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Numero do processo: 10680.901863/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la.
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR)
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS.
Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, na atividade de mineração, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, satisfaçam a condição de essencialidade e relevância.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Os questionamentos apresentados pela embargante revelam apenas inconformismo ante a solução conferida ao caso concreto. Demonstrado que os ponto supostamente contraditório no acórdão embargado foi, de fato, apreciado pelo Colegiado, os embargos declaratórios devem ser rejeitados, no ponto.
Numero da decisão: 3201-005.580
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para (i) complementar a fundamentação no que tange à reversão das glosas dos créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre lubrificantes, graxas e óleos combustíveis e (ii) manter a glosa em relação aos produtos elencados no Anexo (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização) que não possuem utilização no processo produtivo da contribuinte, cuja resposta ao item "Usa no processo" for "Não".
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS. Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, na atividade de mineração, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nº’s 10.637/2002 e 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. Na sistemática de apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, satisfaçam a condição de essencialidade e relevância. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Os questionamentos apresentados pela embargante revelam apenas inconformismo ante a solução conferida ao caso concreto. Demonstrado que os ponto supostamente contraditório no acórdão embargado foi, de fato, apreciado pelo Colegiado, os embargos declaratórios devem ser rejeitados, no ponto. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 63 /2 01 2- 90 Fl. 2533DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.580 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901863/2012-90 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para (i) complementar a fundamentação no que tange à reversão das glosas dos créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre lubrificantes, graxas e óleos combustíveis e (ii) manter a glosa em relação aos produtos elencados no Anexo (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização) que não possuem utilização no processo produtivo da contribuinte, cuja resposta ao item "Usa no processo" for "Não". (documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisário, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) . Relatório Tratam-se de tempestivos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3201-003.319. Alega a Embargante a ocorrência de omissão de fundamentação para a reversão das glosas dos créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis, com base numa alegada jurisprudência pacífica do CARF, sem contudo analisar em que medidas tais itens seriam pertinentes e essenciais ao processo produtivo. Pontua, aparente contradição entre a constatação de que havia "plena aderência" dos insumos arrolados no anexo - doc. 4 – à "complexa atividade desenvolvida pela Embargante", feita pelo voto condutor da decisão embargada, e o fato de tais planilhas conterem "...uma infinidade de produtos, sendo praticamente impossível sua análise individualizada...". Questiona como pode ser reconhecida a "plena aderência" de tais insumos na atividade produtiva desenvolvida pela empresa, se, como reconhecido pelo próprio Relator, não foi possível a análise individualizada das glosas perpetradas pela Fiscalização. Alega, também, omissão de fundamentação para a reversão das glosas atinentes aos itens constantes do referido "doc . 4", tendo em vista que, inobstante o voto condutor da decisão embargada tenha afirmado a impossibilidade da análise individualizada daqueles itens, ao afastar o conceito restritivo de insumo, reverteu todas as glosas, sem contudo se manifestar acerca dos bens apontados pela Fiscalização como não tendo utilização no processo produtivo. Os embargos foram devidamente admitidos pelo Sr. Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 2534DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.580 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901863/2012-90 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3201- 005.577, de 21 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 10680.901861/2012-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201-005.577): “- Da alegada omissão de fundamentação para a reversão das glosas dos créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis, com base numa alegada jurisprudência pacífica do CARF Improcedem os argumentos da Embargante. Necessário consignar que a decisão proferida em sede de Manifestação de Inconformidade em nenhum momento consignou que em relação aos combustíveis, estes seriam utilizados em áreas diversas da produtiva da contribuinte. A decisão possui a seguinte ementa: “NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins não-cumulativas, podem ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina.” Como visto, a decisão recorrida em primeira instância negou o crédito em relação aos gastos com combustíveis em veículos utilizados na mina. Por sua vez, a Embargante se apega ao contido no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 2018, o qual consigna não haver o direito sobre os gastos com combustíveis incorridos em áreas que não sejam a do processo produtivo. Anota referido Parecer Normativo: “Já em relação a “gastos com veículos” que não permitem a apuração de tais créditos, citam-se, exemplificativamente, gastos com veículos utilizados: a) pelo setor administrativo; b) para transporte de funcionários no trajeto de ida e volta ao local de trabalho; c) por administradores da pessoa jurídica; e) para entrega de mercadorias aos clientes; f) para cobrança de valores contra clientes; etc.” A argumentação produzida pela Embargante, data vênia, chega a ser até contraditória, pois em tópico de seus embargos afirma: “Ora, como é de conhecimento amplo não é qualquer combustível/lubrificante/graxa que deve ser considerado como insumo, mas tão somente aqueles exclusivamente utilizados no processo produtivo.” E prossegue: “Assim, necessário que o acórdão seja integrado para que sejam analisados os gastos com lubrificantes e graxas e com óleos combustíveis à luz da jurisprudência fixada no repetitivo do STJ, assim como do Parecer Cosit acima transcrito, ou seja, para que o afastamento da glosa se dê tão somente sobre os gastos com Fl. 2535DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.580 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901863/2012-90 combustíveis/graxas/óleos efetivamente empregados no processo produtivo da empresa.” Repita-se, a decisão recorrida proferida ao julgar a Manifestação de Inconformidade consignou não poder ser descontados os créditos relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina, não mencionando gastos incorridos em áreas administrativas e outras, conforme consta no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 2018, invocado pela Embargante. É coerente admitir que os gastos com (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada” integram o processo produtivo da empresa. A título ilustrativo colaciona-se excertos da planilha da própria fiscalização de que esta parte da alegação de que tais itens são utilizados no processo produtivo da contribuinte, ora embargada: Apenas para que não pairem dúvida alguma sobre a correção da decisão proferida por este Colegiado em relação ao tema, acrescenta-se decisões desta Turma, em processos de relatoria do Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, em processos que, como o presente, envolvem a atividade de mineração, em que foi reconhecido o direito ao crédito. Transcreve-se: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) Fl. 2536DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.580 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901863/2012-90 essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. Assim, não há omissão alguma a ser sanada, eis que a decisão embargada adotou entendimento consagrado pelo CARF em relação ao tema, somente integrando-se ao julgado outras decisões que apreciaram a matéria envolvendo a atividade de mineração. (...)” (Processo nº 13646.000430/2010-68; Acórdão nº 3201-003.574; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 20/03/2018) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. (...)” (Processo nº 10650.901215/2010-29; Acórdão nº 3201-003.572; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreia; sessão de 20/03/2018) O fato de a decisão embargada ter utilizado como fundamento acórdãos que se referem a outras atividades produtivas diversas da exercida pela Samarco Mineração S/A não desnatura como razões de decidir, pelo contrário, ratificam o entendimento consolidado do CARF de que as despesas incorridas com combustíveis, lubrificantes, óleos, e graxas geram o direito ao crédito para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte e diversas atividades produtivas. Diante do exposto, apenas para fins de integração ao julgado anterior, acrescenta-se a fundamentação ora exposta. Fl. 2537DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.580 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901863/2012-90 - Da aparente contradição entre a constatação de que havia "plena aderência" dos insumos arrolados no anexo - doc. 4 – à "complexa atividade desenvolvida pela Embargante" Novamente, não procede o argumento da Embargante. Não há reparo a ser feito na decisão embargada em relação a tal argumento, pois não há a “aparente contradição” apontada. Trata-se de mero inconformismo da Embargante com o decidido, não sendo a via de Embargos de Declaração adequada para a sua pretensão recursal. Importante transcrever o excerto da decisão embargada: “A Fiscalização para glosar os créditos de tais produtos, adotou o critério de que tais itens não possuem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, ou seja, um conceito restritivo já afastado pela decisão embargada proferida por esse Colegiado. Imperioso esclarecer que por ocasião do recente julgamento do RESP nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo a Corte Superior assim se posicionou sobre a matéria: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (REsp Fl. 2538DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-005.580 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901863/2012-90 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) No caso, tanto a Fiscalização quanto a decisão recorrida proferida pela DRJ foram, de certo modo, genéricas e não adentraram com minúcias ao caso concreto. Aqui importante trazer as ponderações proferidas pelo Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza no Acórdão nº 3201-004.279, in verbis: "Não obstante ausente, nos autos, maiores detalhes sobre o que são as tais "ferramentas operacionais", a razão para o indeferimento, juntamente com o indeferimento dos materiais de manutenção, foi a de que não se enquadrariam no conceito de insumo. A Recorrente, porém, sustenta a sua utilização no processo produtivo, o que o só adjetivo que acompanha o termo "ferramentas" parece, com efeito, indicar. Assim, na falta de maiores detalhes, máxime por parte da fiscalização, entendemos que as ferramentas operacionais e os materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de cana-de-açúcar e na destilaria de álcool devem ser considerados insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins." (nosso destaque) Do aludido documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos tem-se inúmeros itens que, ao meu sentir, são insumos necessários e indispensáveis ao processo produtivo e se adequam ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (essencialidade ou relevância). (...) A título ilustrativo transcrevo: Dos embargos declaratórios, reproduzo os itens exemplificativos colacionados pela Embargante: Fl. 2539DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-005.580 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901863/2012-90 Fl. 2540DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-005.580 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901863/2012-90 Denota-se, então, a plena aderência de tais insumos na complexa atividade produtiva desenvolvida pela Embargante.” Assim, entendo que a pretensão da embargante, na verdade, é a rediscussão da matéria, o que é vedado em sede de embargos de declaração. Ademais, em relação aos insumos constantes do referido documento “4”, os pertinentes esclarecimentos serão feitos no tópico seguinte. Diante do exposto, é de se inacolher os embargos de declaração neste ponto, ante a inexistência de “aparente contradição”. - Da alegada omissão de fundamentação para a reversão das glosas atinentes aos itens constantes do referido "doc . 4", tendo em vista que, inobstante o voto condutor da decisão embargada tenha afirmado a impossibilidade da análise individualizada daqueles itens, ao afastar o conceito restritivo de insumo, reverteu todas as glosas, sem contudo se manifestar acerca dos bens apontados pela Fiscalização como não tendo utilização no processo produtivo. No ponto, parcial razão assiste ao pleito da Embargante. A Fiscalização para glosar os créditos de tais produtos, adotou o critério de que tais itens não possuem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, ou seja, um conceito restritivo já afastado pela decisão embargada proferida por este Colegiado. Do aludido documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos da contribuinte tem-se inúmeros itens que, ao meu sentir, são insumos necessários e indispensáveis ao processo produtivo e se adequam ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (essencialidade ou relevância). Ocorre que, realmente, parcela de tais itens não se vinculam ao processo produtivo da empresa. A título ilustrativo transcrevo alguns dos itens: Fl. 2541DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-005.580 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901863/2012-90 Neste contexto, em relação aos itens do documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte, que não se vinculam com o seu processo produtivo, itens catalogados na “coluna Usa no processo”, cuja resposta for “Não”, não devem ser concedidos os créditos pleiteados. O CARF tem entendido que geram créditos os bens adquiridos para revenda e os bens/serviços utilizados como insumos; sendo considerados insumos os dispêndios que mantenham relação direta com o processo produtivo e que, satisfaçam a condição de essencialidade e relevância. Os itens que não integram o processo produtivo da empresa não podem gerar direito ao crédito das contribuições PIS e COFINS. Neste sentido, é de se colacionar o seguinte precedente: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2008 a 30/06/2008PIS/COFINS. (...) PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. (...)” (Processo nº 16692.720731/2014-78; Acórdão nº 3201-005.405; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 22/05/2019) Assim, é de se acolher os Embargos de Declaração em tal matéria, para manter a glosa em relação aos produtos (itens) elencados no Anexo (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização) que não possuem utilização no processo produtivo da contribuinte. Diante do exposto, é de se conhecer dos Embargos de Declaração interpostos e serem acolhidos de modo parcial, com efeitos infringentes, para (i) complementar a fundamentação no que tange a reversão das glosas dos créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre lubrificantes, graxas e óleos combustíveis e (ii) manter a glosa em relação aos produtos elencados no Anexo (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização) que não possuem utilização no processo produtivo da contribuinte, cuja resposta ao item “Usa no processo” for “Não”. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer dos Embargos de Declaração interpostos e por acolher, de modo parcial, com efeitos infringentes, para (i) complementar a fundamentação no que tange a reversão das glosas dos Fl. 2542DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-005.580 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901863/2012-90 créditos das contribuições sociais não cumulativas tomados sobre lubrificantes, graxas e óleos combustíveis e (ii) manter a glosa em relação aos produtos elencados no Anexo (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização) que não possuem utilização no processo produtivo da contribuinte, cuja resposta ao item “Usa no processo” for “Não. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2543DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.925621/2009-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 28/02/2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito.
Numero da decisão: 3402-006.828
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Isto porque, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, que cabe à Recorrente, autora do processo administrativo de restituição/compensação, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ, que não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação efetivada. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os seguintes argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade: alega, em síntese, que a composição dos valores apontados como crédito referia-se a compensações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 56 21 /2 00 9- 30 Fl. 111DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.828 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.925621/2009-30 efetuadas, não se tratando de pagamentos efetuados por DARF, sendo suficiente o valor passível de compensação na PER/DCOMP em análise. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº. 3402-006.814, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.690896/2009-47. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.814): “A questão trazida a julgamento centra-se na comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Constata-se que o valor apontado como crédito na PERDCOMP em questão seria um pagamento através do DARF, que não foi localizado pela unidade de origem nos sistemas da RFB, razão pela qual não foi homologada a compensação pleiteada. Na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário a Requerente alega que a composição do valor apontado como crédito não seria um pagamento efetuado através de DARF, mas de compensações efetuadas através de diversas PERDCOMPs, cujos débitos foram retificados. Entretanto, não apresenta qualquer elemento probatório, lastreado em sua escrita contábil e fiscal, para corroborar seu pretenso direito. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; No presente caso, a Recorrente afirma que teria apurado créditos de PIS/COFINS, contudo, para comprovar a liquidez e certeza de seu alegado crédito é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a Fl. 112DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.828 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.925621/2009-30 diminuição do valor do débito correspondente ao período de apuração em questão. Se os valores se referiam a compensações efetuadas indevidamente ou a maior, caberia à parte que alega apresentar documentos contábeis e fiscais para demonstrar o recolhimento/compensação efetuada a maior, com a recomposição da base de cálculo do tributo objeto da retificação. A Recorrente não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do crédito apontado, mas somente a informação que tal valor seria um saldo de outras PERDCOMPs, cujos valores seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão recorrida ter apontado a insuficiência de sua alegação e a irregularidade no procedimento. Mesmo considerando uma possível flexibilidade na admissão de provas após a impugnação/manifestação de inconformidade, não foram apresentadas provas suficientes para demonstrar o alegado erro cometido, e o lastro contábil/fiscal que poderia comprovar a retificação da declaração que teria gerado o saldo a compensar. Portanto, não tendo sido em nenhum momento comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 13852.000497/2005-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-001.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Duca Amoni, que dava provimento integral.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Duca Amoni, que dava provimento integral. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 2. 00 04 97 /2 00 5- 08 Fl. 174DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.373 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13852.000497/2005-08 Relatório Auto de Infração Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 10/19), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2003. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$2.811,69 para saldo de imposto a pagar de R$11.611,69. A notificação noticia dedução indevida de despesas médicas, consignando (fl.12): Dedução indevida a titulo de despesas médicas, por falta de comprovação com documentação hábil e idônea, solicitada por intimação, do efetivo desembolso referente aos pagamentos em dinheiro efetuados realtivos aos recibos de serviços profissionais apresentados, sendo: R$ 7.000,00 de Maria Emilia C. Gadelha, R$ 1.500,00 de Elidia Jólia do Nascimneto Santana, R$ 3.900,00 de Nanci Cardoso Dias dos Santos, R$ 8.000,00 de Conceição Aparecida Machado Rosa, R$ 1.600,00 de Luciene Gonçalves Ferreira, R$ 5.000,00 de Renata Cristina Fujinami Umekita e R$ 5.000,00 de Daniela assunção Benedetti. Impugnação Cientificado ao contribuinte em 23/6/2005, o AI foi objeto de impugnação, em 20/7/2005, às fls. 2/65 dos autos, assim sintetizada pela decisão recorrida: - Diz estar inconformado com a glosa de despesas medicas efetuadas pela autoridade fiscal. Reapresenta nesta instância os mesmos recibos comprobatórios destas despesas; - Alega que, à luz da legislação, concretizou Ato Jurídico Perfeito e Acabado, uma vez que contratou profissionais dos quais recebeu a prestação de serviços, pagou pelos mesmos à vista da emissão dos competentes recibos de quitação, dentro dos preceitos legais e, utilizando-se dos benefícios da Lei, efetuou as devidas deduções previstas no Artigo 80 da Lei 3.000/99, amparado por documentos hábeis e idôneos, na forma do inciso III do referido Artigo; - Conclui que, por se tratar de Ato Jurídico Perfeito e Acabado, dever posto, obrigação exigida e cumprida no rigor da Lei, não há que se falar em infração, e - Por fim, requer o cancelamento do Auto de Infração e seu definitivo arquivamento, com base em sua fundamentação exposta. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/BSA que, por unanimidade, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 76/90): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO CABÍVEL. Não cabe pedido de cancelamento do Auto de Infração que está revestido de todas as formalidades legais exigidas. 0 cancelamento do Auto de Infração e seu conseqüente arquivamento seria acatado tão somente se este pudesse ser enquadrado em uma das hipóteses de nulidade previstas no Decreto n° 70.235, de 1972. ATO JURÍDICO PERFEITO E ACABADO. NEGATIVA DE INFRAÇÃO. Não pode o contribuinte esquivar-se de suas obrigações tributárias ao alegar a consecução de ato jurídico perfeito e acabado à época do fato gerador. Fl. 175DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.373 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13852.000497/2005-08 Sendo o lançamento do Imposto de Renda por homologação, os efeitos do fato gerador consideram-se existentes até a sua definitiva homologação, quando finalmente os atos e negócios jurídicos se reputam perfeitos e acabados. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA PARCIAL. Para que a despesa médica seja considerada dedutível, não basta a apresentação apenas do recibo, exigindo-se a vinculação do pagamento ou a comprovação da efetiva prestação dos serviços, quando restar dúvida quando à idoneidade do documento. No entanto, são admissíveis as deduções pleiteadas, quando as correspondentes despesas realizadas pelo contribuinte forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, em conformidade com a legislação pertinente. O colegiado de primeira instância decidiu por restabelecer despesas médicas no montante de R$3.780,00. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 25/9/2008 (fl. 98), o contribuinte, em 28/10/2008 (fl. 100), apresentou recurso voluntário, às fls. 100/162, no qual alega, em apertado resumo, que: - a autuação partiria de presunção de falsidade indevida, uma vez que o contribuinte faria jus a deduzir os valores declarados, comprovados por meio de recibos que preencheriam os requisitos legais. - caberia ao Fisco apresentar provas da inidoneidade dos recibos, em respeito ao princípio da boa-fé. - estaria juntando extratos bancários consignando saques frequentes, sob a denominação “PAGAMENTO CHEQUE”, compatíveis com os gastos realizados. - a autuação estaria sustentada no argumento de que ele informou despesas equivalentes a 55% de seus rendimentos, mas não teriam sido considerados os rendimentos isentos e não tributáveis, o que diminuiria essa relação para 13,11% e não configuraria, no seu entendimento, nenhum exagero. Em 1/10/2010, foi proferido o Despacho nº 2100-0.291, pelo Presidente da 2ª Seção do CARF, não conhecendo do recurso voluntário em face de sua intempestividade (fl.168). A Unidade de origem retornou os autos ao CARF, prestando esclarecimentos acerca da tempestividade e informando que o dia 27/10/2008 foi ponto facultativo (fl.173). Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre despesas médicas, para as quais houve intimação do contribuinte para fazer prova quanto ao seu efetivo pagamento. Fl. 176DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.373 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13852.000497/2005-08 Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente tem potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202-005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202-005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal Fl. 177DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.373 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13852.000497/2005-08 fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401-004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, o contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Como apontado, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito, mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Repise-se que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Registro que a exigência em análise não conflita com a presunção de boa-fé do contribuinte, porquanto não se cogita, naquele momento, da existência de má-fé na conduta do fiscalizado, mediante a prática de atos de falsidade, que levaria à aplicação de penalidade majorada. Quanto à conclusão consignada na decisão recorrida, acerca da proporção das despesas declaradas em relação aos rendimentos, de fato, a decisão menciona apenas os rendimentos tributáveis, sem levar em conta os isentos e não tributáveis. Entretanto, tal perspectiva foi levantada pela autoridade julgadora, na busca de formar sua convicção, não invalidando o feito fiscal. Repiso que a autoridade fiscal tem o dever legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias, podendo, no exercício de sua atividade, exigir elementos adicionais aos recibos. Quanto aos extratos bancários juntados somente em sede de recurso (fls. 110/162), venho manifestando o entendimento de que, em observância aos princípios da verdade material, do formalismo moderado e da instrumentalidade dos atos administrativos, documentos apresentados somente em sede de recurso voluntário podem ser recepcionados e analisados, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Entretanto, ainda que recepcionados esses documentos, vejo que, em seu recurso, o recorrente não apontou a correspondência entre os registros bancários e os gastos consignados nos recibos. Como já dito, o ônus da prova é do recorrente, que é quem se utiliza da dedução, como redução da base de cálculo do IRPF, não podendo transferir esse ônus para a autoridade julgadora. Fl. 178DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.373 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13852.000497/2005-08 A alegação de que os valores globais movimentados sob a rubrica “PAGAMENTO CHEQUE” suportariam os gastos declarados não o socorre, visto que lhe foi exigida a comprovação do efetivo pagamento de cada uma das despesas. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724557/2014-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE.
O art. 24 da LINDB, com a redação dada pela Lei nº 13.655/2018, não é apto a regular a atividade de lançamento, bem como o processo administrativo fiscal dele decorrente.
CORRETOR DE IMÓVEIS. IMOBILIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Quando o conjunto probatório que instrui os autos revela que o corretor de imóveis não mantém uma relação de parceria ou associação com a imobiliária, executando serviços que são essenciais à própria atividade fim da pessoa jurídica, a remuneração percebida pelo corretor autônomo pela comercialização de imóvel refere-se à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de contribuinte individual, hipótese de incidência da contribuição previdenciária.
CIRCULARIZAÇÃO.
Correto o procedimento de diligência que encaminha questionário a ser respondido por trabalhadores ligados a fato a ser analisado, a fim de entender as circunstâncias que ocorreram as prestações de serviço, mormente quando a empresa fiscalizada é omissa em prestar informações ao fisco.
ARBITRAMENTO
Correto o procedimento de arbitramento realizado por critério objetivo e lógico ante a omissão do contribuinte em fornecer informações.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LIMITA DO TETO DO BENEFÍCIO.
Ao lançar de ofício a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual, deve a autoridade fiscal respeitar o teto do benefício.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DE COMPROVAÇÃO DE DOLO.
No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, quanto aos fatos geradores ocorridos a partir da competência 12/2008, é devida a multa de ofício de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado, sendo cabível a sua qualificação apenas quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei li0 4.502/64.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
Em relação à multa de oficio não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS.
A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, impõe sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONTROLADORA.
É considerada responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária a empresa controladora quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora).
Numero da decisão: 2402-007.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, bem como em negar provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) e quanto à alegada não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e, também, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da autuada quanto à cota dos segurados, para que seja excluída do lançamento apenas a parcela que tiver excedido ao teto do salário de contribuição. Por voto de qualidade, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto ao arbitramento da base de cálculo e negado provimento ao recurso voluntário da responsável solidária, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, quanto a sua exclusão do pólo passivo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento aos recursos. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à circularização. Vencido o conselheiro Gregório Rechmann Junior, que deu provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à qualificação da multa aplicada, sendo reduzido seu percentual ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado provimento aos recursos voluntários das pessoas físicas, Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, excluindo-as do pólo passivo. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento aos recursos. Quanto à LINDB, votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti, Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, tendo o conselheiro Maurício Nogueira Righetti manifestado intenção de apresentar declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio da Silva - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. O art. 24 da LINDB, com a redação dada pela Lei nº 13.655/2018, não é apto a regular a atividade de lançamento, bem como o processo administrativo fiscal dele decorrente. CORRETOR DE IMÓVEIS. IMOBILIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Quando o conjunto probatório que instrui os autos revela que o corretor de imóveis não mantém uma relação de parceria ou associação com a imobiliária, executando serviços que são essenciais à própria atividade fim da pessoa jurídica, a remuneração percebida pelo corretor autônomo pela comercialização de imóvel refere-se à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de contribuinte individual, hipótese de incidência da contribuição previdenciária. CIRCULARIZAÇÃO. Correto o procedimento de diligência que encaminha questionário a ser respondido por trabalhadores ligados a fato a ser analisado, a fim de entender as circunstâncias que ocorreram as prestações de serviço, mormente quando a empresa fiscalizada é omissa em prestar informações ao fisco. ARBITRAMENTO Correto o procedimento de arbitramento realizado por critério objetivo e lógico ante a omissão do contribuinte em fornecer informações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LIMITA DO TETO DO BENEFÍCIO. Ao lançar de ofício a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual, deve a autoridade fiscal respeitar o teto do benefício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, quanto aos fatos geradores ocorridos a partir da competência 12/2008, é devida a multa de ofício de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado, sendo cabível a sua qualificação apenas quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei li0 4.502/64. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em relação à multa de oficio não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, impõe sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONTROLADORA. É considerada responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária a empresa controladora quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, bem como em negar provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) e quanto à alegada não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e, também, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da autuada quanto à cota dos segurados, para que seja excluída do lançamento apenas a parcela que tiver excedido ao teto do salário de contribuição. Por voto de qualidade, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto ao arbitramento da base de cálculo e negado provimento ao recurso voluntário da responsável solidária, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, quanto a sua exclusão do pólo passivo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento aos recursos. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à circularização. Vencido o conselheiro Gregório Rechmann Junior, que deu provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à qualificação da multa aplicada, sendo reduzido seu percentual ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado provimento aos recursos voluntários das pessoas físicas, Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, excluindo-as do pólo passivo. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento aos recursos. Quanto à LINDB, votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti, Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, tendo o conselheiro Maurício Nogueira Righetti manifestado intenção de apresentar declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Sérgio da Silva. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora (assinado digitalmente) Paulo Sérgio da Silva - Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 ART. 24 DA LINDB. INAPLICABILIDADE. O art. 24 da LINDB, com a redação dada pela Lei nº 13.655/2018, não é apto a regular a atividade de lançamento, bem como o processo administrativo fiscal dele decorrente. CORRETOR DE IMÓVEIS. IMOBILIÁRIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Quando o conjunto probatório que instrui os autos revela que o corretor de imóveis não mantém uma relação de parceria ou associação com a imobiliária, executando serviços que são essenciais à própria atividade fim da pessoa jurídica, a remuneração percebida pelo corretor autônomo pela comercialização de imóvel referese à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de contribuinte individual, hipótese de incidência da contribuição previdenciária. CIRCULARIZAÇÃO. Correto o procedimento de diligência que encaminha questionário a ser respondido por trabalhadores ligados a fato a ser analisado, a fim de entender as circunstâncias que ocorreram as prestações de serviço, mormente quando a empresa fiscalizada é omissa em prestar informações ao fisco. ARBITRAMENTO Correto o procedimento de arbitramento realizado por critério objetivo e lógico ante a omissão do contribuinte em fornecer informações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. LIMITA DO TETO DO BENEFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 57 /2 01 4- 12 Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.032 2 Ao lançar de ofício a contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual, deve a autoridade fiscal respeitar o teto do benefício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. No lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, quanto aos fatos geradores ocorridos a partir da competência 12/2008, é devida a multa de ofício de 75% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago, recolhido ou declarado, sendo cabível a sua qualificação apenas quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei li0 4.502/64. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Em relação à multa de oficio não recolhida no prazo legal incidem juros de mora à taxa Selic. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. A imputação de responsabilidade solidária dos sócios de pessoa jurídica, com fundamento nos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, impõe sejam verificados atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. CONTROLADORA. É considerada responsável solidária no polo passivo da obrigação tributária a empresa controladora quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas (Controlada e Controladora). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, bem como em negar provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) e quanto à alegada não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e, também, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário da autuada quanto à cota dos segurados, para que seja excluída do lançamento apenas a parcela que tiver excedido ao teto do salário de contribuição. Por voto de qualidade, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto ao arbitramento da base de cálculo e negado provimento ao recurso voluntário da responsável solidária, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, quanto a sua exclusão do pólo passivo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic, Renata Toratti Cassini (Relatora) e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento aos recursos. Por maioria de votos, negado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à circularização. Vencido o conselheiro Gregório Rechmann Junior, que deu provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado provimento ao recurso voluntário da autuada quanto à qualificação da multa aplicada, sendo reduzido seu percentual ao patamar ordinário de 75%. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Por maioria de votos, dado Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.033 3 provimento aos recursos voluntários das pessoas físicas, Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, excluindoas do pólo passivo. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento aos recursos. Quanto à LINDB, votaram pelas conclusões os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti, Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, tendo o conselheiro Maurício Nogueira Righetti manifestado intenção de apresentar declaração de voto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Sérgio da Silva. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora (assinado digitalmente) Paulo Sérgio da Silva Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntários, estes últimos interpostos pela contribuinte LPS BRASÍLIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA. e pelos responsáveis solidários Wildemar Antônio Demartini, Marco Antônio Moura Demartini e LPS BRASIL Consultoria de Imóveis S/A, em face do Acórdão da 13ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) que julgou parcialmente procedentes os autos de infração DEBCAD nºs 51.040.9580 e 51.065.2808 por meio dos quais foram lançadas, respectivamente, contribuições devidas à Seguridade Social pela empresa incidentes sobre pagamento (comissões) realizado a contribuintes individuais nas competências 01/2010 a 12/2011 não declarados em GFIP (contribuição patronal) e contribuições devidas à Seguridade Social pelos segurados contribuintes individuais não retidas pela empresa contratante dos serviços não repassadas ao órgão arrecadador incidentes sobre aquele mesmo pagamento realizado a contribuintes individuais no mesmo período não declarados em GFIP. Por força do disposto no §5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, as contribuições devidas pelos segurados foram consideradas como retidas pela empresa, o que justificou o lançamento da segunda autuação (AI DEBCAD nº 51.065.2808). Segundo o relatório fiscal, ambas autuações dizem respeito a pagamentos de comissão/premiação de vendas realizados a corretores que teriam prestado serviços à autuada (LPS Brasília Consultoria de Imóveis Ltda.) na intermediação imobiliária vinculada aos empreendimentos das empresas Real Engenharia S/A, Real Celebration Engenharia Ltda., Real Evolution Engenharia Ltda., Real Ilhas Mauricio Engenharia Ltda. e Real Splendor Engenharia Ltda. Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.034 4 O crédito tributário totalizou, na data de consolidação (08/09/2014), o valor de R$ 5.802.136,80 (cinco milhões e oitocentos e dois mil e cento e trinta e seis reais e oitenta centavos). A ação fiscal teve por objeto a verificação do cumprimento de obrigações principais e acessórias relativas a contribuições previdenciárias. Sendo a atividade principal da empresa a intermediação/comercialização de imóveis ou unidades imobiliárias autônomas, a autoridade fiscal relata as tentativas de obter a documentação comprobatória dos serviços que teriam sido prestados por contribuintes individuais, incluindose comprovantes das remunerações pagas, devidas ou creditadas a corretores ou consultores imobiliários pessoas físicas, bem como discriminativo dos valores pagos, com identificação de nome, CPF, NIT, CRECI e competência. Em resposta às intimações, diz que a fiscalizada apresentou esclarecimentos no sentido de que não toma serviços de corretores de imóveis independentes, nem efetua pagamentos em favor destes. Tais corretores seriam contratados e remunerados diretamente por seus clientes, compradores dos imóveis. Ao explicar suas atividades, a fiscalizada afirma que auxilia o incorporador a definir as características mercadológicas do seu produto e, com o seu lançamento, é autorizada a tornálo acessível ao mercado. Por sua vez, o corretor independente faz a intermediação da transação, a ela se associando. Por fim, o comprador assume 3 obrigações distintas no ato da contratação, quais sejam de pagar o preço do imóvel, de remunerar a LPS Brasília e de remunerar o corretor independente. Entendendo que a fiscalizada não apresentou documentos e esclarecimentos suficientes para comprovar a veracidade dessas informações, a autoridade fiscal realizou diligências junto a incorporadoras/construtoras para as quais a fiscalizada prestou serviços de intermediação imobiliária, a prestadores de serviços pessoas físicas (entre diretores, coordenadores, supervisores e corretores integrantes das equipes de venda da autuada) e a compradores de imóveis da carteira de negócios imobiliários da empresa, emitindo termos de intimação para fins específicos de prestação de informações e esclarecimentos de interesse do Fisco como forma de subsídio à ação fiscal desenvolvida na empresa LPS Brasília. Diz que os esclarecimentos prestados pelos compradores de imóveis foram consistentes no sentido de que os corretores que os atenderam se identificaram como representantes da imobiliária LPS Brasília e, em geral, usavam crachá, camiseta e/ou cartão de identificação dessa empresa, que emitiram vários cheques para fins de pagamentos diversos, inclusive do sinal e da comissão/premiação pela intermediação imobiliária realizada pelo corretor e pelos demais membros integrantes da equipe de vendas da LPS Brasília (corretor, supervisor/coordenador, gerente, diretor, LPS) e que a concretização do negócio ocorreu nos stands de venda da imobiliária e/ou da incorporadora/construtora, geralmente no local da obra, ou ainda na sede da empresa LPS Brasília. Relata que os corretores circularizados, por sua vez, esclareceram, em síntese, que embora assinassem praticamente todos os documentos relacionados à venda do imóvel, toda a documentação era entregue ao supervisor/coordenador de equipe e/ou diretor da LPS Brasília para análise e somente após a assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (construtora/incorporadora e o comprador), a área financeira da Lopes Royal, entregava os cheques do pagamento da comissão de corretagem aos diversos integrantes das equipes de venda, aí incluídos os corretores de imóveis autônomos, que as comissões/premiações de vendas eram definidas pelas construtoras/incorporadoras em conjunto com a imobiliária LPS Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.035 5 Brasília, que prestavam serviços geralmente em stands de vendas ou na sede da imobiliária LPS Brasília, que fornecia toda a infraestrutura e materiais necessários, sendo obrigatório o cumprimento das escalas de plantões de venda e a participação em reuniões e treinamentos determinados pelos representantes da imobiliária. Por fim, relata a fiscalização que as pessoas jurídicas diligenciadas esclareceram, resumidamente, ser praxe no mercado imobiliário do Distrito Federal a concessão de autorizações de intermediação com base no princípio da informalidade e da boa fé entre as incorporadoras/construtoras e as imobiliárias e que após a imobiliária prestar consultoria mercadológica à incorporadora, esta define o preço do imóvel e o valor da corretagem que, conforme costume adotado no mercado, varia entre 3,5% a 5,0%; que afirmaram, ainda, que a ligação incorporadoramercado é feita pela imobiliária e a relação compradorincorporadora é feita por meio de corretores independentes e que o sinal ou preço total do imóvel e as parcelas de corretagem devidas à imobiliária e aos corretores independentes são pagas diretamente pelos compradores àqueles. Esclarece a fiscalização que diante dos fatos apurados, considerando ainda os esclarecimentos insuficientes e insatisfatórios da empresa fiscalizada sobre a sistemática e a documentação empregada na comercialização de imóveis relativos aos empreendimentos da sua carteira de negócios imobiliários, concluiu que a autuada participa ativamente de todas as etapas da intermediação imobiliária, que vai desde o preenchimento da ficha cadastral, da emissão da proposta de compra e venda com recibo de sinal, da emissão do RPA e da nota fiscal para pagamento da comissão de venda até a coleta final da assinatura do contrato de compra e venda entre as partes (comprador e vendedor, em geral, a incorporadora). Entendeu a auditoria fiscal que a fiscalizada, quer na condição de prestadora de serviço às incorporadoras/construtoras, quer na condição de tomadora de serviço dos profissionais pessoas físicas, atua no intuito de fragmentar as etapas da comercialização de imóveis por meio de atos simulados/dissimulados, com a finalidade de vincular os corretores autônomos diretamente aos compradores de unidades imobiliária, sendo que todo esse processo de intermediação, apesar das afirmativas em contrário da fiscalizada, é executado sob a sua orientação, coordenação, controle, supervisão e direção, responsabilizandose pelo fornecimento dos materiais e de toda a estrutura de apoio aos profissionais pessoas físicas para que estes prestem um bom serviço de atendimento aos clientes compradores. Concluiu que o adquirente não toma conhecimento antecipado, adequado e transparente de boa parte de seus direitos e obrigações para a formação de seu livre convencimento, a não ser de forma superficial, no momento da assinatura da proposta de compra e venda. Afirma que esses procedimentos, adotados pelos entes imobiliários (incorporadora e/ou imobiliária), além de ferirem a legislação tributária, também contrariam o disposto nos arts. 6°, IV e V, 7°, p. ún., 39, I, 42, p. ún. e 51 do Código de Defesa do Consumidor. Acrescenta que os adquirentes de imóveis afirmaram que o corretor já se encontrava nos locais de venda designados pela fiscalizada, identificandose como representante da LPS. Os corretores de imóveis diligenciados, por sua vez, também esclareceram que cumpriam plantões nos pontos de venda ou stands da LPS (ou da incorporadora/construtora contratante), que a imobiliária fornecia toda a estrutura e documentação necessárias para a conclusão da venda de imóvel e que recebiam o pagamento da corretagem (em geral cheque emitido pelo comprador) da Tesouraria/setor financeiro da Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.036 6 LPS após a assinatura final do contrato entre o comprador e o vendedor (incorporadora/construtora). Conclui estar demonstrado o procedimento ilícito da fiscalizada em consolidar no seu processo de intermediação imobiliária a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação de venda para os compradores de imóveis, fazendo crer que o corretor autônomo presta serviço para esses adquirentes, com objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação, principalmente no que tange às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos corretores e demais pessoas físicas pelos serviços de intermediação imobiliária que foram prestados para a empresa autuada, o que também caracterizaria tentativa de modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias, o que é vedado pelo art. 123 do CTN. Diante dos fatos apurados, o AuditorFiscal considerou fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (corretores, coordenadores, diretores etc.) