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Numero do processo: 10945.003730/2002-26
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO EM RAZÃO DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TERMO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DO RE 566.621 E DA SÚMULA CARF N. 91.
Não se conhece a parcela do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional cujo paradigma contraria o que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621, sob a sistemática do artigo 543-B, §3º, do Código de Processo Civil e a Súmula CARF n. 91, os quais determinam a aplicação do prazo de decadência decenal a pedidos de restituição anteriores à entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05, no caso dos autos, tendo sido formulado em 14.06.2002, para a recuperação de valores do período de 1989 a 1992. Os mesmos atos normativos são aplicados, por outro turno, para se considerar não decaído o período que antecede 14.06.1992, compreendido na parcela conhecida do recurso.
Numero da decisão: 9101-003.441
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, acordam em dar-lhe provimento com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO EM RAZÃO DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TERMO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DO RE 566.621 E DA SÚMULA CARF N. 91. Não se conhece a parcela do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional cujo paradigma contraria o que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621, sob a sistemática do artigo 543-B, §3º, do Código de Processo Civil e a Súmula CARF n. 91, os quais determinam a aplicação do prazo de decadência decenal a pedidos de restituição anteriores à entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05, no caso dos autos, tendo sido formulado em 14.06.2002, para a recuperação de valores do período de 1989 a 1992. Os mesmos atos normativos são aplicados, por outro turno, para se considerar não decaído o período que antecede 14.06.1992, compreendido na parcela conhecida do recurso.
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DECADÊNCIA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AUTO POSTO E MOTEL CARIMÃ LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO EM RAZÃO DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TERMO INICIAL DE CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DO RE 566.621 E DA SÚMULA CARF N. 91. Não se conhece a parcela do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional cujo paradigma contraria o que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621, sob a sistemática do artigo 543B, §3º, do Código de Processo Civil e a Súmula CARF n. 91, os quais determinam a aplicação do prazo de decadência decenal a pedidos de restituição anteriores à entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05, no caso dos autos, tendo sido formulado em 14.06.2002, para a recuperação de valores do período de 1989 a 1992. Os mesmos atos normativos são aplicados, por outro turno, para se considerar não decaído o período que antecede 14.06.1992, compreendido na parcela conhecida do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, acordam em darlhe provimento com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 37 30 /2 00 2- 26 Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10945.003730/200226 Acórdão n.º 9101003.441 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de pedido de restituição (Efls. 01 ss.) apresentado em 14.06.2002 para a recuperação de ILL pago indevidamente durante os anos calendário de 1989 a 1992, pleito este indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu PR (Efls. 91 ss.), sob os fundamentos de que (i) a Resolução do Senado Federal n. 82/96 que estendeu os efeitos da declaração de inconstitucionalidade do ILL somente teria alcançado os “acionistas”, não contemplando a contribuinte, e, (ii) ainda que assim não fosse, seu direito à recuperação dos valores já haveria decaído, de acordo com o Parecer COSIT n. 58/1998, contandose o prazo quinquenal a partir da data da referida resolução, 18.11.1996. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (Efls. 96 ss.), sustentando que (i) as socidades por quotas de responsabilidade limitada, como o seu caso, teriam acento legal na Instrução Normativa SRF n. 63/97, publicada em 25.07.1997, que reconheceu a inconstitucionalidade do ILL em relação às sociedades cujo contrato social não previa a distribuição automática e imediata do lucro apurado aos sócios, (ii) momento a partir do qual se deveria contar o prazo decadencial. Com o acórdão n. 9.790 (Efls. 128 ss.), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba manteve o indeferimento da restituição, mas por reconhecer que, embora o contribuinte tivesse o direito ao crédito enquanto sociedade por quota limitada, o prazo de cinco anos para a resitutição deveria ser contado da extinção do crédito tributário, isto é, do pagamento indevido, conforme o Ato Declaratório n. 96/99. O contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 136 ss.) pleiteando a aplicação do prazo decenal (tese dos “cinco mais cinco”), sendo julgado pela Sexta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, com o acórdão n. 10616.608 (Efls. 484 ss.), que afastou a decadência por compreender que o termo inicial do respectivo prazo seria a publicação da Instrução Normativa SRF n. 63/97, deteminando ainda a sua remessa à origem para análise das demais questões. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10945.003730/200226 Acórdão n.º 9101003.441 CSRFT1 Fl. 4 3 Em face dessa decisão, a Fazenda Nacional interpôs, por sua vez, recurso especial (Efls. 193 ss.), alegando divergência em relação ao acórdão n. 30235782, para defender que o dies a quo para a contagem do prazo para restituição de tributo pago indevidamente seria a data da extinção do crédito tributário e não do ato normativo que generaliza os efeitos da declaração de inconstitucionalidade de um tributo. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 203ss.) e, intimado, o contribuinte ofereceu contrarrazões (Efls. 223 ss.) esperando a manutenção do acórdão recorrido. Passase, assim, à apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10945.003730/200226 Acórdão n.º 9101003.441 CSRFT1 Fl. 5 4 Voltandose então ao caso sob exame, verificandose tratar de pedido de restituição para a recuperação de tributo sujeito a lançamento por homologação, apresentado em 14.06.2002, isto é, data anterior à vigência da Lei Complementar n. 118/2005, considerase que o paradigma utilizado pelo recurso que atesta a aplicação do prazo de decadência quinquenal a partir do pagmento indevido contraria o que decidido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 566.621, sob a sistemática do artigo 543B, §3º, do Código de Processo Civil e a Súmula CAR n. 91, respectivamente: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10945.003730/200226 Acórdão n.º 9101003.441 CSRFT1 Fl. 6 5 homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Por essa razão, considerandose que devida a aplicação do prazo decenal e que isso afasta a decadência de parte do período pretendido, apenas se entende possível o conhecimento do recurso no que for anterior a 14.06.1992. Assim sendo, VOTASE POR CONHECER parcialmente o recurso especial da Fazenda Nacional. MÉRITO Passandose ao mérito, na parte conhecida, aplicase os mesmos atos normativos citados acima e, portanto, o prazo decenal, porque o pedido de restituição foi formulado anteriormente à entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/2005, para se compreender decaído o direito à recuperação dos valores em questão apurados anteriormente a 14.06.1992, uma vez que o pedido correspondente foi apresentado em 14.06.2002. Assim sendo, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, com retorno à origem para se verificar a higidez da parte do crédito considerada não decaído, como determinado pela instância a quo. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954395/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/04/2001
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.159
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 12/04/2001 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.954395/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.159 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/04/2001 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 95 /2 00 8- 13 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.954395/200813 Acórdão n.º 3401004.159 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Tratase de declaração de compensação apresentada em meio eletrônico, que restou não homologada face a inexistência de crédito, conforme despacho decisório que integra os autos ora em apreço. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, na qual alegou, em síntese, que: (i) o DARF indicado na DCOMP pela Manifestante como sendo a fonte de seu crédito foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil; (ii) foi identificada também a existência de um pagamento vinculado ao referido DARF; (iii) o crédito utilizado na DCOMP efetivamente existe, tendo sido o Despacho Decisório proferido unicamente em razão de um simples equívoco cometido pela contribuinte, o de se esquecer de retificar a respectiva DCTF no momento em que foi constatado que o pagamento da contribuição havia sido feito a maior; (iv) no caso de não ser acatada a defesa apresentada, prevalecerá o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em prejuízo de direito liquido e certo da manifestante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1630.773, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade manejada, de forma a não reconhecer o direito creditório pleiteado. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.146, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.954389/200866, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Na apreciação de tal processo, o relator (Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) propôs conversão em diligência, rechaçada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, sendo designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Vencida a proposta de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.954395/200813 Acórdão n.º 3401004.159 S3C4T1 Fl. 4 3 diligência, o colegiado, no mérito, foi unânime na negativa de provimento ao recurso voluntário. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.146): "Com as devidas vênias ao entendimento do i. Conselheiro Relator, apresento nas linhas a seguir os motivos pelos quais divergi da proposta de conversão do julgamento em diligência, votando pela apreciação da Recurso Voluntário. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.954395/200813 Acórdão n.º 3401004.159 S3C4T1 Fl. 5 4 destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. Como se verifica pela análise do despacho decisório e da decisão recorrida, o motivo para a não homologação da declaração de compensação foi o equívoco cometido pela Recorrente, de não ter retificado a DCTF referente ao alegado pagamento a maior, qual seja referente ao PIS de Setembro de 2000. Diante disso, as autoridades fiscais constataram uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de PIS naquele período de apuração, não sendo possível a identificação pela Administração Tributária de qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação. Segundo a Recorrente, “foi constatado que o pagamento de PIS realizado em 13/10/2000 havia sido feito a maior, para assim reduzir o valor do débito de PIS relativo ao mês de outubro/2000 de R$ 539.691,85 para R$ 529.519,48, medida essa necessária para evidenciar o direito creditório na importância de R$ 10.172,37”. (fls. 42) Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.954395/200813 Acórdão n.º 3401004.159 S3C4T1 Fl. 6 5 porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente. Ante o exposto, apresento divergência em relação ao Relator, por entender que não é hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte do Recorrente, motivo pelo qual voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão recorrida e o despacho decisório que não reconheceu a homologação da compensação declarada pela Recorrente. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002468/2004-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa informe se as contribuições sociais foram objeto de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa informe se as contribuições sociais foram objeto de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa informe se as contribuições sociais foram objeto de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 02 46 8/ 20 04 -9 0 Fl. 530DF CARF MF Processo nº 18471.002468/200490 Resolução nº 9101000.045 CSRFT1 Fl. 531 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 225/237) em face da decisão proferida no Acórdão nº 180300.072 (e fls. 208/220), pela 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, na sessão de 28/05/2009, no qual foi dado provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do IRPJ e da CSLL para o primeiro e segundo trimestres de 1999. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000 DECADÊNCIA IRPJ. A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n” 8.383/91, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica passou a ser sujeito ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4® do artigo 150 do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há cerceamento de defesa, se a contribuinte utiliza de forma ampla e irrestrita o direito do contraditório, não indicando qualquer prejuízo para o exercício deste direito constitucional. ARBITRAMENTO. LUCRO PRESUMIDO. Ausentes a escrituração contábil regular e/ou livro caixa contendo a movimentação financeira inclusive bancária, cuja apresentação foi regularmente intimada, resta afastada a opção pelos regimes do lucro presumido ou real e apresentase correto o arbitramento do lucro. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2000 LANÇAMENTO REFLEXO OU DECORRENTE. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo ou decorrente (CSLL) o decidido no lançamento principal (IRPJ). A PGFN interpôs recurso especial, em face do entendimento da decisão recorrida em reconhecer aplicar a contagem do art. 150, § 4º do CTN, independente de haver ocorrido pagamento ou não. Protestou a recorrente pela aplicação entendimento do Resp 614.833 do STJ, no sentido de que, não havendo pagamento, caberia contagem prevista no art. 173, inciso I do CTN. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 18471.002468/200490 Resolução nº 9101000.045 CSRFT1 Fl. 532 3 O despacho de exame de admissibilidade (efls. 243/244) deu seguimento ao recurso especial. A Contribuinte não apresentou contrarrazões (despacho de efls. 253). É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecer do recurso especial da PGFN. A matéria devolvida diz respeito à decadência, do primeiro e segundo trimestres de 1999 do IRPJ e da CSLL. Assim se manifestou o acórdão recorrido, na conclusão do voto: Diante do exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso no sentido de reconhecer a decadência em relação ao 1º Trimestre/1999 fato gerador 31/03/1999 e 2° Trimestre/1999 fato gerador 30/06/1999. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase ao processo decorrente (CSLL) o decidido no lançamento principal (IRPJ). Dois aspectos devem ser considerados na análise do prazo decadencial. Primeiro, o regime de tributação a que se encontra submetido o contribuinte, para que se possa estabelecer com clareza o termo inicial de contagem. Segundo, qual a regra do CTN aplicável ao caso concreto: (1) do art. 150, § 4º, ou (2) do art. 173, inciso I. Para a devida contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há que se observar entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos Fl. 532DF CARF MF Processo nº 18471.002468/200490 Resolução nº 9101000.045 CSRFT1 Fl. 533 4 casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(grifei) Ou seja, são dois elementos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, Fl. 533DF CARF MF Processo nº 18471.002468/200490 Resolução nº 9101000.045 CSRFT1 Fl. 534 5 no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543 C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015; 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72 1. Quanto ao conceito de declaração prévia de débito, entendo, numa acepção geral, que se caracteriza por ato que implique em confissão da dívida por parte do sujeito passivo. Assim, podem também ser considerados, além do pagamento espontâneo, por exemplo, o debito confessado em DCTF, em compensação tributária ou parcelamento. Como dito, os presentes autos tratam de apreciar a decadência do IRPJ e da CSLL relativos ao primeiro e segundo trimestres de 1999. Ocorre que não há manifestação conclusiva nos autos no sentido de que não houve pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida. A decisão de primeira instância (efls. 147 e segs.), Acórdão nº 1214.038 da 8ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, discorre: Consultando a DIPJ/2000 (fl. 06/25) e o Relatório do Sistema SIEF/SRF (fl. 161/165), temse que a interessada apresentou a sua declaração de rendimentos optando pela tributação com base no lucro presumido e efetuou recolhimento relativo ao fato gerador ocorrido no 3° trimestre de 1999 (os débitos relativos ao 1° e 2° trimestres foram encaminhados para cobrança junto à PFN). Como se pode observar, não há nenhuma informação sobre existência de débitos de IRPJ objeto de declaração com efeito de confissão de dívida. Da mesma maneira, em relação à CSLL, tampouco há qualquer verificação sobre pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, pois no momento em que se deu o julgamento de primeira instância foi aplicado o então vigente art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de que o prazo decadencial para contribuições para seguridade social seria de dez anos. Dessa maneira, tornase imprescindível o retorno dos autos para a unidade preparadora, para que se verifique se os tributos em debate foram objeto de pagamento ou de declaração com efeito de confissão de dívida (inclusive parcelamento). Orientase pelo preenchimento de planilha nos moldes a seguir, para cada tributo (IRPJ e CSLL) e fato gerador: Tributo FG Valor objeto de confissão de dívida em declaração Valor pago 1 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 18471.002468/200490 Resolução nº 9101000.045 CSRFT1 Fl. 535 6 Poderá a unidade preparadora incluir informações complementares se considerar pertinente. Voto, portanto, no sentido de determinar o retorno dos presentes autos para a para a unidade preparadora, para informar se os tributos foram objeto de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, nos termos do presente voto. A PGFN e a Contribuinte devem tomar ciência do resultado da diligência para se manifestar estritamente sobre seu conteúdo, e na sequência os presentes autos devem retornar para julgamento do presente Colegiado. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 535DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.722381/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 19/07/2010, 03/11/2010, 04/05/2011, 11/07/2011, 26/07/2011, 14/09/2011, 04/01/2012, 23/02/2012, 04/04/2012
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.CABIMENTO.
A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, consistem em infrações puníveis com a pena de perdimento, devendo ser substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida.
DESPROPORCIONALIDADE DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. APLICAÇÃO DA SÚMULA 2 DO CARF.
A apreciação de desproporcionalidade da multa, implicaria em verificar eventual ocorrência de confisco, o que seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma legal que prevê de forma expressa a sua incidência, o que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 3201-003.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que dava provimento ao recurso.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.CABIMENTO. A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, consistem em infrações puníveis com a pena de perdimento, devendo ser substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. DESPROPORCIONALIDADE DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. APLICAÇÃO DA SÚMULA 2 DO CARF. A apreciação de desproporcionalidade da multa, implicaria em verificar eventual ocorrência de confisco, o que seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma legal que prevê de forma expressa a sua incidência, o que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 23 81 /2 01 3- 02 Fl. 592DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que dava provimento ao recurso. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de lançamento no valor de R$ 439.016,65 (quatrocentos e trinta e nove mil, dezesseis reais e sessenta e cinco centavos), relativo à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias já comercializadas importadas através das Declarações de Importação (DI) analisadas, as quais foram identificadas como praticadas mediante ocultação do real adquirente em operações de comércio exterior. Foi interposta impugnação. Em sede preliminar, foi arguida nulidade dos lançamentos por vício relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Aduziu a defesa que o MPF delimitava o objeto da fiscalização ao exercício 2012 e ao tributo IRPJ. Prosseguiu afirmando que, uma vez tendo sido objeto dos lançamentos as contribuições PIS e COFINS, não haveria outra solução senão a anulação do MPF e, consequentemente, do auto de infração. No mérito, a impugnante aduziu a ausência de provas e que a autoridade fiscal lançou com base em presunção, sem qualquer amparo legal. Ainda, postulou a inexistência de solidariedade com base no art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Segundo a defesa, todas as operações se caracterizam simplesmente como aquisição de mercadorias no mercado interno. Também foi alegado desproporcionalidade das multas aplicadas e caráter confiscatório, tendo a defesa afirmado que: “A MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO SOMENTE PODE SER APLICADA QUANDO A MERCADORIA AINDA NÃO TIVER SIDO DESEMBARAÇADA” (fl. 470). Outro pleito trazido pela impugnante é o da aplicação da retroatividade benéfica da multa aplicada com o advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, mormente por seu art. 33, que prevê multa de 10% do valor da operação por cessão de nome para a realização de Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10074.722381/201302 Acórdão n.º 3201003.342 S3C2T1 Fl. 3 3 operações de comércio exterior. Em suas considerações finais, a ora impugnante pleiteou juntada posterior de outros elementos probatórios, dilação de prazo para impugnação e realização de diligência. É o relatório." A decisão recorrida apresenta e seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/07/2010, 03/11/2010, 04/05/2011, 11/07/2011, 26/07/2011, 14/09/2011, 04/01/2012, 23/02/2012, 04/04/2012 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior quando a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. A ocultação do real adquirente e a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, são consideradas dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas." O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) que é absurdo o entendimento da fiscalização de que as vendas efetuadas pela devedora originária (OKSN) seriam de fato efetuadas para ocultação da recorrente; (ii) que a fiscalização partiu de pressuposto equivocado para deduzir de forma sofística que uma empresa relativamente pequena não poderia realizar operações de importação, quando não há requisito de tamanho mínimo para a realização destas operações; (iii) que é nula a autuação, no qual não se operou apenas exigência de tributo não previsto no bojo do MPF, mas a própria atuação fiscal não encontrase legitimada pelo instrumento hábil a tanto; (iv) que os atos eivados de nulidade devem ser revistos de ofício; (v) que o processo administrativo pautase pelos princípios da informalidade e da verdade material; (vi) que não foi dada ciência à recorrente das modificações realizadas no MPF n°0815500/00446/13 (vii) que há ofensa ao disposto no art. 9° da Portaria RFB n° 11.371/2007; Fl. 594DF CARF MF 4 (viii) que o Auto de Infração é nulo, pois é desprovido de dados essenciais, bem como é incerto o seu contexto, o que caracteriza cerceamento do direito de defesa; (ix) que existe nulidade dos Autos de Infração que cobram multas do valor aduaneiro em razão da conversão das penas de perdimento, pois estes foram lavrados contra a empresa OKSN, não diretamente contra a recorrente, constando o seu nome como responsável solidário; (x) que não é possível a autuação em multa de perdimento e conjuntamente por suposta ocultação do real adquirente em revisão aduaneira; (xi) que inexistiu procedimento precedente para a apuração de dano ao erário e de verificação da hipótese de conversão da pena de perdimento em multa; (xii) que as presunções e alegações da autoridade autuante não foram provadas; (xiii) que foi violado o princípio da legalidade; (xiv) que há presunção de adiantamento de recursos da recorrente à importadora; (xv) que obedeceu a legislação tributária e aduaneira, não podendo ser aplicada qualquer penalidade, pois procedeu de acordo com o entendimento externado pelas autoridades administrativas; (xvi) que não se justificam as penas de perdimento e a imposição da pena prevista no artigo 33, da Lei 11488/07, devendo ser desconstituídas tais penalidades; (xvii) que é inaplicável a multa substitutiva a pena de perdimento de mercadorias em sede de revisão aduaneira; (xviii) que não é possível aplicar a pena de perdimento convertida em multa em face da recorrente em razão da derrogação ocorrida desde a Lei 11.488/07; (xix) que o ônus da prova é do fisco e que este, em nenhum momento se desincumbiu de seu ônus; (xx) que não foi caracterizada hipótese de importação por encomenda; (xxi) que não há comprovação dos requisitos exigidos pelas DRJs e pelo CARF para manter a autuação; (xxii) que as multas aplicadas são desproporcionais e ofendem decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça; (xxiii) que não é possível aplicar a multa à recorrente, pois o descumprimento de instrução do despacho aduaneiro somente deve penalizar o contribuinteimportador; (xxiv) que há necessidade de prova robusta, e não mera suposição, para vencer a presunção de boafé do importador; (xxv) ausência de correta motivação administrativa a causar a nulidade da precária autuação fiscal, e Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10074.722381/201302 Acórdão n.