoável para se processar o recurso voluntário em outra data, senão aquela original prevista na legislação de regência. Ao tratar da intimação o Processo Administrativo Fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972 e suas alterações posteriores) se manifesta da seguinte forma: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 425DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Pela análise preliminar das peças processuais é possível se inferir, a primeira vista, que os fatos ocorreram da forma abaixo discriminada, e por via de conseqüência com o resultado previsível ali exposto. Senão, vejamos. A decisão proferida pela Primeira Instância foi encaminhada via correio, com emissão de AR, com ciência em 20/02/2014, uma quintafeira (fls. 391). O marco inicial para a contagem do prazo se deu em 21/02/2014, uma sexta feira. Portanto, o prazo final para apresentação da defesa encerrarseia, a princípio, no dia 22/03/2014, um sábado, dia sem expediente normal na repartição de origem, razão pela qual deve recair para o dia 24/03/2014, uma segundafeira, primeiro dia com expediente normal na repartição de origem. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 19515.722465/201295 Acórdão n.º 1402001.918 S1C4T2 Fl. 8 13 Entretanto, a peça recursal, foi protocolizada, somente, em 27/03/2014, uma quintafeira (fls. 409), portanto, fora do prazo fatal, razão pela qual o órgão preparador encaminhou para o CARF para julgamento da tempestividade do referido recurso e, sendo cabível, julgamento do mérito, conforme observação de fls. 414. Ora, não há mais nada para se discutir, o recorrente foi cientificado em 20/02/2014 da decisão. É indiscutível que o prazo para apresentar a peça recursal é de trinta dias, contados na forma do disposto no artigo 5º, parágrafo único, do Decreto n.º 70.235, de 1972, combinado com o art. 33 do mesmo Decreto. Por tal imposição legal o termo final seria 24/03/2014, sendo que a suplicante apresentou a sua peça recursal em 27/03/2014, fora do prazo regulamentar. Desta forma, não se instaurou a fase litigiosa do processo na Segunda Instância, como dispõe o artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, e, após isto, qualquer ato de defesa ou decisória é ineficaz. Ou seja, se o sujeito passivo, no prazo de trinta dias da intimação da ciência da decisão de Primeira Instância, não se apresentar no processo para se manifestar pelo pagamento ou para interpor recurso voluntário para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), automaticamente, independente de qualquer ato, no trigésimo primeiro (31º) dia da data da intimação, ocorre a perempção. Daí sua intempestividade. Nestes termos, posicionome no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por extemporânea a peça recursal. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 427DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10660.721457/2013-64
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA
Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.042
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti que entende que deve ser aplicada de ofício a súmula 76 do CARF.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012 JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.721457/201364 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803004.042 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente RETÍFICA MOTOR SUL LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2012 JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista na legislação tributária federal, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. SUSPENSÃO DO DIREITO DE LANÇAMENTO DO FISCO. INOCORRÊNCIA Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em diverso processo administrativo, acerca da exclusão do SIMPLES não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti que entende que deve ser aplicada de ofício a súmula 76 do CARF. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 14 57 /2 01 3- 64 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.721457/201364 Acórdão n.º 2803004.042 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.721457/201364 Acórdão n.º 2803004.042 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados. Reproduzo excerto do relatório da r. decisão, que bem esclarece a situação posta. 1) A empresa foi excluída do Simples Federal em 31/12/2008, por Ato Administrativo praticado pela Receita Federal do Brasil e estava declarando nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP como optante pelo Simples Nacional; 2) O documento de débito AI n° 51.006.4990 referese a obrigação principal, são contribuições patronais sobre a remuneração paga ou creditada, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados e contribuintes individuais, cujos valores estão demonstrados nos Relatórios de Lançamento Levantamentos FP e CI integrantes deste Auto de Infração, período 01/2009 a 06/2012, correspondente ao valor de R$ 408.198,51 (quatrocentos e oito mil, cento e noventa e oito reais e cinqüenta e um centavos); 3) O documento de débito AI n° 51.006.500.7 referese a obrigação principal, são contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, destinadas a Outras Entidades e Fundos, sendo para o FPAS 507 Salário Educação, Instituto Nacional de Colonização e Reforma agrária INCRA, Serviço Nacional da Indústria SENAI, Serviço Brasileiro de Apoio a Pequena e Média Empresa SEBRAE e Serviço Social da Indústria SESI), demonstradas nos Relatórios de Lançamentos Levantamento FP, período 01/2009 a 06/2012, correspondente ao valor de R$ 99.569,16 (noventa e nove mil, quinhentos e sessenta e nove reais e dezesseis centavos); 4) O documento de débito AI n° 51.006.5015 referese a obrigação acessória e que consiste na infração pela apresentação do Livro Caixa não contendo todas as formalidades legais exigidas, ou seja, sem registro da movimentação bancária, como preceitua a Lei n° 9.317, de 1996, Lei Complementar 123/2006 e Decreto n° 3.000, de 1999; O r. acórdão – fls 137 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo os auto de infração lavrados. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Indevida exclusão do SIMPLES Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.721457/201364 Acórdão n.º 2803004.042 S2TE03 Fl. 5 4 · Inaplicabilidade da SELIC · Caráter confiscatório da multa · Inaplicabilidade da multa por descumprimento de obrigação acessória DEBCAD 51.006.5015, em razão da discrepância de fundamentação legal. · Requer o provimento do recurso, com o cancelamento dos autos lavrados. É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.721457/201364 Acórdão n.º 2803004.042 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Os autos se referem ao período de 01/01/2009 a 30/06/2012, abrangendo período no qual a recorrente não se encontrava no referido regime diferenciado. Sob pena de responsabilidade funcional, o Auditor Fiscal da Receita Federal tem a obrigação de efetivar o devido lançamento quando presentes as condições legais para tanto. A discussão, em outro processo administrativo fiscal, acerca da exclusão do SIMPLES, não tem efeito suspensivo, não obstacularizando o fisco de lançar o que devido, inclusive evitando a decadência de eventuais créditos, senão vejamos jurisprudência deste Colegiado. LANÇAMENTO DE OFICIO — ARGÜIÇÃO DE NULIDADE — DECISÃO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES — CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA — DESNECESSIDADE — É desnecessário que o Fisco percorra todas as instâncias administrativas com o processo de exclusão do SIMPLES para só então, com a decisão final desfavorável ao contribuinte, proceder ao lançamento de oficio. A tramitação conjunta dos processos de exclusão do SIMPLES e do auto de infração evita a ocorrência da decadência tributária. Assim sendo, considerados os fatos geradores em período não alcançado pela regular opção ao SIMPLES, procedente a autuação lavrada. (...).Processo n°. : 10166.016255/200225. Acórdão n°. :10808.231 de 16.03.2005 Nesse sentido, temos a súmula 77 do CARF: Súmula CARF nº 77: A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. Não cabe a esta Turma, neste processo, se manifestar acerca das razões da exclusão do SIMPLES – o que já esta sendo feito em processo próprio – cabendolhe somente decidir acerca da procedência ou não dos autos lavrados nesta ação fiscal. Entendimento contrário levaria a uma sobreposição de julgados, com diferentes órgãos administrativos julgando a mesma matéria, o que quebra a unicidade do contencioso administrativo, possibilitando diversos julgamentos do mesmo fato jurídico. Assim sendo, considerados os fatos geradores em período não alcançado pela regular opção ao SIMPLES, procedente a autuação lavrada. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.721457/201364 Acórdão n.º 2803004.042 S2TE03 Fl. 7 6 DA MULTA APLICADA O recorrente se insurge contra a multa aplicada, entendendo que a mesma não é instrumento de arrecadação, sendolhe vedado o caráter confiscatório A multa aplicada é a determinada pela legislação em vigor. Os relatórios FLD Fundamentos Legais do Débito trazem toda a legislação pertinente, não havendo reparo a ser efetivado. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação. A penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais mencionados no FLD e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. Sobre a multa aplicada no DEBCAD 51.006.5015, obrigação acessória, não há que se falar em discrepância na fundamentação legal. A infração “apresentar livro sem as formalidades ou que contenha informação diversa da realidade” esta caracterizada com a apresentação do Livro Caixa sem a movimentação bancária, com a devida fundamentação na capa do auto. A citação das leis 9317/96, 123/06 e decreto 3000/99 apenas reforça o arcabouço legal referente a empresas do SIMPLES, sendo inclusive, despicienta, nunca se configurando elemento a justificar nulidade do lançamento. DA TAXA SELIC A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito. Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.721457/201364 Acórdão n.º 2803004.042 S2TE03 Fl. 8 7 situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Quanto à inconstitucionalidade, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade julgadora a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional – ex vi art. 62 do regimento interno do CARF, aprovado pela portaria GMF no 256, de 22 de junho de 2009. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Este Conselho Administrativo já tem a matéria sumulada, de seguimento obrigatório por seus membros: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pondo fim a essa discussão, o STF, em sede de repercussão geral, no julgamento do RE 582461/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, em 18.5.2011, decidiu ser legítima a incidência da Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Dessa feita, foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10660.721457/201364 Acórdão n.º 2803004.042 S2TE03 Fl. 9 8 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/02/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 16327.000021/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
