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Numero do processo: 14090.002100/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS À INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PIS/PASEP E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. VENDAS EFETUADAS COM SUSPENSÃO OU NÃO INCIDÊNCIA. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO.
O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, permite a manutenção dos créditos vinculadas às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência, não modificando a regra que veda o creditamento no caso das aquisições de insumos não sujeitos às contribuições PIS/Pasep e Cofins, que continuam não gerando direito ao crédito, por expressa determinação do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002, e art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003, no caso das aquisições de insumos não sujeitos à incidência, respectivamente para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
[assinado digitalmente]
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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VEDAÇÃO AO CRÉDITO. VENDAS EFETUADAS COM SUSPENSÃO OU NÃO INCIDÊNCIA. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, permite a manutenção dos créditos vinculadas às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência, não modificando a regra que veda o creditamento no caso das aquisições de insumos não sujeitos às contribuições PIS/Pasep e Cofins, que continuam não gerando direito ao crédito, por expressa determinação do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002, e art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003, no caso das aquisições de insumos não sujeitos à incidência, respectivamente para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède votou pelas conclusões. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 0. 00 21 00 /2 00 8- 89 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 [assinado digitalmente] Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de acórdão da DRJ de Campo Grande (MS), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da Contribuinte Mônaco Diesel Caminhões e Ônibus Ltda, ora Recorrente, relativamente ao pedido de ressarcimento de supostos créditos da Contribuição para a Seguridade Social – Cofins, apurada de acordo com a sistemática da nãocumulatividade, do anocalendário de 2008, decorrentes de aquisição de produtos classificados sob os códigos 87.01 a 87.06, da Tabela de Incidência do IPI, não sendo homologadas as compensações declaradas por meio de Dcomp, conforme sintetiza a ementa do v. acórdão, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. MERCADORIAS CLASSIFICADAS SOB OS CÓDIGOS 87.01 A 87.06. AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO. DIREITO A CRÉDITO. VEDAÇÃO. A aquisição, no mercado interno, de mercadorias classificadas nos códigos 87.01 a 87.06 não gera crédito para descontar do valor devido das contribuições da Cofins e do PIS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão recorrida também é fundamentada na Instrução Normativa SRF nº 594/2005, a qual veda o crédito quando da aquisição desses produtos no mercado interno. Cientificada em 21/12/2011 (AR fl. 292, do arquivo digitalizado), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 293 e seguintes, em 17/01/2012, onde reitera os argumentos constantes da manifestação exordial, aduzindo, em síntese que a decisão viola os princípios da legalidade e da hierarquia das leis, já que negou vigência ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Afirmou que as contribuições do PIS e da Cofins, com o advento das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, passaram a ser nãocumulativas para as empresas que apuram o Imposto de Renda com base no lucro real. Sobrevindo a Lei nº 10.865/2004, foi reduzida a zero a alíquota de máquinas e veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06, já que ficaram sujeitos à tributação monofásica. A receita oriunda da venda desses produtos, entretanto, por força do disposto na mesma lei, passou a sujeitarse à sistemática da nãocumulatividade. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 14090.002100/200889 Acórdão n.º 3301001.594 S3C3T1 Fl. 348 3 Assim, o recolhimento das contribuições se dá em uma única etapa da cadeia produtiva, vale dizer, no caso os fabricantes ou importadores é que recolhem o valor dos tributos por toda a cadeia produtiva, de modo que, em relação aos comerciantes atacadistas e varejistas, a alíquota restou reduzida a zero, o que não significa, conforme se exporá a seguir, que esta operação não sofre tributação, ela somente é tributada a 0% (zero por cento). Ou seja, no que diz respeito às vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da T I P I fart. l o da Lei no 10.485). somente os produtores e importadores estão impedidos da manutenção dos créditos, o que não se aplica aos revendedores das mesmas mercadorias adquiridas no mercado interno. A par desse fato, o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 teria autorizado os revendedores de máquinas e veículos classificados naqueles códigos a manter os créditos de PIS e de Cofins, mesmo nos casos de venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Concluise que o citado artigo não criou novos créditos, como quer entender a Autoridade Fiscal, mas apenas permitiu a manutenção dos créditos já existentes. A possibilidade de ressarcimento desses créditos e de compensação com débitos de outros tributos foi dada pela Lei nº 11.116/2005. Ante o exposto, os contribuintes que comercializam produtos sujeitos a tributação "monofásica" tem o direito ao desconto dos créditos em razão dos produtos adquiridos para revenda, nas mesmas condições dos contribuintes que comercializam produtos sujeitos a tributação não monofásica. Com esses fundamentos, pugnou pelo reconhecimento do direito creditório e pela homologação das compensações. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. A questão central que se discute no presente processo é quanto ao disposto no art. 17, da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, sobre as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, em razão de não impedirem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, teria revogada as vedações contidas no inciso art. 3º, § 2º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 3º, § 2º, II, ao direito de crédito o valor das aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das aludias contribuições, nos seguintes termos: Fl. 349DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (grifado) Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (grifado). Evidentemente que, a Lei nº 11.033, de 2004, quando dispõe que as vendas efetuadas, sem a incidência da Cofins e PIS/Pasep, o que não impede a manutenção do crédito pelo vendedor, no meu entender, não revogou a regra prevista na Lei nº 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002, continuando não dando direito a crédito, as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das aludidas contribuições. A pergunta que surge então é, se as aquisições não sujeitas à incidência das Contribuições ao PIS/Pasep e Cofins não geram créditos, por que então a Lei nº 11.033, de 2004, veio dizer que essas vendas não impedem a manutenção desses créditos? Inicialmente, há que ter em mente as seguintes situações distintas, tratadas pelas referidas leis que dispõe sobre Cofins e PIS/Pasep na sistemática da nãocumulatividade (10.833/2003 e 10.637/2002), sobre a impossibilidade das aquisições de insumos não sujeitos ao pagamento das Contribuições PIS, inclusive no caso de isenção, enquanto a Lei nº 11.033, de 2004, dispõe sobre a possibilidade de manutenção dos créditos decorrentes das vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições PIS/Pasep e Cofins. Claro, que, no caso das vendas efetuadas sem a incidência das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, nada tem a ver, com as aquisições sem a incidência das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, as quais vedam o respectivo creditamento, logo, a despeito da Lei 11.033/2004, permitir a manutenção do crédito nas vendas efetuadas sem a incidência dessas contribuições não interfere no direito ao crédito, ou seja, na origem desses créditos que, continua vigorando de acordo com as regras das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 14090.002100/200889 Acórdão n.º 3301001.594 S3C3T1 Fl. 349 5 Essa regra é mantida mesmo no caso do regime tributário de incentivo à modernização e ampliação da estrutura portuária, denominado Reporto (arts. 13 e seguintes da Lei nº 11.033/2004), visto que o art. 17 é um incentivo fiscal que alcança apenas os casos em que ocorreram aquisições de insumos com incidência das Contribuições PIS/Pasep e Cofins. Logo, a decisão recorrida encontrase em perfeita sintonia com o entendimento firmado pelo colendo Superior Tribunal de Justiça, que permitiu, inclusive, a fruição do beneficio fiscal instituído pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004, às empresas integrantes ao regime específico denominado “Reporto”, nos quais há incidência nas aquisições de insumos e não incidência nas vendas, não abrangendo as empresas comerciais distribuidoras ou atacadistas, in verbis: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI N. 11.033/04. APLICAÇÃO AOS CONTRIBUINTES INTEGRANTES DO REGIME ESPECÍFICO DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. 1. Ambas as Turmas integrantes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a incidência monofásica, em princípio, não se compatibiliza com a técnica do creditamento; assim como o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/2004 somente se aplica aos contribuintes integrantes do regime específico de tributação denominado Reporto. 2. Precedentes: REsp 1228608/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 16.3.2011; REsp 1140723/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22.9.2010; e AgRg no REsp 1224392/RS, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 10.3.2011. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1218561/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/04/2011, DJe 15/04/2011) No mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO A EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. SÚMULA 83/STJ. 1. A Segunda Turma do STJ firmou o entendimento de que a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento, e que o benefício instituído no art. 17 da Lei 11.033/2004 somente é aplicável às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado Fl. 351DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Reporto (Precedente: REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2.9.2010, DJe 22/9/2010). 2. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 1219450/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/02/2011, DJe 15/03/2011) A par da alegação de que, através da Lei nº 10.865/2004, foi reduzida a zero a alíquota de máquinas e veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06, já que ficaram sujeitos à tributação monofásica, entretanto, por força do disposto na mesma lei, o fato dessas operações sujeitaremse à sistemática da nãocumulatividade, em nada altera a decisão recorrida, pois, conforme visto, é condição essencial para poder ter direito ao recebimento de crédito, que o suposto beneficiário tenha pago as contribuições na etapa anterior. Ademais, disto, no caso da alíquota zero, há vedação expressa nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2004, no sentido de impedir o creditamento relativo a essas operações. Por essas razões, há de prevalecer o entendimento de que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004, se refere à manutenção dos créditos vinculadas às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero, ou não incidência, não se referindo às aquisições de insumos não sujeitos às contribuições PIS/Pasep e Cofins, que continuam não gerando direito ao crédito, por expressa determinação do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.637/2002, e art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003, no caso das aquisições de insumos não sujeitos à incidência, respectivamente para o PIS/Pasep e Cofins. Em face do exposto, voto no sentido e negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 24 de setembro de 2012 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 352DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 19/02/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10280.722852/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO.
O recurso interposto após 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não deve ser conhecido pelo Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).
RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO A QUO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois intempestivo.
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 13/09/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RECURSO INTEMPESTIVO. O recurso interposto após 30 dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, não deve ser conhecido pelo Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). RECURSO INTEMPESTIVO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO A QUO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, pois intempestivo. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 13/09/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 28 52 /2 00 9- 52 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10280.722852/200952 Acórdão n.º 2102002.196 S2C1T2 Fl. 11 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 348 a 372: Versa o presente processo sobre Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, às fls. 185/226, referente aos exercícios de 2004 a 2008, anos calendário 2003 a 2007, no valor originário de R$ 79.639,26, que somado aos acréscimos legais calculados até 30/10/2009, atingiu o montante de R$ 173.582,37, do qual foi cientificado por meio postal em 11/12/2009. A autuação decorreu da verificação do cumprimento das obrigações tributárias, tendo sido constatadas as seguintes infrações: Dedução Indevida de Previdência Oficial, Dedução Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas, Dedução Indevida de Pensão Judicial, Dedução Indevida de Despesa com Instrução, Dedução Indevida de Previdência Privada/FAPI e Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada. Da ação fiscal Na descrição dos fatos constante do Relatório de Fiscalização, às fls.217/226, relatase que o procedimento fiscal teve origem na investigação efetuada pela Receita Federal do Brasil, que através de seus sistemas informatizados constatou indícios de irregularidades nas Declarações de IRPF de um universo de contribuintes, observando que estes usavam artifícios comuns, tais como: entregavam a declaração original, em sua jurisdição, posteriormente faziam quantas retificadoras lhes interessavam, alterando o seu endereço para São Paulo, aumentando cada vez mais as suas deduções, utilizando o mesmo provedor para transmitir as suas DIRPF. Nessa oportunidade, identificouse que o fiscalizado teve uma movimentação financeira em descompasso com os rendimentos declarados em sua DIRPF de 2007, anocalendário 2006. Foram efetuadas diligências através da DRF/São Paulo, confirmado que realmente tais contribuintes não residiam naquele Estado e os endereços utilizados nem mesmo eram residenciais, não havendo razão plausível para serem indicados em suas declarações. A ação fiscal sobre o contribuinte teve início com a sua intimação para comparecer à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém a fim de prestar esclarecimentos referentes às Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) dos anoscalendário de 2003 a 2007 e em 19/03/2009, quando compareceu à DRF/Belém, o fiscalizado espontaneamente respondeu aos quesitos propostos, consubstanciado no TERMO DE DECLARAÇÃO QUE PRESTA, às fls. 06/08. Em continuidade à auditoria, o contribuinte foi cientificado do Termo de Intimação Fiscal, às fls. 09/10, e foi instado a comprovar com documentos hábeis e Fl. 408DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10280.722852/200952 Acórdão n.º 2102002.196 S2C1T2 Fl. 12 3 idôneos as deduções pleiteadas em suas DIRPFs de 2003 a 2007, bem como apresentar os extratos bancários do ano de 2006 e em resposta efetuou comprovação parcial das deduções, conforme documentos juntados às fls. 39/104. Foi também intimado a apresentar extratos bancários e comprovar a origem dos recursos creditados em suas contas bancárias, conforme Termo de intimação e solicitação de documentos, às fls. 105/107, 125/129 e 145/146, tendo juntando os documentos, às fls. 109/124 e 131/144 e 148/181. A fiscalização procedeu ao exame dos documentos apresentados, concluindo que: relativamente ao ano calendário de 2003, o contribuinte “somente” efetuou a retificação de sua DIRPF em 28/12/2004, ou seja, após o recebimento da restituição de Imposto de Renda decorrente da Declaração de IRPF original, observandose que tanto na original como na retificadora elegeu seu endereço tributário no Estado de São Paulo e majorou os valores pertinentes às deduções da base de cálculo do imposto de renda, tanto prova que não logrou comprovar com documentos hábeis e idôneos o total de suas deduções; esse procedimento juntamente com a falta de comprovação das elevadas deduções, deixa evidenciado que a intenção de majorar despesas teve sua gênese já na primeira declaração, ou seja, declaração original de IRPF 2004, anocalendário 2003, chamando atenção principalmente pela substancial e indevida restituição já obtida em decorrência de sua declaração original. nos anoscalendário ulteriores (2004 a 2007), o procedimento foi mantido, ou seja, majoração das deduções da base de cálculo do IRPF e ainda procedeu à retificação da DIRPF dos anoscalendário 2005 e 2006, mantendo para estas retificadoras o seu endereço em São Paulo. além das deduções majoradas em todo período fiscalizado, constatouse que nas retificadoras dos anos calendário 2003 a 2006 houve uma transferência fictícia de endereço, ou seja, consignou um endereço diferente daquele em que efetivamente residia. esta afirmativa encontra amparo no depoimento do fiscalizado que afirmou que em 2003 residia na Rua dos Caripunas, 181, Ed. Débora, Apto 306 – Jurunas, Belém/PA e que atualmente reside na Estrada do Ceasa, KM 02, Residencial Morada Verde, Rua Açaí nº 138, Curió, Belém/PA, que morou em São Paulo, mas não soube informar o endereço, que em 2003 trabalhava na Secretaria Estadual de Agricultura – SAGRI, que o endereço do seu trabalho é Travessa do Chaco nº 2232 – Marco, entre Almirante Barrosos e 25 de setembro e que a sua principal fonte pagadora, no anocalendário 2003, estava localizada na cidade de Belém/PA. observouse que tal procedimento foi utilizado também na declaração IRPF do anocalendário 2002, conforme informado na base de dados da Receita Federal. o fiscalizado confirmou ter recebido o valor das restituições, mas alegou desconhecer as retificações efetuadas nas DIRPFs do anocalendário 2003, que teria sido elaborada pelo Sr. César, que informou ter conhecido na SAGRI, pois ele visitava os Órgãos públicos. desta forma, as restituições foram sendo disponibilizadas/recebidas, conforme atestam as impressões emitidas pelo sistema informatizado da Receita Federal, anexo ao auto de infração. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10280.722852/200952 Acórdão n.º 2102002.196 S2C1T2 Fl. 13 4 diante desses acontecimentos, o fiscalizado passa uma impressão que não tem suficiente conhecimento dos preceitos legais que norteiam a utilização de deduções como redutor da base de cálculo do IRPF, mas com certeza usufruiu dos benefícios concernentes a majoração dessas deduções, entretanto, com simplista alegação informa desconhecer todos os fatos, transferindo a responsabilidade dos procedimentos a um terceiro, nada sabendo informar sobre os procedimentos que afetaram o resultado de seu IRPF, pertinente aos períodos fiscalizados. outro aspecto também não esclarecido pela fiscalizado e que vem reforçar a convicção de que houve intenção de obter vantagem indevida (restituição de IRPF a maior), foi o fato do fiscalizado não possuir os documentos probatórios das deduções efetuadas nas Declarações de IRPF originais e retificadoras, observandose que, em seus expedientes encaminhados o mesmo limitouse a apresentar os extratos bancários, escritura pública declaratória de convivência, comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, dos anos de 2003 a 2007 e comprovante de pagamento com dedução de dependente dos anos fiscalizados. destacase a reincidência do procedimento, ou seja, para todos os anos calendário em análise a mesma metodologia foi continuadamente utilizada. a fiscalização concluiu que o procedimento continuado de majorar deduções em todos os anos calendário, sem conhecimento e participação do fiscalizado, conforme suas explicações no referido “Termo de declarações que presta”, cabendo ressaltar que as respectivas restituições forma disponibilizadas e ainda em razão da falta de comprovação de substancial parcela das deduções utilizadas no período em análise, foram apurados os valores tributáveis no auto de infração. a fiscalização concluiu que o procedimento continuado de majorar deduções e transferência do domicílio tributário para São Paulo trouxe vantagens ao contribuinte, visto que se tornaram mínimas as possibilidades das Declarações serem submetidas à revisão interna (malha fazenda) regularmente efetivada por este Órgão. Vêse ainda que, se confrontados os procedimentos dos demais contribuintes, também intimados pelos auditores signatários a prestar esclarecimentos junto à Receita Federal do Brasil, constatase que todos utilizaram ou foram submetidos a mesma combinação, o que robustece a convicção de intenção, no procedimento de cada um, seja pessoal ou através da participação de terceiros. destaca que a intencional, oportuna e fictícia transferência de domicílio tributário para São Paulo dificultou a ação da Receita Federal, visto que o contingente de contribuintes e a expressividade dos valores para aquela Região Fiscal tornaram mínimas as possibilidades das declarações serem retidas em malha fazenda, o que sem dúvida alguma eximiu o contribuinte da comprovação das deduções. a tentativa de fugir à ação do Fisco e as circunstâncias que provocaram o presente procedimento fiscal e todo o conjunto indissociável da conduta adotada pelo contribuinte constituem o entendimento de que existem indícios veementes da tentativa de escapar da devida tributação dos seus rendimentos. diante desses fatos e em razão da falta de comprovação de substancial parcela das deduções utilizadas no período em análise, foram apurados os valores tributáveis no auto de infração, com a aplicação da multa qualificada em relação às despesas glosadas no anocalendário 2003. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10280.722852/200952 Acórdão n.º 2102002.196 S2C1T2 Fl. 14 5 quanto à movimentação incompatível do anocalendário 2006, cabe ressaltar que o fiscalizado foi reiteradamente intimado a comprovar a origem dos créditos em suas contas correntes, inclusive alertado de que o não atendimento ensejaria o lançamento de ofício. em resposta informou que os créditos originaramse dos empréstimos junto ao BANPARÁ e da atividade eventual de compra e venda de açaí. os valores que o fiscalizado comprovou e grafou como sendo empréstimos foram zerados e os originados da compra e venda de açaí, pelo fato de o contribuinte não ter informado ganho, foi considerado como rendimento de 10% do valor da venda. Da Impugnação O contribuinte apresentou impugnação, às fls. 230/254, acompanhada dos documentos, às fls. 300/339, alegando em síntese que: o auto está baseado em meras presunções, cabendo citar que o contribuinte, assim como vários outros, foi enganado pelo contador de nome CESAR AUGUSTO SARAIVA PINTO, o qual foi contratado para prestar os seus serviços profissionais, nas elaborações das Declarações de Imposto de Renda dos anos calendários de 2003 a 2007. o citado profissional, emitiu nas referidas declarações informações inverídicas e contrárias às indicadas pelo contribuinte, o que ocorreu com inúmeros outros contribuintes. quanto às informações inverídicas, destacase que o citado profissional, prestou informações distorcidas com a realidade, inclusive quanto aos dependentes do contribuinte, o qual na época tinha como dependente, a sua companheira PAULA LIDYANE CARDOSO DE OLIVEIRA (da qual inclusive pagava a mensalidade escolar, conforme atestam os doc. 01, emitidos pelo CESUPA e que seguem em anexo), o seu filho MANOEL JOSÉ MANGABEIRA PEREIRA FILHO e JOÃO VITOR DA SILVA MANGABEIRA (ao qual paga pensão). cabe também citar, que tal profissional sequer forneceu ao contribuinte a cópia de aludidas declarações, as quais, somente teve acesso após solicitar a segunda via, à Receita Federal, no momento em que tomou ciência da abertura do presente processo administrativo. apesar da nobre fiscal ter considerado como documentos hábeis e idôneos parte dos documentos apresentados pelo contribuinte, cometeu equivoco ao deixar de considerar como idôneos e hábeis os demais documentos apresentados, passando a presumir a existência de crédito tributário. Caso que ocorre, por exemplo, quando desconsidera a existência dos creditos salaraiais, tanto o decorrente da remuneração da SAGRI, quanto com relação à Assembléia Legislativa (valores identificados no extrato bancário, com a descrição de “CREDITO SALARIAL”, e também comprovado pelo doc. 02). houve equívoco também na aplicação da multa qualificada, pois não foi levado em consideração o fato de que o contribuinte foi enganado, assim como vários outros contribuintes, pelo mesmo contador, que emitiu informações inverídicas em suas declarações de Imposto de Renda, sem a autorização e o conhecimento destes. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10280.722852/200952 Acórdão n.º 2102002.196 S2C1T2 Fl. 15 6 deveria ser levado em consideração também o fato de que o contribuinte morou realmente em São Paulo, só que em período diferente do inventado pelo supracitado contador, e que não mentiu quando foi inquirido a respeito de tal fato, ficando clara que não houve simulação ou tentativa de fraudar o fisco, mas sim, que também foi enganado. destacase por fim, que o contribuinte, compareceu e depôs, sem advogado, sobre fato de grande importância para a sua vida, em atendimento à notificação que simplesmente o intimava a comparecer a Receita Federal, ou seja, não imaginava que iria responder a um questionário. Ou seja, compareceu de boafé e depôs de boa fé, sem sequer a presença de um auxiliar da Justiça, o qual é previsto na Constituição Federal. Ora, fato deve ser considerada nulo, eivando de vício todo o processo, pois, segundo a Constituição Federal, ninguém está obrigado a fazer prova contra si, ou seja, o direito de não se autoincriminar e por tais motivos deve ser considerado nulo o lançamento. segundo o princípio da legalidade, a Administração Pública só pode fazer o que a lei permite no âmbito das relações entre particulares, o principio aplicável é o da autonomia da vontade, que lhe permite fazer tudo o que a lei não proíbe. dita ainda com grande propriedade, o Prof. MANOEL DE OLIVEIRA FRANCO SOBRINHO que o princípio da legalidade é uma “determinante essencial” e não um pressuposto, portanto deve ser estritamente respeitado pelo órgão administrador. Nesse sentido,percebese que a agente fiscal deixa a requerente sem qualquer previsão e dos motivos que sustentam a emissão dos autos de infração, tendo em vista que estes não podem ser fundamentos em lei alguma, tendo extrapolado o preceito básico exposto no artigo 37 da Carta Magna e também os princípios da segurança jurídica, legalidade tributária, da impossibilidade do fisco embasar as autuações em meras presunções, não observou o direito de não se auto incriminar. deste modo, o lançamento se deu de modo equivocado devendo ser declarado nulo. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou as preliminares arguidas e no mérito julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo o imposto devido para R$35.568,59, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento é regular, perfeito e válido quando observados integralmente os pressupostos legais relativos à sua constituição e a garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Devem ser acolhidas, a título de dedução do IRPF, apenas as despesas comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10280.722852/200952 Acórdão n.º 2102002.196 S2C1T2 Fl. 16 7 MULTA QUALIFICADA. Cabe a aplicação da multa qualificada, quando restar comprovado que o envolvido na prática da infração tributária conseguiu, intencionalmente, o objetivo de deixar de recolher, impedir ou retardar a apuração do crédito tributário por meio de atos ou omissão de fatos visando os objetivos mencionados. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Neste caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei nº 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 377 a 403, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação atacando a legalidade do lançamento e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso dever ser interposto no prazo máximo de 30 (trinta) dias após a ciência, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Fl. 413DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10280.722852/200952 Acórdão n.º 2102002.196 S2C1T2 Fl. 17 8 Da análise dos pressupostos de admissibilidade, verificase que o contribuinte tomou ciência do acórdão da DRJ em 25/11/2010, consoante AR de fl. 375, e observada regra de contagem de prazos do art. 5º do PAF, a data final para interposição do Recurso Voluntário seria 27/12/2010; contudo, o contribuinte protocolou o Recurso em 28/12/2010, conforme assinalado na primeira folha do Recurso à fl. 377, ou seja: 1 dia depois do prazo legal. Assim, o prazo final foi ultrapassado. Verificase destarte, que a presente reclamação não atende o pressuposto de admissibilidade da tempestividade do recurso voluntário, previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal e, portanto, não deve ser conhecida por este órgão julgador. Posto isso voto por NÃO CONHECER DO RECURSO pela intempestividade na sua apresentação. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720910/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
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Numero da decisão: 3201-000.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos; negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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INEXISTÊNCIA Consoante jurisprudência pacificada pelo STJ, não há que se falar em denúncia espontânea no caso de tributo pago em atraso quando este tiver sido regularmente confessado em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos; negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Relator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Ribeiro Nogueira, Adriana Oliveira e Ribeiro e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 09 10 /2 00 9- 39 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Consoante relatado pela decisão de primeira instância, a Recorrente transmitiu a Dcomp nº 17090.64653.280905.1.3.574058, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior constante do processo judicial nº 96.00368155. A DRFVarginha/MG emitiu Despacho Decisório, no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada (fls. 159/161); Inonformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fl. 171 e seguintes), na qual alegou, em síntese, que não é cabível a aplicação da multa de mora de 20%, tendo em vista que realizou a denúncia espontânea dos débitos, nos termos do artigo 138 do CTN. A decisão de primeira instância, pór sua vez, negou provimento à manifestação, consoante se verifica pela transcrição da ementa abaixo transcrita: “Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não há que se falar em denúncia espontânea, quando o tributo pago em atraso foi anteriormente confessado em DCTF, como já decidido pelo STJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Ainda, inconformada, a Recorrente apresentou recurso Voluntário, pelo qual reitera os argumentos anteriormente dispendidos. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado à Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. O processo foi redistribuído a esta Conselheira ad hoc para formalizar o voto. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. A compensação declarada pela recorrente tem como base legal, o artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, que assim dispõe: Art. 74: 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10660.720910/200939 Acórdão n.º 3201000.944 S3C2T1 Fl. 244 3 A compensação de tributos e contribuições administrados pela RFB, encontravase regulamentada pela IN RFB n° 900, de 30/12/2008.Diversas alterações introduzidas pelas IN RFB n° 973/2009, 981/2009,1067/2010, 1224/2011 e 1300/2012. Da análise dos documentos que instruem os autos, especialmente, a Informação Fiscal GAJ/DRFNAR N° 0061 12010, constatase que o interessado realmente é detentor do crédito de PIS, decorrente da Ação Judicial n° 96.00.368155/MG, porém, em valor inferior ao informado na DCOMP, ou seja, R$ 1.132.220,17 (um milhão cento e trinta e dois mil duzentos e vinte reais e dezessete centavos), já atualizado até 31/12/1995, a ser acrescido de juros SELIC, a partir de 01/01/1996, até a data da transmissão da DCOMP. Ou seja, o crédito pretendido não foi sufuciente para liquidar a totalidade dos débitos, restando saldo devedor. Assim sendo, cumpre esclarecer que a Recorrente não rebate o valor do crédito apurado, mas contesta a aplicação da multa de mora. Nesse particular, concordo com a decisão de primeira instância, pois a alegação de denúncia espontânea não merece prosperar. Isso porque, conforme pacificado pela Súmula 360, do STJ, não há que se cogitar de denúncia espontânea, quando o tributo pago em atraso já havia sido anteriormente confessado em DCTF. Senão vejamos: SÚMULA N. 360STJ. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. (Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/8/2008). Em razão dessa jurisprudência dominante, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/01/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721361/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/01/2007 a 31/12/2008
COFINS/PIS - HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA - EMPRESA CONTROLADORA - DESPESAS POR SERVIÇOS COMPARTILHADOS.
Os serviços compartilhados (nas áreas de auditoria, consultoria jurídica e contencioso judicial, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais de sistema de computadores e recursos humanos) prestados (in-house ou intragrupo) pela controladora exclusivamente às empresas controladas do mesmo grupo empresarial, por serem prestados sem finalidade lucrativa e não se inserirem no objeto do social ou no comercium da controladora, que carece de habilitação para sua prestação a terceiros alheios ao grupo empresarial (registros da controladora na OAB, CRC, CRA, etc), não se inserem nos núcleos da materialidade da hipótese de incidência, quer do ISS, quer das contribuições do PIS e da COFINS.
COFINS/PIS - BASE DE CÁLCULO - EXCLUSÃO - REEMBOLSO OU RESSARCIMENTO DE DESPESAS POR SERVIÇOS COMPARTILHADOS.
As quantias recebidas pela controladora a título de reembolso ou ressarcimento, por despesas com serviços compartilhados sem qualquer margem de lucro ou finalidade lucrativa, não se inserem no conceito de faturamento ou receita bruta decorrente da exploração da venda de serviços ou de quaisquer outras receitas tributáveis pelas contribuições doo PIS e da COFINS, seja porque se encontram fora do objeto das atividades institucionais (atividade-fim) da controladora, seja porque não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, vez que se destinam apenas à justa reposição de seu patrimônio, reduzido ou diminuído em razão de gastos efetivados em proveito da controlada.
Numero da decisão: 3402-001.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos deu-se provimento ao recurso. Vencidos conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Mário César Fracalossi Bais.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo dEça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Nayra Bastos Manatta, Adriana Oliveira e Ribeiro, Mario César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/01/2007 a 31/12/2008 COFINS/PIS - HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA - EMPRESA CONTROLADORA - DESPESAS POR SERVIÇOS COMPARTILHADOS. Os serviços compartilhados (nas áreas de auditoria, consultoria jurídica e contencioso judicial, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais de sistema de computadores e recursos humanos) prestados (in-house ou intragrupo) pela controladora exclusivamente às empresas controladas do mesmo grupo empresarial, por serem prestados sem finalidade lucrativa e não se inserirem no objeto do social ou no comercium da controladora, que carece de habilitação para sua prestação a terceiros alheios ao grupo empresarial (registros da controladora na OAB, CRC, CRA, etc), não se inserem nos núcleos da materialidade da hipótese de incidência, quer do ISS, quer das contribuições do PIS e da COFINS. COFINS/PIS - BASE DE CÁLCULO - EXCLUSÃO - REEMBOLSO OU RESSARCIMENTO DE DESPESAS POR SERVIÇOS COMPARTILHADOS. As quantias recebidas pela controladora a título de reembolso ou ressarcimento, por despesas com serviços compartilhados sem qualquer margem de lucro ou finalidade lucrativa, não se inserem no conceito de faturamento ou receita bruta decorrente da exploração da venda de serviços ou de quaisquer outras receitas tributáveis pelas contribuições doo PIS e da COFINS, seja porque se encontram fora do objeto das atividades institucionais (atividade-fim) da controladora, seja porque não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, vez que se destinam apenas à justa reposição de seu patrimônio, reduzido ou diminuído em razão de gastos efetivados em proveito da controlada.
