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Numero do processo: 10845.724309/2017-67
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. COMPLEMENTAÇÃO DE PENSÃO.
Para que a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão, recebida de entidade de previdência privada, Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) ou Programa Gerador de Benefício Livre (PGBL) seja isenta é necessário o cumprimento dos requisitos e condições para a aposentadoria do regime oficial.
Numero da decisão: 2002-000.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. COMPLEMENTAÇÃO DE PENSÃO. Para que a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão, recebida de entidade de previdência privada, Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) ou Programa Gerador de Benefício Livre (PGBL) seja isenta é necessário o cumprimento dos requisitos e condições para a aposentadoria do regime oficial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 155 1 154 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.724309/201767 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.564 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 29 de novembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente ELISABETH DE ALMEIDA ROBALO CRUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. COMPLEMENTAÇÃO DE PENSÃO. Para que a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão, recebida de entidade de previdência privada, Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi) ou Programa Gerador de Benefício Livre (PGBL) seja isenta é necessário o cumprimento dos requisitos e condições para a aposentadoria do regime oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator) que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 43 09 /2 01 7- 67 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10845.724309/201767 Acórdão n.º 2002000.564 S2C0T2 Fl. 156 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 124/127) contra decisão de primeira instância (fls. 111/115), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Exigese do(a) interessado(a) o pagamento do crédito tributário lançado. Tal crédito decorre de procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por informação inexata na Declaração do IRPF/2014, conforme Notificação de Lançamento de fls 05/08. Do procedimento fiscal – Descrição dos fatos No item “descrição dos fatos e enquadramento legal” da Notificação contestada... Com base nessas verificações e ajustes foi elaborado o Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido e lavrada a Notificação de lançamento. Da impugnação Cientificado(a) do lançamento, o(a) interessado(a) apresentou impugnação de fls. 02/03. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 29/12/2017 (fl. 121); Recurso Voluntário protocolado em 24/01/2018 (fl. 124), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos pela seguinte infração: Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou a sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. A fonte pagadora é o Banesprev Fundo Banespa de Seguridade Social. A r. decisão revisanda, julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10845.724309/201767 Acórdão n.º 2002000.564 S2C0T2 Fl. 157 3 Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio, invocando matéria preliminar, combatendo o mérito e juntando novos documentos. A matéria trazida como preliminar, se confunde com o mérito e com ele será julgada. A contribuinte, alega que os valores recebidos pela fonte pagadora Banesprev Fundo Banespa de Seguridade Social, referese a “Complementação” de Pensão por morte de seu marido e que recebe desde 24/11/2000, quando ficou viúva. Verificando o documento de fl. 135, elaborado pelo Banespa, o participante é Eduardo Rodrigues Cruz, sendo sua representante Elisabeth de Almeida Robalo Cruz, que na verdade nada mais é que sua beneficiária. Na descrição do valor recebido, consta como “Complementação de Pensão”. Lamentavelmente, o Sr auditor fiscal, errou ao referirse como “rendimentos recebidos do Banesprev corresponde a previdência complementar, tais rendimentos recebidos pelo portador de doença grave listada nas leis de isenção somente serão isentos a partir do mês da concessão da aposentadoria pela previdência oficial, que no caso da contribuinte ocorreu em 2015”. Aqui não se trata de proventos de aposentadoria, mas sim de complementação de pensão. Pois bem, a carta de concessão do benefício é datada em 24/10/2000, o Laudo Pericial Oficial (fl. 150) diz que a recorrente é portadora de Moléstia Grave desde 17/05/2010, discutese nestes autos, lançamento do anocalendário 2013, portanto coberto pelo manto da isenção. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10845.724309/201767 Acórdão n.º 2002000.564 S2C0T2 Fl. 158 4 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Com a devida vênia, divirjo do conselheiro relator quanto à conclusão adotada em seu voto. Conforme consignado na decisão de piso, para que a complementação de aposentadoria, reforma ou pensão, recebida de entidade de previdência privada, seja isenta é necessário o cumprimento dos requisitos e condições para a aposentadoria do regime oficial, o que, no caso da recorrente, só ocorreu em janeiro de 2015. Assim, a complementação da pensão recebida pela recorrente no anocalendário sob exame não está isenta do IR. Dessa feita, não há reparos a se fazer à decisão de piso, a qual adoto. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.906199/2012-38
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário.
DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA.
Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo.
PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo.
Numero da decisão: 3003-000.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges - Presidente. Vinícius Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 61 99 /2 01 2- 38 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13896.906199/201238 Acórdão n.º 3003000.118 S3C0T3 Fl. 3 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratam os autos de declaração de compensação PER/DCOMP nº 38721.36652.280710.1.3.047346 , transmitido eletronicamente em 28/07/2010, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. O PER/DCOMP visava compensar o débito nele discriminado com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor de R$ 48.192,25, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 14/06/2002. A partir da análise do PER/DCOMP, foi emitido Despacho Decisório, de acordo com o qual constatouse que, na data de transmissão do pedido de compensação, já havia sido extinto o direito creditório ali informado, em virtude de terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP, resultando em não homologação da compensação declarada, tendo como fundamento os arts. 165 e 170 do CTN, e art. 74 da Lei nº. 9.430. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, em síntese, que o PER/DCOMP em litígio encontravase respaldado pelo PER/DCOMP n.º 23368.35569.140807.1.7.040436, já homologado, e que desta compensação havia restado saldo de R$ 2.978,44, para ser usado em compensações futuras. A 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte proferiu decisão nos termos da seguinte ementa: Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13896.906199/201238 Acórdão n.º 3003000.118 S3C0T3 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO APÓS A EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando, em síntese, que não houve decadência do direito creditório indicado na declaração de compensação, pois o crédito pleiteado decorre de tributo cujo lançamento se dá por homologação, para o qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do direito creditório deve ser o de homologação ou constituição definitiva do crédito tributário. A recorrente cita jurisprudência a fim de sustentar sua tese de que o prazo para a restituição/compensação de tributos com lançamento por homologação seria de dez anos (tese do 5 + 5) a partir da ocorrência do fato gerador. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Importa destacar, primeiramente, que a recorrente não trouxe, em sede de recurso voluntário, as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade acerca da legitimidade da utilização dos créditos informados no PER/DCOMP em litígio em face de ter ocorrido homologação de PER/DCOMP anterior, na qual havia restado saldo credor para ser utilizado em compensações futuras. Nesse aspecto, a recorrente aquiesce com a decisão a quo, a qual estabeleceu que a existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção do direito de postular restituição. De fato, a existência de crédito remanescente em compensação homologada não afasta a necessidade de seu pedido de restituição se dar dentro do prazo decadencial. Essa matéria, no entanto, é questão preclusa, nos termos do art. 17 do Decreto nº. 70.235/72, estranha ao recurso ora analisado. Como já destacado no relatório, a recorrente traz, em sede de Recurso Voluntário, novos argumentos para afastar a decisão recorrida. Com efeito, em sua impugnação perante a instância a quo, a recorrente não apresentou a tese apresentada em seu Recurso, segundo a qual, aos tributos sujeitos a lançamento por homologação deveria ser Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13896.906199/201238 Acórdão n.º 3003000.118 S3C0T3 Fl. 5 4 aplicado o prazo decadencial de dez anos para extinção do direito à restituição/compensação. Tratase, portanto, de matéria não ventilada em sede de manifestação de inconformidade. Tendo em vista que a decadência e a prescrição constituem matérias de ordem pública, podendo, assim, serem conhecidas a qualquer tempo, entendo que os argumentos trazidos no Recurso Voluntário devem ser conhecidos. Não obstante, analisando a tese defendida pela recorrente à luz do caso concreto e das normas a ele aplicáveis, constatase que ocorreu, de fato, a extinção do prazo para o aproveitamento dos créditos apontados na DCOMP transmitida. Explico. A questão da prescrição (ou, no dizer da recorrente, "decadência") concernente ao aproveitamento de créditos de tributos sujeitos a lançamento por homologação foi matéria bastante discutida no direito brasileiro, suscitando calorosos embates em passado razoavelmente recente. Ocorre que, a partir do julgamento do RE 566.621/RS com repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal, tal matéria foi definitivamente decidida, tendo sido consignado que deve se aplicar o prazo de cinco anos para os casos de repetição ou compensação de indébitos aos processos ajuizados a partir de 9 de junho de 2005, aplicando se o prazo de dez anos para os processos anteriores. Eis a ementa da decisão de relatoria da Min. Elle Gracie: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13896.906199/201238 Acórdão n.º 3003000.118 S3C0T3 Fl. 6 5 Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tal questão da prescrição foi também definitivamente dirimida no âmbito do CARF, tendo sido exarada a Súmula CARF nº. 91, com efeito vinculante, cujo teor segue transcrito: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Importa registrar que a mencionada súmula é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72, Anexo II do RICARF. Por força do art. 62, §2º, Anexo II do RICARF, também é obrigatória a reprodução, pelos conselheiros no âmbito do CARF, das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Nesse caso, inafastável a aplicação do teor da decisão no RE 566.621/RS, acima transcrita, cujo julgamento se deu segundo a sistemática prevista no art. 543B do antigo Código de Processo Civil. As decisões acima transcritas deverão iluminar a análise do caso concreto. Compulsando os autos, constatase que a recorrente transmitiu, em 28/07/2010, o PER/DCOMP nº 38721.36652.280710.1.3.047346, visando compensar débitos de COFINS, indicando que teria créditos da mesma contribuição originado de pagamento decorrente de recolhimento em DARF. Como relatado, tal compensação não foi homologada, tendo a recorrente apresentado, em manifestação de inconformidade, o argumento de que o crédito indicado na referida compensação é, na verdade, proveniente de crédito de pagamento indevido ou a maior, efetuado em 14/06/2002, e utilizado em parte no PER/DCOMP nº 23368.35569.140807.1.7.040436, já homologado. Tendo em vista que o PER/DCOMP nº 38721.36652.280710.1.3.047346 foi transmitido em data posterior a 9 de junho de 2005, devese aplicar ao caso concreto o prazo para a repetição ou compensação de indébito de cinco anos do fato gerador. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13896.906199/201238 Acórdão n.º 3003000.118 S3C0T3 Fl. 7 6 Assim, considerando que o crédito alegado é do período de apuração de 06/2002 e que o PER/DCOMP nº 38721.36652.280710.1.3.047346 foi transmitido apenas em 28/07/2010, ou seja, após o prazo de cinco anos do pagamento indevido ou a maior, conclui se que ocorreu a prescrição para a compensação/repetição de indébito. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 70DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.906849/2012-44
