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Numero do processo: 10580.729806/2015-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
Ementa:
PROCESSUAL - PRECLUSÃO CONSUMATIVA
Por força dos preceitos do art. 17 do Decreto 70.235/72, toda a matéria de defesa deve ser apresentada quando da oposição da respectiva impugnação, operando-se, pois, preclusão consumativa quanto aquelas matérias não devidamente aventadas no aludido momento processual.
PROCESSO ADMINISTRATIVO - NULIDADE - INOCORRÊNCIA
Não se verificando no feito quaisquer situações que culminem com o amesquinhamento do direito de defesa do autuação, não se verifica, igualmente, a hipótese de nulidade, na forma descrita pelo art. 59, II, do Decreto 70.235.
Numero da decisão: 1302-003.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 Ementa: PROCESSUAL - PRECLUSÃO CONSUMATIVA Por força dos preceitos do art. 17 do Decreto 70.235/72, toda a matéria de defesa deve ser apresentada quando da oposição da respectiva impugnação, operando-se, pois, preclusão consumativa quanto aquelas matérias não devidamente aventadas no aludido momento processual. PROCESSO ADMINISTRATIVO - NULIDADE - INOCORRÊNCIA Não se verificando no feito quaisquer situações que culminem com o amesquinhamento do direito de defesa do autuação, não se verifica, igualmente, a hipótese de nulidade, na forma descrita pelo art. 59, II, do Decreto 70.235.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 Ementa: PROCESSUAL PRECLUSÃO CONSUMATIVA Por força dos preceitos do art. 17 do Decreto 70.235/72, toda a matéria de defesa deve ser apresentada quando da oposição da respectiva impugnação, operandose, pois, preclusão consumativa quanto aquelas matérias não devidamente aventadas no aludido momento processual. PROCESSO ADMINISTRATIVO NULIDADE INOCORRÊNCIA Não se verificando no feito quaisquer situações que culminem com o amesquinhamento do direito de defesa do autuação, não se verifica, igualmente, a hipótese de nulidade, na forma descrita pelo art. 59, II, do Decreto 70.235. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, para afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 98 06 /2 01 5- 48 Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10580.729806/201548 Acórdão n.º 1302003.584 S1C3T2 Fl. 483 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado), Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente o Conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. Relatório Cuidam os autos de lançamento tributário concernente à tributos calculados na forma do regime previsto na LC 123/06, em decorrência da constatação de manutenção de depósitos bancários de origem desconhecida ou mantidos a margem de escrita contábil e fiscal do contribuinte. Intimado para apresentar extratos bancários concernentes à conta de sua titularidade, a empresa autuada apresentou os documentos relativos à conta havida junto ao Banco Triângulo S/A; todavia, em consulta aos sistemas da RFB, a D. Auditoria Fiscal identificou a existência de outras contascorrentes mantidas em nome do recorrente (custodiadas pelos Banco Itaú e Santander). A vista da inação do insurgente, procedeuse à lavratura do competente RMF; obtidos os extratos das instituições acima declinadas, a Fiscalização intimou o recorrente a justificar/comprovar os valores atestados pelos documentos retro, após a necessária conciliação (aonde foram excluídas movimentações entre contas de mesma titularidade, empréstimos bancários e outras movimentações não representativas de ingressos tributáveis). Em resposta à intimação supra, o contribuinte se limitou a informar a existência, de fato, de movimentações que não correspondiam aos faturamentos por ele auferidos, justificando que semelhante disparidade teria se dado na demora incorrida pelas instituições financeiras na entrega de extratos necessários à respectiva conciliação e registro contábil. Ante a manifestação supra, não restou alternativa à D. Autoridade Administrativa senão a realização do lançamento ora polemizado, com espeque nos preceitos do art. 42 da Lei 9.430/96; nesta ocasião, e tendo em conta a prática reiterada e confessada de não oferecer à tributação (ou, quando menos, de registrar contabilmente) as movimentações identificadas no curso da ação fiscal, qualificouse a multa de ofício e, ainda, procedeuse a lavratura de termos de sujeição passiva solidária em face dos sócios administradores da empresa. Tambem foi lavrado termo de representação para fins penais (em apenso). Devidamente intimados da autuação acima, apenas a empresa opôs impugnação administrativa por meio da qual cingiu a questionar a constitucionalidade da multa de ofício aplicada a luz do princípio do não confisco. Ao apreciar as razões da defesa apresentada pelo contribuinte, a DRJ de Ribeirão Preto houve por bem julgála improcedente. Cumpre apenas anotar que no relatório do acórdão recorrido haveria informação acerca de um pretenso parcelamento da dívida, realizado pela empresa, mormente a luz do termo de transferência de débitos de efls. 409/4012. