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Numero do processo: 11080.900860/2016-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o presente julgamento deste processo até prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância do CARF nos autos dos processos nº 11080-907.411/2013-24, nº 11080-918667/2011-03, nº 11080-903611/2012-27, nº 11080-603615/2012-13, nº 11080-901299/2014-07, nº 11080-903816/2013-93, nº 11080-903612/2012-71, nº 11080-903613/2012-16, nº 11080-903.815/2013-49, nº 11080-908.107/2012-13, nº 11080-908.103/2012-35 e nº11080-908.108/2012-68, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou pelo sobrestamento até decisão definitiva no âmbito administrativo.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).Relatório
Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 490 a 523) interposto contra v. Acórdão (fls. 469 a 480) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 04 a 46), mantendo o r. Despacho Decisório nº de rastreamento 112927262 que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de CSLL oriundo de saldo negativo do ano-calendário de 2008.
Em resumo, a parcela ainda controversa do crédito pretendido por meio da PER/DCOMP nº 29744.09127.281011.1.3.03-8080 refere-se a R$ 10.504.001,00 correspondente a estimativas compensadas.
Como mencionado, tal monta denegada refere-se às estimativas de janeiro, março, abril, maio junho, julho e agosto de 2008, saldadas por meio de outras 16 (dezesseis) compensações, igualmente não homologadas, que são objetos dos processos administrativos nº nº 1080-907.411/2013-24, nº 11080-918667/2011-03, nº 11080-903611/2012-27, nº 11080-603615/2012-13, nº 11080-901299/2014-07, nº 11080-903816/2013-93, nº 11080-903612/2012-71, nº 11080-903613/2012-16, nº 11080-903.815/2013-49, nº 11080-908.107/2012-13, nº 11080-908.103/2012-35 e nº11080-908.108/2012-68, ainda não findados.
Por muito bem resumir o início da lide, adota-se a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo:
Tem-se no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 112927262, tratando-se de ato administrativo que não reconheceu o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 29744.09127.281011.1.3.03-8080, concernente ao saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2008, exercício 2009, o que se deu na forma a seguir reproduzida:
A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 5.539.735,85, o qual não foi reconhecido pela autoridade administrativa competente para a apreciação da matéria. O resultado se deu em razão da confirmação apenas parcial das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado:
Estimativas Compensadas SNPE: R$ 4.539.226,48 (valor informado) R$ 1.065.360,43 (valor reconhecido) = R$ 3.473.866,05 (valor não reconhecido)
Demais Estimativas Compensadas: R$ 17.666.726,07 (valor informado) R$ 10.636.591,11 (valor reconhecido) = R$ 7.030.134,96 (valor não reconhecido)
Dessa forma, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual a compensação informada pelo sujeito passivo não foi homologada, restando exigível a seguinte quantia:
R$ 3.673.823,42 + R$ 734.764,68 + R$ 1.920.307,49 = R$ 6.328.895,59 (total exigido)
Conforme despacho constante à fl. 466, a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade no prazo legal, fls. 04/24.
Após a feitura de uma breve digressão dos fatos, passou a apresentar as razões julgadas suficientes para a reforma do despacho decisório combatido.
O não reconhecimento do crédito decorrente do saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2008 decorreu da não homologação, por parte do Fisco, de algumas compensações que liquidaram as estimativas que formaram o saldo negativo, conforme verificado nos demonstrativos pela requerente apresentados.
Sustenta a Administração Tributária que as compensações em foco não foram homologadas ou o foram de maneira parcial, de modo que a interessada não teria o saldo negativo pleiteado para utilização nas compensações veiculadas no PER/DCOMP nº 29744.09127.281011.1.3.03-8080.
Entretanto, muito antes do despacho decisório neste processo discutido as decisões administrativas que não homologaram as compensações foram contestadas pela pessoa jurídica implicada. Assim, a manifestante está discutindo administrativamente as decisões que não lhe foram favoráveis e que estão relacionadas com as estimativas de CSLL do ano-calendário 2008, de modo que a existência ou não do saldo negativo de CSLL do exercício 2009 permanece em discussão, tudo conforme demonstrativo apresentado pela defendente em que identifica os processos administrativos e o estágio atual em que se encontram.
É bastante evidente, portanto, que o destino do saldo negativo de CSLL de 2008 será decidido nos processos administrativos antes relacionados, influenciando diretamente na procedência do PER/DCOMP nº 29744.09127.281011.1.3.03-8080.
As manifestações de inconformidade e os recursos interpostos têm efeito suspensivo da exigibilidade dos créditos nelas discutidos, de modo que não pode o Fisco desconsiderar tal efeito e ter os débitos como se devidos fossem (art. 151, inc. III, CTN), interpretação que é amplamente aceita pela jurisprudência pátria, conforme evidenciam as decisões cujas ementas foram transcritas.
Confira-se a fundamentação do acórdão proferido no Processo nº 5072017-49.2014.404.7100, a fim de que se perceba a absoluta compatibilidade entre o entendimento aqui defendido e o adotado pelo Poder Judiciário, no que se refere à necessidade da suspensão da análise das compensações realizadas com saldo negativo, quando o montante dele é influenciado por compensações realizadas no pagamento de estimativas e que se encontram em plena discussão administrativa:
[...]A semelhança entre o Mandado de Segurança nº 5072017-49.2014.404.7100 e o presente caso não é meramente acidental. Mencionado writ foi impetrado em razão de ato administrativo que não homologou compensações que utilizaram o saldo negativo de IRPJ do exercício 2009, gerado por recolhimentos efetuados em 2008.
A única diferença entre o presente caso e aquele tratado no Mandado de Segurança nº 5072017-49.2014.404.7100 é que lá o que se tem é o saldo negativo de IRPJ enquanto aqui o saldo negativo é da CSLL, ambos do exercício 2009.
A posição do Poder Judiciário foi no sentido da impossibilidade de se analisar o montante do saldo negativo enquanto ainda não se souber, ao certo, o desfecho das compensações realizadas para a quitação das estimativas.
Registre-se que a PGFN sequer interpôs recurso de apelação contra a Sentença exarada pelo Poder Judiciário, a qual foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, quando da apreciação do reexame necessário do Mandado de Segurança nº 5072017-49.2014.404.7100.
Ante o discorrido, enquanto pendentes de solução administrativa as compensações relacionadas às estimativas, caso o Fisco insista deliberando pela inexistência do saldo negativo outra solução não haverá senão a ora contestante buscar mais uma vez o amparo do Poder Judiciário, a fim de corrigir as ilegalidades cometidas pela autoridade fiscal.
O CARF tem se mostrado sensível a situações como a presente e determinado o sobrestamento do processo prejudicado, como já foi decidido pela 4ª Câmara da 2º Turma Ordinária.
Forçoso ainda concluir que presente processo deve ser suspenso com base no disposto pelo art. 313, V, a do Novo Código de Processo Civil, que tem aplicação subsidiária no processo administrativo fiscal.
Ao final de tudo, requereu que:
- seja suspenso o presente Processo Administrativo até o efetivo julgamento dos processos n° 1080-907.411/2013-24, 11080-918667/2011-03, 11080-903611/2012-27, 11080-603615/2012-13, 11080-901299/2014-07, 11080-903816/2013-93, 11080-903612/2012-71, 11080-903613/2012-16, 11080-903.815/2013-49, 11080-908.107/2012-13, 11080-908.103/2012-35 e 11080-908.108/2012-68, uma vez que a existência dos créditos de saldo negativo de CSLL analisados no Despacho Decisório em exame só será definitivamente conhecida após as decisões finais dos referido processos;
- posteriormente, seja reformado o Despacho Decisório n° 112927262, para que seja reconhecida a suficiência do saldo negativo de CSLL para homologação da DCOMP n° 29744.09127.281011.1.3.03-8080, uma vez que não foram apresentadas outras justificativas à não homologação da citada compensação que não aquelas relacionadas às compensações utilizadas no pagamento das estimativas que vieram a formar o saldo negativo pleiteado.
É o que se tem a relatar
Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido:
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ.
A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito Creditório Não Reconhecido
Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, explicando a origem do crédito utilizado na compensação sobre análise, requerendo a homologação da compensação pretendida e, subsidiariamente, a suspensão do feito.
Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar.
É o relatório.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 490 a 523) interposto contra v. Acórdão (fls. 469 a 480) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 04 a 46), mantendo o r. Despacho Decisório nº de rastreamento 112927262 que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de CSLL oriundo de saldo negativo do ano-calendário de 2008. Em resumo, a parcela ainda controversa do crédito pretendido por meio da PER/DCOMP nº 29744.09127.281011.1.3.03-8080 refere-se a R$ 10.504.001,00 correspondente a estimativas compensadas. Como mencionado, tal monta denegada refere-se às estimativas de janeiro, março, abril, maio junho, julho e agosto de 2008, saldadas por meio de outras 16 (dezesseis) compensações, igualmente não homologadas, que são objetos dos processos administrativos nº nº 1080-907.411/2013-24, nº 11080-918667/2011-03, nº 11080-903611/2012-27, nº 11080-603615/2012-13, nº 11080-901299/2014-07, nº 11080-903816/2013-93, nº 11080-903612/2012-71, nº 11080-903613/2012-16, nº 11080-903.815/2013-49, nº 11080-908.107/2012-13, nº 11080-908.103/2012-35 e nº11080-908.108/2012-68, ainda não findados. Por muito bem resumir o início da lide, adota-se a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Tem-se no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 112927262, tratando-se de ato administrativo que não reconheceu o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 29744.09127.281011.1.3.03-8080, concernente ao saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2008, exercício 2009, o que se deu na forma a seguir reproduzida: A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 5.539.735,85, o qual não foi reconhecido pela autoridade administrativa competente para a apreciação da matéria. O resultado se deu em razão da confirmação apenas parcial das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado: Estimativas Compensadas SNPE: R$ 4.539.226,48 (valor informado) R$ 1.065.360,43 (valor reconhecido) = R$ 3.473.866,05 (valor não reconhecido) Demais Estimativas Compensadas: R$ 17.666.726,07 (valor informado) R$ 10.636.591,11 (valor reconhecido) = R$ 7.030.134,96 (valor não reconhecido) Dessa forma, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual a compensação informada pelo sujeito passivo não foi homologada, restando exigível a seguinte quantia: R$ 3.673.823,42 + R$ 734.764,68 + R$ 1.920.307,49 = R$ 6.328.895,59 (total exigido) Conforme despacho constante à fl. 466, a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade no prazo legal, fls. 04/24. Após a feitura de uma breve digressão dos fatos, passou a apresentar as razões julgadas suficientes para a reforma do despacho decisório combatido. O não reconhecimento do crédito decorrente do saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2008 decorreu da não homologação, por parte do Fisco, de algumas compensações que liquidaram as estimativas que formaram o saldo negativo, conforme verificado nos demonstrativos pela requerente apresentados. Sustenta a Administração Tributária que as compensações em foco não foram homologadas ou o foram de maneira parcial, de modo que a interessada não teria o saldo negativo pleiteado para utilização nas compensações veiculadas no PER/DCOMP nº 29744.09127.281011.1.3.03-8080. Entretanto, muito antes do despacho decisório neste processo discutido as decisões administrativas que não homologaram as compensações foram contestadas pela pessoa jurídica implicada. Assim, a manifestante está discutindo administrativamente as decisões que não lhe foram favoráveis e que estão relacionadas com as estimativas de CSLL do ano-calendário 2008, de modo que a existência ou não do saldo negativo de CSLL do exercício 2009 permanece em discussão, tudo conforme demonstrativo apresentado pela defendente em que identifica os processos administrativos e o estágio atual em que se encontram. É bastante evidente, portanto, que o destino do saldo negativo de CSLL de 2008 será decidido nos processos administrativos antes relacionados, influenciando diretamente na procedência do PER/DCOMP nº 29744.09127.281011.1.3.03-8080. As manifestações de inconformidade e os recursos interpostos têm efeito suspensivo da exigibilidade dos créditos nelas discutidos, de modo que não pode o Fisco desconsiderar tal efeito e ter os débitos como se devidos fossem (art. 151, inc. III, CTN), interpretação que é amplamente aceita pela jurisprudência pátria, conforme evidenciam as decisões cujas ementas foram transcritas. Confira-se a fundamentação do acórdão proferido no Processo nº 5072017-49.2014.404.7100, a fim de que se perceba a absoluta compatibilidade entre o entendimento aqui defendido e o adotado pelo Poder Judiciário, no que se refere à necessidade da suspensão da análise das compensações realizadas com saldo negativo, quando o montante dele é influenciado por compensações realizadas no pagamento de estimativas e que se encontram em plena discussão administrativa: [...]A semelhança entre o Mandado de Segurança nº 5072017-49.2014.404.7100 e o presente caso não é meramente acidental. Mencionado writ foi impetrado em razão de ato administrativo que não homologou compensações que utilizaram o saldo negativo de IRPJ do exercício 2009, gerado por recolhimentos efetuados em 2008. A única diferença entre o presente caso e aquele tratado no Mandado de Segurança nº 5072017-49.2014.404.7100 é que lá o que se tem é o saldo negativo de IRPJ enquanto aqui o saldo negativo é da CSLL, ambos do exercício 2009. A posição do Poder Judiciário foi no sentido da impossibilidade de se analisar o montante do saldo negativo enquanto ainda não se souber, ao certo, o desfecho das compensações realizadas para a quitação das estimativas. Registre-se que a PGFN sequer interpôs recurso de apelação contra a Sentença exarada pelo Poder Judiciário, a qual foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, quando da apreciação do reexame necessário do Mandado de Segurança nº 5072017-49.2014.404.7100. Ante o discorrido, enquanto pendentes de solução administrativa as compensações relacionadas às estimativas, caso o Fisco insista deliberando pela inexistência do saldo negativo outra solução não haverá senão a ora contestante buscar mais uma vez o amparo do Poder Judiciário, a fim de corrigir as ilegalidades cometidas pela autoridade fiscal. O CARF tem se mostrado sensível a situações como a presente e determinado o sobrestamento do processo prejudicado, como já foi decidido pela 4ª Câmara da 2º Turma Ordinária. Forçoso ainda concluir que presente processo deve ser suspenso com base no disposto pelo art. 313, V, a do Novo Código de Processo Civil, que tem aplicação subsidiária no processo administrativo fiscal. Ao final de tudo, requereu que: - seja suspenso o presente Processo Administrativo até o efetivo julgamento dos processos n° 1080-907.411/2013-24, 11080-918667/2011-03, 11080-903611/2012-27, 11080-603615/2012-13, 11080-901299/2014-07, 11080-903816/2013-93, 11080-903612/2012-71, 11080-903613/2012-16, 11080-903.815/2013-49, 11080-908.107/2012-13, 11080-908.103/2012-35 e 11080-908.108/2012-68, uma vez que a existência dos créditos de saldo negativo de CSLL analisados no Despacho Decisório em exame só será definitivamente conhecida após as decisões finais dos referido processos; - posteriormente, seja reformado o Despacho Decisório n° 112927262, para que seja reconhecida a suficiência do saldo negativo de CSLL para homologação da DCOMP n° 29744.09127.281011.1.3.03-8080, uma vez que não foram apresentadas outras justificativas à não homologação da citada compensação que não aquelas relacionadas às compensações utilizadas no pagamento das estimativas que vieram a formar o saldo negativo pleiteado. É o que se tem a relatar Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, explicando a origem do crédito utilizado na compensação sobre análise, requerendo a homologação da compensação pretendida e, subsidiariamente, a suspensão do feito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o presente julgamento deste processo até prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância do CARF nos autos dos processos nº 11080907.411/201324, nº 11080 918667/201103, nº 11080903611/201227, nº 11080603615/201213, nº 11080 901299/201407, nº 11080903816/201393, nº 11080903612/201271, nº 11080 903613/201216, nº 11080903.815/201349, nº 11080908.107/201213, nº 11080 908.103/201235 e nº11080908.108/201268, vencido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votou pelo sobrestamento até decisão definitiva no âmbito administrativo. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 00 86 0/ 20 16 -9 4 Fl. 525DF CARF MF Processo nº 11080.900860/201694 Resolução nº 1402000.738 S1C4T2 Fl. 526 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 490 a 523) interposto contra v. Acórdão (fls. 469 a 480) proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza/CE, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 04 a 46), mantendo o r. Despacho Decisório nº de rastreamento 112927262 que expressamente deixou de reconhecer, parcialmente, o suposto crédito de CSLL oriundo de saldo negativo do anocalendário de 2008. Em resumo, a parcela ainda controversa do crédito pretendido por meio da PER/DCOMP nº 29744.09127.281011.1.3.038080 referese a R$ 10.504.001,00 correspondente a estimativas compensadas. Como mencionado, tal monta denegada referese às estimativas de janeiro, março, abril, maio junho, julho e agosto de 2008, saldadas por meio de outras 16 (dezesseis) compensações, igualmente não homologadas, que são objetos dos processos administrativos nº nº 1080907.411/201324, nº 11080918667/201103, nº 11080903611/201227, nº 11080 603615/201213, nº 11080901299/201407, nº 11080903816/201393, nº 11080 903612/201271, nº 11080903613/201216, nº 11080903.815/201349, nº 11080 908.107/201213, nº 11080908.103/201235 e nº11080908.108/201268, ainda não findados. Por muito bem resumir o início da lide, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Temse no presente o Despacho Decisório nº de rastreamento 112927262, tratandose de ato administrativo que não reconheceu o direito creditório evidenciado no PER/DCOMP nº 29744.09127.281011.1.3.038080, concernente ao saldo negativo de CSLL do anocalendário 2008, exercício 2009, o que se deu na forma a seguir reproduzida: Fl. 526DF CARF MF Processo nº 11080.900860/201694 Resolução nº 1402000.738 S1C4T2 Fl. 527 3 A pessoa jurídica postulou o crédito de R$ 5.539.735,85, o qual não foi reconhecido pela autoridade administrativa competente para a apreciação da matéria. O resultado se deu em razão da confirmação apenas parcial das estimativas informadas pela interessada, tudo conforme abaixo quantificado: Estimativas Compensadas SNPE: R$ 4.539.226,48 (valor informado) – R$ 1.065.360,43 (valor reconhecido) = R$ 3.473.866,05 (valor não reconhecido) Demais Estimativas Compensadas: R$ 17.666.726,07 (valor informado) – R$ 10.636.591,11 (valor reconhecido) = R$ 7.030.134,96 (valor não reconhecido) Dessa forma, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual a compensação informada pelo sujeito passivo não foi homologada, restando exigível a seguinte quantia: R$ 3.673.823,42 + R$ 734.764,68 + R$ 1.920.307,49 = R$ 6.328.895,59 (total exigido) Conforme despacho constante à fl. 466, a interessada apresentou a sua manifestação de inconformidade no prazo legal, fls. 04/24. Após a feitura de uma breve digressão dos fatos, passou a apresentar as razões julgadas suficientes para a reforma do despacho decisório combatido. O não reconhecimento do crédito decorrente do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2008 decorreu da não homologação, por parte do Fisco, de algumas compensações que liquidaram as estimativas que formaram o saldo negativo, conforme verificado nos demonstrativos pela requerente apresentados. Sustenta a Administração Tributária que as compensações em foco não foram homologadas ou o foram de maneira parcial, de modo que a interessada não teria o saldo negativo pleiteado para utilização nas compensações veiculadas no PER/DCOMP nº 29744.09127.281011.1.3.038080. Entretanto, muito antes do despacho decisório neste processo discutido as decisões administrativas que não homologaram as compensações foram contestadas pela pessoa jurídica implicada. Assim, a manifestante está discutindo administrativamente as decisões que não lhe foram favoráveis e que estão relacionadas com as estimativas de CSLL do anocalendário 2008, de modo que a existência ou não do saldo negativo de CSLL do exercício 2009 permanece em discussão, tudo conforme demonstrativo apresentado pela defendente em que identifica os processos administrativos e o estágio atual em que se encontram. É bastante evidente, portanto, que o destino do saldo negativo de CSLL de 2008 será decidido nos processos administrativos antes relacionados, influenciando diretamente na procedência do PER/DCOMP nº 29744.09127.281011.1.3.038080. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 11080.900860/201694 Resolução nº 1402000.738 S1C4T2 Fl. 528 4 As manifestações de inconformidade e os recursos interpostos têm efeito suspensivo da exigibilidade dos créditos nelas discutidos, de modo que não pode o Fisco desconsiderar tal efeito e ter os débitos como se devidos fossem (art. 151, inc. III, CTN), interpretação que é amplamente aceita pela jurisprudência pátria, conforme evidenciam as decisões cujas ementas foram transcritas. Confirase a fundamentação do acórdão proferido no Processo nº 507201749.2014.404.7100, a fim de que se perceba a absoluta compatibilidade entre o entendimento aqui defendido e o adotado pelo Poder Judiciário, no que se refere à necessidade da suspensão da análise das compensações realizadas com saldo negativo, quando o montante dele é influenciado por compensações realizadas no pagamento de estimativas e que se encontram em plena discussão administrativa: [...]A semelhança entre o Mandado de Segurança nº 5072017 49.2014.404.7100 e o presente caso não é meramente acidental. Mencionado writ foi impetrado em razão de ato administrativo que não homologou compensações que utilizaram o saldo negativo de IRPJ do exercício 2009, gerado por recolhimentos efetuados em 2008. A única diferença entre o presente caso e aquele tratado no Mandado de Segurança nº 507201749.2014.404.7100 é que lá o que se tem é o saldo negativo de IRPJ enquanto aqui o saldo negativo é da CSLL, ambos do exercício 2009. A posição do Poder Judiciário foi no sentido da impossibilidade de se analisar o montante do saldo negativo enquanto ainda não se souber, ao certo, o desfecho das compensações realizadas para a quitação das estimativas. Registrese que a PGFN sequer interpôs recurso de apelação contra a Sentença exarada pelo Poder Judiciário, a qual foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, quando da apreciação do reexame necessário do Mandado de Segurança nº 5072017 49.2014.404.7100. Ante o discorrido, enquanto pendentes de solução administrativa as compensações relacionadas às estimativas, caso o Fisco insista deliberando pela inexistência do saldo negativo outra solução não haverá senão a ora contestante buscar mais uma vez o amparo do Poder Judiciário, a fim de corrigir as ilegalidades cometidas pela autoridade fiscal. O CARF tem se mostrado sensível a situações como a presente e determinado o sobrestamento do processo prejudicado, como já foi decidido pela 4ª Câmara da 2º Turma Ordinária. Forçoso ainda concluir que presente processo deve ser suspenso com base no disposto pelo art. 313, V, “a” do Novo Código de Processo Civil, que tem aplicação subsidiária no processo administrativo fiscal. Ao final de tudo, requereu que: Fl. 528DF CARF MF Processo nº 11080.900860/201694 Resolução nº 1402000.738 S1C4T2 Fl. 529 5 seja suspenso o presente Processo Administrativo até o efetivo julgamento dos processos n° 1080907.411/201324, 11080 918667/201103, 11080903611/201227, 11080603615/201213, 11080901299/201407, 11080903816/201393, 11080903612/2012 71, 11080903613/201216, 11080903.815/201349, 11080 908.107/201213, 11080908.103/201235 e 11080908.108/201268, uma vez que a existência dos créditos de saldo negativo de CSLL analisados no Despacho Decisório em exame só será definitivamente conhecida após as decisões finais dos referido processos; posteriormente, seja reformado o Despacho Decisório n° 112927262, para que seja reconhecida a suficiência do saldo negativo de CSLL para homologação da DCOMP n° 29744.09127.281011.1.3.038080, uma vez que não foram apresentadas outras justificativas à não homologação da citada compensação que não aquelas relacionadas às compensações utilizadas no pagamento das estimativas que vieram a formar o saldo negativo pleiteado. É o que se tem a relatar Processada a Defesa, foi proferido pela 3ª Turma da DRJ/FOR o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo o r. Despacho Decisório recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SALDO NEGATIVO. NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. ESTIMATIVA COMPENSADA. NÃO HOMOLOGAÇÃO OU HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. QUESTÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. AUSÊNCIA DOS ATRIBUTOS DE CERTEZA E DE LIQUIDEZ. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ausentes os atributos de certeza e de liquidez, dada a inexistência de decisão administrativa definitiva, a respeito do direito creditório utilizado na compensação da estimativa, não há como se reconhecer o direito creditório pertinente ao saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, explicando a origem do crédito utilizado na compensação Fl. 529DF CARF MF Processo nº 11080.900860/201694 Resolução nº 1402000.738 S1C4T2 Fl. 530 6 sobre análise, requerendo a homologação da compensação pretendida e, subsidiariamente, a suspensão do feito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 11080.900860/201694 Resolução nº 1402000.738 S1C4T2 Fl. 531 7 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Inicialmente alega a Recorrente que a não homologação da DCOMP agora sob análise, diante da justificativa de que crédito e a correspondente satisfação das estimativas de CSLL de janeiro, março, abril, maio junho, julho e agosto de 2008, debatidos nos autos dos processos administrativos nº 1080907.411/201324, nº 11080918667/201103, nº 11080 903611/201227, nº 11080603615/201213, nº 11080901299/201407, nº 11080 903816/201393, nº 11080903612/201271, nº 11080903613/201216, nº 11080 903.815/201349, nº 11080908.107/201213, nº 11080908.103/201235 e nº11080 908.108/201268, foram inicialmente rejeitados, encontrandose os processos ainda trâmite administrativo, representaria cobrança em duplicidade. Por tal motivo e considerando que ou será tal crédito reconhecido ou, se negado, a Contribuinte promoverá o pagamento do débito correspondente, deveria, então, aqui ser homologada a presente compensação que depende de tais outros pleitos, evitando a oneração dupla e o indevido enriquecimento da União. Pois bem, o entendimento há muito professado por essa C. 2ª Turma Ordinária é que tal correlação de dependência entre débitos não pode ensejar a denegação da compensação pretendida (como procedeu a DRJ a quo), mas, também, não basta para justificar a homologação da manobra do Contribuinte. Isso porque, de fato, no presente momento, não é ainda líquida e certa esta parcela do crédito empregado na presente compensação, não podendo, legalmente, confirmar se a satisfação dos débitos saldados pela DCOMP. E não há aqui propriamente o enriquecimento ilícito da União Federal ou mesmo cobrança de débitos em duplicidade, mas somente um anacronismo na apuração de procedência da cadeia de créditos auferida e declarada pela própria Contribuinte, sendo a mais Fl. 531DF CARF MF Processo nº 11080.900860/201694 Resolução nº 1402000.738 S1C4T2 Fl. 532 8 adequada solução o sobrestamento do feito dependente, sem a resolução instantânea do mérito, como será visto a seguir. Já passando ao enfrentamento do segundo tópico de alegações da Recorrente, é imperiosa a verificação de relação de conexão e prejudicialidade entre a presente contenda e os processos administrativos nº 1080907.411/201324, nº 11080918667/201103, nº 11080 903611/201227, nº 11080603615/201213, nº 11080901299/201407, nº 11080 903816/201393, nº 11080903612/201271, nº 11080903613/201216, nº 11080 903.815/201349, nº 11080908.107/201213, nº 11080908.103/201235 e nº11080 908.108/201268, (que tratam das estimativas de janeiro, março, abril, maio junho, julho e agosto de 2008, que formaram o saldo negativo CSLL). Nesse sentido, a dependência da procedência do crédito pretendido pela Recorrente nesse feito com a homologação daquelas outras compensações de estimativas, objetos dos processos administrativos mencionados, não só é fato notório e inquestionável, como também foi a motivação para a denegação da DCOMP no r. Despachos Decisório e pela sua manutenção pela DRJ a quo. Confirase trecho do v. Acórdão recorrido da DRJ: Com efeito, ao não homologar as compensações, o agente fiscal nada mais fez senão preservar o interesse da Fazenda Pública, visto que o crédito nelas utilizado não se mostrou revestido das características da certeza e da liquidez. Isso porque as estimativas compensadas não foram confirmadas pela autoridade fiscalizadora, medida que foi referendada pela autoridade julgadora de primeira instância, estando atualmente a solução das lides na alçada do CARF, como informado pela interessada. Tratase de entendimento decorrente de comando legal contido no caput do art. 170 do CTN, verbis: (...) Portanto, tendo em conta o fato de já haver ocorrido o julgamento em primeira instância das questões relacionadas às estimativas (tratadas nos processos administrativos de nºs 1080907.411/201324, 11080 918667/201103, 11080903611/201227, 11080603615/201213, 11080901299/201407, 11080903816/201393, 11080903612/2012 71, 11080903613/201216, 11080903.815/201349, 11080 908.107/201213, 11080908.103/201235 e 11080908.108/201268, em que foram consideradas improcedentes as manifestações de inconformidade pela empresa apresentadas), o que resta patente na atual conjuntura é a correção do despacho decisório contraditado. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 11080.900860/201694 Resolução nº 1402000.738 S1C4T2 Fl. 533 9 Claramente, temse aqui uma didática relação de dependência, na forma como leciona Fredie Didier Jr1, na medida que o fundamento causal e a premissa essencial (sine qua non) para a constatação da existência do crédito estampada na DCOMP, ora sob análise, é a homologação de outras Declarações de Compensação, que saldaram as estimativas de CSLL do anocalendário de 2008 (dando margem ao saldo negativo utilizado). Por sua vez, o RICARF/MF, no art. 6º do seu Anexo II, faz apenas as seguintes previsões sobre conexão: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando se a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas;e III reflexo, constatado entre processos formaliza dos em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o 1 A relação de dependência entre causas pendentes pode ocorrer de duas maneiras: a) uma causa é prejudicial a outra: a solução que se der a uma causa pode interferir na solução que se der a outra; b) uma causa é preliminar a outra: a solução que ser a uma pode impedir o exame da outra. (...) Essa visão autorizanos a concluir pela existência de conexão por prejudicialidade ou preliminaridade: se uma causa é prejudicial/preliminar a outra há conexão e a reunião se exige, respeitados os limites impostos para qualquer reunião. Disponível em: http://www.frediedidier.com.br/artigos/parecerconexaopreliminaridade/ Fl. 533DF CARF MF Processo nº 11080.900860/201694 Resolução nº 1402000.738 S1C4T2 Fl. 534 10 sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho d o Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Como há muito vem decidindo esta C. 2ª Turma Ordinária, por unanimidade, não há como se prosseguir com o julgamento desta pendenga sem o desfecho, pelo menos em mesma instância administrativa, dos demais processos. Caso contrário, não só será mantido um profundo anacronismo na apreciação de verdadeira cadeia creditória (esta, fruto das disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e regulamentação infralegal), como também poderseia ensejar a indevida denegação precipitada de compensação ulteriomente procedente. Sequer a quantificação do crédito pode ser objeto de aferimento antes da apreciação do crédito debatido naqueles outros feitos. Como já mencionado, não se está diante de inexistência de crédito, mas sim de verdadeiro obstáculo, lógico e temporal, para tal apuração e confirmação, não podendo simplesmente afastar a pretensão do Contribuinte. Posto isso, temos que tais processos administrativos encontramse nas seguintes situações2: 11080907.411/201324 sob a relatoria deste Conselheiro, pautado para esta mesma sessão (Resolução de sobrestamento); 2 http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/consultarInformacoesProcessuais .jsf consulta procedida em 03/10/2018. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 11080.900860/201694 Resolução nº 1402000.738 S1C4T2 Fl. 535 11 11080.918667/201103 sob a relatoria deste Conselheiro, pautado para esta mesma sessão (passível de Embargos de Declaração); 11080903.612/201271 Acórdão nº 3301004.185, de 30 de janeiro de 2018, (sem análise do crédito/compensação); 11080903.613/201216 Acórdão nº 3301004.185, de 30 de janeiro de 2018, (sem análise do crédito/compensação Embargos); 11080903.611/201227 Acórdão nº 3301004.184, de 30 de janeiro de 2018, (sem análise do crédito/compensação); 11080903.615/201213 aguardando distribuição neste E. CARF; 11080903.815/201349 aguardando distribuição neste E. CARF. 11080908.108/201268 aguardando distribuição neste E. CARF. 11080908.103/201235 aguardando distribuição neste E. CARF. 11080908.107/201213 aguardando distribuição neste E. CARF. 11080903.816/201393 aguardando distribuição neste E. CARF. 11080901.299/201407 ainda no âmbito da DRJ/FOR. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 11080.900860/201694 Resolução nº 1402000.738 S1C4T2 Fl. 536 12 Como acima se observa, não houve, em nenhuma de tais contendas, a apreciação definitiva do mérito da procedência do crédito utilizado pela Contribuinte nessa instância recursal ordinária. Certamente, em face de tal circunstância e diante da patente relação de dependência preliminar no julgamento daqueles outros processos, é racional, lógico e processualmente adequado aqui o sobrestamento do feito até o desfecho meritório, nessa mesma instância, de tais feitos como é o entendimento pacífico e absoluto deste N. Colegiado. Diante de todo o exposto, resolvese por sobrestar o presente feito até a prolatação de Acórdão meritório definitivo, nesta mesma instância deste E. CARF, apreciando a procedência do crédito e a homologação das compensações, nos autos dos processos nº 1080 907.411/201324, nº 11080918667/201103, nº 11080903611/201227, nº 11080 603615/201213, nº 11080901299/201407, nº 11080903816/201393, nº 11080 903612/201271, nº 11080903613/201216, nº 11080903.815/201349, nº 11080 908.107/201213, nº 11080908.103/201235 e nº11080908.108/201268, para, somente então, retomarse o julgamento. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 536DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.002286/2004-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ENTREGA DA DECLARAÇÃO ANUAL DO SIMPLES NACIONAL
ANO-CALENDÁRIO: 2003,
EMENTA: PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL, RECURSO NÃO
CONHECIDO À 1º Seção cabe processar ou julgar Recurso interposto que verse sobre legislação derreada no artigo 2º da Portaria do Ministro da Fazendo nº 256/2009.
Numero da decisão: 1202-000.312
Decisão: Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por não instaurado litígio a ser analisado pelo CARF, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: Nereida De Miranda Finamore
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ementa_s : ENTREGA DA DECLARAÇÃO ANUAL DO SIMPLES NACIONAL ANO-CALENDÁRIO: 2003, EMENTA: PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL, RECURSO NÃO CONHECIDO À 1º Seção cabe processar ou julgar Recurso interposto que verse sobre legislação derreada no artigo 2º da Portaria do Ministro da Fazendo nº 256/2009.
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Vistos, r elarados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do colegiada por unanimidade de vo(os, não conhecer do recurso por O ã0 instaurado litígio a ser analisado pelo CAIU, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado , c soT;;---1Tós: -) Filh Presidente „ , . --------k%W_é-Á .-,./(" lY't."7,/)')/___ Nereida de Miranda FM , nore ''(,)rla - Relatora 7 EDITADO EM 0 5 AGO 211P, 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Eósso Pilho (Presidente), Carlos Alberto Donassolo, Vak,.ria Cabral (Ido Verçon, Datei Mendes de Carvalho Filho (Suplente Convocado), "N"ereida de Miranda Pinamóre Horta, Orlando Jose Gonçalves Bueiro (Vice Presidente da Turma) e 1 Relatório batam-se Os autos de recluso intelposto pela empresa CENTEIO & ARA LIO .L 1 DA onde solicita que seja aceita a entrega da Declaração Anual Simplilicadir, "eferente ao ano-calendinjo de 2003, tendo em vista que está discutindo judicialmente o reconhecimento e a sua inanutenção na sistemática do SIMPLES A interessada solicitou à 1)elegacia da RIS em Presidente Prudente , em pedido entregue no dia 31 de maio de 2004, que fosse recepcionada sua Declinação Anual Simplificada, relativamente ao ano-calendário de 2003.. A solicitação está baseada no tato que a interessada está aisentindo judicialmente o seu reconhecimento e manutenção na sistemática do SIMPLES, cuja cópia foi juntada (lis 17 a 69) - Acã.o Declinatório com pedido de Tutela . Antecipada, Processo Judicial n° 2004.61.12,004107-3, o qual tramita na Justiça Federal cru Presidente Prudente (SP). O andamento da referida Ação foi . juntado aos autos, tendo sido indefei ida a antecipação de tutela em 17 de junho de 2004.. O último andamento junl""do aos autos é que estão conclusos ao . 0.1i1. para sentença em 1" de agosto de 2006. A 1-.), -.1",jw'i2 -1:11 1)tesideri.1-:.; Prudente indeferiu ii pedide cm Despiu:J."0 Decisório exarado em :3 de outubro de 2006, explicando que consoante orientação contida no Sistema Integrado de Atendimento ao Contribuinte-SISCAC, poderia recepcionai a declaração de iendimentos somente se a interessada possuísse um processo. administrativo ainda 11ãO dclinitivamente julgado relativo ao assunto, (1 que não é o caso, lui decorrência do indeferimento, a interessada apresentou Manifestação de InconlOrmidade à E.:YRIt em Ribeirão Preta que votou pelo não conhecimento da impugnação/ manifestação de inconformidade, dispondo que 110.0 hó previsão nas normas que reg.ern O P 1 °°° tributário administiativo, nos termos do Decreto 1170 235/1972, para discutir a negativa da Administração Tributatia quanto à matéria concernente às obrigações tributárias ditas acessórias tais. como a entrega da declaração de rendimentos Para esses casos, entendeu a DR", ha de se aplicar normas gerais do processo administrativa ... ptevistas na Lei n9.784/1999 . de pleno conhecimenlo do sujeito passivo que a cita em sua M.anifestação. Regularmente intimada da decisão supra mencionada em 14 de setembro de 2007 (AR), a interessada apreseinou Recurso Voluntário no dia .3 de outubro de 2007 Nessa ocasião, indignada pelo não julgamento da matéria, requer que a decisão seja anulada, determinando que Os autos sejam devolvidos i'l DRI, para que seja julgado o mérito da Manifestação de Inconformidade/Impugnação, f.i;clinece que a decisão deve ser reformada, tendo em vista que: -- a DRf em Presidente Prudente, ao não aceitar a entrega da Declaração Anual Simplificada, pretendeu altei ar seu regime nibutario; - a aplicação da Lei n`) 9.784/99 não deve ser aplicada por infringir o 'Principio da Fficiencia e ainda, o parágrafo primeiro do art 63 da Lei n' 9.784/99 dispõe que (.,-- .• ) 2 Processo n" 1(58 .3 (10228()/20(14-3 1 Sl-C2 1 2 Accircno n 12(52-0(1.312 1 1 :fló na hipótese de recurso interposto perante órgão incompetente, será indicado ao recorrente a autoridade competente, sendo-lhe devolvido o prazo para recurso. / t r,». o relatório (7 rV"\i 3 Voto Conselheira NEREIDA DE MIRANDA FINAMORFTIGR.I.A, Relatora ( ) R ecun-x) é tempestivo, to(lavia, não cumpre o.s reg ui si tos de admissibi I idade Consoante artigo 37 do 1)eereto n" 70,235/1972, o julgamento nos Conselhos de (..:ontribuintos tar-se-a conLorme dispuserem seus reghnentos internos Por sua vez, o Regimento Interno do Conselho Administi ativo de ecursos Fiscais (CARI . ) api ovado pela Portaria do MI . 256, de 22 dejunho de 2009, em seu artigo 2" dispOe que ; in ver bis: "Ai t. 2" À Primeira Seção cabe processai e julgar recursos de oficio e voluntário de decisão ile primeira instancia que versem sob] e aplicação da legislação de - Imposto sobre a Renda das Pessoas ;Int ir.heas URRO,. - Contribuição sobre o Lucro Líquido ((.51.3). III - Impo.sio de Renda Retido na l , onte ("RR»). quando se tia/ar anteetpação lo freP.1, — demais tributos, quando procedimentos cone VOs„ decoi CidetiOit rcfleos, assim compreendidos os rderentes c.'ts eN:igências que este .j' am /astreadas co; .fatos cuja apui (1(..:(7.0 sv; viu paia configurai a prática de infração à legislação pertinente à tributação do (...kcht:são, inclusão e c.vigência de ti ibutos decorr entes da apliccição legislação I eferente ao Sistema hitegrado de Pagamento de Impostos e Contribuiçii.es das Microempresas e das Empresas. de Pequeno Porte (SÍMP/./...M e ao tr atamento diferenciado e favorecido a sei dispensado às microempleSOS e empresas de pequeno porte no âmbito dos Podere.s da (Inião, dos Estados, do Distrito Pederal e dos Municípios, lia apuração e recolhimento dos impostos e contribuições. da (»não, dos ks-todo, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLE.S-Nacional), VI - penalidades pelo deseumprimento de obrigações acessórias pela.s pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo, e VII - tributos, empréstimos compulsórioN e ¡Bufá ia corre/ala não incluídos na compctència julgado! a dos demais Seções Pelo exposto, não compete à esta 1" Seção processar ou julgar Recurso 'Voluntário que solicita a entrega de declaração de rendimentos seja Simplificada ou de outro regime de tr ibutação, motivo pelo qual não conheço do R.ecurso gr Sala das Sessões, cru 5 de julho de 2010 — N A - ereida de Miranda F morei . o a • r1 MINISTERIO DA FAZENDA CONSELHO ADiVIINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF\\ SEGUNDA CÂMARA/1" SESSÃO Processo 0 0 t 93x., 0,0,286 Interessado(a) eej4-0 <19,j/icuido TERMO DE JUNTADA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS — CARF 2 Câmara/1 3 Sessão Declaro que juntei aos autos ó Acórdão n0. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal em ... ,•
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720351/2014-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DEPENDENTES - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DEPENDENTES - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Recorrente SERGIO JUAREZ KAMINSKI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA MÉDICA DEPENDENTES DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 03 51 /2 01 4- 18 Fl. 73DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 04 a 10), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas, além de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 3.569,95, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 38 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Cientificado em 26/12/2013 (fls. 33 e 34) e inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação parcial, de fls. 2 e 3, juntamente com demais documentos, na data de 14/1/2014, conforme as razões ali expostas. O Interessado solicitou, também, prioridade na tramitação do presente processo, com fulcro no art. 71 e parágrafos da Lei n° 10.741/2003 (Estatuto do Idoso). A impugnação foi apreciada na 18ª Turma da DRJ/RJ1 que, por unanimidade, em 26/03/2014, no acórdão 1264.335, às efls. 46 a 49, julgou a impugnação parcialmente procedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 66 a 146, no qual alega, em resumo, que os documentos juntados são hábeis a demonstrar as despesas médicas contraídas e passíveis de dedução na base de cálculo do IRPF devido. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 04/04/2014, efls. 53, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 29/04/2014, efls. 57, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11080.720351/201418 Acórdão n.º 2002000.367 S2C0T2 Fl. 70 3 O contribuinte foi autuado pela dedução indevida de despesas médicas com a profissional Ana Lúcia Monteiro Oliveira, no importe de R$ 29.410,00 e de Hamilton Oscar Perdigão, R$ 1.200,00 e pela omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício pagos pela Câmara Municipal de Porto Alegre. Em sede de impugnação, concordou com a autuação pela omissão de rendimentos, contestando a glosa das despesas médicas com os profissionais citados, sob argumento que tratamse de despesas médicas tidas com seus dependentes, cônjuge e filha. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Fl. 75DF CARF MF 4 Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11080.720351/201418 Acórdão n.º 2002000.367 S2C0T2 Fl. 71 5 fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Fl. 77DF CARF MF 6 Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Feitas estas considerações, na DAA do contribuinte referente ao ano calendário 2010/exercício 2011, às efls. 26, a única pessoa constante como dependente é sua filha Vivien Paula Kaminski, posto que a DRJ afastou a glosa da despesa médica em relação a Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11080.720351/201418 Acórdão n.º 2002000.367 S2C0T2 Fl. 72 7 ela, mantendo a glosa das despesas de sua cônjuge, vez que não declarada enquanto sua dependente. Em sede de Recurso Voluntário o contribuinte não traz nenhuma outra prova ou alegação que possa afastar a glosa da despesa médica, limitandose a dizer que as declarações do casal foram entregues em separado. Assim, sua esposa poderia valerse de eventuais deduções das despesas médicas, não o recorrente. Logo, mantenho a decisão de piso, nos seguintes termos: Com relação às despesas realizadas com a Dra. Ana Lucia Monteiro Oliveira, no montante de R$ 29.410,00, não cabe aceitálas uma vez serem correspondentes à psicoterapia prestada à esposa do contribuinte, Sra.Pastora de Paula Maia Kaminski, que não foi declarada como dependente em sua Declaração de Ajuste Anual (fl. 26). Por outro lado, cumpre aceitar como devidamente comprovada a quantia de R$ 1.200,00, tendo em vista terem sido supridas as exigências da fiscalização referentes ao Dr.Hamilton Oscar Perdigão da Fontoura com a apresentação do recibo, de fl. 14, de consultas psicoterápicas prestadas à filha do interessado, Vívien Paula Kaminski, sua dependente do imposto de renda. Em conseqüência, do total das despesas médicas de R$ 30.610,00, considerase como devidamente comprovada a parcela de R$ 1.200,00, mantendose a dedução indevida de R$ 29.410,00. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo a exigência fiscal. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722639/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. PREJUDICIALIDADE EXTERNA.
O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão de prejudicialidade externa.
PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício, mantém-se a glosa do valor indevidamente compensado.
Numero da decisão: 1301-003.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: (i) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento de julgamento do feito em razão de questão prejudicial externa, vencido o Conselheiro Relator que votou por acolhê-la; e, (ii) no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Redatora Designada.
Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. PREJUDICIALIDADE EXTERNA. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão de prejudicialidade externa. PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES INSUFICIENTES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Sendo insuficiente o saldo de prejuízos fiscais de períodos anteriores passível de compensação, porquanto absorvido por infrações apuradas em procedimentos de ofício, mantémse a glosa do valor indevidamente compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: (i) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento de julgamento do feito em razão de questão prejudicial externa, vencido o Conselheiro Relator que votou por acolhêla; e, (ii) no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Designada a Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 26 39 /2 01 2- 10 Fl. 1174DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Auto de Infração de IRPJ lavrado contra a SIEMENS LTDA, para a cobrança do referido tributo acrescido de multa de ofício de 75%, em razão da glosa de prejuízo compensado indevidamente, uma vez que considerados pela fiscalização insuficientes, no anocalendário de 2008, no montante de R$ 12.378.170,48. A insuficiência foi resultado dos autos de infração objetos dos processos nºs 16643.000069/200954 e 16643.000288/201077, que absorveram, nos anoscalendário de 2004 e 2005, os prejuízos fiscais que a interessada dispunha, relativos aos anoscalendário anteriores a 2004, não restando, por conseguinte, saldo passível de compensação em 31/12/2007. Notificado, o Contribuinte apresentou Impugnação aduzindo que a fiscalização não poderia desconsiderar a suspensão de exigibilidade nos processos nºs 16643.000069/200954 e 16643.000288/201077 para recompor as compensações de prejuízos, de modo que até o trânsito em julgado administrativo dos mesmos não há que se falar em compensação indevida nem pagamento a menor de IRPJ em 2008. A 2ª Turma da DRJ em Rio de Janeiro I/RJ analisou a impugnação apresentada pelo Contribuinte e, por via do Acórdão nº 1262.183, de 16/12/2013 (fls. 675/680), considerou procedente o lançamento, por ausência de previsão legal para o sobrestamento e por ausência de prejuízos fiscais utilizáveis pelo Contribuinte no anocalendário em análise. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo que teria sido ilegal e irregular a compensação de prejuízos fiscais anteriores, feita de ofício nos processos administrativos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/201077. Isso decorreria do fato de que, no momento em que lavrados aqueles autos de infração, a interessada já teria se utilizado dos prejuízos fiscais para compensação no anocalendário 2008, de tal forma que não haveria qualquer saldo de prejuízos fiscais disponível para a compensação Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 19515.722639/201210 Acórdão n.º 1301003.422 S1C3T1 Fl. 1.175 3 de ofício. Ademais, repisa as razões de sua impugnação, solicitando o sobrestamento do presente processo. O presente Recurso foi posto em julgamento por este Colegiado, em composição pretérita, a qual reconheceu a prejudicialidade dos processos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/201077, determinando o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo daqueles outros através da Resolução nº 1301000.292. Encerrados os referidos processos, a unidade de origem deu cumprimento aos demais termos da diligência, acostando cópias das decisões definitivas, bem como extrato do sistema SAPLI, atualizado, apontando que não havia prejuízo fiscal no anocalendário de 2008. Intimado, o Contribuinte apresentou petição de fls. 1032/1039, informando que os créditos tributários decorrentes dos processos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/201077 são objeto de discussão judicial e que foram inteiramente garantidos por segurogarantia aceito pelo Poder Judiciário. Aduz que o processo nº 16643.000069/200954 é objeto da Ação Anulatória nº 500088170.2018.4.03.6100, em andamento na 22ª Vara Cível Federal de São Paulo, e que o processo nº 16643.000288/201077 está integralmente garantido nos autos da Ação Cautelar nº 500766511.2018.4.03.6182, em andamento na 12ª Vara de Execuções Fiscais Federal de São Paulo (documentos em fls. 1038 e seguintes). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. Em cumprimento à Resolução nº 1301000.292, exarada por este Colegiado, a unidade de origem apresentou relatório de fls. 1021/1023 aduzindo: a) Em 15/5/2017, no PAF n.º 16643.000069/200954, por meio do Despacho proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que rejeitou em caráter definitivo os embargos opostos pelo contribuinte contra a decisão proferida no Acórdão n.º 9101002.513, que negou provimento ao Recurso Especial do contribuinte. Cópias das referidas decisões estão acostadas às efls. 925 a 973 dos autos, conforme determinado pelo órgão julgador. b) Em 18/4/2018, no PAF n.º 16643.000288/201077, por meio do Despacho proferido pela CSRF, que rejeitou em caráter definitivo os embargos opostos pelo contribuinte contra a decisão proferida no Acórdão n.º 9101003.023, que negou provimento ao Recurso Especial do contribuinte e deu Fl. 1176DF CARF MF 4 provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Cópias das referidas decisões estão acostadas às e fls.974 a 1014 dos autos, conforme determinado pelo órgão julgador. Prosseguindo, em atendimento à solicitação do órgão julgador de que esta unidade preparadora se manifeste, em relatório conclusivo, acerca do montante de prejuízos fiscais disponível para compensação no anocalendário 2008, após computados os efeitos das decisões finais nos processos administrativos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/201077; concluímos, após computados os efeitos referidos, que não há saldo de prejuízos fiscais a serem compensados pelo contribuinte no anocalendário de 2008, conforme pode ser verificado nos extratos do sistema SAPLI de efls. 1.015 a 1.020, atualizados até a data de realização desta diligência. Por outro lado, o Contribuinte aduz o ajuizamento de duas ações judiciais, relativamente aos processos administrativos mencionados acima: a) O processo nº 16643.000069/200954 é objeto da Ação Anulatória nº 500088170.2018.4.03.6100, com garantia do débito aceita em juízo, para fins de expedição de certidão positiva com efeitos de negativa. O pedido dessa ação abrange, entre outras coisas, o seguinte (fl. 1118): b) O processo nº 16643.000288/201077 está integralmente garantido nos autos da Ação Cautelar nº 500766511.2018.4.03.6182, que tem como finalidade exclusiva o oferecimento do segurogarantia, conforme pedidos de fls. 1142: Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 19515.722639/201210 Acórdão n.º 1301003.422 S1C3T1 Fl. 1.176 5 Proposta de Resolução Pois bem, uma questão prejudicial à análise do mérito do presente processo seria exatamente a existência de uma relação de prejudicialidade entre os processos judiciais apontados pelo Recorrente e o crédito tributário objeto do presente processo. A noção de questões prejudiciais no âmbito processual foi objeto de erudita tese do Professor José Carlos Barbosa Moreira, em seu concurso de livre docência na UERJ (MOREIRA, José Carlos Barbosa. Questões Prejudiciais e Coisa Julgada. Tese de Livre Docência. Rio de Janeiro: UERJ, 1967), na qual aduziu que elas seria "questões cuja solução depender necessariamente o teor da solução que se haja de dar a outras questões" é dizer, a influência exercida sobre a questão sob julgamento se dá a nível meritório, afetando diretamente o deslinde da solução jurídica a ser adjudicada ao caso. Diante disso, podese verificar de pronto que a Ação Cautelar nº 5007665 11.2018.4.03.6182 não guarda qualquer prejudicialidade em relação ao presente processo, visto que o seu pedido não tem o condão de afetar o decidido no processo nº 16643.000288/201077, já que visa apenas garantir o débito. Por outro lado, o mesmo não pode ser dito da Ação Fl. 1178DF CARF MF 6 Anulatória nº 500088170.2018.4.03.6100, cujo pedido tem potencial de afetar o decidido no processo nº 16643.000069/200954, com efeitos sobre o montante de prejuízo fiscal apurado no início do anocalendário de 2008. Há, portanto, uma prejudicialidade entre o presente processo e a Ação Anulatória nº 500088170.2018.4.03.6100. Por outro lado, há que se perquirir os efeitos jurídicos dessa prejudicialidade sobre o exame da matéria deste processo. Sobre o tema, o CPC/2015 é expresso em determinar a suspensão em seu art. 313, cuja aplicação ao processo administrativo se dá tanto de forma subsidiária quanto supletiva, conforme seu art. 15: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. (...) Art. 313. Suspendese o processo: V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Compulsando o Regimento Interno do CARF, se verifica que o mesmo traz o regramento relativo ao sobrestamento em seu art. 6º, §§ 4º, 5º e 6º: Art. 6 (...) § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. Como se vê, o Regimento dá duas hipóteses de sobrestamento: i) se o processo principal não estiver localizado no CARF, em casos de vinculação por decorrência ou reflexo, devendo ocorrer o sobrestamento na unidade preparadora; e ii) no caso dos processos estarem em Seções diversas do CARF, caso em que o sobrestamento se dará na Câmara. Uma leitura apressada do art. 6º, §6º poderia indicar que o §4º, ao se referir a "não localizado no CARF", estaria se referindo apenas aos processos que estão sob análise das Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 19515.722639/201210 Acórdão n.º 1301003.422 S1C3T1 Fl. 1.177 7 delegacias de julgamento da Receita Federal, é dizer, em etapas anteriores do processo administrativo. Essa leitura restritiva não se sustenta, entretanto, diante de uma compreensão sistemática do Regimento Interno, mormente em razão das competências específicas da Assessoria Técnica e Jurídica ASTEJ, constantes no art. 4º do Anexo I do RICARF: Art. 4º A Presidência do CARF será assistida pela Assessoria Técnica e Jurídica Astej, dentre outras, nas seguintes atividades: V controle e acompanhamento dos mandados de segurança e demais ações judiciais e comunicação da tramitação nos respectivos processos administrativos fiscais; Como se vê, é competência específica deste órgão do CARF o acompanhamento de processos judiciais que tenham efeitos sobre os processos administrativos fiscais aos quais eles se vinculem, cabendo à ASTEJ a apresentação da informação pertinente no âmbito administrativo e encaminhamento para julgamento. Essa competência serve, portanto, para infirmar a leitura restritiva do art. 6º, §4º, no sentido de que a prejudicialidade juridicamente relevante poderia se dar apenas entre processos administrativos, comportando assim uma leitura que abarque relações entre processos que ainda não chegaram ao CARF, como também processos judiciais que impactem na solução jurídica a ser dada neste âmbito. Desse modo, constatada a prejudicialidade exclusivamente entre a Ação Anulatória nº 500088170.2018.4.03.6100 e o presente processo, voto por converter o presente julgamento em diligência para sobrestar o presente feito na unidade preparadora, com fundamento no art. 6º, §4º do Anexo II do RICARF, até que seja julgado definitivamente a referida ação. MÉRITO Em razão do não acatamento da proposta de diligência realizada, há que se julgar o mérito do presente feito à luz das circunstâncias presentes. Preliminarmente, aduz o Recorrente a ilegalidade da compensação dos prejuízos fiscais, de ofício,nos anos de 2004 e 2005, de modo que os referidos prejuízos acumulados deveriam ser utilizados no ano de 2008, conforme optou o Contribuinte. O Contribuinte tem razão no ponto que aduz, haja vista que o aproveitamento de saldos negativos de recolhimento e prejuízos fiscais é uma faculdade do contribuinte, que pode optar pelo momento que quer utilizálos não há base legal para que a fiscalização, de ofício, imponha o gozo dos prejuízos fiscais acumulados ao realizar a reconstituição da base de cálculo no bojo de um lançamento tributário. Nessas situações, caberia à fiscalização verificar, em primeiro lugar, se o saldo de prejuízos já fora utilizado em algum período posterior ao fiscalizado em sendo utilizado, não há que realocálo no débito lançado Entretanto, essa discussão deveria ter sido feito no âmbito dos processos dos anoscalendário nos quais a compensação de ofício foi realizada, e não neste, sendo impertinente ao presente litígio. Fl. 1180DF CARF MF 8 Desse modo, há que se rechaçar a preliminar arguida. No mérito, os entendimentos contrastantes do Recorrente e da Fiscalização podem ser reproduzidos através da seguinte tabela: Conforme aduzido pela Fiscalização, no relatório de cumprimento de diligência, não há saldo de prejuízo fiscal a ser utilizado no anocalendário 2008, conforme extrato SAPLI de fls.1020, em razão da sua absorção nos anos de 2004 e 2005. Da mesma forma, os processos administrativos nº 16643.000069/200954 e nº 16643.000288/201077 já foram definitivamente julgados na esfera administrativa, gozando o crédito lá constituído de liquidez e certeza, além de estabelecido a definitividade, nesta instância, das glosas perpetradas pela fiscalização. Por se tratar o presente processo de uma decorrência dos dois processos retrocitados, nos termos do art. 6º, §1º, II do Anexo II do RICARF, cabe aqui apenas replicar o decidido definitivamente neles, através dos acórdãos 9101003.023 e 9101002.513. Assim sendo, voto por converter o julgamento em diligência para sobrestar o presente feito na unidade preparadora, com fundamento no art. 6º, §4º do Anexo II do RICARF, até que seja julgado definitivamente Ação Anulatória nº 5000881 70.2018.4.03.6100. Em sendo vencido na proposta de diligência, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 19515.722639/201210 Acórdão n.º 1301003.422 S1C3T1 Fl. 1.178 9 Voto Vencedor Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto . Peço vênia ao Relator, apenas para divergir quanto à posição assumida no julgamento de questão de ordem suscitada pelo Contribuinte. Foi trazido em sede de memoriais, bem como através de sustentação oral da tribuna no dia da sessão, o requerimento de sobrestamento do feito, agora, em razão de Ação Judicial proposta para se anular a decisão havida nos processos administrativos 16643.000069/200954 e 16643.000288/201077, já mencionados. Conforme se verificou, este processo já foi sobrestado em razão de prejudicialidade por pendência de julgamento final de processo administrativo. Este processo findouse, sem que o recurso do contribuinte tenha sido provido. Assim, adentrouse em processo judicial, em que o contribuinte interpôs Ação Anulatória de Lançamento Fiscal, questionando a autuação do PA 16643.000069/2009 54, requerendo a anulação do julgamento, e que estão garantidos por segurogarantia. Meu entendimento, assim como da maioria do Colegiado é de que não seja plausível tal solicitação, na esfera administrativa foi aguardado o resultado final, e agora aguardar o resultado judicial? Até quando o processo deve esperar? Entendo que o processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade, devendo ser impulsionado ex officio, conforme determina o inc. XII do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Não há qualquer previsão legal ou regimental que autorize a suspensão do andamento processual em razão de processo judicial, diante disso, voto pela continuação do julgamento. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1182DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.001075/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam juntados aos autos provas da efetividade de pagamentos de contribuições previdenciárias, parte patronal e dos segurados, nos períodos de 01/2002 e 10/2002.
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que sejam juntados aos autos provas da efetividade de pagamentos de contribuições previdenciárias, parte patronal e dos segurados, nos períodos de 01/2002 e 10/2002. João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1064/1120) interposto pela Contribuinte BRASIL TELECOM S/A, contra a decisão da DRJ de fls. 1043/1056, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte nas fls. 378/439 e manteve o lançamento do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 01 07 5/ 20 07 -1 1 Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 14041.001075/200711 Resolução nº 2301000.711 S2C3T1 Fl. 1.132 2 débito tributário proveniente Auto de Infração de n. 371117569, consolidado em 08/10/2007, referente ao período de apuração, de 01/01/1997 a 28/02/2007, cuja Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/2007 NFLD n° 37.111.7569 O pagamento de Prêmios faz parte da remuneração do empregado para os fins previdenciários, trabalhistas e fiscais, integrando, entre outros, a base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre a folha de salários. Verificada a ocorrência do fato gerador através dos registros contábeis, bem como das notas fiscais emitidas e não sendo disponibilizados, pela empresa fiscalizada, os beneficiários relativos a todas as notas fiscais apresentadas, está a fiscalização obrigada ao lançamento do crédito previdenciário, efetuado nos moldes especificados no RelatórioFiscal desta notificação, em perfeita consonância com a legislação de regência. Lançamento Procedente Como se infere dos autos, tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD: 37.111.7569, emitida contra a Contribuinte, no valor de R$ 4.173.439,49 (quatro milhões; cento e setenta e três mil e quatrocentos e trinta e nove reais e quarenta e nove centavos), consolidada em 08/10/2007, lavrada durante ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n°.09402950F00, de 21 de maio de 2007, às fls. 153. Contra a empresa é imputado o lançamento diante da ocorrência do fato gerador ocorrido no pagamento de premiações à empregados e contribuintes individuais, por intermédio de cartões eletrônicos de prêmios administrados pela Incentive House S/A, sem o devido recolhimento de Contribuição Previdenciária. Nas fls. 161/191, encontramse os Termos de Início da Ação Fiscal e de Intimação para Apresentação de Documentos. Nas fls. 192/201, encontrase o Relatório da Notificação de Lançamento de Débito, no qual expressamente afirma a utilização da Aferição Indireta, apuradas pelas notas fiscais de serviços emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE S/A, pelo serviço prestado à Contribuinte, nas quais foi possível a verificação do pagamento de premiações pela Contribuinte a seus empregados segurados e contribuintes individuais que prestaram serviços à mesma, durante o período apurado, sem o devido recolhimento de Contribuição Social. Como se infere do Relatório Fiscal, a remuneração era paga através dos cartões Flexcard da Incentive House, entregue aos funcionários e prestadores de serviços da Contribuinte. A Contribuinte contratou a empresa Incentive House para administrar o sistema de premiação aos seus empregados, sendo que, conforme estipulado nos contratos da Contribuinte com a Incentive House, a Contribuinte era a única responsável em informar quais os beneficiários e os valores que a Incentive Houve deveria premiar (enviar aos cartões Flexcard). O empregado beneficiário dos prêmios recebidos no cartão Flexcard poderia dispor dos valores utilizando o cartão em qualquer terminal eletrônico das instituições financeiras credenciados e/ou dos estabelecimentos comerciais credenciados à REDESHOP ou REDE CHEQUE ELETRÔNICO, sendo que toda transação de disponibilização de valores no Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 14041.001075/200711 Resolução nº 2301000.711 S2C3T1 Fl. 1.133 3 Cartão Flexcard era constatada nas Notas Fiscais de prestações de serviços emitidas pela INCENTIVE HOUSE S/A. Tendo em vista que a Contribuinte não disponibilizou à autoridade fiscal a relação dos premiados e os valores depositados ao mesmo, tendo sido utilizada apuração por aferição indireta, a Autoridade Fiscal utilizou todas as Notas Fiscais de serviço emitidas pela Incentive House S/A, deduzidas as comissões de serviços. Acompanhou o Auto de Infração, além do Relatório Fiscal, a seguinte documentação: • Estatuto Social e alterações – Fls. 203/235 • Contratos de prestação de serviço celebrado com INCENTIVE HOUSE S/A – Fls. 243/349 • Notas Fiscais de prestação de serviços emitidas pela INCENTIVE HOUSE S/A (por amostragem) – Fls. 372/ 375 • Relação, em meio magnético, das notas fiscais apresentadas pela empresa – Fl. 366. • Lançamentos contábeis e Folhas de Pagamento, em meio magnético, apresentados pela empresa – Fls. 367/371 Nas Fls. 378/439 a Contribuinte apresenta sua Impugnação TOTAL ao Auto de Infração, requerendo: · Preliminarmente, irregularidade do procedimento, descumprimento do Art. 148 do CTN, vício formal – nulo o arbitramento por aferição indireta, visto que a Contribuinte trouxe toda a documentação pertinente para a verificação da Autoridade Fiscal, tais como notas fiscais, documentos relacionados a eventos de bonificações, planilhas das pessoas e empresa vencedoras, sendo considerada pela Autoridade Fiscal a existência de uma relação jurídica apenas, o pagamento de remuneração para funcionário empregado; · Foram devidamente juntadas e demonstravam a existência de aproximadamente 8.000 nomes de beneficiários (fls. 346/349) que permitiam ao agente fiscal que observasse que: a) a imensa maioria recebeu o prêmio de forma eventual; b) houveram inúmeros pagamentos para empregados de terceiras empresas, razão pela qual indevida a aferição indireta, sendo nulo o arbitramento, que é exceção, não aplicável ao caso em tela; · Que a Contribuinte, em nenhum momento foi intimada para apresentar manifestação ou defesa quanto ao arbitramento da base de cálculo efetuada — procedimento administrativo, contrariando o contraditório e a ampla defesa, sendo contrário ao art. 148 do CTN, violando o devido processo legal; Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 14041.001075/200711 Resolução nº 2301000.711 S2C3T1 Fl. 1.134 4 · Que o arbitramento por aferição indireta que deu origem ao lançamento em exame não cumpriu a vinculação dos atos administrativos aos prescritivos legais tais como art. 148 do CTN, 33 da Lei n° 8.212/91 e 235 do Decreto n° 3.048/99, sendo fixados requisitos em lei para que seja possível adoção da presunção de base de cálculo, tendo em vista que o