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Numero do processo: 10880.905434/2013-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais. (assinado digitalmente) Sergio Abelson - Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 132 1 131 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.905434/201316 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1001000.088 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Ordinária Data 09 de abril de 2019 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente WA INFORMÁTICA CONSULTORIA E COMERCIALIZAÇÃO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 08/08/2008 através do PER/DCOMP nº 01873.82780.080808.1.3.020270. Tem por objeto o Saldo Negativo de IRPJ apurado pela empresa no 4º trimestre do anocalendário de 2003, no valor de R$ 27.296,38. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 05 43 4/ 20 13 -1 6 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.905434/201316 Resolução nº 1001000.088 S1C0T1 Fl. 133 2 Ao mesmo crédito vinculamse também as PER/DCOMP nº 01410.70693.110808.1.3.025179 e nº 15165.80871.190808.1.3.028709. O pedido foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo (DeratSP), com fundamento no Despacho Decisório nº 048937309, eletrônico, de 04/04/2013 (fl. 16). O Despacho Decisório informou que, analisada a PER/DCOMP, dos R$ 86.518,61 informados como retenção na fonte, apenas R$ 66.034,64 haviam sido confirmados pelos sistemas da Receita Federal. Que o valor original do saldo negativo informado nos PER/DCOMP, confirmado na DIPJ, era de R$ 27.296,38. Que, considerandose apenas os valores de retenções na fonte confirmados, o valor do saldo negativo disponível era de R$ 6.812,41. Que o crédito reconhecido era insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual homologava parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 15165.80871.190808.1.3.028709 (detalhamento do Despacho Decisório à fl. 21). As retenções de imposto não confirmadas, no valor total de R$ 20.483,97 (R$ 86.518,61 – R$ 66.034,64), são detalhadas no quadro constante à fl. 20, denominado Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas. Cientificado, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 22 a 64, alegando que as retenções na fonte informadas na PER/DCOMP são objeto de rigoroso controle por parte da empresa, e que no demonstrativo que apresenta às fls. 32 a 42, extraído de sua contabilidade, verificase que a diferença apontada explicase, em sua maioria, por pequenas diferenças de retenção entre matrizes e filiais das fontes pagadoras. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – RJ, no Acórdão de Manifestação de Inconformidade às fls. 82 a 86, negou provimento à manifestação da empresa, confirmando o Despacho Decisório. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. QUARTO TRIMESTRE 2003. ANTECIPAÇÕES DE IRRF. FALTA DE PROVAS. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o fato que lhe deu causa. Argumentou que o interessado não trouxe ao processo os comprovantes das retenções não confirmadas pela DeratSP. Que não há provas de que as receitas correspondentes tenham sido oferecidas à tributação. Que a alegação de inconsistências entre os CNPJ de matrizes e filiais não foram comprovadas. Concluiu que, não comprovada a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado, o Despacho Decisório eletrônico deveria ser mantido. Inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 89 a 93. Nele alega que, das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 20.483,97, parte (R$ Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.905434/201316 Resolução nº 1001000.088 S1C0T1 Fl. 134 3 7.130,63) não foi confirmada porque declarada à Receita Federal pelo CNPJ da matriz, enquanto nos PER/DCOMP foram informados os CNPJ das filiais. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Como dito acima, a recorrente afirma que das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 20.483,97, parte, no valor de R$ 7.130,63, não se confirmou porque foi declarada à Receita Federal, através de Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF, no CNPJ das matrizes das fontes pagadoras, enquanto em seus PER/DCOMP as retenções foram informadas nos CNPJ das filiais. Junta, no corpo do recurso, planilha com a lista das referidas retenções, totalizando R$ 7.130,63, informando, para cada retenção, o CNPJ da filial que a efetuou e o CNPJ da matriz responsável pela DIRF. De fato, verificase que na PER/DCOMP (fls. 2 a 15) as retenções foram informadas pelos CNPJ das filiais. E, de fato, em obediência ao artigo 15, incisos I e IV, da Lei nº 9.779/1999, abaixo reproduzidos, os pagamentos de IRRF são efetuados, obrigatoriamente, de forma centralizada pela matriz da empresa, bem como a declaração a eles referente: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; (...) IV a apresentação das declarações de débitos e créditos de tributos e contribuições federais e as declarações de informações, observadas normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Para confirmar a informação trazida pela recorrente, é necessário que se acesse as DIRF das fontes pagadoras, nas quais supostamente há o detalhamento das retenções na fonte de cada uma de suas filiais. Tratase de confirmação indispensável ao julgamento do processo. Tais informações, disponíveis nos sistemas da Receita Federal, independem de intimação à recorrente ou da apresentação de qualquer documento de sua parte. Caso se comprovem verdadeiras, influenciarão de forma decisiva o reconhecimento do direito de crédito, no valor retido informado nas DIRF. Caso houvessem sido detectadas pelos sistemas, ou verificadas Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.905434/201316 Resolução nº 1001000.088 S1C0T1 Fl. 135 4 manualmente na unidade de origem, os valores de crédito correspondentes teriam sido automaticamente homologados. Diante do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando o retorno do processo à unidade de origem, para que esta confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela Recorrente na planilha constante do Recurso Voluntário (planilha à fl. 132), as retenções na fonte efetuadas pelas filiais ali elencadas. A unidade de origem deverá elaborar relatório fiscal conclusivo sobre as apurações e cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência realizada, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720925/2013-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.451
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 09 25 /2 01 3- 25 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10925.720925/201325 Acórdão n.º 3402006.451 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa, transmitido pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa não deferiu integralmente o pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) houve necessidade de ajuste do percentual de rateio para o ressarcimento dos créditos, pois representa a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 14075.908. Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário ora em apreço, sustentando, em síntese: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10925.720925/201325 Acórdão n.º 3402006.451 S3C4T2 Fl. 4 3 i) O critério de rateio adotado pela fiscalização não tem amparo legal. Não há, em toda a legislação que rege o PIS/Pasep e a Cofins, no regime não cumulativo, nada que prescreva ou autorize o procedimento adotado pela fiscalização, no sentido de excluir as receitas suspensas, isentas, alíquota zero e sem incidência, na composição do montante das receitas não tributadas. ii) A autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006 para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos. iii) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. iv) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente pela taxa Selic desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.431, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.720269/201018, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.431): "Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10925.720925/201325 Acórdão n.º 3402006.451 S3C4T2 Fl. 5 4 suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outras matérias objeto do Despacho Decisório que não constaram na sua primeira defesa, quais sejam: a) recálculo efetuado pela fiscalização do índice de rateio (receita não tributada no mercado interno/receita total) para a obtenção do montante do crédito a ressarcir e b) realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10925.720925/201325 Acórdão n.º 3402006.451 S3C4T2 Fl. 6 5 matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10925.720925/201325 Acórdão n.º 3402006.451 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa ao "recálculo do índice de rateio" e à "realocação de crédito relativo a bens para revenda". De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida nos tópicos da peça recursal relativos ao índice de rateio e à realocação de crédito. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402 006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que "não procede o argumento lançado pela autoridade fiscal no sentido de que as vendas de suínos e de leite “in natura”, efetuadas pela recorrente, não se Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10925.720925/201325 Acórdão n.º 3402006.451 S3C4T2 Fl. 8 7 deram nas condições em que se aplicaria a suspensão do pagamento das contribuições". Argumenta que "a autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006, para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos". No entanto, especificamente no presente processo, observase da leitura atenta do Despacho Decisório que a questão da não vigência da suspensão no período de apuração (prazo prorrogado no art. 11 da IN nº 660/2006) não foi suscitada pela fiscalização e não representou nenhum óbice ao pedido de ressarcimento da interessada, como se denota nos trechos abaixo do Despacho Decisório: (...) (...)[as] operações classificadas pela contribuinte como saídas com suspensão não ocorreram as condições de suspensão elencadas na legislação de regência – é o caso da compra para revenda de suínos, que na verdade estavam sob o campo de incidência das contribuições sociais em causa. (...) Com efeito, não estão inseridos no contexto da suspensão de incidência de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 as aquisições de produtos agropecuários para revenda –o que ocorreu em larga escala ao efetuar a compra de leitoões de associados e não associados para revendêlos a outros, além da compra de suínos para revenda a Cooperativa Central Oeste Catarinense Aurora. De fato, às aquisições para revenda não se aplica a apuração dos créditos presumidos e nem a suspensão. A concessão de favor fiscal vinculado ao requisito de destinação a consumo humano ou animal deve ser entendido como destinação imediata do produto ao consumo (produtos do art. 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004). Conseguintemente, se a agroindústria comercializar as mercadorias produzidas para outras indústrias, sejam ou não do setor alimentício, onde serão utilizadas em novo processo industrial, resta descaracterizada a destinação ao consumo humano ou animal. (...) De outra banda, a determinação estampada na IN SRF nº 636/2006 que dispõe sobre a suspensão da exigibilidade das indigitadas contribuições é claro no sentido na impossibilidade do aproveitamento de créditos em relação as aquisições de insumos de produtos agropecuários Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10925.720925/201325 Acórdão n.º 3402006.451 S3C4T2 Fl. 9 8 vendidos com suspensão dessas contribuições. Observe se: (...) 2.2.2. Operações com suspensão da exigibilidade das contribuições. Sistema de parceria para a criação de Suínos e da Venda do leite “in natura” e cereais (milho e soja). A receita da venda de cereais (milho e soja) da venda de suínos que foram criados pelo sistema de integração e da venda de leite “in natura” ocorreu com suspensão da exigibilidade das contribuições Pis e Cofins não cumulativo de acordo com os registros contábeis e fiscais apresentados. Observese: (...) De fato, os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 permitem às sociedades cooperativas efetuarem a venda destes insumos com suspensão da incidência das indigitas contribuições. O artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, propicia às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, deduzir crédito presumido calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Permite também, no seu § 1º, I, que as aquisições, por essas mesmas pessoas, quando efetuadas de cerealistas também tenham direito a esse crédito presumido: (...) A par do crédito presumido atribuído ao adquirente dos produtos, o artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 determina a suspensão das contribuições, quando da venda de certos produtos agrícolas, por, entre outros, cooperativas, “litteris”: Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifei) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10925.720925/201325 Acórdão n.º 3402006.451 S3C4T2 Fl. 10 9 do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifouse) Os produtos relacionados no § 1º do artigo 8º, que quando de sua venda admitem suspensão, são os incluídos nos códigos NCM 09.01 (café), 10.01 a 10.08 (trigo, centeio, cevada, aveia, milho, arroz, sorgo de grão, alpiste e outros cereais) exceto os dos códigos 1006.20 (arroz descascado) e 1006.30 (arroz semibranqueado ou branqueado), 12.01 (soja) e 18.01 (cacau). Ao conceder a suspensão quando da venda desses produtos, a Lei nº 10.925/2004 também estabeleceu a vedação ao aproveitamento do crédito presumido e de créditos em geral por parte de quem vende com suspensão. Essa vedação aparece no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004: (...) 