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Numero do processo: 10680.933400/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2006
Ementa:
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NECESSIDADE.
Encontrando-se nos autos elementos que possibilitem aferir, ainda que em parte, a liquidez e certeza do crédito indicado para o encontro de contas, há de se determinar a homologação das compensações requeridas, até o limite do crédito reconhecido. Irrelevante, no caso vertente, o erro de preenchimento dos instrumentos declaratórios apresentados.
Numero da decisão: 1301-001.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. NECESSIDADE. Encontrandose nos autos elementos que possibilitem aferir, ainda que em parte, a liquidez e certeza do crédito indicado para o encontro de contas, há de se determinar a homologação das compensações requeridas, até o limite do crédito reconhecido. Irrelevante, no caso vertente, o erro de preenchimento dos instrumentos declaratórios apresentados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 34 00 /2 00 9- 91 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.933400/200991 Acórdão n.º 1301001.652 S1C3T1 Fl. 282 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.933400/200991 Acórdão n.º 1301001.652 S1C3T1 Fl. 283 3 Relatório COMPANHIA DE SANEAMENTO DE MINAS GERAIS COPASA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, que indeferiu pedido veiculado por meio de Manifestação de Inconformidade, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de pedido de reconhecimento de direito creditório, cumulado com pedidos de compensação, envolvendo parte de crédito relativo a saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do anocalendário de 2005. Por meio de Despacho Decisório (fls. 32), a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte não reconheceu o direito creditório pleiteado (R$ 1.989.712,07) sob alegação de inexistência de saldo negativo no período. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 01/05), a contribuinte sustentou: a suspensão da exigibilidade dos débitos em cobrança; o fornecimento, por parte do “plantão fiscal”, de informação equivocada acerca do preenchimento do PER/DCOMP; a existência efetiva dos créditos; a impossibilidade de ser penalizado em virtude da interpretação equivocada do (das instruções) preenchimento das DCOMPs. Requereu, ao final, a retificação de ofício ou a autorização para retificar as DCOMPs apresentadas. A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, analisando a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 0230.808, de 09 de fevereiro de 2011, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 95/101, por meio do qual sustentou: que não poderia prevalecer o argumento do órgão julgador de primeira instância de que houve violação da legislação de regência no momento da apuração da CSLL; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.933400/200991 Acórdão n.º 1301001.652 S1C3T1 Fl. 284 4 que lançou na “pasta crédito” da PER/DCOMP somente os valores que lastreavam o “saldo negativo”, decorrendo daí a desconsideração por parte do Fisco da quitação da CSLL por meio de DARF, das retenções feitas por órgãos públicos e das quitações feitas por meio de saldos de exercícios anteriores; que resta evidente que as antecipações consignadas por ela somam o valor de R$ 15.400.414,56, e não o importe de R$ 1.989.712,07; que, ao contrário do alegado na decisão recorrida, impugnou o despacho decisório que não homologou as compensações com saldo negativo de 2004 das estimativas de CSLL relativas aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005 (alegou que anexou documentação comprobatória, inclusive relativa a depósito judicial efetuado); que não poderia ser penalizada pela omissão de informação na DIRF ou pela desídia do órgão público em enviar o comprovante de rendimento, que por lei é obrigatório. O presente processo foi inicialmente encaminhado à Primeira Turma Especial que, em razão do limite de alçada, declinou da competência. Esta Primeira Turma Ordinária, em sessão realizada em 07 de novembro de 2012, resolveu converter o julgamento em diligência para que fossem trazidos aos autos pronunciamento da unidade administrativa de origem acerca de uma suposta impetração Manifestação de Inconformidade, apresentada contra a não homologação de compensações que pretenderam extinguir débitos relativos a estimativas de 2005. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte prestou os seguintes esclarecimentos, in verbis: Em resposta ao pedido de diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, informo que a manifestação de inconformidade às fls. 163 a 167 (134/138 do processo em papel) foi recebida na DRF Belo Horizonte no dia 04.08.2009. Nesta data, o prazo para manifestação já se esgotara, pois o despacho decisório havia sido entregue no dia 02.04.2009 (fl. 256). Como a manifestação foi intempestiva, o processo não teve seguimento. Porém, os débitos dos processos de cobrança foram suspensos porque o contribuinte efetuou depósitos administrativos, conforme folhas 257 a 264. Finalmente, tendo o processo sido encerrado pelo sistema, o mesmo foi arquivado em 01.09.2010 (folha 265). Por entender que a resposta trazida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte não viabilizava o prosseguimento da apreciação da controvérsia, este Colegiado resolveu mais uma vez converter o julgamento em diligência (Resolução nº 1301 000.159, de 11 de setembro de 2013) para que a unidade administrativa de origem, de forma conclusiva, esclarecesse se existia impedimento de qualquer natureza para o aproveitamento das antecipações (estimativas) relativas aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005 na composição do direito creditório pleiteado por meio do presente processo. Restou esclarecido que, caso houvesse impedimento para o citado aproveitamento, a apreciação do reconhecimento do crédito aqui tratado deveria ficar sobrestada até que fosse proferida decisão Fl. 284DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.933400/200991 Acórdão n.º 1301001.652 S1C3T1 Fl. 285 5 final acerca da extinção das referidas antecipações, devendo o processo ficar retido na unidade da origem até que se produzisse pronunciamento conclusivo sobre a questão. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte produziu a informação de fls. 280, da qual reproduzo o seguinte fragmento: [...] Revendo o processo 10680.906715/200966, que trata da compensação do crédito de Saldo Negativo da CSLL anocalendário 2004 com as referidas estimativas, foi constatado que o crédito não foi reconhecido devido a erros no preenchimento da Dcomp. Efetivada a revisão de ofício da decisão relativa ao referido processo, o crédito foi inteiramente reconhecido e as Dcomp abaixo relacionadas totalmente homologadas: ... Assim, os débitos acima foram liquidados por compensação. As telas que comprovam as compensações encontramse às folhas 276 a 279. É o Relatório. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.933400/200991 Acórdão n.º 1301001.652 S1C3T1 Fl. 286 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. De acordo com o Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 32, as compensações pleiteadas pela contribuinte não foram homologadas em virtude da inexistência do direito creditório indicado para o encontro de contas. Tomando por base informações prestadas por meio do PER/DCOMP, o referido despacho, emitido pela Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte, consigna os seguintes dados: PARCELAS DO CRÉDITO PER/DCOMP CONFIRMADAS RETENÇÕES NA FONTE 30.571,37 30.571,37 PAGAMENTOS 1.959.140,70 1.959.140,70 SOMA 1.989.712,07 1.989.712,07 Para determinação do SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL, foi considerada a diferença entre as parcelas do crédito que foram confirmadas (R$ 1.989.712,07) e a CSLL devida no período (R$ 13.421.059,66), sendo que, se deste cálculo, resultar valor negativo (que é o caso), o referido saldo negativo disponível seria considerado R$ 0,00. De acordo com o extrato de fls. 60, o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2005, declarado pela contribuinte (DIPJ/2006), decorreu da seguinte apuração: CSLL DEVIDA R$ 13.421.059,66 CSLL RETIDA NA FONTE POR ENTIDADES PÚBLICAS R$ 19.991,17 CSLL RETIDA NA FONTE POR PJ DE DIREITO PRIVADO R$ 295,05 CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA R$ 15.380.128,36 CSLL A PAGAR (SALDO NEGATIVO) R$ 1.979.354,92 Depreendese, portanto, que o saldo negativo apontado para compensação foi considerado R$ 0,00 em virtude de a contribuinte, ao preencher o PER/DCOMP, não ter reproduzido, na íntegra, a sua apuração, isto é, ter deixado de indicar as parcelas formadoras do crédito em questão. Tal ilação é corroborada pela Manifestação de Inconformidade apresentada, em que a contribuinte esclareceu que, pelo que depreendeu da leitura da legislação pertinente e de explicações apresentadas pela Receita Federal, no PER/DCOMP deveriam ser registrados, apenas, os valores dos créditos relativos aos meses em que realmente restou saldo negativo. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.933400/200991 Acórdão n.º 1301001.652 S1C3T1 Fl. 287 7 Tratase, à evidência, de erro no preenchimento de PER/DCOMP, que poderia ter sido sanado em fase anterior à expedição do Despacho Decisório, oportunizandose à contribuinte prazo para apresentar a documentação que serviu de lastro para a apuração do saldo negativo indicado na declaração de informações (DIPJ/2006). Às fls. 56, consta o documento HISTÓRICO DAS COMUNICAÇÕES, em que se constata que a única “comunicação” registrada como “entregue” é a referente ao Despacho Decisório impugnado (nº de rastreamento 848545233). Não encontro nos autos, pois, qualquer indicativo de que a contribuinte tenha sido intimada a prestar esclarecimentos acerca das divergências detectadas entre as informações consignadas na DIPJ e as que foram registradas no PER/DCOMP. Não obstante, observo que a autoridade julgadora de primeiro grau, apesar de pronunciarse pelo indeferimento do pedido de retificação das DCOMPs formalizado pela contribuinte, promoveu a análise do crédito indicado para compensação. De acordo com a referida análise, os valores antecipados a título de ESTIMATIVA MENSAL tiveram a seguinte composição (fls. 87): CSLL RETIDA POR ÓRGÃOS PÚBLICOS R$ 92.970,21 CSLL A PAGAR (ESTIMATIVA A RECOLHER) R$ 15.268.812,64 SOMA DAS ANTECIPAÇÕES 1 R$ 15.361.782,85 A Turma Julgadora de primeira instância indeferiu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte, servindose, para tanto, dos seguintes argumentos: i) declarações de compensação apresentadas pela contribuinte para extinguir parte da CSLL estimada não foram homologadas (Despacho Decisório nº 824986315), não tendo sido identificada nos controles da Receita Federal interposição de Manifestação de Inconformidade contra tal decisão; ii) excluídas as estimativas cujas compensações não foram homologadas, o restante das antecipações foram extintas por meio de pagamento, totalizando o montante de R$ 11.754.619,91, sendo esta parcela dedutível da CSLL apurada no final do período; iii) as retenções feitas por órgãos públicos, no montante de R$ 92.970,21, foram confirmadas por meio das DIRF’s apresentadas à Receita Federal. A partir de tais considerações, a autoridade julgadora a quo refez a composição dos valores antecipados a título de CSLL – ESTIMATIVA MENSAL, conforme quadro abaixo. 1 No quadro apresentado na decisão de primeira instância, fls. 87, consta a informação de que "a dedução da CSLL paga por estimativa na DIPJ está em desacordo com a soma das antecipações informadas mês a mês, tanto na DIPJ quanto nas DCTFs". Tal diferença, contudo, decorre do fato de ter sido informado na DIPJ a parcela da estimativa que foi extinta por meio de retenções na fonte (R$ 92.970,21). Conforme fls. 60 dos autos, a contribuinte registrou na linha 52 da Ficha 17 da Declaração (CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA) o montante de R$ 15.380.128,36, que, desprezados os centavos, corresponde às seguintes parcelas: CSLL retida (R$ 92.970,21); pagamentos (R$ 11.754.619,91); e compensação (R$ 3.532.538,14). Fl. 287DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.933400/200991 Acórdão n.º 1301001.652 S1C3T1 Fl. 288 8 DISCRIMINAÇÃO INFORMADO EM DIPJ CONFIRMADO CSLL – RETENÇÃO ÓRGÃOS PÚBLICOS R$ 92.970,21 R$ 92.970,21 CSLL A PAGAR (ESTIMATIVA) R$ 15.268.812,64 2 R$ 11.754.619,91 ESTIMATIVA A DEDUZIR R$ 15.380.128,36 R$ 11.847.590,12 Concluiu, pois, a Turma Julgadora de primeira instância, pela inexistência de SALDO NEGATIVO no anocalendário de 2005, conforme demonstrativo abaixo. CSLL DEVIDA R$ 13.421.059,66 () CSLL RETIDA ÓRGÃOS PÚBLICOS R$ 7.944,85 () CSLL RETIDA PJ DIREITO PRIVADO R$ 25,00 () CSLL – ESTIMATIVA R$ 11.847.590,12 CSLL A PAGAR R$ 1.565.499,65 Das informações consignadas na decisão recorrida, verificase que o total de CSLL retida por órgãos públicos considerado foi de R$ 100.915,06, que, descontado do aproveitado nas antecipações obrigatórias (R$ 92.970,21), implicou na consideração do montante de R$ 7.944,85 no ajuste anual. Relativamente à CSLL retida por pessoas jurídicas de direito privado, a informação é de que só foi confirmado o montante de R$ 25,00. Das razões de defesa trazidas por meio da peça recursal, mereceu especial destaque o argumento da Recorrente de que, diferentemente do alegado na decisão recorrida, contestou o despacho decisório nº 824986315, que decretou a não homologação das compensações das estimativas dos meses de janeiro (R$ 952.327,25), fevereiro (R$ 470.342,35) e março de 2005 (R$ 2.109.868,54), com saldo negativo relativo ao anocalendário de 2004. Como suporte para a alegação de que contestou o despacho decisório nº 824986315, a contribuinte juntou aos autos o documento de fls. 134/138, representativo da Manifestação de Inconformidade impetrada, que, segundo ali consignado, foi tratada por meio do processo administrativo nº 10680.906715/200966. Convertido o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem se pronunciasse sobre o citado documento de fls. 134/138, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte esclareceu que a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte para contestar a não homologação da compensação, com saldo negativo relativo ao anocalendário de 2004, das estimativas dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005, foi considerada intempestiva. Informou, contudo, que os débitos foram suspensos em razão de a contribuinte ter efetuado depósitos administrativos. 2 Cumpre notar que o valor correto é de R$ 15.287.158,15, que corresponde à soma das estimativas pagas via DARF (R$ 11.754.619,91) com as que foram compensadas (R$ 3.532.538,14). Fl. 288DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.933400/200991 Acórdão n.º 1301001.652 S1C3T1 Fl. 289 9 Por entender que os esclarecimentos trazidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte não possibilitavam o prosseguimento da apreciação da lide, vez que não eram conclusivos acerca da efetiva extinção das estimativas dos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005, o julgamento foi mais uma vez convertido em diligência (Resolução nº 1301000.159, de 11 de setembro de 2013). O referido procedimento (diligência fiscal) foi requerido para que a unidade administrativa de origem, de forma conclusiva, esclarecesse se existia impedimento de qualquer natureza para o aproveitamento das antecipações (estimativas) relativas aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005, na composição do direito creditório pleiteado por meio do presente processo. Restou esclarecido que, caso houvesse impedimento para o citado aproveitamento, a apreciação do reconhecimento do crédito aqui tratado deveria ficar sobrestada até que fosse proferida decisão final acerca da extinção das referidas antecipações, devendo o processo ficar retido na unidade da origem até que se produzisse pronunciamento conclusivo sobre a questão. Em atendimento à diligência requerida, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte informou que, por meio de revisão de ofício, as compensações relativas às estimativas dos meses de janeiro (R$ 952.327,35), fevereiro (R$ 470.342,35) e março de 2005 (R$ 2.109.868,54) foram homologadas. Diante de tal fato, tomando por base o demonstrativo apresentado na decisão de primeiro grau, temos: CSLL DEVIDA R$ 13.421.059,66 () CSLL RETIDA ÓRGÃOS PÚBLICOS (SALDO) R$ 7.944,85 () CSLL RETIDA PJ DIREITO PRIVADO R$ 25,00 () CSLL – ESTIMATIVA (DARF E RETIDA) R$ 11.847.590,12 () CSLL – ESTIMATIVA (COMPENSAÇÃO) R$ 3.532.538,24 CSLL A PAGAR (SALDO NEGATIVO) (R$ 1.967.038,55) A diferença entre o que foi pleiteado pela Recorrente (R$ 1.979.354,91) e o que foi apurado (R$ 1.967.038,55) está representada por retenções na fonte (órgãos públicos e pessoas jurídicas de direito privado) não comprovadas. Perscrutando os autos, não identifico elementos capazes de reconhecer crédito em montante superior ao validado em primeira instância, relativamente às retenções na fonte em referência. Assim, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 1.967.038,55, devendo a homologação das compensações pleiteadas se dar até o limite do referido valor. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 289DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10680.933400/200991 Acórdão n.º 1301001.652 S1C3T1 Fl. 290 10 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 30/0 9/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 15771.720510/2012-95
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/01/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/01/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/01/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 05 10 /2 01 2- 95 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720510/201295 Acórdão n.º 3803006.485 S3TE03 Fl. 284 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 19/01/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 31/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 286DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720510/201295 Acórdão n.º 3803006.485 S3TE03 Fl. 285 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720510/201295 Acórdão n.º 3803006.485 S3TE03 Fl. 286 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721359/2010-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
Ementa:
MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO.
Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas.
Numero da decisão: 2102-003.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Bernardo Schmidt e Sidnei de Sousa Pereira.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 23/10/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. Não pode prevalecer a exigência da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo de tais penalidades são idênticas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Bernardo Schmidt e Sidnei de Sousa Pereira. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, SIDNEI DE SOUSA PEREIRA, ALICE GRECCHI, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 13 59 /2 01 0- 46 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/13, apurandose o valor total do crédito tributário no importe de R$230.762,22 (duzentos e trinta mil, setecentos e sessenta e dois reais e vinte e dois centavos), já acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a instauração de Procedimento Fiscal com o objetivo de apurar o cumprimento das obrigações tributárias, procedendose à revisão do Livro Caixa da Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2008. Da Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) constantes no respectivo Auto de Infração, constatase que a autuação é decorrente das seguintes infrações, decorrente do Termo de Verificação Fiscal constante às fls. 14/19: 001 – DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA Redução indevida da Base de Cálculo com despesas escrituradas em Livro Caixa, pleiteadas indevidamente, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (...) 002 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (CARNÊLEÃO) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA Glosa de despesas escrituradas em Livro Caixa, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL (...) 003 MULTA ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊLEÃO Falta de recolhimento do Imposto de Renda de Pessoa Física devido a título de carnêleão, apurada conforme (...) Cientificada do lançamento fiscal e inconformada, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 60, acompanhada de documentos, por meio da qual, resumidamente, expõe que: (...) vem apresentar impugnação à multa exigida isoladamente devido a sua concomitância com a multa proporcional, conforme reiterada jurisprudência sobre o assunto”. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 5ª Turma da DRJ/BHE constataram não ter sido impugnada a infração de dedução indevida de livro caixa, e, portanto, conforme previsto no art. 17 do Decreto nº 70.235 de 1972, considerouse não impugnada a matéria que não foi expressamente contestada, ressaltandose ainda que já consta nos autos às fls. 66, DARF recolhido referente à matéria não litigiosa. Desta forma, os julgadores decidiram, por unanimidade de votos, pela improcedência da impugnação, mantendose o crédito tributário apurado, extraindose a seguinte ementa: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.721359/201046 Acórdão n.º 2102003.124 S2C1T2 Fl. 84 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LIVRO CAIXA. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Nada obsta que se aplique a multa de ofício e a multa isolada, por se referirem a diferentes infrações cometidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 78/80, pelo qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando – em suma – que: “A Câmara Superior tem anulado autuações fiscais que exigem o pagamento simultâneo das chamadas multa de ofício e multa isolada. De acordo com essa egrégia Câmara, não é cabível a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, quando calculados sobre os mesmos valores. Além disso, as hipóteses para ambas são diferentes e excludentes, sob pena de aplicarse dupla penalidade sobre uma mesma infração, Tem sido atacado nessa instância o entendimento segundo a qual, relativamente ao imposto de renda de pessoa física, o Fisco não poderia, num mesmo exercício, exigir a multa por falta de recolhimento no carnêleão, concomitante com a multa de ofício por redução indevida, total ou parcial do imposto (definitivo) a pagar na declaração, ainda que essas infrações e penalidades estejam expressamente tipificadas e cominadas na legislação tributária, mais especificamente no parágrafo 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, ou seja, a segunda infração anistiaria a primeira ou dispensaria a aplicação da respectiva penalidade”. Cita Jurisprudências. “A concomitância afronta toda nossa construção jurídica que repudia a dupla penalização sobre um mesmo fato e com a mesma base de cálculo, sendo razão suficiente para determinar o seu cancelamento. Por fim, a Contribuinte pleiteia o acolhimento de seu recurso, cancelandose o débito fiscal reclamado, com a exclusão da multa aplicada isoladamente. Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 26.08.2010 como atesta o AR de fls. 76. O Recurso Voluntário foi interposto em 22.09.2010 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento por meio do qual foram glosadas despesas declaradas pela Recorrente a título de livrocaixa, sendo que em razão da alteração na base de cálculo do imposto devido (IRPF), a autoridade lançadora lhe exigiu também a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão. A glosa das despesas de livrocaixa deixou de ser impugnada pela Recorrente, razão pela qual a matéria em discussão nestes autos versa exclusivamente sobre a exigência da multa de ofício isolada, sendo que a Recorrente defende que haveria concomitância entre a sua exigência e a da multa de ofício vinculada, incidente sobre o crédito tributário exigido (itens 001 e 002 do lançamento – glosa de despesas com livrocaixa). Este Conselho vem decidindo de forma reiterada que a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão não pode ser exigida em conjunto com a multa de ofício quando as mesmas incidirem sobre a mesma base de cálculo. É o que se vê do seguinte julgado: MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas.Recurso provido. (Ac. 10615.639, Rel. Cons. Gonçalo Bonet Allage) No mesmo sentido o entendimento esposado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0104.987, Rel. Cons. Leila Maria Scherer Leitão) E foi exatamente o que ocorreu no caso em tela, pois basta uma análise do Auto de Infração de fls. 05/12 (especificamente o quadro de fls. 16, parte integrante do TVF) para que se perceba que a base para a exigência dos valores relativos à multa isolada é exatamente aquela utilizada pela fiscalização para a exigência do IRPF em razão da omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Assim, em razão da concomitância entre a aplicação destas duas multas (isolada e de ofício), deve a parcela da multa isolada ser excluída do lançamento. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.721359/201046 Acórdão n.º 2102003.124 S2C1T2 Fl. 85 5 Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/10/2014 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720192/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.476
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente a conselheira ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-10-22T12:22:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; pdf:docinfo:title: Programa Gerador de Documentos; xmp:CreatorTool: Microsoft® Office Word 2007; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: winder; language: pt-BR; dcterms:created: 2014-10-22T12:22:06Z; Last-Modified: 2014-10-22T12:22:06Z; dcterms:modified: 2014-10-22T12:22:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; title: Programa Gerador de Documentos; Last-Save-Date: 2014-10-22T12:22:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Office Word 2007; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-10-22T12:22:06Z; meta:save-date: 2014-10-22T12:22:06Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Programa Gerador de Documentos; modified: 2014-10-22T12:22:06Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: winder; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: winder; dc:language: pt-BR; meta:author: winder; meta:creation-date: 2014-10-22T12:22:06Z; created: 2014-10-22T12:22:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2014-10-22T12:22:06Z; pdf:charsPerPage: 1367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: winder; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-10-22T12:22:06Z | Conteúdo => S3-C4T3 Fl. 489 1 488 S3-C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720192/2011-43 Recurso nº Resolução nº 3201-000.476 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de julho de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S/A - PETROBRÁS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Ausente momentaneamente a conselheira ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO. Joel Miyazaki - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 16682.720192/2011-43 Resolução n.º 3201-000.476 S3-C4T3 Fl. 490 2 "Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) de crédito originário de pagamento efetuado a maior relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (código 21721) do período de novembro de 2001. A DEMAC/RJO exarou o despacho decisório de fl. 75, com base no Parecer Conclusivo nº 21/2011 (fls. 72/74) decidindo não reconhecer o direito creditório pleiteado e, em decorrência, não homologar a compensação declarada. No despacho decisório consta consignado, em resumo, que: a) O contribuinte foi intimado a justificar a redução do débito de COFINS declarado na DCTF retificadora. Em resposta, apresentou as justificativas em fls. 37/38, cópia de ajustes SAS, planilha com os ajustes extracontábeis, demonstrativo sumário de apuração da base de cálculo e cópia de cinco páginas do balancete de verificação. Posteriormente apresentou documentos de fls. 9/30; b) A intimação nº 1.041/2010 no presente processo requisita a prestação de esclarecimentos e apresentação de documentos idênticos aos exigidos no conjunto das intimações semelhantes, efetuadas em outros processos de compensação, recebidas pela contribuinte ao longo do ano de 2010, todas respondidas pelo sr. Carlos Alberto dos Santos, Gerente Setorial de Relacionamento com Órgãos Federais da empresa Petrobras. A partir das informações constantes da planilha demonstrativa da apuração da base de cálculo e do balancete de verificação apresentados nos demais processos, foi possível proceder à análise da retificação efetuada pela contribuinte que resultou na redução de débito analisada; c) Na resposta à intimação efetuada no presente processo, a contribuinte, tendo solicitado por duas vezes prorrogação de prazo para resposta, apresentou, para cada uma das DCOMP em questão, entre outros documentos, demonstrativo de receitas sumário sem o detalhamento de todas as contas contábeis, bem como, no caso da presente DCOMP, apenas parte inicial do balancete de verificação, a qual não contém a relação detalhada dos saldos de todas as contas de receitas, necessária para a apuração da base de cálculo do débito em questão. Dispondo apenas destas informações incompletas, não é possível proceder à análise das reduções de débitos realizadas pela contribuinte, que originaram os supostos créditos objeto das compensações ora pleiteadas; d) Considerando que a contribuinte já tinha conhecimento do tipo de informação que deveria prestar, por ter sido intimada reiteradas vezes em períodos recentes a apresentar as mesmas informações, tendo as apresentado, em casos anteriores, da forma detalhada necessária a viabilizar a análise e não da forma sumária que agora apresenta, considerando já ter sido concedido prazo suficiente para a resposta e face à exiguidade do prazo restante para análise das DCOMP, dado o volume de informações e a iminência da homologação tácita, mostra-se incabível e inviável nova intimação da contribuinte, bem como não é possível reconhecer o direito creditório informado nas declarações de compensação, tendo em vista a ausência de comprovação de erro existente em sua DCTF original e de esclarecimentos que justifiquem a redução do débito. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório em 29/03/2011 (fl. 349/350) e apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/04/2011 (fls. 82/89), alegando, em síntese que: Fl. 491DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 16682.720192/2011-43 Resolução n.º 3201-000.476 S3-C4T3 Fl. 491 3 a) O recolhimento da contribuição era efetuado em base de cálculo estimada. Após o fechamento contábil eram realizados diversos ajustes para obtenção da base de cálculo definitiva; b) Foram realizados ajustes relativos a vendas para distribuidoras liminaristas, conforme tabelas 1 (venda com alíquota geral) e 2 (venda com alíquota zero). Em anexo relatório das vendas; c) Embora a venda de gasolina de aviação, código de produto 623, seja contabilizada na conta de gasolina, a tributação da COFINS é efetuada pela alíquota geral, conforme tabela 3 e legislação em vigor. Junta cópia das notas fiscais; d) Embora a venda de propeno, código de produto 614, seja contabilizada na conta de GLP, a tributação da COFINS é efetuada pela alíquota geral, conforme tabela 4. O código NCM deste produto é 2901.22.00, conforme informação nas notas fiscais em anexo; e) A IN 219/2002 assegura o procedimento adotado, pois os gases liquefeitos de petróleo (GLP) para efeito de tributação da CIDE Combustíveis são os classificados nos códigos 27.11.1; f) A base de cálculo de outras receitas foi ajustada em função da variação cambial devedora, bem como pelo estorno de receitas, conforme tabela 6; g) O ajuste da receita financeira e da variação cambial tem respaldo na doutrina; h) O valor devido após os ajustes está demonstrado na tabela 7; i) A planilha de apuração definitiva está coerente com o Balancete patrimonial; j) Em alguns locais de faturamento não conseguimos obter cópia das notas fiscais, mas conseguimos através do antigo Sistema 757 a reimpressão. Por isso, elas são impressas com a observação: Não vale como documento fiscal, ou seja, é cópia; k) Segue em anexo planilha comparativa do valor estimado x definitivo, cópia do balancete, planilha de exportações e ajustes extracontábeis; l) Requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade e homologada a compensação declarada." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não acatou as alegações da recorrente, mantendo integralmente o despacho decisório. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SUB JUDICE. É vedado, para fins de compensação, aproveitar crédito, objeto de disputa judicial, antes de transitar em julgado a decisão favorável ao sujeito passivo. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. EXCLUSÕES. Para fins de determinação da base de cálculo da COFINS, excluem-se da receita bruta os descontos incondicionais concedidos. Inexiste previsão legal para a exclusão dos demais descontos e abatimentos sobre vendas. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 16682.720192/2011-43 Resolução n.º 3201-000.476 S3-C4T3 Fl. 492 4 A manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e deverá vir acompanhada dos dados e documentos comprovadores dos fatos alegados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A discussão presente no processo trata da questão sobre a base de cálculo da COFINS. A fiscalização ao auditar o pedido de compensação da Recorrente identificou diversas divergências quanto ao cálculo da Contribuição. O julgamento da primeira instância entendeu que não foram apresentadas provas suficientes para confirmar o indébito alegado pela Recorrente, inclusive não aceitando cópias de notas fiscais, em razão destas não se revestirem das formalidades necessárias para serem consideradas documentos fiscais. Quanto à inclusão na base de cálculo da contribuição de receitas, que segundo a Recorrente estariam excluídas por força de medidas judiciais liminares. A decisão a quo entende, que ações judiciais somente podem interferir no cálculo da COFINS quando transitadas em julgado e que mesmo que consideradas, não foi comprovada a existência e o alcance das ações judiciais alegadas. A Recorrente informa a relação das ações judiciais (fl. 191) que justificariam a não inclusão de valores na base de cálculo da COFINS e alega que a restrição previstas no art. 170-A do CTN não seria aplicável à situação tratada nos autos, em razão das ações judiciais discutirem a inclusão ou não dos valores objeto de liminares na formação da base de cálculo da COFINS e não tratarem de ações próprias à repetição de indébito. Analisando os autos, não foi possível a perfeita identificação das matéria submetidas ao Poder Judiciário e o alcance das decisões e o impacto na exigência tributária controlada no presente processo. Para solucionar a questão é necessário analisar as ações judiciais e as decisões que possam interferir no julgamento. Diante do exposto, voto no sentido de converter o Fl. 493DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 16682.720192/2011-43 Resolução n.º 3201-000.476 S3-C4T3 Fl. 493 5 julgamento do recurso em diligência a fim de que unidade preparadora intime a Recorrente a apresentar cópias de todas as decisões e Certidão Narratória das ações judiciais relacionadas à fl. 191. Em seguida, sejam os autos devolvidos a este Colegiado para retomada do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 494DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10935.001681/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO ALICERÇADA EM MAIS DE UM FUNDAMENTO. RECURSO QUE SÓ ATACA UMA DAS RAZÕES DE DECIDIR. EFEITOS.