Autos de Infração sob n° 37.188.450-0,
Consolidados em 29/12/2008
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
Aplicação da Súmula CARF 99, onde, como dito por ela: para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
No caso em tela a consolidação do crédito previdenciário ocorreu em 29 de dezembro de 2008, de período que compreendia até dezembro de 2003.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2003, anteriores a 12/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes a auxílio transporte em pecúnia. Sustentação oral: Hairla Rosa da Cunha Araújo. OAB: 267.452/SP.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio De Souza Corrêa Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Natanael Vieira Dos Santos E Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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OCORRÊNCIA. Aplicação da Súmula CARF 99, onde, como dito por ela: ‘para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração’. No caso em tela a consolidação do crédito previdenciário ocorreu em 29 de dezembro de 2008, de período que compreendia até dezembro de 2003. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2003, anteriores a 12/2003, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em dar provimento ao recurso, a fim de excluir do lançamento os valores referentes a auxílio transporte em pecúnia. Sustentação oral: Hairla Rosa da Cunha Araújo. OAB: 267.452/SP. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 21 /2 00 9- 29 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 2 (assinado digitalmente) Wilson Antonio De Souza Corrêa – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Manoel Coelho Arruda Junior, Natanael Vieira Dos Santos E Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16327.000021/200929 Acórdão n.º 2301004.293 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente, relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte de outras entidades (Terceiros), Incra e Salário Educação, incidentes sobre as remunerações de segurados empregados que não foram consideradas pelo Contribuinte como fatos geradores de contribuição previdenciária: i) pagamento a título de Participação nos Lucros ou Resultados — PLR em desacordo com a legislação específica; ii) ValeTransporte fornecido em moeda corrente. Quanto ao PLR, segundo a Fiscalização a Recorrente não apresentou acordos ou convenções coletivas sobre participação dos empregados nos lucros ou resultados; apresentou apenas a CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO 2003, que não versa sobre participação nos lucros ou resultados, tratando apenas sobre vale transporte, demonstrando não ter ocorrido a negociação entre empresa e empregado, conforme manda a lei de regência. Quanto ao ValeTransporte diz a Fiscalização que a Recorrente forneceu em moeda corrente, juntamente com o pagamento dos salários mensais, os valores correspondentes ao gasto com deslocamento de residênciatrabalho e viceversa de seus empregados, falo não previsto na legislação. E, isto, para a Fiscalização está errado, porque deveria a empresa adquirir os ValesTransporte necessários aos deslocamentos dos trabalhadores no percurso residênciatrabalho e viceversa, conforme definido no art. 4 0 da Lei n° 7.418, de 1611211985. Após o lançamento a Recorrente impugnou, com suas razões, o que não foi suficiente para modificar o lançamento, onde decisão de piso manteve inalterado Em 29 de janeiro de 2009 aviou o presente remédio recursivo, tendo sido intimado em 30 de dezembro de dezembro de 2008, fls 24. É a síntese do necessário. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA 4 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso de Ofício acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões. PRELIMINARES a) DECADÊNCIA A Recorrente insurgese contra a decisão de piso, alegando a decadência total, com aplicação do artigo 150, § 4° do CTN, uma vez que o presente AI foi lançado em data de 29 de dezembro de 2008, para fatos geradores de período abrangido até 31 de dezembro de 2003. O Acórdão anterior, entendeu que o crédito constituise do levantamento PLV — PLR VT E DIFERENÇAS, com a classificação "Não declarado em GFIP", para o qual não há antecipação de pagamento, tendo em vista que a Recorrente não promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre os fatos geradores "Diferenças entre as Folhas de Pagamento e o declarado em GFIP, e Participação nos Lucros ou Resultados e Vale Transporte pagos em desacordo com a legislação específica", ou seja, para a decisão de piso somente haveria recolhimento em parte se fosse recolhido parte destas exações, razão pela qual aplicou o artigo 173, I do CTN, constatando que não há incidência de decadência em nenhum período. Às fls. 567 em diante a Recorrente juntou vários comprovantes de recolhimento em parte de contribuição previdenciária. É necessário uma análise sob a égide do Regimento Interno do CARF que estabelece procedimento para a edição de súmulas e sua aplicação, visando a uniformização, clareza e segurança jurídica dos contribuintes, devem submeterse às suas inteligências, conforme reza o capítulo das súmulas do RICARF, ‘in verbis’: CAPÍTULO V DAS SÚMULAS Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Quanto a decadência, urge trazer à baila que havendo pagamento antecipado por conta de recolhimento, ainda que parcial, como é o caso em tela, há o julgador de submeterse a Súmula 99, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Desta forma decadente está o período anterior a dezembro de 2003, eis que houve recolhimento em parte do valor considerado como devido pela Recorrente, com aplicação do artigo 150, § 4° do CTN, determinado pelo Súmula CARF 99. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16327.000021/200929 Acórdão n.º 2301004.293 S2C3T1 Fl. 4 5 Urge dizer que o recolhimento previdenciário necessariamente não há de ser tão somente das exações da mesma natureza, que no caso em tela seria de PLR e VT. Com razão a Recorrente. VALE TRANSPORTE Trata de matéria sumulada por este Colegiado que compele os seus membros a submeteremse à vontade da Corte, conforme determina dispositivo do RICARF, artigo 72, ‘in verbis’: CAPÍTULO V DAS SÚMULAS Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Quanto ao mérito da rubrica, vêse que a mesma, como alhures dito, encontrase sumulada. ‘Vide’ Súmula CARF 89: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Desta forma, assiste razão a Recorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto tenho que o Recurso aviado encontrase em consonância com a legislação processual, razão pela qual dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL: I) declarando decadente o lançamento anterior a dezembro de 2003, com aplicação da Súmula CARF 99; II) aplicar a Súmula CARF 89, onde não incide contribuição previdenciária em pagamento de valetransporte, ainda que pago em pecúnia.. É como voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Fl. 257DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.005821/2004-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Sun Mar 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
LIMITE DE COGNIÇÃO NA INSTÂNCIA ESPECIAL.
O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada, em quaisquer dos paradigmas colacionados pela recorrente, a existência de divergência quanto ao critério jurídico adotado para situação fática idêntica.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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O recurso especial é destinado à eliminação de divergências na aplicação da legislação tributária entre colegiados, em casos semelhantes. No caso, não está comprovada, em quaisquer dos paradigmas colacionados pela recorrente, a existência de divergência quanto ao critério jurídico adotado para situação fática idêntica. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 11/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 58 21 /2 00 4- 56 Fl. 666DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10768.005821/200456 Acórdão n.º 9202003.607 CSRFT2 Fl. 662 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório O Acórdão nº 330100.014, da 1a. Turma Ordinária da 3a Câmara da 3a Seção deste CARF (efls. 595 a 601), julgado na sessão plenária de 04 de março de 2009, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário intentado quanto ao lançamento de IRPF referente aos exercícios de 2002 e 2003, na forma da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 PRELIMINAR REQUERIMENTO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO A diligência é meio de produção de provas que irão auxiliar na formação da convicção do julgador. Sendo assim, cabe ao julgador a decisão pelo deferimento ou não do pedido de diligência. À impugnante cabe trazer aos autos as provas de suas alegações LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1" de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Razoável a exclusão dos valores declarados líquidos de IRRF, regularmente pelo contribuinte, como rendimentos auferidos, observandose inclusive, as regras do artigo 42, parágrafo 3o, inciso ÍI, quanto ao valor remanescente após as exclusões apontadas. SELIC A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1o CC no. 4). INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC no. 02). Recurso parcialmente provido. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10768.005821/200456 Acórdão n.º 9202003.607 CSRFT2 Fl. 663 3 Cientificada dessa decisão em 18/08/2009 (efl. 602), a Fazenda Nacional manejou, no mesmo dia, recurso especial de divergência (efls. 604 a 608), Alega que não havia, no recurso voluntário, qualquer pleito referente à exclusão de valores tributáveis constantes da Declaração de Ajuste Anual dos anoscalendário de 2001 e 2002, e, assim, não poderia a matéria ter sido objeto de conhecimento de ofício pelo Colegiado a quo, matéria esta para a qual se deu provimento parcial ao recurso, na forma do excerto de voto de efl. 600, verbis: “ Contudo, é razoável que se excluam dos depósitos bancários os valores auferidos pela interessada e regularmente informados à autoridade fiscal na DAA respectiva. Assim, excluo do montante de depósitos lançados para o ano calendário de 2001, o montante de R$ 47.955,00, conforme DAA de fls 14 e seguintes. Excluo também, o empréstimo de R$ 70.000,00 lançado na DAA da interessada como advindo de seu marido e pago no ano seguinte. Com estes procedimentos, o valor remanescente, com fundamento no artigo 42, parágrafo 3°., inciso 11 da Lei 9.430 de 1.996, deve ser integralmente excluído.” Defende haver divergência jurisprudencial em relação a Acórdãos prolatados no âmbito do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que entenderam que, em casos tais, a matéria estaria preclusa, na forma do art. 17 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, devendose, destarte, manter o lançamento em sua integralidade. Para comprovar a divergência jurisprudencial, foram apresentados os seguinte paradigmas: Acórdão 10195643 MATÉRIA NÃO RECORRIDA PRECLUSÃO tornase definitivamente constituído na esfera administrativa o crédito tributário relativo à matéria que não foi objeto de recurso. Acórdão 10805765 PRECLUSÃO Por força do disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto 70.235/72, quanto à matéria não expressamente impugnada não há litígio a ser apreciado. O despacho de efls. 612/613 deu seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Cientificado do Acórdão e do Recurso Especial a contribuinte apresentou contrarrazões ao especial da Fazenda (efls. 634 a 642), onde defende a ausência de comprovação de divergência, pois a matéria em questão e o paradigma tratam de fato diverso. Relata que nos acórdãos coligidos pela recorrente, os contribuintes pretendiam juntar novas provas em fase de recurso, questão completamente diversa da enfrentada na decisão recorrida, qual seja, correta aplicação da legislação vigente ao fato concreto, de forma ex oficio e em respeito ao princípio da estrita legalidade (norteador do processo administrativo tributário). Propugna que, caso o recurso seja conhecido, a exclusão dos valores pelo Colegiado a quo é matéria de ordem pública (aplicação do princípio da legalidade), e mesmo Fl. 668DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10768.005821/200456 Acórdão n.