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 49 /2 01 2- 44 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13888.906849/201244 Acórdão n.º 3003000.014 S3C0T3 Fl. 3 2 Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS no valor original na data de transmissão de R$ 13.044,52, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 15/09/2006. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13888.906849/201244 Acórdão n.º 3003000.014 S3C0T3 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 02 056.375. O fundamento adotado, em síntese, foi o de rejeição da preliminar de nulidade e falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à nulidade tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido e, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação pleiteada. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, decorrente de revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório e da decisão recorrida por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13888.906849/201244 Acórdão n.º 3003000.014 S3C0T3 Fl. 5 4 § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que entendeu embasar o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer ao contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13888.906849/201244 Acórdão n.º 3003000.014 S3C0T3 Fl. 6 5 Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Alega a Recorrente que efetuou revisão dos seus créditos da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS e deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no pagamento das contribuições a maior durante todo o período revisado. Para embasar o seu direito juntou ao presente processo DACON original e retificador e demonstrativo dos cálculos. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, reproduzido no art. 373 do Novo CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou a prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a apresentar o DACON retificador e demonstrativo dos cálculos, porém sem documentos hábeis, idôneos e suficientes que os embasassem. As declarações retificadas e demonstrativos produzidos pelo contribuinte, desacompanhadas dos livros e documentos exigidos pela legislação, são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13888.906849/201244 Acórdão n.º 3003000.014 S3C0T3 Fl. 7 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR as compensações. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901614/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/04/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.602
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 14 /2 01 3- 98 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.901614/201398 Acórdão n.º 3401005.602 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de COFINS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.259. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10280.901614/201398 Acórdão n.º 3401005.602 S3C4T1 Fl. 4 3 memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.901614/201398 Acórdão n.º 3401005.602 S3C4T1 Fl. 5 4 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10280.901614/201398 Acórdão n.º 3401005.602 S3C4T1 Fl. 6 5 As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10280.901614/201398 Acórdão n.º 3401005.602 S3C4T1 Fl. 7 6 insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10280.901614/201398 Acórdão n.º 3401005.602 S3C4T1 Fl. 8 7 débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10280.901614/201398 Acórdão n.º 3401005.602 S3C4T1 Fl. 9 8 Rosaldo Trevisan Fl. 333DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.904304/2014-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10983.904301/2014-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10983.904301/201455, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 04 30 4/ 20 14 -9 9 Fl. 782DF CARF MF Processo nº 10983.904304/201499 Resolução nº 1402000.791 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo integralmente o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente requereu a análise dos documentos apresentados, alegou que esses confirmam o valor correspondente ao crédito, especialmente em função do princípio da verdade material, que norteia inúmeras decisões proferidas no procedimento administrativo fiscal. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o Acórdão, ora recorrido, em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o direito creditório, com o entendimento que "a manifestante não juntou aos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para comprovar a redução de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF", portanto uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda passível de restituição/compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, no qual requer a conversão do julgamento em diligência para manifestação do órgão fazendário acerca da documentação contábilfiscal juntada ao recurso, para comprovar a existência de crédito tributário. Argumenta em que pese o entendimento de que a Recorrente não tenha demonstrado seu direito creditório líquido e certo, tanto o poder judiciário como também o CARF tem prestigiado o princípio da Verdade Material, aceitando a juntada extemporânea, deliberandose por converter o julgamento em diligência, para que a Fazenda Nacional se manifeste sobre a juntada da documentação, objetivando respeitar procedimento processual, para posterior prosseguimento do julgamento. É o relatório. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10983.904304/201499 Resolução nº 1402000.791 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.788, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.904301/2014 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.788): "O Recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto dele conheço. Em síntese, a recorrente alega que a documentação contábilfiscal apresentada comprova a existência do crédito tributário pleiteado. A recorrente requer a conversão do julgamento em diligência com fundamento no princípio da verdade material. Diante das alegações da recorrente e dos documentos apresentados, apresentase a necessidade de diligência para confirmar o referido crédito e verificar a (in)subsistência das compensações. Após a realização da diligência, prestados os esclarecimentos, poderá ser definitivamente formada a convicção necessária ao julgamento meritório deste feito. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, remetendose os autos do presente feito à Unidade Local, para que: Pronunciarse sobre a procedência das alegações/documentos apresentados pela recorrente, a confirmação do crédito alegado e a (in)subsistências das compensações. Elaborar relatório, trazendo a fundamentação das constatações alcançadas, com justificativas e explicações claras. Após a formulação e juntada do Relatório de Diligência, deverá ser dado vista à recorrente, para que se manifeste, dentro do prazo legal vigente, garantindo o contraditório e a ampla defesa. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 784DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720683/2014-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. EXISTÊNCIA DE ERRO MATERIAL NO JULGADO PROFERIDO PELO CARF. NECESSIDADE DE NOVA DECISÃO.
Em face da existência de inexatidão material devida a lapso manifesto e erros de cálculo no acórdão prolatado por este Conselho, verifica-se a necessidade de prolatação de novo acórdão para saneamento.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época, e segundo quando da apreciação do recurso pelo Carf, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00.
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Estando presentes todos os requisitos do lançamento e não se verificando quaisquer das causas do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há falar em nulidade.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2301-005.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-005.173, de 04/10/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão para não conhecer do recurso de ofício e, relativamente ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo o valor de R$ 148.735.000,00.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Júnior e Reginaldo Paixão Emos.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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CABIMENTO. EXISTÊNCIA DE ERRO MATERIAL NO JULGADO PROFERIDO PELO CARF. NECESSIDADE DE NOVA DECISÃO. Em face da existência de inexatidão material devida a lapso manifesto e erros de cálculo no acórdão prolatado por este Conselho, verificase a necessidade de prolatação de novo acórdão para saneamento. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época, e segundo quando da apreciação do recurso pelo Carf, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Estando presentes todos os requisitos do lançamento e não se verificando quaisquer das causas do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há falar em nulidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 83 /2 01 4- 57 Fl. 888DF CARF MF 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301005.173, de 04/10/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão para não conhecer do recurso de ofício e, relativamente ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial para excluir da base de cálculo o valor de R$ 148.735.000,00. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e João Maurício Vital (Presidente em Exercício). Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Júnior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC em face do Acórdão n° 2301005.173 (e fls 830 a 859) proferido por esta Turma Ordinária em 04/10/2017, que deu parcial provimento ao recurso voluntário, recebendo as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Estando presentes todos os requisitos do lançamento e não se verificando quaisquer das causas do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há falar em nulidade. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 889DF CARF MF Processo nº 19515.720683/201457 Acórdão n.º 2301005.765 S2C3T1 Fl. 881 3 A decisão foi assim registrada : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir do lançamento, no mês de outubro, os seguintes depósitos: em 01/10/2010: R$ 420.000,00; R$ 590.000,00; R$ 1.086.000,00; R$ 1.654.000,00; R$ 1.750.000,00; R$ 30.000.000,00 e R$ 45.000.000,00; em 04/10/2010: R$ 45.000.000,00; R$ 20.000.000,00 e R$ 1.000.000,00; e em 08/10/2010: R$ 330.000,00; R$ 2.105.000,00, totalizando R$ 148.935.000,00. Julgamento iniciado em 09/2017 e concluído em 04/10/2017. Os embargos foram admitidos conforme despacho s/nº de efls. 875/877, transcrito parcialmente a seguir: O processo foi encaminhado à unidade de origem para cientificar a contribuinte do acórdão. Essa, constatando que a exoneração do crédito tributário na 1ª instância administrativa foi de R$1.309.535,64 e que, tendo em vista o limite de alçada à época para interposição de recurso de ofício era de R$1.000.000,00, encaminhou os autos à DRJ para pronunciamento quanto a pertinência do recurso de ofício. O processo foi então encaminhado à DRJ/Florianópolis/SC em 14/02/2018 (despacho de encaminhamento da efl. 865), que, em 28/02/2018, opôs a manifestação das efls. 866 a 872 (despacho de encaminhamento da efl. 873). Segundo a DRJ, constatouse erro material no valor total das omissões exoneradas no acórdão da 6ª Turma. Alega que, mesmo não havendo manifestação expressa sobre a pertinência do erro de cálculo, por parte do Carf, o resultado por si só, quando foi proferido o Acórdão DRJ, deveria ser submetido a recurso de ofício. Faz algumas considerações quanto ao limite de alçada à época da prolatação do acórdão da DRJ e quando da decisão do acórdão de recurso voluntário, e ao final, submete ao Carf o recurso de ofício nos seguintes termos : RECURSO DE OFÍCIO Submetase o Acórdão 0736.100 – 6ª Turma da DRJ/FNS (fls. 546 a 567), proferido em 28/11/2014, à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força de recurso necessário, de acordo com o art. 34, inciso I, combinado com art. 35, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, tendo se em vista que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais). Fl. 890DF CARF MF 4 (...) No presente caso, recebo a manifestação da DRJ/Florianópolis com base no art. 66 do Regimento Interno do Carf. Verificase a necessidade de prolatação de novo acórdão por esta turma, considerando a existência de erros materiais devido a lapso manifesto e a erro de cálculo. O valor exonerado pela DRJ à época da decisão ultrapassava o limite de alçada para interposição de recurso de ofício, sendo necessário que o CARF se pronuncie sobre o tema. Ademais, as considerações de erro de cálculo apontadas pela DRJ em seu despacho das efls 866 a 872 também deverão ser sanadas através de novo acórdão. Conclusão Diante do exposto, ACOLHO a manifestação da DRJ com base no art. 66 do RICARF em face da existência de inexatidão material devida a lapso manifesto e erros de cálculo no acórdão n.