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS Brasília – Consultoria de Imóveis Ltda. Em razão do sujeito passivo deixar de entregar os principais documentos solicitados e de prestar esclarecimentos deficientes, insatisfatórios e/ou que não mereçam fé quanto ao pagamento de comissão/premiação aos profissionais responsáveis pela comercialização de imóveis pertencentes à carteira de negócios da autuada, a autoridade administrativa, com fundamento no art. 148 do CTN, arbitrou as remunerações (bases de cálculo) pagas, devidas ou creditadas aos corretores autônomos/demais membros das equipes de vendas como contrapartida pelos serviços prestados nas transações imobiliárias. Para tanto, utilizouse do procedimento de aferição indireta, tendo como parâmetro os valores de comissão/premiação de corretagem recebidos pela fiscalizada e informados por ela nas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB anoscalendário 2010 e 2011) e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Considerando a previsão de divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte, conforme Tabela de Honorários publicada no sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF), considerou como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na mencionada conta contábil. Informa a autoridade fiscal que, uma vez que os valores pagos aos corretores e demais pessoas físicas não foram informados pela fiscalizada, não foram declarados em folhas de pagamento nem em GFIP, nem lançados em títulos próprios da contabilidade, não foi observado o limite máximo do salário de contribuição no cálculo das contribuições a cargo dos segurados contribuintes individuais. Entendeu a Fiscalização que por ter a fiscalizada agido no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas e de impedir ou retardar o conhecimento da sua condição pessoal de contribuinte, tendo, com isso, afetado a obrigação tributária Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.037 7 principal, a multa de ofício de 75% foi aplicada em dobro (qualificada em 150%), nos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Foram arrolados como responsáveis solidários os sócios da autuada, quais sejam LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, Wildemir Antonio Demartini e Marco Antônio Moura Demartini. Relata a autoridade fiscal que a LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A se trata de sócia majoritária da autuada, com 51% de participação no seu capital social, e tem participação permanente em aproximadamente 23 empresas coligadas/controladas em outros Estados e no Distrito Federal, sendo a fiscalizada uma das integrantes desse grupo econômico, que tem como principal objeto a prestação de serviço de consultoria e intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis ou de direitos e obrigações a eles relativos. Aponta que existem diversos interesses comuns entre essas duas empresas, tais como controle acionário, administradores, atividade econômica e entende que também têm interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, qual seja a prestação de serviços remunerados de intermediação imobiliária por corretores pessoas físicas, tão determinantes e imprescindíveis para que a fiscalizada LPS Brasília auferisse expressivas receitas brutas de vendas de imóveis. Cita o art. 30, X, da Lei nº 8.212/91, c.c. o art. 222 do Decreto nº 3.048/99, que determinam que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da citada lei e regulamento. Quanto a Wildemir Antonio Demartini, informa a autoridade fiscal que se trata de sócio da empresa desde o início de sua atividade e sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico junto ao CRECI. Sobre o Marco Antônio Moura Demartini, sócio minoritário, informa que sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa, inclusive com participação na comissão de venda destinada à Lopes Royal, conforme informações prestadas pelos corretores e coordenadores/diretores diligenciados. Quanto à responsabilidade solidária dos contratantes dos serviços de intermediação imobiliária, fundamentandose na documentação apresentada quanto à comercialização de unidades imobiliárias, a fiscalização concluiu que as pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico Real Engenharia, por contratarem os serviços da empresa LPS Brasília para a intermediação da comercialização de diversos imóveis ou fração ideal de terreno vinculada a uma unidade autônoma (vendas na planta ou em lançamento) da sua carteira de negócios imobiliários e por participaram, de forma isolada e/ou conjuntamente com a empresa autuada, da transferência, ao comprador do imóvel, da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados na fiscalizada LPS BRASÍLIA. Por fim, informa o auditor fiscal que emitiu representação fiscal para fins penais, a ser encaminhada à autoridade competente, em razão da não inclusão dos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços de intermediação imobiliária à autuada e as respectivas remunerações pagas, devidas ou creditadas nas folhas de pagamento e nas GFIP, bem como por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios da contabilidade as contribuições previdenciárias devidas e as remunerações pagas, o que caracterizaria, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária previsto no art. 337A do Código Penal. Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.038 8 Tanto a autuada quanto os responsáveis solidários apresentaram impugnações tempestivamente, que serão analisadas no voto: Tanto a autuada quanto os responsáveis solidários apresentaram impugnações tempestivamente, que foram sintetizadas pela decisão recorrida, que pedimos vênia para reproduzir: IMPUGNAÇÕES A LPS BRASÍLIA Consultoria de Imóveis S/A., após breve relato dos fatos e das conclusões da autoridade fiscal, argumenta que o AuditorFiscal não identificou a roupagem jurídica de que se reveste a relação estabelecida entre a empresa e os Corretores independentes, regida pelo art. 6º da Lei n° 6.530/78 e pelo art. 728 do Código Civil, o que afasta esta relação do modelo de contrato de prestação de serviços. Sustenta, com base no disposto no art. 722 do Código Civil, que o corretor não se encontra vinculado ao incumbente “em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência”. Assim, o corretor é “agente auxiliar do comércio” que tem por objetivo um resultado, qual seja a conclusão do negócio intermediado, e não o que se deve fazer ou deixar de fazer para obter esse resultado. Afirma que o corretor não se confunde com o “vendedor”, que é mero preposto do empresário, que atua em nome e por conta deste e não corre nenhum risco da atividade por este explorada. Nesse sentido, diz que a afirmação da autoridade lançadora de que a atividade dos corretores independentes se desenvolveria sob orientação, coordenação e controle da impugnante é inócua, uma vez que os corretores independentes correm, como os empresários, todos os riscos associados às suas atividades. Argumenta que as normas que regulamentam a relação entre corretores de imóveis pessoas física e jurídica, quais sejam o Código Civil, a Lei nº 6.530/78 e o Decreto nº 81.871/78, que a regulamenta, estabelece uma relação horizontal entre esses atores, nos moldes de uma associação ou parceria. Tal interpretação foi consagrada no art. 728 do Código Civil de 2002: Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. Nesta relação de associação ou parceria, a impugnante capta autorizações/permissões de produtos imobiliários e os oferece para uma universalidade de potenciais compradores. Os corretores independentes se dedicam à captação do comprador específico com perfil adequado para o produto imobiliário anunciado e, quando atinge esse resultado, aproximam o cliente conquistado para fazer negócios em parceria com a impugnante. Assim, não existe, na associação, nenhuma delegação, por parte da imobiliária, de uma atividadefim ou atividademeio cuja titularidade necessariamente lhe incumba. Ao revés, as atividades da imobiliária e do corretor independente são distintas e complementares, correndo cada qual seus próprios e distintos riscos econômicos de suas atividades. Ressalta, ainda, o interesse específico do corretor no estabelecimento da associação: embora assuma riscos próprios de um empresário, recebe uma parcela dos lucros da intermediação, auferindo honorários que superam, substancialmente, aqueles que seriam recebidos sob outra estrutura contratual, como a prestação de serviços ou a relação de emprego. Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.039 9 Alega ser plenamente possível que a impugnante dê orientações, compartilhe knowhow, e ofereça certa estrutura de trabalho aos corretores independentes, com o objetivo de coordenar (não controlar) a atividade destes com a sua própria. Semelhante coordenação, aliás, é muito comum numa sociedade, que também possui causa associativa: um sócio pode oferecer informações e ferramentas de trabalho a outro sócio, sem que com isto um se torne prestador de serviços contratado pelo outro. O que subjaz à base da coordenação é o fato de que as contribuições feitas pelos envolvidos sempre são direcionadas à persecução de objetivos comuns. No caso concreto, afirma que o comprador de imóveis remunera o corretor independente em razão do atendimento prestado. Por sua vez, o corretor independente, em contraprestação ao acesso à autorização de corretagem dada pela incorporadora/vendedora e a determinada infraestrutura para a captação de clientela (telefone, cartões de visita, etc.), “remunera” a imobiliária. Afirma não existir o pagamento de remunerações entre impugnante e os corretores independentes, mas sim rateio (como prevê o art. 728 do Código Civil) de valores pagos diretamente pelos beneficiários da intermediação levada a efeito. E sobre a questão, pondera que a autoridade fiscal não afirma nem comprova, em momento algum, a realização de pagamentos aos corretores pela impugnante. Alega ser descabida a afirmação da fiscalização no sentido de “falta de livre convencimento”, por parte dos compradores de imóveis, quanto a estarem contratando os corretores independentes no ato do fechamento do contrato. Argumenta que todos os compradores receberam os recibos de pagamento autônomo emitidos pelos corretores independentes, e contra os fatos atestados em tal documento não se insurgiram. O recibo de pagamento autônomo formaliza não apenas o pagamento, como a própria relação de corretagem estabelecida entre o cliente e o corretor independente. Argumenta que também não se sustenta a acusação de simulação. Neste ponto, há contradição no raciocínio da autoridade fiscal: embora afirme que o negócio simulado teria o objetivo de aparentar a realização de pagamentos por parte dos compradores de imóveis, com o objetivo de encobrir o negócio dissimulado pelo qual seria a impugnante a efetiva pagadora das citadas remunerações, a própria autoridade fiscal defende ter ocorrido uma ilegal transferência do ônus de pagar a corretagem, transferência esta real e efetiva. Ora, se há transferência do ônus de pagar a corretagem, não se pode dizer que os pagamentos realizados pelos compradores são meramente aparentes. Sustenta que o tema da responsabilidade pelo pagamento da corretagem é objeto de discussão no âmbito do direito do consumidor e que tem prevalecido o entendimento de que não existe empecilho à contratação da corretagem pelo comprador, com o consequente pagamento, por este, da remuneração devida aos intermediadores. Colaciona julgado. Conclui que não é verdadeira a afirmação do relatório fiscal de que haveria inequívoca ilegalidade no modelo contratual adotado comumente no âmbito da corretagem de imóveis, argumentando que mesmo que a ilegalidade da prática comercial em questão fosse confirmada, isso não teria o condão de ocasionar a requalificação dos fatos, de modo a ficarem configurados os suportes fáticos referidos na legislação tributária. Acrescenta que a autoridade fiscal não nega que os compradores efetuaram os pagamentos devidos aos corretores independentes, limitandose a afirmar que estes pagamentos Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.040 10 foram ilegais, abusivos, lesivos etc., como se tivesse legitimidade para pleitear eventuais direitos alheios, em matéria de direito do consumidor. Argumenta que ao cogitar da transferência da sujeição passiva, a autoridade fiscal desenvolve uma narrativa que contraria a lógica formal, uma vez que o art. 123 do CTN, como regra geral, nega eficácia às convenções que tenham este escopo. Ainda, em que pese a autoridade fiscal não ter comprovado a efetiva realização de pagamentos pela impugnante em favor dos corretores independentes, a impugnante comprova a inexistência do fato tributável discutido mediante a apresentação de cópias de recibos de pagamentos autônomos emitidos por compradores em favor de corretores independentes. Aduz que esta controvérsia já foi objeto de decisões deste Conselho, que negou ter havido pagamento de corretagem pela impugnante em benefício dos corretores independentes, assim como negou que o modelo de negócios correntemente adotado pelos integrantes do mercado de corretagem imobiliária fundarseia sobre um planejamento tributário abusivo. Isto porque, ao não realizar os pagamentos aos corretores independentes, a imobiliária perde a possibilidade de realizar deduções para fins de apuração do imposto de renda. Quanto aos elementos probatórios colhidos pela autoridade fiscal mediante circularização, sustenta se tratar de provas ilícitas, uma vez que a sua produção não foi submetida ao contraditório. Ainda que assim não fosse, se o auto de infração pudesse ser fundamentado nas declarações unilaterais colhidas pela autoridade fiscal, embora tenha recebido dos corretores independentes e das incorporadoras submetidos à circularização importantes esclarecimentos contrários à sua tese, a autoridade fiscal os ignorou. Refuta o procedimento adotado pela autoridade fiscal de definir a base de cálculo do auto de infração com base no procedimento de arbitramento sem observar as diretrizes procedimentais estabelecidas pela legislação de regência. Subsidiariamente, requer seja afastado o agravamento da multa de ofício com base na acusação de evidente intuito de fraude de sua parte. Alega que a adoção de procedimento fiscal indevido, porém praticado de boafé e devidamente embasado em práticas e costumes socialmente consolidados há anos, consiste no chamado "erro de proibição", situação bem diferente daquela em que o sujeito passivo está ciente da sua obrigação para com o fisco, porém age de forma consciente e voluntária com o intuito de não recolher tributo que entende ser devido, o que não é a hipótese tratada. No presente caso, o modelo de negócio adotado pela impugnante está embasado em procedimento em uso e consolidado há décadas no ambiente do mercado imobiliário, adotado sistematicamente pelas imobiliárias e pelos corretores independentes, e contra o qual apenas muito recentemente se insurgiu a RFB. Defende o entendimento de que a expressão “crédito”, contida no art. 161 do CTN, abrange tão somente aqueles créditos tributários que, por sua natureza, possam estar sujeitos a penalidades, ou seja, aqueles decorrentes do descumprimento da obrigação tributária, Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.041 11 devendose concluir no sentido da impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Argumenta, ainda, que deve ser aplicado ao caso o art. 24 da LINDB, para que seja ele analisado a partir do contexto jurisprudencial da época do fato gerador e do lançamento. Por fim, a impugnante (i) requer seja o Auto de Infração julgado integralmente improcedente; (ii) protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) solicita que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como para o escritório de seus advogados infra assinados. IMPUGNAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS SÓCIOS PESSOAS FÍSICAS Os sócios da autuada, Wildemir Antônio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, responsabilizados solidariamente, protocolizaram Impugnações tempestivas e em peças distintas que, porém, por terem sido subscritas pelo mesmo patrono e conterem idêntico teor, serão analisadas conjuntamente. Após breve relato dos fatos, apontam que o Termo de Sujeição Passiva Solidária tem como fundamento legal o artigo 124, I, bem como o artigo 135, III, do CTN, imputando aos impugnantes o dever de solver o crédito tributário principal, acrescido de juros, e multa de ofício qualificada. Aduzem que a expressão “interesse comum” contida na norma deve ser interpretada de forma técnica. Nesse sentido, o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos, partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui fato gerador, direitos e deveres iguais. Salientam que a existência de meros interesses econômicos, conforme apontado no relatório fiscal, não autoriza a instauração da solidariedade, sob pena de se ampliar indevidamente a possibilidade de atribuição de responsabilidade a pessoas alheias ao fato gerador tributário. Entendem que a autoridade fiscal não comprovou que os impugnantes e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. Isto porque o relatório fiscal indica como interesse comum a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática de suposto ilícito tributário. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre com relação à sociedade investida. Essa tese, caso aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participasse, o que é um equívoco. Relembram que solidariedade não se presume e citam decisão do CARF que considera a confusão patrimonial como requisito para caracterizar o interesse comum. Acrescentam que não restou demonstrado nenhum indício sequer de confusão patrimonial entre Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.042 12 os impugnantes e a LPS Brasília, o que afasta a aplicabilidade do artigo 124, I do CTN ao presente caso concreto. Refutam, também, a caracterização da solidariedade como sanção, uma vez que se trata de uma situação objetiva, derivada da indivisibilidade da obrigação tributária. Um mesmo fato impõe, a dois ou mais sujeitos, ao mesmo tempo, a condição de contribuinte, não havendo extensão desta condição por força de qualquer fato que extrapole o fato gerador, como ocorreria, por exemplo, com a vinculação do interesse comum a uma noção genérica de conluio. Apontam inconsistência no relatório fiscal ao chamar os impugnantes a responderem pelo crédito tributário, simultaneamente, de forma solidária e como responsável pessoal. Consideram que a responsabilidade pessoal do agente exclui a responsabilidade solidária porque, antes disso, exclui a responsabilidade da própria pessoa jurídica autuada. Nesses termos, impõese o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária uma vez que o artigo 135, III, do CTN é incompatível com a responsabilidade da própria LPS Brasília (autuada). Alegam que o relatório fiscal não comprovou que os impugnantes teriam agido de forma ilegal ou com excesso de poderes, ou de forma contrária ao estatuto social da LPS Brasília. A incidência do dispositivo em questão requer prova de dolo específico do sócio, manifestado por deliberação ou outro ato de sua incumbência, que sabidamente contraria a lei e objetiva a obtenção de vantagem tributária indevida. Afirmam que a autoridade fiscal pretende arrolar os impugnantes entre os responsáveis pelo crédito tributário lançado sem fazer nenhuma prova de que teriam incorrido nas hipóteses ensejadoras da responsabilidade pessoal previstas no art. 135 do CTN. A inexistência dos requisitos autorizadores da aplicação do artigo 124, I, bem como do art. 135, III do CTN impõe o cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Ainda que assim não se entenda, sustentam que os impugnantes não podem figurar como devedores solidários da multa de ofício aplicada, uma vez que o art. 124 do CTN é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída a multa. Também não se sustenta a responsabilidade dos impugnantes pela multa caso seja adotado como fundamento o art. 135 do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que este agiu com dolo específico, conforme dispõe o art. 137 do CTN, o que não ocorreu no presente caso. Por fim, requerem (i) sejam os Termos de Sujeição Passiva julgados integralmente improcedentes; (ii) a produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas aos endereços dos impugnantes, constantes do cadastro da RFB, bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DA RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA SÓCIA PESSOA JURÍDICA Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.043 13 A sócia pessoa jurídica da autuada, LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, responsabilizada solidariamente pelas autuações em exame, apresentou as seguintes alegações em sua impugnação, resumidamente: Após breve relato dos fatos, aponta que o Termo de Sujeição Passiva Solidária tem como fundamento legal o artigo 124, I do CTN, bem como o artigo 30, IX, da Lei nº 8.212/91, imputando lhe o dever de solver o crédito tributário principal, acrescido de juros, e multa de ofício qualificada. Aduz que a expressão “interesse comum” contida na norma deve ser interpretada de forma técnica. Nesse sentido, o “interesse comum” sempre será o interesse jurídico compartilhado por dois ou mais sujeitos partícipes de uma mesma relação jurídica, de modo que estes possuam, com relação à coisa ou atividade que constitui o fato gerador, direitos e deveres iguais. Assim, a existência de meros interesses econômicos, conforme apontado no Relatório fiscal, não autoriza a instauração da solidariedade, pena de se ampliar indevidamente a possibilidade de atribuição de responsabilidade a pessoas alheias ao fato gerador tributário. Entende que a autoridade fiscal não comprovou que a impugnante e a LPS Brasília teriam agido, conjuntamente, nas relações jurídicas de que teriam resultado os supostos fatos geradores tributários, sendo a qualidade de sócio insuficiente para ensejar a responsabilidade solidária. Isto porque o Relatório fiscal indica como interesse comum da impugnante a expectativa de que a LPS Brasília auferisse receitas mediante a prática do suposto ilícito tributário. Este argumento, porém, confunde o interesse comum a que faz referência o art. 124, I, do CTN, com o interesse meramente econômico que todo sócio nutre em relação à sociedade investida. Essa tese, se aceita, implicaria em tratar todo sócio como solidariamente obrigado pelos débitos das sociedades das quais participasse. Relembra que solidariedade não se presume e cita decisão deste Conselho que considera a confusão patrimonial como requisito para caracterizar o interesse comum. Acrescenta que não restou demonstrado nenhum indício de confusão patrimonial entre a impugnante e a LPS Brasília, o que afasta a incidência do artigo 124, I do CTN, ao presente caso concreto. Refuta a caracterização da solidariedade como sanção, vez que se trata de uma situação objetiva, derivada da indivisibilidade da obrigação tributária. Um mesmo fato impõe, a dois ou mais sujeitos, ao mesmo tempo, a condição de contribuinte, não havendo extensão desta condição por força de qualquer fato que extrapole o fato gerador, como ocorreria, por exemplo, com a vinculação do interesse comum a uma noção genérica de conluio. Defende não estarem presentes as condições que autorizam a aplicação ao caso do art. 30, IX, da Lei n° 8.212/91, pois a obrigação solidária com fundamento neste dispositivo exige que haja verdadeira unicidade do poder decisório e administrativo entre as sociedades de um grupo econômico e que o grau da centralização decisória alcance as decisões sobre a realização ou não dos atos e negócios que correspondam aos fatos geradores, bem como que alcance a decisão acerca do cumprimento das obrigações tributárias. Dentro dessa moldura deve ser feita a análise dos elementos que darão azo à solidariedade, não sendo lícita a interpretação meramente literal de que em havendo grupo econômico, de direito ou de fato, automaticamente responderão solidariamente todas as pessoas integrantes desse grupo. Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.044 14 Nessa linha, o artigo 30, IX, da Lei n° 8.212/91 atribui obrigação solidária àqueles que possuem competência decisória concreta e determinante sobre os atos que correspondem ao fato gerador, bem como ao cumprimento das obrigações tributárias, e não em função do simples pertencimento ao grupo econômico. Argumenta que a fiscalização não comprovou que a impugnante exerce sobre a LPS Brasília poder decisório capaz de determinar a prática dos atos que teriam constituído o suposto crédito tributário lançado, tampouco que teria tido ingerência sobre o cumprimento ou descumprimento das obrigações tributárias que a fiscalização pretende imputar à LPS Brasília. Portanto, não restou demonstrada a caracterização de situação que autoriza a imputação de obrigação solidária à impugnante com fundamento no art. 30, IX da Lei n° 8.212/91. Ainda que não se entenda pelo cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária pelas razões acima, sustenta que a impugnante não pode figurar como devedora solidária da multa de ofício aplicada, uma vez que o art. 124 do CTN é claro quanto a alcançar somente a obrigação tributária principal, excluída, pois, a multa. Também não se sustenta a responsabilidade da impugnante pela multa caso seja adotado como fundamento o art. 135, III do CTN, pois somente responde pela penalidade o agente infrator, sendo indispensável a comprovação de que teria agido com dolo específico, conforme dispõe o art. 137, também do CTN, o que não se verificou no presente caso. Por fim, requer (i) seja o Termo de Sujeição Passiva julgado integralmente improcedente; (ii) a produção de todas as provas admitidas em direito; (iii) que todas as intimações e comunicações referentes ao presente processo administrativo sejam remetidas ao endereço da impugnante, constante do cadastro da RFB, bem como para o escritório de seus advogados infraassinados. IMPUGNAÇÃO DAS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIAS INCORPORADORAS/VENDEDORAS As responsáveis solidárias Real Engenharia S/A, Real Celebration Engenharia Ltda., Real Evolution Engenharia Ltda., Real Ilhas Mauricio Engenharia Ltda. e Real Splendor Engenharia Ltda., integrantes do grupo econômico Real Engenharia, impugnaram conjunta e tempestivamente a autuação, alegando, em síntese, não estarem presentes os elementos caracterizadores da responsabilidade prevista no artigo 124, I do CTN. Refutam a tese da Autoridade Fiscal de que a transferência para o comprador do imóvel da responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação implicaria a caracterização do “interesse comum” no fato gerador da obrigação tributária principal, qual seja, o pagamento de remuneração a título de comissão/premiação de venda a segurados contribuintes individuais pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a empreendimentos imobiliários sob responsabilidade da empresa LPS Brasília. Afirmam que apenas contrataram a LPS Brasília para que ela realizasse as operações de intermediação de unidades imobiliárias por elas incorporadas e construídas. Cita decisão do Superior Tribunal de Justiça que dispôs sobre o elemento normativo “interesse comum” de que trata o inciso I do art. 124 do CTN, ressaltando que este interesse comum não deve ser interpretado como o interesse econômico no resultado ou no Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.045 15 proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. Salientam que as impugnantes e a autuada LPS Brasília não ocupam o mesmo pólo na relação jurídica que constitui o fato gerador da obrigação tributária questionada, não sendo possível sua realização conjunta. É a autuada quem tem relação direta e pessoal com o fato gerador da obrigação tributária, e não as impugnantes, condição necessária para se estabelecer a solidariedade prevista no artigo 124, I do CTN. Acrescentam que o fato de as impugnantes serem um grupo econômico não afasta a necessidade de que elas, individualmente consideradas, realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador com o contribuinte (LPS Brasília). No entanto, a autoridade fazendária apenas presume a existência de um interesse comum com base no fato de haver relação contratual entre as impugnantes e o contribuinte. Como argumento de reforço, trazem entendimentos proferidos no âmbito do contencioso administrativo fazendário federal que afastam a existência do débito tributário em situações tais quais a presente, inclusive referentes ao mesmo contribuinte. Entendem que caso seja mantida a multa de ofício, não foram observados os requisitos legais para a sua qualificação. A fiscalização entendeu ter ocorrido atitude fraudulenta pelo fato de se ter, supostamente, repassado ao comprador a obrigação de arcar com a corretagem devida no ato da compra do imóvel. Ocorre que o abatimento do valor da corretagem no ato do pagamento do imóvel não configura fraude em nenhuma esfera do direito, principalmente para fins tributários, até porque o pagamento da corretagem efetivamente ocorreu e, desse modo, no entendimento da fiscalização, o próprio fato gerador também ocorreu. A conduta do contribuinte não almejou o impedimento da ocorrência do fato gerador, mas apenas o abatimento no preço da alienação do imóvel. As impugnantes não agiram com o intuito de impedir, retardar, excluir ou modificar as características essenciais do tributo, o que, por si só, descaracteriza o conceito de fraude, e impede seja qualificada a multa da forma em que realizada pela autoridade fazendária. Por fim, requerem: (i) sejam julgados improcedentes os termos de responsabilidade tributária; (ii) seja julgado improcedente o lançamento fiscal; (iii) acaso mantido o débito, seja julgada improcedente a estipulação de multa de ofício às impugnantes; (iv) acaso seja mantida a multa de ofício, requerse seja julgada improcedente sua qualificação. A DRJ julgou improcedentes as impugnações da autuada LPS BRASÍLIA Consultoria de Imóveis Ltda., mantendose os créditos tributários exigidos por meio dos autos de infração DEBCAD nºs 51.040.9580 (contribuição patronal) e 51.065.2808 (contribuição dos segurados), das responsáveis solidárias LPS BRASIL Consultoria de Imóveis S/A, Wildemir Antônio Demartini e Marco Antônio Moura Demartini, sócios da autuada, para mantêlos nos polo passivo como responsáveis solidários pelos créditos tributários constituídios, e julgou procedente em parte a impugnação das responsáveis solidárias Real Engenharia S/A, Real Celebration Engenharia Ltda., Real Evolution Engenharia Ltda., Real Ilhas Mauricio Engenharia Ltda. e Real Splendor Engenharia Ltda. para, unicamente, excluílas do polo passivo como responsáveis solidários. Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.046 16 A autuada e os responsáveis solidários LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, Marco Antônio Moura Demartini e Wildemir Antônio Demartini interpuseram seus recursos voluntários aos 10/05/2016, (fls. 2295/2366, 2636/2655, 2658/2683 e 2727/2752) respectivamente), nos quais foram repisadas, em linhas gerais, as alegações constantes das impugnações e contestados certos pontos da argumentação da DRJ. Também foram juntados aos autos parecer de renomado jurista, dois Laudos Técnicos elaborados por empresas de consultoria e auditoria (“Laudo Técnico – Pesquisas respondidas pelo público de stands” e laudo de avaliação da LPS Brasília) e, em reunião realizada neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aos 08/05/2018, foram apresentados memoriais a esta relatora e ao presidente deste Colegiado, que sintetizam alguns pontos dos recursos voluntários e, especialmente, apontam julgados recentes deste tribunal favoráveis à tese defendida proferidos em casos semelhantes ao ora tratado, bem como decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.599.511/SP, processado sob o rito do art. 1036 e seguintes do NCPC (recurso representativo da controvérsia), julgamento este que se deu posteriormente à interposição os recursos voluntários. Iniciado o julgamento do recurso em seção realizada aos 14/09/18, em sustentação oral, o patrono da recorrente invocou a aplicação, ao caso, das recentes alterações havidas na Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro DecretoLei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942, especialmente do seu artigo 24 e, nesse sentido, que o processo fosse analisado à luz da jurisprudência vigente nos anos de 2010 e 2011, quando da ocorrência dos supostos fatos geradores, bem como das orientações que lhe teriam sido prestadas pela Fazenda Pública, como determina o mencionado dispositivo legal. Nesse contexto, houve por bem o Colegiado julgador retirar o processo de pauta para verificação de procedimento de modo que o contribuinte pudesse instruIr os autos com manifestação formal no sentido de sua postulação na tribuna. Aos 27/09/18, o recorrente juntou aos autos a petição e documentos de fls. 2839 e seguintes. Devidamente intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou manifestação de fls. 2994/3004. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício foi interposto uma vez que com a exclusão do polo passivo dos responsáveis solidários Real Engenharia S/A, Real Celebration Engenharia Ltda., Real Evolution Engenharia Ltda., Real Ilhas Mauricio Engenharia Ltda. e Real Splendor Engenharia Ltda., a decisão recorrida os teria exonerado da responsabilidade pelo crédito tributário em valor superior ao limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria MF nº 03/08, à época fixado em R$ 1.000.000,00. Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.047 17 Esse valor, todavia, foi majorado pela Portaria MF nº 63, de 10/02/2017, que estabelece em R$ 2.500.000,00 o valor de alçada para a interposição de recurso de ofício em hipóteses que tais, conforme abaixo: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Nos termos da Súmula CARF nº 103, essa norma deve ter aplicação imediata aos julgamentos em curso: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. O valor original dos autos de infração DEBCAD nº 51.040.9580 e nº 51.065.2808 (somatório de tributo e multa) é de R$ 3.743.314,10 e R$ 2.058.822,70, respectivamente (fls. 02). Assim, o total do valor exonerado perfaz o importe de R$ 5.802.136,80 (cinco milhões e oitocentos e dois mil e cento e trinta e seis reais e oitenta centavos), superior, portanto, ao valor de alçada fixado pela Portaria MF nº 63/17, impondose o conhecimento do recurso de ofício. Com relação a esse recurso, adoto, como razões de decidir, o seguinte trecho da decisão recorrida, para que venha integrar o presente voto: 20. As responsáveis solidárias que compõem o grupo econômico Real Engenharia (Real Engenharia S/A, Real Celebration Engenharia Ltda, Real Evolution Engenharia Ltda, Real Ilhas Mauricio Engenharia Ltda e Real Splendor Engenharia Ltda) sustentam existir entre elas e a LPS Brasília uma prévia relação contratual que impediria que ambas realizassem conjuntamente o fato gerador da obrigação tributária, não estando presentes os elementos caracterizadores da responsabilidade prevista no artigo 124, I, do CTN. 20.1. Assiste razão às impugnantes quanto ao articulado em sua peça de defesa. (...) 20.3. Vale lembrar a lição de Rubens Gomes de Sousa11 sobre o que se considera interesse comum para os fins pretendidos pelo art. 124, inciso I, do CTN: São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum das pessoas não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador. É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui o fato gerador, ou que, em comum com outras pessoas, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem a tributação. 20.4. Adotandose o contrato firmado entre a autuada e a empresa Real Celebration Engenharia Ltda como parâmetro exemplificativo da forma como os negócios jurídicos de compra e venda eram acordados, constatase existir expressa anuência da contratante (incorporadora/vendedora) para que a contratada LPS Brasília, responsável pela intermediação imobiliária de suas unidades, pudesse repassar o pagamento de parte das comissões que lhe seriam devidas aos compradores dos imóveis. Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.048 18 20.5. O repasse do pagamento das comissões aos compradores, embora possa ser caracterizado como um ilícito na esfera do Direito do Consumidor, não implica diretamente na ocultação dos fatos geradores em análise. Isto porque, de acordo com as evidências apresentadas pela Autoridade Fiscal, tanto compradores (segundo depoimentos e documentos relacionados à compra e venda) quanto vendedores (segundo esclarecimentos e contrato de prestação de serviços com a LPS Brasília) entendem que a intermediação imobiliária é realizada unicamente pela empresa LPS Brasília, sendo os corretores autônomos seus prepostos. 20.6. Ainda, notase que existe cláusula prevendo que a recusa do comprador em aceitar o repasse dos custos da corretagem (comissões e prêmios) não impediria a realização do negócio jurídico da compra e venda, nem tampouco alteraria o valor da corretagem advinda desta negociação que seria ao final repassada inteiramente à imobiliária. Com isso, concluise que, independentemente da forma como se operaria a compra e venda (com ou sem repasse de parte da corretagem aos compradores), o valor total da corretagem devida em razão da conclusão deste negócio não se alteraria. (...). 20.7. Assim, o conjunto probatório apresentado não permite concluir que as incorporadoras/vendedoras das unidades imobiliárias tivessem interesse comum (jurídico ou econômico) na situação que constitui o fato gerador das contribuições lançadas contra a autuada, motivo pelo qual as responsáveis solidárias Real Engenharia S/A, Real Celebration Engenharia Ltda, Real Evolution Engenharia Ltda, Real Ilhas Mauricio Engenharia Ltda e Real Splendor Engenharia Ltda devem ser excluídas do pólo passivo, com o consequente cancelamento dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária. (...). Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que deles conheço. Inicialmente, anoto que os protestos por produção de todas as provas admitidas em direito foram formulados nos recursos sem nenhuma fundamentação, em desacordo com o disposto no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72, pelo que são incabíveis. Igualmente, não tem cabimento o pedido de ciência pessoal do patrono dos recorrentes, uma vez que o art. 23, I a III do Decreto nº 70.235/72 estabelece que as intimações no decorrer do processo administrativo tributário federal serão destinadas ao sujeito passivo, não a seu advogado, e não existe, tampouco, previsão nesse sentido no RICARF. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA AUTUADA LPS BRASÍLIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA. DO ART. 24 DA LINDB Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.049 19 Inicialmente, a recorrente requer a aplicação ao presente caso do art. 24 da Lei de Introdução às Normas de Direito da Brasileiro Decretolei nº 4.657/52, a ele recentemente introduzido pela Lei nº 13.655, de 25 de abril de 2018, que dispõe o seguinte: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Conforme argumenta a recorrente, a finalidade desse dispositivo é dar segurança jurídica ao administrado, impedindo a retroatividade de novas interpretações e construções jurisprudenciais para fatos jurídicos perfeitos que levaram em consideração orientação jurisprudencial e das autoridades fiscais quando constituídos. Nesse contexto, esclarece que foi cientificado do lançamento de ofício aos 26/09/2014 e que na data da ocorrência dos fatos geradores (2010 e 2011), não havia orientação jurisprudencial contrária à possibilidade de adoção do modelo de negócios de corretagem adotado e quanto à existência de vínculo entre ela e o corretor independente. Prossegue dizendo que aos 19/03/2014, seis meses antes do lançamento, foram proferidas duas decisões por este tribunal administrativo em processos da própria recorrente (Acórdãos nº 2403002.509 e 2403002.508) que tiveram decisões integralmente favoráveis para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre comissão de vendas recebidas pelo corretor independente paga pelo comprador, mas cujo pagamento, tal como no presente caso, houvera sido a ela atribuído. Informa que essas decisões transitaram em julgado uma vez que os recursos especiais delas interpostos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional tiveram seguimento negado, conforme despacho proferido aos 04/12/16 pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, anexado a fls. 2952. Colaciona, ainda, nova decisão, proferida em 2016 (Acórdão nº 2402 005.271), também transitada em julgado, que confirma o entendimento de que o modelo de negócios de corretagem não leva à conclusão sobre a existência de vínculo empregatício entre o corretor independente e a recorrente e esclarece que no momento da ocorrência do fato gerador (2010 e 2011) não havia jurisprudência no CARF sobre a possibilidade de adoção do modelo de negócios de corretagem da recorrente e a existência ou não de vínculo entre ela e o corretor independente. Argumenta que os acórdãos colacionados são os únicos que tiveram decisão definitiva irrecorrível na esfera administrativa sobre o tema, de forma que adotou prática válida de negócio, ao final confirmada pelo trânsito em julgado daquelas decisões. Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.050 20 Por essas razões, diz ser o art. 24 da LINDB de aplicação obrigatória ao presente caso, de modo que seja ele analisado a partir do contexto jurisprudencial de 2010 e 2011 e das orientações recebidas da Fazenda. A Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, argumenta, em síntese, que: · o artigo 24 da LINDB não tem por objeto regulamentar o lançamento fiscal e as decisões proferidas no Processo Administrativo Fiscal; · o ato do lançamento não consubstancia “revisão” de ato da Administração, não sendo possível concluir, do art. 24 da LINDB, que o auditorfiscal, ao efetuar o lançamento, esteja amarrado à jurisprudência administrativa ou judicial existente à época dos fatos geradores; ademais, apenas Lei Complementar poderia dispor sobre norma geral afeta à atividade do lançamento; · tampouco faz sentido, diante do texto normativo, concluir que os órgãos responsáveis pelo julgamento de recursos administrativos, ao “revisar o lançamento” estejam vinculados à jurisprudência majoritária existente à época dos fatos geradores; · o artigo 24 simplesmente determina que, se a Administração pratica ato que gera uma situação consolidada (por exemplo, emite uma licença de funcionamento, assina um contrato, autoriza um pagamento), a mudança posterior de entendimento sobre a validade deste ato não pode afetar a situação consolidada que a própria Administração gerou; · o Código Tributário Nacional (CTN) possui regramento próprio e particular sobre os atos e decisões dotados de caráter normativo (art. 100, I a IV), sobre as consequências de sua observância pelo administrado (art. 100, parágrafo único), bem como sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leiase, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário (art. 146). Tratase de normatização específica quanto às questões que o art. 24 (norma geral) se propõe a regulamentar; · a Lei 13.655/2018 não atribui eficácia normativa à jurisprudência majoritária vigente à época dos fatos geradores, não a enquadrando no conceito de decisão normativa, nos termos do art. 100, II, do CTN. Inicialmente, para nós não há dúvida sobre a incidência das normas da Lei de Introdução ao Direito Brasileiro – inclusive das recentemente introduzidas ao texto original pela Lei nº 13.655/18 – no âmbito da atividade judicante deste tribunal administrativo. Digo isso por conta do argumento de partida da D. Procuardoria Geral da Fazenda Nacinal em sua manifestação juntada aos autos, bem como de recentes decisões proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal. Segundo entendimento exarado nos expedientes mencionados, os novos dispositivos inseridos na LINDB pela Lei nº 13.655/18 (arts. 20 a 30) teriam se baseado na obra dos Professores Carlos Ari Sundfeld e Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.051 21 Floriano de Azevedo Marques Neto, denominada "Contratações Públicas e Seu Controle", o que não deixaria margem de dúvida acerca de sua natureza essencialmente administrativa. Assim, os destinatários desses dispositivos seriam apenas os administradores públicos e os órgãos de controle da Administração Pública, inclusive do Judiciário. Nessa linha, a PGFN afirma, em sua manifestação: As alterações promovidas na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) pela Lei 13.655/2018 tiveram por objetivo, como indica a Justificativa do Projeto de Lei (PL), “incluir na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decretolei 4.657/1942) disposições para elevar os níveis de segurança jurídica e de eficiência na criação e aplicação do direito público”. Em que pese a pretensão de irradiar efeitos sobre todos os ramos do Direito e sobre todos os procedimentos da Administração Pública, não há dúvida de que as inovações promulgadas foram elaboradas tendo como pano de fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU. Com efeito, o PL é, declaradamente, fruto de projeto de pesquisa publicado na Obra “Contratações Públicas e Seu Controle”, dedicada exclusivamente ao tema. Em uma das decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais a que fizemos referência (proferida nos autos do processo administrativo de nº 19515.003515/200774), restou decido que em nenhum momento a lei sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa, como é o caso do CARF, de modo que “Quando muito, a aplicação desta lei no CARF restringirseia às atividades essencialmente administrativas, afetas à sua Secretaria Executiva, quanto a eventuais contratos, convênios e atos congêneres, inerentes ao próprio funcionamento do Órgão”. A PGFN, igualmente, como relatado, trouxe vários outros argumentos, aliás, muito bem fundamentados, para justificar a não aplicação do LINDB ao PAF. Com todo o respeito, ousamos discordar. A antiga Lei de Introdução ao Código Civil é uma norma de sobredireito, ou seja, uma norma jurídica que visa a regulamentar outras normas jurídicas. O seu estudo sempre foi comum na disciplina de Direito Civil pela sua posição topográfica, à frente do Código Civil de 1916, tradição que foi mantida no Código Civil de 2002. No entanto, apesar disso, a antiga LICC, como era conhecida, nunca foi uma norma exclusiva de Direito Privado, e bem por essa razão é que a Lei nº 12.376/10 tratou de alterar a sua denominação para Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro uma vez que ela muito mais se aplica a outros ramos do Direito do que ao próprio Direito Civil. O seu conteúdo, na realidade, é muito mais afeto à Teoria Geral do Direito. Assim, como esclarece o prof. Carlos Ari Sundfeld aliás, autor do projeto de lei que resultou na Lei nº 13.655/18, juntamente com o prof. Floriano de Azevedo Marques Neto comentando o mencionado julgado de nº 19515.003515/200774 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, acima mencionado: Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.052 22 “a ampla incidência sempre foi característica da antiga Lei de Introdução. Seu art. 1º, caput, diz que “salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada”. E nunca houve dúvida de que essa regra deveria incidir sobre leis tributárias, leis funcionais, leis sobre serviços públicos, leis previdenciárias, enfim, quaisquer leis. O mesmo ocorre com seus arts. 2º (“a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue”), 3º (“ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece”), 4º (sobre a “lei omissa”), 5º (relevância dos “fins sociais” e “exigências do bem comum”), 6º (“efeito imediato e geral” da lei, salvo “o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada”), e assim por diante. Justamente por isso se diz, e é certo, que a Lei de Introdução é uma lei de sobredireito. Esses antigos dispositivos não têm, como se sabe, qualquer referência expressa ao direito tributário ou à atividade administrativa tributária, judicante ou não. Nem por isso há incerteza quanto à vinculação a eles dos julgadores administrativotributários. Normas gerais de interpretação e aplicação de Direito obrigam a todos que interpretam e aplicam o Direito, independentemente de citação nominal. De resto, se a atividade judicante do Judiciário está vinculada à Lei de Introdução, porque atividade judicante de simples autoridade administrativa estaria isenta? A resposta quanto ao âmbito de incidência dos novos arts. 20 a 30 da Lei de Introdução é bem clara, a começar da ementa da lei que a alterou. Tratase de “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e aplicação do direito público”. Os dispositivos da lei 13.655 não são de direito administrativo em sentido estrito (isto é, sobre contratos administrativos, servidores públicos, serviços públicos e outros temas a cargo dos professores desse ramo), tampouco sobre controle da administração; a lei é geral de direito público. Seus dispositivos são abrangentes e serão observados nas operações jurídicas envolvendo o direito público em geral. (...) Quanto à esfera administrativa, a lei não fez distinções nem previu tratamento especial ou imunidades para suas subdivisões. Logo, a Lei de Introdução reformada tem de ser observada por todas as autoridades administrativas, seja qual for sua atuação material específica (ativa, consultiva, controladora, licenciadora, reguladora, sancionadora, etc.), a legislação setorial a que está sujeita (contratual, concorrencial, tributária, etc.), sua vinculação organizacional (autoridades singulares, membros de colegiado, etc.) ou seu nível hierárquico (primeira instância, órgãos recursais, Chefe do Executivo, etc.). (...) (destacamos) Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.053 23 (Disponível em https://www.jota.info/opiniaoe analise/artigos/lindbdireitotributarioestasujeitoaleide introducaoreformada10082018) Realmente, para nós, não há como uma lei que inclui na Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro “disposições sobre segurança jurídica e eficiência na criação e na aplicação do direito público” possa estar dirigida a um ou outro segmento da Administração Pública com exclusão de outros, ou do Judiciário, por exemplo, e não a todos eles, cada qual no exercício de todas as suas funções, sejam típicas ou atípicas, sempre que estejam no exercício de criar e aplicar o direito público. Com efeito, quando os dispositivos legais inseridos se referem às esferas administrativas, controladora e judicial, estão a se referir ao exercício de todas as funções a cargo dessas “esferas”, o que, no âmbito administrativo, também inclui a de julgar. Desse modo, data venia, não é que a lei, em nenhum momento, sinaliza que seria dirigida à atividade judicante administrativa e, via de consequência, ao Processo Administrativo Fiscal. Entendemos que uma vez que ela é dirigida, dentre outras, à “esfera administrativa”, ela já contempla a atividade judicante como exercício de função administrativa atípica. Como nos ensina Carlos Maximiliano, “no âmbito do mais sempre se compreende também o menos” (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 200). Em uma determinada passagem de sua manifestação, a D. PGFN argumenta o seguinte: "Se o enquadramento do lançamento e do PAF nas disposições do art. 24 demanda tamanho malabarismo exegético, isso é a prova cabal de que o legislador não o idealizou para essa finalidade. E porquê? Justamente porque o PAF já é suficientemente regulamentado por legislação específica." Nessa linha, há inúmeros outros ramos do Direito, tais como, só para citar alguns, Consumidor, Infância e Juventude, Registros Públicos, Execução Penal, Separação e Divórcio, Relações de Trabalho, Eleitoral, dentre vários outros que também gozam de regulamentação suficientemente específica e que, nem por isso, passam ao largo das disposições da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro. Assim, com todo o respeito, o que há, em verdade, parafraseando a D. PGFN, são "malabarismos exegéticos" (muito bem feitos, é verdade!) para justificar, desde logo, a não aplicação da LINDB uma norma de sobredireito ao Direito Tributárito e ao Processo Administrativo Fiscal, o que, como já exposto, entendemos não ser o caso. Superada a questão quanto à aplicação dos novos dispositivos inseridos na Lei de Introdução à Normas de Direito Brasileiro pela Lei nº 13.655/18 à atividade julgadora deste tribunal administrativo, cumpre analisar a pretensão do recorrente de aplicação do art. 24 da LINDB ao presente caso. Neste ponto, entendemos não lhe assistir razão. Com efeito, o art. 24, “caput”, da LINDB é claro ao dispor que a revisão, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já houver se completado levará em consideração as orientações gerais da época, sendo vedado Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.054 24 que se considerem inválidas essas situações já plenamente constituídas com base em mudança posterior de orientação geral. O parágrafo único, por sua vez, explica que consideramse “orientações gerais” as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. No presente caso concreto, esses requisitos não estão preenchidos. Como observa a recorrente, à época do fato gerador, não havia jurisprudência deste tribunal em sentido contrário à possibilidade de adoção do modelo de negócios praticado. Mas não havia porque a discussão sequer aqui havia sido instalada. Quando a matéria chegou para ser enfrentada neste tribunal, a questão passou, então, a ser objeto de debate, havendo decisões em sentidos diversos, de modo que ainda hoje o endentimento acerca do tema é controverso. Na esfera judicial, esse assunto foi ainda mais debatido e controvertido, tanto que acabou resultando no julgamento do REsp repetitivo nº 1.599.511, publicado aos 06/09/2016. Assim, seja à época do fato gerador, seja à época do lançamento, não havia jurisprudência majoritária, administrativa ou judicial, acerca da questão debatida nestes autos. Não se pode dizer, como todo o respeito, que há jurisprudência majoritária, como exige o dispositivo em tela, com base em apenas dois julgados favoráveis à tese defendida, ainda que já transitados em julgado. Também o fato de não haver orientação jurisprudencial deste tribunal em sentido contrário à possibilidade de adoção do modelo de negócios praticado pelo recorrente na data do fato gerador não pode ser entendido como anuência tácita a esse modelo, até porque, como dito, sequer havia jurisprudência deste tribunal à época, seja num sentido ou noutro. Assim, entendemos que embora a LINDB seja aplicável aos julgamentos no âmbito deste tribunal, o art. 24, invocado pela recorrente, não tem aplicação a este caso específico por não estarem preenchidos os seus requisitos. DA RELAÇÃO JURÍDICA EXISTENTE ENTRE A RECORRENTE E OS CORRETORES INDEPENDENTES CORRETAGEM X PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Como se verifica do relatório, o cerne da discussão travada nos autos diz respeito à natureza da relação jurídica existente entre a autuada e os corretores independentes e à alegada simulação/dissimulação que haveria em relação ao pagamento da respectiva remuneração destes profissionais relativamente à comissão de corretagem por eles recebida. A recorrente afirma que a relação jurídica que estabelece com os corretores independentes se trata de uma relação de parceria. Segundo relata a autoridade fiscal, existe entre eles, na verdade, uma relação jurídica de prestação e tomada de serviestida de parceria. Por conseguinte, afirma que a recorrente teria efetivado pagamentos de remuneração, qual seja Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.055 25 comissões, em benefício dos corretores independentes, que constituiriam fatos geradores de contribuições previdenciárias a cargo da empresa e destes segurados. Melhor explicando, afirma a fiscalização que os pagamentos que a recorrente alega serem recebidos pelos corretores independentes dos compradores dos imóveis quando da efetivação dos negócios intermediados em razão de serviços de corretagem prestados a estes últimos, tratarseia, na verdade, de remuneração (comissão de corretagem) paga indiretamente pela LPS Brasília aos corretores pela sua atuação no negócio, mas por ela simulados/dissimulados mediante sua transferência aos compradores dos imóveis procurando fazer crer, com esse expediente, que os corretores autônomos teriam prestado serviços para estes últimos, não para a recorrente. A recorrente, por sua vez, contesta essa afirmação, e alega que não há prestação de serviços na relação firmada com os corretores independentes. Argumenta que a legislação vigente – arts. 6º da Lei nº 6.530/78, Decreto 81.871/78, que a regulamenta, e 722 e seguintes do Código Civil que rege a relação jurídica entre imobiliária (corretor pessoa jurídica) e corretores independentes (corretor pessoa física), é incompatível com o modelo de contrato de prestação de serviços. Relembra que desde o tempo do agora derrogado Código Comercial, o corretor é descrito como agente auxiliar do comércio, que não se vincula, no exercício de sua atividade específica, mediante relação de mandato, serviço, ou dependência, conforme expressamente reconhecido pelo art. 722 do Código Civil em vigor. Nessa linha, afirma que a relação que se estabelece entre ela e os corretores independentes é uma relação de parceria entre iguais, que atuam conjuntamente, sob a forma de associação, na intermediação de um mesmo negócio imobiliário. Acrescenta que os corretores independentes, profissionais liberais que são, e as imobiliárias, são juridicamente equiparados pela legislação vigente, e entre eles há uma relação horizontal, não vertical. Pois bem. Entendemos que não há prestação de serviços na corretagem. O objeto da atividade do corretor é aproximar pessoas que pretendem celebrar negócios jurídicos. O corretor é um mediador de negócios e, portando, de fato, um agente auxiliar do comércio. Conforme ensina Pontes de Miranda, “a corretagem é a atividade intermediatriz entre pessoas que desejam contratar, ou praticar para outrem algum ato; é intermediação, em senso largo, assalariada, nas negociações de caráter civil ou mercantil, mas, de ordinário, importa comercialidade dos atos de corretagem, pela natureza dos negócios jurídicos visados. Qualquer corretor que pratique, habitual e profissionalmente, atos de intermediação. É comerciante. O negócio jurídico que resulta do ato de corretagem, é ato de comércio. (Tratado de Direito Privado, vol. 43, Rio de Janeiro: Borsai, p. 333334) (destacamos). No mesmo sentido, esclarece Arnold Wald que “o objeto do contrato de corretagem ou de mediação não é um serviço propriamente dito que o mediador tem de prestar, mas o resultado desse serviço”. Acresce o autor que “os comercialistas reconhecem que ocorre, no caso, uma obrigação de resultado, e não uma simples obrigação de meios”. Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.056 26 ("A remuneração do corretor", in Revista dos Tribunais, vol. 561, p. 910) (Destacamos e grifamos). Maria Helena Diniz, por sua vez, ensina: "Os corretores são considerados auxiliares do comércio, ante a acessoriedade de sua atividade de intermediação, que procura estimular o interesse das partes, levandoas a um acordo útil. Os corretores emprestariam uma colaboração técnica à empresa, aproximando comerciantes. O corretor terá a função de aproximar pessoas que pretendam contratar, aconselhando a conclusão do negócio, informando as condições de sua celebração, procurando conciliar os seus interesses. Realizará, portanto, uma intermediação, colocando o contratante em contato com pessoas interessadas em celebrar algum ato negocial, obtendo informações ou conseguindo o que aquele necessita. O contrato de corretagem ou mediação é a convenção pela qual uma pessoa, sem qualquer relação de dependência, se obriga, mediante remuneração, a obter para outrem um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas, ou a fornecerlhe as informações necessárias para a celebração do contrato. O objetivo do contrato de corretagem ou de mediação não é propriamente o serviço prestado pelo corretor, mas o resultado desse serviço. Daí ser uma obrigação de resultado e não de meio.” (Curso de Direito Civil Brasileiro. Volume 3. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 471472) Para Washington de Barros Monteiro: “O contrato de corretagem, dadas as suas características, não se confunde com prestação de serviços, o mandato, a comissão ou outro contrato em que haja vínculo de subordinação ou dependência. Sobreleva notar que o contrato de corretagem não tem objeto em si próprio, mas a formação de outro contrato. Cuida o contrato de corretagem de obrigação de resultado, uma vez que o corretor obrigase perante o comitente a obter para este um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. A remuneração ao corretor só será devida uma vez que tenha conseguido o resultado previsto no contrato de mediação (art. 725 do Cód. Civil de 2002)”. (MONTEIRO, Washington de Barros. Curso de Direito Civil. Vol. 5. São Paulo: Saraiva, 2009, 337) (destacamos). O contrato de corretagem, assim, é um contrato típico, que tem o seu próprio perfil jurídico. O que se pretende por meio da corretagem não é o "serviço" do corretor, mas o resultado da mediação, isto é, a conclusão do negócio. E a remuneração do corretor somente ocorrerá diante do resultado obtido. Por outro lado, o mesmo Washington de Barros Monteiro esclarece, agora ao tratar do contrato de prestação de serviços, que: "Efetivamente, na prestação de serviços, o trabalhador põe sua atividade à inteira disposição do locatário, mediante remuneração, por conta e risco deste." (Op. cit., p. 231) Ora, percebese nitidamente que o contrato de corretagem não se confunde, em absoluto, com o contrato de prestação de serviços, notadamente no que diz respeito à remuneração. Como vimos, o objeto do contrato de corretagem não é a "atividade" do corretor, mas o resultado dessa atividade, qual seja, a mediação, estando a sua remuneração sujeita ao Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.057 27 sucesso do negócio intermediado. A remuneração do corretor somente ocorrerá diante do resultado obtido. Jamais o corretor será remunerado por ter posto sua atividade à disposição de quem quer que seja e independentemente da obtenção ou não do resultado de sua atividade, como ocorre na prestação de serviços. Assim, não há, em essência, prestação de serviços na corretagem, porque não há uma troca entre a atividade do corretor e a obrigação do incumbente de pagar a corretagem, uma vez que o seu objeto não é o "serviço" que tem que prestar o corretor, a atividade que tem de desenvolver a fim de viabilizar o negócio perseguido, mas sim o resultado dessa atividade, que pode ser alcançado ou não. A atividade do corretor de imóveis, por sua vez, é regida pela Lei nº 6.530/78, pelo Decreto nº 81.871/78, que a regulamenta, e pelos artigos 722 e seguintes do Código Civil. O art. 3º, “caput”, da Lei nº 6.530/78 dispõe que “compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo, ainda, opinar quanto à comercialização imobiliária”. Ou seja, desempenha o corretor de imóveis, nos termos da lei, atividade de natureza tipicamente mercantil. O art. 722 do Código Civil, por sua vez, dispõe: Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obrigase a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. Parágrafo único. As atribuições constantes deste artigo poderão ser exercidas, também, por pessoa jurídica inscrita nos termos desta lei. (destacamos) Vejase que a lei é clara no sentido de que na corretagem não há prestação de serviço, assim como não há mandato nem relação de dependência. E onde a lei é expressa, não há lugar para interpretações, como adverte Carlos Maximiliano, citando o catedrático da Faculdade de Direito de Recife, Professor Paula Batista: “Interpretação é a exposição do verdadeiro sentido de uma lei obscura por defeitos de sua redação, ou duvidosa, com relação aos fatos ocorrentes ou silenciosa. Por conseguinte, não tem lugar sempre que a lei, em relação aos fatos sujeitos ao seu domínio, é clara e precisa. Interpretatio cessat in claris". (destacamos) (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 29) Assim, não há como afirmar que o contrato de corretagem é hipótese de prestação de serviços quando o Código Civil, expressamente, afirma que não é. Atentese para o fato de que esse diploma legal, em seu Título VI, que trata “Das Várias Espécies de Contrato”, regulou em capítulos distintos, quais sejam os capítulos VII e XIII, respectivamente, o contrato de prestação de serviços, a que nos referimos brevemente linhas acima, e o contrato de corretagem, o primeiro, disciplinado nos artigos 593 a 609, e o segundo, nos artigos 722 a 729, deixando bem claro que se trata de institutos que, absolutamente, não se confundem nem se relacionam, a não ser pelo fato de se tratar de espécies do mesmo gênero, qual seja contrato. Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.058 28 Necessário lembrar, neste ponto, que o Código Tributário Nacional, por sua vez, em seu art. 110, estabelece que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado. Se nem mesmo a lei tributária pode fazêlo, com muito maior razão não pode haver ampliação do raio de incidência de um tributo com base em interpretação por parte do aplicador do direito. Este tribunal, aliás, já se manifestou no sentido de que não há prestação de serviços na corretagem, conforme se verifica do acórdão de nº 2803003.816: PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS X CONTRATO DE CORRETAGEM. FATO GERADOR NÃO CARACTERIZADO. CONFLITO DE NORMAS. INOBSERVÂNCIA, PELA FISCALIZAÇÃO, DOS COMANDOS DOS ARTIGOS 109, 110 E 142 DO CTN. 1. O cerne da discussão entre as partes litigantes diz respeito a contratos de prestação de serviços (tácitos) firmados pela recorrente e corretores ou consultores imobiliários, sob a ótica da lei previdenciária (art. 22 da Lei nº 8.212/91), conforme entendimento da fiscalização/julgadores de primeira instância, e contratos de corretagem (também tácitos) firmados pelos corretores/consultores imobiliários e os adquirentes de imóveis por intermédio da recorrente, sob a ótica do art. 723 do Código Civil/Lei 6.530/79, que define a área de atuação do corretor imobiliário. 2. Não tendo a autoridade administrativa, verificado, efetivamente, a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como impõe o art. 142 do CTN, tendo em vista que a relação existente entre o sujeito passivo e os corretores/consultores imobiliários não decorre de contrato de prestação de serviço, mas de contrato de corretagem, na forma estabelecida no art. 722 do Código Civil, bem como na Lei nº 6.530, de 1979, a constituição do crédito tributário está eivada de vício material insanável, não merecendo, desse modo, prosperar. 3. Além de a fiscalização ter inobservado a regra matriz para a constituição do crédito tributário, como prevê o art. 142 do CTN, ela também desconsiderou solenemente as previsões contidas nos artigos 109 e 110 do mesmo diploma legal. (...) Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. Compareceu a sessão de julgamento o Advogado Dr. Francisco Carlos Rosas Giardina, OAB/RJ 41.765. Nesse passo, além do art. 722 do Código Civil, transcrevemos, por necessário, os seguintes dispositivos da legislação que disciplina a atividade do corretor de imóveis: Código Civil Art. 725. A remuneração é devida ao corretor uma vez que tenha conseguido o resultado previsto no contrato de mediação, ou ainda que este não se efetive em virtude de arrependimento das partes. Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. (destacamos) Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.059 29 Lei nº 6.530/78 Art 6º As pessoas jurídicas inscritas no Conselho Regional de Corretores de Imóveis sujeitamse aos mesmos deveres e têm os mesmos direitos das pessoas físicas nele inscritas. § 1o As pessoas jurídicas a que se refere este artigo deverão ter como sócio gerente ou diretor um Corretor de Imóveis individualmente inscrito. § 2o O corretor de imóveis pode associarse a uma ou mais imobiliárias, mantendo sua autonomia profissional, sem qualquer outro vínculo, inclusive empregatício e previdenciário, mediante contrato de associação específico, registrado no Sindicato dos Corretores de Imóveis ou, onde não houver sindicato instalado, registrado nas delegacias da Federação Nacional de Corretores de Imóveis. § 3o Pelo contrato de que trata o § 2o deste artigo, o corretor de imóveis associado e a imobiliária coordenam, entre si, o desempenho de funções correlatas à intermediação imobiliária e ajustam critérios para a partilha dos resultados da atividade de corretagem, mediante obrigatória assistência da entidade sindical. 4o O contrato de associação não implica troca de serviços, pagamentos ou remunerações entre a imobiliária e o corretor de imóveis associado, desde que não configurados os elementos caracterizadores do vínculo empregatício previstos no art. 3o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, aprovada pelo DecretoLei nº 5.452, de 1o de maio de 1943. Decreto n° 81.871/78 Art 2º Compete ao Corretor de Imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis e opinar quanto à comercialização imobiliária. Art 3º As atribuições constantes do artigo anterior poderão, também, ser exercidas por pessoa jurídica, devidamente inscrita no Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Jurisdição. Parágrafo único. O atendimento ao público interessado na compra, venda, permuta ou locação de imóvel, cuja transação esteja sendo patrocinada por pessoa jurídica, somente poderá ser feito por Corretor de Imóveis inscrito no Conselho Regional da jurisdição. Neste ponto, cumprenos anotar que a fiscalização aponta elementos que entende que caracterizariam a relação de prestação e tomada de serviços entre a recorrente e os corretores independentes, como o fato de os corretores cumprirem plantão em stands ou pontos de vendas, de as atividades/cronograma nesses plantões serem coordenados pela recorrente, dos corretores utilizarem camisetas/crachás e se apresentarem como representantes da LPS Brasília aos compradores, bem como de a empresa fornecer a estrutura para o desempenho da atividade de venda pelos corretores, o que entende que implica em subordinação desses profissionais em relação a ela. Entendemos que não se deve confundir o regramento das condições que viabilizem a própria realização da atividade buscada, no caso a corretagem imobiliária, com disposições que, necessariamente, subordinem juridicamente os corretores independentes à recorrente. E explicamos o porquê: Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.060 30 Parecenos natural a necessidade de diretrizes a serem seguidas pelos corretores no atendimento ao público interessado nos imóveis anunciados, tais como o uso de crachá, escalas a serem seguidas, revezamento, até para acomodar interesses dos próprios profissionais relativamente a preferências no horário de atendimento em plantões, por exemplo. Também a existência de treinamentos e a uniformidade de procedimentos apenas se traduzem em elementos que visam à padronização de atividades que reforçam a credibilidade transmitida aos potenciais clientes. Assim, o regramento da atividade nos plantões nos parece bastante compreensível, pois caso o esforço de vendas não se concretize de forma satisfatória, a própria recorrente ficará comprometida perante a incorporadora, que poderá não mais requerer os seus serviços. E, no final das contas, todos os envolvidos no negócio corretores independentes, imobiliária, incorporadoras perdem (ou melhor, deixam de ganhar) com um negócio mal sucedido que não se concretiza. O fato de a recorrente fornecer a estrutura aos corretores independentes para que desenvolvam sua atividades igualmente não desqualifica a relação de parceria existente entre eles nem implica nenhuma espécie de subordinação. Com efeito, o próprio Código Civil, em seu art. 981, dispõe que “celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados”. (Destacamos) Comentando o mencionado dispositivo, Ricardo Fiuza nos ensina que "Na sociedade simples, como não tem natureza empresarial, admitese que um sócio contribua, apenas, com serviços ou trabalho (...).” (Novo Código Civil Comentado. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 902). Ou seja, o próprio Direito Privado prevê a possibilidade da constituição de uma sociedade em que um (ou alguns) dos sócios contribua(m) apenas com serviços, sem que, por isso, deixe de haver uma verdadeira sociedade constituída para que haja uma relação de prestação e tomada de serviços entre esses atores. Por outro lado, retornando aos argumentos da defesa, a recorrente procura elucidar no que consiste esse modelo de negócio contestado pela autoridade fiscal, que pratica há anos no mercado imobiliário com a intervenção dos corretores independentes, conforme segue: Em linhas gerais, quando a imobiliária é procurada pelo vendedor do imóvel, a intermediação abrange uma série de prestações acessórias (consultoria, divulgação via internet, desenvolvimento de estratégias comerciais etc.) que contribuem com o posicionamento mercadológico do produto do cliente – isto é, contribuem para o produto tornarse visível ao mercado (ou melhor, acessível ao mercado). Pode suceder, no entanto, de a imobiliária – que recebeu, previamente, uma simples “autorização” do vendedor do imóvel, para anunciar a oferta do negócio ao público – ser procurada pelo comprador do imóvel, hipótese em que a intermediação, além de viabilizar o negócio (pois o comprador, em regra, não possui acesso direto ao vendedor), equivale a um atestado de qualidade quanto ao bem objeto da transação. A intermediação, de fato, não se concretiza apenas com o posicionamento de mercado ou atestado de qualidade (o “patrocínio” realizado pela imobiliária). Não se pode esquecer que todo contrato é, antes de mais, uma relação que se estabelece Fl. 3106DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.061 31 entre pessoas (pessoas naturais, ou entre pessoas naturais e pessoas jurídicas, ou entre pessoas jurídicas), e é por isto que o parágrafo único do artigo 3º [do Decreto n° 81.871/78] menciona o “atendimento” ao público. É nesta etapa que, como bem notado pelo legislador regulamentar, entra em ação o Corretor Independente. Realizando o corpoacorpo, o contato direto com o cliente comprador, o Corretor Independente concretiza a aproximação daquele com o vendedor (papel que não cabe à imobiliária “patrocinadora”). Daí ter sido perspicaz o legislador ao positivar, por meio do artigo 728 do Código Civil, a relação típica que se estabelece entre os dois tipos de corretores que trabalham, lado a lado, e, sobretudo, por conta própria, correndo os seus próprios e distintos riscos econômicos. (destacamos) Esta última questão, a dos riscos econômicos, é importante para ratificar a consistência da exegese até aqui exposta. Nos casos em que há preposto, o risco da atividade de corretagem é sempre imputado ao preponente. Mas isto não sucede na corretagem imobiliária. A imobiliária “patrocinadora” não responde pelos atos do Corretor Independente, que, agindo como vero corretor de imóveis – não simples “instrumento” de outrem – assume todos os riscos inerentes à sua atividade. Não há como deixar de notar o interesse específico demonstrado pelo corretor com relação ao estabelecimento da associação. Segundo este modelo de negócios, aquele assume riscos próprios de um empresário; todavia, em contrapartida, colocase em posição de receber uma parcela dos lucros da intermediação, auferindo, desse modo, honorários que superam, substancialmente, aqueles que seriam recebidos sob outra estrutura contratual, como, por exemplo, a prestação de serviços ou a relação de emprego. (...) Deve, assim, restar claro que as atividades do corretor pessoa jurídica não coincidem com as do Corretor Independente, como sucederia se houvesse, entre eles, mera prestação de serviços. Não existe, na associação de que ora se trata, qualquer delegação, pela imobiliária, de uma atividadefim ou atividademeio cuja titularidade necessariamente lhe incumbisse. Ao revés, são, as atividades da imobiliária e do Corretor Independente, distintas e complementares. Analisando esse modelo de negócio e cotejandoo com a legislação de regência da atividade dos corretores de imóveis, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, acima transcrita, constatase que ele se amolda perfeitamente aos aludidos dispositivos legais. No modelo de negócios apresentado, parecenos, de fato, haver uma relação de associação ou parceria, em que a recorrente capta autorizações/permissões para a negociação de produtos imobiliários junto às incorporadoras e, relativamente a elas, assume o compromisso de envidar os esforços de venda das unidades imobiliárias, que podem ou não resultar em efetivo negócio. Tendo em vista a necessidade de que o atendimento ao público comprador seja realizado por corretores pessoas físicas, conforme disposto no art. 3º, p. ún., do Decreto 81.871/78, a empresa efetiva suas vendas em parceria com corretores independentes na intermediação imobiliária, que se dedicam à captação do comprador específico com perfil Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.062 32 adequado para o produto imobiliário anunciado. A álea contratual típica do contrato de corretagem se verifica pelo atingimento ou não da meta visada, qual seja a venda do imóvel. Ou seja, as atividades da imobiliária e do corretor independente são bem distintas e complementares, e cada um corre os seus próprios riscos econômicos do negócio, uma vez que o contrato de corretagem é um contrato aleatório, que depende de um acontecimento falível, qual seja a concretização do negócio intermediado, para que, nos termos do art. 725 do Código Civil, a remuneração daqueles que atuam na sua intermediação, a corretagem, seja exigível. E aqui transcrevemos um pequeno trecho do parecer do prof. Marco Aurélio Greco, anexado aos autos pela recorrente, cujo conhecimento não é vedado a este tribunal, uma vez que se trata de tese doutrinária, meramente opinativa. Aludindo ao modelo de negócio praticado pela recorrente, manifestase o professor no sentido de que “esta é a figura de reunião de esforços adotada pela consulente há anos. Somamse esforços de divulgação, exibição, informação tendo por objetivo comum intermediar negócios imobiliários, sem que exista qualquer garantia de que o negócio final venha a ocorrer.” Neste ponto, ainda que a fiscalização não concorde com este modelo de negócio, fato que ele foi validado pelo Superior Tribunal de Justiça recentemente em sede do julgamento do REsp 1.599.511, processado sob o regime do NCPC 1036 (recurso representativo de controvérsia), com publicação aos 06/09/2016, cuja ementa foi assim redigida: RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA. VENDA DE UNIDADES AUTÔNOMAS EM STAND DE VENDAS. CORRETAGEM. CLÁUSULA DE TRANSFERÊNCIA DA OBRIGAÇÃO AO CONSUMIDOR. VALIDADE. PREÇO TOTAL. DEVER DE INFORMAÇÃO. SERVIÇO DE ASSESSORIA TÉCNICOIMOBILIÁRIA (SATI). ABUSIVIDADE DA COBRANÇA. I TESE PARA OS FINS DO ART. 1.040 DO CPC/2015: 1.1. Validade da cláusula contratual que transfere ao promitentecomprador a obrigação de pagar a comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação imobiliária, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. 1.2. Abusividade da cobrança pelo promitentevendedor do serviço de assessoria técnicoimobiliária (SATI), ou atividade congênere, vinculado à celebração de promessa de compra e venda de imóvel. II CASO CONCRETO: 2.1. Improcedência do pedido de restituição da comissão de corretagem, tendo em vista a validade da cláusula prevista no contrato acerca da transferência desse encargo ao consumidor. Aplicação da tese 1.1. 2.2. Abusividade da cobrança por serviço de assessoria imobiliária, mantendose a procedência do pedido de restituição. Aplicação da tese 1.2. III RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. Desse modo, as alegações da fiscalização e da tese vencedora no julgamento de primeiro grau, de que seria ilegal e abusiva a transferência da obrigação de pagar a corretagem, do vendedor (incorporadora/imobiliária) ao comprador, mediante cláusula Fl. 3108DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.063 33 contratual, e de que assim, haveria indevida alteração do responsável pelo pagamento da remuneração (corretagem), restou superada por essa decisão do Superior Tribunal de Justiça. E considerando os termos do art. 62, § 2º do RICARF, e que foi proferida sob o procedimento do art. 1036 do NCPC (recursos representativos de controvérsia), essa decisão deve ser reproduzida pelos integrantes deste Tribunal Administrativo no âmbito nos seus julgamentos, pelo que também não há falar em indevida alteração, ainda que indireta, do responsável pelo comprimento da obrigação tributária em decorrência da transferência dessa responsabilidade pelo pagamento da corretagem ao comprador do imóvel, já reconhecida como lícita pelo E. Superior Tribunal de Justiça. Constatase, portanto, que o modelo de negócio praticado pela recorrente é legítimo, não havendo nada de ilegal no fato de o pagamento da corretagem ser efetivado pelos compradores de imóveis. Também não se há falar em transferência simulada/dissimulada desses pagamentos, até porque há recibos emitidos por corretores juntados aos autos pela recorrente na Impugnação que demonstram que o pagamento da corretagem era efetivado diretamente pelos compradores dos imóveis a esses profissionais (fls. 19701975). Por outro lado, a fiscalização não fez nenhuma prova de que a recorrente tenha, de alguma forma, remunerado os corretores. Nesse mesmo sentido, precedente recente deste tribunal, julgado em janeiro/2018, que tem por objeto a cobrança de IRPF sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas a título de comissão de venda ao profissionais corretores de imóveis e demais pessoas físicas que prestaram serviços à autuada no período de 2010 e 2011, cujo lançamento teve origem na mesma ação fiscal: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2010, 2011 TEMPESTIVIDADE. Sem que haja intimação válida e eficaz conforme o art. 23. do Decreto 70.235/72, considerase válida a intimação somente a partir do momento em que o contribuinte toma ciência do conteúdo do Acórdão de forma eficiente com a abertura de sua caixa postal, não basta a sua remessa na forma de comunicado (documento com caráter meramente informativo, sem trava de funcionamento do sistema), já que este procedimento prejudica de certa maneira a ciência eficiente do contribuinte, quanto ao início do prazo recursal. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. NÃO CABIMENTO. Não há fundamentos para exigir da Recorrente qualquer valor a título de IRRF, pois na situação fática versada nos autos não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados. A Recorrente não é contribuinte ou responsável tributária relativamente às obrigações principais ou mesmo IRRF. Razão pela qual, impossível dela exigir o pagamento do crédito tributário em questão. Quanto a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430/96, a que faz remissão o artigo 9º da Lei nº 10.426/02, com as alterações constantes da Lei n.º 1.488/200, entendo que ela somente é aplicada quando exigida juntamente com o imposto. Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.064 34 Atentese para o fato de que o art. 22, III da Lei nº 8.218/91, dispõe: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...)." (destacamos e grifamos) Vêse que a hipótese de incidência tributária está absolutamente alinhada com o conceito legal de prestação de serviços do Código Civil, do trabalhador que põe sua força de trabalho à disposição do tomador em troca de remuneração. Ocorre que conforme consta do relatório fiscal, a fiscalização considerou como "fato gerador da obrigação principal a prestação de serviços de intermediação imobiliária mediante o pagamento de remuneração, a título de comissão/premiação de venda, a segurados contribuintes individuais (pessoas físicas: corretores, coordenadores, diretores...) pela comercialização de imóveis ou fração ideal de terrenos vinculada a uma unidade autônoma integrantes dos empreendimentos imobiliários sob a responsabilidade da empresa LPS BRASÍLIA CONSULTORIA DE IMÓVEIS LTDA." (fls. 81). Ou seja, a atividade identificada pela autoridade lançadora como fato gerador, que ela mesma descreve, tratase, em verdade, de corretagem, não de prestação de serviços. Assim, sob qualquer aspecto, não há fundamento para exigir da recorrente nenhum valor a título de contribuição previdenciária, pois na situação fática versada nos autos, não se trata de pagamentos a profissionais autônomos que tenham recebido por serviços prestados, mas pela intermediação imobiliária, pagamentos estes que sequer foram efetivados pelo recorrente, mas pelos compradores dos imóveis. A recorrente, assim, não é contribuinte ou responsável relativamente a obrigações principais relativas a contribuições previdenciárias, razão pela qual é impossível dela exigir o pagamento do crédito tributário em questão. Portanto, não há fato gerador passível de incidência de contribuições previdenciárias no presente caso, pelo que não há o que sustente os autos de infração que, dessa forma, devem ser cancelados. Neste ponto, pedimos vênia para transcrever trecho do Acórdão nº 1201 002.487, da 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, relatora a Conselheira Eva Maria Los, julgado aos 19 de setembro de 2018, cujo objeto é IRPJ, CSLL, PIS e COFINS decorrentes da mesma fiscalização (mesmos fatos geradores/anoscalendário) que gerou a autuação ora em debate. O acórdão em questão houve por bem dar provimento ao Recurso Voluntário da recorrente e negar provimento ao Recurso de Ofício. E no que entendemos ser relevante para o julgamento do presente caso concreto, pedimos vênia para reproduzir o seguinte trecho da mencionada decisão para que venha integrar este voto como razões de decidir: Fl. 3110DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.065 35 48. Verificouse que a Autuada era contratada por empresas construtoras/incorporadoras, para a realizar as vendas das unidades imobiliárias vendidas. (...) 52. Verificouse que tanto a Autuada como os Corretores receberam comissões referentes às vendas efetuadas de imóveis, ou seja, a remuneração foi pelos resultados dos negócios fechados; não há comprovação de pagamentos de salários fixos pelo fato de ficarem os Corretores disponíveis para a Autuada; a tabela montada pelo Autuante e a análise das duas vendas deixaram claro que as comissões recebidas tanto pela Autuada como pelos Corretores, em última análise, saíram do bolso dos compradores, assim como todo o pagamento pela compra, sendo que: a. em alguns casos a Autuada recebeu a comissão da Incorporadora/Construtora que a contratou e os Corretores (o que negociou, mais o coordenador de produto e o coordenador da equipe) receberam o pagamento da comissão pelo comprador; b. em outros, tanto a Autuada como os Corretores foram pagos pelo comprador; c. em outros, a Autuada recebeu a comissão da Incorporadora/Construtora que a contratou, e recebeu também uma parcela do pagamento efetuado pelo comprador, enquanto os Corretores receberam do comprador; d. assim, concluise que a partilha das comissões foi definida para cada negócio, não sendo igual para todos os negócios. e. Eis que o art. 728 do Código Civil, Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002: Art. 728. Se o negócio se concluir com a intermediação de mais de um corretor, a remuneração será paga a todos em partes iguais, salvo ajuste em contrário. (...) 55. A atividade imobiliária tem tido desempenho bastante variável no País: Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.066 36 1 (...) 57. A legislação vigente a partir de 2015, veio [ao] encontro [da] forma de atuação mediante a associação entre o corretor de imóveis e as imobiliárias, que já era praticada. 58. De fato, muitas vezes a legislação disciplina situações que se consolidaram, o que é o caso (...). 59. Daí resultou que o arranjo mediante associações entre os Corretores e as pessoas jurídicas imobiliárias, na qual dividem o trabalho e os ganhos resultantes das vendas concretizadas, é o mais vantajoso, dada a flexibilidade; as equipes de vendas são formadas e dissolvidas sem maiores formalidades. (...) 