º 3201003.342 S3C2T1 Fl. 4 5 (xxvi) que há necessidade de se dar ciência à recorrente dos termos defensivos eventualmente apresentados pelo contribuinte OKSN. Requer a recorrente ao final, o afastamento " in totum" ao Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Das nulidades arguidas No que tange as nulidades arguidas, entendo que não estão configuradas. O presente processo preenche todos os requisitos de validade, estando instruído corretamente, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. As situações passíveis de nulidade estão elencadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." As informações necessárias para a formalização do Auto de Infração constam do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." O Auto de Infração contém todas as informações imprescindíveis a constituição do lançamento, estando identificados (i) o fato gerador, (ii) a base legal para exigência fiscal e (iii) o valor apurado da base de cálculo e do tributo devido, bem como o demonstrativo da multa e dos juros. Fl. 596DF CARF MF 6 Ainda, entendo que estão cumpridos os requisitos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, a seguir transcrito: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Também não prospera o argumento de nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, pois preencheu todos os requisitos de validade. A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é uníssona no sentido de que o mandado de procedimento fiscal é mecanismo de controle administrativo e em não havendo nenhuma irregularidade, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte, é hígido referido procedimento, conforme decisões a seguir elencadas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. NULIDADE. MPF. O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dandolhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. (...)" (Processo 15540.000551/201013; Acórdão 1402002.522; Relator Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar) "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10074.722381/201302 Acórdão n.º 3201003.342 S3C2T1 Fl. 5 7 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. CONTENCIOSO. NULIDADE. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação ao lançamento. (...)" (Processo 10830.722095/201168; Acórdão 2401004.899; Relatora Conselheira MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI; Sessão de 08/06/2017) No caso dos autos não se vislumbra qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas nos citados dispositivos que regem a matéria, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, bem como, não se vislumbra qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Com efeito, o contribuinte tem que apresentar sua defesa dos fatos retratados na autuação, pois ali estão de forma pormenorizadamente descritos, de forma clara e precisa, estando evidenciado no presente caso que não houve nenhum prejuízo à defesa. Corrobora tal fato que a recorrente apresentou extensa peça recursal (78 laudas) o que demonstra que teve pleno conhecimento de todos os fatos e aspectos inerentes ao lançamento com condições de elaborar as peças impugnatória e recursal. A jurisprudência administrativa assim entende: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/05/2009 a 31/08/2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no CTN ou Decreto 70.235, de 1972. (...)" (Processo 10950.723159/201343; Acórdão 3301003.872; Relator Conselheiro ;LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS; Sessão de 27/06/2017) "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2007 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA HIGIDEZ DO LANÇAMENTO FISCAL INOCORRÊNCIA Fl. 598DF CARF MF 8 Não se verifica cerceamento do direito de defesa diante da constatação da higidez do lançamento fiscal, cumpridor dos requisitos legais exigidos para a sua validade, que identifica claramente os fatos geradores e sua origem, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, reportando a apuração da base de cálculo. Se as cópias dos documentos que fundamentaram o lançamento foram entregues pelo contribuinte, não é imperioso que estas estejam necessariamente acostadas nos autos do processo administrativo, pois o próprio contribuinte as detém e, assim, lhe conferem condições de averiguação da higidez do lançamento fiscal, o que não causa prejuízo ao contraditório e ao seu direito de defesa. (...)" (Processo 10803.000156/200864; Acórdão 2201003.657; Relator Conselheiro MARCELO MILTON DA SILVA RISSO; Sessão de 06/06/2017). Diante do exposto, entendo não estar configurada nenhuma nulidade apta a resultar no refazimento do processo administrativo fiscal ou no seu cancelamento, razão pela qual não acolho as preliminares arguidas. Do mérito Em relação ao mérito recursal, melhor sorte não assiste à recorrente. O presente processo versa sobre a constituição de crédito tributário referente à aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias já comercializadas importadas através das Declarações de Importação (DI) analisadas, as quais foram identificadas como praticadas mediante ocultação do real adquirente em operações de comércio exterior. A decisão recorrida assim anota: "De acordo com o Relatório de Fiscalização (fls. 1123), restou patente nos autos que a empresa Milly, ora impugnante, foi a real adquirente das mercadorias objeto das DI apresentadas no quadro anterior. E não como compradora no mercado interno, mas utilizandose da empresa OKSN em operações irregulares de comércio exterior mediante interposição fraudulenta, permanecendo oculta ao Fisco. Contra tal empresa inclusive existe processo administrativo específico tratando de sua responsabilidade em tais operações: 10074.721681/201285. " E prossegue: "Em diligência à sede da OKSN, verificouse que se tratava de uma mera sala comercial e contava com apenas um funcionário (secretária), o que inviabiliza sua atuação no comércio exterior por conta própria, uma vez ausentes infraestrutura humana e física para tal. Extraio do Relatório de Fiscalização (fl. 1718): Fl. 599DF CARF MF Processo nº 10074.722381/201302 Acórdão n.º 3201003.342 S3C2T1 Fl. 6 9 Tendo em conta tais circunstâncias e demais analisadas no curso do processo nº 10074.721681/201285, foi lavrada autuação com base no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, por cessão de seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários." Novamente a sistemática operacional caracterizadora da infração é destacada na decisão recorrida: "Colho no relatório da fiscalização que as operações de importação conduzidas pela OKSN eram sempre declaradas como próprias. Entretanto, a movimentação das mercadorias recém desembaraçadas evidenciava situação que não se coadunava como importações por conta própria, ou seja, a totalidade das mercadorias era integralmente revendida imediatamente após o desembaraço a uma única empresa (em cada caso) e geralmente através de uma única nota fiscal. Apresento no quadro abaixo as notas fiscais4 (fls. 2998 e 102 394) que acobertaram a saída (venda para a ora impugnante) das mercadorias importadas, evidenciando que toda a operação fora previamente contratada e caracterizando a utilização de fraude mediante interposição: Fl. 600DF CARF MF 10 Entendo que o conjunto probatório apresentado pela fiscalização é satisfatório para a caracterização da infração. Durante todo o transcurso processual, a recorrente não logrou êxito em provar suas afirmações, não colacionando aos autos nenhuma prova documental hábil a desconstituir as razões consignadas no lançamento. Vejase, ainda, que há o reconhecimento da infração na própria peça impugnatória (fl. 455): “A ocultação está inclusive admitida na própria impugnação (fl. 455): “A importação era realizada na modalidade de importação direta, somente pelo fato de a adquirente não estar devidamente habilitada no Radar e demais sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal”." Assim, podese afirmar, inclusive, que há a ocorrência de fato incontroverso com a confissão e reconhecimento da infração, o que implica na aplicação subsidiária dos arts. 374 e 389 do Código de Processo Civil, a seguir transcritos: "Art. 374. Não dependem de prova os fatos: I notórios; Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10074.722381/201302 Acórdão n.º 3201003.342 S3C2T1 Fl. 7 11 II afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III admitidos no processo como incontroversos;" "Art. 389. Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário." Como consignado durante o transcurso processual, a recorrente foi a real adquirente das mercadorias objeto das DI que instruem o presente processo e não como compradora no mercado interno, mas utilizandose da empresa OKSN. Merece ser destacado que no processo administrativo 10074.721681/201285 envolvendo a empresa OKSN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELI, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, recentemente, por unanimidade de votos, decidiu pela procedência da autuação com o não provimento do recurso interposto (Acórdão 3401003.312). Tal decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 03/07/2008 a 25/04/2012 INFRAÇÕES ADUANEIRAS. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação." Do voto do relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan destaco os seguintes excertos: "No caso em análise, o fisco, após verificar o fluxo financeiro da empresa, e mapeálo, percebeu aportes diversos não identificados que tornaram claro que a empresa não detinha, por si, recursos para financiar as importações declaradas como Fl. 602DF CARF MF 12 próprias. Tratavamse, assim, de operações de terceiros. Isso resta provado pela simples impossibilidade de a empresa revelar objetivamente a origem e a disponibilidade dos valores empregados na operação (associada à presunção estabelecida no do art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976). Mas a fiscalização seguiu adiante em seus trabalhos, buscando evidenciar de que forma as operações de venda se relacionavam às declarações de importação da OKSN, percebendo, com cruzamento de informações, que a cada importação correspondia uma venda integral a diferentes compradores, conforme planilhas de fls. 2174 a 2629. E colacionou ainda exemplos, retirados das planilhas, às fls. 9600 a 9602. Tomemos um deles (fl. 9600), no qual a OKSN importou (DI no 12/00976993) exatamente 200 pastas de notebook, 5000 minilanternas, e 52.100 fones de ouvido, de 7 modelos diferentes, sendo tais itens integralmente vendidos na data do desembaraço da mercadoria à "CH Comércio de Presentes LTDAEPP", conforme nota fiscal no 794. Ou outro, relacionado à fl. 9601: Prossegue o relator: "E quem presta informações que atentam contra a própria lógica ou razoabilidade tem o dever de trazer consistentes argumentos, calcados em documentos, não na simples alegação de "eficiência", ou de visão de "homem de negócios". Nessa seara, até se aceitaria, por irrazoável que fosse, a argumentação da recorrente, se acompanhada de um mínimo de amparo documental. Mas nenhum esforço faz a recorrente nesse sentido. Da mesma forma, nenhum esforço faz a defesa para contrapor objetivamente a conclusão fiscal, demonstrando, em contraposição ao fluxo financeiro delineado pela fiscalização, exatamente quem efetuou cada depósito em sua contacorrente, financiando as operações de importação. Com os elementos acostados nos autos, que vinculam objetiva e detalhadamente cada uma das 341 importações efetuadas pela recorrente a notas fiscais de venda integral de múltiplas mercadorias, quase que forma imediata, no mercado interno, aliado à depósitos na contacorrente indicados como "recebimento de clientes", mas não identificados (tudo isso incontroverso), entendemos reunidas as condições para que se vislumbre nos autos um caso clássico de interposição fraudulenta comprovada, estando a OKSN, em verdade, a acobertar os reais adquirentes das mercadorias importadas. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10074.722381/201302 Acórdão n.º 3201003.342 S3C2T1 Fl. 8 13 E tal conduta é tipificada no artigo 23, V do DecretoLei no 1.455/1976, em contraposição à interposição fraudulenta presumida (fruto da presunção estabelecida no artigo 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976, e que seria aplicável ao presente caso se tivesse a fiscalização se contentado com a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência, tendo em vista a não identificação dos depósitos em conta corrente indicados como "recebimento de fornecedores", e parado por aí seus trabalhos). A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser, assim, comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Diante de tal quadro, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição fraudulenta e aplica se o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada, por sua vez, é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado, como nos autos (nos quais resta evidente que o acobertante é a OKSN e os acobertados são as empresas relacionadas nas planilhas de fls. 2174 a 2629). Nesse caso, a penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. Essa distinção fica bem explicada a partir da simples leitura do parágrafo único do art. 33 da Lei no 11.488/2007." A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é pacífica em relação a matéria de que em sendo caracterizada a ocultação do real adquirente a multa substitutiva a de perdimento tem plena aplicação, conforme precedentes a seguir transcritos: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/08/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.CABIMENTO. A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, consistem em infrações puníveis com a pena de perdimento, devendo ser substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. Recurso Voluntário Negado Fl. 604DF CARF MF 14 Crédito Tributário Mantido" (Processo 10983.721149/201477; Acórdão 3302004.440; Relator Conselheiro WALKER ARAÚJO; Sessão de 29/06/2017) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/09/2010, 13/12/2010, 21/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 17/02/2011, 25/02/2011 Ementa: DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. Considerase dano ao Erário a ocultação do real responsável pela operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 10111.721278/201424; Acórdão 3302004.290; Relator Conselheiro PAULO GUILHERME DEROULEDE; Sessão de 24/05/2017) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/04/2012 a 24/01/2014 OCULTAÇÃO DO REAL INTERESSADO NAS OPERAÇÕES DE MERCADO EXTERNO. Configura infração e presume interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem dos recursos empregados, autoriza aplicação da pena de perdimento de mercadorias, não localizadas, impõe conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro ou preço de venda. Ementa: SOLIDARIEDADE. PROVA. Demonstrado o interesse direto nas operações por meio de fornecimento de recursos financeiros resta caracterizado interposição fraudulenta, impondo a solidariedade. SOLIDARIEDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Constatado existência de prova robusta em relação a uma das empresas apontadas na sujeição passiva, impõe em manter solidariedade atribuída. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11128.720679/201521; Acórdão 3302004.147; Relator Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO; Sessão de 27/04/2017) Com relação ao argumento de desproporcionalidade das multas, sua apreciação, implicaria em verificar eventual ocorrência de confisco, o que seria equivalente a Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10074.722381/201302 Acórdão n.º 3201003.342 S3C2T1 Fl. 9 15 reconhecer a inconstitucionalidade da norma legal que prevê de forma expressa a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Neste sentido, assim dispõe a Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, em relação a tal argumento maiores digressões se tornam desnecessárias. No que tange ao argumento de retroatividade benéfica da multa aplicada, adoto como razões de decidir, o contido na decisão recorrida, conforme a seguir: "Uma das teses defensivas é o da aplicação da retroatividade benéfica da multa aplicada com o advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, mormente por seu art. 33, que prevê multa de 10% do valor da operação por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior. Ora, em primeiro lugar tratase de situações diferentes, ou seja, OKSN, Principal e Asiamex em processo autônomo foram penalizadas com base no art. 33 retro aludido. Entretanto, o atual lançamento referese à ocultação do real adquirente e não à cessão do nome. Ademais, não haveria de se cogitar em retroatividade benéfica, haja vista o dispositivo legal datar do ano de 2007, enquanto os fatos ora analisados ocorreram entre 2008 e 2012. Pareceme ter sido esse mais um dos argumentos apresentados resultantes da prática “copiar – colar”, descontextualizado no presente processo, não só pelos fatos em si, mas principalmente pelo elemento temporal." Adicionalmente, destaco a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o tema: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 23/08/2006 a 20/03/2007 CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Fl. 606DF CARF MF 16 Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas." (Processo 10142.000539/200782; Acórdão 9303004.714; Relatora Conselheira ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, sessão de 21/03/2017) Diante do exposto, voto pelo desprovimento do recurso interposto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 607DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.903428/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 34 28 /2 00 9- 90 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10983.903428/200990 Acórdão n.º 1402002.947 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC – DRF Florianópolis proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento arrolado como crédito já teria sido integralmente utilizado. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança do débito arrolado na compensação, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com a autuação, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que foi entregue retificadora da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica referente ao exercício 2004, anocalendário de 2003, e também DCTF retificadora, sendo informados os débitos correspondentes ao exercício. Complementa dizendo que não merece prosperar o entendimento exarado pela autoridade fiscal, posto tratarse de compensação devida e que houve pagamento a maior/indevido. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, entendeu que não há elementos suficientes para concluir que o pagamento arrolado como crédito é maior que o devido, devendo, por isso, ser mantido o que foi decidido através do Despacho Decisório e ser considerada não homologada a compensação. Fundamentou a sua decisão que a recorrente admite que apresentou a DCTF retificadora, somente após a ciência do Despacho Decisório. Portanto, a conclusão a que chegou o Despacho Decisório advém das informações contidas nos sistemas de controle da RFB, que foram prestadas pela própria interessada através da DCTF original. Destarte, é certo, porém, que a retificação da DCTF promovida através da mera apresentação de declaração retificadora, sem a comprovação documental do erro anteriormente cometido, não tem o condão de, de pronto, alterar o débito anteriormente informado e, conseqüentemente, fazer surgir crédito para ser utilizado em compensação. Neste sentido, deve ser levado em conta que a interessada apresentou retificação da DCTF somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, sem a devida comprovação de que o valor do débito anteriormente confessado não é devido, o que seria obrigatório na hipótese ora analisada, dada a perda de espontaneidade. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10983.903428/200990 Acórdão n.º 1402002.947 S1C4T2 Fl. 4 3 O art. 1º da IN nº 166/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ retificadora, sem condicionar a necessidade de DCTF retificadora; Os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade, sendo ônus da fiscalização solicitar documentos, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72; A apresentação da DCTF retificadora apresentada após o início do MPF não constituiria motivo por si só para indeferimento do pedido de restituição; Aplicarseia a verdade material, pois um erro material no envio da DCTF retificadora não poderia prevalecer sobre o direito do crédito, este decorrente de pagamento indevidamente efetuado, e informado na DIPJ. Cita alguns acórdãos e ementas pertinentes para corroborar seu raciocínio; Se houvesse dúvida, poderia ser convertido o julgamento em diligência, para análise do direito creditório e da compensação; Dispõe posteriormente sobre a formalidade moderada e da verdade material que regem o processo administrativo fiscal para justificar a apresentação da DIPJ e demais documentos que demonstram o direito ao crédito; Disto pede que seja julgado procedente o presente recurso, e alternativamente, seja determinada a conversão em diligência para apuração da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.926, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.901701/200941. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.926): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pela recorrente, para apuração da compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10983.903428/200990 Acórdão n.º 1402002.947 S1C4T2 Fl. 5 4 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Destarte, INDEFIRO o pedido de diligência. Da questão material Conforme relatado, o Despacho Decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pela recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignada, a recorrente alega que no ano de 2004 retificou a DIPJ do período, informando os verdadeiros débitos correspondentes ao exercício. Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, foi apresentada, no seu prazo devido, a DIPJ original, referente ao anocalendário do tributo e respectivo período de apuração do tributo em questão neste processo. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostra se compatível com o que fora declarado na DCTF e na DIPJ originais. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta na DIPJ última entregue, e sem ter retificado a DCTF original, a recorrente apresentou a DCOMP pleiteando a compensação ora em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Somente no ano de 2009, após tomar ciência do Despacho Decisório, a recorrente retificou a DCTF original, informando nesta o valor então apurado na DIPJ última entregue. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pela DIPJ, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído. A DIPJ tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratórioconstitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, na data da apresentação da DCOMP não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido retificada, o que significa que o crédito utilizado pela recorrente em sua compensação, juridicamente, não existia. No caso que se examina, não há dúvidas que a recorrente retificou sua DCTF somente após a ciência da decisão administrativa que não homologou a compensação pretendida. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10983.903428/200990 Acórdão n.º 1402002.947 S1C4T2 Fl. 6 5 liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Há ainda que se destacar que a retificação da DCTF ocorreu já com o decurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito ali declarado, nos termos do art. 168, caput, do CTN, de forma que a referida retificação não poderia produzir quaisquer efeitos tributários. Com este entendimento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeito a solicitação de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.900044/2012-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas.