º 2301005.173. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. Os embargos são tempestivos e foram regularmente admitidos pelo Presidente desta Turma. Portanto, deles conheço e passo à análise. RECURSO DE OFÍCIO Conforme relatado acima, na decisão de 1ª instância administrativa o valor do crédito exonerado (principal e multa de 75%) foi de R$ 1.309.535,64 e que, tendo em vista o limite de alçada à época para interposição de recurso de ofício ser de R$1.000.000,00, a embargante submete o recurso de ofício nos seguintes termos: RECURSO DE OFÍCIO Submetase o Acórdão 0736.100 – 6ª Turma da DRJ/FNS (fls. 546 a 567), proferido em 28/11/2014, à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força de recurso necessário, de acordo com o art. 34, inciso I, combinado com art. 35, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, tendo se em vista que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (hum milhão de reais). O acórdão embargado foi proferido em julgamento realizado em outubro de 2017, quando já vigorava o limite recursal de R$ 2.500.000,00, nos termos da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Fl. 891DF CARF MF Processo nº 19515.720683/201457 Acórdão n.º 2301005.765 S2C3T1 Fl. 882 5 Aplicável ao caso a Súmula CARF nº 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, com relação ao recurso de ofício, deixo de conhecêlo por força da Súmula CARF nº 103. ERRO MATERIAL O embargante alegou que teria ocorrido erro material no julgado desta turma, porquanto excluiu do lançamentos valores decorrentes de erro na soma que já haviam sido excluídos pela DRJ de origem. De fato, este colegiado, para considerar comprovados os depósitos no montante de R$ 148.935.000,00, partiu da planilha original anexa ao Termo de Verificação Fiscal (TVF). Essa planilha continha erro de soma, no total de R$ 2.404.800,00, que já havia sido corrigido pela DRJ. Ou seja, a decisão embargada desonerou o que já se encontrava excluído do lançamento. Constatado o erro material, devese retificar a conclusão proferida no Acórdão nº 2301005.173, de 04/10/2017, para considerar comprovados os seguintes depósitos, constantes do TVF (efls. 123): Data do depósito Valor apurado 01/10/2010 410.000,00 01/10/2010 510.000,00 01/10/2010 1.016.000,00 01/10/2010 1.614.000,00 01/10/2010 1.750.000,00 01/10/2010 30.000.000,00 01/10/2010 45.060.000,00 04/10/2010 1.000.000,00 04/10/2010 20.000.000,00 04/10/2010 45.000.000,00 08/10/2010 330.000,00 08/10/2010 2.105.000,00 Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos inominados para rerratificar o Acórdão nº 2301005.173, de 04/10/2017, para não conhecer do recurso de ofício, conhecer do recurso voluntário, afastar a preliminar suscitada e, no mérito, darlhe parcial provimento, cuja ementa e parte dispositiva passam a ser assim redigidas: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 Fl. 892DF CARF MF 6 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época, e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicandose o limite de alçada então vigente.Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Estando presentes todos os requisitos do lançamento e não se verificando quaisquer das causas do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há falar em nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, darlhe parcial provimento para excluir do lançamento, no mês de outubro, os seguintes depósitos: em 01/10/2010: R$ 410.000,00; R$ 510.000,00; R$ 1.016.000,00; R$ 1.614.000,00; R$ 1.750.000,00; R$ 30.000.000,00 e R$ 45.060.000,00; em 04/10/2010: R$ 45.000.000,00; R$ 20.000.000,00 e R$ 1.000.000,00; e em 08/10/2010: R$ 330.000,00; R$ 2.105.000,00, considerandose as exclusões já procedidas pela DRJ/Florianópolis por erro de cálculo. Julgamento iniciado em 09/2017 e concluído em 04/10/2017. É como voto. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 893DF CARF MF Processo nº 19515.720683/201457 Acórdão n.º 2301005.765 S2C3T1 Fl. 883 7 Fl. 894DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.007008/2002-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/1989 a 30/09/1995
REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADES DO RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. IMPOSSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Consequentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial quando estão em confronto situações diversas, ou, quando semelhantes, paradigma e recorrido tenham sido no mesmo sentido.
Numero da decisão: 9303-007.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/1989 a 30/09/1995 REQUISITOS PARA ADMISSIBILIDADES DO RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADA. IMPOSSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Consequentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial quando estão em confronto situações diversas, ou, quando semelhantes, paradigma e recorrido tenham sido no mesmo sentido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 70 08 /2 00 2- 64 Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 10120.007008/200264 Acórdão n.º 9303007.748 CSRFT3 Fl. 1.608 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte AGROCRIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. (efls. 1.549 a 1.582) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 330200.532 (efls. 1.455 a 1.461) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 23 de agosto de 2010, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/01/1989 a 30/09/1995 Restituição/Compensação de Tributos. Correto o despacho decisório que indeferiu pedido de restituição, ante a inexistência de crédito a ser restituído. Compensação Não há que se falar em compensação de débitos da Contribuição para o PIS, quando não restar comprovada nos autos a existência de pagamento indevido ou maior que o devido da aludida contribuição. Restituição Atualização pela Selic A restituição de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior do que o devido deve se atualização pela taxa Selic, conforme a legislação tributária de regência. Em face da referida decisão, a Contribuinte opôs embargos de declaração (e fls. 1.483 a 1.491), alegando existir os vícios de contradição e obscuridade no acórdão recorrido: (a) aduz haver contradição entre os fundamentos do voto condutor do acórdão, ao tratar da semestralidade da base de cálculo para admitila, e a parte dispositiva que nega provimento integral ao recurso; e (b) a obscuridade dáse quanto à incidência de juros de mora de 1% a partir do trânsito em julgado da ação judicial, consoante decisão proferida naqueles autos, que o relator reconhece a observância, mas ratifica o procedimento da Receita Federal por entender que houve benefício ao embargante. O Sujeito Passivo busca, além dos juros de mora pela Selic, também a incidência de juros de mora de 1% a partir do trânsito em julgado. Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 10120.007008/200264 Acórdão n.º 9303007.748 CSRFT3 Fl. 1.609 3 Os embargos de declaração tiveram seguimento parcial, nos termos do despacho n.º 3302139, de 09 de novembro de 2013 (efls. 1.499 a 1.501), que assim contextualizou a matéria, in verbis: [...] Com relação à obscuridade alegada, a decisão embargada é clara ao concluir que não incide os juros de mora de 1% (após o trânsito em julgado), previstos na decisão judicial, cumulativamente com os juros de mora calculados pela Selic. Como não existe correção monetária a partir da 01/01/1996, somente juros de mora calculados pela Selic (que não é correção monetária e sim juros remuneratórios pela mora no pagamento ou na restituição de tributos federais). Não há obscuridade neste ponto. Há divergência de entendimento (a embargante entende que houve descumprimento de decisão judicial) e, como tal, deve ser combatido com o Recurso Especial, havendo paradigma. Com relação à divergência, não há nenhuma dúvida sobre a sua existência. De fato, os fundamentos do voto condutor do acórdão se opõe à sua parte dispositiva e, conseqüentemente, ao resultado de julgamento, conforme apontou a embargante. Os fundamentos do voto condutor acompanham as alegações (pelo menos em parte) do recurso voluntário quanto à semestralidade da base de cálculo do PIS e, na parte dispositiva, nega provimento integral ao recurso do contribuinte. Ao examinar os embargos de declaração da interessada, constatei erros de fato na ementa do acórdão quando afirma que o despacho decisório da DRF indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações declaradas. Na verdade, o crédito pleiteado foi reconhecido parcialmente, conforme consta no relatório do acórdão embargado, e foram homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Deve, portanto, ser retificado esse erro material contido na ementa do acórdão embargado. Isto posto, vejo que ocorreu contradição entre os fundamentos do voto condutor da decisão embargada e o decidido pela Turma de Julgamento e, portanto, com base nos §§ 1º e 3º do art. 65 do Regimento Interno do CARF (Anexo II à Portaria MF no 256/2009, com a redação da Portaria MF no 586/2010) entendo procedentes as alegações da embargante quando à esta matéria e, consequentemente, dou seguimento ao presente embargos declaratórios nesta parte e nego seguimento quanto à outra matéria objeto dos embargos. [...] Sobreveio, então, o Acórdão n.º 3302002.552 (efls. 1.502 a 1.506), de 27 de março de 2014, que acolheu os embargos de declaração para reconhecer a semestralidade da Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 10120.007008/200264 Acórdão n.º 9303007.748 CSRFT3 Fl. 1.610 4 base de cálculo do PIS e estabelecer a obscuridade existente no acórdão embargado, tendo recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/1989 a 30/09/1995 Ementa: EMBARGOS ACOLHIDOS. CONTRADIÇÃO SEMESTRALIDADE. A apuração dos créditos de PIS decorrentes dos Decretoslei no. 2.445 e 2.449 de 1989 devem observar o critério da EMBARGOS ACOLHIDOS. OBSCURIDADE Os créditos tributários apurados devem ser corrigidos pela Taxa Selic, não lhes acumulando os juros de 1% pleiteados, por não terem sido autorizados pela sentença judicial. Na sequência, a Contribuinte interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à aplicabilidade de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, a partir do trânsito em julgado do provimento judicial, cumulado com a taxa Selic, conforme determinado em sentença. Com o intuito de comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.ºs 201.76.950 e 204.03.138. Nas suas razões recursais, sustenta a Recorrente, em síntese, que devem ser aplicados juros de mora de 1% ao mês, a partir do trânsito em julgado, sob pena de descumprimento de decisão judicial. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 16 de julho de 2015 (efls. 1.589 a 1.591), proferido pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional foi devidamente cientificada do recurso especial da Contribuinte (efls. 1.593), não tendo havido a apresentação de contrarrazões. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 10120.007008/200264 Acórdão n.º 9303007.748 CSRFT3 Fl. 1.611 5 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anterior Portaria MF n.º 256/09). Nos termos do dispositivo regimental citado, para ser admitido o recurso especial deve restar demonstrado que outro Colegiado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ou dos antigos Conselhos de Contribuintes, ao apreciarem a mesma matéria jurídica e que guardem similitude fática, tenham interpretado a mesma legislação de forma diversa e, por isso, atribuído aos respectivos processos desfechos distintos. Por meio do presente recurso especial, insurgese a Contribuinte contra o Acórdão n.