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Numero do processo: 10835.002182/2004-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO.
O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pela Cofins no regime da não cumulatividade.
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE.
Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório.
Numero da decisão: 9303-006.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial para admitir a exclusão do crédito presumido de IPI da base de cálculo de PIS e COFINS, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe deu provimento integral e vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pela Cofins no regime da não cumulatividade. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial para admitir a exclusão do crédito presumido de IPI da base de cálculo de PIS e COFINS, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe deu provimento integral e vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 21 82 /2 00 4- 26 Fl. 5230DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 3102000.841, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA Embora a peça impugnatória tenha sido enfática quanto à necessidade de complementar a instrução do processo, não logrou êxito em demonstrar a imprescindibilidade da providência, condição expressamente prevista no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. DOCUMENTOS OFERECIDOS POR EMPRESAS INAPTAS Não constam dos autos provas que possam desconstituir a presunção de inaptidão e, portanto, de inidoneidade da documentação. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS DO IPI É indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, exceto nos casos em que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impede a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade. ” Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração que, por sua vez, em Despacho às fls. 4937 a 4940, foram rejeitados. Fl. 5231DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 4 3 Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, suscitando divergência nas discussões acerca: · Das aquisições perante fornecedores inexistentes de fato; · Da incidência da Selic sobre os créditos de PIS/Cofins pleiteados em ressarcimento; · Da inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins Em Despacho às fls. 5121 a 5125, foi dado seguimento parcial ao recurso interposto pelo sujeito passivo apenas quanto às matérias relativas: · Ao direito a créditos oriundos de aquisições perante fornecedores inexistentes de fato; · À inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo das contribuições ao Pis/Cofins. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, requerendo que se negue provimento ao recurso, mantendo o entendimento previsto no acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 5232DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo na parte admitida em Despacho de Admissibilidade– eis que atendidos, para tanto, os pressupostos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Quanto à discussão acerca das aquisições perante fornecedores inexistentes de fato, vêse que o acórdão recorrido considerou como não comprovada a operação de aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Enquanto, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao considerar que a inidoneidade de documentos fiscais emitidos pelas pessoas jurídicas declaradas inidôneas, com fundamento na inexistência de fato, nas circunstâncias presentes, geraria efeitos a partir da publicação do Ato Declaratório Executivo. E, no que tange à discussão acerca da inclusão do crédito presumido de IPI na base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, vêse que a decisão recorrida entendeu que o Crédito Presumido de IPI sofreria a incidência das contribuições. Já o paradigma indicado determinou que o Crédito Presumido de IPI não integra a base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, pois não seria receita da pessoa jurídica. Em vista de todo o exposto, conheço o recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a discussão acerca da incidência ou não de PIS/Cofins sobre o crédito presumido de IPI. Em relação a essa discussão, antecipo meu entendimento de que tais créditos não conferem a natureza de receita. Fl. 5233DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 6 5 Para melhor elucidar, importante trazer os ensinamentos de ALIOMAR BALEEIRO no livro “Uma introdução é Ciência das Finanças” ao tratar o conceito de receita: "Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, MI, acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo. Frisese também o entendimento de Aires Barreto em seu artigo “A nova Cofins: primeiros apontamentos” contemplado na saudosa Revista Dialética de Direito Tributário: "receita é [...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo„", Cabe trazer que em consonância com o entendimento de que o conceito de receita bruta independe do que está classificado contabilmente como receita, além do referido precedente do STF – firmado sob a sistemática do artigo 543B do CPC – a jurisprudência pacífica de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça, como inclusive ressaltado pelos Ministros Teori Albino Zavascki e Luiz Fux ao proferirem seus votos (Grifos meus): “CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao Fl. 5234DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 7 6 apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido.” (Grifouse) (RESP nº 1.025.833 / RS, 1ª Turma do STJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Publicado no DJe do dia 17.11.2008)” Consoante esse entendimento, disse o Ministro Luiz Galloti no julgamento do RE 71.758: “Se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição”. Sendo assim, temse claro que o conceito de receita bruta independe do que está classificado contabilmente como receita, se subvenção ou recuperação de custo. A discussão, de per si, gira em torno da abrangência dos conceitos de receita e faturamento para fins de base de cálculo do PIS e da COFINS e, no caso dos créditos presumidos de IPI. Fl. 5235DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 8 7 Para melhor compreensão e por não considerar tal crédito presumido como receita, podese ainda aproveitar para decompor a norma tributária que trata da incidência do PIS e da Cofins, invocando a Regra Matriz de Incidência Tributária: 1. 1ª Regra Matriz – relação obrigacional Autoridade Fazendária/Contribuinte: 1.1. Hipótese: Critério Material: auferir receita. Critério Espacial: perímetro nacional; Critério temporal: mensal 1.2. Consequente: Critério Pessoal: (i) sujeito ativo, Estado – via “autoridade fazendária”; (ii) sujeito passivo – quem aufere receita bruta. Critério Quantitativo: alíquota de 3,65% sobre a receita bruta 2. 2ª Regra Matriz – dever de lançamento pela Administração: Hipótese: Critério Material: ser autoridade fazendária Critério Espacial: perímetro nacional; Critério Temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Consequente: Critério Pessoal: Estado – autoridade fazendária Critério Prestacional: realizar o lançamento 3. 3ª Regra matriz: sancionadora do não pagamento Hipótese: Critério material: não pagar a importância devida; Critério Espacial: perímetro nacional Critério temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores Consequente: Critério pessoal: Estado – autoridade fazendária e pessoa jurídica que aufere receita bruta Critério Prestacional: pagar com multa e juros de mora. Fl. 5236DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 9 8 Depreendendose da análise da regra matriz de incidência, é possível identificar que o critério material constante da 1ª Regra Matriz de Incidência Tributária somente se satisfaz para quem efetivamente aufere receita. Portanto, crucial afastar o r. crédito da tributação das contribuições, pois não se configura juridicamente como tal, independentemente do registro contábil adotado ou adotável. O que, na hipótese dos autos não se deve chegar ao questionamento de que a lei não previu sua exclusão e que, portanto, deverseia tributar o referido crédito pelo PIS e Cofins pois de receita auferida não se trata, tampouco de um ingresso que configuraria recomposição do patrimônio, até então decomposto pelo custo arcado com o pagamento do tributo. Indiscutível que seu efeito econômico não caracteriza nova riqueza, comportando somente a recomposição do patrimônio anteriormente desfalcado ou recomposição da mesma disponibilidade preexistente. Sendo assim, o crédito presumido de IPI não ostenta natureza de receita ou faturamento, mas mera recomposição do patrimônio, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Vêse que a operação de obtenção dos créditos, considerando até mesmo a essência contábil e sua primazia, deve ocorrer com a escrituração na contabilidade da empresa para posterior utilização. O que, por consequência, devese escriturálos em contas patrimoniais, visto que, os créditos não utilizados se constituem em meros direitos. E, em respeito à Regra Matriz de incidência das contribuições ao PIS e Cofins, bem como a análise da essência do r. crédito, não há que se falar em tributação, pois forçoso se tributar tais direitos pelas r. contribuições. Nesse ínterim, é de se ressurgir com o conceito trazido pelo CPC 30: “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no Fl. 5237DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 10 9 aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. ” O que, por conseguinte, facilmente constatável que contabilmente tais créditos também não conferem natureza de receita. Frisese ainda tal entendimento o acórdão 9303005.495 de nossa turma, que consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pela Cofins no regime da não cumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade. ” O que, para melhor elucidar o entendimento desse Colegiado acerca da matéria, peço licença para transcrever parte do voto vencedor escrito pelo ilustre ex Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas: [...] No mérito, entendo que o crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito decorre dos insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrial exportador. A exigência do Fisco centrase no argumento de que a Lei nº 9.718/98 ampliou a base de cálculo de ambas as contribuições, constituindo regra a inclusão de qualquer receita auferida, inclusive os valores em questão, Fl. 5238DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 11 10 considerados como outras receitas operacionais, e exceção apenas as exclusões expressamente previstas na Lei. Assevera que, apesar de o crédito instituído pela Lei nº 9.363/96 ter como objetivo o ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos exportados, o ressarcimento em si é meramente presumido, não havendo como assemelhálo a uma restituição de tributos, porque não houve pagamento indevido de PIS e COFINS. Conclui afirmando que o crédito é receita nova, decorrente de benefício concedido, e não recuperação de custos. Em relação ao crédito presumido, o legislador, dentro da máxima econômica de que 'não se exportam tributos, buscou dar incentivo às exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e COFINS, embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados, concebendo um benefício fiscal consubstanciado no crédito presumido de IPI, para ser lançado na escrita fiscal contra o próprio IPI. Ou seja, o produtorexportador se apropria de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. Entretanto, a seguir a dicção da Lei, o incentivo não se direciona precipuamente ao imposto em comento, senão que o intento primeiro foi exonerar o pagamento das exações previstas nas Leis Complementares nº 7 e 8/70 e 70/91. Daí que a perspectiva adotada pelo criador da norma não pode ser distorcida de modo a colocar na base de cálculo do PIS e da COFINS importâncias que derivam, em última análise, da dispensa do pagamento das próprias contribuições. Isso implicaria diminuir o benefício fiscal, fazendo com que a desoneração pretendida ocorra de forma parcial. Do ponto de vista econômicofinanceiro e contábil, o incentivo instituído pela Lei nº 9.363/96, na verdade, não constitui receita, mas um valor retificador de custo. O que efetivamente gera o crédito presumido são os insumos comprados pelo industrial, em cujo preço foram adicionados os valores do PIS e COFINS, de forma cumulativa. Se a legislação oferecesse a esses Fl. 5239DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 12 11 tributos o mesmo tratamento jurídico dado ao IPI, a conta de insumos refletiria apenas o custo efetivo da matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, pois dele seriam expungidas as contribuições ao PIS e à COFINS, cujos valores seriam lançados na conta contábil pertinente, para posterior recuperação. Logo, ainda que o PIS e a COFINS a recuperar constituíssem um direito da empresa contra o Fisco, não representam ingresso de receita, seja na acepção contábil, seja na econômicofinanceira. Cumpre assinalar que esse raciocínio fundase na teleologia da norma inserta na Lei nº 9.363/96, uma vez que não há que falar, obviamente, em nãocumulatividade de PIS e COFINS, antes do advento da Lei nº 10.637/2002. Há que terse em vista a finalidade a ser atingida pelo incentivo às exportações. Se o crédito presumido receber o mesmo tratamento jurídico de rendimentos obtidos em aplicações financeiras, por exemplo, a empresa, na prática, pagará PIS e COFINS sobre os insumos consumidos no processo de industrialização, os quais são a causa da existência do crédito. Concordo que o crédito presumido não se equipara a restituição de tributos, mas também não entendo que seja equiparado a uma receita de venda, para fins contábeis e tributários. Na análise contábil, se a aquisição do insumo utilizado na industrialização de produtos exportados não estivesse onerada de PIS e COFINS, o valor lançado à conta de "Estoque de MatériaPrima" estaria livre de tributos e, consequentemente, o valor apurado na conta "Custo dos Produtos Vendidos" seria menor. Melhor explicando, o valor do crédito presumido apurado, dentro do mês de competência a que se referem as exportações, não transitaria por conta de resultado a título de receita, mas sim como recuperação de custo, creditandose o valor do crédito presumido apurado na conta "Custo dos Produtos Vendidos" e debitandose na conta "IPI a recuperar". Lançamento: IPI a Recuperar a Custo dos Produtos Vendidos Supondose, no entanto, que os contribuintes devessem incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS sobre o faturamento o valor do crédito Fl. 5240DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 13 12 presumido em questão, então, estarseia pagando PIS e COFINS sobre insumos aplicados no processo industrial de fabricação dos produtos exportados, quando foi justamente esta a razão da criação deste crédito: desonerar o custo de produção dos produtos exportados. De qualquer modo, o referido crédito presumido é ressarcimento de custo e ressarcimento de custo não é receita. Desse modo, se o objetivo da norma é desonerar as exportações, é irracional qualquer pretensão de exigir tais contribuições justamente sobre o benefício fiscal instituído para incentivar tais operações. O acórdão recorrido também traz que as próprias Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, ao disporem no §3º sobre as receitas que integram a base de cálculo, conferem natureza de receita às reversões de provisões e às recuperações de crédito baixados como perda, que foram expressamente excluídas da base, indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. Também não concordo com tais argumentos, pois só haveria sentido que as Leis citadas previssem expressamente a exclusão do crédito presumido do conceito de receita se, em algum momento de todo o histórico normativo sobre o tema, as normas tivessem o considerado como receita, o que não me parece ter ocorrido.” Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. No que tange à outra discussão, depreendendose da análise dos autos do processo, antecipo meu entendimento pela reversão da glosa dos créditos referentes às aquisições de couro a fornecedores inexistentes de fato, considerando que, nesse caso, a ausência de comprovação de relação jurídica ou negocial do fornecedor é circunstância irrelevante para desfigurar a ocorrência dos fornecimentos de matériasprimas para a Vitapelli – eis que o início de efeitos referentes a caracterização de documentos inidôneos passa a ser a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. Fl. 5241DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 14 13 Para melhor elucidar meu entendimento, transcrevo parte voto do ex conselheiro Belchior Melo de Souza constante do acórdão 3803003.339, que vislumbrou a mesma situação do sujeito passivo, consignando a a seguinte ementa: “PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. [...]” Traz o voto: “[...] Quanto ao crédito por aquisições a pessoas jurídicas com irregularidades cadastrais, segundo ao item “2”, acima, a abordagem do voto do d. Relator fez três análises envolvendo situações fáticas distintas, quais sejam: a) pessoas jurídicas fornecedoras inexistentes de fato; [...] A divergência foi aberta no tocante ao item “a”, no ponto em que o n. Relator maneja os fundamentos da inaptidão da inscrição no CNPJ de diversos fornecedores da Recorrente, listados neste tópico, capitulandoa como inexistente de fato, segundo a regulamentação trazida pelo art. 34 da IN RFB nº 568, de 2005, para, a partir desse enquadramento, aplicar o efeito temporal tributário da inidoneidade das notas fiscais de aquisições de Fl. 5242DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 15 14 matériasprimas (couro) por elas emitidas, e geradoras de créditos em favor da Recorrente, desde a constituição dessas pessoas jurídicas, verbis: Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Para sustentar este fundamento serviuse o nobre relator do que já fora consignado na ação fiscal, e mantido pela decisão recorrida. Compulsandose o Termo de Verificação Fiscal, vêse que foi empreendida uma abrangente ação fiscal, cuidadosa em toda a sua extensão, com a ressalva que ora se faz apenas a um ponto, qual seja, à análise e conclusão a que chegou a diligente Fiscalização quanto a nunca terem existido as pessoas jurídicas indicadas. Em todo o texto que cuida dessa análise, conforme o transcrito abaixo, podese perceber que não há elementos suficientes para que esta conclusão restasse consignada. Informa o teor do TVF que as cessões de crédito foram autorizadas pelos fornecedores, as pessoas destinatárias foram localizadas, e a única pergunta feita a esses destinatários é impertinente e, por si, insuficiente para descaracterizar a existência do fornecimento das matériasprimas, muito Fl. 5243DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 16 15 menos para atribuir inexistência a estes fornecedores desde a sua origem como pessoas jurídicas: No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato continuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais.[grifo nosso]. Não foi visto nos autos elementos hábeis para caracterização dessas pessoas jurídicas como inexistentes de fato, sobretudo desde a sua constituição, senão tão só o sumário enquadramento feito pela Fiscalização. Sem base, pois, a afirmação no TVF de que tais pessoas jurídicas nunca existiram, para o fim de enquadrar os efeitos temporais da inidoneidade dos documentos no § 3º, III, do art. 48, IN RFB nº 568, de 2005: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. [...] § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; Fl. 5244DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 17 16 b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; [...]. [grifo nosso]. Por essa razão, direciono este voto vencedor no sentido de aplicar o art. 48, § 3º, I, letra “b”, da mesma Instrução Normativa, que preceitua o início dos efeitos da inidoneidade dos documentos emitidos pelos fornecedores dessa lista a partir da data da publicação do ADE de inaptidão, no mesmo diapasão das demais glosas mantidas na proposta de voto. Por outro flanco, este direcionamento está alinhado com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, segundo o acórdão no Resp 1.148.444, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao regime da sistemática do art. 543C e representativo de controvérsia, uma vez que a instrução dos autos não se desincumbiu de elidir as aquisições como de boa fé, frente ao ateste da própria Fiscalização de que as cessões de crédito dos fornecedores para terceiros foram por aqueles autorizadas, embora ante a resposta também destes, ao questionamento posto, de que não travaram relações comerciais com esta Recorrente, circunstância irrelevante para desfigurar a ocorrência dos fornecimentos de matériasprimas para a VITAPELLI. [...]” Sendo assim, em respeito ao art. 48, § 3º, inciso I, alínea b, da IN 568/05, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Em vista de todo o exposto, conheço o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 5245DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 18 17 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com a devida venia à ilustre conselheira relatora, mas divirjo do seu entendimento nas matérias objeto de recurso especial do contribuinte. Porém fui designado para redigir o voto vencedor somente em relação à matéria que discute o direito de se apropriar de créditos da não cumulatividade de PIS nas aquisições de pessoas jurídicas dadas como inexistente de fato, já que restei vencido quanto a outra matéria relativa ao crédito presumido de IPI na base de cálculo do PIS. Antes de adentrar o mérito, é importante registrar que o contribuinte obteve provimento judicial em agravo de instrumento nos seguintes termos, conforme noticia os documentos de efls. 5143/5229: (...) Ante o exposto, julgo prejudicado o agravo interno e, com fulcro no art. 932, V, "b", do Código de Processo Civil, dou provimento ao agravo de instrumento, para reformar a r. decisão agravada e determinar à parte agravada que aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como que o faça com observância do decidido pelo E. STJ no REsp repetitivo n° 1.148.444/MG. (efl. 5151) (...) Portanto, transcrevese abaixo a ementa do que foi decidido pelo STJ no REsp nº 1.148.444/MG: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NAOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG , Rel. Ministra Fl. 5246DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 19 18 Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG , Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP , Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG , Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP , Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu , ao alienante). 3. In casu , o Tribunal de origem consignou que: "(...) os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc , o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 5247DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 20 19 Como percebese tal decisão segue o rito dos recursos repetitivos previstos no art. 543C, do CPC, e, seu entendimento deve ser obrigatoriamente seguido no âmbito dos julgamentos deste colegiado. Portanto era desnecessário o contribuinte ter obtido provimento judicial neste sentido. O que necessitamos então é verificar se a situação fática do presente processo encaixase ao ditame do que foi decidido no âmbito do citado repetitivo. Observemos então que a tese firmada pelo próprio STJ em relação a este julgamento é a seguinte: O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação.(Tema 272 do STJ) Na minha avaliação, a tese firmada pelo STJ é perfeita e visa proteger o adquirente de boa fé, que adquire a mercadoria e comprova a veracidade da compra e venda efetuada. Mas, com a devida venia, os fatos minuciosamente levantados pela fiscalização no presente processo demonstram que o contribuinte, além de não agir de boa fé, não comprovou a veracidade da compra e venda efetuada. Penso que tal situação está inequivocamente demonstrada nos presentes autos. Referida fiscalização teve início em 16/01/2006, para análise dos créditos relativos ao período de outubro/2002 a junho/2007. Importante registrar que no TVF a justificativa para as glosas não foram a existência de Atos Declaratórios de Inaptidão da Pessoa Jurídica, mas sim as diligências realizadas nos supostos fornecedores, as quais comprovaram a impossibilidade de ter havido a transação comercial, quer pela inexistência destes, quer pela falta de comprovação do pagamento. Podese ver que no item "10. Das Glosas", efl. 1890, seu item "10.1 Diligências a empresas fornecedoras" seu conteúdo demonstra que a razão das glosas foram as diligências realizadas pela fiscalização. Transcrevo abaixo excertos retirados do Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 1873/1909), no qual consta todas as evidências que justificaram a glosa dos referidos créditos: (...) Após análise das notas fiscais de compras, e pesquisas aos Sistemas Corporativos da Receita Federai do Brasil, bem como do Sintegra, na internet, constatouse que parte dos fornecedores encontramse em situações irregulares, tais Fl. 5248DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 21 20 como: empresa inexistente de fato, empresa inativa, empresa não cadastrada na Secretaria da Fazenda do Estado (não habilitada no Sintegra), empresa omissa na entrega de declarações, etc. Diante de tal situação, foram realizadas diligências em várias empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato, com Representação Fiscal propondo a Inaptidão das mesmas. As empresas que se encontram nesta situação estão relacionadas abaixo: (...) Tal fato demonstra que a fiscalização somente emitiu os ADE DE INAPTIDÃO após comprovar a inexistência das pessoas jurídicas, ou seja, ditos atos declaratórios não foram o ponto de partida para a glosa. Seguimos com mais excertos do TVF: (...) No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato contínuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais. (...) Também efetuamos glosas de créditos do PIS/COFINS referentes a aquisições de empresas representadas pela Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente), relacionadas através de Ofício proveniente do Delegado Regional Tributário. As empresas, bem como os motivos para a glosa, estão relacionadas abaixo: a) Frigorífico São Matheus, nome fantasia da empresa CARD ALIMENTOS LTDA, CNPJ n° 02.987.722/000107. A data de início da situação é 03/10/2002. Os motivos descritos na representação são: Simulação da existência do estabelecimento e Simulação da realização de operações comerciais. Portanto, podese concluir pela inexistência de fato da empresa a partir de 03/10/2002, glosando os créditos solicitados a partir desta data. Além disso, houve diligência à referida empresa, conforme item 10.1. b) Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda, CNPJ n° 04.842.983/0001 64. O motivo da representação é a inidoneidade de documentos fiscais. No presente caso, a empresa estava na condição "não habilitada" no Sintegra desde 11/03/1999. Portanto, não estava autorizada a emitir notas fiscais a partir Fl. 5249DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 22 21 da data em tela. A glosa dos créditos deverá ocorrer a partir das notas fiscais emitidas posteriormente à data em questão. (...) A empresa Vitapelli Ltda em vez de efetuar pagamento diretamente ao fornecedor efetuou pagamentos para outras empresas através de Cessão de Créditos a terceiros com autorização do fornecedor. Para subsidiar a fiscalização foram selecionadas, por amostragem, algumas empresas abaixo relacionadas, que receberam tais créditos, e estas foram intimadas a responderem alguns quesitos, conforme abaixo, in verbis: (...) Após esse trecho segue o relato da investigação em diversos cessionários de crédito e não se conseguiu comprovar a operação de pagamento. Os que a fiscalização obteve êxito em encontrálos, todos negaram relação negocial com o contribuinte. Alguns que não foram encontrados comprovouse que sequer tinham movimentação bancária no período como no exemplo a seguir: (...) 11.2. Fábio Benvindo Freitas Maia A pesquisa no sistema Dossiê Integrado da SRF revela que a referida empresa não apresentou nenhuma movimentação financeira nos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, e apresentou DIPJ na condição de "INATIVA" nos anoscalendário de 2002 a 2005. (...) Em conclusão, a razão principal das glosas não foi em decorrência de procedimentos formais nos quais a inexistência da relação comercial dáse por presunção, como são os casos decorrentes da simples existência de atos declaratórios de inaptidão da pessoa jurídica. Ao contrário, como visto, a fiscalização efetuou um minucioso trabalho de investigação e demonstrou a inexistência de relação negocial entre o contribuinte e vários de seus supostos fornecedores. Tal fato, afasta todo o argumento do voto vencido e do contribuinte de que as glosas só poderiam realizarse a partir da data de emissão dos atos declaratórios de inaptidão das pessoas jurídicas. Cumpre destacar que o contribuinte teve todo direito de defesa, com apresentação de impugnação, recurso voluntário e agora o presente recurso especial. Poderia ter se dedicado mais a descontruir as provas da fiscalização, comprovando de forma inequívoca a regularidade de seus créditos. Porém não obteve sucesso e tenta afastar as glosas utilizando, a Fl. 5250DF CARF MF Processo nº 10835.002182/200426 Acórdão n.º 9303006.327 CSRFT3 Fl. 23 22 meu ver, indevidamente, com apego a aspectos meramente formais, o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp 1148444, definitivamente não aplicável ao presente caso. Além de tudo o que já foi exposto, é importante ressaltar que estamos diante de um pedido de ressarcimento decorrentes de créditos de PIS e Cofins, no qual cumpre ao contribuinte, de maneira inequívoca, comprovar a certeza e liquidez do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Assinado digitalmente Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 5251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913327/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.018
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 27 /2 01 1- 01 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.913327/201101 Acórdão n.º 3402005.018 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 63 COFINS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.306, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.913327/201101 Acórdão n.º 3402005.018 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.913327/201101 Acórdão n.º 3402005.018 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.913327/201101 Acórdão n.º 3402005.018 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.913327/201101 Acórdão n.º 3402005.018 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.913327/201101 Acórdão n.º 3402005.018 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.913327/201101 Acórdão n.º 3402005.018 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.913327/201101 Acórdão n.º 3402005.018 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003038/2003-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 23/06/1999 a 05/04/2000
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO.
Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 23/06/1999 a 05/04/2000
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento.
JUROS DE MORA. CABIMENTO.
Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso.
Numero da decisão: 3302-005.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 23/06/1999 a 05/04/2000 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 23/06/1999 a 05/04/2000 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso.