2.2.3 Apuração dos créditos de bens para revenda (Linha 1 do DACON). (...) Como regra geral, a aquisição de produtos para revenda gera direito ao crédito, no entanto, em relação aos produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não alcançados pela tributação, há vedação expressa neste sentido por parte do revendedor e do produtor. (...) Dos dispositivos legais acima colacionados, verificase que a regra é a apuração de crédito em relação à aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Todavia, o texto legal constante no art. 3º, § 2º, II, determina expressamente que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Nesse diapasão, possível concluir que não dá direito a crédito a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência da alíquota zero uma vez que o legislador determinou que não gera crédito o valor das aquisições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, exceto quando adquiridos com isenção, se os referidos bens forem utilizados para gerar receita tributável. (...) Em outras palavras, tendo a contribuinte adquirido créditos, na forma do art.3º, das Leis nºs 10.637, de 2002 e Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10925.720925/201325 Acórdão n.º 3402006.451 S3C4T2 Fl. 11 10 10.833, de 2003, por haver arcado com o ônus do pagamento dos tributos incidentes na cadeia da produção, esses créditos serão mantidos, ainda que as vendas efetuadas forem efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição, por determinação legal. É o caso, por exemplo, dos próprios custos suportados pela contribuinte, na operação de revenda dos seus produtos, tais como, energia elétrica, transporte, locações e outros créditos vinculados que sofreram a incidência do PIS e da Cofins. Não podendo ser incluído aí o custo das compras da mercadoria por ela revendida, quando foi afastada a tributação como no caso da ocorrência de alíquota zero ou isenção, o que é o caso da revenda de: sementes, fertilizantes, defensivos, corretivos, medicamentos, etc. Assim, o art.17 da Lei nº 11.033/2004 permite a manutenção de créditos na tributação concentrada no fabricante ou importador não sendo possível manter crédito do PIS/Pasep e da Cofins nas aquisições para revenda de produtos sujeitos à incidência monofásica ou sujeitos a alíquota zero, isentos ou não tributados e, por conseguinte, conceder ressarcimento ou compensação. Alega também a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10925.720925/201325 Acórdão n.º 3402006.451 S3C4T2 Fl. 12 11 processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 3301 00.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303 005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10925.720925/201325 Acórdão n.º 3402006.451 S3C4T2 Fl. 13 12 a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 249DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.723228/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA. SÚMULA CARF Nº 84.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1201-002.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação d e indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem proferir novo despacho decisório, apreciando a liquidez e a certeza do indébito declarado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ESTIMATIVA. SÚMULA CARF Nº 84. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação d e indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem proferir novo despacho decisório, apreciando a liquidez e a certeza do indébito declarado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório ELMAZ TARRAF COMÉRCIO DE CAMINHÕES E ÔNIBUS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 32 28 /2 00 9- 60 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10680.723228/200960 Acórdão n.º 1201002.965 S1C2T1 Fl. 328 2 nº 0236.581 (fls. 82), pela DRJ Belo Horizonte, interpôs recurso voluntário (fls. 95) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O processo trata de declaração de compensação a qual aponta direito creditório no valor de R$ 3.682,53 oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL (fls. 73). A compensação foi não homologada pela Administração Tributária, nos termos do despacho decisório de fls. 71: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Contra essa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 42, a qual foi julgada improcedente pela DRJ, em decisão que recebeu a seguinte ementa (fls. 82): COMPENSAÇÃO ESTIMATIVA MENSAL PAGA A MAIOR. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo anual de IRPJ ou de CSLL. Cientificado dessa última decisão, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 95, por meio do qual repisa os argumentos já trazidos na sua manifestação de inconformidade, pelos quais não haveria fundamento legal para a limitação do alcance do mecanismo de compensação, acrescentando que as provas que podem ser acessadas pela fiscalização são suficientes para demonstrar o crédito. Com isso requer a reforma de decisão atacada, para que seja homologada a compensação realizada. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão recorrida em 17/01/2012 (fls. 92) e apresentou o seu recurso voluntário em 15/02/2012 (fls. 95), dentro do prazo recursal. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O contribuinte apresentou declaração de compensação em que aponta crédito oriundo do pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL recolhido em 31/01/2005, no valor de R$ 8.000,00. A Administração Tributária não homologou a compensação por Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10680.723228/200960 Acórdão n.º 1201002.965 S1C2T1 Fl. 329 3 entender que o pagamento de estimativa não pode ser objeto de DCOMP, devendo ser levado à apuração anual do respectivo tributo. Tal entendimento foi corroborado na decisão de piso. No presente recurso voluntário, o contribuinte afirma que não haveria fundamento legal para a limitação do alcance do mecanismo de compensação, acrescentando que a fiscalização teve acesso a todos os registros fiscais do contribuinte. A decisão recorrida tem como fundamento o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, o qual determina a impossibilidade da restituição de pagamento indevido ou a maior de estimativa. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa, conforme a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Com isso, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, para que seja superada a questão legal preliminar que a fundamentou. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem proferir novo despacho decisório apreciando a liquidez e a certeza do indébito declarado. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009806/2005-50
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2003
MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO. EXIGIBILIDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. REVOGAÇÃO. MULTA DE MORA. INTERRUPÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL.
A incidência da multa de mora fica interrompida até trinta dias após a revogação ou cassação da medida liminar que tenha suspendido o crédito tributário. O depósito judicial efetuado dentro desse prazo não deve conter a multa de mora, para ser considerado integral, hipótese em que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário permanece, descabendo, no lançamento para prevenir a decadência, a aplicação da multa de ofício.
Numero da decisão: 9303-008.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2003 MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO. EXIGIBILIDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. REVOGAÇÃO. MULTA DE MORA. INTERRUPÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. A incidência da multa de mora fica interrompida até trinta dias após a revogação ou cassação da medida liminar que tenha suspendido o crédito tributário. O depósito judicial efetuado dentro desse prazo não deve conter a multa de mora, para ser considerado integral, hipótese em que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário permanece, descabendo, no lançamento para prevenir a decadência, a aplicação da multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2003 MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO. EXIGIBILIDADE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. REVOGAÇÃO. MULTA DE MORA. INTERRUPÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. A incidência da multa de mora fica interrompida até trinta dias após a revogação ou cassação da medida liminar que tenha suspendido o crédito tributário. O depósito judicial efetuado dentro desse prazo não deve conter a multa de mora, para ser considerado integral, hipótese em que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário permanece, descabendo, no lançamento para prevenir a decadência, a aplicação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 98 06 /2 00 5- 50 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11080.009806/200550 Acórdão n.º 9303008.410 CSRFT3 Fl. 310 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 340101.693, de 14/02/2012, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. para afastar a multa de ofício, nos termos da ementa reproduzida abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2003 MEDIDA LIMINAR DENEGADA. INÍCIO DO TRINTÍDIO EM QUE NÃO HÁ A INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA DO DÉBITO QUE PASSOU A SER DEVIDO. DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL EFETUADO ANTES DO TÉRMINO DO PRAZO DE TRINTA DIAS. DESCABIMENTO DE MULTA. Para fins de exigência de multa moratória sobre o valor que passou a ser devido em face de decisão judicial que revogou medida liminar anterior suspendendo a exigência de crédito tributário, de se obedecer ao prazo de trinta dias, contados a partir da nova decisão judicial. Desta forma, o depósito judicial efetuado antes do inicio da ação fiscal e dentro do referido trintídio legal, acrescido dos juros por atraso em relação à data de vencimento da obrigação, não deve ser acrescido também de multa de mora para ser considerado integral, devendo ser afastada a multa de oficio aplicada." No recurso especial, a Fazenda Nacional suscita divergência, quanto ao cancelamento da multa de ofício, alegando, em síntese, que o valor da contribuição depositado judicialmente foi inferior ao valor devido; assim por não ter sido integral ao montante considerado devido pelo Fisco, não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito, conforme disposto no art. 151, inc. II, do CTN; entender de outra forma, contraria este dispositivo legal e ainda o art. 141, desse mesmo Código, e o art. 63 da Lei nº 9.430/1996. Por meio do despacho às fls. 288e/289e, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o contribuinte interpôs contrarrazões, requerendo, em preliminar, o seu não conhecimento, sob o fundamento de que os paradigmas apresentados não tratam da mesma matéria; e, no mérito, a sua manutenção, pelos seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11080.009806/200550 Acórdão n.º 9303008.410 CSRFT3 Fl. 311 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso apresentado pela Fazenda Nacional atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto à preliminar de não conhecimento do recurso especial, suscitada pelo contribuinte, ao contrário do seu entendimento, ambos os paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional enfrentaram a mesma matéria e servem para comprovar a divergência. A multa de ofício em discussão decorreu do lançamento da contribuição para o PIS não cumulativo cuja exigência foi objeto da ação judicial nº 2005.71.00.0047675 na qual o contribuinte discutia a legalidade dessa contribuição sobre as receitas de juros sobre o capital. De acordo com os autos, em 24 de fevereiro de 2005, o contribuinte obteve liminar suspendendo a exigibilidade do crédito tributário (fls. 189e). No julgamento de mérito, a segurança foi denegada e a liminar suspensa, conforme sentença, datada de 17 de junho de 2005, cópia às fls. 190e/197e. Assim, a partir de 23 de junho de 2005, data em que foi publicada, iniciouse o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, para se efetuar o pagamento ou o depósito judicial da contribuição. A multa de mora passou a ser exigível somente a partir de 24 de julho de 2005. O depósito judicial foi efetuado em 28 de junho de 2005, conforme cópia às fl. 156e, no valor total de R$1.786.863,29, portanto, dentro do prazo de interrupção da multa de mora. Dessa forma, o demonstrativo efetuado pela Fiscalização às fls. 207e ficaria da seguinte forma: PA VENCIMENTO PIS JUROS TOTAL DO DÉBITO dez/2003 15/01/2004 260.908,46 57.165,04 318.073,50 mar/2004 15/04/2004 251.297,32 45.912,02 297209,348 jun/2004 15/07/2004 251.899,59 36.575,82 288.475,41 set/2004 15/10/2004 260.233,22 28.027,11 288.260,33 dez/2004 14/01/2005 275.326,69 18.336,75 293.663,44 mar/2004 15/04/2005 293.835,39 7.345,88 301.181,27 Total: 1.593.500,67 193.362,62 1.786.863,29 Portanto, o contribuinte realizou o depósito no valor integral. Ainda que assim não fosse, os valores depositados deveriam ser alocados aos débitos a partir de dezembro Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11080.009806/200550 Acórdão n.º 9303008.410 CSRFT3 Fl. 312 4 de 2003, que estaria, obviamente, totalmente abrangido pelos depósitos. Como o presente lançamento referiuse apenas ao período em questão, ou seja, competência de 31/12/2003, não haveria que se falar em insuficiência de depósitos. Dessa forma, quando foi lavrado o auto de infração, em 20 de dezembro de 2005, o crédito tributário, para a competência de 31/12/2005, objeto do lançamento em discussão, estava suspenso por depósito judicial integral, nos termos do art. 151, inciso II do CTN. Assim sendo, não há que se falar em lançamento de multa de ofício. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11080.009806/200550 Acórdão n.º 9303008.410 CSRFT3 Fl. 313 5 Fl. 313DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.720048/2004-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. TROCA DE FORMULÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é admitida a retificação de declaração de ajuste anual que tenha apenas o objetivo de alterar o modelo de tributação.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.006