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10580.729806/201548 Acórdão n.º 1302003.584 S1C3T2 Fl. 484 3 O contribuinte teve ciência do acórdão supra em 16 de maio de 2017 (AR de efl. 467), tendo interposto seu recurso voluntário em 05 de junho daquele mesmo ano (doc. de efl. 4420, por meio do qual sustenta, preliminarmente, a nulidade do auto de infração (por falta de individualização dos depósitos bancários sobre os quais recaiu a presunção preconizada pelo art. 42 da Lei 9.430). No mérito, invoca os preceitos da Súmula 25 do CARF, para sustentar a inexistência da prova da prática de atos que justificassem a aplicação da multa de ofício qualificada. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. O recurso é tempestivo; nada obstante, merece conhecimento apenas parcial. Isto porque, particularmente quanto argumento de mérito, concernente à aplicação dos preceitos da Súmula CARF de nº 25, o recorrente inova a discussão até aqui travada, bastando lembrar que, em suas razões de impugnação, limitarase a discutir a "constitucionalidade" da multa de ofício aplicada. Assim, e considerando os ditames do art. 17 do Decreto 70.235, observase que, em relação ao predito questionamento, operouse inegável preclusão consumativa, descabendo, pois, nesta instância, a sua análise. Restanos, pois, aqui, analisar, tão só a preliminar de mérito aventada. I Prefacialmente Cumpre apenas registrar que, não obstante o acórdão recorrido mencionar, no relatório, a ocorrência de parcelamento crédito tributário objeto deste feito, não há, nos autos, nenhuma prova ou informação que ateste semelhante assertiva. O "Termo de Transferência de Débitos" de efls. 409/412 foi lavrado, apenas, por se reconhecer ter ocorrido a impugnação parcial do auto de infração (discutiuse lá, como dito no relatório supra, tão só a constitucionalidade da multa, nada se dizendo sobre o mérito da autuação em si). Até que se prove o contrário, não há nenhum elemento que demonstre ter ocorrido o parcelamento da dívida estampada no AI de efls. 2/53 e isto é importante porque se realmente se comprovasse o predito parcelamento, descaberia, aqui, a análise até mesmo da preliminar de mérito que se apreciará a seguir. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10580.729806/201548 Acórdão n.º 1302003.584 S1C3T2 Fl. 485 4 II Da alegada nulidade por pretensa afronta às garantias da ampla defesa e do contraditório. Aqui o contribuinte sustenta que, do auto de infração lavrado, não constariam, que seja por meio de planilhas, a individualização de cada um dos depósitos bancários identificados e sobre os quais teria recaído a presunção preconizada pelo art. 42 da Lei 9.430/96. Embasa, neste passo, a sua alegação nos ditames do § 3º do referido preceptivo legal, cujo teor reproduzo a seguir: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Sem razão o insurgente. De fato, como extrai do documento de efls. 108/129, o contribuinte teve ciência inequívoca sobre cada um dos depósitos considerados pela Fiscalização quando da lavratura do respectivo auto de infração. Ainda que as planilhas ali consignadas tenham sido elaboradas ainda no curso da investigação fiscal, as mesmas foram expressamente referenciadas no Termo de Verificação, como se extrai do trecho abaixo transcrito: Em face do exposto, por presunção legal, foram considerados como receita de vendas todos os valores a crédito relacionados na planilha RELAÇÃO DE CRÉDITOS A COMPROVAR e, com base nesta planilha, elaborado o DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS 2011 em anexo onde foi realizada a consolidação mensal desses valores. Outrossim, o processo na sua origem foi autuado na forma digital, de sorte que todos os documentos utilizados para a instrução do auto de infração se encontravam devidamente disponibilizados ao interessado. Não se vê, pois, no caso, qualquer mácula à ampla defesa do contribuinte, não ocorrendo, pois, nulidade aferível, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235. II Conclusão. A luz do exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a preliminar de mérito aventada, NEGANDOSELHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10580.729806/201548 Acórdão n.º 1302003.584 S1C3T2 Fl. 486 5 Fl. 486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.000137/2005-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não havendo litígio quanto à matéria impugnada, não deve ser conhecido o recurso voluntário.