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FALTA DE RECOLHIMENTO PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO SUJEITO PASSIVO. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 23/06/1999 a 05/04/2000 MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. É cabível a exigência da multa de ofício na constituição do crédito referente a tributo não integralmente pago no vencimento. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Os juros de mora, ex vi do art. 161 do CTN, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 30 38 /2 00 3- 14 Fl. 108DF CARF MF 2 [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira — CPMF, fls. 01/15, pelo qual foi constituído o crédito Tributário no valor de R$2.840,59, sendo R$1.175,63 de principal. Segundo a "DESCRIÇÃO DOS FATOS ..." que integra o auto de infração, em referência ao demonstrativo de fls. 05/06, o fisco constatou que houve falta de recolhimento da CPMF, sob a alegação de que a essa não foi retida e nem recolhida por força de medida judicial posteriormente revogada. As fls. 17/21 impugnação intermediada por procuradora constituída A fl. 39, que pode ser assim traduzida, em síntese: I) os valores da CPMF do período de junho/1999 a abril/2000 foram extintos por pagamento, vez que: em 16/06/1999 impetrou mandado de segurança (processo 1999.38030016988) requerendo fosse reconhecido o seu direito de não softer incidência da CPMF em face de sua inconstitucionalidade; em 17/06/1999 foi deferida liminar determinando a autoridade coatora que se abstivesse de exigila; em 29/01/2000 foi publicada decisão pela qual foi julgado improcedente o pedido, denegando a segurança e cassando a liminar concedida; em 07/02/2000 foram opostos embargos de declaração, rejeitados em decisão publicada em 03/03/2000, "momento em que passou a ser exigível o pagamento da CPMF cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar."; 2) o único banco no qual a autuada era correntista, Banco Real, cientificado da decisão, procedeu a retenção e ao recolhimento da CPMF devida em 31/03/2000, no valor de R$1.232,23, portanto em valor superior ao principal de R$ 1.175,63; 3) a multa de 75% é absolutamente injusta, vez que comprovado o pagamento integral, além do que é extorsiva e atentatória ao principio do não confisco; Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10675.003038/200314 Acórdão n.º 3302005.370 S3C3T2 Fl. 109 3 4) não há que se falar em cobrança de juros de mora, pois o suposto crédito tributário foi devidamente pago; Como prova do alegado, os documentos de fls. 40/43. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 23/06/1999 a 05/04/2000 LANÇAMENTO DE OFÍCIO INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCARIA FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA Sendo objetiva a responsabilidade por infrações, a falta de recolhimento do tributo sujeita a contribuinte A incidência dos juros decorrentes da mora e A multa de oficio. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 23/03/2007, conforme AR de fl. 75, apresenta em 24/04/2007, fl. 76/84, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, onde repisa os mesmos argumentos já aduzidos.. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da ilegitimidade passiva Quanto à ilegitimidade passiva arguida, importa ressaltar as quanto à responsabilidade tributária, dispostas no artigo 128 do CTN: Fl. 110DF CARF MF 4 Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.(grifei) Em consonância com as referidas prescrições, dispôs a Lei nº 9.311, de 1996: Art. 5o É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: 1 às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2º; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2º; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2º; § 1º A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2o, valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7o sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2a Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3º Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento.(grifei). Constatase portanto, das disposições do § 3º acima transcrito que o lançamento da CPMF, na falta de retenção desta pela Instituição Financeira pode ser efetuado em nome do contribuinte, visto que a lei atribuilhe a responsabilidade supletiva. Assim, não há que se cogitar de ilegitimidade passiva uma vez que o lançamento foi efetuado conforme as disposições legais pertinentes acima destacadas. Da multa de ofício Quanto à aplicação da multa de ofício, registrese que a falta de pagamento do tributo antes do início do procedimento fiscal sujeita o contribuinte à constituição do crédito de ofício e neste caso, é cabível a multa de ofício nos termos art. 44, 1 , da Lei n° 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10675.003038/200314 Acórdão n.º 3302005.370 S3C3T2 Fl. 110 5 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Dos juros de mora Quanto à incidência dos juros de mora, está prevista no artigo 161 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 161 O Crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." §1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês.”(grifei). Os juros de mora, ex vi do art. 161 retrotranscrito, incidem quando da insuficiência ou do retardo do pagamento do crédito tributário, qualquer que seja a intenção da contribuinte ou o motivo do atraso, visto que a natureza cogente da norma tributária estabelece seja qual for o motivo determinante da falta. Notese que o calículo dos juros de mora, para cada período, estão explicitados nos demonstrativos, integrantes do auto de infração, bem como a respectiva base legal, art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.(Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998)(Vide Lei nº 9.716, de 1998)(grifei). Conforme autorizado pelo referido § 3º os juros de mora deverão ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 112DF CARF MF 6 Com relação aos supostos pagamentos efetuados, pertinentemente destacou a decisão de piso: Isso posto, há que dizer o seguinte quanto a advogada extinção do crédito tributário, em face do demonstrativo das instituições financeiras de fls. 05/06 e dos elementos de prova carreados aos autos As fls. 40 a 43: relativamente ao Banco ABN AMR° Real S.A. (R$1.165,91): Além de a contribuinte não trazer nenhum comprovante de pagamento dos valores constantes do demonstrativo de fl. 05, as cópias de seu Diário e Razão, por si sós, não têm o condão de dizer da afetação daqueles valores com o de R$1.232,23 historiado como débito acumulado de CPMF em 30/03/2000, debitado em sua contacorrente em 31/03/2000; relativamente à CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (R$9,72): Em que pese na época do fato gerador a contribuinte ter sido correntista junto A CEF, conforme o demonstrativo de fls. 05/06, ela não enriqueceu sua impugnação com nenhum elemento de prova a ilidir o feito nesse particular, alegando que no período o era apenas do Banco Real. Assim, inexistindo a prova que desconstitua o lançamento, inferese que não há reparos no lançamento, tampouco na decisão de piso. Quanto às questões de inconstitucionalidades suscitadas na peça recursal, referida matéria já foi sumulada por esse E. Conselho, conforme disposto na Súmula Carf: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.. Assim, tendo em vista a natureza da obrigação tributária, ex lege, de sorte que uma vez ocorrido o fato gerador, que corresponde à concretização da hipótese legal e faz nascer a obrigação tributária, tem a autoridade administrativa o dever de proceder ao lançamento, que é a formalização do crédito como requisito prévio e necessário para a cobrança administrativa, ex vi do parágrafo único do art. 142 do C.T.N. Ante o exposto, VOTO POR CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO E NA PARTE CONHECIDA, NEGARLHE PROVIMENTO. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10675.003038/200314 Acórdão n.º 3302005.370 S3C3T2 Fl. 111 7 Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.000283/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 24/02/2003 a 20/02/2004
DECISÃO RECORRIDA. ERROS DE CÁLCULO. CORREÇÃO. NECESSIDADE.
A ocorrência de erros de cálculo na decisão recorrida admite a interposição de recurso voluntário para o saneamento das inconsistências.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-004.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 24/02/2003 a 20/02/2004 DECISÃO RECORRIDA. ERROS DE CÁLCULO. CORREÇÃO. NECESSIDADE. A ocorrência de erros de cálculo na decisão recorrida admite a interposição de recurso voluntário para o saneamento das inconsistências. Recurso voluntário provido em parte.
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ERROS DE CÁLCULO. CORREÇÃO. NECESSIDADE. A ocorrência de erros de cálculo na decisão recorrida admite a interposição de recurso voluntário para o saneamento das inconsistências. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 02 83 /2 00 8- 11Fl. 1232DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de lançamento de II/IPIVinculado, relativo às DIs que menciona, para exigência de diferenças decorrentes da não inclusão do seguro no valor aduaneiro. Em impugnação o contribuinte informou o recolhimento parcial da exigência e questionou os cálculos relativos às DIs 03/03858200, 03/06955720 e 03/06981313. A DRJ Recife/PE acolheu a impugnação e promoveu as correções necessárias. O recurso voluntário sustentou que a decisão de piso, mesmo acatando o recurso, promovera exoneração em valor inferior ao devido. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. A bem da verdade, a peça sub examine mais se assemelha a um embargo de declaração frente a decisão de primeiro grau, ao passo que não discute qualquer questão de direito, mas simplesmente aponta um suposto vício de declaração naquele decisório. A divergência de valores apontada pelo recurso é decorrente de um equívoco de premissa, pois inclui em seu cálculo os valores dos juros moratórios, distintamente da decisão reclamada, que ajusta apenas o valor do imposto e a multa de ofício correspondente, o que justifica a diferença do montante exonerado. Logicamente, ao corrigir o principal e a multa de ofício, também serão afetados os juros de mora, que são calculados proporcionalmente a essas verbas, sem necessidade de menção expressa no ato decisório. Entretanto, ao verificar os demonstrativos confeccionados, constatei erro de cálculo no demonstrativo final de exoneração, bem assim, na apuração referente à DI 03/06981313, ambos referentes a falhas na transcrição de valores. Aproveitando a mesma estrutura da tabela inclusa na decisão recorrida, promovo as seguintes correções: Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10530.000283/200811 Acórdão n.º 3401004.424 S3C4T1 Fl. 11 3 DI 03/06981313 – Adição 001 – Imposto de Importação e Multa de Ofício Valor Aduaneiro Base de Cálculo Imposto Importação Alíquota 14% Multa de Ofício 75% diferença II Valor Tributável Considerado R$ 1.000.000,00 Diferença de II Lançada R$ 48.028,90 Valor da Multa Aplicada R$ 36.021,68 Valor Tributável Corrigido R$ 658.350,64 Diferença de II apurada após correção R$ 197,99 Valor da Multa após correção R$ 148,49 Imposto Recolhido R$ 91.971,10 Fração do II a ser exonerada R$ 47.830,91 Valor a ser exonerado R$ 35.873,19 DI 03/06981313 – Adição 001 – Imposto sobre Produtos Industrializados e Multa de Ofício Valor Aduaneiro Base de Cálculo Imposto s/ Produtos Industrializados Alíquota 5% Multa de Ofício 75% diferença IPI Valor Tributável Considerado R$ 1.140.000,00 Diferença de IPI Lançada R$ 19.554,62 Valor da Multa Aplicada R$ 14.665,97 Valor Tributável Corrigido R$ 750.519,73 Diferença de IPI apurada após correção R$ 80,61 Valor da Multa após correção R$ 60,45 Imposto Recolhido R$ 37.445,38 (efl. 1.818) Fração do IPI a ser exonerada R$ 19.474,01 Valor a ser exonerado R$ 14.605,52 DI 03/06955720 Adição 001 DI 03/06981313 Adição 001 DI 03/03858200 Adição 003 Total II R$ 80.995,85 R$ 47.830,91 R$ 8.547,60 R$ 137.374,36 Multa Ofício II R$ 60.746,88 R$ 35.873,19 R$ 6.410,70 R$ 103.030,77 IPI R$ 32.976,88 R$ 19.474,01 R$ 3.184,67 R$ 55.635,56 Multa Ofício IPI R$ 24.732,67 R$ 14.605,52 R$ 2.388,51 R$ 41.726,70 Valor Total Exonerado R$ 337.767,39 Os demais cálculos estão corretos. Fl. 1234DF CARF MF 4 Em face do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 1235DF CARF MF
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Numero do processo: 10494.000490/2006-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2002
INCIDÊNCIA CIDE-COMBUSTÍVEL. GASES LIQUEFEITOS DE PETRÓLEO. BUTANO E PROPANO.
A Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, prevê a incidência da CIDE-combustível sobre o gás liquefeito de petróleo, gênero do qual o propano e o butano são espécies.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2002
CARF. INCOMPETÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
Não pode ser considerada infracional a conduta do contribuinte que agiu seguindo orientação de instrução normativa, que interpretou o alcance de norma legal, interpretação posteriormente alterada por nova instrução, o que impede a imposição de lançamento de multa de ofício e juros de mora, em conformidade com o artigo 100, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-005.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os lançamentos referentes à multa de ofício e ao juros de mora, vencidos os Conselheiros Walker Araújo e Jorge Lima Abud, que davam provimento integral ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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GASES LIQUEFEITOS DE PETRÓLEO. BUTANO E PROPANO. A Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, prevê a incidência da CIDE combustível sobre o gás liquefeito de petróleo, gênero do qual o propano e o butano são espécies. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2002 CARF. INCOMPETÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Não pode ser considerada infracional a conduta do contribuinte que agiu seguindo orientação de instrução normativa, que interpretou o alcance de norma legal, interpretação posteriormente alterada por nova instrução, o que impede a imposição de lançamento de multa de ofício e juros de mora, em conformidade com o artigo 100, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Recurso de Ofício Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 04 90 /2 00 6- 97 Fl. 371DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir os lançamentos referentes à multa de ofício e ao juros de mora, vencidos os Conselheiros Walker Araújo e Jorge Lima Abud, que davam provimento integral ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud e Walker Araujo. Relatório Tratase de retorno de diligência, que teve como origem o auto de infração para o lançamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Combustíveis. Do auto de infração, fls. 04/181, extraemse as seguintes informações: A autuada foi importadora contumaz de gases liquefeitos de petróleo, classificados na posição 2711 da Nomenclatura Comum do Mercosul — NCM da Tarifa Externa Comum — TEC, até o final do ano de 2005. Entre esses gases, figuram o propano comercial (NCM 2711.12.10) e o butano comercial (NCM 2711.13.10). De janeiro a outubro de 2002, a autuada submeteu a despacho 73.691,539 t de propano e 94.435,164 t de butano, por meio das declarações de importação (DI) discriminadas nas tabelas abaixo, registradas nas datas correspondentes abaixo indicadas. (...) Ocorre que a empresa importadora não promoveu o pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Cide — combustíveis, instituída pela Lei no 10.336 de 19 de dezembro de 2001, e normatizada pelas Instruções Normativas SRF n° 107, de 28 de dezembro de 2001 e no 219, de 10 de outubro de 2002 (atualmente normatizada pela IN SRF n° 422, de 17 de maio de 2004). A contribuinte apresentou, então, impugnação administrativa, fls. 62 e seguintes, onde arguiu em síntese: Em preliminar: 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.226 S3C3T2 Fl. 3 3 1. Autuação em duplicidade das DI's, a Impugnante afirma que a maior parte das DIs, destacadas pela autoridade fiscal no auto de infração em referência já foram objeto de autuação em outros autos de infração; No mérito: 2. Afirma que a IN SRF 107/01 não prevê a incidência da CIDE sobre a importação de propano e butano, mas tão somente sobre a importação do GLP e seus derivados, e que a IN SRF 219/02, que expressamente prevê a incidência da CIDE sobre as importações de gases propano e bntano, foi editada em 10 de outubro de 2002, de maneira que a norma não poderia regular os fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição; 3. Sustenta que na Lei nº 10.336/01 não há referência expressa ao propano e ao gás butano em sua forma bruta e que, nos exatos termos do art. 3° da Lei 10.336/01, a única hipótese legal para incidência da CIDE sobre gases faz referência expressa e exaustivamente ao Gás Liquefeito de Petróleo GLP, seja ele derivado de petróleo, gás natural ou nafta; 4. Suscita que também a IN 107/01 não fez referência expressa ao propano e ao butano, restringindose, quanto aos produtos tributados, aos limites impostos vela Lei. Assim, as importações realizadas pela Petrobrás, no período de janeiro a outubro de 2002, foram levadas a cabo sem o recolhimento da CIDE, ante a inegável falta de previsão legal e normativa para tanto; 5. Em 10 de outubro de 2002, ao arrepio de todo o nosso sistema de normas, editou a Instrução Normativa n. 219, prevendo a inclusão dos gases butano e propano brutos liquefeitos no inciso VI do art. 2° da Instrução Normativa n. 107/01 e a IN 219/2002 ato administrativo extrapolou os limites impostos pela Lei 10.336/01, aumentando as hipóteses de incidência da CIDE para importações de gases diversos do GLP, único gás cuja exação da CIDE em sede de importação e comercialização possui amparo legal e que teve efeitos retroativos; 6. Ela faz a diferenciação entre o gás liquefeito de petróleo produto da mistura de gases e o propano e butano gases liquefeitos em forma bruta , o que impede a tributação pela CIDE das operações envolvendo estes dois últimos produtos. O propano e o butano comerciais são produtos bastante purificados, que possuem especificações próprias e são utilizados comumente como combustíveis industriais, aerossóis e maçaricos de corte e solda. Já o GLP constitui uma mistura genérica de hidrocarbonetos C3 e C4 (com 3 e 4 átomos de carbono), que deve atender a uma determinada especificação, cuja utilização principal é como gás de cozinha; 7. Afirma que a própria Nomenclatura Comum do