Numero da decisão: 3001-000.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 00 44 /2 01 2- 74 Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13855.900044/201274 Acórdão n.º 3001000.114 S3C0T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CTA, que não reconheceu do direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 21/09/2009, transmitiu PER/DCOMP nº 32087.19137.210909.1.7.049390 declarando a compensação de débito de PIS/PAPESP (Cód.6912), do P.A. 07/2009 no valor de R$ 15.158,74 com crédito de COFINS (cód. 5856), recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 10/2004. Do Despacho Decisório A DRF de Franca/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (eFls. 9), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência do crédito informado, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 17), pugnando por seu direito à compensação praticada, alegando que houve erro na PER/DCOMP original sendo que a mesma foi retificada indicando o valor correto do crédito, fato que não foi considerado, causando o indeferimento da compensação. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/CTA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2004 a 31/10/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações requeridas. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera alegação de direito desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período não é suficiente para demonstrar que houve recolhimento indevido ou maior que o devido de contribuição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13855.900044/201274 Acórdão n.º 3001000.114 S3C0T1 Fl. 4 3 Do Recurso Voluntário O sujeito passivo, cientificado da decisão de primeiro grau, ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 310), abordando apenas questão de direito nos seguintes termos: “Considerando o direito líquido e certo aos valores em tela conforme se depreendem das declarações bastantes, é a presente manifestação de inconformidade para requerer a VALIDAÇÃO E DEVIDO PROCESSAMENTO DOS CRÉDITOS LEVANTADOS ORIUNDOS DE PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR DEVIDAMENTE DECLARADOS EM DCTFs E DIPJs E UTILIZADOS PARA PAGAMENTOS DE DÉBITOS ENTÃO VINCENDOS NOS TERMOS QUE DEMONSTRAM A DOCUMENTAÇÃO ACOSTADA AOS AUTOS, com a homologação das compensações ora acostadas e confeccionadas com o saneamento dos erros acima apontados, mas que, por impossibilidade de configuração do sistema, não pode ser enviada para análise devida, assim pedese a transmissão das mesmas”. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CTA tratou adequadamente a matéria, expondo de forma clara e objetiva as razões de decidir. Sobre os fatos motivadores do processo diz o julgador que: "Consultandose o sistema de controle de DCTF, vêse que, em relação ao 4º trimestre de 2004, a contribuinte transmitiu uma única declaração (em 14/02/2005 – nº 100.0000.2005.1750384118) e que nela o débito de Cofins (5856) de outubro de 2004 foi informado (confessado) como sendo de R$ 10.782,86, mesmo valor constante da DIPJ e considerado no despacho decisório" . Mais além o julgador comenta que "Em sua manifestação a contribuinte alega que foram identificados equívocos no preenchimento das declarações e que por simples falha administrativa as retificadoras não foram transmitidas. Analisandose os documentos apresentados vêse que a contribuinte juntou cópias de DCTF e DIPJ retificadoras, que não foram transmitidas, com a indicação de um débito de R$ 1.498,97 relativamente à Cofins de outubro de 2004 (cód. 5856). Entendese, portanto, que seja este o valor pretendido como sendo o relativo à contribuição do período". A Recorrente em seu recurso limitase a alegar que a documentação acostada aos autos é suficiente para demonstrar a origem do crédito pretendido, pela ocorrência de pagamento a maior que o devido de COFINS para a competência 10/2004. O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13855.900044/201274 Acórdão n.º 3001000.114 S3C0T1 Fl. 5 4 homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Para compensação de tributos, é condição indispensável a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional CTN1. Deve haver a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que poderia ser verificado na análise da documentação contábil e fiscal da Contribuinte. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.(sublinhei) As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. () Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter inalterada a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900930/2012-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO VENCIDO. REGULARMENTE DECLARADO. MULTA DE MORA. PROCEDÊNCIA.
O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo (Sumula 360/STJ).
Numero da decisão: 3001-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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DÉBITO VENCIDO. REGULARMENTE DECLARADO. MULTA DE MORA. PROCEDÊNCIA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo (Sumula 360/STJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 09 30 /2 01 2- 21 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10950.900930/201221 Acórdão n.º 3001000.150 S3C0T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/RPO, que manteve o crédito tributário em litígio, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 02/12/2009, transmitiu PER/DCOMP nº 02998.63409.021209.1.3.040043 declarando a compensação de débito da COFINS referente aos períodos de apuração agosto e setembro de 2009, com crédito, também, da COFINS (cód. 2172), arrecadado via DARF na data de 23/01/2009 do período de apuração 12/2008. Do Despacho Decisório A DRF de Maringá em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (efls.9), atestando que: “A análise do direito creditório está limitada ao valor do ‘crédito original da data de transmissão’ informado na PER/DCOMP, correspondendo a R$ 70.365,35. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada”. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.19), requerendo a revisão do despacho decisório, em virtude de que a compensação dos tributos, mesmo que fora do prazo e acompanhado de juros de mora, não cabe a aplicação de multa de mora, tendo em vista o disposto no art. 138 e parágrafo único do CTN. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 5ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, fundamentado na correta incidência da multa de mora sobre débitos em atraso objeto de pedido de compensação mediante DCOMP. Aponta para o fato de que os débitos já estavam declarados em DCTF, inclusive, reconhecidos pela própria contribuinte. Verificase ainda, julgado do STJ representativo de controvérsia nos termos do art. 543C do CPC. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo, cientificado da decisão de primeiro grau, ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls.49), pedindo a revisão da decisão recorrida fundamentado nos seguintes pontos: 1. que a entrega da PER/DCOMP se deu de forma espontânea, como espontânea foi a denúncia dos débitos, que são de datas posteriores dos referidos créditos; 2. que o procedimento de compensação foi realizado antes de qualquer procedimento fiscalizatório por parte da Receita Federal do Brasil, portanto, de acordo com o artigo 138 e parágrafo único do CTN, o qual desobriga o contribuinte ao pagamento de multa de mora; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10950.900930/201221 Acórdão n.º 3001000.150 S3C0T1 Fl. 4 3 3. que aos débitos denunciados foram acrescidos os juros de mora pela taxa SELIC; 4. sendo a compensação forma de extinção do crédito tributário nos termos do Art. 156 do CTN, não há impedimento para que se aplique o instituto da denuncia espontânea, mesmo depois de declarado o débito em DCTF, conforme precedente do 1º Conselho de Contribuintes/5ª Câmara/Acórdão 10516.561 em 14/06/2007; Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Não assiste razão a recorrente. A decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/RPO tratou adequadamente a matéria, expondo que o benefício da denúncia espontânea para exclusão da multa de mora não atende os casos em que o débito compensado já havia sido declarado em DCTF. A recorrente não nega que os débitos compensados já tinham sido objeto de declaração em DCTF, extraindose do item 3 da manifestação de inconformidade a seguinte parte: “Referente ao pagamento a destempo de tributos, devidamente acrescido de juros de mora, ter sido efetuado depois de declarados o débito em DCTF, não impede que se aplique o instituto da denuncia espontânea,”... O precedente do STJ, Recurso Especial nº 1.149.022SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, decisão submetida ao rito do artigo 543C do CPC, trazido aos autos com a decisão singular, apresenta o caso em que não houve débito declarado em DCTF anteriormente a transmissão da PER/DCOMP, razão do cabimento da exclusão da multa moratória: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10950.900930/201221 Acórdão n.º 3001000.150 S3C0T1 Fl. 5 4 Para o caso da recorrente, como apresentado, cujo débito compensado já havia sido apurado e declarado ao fisco, os interesses da contribuinte chocamse com o estabelecido na Súmula 360 do STJ, citada no item 2 da ementa parcialmente transcrita no parágrafo anterior: 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). Muito embora a recorrente diga que o crédito apresentado é de data anterior ao vencimento do débito regularmente declarado ao fisco, a disponibilidade desse crédito para extinção de débitos só foi efetuado com a apresentação da PER/DCOMP que deu origem ao presente processo, quando já transcorrido determinado tempo do vencimento desses débitos. Como já consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça, a não incidência de multa moratória só seria aplicável se o débito compensado fosse apurado e declarado ao fisco juntamente com a declaração de compensação. Tratandose de matéria submetida à recursos repetitivos do STJ (art. 543C, do CPC), o CARF obrigase a seguilos nos termos do Art. 62, II, letra “b” do RICARF. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter inalterada a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 58DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722757/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN.
No julgamento do REsp n° 973.733/SC, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utiliza-se a sistemática prevista no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do art. 62 da Portaria MF n.° 343, de 09/06/2015.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇOES. BASE DE CÁLCULO. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE
O princípio da legalidade dos tributos, impede a aplicação analógica para criar base de cálculo não prevista na legislação federal, utilizando leis municipais e estaduais do domicílio do contribuinte, toda vez que dela resulte na criação de um débito tributário.