Auditor Fiscal teve acesso à toda a documentação; · Que a Contribuinte apresentou planilha contendo: 1) nome do premiado; 2) CPF/PIS/NIT do premiado; 3) valor do prêmio, 4) data da premiação; 5) meio de premiação; 6) número da nota fiscal; 7) nome e CNPJ da filial; o que viabilizaria a apuração devida da Autoridade Fiscal, sendo totalmente ilegal a utilização da aferição indireta, visto que a Contribuinte apresentou ao agente fiscal a relação contendo o pagamento de mais de 7.800 abonos, identificadas com itens acima numerados, e demonstrando a relação entre a nota fiscal paga à Incentive House S/A e o valor entregue ao ganhador, e a razão/promoção que ensejou tal contemplação; · Decadência, nos termos do Art. 150, §4º do CTN, devendo ser cancelado os lançamentos efetuados em competências anteriores a outubro de 2002, tendo, pois, o direito de constituir o crédito pela Fazenda Pública, incontestavelmente decaído; · No mérito, que os ganhadores dos abonos, quando pessoas físicas, não os recebiam com habitualidade; que grande maioria eram pessoas jurídicas participantes de campanhas e que não eram empregados, tampouco trabalhadores avulsos da Contribuinte; · Que em nenhum dos casos os pagamentos contidos nas notas fiscais emitidas pela empresa Incentive House S.A., e adimplidas pela Contribuinte constituíam remuneração paga aos seus empregados/segurados, sendo tampouco passíveis de serem considerados como salário de contribuição, visto que constituíam ressarcimento de despesas incorridas pela Incentive na realização de eventos da Contribuinte, como jantares, shows, etc. ou se tratavam de parte efetivamente paga em decorrência de concessão não habitual de prêmios/abonos para àqueles que cumpriam suas metas, não sendo remuneração; · Que a Brasil Telecom S/A solicitou os serviços da Incentive House S/A para que esta organizasse os eventos referente aos lançamentos de várias campanhas de incentivo, bem como eventos para festejar os vencedores das campanhas. Para tanto a Incentive House S/A se responsabilizava pelo pagamento de todas as despesas relacionadas aos eventos, sendo posteriormente reembolsada pela Brasil Telecom S/A. Nestas oportunidades eram distribuídos inúmeros brindes de baixo valor, de forma aleatória (sorteio e gincanas). Para organização de tais eventos a Incentive House S/A cobrava ainda o valor de seus serviços planejamento e organização; Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 14041.001075/200711 Resolução nº 2301000.711 S2C3T1 Fl. 1.135 5 · Dá exemplo do evento organizado em maio de 2005 pela Incentive House S/A, a mando da Contribuinte, no Costão do Santinho/SC, em que foram contratados músicos, cozinheiros, palestrantes, hospedagem, sendo que neste evento o total de gasto foi de R$ 744.468,25 (setecentos e quarenta e quatro mil, quatrocentos e sessenta e oito reais e vinte e cinco centavos) representados pelas Notas Fiscais n° 122151 A3; 122152A3; 122153A3;122154A3 E 124617A3, não tendo como conceber que valores destinados a cobrir gastos decorrentes da produção de eventos sejam considerados base de cálculo para a incidência de contribuição previdenciária, pugnando também, caso não seja anulado o Auto, a retirada dos valores dessas notas fiscais da base de cálculo do tributo lançado; · O que a Contribuinte fez foi pagar valores à Incentive House, referentes as comissões (valor dos honorários que remuneram a Incentive House), reembolso de despesas com eventos realizados e os abonos (para que esta distribua entre aqueles que atingiram as metas e/ou foram sorteados aleatoriamente). · Entre os anos de 2002 e 2007 ocorreram várias campanhas para estímulo dos funcionários da Contribuinte, abonos creditados àqueles funcionários que cumpriam requisitos (tempo mínimo de empresa, atribuições, etc.) e rígidas metas prefixadas, fiéis ao regulamento de cada campanha, para que somente aqueles que obtenham sucesso em seu cumprimento fossem contemplados com os abonos, assim como haviam sorteios aleatórios aos funcionários do Call Center que superavam suas metas, com entregas de produtos, tais como eletrodomésticos, máquinas fotográficas entre outros artigos, contemplados pelo fato sorte, razão pela qual não ocorreu o Fato Gerador, sendo impossível a incidência da contribuição previdenciária; · Não havia habitualidade, não podendo ser considerado saláriode contribuição, não havendo incidência sobre o abono/ganhos eventuais – sempre lhes faltou a periodicidade, pois eram conferidos de forma isolada, com mecânica promocional sem certeza do pagamento; · O cancelamento dos valores lançados às congratulações de funcionários de empresas terceiras, não funcionários da Contribuinte, visto que são empregados das empresas Softway, Malta, Services, Credit One, Palmas, Contax, Centrosul, o quais foram pagos mediante pagamento de notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviço das quais constam inclusive retenções, entre elas, a de 11% sobre o valor do serviço prestado destinada a Seguridade Social. Nas fls. 569/ 596, verificase planilha de nomes, que demonstra a inexistência de relação de emprego ou subordinação com a Contribuinte (funcionário de empresas terceiras) e o número de prêmios (congratulações) pagas aos mesmos. Fls. 597/685, a Contribuinte juntou com sua Impugnação planilhas, notas fiscais e recibos, nos quais demonstram o número da Nota Fiscal, as datas de pagamento e a referência destes pagamentos, utilizados na promoção de eventos, no qual demonstra o pagamento de R$ Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 14041.001075/200711 Resolução nº 2301000.711 S2C3T1 Fl. 1.136 6 614.341,16 em despesa com o evento, R$56.406,16 de imposto; R$73.720,94 de taxa da Incentive, totalizando em R$744.468,26, distribuído nas Notas Fiscais de n° 122151 A3; 122152A3; 122153A3;122154A3 E 124617A3. Juntouse também TODAS as Notas Fiscais de pagamento para contratação dos serviços do evento. Nas fls. 690/703, verificamse os jornais e fotografias do evento referente às Notas Fiscais de n° 122151 A3; 122152A3; 122153A3;122154A3 E 124617A3. Nas fls. 744/754, houve a juntada das Notas Fiscais e Faturas dos valores pagos à Incentive House, pela Contribuinte, durante o período apurado, que demonstram a relação contratual entre ambas. Nas fls. 755/797 a Contribuinte juntou a Cartilha de seu programa de incentivo “Arrancada de Vendas – Marque esse Gol”, o qual se verificam as regras para a distribuição das premiações. Nas fls. 798/828, a Contribuinte traz planilhas que demonstram o ranking das pessoas jurídicas e das pessoas físicas (empregados) no programa de incentivo. Nas fls. 829/882 a Contribuinte juntou a Cartilha de seu programa de incentivo “Arrancada de Vendas – Conquiste seu sonho”, o qual se verificam as regras para a distribuição das premiações. Nas fls. 883/895, a Contribuinte juntou a apresentação da campanha e qualificação das chamadas de 2006. Nas fls. 896/956, a Contribuinte juntou a planilha que demonstra a eventualidade e a falta de habitualidade nas gratificações concedidas, planilha da qual demonstram os nomes dos funcionários (ou empregados de empresas terceiras), CPF e o número de congratulações concedidas, que variam de 1 a 6 por nomes. Nas fls. 957/1040, observa a planilha com os nomes dos empregados e dos empregados de empresas terceiras, os valores, a campanha, e o CPF que foram beneficiados com prêmios em pecúnia. Na decisão da DRJ de fls. 1043/1056, os Julgadores entenderam, por unanimidade dos votos, considerar procedente o lançamento, diante da seguinte razão: · Com relação à decadência, em relação ao período anterior a 25/10/2002 informamos que a legislação previdenciária prevê o prazo decadencial de 10 anos para lançamento do crédito previdenciário (Art. 45, Lei n. 8.212/91), tendo em vista que o lapso temporal da decadência não se enquadra como norma geral a que se refere o art. 146 da CF/88. · No que concerne à alegação da impugnante de que a falta da intimação do contribuinte para oporse a fixação presumida da base de cálculo viola o devido processo legal (desrespeito a garantia do due process of law), é preciso esclarecer que a açãofiscal, como procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa plenamente vinculada, é atividade meramente fiscalizatória, não Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 14041.001075/200711 Resolução nº 2301000.711 S2C3T1 Fl. 1.137 7 envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. Não havendo que se falar em contraditório ou em ampla defesa; · Quanto ao mérito, vêse, quanto à empresa INCENTIVE HOUSE, na verdade, tratarse de uma agência de marketing de incentivo para pagamento de benefícios a funcionários e prestadores de serviços através de sistema de premiação; a agência repassa os valores, consignados pela empresa contratante, através de cartões de premiação recarregáveis e prépagos, com um crédito a ser utilizado que permite compras da mesma forma que um débito automático, mediante a digitação de uma senha, e até mesmo saques. Desse modo as alegações apresentadas de que, em alguns casos eram outras pessoas jurídicas participantes das campanhas; em sua grande maioria, não eram empregados, tampouco trabalhadores avulsos da notificada, de que constituíam ressarcimento de despesa incorridas pela Incentive na realização de eventos da companhia (jantar show), de que houve inúmeros pagamentos para empregados de terceiras empresas e de que não houve a ocorrência do fator gerador, pois tratase de reembolso efetuado à INCENTIVE HOUSE de pagamentos com eventos, acrescidos dos honorários, não podem ser acolhidas, pois as mesmas não possuem respaldo fático. · Os atos administrativos gozam de presunção de legalidade e veracidade, sendo que a consequência dessa presunção é a inversão do ônus da prova documentos apresentados pela defendente, às fis. 434 a 1036, (Doc. 01 a Doc.14), não elidem, de forma alguma, esta presunção; de modo contrário, os contratos de prestação de serviços celebrado entre a Empresa BRASIL TELECOM S.A. e a INCENTIVE HOUSE S.A (fls. 695/720), corroboram, de forma peremptória, tratarse da concessão e pagamento de prêmios aos funcionários por meio de cartões de premiações administrados por empresa interposta, o que caracteriza a natureza salarial destas parcelas; · Durante a ação fiscal foi solicitado através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, entre outros, as notasfiscais dê serviços emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE. No confronto dessas notas fiscais com a relação dos segurados beneficiados pela premiação, verificouse que não foram informados os beneficiários relativos a todas as notas fiscais apresentadas; portanto, não foram apresentados os dados de todos os beneficiários que receberam remuneração por meio de cartões eletrônicos de premiação, sendo lavrado o auto de infração pelo fato de a empresa não ter apresentado a relação nominal de todos os beneficiários dos cartões eletrônicos de premiação e, tendo em vista que não houve a apresentação da relação de todos os segurados beneficiários em sua totalidade, o crédito referente às notas fiscais de serviço foi lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta, estando evidente a correta utilização da Aferição Indireta; · Portanto, verificada a ocorrência do fato gerador através dos registros contábeis, bem como das notas fiscais emitidas e não sendo Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 14041.001075/200711 Resolução nº 2301000.711 S2C3T1 Fl. 1.138 8 disponibilizados, pela empresa fiscalizada, os beneficiários relativos a todas as notas fiscais apresentadas, está a fiscalização obrigada ao lançamento do crédito previdenciário, efetuado nos moldes especificados no RelatórioFiscal desta notificação, em perfeita consonância com a legislação de regência. · Reiterase que a impugnante não junta aos autos quaisquer documentos que possam desconstituir o lançamento efetuado nesta notificação, bem como, de forma contrária, ao ter apresentado os contratos de prestação de serviços celebrados entre a Empresa BRASIL TELECOM S.A. e a INCENTIVE HOUSE S.A (fls. 695/720), corrobora, de forma peremptória, o pagamento de prêmios aos funcionários por meio de cartões de premiações administrados por empresa interposta, o que caracteriza a natureza salarial destas parcelas; · Verificase que a base de incidência da contribuição previdenciária é bastante dilargada, somente estão fora da sua incidência as verbas que se enquadrem nas hipóteses do art. 28, § 9° da Lei 8.212/91, as quais, regra geral, possuem caráter indenizatório, razão pela qual os prêmios recebidos a título de incentivo pela performance profissional pelos colaboradores da empresa (empregados e contribuintes individuais), por possuírem natureza jurídica salarial, não se enquadram nas hipóteses do art. 28, § 9° da Lei 8.212/91. · Equivocase quando afirma que os valores lançados não se subsomem a incidência da contribuição previdenciária, pois foram pagos de forma eventual para pessoas jurídicas e funcionários de pessoas jurídicas que participavam dos programas de metas, além dos funcionários da Brasil Telecom, sem que representasse contraprestação pelo serviço prestado, nos termos do item 7, alínea "e", § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. · Os ganhos eventuais, nos termos do item 7, alínea "e", parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, diferentemente do caso em tela, referemse a valores pagos aos empregados por mera liberalidade do empregador, sem a estipulação de qualquer condição para o seu recebimento, por isso de caráter esporádico; · No caso de verbas a título de prêmio (condicionadas ao alcance de metas, previamente estabelecidas), ao contrário do entendimento da notificada, não há que se falar em habitualidade, considerada como repetição ou quantidade de pagamentos. Essencial para a caracterização da referida verba como remuneratória é a existência permanente de uma condição a ser cumprida pelo empregado, ou por um grupo destes, A expectativa do recebimento, a par de estatísticas sobre as probabilidades de recebimento, configura o acordo expresso em relação à verba; todas as vezes que as condições previamente estabelecidas forem implementadas pelo empregado, surge para o empregador a obrigação de pagar o prêmio, constituindose assim, parcela indiscutível de natureza salarial, integrando, em consequência, o salário de contribuição. Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 14041.001075/200711 Resolução nº 2301000.711 S2C3T1 Fl. 1.139 9 Inconformada, a Contribuinte apresenta seu Recurso Voluntário nas fls. 1064/1120, pugnando: · Preliminarmente, nulidade dos autos pela não apreciação dos documentos apresentados pela Contribuinte na defesa, visto que estes comprovam que os ganhadores dos abonos não os recebiam com habitualidade e em sua grande maioria não eram empregados, sendo cerceamento de defesa, diante do indeferimento do pedido, pelos julgadores da DRJ, da realização de diligência, objetivando comprovar de forma inequívoca a falta de habitualidade das congratulações. · Preliminarmente, nulidade dos autos e do lançamento pela falta de intimação da Contribuinte para apresentar manifestação ou defesa quanto ao arbitramento da base de cálculo efetuada pela aferição indireta, rompendo com o devido processo legal e o art. 148 do CTN (contraditório e ampla defesa); · Preliminarmente, nulidade dos autos e do lançamento pela incorreta utilização da aferição indireta na base de cálculo utilizada (valor apurado nas Notas Fiscais emitidas pela Incentive House, presumindo que tais valores representam bonificações à empregados da Contribuinte), visto que a contribuinte efetivamente cumpriu com todas as intimações, sendo apresentada toda a documentação, não sendo devido a aferição indireta a Contribuinte apresentou ao agente fiscal a relação contendo o pagamento de mais de 7.800 abonos, identificadas com itens acima numerados, e demonstrando a relação entre a nota fiscal paga a Incentive House S/A e o valor entregue ao ganhador, e a razão/promoção que ensejou tal contemplação, inclusive comprovado que dentre as notas utilizadas no lançamento, haviam cinco notas referentes a eventos corporativos, sendo indevida a inclusão dessas ao lançamento; · Preliminarmente, da Decadência, nos termos do Art. 150, §4º do CTN, devendo ser cancelado os lançamentos efetuados em competências anteriores a outubro de 2002, tendo, pois, o direito de constituir o crédito pela Fazenda Pública, incontestavelmente decaído; · No mérito, que o lançamento incluiu em sua base de cálculo os valores pagos em razão do sucesso dos colaboradores, sendo indevida a ação por não ter cumprido com os requisitos: os pagamentos eram eventuais, vinculado ao cumprimento de metas, sendo pagos aos funcionários e colaboradores de empresa terceira, sem vínculo empregatício; · Que em nenhum dos casos os pagamentos contidos nas notas fiscais emitidas pela empresa Incentive House S.A., e adimplidas pela Contribuinte constituíam remuneração paga aos seus empregados/segurados, sendo tampouco passíveis de serem considerados como salário de contribuição, visto que constituíam ressarcimento de despesas ocorridas pela Incentive na realização de eventos da Contribuinte, como jantares, shows, ou premiações por cumprimento de metas, não sendo remuneração; Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 14041.001075/200711 Resolução nº 2301000.711 S2C3T1 Fl. 1.140 10 · Que a Contribuinte solicitou os serviços da Incentive House S/A para que esta organizasse os eventos referente aos lançamentos de várias campanhas de incentivo, bem como eventos para festejar os vencedores das campanhas. Para tanto a Incentive House S/A se responsabilizava pelo pagamento de todas as despesas relacionadas aos eventos, sendo posteriormente reembolsada pela Brasil Telecom S/A. Nestas oportunidades eram distribuídos inúmeros brindes de baixo valor, de forma aleatória (sorteio e gincanas). Para organização de tais eventos a Incentive House S/A cobrava ainda o valor de seus serviços pelo planejamento e organização; · Dentro os pagamentos, temse os valores pagos aos empregados e colaboradores em dinheiro e em prêmios (computadores, máquinas fotográficas, carros e etc.), quando cumprido metas, sendo campanhas de estimulo ao aumento da produtividade, não sendo habituais os pagamentos; · O evento organizado em maio de 2005 pela Incentive House S/A, a mando da Contribuinte, no Costão do Santinho/SC, em que foram contratados músicos, cozinheiros, palestrantes, hospedagem, sendo que neste evento o total de gasto foi de R$ 744.468,25 (setecentos e quarenta e quatro mil, quatrocentos e sessenta e oito reais e vinte e cinco centavos) representados pelas Notas Fiscais n° 122151 A3; 122152A3; 122153A3;122154A3 E 124617A3, não tendo como conceber que valores destinados a cobrir gastos decorrentes da produção de eventos sejam considerados base de cálculo para a incidência de contribuição previdenciária, pugnando também, caso não seja anulado o Auto, a retirada dos valores dessas notas fiscais da base de cálculo do tributo lançado; · Que a Contribuinte pagou valores à Incentive House, referentes as comissões (valor dos honorários que remuneram a Incentive House), reembolso de despesas com eventos realizados e os abonos (para que esta distribua entre aqueles que atingiram as metas e/ou foram sorteados aleatoriamente); · Entre os anos de 2002 e 2007 ocorreram várias campanhas para estímulo dos funcionários da Contribuinte, abonos creditados àqueles funcionários que cumpriam requisitos (tempo mínimo de empresa, atribuições, etc.) e rígidas metas prefixadas, fiéis ao regulamento de cada campanha, para que somente aqueles que obtenham sucesso em seu cumprimento fossem contemplados com os abonos, assim como haviam sorteios aleatórios aos funcionários do Call Center que superavam suas metas, com entregas de produtos, tais como eletrodomésticos, máquinas fotográficas entre outros artigos, contemplados pelo fato sorte, razão pela qual não ocorreu o Fato Gerador, sendo impossível a incidência da contribuição previdenciária; · Não havia habitualidade, não podendo ser considerado saláriode contribuição, não havendo incidência sobre o abono/ganhos eventuais – Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 14041.001075/200711 Resolução nº 2301000.711 S2C3T1 Fl. 1.141 11 sempre lhes faltou a periodicidade, pois eram conferidos de forma isolada, com mecânica promocional sem certeza do pagamento; · O cancelamento dos valores lançados às congratulações de funcionários de empresas terceiras, não funcionários da Contribuinte, visto que são empregados das empresas Softway, Malta, Services, Credit One, Palmas, Contax, Centrosul, o quais foram pagos mediante pagamento de notas fiscais emitidas pelas prestadoras de serviço das quais constam inclusive retenções, entre elas, a de 11% sobre o valor do serviço prestado destinada a Seguridade Social. VOTO Tratase de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ que deferiu totalmente o lançamento proveniente da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD – de número 37.111.7569, consolidada em 08/10/2007 contra a Contribuinte, lançandose o valor de R$ 4.173.439,49 (quatro milhões; cento e setenta e três mil e quatrocentos e trinta e nove reais e quarenta e nove centavos), referente à omissão de recolhimento das contribuições previdenciárias proveniente dos valores pagos pela Contribuinte à seus empregados e supostos colaboradores, à título de prêmios. Antes de julgar as preliminares e o mérito, observase que não se encontram, nos autos, a prova da efetividade do pagamento das contribuições previdenciárias, parte patronal e dos segurados,nos períodos de 01/2002 e 10/2002, razão pela qual entendese pela necessidade da conversão do julgamento em diligência. Tratase de prova indispensável para o julgamento correto da demanda, inclusive para analisar os pedidos formulados pelo Contribuinte em seu recurso. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que seja juntado aos autos a prova do efetivo pagamento das contribuições previdenciárias, parte patronal e dos segurados,nos períodos de 01/2002 e 10/2002. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 1141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000158/2010-34
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2005, 2006
BASE DE CÁLCULO. CIDE-REMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA.
O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização.