Mercosul diferencia o GLP do propano e do butano; 8. Defende que a disposição legal de incidência da CIDE sobre a importação de gás liquefeito de petróleo, prevista no inciso V do art. 3°. da Lei 10.336/01 somente autoriza a incidência do tributo sobre o gás liquefeito de petróleo, mais conhecido como GLP, independentemente de ser tal combustível proveniente do petróleo, do gás natural ou da nafta. Conclui que resta inconteste a ilegalidade da disposição contida na Instrução Normativa SRF 219/2002, que amplia os limites da lei e determina a incidência do tributo sobre gases diversos daquele descrito na norma legal; Fl. 373DF CARF MF 4 9. Insurgese contra a retroatividade da Instrução Normativa 219, de 10 de outubro de 2002, por considerar afronta à Constituição Federal; 10. Postula pela observância do Princípio da Legalidade; 11. Afirma que a multa de 75% é inconstitucional e ilegal e que a atualização deve ocorrer pela TR e não pela SELIC; A DRJ/Florianópolis propôs a realização de uma diligência, fls. 171, para verificar o seguinte: Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 55 a 75, onde requer, em sede de preliminar, a desconstituição de parcela do crédito tributário neste exigido, haja vista que se referem à operação de importação que já foram objeto de autuação nos processos fiscais n° 10494.001184/2002 44, 10494.001183/200208, 11050.001119/200331 e 11050.001093/200371, cujas cópias dos respectivos autos de infração encontramse juntadas as 101 a 118. Em face do alegado, se faz necessário o retorno dos autos à unidade de preparo a fim de que as doutas autoridades lançadoras verifiquem a veracidade das informações fornecidas pela autuada, tomando, por conseguinte, as medidas legais cabíveis. Sobreveio, então, a seguinte informação, fls. 203: Informo que, após pesquisa no sistema Profisc, fls. 124 a 136, e resposta ao Termo de Diligência Fiscal n° 008/2007, fls. 140 a 150, as únicas declarações de importação (Dl) que constam do processo n° 10494.000490/200697 e que não foram objeto de autuação em outros processos de lançamento em Auto de Infração são as DI 02/05859393, 02/05859482, 02/09070492 e 02/09070662. O restante das DI do referido processo já tinham sido objeto de lançamento nos processos n° 10494.001184/200244, 10494.001183/200208, 11050.001119/200381 e 11050.001093/200371. Tal fato ocorreu por dois problemas: a falta de comunicação de órgãos da própria SRF, onde foram feitos lançamentos por órgãos de despacho, em revisão aduaneira, e não foram informados estes lançamentos a esta Seção de Fiscalização Aduaneira, seção de jurisdição da sociedade; e a falta de informação da própria sociedade empresária que, mesmo tendo ciência que se tratava de uma fiscalização sobre a Cide, com a respectiva identificação das DI em estudo, nada declarou sobre os lançamentos já efetuados. A DRJ/Florianópolis proferiu decisão, fls. 205/239, cuja ementa é descrita abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 04/01/2002 a 30/10/2002 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.226 S3C3T2 Fl. 4 5 CIDECOMBUSTÍVEIS. IMPORTAÇÃO DE PROPANO E BUTANO BRUTOS LIQUEFEITOS. INCIDÊNCIA. Em estrita observância ao disposto no art. 3º, V, da Lei n° 10.336, de 2001, e no Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incide sobre a importação de propano e butano liquefeitos, respectivamente, classificados nos códigos 2711.12.10 e 2711.13.00, da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Desta feita, importa salientar que a Instrução Normativa SRF n° 219, de 2002 não criou nova hipótese de incidência tributária nem se caracteriza como ato expressamente interpretativo. NULIDADE. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis e demais normas inseridas no ordenamento jurídico, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFICIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE. Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. DUPLICIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Valores comprovadamente lançados em duplicidade devem ser cancelados. FALTA DE RECOLHIMENTO. Constatada a falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, por força da lei Com fundamento no art. 2º da Portaria MF n° 375, de 7 de dezembro de 2001, foi interposto recurso de ofício, mas que a partir do advento da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, estabeleceu novos limites de alçada. Fl. 375DF CARF MF 6 A contribuinte, então, apresentou Recurso Voluntário, fls. 249/270, onde repisou os argumentos da impugnação. Os autos subiram a este Egrégio Tribunal Administrativo, onde houve a conversão do feito em diligência, resolução nº 32020000.158, Redatora Tatiana Midori Migiyama, para, fls. 338: · Intime a recorrente a apresentar quesitos para a providência de laudo de renomada instituição, preferencialmente entidade pública, ou perito credenciado junto à Receita Federal do Brasil, com o intuito de se clarificar: o Se o gás butano e o gás propano seriam uma espécie de gás liquefeito de petróleo;ou o Se o gás butano e o gás propano compõem o gás liquefeito de petróleo – GLP. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; Vale descrever os acontecimentos no transcorrer da elaboração da diligência solicitada que não teve o resultado almejado: Às fls. 342, a Recorrente vem apresentar os quesitos solicitados na resolução e indicar assistente técnico; Às fls. 348, há uma petição da Recorrente de 27 de novembro de 2015, solicitando prorrogação de prazo e solicitando informações complementares a fim de auxiliar na identificação do comprovante de pagamento; Às fls. 352, há uma petição da Recorrente de 23 de dezembro de 2015, solicitando novamente a designação do perito indicado; Às fls. 355, há um termo de intimação nº 004/2016, de 06 de abril de 2016, solicitando a prova do pagamento do laudo técnico efetuado a fim de que pudesse ser dado andamento à diligência; Às fls. 357, há uma cópia do termo de intimação nº 006/2015, 09 de março de 2015, a respeito da resolução nº 32020000.158, Redatora Tatiana Midori Migiyama; Às fls. 366, há um termo de intimação nº 004/2016, de 13 de abril de 2016, reintimando para apresentação da prova do pagamento do laudo técnico efetuado a fim de que pudesse ser dado andamento à diligência; Às fls. 367, há prova da recusa em receber a intimação por parte da Recorrente. É o relatório. Voto Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.226 S3C3T2 Fl. 5 7 Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do Recurso de Ofício Quanto ao recurso de ofício, a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, prevê novos limites de alçada: Portaria MF nº 63, de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Portanto, não se conhece do recurso de ofício. 3. Da incidência da CIDE combustíveis O cerne da controvérsia cingese no fato de que a Recorrente importou propano e butano de janeiro a outubro de 2002 e não recolheu a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE combustíveis. Ela alega que a IN SRF 107/01 não prevê a incidência da CIDE sobre a importação de propano e butano, mas tão somente sobre a importação do GLP e seus derivados, e que a IN SRF 219/02, que expressamente prevê a incidência da CIDE sobre as importações de gases propano e butano, foi editada em 10 de outubro de 2002, de maneira que a norma não poderia regular os fatos geradores ocorridos anteriormente a sua edição. A Lei nº 10.336/2001 prevê o seguinte: Lei nº 10.336/2001 Art. 2o São contribuintes da Cide o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art. 3o. Parágrafo único. Para efeitos deste artigo, considerase formulador de combustível líquido, derivados de petróleo e derivados de gás natural, a pessoa jurídica, conforme definido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) autorizada a exercer, Fl. 377DF CARF MF 8 em Plantas de Formulação de Combustíveis, as seguintes atividades: I aquisição de correntes de hidrocarbonetos líquidos; II mistura mecânica de correntes de hidrocarbonetos líquidos, com o objetivo de obter gasolinas e diesel; III armazenamento de matériasprimas, de correntes intermediárias e de combustíveis formulados; IV comercialização de gasolinas e de diesel; e V comercialização de sobras de correntes. Art. 3o A Cide tem como fatos geradores as operações, realizadas pelos contribuintes referidos no art. 2o, de importação e de comercialização no mercado interno de: I – gasolinas e suas correntes; II diesel e suas correntes; III – querosene de aviação e outros querosenes; IV óleos combustíveis (fueloil); V gás liquefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e de nafta; e VI álcool etílico combustível. § 1o Para efeitos dos incisos I e II deste artigo, consideramse correntes os hidrocarbonetos líquidos derivados de petróleo e os hidrocarbonetos líquidos derivados de gás natural utilizados em mistura mecânica para a produção de gasolinas ou de diesel, de conformidade com as normas estabelecidas pela ANP. (grifos não constam no original) Apenas para elucidar o que seria o GLP, vale transcrever a Resolução nº 18, de 2 de setembro de 2004, da Agência Nacional do Petróleo: Resolução ANP nº 18, de 2004 Art. 1º . Estabelecer, através da presente Resolução, as especificações dos Gases Liquefeitos de Petróleo GLP, de origem nacional ou importada, comercializados pelos diversos agentes econômicos no território nacional, consoante as disposições contidas no Regulamento Técnico ANP nº 2/2004, parte integrante desta Resolução. (...) Art. 2º. Para efeitos desta Resolução os Gases Liquefeitos de Petróleo GLP classificamse em: I Propano Comercial mistura de hidrocarbonetos contendo predominantemente propano e/ ou propeno. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.226 S3C3T2 Fl. 6 9 II Butano Comercial mistura de hidrocarbonetos contendo predominantemente butano e/ ou buteno. III Propano / Butano mistura de hidrocarbonetos contendo predominantemente, em percentuais variáveis, propano e/ou propeno e butano e/ou buteno. IV Propano Especial mistura de hidrocarbonetos contendo no mínimo 90% de propano em volume e no máximo 5% de propeno em volume. (grifos não constam no original) Observase que a Lei nº 10.336, de 2001, quando prevê a incidência da CIDE sobre o gás liquefeito de petróleo não coloca a expressão em sentido estrito, logo, observase que desde o advento da lei já há previsão legal para a cobrança do referido tributo sobre propano e butano, pois eles são gases liquefeitos do petróleo. O GLP em sentido estrito seria o conhecido gás de cozinha, que é uma mistura do propano e do butano2. O fato de a IN nº 107, de 28 de dezembro de 2001, não fazer previsão expressa do nome propano e butano não impede a incidência da CIDE combustível sobre os referidos gases liquefeito de petróleo, pois o ato administrativo simplesmente utilizou a terminologia da lei. Quando a Secretaria da Receita Federal, em 10 de outubro de 2002, editou a Instrução Normativa nº 219, prevendo a inclusão dos gases butano e propano brutos liquefeitos no inciso VI do art. 2° da Instrução Normativa nº 107/01, não criou qualquer hipótese nova de incidência tributária, por tal motivo, não desrespeita o Princípio da Legalidade Tributária, mas apenas esclareceu com maior detalhes; sendo esta, justamente, a função de uma instrução normativa, que é detalhar os aspectos da legislação, tendo como fim sanar qualquer tipo de dúvida. O fato de a IN nº 219, de 2002, ter efeitos retroativos também não afronta o Princípio da Irretroatividade, uma vez que a Lei nº 10.336, de 2001, já prevê a incidência tributária sobre o chamado gás liquefeito de petróleo, a instrução normativa em questão apenas esclareceu possível dúvida que existisse e a incidência tributária é fenômeno que ocorre desde a edição da lei no ano de 2001. Além disso, o CARF não é competente para se pronunciar a respeito da constitucionalidade de leis, vide Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Por mais que a Recorrente tente diferenciar o GLP do propano e do butano, se há uma diferença é apenas em relação ao GLP em sentido estrito conhecido como gás de botijão ou gás de cozinha que é uma das espécies do GLP, gênero, dentro do qual se encontra o propano e o butano. Se a lei quisesse restringir o campo de incidência teria colocado a expressão em sentido estrito ou a terminologia gás de cozinha. 2 Informação obtida a partir do seguinte sítio eletrônico: <http://www.anp.gov.br/wwwanp/petroleoe derivados2/glp>, acesso em: 13 mar. 2017. Fl. 379DF CARF MF 10 O fato de a NCM diferenciar não impede a incidência tributária, pois ela é baseada na terminologia gás liquefeito de petróleo. Além disso, conforme fundamentação da DRJ/Florianópolis, fls. 223, em relação ao gênero e espécie, transcrevese, ipsis litteris: Com efeito, independentemente da referida Instrução Normativa, com base no Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, consubstanciado na Nomenclatura Comum do Mercosul — NCM, chegase à conclusão de que o propano e o butanos liquefeitos, objeto da importação de que trata este processo, pertencem ao grupo "gás liquefeito de petróleo", estando, por isso, sujeito à Cide, nos termos do art. 3 0, V. da Lei n° 10.336, de 2001. Eis os códigos da NCM que revelam essa constatação com meridiana clareza: 2711 GÁS DE PETRÓLEO E OUTROS HIDROCARBONETOS GASOSOS 2711.1 Liquefeitos 2711.11.00 Gás natural 2711.12 Propano 2711.12.10 Bruto 2711.12.90 Outros 2711.13.00 Butanos 2711.14.00 Etileno, propileno, butileno e butadieno 2711.19 Outros 2711.19.10 Gás liquefeito de petróleo (GLP) 2711.19.90 Outros Observese que a categoria "Os liquefeito de petróleo e outros hidrocarbonetos gasosos", citada na posição 2711, constitui um gênero do qual são espécies várias mercadorias, dentre elas, urna denominada coincidentemente de "gás liquefeito de petróleo (GLP)", a que se refere o código 2711.19.90, além de outras, tais como butanos liquefeitos (2711.13.00), propano bruto (2711.12.10), etileno (2711.14.00) etc. Quanto à incidência da CIDEcombustível para o propano e o butano, já decidiu este Egrégio Tribunal Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 24/09/2002 DEVIDA A CIDE SOBRE OS GASES LIQUEFEITOS DE PETRÓLEO: BUTANO E PROPANO Incidência prevista na Lei n 10.336, de 19 de dezembro de 2001, regulamentada pelas INs 107 e 219 de 2001. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.226 S3C3T2 Fl. 7 11 INCOMPETÊNCIA DO CARF não é competente para se pronunciarse sobre inconstitucionalidade de lei tributária Sumula n. 02. TAXA DE JUROS SELIC A partir de 1 de Abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Sumula n.04. (Acórdão 3101001.576; Relatora: Valdete Aparecida Marinheiro; Data da sessão: 25 de fevereiro de 2014) Portanto, mantémse a decisão da DRJ/Florianópolis. 4. Da multa e da Taxa Selic A Recorrente alega que há inaplicabilidade na multa imposta de 75% sobre o valor do tributo supostamente devido, alegando manifesta inconstitucionalidade e violação ao princípio do não confisco e pleiteia que ela não ultrapasse 10% do valor do tributo exigido. Apesar de não constar no texto do Recurso Voluntário, o patrono dos autos, em sustentação oral, pleiteou pela aplicação do artigo 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, em virtude da IN SRF nº 107, de 28 de dezembro de 2001, não fazer previsão expressa do nome propano e butano, o que somente ocorreu com o advento da IN SRF nº 219, de 10 de outubro de 2002. O próprio auto de infração, fls. 15, deixa expresso o seguinte: Poderseia até vislumbrar a hipótese de, até o advento da IN SRF n° 219/2002, a autuada não ter recolhido a Cide, por um equivocado entendimento de que a IN SRF n° 107/2001 teria excluído os produtos em questão do rol de mercadorias sujeitas A contribuição. E assim, à luz do art. 100, parágrafo único, do CTN, não caberia a imposição de penalidades e juros de mora sobre os valores de contribuição devidos, por observância de ato normativo expedido pela autoridade tributária, qual seja, a retrocitada IN SRF n°107/2001, Isto, no entanto, aplicase ao caso em que o contribuinte promova o recolhimento do tributo devido, pois, como acima exposto, não há de se falar em sua extinção, senão por Lei (em sentido estrito). Nesse sentido, importante transcrever o artigo em baila: Código Tributário Nacional Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; Fl. 381DF CARF MF 12 III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. O período de autuação é de janeiro a outubro de 2002, neste período, conforme relatado anteriormente, havia a incidência da CIDEcombustíveis, contudo, somente a partir da IN SRF nº 219, de 10 de outubro de 2002, é que a legislação deixou ainda mais especificado com os NCMs, pois a IN SRF nº 107, de 2001, trazia o NCM 2711.19.10. Nesse sentido, deve ser aplicado o artigo 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que afasta a imposição de penalidades, cobrança de juros de mora e atualização do valor monetário da base de cálculo, não considerando infracional a conduta do contribuinte e conforme já decidido em precedente deste Egrégio Tribunal Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 28/08/2002 IMPORTAÇÃO DE BUTANO LIQUEFEITO. INCIDÊNCIA DA CIDE. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incide sobre a importação de butano, classificado no código 2711.13.00 da NCM, com amparo no art. 3o, inciso V, da Lei n° 10.336, de 2001. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/08/2002 MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Não pode ser considerada infracional a conduta do contribuinte que agiu seguindo orientação de instrução normativa que interpretou o alcance de norma legal, interpretação posteriormente alterada por nova instrução, o que impede a imposição de penalidades e dos juros de mora, nos termos da disposição do art. 100 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão: 3102002.100; Redatora ad hoc: Mônica Monteiro Garcia de Los Rios; Data da sessão: 26 de novembro de 2013) Nesse sentido, com fundamento no artigo 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, devem ser excluídos os lançamentos referentes à multa de ofício e ao juros de mora. 5. Conclusão Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10494.000490/200697 Acórdão n.º 3302005.226 S3C3T2 Fl. 8 13 Por todo exposto, não conheço do recurso de ofício e conheço o recurso voluntário, concedendo provimento parcial para excluir os lançamentos referentes à multa de ofício e ao juros de mora. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 383DF CARF MF
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Numero do processo: 13531.000053/2003-25
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO.