Numero da decisão: 2201-004.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 16/03/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. No julgamento do REsp n° 973.733/SC, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, utilizase a sistemática prevista no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Aplicação do art. 62 da Portaria MF n.° 343, de 09/06/2015. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇOES. BASE DE CÁLCULO. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE O princípio da legalidade dos tributos, impede a aplicação analógica para criar base de cálculo não prevista na legislação federal, utilizando leis municipais e estaduais do domicílio do contribuinte, toda vez que dela resulte na criação de um débito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para darlhe provimento. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, que negava provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 27 57 /2 01 2- 28 Fl. 595DF CARF MF Processo nº 19515.722757/201228 Acórdão n.º 2201004.125 S2C2T1 Fl. 596 2 Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1646.447 18ª Turma da DRJ/SP1, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração, pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF incidente sobre ganho de capital na integralização de participação societária através de ações. A descrição dos fatos foi feita de modo elucidativo pela decisão de piso, nos termos seguintes: O contribuinte em epígrafe insurgese contra o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 203/206 e Demonstrativo de Apuração de fls. 201/202, referente ao imposto de renda pessoa física Ganhos de Capital, fato gerador 31/03/2007, que lhe exige crédito tributário no montante de R$602.472,53, sendo R$ 196.463,22 de imposto (código 2904), R$294.694,83 de multa proporcional e R$111.314,48 de juros de mora (calculados até 30/11/2012). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) (fls. 205/206), foi(ram) apurada(s) a(s) infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. DIREITOS GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇAO DE BENS E OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇAO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações ou quotas, conforme Termo de Verificação Fiscal. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/03/2007 1.309.754,85 150,00 Enquadramento Legal: Lei n° 4.502/1964 artigos 71 a 73; Lei n 5.172/1966 (CTN) artigos 43, 108, 113, 114, 150 e 173; Fl. 596DF CARF MF Processo nº 19515.722757/201228 Acórdão n.º 2201004.125 S2C2T1 Fl. 597 3 Lei n° 6.404/1976 artigos 7° e 8°; Lei n° 7.713/1988 artigos 1° a 3°, 16, 19 a 22; Lei n° 8.134/1990 artigos 1°, 2° e 4°; Lei n° 8.981/1995 artigos 7°, 21, 22 e 24; Lei n° 9.249/1995 artigos 10, 17 e 23; Lei n° 9.250/1995 artigos 23 a 25; Lei n° 9.430/1996 artigo 44; Lei n° 9.532/1997 artigos 16 e 17; Lei n° 11.196/2005 artigo 38; Lei n° 11.154/1991 do Município de SP (ITBI/SP) artigo 9°; Lei n° 10.705/2000 do Estado de SP (ITCMD/SP) artigo 9°; Decreto n° 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 artigos 123 a 135, 142 e 957. MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 22/01/2007 e 14/06/2007. 150,00% Art. 44, inciso I e § 1°, da Lei n° 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/2007. Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 167/200, parte integrante do Auto de Infração. Cientificado do lançamento em foco, por via postal, em 06/12/2012 (AR de fl. 208), o interessado apresentou, em 04/01/2013, por intermédio de seus procuradores (fl. 269), a impugnação de fls. 212/267, instruída com os documentos de fls. 268/417, aduzindo, em síntese, que discorda da autuação, em face: II.a) Da Decadência; II.b) Da Legalidade do Procedimento do Requerente; II.c) Da Invenção da Base de Cálculo do IRPF e Erro quanto à Redução de Valor da NuaPropriedade, por inexistência de apuração do bem a valor de mercado e interpretação equivocada da Legislação de ITCMD/SP; II.d) da Inexistência de Acréscimo Patrimonial; II.e) Da Ilegalidade da Hipótese de Incidência e da Base de Cálculo, pela utilização da Lei Estadual do ITCMD e descabimento da utilização da analogia e da equidade; II.f) Do Desrespeito ao Princípio da Isonomia; II.g) Da inconsistência do arbitramento da base de cálculo do IRPF; II.h) Da Inexistência de Fraude, Dolo e Simulação; para, ao final, requerer seja cancelado integralmente o lançamento de IRPF, além das condenações dele advindas; e/ou cancelada a multa qualificada de 150%. Fl. 597DF CARF MF Processo nº 19515.722757/201228 Acórdão n.º 2201004.125 S2C2T1 Fl. 598 4 A DRJ São Paulo I proferiu decisão (acórdão de fls. 420/459) nos termos da seguinte ementa: DECADÊNCIA. GANHO DE CAPITAL. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, com a finalidade de dissimular e ocultar o fato gerador do ganho de capital na alienação de bens e direitos, não se aplica o prazo decadencial de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, previsto no art. 150, § 4°, do CTN, deslocando se a contagem para a regra geral estatuída no art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. Se a transferência de bens e direitos, a título de integralização de capital, não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior é tributável como ganho de capital. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Configurada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. A ciência dessa decisão ocorreu em 09/04/2014 (fl.464) e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 08/05/2014 (fls. 466/529). Em suas razões de recorrer, o contribuinte alega, em síntese, que: 1) A decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, uma vez que a integralização das ações ocorreu em 03/2007 e a ciência do lançamento se deu em 12/2002; 2) A Fiscalização, sabedora que o crédito tributário não se sustentava em face da decadência, criou uma dissimulação por parte do sujeito passivo para alegar que o a contagem do prazo decadencial se dava pela regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. 3) O sujeito passivo não agiu com dolo, fraude, ou simulação que possa fundamentar a aplicação do art. 173, I, do CTN, devendo ser aplicado ao caso a regra inserta no art. 150, § 4º, do CTN, estando decadente todo o período do lançamento do crédito tributário. 4) A operação que integralizou a nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A para a Daycoval Holding Financeira S/A, com reserva de usufruto para o recorrente, foi efetuada obedecendo rigorosamente aos preceitos legais, inclusive de acordo com orientações da própria Receita Federal do Brasil. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 19515.722757/201228 Acórdão n.º 2201004.125 S2C2T1 Fl. 599 5 5) O descabimento do emprego da analogia e da equidade para chegar ao valor da nuapropriedade das ações. 6) A opção pela legislação paulista do ITCMD para o valor da nua propriedade afronta o princípio da isonomia, posto que dá tratamento diferente aos contribuintes, a depender do seu local de domicílio. 7) Necessidade de ser aplicada a norma mais benéfica ao contribuinte e arbitramento indevido da base de cálculo do tributo. Requer, por fim, que seja conhecido e provido o presente recurso voluntário, cancelandose integralmente o lançamento em face da decadência e das razões de mérito, ou quando menos, seja afastada a qualificação da multa em 150%. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. De início, impende ressaltar que este colegiado já entrentou as matérias subtidas a julgamento no processo nº 19515.722767/201263, através do acórdão nº 2201 003.255, 12 de julho de 2016, tendo como recorrente CARLOS MOCHE DAYAN. Nesta ocasião, aderi ao voto do ilustre Relator Carlos César Quadros Pierre, cujo voto transcrevo abaixo e adoto como minha razão de decidir para o presente caso: Cuida o presente lançamento de omissão de ganhos de capital na alienação de participações societárias não negociadas em bolsa, relativamente a fato gerador ocorrido em 31/03/2007. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar a preliminar de decadência do crédito tributário. De início, impende assentar que em se tratando de decadência de tributo lançado por homo'ogação, o § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) fixa prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 599DF CARF MF Processo nº 19515.722757/201228 Acórdão n.º 2201004.125 S2C2T1 Fl. 600 6 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4° Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, o § 2° do art. 62 da Portaria MF n.° 343, de 09/06/2015, passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Em relação à decadência dos tributos lançados por homologação, temos como parâmetro o Recurso Especial n° 973.733/SC de 12/08/2009, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC. O julgamento determinou que nos casos em que houver pagamento antecipado e/ou imposto de renda retido na fonte, ainda que parcial, o termo inicial será contado a partir do fato gerador, na forma do § 4° do art. 150 do CTN. Contudo, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN: Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso dos autos, independentemente da análise do dolo, fraude ou simulação, como não houve pagamento antecipado, que tenha conexão com o fato gerador, portanto, apto a atrair o § 4° do art. 150 do CTN, devese aplicar à regra contida no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, aplicando ao caso a regra expressa no inciso I do art. 173 do CTN, a contagem do decurso do prazo de cinco anos tem início em 1701/2008, expirando em 31/12/2012, portanto o crédito tributário não havia sido ainda atingido pela decadência, Fl. 600DF CARF MF Processo nº 19515.722757/201228 Acórdão n.º 2201004.125 S2C2T1 Fl. 601 7 já que a ciência do auto de infração ocorreu em 06/12/2012 (fl. 225). Encerrada a apreciação da preliminar, passase ao exame das questões de mérito. Segundo se colhe dos autos, a autoridade fiscal identificou a existência de ganho de capital, não oferecido à tributação, decorrente da subscrição e integralização de ações da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, CNPJ 08.693.834/000131, com a nua propriedade de ações do Banco Daycoval S/A, CNPJ 62.232.889/000190. De acordo com a fiscalização, como não foi apresentado pelo contribuinte nenhum documento comprobatório do custo da nua propriedade das ações do Banco Daycoval S/A, a autoridade fiscal se valeu do art. 16 da Lei n° 7.713/1988, ou seja, utilizou se como custo de aquisição o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão (ITCMD/SP). Por sua vez, alega o suplicante, em linhas gerais, que inexiste norma que distinga a nuapropriedade da propriedade plena de ações para efeito de integralização de capital. In casu, no momento da cessão da nuapropriedade das ações do Banco em favor da Holding, utilizouse o valor de custo contido em sua DIRPF para efeito de aumento de seu capital social, conforme determina a Lei n° 9.249/1995. Assevera ainda que é ilegal e ilegítimo a base de cálculo utilizada com base na Lei Estadual do ITCMD, já que é incabível, neste caso, a utilização da analogia e da equidade. Por fim, questiona a qualificação da multa, já que inexiste fraude, dolo ou simulação. Como visto dos autos, a controvérsia cingese na integralização de Ações da Daycoval Holding Financeira S/A com a transferência da NuaPropriedade das Ações do Banco Daycoval S/A. Na visão da fiscalização e da autoridade recorrida, a Ata de Assembléia Geral Extraordinária de 20/03/2007, da Daycoval Holding Financeira S/A (fls. 64/67), juntamente com o respectivo Laudo de Avaliação nela descrito (fls. 78/81), constatouse que a avaliação exigida pelo art. 8° da Lei n° 6.404/1976, foi realizada para a propriedade plena das ações do Banco Daycoval S/A, e não para a nuapropriedade desses títulos mobiliários (Termo de Verificação Fiscal de fl. 198). Em razão do fato acima, asseverou a autoridade fiscal que “Assim, no processo em questão de integralização do aumento do capital social da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, o(a) contribuinte alienou, em 20/03/2007, a NUA PROPRIEDADE de 15.352.310 ações PN de sua titularidade no Banco Daycoval S/A, pelo valor total de R$ 41.081.246.33”. Por fim, concluiu que “Dessa forma, para se apurar o ganho de capital ocorrido no processo de integralização de capital da empresa Daycoval Holding Financeira S/A, é necessário que se determine o custo da nuapropriedade das ações integralizadas”. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 19515.722757/201228 Acórdão n.º 2201004.125 S2C2T1 Fl. 602 8 Com fito de se apurar o custo da nuapropriedade das ações integralizadas, já que, na visão da autuante, não foi produzido um laudo de avaliação da nuapropriedade, a autoridade fiscal se valeu do art. 16 da Lei n° 7.713/1988: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto (...) § 3° No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, (que tenham sido tributados na _ forma do art. 36 desta Lei), o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. (grifei) § 4° O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (grifei) Para fins de quantificar o custo da nuapropriedade das ações integralizadas, a fiscalização utilizouse os critérios definidos pela legislação do imposto sobre transmissão causa mortis e doação de quaisquer bens ou direitos do Estado de São Paulo ITCMD/SP, regido pela Lei Estadual n° 10.705/2000, mormente por considerar o domicílio tributário do contribuinte na capital: Artigo 9°A base de cálculo do imposto é o valor venal do bem ou direito transmitido, expresso em moeda nacional ou em UFESPs (Unidades Fiscais do Estado de São Paulo). § 1° Para os fins de que trata esta lei, considerase valor venal o valor de mercado do bem ou direito na data da abertura da sucessão ou da realização do ato ou contrato de doação. § 2° Nos casos a seguir, a base de cálculo é equivalente a: (grifouse) I 1/3 (um terço) do valor do bem, na transmissão não onerosa do domínio útil; II 2/3 (dois terços) do valor do bem, na transmissão não onerosa do domínio direto; III 1/3 (um terço) do valor do bem, na instituição do usufruto, por ato não oneroso; IV 2/3 (dois terços) do valor do bem, na transmissão não onerosa da nuapropriedade. (grifouse) Fl. 602DF CARF MF Processo nº 19515.722757/201228 Acórdão n.