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Numero do processo: 13888.916049/2011-51
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente FÊNIX EMPREENDIMENTOS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 49 /2 01 1- 51 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 13888.916049/201151 Acórdão n.º 9303006.154 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao Acórdão nº 3802002.820, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento". Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3302002.226 e 330201.748. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13888.916049/201151 Acórdão n.º 9303006.154 CSRFT3 Fl. 4 3 Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.142, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 13888.916042/201139, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.142): "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte em razão do acórdão recorrido ter decidido que o Recorrente não teria demonstrado nos autos o recolhimento indevido, pois apesar de ter acostado documentos, deixou de retificar a DCTF e o DACON, sendo que este último seria imprescindível para se confirmar a alegada inclusão indevida de receitas não tributáveis, na base de cálculo da contribuição em questão. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13888.916049/201151 Acórdão n.º 9303006.154 CSRFT3 Fl. 5 4 Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados – , entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC". Como se observa, a decisão recorrida, fundamentou que a Contribuinte não comprovou o direito ao crédito reclamado, se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 330201748, analisou tão somente a questão relativa a necessidade de retificação da DCTF em momento anterior à apresentação da DCOMP. Além disso, naquele caso o Sujeito Passivo providenciou a retificação da DCTF, circunstância que não se verifica no presente caso. Transcrevo parte do aresto: “Como relatado, a empresa Recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débito seu, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darfs) informado pela Recorrente foi integralmente aproveitado no débito informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a Recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e porque a Recorrente não apresentou a prova da existência do crédito alegado. Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13888.916049/201151 Acórdão n.º 9303006.154 CSRFT3 Fl. 6 5 todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção.” Neste mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3302002.226, trata de situação na qual foi apresentado o DACON retificador. Vejamos: Por seu turno, no recurso voluntário a empresa Recorrente sustente que o crédito efetivamente existe e está devidamente provado nos autos e que efetuou a retificação da DCTF após a ciência do despacho decisório. Relatório “Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Brasília: (...) Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Voto “Em síntese, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a Dacon retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF.” Como se vê, as decisões paragonadas não se identifica semelhança fática, o acórdão recorrido entendeu imprescindível a apresentação dos documentos comprobatórios do indébito, dentre os quais o DACON retificador, para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras da Contribuinte, fonte do direito creditório guerreado. Por outro lado, Os acórdãos indicados como paradigmas, não apresentam similitude fática, considerada relevante para o resultado do julgamento. No que tange o acórdão nº 330201748, nada fala sobre a questão da apresentação do DACON retificador. Além disso, traz o fundamento com o qual concorda a Turma a quo, relativa à necessidade ou não de retificação da DCTF em momento anterior à emissão do despacho decisório. Se a presente controvérsia girasse apenas em torno dessa matéria, a Turma a quo poderia ter acatado a pretensão da Contribuinte. A decisão recorrida encampou o fundamento de que: “mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados”. Sem embargo, a retificação do DACON, embora, possa parecer irrelevante para o Acórdão n. 3302002.226, o mesmo não ocorre em relação a decisão recorrida. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13888.916049/201151 Acórdão n.º 9303006.154 CSRFT3 Fl. 7 6 Entretanto, o fato é que essa retificação do DACON ocorreu no caso discutido no acórdão indicado como paradigma (Acórdão nº 3302002.226), ao passo que o mesmo não se verificou no presente caso. Com efeito, a situação examinada pelo Acórdão n. 3302002.226, poderia a Turma a quo ter decidido de forma diversa, ou acolhendo a pretensão da contribuinte, ou determinando o retorno dos autos em diligência. O fato é que ocorreu na situação abordada pelo Acórdão n. 3302002.226 circunstância relevante, não presente na decisão recorrida, que poderia ter alterado a convicção ou a fundamentação do colegiado a quo. O contexto fático exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722958/2014-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do processo em diligência, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Brasília/DF, que declarou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Contribuição ao PIS e de COFINS não cumulativas, consubstanciada nos autos de infração em questão, pelo qual cobrase valores a título das contribuições, bem como juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 22 95 8/ 20 14 -7 5 Fl. 5611DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 334 2 Por bem consolidar os fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pela Contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão da DRJ: DO LANÇAMENTO Contra a empresa qualificada em epígrafe (sucessora da SADIA S/A, CNPJ: 20.730.099/000194) foram lavrados autos de infração de fls. 697 a 715, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins nos períodos de apuração 10/2009 a 12/2009. O crédito tributário ora constituído, incluindo juros de mora e multa proporcional, importa no valor total de R$ 107.428.252,69 (cento e sete milhões quatrocentos e vinte oito mil duzentos e cinquenta e dois reais e sessenta e nove centavos). O trabalho fiscal resultou em duas infrações, a saber: (1) Ausência de recolhimentos de PIS e Cofins incidentes sobre auferimento de receitas de créditos presumidos de ICMS escriturados, conforme tabela abaixo. Para melhor entendimento segue a resposta da empresa sobre as contas contábeis acima citadas (na ordem em que aparecem no quadro): I. Esta conta registra benefícios apurados com crédito presumido na venda de margarina para o mercado interno correspondente ao estado de Pernambuco; II. Esta conta os estornos de créditos relativos a aquisição de mercadorias aplicadas no processo produtivo contempladas no benefício do crédito presumido; III. Esta conta os estornos de débitos relativos ao ICMS destacado nas saídas dos produtos para terceiros, contempladas no benefício do crédito presumido; IV. Esta conta registra os valores dos créditos presumidos sobre notas fiscais de saída (utilizando % créd. Presumido), com base na apuração mensal do crédito presumido; Fl. 5612DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 335 3 V. Esta conta registra os valores dos créditos presumidos sobre notas fiscais de transferências com base na apuração mensal do crédito presumido; VI. Esta conta registra os valores de créditos presumido concedidos pelo estado de Santa Catarina, apurados com base na aquisição de insumos; e; VII. Esta conta registra os valores de créditos presumido – Prodepe – Decreto 33.195/09 – Estado de Pernambuco. A empresa não teria considerado o crédito presumido do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins porque não pode ser caracterizado como receita, mas mero ingresso. Por outro lado, a RFB através da Solução de Divergência Cosit Nº 13, de 28 de abril de 2011, entende diversamente do alegado pela empresa: EMENTA: Por absoluta falta de amparo legal para a sua exclusão, o valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Cofins. A partir de 28 de maio de 2009, tendo em vista a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, promovida pelo inciso XII do art. 79 da Lei nº 11.941, de 2009, para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa da Cofins, por não ser considerado faturamento (receita bruta) decorrente da atividade exercida por essas pessoas jurídicas, o valor do crédito presumido do ICMS deixou de integrar a base de cálculo da mencionada contribuição. Ou seja, o crédito presumido do ICMS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins apenas para as pessoas jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa, o que não é o presente caso Tendo em vista as explicações prestadas pela empresa e com base na auditoria realizada, assim, concluiu o fiscal (fl. 727): Considerando que o contribuinte não apurou PIS ou Cofins sobre os créditos presumidos de ICMS auferidos conforme sua resposta e que os custos para manutenção do benefício não geram créditos a descontar, chegase aos valores mensais de crédito presumido do ICMS. (2) Saldo devedor decorrente de glosas de créditos, conforme tabela sintética abaixo. (...) DAS GLOSAS PROCESSADAS a) Ficha 16A Linha 02 Bens Utilizados como Insumos Foram glosados, por não se enquadrarem nas hipóteses de geração de crédito previstas na legislação de regência, qual seja, Leis n. 10.637/2002 n. 10.833/2003 e Instruções Normativas SRF n. 247/2002 e n. 404/2004: os valores das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo; os valores que se referem a gastos para manutenção predial contabilizados no ativo imobilizado, aquisições efetuadas junto a pessoas físicas; despesas com fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa; aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; os valores das notas fiscais cujo CFOP não representa Fl. 5613DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 336 4 aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito, os valores das notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins. b) Ficha 16A Linha 03 Serviços Utilizados como Insumos Foram glosados os seguintes valores: referentes a despesas com serviços que não se enquadram no conceito de insumo; que se referem a gastos para manutenção predial contabilizados no ativo imobilizado; cujos CFOP das notas fiscais não representa aquisição de bens ou serviços e nem outra operação com direito a crédito; de aquisição de bens sujeitos à alíquota zero; e pagos a pessoas físicas. c) Ficha 16A Linha 04 Despesas de Energia Elétrica Foram glosados, por não se referirem energia consumida, os valores relativos as despesas com serviços de gerenciamento de energia elétrica pagos à empresa COMERC ENERGIA S/A e os valores referentes a Tarifas de Uso do Sistema de Distribuição – TUSD. d) Ficha 16A Linha 05 Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Foram glosados dos valores informados relativos a aluguéis pagos a pessoa física e pagamentos relativos a arrendamento de granja avícola, por não se tratar de locação de prédio, como previsto no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003. e) Ficha 16A Linha 06 Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Foram glosados dos valores informados relativos a aluguéis de veículos e despesas com aluguel de software, a gastos que não se enquadram no art. 3º, inciso IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que somente contempla “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica utilizados nas atividades da empresa”. f) Ficha 16A Linha 07 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosados os valores relativos a fretes pagos a pessoa física, que não geram crédito nos termos da Lei 10.833/2003, art. 3º, inc. IX, § 2º, inc. II. g) Ficha 16A Linha 09 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação) Neste caso foram glosados os créditos apurados com base em planilhas contendo memórias de cálculo de encargos de depreciação de períodos extemporâneos, que se referem a valores de encargos de depreciação do ano de 2006. Segundo a fiscalização, a legislação não contemplou o aproveitamento extemporâneo de créditos de PIS e COFINS sem retificação do Dacon e da DCTF, se for o caso. Fl. 5614DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 337 5 h) Ficha 16A Linha 10 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção) Por não ser possível a utilização do §14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 no desconto de créditos relativos a edificações e benfeitorias, foram glosados os valores referentes a: (i) diferenças entre as depreciações calculadas pelo contribuinte para as edificações e benfeitorias (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “máquinas 1”) e a depreciação correta, conforme o disposto na IN SRF nº 162/1998, Anexo II prazo de 300 meses para edificações e benfeitorias; (ii) diferenças entre as depreciações de itens relacionados a materiais de construção utilizados em edificações e benfeitorias calculadas pelo contribuinte (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “máquinas 2”) e a depreciação correta (IN SRF nº 162/1998); (iii) depreciação de bens (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 3”), para os quais a interessada, instada para tanto, não apresentou a descrição detalhada de sua natureza e aplicação, o que impossibilitou a aferição pela fiscalização do direito ao crédito. i) Ficha 16A Linha 11 – Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias Neste caso concluiu a fiscalização que os valores aqui informados pertencem à linha 10 e, desta forma, os valores informados nesta linha foram somados à linha 10, sendo zerada a informação da linha 11, sem prejuízo no aproveitamento dos créditos admitidos, que foram objeto de análise no subitem anterior. j) Ficha 16A Linhas 25 e 26 Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais A Autoridade Fiscal reduziu o valor do crédito apurado pela contribuinte ajustando a alíquota erroneamente utilizadas pela interessada, considerando na escolha da alíquota aplicável a natureza os insumos adquiridos, conforme previsto no inciso I do §3º do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004. Os insumos a que o contribuinte atribuiu crédito presumido extemporâneo foram integralmente glosados. Por fim, esclareceu a fiscalização que a empresa SADIA S/A, CNPJ: 20.730.099/000194, subsidiária integral da BRFBrasil Foods S.A., foi incorporada pela BRF S/A, portanto, em virtude da incorporação, caracterizouse a responsabilidade tributária por sucessão, consoante art. 129 e 132 do Código Tributário Nacional e, no caso em tela, seria aplicável a Súmula CARF nº 47. A apuração final resultou nos seguintes valores, ora lançados: (...) DA IMPUGNAÇÃO Irresignado, o contribuinte, cientificado eletronicamente (por decurso de prazo em 22/10/2014) apresentou impugnação tempestiva em 07/11/2014 aos Autos de Infração da Cofins e PIS (fls. 827 a 951 e anexos), com as seguintes alegações: Fl. 5615DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 338 6 DA PRELIMINAR Nulidade do Procedimento fiscal Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Segundo a Impugnante: “... jamais poderia o I. Agente Fiscal ter procedido ao presente lançamento sem fazer uma detida e profunda análise acerca dos custos que geraram créditos de Contribuição ao PIS e de COFINS para a Impugnante, ignorando e glosando os vultosos créditos dessas contribuições”. Reclama que a classificação do que é ou não “insumo” não poderia ser feita com base em ilações e leituras genéricas e sem prévio conhecimento do processo produtivo em questão. Cita jurisprudência administrativa. A fiscalização deveria investigar profundamente todos os fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado e não glosar “com base na natureza da conta contábil na qual o bem foi registrado”. A glosa dos créditos deve se pautar em critérios bem definidos sob pena de iliquidez e incerteza. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente Auto de Infração não pode subsistir, devendo ser cancelado. DO MÉRITO Inicia a sua defesa descrevendo o fluxo produtivo dos cárneos em geral (bovinos, suínos e aves) com o intuito de demonstrar a necessidade dos custos incorridos e, via de consequência, o direito ao creditamento da aludidas contribuições. III.2 Da Sistemática NãoCumulativa da Contribuição ao PIS e da Cofins / Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Requerente A fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Diz, inicialmente, que, da combinação dos incisos e parágrafos do artigo 3º das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 com o artigo 195, inciso I, alínea V, e § 12, da Constituição Federal, temse que o critério de escolha legislativa dos custos e despesas que conferem direito de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é a relação de inerência de tais dispêndios com a formação da Fl. 5616DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 339 7 receita, critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. Defende, que o conceito de insumo, na sistemática não cumulativa dessas contribuições é muito mais abrangente do que o conceito de insumo adotado pela legislação do IPI, englobando todos e quaisquer dispêndios ligados ao processo produtivo e, assim, à obtenção de receita. Aduz, com base em jurisprudência do CARF, que o conceito de insumo aplicável ao caso deve ser o mesmo aplicável ao imposto de renda, já que a materialidade dessas contribuições (a receita) é muito mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ, do que daquela prevista para o IPI. E, por fim, destaca que o conceito de insumo previsto na IN SRF n° 404/2004 não é o mesmo previsto na lei, o que implica em sua ilegalidade e menciona que os Tribunais Federais têm se firmado nesse sentido, exatamente em razão de a IN ultrapassar sua função de interpretação e exequibilidade da lei, ao pretender restringir o conceito de insumo. III.2 – Do conceito de insumos Tece arrazoado a respeito do conceito de insumos adotado para as aludidas contribuições e que na sistemática da nãocumulatividade seria amplo (afastandose o conceito restritivo do IPI) e que portanto insumo seria “qualquer dispêndio essencial ao processo produtivo, vinculado à formação da receita”. III.2.2 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos (Linhas 02 e 03 da Ficha 06 da DACON) A Impugnante, inicialmente, destaca que o erro quanto à linha da ficha de créditos da Dacon em que foram lançados os créditos da Contribuição, não justifica a glosa dos referidos créditos. Menciona que tal entendimento, inclusive, foi corroborado em recente decisão proferida pelo CARF em outro processo da própria Requerente. E na sequência, a requerente passa a colocar os fatos e as razões de direito, pelos quais entende que faz jus aos créditos glosados. Em relação à Indumentária e Itens de Uso Obrigatório, a Impugnante, em síntese, alega que a indumentária dos colaboradores que trabalham em suas plantas industriais, itens tais como uniformes, botas, luvas, aventais, protetores auriculares, respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis, sapatos de segurança, toucas, capacetes, respiradores e túnicas, mangotes (de proteção dos braços), e serviços de locação de uniformes e lavanderia. Afirma que tais custos são necessários devido a norma emanada da autoridade reguladora, sendo essenciais ao processo produtivo, sem os quais ela nem ao menos poderá exercer a sua atividade. Corroborando esse entendimento cita acórdão do CARF. Quanto aos Pallets, explica que consistem em estruturas de madeira, cuja principal função é facilitar o transporte de insumos e mercadorias dentro do estabelecimento e que também servem para evitar o contato de tais materiais com qualquer superfície, impedindo contaminações que poderiam colocar em risco a integridade dos produtos industrializados. Fl. 5617DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 340 8 Diz que o mesmo ocorre com relação às caixas plásticas (Doc. 12 — nota fiscal de aquisição desse item), que “são utilizadas, não apenas para separação das partes dos cárneos, ..., mas também para transportar e armazenar produtos dentro e fora das plantas da Requerente”. A título de Materiais e Equipamentos, defende o direito a crédito em relação a itens que cita – lâmpadas, reatores, detergentes, lubrificantes, fusíveis, anticongelantes, correias, rolamentos, mangueiras, estatores, bombas, dentre diversos outros que, segundo alega, teriam sido empregados no processo produtivo, estando diretamente relacionados à geração de receitas, caracterizando, assim, como insumos. No mesmo tópico contesta as glosas sobre combustíveis, cita: óleo diesel, gasolina, gás GLP e lenha, matérias que alega são utilizados na geração a energia necessária ao funcionamento das máquinas industriais. Alega que: O gás GLP, dentre outras funções, é utilizado nos fornos nos quais são assadas as tortas e demais linhas de produtos industrializados fabricados pela Requerente. Que a lenha é utilizada no processo produtivo da Requerente para alimentar as caldeiras de escaldagem de animais e, por isso, contesta a glosa de: despesas relacionadas à obtenção da lenha, cita: serviços de corte, empilhamento e transporte. Quanto ao "Oleo lso68 Sint Tox 209I 50a220c Din", diz tratarse de um insumo utilizado no aquecimento das mesmas caldeiras, permitindo o controle térmico do equipamento. Quanto aos Materiais e Serviços de Limpeza cita: serviços de dedetização, limpeza geral, desinfecção, bem como detergentes, sabonetes, diqluconato de clorexidina, clorexidina (ação bactericida) e econazol 10% (ação fungicida) – defende o direito ao crédito com base na essencialidade destes itens para a manutenção dos padrões obrigatórios de higiene das unidades produtivas. Defende ainda o direito ao crédito, por consistirem de insumos, em relação a Outros Itens mencionando: "pipeta descart insemín porcas foam tip", que consiste em pipeta utilizada na inseminação artificial das porcas; diversos materiais de embalagem dos produtos acabados, tais como "capa rolo com 7000hwcorrugada la" e "bloco poliest.(isopor) 95X60X3mm" indispensáveis à produção dos produtos que devem ser imediatamente embalados ao fim da linha de produção; sorgo e o milho, utilizados na produção de rações, indispensáveis à alimentação dos frangos e suínos; antioxidantes empregados diretamente nos produtos alimentares para impedir sua oxidação; as despesas com locação de empilhadeiras, que, por equívoco, deixou de escriturar na Linha 6 da DACON, relativa à locação de máquinas e equipamentos e que são essenciais ao processo produtivo por possibilitarem a movimentação da carga dentro e fora dos galpões de produção. Conclui que, pelas breves descrições que traz em sua peça de defesa: Fl. 5618DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 341 9 “...a Impugnante faz jus aos créditos de Contribuição ao PIS e de Cofins sobre os diversos itens acima descritos, que consistem em insumos indispensáveis ao seu processo produtivo.” Glosa dos valores de itens contabilizados em contas contábeis que não se referem a itens que geram créditos Inicialmente, destaca a superficialidade da Autoridade Fiscal na busca da verdade material, tendo em conta que esta considerou que todos os bens e serviços contabilizados em determinadas contas contábeis não dariam direito a crédito em razão da nomenclatura da conta, sem que fosse realizada uma auditoria profunda nos bens e serviços adquiridos e contabilizados nessas contas. Diz que tal fato é suficiente para que se entenda pela improcedência do Procedimento fiscal quanto a este tópico. Não obstante, defende o direito ao crédito em relação a vários bens e serviços escriturados nas contas 3432114, 3434443, 3438066, 3839036, 3433030, com base no argumento de que consistiram de insumos devido a sua essencialidade para a atividade da empresa. Explica que: “Analisando as despesas relativas à conta "3432114 GFT EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL", verificase que se compõe basicamente por indumentária, cuja essencialidade e a natureza de insumo restam comprovados no item 3.2.a.i supra, bem como por serviços de fretes relacionados a tais indumentárias. Por sua vez, avaliando as despesas relativas à conta "3434443GVT MONITORAMENTO DE CONTAINER ME", verificase que dela constam despesas com movimentação de containers, fretes e seguro e monitoramento de containers... Analisando as despesas relativas à conta "3839036 DESP. INCORR.TRANSFERENCIAS BENS ENTRE UNIDADES", concluise que nela foram lançados os gastos incorridos na transferência de bens entre as plantas produtivas da Requerente... A glosa das despesas registradas na conta contábil "3433030 GFT ANALISE DE PRODUÇÃO EM LABORATÓRIO PRÓPRIO" também não merece perdurar, isso porque as despesas ali alocadas consistem nos bens e serviços utilizados pela Requerente para efetuar análises da qualidade e incolumídade de seus produtos.... Glosa dos valores de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas Defende que faz jus ao créditos em relação aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, seja porque tais despesas estão relacionadas à geração de receitas, caracterizandose como insumos, seja porque o CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de insumos em casos análogos. No mais, alega que faz jus, no mínimo, aos créditos presumidos sobre tais compras, na forma do art. 8º da Lei n° 10.925/2004. Glosa dos valores de fretes de insumos e de produtos acabados Fl. 5619DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 342 10 Alega que o creditamento sobre as despesas com fretes, sejam ou não relacionadas à operação de venda, está em consonância com a legislação vigente e com a mais recente jurisprudência administrativa sobre a matéria. Com base no argumento de possuir diversas etapas no processo produtivo e extensa quantidade de plantas industriais, defende o direito a crédito em relação a fretes de matérias primas e produtos semiacabados. Já com base na necessidade se utilizar de centros de distribuição para escoar a produção de maneira mais eficiente, defende o direito a crédito em relação a fretes de produtos acabados. Glosa dos valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero A Interessada inicialmente contesta a glosa das aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, realizada com base no art. 3º, § 2º, das Leis n.