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Recorrida DRJ SÃO PAULO I SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/01/2007 a 31/12/2008 COFINS/PIS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA EMPRESA CONTROLADORA DESPESAS POR SERVIÇOS COMPARTILHADOS. Os serviços compartilhados (nas áreas de auditoria, consultoria jurídica e contencioso judicial, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais de sistema de computadores e recursos humanos) prestados (in house ou intragrupo) pela controladora exclusivamente às empresas controladas do mesmo grupo empresarial, por serem prestados sem finalidade lucrativa e não se inserirem no objeto do social ou no “comercium” da controladora, que carece de habilitação para sua prestação a terceiros alheios ao grupo empresarial (registros da controladora na OAB, CRC, CRA, etc), não se inserem nos núcleos da materialidade da hipótese de incidência, quer do ISS, quer das contribuições do PIS e da COFINS. COFINS/PIS BASE DE CÁLCULO EXCLUSÃO REEMBOLSO OU RESSARCIMENTO DE DESPESAS POR SERVIÇOS COMPARTILHADOS. As quantias recebidas pela controladora a título de reembolso ou ressarcimento, por despesas com serviços compartilhados sem qualquer margem de lucro ou finalidade lucrativa, não se inserem no conceito de faturamento ou receita bruta decorrente da exploração da venda de serviços ou de quaisquer outras receitas tributáveis pelas contribuições doo PIS e da COFINS, seja porque se encontram fora do objeto das atividades institucionais (atividadefim) da controladora, seja porque não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, vez que se destinam apenas à justa reposição de seu patrimônio, reduzido ou diminuído em razão de gastos efetivados em proveito da controlada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 61 /2 01 1- 10 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos deuse provimento ao recurso. Vencidos conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Mário César Fracalossi Bais. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Nayra Bastos Manatta, Adriana Oliveira e Ribeiro, Mario César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão DRJ/SPI nº 1635.664 de 12/01/12 (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) exarado pela 10ª Turma da DRJ de São Paulo SP que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar “improcedente” a impugnação, mantendo os lançamentos originais no valor total de R$ 331.194.792,84 relativos a Contribuições de COFINS (MPF nº 0816600.2011.00063; COFINS R$ 134.201.411,36; juros R$ 50.046.276,67; Multa 75% R$ 100.651.058,56) e para o PIS (MPF nº 0816600.2011.00063; PIS R$ 21.807.729,31; Juros R$ 8.132.519,94; Multa 75% R$ 16.355.797,00), notificados em 27/10/11, que acusaram a ora Recorrente de”insuficiência de recolhimento” das contribuições nos períodos de 30/01/07 a 31/12/08, conforme explicitado no TVF nos seguintes termos: “2.Do CONTRIBUINTE A sociedade ITAÚ UNIBANCO SA (nova denominação do BANCO ITAÚ SA), com sede em São Paulo, tem como objeto social a atividade bancária em todas as modalidades autorizadas, inclusive a de operações de câmbio, conforme definido no artigo 2° de seu Estatuto Social às fls. 116. 3. Do DIREITO Os artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27/11/1998, com posteriores alterações, transcritos a seguir, estabelecem a base de cálculo para as contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, nos seguintes termos: Fl. 387DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.721361/201110 Acórdão n.º 3402001.912 S3C4T2 Fl. 3 3 `Art. 2° As contribuições para o PIS /PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta lei. Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) §2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes da ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1º do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Redação dada pela Lei n°11.945, de 4 de junho de 2009) (...). § 4° Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pela Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5° Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no 5 1° do cid. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para fins da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. §6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5", poderio excluir ou deduzir: Fl. 388DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 1 no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas dc crédito: a)despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b)despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos dc instituições de direito privado; c)deságio na colocação de títulos; d)perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; A partir do advento da Lei 10.637/2002, no caso do PIS/Pasep, e da Lei n° 10.833/03, no que se refere à Cofins, passam a coexistir dois regimes de tributação para as citadas contribuições: regime cumulativo e regime nãocumulativo, sendo que permanecem sujeitas exclusivamente à sistemática da incidência cumulativa prevista na Lei 9.718/98, as entidades mencionadas nos § 6°, 8° e 9° do seu art. 3°. O contribuinte recebeu ao longo dos anoscalendário 2007 e 2008, valores declarados como ressarcimento efetuado pelas demais empresas do conglomerado que utilizaram a estrutura comum do Banco. Conforme resposta do contribuinte às fls. 27/28, os custos da estrutura em comum, centralizados numa das empresas, são rateados com as demais. A formalização jurídica do rateio é feita através de instrumento contratual denominado Convênio de Rateio de Custos Comuns (CRCC). Segundo Alberto Xavier', os contratos de compartilhamentos de custos são contratos inominados celebrados entre duas ou mais empresas (via de regra integradas num mesmo grupo econômico) pelo qual uma ou mais empresas ("comparticipantes") se obrigam a assumir uma quotaparte dos custos necessários à fruição de bens ou direitos ou à realização de atividades do interesse comum de todos, sendo que os custos inerentes a essa fruição ou exercício são incorridos apenas por uma (Centro de Custos), à qual é exclusivamente imputável a obrigação do respectivo pagamento, por ela realizado em nome próprio. Tratase de atividades consistentes em atividadesmeio de uma dada empresa. não constitutivas do seu objeto social, mas de que os comparticipantes pretendem beneficiar. Os valores recebidos a título de ressarcimento de custos e despesas arcados por uma centralizadora em beneficio de demais empresas, quando relacionados à sua atividade operacional configurase como prestação de serviços, tendo em vista que ela recebe pelo desenvolvimento de sua atividadefim. Ainda neste sentido, a doutrinal de Alberto Xavier traz urna explanação detalhada acerca de atividadefim e atividademeio, em uma abordagem comparativa dos contratos de Fl. 389DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.721361/201110 Acórdão n.º 3402001.912 S3C4T2 Fl. 4 5 compartilhamento de custos e os contratos de prestação de serviços intragrupo: Nos contratos de compartilhamento de custos não há um verdadeiro contrato de prestação de serviços, pois o fim ou a causa que anima a vontade das partes não é a execução de serviços, mas a obtenção de economias de escala, pela mera repartição de custos das atividadesmeio que são exercidas pelo Centro de Custos, mas que os comparticipantes pretendem utilizar como serviços próprios (serviços internos ou "in¬bouse services"), embora comuns. A profissionalização que ocorre nos contratos de prestação de serviços intragrupo consiste precisamente em converter as atividadesmeio (no modelo de contrato de compartilhamento de custos) em atividadesfim, arvoradas em objeto social da empresa prestadora, a serem exercidas profissionalmente, mediante relações bilaterais com diversas empresas do grupo, que passam a ser concebidas não como cotitulares de uma estrutura comum, mas como clientes, em cujo interesse exclusivo os serviços são prestados. [...] Neste modelo contratual, os pagamentos efetuados ao Centra não revestem natureza contributiva da comparticipação nos custos, mas sim natureza sinalagmática, contraprestacional de preço de prestação de serviços, de que os custos da estrutura são meros componentes, natureza essa que não é perdida na hipótese de o preto ser estritamente calculado para cobrir o custo, sem margem de lucro ("markup). Ou seja, ainda que o preço cobrado seja tão somente c;is custos decorrentes da manutenção da estrutura de pessoal e operacional mantida pela centralizadora, a receita foi obtida em decorrência da disponibilizacão de tais recursos (humanos e materiais) a outras empresas do mesmo grupo. Temos, então, que a base de cálculo das contribuições corresponde à totalidade do faturamento do sujeito passivo, integrandoo o valor contabilizado como recuperação de custos e despesas que ela teve no desempenho de atividades que faz parte do seu objeto social. Neste caso, o montante ressarcido é receita da empresa centralizadora, porque está relacionada a atividadefim da sociedade, E neste contexto, se inserem até mesmo as atividades prestadas pelos departamentos administrativos como jurídico, marketing e auditoria, urna vez que estes são colocados a disposição de outras empresas do conglomerado e trabalham em cooperação para atingir o objeto fim das sociedades. Neste caso, tais atividades passam á ser acrescidas àquelas já desenvolvidas pela centralizadora. Neste sentido são as lições de Hiromi Higuchi(³) e outros, abaixo transcritas: Fl. 390DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 'Muitas empresas estão contabilizando incorretamente, como recuperação de despesas ou custos, as receitas de prestação de serviços para outras empresas do mesmo grupo. Assim, o departamento jurídico ou o centro de processamento de dados estão cm uma empresa e prestam serviços para outras empresas do grupo. As despesas e os custos desses departamentos são rateados para as demais empresas do grupo mediante emissão de notas de débitos. A nota de débito não é um documento idôneo para aquela finalidade. A nota de débito somente deve ser utilizada para transferir pagamento feito por uma empresa em nome da outra. Assim, se a empresa A paga salários de funcionários registrados na empresa B , a empresa A poderá emitir nota de débito para transferir o valor pago. O mesmo acontece quando uma empresa paga duplicata sacada contra outra empresa. No caso de rateio de despesas ou custos, por exemplo, do departamento jurídico, entre várias empresas do mesmo grupo, o documento idôneo é a nota fiscal ou fatura de serviço. O valor da operação deve ser escriturado como receita operacional, com incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS assim como do ISS, e não como recuperação de despesas e custos. Aliado ao acima exposto, as exclusões legisladas pelo 56° do art. 2° da Lei 9.718/98 não abarcam o recebimento ou recuperação de despesa mediante rateio. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) se manifestou em diversas oportunidades, por meio de Soluções de Consulta (SC), acerca das repercussões tributárias advindas do rateio de despesas compartilhadas na base de calculo do PIS/Pasep e da Cofins, tanto no regime cumulativo, como no nãocumulativo, conforme extratos de emendas a seguir: "Solução de Consulta Nº59 de 2005 Assunto: Contribuição para o PIS / Pasep PIS NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. REEMBOLSO DE DESPESAS. Para fins de apuração do PIS / Pasep não cumulativo, integra a base de cálculo toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, ainda que referente ao reembolso de custos e despesas pela contratante do serviço. Na apuração do crédito a ser deduzido dessa contribuição, serão considerados os custos e despesas efetuados pela consulente, desde que enquadrados nas hipóteses definidas na legislação de regência. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º; Lei nº 10.684, de 2003, art. 25; Lei e 10.833, de 2003, art. 16, parágrafo único; Lei nº 10.865, de 2004, artgs. 15, 37 e 53; IN SRF nº 247, de 2002 e IN SRF nº 358, de 2003.” "Solução de consulta N° 194 SRRF/8ª RF/Disit, de 23/06/08 Assunto: Contribuição para o PIS IPasep Fl. 391DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.721361/201110 Acórdão n.º 3402001.912 S3C4T2 Fl. 5 7 REEMBOLSO DECORRENTE DE RATEIO DE DESPESAS COM PROPAGANDA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO. Para fins de apuração da contribuição para o PIS nãocumulativo, íntegra a base de cálculo toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, ainda que referente ao reembolso decorrente do rateio, de custos e despesas pela contratante do serviço, com seus fornecedores. Reembolso decorrente de rateio de custo de serviços de propaganda e publicidade, contratado por pessoa jurídica, que não exerça prestação deste tipo de serviço, não gera direito a crédito das contribuições para o PIS nãocumulativo. Dispositivos Legais: artigos 1º e 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 15 da Lei na 10.833, de 2003."Grifos nossos "Solução de consulta N°36 SRRF/8ª RF/Disit, de 11/02/09 Assunto. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins RATEIO DE DESPESAS Os valores recebidos em virtude do uso compartilhado de serviços administrativos, referentes à contabilidade, jurídico, recursos humanos e serviços administrativos gerais (marketing força de vendas, etc.), representam receitas de serviços e integram o faturamento, base de cálculo da COFINS Dispositivos Legais: Lei n° 9.718/1998, aras. 2° e 3º e Lei n° 10.833/2003, art. 1º." Grifos nossos Recentemente, por meio da SC n° 38/11, a RFB ratificou seu entendimento referente à matéria em questão: "Solução de consulta N° 38 SRRF/9ª RF/Disit, de 13/01/11 Assunto: Contribuição para o PIS Pasep RATEIO DE DESPESAS COMUNS DE GRUPO ECONÔMICO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCLUSÃO NA RECEITA. DESPESAS COM TERCEIROS. REDUÇÃO DA DESPESA. As despesas comuns resultantes de atividades desenvolvidas por empresa controladora em favor de outras empresas do mesmo grupo econômico podem ser rateadas em relação estas empresas. devendo os valores recebidos pela empresa controladora serem por ela considerados receita para fim de incidência da Contribuição para o PIS/PASEP. "Também as despesas comuns, contratadas junto a terceiros por empresa controladora para empresas de um grupo econômico, podem ser rateadas. Neste caso, o valor rateado não compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS IPASEP da empresa controladora. Em ambos os casos, requerse previsão contratual que estabeleça os coeficientes de rateio dentro de critérios razoáveis que correspondam à efetiva imputação da despesa. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 Dispositivos Legais: Lei n° 10.637/2002, 2002, art. 1º, caput e §§ 1° e 2°." (Grifos nossos) Neste mesmo sentido, o 2° Conselho de Contribuintes já se pronunciou sobre o rateio de despesas para empresas do mesmo grupo, conforme ementa de acórdão abaixo transcrita PIS. RESSARCIMENTO. RATEIO DE DESPESAS. EMPRESAS DO MESMO GRUPO. CONFIGURAÇÃO DE RECEITA. O critério utilizado para se realizar o rateio de despesas deve encontrar respaldo em razões econômicas, preservando a proporcionalidade dos valores pagos pelas empresas envolvidas. As pessoas jurídicas devem pertencer ao mesmo grupo econômico e, sobretudo, a empresa que assumiu a despesa relativa a terceiros não pode ter como objeto social o exercício da atividade causadora do dispêndio. Não se insere dentre as características da sociedade anônima o intuito raio lucrativo, razão pela qual a atividade fim é sempre onerosa, ao contrário da atividademeio, onde o traço marcante é a cooperação, em havendo interesse do grupo de sociedades, centralizada em uma mesma empresa", (Acórdão n° 20309723 — Data da Sessão: 11/08/2004} Em suma, os valores recebidos por empresa centralizadora em virtude de atividades prestadas, ou melhor, desenvolvidas pelos seus funcionários, a outras empresas do mesmo grupo, sendo estas relacionadas à realização de seu objeto social, caracterizamse como receitas operacionais, tendo em vista que são oriundas do exercício das atividades empresariais. 4. Dos FATOS Conforme Demonstrações Contábeis publicadas no Diário Oficial em 25 de março de 2009 (fls. 06), a fiscalizada recebeu valores em virtude de Rateio de Custos Comuns do Banco baú na ordem de R$ 1.323.772 (Um bilhão, trezentos e vinte três milhões, setecentos e dois mil reais) no ano de 2007 e R$ 2.077.986 (Dois bilhões, setenta e sete milhões, novecentos e oitenta e seis mil reais) no ano de 2008. O ltaú Unibanco SA foi intimado a apresentar o detalhamento dos valores, indicando a conta contábil utilizada no lançamento. O contribuinte informa que a formalização do rateio se dá por meio de instrumento contratual, o Convênio de Rateio de Custos Comuns, e encaminha Demonstração do Resultado Analítico (fls. 36 a 40), detalhando os lançamentos contábeis realizados na conta COSIF 8.1.7.33.004 Despesa de Pessoal/Proventos Convênio de Rateio de Custo Comum, com subcontas internas referentes a cada convênio firmado com empresas do grupo. No mesmo documento informa que há diferença de valor entre o publicado em notas explicativas e o valor contábil escriturado, sendo correto o valor contábil apresentado (fls. 27). Conforme previsto no COSIF, a conta 8.1.7.33.004 tem como função registrar o valor dos proventos de pessoal efetivamente utilizado na execução dos serviços da instituição, que constituam custo efetivo no período. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.721361/201110 Acórdão n.º 3402001.912 S3C4T2 Fl. 6 9 Intimado a esclarecer se toda verba rateada referiase a despesas com pessoal, o mesmo informa às fls. 45, que o valor rateado compreende diversos custos das atividades compartilhadas, dentre eles os referentes a recursos humanos e materiais. Explica, ainda, que a razão dos valores recebidos a titulo do Convênio de Rateio de Custos Comuns serem contabilizados a crédito da conta de despesa de pessoal é o de que, sob o ponto de vista operacional, seria a única conta contábil do COSIF capaz de suportar tais registros. Informa, ainda, que os valores são calculados por um sistema de custeio onde os custos (diretos e indiretos) são agrupados por atividade. Transcrevemos, abaixo, parte dos esclarecimentos prestados peta fiscalizada acerca do sistema de custeio (fls.44/45): "Com base nas informações geradas por esse Sistema de Custeio, as atividades são agrupadas de forma a gerar relatórios gerenciar que auxiliam o corpo executivo na condução dos negócios do conglomerado Itaú Unibanco. [...] Para a geração desses relatórios são utilizados diversos sistemas, entre os quais podemos citar o Sistema C7 — Sistema de Gestão de Custos, que consolida as informações para alocação das despesas das diversas empresas do conglomerado e que acumula mais de 7 milhões de lançamentos, o sistema SAS — Custo de Produto que efetua os cálculos de alocação de custos das atividades às transações de Produtos e respectivos Canais de Comercialização e o Sistema G 1 Gestão de Operações, que processa as informações de volumetria por cliente e as transações de produtos, as quais servem de insueto para todos estes cálculos. O Sistema de custeio, que é um dos mais complexos e completos do processo de geração de informação, é base para extração de informações sobre quais atividades e o quanto dessas atividades são realizadas de forma compartilhada com outras empresas do Conglomerado, sendo possível mensurar e apurar os valores a serem ressarcidos a titulo do convênio de Rateio de Custos Comuns. f.. } No sistema de custeio o foco da informarão é o custo gerado por cada atividade desenvolvida ou realizada e como combinar tais atividades de modo a gerar a informação (relatórios gerenciais acima descritos) necessária para condução dos negócios do conglomerado." Por fim, apresenta relatório produzido com informações provenientes dos sistemas C7, SAS, G 1, bem como outros sistemas, com o detalhamento mensal dos custos às fls. 57/58. O relatório segrega os valores mensais por origem de custo, a qual a fiscalizada denomina de área de auditoria, área de crédito ao consumidor, caixas eletrônicos, etc. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 A diferença de valor entre o relatório do sistema de custeio, citado no parágrafo anterior, e o valor contabilizado às fls. 37 e 39, segundo esclarecimentos do contribuinte às fls. 45, ocorre devido a sistemática de apuração e liquidação adotados contratualmente. A liquidação financeira ocorre mensalmente a cada dia 27 em valor provisório. O valor pago provisoriamente e o efetivamente apurado no mês de referência são acertados no mês subseqüente. Diante disto, quando da apuração da base de cálculo das contribuições demonstrada nas planilhas de fls. 215 a 218, o devido acerto do "provisório x contabilizado" também foi efetuado na devida proporção. Considerando a necessidade de identificação da natureza da despesa, o contribuinte foi orientado a informar a composição dos valores de cada área. Atendendo a solicitação, o mesmo apresenta planilha indicando as principais funções e atividades desenvolvidas pelo Itaú Unibanco SA (fls. 61/62 e 129) em cada área. Com relação aos Convênios de Rateio de Custos Comuns, a fiscalizada apresenta documentação referente a quatro empresas (fls. 76/77 e 123 a 128), esclarecendo que o teor do contrato para demais indicadas nas subcontas internas da conta COSIF 8.1.7.33.004 é idêntico, obedecendo o modelo previsto em documento interno do Banco a Circular Normativa Permanente HF26 de fls. 78 a 84. O contribuinte declara, em sua resposta às fls. 136, que as atividades desenvolvidas foram prestadas por funcionários do Itaú Unibanco SA e também por terceiros, apresentando às fls. 138/139 e 143/144, relatório detalhado, onde segrega valores referentes a recursos humanos, materiais e serviços prestados por terceiros. Intimado a informar se os recursos de materiais indicados em suas planilhas se correlacionavam com as atividades de recursos humanos, sendo seu emprego indispensável ou utilizado na realização destas, o contribuinte informa às fls. 149 que os mesmos são intrínsecos às atividades prestadas pelos funcionários do Itaú Unibanco SA. O contribuinte alega às fls. 66 que não há prestação de serviço, e, por isso, os valores recebidos em virtude do uso compartilhado da estrutura comum não foram integrados à base de cálculo da Cofins e do Pis. Acrescenta, ainda, que pelo mesmo motivo, também não há emissão de nota fiscal ou nota de débito pelos serviços prestados. No entanto, conforme podemos observar nas planilhas de 138/139 e 143/144, as principais funções desenvolvidas são o desenvolvimento, operação e gestão: de produtos ofertados, dos canais de vendas, de títulos e valores mobiliários. Nas atividades prestadas constam: controle de carteira, controle de crédito e cobrança, suporte a clientes, suporte operacional/jurídico. Ou seja, todas essas, atividades intrínsecas a um banco comercial, o que caracteriza, desta forma, a prestação de serviços pelo Itaú Unibanco SA às demais empresas do grupo. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.721361/201110 Acórdão n.º 3402001.912 S3C4T2 Fl. 7 11 Resta claro que houve a utilização efetiva de funcionários e da estrutura operacional do ltaú Unibanco S.A no desenvolvimento das diversas atividades, utilizandose da força de trabalho, equipamentos e materiais para prestação do serviço ou que para que algum dos serviços necessários às atividades das empresas de seu conglomerado fosse colocado à disposição delas. Logo, as atividades descritas pela fiscalizada, cujo custo foi rateado com as demais empresas do conglomerado, são, na verdade, atividades executadas pelo Itaú Unibanco SA em favor das empresas do grupo. 5. DAS INFRAÇÕES APURADAS 5.1 FALTA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO DO PIS E DA COFINS Conforme detalhado no item 4, a atividade prestada pela fiscalizada configurase em prestação de serviços às demais empresas do conglomerado, de modo que o resultado dessa prestação deve fazer parte da receita bruta do contribuinte, com implicação no valor devido da Contribuição para o P1S/Pasep e da Cofins, tributos cuja base de cálculo é o total do faturamento. Diante disto, lançamos de oficio o crédito tributário nos meses e valores constantes nas planilhas de fls. 215 a 218. Salientamos que os valores ressarcidos que tiveram origem em despesas com contratação de terceiros foram expurgados da apuração, tendo sido considerado somente as atividades em que houve a utilização efetiva de funcionários e da estrutura operacional do Itaú Unibano SA. 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do acima exposto, lavramos os autos de infração de PIS e COFINS. Fazem parte da fundamentação jurídica do lançamento tributário todos os elementos citados neste Termo de Verificação e no Auto de Infração anexo. O presente TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL será parte integrante dos autos de infração: PIS e COFINS. A presente fiscalização restringiuse ao roteiro determinado no MPF n° 08166002011.000639 com bases nas normas de fiscalizações aprovadas pela Coordenação Geral de Sistema de Fiscalização, observada a legislação pertinente. As apurações foram efetivadas à vista dos elementos de aferição de que pudemos dispor. Fica ressalvado o direito de a Fazenda Nacional proceder a ulteriores verificações, e cobrar o que devido for, mediante a execução de programas com objetivos diversos, ou mesmo que relacionados ao programa aqui mencionado, em decorrência de fatos e circunstâncias não Fl. 396DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 12 conhecidas nesta oportunidade, permitindo continuidade da ação fiscal, inclusive sobre o exercício ora fiscalizado. Não constituindo, desta forma, atestado de inexistência de outras ou infrações materiais ou formais à legislação tributária, certidão de idoneidade no cumprimento de obrigações tributárias principais ou acessórias, prova da quitação de débitos tributários ou qualquer atestado que possa eximir o contribuinte de suas responsabilidades fiscais.” Reconhecendo expressamente que as impugnações oportunamente apresentadas atendiam aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) da 10ª Turma da DRJ de São Paulo SP, houve por bem manter os lançamentos originais de Contribuições de COFINS e de PIS, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. RATEIO DE DESPESAS. EMPRESAS LIGADAS. Os valores recebidos de empresas ligadas em virtude do uso compartilhado de serviços operacionais e administrativos representam receitas de serviços e integram a base de cálculo da COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 BASE DE CÁLCULO. RATEIO DE DESPESAS. EMPRESAS LIGADAS. Os valores recebidos de empresas ligadas em virtude do uso compartilhado de serviços operacionais e administrativos representam receitas de serviços e integram a base de cálculo da contribuição ao PIS. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentado, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da r. decisão e dos lançamentos por ela mantidos, tendo em vista: a) preliminarmente a nulidade da decisão de 1ª instancia que, julgando indiferente tratarse de Fl. 397DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.721361/201110 Acórdão n.º 3402001.912 S3C4T2 Fl. 8 13 atividade fim teria se afastado da fundamentação do lançamento, desconsiderando a prova de que os serviços rateados não são atividade fim da Recorrente; b) no mérito argumenta que o rateio de custos não é prestação de serviços, mas sim recuperação de custos ou despesas que não resulta da exploração de atividade correspondente ao seu objeto social e, portanto não configura receita tributável pelas contribuições; c) que o prestador de serviços explora seu objeto social, o que inocorre no rateio de estrutura comum, no qual as conveniadas partilham o custo de atividades que são insumos para a exploração do objeto social de cada uma delas, razão pela qual em contratos de compartilhamento de custos e despesas, pelos quais não se remunera atividade econômica através de preço ou faturamento, mas apenas se ressarcem ou reembolsam custos e despesas incorridos, sem qualquer adição de margem de lucro; d) que os serviços de contabilidade, o jurídico, a auditoria, as áreas de controles, de processamento etc. são meios e não fins na atividade bancária enquanto a atividade bancária é que é a atividade fim dos bancos; e) que se o rateio de custos comuns, como visto, é mero ressarcimento, não configurando receita da sociedade, os valores recebidos a esse título não devem compor a base de cálculo das contribuições que corresponde ao faturamento, assim entendido como a receita bruta da pessoa jurídica; f) o Fisco não poderá exigir juros de mora sobre o valor da multa de oficio, os quais foram mantidos pelo acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade nos termos da legislação de regência indicada na r. decisão recorrida, razão pela qual dele conheço, e no mérito, merece provimento. No que toca à matéria fática a r. decisão recorrida expressamente consigna que: “No caso sob análise, a impugnante desenvolveu um sistema de apuração, custeamento e rateio de despesas que permite a alocação e recuperação dessas despesas junto às empresas do mesmo grupo econômico, sem a emissão de notas fiscais ou de notas de débito dos valores correspondentes. As despesas mencionadas são assumidas pela impugnante (empresa centralizadora), que contrata os empregados, os serviços e disponibiliza a estrutura material, compartilhando o uso destes com as demais empresas ligadas, prestandolhes, assim, um serviço. O rateio de custos foi formalizado por meio de Convênios de Rateio de Custos Comuns celebrados entre a impugnante e outras empresas do grupo, conforme modelo anexo à Circular Normativa Permanente HF26 (fls. 78 a 84). Esses convênios previam o rateio de custos relativos à estrutura material e de pessoal nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos Fl. 398DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 14 operacionais (sistema de computadores) e recursos humanos. Às fls. 61 e 62 encontrase o detalhamento das atividades abrangidas pelos convênios de rateio de custos comuns.” Da mesma forma, depois de reconhecer expressamente que “as despesas comuns resultantes de atividades desenvolvidas por empresa controladora em favor de outras empresas do mesmo grupo econômico podem ser rateadas em relação estas empresas, a r. decisão recorrida entende que os valores recebidos pela empresa controladora (Recorrente) não configurariam mero ressarcimento, mas sim receita decorrente da prestação de serviços, razão pela qual deveriam ser por ela considerados receita para fim de incidência do PIS e da COFINS, para tanto baseandose em opinião doutrinária segundo a qual “o valor da operação deve ser escriturado como receita operacional, com incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, assim como do ISS, e não como recuperação de despesas e custos.” (cf. Hiromi Higuchi e Celso Hiroyuki Higuchi in Imposto de Renda das Empresas: interpretação e prática: atualizado até 20012002, 27 ed, Atlas, 2002, p. 748) Não obstante respeitável, o d. entendimento data vênia não merece subsistir, seja pela impossibilidade de caracterização da cooperação de atividades no interesse do mesmo grupo de sociedades como serviço tributável pelo ISS, seja pela impossibilidade de caracterização do reembolso de despesas compartidas como faturamento ou receita tributável pelas contribuições do PIS e da COFINS. Realmente como é elementarmente sabido e já assentou a Jurisprudência Judicial, “o conceito de serviço tributável, empregado pela CF para discriminar (identificar, demarcar) a esfera de competência dos Municípios, é um conceito de Direito Privado”(cf. AC. da 1ª Turma do STJ no REsp 838968SC, Reg. nº 2006/00687109, em sessão de 06/09/2007, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 15/10/07 p. 235), cuja definição, conteúdo e alcance não pode ser alterado pela lei tributária (art. 110 do CTN), vez que a lei civil define prestação de serviços como “toda a espécie de serviço ou trabalho lícito, material ou imaterial”, “contratado mediante retribuição” para execução de certa e determinada obra ou serviço, que seja prestado por quem possua título de habilitação, ou satisfaça requisitos outros estabelecidos em lei, e não estiver sujeito às leis trabalhistas ou a lei especial (cf. arts. 593 a 604 Código Civil Lei nº 10.406/02). Dos preceitos expostos extraise que o núcleo da materialidade da hipótese de incidência do imposto Municipal sobre serviços reside no fato de pessoa física ou jurídica (que possua título de habilitação, ou satisfaça requisitos outros estabelecidos em lei), prestar serviço (material ou imaterial) a terceiro (destinatário final do serviço integrante do mercado de consumo) mediante remuneração, em regime de Direito Privado e não trabalhista, que sempre se consubstancia numa obrigação de fazer, seja sob a forma de locação de serviços stricto sensu (locatio operarum), seja sob a forma de empreitada (locacio operis faciendi). Ao interpretar o cerne da materialidade da hipótese de incidência do ISS Roque Antonio Carrazza com a costumeira proficiência recentemente esclareceu que: “O serviço sobre o qual póde incidir o imposto em exame é o colocado in comercium (no mundo dos negócio) sendo submetido, em sua prestação, ao regime de Direito Privado, que se caracteriza pela autonomia das vontades e pela igualdade das partes contratantes. (cf. in “Reflexões sobre a Obrigação Tributárria” Ed. Noeses, 2010, pág. 109) Nessa ordem de idéias a Jurisprudência já proclamou que “o ISS (...) não incide nos serviços prestados gratuitamente pelas empresas sem qualquer vinculação com a formação de um contrato bilateral” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 234498RJ, REg. nº 199900931238, em sessão de 16/05/00, publ. in DJU de 19/06/00, pág. 116 e in LEXSTJ Fl. 399DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.721361/201110 Acórdão n.º 3402001.912 S3C4T2 Fl. 9 15 vol. 135, pág. 208 e in RDDT vol. 60, pág. 180). Na mesma linha, partindo do conceito de empresa definido no Código Civil (art. 966), a Jurisprudência conclui que: “por exercício profissional da atividade econômica, elemento que integra o núcleo do conceito de empresa, há que se entender a exploração de atividade com finalidade lucrativa”, razão pela qual a “associação civil, que não explora de fato qualquer atividade econômica, visto que desprovida de intento lucrativo”, não é contribuinte do ISS (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 623367RJ, Reg. nº 2004/00064003, em sessão de 15/06/04, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, publ. in DJU de 09/08/04 p. 245). Assim, desde logo constatase que, ao contrário do que sustenta a r. decisão recorrida, a execução de serviços compartilhados (nas áreas de auditoria, consultoria jurídica e contencioso judicial, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais de sistema de computadores e recursos humanos) prestados (inhouse ou intragrupo) pela controladora exclusivamente às empresas controladas do mesmo grupo empresarial, por não ter finalidade lucrativa e não se inserir no objeto social da controladora, nem no objeto de seu comercium posto que esta carece de habilitação para sua prestação a terceiros alheios ao grupo empresarial (registros da controladora na OAB, CRC, CRA, etc) , efetivamente não se insere no núcleo da materialidade da hipótese de incidência do imposto Municipal sobre serviços. Relativamente às contribuições do PIS e da COFINS verificase que ao estabelecer a norma padrão de incidência das contribuições sociais, a Constituição em seu artigo 195, inc. I, na redação da Emenda Constitucional nº 20/98, expressamente autorizou a instituição de contribuições sociais a cargo da empresa e incidentes sobre “a receita e ou o faturamento”, sendo certo a contribuição social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS foi instituída já na vigência da atual Constituição, através da Lei Complementar nº 70/91, originalmente incidente sobre o faturamento e atualmente abrangendo outras receitas. Como é elementarmente sabido e ensina Roque Carrazza: “o tipo tributário é revelado, no Brasil, após a análise conjunta da hipótese de incidência e da base de cálculo da exação. Assim, a Lei das Leis, ao discriminar as competências tributárias das várias pessoas políticas, estabeleceu, igualmente, as bases de cálculo ‘in abstracto’ possíveis dos vários tributos federais, estaduais, municipais e distritais. (...) a base de cálculo e a hipótese de incidência de todo e qualquer tributo devem guardar sempre uma relação de inerência. Em suma, a base de cálculo há de ser, em qualquer tributo (...), uma medida da materialidade da hipótese de incidência tributária.” (cf. Roque Antonio Carrazza in “Curso de Direito Constitucional Tributário” 22ª Ed. revista, ampliada e atualizada até a Ec nº 52/2006, Malheiros Ed., 2006, nota 20 pág. 483) A expressão “faturamento”, utilizada na norma padrão de incidência do texto constitucional, já estaria de plano a evidenciar a não incidência das referidas contribuições sobre as verbas recebidas a título de reembolso ou ressarcimento, eis que, consubstanciando ingressos resultantes da venda de bens e serviços na exploração das atividades institucionais inseridas no objeto social da pessoa jurídica, o faturamento da instituição financeira obviamente não se confunde nem poderia abranger os ingressos decorrentes da justa reposição do patrimônio reduzido ou diminuído em razão de gastos efetivados em proveito da controlada. Já por não se inserir no conceito de serviço tributável pelo Imposto sobre Serviços ISS, é evidente que o reembolso ou ressarcimento pelos referidos serviços efetivados pelas controladas à controladora sem qualquer margem de lucro (Markup), obviamente não Fl. 400DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 16 pode ser conceituado como faturamento da controladora e, portanto também não se insere na sua receita bruta decorrente da exploração da venda de serviços nas referidas áreas (de auditoria, consultoria jurídica e contencioso judicial, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais de sistema de computadores e recursos humanos) que, por se encontrarem fora do objeto de suas atividades institucionais (atividadefim) da controladora, não poderiam ser por ela exploradas comercialmente. Da mesma forma, relativamente ao conceito de receita tributável, no intento de esclarecer o conteúdo da regramatriz incidência das contribuições do PIS e da COFINS, solidamente apoiado na Doutrina norteamericana, Douglas Yamashita elenca quatro acepções possíveis de receita sob o aspecto contábil, a saber: a) receita vista como “produto da empresa”; b) receita como “produto da empresa transferido aos seus clientes (fluxo de saída)”; c) receita como “entrada de ativos na empresa (fluxo de entrada)”; e d) receita como “aumento bruto de ativos (patrimônio)”, para concluir que: “Independentemente de qual destas acepções o legislador infraconstitucional possa adotar, fato é que, seja como produto da empresa e seja como aumento bruto de ativos (patrimônio) da empresa, todo ativo que não resulta da empresa ou não aumenta o patrimônio, está fora das fronteiras semânticas do arquétipo constitucional de receita e não pode ser definido pelo legislador infraconstitucional como receita”. (cf. Douglas Yamashita, em artigo intitulado “COFINS e PIS: revogação da exclusão de valores transferidos para outra pessoa jurídica” publ. in Repertório IOB de Jurisprudência nº 13/2000, E/14913, pág. 325. Ora, o reembolso ou ressarcimento efetivados pelas controladas à controladora sem qualquer margem de lucro (Markup), nada acrescentam ao patrimônio da controladora, mas se destinam à justa reposição de seu patrimônio, reduzido ou diminuído em razão de gastos efetivados em proveito da controlada, e que portanto comportam restituição, donde resulta que as importâncias a esses títulos recebidas (reembolso ou ressarcimento), se encontram fora das fronteiras semânticas do arquétipo constitucional de receita. Nesse sentido, a Jurisprudência desta Corte Administrativa tem reiteradamente proclamado que as parcelas relativas à recuperação de créditos de IPI e ICMS registrados extemporaneamente não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, e portanto não integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2000 a 31/08/2000 Ementa: BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO DO ICMS. O valor do ICMS registrado extemporaneamente não representa entrada de receita e não integra a base de cálculo do PIS. (...) Recurso provido em parte. (cf. ACÓRDÃO nº 20179494, Rec. nº 122665, Proc. nº 10940.000811/200133, em sessão de 27/07/06, Rel. Cons. Walber José da Silva, publ. in D.O.U. de 14/08/2007, Seção 1, pág. 288,) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/09/1998 a 31/12/2002 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.721361/201110 Acórdão n.º 3402001.912 S3C4T2 Fl. 10 17 “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 28/02/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/09/1998 a 31/12/2002 (...) CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98 DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas à redução de custos e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Recurso provido.” (cf. ACÓRDÃO nº 20218396 da 2ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 139098, Proc. nº 13973.000401/200365, em sessão de 18/10/07, Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa, publ. in D.O.U. de 07/03/2008, Seção 1, pág. 29) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 (...) BASE DE CÁLCULO. ICMS. CESSÃO DE CRÉDITO. As cessões onerosas e outras operações semelhantes envolvendo créditos de ICMS, por representarem mera mutação patrimonial, não integram a base de cálculo da contribuição. Recurso provido em parte.” (cf. ACÓRDÃO nº 20180864 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 142593, Proc. nº 13609.000792/200457, em sessão de 13/12/07, Rel. Cons. José Antonio Francisco, publ. in D.O.U. de 23/04/2008, Seção 1, pág. 45) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1999 a 31/07/2003 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS. Não há incidência de PIS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. (...) Recurso provido em parte. (cf. ACÓRDÃO nº 20180785 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 131895, Proc. nº 10825.001520/200341, Fl. 402DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 18 em sessão de 11/12/07, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, publ. in D.O.U. de 23/04/2008, Seção 1, pág. 41), “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 Ementa: COFINS. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE COFINS. Não há incidência de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. Recurso provido.” (cf. ACÓRDÃO nº 20180505 da 1ª Câm. do 2º CC, Rec. nº 138254, Proc. nº 13005.000506/200533, em sessão de 15/08/07, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, publ. in D.O.U. de 08/01/2008, Seção 1, pág. 22)” Na mesma linha, no caso específico desses autos a Jurisprudência do antigo 1º CC já assentou que “o ressarcimento da parcela da despesarateada, por outra empresa do mesmo grupo empresarial, não representa receita para a empresa que suportou inicialmente todo o custeio, mas mero estorno daquele custo”, como se Poe ver da seguinte ementa: “IRPJ — RESSARCIMENTO — RATEIO DE DESPESAS — EMPRESAS DO MESMO GRUPO — NÃO CONFIGURAÇÃO DE RECEITA —LUCRO DA EXPLORAÇÃO — O ressarcimento da parcela da despesarateada, por outra empresa do mesmo grupo empresarial, não representa receita para a empresa que suportou inicialmente todo o custeio, mas mero estorno daquele custo. Esse entendimento, no cálculo do lucro da exploração, não permite reconhecer o ressarcimento pela empresa industrial, relativo à alimentação de funcionários, como receita de atividade não operacional. Recurso provido. (cf. Acórdão n° 10806.604, da 8ª Câm. do 1º CC, Rec. nº 126.155, Proc. nº 11924.002315/0004, em sessão de 26/07/01, Rel. Cons. Jose Henrique Longo) Assim, seja porque a execução e o compartilhamento dos serviços (nas áreas de auditoria, consultoria jurídica e contencioso judicial, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais de sistema de computadores e recursos humanos) prestados (inhouse ou intragrupo) pela controladora exclusivamente às empresas controladas do mesmo grupo empresarial, não se inserem no conceito de serviço tributável pelo ISS, seja porque o reembolso ou ressarcimento pelos referidos serviços pelas controladas à controladora sem qualquer margem de lucro, não podem ser conceituados como faturamento ou receita tributável pelo PIS e pela COFINS, posto que não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, concluise que referidos valores não integram a base de cálculo da COFINS. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para julgar improcedente o lançamento da COFINS, multa e juros consubstanciados nos Autos de Infração inicialmente referenciados, e incidentes sobre as o reembolso ou ressarcimento por serviços prestados pela controladora em razão de compartilhamento de despesas que, por não representarem entradas de receitas novas, não integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS, tal como pacificamente reconhecido pela Doutrina e Jurisprudência retro mencionadas. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.721361/201110 Acórdão n.º 3402001.912 S3C4T2 Fl. 11 19 É como voto. Sala das Sessões, em 27 de setembro de 2012. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 404DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 09/10/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 14041.000155/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2402-000.286
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: Não se aplica
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Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 15 5/ 20 09 -1 1 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 14041.000155/200911 Resolução nº 2402000.286 S2C4T2 Fl. 106 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrada em 18/02/2009, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição dos segurados, no período de 01/03/1996 a 31/12/1996. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 27/35), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 41/70) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DF, ao analisar o presente caso (fls. 74/85), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário; e (viii) ao final deve ser comparada a multa aplicada com a prevista na Lei nº 11.941/2009 para verificar qual é a mais benéfica. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 88/98) argumentando que: (i) o prazo decadencial contase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 14041.000155/200911 Resolução nº 2402000.286 S2C4T2 Fl. 107 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente. Isto porque, uma dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à possível decadência do crédito tributário, levando em consideração o prazo previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Para que a contagem do prazo decadencial possa ser devidamente realizada, é mister que se tenha devidamente definido no processo qual a data em que o contribuinte foi notificado da decisão que anulou o lançamento anterior. No entanto, até o presente momento, tal data não foi devidamente comprovada. De acordo com o item 2 do Relatório Fiscal, a data da ciência da decisão que anulou o lançamento anterior teria ocorrido a partir de 18/02/2004, posto que esta data se refere à data da carta encaminhada pelo INSS à empresa, e não à efetiva data que esta obteve a ciência. “2. Cumpre observar que a ciência à Via Engenharia S.A da anulação das NFLDs mencionadas ocorreu a partir de 18/02/2004 (data da carta encaminhada pelo INSS/Serviço de Or. Gerenciamento de Recuperação de Créditos).” – destacouse Assim, é mister que o processo baixe em diligência para que a autoridade competente junte no processo cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Requerse também que a carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 do Relatório Fiscal, seja anexada ao processo. Caso a preliminar de decadência seja superada após a análise dos documentos apresentados pela fiscalização, poderá ser necessário analisar também o teor das notificações anuladas. Assim, fazse oportuno requerer a juntada de cópia integral das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em síntese, requerse: (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. Após, deve ser dada vista ao contribuinte para que essa possa se manifestar acerca da diligência realizada, no prazo de 30 dias. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10469.903666/2009-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
Ementa:
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausentes os conselheiros: Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 Ementa: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausentes os conselheiros: Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
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PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 36 66 /2 00 9- 14 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausentes os conselheiros: Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.25) que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação –DCOMP de fls. 17/21, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua responsabilidade. 0 crédito informado, no valor de R$ 2.368,70, seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto apurado no 1° trimestre do ano calendário 2001. 2. Através do despacho de fl. 01, emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal – DRF em Natal identificou integral utilização anterior do pagamento para quitação de débito do IRPJ, em face do que não homologou a compensação declarada. 3. A interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 03/07), alegando, em síntese, que apurou o imposto a pagar com o percentual de presunção de 32%, enquanto o correto seria de 8%. Diz que quando realizou as compensações já não havia tempo hábil para retificar a DCTF, aduzindo que tal retificação constitui obrigação acessória que não interfere na existência do crédito. Requereu a retificação de oficio e a homologação da compensação. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1135.918, de 18 de janeiro de 2012 (fls.24/26), cientificado ao interessado em 22/03/2012. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.24): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903666/200914 Acórdão n.º 1802001.544 S1TE02 Fl. 3 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 20/04/2012. Eis a defesa da Recorrente: ... II. Os fundamentos jurídicos que embasam a pretensão da recorrente Houve a constatação de erro material na elaboração da DCTF objeto da compensação tributária, nada obstante, os créditos objeto da compensação administrativa de fato existem e referem se a pagamentos de PIS e COFINS feitos por força da Lei n° 9.715/98. O valor pago foi feito sem observação decisão do STF (ADI n° 14170) que julgou inconstitucional o art. 18 da referida Lei, decisão com efeitos erga omnes e retroativos, gerando, assim crédito perante a União. E sendo portanto, um direito liquido e certo. Dessa forma, os créditos existem porque os tributos foram pagos, a maior e poderiam, por consequência, ser utilizados para posteriores compensações. Ademais, quando a requerente realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTF's e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Como se registrou, não há controvérsia quanto à idoneidade do direito de crédito tributário recolhido a maior pelo contribuinte. Ainda persistindo erro na escrituração das obrigações acessória relativo à referida compensação tributária deve o fisco conforme autoriza Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002 e Instrução Normativa SRF n° 323, de 24 de abril de 2003, proceder com a compensação de ofício. A referida norma jurídica tem por razoabilidade justamente concretizar ao contribuinte os valores de Justiça Fiscal, da capacidade contributiva e do direito de propriedade, diante do rebuscado sistema normativo fiscal e da ausência de clareza e excesso burocrático nos trâmites de compensação disciplinado pela SRF. O pagamento a maior realizado pelo contribuinte impede que o fisco se aproprie da quantia monetária que não lhe pertence em face da extrapolação dos limites da competência tributária, impondo ao fisco proceder com a devolução ou a compensação com outros créditos tributários devidos pelo contribuinte. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 A administração pública está obrigada a agir de ofício quando constatado equívoco e pagamento a maior realizado pelo contribuinte e em face de manifestação sua pleiteando a devolução do pagamento indevido que pode ser deferido, seja por restituição seja por compensação com débito indicados pelo contribuinte ou de ofício pela administração pública, em face do princípio da instrumentalidade das formas, reconhecendose assim, a intenção do contribuinte que é a de obter a devolução compensação daquilo que pagou a maior. III. Pedido Diante do exposto, requer seja recebido o presente recurso voluntário, de modo que seja conhecido e dado provimento para reformar a decisão administrativa de primeira instância, julgando insubsistente a decisão administrativa de primeira instância reconhecendo o direito do contribuinte a ressarcimento do que pagou a maior pela via da compensação tributária de ofício. ... É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 25159.94522.300106.1.3.042291 (fls.17/21), transmitido em 30/01/2006, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL: R$ 1.561,36, código 2372, relativo ao 4º trimestre de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089; Período de Apuração: 30/03/2001; Vencimento: 30/04/2001, Valor: R$ 3.272,59). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.01, emitido em 25/05/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 02/07/2009(fls.03/07), foi no sentido de que apurou o IRPJ a pagar com o percentual de presunção de 32%, enquanto o correto seria de 8%. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 11 35.918, de 18 de janeiro de 2012 (fls.24/26), mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de Fl. 41DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903666/200914 Acórdão n.º 1802001.544 S1TE02 Fl. 4 5 crédito (IRPJ, código 2089) foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Em sede recursal, a Recorrente diz que houve a constatação de erro material na elaboração da DCTF objeto da compensação tributária, nada obstante, os créditos objeto da compensação administrativa de fato existem e referemse a pagamentos de PIS e Cofins feitos por força da Lei n° 9.715/98. Aduz que o valor pago foi feito sem observação da decisão do STF (ADI n° 14170) que julgou inconstitucional o art. 18 da referida Lei, decisão com efeitos erga omnes e retroativos, gerando, assim crédito perante a União. E sendo portanto, um direito liquido e certo.”Dessa forma, os créditos existem porque os tributos foram pagos, a maior e poderiam, por consequência, ser utilizados para posteriores compensações”. A defesa não pode prosperar, pois, como explicado acima, nos presentes autos se discute a compensação de débitos, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089; Período de Apuração: 30/03/2001; Vencimento: 30/04/2001, Valor: R$ 3.272,59). Em sede recursal, a Recorrente se reporta a suposto crédito relativo a PIS e Cofins, portanto, distinto do constante no PER/DCOMP em comento, o que por si só já desqualifica o objeto do Recurso por se tratar de matéria estranha aos presentes autos. A Recorrente argúi que a administração pública está obrigada a agir de ofício quando constatado equívoco e pagamento a maior realizado pelo contribuinte e em face de manifestação sua pleiteando a devolução do pagamento indevido que pode ser deferido, seja por restituição seja por compensação com débito indicados pelo contribuinte ou de ofício pela administração pública, em face do princípio da instrumentalidade das formas, reconhecendose assim, a intenção do contribuinte que é a de obter a devolução compensação daquilo que pagou a maior. Diz que, quando realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 1.561,36, adotando a via do PERDCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ relativo ao 1º trimestre do ano calendário de 2001. Já em sede recursal referese a suposto crédito de PIS e Cofins, sem referencia a qualquer período de apuração. Portanto, matéria estranha ao processo. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito, seja a título de IRPJ, PIS ou Cofins . Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 30/01/2006, tomou ciência do despacho decisório expedido em 25/05/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 02/07/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903666/200914 Acórdão n.º 1802001.544 S1TE02 Fl. 5 7 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 25/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/ 02/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13864.000196/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004
OMISSÃO NA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELO FISCO. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO.
Ao deixar de apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados durante a ação fiscal, a empresa abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido.
FALTA DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE DO FISCO INDIVIDUALIZAR OS SEGURADOS. LANÇAMENTO PELO VALOR GLOBAL DAS REMUNERAÇÕES.
Não tendo o Fisco, por inércia do sujeito passivo, a possibilidade de individualizar os segurados, é cabível a apuração pelo valor global da remuneração.
NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DE PAGAMENTOS A SEGURADOS, OBTIDOS PELO FISCO MEDIANTE VERIFICAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO. CONTRADIÇÃO COM NORMAS DO IRPJ. INEXISTÊNCIA.
Não afeta o lançamento de contribuições sociais o fato de terem sido consideradas como salário-de-contribuição despesas com remuneração que possam vir a ser glosadas em fiscalização do IRPJ.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO NA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS SOLICITADOS PELO FISCO. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao deixar de apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados durante a ação fiscal, a empresa abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido. FALTA DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE DO FISCO INDIVIDUALIZAR OS SEGURADOS. LANÇAMENTO PELO VALOR GLOBAL DAS REMUNERAÇÕES. Não tendo o Fisco, por inércia do sujeito passivo, a possibilidade de individualizar os segurados, é cabível a apuração pelo valor global da remuneração. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DE PAGAMENTOS A SEGURADOS, OBTIDOS PELO FISCO MEDIANTE VERIFICAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO. CONTRADIÇÃO COM NORMAS DO IRPJ. INEXISTÊNCIA. Não afeta o lançamento de contribuições sociais o fato de terem sido consideradas como salário-de-contribuição despesas com remuneração que possam vir a ser glosadas em fiscalização do IRPJ. Recurso Voluntário Negado
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POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES MEDIANTE ARBITRAMENTO. Ao deixar de apresentar os documentos e esclarecimentos solicitados durante a ação fiscal, a empresa abre ao fisco a possibilidade de arbitrar o tributo devido. FALTA DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE DO FISCO INDIVIDUALIZAR OS SEGURADOS. LANÇAMENTO PELO VALOR GLOBAL DAS REMUNERAÇÕES. Não tendo o Fisco, por inércia do sujeito passivo, a possibilidade de individualizar os segurados, é cabível a apuração pelo valor global da remuneração. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DE PAGAMENTOS A SEGURADOS, OBTIDOS PELO FISCO MEDIANTE VERIFICAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO. CONTRADIÇÃO COM NORMAS DO IRPJ. INEXISTÊNCIA. Não afeta o lançamento de contribuições sociais o fato de terem sido consideradas como saláriodecontribuição despesas com remuneração que possam vir a ser glosadas em fiscalização do IRPJ. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 01 96 /2 00 9- 61 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13864.000196/200961 Acórdão n.º 2401002.763 S2C4T1 Fl. 148 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.057.3951, lavrado contra o sujeito passivo acima para exigência das contribuições dos segurados. De acordo com o relatório fiscal, os valores tomados como saláriode contribuição foram extraídos da conta contábil “512156 – DESP VIAGENS E REFEIÇÕES”. Afirmase que a empresa foi intimada a esclarecer a origem dos registros, tendo informado que se tratavam de pagamentos de despesas de viagens de sócios e diretores da empresa, bem como reembolso de despesas de caráter comercial, todavia, não apresentou os comprovantes dos referidos desembolsos. Assevera a Auditoria que, mediante análise da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, “ficha 04A – Custo dos Bens de Serviços Vendidos – PJ em Geral”, verificou que as referidas quantias tratavamse de despesas com empregados (junta demonstrativos). Concluiu o Fisco, que não tendo a empresa apresentado os comprovantes de despesas, tampouco os seus beneficiários, deveriam as quantias envolvidas serem tratadas como diárias de viagem excedentes a 50% da remuneração dos segurados e, portanto, integrantes do saláriodecontribuição. Foi aplicada a alíquota mínima em razão da falta de apresentação dos documentos comprobatórios das despesas. Cientificada do lançamento em 24/04/2009, a empresa ofertou impugnação, na qual, alegou que o Fisco, ao utilizarse de presunção para fazer incidir contribuições sobre parcelas insuscetíveis de tributação, feriu o princípio da legalidade. Afirma que a existência de despesas não comprovadas pode dar origem à glosa das mesmas, com lançamento de IRPJ e CSLL, jamais a incidência de contribuições previdenciárias. Sustenta que, se a Autoridade Fiscal não conseguii nominar os segurados que receberam a suposta remuneração, é porque não houve tais pagamentos. A autuada assevera que o Fisco não conseguiu demonstrar a ocorrência do fato gerador e estabeleceu uma inadmissível inversão do ônus da prova. A resposta à intimação, remetida em 24/03/2009, afirma, expressamente consigna que as despesas em tela foram para fazer face a viagens de sócios da empresa, o que foi ignorado. Mesmo que se admita a presunção ilegalmente construída pelo Fisco, sustenta que não haverá de incidir contribuições sobre as supostas diárias de viagem, uma vez que não restou comprovado que as mesmas ultrapassaram o patamar de 50% da remuneração dos segurados. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Advoga não ser possível tomar as despesas como base de cálculo de contribuições, uma vez que não se tem como individualizar os segurados e, por conseguinte, prestar as informações na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Não prosperando os lançamentos da obrigação principal, sustenta, devem também ser canceladas as multas por descumprimento de obrigação acessória, posto que todos os AI lavrados na ação fiscal guardam conexão. Posteriormente, a empresa atravessou petição requerendo, em complemento à sua impugnação oferecida nos autos do Processo n° 13864.000199/200902 (apensado), que a multa decorrente da falta de informação de fatos geradores em GFIP seja calculada conforme o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ em Campinas (SP) julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário (ver fls. 169/175 do processo n.