Numero da decisão: 2402-007.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Fernanda Melo Leal, que conheceu do recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não havendo litígio quanto à matéria impugnada, não deve ser conhecido o recurso voluntário.
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NÃO CONHECIMENTO. Não havendo litígio quanto à matéria impugnada, não deve ser conhecido o recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Fernanda Melo Leal, que conheceu do recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 01 37 /2 00 5- 95 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13748.000137/200595 Acórdão n.º 2402007.192 S2C4T2 Fl. 90 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 76) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso considerou apenas procedente em parte impugnação apresentada contra formalização de Auto de Infração referente à IRPF, no valor de R$ 6.728,00 (acrescidos de juros e multa) contra o contribuinte, incidente sobre omissão de rendimentos de declaração de ajuste anual exercício de 2001. Cientificado do Auto de Infração em 17.02.2005 (fls 34) o contribuinte apresentou impugnação em 07.03.2005 (fls 03 a 05), manifestandose contra a exigência do tributo sob exame. Em 22.10.2009, a autoridade julgadora da instância de base assim relatou os eventos ocorridos até então no presente processo: Ao decidir a questão, entendendo o julgador que: 1) não há necessidade de prévia intimação do contribuinte para a execução de procedimento fiscal; 2) a obrigação de declarar possui natureza objetiva; 3) não há prova nos autos do efetivo desconto de contribuição previdenciária sobre a remuneração lançada de ofício; 4) o contribuindo não impugnou a glosa de dedução de incentivo; 5) o contribuinte demonstrou ter realizado pagamento de pensão alimentícia judicial; e 6) não ér possível decidir questões não litigadas no processo (incidência ou não de IRPF sobre valor de aposentadoria complementar), decidiuse pela procedência parcial da impugnação. Irresignado, em 05.02.2010 o contribuinte interpôs o recurso voluntário em apreço, desta feita, argumentando apenas existir decisão judicial transitada em julgado afastando a tributação do IRPF sobre o valor da complementação de aposentadoria recebida do Fundo Petros (Processo Judicial 2001.51.06.0022944 TRF2, fls. 11). Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13748.000137/200595 Acórdão n.º 2402007.192 S2C4T2 Fl. 91 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade Não obstante a tempestividade do recurso apresentado, o contribuinte comparece a este Conselho tãosomente para reafirmar a existência de decisão judicial favorável a si (fls. 11), que afasta a incidência do IRPF sobre os rendimentos de complementação de aposentadoria recebida pelo recorrente do Fundo PETROS. Ocorre que, assim como observou a instância de base, tal rendimento não foi objeto de lançamento no auto de infração em apreço, tendo sido tal valor declarado pelo próprio contribuinte como rendimento tributável no ajuste anual do exercício 2001. Assim, quanto a esse item, não há litígio a ser decido na presente voto, uma vez que foi o próprio contribuinte quem, sponte propria, submeteu tal renda à tributação do IRPF. Ademais, não consta dos autos elementos suficientes para aferir a existência e a extensão de eventual decisão judicial, transitada em julgado, favorável ao contribuinte, cuja obrigação de prova cabia ao recorrente. Não obstante tal fato, fica ressalvada a possibilidade de revisão de ofício pela unidade de origem, caso reste evidente a existência de decisão judicial favorável ao contribuinte, que venha a atingir o crédito lançado. Conclusão Posto isso, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário apresentado, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13883.000024/97-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/1992 a 31/12/1995
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é ovalor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado nojulgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS LIVROS, JORNAIS, PERIÓDICOS E DO PAPEL DESTINADO A SUA IMPRESSÃO (CF/88, 150, VI, D).A imunidade relativa aos livros, jornais, periódicos e ao papel destinado a sua impressão alcança apenas os impostos, não abrangendo outras espécies tributárias.