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Matéria: IRPF- processos que não versem s/exigência cred.tribut.(NT)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. TROCA DE FORMULÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não é admitida a retificação de declaração de ajuste anual que tenha apenas o objetivo de alterar o modelo de tributação. Recurso negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-04-11T14:33:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-04-11T14:33:02Z; Last-Modified: 2012-04-11T14:33:02Z; dcterms:modified: 2012-04-11T14:33:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:adbaf39e-007c-49ed-8c32-289333b6bfac; Last-Save-Date: 2012-04-11T14:33:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-04-11T14:33:02Z; meta:save-date: 2012-04-11T14:33:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-04-11T14:33:02Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-04-11T14:33:02Z; created: 2012-04-11T14:33:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2012-04-11T14:33:02Z; pdf:charsPerPage: 901; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-04-11T14:33:02Z | Conteúdo => MARCOS CÂNDIDO CAI S2-CIT1 Fl. 85 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10670.720048/2004-31 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 2101-01.006 — V Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 15 de março de 2011 Matéria IRPF Recorrente EUCI VIEIRA DA PAIXÃO FERNANDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA - IRPF Exercício: 2002 IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. RETIFICAÇÃO. TROCA DE FORMULÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não é admitida a retificação de declaração de ajuste anual que tenha apenas o objetivo de alterar o modelo de tributação. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Col a tk, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do fator. Presidente C/QL: ALEXANDRE NAOKI Relator ISHIOKA EDITADO EM: 16.02.2012 Processo n° 10670.720048/2004-31 S2-C1T1 AcórdAo n.° 2101-01.006 Fl. 86 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 56/57) interposto em 20 de março de 2009 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (fls. 47/49), do qual a Recorrente teve ciência em 09 de março de 2009 (fl. 54), que, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a não homologação da compensação originária da DCOMP Eletrônica n° 23022.22459.170804.2.3.04-4600, posteriormente retificada pela DCOMP Eletrônica Retificadora n° 26507.77711.251004.2.7.04-5023 (fls. 02/07), visando a compensar os débitos nelas declarados, de IRPF relativo ao ano-calendário de 31/12/2003, com vencimentos em 30/07/2004, 31/08/2004 e 30/09/2004, código 0211, com alegado pagamento indevido de IRPF relativo ao ano-calendário de 2001, recolhido por meio de DARF em 30/04/2002, código 0211. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002 DIRPF. TROCA DE FORMULÁRIO. Em se tratando da declaração de rendimentos da pessoa física, após o prazo previsto para sua entrega, incabível a retificação que tenha por objetivo a troca de formulário. COMPENSAÇÃO 0 crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP. Solicitação Indeferida" (fl. 47). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 56/57), basicamente repisando os argumentos ventilados em sua impugnação, no sentido de que, com a apresentação de nova declaração retificadora, é possível constatar que foi pago valor maior do que o devido, razão pela qual haveria saldo remanescente a autorizar a compensação. o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. 2 Processo n° 10670.720048/2004-31 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-01.006 Fl. 87 A Recorrente sustenta, em seu recurso voluntário, que, por se tratar do primeiro ano em que teria entregue a declaração de imposto de renda como pensionista, e diante do desconhecimento da possibilidade de declaração do imposto de renda dos seus filhos separadamente, apresentou, em 16/04/2002, Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercicio de 2002, no modelo completo (fl. 41), na qual informou, além da pensão da qual era beneficiária, a parcela relativa à renda continuada por morte da qual são beneficiários os seus filhos, Rodrigo Vieira Alane Fernandes e Matheus Vieira Alane Fernandes, totalizando, como rendimentos tributáveis, o valor de R$ 62.520,39. Em 16/08/2004, um dia antes da entrega da DCOMP, apresentou uma Declaração de Ajuste Anual retificadora, no modelo simplificado (fl. 42), na qual declara como total de rendimentos tributáveis o montante de R$ 29.752,64, o que gerou uma redução da parcela do imposto de renda a pagar, tomando disponível, consequentemente, os pagamentos que havia efetuado mediante DARFs, objetos do pedido de compensação. Na data da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação, em 06/06/2005, a Recorrente apresentou nova Declaração de Ajuste Anual retificadora (fls. 43 e 75), agora no modelo completo, reiterando a informação apresentada na declaração retificadora anterior acerca do total dos rendimentos tributáveis, no valor de R$ 29.752,64. Diante desse quadro, requer a Recorrente, em seu recurso, o reconhecimento do crédito objeto da compensação realizada, uma vez que os pagamentos efetuados por meio dos DARFs referem-se ao imposto indevidamente informado a maior na Declaração de Ajuste anual originária, a qual foi objeto de retificação. 0 exame dos elementos constantes nos autos permite inferir que, de fato, os valores constantes na declaração originária englobavam os montantes relativos as rendas continuadas por morte percebidos pela Recorrente e seus dois filhos, os Srs. Rodrigo e Matheus. A primeira Declaração de Ajuste Anual retificadora foi apresentada pela Recorrente em 17/08/2004, anteriormente, portanto, à entrega da DCOMP. Ao apreciar a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, a 1a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), com acerto, houve por bem indeferi-la, sob o fundamento de ser incabível a retificação que tenha por objeto a troca de formulário e, bem assim, que o crédito usado na compensação tem de estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. Isto porque a IN SRF n.° 15, de 06 de fevereiro de 2001, determina, em se art. 57, que, após o prazo previsto para a entrega da declaração, não sera admitida a entrega de declaração retificadora que tenha por objetivo a troca de modelo. Veja-se: "Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Parágrafo Calico. Relativamente As declarações apresentadas até o exercício de 1998, inclusive, sera permitida a sua reti ficação se o contribuinte, obrigado a utilizar o modelo completo, optou pelo modelo simplificado." 3 Processo n° 10670.720048/2004-31 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-01.006 Fl. 88 No presente caso, o que houve foi uma retificação da declaração de ajuste anual para alterar opções realizadas pela Recorrente. Na realidade, não houve propriamente erro de fato que justificasse a aceitação da segunda retificação, pois, na verdade, a contribuinte não alterou os valores informados a titulo de pensão, mas apenas mudou a forma de declará- los, o que é expressamente vedado pela legislação. recurso. Eis os motivos pelos quais voto no ntido de NEGAR provimento ao Q}.0L ALE A DRE NAOKI NISHIOKA Relator 4
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Numero do processo: 10983.906594/2009-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1332; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.906594/200948 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.183 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 10 de abril de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente 4S INFORMATICA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO FATOGERADOR 30/07/2004 COMPENSAÇÃO Cabe ao sujeito passivo apresentar as provas hábeis da existência do crédito tributário, que deseja compensar, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 14 47.089, da 6ª Turma da DRJ/RPO, que considerou improcedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 65 94 /2 00 9- 48 Fl. 61DF CARF MF 2 inconformidade contra o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação feito através da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 34379.50136.200605.1.3.042337. Transcrevo, a seguir o relatório: Em decisão proferida pela DRF Florianópolis em 22/06/2009 (ciência em 29/06/2009), não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não foi homologada a compensação declarada no presente processo, em razão da constatação de que o valor pago foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. Em 13/07/2009, irresignado, interpôs o contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega que após confrontar os valores declarados na DCOMP com a DIPJ 2005, percebeu que a DCTF referente ao 2° trim./04 não havia sido retificada, o que ocasionou a não homologação do crédito. Informa que entregou em 30/06/2009 DCTF retificadora corrigindo as informações e solicita o cancelamento do Despacho Decisório e a aceitação da DCTF anexa, que demonstra o crédito utilizado na DCOMP. Cientificada (eletronicamente) em 31/01/2014 (fl 28), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 25/02/2014 (fl 30). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente apresenta uma preliminar que, na verdade, se confunde com a descrição dos fatos. Neste sentido, afirma que: · a empresa recolheu a maior que o devido a importância de R$593,14; · apresentou DCTF retificadora; · que a DIPJ do ano de 2005 informa corretamente o valor da IPI do 3° decêndio de 2004. OBS: o valor do DARF recolhido COD 20891, data de 30/07/2004, foi o valor de R$24.897,33. · que não representou prejuízo para o Erário, posto que recolheu a maior (conforme acima). Como razões de mérito (cita doutrina), aduz: · em função do tempo já decorrido, a não homologação do perd/comp, vai acarretar inclusive a perda integral do crédito recolhido a maior, pois não será possível pleitear a restituição/compensação do mesmo tendo em Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10983.906594/200948 Acórdão n.º 1001001.183 S1C0T1 Fl. 3 3 vista, que o pagamento a maior ocorreu em 14/05/2004, e já transcorreu mais de 05 anos (artigo 165 CTN); · caso não seja possível a homologação do PERD/COMP, solicitamos a retificação do PERD/COMP, com a mesma data da entrega da DCTF retifícadora (30/06/2009), minimizando assim o prejuízo imposto ao contribuinte. Culmina pedindo que seja acolhido o seu recurso. A DRJ, por sua vez, assim decidiu em relação à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo, parcialmente: O contribuinte, em data posterior ao Despacho Decisório (30/06/2009), retificou a DCTF do período, de modo a delinear o crédito pleiteado, portanto, pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTF. Malgrado o intento do contribuinte, cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. Por regra, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: ... Nesse prisma, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. O artigo 45 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispõe: ... No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose tãosomente a apresentar a Declaraçãoretificadora (DCTF), na qual se destaca o novo valor declarado. Nesse sentido, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Fl. 63DF CARF MF 4 Por tais razões, quando o contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse diapasão, o indébito em questão não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). E, assim, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. De fato, a alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, conforme dispõe o artigo 9°, parágrafo 1°, da IN 255/2002 (vigente à época da ocorrência do fato gerador): Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Entretanto, de acordo com o artigo 170, do Código Tributário Nacional CTN: Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10983.906594/200948 Acórdão n.º 1001001.183 S1C0T1 Fl. 4 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Assim, somente os créditos, considerados líquidos e certos podem ser objeto de compensação. Como a referida retificação ocorreu após o despacho decisório, entendo que, realmente, a recorrente deveria ter apresentado outras provas das razões de tal retificação. Sem isso, fica difícil de aceitála. Nesta linha, foi a conclusão exarada através do Parecer Normativo Cosit 2/2015, conforme a seguir: 13. Ressaltese, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Na mesma linha, vejase o acórdão: COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) Mesmo havendo a clara menção na decisão da DRJ, nem no recurso voluntário foram apresentadas provas adicionais. Transcrevo, com a devida vênia, a parte a que se refere a decisão da DRJ (já acima transcrita): Nesse prisma, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. O artigo 45 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispõe: Fl. 65DF CARF MF 6 ... No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose tãosomente a apresentar a Declaração retificadora (DCTF), na qual se destaca o novo valor declarado Quanto ao pedido adicional da recorrente: caso não seja possível a homologação do PERD/COMP, solicitamos a retificação do PERD/COMP, com a mesma data da entrega da DCTF retifícadora (30/06/2009), minimizando assim o prejuízo imposto ao contribuinte. O CARF não tem essa competência para procedêlo. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720210/2017-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. ÔNUS DA PROVA.
Geram direito ao crédito no regime não cumulativo do Pis e da Cofins as aquisições bens e serviços como insumos, desde que devidamente comprovada sua essencialidade e relevância ao processo produtivo do contribuinte.
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE MADEIRA, PAPEL E SIMILARES.
A fase agrícola do processo produtivo da madeira utilizada como insumo da produção do papel e similares também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos do PIS e Cofins não cumulativos
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS.
O aproveitamento de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, sem necessidade de retificação do Dacon.