Visando comprovar a efetiva existência de direito creditório proposto para compensação com débitos do contribuinte, está obrigado o órgão julgador a analisar o referido direito e retroceder a períodos anteriores em que o mesmo se tenha formado, para constatar sua efetiva existência e liquidez.
Numero da decisão: 1001-001.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente e redator designado.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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DIREITO CREDITÓRIO. Visando comprovar a efetiva existência de direito creditório proposto para compensação com débitos do contribuinte, está obrigado o órgão julgador a analisar o referido direito e retroceder a períodos anteriores em que o mesmo se tenha formado, para constatar sua efetiva existência e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e redator designado. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 53 1. 00 00 53 /2 00 3- 25 Fl. 105DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 15 17.341 1ª Turma da DRJ/SDR, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório 510/2008 que reconheceu parcialmente a compensação pleiteada pela recorrente no PER/DCOMP nº.13531.000048/200312, transmitido em 03/04/2003, cujo relatório transcrevo (parcialmente) a seguir: Na sua impugnação o contribuinte ataca o Despacho Decisório basicamente no que tange a decadência. Que retrocedendo sua análise a DIPJ do anocalendário de 1997, o auditor alega não ter encontrado nos sistemas internos da repartição os pagamentos dos impostos declarados pela empresa naquele ano, por conta disso, entendeu que o saldo negativo daquele ano não existira, isso repercutiu, sucessivamente, nos anos posteriores, que também foram analisados, chegandose a conclusão de que não havia a totalidade do saldo negativo compensada em 2002. Alega a Impugnante que o despacho que motiva a decisão impugnada, ilegalmente, fundase em períodos já homologados tacitamente pela Receita, portanto não poderiam ser objeto de análise de mérito a ensejar a desconsideração do crédito do contribuinte. Cita o artigo 150 e § 4 do CTN. Argumenta que toda linha de entendimento do despacho decisório, que deveria julgar as compensações realizadas com o saldo negativo apurado em 31/12/2001, baseiase na informação prestada pelo contribuinte em DIPJ de 1997, extrapolando e fazendo apreciação de mérito dos períodos posteriores a essa declaração, quais sejam 1998, 1999, 2000 e 2001, portanto houve verdadeiro julgamento de mérito de períodos já homologados tacitamente, o que é ilegal e fere o principio da segurança jurídica. Relata a Impugnante que no despacho decisório a DRF/FSA afirma que não há em seu banco de dados registro de pagamentos declarados pela empresa no ano calendário de 1997 e adverte que a conseqüência lógica dessa constatação seria, se ainda fosse possível, chamar o contribuinte para comprovar os pagamentos que declarou, e não simplesmente invalidar todas as informações inscritas na DIPJ, sob pena de mácula ao direito de ampla defesa e aos ditames do devido processo legal. Realça que face a passagem do tempo e o prazo prescricional definido na legislação, a empresa está obrigadas a manter os documentos contábeis apenas por 5 (cinco) anos. Amplia suas alegações ao alegar que toda a argumentação do auditor fundase na informação prestada pelo contribuinte sobre o montante do saldo em 31/12/1997, mas não houve uma análise dos documentos contábeis do período para verificar a validade ou não da informação. Lembra que no processo administrativo tributário vige o Principio da Verdade Material, ou seja, valem os documentos contábeis que comprovam o saldo negativo. Adverte que a empresa não possui mais os livros Diário e Razão do ano de 1997, e nem pode ser penalizada por isso, em função desse período não poder mais ser analisado por estar prescrito, mas possui o razão de 1998 e o diário de 1999. Anexa cópias e afirma delas se poder verificar a validade dos dados apresentados nas DIPJ dos períodos respectivos. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13531.000053/200325 Acórdão n.º 1001001.050 S1C0T1 Fl. 106 3 Cientificada em 15/12/2008 (fl. 92), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 09/01/2009 (fl. 93). Voto Vencido Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente repete, basicamente, os mesmos argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, os quais já estão reportados no relatório acima transcrito. Acrescenta, no recurso, os seguintes argumentos: Mesmo legalmente desobrigada, apresentou na impugnação do Despacho n°. 510/2008 cópias do Livro Diário de 1999 até 2002 e do Livro Razão de 1998 até 2002, comprovando que, em 2002, havia um saldo de R$ 14.830,34 (quatorze mil, oitocentos e trinta reais e trinta e quatro centavos) de Imposto de Renda, e R$ 17.267,15 (dezessete mil, duzentos e sessenta e sete reais e quinze centavos) de Contribuição Social, que era suficiente para cobrir as compensações realizadas naquele ano, resultando, em conseqüência, em saldo para o ano de 2003, ora objeto de apreciação. Assim, com a revisão da decisão 510/2008, relativa ao ano de 2002, deve ser revista também a decisão ora impugnada por produzir julgamento de mérito de períodos já homologados tacitamente pelo Fisco, o que é ilegal e inconstitucional. Quaisquer débitos anteriores a 2003 já estão prescritos e não podem ser mais cobrados. o auditor, ao julgar e trazer para 2002 "novos" resultados dos anos anteriores, está, reflexamente, cobrando valores inexigíveis, ferindo um ato jurídico perfeito e cometendo verdadeiro crime de Excesso de Exação, tipificado no art. 316, § 1°, do Código Penal. Ainda que o Fisco não tenha cobrado valores referentes ao anocalendário de 1997, transmitiu os resultados apurados para os anos seguintes, desconstituindo os créditos posteriores, resultando na não homologação e cobrança das compensações pleiteadas, ou seja, houve sim conseqüências econômicas para a empresa que, em última análise, está pagando por apuração referente a períodos tacitamente homologados. Em seu voto, a DRJ argumenta: Em razão de estar o presente processo intimamente ligado ao de número 13531.000048/200312, em face da recomposição dos valores nele pleiteados ter afetado este, conforme informado no despacho decisório, e tendo o contribuinte oferecido para este os mesmos argumentos de defesa apresentados para aquele, ficam aqui registrados os argumentos de decisão utilizados para o processo 13531.000048/200312, a saber. Como se pode observar, cabe verificar se tendo a Impugnante formulado pedido de restituição relativa a saldos negativos do anocalendário de 2003, poderia a RFB retroceder a anos anteriores para verificar a exatidão das informações Fl. 107DF CARF MF 4 contidas nas respectivas DIPJ, quanto aos créditos oferecidos em compensação, inclusive, atinentes a anosbase alcançados, à data do despacho decisório, pela decadência. Alega o contribuinte, na Manifestação de Inconformidade, unicamente a decadência prevista no artigo 150 § 4 0 do CTN, para contraporse ao procedimento fiscal e divulgar o seu desejo de não apresentar documentos comprobatórios, se é que estes existem. O artigo 150 e § 4 do CTN proíbe que a autoridade fiscal proceda ao lançamento tributário após os 05 anos, contados da data de ocorrência do fato gerador. evidente que todos os períodos examinados pela autoridade fiscal, e não tão somente 1997, estavam alcançados pela decadência à data em que foi lavrado o despacho decisório. Contudo, há que se verificar, com mais cautela, se o procedimento do SEORT da DRF/FSA foi afrontoso ao que dispõe o artigo 150 § 40 do Código Tributário Nacional. A seguir, a DRJ procede à análise do artigo 142 do CTN, segundo o qual: Art. 142 — Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcula o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Mais adiante, valese, também, do artigo 170 do mesmo CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Baseados em ambos os artigos, conclui, a meu ver, equivocadamente, não ter havido a constituição de um novo crédito tributário. Houve apenas a verificação/confirmação dos valores utilizados para formar um processo de restituição/compensação de tributo. Em outro trecho da decisão, a DRJ menciona o seguinte: Fica entendido deste modo que não foi modificado o resultado do exercício pois o valor do IRPJ continua o mesmo informado pela pessoa jurídica, afastandose assim a possibilidade de decadência, mas que foi modificado o valor do ativo circulante da Impugnante, foi modificado o valor do direito que dizia ela possuir mas não foi confirmado. Também não é caso de prescrição, não está a RIB pretendendo cobrar as estimativas que não foram recolhidas, mas apenas não aceitando o crédito delas decorrentes em face da falta de pagamento. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13531.000053/200325 Acórdão n.º 1001001.050 S1C0T1 Fl. 107 5 Tratase da mesma situação, não aceitar estimativas declaradas em um processo de compensação equivale a cobrálas, o que não poderia mais ser efetuado face ao prazo do artigo 150 do CTN. Ou seja, já estava decaído o direito de a Fazenda proceder ao lançamento relativamente ao ano de 1997. Mais adiante, a DRJ conclui: As folhas do livro Razão apresentadas pela Impugnante não são hábeis, por si só, para comprovar o pagamento do crédito que lá consta escriturado. Além da escrituração completa, necessário se faz a efetiva comprovação dos pagamentos, fato que a Impugnante expressamente confessa não poder fazer. A este respeito, dispõe o artigo 264, parágrafo 3° do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3000/99 (RIR/99): Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). ... § 3 Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. O parágrafo 3° é claro em relação à guarda de comprovantes de escrituração. Assim, com algumas exceções, como por exemplo comprovantes de aquisição de bens do ativo permanente cujo prazo de decadência começa a contar a partir do exercício em que ocorrer a sua realização final por venda, depreciação etc. No caso dos comprovantes de recolhimento de antecipações, no caso em tela, o prazo decadencial já ocorrera quando da análise feita e expedição do despacho decisório. No entanto, enganase a recorrente quanto ao prazo de guarda do Livro Razão, cujo prazo é de 10 anos. Já o Livro Diário Geral deve ser guardado por toda a existência da sociedade, não havendo prazo, obviamente. Mesmo assim, este fato não tem relevância para o caso em tela. Entendo que a conclusão da DRJ, a seguir transcrita, não se aplicaria ao caso; vejamos: As folhas do livro Razão apresentadas pela Impugnante não são hábeis, por si só, para comprovar o pagamento do crédito que lá consta escriturado. Além da escrituração completa, necessário se faz a efetiva comprovação dos pagamentos, fato que a Impugnante expressamente confessa não poder fazer. (grifei) Assim, voltase ao artigo 150, do CTN: Fl. 109DF CARF MF 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (grifei) Assim, entendo não caber mais o direito de a Fazenda Nacional efetuar a glosa de recolhimentos antecipados, em processo de compensação, pois isso equivale ao lançamento após o prazo decadencial. Tanto é assim que, ao final do despacho decisório (fl 49), a DRF homologa em parte a compensação e determina a cobrança do saldo devedor que corresponde às antecipações realizadas no anocalendário de 1997. Portanto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Voto Vencedor Lizandro Rodrigues de Sousa redator do voto vencedor Trata o presente processo de pedido de restituição/compensação formulado em 03 de abril de 2003, relativo a saldo negativo do IRPJ e da CSLL apurado em 31/12/2002 de que se diz possuidora a Recorrente. Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana indefere o pleito negando conseqüentemente a homologação. O SEORT/FSA entendeu não haver crédito de saldo negativo do IRPJ e CSL a ser compensado em 2003, baseandose em informação da DIPJ referente ao anobase de 1997, por não ter encontrado nos sistemas internos da repartição os pagamentos dos impostos declarados pela empresa naquele ano de 1997. Alega a Recorrente que o despacho decisório ilegalmente fundase em períodos já homologados tacitamente pela Receita (1997 a 2002), portanto não poderiam ser objeto de análise de mérito a ensejar a desconsideração do crédito do contribuinte. A questão que se pôs é se, tendo a Recorrente formulado pedido de restituição relativa a saldos negativos do anocalendário de 2002, poderia a RFB retroceder a anos anteriores para verificar a exatidão das informações contidas nas respectivas DIPJ, quanto aos créditos oferecidos em compensação, inclusive de anoscalendário alcançados pela decadência na data do despacho decisório (ciência do Despacho Decisório em 09 de abril de 2008, efl. 56). A Recorrente não consegue refutar, através de provas ou livros contábeis, a afirmação do Despacho Decisório de que em todos os anoscalendário (1997 a 2002) Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13531.000053/200325 Acórdão n.º 1001001.050 S1C0T1 Fl. 108 7 examinados a Recorrente calculou os valores mensais devidos de IRPJ e CSLL a titulo de antecipação por estimativa mensal, porém não os recolheu ou compensou em sua totalidade. Apela à decadência prevista no artigo 150, § 4° do CTN, para contraporse ao procedimento fiscal. Não se nega aqui, assim como se fez no Acórdão Recorrido, que todos os períodos examinados pela autoridade fiscal, e não somente 1997, estavam alcançados pela decadência à data em que foi lavrado o despacho decisório. Mas não houve lançamento relativos aos anos calendário 1997 a 2002 pelo Despacho Decisório de 2008, e desta forma não ficou maculado o artigo 150 do CTN. Conforme prescreve o art. 170 do CTN, tem a autoridade administrativa o dever legal de verificar a liquidez dos créditos apresentados pelo contribuinte para compensação. E isso foi feito. Desta forma corroboramos o entendimento da decisão recorrida de que o que foi modificado pelo despacho decisório foi os valores concernentes às estimativas dos anos 1997 a 2002, valores conforme dito que representariam um direito do contribuinte, mas que não estão lastreados por qualquer documento que lhe valide. Assim dispôs a decisão recorrida: Observase que o valor do IRPJ apurado a aliquota de 15%, permanece o mesmo informado pelo contribuinte na DIPJ, ou seja, aquele apurado, aquele que somente se modifica ao modificarse a contabilidade ou o LALUR. Não houve então intromissão no resultado, não houve lançamento e, portanto não há que se falar em decadência. Entretanto observase que foi modificado o valor concernente as estimativas, valor conforme dito, que representa um direito do contribuinte, pelo fato de tal direito não estar lastrado com qualquer documento que lhe valide. Fica entendido deste modo que não foi modificado o resultado do exercício pois o valor do IRPJ continua o mesmo informado pela pessoa jurídica, afastandose assim a possibilidade de decadência, mas que foi modificado o valor do ativo circulante da Impugnante, foi modificado o valor do direito que dizia ela possuir mas não foi confirmado. Também não é caso de prescrição, não está a RIB pretendendo cobrar as estimativas que não foram recolhidas, mas apenas não aceitando o crédito delas decorrentes em face da falta de pagamento. A esta altura devemos questionar então a possibilidade da Receita Federal do Brasil de verificar a liquidez do titulo que está na iminência de receber em compensação para extinção de créditos seus junto a contribuinte. De cara, retrocedendose ao anteriormente exposto, é o próprio artigo 170 do Código Tributário Nacional que assim determina, conforme já analisado. Fl. 111DF CARF MF 8 Por outro lado fazendose uma analogia com os bens do Ativo Permanente, pode o contribuinte se recusar a comprovar os bens existentes no imobilizado após transcorridos 5 (cinco) anos de sua aquisição. Vale o mesmo questionamento quanto aos recursos aplicados no diferido. É evidente que tem o contribuinte a obrigação de apresentar ao fisco toda esta documentação enquanto exerça o seu direito de reconhecer a depreciação e a amortização dos mesmos. (...) A Receita Federal não poderia atingir os resultados dos anos calendário envolvidos e não atingiu, mas, poderia e o fez, glosar aqueles valores de compensação que se mostram sem lastro comprobatório da existência. Ou seja, o pagamento ou compensação. (...) As folhas do livro Razão apresentadas pela Impugnante não são hábeis, por si só, para comprovar o pagamento do crédito que la consta escriturado. Além da escrituração completa, necessário se faz a efetiva comprovação dos pagamentos, fato que a Impugnante expressamente confessa não poder fazer. (....) Desta forma, visando comprovar a efetiva existência de direito creditório proposto para compensação com débitos do contribuinte, está obrigado o órgão julgador a analisar o referido direito e retroceder a períodos anteriores em que o mesmo se tenha formado, para constatar sua efetiva existência e liquidez. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Lizandro Rodrigues de Sousa Assinado digitalmente Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002533/2005-20