º 13864.000195/200916). Entendeu o órgão de primeira instância ser cabível a presunção da ocorrência do fato gerador, uma vez que a empresa não comprovou a causa dos pagamentos, que foram efetuados a empregados e não a sócios, conforme verificação na DIRPJ. A DRJ asseverou que o fato de não ter havido a individualização dos segurados que receberam as parcelas em questão decorreu da falta de colaboração da empresa, não podendo o Fisco ficar, por essa razão, impedido de efetuar o lançamento. Afirma ainda a decisão a quo que não existe incompatibilidade em se glosar as despesas não comprovadas para fins de apuração do IRPJ e arbitrar os valores das contribuições previdenciárias, quando o sujeito passivo não apresenta a documentação relacionada ao pagamento de remunerações aos segurados. Por fim, asseverou a DRJ que a multa mais benéfica ao sujeito passivo deve ser verificada quando do pagamento, parcelamento ou inscrição do crédito em dívida ativa, conforme preconiza o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 14/2009. Inconformada a empresa interpôs recurso voluntário, no qual repete as alegações da defesa e pede: a) julgamento conjunto de todos os AI lavrados na mesma ação fiscal; b) declaração de improcedência dos lançamentos; c) o recalculo da multa para o AI relacionado à omissão de fatos geradores na GFIP para que seja aplicado o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13864.000196/200961 Acórdão n.º 2401002.763 S2C4T1 Fl. 149 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Reunião de processos para julgamento conjunto Estão sendo julgados nessa sessão de julgamento todos os outros processos lavrados na ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, quais sejam: a) AI n.º 13864.000195/200916 – exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social; b) AI n.º 13864.000197/200913 – exigência de contribuições destinados a outras entidades e fundos; c) AI n.º 13864.000198/200950 – aplicação de multa por descumprimento da obrigação de prestar esclarecimentos solicitados pelo Fisco; d) AI n.º 13864.000199/200902 – aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar os fatos geradores de todas as contribuições na GFIP. Arbitramento A principal alegação da empresa diz respeito a ilegal presunção da ocorrência do fato gerador. Para apreciação de questão, cabe inicialmente um breve resumo dos fatos transcorridos durante a ação fiscal. O Fisco, ao se deparar com lançamentos contábeis agrupados em uma conta que poderia vir a revelar a ocorrência de fatos geradores de contribuições, solicitou da empresa esclarecimentos sobre a origem das despesas abrigadas sob o título “512156 – DESP VIAGENS E REFEIÇÕES”. A autuada apresentou, fls. 58, a informação de que os desembolsos eram relacionados a despesas de viagens dos sócios e reembolsos de caráter comercial. Todavia, a Fiscalização, confrontando a contabilidade com a DIRPJ verificou que efetivamente se tratavam os pagamentos de repasses efetuados a empregados (ver demonstrativo de fl. 22). Ressaltese que o sujeito passivo em nenhum momento questionou essa evidência, tampouco apontou qualquer incorreção nas informações que autorizaram as conclusões da Autoridade Fiscal. Diante da constatação de que os pagamentos em tela foram direcionados a empregados, o Fisco requereu novamente os documentos comprobatórios das despesas, Fl. 151DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 todavia, a empresa não trouxe qualquer elemento acerca do solicitado. Essa conduta, inclusive ensejou a imposição de multa. Observase ainda que nem na defesa, tampouco no recurso, foram acostados quaisquer elementos que pudessem vir em socorro das alegações da empresa. Percebese assim que a falta de colaboração da empresa em apresentar os elementos necessários a reconstituição dos fatos geradores, obrigou o Fisco, posto que esse não dispunha de outros meios, a considerar como remuneração todos os valores constantes na “512156 – DESP VIAGENS E REFEIÇÕES” Tal procedimento é autorizado pela Lei n.º 8.212/1991, que no § 3.º do seu art. 33, prescreve: Art. 33 (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Essa é a norma que garante ao Fisco a possibilidade de apurar as contribuições nos casos em que a empresa abandona o dever do colaboração e se posiciona de forma a impossibilitar a pesquisa de fatos que poderiam dar ensejo à exigência do tributo. Nesse, ponto já podemos dizer que não se vislumbra no caso a presunção de fato gerador, posto que houve a prestação de serviço e pagamento aos empregados, os quais foram considerados remuneração pelo fato da empresa não ter apresentado os elementos que poderiam demonstrar que os desembolsos não estavam no campo de incidência das contribuições. Essa mesma situação ocorre quando o Fisco localiza na contabilidade pagamentos com indício de corresponderem a remuneração e a empresa, intimada, não apresenta papéis e esclarecimentos. Nesse casos, a jurisprudência do CARF tem se posicionado pela possibilidade do Fisco lançar as contribuições que entender devidas. Como se pode ver dos julgados abaixo transcritos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ementa: AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A importância paga, devida ou creditada aos segurados contribuintes individuais, sem comprovação de que se subsume a direitos autorais, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, III, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 Recurso Voluntário Negado. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13864.000196/200961 Acórdão n.º 2401002.763 S2C4T1 Fl. 150 7 (Acórdão 2302002.058; 2.ª Turma Ordinária da 3.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF; Rel Conselheira Liege Lacroix Thomasi; data da decisão 18/09/2012) Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ementa: PREVIDENCIÁRIO. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados e praticados. AFERIÇÃO INDIRETA A fiscalização previdenciária tem suporte legal para apurar as importâncias devidas por meio de arbitramento quando houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, constituindose em presunção legal relativa, cumprindo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. DA COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR as Súmulas n° 6 e 27 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF pacificaram a questão na forma respectivamente transcrita: “ É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” e “ É válido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.” DA ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA Em se tratando de lançamento de crédito apurado em decorrência de fraude, há que se aplicar a exceção prevista no § 4º do artigo 150 do Código Tributário NACIONAL CNT, contandose, assim, o prazo decadencial a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme artigo 173, I, também do Código Tributário Nacional. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigos 35, I, II, III da Lei 8.212/91. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar o artigo 35A, se mais benéfico ao contribuinte, na forma da Lei 11.941/2009 que revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 e lhe conferiu nova redação. Recurso Voluntário Provido em Parte. (grifos nossos) (Acórdão 2403001.308; 3.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF; Rel Conselheiro Ivacir Júlio de Souza; data da decisão 17/05/2012 ) Nesse mesmo sentido tem se inclinado a jurisprudência dos tribunais pátrios, como se pode evidenciar do julgado colhido do repertório da 2.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 5.ª Região, cuja relatoria coube ao Desembargador Francisco Wildo: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE MÃO DE OBRA DA CONSTRUÇÃO CIVIL. PRELIMINARES DE AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DA SENTENÇA E CERCEAMENTO DE DEFESA, REJEIÇÃO, DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. ART. 33, PARÁGRAFOS 3º E 4º DA LEI Nº 8.212/91. APLICAÇÃO. BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA. DESCABIMENTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS REDUÇÃO.1. Ainda que a sentença tenha sido omissa quanto ao pedido de gratuidade judiciária, não se mostra pertinente a sua anulação, por ofensa ao disposto no art. 93, IX da CF/88, uma vez que a questão foi devolvida ao Tribunal, incidindo a previsão do art. 515, parágrafo 1º do CPC.2. A não observância da regra contida no art. 431A, do CPC, de dar ciência às partes a respeito do local e data de realização da perícia, não importa, necessariamente, na nulidade desta, tendo em vista que a declaração de nulidade dos atos processuais depende da demonstração da existência de prejuízo à parte interessada. Precedentes do eg. STJ.3. In casu, o apelante não apontou o prejuízo decorrente do não atendimento da formalidade prevista no art. 431A do CPC, restando evidenciado, ademais, que o laudo pericial não pode ser utilizado como meio de prova, tendo em vista a demolição das edificações e benfeitorias existentes no imóvel, circunstância não refutada pelo embargante.4. Conforme precedente desta Turma, a contribuição previdenciária sobre construção civil tem como fato gerador a construção, demolição, reforma ou ampliação de edificação (AC 394214, Rel. Des. Fed. Paulo Gadelha, DJe 02/06/2010). De acordo com os elementos trazidos aos autos, e não devidamente elididos, a obra foi concluída em dezembro de 2002, enquanto a constituição do débito ocorreu em fevereiro de abril de 2006, quando houve a notificação do executado por edital, restando afastada a alegada decadência.5. Não tendo a empresa apresentado à fiscalização do INSS os documentos referentes à construção do empreendimento imobiliário de sua propriedade, que pudessem servir como base para o cálculo de aferição do Aviso para Regularização de Obra ARO, cabível a aferição indireta a que se referem o parágrafos 3º e 4º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, levandose em consideração a área construída e o custo da obra, para apuração das contribuições devidas.6. A aferição indireta de débitos previdenciários, dada a sua presunção relativa de veracidade, tal como dispõe o paragráfo 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, admite produção de prova em contrário a cargo do devedor, o que não restou evidenciado no caso em comento.7. Segundo o entendimento consolidado do eg. STJ é ônus da pessoa jurídica comprovar os requisitos para a obtenção do benefício da assistência judiciária gratuita, mostrandose irrelevante a finalidade lucrativa ou não da entidade requerente (EREsp nº 603.137/MG), ônus do qual não se desincumbiu o apelante.8. A r. sentença, embora tenha invocado o disposto no art. 20, parágrafos 3º e 4º do CPC, arbitrou os honorários advocatícios no montante de 10% (dez por cento) sobre o valor da causa esta correspondente a 574.531,00 (quinhentos e setenta e quatro mil, quinhentos e trinta e um reais , verba que deve ser reduzida para R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), sob pena de Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13864.000196/200961 Acórdão n.º 2401002.763 S2C4T1 Fl. 151 9 afronta ao referido texto legal e em consonância com o reiterado entendimento desta Turma.9. Apelação provida em parte.(grifos nossos) (Apelação Civel AC493688/RN, data da decisão 05/04/2011) Nesse decisum o Relator é preciso quando trata da possibilidade de arbitramento das contribuições nas situações em que o sujeito passivo não apresenta a documentação requerida pelo Fisco. Veja que o Magistrado entende possível a edificação de presunção, que somente é demolida mediante prova em contrário do sujeito passivo. Eis as suas palavras: A partir de tais elementos, a conclusão dos fiscais do INSS goza da presunção de veracidade, somente afastada por prova inequívoca por parte de quem a impugna, entendimento que se encontra reforçado com a parte final da norma do art. 33, § 6º da Lei nº 8.212/91, acima transcrito, quando refere que, em tais hipóteses as contribuições:serão apuradas, por aferição indireta, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (dei ressalto). Não se vislumbra, nos autos, a prova em contrário do embargante, ora apelante. Limitase a formular meras alegações, sendo certo que, no processo, impera o princípio, resumido no brocardo latino: alegare nihil et non probare paria sunt. Observese que a Auditora teve o cuidado de lançar no anexo Fundamentos Legais do Débito a fundamentação que autoriza o arbitramento das contribuições, o já citado § 3.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. Assim, tendo em conta que a empresa nem durante a ação fiscal, nem na impugnação, tampouco no recurso apresentou qualquer documento que viesse a demonstrar que as verbas tomadas como saláriodecontribuição não estariam no campo de incidência das contribuições, deve prevalecer o entendimento do Fisco, chancelado pela decisão recorrida. A incidência de contribuições sobre diárias Sustenta a empresa que, mesmo que se admita a presunção de que os pagamentos das despesas constantes na conta “512156 – DESP VIAGENS E REFEIÇÕES” teriam sido direcionada a empregados, não se sustenta o lançamento, posto que o fisco não demonstrou que os valores pagos suplantariam 50% da remuneração dos segurados, conforme preconiza a alínea “h”, do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Para afastar essa alegação vamos nos valer do mesmo raciocínio utilizado no item anterior. Diante de uma conta representativa de despesas de viagem, que o Fisco demonstrou terem sido destinadas a empregados, foram solicitados os comprovantes dos pagamentos, os quais a empresa sonegou. Ao adotar essa conduta, o sujeito passivo abriu à Auditoria a possibilidade de inscrever de ofício a importância devida, posto que a falta desses comprovantes representa barreira instransponível para que o fisco reconstitua os fatos geradores. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Diante desse obstáculo viuse o Fisco obrigado a lançar mão do procedimento excepcional de apuração das contribuições por arbitramento, não tendo, repito, a empresa trazido até o momento qualquer elemento que pudesse afastar a presunção relativa de ocorrência da hipótese de incidência tributária. Também pela falta de colaboração do sujeito passivo, o Fisco não teve os meios para individualizar os segurados que foram beneficiados com os pagamentos das diárias. Assim, não merece acolhida a alegação de improcedência do lançamento pela falta de discriminação individualizada dos pagamentos, posto que, se a empresa sonegou as informações requeridas pela Auditoria, não pode querer se beneficiar da própria torpeza. A suposta incoerência entre o procedimento adotado e as normas do IRPJ Suscita a empresa a existência de choque entre a norma que autoriza a tributação previdenciária sobre as despesas não comprovadas e a regra que determina, para fins de apuração do IRPJ, a glosa de despesas que não tenham a devida comprovação. Essa contradição é apenas aparente, posto que, tendo o Fisco considerado as despesas não comprovadas como base de incidência de contribuição previdenciária, em havendo auditoria para apuração do Imposto de Renda que glose as referidas deduções, pode a empresa suscitar a improcedência das glosas, posto que tais valores foram tomados para apuração de contribuições. Vejase que, mesmo após a criação da Receita Federal do Brasil, permanece vigente a norma que autoriza o arbitramento das contribuições quando a empresa deixa de apresentar os elementos requeridos pela Fiscalização. Nesse sentido, descabe a pretensão da recorrente de afastar a aplicação do § 3.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991. Os autos de infração por descumprimento de obrigação acessórias As alegações relativas aos AI para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória serão apreciadas nos julgamentos dos processos específicos, os quais, conforme afirmamos, serão realizados nessa mesma sessão. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15374.908032/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
INCIDÊNCIA DE COFINS SOBRE A RECEITA BRUTA DAS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADOS. APENSAMENTO DE PROCESSO.
Indeferimento no pedido de apensamento em virtude de o objeto ser diferente, por se tratar de períodos distintos.
INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
AFRONTA À SEGURANÇA JURIDICA. Não há afronta quando uma lei que institui isenção não condicionada é simplesmente revogada pelo Congresso Nacional.
Numero da decisão: 3401-001.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
EDITADO EM: 17/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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APENSAMENTO DE PROCESSO. Indeferimento no pedido de apensamento em virtude de o objeto ser diferente, por se tratar de períodos distintos. INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. AFRONTA À SEGURANÇA JURIDICA. Não há afronta quando uma lei que institui isenção não condicionada é simplesmente revogada pelo Congresso Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 17/12/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 80 32 /2 00 8- 40 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação no valor de R$ 14.567,70, referente à Cofins, cujo período de apuração é março/2002. Por bem expor a lide, reproduzo o relatório proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJ2, em 18.5.2011: “Tratase de litígio administrativo instaurado com a manifestação de inconformidade de ZALCBERG ADVOGADOS ASSOCIADOS (fls. 1119) ao despacho decisório emitido pela DERAT/RIO, não homologando o pedido de compensação (fl. 09). O PER/DCOMP n° 40668.96776.120204.1.3.041654 foi transmitido em 12022004, com o objetivo de compensar suposto crédito havido em função de pagamento indevido, no valor original do crédito inicial de R$ 14.567,70 , a título de Cofins (fl. 03). A decisão de não homologar o PER/DCOMP n° 40668.96776.120204.1.3.041654 tem por fundamento que "foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP" (fl. 09). Inconformado com a decisão citada, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que (fl. 1119): A cobrança realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em face da Requerente referente à Cofins está tramitando em processo administrativo autônomo, de n° 18471.000995/200893. Por este motivo, em observância aos princípios constitucionais que servem de diretrizes para a administração pública, requer, desde já, o apensamento do presente àquele processo acima mencionado. Foi recolhido inadvertidamente pela Manifestante em 1504 2002, valor de R$ 14.567,70, a título de Cofins (código da receita 2172), referente ao período de apuração de 31/03/2002. Posteriormente, foi realizado o pedido de compensação através do PER/DCOMP n° 40668.96776.120204.1.3.041654, para que o montante recolhido fosse utilizado para o pagamento de IRPJ (código 2089), com vencimento em 30.01.2004, período de apuração 102003, no valor de R$ 19.733,41, o qual não foi homologado. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.908032/200840 Acórdão n.º 3401001.958 S3C4T1 Fl. 81 3 Instituída a Lei Complementar n° 70/91, destinada às despesas com atividadesfim das áreas de saúde, previdência e assistência social, que isentava a Manifestante, nos termos do inciso II, do art. 6o da referida Lei, posteriormente foi editada a Lei 9.430, de 27/12/1996, cujo art. 56 revogou a referida isenção, determinando que a contribuição passasse a incidir sobre as receitas auferidas. Questionada a ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 56 da Lei 9.430/96, considerando a alegação de que Lei Ordinária não poderia revogar preceito constante de Lei Complementar, entre outros temas, restou, pelo Superior Tribunal de Justiça, editada em 02/06/2003 a SÚMULA N° 276, tendo em vista alguns precedentes (entre outros: Resp's 260960RS, 227939SC, 221710RJ, e AgRg no Resp 226386, 297461, 422342 e 422741): Desta forma, alguns contribuintes passaram a compensar, ou a simplesmente não mais pagar e outros ainda a repetir a contribuição social. Entretanto, em 30/06/2006, foi publicada a decisão da Ia Turma do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n° 419.6298 DF, interposto contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça em Recurso Especial (REsp 437842DF) que houvera declarado que Lei Ordinária não tem força para revogar dispositivo de Lei Complementar,dando provimento ao RE da União Federal para anular o acórdão do STJ por usurpação da competência do Supremo Tribunal, decisão essa não transitada em julgado, o que, notoriamente, veio a tentativa de justificar pelo fisco a negativa da pretensão compensatória, mais pela possibilidade de prescrição futura de eventual crédito dele do que a questão jurídica em si. Quando da compensação, havia segurança jurídica de que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais eram isentas da Cofins desde a edição da Lei Complementar n° 70/91, passando por decisões do Superior Tribunal de Justiça, especialmente da Súmula n° 276, até que veio a decisão parcial e não definitiva no Recurso Extraordinário n° 419.6298DF (decorrente do Resp n° 437842DF), publicada no DJ em 30/06/2006, no sentido de anular aquele acórdão do Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhecia a manutenção da isenção. Até agora, em 2008, perdura no STF a discussão jurídica que tem como tema a possibilidade, ou não, do art. 56 da Lei Ordinária 9.430/96 poder revogar a isenção das sociedades civis de prestação de serviços profissionais, prevista na Lei Complementar n° 70/91, como se pode observar pela leitura do processamento dos Recursos Extraordinários n°s 381964 MGe377457PR. Já no STJ a questão, sob o enfoque infraconstitucional, se encontra decidida a favor da isenção das sociedades civis de prestação de serviços profissionais, nos termos dos recursos especiais acima informados e da Súmula n° 276. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 O art. 146 do Código Tributário Nacional, que está inserido no Capítulo II Constituição do Crédito Tributário , informa que a "modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto ao fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução." Já observando o tema sob a ótica do STF (Constitucionalidade), a decisão parcial e não definitiva da I a Turma do STF no Recurso Extraordinário n° 419.6298 – DF publicada em 30/06/2006, interposto contra acórdão do STJ em Recurso Especial (REsp 437842DF), dando, até agora, parcial provimento (8x1) e não definitivo ao RE da União Federa (419.6298 DF) para anular o acórdão do STJ (Resp 437842 DF) por alegada usurpação da competência do Supremo Tribunal, não é definitiva sobre o prisma da constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária 9.430/96. Destarte, segundo decisões do Superior Tribunal de Justiça, o art. 56 da Lei Ordinária n° 9.430/96 viola normas infraconstitucionais, como citadas nos julgamentos dos recursos especiais, não podendo revogar a isenção concedida pelo art. 6o , II da LC 70/91. Já no STF, sob o enfoque da constitucionalidade, o tema ainda não está resolvido definitivamente. Assim, nos termos do art. 146 do código Tributário Nacional, é evidente que, mesmo que a decisão a ser exarada nos recursos extraordinários, sob exame na Excelsa Corte, declare a constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária n° 9.430/96 (a qual não muda o posicionamento do STJ), e transite em julgado a referida decisão sem que seja apreciada a sua modulação, a compensação do crédito em questão somente poderia deixar de ser homologada relativamente a período e evento posterior à 30.06.2006, quando efetivamente teria acontecido, em tese, a modificação e introdução de novos critérios jurídicos na apreciação da questão jurídica constitucional que se encontra consolidada sob o ângulo infraconstitucional até mesmo por Súmula do Superior Tribunal de Justiça. No entanto, não há decisão no STF definitiva e sequer transitada em julgado. Na realidade, até a presente data não se pode pensar na não homologação de compensação de créditos, nem mesmo após 30.06.2006, porquanto o Supremo Tribunal Federal, repitase, ainda não decidiu definitivamente o mérito da questão e, por via de conseqüência, a modulação da decisão, pois se encontra apreciando os recursos extraordinários n°s 377457PR e 381964MG, como dito acima, cujos processamentos estão suspensos, porquanto o Ministro Marco Aurélio pediu vista. Logo, nos termos das decisões do STJ não há Cofins a ser paga, portanto, plenamente devida a compensação do tributo realizada ante o pagamento equivocado da Cofins, como anteriormente informada. Já pela ótica do STF ainda não há decisão transitada em julgado declarando a constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária n° 9.430/96, com a modulação temporal para a cobrança da Cofins. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.908032/200840 Acórdão n.º 3401001.958 S3C4T1 Fl. 82 5 A manterse o despacho decisório ora impugnado, seria violado o princípio da hierarquia das leis, pois o legislador ordinário alterou a lei complementar revogando isenção concedida. A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco tendo em vista possível decisão do tema no STF não autoriza sequer a revisão de lançamento e, por motivos óbvios, não autoriza também a negativa de homologação de compensação. Em violação ao princípio da hierarquia das leis, o legislador ordinário alterou a lei complementar revogando a isenção concedida. E forçoso reconhecer que esse procedimento legislativo é totalmente inconstitucional, visto que pelo princípio da hierarquia das normas jurídicas, uma Lei Complementar somente poderá ser revogada por outra Lei Complementar. A isenção somente poderia ser revogada por Lei Complementar, conforme determina o art. 146, inciso III, alíneas "a" e "b", da Constituição Federal: Assim sendo, como a Constituição Federal só permitia a incidência de contribuição à seguridade social incidente sobre o faturamento, qualquer outra contribuição que tivesse outra base de cálculo recairia no que dispõe o § 4o , do art. 195 da Constituição Federal, ou seja, a competência residual da União, o que é plenamente permitido, sendo que, nesse caso, imprescindível seria a adoção de Lei Complementar, o que também não foi respeitado. É mister ressaltar, ainda, quanto ao tema, que pouco importa se o conteúdo da lei complementar envolve competência de lei ordinária. O fato relevante da questão é que o legislador entendeu por bem separar as matérias que seriam aprovadas por Lei Complementar e as que seriam por Lei Ordinária, tanto que estabeleceu critérios distintos para a votação de cada uma delas. Anotese que para a Lei Complementar ele estabeleceu para aprovação a maioria absoluta dos congressistas, enquanto que para a Lei Ordinária a maioria simples. Logo, uma Lei Ordinária não pode pretender alterar uma Lei Complementar (art. 59 da Constituição Federal). Pede o contribuinte, por fim, que seja reformado o despacho decisório. É o relatório.” Em 18.5.2011, a referida turma negou provimento a Manifestação de Inconformidade da Contribuinte, sob os seguintes fundamentos: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 a) Quanto ao pedido liminar de apensamento do processo nº 18471.000995/200893, em consulta aos autos, verificase que a única característica em comum com os presentes autos é de se tratar da mesma contribuinte e ter por causa jurídica de pedir suposta isenção. Contudo, o processo citado trata de fatos geradores ocorridos a partir de 2003 – período, portanto, subseqüente ao versado no atual processo. Sendo assim, o pedido de apensamento foi indeferido; b) Quanto às alegações de inconstitucionalidade, não cabe a essa esfera o julgamento da lide; c) Não há decisão do STF negando vigência ao art. 56 da Lei nº 9430/96. Ao contrário, a Suprema Corte já se pronunciou no sentido de que a Constituição atual só exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a própria Constituição faça tal exigência; d) Estando em pleno vigor a tributação da Cofins para as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior, no período objeto do pedido de restituição/compensação, sob o pretexto de que estas sociedades estariam isentas desta exação; e) Com relação à tese de segurança jurídica, não houve modificação no critério jurídico para apuração do caso em análise, mas simplesmente mudança da legislação de regência por derrogação expressa. Portanto, não é cabível a argumentação de afronta ao art. 146 do CTN. f) Quanto à alegação de que a revogação citada afrontaria a segurança jurídica, não tem o órgão administrativo, ainda que investido da função julgadora, o poder de negar vigência à lei legitimamente promulgada pelo Congresso Nacional. Em 5.7.2011, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 21.7.2011, protocolou Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que: a) A cobrança realizada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, referente à Cofins, está tramitando em processo administrativo autônomo de nº 18471.000995/200893. Portanto, em observância aos princípios constitucionais que servem de diretrizes para a administração pública, a contribuinte requer o apensamento do presente processo àquele já mencionado. b) Segundo decisões do Superior Tribunal de Justiça, o art. 56 da Lei Ordinária nº 9430/96 viola normas infraconstitucionais, não podendo revogar a isenção concedida pelo art. 6º, II da LC 70/91. Já no STF, sob o enfoque da constitucionalidade, o tema ainda não está resolvido definitivamente. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.908032/200840 Acórdão n.º 3401001.958 S3C4T1 Fl. 83 7 c) A compensação do crédito em questão somente poderia deixar de ser homologada relativamente a período e evento posterior à 30.06.2006, quando efetivamente teria acontecido, em tese, a modificação e introdução de novos critérios jurídicos na apreciação da questão jurídica constitucional que se encontra consolidada sob o ângulo infraconstitucional até mesmo por Súmula do Superior Tribunal de Justiça. No entanto, não há decisão no STF definitiva e sequer transitada em julgado. d) Até a data da interposição do Recurso Voluntário não se pode pensar na não homologação de compensação de créditos, nem mesmo após 30.06.2006. Nos termos das decisões do STJ, não há Cofins a ser paga, já pela ótica do STF ainda não há decisão transitada em julgado declarando a constitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária nº 9430/96, com a modulação temporal para a cobrança da Cofins. e) A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco, tendo em vista possível decisão do tema no STF, não autoriza sequer a revisão do lançamento e, por motivos óbvios, não autoriza, também, a negativa de homologação da compensação. f) É clara a ofensa do art. 56 da Lei nº9430/96 ao principio da especialidade instituído pelo art. 2º, §§ 1º e 2º, da Lei de Introdução ao Código Civil. Por fim, a contribuinte requer a reforma da decisão recorrida e, consequentemente, homologação da compensação realizada e reconhecimento do seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Este recurso apresenta os requisitos de tempestividade e cumpre os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Analiso, inicialmente, o pedido de apensamento ao PA nº 18471.000995/200893. Pelas razões expostas pela DRJ/RJ2, entendo, não ser necessária a reforma da decisão acerca desta matéria. Consultando o citado processo administrativo, verifico que as únicas características em comum com este processo são: o mesmo contribuinte e a mesma causa de pedir, tratandose também de suposta isenção. Contudo, o processo citado trata de fatos geradores ocorridos a partir de 2003, período este subseqüente ao versado no atual processo. O Código de Processo Civil dispõe em seu art.103 que se reputam conexas duas ou mais ações, quando lhes forem comuns o objeto e a causa de pedir. Já continência, conforme disposto no art. 104, darseá entre duas ou mais ações sempre que houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 8 Darseá, portanto, o apensamento de processos quando uma destas duas ou mais ações forem conexas ou continentes, conforme disposto do art. 105 do CPC, que abaixo trago: “Art.105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente.” Verificase, que em ambos os processos a causa de pedir é a mesma, entretanto, os objetos não são os mesmos, visto que tratam de fatos geradores ocorridos em períodos distintos, portanto, indefiro o pedido de apensamento. No que tange a argumentação da recorrente em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 56 da Lei Ordinária nº 9.430/96 que violaria as normas infraconstitucionais, não podendo esta revogar a isenção concedida pelo art. 6º, inc. II, da Lei Complementar nº 70/91, também nego provimento, pois a inconstitucionalidade de lei tributária não é questão de debate dentro deste Conselho de Contribuinte, conforme a Súmula nº 2 do CARF, que assim dispõe: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Além disso, não há decisão do STF negando vigência do art. 56 da Lei nº 9.430/96. Há decisões acerca de a Constituição atual só exige Lei Complementar para as matérias para as quais a própria Constituição faça tal exigência. Corroborando com tal entendimento, reproduzo abaixo acórdão que versa sobre esta temática: (grifos nossos) “EMENTA Tratase de agravo regimental contra decisão proferida pelo eminente Ministro Nelson Jobim, que negou seguimento ao agravo de instrumento por entender que a matéria suscitada no recurso extraordinário não foi debatida no acórdão recorrido e que a controvérsia envolve questão infraconstitucional, o que não é permitido em recurso extraordinário.2. A controvérsia gira em torno da alegação da agravada de que isenção tributária concedida por lei complementar não pode ser revogada por lei ordinária, tendo em vista a superioridade hierárquica daquela sobre esta. No caso concreto, observase que a Lei Complementar 70/91 concedeu, às sociedades civis, isenção do pagamento da COFINS. A Lei federal 9.430/96, por sua vez, revogou o benefício, circunstância que violaria o princípio da hierarquia das leis.3. Afirma, também, que a matéria tratada limitase à discussão sobre aplicação de normas federais divergentes, cuja competência de apreciação é exclusiva do STJ e que a superior hierarquia de lei complementar em face de lei ordinária não é dada somente por sua materialidade, mas pela sua forma (fl. 246 a 251).3. Por outro lado, a agravante aduz ser idônea a revogação da primeira lei mencionada pela superveniência do preceito normativo insculpido na segunda, tendo em vista que a LC 70/91, embora dita "complementar", seria materialmente ordinária. Daí não se falar em afronta ao princípio da Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.908032/200840 Acórdão n.º 3401001.958 S3C4T1 Fl. 84 9 hierarquia das leis, haja vista que ambas as normas envolvidas na espécie fática possuiria o mesmo status legal. Ao contrário, sustenta que, prevalecendo o entendimento de que a Lei Complementar 70/91 é, de fato, materialmente complementar, a Constituição do Brasil estaria sendo frontalmente violada nos artigos 146, 150, § 6º e 195, inciso I.4. Em síntese, considerandose que a LC 70/91 é materialmente complementar não seria idôneo revogarselhe pela Lei 9.430/96, por ser esta ordinária; se aquela for materialmente ordinária, a superveniência desta a revoga.5. O STJ adotou a tese da agravada, por vislumbrar que a revogação da LC 70/91 só poderia ter sido veiculada por outra lei complementar (fl. 204).5. É o breve relatório.6. O STF decidiu, ao analisar a Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1/DF, Moreira Alves, DJ de 16/06/95, que a LC nº 70/91, é materialmente ordinária, tendo em vista que a regência da COFINS, cujo preceito constitucional é o art. 195, I, b, da CF/88, prescinde de legislação complementar, porque não se trata de matéria reservada expressamente pelo Texto Maior. Nesse contexto, vale lembrar os termos do voto do eminente Relator:A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional nº 1/69 e a Constituição atual não alterou este sistema , se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias para cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência, e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária. Ante o exposto, torno sem efeito a decisão anterior, dou seguimento ao presente agravo e determino a subida do recurso extraordinário, para melhor exame da matéria.Publiquese.Brasília, 24 de novembro de 2004. (AI 502743RS, Relator: Min. EROS GRAU, Data de Julgamento: 24/11/2004, Data de Publicação: DJ 14/12/2004)” “EMENTA Agravo regimental. Ação direta de inconstitucionalidade manifestamente improcedente. Indeferimento da petição inicial pelo Relator. Art. 4º da Lei nº 9.868/99. 1. É manifestamente improcedente a ação direta de inconstitucionalidade que verse sobre norma (art. 56 da Lei nº 9.430/96) cuja constitucionalidade foi expressamente declarada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, mesmo que em recurso extraordinário. 2. Aplicação do art. 4º da Lei nº 9.868/99, segundo o qual "a petição inicial inepta, não fundamentada e a manifestamente improcedente serão liminarmente indeferidas pelo relator". 3. A alteração da jurisprudência pressupõe a ocorrência de significativas modificações de ordem jurídica, social ou econômica, ou, quando muito, a superveniência de argumentos nitidamente mais relevantes do que aqueles antes prevalecentes, o que não se verifica no caso. 4. O amicus curiae somente pode demandar a Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 10 sua intervenção até a data em que o Relator liberar o processo para pauta. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (ADIN 4071 AgRDF, Relator: Ministro MENEZES DIREITO, Data de Julgamento: 22/04/2009, Data de Publicação: DJe 10/09/2009)” Nesse mesmo sentido, o entendimento do STJ vem seguindo as decisões adotadas pelo STF. Conforme Agravo Regimental no REsp 863.214, ficou bem assentado a posição do STJ, quanto, a questão da inconstitucionalidade do art. 56 da Lei nº 9.430, seguindo o posicionamento do STF, conforme, segue ementa abaixo transcrita: (grifamos) “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. COFINS. SOCIEDADES CIVIS PRESTADORAS DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. ISENÇÃO. LC N.º 70/91. REVOGAÇÃO. ART. 56 DA LEI N.º 9.430/96. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE DECIDIU A CONTROVÉRSIA À LUZ DE INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO COLENDO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. Fundandose o Acórdão recorrido em interpretação de matéria eminentemente constitucional, descabe a esta Corte examinar a questão, porquanto reverter o julgado significaria usurpar competência que, por expressa determinação da Carta Maior, pertence ao Colendo STF, e a competência traçada para este Eg. STJ restringese unicamente à uniformização da legislação infraconstitucional (Precedentes: AgRg na MC n.º 9.757/SP, DJU de 22/03/2006; REsp n.º 597.518/RS, DJU de 01/07/2005; AgRg no AG n.º 570.913/PR, DJU de 21/03/2005; e AgRg no AG n.º 569.025/RS, DJU de 31/05/2004) 2. Ressalva do entendimento do Relator, em observância ao novel posicionamento do STF, intérprete maior do texto constitucional, que no julgamento da ADC n.º 01/DF, assentou que a LC n.º 70/91 possui status de lei ordinária, posto não se enquadrar na previsão do art. 154, inciso I, da Constituição Federal. 3. Segundo o princípio da lex posterius derrogat priori, consagrado no art. 2.º, § 1.º, da LICC, não padece de ilegalidade a revogação da isenção prevista no art. 6.º, II, da LC n.º 70, promovida pelo art. 56 da Lei 9.430/96, porquanto este ato normativo possui o mesmo grau hierárquico da LC n.º 70/91. (...) 12. Agravo Regimental desprovido. (AgRg no REsp 863214BA, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 14/10/2008, Data de Publicação: DJe 20/11/2008)” Portanto, não obstante o entendimento do STJ, corrobora o posicionamento adotado pelo STF, encontrase bem assentado nos fundamentos dos votos que a Lei Complementar nº 70/91 é materialmente uma lei ordinária, embora essa questão não tenha sido expressa na parte dispositiva do Acórdão. Assim, estando em pleno vigor a legislação sobre a tributação da Cofins para as sociedades civis de prestação de serviços profissionais legalmente regulamentadas, não há que se falar em pagamento indevido ou maior que o devido, no período objeto do pedido de compensação, sob a alegação de que estas sociedades estariam isentas desta contribuição. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 15374.908032/200840 Acórdão n.º 3401001.958 S3C4T1 Fl. 85 11 Com relação à tese da segurança jurídica, é preciso ressaltar que não houve modificação no critério jurídico para apuração do caso em análise, mas, simplesmente mudança da legislação de regência por derrogação expressa. Portanto, não logra de melhor sorte a argumentação de afronta ao art. 146 do Código Tributário. Quanto à alegação de que a revogação citada afrontaria a segurança jurídica, não tem o órgão administrativo, ainda que investido da função julgadora, o poder de negar vigência à lei legitimamente promulgada pelo Congresso Nacional, sob a alegação de violar a segurança jurídica, pelas razões já apontadas. Frente a todo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto! Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2012 Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 10508.000335/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2008
Consolidado em 29/06/2010
Auto de Infração (AI) Debcad n° 37.269.877-8
EMENTA.
CERCEAMENTO DE DEFESA
O cerceamento de defesa não se dá tão somente quando ocorre uma limitação na produção de provas de uma das partes no processo, que acaba por prejudicar a parte em relação ao seu objetivo processual. Não olvidemos que qualquer obstáculo que impeça uma das partes de se defender da forma legalmente permitida gera o cerceamento da defesa, causando a nulidade do ato e dos que se seguirem, por violar os princípios constitucional da Ampla Defesa e do Contraditório.
Gera cerceamento de defesa a autuação que não tem clareza. Assim, configura também aquela que não atende os requisitos de lei.
No presente caso o Relatório Fiscal não obedeceu aos princípios constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório ao esmiuçar e pormenorizar o débito da Recorrente, autuando-a na forma da legislação.