Numero da decisão: 3201-005.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para: (i) Reverter as glosas relativas aos "gastos florestais" caracterizados como insumos pela Fiscalização/DRJ, com exceção, apenas, das despesas com locomoção de passageiros, corretamente glosada; e (ii) Reverter a glosa sobre créditos extemporâneos, cujo fundamento seja a necessidade de retificação do Dacon. Votaram pelas conclusões os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. ÔNUS DA PROVA. Geram direito ao crédito no regime não cumulativo do Pis e da Cofins as aquisições bens e serviços como insumos, desde que devidamente comprovada sua essencialidade e relevância ao processo produtivo do contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE MADEIRA, PAPEL E SIMILARES. A fase agrícola do processo produtivo da madeira utilizada como insumo da produção do papel e similares também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos do PIS e Cofins não cumulativos REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS. O aproveitamento de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, sem necessidade de retificação do Dacon.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para: (i) Reverter as glosas relativas aos "gastos florestais" caracterizados como insumos pela Fiscalização/DRJ, com exceção, apenas, das despesas com locomoção de passageiros, corretamente glosada; e (ii) Reverter a glosa sobre créditos extemporâneos, cujo fundamento seja a necessidade de retificação do Dacon. Votaram pelas conclusões os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. ÔNUS DA PROVA. Geram direito ao crédito no regime não cumulativo do Pis e da Cofins as aquisições bens e serviços como insumos, desde que devidamente comprovada sua essencialidade e relevância ao processo produtivo do contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE MADEIRA, PAPEL E SIMILARES. A fase agrícola do processo produtivo da madeira utilizada como insumo da produção do papel e similares também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos do PIS e Cofins não cumulativos REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS. O aproveitamento de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, sem necessidade de retificação do Dacon. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para: (i) Reverter as glosas relativas aos "gastos florestais" caracterizados como insumos pela Fiscalização/DRJ, com exceção, apenas, das despesas com locomoção de passageiros, corretamente glosada; e (ii) Reverter a glosa sobre créditos extemporâneos, cujo fundamento seja a necessidade de retificação do Dacon. Votaram AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 02 10 /2 01 7- 94 Fl. 5947DF CARF MF 2 pelas conclusões os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1483.571, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de auto de infração, MPF nº 0816500.2015.00537, lavrado para exigir as contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, dos períodos de apuração 01/2012 a 12/2012, por créditos descontados indevidamente. O contribuinte foi cientificado do início da fiscalização em 26/05/2015, conforme AR constante à fl. 6. Os valores principal e total exigidos foram: PIS: R$ 9.547.067,27 e R$ 21.177.541,75; Cofins: R$ 38.578.575,36 e R$ 85.703.429,24. Conforme Relatório Fiscal constante às fls. 21/27, a autoridade fiscal constatou que o contribuinte teria classificado como insumo, com direito a crédito, indevidamente, alguns bens e serviços, além de despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. Intimado a retificar o Dacon, o impugnante não o teria feito. Conforme o Relatório, os itens divergentes seriam: Gastos florestais As partes e peças de reposição, os serviços de manutenção aplicadas na manutenção de máquinas, e equipamentos utilizados no corte, no tratamento e no transporte de madeira que será, em uma 2a etapa de industrialização transformada em celulose, papel e papelão não são passiveis do mesmo enquadramento para crédito do PIS e Fl. 5948DF CARF MF Processo nº 10314.720210/201794 Acórdão n.º 3201005.217 S3C2T1 Fl. 5.948 3 da COFINS, pois não se tratam, obviamente, de bens e serviços aplicados ou utilizados diretamente no produto em fabricação. São bens e serviços aplicados para a eventual obtenção de uma matéria prima industrial, a madeira, sendo sua relação com o produto industrializado pela consulente apenas indireta. BENS COMO INSUMO Os créditos glosados referemse, por exemplos, a aquisições de: mudas de eucalipto, formicida tipo isca granulada, calcário, herbicida, condicionador de solo, adubo, herbicida, fibra de coco, vermífugo, etc. SERVIÇOS COMO INSUMOS Os créditos glosados referemse, por exemplos, a serviços de: colheita, serviços de topografia, transporte de passageiros por van e micro ônibus, mão de obra de carregamento e apoio transporte guincho, sondagem de solo, etc. ARMAZENAGEM E FRETE SOBRE VENDAS Os créditos glosados referemse, por exemplos, a fretes de: transporte de fibra de coco, substrato casca de arroz, óleo vegetal, fretes com transporte de calcário, condicionador de solo, carregamento no campo, derrubada de mato, apoio colheita no corte final, apoio a transporte em guincho, etc. Gastos Gerais A empresa relacionou diversos gastos relativos a despesas administrativas e comerciais e outros gastos gerais da empresa, não atentando ao conceito de INSUMOS. (...) BENS COMO INSUMO Os créditos glosados referemse, por exemplos, a aquisições de: pallet genérico consertado, água para produção de insumo, areia especial seca (alíquota zero pis/cofins), saco plástico, faca picotadora, lamina, tinta flexográfica vermelha, correia, chumbador de aço, tubo, rolamento, caneta esferográfica, luva, câmera fotográfica como material auxiliar da produção, material de expediente e consumo e Investimentos Material/Equipamentos, entre outros. SERVIÇOS COMO INSUMOS — Os créditos glosados referemse, por exemplo, a serviços de: mão de obra temporária, projeto de engenharia, despachante portuário, serviços de manutenção de software, manutenção de impressoras, locação de escavadeira para limpeza, serviços de montagem e desmontagem de andaimes, serviços de guinchos, aluguel de caminhão truck por hora, serviços de táxi, instrução e treinamento, exames médicos, etc. Fl. 5949DF CARF MF 4 ARMAZENAGEM E FRETE SOBRE VENDAS Os créditos glosados referemse, por exemplo, a fretes de: transferências entre filiais, transporte de materiais auxiliares de produção (lamina, disco, correia, régua, etc.), transporte de material de manutenção, de expediente e consumo, material de laboratório, conserto de veículos, enlonamento, deslonamento, mão de obra de jatista, diária de hotel de assistência técnica, transporte de cavacos, conduções e refeições para transportadores locais, etc. Créditos extemporâneos Nos períodos de apuração 07/2012 e 12/2012, o contribuinte teria aproveitado valores de competências anteriores, inclusive anos anteriores. Impugnação Cientificado em 30/01/2017, fls. 3.996/3.997, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 4.010/4.045 em 24/02/2017, para alegar que suas receitas operacionais seriam decorrentes da venda de madeira, papel, papelão e embalagem, sendo que o principal insumo seria a madeira de eucalipto, pinus e araucária, parte plantada e colhida por ele mesmo, parte adquirida de terceiros. A parte superior da tora de madeira seria utilizada para produção de fibra, a fim de fabricar papel, e a parte inferior seria vendida para a indústria madeireira, principalmente fabricantes de móveis. A parte superior dos troncos seria parcialmente adquirida de terceiros. O contribuinte se insurgiu contra o auto de infração, argumentando que não haveria detalhamento do montante relacionado a cada item glosado, impedindo o exercício do direito de defesa. Em relação aos chamados gastos gerais, uma parcela glosada seria referente a gastos florestais, indevidamente classificados. O impugnante concordaria com parte da glosa efetuada sobre os gastos gerais (como por exemplo, tratamento de resíduos, transporte de malotes, reembolso com despesas de hotel, etc.), conforme planilha de fls. 4.019/4.020, resultando num creditamento indevido de R$ 150.170,19 e recolheria tal diferença. Também concordaria com a glosa sobre créditos extemporâneos no valor de R$ 185.735,19, o qual seria recolhido. O contribuinte afirmou que haveria erro de cálculo no PIS, pois em 12/2012 teria sido acrescentado indevidamente R$ 756.662,46, conforme demonstrado no Anexo IV: 29. De fato, atentandose para as quatro últimas linhas do quadro resumo, verificase que o fiscal quantificou a COFINS sobre o crédito extemporâneo, a COFINS sobre os aproveitamentos mensais, o PIS sobre aproveitamentos Fl. 5950DF CARF MF Processo nº 10314.720210/201794 Acórdão n.º 3201005.217 S3C2T1 Fl. 5.949 5 mensais e o PIS sobre o crédito extemporâneo. Na linha relativa ao PIS sobre os créditos mensais e na coluna do mês de dezembro consignase o valor de R$1.737.953,25, quando o valor correto seria de R$566.497,74, correspondente a 1,65% de R$34.333.196,37 (R$18.428.696,91 + R$15.904.499,46). O erro está em se somar o valor do crédito extemporâneo ao montante creditado mensalmente e considerar no valor do crédito mensal esta soma. Além disso, o contribuinte alegou ter informado à fiscalização sobre a existência de consulta fiscal, processo nº 11610.009478/200807, a respeito de créditos relativos aos gastos incorridos com partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes, serviços de manutenção de máquinas agrícolas e equipamentos utilizados no corte e no transporte da madeira. Em 31/01/2017, o impugnante teria sido cientificado da Solução de Divergência Cosit nº 10, esclarecendo que não haveria direito ao crédito. Ocorre que a fiscalização não poderia ter lançado os valores objeto da consulta, em virtude do art. 48 do Decreto nº 70.235/72, PAF. Ainda que tivesse efetuado o lançamento, não poderia haver incidência de juros e multa de mora, conforme o § 2º, art. 161 do CTN. O contribuinte se insurgiu contra a glosa de créditos referentes a insumos utilizados na atividade agrícola, conforme entendimento no auto de infração e na Solução de Consulta, pois apesar de não ligados diretamente à produção de papel ou papelão, seriam ligados à produção de madeira. Defendeu que em 2012, 23% da madeira por ele produzida teria sido vendida ao mercado. Alegou no ano de 2012, 1.754.586 toneladas da madeira utilizada na produção de papel e papelão teria sido adquirida de terceiros. Assim, afirmou que os gastos florestais representariam insumos. Mesmo que não ligados à produção de madeira, o contribuinte entendeu que os gastos florestais seriam insumos e que o entendimento da RFB iria na contramão do disposto na legislação, a qual não preveria que o insumo tivesse contato direto com o produto. Citou jurisprudência administrativa e judicial, para justificar que os gastos florestais e as despesas com frete e armazenamento dos insumos florestais estariam de acordo com o conceito de custo de produção, sendo classificados como insumos. Alegou que o STJ teria firmado jurisprudência no sentido de que haveria três critérios para o creditamento de insumos: o insumo deveria integrar o processo produtivo (não necessariamente o produto em si), que a cadeia produtiva ou prestação de serviço dependesse do insumo e que o insumo fosse utilizado direta ou indiretamente no processo ou na atividade. Fl. 5951DF CARF MF 6 No que tange à apropriação de créditos extemporâneos, o contribuinte afirmou que contratou consultoria externa, Ernest Young, para apurar os créditos de insumos e gastos com fretes e armazenagens relativos aos chamados gastos florestais não aproveitados em períodos anteriores, que somados, foram aproveitados em julho e dezembro de 2012. Alegou que não haveria previsão legal exigindo que refizesse a escrituração e retificasse as declarações, e que caberia ao fisco comprovar a apropriação indevida ou duplicidade. Afirmou que a apropriação dos créditos também teria sido objeto de consulta e que não poderia ser cobrada no prazo de trinta dias da ciência da Solução de Divergência. Concluiu, para requerer a nulidade do auto de infração, por ausência de quantificação dos itens de despesa glosados e por não ter sido levado em conta o prazo de vigência da consulta; a realização de diligência para individualização dos valores glosados; o cancelamento integral do auto de infração; alternativamente, que fossem afastados os juros e a multa de mora incidentes sobre as glosas objeto da consulta. Resolução A impugnação foi apreciada por esta mesma Turma em 20 de junho de 2017, quando o julgamento foi convertido em diligência, fls. 4.370/4.375 para as seguintes verificações: a) Confirmar se teria sido levado em conta que parte das receitas decorria da venda de madeira produzida pelo contribuinte; b) Informar se teria sido glosado montante correspondente ao custeio agrícola da madeira revendida; c) Confirmar se teriam sido glosados custos/despesas correspondentes à consulta formulada pelo contribuinte; d) elaborar planilha demonstrativa. A unidade de origem, DELEX/SPO, proferiu a Informação Fiscal de fls. 4.386/4.387, para esclarecer que: não teria sido levado em consideração o fato de que o contribuinte vendia madeira produzida por ele, de modo que todos os chamados gastos florestais teriam sido glosados; todos os itens constantes dos chamados "gastos florestais" seriam objeto da consulta formulada pelo contribuinte; a autoridade fiscal esclareceu ainda: 6. Apesar das receitas do sujeito passivo incluírem as vendas de madeira por ele produzida, analisando a Demonstração do Resultado DRE extraída da Escrituração Contábil Digital do mesmo, que anexamos ao processo, verificamos que, do total de Receita Bruta, aproximadamente 90% se referem à venda de papel, papelão, celulose, artefatos e subprodutos, e apenas 10% se referem à venda de madeira, sementes, mudas e Fl. 5952DF CARF MF Processo nº 10314.720210/201794 Acórdão n.