º 330200.532, rerratificado pelo julgamento dos embargos de declaração interpostos por ela, cujos termos foram consubstanciados no Acórdão n.º 3302002.552, para: (a) reconhecer que a apuração dos créditos de PIS decorrentes dos Decretoslei no. 2.445 e 2.449 de 1989 devem observar o critério da semestralidade; e (b) determinar que os créditos tributários apurados devem ser corrigidos pela Taxa Selic, não lhes acumulando os juros de 1% pleiteados, por não terem sido autorizados pela sentença judicial. De um lado, o Sujeito Passivo entende ter sido autorizada, por meio de decisão judicial definitiva, a compensação dos valores pagos a maior de PIS, com aplicação de atualização monetária pela taxa Selic, com a incidência cumulada de juros de mora de 1% ao mês, a partir do trânsito em julgado. Por outro, ficou assentado nos acórdãos prolatados no presente processo administrativo, e que são objeto da insurgência analisada, o entendimento da Turma a quo pela atualização dos créditos pela taxa Selic, sem cumulação com os juros de 1% pleiteados, pois não autorizados pela sentença judicial. Resta claro não se estar diante da negativa de aplicação de decisão judicial com trânsito em julgado, mas sim de diferentes interpretações pretendidas para o dispositivo da sentença quanto à forma de correção monetária do crédito tributário a restituir. O paradigma apresentado pela empresa, por sua vez, trata de situação fática semelhante a dos presentes autos necessidade de cumprimento estrito de decisão judicial e lhe atribui solução jurídica em igual sentido àquela empreendida no acórdão ora recorrido: a necessidade de cumprimento, em seus exatos termos, da decisão judicial. Assim foi redigida a ementa do julgado n.º 201.76.950, in verbis: Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 10120.007008/200264 Acórdão n.º 9303007.748 CSRFT3 Fl. 1.612 6 PIS PASEP COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. A compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado com débitos do sujeito passivo relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF darseá na forma disposta na Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002, caso a decisão judicial não disponha sobre a compensação dos créditos do sujeito passivo. Dispondo a decisão judicial sobre a compensação, deverá a mesma ser cumprida nos seus exatos termos em respeito ao princípio constitucional da coisa julgada e da preponderância da decisão judicial sobre qualquer outra. O julgado recorrido, em sede de embargos de declaração, ao sanar o vício da obscuridade, esclarece que não houve determinação da decisão judicial para aplicação cumulada da taxa Selic com os juros de 1% ao mês, razão pela qual não foram aplicados. Portanto, houve observância aos termos do provimento judicial, assim como ocorreu no julgado do acórdão paradigma. Verificase, assim, não ter restado comprovada a necessária divergência jurisprudencial, mas sim existir uma convergência de entendimentos entre as decisões confrontadas, restando desatendido requisito essencial ao prosseguimento do recurso especial. Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000290/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB adote as seguintes providências: (i) apresente, e quantifique, detalhadamente, de forma objetiva, a totalidade dos créditos apurados nos estabelecimentos referentes à filial de Cerqueirense (CNPJ n° 47.235.122/0001-20) e à filial de Jundiaí (CNPJ: 33.033.028/0023- 90); (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto da resposta ao item anterior sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o Relatório Conclusivo e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Tiago Guerra Machado, substituído pelo conselheiro Müller Nonato Cavalcante (suplente convocado) e ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes, substituída pelo conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB adote as seguintes providências: (i) apresente, e quantifique, detalhadamente, de forma objetiva, a totalidade dos créditos apurados nos estabelecimentos referentes à filial de Cerqueirense (CNPJ n° 47.235.122/0001-20) e à filial de Jundiaí (CNPJ: 33.033.028/0023- 90); (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto da resposta ao item anterior sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o Relatório Conclusivo e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Tiago Guerra Machado, substituído pelo conselheiro Müller Nonato Cavalcante (suplente convocado) e ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes, substituída pelo conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB adote as seguintes providências: (i) apresente, e quantifique, detalhadamente, de forma objetiva, a totalidade dos créditos apurados nos estabelecimentos referentes à filial de Cerqueirense (CNPJ n° 47.235.122/000120) e à filial de Jundiaí (CNPJ: 33.033.028/0023 90); (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto da resposta ao item anterior sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Tiago Guerra Machado, substituído pelo conselheiro Müller Nonato RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 00 29 0/ 20 03 -1 8 Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401001.587 S3C4T1 Fl. 771 2 Cavalcante (suplente convocado) e ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes, substituída pelo conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado). Relatório Tratase de Declarações de Compensação (DCOMP), apresentadas em 14/01/2003, situada à fl. 01, 14/02/2003, 14/03/2003 e 15/04/2003, situadas às fls. 61 a 63, com débitos da Cofins e créditos decorrentes do Ação Judicial n° 97.01017978, que discute o direito a créditos do IPI incidente sobre insumos empregados em produtos finais imunes, isentos ou com alíquota zero. De acordo com o formulário CRÉDITOS DECORRENTES DE DECISÃO JUDICIAL entregue pela contribuinte, o total dos créditos totaliza o valor histórico de R$ 39.400.000,00, em conformidade com o documento situado à fl. 2. Em 25/07/2003 as DCOMP foram retificadas, em conformidade com os documentos situados às fls. 64 a 72. A DRF em Curitiba/PR não homologou as compensações, em conformidade com o documento situado às fls. 84 a 86, e determinou, às fls. 90 a 91, o lançamento das multas de oficio isoladas no valor total de R$ 13.549.471,73 (objeto do Processo n ° 10980.007122/200426 apensado ao presente). Baseou sua decisão no fato de que a decisão judicial favorável à interessada transitou em julgado somente em 24/04/2003, em conformidade com o documento situado à fl. 82, ao passo que as compensações foram efetuadas em data anterior. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, , em situada às fls. 102 a 116, na qual argumentou, em síntese, que: (i) o despacho decisório aplicou sem razão o art. 170A do CTN, que vedou a compensação, mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do transito em julgado da respectiva decisão judicial; as compensações requeridas foram expressamente autorizadas, tanto pelo juizo monocrático como pelo TRF da 2' Região, sendo a decisão do Tribunal se deu em 11/06/2001, quando se achava em pleno vigor o art. 170A do CTN, razão pela qual não tinha o Fisco o direito de negar a homologação requerida, pois as compensações encontravamse protegidas por decisão judicial; antes mesmo da restrição imposta pelo art. 170A do CTN, a decisão monocrática de abril de 2000 já lhe havia assegurado, mediante antecipação da tutela , o direito aos créditos do IPI, autorizando expressamente, a manutenção e eventual compensação desses créditos; o TRF da 2 região confirmou o direito aos créditos, mantendo inalterada a sentença de primeiro grau na parte relativa a compensação, conforme copia do processo judicial de fls. 26 a 45; (ii) o art. 170A do CTN não se aplicava ao presente caso, haja vista que o citado artigo somente vedou "a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial ...", diferentemente do que foi reconhecido judicialmente, ao decidir sobre um direito de crédito e não a "tributos contestados", como mencionado no dispositivo legal; e as compensações efetuadas, amparadas em medida judicial, não provocaram nenhum prejuízo ao Fisco, razão pela qual deviam ser integralmente acatadas. Registrese que, às fls. 64 a 80 do Processo Administrativo n° 10980.007122/200426, apenso, a interessada impugnou o lançamento das multas isoladas e arguiu em síntese que: (i) o Auto de Infração era insubsistente porque a autuada além de ter se Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401001.587 S3C4T1 Fl. 772 3 utilizado de créditos gerados anteriormente a publicação do citado art. 170A do CTN, para fins de compensação, esta também foi feita ao amparo e nos estritos termos da decisão judicial; compensou exclusivamente os valores até agora reconhecidos na Ação Ordinária n° 97.0101797, cuja tutela foi antecipada, autorizando o refazimento da escrita fiscal com o fim de registrar os créditos correspondentes, bem como a eventual compensação desses créditos; foram interpostas as apelações de ambas as partes e o TRF 2a Região rejeitou o apelo da União, reconhecendo integralmente o direito a compensação dos créditos em questão com tributos e contribuições de qualquer natureza (doc. fls. 14/32, do Processo n ° 10980.007122/200426, apenso); e (ii) a multa aplicada, no percentual de 100% (sic) tinha caráter confiscatório, que era expressamente vedado pelo art. 150, IV, da Constituição Federal. A autoridade julgadora de primeira instancia julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade de fls. 102/116 e manteve na integralmente o lançamento das multas isoladas de fls. 57/59 do Processo n° 10980.007122/200426, apenso, em decisão assim ementada (doc. Ils. 178/186): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 15/01/2003 a 15/04/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. É ilegítima a compensação baseada em créditos do IPI, garantido em decisão judicial, antes do devido trânsito em julgado e não revestidos de certeza e liquidez. PROCESSO APENSADO. MULTA ISOLADA. A utilização de crédito, não passível de compensação por expressa disposição legal, justifica a exigência da multa isolada de 75%. Solicitação Indeferida A contribuinte interpôs recurso voluntário, situado às fls. 193 a 214, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. Em 08/11/2005 a extinta 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, levando em conta que as autoridades administrativas limitaramse a apreciar a existência do direito à compensação em face do disposto no art. 170A do CTN, sem examinar a existência e a conferência dos créditos autorizados pela sentença do referido processo, converteu o julgamento em diligência para que o órgão local (fl. 238) : "Anexe ao processo cópia do inteiro teor da decisão judicial transitada em julgado que concedeu os créditos, nos termos do art, 37, da IN SRF no 210, de 2002, cuja data foi apenas informada, na fl. 2,como sendo 07/02/2002; Verifique o valor total dos créditos da recorrente, que devem ser calculados na forma determinada na Sentença do Processo Judicial n° 97.01017978 da 16" Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro RJ; Informe se esses valores são suficientes para a compensação e extinção dos débitos tributários declarados pela recorrente nas DCOMP que trata o presente processo. A informação fiscal situada à fl. 391 aduz que a contribuinte apresentou, além das DCOMP em formulário, uma série de DCOMP eletrônicas (relação destas consta à fl. 277). No curso da diligência foi apurado, na filial localizada em Piracicaba, um crédito que totaliza R$ 21.469.160,09 (valor com aplicação dos índices de correção da sentença, iguais aos do Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401001.587 S3C4T1 Fl. 773 4 Fisco, e atualização ate março de 2004, conforme a fl. 436). A unidade local da DRF em Curitiba, finalizando a diligência, concluiu: "a DRJ em Jundiai não apurou créditos na filial 33.033.028/0023990, vez que o estabelecimento industrial se encontrava com as atividades encerradas; após glosas relativas à Nota Fiscal n° 2341, da empresa LIBRA, não contabilizada no Livro de Registro de Entradas, e As Notas Fiscais do 1° decêndio de janeiro de 1996 ao 1° decêndio de janeiro de 1997, cujos Livros de Registro de Entrada da filial Jundiai não foram apresentados, "Os créditos apurados são INSUFICIENTES para a