° 10.637/2002 e nº 10.833/03, alegando que as aquisições cujos valores foram glosados não se subsumem a estas normas. Argumenta que as aquisições em apreço, distintamente do que preleciona as mencionadas normas, não se referem a bens cuja receita não se encontra sujeita à contribuição, mas a bens que se encontram no campo de incidência da contribuição e que tiveram a alíquota reduzida a zero pelo legislador; afirma que, portanto, o fato de não haver um efetivo dispêndio pelo contribuinte que forneceu os bens não implica que tal bem não está sujeito à contribuição. Entretanto, defende que, caso não se acolha o entendimento acima, é aplicável aos valores glosados a segunda parte do referido dispositivo legal. Isso por que, segundo alega, é possível afirmar que o tratamento fiscal do instituto da alíquota zero se confunde com o da isenção, devendo, portanto, aquele instituto estar sujeito à exceção que este comporta. Glosa dos valores das aquisições com suspensão das contribuições Contra às glosas das aquisições de insumos com suspensão das contribuições, a Impugnante alega que os insumos adquiridos não se submetem às hipóteses de suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins previstas referido art. 9° da Lei n° 10.925/2004. Afirma que: (i) não adquiriu de cerealista os produtos classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08 da Nomenclatura Comum do Mercosul ("NCM") (exceto dos códigos 1006.20, 1006.30, 12.01 e 18,01); (ii) não adquiriu leite in natura de pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; (iii) não adquiriu insumos destinados à produção das mercadorias classificadas no art. 8o da Lei n° 10.925/04 – de pessoas jurídicas que exerça atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária. Defende que, tendo em vista que a aquisição dos produtos in natura de origem vegetal e dos insumos se deu sem a suspensão da contribuição, não há o que se falar em aplicação do mencionado art. 9º da Lei n° Lei n° 10.925/2004, mas sim do conceito de insumo previsto no já mencionado art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Fl. 5620DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 343 11 Ressalta, ainda, que no período objeto de análise, vigia a Instrução Normativa RFB n° 660/2006, que dispunha sobre a suspensão da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins nas aquisições de que trata o art. 9º da Lei n° 10.250/2004, sem, contudo, tecer quaisquer comentários quanto à obrigatoriedade da suspensão de tributos nas operações; alega que tal obrigação somente surgiu com a publicação da IN RFB n° 977/2009 Glosa dos valores das aquisições cujo CFOP da nota indica operação sem direito de crédito Já em relação às Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos, reclama da superficialidade da análise da Autoridade Fiscal que não cuidou de verificar se os bens adquiridos são insumos do processo produtivo. Alega que uma simples análise da planilha elaborada pelo Fisco permite verificar que diversos bens glosados consistem de insumo com base nas justificativas já aduzidas na presente manifestação, tais como as despesas com materiais e equipamentos (gás GLP, óleo diesel, lubrificante, antioxidante, arruela, graxa, dentre outros), sendo em grande parte despesas com combustíveis e óleos empregados nas máquinas do processo produtivo, dentre outras. Reclama ter sido arbitrário o procedimento adotado pela Fiscalização de glosar bens cujo Cfop diz respeito a mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária (CFOP 1407 e 2407), sem sequer analisar a natureza do insumo adquirido e o seu emprego no processo produtivo. Alega que o simples equívoco cometido na classificação do Cfop não pode ser utilizado pelas Autoridades Fiscais como justificativa para glosar os créditos de Cofins, ainda mais nas hipóteses em que a característica do item como insumo é evidente. Do Aproveitamento de Créditos Extemporâneos Defende que a legislação permite o aproveitamento dos seus créditos, legitimamente comprovados, em meses posteriores quando não possa aproveitálos a partir do momento em que se encontrem disponíveis. Contudo, no caso em tela foram glosados créditos legítimos sob o argumento de que para apropriação dos créditos extemporâneos, deveria necessariamente ter procedido à retificação dos Dacon e DCTF dos meses respectivos à geração dos créditos ora apropriados. Entretanto, ante a legitimidade dos créditos extemporâneos e por se tratar de um simples erro de fato no preenchimento das obrigações acessórias, pode a Autoridade Fiscal retificálo de ofício, sem qualquer prejuízo ao direito creditório da Impugnante. Destaca que erros em informação contida na declaração da Impugnante não têm o condão de motivar qualquer exigência fiscal e, por decorrência lógica, não podem ocasionar a desconsideração de um direito creditório, tal como pretende a fiscalização. Aduz que, negar o direito de reconhecimento dos créditos da Impugnante que efetivamente existem, conforme demonstrado Fl. 5621DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 344 12 documentalmente, por mero apego ao formalismo, seria contrariar o princípio da razoabilidade. A pretensão da Autoridade Fiscal em desqualificar créditos legítimos pelo fato de terem sido declarados a destempo padece de ilegitimidade. Deveras, não há na legislação tributária dispositivo que vede o reconhecimento de créditos efetivamente existentes de forma extemporânea. Segundo a empresa, a legislação determina que o crédito extemporâneo deve ser reconhecido com a retificação da escrituração do período ao qual compete, sendo permitido fazêlo no período atual quando não for possível fazer a reabertura e alteração da escrituração por decurso do prazo prescrito na IN RFB n° 1.052/10, qual seja, o último dia útil do mês de junho do anocalendário seguinte a que se refere a escrituração substituída. Assim, é patente a possibilidade de reconhecimento de créditos extemporâneos pela Impugnante, dispondo a RFB até mesmo de procedimento específico para fazêlo diante da nova escrituração digital. A única limitação ao reconhecimento dos créditos extemporâneos diz respeito ao decurso do prazo decadencial, que, no caso em análise, não ocorreu. Conclui que o simples equívoco no preenchimento das obrigações acessórias não obsta o aproveitamento extemporâneo do direito creditório e ante a legitimidade desses créditos, devem ser reconhecidos os créditos aproveitados pela Impugnante de forma extemporânea. III.2.3 – Despesas de energia elétrica (Linha 04 da Ficha 06 da DACON) A interessada defende o direito a crédito em relação aos "serviços de gerenciamento de energia elétrica" pagos à COMERC ENERGIA S/A, bem como sobre a "aquisição de energia elétrica: TUSD e CUSD" alegando que esses serviços caracterizamse como insumos pois, na sua ausência, não é possível ter acesso à energia elétrica, cuja essencialidade dispensa qualquer comentário. Afirma que os valores foram equivocadamente informados na Linha 4, da Ficha 16, da Dacon, e defende que o erro no preenchimento da Dacon não representa um óbice ao aproveitamento de créditos. III.2.4 – Despesas de aluguéis de prédios (Linha 05 da Ficha 06 da DACON) Contesta a glosa dos valores pagos pelo arredamento da "Granja Avicola Nicolini Ltda" alegando que em sendo a sua atividade eminentemente agroindústria, a principal "área" que poderia locar para exercer a primeira etapa de sua atividade, no caso, a criação dos animais, seria justamente uma granja, razão pela qual, ao contrário do que afirma o Fisco, se aplica ao caso o art. 3º, inciso IV, da Lei n.° 10.833/2003. Fl. 5622DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 345 13 Acrescenta que, ademais, o arrendamento de granja deve ser considerado como insumo, dada a sua essencialidade para a atividade empresarial. III.2.5 – Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos (Linha 06 da Ficha 06 da DACON) Contra à glosa dos alugueis de veículos a Interessada alega que os tais veículos são, em sua grande maioria, verdadeiras máquinas, devendo o seu aluguel ser considerado como tal, por serem essenciais ao processo produtivo da Requerente. Explica: Notase, dessa forma, que, mais que um veículo, o referido caminhão "Munck" possui, predominantemente, a função de guindaste, sendo a característica "motora" ou seja, de veículo terrestre — tão somente uma questão de praticidade, de modo que o referido guindaste possa se locomover mais facilmente dentro e entre os estabelecimentos da Requerente. Adicionalmente, os demais veículos listados na mencionada planilha e que foram objeto da presente glosa, igualmente, devem ser considerados por essa E. Turma Julgadora. Com efeito, tais veículos são utilizados para movimentar os animais e os materiais essenciais ao processo produtivo da Requerente. E, justamente, os dispêndios com os alugueis de veículos que possuem essas características têm sido amplamente aceitos como passíveis de creditamento. (...) Tais "veículos de passeio", ainda que não se enquadrem como máquinas e equipamentos, o que se admite apenas por epítrope, são essenciais ao processo produtivo da Requerente, já que os vendedores dependem de tais veículos para negociar com os compradores e, assim, levar os produtos comercializados ao consumidor final. III.2.6 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Linha 07 da Ficha 06 da DACON) Defende que faz jus aos créditos em relação aos fretes pagos às pessoas físicas, seja porque tais despesas estão relacionadas à geração de receitas, caracterizandose como insumos, seja porque o CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de insumos em casos análogos. III.2.7 — Das Despesas com Bens do Ativo Imobilizado — Encargos de depreciação (Linha 09 da Ficha 06 da DACON) Tratase de glosa de créditos extemporâneos já defendida em linhas passadas. III.2.8 — Das Despesas com Bens do Ativo Imobilizado — Valor de Aquisição ou de Construção (Linha 10 da Ficha 06 da DACON) Contesta a glosa dos créditos apropriados a razão de 1/48 sobre despesas de depreciação com edificações e benfeitorias do seu ativo Fl. 5623DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 346 14 imobilizado alegando que diversos itens classificados pela D. Fiscalização como despesas com edificações ou benfeitorias, referem se, na realidade, a despesas com máquinas e equipamentos. Traz aos autos uma planilha (Doc. 19) que diz possibilitar a análise da natureza dos bens depreciados à razão de 1/48. III.2.9 — Amortização de Edificações e Benfeitorias (Linha 11 da Ficha 06 da DACON) Tratase de glosa de créditos extemporâneos já defendida em linhas passadas. III.2.10 — Créditos Presumidos (Ficha 16A — Linhas 25 e 26 do DACON) Inicialmente a Interessada coloca que os itens descritos como "milho em grão', "farelo de trigo", "soja em grão”, "pinto de 1 dia", "frango corte para abate", dentre outros constantes do Despacho Decisório consistem de insumo. Explica que: o milho em grão, o farelo de trigo e a soja em grão são elementos essenciais na produção da ração dos animais; os pintos de 1 dia, por sua vez, são essenciais ao processo produto das aves. No que se refere às glosas efetuadas em relação aos percentuais aplicados para cálculo do crédito presumido, alega que o método para o cálculo do crédito presumido está no próprio art. 8º da Lei n° 10.925/2004, em seu parágrafo 3º, o qual, fazendo remissão ao caput, vincula o cálculo do crédito presumido ao produto produzido e, por outro lado, arrola como base de cálculo do crédito o valor da aquisição do insumo. Acrescenta que tal é o entendimento que se chega a partir de uma interpretação literal, lógica e finalística da legislação e que o CARF assim também vem decidindo. Por fim, afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, põe fim a quaisquer dúvidas sobre a questão, pois não dá margem à dúvida: o direito à aplicação do percentual de 60% decorre da natureza do produto resultante da atividade agroindustrial e não da natureza dos insumos empregados, pois, do contrário, não ditaria tal dispositivo que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange todos os insumos utilizados nos produtos em questão. Diz que a tal dispositivo, enquanto interpretativo, deve ser dada eficácia retroativa nos termos do art. 106 do CTN. III.3 – Crédito presumido de ICMS Partindo de uma análise do conceito de receita e do instituto do crédito presumido de ICMS, a impugnante contesta o lançamento alegando que os valores referentes a crédito presumido de ICMS não integra a base de cálculo das contribuições lançadas. Nesse sentido: defende que o crédito presumido de ICMS decorrentes de subvenções previstas em legislação estadual “não pode ser caracterizado como receita, mas mero ingresso”; afirma que “o crédito presumido de ICMS é uma subvenção de custeio, destinada à recuperação dos custos incorridos em respeito ao princípio da não cumulatividade”. Acrescenta que a Fl. 5624DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 347 15 inclusão dos valores referentes a crédito presumido de ICMS na base de cálculo das contribuições fere o princípio da não cumulatividade. Da Multa de ofício A interessada alega: impossibilidade de sucessão da responsabilidade por infrações tributárias de sua incorporada, nos termos dos artigos 129 e seguintes do CTN; que apesar de ser sucessora por incorporação da Sadia S.A., segundo se infere do artigo 132 do CTN, somente possui responsabilidade pelos tributos devidos por aquela até a data da incorporação, que ocorreu em 31 de dezembro de 2012. Do Pedido de perícia e diligência A Impugnante pugna pela realização de perícia, que se justificaria, segundo alega, pela necessidade de trazer ao conhecimento da autoridade julgadora os detalhes e particularidades dos seus processos produtivos, permitindolhe entender a específica natureza de cada despesa glosada pela Fiscalização e analisar sua pertinência e relação com o processo produtivo. Indica um perito a quem caberia. Em razão de a auditoria fiscal, segundo alega, ter sido superficial na análise de seu processo produtivo, a Impugnante também pugna pela realização de diligência. Ao final e diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua impugnação. Em julgamento datado de 26 de outubro de 2015, a DRJ Brasília/DF negou provimento parcial à impugnação do Contribuinte (Acórdão 0369.482), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO Os gastos incorridos no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Geram créditos os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. NÃOCUMULATIVIDADE. ARMAZENAGEM. FRETE. TRANSFERÊNCIAS. CRÉDITOS Somente poderá descontar créditos calculados em relação à frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou seja, o direito ao credito está ligado, necessariamente, a uma operação de venda. Fl. 5625DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 348 16 Gastos com frete para simples transferência de mercadorias entre estabelecimentos da pessoa jurídica, ou mesmo, durante o processo de produção, não geram créditos. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matériaprima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento. NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada pela com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARRENDAMENTO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A hipótese de tomada de crédito prevista no inciso IV do art. 3º, da Lei n.° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 é específica para despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos e não se aplica a pagamentos de arrendamento. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESA COM LOCAÇÃO DE VEÍCULO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Fl. 5626DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 349 17 À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado sobre despesa com locação de veículos. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. O valor apurado do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Cofins não cumulativa. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. Em estando comprovado que à data da infração cometida pela sucedida as empresas já se encontravam sob controle comum, cabível é a imputação da multa de ofício à sucessora. PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à Cofins lançada a partir da mesma matéria fática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho (fls. 1468 1599), repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Depois da apresentação do recurso voluntário, a Recorrente trouxe aos autos a petição de fls 1689 a 1695, bem como a documentação que lhe sucede, no intuito de corroborar todas as suas alegações e provas anteriormente defendidas. Assim, e tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015), propus via despacho (fls 1769) a abertura de vista dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifestasse acerca das razões e documentos apresentado pela Recorrente e assim submeter a documentação ao Fl. 5627DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 350 18 contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. Em sua resposta, a PFN requer o desentranhamento dos documentos juntados ao processo de modo intempestivo, com fulcro no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72, bem como que seja negado provimento ao recurso voluntário (fls 1772 a 1774). É o relatório. RESOLUÇÃO A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em 10/12/2015, conforme informação de fls 1466, apresentando Recurso Voluntário em 11/01/2016 (segundafeira). Assim, o recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. No presente processo discutese crédito tributário da Contribuição ao PIS e da COFINS, incluindo juros de mora e multa proporcional. O trabalho fundador do processo apresentou duas infrações, a saber: i) ausência de recolhimentos de PIS e Cofins incidentes sobre auferimento de receitas de créditos presumidos de ICMS escriturados, ii) saldo devedor decorrente de glosas de créditos. Com relação à segunda infração, como é consabido, põese em pauta quais aquisições de bens e serviços são capazes de ser considerados como insumos para fins de creditamento das Contribuições sociais em questão. Também é de conhecimento geral que a jurisprudência desse Conselho consolidouse no sentido de que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ. Com isso, este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Pois bem. Tendo a Recorrente trazido aos autos vasto conjunto probatório sobre o direito que pleiteia, não cabe ao julgador desconsiderar o direito da parte, mas sim permitir que seja o processo seja devidamente trabalhado, já que as premissas utilizadas pela Fiscalização e pela DRJ são divergentes da aqui adotada. Daí sim será possível, com precisão, julgar ser ou não devida a exação cobrada por meio do presente auto de infração. É nesse sentido que tem entendido o CARF, como se constata, por exemplo, das Resoluções 3402000.478, 3202000.483, 3202000.480, 3101 000.371, todas referente a mesma empresa, ora Recorrente, que entenderam que as provas apresentadas mereciam aprofundamento em diligência à unidade fiscal de origem, haja vista a complexidade de seu processo produtivo e a enormidade de glosas perpetradas pela fiscalização. Todos os processos abarcados pelas referidas resoluções foram posteriormente julgados por este Colegiado, em decisões com embasamento fático incontestável, da lavra do Conselheiro Waldir Navarro. Fl. 5628DF CARF MF Processo nº 11516.722958/201475 Resolução nº 3402001.258 S3C4T2 Fl. 351 19 Também assim procedeu recentemente este Colegiado, ao converter em diligência o julgamento de caso análogo ao presente, por meio da Resolução n. 3402001.100. Dessarte, havendo indícios contundentes sobre o direito da Recorrente, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim de que: i) elabore, com base nos elementos constantes nesses autos (docs acostados à impugnação, Petições de fls 1689/1695 e 1780/1782, com a documentação que lhes sucedem), bem como de eventuais novas informações trazidas pela Recorrente depois de citada para tanto, um parecer conclusivo que possibilite a identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado, quanto à participação de cada bem ou serviço no processo produtivo da Recorrente; ii) o referido parecer deverá ser elaborado acompanhado de uma planilha que segregue os bens e serviços considerados pela Recorrente sob os seguintes critérios: a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa, utilizando o conceito de custo de produção (artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99); b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano) e sua eventual incorporação ao ativo imobilizado; c) contato direto com o produto em fabricação; d) Agregação ao produto final; e) Utilização direta em máquinas ou equipamentos do processo industrial; iii) também no referido parecer devem constar as informações a respeito do crédito aproveitado extemporaneamente pela Recorrente (indicação de que houve escrituração de créditos extemporâneos e prova de que tais créditos existem e não foram utilizados em períodos anteriores), aferindo sua validade, independentemente de retificações do DACON; iv) Ato contínuo, dê ciência desse parecer à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Recorrente, abrindolhes prazo regulamentar para manifestação, e; v) Finalmente, devolva o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 5629DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.026907/99-25
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 202-00.392
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes para o julgamento do recurso, em razão da matéria.
Nome do relator: Adolfo Montelo
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Numero do processo: 13116.001997/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2007
ITR. PAGAMENTO DE ATÉ 50% DO DÉBITO COM TÍTULOS DE DÍVIDA AGRÁRIA. COMPENSAÇÃO DO RESTANTE DO DÉBITO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE.
Não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com Títulos de Dívida Agrária escriturais, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie, podendo ser efetuado por meio de compensação com tributos administrados pela Receita Federal, uma vez que nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei
9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Rejeitada essa prejudicial, devem os autos retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido.