º 2201004.125 S2C2T1 Fl. 603 9 Citase, outrossim, art. 9° da Lei municipal n° 11.154, de 1991, relativa ao ITBI/SP: Art. 9° O valor da base de cálculo será reduzido: (Redação dada pela Lei n° 14256/2006) I Na instituição de usufruto e uso, para 1/3 (um terço); II Na transmissão de nua propriedade, para 2/3 (dois terços); IV Na transmissão de domínio direto, para 20% (vinte por cento). Parágrafo Único Consolidada a propriedade plena na pessoa do proprietário, o imposto será calculado sobre o valor do usufruto, uso ou enfiteuse. Pelo que se vê, a fiscalização considerou que o custo de aquisição da nua propriedade das ações do Banco Daycoval S/A representou 2/3 do valor do custo de aquisição da propriedade plena dessas ações, de acordo com as formas de cálculos previstas nos impostos de transmissão de bens e direitos. Como forma de referendar o procedimento adotado pela fiscalização, consignou a autoridade recorrida que “Na ausência de disposição expressa, a lei tributária autoriza que a autoridade administrativa lance mão de instrumentos de integração, entre os quais a analogia e a equidade utilizada pela Fiscalização. Que, no caso concreto, diante da falta de previsão expressa na legislação do imposto sobre a renda de pessoa física de regramento de determinação da base de cálculo de nua propriedade de bens, aplicou a norma legal prevista na legislação do ITCMD/SP e ITBI/SP, no tocante à determinação da base de cálculo envolvendo a transmissão da nua propriedade de bens”.(fls.476). Diferentemente do que argumentou a autoridade recorrida, in casu, o emprego da analogia esbarrase no princípio da legalidade, expresso no § 1° do art. 108 do CTN que taxativamente dispõe "... o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei". No caso concreto, como não há qualquer de previsão expressa na legislação federal no sentido de se utilizar o regramento de lei estadual para definir base de calculo do imposto de renda, constante dispõe o art. 142 do CTN, não pode a autoridade fiscal adotar medidas ou formas alternativas para constituir o crédito tributário. Por sua vez, o princípio da equidade também deve obedecer a reserva legal, já que sua utilização não pode afastar ou modificar a lei. A utilização do art. 16 da Lei n° 7.713/1988 é expediente legítimo; entretanto o que dispõe a lei é a utilização do "... valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de Fl. 603DF CARF MF Processo nº 19515.722757/201228 Acórdão n.º 2201004.125 S2C2T1 Fl. 604 10 transmissão" e, com a devida venia, não consta dos autos esse valor. Com efeito, os princípios da legalidade e da tipicidade, determinam que a lei disponha de todos os elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, a lei não pode deixar a critério da autoridade fiscal os requisitos necessários à sua exigência, conforme determina o art. 150, I, da Constituição Federal (É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça). A bem da verdade, a fiscalização, por ausência de uma legislação federal dispondo sobre a matéria, se valeu da legislação estadual para chegar a grandeza econômica sobre a qual se assentou a exigência. Com efeito, a utilização de tal expediente poderia, em algum momento, conflitar com o principio da uniformidade tributária (é vedado à União instituir tributo que não seja uniforme em todo território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou ao Município art. 151, I da Constituição Federal), já que cada estado dispõe de modo diferente sobre a quantificação da base de cálculo da nuapropriedade. À título de exemplo, a legislação do Estado do Rio Grande do Sul, Lei n° 8.821/1989, utiliza como base de cálculo para o ITCD sempre o valor total do bem, independentemente se a transmissão é da propriedade plena ou da nuapropriedade (art. 7°, Inciso II e VI, e art. 12 ), portanto para o mesmo tributo federal, qual seja, Imposto de Renda sobre Ganhos de Capital, não haveria tratamento isonômico entre os contribuintes domiciliados no estado de São Paulo e aqueles domiciliados no estado do Rio Grande do Sul, o que é vedado pela Constituição Federal. Inclusive, repiso, é inaplicável ao caso, as legislações do Estado de São Paulo acerca do ITBI e ITCMD, uma vez que estas não guardam qualquer relação com o tributo lançado, o qual é de competência Federal, não podendo ter sua base de cálculo prevista, ainda que por analogia, em legislações Estaduais e Municipais. Acerca da aplicação da analogia no direito tributário, cabe transcrever as palavras do Professor Leandro Paulsen: Analogia e interpretação extensiva: Não se pode confundir a analogia com a chamada interpretação extensiva. Na analogia, há a integração da legislação tributária mediante aplicação da lei a situação de fato nela não prevista [...] em homenagem ao princípio da legalidade dos tributos, cabe excluir a aplicação analógica da lei, toda vez que dela resulte a criação de um débito tributário. (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário Constituição e Código Tributária à luz da doutrina e da jurisprudência, 13a edição, 2011, p. 911/912) Fl. 604DF CARF MF Processo nº 19515.722757/201228 Acórdão n.º 2201004.125 S2C2T1 Fl. 605 11 Desse modo, não poderia o Fisco utilizarse da analogia para criar uma base de cálculo que resulte em um débito tributário como sói ocorrer no presente caso. Assim, penso que é incabível o critério adotado pela autoridade fiscal para apuração do custo da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval S/A. Conclusão Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, dar provimento ao recurso. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 605DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.689979/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa.
A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL.
O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
Numero da decisão: 1402-002.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 79 /2 00 9- 93 Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 10880.689979/200993 Acórdão n.º 1402002.859 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de CSLL, declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que apurou novos valores para seus débitos de PIS e de COFINS do período, verificando que havia recolhido tais tributos indevidamente ou a maior sobre receitas derivadas da venda de alguns produtos sujeitos à alíquota zero e por não ter excluído o ICMS sobre vendas das bases de cálculo dessas contribuições. Também afirma que teve reconhecido em Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito n° 94.00116799, créditos de FINSOCIAL compensados com débitos da mesma espécie. Tal suposto recolhimento indevido ou a maior teria gerado uma base de cálculo de IRPJ e CSLL (lucro) maior e incorreta, devido ao estornos dos créditos de PIS e de COFINS sobre receitas sujeitas a alíquota zero, gerando um aumento do custo. Assim, procedeu o Contribuinte a dezenas de compensações de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, incluindo a presente. Também relata que fora indevidamente autuada (Processo Administrativo n° 19515.000772/200754), sendo na ocasião alertada pelo próprio Agente Fiscal que estava recolhendo tributos sobre uma base de cálculo majorada, especificamente em relação àquelas contribuições. Alega que procedeu à retificação das DACONs correspondentes, mas não foi possível retificar a DCTF pois estava sob fiscalização naquela época. Afirma que o processo deve ser baixado em diligência para que seja confirmada a regularidade das compensações efetuadas e, ao final, requer a homologação integral da compensação em tela. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido e de outros, pelo fato destas decisões possuírem termos idênticos em suas razões. No mérito, em suma, limitase a repetir as razões da Manifestação de Inconformidade. Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10880.689979/200993 Acórdão n.º 1402002.859 S1C4T2 Fl. 4 3 Ainda, acostou complementos ao Recurso Voluntário, referentes a estudo e Laudo emitido por Auditores Independentes, acostandoos aos autos, bem como noticiando o julgamento do E. Supremo Tribunal Federal referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.855, de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.689993/200997. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.855): O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente ser nulo o v. Acórdão recorrido (bem outros decisórios de mesma instância, proferidos em feitos atinentes a outras de suas DCOMPs noticiadas nestes autos) pelo fato destes repetirem ipsis litteris seus termos, denotando teor idêntico. O ocorrido implicaria em cerceamento de defesa. Primeiramente, temos que atualmente, no processamento e julgamento de causas, administrativas e judiciais, a adoção de decisões repetitivas, ou mesmo de minutas padrão, é a inquestionável realidade, erigida sobre os corolários da praticidade, da racionalidade, da economia processual e da duração razoável do processo. Per si, o fato de decisões possuírem semelhante ou até igual teor não é capaz de representar, objetivamente, cerceamento de defesa do contribuinte (ou mesmo da Fazenda Nacional). Para tanto seria necessária a demonstração, concreta e específica, pela parte, da ocorrência de prejuízo ao seu direito, explicando e apontando como tal repetição feriu a defesa empreendida na demanda. Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 10880.689979/200993 Acórdão n.º 1402002.859 S1C4T2 Fl. 5 4 Posto isso, ausente tal demonstração, deve ser rejeitada a preliminar alegada pela Recorrente. Ainda, deve anteceder a devida apreciação do mérito a decisão sobre o conhecimento da nova documentação acostada pela Recorrente, inclusive após seu Recurso Voluntário, tratandose de Laudos emitidos por Auditores Independentes. Este Conselheiro entende que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado à luz do princípio da busca pela verdade material, vez que na esfera administrativa de jurisdição não pode prevalecer o prestígio da instrumentalidade do processo em detrimento do materialidade dos direitos alegados no curso do processo. Também deve ser feita uma interpretação sistemática do referido Decreto, que não só veicula exceções ao determinado no § 4º de seu art. 16, assim como autoriza o Julgador a solicitar diligências quando mostramse necessários outros elementos e providências para a formação da sua livre convicção. Assim, apresentase viável o conhecimento de documentação após a apresentação da Impugnação ou da Manifestação de Inconformidade. Porém, cabe ao Julgador, nesse caso, uma verificação prévia de pertinência, necessidade e colaboração dos elementos novos acostados com o desfecho técnico da demanda. Tais Laudos acostados neste feito resumemse a planilhas elaboradas pelos Auditores Independentes, com breves e poucos comentários, sem conter qualquer documentação contábil ou fiscal, bem como, expressamente, versam sobre cálculos referente a apuração de PIS e COFINS. Nada se menciona sobre o IRPJ e eventuais reflexos. Primeiramente, tabelas elaboradas pelo próprio contribuinte, ou mesmo por terceiros, têm valor probante extremamente relativo (ou nenhum, digase) se desacompanhados da documentação contábil e fiscal em que foram baseados. Não obstante e principalmente, o processo administrativo em tela tem como origem suposto crédito de IRPJ, o qual não fora homologado por ausência de verificação e comprovação da existência de recolhimento a maior ou indevido em relação ao documento de arrecadação apontado. Dessa forma, o novo cálculo de apuração de PIS e COFINS devidos no período, seja por exclusão de operações sujeitas à alíquota zero ou pela exclusão do ICMS da sua base de cálculo, não possui qualquer relevância ou conexão direta para a demonstração de que o recolhimento de IRPJ, que especificamente teria dado origem ao crédito pretendido, foi efetuado a maior ou indevidamente. Posto isso, não se conhece da documentação acostada após a interposição do Recurso Voluntário. No que tange ao mérito, assim como procedido pela DRJ a quo, todas as matérias alheias a esta demanda, referentes as informações e alegações trazidas pela Recorrente acerca de Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10880.689979/200993 Acórdão n.