º 9202003.607 CSRFT2 Fl. 664 4 que não fosse, não haveria que se falar em preclusão, pois o contencioso administrativo tributário, além de observar a estrita legalidade, também se rege pelos princípios da busca pela verdade material e da oficialidade sobre o rigor formal, de modo a verificar sempre a ocorrência ou não do fato gerador da obrigação tributária. Defende, assim, o não conhecimento do recurso e, subsidiariamente, a manutenção da exclusão dos valores realizada pela decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Preliminarmente, há que se averiguar o pedido de não conhecimento do recurso, efetuado em sede de contrarrazões, pelos paradigmas tratarem de fato diverso da decisão recorrida. Com a devida vênia ao despacho de admissibilidade de efls. 612/613, entendo serem realmente diversos os fatos subjacentes aos acórdãos recorrido e paradigmas, e, assim, creio assistir razão ao contribuinte quanto à não comprovação da divergência. Concluo neste sentido ao observar que em nenhum dos dois paradigmas apresentados pela Fazenda está a se tratar de situação onde tenha havido reconhecimento de valores de ofício pelo Colegiado, mas sim de reconhecimento de matérias não impugnadas. Reparase que, no acórdão paradigma 108.05.765, a recorrente, em sede de impugnação, havia expressamente concordado com a tributação no período de apuração e, em sede de recurso, inovou, insurgindose contra o tributo decorrente do fato gerador do período, nos termos a seguir: A recorrente, quando da impugnação, contestou tal exigência insurgindose, tãosomente, com relação ao cálculo realizado pelo Fisco na tabela de fls. 27, chegando mesmo a dizer que "concorda com a tributação proposta para os meses de janeiro a dezembro de 1992, desde que sejam feitas as necessárias modificações decorrentes dos erros mencionados nos exercícios de 1990 e 1991". No recurso, retoma seus argumentos, inovando, entretanto, quando pede a exclusão inclusive dos valores do ano calendário de 1992. Entendo, porém, que o litígio formouse apenas com relação aos alegados erros no cálculo efetuado pelo Fisco a fls. 27, por limitação processual fulcrada nos artigos 16 e 17 do Decreto 70.235/72. Ainda, com relação ao acórdão paradigma 10195643, temse que o colegiado entendeu estar precluso o direito de acostar novos elementos de prova, conforme se depreende da leitura do voto condutor: Em relação às exigências dos itens 4 e 7 do auto de infração a recorrente requereu que fossem acatados o laudo pericial e a Fl. 669DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10768.005821/200456 Acórdão n.º 9202003.607 CSRFT2 Fl. 665 5 decisão de primeira instância posto ser exclusivamente matéria de prova. a despeito disso, a recorrente ressalvou, nos dois casos, a possibilidade de apresentação de novos elementos capazes de provar as parcelas de crédito tributário mantidas, sem no entanto, ter logrado êxito em apresentálos até a presente data, motivo pelo qual entendo que tais parcelas não foram objeto de recurso, tendo precluído o direito de recurso em relação às mesmas, tornando definitivamente constituídos os créditos tributários a elas relativos. Ou seja, entendo, a propósito, que a divergência só estaria caracterizada caso se estivesse diante de decisão paradigmática onde se tivesse caracterizado hipótese de impossibilidade de exclusão, de ofício, de valores componentes da base de cálculo do tributo em litígio, por se ter considerado que, uma vez não estando presentes tais valores no questionamento intentado pelo contribuinte em sede de impugnação ou recurso voluntário, a matéria deveria ser tratada como não impugnada ou não recorrida. Contudo, no recurso intentado na instância especial pela Fazenda Nacional, não foi trazido paradigma nesse sentido. Desta forma, não configurada a divergência jurisprudencial, voto por não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 670DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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Numero do processo: 18088.000558/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio César Vieira Gomes – Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 88 .0 00 55 8/ 20 10 -1 8 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18088.000558/201018 Resolução nº 2402000.490 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 21/09/2010 para exigência de multa decorrente de apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, no período de 12/2005 a 13/2009. De acordo com a planilha de fl. 08, foi considerado, para o cálculo da penalidade de R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas/omitidas, a diferença entre o número de segurados lançados na folha de pagamento e o número de segurados declarados em GFIP. A Recorrente interpôs impugnação pleiteando a total insubsistência da autuação (fls. 81/92). A DRJ de Ribeirão Preto/SP determinou a realização de diligência para que o fiscal recalculasse a infração, confrontando os valores apurados no AI 67 + 24% AIOP coma multa de 75% (fls. 94/99). A fiscalização apresentou Relatório Fiscal Complementar, recalculando a multa (fls. 101/104). A Recorrente foi intimada da diligencia (fl 106), porém não se manifestou. A d. DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou o lançamento parcialmente procedente (fls. 108/128), sob os argumentos de que (i) a administração pública federal tem o dever de reexaminar seus atos e retificar o valor da multa para adequála ao valor que efetivamente deve ser aplicado; (ii) somente estará isenta da quota patronal a empresa que requerer e obtiver o correspondente Ato Declaratório; (iii) incabível a retificação do crédito lançado, referente à competência em que a empresa faz jus à isenção da cota patronal parcial, de acordo com a superveniente legislação de regência, em razão da multa ter sido aplicada em seu valor mínimo; (iv) apenas a lei pode conceder anistia; (v) tratandose de lançamento por descumprimento de obrigação acessória, aplicase a regra geral de decadência; (vi) a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação; (vi) o contencioso administrativo não é a instância adequada à formulação de pedido de parcelamento, devendo o contribuinte dirigirse à unidade de atendimento da Receita Federal do Brasil; (vii) a instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e a legalidade dos atos normativos infralegais. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que: (i) todas as GFIP’s do período de 01/2005 a 12/2009 foram refeitas e apresentadas à Auditoria Fiscal Sra. Adailsa, de acordo com as exigências por ela formuladas e dentro do período de fiscalização; (ii) é entidade filantrópica, isenta do recolhimento das contribuições previdenciárias; (iii) deve ser concedida anistia, nos termos do art. 180 e seguintes do CTN; (iv) parcelou seus débitos junto à Fl. 143DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18088.000558/201018 Resolução nº 2402000.490 S2C4T2 Fl. 4 3 Receita Federal, nos termos da Lei n. 11.941/09, (v) devem ser observados os prazos decadenciais; (vi) devem ser concedida todos os meios de produção de provas permitidas em lei; (vii) teve seu pedido de renovação do certificado de entidade beneficente de assistência social deferido no CNAS (fls. 132/137). É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18088.000558/201018 Resolução nº 2402000.490 S2C4T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O presente processo versa sobre a exigência de multa decorrente de apresentação de GFIP com informações incorretas ou omitidas, no período de 01/2005 a 13/2009. Temse, portanto, que a análise da procedência ou não da cobrança de multa nestes autos, por se tratar de obrigação acessória, depende do julgamento da exigência do montante principal. Contudo, não se tem nos autos informações dos julgamentos dos processos conexos onde há a exigência das contribuições previdenciárias, razão pela qual é necessário que o presente processo baixe em diligência para que a fiscalização preste informações acerca do andamento destes processos. Diante disso, para que seja possível proceder com o julgamento do presente auto de infração, é necessário que sejam prestadas informações relacionadas às demais NFLD’s lavradas neste procedimento fiscal, elencadas à (fl. 43). Inicialmente, dentre as NFLD’s mencionadas acima, devem ser identificadas pela fiscalização aquelas que versam sobre a exigência das contribuições previdenciárias (obrigação principal) que deixaram de ser declaradas e que resultaram na lavratura do presente auto de infração. Após, em relação aos autos das NFLD’s conexas, cfe. parágrafo acima, deve ser verificado: a) A existência de decisão definitiva proferida no respectivo processo administrativo; b) A existência de pagamento ou parcelamento das contribuições exigidas; c) O atual andamento dos processos administrativos. d) Por fim, requer seja juntado ao presente processo cópia integral do processo administrativo relativo às NFLD’s conexas, ou, se possível, sejam apensadas ao presente processo. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o auditor fiscal verifique e responda as questões expostas acima. Após Fl. 145DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18088.000558/201018 Resolução nº 2402000.490 S2C4T2 Fl. 6 5 a realização da diligência, deve ser aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa e do contraditório. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 20/02/20 15 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10830.007969/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e Relator. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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Numero do processo: 10715.001885/2010-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA.
Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL.
A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO.
A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário.
MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 ERRO MATERIAL DO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, deve-se reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo-se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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EXISTÊNCIA. Comprovado o equivoco no acórdão com relação a condenação que ficou estabelecida, devese reformado acórdão de primeira instância neste ponto. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. A Instrução Normativa que tem por finalidade o preenchimento de lacunas dentro do processo fiscal, sendo que estas quando preveem prazo para a apresentação ou recolhimento não serem sujeitas a reserva legal do art. 97 do CNT. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. A obrigação acessão descumprida pelo recorrente de apresentação de declaração de exportação no prazo legal, tem finalidade fiscalizatória, configurando o seu descumprimento em prejuízo ao erário. MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO DAS INFORMAÇÕES. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 18 85 /2 01 0- 41 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001885/201041 Acórdão n.º 3801004.886 S3TE01 Fl. 3 2 Conforme a previsão do art.37 e art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66, das informações prestadas pelo transportador ao fisco devem respeitar do forma e prazo, sendo portanto aplicável a multa pelo seu descumprimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento a preliminar no sentido de reconhecer o erro de cálculo na decisão administrativa de 1ª instância; por maioria de votos, no mérito, em dar provimento ao recurso reconhecendo se o instituto da denúncia espontânea. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges que negavam provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Laiana Lacerda da Cunha, OAB/DF 41.709. julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001885/201041 Acórdão n.º 3801004.886 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.001885/201041, contra o acórdão nº 0728.214, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 11 de abril de 2012, onde se entendeu pela parcial procedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 45.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecido pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: que não existe base legal especifica para a exigência da prestação das informações em até dois dias; que a imposição da penalidade com base em Instrução Normativa ofende ao principio da legalidade; que o art. 107, IV, "e" do Decreto lei 37/66 é inaplicável, uma vez que não apresenta uma precisa definição das obrigações que devem ser atendidas pelo contribuinte, não se constituindo assim numa norma completa. que deveria haver tratamento isonômico com os embarques marítimos, cuja exigência é de sete dias para o registro dos dados. que não houve qualquer prejuízo ao erário em razão de pequenos atrasos cometidos pela impugnante no registro de dados de suas embarcações; que não dificultou ou embaraçou a atividade das autoridades administrativas. Requer, pelos motivos expostos, a improcedência do auto de infração e a anulação da multa regulamentar. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001885/201041 Acórdão n.º 3801004.886 S3TE01 Fl. 5 4 A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela parcial procedência da impugnação, reduzindo o crédito tributário de R$ 55.000,00 para R$ 30.000,00, referente à multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto Lei nº 37/1966. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fls. 77/94, expondo que: 1 Erro matéria da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Pede a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; É o sucinto relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001885/201041 Acórdão n.º 3801004.886 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. Erro de Cálculo Primeiramente, quanto ao erro de cálculo, haja vista que de fato restou mantida a penalidade apenas com relação a três voos, quais sejam, o do dia 04/09/2006, 19/09/2006, 22/09/2006, 25/06/2006 e 27/09/2006, devendo, portanto ser reduzida a multa aplicada de R$55.000,00, para R$25.000,00, reformandose a decisão de primeira instância. Denuncia Espontânea A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Muito embora compartilhe do entendimento que as agências de carga não possam ser sujeitas da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, devendo ser estas serem impostas somente ao transportador, tenho que deve ser adotado o entendimento deste egrégio Conselho, já exposto em diversos acórdãos, como, v.g., o de nº 3401002.443, julgado na sessão de 26 de novembro de 2013. Ocorre que diversos são os julgados deste Conselho onde foi compreendido que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Todavia, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001885/201041 Acórdão n.º 3801004.886 S3TE01 Fl. 7 6 de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001885/201041 Acórdão n.º 3801004.886 S3TE01 Fl. 8 7 § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos portanto que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001885/201041 Acórdão n.º 3801004.886 S3TE01 Fl. 9 8 Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo pelo provimento do recurso e passo a analisar as demais matérias, não obstante prejudicadas, para fins de privilégio do devido processo legal. Reserva Legal A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o voo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Ressalto que o entendimento seria pela carência de razão do contribuinte caso não estivesse prejudicada a análise desta matéria. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001885/201041 Acórdão n.º 3801004.886 S3TE01 Fl. 10 9 Ausência de Dano ao Erário Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Multa Singular e o Princípio da Proporcionalidade e Razoabilidade A recorrente se insurge contra a aplicação da multa regulamentar contra as declarações expedidas as destempo em cada uma das viagens de voo declarações de forma extemporânea, evocando o princípio da razoabilidade de proporcionalidade. Neste ponto, entendo que não há maculas o julgado da DRJ, posto que determinou que em cada voo cujas declarações tenham sido expedidas com atraso deveria ser aplicada multa apenas na proporção de viagens, respeitando a proporcionalidade e razoabilidade ao contrario do que afirma o recorrente. Neste sentido, entendo por interpretar a norma de forma mais favorável sem infringir a legalidade ao contribuinte quando esta determina penalidade ao tipo de conduta, conforme resta estabelecido no art. 112, do Código Tributário Nacional – CTN, segundo o qual “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto”: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza d penalidade, aplicação, ou à sua gradação. Sobre o tema em comendo, temse decidido nas sessões deste Conselho a interpretação da norma em favor do infrator. Vejamos: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 ILEGIMITIDADE PASSIVA. MULTA. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. EXPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. É legitimo para figurar no polo passivo da autuação, o transportador que registou os dados de embarque fora do prazo estabelecido no art. 37, §2º, da Instrução Normativa SRF nº 28/94. Inteligência Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001885/201041 Acórdão n.º 3801004.886 S3TE01 Fl. 11 10 dos arts. 107, inciso IV, alínea “e” e 37 do DecretoLei nº 37/66 c/c arts. 37, §2º, 44 e 46 da Instrução Normativa SRF nº 28/94. REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE MARÍTIMO EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. Ocorrendo dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicação, ou à sua gradação, deve ser aplicada a interpretação mais favorável ao acusado (art. 112, CTN). A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação no Siscomex é aplicada por viagem do veículo transportador e não por carga (Declaração para Despacho de Exportação). DUPLICIDADE DA COBRANÇA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada documentalmente o alegado bis in idem, improcedente a alegação de duplicidade da cobrança e a consequente identidade de objetos entre dois processos administrativos fiscais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138, CTN. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Não alegado em momento oportuno, o argumento está precluso, pelo que não merece ser conhecido, ex vi dos arts. 16, inciso III e 17, do Decreto nº 70.235/72. (Recurso Voluntário nº 11968.001039/200717, Relator Bruno Mauricio Macedo Curi, da 2ª Câmara da 3ª Sessão de Julgamento do Carf, Publicada em 11/09/2013) Nestes termos, entendo que deve ser alterada a decisão de primeira instância para que conste o valor correto a ser aplicado de multa, evidenciado o erro formal e pela correta aplicação da penalidade do art. 107, IV, alínea “e” do Decreto Lei nº 37/66, devendo incidir sobre cada voo e não por declaração emitida, conforme julgou a primeira instância. Ressalto que este seria o entendimento caso não estivesse prejudicada a análise. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator Fl. 147DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10715.001885/201041 Acórdão n.º 3801004.886 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10070.000828/2005-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 01/03/2005
COFINS-EXPORTAÇÃO. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE. É vedado ao exportador de mercadorias com o fim específico de exportação creditar-se de COFINS em relação às despesas vinculadas a essa operação, inclusive o frete.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-002.215
Decisão: RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Monica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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decisao_txt : RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Monica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas (Relatora).
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NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE. É vedado ao exportador de mercadorias com o fim específico de exportação creditarse de COFINS em relação às despesas vinculadas a essa operação, inclusive o frete. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Monica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 08 28 /2 00 5- 19 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por ED&F MAN BRASIL S/A contra Acórdão n. 1332.862, de 17 de janeiro de 2010 (fls. 492/501), proferido pela 5ª Turma da DRJ/RJ2, que manteve o indeferimento do direito creditório pleiteado (R$ 452.940,89) relativo as declarações eletrônicas de compensação (Dcomp) às fls. 01/03 do PA n. 10070.000828/200519 (principal) e às fls. 01/03 do PA n. 10070.000993/200562 (apenso – retificada as fls. 17/19). A Delegacia a quo, analisando a manifestação de inconformidade apresentado pelo contribuinte, bem como a documentação acostada (conhecimentos de transporte, notas fiscais/faturas de serviços de transporte e seus anexos, fls. 174/192) concluiu que os créditos da COFINS não cumulativa relativos a custos e despesas relacionados ao frete no primeiro trimestre de 2005 não poderiam ser utilizados na compensação de débitos do IRPJ e da CSLL. Isso porque não há direito à apropriação do crédito da nãocumulatividade da COFINS relativo aos gastos da empresa comercial exportadora com frete de mercadoria adquirida no mercado interno com fim específico de exportação. O acórdão a quo encontrase assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTARIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 COFINS. CREDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMPENSACAO. DESPESAS COM FRETE. ACESSORIO. MERCADORIA SEM DIREITO A CREDITO. Não faz jus à apropriação de créditos nãocumulativos da COFINS o gasto com frete, pago no transporte de mercadoria que não da direito ao aproveitamento de ditos créditos, destinada ao adquirente, empresa comercial exportadora, exclusivamente com o fim especifico de exportação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido De se destacar que a DRJ alertou que o fundamento utilizado pela Delegacia de origem para o indeferimento do aproveitamento do crédito, qual seja, insuficiência do saldo credor para a compensação efetivada, não seria o principal motivo para o indeferimento do pedido do aproveitamento do crédito, já que haveria nos autos questão que “sobreleva à própria determinação do valor ou da capacidade probante dos documentos apresentados” para a utilização dos créditos da não cumulatividade da COFINS. De fato, a decisão recorrida, alterando substancialmente os motivos do indeferimento do credito, e adentrando à essência do próprio direito à compensação, concluiu que tal direito seria inexistente, afastando, de plano, todas as alegações da contribuinte em sua manifestação de inconformidade, consubstanciadas nas seguintes razões: Fl. 630DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10070.000828/200519 Acórdão n.