Numero da decisão: 1402-000.617
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ITR. PAGAMENTO DE ATÉ 50% DO DÉBITO COM TÍTULOS DE DÍVIDA AGRÁRIA. COMPENSAÇÃO DO RESTANTE DO DÉBITO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE. Não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com Títulos de Dívida Agrária escriturais, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie, podendo ser efetuado por meio de compensação com tributos administrados pela Receita Federal, uma vez que nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Rejeitada essa prejudicial, devem os autos retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido.
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PAGAMENTO DE ATÉ 50% DO DÉBITO COM TÍTULOS DE DÍVIDA AGRÁRIA. COMPENSAÇÃO DO RESTANTE DO DÉBITO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE. Não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com Títulos de Dívida Agrária escriturais, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie, podendo ser efetuado por meio de compensação com tributos administrados pela Receita Federal, uma vez que nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Rejeitada essa prejudicial, devem os autos retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 2 momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001997/200744 Acórdão n.º 140200.617 S1C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso contra decisão de primeira instância que indeferiu a solicitação de liquidação de 50% do débito de ITR com Títulos de Dívida Agrária, cujo acórdão apresenta a seguinte ementa: DO PAGAMENTO DO ITR COM TDA. Nos termos da IN Conjunta SRF/STN n° 01/01, para pagamento do ITR por meio de TDA, exigese que o pagamento da outra parte (50%) seja realizado em espécie, não havendo como aceitar que o mesmo seja feito através de compensação, conforme pretendido. O requerimento de pagamento de 50% do ITR com TDA escritural é datado de 25.10.2007. Conforme recibo de entrega de declaração do ITR do exercício de 2007, apresentada em 26.09.2007, relativa ao imóvel rural de NIRF n° 3.393.1364, foi apurado o imposto de R$ 11.829,32 a ser pago em duas cotas, no valor de R$ 5.914,66. Na mesma data foi apresentada Declaração de Compensação, com o objetivo de compensar o valor de R$ 69.839,46, cujo respectivo crédito corresponde a saldo negativo do anocalendário de 2005, no valor original de R$ 56.793,90. O valor total do saldo negativo desse anocalendário informado é de R$ 444.882,31. Os débitos informados na DCOMP referemse aos números de imóvel: (i) 31892752, no valor de R$ 37.961,24, (ii) 33931364, no valor de R$ 5.914,66, (iii) 2569970 9, no valor de R$ 24.213,35, (iv) 31892825, no valor de R$ 1.117,94, e a Contribuições sociais retidas na fonte, no valor de R$ 632,27. Consta informação da autoridade administrativa, de que a declaração de compensação encontravase em análise manual. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 29.08.2008 e o recurso voluntário foi apresentado em 26.09.2008. A recorrente alega que a exigência prevista no art. 3º, § 1º, I, da IN Conjunta SRF/STN nº 01/01, de que os outros 50% fossem pagos em espécie, seria manifestamente ilegal, em ofensa ao princípio da estrita legalidade (art. 5º, II, 37, caput, e 150, I, da CF e art. 97 do CTN) porque violaria o art. 156, do CTN, o art. 74 da Lei 9.430/96, bem como, o art. 105, § 1º, a, da Lei 4.504/64, e o art. 11, I, do Decreto 578/92. Afirma que os dispositivos legais que autorizaram o pagamento de 50% com TDA, não condicionam o pagamento do restante do imposto, em espécie, por meio de DARF, de onde concluiu que o pagamento do restante do imposto deverá se dar nos termos da legislação vigente; e que no caso concreto, procedeu à compensação com saldo negativo do IRPJ, mediante a apresentação da DCOMP, com observância do que dispõe o art. 156, II, do CTN, que traz a compensação como modalidade de extinção do crédito tributário e com a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 4 observância do art. 74 da Lei 9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei 10.637/02, e da IN SRF 600/2005. Aduz, que a IN SRF/STN nº 01/01, ao extrapolar as disposições das leis que pretendeu regulamentar, também fez letra morta do art. 99, do CTN, que não admite que atos normativos regulamentares, como as Instruções Normativas alterem as disposições das leis em função das quais tenham sido expedidos. Salienta que a negativa do procedimento adotado pela recorrente afrontaria a vinculação a que está sujeita a autoridade administrativa, por força do art. 2º, I, da Lei 9.784/99. Pede a reforma da decisão para: a) que seja deferido o requerimento para pagamento de até 50% do ITR com TDA escritural; b) que seja aceito o pagamento do restante do imposto por meio de compensação. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso é tempestivo e atende às condições de admissibilidade. O presente processo foi encaminhado originalmente à Segunda Seção e foi encaminhado à Primeira Seção, nos termos do art. 7º, § 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, uma vez que o ITR declarado foi compensado com TDA(50%) e a outra metade, com saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica. Inicialmente devese apreciar se a competência para julgamento de recurso contra decisão de primeira instância, que indeferiu pedido de pagamento de 50% do ITR com TDA, é ou não desta Seção. De acordo com o art. 2º, VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, a competência para julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência das demais Seções, compete à Primeira Seção. Tendo em vista que o pagamento de 50% do ITR com TDA, não está incluída na competência das demais Seções, de que tratam os arts. 3º e 4º do mesmo Regimento, a competência para apreciação dessa matéria é mesmo da 1ª Seção. Observese que se discute a possibilidade do pagamento de 50% do ITR com Títulos da Dívida Agrária, e em vez do pagamento em espécie dos outros 50% do ITR, se possa compensar a outra metade do ITR, com créditos relativos a tributos administrados pela Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001997/200744 Acórdão n.º 140200.617 S1C4T2 Fl. 3 5 SRF. Ou seja, o fato da compensação se dar com saldo negativo do imposto de renda em vez de outro tributo é indiferente. A compensação do saldo negativo foi formalizada por meio de DCOMP, sendo que segundo informação da autoridade administrativa, à época, a declaração de compensação encontravase em análise manual. Portanto, o direito à compensação do saldo negativo não é discutido neste processo. Caso se julgue que é possível a compensação da outra metade do ITR com tributos administrados pela Receita Federal, é que se deve verificar se a compensação foi ou não homologada, não sendo a mesma objeto de discussão no presente processo. A IN SRF/STN nº 1, de 25/10/2001, republicada em 16/11/2001, dispõe sobre o pagamento de até 50% do ITR com Títulos de Dívida Agrária. A referida Instrução Normativa foi editada com base na alínea “a” do § 1º do art. 105, da Lei 4.504, de 30/11/64 e no inciso I, art. 11, do Decreto 578, 24/06/92. Esses dispositivos dispõem: A Lei 4.504, de 30/11/64 dispõe sobre o Estatuto da Terra e dá outras providências. Art. 105. Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos, denominados Títulos da Dívida Agrária, distribuídos em séries autônomas, respeitado o limite máximo de circulação equivalente a 500.000.000 de OTN (quinhentos milhões de Obrigações do Tesouro Nacional). (Redação dada pela Lei nº 7.647, de 19/01/88) § 1° Os títulos de que trata este artigo vencerão juros de seis por cento a doze por cento ao ano, terão cláusula de garantia contra eventual desvalorização da moeda, em função dos índices fixados pelo Conselho Nacional de Economia, e poderão ser utilizados: a) em pagamento de até cinqüenta por cento do Imposto Territorial Rural; O Decreto 578, de 24/06/92, dá nova regulamentação aos Títulos de Dívida Agrária. Art. 11. Os TDA poderão ser utilizados em: I pagamento de até cinqüenta por cento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural; Art. 15. Os Ministros da Economia, Fazenda e Planejamento e da Agricultura e Reforma Agrária poderão expedir as instruções necessárias à fiel execução do presente decreto. Determina a IN SRF/STN nº 1, de 25/10/2001, republicada em 16/11/2001: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA 6 Art. 1o O contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) poderá pagar até cinqüenta por cento desse imposto com Títulos da Dívida Agrária (TDA). § 1o Somente serão aceitos TDA escriturais, sendo vedado o seu fracionamento. Art. 3o Para solicitação de pagamento do imposto com TDA deverá ser utilizado, obrigatoriamente, o formulário cujo modelo de requerimento consta do Anexo I desta Instrução. § 1o O requerimento será instruído com os seguintes documentos: I Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), correspondente ao pagamento, em espécie, da outra parte do imposto devido; A IN exige que o requerimento de pagamento de até 50% do ITR, seja instruído com o DARF, correspondente ao pagamento, em espécie, da outra parte do imposto devido. Entretanto, não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, cujos dispositivos que interessam a este julgado estão acima transcritos, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com TDA, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie. Tendo a outra parte do ITR sido compensada com saldo negativo do imposto de renda, cuja DCOMP não está em apreciação neste processo, e levando em conta que, nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, deve ser rejeitada a prejudicial de que o pagamento do restante do débito de ITR, tenha que ser pago, em espécie, e os autos devem retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pleito. Assim, tendo a recorrente, pedido a reforma da decisão para que fosse deferido o requerimento para pagamento de até 50% do ITR com TDA escritural e que fosse aceito o pagamento do restante do imposto por meio de compensação com saldo negativo do imposto de renda, devese dar provimento parcial ao recurso, uma vez que outras condições devem ser atendidas para atendimento do seu pleito, que não foram apreciadas pela autoridade administrativa. Do exposto, oriento meu voto para dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001997/200744 Acórdão n.º 140200.617 S1C4T2 Fl. 4 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10786.000016/2011-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, conforme Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça.
Numero da decisão: 1001-000.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, conforme Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, conforme Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007, fica impedida de opção de ingresso, ainda que se trate de atividade secundária ou não a exerça. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 6. 00 00 16 /2 01 1- 47 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10786.000016/201147 Acórdão n.º 1001000.395 S1C0T1 Fl. 173 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Belém (PA), mediante o Acórdão nº 01030.024, de 11/09/2014 (efls. 142/145), objetivando a reforma do referido julgado. Em 03/01/2011, a empresa fez a opção pelo Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção”, de 15/02/2011 (efl. 19), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na seguinte situação impeditiva: Atividade econômica vedada: CNAE 46176/00 Representantes comerciais e agentes do comércio de produtos alimentícios, bebidas e fumo. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que "regularizou a pendência de atividade econômica vedada em 26/01/2011 conforme recibo protocolado na Recepção da agencia local sob o n. 17.55.33.43.61". A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade em virtude de a empresa não ter regularizado dentro do prazo e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 Inclusão no Simples Impossibilidade Existência de Atividade Econômica Vedada Comprovada a existência de atividade vedada, ocorre a impossibilidade de inclusão no Simples. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 26/09/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 154, a recorrente apresentou recurso voluntário em 17/10/2014 (efl. 156/157), conforme carimbo de recepção à efl. 156. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de possuir atividade econômica vedada em seu objetivo social. A base legal do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10786.000016/201147 Acórdão n.º 1001000.395 S1C0T1 Fl. 174 3 indeferimento por atividade econômica vedada foi o inciso XI, do art. 17, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; (Revogado pela Lei Complementar nº 147, de 7 de agosto de 2014) (efeitos: de 01/07/2007 a 31/12/2014) Nesse particular, mediante o art 7º, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: (grifos não constam do original) Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3 º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) No recurso interposto, a recorrente apresenta os seguintes argumentos, verbis: 1 Que na prática, a empresa nunca exerceu a atividade CNAE 46176/00 (Representantes comerciais e agentes do comércio de produtos alimentícios, bebidas e fumo), uma vez que nossa atividade estava relacionada a artigos de informática. 2. Que de fato, no Requerimento de Empresário constava a atividade vedada, mesmo sem que a empresa exercesse. No entanto, a mesma foi removida do quadro de atividades mediante alteração na Junta Comercial do Estado de Rondônia, promovida através de alteração em seu Requerimento de Empresário na data de 30/07/2010, conforme cópia autenticada em anexo. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10786.000016/201147 Acórdão n.º 1001000.395 S1C0T1 Fl. 175 4 3 Como a sistemática do processo de alteração das empresas exige que o DBE seja enviado a Junta Comercial juntamente com o Requerimento de Empresário, deduzimos que possa ter ocorrido algum erro de sistema, no qual a Junta Comercial efetuou alteração no Requerimento de Empresário e não à fez no sistema da Receita Federal Como se observa, a recorrente basicamente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, ou seja, que regularizou a pendência de atividade econômica vedada. Cabe ressaltar que não houve anexação de nenhum documento, somente quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Este argumento foi fundamentadamente afastado em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 , completandoo ao final: 8. (...) encontrase a consulta ao sistema CNPJ, fl.17, efetuada no dia 16/04/2011, em que está relacionada entre as atividades secundárias da empresa, o CNAE 4617600, sendo este exatamente o que a impediu de ingressar no SIMPLES. 9. A resposta da diligência contida no RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL da SAORT – SEÇÃO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA, da DRF/PORTO VELHO, fl.131/132, esclarece o seguinte: Pelos registros das alterações no CNPJ do contribuinte perante a RFB, a atividade econômica sob o CNAE 46176/00 foi incluída em 27/05/2009 e excluída em 31/05/2011, permanecendo durante esse período sempre entre as atividades econômicas informadas à RFB por meio de DBE. (omissis) 11. Como a alteração que retirou a atividade vedada somente foi efetuada após o prazo limite para regularização, seja este 31/01/2011, não assiste razão ao contribuinte em seu pleito. Quanto à alegação: "deduzimos que possa ter ocorrido algum erro de sistema", percebese que o mesmo foi citado como especulação, pois não foi trazido qualquer prova aos autos. É de suma importância observar que as presunções “juris tantum”, muito embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidilas. A jurisprudência administrativa é mansa e pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fito de se elidir a tributação erigida por lançamento. À Fazenda Pública cabe tornar evidente o fato constitutivo do seu direito. Cabe ao litigante provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10786.000016/201147 Acórdão n.º 1001000.395 S1C0T1 Fl. 176 5 Cumpre reproduzir aqui o disposto no art. 16, III e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 16. A impugnação mencionará: ............ III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ............. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Não comprovada as alegações do sujeito passivo, tem a autoridade fiscal o poder/dever de efetuar o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. A autoridade lançadora não deve nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é “atividade administrativa plenamente vinculada”. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, não tendo repercussão a atual situação econômicofinanceira do sujeito passivo. Por fim, quanto à alegação de que nunca explorou a atividade, está bem claro no Perguntas e Respostas do Simples Nacional, coletânea de diversas orientações do Comitê Gestor do Simples Nacional, que se houver no contrato social da empresa alguma atividade impeditiva, constante do Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, mesmo que não a exerça, estará impedida de optar: (grifos não constam do original) 2.4. AS MICROEMPRESAS (ME) E AS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (EPP) QUE EXERÇAM ATIVIDADES DIVERSIFICADAS, SENDO APENAS UMA DELAS VEDADA E DE POUCA REPRESENTATIVIDADE NO TOTAL DAS RECEITAS, PODEM OPTAR PELO SIMPLES NACIONAL? Não poderão optar pelo Simples Nacional as ME e as EPP que, embora exerçam diversas atividades permitidas, também exerçam pelo menos uma atividade vedada, independentemente da relevância da atividade impeditiva. 2.5. SE CONSTAR DO CONTRATO SOCIAL ALGUMA ATIVIDADE IMPEDITIVA À OPÇÃO PELO SIMPLES Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10786.000016/201147 Acórdão n.º 1001000.395 S1C0T1 Fl. 177 6 NACIONAL, AINDA QUE NÃO VENHA A EXERCÊLA, TAL FATO É MOTIVO DE IMPEDIMENTO Á OPÇÃO? Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será vedado, ainda que não exerça tal atividade. Se a atividade impeditiva constante do contrato estiver relacionada no Anexo II da Resolução CGSN nº 6, de 2007, seu ingresso no Simples Nacional será permitido, desde que não exerça tal atividade e declare, no momento da opção, esta condição. De outra parte, também estará impedida de optar pelo Simples Nacional a pessoa jurídica que obtiver receita de atividade impeditiva, em qualquer montante, ainda que não prevista no contrato social (Ver Pergunta 2.4). 2.6. A ME OU A EPP INSCRITA NO CNPJ COM CÓDIGO CNAE CORRESPONDENTE A UMA ATIVIDADE ECONÔMICA SECUNDÁRIA VEDADA PODE OPTAR PELO SIMPLES NACIONAL? Não. A Lei Complementar nº 123, de 2006, prevê que o exercício de algumas atividades impede a opção pelo Simples Nacional. Essas atividades impeditivas estão listadas no Anexo I da Resolução CGSN nº 6, de 2007. O exercício de qualquer dessas atividades pela ME ou EPP impede a opção pelo Simples Nacional, bem como a sua permanência no Regime, independentemente de essa atividade econômica ser considerada principal ou secundária. Assim, como a contribuinte tinha até o último dia de janeiro de 2011 para regularizar as pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional e não o fez dentro deste prazo, há que se manter o indeferimento da Opção pelo Simples Nacional. Por todo o exposto, face à comprovada existência de atividade econômica vedada na data limite para a opção, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.681136/2009-49
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade fiscal de origem analise os documentos acostados aos autos.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade fiscal de origem analise os documentos acostados aos autos. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. RELATÓRIO Dos fatos Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0949.120, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora /MG DRJ/JFA que, em sessão de julgamento realizada no dia 23.01.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 135 a 139): Trata o presente processo de PER/DCOMP nº 08836.91617.191108.1.3.046076, com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$ 37.959,76, recolhido em 20/03/2007. Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 81 13 6/ 20 09 -4 9 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10880.681136/200949 Resolução nº 3001000.019 S3C0T1 Fl. 234 2 que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Regularmente cientificada do Despacho Decisório, por via postal, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em breve síntese, que transmitiu DCTF retificadora que confirma o seu crédito e que o crédito informado no PER/DCOMP é suficiente para a compensação do(s) débito(s) declarado(s). É o relatório do necessário. Da decisão de 1ª Instância A 1ª Turma da DRJ/JFA, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/03/2007 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, segundo por meio do "Aviso de Recebimento" (efl. 141), tomou conhecimento da "INTIMAÇÃO Nº 254/2014" em 14.02.2014 (efl. 140), dando conta do acórdão vergastado. Irresignado com a referida decisão, conforme o "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 231), o recorrente, em 13.03.2014, registra a solicitação de juntada do recurso voluntário apresentado (efls. 143 a 230). No caso, compulsando as datas acima destacadas, concluise que o recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que dele conheço. Do recurso voluntário Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10880.681136/200949 Resolução nº 3001000.019 S3C0T1 Fl. 235 3 Sintetizo os argumentos de defesa apresentado que entendo suficiente para evidenciar a necessidade de deferirse a diligência pleiteada. Alega o recorrente que: 1 é pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido e, portanto, o regime de tributação das contribuições ao PIS e Cofins é o cumulativo; 2 apurou saldo devedor de Cofins no valor de R$ 37.959,76, referente a fevereiro/2007 e providenciou o devido recolhimento por meio de DARF; 3 constatou que apurou de forma indevida o referido saldo a pagar de Cofins no citado período, tendo em vista que, para as operações de industrialização por encomenda, a legislação reduziu a alíquota desta contribuição, ficando alterada de 3% para zero, gerando crédito em seu favor; 4 em face da legislação aplicável às operações de industrialização por encomenda, o valor correto a ser recolhido no referido período era de R$ 108,66, gerando, por consequente, um saldo credor de R$ 37.851,10; 5 desse modo, apresentou a DCOMP 08836.91617.191108.1.3.046076, com o objetivo de quitar débitos de tributos federais com o valor que recolheu indevidamente; 6 a fiscalização, ao analisar o direito creditório pleiteado, ao proferir o despacho decisório, não o homologou, por haver concluído que respectivo valor serviu para quitar integralmente os débitos informados na DCTF e Dacon; 7 a não homologação decorreu da não apresentação da DCTF e do Dacon retificados, o que impossibilitou de a fiscalização identificar que o saldo recolhido de Cofins não estava de acordo com a realidade dos fatos e, por conseguinte, de aferir o crédito existente a seu favor, em face do recolhimento a maior; 8 se a fiscalização o tivesse intimado a prestar esclarecimentos sobre referida divergência, à época, já poderia explicar que por mero vício formal não retificou em tempo a DCTF e o Dacon, o que não desqualifica a materialidade de seu crédito de Cofins; 9 com vista a sanar o equívoco que maculou o despacho decisório, ao apresentar a manifestação de inconformidade, procedeu à retificação dos referidos documentos (DCTF e Dacon), para que estes demonstrassem o saldo creditório correto, que por um lapso divergia de sua documentação contábil e fiscal; 10 a questão suscitada no acórdão recorrido não merece prosperar, pois comprovou que o crédito discutido surgiu de apuração equivocada de Cofins em relação à operação de industrialização por encomenda, conforme consta de seu Livro Razão e Balancete; 11 no intuito de corroborar com a verdade material dos fatos, possibilitar a aferição do crédito e consequente homologação da DComp, aproveita esta oportunidade para apresentar sua documentação contábil, bem como a fiscal, que inegavelmente comprovam a existência do direito creditório ora pleiteado. Do encaminhamento Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10880.681136/200949 Resolução nº 3001000.019 S3C0T1 Fl. 236 4 O processo digital, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Do voto condutor do acórdão recorrido Do voto condutor do acórdão recorrido colhese: (...) No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pelo contribuinte até a data entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é aquele declarado na DCTF retificadora (entregue após a transmissão do PER/DCOMP). Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais e controles internos. Em situações tais como a analisada, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderia comprovar que inexistia tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado com outros débitos. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. De acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) contenha as razões e provas que o interessado possua. No mesmo sentido, a Lei n.