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - CONTAGEM DO
PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN
prazo para Pleitear a restituição ou cOmpensação de tributos pagos indevidamente - é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindo-se o inicio de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática nab litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem inicio
a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter inicio com a decisão definitiva da controvérsia.
Numero da decisão: 1103-000.346
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento, para devolver os autos h. unidade de origem (DRF) para exame do mérito, nos termos do relatório e voto que integram o ente julgado.
Nome do relator: Eric Castro e Silva
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Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática nab litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem inicio a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter inicio com a decisão definitiva da controvérsia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento, para devolver os autos h. unidade de origem (DRF) para exame do mérito, nos termos do relatório e voto que ir) egram-o ente julgado. I / / 4: ALOYSIRJO OPE C DA SILVA - Presidente ERI ASTRO E SILVA - Relator 9n 11 EDITADO EM: 0 _I Ault Lu Participaram, da Sessão de julgamento os Conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Mário Sergio Fernandes Barroso, Gervasio Nicolau Recketenvald, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero (Vice Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão que indeferiu Pedido de Restituição protocolado em 31/05/2005, no valor de R$ 87.294,25, oriundo de recolhimentos feitos a titulo de SIMPLES, referente ao período de apuração de 31/01/2000. A decisão recorrida entendeu ter havido a decadência ao direito de restituição, vez que transcorrido mais de 5 anos da data do pagamento indevido, conforme se observa trecho do acórdão vergastado abaixo transcrito: RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. - EXTINÇÃO DO DIREITO. 0 direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento 68). Inconformado, vem o contribuinte no seu Recurso Voluntário de fls. 73/78 alegar que o termo inicial para a contagem da decadência do pedido de restituição não foi a data do pagamento do tributo que se pretende restituir, nos termos dos arts. 165, I e 168, I do Código Tributário Nacional, mas sim em 05/01/2005, data em que foi proferida a decisão definitiva no processo administrativo n° 10830.006891/2001-88, no qual a contribuinte restou excluída do SIMPLES. Nesse sentido, aduz a Recorrente: "A empresa Automax somente veio a possuir a disponibilidade jurídica do crédito no momento em que teve seu pedido de inclusão no SIMPLES indeferido pelo Fisco, o que ocorreu em 05 de janeiro de 2005. Assim, na data do efetivo pagamento do tributo, em quem 10/03/2000, até 05 de janeiro de 2005, a empresa não tinha fundamento para pedir restituição pois não havia nenhum pagamento indevido, vez que pensava e tentava se manter optante do SIMPLES. Somente com o indeferimento do pedido é que a empresa observou que o pagamento feito em 10/03/2000, foi feito a maior do que o devido, originando-se assim, crédito seu favor" «is. 76). Junta jurisprudência do então Conselho de Contribuinte e ao final pede o provimento do Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito e a consequente homologação das compensações. o relatório. 2 Processo n 0 10830.002533/2005-20 SI-CIT3 Acórdão n.° 1103-00.346 Fl , 2 Voto Conselheiro ERIC CASTRO E SILVA, 0 recurso satisfaz os seus requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A questão em litígio cinge-se em definir o termo inicial para o prazo decadencial de 5 anos para propor a restituição do indébito. A decisão recorrida entende que o termo "a quo" teria sido a data do pagamento indevido, já o contribuinte defende que o termo Iinicial ocorreu na data da decisão administrativa definitiva que lhe excluiu do SIMPLES e, consequentemente, tornou indevidos os pagamentos realizados naquela sistemática de tributação. Para definir o termo inicial para a restituição do indébito tributário, importa distinguir se o valor que se pretende restituir é oriundo de situação litigiosa ou não. Se não litigiosa, de fato o prazo para pleitear sua restituição se inicia da data do pagamento indevido, nos termos do art. 165, I e art. 168, I. Contudo, se o indébito que se pretende restituir é oriundo de conflito administrativo ou judicial, o prazo de 5 anos se inicia da data da decisão definitiva que pôs termo ao litígio, nos termos do art. 168, III e art. 165, III abaixo transcritos: Art. 165. 0 sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, a restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no 5s* 4" do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no calculo do montante do débito ou na elaboração ou conferencia de qualquer documento relativo ao pagamento; Ill - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenató ria. Art. 168. 0 direito de pleitear a. restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 - (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 1. 65, da data da extinção do crédito tributário; - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão eondenatória. No caso dos autos, o valor que se pretende restituir é oriundo de recolhimento feito a titulo de SIMPLES no ano de 2000. Posteriormente, a contribuinte foi excluída da sistemática simplificada medi ante o processo administrativo n° 10830.006891/2001-88, que se encerrou em 05/01/2005. Assim, só com o fim do litígio ocorrido em 05/01/2005, que terminou por excluir a Recorrente do SIMPLES, é que o pagamento realizado em 2000 restou por ser tornar "indevido". Consequentemente, só partir de 05/01/2005 surgiu a pretensão da contribuinte em reaver aqueles valores. Em outras palavras, o fim do litígio administrativo ocorrido em 05/01/2005 é o termo inicial para a repetição do indébito objeto do pedido de restituição originário, não havendo, pois, que se falar em decadência do direito da Recorrente A. restituição. Nesse sentido e a jurisprudência deste CARF, conforme aresto abaixo colacionado: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO - CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN - prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é sempre de 5 (cinco) anos, distinguindo-se o inicio de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem inicio a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução jurídica conflituosa, o prazo para desconstituir a indevida incidência só pode ter inicio com a decisão definitiva da controvérsia, como acontece nas soluções jurídicas ordenadas com eficácia erga omnes, pela edição de resolução do Senado Federal para expurgar do sistema norma declarada inconstitucional, ou na situação em que é editada Medida Provisória ou mesmo ato administrativo para reconhecer a impertinência de exação tributciria anteriormente exigida. (ACÓRDÃO 103-23.503órgão 1° Conselho de Contribuintes - 3a. Câmara Decisão 1° Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 103- 23.503 em 26.06.2008. Publicado no DOU em: 03.09.2008. Relator: Alexandre Barbosa Jaguaribe) Por todo o exposto, voto pelo provimento do Recurso para afastar a ocorrência da decadência para se pleitear a restituição, devendo os autos retornarem à Delegacia da Receita Federal de origem para que se proceda a análise do credito objeto do pedido de restituição e a sua conseqüente utilização nas compensações originariamente requeridas. como voto. ERIC CASTRO E SILVA 4
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Numero do processo: 13827.000239/2010-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Somente há que se falar em renúncia à esfera administrativa quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial. Se isso não ocorrer, então não há concomitância e a autoridade administrativa julgadora deve conhecer o mérito do litígio.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1301-003.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13827.000234/2010-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Somente há que se falar em renúncia à esfera administrativa quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial. Se isso não ocorrer, então não há concomitância e a autoridade administrativa julgadora deve conhecer o mérito do litígio. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13827.000234/2010-65, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
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CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE DE OBJETOS. INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Somente há que se falar em renúncia à esfera administrativa quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial. Se isso não ocorrer, então não há concomitância e a autoridade administrativa julgadora deve conhecer o mérito do litígio. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13827.000234/201065, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 02 39 /2 01 0- 98 Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13827.000239/201098 Acórdão n.º 1301003.638 S1C3T1 Fl. 3 2 e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. Relatório COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ em Porto Alegre que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF) e nos §§ 9º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior a título de Parcelamento da Lei nº 10.684/2003, Código Receita 7122, apresentado em formulário impresso. No formulário, o interessado alegou que o pedido teria por objeto “a restituição da parcela do PAES Parcelamento Especial de que trata a Lei 10.648/2003 10.684/2003, não utilizadas pela RFB na amortização da dívida consolidada no âmbito do PAES, por terem sido recolhidas após a data dos efeitos da exclusão do referido programa, conforme dispõe o § 1º do art. 12 da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3/2004”. O despacho decisório proferido pela Auditora Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP não reconheceu o direito creditório, pois verificou que o referido pagamento teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte inscrito em dívida ativa. No despacho, a autoridade ponderou que a exclusão do PAES teria ocorrido com efeitos a partir de 12/03/2005, mas a Fazenda Nacional teria ajuizado processo de execução fiscal nº 2005.61.09.0031397, no qual teria sido determinado que fossem feitos Redarfs dos recolhimentos referentes ao PAES para que fossem aproveitados na quitação de débitos inscritos em Dívida da União. Assim, em cumprimento à decisão judicial, foram emitidos os Redarfs, alterandose o Código Receita dos pagamentos para 4493 – Dívida Ativa Cofins. Como o pedido de restituição tratava de tributos e contribuições administrados pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a ela, para que se manifestasse sobre a procedência do pedido do contribuinte. Em resposta, a PFN se manifestou pelo não reconhecimento do direito creditório, já que o pagamento teria sido imputado ao débito inscrito na CDA nº 80.6.05.04289850. Cientificado do despacho, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de alegando que teria sido excluída do PAES indevidamente, pois teria compensado algumas parcelas com crédito prêmio do IPI, mas que teria autorização judicial para tal procedimento e que também teria ação judicial para ser reincluído no parcelamento (processo nº 2008.61.00.0218613). Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13827.000239/201098 Acórdão n.º 1301003.638 S1C3T1 Fl. 4 3 Defendeu que antes mesmo de ser proferida decisão definitiva judicial, teriam entrado em vigor as Medidas Provisórias nº 449/2008 e 470/2009, as quais teriam permitido o parcelamento de débitos compensados com créditoprêmio de IPI. O interessado afirmou que teria optado por reparcelar os débitos, através da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, mas que teria sido obrigado a desistir e renunciar às ações judiciais para ser incluído em tal parcelamento. Alegou que o montante pago durante sua adesão ao Paes e os débitos consolidados deveriam ter sido aproveitados no novo parcelamento, conforme inc. II, art. 3º da Lei nº 11.941/2009, mas que isso não teria ocorrido. O contribuinte discordou do procedimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, por ter imputado os pagamentos sem antes consultálo, alegando ofensa ao contraditório, por não ter sido aberto prazo para impugnação. Atribuiu que teria ocorrido compensação de ofício, conforme o § 2º do art. 49 da IN RFB nº 900/2008, nas imputações de pagamentos levadas a efeito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas que não teria sido concedido o prazo de quinze (15) dias para o contribuinte se manifestar. Afirmou que teria impetrado mandado de segurança, processo nº 0004232 59.2011.4.03.6108, para pleitear a nulidade da imputação dos pagamentos ocorridas nas execuções fiscais processo nº 2005.61.09.0031397, 2007.61.09.0060357, 2007.61.09.002017 7 e 2005.61.09.0039128. Alegou que os débitos executados estariam sendo discutidos judicialmente, garantidos por penhora e que não se poderia compensar de ofício débitos do sujeito passivo com a exigibilidade suspensa. Citou o art. 369 do Código Civil, dizendo ser indispensável para a compensação de ofício que o crédito estivesse vencido e fosse exigível. Defendeu que a imputação de débitos não seria permitida nos casos em que houvesse penhora e discussão em embargos à execução, pois haveria o risco da União receber o crédito duas vezes, pela via administrativa (compensação de ofício) e pela via judicial (execução fiscal). Por outro lado, afirmou que na manifestação de inconformidade visava o reconhecimento do crédito, que não deveria ser analisado pela óptica da execução fiscal, mas como crédito originário das parcelas do Paes. O interessado aduziu que o inc. II, do art. 3º, da Lei nº 11.941/2009, deveria prevalecer sobre a IN RFB nº 900/2008, pelo princípio da hierarquia das leis, de modo que o reparcelamento do débito pela Lei nº 11.941/2009 faria com que o as parcelas pagas durante sua opção pelo Paes fossem computadas para amortizar os débitos do novo parcelamento. Concluiu, para requerer a reforma da decisão e o reconhecimento integral do direito creditório. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13827.000239/201098 Acórdão n.º 1301003.638 S1C3T1 Fl. 5 4 Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora de primeira instância consideroua improcedente. Entendeu o colegiado a quo que o contribuinte teria submetido ao Poder Judiciário a questão da utilização do pagamento a maior, ora requerido, de ofício por parte da PGFN para quitar outros débitos objeto de execução fiscal. E não havendo mais recolhimento disponível, entenderam os julgadores que não haveria liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do indébito. O contribuinte foi cientificado da decisão e apresentou tempestivamente recurso voluntário. Em síntese, além de reafirmar os argumentos de sua impugnação, questiona a conclusão da decisão de primeira instância de que haveria concomitância da matéria tratada nos presentes autos com o Mandado de Segurança n° 000423259.2011.4.03.6108, tratandose, de questão prejudicial ao deslinde da presente contenda. Requer o sobrestamento do presente julgamento até que seja proferida decisão definitiva no Mandado de Segurança por ela impetrado, e, ao final, seja provido seu recurso, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É o relatório. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13827.000239/201098 Acórdão n.º 1301003.638 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.634, de 12/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13827.000234/2010 65, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.634): "1 ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. 2 MÉRITO Conforme relatado, a Recorrente pleiteia reconhecimento de direito creditório (restituição) de pagamento indevido a título do parcelamento a que se refere a Lei nº 10.684/2003 (PAES código de receita 7122). Contudo, no bojo da Execução Fiscal n° 2005.61.09.0031397, que tramitou perante a 2ª Vara Federal de Piracicaba, deferiuse o pedido formulado pela Fazenda Nacional determinandose que os valores recolhidos indevidamente a título de PAES fossem alocados aos débitos objeto de execução fiscal (por meio do denominado “REDARF”). Após a adoção, por parte da Receita Federal, do procedimento determinado pelo Poder Judiciário, a Fazenda Nacional requereu a extinção da execução, levando o E. Juiz Federal a prolatar sentença de mérito julgando extinta a execução com fundamento no art. 794, inciso I do Código de Processo Civil e a consequente extinção dos embargos à execução fiscal opostos pelo contribuinte (sem resolução de mérito, nos termos do artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil). Tais decisões transitaram em julgado. Posteriormente, a Recorrente impetrou o Mandado de Segurança n° 000423259.2011.4.03.6108 insurgindose contra o procedimento autorizado adotado na execução fiscal em questão, postulando a anulação das imputações realizadas mediante utilização do pagamento a maior realizado no âmbito do PAES. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13827.000239/201098 Acórdão n.º 1301003.638 S1C3T1 Fl. 7 6 Foi prolatada sentença denegando a segurança, conforme informado pela própria Recorrente. Interposto recurso de apelação, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, constatei que em 07 de junho de 2017 a 3ª Turma daquele Tribunal, por unanimidade de votos, negoulhe provimento1. Opostos embargos de declaração, os mesmos foram 1 DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO RETIDO NÃO REITERADO. MANDADO DE SEGURANÇA. SENTENÇA DE INADEQUAÇÃO DA VIA PROCESSUAL. MÉRITO PREJUDICADO. NULIDADE INEXISTENTE. IMPUGNAÇÃO À IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO FEITA PELO FISCO APÓS AUTORIZAÇÃO JUDICIAL DADA NO EXECUTIVO FISCAL. ALEGAÇÃO DE NULIDADE E DE ILEGALIDADE. VIA IMPRÓPRIA. DISCUSSÃO CABÍVEL EM CADA FEITO EXECUTIVO CONFORME EFEITOS DA DECISÃO E ESTADO DO PROCESSO. DESPROVIMENTO DA APELAÇÃO. 1. Não reiterado, em razões ou contrarrazões, não se conhece do agravo retido. 2. Rejeitada a preliminar de nulidade da sentença, pois assentada a inadequação da via eleita para a discussão proposta, o respectivo mérito resta prejudicado, não se cogitando de falta de motivação da sentença quanto a este pedido. 3. No mérito, as alocações de pagamento contra as quais se insurge a impetrante foram expressamente autorizadas, em 07/02/2007, pelo Juízo da execução fiscal 000313968.2005.4.03.6109, como se constata da cópia da decisão que, naqueles autos, rejeitou a exceção de préexecutividade oposta pelo contribuinte. Nesta medida, tratase de procedimento que, muito embora cabível e realizado, via de regra, na seara administrativa, incidiu, no caso, de maneira superveniente a executivos fiscais já em curso. É dizer, tratase de ato judicializado desde a sua origem, de modo que seus efeitos propriamente originamse nas execuções fiscais em relação às quais procedeu o órgão fazendário ao encontro de contas. 4. Concluise, daí, que correta a sentença, no que entendeu que as imputações de pagamento realizadas de ofício pelo Fisco deveriam ser discutidas nos autos em que foram observados seus efeitos, e não em ação mandamental de liame probatório alheio a tais feitos. 5. A discussão sobre o eventual excesso, por produção de efeitos em outra causa, além daquela em que restou deferida a medida, deve ser deduzida, precisamente, nos autos respectivos, a partir de fatos concretos, e não em sede de mandado de segurança para produzir efeitos genéricos em prejuízo de eventuais atos e decisões judiciais proferidas. 6. A inadequação da via eleita pelo contribuinte para discussão do ato impugnado resta patente da mera análise perfunctória de alguns dos executivos fiscais pertinentes às CDAs afetadas pelo procedimento. É de se observar, por exemplo, que a execução fiscal 000313968.2005.4.03.6109, referida pela sentença, foi extinta, por sentença datada de 07/02/2011 meses antes do ajuizamento do presente mandamus , sem notícia de interposição de recurso, a despeito da apelante reiteradamente referirse ao executivo como "em trâmite". Pretendese, portanto, provimento de viés rescisório, a desconstituir a coisa julgada, formada, aliás, muito depois da própria decisão que determinou as imputações ora contestadas. A hipótese é vedada expressamente pelo artigo 5º, III, da Lei 12.016/2009 e amplamente rejeitada pela jurisprudência. 7. De outra parte, como se constata da consulta ao sistema informatizado da Terceira Região, em decisão datada de 22/06/2015, a execução fiscal 000603516.2007.4.03.6109 foi suspensa, por adesão a parcelamento. Dado que as cópias mais recentes daqueles autos constantes da mídia acostada neste feito datam de 23/05/2011, não há informação disponível sequer para tomar conhecimento da totalidade dos eventos que seriam afetados pela hipotética procedência do pedido deduzido neste apelo, a evidenciar que o presente mandamus é meio impróprio para a análise que se requer. 8. Em ainda um terceiro exemplo, nos autos 000668563.2007.4.03.6109 (embargos à execução fiscal 0003912 16.2005.4.03.6109) os efeitos das alocações de pagamento aqui discutidas foram afastados em sede de apelação, para se reconhecer a existência de causa extintiva anterior do débito (a saber, compensação), rejeitandose, ali, a tese fazendária. 9. É inviável que se analise o ato tido como coator em abstrato e de maneira absolutamente desvinculada de sua própria eficácia, que se propaga diversamente em diferentes execuções fiscais. Portanto, não merece reforma a sentença. 10. Mesmo que assim não fosse, é de se observar que, deferidas judicialmente as imputações, o seu cabimento, se insatisfeito o contribuinte, deveria ter sido objeto de irresignação recursal, a tempo e modo, pela via própria para a articulação da questão. Dado que o agravo de instrumento interposto à decisão em foco (0025162 31.2007.4.03.0000) não veiculou nada a este respeito, é forçosa a conclusão de que o presente mandamus revestir seia de substitutivo recursal (caso o mérito não se encontrasse precluso), caso em que também não é admitido, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça em caso análogo. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13827.000239/201098 Acórdão n.º 1301003.638 S1C3T1 Fl. 8 7 rejeitados. Houve interposição de recursos especial e extraordinário pelo contribuinte, e, até esta data, não consta no sítio do Tribunal o resultado de suas admissibilidades. No que diz respeito à possível concomitância entre o presente processo administrativo e o Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente, entendo assistir razão ao contribuinte, uma vez que inexiste identidade de objetos entre as demandas administrativa e judicial: enquanto no presente processo se requer o reconhecimento do pagamento indevido no âmbito do PAES, e a consequente restituição dos valores em questão, a discussão no âmbito do processo judicial diz respeito à possibilidade de utilização desse indébito, a pedido da PGFN, para quitação de débitos do contribuinte cobrados em sede de execução fiscal, pedido esse deferido pelo Poder Judiciário em decisão transitada em julgada e que o contribuinte procurou desconstituir por meio da impetração de Mandado de Segurança, sem sucesso até o momento em julgamentos já realizados em primeira e segunda instância. Conforme se observa, não há identidade de objetos entre a demanda, uma vez que não há, cumulativamente, identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativo e judicial, elementos essenciais para caracterização da concomitância. Corroborando tal entendimento, há também inúmeros precedentes do CARF: 11. É certo que, do acervo probatório, o Fisco pautouse, quanto às alocações de pagamento, pela autorização ampla dada pelo Juízo da execução fiscal nº 000313968.2005.4.03.6109, de modo que, nada obstante o ofício 84/2007EFADI tenha se restringido às CDAs 80.2.05.03099919, 80.4.05.00019188, 80.6.05.04289770, 80.6.05.04289850 e 80.7.05.01330458, o procedimento foi adotado também para as dívidas em cobro em outros executivos fiscais. Desta constatação, contudo, não decorre a viabilidade da presente ação mandamental, mas a necessidade de se suscitar este mérito em cada uma das execuções fiscais afetadas, caso entendida como abusiva a conduta do Fisco, pelas razões já expostas. 12. Neste tocante, devese distinguir o mérito das alocações de pagamento efetuadas da legalidade do procedimento adotado. Assim, de dizerse que a decisão que autorizou a realização do procedimento, em determinado âmbito, restou inatacada, não resulta, necessariamente, que tenha havido coisa julgada material quanto à regularidade das alocações de pagamento realizadas, como constou do parecer acadêmico entregue pela apelante à Turma. A matéria poderia ser veiculada, nos autos próprios, inclusive a título de defesa contra ato superveniente praticado pelo Fisco, se existente via processual para tanto, a partir de impugnação a cargo da parte interessada. Não seria possível, porém, usar de mandado de segurança como extensão impugnativa em relação às vias próprias e específicas, como pretendido. 13. Pelo contrário, o alicerce do raciocínio aqui desenvolvido, como se percebe, é justamente o de que a legalidade do procedimento adotado pelo Fisco, se posta em dúvida, deve ser discutida nos autos em que manifestados seus efeitos. É pressuposto lógico do raciocínio, pois, que não está a se considerar, em abstrato e como premissa inarredável, a existência de coisa julgada material a tornar as alocações de pagamento inatacáveis, independentemente da situação processual ocorrida em cada um dos executivos fiscais. 14. Apelação a que se nega provimento. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, negar provimento ao apelo, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. São Paulo, 07 de junho de 2017. CARLOS MUTA Desembargador Federal Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13827.000239/201098 Acórdão n.º 1301003.638 S1C3T1 Fl. 9 8 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do Carf. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (Acórdão n° 9303003.348 – 3ª Turma da Câmara Superior, sessão de 10/12/2015, Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) PAF CONCOMITÂNCIA – INOCORRÊNCIA. Não há concomitância, quando não coincidentes os objetos dos processo judicial e administrativa. Precedente do STJ e da CSRF. (Acórdão n° 3402 002.084 – 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Relator Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça) PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. Caracteriza se a concomitância guando o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais guardam irrefutável identidade. [...](Acórdão n° 3402 002.204 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Relator Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho) No mesmo sentido, assim decidiu o E. STJ: “TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2. A exegese dada ao dispositivo revela que: "O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13827.000239/201098 Acórdão n.º 1301003.638 S1C3T1 Fl. 10 9 com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. (...) Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen e René Bergmann Ávila. Direito Processual Tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, p. 349). 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência. 4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) ¬ com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior (pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato). 5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. 6. Mutatis mutandis, mencionada exclusão não pode ser tomada com foros absolutos, porquanto, a contrario sensu, tornase possível demandas paralelas quando o objeto da instância administrativa for mais amplo que a judicial. 7. Outrossim, nada impede o reingresso da contribuinte na via administrativa, caso a demanda judicial seja extinto sem julgamento de mérito (CPC, art. 267), pelo que não estará solucionado a relação do direito material. 8. Recurso Especial provido, divergindo do ministro relator. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 840.556¬AM; Reg. nº 2006/0085196 9, em sessão de 26/09/06, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Rel p/Ac Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 20/11/06 p. 286) Tal entendimento é corroborado, inclusive, pela própria RFB, conforme Parecer Normativo Cosit nº 7 de 22 de agosto de 2014: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13827.000239/201098 Acórdão n.º 1301003.638 S1C3T1 Fl. 11 10 a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta;[grifos nossos] [...] Superada a questão da inexistência de renúncia à esfera administrativa, no mérito, entendo não assistir razão à Recorrente. No que diz respeito ao sobrestamento do feito até o trânsito em julgado no bojo do Mandado de Segurança n° 000423259.2011.4.03.6108, não havendo qualquer decisão que suspenda os efeitos da sentença na Execução Fiscal n° 2005.61.09.00313972 (com decisão transitada em julgado), na qual já se utilizou o crédito ora pleiteado pela Recorrente, há de se prosseguir o presente julgamento administrativo levandose em consideração que o crédito ora requerido não só já foi reconhecido pela própria PGFN ao requerer seu aproveitamento para quitação de débito do contribuinte objeto de execução fiscal, como também exaurido quando de seu aproveitamento integral no bojo daquela contenda executiva. Vejase que o imbróglio não se originou com o pedido da PGFN – em 2007 em aproveitar tais recolhidos, mas sim da tentativa do contribuinte, no ano de 2010, de requerer restituição de valores já utilizados no ano de 2007, ainda que a pedido da PGFN, para o adimplemento de débitos do contribuinte, sendo que tal encontro de contas se deu mediante sentença transitada em julgado e não contestada pela Recorrente. A mera tentativa do contribuinte de anular tal decisão não pode ter o condão de manter sobrestado o julgamento de um pedido de restituição natimorto, pois, no momento do pedido de restituição, os valores pagos a maior já haviam sido utilizados para quitação de outros débitos, e sequer o contribuinte havia impetrado o Mandado de Segurança (proposto somente em 23/05/2011) com objetivo de anular a decisão judicial, digase de passagem, transitada em julgado, que acolheu o pedido da PGFN para utilização dos valores ora requeridos para quitação de débitos do contribuinte. 2 Muito antes pelo contrário, pois, conforme já esclarecido, em 07/06/2017 a 3ª Turma do TRF da 3ª Região confirmou a sentença que denegou a segurança pleiteada. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13827.000239/201098 Acórdão n.º 1301003.638 S1C3T1 Fl. 12 11 No que diz respeito ao mérito do procedimento adotado pela PGFN e da decisão judicial transitada em julgado, por óbvio, este Tribunal Administrativo não possui competência para tal revisão. Como consequência, no mérito, não há mais qualquer indébito a se reconhecer nos presentes autos, sob pena de duplicidade de utilização por parte da Recorrente. 3 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar o pedido de sobrestamento do julgamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 343DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.000195/2005-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA.