Numero da decisão: 3302-006.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento parcial em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado).
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/04/1992 a 31/12/1995 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é ovalor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado nojulgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS LIVROS, JORNAIS, PERIÓDICOS E DO PAPEL DESTINADO A SUA IMPRESSÃO (CF/88, 150, VI, D).A imunidade relativa aos livros, jornais, periódicos e ao papel destinado a sua impressão alcança apenas os impostos, não abrangendo outras espécies tributárias.
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é ovalor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado nojulgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS LIVROS, JORNAIS, PERIÓDICOS E DO PAPEL DESTINADO A SUA IMPRESSÃO (CF/88, 150, VI, D).A imunidade relativa aos livros, jornais, periódicos e ao papel destinado a sua impressão alcança apenas os impostos, não abrangendo outras espécies tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento parcial em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 3. 00 00 24 /9 7- 73 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13883.000024/9773 Acórdão n.º 3302006.898 S3C3T2 Fl. 176 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão que julgou improcedente a impugnação e manteve integralmente o lançamento fiscal, nos termos da ementa abaixo: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de Apuração: abril/92 a dezembro/95 ICMS. Base de cálculo. O ICMS integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Co fins. Papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Imunidade. A Cotins incide sobre o faturamento de empresa vendedora de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, pois, sendo modalidade das contribuições sociais, não está abrangida pela imunidade prevista na alínea "d" do inciso VI do art. 150. Em suas razões recursais, sustenta a Recorrente que o Auto de Infração não deve ser mantido, posto que inclui indevidamente na base de cálculo da COFINS o valor do ICMS e o faturamento de produto de imune. O recurso teve seu seguimento negado por ausência de depósito prévio de 30% do valor da exigência e foi encaminhado à inscrição em dívida ativa e posterior cobrança judicial. Ato contínuo, houve o cancelamento da exigência do depósito prévio por ordem judicial obtida pela Recorrente, cancelamento da inscrição em dívida e a abertura do contencioso administrativo. É relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13883.000024/9773 Acórdão n.º 3302006.898 S3C3T2 Fl. 177 3 Conforme exposto anteriormente, a demanda cingese na análise quanto a possibilidade de não incluir o ICMS na base de cálculo da COFINS e o faturamento faturamento de produto de imune. A respeito da inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, matéria está incontroversa no RE 574.706, temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13883.000024/9773 Acórdão n.º 3302006.898 S3C3T2 Fl. 178 4 d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13883.000024/9773 Acórdão n.º 3302006.898 S3C3T2 Fl. 179 5 e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de cálculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Melhor sorte não resta à Recorrente quanto a questão do faturamento de produto imune não compor a base de cálculo da COFINS, nos termos do artigo 150, VI, alínea "d", da CF. Isto porque, referida norma constitucional afasta a incidência de imposto sobre os produtos, espécie de tributo que, não confunde com a contribuição aqui tratada. Neste sentido: Ementa(s) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2007 a 30/04/2009 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DOS LIVROS, JORNAIS, PERIÓDICOS E DO PAPEL DESTINADO A SUA IMPRESSÃO (CF/88, 150, VI, D). A imunidade relativa aos livros, jornais, periódicos e ao papel destinado a sua impressão alcança apenas os impostos, não abrangendo outras espécies tributárias. (Acórdão 3401005.355 26.09.2018) Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721130/2017-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014
LANÇAMENTO INDEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. DISCUSSÃO SOBRE INOBSERVÂNCIA DE REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE POSSÍVEL. PERÍODO INCORRETO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Nos casos em que a discussão do crédito tributário se refere à data correta de dedução das despesas, não há que se falar em indedutibilidade das despesas, vez que esta é possível. Há de se tratar a infração como inobservância do regime de competência. Assim, improcede o lançamento que não dá o tratamento adequado à infração.