compensação e extinção dos débitos deste processo"; antes de efetuar qualquer compensação com os débitos controlados neste processo, os créditos da contribuinte foram utilizados nas compensações de débitos das várias "Ordem e data de compensação e valoração das DCOMP" e as DCOMP as fls. 458/491); como as DCOMP eletrônicas foram apresentadas após o trânsito em julgado, suas compensações devem preceder as demais, sendo que procedimento diverso implicaria em enriquecimento sem causa da contribuinte, vez que à época das Declarações de Compensação em papel, relativas não só a este processo, mas também ao de n° 10980.000292/200307 (com débito do PIS), o crédito ainda não existia, no estrito termo do art. 170A do CTN; os créditos apurados são insuficientes até para as compensações das DCOMP eletrônicas, como mostrado As fls. 456/457. Os autos foram encaminhados ao Conselho na mesma data do relatório da diligência (18/01/2011, fl. 494), sem informação de que a Recorrente tivesse sido cientificado ou não do seu resultado. Em 08/12/2011 protocolou petição com manifestação sobre o feito, alegando: (i) ter localizado recentemente os Livros Registros de Entrada n°s 50 a 59, o que torna mais uma vez possível a verificação do montante total dos créditos do IPI relativos aos períodos de jan/1996 a jan/1997, pelo que requer nova diligência a complementar a realizada; (ii) em razão do volume e da quantidade dos documentos, superando 1000 páginas, tais livros encontramse à disposição das autoridades fiscais no estabelecimento matriz da Recorrente em Curitiba; (iii) o AuditorFiscal que realizou a diligência extrapolou seus limites, ao considerar que os créditos apurados devem ser inicialmente utilizados nas várias DCOMP eletrônicas apresentadas após o trânsito em julgado da ação judicial, e somente na extinção dos débitos controlados neste processo administrativo; (iv) a questão da legalidade das compensações antes do trânsito em julgado e da aplicação do art. 170A do CTN constituiu justamente objeto do Recurso Voluntário, não podendo o AuditorFiscal alterar a determinação da Resolução n° 20300.656 nem o próprio lançamento tributário, violando o art. 142 do CTN e, em face da decadência neste momento, o art. 150, § 4°, do Código, tampouco eleger arbitrariamente quais débitos seriam compensáveis, contrariando a decisão judicial no processo n°97.01017978; (v) parte de seus créditos para compensar os débitos de Cofins em dezembro de /2002 e janeiro a março de 2003, cabendo, caso não fosse assim, aplicar o art. 112 do CTN. Informa, ainda, que, no Processo Administrativo n° 10980.013136/200217 se discutem as compensações dos mesmos créditos deste com débitos do PIS, tendo sido objeto de diligencia, que concluiu que os "créditos apurados são INSUFICIENTES para a compensação e extinção dos débitos objeto deste processo"., e insuficientes até mesmo para as compensações Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401001.587 S3C4T1 Fl. 774 5 declaradas por meio das DCOMP eletrônicas como demonstrado através da Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes (fls. 506 a 511) e da Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes (fls.512/513)”, o que mereceu manifestação da contribuinte nos seguintes termos: “Todavia, deveria o Sr. Auditor Fiscal terse limitado a averiguar a regularidade dos Livros Registros de Entrada de la's 50 a 59 da filial de Jundiaí e considerálos nos cálculos do crédito em questão, e não ter emitido qualquer juízo de valor sobre a suficiência ou não dos créditos de IPI, por não ser este o objeto da diligência, nem ser de sua competência tal análise. Assim, para que o escopo da diligência determinada pelo CARF seja efetivamente cumprido, averiguandose a totalidade do crédito de IPI reconhecido na Ação Judicial n. 97.01017978, a Recorrente requer, desde já, sua complementação, informando que se encontram A disposição da fiscalização os livros fiscais e demais documentos contábeis e fiscais necessários.” Em 25/02/2015, foi proferida a Resolução CARF nº 3401000.893, de relatoria da Conselheira Ângela Sartori, convertendo o julgamento uma vez mais em diligência, nos seguintes termos: O Recurso segue os requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. A vista do pronunciamento da Recorrente descrito acima, o processo ainda não está em condições de ser julgado e carece seja realizada nova diligência, para averiguar a regularidade dos Livros Registros de Entrada e, consideráos nos cálculos do crédito em questão, que estão amparados no Processo Judicial n°97.01017978, além de complementação da diligência, para que sejam apurados os créditos de IPI gerados pelas filiais indicadas na planilha anexada pela Recorrente. Conforme acima narrado, afirma o recorrente que o crédito total de R$ 39.400.000,00, cuja existência foi reconhecida na Ação Judicial 97.01017978, que tramitou na 16ª Vara Federal do Rio de Janeiro não adveio apenas do crédito das filiais de Jundiaí de Piracicaba, mas também dos outros estabelecimentos que não foram objeto das diligências efetuadas, mas também dos seguintes estabelecimentos, fl. 849: ARACATI, ARAGUARI, CERQUEIRA CESAR, CERQUEIRA, CESAR ESCADA, ITAPERUNA, ITAPETINGA, JARAGUÁ DO SUL, PEDREIRA, PETRÓPOLIS, RECIFE, CEQUEIRENSE (Incorporada) Destaquese que as únicas empresas que foram objeto de diligência foram as de Jundiaí e Piracicaba. Diante desse cenário, entendo que este processo deva ser convertido em diligência nos mesmos termos da resolução n. 20300.656, no entanto, para abarcar também, as empresas filiais relacionadas na fl. 849 dos autos, para apuração do crédito reconhecido na ação judicial. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401001.587 S3C4T1 Fl. 775 6 Diante do exposto, reitero a necessidade de complementação da diligência, para que sejam apurados o montante total dos créditos de IPI gerados pelas filiais indicadas na planilha anexada pelo contribuinte. Em diligência, foi apurada a existência de créditos de IPI no valor de R$ 16.714.791,60 referente às filiais situadas em Araguari, Cerqueira César, Escada, Itaperuna, Itapetininga, Jaraguá do Sul, Pedreira, Petrópolis e Recife. Contudo, a contribuinte, em manifestação, informa que a unidade deixou de verificar o montante dos créditos referentes à filial situada em Cerqueirense (CNPJ n° 47.235.122/000120) sob o fundamento de que a incorporação da filial indicada, teria ocorrido somente após o ajuizamento da Ação Ordinária. Apresentou, assim, a petição situada à fl. 740, requerendo: (i) a apuração dos créditos referentes à filial de Cerqueirense, tendo em vista que o instituto da incorporação, pressupõe a transferência de direitos e obrigações, ativos e passivos; (ii) como, mesmo após diversas baixas em diligência dos autos para apuração do valor do crédito advindo da ação judicial em questão, não restou claro qual o montante total de créditos de IPI decorrentes da ação judicial, relativos ao estabelecimento de Jundiaí/SP, requer a realização de nova diligência para que a unidade apresente de forma objetiva a totalidade dos créditos apurados referente ao estabelecimento de Jundiaí/SP. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A contenda em apreço teve como origem a glosa de compensações declaradas pela contribuinte, de débitos de COFINS (Dezembro/2002 a Março/2003), no valor de R$ 18.065.962,30 com créditos de IPI provenientes da Ação Ordinária n° 97.01017978, que tramitou na 16ª Vara Federal da Subseção Judiciária do Rio de Janeiro, em razão de terem sido declaradas antes do trânsito em julgado da decisão judicial e, portanto, em desrespeito ao art. 170A do CTN, decisão esta mantida pelo julgador de primeiro piso. Em suas razões recursais, a contribuinte buscou demonstrar a inaplicabilidade do disposto no art. 170A do CTN ao presente caso, na medida em que a ação judicial objetivando o reconhecimento do direito à compensação dos créditos de IPI foi ajuizada em 24/10/1997, ou seja, antes da entrada em vigor do referido dispositivo legal (10/01/2001), fato este não controvertido. Observase que tal afirmação se encontra em harmonia com o posicionamento externado pelo Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Especial nº 1.164.452/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil, já vigente, digase, à época do julgamento, e, portanto, de aplicação obrigatória nos termos do §1º do art. 62 do RICARF, tendo o aresto entendido pela inaplicabilidade do preceptivo normativo em referência às ações ajuizadas em momento anterior ao início da sua vigência. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401001.587 S3C4T1 Fl. 776 7 Em diferentes oportunidades, a segunda instância administrativa, antes mesmo da análise de mérito, determinou à unidade a verificação da suficiência e liquidez dos créditos apurados pela contribuinte e apontados na declaração de compensação. Desde então, como aponta a contribuinte em petição, o presente processo foi baixado em diligência por 3 vezes para que o valor dos créditos decorrentes da ação judicial seja apurado de forma correta. A primeira diligência constatou: (i) a existência de crédito de IPI no montante de R$ 21.469.160,09, atualizado até 05/2004, com relação à filial de Piracicaba/SP (CNPJ: 33.033.028/008169); e (ii) que, com relação à filial de Jundiaí (CNPJ: 33.033.028/0023 90), a os créditos apurados seriam insuficientes para a compensação dos débitos objeto do presente processo, tendo em vista que antes de efetuar qualquer compensação dos créditos atestados com os débitos declarados das declarações objeto do presente processo, a unidade utilizou, de maneira oficiosa, os créditos para efetuar as compensações declaradas eletronicamente, após o trânsito em julgado da ação, as quais não são objeto do presente processo. Na oportunidade da segunda diligência: (i) foi atestado o cômputo das Notas Fiscais apresentadas pela contribuinte não consideradas anteriormente e, compensados primeiramente os débitos transmitidos por meio das DCOMP eletrônicas após o trânsito em julgado da ação, concluiu que os créditos apurados seriam insuficientes para a compensação e extinção dos débitos objeto discutidos no presente processo. Na ocasião da terceira diligência: (i) foi apurada a existência de créditos de IPI no valor de R$ 16.714.791,60 referente às filiais situadas em Araguari, Cerqueira César, Escada, Itaperuna, Itapetininga, Jaraguá do Sul, Pedreira, Petrópolis e Recife. De fato, como aponta a ora recorrente, denotase que a diligência deixou de verificar o montante dos créditos referentes a filial situada em Cerqueirense (CNPJ n° 47.235.122/000120) sob o fundamento de que a incorporação da filial indicada teria ocorrido somente após o ajuizamento da Ação Ordinária. Considerando que o instituto da incorporação pressupõe a transferência de direitos e obrigações, ativos e passivos, os direitos da empresa incorporada, uma vez transferidos para a incorporadora, salvo disposição legal em contrário, devem ser considerados para fins das compensações pretendidas, o que culmina com a conclusão pela necessidade da baixa dos presentes autos em diligência para apreciação dos créditos relativos à filial em referência. Informa a contribuinte não ter restado claro qual o montante total de créditos de IPI decorrentes da ação judicial relativos especificamente ao estabelecimento de Jundiaí/SP, uma vez que o resultado da diligência se limitou a informar que os créditos não seriam suficientes para a homologação das compensações declaradas, tendo em vista que os valores foram compensados com os débitos declarados em DCOMP’s eletrônicas apresentadas após o trânsito em julgado, dúvida que deve ser, por questão de economia processual, enfrentada e dirimida na mesma ocasião. Assim, entendo que o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) apresente e quantifique detalhadamente, de forma objetiva, a totalidade dos créditos apurados nos estabelecimentos referentes à filial de Cerqueirense (CNPJ n° 47.235.122/000120) e à filial de Jundiaí (CNPJ: 33.033.028/0023 90); Fl. 776DF CARF MF Processo nº 10980.000290/200318 Resolução nº 3401001.587 S3C4T1 Fl. 777 8 (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, esclarecendo o impacto da resposta aos itens anteriores sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 777DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.720903/2015-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/11/2013, 01/01/2014 a 31/01/2014
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. HORAS EXTRAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS.