É passível de ressarcimento o saldo credor de IPI apurado no trimestre com base em notas fiscais devidamente registradas, decorrente de aquisição de produtos empregados no processo produtivo. Créditos fora desse contesto são passíveis de glosa.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO.
0 regime alternativo de apuração do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 10.276, de 2001, admite, na sua base de cálculo, os valores consumidos a titulo de energia elétrica, como efetivamente considerada pela fiscalização.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se definitiva a glosa, na esfera administrativa, da matéria não expressamente impugnada.
Numero da decisão: 3401-005.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA. É passível de ressarcimento o saldo credor de IPI apurado no trimestre com base em notas fiscais devidamente registradas, decorrente de aquisição de produtos empregados no processo produtivo. Créditos fora desse contesto são passíveis de glosa. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. 0 regime alternativo de apuração do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 10.276, de 2001, admite, na sua base de cálculo, os valores consumidos a titulo de energia elétrica, como efetivamente considerada pela fiscalização. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva a glosa, na esfera administrativa, da matéria não expressamente impugnada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 01 95 /2 00 5- 12 Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 11060.000195/200512 Acórdão n.º 3401005.685 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Ressarcimento de IPI referente a saldo credor acumulado no 1º Trimestre de 2003, no valor de R$ 9.037,50 através do PER/DCOMP 16241.73861300604.1.1.013687 e de crédito presumido de IPI do 1º Trimestre de 2003, no valor de R$ 11.189,67 através do PER/DCOMP 37079.99860.110803.1.1.013411. A DRF de Santa Maria, em cumprimento ao MPF nº 10.1.03.00200500038 7, realizou procedimento de verificação da legitimidade dos créditos de IPI pleiteados, emitiu Relatório de Verificação Fiscal (efls.533 a 559), concluindo pelo reconhecimento de Crédito Básico no valor de R$ 8.901,95 (Glosa de R$ 135,55) e de Crédito Presumido no valor de R$ 9.173,32 (Glosa de R$ 2.016,35). Encerrado o procedimento de verificação fiscal foi expedido Despacho Decisório (fls.561) pelo deferimento parcial do pedido, nos termos propostos pela fiscalização. Discordando do Despacho emitido pela unidade de origem a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo em seu arrazoado o direito ao crédito presumido de IPI e estendeu comentários sobre gastos com energia elétrica, alegando que esses valores não foram comtemplados pelo levantamento fiscal, tendo sido desrespeitado o texto da lei. Requer a recomposição da base de cálculo do IPI com a inclusão dos gastos com energia elétrica e complementado o ressarcimento de que tem direito. A 3ª Turma da DRJ/POA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e manteve o Despacho Decisório que indeferiu parcialmente os valores dos créditos pleiteados, com fundamentos sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. 0 regime alternativo de apuração do crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 10.276, de 2001, admite, na sua base de cálculo, os valores consumidos a titulo de energia elétrica, como efetivamente considerada pela fiscalização. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva a glosa, na esfera administrativa, da matéria não expressamente impugnada. Solicitação Indeferida Do Recurso Voluntário Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 11060.000195/200512 Acórdão n.º 3401005.685 S3C4T1 Fl. 4 3 O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau (efls.1105), limitandose a reeditar sua Manifestação de Inconformidade. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado a Contribuinte pleiteou o ressarcimento de créditos de IPI via PER/DCOMP, referente ao 1º Trimestre de 2003. Do crédito acumulado no período o fisco glosou o valor de R$ 135,55 relativo a duas Notas Fiscais: a de n° 721075, emitida por Ferramentas Gerais, com IPI destacado de R$ 119,67, referente aquisição de Empilhadeira Hidráulica (janeiro/03); e a de n° 22237, emitida por Werk Schott Automatização, com IPI destacado de R$ 15,88 (março/03), que não se enquadram no conceito de insumos, “conforme disposto no artigo 11, da lei n° 9.779, de 1999 e artigo 4° da IN/SRF n° 33, de 1999, além do Parecer Normativo CST n° 65/79 (matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens)”. Quanto ao crédito presumido de IPI, o fisco procedeu a reconstituição do DCP – Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido e apurou uma diferença de R$ 2.016,35 passando o crédito presumido de R$ 11.189,67 para R$ 9.173,32. Foi efetuada análise da legitimidade dos créditos escriturados a título de “Crédito Presumido de IPI”, atentandose para o fato do contribuinte ter optado pelo regime alternativo de que trata a Lei nº 10.276/2001 a partir do ano calendário 2003. De acordo com esse diploma legal, compõe o cálculo as aquisições de insumos já previstas na Lei 9.363/1996, as aquisições de energia elétrica e combustível, utilizada no processo industrial e o valor correspondente à prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, quando o encomendante for o contribuinte do IPI. O regime alternativo de que se valeu o contribuinte, introduziu alterações na fórmula utilizada para se determinar o valor do Crédito Presumido de IPI, o que foi detalhado pelo fisco às efls.544. Nas folhas seguintes foram comentados os itens que integraram a nova formula e conferidos os seus registros, procedendose os ajustes de acordo com a legislação pertinente. Em nenhum momento a Recorrente se opôs aos cálculos e valores apresentados pelo fisco no Relatório de Verificações Fiscais, como também, não contestou as glosas realizadas tanto do crédito acumulado de IPI do 1º Trimestre de 2003 como do crédito presumido de IPI do período. Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 11060.000195/200512 Acórdão n.º 3401005.685 S3C4T1 Fl. 5 4 Os argumentos de defesa trazidos pela Recorrente abordam os seguintes fatos: (i) que o beneficiário do crédito presumido de IPI é a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, tendo como finalidade compensar a incidência de PIS e COFINS sobre as aquisições de insumos aplicados na produção; (ii) nessa condição de empresa produtora e exportadora de produtos nacionais, faz jus ao crédito presumido de IPI pleiteado no valor de R$ 11.189,67; (iii) que tem direito à inclusão da energia elétrica na base de cálculo do crédito presumido de IPI, calculado nos termos fixados pela Lei 10.276/2001; Como se vê, a peça recursal é uma reedição da manifestação de inconformidade, deixando evidente que a Recorrente não deu a devida atenção para o Relatório de Verificações Fiscais que embasou o Despacho Decisório, além de não aterse aos fundamentos da decisão recorrida. Em nenhum momento o fisco deixou de reconhecer o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI e mais especificamente, quanto ao consumo de energia elétrica, nos termos fixados pela Lei nº 10.276/2001. As glosas realizadas tratam de ajustes feitos na determinação da base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI, que se quer foi objeto de contestação, permanecendo a recorrente em pleno silêncio. Repetese aqui o que já foi citado pelo Auditor Fiscal autor do voto do acórdão recorrido, art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Quanto ao consumo de energia elétrica, também ficou assentado no voto da decisão recorrida: “7.1. É certo que os valores de energia elétrica passaram a ser admitidos na base de cá1culo do beneficio, a partir da publicação da Lei nº 10.276, de 2001, que introduziu o regime alternativo de apuração do crédito presumido IPI, estando expressamente admitida a inclusão desses valores, no art. 1º do referido diploma legal”; e assim foi reconhecido pelo fisco com inclusão desse item na composição da base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI. Por tudo que foi discutido nos presentes autos, chegase a conclusão que a peça recursal serviu apenas para protelar o reconhecimento aos fatos que levaram o fisco a glosar parte do crédito de IPI pleiteado. Não assiste razão à Recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 11060.000195/200512 Acórdão n.º 3401005.685 S3C4T1 Fl. 6 5 Fl. 1158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.723637/2017-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE - CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA - SÚMULA CARF Nº 1
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2002-000.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e em não conhecer do recurso. Vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que vencida na proposta de diligência, votou por conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE - CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA - SÚMULA CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 53 1 52 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.723637/201753 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.540 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE Recorrente IVO MACHADO SOARES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIA SÚMULA CARF Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e em não conhecer do recurso. Vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que vencida na proposta de diligência, votou por conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 36 37 /2 01 7- 53 Fl. 55DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 04 a 08), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 4.576,41, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 14 dos autos, que conforme decisão da DRJ: 1. O demonstrativo de apuração do imposto devido incluiu, além do valor omitido (linha 2), o valor dos proventos de aposentadoria (linha 1), elevando o valor a ser recolhido; 2. O recolhimento de valores sobre a aposentadoria é que faz com que o impugnante solicite o recálculo do imposto devido; 3. O contribuinte ajuizou ação contra a União Federal, alegando a isenção do imposto de renda por ser portador de moléstia grave, tendo sido dado provimento ao autor, em 11/05/17, pela Quarta Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro; 4. Assim, pede o cancelamento parcial do débito fiscal reclamado A impugnação foi apreciada na 18ª Turma da DRJ/RJO que, por maioria, em 16/10/2017, no acórdão 1292.326, às efls. 26 a 29, julgou pelo não conhecimento da impugnação. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 36 a 43 no qual alega, em síntese, que foi beneficiado pela isenção de IRPF por ser portador de moléstia grave, conforme sentença proferida pela 2º Juizado Especial Federal do Rio de Janeiro. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 12/12/2017, efls. 32, e interpôs o presente Recurso Fl. 56DF CARF MF Processo nº 18470.723637/201753 Acórdão n.º 2002000.540 S2C0T2 Fl. 54 3 Voluntário em 05/01/2018, efls. 36, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício O contribuinte, em sua defesa, alega que seus rendimentos são isentos por ser portador de moléstia grave, confirmada pelo JuIZado Especial do Rio de Janeiro, nos autos do processo nº 000016454.2011.4.02.5151/02. A DRJ assim se posicionou: A conclusão que se impõe é que, com a propositura de ação judicial, o contribuinte manifestou recusa à instância administrativa de julgamento, já que a matéria discutida nesta jurisdição é objeto também de discussão junto ao Poder Judiciário, ou seja, a isenção por moléstia grave sobre os rendimentos de aposentadoria e pensão declarados pelo sujeito passivo e também relacionados na linha 01 do Demonstrativo de Cálculo da Notificação de Lançamento. Assim, este Órgão Julgador Administrativo está impedido de apreciar se os rendimentos declarados pelo interessado estão ou não abarcados pela isenção do imposto de renda. Com efeito, no tocante a esse aspecto, não há que se falar em julgamento administrativo neste sentido, posto que a solução do litígio está a cargo da Justiça. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina Fl. 57DF CARF MF 4 especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de Fl. 58DF CARF MF Processo nº 18470.723637/201753 Acórdão n.º 2002000.540 S2C0T2 Fl. 55 5 órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Declarante Contudo, como bem apontou a DRJ, o contribuinte se antecipou a fiscalização e provocou o Poder Judiciário, motivo pelo qual abdicou da instância administrativa para a discussão da matéria. Logo, face a concomitância de instâncias, aplico a súmula 1 do CARF, cuja redação é: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Diante do exposto, não conheço do presente Recurso por haver concomitância de processo judicial e administrativo, declarando a definitividade da exigência fiscal na instância administrativa. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 59DF CARF MF 6 Fl. 60DF CARF MF
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