Numero da decisão: 9303-007.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2005, 2006 BASE DE CÁLCULO. CIDE-REMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA. O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.354 1 1.353 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16643.000158/201034 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.493 – 3ª Turma Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria CIDEREMESSAS IRRF na Base de Cálculo Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NEXTEL TELECOMUNICAÇÕES LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006 BASE DE CÁLCULO. CIDEREMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA. O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 58 /2 01 0- 34 Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 16643.000158/201034 Acórdão n.º 9303007.493 CSRFT3 Fl. 1.355 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 1.286 a 1.294), contra o Acórdão 3401002.539, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 1.277 a 1.284), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006 PAGAMENTOS DE ROYALTIES AO EXTERIOR. LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). FATOS GERADORES ATÉ 31/12/2005. INCIDÊNCIA INDEPENDENTE DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. No período anterior a 1º de janeiro de 2006, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, incide sobre os pagamentos ao exterior pela cessão ou licença de uso de programa de computador (software), independentemente de haver transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. IRRF. EXCLUSÃO O Imposto de Renda assumido pela recorrente quando da remessa de royalties a residentes ou domiciliados no exterior, representa despesa própria que não pode ser incluída na base de cálculo da CIDE, em atenção ao princípio da interpretação estrita em matéria de incidência tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por maioria, deuse parcial provimento ao recurso para afastar a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 1.296 a 1.298), a PGFN defende a inclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte na base de cálculo da CIDE. A ementa do Acórdão recorrido, entendo, é omissa quanto a um aspecto, pois, conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.064 a 1.090), o Auto de Infração foi decorrente da falta de recolhimento de remessas de royalties para o exterior para remuneração de: (i) licença de uso de programas de computador (softwares) e (ii) serviços técnicos e de administrativas administrativa e semelhantes. Em 22/10/2015, o sujeito passivo apresentou Requerimento de Quitação de Débitos em Discussão (1.310 a 1.312), para adesão a parcelamento especial, sendo que, Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 16643.000158/201034 Acórdão n.º 9303007.493 CSRFT3 Fl. 1.356 3 comparando a listagem dos débitos com as planilhas às fls. 1.314 a 1.317 e as constantes, segregadamente, do Termo de Verificação Fiscal, vêse que foram somente os relativos a serviços técnicos e de administrativas administrativa e semelhantes – ainda nos valores mantidos pelo CARF, ou seja, sem a inclusão do IRRF na base de cálculo da contribuição, pelo que foram apresentadas Contrarrazões ao Recurso Especial (fls. 1.322 a 1.325) para todos os valores lançados. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, a discussão cingese à inclusão ("gross up") ou não do IRRF na base de cálculo da CIDERemessas ao Exterior. Este assunto, no âmbito da RFB, encontrase pacificado, via Solução de Divergência Cosit nº 17, de 29/06/2011: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE BASE DE CÁLCULO CIDE. PESSOA JURÍDICA BRASILEIRA. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. Dispositivos Legais: arts. 97 e 123 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; art. 682, inciso I, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; Art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, e pela Lei nº 11.452, de 27 de fevereiro de 2007. A Jurisprudência majoritária desta 3ª Turma é no mesmo sentido, conforme Acórdão recente, de minha lavra (nº 9303005.982, de 29/11/2017), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2002, 2003, 2004 BASE DE CÁLCULO. CIDEREMESSAS AO EXTERIOR. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO, INCLUINDO O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMO ANTECIPAÇÃO DO Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 16643.000158/201034 Acórdão n.º 9303007.493 CSRFT3 Fl. 1.357 4 DEVIDO PELO DESTINATÁRIO. FATOS GERADORES E SUJEITOS PASSIVOS DIVERSOS, MAS COM INCIDÊNCIA SIMULTÂNEA. O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da contribuição, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus do imposto. Apesar de terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento. Caberá ao adquirente, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o devido pelo beneficiário no exterior em razão da obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. Outro Acórdão, de 09/06/2016 (nº 9303004.142), em um Processo da NESTLÉ BRASIL, de relatoria do ilustre Conselheiro Demes Brito, também espelha este entendimento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 CIDE. BASE DE CÁLCULO. A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior. Sujeitase, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, na apuração da CIDE devese considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue. A mesma empresa (gigante mundial do ramo alimentício) discutiu a mesma questão no Judiciário, tendo sido o TRF da 3ª Região claríssimo sobre a inclusão do IRRF da base de Cálculo da CIDE, em decisão publicada em 20/04/2016 (contra a qual foram opostos Embargos de Declaração pela autora, os quais foram pouco depois rejeitados, e interpostos Recursos Especial e Extraordinário, cuja admissibilidade ainda se encontra sujeita a apreciação pelo TRF): APELAÇÃO E REEXAME NECESSÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO DO IRRF DA BASE DE CÁLCULO DA CIDEROYALTIES PREVISTA NA LEI 10.168/00. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA SIMULTÂNEA, ENVOLVENDO SUJEITOS PASSIVOS Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 16643.000158/201034 Acórdão n.º 9303007.493 CSRFT3 Fl. 1.358 5 DIVERSOS. CONCEITO DE RENDA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. SEGURANÇA DENEGADA. (grifei) 1. Nos termos da Lei 10.168/00, a CIDE tem por objetivo o custeio do Programa de Estímulo à Interação Universidade Empresa para o Apoio à Inovação, tendo por fato gerador a transferência onerosa de tecnologia detida por residente ou domiciliado no exterior para pessoa jurídica. Sua base de cálculo será a contraprestação ofertada, a título de remuneração pela transferência. 2. O imposto de renda retido na operação, por força do art. 710 do RIR/99, tem por fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica da renda auferida pelo residente no exterior, tendo por base de cálculo também a contraprestação alcançada pela transferência. 3. Na espécie, não obstante terem fatos geradores e sujeitos passivos diversos, ambos os tributos incidem de forma simultânea, quando realizado o pagamento pela transferência da tecnologia. Caberá ao adquirente da tecnologia, na qualidade de contribuinte, recolher a CIDE, e, na qualidade de responsável tributário, reter o imposto de renda, tomando por base de cálculo de ambos o pagamento efetuado. 4. O valor da operação não se altera pela retenção, pois o instituto tem por fulcro apenas antecipar o que seria devido pelo titular da tecnologia no exterior pela obtenção da renda, já no momento do pagamento, para fins de facilitar o recolhimento do imposto e a sua fiscalização. 5. Entendimento obediente do previsto no art. 43 do CTN, pois nosso ordenamento adota um conceito de renda amplo para fins de tributação, bastando a sua disponibilidade econômica ou jurídica para a incidência tributária, independentemente do valor efetivamente auferido pelo contribuinte. Apesar do artigo questionado referirse ao imposto de renda, é plenamente aplicável à CIDE ROYALTIES, visto se valer do mesmo conceito ao caracterizar a base de cálculo da contribuição, como se percebe da redação idêntica utilizada no art. 2°, § 3°, da Lei 10.168/00 e no art. 710 do RIR/99. Ademais, o legislador não instituiu a dedução do IRRF do valor da operação para fins de incidência da CIDE, ou o inverso, até porque os contribuintes não são os mesmos. 6. Recurso de apelação e reexame necessário providos, denegandose a segurança com cassação da liminar. (Apelação/Reexame Necessário Nº 0016434 92.2011.4.03.6100/SP, Rel. Des. Federal Johonsom di Salvio, Publicação 20/04/2016) A transcrição de excertos do Voto do eminente Relator dispensa qualquer argumentação adicional: Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 16643.000158/201034 Acórdão n.º 9303007.493 CSRFT3 Fl. 1.359 6 "O raciocínio fica mais claro se mantivermos o recolhimento do imposto de renda no momento do pagamento, mas agora de responsabilidade de seu contribuinte. Nesse caso, receberia os royalties devidos e recolheria a tributação, e tomaríamos como valor da operação aquele determinado no contrato, não descontando o imposto de renda recolhido. Por que, tornando o adquirente o responsável tributário pelo recolhimento, o raciocínio seria diferente ? Não o é, até porque o valor pago é sim aquele acordado pelas partes contratantes, recaindo sobre o mesmo os tributos devidos. Tudo o que o adquirente faz é reter o imposto de renda devido pelo titular da tecnologia justamente em razão do valor recebido. Ao contrário do alegado pelas impetrantes, as normas em comento não trouxeram como base de cálculo o valor efetivamente pago, excluída a retenção, mas sim a disponibilidade de renda decorrente do contrato de transferência de tecnologia. Isso porque, conforme previsto no art. 43 do CTN, nosso ordenamento adota um conceito de renda amplo para fins de tributação, bastando a sua disponibilidade econômica ou jurídica para a incidência tributária, independentemente do valor efetivamente auferido pelo contribuinte. Apesar do artigo legal referirse ao imposto de renda, é plenamente aplicável à CIDE ROYALTIES, visto se valer do mesmo conceito ao caracterizar a base de cálculo da contribuição, como se percebe da redação idêntica utilizada no art. 2°, § 3°, da Lei 10.168/00 e no art. 710 do RIR/99. De forma a tornar a tributação mais próxima da realidade e atender à capacidade contributiva, o legislador elenca uma série de deduções da base de cálculo, possibilitando ao contribuinte reduzir o quantum tributário devido. O legislador não fez qualquer ressalva nesse sentido no caso, não permitindo a dedução do IRRF do valor da operação para fins de incidência da CIDE, ou o inverso, até porque os contribuintes não são os mesmos. Assim, ambos devem recair sobre o valor total do contrato, em respeito às normas de incidência em comento.” Matematicamente, teríamos o seguinte: Para se encontrar a base de cálculo da CIDE, há que tomar como referência o valor efetivamente remetido e fazer a recomposição (“cálculo por dentro” ou “gross up”) do valor bruto, antes da retenção do IRRF. Exemplifico: Valor do Contrato de Câmbio (Valor "Líquido" da Remessa): R$ 17.000,00 IRRF: 15 % Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 16643.000158/201034 Acórdão n.º 9303007.493 CSRFT3 Fl. 1.360 7 Valor Bruto (Base de Cálculo da CIDE): R$ 17.000,00 / (10,15) = R$ 17.000,00 / 0,85 = R$ 20.000,00 Valor da CIDE: R$ 20.000,00 x 10 % = R$ 2.000,00. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1361DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.910046/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE.
Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastando-se entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação.
Numero da decisão: 1402-003.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.910035/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastando-se entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação.
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COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastandose entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15374.910035/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 00 46 /2 00 9- 12 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 15374.910046/200912 Acórdão n.º 1402003.436 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que estimativas recolhidas a maior/indevidamente só podem ser objeto de compensação ao final ou após o período de apuração do IRPJ e da CSLL. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que a Lei nº 9430/96 garante a compensação de quaisquer indébitos, fruto de recolhimento indevido ou maior, não se sustentando legalmente a impossibilidade invocada pela Autoridade Fiscal. Traz excertos jurisprudenciais e doutrinários. Também pugna pela inconstitucionalidade da Instrução Normativa nº 600/05 e invoca do princípio da busca pela verdade material. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, deixando de conhecer a matéria constitucional invocada e, na parte conhecida, negando provimento à defesa, por entender haver vedação expressa no art. 10 da IN nº 600/05 que impediria essa pretensão compensatória da Contribuinte. Ressaltase lá a vinculação daqueles N. Julgadores aos entendimentos da Receita Federal do Brasil. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, abandonando as alegações de inconstitucionalidade, mas reiterando e frisando a legalidade da compensação das estimavas, no mesmo período em que apurado o indébito, trazendo novos julgados deste E. CARF que corroboram sua pretensão e infirmam o posicionamento do v. Acórdão combatido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 105DF CARF MF Processo nº 15374.910046/200912 Acórdão n.º 1402003.436 S1C4T2 Fl. 4 3 1402003.428, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.910035/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.428): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. O tema exclusivo agora sob análise é a possibilidade legal da Contribuinte utilizar em compensação, via DCOMP, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente, ainda no mesmo período de apuração. Como fica muito claro nos autos, o único fundamento para a denegação da compensação foi a suposta vedação da manobra intentada, como se verifica tanto no r. Despacho Decisório como, posteriormente, no v. Acórdão, ora recorrido, que expressamente invocam o art. 10 da IN SRF nº 600/05, vigente à época da transmissão da DCOMP. Registrese que não houve qualquer análise da materialidade do crédito ou da sua quantificação, ainda que a Recorrente tenha carreado documentação aos autos, sendo a motivação da não homologação da compensação exclusivamente jurídica. Pois bem, tal matéria sob apreço é tema há muito debatido neste E. CARF (e no predecessor E. Conselho de Contribuintes), sendo, desde 10 de dezembro de 2012, objeto da Súmula CARF nº 84, a qual, recentemente, em sessão de 03 de setembro de 2018, pela composição do Pleno da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi mantida e teve sua redação revisada: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como se observa da leitura de tal entendimento sumular, da mesma forma como defende a Recorrente, é autorizada a compensação de estimativas recolhidas a maior (indébito) a partir do seu pagamento. Logo, o óbice imposto à Contribuinte não deve prevalecer, em obediência a tal enunciado. Inclusive, não há qualquer limitação temporal da aplicabilidade da Súmula nº 84, mostrandose, no entender deste Conselheiro, irrelevante qual normativo interno da Receita Fl. 106DF CARF MF Processo nº 15374.910046/200912 Acórdão n.º 1402003.436 S1C4T2 Fl. 5 4 Federal do Brasil regulava a matéria à época do pleito de compensação. Contudo, apenas para robustecer o presente julgamento, esclarecese que existem inúmeros precedentes desta C. 1ª Seção que, especificamente, abordam e afastam a vedação contida no art. 10 da IN nº 600/05, para promover a devida e mandatória aplicação da referida Súmula. Nesse sentido, ilustrando aquilo acima consignado, confirase o recente Acórdão nº 1301003.233, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta C. 1ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Nelso Kichel, publicado em 30/08/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (destacamos) Desse modo, merece reforma o v. Acórdão (assim como r. Despacho Decisório, digase), vez que lícita e viável a postura procedimental da Contribuinte. Porém, como já esclarecido, em momento algum houve investigação sobre a existência e quantificação do crédito empregado, fruto do alegado recolhimento a maior/indevido de estimativa (por consequência lógica do afastamento sumário da Fl. 107DF CARF MF Processo nº 15374.910046/200912 Acórdão n.º 1402003.436 S1C4T2 Fl. 6 5 regularidade da postura da Recorrente, não havendo, então, em se falar de lapso nos julgamentos pretéritos). De forma reversa, agora, uma vez aceita a circunstância jurídica da compensação, mister proceder à devida análise de materialidade do valor utilizado. Todavia, tal análise não deve ser direta e imediatamente feita por esta C. 2ª Instância, sobre pena de supressão do iter regular processual, bem como do próprio direito de defesa da Contribuinte, devendo os autos serem remetidos à Unidade Local competente para a análise da documentação acostada ao feito e de sistemas de informação internos, proferindose novo Despacho Decisório, com o prosseguimento do regular do processo (garantida, inclusive, a apresentação de nova Manifestação de Inconformidade, Recurso Voluntário e todos outros apelos contemplados pela legislação). Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, invocada tanto no r. Despacho Decisório, como no v. Acórdão recorrido. Devem ser os autos encaminhados à D. Unidade Local competente para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos e sistemas de informações internos da RFB. Deverá também ser retomado o curso natural e ordinário do processo administrativo após tal nova decisão." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720503/2015-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2010
OPERAÇÕES DE COBRANÇA SIMPLES. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÕES DE FOMENTO MERCANTIL ("FACTORING"). EFEITOS TRIBUTÁRIOS TÍPICOS. IOF. INCIDÊNCIA.
A pessoa física ou jurídica que alienar, à empresa que exercer as atividades relacionadas na alínea "d" do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995 (factoring), direitos creditórios resultantes de vendas a prazo, sujeita-se à incidência do imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou relativas a títulos e valores mobiliários (IOF) às mesmas alíquotas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimo praticadas pelas instituições financeiras, sendo que o responsável pela cobrança e recolhimento do tributo é a empresa de factoring adquirente do direito creditório. Inteligência que deflui do art. 58 da Lei nº 9.532/1997.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL (TDPF). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A ausência do termo de início de ação fiscal ou de sua prorrogação não se equipara à falta de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), atual Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), e não torna necessariamente nulo o lançamento de ofício quando não demonstrado o prejuízo ou a preterição ao direito de defesa da contribuinte. O enunciado da Súmula CARF nº 46 estabelece que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ART. 59 DECRETO Nº 70.235/1972.
O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário.
COAÇÃO. CONDUTA DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A coação que vicia a declaração de vontade não se presume, exigindo prova da ameaça. Não configura coação o fato de a autoridade fiscal advertir o fiscalizado acerca das conseqüências previstas em lei para o descumprimento da obrigação de disponibilizar documentos e/ou prestar informações à fiscalização.
EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO.
É válida a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
Numero da decisão: 3401-005.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2010 OPERAÇÕES DE COBRANÇA SIMPLES. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÕES DE FOMENTO MERCANTIL ("FACTORING"). EFEITOS TRIBUTÁRIOS TÍPICOS. IOF. INCIDÊNCIA. A pessoa física ou jurídica que alienar, à empresa que exercer as atividades relacionadas na alínea "d" do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995 (factoring), direitos creditórios resultantes de vendas a prazo, sujeitase à incidência do imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou relativas a títulos e valores mobiliários (IOF) às mesmas alíquotas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimo praticadas pelas instituições financeiras, sendo que o responsável pela cobrança e recolhimento do tributo é a empresa de factoring adquirente do direito creditório. Inteligência que deflui do art. 58 da Lei nº 9.532/1997. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL (TDPF). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A ausência do termo de início de ação fiscal ou de sua prorrogação não se equipara à falta de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), atual Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), e não torna necessariamente nulo o lançamento de ofício quando não demonstrado o prejuízo ou a preterição ao direito de defesa da contribuinte. O enunciado da Súmula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 03 /2 01 5- 23 Fl. 4273DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.274 2 CARF nº 46 estabelece que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ART. 59 DECRETO Nº 70.235/1972. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. COAÇÃO. CONDUTA DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A coação que vicia a declaração de vontade não se presume, exigindo prova da ameaça. Não configura coação o fato de a autoridade fiscal advertir o fiscalizado acerca das conseqüências previstas em lei para o descumprimento da obrigação de disponibilizar documentos e/ou prestar informações à fiscalização. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. É válida a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, e, na parte conhecida, em negar provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Fl. 4274DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.275 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 3.561 a 3.570, lavrado em razão da falta de recolhimento de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários (IOF), referente ao período de apuração compreendido entre 10/01/2010 e 31/12/2010, acrescido de multa de ofício qualificada de 150% e juros, totalizando, assim, o valor histórico de R$ 199.545,40. 2. Segundo se depreende do termo de verificação fiscal, situado às fls. 3.627 a 3.753, narra a autoridade fiscal que o procedimento constatou que o sujeito passivo, empresa de fomento mercantil, cobrou IOF dos seus clientes em cada operação de desconto/factoring, mas não o recolheu aos cofres públicos, infringindo, assim, o art. 58 da Lei nº 9.532/1997. Não obstante, ao registrar tais operações como cobranças simples, simuladas por meio de documentos que continham informações falsas, quis o contribuinte, dolosamente, reduzir seu ônus tributário, cometendo as infrações tipificadas nos artigos 71, inciso I e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Ao mesmo tempo, ao empregar meio fraudulento “para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo”, além de “deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos”, incidiu a contribuinte em crime contra a ordem tributária, como previsto no art. 2º, respectivamente nos incisos I e II, da Lei nº 8.137/1990. A autoridade fiscal realizou a imputação, ainda, de responsabilidade tributária solidária ao sócioadministrador da empresa autuada, HENRIQUE SCHNEIDER DE ALMEIDA, pelas obrigações tributárias decorrentes de seus atos, com fundamento no art. 135, III, do Código Tributário Nacional. 3. A contribuinte apresentou, em 09/11/2015, a impugnação, situada às fls. 3.878 a 3.939, na qual argumentou, em síntese: (i) nulidade do auto lavrado por vício de constitucionalidade, violação do devido processo legal e ocultação de documentos desfavoráveis à tese desenvolvida pela fiscalização. Isto porque, apesar de autorizada pela autuada, a movimentação bancária da fiscalizada foi solicitada diretamente às instituições financeiras através de requisição do delegado da DRF e, neste sentido, a requisição unilateral de documentos e informações privadas viola o direito constitucional da contribuinte à privacidade de seus dados. A nulidade decorre, ainda, do comportamento da autoridade fiscal que intimou os clientes da autuada, tendo acostado aos autos apenas os documentos que sustentam a tese da fiscalização, ou seja, 5 clientes que não atestam ter havido atividades de factoring, não tendo tido acesso a fiscalizada à maior parte das respostas às intimações; (ii) nulidade por falta de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); (iii) nulidade em virtude de a competência para a fiscalização ser da Delegacia Especial das Instituições Financeiras (Deinf), uma vez que as atividades não eram de cobrança, mas de factoring; (iv) a prestação de serviços da autuada é de cobrança simples "(...) com grande apego social, ajudando seus clientes, na maioria micros e pequenas empresas". Foge à razoabilidade presumirse que a impugnante realizava operações distintas do que determinava seu objeto social, do registrado em sua contabilidade e do formalmente pactuado com seus clientes em Fl. 4275DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.276 4 contratos; quanto ao mérito, argumenta, em síntese: (v) tributação de IOF diversa para optantes pelo Simples: conforme consta em documento situado à fl. 3.731, a autoridade fiscal adotou a alíquota de 0,0041% ao dia (mais adicional de 0,38%) indistintamente para todos os borderôs, mas ocorre que o inciso VI do artigo 7º do Regulamento do IOF determina que a alíquota do imposto nas operações com empresas optantes pelo SIMPLES deve ser reduzida para 0,00137% ao dia. Ratifica que a carteira de cobrança da recorrente é formada substancialmente por clientes optantes pelo SIMPLES, fato ignorado pela fiscalização. Em função deste erro, merece ser declarado insubsistente o auto de infração em discussão; (vi) acordo judicial com a MIBASA: não houve omissão, em 2010, das receitas auferidas em decorrência do acordo judicial, pois receitas e despesas devem ser escrituradas com observância do regime de competência. Assim, se o Acordo Judicial foi celebrado em 01/10/2009, com sentença homologada em 09/11/2009, tratase de receita financeira relativa ao ano calendário de 2009, independentemente de ter havido ou não erro do contribuinte na sua forma de registro e, ademais, eventual tributo na operação teria sido atingido pela decadência na data da autuação; (vii) violação ao princípio da capacidade contributiva, da violação ao princípio do nãoconfisco e intenção de punir decorrentes da arbitrariedade, da desproporcionalidade e da falta de razoabilidade do lançamento; (viii) insubsistência da qualificação da multa de ofício para 150%, uma vez que a empresa autuada não possui quaisquer débitos tributários, com certidões negativas municipal, estadual e federal; possui certidão negativa dos órgãos de proteção ao crédito sem restrições de crédito; possui alvará de localização e funcionamento do Corpo de Bombeiros; possui endereços, emails e telefones de fácil acesso; nunca foi gerida por meio de prepostos ou procuradores, tendo sido representada por seus sócios desde a sua constituição, contabilizou todas as movimentações financeiras de caixa e bancos de forma analítica, com toda escrituração contábil realizada com base em critérios contábeis emitido pelo CPC, todas as informações contábeis escrituradas pela contribuinte foram utilizadas pelo próprio fiscal como base de cálculo dos tributos por ele lançados, o que prova que o fisco reconheceu a lisura da contabilidade e dos livros fiscais, e nunca sofreu punição administrativotributária e compre rigorosamente os prazos determinados para o cumprimento de suas obrigações acessórias; (viii) inconstitucionalidade da qualificação da multa, em virtude da aplicação do princípio da vedação ao confisco; por fim, quanto à responsabilidade solidária, argumenta, em síntese, que: (ix) a situação caracteriza inadimplência e não infração à legislação tributária, como quer fazer crer a fiscalização, não sendo suficiente a condição de sócioadministrador para justificar a responsabilização de HENRIQUE SCHNEIDER DE ALMEIDA. 4. Em 20/04/2016, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (BH) proferiu o Acórdão DRJ nº 0268.027, situado às fls. 4.169 a 4.201, de relatoria do AuditoraFiscal Maria Helena Cotta de Oliveira Guimarães, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2010 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já Fl. 4276DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.277 5 formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. COAÇÃO. CONDUTA DA FISCALIZAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A coação que vicia a declaração de vontade não se presume, exigindo prova da ameaça. Não configura coação o fato de a autoridade fiscal advertir o fiscalizado acerca das conseqüências previstas em lei para o descumprimento da obrigação de disponibilizar documentos e/ou prestar informações à fiscalização. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. É válida a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. Diante da exoneração do crédito tributário, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e art. 1º da Portaria do Ministério da Fazenda nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 6. A contribuinte foi intimada via postal em 31/05/2016, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 4.208 e, em 30/06/2016, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 4.210 a 4.251, no qual reiterou as razões de sua impugnação. Fl. 4277DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.278 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento, com a seguinte ressalva. 8. Alega a contribuinte, preliminarmente, a impossibilidade da utilização de extratos bancários no curso do procedimento fiscalizatório, tendo em vista violação do sigilo bancário, sob o pálio de já ter se consolidado, segundo a recorrente, entendimento do Supremo Tribunal Federal no sentido de que sua relativização somente pode ser autorizada pelo Poder Judiciário. Contudo, como se sabe, assentouse, em 24/02/2016, a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu a transferência dos dados protegidos pelo sigilo bancário diretamente à Receita Federal do Brasil. 