Numero da decisão: 1401-003.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos André Soares Nogueira.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013, 2014 LANÇAMENTO INDEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. DISCUSSÃO SOBRE INOBSERVÂNCIA DE REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE POSSÍVEL. PERÍODO INCORRETO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Nos casos em que a discussão do crédito tributário se refere à data correta de dedução das despesas, não há que se falar em indedutibilidade das despesas, vez que esta é possível. Há de se tratar a infração como inobservância do regime de competência. Assim, improcede o lançamento que não dá o tratamento adequado à infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos André Soares Nogueira. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.092 1 1.091 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721130/201744 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.311 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2019 Matéria IRPJ PROVISÃO DE JUROS Recorrente PETROLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012, 2013, 2014 LANÇAMENTO INDEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. DISCUSSÃO SOBRE INOBSERVÂNCIA DE REGIME DE COMPETÊNCIA. DEDUTIBILIDADE POSSÍVEL. PERÍODO INCORRETO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Nos casos em que a discussão do crédito tributário se refere à data correta de dedução das despesas, não há que se falar em indedutibilidade das despesas, vez que esta é possível. Há de se tratar a infração como inobservância do regime de competência. Assim, improcede o lançamento que não dá o tratamento adequado à infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos André Soares Nogueira. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 30 /2 01 7- 44 Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.093 2 Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso sobre o caso. A Companhia Locadora de Equipamentos Petrolíferos (CLEP), incorporada pela interessada em abril de 2014, deduziu despesas financeiras atinentes a juros de contratos de empréstimo nos anocalendário 2012, 2013 e 2014. Os montantes deduzidos foram, respectivamente, de R$ 124.553.299,93, R$ 132.170.073,59 e R$ 35.070.427,02. O empréstimo em tela foi tomado pela CLEP perante BB Asset Management Ireland Limited, pessoa sediada em Dublin, capital da Irlanda. Do Termo de Verificação Fiscal, colho (fl. 867): “Voltando à resposta ao item 9 do TIF01(RESP_TIF_01_ITEM_09_10_11), verificase que o valor do principal da obrigação contraída pela CLEP foi de US$ 749 milhões, a uma taxa de juros de oito por cento ao ano, e com vencimento integral em dezembro de 2014, ou seja, não houve pagamento de parcelas relativas a esse empréstimo ao longo dos anos de 2012 a 2014, sendo que o principal seria restituído, juntamente com os encargos financeiros, ao final de ano de 2015. Dessa forma, e como se confirma por meio da resposta da contribuinte às alíneas “j” e “l” do item 9 do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIF_01), em que pese a fiscalizada ter incorrido em despesas financeiras e em despesas de IRRF incidentes sobre a remessa de juros ao exterior, decorrentes do citado empréstimo, não houve qualquer pagamento relacionado a tais despesas (considerandose tanto a despesa financeira/de juros, como a de IRRF), nos anos de 2012 a 2014.” A CLEP constituiu provisão para registrar, em sua escrita, a dívida relativa aos gastos decorrentes da incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) em função da futura remessa dos juros ao exterior, fato que só ocorreria no anocalendário 2015. Segundo o contrato, tais gastos correriam por conta do tomador do empréstimo, a CLEP. A contrapartida do lançamento a crédito da conta do passivo que registrou a dívida foi um lançamento a débito de conta de resultado (despesa), que impactou negativamente o resultado comercial e, por via de consequência, as bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSL). A autoridade fiscal retomou a legislação atinente ao IRRF para destacar que o fato gerador do tributo, na hipótese ventilada nos autos, é o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de importâncias a beneficiários no Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.094 3 exterior (art. 702, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, lastreado