Nos casos em que a decisão recorrida está alicerçada em mais de um fundamento, por si só suficiente para decidir a controvérsia, e o recurso ataca apenas um dele, ainda que resulte acolhido, a decisão atacada mantém-se íntegra com base nos fundamentos não impugnados. Nestas circunstâncias o recurso resulta improvido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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DECISÃO ALICERÇADA EM MAIS DE UM FUNDAMENTO. RECURSO QUE SÓ ATACA UMA DAS RAZÕES DE DECIDIR. EFEITOS. Nos casos em que a decisão recorrida está alicerçada em mais de um fundamento, por si só suficiente para decidir a controvérsia, e o recurso ataca apenas um dele, ainda que resulte acolhido, a decisão atacada mantémse íntegra com base nos fundamentos não impugnados. Nestas circunstâncias o recurso resulta improvido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 16 81 /2 00 9- 82 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.001681/200982 Acórdão n.º 1402001.791 S1C4T2 Fl. 15 2 Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendo, na parte que interessa ao julgamento da matéria posta no recurso, a seguinte passagem: Trata o processo do Pedido de RestituiçãoPER, págs. 3/18, protocolizado em 18/12/2008, requerendo: a) R$2.991.711,44 de direito creditório de pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Lucro Presumido dos períodos de apuração trimestrais dos anoscalendário 2002 a 2005, apurados sobre receita de variação cambial ativa, argumentando que seja restituído o valor de diferenças de IRPJ dos anos calendário 2002 a 2005, demonstradas às págs. 28 e 45/46, como decorrência da classificação da receita de variação cambial ativa como receita operacional bruta sujeita à alíquota de presunção do lucro e não como adição à base de cálculo do IRPJ (...) Observo que as fls. 27/36 consta cópia de auto de infração indicando a seguinte omissão, referente ao anocalendário de 2002: 001 OUTRAS RECEITAS VARIAÇÕES OPERAÇÕES LIQUIDADAS. Valor referente a variações cambiais de operações de exportação liquidadas, tratadas indevidamente pelo contribuinte como "receitas de exportação", conforme demonstrado no Termo de Constatação Fiscal L020/2005." Consta do item 02 do relatório da decisão recorrida que "a DRF em Cascavel/PR, por meio do Despacho Decisório nº 63, de págs. 85/89, indeferiu o Pedido de Restituição referente aos anoscalendário 2002 e 2003, porque esses créditos tributários do IRPJ foram objeto do auto de infração de págs. 29/36, não impugnado, e tanto estes como os dos anoscalendário 2004 e 2005, foram extintos (art. 74, § 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996), mediante declarações de compensação de págs. 37/43 e 51/82; não conheceu do PER relativo aos períodos de apuração 2002 e 2003, objetos da autuação não impugnada e quanto aos de 2004 e 2005, indeferiu o pedido, porque, além da extinção pelas compensações descritas, também entendeu descaber a pretensão por se tratarem de receitas financeiras (art. 375 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). Intimada do acórdão que confirmou a decisão da DRJ, de forma tempestiva a parte interessada apresentou recurso alegando que a variação cambial ativa proveniente das atividades de exportação não resulta de atividade especulativa, mas da própria exportação, na qual é exigida a contratação de câmbio entre o exportador e a instituição financeira, sujeita à variação monetária. Sustenta, a recorrente, que as operações cambiais estão implícitas em toda operação de exportação, pois o preço da mercadoria é pago em moeda estrangeira que, em seguida, é convertida em moeda nacional pela instituição financeira autorizada, contratada. Diz que na conversão podem ocorrer variações ativas/passivas devido às oscilações da taxa de câmbio. Transcreve jurisprudência no sentido de que não há duas receitas distintas, a decorrente da venda de mercadorias ou serviços e a decorrente da variação cambial. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.001681/200982 Acórdão n.º 1402001.791 S1C4T2 Fl. 16 3 Argumenta que no lucro presumido, a base de cálculo da variação cambial ativa pelo IRPJ e CSLL, no caso de exportação, deve ser a mesma aplicada à operação de fornecimento de serviços ou venda de mercadorias, conforme for o caso. Discorda da interpretação dada pelo art. 9º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e dos arts. 375 e parágrafo único, 519 e 521 do RIR de 1999. Afirma que a variação monetária ativa não é lucro, que justifique sua adição diretamente à base de cálculo do IRPJ e CSLL, como determinam aqueles artigos, e apresenta demonstrativo às págs. 106/107, para demonstrar o impacto dessa interpretação. Por fim, invoca nota ao art. 521 do RIR de 1999, sobre receita financeira em atividade imobiliária que permite a aplicação do percentual de presunção de 8% sobre as receitas financeiras; ressalta que a legislação tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos e forma do direito privado (art. 110 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), o que ocorre ao não se reconhecer as variações cambiais ativas como receita operacional, nas operações de exportação. Em defesa de sua tese a recorrente aponta precedentes do TRF4 que, a julgar pelo conteúdo das ementas, assim decidiram: TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS E NEGATIVAS. COMPENSAÇÃO. SELIC. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. (...) 3. Esta Corte Regional tem decidido, na esteira de precedentes do Superior Tribunal de Justiça, que os valores decorrentes das variações cambiais ativas compõem a receita bruta (faturamento), e por isso são alcançadas pela imunidade do PIS e da COFINS estabelecida no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição (receitas decorrentes de exportação). 4. Se as variações cambiais positivas são consideradas como receita bruta para fins da imunidade do PIS e da COFINS, porque não podem ser dissociadas da operação de venda ou da prestação do serviço que as originou, tais valores devem integrar, sob o mesmo título, a base de cálculo do IRPJ calculados sobre o lucro presumido, pois nesse caso a receita bruta é tomada em consideração para a apuração do tributo devido. 5. Considerando que a receita decorrente do processo de exportação é única, composta pelo resultado positivo de uma operação mercantil de compra e venda entre o comprador residente ou sediado fora do país e o exportador, por óbvio que as variações cambiais, tanto ativas como negativas, deve ser computadas na Receita Bruta, na composição do valor real do faturamento do exportador. (...) (TRF/4ª Região, AC 2007.72.00.0133700/SC, Segunda Turma, Des. Federal OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, D.E. Publicado em 05/05/2011) É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.001681/200982 Acórdão n.º 1402001.791 S1C4T2 Fl. 17 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator O recurso manuseado pela recorrente encontrase previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, é tempestivo, está devidamente fundamentado e foi interposto por parte legítima que pretende ver a decisão da DRJ reformada. Assim. conheçoo e passo ao exame do mérito. O acórdão recorrido não homologou as compensações com base em dois fundamentos, a saber: a) os crédito tributários foram extintos mediante declarações de compensação de págs. 37/43 e 51/82; b) além da extinção pelas compensações descritas, a variação cambial positiva, no caso de exportação, deve ser considerada receita financeira. A decisão recorrida está alicerçada em dois fundamentos e o acórdão recorrido só ataca uma das razões de decidir. Assim, ainda que se acolha o recurso em razão dos fundamentos nele articulados, não resulta afastado o argumento de que os créditos tributários pleiteados foram extintos mediante declarações de compensação de págs. 37/43 e 51/82. Nos casos em que a decisão recorrida está alicerçada em mais de um fundamento, por si só suficiente para decidir a controvérsia, e o recurso ataca apenas um dele, ainda que este resulte acolhido pela segunda instância, a decisão atacada mantémse íntegra com base nos fundamentos não impugnados. Nestas circunstâncias o recurso deve ser improvido. Em atenção aos fundamentos de que a variação cambial positiva, no caso de exportação, não pode ser equiparada à receita financeira, visto que a receita decorrente do processo de exportação é única, composta pelo resultado de uma operação entre o exportador residente no Brasil e o importador, no exterior, tendo tal matéria sido enfrentada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, diante do que dispõe o artigo 26A do Decreto 70.235, de 1972, passo ao exame da matéria sem que isto implique em violação da Súmula 02 do CARF. Até decisão proferida no RE 627.815, julgado pelo STF em 23/05/2013, adiante examinada, existiam duas teses acerca da matéria, a saber: a) a primeira delas, capitaneada pelo Tribunal Regional da Quarta Região, é que as variações cambiais, no caso de exportação, não podem ser dissociadas da operação de venda ou da prestação do serviço que as originou. Não existem duas receitas, uma decorrente da exportação e outra da variação cambial. Assim, tais valores devem integrar, sob o mesmo título, a base de cálculo do IRPJ calculados sobre o lucro presumido. b) A segunda tese, cujo precedente encontrei em acórdão do Tribunal Regional da Segunda Região, entendendo que as receitas advindas das variações cambiais positivas não Fl. 223DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.001681/200982 Acórdão n.º 1402001.791 S1C4T2 Fl. 18 5 podem ser enquadradas como “decorrentes de exportação”, pois são resultado de uma relação jurídica distinta da que ocorre entre exportador e importador. Para esta corrente temse duas relações jurídicas, uma entre o exportador e o adquirente no exterior e outra entre o exportador e a instituição financeira que faz o fechamento do câmbio (contrato de câmbio). A propósito, mediante transcrição de ementas de julgados, passo a destacar as razões dos defensores de cada uma das teses, bem como a análise feita pelo STJ, pelo STF e, ao final, me posiciono com minhas razões de decidir. I Dos fundamentos da primeira corrente O Tribunal Regional da 4ª Região, fazendo referência aos julgamentos nos REs nº 346.084 e 390.840 que analisaram o conceito de receitas decorrentes da exportação, aí incluídas as variações cambiais, vem decidindo com base nos seguintes fundamentos: "I) o faturamento compreende a receita bruta das vendas das mercadorias, de mercadorias e serviços (RE nº 346.084 e 390.840); II) no processo de exportação de mercadoria ao exterior não são geradas duas receitas distintas: a decorrente da venda, e outra, da variação cambial (AMS nº 1999.04.01.0802741). Ambas compreendem faturamento (receita bruta). As ementas abaixo transcritas representam o posicionamento das Turmas do TRF da 4ª Região, que julgam a matéria: Ementa: TRIBUTÁRIO. EMPRESAS EXPORTADORAS. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS/ATIVAS E NEGATIVAS/PASSIVAS. 1. Encontrase pacificado o entendimento de que os valores decorrentes das variações cambiais não se sujeitam à incidência do PIS e da COFINS, porquanto abrangidos pela imunidade tributária de que trata o art. 149, § i, inciso I da Constituição (receitas decorrentes da exportação). 2. Se a quantia referente às variações cambiais é considerada receita bruta para fins da imunidade do PIS e COFINS ("receitas decorrentes da exportação"), concluise que tais valores, para fins de IRPJ e CSSL, devem integrar a base de cálculo dessas exações. 3. Assim, as variações cambiais (positivas/ativas ou negativas/passivas), incidentes na atividade de comércio exterior, não se caracterizam como receitas ou despesas financeiras para fins de incidência do IRPJ e da CSLL, porquanto a receita decorrente do processo de exportação é única, composta pelo resultado positivo de uma operação mercantil de compra e venda entre o comprador residente ou sediado fora do país e o exportador. Integramna, portanto, tanto o valor decorrente da venda quanto da variação cambial (positiva ou negativa). Processo 500045689.2010.404.7201. Rel. Des. MARIA DE FÁTIMA FREITAS LABARRÈRE. Jul. em 28/06/2012). Ementa: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.001681/200982 Acórdão n.º 1402001.791 S1C4T2 Fl. 19 6 TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS E NEGATIVAS. COMPENSAÇÃO. SELIC. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. (....) 2. Esta Corte Regional tem decidido, na esteira de precedentes do Superior Tribunal de Justiça, que os valores decorrentes das variações cambiais ativas compõem a receita bruta (faturamento), e por isso são alcançadas pela imunidade do PIS e da COFINS estabelecida no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição (receitas decorrentes de exportação). 3 Se as variações cambiais positivas são consideradas como receita bruta para fins da imunidade do PIS e da COFINS, porque não podem ser dissociadas da operação de venda ou da prestação do serviço que as originou, tais valores devem integrar, sob o mesmo título, a base de cálculo do IRPJ calculados sobre o lucro presumido, pois nesse caso a receita bruta é tomada em consideração para a apuração do tributo devido. 4 Considerando que a receita decorrente do processo de exportação é única, composta pelo resultado positivo de uma operação mercantil de compra e venda entre o comprador residente ou sediado fora do país e o exportador, por óbvio que as variações cambiais, tanto ativas como negativas, deve ser computadas na Receita Bruta, na composição do valor real do faturamento do exportador. (Processo 500559205.2012.404.7005. Rel. Des. OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA. Jul. 14/12/2011). TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. IRPJ. CSLL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS E NEGATIVAS. COMPENSAÇÃO. SELIC. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. 1. (....) 2. Esta Corte Regional tem decidido, na esteira de precedentes do Superior Tribunal de Justiça, que os valores decorrentes das variações cambiais ativas compõem a receita bruta (faturamento), e por isso são alcançadas pela imunidade do PIS e da COFINS estabelecida no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição (receitas decorrentes de exportação). 3. Se as variações cambiais positivas são consideradas como receita bruta para fins da imunidade do PIS e da COFINS, porque não podem ser dissociadas da operação de venda ou da prestação do serviço que as originou, tais valores devem integrar, sob o mesmo título, a base de cálculo do IRPJ calculados sobre o lucro presumido, pois nesse caso a receita bruta é tomada em consideração para a apuração do tributo devido. 4. Considerando que a receita decorrente do processo de exportação é única, composta pelo resultado positivo de uma operação mercantil de compra e venda entre o comprador residente ou sediado fora do país e o exportador, por óbvio que as variações cambiais, tanto ativas como negativas, deve ser computadas na Receita Bruta, na composição do valor real do faturamento do exportador. 5. A compensação deverá ser efetuada após o trânsito em julgado da decisão (art. 170A do CTN), na forma do disposto no art. 74 da Lei n.º 9.430/96 e alterações posteriores. 6. A atualização monetária do indébito incide desde a data do pagamento indevido do tributo, nos termos da Súmula n.º 162 do STJ, até a sua efetiva restituição ou compensação, mediante a aplicação da taxa SELIC, a qual engloba juros e correção monetária. 7. Sem condenação em honorários advocatícios, porque incabíveis, a teor do disposto no art. 25 da Lei n.º 12.016/09 e nas Súmulas n.º 512 do STF e 105 do STJ. 8. Em face da sucumbência recíproca em partes iguais, as custas processuais deverão ser rateadas pela metade, sendo que a União fica isenta do montante que lhe caberia (art. 4º, I, da Lei nº 9.289/96), competindolhe, porém, o reembolso dos valores que, adiantados pela impetrante a esse título, Fl. 225DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.001681/200982 Acórdão n.º 1402001.791 S1C4T2 Fl. 20 7 eventualmente excederem à respectiva parcela (parágrafo único). (Processo 5005592 05.2012.404.7005. Rel. Des. OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA.Jul. 10/05/2013). Ementa: TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. 1. No caso de ações de repetição do indébito ajuizadas após 08062005, data da entrada em vigor do artigo 3º da LC nº 118/2005, o prazo de cinco anos é computado a partir da data do pagamento indevido, considerado para efeitos de extinção do crédito tributário nos termos do art. 168, I, do CTN. Resta, pois, prescrita a ação de repetição de valores recolhidos anteriormente aos cinco anos contados retroativamente à data da propositura. 2. Esta Corte Regional tem decidido, na esteira de precedentes do Superior Tribunal de Justiça, que os valores decorrentes das variações cambiais ativas compõem a receita bruta (faturamento), e por isso são alcançadas pela imunidade do PIS e da COFINS estabelecida no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição (receitas decorrentes de exportação). 