Dificultou a defesa, mas não gerou nulidade para aplicação da multa, já que a infração foi de fato cometida.
MULTA
No presente caso, a multa que mais beneficia a Recorrene é a do Artigo 61 da Lei 9.430 de 1996, até 11 de 2008.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digidalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digidalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro Lopes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 30/06/2008 Consolidado em 29/06/2010 Auto de Infração (AI) Debcad n° 37.269.877-8 EMENTA. CERCEAMENTO DE DEFESA O cerceamento de defesa não se dá tão somente quando ocorre uma limitação na produção de provas de uma das partes no processo, que acaba por prejudicar a parte em relação ao seu objetivo processual. Não olvidemos que qualquer obstáculo que impeça uma das partes de se defender da forma legalmente permitida gera o cerceamento da defesa, causando a nulidade do ato e dos que se seguirem, por violar os princípios constitucional da Ampla Defesa e do Contraditório. Gera cerceamento de defesa a autuação que não tem clareza. Assim, configura também aquela que não atende os requisitos de lei. No presente caso o Relatório Fiscal não obedeceu aos princípios constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório ao esmiuçar e pormenorizar o débito da Recorrente, autuando-a na forma da legislação. Dificultou a defesa, mas não gerou nulidade para aplicação da multa, já que a infração foi de fato cometida. MULTA No presente caso, a multa que mais beneficia a Recorrene é a do Artigo 61 da Lei 9.430 de 1996, até 11 de 2008. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digidalmente) Marcelo Oliveira Presidente (assinado digidalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro Lopes.
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CERCEAMENTO DE DEFESA O cerceamento de defesa não se dá tão somente quando ocorre uma limitação na produção de provas de uma das partes no processo, que acaba por prejudicar a parte em relação ao seu objetivo processual. Não olvidemos que qualquer obstáculo que impeça uma das partes de se defender da forma legalmente permitida gera o cerceamento da defesa, causando a nulidade do ato e dos que se seguirem, por violar os princípios constitucional da Ampla Defesa e do Contraditório. Gera cerceamento de defesa a autuação que não tem clareza. Assim, configura também aquela que não atende os requisitos de lei. No presente caso o Relatório Fiscal não obedeceu aos princípios constitucionais da Ampla Defesa e do Contraditório ao esmiuçar e pormenorizar o débito da Recorrente, autuandoa na forma da legislação. Dificultou a defesa, mas não gerou nulidade para aplicação da multa, já que a infração foi de fato cometida. MULTA No presente caso, a multa que mais beneficia a Recorrene é a do Artigo 61 da Lei 9.430 de 1996, até 11 de 2008. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 00 03 35 /2 01 0- 51 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digidalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digidalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro Lopes. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10508.000335/201051 Acórdão n.º 2301003.041 S2C3T1 Fl. 158 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI), Debcad n° 37.269.8778, lavrado em 27/07/2010, consolidado em 29/06/2010, constituindo crédito tributário correspondente às contribuições previdenciárias referentes aos segurados empregados, no valor de 741.494,62 (setecentos e quarenta e um mil quatrocentos e noventa e quatro reais e sessenta e dois centavos). Foram analisadas folhas de pagamento, processos no TCM e GFIP, onde demonstrou a contratação de segurados empregados, efetivos, comissionados e contratados por prazo determinado que recebem salários através de folha de pagamento, inclusive exercentes de mandado eletivo (prefeito e viceprefeito). Desta forma houve agressão ao art. 20 da Lei n° 8.212, de 1991 Urge esclarecer que foi descontado contribuição previdenciária de parte dos segurados empregados durante parte do período fiscalizado, cujas quais, confrontando as folhas de pagamentos e as GFIP’s pode observar que elas não foram declaradas em GFIP, não havendo recolhimento de contribuição previdenciária sobre tais valores. Em face do exposto, foi apurado um crédito que foi constituído dos levantamentos a seguir especificados: I) FP, FP1 e FP2 abrangem a diferença de recolhimento de contribuições devidas incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, apurada em folhas de pagamentos, não declarada em GFIP, em que houve desconto de contribuição previdenciária e, II) que se refere a sobra de recolhimento quanto a Salário Família, que foi lançado como crédito nos levantamentos FS e FS1, os quais não constam deste débito. Aplicouse a legislação mais benéfica com relação à multa aplicada, com fundamento na Lei n° 11.941, de 2009, e no art 106, inciso II do Código Tributário Nacional CTN. Sendo que o crédito foi apurado com fundamento no art. 30, inciso I, alíneas "a" e "b" da Lei n° 8.212, de 1991. A Recorrente tomou ciência do AI e tempestivamente apresentou Impugnação, cuja qual foi julgada improcedente, mantendose na integra o crédito previdenciário. Ato contínuo, tomou ciência da decisão e inconformada apresentou tempestivamente o presente recurso, alegando: 1 Falta de individualização dos prestadores de serviços. Impossibilidade de apresentação de defesa. Valor da autuação ilíquido; 2 Impossibilidade da aplicação de multa imposta por motivo de recolhimento fora do prazo das contribuições, não se aplica às Pessoas Jurídicas de Direito Público; 3 Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009 Redução das Multas Moratórias aplicadas pelo INSS em face da "Retroatividade Benigna"; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA 4 É o relatório. Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame do mérito. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, por isto dele conheço. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR INOBSEVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA AO DEIXAR DE INDIVIDUALIZAR OS PRESTADORES DE SERVIÇO Alega a Recorrente que houve o cerceamento de defesa não sendo respeitado o princípio do contraditório e da ampla defesa, porque a Fiscalização lançou o débito no Auto de Infração e em todos os relatórios realizados, em nenhum momento houve a individualização dos contribuintes inseridos no Auto de Infração, nem muito menos foram colacionadas as GFIP's citadas no RELATÓRIO FISCAL. Colacionou Jurisprudência deste Colegiado. Não assiste razão a Recorrente, quanto a aplicação da multa, uma vez que a infração existiu, razão pela qual . Ora, se a dívida constituida goza de presunção de certeza e liquidez para efeitos de execuçaõ, por certo, em não sendo relacionados individualmente os empregados inseridos no AI, cujas contribuições não foram recolhidas, não impede a defesa de demonstrar a sua regularidade, afastando, por definitivo a aplicação da multa. Assim, no modesto pensar deste Julgador, o fato de não ter a fiscalização individualizado os funcionários não inviabiliza a defesa e não agride a Carta Maior, pois poderia a Recorrente demonstrar sua regularidade, afastando a multa aplicada. Portanto, o esmerado trabalho da Fiscalização não esbarrou na promenorização para demonstrar o vínculo empregatício de todos os funcionários que geraram a autuação. MULTA O Recorrente deixou de cumprir com suas obrigações junto a Previdência Social, não recolhendo as contribuições sociais, razão pela qual a Fiscalização aplicoulhe, além das penalidades previstas, a multa por descumprimento. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas foram as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social – RGPS, constantes em folhas de pagamentos e na contabilidade da empresa e não informadas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP.34 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 10508.000335/201051 Acórdão n.º 2301003.041 S2C3T1 Fl. 159 5 Por outro lado, tenho que a multa a ser aplicada deverá ser a mais benéfica, que penso ser a do Artigo 61 da Lei 9.430 DE 1996. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.Portanto, considerando a retroatividade da aplicação da pena mais branda, o artigo supramencionado, tenho, que é a que mais favorece ao Recorrente, devendoselhe ser aplicada, como dito, se mais benéfica. CONCLUSÃO Diante do acima exposto e da análise dos autos, por este acudir todos os pressupoostos de admissibilidade, tenho que o recurso deve ser conhecido, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para o fim de aplicarse a multa do Artigo 61 da Lei 9.430 DE 1996, se mais benéfica ao Contribuinte Recorrente. É o voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 03/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018497/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação.
Recurso Voluntário Negado
No AI sob cuidado não há o que se falar em aplicação de multa mais benéfica, posto que a legislação em que se apoiou o Fisco para fixação da penalidade foi aquela vigente na época da ocorrência da infração, a qual não sofreu alteração.
MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
JUROS SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. ALEGAÇÃO IMPERTINENTE.
Não tendo havido imposição de juros na lavratura, é impertinente o requerimento para exclusão dos mesmos.
Numero da decisão: 2401-002.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. Recurso Voluntário Negado No AI sob cuidado não há o que se falar em aplicação de multa mais benéfica, posto que a legislação em que se apoiou o Fisco para fixação da penalidade foi aquela vigente na época da ocorrência da infração, a qual não sofreu alteração. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. ALEGAÇÃO IMPERTINENTE. Não tendo havido imposição de juros na lavratura, é impertinente o requerimento para exclusão dos mesmos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS BENÉFICA. IMPOSSIBILIDADE. No AI sob cuidado não há o que se falar em aplicação de multa mais benéfica, posto que a legislação em que se apoiou o Fisco para fixação da penalidade foi aquela vigente na época da ocorrência da infração, a qual não sofreu alteração. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. JUROS SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. ALEGAÇÃO IMPERTINENTE. Não tendo havido imposição de juros na lavratura, é impertinente o requerimento para exclusão dos mesmos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 AQUISIÇÃO DE ESTABELECIMENTO. EMPRESA ALIENANTE MANTÉM ATIVIDADE. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DA ADQUIRENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 97 /2 00 8- 84 Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 A pessoa jurídica que adquire estabelecimento comercial, industrial ou profissional e continua na exploração da atividade deste, responde subsidiariamente pelos tributos devidos pelo estabelecimento adquirido, quando o alienante permanece na exploração da mesma ou de outra atividade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018497/200884 Acórdão n.º 2401002.720 S2C4T1 Fl. 1.014 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.197.2868, lavrado contra o sujeito passivo acima para aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previdenciárias ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2.º e 3.0 da Lei n.º 8.212/1991. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fls. 18/34, a empresa não apresentou os Livros Diário, Razão e Plano de Contas do período de 01/2007 a 02/2007. Foram arroladas como devedoras solidárias as empresas abaixo, em razão do Fisco haver entendido que as mesmas formavam com a Autuada grupo econômico de fato, conforme evidências apontadas no Relatório Fiscal. • Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda — CNPJ: 05.385.879/000150. Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda — CNPJ: 05.401.768/0001 90. • Pampulha Ensino Fundamental Ltda — CNPJ: 06.001.557/000123. • Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda — CNPJ: 05.401.766/000100. • Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda — CNPJ: 05.392.395/000139. • Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda — CNPJ: 06.001.546/000143. • Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda — CNPJ: 04.901.337/0001 20. • Centro Mineiro de Ensino Superior — CEMES Ltda — CNPJ: 02.636.995/000107. • Promove Participações Ltda — CNPJ: 05.376.569/000170. • Promove Serviços Educacionais Ltda — CNPJ: 05.376.559/000134. • Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda — CNPJ: 42.975.896/000174. • Magle Edição Comercio e Distribuição de Livros Ltda — CNPJ: 05.399.437/000163. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 • Sociedade Educacional Sistema Ltda — CNPJ: 23.840.945/000117. Foram emitidos em nome das citadas empresas os Termos de Sujeição Passiva. A Associação Educativa do Brasil — SOEBRAS, CNPJ. 22.669.915/0001 27, foi eleita responsável subsidiária, de acordo com o termo de fls. 438 a 444 (processo 15504.018494/200841), uma vez que adquiriu, inicialmente do grupo econômico Promove, inclusive da autuada, o direito de uso da marca PROMOVE, em 01/11/2006, por meio de contrato particular de "Licença de Uso da Marca" e posteriormente os estabelecimentos da Autuada. Cientificada do lançamento, a Autuada em conjunto com as responsáveis solidárias e as pessoas físicas listadas na relação de corresponsáveis apresentaram defesa, fls. 42/74, alegando, em síntese, que: a) os representantes legais não podem figurar como responsáveis pelo crédito tributário, posto que não se comprovou a prática de excesso de mandato; b) as pessoas físicas e jurídicas relacionadas sequer foram cientificadas do AI; c) é improcedente o lançamento, posto que confessou todas as suas dívidas do período; d) o presente AI, além de não atender aos princípios básicos inerentes à Administração Pública, padece de notória inconstitucionalidade, por violação ao inciso LV do Art. 5.º da Constituição da República; e) a multa é confiscatória; f) todos os fatos geradores constantes do lançamento já foram incluídos em outros autos de infração, os quais devem também ser declarados improcedentes; g) os acréscimos legais foram aplicados incorretamente; h) não se configurou a infração penal apontada pelo Fisco; i) a empresa SOEBRAS – Associação Educativa do Brasil deve ser excluída do polo passivo, haja vista ter havido parcelamento dos valores lançados. j) Ao final, requereu a declaração de improcedência do AI, a juntada posterior de documentos e que as intimações sejam efetuadas no endereço do seu advogado. Às fls. 642/658 consta peça de defesa da empresa SOEBRAS contestando o Termo de Sujeição Passiva, no qual é arrolada como devedora subsidiária pelos créditos lavrados contra o CEMES e outras empresas. Em suas razões, aduz ser imune ao recolhimento das contribuições sociais, em face da sua condição de entidade beneficente de assistência social. Afirma que a empresa CEMES não foi por ela assumida, conforme termo de distrato acostado. Suscita a existência de parcelamento que afastaria também a pretensão do Fisco. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018497/200884 Acórdão n.º 2401002.720 S2C4T1 Fl. 1.015 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG) declarou improcedente às impugnações, mantendo integralmente a lavratura (ver fls. 828/847). Inconformadas, as empresas apresentaram recurso conjunto, fls. 954/994, onde, em resumo, alegaram que: a) a fundamentação legal para aplicação da multa foi revogada pela MP n.º 449/2008, devese então lhe ser aplicada a penalidade atual prevista no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, posto que é menos gravosa; b) as dívidas contraídas pelo grupo PROMOVE não poderão ser de responsabilidade da SOEBRAS, conquanto inexiste previsão legal de que o uso da marca acarreta responsabilidades tributárias; c) a SOEBRAS detém imunidade tributária, não podendo ser chamada a responder pelas contribuições lançadas; d) os sócios não podem ser incluídos no polo passivo de dívida tributária; e) a multa e os juros aplicados tem caráter de confisco. Ao final, requereram: a) seja aplicada penalidade menos severa aos Recorrentes, a teor do que dispõe o art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN; b) seja reconhecida a ilegitimidade da SOEBRAS para figurar como devedora das dividas contraídas pelo grupo "Promove", pela mera utilização da marca em contrato de licença para uso de marca; c) sejam excluídos do polo passivo da obrigação os sócios das Recorrentes; d) sejam reduzidas as multas aplicadas, em aplicação ao disposto no art. 150, IV da CR/88 c/c art. 10 da Lei 9.784/99; e) seja reconhecida a imunidade tributária da SOEBRAS, atingindo os contratos de trespasse realizados com todos os entes que foram objeto do aludido contrato. É relatório. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Exclusão da SOEBRAS da condição de devedora A empresa SOEBRAS foi arrolada como devedora subsidiária pelo crédito tributário em questão, mediante o Termo de Sujeição Passiva de fls. 1.256/1.268. A fundamentação para responsabilização foi o inciso II do art. 133 do CTN, verbis: "Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão." O Termo de Sujeição informa que a Associação Educativa do Brasil – SOEBRAS adquiriu do Grupo Promove, do qual faz parte a autuada, a licença para utilização da marca “Promove”. Afirmase ainda que a licenciada criou estabelecimentos que passaram a funcionar no local onde anteriormente funcionavam as empresas licenciantes, além de conservar em sua folha de pagamento funcionários que trabalhavam para essas. A título exemplificativo, citase que dos 194 empregados do Centro Mineiro deEnsino Superior — CEMES Ltda, constantes da Folha de Pagamento de 11/2006, 176 deles foram informados nas GFIP's da SOEBRAS na competência 12/2006. Tais fatos demonstram de que, ao contrário do que afirmam as recorrentes, a SOEBRAS adquiriu não apenas a licença para explorar a marca “Promove”, mas de aquisição de estabelecimentos, conforme demonstrado nos autos. A responsabilidade subsidiária em debate, foi atribuída a SOEBRAS, nos termos do Relatório Fiscal da Infração (ver fl. 32), em face da aquisição de fundo de comércio por esta, através de Contrato de Trespasse, firmado em 15/10/2007. Também não merece acolhida a tese de que a responsabilização não poderia se dar em razão da imunidade da SOEBRAS frente às contribuições previdenciárias. É que no AI sob cuidado está sendo exigida multa por descumprimento de obrigação acessória, a qual não é alcançada pela suposta imunidade. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15504.018497/200884 Acórdão n.º 2401002.720 S2C4T1 Fl. 1.016 7 Exclusão de representantes legais O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilização é das empresas arroladas, os sócios e gerentes, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos sócios/gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Aplicação da Multa A multa teve como fundamento o art. 92 e o art. 102 da Lei n.º 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. Pedem as recorrentes a aplicação do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, sob a justificativa que a multa calculada de acordo com esse dispositivo seria mais benéfica. O pedido não merece acolhimento, posto que o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991 é utilizado para aplicação de penalidade por descumprimento da obrigação acessória de informar a GFIP sem incorreções/omissões, ao passo que no AI em questão está aplicada multa pela falta de apresentação dos livros contábeis. Verificase, portanto, que o dispositivo legal invocado no recurso não tem relação com o lançamento questionado. Além de que é descabido o pedido para aplicação da multa mais benéfica, posto que foi arrimada na legislação vigente à época da ocorrência da infração, a qual não sofreu alteração. Por outro lado, é improcedente o argumento de que o Fisco não fundamentou a aplicação da multa, posto que no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa constam os dispositivos que deram embasamento jurídico à imposição da pena administrativa. Caráter confiscatório da multa e dos juros Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. A alegação acerca dos juros não tem relação com a lavratura em questão, posto que não há imposição dos mesmos no AI sob cuidado. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 20/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/11 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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