As parcelas não integrantes do salário-de-contribuição estão disciplinadas em rol taxativo no § 9°, do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. Entende-se por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de horas extras e 1/3 de férias. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos.
RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO.
O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62 do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014.
ALÍQUOTA SAT. DIFERENÇA
A contribuição do órgão público para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), possui alíquota variável (1%, 2% ou 3%), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau e risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme classificação na tabela Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE, vigente à época dos fatos geradores.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados.
Numero da decisão: 2201-004.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso, que lhe negaram provimento. Em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Débora Fófano - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DEBORA FOFANO
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PARCELAS INTEGRANTES. HORAS EXTRAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. As parcelas não integrantes do saláriodecontribuição estão disciplinadas em rol taxativo no § 9°, do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. Entendese por salário de contribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive aqueles recebidos a título de horas extras e 1/3 de férias. Consequentemente, eventuais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62 DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre quanto às decisões definitivas de mérito (art. 62 do RICARF), o que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 09 03 /2 01 5- 89 Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 352 2 presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014. ALÍQUOTA SAT. DIFERENÇA A contribuição do órgão público para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), possui alíquota variável (1%, 2% ou 3%), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau e risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme classificação na tabela Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, vigente à época dos fatos geradores. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama e Marcelo Milton da Silva Risso, que lhe negaram provimento. Em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, acordam em negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Débora Fófano Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso de Ofício (fl. 293) e Voluntário (fls. 241/277) interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ (fls. 292/302), a qual julgou parcialmente procedente o lançamento do crédito tributário consolidado no presente processo administrativo, compreendendo os seguintes autos de infração: Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 353 3 a) DEBCAD nº 51.045.0091, correspondente às glosas de compensações previdenciárias efetuadas indevidamente no período de 04/2013 a 11/2013 e 13/2013, no valor original de R$ 7.809.538,44, acrescido de juros e multa de mora, a serem calculados na data do pagamento (fls. 06/10), que foi mantido integralmente. b) DEBCAD nº 51.045.0075, referente à multa isolada no valor original de R$ 11.714.307,65, consolidado em 16/04/2015 (fls. 02/05), que foi integralmente exonerado. Cientificado da lavratura dos autos de infração em 22/04/2015 (fls. 25/26), a Recorrente apresentou sua Impugnação em 22/05/2015 (fls. 142/159). Quando da apreciação do caso, a DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 222/232): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2013 a 30/11/2013, 01/01/2014 a 31/01/2014 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. Compensação é procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e no Código Tributário Nacional CTN, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. ALÍQUOTA SAT. DIFERENÇA. A contribuição do órgão público para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), possui alíquota variável (1%, 2% ou 3%), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau e risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme classificação na tabela Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, vigente à época dos fatos geradores. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS NÃO INTEGRANTES. As parcelas não integrantes do saláriodecontribuição estão disciplinadas em rol taxativo no §9°, do art. 214, do Regulamento da Previdência Social. JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. A vinculação da RFB aos entendimentos do Poder Judiciário com efeito "erga omnes", desfavoráveis à Fazenda Pública, somente ocorre a partir da manifestação da PGFN por meio de Nota Explicativa, nos moldes previstos no art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 354 4 Ainda que haja compensação indevida, é improcedente a aplicação de multa isolada, sem que a autoridade lançadora comprove, com provas robustas, a falsidade da declaração e o dolo específico. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Preliminarmente, a DRJ destacou que: "(...) a Impugnante não contesta os valores da base de cálculo para efeito de glosa utilizados pelo AuditorFiscal autuante, fincando sua defesa nas alegações de: natureza indenizatória das rubricas "Adicional de 1/3 de férias"; "Adicional de 1/3 de férias Média" e "Acréscimos de Horas Extras", e correção da alíquota SAT de 1% aplicada, em face da preponderância da atividade educacional exercida pelos colaboradores da Impugnante". No mérito, decidiu pela improcedência do auto de infração Debcad nº 51.045.0075, no valor original de R$ 11.714.307,65, que trata de Multa Isolada, especificamente em relação à falsidade da declaração, tendo em conta que o Contribuinte interpretou de forma equivocada a legislação tributária, ainda que entendendo estar respaldado por decisões dos tribunais superiores, considerando que tal conduta não é suficiente para caracterização da falsidade, como exigido pelo § 10, do artigo 89, da Lei nº 8.212, de 1991. Quanto ao crédito tributário exigido no Debcad nº 51.045.0091, no valor original de R$ 7.809.538,44, acrescido de juros e multa de mora a serem calculados na data do pagamento, entendeu a DRJ pela improcedência dos argumentos aduzidos pelo contribuinte em sua impugnação, rebatendoos individualizadamente. Das Petições O contribuinte, antes do julgamento dos recursos de ofício e voluntário, apresentou petição em 31/07/2017 (fls. 311/312) solicitando o parcelamento de débitos remanescentes eventualmente apurados nos autos do processo em referencia, nos moldes do disposto na MP nº 778, de 16/05/2017, após o trânsito em julgado da decisão administrativa que estabeleça o fim do processo. Tal pedido foi considerado como solicitação de desistência total ou parcial de recurso interposto e em despacho do presidente do CARF os autos retornaram à unidade da administração tributária da origem (fl. 314). Cientificado da decisão (fls. 316, 317 e 320) o contribuinte apresentou esclarecimentos por meio do ofício nº 527/2018 de 27/03/2018, protocolado em 28/03/2018 (fls. 328/329) mediante o qual reafirma que o ofício nº 1268/2017 não se tratou de solicitação de desistência, mas unicamente de uma providência futura com o intuito de valerse dos benefícios do parcelamento especial, a depender do resultado da impugnação na via administrativa em decisão final. A petição foi analisada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais que em despacho s/nº Pleno de 09/04/2018 (fls. 335/336) declarou nulo o despacho Carf de efl. 134, indeferiu o pedido de postergação de parcelamento por falta de previsão legal na MP 778/2017, convertida na Lei nº 13.485/2017 e encaminhou o processo à DRF em Limeira/SP para adoção de providências (cancelamento do parcelamento e restabelecimento do controle de todos os Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 355 5 débitos no presente processo) com posterior retorno do PAF ao CARF para julgamento da lide, após ciência do contribuinte. A ciência ocorreu em 11/04/2018 (fl. 338). Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ em 02/06/2016, conforme AR de fl. 238, apresentou o recurso voluntário de fls. 241/277 em 01/07/2016, estruturado nos seguintes tópicos: 1. Preliminares: a) Seja o presente recurso recebido e conhecido conquanto aos requisitos de tempestividade e modo; b) Seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, inciso III, do CTN; c) Não seja negada a certidão positiva de débito com efeito negativo CPDEN, em nome do Manifestante com base nas compensações protestadas até o desfecho da lide; 2. No mérito: d) Seja reconhecida a legalidade das compensações cujo crédito foi constituído com verbas indenizatórias, quais sejam, Horas Extras e 1/3 de Férias, visto se tratarem de compensações executadas sobre o respaldo do entendimento jurisprudencial dominante da mais Alta Corte; e) Sejam homologadas as compensações realizadas em relação aos valores utilizados com base no RAT/SAT, consubstanciado nas teses acima versadas; f) Seja cientificada a Recorrente da decisão administrativa adotada para o presente Recurso no prazo legal. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano – Relatora Do Recurso de Ofício Em virtude da exoneração total do crédito tributário constante da Debcad nº 51.045.0075, referente à multa isolada, foi interposto recurso de ofício. Preliminarmente, o recurso de ofício preenche condições de admissibilidade, posto que, atinge o valor de alçada, hoje fixado em R$ 2.500.000,00 pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017. Desta forma, analisarseá o fundamento do acórdão que culminou em exoneração do crédito, qual seja, a improcedência da aplicação de multa isolada, sem a comprovação pela autoridade lançadora, com provas robustas, da falsidade da declaração e o dolo específico. A autoridade fiscal entendeu que a entrega de GFIP com informações falsas, no caso, com inserção de crédito inexistente (compensações), resultou em supressão/redução de contribuições previdenciárias devidas, ensejando dessa forma a aplicação de Multa Isolada, prevista no § 10, art. 89, da Lei nº 8.212, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 356 6 Notese que a aplicação da multa isolada foi fundamentada na compensação de valores realizada sem a comprovação do efetivo recolhimento indevido; ausência de ação judicial que garanta ao sujeito passivo as compensações efetuadas e indefinição das ações judiciais que pudessem beneficiar o sujeito passivo. A DRJ/Rio de Janeiro/RJ ao analisar a impugnação exonerou integralmente o crédito tributário exigido referente à multa isolada sob o argumento de que as compensações do contribuinte foram indevidas e não eivadas de falsidade da declaração, tendose que, efetivamente, o Contribuinte interpretou de forma equivocada a legislação tributária, ainda que entendendo estar respaldado por decisões dos tribunais superiores; contudo, entendendo que tal conduta não ser suficiente para caracterização de falsidade. Na dicção do § 10 do artigo 89 da Lei nº 8.212, de 1991, na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, ele estará sujeito à multa de 150% (vide abaixo). Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem mencionar a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. No caso concreto a conduta do contribuinte em relação às compensações efetuadas estava pautada na sua interpretação a respeito da matéria, procurando extinguir indevidamente parte dos débitos apurados e confessados mediante o aproveitamento de créditos que não logrou comprovar, trazendo o resultado esperado e pretendido, qual seja, deixar de pagar tributo. Se não há nenhuma dúvida de que as GFIP’s entregues pelo Município veicularam informações sabidamente falsas, não há que se falar em redução da penalidade ou até mesmo de extinção da penalidade. São inúmeros os Acórdãos do Conselho Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que se posicionam pela manutenção da aplicação da multa isolada diante da comprovação de falsidade da declaração, dentre os quais, a título ilustrativo, selecionamos as seguintes ementas: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 30/09/2010 Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 357 7 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa isolada de 150%, quando os recolhimentos tidos pelo Contribuinte como indevidos e passíveis de compensação não são comprovados. Recurso Especial do Procurador provido. (Acórdão nº 9202003.777 – 2ª Turma CSRF Sessão de 16 de fevereiro de 2016)" "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2013 MULTA ISOLADA APLICADA SOBRE A COMPENSAÇÃO INDEVIDA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à aplicação de multa isolada nos termos do art. 89, §10, da Lei nº 8.212/1991. (Acórdão nº 9202006.885 2ª Turma CSRF Sessão de 23 de maio de 2018)" À vista de todo exposto, votase no sentido de dar provimento ao Recurso de Ofício. Do Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado anteriormente, nas preliminares o contribuinte solicita: (i) o recebimento e conhecimento do Recurso; (ii) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, inciso III, do CTN e (iii) não seja negada a certidão positiva de débito com efeito negativo CPDEN, em nome do Manifestante com base nas compensações protestadas até o desfecho da lide. Nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN), as reclamações e os recursos administrativos suspendem a exigibilidade do crédito tributário até o julgamento definitivo pelo órgão competente. Quanto ao pedido de emissão de certidões em nome do manifestante, a matéria é regulada pela Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 1.751, de 02 de outubro de 2014, com alterações posteriores, que dispõe sobre a prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. Sobre a matéria, constam as seguintes orientações no site do Ministério da Fazenda1: "(...) 2) A Certidão Negativa de Débitos somente é emitida quando verificadas, simultaneamente: 1 Disponível em: http://www.fazenda.gov.br/cartadeservicos/listadeservicos/procuradoriageraldafazenda nacionalpgfn/certidaoderegularidadefiscal Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 358 8 2.1) a regularidade fiscal do contribuinte em relação aos débitos administrados pela PGFN e inscritos em Dívida Ativa da União (DAU); 2.2) a regularidade fiscal do contribuinte em relação aos débitos administrados pela RFB; e 2.3) a inexistência de outras pendências perante a RFB. 3) A Certidão Positiva é emitida quando constarem débitos junto à Fazenda Nacional (PGFN e RFB), sem registro de garantia ou de causa suspensiva ou, ainda, de pendências junto à RFB. Essa certidão é emitida, exclusivamente, pela unidade de atendimento integrado. 4) A Certidão Positiva com Efeitos de Negativa tem os mesmos efeitos da Certidão Negativa e é emitida quando todas as inscrições em DAU tiverem averbada causa suspensiva de sua exigibilidade ou garantia (penhora, caução, segurogarantia, depósito e carta de fiança). (...)" No mérito pugna pelos seguintes pontos: (i) reconhecimento da legalidade das compensações cujo crédito foi constituído com verbas indenizatórias, quais sejam, Horas Extras e 1/3 de Férias, visto se tratarem de compensações executadas sobre o respaldo do entendimento jurisprudencial dominante da mais Alta Corte; (ii) sejam homologadas as compensações realizadas em relação aos valores utilizados com base no RAT/SAT, consubstanciado nas teses acima versadas e (iii) seja cientificada a Recorrente da decisão administrativa adotada para o presente Recurso no prazo legal. Desta forma, analisarseá os argumentos do contribuinte em cada um dos fundamentos acima aduzidos. (i) Do reconhecimento da legalidade das compensações cujo crédito foi constituído com verbas indenizatórias, quais sejam, Horas Extras e 1/3 de Férias Em linhas gerais, a Recorrente argumenta que deve ser afastada a incidência da contribuição previdenciária sobre: a) as horas extras recebidas por deterem caráter indenizatório segundo entendimento externado pelo STF e b) o terço constitucional de férias gozadas ou não com fulcro no artigo 28, § 9º, alínea "d", da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e, ainda, com base no entendimento majoritário adotado pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça, trazendo diversas ementas. A Recorrente alega que as horas extras detém caráter indenizatório, não devendo incidir a exação previdenciária. Não resta dúvida, de que tais verbas se amoldam ao conceito de saláriode contribuição previsto no artigo 28, inciso I da Lei n.° 8.212, de 1991: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 359 9 tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Sobre a matéria pertinente a transcrição do voto do conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza no Acórdão nº 2402006.660 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária: "(...) 4.3. HORAS EXTRAS. Neste ponto a Recorrente alega que as demais rubricas indicadas como base para o lançamento representam horas extras e que por sua natureza intrínseca tem caráter indenizatório eis que, em sua visão, objetivam compensar danos físicos e psicológica. Mais uma vez, nos termos do artigo 62, §1º, inciso II, “b” da Portaria MF nº 343/06/2015 (RICARF), o colegiado deve observar a jurisprudência vinculativa ainda vigente, eis que o STJ, sob o rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo) quando do REsp 1.358.281, j. 23/4/2014, decidiu em sentido oposto ao pretendido pela Recorrente, ao firmar entendimento no sentido da tributabilidade das Horas Extras, eis que subsumemse ao conceito de saláriodecontribuição. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. BASE DE CÁLCULO. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE E HORAS EXTRAS. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. SÍNTESE DA CONTROVÉRSIA 1. Cuidase de Recurso Especial submetido ao regime do art. 543C do CPC para definição do seguinte tema: "Incidência de contribuição previdenciária sobre as seguintes verbas trabalhistas: a)horas extras; b) adicional noturno; c) adicional de periculosidade". CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA E BASE DE CÁLCULO: NATUREZA REMUNERATÓRIA 2. Com base no quadro normativo que rege o tributo em questão, o STJ consolidou firme jurisprudência no sentido de que não devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária "as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador" (REsp 1.230.957/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 18/3/2014,submetido ao art. 543C do CPC). 3. Por outro lado, se a verba possuir natureza remuneratória, destinandose a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, ela deve integrar a base de cálculo da contribuição. ADICIONAIS NOTURNO, DE PERICULOSIDADE, HORAS EXTRAS: INCIDÊNCIA 4. Os adicionais noturno e de periculosidade, as horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 360 10 contribuição previdenciária (AgRg no REsp 1.222.246/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 17/12/2012; AgRg no AREsp 69.958/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 20/6/2012; REsp 1.149.071/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/2010; Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 9/4/2013; REsp 1.098.102/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 17/6/2009; AgRg no Ag 1.330.045/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 25/11/2010; AgRg no REsp 1.290.401/RS; REsp 486.697/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 17/12/2004, p. 420; AgRg nos EDcl no REsp 1.098.218/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 9/11/2009). [...] CONCLUSÃO 9. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. (STJ REsp: 1358281 SP 2012/02615969, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 23/04/2014, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 05/12/2014) (...)" Ao contrário do alegado pela Recorrente, horas extraordinárias têm natureza remuneratória eis que devidas em contraprestação diretamente relacionada ao trabalho prestado pelo segurado em beneficio do empregador, o pagamento em valores superiores ao ordinário não é elemento suficiente para considerar tais pagamentos como indenizatórios. Os órgãos de julgamento administrativos devem aplicar os precedentes do STF e STJ quando esses foram proferidos em sede de recursos repetitivos ou com repercussão geral reconhecida a teor do disposto no art. 62 do RICARF. Ainda assim, importante ressaltar que não há qualquer tese definitiva (transitada em julgado) firmada pelo STJ ou STF em sede de recursos repetitivos ou repercussão geral, respectivamente, sobre as matérias objeto do presente caso. O tema envolvendo a não incidência das contribuições previdenciárias sobre o terço constitucional de férias (Tema Repetitivo STJ 479) foi, de fato, decidido pelo STJ através do REsp 1230957/RS. Contudo, tal decisão encontrase suspensa por decisão da Vice Presidência do STJ em razão do Recurso Extraordinário com repercussão geral reconhecida (RE 593068 / Tema 163). Neste sentido, orientação consubstanciada na Nota PGFN/CRJ nº 640/2014, a seguir transcrita: "(...) 5. No presente caso, conforme se verá mais adiante, não obstante o RESP nº 1.230.957/RS ter sido parcialmente desfavorável à Fazenda Nacional, não é possível a inclusão dos temas na lista a que se refere o inciso V do art. 1º da Portaria nº 294/2010, em razão de se vislumbrar a possibilidade de reversão do entendimento no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF). Desse modo, a presente Nota Explicativa, além de delimitar o que ficou decidido no RESP nº 1.230.957/RS, tem apenas como intuito cumprir o disposto no art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014, informando à RFB a nãoinclusão de temas em lista de dispensa de contestar e recorrer. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 361 11 6. Os recursos especiais existentes nos autos do RESP 1.230.957, submetidos ao rito do art. 543C do CPC, tratavam, em essência, da incidência de contribuição previdenciária, a cargo da empresa, no contexto do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), sobre as seguintes verbas: a) terço constitucional de férias; b) saláriomaternidade; c) saláriopaternidade; d) aviso prévio indenizado; e) importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. 7. Decidiuse pela incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas atinentes ao saláriomaternidade e ao salário paternidade. Quanto à incidência da contribuição sobre as demais verbas, prevaleceu entendimento desfavorável à Fazenda Nacional. Em face de tal posicionamento desfavorável, importa fazer algumas considerações para cada uma das exações, tendo em vista que se entende pela continuidade de impugnação das decisões que apliquem o entendimento do STJ firmado em desfavor à Fazenda Nacional. (...) IV Terço constitucional de férias 15. Ainda no RESP nº 1.230.957/RS, o STJ decidiu pela não incidência de contribuição previdenciária quanto ao adicional de um terço referido às férias indenizadas, bem como no caso das férias gozadas. Em relação às férias indenizadas, não há a exação, com base no art. 28, §9º, “d”, da Lei nº 8.212/91; já quanto às férias gozadas, o STJ, partindo da premissa de que o STF teria firmado a orientação de que o terço constitucional de férias possuiria natureza compensatória/indenizatória, a partir de precedentes do STF que se referiam a servidores sujeitos ao Regime Próprio dos Servidores Públicos (RPPS), não haveria ganho habitual a ensejar a tributação. 