º 3201005.217 S3C2T1 Fl. 5.950 7 refugos. Em relação aos Custos dos Produtos Vendidos, o percentual relativo à venda de madeira, sementes, mudas e refugos é de aproximadamente 8%. 7. Considerandose que a madeira vendida e a que é utilizada como insumo na fabricação de papel e celulose é produzida junta, e que, como o próprio sujeito passivo explicou, a parte superior da tora é utilizada na fabricação de papel e celulose e a parte inferior da tora é vendida, ou seja, a mesma tora é em parte utilizada na fabricação e em parte vendida, é praticamente impossível segregar o que seriam gastos florestais relativos à madeira vendida (que dariam direito ao crédito) daqueles relativos à madeira utilizada como insumo na fabricação de papel e celulose (que, conforme a Solução de Consulta, não dariam direito ao crédito e, portanto, deveriam ser glosados). Cientificado em 10/01/2018, fl. 4.391, o contribuinte apresentou a petição de fls. 4.395/4.396 para solicitar a nulidade do auto de infração, a reformulação do lançamento ou a realização de perícia, pois conforme reconhecido pela autoridade fiscal, parte da receita seria decorrente da venda de toras de madeira, de modo que não poderia ser negado o direito ao creditamento aos insumos relativos a tal receita. Em 24/01/2018, o impugnante juntou nova documentação, fls. 4.404/5.872, que seria complemento do laudo técnico, relativo ao aproveitamento de créditos extemporâneos. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONSULTA. PENDÊNCIA DE RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. O recurso especial de divergência apresentado em processo de consulta não tem efeito suspensivo, de modo que a decisão da consulta contestada gera efeitos mesmo enquanto o recurso de divergência esteja pendente de apreciação. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Improcedentes as argüições de nulidade quando ausentes nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 5953DF CARF MF 8 Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente das sistemáticas de não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep ou da Cofins, o contribuinte deverá retificar os respectivos Dacons, DCTFs, além da escrituração contábil. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, consideramse insumos passíveis de creditamento as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, além dos serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 APLICAMSE AO PIS AS MESMA DISPOSIÇÕES QUE À COFINS. À Contribuição para o PIS/Pasep aplicamse as mesmas ementas que à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A procedência parcial da Impugnação se deu nos seguintes termos: Diante do exposto, VOTO para julgar a manifestação de inconformidade como procedente em parte, para corrigir o erro de cálculo do PIS no período de apuração 12/2012 e afastar a glosa dos insumos destinados à produção de madeira, sementes, mudas e refugos, correspondente ao percentual que os mesmos representam em relação à receita bruta. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Fl. 5954DF CARF MF Processo nº 10314.720210/201794 Acórdão n.º 3201005.217 S3C2T1 Fl. 5.951 9 Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante razões apresentadas pelo Recorrente, a matéria se apresenta em quatro grandes tópicos, a seguir abordados: 1. PIS e COFINS não cumulativos. Hipóteses de creditamento. Os itens glosados pela Fiscalização correspondem a dois grandes grupos: gastos florestais e gastos gerais. Relativamente ao grupo denominado de "gastos florestais", as glosas são: BENS COMO INSUMO Os créditos glosados referemse, por exemplos, a aquisições de: mudas de eucalipto, formicida tipo isca granulada, calcário, herbicida, condicionador de solo, adubo, herbicida, fibra de coco, vermífugo, etc. SERVIÇOS COMO INSUMOS Os créditos glosados referemse, por exemplos, a serviços de: colheita, serviços de topografia, transporte de passageiros por van e microônibus, mão de obra de carregamento e apoio transporte guincho, sondagem de solo, etc. ARMAZENAGEM E FRETE SOBRE VENDAS Os créditos glosados referemse, por exemplos, a fretes de: transporte de fibra de coco, substrato casca de arroz, óleo vegetal, fretes com transporte de calcário, condicionador de solo, carregamento no campo, derrubada de mato, apoio colheita no corte final, apoio a transporte em guincho, etc. Estes itens tiveram sua glosa mantida em razão do que restou consignado na Solução de Consulta Cosit nº 10/2017, que deixou de reconhecer o direito ao crédito de tais itens por se referirem à uma etapa prévia ao processo produtivo. Confirase: Considerando o exposto na supracitada Solução de Divergência, tratandose de pessoa jurídica que se dedica à produção “de celulose, de papel, de papelão” para venda, as partes e peças de reposição, os combustíveis e lubrificantes, bem como os serviços de manutenção aplicados nas máquinas e equipamentos Fl. 5955DF CARF MF 10 utilizadas no corte, no tratamento e no transporte da madeira não são passíveis de gerar créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, vez que tais gastos se referem a uma etapa prévia ao processo produtivo. São dispêndios visando à obtenção da matériaprima (madeira), tendo relação apenas indireta com o produto industrializado. Nesse aspecto, a Recorrente demonstrou que também venderia produtos de madeira, e não apenas que o utilizava como insumo. Em razão desta afirmação, foi realizada diligência fiscal para fins de se apurar tal informação e verificar qual a porcentagem desta receita nas vendas globais da contribuinte. A Autoridade Lançadora atestou que a Recorrente efetua também a venda de madeira e concluiu que esta corresponde a aproximadamente 10% da venda total. Desse modo, do total dos insumos adquiridos para esta finalidade, autorizou o crédito sobre este mesmo percentual de 10%, mantendo a glosa correspondente a 90% das aquisições. Todavia, entendo que não assiste razão ao fundamento fiscal. O fato das despesas referiremse à obtenção de matéria prima (madeira), e não ao produto final industrializado (celulose, papel, papelão e sacos industriais), não impede o seu creditamento. É como vem decidindo esta Turma e também a Câmara Superior de Recursos Fiscais: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de canadeaçúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. (...) Acórdão nº 3201004.221, de 25/09/2018, Relator Cons. Charles Mayer de Castro Souza, Redator designado Marcelo Giovani Vieira (...) Fl. 5956DF CARF MF Processo nº 10314.720210/201794 Acórdão n.º 3201005.217 S3C2T1 Fl. 5.952 11 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/2011 a 31/12/2013PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) PIS/COFINS. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO DE MATÉRIA PRIMA. POSSIBILIDADE. Não existe previsão legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial, separando a produção da matériaprima (toras de eucalipto) da fabricação de celulose, com o fim de rejeitar os créditos apropriados na primeira etapa da produção. Os art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 permitem o creditamento relativo aos insumos aplicados na produção ou fabricação de bens destinados a venda. PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. AGROINDÚSTRIA. Os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda. O art. 22A da Lei nº 8.212/91 considera "agroindústria" a atividade de industrialização da matériaprima de produção própria. Sendo assim, não existe amparo legal para que a autoridade administrativa seccione o processo produtivo da empresa agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte Acórdão nº 3201004.270, de 27/09/2018, Relator Cons. Leonardo Correia Lima Macedo, Redator designado Cons. Marcelo Giovani Vieira Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Fl. 5957DF CARF MF 12 CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO AO CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INSUMOS DE INSUMOS. ÓLEOS E GRAXAS UTILIZADOS NA ATIVIDADE. SERVIÇOS DA FASE AGRÍCOLA. AGROINDÚSTRIA. POSSIBILIDADE. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o crédito das contribuições sobre os bens graxas e óleos e serviços agrícolas gastos relacionados ao cultivo da canade açúcar, quais sejam, serviços de aplicação aérea de inseticida, aplicação aérea de maturador, aplicação de herbicida tratorizado, desmanche/confecção de cerca/transporte de benfeitorias, dessecação tratorizada, mecânica agrícola diversa, transporte de canadeaçúcar para moagem, transporte de cana para plantio e de análises, vez que, “subtraindo” tais itens, não seria possível o sujeito passivo produzir e vender o produto final. (...) Acórdão nº 9303007.544, de 18/10/2018, Relatora Cons. Tatiana Midori Migiyama, Redator designado Cons. Andrada Márcio Canuto Natal Desse modo, todos aqueles gastos empregados como insumos pela Recorrente, ainda que na chamada fase agrícola ou pré industrial, devem ser admitidos para fins de creditamento do PIS e da COFINS. É evidente a complexidade da operação industrial da Recorrente, que, além da industrialização do papel em si, produz também o seu próprio insumo (toras de madeira). Ademais, a natureza de insumos de tais itens foi expressamente reconhecida pela DRJ, ao admitir que o percentual vinculado à venda de madeira como produto final (e não como insumo próprio), deveria gerar direito ao crédito. Na hipótese específica dos autos, há que se efetuar, ainda, o seguinte apontamento. Todos os gastos acima mencionados a título de "bens, serviços e armazenagem e frete" foram admitidos, pela própria fiscalização, como sendo efetivamente insumos na obtenção / fabricação da madeira, com exceção, apenas, das despesas com transporte de passageiros: Observo que na planilha de glosas "Serviços como insumos" florestais e "Armazenamento e despesas com fretes" florestais, alguns itens, listados a seguir, não representam insumos para a produção de papel, nem de madeira, sementes, mudas e refugos, Fl. 5958DF CARF MF Processo nº 10314.720210/201794 Acórdão n.