º 3301002.215 S3C3T1 Fl. 3 3 a) os créditos permitidos na sistemática nãocumulativa da COFINS devem refletir todas as despesas e os custos que colaboram direta ou indiretamente na atividade empresarial geradora das receitas, pois o art. 1º da Lei n° 10.833/2003 define a hipótese de incidência da COFINS como "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica"; b) bem por isso, a nãocumulatividade da COFINS é mais ampla que a prevista para o IPI e o ICMS, pois na sua análise o intérprete deve levar em consideração a relação entre as despesas incorridas e as receitas auferidas (artigo 195 da CF/88 e artigo 1° da Lei n° 10.833/2003), e não as operações de circulação de mercadorias e de produtos industrializados; c) assim, concluise que para efeito de apuração de créditos da COFINS nãocumulativa devem ser consideradas todas as despesas incorridas pelo contribuinte para o desenvolvimento da atividade empresarial geradora de receitas, nos termos dos artigos 1° , 3° e 6° da Lei n° 10.833/2003, e alínea "b" do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal de 1988, como é o caso do frete; d) a existência das despesas incorridas com o frete jamais foi contestada pelo Despacho Decisório, tendo os créditos sido glosados aparentemente pela não apresentação dos conhecimentos de transporte, documentos esses não exigidos pela Lei n° 10.833/2003 para a apuração dos créditos da COFINS nãocumulativa; e) o requerente é pessoa jurídica que se dedica à comercialização no mercado interno e internacional de commodities agrícolas, e, no exercício de suas atividades empresariais, adquire no mercado interno mercadorias que serão destinadas ao exterior; f) no caso concreto, todos os gastos incorridos com "fretes" são imprescindíveis para o transporte das mercadorias comercializadas pelo requerente, representando, portanto, despesa essencial vinculada ao próprio desempenho da atividade empresarial geradora de receitas; g) até porque, todos os gastos com frete são suportados pelo requerente, seja como "custo" das mercadorias adquiridas para revenda, seja como "despesa" nas vendas das mercadorias, sendo inequívoco, nessas condições, o direito do requerente aos créditos calculados sobre os gastos incorridos com "fretes", nos termos dos incisos I ou IX do artigo 3 o da Lei n° 10.833/2003; h) os gastos incorridos com fretes, em sua grande maioria, se referem aos serviços de transportes contratados, por conta e ordem do requerente, para levar os produtos do local onde estão Fl. 631DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 os seus fornecedores diretamente para os portos por onde serão exportados (exportação indireta); i) o frete pago nas operações de remessas para exportação sempre estará relacionado a uma operação de venda, ainda que, em razão da logística adotada, a entrega do produto ocorra em um momento posterior à operação de remessa para exportação, e, portanto, essas operações realizadas por conta e ordem do requerente não se referem a meras transferências ou remessas de mercadorias, mas, efetivamente, a operações de venda; j) ou seja, mesmo nessas situações de exportações indiretas, os serviços de transporte contratados estão diretamente vinculados às operações de venda, e, portanto, ao desempenho da atividade geradora de receita, sendo legítimo o direito ao aproveitamento dos créditos da COFINS nãocumulativa, até mesmo porque suportados pelo requerente justamente para aproximar a mercadoria do consumidor, na maioria das vezes, localizado no exterior; k) de modo a legitimar os créditos apurados no primeiro trimestre de 2005, o requerente apresenta, neste momento, cópia das relações dos despachos emitidos pelas pessoas jurídicas prestadoras dos serviços de transporte (documentos anexos das notas fiscais/faturas de serviços de transporte emitidas), suficientes para comprovar a efetiva existência das despesas incorridas com fretes; 1) nem se alegue que seria supostamente necessária a apresentação dos conhecimentos de transporte para a legitimação dos créditos apurados, pois, o conhecimento de transporte é um documento exigido pela legislação do ICMS exclusivamente para o controle e acompanhamento deste tributo relativamente aos serviços de transporte interestadual e intermunicipal, bem como para o aproveitamento de créditos do ICMS nãocumulativo; m) aliás, vale insistir, a existência das aquisições de serviços de transportes não foram sequer contestadas pelo Despacho Decisório, muito embora, não obstante, o requerente esteja juntando aos autos parcela significativa dos conhecimentos de transporte, relativos às despesas incorridas com frete, que serviram de base para a apuração dos créditos da COFINS não cumulativa no I o trimestre de 2005; n) de qualquer modo, o requerente informa que continua com o trabalho de levantamento de outros elementos relacionados às despesas incorridas com "fretes" no período questionado, de modo a afastar quaisquer dúvidas quanto à legitimidade dos créditos apropriados, razão pela qual pede a juntada posterior de documentos, inclusive, para o caso de as autoridades administrativas entenderem necessários; Fl. 632DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10070.000828/200519 Acórdão n.º 3301002.215 S3C3T1 Fl. 4 5 o) ante o exposto, requerse o acolhimento da Manifestação de Inconformidade, para que seja reconhecida a totalidade do direito creditório pleiteado, homologandose as compensações declaradas”. Em face da conclusão da DRJ, a contribuinte recorre ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por meio do Recurso Voluntário (fls. 564 a 574), reafirmando os seus argumentos outrora já apresentados, inovando apenas no seguinte: A Recorrente possui direito ao crédito, uma vez que o art. 17 da Lei 11.033/04, que trata, atualmente, do crédito nas operações desoneradas em questão, pelo princípio da posterioridade tácita, não traz limitação às operações da Recorrente; A Recorrente, efetivamente, realiza vendas de mercadorias e serviços no mercado interno, sendo que em relação aos serviços prestados a terceiros logística e transporte – a Recorrente contrata os transportadores, cujo crédito cuida o presente processo; Por fim, a Recorrente provou a aquisição de serviços no I o trimestre de 2005, conforme subitens 5.3.1 a 5.3.8. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. O que se verifica tanto no recurso voluntário, como no memorial trazido por ocasião do presente julgamento, é que o contribuinte tenta desviar o debate dos autos para uma suposta premissa equivocada no sentido de que no primeiro trimestre de 2005 a empresa não teria auferido receitas decorrentes de venda no mercado interno. O ponto central para o indeferimento do aproveitamento do crédito não foi esse, mas o fato de que o crédito pleiteado pela contribuinte decorreu do COFINS sobre o frete de mercadoria adquirida internamente para o fim específico de exportação, situação em que a legislação expressamente veda o aproveitamento desse crédito. Assim, a despeito da tentativa do contribuinte em demonstrar que no primeiro trimestre de 2005 efetuou vendas de mercadorias no mercado interno, o que, com a devida vênia, não resta demonstrada pela documentação por ele anexada nos autos (DACON anexada não indica receita com venda de mercadorias no mercado interno e a DIPJ juntada, como bem analisada pela DRJ dá conta que a Fl. 633DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 receita com esse espécie de operação foi nula), não restou dúvidas e nem foi possível ser infirmada a afirmação de que “a mercadoria (açúcar), adquirida junto aos respectivos produtores, foi destinada à empresa interessada com o "fim específico de exportação", e, nesses termos, não há, na forma da legislação, direito ao aproveitamento de créditos por parte do adquirente sobre as aquisições correspondentes”. Também resta irretocável, na análise dessa relatora, a assertiva da DRJ no sentido de que “Em que pese o relato que procura dar a impressão de que o manifestante é o "exportador indireto", não deixando claro quem, de fato, seria o "exportador direto" da mercadoria adquirida (açúcar), a indicação de que a empresa tem por atividade "aproximar a mercadoria do consumidor, na maioria das vezes, localizado no exterior, já nos serve para nos dar, pelo menos, uma pista de que, que, na hipótese dos autos, o contribuinte interessado funciona, na verdade, como uma sociedade comercial exportadora”. Sobre este tema, não resta nenhuma dúvida de que todos os créditos da COFINS relativos aos custos, despesas e encargos incorridos pelo vendedor, e incluído no preço da mercadoria vendida com o fim específico de exportação, são de fruição exclusiva do vendedor da mercadoria e, por esta razão, o adquirente da mercadoria não pode se creditar da COFINS, por força do que dispõe § 4º, do art. 6º da Lei nº 10.833/03, abaixo reproduzido. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10070.000828/200519 Acórdão n.º 3301002.215 S3C3T1 Fl. 5 7 Veja, no caso em tela, que “é o próprio interessado quem reconhece a sua condição de comercial exportadora, do que decorre, como já visto, a impossibilidade de creditarse sobre os valores despendidos em suas compras de açúcar, ao informar, na Ficha 12 do DACON ("Apuração dos créditos da COFINS Regime NãoCumulativo", v. fls. 46/47), a inexistência de qualquer valor a título de créditos a descontar sobre "Bens para Revenda" (v. linha 01), denotando, por conseguinte, que tal direito efetivamente não existe, porque, de fato, a mercadoria (açúcar) foi destinada ao requerente, sociedade comercial exportadora, com o fim específico de exportação, e, nesses termos, na forma da legislação acima colacionada, inexiste qualquer possibilidade tendente ao aproveitamento de créditos sobre as operações de compra de açúcar em favor do adquirente”. Assim, atuando a recorrente no caso concreto como uma simples empresa comercial exportadora e tendo ela incorrido nas mesmas despesas de frete de mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, não teria direito ao creditamento das despesas com frete e armazenagem à luz do dispositivo legal supra. E não o tem simplesmente porque a norma de regência (§ 4º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, acima reproduzido) é clara ao proibir a apuração de crédito vinculado à receita de exportação das mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, independente de haver ou não, para a despesa incorrida, previsão legal de creditamento, quando vinculada às demais receitas. E, ainda, porque sendo a apropriação dos créditos da nãocumulatividade decorrentes de renúncia fiscal, a norma de regência deve ser interpretada de forma restrita, em obediência ao que determina o art. 111 do CTN, sendo vedada sua interpretação extensiva. Por outro lado, também irretocável a decisão a quo quando aduz que ao desmembrar as despesas com frete, tratandoas como dissociadas da própria aquisição do açúcar, pretendendo a apropriação dos créditos da COFINS não cumulativa sobre tais despesas, o contribuinte incorreu em planejamento tributário, efetuado ao arrepio de toda a legislação que rege a matéria, aqui devidamente referenciada. Assim, entendo também que não deve decorrer desse planejamento qualquer direito ao aproveitamento dos créditos, eis que inexistentes. Quanto à documentação trazida pelo recorrente entendo estar totalmente prejudicada qualquer análise a respeito de valores, períodos ou mesmo autenticidade da despesa incorrida. Isso porque, como já exposto do entendimento ora manifestado decorre a inexistência de qualquer crédito da COFINS não cumulativa sobre as despesas de frete de que tratam os conhecimentos de transporte e demais documentos anexados pelo contribuinte ao processo. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. Fábia Regina Freitas Relator Fl. 635DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Fl. 636DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10283.721106/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO NÃO ACARRETA NULIDADE.
Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE.
O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando o disposto no artigo 14, § 1º, da Lei n.º 9.393, de 1996.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tri butária. (Súmula CARF nº 2).