º 9.784/99, de aplicação subsidiária ao rito processual do Decreto n.º 70.235/72, estabelece, em seu art. 36, que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, em consonância, ainda, com o artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, que afirma que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10880.681136/200949 Resolução nº 3001000.019 S3C0T1 Fl. 237 5 Com efeito, cumpre elucidar ainda que, nos moldes do art. 214, do Código Civil1, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, por aplicação do já comentado art. 333, I, do CPC. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis/fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova a mera apresentação de DCTF retificadora. É assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) é firme nesse sentido, conforme exemplificam as seguintes ementas: (...) Deste modo, considerando que a DCTF retificadora foi entregue somente após a transmissão do PER/DCOMP e que não foram aduzidos aos autos quaisquer elementos comprobatórios do crédito pleiteado, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no Despacho Decisório sob análise. Nessa perspectiva, cumpre assinalar que, de acordo com a peça de defesa, a interessada também retificou o Dacon, em 30/03/2009 (fls. 25 a 68), alterando o valor da contribuição devida nos mesmos moldes da DCTF retificadora (fls. 69 a 112). Tal retificação, que resultou na diminuição do débito confessado, se deu em virtude da alteração da origem de grande parte da receita auferida, primeiramente informada como venda de produtos sujeitos à tributação monofásica e posteriormente alterada para revenda dos referidos produtos, cuja receita é tributada à alíquota zero. Entretanto, a interessada não comprovou a procedência da alteração efetuada, indispensável no presente caso, especialmente porque a atividade da contribuinte é, entre outras, a fabricação de medicamentos farmacêuticos, situação em que a tributação é concentrada no fabricante (fls. 117 a 131 e 134). Diante do exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório de não homologação da compensação. Da justificativa para a proposta de diligência Compulsandose os autos verificase que o pedido de compensação do recorrente foi indeferido, por meio de despacho decisório eletrônico, Número de Rastreamento 849875810, em decorrência da inexistência de crédito. O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10880.681136/200949 Resolução nº 3001000.019 S3C0T1 Fl. 238 6 que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábilfiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN, ainda mais com os documentos lastreados aos presentes autos, com a apresentação do recurso voluntário de que se cuida. Da conclusão Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da repartição de origem proceda à análise da documentação apresentada pelo recorrente em seu recurso voluntário, bem como intimeo para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem DERAT SÃO PAULO para realização da diligência solicitada. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10880.681136/200949 Resolução nº 3001000.019 S3C0T1 Fl. 239 7 Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da repartição de origem deverá elaborar relatório conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pelo recorrente na PER/DCOMP 08836.91617.191108.1.3.046076. Encerrada a instrução processual o recorrente deverá ser intimado para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para este CARF, para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 239DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.901808/2010-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-006.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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TAXA SELIC. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GRAMAZINI GRANITOS E MÁRMORES THOMAZINI ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 18 08 /2 01 0- 80 Fl. 161DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3802002.338, de 28/01/2014, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 MATÉRIA NÃO QUESTIONADA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. NEGAÇÃO GERAL. NÃO ENFRENTAMENTO DO OBJETO DO LITÍGIO NA PETIÇÃO FORMALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. O não enfrentamento da matéria na primeira instância recursal implica em preclusão processual, a teor do disposto no artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, meras negativas gerais apresentadas na peça vestibular não caracterizam recurso. O não enfrentamento expresso da matéria na petição inicial retrata a concordância tácita do sujeito passivo com os fatos ali relatados. Tal matéria deverá ser considerada como não impugnada, posto não haver sido contestada expressamente pelo impugnante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DÉBITOS DECLARADOS EM DCOMP. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. A prescrição se interrompe, dentre outras hipóteses, pela caracterização de “qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor” (CTN, artigo 174, inciso IV). Por seu turno, a declaração de compensação “constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados” (§ 6º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996). Considerando a realidade fática, em que a interessada, em 21/07/2010, foi cientificada do despacho decisório que homologou apenas em parte os débitos declarados na declaração de compensação formalizada em 11/08/2005, resta evidente que, quando da ciência da decisão em questão ainda não havia transcorrido o prazo de prescrição de cinco anos capitulado no caput do artigo 174 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10783.901808/201080 Acórdão n.º 9303006.521 CSRFT3 Fl. 162 3 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. INDEFERIMENTO DE PARTE DO DIREITO ADUZIDO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS OUTRORA INDEFERIDOS. POSSIBILIDADE. TERMO INICIAL. DATA DO ATO DE INDEFERIMENTO. Segundo jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça o indeferimento de pedido de reconhecimento de direito creditório do IPI, por ato da autoridade administrativa, descaracteriza a natureza escritural do saldo credor do imposto pleiteado, dando ensejo à incidência da taxa Selic sobre os créditos objeto da oposição oficial, calculada a partir da data do indeferimento dos créditos. Aplicação da jurisprudência do STJ por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso do qual se conhece em parte, para dar parcial provimento. Irresignada, a PFN interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto à possibilidade de atualização pela taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº CSRF/0203.718 e CSRF 930300720. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 146/149. Intimada, a contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Os autos consubstanciam pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. O PER/DCOMP foi enviado em 11/08/2005; o Despacho Decisório, proferido em 06/07/2010. Pois bem. Conforme assentado no exame de admissibilidade do recurso especial, o acórdão recorrido entendeu abonar a incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos, nos termos seguintes: Assim, no caso dos autos, a correção monetária só poderá ser admitida sobre a parte dos créditos cujo reconhecimento do direito ocorreu por força do acórdão proferido pela DRJ Juiz de Fora (já que sobre estes é que ocorreu a oposição estatal – parte indeferida pelo despacho decisório), e, mesmo assim, somente a partir de 06/07/2010, data em que foi proferido o Fl. 163DF CARF MF 4 despacho decisório que reconheceu apenas em parte o direito. (grifos do original) Os acórdãos paradigmas, todavia, em flagrante dissídio jurisprudencial, concluíram, como pretende a Recorrente, justamente o contrário: não há autorização legal para reconhecer a aplicação da taxa Selic sobre os valores de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996. No mérito, como se sabe, o tema já se encontra pacificado no Poder Judiciário, conforme indica o seguinte acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ, em decisão assim ementada: ESPECIAL Nº 1.467.934/RS (2014∕01707525) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA AGRAVANTE : REICHERT CALÇADOS LTDA ADVOGADOS : CRISTOV BECKER PABLO EDUARDO CAMUSSO E OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Tratase de agravo regimental interposto por REICHERT CALÇADOS LTDA., desafiando a decisão pela qual se deu parcial provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, ao fundamento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847∕RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411∕STJ). Está também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457∕07), conforme decidiu esta Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206∕RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ". TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10783.901808/201080 Acórdão n.º 9303006.521 CSRFT3 Fl. 163 5 escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Vêse, pois, que, conforme decidiu o STJ, a taxa Selic deve incidir a partir de findo o prazo de que dispõe a Administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar de sua apresentação (art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007). Contudo, considerando que a PFN é a Recorrente e que o reconhecimento da aplicação da taxa Selic se deu, no acórdão recorrido, a partir da data em que proferido o Despacho Decisório (quase cinco anos após a apresentação do pedido), não se pode reformálo aqui em prejuízo da Fazenda Pública. Ante o exposto, conheço do recurso especial da PFN e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962459/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/10/2004
Ementa:
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
COMPENSAÇÃO. PEDIDO REALIZADO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. QUESTÃO DE CONTEÚDO QUE DEVE SE SOBREPOR À FORMA. PREVALÊNCIA DA RATIO DECIDENDI DE PRECEDENTE PRETORIANO DE CARÁTER VINCULANTE COM A ADEQUAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 170-A DO CTN.
Embora o pedido de compensação perpetrado pelo contribuinte tenha se contraposto à literalidade do art. 170-A do CTN, ao final do processamento judicial a lide por ele proposta foi julgada procedente, com base em precedente vinculante do STF. (RE n. 357.950) o que, por sua vez, faz convocar em seu favor o disposto nos artigos 489, § 1o, inciso VI, 926 e s.s., todos do CPC/2015, bem como o disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF e, ainda, ao prescrito no art. 2o, inciso V da Portaria PGFN n. 502/2016.
Recurso voluntário provido para sujeitar a Administração Pública ao precedente vinculante do STF (RE n. 357.950). Pedido de compensação a ser analisado pela instância competente apenas para fins de apuração quanto a adequação do montante compensado.
Numero da decisão: 3402-005.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/10/2004 Ementa: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REALIZADO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. QUESTÃO DE CONTEÚDO QUE DEVE SE SOBREPOR À FORMA. PREVALÊNCIA DA RATIO DECIDENDI DE PRECEDENTE PRETORIANO DE CARÁTER VINCULANTE COM A ADEQUAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 170-A DO CTN. Embora o pedido de compensação perpetrado pelo contribuinte tenha se contraposto à literalidade do art. 170-A do CTN, ao final do processamento judicial a lide por ele proposta foi julgada procedente, com base em precedente vinculante do STF. (RE n. 357.950) o que, por sua vez, faz convocar em seu favor o disposto nos artigos 489, § 1o, inciso VI, 926 e s.s., todos do CPC/2015, bem como o disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF e, ainda, ao prescrito no art. 2o, inciso V da Portaria PGFN n. 502/2016. Recurso voluntário provido para sujeitar a Administração Pública ao precedente vinculante do STF (RE n. 357.950). Pedido de compensação a ser analisado pela instância competente apenas para fins de apuração quanto a adequação do montante compensado.
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BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de serviços e de mercadorias e serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REALIZADO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. QUESTÃO DE CONTEÚDO QUE DEVE SE SOBREPOR À FORMA. PREVALÊNCIA DA RATIO DECIDENDI DE PRECEDENTE PRETORIANO DE CARÁTER VINCULANTE COM A ADEQUAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 170A DO CTN. Embora o pedido de compensação perpetrado pelo contribuinte tenha se contraposto à literalidade do art. 170A do CTN, ao final do processamento judicial a lide por ele proposta foi julgada procedente, com base em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 24 59 /2 00 8- 50 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 2 precedente vinculante do STF. (RE n. 357.950) o que, por sua vez, faz convocar em seu favor o disposto nos artigos 489, § 1o, inciso VI, 926 e s.s., todos do CPC/2015, bem como o disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF e, ainda, ao prescrito no art. 2o, inciso V da Portaria PGFN n. 502/2016. Recurso voluntário provido para sujeitar a Administração Pública ao precedente vinculante do STF (RE n. 357.950). Pedido de compensação a ser analisado pela instância competente apenas para fins de apuração quanto a adequação do montante compensado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte contra Despacho Decisório não homologatório da compensação pleiteada. O Despacho Decisório da unidade de origem da RFB considerou inexistir o crédito informado, razão pela qual não homologou a compensação declarada. Contra esta decisão a contribuinte interpôs, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade onde alega, resumidamente, que: . Obteve concessão de segurança nos autos do MS n°2001.61.00.0276539 — 16a Vara Cível Federal da Subseção Judiciária de São Paulo — para afastar a incidência do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98, garantindo as impetrantes a observância das Leis Complementares 7/70 e 70/91 no que se refere à base de cálculo do PIS e da COFINS, observandose as alíquotas determinadas nas Leis n° 9.715/98 e 9.718/98 e reconhecendo o direito a compensação das quantias pagas "a maior" do PIS e da COFINS com parcelas vincendas das próprias contribuições. De acordo com o principio da verdade material que rege o procedimento administrativo, a Administração deve buscar o que é realmente a verdade, não ficando adstrita apenas As provas e aos documentos apresentados pelas partes no decorrer do processo administrativo. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 3 A Autoridade Fiscal, ao decidir pela nãohomologação do direito creditório da Requerente, fundamentou de forma singela o DespachoDecisório, deixando de se aprofundar sobre a questão da inexistência desse direito. A decisão judicial proferida nos autos do MS n°2001.61.00.0276539 garantia o direito irrestrito A Requerente de compensar os valores recolhidos a maior, sendo os créditos tributários objetos do presente líquidos e certos, conforme se depreende da leitura dos demonstrativos anexados. . O valor do DARF recolhido pela Requerente corresponde à COFINS incidente sobre a totalidade das receitas. . Nesses termos, requer o cancelamento do despacho decisório e a homologação da compensação e a consequente extinção do crédito tributário. (...). A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que a mera alegação do direito creditório, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para comprovar o direito líquido e certo.Também asseverou o colegiado de piso que compensação oriunda de decisão judicial somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da respectiva sentença, a teor do disposto nos arts. 170A do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, oportunidade em que repisou os fundamentos já aventados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.025, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.906342/200896, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402005.025: "5. O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da compensação realizada e a limitação do art. 170A do CTN no caso concreto 6. A limitação da controvérsia aqui posta é muito simples e não merece maiores digressões. Conforme se observa dos autos, o Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 4 contribuinte, ao longo do processo administrativo, discutiu o seu direito de compensar valores indevidamente pagos a título de COFINS em razão do seu indevido alargamento da base de cálculo veiculado pela lei n. 9.718/98. Tal pedido foi realizado em 14 de novembro de 2003 (fl. 02), com base em decisão judicial proferida nos autos n. 2001.61.00.0276539 e que, naquela oportunidade, ainda estava pendente de trânsito em julgado. 7. Diante deste quadro e com base no já vigente art. 170A do CTN, inserido no sistema jurídico nacional por intermédio da lei complementar 104/01, referido pleito foi indeferido, haja vista que o contribuinte pretendia compensar até então "suposto" crédito tributário, uma vez que reconhecido por decisão judicial ainda pendente de trânsito em julgado. 8. Assim, levando em consideração que as disposições normativas que regem o direito de compensação são aquelas vigentes no momento do encontro de contas, uma primeira resposta possível para o caso decidendo e a mais fácil delas, digase de passagem seria simplesmente negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 9. Acontece que nem sempre as respostas ofertadas pelo Direito são fáceis, em especial quando o Direito é convocado para ser ponderado em concreto, i.e., diante da complexidade de um caso decidendo. Por outro giro verbal, o Direito não é uma ciência exata, o que, por conseguinte, afasta o advento de respostas cartesianas para que se possa prestigiar soluções aparentemente paradoxais. Tenho para mim que é exatamente este o caso dos autos. Antes, todavia, de externar a resolução que entendo cabível para o caso, convém neste instante fixar algumas premissas indispensáveis para sustentar a conclusão que será ulteriormente alcançada. 10. A primeira de tais premissas diz respeito ao mérito do crédito aqui vindicado, o qual não demanda maior reflexão. Tratase da sedimentada discussão acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS promovida pela lei n. 9.718/98, inconstitucionalidade essa reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 5 A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 11. O recorrente, em particular, promoveu ação judicial para declarar inexistente a relação jurídica calcada com base na lei n. 9.718/98, bem como para repetir/compensar os valores indevidamente recolhidos até então. Depois de mais de 16 (dezesseis) anos de tramitação1, sua demanda finalmente transitou em julgado com o advento de decisão reconhecendo a inconstitucionalidade de tal exigência tributária, bem como o direito a repetição/compensação dos valores indevidamente pagos. Este é o teor do julgado do TRF da 3a Região proferido em favor do contribuinte: DECISÃO Tratase de apelações e remessa oficial contra sentença que concedeu parcialmente a segurança para afastar a incidência do art. 3º, § 1º da Lei nº 9718/98 em relação à base de cálculo da COFINS e do PIS, mantendo a alíquota da COFINS de 3% nos termos do art. 8º, bem como autorizou a compensação dos valores a maior do PIS e da COFINS na forma da Lei nº 9718/98, com parcelas vincendas das próprias contribuições, nos termos da Lei nº 8383/91, com correção a partir de cada pagamento pelo Prov. 26/2001. 1 O processo promovido pelo contribuinte foi distribuído em 05/11/2001 e definitivamemte baixado em 31/05/2017, conforme pesquisa realizada junto ao sítio eletrônido do TRF da 3a. Região. Acessado em 10/01/2018: http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/?numeroProcesso=undefined Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 6 A Turma, na sessão de 17/12/2003, proferiu acórdão com o seguinte teor: "DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS (ARTIGO 195, I, CF). LEI Nº 9.718/98. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. 1. Ainda que ressaltando o meu posicionamento, rendome ao entendimento proferido em Argüição de Inconstitucionalidade apreciada pelo C. Órgão Especial deste E. Tribunal, no sentido de ser constitucional a alteração do regime de incidências fiscais, de que trata a Lei nº 9.718/98 em razão de o artigo 195 da CF não definir o que seja faturamento. 2. Elevação de alíquota e o benefício da compensação, previstos no artigo 8º da Lei nº 9.718/98, podem ser instituídos por lei ordinária e, na forma que o foram, não violaram qualquer preceito constitucional, sequer o da isonomia, como, recentemente, decidido pelo Supremo Tribunal Federal. 3. Assim, conforme decidido no supramencionado órgão, a Emenda Constitucional nº 20/98 apenas confirmou a constitucionalidade da Lei nº 9.718/98, aferida desde a origem, ainda na vigência da redação anterior do inciso I do artigo 195. 4. Apelação da impetrante improvida. 5. Apelação da União Federal e remessa oficial providas." Foi interposto recurso extraordinário. A VicePresidência da Corte, examinando o recurso extraordinário, devolveu os autos à Turma para julgamento na forma do artigo 543B, § 3º, inc. II do Código de Processo Civil, à vista do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235 QO/MG, que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. DECIDO. O acórdão proferido anteriormente pela Turma refletiu a interpretação vigente à época do respectivo julgamento que, porém, na atualidade, encontrase superada diante da consolidação, em sentido contrário, da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, firmada no sentido da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei 9718/98. Nos termos do entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal, foi reconhecida a inconstitucionalidade Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 7 da majoração da base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9718/98 e nesse sentido, ficou assentado (Informativo STF n° 408): "PIS e COFINS: Conceito de Faturamento Concluído julgamento de uma série de recursos extraordinários em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, cujo art. 3º, § 1º, define o conceito de faturamento ("Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.") v. Informativos 294, 342 e 388. O Tribunal, por unanimidade, conheceu dos recursos e, por maioria, deulhes provimento para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Entendeuse que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. Ressaltouse que, a despeito de a norma constante do texto atual do art. 195, I, b, da CF, na redação dada pela EC 20/98, ser conciliável com o disposto no art. 3º, do § 1º da Lei 9.718/97, não haveria se falar em convalidação nem recepção deste, já que eivado de nulidade original insanável, decorrente de sua frontal incompatibilidade com o texto constitucional vigente no momento de sua edição. Afastouse o argumento de que a publicação da EC 20/98, em data anterior ao início de produção dos efeitos da Lei 9.718/97 o qual se deu em 1º.2.99 em atendimento à anterioridade nonagesimal (CF, art. 195, § 6º) , poderia conferirlhe fundamento de validade, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação (28.11.98), portanto, 20 dias antes da EC 20/98. Reputouse, ademais, afrontado o § 4º do art. 195 da CF, se considerado para efeito de instituição de nova fonte de custeio de seguridade, eis que não obedecida, para tanto, a forma prescrita no art. 154, I, da CF ("Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;"). RE 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio e RE 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, 9.11.2005. (RE357950) (RE 346084) PIS e COFINS: Conceito de Faturamento 7 Em relação aos recursos extraordinários RE 357950/RS; RE 358273/RS; RE 390840/MG, todos de relatoria do Min. Marco Aurélio, ficaram vencidos: em parte, os Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do art. 8º da lei em questão; e, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 8 integralmente, os Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Nelson Jobim, presidente, que negavam provimento ao recurso. Em relação ao RE 346084/PR, ficaram vencidos: em parte, o Min. Ilmar Galvão, relator originário, que dava provimento parcial ao recurso para fixar como termo inicial do prazo nonagesimal o dia 1º.2.99, e os Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que davam parcial provimento para declarar a inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/97; integralmente, os Ministros Maurício Corrêa, Gilmar Mendes, Joaquim Barbosa e Nelson Jobim, presidente, que negavam provimento ao recurso, entendendo ter havido a convalidação da norma impugnada pela EC 20/98. RE 357950/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio e RE 346084/PR, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, 9.11.2005. (RE357950) (RE346084) Assim, estando o acórdão, anteriormente proferido, em divergência com a orientação atual da Turma e da Corte Superior, cabe, nos termos do artigo do artigo 543B, § 3º, do Código de Processo Civil, o reexame da causa para adequação à jurisprudência consolidada, reconhecendose a autorização para o recolhimento da contribuição relativa do PIS e da COFINS, sem as alterações promovidas pela Lei nº 9.718/98, no tocante à modificação da sua base de cálculo. Destarte, mostrase desnecessária qualquer discussão acerca dos argumentos suscitados pelas partes e atinentes à aludida controvérsia. Assim, se o contribuinte recolheu aos cofres públicos valor superior àquele realmente devido, com base na majoração da base de cálculo do PIS e COFINS, veiculada pela Lei 9718/98, cabe a restituição do montante excedente. Quanto ao prazo extintivo para se pleitear a restituição/compensação de tributo pago indevidamente, esta E. Terceira Turma adotava o entendimento de que, nos tributos sujeitos à lançamento por homologação, aplicava se o prazo quinquenal invariavelmente, contado retroativamente da data da propositura da ação ou do requerimento administrativo, conforme interpretação conferida aos art. 150, §§1º e 4º e art. 168, I, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, no julgamento do REsp nº 1.002.932SP, o Superior Tribunal de Justiça, analisando a aplicação da Lei Complementar nº 118/2005, ressaltou o posicionamento de que, "tratandose de pagamentos indevidos antes da entrada em vigor da LC n. 118/2005 (9/6/2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a tese dos "cinco mais cinco", desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 9 contagem do lapso temporal, regra que se coaduna com o disposto no art. 2.028 do CC/2002. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido". Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566621/RS, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Assim, para as ações propostas antes de 09/06/2005, aplica se o prazo prescricional decenal. Nesse sentido: INFORMATIVO Nº 634 Prazo para repetição ou compensação de indébito tributário e art. 4º da LC 118/2005 5 É inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 ["Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional"; CTN: "Art. 106. A lei aplica se a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados"]. Esse o consenso do Plenário que, em conclusão de julgamento, desproveu, por maioria, recurso extraordinário interposto de decisão que reputara inconstitucional o citado preceito v. Informativo 585. Prevaleceu o voto proferido pela Min. Ellen Gracie, relatora, que, em suma, assentara a ofensa ao princípio da segurança jurídica nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à Justiça, com suporte implícito e expresso nos artigos 1º e 5º, XXXV, da CF e considerara válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9.6.2005. Os Ministros Celso de Mello e Luiz Fux, por sua vez, dissentiram apenas no tocante ao art. 3º da LC 118/2005 e afirmaram que ele seria aplicável aos próprios fatos (pagamento indevido) ocorridos após o término do período de vacatio legis. Vencidos os Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que davam provimento ao recurso. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 10 Portanto, diante do reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, pelo Supremo Tribunal Federal, revejo meu posicionamento, para reconhecer ser aplicável o prazo prescricional quinquenal apenas às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Para as ações propostas antes de 09/06/2005, tratandose de tributos sujeitos à lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional decenal para restituição do indébito tributário. Considerando que a presente ação foi ajuizada em 31/10/2001, aplicável o prazo prescricional decenal, contado retroativamente da data do ajuizamento da ação, motivo pelo qual a autora não decaiu do direito de pleitear a compensação dos pagamentos efetuados, eis que efetuados os pagamentos a partir de março/99. Quanto ao regime de compensação, a jurisprudência já se consolidou no sentido de que o regime aplicável é o vigente ao tempo da propositura da ação, ficando, portanto, o contribuinte sujeito a um dos seguintes diplomas legais: Lei nº 8383/91, de 10/12/1991; Lei nº 9430/96, de 27/12/1996 (redação originária); e Lei nº 10.637/02, de 30/12/2002 (alterou a Lei nº 9.430/96). Nesse sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C do CPC: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8383/91. LEI 9430/96. LEI 10637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (art. 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (art. 170, do CTN). 2. A Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ato normativo que, pela vez primeira, versou o instituto da compensação na seara tributária, autorizoua apenas entre tributos da mesma Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 11 espécie, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal (artigo 66). 3. Outrossim, a Lei 9.430/96, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do Decretolei 2.287/86. 4. A redação original do artigo 74, da Lei 9.430/96, dispõe:"Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração". 5. Consectariamente, a autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si. 6. A Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (regime jurídico atualmente em vigor) sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei 9.430/96, a qual não mais albergava esta limitação. 7. Em conseqüência, após o advento do referido diploma legal, tratandose de tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal, tornouse possível a compensação tributária, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos. 8. Deveras, com o advento da Lei Complementar 104, de 10 de janeiro de 2001, que acrescentou o artigo 170A ao Código Tributário Nacional, agregouse mais um requisito à compensação tributária a saber: "Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 12 conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). 9 a 16 (....) 17. Recurso especial parcialmente conhecido e parcialmente provido, apenas para reconhecer o direito da recorrente à compensação tributária, nos termos da Lei 9.430/96. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (REsp n. 1137738/SP, Relator Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA SEÇÃO, j. em 09/12/2009, DJe 1º/2/2010) Assim, na vigência da Leis 8.383/91, a compensação devia ser efetuada somente entre contribuições e tributos da mesma espécie e destinação, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal. Outrossim, no regime da Lei nº 9.430/96, é possível a realização da compensação em relação a quaisquer tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal, "desde que atendida a exigência de prévia autorização daquele órgão em resposta a requerimento do contribuinte, que não podia efetuar a compensação sponte sua" (AGRESP n. 1.003.874, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 03/11/2008). Com o advento da Lei nº 10.637/2002, não mais se exige o prévio requerimento do contribuinte e a autorização da Secretaria da Receita Federal para a realização da compensação em relação a quaisquer tributos e contribuições, porém, estabeleceu o requisito da entrega, pelo contribuinte, de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Outrossim, a Lei Complementar nº 104/2001 acrescentou o art. 170A ao Código Tributário Nacional, que determina que a compensação somente poderá ser efetuada após o trânsito em julgado da decisão judicial, sendo que a presente ação foi ajuizada na vigência da referida LC. No entanto, no presente caso, deve ser mantida a compensação na forma da Lei nº 8383/91, nos termos do estabelecido pelo MM. Juízo "a quo", pois não foi oferecido recurso pela impetrante. Superadas estas controvérsias, passo a analisar a aplicação de correção monetária para efeito da compensação pretendida pelo contribuinte. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 13 A compensação representa forma de extinção de crédito tributário que está atrelada ao princípio da estrita legalidade. Assim, nas condições estabelecidas pela lei, a autoridade administrativa fica autorizada a proceder à compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou não, de titularidade do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A Jurisprudência é pacífica no sentido de que os casos de compensação do indébito implicam a correção monetária desde a data do recolhimento indevido. Quanto aos índices de atualização, a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, é no sentido de aplicação dos índices plenos de correção monetária (RESP nº 220.387, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 16.05.05, p. 279 e RESP nº 671.774, Rel. Min. Castro Meira, DJU de 09.05.05, p. 357). A partir de 01 de janeiro de 1996, deve ser utilizada exclusivamente a taxa SELIC que representa a taxa de inflação do período considerado acrescida de juros reais, nos termos do § 4º, art. 39, da Lei 9250/95, enquanto que no período anterior a 1º de janeiro de 1996, na esteira do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, são indevidos os juros de mora, por não estarem previstos legalmente (RESP 119434/PR, 2ª Turma do STJ, Relator Hélio Mosimann, DJU 11.05.98, fls. 70). "In casu", parcelas recolhidas a partir de março/99, e portanto deverá ser aplicada somente a taxa SELIC a partir desta data. Mantido o entendimento do julgamento anteriormente realizado do acórdão no tocante à constitucionalidade da alíquota da COFINS, nos termos do art. 8º da Lei nº 9718/98, pois tal questão já foi analisada e não é objeto do juízo de retratação. Ante o exposto, com base no artigo 543B, § 3º c/c artigo 557, § 1ºA, ambos do Código de Processo Civil, nego provimento à apelação da impetrante e à apelação da União Federal e dou provimento parcial à remessa oficial para que a compensação seja efetuada após o trânsito em julgado, nos termos da LC 104/01. Publiquese. Não havendo recurso desta decisão, retornem os autos à VicePresidência; porém, em caso contrário, voltemme conclusos para deliberação. São Paulo, 13 de março de 2012. CECÍLIA MARCONDES Desembargadora Federal Relatora. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 14 12. Por sua vez, a segunda premissa a ser aqui fixada diz respeito ao propósito do art. 170A do CTN e o contexto jurídico no qual tal dispositivo foi inserido. 13. Pois bem. De forma muito superficial é possível afirmar que o art. 170A do CTN impede que um determinado contribuinte goze de uma tutela provisória para fins de compensação, haja vista o caráter precário deste tipo de tutela jurisdicional. O escopo deste prescritivo legal é, em última análise, impedir ofensa aos princípios da segurança jurídica e da livre concorrência, na medida em que evita que apenas um ou poucos contribuintes sejam beneficiados (ainda que por um período de tempo) com uma tutela de caráter precário em detrimento de outros contribuintes que, em situação análoga, não foram amparados por esse mesmo tipo de tutela jurisdicional. 14. Tal dispositivo legal foi veiculado no CTN por intermédio da lei complementar n. 104/01. Naquele momento histórico a discussão acerca de uma transubjetivação das decisões judiciais era restrita aos efeitos erga omnes das decisões proferidas em controle concentrado de constitucionalidade2. A figura da repercussão geral e dos recursos especiais julgados sob o rito de repetitivos só surgiram com a inserção das disposições veiculadas pela Emenda Constitucional n. 45/04. 15. Percebese, pois, que o advento do art. 170A do CTN ocorreu antes da sedimentação de uma ideia de transubjetivação das lides, ou seja, antes de uma efetiva aproximação da nossa família jurídica ao regime do stare decisis. Acontece que, nos últimos anos, o que se vê no ordenamento jurídico nacional é uma proliferação de alterações legislativas no sentido de tentar promover uma aproximação da Civil Law brasileira ao modelo de precedentes, secularmente sedimentado nas famílias jurídicas adeptas do Common Law. 16. Transpondo quais questões para o âmbito tributário, o que este modelo almeja é que, com o advento de um precedente vinculante veiculado em um processo paradigmático, o contribuinte já tenha a certeza de qual será o resultado da sua específica demanda. Em última análise e no específico nicho tributário o que tal modelo pretende tutelar são os já citados valores de segurança jurídica e livre concorrência. Assim, apesar de aparentemente paradoxal, admitir a validade conteudística da compensação aqui perpetrada atende os valores jurídicos defendidos pelo próprio art. 170A do CTN. Tratase, pois, da ratio ius prevalecendo sobre a ratio legis3. 2 Nos termos do art. 28, parágrafo único da lei n. 9.868/99, “in verbis”: “Art. 28. Dentro do prazo de dez dias após o trânsito em julgado da decisão, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal.)." 3 Nessa linha, Pontes de Miranda afirma que “o direito pode não ser escrito, ou, até mesmo, contra o que está escrito, concluindo, por conseguinte, que o direito, e não a lei como texto, é o que se teme seja ofendido. Alguns Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 15 17. Em compasso com as considerações aqui postas já é possível encontrar alguns precedentes judiciais em casos análogos ao aqui julgado, mais precisamente no sentido de permitir a concessão de tutela de evidência para fins de compensação tributária nas hipóteses do art. 311, inciso II do CPC4, o que tem sido admitido antes do trânsito da ação judicial proposta. É o que se observa, por exemplo, do precedente abaixo transcrito da lavra do TRF da 1ª Região e veiculado no âmbito dos autos n. 001477357.2010.4.01.3000. Assim decidiu o citado Tribunal neste caso: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE OS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO QUE ANTECEDEM A CONCESSÃO DE AUXÍLIO DOENÇA E SOBRE O ABONO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS (1/3). IMPOSSIBILIDADE. VERBAS INDENIZATÓRIAS. SALÁRIO MATERNIDADE E FÉRIAS. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. COMPENSAÇÃO COM QUAISQUER TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ART. 170A DO CTN. TAXA SELIC. PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO QUINQUENAL ACOLHIDA. (...). II – Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado nos primeiros quinze dias de afastamento que antecedem a concessão do auxílio doença, seja por motivo de doença ou acidente e sobre o abono constitucional de férias (1/3), porquanto tais verbas se revestem de caráter indenizatório, não sendo consideradas contraprestação pelo serviço realizado. Precedentes do STF, STJ e desta Corte. III – A remuneração de férias e salário maternidade possuem natureza salarial e, por isso, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Precedentes. IV A compensação das contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos empregados/segurados farseá com contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, nos termos do disposto no art. 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007. Nos termos do CTN e da remansosa jurisprudência de escritores desavisados leram direito expresso, como se fosse lei escrita clara, lei explícita. É grave erro. O direito de que se fala é o direito em sua consistência de revelação. ("in" "Tratado da ação rescisória". 2ª. ed. Campinas: Bookseller, 2003. p. 279. 4 "Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, quando: (...). II as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula vinculante; (...)." Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 16 nossos Tribunais, a compensação poderá ocorrer com débitos vencidos ou vincendos. V Tendo em vista que a matéria relativa à exigibilidade de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga em virtude do afastamento do empregado no período de quinze dias que antecede a concessão de auxílio doença/acidente, bem assim sobre o abono constitucional de férias (1/3) encontrase, atualmente, pacificada nos colendos STF e STJ, não se mostra razoável aguardarse o trânsito em julgado de decisum para a efetivação da compensação do indébito tributário em referência, quando inexistente qualquer possibilidade de alteração da situação jurídica já reconhecida, nos autos. Ademais, segundo a inteligência do art. 557, caput e respectivo §1º, do CPC, o relator negará seguimento a recurso manifestamente em confronto com súmula ou com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, ou ainda, estando a decisão recorrida em manifesta contrariedade à súmula ou à jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior, o relator poderá dar provimento, de pronto, ao recurso, pelo que se verifica, assim, a inaplicabilidade do art. 170A, do CTN, na espécie, diante da perfeita harmonia do acórdão desta 8ª Turma com o entendimento jurisprudencial consolidado nos colendos STF e STJ nesta matéria, a possibilitar a eficácia plena e imediata da garantia fundamental da razoável duração do processo (CF, art. 5º, LXXVIII e respectivo §1º) na materialização instrumental do processo justo. (...). VII – Apelações da impetrante, da União Federal e remessa oficial parcialmente providas. (grifos nosso). 18. Voltandose ao caso decidendo é possível afirmar que toda a discussão aqui travada é decorrente, portanto, da morosidade na prestação da atividade judicativa (no presente caso, por exemplo, são mais de 15 anos para as resoluções judicial e administrativa), bem como do já citado status de fonte material que hoje é inegavelmente atribuído aos precedentes vinculantes. Apesar das inúmeras críticas que esse abrasileirado modelo de stare decisis pode sofrer5 a questão é uma só: tal sistema é fato consumado em nosso ordenamento jurídico, haja vista a existência de inúmeros institutos a prestigiar um aparente modelo de case law, tais como a repercussão geral, o julgamento de recursos sob o rito de repetitivos, as súmulas vinculantes, os incidentes de resolução de demandas repetitivas e de assunção 5 Particularmente tenho feito severas críticas ao que chamo de "Macunaíma Law". Nesse sentido: RIBEIRO, Diego Diniz. "Precedentes em matéria tributária e o novo CPC". "in" "Processo Tributário Analítico". CONRADO, Paulo César (org.). vol III. São Paulo: Noeses, 2016.; RIBEIRO, Diego Diniz. "O incidente de resolução de demandas repetitivas: uma busca pelo 'Common Law' ou mais um instituto para a codificação das decisões judiciais?". "in" "O novo CPC e seu impacto no direito tributário". 2a. ed. ARAUJO, Juliana Furtado Costa. CONRADO, Paulo César, (orgs.). São Paulo: Fiscosoft. 2016. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 17 de competência, o efeito erga omnes e vinculante atribuído às decisões proferidas em sede de controle concentrado de constitucionalidade, dentre tantos outros que poderiam ser aqui listados. 19 Aliás, seguindo este caminho, o art. 927 do CPC/20156 lista os tipos formais de precedentes vinculantes no país e, dentre eles, destacamse as decisões proferidas pelo Plenário do STF. Atualmente, inclusive, a posição sedimentada em um precedente vinculante exarado pelo STF tem o condão de até mesmo de relativizar a coisa julgada, conforme já reiteradamente decidido pelo próprio Pretório Excelso: “Ementa (...). 4. Ação Rescisória. Matéria constitucional. Inaplicabilidade da Súmula 343/STF. 5. A manutenção de decisões das instâncias ordinárias divergentes da interpretação adotada pelo STF revelase afrontosa à força normativa da Constituição e ao princípio da máxima efetividade da norma constitucional. 6. Cabe ação rescisória por ofensa à literal disposição constitucional, ainda que a decisão rescindenda tenha se baseado em interpretação controvertida ou seja anterior à orientação fixada pelo Supremo Tribunal Federal. 7. Embargos de Declaração rejeitados, mantida a conclusão da Segunda Turma para que o Tribunal ‘a quo’ aprecie a ação rescisória.” (STF; RE n. 328.812 ED, Relator: Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, j. em 06/03/2008. Também nesse esteio: RE n.º 500.043; AR 1478/RJ.). 20. Esse também tem sido o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALÍQUOTAS PROGRESSIVAS. CONSTITUCIONALIDADE DA MP 560/94 DECLARADA PELO STF. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 343/STF. 6 "Art. 927. Os juízes e os tribunais observarão: I as decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; II os enunciados de súmula vinculante; III os acórdãos em incidente de assunção de competência ou de resolução de demandas repetitivas e em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos; IV os enunciados das súmulas do Supremo Tribunal Federal em matéria constitucional e do Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional; V a orientação do plenário ou do órgão especial aos quais estiverem vinculados." Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 18 1. Embora não seja cabível, nos termos do que dispõe a Súmula 343/STF, a ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei quando a decisão rescindenda tiver se fundado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais, há que se excepcionar os casos em que a discussão versar sobre matéria de índole constitucional. 2. Vem prevalecendo na Primeira Seção desta Corte o entendimento de que, em se tratando de matéria constitucional, não há que se cogitar de interpretação apenas razoável acerca da lei, mas sim de interpretação juridicamente correta. . Como o STF reconheceu a constitucionalidade da aplicação da Medida Provisória nº 560/94 aos servidores públicos do Distrito Federal, mostrase cabível a ação rescisória. 4. Recurso especial provido. (STJ; REsp 982.673/DF, Rel. Ministro Castro Meira, 2ª. T., j. em 18/12/2007, DJ 11/02/2008, p. 1). 21. Aliás, reconhecendo a vinculação da Administração Pública aos precedentes pretorianos convém destacar o parecer 492/2011, que em sua ementa assim aduz: RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA CONTINUATIVA. MODIFICAÇÃO DOS SUPORTES FÁTICO OU JURÍDICOS. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. JURISPRUDÊNCIA DO PLENO DO STF. CESSAÇÃO AUTOMÁTICA DA EFICÁCIA VINCULANTE DA DECISÃO TRIBUTÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. Os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, e de forma automática, a eficácia vinculante das anteriores decisões transitadas em julgado, relativas a relações jurídicas de trato sucessivo, que lhes forem contrárias. 22. No mesmo sentido é a Portaria PGFN n. 502/2016, que em seu art. 2o, inciso V assim prescreve: Art. 2o. Sem prejuízo do disposto no artigo precedente, fica dispensada a apresentação de contestação, oferecimento de contrarrazões, interposição de recursos, bem como recomendada a desistência dos já interpostos, nas seguintes hipóteses: (...). V tema definido em sentido desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal STF, pelo Superior Tribunal de Justiça STJ ou pelo Tribunal Superior do Trabalho TST, em sede de julgamento de Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 19 casos repetitivos, inclusive o previsto no art. 896C do DecretoLei n. 5.542/1943; (...). 23. Todos esses dispositivos aqui mencionados visam, em última análise, salvaguardar um tratamento conteudisticamente igualitário entre diferentes jurisdicionados que se encontrem em situações análogas e, por conseguinte, conferir a tais jurisdicionados segurança jurídica e justiça de índole material. 24. Diante de tudo o que fora até então exposto, resta claro que admitir como válido o pedido formulado pelo contribuinte, apesar de contraporse à literalidade da regra extraída do art. 170A do CTN, prestigia todos aqueles valores jurídicos tutelados pelas próprias regras que aparentemente "fundamentariam" tal rejeição. 25. Não obstante, negar o pedido do contribuinte é, em última análise, forçálo a buscar seu direito pela via judicial, o que está em patente descompasso com um dos escopos da existência do processo administrativo fiscal, qual seja, evitar a judicialização de demandas tributárias, o que, no presente caso, inclusive, limitarseia a uma exclusiva questão de forma, haja vista o disposto no já citado art. 2o, inciso V da Portaria PGFN n. 502/2016. 26. Ademais, tal rejeição também atentaria contra a ideia de um interesse público primário, na medida em que implicaria a movimentação da já assoberbada máquina pública (Poder Judiciário e PFN) em torno de uma demanda proforma, que certamente desembocará em uma única resposta possível: o provimento do pleito do contribuinte e a condenação da União em honorários sucumbenciais. Dispositivo 27. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para reformar o despacho decisório proferido nos autos com o fim de que o pedido de compensação seja analisado, considerando a ratio veiculada pelo precedente vinculante do STF (RE n. 357.950)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DOU PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para reformar o despacho decisório proferido nos autos com o fim de que o pedido de compensação seja analisado, considerando a ratio veiculada pelo precedente vinculante do STF (RE nº 357.950). (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.962459/200850 Acórdão n.º 3402005.032 S3C4T2 Fl. 0 20 Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.721954/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não estabelece regra de competência na atuação do Auditor-Fiscal na realização do lançamento, mas tão somente normas procedimentais quanto ao gerenciamento das atividades de fiscalização.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008
APURAÇÃO DE CREDITO PRESUMIDO.AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OBRIGATORIEDADE. CRÉDITO BÁSICO. POSSIBILIDADE.