9. De toda sorte, o que se observa não é a alegação da regra de curso obrigatório regimental no sentido da aplicação do quanto decidido em repercussão geral, mesmo porque tal pedido militaria em desapreço ao pleito recursal da contribuinte, mas verdadeira alegação de nulidade por conta de vício de inconstitucionalidade de leis. Alegações de tal jaez realizadas no recurso voluntário, tais como a de violação ao princípio da capacidade contributiva, da violação ao princípio do nãoconfisco e intenção de punir decorrentes da arbitrariedade, da desproporcionalidade e da falta de razoabilidade do lançamento, no entanto, não podem ser apreciadas no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 10. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 11. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. Fl. 4278DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.279 7 12. Ainda preliminarmente, alega a contribuinte cerceamento do direito de defesa, considerando que "(...) não teve acesso a toda documentação apresentada por seus clientes em procedimentos que margearam a coação". 13. Tampouco merece prosperar tal vetor argumentativo, uma vez que a coleção documental que dá suporte à acusação fiscal é aquela que está presente nos autos, cabendo à autuada, caso queira, contestálas, melhor contextualizálas, interpretálas ou, ainda, apresentar as provas que julgar pertinentes na oportunidade de sua impugnação, nos termos dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, e não encontrar preterição do direito de defesa nas ausências ou silêncios, ou seja, nos documentos que não foram trazidos a conhecimento do aplicador. 14. Neste sentido, correta a decisão recorrida, conforme trecho abaixo transcrito: O lançamento efetuado pelo fisco está amparado nos documentos anexados ao processo, muitos deles fornecidos pelo próprio contribuinte, quando intimado ou no cumprimento de suas obrigações acessórias. Cabe lembrar que ao contribuinte está facultada a vista do processo, concedida a partir de requerimento. Encaminhado à RFB, assim como obter cópia de seu inteiro teor, nos termos do § 2º do art. 38 da Lei nº 9.250, de 1995. Não consta do processo qualquer tentativa neste sentido. 15. Tampouco há de se aceitar a gravosa acusação de coação, que não pode prescindir de provas mínimas de sua ocorrência. O lançamento se trata de ato plenamente vinculado, e deve a autoridade administrativa envidar esforços para construílo nos limites da lei, e, neste sentido, merecedora de encômios a decisão a quo: 29. O impugnante menciona que a comprovação documental obtida pelo fisco foi obtida mediante pressão exercida sobre seus clientes, que chegaram próximos às raias da coação. 30. Acerca desta alegação, cabe ressaltar que o devido processo legal é um princípio fundamental que abarca outros princípios constitucionais, dentre eles o da proibição da prova ilícita. Quando menciona coação, o impugnante faz alusão à prova ilícita. 30.1 A coação, que vicia a declaração de vontade, não se presume, exige prova inequívoca da sua existência. Nenhuma comprovação foi apresentada neste sentido. 30.2 Por outro lado, cabe esclarecer que o art. 153 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil) dispõe que "Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial". E ainda, o Decreto nº 3000, de 1999 (RIR), assim dispõe: Fl. 4279DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.280 8 Art. 904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e Decreto Lei nº 2.225, de 10 de janeiro de 1985). § 1º A ação fiscal direta, externa e permanente, realizarseá pelo comparecimento do Auditor Fiscal do Tesouro Nacional no domicílio do contribuinte, para orientálo ou esclarecêlo no cumprimento de seus deveres fiscais, bem como para verificar a exatidão dos rendimentos sujeitos à incidência do imposto, lavrando, quando for o caso, o competente termo (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). § 2º A ação do Auditor Fiscal do Tesouro Nacional poderá estenderse além dos limites jurisdicionais da repartição em que servir, atendidas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 3º A ação fiscal e todos os termos a ela inerentes são válidos, mesmo quando formalizados por Auditor Fiscal do Tesouro Nacional de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo (Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1º). [...]Art. 910. A entrada dos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional nos estabelecimentos, bem como o acesso às suas dependências internas não estarão sujeitos a formalidades diversas da sua identificação, pela apresentação da identidade funcional. [...]Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 123, DecretoLei nº 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 197). 30.3 Como se vê, todas as pessoas físicas ou jurídicas estão obrigados a prestar à fiscalização todas as informações de seu interesse, necessários ao desenvolvimento do procedimento fiscal em curso, consistindo a recusa ao atendimento às intimações em hipótese de imposição de sanção, na forma prescrita na legislação tributária. Fl. 4280DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.281 9 30.3.1 Neste contexto, quando da intimação, o fisco adverte o interessado acerca das conseqüências previstas em lei para o descumprimento da obrigação de disponibilizar documentos, bem como o risco da apresentação de declarações falsas; ao fazer estas advertências, o fisco não pratica coação, uma vez que quaisquer sanções supervenientes serão aplicadas na forma da legislação vigente. 30.4 Naturalmente, a ameaça de exercício abusivo de direito, mediante excesso na forma e nas circunstâncias utilizadas pelo agente público, poderá configurar um ato ilícito. Contudo, não há nos autos qualquer indicação neste sentido. 30.5 Cabe esclarecer ainda que tal como consta do dispositivo legal acima transcrito, independentemente da jurisdição do contribuinte, a ação fiscal e todos os termos a ele inerentes são válidos, especialmente considerando que executados pela autoridade administrativa nos termos do art. 142 do CTN. 16. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. 17. Preliminarmente, ainda, insurgese e pela lavratura do auto de infração após o vencimento do prazo de encerramento do MPF. 18. Impende ressaltar que a função do termo em apreço ou de suas eventuais e sucessivas prorrogações é informar o sujeito passivo sobre a existência de um mandado de procedimento fiscal (MPF) que, na verdade, é o marco do início de um procedimento fiscalizatório, em conformidade com o Decreto nº 3.724/2001. Observese, ademais, que, a partir da edição do Decreto nº 8.303/2014, passouse a exigir a expedição prévia de Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), regulado pela Portaria RFB nº 1.687, de 17/09/2014, salvo nos casos reputados urgentes, i.e., aqueles casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou de qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardamento do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, pela possibilidade de subtração de prova. Tanto o antigo MPF ou o atual TDPF não são exigidos, ainda, nos casos de procedimento: (i) realizado no curso do despacho aduaneiro, (ii) interno, de revisão aduaneira, (ii) de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva, e (iii) relativo ao tratamento automático das declarações (as chamadas "malhas fiscais"). Portaria RFB nº 1.687, de 17/09/2014 Art. 4º Os procedimentos fiscais serão instaurados após sua distribuição por meio de instrumento administrativo específico denominado Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), previsto no art. 2º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001. § 1º A distribuição do procedimento fiscal será precedida da atividade de seleção e preparo da ação fiscal, que será impessoal, objetiva e baseada em parâmetros técnicos definidos Fl. 4281DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.282 10 pela Sufis ou pela Suari e executada por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil. § 2º O procedimento fiscal será distribuído ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil pelo responsável pela sua expedição a partir do planejamento e da estratégia de execução dos procedimentos fiscais. § 3º O TDPF será expedido exclusivamente na forma eletrônica, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. § 4º A ciência do TDPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço , com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal, mediante o qual o sujeito passivo poderá certificarse da autenticidade do procedimento. § 5º O disposto neste artigo não se aplica aos casos de flagrante constatação de contrabando, descaminho ou qualquer outra prática de infração à legislação tributária, em que o retardamento do início do procedimento fiscal coloque em risco os interesses da Fazenda Nacional, observado o disposto no art. 6º. § 6º É dispensada a atividade de seleção e preparo da ação fiscal na hipótese de procedimento fiscal para análise de restituição, ressarcimento, reembolso ou compensação. 19. Cabe investigar, assim, quais os efeitos da ausência de intimação da contribuinte fiscalizada do MPF (atual TDPF), destacandose, em primeiro lugar, a persistência da condição de espontaneidade, não se caracterizando, para todos os fins, a hipótese do parágrafo único do art. 138: como condição subjetiva do sujeito passivo, apenas restará configurado o "(...) início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização" com a efetiva intimação. Até este marco, facultase à contribuinte se valer da integralidade dos efeitos da denúncia espontânea. Em segundo lugar, a intimação contribui como elemento de concretização do primado da transparência das ações do Estado contra o particular, devendo a sua relação ser pautada antes pelo diálogo e pela lealdade do que pelo poder de império: contrapõese a ideia de que nada impede o lançamento ex officio com o senso de colaboração que vem se formando na jurisprudência administrativa.1 Cabe, neste sentido, uma análise detida da Súmula CARF nº 46, que não se apresenta como de aplicação automática: 1 Acórdão CARF nº 3401003.437, proferido em sessão de 28/03/2017, de relatoria do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida: "VERDADE MATERIAL.INVESTIGAÇÃO. DEVER DE COLABORAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em busca da verdade material, composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração do particular, a produção da prova deve ser carreada à parte que apresente melhores condições de produzir Incumbe ao acusado, o ônus da prova, quanto à alegada existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito alegado na acusação fiscal". E Acórdão CSRF nº 9303004.675, proferido em 16/02/2017, de relatoria da Conselheira Erika Costa Camargos Autran: "REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DIREITO CREDITÓRIO VERDADE MATERIAL. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. A autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e Fl. 4282DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.283 11 Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. 20. O texto, como se percebe, não estabelece uma relação mecânica de implicação no sentido de que lançamento de ofício sem intimação da contribuinte será, necessariamente, válido. Não por outro motivo, as decisões mais recentes sobre a matéria têm registrado a cautela necessária: desde que a falta de ciência (termo inicial) não tenha acarretado qualquer prejuízo à defesa e ao contraditório, o que fulminaria o auto de infração lançado à revelia de nulidade, como e.g., é possível se observar da leitura dos votos do Acórdão CSRF nº 9303003.876, proferido em sessão de 19/05/2016, de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, e do Acórdão CSRF nº 9101002.132, proferido em sessão de 26/02/2015, de relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias, cuja ementa abaixo se transcreve: "Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF" (seleção e grifos nossos). 21. A atual jurisprudência deste Conselho, como se pode perceber, entende que a falta de prorrogação do então MPF não inquina de nulidade, de plano, o trabalho de fiscalização e, logo, o próprio auto de infração, sobretudo porque não há de se falar de contraditório na fase inquisitorial do procedimento prévio ao eventual lançamento de ofício. No entanto, ao nos voltarmos especificamente ao caso da ausência de termo inicial, necessário se assentir com o fato de que o art. 47 da Lei nº 9.430/1996, ao tratar da aplicação de acréscimos de procedimento espontâneo, apresenta uma inflexão sobre o parágrafo único do art. 138 do Código Tributário Inicial, cujos efeitos, na prática, são diferidos para o 20º dia subsequente à data do recebimento do termo de início: Lei nº 9.430/1996 Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. 22. Assim, o fato de o sujeito passivo ser intimado da existência de um procedimento fiscal contra seu estabelecimento apenas no momento da lavratura do auto de infração inviabiliza, de maneira absoluta, o exercício do legítimo direito previsto no art. 47 ora transcrito, cerceandoo. Contudo, necessário se ponderar que não se trata aqui de prejuízo outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas". Fl. 4283DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.284 12 à defesa ou ao contraditório, de modo a não se vislumbrar, portanto, a preterição do direito de defesa inserta no inciso II do art. 59 do DecretoLei nº 70.235/1972: em outras palavras, trata se, sim, de um cerceamento de direito, mas não do direito de defesa. Assim, a ausência do termo de início em nada macula, ab initio, o auto de infração: diferente seria, por outro lado, a falta do próprio MPF, atual TDPF, pois, neste caso, os atos e termos teriam sido lavrados por pessoa incompetente, deslocando a fundamentação da agora explícita nulidade ao inciso I do art. 59 do Regulamento do Processo Administrativo Federal. 23. Cabe, no entanto, observar que a ausência do termo inicial, mesmo no caso da lavratura de autos de infração eletrônicos, causa insegurança jurídica ao sujeito passivo, sendo o caso de se rever o grau de tolerância com que a jurisprudência administrativa tem tratado tal matéria. Recordese, neste sentido, que muitas são as funções do termo, como se denota da leitura do art. 5º da Portaria RFB nº 1.687, de 17/09/2014: Portaria RFB nº 1.687, de 17/09/2014 Art. 5º O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal – TDPF conterá: I – a numeração de identificação e controle; II – os dados identificadores do sujeito passivo; III – a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência); IV – o prazo para a realização do procedimento fiscal; V – o nome e a matrícula do(s) Auditor(es)Fiscal(ais) da Receita Federal do Brasil responsável(is) pelo procedimento fiscal; VI – o número do telefone e endereço funcional para contato; e VII – o nome e a matrícula do responsável pela expedição do TDPF. § 1º No caso do Procedimento de Fiscalização, o TDPF indicará, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado e o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, podendo alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal. § 2º O tributo e o período de que trata o § 1º poderão ser ampliados por alteração, a ser registrada no TDPF e consignada no primeiro termo de ofício emitido pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução do procedimento fiscal. § 3º O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil poderá examinar livros e documentos referentes a períodos não consignados no TDPF quando necessário para verificar os fatos que deram origem a valor computado na escrituração contábil e fiscal do período em exame ou deles seja decorrente. Fl. 4284DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.285 13 § 4º No procedimento fiscal de diligência, o TDPF indicará, ainda, a descrição sumária das verificações a serem realizadas. § 5º No procedimento fiscal instaurado conforme art. 6º, o TDPF indicará a data do início do procedimento fiscal. § 6º Na hipótese de instauração de procedimento fiscal destinado exclusivamente a verificar o cumprimento de obrigação acessória, o TDPF deverá identificar a obrigação e o período a que se refere, não se aplicando o disposto no § 1º deste artigo. 24. Observese que uma das múltiplas funções do termo inicial é justamente se facultar ao investigado a confirmação da autenticidade do procedimento fiscal, bem como cientificálo, ainda que de maneira resumida, sobre quais verificações serão realizadas (§ 4º do art. 5º da Portaria RFB nº 1.687, de 17/09/2014). Em igual sentido, ocluir do jurisdicionado a ciência sobre informações como qual tributo e referente a qual período de apuração se investiga é vedar acesso ao próprio Estado sobre informações que poderiam ser espontaneamente fornecidas pelo particular, e que potencialmente contribuiriam para uma maior precisão do lançamento, prática que caminharia no sentido de se evitar tanto quanto possível a formação de litígios desnecessários que, conseqüentemente, afluirão ao contencioso, tanto administrativo como judicial. No limite, a reiterada e excessiva condescendência deste Conselho com o desrespeito a prazos e procedimentos expressamente previstos na legislação redundam, no limite, para a Administração, em legitimação e institucionalização de tal prática e, para os administrados, em verdadeira deriva normativa, atirados à mercê do arbítrio da autoridade fiscal que pode ou não comunicálos a respeito do início de uma fiscalização. 25. Observese, ademais, que a jurisprudência do Poder Judiciário, já sensível a estes argumentos, tem revisto a posição sumulada deste Conselho, em especial no caso de falta de prorrogação de MPF/TDPF no sentido do reconhecimento da existência de vício insanável nestes casos, a exemplo do seguinte acórdão do Tribunal Regional Federal da 1º Região, Apelação Cível nº 000330848.2011.4013507, publicado em 22/05/2015, cujo trecho pertinente da ementa abaixo se transcreve: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO IRREGULAR. MANUTENÇÃO DO AUDITOR FISCAL ORIGINÁRIO. ART. 16, PARÁGRAFO ÚNICO, DA PORTARIA SRF Nº 3.007/2001. 1. Na hipótese vertente, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF tem por data inicial o dia 26/02/2009 e deveria ter sido concluído no prazo de sessenta dias, conforme determinava a Portaria SRF nº 3.007/2001 (art. 12) e determina atualmente a Portaria RFB nº 1.687/2014 (art. 11), pois se cuida de Procedimento Fiscal de Diligência (coleta de informações). Assim, o prazo de validade do MPF se encerrou no dia 27/04/2009. (...) 3. Ora, em 30/06/2009 o prazo de validade do MPF já estava extinto, como visto acima, e a Fazenda Nacional, por sua vez, nem sequer informa o dia em que houve a efetiva prorrogação do ato fiscalizatório. Na verdade, cabia à Fazenda Nacional demonstrar a data em que houve a prorrogação do Fl. 4285DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.286 14 Mandado de Procedimento Fiscal (art. 333, II, do Código de Processo Civil). (...) 6. Entretanto, a Fazenda Nacional nem sequer alude à existência daquele registro eletrônico para demonstrar a regular prorrogação do MPF com a manutenção do auditor fiscal originário. Houve, portanto, violação ao art. 16, parágrafo único, da extinta Portaria SRF nº 3.007/2001. 26. Em igual sentido, a doutrina, conforme se extrai de trecho de artigo de Marcos Vinícius Neder: "Em muitos casos, as Autoridades Fiscais não cumprem o que determina a legislação e ampliam por conta própria a investigação para tributos e períodos não originalmente previstos no MPF, desrespeitando também prazos e procedimentos. Isso tem causado muita insegurança jurídica para os contribuintes fiscalizados. Não há, portanto, qualquer efetividade nessa regra de proteção em razão da absoluta falta de sanção (...).A novidade importante é que o Poder Judiciário vem entendendo essa matéria de forma distinta do CARF (...). Vêse, portanto, que os julgados sustentam haver vício insanável no procedimento fiscal instaurado em desacordo com as regras da portaria regulamentadora do MPF, entendendo que, no caso concreto, o procedimento fiscal foi conduzido por auditor fiscal desautorizado. Ou seja, declarou a nulidade no lançamento por considerar o auditor como incompetente para lavrar o lançamento fiscal nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. De fato, a partir da ciência do MPF, os contribuintes passam a ter o direito de que o procedimento fiscal seja efetivamente obedecido no curso dos trabalhos de fiscalização. É, no mínimo, imoral a Administração emitir um ato em que se compromete a realizar determinado agir em benefício do administrado e depois unilateralmente descumprir o que fora prometido. Assim, irregularidade no MPF configurase vício de procedimento que pode acarretar a invalidade do lançamento "2 (seleção e grifos nossos). 27. O presente voto se curva ao enunciado da Súmula CARF nº 46 sobretudo, porque, no presente caso, de fato não se vislumbra a configuração de qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo autuado decorrente da falta de termo de início da fiscalização. No entanto, parecenos oportuno o registro das considerações acima como uma 2 NEDER, Marcos Vinícius. "Nulidade do lançamento por irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal Judiciário e Carf têm discordado sobre invalidade da fiscalização". Brasília: Jota Jornalismo, 26/08/2015, disponível em <https://jota.info/artigos/nulidadedolancamentoporirregularidadesnomandadode procedimentofiscal26082015>, último acesso em 20/06/2017. Fl. 4286DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.287 15 reflexão necessária sobre os compromissos da Administração com o escorreito cumprimento da legislação tributária, sobretudo diante daquelas hipóteses em que a sua infração não corresponda a qualquer sanção específica. 28. Assim, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento suscitada pela contribuinte e voto por negar provimento ao recurso voluntário neste particular. 29. Preliminarmente, por fim, alega ausência de fundamentação para a desconsideração dos serviços de cobrança executados pela empresa. Tal questão revolve matéria de mérito e deverá, portanto, ser oportunamente enfrentada. Correta, portanto, a decisão objurgada nos seguintes termos: 26.1.1.2 Considerando que o impugnante menciona ainda a ausência de fundamentação para autuação, cabe esclarecer que os dispositivos legais utilizados na apuração do crédito tributário encontramse descritas no Termo de Verificação Fiscal, bem como no Auto de Infração às fls. 3561 a 3570. 26.2. Como se vê, não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade do ato realizado pelo Fisco, uma vez que efetuado nos moldes estabelecidos pela legislação afeta ao procedimento. Constatase que os Autos de Infração combatidos foram prolatados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, portanto, norteados dentro do Princípio da Legalidade. 26.2.1 Por outro lado, constatase ainda que a motivação para o lançamento foi perfeitamente identificada pela autoridade competente, e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pelo interessado nas peças impugnatórias permite concluir que esta motivação foi compreendida, tanto que contestada. 26.2 Esclareçase ainda, por oportuno, que nos termos do Art. 14 do Decreto n° 70.235, de 1972, o litígio somente se instaura com a apresentação da impugnação, quando então ao contribuinte está facultado o pleno exercício do seu direito de defesa, apresentando as suas razões de discordância, assim como apresentação das provas que possuir no intuito de comprovar suas alegações. 30. Assim, entendo devam ser rejeitadas todas as preliminares de nulidade do lançamento suscitadas pela contribuinte e voto por negar provimento ao recurso voluntário neste particular. 31. O procedimento fiscalizatório resultou na lavratura de autos de infração destinados a constituir créditos tributários referentes ao IRPJ, CSL, PIS, COFINS e Fl. 4287DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.288 16 IOF, sendo o presente processo respeitante unicamente ao IOF. Argumenta a autuada, em resumo, que sua atividade se reporta unicamente à prestação de serviços de cobrança, independentemente da lucratividade do procedimento. Esclarece, ainda, que sua atividade é de "(...) grande apego social, ajudando seus clientes, na maioria micros e pequenas empresas" e que "(...) a atividade de Factoring é exercida pela empresa FOCOCRED, outra empresa administrada pelo sócio/administrador da autuada", bem como que o conjunto probatório apresentado pelo fisco não descaracteriza a atividade por ela exercida. 32. A atividade operacional da contribuinte constante de seus registros e obrigações acessórias apresentadas à RFB foi descaracterizada pelo fisco tendo em vista o confronto e circularização dos dados constantes dos extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras que com ela operavam, bem como as informações e documentos obtidos junto aos clientes da empresa. Depreendese da leitura do termo de verificação fiscal que foi apurada a existência de duas empresas, ambas gerenciadas por HENRIQUE SCHNEIDER DE ALMEIDA, informações estas não controvertidas pela ora recorrente: 33. Observouse que as empresas acima identificadas inverteram a sua razão social e a atividade. Antes, a contribuinte autuada apresentava registro como sociedade de fomento mercantil (factoring), passando à atividade de consultoria e cobrança. 34. Diante dos indícios detectados quando da análise dos documentos apresentados pela autuada, a autoridade fiscal procedeu à intimação de diversos de seus clientes para prestar esclarecimentos e apresentar documentos. Destas diligências, apurouse, quanto à empresa CONTROLTAX CONSULTORIA CONTÁBIL LTDAME, constatouse que a recorrente apresentou ao fisco a operação abaixo descrita como "cobrança simples", nada oferecendo à tributação decorrente de tal atividade. Contudo, o conjunto probatório constante do processo operacional apurado comprova, inequivocamente, que a operação em voga representa atividade de factoring: O documento apresentado pelo intimado, anexado à fl. 3.199 não deixa dúvidas acerca da operação pactuada: operação de factoring, quando foram deduzidos do valor negociado o "dif. compra dos títulos (deságio)", "remuneração por serviços prestados, comissão de cobrança" e IOF. 38.1.2 O impugnante argumenta que tratase de "cópias de simulações de operações com a empresa FOCOCRED e não com Fl. 4288DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.289 17 a impugnante". Tal como já descrito no item 37, a autuada utilizou da razão social FOCOCRED, formalmente, até 30/12/2009; ainda que a segunda empresa utilize esta mesma razão social posteriormente, o CNPJ que consta do documento em comento pertence à autuada. 38.1.3 O impugnante também argumenta que o documento acima não contém assinatura, de modo que, não tem valor probante. Contudo, na data da transação comercial em comento foi efetuada transferência bancária da conta da autuada (BRADESCO Conta 73490)para a CONTROLTAX exatamente no valor constante do documento: R$ 6.468,00. 38.1.3.1 Por outro lado, foi apresentado pela autuada fl. 2.906 "Relatório de Conferência de Borderô e Títulos" com a indicação dos mesmos títulos, e a indicação do valor líquido a pagar no valor de R$ 7.000,00. A propósito, os documentos apresentados pela autuada não computam qualquer remuneração pela pretensa cobrança. 35. A empresa MATRIX COMÉRCIO DE COSMÉTICOS LTDA, esclareceu, conforme documento situado à fl. 3256, que as operações travadas com a recorrente não correspondem a simples cobrança de títulos, mas correspondem a típicas operações de factoring, tendo a autuada ocultado do fisco a real atividade exercida, contabilizando a operação como "cobrança simples", oferecendo à tributação valor irrisório, mediante ocultação dos rendimentos. Mais que isso, apesar de deduzir do valor repassado a seu cliente o valor devido ao IOF, não realizou o adimplemento do valor correspondente aos cofres públicos: O relacionamento entre a empresa MATRIZ COMERCIAL DE COSMÉTICOS LTDA e a PORCENTUAL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS, CNPJ 05.849.959/000110, e que na ocasião atendia pela razão social de FOCOCRED FOMENTO MERCANTIL LTDA era meramente o de adiantamento/desconto de cheques oriundos de nossa atividade comercial, COMÉRCIO DE COSMÉTICOS 38.2.1 A empresa intimada também apresentou diversos documentos, intitulados "SIMULAÇÃO Relatório de Conferência de Borderaux (cheques/títulos)", que se encontram na planilha abaixo, confrontados com os documentos apresentados pela autuada: (...). 38.2.2 O impugnante alega que a sua cliente MATRIX informa que a negociação fora efetuada em 2009, época em que a autuada utilizava a razão social FOCOCRED, e tinha como objeto social operações de factoring. 38.2.3 A alegação apresentada pelo impugnante está em total desacordo com os documentos apresentados, tanto pela autuada como pela sua cliente intimada. Verificando os dados constantes do demonstrativo acima, constatase, inequivocamente: Fl. 4289DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.290 18 • Para cada operação formalizada, dois documentos, o primeiro, fornecido pela autuada, que computava como "Cobrança Simples" o pacto efetuado. O segundo, fornecido pelo cliente intimado, com a descrição dos mesmos títulos constantes do primeiro documento, nas mesmas datas, contudo com cálculos diferentes: no segundo documento foram deduzidas despesas intituladas "Diferenciais de compra", "Despesas de cobrança", "Valor Serviço", "Valor do IOF", resultando em um valor a pagar menor que o apontado pela autuada e constante de seus registros contábeis. • Na operação efetuada em 19/02/2010, o valor líquido foi deduzido da importância de R$ 1.437,40 em ambos os documentos: o fornecido pela autuada e o fornecido pelo cliente intimado, reforçando tratarse da mesma operação. Notese que a operação de recompra é usual para quitação de títulos negociados não pagos (factoring), fato impossível na operação de cobrança alegada pela autuada: o impugnante assevera que o repasse de valores somente é efetuado quando o título em cobrança é pago. • Não há que se falar em operações efetuadas no AC de 2009, tanto a autuada quanto seu cliente assumem as operações como ocorridas em 2010; a propósito, todos os documentos estão datados como pertencentes a 2010. • Não há como imputar as operações como se efetuadas pela FOCOCRED portadora do CNPJ 06.259.280/000133, considerando que a cliente intimada indica como operador especificamente a pessoa jurídica portadora do CNPJ 05.849.959/000110, pertencente à autuada, e ainda: • Apesar de não identificados a totalidade dos repasses efetuados pela autuada a seu cliente parte deles foi repassada em moeda corrente, conforme informação prestada pela própria autuada 04(quatro) das operações em comento estão perfeitamente identificadas nos extratos bancários da autuada. 36. A empresa TRACOMAL NORTE GRANITOS informa que não recebeu valores da PORCENTUAL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E COBRANÇA LTDA, mas sim da FOCOCRED FOMENTO MERCANTIL LTDA, em virtude de operações de fomento mercantil, desvelandose ardil idêntico à sistemática do item anterior: 38.3.1 Juntamente com os esclarecimentos prestados, apresenta diversos documentos. Nos mesmos moldes do item anterior, confrontando os documentos apresentados pela autuada e os apresentados por seu cliente, temse: (...) 