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO NÃO ACARRETA NULIDADE. Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando o disposto no artigo 14, § 1º, da Lei n.º 9.393, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tri butária. (Súmula CARF nº 2). Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EVENTUAIS OMISSÕES OU INCORREÇÕES. FALTA DE PRORROGAÇÃO NÃO ACARRETA NULIDADE. Irregularidade na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não acarreta a nulidade do lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 11 06 /2 00 8- 31 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 144 2 O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando o disposto no artigo 14, § 1º, da Lei n.º 9.393, de 1996. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tri butária. (Súmula CARF nº 2). Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ – Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Por meio de Notificação de Lançamento (fls. 15/19 e 43/45), foi efetuado lançamento contra FRANCISCO RITTA BERNARDINO, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel “Repartimento II”, cadastrado na RFB sob o nº 4.874.4670, com área declarada de 10.000,0 ha, localizado no município de Coari – AM, relativo ao exercício 2006, no valor de R$ 500.183,81, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/11/2008. O contribuinte foi intimado a apresentar Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, de modo a comprovar o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2006, sob pena de arbitramento de novo Valor da Terra Nua (VTN), com base no VTN médio, por hectare, apontado no SIPT da RFB, de R$ 125,17. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 145 3 Como não foi apresentado o laudo de avaliação exigido, a autoridade fiscal, mediante análise dos dados informados na correspondente DITR/2006, lavrou a Notificação de Lançamento, sendo rejeitado o VTN declarado, de R$ 1.428,00 ou R$ 0,14/ha, por entender subavaliado, sendo então arbitrado o valor de R$ 1.251.700,00 ou R$ 125,17/ha, correspondente ao VTN/ha médio apontado no SIPT, exercício de 2006, para o citado município, conforme demonstrado à fl. 18. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 26/37), instruída com os documentos de fls. 38/39, 40, 41 e 42, a qual está assim resumida no Acórdão da DRJ/BSB (fls. 65 a 81): Faz um breve relato dos fatos relacionados com a presente Notificação e apresenta a fundamentação legal utilizada para justificar o respectivo lançamento de ofício; informa que adquiriu em conjunto com a Sra. Leia Vieira de Souza Faria, do Banco do Estado de Minas Gerais, ao preço total de R$ 22.848,000, um IMÓVEL RURAL, com área total de 27.200,0 ha, constituído de 08 (oito) glebas de terras, localizadas no município de Coari, com título de aquisição devidamente registrado no Cartório competente, identificando essas oito glebas, com as suas respectivas dimensões; (os grifos são do original). o impugnante não foi intimado do Termo de Intimação Fiscal nº 02201/000008/2008, no dia 10/09/2008, como afirmado na notificação da qual ora se defende. Assim sendo, nulo é o auto de lançamento ora impugnado, em observância ao princípio constitucional da ampla defesa; o fato de ter sido efetuado dois lançamentos distintos, referentes às glebas denominadas Repartimento II e Igarapé Preto, que formam, por tratarse de áreas contínuas, um único imóvel rural, contraria o disposto no art. 1º, parágrafo único da Lei 9.393/96;(os grifos são do original). ora, para efeito do referido dispositivo legal, cada gleba representa uma parcela de terras da área contínua, no total de 27.200,0 ha; tratandose de área contínua, formada por várias parcelas de terras (várias glebas), é nulo o lançamento lavrado, em relação a uma das partes do imóvel como um todo; os dois lançamentos devem ser unificados, considerando para tanto a quantidade proporcional de hectare da terra nua do imóvel rural, tendo como base o valor total adquirido de R$ 22.848,00, bastando apenas a atualização do valor proporcional encontrado. Assim, a gleba Repartimento II corresponde a 36,76% desse valor ou R$ 8.400,00, não podendo jamais prevalecer o exorbitante valor de R$ 1.251.700,00, que está acima do preço de mercado, por apenas 10.000,0 ha de terra. Nem mesmo todo o imóvel, com 27.200,0 ha, chega à cifra arbitrada; admitindose, apenas para argumentar, que não seja acolhida a unificação de áreas, impõese como medida alternativa considerar para cada lançamento, o valor proporcional ao hectare adquirido, de R$ 8.400,00 (36,76 % do valor de aquisição); o crédito tributário, no montante apurado e lançado de R$ 500.183,81, para uma área de 10.000,0 ha, composta exclusivamente de floresta nativa primária, termina por constituirse em locupletamento ilícito por parte da Fazenda Nacional, em detrimento da onerosidade a que expõe o Contribuinte; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 146 4 ressalta que o esfacelamento das glebas, constituiuse em desrespeito ao princípio da legalidade, que visa proteger o que define a lei como IMÓVEL RURAL, conforme já abordado; somente em 15/05/1998 passou a ser o único dono de todas as oito glebas, ao adquirir da Sra. Leia Vieira de Souza Faria os 50% de que era proprietária; no interregno de 19/11/1997 a 15/05/1998, o requerente e a citada Sra exerciam solidariamente os direitos e obrigações decorrentes das glebas acima, o que impõe por si só o chamamento da mesma, na condição de legítima proprietária das referidas glebas, para figurar no pólo passivo da obrigação tributária; a Sra. Leia Vieira de Souza Faria deveria, também, ter sido notificada de todos os atos que ensejaram o lançamento, constituindose a ausência de intimação da referida Contribuinte em verdadeira afronta ao princípio constitucional da AMPLA DEFESA; por ter sido o lançamento constituído, de forma errônea, unicamente contra o requerente, a despeito da responsabilidade solidária anteriormente abordada, o mesmo cabe ser nulo, por “erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária”; portanto, a coproprietária do imóvel cabe responder pelo pagamento de 50% da dívida, respondendo o ora impugnante somente pelos outros 50% da mesma, relativo ao período de 19/11/1997 a 15/05/1998, acaso incidente ou então, em última hipótese, sejam ambos solidariamente responsáveis em sua integridade; a área que se pretende tributar, parte do imóvel rural do contribuinte, assim como as demais glebas de terras, estão cobertas por florestas nativas primárias, tendo o impugnante efetuado o pagamento de imposto sobre as referidas glebas do imóvel rural, por mero equívoco de seu Contador, já que fez incidir imposto sobre uma área não tributável (floresta nativa), nos termos do art. 10, inciso II, alíneas “e” da Lei 9.393/96; apesar de o impugnante haver somente nesta fase percebido o equívoco, não obsta corrigilo, conforme, inclusive, jurisprudência do STJ, cuja decisão em resumo transcreve; ainda que por equívoco o contribuinte recolheu o tributo com a alíquota de 20% prevista na Tabela anexa à Lei 9.393/96, recolhendo o imposto então apurado, no valor de R$ 285,60, não havendo, portanto, diferença de imposto a recolher; chama atenção o fato de a Receita Federal nunca ter considerado subavaliado o VTN declarado pelo antigo proprietário do imóvel (Banco do Estado de Minas Gerais), para efeito de apuração do ITR/1994, de R$ 9.222,66; assim, esse valor deve prevalecer para efeito de fixação do VTN, uma vez que o mesmo recebeu o aval da Receita Federal, cabendo, consequentemente, ser aplicado o princípio da isonomia, posto que não pode ser aplicado ao imóvel do impugnante valor diferenciado daquele já consolidado pelo fisco, mesmo em se tratando de sujeitos passivos diferentes, uma vez que o fato gerador do imposto não é o proprietário, mas sim a propriedade; para efeito de apuração do VTN arbitrado, o órgão fiscalizador não observou as alíneas “a”, “b” e “c”, do inciso II, parágrafo 1º, art. 12 da Lei nº 8.629, de 25/02/1993, que cabe ser aplicada, em observância ao PRINCÍPIO DA ISONOMIA, constitucionalmente garantido; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 147 5 no presente caso, foi levado em consideração apenas a capacidade potencial do imóvel e a sua dimensão, sem levar em consideração a sua localização e as características da região, tais como meios de transporte e comunicação, relevo, clima, vegetação, solo com suas aptidões agrícolas, recursos hídricos, vias de acesso, para efeito de apuração do valor de mercado das suas terras; para efeito de indenização, os dados referentes a preço do hectare da terra nua serão levantados junto à Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisas de mercado, assim determina o parágrafo 2º do art. 12 da citada lei; além de não ter sido utilizada nenhuma dessas fontes para efeito de apuração do valor atribuído ao imóvel, sequer a Receita Federal apresentou Laudo de Avaliação. A econômica justificativa para tal arbitramento, no valor exorbitante de R$ 1.251.700,00, sem qualquer planilha, sem especificar os parâmetros, cerceou o direito de defesa do contribuinte. Se o preço de mercado do imóvel é, de fato, o apresentado pelo sujeito ativo, então que desaproprie a área em questão e pague ao sujeito passivo, o valor ora questionado, e assim a justiça estará sendo feita; conforme se depreende dos dados informados no DIAT/2006 (sem constar qualquer área de exploração), as características originais da área do imóvel, ainda coberta de florestas nativas primarias, mantémse intacta, sem qualquer benfeitoria que justifique a avaliação feita pelo autuante, com a agravante de localizarse num local de difícil acesso; insiste que não existe no imóvel qualquer benfeitoria, ou seja, o mesmo continua sem nenhum grau de utilização, não justificando assim a supervalorização do imóvel na forma como foi valorizada, cujo valor ora impugna; questiona o procedimento fiscal realizado em conformidade com o disposto na IN/SRF nº 579/2005, por não terem sido observados os parâmetros, as fundamentações e as justificativas que dispensaram a “realização dos procedimentos internos decorrentes de parâmetros nacionais estabelecidos pelas Coordenações Gerais de Fiscalização, de Administração Tributária e de Tecnologia e Segurança da Informação”. Como isso, fica invalidada a Notificação de Lançamento ora impugnada; faz uma síntese das suas alegações, acrescentando a aplicação de juros e multa exorbitantes, e por fim, demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento, requer que lhe seja acolhida a presente impugnação. A DRJ Brasília julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, cujo acórdão foi assim redigido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal foi instaurado de acordo com a legislação vigente, possibilitando à contribuinte exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, Fl. 147DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 148 6 não havendo que se falar em qualquer irregularidade capaz de macular o lançamento. DECLARAÇÃO RETIFICADORA PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. DA REVISÃO DE OFÍCIO – ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS As áreas ambientais do imóvel, qualquer que seja a sua classificação, para fins de exclusão do cálculo do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada à margem da matrícula do imóvel ou, no caso de posse, a existência de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado em data anterior à do fato gerador do imposto, com o competente órgão ambiental. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha médio constante do SIPT, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2005, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. (grifos do original). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 23 de julho de 2012, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) à fl. 86, o contribuinte apresentou, em 20 de agosto de 2012, recurso voluntário (fls. 87 a 139), trazendo as seguintes alegações: a decisão recorrida não levou em consideração os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, moralidade, ampla defesa, segurança jurídica e interesse público; ocorreu ofensa ao princípio da verdade real; 1. Preliminar de Nulidade do Auto de Infração a propriedade rural do contribuinte, denominado Gleba Igarapé Preto, assim como as demais glebas de terras, estão cobertas por florestas nativas primárias, tendo o impugnante efetuado o pagamento de imposto sobre as referidas glebas do imóvel rural, por mero equívoco, já que fez incidir imposto sobre uma área não tributável, coberta por florestas nativas primárias, nos termos do art. 10, § 1º, inciso II, alínea “a” da Lei 9.393/96 e Instrução Normativa SRF nº 43/97, artigo 10, inciso I e § 2º; Fl. 148DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 149 7 a jurisprudência tem entendido que não há necessidade do Ato Declaratório do IBAMA para sua exclusão da base de cálculo do ITR, tendo colacionado algumas decisões do STJ; a caracterização das áreas de preservação permanente e de utilização limitada é feita pela Lei nº 4.771/65, nos seus artigos 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803/89; de acordo com a certidão expedida pelo IBAMA, 10.000 hectares da propriedade são área de preservação permanente, de acordo com o artigo 3º, alíneas “e” e “f” da Lei nº 4.771/65, bem como por se enquadrarem nas hipóteses do artigo 2º, alienas “a” a “e”; as áreas de preservação permanente são assim caracterizadas apenas por força de lei, sendo qualquer ato do poder público apenas para fins de certificação desse fato; a exigência de ato declaratório do Poder Público para fins de caracterização da área de preservação permanente afronta a Lei nº 9.393/96, que se reporta aos conceitos da Lei nº 4.771/65. Essa conclusão foi reconhecida posteriormente com a inserção do § 7º ao artigo 10 da Lei nº 9.393/96; A Fazenda, por meio dos Conselhos de Contribuintes, vem acatando a inexigibilidade do Ato Declaratório Ambiental, conforme decisões elencadas; Essa também é a posição do STJ, de acordo com alguns julgados colacionados; Assim, deve ser reconhecida a não incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada. 2. Preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa A Fiscalização não demonstrou de forma clara e cristalina as causas do arbitramento no auto de infração, o que configura obstrução ao direito de defesa; erro grave na tipificação da suposta infração caracteriza cerceamento do direito de defesa, devendo ser anulado o auto de infração; a Fiscalização reteve por um período absurdo e abusivo a documentação da impugnante, devolvendoa muito depois, tolhendo o seu direito de defesa. 3. Da proporcionalidade e da razoabilidade da multa aplicada – do afronta (sic) ao princípio da proibição de confisco mesmo sendo indevido o pagamento a título de multa, pelo princípio da eventualidade, caso se entenda que são devidas as multas, os valores cobrados são exorbitantes, ferindo os princípios da proporcionalidade e de vedação ao confisco, em flagrante violação à Constituição Federal. 4. Ofensa à capacidade contributiva a exação exigida possui feições de confisco, o que é vedado pelo artigo 150, IV, da Constituição Federal, transgredindo os lindes da capacidade contributiva. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 150 8 5. Preliminar de nulidade do auto de infração por vício formal o contribuinte não foi cientificado das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal, o que enseja a nulidade do lançamento efetuado. 6. Ofensa ao princípio da moralidade administrativa a exigência do Mandado de Procedimento Fiscal foi alçado à garantia fundamental do contribuinte, pois busca efetivar o princípio da boafé objetiva, que é um sub princípio do princípio da moralidade administrativa; como o fiscalizado não foi cientificado das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal, o lançamento tributário é inválido, por violar o princípio da moralidade. Cabe esclarecer que não consta do recurso o item nº 7. 8. Do erro de fato no arbitramento do Valor da Terra Nua A autoridade fiscal utilizou o Valor da Terra Nua (VTN) de outro município (Novo Aripunã), distinto do qual se localiza o imóvel questionado; Os quadros para aptidão agrícola para o município de Coari encontramse vazios, sem qualquer valor médio alimentado; A Fiscalização não poderia embasar a retificação do VTN no SIPT, pois este não contém informações que atendam aos requisitos legais; o ônus da prova de valor diverso do declarado cabe ao Fisco; o arbitramento do VTN deuse sem dados da base do SIPT, o que é vedado em face da estrita legalidade. Ao final, o recorrente requer que seja julgado improcedente o auto de infração. É o Relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância, referente a lançamento de ITR, exercício 2006, do imóvel denominado “Repartimento II”, com área declarada de 10.000,0 ha, localizado no município de Coari (AM), efetuado por meio de Notificação de Lançamento (fls. 15/19 e 43/45). O recorrente alega diversas preliminares, as quais, para efeito de melhor entendimento, serão abordadas na ordem abaixo, uma vez que no recurso há uma pequena Fl. 150DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 151 9 confusão entre matéria preliminar e de mérito, além do que a ordem das matérias nele adotada prejudica a clareza. Cabe aqui ressaltar que o contribuinte não se insurgiu, em seu recurso voluntário, contra as seguintes matérias, cujas alegações de defesa foram afastadas pela decisão da DRJ: a) ocorrência de erro na identificação do sujeito passivo, por entender que a Sra. Leia Vieira de Souza Faria seria coproprietária do imóvel; b) nulidade do lançamento pelo fato de as glebas “Repartimento II” e “Igarapé Preto” formarem um único imóvel rural, tratandose de áreas contíguas. Por essa razão, tais matérias encontramse fora do litígio em sede de recurso voluntário e não serão objeto do presente voto, em conformidade com o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Preliminar de cerceamento de defesa Em diversas passagens de seu recurso, o contribuinte alega cerceamento de defesa. Ele o invoca em virtude de a Fiscalização não ter demonstrado de forma clara e cristalina as causas do arbitramento no auto de infração, por erro grave na tipificação da infração, pela Fiscalização ter retido a sua documentação por um período abusivo e por não ter sido cientificado das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal. Não consta dos autos nada que comprove a alegação do recorrente de que a Fiscalização reteve a sua documentação por um período abusivo. Observase que o contribuinte não apresentou, durante a ação fiscal, nenhum documento, somente tendo apresentado, por ocasião da impugnação, cópias do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR 1996/1997), de uma escritura pública de compra e venda e das declarações de ITR dos exercícios de 1992 e 1994 referentes ao proprietário anterior, os quais poderiam ser obtidas por ele a qualquer momento. Portanto, não lhe assiste razão nesse ponto. A nulidade suscitada pelo recorrente em relação aos requisitos formais e materiais do auto de infração também não procede, porque a fiscalização descreveu com precisão os fatos que motivaram a autuação. Com efeito, compulsando a Notificação de Lançamento de fls. 15/19 e 43/45, verificase que a fiscalização proporcionou pleno conhecimento da matéria fática, base de cálculo do imposto lançado e os dispositivos legais infringidos. Diferentemente do alegado pelo recorrente, tais elementos evidenciam que o auto de infração em questão foi lavrado em conformidade com o disposto no artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, atendendo, portanto, todos os requisitos formais e materiais exigidos para a autuação. Outrossim, não se encontram presentes nos autos aspectos que implicassem nulidade do lançamento, como os dispostos nos artigos 59, 60 e 61 do referido Decreto. Por todas essas razões, rejeitase a preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 152 10 Preliminar de nulidade do auto de infração por vício formal e por ofensa ao princípio da moralidade administrativa O recorrente alega nulidade por vício formal e ofensa ao princípio da moralidade administrativa, por não ter sido cientificado das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal MPF. A jurisprudência reiterada e uniforme do CARF é no sentido de que o MPF é mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais omissões ou incorreções não são causa de nulidade do auto de infração, consoante se observa nas decisões proferidas pelas turmas das Sessões de Julgamento do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. De forma exemplificativa, destacamse os Acórdãos nº 1402001.360, 110100.812, 1301000.752, 3102001.669, 340301.025, 2202 002.310 e CSRF/0106.028. Das áreas de preservação permanente Embora o recorrente tenha abordado essa matéria como preliminar, tratase de questão de mérito. Ele alega que as suas glebas de terras estão cobertas por florestas nativas primárias, tendo efetuado o pagamento de imposto sobre as referidas glebas, por mero equívoco, já que fez incidir imposto sobre uma área não tributável, nos termos do art. 10, § 1º, inciso II, alínea “a” da Lei 9.393/96 e Instrução Normativa SRF nº 43/97, artigo 10, inciso I e § 2º. Afirma que a jurisprudência tem entendido que não há necessidade do Ato Declaratório do IBAMA para exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada da base de cálculo do ITR, pois a sua caracterização é feita pela Lei nº 4.771/65, nos seus artigos 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803/89. Argumenta, ainda, que as áreas de preservação permanente são assim caracterizadas apenas por força de lei, sendo qualquer ato do poder público apenas para fins de certificação desse fato e, portanto, a exigência de ato declaratório do Poder Público afronta a Lei nº 9.393/96, que se reporta aos conceitos da Lei nº 4.771/65. Conclui que esse entendimento foi reconhecido posteriormente com a inserção do § 7º ao artigo 10 da Lei nº 9.393/96 e vem sendo acatado pela Fazenda, por meio dos Conselhos de Contribuintes. Inicialmente cabe esclarecer que o contribuinte não apresentou nenhum documento que ateste as suas alegações que as áreas do seu imóvel rural são de preservação permanente e/ou de reserva legal. Embora faça referência, em seu recurso, a uma certidão expedida pelo IBAMA informando que 10.000 ha da sua propriedade são área de preservação permanente, não consta dos autos nenhum documento a esse respeito. Na realidade, os únicos documentos acostados pelo contribuinte foram cópias do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR 1996/1997), de uma escritura pública de compra e venda e das declarações de ITR dos exercícios de 1992 e 1994 referentes ao proprietário anterior, anexadas à impugnação (fls. 38/39, 40, 41 e 42). A Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, em seu artigo 10, que trata da apuração e pagamento do imposto, menciona que para efeitos de apuração do ITR considerarseá “área tributável” a área total do imóvel “menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal”, previstas na Lei nº 4.771 de 15 de setembro de 1965, com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 153 11 A apresentação do ADA – Ato Declaratório Ambiental, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal, que outrora era exigida pela RFB com base em norma infra legal, surgiu no ordenamento jurídico com o art. 1º, da Lei nº 10.165/2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001: Art. 17 O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. [...] §1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (grifo nosso) O Decreto nº 4.382/2002, que regulamenta o ITR, também possui determinação expressa: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I – de preservação permanente; II – de reserva legal, [...] § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. [...] § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I – ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); (grifos nossos). No presente caso, o requerente não comprovou a protocolização do ADA no IBAMA. Mesmo que se entendesse que a falta de protocolização do ADA pudesse ser suprida pela apresentação de outros documentos que atestasse a existência das áreas de preservação permanente, a verdade é que o contribuinte não apresentou nenhum documento comprobatório. Não se pode acatar a suposta área de preservação permanente apenas baseado nas alegações do contribuinte/proprietário, sem que tenha sido apresentada nenhuma prova. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 154 12 O artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Dessa forma, não cabe acatar, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área alegada pelo recorrente como sendo de preservação permanente. Do Valor da Terra Nua (VTN) Regularmente intimado pela Fiscalização a apresentar Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com grau de fundamentação e precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos identificados que comprovassem o Valor da Terra Nua informado na DITR, o contribuinte permaneceu inerte. Diante disso, a Fiscalização procedeu ao lançamento do ITR sobre o Valor da Terra Nua arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, lançamento este integralmente mantido pela primeira instância. Tanto na impugnação quanto em sede de recurso, o contribuinte insurgiuse contra o lançamento feito com base em arbitramento do VTN. Apesar de o recorrente afirmar que a autoridade fiscal utilizou o Valor da Terra Nua (VTN) de outro município (Novo Aripunã), essa alegação não procede. Consoante se pode verificar pelo extrato de fl. 11, o VTN utilizado foi do município de localização do imóvel, qual seja, Coari (AM), porém foi utilizado o valor médio das DITRs. A Lei n.