Comprovado nos autos que as operações sob análise foram realizadas sem a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, cabível, portanto, o cálculo e a utilização de créditos básicos apurados pelo adquirente da mercadoria.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008
APURAÇÃO DE CREDITO PRESUMIDO.AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OBRIGATORIEDADE. CRÉDITO BÁSICO. POSSIBILIDADE.
Comprovado nos autos que as operações sob análise foram realizadas sem a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, cabível, portanto, o cálculo e a utilização de créditos básicos apurados pelo adquirente da mercadoria.
Numero da decisão: 3302-005.097
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède que dava provimento parcial e os Conselheiros Maria do Socorro e José Fernandes, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 24 de outubro de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
[assinado digitalmente]
Walker Araujo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF não estabelece regra de competência na atuação do AuditorFiscal na realização do lançamento, mas tão somente normas procedimentais quanto ao gerenciamento das atividades de fiscalização. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008 APURAÇÃO DE CREDITO PRESUMIDO.AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OBRIGATORIEDADE. CRÉDITO BÁSICO. POSSIBILIDADE. Comprovado nos autos que as operações sob análise foram realizadas sem a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, cabível, portanto, o cálculo e a utilização de créditos básicos apurados pelo adquirente da mercadoria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008 APURAÇÃO DE CREDITO PRESUMIDO.AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OBRIGATORIEDADE. CRÉDITO BÁSICO. POSSIBILIDADE. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 72 19 54 /2 01 1- 66 Fl. 6699DF CARF MF 2 Comprovado nos autos que as operações sob análise foram realizadas sem a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, cabível, portanto, o cálculo e a utilização de créditos básicos apurados pelo adquirente da mercadoria. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède que dava provimento parcial e os Conselheiros Maria do Socorro e José Fernandes, que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. Os Conselheiros Diego Weis Júnior e Jorge Lima Abud não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Charles Pereira Nunes na sessão de 24 de outubro de 2017, conforme artigo 58, §5º do Anexo II do RICARF. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. [assinado digitalmente] Walker Araujo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração, fls. 02/58 lavrados contra a contribuinte acima identificada, para exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS relativa aos períodos de apuração de janeiro, agosto a dezembro de 2007; janeiro, fevereiro, abril, maio, julho a dezembro de 2008; e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro, agosto a dezembro de 2007; janeiro a maio, julho a dezembro de 2008. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto parcialmente o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Os autuantes informam no Termo de Verificação Fiscal: 2 Resumo da irregularidade apurada Fl. 6700DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.014 3 Foi constatada pela análise da escrituração contábil, de notas fiscais e de outros documentos a apropriação indevida de Créditos Básicos do PIS (1,65%) e da COFINS (7,6%), decorrentes de aquisições de cacau, cuja correta apropriação seria de Créditos Presumidos do PIS (0,5 775%) e do COFINS (2, 66%) nas referidas operações comerciais. 3 Das DACON e DCTF apresentadas (...) A presente fiscalização se iniciou com a ciência do contribuinte em 31/12/2010, desta forma, as declarações válidas entregues a RFB (DACON / DCTF) seriam as que tiveram a data de entrega em 09/07/2010 para a DACON 2007, 18/08/2010 para a DCTF 2007, 30/07/2010 e 24/09/2010 para DACON 2008, 18/08/2010 e 07/10/2010 para DCTF 2008. Existe também um conjunto de DACON e DCTF Extemporâneas, isto é, apresentadas durante o período da presente fiscalização, destacadamente em 08/04/2011 (DACON 2007 e 2008), 26/04/2011 (DCTF 2007 e 2008). A contribuinte foi intimada a apresentar DACON e DCTF retificadoras que contivessem os valores correspondentes aos constantes no SINAL, refletindo os pagamentos anteriormente realizados, com base na Instrução Normativa IN/RFB n° 1.015/2010 artigos 10 e 16°; bem como, da Solução de Consulta Interna SCI COSIT n° 08/2007, a seguir parcialmente descrita: (...) Em resposta data de 24 de novembro de 2001, destacamos que a contribuinte apresentou a seguinte explanação: "Ocorre que os valores dos referidos recolhimentos estão incorretos, sendo maiores que os valores realmente devidos, o que ocorreu em virtude de uma interpretação errônea da legislação do Pis/Cofins feita pela empresa na apuração dos valores a recolher, sendo que os Dacons e os DCTFs retificadores apresentados, o foram justamente para se corrigir esse erro, apurandose então os reais valores de PIS e COFINS devidos pela mesma. Informamos ainda que os valores recolhidos a maior foram objetos de Pedidos de Restituição, os quais já foram devidamente transmitidos à Receita Federal. " As DACON e DCTF entregues em 2010 apresentavam valores zerados. Contudo nas declarações retificadoras entregues em 2011 havia o reconhecimento de parte dos pagamentos realizados. Em função desse reconhecimento parcial dos pagamentos efetuados, este levantamento de ofício decidiu por adotar os Fl. 6701DF CARF MF 4 valores contidos nessas últimas declarações com válidos para o presente trabalho. Em função da existência de Pedidos de restituição de pagamentos efetuados, relativos ao PIS e COFINS, houve Representação para o SEORT da Delegacia da Receita Federal de Itabuna Bahia para análise e providências necessárias quanto as PerdComp apresentadas à RFB. 4 Da Legislação Tributária Créditos Presumidos Por meio da Lei n° 10.925/2004 (com nova redação dada pela Lei n° 11.051/2004) foi instituída a modalidade de Crédito Presumido sobre os produtos e insumos adquiridos de pessoas físicas, pessoas jurídicas e cooperativas de produção, para a produção de mercadorias de origem animal e vegetal destinadas à comercialização. O termo "produzir" constante do caput do artigo 8° da Lei n° 10. 925/2004, deve ser empregado com o sentido de "dar nascimento ou origem a; dar o ser a; fazer existir; criar, gerar, fabricar, manufaturar", constituindo todo o processo de elaboração do produto em todas as etapas; isto é, a transformação, a industrialização, o acondicionamento e o processo de embalagem de forma que o produto final esteja em condições de comercialização. Da análise do artigo 8° da Lei n° 10. 925/2004, temse a conclusão que para se usufruir o crédito presumido é condicionante que a aquisição dos produtos seja realizada de pessoa física, cerealista, pessoa jurídica que explora atividade rural e sociedade de cooperativa de produção agropecuária. Portanto, por determinação dessa lei, as pessoas jurídicas desde que tributadas pelo Lucro Real que produzam mercadorias relacionadas no caput dos artigos 8° e 15 ° da Lei n° 10.925/2004 destinadas à alimentação humana ou animal, apurarão créditos presumidos para o PIS/Pasep e COFINS, para a dedução do valor devido em cada período de apuração dessas contribuições, na sistemática nãocumulativa, mediante aplicação das alíquotas previstas nas referidas normas sobre o valor dos produtos e insumos adquiridos e utilizados na industrialização e posteriormente comercializados o mercado interno e externo. A aquisição de cacau em grãos/amêndoas é' regulamentada por meio da IN 660/06 Instrução Normativa SRF n° 660, de 1 7 de julho de 2006 (Alterada pela Instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009), que dispõe sobre a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a venda de produtos agropecuários e sobre os créditos presumidos decorrentes da aquisição desses produtos, na forma dos arts. 8 °, 9° e 15 da Lei n° 10.925, de 2004. Da análise da legislação supracitada, o produto Cacau (na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) no código NCM 18. 01) é sujeito à Suspensão do PIS e COFINS na sua operação de venda, conforme inciso 1 b, do art.2° da IN 660/06. Contudo para que se usufrua o direito de suspensão das contribuições sociais citadas, as empresas jurídicas devem exercer as seguintes atividades (não cumulativas): I Cerealistas (a pessoa Fl. 6702DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.015 5 jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso 1 do art. 2º); II Atividade Agropecuária (a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei n” 8.023, de 12 de abril de 1990;) e III Cooperativa de produção agropecuária (a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção). Assim, da leitura do seu art. 3°, somente esses três tipos de pessoas jurídicas estão aptos a realizarem vendas de cacau com a suspensão do PIS e COFINS. Continuando, destacase que o seu art. 4° determina que a aplicação da suspensão das vendas conforme art. 2° e 3° da IN 660/06 é dispositivo obrigatório e não facultativo nos casos de vendas realizadas à pessoa jurídica que cumulativamente apure o imposto de renda com base no lucro real, que desempenhe atividade agroindustrial e que utilize o produto adquirido com suspensão (cacau) como insumo na fabricação de produtos destinados a alimentação humana (no caso em questão contido no inciso I e, art. 5 °, da IN 660/06). Art. 4° Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts.2° e 3° é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6°; e III utilizar a produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5°. § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009). Notase que todas essas características estão presentes no contribuinte sujeito desta ação fiscal. Assim, da aquisição de produtos agropecuários, dentre eles o cacau, respeitadas as determinações dos artigos 1” a 6° da IN 660/06, nascerá o direito do adquirente de descontar os créditos presumidos, conforme incisos I, II e III do art. 7° da IN 660/06. Art. 7° Geram direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5°, os produtos agropecuários: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009) I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, com suspensão da exigibilidade das contribuições na forma do art. Fl. 6703DF CARF MF 6 2°; (Redação dada pela instrução Normativa RFB n° 977, de 14 de dezembro de 2009) II adquiridos de pessoa física residente no Pais; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. Os valores dos créditos presumidos serão baseados nos custos de aquisição com a aplicação das percentagens de 0,5 775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) para 0 PIS e de 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento) para o COFINS, conforme artigo 8° da IN 660 Assim, concluise que a Delƒi Cacau Brasil Ltda apropriou indevidamente de Créditos Básicos do PIS (1,65%) e da COFINS (7,65%) decorrentes de aquisições de cacau, nos anos calendário de 2007 e 2008, conforme descrevemos. Por outro lado, o parágrafo 3° do artigo 8° da IN 660/06 estabelece que os valores apurados dos créditos presumidos Não poderão ser objetos de compensação de créditos com outros tributos ou objetos de pedido de ressarcimento. (...) Os autuantes informam que, circularizados, os fornecedores da fiscalizada em sua maioria apresentaram respostas informando que realizaram vendas de cacau para a fiscalizada com suspensão do recolhimento do PIS e COFINS, pois desempenhavam todas as atividades típicas de cerealistas, conforme previstas na IN 660/06, isto é, afirmaram que como pessoa jurídica exerceram, na época da venda de cacau para a fiscalizada, cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenamento e comercialização das amêndoas de cacau. Foram, então, elaboradas planilhas com (i) as compras de cacau que dariam direito à utilização do crédito presumido, em vez do crédito básico; (ii) os valores dos DACON retificadores; (iii) o confronto entre os pagamentos, os valores declarados em DCTF e os informados nos DACON; (iv) os valores do PIS e da Cofins lançados de ofício. Finalizando, assim consta do Termo de Verificação Fiscal: 1 7 Do lançamento , Considerando que as glosas mensais de créditos descritas nas Planilhas Fornecedores de Cacau Crédito Presumido constantes nos itens "Da Apuração de Ofício dos Créditos", para os anoscalendário de 2007 e 2008, respectivamente itens 7 e 13, estamos lançando mensalmente, através de Auto de Infração, os valores constantes nas tabelas "P1S E COFINS APURADOS DE OFÍCIO", para os anos calendário de 2007 e 2008, respectivamente nos itens 10 (subitens 10.1 e 10.2) e 16 (subitens 16.1 e 16.2), do qual este relatório é parte integrante e inseparável, o Tributo PIS e a COFINS que deixaram de ser recolhidos e a Multa de Oficio, de 75% de acordo com o art. 95 7 do RIR/99. Fl. 6704DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.016 7 18 Dos processos administrativos fiscais O Auto de Infração lavrado foi formalizado sob o Processo AdministrativoFiscal n° 13558. 721.954/2011 66. Informamos que foi formalizada Representação Fiscal Para Fins Penais, conforme a Portaria RFB n° 2. 439/2010 e legislação especifica. Cientificada dos Autos de Infração em 22/12/2011 (Aviso de Recebimento AR à folha 2723), a contribuinte apresenta em 20/01/2012 as impugnações às folhas 2725/2745, sendo essas as razões de defesa, em síntese: 1. O MPF é nulo, pois foi emitido em violação ao disposto na Portaria n° 11.371/2007, vigente á época, atualmente Portaria n° 3.014/2011, posto que a autoridade não detinha competência (atribuição) para tal desiderato, visto que a competência para a expedição do MPF era exclusiva do Delegado da DRF de Itabuna, e não se encontra no âmbito das atribuições concorrentes; 2. A competência do Superintendente para emissão de MPF F referese somente a tributos e períodos já fiscalizados, e ainda que a portaria vigente à época lhe faltasse esta possibilidade, somente ocorreria no caso de fiscalização de uma DRF na jurisdição de outra, faculdade suprimida na Portaria RFB n° 3.014/2011; 3. Existe outra exceção, a do § 9° do art. 6°, que seria o caso de impedimento do Delegado da Receita Federal de Itabuna, o que nunca ocorreu; 4. O procedimento fiscal também é nulo por incompetência do órgão executor, DIFIS, ao qual está lotado um dos autuantes, pois dentre as atribuições das Superintendências Regionais da Receita Federal do Brasil não está a fiscalização e a autuação de contribuintes, exceto em relação ao descaminho e contrabando; 5. A competência da Difis está bem delimitada no art. 207 da referida portaria, e remete tão somente à coordenação e gerenciamento de atividades, não tendo qualquer autorização para execução, que é de competência privativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil, jurisdicionante ou não; O 6. Mas como no caso concreto estamos diante de uma Equipe de Fiscalização dos Maiores Contribuintes EFMAC 5” Região, que segundo o Regimento, Portaria MF n° 587, de 21 de dezembro de 2010, deveria estar subordinada ao DIMAC ou SEMAC, nem mesmo ela detém tal competência, posto que suas funções, segundo o art. 211, limitamse a gerenciar as atividades de identificação e acompanhamento diferenciado de contribuintes de maior potencial tributário, inclusive a análise dos setores e grupos econômicos aos quais pertençam, e propor metas para as unidades da respectiva região fiscal, bem assim, 'elaborar a previsão, acompanhamento e análise de receitas, sendo, portanto, incompetente para a lavratura de auto de Fl. 6705DF CARF MF 8 infração ou a realização dos procedimentos de fiscalização, o que anula todo o procedimento; 7. A notificação de lançamento é nula por ausência dos requisitos do artigo 11 do Decreto n° 70.235/ 1972, o qual preceitua que, dentre outras coisas, deve constar da notificação a assinatura do chefe do setor, no caso dos autos, do chefe da DIFIS, o que não ocorreu na notificação, que veio somente com a assinatura do AFRFB que efetuou o lançamento/auto de infração; . . 8. Tal assinatura somente seria dispensada se o contribuinte tivesse aposto sua assinatura no Auto de Infração, o que não ocorreu, posto que a notificação de lançamento/auto de infração veio pelo correio; 9. No mérito, alega que adotou o procedimento autuado após consulta com os AFRFB de sua jurisdição, que detêm competência para tal ato em função do disposto no inciso "I" do art. 22 Portaria MF n° 587, de 21 de dezembro de 2010, que anuíram os procedimentos que serão minuciosamente explicados em tópico específico da impugnação, com a ressalva de que, se constasse da Nota Fiscal que a operação se dera com suspensão, os mesmos não concederiam créditos básicos, e ainda que se entenda que esta orientação não se coadunava com a legislação, foi o procedimento adotado pela contribuinte; 10. Eventual mudança de entendimento somente poderá ser aplicada para fatos geradores futuros, ao teor do disposto no art. 146 do CTN, ou, caso assim não se entenda, na hipótese improvável do auto de infração se manter higido, o que se admite para argumentar, que se aplique o disposto no parágrafo único do art.l00 do CTN; O AFRFB lançou o tributo baseado nas premissas de que (i) o cacau era in natura; (ii) o fornecedor era cerealista, (iii) o fornecedor efetuou a operação com suspensão; e (iv) a impugnante se enquadra nos requisitos do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004, isto é, produz mercadorias destinadas a alimentação humana; . Porém, nenhum destes requisitos está presente neste caso, conforme DVD juntado à impugnação, contendo as etapas de produção desde a fazenda até a industrialização, provando que (i) o comerciante/intermediário na cadeia do cacau não é cerealista, pelo menos não nos termos da Lei n° 10.925/2004, e sua regulamentação, e da Instrução Normativa SRF 660/2006; (ii) o cacau circula em amêndoas e não in natura; (iii) e a mercadoria produzida pela impugnante não se destina a alimentação humana ou animal, mas sim à industrialização, apresentando um laudo técnico neste sentido; Os requisitos para que a pessoa jurídica possa se apropriar de créditos presumidos do PIS e da Cofins e, por conseguinte, adquirir mercadorias com suspensão da contribuição nos termos do art. 9° da Lei n° 10.925/2004 e do artigo 4° e 5° da IN SRF 660/2006, são que se produzam mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação humana ou animal; ' A legislação enumera ainda as pessoas que poderão transferir créditos presumidos e vender com suspensão nos termos do art. Fl. 6706DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.017 9 9° da Lei 10.925/2004 e do artigo 4° e 5° da IN SRF 660/2006, que, no caso que nos interessa, e a definição de cerealista, ou seja, a pessoa que limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal; As vendas não foram efetuadas com suspensão, conforme demonstram os documentos fiscais anexos, e somente foram tomados créditos básicos em relação a estes documentos em virtude da orientação dada pela DRF em Itabuna, lembrando que a redação da IN da SRF da época ainda exigia uma declaração do comprador de que apurava imposto de renda pelo lucro real, que o insumo seria utilizado para produção das NCM do artigo 8° e que se destinava a alimentação humana ou animal; Ademais, alguns fornecedores são microempresas (Simples Nacional) e, portanto, não têm o que suspender, e nem estes e nem os outros fornecedores se enquadram no conceito de cerealistas; O cacau em amêndoa sai da fazenda pronto para a industrialização, e o cacau in natura jamais deixa a fazenda em que é colhido, sendo o comerciante mero especulador comercial; Para confirmar seu ponto de vista, o AFRFB solicitou declarações dos fornecedores quanto à sua condição e se a venda teria sido efetuada com suspensão, e transcrevese declaração de fornecedor que se esmera em dar a impressão de que é cerealista, comprovando que os fornecedores não são cerealistas, ao menos no que diz respeito ao cacau em amêndoas; Das afirmações acima, se comprova que os fornecedores já adquirem o produto acabado, inclusive de intermediário, motivo que os leva a concorrerem com a impugnante para a aquisição das amêndoas como afirmado na parte final; Ora se eles sabem que a impugnante vai semi elaborar o produto, e portanto a mercadoria não vai se destinar a alimentação humana ou animal, como podem afirmar que venderam com suspensão se a legislação exige que a mercadoria produzida com este insumo se destine a alimentação humana ou animal?; 21. Tais fatos comprovam que as vendas não foram efetuadas com suspensão, diferentemente do que afirmaram os vendedores, e que o AFRFB aceitou como verdadeiro; 22. Como visto, um dos requisitos para adquirir bens com suspensão nos termos da legislação aqui mencionada é a produção de mercadorias destinadas a alimentação humana ou animal, mas a impugnante não produz mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal, não preenchendo sequer os requisitos para tal fim, conforme laudo técnico anexo; 23. As mercadorias produzidas pela impugnante têm tão somente grau alimentício, que nada mais é que o termo dado a todo Fl. 6707DF CARF MF 10 aditivo, matéria prima e material de origem animal, vegetal, mineral e química, livre de substâncias tóxicas ao ser humano, com digestibilidade, composição química e nutricional conhecida e que podem estar em contato e/ou fazer parte da composição/receita na preparação de alimento humano, como, por"exemplo, óleo' mineral lubrificante, carbonato de potássio, graxa lubrificante, materiais de embalagem (papel, plástico, PET, alumínio, etc); 24. Somente este fato isoladamente impede que as operações de aquisição de cacau em amêndoas se dêem com suspensão, e então, mesmo admitindo, para argumentar, que a aquisição fosse de cerealistas, ainda assim a venda não poderia ser feita com suspensão; 25. Conforme transcrição de trecho da afirmação do próprio fornecedor, este sabe da condição de semi elaborado do produto final (mercadoria) produzido pela impugnante e se reconheçam concorrentes na aquisição da amêndoa de cacau; 26. Quando a impugnante produz alimento humano, por encomenda, este alimento é o chocolate, que não se encontra no rol de NCM do artigo 8°, o que também impede que a aquisição se dê com suspensão; 27. Se superados todos os argumentos acima, o próprio auto de infração excedese em valores, isto é, exige mais tributo do que aquele efetivamente devido, ainda que adotados os equivocados critérios do AFRFB, pois computou como suspensas as operações efetuadas com empresas do Simples Nacional e deixou de computar o valor de aquisição das mercadorias importadas referentes a setembro de 2008; 28. Caso mantido o auto de infração, requer a exclusão da multa de oficio nos termos em que preconizada pela Solução de Consulta Interna SCI COSIT n° 8/2007; 29. Por fim, ressalta que não teve qualquer redução no preço nas operações realizadas que as justificassem terem sido efetuadas com suspensão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008 AQUISIÇÕES DE INSUMOS. SUSPENSÃO DA lNClDÊNC1A DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. APURAÇÃO DE CREDITO PRESUMIDO. Observada a obrigatoriedade da suspensão da incidência da Contribuição para O PIS/Pasep, e uma vez que O vendedor preenche todos os requisitos para sua implementação, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos básicos pelo adquirente da mercadoria. Fl. 6708DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.018 11 Desta forma, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal podem deduzir da contribuição para O PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens adquiridos como Insumos. CREDITO TRIBUTÁRIO PAGO, MAs NÃO CONFESSADO. PEDIDO DE, RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFICIO. Uma vez que o crédito tributário espontaneamente recolhido e não confessado em DCTF foi objeto de Pedido de Restituição, incabível a exoneração da multa de oficio incidente sobre a parcela lançada de oficio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 29/02/2008, 30/04/2008 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008 AQUISIÇÕES DE INSUMOS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA COFINS. APURAÇÃO DE CREDITO PRESUMIDO. Observada a obrigatoriedade da suspensão da incidência da Cofins, e uma vez que o vendedor preenche todos os requisitos para sua implementação, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos básicos pelo adquirente da mercadoria. Desta forma, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal podem deduzir da Cofins, devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos bens adquiridos como insumos. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGO, MAS NÃO CONFESSADO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFICIO. Uma vez que o crédito tributário espontaneamente recolhido e não confessado em DCTF foi objeto de Pedido de Restituição, incabível a exoneração da multa de oficio incidente sobre a parcela lançada de oficio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007, 31/08/2007 a 31/05/2008, 31/07/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege O processo administrativo fiscal. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DA RECEITA FEDERAL. Fl. 6709DF CARF MF 12 As Superintendências Regionais da Receita Federal do Brasil possuem competência para o desenvolvimento das atividades de fiscalização, instrumentalizada pela emissão de Mandado de Procedimento Fiscal pelo Superintendente Regional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 24/07/2013, conforme AR de fl. 6.576, apresenta em 21/08/2013, fls. 6.577/6. Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Reitera os argumentos já apresentados em sede impugnatória, acrescentando: Da ausência da condição de Cerealista dos fornecedores. Para considerar os fornecedores cerealistas o órgão julgador desconsiderou a prova produzida DVD pelo fato de constar no contrato cláusula de padrão de qualidade. “Para se comercializar o cacau, são necessários os procedimentos descritos na legislação como caracterizadores de cerealista e, para tal constatação, prescinde a análise do DVD alegado pela impugnante. Vejase, neste sentido, os contratos de compra e venda anexados aos autos, onde consta cláusula de padrão de qualidade da mercadoria a ser cumprida pela vendedora, sob pena de devolução do valor acordado, e as respostas prestadas pelos diversos fornecedores em atendimento aos termos de diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, anexadas ás folhas 962/967, 973, 980, 984, 1008, 1015, 1031, 1037/1038, 1045, 1049, 1058, 1064/1069,1098,1131/1136,1146,1149,1198, 1200 e 1205." O que o órgão julgador não soube por não apreciar o DVD, é que por não realizarem as atividades descritas na legislação o preço da amêndoa cacau é ajustado após os descarregamento e abertura dos sacos contendo as amêndoas e somente então se pode verificar a qualidade do mesmo e o pagamento do preço acordado. Além do mais ê de se pressupor que sequer foi lido o Laudo Técnico acostado onde em sua página 2 afirma categoricamente que o beneficiamento ocorre na fazenda. Ao final destaca: Demais requerimentos: Acaso mantido o lançamento o que se admite para argumento, que seja afastada a multa de oficio aplicada tanto quanto pelo fato de o contribuinte ter efetuado o recolhimento do tributo aos cofres públicos, não servindo o argumento do Órgão julgador que foram formulados pedidos de restituição, posto que os mesmos podem ser indeferidos pela autoridade fazendária a que cabe o lançamento. Quanto pelo fato que cumulada com a multa moratória. É o relatório. Fl. 6710DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.019 13 Voto Vencido Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. PRELIMINARES Nulidade do MPF Sustenta a recorrente, em sua defesa, que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF é nulo, pois emitido em violação ao disposto na Portaria RFB n° 11.371, de 2007, vigente á época, sucedida pela Portaria RFB n° 3.014, de 2011, posto que a autoridade não detinha competência, visto que a competência para a expedição do MPF era exclusiva do Delegado da DRF de Itabuna, e não se encontra no âmbito das atribuições concorrentes. Observase que o cerne da questão reside em um suposto vício de competência. Vejamos. Tendo em vista a natureza da obrigação tributária, ex lege, o CTN estabeleceu os requisitos essenciais ao lançamento, que é a formalização do crédito, ex vi do art. 142 do mesmo diploma legal, litteris: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." (grifei). Com efeito, registrese que a autoridade fiscal, no âmbito da RFB é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cujas competências privativas estão estabelecidas no art. 6º, da Lei nº 10.593, de 2002, com a nova redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007, a seguir transcrito: "Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b)elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, Fl. 6711DF CARF MF 14 restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts.1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art.1.193 do mesmo diploma legal; e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f)supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; (...)" (Grifei) Observese que os pressupostos legais para a validade do auto de infração estão determinados pelo Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, in verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” 14. O mesmo diploma legal dispõe, em seu art. 59, sobre a nulidade no processo administrativo, nos seguintes termos: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Assim, do cotejo dos dispositivos acima gizados depreendese que a incompetência do agente autuante é como causa suficiente para invalidar o auto de infração e, por via de consequência, o lançamento nele consignado. No entanto, quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972). Fl. 6712DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.020 15 Ocorre que conforme já demonstrado o art. 6º, da Lei nº 10.593, de 2002, com a nova redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007 define a competência do servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para o lançamento tributário, sendo a competência para o ato administrativo a condição necessária para a sua validade jurídica do auto de infração. Assim respaldados na competência legal que lhes é assegurada, os autuantes requisitaram documentos e informações necessários à verificação das operações com cacau em face da norma excepcional que estabelece requisitos para a apuração do crédito presumido referente ao PIS/Pasep e COFINS, para a dedução do valor devido em cada período de apuração das referidas contribuições, na sistemática nãocumulativa. Inferese portanto, que o auto de infração foi lavrado por AuditorFiscal no pleno exercício de suas funções (art. 142, parágrafo único, do CTN), além de conter todos os requisitos indispensáveis à sua validade, não havendo, assim, que se cogitar a sua nulidade. No tocante ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF, nomenclatura vigente à época, atualmente, Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPF), cumpre esclarecer que se trata de um instrumento interno de planejamento das atividades fiscais, estabelecendo normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não atingindo a competência impositiva dos seus AuditoresFiscais já que decorrente expressamente de ato legal, não se confundindo com as normas procedimentais, emanadas de atos infra legais, estabelecidas para a execução do procedimento fiscalizatório. Dessumese portanto, que o MPF não é instrumento de outorga de competência, mas tão somente de controle gerencial da atuação de seus servidores fiscais, legalmente competentes para efetuar o lançamento. Logo, eventuais falhas ou equívocos no MPF, como também a sua ausência, não terão força para macular a competência do AuditorFiscal para efetuar o lançamento ou para inutilizar o ato por ele validamente efetivado. Quando muito, essas irregularidades deveriam ser sanadas, caso, de alguma forma, pudessem implicar cerceamento de defesa do sujeito passivo. No tocante à matéria sub examine, verificase que ao contrário do que argui a recorrente, dispõe a Portaria RFB n° 11.371, de 2007, vigente á época da autuação sobre a competência dos Superintendentes para a emissão do MPF, conforme minudentemente analisado pela decisão de piso: Vejamos os dispositivos da Portaria RFB n° 11.371, de 2007, que interessam à lide ora discutida: Dos Procedimentos Fiscais Art. 2° Os procedimentos fiscais relativos a tributos administrados pela RFB serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) e instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF Fl. 6713DF CARF MF 16 F), e no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPF D). Art. 3°Para os fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: 1 de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em constituição de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; () Do Mandado de Procedimento Fiscal Art. 4” O MPF será' emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade outorgante, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a 111 desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 , com redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de novembro de 1997 , darseá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda. gov. br, com a utilização de código de acessa consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. () Art. 6º O MPF será emitido, observadas suas respectivas atribuições regimentais, pelas seguintes autoridades: (...) IV Superintendente da Receita Federal do Brasil; V Delegado de Delegacia da Receita Federal do Brasil, de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização, de Delegacia Especial de Instituições Financeiras e de Delegacia Especial de Assuntos Internacionais; e VI InspetorChefe das unidades constantes do Anexo IV § 7° Na impossibilidade de as autoridades de que tratam os incisos V e V1 do caput efetuarem a emissão ou alteração de MPF, o Superintendente da respectiva região fiscal poderá fazê lo. Art. 7° O MPF F, o MPF D e o MPF E conterão: I a numeração de identificação e controle; 11 os dados identificadores do sujeito passivo; III a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); Fl. 6714DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.021 17 IV o prazo para a realização do procedimento fiscal; V o nome e a matrícula do AFRFB responsável pela execução do mandado; VI o nome, o número do telefone e o endereço funcional do chefe do AFRFB a que se refere o inciso V; e VII o nome, a matrícula e o registro de assinatura eletrônica da autoridade outorgante e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato. § 1° O MPF F e o MPFE indicarão, ainda, o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de execução do procedimento fiscal, observado o modelo aprovado por esta Portaria. § 2º No caso de auditoria em matéria previdenciária, o prazo a que se refere o § I ° será de dez anos. § 3º Na hipótese de se fixar o período de apuração correspondente, o MPF F alcançará o exame dos livros e documentos, referentes a outros períodos, com vista a verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período fixado, ou dele sejam decorrentes. (..) (negritos acrescidos) Como se vê, o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é o instrumento que a autoridade fiscalizadora apresenta ao contribuinte fiscalizado para que este tome ciência, entre outras informações, do tributo e do período que serão examinados, qual fiscal está autorizado a realizar o trabalho e por quanto tempo. (...) O regramento trazido pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, repisese, mero ato infralegal de natureza gerencial, não cria regra de competência, seja ela genérica ou específica, pois seria inadmissível pensar que uma portaria teria o condão de disciplinar matéria reservada à lei. Os auditores fiscais encontram o fundamento de validade para a execução da atividade administrativa do lançamento nos artigos 3° e 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, transcritos a seguir: (...) No que tange à emissão do MPF pela Superintendência da Receita Federal do Brasil da 5ª Região Fiscal, e consequente competência da Equipe de Fiscalização dos Maiores Contribuintes EFMAC da Divisão de Fiscalização DIFIS, Fl. 6715DF CARF MF 18 vejase que quando o 7° do § art. 6° da Portaria RFB n° 11.371, de 2007 (§ 9° do art. 6° da Portaria RFB n° 3.014, de 2011), prevê que o Superintendente da respectiva região fiscal poderá emitir ou alterar MPF na impossibilidade de as autoridades de que tratam os incisos V e VI do caput fazêlo, não está determinando que somente nessas hipóteses o Superintendente poderá emitir o MPF. Também não há na referida portaria qualquer disposição de que o MPF somente poderá ser emitido pelo Superintendente no caso de fiscalização de uma DRF na jurisdição de outra. As Superintendências Regionais da Receita Federal do Brasil podem gerenciar o desenvolvimento das atividades de fiscalização, com fulcro no art. 205 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 21, de dezembro de 2010 vigente à época dos fatos ora analisados, o que inclui a atividade de fiscalização propriamente dita: Art. 205. Às Superintendências Regionais da Receita Federal do Brasil SRRF compete, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, no âmbito da respectiva jurisdição, gerenciar o desenvolvimento das atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de acompanhamento dos contribuintes diferenciados, de interação com o cidadão, de comunicação social, de tributação, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de contabilidade, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização e modernização, bem assim supervisionar as atividades das unidades subordinadas e dar apoio técnico, administrativo e logístico às subunidades das Unidades Centrais localizadas na região ƒíscal.(negritos acrescidos) Portanto, improcede a alegação da impugnante quanto à nulidade do Auto de Infração, seja no tocante à emissão do MPF, seja no tocante à competência da EFMAC da DIFIS da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 5” Região. Este entendimento encontra inúmeros precedentes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a exemplo do recém julgado, acórdão nº 3402 003.310, de 28/09/2016, cuja ementa se transcreve a seguir, na parte de interesse: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 18/09/2009 a 13/10/2009 NULIDADES. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.IRREGULARIDADE. INEXISTÊNCIA DE MPF ESPECÍFICO PARA A REVISÃO ADUANEIRA. Eventuais irregularidades verificadas no MPF ou mesmo a sua própria inexistência não acarretam a nulidade do auto de infração, pois a competência do AuditorFiscal da Receita Federal decorre de disposição expressa do art.6º da Lei nº 10.593/2002, não podendo ser restringida por atos administrativos. Fl. 6716DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.022 19 MÉRITO Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.27/58, o lançamento para a exigência de PIS e Cofins nos períodos indicados no referido TVF decorreu do fato de que [...a Delfi Cacau Brasil Ltda apropriou indevidamente de Créditos Básicos do PIS (1,65%) e da COFINS (7,65%) decorrentes de aquisições de cacau, nos anoscalendário de 2007 e 2008, conforme descrevemos], cujos fundamentos em interpretação à legislação de regência, artigos 8º , 9º e 15 da Lei n° 10.925, de 2004, partem das seguintes premissas: (i) o cacau era in natura; (ii) o fornecedor se enquadrava como cerealista; agropecuária ou Cooperativa, (iii) o fornecedor efetuou a operação com suspensão; e (iv) a produz mercadorias destinadas a alimentação humana; Em sua peça recursal, a Recorrente ao repisar os argumentos já trazidos em sede de primeira instância alega que: (i) o comerciante/intermediário na cadeia do cacau não é cerealista, pelo menos não nos termos da Lei n° 10.925, de 2004, e sua regulamentação, e da Instrução Normativa SRF n° 660, de 2006; (ii) o cacau circula em amêndoas e não in natura; e (iii) a mercadoria produzida pela impugnante não se destina a alimentação humana ou animal, mas sim à industrialização.(grifei). O litígio portanto prendese a verificar as disposições da legislação que regem a espécie que ora se examina, bem como o suporte probatório trazido aos autos. Estabelece a Lei n° 10.925, de 2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei n° 12.058, de 13 de outubro de 2009) Fl. 6717DF CARF MF 20 § 1° O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: 1 cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (redação dada pelo artigo 63 da Lei n” 11.196 de 21.11.2005).(grifei). (...) III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (redação dada pelo artigo 29 da Lei nº 11.051 de 29.12.2004) (grifei). § 2 O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridas ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1° deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2° das Leis n°s 10. 63 7, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10. 63 7, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 22 das Leis nas 10.63 7, de 30 de dezembro de 2002, e 10. 833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (redação dada pelo artigo 29 da Lei nº 11.051 de 29.12.2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1° do art. 8° desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (grifei) (...) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8° desta Lei, quando efetuada por Fl. 6718DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.023 21 pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1° do mencionado artigo. § 1º O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6°e 7"do art. 8° desta Lei. § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (grifei) () Destaca o TVF: Por meio da Lei n° 10.925 / 2004 (com nova redação dada pela Lei n° 11.051 / 2004) foi instituída a modalidade de Crédito Presumido sobre os produtos e insumos adquiridos de pessoas físicas, pessoas jurídicas e cooperativas de produção; para a produção de mercadorias de origem animal e vegetal destinadas à comercialização. O termo "produzir" constante do caput do artigo 8o da Lei n° 10.925/2004, deve ser empregado com o sentido de "dar nascimento ou origem a; dar o ser a; fazer existir; criar, gerar, fabricar, manufaturar", constituindo todo o processo de elaboração do produto em todas as etapas; isto é, a transformação, a industrialização, o acondicionamento e o processo de embalagem de forma que o produto final esteja em condições de comercialização. Da análise do artigo 8o da Lei n° 10.925/2004, temse a conclusão que para se usufruir o crédito presumido é condicionante que a aquisição dos produtos seja realizada de pessoa física, cerealista, pessoa jurídica que explora atividade rural e sociedade de cooperativa de produção agropecuária.(grifei) Portanto, por determinação dessa lei, as pessoas jurídicas desde que tributadas peio Lucro Real que produzam mercadorias relacionadas no caput dos artigos 8o e 15° da Lei n° 10.925/2004 destinadas à alimentação humana ou animal, apurarão créditos presumidos para o PIS/Pasep e COFINS, para a dedução do valor devido em cada período de apuração dessas contribuições, na sistemática nãocumulativa, mediante aplicação das alíquotas previstas nas referidas normas sobre o valor dos produtos e insumos adquiridos e utilizados na industrialização e posteriormente comercializados o mercado interno e externo.