3. Se as variações cambiais positivas são consideradas como receita bruta para fins da imunidade do PIS e da COFINS, porque não podem ser dissociadas da operação de venda ou da prestação do serviço que as originou, tais valores devem integrar, sob o mesmo título, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL calculados sobre o lucro presumido, pois nesses casos a receita bruta é tomada em consideração para a apuração do tributo devido. (Processo 500151339.2010.404.7009. Rel. Des. LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH. Julg. 05/07/2011). Ementa: TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. 1. No caso de ações de repetição do indébito ajuizadas após 08062005, data da entrada em vigor do artigo 3º da LC nº 118/2005, o prazo de cinco anos é computado a partir da data do pagamento indevido, considerado para efeitos de extinção do crédito tributário nos termos do art. 168, I, do CTN. Resta, pois, prescrita a ação de repetição de valores recolhidos anteriormente aos cinco anos contados retroativamente à data da propositura. 2. Esta Corte Regional tem decidido, na esteira de precedentes do Superior Tribunal de Justiça, que os valores decorrentes das variações cambiais ativas compõem a receita bruta (faturamento), e por isso são alcançadas pela imunidade do PIS e da COFINS estabelecida no art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição (receitas decorrentes de exportação). 3. Se as variações cambiais positivas são consideradas como receita bruta para fins da imunidade do PIS e da COFINS, porque não podem ser dissociadas da operação de venda ou da prestação do serviço que as originou, tais valores devem integrar, sob o mesmo título, a base de cálculo do IRPJ calculados sobre o lucro presumido, pois nesse caso a receita bruta é tomada em consideração para a apuração do tributo devido. (Processo 000211288.2009.404.7206. Rel. Des. MARCOS ROBERTO ARAUJO DOS SANTOS. Jul. 23/02/2011. II Dos Fundamentos da segunda corrente Consultando a jurisprudência dos demais Tribunais, no Tribunal Regional da Segunda Região encontrei decisão entendendo que as receitas advindas das variações cambiais positivas não podem ser enquadradas como “decorrentes de exportação”, pois são resultado de uma relação jurídica distinta da que ocorre entre exportador e importador. A decisão aqui referida está alicerçada nos seguintes fundamentos: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.001681/200982 Acórdão n.º 1402001.791 S1C4T2 Fl. 21 8 "O contrato de câmbio visa à prestação de um serviço por um banco ao seu cliente. Quando este cliente for um exportador, o serviço bancário será a cobrança, no exterior, de cambiais sacadas pelo exportador nacional contra o importador residente em outro país. Quando for um importador, o serviço bancário prestado será o recebimento, em moeda local, com o respectivo pagamento ao fornecedor no exterior, do valor referente à mercadoria importada. O contrato de compra de câmbio é, portanto, um ato bilateral e oneroso, pelo qual o vendedor (exportador) vende ao banco (comprador) as divisas estrangeiras, cuja entrega poderá ser à vista ou a prazo. (Apelação em Mandado de Segurança nº 200450010063901. Rel. Des. LUIZ ANTÔNIO SOARES. Jul. 06/12/2011). III Da posição do STJ O Superior Tribunal de Justiça, nas recentes ocasiões em que foi chamado a apreciar o tema, entendeu que o conceito de receita, de que trata o artigo 31 da Lei nº 8.981, de 1995, não contempla as variações cambiais. Neste sentido, destaco os seguintes precedentes: Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS. RECEITAS FINANCEIRAS COMPREENDIDAS NO ART. 25, II, DA LEI N. 9.430/96. 1. Constatado que a Corte a quo empregou fundamentação suficiente para dirimir a controvérsia, é de se afastar a alegada violação do art. 535 do CPC. 2. "A 'receita bruta' considerada pelo art. 25, I, da Lei n. 9430/96, para efeito da determinação do lucro presumido como base de cálculo do IRPJ e da CSLL é somente aquela definida pelo art. 31, da Lei n. 8.981/95, que, por sua vez, não compreende as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio (variações cambiais), posto que definidas como receitas ou despesas financeiras pelo art. 9º, da Lei n. 9.718/98. Consoante o art. 25, II, da Lei n. 9430/96, os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 25, I, dentre elas a variação cambial positiva como receita financeira, devem ser somados ao valor apurado na forma do art. 25, I, para compor o lucro presumido" (REsp 1.274.038/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 23/04/2013). 3. "Não é possível para a empresa alegar em juízo que é optante pelo lucro presumido para em seguida exigir as benesses a que teria direito no regime de lucro real, mesclando os regimes de apuração" (AgRg nos EDcl no AgRg no Ag 1105816/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 15/12/2010). No mesmo sentido: AgRg no REsp 1.372.737/PE, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 28/06/2013. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1232768 / SC. Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES. Jul. 15/10/2013). Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ E Fl. 227DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.001681/200982 Acórdão n.º 1402001.791 S1C4T2 Fl. 22 9 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. LUCRO PRESUMIDO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS. CLASSIFICAÇÃO COMO RECEITAS FINANCEIRAS. APLICAÇÃO DO ART. 25, II, DA LEI N. 9.430/96. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. A "receita bruta" considerada pelo art. 25, I, da Lei n. 9430/96, para efeito da determinação do lucro presumido como base de cálculo do IRPJ e da CSLL é somente aquela definida pelo art. 31, da Lei n. 8.981/95, que, por sua vez, não compreende as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio (variações cambiais), posto que definidas como receitas ou despesas financeiras pelo art. 9º, da Lei n. 9.718/98. 3. Consoante o art. 25, II, da Lei n. 9430/96, os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 25, I, dentre elas a variação cambial positiva como receita financeira, devem ser somados ao valor apurado na forma do art. 25, I, para compor o lucro presumido. 4. Nos precedentes do STJ referentes às contribuições ao PIS e COFINS, o conceito de "receita da exportação", por uma interpretação teleológica que visou dar máxima efetividade ao preceito constitucional do art. 149, §2º, I, da CF/88, acabou por ser ampliado de forma a excepcionar o disposto art. 9º, da Lei n. 9.718/98 para admitilo inaplicável quando se trata de variação cambial positiva atrelada à operação de venda na exportação. Tal raciocínio não é aplicável no que diz respeito ao IRPJ e à CSLL apurados pelo lucro presumido, pois não se trata mais de definir o conceito de "receita da exportação", mas de definir o conceito de "receita bruta" do art. 31, da Lei n. 8.981/95. 5. "Não é possível para a empresa alegar em juízo que é optante pelo lucro presumido para em seguida exigir as benesses a que teria direito no regime de lucro real, mesclando os regimes de apuração" (AgRg nos EDcl no AgRg no AG nº 1.105.816 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 02.12.2010). 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (Rel. Min. Mauro Campbell. Jul. 18/04/2013). IV Da análise do relator em face às decisões do STJ Senhores Conselheiros, em se tratando de empresa comercial ou prestadora de serviços, exportadora ou não, havendo variação cambial decorrente de transações comuns, com exceção das decorrentes de exportação onde o contrato de câmbio integra a própria operação, tal variação, positiva ou negativa, é considerada "lucro decorrente de atividade financeira". Todavia, situação diferente ocorre quando um contribuinte residente vende mercadoria ou presta serviços para residente no exterior. A venda de mercadoria ou serviços a Fl. 228DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.001681/200982 Acórdão n.º 1402001.791 S1C4T2 Fl. 23 10 residente no exterior, com o recebimento do produto da transação, constituise de contrato complexo que, a um só tempo, exige a transferência da mercadoria ao adquirente e o fechamento do câmbio para possibilitar o recebimento da receita. O contrato de câmbio, no caso de exportação, se constitui no meio necessário ao recebimento da receita oriunda da exportação. Assim, as variações cambiais (positivas/ativas ou negativas/passivas), incidentes na atividade de comércio exterior, não se caracterizam como receitas ou despesas financeiras para fins de incidência do IRPJ e da CSLL, porquanto a receita decorrente do processo de exportação é única, composta pelo resultado positivo de uma operação mercantil de compra e venda, ou prestação de serviços entre o comprador residente ou sediado no exterior e o exportador brasileiro. Integra, portanto, tanto o valor decorrente da venda das mercadorias quanto aquele relacionado à variação cambial (positiva ou negativa). O artigo 25 da Lei nº 9.430, de 1996, ao mencionar as parcelas na determinação do lucro presumido, faz referência a dois aspectos, a saber: I) os valores referentes aos percentuais de que trata o artigo 15 da Lei 9. 249, de 1995, sobre a receita bruta definida no artigo 31 da Lei nº 8.981, de 1995 e; II) os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. Por sua vez, o artigo 31 da Lei 8.981, de 1995, vigente à época dos fatos aqui analisados, e que resultou revogado pela Lei nº 12.973, de 2014, possuía a seguinte redação: Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. (Vide inc. V do art. 99 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) (Revogado pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. (Vide inc. V do art. 99 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) (Revogado pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014) (Vide art. 117 da Lei nº 12.973/2014). Ao apreciar a matéria o STJ partiu de precedentes de que a "variação positiva no preço da moeda estrangeira é efetivo ganho de capital e, por isso, está sujeita à tributação pelo imposto de renda (REsp 1.041.022/RS). No entanto, ao meu sentir, a questão a ser enfrentada, no caso concreto, não é pura e simplesmente da questão da variação cambial, mas sim as situações em que para receber o produto da venda para o exterior o contrato de câmbio se constitui em meio necessário. Nesta hipótese, seguindo a jurisprudência do Tribunal Regional da Quarta Região, tenho que deve ser analisada a transação como um todo, não existindo duas receitas, uma proveniente da venda da mercadoria e outra do contrato de câmbio. V Da posição do Supremo Tribunal Federal Fl. 229DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.001681/200982 Acórdão n.º 1402001.791 S1C4T2 Fl. 24 11 Quando do julgamento do RE 627815/PR, pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, nos itens II e IV da ementa do acórdão resultou consignado: "II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas." ... IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Apesar do leading case tratar da imunidade do PIS e da Cofins em relação as receitas decorrentes de exportação, a corte precisou decidir o que se inclui no conceito de receita de exportação. Neste sentido, à fl. 4 do voto do acórdão relatado pela Ministra Rosa Weber, resultou consignado que as variações cambiais ativas são receitas de exportação, não havendo o que se falar, nestes casos, em receita decorrente de operações de exportação e receita decorrente de variações cambiais ativas. À fl. 08 do citado acórdão, fazendo referência aos fundamentos elencados pelo acórdão do Tribunal de origem, a Ministra relatora transcreveu: São receitas de exportação todos os valores resultantes da realização da venda de mercadorias para o exterior, inclusive as variações monetárias desta decorrentes, tendo em vista serem igualmente integrantes das aludidas receitas. Inaceitável, assim, outra classificação dessas receitas que não as vincule ao processo de exportação. Ao final, à página 25 do voto, conclui a Ministra Relatora: Em suma, eventual variação da taxa de câmbio entre o fechamento e a liquidação do contrato configura receita decorrente de exportação, sempre que seja favorável ao Exportador. Logo, as receitas cambiais relativas à exportação estão abrangidas pela imunidade do artigo 149, § 2º, I, da Carta Constitucional. A questão, no caso concreto, não é se a receita decorrente de exportação é imune em relação a CSLL e o IRPJ. A receita de exportação integra a base de cálculo destes tributos. No entanto, por receita decorrente de exportação deve ser compreendida também as variações cambiais ativas. Na mesma linha da Ministra Relatora, à unanimidade, seguiram os demais Ministros, sendo que a título ilustrativo transcrevo as seguintes razões de decidir contidas no voto do Ministro Luiz Fux: "O contrato de câmbio realizado entre a empresa exportadora e a instituição financeira reconhecida pelo Banco Central do Brasil, do qual, eventualmente podem decorrer variações monetárias positivas ou negativas, não constitui negócio apartado da operação de venda ou prestação de serviços ao exterior, mas mecanismo indispensável Fl. 230DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.001681/200982 Acórdão n.º 1402001.791 S1C4T2 Fl. 25 12 à sua efetivação não podendo ser tributada na forma do disposto no art. 9° que é o que retende a Fazenda Nacional da Lei nº 9.718/98, uma vez que acobertados tais valores por regras de isenção e imunidade." VI Da posição do Relator As receitas decorrentes de exportação integram a base de cálculo da CSLL e do IRPJ. Nestes tributos a base de cálculo é o lucro e a imunidade consagrada na constituição contempla somente a receita. No entanto, ao se definir o conceito de receita para fins de base de cálculo do IRPJ e da CSLL, das empresas tributadas pelo lucro presumido, há que se ter presente que a venda de mercadorias e serviços ao exterior constituise de contrato complexo que, a um só tempo, exige a transferência da mercadoria ou entrega dos serviços ao adquirente e o fechamento do câmbio para possibilitar o recebimento. Assim, o contrato de câmbio se constitui em meio necessário ao recebimento da receita oriunda da exportação. As variações cambiais (positivas/ativas ou negativas/passivas), no caso, não se caracterizam como receitas ou despesas financeiras. Assim, nas empresas tributadas com base no lucro presumido o valor correspondente à variação cambial (positiva ou negativa), faz parte de um todo que integra a receita de exportação sobre o qual deve ser aplicado o percentual indicado no artigo 15 da Lei nº 9.249, de 1995. VI Da análise da situação fática dos autos Em relação à fundamentação jurídica articulada no recurso assiste razão à recorrente. Contudo, quando se analisa as circunstâncias fáticas, a situação é outra. A recorrente argumenta ter oferecido à tributação a integralidade das variações cambiais ativas. Diz que por ser empresa comercial tributada pelo lucro presumido, em relação às receitas de exportação, a variação cambial devia ser tributada como receita de exportação, por não haver uma receita da exportação e outra da variação cambial. Sob a ótica do direito e à luz da decisão do STF e deste relator, tem razão recorrente. No entanto, quando se examina cada um dos trimestres dos períodos em questão, na apuração do IRPJ, não se verifica o lançamento de nenhum valor a título de "variações cambiais ativas" (linha 18 da Ficha 14 A da DIPJ (fls.133/138; 144; 147/149). Poderseia argumentar que o valor das variações cambiais ativas poderiam estar incluídos em "demais receitas e ganho de capital". Contudo, tal fato não é alegado e nem demonstrado pela recorrente. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso. assinado digitalmente Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 231DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10935.001681/200982 Acórdão n.º 1402001.791 S1C4T2 Fl. 26 13 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 08/09/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10314.003370/2009-65
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/03/2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/03/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 33 70 /2 00 9- 65 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 367DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003370/200965 Acórdão n.º 3803006.584 S3TE03 Fl. 367 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 19/03/2009 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 02/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 15/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 369DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003370/200965 Acórdão n.º 3803006.584 S3TE03 Fl. 368 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 371DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003370/200965 Acórdão n.º 3803006.584 S3TE03 Fl. 369 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.003370/200965 Acórdão n.º 3803006.584 S3TE03 Fl. 370 9 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 374DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10680.912784/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria da Conceição Arnaldo Jacó- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó..