º 9.393/1996, estipulou, em seu artigo 14, que, no caso de prestação de informações inexatas em DIAC ou DIAT, cabe à Secretaria da Receita Federal proceder à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Seu parágrafo 1.º estipula que as informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II, da Lei nº 8.629, de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 155 13 §1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II , da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei nº 9.393/96 dispunha: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I – valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II – valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Com base nesses dispositivos legais, foi instituído o SIPT – Sistema de Preços de Terras , por meio da Portaria SRF nº 447, de 28.3.2002 (DOU de 3.4.2002), com o fim de fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Segundo o ato normativo que o instituiu, o referido sistema sustentase nos valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e nos valores de terra nua da base de declarações do ITR. No presente caso, a autoridade fiscal utilizou o Valor da Terra Nua constante no SIPT Sistema de Preços de Terras , para o município de localização do imóvel. Entretanto, examinando os dados fornecidos pelo SIPT, conforme extrato acostado à fl. 11, verificase que o VTN médio informado, utilizado pela Fiscalização para apurar o VTN do imóvel na Notificação de Lançamento, baseouse somente no VTN médio informado nas DITRs entregues naquele município no exercício 2006 (R$ 125,17). O SIPT, quando informa somente o VTN médio declarado nas DITR do Município, sem considerar a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel, não cumpre os requisitos legais para ser utilizado no arbitramento do valor da terra nua, conforme decisões deste Conselho, abaixo: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR [...] Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 156 14 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. ILEGALIDADE. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. Prece dentes do CARF. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO, MANTIDA A DECISÃO DA RECORRID A, EXCETO NO QUE SE REFERE AO VTN ARBITRADO PELA FISCALIZAÇÃO, DEVENDO SER ADOTADO PARA O CÁLCULO DO ITR DEVIDO O VTN DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. (Acórdão nº 2202002.485, Rel. FABIO BRUN GOLDSCHMIDT). Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2801003.748, Rel. TANIA MARA PASCHOALIN) Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR [...] VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS SIPT. UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por Município, constante do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, sem considerar levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura da Unidade Federada ou do Município, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, por contrariar o disposto no artigo 14, § 1.º, da Lei n.º 9.393, de 1996. (Acórdão nº 2101002.393, Rel. CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY) Assim, deve ser desconsiderado o VTN arbitrado e restabelecido o VTN declarado pelo Recorrente. Da multa de ofício aplicada No que concerne à alegação do recorrente de que a multa é exorbitante e desrespeita o princípio constitucional do nãoconfisco, devese esclarecer que a multa aplicada, no percentual de 75%, foi exigida com fundamento no disposto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10283.721106/200831 Acórdão n.º 2202002.900 S2C2T2 Fl. 157 15 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será apreciada a alegação do recorrente de ofensa aos princípios constitucionais. No entanto, como o crédito tributário relativo ao principal deve ser exonerado, em conseqüência a multa também deve ser cancelada. Diante do exposto, voto por REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso, para restabelecer o Valor da Terra Nua (VTN) declarado. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15471.001555/2007-84
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE.
O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso.
Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-004.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Eivanice Canário da Silva. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que não conhecia do recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Recurso Voluntário Negado.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. LIMITES DA LIDE. O Decreto nº 70.235, de 1972, dispões sobre o processo administrativo fiscal e em seu artigo 33 estabelece que caberá recurso voluntário, total ou parcial, da decisão de 1ª instância. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética. Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera, depois, deles um novo impulso”. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos, respectivamente, pelo ato de lançamento e pela impugnação/recurso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Eivanice Canário da Silva. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que não conhecia do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 15 55 /2 00 7- 84 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 15471.001555/200784 Acórdão n.º 2801004.045 S2TE01 Fl. 190 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do Contribuinte acima identIficado foi lavrada Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, exercício de 2005, ano calendário de 2004, exigindolhe R$ 3.424,64 a título de imposto, acrescido de multa proporcional de 75% e mais juros de mora calculados pela tava Selic. A autuação partiu de revisão de ofício efetuada na Declaração de Ajuste Anual Retificadora entregue pelo Contribuinte em 09/05/2007, tendo a Autoridade Fiscal constatado a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, pagos pela Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Rio de Janeiro, no importe de R$ 25.680,54. Inconformado, o contribuinte apresentara Impugnação, onde explicou que entregara uma declaração original e depois duas retificadoras, efetuando alterações nos rendimentos tributáveis informados. Em especial, disse que em relação aos proventos pagos pela fonte pagadora acima citada, com base na Lei nº 8.852, de 1994, entendera que R$ 25.680,54, por referiremse a "triênios", seriam isentos e não tributáveis. Na análise da Impugnação, entendeu o Julgador recorrido, em suma, que as exclusões do conceito de remuneração, estabelecidos na Lei nº 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo princípio da estrita legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Explicou o escopo da referida lei, citando ainda a Lei nº 7.713, de 1988 e o artigo 111, do CTN. Assim sendo, julgouse improcedente a Impugnação. Cientificado dessa decisão em 10/03/2008, conforme AR na folha 65, o Interessado apresentou recurso voluntário cuja cópia consta tanto das folhas 67 e seguintes quanto 161 e seguintes, haja vista uma duplicidade na digitalização do processo. Em sede de recurso, não contradiz expressamente o disposto pela DRJ, mas traz novos argumentos, que se referem à existência de "erro de fato" na sua Declaração retificadora última, onde terseia equivocado ao declarar rendimentos de aplicações financeiras, "tributados exclusivamente na fonte", em conjunto com outros rendimentos tributáveis no ajuste anual. Apresenta novo cálculo de apuração do tributo, em demonstrativo, que pretende alterar aquele elaborado pela Autoridade Lançadora. PEDE retificação de ofício da sua declaração, citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes e baseado no "erro de Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 15471.001555/200784 Acórdão n.º 2801004.045 S2TE01 Fl. 191 3 fato" que aponta, e a declaração de insubsistência da Notificação de Lançamento. Enfim, pleiteia restituição de valor, além daquele já recebido quando do processamento eletrônico da declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A data de protocolo do recurso, em ambas as cópias que constam do processo, está ilegível, mas a Unidade preparadora afirmou em Despacho que consta da folha 186 que a apresentação deuse em 09/04/2008. Tendo sido cientificado da Decisão de 1ª instância em 10/03/2008, o recurso é tempestivo, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Observo que existe uma duplicidade de cópias dos documentos, em decorrência dessa digitalização. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....”Se no curso deste processo, constatarse a concordância de opiniões, devese por fim ao processo, já que o próprio objeto da discussão perdeu o sentido. Da mesma forma, não há o que julgar se o contribuinte não contesta a imposição tributária que lhe é imputada.(NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) Bem, qual foi o objeto da Notificação de Lançamento, que deu origem a este processo e que enfim consubstancia a "pretensão do Fisco"? Observo, na folha 09, "descrição dos fatos", que foi a omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 25.680,54, pagos e informados pela fonte Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão do Rio de Janeiro, conforme comprovante de rendimentos na folha 36, no total de R$ 153.324,30. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 15471.001555/200784 Acórdão n.º 2801004.045 S2TE01 Fl. 192 4 Na impugnação, o contribuinte alegou que apenas declarara R$ 127.643,76 desse total, porque os R$ 25.680,54 referirseiam a "triênios", que considerou "isentos", baseandose na Lei nº 8.852, de 1994, entendendoos como adicional de tempo de serviço, para fins do cômputo de sua remuneração. Esclarecido pela DRJ que a Lei nº 8.852, de 1994, não outorga hipóteses de isenção tributária mas referese ao cômputo de valores para determinação do "teto" remuneratório do servidor público, como aliás é a jurisprudência consolidada e vinculada deste CARF, já expressa em Súmula, em sede de recurso inova em suas alegações, pedindo a exclusão de outros rendimentos do quadro de rendimentos tributáveis, que não foram objeto do lançamento que deu origem a este processo. Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. No recurso ao CARF, recorrese daquilo que foi disposto pelo Julgador de 1ª instância, em relação ao lançamento tributário consubstanciado na Notificação de Lançamento. Se o contribuinte não contesta que a lei nº 8.852 de 1994 não se prestou a conceder isenção tributária e admite que os valores correspondentes aos "triênios" sejam tributáveis (item b de suas "conclusões"), não há o que ser resolvido por esta instância recursal, neste autos. Não obstante as lições processuais retro transcritas, conforme o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, temos que: Das Competências das Unidades Descentralizadas Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas Derpf, às Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e às Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes “Especial A”, “Especial B” e “Especial C”, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (Redação dada pelo(a) Portaria MF nº 512, de 02 de outubro de 2013) ... XXII proceder à retificação de declarações aduaneiras, à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 15471.001555/200784 Acórdão n.º 2801004.045 S2TE01 Fl. 193 5 (sublinhei/grifei) Assim, não se pode transformar a lide tributária a ser julgada pelos órgãos administrativos competentes, em 1ª instância e grau recursal, em pedido de revisão de ofício para que seja retificada uma declaração que teria sido apresentada com erro pelo contribuinte, só verificado e mencionado após a decisão recorrida, como o próprio assinala e pretende em seu recurso. Ressalvadas algumas matérias de ordem pública, a competência do julgador para a revisão do lançamento restringese à hipótese prevista no art. 145 do CTN, sendo a revisão de ofício de iniciativa exclusiva da RFB (art. 149 do CTN). CONCLUSÃO Bem, concluindo, a Notificação de Lançamento referiuse, exclusivamente, à omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício como declarado pela fonte, no valor de R$ 25.680,54. A Delegacia de Julgamento assentou, com acerto, que a Lei nº 8.852, de 1994, não confere hipóteses de isenção tributária, nela não podendo basearse o contribuinte para excluir da base de cálculo do imposto determinadas parcelas (anuênios). Em sede de recurso, o Recorrente não contesta expressamente essa disposição (artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972), mas inova a matéria pretendendo que se exclua outros rendimentos (de aplicações financeiras) que teria indevidamente incluído em sua Declaração. Portanto, não há mais litígio a ser resolvido, nos limites da lide impostos pela Notificação de Lançamento e pela Impugnação e VOTO no sentido de negar provimento ao recurso, que extrapola esses limites. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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