61. A decisão citada do STJ deixou claro que não há ilegalidade em o comprador pagar a comissão diretamente ao Corretor, desde que isso lhe seja esclarecido previamente; nos exemplos descritos nestes autos, evidenciouse que esse esclarecimento é bastante tortuoso, pois, primeiramente, o comprador é informado do preço do imóvel (no qual está embutido o valor da comissão ao Corretor) e, quando do fechamento, toma conhecimento de que o preço efetivo do imóvel é menor e a diferença se trata de comissão ao Corretor de qualquer forma, o comprador fecha o negócio ciente do total que irá desembolsar (que inclui a comissão); quanto à eventual 1 Fonte: Balanço Nacional da Indústria da Construção 2013. CBIC Câmara Brasileira da Indústria de Construção Fl. 3112DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.067 37 futura apuração de um ganho de capital, se este comprador revender o imóvel, cabe esclarecer que o custo do imóvel será o preço efetivo do imóvel, acrescido da comissão ao Corretor, que pagou, desde que lhe seja fornecido o correspondente Recibo ou Nota Fiscal, o que segundo os autos, é feito. No mais, em que pese as demais discussões a seguir restarem prejudicadas à vista de todos os fundamentos expostos ao longo deste voto, caso esta relatora reste vencida no encaminhamento proposto, cumprenos enfrentar os argumentos subsidiários trazidos pela recorrente em seu recurso. Do procedimento de circularização Prosseguindo, a recorrente defende a ilegalidade material do procedimento de circularização levado a efeito pela autoridade fiscal para a coleta de depoimentos de corretores, de compradores de imóveis e de incorporadores que serviram de base para as autuações. Argumenta que essa prova não foi submetida ao contraditório, que testemunhos colhidos sem contraditório não gozam de confiabilidade, podem ser induzidos, que a amostragem foi bastante reduzida, não foi selecionada com base em nenhum critério estatístico válido, dentre outras alegações. A decisão recorrida sustenta que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase inicial, a que chama de inquisitorial, na qual a autoridade administrativa pratica atos de ofício tendentes a verificar a correta aplicação da legislação tributária à situação de fato que podem resultar no lançamento tributário e/ou na aplicação de penalidades. Afirma que nessa fase preliminar, os atos praticados pela autoridade fiscal são unilaterais e não se há falar em contraditório, que somente se instaura após o ato de lançamento regulamente cientificado ao sujeito passivo. Entendemos que se por um lado, os depoimentos colhidos mediante o aludido procedimento de circularização não estão fulminados pelo vício da ilegalidade, por outro lado, eles devem ser tomados com parcimônia, posto que, parafraseando o nobre colega Ronnie Soares Anderson em voto proferido em caso semelhante a este, mas ali se referindo aos laudos técnicos juntados àqueles autos pela recorrente (quais sejam “Laudo Técnico – Pesquisas respondidas pelo público de stands” e laudo de avaliação da LPS Brasília), “é de se ressaltar que não teria[m] sido submetido[s] ao crivo do contraditório, o que implicaria em necessária e considerável cautela ante a sua pretensa utilidade para fins probatórios”. E aqui lembramos, mais uma vez, do que nos ensina Carlos Maximiliano: “onde existe a mesma razão fundamental, prevalece a mesma regra de Direito” ((MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 200). Vejase que a jurisprudência de nossos tribunais superiores é firme no sentido de que mesmo as provas colhidas no inquérito policial, procedimento inquisitivo por excelência, devem ser posteriormente corroboradas por provas produzidas durante instrução processual ou desde que sejam repetidas em juízo, mediante procedimento contraditório. No processo administrativo fiscal, em que o contraditório se instaura com a notificação do sujeito passivo do lançamento e consiste apenas em juntar alegações escritas e documentos no exíguo prazo de 30 dias, impõese que a cautela na análise de provas produzidas unilateralmente por qualquer dos envolvidos seja redobrada. Fl. 3113DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.068 38 Assim, entendemos que não há ilegalidade na prova em si, porém, ela não pode servir de base fundamental à autuação, como parece ter sido o caso dos autos. Reforça, ainda, nosso entendimento o fato de que há depoimentos colhidos na procedimento de circularização contrários à tese defendida pela autoridade fiscal que foram, de fato, desprezados sem que ela, ao menos, declinasse o porquê. Com efeito, a autoridade fiscal alega que os corretores circularizados esclareceram que prestavam serviços à recorrente, geralmente em stands de vendas ou na sede da empresa, dentre outros argumentos que a levaram a concluir que entre eles haveria uma relação de prestação e tomada de serviços. Pois bem. Ocorre que dentre os depoimentos coletados, também há os que são no sentido de que os corretores não prestavam serviços à recorrente, mas sim de que mantinham com ela uma relação de parceria comercial (fls. 2338/2344). Não há sequer menção a respeito desses depoimentos no relatório fiscal, o que era de rigor, caso se pretendesse atribuir confiabilidade à mencionada prova. Mas não foi o que aconteceu. Assim, entendemos que não há ilegalidade que macula a prova produzida via procecimento de circularização, porém há uma série de senões que, no nosso entendimento, colocamna, no mínimo, sob suspeição. Do arbitramento No que diz respeito à ilegalidade do arbitramento, entendemos que assiste razão à recorrente. Com fundamento no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, c.c. o art. 148 do CTN, ao argumento de que houve apresentação deficiente dos elementos solicitados via intimação, a autoridade fiscal lançou os valores devidos, arbitrando a remuneração que teria sido paga pela recorrente aos corretores, base de cálculo das contribuições. Valeuse do procedimento de aferição indireta, utilizando como parâmetro os valores de comissão/premiação de corretagem recebidos pela recorrente relativos à intermediação imobiliária promovida para as incorporadoras/vendedoras Real Engenharia S/A, Real Celebration Engenharia Ltda., Real Evolution Engenharia Ltda., Real Ilhas Mauricio Engenharia Ltda. e Real Splendor Engenharia Ltda. informados por ela nas Declarações de Informação sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB) dos anoscalendário 2010 e 2011 e na conta contábil 311000 (Intermediação de Venda). Considerando a previsão de divisão de comissão entre corretores e/ou empresa imobiliária em 50% para cada parte, conforme Tabela de Honorários publicada no sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF), considerou como remuneração paga aos corretores e demais pessoas físicas o mesmo valor da comissão/premiação recebida pela empresa Lopes Royal e registrado na DIMOB 2010 e 2011 e na mencionada conta contábil. Ocorre que o critério utilizado não tem relação lógica com a realidade. Segundo se pode extrair do Relatório fiscal, a autoridade fiscal sugere que as remunerações dos corretores independentes seriam exatamente iguais àquelas da recorrente, pois haveria um sistema de rateio de 50%/50%, empregado no mercado de corretagem imobiliária. Segundo a autoridade fiscal, este critério de rateio está previsto na Tabela de Honorários do CRECI. Fl. 3114DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.069 39 De fato, o CRECI estabelece uma razão (percentual) para divisão da corretagem entre imobiliária e Corretores Independentes. No entanto, “corretagem” não é “remuneração” e “divisão” não é “pagamento”; como bem esclarece a recorrente, na fixação desses percentuais, o CRECI acolheu o entendimento da legislação especial e dos usos e costumes da prática da corretagem imobiliária, segundo o qual há rateio no valor da comissão de corretagem quando intervenha imobiliária (corretor pessoa jurídica) e corretores independentes na intermediação do negócio imobiliário. Não se está tratando, no caso, de pagamento de remuneração, porque não há prestação de serviços que enseje o pagamento de remuneração. Assim, se a fiscalização afirma veementemente haver prestação de serviços na relação havida entre corretores independentes e a recorrente, não poderia se valer do valor de corretagem para arbitrar o suposto valor recebido a título de remuneração pelos supostos serviços prestados, pois implica em superavaliação da base da cálculo do tributo exigido. Com efeito, a própria natureza de uma relação de prestação de serviços, em que o profissional exerce sua atividade sem assunção dos riscos do negócio, ou seja, sem compromisso quanto à obtenção do resultado, evidentemente implica em auferir ganho muito menor a título de remuneração em comparação àquele profissional que assume os riscos de sua atividade para, em contrapartida, receber uma parcela dos lucros do negócio, no caso, da intermediação, como no caso dos corretores. Vejase que isso não destoa da lição de Washington de Barros Monteiro acerca do que consiste a prestação de serviços, que pedimos vênia para reproduzir novamente, por sua relevância no entendimento da questão ora enfrentada: na prestação de serviços, o trabalhador põe sua atividade à inteira disposição do locatário, mediante remuneração, por conta e risco deste. Assim, se há, de fato, relação de prestação e tomada de serviços entre a recorrente e os corretores independentes, tomar como parâmetro para a fixação da remuneração por supostos serviços prestados àquela por estes o valor da corretagem recebida pela intermediação nos negócios efetivados no período fiscalizado afronta o princípio da razoabilidade/proporcionalidade por se revelar, no mínimo, evidentemente, excessiva. A Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe, em seu art. 2°, que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Vejase que a própria fiscalização argumenta, seguida pela decisão recorrida, que considerando que os valores pagos a título de comissão/premiação para os integrantes das equipes de venda (corretores pessoa física) são normalmente superiores aos valores pagos à imobiliária (corretor pessoa jurídica), o critério de aferição indireta adotado para apurar o valor da remuneração paga aos corretores e demais profissionais pessoas físicas se demonstra justo, razoável, prudente. Donde se conclui, à luz do se tem, efetivamente, por prestação de serviços, que a situação retratada, de fato, se trata, de parceria, e a "remuneração" a que alude a fiscalização é, na verdade, rateio de corretagem, pelo que o critério adotado para arbitramento da suposta "remuneração" é desproporcional e, consequentemente, ilegal. Do lançamento da cota dos segurados Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.070 40 A recorrente também alega improcedência do lançamento da cota dos segurados em razão da inobservância do limite do salário de contribuição. A autoridade fiscal argumenta que não foi observado o limite máximo do salário de contribuição para o cálculo das contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais (corretores, coordenadores, diretores...) em função da empresa ter deixado de apresentar a relação individualizada dos corretores e demais membros das equipes de venda (nome, CPF, CRECI etc.) com as respectivas remunerações pagas/creditadas ou qualquer documentação comprobatória do pagamento da premiação/comissão de corretagem a esses profissionais. A DRJ respaldou o procedimento adotado pela fiscalização argumentando que a própria recorrente a ele deu causa com a sua omissão em fornecer os documentos e esclarecimentos necessários para que fosse possível a apuração individualizada dos valores pagos aos corretores e, consequentemente, para que pudesse ser calculada a contribuição dos segurados e obedecido o referido limite. Discordamos desse posicionamento. Com efeito, a observância do salário de contribuição é mandamento legal insculpido no art. 258, III e § 5º da Lei nº 8.212/91, que dispõe: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; (...) §5º O limite máximo do saláriodecontribuição é de Cr$ 170.000,00 (cento e setenta mil cruzeiros), reajustado a partir da data da entrada em vigor desta Lei, na mesma época e com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (…)". No caso de falta de informações, a autoridade fiscal poderia, observados os parâmetros legais, valerse do procedimento de arbitramento, tal como fez para arbitrar a base de cálculo do tributo cobrado. Mas não está autorizada a descumprir o teto do salário de contribuição, como se essa providência se tratasse de penalidade pela não apresentação de documentos à fiscalização, o que não é o caso, razão pela qual deve ser dado provimento ao recurso da recorrente neste ponto. Da multa de ofício A recorrente contesta, ainda, a qualificação da multa de ofício, com fundamento no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c.c. arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. A autoridade fiscal justifica a qualificação da multa ao argumento de que a recorrente teria atuado “no intuito de fragmentar as etapas de comercialização de imóveis (...) Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.071 41 por meio de atos simulados/dissimulados, ao agir no sentido de fazer crer que os corretores autônomos prestam serviços para os compradores de unidades imobiliárias (...)”. Afirma, ainda, que a transferência da responsabilidade pelo pagamento da comissão da venda aos compradores dos imóveis tem "o claro objetivo de se eximir do pagamento dos encargos tributários devidos na operação", especialmente de contribuições previdenciárias. No entanto, nos termos dos dispositivos legais mencionados, a qualificação da multa exige sejam demonstrados suficientes indícios de ação dolosa do agente que se ajuste, ao menos, a um daqueles casos, que preveem hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Porém, a validade da transferência de responsabilidade pelo pagamento da comissão de corretagem da incorporadora/imobiliária ao comprador do imóvel é matéria sobre a qual havia considerável controvérsia, seja na esfera administrativa, seja na judicial, tanto que ensejou a afetação do julgamento da questão pelo Superior Tribunal de Justiça sob a sistemática do art. 1036 do NCPC e seguintes, que traça o procedimento para o julgamento dos ditos “recursos repetitivos”, recursos múltiplos que têm por objeto a discussão da mesma questão de direito. Percebese, assim, que a questão debatida estava sujeita a discussão jurídica relevante e interpretações divergentes, de modo que não se pode imputar à recorrente atuação dolosa visando a sonegar tributos, até porque tanto a tese por ele defendida é muito razoável, que foi reconhecida em 2016 pelo STJ, no aludido julgamento, em recurso repetitivo, a validade da cláusula contratual que prevê o pagamento da comissão ao corretor pelo comprador do imóvel, desde que previamente informado o preço do total da aquisição, com destaque do valor da comissão. Desse modo, as alegações da autoridade fiscal, de que essa prática teria natureza simulatória voltada à elisão fiscal, não se sustenta. Tratase, assim, de prática que foi reconhecida como legítima e no que se refere à informação prévia ao comprador, é questão que só pode ser avaliada em cada caso concreto, o que extrapola os limites desta lide. Desse modo, não há elementos no auto de infração para respaldar a qualificação da multa de ofício. Dos juros de mora sobre a multa de ofício No que concerne aos juros sobre a multa de ofício, art. 161, “caput” do CTN dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. O art. 142, “caput”, também do CTN, por sua vez, dispõe que “compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.072 42 tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Pois bem. Conforme se extrai do dispositivo legal acima, o crédito tributário compreende o “montante do tributo devido” e, quando aplicada, também a “penalidade”, qual seja a multa. Assim, é a esse “crédito” a que, mais adiante, alude o art. 161, referindose ao crédito tributário que, não pago no vencimento, está sujeito aos encargos da mora. Portanto, a incidência dos juros sobre as multas que eventualmente componham o crédito tributário está prevista no CTN. A jurisprudência do STJ firmouse nesse sentido, conforme precedente abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009 (AgRgREsp nº 1335688/PR, 1ª Turma, rel. Min. Benedito Gonçalves, j. 04/12/2012, DJe 10/12/2012) Transcrevemos, a seguir, trecho do voto condutor do acórdão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. É dizer, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Este, aliás, é o entendimento consolidado deste tribunal administrativo, constante do enunciado de nº 108 da súmula de sua jurisprudência, de teor vinculante, abaixo reproduzido: Enunciado nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.073 43 DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA LPS BRASIL CONSULTORIA DE IMÓVEIS S/A. De acordo com o relatório fiscal e termo de sujeição passiva solidária, foi imputada responsabilidade tributária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A., com fundamento nos arts. 124, I do CTN e art. 30, IX da Lei nº 8.212/91. De acordo com o art. 124, I do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e, a esse respeito, ensina Hugo de Brito Machado que “o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico”. (Curso de direito tributário. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 151). Ou seja, a atribuição de responsabilidade solidária com fundamento no interesse comum demanda elementos adicionais que não a mera participação societária, ainda que majoritária, de uma pessoa jurídica em outra. O interesse comum se verifica a partir do vínculo de cada sujeito com o fato jurídico tributário. Há de haver vínculo direto e estreito com tais fatos. Não há como pressupor que o fato de ser sócio de uma empresa, que denota identidade de interesse econômico entre os sócios e a sociedade, implique necessariamente na existência de interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária em discussão nestes autos, decorrente da efetiva venda de unidades imobiliárias, uma vez que se fosse assim, em todo lançamento tributário, a solidariedade entre sócios e sociedades haveria de ser suscitada, o que não acontece na realidade. Com relação ao art. 30, IX da Lei nº 8.212/90, que dispõe que “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”, entendemos que também à luz deste dispositivo, a sujeição passiva somente pode alcançar aqueles que tenham praticado ato ou negócio que constitua fato gerador da obrigação tributária ou que na sua prática tenham participado de forma concreta. Nesse sentido, ensina a doutrina que: “o art. 30, IX da Lei 8.212/91 apenas pode ser utilizado para impor a responsabilidade tributária solidária à sociedade controladora ou ao órgão de direção do grupo, com fundamento no art. 124, II e 128 do CTN, quando constatado, mediante provas concretas a cargo do Fisco, que elas atuaram concretamente junto à sociedade contribuinte de forma a determinar a realização do fato gerador e decidir pelo (des)cumprimento das obrigações tributárias. Preconizase assim a interpretação do art. 30, IX da Lei 8.212/91 em conformidade com as normas constitucionais de imposição do encargo tributário e com o CTN (art. 124, II c/c art. 128), para admitir que esse dispositivo legal imputa responsabilidade solidária apenas às sociedades de um mesmo grupo que concretamente participaram da ocorrência do fato gerador e do cumprimento das respectivas obrigações tributárias, por meio de determinações concretas junto à sociedade contribuinte tomadas na qualidade de centro decisório, não bastando, para tanto, a atuação meramente diretiva e indicativa dos objetivos do grupo sem interferência direta na administração das sociedades integrantes.” (BREYNER, Frederico Menezes. Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.074 44 Responsabilidade tributária das sociedades integrantes de grupo econômico. Revista Dialética de Direito Tributário, v. 186, São Paulo, 2011) Este tribunal também já se manifestou nesse sentido, conforme precedente a seguir citado: NÃO COMPROVAÇÃO DE CIENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE ACERCA DA AUTUAÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. É nula a decisão na qual não se tenha dado ao contribuinte a possibilidade de exercício do seu direito de defesa, não constando nos autos cópia do AR no caso de intimação postal. MÉRITO. DECISÃO EM FAVOR DO SUJEITO PASSIVO A QUEM APROVEITARIA A DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Não será decretada a nulidade do auto de infração em razão do disposto no art. 59, parágrafo 3º, do Decreto 70.235/72 que informa que, quando se puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, bem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. Existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. Recurso voluntário Provido (Acórdão nº 2403002.180) Assim, não deve ser mantida a imputação de responsabilidade solidária à LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DE WILDEMAR ANTONIO DEMARTINI E MARCO ANTONIO MOURA DEMARTINI A atribuição de responsabilidade solidária aos sócios da autuada Wildemar Antonio Demartini e Marco Antonio Moura Demartini, fundamentada nos arts. 124, I, e 135, III do CTN, foi fundamentada da seguinte maneira no relatório fiscal: 78. O sr. Wildemir Antonio Demartini, sócio da LPS Brasília desde o início de sua atividade, sempre exerceu o papel de Diretor Geral e Responsável Técnico da empresa junto ao CRECI, bem como o sócio minoritário Marco Antônio Moura Demartini sempre se manteve no exercício do cargo de Diretor Administrativo, com poderes para praticar todos os atos necessários ao bom e regular funcionamento da empresa sob ação fiscal. Já o sr. Marcello Rodrigues Leone exerce o cargo de Diretor financeiro na LPS Brasília e de Diretor sem vínculo empregatício na LPS Brasil. Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.075 45 79. Sendo assim, as sócias pessoas físicas e jurídica demonstradas na planilha acima por integrarem o quadro Societário e participarem do Capital Social e da Administração da empresa LPS BRASÍLIA, assim como, por participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos, foram arroladas como responsáveis solidárias dos créditos tributários lançados no contribuinte ora fiscalizado. Como já expusemos linhas acima, segundo o art. 124, I do CTN são solidariamente obrigadas apenas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal, interesse comum este que há de ser um interesse jurídico e não meramente econômico. O art. 135, III do CTN, por sua vez, estabelece a reponsabilidade pessoal dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Assim, verificase que o mencionado dispositivo legal exige, para que seja aplicável, a comprovação da prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos que resulte em obrigações tributárias. Não há, nos autos, menção expressa à atuação dos sócios com excesso de poder ou em desconformidade com os estatutos sociais da empresa, restando, assim, a prática de atos com infração à lei como fundamento a solidariedade tributária. Ocorre que o procedimento que lhes é imputado e tido pela autoridade fiscal como ilegal, e que justificou a responsabilidade solidária, qual seja “participarem conjuntamente com a empresa autuada da ilegalidade e abusividade ao transferir para o comprador do imóvel a responsabilidade pelo pagamento da comissão/premiação aos corretores autônomos”, teve sua legalidade reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento de recurso repetitivo. Desse modo, também neste caso, a imputação de responsabilidade solidária aos sócios da autuada não deve ser mantida. CONCLUSÃO Assim, diante de todo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento aos recursos voluntários de LPS BRASÍLIA Consultoria de Imóveis Ltda., Wildemir Antônio Demartini, Marco Antônio Moura Demartini e LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.076 46 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio da Silva Redator Designado Não obstante os fundamentos do voto condutor, pedese vênia para discordar parcialmente da ilustre relatora, especificamente i) quanto à natureza da relação estabelecida entre a autuada e os profissionais corretores de imóveis pessoas físicas envolvidos; ii) quanto ao critério de arbitramento da base de cálculo utilizada; e iii) quanto à indicação de responsável solidário. Quanto à natureza da relação entre a autuada e os corretores de imóveis contratados As circunstâncias da relação de trabalho sob exame assemelhase ao caso objeto de decisão no Acórdão de Recurso Voluntário 2401005.661, de 07 de agosto de 2018, envolvendo a imobiliária LPS SUL Consultoria de Móveis Ltda, cujo preciso voto vencedor, de lavra do Conselheiro Cleberson Alex Friess, decidiu pela ocorrência de prestação de serviço envolvendo corretores de imóveis pessoas físicas e outra imobiliária pertencente à mesma rede, classificando os profissionais envolvidos como contribuintes individuais pessoas físicas, prestadores de serviço da citada imobiliária. Aqui, como naquele caso, é importante direcionar a análise da matéria controvertida aos fatos efetivamente ocorridos, privilegiando a verdade real, foco do processo administrativo, sem se prender a maiores digressões ou justificativas teóricas quanto ao vinculo formal declarado nos feitos firmados entre as partes envolvidas. Não se discorda da possibilidade que a relação entre imobiliária e corretores, em tese, possa resultar num efetivo contrato de parceria ou associação, consubstanciado na existência de uma efetiva cooperação e independência entre as partes envolvidas, sem que haja qualquer controle ou ingerência da pessoa jurídica nas atividades de corretagem executada pelos contratados, de forma a afastar de tal relação o conceito de prestação de serviços. No entanto, não é o que se verifica do caso vertente, que deu ensejo à lavratura do auto de infração, por meio do qual a fiscalização lançou de oficio o crédito previdenciário discutido, relacionadoo a rendimentos pagos em decorrência de efetiva relação de trabalho (prestação de serviços) entre a imobiliária e corretores pessoas físicas a seu serviço, na condição de contribuintes individuais autônomos. A recorrente é uma empresa que faz parte de um grande grupo nacional da área imobiliária (cuja controladora é a LPS Brasil), exercendo a atividade de intermediação de compraevenda de imóveis de terceiros, na região do Distrito Federal. Para viabilizar a sua atividade negocial, a recorrente firmou com um grande número de corretores autônomos o denominado "instrumento particular de parceria comercial", atribuindo a tais profissionais o adjetivo de "corretores parceiros". Entretanto, ao examinar o conjunto probatório coletado no procedimento fiscal, verificase o acerto da fiscalização ao concluir que, na prática, os corretores contratados não atuavam efetivamente em regime de parceria com a imobiliária, mas sim como prestadores de serviços autônomos, envidando esforços, em nome da fiscalizada, na aproximação entre comprador e vendedor, mediante o recebendo de retribuição variável. Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.077 47 A fiscalização junta aos autos, por amostragem, diversos instrumentos contratuais relacionados à suposta parceria comercial firmada entre a imobiliária e os corretores envolvidos, documentos estes que estampam cláusulas idênticas, sempre voltadas a resguardar a imobiliária em relação à autuação dos corretores contratados, evidenciando, assim, não se tratar de efetiva relação de parceria, firmada entre iguais, mas de estipulações impostas unilateralmente pela parte mais forte, como prérequisito autorizativo para os corretores exercerem suas atividades em nome da empresa. A verticalidade da relação entre imobiliária e os corretores contratados (relação hierárquica) resta clara ao analisar as respostas ofertadas aos questionamentos encaminhados pela auditoria em diligencia realizada junto aos compradores de imóveis, corretores e demais profissionais que aturam na venda dos imóveis no período. Nessas respostas ficam claras as seguintes circunstâncias da atividade exercida: Os corretores identificavamse como representantes da imobiliária (informação ratificada em diligência junto aos compradores); A imobiliária não entregava ao corretor cópia do "contrato de parceria" com ele firmado; O corretor usava camiseta, crachá, cartão de visitas, material de divulgação e formulários com logotipo da imobiliária (informação ratificada em diligência junto aos compradores); Os corretores eram escalados pela empresa para permaneceram em plantão nos estandes de venda da imobiliária (estandes personalizado com logotipo da imobiliária); Os corretores recebiam treinamentos obrigatórios prestados pela imobiliária e também eram obrigados a participar de reuniões na sede da empresa; Os serviços de corretagem dos profissionais eram prestados com exclusividade perante a imobiliária; Havia uma linha hierárquica funcional na empresa, onde existiam coordenadores, gerentes e diretores de venda, de forma que os corretores restavam naturalmente inseridos no contexto da atividade da empresa. obs: De todos os questionários retornados pelos corretores diligenciados, somente dois corroboram a tese de defesa da empresa, vale destacar: a resposta ofertada pelo Sr. ROGÉRIO DE OLIVEIRA (que ocupava o cargo de diretor empresa ao tempo do envio de sua resposta) e a encaminhada pelo Sr. CARLOS HENRIQUE PEIXOTO DE ALMEIDA, único profissional que apresentou a sua cópia do contrato de parceria firmado com a imobiliária (documento não entregue pela empresa aos demais contratados), evidenciando, assim, trataremse de pessoas da confiança da direção da fiscalizada. Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.078 48 É de se destacar que a realidade acima resumida, obtida a partir de vários elementos que a fiscalização reuniu durante a auditoria, implica um contexto fático que não coaduna com a ideia de coordenação horizontal entre as partes independentes. Por certo a organização, o gerenciamento e a padronização de serviços prestados traziam maior credibilidade junto aos potenciais compradores, caracterizandose como algo imprescindível para o desenvolvimento das funções de intermediação da imobiliária, cujo trabalho executado de outra forma resultaria infrutífero, gerando insatisfação das incorporadoras e construtoras contratantes. De acordo com o modelo de negócios da recorrente, os pagamentos das comissões aos corretores de imóveis eram efetuados pelos próprios compradores, geralmente por intermédio de cheques, não havendo saída de recursos do caixa da imobiliária, porém, conforme foi relatado nas respostas obtidas nas diligências, tais valores eram mantidos sob a guarda da imobiliária até o momento do efetivo fechamento do negócio, sendo só então repassado ao corretor responsável pela intermediação. A sujeição passiva da contribuição previdenciária patronal diz respeito ao tomador de serviço, para o qual o segurado contribuinte individual presta efetivamente sua atividade remunerada no decorrer do mês (art. 22, inciso III, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991) e pela regra matriz de incidência, o tomador de serviço mantém relação pessoal e direta com a situação que constituí o fato gerador, isto é, com a prestação de serviço pelo trabalhador. Nesse contexto, a pessoa que efetua o pagamento da remuneração ao corretor de imóveis, por si só, é irrelevante para alterar o polo passivo da relação tributária e a obrigação pelo recolhimento do tributo. O ônus financeiro suportado pelo comprador, por convenção entre as partes, é resultado da assunção do custo da comissão de corretagem devida pela imobiliária e caso o adquirente não pague diretamente a corretagem, o custo estará embutido no preço total da compra e venda, de maneira análoga ao que acontece tantas situações do cotidiano do consumidor. A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial (REsp) n° 1.599.51 l/SP, julgado em 24/08/2016, de fato, proferiu decisão pela validade da transferência para o adquirente do encargo relativo à comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade imobiliária, desde que prevista de forma clara e transparente no contrato, no entanto, vale ressaltar, o Tribunal não decidiu que o corretor de imóveis executa serviços para o adquirente ou que entre corretores e imobiliárias não pode haver relação de prestação de serviços. Assim, não há dúvidas que os corretores autônomos no caso em apreço prestaram serviços à LPS Brasília, posto que tais profissionais representavam a imobiliária contratante, conforme evidencia os uniformes, crachás, cartões de visita, reuniões e cursos patrocinados pela empresa, enfim, de acordo com todas as circunstâncias envolvendo a atividade prestada, estando o corretor, por certo, impedido de oferecer imóveis da carteira de outras imobiliárias, com as quais eventualmente mantinha relação, aos interessados que o procuravam no plantão da imobiliária contratante, fato que por si só afasta a sua independência. Ao lado disso, é certo e a experiência comum mostra que o comprador não se desloca a um "plantão de vendas" com o objetivo de contratar serviços de intermediação de um corretor de imóveis, mas sim porque efetivamente está interessado em adquirir um imóvel, Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.079 49 sendo inadequado afirmar que tal corretor presta serviços ao comprador, quando a imagem, o local de trabalho e atuação do profissional demonstram que está a serviço da imobiliária. Ademais, o conjunto probatório trazido aos autos pela empresa não evidência a independência e a coordenação nas funções de intermediação que deve permear a relação entre imobiliária e corretor de imóveis associado, pelo contrário, conforme demonstrado, os fatos narrados e documentos juntados aos autos acentuam a ligação dos corretores à imobiliária na condição de prestadores de serviço autônomo. Assim, devese entender que a remuneração percebida pelos corretores ante as vendas dos imóveis envolvidos (comissão), referese à prestação de serviços para a empresa imobiliária, na condição de segurado contribuinte individual, nos termos do art. 22, III,da Lei n° 8.212/91, e não para o cliente comprador. Quanto ao critério de arbitramento da base de cálculo Quanto ao arbitramento da base de cálculo, consta dos autos que a auditoria objetivamente intimou a fiscalizada a apresentar o valor da comissão paga aos corretores que intermediaram as operações de compraevenda de imóveis (fls 648), sem que a fiscalizada se dispusesse a colaborar com o fisco, sob o argumento de que não dispunha de tais informações, já que se tratavam de corretores independentes e, como tais, remunerados pelos seus clientes. Tal argumento da empresa, no entanto, mostrouse falacioso ao analisar as respostas dos trabalhadores diligenciados ao longo da fiscalização, pois, conforme consta de tais respostas (e documentos constantes dos autos), o efetivo pagamento do trabalho dos corretores era realizado pela própria imobiliária, que retinha os valores pagos pelo compradores até o fechamento do negócio, para então, ela própria, proceder o repasse do valor ao corretor responsável. Vale ressaltar, no entanto, que mesmo que a empresa efetivamente não dispusesse de tais informações para repassar ao fisco, nos termos do 33, §3º e 6º, da Lei 8212/91, seria obrigatório realizar o arbitramento da base de cálculo, por meio de aferição indireta. Art. 33.(....) § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (....) Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.080 50 § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) Assim, a fim de evitar que a fiscalizada tirasse proveito de sua própria omissão, não restou alternativa à auditoria que não escolher um meio objetivo para aferir o valor repassado aos corretores e, para tanto, mantendo coerência com a forma de remuneração alegada pela própria empresa (que afirmou que a remuneração dos corretores se deu em regime de parceria), utilizou a Tabela de Honorários extraída do sítio do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da 8ª Região (CRECI/DF), que prevê o rateio da comissão de vendas entre imobiliária e corretor no percentual de 50% para cada lado. Vale destacar que a empresa poderia, nas diversas oportunidades de defesa apresentadas, juntar provas que demonstrassem os efetivos valores pagos aos trabalhadores, mas preferiu indisporse tãosomente contra o critério de arbitramento utilizado, sem trazer aos autos elementos que demonstrassem o desacerto da auditoria quanto à base de cálculo utilizada. Sendo assim, entendese que não cabe correção ao critério de arbitramento adotado pela auditoria. Quanto à responsabilidade solidária da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A Sobre a questão da responsabilização solidária, embora este Conselheiro tenha votado pelo afastamento da responsabilidade das pessoas físicas e demais empresas apontadas pela auditoria, entendese correta a inclusão e manutenção da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A como responsável solidária da fiscalizada no caso sob exame, uma vez que se trata de empresa controladora de todas as demais empresas do grupo, de forma que reflete em sua demonstração todo o resultado positivo obtido pelas empresas sob seu controle. Vale ressaltar, ainda, que a conduta perpetrada pela fiscalizada no caso em apreço não foi isolada, isto é, existem diversos outros lançamentos fiscais similares a este (P.Ex. 11080.725464/201591) realizados em outras empresas do grupo, fazendo crer que se trata de procedimento realizado por orientação dos controladores da empresa. Assim, nos termos do art 124, I, do Código Tributário Nacional, entendese correto o enquadramento da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A como devedora solidária da obrigação lançada. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de considerar ocorrido o fato gerador, correto o critério de arbitramento utilizado pela auditoria e pela manutenção da responsabilidade solidária da LPS Brasil Consultoria de Imóveis S/A, dando assim PROVIMENTO PARCIAL aos recursos voluntários apresentados, acompanhando a Sra. Conselheira relatora quanto às demais matérias examinadas. (Assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva – Redator designado Fl. 3126DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.081 51 Declaração de Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti. Em que pese as bem fundamentadas razões de decidir da Conselheira Relatora quanto ao tema relacionado à aplicação o artigo 24 da LINDB ao caso em tela, dela ouso a discordar. Em resumo, entendeu a relatora que embora o dispositivo supra citado não tivesse trazido proveito concreto ao recorrente, seria admissível sua aplicabilidade ao contencioso fiscal. Não vejo dessa forma. No intuito de expressar meu posicionamento quanto à matéria, peço licença para colacionar excerto do voto do Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, lido na sessão de 7/5/19, relativo ao acórdão 2402007277 (PAF 16327.720633/201580). Confirase: Basicamente, e no entender da recorrente, a revisão quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, deve levar em consideração as orientações gerais da época, entre as quais se incluiria a jurisprudência judicial ou administrativa, tendo em vista a norma do art. 24 da LINDB. Vejase o texto legal: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas.(Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público.(Incluído pela Lei nº 13.655, de 2018) Em sendo assim, e de acordo com a tese do sujeito passivo, a observância do artigo retro mencionado implicaria afastar os efeitos do lançamento. No entanto, entendo que o Código Tributário Nacional tem norma específica que regulamenta os efeitos das decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, os quais, inclusive, não coincidem com os efeitos a que se pretende atribuir através do art. 24 da LINDB. Fl. 3127DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.082 52 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Sobre esse dispositivo, segue a inexcedível doutrina do Prof. Luís Eduardo Schoueri: Devese atentar que meras decisões de órgãos julgadores administrativos não são as "normas complementares" a que se refere o Código. Apenas aquelas cuja eficácia normativa seja assegurada por lei é que ali estariam. Assim, por faltar lei federal que dê eficácia normativa às decisões administrativas, em processos administrativos em geral não pode o contribuinte invocar, como razão para a adoção de determinado comportamento, o fato de um colegiado administrativo, em determinado caso, ter adotado tal entendimento. A tal contribuinte não virá em socorro o parágrafo único do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Sua adoção consistente, entretanto, poderá indicar "prática reiterada", como se verá abaixo. Tratandose solução de consulta Cosit ou solução de divergência, seu efeito vinculante é assegurado no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, respaldando o sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente, nos termos do artigo 9º da Instrução Normativa (RFB) n. 1.396/2013, na redação dada pela Instrução Normativa (RFB) n. 1.434/20132. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2017, p. 133. Fl. 3128DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.083 53 Quer dizer, em confronto com o art. 100, a recorrente pretende atribuir eficácia normativa às decisões do Conselho, com efeitos ainda mais extensos do que aqueles atribuídos pelo Código (o art. 24 afastaria todo o lançamento, diferentemente do art. 100), o que me parece equivocado. Vejase que a observância das decisões a que a lei atribua eficácia normativa excluiria a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização monetária, mas não o próprio tributo; e a doutrina retro mencionada evidencia que, "por faltar lei federal que dê eficácia normativa às decisões administrativas, em processos administrativos em geral não pode o contribuinte invocar, como razão para a adoção de determinado comportamento, o fato de um colegiado administrativo, em determinado caso, ter adotado tal entendimento". O art. 146, inc. III, da Constituição Federal, preleciona que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, entre as quais se inclui a norma do art. 100 do CTN, que enumera as normas complementares das leis, das convenções internacionais e dos decretos. Além disso, o próprio art. 146 do Código é claro ao determinar que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução, de tal forma que tal modificação tem efeitos prospectivos, e não retroativos, ao contrário do que pretende fazer crer a recorrente. Por outro lado, a interpretação da recorrente não resiste às normas processuais que tratam, entre outras questões, das decisões do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade, dos enunciados de súmula vinculante, dos acórdãos em julgamento de recursos extraordinário e especial repetitivos, etc, estes sim de observância obrigatória por parte deste Conselho, ex vi do disposto no art. 62 do seu Regimento Interno. No mais, adiro às seguintes razões de decidir, do voto proferido pelo ilustre Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, no PAF 16561.720065/201382, neste ponto julgado por unanimidade de votos: Não há como negar que o valor que se busca com tal norma é nobre, qual seja, o de garantir a segurança jurídica, em especial aos contribuintes que acabam por serem obrigados a interpretar e aplicar uma legislação tributária absolutamente complexa. Entretanto, entendo que não se pode buscar, sob esse pretexto, ampliar o alcance ou impor a aplicação de uma norma (expressiva de um valor jurídico importante), sobre outras normas jurídicas já postas e absolutamente aplicáveis. Seria, a meu ver, buscar a segurança gerando Fl. 3129DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.084 54 ainda mais insegurança ao próprio sistema jurídico. É fato conhecido que o contexto de criação da norma tiveram como pano de fundo os processos de controle das contratações públicas, em especial aqueles das instâncias de controle dos gastos públicos, como o TCU e a CGU. Tal fato é manifestado claramente quando se aprecia a justificação do PL, de autoria do Senador Antônio Anastasia: Como fruto da consolidação da democracia e da crescente institucionalização do Poder Público, o Brasil desenvolveu, com o passar dos anos, ampla legislação administrativa que regula o funcionamento, a atuação dos mais diversos órgãos do Estado, bem como viabiliza o controle externo e interno do seu desempenho. Ocorre que, quanto mais se avança na produção dessa legislação, mais se retrocede em termos de segurança jurídica. O aumento de regras sobre processos e controle da administração têm provocado aumento da incerteza e da imprevisibilidade e esse efeito deletério pode colocar em risco os ganhos de estabilidade institucional. Outrossim, exatamente por isso que o texto da norma fala em ato administrativo, contrato administrativo, ajuste administrativo, processo administrativo ou norma administrativa. É a conclusão que se chega da concordância verbal do dispositivo, bem como da interpretação sistemática do seu parágrafo único e demais artigos inseridos da alteração legislativa. [...] Como bem manifestado pela Conselheira Livia Di Carli em voto sobre o tema: A entrega de declaração pelo contribuinte, pelo que se opera o "autolançamento" ou o "lançamento por homologação", não gera situação plenamente constituída, já que por definição a apuração feita pelo contribuinte é sempre provisória e precária, sujeita a homologação da autoridade competente, não havendo que se falar em "situação plenamente constituída" antes da homologação (expressa ou tácita) pela autoridade fiscal. Fl. 3130DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.085 55 [...] Entretanto, ressalto que o direito processual já estabelece uma lógica de precedentes (baseado no mesmo valor de segurança jurídica), a exemplo de decisões com repercussão geral ou as próprias súmulas administrativas vinculantes deste CARF. Entretanto, em todos esses casos há um procedimento específico para sua produção, e defender a aplicação direta do art. 24 da LINDB me parece ser tentar burlar um sistema de precedentes já posto. Ainda, necessário lembrar que o direito tributário possui regramento próprio na Constituição Federal que não pode ser ignorado, em especial quando se analisa a hierarquia das fontes normativas. O artigo 146 da Constituição Federal estabelece que a edição de normas gerais em matéria tributária é matéria reservada à lei complementar. E tem uma razão de ser em função da repartição de competências tributárias entre diversos entes federativos. É esse o status do Código Tributário Nacional e de qualquer norma que pretenda veicular norma geral em matéria tributária. Assim, já causa estranheza que o legislador tenha pretendido o alcance que defende a Recorrente por meio da edição de uma lei ordinária federal. Ademais, merece menção que o Núcleo de Estudos Fiscais (NEF) da FGV Direito SP realizou recente colóquio com o objetivo de debater os possíveis impactos da Nova Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (LINDB) no direito tributário (https://direitosp.fgv.br/evento/novaleideintroduca onormasdireitobrasileirolindbobjetivandoprincipi osestruturantesd). No referido evento, um dos idealizadores do projeto de lei que gerou a alteração da LINDB (Prof. Carlos Ari Sundfeld) ao ser indagado sobre a aplicação do art. 24 da LINDB ao processo administrativo tributário, foi contundente ao afirmar que no direito tributário já existem os artigos 100 e 146 do CTN que trazem o "mesmo valor" buscado pela LINDB, e que o art. 24 não se prestaria como algo novo, mas sim um reforço de aplicação à norma já existente. Fl. 3131DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.086 56 Isto porque que o CTN possui regramento específico sobre a matéria, estabelecendo o artigo 100 que a observância das chamadas normas complementares (das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos) exclui tão somente a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Jamais o principal de tributo. Da mesma forma, o artigo 146 do CTN traz regramento próprio sobre o efeito intertemporal da introdução de novos critérios jurídicos – leia se, nova interpretação – no processo de constituição do crédito tributário. Ou ainda, o próprio art. 112 do CTN determina a interpretação mais benéfica ao contribuinte de normas que cominem penalidade. Diante disso, dar ao artigo 24 da LINDB o alcance que a Recorrente pretende é, ao fim e ao cabo, acreditar que lei ordinária federal poderia trazer uma espécie de exceção à norma do artigo 100 do CTN, o que vai de encontro a regras básicas de interpretação das normas em um sistema constitucional complexo como o brasileiro. Permitome citar, novamente, trecho de voto da Conselheira Livia Di Carli sobre o tema: o alcance pretendido pela Recorrente em nome da "segurança jurídica" acabaria por "engessar" o contencioso administrativo, impossibilitandoo de evoluir com eficiência, retirando dos debates tributários a tecnicidade da especialização dos Tribunais/Conselhos de Recursos Fiscais, que diuturnamente lidam com casos que envolvem critérios contábeis, situações e documentos específicos que o Poder Judiciário não tem condição (e nem estrutura) para analisar, o que acabaria por aumentar a vulnerabilidade dos contribuintes trazendo, veja só, insegurança jurídica. Nesse contexto, entendo que uma interpretação do sistema jurídico constitucional, tributário e processual resulta na conclusão de que o art. 24 não tem os efeitos pretendidos pela recorrente. " Ainda nesse mesmo sentido, adiro à conclusão do Conselheiro Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa, no acórdão 9202007145, de 29/8/18, nos autos do PAF 16327.001389/200912. Vejase: (...) Fl. 3132DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.087 57 "Eis o teor do referido dispositivo: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Não assiste razão ao Recorrente. O dispositivo claramente dirigese ao controle interno de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, daí dirigido às esferas administrativas, “controladoras ou juridiciais”. Vale dizer, visa proteger a decisão de autoridade administrativa praticada conforme orientação vigente à época de sua prática. Há uma enorme diferença com o que ocorre com o processo administrativo tributário em que se analisa a validade de ato praticado pela autoridade administrativa (lançamento, por exemplo) à luz do contraditório, devendo o julgador administrativo, singular ou colegiado, decidir conforme sua convicção. Vincular a decisão presente ao que fora decidido no passado em outros processos é absolutamente incompatível com os princípios que regem o processo administrativo tributário. Tal posição implica em atribuir aos órgãos julgadores administrativos o poder de determinar, em cada caso e de maneira definitiva, a posição a ser adotada por toda a administração tributária. No caso presente significaria atribuir aos colegiados do CARF – supondo ser verdadeiro o fato alegado de que a jurisprudência do CARF era predominante no sentido pretendido pelo Contribuinte, o que se admite apenas para argumentar – o poder de decidir de forma definitiva e vinculante a toda a administração tributária, a interpretação quanto à desnecessidade de pactuação prévia no PLR. Para isso existem outros instrumentos, como a súmula, à qual pode ser atribuída força vinculante, por ato do Ministro da Fazenda. Registro, por fim, que a prevalecer a interpretação proposta pelo Recorrente – o que se admite apenas para argumentar – a regra valeria tanto para decisões favoráveis quanto desfavoráveis aos contribuintes. Isto é, jurisprudências predominantes num determinado sentido, favorável ou contrária aos interesses dos contribuinte, não poderia ser alterada posteriormente em relação a práticas realizadas durante a predominância dessa jurisprudência, o Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 10166.724557/201412 Acórdão n.º 2402007.292 S2C4T2 Fl. 3.088 58 que configuraria, para o contribuinte prejudicado cerceamento de direito de defesa. Não bastasse isso, o conceito de jurisprudência predominante é, no mínimo vago, para ser definidor da validade ou não de condutas em matéria tributária. Para isso, repito, existe as sumulas, que nada mais são do que a consolidação, num ato, aí sim, vinculante aos órgãos julgadores, de jurisprudência predominante. Penso que a pretensão do Recorrente é uma tentativa de restringir a atuação do Colegiado no exercício de sua livre convicção quanto ao mérito da questão posta em julgamento, com base em numa interpretação extensiva de norma que, a meu juízo, tem destinação específica outra que não o contencioso administrativo tributário. Não conheço, portanto, da preliminar. Ante o exposto, VOTO por rejeitar a preliminar suscitada por entender que o dispositivo invocado não se aplica ao contenciosos tributário nesta fase recursal. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 3134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.000320/2007-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/2002
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL.
Nos termos da jurisprudência já sedimentada no STJ, a impetração de mandado de segurança interrompe o prazo prescricional para fins de repetição do indébito tributário.
CONCOMITÂNCIA.
Nos termos da Súmula CARF nº 1, a existência de discussão judicial de mérito impede a sua apreciação por esta Turma Julgadora, devendo a Autoridade Fiscal ficar adstrita ao quanto restar decidido, em caráter definitivo, na esfera judicial.