no art. 100 da Decretolei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, no art. 77 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958 e no art. 28 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). Foi identificado, pela mesma autoridade, que a CLEP deduziu da base de cálculo do IRPJ e da CSL os seguintes valores a título de IRRF incidente sobre a remessa de juros ao exterior: R$ 18.245.651,57, no anocalendário 2012, R$ 24.882.098,16, no anocalendário 2013, e R$ 5.697.064,69, no ano calendário 2014. A interessada confirmou a inexistência do pagamento dos juros e da retenção do imposto de renda. Consoante apontado pela autoridade fiscal, o registro da despesa com juros “não dá azo ao fato gerador do IRRF. O fato gerador só ocorre quando da efetiva remessa. Louvase, além da legislação, em jurisprudência emanada do Conselho Administrativo de A Companhia Locadora de Equipamentos Petrolíferos (CLEP), incorporada pela interessada em abril de 2014, deduziu despesas financeiras atinentes a juros de contratos de empréstimo nos anocalendário 2012, 2013 e 2014. Os montantes deduzidos foram, respectivamente, de R$ 124.553.299,93, R$ 132.170.073,59 e R$ 35.070.427,02. O empréstimo em tela foi tomado pela CLEP perante BB Asset Management Ireland Limited, pessoa sediada em Dublin, capital da Irlanda. Do Termo de Verificação Fiscal, colho (fl. 867): “Voltando à resposta ao item 9 do TIF01(RESP_TIF_01_ITEM_09_10_11), verificase que o valor do principal da obrigação contraída pela CLEP foi de US$ 749 milhões, a uma taxa de juros de oito por cento ao ano, e com vencimento integral em dezembro de 2014, ou seja, não houve pagamento de parcelas relativas a esse empréstimo ao longo dos anos de 2012 a 2014, sendo que o principal seria restituído, juntamente com os encargos financeiros, ao final de ano de 2015. Dessa forma, e como se confirma por meio da resposta da contribuinte às alíneas “j” e “l” do item 9 do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIF_01), em que pese a fiscalizada ter incorrido em despesas financeiras e em despesas de IRRF incidentes sobre a remessa de juros ao exterior, decorrentes do citado empréstimo, não houve qualquer pagamento relacionado a tais despesas (considerandose tanto a despesa financeira/de juros, como a de IRRF), nos anos de 2012 a 2014.” A CLEP constituiu provisão para registrar, em sua escrita, a dívida relativa aos gastos decorrentes da incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) em função da futura remessa dos juros ao exterior, fato que só ocorreria no anocalendário 2015. Segundo o contrato, tais gastos correriam por conta do tomador do empréstimo, a CLEP. A contrapartida do lançamento a crédito da conta do passivo que registrou a dívida foi um lançamento a débito de conta de resultado (despesa), que impactou negativamente o resultado comercial e, por via de consequência, as bases de Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.095 4 cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSL). A autoridade fiscal retomou a legislação atinente ao IRRF para destacar que o fato gerador do tributo, na hipótese ventilada nos autos, é o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de importâncias a beneficiários no exterior (art. 702, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, lastreado no art. 100 da Decretolei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, no art. 77 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958 e no art. 28 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). Foi identificado, pela mesma autoridade, que a CLEP deduziu da base de cálculo do IRPJ e da CSL os seguintes valores a título de IRRF incidente sobre a remessa de juros ao exterior: R$ 18.245.651,57, no anocalendário 2012, R$ 24.882.098,16, no anocalendário 2013, e R$ 5.697.064,69, no ano calendário 2014. A interessada confirmou a inexistência do pagamento dos juros e da retenção do imposto de renda. Consoante apontado pela autoridade fiscal, o registro da despesa com juros “não dá azo ao fato gerador do IRRF. O fato gerador só ocorre quando da efetiva remessa. Louvase, além da legislação, em jurisprudência emanada do Conselho Administrativo de A disponibilidade jurídica só existe quando o beneficiário do rendimento dispõe de título, não sujeito à condição, termo ou modo, para realizar seu direito de crédito, convertendo a disponibilidade