º 3201005.217 S3C2T1 Fl. 5.953 13 de modo que foi mantida a glosa, sem aplicação dos 10%, a tais gastos: Logo, para todos os demais "gastos florestais" apurados pela Fiscalização inexiste qualquer controvérsia acerca da sua natureza de insumos, não sendo cabível qualquer revisão em sede de Recurso Voluntário. Deve ser tido como matéria incontroversa nos autos a conclusão obtida pela DRJ de que todos os "gastos florestais" examinados pela Fiscalização possuem natureza insumos para fins de produção das toras de madeira, cujo creditamento é autorizado pela legislação de regência. A única controvérsia restante diz respeito à possibilidade de se apropriar tais créditos pelo fato de terem sido aplicados na fase préindustrial (insumos de insumos). E, ainda quanto à este aspecto, manifesto a concordância quanto à glosa integral (100%) das despesas vinculadas ao serviço de transporte de passageiros, conforme indicado pela decisão recorrida. Não se trata de serviço específico / essencial ao processo produtivo da Recorrente, mas, sim, de despesa ordinária do contribuinte. Assim, no que diz respeito à possibilidade de apuração de créditos sobre "gastos florestais", caracterizados como insumos pela Fiscalização/DRJ, cabe parcial provimento ao pleito recursal para determinar o cancelamento da glosa efetuada, com exceção, apenas, das despesas com locomoção de passageiros, corretamente glosada. Ainda no que diz respeito ao creditamento sobre insumos, existe o segundo grupo de glosa denominado de "gastos gerais": Gastos Gerais A empresa relacionou diversos gastos relativos a despesas administrativas e comerciais e outros gastos gerais da empresa, não atentando ao conceito de INSUMOS. (...) BENS COMO INSUMO Os créditos glosados referemse, por exemplos, a aquisições de: pallet genérico consertado, água para produção de insumo, areia especial seca (alíquota zero pis/cofins), saco plástico, faca picotadora, lamina, tinta flexográfica vermelha, correia, chumbador de aço, tubo, rolamento, caneta esferográfica, luva, câmera fotográfica como material auxiliar da produção, material de expediente e consumo e Investimentos Material/Equipamentos, entre outros. Fl. 5959DF CARF MF 14 SERVIÇOS COMO INSUMOS — Os créditos glosados referem se, por exemplo, a serviços de: mão de obra temporária, projeto de engenharia, despachante portuário, serviços de manutenção de software, manutenção de impressoras, locação de escavadeira para limpeza, serviços de montagem e desmontagem de andaimes, serviços de guinchos, aluguel de caminhão truck por hora, serviços de táxi, instrução e treinamento, exames médicos, etc. ARMAZENAGEM E FRETE SOBRE VENDAS Os créditos glosados referemse, por exemplo, a fretes de: transferências entre filiais, transporte de materiais auxiliares de produção (lamina, disco, correia, régua, etc.), transporte de material de manutenção, de expediente e consumo, material de laboratório, conserto de veículos, enlonamento, deslonamento, mão de obra de jatista, diária de hotel de assistência técnica, transporte de cavacos, conduções e refeições para transportadores locais, etc. Inicialmente a glosa de tais itens se deu pela conclusão fiscal de que, por não se tratarem de bens e serviços aplicados diretamente na produção, não poderia gerar direito ao crédito, aplicando o conceito de insumo adotado pela legislação do IPI. Após Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ assim se manifestou: O contribuinte alegou, ainda, que parte dos denominados gastos gerais seria na verdade gastos florestais. Primeiramente, observo que apesar do impugnante ter feito tal alegação, não apontou quais itens estariam classificados incorretamente, nem esclareceu o porquê. O argumento deve ser afastado, pois foram classificados como gastos gerais apenas as despesas administrativas e comerciais, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal. As glosas realizadas a título de gastos gerais compõem o Anexo II do Relatório Fiscal, apresentado a partir da fl. 245 dos autos. O exame dos itens listados corrobora a afirmação de que parte daqueles itens seriam, em verdade, gastos florestais. Ou, ainda que não sejam entendidos como gastos florestais, são gastos empregados no processo produtivo global da contribuinte. Logo, incorreta a afirmação de que "foram classificados como gastos gerais apenas as despesas administrativas e comerciais, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal". É o próprio Termo de Verificação Fiscal que fez a indicação dos itens glosados transcrita no início do tópico, caracterizados como "gastos relativos a despesas administrativas e comerciais e outros gastos gerais". Com efeito, não se pode presumir como despesa administrativa ou comercial o gasto com "água para produção de insumo" e "material de laboratório". Assim, remanesce a necessidade de análise da afirmação fiscal de que a contribuinte "não apontou quais itens estariam classificados incorretamente, nem esclareceu o porquê" Em sua Impugnação a contribuinte questionou expressamente as glosas realizadas a título de gastos gerais, arguindo, em síntese que como não houve detalhamento Fl. 5960DF CARF MF Processo nº 10314.720210/201794 Acórdão n.º 3201005.217 S3C2T1 Fl. 5.954 15 acerca dos valores relacionados a cada item glosado, restou prejudicada a defesa do contribuinte. Ainda que admita ser possível ao contribuinte e ao julgador "debruçaremse sobre cada um dos itens para, do ponto de vista teórico, dizer e decidir se o dispêndio a ele relativo permite ou não o creditamento", a falta de identificação e segregação dos valores impede verificar o que foi efetivamente glosado e até mesmo a execução do julgado. Não obstante a censura realizada relativamente ao levantamento fiscal, a Recorrente afirma ter efetuado a análise de cada um dos itens glosados e, para aqueles que identificou tratarse efetivamente de apropriação indevida, efetuou o pagamento (quadros de fls. 4019/4020). Com efeito, após o reconhecimento das glosas e pagamento parcial, não restou claro quais itens remanescem em litígio e, portanto, devem ser examinados, ainda que sob o ponto de vista teórico. E, após a manifestação da DRJ no sentido de que a ausência de tal indicação impede o exame da matéria, a Recorrente não apresentou qualquer insurgência e tampouco apresentou o referido detalhamento. O Recurso Voluntário do contribuinte limitase (e o faz de forma apropriada) a defender o direito ao crédito sobre os chamados "gastos florestais", nada discorrendo acerca daqueles que a Fiscalização classificou como "gastos gerais". Desse modo, entendo ter ocorrido a preclusão desta matéria, razão pela qual se torna inviável o exame acerca do direito ao crédito sobre as despesas glosadas pela Fiscalização e classificadas como "gastos gerais". Necessário pontuar a seguinte especificidade dos autos: a Fiscalização, já em seu Relatório Fiscal, identificou de forma clara e objetiva a natureza dos itens glosados. Embora estes estejam exaustivamente descritos em longas planilhas (descrição contábil), é fato que a Fiscalização sintetizou tais itens trazendo classificações como "faca picotadora, lamina, tinta flexográfica vermelha, correia, chumbador de aço, tubo, rolamento" (bens); "mão de obra temporária, projeto de engenharia, despachante portuário, serviços de manutenção de software" (serviços) e "fretes de: transferências entre filiais, transporte de materiais auxiliares de produção (lamina, disco, correia, régua, etc.), transporte de material de manutenção, de expediente e consumo" (armazenagem e frete) Ainda que inviável a defesa de cada um dos itens planilhados, a impugnação específica aos termos do Relatório Fiscal seria plenamente possível. A exemplo, cito o frete de transferência entre filiais, despesa cujo creditamento é amplamente aceito por este CARF. Nem em Impugnação e nem em Recurso Voluntário o contribuinte trouxe uma só palavra acerca da ilegitimidade de tais glosas. Portanto, tenho que a ausência de indicação precisa dos valores glosados a cada título não impede a defesa específica do contribuinte, como, aliás, procedeu relativamente aos gastos florestais. Acresço, ainda, que a eventual realização de diligência na hipótese dos autos seria também inviável, posto que esta não pode se sobrepor ao dever de impugnação específica que se impõe ao contribuinte. O Relatório Fiscal apresentava descrição e classificação suficientemente clara e, portanto, válida para permitir ao contribuinte o adequado exercício da ampla defesa e contraditório. Fl. 5961DF CARF MF 16 Assim, por ausência de impugnação específica e, portanto, ausência de comprovação de que os itens glosados a título de "gastos gerais" tratamse de despesas essenciais ou relevantes ao processo produtivo da Recorrente, devese manter as glosas realizadas. 2. Possibilidade de se efetuar o lançamento / cobrança na pendência de Solução de Consulta / Divergência. Nesse tópico discutese se a Fiscalização poderia ter efetuado o lançamento ora questionado na pendência de solução definitiva do processo de consulta nº 11610.009478/200807, que versava acerca das despesas vinculadas ao processo produtivo da madeira (gastos florestais). A Recorrente aponta violação ao art. 48 do Decreto Lei nº 70.235/72: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência:(Vide Lei nº 9.430, de 1996) I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. Na hipótese dos autos, a Recorrente foi intimada da Solução de Divergência nº 10 em 31 de janeiro de 2017, e, portanto, apenas a partir de 2 de março de 2017 poderia ter se iniciado a presente Fiscalização. A DRJ contesta tal linha de defesa afirmando que deve prevalecer ao processo de consulta realizado na Receita Federal do Brasil o disposto no art. 89 do Decreto nº 7.574/2011: Art. 89. Nenhum procedimento fiscal será instaurado, relativamente à espécie consultada, contra o sujeito passivo alcançado pela consulta, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da decisão que lhe der solução definitiva. (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 48 e 49;Lei no 9.430, de 1996, art. 48, caput e § 3o). § 1o A apresentação da consulta: I não suspende o prazo: a) para recolhimento de tributo, retido na fonte ou declarado (autolançado), antes ou depois da data de apresentação; e b) para a apresentação de declaração de rendimentos; e II não impede a instauração de procedimento fiscal para fins de apuração da regularidade do recolhimento de tributos e da apresentação de declarações. § 2º No caso de consulta formulada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, os efeitos referidos no Fl. 5962DF CARF MF Processo nº 10314.720210/201794 Acórdão n.º 3201005.217 S3C2T1 Fl. 5.955 17 caput só alcançam seus associados ou filiados depois de cientificada a entidade consulente da decisão.(Redação dada pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Acrescenta, ainda, que por ser o processo de consulta decidido em instância única, devese entender como "solução definitiva" a Solução de Consulta, e não a Solução de Divergência. Tal conclusão fiscal decorre do fato de que o art. 49 da Lei nº 9.430/96 afastou as disposições contidas no Decreto Lei nº 70.235/72 relativamente aos processos de consulta no âmbito da SRF, por conseguinte, Ademais, assinala a DRJ, o artigo 48 do Decreto Lei nº 70.235/72, suscitado pela Recorrente, que menciona a "decisão de segunda instância", foi expressamente afastado para os pelo art. 49 da Lei nº 9.430/961, especialmente o art. 54 do PAF2 que estabelece a existência de uma segunda instância no processo de consulta. Por sua vez, o art. 48 da mesma Lei nº 9.430/96 dispõe: Art.48.No âmbito da Secretaria da Receita Federal, os processos administrativos de consulta serão solucionados em instância única. § 1o A competência para solucionar a consulta ou declarar sua ineficácia, na forma disciplinada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, poderá ser atribuída I a unidade central; ou II a unidade descentralizada. (...) §3º Não cabe recurso nem pedido de reconsideração da solução da consulta ou do despacho que declarar sua ineficácia. 