Numero da decisão: 3201-005.538
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição relativamente aos recolhimentos realizados entre 15/10/1997 a 15/02/2002, devendo ser examinado o mérito do Pedido de Restituição administrativo apresentado pela Recorrente.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-31T11:33:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-31T11:33:22Z; Last-Modified: 2019-08-31T11:33:22Z; dcterms:modified: 2019-08-31T11:33:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-31T11:33:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-31T11:33:22Z; meta:save-date: 2019-08-31T11:33:22Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-31T11:33:22Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-31T11:33:22Z; created: 2019-08-31T11:33:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; Creation-Date: 2019-08-31T11:33:22Z; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-31T11:33:22Z | Conteúdo => S3-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15374.000320/2007-73 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201-005.538 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2019 Recorrente DUMANS & CERQUEIRA ADVOGADOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/2002 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. Nos termos da jurisprudência já sedimentada no STJ, a impetração de mandado de segurança interrompe o prazo prescricional para fins de repetição do indébito tributário. CONCOMITÂNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 1, a existência de discussão judicial de mérito impede a sua apreciação por esta Turma Julgadora, devendo a Autoridade Fiscal ficar adstrita ao quanto restar decidido, em caráter definitivo, na esfera judicial. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a prescrição relativamente aos recolhimentos realizados entre 15/10/1997 a 15/02/2002, devendo ser examinado o mérito do Pedido de Restituição administrativo apresentado pela Recorrente. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 03 20 /2 00 7- 73 Fl. 1049DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 12-46.815, proferido pela 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Pedido de Restituição efetuado por meio do formulário de fl. 03, protocolizado em 15/02/2007, acompanhado da petição de fls. 05/06, no qual a Interessada solicita a restituição de R$ 692.452,43, referente a crédito de valores que teriam sido recolhidos indevidamente a título de Cofins, correspondente a diversos períodos de apuração compreendidos entre os meses 01/1996 a 04/2004 (recolhimentos entre 15/10/1997 a 14/05/2004), os quais foram discriminados na planilha de fls. 16 a 18. 2. O referido Pedido de Restituição foi amparado em Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, por meio do qual a Interessada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública decorrente do Mandado de Segurança nº 99.0015953-5, da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. 3. O Pedido de Habilitação de Crédito acima citado foi analisado pela EAJUD/DERAT- RJO no processo administrativo nº 10768.007638/2005-76, conforme cópias de fls. 14/15. Por meio do Despacho Decisório de fl. 15, com base no estabelecido na IN SRF nº 600, de 28/12/2005, foi DEFERIDO o Pedido de Habilitação de Crédito em comento. 4. Com base no Parecer Conclusivo n° 176/2009, de fls. 32 a 35 e 37, em obediência ao art. 31 da IN SRF nº 600/2005, foi proferido Despacho Decisório decidindo considerar NÃO FORMULADO o Pedido de Restituição apresentado por meio do formulário de fl. 03, sob o argumento de que este deveria ter sido transmitido por meio do programa PER/DCOMP. 5. Inconformada, a interessada impetrou o Mandado de Segurança nº 2009.51.01.009586-0, da 24ª VF/RJ, contra ato do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, objetivando que a Autoridade Impetrada procedesse à apreciação conclusiva e a efetivação do pedido de restituição requerido pela impetrante no presente processo. 6. Devido a isso, o processo foi encaminhado à EQPEJ/DIORT/DERATRJO, para cumprimento de sentença e para resposta direta à PFN/DIDE 1, conforme fl. 52, do solicitado por meio do Oficio nº 2075/DIDE1/PRFN/2ª REG./RJ, de fl. 51, referente à manifestação da DERAT sobre o pedido de restituição formulado pela Interessada nestes autos para fins de elaboração de defesa da União no mandado de segurança supramencionado. Foi anexada cópia da sentença prolatada nos autos do processo judicial (fls. 53 a 56), na qual foi concedida a segurança para determinar que a autoridade impetrada apreciasse o mérito do citado pedido de restituição. 7. Em despacho exarado pela EQPEJ/DIORT/DERAT-RJO, às fls. 61/62, foi proposto o encaminhamento destes autos à EQCAJ/DICAT/DERAT-RJO para as providências inerentes à sua competência administrativa no que diz respeito ao crédito pleiteado no pedido de restituição de fl. 03. 8. A EQCAJ/DICAT/DERAT-RJO, por sua vez, solicitou esclarecimentos à PFN acerca da possibilidade de restituição de valores recolhidos em favor da Interessada, considerando como amparo a decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu a isenção da Cofins. 9. Em resposta ao solicitado, foi proferido pela PFN o Parecer de fls. 82 a 85, no qual consta que: Fl. 1050DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 9.1 A Interessada impetrou o Mandado de Segurança n° 99.00153 59-5, postulando o reconhecimento da isenção prevista na LC nº 70/1991, com a compensação dos valores supostamente pagos de forma indevida; 9.2 O pedido formulado na petição inicial dos autos do Mandado de Segurança n° 99.0015953-5 se desdobra em duas partes: 9.2.1 Declarar para a impetrante o direito de não pagar a Cofins em face da isenção concedida pelo art. 6º da LC nº 70/1991; 9.2.2 Compensar o crédito produzido pelos recolhimentos indevidos de Cofins com débitos de Imposto de Renda, da CSLL e do PIS; 9.3 O juízo monocrático indeferiu a medida liminar e denegou a segurança, por falta de amparo legal; 9.4 A Impetrante opôs dois embargos de declaração, que foram conhecidos, mas rejeitados por falta de amparo legal. Em ambos os embargos almejava a recorrente a apreciação quanto aos dois períodos distintos em que a Cofins era exigida. Primeiro, com base no Parecer Normativo nº 3/1994. Depois, com fundamento na Lei nº 6.430/1996. 9.5 À Impetrante interpôs apelação, requerendo tão-somente o afastamento definitivo da cobrança de dívidas relativas à Cofins; 9.6 Sobreveio o acórdão que deu provimento ao recurso, considerando ilegítima a revogação do art. 6º, II, da Lei Complementar nº 70/1991, pela Lei nº 9.430/1996, reconheceu o direito à isenção sem, no entanto, fazer qualquer menção à compensação ou a direito a créditos; 9.7 A autora interpôs embargos de declaração, mais uma vez, apenas para questionar a omissão quanto à apreciação do pedido de isenção concernente ao período de maio de 1996 a dezembro de 1996, devido ao Parecer Normativo 03/94, aos quais foi dado provimento; no entanto, nada foi pedido e, consequentemente, decidido quanto à compensação ou a reconhecimento de crédito; 9.8 A União interpôs recurso especial, que foi inadmitido. Foi manejado agravo de instrumento contra essa decisão, ao qual foi negado provimento; 9.9 O acórdão que transitou em julgado em 19/02/2004, acertadamente, nada disse acerca de compensação ou de reconhecimento de crédito, mesmo porque os recursos interpostos se limitaram a postular pelo afastamento da cobrança de Cofins; 9.10 É cediço que a limitação do V. Acórdão aos termos do pedido do Autor é exigência inafastável da prestação jurisdicional, visto que a decisão que concede ao postulante mais do que o requerido (ultra petita) ou coisa diversa do que fora pleiteado na inicial (extra petita) é nula de pleno direito; 9.11 Sob o aspecto supramencionado decidiu corretamente o Tribunal quando nada disse sobre compensação e/ou reconhecimento de crédito, visto que não fora formulado qualquer pedido em tal sentido pelo Autor, em sua apelação; 9.12 Desta forma, não há qualquer determinação judicial nos autos do processo n° 99.0015953-5, no sentido de que sejam compensados ou restituídos valores supostamente pagos de forma indevida; 9.13 Acrescente-se ainda que, diante do entendimento doutrinário e jurisprudencial, o decisum, no que diz respeito à questão da compensação, não poderia ser mesmo diferente, visto que é manifesta a incompatibilidade da pretensão da Impetrante - consubstanciada na restituição de valores - com a via estreita da ação mandamental; e Fl. 1051DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 9.14 Feitas essas considerações, conclui-se que, diante da decisão judicial (acórdão) transitada em julgado, a Impetrante (Requerente) não faz jus à compensação e/ou restituição. 10. Em atendimento ao despacho de fls. 61/62 e com base nas informações contidas no Parecer Conclusivo da PFN, a EQCAJ/DICAT/DERAT-RJO elaborou o despacho de fls 86 a 88, restituindo o processo à EQPEJ/DIORT/DERAT-RJO, com as seguintes informações: 10.1 Os recolhimentos pleiteados foram confirmados em valores históricos, conforme listagem de fls. 80/81; e 10.2 De acordo com o Parecer Conclusivo da PFN, a decisão judicial transitada em julgado não autoriza a restituição/compensação dos valores pleiteados. 11. Por meio do despacho de fls. 89/90, a EQPEJ/DIORT/DERAT-RJO propôs o retorno dos autos à Equipe de Ações Judiciais desta Delegacia para que esta se pronunciasse acerca da pretensão da Interessada em seu pedido de restituição de fl. 03, uma vez que teria sido deferido o pedido de habilitação do crédito por ela pretendido, conflitando com a conclusão da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional — 2ª Região contida em seu Parecer Conclusivo, no qual aquela Douta Procuradoria concluíra que, diante da decisão transitada em julgado, o requerente, não fazia jus à compensação e/ou restituição, bem como se deveria ser revisto, ou não, o Despacho Decisório de fl. 36. 12. No despacho de fl. 91, exarado pela EAJUD/DERAT-RJO, a EQPEJ/DIORT/DERAT-RJ é cientificada sobre a existência do novo Despacho Decisório, constante do processo administrativo nº 10768.007638/2005-76 (fls. 351/352), que reconsiderou e indeferiu o pedido de habilitação de crédito protocolizado pela Interessada acima qualificada. 13. Em novo despacho exarado pela EQPEJ/DIORT/DERAT-RJO (fls. 94/95) foi proposto que fosse dada ciência à Interessada do Despacho Decisório de fls. 351/352 do processo administrativo n° 10768.007638/2005-76, juntando-se o respectivo "Aviso de Recebimento", e, após, o presente processo fosse encaminhado à EAJUD/DERAT-RJO para prosseguimento. 14. A EAJUD/DERAT-RJO, por meio do despacho de fls. 97 a 99, encaminhou o presente processo à EQPEJ/DIORT/DERAT-RJ, realçando a necessidade do cumprimento da sentença prolatada nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.51.01.009586-0, da 24ª VF/RJ (fls. 53 a 56), a qual determinou que a autoridade impetrada apreciasse conclusivamente o mérito do pedido de restituição formulado pela impetrante nestes autos, abstendo-se de considerar o mesmo como "não formulado", devendose, ainda, ser observado o Parecer emitido pela PFN de fls. 82 a 85. 15. Nas pesquisas efetuadas no sistema informatizado da Receita Federal SIEF/PERDCOMP (fls. 100 a 103) não foram encontradas DCOMP vinculadas ao presente processo, ao processo administrativo nº 10768.007638/2005-76 e aos processos judiciais nº 99.0015953-5 e nº 2009.51.01.009586-0. 16. De conformidade com o Parecer nº 107/2010 (fls. 104 a 111), por meio do Despacho Decisório de fl. 112, em 01/04/2010, o Chefe da Diort/Derat/Rio de Janeiro assim decidiu: “DESPACHO DECISÓRIO Com base no presente parecer conclusivo n° 107/2010, de fls. 97/104, o qual aprovo, adoto e fica fazendo parte deste Despacho Decisório como se nele estivesse transcrito, decido: Fl. 1052DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 a. que seja declarada a decadência do direito de a contribuinte pedir a restituição de supostos indébitos relativos a recolhimentos de COFINS, realizados entre 15/10/1997 a 15/02/2002. b. que seja deferido o pedido de restituição dos valores relativos a recolhimentos de COFINS, realizados entre 15/03/2002 a 14/05/2004. À EQRES para cumprimento deste parecer e cientificar a contribuinte do presente despacho, e, por fim, informe a EAJUD da presente decisão, para as providências de sua alçada no âmbito do Mandado de Segurança nº 2009.51.01.009586-0, da 24ª VF/RJ. Deste Ato, cabe instauração de contraditório perante a Delegacia da Receiia Federal de Julgamento do Rio de Janeiro - DRJ II, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência (§ 9º do art. 74 da lei n° 9.430/96).” 17. Cientificada em 07/04/2010 (fl. 113), a Interessada apresentou, em 07/05/2010, a Manifestação de Inconformidade de fls. 126 a 131, na qual alega, em síntese, que: 17.1 A DUMANS, na qualidade de sociedade uniprofissional, isenta de COFINS por força do art. 6º da Lei Complementar n° 70, de 30/12/1991, ajuizou, em 29/06/1999, o Mandado de Segurança n° 99.0015953-5, a fim de assegurar tal isenção, a qual a Lei nº 9.430, de 27/12/1996 pretendeu revogar, bem como reaver os valores pagos indevidamente por conta da pretendida revogação; 17.2. Nesse sentido, em 19/02/2004, transitou em julgado o acórdão que, em sede de Apelação, conferiu a DUMANS o direito acima pleiteado; 17.3 O termo inicial que deve ser considerado para contagem do prazo decadencial é 19/02/2004, data do trânsito em julgado do acórdão supracitado; e 17.4 Como o trânsito em julgado da decisão somente ocorreu em 19/02/2004, verifica-se que no presente caso não há que se falar em decadência, uma vez que o procedimento para a habilitação do crédito se iniciou em 01/12/2005, com a consequente formalização do Pedido de Restituição em 13/02/2007, ou seja, dois anos antes do decurso do prazo decadencial, que somente se findaria em 19/02/2009. 18. Em 20/05/2010 (fl. 124), a EQRES/DIORT/DERAT/RJO emitiu a Intimação nº 1895/2010, comunicando a Interessada que o crédito reconhecido por meio do Despacho Decisório de fl. 112, seria compensado com débitos da Contribuinte e que esta, no caso de discordância quanto à referida compensação, poderia se manifestar comparecendo ao CAC de sua preferência, no prazo de 15 (quinze) dias contados da ciência daquela Intimação, sendo que, neste caso, o valor a ser restituído ficaria retido até que os débitos fossem liquidados. 19. A Interessada tomou ciência desta Intimação em 25/05/2010. 20. Em 05/04/2010, foi recebido na DIORT/DERAT-RJO o Memorando n° 413/2010 DERAT-RJO/EAJUD, datado de 01/04/2010 (fls. 153/154), comunicando que, em 29/03/2010, a DERAT-RJO fora compelida, por meio do Mandado de Intimação n° MAN.0001.000743-6/2010 (fls. 155/156), a cumprir a decisão judicial transitada em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 99.0015953-5, ou seja, a autoridade impetrada deveria se abster de promover a cobrança da COFINS em face da Impetrante, no caso, a Dumans & Cerqueira Advogados. O referido Mandado de Intimação se deu em obediência ao determinado na Decisão abaixo transcrita: “Decisão Fls. 241/246 e 289/291: ao prolatar o acórdão de fls. 131/133, o e. TRF da 2ª Região pronunciou expressamente a ilegitimidade da revogação da isenção da COFINS, e por via de conseqüência o direito da impetrante à não incidência do tributo. Fl. 1053DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 Assim, qualquer ato praticado pela autoridade Impetrada no sentido de promover a cobrança da COFINS em face da impetrante se enquadra no conceito de crime de desobediência, nos estritos termos do disposto no art. 26 da Lei 12.016/2009. No que se refere à questão da restituição, a decisão de reconsideração de fls. 283, calcada no parecer de fls. 279/282, não se sustenta juridicamente, além de transparecer a intenção emulativa da Administração Tributária em face do Impetrante pois é lógico que, se o Poder Judiciário pronunciou a ilegalidade da incidência da COFINS nos atos praticados pela sociedade profissional em questão, afigura-se óbvio que a Administração, em obediência à legalidade estrita a qual é vinculada, tem o dever de deferir, administrativamente, o pedido de restituição formulado pelo contribuinte. Este Juízo, todavia, não pode prover qualquer determinação nesse sentido porque refoge ao âmbito de incidência do acórdão transitado em julgado, o qual não se manifestou expressamente sobre o pedido de compensação, valendo lembrar que a parte não formulou pedido de restituição propriamente dito na Inicial do mandado do segurança, até porque tal pedido seria indeferido haja vista o descabimento de mandado de segurança para tanto. Em face do exposto, defiro em parte os requerimentos de fls. 241/246 e 289/291, para determinar a intimação pessoal da autoridade impetrada para que se abstenha de promover a cobrança da COFINS em face da impetrante, a quem fica ressalvada a adoção das medidas legais previstas em lei para obter o ressarcimento dos valores cobrados de maneira ilegal pelo Fisco, devidamente acrescidos dos juros e correção monetária cabíveis. Caso a presente decisão seja descumprida, a Impetrante deverá comunicar o fato a este Juízo para que tenha lugar a condução da autoridade impetrada para o Departamento de Policia Federal, a fim de que seja lavrado o termo circunstanciado de que cuida o art. 69 da Lei nº 9.099/95. Instrua-se a intimação com cópia da inicial, da sentença, do acórdão e da certidão de trânsito em julgado.” 21. Contra esta Decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs perante o Tribunal Regional Federal da 2ª Região o Agravo de Instrumento de fls. 157 a 188, do qual resultou o provimento consubstanciado na decisão de fls. 189 a 193 (processo n° 2010.02.01.005953-3), prolatada em 28/05/2010, na qual foi deferido o efeito suspensivo nele postulado, no sentido de permitir que a Receita Federal do Brasil pudesse fiscalizar, lançar e cobrar a COFINS da Interessada, observada a legislação em vigor. 22. Em decorrência do teor da decisão proferida pelo TRF-2ª Região, a EAJUD/DRF-RJ 1, por meio do despacho de fls. 195/196, propôs à EQPEJ/DIORT/DRF-RJ 1 que procedesse à revisão do Despacho Decisório de fl. 112, de forma a serem observados os termos da decisão proferida. No despacho da EAJUD consta que: 22.1 Em atendimento ao solicitado às fls. 360/362 (PAJ), a PFN/DIAES/RJ encaminhou a decisão proferida pelo TRF-2ª Região nos autos do Agravo de Instrumento nº 2010.02.01.005953-3, que deferiu o efeito suspensivo requerido pela União; 22.2 A decisão atacada pelo referido agravo de instrumento é a decisão proferida pelo Juízo da 1ª Vara Federal do Rio de Janeiro; 22.3 A referida decisão (fls. 156/157-PAJ) foi proferida em decorrência das petições da Impetrante de fls. 180/185 (PAJ) e de fls.186/188 (PAJ) que foram motivadas pelo indeferimento do Pedido de Habilitação de Crédito pela DERAT/RJO e pela intimação fiscal da DEFIS/RJO em razão de procedimento de fiscalização em curso; Fl. 1054DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 22.4 Quanto ao pedido de restituição dos valores recolhidos de COFINS, o Juízo se manifestou pela impossibilidade de prover determinação judicial neste sentido, apesar de constar da fundamentação da decisão à fl. 157 (PAJ), o entendimento daquele Juízo acerca da procedência de tal restituição; 22.5 No tocante à fiscalização em curso, a decisão judicial determinou que a autoridade impetrada se abstivesse de cobrar a COFINS da impetrante; 22.6 O agravo interposto pela União em face desta decisão requereu o efeito suspensivo para que se permitisse que a Receita Federal do Brasil pudesse fiscalizar, lançar e cobrar a COFINS da impetrante, observada a legislação tributáría em vigor (fl. 359- PAJ), o que foi deferido pela decisão do TRF-2ª Região; 22.7 Na fundamentação da decisão do TRF-2ª Região o juiz se manifestou no sentido de que "a coisa julgada garante ao agravado, tão-somente, a isenção da COFINS, nos termos do art. 62, inc. II, da Lei Complementar nº 70/1991, frente à combatida revogação determinada pelo art. 56 da Lei nº 9.430/1996, pelo fato de que "a COFINS passou a ter nova disciplina com a edição da Lei nº 9.718/98; 22.8 O Pedido de Restituição formalizado pela impetrante através do processo nº 15374.000320/2007-73 foi parcialmente deferido para autorizar a restituição dos valores pagos de COFINS no período entre 15/03/2002 a 14/05/2004 (despacho decisório de fls.281-PAJ); e 22.9 Segundo informações da EQRES/DIORT/DRF-RJ l, a referida restituição não teria sido efetuada. 23 Em função disso, foi elaborado o Parecer Conclusivo nº 203/2010 (fls. 197 a 205). De conformidade com esse Parecer, por meio do Despacho Decisório de fls. 206/207, em 17/08/2010, o Chefe da DIORT/DRF-RJ l assim decidiu: “DESPACHO DECISÓRIO Com base no Parecer Conclusivo n° 203/2010, às fls. 190/198 deste processo, que aprovo e adoto, o qual fica fazendo parte deste Despacho Decisório como se nele estivesse transcrito, DECIDO revisar de oficio o Parecer Conclusivo n° 107/2010 e o Despacho Decisório a que deu causa para: i) Corroborar parcialmente o antes decidido e declarar a decadência do direito de a interessada pleitear a repetição dos supostos indébitos relacionados às fls. 73, mais precisamente daqueles efetuados entre 15/10/1997 e 10/02/1999, relativos à COFINS dos períodos de apuração de 01/1996 a 01/1999, nos importes de R$ 3.620,61; R$ 151,27; R$ 2.347,89; R$ 6.880,78; R$ 2.743,59; R$ 8.565,53 e R$ 1.515,72. ii) Anular: ii- a) A declaração da decadência do direito de a contribuinte postular a repetição dos recolhimentos listados às fls. 73 que tenham sido realizados entre 10/03/1999 e 15/02/2002. ii- b) O deferimento da repetição dos recolhimentos efetuados entre 15/03/2002 e 14/05/2004; enumerados na parte final do Parecer Conclusivo n° 107/2010. iii) Firmar que em face do efeito suspensivo atribuído ao Agravo de Instrumento nº 2010.02.01.005953-3 a repetição dos recolhimentos efetuados posteriormente a 10/03/1999 será operada ou não em estrita consonância com o que for decidido em caráter definitivo pelo Judiciário. Fl. 1055DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 Fica a interessada ciente de que contra este Despacho Decisório poderá, se quiser, instaurar o contraditório perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II - DRJ/RJO-II, mediante apresentação de manifestação de inconformidade, no prazo de trinta dias contados a partir da data da sua ciência (art. 74 da Lei n° 9.430/1996). Que seja dada ciência do inteiro teor deste Despacho Decisório à interessada, bem assim à EAJUD/ DERAT-RJO I, para que esta tome as providencias de sua alçada em relação ao Mandado de Segurança n.° 2009.51.01.009586-0 e ao Agravo de Instrumento n.° 2010.02.01.005953-3.” 24. Cientificada em 26/08/2010 (fl. 211), a Interessada apresentou, em 24/09/2010, a Manifestação de Inconformidade de fls. 233 a 247, na qual alega, em síntese, que: 24.1 O novo Despacho Decisório proferido inova em relação ao anterior na medida em que declara a decadência do direito da DUMANS de pleitear a restituição dos pagamentos efetuados entre 15/10/1997 e 10/02/1999, bem como anula o direito à repetição do indébito já deferida, referente aos recolhimentos efetuados no período de 15/03/2002 a 14/05/2004, condicionando o deferimento da restituição dos indébitos posteriores a 10/03/1999 à decisão final a ser proferida no Agravo de Instrumento n° 2010.02.01.005953-3; 24.2 É evidente que o novo Despacho Decisório extrapola os limites da decisão proferida no Agravo de Instrumento, distorcendo sua aplicação e alcance; 24.3 A referida decisão se limita a autorizar a cobrança da COFINS a partir de julho de 2005, a fim de evitar a decadência do direito da RFB de efetuar o lançamento; 24.4 Em momento algum a decisão autoriza a RFB a não efetuar restituições de pagamentos já reconhecidos como indevidos, por decisão judicial já transitada em julgado; 24.5 Além disso, não há o reconhecimento da legalidade dos recolhimentos efetuados a título de COFINS que foram objeto da parte do pedido de restituição que já havia sido deferida; 24.6 Não há razão alguma para se aguardar pela decisão final a ser proferida no Agravo de Instrumento n° 2010.02.01.005953-3 para fazer qualquer juízo de valor acerca de pedido de restituição, tendo em vista que certamente esta decisão não terá o alcance de se sobrepor ao acórdão transitado em julgado nos autos do Mandado de Segurança n° 99.0015953-5, que reconheceu como indevidos os pagamentos feitos a título de COFINS quando reconheceu ser a DUMANS isenta ao recolhimento desta contribuição; 24.6 O que pretendeu o Exmo. Desembargador Relator, ao antecipar os efeitos da tutela recursal, foi assegurar que nenhum direito (entre eles o eventual direito da Fazenda) seria preterido até que houvesse a apreciação final do Agravo de Instrumento, razão pela qual foi autorizada a lavratura do Auto de Infração (Processo Administrativo n° 10872.000129/2010-92), tão somente para a prevenção da decadência. 24.7 Até o presente momento, o acórdão proferido pelo Eg. TRF da 2ª Região nos autos do Mandado de Segurança n° 99.0015953-5 não foi rescindido, anulado, cancelado, relativizado, enfim, objeto de qualquer medida que pudesse afastar o comando emanado pelo Poder Judiciário; 24.8 Para justificar o absurdo pedido de afastamento dos efeitos da coisa julgada, alega o Auditor Fiscal que esta estaria adstrita ao momento em que houvesse uma mudança legislativa superveniente, no caso, advinda da Lei n° 9.718/98, que, em tese, passou a regular a incidência da COFINS para as pessoas jurídicas após sua edição; Fl. 1056DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 24.9 Não há que se falar em nenhuma mudança legislativa, uma vez que a LC n° 70/91, que instituiu a COFINS, continua em vigor, sem que tenha sido revogada por qualquer lei ordinária em seu objeto; 24.10 Não houve, portanto, qualquer alteração do arcabouço legislativo que serviu de contexto para que fosse proferida a decisão judicial que transitou em julgado. A COFINS, tal como cobrada, mesmo com as alterações posteriores da Lei n° 9.718/98 e 10.833/03, ainda continua tendo como fundamento de validade a Lei Complementar n° 70/91; 24.11 Para os contribuintes que tem decisão judicial transitada em julgado, cujo prazo para ação rescisória foi esgotado sem que esta fosse ajuizada, pouco importa se foram editadas leis posteriores alterando alíquotas ou ampliando a base de cálculo da contribuição (o que efetivamente fez a Lei n° 9.718/98, citada como "novo fundamento da COFINS"); 24.12 O fato é que a COFINS é uma só, e foi instituída pela LC n° 70/91, que permanece em vigor até hoje, e que traz, em seu corpo, no art. 6º, II, o reconhecimento da isenção para as sociedades civis; 24.13 Há que se reconhecer que o contexto jurídico e fático não foi alterado desde o trânsito em julgado do acórdão que assegurou a isenção da COFINS à DUMANS. Tanto os fundamentos jurídicos do tributo (LC n° 70/91), quanto a qualificação da DUMANS, na condição de sociedade civil para o exercício de profissão legalmente regulamentada (advocacia), permanecem imutáveis desde que o acórdão transitou em julgado; 24.14 Ainda por outro prisma é possível verificar os sofismas no Parecer Conclusivo n° 203/2010, no sentido de que a Lei n° 9.718/99 apresentaria uma mudança legislativa superveniente com o condão de influenciar na relativização da coisa julgada; 24.15 Tal posicionamento é completamente equivocado, na medida em que tal lei foi publicada em 28/11/1998, ou seja, 5 anos antes do trânsito em julgado do acórdão que assegurou a isenção da COFINS à DUMANS, que só ocorreu em 19/02/2004; 24.16 De acordo com o Parecer Conclusivo, a suposta alteração nos fundamentos já estaria presente desde a edição da Lei n° 9.718/98, razão pela qual caberia à Fazenda Nacional adotar as providências previstas em lei processual em tempo hábil para rescindir o acórdão transitado em julgado; 24.17 Uma vez silente, cabe à administração pública, então, acolher o decidido pelo judiciário, que, no caso em tela, implica em reconhecer o direito e efetivar a restituição dos pagamentos indevidos; 24.18 O termo inicial que deve ser considerado para contagem do prazo decadencial é 19/02/2004, data do trânsito em julgado do acórdão supracitado; e 24.19 Como o trânsito em julgado da decisão somente ocorreu em 19/02/2004, verifica-se que no presente caso não há que se falar em decadência, uma vez que o procedimento para a habilitação do crédito se iniciou em 01/12/2005, com a consequente formalização do Pedido de Restituição em 13/02/2007, ou seja, dois anos antes do decurso do prazo decadencial, que somente se findaria em 19/02/2009. 25. Por todo o exposto, a DUMANS requer que: 25.1 Seja reconsiderado o despacho decisório que condicionou a efetivação da restituição à apreciação final do Agravo de Instrumento n° 2010.02.01.0095 53-3 e promova a restituição integral dos valores pagos a título de COFINS no período compreendido entre janeiro de 1996 a abril de 2004, conforme requerido em seu Pedido de Restituição; e 25.2 Alternativamente, seja ao menos restaurado o Despacho Decisório de fls. 105 (fl. 112), com base no Parecer Conclusivo n° 107/2010 (fls. Fl. 1057DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 104/111), para que se efetive, de imediato, a restituição dos valores recolhidos entre 15/03/2002 a 14/05/2004. 26. O processo foi encaminhado a esta Delegacia para julgamento. 27. É o relatório. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. TERMO INICIAL. DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO. O direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito, assim entendida como sendo a do pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. O prazo previsto no art. 168, II, do CTN, diz respeito ao cumprimento do disposto em sentença judicial transitada em julgado, ou seja, faz-se necessário que o crédito a ser restituído ou compensado já tenha sido reconhecido judicialmente. Não tendo ocorrido esse fato, aplica-se o disposto no art. 168, I, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 30/04/2004 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial, em nome da interessada, importa renúncia às instâncias administrativas quanto à mesma matéria, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. O dispositivo do acórdão foi assim redigido: Julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório da Interessada referente aos valores da Cofins recolhidos de 15/10/1997 a 15/02/2002, em virtude de já ter decorrido o prazo decadencial do direito de a Contribuinte pleitear a restituição referente a esses recolhimentos, quando da protocolização do Pedido de Restituição de fl. 03 (em 15/02/2007); e b) NÃO CONHECER da manifestação de inconformidade, na parte em que discute o alcance dos efeitos da decisão transitada em julgado nos autos do processo Mandado de Segurança nº 99.0015953-5, para firmar que a restituição dos valores da Cofins recolhidos de 15/03/2002 a 14/05/2004 fica condicionada ao que for decidido em caráter definitivo no Agravo de Instrumento nº 2010.02.01.005953-3. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados, aduziondo, em síntese, (i) inexistência de decadência [sic] do direito à restituição dos valores recolhidos até fev/2002; (ii) inexistência de discussão judicial acerca dos recolhimentos efetuados a partir de mar/2002. Após os autos foram remetidos a este CARF e, por força de decisão proferida em Mandado de Segurança, foi efetuada a distribuição do feito por sorteio. É o relatório. Fl. 1058DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relato dos fatos, o presente feito é bastante complexo do ponto de vista procedimental. Alem da existência de 3 (três) despachos decisórios nos autos, existem também, diversas demandas judiciais que tangenciam o feito. Além disso, grande parte das peças relativas aos processos judiciais não se encontravam juntadas ao presente PAF, mas, apenas, ao Processo administrativo nº 10768.007638/2005-76 (Pedido de Habilitação), outrora apensado ao presente. Tal circunstância fez com que fosse necessário o saneamento do feito por despacho (fls. 496/499), que levou à juntada de cópia integral do referido processo ao presente feito (fls. 500 e seguintes). Em síntese, tem-se: O contribuinte apresentou Pedido de Habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial nos autos do Mandado de Segurança nº 99.0015953-5, devidamente deferido. Após, apresentou Pedido de Restituição em papel, controlado nos presentes autos. O crédito é relativo ao reconhecimento da isenção da COFINS para as sociedades uniprofissionais, nos seguintes termos do Acórdão de Apelação nº 2000.02.01.034732-6 (fls. 679/682): Assim, a COFINS continua a não incidir sobre os atos praticados pelas sociedades uniprofissionais, em razão da ilegitimidade da revogação do art. 6o , II, da Lei Complementar 70/91, pela Lei 9430/96. Pelo exposto, dou provimento ao recurso da parte autora, nos termos da fundamentação supra. Num primeiro momento, em 19/05/2009 (Parecer Conclusivo nº 176/2009, fls. 32 ss), o Pedido foi tido por “não formulado”, por ter sido apresentado em papel. Contudo, essa decisão foi revista por força de decisão judicial (Mandado de Segurança nº 2009.51.01.009586-0, fls. 53 ss). O segundo despacho decisório foi proferido em 01/04/2000 (Parecer Conclusivo nº 107/2010, fls. 104 ss), e concluiu: 1. que seja declarada a decadência do direito de a contribuinte pedir a restituição de supostos indébitos relativos a recolhimentos de COFINS, realizados entre 15/10/1997 a 15/02/2002. 2. que seja deferido o pedido de restituição dos valores relativos a recolhimentos de COFINS, realizados entre 15/03/2002 a 14/05/2004. Finalmente, em 10/08/2010, foi proferido o Parecer Conclusivo nº 203/2010 (fls. 197 ss), nos seguintes termos: Fl. 1059DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 Com fundamento em todo o exposto, PROPONHO que seja procedida a revisão de oficio do Parecer Conclusivo n.° 107/2010 e do Despacho Decisório a que deu causa de molde a: i) Corroborar o decidido em relação aos recolhimentos efetuados até 10/02/1999, os quais, segundo o consignado As fls. 73, dizem respeito A COFINS dos períodos de apuração de 01/1996 a 01/1999. ii) Anular o decidido acerca dos recolhimentos efetuados posteriormente a 10/02/1999, concernentes a COFINS dos períodos de apuração de 02/1999 a 04/2004. iii) Declarar que em face do efeito suspensivo atribuído ao Agravo de Instrumento n.° 2010.02.01.005953-3 a repetição dos recolhimentos efetuados posteriormente a 10/03/1999 está condicionada ao que for decidido em caráter definitivo pelo Judiciário. Assim, é este último Despacho Decisório e a respectiva a Manifestação de Inconformidade (fls. 233 e seguintes) que foram examinadas pela DRJ. Ou seja, tem-se em discussão: Valores recolhidos entre 15/10/1997 a 15/02/2002 foram considerados prescritos; e. Valores recolhidos entre 15/03/2002 a 14/05/2004 ficariam condicionados ao Agravo de Instrumento n.° 2010.02.01.005953-3. Pois bem. Inicialmente, passa-se à análise quanto aos valores recolhidos entre 15/10/1997 a 15/02/2002, que foram considerados prescritos pela DRF e DRJ. A decisão recorrida reafirma a ocorrência de prescrição do direito da Recorrente reaver os valores indevidamente recolhidos sob o argumento de que, tendo sido o Pedido de Restituição de pagamentos indevidos apresentado em 15/02/2007, a Recorrente só possui o direito de reaver os valores indevidamente recolhidos nos 5 (cinco) anos anteriores. Trata-se da aplicação do disposto no inciso I do art. 168 do CTN: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário;(Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) Todavia, a Recorrente defende que, em se tratando de direito reconhecido por força de decisão judicial, o prazo prescricional se interrompeu no momento do ajuizamento, sendo este, portanto, o momento a partir do qual deve se retroagir o direito postulado. Não há, em princípio, discussão quanto ao fato de o indébito em discussão ser oriundo de decisão judicial transitada em julgado. Contudo, o que afirma a Fiscalização e a DRJ, para fins de aplicação do prazo prescricional contado apenas a partir da data de apresentação do Pedido de Restituição administrativo, é que a decisão judicial não teria reconhecido o direito à reaver os valores indevidamente recolhidos. Fl. 1060DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 Tal fundamento é amparado em Parecer emitido pela Procuradoria da Fazenda Nacional, juntado às fls. 82/85 dos autos, que estabelece, em síntese: 6. A Impetrante interpôs apelação, requerendo tão-somente o afastamento definitivo da cobrança de dividas relativas à COFINS. 7. Sobreveio o acórdão que deu provimento ao recurso, considerando ilegítima a revogação do art. 6°, 11, da Lei Complementar 70/91, pela Lei 9.430/96. Reconheceu o direito à isenção sem, no entanto, fazer qualquer a menção à compensação ou a direito a créditos. 8. A autora interpôs embargos de declaração, mais uma vez, apenas para questionar a omissão quanto à apreciação do pedido de isenção concernente ao período de maio de 96 a dezembro de 96, devido ao Parecer Normativo 03/94. Obteve provimento. No entanto, nada foi pedido e, consequentemente, decidido quanto à compensação ou a reconhecimento de crédito. (...) 10. O acórdão que, acertadamente nada disse acerca de compensação ou de reconhecimento de crédito, transitou em julgado, mesmo porque os recursos interpostos se limitaram a postular pelo afastamento da cobrança de COF1NS. 11. É cediço que a limitação do V. Acórdão aos termos do pedido do Autor é exigência inafastável da prestação jurisdicional, posto que a decisão que concede ao postulante mais do que o requerido (ultra petita) ou coisa diversa do que fora pleiteado na inicial (extra petita) é nula de pleno direito. 12. Sob o aspecto supramencionado decidiu corretamente o Tribunal quando nada disse sobre compensação e/ou reconhecimento de crédito, visto que não fora formulado qualquer pedido em tal sentido pelo Autor, em sua apelação. 13. Desta forma, não há qualquer determinação judicial, nos autos do processo n° 99.0015953-5, no sentido de que sejam compensados ou restituidos valores supostamente pagos de forma indevida. Logo, não há como se enfrentar o mérito da presente demanda sem examinar detidamente as peças judiciais. (a) Petição inicial do Mandado de Segurança nº 99.0015953-5 (fls. 528/538) Por tudo o que foi exposto, serve o presente para requerer a V.Exa., respeitosamente, o seguinte: a)- a concessão de medida liminar inaudita altera pars com o fim de se determinar à digna autoridade impetrada que se abstenha de continuar exigindo da Impetrante o pagamento da COFINS sobre seu faturamento mensal, bem como que utilize o crédito produzido pelos recolhimentos indevidos dessa exação para quitar, até seu limite, dívidas do Imposto de Renda, da CSLL e do PIS , a teor do previsto no artigo 74 da Lei 9.430/96, sob as penas da lei; b)- a citação do Impetrado para que preste as informações sobre este writ of mandamus no prazo de lei, pena de aceitas como incontroversas as alegações produzidas; c)- a citação do MPF para que emita seu parecer sobre a matéria exposta nesta ação mandamental, também no prazo de lei; Fl. 1061DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 d)- Dá-se à causa o Valor de R$ 1.000,00 para efeitos fiscais, citando-se o endereço da Pua Senador Dantas, 75, grupo 2.314/5/6, Centro, tels. 220.5645; 262-2061 e 532.0294 como local de recebimento de intimações. Por fim que, no mérito, seja julgado procedente o pedido expressa neste Mandado de Segurança com o objetivo de se declarar para a impetrante o direito de não pagar a COFINS em face da isenção concedida pelo artigo 6 o da Lei Complementar 70/91, bem como declarar o seu direito de compensar o crédito produzido pelos recolhimentos indevidos dessa COFINS com débitos do Imposto de Renda, da CSLL e do PIS, porque essa será a melhor forma de se homenagear o Direito e distribuir JUSTIÇA! (b) Sentença do Mandado de Segurança nº 99.0015953-5 (fls. 610/611) “Isto posto, DENEGO A SEGURANÇA pleiteada, por falta de amparo legal.” (c) Recurso de Apelação (fls. 648/661) 8 DO PEDIDO 8.1. Por todo o exposto, o APELANTE requer a esta Egrégia Turma, que, lastreada no notável saber jurídico "de seus Ilustres Julgadores, se digne dar provimento ao presente recurso, para que se afaste, em definitivo, a cobrança de dívidas relativas à COFINS. (d) Acórdão de Apelação nº 2000.02.01.034732-6 (fls. 679/682) Assim, a COFINS continua a não incidir sobre os atos praticados pelas sociedades uniprofissionais, em razão da ilegitimidade da revogação do art. 6o , II, da Lei Complementar 70/91, pela Lei 9430/96. Pelo exposto, dou provimento ao recurso da parte autora, nos termos da fundamentação supra. (e) Embargos de Declaração em face do Acórdão de Apelação nº 2000.02.01.034732-6 (fls. 688/694) 1.3. Ou seja, é mister ressaltar-se que O presente mandamus visou desde o inicio impugnar a cobrança da COFINS pela autoridade coatora em dois periodos distintos, quais sejam: (a) maio/96 a dezembro/96, quando a isenção lhe fora negada com base no ilegal Parecer Normativo 3/94; e (b) a partir de janeiro/97, quando já vigorava a Lei 9.430/96. (...) 1.5. Com relação ao periodo retratado no item (b) supra, Esta Egrégia Turma deu provimento ao recurso da APELANTE, ora EMBARGANTE, "em razão da ilegitimidade da revogação do art. 6o, II, da Lei Complementar 70/91, pela Lei 9430/96". 1.6. Todavia, certamente em razão do excessivo volume de demandas que tramitam neste Eg. Tribunal, não houve apreciação quanto ao periodo retratado no item (a) supra, isto é, anterior à Lei 9.430/96, quando o APELADO, ignorando a isenção concedida pela LC n° 70/91 e com lastro em um mero Parecer Normativo - indubitavelmente sem força de lei - exigia do IMPETRANTE o pagamento da COFINS. (...) Fl. 1062DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 4. DO PEDIDO 4.1. É de se ressaltar novamente a V. Exa. que não se está criando novo questionamento acerca da invalidade da cobrança da COFINS, mas apenas e tão somente explicitando os termos já lançados na petição inicial (itens 2, 3 e 11) , para uma adequada apreciação do caso por esta Eg. Turma. 4.2. Por todo o exposto, tendo em vista a ausência de apreciação da questão acima explicitada, requer o EMBARGANTE que se digne V.Exa. acolher os presentes embargos, para julgar procedente o recurso de Apelação também no que diz respeito à isenção concedida pela Lei Complementar 70/91, até o advento da Lei 9.430/96. (f) Acórdão em Embargos de Declaração em face do Acórdão de Apelação nº 2000.02.01.034732-6 (fls. 708/710) Como já relatado, alega a autora , a omissão em relação a isenção da Cofins, no período de maio de 1996 a dezembro de 1996, devido ao Parecer Normativo 03/94. Com razão a embargante. O Parecer Normativo 03/94 determina que gs sociedades civis que optassem pela tributação na pessoa jurídica (lucro real ou lucro pressumido), estariam sujeitas ao pagamento da Cofins, ignorando completamente o que estaria disposto na Lei Complementar 70/91. Contudo, que este Parecer Normativo não tem a legitimidade para revogar uma isenção, pois com base no art. 178, do Código Tributário Nacional, a isenção só pode ser modificada ou revogada, mediante lei formal. Insta salientar, outrossim, que sendo a lei instituidora da isenção uma lei complementar, esta somente poderia ser revogada por outra de igual natureza. Pelo exposto, dou provimento aos embargos\ de declaração interpostos pela Dumans e Cerqueira Advogados, nos termos da fundamentação supra. São estas as peças e decisões judiciais relativas ao Mandado de Segurança nº 99.0015953-5, uma vez que o feito não foi submetido à apreciação pelos Tribunais Superiores, tendo transitado em julgado o acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região nos autos da Apelação nº 2000.02.01.034732-6. Nota-se que, de fato, não há qualquer manifestação expressa, sejam nas petições ou na decisão, acerca do eventual pedido de restituição de valores indevidamente recolhidos. A DRF e a DRJ, amparando-se no Parecer PGFN, argumentam que a ausência de pedido de reconhecimento ao direito à restituição / compensação fazem com que este direito não possa ser reconhecido no âmbito administrativo que deverá, portanto, obedecer à regra do art. 168 do CTN (5 anos anteriores ao pedido). Observa-se que acórdão DRJ, para amparar a negativa do seu direito, fundamenta- se em decisão proferida nos autos no próprio Mandado de Segurança nº 99.0015953-5 33. Como pode ser observado, a Impetrante ao recorrer restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito à isenção da Cofins prevista no art. 6º, II, da Lei Complementar nº 70/1991. No recurso de apelação a Impetrante não pleiteia nem a restituição nem a compensação de valores que, por ventura, tenham sido recolhidos indevidamente ou a maior da referida contribuição. Como tais pleitos não foram por ela Fl. 1063DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 efetuados, não poderia o juiz sobre eles se manifestar. Além disso, cabe acrescentar que, diante do entendimento doutrinário e jurisprudencial, tais pleitos seriam incompatíveis com a via estreita da ação mandamental. 34. Este também foi o entendimento do Juiz da 1ª VF/RJ que proferiu a decisão agravada (fls. 155/156), cujo trecho segue abaixo transcrito: “............................................................................................No que se refere à questão da restituição, a decisão de reconsideração de fls. 283, calcada no parecer de fls. 279/282, não se sustenta juridicamente, além de, transparecer a intenção emulativa da Administração Tributária em face do Impetrante pois é lógico que, se o Poder Judiciário pronunciou a ilegalidade da incidência da COFINS nos atos praticados pela sociedade profissional em questão, afigura-se óbvio que a Administração, em obediência à legalidade estrita a qual é vinculada, tem o dever de deferir, administrativamente, o pedido de restituição formulado pelo contribuinte. Este Juízo, todavia, não pode prover qualquer determinação nesse sentido porque refoge ao âmbito de incidência do acórdão transitado em julgado, o qual não se manifestou expressamente sobre o pedido de compensação, valendo lembrar que a parte não formulou pedido de restituição propriamente dito na Inicial do mandado do segurança, até porque tal pedido seria indeferido haja vista o descabimento de mandado de segurança para tanto.............................................................................................” 