16. A Corte Superior considerou, assim, que a importância paga a título de terço constitucional de férias gozadas não se destina a retribuir serviços prestados, tampouco configura tempo à disposição do empregador, de modo que não se enquadraria no disposto no art. 22, I, “d” da Lei nº 8.212/1991, nem se amoldaria no conceito de saláriodecontribuição do empregado previsto no art. 28, I, da Lei nº 8212/1991. 17. Todavia, como o entendimento do STJ, em relação à contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias dos empregados, derivaria de orientação do STF relativamente à exação sobre o terço constitucional de férias dos servidores públicos e, tendo em vista que o RE nº 593.068 teve sua repercussão geral reconhecida, justamente para tratar dessa questão, verificase que a matéria ainda não está pacificada, de maneira que também não é possível a inclusão do tema na lista prevista no inciso V do art. 1º da Portaria PGFN nº 294/2010. (...)" Em virtude do exposto, por tais decisões não possuírem definitividade, tendo em vista que ainda não se operou o trânsito em julgado, os eventuais recolhimentos de Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 362 12 contribuições incidentes sobre o terço constitucional de férias não podem ser considerados indevidos, pois não estão revestidos de liquidez e certeza. Sobre a matéria, pertinente a transcrição dos seguintes julgados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2009 (...) ADICIONAL DE FÉRIAS O adicional de 1/3 de férias possui natureza remuneratória, não havendo que se cogitar de sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias, exceto na hipótese de férias não gozadas, objeto de indenização. PRIMEIROS 15 DIAS DE AUXÍLIODOENÇA Os valores decorrentes da obrigação legal de pagar o salário devido ao empregado nos primeiros 15 dias de afastamento por doença (também denominado de salárioenfermidade), caracteriza interrupção do contrato de trabalho, mantida sua característica de verba salarial, assim passível de sofrer a incidência das contribuições previdenciárias, patronal e a cargo do empregado. (Acórdão nº 9202003.773 – 2ª Turma)" "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2015 a 31/03/2015 (...). TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. QUINZE PRIMEIROS DIAS DO AFASTAMENTO POR AUXÍLIO DOENÇA OU AUXÍLIOACIDENTE. Diante da moldura constitucional e em razão da amplitude conceitual e legislativa dos conceitos de remuneração e salário decontribuição,no caso do adicional constitucional de férias, bem como nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por auxíliodoença ou auxílioacidente, temos típicas hipóteses de interrupção do contrato de trabalho, razão pela qual, a despeito de inexistir prestação de serviço, há remuneração e, havendo remuneração paga, devida ou creditada, há incidência de contribuições previdenciárias. Conseqüentemente, tais valores, recolhidos pela recorrente, não podem ser considerados pagamentos indevidos. RECURSOS REPETITIVOS. SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC ANTIGO OU DOS ARTS. 1.036 A 1.041 DO NOVO CPC. VINCULAÇÃO. ART. 62A DO RICARF. DECISÕES NÃO TRANSITADAS EM JULGADO. O STJ, no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), estabeleceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração (i) nos 15 dias anteriores à concessão de Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 363 13 auxíliodoença, (ii) do terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. Todavia, a vinculação de conselheiro ao quanto decidido na sistemática dos recursos repetitivos somente ocorre que somente ocorre com o trânsito em julgado das decisões, o que não ocorreu até a presente data. Em sentido semelhante, o disposto na Nota/PGFN/CRJ/N° 640, de 2014. (Acórdão nº 2301005.596 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária)" Ante o exposto, votase por negar provimento ao recurso neste ponto. (ii) Homologação das compensações realizadas em relação aos valores utilizados com base no RAT/SAT A Recorrente alega serem legitimas as compensações que abarcaram os créditos consubstanciados com RAT/SAT por ser preponderante a atividade da Educação, a alíquota acertada para a atividade era de 1% (um por cento) e o recolhimento foi efetuado erroneamente sob a alíquota de 2% (dois por cento). Inicialmente merece deixar registrado que são os seguintes os dispositivos legais e normativos que regem a matéria: art. 22, inciso II, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; art. 202 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999 RPS; art. 72 da IN RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, com alterações promovidas pela Instrução Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010; Ato Declaratório PGFN nº 11, de 2011; Solução de Consulta Interna Cosit nº 1, de 2014 e Solução de Consulta nº 49 Cosit de 19 de fevereiro de 2014. Destaquese que na Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco (Conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas), do Anexo V do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 19992, com redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009, consta a alíquota de 2% para a Administração pública em geral, CNAE 84116/00. Em que pese as alegações e apesar de ser ônus do contribuinte nos termos do art. 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil)3, com a impugnação a Recorrente apresentou apenas relações, provavelmente referentes ao período de 12/2014, com indicação de matrículas, nomes, data de admissão e função de servidores alocados nas diversas secretarias do município (fls. 161/205). Todavia não foram apresentados os demonstrativos mensais das competências 04/2013 a 11/2013 e 13/2013 a que se referem as compensações, nos termos do disposto no art. 72, II, § 1º da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, com alterações promovidas pela Instrução Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010. Também por possuir apenas um CNPJ e mais de uma atividade econômica, deve prevalecer, como preponderante, aquela que tem o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, não devendo ser considerados os segurados empregados que prestam serviços em atividadesmeio, para a apuração do grau de risco, assim entendidas aquelas que auxiliam ou complementam indistintamente as diversas atividades econômicas da empresa, tais como serviços de administração geral, recepção, faturamento, cobrança, contabilidade, vigilância, dentre outros, conforme disposto no art. 72, II, § 1º, "b" da referida Instrução Normativa. 2 Aprova o regulamento da Previdência Social, e dá outras providências. 3 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 364 14 Vale ressaltar que nas relações apresentadas referentes ao mês de 12/2014, a quantidade de servidores alocados na Secretaria de Educação totaliza 966 funcionários, incluindo aí segurados que prestam serviços auxiliares (p. ex. serventes, jardineiros, motoristas) e nas demais 16 secretarias o montante de 996, ou seja, até mesmo neste mês a atividade preponderante não é a da Educação como alegado pela Recorrente. À vista do exposto, também neste ponto, votase por negar provimento ao recurso. (iii) Ciência da Recorrente da decisão administrativa adotada para o presente Recurso no prazo legal Quanto ao pedido de ser cientificado da decisão, a Lei nº 9.784, 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, e portanto de observância obrigatória, assim determina em seus arts. 26 e 28: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. § 1o A intimação deverá conter: I identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa; II finalidade da intimação; III data, hora e local em que deve comparecer; IV se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazerse representar; V informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento; VI indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. § 2o A intimação observará a antecedência mínima de três dias úteis quanto à data de comparecimento. § 3o A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. § 4o No caso de interessados indeterminados, desconhecidos ou com domicílio indefinido, a intimação deve ser efetuada por meio de publicação oficial. § 5o As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade. (...) Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. CONCLUSÃO Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10865.720903/201589 Acórdão n.º 2201004.833 S2C2T1 Fl. 365 15 Em razão do exposto, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Débora Fófano – Relatora Fl. 365DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.903916/2013-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA.
É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
Numero da decisão: 3402-005.663
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: Relator Diego Diniz Ribeiro
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2012 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decreto-lei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE RECONHECIDA. É de 30 (trinta) dias o prazo para interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte, conforme prevê o art. 33, caput, do Decretolei n. 70.235/72. O não cumprimento do aludido prazo impede o conhecimento do recuso interposto em razão da sua intempestividade. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de PIS formulado pela recorrente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 39 16 /2 01 3- 59 Fl. 153DF CARF MF 2 Aludida restituição restou indeferida pela DRF de origem, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição” Regularmente cientificada, apresentou, a interessada, manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ, nos termos do acórdão nº01033.593.: Cientificado desta decisão apresentou o recurso voluntário ora em apreço. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.626, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10935.903869/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.626): "I. Da intempestividade do recurso voluntário interposto 5. Como é sabido, o prazo para interposição de Recurso Voluntário no âmbito do processo administrativo federal é de 30 (trinta) dias, conforme prevê o art. 33, caput do Decretolei n. 70.235/72. 6. Não obstante, segundo o disposto no art. 5o. do sobredito Decretolei, os prazos no processo administrativo federal são contínuos e deverão ser contados excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Este também é o teor do art. 66 da lei n. 9.784/991. 7. Pois bem. No presente caso o fecorrente foi cientificado via eletrônica da decisão guerreada, sendo a correspondente mensagem aberta em 24 (vinte e quatro) de fevereiro de 2017 (sextafeira) (fl. 142). Logo, levando em consideração as disposições legais acima mencionadas, o termo inicial para a contagem do prazo recursal teve início em 27 (vinte e sete) de fevereiro de 2017 (segundafeira), vencendo, por sua vez, no dia 28 (vinte e oito) de março de 2017 (terçafeira). Acontece que o recurso em apreço só foi interposto em 30 (trinta) de março de 2017 (fl. 145), ou seja, quando já transcorrido o prazo legal. 8. Patente está, portanto, a intempestividade do recurso voluntário interposto, motivo pelo qual não o conheço. Dispositivo 1 "Art. 66. Os prazos começam a correr a partir da data da cientificação oficial, excluindose da contagem o dia do começo e incluindose o do vencimento." Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10935.903916/201359 Acórdão n.º 3402005.663 S3C4T2 Fl. 3 3 9. Diante do exposto, em razão da intempestividade do recurso voluntário interposto, deixo de conhecêlo. 10. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 155DF CARF MF
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