1 Art.49.Não se aplicam aos processos de consulta no âmbito da Secretaria da Receita Federal as disposições dos arts. 54 a 58 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 2 Art. 54. O julgamento compete: (Vide Lei nº 9.430, de 1996) I Em primeira instância: a) aos Superintendentes Regionais da Receita Federal, quanto aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, atendida, no julgamento, a orientação emanada dos atos normativos da Coordenação do Sistema de Tributação; b) às autoridades referidas na alínea b do inciso I do artigo 25. II Em segunda instância: a) ao Coordenador do Sistema de Tributação, da Secretaria da Receita Federal, salvo quanto aos tributos incluídos na competência julgadora de outro órgão da administração federal; b) à autoridade mencionada na legislação dos tributos, ressalvados na alínea precedente ou, na falta dessa indicação, à que for designada pela entidade que administra o tributo. III Em instância única, ao Coordenador do Sistema de Tributação, quanto às consultas relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal e formuladas: a) sobre classificação fiscal de mercadorias; b) pelos órgãos centrais da administração pública; c) por entidades representativas de categorias econômicas ou profissionais, de âmbito nacional. Fl. 5963DF CARF MF 18 (...) §5º Havendo diferença de conclusões entre soluções de consultas relativas a uma mesma matéria, fundada em idêntica norma jurídica, cabe recurso especial, sem efeito suspensivo, para o órgão de que trata o inciso I do § 1º. (...) Em face do que restou decidido pela DRJ, a Recorrente aduz que o Decreto nº 7.574/2011 não poderia ser invocado à hipótese dos autos, posto que posterior à apresentação da consulta e que, portanto, "vigorava a regra do art. 48 do Decreto 70.235/72". Discordo, contudo, de tal afirmação. Inicialmente porque a inaplicabilidade do art. 48 do Decreto 70.235/72 não se dá em razão do Decreto nº 7.574/2011, mas, sim, em razão da Lei nº 9.430/96, que extinguiu a previsão de dupla instância aos processos de consulta no âmbito da RFB. Por óbvio, se inexistente "segunda instância" para o processo de consulta à RFB, é inaplicável, por decorrência lógica, qualquer referência normativa à "decisão de segunda instância". Ademais, o Decreto nº 7.574/2011 é norma meramente regulamentar, interpretativa, e não trás, como visto, nenhuma inovação ou contradição relativamente ao previsto na Lei nº 9.430/96. Portanto, é norma de efeitos retroativos, nos termos do art. 106, I do CTN3. Por fim, ainda nesse aspecto, a Recorrente postula, quando menos, pela aplicação do art. 161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Todavia, como dito, uma vez inexistente segunda instância administrativa em processo de consulta, não há falar em "pendência de consulta formulada pelo devedor". Ainda que exista pendência do exame do recurso especial, este não tem efeito suspensivo por expressa disposição legal (art. 48, §5º da Lei nº 9.430/96). Nesse sentido, o art. 151, III, do CTN, ao estabelecer as hipóteses de suspensão do crédito tributário, prevê, relativamente às "reclamações e os recursos", que esta se dê "nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo". 3 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 5964DF CARF MF Processo nº 10314.720210/201794 Acórdão n.º 3201005.217 S3C2T1 Fl. 5.956 19 De mais a mais, anotase, considerando que as glosas cujo objeto se confundem com o processo de consulta (gastos florestais) estão sendo cancelados pela presente decisão, esta conclusão não possui qualquer aspecto prático. 3. Crédito extemporâneo de PIS e COFINS. Nesse aspecto, essencialmente de direito, assiste razão à Recorrente. O tema já foi apreciado por esta Turma em diversas, citando, por todos, o seguinte acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social CofinsAnocalendário: 2008, 2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS. O aproveitamento de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, sem necessidade de retificação do Dacon. Assunto: Processo Administrativo FiscalAnocalendário: 2008, 2009 A matéria submetida ao Poder Judiciário não deve ser conhecida, nos termos da súmula Carf nº 1 Recurso Voluntário Conhecido em Parte, e na Parte Conhecida, Provido. (Acórdão nº 3201003.450, Rel. Cons. Marcelo Giovani Vieira) Do voto proferido pelo Relator extraio a seguinte fundamentação: A glosa, sob esse único fundamento, deve ser afastada, pois o Dacon, como instrumento informativo, não constitui ou desconstitui direito. Tal como a DIPJ, o Dacon se revela como instrumento facilitador da fiscalização. Para a DIPJ, existe inclusive a súmula Carf 92 : Súmula CARF nº 92: A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado O Dacon tem a mesma natureza da DIPJ, informativa, diferente da DCTF, da Declaração de Compensação e dos Pedidos de Parcelamento, que constituem confissão de dívida, nos moldes de suas legislações específicas. Tanto o é que a informação de débitos em Dacon não dispensa a devida confissão em DCTF, conforme o §5º citado. Embora seja bastante recomendável que as apurações extemporâneas sejam refletidas no Dacon, o descumprimento de tal obrigação enquadrase em penalidades próprias de Fl. 5965DF CARF MF 20 obrigações acessórias. Desse modo, eventuais falhas de preenchimento do Dacon podem ser penalizadas conforme artigo 7º a 9º da mesma Instrução Normativa 1.015/2010, mas não alteram o direito de crédito legalmente previsto. A IN 1.015/2010, com efeito, normatiza a retificação do Dacon, mas não concidiona, expressamente, o crédito de Pis e Cofins a essa retificação, e nem poderia. Nada obsta que, durante a fiscalização, o contribuinte seja intimado a demonstrar detalhadamente a apuração do crédito extemporâneo e que demonstre não ter se apropriado de tais créditos no período adequado. No presente caso, isso não foi feito. Deve ser observado que o §4º do art. 3º das Lei 10.637/2002 e 20.833/2003 permite a utilização do crédito em meses subsequentes. Aduzo ainda que a postergação da utilização do crédito, por si só, não prejudicaria a Fazenda. O requisito que se impõe é quanto ao prazo decadencial de 5 anos do fato gerador, mas não houve acusação quanto à ultrapassagem desse prazo. Há precedentes do Carf em negar o direito de crédito no caso de apropriação extemporânea sem retificação do Dacon. Cito, para exemplificar, os acórdãos 3302003.189, 3402002.605, 3301 001.999. Todavia, data venia, não encontro fundamento jurídico para tanto. No mesmo sentido desta decisão, que afasta essa obrigação acessória como requisito para a fruição do direito ao crédito, cito precedentes do Carf: 3302002.674, 3403001.935, 3401 001.577, e 9303004.562. Portanto, a glosa efetuada sob o único fundamento da necessidade de retificação do Dacon deve ser afastada, com provimento ao recurso nesta parte. Com efeito, notadamente em sede de Auto de Infração, o descumprimento de dever instrumental por parte do contribuinte não pode obstar o reconhecimento do seu direito, quando existentes elementos suficientes nos autos para tanto. 4. Lançamento "por estimativa" relativamente aos insumos aplicados na obtenção e venda de madeira. Considerando que a totalidade dos insumos classificados como "gastos florestais" foi admitida, perde objeto a discussão relativa ao critério de proporcionalidade aplicado pela Fiscalização (10% e 90%) Por fim, não obstante às conclusões obtidas no presente voto, diante do REsp 1221170/PR; Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF e PARECER NORMATIVO COSIT Nº 5, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2018, ainda, conforme PARECER NORMATIVO Fl. 5966DF CARF MF Processo nº 10314.720210/201794 Acórdão n.º 3201005.217 S3C2T1 Fl. 5.957 21 COSIT Nº 8, DE 03 DE SETEMBRO DE 2014, quando da execução do julgado, poderá a autoridade rever as glosas realizadas mediante a apresentação de provas pelo contribuinte. Por todo o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para: (i) Reverter as glosas relativas aos "gastos florestais" caracterizados como insumos pela Fiscalização/DRJ, com exceção, apenas, das despesas com locomoção de passageiros, corretamente glosada; (ii) Reverter a glosa sobre créditos extemporâneos, cujo fundamento seja a necessidade de retificação do Dacon. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 5967DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.001582/2009-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA COM INSTRUÇÃO - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL - COMPROVAÇÃO
Quando da apresentação da DAA pelo contribuinte é possível a dedução das despesas com instrução, respeitados os limites legais, da base de cálculo do IRPF.
Numero da decisão: 2002-000.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1283; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 79 1 78 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.001582/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.884 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 27 de março de 2019 Matéria IRPF Recorrente RICHARD DAVID SCHACHTER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO INDEVIDA DESPESA COM INSTRUÇÃO DOCUMENTAÇÃO HÁBIL COMPROVAÇÃO Quando da apresentação da DAA pelo contribuinte é possível a dedução das despesas com instrução, respeitados os limites legais, da base de cálculo do IRPF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 15 82 /2 00 9- 17 Fl. 79DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 08 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas com instrução indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 1.098,90, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 06 a 18 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Cientificado do. lançamento, o(a) interessado(a) apresentou impugnação, contestando o fato de não ter sido levado em consideração, no cálculo do imposto de renda, o valor declarado a título de despesas com instrução. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/RJOII que, por unanimidade, em 22/10/2007, no acórdão 1317.579, às efls. 32 e 33, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 37 a 77, alegando, em síntese, que os valores deduzidos com instrução foram devidamente comprovados. Que por sua falha, esqueceu de preencher a linha 09 do quadro 6 para informar o número de dependentes que deveriam ser considerados para a dedução das despesas com instrução. Assim, levando em conta os dois dependentes, a glosa deve ser afastada. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 09/11/2007, efls. 35, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 29/11/2007, efls. 37, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A teor do disposto no artigo 8o, inciso II, alínea b, da Lei no 9.250, de 1995, são dedutíveis os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas, ao ensino fundamental, ao ensino médio, à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização) e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 15374.001582/200917 Acórdão n.º 2002000.884 S2C0T2 Fl. 80 3 Ainda, o novo Regulamento de Imposto de Renda (RIR) prevê a possibilidade de dedução com instrução: Art. 74. Na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda devido na declaração de ajuste anual, poderão ser deduzidos os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, ao ensino fundamental, ao ensino médio, à educação superior, e à educação profissional, até o limite anual individual de (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, caput, inciso II, alínea “b”): I R$ 2.830,84 (dois mil, oitocentos e trinta reais e oitenta e quatro centavos), para o anocalendário de 2010; II R$ 2.958,23 (dois mil, novecentos e cinquenta e oito reais e vinte e três centavos), para o anocalendário de 2011; III R$ 3.091,35 (três mil, noventa e um reais e trinta e cinco centavos), para o anocalendário de 2012; IV R$ 3.230,46 (três mil, duzentos e trinta reais e quarenta e seis centavos), para o anocalendário de 2013; V R$ 3.375,83 (três mil, trezentos e setenta e cinco reais e oitenta e três centavos), para o anocalendário de 2014; e VI R$ 3.561,50 (três mil, quinhentos e sessenta e um reais e cinquenta centavos), a partir do anocalendário de 2015. § 1º É vedada a transferência de valor de despesas superior ao limite individual de uma pessoa física para outra (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, caput, inciso II, alínea “b”). § 2º Não serão dedutíveis as despesas com educação do menor considerado pobre que o contribuinte apenas eduque (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, caput, inciso IV). Fl. 81DF CARF MF 4 § 3º As despesas de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em decorrência de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 733 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo, observados os limites previstos neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 4º Para fins do disposto neste artigo, também são considerados estabelecimentos: I de educação infantil as creches e as préescolas; II de educação superior os cursos de graduação e de pós graduação; e III de educação profissional os cursos de ensino técnico e de ensino tecnológico. § 5º Para fins do disposto no § 4º, são considerados cursos de pósgraduação: I a especialização; II o mestrado; e III o doutorado. No ano calendário 2002/exercício 2003 este valor estava limitado a R$1.998,00 por dependente. Pela DAA do contribuinte, às efls. 51 resta informado os dependentes Daniel Campinho e Roberta Campinho. Ainda, às efls. 55 e seguintes constam os pagamentos das despesas com instrução dos dependentes. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 82DF CARF MF Processo nº 15374.001582/200917 Acórdão n.º 2002000.884 S2C0T2 Fl. 81 5 Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720463/2007-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1996
COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
A homologação de compensação declarada está condicionada ao prévio exame pela autoridade fiscal da liquidez e certeza do crédito reclamado. Verificada a existência do crédito, deve ser efetuada a compensação solicitada.