35. Assim, ainda que tenha sido reconhecido o direito à isenção da Cofins prevista no art. 6º, II, da Lei Complementar nº 70/1991, em momento algum foi reconhecido, judicialmente, qualquer direito creditório da Impetrante em relação aos recolhimentos efetuados no período em que teve reconhecida a sua isenção, já que tal pleito não foi objeto da ação proposta. A decisão mencionada será melhor examinada no tópico subseqüente. Contudo, ao que interessa à questão ora examinada (direito à restituição), cumpre assinalar que nos parece restar incontroverso, com base no próprio item 35, que o direito à restituição dos valores recolhidos indevidamente não foi objeto da ação mandamental. Logo, não houve pedido e nem decisão reconhecendo o direito à restituição dos valores recolhidos indevidamente, nos termos da própria decisão de mérito proferida. Assim, a discussão que se apresenta é: em que momento ocorreu a interrupção do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário reconhecido por decisão judicial? No momento do pedido administrativo – como defende a RFB – ou no momento da impetração do Mandado de Segurança? A questão já vem sendo examinada pelo Superior Tribunal de Justiça, como se verifica pelo seguinte julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 535, II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO PRAZO PRESCRICIONAL DA AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA. IMPETRAÇÃO ANTERIOR DE MANDADO DE SEGURANÇA. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. VIOLAÇÃO AO ART. 168 DO CTN. INEXISTÊNCIA. PRAZO PRESCRICIONAL PARA A REPETIÇÃO DE TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TEMA JÁ JULGADO EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. Não viola o artigo 535, II, do CPC, tampouco nega prestação jurisdicional, acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo Fl. 1064DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 vencido, adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia, conforme ocorreu no caso em exame. 2. A jurisprudência deste STJ está sedimentada no sentido de que a impetração de mandado de segurança interrompe o prazo prescricional em relação à ação de repetição do indébito tributário, de modo que somente a partir do trânsito em julgado do mandamus inicia a contagem do prazo em relação à ação ordinária para a cobrança dos créditos recolhidos indevidamente. Precedentes: AgRg no REsp 1.348.276 / RS, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 18.12.2012; AgRg no Ag 1.240.674/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 2.6.2010; AgRg no REsp 1.181.970/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 15.04.2010; REsp 1.181.834/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17/08/2010; AgRg no REsp. n. 1.210.652 - RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 23.11.2010. 3. Segundo o recurso representativo da controvérsia REsp 1.269.570/MG (STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23 de maio de 2012) e o RE n. 566.621/RS (STF, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011), para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplica-se o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contando-se o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. Já para as ações ajuizadas anteriormente à referida data subsiste o prazo de 10 (dez) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador do tributo (tese dos 5+5, art. 150, §4º, c/c art. 168, I, do CTN). 4. Recurso especial não provido. (REsp 1248077/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/08/2015, DJe 12/08/2015) Do voto proferido, extraio a seguinte fundamentação: Já para a identificação do marco inicial desse prazo decenal há jurisprudência consolidada neste STJ no sentido de que a impetração de mandado de segurança interrompe o prazo prescricional em relação à ação de repetição do indébito tributário, de modo que somente a partir do trânsito em julgado do mandamus inicia a contagem do prazo em relação à ação ordinária para a cobrança dos créditos recolhidos indevidamente. Cito precedentes: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MANEJO ANTERIOR DE MANDADO DE SEGURANÇA. PRAZO PRESCRICIONAL. INTERRUPÇÃO. 1. Entendimento deste Tribunal no sentido de que o manejo de mandado de segurança tem o condão de interromper o prazo prescricional em relação à ação de repetição de indébito tributário. Precedentes: REsp 1.181.834/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJ de 20/9/2010, AgRg no REsp 1.181.970/SP, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 27/4/2010, AgRg no REsp 1.210.652/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ de 4/2/2011. 2. Agravo regimental não provido (AgRg no REsp 1.348.276 / RS, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 18.12.2012). DIREITO TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. AGRAVO REGIMENTAL. ACÓRDÃO RECORRIDO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL EM RAZÃO DA IMPETRAÇÃO DO MANDADO DE SEGURANÇA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. Fl. 1065DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 1. A impetração do mandado de segurança interrompe a fluência do prazo prescricional de modo que somente após o trânsito em julgado da decisão nele proferida é que voltará a fluir a prescrição da ação ordinária para a cobrança dos créditos recolhidos indevidamente referentes ao quinquênio que antecedeu a propositura do writ. 2. O entendimento esposado no acórdão recorrido está de acordo com a jurisprudência deste órgão jurisdicional, incidindo, pois, na espécie, o teor da Súmula 83/STJ. 3. Agravo regimental não provido (AgRg no Ag 1.240.674/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 2.6.2010). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - MANDADO DE SEGURANÇA - INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO - TERMO A QUO DA PRESCRIÇÃO - AJUIZAMENTO DA AÇÃO MANDAMENTAL. A impetração do mandado de segurança interrompe a fluência do prazo prescricional de modo que somente após o trânsito em julgado da decisão nele proferida é que voltará a fluir a prescrição da ação ordinária para a cobrança dos créditos recolhidos indevidamente referentes ao quinquênio que antecedeu a propositura do writ. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp 1.181.970/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 15.04.2010). PROCESSUAL CIVIL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRAZO PRESCRICIONAL DA AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA. IMPETRAÇÃO ANTERIOR DE MANDADO DE SEGURANÇA. INTERRUPÇÃO. VIOLAÇÃO AO ART. 168 DO CTN. INEXISTÊNCIA. 1. A impetração de mandado de segurança interrompe o prazo prescricional em relação à ação de repetição do indébito tributário, de modo que somente a partir do trânsito em julgado do mandamus inicia a contagem do prazo em relação à ação ordinária para a cobrança dos créditos recolhidos indevidamente. Precedentes. 2. Recurso especial não provido (REsp 1.181.834/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17/08/2010, DJe 20/09/2010). PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ANTERIOR IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA. PRAZO PRESCRICIONAL. INTERRUPÇÃO. 1. A jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que a impetração de Mandado de Segurança interrompe o prazo prescricional em relação à Ação de Repetição do Indébito tributário, iniciando-se a contagem do prazo em relação à ação ordinária para a cobrança dos créditos recolhidos indevidamente somente a partir do trânsito em julgado da impetração. 2. Agravo Regimental não provido (AgRg no REsp. n. 1.210.652 - RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 23.11.2010). Com efeito, tem-se que o direito à restituição do indébito tributário independe de decisão judicial. É a própria lei que reconhece tal direito. A decisão judicial, no caso, tem o condão apenas de examinar a legitimidade da norma tributária que instituiu a exigência tributária. Fl. 1066DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 Para que se reconheça o direito à repetição daquilo que o Poder Judiciário considerou ilegal / inconstitucional, não é necessário que a decisão reconheça, além da ilegalidade / inconstitucionalidade, também o direito à repetição do indébito. Este direito é decorrência lógica. É o que afirma de modo literal a própria decisão proferida no Mandado de Segurança nº 99.0015953-5 na qual se amparou o acórdão recorrido para defender o argumento da prescrição. Veja-se, agora, a íntegra da referida decisão judicial, e não apenas a parte utilizada pela DRJ: Decisão FJs. 241/246 e 289/291: ao prolatar o acórdão de fls. 131/133, o e. TRF da 2 a Região pronunciou expressamente a ilegitimidade da revogação da isenção da COFINS, e por via de conseqüência o direito da impetrante à não incidência do tributo. Assim, qualquer ato praticado pela autoridade impetrada no sentido de promover a cobrança da COFINS em face da impetrante se enquadra no conceito de crime de desobediência, nos estritos termos do disposto no art. 26 da Lei n° 12.016/2009. No que se refere à questão da restituição, a decisão de reconsideração de fls. 283, calcada no parecer de fls. 279/282, não se sustenta juridicamente, além de transparecer a Intenção emulativa da Administração Tributária em face do impetrante, pois é lógico que, se o Poder Judiciário pronunciou a ilegalidade da incidência da COFINS nos atos praticados pela sociedade profissional em questão, afigura-se óbvio que a Administração, em obediência à legalidade estrita a qual é vinculada, tem o dever de deferir, administrativamente, o pedido de restituição formulado pelo contribuinte. Este Juízo, todavia, não pode prover qualquer determinação nesse sentido porque refoge ao âmbito de incidência do acórdão transitado em julgado, o qual não se manifestou expressamente sobre o pedido de compensação, valendo lembrar que a parte não formulou pedido de restituição propriamente dita na inicial do mandado de segurança, até porque tal pedido seria indeferido haja vista o descabímento de mandado de segurança para tanto. Em face do exposto, defiro em parte os requerimentos de fls. 241/246 e 289/291, para determinar a intimação pessoal da autoridade impetrada para que se abstenha de promover a cobrança da COFINS em face da impetrante, a quem fica ressalvada a adoção das medidas legais previstas em lei para obter o ressarcimento dos valores cobrados de maneira ilegal pelo Fisco, devidamente acrescidos dos juros e correção monetária cabíveis. Caso a presente decisão seia descumprída. a impetrante deverá comunicar o fato a este Juízo para que tenha lugar a condução da autoridade impetrada para o Departamento de Polícia Federal, a fim de que seia lavrado o termo circunstanciado de que cuida o art. 69 da Lei n° 9.099/95. Instrua-se a intimação com cópia da Inicial, da sentença, do acórdão e da certidão de trânsito em julgado. Veja-se que o magistrado consignou que “é lógico que, se o Poder Judiciário pronunciou a ilegalidade da incidência da COFINS nos atos praticados pela sociedade profissional em questão, afigura-se óbvio que a Administração, em obediência à legalidade Fl. 1067DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 estrita a qual é vinculada, tem o dever de deferir, administrativamente, o pedido de restituição formulado pelo contribuinte”. Também consignou que a Recorrente sequer poderia ter formulado tal pedido em sede mandamental “porque tal pedido seria indeferido haja vista o descabímento de mandado de segurança para tanto”. Logo, para que se reconheça o direito da Recorrente à repetição do indébito, não é necessário que a sentença mandamental o faça. Basta o reconhecimento do indébito, o que ocorreu no caso concreto. Assim, sendo inquestionável o indébito, deve-se considerar que a impetração do Mandado de Segurança pela Recorrente interrompeu o prazo prescricional para tanto. Por óbvio, quando o STJ afirma que o Mandado de Segurança interrompe o prazo prescricional para o ajuizamento de Ação de Repetição / Cobrança, também o faz relativamente ao pedido de restituição administrativo. Até porque, na pendência do Mandado de Segurança, a Recorrente sequer poderia ter apresentado qualquer pedido administrativo de restituição ou compensação, nos termos do art. 170-A do CTN. Nesse sentido é também a jurisprudência deste CARF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 COFINS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO Sendo a Recorrente parte beneficiária de mandado de segurança preventivo que visou afastar o pagamento da COFINS pelo alargamento da base de cálculo prevista no parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, é interrompido o prazo prescricional para restituir/compensar de valores pagos a maior durante o andamento do processo até o trânsito em julgado do provimento favorável, começando o prazo de prescrição a fluir a partir dai, e encerrando-se com o decurso de 5 anos, nos termos do art. 168, inciso II, do CTN e art. 219 do CPC. COMPENSAÇÃO. COFINS. Somente são passíveis de restituição e compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza. (acórdão 3402006.143, 31 de janeiro de 2019, Rel. Pedro Sousa Bispo) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 31/10/1989 a 31/10/1994 DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO A QUALQUER TEMPO DE OFÍCIO OU POR MANIFESTAÇÃO DAS PARTES. A decadência por ser questão de ordem pública, poderá ser suscitada pela parte, bem como, conhecida de ofício pela autoridade julgadora a qualquer tempo ou grau de jurisdição. Fl. 1068DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITOS TRIBUTÁRIOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte, do art. 4º da Lei Complementar 118/05, considerando válida a aplicação do prazo de cinco anos somente para as demandas apresentadas a partir de 9 de junho de 2005. Até 8 de junho de 2005 o prazo a ser considerado é o de dez anos, sendo cinco contados para a homologação tácita da compensação e mais cinco para que o contribuinte possa repetir o indébito. IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. A impetração de mandado de segurança interrompe a fluência do prazo prescricional para a repetição do indébito. Assim, somente após o trânsito em julgado da decisão nele proferida é que voltará a transcorrer o prazo para pleitear o ressarcimento ou a compensação dos valores eventualmente recolhidos a maior referentes ao qüinqüênio que antecedeu a propositura do writ. (acórdão 380302.413, 13 de fevereiro de 2012 , Rel. João Alfredo Eduão Ferreira) Para afastar quaisquer dúvidas quanto ao raciocínio exposto, transcrevo os arts. 101 e 103 da Instrução Normativa RFB nº 1717, de 17 de julho de 2017: Art. 101. O pedido de habilitação do crédito será deferido por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, mediante a confirmação de que: I - o sujeito passivo figura no polo ativo da ação; II - a ação refere-se a tributo administrado pela RFB; III - a decisão judicial transitou em julgado; IV - o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos, contado da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V - na hipótese em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou a apresentação de declaração pessoal de inexecução do título judicial na Justiça Federal e de certidão judicial que a ateste; Parágrafo único. O deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica reconhecimento do direito creditório ou homologação da compensação. Art. 103. A declaração de compensação de que trata o art. 100 poderá ser apresentada no prazo de 5 (cinco) anos, contado da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial. Parágrafo único. O prazo de que trata o caput fica suspenso no período compreendido entre o protocolo do pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento, observado o disposto no art. 5º do Decreto nº 20.910, de 1932. Veja-se que os próprios normativos da RFB estabelecem que o prazo prescricional para a restituição do indébito será de 5 anos após o trânsito em julgado da decisão judicial, exatamente porque a discussão judicial é ato que interrompe tal prazo. Caso se busque defender Fl. 1069DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 que a interrupção da prescrição ocorre apenas no momento do protocolo do pedido de restituição, seriam totalmente inócuos os dispositivos supra transcritos. Assim, na hipótese, tendo sido o Mandado de Segurança impetrado em junho de 1999 e como a prescrição declarada atinge os recolhimentos realizados entre 15/10/1997 a 15/02/2002, não há qualquer valor prescrito. Curioso observar, inclusive, que a Fiscalização sequer observou o disposto no parágrafo único do art. 103 das Instrução Normativa RFB nº 1.717/17, já que aplicou o prazo prescricional de 5 anos da data do Pedido de Restituição, e não do Pedido de Habilitação do crédito, que ocorreu em 01/12/2005. Ou seja, mesmo se estivesse correto o entendimento fiscal no sentido de que o Mandado de Segurança impetrado não teria o condão de interromper o prazo prescricional, deveria ter considerado a data de apresentação do Pedido de Habilitação, e não do Pedido de Restituição. Ainda que esta redação não seja a mesma da IN 600/05, vigente à época dos fatos, trata-se de decorrência lógica da própria interpretação dos arts. 50 e 51 que condiciona o ressarcimento de crédito decorrente de decisão judicial à prévia apresentação e deferimento do Pedido de Habilitação. Até porque, se assim não o fosse, a cada mês que a fiscalização demorasse para processar o Pedido de Habilitação, acarretaria a prescrição de parte do crédito passível de ressarcimento. Inclusive, na hipótese dos autos, a Recorrente se viu compelida a impetrar Mandado de Segurança exatamente para que o seu pedido de habilitação fosse apreciado em prazo razoável. Portanto, nesse aspecto, deve ser provido o Recurso Voluntário no sentido de se afastar a prescrição declarada, devendo o crédito tributário ser examinado tendo em consideração que a impetração do Mandado de Segurança interrompeu o prazo prescricional para que a Recorrente possa reaver os valores indevidamente recolhidos. Passa-se, então, ao segundo aspecto controvertido, que diz respeito aos valores recolhidos entre 15/03/2002 a 14/05/2004. Inicialmente, os referidos valores haviam sido integralmente reconhecidos em favor da Recorrente. Todavia, neste novo Despacho, a autoridade fiscal entendeu por bem “suspender” tal deferimento por entender que: (...) a coisa julgada material que existia nos Autos do Mandado de Segurança n.° 99.0015953-5 produziu efeitos apenas sobre a relação jurídica pautada pela Lei n.° 9.430/1996, a qual, atualmente, todavia, não mais subsiste em face das normas supervenientes que trataram da matéria, entre as quais a acima referida Lei n.° 9.718/1998. Tal questão foi trazida aos autos a partir de pedido formulado pela Recorrente nos autos do Mandado de Segurança nº 99.0015953-5 (fls. 962 e seguintes), do qual extraio: 14. O Mandado d e Segurança em que foi proferida a decisão que assegurou a isenção da COFINS tramitou perante este Juízo. Logo, se foram efetuados recolhimentos de C0F1NS, que posteriormente viera, a ser reconhecidos como indevidos, pois a IMPETRANTE é isenta da contribuição, tais recolhimentos são passíveis de restituição. (...) Fl. 1070DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 16. Portanto, á absurda a alegação da Fazenda Nacional de que muito embora o acórdão proferido tenha assegurado o direito à isenção da COFINS, este teria se calado acerca de eventuais pedidos de compensação ou restituição, 17. Qualquer entendimento nesse sentido chancelaria o enriquecimento ilícito da UNIÃO FEDERAL, que cobrou um tributo indevidamente por anos, teve imposta contra si uma decisão judicial que reconheceu que os pagamentos foram indevidos e agora, por filigranas processuais, busca em verdade surrupiar definitivamente os valores que não lhe são cabíveis, mas sim, à IMPETRANTE. 18. O acórdão não precisava assegurar expressamente o direito à restituição de um tributo.que nele foi considerado indevido. Este é o comando do art. 165 do Código Tributário Nacional, que assegura a o sujeito passivo, independentemente de prévio protesto, à restituição total de tributo, cujo pagamento espontâneo tenha ocorrido indevidamente (...) 23. Por todo o exposto, a IMPETRANTE vem requerer a V.Exa. que: esclareça o título judicial decorrente deste processo lhe garante o não pagamento da COFINS e, na forma prevista no art. 7 4 da Lei 9.430, 27.12.1996 e da IN SRF nº 517, de 25.02.2005, lhe permite habilitar o crédito tributário decorrente da COFINS paga indevidamente por força de isenção, bem assim obter a respectiva restituição; e intime a autoridade IMPETRADA para. assegurar que dê Pleno cumprimento à decisão judicial, de forma que não ao oponha ao direito da IMPETRANTE de obter pela via administrativa e conforme a legislação citada a restituição de todos os pagamentos efetuados a titulo de COFINS cuja cobrança restou.•invalidade em definitivo neste processo. Às fls. 938 e seguintes dos autos consta Mandado de Intimação expedido em face do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, datado de 26/03/2010, com a seguinte determinação: O(A) EXMO(A). SR.(A) DR(A). GUSTAVO ARRUDA MACEDO, JUIZ(A) FEDERAL SUBSTITUTO(A) NO EXERCÍCIO DA TITULARIDADE DA PRIMEIRA VARA DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO MANDA a qualquer Oficial de Justiça Avaliador desta Seção Judiciária, a quem for apresentado o presente mandado que, em seu cumprimento, se dirija ao (s) endereço (s) acima e, em sendo aí, proceda à INTIMAÇÃO (ÕES) para ciência dos termos do presente mandado e ação a que o mesmo se refere, bem como para: ciência e cumprimento da decisão abaixo transcrita, que determina a intimação pessoal da autoridade impetrada para que se abstenha de promover a cobrança da COFINS em face da impetrante, a quem fica ressalvada a adoção das medidas legais previstas em lei para obter o ressarcimento dos valores cobrados de maneira ilegal pelo Fisco, devidamente acrescidos dos juros e correção monetária cabíveis. Decisão FJs. 241/246 e 289/291: ao prolatar o acórdão de fls. 131/133, o e. TRF da 2 a Região pronunciou expressamente a ilegitimidade da revogação da isenção da COFINS, e por via de conseqüência o direito da impetrante à não incidência do tributo. Assim, qualquer ato praticado pela autoridade impetrada no sentido de promover a cobrança da COFINS em face da impetrante se enquadra no conceito de crime de desobediência, nos estritos termos do disposto no art. 26 da Lei n° 12.016/2009. Fl. 1071DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 No que se refere à questão da restituição, a decisão de reconsideração de fls. 283, calcada no parecer de fls. 279/282, não se sustenta juridicamente, além de transparecer a Intenção emulativa da Administração Tributária em face do impetrante, pois é lógico que, se o Poder Judiciário pronunciou a ilegalidade da incidência da COFINS nos atos praticados pela sociedade profissional em questão, afigura-se óbvio que a Administração, em obediência à legalidade estrita a qual é vinculada, tem o dever de deferir, administrativamente, o pedido de restituição formulado pelo contribuinte. Este Juízo, todavia, não pode prover qualquer determinação nesse sentido porque refoge ao âmbito de incidência do acórdão transitado em julgado, o qual não se manifestou expressamente sobre o pedido de compensação, valendo lembrar que a parte não formulou pedido de restituição propriamente dita na inicial do mandado de segurança, até porque tal pedido seria indeferido haja vista o descabímento de mandado de segurança para tanto. Em face do exposto, defiro em parte os requerimentos de fls. 241/246 e 289/291, para determinar a intimação pessoal da autoridade impetrada para que se abstenha de promover a cobrança da COFINS em face da impetrante, a quem fica ressalvada a adoção das medidas legais previstas em lei para obter o ressarcimento dos valores cobrados de maneira ilegal pelo Fisco, devidamente acrescidos dos juros e correção monetária cabíveis. Caso a presente decisão seia descumprída. a impetrante deverá comunicar o fato a este Juízo para que tenha lugar a condução da autoridade impetrada para o Departamento de Polícia Federal, a fim de que seia lavrado o termo circunstanciado de que cuida o art. 69 da Lei n° 9.099/95. Instrua-se a intimação com cópia da Inicial, da sentença, do acórdão e da certidão de trânsito em julgado. (destaques no original) Em face desta decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Agravo de Instrumento ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, que foi distribuído sob o nº 2010.02.01.005953-3 (0005953-98.2010.4.02.0000), cuja petição inicial foi juntada às fls. 157 e seguintes. Inicialmente fora concedido efeito suspensivo ao referido Agravo de Instrumento, conforme decisão de fls. 189 e seguintes, cuja decisão transcrevo para melhor contextualização da discussão: Em juízo de cognição sumária, vislumbro a plausibilidade do direito invocado em parte. No caso, a coisa julgada garante ao agravado, tão-somente, a isenção da COFINS, nos termos do art. 6º, inc. II, da Lei Complementar nº 70/91 frente à combatida revogação determinada pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96. Isto porque, a COFINS passou a ter nova disciplina com a edição da Lei nº 9.718/98, sendo certo que, em relação à Lei Complementar 70/91, na essência que interessa às partes, apenas o conceito de faturamento subsistiu ante a declaração de inconstitucionalidade do inciso I do § 2º do art. 3º da referida lei em reiterados precedentes da Suprema Corte. Parece relevante, em uma primeira avaliação, a alegação da agravante de que “as mudanças das normas tributárias relativas à COFINS criaram novo suporte jurídico para a cobrança. E não houve qualquer ressalva quanto as sociedades civis ou escritórios de advocacia. E nem se pode alegar que as novas normas não teriam sido expressas em Fl. 1072DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 revogar a isenção prevista na Lei Complementar nº 70/91, já que o legislador não precisaria revogar aquilo que já havia sido revogado anteriormente.” (fl. 12) A coisa julgada torna imutável e indiscutível o comando emergente de provimento jurisdicional proferido em determinado contexto normativo. Sobre o tema, aplicáveis os precedentes abaixo, mutatis mutandis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. SOCIEDADES CIVIS PRESTADORAS DE SERVIÇO. ISENÇÃO. LC N. 70/91. REVOGAÇÃO. LEI N. 9.430/96. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N. 10.833/03. RETENÇÃO NA FONTE PELOS TOMADORES DE SERVIÇO. ALTERAÇÃO DA SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. ART. 463 DO CPC. APLICAÇÃO. RELAÇÃO FÁTICO-JURÍDICA NOVA. OFENSA À COISA JULGADA. NÃO- OCORRÊNCIA, IN CASU. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA NOS MOLDES LEGAIS. 1. "Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la: I - para lhe corrigir, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais, ou lhe retificar erros de cálculo; II - por meio de embargos de declaração". Inteligência do art. 463 do CPC. 2. O mandado de segurança em testilha assegurou às sociedades civis de se eximirem do recolhimento da COFINS, com base na isenção concedida pela LC n. 70/91, em face da revogação promovida pelo art. 56 da Lei n. 9.430/96. Ou seja, a tutela judicial foi prestada com espeque nas razões desenvolvidas no writ, que foram articuladas sob determinado contexto fático para que fosse reconhecida a isenção da contribuição, em virtude de não ser possível a revogação de lei complementar por uma lei ordinária - entendimento decorrente do princípio da hierarquia das leis, não mais aplicável ao caso, segundo orientação consagrada pelo STF. 3. A despeito de cuidar da própria espécie tributária (COFINS), a superveniência da Lei n. 10.833/03 não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedeu a segurança postulada, de modo a ampliar o objeto da lide, pois a controvérsia em tela foi decidida com base em moldes fáticos e jurídicos próprios do caso concreto, descabendo, neste momento, a pretensão formulada pela recorrente no sentido de garantir aos tomadores de serviços a isenção da retenção na fonte do recolhimento da contribuição, prevista no art. 30 da precitada lei. 4. A divergência jurisprudencial só pode ser conhecida se for comprovada nos moldes delineados pelo §2º do art. 255 do RISTJ e art. 541, parágrafo único, do CPC, o que não ocorreu na espécie. 5. Recurso especial não provido.” (STJ, REsp 739784/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/11/2009, DJe 27/11/2009) (grifei) “Processual civil. Agravo inominado de que trata o art. 557, parágrafo 1º, do Código de Processo Civil, contra ato que declarou prejudicado agravo de instrumento em face da sentença prolatada no primeiro grau. Provimento. Agravo de instrumento contra decisão que deferiu antecipação de tutela, para impedir a cobrança da COFINS, em face da coisa julgada. 1. Quando proferido o ato declarando prejudicado o presente agravo de instrumento, por perda de objeto, f. 65, a Terceira Turma trilhava o caminho de que, prolatada a sentença no primeiro grau, independentemente do resultado ali obtido, o agravo de instrumento respectivo, fatalmente, estaria prejudicado. Fl. 1073DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 2. Entendimento atual de que o ato do Tribunal, proferido no agravo de instrumento, prevalece sobre a sentença a quo, cujo resultado não coincida com aquele. A sentença prolatada no primeiro grau colide com a pretensão recursal trazida pela Fazenda Nacional, persistindo o potencial interesse no julgamento do agravo. 3. O STF assentou o entendimento de que a lei ordinária não está subordinada à lei complementar, e, portanto, a isenção da COFINS concedida pela Lei Complementar 70/91, poderia ser revogada pela Lei [ordinária] 9.430/96, sem ofensa à Constituição Federal. 4. Os efeitos da coisa julgada não garantem a isenção irrestrita e perpétua da COFINS, devendo-se considerar que a coisa julgada tributária só perdura enquanto presentes o mesmo estado de fato e de direito, que gerou o título judicial. 5. A coisa julgada, em favor da agravada, está limitada à edição da Lei 10.833/2003, cujos efeitos devem ser considerados a partir de então, haja vista não ter sido objeto da sentença transitada em julgado, a qual protege a sociedade civil ora agravada. 6. Provimento do agravo inominado e do agravo de instrumento.” (TRF-5ª Região, AG nº 2005.05.00.012624-0, Relator Desembargador Federal VLADIMIR CARVALHO, Terceira Turma, DJe de 24/11/2009, p. 261) (grifei) Presente, outrossim, o periculum in mora, especialmente porque a agravante encontra-se impedida de efetuar o lançamento e a cobrança dos respectivos créditos tributários, estando sujeita à decadência do direito. Isto posto, Defiro o efeito suspensivo requerido. Intime-se a agravada, nos termos do art. 527, V, do CPC. Oficie-se ao Juízo a quo, comunicando-o desta decisão. P.I. Rio de Janeiro, 28 de maio de 2010. O despacho da DRF juntado às fls. 1031 e seguintes assim relata a situação processual ora apresentada: O novo despacho decisório levou em consideração a decisão proferida no Agravo de Instrumento nº 2010.02.01.005953-3 e considerou decaído o direito do interessado de pleitear a repetição dos valores pagos de COFINS dos PAs 01/96 a 01/99. Quanto à COFINS dos PAs 02/99 em diante, o novo despacho decisório determinou que a repetição será operada em conformidade com a decisão final do Agravo de Instrumento n 9 2010.02.01.005953-3, que ainda não foi julgado. Tal Agravo de Instrumento foi interposto pelo interessado em face de decisão interlocutória proferida nos autos do Mandado de Segurança ng 99.0015953-5, ação judicial que deu origem ao direito creditório pleiteado. A decisão agravada havia determinado a abstenção da cobrança da COFINS por parte da autoridade coatora e o agravo interposto pela União em face desta decisão requereu o efeito suspensivo para que se permitisse que a Receita Federal do Brasil pudesse fiscalizar, lançar e cobrar a COFINS da impetrante, observada a legislação tributária em vigor, o que foi deferido pela decisão do TRF 2- Região. Fl. 1074DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 Na fundamentação da decisão do TRF 2- Região, o relator se manifesta no sentido de que "a coisa julgada garante ao agravado, tão-somente, a Isenção da COFINS, nos termos do art.6g, inc. II, da Lei Complementar n3 70/91 frente à combatida revogação determinada pelo art.56 da Lei nº 9.430/96' pelo fato de que "a COFINS passou a ter nova disciplina com a edição da Lei n3 9.718/98'. Posteriormente, o Agravo de Instrumento foi provido pelo TRF2, conforme se verifica da ementa obtida diretamente do sítio do referido Tribunal: TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRELIMINARES. PROCURAÇÕES E SUBSTABELECIMENTOS. SUBSCRITOR DAS CONTRARRAZÕES. AUSÊNCIA. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE. COFINS. SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. ISENÇÃO DA LC 70/91. LIMITES DA COISA JULGADA MATERIAL. 1. O argumento de que a agravante foi desidiosa ao não juntar cópia de todas as procurações e substabelecimentos conferidos pela agravada, não sustenta a rejeição do recurso. O Eg. Superior Tribunal de Justiça tem abrandado o rigor do disposto no art. 525, I, do CPC, nas hipóteses em que, mesmo ausente as cópias de todas as procurações e substabelecimentos outorgados aos patronos da agravada, haja êxito na intimação desta para contraminutá-lo e ausente prejuízo. Precedentes (STJ - AgRg no Ag 1304045 / RS - DJe 31/08/2010; TJDF - Agravo de Instrumento: AI 131584420098070000 – Dje 16/11/2009, pág.54). 2. Não obstante a ausência nos autos da cópia do substabelecimento outorgado pela agravada aos advogados subscritores das contrarrazões, esta respondeu efetivamente ao recurso, tempestivamente, pelos próprios patronos substabelecidos. 3. In casu, a falta de cópia do substabelecimento não comprometeu a regular intimação e, por conseguinte, a instrução do agravo de instrumento. Entendo que as exigências formais do processo se legitimam pelos escopos a serem atingidos. Nestas circunstâncias, o objetivo do disposto no art. 525, I, do CPC foi plenamente alcançado, não havendo prejuízo para a agravada. 4. O art. 6º, II, da LC 70/91, conferiu isenção da COFINS às sociedades prestadoras de serviços profissionais de que trata o art. 1º, do DecretoLei nº 2.397/87, a partir de janeiro de 1989, benefício que foi assegurado pelo Eg. STJ independentemente do regime tributário, quanto ao imposto de renda adotado pelo contribuinte, conforme a Súmula 276/STJ. 5. Todavia, o benefício foi revogado pelo art. 56 da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 56. As sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passam a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços, observadas as normas da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991.” 6. Em outubro de 2004, foi prolatado acórdão rescindendo pelo STJ, mantendo a eficácia da isenção concedida pela LC 70/92, ao argumento de que era inviável a revogação da benesse por lei ordinária ante o princípio da hierarquia das leis (AgRg no REsp 382.736/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Rel. para Acórdão Ministro Francisco Peçanha Martins, Primeira Seção, DJ 25/2/2004). 7. Entretanto, ao longo dos anos a jurisprudência do STJ sofreu significativa alteração, passando a adotar o posicionamento de que a questão relativa a conflito entre lei complementar e lei ordinária é eminentemente constitucional, inatacável pela via do recurso especial (AgRg nos EREsp 893.576/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, Dje 01/12/2008; AgRg no REsp 1.065.077/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, Dje 12/11/2008; AgRg no Ag 1.055.799/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, Dje 04/11/2008). Fl. 1075DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 8. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao concluir o julgamento do RE 377.457- 3/PR, em dezembro de 2008, decidiu pela não existência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar, e que a possibilidade de revogação da isenção concedida pela LC 70/91, por meio da Lei nº 9.430/96, “encerra questão exclusivamente constitucional concernente à distribuição material entre as espécies legais”. Neste diapasão, a Suprema Corte, ponderando preceitos constitucionais relativos à matéria tributária (arts. 195, I e 239), afirmou que a LC 70/91 é materialmente ordinária. 9. É cediço que, a coisa julgada material traz, em seu bojo, a idéia de segurança jurídica, eis que, após decidida uma determinada causa, a matéria que lhe é subjacente passa a ser indiscutível entre as partes. 10. A autoridade da coisa julgada se sustenta, sempre, no estado de fato e de direito que envolve a prolação da sentença. A rigor, a imutabilidade de qualquer decisão de mérito fica condicionada à observância da cláusula rebus sic stantibus. Nas relações jurídicas continuativas, porém, esse limite da coisa julgada material avultam, pois é justamente essa espécie de vínculo jurídico que se sujeita, por se protrair no tempo, a alterações na realidade fática ou em seu regime jurídico. 11. O CPC trouxe em seu art. 471, I, a possibilidade de reapreciação da matéria objeto de decisão transitada em julgado, nos casos em que “tratando-se de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito”. O caso em exame cuida justamente de situação desta espécie. 12. A concessão da segurança em grau de recurso estava indissoluvelmente ligada aos preceitos legais reguladores da matéria em questão àquela época, qual seja, o art. 6º, inciso II, da LC nº 70/91 c/c o art. 1º do Decreto-Lei nº 2.397/87. Importa destacar, por oportuno, que não havia razão autônoma que não essa para a sua concessão. 13. A autuação da Autoridade Fiscal, consistente na apuração da COFINS, teve como suporte a alteração substancial do quadro normativo promovido pelas Leis nºs 9.718/96 e 10.833/03. Os referidos diplomas, que alteram a legislação tributária federal, criam e regulam novo suporte jurídico para a incidência da contribuição, fixando uma relação jurídica tributária distinta da anterior. 14. Por ter sobrevindo modificação no estado de direito que acarretou o surgimento de uma nova relação jurídico tributária, não mais subsistia a coisa julgada material como cristalização do que fora decidido no processo originário. 15. Ademais, o princípio constitucional da igualdade impõe que casos idênticos sejam regidos pela mesma regra jurídica, ressalvadas, por lógico, diferenciações objetivas fundadas em situações individuais específicas. 16. Agravo conhecido e provido. Ocorre que em face da referida decisão, a ora Recorrente apresentou Recurso Especial ao Superior Tribunal de Justiça, em razão do descumprimento de regras processuais pela PFN (itens 1 a 4 da ementa). Em petição de fls. 456 e seguintes, a Recorrente informa que o Recurso Especial interposto foi provido, tornando sem efeito todas as decisões proferidas no referido Agravo de Instrumento: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. SUPOSTA OFENSA AO ART. 489 DO CPC/2015. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE NÃO PADECE DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. EXECUÇÃO FISCAL. FORMAÇÃO DE AGRAVO DE INSTRUMENTO PREVISTO NOS ARTS. 522 E 525 DO Fl. 1076DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 CPC/1973. TRASLADO INCOMPLETO. AUSÊNCIA DE PEÇA OBRIGATÓRIA. CERTIDÃO DE INTIMAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. 1. Não se pode confundir falta de motivação com fundamentação contrária aos interesses da parte, motivo pelo qual não resta caracterizada ofensa ao art. 489 do CPC/2015. 2. "A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que o agravo de instrumento interposto na segunda instância deve ser instruído com as peças obrigatórias listadas no art. 525, I, do CPC/73, sob pena de não conhecimento do recurso, sendo que a oportunidade para regularização do instrumento ocorre apenas em relação as peças facultativas necessárias à compreensão da controvérsia." (AgInt nos EDcl no REsp 1434655/SC, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 23/08/2016, DJe 01/09/2016). 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1646246/RO, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/04/2017, DJe 04/05/2017) Ou seja, se o Despacho Decisório ora questionado aduziu que “em face do efeito suspensivo atribuído ao Agravo de Instrumento n.° 2010.02.01.005953-3 a repetição dos recolhimentos efetuados posteriormente a 10/03/1999 está condicionada ao que for decidido em caráter definitivo pelo Judiciário” e, sendo certo, que a referida decisão perdeu totalmente os seus efeitos, é de se reconhecer a necessidade de aplicação, ao caso concreto, daquela decisão originalmente agravada: FJs. 241/246 e 289/291: ao prolatar o acórdão de fls. 131/133, o e. TRF da 2 a Região pronunciou expressamente a ilegitimidade da revogação da isenção da COFINS, e por via de conseqüência o direito da impetrante à não incidência do tributo. Assim, qualquer ato praticado pela autoridade impetrada no sentido de promover a cobrança da COFINS em face da impetrante se enquadra no conceito de crime de desobediência, nos estritos termos do disposto no art. 26 da Lei n° 12.016/2009. Em se tratando de decisão judicial, não cabe à este órgão qualquer apreciação de mérito, mas, apenas, consignar que se dê cumprimento ao que fora decidido, tal como assinalado no acórdão recorrido: 60. Quanto aos recolhimentos efetuados de 15/03/2002 a 14/05/2004, correta a decisão recorrida, ao não apreciar o Pedido de Restituição desses valores, condicionando esta ao que for decidido de forma definitiva no Agravo de Instrumento nº 2010.02.01.005953-3. 61. É fato que nesse recurso está sendo discutido qual seria o alcance dos efeitos da decisão transitada em julgado nos autos do processo Mandado de Segurança nº 99.0015953-5. O que se discute é se a isenção reconhecida estaria restrita ao período anterior à entrada em vigor da Lei nº 9.718/1998, ou se esta se estenderia durante a vigência da Lei nº 9.718/1998 e da Lei nº 10.833/2003. 62. Uma vez que tal matéria foi levada à discussão perante o Poder Judiciário, esta não pode mais ser apreciada administrativamente, em respeito ao princípio da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5º, XXXV da Constituição Federal de 1988. Em razão desse princípio constitucional a decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, vez que, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é conferida a capacidade de examiná-las de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. Fl. 1077DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 63. O processo administrativo é, assim, apenas uma alternativa, ou seja, uma opção conveniente tanto para a administração como para a interessada, por ser um processo gratuito, sem a necessidade de intermediação de advogado e, geralmente, com maior celeridade que a via judicial. 64. A propositura de ação judicial pela interessada, em razão disso, nos pontos em que haja idêntico questionamento, torna ineficaz o processo administrativo. Ocorre que, havendo o deslocamento da lide para o Poder Judiciário, perde o sentido a apreciação da matéria na via administrativa. Do contrário, ter-se-ia a absurda hipótese de modificação pela autoridade administrativa de decisão judicial já transitada em julgado e, portanto, definitiva. (...) 67. Assim, não cabendo decidir de modo diverso daquele decidido pelo Poder Judiciário, não pode o julgador administrativo conhecer da impugnação na parte cujo mérito verse sobre matéria levada à apreciação judicial. (...) 69. Contra este Acórdão, foram interpostos pela Agravada, em 30/11/2010, Embargos de Declaração, não apreciados até a presente data (fls. 271 a 279). 70. É de se observar que o Acórdão proferido pela Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região acatou integralmente os argumentos da União de que os efeitos do Acórdão transitado em julgado nos autos do processo Mandado de Segurança nº 99.0015953-5 alcançam tão-somente os períodos de apuração anteriores à vigência da Lei nº 9.718/1998. 71. Ocorre que, esta Turma de Julgamento não pode, com base no entendimento consignado nesse Acórdão, indeferir o Pedido de Restituição dos valores da Cofins recolhidos com base na Lei nº 9.718/1998, em relação aos quais não decorreu o prazo decadencial do direito de pleitear a restituição (recolhimentos efetuados de 15/03/2002 a 14/05/2004). Isto porque, até a presente data, o referido Acórdão não transitou em julgado. A contrario sensu, portanto, quanto ao consignado no item 71 supra, esta Turma de Julgamento não pode, com base julgamento proferido pelo STJ, simplesmente deferir o Pedido de Restituição dos valores da Cofins recolhidos com base na Lei nº 9.718/1998 (recolhimentos efetuados de 15/03/2002 a 14/05/2004), mas, apenas, determinar que a Autoridade fiscal dê pleno cumprimento ao quanto restou decidido judicialmente. Nos termos da Súmula CARF nº 1, a existência de discussão judicial de mérito impede a sua apreciação por esta Turma Julgadora: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por oportuno, observa-se que a questão já foi enfrentada pela própria RFB, consoante acórdão 12-104.081, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), trazido aos autos pela Recorrente às fls. 475 e seguintes: Fl. 1078DF CARF MF Fl. 31 do Acórdão n.º 3201-005.538 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15374.000320/2007-73 o recurso foi apreciado definitivamente em 05/06/2018, com trânsito em julgado em 05/09/2018 (fls. 364/371), resultando no não provimento do Agravo Interno, nos termos consignados a seguir: (grifei) (...) Em 21/09/2018, o Juiz Titular da F Vara Federal do Rio de Janeiro, diante da comprovação do trânsito em julgado, determinou que a autoridade impetrada se abstivesse de promover a cobrança da Cofins (fls. 372). Diante, então, do não provimento do Agravo de Instrumento, restabeleceram definitivamente os efeitos do Acórdão proferido pelo TRF _23 Região, no âmbito do Mandado de Segurança nO99.0015953-5, transitado em julgado em 19/02/2004 (fls. 260/266). Reprise-se que referido Acórdão foi a base da defesa da Impugnante. Neste, considerou-se ilegítima a revogação do art. 6°, lI, da Lei Complementar n° 70/1991, pela Lei nº 9.430/1996, reconhecendo-se o direito da Impetrante à isenção da Cofins, mesmo na vigência da Lei nO9.718, de 1998, e da Lei n° 10.833, de 2003. Assim, relativamente aos valores recolhidos entre 15/03/2002 a 14/05/2004 - condicionados ao Agravo de Instrumento n.° 2010.02.01.005953-3, vota-se pelo não conhecimento do Recurso Voluntário em razão da concomitância (Súmula CARF nº 1), devendo a autoridade fiscal dar estrito cumprimento ao quanto restou decidido nos autos do Mandado de Segurança nº 99.0015953-5. Por todo o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário quanto aos valores recolhidos entre 15/03/2002 a 14/05/2004, cuja restituição deverá ser procedida em conformidade com a decisão judicial proferida no Mandado de Segurança nº 99.0015953-5. E, na parte conhecida, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição relativamente aos recolhimentos realizados entre 15/10/1997 a 15/02/2002, devendo a Autoridade de origem ser examinar o mérito do Pedido de Restituição administrativo apresentado pela Recorrente. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 1079DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.001634/2001-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1997
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. COMPROVAÇÃO.
Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através dos elementos de prova. Se assim o fizer, estará descaracterizada a presunção de omissão de receita.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2102-000.864
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Carlos André Rodrigues Pereira Lima
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COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através dos elementos de prova. Se assim o fizer, estará descaracterizada a presunção de omissão de receita. Recurso voluntário provido. me bgiado, por unanimidade de votos, em dar ator.provimento ao recurso, nos ter Giovanni -9 Carlos mejTibros do Col giado, por un n.o‘ do voto te R:, ator. -Pr idente 411 .r" -n/ .;00 Acordam os m ri OS istian N " ,hristian N odrt es P , re . a a :=Reiatorexa -- a - Réiator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Nóbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Mauricio Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Processo n° 10865.001634/2001-52 Acórdão n.° 2102-00.864 S2-C1T2 Fl. 170 Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 160 a 166, interposto por HELENA TONETI RUY, produtora rural, contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 154 a 157, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 111 a 118 dos autos, lavrado em 12/12/2001, relativo ao ano-calendário 1997, com ciência da RECORRENTE em 04/01/2002, conforme AR de fl. 123. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 52.769,05, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de oficio de 75%. O lançamento teve origem na omissão de rendimentos caracterizada por variação patrimonial a descoberto, onde foi verificado o excesso de aplicações sobre origens de recursos, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, de acordo com a descrição dos fatos à fl. 111. A lançamento teve origem a partir de ação fiscal, que se iniciou em 18/06/2001 (fl. 24), quando a RECORRENTE foi intimada para apresentar documentação referente às dividas que havia indicado na declaração de ajuste do ano-calendário 1996, que totalizavam R$ 150.364,43. De acordo com a Infoimação Fiscal de fls. 112 a 115, após procedimento de fiscalização, constatou-se que a RECORRENTE havia declarado, no ano-calendário 1996, bens e direitos no valor de R$ 715.618,76 e dividas e ônus de R$ 150.364,43, enquanto que no ano- calendário 1997 declarou bens e direitos de R$ 767.713,31 e dividas e ônus de R$ 1.500,76. Desta forma, a autoridade fiscal aplicou a fórmula seguinte para verificar a evolução patrimonial da RECORRENTE: [(valor dos bens e direitos em 1997) — (valor dos bens e direitos em 1996) + (valor das dívidas e ônus em 1996) — (valor das dividas e ônus em 1997)] = R$ 767.713,31 R$ 715.618,76 + R$ 150.364,43 —R$ 1.500,76 = R$ 200.958,22. Postei-iminente, a fiscalização indicou que o total de recursos recebidos pela RECORRENTE no ano-calendário de 1997 foi de R$ 135.122,54, e os dispêndios por ela efetuados resultaram na quantia de R$ 22.613,06, referentes às aquisições de milho da empresa KASPER & CIA LTDA. Acerca das compras de realizadas à KASPER & CIA LTDA., durante a fiscalização, houve dúvida sobre o seu efetivo valor, que foi solucionada antes da lavratura do auto de infração, conforme atesta a "Informação Fiscal" de fls. 112 a 113: ... Regularmente intimada, referida contribuinte apresentou os comprovantes dos empréstimos efetuados junto a instituições financeiras no ano-calendário de 1996. Quanto ao dispêndio incorrido no montante de R$ 1.179.812,59 junto à KASPER & CIA. LTDA., a contribuinte em tela alegou desconhecimento daquele numero. Também reguhirmente intimada, a sobredita empresa KASPER apresentou cópias das notas fiscais emitidas no ano de 1997, em nome da Sra. HELENA, referentes às vendas de milho e de milho debulhado, esclarecendo que várias daquelas notas formy, 2 3 Processo n° 10865.001634/2001-52 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.864 Fl. 171 transcritas incorretamente, e por isso constaram com seus valores multiplicados por 100 (cem); dessa forma, o valor correto das aquisições efetuadas pela Sra. HELENA montam em R$ 22.613,06, e não em R$ 1.179.812,59 como constou". Assim, a autoridade fiscal calculou o valor de acréscimo patrimonial a descoberto (APD) de R$ 88.448,74, a partir da seguinte fórmula: [(evolução patrimonial — recursos recebidos) + dispêndios] = APD = [(R$ 200.958,22 —R$ 135.122,52) + R$ 22.613,06] = R$ 88.448,76. Com a constatação do acréscimo patrimonial a descoberto, foi apurado imposto de renda no valor de R$ 21.470,91 (fl. 114), sobre o qual incidem a multa de oficio de 75% e os juros de mora, conforme demonstrativo de fl. 117. DA IMPUGNAÇÃO Em 28/01/2002, a RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fls. 124 e 125. Em suas razões, arguiu, em suma. Alegou que, no exercício 1997, contratou novo profissional de contabilidade, que passou a realizar as declarações. Afirmou que errou ao transferir (da atividade rural) para o campo "bens e direitos" as dívidas e ônus que pertenciam à atividade rural (referente ao ano- calendário 1996). Assim, ao elaborar a declaração referente ao ano-calendário 1997, e transferir os dados da declaração anterior, o contador não percebeu que as dívidas vinculadas à atividade rural não foram transferidas. Portanto, alegou que, para que fosse sanado o erro, teria duas opções: a) Transferir as dívidas e ônus referentes ao ano-calendário 1996 (R$ 150.364,43) para o anexo da atividade rural, o que resultaria no saldo positivo de R$ 61.915,69 e, consequentemente, na cobertura de seu acréscimo patrimonial; ou b) Transferir as dívidas vinculadas à atividade rural referente ao ano- calendário 1997 (R$ 160.896,15 — documentos às fls.) para o quadro das dívidas e ônus reais, o que resultaria na variação patrimonial negativa de R$ 72.447,41. Desta forma, requereu o cancelamento do lançamento, uma vez que não houve acréscimo patrimonial a descoberto. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 154 a 157 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: "ASSUNTO.. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 199ã Processo n° 10865.001634/2001-52 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.864 Fl. 172 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - PROVAS. Restando comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não tenha sido comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente. É do contribuinte o ônus da comprovação dos fatos que alega. Não sendo suficiente apresentar versões de como a declaração deveria ter sido feita; mas, sim, apresentar comprovantes que efetivamente demonstrem o erro cometido no preenchimento da declaração. Lançamento Procedente." Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora afirmou que os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados constituem rendimento bruto para efeitos de incidência de imposto de renda, nos termo do art. 43, inciso-II, do Código Tributário Nacional — CTN, e do art. 3°, § 1°, da Lei n° 7.713/88. Assim, como o acréscimo patrimonial é fato gerador do imposto de renda, cabe à autoridade fiscal comprovar a sua ocorrência para poder efetuar o lançamento de oficio, já que recai sobre a mesma o ônus de comprovar os fatos constitutivos do direito de efetuar o lançamento, nos termos do art. 149, inciso IV, do CTN. E após a lavratura do lançamento, caberia ao contribuinte fazer prova, mediante documentação hábil e idônea, de que os acréscimos patrimoniais levantados pela fiscalização são suportados por seus rendimentos já tributados, isentos ou não-tributáveis. No presente caso, a autoridade julgadora atestou que a RECORRENTE havia alegado erro de seu contador quando do preenchimento de sua DIRPF, mais especificamente sobre a indicação de valores nos campos referentes às dividas e ônus reais e ao anexo da atividade rural (dividas vinculadas à atividade rural). Sobre o terna, a DRJ esclareceu que o art. 21 da Instrução Normativa SRF n° 83, de 11 de outubro de 2001, estabelece que os empréstimos destinados ao financiamento da atividade rural não justificam acréscimo patrimonial, desde que comprovadamente utilizados nessa atividade. Assim, diante da norma acima citada, a autoridade julgadora afirmou que, para o RECORRENTE poder transferir os valores dos empréstimos contratados para o campo "dividas vinculadas à atividade rural", caberia ao mesmo fazer prova de que tais valores, declarados no campo "dividas e ônus reais" da declaração referente ao ano-calendário 1996 (R$ 150.364,43), foram de fato utilizados na atividade rural. Por essas razões, a DRJ manteve integralmente o crédito exigido no auto de infração. DO RECURSO VOLUNTÁRIO É 4 5 Processo n° 10865.001634/2001-52 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.864 Fl. 173 A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 03/07/2007, confoime faz prova o "Aviso de Recebimento" de fl. 159, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 160 a 166, em 26/07/2007. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou o alegado em sua impugnação, defendendo em resumo: a inexistência de acréscimo patrimonial, o que poderia der averiguado por meio de uma simples alteração entre os valores declarados no campo "dívidas e ônus reais" e no campo "dívidas vinculadas à atividade rural". Ademais, alegou que a autoridade fiscal não havia respeitado os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, visto que não poderia considerar o acréscimo patrimonial ora detectado, uma vez que a fiscalização se baseou em informação contida em DIRPF preenchida de forma incorreta. Portanto, requereu a procedência de seu recurso para reconhecer a ausência de acréscimo patrimonial a descoberto, e julgar improcedente o presente lançamento. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de imposto de renda contra a RECORRENTE, em decorrência de acréscimo patrimonial a descoberto, após revisão da sua declaração do ano-calendário 1997. Da análise dos autos, conclui-se que o acréscimo patrimonial foi identificado por um suposto erro da RECORRENTE, que costumava indicar, no campo "dívidas e ônus reais" da declaração de ajuste, os empréstimos contratados perante instituições financeiras destinados à atividade rural, enquanto o correto seria indicá-los no campo "dívidas vinculadas à atividade rural", constante no anexo denominado "atividade rural". Tal procedimento deve ser observado uma vez que o art. 21 da Instrução Normativa SRF n° 83, de 11 de outubro de 2001, determina que "Os empréstimos destinados ao financiamento da atividade rural, comprovadamente utilizados nessa atividade, não justificam acréscimo patrimonial." . De acordo com o extrato de evolução patrimonial de fl. 15, na coluna referente ao ano-calendário 1996, verifica-se que a RECORRENTE indicou como dívida e ônus reais daquele ano o valor de r,R$ 150.364,43, e não indicou o referido valor no campo „Azdestinado à dívida e ônus reais d afio anterior quando do preenchimento de sua declaração referente ao ano-calendário 1997. I/ Processo n° 10865.001634/2001-52 S2 -C1T2 Acórdão n.° 2102-00.864 Fl. 174 Evolinfte, patrEmortlal 1W17 (R$) Mo cafendário 1C06 Sem I dreatos- ano tenor 7133.771.54 891 47477 Berra f rfleltO8 - ano hese 7(n.. ,12 715.818.7 841,0142u DIVtIN5O118 reais- "mo N11er 1. ,03 138.845,17 2.527 Dlvda'SnoS teM- aio base ROO 43 136. , 7 Essa falta de informação foi um dos fatos que ocasionou a ação fiscal por parte da autoridade lançadora, que, conforme informação fiscal de fl. 112, entendeu que o valor de R$ 150.364,43 referentes às dividas e ônus reais do ano anterior foi omitido pela RECORRENTE quando do preenchimento de sua declaração de ajuste do ano-calendário 1997. Assim, alterou de oficio a DIRPF do ano-calendário 1997 da RECORRENTE para suprir a suposta omissão. Com a correção de oficio da declaração de ajuste, a autoridade lançadora, ao fim da ação fiscal, entendeu que as dividas e ônus reais foram quitadas, e concluiu pela apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, conforme cálculos de fls. 113 e 114 dos autos. Ocorre que, de acordo com o alegado pela RECORRENTE em sua impugnação, por orientação de novo contador contratado no ano-calendário de 1997, passou a indicar corretamente os empréstimos destinados à atividade rural no anexo "atividade rural" da declaração de ajuste, mais precisamente no campo "dividas vinculadas à atividade rural" (fl. 23). Com essa repentina mudança do local da indicação dos empréstimos contratados, aliada à correção de oficio realizada pela autoridade lançadora na declaração de ajuste do ano-calendário 1997, o que aparentou foi que a RECORRENTE havia praticamente quitado os empréstimos contratados, o que resultou numa suposta evolução patrimonial além de seus rendimentos, conforme cálculos de fl. 113, abaixo indicado: EVOLUÇÃO PATRIIVION valores expressás em REAIS). e clitrOto,irá ail:0 1 ¡lig 'tendi:0(08 Declamou de Ajusto Anu:31996j . . : (A):-,715.618,76, o dinataa no ano1997:,(con1'ornta DeollaraçAoda Ajunto Milton , (B) 7G7 ll33l as o ônus nó ano. '1998 (elnprétattretrá bancács 'colma dernonOtrad—on) ' (C) 150.364,43 !,, Ci5 e ónus nó anOlÓtTioortfortno Dedo' nnçâo do Num° Anual) (D) , 1.500,76, iuLT O , [(B)-(A)+(C)-(D) 200.958,22, Entendo não haver dúvida quanto à tranferência (anos-calendários 1996 e 1997) dos empréstimos do campo "dividas e ônus reais" para o campo "dívidas vinculadas à atividade rural". Tal fato pode ser observado ao realizar uma comparação dos empréstimos indicados no campo "dividas vinculadas à atividade rural" da declaração de ajuste do ano-/// calendário 1997 (fl. 23), com os indicados no campo "dívidas e ônus reais" da declaração 40:11 1 6 Processo n° 10865,001634/2001-52 S2-C1T2 Acórdão w° 2102-00.864 F1, 175 ano-calendário 1996 (fl. 16v). Abaixo, seguem relacionados os contratos que comprovam empréstimos para a atividade rural: Financiador: COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA DO VALE DO MOGI GUAÇU Saldo devedor em 31/12/1996 — R$ 67.439,26 (fl. 28) Financiadora: BANESPA /Empréstimo Crédito Rural Saldo devedor em 31/12/1996 — R$ 23.158,17 01. 36) Financiador: FINAME (AGRÍCOLA) Saldo devedor em 31/12/1996 — R$ 30.693.59 (fl. 42) Financiador: BANCO DO BRASIL Saldo devedor em 24/12/1996 — R$ 29.587,44 (tl. 43) Ou seja, é fato que as dívidas não foram pagas em sua totalidade, o que reforça a alegação da RECORRENTE de que, a partir do ano-calendário 1997, os empréstimos contratados para a atividade rural, antes indicados no campo "dívidas e ônus reais" foram transferidos para "dívidas vinculadas à atividade rural". Apesar da fiscalização ter apurado o acréscimo patrimonial a descoberto, em razão da aparente quitação dos empréstimos contratados anteriormente, indicado no campo "dívidas e ônus reais", tal infração não pode subsistir, vez que a RECORRENTE comprova não haver quitado as dívidas, mas sim as transferiu para o anexo "atividade rural" de sua DIRPF. Portanto, percebe-se que a aparente quitação dos empréstimos decorreu de erro de fato praticado pela RECORRENTE quando do preenchimento de suas declarações anteriores ao ano-calendário 1997, oportunidade em que indicava erradamente os empréstimos rurais contratados no campo "dívidas e ônus reais", o que contribuía para o cálculo de sua evolução patrimonial e acabou por gerar um acréscimo patrimonial a descoberto fictício, logo que a mesma passou a indicar tais empréstimos rurais no campo correto. Em relação ao erro de fato, cumpre esclarecer que esta é matéria da maior relevância em Direito Tributário, já tendo sido, inclusive, objeto de análise pormenorizada pelo jurista Paulo de Barros Carvalho l , quando afirma existirem dois tipos de erros, o citado erro de fato e o erro de direito. Senão vejamos as suas palavras sobre o tema: "Com efeito, visto o fato na sua contextura da linguagem, o 'erro de fato' diria respeito à utilização inadequada das técnicas lingüísticas de certificação dos eventos, isto é, dos modos cabíveis de relatar-se juridicamente um acontecimento do mundo real. Seria um problema relativo às provas. Constituído juridicamente o fato, observa-se logo em seguida, que houve engano em relação aos recursos da linguagem utilizados para a sua tipificação. Lidas as provas com mais cuidado, percebe-se que apontam para nova situação jurídica, que não agudo- primeira. A conclusão será imediata: houve erro de fato." /77, CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incide ' 'ia. São Paulo: Saraiva. 2 ed., 1999, p, 96. 7 'arlos André Rodrigues Pereira Lima Processo n° 10865.001634/2001-52 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.864 Fl, 176 O erro de direito é distorção entre o enunciado protocolar e da norma individual e concreta e a universalidade enunciativa da norma geral e abstrata, ao passo que o erro de fito é desajuste interno na formação do enunciado protocolar. Consoante a linguagem em que foi concebido, percebe-se que o enunciado protocolar E' está mal formado, devendo ser substituído pelo enunciado E. Verificou-se um erro de construção: em vez da prova P, foi utilizada a prova P'." No caso em tela, é possível averiguar que a RECORRENTE incorreu em erro de fato quando indicava os empréstimos destinados à atividade rural no campo das dívidas e ônus reais da declaração de ajuste e que, quando passou a indicá-los no campo correto, a autoridade fiscal concluiu (erradamente) que os empréstimos haviam sido quitados. Acerca dos empréstimos contratados pela RECORRENTE, da analise da documentação (fls. 134 a 139 e fls. 143 a 151), não resta dúvida sobre a sua finalidade, pois são vinculados à atividade rural, o que os enquadra na hipótese do art. 21 da Instrução Normativa SRF n° 83, de 11 de outubro de 2001, anteriormente citada, não sendo passiveis, portanto, de justificarem acréscimo patrimonial a descoberto. Conforme precedentes do antigo Conselho de Contribuinte do Ministério da Fazenda, "a renda omitida pode ser identificada por meio de presunção legal que tenha referência na diferença positiva entre as aplicações e os ingressos de recursos havidos no período. Para excluir ou incluir fato econômico na base presuntiva considerada, necessário prova direta ou indireta de sua ocorrência." (Processo n° 10073.000234/2002-27; julgado em 29/05/2008). Assim, refazendo os cálculos, para averiguar se com a exclusão dos financiamentos/empréstimos ainda persistia o evento "APD", chega-se ao seguinte resultado: [(valor de bens e direitos em 1997 — valor de bens e direitos em 1996) + (valor das dívidas e ônus reais em 1996 — valor das dívidas e ônus reais em 1997)] = R$ 767.713,31 — R$ 715.618,76 + R$ 0,00— R$ 1.500,76 = R$ 50.593,79 = Evolução Patrimonial (Evolução Patrimonial — recursos recebidos) + dispêndios = (R$ 50.593,79 — R$ 135.122,52) + R$ 22.613,06 = - R$ 61.915,67. Portanto, conclui-se que a evolução patrimonial da RECORRENTE, no ano- calendário 1997, tem lastro nos seus rendimentos declarados. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de cancelar o presente lançamento de imposto de renda, visto que não ocorreu o acréscimo patrimonial a descoberto apurado no auto de infração. 8
score : 1.0
Numero do processo: 15374.002150/2006-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2000
ABONO VARIÁVEL. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. NATUREZA INDENIZATÓRIA.
A verba denominada abono variável e provisório foi declarada como de natureza indenizatória pelo Supremo Tribunal Federal, através da Resolução 245/2002, sendo, portanto, isenta do imposto de renda.
O abono variável, estendido aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, determinado na Lei Estadual nº 4.433/2004 também possui natureza indenizatória.
Numero da decisão: 2402-007.532
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. A verba denominada “abono variável e provisório” foi declarada como de natureza indenizatória pelo Supremo Tribunal Federal, através da Resolução 245/2002, sendo, portanto, isenta do imposto de renda. O abono variável, estendido aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, determinado na Lei Estadual nº 4.433/2004 também possui natureza indenizatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luís Henrique Dias Lima e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 21 50 /2 00 6- 81 Fl. 115DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.532 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002150/2006-81 Relatório Trata-se de recurso voluntário em face da decisão da 2ª Tuma da DRJ/RJOII, consubstanciada no Acórdão nº 13-21.006 (fl. 87), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. Nos termos do relatório da r. decisão, bem como do despacho de decisório de fl. 13, tem-se que a presente demanda se trata de pedido de retificação de declaração do exercício 2001, para exclusão do campo de rendimentos tributáveis de valores recebidos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o que resultaria num imposto a restituir de R$ 4.755,06, conforme fls. 2 a 4. O referido pedido de retificação tem como objeto a exclusão de rendimentos tributáveis com base na Resolução do STF nº 245/2002, informando a requerente ser pensionista de membro do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. A Delegacia da Receita Federal proferiu despacho de fls. 13 e 14, indeferindo o pleito, nos seguintes termos, em síntese: Com respeito à aplicação da Resolução do STF n° 45/2002, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no seu parecer de n° 2.161/2005, assim dispõe: “Por força deste raciocínio, seria razoável admitir que o vínculo da Resolução dá-se, tão somente, com a Lei n° 10.474, de 27 de junho de 2002, bem como com a Lei n° 10.477, de 27 de junho de 2002. Tão só ao Ministério Público Federal e a Magistratura Federal é que se projetam os efeitos da Resolução n° 245, de 2002. Restrição é o tom hermenêutico que deve nortear a reflexão. Isenções heterônomas e supostas incompatibilidades normativas emergem, temas circunstancializados, à saciedade, no Parecer PGFN/CAT n° 282/2005, aplicável, mudando-se o que deva ser mudado, no caso presente”. Cientificado, o Representante Legal do Espólio da Contribuinte interpôs a Manifestação de Inconformidade de fls. 19 a 30, defendendo a natureza indenizatória dos valores recebidos. A DRJ, por meio do susodito Acórdão nº 13-21.006 (fl. 87), julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, tendo concluído que: (...) quando a Interessada interpôs sua solicitação de retificação de declaração em 28/04/2006, já havia transcorrido cinco anos contados de 31/12/2000, razão pela qual há que se considerar alcançado pela decadência o direito de a Interessada pleitear restituição por meio de uma nova declaração retificadora. Quanto ao mérito da restituição requerida, faz-se mister destacar que os rendimentos oriundos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro não fazem jus ao mesmo tratamento tributário concedido ao abono variável tratado na Lei n° 10.474, de 2002 e na Lei n° 10.477, de 2002, aplicável aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União. A Lei n° 10.477, de 2002, restringe-se ao abono variável aplicável aos membros do Ministério Público da União. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro com fulcro na Lei Estadual n° 4.433, de 2004. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.477, de 2002, Fl. 116DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.532 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002150/2006-81 seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Cientificado da decisão exarada pela DRJ, o Espólio da Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 95 a 110, reiterando os termos da manifestação de inconformidade, além de defender a ausência de decadência para pleitear o pedido de retificação da DIRPF 2001, suscitada pela DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Conforme exposto no relatório supra, trata-se o presente caso de pedido de retificação da DIRPF Exercício 2001 e, por conseguinte, de restituição do Imposto a Restituir apurado, tendo em vista a edição da Resolução n° 245/2002, pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou de natureza jurídica indenizatória os reajustes concedidos ou incorporados à remuneração dos magistrados e aos membros do Ministério Público Federais, a contar de janeiro de 1998 até a edição da Lei 10.474/02. A DRJ, como visto, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte, tendo concluído, em síntese, que: (i) quando a Interessada interpôs sua solicitação de retificação de declaração em 28/04/2006, já havia transcorrido cinco anos contados de 31/12/2000 (data do fato gerador), razão pela qual há que se considerar alcançado pela decadência o direito de a Interessada pleitear restituição por meio de uma nova declaração retificadora, e (ii) quanto ao mérito da restituição requerida, faz-se mister destacar que os rendimentos oriundos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro não fazem jus ao mesmo tratamento tributário concedido ao abono variável tratado na Lei n° 10.474, de 2002 e na Lei n° 10.477, de 2002, aplicável aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União. O Espólio da Contribuinte apresentou o recurso voluntário de fl. 95 a 110, reiterando os termos da manifestação de inconformidade, além de defender a ausência de decadência para pleitear o pedido de retificação da DIRPF 2001, suscitada pela DRJ. Passemos, então, à análise das razões de defesa objeto do recurso voluntário. Da Decadência do Direito de a Contribuinte apresentar o Pedido de Retificação da DIRPF Exercício 2001 Neste ponto, esclarece inicialmente o Recorrente que, segundo as autoridades julgadoras, quando a recorrente apresentou a solicitação de retificação da declaração relativa ao exercício de 2001, em 28.04.2006, já havia transcorrido o prazo decadencial de 5 anos, que teria se iniciado em 31.12.2000. Fl. 117DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.532 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002150/2006-81 Contra tal assertiva do órgão julgador de primeira instância, defende o Recorrente que tal entendimento não deve prosperar, tendo em vista que, conforme reconhecido pelo próprio despacho decisório que negou o pedido de restituição e contra o qual foi interposta a manifestação de inconformidade (folha 14), o pleito da ora recorrente foi apresentado antes de expirado o prazo decadencial. De fato, analisando-se o Despacho da Unidade de Origem que indeferiu o pedido de retificação apresentado pela contribuinte (fls. 13 e 14), verifica-se que o indeferimento está embasado apenas e tão somente no mérito da retificação, in verbis: Com respeito à aplicação da Resolução do STF n° 45/2002, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no seu parecer de n° 2.161/2005, assim dispõe: “Por força deste raciocínio, seria razoável admitir que o vínculo da Resolução dá-se, tão somente, com a Lei n° 10.474, de 27 de junho de 2002, bem como com a Lei n° 10.477, de 27 de junho de 2002. Tão só ao Ministério Público Federal e a Magistratura Federal é que se projetam os efeitos da Resolução n° 245, de 2002. Restrição é o tom hermenêutico que deve nortear a reflexão. Isenções heterônomas e supostas incompatibilidades normativas emergem, temas circunstancializados, à saciedade, no Parecer PGFN/CAT n° 282/2005, aplicável, mudando-se o que deva ser mudado, no caso presente”. Registre-se, pela sua importância, que a Unidade de Origem não apenas fundamentou o indeferimento do pedido formulado pela Contribuinte nesse único argumento (de mérito), mas também se manifestou de forma expressa em relação ao prazo da então Requerente para pleitear a retificação da DIRPF Exercício 2001, tendo concluído, no caso concreto, que o requerimento do contribuinte foi protocolizado (...) antes de ter decaído o prazo para se proceder a um novo lançamento: Preliminarmente, cabe verificar se o contribuinte está dentro do prazo de pleitear a retificação da DIRPF do exercício de 2001. A esse respeito, o artigo 898 do Decreto n° 3.000, de 26/03/99, no que se refere à decadência, assim dispõe: Art. 898. O direito de proceder ao lançamento do crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados (Lei n2 5.172, de 1966, art. 173): I- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. § 1º O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória, indispensável ao lançamento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). § 2º A faculdade de proceder a novo lançamento ou a lançamento suplementar, à revisão do lançamento e ao exame nos livros e documentos dos contribuintes, para os fins deste artigo, decai no prazo de cinco anos, contados da notificação do lançamento primitivo (Lei nº 2.862, de 1956, art. 29). Analisando o § 2° do artigo 898 do RIR, acima transcrito, o lançamento primitivo se deu em 30/04/2001, conforme cópia do recibo de entrega anexo às fls. 12, e o requerimento do contribuinte foi protocolizado na DERAT/RJ em 28/04/2006, ou seja, antes de ter decaído o prazo para se proceder a um novo lançamento. Fl. 118DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.532 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002150/2006-81 Neste contexto, razão assiste ao Recorrente quando este afirma que o acórdão recorrido, na parte em que entendeu decaído o direito ã restituição, é nulo de pleno direito, na medida em que em que este não foi o motivo pelo qual despacho decisório de folhas 14 e 15 negou o pedido de restituição. De fato, trata-se de clara e evidente inovação na motivação do indeferimento do pedido formulado pela Contribuinte, o que é vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, notoriamente as regras de regência do processo administrativo fiscal. Como cediço, uma vez efetuado o lançamento – ou, no caso concreto – o indeferimento do pedido de retificação - o fundamento não pode ser corrigido pelas instâncias julgadoras. A fundamentação da DRJ vai além da fundamentação da DRF, o que causa o cerceamento de defesa da Contribuinte, a qual perdeu uma instância (manifestação de inconformidade) para discutir essa nova fundamentação. Nessa linha, o acórdão da DRJ é nulo, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: (...) II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse sentindo têm decidido este E. Conselho ao longo dos anos, conforme decisões colacionadas abaixo: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido. (CARF. 3ª SJ, 1ª TE. Proc. 10480.914180/2009-53, julgado em 30/01/2013. Rel. José Luiz Bordignon) IRPJ. NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FUNDAMENTO DISTINTO DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula a decisão que mantiver o lançamento com fundamentos distintos dos que basearam o auto de infração, em razão de não permitir o amplo direito de defesa ao contribuinte em face da inovação após a sua impugnação. (Primeiro Conselho de Contribuintes. Processo 11020.003043/2004-67, julgado em 17/08/2006) CERCEAMENTO DE DEFESA. DECISÃO COM ANÁLISE DE ARGUMENTO QUE NÃO CONSTA NO LANÇAMENTO. A decisão de primeira instância deve analisar e enfrentar argumentos presentes no lançamento e no recurso. A inovação de motivação confunde o sujeito passivo, cerceando sua defesa. Anulada a Decisão de Primeira Instância. (Segundo Conselho de Contribuintes. Processo 14041.001182/2007- 49, julgado em 03/12/2008) Assim sendo, não resta dúvida de que a inovação da DRJ ocasionou a nulidade de seu acórdão, no que tange especificamente ao reconhecimento, por aquele órgão julgador, da decadência para interposição do pedido de retificação da DIRPF Exercício 2001. Por fim, mas não menos importante, é de se observar que o caso em análise não se trata de um pedido de restituição em sentido estrito, tal como abordado e considerado no acórdão recorrido, mas sim de pedido de retificação da DIRPF Exercício 2001. Fl. 119DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.532 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002150/2006-81 De fato, ao tratar o tema em análise, o órgão julgador de primeira instância assim se manifestou: inicialmente, cumpre suscitar a questão do prazo decadencial para interposição de pedidos de restituição. Nesse particular, é preciso reportar-se aos arts. 165, I, e 168, I, do CTN (...). Ocorre que, como já pontuado linhas acima, o presente caso se trata de pedido de retificação da DIRPF Exercício 2011, sendo esclarecedores os ensinamentos do precedente trazido à baila pelo Contribuinte acerca do prazo para pleitear sua retificação, in verbis: Conforme reconhecido pelo próprio despacho decisório que negou o pedido de restituição e contra o qual foi interposta a manifestação de inconformidade (folha 141, o pleito da ora recorrente foi apresentado antes de expirado o prazo decadencial: (...) Analisando o § 2° do artigo 989 do RIR, acima transcrito, o lançamento primitivo se deu em 30/04/2001, conforme cópia do recibo de entrega anexo as fls. 12, e o requerimento do contribuinte foi protocolizado na DERAT/RJ em 28/04/2006, ou seja, antes de ter decaído o prazo para se proceder a um novo lançamento. Esse e o entendimento adotado pelo 4° Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no acórdão CSRF/04-00.402, assim ementado: “IRPF - DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - RETIFICAÇÃO – RRAZO É valida a Declaração de Ajuste Anual Retificadora, apresentada dentro do prazo de cinco anos, contados da data de entrega tempestiva da declaração original (Parecer COSIT n° 48, de 07/07/1999). Recurso especial negado". Do voto condutor do acórdão acima, da lavra da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, extrai-se a seguinte e elucidativa passagem, inteiramente aplicável a hipótese dos autos: Nesse contexto, levando-se em conta que a própria SRF orientou os contribuintes a solicitarem a restituição apurada na Declaração de Ajuste Anual por meio deste instrumento, cabe trazer a colação o Parecer COSIT n° 48, de 07/07/1999 que, tratando do prazo para apresentação de declaração de rendimentos retificadora, assim conclui: ‘Dos comandos legais citados, temos que se extingue no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim da mesma forma que a Fazenda Pública submete-se a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.’ (grifos originais) Sobre o tema, destaque-se, ainda, o entendimento da própria Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil, extraído do “Perguntas e Respostas do IRPF 2019”: RETIFICAÇÃO – PRAZO 040 — Há limite de prazo para a retificação da declaração? Sim. Extingue-se em cinco anos o direito de o contribuinte retificar a declaração de rendimentos, inclusive quanto ao valor dos bens e direitos declarados. Atenção: Sobre o termo inicial da contagem do prazo de 5 anos: Fl. 120DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.532 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002150/2006-81 a) se tiver havido algum imposto pago antecipadamente (Carnê-leão, Imposto complementar, IRRF): 5 (cinco) anos a partir de 1º de janeiro do ano seguinte ao ano inicial de apresentação da declaração; b) se não tiver havido algum imposto pago antecipadamente: 5 (cinco) anos a partir do ano inicial de apresentação da declaração. Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário neste particular. Do Mérito Conforme já exposto no presente voto, trata-se o presente caso de pedido de retificação da DIRPF Exercício 2001 e, por conseguinte, de restituição do Imposto a Restituir apurado, tendo em vista a edição da Resolução n° 245/2002, pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou de natureza jurídica indenizatória os reajustes concedidos ou incorporados à remuneração dos magistrados e aos membros do Ministério Público Federais, a contar de janeiro de 1998 até a edição da Lei 10.474/02. A DRJ, como visto, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte, tendo concluído, em síntese, neste particular, que os rendimentos oriundos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro não fazem jus ao mesmo tratamento tributário concedido ao abono variável tratado na Lei n° 10.474, de 2002 e na Lei n° 10.477, de 2002, aplicável aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União. O Recorrente, por seu turno, defendeu a natureza indenizatória de tais rendimentos, trilhando a seguinte linha de raciocínio: Natureza Indenizatória: a) O “Abono Variável" do Magistratura e do Ministério Público Federal; b) O STF Reconheceu a Natureza Indenizatória do “Abono Variável"; c) A PGFN e o Ministro do Fazenda reconheceram a natureza indenizatória do “Abono Variável"; d) O “Abono Variável" do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro; e) A PGFN, a AGU e a PGR reconhecem Que o “Abono Variável" do MPERJ é idêntico aos das Leis 10.474 e 10.477; f) O "Abono Variável" do MPERJ também Tem Natureza Indenizatória; A questão de mérito tratada nos presentes autos se refere, pois, à atribuição dada pela Recorrente aos rendimentos recebidos de sua fonte pagadora a título de abono variável, os quais foram declarados em sua DIRPF Retificadora como isentos ou não-tributáveis. Com efeito, as Leis nº 9.655/98 e 10.474/02 concederam aos membros da Magistratura Federal o abono variável, o qual foi estendido, por meio da Lei nº 10.477/2002, aos membros do Ministério Público Federal. O STF, em sua Resolução nº 245/2002, declarou que este abono variável tem natureza indenizatória, por entender que o mesmo tem o objetivo de reparar prejuízos anteriormente sofridos, não caracterizando, portanto, fato gerador do imposto de renda. Posteriormente, foi editada a Lei Estadual nº 4433/2004, que concedeu aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o abono variável nos mesmos moldes e objetivos daquele instituído pela Lei Federal. Fl. 121DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.532 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002150/2006-81 Por esta razão, a Contribuinte tentou proceder à retificação da sua DIRPF, para reclassificar os rendimentos recebidos do MPERJ a título de abono variável como isentos ou não-tributáveis, diminuindo, dessa forma, a base de cálculo do imposto de renda do período e gerando, por conseguinte, mais saldo a restituir. Isto é, ao proceder a declaração retificadora, a Contribuinte pretendia reaver os valores recebidos como abono variável que foram regularmente tributados pelo imposto de renda em sua declaração original. Analisando as leis federais que instituíram o abono variável aos membros do MPF, bem como a lei estadual que concedeu o abono aos membros do MPERJ, verifica-se que ambos os abonos são idênticos, tendo sido instituídos para os mesmos fins. Dessa forma, considerando que o STF já reconheceu a natureza indenizatória do abono variável, faz-se mister conceder ao abono variável dado aos membros do MPERJ o mesmo tratamento tributário, isentando tais valores da tributação pelo imposto de renda. Outrossim, conforme destacado pelo Recorrente, a própria PGFN, por meio do Parecer nº 2.160/2005, reconhece que é necessário conceder aos abonos variáveis em análise o mesmo tratamento tributário, sob pena de ferimento aos princípios da isonomia, proporcionalidade e razoabilidade, consagrados no nosso ordenamento jurídico. Por fim, mas não menos importante, tem-se que o entendimento aqui exposto encontra guarida na jurisprudência emana do TRF 2ª Região, órgão do poder judiciário que já teve oportunidade de se manifestar em diversas ocasiões acerca do tema em análise, in verbis: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ABONO INSTITUÍDO PELA LEI ESTADUAL 4.333/2004 - MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. NATUREZA INDENIZATÓRIA. SENTENÇA MANTIDA. 1. O Supremo Tribunal Federal, por meio da Resolução nº 245/2002, reconheceu que o abono variável de que trata a Lei nº 10.474/2002 possui natureza indenizatória. Portanto, o abono variável, estendido aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, determinado na Lei Estadual nº 4.433/2004 também possui natureza indenizatória. 2. No âmbito administrativo há também o reconhecimento da natureza indenizatória das referidas verbas (Parecer PGFN 529/2003, em relação à Magistratura, e Parecer PGFN 923/2003, em relação ao MPF), ambos aprovados pelo Ministro da Fazenda. 3. Negado provimento à remessa necessária e ao recurso de apelação. (...) VOTO O recurso não apresentou argumentos novos, muito menos capazes de demover as conclusões da sentença, de modo que a transcrevo, adotando na íntegra seus fundamentos: “Inicialmente, rejeito a preliminar de litisconsórcio passivo necessário com o Estado do Rio de Janeiro arguida pela UNIÃO, uma vez que a autora se insurge contra lançamento tributário realizado em seu desfavor pela Fazenda Nacional, descabendo, aqui, quaisquer considerações acerca da destinação do valor do tributo. Passo ao mérito. A Emenda Constitucional nº 19, de 4/6/1998 introduziu alteração no art. 93, V, da Constituição da República, nos seguintes termos: Constituição da República: Fl. 122DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-007.532 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002150/2006-81 Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supre Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: ... V - os vencimentos dos magistrados serão fixados com diferença não superior a dez por cento de uma para outra das categorias da carreira, não podendo, a título nenhum, exceder os dos Ministros do Supremo Tribunal Federal; (redação original) V - o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional, não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento, nem exceder a noventa e cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros dos Tribunais Superiores, obedecido, em qualquer caso, o disposto nos arts. 37, XI, e 39, § 4º; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) A Lei nº 9.655, de 2/9/1998, por sua vez, estabeleceu: Art. 6º Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a dada da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional. Art. 7º Esta Lei entra em vigor na data da publicação da Emenda Constitucional a que se refere o artigo anterior, com exceção do art. 5º, que entra em vigor na data da publicação desta Lei. Posteriormente, a Lei nº 10.474, de 27/6/2002, dispôs: Art. 2º O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida por Magistrado, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1º Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos Magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2º Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. § 3º O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. A Lei nº 10.477, de 27/6/2002, por sua vez, estendeu o abono variável previsto na Lei nº 9.655/98 aos membros do Ministério Público da União. Vejamos: Art. 2º O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. § 1º Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 junho de 1998. § 2º Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Fl. 123DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-007.532 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002150/2006-81 § 3º O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Por fim, a Lei Estadual nº 4.433, de 28/10/2004, do Estado do Rio de Janeiro, estendeu aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o abono variável, conforme se vê: Art. 1º Aplica-se aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o disposto no art. 2º, caput, e § 1º, da Lei federal nº 10.477, de 27 de junho de 2002. De outro giro, o Supremo Tribunal Federal, por meio da Resolução nº 245/2002, reconheceu que o abono variável de que trata a Lei nº 10.474/2002 possui natureza indenizatória. Transcrevo: Art 1º. É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Verifica-se, portanto, que o abono variável pago aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro possui a mesma natureza da verba inicialmente paga aos magistrados federais e posteriormente estendida aos membros do Ministério Público Federal, vale dizer, natureza indenizatória, devendo, por conseguinte, ser excluído da base de cálculo do imposto de renda. Desta forma, resultam insubsistentes os autos de infração derivados da apresentação das declarações retificadoras apresentadas pela autora, relativas aos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002. Diante do exposto, julgo procedente o pedido autoral, para declarar a nulidade dos lançamentos de IRPF objetos dos processos administrativos nºs 17883.000267/2005-24 e 17883.000175/2006-25. Condeno a UNIÃO ao ressarcimento das custas pagas pela parte autora, bem como ao pagamento de honorários advocatícios que ora fixo em 10% sobre o valor atualizado da causa. Sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório. Decorrido, sem manifestação, o prazo recursal, remetam-se os autos ao E. TRF da 2ª Região, com as nossas homenagens. P.R.I.” É esse o entendimento, também, desta 4ª Turma: “TRIBUTÁRIO - IMPOSTO DE RENDA - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - ABONO INSTITUÍDO PELA LEI ESTADUAL 4.333/2004 - MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL - COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL -. - Procedimento administrativo n. 17883.000287/2005-03, decorrente do auto de infração - cópias às fls. 67/77-, anulado, pois a Receita Federal, pretende cobrar da autora imposto de renda, acrescidos de juros de mora e de multa de 75%, já recolhidos por ocasião das declarações originais de ajuste anual dos exercícios de 2001, 2002 e 2003, o que configura verdadeiro bis in idem. - O Supremo Tribunal Federal, por meio da Resolução nº 245/2002, reconheceu que o abono variável de que trata a Lei nº 10.474/2002 possui natureza indenizatória :"Art 1º. É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." - Portanto, o abono variável, estendido aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, determinado na Lei Estadual nº 4.433/2004 tem natureza indenizatória. - No âmbito administrativo há também o reconhecimento da natureza indenizatória das referidas verbas (Parecer PGFN 529 / 2003, em relação à Magistratura, e Parecer PGFN 923 / 2003, em relação ao MPF), ambos aprovados pelo Ministro da Fazenda. - Na lição de SAVATIER, "dano moral é todo sofrimento humano que não é causado por uma perda pecuniária" e, in casu, não foi comprovada qualquer lesão causada ao patrimônio moral da autora, em razão do indeferimento dos Fl. 124DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-007.532 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002150/2006-81 processos administrativos. –Remessa necessária e apelações desprovidas. (TRF2, 201051010115216, 4ª Turma, Relator Desembargador Federal FERREIRA NEVES, Julgamento 06/08/2013, Pub. 19/08/2013).” (grifo meu) Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO à remessa necessária e ao recurso de apelação. (Apelação Cível/Reexame Necessário nº 0049763-78.2012.4.02.5101, Data da Decisão 06/11/2018) Conclusão Ante o exposto, concluo o voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendo-se o direito à restituição pleiteada. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Declaração de Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. Não obstante o bem elaborado voto do i. Relator, peço vênia para dele divergir nos termos que segue. Conforme informado no voto em apreço, lei estadual estendeu à Magistratura do Estado do Rio de Janeiro os efeitos da Resolução n. 245/2002, da lavra do Supremo Tribunal Federal (STF), afastando, assim, a incidência de IRPF sobre verbas pagas a título de abono variável. Ocorre que a competência para legislar sobre IRPF é da União Federal, nos termos do art. 153, III, sendo a hipótese de incidência tributária delineada no art. 43 e ss. do CTN. Nessa perspectiva, ao afastar a tributação do IRPF sobre as verbas recebidas a título de abono variável, a lei estadual promoveu verdadeira isenção heterônoma, caracterizada quando um ente federativo diferente daquele que detém a competência para instituir o tributo, concede o benefício fiscal da isenção tributária. O instituto da isenção tributária tem previsão nos arts. 176 e ss. do CTN, e constitui-se forma de exclusão do crédito tributário, caracterizando-se como óbice ao seu lançamento, ainda que materializada a hipótese de incidência tributária. Todavia, aplicando-se, por simetria, o art. 151, III, da CF/88, não caberia ao Estado do Rio de Janeiro intervir na esfera de atuação da União Federal e promover isenção de IRPF. Fl. 125DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2402-007.532 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002150/2006-81 Nessa perspectiva, e sem qualquer pretensão de discutir a constitucionalidade da lei estadual do Estado do Rio de Janeiro, até porque tal mister é defeso ao julgador administrativo, pugno pela incidência do IRPF em face das verbas recebidas a título de abono variável, em observância à simetria da vedação consignada no art. 151, III, da CF/88, bem assim ao comando do art. 153, III, e arts. 176 e ss. do CTN. (documento assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.917571/2011-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA.
O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.
Numero da decisão: 9303-008.837
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de restituição de créditos originários de pagamento indevido ou a maior de PIS. A DRF de origem emitiu o despacho decisório eletrônico, no qual informava que os valores constantes do DARF discriminado no PER/DCOMP encontravam-se utilizados para quitação de débitos da contribuinte, sem disponibilidade para restituição. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, argumentando, em apertada síntese: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 71 /2 01 1- 44 Fl. 190DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.837 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.917571/2011-44 - alega falta de aprofundamento da investigação dos fatos, por parte da autoridade administrativa; - discorda do entendimento da decisão recorrida de que as provas juntadas seriam insuficientes para comprovação do direito creditório pleiteado; - defende a inocorrência da preclusão de apresentação de provas, referida pela decisão recorrida, fazendo alusão ao princípio da verdade material; - afirma que seu pleito estaria fundamentado na inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998), declarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF; - ao final, pede que seja reconhecida a integralidade do crédito pleiteado. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinaria da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3201-003.589, que negou provimento ao pleito. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão a contribuinte interpôs recurso especial, afirmando haver divergência com relação a possibilidade de valoração das provas por ela apresentadas, competindo à autoridade administrativa, com base na documentação apresentada - balancete e livro razão - efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório, com base nos acórdãos paradigmas nº 3801-003.586 e nº 3801-003.577, em franca oposição ao acórdão recorrido, que afirma ser dela o ônus probatório. O Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte, e, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, deu-lhe seguimento. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.828, de 16 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10480.900123/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.828): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Fl. 191DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.837 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.917571/2011-44 No mérito, desde logo saliento que, nos casos de pedido de restituição ou ressarcimento, me alinho com os que entendem ser o ônus probatório do contribuinte, o qual deve demonstrar a certeza e liquidez do direito creditório por ele pleiteado. Invocar a utilização de créditos para compensação apenas com um pedido, desguarnecido das provas necessárias, provas essas que em regra são de posse do requerente, me parece um exagero em afronta à legislação aplicável, iniciando-se com o CTN (art. 170), o Decreto nº 70.235/1972 - PAF (art. 16, § 4º), pela Lei nº 9.784/1999 (art. 36) , a Lei nº 9.430/1996 (art. 74) e chegando ao até ao CPC/2015 (art. 373). Da mesma forma que voto condutor do acórdão recorrido, entendo suficientes as razões de decidir do voto do relator da decisão de piso da DRJ/REC, pois lá se afirmava (e-fls. 61 e 62): 44.( ...) consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5. 46. Ressalto, por oportuno, que as provas de que dispõe a recorrente devem ser apresentadas, sob pena de preclusão ressalvadas as exceções legalmente previstas, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade. É o que preceitua o art. 16, caput, III e §4º, do Decreto 70.235/72. 47. Quanto às provas, convém elucidar, por oportuno, que a faculdade da autoridade julgadora em determinar, ex offício, a realização de diligência ou perícia (art. 18, do Decreto nº 70.235/72) não substitui o ônus processual da parte a quem compete – no caso, o sujeito passivo, que melhor do que ninguém detém amplas condições para promover a comprovação de suas alegações com amparo em documentos hábeis – de trazer aos autos as provas de que dispõe. Nesta vereda, reproduz-se o entendimento de Paulo Celso Bonilha, in “Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997, pp. 77/78 : “(...) o poder instrutório das autoridades de julgamento, deve-se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos e não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições. Inclusive a probatória não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear ao processo." (g.n.) 48. Em análoga diretriz o posicionamento de Humberto Theodoro Júnior (in “Curso de Direito Processual Civil”, Rio de Janeiro, Forense, 1996, pp.417): “(...) Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrá-lo ou exercê-lo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte.” (g.n.) (Destaques do original) Fl. 192DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.837 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.917571/2011-44 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto pela improcedência do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial de divergência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.903916/2015-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2012
NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório.
NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA
Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte.
NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO.
O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto.
PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE.
Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE.
É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas.
DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO.
A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
Numero da decisão: 3401-006.562
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2012 NULIDADE. CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciar-se, por força da Súmula 2 do CARF.