Nome do relator: Não se aplica
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(assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas , Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte FEDERAÇÃO INTERFEDERATIVA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS em face do Acórdão nº 0238.0472ª Turma da DRJ/BHE, prolatado em 20 de março de 2012. Por bem relatar os fatos, transcrevese a seguir o relatório do Acórdão recorrido: “DO DESPACHO DECISÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 12 78 4/ 20 09 -1 7 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912784/200917 Resolução nº 3302000.445 S3C3T2 Fl. 181 2 O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 07), referente ao PER/DCOMP nº 17278.32333.311005.1.3.047241. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$1.832,80, representado por Darf recolhido em 15/10/2003 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse:arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 30/04/2009, conforme documento de fl. 48, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/04, em 02/06/2009, cujo conteúdo, em síntese, o seguinte: registra, inicialmente, a tempestividade da defesa; assevera que, ao contrário do que supõe a fiscalização, não requereu a utilização daquele crédito para a quitação de qualquer outro débito, mas tão somente daquele objeto do ora discutido PER/DCOMP, sendo perfeitamente suficiente para a compensação a ser realizada (documentação anexa); esclarece que o procedimento adotado atendeu regularmente a todos os requisitos da legislação então em vigor, e que a controvérsia que persiste nos autos referese, exclusivamente, à existência do crédito no equivocado entendimento fiscal de que o contribuinte teria pleiteado a compensação de crédito já compensado em processo administrativo diverso; fazendo menção ao art. 156, II do Código Tributário Nacional (CTN), afirma que resta demonstrado o direito creditório postulado, objeto do despacho decisório ora questionado, devendo ser reconhecida e homologada a compensação procedida, desconstituindose a exigência das diferenças apontadas pelo Fisco Federal; assim, ao final, requer seja homologado o direito de compensação, por todos fundamentos aqui apresentados. Na hipótese de não se conhecer a referida homologação, garantindolhe o direito constitucional previsto no artigo 5°, LV, de ampla defesa, requer que a Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912784/200917 Resolução nº 3302000.445 S3C3T2 Fl. 182 3 Receita Federal do Brasil apresente as supostas duplicações de compensações alegadas no referido despacho decisório. Por sua vez, a DRF de origem se manifesta a respeito da tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada.” Julgando o litígio estabelecido, a Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, decide pela improcedência da manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório postulado, nos termos da ementa e dispositivo do Acórdão recorrido, a seguir transcrito: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado..” Cientificada da decisão de 1ª Instância de Julgamento administrativo em 09/04/201 (AR de efl 60), por meio do Termo de Ciência e Notificação de efls. 55/57, a contribuinte, ainda insatisfeita, apresenta em 09/05/2012, o seu recurso voluntário, por meio do qual sustenta que: (a) a conclusão do fisco de que o pagamento havia sido integralmente utilizado para quitar o débito possivelmente “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio”; (b) a DRJ inovou ao julgar a manifestação de inconformidade, referindose ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524/2002 , que mencionado Decreto extrapola previsão legal dos limites da incidência do PIS Folha; (c) a decisão de Ia instância contraria o entendimento da Receita Federal, que na Solução de Consulta n.° 412, de 15 de dezembro de 2004, afastou a Recorrente do rol de contribuintes do PIS Folha, entendendo pela incidência Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912784/200917 Resolução nº 3302000.445 S3C3T2 Fl. 183 4 exclusiva sobre o PIS Faturamento,a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, inc. II do CTN. (d) O Decreto nº 4.524, de 2002 e as Instruções Normativas SRF nº 145, de 1999, e nº 247, de 2002, são ilegais quando prevêem a incidência do PIS Folha na hipótese de deduções de sobras, eis que tal dedução, embora também diga respeito à cooperativa de trabalho, não está prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; (e) a Recorrente não procedeu a qualquer dedução prevista na Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que pudesse justificar a cobrança do PIS Folha (até porque as deduções dos incisos I a V do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002 dizem respeito à cooperativas de produção e não de trabalho); (f) a Recorrente não deduziu da base de cálculo do PIS Faturamento qualquer parcela referente a sobras (inciso VI do artigo 32 do Decreto nº 4.524/2002), tendo depositado em juízo o valor integral da referida contribuição na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998. Afirma que sob pena de se contrariar a realidade fática, a obediência ao princípio da legalidade e a própria solução de consulta, que vincula a administração pública, não pode prevalecer o entendimento de Ia instância. E anexa, ao final de seu recurso, planilha, comprovante de pagamento, cópia da Solução de Consulta SRRF06/DISIT nº 412, de 15 de dezembro de 2004, cópia de balancete parcial referente ao mês do período de apuração do PIS Folha, dito como pago indevidamente (código 8301) e cópias de procuração e do Estatuto Social. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. VOTO Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A contribuinte pretende compensar como pagamento indevido ou a maior valor recolhido sob o código de receita 8301 (PIS FOLHA DE PAGAMENTO), consoante consignado na DComp em causa. O despacho decisório eletronicamente emitido que deu origem ao presente processo entendeu que o crédito referente ao PIS folha, na forma solicitado pela contribuinte, seria inexistente, eis que já vinculado a suposto débito de PIS Folha, motivo pelo o qual não homologou a compensação declarada. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912784/200917 Resolução nº 3302000.445 S3C3T2 Fl. 184 5 Conforme relatado, em seu recurso voluntário, a contribuinte aduz que possivelmente tal conclusão “partiu do equívoco da recorrente, que deixou de retificar a DCTF a fim de explicitar a inexistência do débito daquela contribuição após tomar ciência do pagamento indevido e proceder à sua compensação com débito diverso, mero erro material, por óbvio” Para melhor esclarecimento, adoto as palavras do julgador Márcio André Moreira Brito, em voto proferido no Acórdão nº 1146.072 – da 2ª Turma da DRJ/REC, quando de análise de caso similar ao aqui ocorrido: “a DCTF, com fundamento no art. 5º, §1º, do Decreto–lei nº 2.124, de 13/06/1984 representa confissão de dívida dos débitos nelas declarados, sendo pacífico o entendimento judicial, consolidado na Súmula STJ nº 436, de que a entrega de declaração em que, a exemplo da DCTF, o contribuinte reconhece débito fiscal “constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência neste sentido por parte do fisco. Conquanto não padeça de qualquer vício o Despacho Decisório que, na análise do indébito, norteouse em informações de caráter confessional prestadas pelo próprio contribuinte, a este é facultado, caso se julgue prejudicado, interpor, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, Manifestação de Inconformidade para desconstituir, total ou parcialmente, tal confissão, já que o art. 214, do Código Civil, prevê que ‘A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de fato ou coação’. No entanto, do ônus probante que sobre ele recai de comprovar equívoco na confissão (art. 36, da Lei nº 9.784/99 e art. 333, I, do CPC), deve o contribuinte se desincumbir quando da interposição deste recurso, ao qual devem ser anexadas as correspondentes provas, na forma do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, sob pena de preclusão, ressalvadas as hipóteses previstas no §4º, deste artigo.”. Neste sentido fundamentou o Acórdão ora recorrido quando assim posicionou se: “Portanto, está correto o Despacho Decisório, uma vez que os indícios apurados com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte evidenciaram a inexistência do crédito pretendido. Estando correto o entendimento expresso no Despacho Decisório, caberia ao manifestante, na condição de postulante de um direito a crédito compensável, apresentar provas cabais da ocorrência do pagamento indevido ou a maior.” In casu, o Acórdão recorrido dá conta que a documentação anexada aos autos pela contribuinte é essencialmente constituída de cópia do comprovante de arrecadação, da DComp e do seu estatuto social, concluindo que tal documentação, por si só, não é suficiente para comprovar a existência de pagamento indevido de PIS – Folha de Salário. Em seu voto, seguido por unanimidade pelos membros do colegiado, o relator do Acordo recorrido esclarece que: Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912784/200917 Resolução nº 3302000.445 S3C3T2 Fl. 185 6 “Nesse aspecto, tomandose o citado estatuto social, ainda que se considere a situação do contribuinte, na condição de federação regida pela legislação cooperativista, não há como afirmar, nem o manifestante alegou na defesa apresentada, que estaria dispensado do recolhimento de PIS sobre a folha de salários, uma vez que a própria legislação prevê a hipótese de recolhimento concomitante dessa exação e do PIS Faturamento, a exemplo das disposições do § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que determinam que a cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões da receita bruta previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. Ou seja, sob qualquer ótica que se faça a análise da manifestação de inconformidade apresentada, não há como reconhecer o direito creditório postulado, lembrando que é condição indispensável para a homologação da compensação pretendida que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja líquido e certo (art. 170 do CTN). Essa condição, no presente caso, não se verifica.” Em face de tal citação, a contribuinte, em seu recurso voluntário apresenta seus argumentos de defesa, visando demonstrar não se enquadrar na incidência do PIS Folha. Entre outras coisas alegações, argúi que a Autoridade a quo desconsiderou a Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, que afastou a Recorrente do rol de contribuintes do PIS Folha, entendendo pela incidência exclusiva sobre o PIS Faturamento,a qual possui efeito vinculante para a administração, nos termos do art. 100, inc. II do CTN. Anexa cópia da referida Solução de Consulta. Sobre tal consulta, esclarece que entendendo estar sujeita apenas ao recolhimento do PIS sobre a Folha de Salários, afastandose a incidência sobre o PIS Faturamento, formulou Consulta Fiscal demonstrando o seu enquadramento como federação, prevista no inciso V do artigo 13 da MP n.° 2.158. Não menciona quando a consulta foi formulada. Tal informação é confirmada pela leitura da referida Solução de Consulta, cuja cópia foi anexada ao recurso, e de onde se extrai trechos de parágrafos ali inserto: “A interessada informa que é uma federação de cooperativas dedicadas à assistência médicohospitalar, na forma da Lei n° 5.674/71 e de seu estatuto. Diz que, no desenvolvimento de suas atividades, presta serviços às cooperativas suas associadas, recebendo pagamentos mensais, a título de "taxas de manutenção", necessárias à sua sobrevivência atuação, tratandose também de ato cooperativo, destinado a manter a sociedade cooperativa de segundo grau. Cita o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto 2001, ao qual faz menção aos sindicatos, as federações e confederações, concluindo que são isentas da Cofins as receitas das atividades próprias dessas entidades, as quais contribuem para o PIS com base na folha de salários.” A referida solução de consulta proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, em sua parte dispositiva assim decide: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912784/200917 Resolução nº 3302000.445 S3C3T2 Fl. 186 7 “À vista do exposto, respondo à consulente que, à vista dos elementos do processo, ela não preenche as condições para o tratamento fiscal previsto nos artigos 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, devendo ter o tratamento fiscal geral aplicável às pessoas jurídicas que não gozam de isenção ou imunidade.”(grifei) Verificase que a Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal, na parte dispositiva, não se pronunciou especificamente sobre o art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001,correspondente ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 mencionado no Acórdão recorrido. É verdade que a Solução de Consulta vincula o consulente. Mas, tal vinculação fica adstrita aos termos expostos na consulta. De modo que, em caso de a Solução de Consulta não contemplar a hipótese prevista no art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001,correspondente ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, a contribuinte possui o ônus de comprovar a não ocorrência das deduções mencionadas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002 mencionado no Acórdão recorrido. Embora a recorrente alegue não ter efetuado tais deduções quando do cálculo dos valores do PIS Faturamento cujas apurações, diz, foram efetuadas na modalidade prevista na Lei nº 9.718, de 1998, depositados judicialmente, e, embora tenha anexado planilha de cálculo de apuração do PIS Faturamento e Balancete Parcial referente ao mesmo período de apuração do alegado crédito do PIS Folha, de suas análises não se detectou se as sobras de que trata o art. 32, VI do Decreto nº 4.524, de 2002, foram ou não excluídas da respectiva base de cálculo. Ressaltese que provar significa contextualizar elementos relevantes e não somente anexar documentos. Por outro lado, em seu recurso voluntário, a contribuinte menciona ter impetrado Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, no qual foram efetuados depósitos judiciais do PIS Faturamento, sob o código 7460. Em consulta ao sistema eprocesso, verificase que tal Mandado de Segurança encontrase controlado por meio do Processo nº 10680.010675/200289 e foi preventivamente impetrado em 18/06/2002, objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”. O Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732 encontrase em fase de Recurso especial nº 1.366.315 MG (2012/00896109), sobrestado, pelo o fato de que, nas palavras da Decisão proferida pelo o relator Ministro Humberto Martins, “referida temática encontrase afetada à Primeira Seção do STJ, aguardando o julgamento do REsp 1.141.667/RS, relatoria Min. Napoleão Nunes Maia Filho, sob o rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC)” A Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, que dispõe sobre a consulta acerca da interpretação da legislação tributária e da classificação de mercadorias, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, vigente à época da emissão da Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, em seu art. 15estabelece: “Art. 15 . Não produz efeitos a consulta formulada: Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912784/200917 Resolução nº 3302000.445 S3C3T2 Fl. 187 8 (...); IV sobre fato objeto de litígio, de que o consulente faça parte, pendente de decisão definitiva nas esferas administrativa ou judicial; (...).”