38.3.2 O impugnante argumenta que a TRACOMAL NORTE GRANITOS informou expressamente que não faz operações de Fl. 4290DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.291 19 factoring com a impugnante, mas sim com a FOCOCRED, além de ter declarado formalmente que solicitava recebimento em espécie. 38.3.3 Apesar das alegações dos envolvidos a autuada e seu cliente os documentos anexados ao processo contradizem o alegado: • Repetindo o ocorrido com outro cliente intimado, para cada operação, dois documentos, o primeiro, fornecido pela autuada, que computava como "Cobrança Simples" o pacto efetuado. O segundo, fornecido pelo cliente intimado, como se emitido pela FOCOCRED, com a descrição dos mesmos títulos constantes do primeiro documento, nas mesmas datas, contudo com cálculos diferentes: no segundo documento foram deduzidas despesas intituladas "Diferenciais de compra", "Despesas de cobrança", "Valor Serviço", "Valor do IOF", resultando em um valor a pagar menor que o apontado pela autuada e constante de seus registros contábeis. • Diferente do alegado, o pagamento do valor pactuado foi efetuado pela autuada, através de transferência bancária, identificada pelo fisco e confirmada pelos comprovantes apresentados pelo cliente intimado. • Apesar de apresentar um "Contrato de Fomento Mercantil" com a empresa FOCOCRED FOMENTO MERCANTIL LTDA, portadora do CNPJ 06.259.280/0010 33, firmado em 09/04/2010, este contrato não ampara as operações imputadas à autuada, que são anteriores à formalização do contrato apresentado. • O "Contrato de Fomento Mercantil" anexado à fl. 3454, firmado entre o cliente intimado e a autuada notese que a contratada está identificada como FOCOCRED FOMENTO MERCANTIL LTDA, CNPJ 05.849.959/000110 corresponde à operação contratada em 12/02/2010, constante da planilha acima. • Na operação efetuada em 12/02/2010, o valor líquido foi deduzido da importância de R$ 39.927,08 em ambos os documentos: o fornecido pela autuada e o fornecido pelo cliente intimado, reforçando tratarse da mesma operação. Notese que a operação de recompra é usual para quitação de títulos negociados não pagos (factoring), fato impossível na operação de cobrança alegada pela autuada: o impugnante assevera que o repasse de valores somente é efetuado quando o título em cobrança é pago. 38.3.4 Diante das informações acima, extraídas dos documentos anexados ao processo, constatase que as operações efetuadas pela autuada junto a seu cliente TRACOMAL NORTE GRANITOS não correspondem a simples cobrança de títulos, mas, indiscutivelmente, correspondem a operações de factoring. Fl. 4291DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.292 20 38.3.4.1 Também é inconteste que, no caso em análise, que apesar de operar como factoring, a autuada ocultou do fisco a real atividade exercida, contabilizando a operação como "cobrança simples", oferecendo à tributação valor irrisório. O rendimento auferido com a atividade de factoring foi, inequivocamente, ocultado da tributação. 38.3.4.2 Ressaltese ainda que, para o caso em análise, apesar de deduzir do valor repassado a seu cliente o valor devido ao IOF, não repassou o valor correspondente ao fisco 37. A empresa A&B COSMÉTICOS LTDA, cliente da autuada, esclarece quando intimada, que "(...) na verdade, o que a empresa A&B realizava junto à PORCENTUAL era ANTECIPAÇÃO/DESCONTO de títulos, procedimento realizado em todos os borderôs de 2010". Esclarece ainda que quando ocorria de algum cheque ser devolvido por qualquer motivo, "(...) a PORCENTUAL os devolvia à A&B e eram abatidos das próximas negociações". Em verdade, os inúmeros cheques nominais à própria empresa, com endosso permitindo o saque, estavam destinados ao pagamento dos valores pactuados quando das operações de fomento comercial: 38.4.1 A intimada esclarece que não dispõe da documentação que amparou as negociações em função de acidente ocorrido na empresa; contudo, informa que "para a ANTECIPAÇÃO/DESCONTO de títulos giravam em torno de 4 a 5%, dependendo da quantidade de títulos a serem descontados". 38.4.2 A empresa A&B COSMÉTICOS LTDA EPP informa que recebia o valor pactuado em cheques em valor igual a R$ 5.000,00 ou menos e poucas vezes em moeda corrente. O fisco identificou nos extratos bancários 439 cheques de R$ 5.000,00 distribuídos no AC de 2010, muitos deles emitidos em um mesmo dia, corroborando com as informações prestadas pela empresa A&B COSMÉTICOS LTDA EPP. 38.4.3 Em síntese, as informações prestadas pela A&B COSMÉTICOS LTDA, apesar de desprovidas de comprovação documental, direcionam na confirmação do objetivo social da autuada, na medida em que repetem o mesmo comportamento já constatado em outros clientes da autuada, intimados pelo fisco. 38.5 Apesar de não obter informações significativas junto a intimada TRANSPORTADORA AGOSTINHO, cliente da autuada, ratificando procedimento já observado em operações anteriores, o fisco constatou, mais uma vez, a discrepância entre os documentos apresentados pela fiscalizada e a realidade dos fatos: 38.5.1 Tendo em vista os inúmeros cheques com endosso emitidos pela autuada, tomouse como ponto de partida um dos borderôs advindos da TRANSPORTADORA AGOSTINHO para confronto; apurouse: (...) Fl. 4292DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.293 21 38.5.2 Seguindo esta mesma metodologia de confronto, foi confirmada a mesma coincidência de valor e data quando do cálculo do valor a pagar seguindo os mesmos parâmetros adotados pela autuada em procedimentos anteriores para outros clientes para a empresa MARTINS & SOUZA ATACADO LTDA, conforme descrição à fl. 3713. 38.5.3 Diante do relato acima, constatase que os inúmeros cheques nominais à própria empresa, com endosso permitindo o saque, estavam destinados ao pagamento dos valores pactuados quando das operações de fomento comercial factoring. 38.6 Na planilha anexada às fls. 3789 a 3833 o fisco apresenta todos os valores identificados nos extratos bancários e o correspondente borderô de desconto, tomando como base as Operações de Cobrança Simples apresentadas pela fiscalizada e os critérios de apuração do valor líquido a pagar utilizados pela própria empresa. Ressaltese que 863 operações foram identificadas neste cruzamento, o correspondente a 2/3 de todas as operações apresentadas pela autuada, de modo que, não há que se falar em insuficiência na comprovação da real atividade da fiscalizada. 38.6.1 O impugnante menciona alguns equívocos na identificação do número dos borderôs pelo fisco; entretanto eventuais equívocos desta ordem não alteram o resultado da auditoria, considerando que, o valor computado pelo fisco como base da apuração é aquele fornecido pela própria fiscalizada nas Operações de Cobrança Simples e a impugnante não apresentou qualquer alegação acerca de incorreções acerca da apuração efetuada pelo fisco. Ademais, do universo de documentos que comprovam a real atividade da empresa, mostrase irrelevante a citação equivocada de um simples número de borderô. 38.6.1.1 Acrescentese ainda que o equivoco mencionado pelo impugnante diz respeito ao cliente TRACOMAL NORTE, já tratado em item anterior, cujos documentos comprovam, de forma inequívoca, que o pacto efetuado entre as partes correspondeu a Fomento Mercantil Factoring. 38. Constatase, desta feita, a real atividade da contribuinte recorrente se tratava, de fato, de operações de desconto/factoring em 2010, e não operações de desconto simples como quis fazer crer e como apurou e declarou à autoridade competente, atividade esta sujeita à incidência do IOF, nos termos da Lei nº 9.532, de 1997: 39. Diante de toda a dissertação acima, constatase que todos os documentos anexados ao processo convergem para uma mesma direção: a atividade exercida pela autuada, em verdade, tratase de operações de fomento mercantil factoring. Fl. 4293DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.294 22 39.1 Cabe ressaltar que, apesar da veemente negação da fiscalizada, não foi apresentada, ou mesmo identificada pelo fisco, qualquer coerência entre os documentos intitulados "OPERAÇÃO OFICIAL COBRANÇA SIMPLES" e as "NOTAS DE CRÉDITO" que ampararam a escrituração do contribuinte, com os dados constantes dos extratos bancários apresentados pelos bancos. 39.1.1 Por outro lado, o fisco demonstra, de forma inequívoca, que a PORCENTUAL executou, de fato, operações de desconto/factoring em 2010, e não operações de desconto simples como quis fazer crer e como apurou e declarou à RFB. 40. A atividade exercida está sujeita à incidência do IOF, nos termos da Lei nº 9.532, de 1997 (...) 40.1 Apesar de deduzir de seus clientes o valor referente ao IOF, a fiscalizada não recolheu aos cofres públicos o valor correspondente, segundo informação da própria contribuinte: (...) 40.2 Neste contexto, o fisco apurou o valor do IOF devido, nos termos da legislação vigente, conforme detalhamento na planilha anexada às fls. 3759 a 3788. Esclareçase o cálculo do IOF constante dos "Borderôs Simulação" anexados ao processo correspondem ao mesmo valor encontrado pelo fisco. 40.3 O impugnante argumenta que foi utilizada uma única alíquota para o IOF, indistintamente para todos os borderôs, enquanto as empresas optantes pelo SIMPLES a alíquota é reduzida e a carteira de cobrança da recorrente é formada essencialmente por clientes optantes pelo Simples Nacional. 40.3.1 Tal como já explicitado anteriormente, o IOF calculado pelo fisco está em conformidade com o descontado de seus clientes quando da operação de factoring, conforme documentos intitulados "Simulação" anexados ao processo. A importância descontada de seus clientes deveria ser repassada ao fisco na época própria, considerando que a fiscalizada reportase a mero responsável. 40.3.2 O contribuinte do IOF é a pessoa física ou jurídica que alienou à fiscalizada seu direito de crédito resultantes de operações a crédito. Se fiscalizada deduziu de seus clientes um valor maior que o devido, a título de IOF, este valor deve ser repassado à União; eventuais pagamentos a maior podem ser restituídos àquele que efetivamente pagou o imposto devido, ou seja seus clientes. A propósito, apesar de mencionar que opera com empresas optantes pelo Simples, nenhuma comprovação acerca desta alegação foi apresentada. 41. O impugnante tece diversas considerações acerca da omissão de receitas decorrentes do recebimento de receitas financeiras da MIBASA, argumentando que tais receitas não estão sujeitas à tributação do IOF. Fl. 4294DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.295 23 41.1 Verificando a planilha às fls. 3759 a 3788, de onde foi extraído o IOF exigido pelo fisco, constatase que o IOF somente foi computado para as receitas advindas dos borderôs de desconto, conforme elementos fornecidos pela própria autuada. Não consta do processo exigência do IOF sobre as receitas advindas da empresa MIBASA. 39. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário neste particular. 40. Quanto à inflição da multa de ofício qualificada, reproduzo as razões da decisão recorrida, abaixo transcritas: 43. O impugnante contesta a multa aplicada pelo fisco, argumentando que, mesmo considerando a natureza jurídica das operações realizadas pela impugnante como factoring, ainda assim não de pode considerar que a impugnante agiu fraudulentamente. Menciona ser portadora de certidões negativas fornecidas por órgãos da administração pública, que nunca foi gerida por prepostos, e que contabilizou todas as movimentações financeiras de caixa e bancos, com a sua escrituração contábil embasada em critérios aprovados pelo Conselho Federal de Contabilidade. Acrescenta que a multa aplicada tem característica de confisco. 43.1 A multa qualificada foi aplicada pelo fisco tendo em vista a caracterização de sonegação e fraude previstas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.503, de 1964, considerando o disposto no art. 44, I, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996. 43.1.1 No tocante às receitas de factoring, está inequivocamente comprovado no processo que a fiscalizada não registrava em sua contabilidade os valores efetivamente recebidos. A fiscalizada emitia, em cada operação de desconto/factoring dois borderôs de cobrança com as mesmas informações de títulos a serem cobrados, mas com cálculos diferentes, um deles caracterizado como oficial (cobrança simples) e o outro denominado simulação, para a efetiva operação de factoring. 43.1.2 Ressaltese que a fiscalizada foi formalmente intimada, inúmeras vezes, a esclarecer acerca das operações de factoring identificadas pelo fisco; mesmo diante de toda a comprovação documental anexada ao processo, seguiu rejeitando toda a comprovação apresentada pelo fisco acerca das suas operações de factoring. Notese que, a despeito de toda a documentação arrolada pelo fisco, o impugnante segue argumentando que as atividades da empresa tem cunho social, sem intenção de lucros. 43.2 Diante de toda a documentação anexada ao processo, a descrição detalhada do procedimento apontada pelo fisco no TVF e a análise do processo constante deste voto, constatase Fl. 4295DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.296 24 que a autuada praticou ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento, o que caracteriza a fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, e, também, em tese, crime contra a ordem tributária, de acordo com o art. 1º, II, III e IV da Lei nº 8.137, de 1990. 43.2 Neste contexto, considerando que a multa aplicada ao crédito tributário constituído neste processo é aquela prevista em lei específica, não há como alterála se a situação fática do processo se enquadra aquela expressamente prevista nesta lei. 43.3 Acrescentese ainda que, acerca da pretensa característica de confisco, ratificase que uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca dos efeitos que gerou. 41. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário também neste particular. 42. O protesto genérico por novos documentos tampouco merece prosperar, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. 43. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário também neste particular. 44. Quanto ao responsável solidário, tampouco se vislumbra qualquer nulidade prevista nas hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, conforme abaixo se transcreve: 51.2.1. Como se vê, não se vislumbra, no presente caso, qualquer óbice que determine a precariedade do ato realizado pelo Fisco, uma vez que efetuado nos moldes estabelecidos pela legislação afeta ao procedimento. Constatase que os Autos de Infração combatidos foram prolatados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, portanto, norteados dentro do Princípio da Legalidade. 51.2.2 Por outro lado, constatase ainda que a motivação para o lançamento foi perfeitamente identificada pela autoridade competente, e, por sua vez, a argumentação desenvolvida pelo interessado nas peças impugnatórias permite concluir que esta motivação foi compreendida, tanto que contestada. Fl. 4296DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.297 25 52. Enfim, a argumentação acerca da nulidade apresentada pelo impugnante não tem razão de ser: o ato em questão não resultou em cerceamento do direito de defesa do interessado, uma vez que o mesmo tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente. Prova inequívoca de que inocorre o cerceamento do direito de defesa é que o ato foi impugnado e as impugnações estão sendo examinadas por essa autoridade julgadora. Ressaltese ainda que, se as razões apresentadas pelos impugnantes forem procedentes, a solução para o litígio será a exoneração do crédito tributário parcial ou total e não a sua nulidade. 45. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário também neste particular. 46. Quanto à imputação de responsabilidade solidária de HENRIQUE SCHNEIDER DE ALMEIDA, a recorrente argumenta que sempre cumpriu suas obrigações contábeis e fiscais, colaborou com a fiscalização, de modo que, não há como afirmar ter agido com dolo. Contudo, como bem aponta a decisão recorrida, a acusação fiscal tem por fundamento também o preceptivo normativo específico abaixo discriminado: 54. Um dos dispositivos legais apontados pelo fisco: Art. 58. A pessoa física ou jurídica que alienar, à empresa que exercer as atividades relacionadas na alínea "d" do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995 (factoring), direitos creditórios resultantes de vendas a prazo, sujeitase à incidência do imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou relativas a títulos e valores mobiliários IOF às mesmas alíquotas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimo praticadas pelas instituições financeiras. § 1° O responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a empresa de factoring adquirente do direito creditório. § 2° O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. 54.1 Notese que o contribuinte do imposto é a pessoa física ou jurídica alienante, contudo a responsabilidade pela cobrança e recolhimento do imposto é a empresa de factoring. No caso em questão, o IOF foi descontado quando da operação de factoring, de modo que, o contribuinte do imposto sofreu o ônus; contudo, o responsável não cumpriu sua parte em repassar à União o valor recebido de seus clientes. Fl. 4297DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.298 26 54.2 Neste contexto, apesar na negativa do impugnante, o descumprimento da legislação é indiscutível; o fato se torna ainda mais relevante quando se comprovou que a omissão diz respeito ao repasse do valor recebido, ou seja, no caso em questão ocorreu a apropriação indébita do IOF, prevista no art. 2º da Lei nº 8.137, de 1990: Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; 54.3 O dispositivo legal acima transcrito é aquele que, inclusive, embasou a Representação Fiscal para Fins Penais decorrente da auditoria promovida pelo fisco. 55. Acrescentese ainda que, tal como apontado pelo fisco, o CTN também dispõe: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I. as pessoas referidas no artigo anterior; II. os mandatários, prepostos e empregados; III. os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 55.1 Notese que, no caso em questão a responsabilização independe da comprovação de ato ilícito que também restou comprovado no processo basta o não recolhimento do imposto na qualidade de responsável, considerando que o contribuinte deste imposto é aquele que sofreu a retenção. 56. Em síntese, em que pese os argumentos apresentados pelo impugnante, a responsabilização efetuada pelo fisco é decorrente de expressa determinação legal e não pode ser afastada. 47. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário também neste particular. Fl. 4298DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.299 27 48. Quanto ao mérito do lançamento acrescemse às prefaladas razões também aquelas a seguir transcritas: 57. O impugnante sujeito passivo solidário além da responsabilização solidária, também contesta o Auto de Infração cadastrado neste processo, repetindo as mesmas razões apresentadas pela PORCENTUAL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E COBRANÇA LTDA. 58. Tendo em vista que a análise das alegações apresentadas já foi efetuada em itens precedentes, sintetizase abaixo a conclusão desta análise: 58.1 Constatouse que todos os documentos anexados ao processo convergem para uma mesma direção: a atividade exercida pela autuada, em verdade, tratase de operações de fomento mercantil factoring. O fisco demonstrou, de forma inequívoca, que a PORCENTUAL executou, de fato, operações de desconto/factoring em 2010, e não operações de desconto simples como quis fazer crer e como apurou e declarou à RFB. 58.2 A atividade exercida está sujeita à incidência do IOF, nos termos da Lei nº 9.532, de 1997. Apesar de deduzir de seus clientes o valor referente ao IOF, a fiscalizada não recolheu aos cofres públicos o valor correspondente. 58.2.1 Constatouse que o IOF somente foi computado para as receitas advindas dos borderôs de desconto, conforme elementos fornecidos pela própria autuada. Não consta do processo exigência do IOF sobre as receitas advindas da empresa MIBASA. 58.3 A legislação aplicada pelo fisco é aquela afeta aos procedimentos executados pelo contribuinte, de modo que, não há como alterar o lançamento se a situação fática do processo se enquadra aquela expressamente prevista nesta lei. 53.4 A multa aplicada ao crédito tributário constituído neste processo é aquela prevista em lei específica, não há como alterá la se a situação fática do processo se enquadra aquela expressamente prevista nesta lei. Acerca da pretensa característica de confisco, ratificase que uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca dos efeitos que gerou. 49. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário também neste particular. 50. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer parcialmente e, no mérito, na parte conhecida, por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 4299DF CARF MF Processo nº 15586.720503/201523 Acórdão n.º 3401005.392 S3C4T1 Fl. 4.300 28 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 4300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.913618/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiros José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Vinícius Guimarães (Suplente convocado) para redigir o voto vencedor.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
(assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiros José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Vinícius Guimarães (Suplente convocado) para redigir o voto vencedor.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 13 61 8/ 20 09 -6 9 Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10830.913618/200969 Resolução nº 3302000.833 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de verificação de direito ao crédito, requerido por meio de Declaração de Compensação transmitida pelo Sistema PER/DCOMP, que teve por base o pagamento indevido ou maior, realizado por meio de DARF. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 14 50.798, da 11ª Turma da DRJ/RPO, proferido na sessão de 26 de maio de 2014: "Trata o presente, de Declaração de Compensação transmitida pelo Sistema PER/DCOMP sob nº 26074.67561.310706.1.3.041900, data da transmissão 31.07.2006, declarando a compensação com a utilização de créditos oriundos de Pagamento Indevido ou a Maior do tributo Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, código da receita 8109, referente ao período de apuração outubro/2001, no valor de R$ 14.168,23, contida em pagamento efetuado em 14/11/2001, no valor de R$ 14.168,23. Crédito da sucedida DRAFT I PARTICIPAÇÕES S/A – CNPJ nº 02.429.143/0001 49. Despacho Decisório eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Campinas – SP, datado de 24/08/2009, doc. de fl. 108 não homologou a compensação declarada sob o argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese: Quanto ao Direito. Que seu crédito é oriundo da Sucedida DARFT I PARTICIPAÇÕES S/A, e junta ao presente documentos da incorporação; Que o crédito referese ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, introduzido pela Lei nº 9.718/98, sendo que a partir da sua edição essas contribuições passaram a incidir não apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas, mas também sobre as suas demais receitas; Que as receitas auferidas pela DRAFT I PARTICIPAÇÕES S/A eram essencialmente receitas financeiras, não configurando faturamento decorrente da venda de bens e serviços, pois tem como objetivo social a participação em outras sociedades; Que a sucedida impetrou o Mandado de Segurança nº 1999.61.05.006021 9 visando obter decisão judicial que afastasse a exigência do PIS e da COFINS sobre suas receitas que não configurassem faturamento, e mesmo assim efetuou todos os recolhimentos das contribuições; Que com a decisão do Supremo Tribunal Federal – STF, tornaramse indevidos todos os pagamentos de PIS e COFINS feitos até então pela DRAFT I, tendo por base o artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98; Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10830.913618/200969 Resolução nº 3302000.833 S3C3T2 Fl. 4 3 Que conforme consta na Ficha 19a da DIPJ, anobase de 2001, exercício de 2002, o PIS foi recolhido em relação à receita de R$ 2.179.727,42 e que se refere a receita financeira conforme também se verifica da Demonstração de Resultado do Exercício; Que a Declaração de Compensação foi apresentada conforme autorizado e previsto na legislação aplicável. Que mantém a disposição para apresentação de quaisquer documentos adicionais bem como, se necessário, realização de diligência para verificação de quaisquer aspectos necessários; Quanto ao Pedido. Requer seja admitida sua Manifestação de Inconformidade e provida na íntegra para o efeito de reformando o Despacho Decisório proferido, validar integral a compensação efetuada nos termos acima descritos. Foram juntados ainda os seguintes documentos: 1. Petição inicial de Agravo de Instrumento com pedido de concessão de liminar no efeito suspensivo ativo, doc. de fls. 83 a 94; 2. Cópia da Decisão Judicial e certidão de trânsito em julgado datado de 10/02/2006, doc. de fls. 96 a 97; 3. Cópia da Ficha 19a cálculo do PIS, da DIPJ exercício 2002, doc. de fl. 99; 4. Cópia da DCTF ficha débito apurado e créditos vinculados, do PIS referente ao período de apuração de outubro/2001, doc. de fl. 100; 5. Cópia da Demonstração do Resultado, referente ao período de julho a dezembro de 2001, doc. de fl. 102; É o relatório.. No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, em apertada síntese, por não ter havido a comprovação do direito ao crédito por parte da recorrente, sendo traduzido na seguinte emenda: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/11/2001 PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1988. INCONSTITUCIONALIDADE. BASE DE CALCULO. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pelo plenário do STF, em julgamento submetido à sistemática prevista no art. 543B do CPC, e tendo a PGFN já adotado os procedimentos estabelecidos na Portaria PGFN/RFB nº 1, de 2014, as unidades da RFB devem reproduzir em suas decisões o entendimento adotado pelo STF, ou seja, que o PIS/Pasep e a Cofins devem incidir somente sobre o faturamento, escapando da incidência dessas contribuições as demais receitas. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10830.913618/200969 Resolução nº 3302000.833 S3C3T2 Fl. 5 4 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário onde, resumidamente, insurge se contra a alegação de que não teria comprovado seu direito ao crédito, fazendo juntar ao processo novos documentos que corroborariam aqueles já acostados aos autos, requerendo ao final a total procedência de seu apelo. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Podemos observar do relatório acima transcrito que a questão do presente processo cingise na possibilidade ou não da contribuinte realizar a compensação de débitos seus, com crédito anteriormente apurado por empresa incorporada. A decisão recorrida utilizou como razões para manter o indeferimento para a compensação, o fato de supostamente haver para o mesmo período débito de COFINS no mesmo valor, além de não ter a recorrente providenciado a DCTF retificadora, documento necessário para a comprovação do crédito pleiteado. Pois bem. Conforme alegado pela contribuinte recorrente a origem do crédito seria a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS estabelecida no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, verificada nos autos do mandado de segurança 1999.61.05.0060219, figurando como Impetrante a DRAFT (empresa incorporada), fato esse devidamente comprovado por documentos carreados aos autos. Referido crédito pode ser verificado quando observamos os demais documentos trazidos com a manifestação de inconformidade (DIPJ fl. 76, DCTF fl. 77, Comprovante Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10830.913618/200969 Resolução nº 3302000.833 S3C3T2 Fl. 6 5 recolhimento fl. 78, DRE fls 79), protocolada pela recorrente, assim como aqueles que comprovam a incorporação da DRAFT pela CPFL. Muito embora entenda que tais documentos possam comprovar a existência do crédito e a possibilidade de se promover a compensação nos moldes estabelecidos pela legislação, na hipótese de se promover a DCOMP eletrônica, o encontro de tais informações não é dado ao sistema, uma vez não existir a vinculação necessária para tanto. Não obstante, tal verificação poderia ter sido feita quando da analise da manifestação de inconformidade. Os documentos trazidos pelo recurso voluntário, em que pese fora do momento processual estabelecido pelo art. 16 do Decreto nº 70.235/72, corroboram os documentos já acostados ao caderno processual e demonstram a existência do crédito informado pela recorrente, o que em tese possibilitaria a compensação requerida. Vale ressaltar que restou comprovada ainda a impossibilidade de se promover a retificação da DCTF, conforme decidido pela DRJ, uma vez que a empresa incorporada, nos termos da legislação pertinente ao assunto, bem como demonstrado pelos atos societários juntados aos autos, deixou de existir, e por tal razão, a retificação não foi permitida pelo sistema da RFB. Assim, diante de todo o esforço da recorrente no sentido de provar a existência do crédito a ser compensado, houve de sua parte a demonstração de que os valores pleiteados seriam suficientes para a compensação e extinção do debito lançado na DCOMP, vale dizer houve a preocupação de se demonstrar que os valores devidamente atualizados fariam frente ao "pagamento" e extinção do débito da contribuição. Por todo o exposto, por entender estar comprovado o direito creditório alegado pela recorrente, voto no sentido de acolher suas razões e dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Voto Vencedor Conselheiro Vinícius Guimarães, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao fato de estar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em seu voto, o i. relator entendeu que os documentos acostados aos autos demonstram a existência do crédito pleiteado pela recorrente, possibilitando a compensação requerida. Todavia, não constam, no processo, documentos necessários à demonstração da natureza de algumas receitas no caso, atinentes à participação em outras sociedades , as quais Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10830.913618/200969 Resolução nº 3302000.833 S3C3T2 Fl. 7 6 poderiam servir de base de incidência de PIS/COFINS e, assim, influenciar na apuração do crédito alegado pela recorrente. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Redator designado. Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003145/2004-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966, combinado com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.