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CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade por carência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando, ainda que sucintamente, as decisões atacadas apresentem fundamentos de fato e de direito, tornando possível o exercício ao contraditório. NULIDADE. DESVIO DE FINALIDADE. INEXISTÊNCIA Não há nulidade por desvio de finalidade quando as decisões atacadas cumprem a função teleológica das normas que lhe dão suporte. NULIDADE. DEVER DE INSTRUÇÃO. MATÉRIA DE MÉRITO. O Dever de Instrução é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO. ANÁLISE. DESNECESSIDADE. Embora pleiteie juntada posterior de provas desde o protocolo da Manifestação de Inconformidade a Recorrente não colige qualquer prova acerca do thema decidendum. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. CONTRIBUINTE. É do Contribuinte a prova da liquidez e certeza de seus créditos em pedido de compensação, não sendo suficiente para tal mister a juntada de declarações retificadas. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 39 16 /2 01 5- 96 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11020.903916/201596 Acórdão n.º 3401006.562 S3C4T1 Fl. 3 2 “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. NÃO CONFISCO. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. A violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho não tem competência pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão acima a Recorrente interpôs o presente recurso reiterando as seguintes teses descritas em sede de Inconformidade: 1. Nulidade do despacho decisório: a) por falta de fundamentação; b) desvio de finalidade, vez que, “extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a Fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela Contribuinte”; c) por ofensa ao dever de instrução; d) por prejuízo ao contraditório e a ampla defesa vez que não teve acesso aos motivos determinantes da decisão que não homologou a compensação; Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11020.903916/201596 Acórdão n.º 3401006.562 S3C4T1 Fl. 4 3 2. Possibilidade de juntada de novas provas ao processo administrativo a qualquer tempo; 3. Caráter confiscatório da multa aplicada; 4. Que a autoridade tributária não pode aplicar multa que tenha a mesma base de tributos, nem por fundamento o mesmo fato gerador; 5. “A fixação da multa, não obstante a sua previsibilidade legal, fere de morte o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade”; 6. “O CTN e a legislação civil estabeleceram como limite máximo para a instituição de juros a taxa de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano”. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.509, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11020.900029/201566. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.509): "2.1.1. O devido processo legal e dois de seus corolários imediatos, o CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA, foram elevados a categoria de garantia Constitucional quer no processo judicial, quer no processo administrativo, a partir da formação da lide – para alguma doutrina litígio , conforme disciplina o artigo 5° inciso LV da Lex Maxima. 2.1.1.1. Doutrina e a Jurisprudência1 – seguindo em parte a Supreme Court – apontam como direitos imanentes ao devido processo legal e, naquilo que importa, ao contraditório e a ampla defesa, a oportunidade de deduzir defesa perante o julgador, a oportunidade de apresentar provas ao órgão julgador e o direito de contrariar as provas e argumentos utilizados contra o litigante. 2.1.1.2. A Lei n° 9.784 de 1999, seguindo a pari passu o entendimento da Suprema Corte Americana, estabeleceu em seu artigo 2° Parágrafo Único inciso X como dever da Administração Pública observar no procedimento administrativo o contraditório e a ampla defesa e, nomeadamente, a garantia aos administrados aos direitos “à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio” eivando de nulidade o procedimento Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11020.903916/201596 Acórdão n.º 3401006.562 S3C4T1 Fl. 5 4 administrativo (na esteira do que giza o artigo 59 inciso II do Decreto 70.235 de 1972) que viole o direito de defesa. 2.1.1.3. No presente caso, a Recorrente se levanta contra suposta preterição do direito de contraditar os fundamentos da decisão administrativa (sem sombra de dúvida, em tese, preterição à ampla defesa). Todavia, as decisões nas situações de litígio no presente processo encontramse fundamentadas. 2.1.1.4. Inobstante a capacidade de síntese da autoridade responsável pela decisão da DRF é fato que nela estão dispostas tanto os fundamentos de fato (valor do DARF integralmente utilizado para quitação de outro débito) quanto os de direito (artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96). 2.1.1.5. De maneira mais densa (em comparação com o quanto decidido pela DRF), a decisão da DRJ deixou absolutamente claros os fundamentos pelos quais nega provimento à Manifestação de Inconformidade da Recorrente – todos descritos no item 1.4 desta decisão. 2.1.1.6. Desta forma, era possível à Recorrente apresentar (sem qualquer exercício de probabilidade por parte dela) argumentos e documentos que demonstrassem a inexatidão do quanto decidido pelas Instâncias Inferiores inexistindo qualquer nulidade neste ponto. Nos acompanha a Jurisprudência: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. (Acórdão nº 2202004.663 – Relatora: Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias) 2.1.2. Ainda que possível o decreto de NULIDADE POR CARÊNCIA DE FUNDAMENTO, esta nulidade ocorre apenas nos casos em que inexiste na decisão atacada fundamentos de fato corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato ou fundamentos de direito dispositivo legal em que se baseia o ato2. Se assim ocorrer (ausência de um ou de outro fundamento) a decisão tornase nula vez que impede o conhecimento da imputação e, consequentemente, a capacidade Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11020.903916/201596 Acórdão n.º 3401006.562 S3C4T1 Fl. 6 5 de refutála, i.e, o exercício do contraditório e a da ampla defesa. 2.1.2.1. A Recorrente alega nulidade vez que as decisões anteriores se limitaram a transferir a ela (Recorrente) o ônus probatório de seu direito creditório. 2.1.2.2. Todavia, como acima descrito, fundamento há; e suficiente para o pleno exercício do contraditório. O grau de correção dos fundamentos da decisão (e, em especial, seu confronto com as teses de defesa) é matéria de mérito – e na parte dedicada ao mérito será enfrentada. 2.1.2.3. Ademais, ao contrário do que alega a Recorrente, as decisões não se limitaram a negar o crédito por insuficiência probatória (vide itens 2.1.1.4); matéria, insistase, de mérito. Sendo de rigor o afastamento da nulidade como, em caso semelhante, se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais: DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. (Acórdão nº 9303007.657 – Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas) 2.1.3. O desvio de FINALIDADE a atrair a nulidade do processo ocorre quando há discrepância entre a função teleológica normativa da decisão e a finalidade de fato do mesmo ato, i.e., entre o resultado previsto legalmente como correspondente à tipologia do ato e a intenção no exercício da decisão3. 2.1.3.1. Tal nulidade acontece porque há um âmbito normativo de competência para a prolação de decisão atribuída aos Julgadores e, dentro deste âmbito de competência encontrase a finalidade da decisão. Portanto, em havendo desvio de finalidade legal da decisão, a consequência necessária é o transbordamento (quando não a usurpação) de competência da Autoridade4. 2.1.3.2. No entanto, a interrupção do prazo de homologação tácita é uma das finalidades (entendida como consequência ou função teleológica) previstas em Lei para a decisão que não homologa o pedido de compensação – ao contrário do que alega a Recorrente em seu arrazoado. 2.1.3.3. Sobremais, tal finalidade (de interromper o prazo de homologação tácita), embora legal, é secundária, pois, o escopo Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11020.903916/201596 Acórdão n.º 3401006.562 S3C4T1 Fl. 7 6 principal dos julgadores ao indeferir o pedido de compensação foi a readequação dos fatos descritos e demonstrados pela Recorrente à Lei – como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. 2.1.4. O DEVER DE INSTRUÇÃO – causa de nulidade, na forma manejada pela Recorrente – é matéria umbilicalmente ligada ao ônus probatório, de mérito, portanto, e também será tratada em tópico apartado. 2.2. O MOMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA documental pelo contribuinte, em regra, coincide com a data protocolo da Manifestação de Inconformidade. As exceções legais são aquelas descritas nas alíneas do § 4° do artigo 16 do Decreto 70.235/72: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 2.2.1. É evidente que o artigo 3° inciso III da Lei 9.784/99 (subsidiária ao Decreto 70.235/72) permite juntar documentos antes da decisão, porém, o mesmo artigo completa que os documentos serão objeto de consideração pelo órgão competente. Quer parecer que “tomar em consideração” difere de “decidir com fundamento em”. Com isto se quer dizer que, ao receber prova extemporânea cabe ao julgador tomala em consideração para análise da justificativa de sua extemporaneidade. Demonstrado que a justificativa de sua extemporaneidade coincide com uma das alíneas do § 4° do artigo 16 acima citado, cabe ao julgador decidir com fundamento na prova extemporânea. Neste sentido a Jurisprudência: PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Acórdão nº 1401 003.149 – Relator: Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves) Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11020.903916/201596 Acórdão n.º 3401006.562 S3C4T1 Fl. 8 7 2.2.2. Há, ainda, hipóteses de permissão de juntada extemporânea da prova criadas pela doutrina e jurisprudência que demandam análise da máfé do contribuinte ao trazer aos autos prova extemporânea5 e da carga probatória do documento coligido (grau de certeza com que o documento demonstra a afirmação). 2.2.3. A Recorrente pleiteia a juntada posterior de provas já em sede de Manifestação de Inconformidade, quando lhe era possível juntar quaisquer documentos ao processo – o que, de plano, torna o argumento algo fora de lugar, com a devida vênia. 2.2.3.1. Ademais, embora pleiteie juntada posterior de provas, a Recorrente traz aos autos i) com a Manifestação de Inconformidade apenas documentos de identificação e documentos relativos a cisão da empresa – que não guardam relação com o crédito pleiteado – e ii) com o Recurso Voluntário apenas documentos de identificação do patrono constituído. Em assim sendo, sequer é necessária análise profunda dos “documentos extemporâneos” vez que não guardam correspondência com o cerne da lide. 2.3. Aliás, a Recorrente não discorre em momento algum sobre o âmago da lide (nomeadamente, sobre o direito ao crédito); limitase a afirmar que o ÔNUS DA PROVA DO CRÉDITO A COMPENSAR no presente caso é da fiscalização. 2.3.1. Na escorreita lição de BONILHA6, para imputarse o ônus probatório como regra de julgamento devese perquirir sobre os fatos relacionados com a situação material a que se refere a relação processual. A situação material em voga é compensação de crédito, prevista no artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96: CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 2.3.2. Portanto cabe a Recorrente coligir provas do conjunto de fatos que servem a fundamentar sua pretensão (ex facto oritur Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11020.903916/201596 Acórdão n.º 3401006.562 S3C4T1 Fl. 9 8 ius), nomeadamente, a liquidez e certeza de seus créditos, como descreve a primeira parte do artigo 28 do Decreto 7.574/2011: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29. 2.3.3. Em adendo, no presente caso não temos apenas um pedido de compensação, mas um pedido de compensação decorrente de suposto erro em Declaração anterior, logo, conforme artigo 147 § 1° do CTN, cabe ao contribuinte (no caso a Recorrente) prova do erro em que se baseou a retificação: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 2.3.4. A Recorrente afirma em DCOMP ser titular de créditos de correntes de pagamento indevido por meio de DARF paga em 23 de março de 2012 no valor total de R$ 63.424,89. 2.3.5. Como prova do alegado pagamento indevido ou a maior, a Recorrente colige aos autos do processo apenas a DCTF retificadora de 20 de outubro de 2014, que indica débito de COFINS no valor de R$ 95.101,60. Ora, como dito acima, a prova do erro em que se funda a correção da Declaração cabe à Recorrente e não há sequer argumento a justificar a correção, quanto menos prova. 2.3.6. A fiscalização (indo além de seu dever) analisou as DACONs entregues pela Recorrente e verificou que foram retificados todos os demonstrativos no campo “créditos descontados referentes a aquisições no mercado interno”. Intimada a se manifestar acerca das razões que motivaram o pagamento indevido ou a maior, a Recorrente apresentou planilha com insumos tais como: material de higiene, material de expediente, custos e despesas de assistência médica e social, transporte pessoal e refeições prontas – supostamente adquiridos no mercado interno. 2.3.7. No entanto, a Recorrente não traz qualquer documento (nota fiscal, livros contábeis) a corroborar com a planilha apresentada. Efetivamente, a Recorrente sequer aventa nos autos seu ramo de atividade, tornando impossível uma análise aprofundada da essencialidade de cada um dos insumos. 2.3.8. Assim, por insuficiência probatória deve ser mantida a decisão da DRJ, negandose o direito ao crédito, como já se pronunciou esta Turma em casos semelhantes: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11020.903916/201596 Acórdão n.º 3401006.562 S3C4T1 Fl. 10 9 PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. 2.4. A Recorrente afirma que a autoridade fiscal não pode aplicar MULTA QUE TENHA A MESMA BASE DE TRIBUTOS, nem por fundamento o mesmo fato gerador. Entretanto, os tributos exigidos da Recorrente incidem sobre fato lícito (art. 3° do CTN). A seu turno, a multa no presente caso incide sobre ato ilícito, designadamente, pagamento de tributo a destempo, ex vi artigo 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. 2.5. A Súmula 4 deste Conselho determina a incidência da SELIC SOBRE OS DÉBITOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL a partir de 1° de abril de 1995. Portanto, descabido o debate, sob pena de perda de mandato (art. 45, inciso VI do RICARF). 2.6. De igual modo, a violação ao PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO é matéria constitucional a qual este Conselho está impedido de pronunciarse, por força da Súmula 2 do CARF. Dispositivo 3. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário e ao direito à compensação. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11020.903916/201596 Acórdão n.º 3401006.562 S3C4T1 Fl. 11 10 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Tiago Guerra Machado Fl. 247DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.720021/2011-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA.
A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, sendo que esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre da própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material com prevalência da substância sobre a forma.
TERCEIRIZAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO.
Comprovada a contratação de trabalhadores por meio de empresa interposta, forma-se o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços, passando a ser este o sujeito passivo das contribuições sociais incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores pseudoterceirizados.
CO-RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES E ADMINISTRADORES. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÚMULA CARF Nº 88.
O crédito lançado, em âmbito administrativo, é exigido apenas do sujeito passivo, ou seja, da pessoa jurídica autuada. Conforme Súmula CARF nº 88, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO RETROATIVA APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA 449/2008. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 2202-005.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que sejam deduzidos da base de cálculo recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do Simples, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, sendo que esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre da própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material com prevalência da substância sobre a forma. TERCEIRIZAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Comprovada a contratação de trabalhadores por meio de empresa interposta, formase o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços, passando a ser este o sujeito passivo das contribuições sociais incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores pseudoterceirizados. CORESPONSABILIDADE DOS DIRETORES E ADMINISTRADORES. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÚMULA CARF Nº 88. O crédito lançado, em âmbito administrativo, é exigido apenas do sujeito passivo, ou seja, da pessoa jurídica autuada. Conforme Súmula CARF nº 88, “a Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa”. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO RETROATIVA APÓS A MEDIDA PROVISÓRIA 449/2008. RETROATIVIDADE BENIGNA. SÚMULA CARF Nº 119. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 21 /2 01 1- 94 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 435 2 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que sejam deduzidos da base de cálculo recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do Simples, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Fernanda Melo Leal (Suplente convocada), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15956.720021/201194, em face do acórdão nº 1457.232, julgado pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), em sessão realizada em 18 de março de 2015, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Tratase de processo datado de 26/05/2011 e levado à ciência do sujeito passivo em 31/05/2011 (ciência postal via Aviso de Recebimento AR), composto pelos seguintes AutosdeInfração: DEBCAD 37.307.1272, relativo às contribuições devidas pela empresa (sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT (sobre a remuneração dos segurados empregados), no Fl. 435DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 436 3 valor total de R$ 706.066,67 (setecentos e seis mil, sessenta e seis reais e sessenta e sete centavos), incluindo o principal, juros e multa, compreendendo os levantamentos: CI/CI 1/CI 2: pagamentos contribuintes individuais FOPAG/GFIP Equilíbrio Serviços parte patronal DR/DR 1/DR 2: diferença apurada do RAT (1%) dos segurados empregados declarados FOPAG/GFIP Equilíbrio Balanceamentos SE/SE 1/SE 2: pagamentos segurados empregados FOPAG/GFIP Equilíbrio Serviços parte patronal DEBCAD 37.319.1529, relativo às contribuições devidas às Terceiras Entidades (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, no valor total de R$ 157.125,35 (cento e cinquenta e sete mil, cento e vinte e cinco reais e trinta e cinco centavos), incluindo o principal, juros e multa, compreendendo os levantamentos: SE/SE 1/SE 2: pagamentos segurados empregados FOPAG/GFIP Equilíbrio Serviços parte Terceiros DEBCAD 37.307.1264 pelo descumprimento de obrigação acessória disposta na lei, qual seja, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, constituindose assim infração ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela Lei n° 9.528/97 c/c art. 225, inciso IV, § 4° do Regulamento da Previdência Social – RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, cujo valor da multa perfez o total de R$ 51.801,38 (cinquenta e um mil, oitocentos e um reais e trinta e oito centavos). A autoridade lançadora verificou que os segurados foram indevidamente registrados na empresa “Equilíbrio Serviços Industriais Ltda EPP”, os quais sempre trabalharam subordinados à empresa “Equilíbrio Balanceamentos Industriais Ltda”, ora Autuada, concluindo que a empresa “Equilíbrio Serviços Industriais Ltda EPP”, doravante denominada “Equilíbrio Serviços”, optante pelo SIMPLES, foi constituída pela empresa “Equilíbrio Balanceamentos Industriais Ltda”, doravante denominada “Equilíbrio Balanceamentos” pra contratar e utilizar empregados com redução dos encargos previdenciários. Algumas evidências levantadas na ação fiscal foram: ambas empresas compartilhavam o mesmo espaço físico; possuíam identidade de objetivos; ambas pertenciam à mesma família; o Instrumento de Procuração Pública, número 104 do 2º Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos de Sertãozinho/SP, onde o sócio administrador da sociedade “Equilíbrio Serviços” confere aos “verdadeiros sócios”, Sra. Maria Lúcia Daniel Jorge e Sr. Carlos Alberto Celeste Jorge (sócios da “Equilíbrio Balanceamentos”) poderes amplos, gerais e ilimitados para o fim especial de os procuradores agirem isoladamente para gerir Fl. 436DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 437 4 e administrar a firma outorgante...”; os termos de início dos procedimentos fiscais das duas empresas foram cientificados em 30/11/2010 através da sócia administradora da “ Equilíbrio Balanceamentos”; os termos enviados por via postal para as duas empresas foram recepcionados pela mesma funcionária (recepção única); ambas nomearam o mesmo representante para acompanhar a fiscalização; havia identidade de funções dos trabalhadores das duas empresas; duas funções essenciais para o funcionamento autônomo das empresas existia em uma (comprador na “Equilíbrio Serviços” e recepcionista na “Equilíbrio Balanceamentos”) e faltava na outra; inexistia lançamentos relativos às contas do ativo permanente na “Equilíbrio Serviços”; intimada a comprovar despesas de luz, água, telefone e aluguel, a “Equilíbrio Serviços” respondeu que utilizava espaço e linhas telefônicas cedidos por terceiros, e não possuía contrato de aluguel; a prestação de serviços contábeis, preenchimento das GFIPs e das folhas de pagamento ficavam a cargo do mesmo escritório contábil, o qual fez a entrega das folhas de pagamento das duas empresas, quando intimado, nas mesmas caixas arquivo; todos os funcionários – das duas empresas – e recursos administrativos estavam indiscriminadamente à disposição tanto de uma como de outra empresa; os funcionários utilizavam o mesmo uniforme; no sítio www.equilibrio.ind.br não havia distinção entre as duas empresas; nas notas fiscais de ambas constava o mesmo número de telefone de contato; a “ Equilíbrio Balanceamentos” alocava os serviços solicitados tanto para si como para a “Equilíbrio Serviços”, podendo desta forma controlar a receita da prestação de serviços e manter a “Equilíbrio Serviços” no Simples; mediante análise do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS foram encontrados inúmeros empregados que tiveram contratos trabalhistas com as duas empresas; e existia uma subordinação hierárquica dos trabalhadores da “Equilíbrio Serviços” aos empregadores da “Equilíbrio Balanceamentos”. Conclui a fiscalização que a Autuada usou meios aparentes para ocultar o desejado, motivo pelo qual tornouse mister a desqualificação do negócio aparente, buscando a realidade subjacente e cobrando o tributo efetivamente devido, sendo que restou devidamente comprovado o vínculo empregatício entre a Autuada e os trabalhadores da “Equilíbrio Serviços”. Discorre acerca das comparações de multas, em decorrência das alterações legais promovidas pela Medida Provisória 449/2008 (convertida na Lei n° 11.941/2009); esclarece quanto à comparação das penalidades e as multas aplicadas nas competências; relata quanto ao fundamento legal e multa aplicada no AI debcad n° 37.307.1264 (FL 68) e noticia a lavratura da Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP pela identificação da ocorrência de fatos que, EM TESE, configuram o CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA, previsto no artigo 168A, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000 e CRIME DE SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, Fl. 437DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 438 5 previsto no artigo 337A, inciso III, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000. Impugnação: A empresa autuada apresentou impugnação tempestiva contendo, em síntese, os seguintes argumentos: A ação fiscal realizada tem por pretensão cobrar da ora Impugnante valores de contribuição previdenciária supostamente devidos pela empresa Equilíbrio Serviços Industriais Ltda em razão de sua exclusão do SIMPLES, em afronta aos arts. 121 e 122 do Código Tributário Nacional, sendo que o que se verifica é a insubsistência do procedimento fiscal por faltarem condições mínimas a darlhe suporte. Em 01/06/2011 foi comunicada da autuação em razão da exclusão da empresa Equilíbrio Serviços Industriais Ltda do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL, por considerar a fiscalização que a aludida pessoa jurídica teria sido constituída por interpostas pessoas, para contratar e utilizar empregados com redução dos encargos previdenciários, sendo a Impugnante, portanto, considerada responsável pelo lançamento fiscal. O pedido de enquadramento da empresa Equilíbrio Serviços Industriais Ltda no SIMPLES e no SIMPLES NACIONAL foi devidamente homologado pela autoridade fazendária, pois todos os tributos e declarações foram entregues desde a sua constituição na forma simplificada sem jamais ter havido contestação por parte do fisco, que somente notificou o contribuinte em 01/06/2011, sendo inconstitucional a cobrança retroativa destes períodos, pois fere o princípio constitucional da irretroatividade da lei tributária. As empresas Equilíbrio Balanceamentos Industriais Ltda e Equilíbrio Serviços Industriais Ltda são empresas distintas, devidamente constituídas e com escrituração contábil regular. As empresas possuem o mesmo objeto social, entretanto a atividade preponderante da “Equilíbrio Balanceamentos” é a fabricação de máquinas e equipamentos para uso industrial específico, mas de fato, também realiza a prestação de serviços, entretanto, por não ser essa sua atividade preponderante, quando a quantidade de serviços supera sua capacidade de atendimento repassa tais serviços para outras empresas, repassando para a “Equilíbrio Serviços” cuja atividade econômica é essencialmente a prestação de serviços. O repasse dos serviços e a utilização de espaço entre as empresas foi a forma de ajudar a irmã e o sobrinho da Sra. Maria Lúcia, sócia da Impugnante, sendo tal fato normal não havendo qualquer irregularidade ou infração a legislação. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 439 6 Quanto ao nome das empresas tratase de estratégia de mercado, visto que o nome “Equilíbrio” já estava reconhecido no setor, não havendo qualquer impedimento legal. De fato cede espaço físico, telefone, uniformes e secretária para a empresa “Equilíbrio Serviços” para redução de suas despesas, em razão de sua hipossuficiência e por ser constituída pelos sócios que são irmã e sobrinho da sócia da empresa Impugnante, sendo que tais fatos coadunam com os arts. 170, IX e 179 da Constituição Federal de que deve ser concedido tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte. Quanto a notícia extraída do site da empresa pela Fiscalização, temse que referese ao investimento realizado em sua filial no Nordeste, sendo totalmente diversa da situação alegada pela Fiscalização, bem como não houve nenhuma irregularidade na representação da empresa no “Brazil Ethanol Trade Show”. A entrega dos documentos solicitados pela fiscalização foi realizada em caixas compartilhadas posto se tratar do mesmo escritório contábil, sendo que tal entrega foi feita em uma única caixa com documentos bem divididos e identificados para cada uma das empresas. De fato existem duas empresas diversas, que são parceiras nos negócios, mas que são devidamente constituídas com cumprimento de todas as exigências legais e com toda escrituração contábil regular e, principalmente, com sócios diversos, os quais são parentes e por isso são empresas tão próximas, mas jamais a mesma, restando refutados os fatos que embasaram a autuação fiscal e, consequentemente, não são devidos os valores apurados pela fiscalização. Em nenhum momento agiu com a intenção de fraudar ou omitir suas obrigações tributárias, sendo que sonegar ou fraudar não faz parte de seus princípios e a figura da sonegação fiscal não subsiste no caso presente, não havendo que se falar em dolo, fraude ou conduta omissa. A pretensão do Sr. Agente Fiscal em atribuir a co responsabilidade pelo débito apurado aos diretores e administradores não deve prosperar, posto que os diretores e administradores não agiram e nem agem com o intuito de infringir a lei, com desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Cita julgados. Há total ilegitimidade da empresa ora impugnante para figurar na autuação fiscal, posto que no caso de ser mantida a autuação esta deveria recair sobre a empresa “Equilíbrio Serviços”, pois se realmente houvesse qualquer infração à legislação tributária, o que se faz apenas para argumentar, esta não teria sido efetivada pela empresa ora impugnante mas sim pela “Equilíbrio Serviços” Fl. 439DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 440 7 Aduz quanto à estipulação da multa por infração tributária em montante excessivo, de modo a descaracterizar sua natureza estritamente punitiva e constritiva, não podendo ser apenada no percentual extorsivo sobre o valor histórico do débito, em afronta aos princípios constitucionais da legalidade, da moralidade, da impessoalidade e da capacidade contributiva do infrator, sendo ilegítima a cobrança de multa que não guarde conformidade com a irregularidade fiscal havida. Ao final, requer que as razões apresentadas sejam integralmente conhecidas para o fim de ser julgada improcedente a autuação fiscal, com o cancelamento do Auto de Infração. É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela procedência do lançamento realizado, mantendo na integralidade o débito tributário. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 411/430, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da Autuação fiscal. Não assiste razão à autuada ao afirmar que a ação fiscal realizada teve por pretensão cobrar os valores, a título de contribuição previdenciária, supostamente devidos pela empresa Equilíbrio Serviços Industriais Ltda, em razão de sua exclusão do SIMPLES, em afronta aos arts. 121 e 122 do Código Tributário Nacional, posto que não foi esse o escopo da Autuação fiscal, mas sim a cobrança das contribuições previdenciárias devidas pela empresa “Equilíbrio Balanceamentos Industriais Ltda”, ora Autuada, visto que, através de fatos e documentos coletados pela fiscalização, restou demonstrado que os segurados foram indevidamente registrados na empresa “Equilíbrio Serviços Industriais Ltda EPP”, os quais sempre trabalharam subordinados à empresa “Equilíbrio Balanceamentos”, concluindose que a empresa “Equilíbrio Serviços”, optante pelo SIMPLES, foi constituída pela empresa “Equilíbrio Balanceamentos” para contratar e utilizar empregados com redução dos encargos previdenciários, utilizando a Autuada de meios aparentes para ocultar o desejado, motivo pelo qual tornouse mister a desqualificação do negócio aparente, buscando a realidade subjacente e cobrando o tributo efetivamente devido. Conforme já referido pela DRJ de origem, a exclusão da “Equilíbrio Serviços” do Simples Federal e do Simples Nacional foi formalizada em processos administrativos apartados (processos n°s 15956.720036/201152 e 15956.720037/201105), onde ficou assegurado ao contribuinte o direito ao contraditório e a ampla defesa, nos quais inclusive julgouse a questão da retroatividade dos efeitos da exclusão, a qual foi efetivada com Fl. 440DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 441 8 efeitos retroativos ao momento da ocorrência das irregularidades que lhes deram ensejo, de modo que não existe espaço no presente julgamento para análise deste mérito, mantendose aqui o período de exclusão vigente. Da desconsideração dos vínculos de emprego com a “Equilíbrio Serviços”. Aduz a autuada que as empresas Equilíbrio Balanceamentos Industriais Ltda. e Equilíbrio Serviços Industriais Ltda. são empresas distintas, devidamente constituídas e com escrituração contábil regular. Todavia a fiscalização, baseada em um conjunto probatório amplo e consistente, representado por inúmeros fatos arrolados no Relatório que precede o presente Voto, concluiu que os fatos evidenciam uma situação fática completamente divergente da situação jurídica, ou seja, uma situação fática totalmente diferente do formalmente constituído. A autuada contradita esses fatos, sob a alegação de que tratamse de fatos normais, não havendo qualquer irregularidade ou infração à legislação. Porém, a análise feita na impugnação e reiterada em recurso voluntário é equivocada ao considerar cada um desses fatos de maneira isolada, já que devem ser todos considerados em conjunto, num contexto único. Nesse sentido, não há proibição legal para que duas empresas dividam o mesmo espaço físico, como não há impedimento para que uma empresa repasse serviços à outra como forma de ajudar a irmã e o sobrinho da Sra. Maria Lúcia, sócia da empresa autuada, nem que ambas utilizem o nome “Equilíbrio”. Porém, quando todos esses fatos, juntamente com inúmeros outros (como o Instrumento de Procuração Pública, número 104 do 2º Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos de Sertãozinho/SP, onde o sócio administrador da sociedade “Equilíbrio Serviços” confere à Sra. Maria Lúcia Daniel Jorge e ao Sr. Carlos Alberto Celeste Jorge (sócios da “Equilíbrio Balanceamentos”) poderes amplos, gerais e ilimitados para o fim especial de os procuradores agirem isoladamente para gerir e administrar a firma outorgante...”, os termos de início dos procedimentos fiscais das duas empresas foram cientificados em 30/11/2010 através da sócia administradora da “ Equilíbrio Balanceamentos”, os termos enviados por via postal para as duas empresas foram recepcionados pela mesma funcionária (recepção única), todos os funcionários – das duas empresas – e recursos administrativos estavam indiscriminadamente à disposição tanto de uma como de outra empresa, identidade de funções dos trabalhadores das duas empresas, mediante análise do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS foram encontrados inúmeros empregados que tiveram contratos trabalhistas com as duas empresas; e existia uma subordinação hierárquica dos trabalhadores da “Equilíbrio Serviços” aos empregadores da “Equilíbrio Balanceamentos”) aparecem em conjunto, revelam muito mais do que a mera regularidade e legalidade de cada um deles isoladamente considerados. Foi constatado ainda pela fiscalização a inexistência de lançamentos nas contas do ativo permanente da empresa “Equilíbrio Serviços”, ou seja, que essa não possui máquinas, acessórios, móveis, utensílios, computadores, ferramentas, linhas telefônicas, e quando Intimada a comprovar despesas de água, luz, telefone e contratos de aluguel a mesma em resposta informou que não possui tais comprovantes pois utiliza para sua atividade espaço cedido por terceiros, linhas telefônicas de terceiros e não possui contratos de aluguel, o que Fl. 441DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 442 9 denota sua dependência econômica e administrativa em relação à empresa autuada. Aliás, a própria Autuada afirma ser a “Equilíbrio Serviços” hipossuficiente. Quanto aos arts. 170, inciso IX e 179 da Constituição Federal citados pela recorrente, temse que tais artigos referemse ao tratamento jurídico diferenciado a ser dado às microempresas e às empresas de pequeno porte pela União, Estados e Municípios visando à incentiválas, dentro dos princípios gerais que regem a atividade econômica, o que não quer dizer tratamentos favorecidos entre as empresas. Quanto à alusão pela fiscalização ao site da empresa “Equilíbrio – Perfeição em Movimento” este se deu para corroborar a não distinção entre as duas empresas e a gerência compartilhada, bem como a representação tanto pelo sócio da Autuada como pelo funcionário da “Equilíbrio Serviços” no evento “Brazil Ethanol Trade Show” indiscriminadamente, o que evidencia a existência de uma só empresa. Também o fato de ser o mesmo escritório contábil e a entrega dos documentos das duas empresas na mesma caixa, por si só, ou seja, isoladamente, não constituem nenhuma irregularidade, porém estes fatos somados aos inúmeros outros elencados pela fiscalização e perfeitamente corroborados, levam à conclusão da existência de uma só empresa, sendo que a “Equilíbrio Serviços” foi criada com o intuito de reduzir a real contribuição previdenciária a ser vertida para a Seguridade Social e as destinadas às Terceiras Entidades. Aduz a empresa autuada a sua total ilegitimidade para figurar na autuação fiscal, posto que, no caso de ser mantida a autuação, esta deveria recair sobre a empresa “Equilíbrio Serviços”, pois se realmente houvesse qualquer infração à legislação tributária, esta não teria sido efetivada pela empresa autuada, mas sim pela “Equilíbrio Serviços”. Porém, tais argumentos não merecem prosperar. Ocorre que a fiscalização ao considerar a autuada como real sujeito passivo das contribuições devidas, já que os segurados empregados e contribuintes individuais formalmente vinculados à “Equilíbrio Serviços” eram, de fato, trabalhadores a serviço da autuada está se valendo da prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o princípio da substância sobre a forma. Cabe a fiscalização identificar o sujeito passivo, a teor do que dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN e, especificamente em relação às contribuições previdenciárias, também o artigo 33, caput, da Lei n° 8.212/91. Ocorre que é na quebra da legalidade que deve a fiscalização se pautar quando atribui a responsabilidade pelos tributos apurados a sujeito diverso daquele que seria responsável à luz das formalidades com as quais se revestem os atos e negócios jurídicos praticados, como efetivamente ocorreu no caso presente, no qual não se está analisando se os atos praticados tiveram como escopo auxiliar a irmã e sobrinho da sócia da empresa Impugnante, mas sim, se tais atos foram lesivos ao Estado, em decorrência da ilícita supressão de tributos. Portanto, não cabe ao agente fiscalizador impor aos fiscalizados uma vedação ao exercício do direito de livre condução de seus negócios, mas apenas apurar a ocorrência de eventuais situações de ilicitude, as quais devem ser devidamente levadas em consideração quando da aplicação da legislação e do lançamento do crédito tributário. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 443 10 Os fatos arrolados pela fiscalização, caso considerados de maneira isolada, poderiam não configurar necessariamente nenhuma ilegalidade e até ser justificados por questões circunstanciais. Entretanto, considerados em conjunto, dentro de um contexto abrangente, dão a convicção de uma disposição empresarial atípica permitindo à empresa Autuada beneficiarse das prerrogativas de tributação que, de outra forma, não lhe seria possível usufruir. A questão gravita, antes da análise de qualquer permissivo legal, em torno dos princípios do Direito, dentre os quais se destaca o da primazia da substância sobre a forma, em atenção ao qual deve a autoridade fiscalizadora, em cada situação analisada, avaliar a correspondência entre o fato concreto e a forma com a qual este se apresenta, prevalecendo, em caso de discordância entre ambos, o primeiro (fato concreto), entendimento que está em consonância com o princípio da verdade material, que também integra o processo administrativo fiscal. Tal prerrogativa encontra respaldo na legislação vigente. Vejamos alguns dispositivos contemplados no Código Tributário Nacional: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. (grifouse) *** Art. 116. (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Parágrafo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) *** Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. *** Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII. quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Fl. 443DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 444 11 Na seara previdenciária, o artigo 33, caput, da Lei nº 8.212, de 1991, atribui ao órgão fiscalizador competência para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições ali previstas. Assim, incumbe à RFB, portanto, a execução da atividade de fiscalização das contribuições sociais, atividade essa que envolve o dever de efetuar a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, conforme disposto no art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Evidentemente, quando o legislador estabeleceu o dever de a autoridade fiscal efetuar o lançamento, teve como objetivo a identificação do verdadeiro fato gerador, a fim de determinar a efetiva matéria tributável, prevalecendo a essência sobre a forma. Assim, sempre que possível, a autoridade deve buscar a verdade material, em detrimento dos aspectos formais dos negócios e atos jurídicos praticados, restando evidente a possibilidade de o AuditorFiscal desconsiderar atos e fatos aparentes e apurar o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos. Dessa forma, pode o Fisco, com respaldo na legislação vigente, desconsiderar o vínculo formalmente existente entre trabalhadores de determinada categoria ou empresa e efetuar o enquadramento como segurados previdenciários da empresa para os quais efetivamente prestam os serviços, nos termos do art. 229 e § 2º c/c art. 9º, caput e inciso I, do Decreto n.º 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social RPS): Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Portanto, conforme mencionado anteriormente, a realidade dos fatos, no presente caso, demonstra que o vínculo empregatício se fez, efetivamente, com a empresa autuada, dada a existência de elementos caracterizadores da relação laboral (pessoalidade, habitualidade, subordinação hierárquica e remuneração). Na realidade, os segurados empregados e sócios das empresa “terceirizada” estão subordinados à empresa autuada e, ainda, as transferências dos empregados entre as empresas citadas, os quais são remunerados Fl. 444DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 445 12 mensalmente e constam em folha de pagamento, ainda que a formalização dos vínculos empregatícios aconteçam por intermédio das empresas “terceirizadas”. Ressaltese que, se considerados de maneira isolada, os fatos arrolados pela fiscalização poderiam não configurar necessariamente nenhuma ilegalidade e até ser justificados por questões circunstanciais. Entretanto, considerados em conjunto, formam um todo inequívoco, ensejando a convicção a respeito da verdadeira situação fática ocorrida, na qual a prestação de serviços pelos segurados era feita em prol da empresa autuada, sendo que, na verdade, as demais empresa apenas intermediavam a mão de obra, com redução da carga tributária, por serem empresas optantes pelo Simples Nacional. Na verdade, pouco importa o rótulo dado à relação jurídica formalmente ajustada (contrato de prestação de serviços, contrato de cessão de direitos e obrigações, estágio, etc), se a realidade evidencia uma relação de emprego. Desse modo, com base no princípio da primazia da realidade sobre a forma, a Fiscalização considerou que o vínculo empregatício dos segurados se fez diretamente com a empresa autuada. Pertinente esclarecer, ainda, que a caracterização realizada pela autoridade fiscal não objetiva o reconhecimento de direitos trabalhistas, mas apenas a exigência de contribuições previdenciárias. É o que também se extrai dos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. INSS. COMPETÊNCIA. FISCALIZAÇÃO. AFERIÇÃO. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. 1 O ente fiscal possui competência para reconhecer vínculo empregatício para fins de arrecadação e lançamento de contribuição previdenciária, o que não interfere na esfera reservada ao Juízo Trabalhista, nem implica reconhecimento de direitos decorrentes da relação de emprego. 2 Demonstrada a presença dos requisitos elencados no art. 3º da CLT, deve ser reconhecida a existência do vínculo de emprego, sendo devidas as contribuições previdenciárias. (TRF4, APELREEX 2002.70.00.0376588, Primeira Turma, Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 11/01/2012) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CTN, ART. 173, I. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. RELAÇÃO DE EMPREGO. INEXISTÊNCIA DE PROVA CONCRETA E INEQUÍVOCA. TRABALHADOR AUTÔNOMO. POSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DE RELAÇÃO EMPREGATÍCIA PELA FISCALIZAÇÃO PREVIDENCIÁRIA, PARA FINS DE COBRANÇA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. (...) 8. A fiscalização previdenciária possui poderes para investigar a situação fática que configure relação empregatícia, apenas com o objetivo de caracterizar o fato gerador da contribuição previdenciária, não implicando o reconhecimento de vínculo para fins trabalhistas. Os fiscais do INSS atuam na sua esfera de competência, que é independente da trabalhista, inexistindo qualquer vinculação entre ambas. (TRF4. AC – processo nº Fl. 445DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 446 13 2001.04.01.0053870 RS, Primeira Turma, Relator Joel Ilan Paciornik, publicado no DE em 13/05/2008) Portanto, verificase que, desde que fundamentada em elementos concretos de prova, pode a Fiscalização fazer o enquadramento tributário quanto aos fatos geradores apurados que melhor se coadune com a realidade encontrada. Em última análise, no caso presente, buscou a autoridade fiscal alcançar a verdade material, uma vez que lhe compete apurar a ocorrência de eventuais situações de ilicitude, as quais devem ser devidamente levadas em consideração quando da aplicação da legislação e do lançamento do crédito tributário. Salientase que todas as imputações realizadas pela autoridade fiscal se deram a partir da apuração de uma série de elementos que dão sustentação ao procedimento realizado, tal como demonstrado no Relatório Fiscal. Desse modo, comprovada a contratação de trabalhadores por meio de empresa interposta, formase o vínculo empregatício diretamente com o tomador dos serviços, passando a ser este o sujeito passivo das contribuições sociais incidentes sobre as remunerações dos trabalhadores pseudoterceirizados. Dessa forma, é de se julgar correta a desconsideração do vínculo formal dos trabalhadores em relação à empresa “terceirizada” (utilizada por ser optantes pelo Simples Nacional), e a consequente caracterização daqueles como segurados empregados da Autuada, para fins previdenciários. Quanto às alegações da autuada de que em nenhum momento agiu com a intenção de fraudar ou omitir suas obrigações tributárias, sendo que a figura da sonegação fiscal não subsiste no caso presente, não havendo que se falar em dolo, fraude ou conduta omissa, temse que não cabe nos autos presente tal análise, o qual se presta tão somente a verificação da ocorrência do fato gerador e a cobrança das contribuições devidas, ao passo que a análise e comprovação da ocorrência ou não do dolo, fraude ou conduta omissa são matérias a serem tratadas numa eventual ação penal decorrente, se for o caso, da Representação Fiscal para Fins Penais RFFP lavrada pela fiscalização. Coresponsabilidade. Relatório de vínculos. Também não merece prosperar a irresignação da autuada quanto à atribuição da coresponsabilidade pelo débito apurado aos diretores e administradores, posto que o crédito lançado, em âmbito administrativo, é exigido apenas do sujeito passivo, ou seja, da empresa em epígrafe. Ademais, o Relatório de Vínculos apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente, conforme redação do próprio Relatório. Por oportuno, citase a Súmula CARF nº 88, abaixo transcrita: “A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” Fl. 446DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 447 14 Da multa aplicada. Com referência à multa aplicada, não assiste razão à empresa autuada quanto aos seus questionamentos. Isso porque as multas foram aplicadas de acordo com os ditames da lei, conforme relatório de Fundamentos Legais do DébitoFLD. Ainda no Relatório Fiscal ficou perfeitamente explicitado a aplicação no tempo das alterações na legislação tributária pela Lei n° 11.941/2009, a qual revogou os parágrafos do art. 32 da Lei n° 8.212/91 e criou os arts. 32A e 35A, com nova sistemática para a aplicação de multas em lançamentos de ofício sobre a totalidade ou a diferença das contribuições previdenciárias e para outras entidades ou fundos, sendo observado o art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional, o qual trata da aplicação da penalidade mais benéfica, para os fatos geradores anteriores a 04/12/2008, tendose firmado o entendimento de que, em caso de lançamento de ofício, será realizada a comparação entre: (a) a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o artigo 35 da Lei 8.212/91, em sua redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4o e 5o. do artigo 32 da Lei 8.212/91, em sua redação anterior à dada pela Lei 11.941/2009, e (b) a multa de ofício calculada na forma do artigo 35A da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/2009. Justificase tal procedimento pelo fato de a multa prevista na nova legislação ser única, no importe de 75%, visando apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento do tributo devido, quanto a não apresentação de declaração. A aludida comparação das penalidades ficou perfeitamente demonstrada no Relatório Fiscal e nas planilhas que o acompanham, não havendo que se falar em ofensa aos princípios constitucionais na aplicação da multa como quer a autuada, já que como dito, tal aplicação foi feita atendendo aos ditames da lei, em estrita observância ao princípio da legalidade. Ademais, tal entendimento está em consonância com a Súmula CARF nº 119, que assim dispõe: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Assim, por tudo que foi trazido aos autos, concluise que o procedimento fiscal encontrase amparado pelos necessários fundamentos. Aproveitamento dos recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do Simples Fl. 447DF CARF MF Processo nº 15956.720021/201194 Acórdão n.º 2202005.261 S2C2T2 Fl. 448 15 Quanto a pedido para aproveitamento dos recolhimentos efetuados na sistemática do Simples, verificase que possui razão o recorrente quanto aos recolhimentos da mesma natureza. Desse modo, devem ser deduzidos da base de cálculo recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do Simples, observandose, contudo, os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para que sejam deduzidos da base de cálculo recolhimentos da mesma natureza efetuados na sistemática do Simples, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 448DF CARF MF
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