º 1402002.859 S1C4T2 Fl. 6 5 supostos créditos de FINSOCIAL, de PIS e de COFINS, Autuações e Ações Judiciais relacionadas a tais tributos, que não são objeto do DCOMP apreciado, serão devidamente desconsideradas e não conhecidas, inclusive colaborando para uma decisão mais hígida e clara. O que fora alegado pela Contribuinte que realmente se relaciona com seu pleito compensatório é que, ao constatar que considerou indevidamente créditos de PIS e COFINS sobre produtos tributadas sob alíquota zero, efetuou o estorno desses créditos em sua contabilidade, o que teria resultado na redução do lucro e, consequentemente, ao pagamento de IRPJ e CSLL a maior no mesmo período, dando margem, então, ao seu pretendido crédito. É certo que tal alegação é plausível. Todavia, o Recorrente não procedeu a qualquer demonstração de como, efetivamente, teria se operado tal redução em sua apuração do IRPJ e muito menos produzido qualquer prova sobre tal ocorrência contábil, com reflexos tributários. Em suas razões consta apenas tal afirmação, abstrata e genérica, de redução das bases tributáveis do IRPJ pelo estorno de crédito de PIS e COFINS. Ora, a simples afirmação textual em peças de defesas da ocorrência de um fato que levou à redução da apuração de um determinado tributo, claramente, não basta para configurar e provar um recolhimento a maior ou indevido, sobretudo quando confirmada pela Unidade de Fiscalização a precisão quantitativa do débito que o recolhimento em questão extinguiu. Nos processos administrativos referente a restituição e compensação é ônus do contribuinte a prova de seu crédito, devendo trazer aos autos demonstrações precisas e conjunto fáticoprobatório que ateste cabalmente sua existência, certeza e liquidez, desconstruindo, assim, os fundamentos de sua não homologação. Em acréscimo, frisese que a própria Contribuinte afirma que não teria procedido à retificação da DCTF em que o débito de IRPJ, saldado com o DARF que teria dado origem ao crédito agora perquirido (vez que supostamente alterada a monta de tal débito, revelando pagamento a maior/indevido). Em momento algum foi acostada sua versão retificadora. Por sua vez, a entrega de DCTF constitui confissão de débito tributário. E, como já mencionado, o pagamento supostamente a maior/indevido que gerou o crédito ora pleiteado foi precisamente alocado para saldar tal obrigação constituída, perfeitamente no seu valor. Assim, juridicamente e para todos os fins fiscais, não foi apresentado nenhum elemento (DCTF retificadora ou provas contábeis) que possa desconstituir ou alterar tal débito, devido e exigível monta pela qual declarado na DCTF do período. Desse modo, não foi devidamente comprovada a existência crédito de IRPJ alegado na DCOMP em tela. Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10880.689979/200993 Acórdão n.º 1402002.859 S1C4T2 Fl. 7 6 E digase que, ainda que a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS possa, em alguns casos, ter reflexos diretos na apuração do IRPJ, não foi devidamente alegado, demonstrado ou mesmo provado pela Contribuinte como tal redução teria, também, culminado no recolhimento a maior/indevido que originou crédito especificamente pleiteado na DCOMP objeto do presente feito. Por fim, frisese que não há qualquer necessidade da realização de diligência, vez que presentes e demonstrados todos elementos necessários ao convencimento motivado e à devida fundamentação do presente voto, observado o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o v. Acórdão recorrido, para não reconhecer o crédito pretendido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 2448DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720114/2007-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindo-se definitivamente o crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 9202-006.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindose definitivamente o crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 01 14 /2 00 7- 09 Fl. 340DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2003, tendo em vista o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua pelo SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras. Em sessão plenária de 05/11/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão 2102003.181 (efls. 248 a 256), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido" A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para restabelecer o valor da terra nua declarado. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que mantinha o arbitramento." O processo foi encaminhado à PGFN em 22/01/2015 (Despacho de Encaminhamento de efls. 257) e, em 02/02/2015 (Despacho de Encaminhamento de efls. 266), a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de efls. 258 a 265, rejeitados conforme despacho de 28/02/2015 (efls. 268 a 272). Assim, o processo foi novamente enviado à PGFN em 02/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de efls. 273) e, em 04/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de efls. 317), foi interposto o Recurso Especial de efls. 296 a 316. O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e suscita a ocorrência da preclusão, tendo em vista que o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema de Preços de Terras não fora impugnado, tampouco objeto do Recurso Voluntário. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 11/11/2015 (efls. 318 a 321). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: compulsando os autos, verificase que o autuado não impugnou especificamente o Valor da Terra Nua – VTN e, sobretudo, a sua metodologia de cálculo no lançamento, tampouco formulou pedido expresso nesse sentido; Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10540.720114/200709 Acórdão n.º 9202006.481 CSRFT2 Fl. 341 3 em conseqüência, não se instaurou litígio em relação à referida matéria; idêntica omissão persistiu no Recurso Voluntário; a presente demanda é delimitada precisamente pelos contornos jurídicos que foi dado pelo contribuinte, definido pelo pedido e pelos fatos e fundamentos jurídicos que o baseiam, lançados em sua impugnação e posteriormente em seu recurso voluntário; tomando de empréstimo os princípios existentes no âmbito do processo civil, em vista dos permissivos expressos nos artigos 108 do CTN e art. 4º da LICC, podese citar o art. 128, do Código de Processo Civil: “Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte.” o citado artigo revela que o Código de Processo Civil consagrou o princípio de adstrição do juiz ao pedido da parte, como decorrente do princípio dispositivo; esse entendimento encontra normatização também no art. 460 do CPC: “Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.” nessa linha de raciocínio, à vista do disposto no Decreto nº 70.235, de 1972, a autoridade julgadora não poderia conhecer de tal matéria de ofício, verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” houve um julgamento extra petita por parte desta Câmara, pois os julgadores analisaram argumentos que estão fora de alcance neste processo administrativo, tendo em vista que não foram objeto de questionamento específico e de pleito expresso pelo interessado, no momento processual oportuno; ao processo administrativo fiscal também se aplica o princípio segundo o qual encaminhase ao órgão julgador de instância superior somente as matérias que sofreram impugnação no recurso; Fl. 342DF CARF MF 4 o que não foi debatido no recurso não pode ser apreciado pelo órgão julgador, eis que sua competência é limitada pelo objeto recursal definido pela própria parte; o órgão julgador somente detém competência para julgar o recurso, e não para apreciar toda a causa novamente; operase, em casos tais, quando há recurso parcial, por conta da preclusão consumativa, a definitividade da matéria que não foi objeto de questionamento pela parte; a única ressalva que se pode fazer quanto a esse princípio referese às matérias de ordem pública, as quais podem ser conhecidas de ofício pelo órgão recursal, e a matéria em questão não revela essa natureza; caso se entendesse o contrário, restaria como letra morta as disposições do Decreto nº 70.235, de 1972, pois todo o lançamento poderia ser revisto sob o argumento de controle de legalidade; não seria sequer necessária a apresentação de impugnação e a interposição de recurso voluntário, pois todos os aspectos do lançamento estariam submetidos ao crivo das autoridades julgadoras administrativas em todas as instâncias, inclusive a especial. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido e restabelecendose o lançamento em sua integralidade. A despeito do disposto na conclusão do Despacho de Admissibilidade de efls. 318 a 321, a Contribuinte somente foi cientificada do Acórdão nº 2102003.181, sem que lhe fossem encaminhados o Recurso Especial da Fazenda Nacional e o despacho que lhe deu seguimento. Distribuído o processo na Instância Especial, o lapso foi identificado e, por meio da Resolução nº 9202000.122, de 29/07/2017, de efls. 328 a 331, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, para que fosse sanado o vício na intimação, cientificando se a Contribuinte do Acórdão nº 2102003.181, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento, facultandolhe o oferecimento de Contrarrazões no prazo de quinze dias. Cientificada em 10/10/2017 (AR Aviso de Recebimento de efls. 336), a Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2003 e a matéria em litígio diz respeito à ocorrência da preclusão, tendo em vista que o arbitramento do Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10540.720114/200709 Acórdão n.º 9202006.481 CSRFT2 Fl. 342 5 VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema de Preços de Terras não fora impugnado, tampouco objeto do Recurso Voluntário. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, com base no valor médio das DITR do Município de Correntina/BA, fixado em R$ 161,70/ha (fls. 12), sem levar se em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendose o VTN declarado pelo Contribuinte (R$ 0,20/ha). A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido, considerando a ocorrência da preclusão (temporal e lógica) e de julgamento extra petita. No caso em questão, a preclusão registrada no Acórdão de Impugnação, que assim se pronunciou: Matéria Não Contestada/VTN 69. Ressaltese que a única alteração efetivada pelo autuante na DITR/2003 referese ao Valor da Terra Nua — VTN. Devese esclarecer que a contribuinte, em nenhum momento de sua impugnação, questiona esta alteração. 70. Não tendo a impugnante questionado a alteração efetivada no Auto de Infração deve a mesma ser mantida por tratarse de matéria não expressamente contestada, tendo em vista o disposto nos arts. 16, inciso I11, e 17 do Decreto n° 70.235/1972, com as modificações introduzidas pelos arts. 1° da Lei n° 8.74811993 e 67 da Lei n° 9.53211997, que estabelece: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 71. Ou seja, reputase não impugnada a matéria, quando verificada a ausência de nexo entre a defesa apresentada e o fato gerador do lançamento apontado na peça fiscal." Com efeito, não houve qualquer contestação por parte da Contribuinte, relativamente ao arbitramento do VTN, nem em sede de Impugnação, tampouco no Recurso Voluntário, razão pela qual dita matéria restou abarcada pela preclusão, conforme os arts. 16, inciso III, e 17, do Decreto n.º 70.235, de 1972, segundo os quais a impugnação mencionará especificadamente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir e se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 344DF CARF MF 6 Assim, considerandose a ausência, por parte da Contribuinte, de qualquer questionamento acerca do arbitramento do VTN, o julgamento levado a cabo no acórdão recorrido revelase extra petita, alinhado com o instituto da preclusão. Quanto à menção à Lei nº 9.784, de 1999, no acórdão recorrido, esclareçase que sua aplicação ao Processo Administrativo Fiscal é subsidiária, ou seja, somente é cabível quando a lei específica Decreto nº 70.235, de 1972 silenciar. E como restou consignado no presente voto, dito decreto, que tem status de lei, foi absolutamente claro quanto ao estabelecimento das regras de preclusão. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento para restabelecer o lançamento em sua integralidade. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 345DF CARF MF
score : 1.0