Numero da decisão: 3301-005.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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DECORRÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A homologação de compensação declarada está condicionada ao prévio exame pela autoridade fiscal da liquidez e certeza do crédito reclamado. Verificada a existência do crédito, deve ser efetuada a compensação solicitada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão de piso: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 04 63 /2 00 7- 58 Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10768.720463/200758 Acórdão n.º 3301005.878 S3C3T1 Fl. 550 2 Tratase no presente processo de declaração de compensação (Dcomp) anexada às fls. 04/07, envolvendo crédito de pagamento indevido ou a maior relativo ao PIS e débitos de Cofins e de PIS. A autoridade fiscal, com base no Parecer Conclusivo nº 453/2008 (fls. 27/29), exarou o despacho decisório de fl. 30, decidindo não homologar compensação declarada. No Parecer Conclusivo consta consignado, resumidamente, que: a) A interessada declara na DCOMP que o crédito utilizado foi informado em processo administrativo anterior de nº 13706.003875/200319. O crédito objeto do processo citado não foi reconhecido pela Derat, sendo consideradas não declaradas as compensações. O citado processo tinha como objeto crédito pleiteado também em processo anterior, de nº 10070.002227/200117, cujo direito creditório não foi reconhecido pela Diort e a decisão foi mantida pela Delegacia de Julgamento no Acórdão DRJ/RJOII nº 1.777/2003;; b) A IN SRF 210/2002 dispunha no 4º do art. 21que o sujeito passivo poderá utilizar na compensação de débitos próprios, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou ressarcimento encaminhado à SRF desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da DCOMP; c) A IN SRF 600/2005 dispõe de forma semelhante; d) Não tendo sido o crédito em questão reconhecido como passível de restituição para aproveitamento em compensação pela interessada no processo nº 10070.002227/200117, não se homologa a compensação na presente Dcomp. Cientificada do Parecer Conclusivo e do despacho decisório em 07/11/2008 (fls. 36), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em 17/11/2008 (fls. 42 a 48), alegando, em síntese, que: a) O pedido de restituição original e parte dos pedidos e das declarações de compensação protocolados pela interessada formaram o processo nº 10070.002227/200117, o qual se encontra pendente de julgamento definitivo na esfera administrativa por força da interposição de recursos especiais pela interessada e pela Fazenda Nacional contra a decisão do Conselho de Contribuintes; b) À época em que protocolizada a DCOMP (13/11/2003), a redação do art. 74 da Lei 9.430/96, alterado pela Lei 10.637/2002 não vedava a utilização na compensação de créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição pendente de decisão administrativa na data do encaminhamento da DCOMP; c) A IN SRF 210/2002 extrapola sua competência ao criar óbice à compensação não previsto no CTN nem no art. 74 da Lei 9.430/96; Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10768.720463/200758 Acórdão n.º 3301005.878 S3C3T1 Fl. 551 3 d) Apenas com a edição da Lei 11.051/2004 é que foi incluído o § 12 do art.74 da Lei 9.430/96 que passou a vedar a compensação de valor objeto de pedido de restituição já indeferido pela autoridade competente, ainda que pendente de decisão final administrativa; e) Essa vedação não é aplicável ao caso, porque somente passou a produzir efeitos a partir de sua vigência, em 30/12/2004, conforme art. 34 da Lei 11.051/04; f) Em relação ao mérito, o direito de a interessada utilizar o referido crédito de PIS não está prescrito, porque utilizado dentro do decêndio legal, conforme jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes; g) Ainda no mérito, a interessada tem direito ao crédito do PIS pago a maior, pois nos termos da LC 07/70 sua base de cálculo é o faturamento do 6º mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem a incidência de correção monetária e o crédito a ser utilizado na compensação deve ser corrigido pela taxa SELIC. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1996 COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. A homologação de compensação declarada está condicionada ao prévio exame pela autoridade fiscal da liquidez e certeza do crédito reclamado. Constatada a inexistência do crédito, não há que se falar em compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reitera suas razões. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Em sua petição, informou a Recorrente que: 1. Em 13.11.2003, a PETICIONARIA transmitiu eletronicamente Declaração de Compensação (DCOMP) Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), pleiteando a compensação de parte do crédito relativo ao PIS recolhido a maior no período de janeiro de Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10768.720463/200758 Acórdão n.º 3301005.878 S3C3T1 Fl. 552 4 1992 a abril de 1996 (vinculado ao processo administrativo n° 10070.002227/200117 Processo "Matriz"), no valor de R$ R$ 92.640,57, com Indébitos de PIS e COFINS relativos ao periodo base de outubro de 2003, nos valores de R$ 15.933,33 e R$ 91.205,49, respectivamente. 2. Em 21.10.2008, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT/EQPEJ) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (DERAT/RJ) não homologou a DCOMP, por entender que o crédito objeto de pedido de restituição teria sido indeferido pela autoridade competente, razão por que não poderia ser aproveitado para compensação. 3. Contra a referida decisão a PETICIONARIA apresentou manifestação de inconformidade. 4. A decisão de 1a instância manteve o Despacho Decisório e não homologou a DCOMP sob o fundamento de que, como o crédito do processo em epigrafe estava sendo analisado e discutido no citado processo n° 10070.002227/200117, ainda pendente de decisão administrativa definitiva, não haveria liquidez e certeza no crédito reclamado 5. A PETICIONARIA interpôs recurso voluntário contra a referida decisão, que ainda se encontra pendente de julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 6. Ocorre que, em 28.08.2012, no julgamento do referido processo administrativo no 10070.002227/200117, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) reconheceu a integralidade do crédito relativo ao PIS recolhido a maior no período de janeiro de 1992 a abril de 1996, conforme certidão de julgamento anexa (DOC. 01). Diante do exposto, proponho que seja homologada a compensação solicitada pela Recorrente com os créditos reconhecidos no Processo no. 10070.002227/200117 (Acórdão nº 9900000.305 – Pleno), conforme pleiteado no Recurso Voluntário. Dessarte, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 552DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721689/2018-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2016
DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA.
Restou provado, que a despesa médica era de dependente da contribuinte, assim reconhecida nestes autos.
DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Pensão paga pelo pai, que depositava na conta da mãe, por decisão judicial, e esta por sua vez repassava aos filhos, mera questão contábil, mero erro de fato na Declaração.
Numero da decisão: 2002-001.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2016 DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. Restou provado, que a despesa médica era de dependente da contribuinte, assim reconhecida nestes autos. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Pensão paga pelo pai, que depositava na conta da mãe, por decisão judicial, e esta por sua vez repassava aos filhos, mera questão contábil, mero erro de fato na Declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-05-13T14:33:21Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-05-13T14:33:21Z; Last-Modified: 2019-05-13T14:33:21Z; dcterms:modified: 2019-05-13T14:33:21Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-05-13T14:33:21Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-05-13T14:33:21Z; meta:save-date: 2019-05-13T14:33:21Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-05-13T14:33:21Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-05-13T14:33:21Z; created: 2019-05-13T14:33:21Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-05-13T14:33:21Z; pdf:charsPerPage: 1347; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-05-13T14:33:21Z | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.721689/201816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002001.055 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 25 de abril de 2019 Matéria IRPF Recorrente FRANCISCA SOARES MUNIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2016 DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. Restou provado, que a despesa médica era de dependente da contribuinte, assim reconhecida nestes autos. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Pensão paga pelo pai, que depositava na conta da mãe, por decisão judicial, e esta por sua vez repassava aos filhos, mera questão contábil, mero erro de fato na Declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 16 89 /2 01 8- 16 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10166.721689/201816 Acórdão n.º 2002001.055 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 90/100) contra decisão de primeira instância (fls. 77/84), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Trata o processo de impugnação à notificação de lançamento de imposto de renda de pessoa física, resultante de procedimento de revisão de declaração de ajuste do exercício 2017, anocalendário 2016, por meio da qual se exige o crédito tributário de R$32.688,86, assim discriminado: De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento foram apuradas as seguintes infrações: Dedução indevida com dependentes (R$2.275,08) – Contribuinte devidamente intimado TIPF nº 1421, de 27/06/2017, com AR datado de 03/07/2017. Foi glosada a dedução a título de dependência da irmã Silvia Helena da Silva por não apresentar decisão judicial de tutela ou curatela. Orientação DISIT/SRRF01 Nº 74/2010. É ...a dependência não pode ser embasada tão somente em laudo médico, posto que o limite da curatela é definido por sentença judicial. Dedução indevida de pensão alimentícia (R$49.608,72) – Contribuinte devidamente intimado TIPF nº 1421, de 27/06/2017, com AR datado de 03/07/2017. Foram glosadas as deduções a título de pensão alimentícia abaixo, por não ter apresentado decisão judicial: Mariana Soares Muniz e Pedro Soares Muniz. Dedução indevida de despesas médicas (R$16.325,96) Nome Declarado Alterado Clinica de Ginecologia e Obstetricia Valkiria Ribeiro e Geovanna Mendonça Ltda Pro Saúde 9.400,00 6.323,25 450,00 0,00 0,00 0,00 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10166.721689/201816 Acórdão n.º 2002001.055 S2C0T2 Fl. 4 3 IORB Instituto Odonto Radiologico de Brasília Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios 152,71 0,00 Contribuinte devidamente intimado TIPF nº 1421, de 27/06/2017, com AR datado de 03/07/2017. Foram glosadas as deduções a título de despesas médicas abaixo, haja vista a beneficiária (Silvia Helena da Silva) não ser considerada dependente da contribuinte: Pro Saúde R$ 6.323,25 Participação no Custeio das Despesas Médicas R$ 152,71 e IORB Inst. Odon. Radiologico de Brasilia R$ 450,00. Também foram glosadas as despesas médicas abaixo, por não ser a beneficiária, (Mariana Soares Muniz) dependente da contribuinte: Gynartis R$9.400,00. Valor total glosado a título de despesas médicas R$16.325,96. A contribuinte foi cientificada em 14/02/2018 (fl.58) e apresentou impugnação em 08/03/2018. Contesta a glosa de dependente afirmando que a irmã, Silvia Helena da Silva Soares, nasceu surda e muda, e sofreu um acidente automobilístico que a tornou paraplégica conforme Relatórios médicos anexados. Salienta que já havia sido notificada anteriormente a respeito da glosa da irmã como dependente e a impugnação então apresentada foi considerada procedente pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, conforme cópia do Acórdão 0261.536 juntada ao processo. Em relação a glosa de despesas médicas alega que é inscrita no Programa de Saúde dos Magistrados e Servidores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios e que informa seus dependentes, entre eles, Silvia Helena da Silva Soares, desde 1996, sendo as despesas de custeio médico e contribuição previdenciária de sua irmã descontadas diretamente de sua remuneração. A respeito da glosa de pensão alimentícia declarada como paga a seus filhos transcreve parte do ofício endereçado ao Diretor Pessoal de Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal por meio do qual foi requerido que se procedesse na folha de pagamento do Sr. Domingos José Lindozo Muniz ao desconto mensal de 30% de seus rendimentos na proporção de 15% para cada, em favor de Pedro Soares Muniz e Mariana Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10166.721689/201816 Acórdão n.º 2002001.055 S2C0T2 Fl. 5 4 Soares Muniz, a título de pensão alimentícia fixada nos autos do Processo 15.534/91. Consta do mesmo documento que os alimentos deverão ser depositados na conta corrente da Caixa Econômica Federal em nome de Francisca Soares Muniz. Esclarece que sua conta limitavase a repassar o montante das pensões para seus filhos então menores. Salienta que cada um dos filhos ofertaram à tributação em declaração própria os valores recebidos no exercício fiscalizado que totalizam R$24.804,36. Pede que seja restabelecida a dedução de pensão alimentícia que era recebida e repassada com base em determinação judicial. Concorda com a glosa de despesa médica no valor de R$9.400,00 que é referente ao Parto de Mariana e informa que quitou o valor do tributo devido. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo a decisão de primeira instância e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 03/07/2018 (fl. 87); Recurso Voluntário protocolado em 01/08/2018 (fl. 89), assinado por procurador legalmente constituído (fl. 92). Responde a contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida com Dependentes; b) Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública; c) Dedução Indevida de Despesas Médicas; A r. decisão, assim decidiu: “Ante as considerações acima, devese retificar o lançamento para que seja restabelecida a dedução com dependente (R$2.275,08) e despesas médicas no total de R$6.475,96, sendo mantida a glosa de despesas médicas no valor de R$450,00 e a glosa de pensão alimentícia”. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10166.721689/201816 Acórdão n.º 2002001.055 S2C0T2 Fl. 6 5 Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio atacando o mérito, juntando documentos. A r. decisão de origem, manteve a glosa de despesas médicas no valor de R$ 450,00, referente ao IORB; bem como a glosa de pensão alimentícia no valor de R$ 49.608,72. Diz a recorrente, que relativamente à glosa de despesas médicas, foi no momento oportuno juntado o documento, em que se faz prova que a despesa apresentada era da irmã da recorrente considerada dependente, nestes autos. De fato procede o inconformismo da recorrente, pois o documento de fls. 101 (Nota Fiscal da IORB, dá conta que o gasto de R$ 450,00 se deu em nome da irmã da recorrente que foi considerada dependente). Provejo. A r. decisão revisanda, em seu voto relata que a recorrente alegou que era responsável por receber e repassar a pensão alimentícia motivo pelo qual declarava o repasse como dedução. Salienta que os filhos Pedro e Mariana apresentavam declaração em separado informando o valor da pensão alimentícia recebida. É certo que a recorrente não poderia deduzir a pensão em comento, uma vez que não era ela quem pagava aos filhos. Não obstante, verificase que ela ofertou à tributação os rendimentos (fl. 61), o que também não lhe cabia, já que não era ela a beneficiária desses valores. Ou seja, assim como não deve a contribuinte declarar como rendimento tributável próprio a pensão paga aos filhos pelo excônjuge, também não cabe deduzir como pensão o respectivo valor. Vejase que ela não informou os filhos como dependentes (fl. 60), o que ensejaria a inclusão desses rendimentos como rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes. Assim, concluo que cabe o ajuste dos rendimentos declarados, para exclusão da base de cálculo do imposto, o montante de R$ 49.608,72, o que cancela por consequência, o crédito tributário decorrente da glosa da pensão. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 134DF CARF MF
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