(grifei). Viuse acima que a contribuinte impetrou Mandado de Segurança preventivo em 18/06/2002 e que a Solução de Consulta nº 412 foi emitida em 15 de dezembro de 2004. Em ambos a contribuinte pretendia ser tributado pelo PIS Folha e não sobre o PIS Faturamento. Não se tem a informação, porém, de quando a contribuinte apresentou na RFB a sua consulta, se antes ou depois de ter impetrado o Mandado de Segurança, de modo a saber se a sua consulta teria ou não efeito, consoante a previsão contida no inciso IV do art. 15 da IN 230/2002 acima transcrito. Necessário, portanto, ter o conhecimento dessa informação, para que se decida com segurança acerca do presente litígio. Assim, tendo em vista que: ● o recurso voluntário devolve à Administração, em segunda instância, a revisão dos fundamentos do Acórdão recorrido, naquilo em que foram contestados pela contribuinte; ● somente no Acórdão da Autoridade a quo foi feita menção ao § 4º do art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; ● a contribuinte impetrou em 18/06/2002 Mandado de Segurança preventivo , objetivando a concessão de medida liminar que autorize “recolher o PIS, com base na folha de pagamentos, à alíquota de 1% (um por cento), nos moldes do § 1º do art. 2º da Lei 9.715/98 e do art. 13 da MP nº 2.15835/2001, c/c art. 15 da Lei nº 9.532/95”; ● igualmente, por entender estar sujeita apenas ao recolhimento do PIS sobre a Folha de Salários, afastandose a incidência sobre o PIS Faturamento, formulou Consulta Fiscal demonstrando o seu enquadramento como federação, prevista no inciso V do artigo 13 da MP n.° 2.158; ● tendo havido recolhimento de PIS sobre a folha de pagamento e depósito judicial sobre o faturamento, mostrase viável que possa haver efetivamente, ao menos em tese, algum recolhimento indevido a título da referida contribuição; ● não restou comprovado que a contribuinte efetivamente não efetuou deduções previstas no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, consoante suas alegações; ● sendo determinante para o julgamento dos presentes autos a anexação das informações e documentos, já acima mencionados; Voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para: i) A Fiscalização, mediante intimação da Interessada e diante da documentação probatória apresentada, verifique e informe se a contribuinte, no período de apuração objeto do Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10680.912784/200917 Resolução nº 3302000.445 S3C3T2 Fl. 188 9 presente litígio, utilizouse das deduções previstas no art. 32 do .Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, mencionada no Acórdão recorrido, anexando documentação probatória; ii) Informar quando foi efetuada a consulta formulada pela contribuinte, anexando cópia da mesma, esta referente à Solução de Consulta nº 412 de 15 de dezembro de 2004; iii) Solicitar manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região Fiscal acerca de: a) efeito da consulta formulada, nos termos disposto no art. 15, IV da Instrução Normativa nº 230, de 25 de Outubro de 2002, tendo em vista o Mandado de Segurança preventivo nº 2002.38.000204732 impetrado pela a contribuinte em 18/06/2002; b) Se diante dos termos da consulta formulada pela contribuinte, a Solução de Consulta nº 412 , de 15 de dezembro de 2004, ao fundamentar sua decisão no Decreto n.° 4.524/2002 e na MP 2.15835/2001 a Receita Federal, afastou igualmente a hipótese da cumulação do Pis Folha com o Pis Faturamento prevista no art. 15 da MP 2.15835/2001, reproduzida no art. 32 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; iv).Intimar a contribuinte a apresentar as principais peças (Petição, sentença e Acórdãos) do Mandado de Segurança nº 2002.38.000204732, que deverão ser anexados aos autos; v) prestar demais informações que entendam necessários; vi) dar ciência do resultado da diligência para a contribuinte, concedendolhe prazo para manifestação; vii). retornar o presente processo ao CARF para posterior julgamento. (Assinado digitalmente) Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatora Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 13827.000624/2010-35
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Nulidades da Autuação.
Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se manifestar e apresentar suas contraprovas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo.
Violação de Sigilo Bancário
Não se verifica violação de sigilo bancário quando o sujeito passivo, de forma espontânea, apresenta à auditoria fiscal cópias de seus extratos bancários.
Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada.
Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea.
Arbitramento dos Lucros.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. (RIR/99 art 530, I).
Lançamento de Ofício. Penalidade.
A penalidade instituída pelo artigo 44, da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata.
In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontra-se em perfeita consonância com a legislação em vigor.
Juros Moratórios. Taxa Selic.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para tributos federais.
Tributação Reflexa. CSLL, PIS e COFINS.
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-002.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se manifestar e apresentar suas contraprovas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo. VIOLAÇÃO DE SIGILO BANCÁRIO Não se verifica violação de sigilo bancário quando o sujeito passivo, de forma espontânea, apresenta à auditoria fiscal cópias de seus extratos bancários. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Tributamse como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. (RIR/99 art 530, I). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A penalidade instituída pelo artigo 44, da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 06 24 /2 01 0- 35 Fl. 597DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento do tributo devido, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para tributos federais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório HELOISA HELENA CARDOSO DOS SANTOS SANCHES ME, recorre a este Conselho contra decisão proferida pela 2a. Turma da DRJ em Belém que, por unanimidade, manteve integralmente as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS formalizadas nos presentes autos, que constituíram o crédito tributário no valor total de R$ 685.007,02, incluídos os acrescimos legais, todos relativos ao anocalendário 2006. A fim de descrever os fatos que ensejaram a autuação, transcrevo alguns trechos do Termo de Verificação Fiscal (fl.s 33 e ss): 1. O contribuinte é "empresário individual", tendo como objeto social o Comércio Varejista de Vidros, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, com CNAE 47.43100. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13827.000624/201035 Acórdão n.º 1801002.076 S1TE01 Fl. 3 3 2. A empresa foi Optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES com porte de Microempresa a partir de 21/09/1999. 3. O procedimento fiscal na empresa foi determinado por meio do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0810300.2008019782, abrangendo os anos calendário 2005 a 2006, em razão da verificação de movimentação financeira incompatível com os valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES PJSI. 4. No anocalendário 2005 a ação fiscal referiuse aos impostos e contribuições englobados no SIMPLES, pois este era o regime de tributação adotado pela empresa. 5. Durante o curso do procedimento fiscal, constatouse que a empresa, enquadrada na condição de Microempresa, auferiu, no decorrer do anocalendário 2005, receita bruta excedente ao limite estabelecido para permanecer no regime do SIMPLES. 6. Após lavratura do Auto de Infração abrangendo os impostos e contribuições do SIMPLES no anocalendário 2005 incluídos no Processo N'' 15889.000407/2009 11 de 01/12/2009, encerramento "PARCIAL", foi emitida Representação Fiscal para exclusão da empresa deste regime de tributação, sendo a empresa excluída do SIMPLES mediante Ato Declaratório Executivo DRF/Bauru n° 076 de 14/12/2009, com efeitos a partir de 01/01/2006. 7. Excluída a empresa do regime do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2006, houve alteração do MPF n° 0810300.2008.019782 para inclusão dos demais impostos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil no anocalendário 2006 (IR, CSLL, PIS e COFINS) e para os anoscalendário 2006/2007, com a inclusão das contribuições destinadas à Previdência Social e a outras entidades e fundos (terceiros), estas abrangendo o período de 01/2006 a 06/2007. 8. O presente Auto de Infração abrange os impostos e contribuições IR, CSLL, PIS e COFINS no anocalendário 2006, sendo que para os demais impostos e contribuições são objeto de Auto de Infração separados. Relata o agente que a empresa foi intimada a apresentar sua escrituração contábil e fiscal e extratos bancários, tendo apresentado apenas parte dos elementos. Mas autorizou a fiscalização a obter diretamente das instituições financeiras os extratos bancários. De posse dos extratos fornecidos pelas instituições financeiras e elementos apresentados pela empresa lavrouse intimação para comprovação da origem dos recursos creditados nas contas de depósitos. Decorrido o prazo inicialmente concedido e posteriormente prorrogado, informou a contribuinte que não teria como comprovar a origem dos recursos questionados e que não teria escriturado o Livro Caixa. Excluída a empresa do sistema simplificado lavrouse intimação para que esta confeccionasse escrituração completa com base nas leis comerciais e fiscais. Em resposta declarou que não possuía Livros Diário, Razão e o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, por não deter escrituração contábil e não apurar tributos pelo Lucro Real. Declarou também que não manter arquivos digitais da contabilidade, da folha de pagamento e também recibos de pagamento a contribuintes individuais. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Foram então lavrados autos de infração para exigência de tributos devidos sobre receitas presumidas pelos depósitos bancários de origem não comprovada, na forma do arbitramento dos lucros por inexistência de escrituração. Os valores dos tributos pagos na modalidade do Simples foram compensados com aqueles constituídos de ofício. Em impugnação tempestivamente apresentada argüiu, a empresa, a quebra ilegal de seu sigilo bancário face a inexistência de processo administrativo ou judicial que a autorizasse. Invocou a inconstitucionalidade da Lei Complementar n º 105, de 2001. Defendeu o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada e qualificou de ilegal a aplicação da taxa selic no cálculo dos juros.. A Turma Julgadora de 1a. Instância justificou o acesso aos dados bancários da contribuinte pela existência de expressa permissão contida no Decreto n º 3724/2001, que autoriza a quebra de sigilo quando instaurado procedimento de auditoria fiscal. Observou que argüições de ilegalidade e inconstitucionalidades de comandos legais não seriam oponíveis ao julgador administrativo e defendeu a aplicação da multa de ofício e dos juros calculados com base na taxa selic. Ao final julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente as exigências. Cientificada da decisão, em 8/5/2012 (AR fl. 550), manejou a interessada, em 05/06/12, recurso voluntário por meio digital (fl. 590). Inicia as razões recursais invocando a nulidade do procedimento fiscal “eivado de vícios insanáveis”, não tendo sido configurada fraude que justificasse a majoração da multa. No mérito reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação, atinentes a: 1) Dever do Poder Executivo negar eficácia de lei que considere inconstitucional; 2) Quebra de sigilo bancário para instrução de processo administrativo fiscal e as decisões do STF; 3) Inconstitucionalidade da Lei Complementar n º 105/2001 e 10.174/2001; 4) Efeito confiscatório da multa; 5) Ilegalidade da aplicação da taxa selic para cálculo de juros de mora. Ao final pede pelo cancelamento do lançamento. É o relatório. Voto Fl. 600DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13827.000624/201035 Acórdão n.º 1801002.076 S1TE01 Fl. 4 5 Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminar A recorrente invoca a nulidade do procedimento fiscal, considerandoo eivado de vícios insanáveis, sem contudo apontar claramente quais seriam os vícios que tornariam os lançamentos nulos. De toda forma, analisando as etapas que se sucederam no procedimento fiscal e após a formalização do presente processo, não verifiquei qualquer ilegalidade ou vício que macule de nulidade os lançamentos ou a decisão proferida pela Turma Julgadora de 1a. Instância. 2 Mérito. Consta dos autos que a recorrente foi intimada a apresentar os extratos bancários do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, HSBC Bank Brasil S/A, Banco Mercantil do Brasil S/A, Banco ABN Amro Real S/A, Banco Itaú S/A, Banco Nossa Caixa S/A e Banco Sudameris, conforme Termo de Início da Ação Fiscal às fls. 76/77. Em resposta a essa intimação a empresa, espontaneamente, disponibilizou à auditoria fiscal seus extratos bancários do Banco do Brasil, HSBC Bank Brasil S/A; Banco ABN Amro Real S/A, Banco Itaú S/A, Banco Nossa Caixa S/A e Banco Sudameris, conforme resposta à intimação acostada às fls. 58 e ss. Não há que se falar, assim, em quebra de sigilo bancário pois a própria recorrente franqueou e forneceu ao Fisco Federal o acesso aos seus dados e informações bancárias. Cumpre consignar que o Direito Tributário admite a utilização das presunções na construção da norma individual e concreta de constituição, de ofício, do crédito tributário. Algumas dessas presunções estão previstas e discriminadas na própria legislação. De fato, presunções legais são meios indiretos de prova da ocorrência do evento descrito no fato jurídico. A presunção pautase numa relação jurídica de probabilidade fática que é composta por um ou mais fatos indiciários, dos quais se tem conhecimento, que implicam, juridicamente, na existência de um outro fato, indiciado, que se pretende provar. A prova indiciária é uma espécie de prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação de fatos secundários indiciários, a existência do fato principal. A doutrina e a jurisprudência admitem a utilização de presunções, nos lançamentos de ofício. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Para Maria Rita Ferragut a Administração Pública tem o “dever poder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários á formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos em lei, como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta” (in Presunções no Direito Tributário – Dialética – São Paulo – 2001 – p. 105). Importa consignar que, na data da ocorrência dos fatos geradores, a legislação em vigor permitia a presunção de omissão de receitas, formulada a partir da verificação de depósitos bancários de origem não identificada, independentemente do estabelecimento de “liame” entre os depósitos e os fatos geradores dos tributos. É a seguinte a redação do art. 42, caput, da Lei no. 9.249, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira,em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular de conta de depósito ou de investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Assim, é do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas, ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Tal preceito legal veio, justamente, dispensar o Fisco de produzir a prova do nexo de causalidade ou do liame entre o valores depositados/creditados e as receitas auferidas pela empresa. Basta o Fisco intimar a empresa a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados e, diante da falta de comprovação, tornase juridicamente válida a imputação de omissão de recitas. No anocalendário 2006 a omissão de receitas é flagrante e inquestionável, no simples confronto entre a PJSISimples que registrou uma receita anual de R$ 154.588,22 e a comprovada movimentação financeira anual de R$ 5.892.880,70. No caso concreto, verificada a existência de depósitos bancários de origem não identificada pelos titulares das contascorrentes e de investimento, deve ser a tributação de tais valores como receitas omitidas da atividade, e não há exceção admitida à aplicação da norma. Logicamente, quando o contribuinte observa as obrigações tributárias principais e acessórias, todos os depósitos bancários estão devidamente contabilizados e têm a sua origem identificada na contabilidade, regularmente amparada em documentação de suporte. e as informações prestadas ao Fisco são compatíveis com aquelas fornecidas pelas instituições bancárias acerca da movimentação financeira da empresa. O que não é o caso em apreço, em que se limita a defesa a argüições de aspectos formais, sem jamais se manifestar diretamente sobre a origem dos R$ 5.892.880,70, depositados nas contascorrentes. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13827.000624/201035 Acórdão n.º 1801002.076 S1TE01 Fl. 5 7 Para a refutação dos fatos indiciários, que levaram ao conhecimento jurídico do fato qualificador da norma de incidência tributária, in casu, a omissão de receitas caberia à recorrente provar que os indícios são falsos ou que não haveria nexo de implicação entre os fatos diretamente provados – depósitos bancários não comprovados e indiretamente provados – omissão de receitas. Entretanto, os recorrentes, não oferecem nenhuma contraprova capaz de afastar os indícios. E, “aquele que não tem como provar seu direito é, para o mundo jurídico, como se não o tivesse”. (Op. cit., p. 454). Mantida, pois, a imputação de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A empresa foi excluída do SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2006, submetendose, a partir dessa data, a apuração de seus resultados com base nas regras determinadas para as pessoas jurídicas em geral – o Lucro Real. Essa regra determinou a lavratura de intimação (15/04/2010) para que a empresa apresentasse, dentre outros documentos, os Livros Diário e Razão escriturados e formalizados de acordo com as leis comerciais e fiscais e o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR.. A recorrente não apresentou os elementos sob a alegação de não manter escrituração contábil. O art. 47 da Lei n º 8.981, de 1995, base legal do art. 530 do RIR/99, determina: Art. 47.O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o Decretolei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Art. 530.O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Justificado está o arbitramento dos lucros. Com relação à penalidade aplicada sobre os tributos exigidos nos presentes autos é de se esclarecer que a multa ao percentual de 75% corresponde à multa exigida nos casos de lançamento de ofício. A penalidade instituída pelo artigo 44 da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, qual seja, a falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributos devidos, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. Já foi abordado no presente voto que este órgão não tem competência para apreciar argumentos de ilegalidade e inconstitucionalidade de comandos normativos legitimamente inseridos no sistema jurídico. No que respeita à inconformidade da recorrente em relação à incidência de juros calculados com base na taxa SELIC, este órgão de julgamento já consolidou seu entendimento,, como se verifica do enunciado de súmula abaixo reproduzido: Súmula CARF n º 4. A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. O entendimento adotado no respectivo lançamento reflexo da CSLL, PIS e COFINS acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 604DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 25/09/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16095.000396/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os Membros deste Colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o presente julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que considerou preclusivas as provas juntadas aos autos em sede de Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: Não se aplica
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FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os Membros deste Colegiado, por maioria de votos, CONVERTER o presente julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que considerou preclusivas as provas juntadas aos autos em sede de Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .0 00 39 6/ 20 09 -6 0 Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16095.000396/200960 Resolução nº 1301000.137 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase, nos presentes autos, de Recurso Voluntário interposto pela recorrente contra a decisão exarada pela douta 2a Turma da DRJ de Campinas/SP, que julgou pela pela PROCEDÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO, em acórdão cujas conclusões encontramse assim ementadas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Omissão de Receitas. Depósito Bancário. Falta de Comprovação da Origem. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Deve ser cancelada a exigência em relação aos créditos em conta corrente que comprovadamente se referem a empréstimos e financiamentos e a transferências entre contas correntes de mesma titularidade. Quando comprovado que os valores depositados/creditados se referem a receitas da atividade, para ser afastada definitivamente a incidência tributária, deve a contribuinte comprovar, ainda, o seu regular oferecimento A tributação, na escrituração comercial e fiscal, e nas declarações apresentadas A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Desse julgamento, em decorrência da apontada exoneração parcial do crédito tributário, destacase nos termos da decisão apontada a interposição do RECURSO DE OFÍCIO, para a sua avaliação por este CARF. Intimada a contribuinte do inteiro teor do julgamento, conforme registros contidos às fls. 1012, no dia 10/05/2010, foi por ela então interposto, no dia 09/06/2010 o seu competente e respectivo Recurso Voluntário, pretendendo a reforma da r. decisão de origem – especificamente em relação à parte mantida do lançamento – desconstituindose, assim, por inteiro, a autuação efetivada. Para tanto, após uma rápida abordagem a respeito dos fatos trazidos nos autos, e, ainda – novamente – da explicitação do modus operandi da atuação da empresa autuada em suas atividades regulares, aborda os seguintes argumentos em suas razões recursais: a) Questão preliminar (possibilidade da juntada de novos documentos quando da interposição do presente recurso voluntário); b) Comprovação documental exauriente a respeito da origem dos valores creditados em contas de depósito ou de investimento da recorrente existentes em instituições Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16095.000396/200960 Resolução nº 1301000.137 S1C3T1 Fl. 4 3 financeiras arrolados pela r. Autoridade administrativa judicante de 1a instancia que ensejaram a exigência do "crédito tributário remanescente”; 1) Comprovação da origem dos depósitos efetivados na conta mantida junto ao Banco J. Safra — liberação de crédito oriundo de contrato de mútuo; 2) Depósitos realizados pelos "clientes" da recorrente diretamente em conta corrente operações envolvendo "BRASFEL", "COOPMIL" e "VALZÉLIO GUIMARÃES"; 3) Operações envolvendo transferencias de numerários para a ASCARD INFORMAÇÕES & SERVIÇOS LTDA. c) Da inaplicabilidade (amparada por robusta jurisprudência administrativa) da sanção prevista no art. 24 da Lei n°. 9.249/95 em face dos creditamentos documentalmente comprovados — quanto à origem pela recorrente no tópico precedente em razão da não constatação do tipo legal estatuído no art. 42 da Lei n°. 9.430/96; 1) Da não realização/constatação/concretização — no bojo da ora lide administrativa — do "fato auxiliar"/não comprovação da origem de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira 2) Da impossibilidade da caracterização da omissão de receitas única e exclusivamente via depósitos bancários; d) Desnecessidade de reproduzir toda a linha argumentativa expressa nos tópicos "II" a "V" também para a CSLL, para o PIS e para a COFINS em razão da constatação do instituto jurídico da "tributação reflexa" Conforme apontado, juntamente com as razões recursais a contribuinte fez juntar aos autos, ainda, uma série de documentos por ela apontados, com o objetivo de promover a comprovação das alegações ali então apresentadas, destacando: I) contratos, II) extratos bancários, III) Relatório de Notas Fiscais emitidas, IV) Documentos relativos ao processo no 0024.07.3893638, decorrente da Ação Ordinária intentada pela empresa ASCARD INFORMAÇÕES E SERVIÇOS LTDA contra a empresa recorrente (inicial, laudo pericial, documentos fiscais e contábeis, dentre outros), compondo, assim, os últimos 04 (quatro) volumes dos presentes autos. Em síntese, é o que aqui se tem a relatar. Passo ao voto. Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16095.000396/200960 Resolução nº 1301000.137 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator. Sendo tempestivo o recurso interposto, dele conheço. Tratam, os presentes autos, de autuação fiscal efetivada pelas doutas autoridades fazendárias tomando como base a aplicação da presunção de “omissão de receitas”, decorrente da suposta ausência de esclarecimentos da contribuinte a respeito das origens, destinos e natureza dos lançamentos efetivados em suas respectivas contas correntes bancárias, nos termos ali, então, especificamente apontados. Em sua defesa, a contribuinte destaca, especificamente, as peculiaridades do ramo próprio de sua atividade relativa à intermediação de operações econômicofinanceiras realizadas com seus “Clientes” e específicos agentes credenciados, relativo à disponibilização de “crédito” em favor dos funcionários daqueles (“Usuários”) para que, com a utilização de um “cartão magnético”, imediatamente dispusessem de condições de pagamento de despesas realizadas, somente vindo a ter debitado o pagamento quando do recebimento de seus respectivos “ordenados”, em decorrência dos contratos então firmados entre as empresas respectivas. Em face da peculiaridade das operações realizadas, e, ainda, diversas outras questões apresentadas, destaca a contribuinte a impossibilidade de configuração de todos os créditos recebidos em suas contas como supostas receitas omitidas, sobretudo porque, conforme por ela destacado, em decorrência da natureza das operações realizadas, as referidas contas bancárias representariam, na verdade, instrumento de suas atividades, sendo indevido, conforme se verifica, a aplicação da suposição de que todos os créditos ali verificados representarseiam propriamente créditos de receitas eventualmente não levadas à tributação, da forma como pretendido pelas autoridades fiscalizadoras. Da análise dos termos do Recurso Voluntário interposto, verificase que após todas as exclusões efetivadas, são também apontadas pela r. decisão de origem os créditos que, em decorrência da ausência de comprovações específicas pela contribuinte, teriam então sido mantidos após a análise dos agentes da DRJ, assim apresentados às fls. 1030: Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16095.000396/200960 Resolução nº 1301000.137 S1C3T1 Fl. 6 5 A respeito desses lançamentos, verificase na r. decisão de origem as seguintes e específicas considerações: Quanto aos valores creditados e abaixo relacionados, cujo histórico do extrato bancário designa, como remetente dos recursos, a ASCARD INFORMAÇÕES & SERVIÇOS LTDA., CNPJ n° 01.348.755/000144, o Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações de Contratos de Prestação de Serviços, de fls. 886/901, apenas ratifica que tais valores se constituem em receitas da atividade da empresa, tendo faltado a prova de que tais valores foram regularmente oferecidos tributação, na escrituração comercial e fiscal, assim como, na DIPJ apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB: Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16095.000396/200960 Resolução nº 1301000.137 S1C3T1 Fl. 7 6 Igual tratamento deve ser dado aos valores creditados nas contas correntes, mediante TED remetidos pela BRASFELS S.A. (R$ 179.702,56, em 23/05/2005; e R$ 221.868,04, em 08/07/2005), pela COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS SERVIDORES DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO COOPMIL (R$ 800.289,60, em 01/09/2005), e por VALZÉLIO GUIMARÃES — ME (R$ 36.500,00 em 04/11/2005), porque as provas apresentadas (fls. 916/923, 928/937 e 944/952) denotam justamente que se trata de receitas auferidas na atividade da empresa, em relação as quais deve a contribuinte comprovar a efetiva tributação dos recursos na escrituração comercial e fiscal, assim como, na DIPJ apresentada a Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB. Quanto aos valores creditados na conta corrente n° 1013122, mantida no Banco J. Safra, nos valores de R$ 1.246.843,75 (20/04/2005) e R$ 498.699,00 (26/04/2005), com o histórico "Cred Lib de Giro", a documentação apresentada não é hábil a comprovar a operação de crédito, na medida em que os extratos dos contratos de mútuo de fls. 911/914, referemse a operações celebradas em 20/07/2005, 18/10/2005, 26/09/2005 e 26/12/2005, não podendo dar respaldo aos valores creditados no mês de abril de 2005. A partir das disposições aqui então especificamente destacadas, verificase que, na decisão de 1a instância, restaram mantidos os lançamentos decorrentes de suposta “omissão de receitas” – em decorrência da insuficiência de prova pro parte da contribuinte a respeito da origem e da natureza dos referidos créditos , relativos às seguintes origens: a) ASCARD INFORMAÇÕES & SERVIÇOS LTDA; b) BRASFELS S.A.; c) COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS SERVIDORES DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO – COOPMIL; d) VALZÉLIO GUIMARÃES — ME; Além destes créditos, verificase também a manutenção do lançamento em relação aos créditos efetivados na conta mantida pela contribuinte no Banco J. Safra, cujo lançamento, apesar de apontar a informação como sendo de “Créd Lib de Giro”, os documentos até então apresentados indicariam contratações de créditos efetivados em Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16095.000396/200960 Resolução nº 1301000.137 S1C3T1 Fl. 8 7 20/07/2005, 18/10/2005, 26/09/2005 e 26/12/2005, não se mostrando suficientes para demonstrar, então, o fundamento do crédito realizado no mês de Abril/2005 (antes, portanto, da existência dos referidos documentos). A Contribuinte, entretanto, em seu Recurso Voluntário, apresenta específica análise a respeito de cada uma das glosas apontadas, trazendo aos autos, conforme se verifica, específica documentação para a comprovação de suas alegações, trazendo, juntamente com as suas razões, todos os documentos que acredita serem suficientes para a comprovação do ali então alegado. Da excepcional admissão da juntada de provas em sede recursal A primeira questão, então, a ser considerada no presente feito, diz respeito à possibilidade da juntada, após a apresentação da competente impugnação, de documentos/provas necessários à defesa do contribuinte. Em relação a esse ponto, é importante destacar, são severas as disposições contidas no Art. 16 do Decreto 70.235/72, que, estabelecendo as específicas regras relativas ao processo administrativo fiscal federal, assim, inclusive, especificamente assenta: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16095.000396/200960 Resolução nº 1301000.137 S1C3T1 Fl. 9 8 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (Grifos e destaques nossos) Por essas disposições, verificase que, a rigor, as provas mantidas pela contribuinte para a comprovação de suas alegações e do direito reclamado devem ser juntadas quando da apresentação de sua específica impugnação, salvo conforme expressamente apontam as disposições do parágrafo 4o do dispositivo em análise , restar efetivamente materializada quaisquer daquelas hipóteses apontadas. Em que pese o rigor das disposições aqui trazidas ao debate, é bem verdade que, pela importância e relevância que possui o amplo e regular processo administrativo no trato das relações mantidas entre os Cidadãos e o Poder Público, verificase que esse rigorismo, de fato, tem dado espaço à busca pela efetiva verdade material, como conseqüência, inclusive, dos preceitos máximos da Carta Política brasileira de 1988 nas garantias do Contraditório e da Ampla Defesa, valendo o destaque, nesse sentido, das disposições contidas na Lei 9.784/99, que, apresentando a Lei Geral do Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, assim, inclusive, especificamente assenta: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. (Grifos e destaques nossos) Nessa linha, verificase que, em homenagem aos princípios máximos da ampla defesa, e, sobretudo, da função própria do Processo Administrativo Fiscal que se consubstancia no necessário controle de legalidade dos atos administrativos, é de se reconhecer, no caso, a necessária minoração dos da formalidade apontada pelo Art. 16 do Decreto 70.235/72, permitindose, inclusive, o seu diálogo com as disposições do Art. 38 da Lei 9.784/99, permitindose, mesmo que em caráter excepcional, a juntada de documentos em sede recursal, como forma da garantia do mais amplo direito de defesa. Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16095.000396/200960 Resolução nº 1301000.137 S1C3T1 Fl. 10 9 Apenas a título de destaque, cumpre destacar que, conforme aponta a própria contribuinterecorrente, os documentos juntados em sede recursal, no presente caso, tem cabimento sobretudo porque, conforme se verifica, a análise por desenvolvida no recurso o fora especificamente nos pontos abordados pela r. decisão de origem, contrapondo, inclusive, os argumentos ali especificamente apresentados, verificandose, portanto, nessas circunstâncias, a sua premência, utilidade e regularidade com o desenvolvimento do feito. Diante dessas considerações, entendo, no presente caso, perfeitamente admissível a juntada dos documentos apresentados pela recorrente quando da interposição de seu Recurso Voluntário, devendo estes serem aqui, então, devidamente considerados na formulação do julgamento efetivado. Em face dessas considerações, tendo em vista os termos indicados da r. decisão de primeira instância, e, aqui, as razões trazidas pela recorrente (juntamente com a respectiva documentação comprobatória), restando admitida a juntada dos referidos documentos aos autos, entendo que, para o adequado resguardo do contraditório e do devido processo legal, fazse necessária a análise dos mesmos pelos agentes da fiscalização fazendária, buscando a identificação objetiva do cumprimento (ou não) as exigências fiscais estabelecidas, viabilizando, com segurança, a regular apreciação do feito por este egrégio Conselho. Para tanto, mostrase curial que se analise os documentos carreados aos autos e, nesse sentido, promovase a vinculação pontual de cada registro aos créditos especificamente considerados, verificandose, após cuidadosa análise, a suficiência das informações em relação aos créditos considerados das empresas faltantes, nos termos aqui antes então especificamente apontada. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
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Numero do processo: 19515.007494/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PIS E COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
As inconsistências de informações apresentadas nas DIPJs e DACONs, em que as primeiras apresentavam declarações de crédito tributário maiores do que constou das DCTFs do período, aliado ao fato de não localização dos respectivos pagamentos, dá ensejo ao lançamento de ofício, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional.
MULTA DO INCISO I, § 2º, DA LEI 9.430, DE 1996.
Tipifica a conduta para a aplicação do agravamento da multa de ofício diversas tentativas de notificação do contribuinte Recorrente, com a recusa de recebimento, atestada pelos Correios, injustificada.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Os juros de mora, encontram previsão no artigo 84 da Lei n° 8.981, de 1995, em combinação com o artigo 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, não cabendo a declaração incidental de sua inconstitucionalidade, na esfera administrativa.
Numero da decisão: 3201-001.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PIS E COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO As inconsistências de informações apresentadas nas DIPJs e DACONs, em que as primeiras apresentavam declarações de crédito tributário maiores do que constou das DCTFs do período, aliado ao fato de não localização dos respectivos pagamentos, dá ensejo ao lançamento de ofício, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. MULTA DO INCISO I, § 2º, DA LEI 9.430, DE 1996. Tipifica a conduta para a aplicação do agravamento da multa de ofício diversas tentativas de notificação do contribuinte Recorrente, com a recusa de recebimento, atestada pelos Correios, injustificada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora, encontram previsão no artigo 84 da Lei n° 8.981, de 1995, em combinação com o artigo 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, não cabendo a declaração incidental de sua inconstitucionalidade, na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 74 94 /2 00 8- 47 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño. Relatório Referese o presente processo a auto de infração para a cobrança de PIS e Cofins. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Em 24/11/2008 (fl. 145), a empresa tomou ciência de autuações decorrentes de insuficiência de declaração/recolhimento do PIS dos anos calendário de 2004 e 2005 e da COFINS, dos anos calendário de 2004, 2005 e 2006 (fls 126143), pois a contribuinte não recolheu os débitos do PIS e da COFINS aos cofres públicos nem os declarou em DCTF. Segundo a autoridade a quo (fls 124/125), a contribuinte e os sócios Sertatel Participações Ltda., Capitel Participações Ltda., e Geranium Participações Ltda., recusaramse a receber as Intimações de 08/10/2008 e 22/10/2008, para justificar a insuficiência, sendo o valor da multa aumentado em 50% (inciso I, parágrafo 2°, artigo 44, Lei n° 9.430/96). Em 22/12/2008 a empresa impugna os lançamentos arguindo, em suma (fl 147 e 269), que houve: a) nulidade e ilegalidade; b) revisão de autolançamento e falta causa legal ao lançamento substitutivo; c) erro de capitulação legal da multa, que seria a de mora e dos juros de mora previstos no art. 61, da Lei 9.430/96, pela conversão de multa moratória (20%) em punitiva (112,5%); d) multa sem pressupostos legais (arbitrariedade); e) ilegalidade da multa agravada; f) exigências de Pis, Cofins e Selic, inconstitucionais (fls 150 e 272); g) inconstitucionalidade e ilegalidade de juros moratórios pela Selic e da cumulação de juros moratórios maiores que 1% ao mês e Selic (“bis in idem”, confisco e usura), conforme jurisprudência sobre Selic e a natureza dos juros remuneratórios; Fl. 466DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.007494/200847 Acórdão n.º 3201001.758 S3C2T1 Fl. 94 3 h) falta de dedução de retenções destacadas nas notas fiscais. Requer a nulidade e cancelamento das exigências do Pis e Cofins , multa e acréscimos ilegais (fl 154). Anexa cópias de documentos pessoais, de contratos sociais, planilhas (e.g.: fl 181), comprovante de retenções de 2006 (fl 182), 2004 tributos 6190, 6147 e 5952 (fl 183 a 186); DIPJ AC 2004 até fl. 259; comprovantes de retenção 2004 tributos diversos (fl 2606190, 261 e 266) A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/12/2005 a 31/01/2006 NULIDADE/CANCELAMENTO. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe declarar sua nulidade e/ou cancelamento. INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, não podendo negarlhe execução e sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade, haja vista que tais matérias estão adstritas ao âmbito judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004, 01/12/2005 a 31/01/2006. DIFERENÇA APURADA. A não confissão espontânea da totalidade do débito impõe à autoridade administrativa a lavratura do auto de infração para constituir o crédito tributário (art. 142, CTN). PERCENTUAIS DE MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Pela Lei 9.430/96, em lançamento de ofício calculase cada multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no percentual do inciso I ou II, do artigo 44, sem o limite cabível nos recolhimentos espontâneos em atraso (§2º, art. 61). AGRAVAMENTO. POSSIBILIDADE. Moldandose os fatos à conduta prevista em lei que autoriza o agravamento, cabe exigir com a autuação os valores devidos com a aplicação da penalidade acrescida no percentual 50%, conforme art. 44, I, § 2º, da Lei 9.430, de 1996. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 É legítima a inclusão dos juros de mora, quando da formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício.A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos Tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à títulos federais (Lei nº 9.430/96, artigo 61, § 3º). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004, 01/12/2005 a 31/12/2005.DIFERENÇA APURADA. A não confissão espontânea da totalidade do débito impõe à autoridade administrativa a lavratura do auto de infração para constituir o crédito tributário (art. 142, CTN). PERCENTUAIS DE MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Pela Lei 9.430/96, em lançamento de ofício calculase cada multa sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no percentual do inciso I ou II, do artigo 44, sem o limite cabível nos recolhimentos espontâneos em atraso (§ 2º, art. 61). AGRAVAMENTO. POSSIBILIDADE. Moldandose os fatos à conduta prevista em lei que autoriza o agravamento , cabe exigir com a autuação os valores devidos com a aplicação da penalidade acrescida no percentual 50%, conforme art. 44, I, § 2º, da Lei 9.430, de 1996. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legítima a inclusão dos juros de mora, quando da formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício.A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos Tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Lei nº 9.430/96, artigo 61, § 3º). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na decisão recorrida, em síntese, entendeuse que, i. as hipóteses previstas de nulidade dos atos processuais estão precisamente definidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não ocorreram neste caso, pois o procedimento fiscal foi realizado conforme a norma; ii. na esfera administrativa não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas legais e regulamentares vigentes; iii. no mérito, verificouse que a fiscalização constatou valor maior de débito entre as declarações (DIPJ e/ou DACON) e DCTF’s e cada pagamento mediante DARF (fl. 1718), devendo, pois, com fulcro no art.142 do CTN, constituir crédito tributário sobre cada diferença mensal apurada, vez que não estava declarada nem paga; Fl. 468DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19515.007494/200847 Acórdão n.º 3201001.758 S3C2T1 Fl. 95 5 iv. sobre o argumento de não dedução das retenções destacadas nas notas fiscais e anexos comprovantes de retenções, constatou que cada diferença mensal autuada decorre da comparação entre os valores informados pela empresa a partir da DIPJ, em relação às demais declarações tais como a DCTF e a DACON e à guia mensal de recolhimento em Darf (e.g.: fls 27 e 28); v. quanto à multa gravada, no Termo de Verificação verificouse a recusa em receber as comunicações fiscais intimando o contribuinte a justificar/esclarecer as diferenças constatadas entre a DIPJ, DCTF, DACON e Darf; vi. em relação aos juros de mora, encontra previsão no artigo 84 da Lei n° 8.981, de 1995, em combinação com o artigo 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, não podendo ser afastados na esfera administrativa, sob alegação de inconstitucionalidade. No recurso voluntário apresentado, reiteramse os argumentos aduzidos na peça de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, o início de fiscalização originouse pela inconsistência de informações apresentadas nas DIPJs e DACONs, dos períodos de apuração de 2004 e 2005, em que as primeiras apresentavam declarações de crédito tributário maiores do que constou das DCTFs do período; ademais de não terem sido localizados os respectivos pagamentos (efls.05). Portanto, não se pode acolher o argumento de nulidade de lançamento, sob o entendimento de que as contribuições estavam devidamente constituídas, por autolançamento, pois as DIPJs e DACONs, não têm o efeito constitutivo do crédito, tendo caráter meramente informativo. Apenas a DCTF, de acordo com a legislação em vigor, constitui a obrigação tributária, de sorte que, no caso em apreço, de fato, incide a prescrição do art.142 do CTN, considerandose, ademais, que o contribuinte, instado a se manifestar, quedouse silente, não justificando as inconsistências levantadas pela fiscalização. No que tange ao argumento da desconsideração das retenções na fonte, para efeitos de cálculo das diferenças apuradas, da mesma forma, não se sustenta o argumento da Recorrente, que não apresenta quaisquer provas de suas alegações, ao passo que, ao se compulsar os autos, constatase que as diferenças de recolhimento foram apuradas, já com a dedução dos valores retidos, de acordo com o constante nas respectivas DIPJs. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 Finalmente, observase que houve a conduta tipificada para a aplicação do agravamento da penalidade, pois se comprova diversas tentativas de notificação da Recorrente, com a recusa de recebimento, atestada pelos Correios. Destarte, há o Aviso de Recebimento de 13/10/2008(A .R.) (efl. 8 ), o AR de 27/10/2008 (efl. 20 ), constando desses documentos a recusa de recebimento da intimação, o que, por conseguinte, subsumese ao I, § 2º, da Lei 9.430, de 1996, com a redação do art. 14, da Lei nº 11.488, de 15.06.2007, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n.8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. No caso, a Recorrente limitase a argüir a falta de tipicidade da referida penalidade, sendo cabível a multa de mora, não trazendo quaisquer justificativas sobre a existência da recusa ou algo que a justificasse. Em relação a os juros de mora, encontra previsão no artigo 84 da Lei n° 8.981, de 1995, em combinação com o artigo 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, não cabendo a declaração incidental de sua inconstitucionalidade, na esfera administrativa. Em face do exposto, nego provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 470DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/10/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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