(grifei) Da análise da legislação supracitada, o produto Cacau (na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) no código NCM Fl. 6719DF CARF MF 22 18.01) é sujeito à Suspensão do PIS e COFINS na sua operação de venda, conforme inciso I b, do art.2° da IN 660/06. Contudo para que se usufrua o direito de suspensão das contribuições sociais citadas, as empresas jurídicas devem exercer as seguintes atividades (não cumulativas): I Cerealistas (a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2^); II Atividade Agropecuária (a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 22 da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990;) e III Cooperativa de produção agropecuária (a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção). Assim, da leitura do seu art. 3o, somente esses três tipos de pessoas jurídicas estão aptos a realizarem vendas de cacau com a suspensão do PIS e COFINS. Continuando, destacase que o seu art. 4o determina que a aplicação da suspensão das vendas conforme art. 2o e 3o da IN 660/06 é dispositivo obrigatório e não facultativo nos casos de vendas realizadas à pessoa jurídica que cumulativamente apure o imposto de renda com base no lucro real, que desempenhe atividade agroindustrial e que utilize o produto adquirido com suspensão (cacau) como insumo na fabricação de produtos destinados a alimentação humana (no caso em questão contido no inciso I e, art. 5o, da IN 660/06). Notase que todas essas características estão presentes no contribuinte sujeito desta ação fiscal. (grifei) Em face dos requisitos previstos na legislação, estabeleceu a fiscalização a metodologia com vistas a identificar a natureza das operações da autuada, conforme discriminado no TVF, precisamente nos itens de 5 a 16.2, fls.33/57, assim foram identificados os grupos que forneceram cacau ( agropecuárias, cerealistas, cooperativas) nos respectivos período de apuração. Prosseguindo informam os autuantes que, circularizados, os fornecedores da fiscalizada em sua maioria apresentaram respostas informando que realizaram vendas de cacau para a fiscalizada com suspensão do recolhimento do PIS e COFINS, pois desempenhavam todas as atividades típicas de cerealistas, nos termos da legislação, tais como : limpeza, padronização, armazenamento e comercialização das amêndoas de cacau. De posse dessas informações foram elaboradas as seguintes planilhas: a) com as compras de cacau que dariam direito à utilização do crédito presumido, em vez do crédito básico; b) com os valores dos DACON retificadores; c) com o confronto entre os pagamentos, os valores declarados em DCTF e os informados nos DACON; e d) com os valores do PIS e da Cofins lançados de ofício. Das considerações acima é possível constatar que não assiste razão à defesa, primeiro porque a própria recorrente ao afirmar que os fornecedores não são cerealistas, pelo menos no modo estabelecido pela legislação, demonstra que um dos requisitos efetivamente não foi cumprido, já que a lei estabelece requisitos obrigatórios e não facultativos para que se enquadre a adquirente nas condições para apuração do crédito presumido. Fl. 6720DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.024 23 Segundo porque afirma que o cacau não se destina ao consumo humano e sim à industrialização. Assim, o fato de destinarse à industrialização não descaracteriza a destinação ao consumo humano, visto que a industrialização em quaisquer de suas etapas visa aprimorar o produto com vistas ao atendimento de seu consumidor final. Por oportuno, cabe registrar que o ônus probatório, que tem sua matriz legal no 1artigo 333 do Código de Processo Civil CPC, vigente à época da apresentação da impugnação, na via administrativa submetese ao seguinte regramento do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito] e artigo 16, III, do citado diploma legal que estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Assim, considerando que a recorrente não traz em sua peça recursal, qualquer elemento probatório visando corroborar suas alegações, fazse oportuno trazer excertos da decisão de piso, com vistas a análise probatória efetuada juntada à impugnação, uma vez que pertinentemente analisada. Em que pesem as alegações da autuada em sentido oposto, a documentação juntada pelo autuante ao processo (cópias de notas fiscais, demonstrativos, contratos de compra e venda, respostas dos fornecedores), bem como o Termo de Verificação Fiscal, de forma exaustiva comprova que as mercadorias adquiridas teriam que ser vendidas com suspensão da incidência das contribuições. Ainda que em algumas notas fiscais de venda de cacau não constasse informação neste sentido, há, ainda, em muitas outras, emitidas por diversas empresas, a expressão “saída com suspensão do PIS e da Cofins” como, por exemplo, às folhas 753/764. (...) A contribuinte acosta aos autos cópias de NF pretendendo comprovar que as mercadorias ali discriminadas foram vendidas sem a suspensão da incidência de PIS/Cofins, mas a análise de tal documentação em nada comprova a venda sem suspensão, eis que, como já referido, a suspensão era (e continua sendo) obrigatória, não sendo afastada pela falta de informação nas notas fiscais. Ora, para se analisar a obrigatória suspensão da exigibilidade da contribuição para o PIS e da Cofins na venda das mercadorias, e o conseqüente direito ao cálculo do crédito presumido pelos adquirentes, devese observar fielmente o que determina a legislação de regência, cujo § 1° do art. 3° da IN 1 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Fl. 6721DF CARF MF 24 SRF n° 660, de 2006, expressamente estabelece que se entende por cerealista “a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, annazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2°”. Para se comercializar o cacau, são necessários os procedimentos descritos na legislação como caracterizadores de cerealista, e, para tal constatação, prescinde a análise do DVD alegado pela impugnante. Vejase, neste sentido, os contratos de compra e venda anexados aos autos, onde consta cláusula de padrão de qualidade da mercadoria a ser cumprida pela vendedora, sob pena de devolução do valor acordado, e as respostas prestadas pelos diversos fornecedores em atendimento aos Termos de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, anexadas às folhas 962/967, 973, 980, 984, 1008, 1015, 1031, 1037/1038, 1045, 1049,1058,1064/1069,1098,1131/1136,1l46,1149,1198,1200 e 1205. Da mesma forma, dissolvese a alegação da impugnante de que o cacau por ela adquirido circularia em amêndoas e não in natura, o que afastaria a conclusão do autuante. A prevalecer seu entendimento, somente as vendas do fruto inteiro do cacau seriam alcançadas pela suspensão da exigibilidade das contribuições, quando se sabe que o maior valor do fruto está exatamente nas amêndoas que são vendidas. Ademais, quando a Lei n° 10.925, de 2004, e a IN SRF n° 660, de 2006, versam sobre o cacau, tratam do código NCM 1801, que se refere ao “cacau inteiro ou partido, em bruto ou torrado”. Inexiste a ressalva pretendida pela impugnante, de que a legislação não a alcançaria por não se tratar de venda de cacau em natura. A impugnante alega, também, que a mercadoria por ela produzida não se destina a alimentação humana ou animal, mas sim à industrialização. Para tanto, anexa Laudo Técnico (fls. 248/2762) em que se conclui que “através das definições que faz dos produtos derivados do cacau em seu estágio inicial de industrialização (esmagamento) onde se encontram os produtos supra mencionados (líquor de cacau, manteiga de cacau e pó de cacau), estes não possuem características ou sequer condições para o consumo humano e apesar de apresentarem grau alimentício *, não se destinam ou atendem a legislação brasileira para consumo humano_ direto, sendo necessário primeiro uma próxima fase de industrialização destes na preparação de chocolates e outros produtos como confeitos, misturas e prémisturas”. Porém, improcede tal alegação, pois ainda que seja necessária posterior industrialização, até resultar no chocolate, o liquor de cacau, a manteiga de cacau e o pó de cacau têm como destino final a alimentação humana, conforme se verifica, inclusive, da lista de compradores dos produtos produzidos pela autuada.(grifei) Quanto à alegação de que “alguns fornecedores são microempresas (Simples Nacional) e portanto não têm o que suspender”, vejase que, ao contrário do que afirma a Fl. 6722DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.025 25 impugnante, esse fato aumentaria o valor do crédito tributário a lançar de oficio, pois, nesta hipótese, a contribuinte não faria jus nem mesmo ao crédito presumido sobre as aquisições, sendo menor, conseqüentemente, a dedução dos valores apurados de PIS e de Cofins. Depreendese dos excertos acima que a decisão de piso manifestou conhecimento do DVD anexado pela impugnante, no entanto, entendeu, com escopo na prerrogativa que lhe confere o artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, prescindível sua análise em face dos requisitos exigidos pela legislação e os elementos probatórios anexados pela defesa. Verificase também que a decisão se reporta ao Laudo Técnico, com fundamentos para suas razões decisórias. Assim, os elementos probatórios anexados pela impugnante foram devidamente analisados pela decisão de piso. Cabe ainda destacar que também não assiste razão à Recorrente quanto à suposta consulta a Auditores da DRF de sua jurisdição, haja vista que a consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal encontrase regulada pelos arts. 46 a 53 do Decreto no 70.235, de 1972, e pelos arts. 48 a 50 da Lei no 9.430, de 1996, com as alterações da Lei nº 12.788, de 2013 e somente quando formulada segundos os requisitos legais, produz os efeitos autorizados pela legislação, dentre os quais, temse que, se formulada antes do prazo legal para recolhimento de tributo, impede a aplicação de multa de mora e de juros de mora, relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da Solução de Consulta. Quando a solução da consulta implicar pagamento, este deverá ser efetuado nesse prazo de 30 dias. Atualmente, a Instrução Normativa SRF nº1.396, de 2013, regulamenta os procedimentos relativos ao processo de consulta. Com relação à exclusão da multa de ofício, no caso de não ser acolhida suas razões meritórias, cabe registrar a análise procedida pela decisão de piso: Por meio da mencionada Solução de Consulta Interna n° 8, de 2007, a Coordenação Geral de Tributação COSIT da então Secretaria da Receita Federal se pronunciou no sentido de que, na hipótese de existir valor pago espontaneamente mas não confessado em DCTF pela contribuinte, deve o crédito tributário ser constituído de oficio, em sua totalidade, exonerandose a empresa da multa de oficio correspondente ao valor recolhido. Entretanto, conforme consulta aos sistemas da RFB, a contribuinte transmitiu Pedidos de Restituição dos pagamentos efetuados em valores superiores aos declarados, cujas restituições foram concluídas. Logo, não há como considerálos para quitação dos valores lançados de oficio, e conseqüentemente, inaplicável ao presente caso a SCI COSIT n° 8, de 2007, mantendose integralmente a aplicação da multa de oficio.(grifei). Assim restando demonstrado que a Recorrente não conseguiu infirmar a autuação através de prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da exigência sub examine subsiste a prova trazida aos autos na ação fiscal, colhida vale ressaltar dos livros e Fl. 6723DF CARF MF 26 documentos comprobatórios da aquisição do produto cacau, apresentados pela autuada em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls.59/60 e demais. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Peço licença para discordar da decisão proferida pela i. Relatora que negou provimento ao recurso voluntário por entender, em síntese, que : (i) primeiro, a própria recorrente ao afirmar que os fornecedores não são cerealistas, pelo menos no modo estabelecido pela legislação, demonstra que um dos requisitos efetivamente não foi cumprido, já que a lei estabelece requisitos obrigatórios e não facultativos para que se enquadre a adquirente nas condições para apuração do crédito presumido; (ii) segundo, porque a Recorrente afirma que o cacau não se destina ao consumo humano e sim à industrialização. Assim, o fato de destinarse à industrialização não descaracteriza a destinação ao consumo humano, visto que a industrialização em quaisquer de suas etapas visa aprimorar o produto com vistas ao atendimento de seu consumidor final.; e (iii) por fim, que o recorrente não traz em sua peça recursal, qualquer elemento probatório com vistas a corroborar suas alegações em total inobservância ao artigo 333, do CPC, vigente à época dos fatos. Isto porque, no entendimento deste redator os documentos trazidos aos autos pela Recorrente demonstram que as operações sob análise foram realizadas sem a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, cabível, portanto, o cálculo e a utilização de créditos básicos apurados pelo adquirente da mercadoria. Pois bem. No TVF, verificase que a fiscalização concluiu que, os fornecedores da fiscalizada em sua maioria apresentaram respostas informando que realizaram vendas de cacau para a fiscalizada com suspensão do recolhimento do PIS e COFINS, pois desempenhavam todas as atividades típicas de cerealistas, agropecuários e atacadistas, nos termos da legislação, tais como, limpeza, padronização, armazenamento e comercialização das amêndoas de cacau, senão vejamos: "As empresas circularizadas em sua maioria apresentaram respostas informando que realizaram vendas de cacau para a fiscalizada com a Suspensão do Recolhimento do PIS e da COFINS, pois desempenhavam todas as atividade típicas de cerealistas, conforme previstas na IN 660/06, isto é, afirmaram que como pessoa jurídica exerceram, na época da venda de cacau para a fiscalizada, cumulativamente as atividades de limpeza, padronização, armazenamento e comercialização das amêndoas de cacau." Não obstante o trabalho realizado pela fiscalização junto aos fornecedores da Recorrente induza a conclusão de que as operações sob análise foram realizadas com a suspensão das contribuições, fato é que os documentos fornecidos pela Recorrente, demonstram uma realidade totalmente diversa do que fora apurada nos autos. Fl. 6724DF CARF MF Processo nº 13558.721954/201166 Acórdão n.º 3302005.097 S3C3T2 Fl. 6.026 27 Com efeito, a Recorrente acostou aos autos cópias da Notas Fiscais que comprovam que as mercadorias discriminadas nos referidos documentos foram vendidas sem a suspensão da incidência, posto que ausente as informações concernentes a suspensão nas notas ficais, a teor da previsão contida no parágrafo 2º, artigo 2º, da IN 660/2006: "§2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, com especificação do dispositivo legal correspondente". Referidas notas fiscais foram emitidas pelos próprios fornecedores da Recorrente que prestaram informações contrárias a fiscalização, entretanto, por inexistir qualquer processo ou ato declarando a irregularidade desses documentos, entendo que as informações contidas nas NF´s devem prevalecer em relação as declarações prestadas por aqueles fornecedores. Ressaltase, por oportuno, que no entendimento deste relator, a suspensão à época dos fatos não era obrigatória e dependia do requisito previsto na norma anteriormente citada. Diante disso, verificase que a ausência de menção expressa sobre a suspensão das contribuições nas NF´s, autoriza o contribuinte apurar e utilizar os créditos básicos relativos as aquisições de mercadorias objeto dos autos. Fora isso, insta tecer que a constituição do crédito tributário não pode, em hipótese alguma, ter como base recursos presuntivos. Tratase, inclusive, de procedimento vedado pelo ordenamento brasileiro, que, por afrontar o disposto no artigo 142 do CTN inválida a acusação fiscal. Nesse sentido, destacase a lição de Alberto Xavier2, da qual se extrai que, havendo a incerteza para o lançamento tributário em razão da falta de provas, este não deve ser efetuado: (...) é hoje concepção dominante que não pode falarse num ônus da prova do Fisco, nem em sentido material, nem em sentido formal. Com efeito, se é certo que este se sujeita às consequências desfavoráveis resultantes da falta de prova, não o é menos que a averiguação da verdade não é objeto de um simples ônus, mas de um dever jurídico. Tratase, portanto, de um verdadeiro encargos da prova ou dever de investigação, que não se vê vantagem em designar pr novos conceitos, ambíguos quanto à sua natureza jurídica, como o de ônus da prova objetivo, ônus da probabilidade ou situação, base ou condição da prova. Que o encargo da prova no procedimento administrativo de lançamento incumbe à Administração, de modo que em caso de subsistir a incerteza por falta de provas, esta deve absterse de pratica o lançamento (...)" Dessa forma, considerando que no presente caso a fiscalização partiu de mera presunção, baseada em declarações dos fornecedores da Recorrente , posto que as provas carreadas ao autos corroboram o direito do contribuinte, entendo que o Auto de Infração deve ser totalmente cancelado. Registrese, por oportuno, que o ônus de provar a irregularidade que ensejou a autuação pertence ao Fisco, não havendo possibilidade de atribuílo à Recorrente, conforme determinação prevista no artigo 9º, do Decreto nº 70.235/72, que determina que os autos de 2 Do Lançamento do Direito Tributário Brasileiro, 3ª edição, p. 154 a 158. Fl. 6725DF CARF MF 28 infração devem ser instruídos com todos os elementos de prova indispensáveis à caracterização do ilícito, a saber: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto redator. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator designado Fl. 6726DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.900071/2006-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-006.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, i) quanto ao crédito presumido de IPI na industrialização por encomenda, vencidos Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. ii) quanto à correção da taxa selic, para reconhecer a atualização a partir do dia 360, exceto sobre o valor originalmente deferido pela autoridade preparadora, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente COMPEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PESCA E EXPORTACAO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco (Súmula nº 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, i) quanto ao crédito presumido de IPI na industrialização por encomenda, vencidos Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. ii) quanto à correção da taxa selic, para reconhecer a atualização a partir do dia 360, exceto sobre o valor originalmente deferido pela autoridade preparadora, vencidas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 00 71 /2 00 6- 34 Fl. 225DF CARF MF 2 as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 380303.133, de 27/06/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Referida norma secundária extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições de matéria prima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. BASE DE CALCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. EXCLUSÃO. O crédito presumido de IPI somente pode ser calculado sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, sendo indevida a inclusão, na sua apuração, de custos de serviços de industrialização por encomenda. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. O crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e da COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10380.900071/200634 Acórdão n.º 9303006.364 CSRFT3 Fl. 226 3 de embalagem, para utilização no processo produtivo não permite a aplicação de atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes de aproveitamento de crédito, por expressa vedação legal. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento de que não dá direito ao crédito presumido de IPI os serviços de industrialização por encomenda e quanto à não incidência da taxa Selic sobre os créditos ressarcidos. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 340100.916 e 930301.884. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 211/214. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 216/223). É o Relatório. Voto Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Conforme assentado no exame de sua admissibilidade, o acórdão recorrido afastou a pretensão de ver incluídos, no cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, os serviços de industrialização por encomenda, assim como entendeu inexistir previsão legal para abonar a incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos. Os acórdãos paradigmas, todavia, em flagrante dissídio jurisprudencial, concluíram justamente o contrário. No mérito, vemos assistir razão à contribuinte. No que concerne à primeira matéria, imaginemse as seguintes situações: uma primeira, em que a matériaprima sai do estabelecimento vendedor já definitivamente acabado e pronto para aplicação no processo produtivo do adquirente, ou seja, quando nela já se encontra aplicado aquele serviço que, se assim não fosse, o adquirente teria de encomendar a um terceiro a sua realização para o posterior emprego no seu processo produtivo. Neste caso, não se questiona que todo o valor do custo de aquisição da matériaprima gera o direito ao crédito pleiteado. Agora, uma segunda situação, na qual a matériaprima é adquirida do estabelecimento vendedor sem que nele tenha sido aplicado o serviço que se afigura necessário à sua utilização no processo produtivo do adquirente, que, por isso mesmo, o encomenda a um terceiro. Embora o gasto assim despendido seja incorporado ao custo da matériaprima, a tese encartada no acórdão recorrido o excluiu na determinação do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, pois no seu cálculo não se incluiria a hipótese de contratação de serviços. Todavia, a Lei nº 9.363, de 1996, autoriza o direito ao crédito sobre todas as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. Não havendo óbice legal, entendemos que todos os gastos empregados na matériaprima a fim de permitir a sua utilização no processo industrial devem ser a ela incorporados, ainda que só empregados, por encomenda, por um terceiro, de modo que, sim, devem ser considerados na determinação do crédito presumido pelo encomendante. Fl. 227DF CARF MF 4 Adotando esse entendimento, confiramse os seguintes acórdãos desta mesma Turma e do Superior Tribunal de Justiça STJ: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. (Acórdão nº 9303 001.721, de 07/11/2011). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtorexportador. (...) (Acórdão nº 930301.623, de 29/09/2011). TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento o insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. 2. A respeito do pleito de cômputo dos valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, o Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10380.900071/200634 Acórdão n.º 9303006.364 CSRFT3 Fl. 227 5 recurso especial não foi conhecido em face da ausência de prequestionamento. Nesta feita, a agravante limitouse a repetir as teses jurídicas apresentadas no recurso especial, deixando de impugnar o fundamento específico da decisão hostilizada quanto ao ponto. Incidência da Súmula n. 182/STJ. 3. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. 4. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido e agravo regimental da contribuinte conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22/11/2011) E, com relação à segunda matéria, como também vem entendendo esta Turma, a taxa Selic deve incidir a partir de findo o prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar de sua apresentação (art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007), conforme decidiu o mesmo STJ, aqui sob a sistemática dos recurso repetitivos: ESPECIAL Nº 1.467.934/RS (2014∕01707525) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA AGRAVANTE : REICHERT CALÇADOS LTDA ADVOGADOS : CRISTOV BECKER PABLO EDUARDO CAMUSSO E OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Tratase de agravo regimental interposto por REICHERT CALÇADOS LTDA., desafiando a decisão pela qual se deu parcial provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, ao fundamento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847∕RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411∕STJ). Está também justificada a imposição de correção monetária, Fl. 229DF CARF MF 6 pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457∕07), conforme decidiu esta Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206∕RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ". TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Ante o exposto, conheço e dou parcial provimento ao recurso especial da contribuinte, para que, no cálculo do crédito presumido, consideremse os gastos na industrialização por encomenda, bem como que o valor a ser ressarcido (excluindose, portanto, o valor originariamente ressarcido pela unidade preparadora), seja corrigido pela taxa Selic a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido (360 dias), independentemente da época de sua apresentação. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10380.900071/200634 Acórdão n.º 9303006.364 CSRFT3 Fl. 228 7 Fl. 231DF CARF MF
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