O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte.
Numero da decisão: 3301-005.339
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira , Marcelo Costa Marques D´ Oliveira, Ari Vendramini , Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira , Marcelo Costa Marques D´ Oliveira, Ari Vendramini , Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
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AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966, combinado com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira , Marcelo Costa Marques D´ Oliveira, Ari Vendramini , Salvador Candido Brandão Junior, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 31 45 /2 00 4- 27 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 19647.003145/200427 Acórdão n.º 3301005.339 S3C3T1 Fl. 183 2 Adoto o relatório constante da decisão recorrida (fls. 113 e seguintes), abaixo transcrito: O interessado identificado em epígrafe apresentou, em 07/04/2004, pedido de ressarcimento de IPI novalor de R$ 72.048,16, por suposto saldo credor do imposto, apurado fevereiro de 2004, em decorrência da aquisição de insumos, isentos e/ou tributados à alíquota zero. Posteriormente, transmitiu a PER/DCOMP n° 0523334435.150404.1.3.013830 declarando a compensação de débitos de IPI vencidos em março e abril de 2004. O crédito utilizado para a compensação foi aquele suposto crédito de IPI objeto do pedido inicial de ressarcimento, requerendo afinal a homologação dessas compensações. Embora o interessado haja omitido inicialmente qualquer informação acerca de existir, ou não, amparo judicial ao seu pleito, apurouse a existência de demanda judicial contra a Fazenda da União no âmbito do processo judicial n° 2002.83.00.0044607, cujo objeto se vincula ao pedido no presente processo administrativo. O Setor competente do SECAT, em consulta ao sitio eletrônico do E. STJ, obteve informações que evidenciam a interposição de recurso especial n° 644.500 ( 2004/00318349) com 'relação à AMS n° 82188PE, correspondente ao processo original cujo número foi identificado acima, pendente de julgamento. O interessado, depois de intimado, apresentou esclarecimentos acerca das demandas judiciais que corroboram o apurado pelo SECAT/DRF/REC (fls.58/62). Consta, às fls.72, despacho sucinto da equipe de fiscalização do IPI do SEFIS/DRF/REC, propondo o indeferimento do pedido porque feito em desacordo com a legislação vigente, não havendo crédito de IPI ressarcível a apurar. As razões apontadas ao indeferimento, às fls.83, são: (i) o pedido se fiindamenta em decisão judicial não transitada em julgado; (ii) não existe o direito de crédito pleiteado. Foi, então, proferido o Despacho Decisório DRF/REC de fls.84, adotando os fundamentos expostos no Termo de Informação Fiscal de fls.82/83, e determinando assim: “1. não reconhecer o direito creditório pleiteado referente a ressarcimento de IPI do primeiro trimestre de 2004; 2. declarar não homologadas as compensações de débitos const tes da PER/DCOMP n° 05233. 34435.150404.1. 3. 013830; 3. determinar a cobrança dos débitos declarados nas PER/DCOMP indevidamente compensados constantes das supracitadas PER/DCOMP Ao SEORT para dar ciência ao interessado, ressalvandolhe o direito de apresentar manifestação de inconformidade perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife, no prazo de 30 dias a contar da ciência deste ..." Fl. 183DF CARF MF Processo nº 19647.003145/200427 Acórdão n.º 3301005.339 S3C3T1 Fl. 184 3 Regularmente intimada em 17/09/2008, confonne AR de fls.86, foi protocolada a manifestação de inconformidade cujo teor integral se encontra às fls.88/96, em 19.09.2008, inicialmente no processo n° 19647.016124/2008O3, depois anexado aos presentes autos, em O1/ 12/2008, conforme despacho de fis.87 As principais razões de inconformidade podem ser essencialmente resumidas assim: 1. Acusase efetivo descumprimento de decisão judicial (REsp n° 644.500), pedese o reconhecimento do direito de manutenção dos créditos de IPI também no caso de saída com suspensão do imposto, com observância do §5° do art.29 da Lei n° 10.684/2003, e, por fim, a correção monetária dos créditos de IPI. 2. Em face do ,entendimento administrativo, corroborado na decisão ora vergastada, que não reconhece o direito da ora manifestante de se apropriar dos créditos decorrentes das aquisições de insumos desonerados, em seu livro de IPI (RAIPI), impetrouse Mandado de Segurança (processo n° 2002.83.00.0044667/PE). O pleito judicial foi deferido pelo E. TRF/5* Região em sede de apelação. A ora Defendente passou, então, a aproveitar seus créditos extemporâneos de IPI, fundada na decisão judicial, a qual, ressaltase, está em vigor. O processo judicial encontrase para'a apreciação de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, no âmbito do REsp n° 644500. 3. Nesse diapasão, a Defendente materializou a compensação de seus créditos de IPI com débitos seus relacionados a tributos administrados pela SRF, de acordo com a legislação de regência, e nos moldes exigidos pelo art.74 da Lei 9.430/96, que autorizou a compensação realizada pelo próprio contribuinte sujeito à condição homologatóriabulterior da Fazenda. 4. Reitera que todas as compensaçoes materializadas, dentre elas a que enseja o processo administrativo em foco, foram realizadas em total conformidade com os termos da decisão judicial cuja ementa foi transcrita assim: “(..)Em casos idênticos ao que aqui se apresenta venho adotando a jurisprudência dominante nos tribunais que ateda a existência do direito ao creditamento extemporâneo do IPI, decorrente da aquisição de matériaprima, produtos intermediários, material de embalagem e bens do ativo fixo adquiridos com tributação ou sujeitos a regime de isenção. imunidade, alíquota zero ou não incidência e utilizados na composição do produto final (STF RE n” 212. 4842, relator Ministro Nelson Jobim; TRF 5, AMS n° 601 75/SE. O direito ao crédito de IPI nessas circunstâncias se dá devido a uma oneração tributária excessiva na cadeia de produção, ferindo a nãocumulatividade do IPI (art. 153, §3”, inc. II, da CF/88). (...) (AIGTR n° 42.173/PE e A/L/lSn°82.I88PE). " 5. Há Parecer emitido pela própria Procuradoria da Fazenda Nacional, provocada a se manifestar nos autos do processo Fl. 184DF CARF MF Processo nº 19647.003145/200427 Acórdão n.º 3301005.339 S3C3T1 Fl. 185 4 administrativo n° 10480010459/200290, reconhecendo o direito da Impugnante nos seguintes termos: “(...) A decisão na AMS merece ser cumprida respeitandose seus estritos termos: deverá ser observado o direito efetivamente reconhecido no acórdão, O qual, como se depreende da cópia anexada, autoriza o particular tão somente a utilizarse dos créditos advindos das aquisições de INSWOS sob ISENÇÃO OUALÍQ UOTA ZERO, ATRA VES DE COMPENSAÇÃO COM O PROPRIO IPI OU COM OUTROS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS Tendo por pressuposto os limites da decisão colegiado nos do AMS n” 82.188PE, passaremos, pois , a responder os questionamentos bem colocados ao fim do Termo de Verificação Fiscal: a) há direito ao creditamento do IPI no livro de registros de apuração do IPI, diante da situação atual da apreciação da lide judicial e recursos diversos?Resposta: Em razão da acistência de ordem liminar e de decisão favorável proferida em Apelação, há direito ao creditamento do IPI no RAIPI,_porém exclusivamente quanto às aquisições de insumos sob isenção ou alíquota zero”. (Grifos da manifestante) 5. Com efeito, nada obstante o reconhecimento da vigência e efetividade da decisão judicial, houve seu descumprimento, posto que desconsidera o direito reconhecido judicialmente de aproveitamento dos insumos desonerados, bem como a incidência de correção monetária, de modo que o ato administrativo ora rechaçado incorre em flagrante ilegalidade. Sobre o direito ao crédito na aquisição de insumos desonerados e sua correção monetária apresenta a ementa de julgado, assim transcrito: “TRIBUTÁRIO EMBARGOS DE, DIVERGENCIA. RECURSO ESPECIAL IPI. CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO, ISENTOS OU NÃOTRIBUTADOS. APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS RESISTÊNCIA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA SIMULA 168/STI 1. A Primeira Seção, ao apreciar os Embargos de Divergência no 468. 926/SC, relatados pelo Ministro Teori Zavascki, entendeu ser devida a correção monetária dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos e matériaprima utilizados na fabricação de produtos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados, quando o ente público impõe resistência ao aproveitamento dos créditos. 2. Precedente do STF. 3. “Não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado " (Súmula I 68/STJ). Fl. 185DF CARF MF Processo nº 19647.003145/200427 Acórdão n.º 3301005.339 S3C3T1 Fl. 186 5 2. Embargos não conhecidos. (ST/TSI ~PRIl\/[EBM SEÇÃO: EREsp 614660/pr; DJ em l 1/05/2005) " 6. Deve ser considerada a pacífica jurisprudência do STJ no sentido de reconhecer o direito à correção monetária dos créditos reconhecidos, bem como dos valores que restarem validados posteriormente. 7. Quanto à forma de apuração dos créditos, Com efeito a decisão existente em favor da Impugnante termina por alargar a interpretação costumeiramente dada à incumulatividade do IPI, para efeito de garantir aos adquirentes de insumos desonerados de IPI, o direito de apuração do crédito nessas operações. Por inexistir valor destacado, do IPI, nocorpo das respectivas notas fiscais, a apuração do crédito se faz pela aplicação da alíquota prevista para a operação de saida do produto final, aplicada sobre o valor de aquisição do insumo desonerado. Sendo essa a única forma de se obter a efetividade do direito salvaguardado pelo Poder Judiciário à ora Defendente. O procedimento fiscal materializado em planilha (fls...), desrespeita a decisão judicial em pleno vigor que, certa ou errada, é favorável à Impugnante e deve ser cumprida pelo órgão fazendário, sob pena de infringência ao postulado da divisão de poderes albergado em nossa Carta Magna. Eis um dos motivos ensejadores da reforma ora pleiteada, a planilha fiscal que subsidia a decisão combatida desrespeita a decisão judicial favorável, sob a premissa falsa de inexistência dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos isentos de IPI ou submetidos à alíquota zero. 8. Ademais, a referida planilha fiscal glosou créditos referentes ao IPI suspenso. Assim dispõe o art.29 da Lei 10.63 7/2003, verbis: “Art 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3,4, 7,89,10,11,12,15,16,17,18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00. 00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05. 00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive 'f aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão 'do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redaçãoldada pela Lei n°10. 684, de 30.5.2003). ( ) §5o. A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial, fabricante das referidas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem”. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 19647.003145/200427 Acórdão n.º 3301005.339 S3C3T1 Fl. 187 6 9. Não é por outra razão que o §3° do a1t.5° da Lei 9.826/99, c/a redação dada pela Lei 10.485/2002, já assegurava no caso de suspensão do IPI a manutenção e utilização dos créditos de IPI. Assim, diante de todo o acima exposto, caracterizada a improcedência da decisão em vergaste, seja pela glosa indevida de créditos que possui a defendente, seja pelo efetivo descumprimento da decisão judicial em favor da Impugnante, seja, ainda, pelo inequívoco direito à correção monetária, requer seja reformada a decisão em foco. Conforme consta às fls.106, foram apresentadas manifestações de inconformidade contra os despachos decisórios proferidos nos processos n° 19647001993/20031 1, 19647001064/200492, 19647003297/200349, 10480.007213/20031, 19647.01 1377/200459, 19647 .O002 12/20045 1 , 19647.002282/2004 44 e 19647.003145/200427, constatandose ausência das assinaturas dos outros sócios da sociedade limitada no instrumento procuratório pertinente, com infração a cláusula do contrato social. Houve intimação da empresa interessada para que suprisse os presentes autos com nova procuração. Cumprida a exigência, conforme consta às fis.108/ 109, foi o processo remetido a esta DRJ para julgamento. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa (fl. 113): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÃO DESONERADA DO IPI. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM CURSO. Não se conhece do mérito coincidente com o objeto de ação judicial em curso impetrada pela interessada, devendo prevalecer a decisão final a ser exarada pelo Poder Judiciário. sAÍDA COM SUSPENSÃO DO IPI. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO NA AQUISIÇÃO ISENTA OU SUBMETIDA À ALÍQUOTA ZERO Segundo O entendimento oficial, na cadeia de produção industrial, da aquisição do insumo onerada pelo IPI resultará direito de crédito. Não sendo tributado o produto final porque imune, isento, submetido à alíquota zero ou mesmo nãotributado NT, ainda que a aquisição do insumo se desse com suspensão do imposto, remanesceria direito de crédito relativo à aquisição Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19647.003145/200427 Acórdão n.º 3301005.339 S3C3T1 Fl. 188 7 onerada. No presente caso, no entanto, tratamse de aquisições de insumos isentas do IPI ou submetidas à alíquota zero. AUSENCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A CORREÇÃO MONETARIA DE CREDITO ESCRITURAL. Não há previsão legal de atualização monetária de créditos escriturais. Não se confunde a natureza do crédito de IPI decorrente de eventual aquisição de MP, PI ou ME, utilizados na fabricação do produto final com a de um mero indébito, posto que aquele obedece a regime jurídico especial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 140 e seguintes), no qual a Recorrente assevera que não há concomitância nas esferas administrativa e judicial, defende seu direito à restituição/ressarcimento e também solicita que sejam analisadas suas declarações de compensação. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Defende a Recorrente seu direito de utilizar créditos relativos a decisão judicial ainda não transitada em julgado. Observese, contudo, que a utilização de crédito ainda pendente de decisão judicial definitiva encontrase expressamente vedada no art. 170A do CTN, e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, os quais transcrevemos: Código Tributário Nacional Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Lei nº 9.430, de 1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) Fl. 188DF CARF MF Processo nº 19647.003145/200427 Acórdão n.º 3301005.339 S3C3T1 Fl. 189 8 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado;ou (grifouse) Cabe consignar a informação de que o processo judicial em pauta teve trânsito em julgado com decisão desfavorável à Recorrente, com a seguinte ementa: AMS 82188/PE (2002.83.00.0044607) APTE : ENGARRAFADORA IGARASSU LTDA ADV/PROC : FÁBIO HENRIQUE DE ARAÚJO URBANO e outros APDO : FAZENDA NACIONAL ORIGEM : 7ª Vara Federal de Pernambuco (Especializada em Questões Agrárias) RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL VLADIMIR SOUZA CARVALHO (Ementa) Tributário. Retorno dos autos para, se for o caso, se proceder a adequação do acórdão, nos termos do art. 543B, § 3º, do Código de Processo Civil, por destoar do entendimento adotado em repercussão geral, RE 562.980, que tem como questão controvertida o creditamento de IPI em relação à aquisição de insumos ou de produtos intermediários aplicados na fabricação de produtos finais sujeitos à alíquota zero ou isentos. 1. O entendimento do Supremo Tribunal Federal é de apenas haver direito constitucional a créditos de IPI, com supedâneo no princípio da não cumulatividade, quando se verifica superposição impositiva, com a incidência tributária na operação antecedente e também na de saída dos produto, exceto diante de previsão de lei específica, o que não é o caso dos autos, vez que se trata aqui de insumos sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados e produto final tributado. 2. O acórdão recorrido destoa do entendimento do Supremo Tribunal Federal ao conferir à apelante o direito aos créditos de IPI decorrentes da aquisição de insumos isentos ou tributados à alíquota zero, diante de produto final tributado. 3. Adequação do julgado ao entendimento do Supremo Tribunal Federal, passando se a negar provimento à apelação da Empresa. (Acórdão) Vistos, etc. Decide a Egrégia Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, adequar o acórdão recorrido, nos termos do relatório, voto e notas taquigráficas constantes dos autos. Recife, 10 de março de 2015. (Data do julgamento) Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19647.003145/200427 Acórdão n.º 3301005.339 S3C3T1 Fl. 190 9 Ademais, adotase o entendimento constante da decisão de piso no sentido de que (fl. 120): No caso concreto, segundo as informações colhidas pela DRF/REC, e corroboradas pela manifestante, a demanda judicial proposta contra a Fazenda Nacional tem objeto em parte coincidente com o proposto no presente processo administrativo. As informações anexadas evidenciam a interposição de recurso especial (REsp n° 644.500 2004/00318349) com relação à AMS 82188PE, correspondente ao processo original n° 2002.83.00.0044607, pendente de julgamento. Não cabe no presente processo reconhecer ou autorizar matéria submetida e decidida pelo Poder Judiciário. Portanto, não se toma conhecimento da parte do mérito que coincide com o objeto da ação judicial em curso, e quanto ao mérito remanescente, desbordante da lide judicial, propõese manter o indeferimento do pedido. Diante do exposto, voto por conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 190DF CARF MF
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