jurídica em disponibilidade econômica.” Frente ao cenário acima descrito, a autoridade fiscal concluiu que a despesa com o IRRF lançada contabilmente, incidente sobre juros ainda não remetidos ou pagos, seria indedutível, “na medida em que tem natureza de mera provisão” (fl. 878). I indedutibilidade decorreria dos termos do artigo 335 do Decreto nº 3.000, de 1999, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), assim redigido: “Art. 335. Na determinação do lucro real somente serão dedutíveis as provisões expressamente autorizadas neste Decreto (DecretoLei nº 1.730, de 17 de outubro de 1979, art. 3º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso I).” O trabalho fiscal destaca a natureza de provisão da despesa lançada e o valor probante da escrita do contribuinte. Confirase (fl. 878): “Destacase ainda que a natureza de provisão da despesa de IRRF sobre juros remetidos ao exterior é confirmada pela própria contabilidade da fiscalizada, já que os valores relativos a tais despesas são lançados tendo como contrapartida conta de passivo, representativa de obrigação a ser adimplida no futuro (conta contábil nº 2105300003 – IMPOSTO DE RENDA RETIDO REMESSAS PARA O EXTERIOR). Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.096 5 Notese que a escrituração contábil tem valor probante, conforme se depreende do dispositivo abaixo, do Decreto nº 3.000/99 (RIR): Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Assim, o que se verifica, in casu, é que a contribuinte diminuiu seu resultado, nos anos de 2012 a 2014, mediante a dedução de despesas de IRRF que, em verdade, são indedutíveis, na medida em que têm natureza de provisão, já que o fato gerador (o pagamento dos juros) daquele imposto não ocorreu (como atestam as respostas da contribuinte, bem como sua escrituração contábil). Isto posto, cabe a glosa das despesas de IRRF sobre remessas de juros ao exterior, nos anos de 2012 a 2014, por serem indedutíveis, devendo ser recalculadas as bases de cálculo do IRPJ e CSLL nos anos em questão, e cobrada eventual diferença de imposto com multa de ofício de 75%.” O IRPJ lançado em função da glosa da despesa acima esmiuçada montou R$ 12.206.203,57 (fl. 881). A CSL montou R$ 2.293.284,64 (fl. 897). Houve a aplicação da multa de ofício de 75%. Os valores, acrescidos dos juros de mora calculados quando do lançamento, montaram R$ 32.026.222,33 (fl. 914). O lançamento chegou ao conhecimento do interessado no dia 1º de dezembro de 2017 (fls. 916 a 918). Em 27 de dezembro de 2017, o interessado apresentou impugnação ao lançamento (fls. 920 e 921). O impugnante alega, inicialmente, a tempestividade do seu protesto. Tal fato foi corroborado pela autoridade preparadora (fl. 992). Após, o sujeito passivo divide os encargos assumidos perante a instituição financeira estrangeira em três partes: o montante principal, os juros e o IRRF. Quanto ao provisionamento do principal e dos juros, informa que, inicialmente, a obrigação de restituir o principal e de pagar os juros vencia semestralmente nos dias 30 de abril e 30 de setembro de cada ano. Referiu diversas alterações contratuais. Em função das referidas alterações, não ocorreu a integral restituição do principal e o pagamento de todos os juros inicialmente pactuados. Houve, entretanto, o reconhecimento da despesa com os juros impagos, segundo o regime de competência, através da constituição de provisão. Reforça que a referida provisão não foi objeto de contestação pelo Fisco. Discorda da interpretação fiscal quanto ao fato gerador do IRRF incidente sobre o pagamento dos juros. Alega que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda. A renda, uma Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.097 6 riqueza nova, independeria do seu pagamento para a sua existência. Segundo o artigo 685 do RIR/99, os rendimentos creditados por fonte pagadora situada no país em favor de pessoa jurídica residente no exterior daria ensejo à incidência do IRRF. Frente ao crédito contábil por ele realizado, defende a concretização do fato gerador do IRRF. Confirase (fl. 927): “Assim, com o devido respeito, descabe o argumento defendido pelo fiscal de que a expressão "creditados" deveria ser interpretada como termo sinônimo aos demais verbos presentes no artigo 685, em especial, ao verbo "pagar"; indicando os referidos termos a disponibilidade efetiva da quantia ao beneficiário no exterior. Ao revés, devese ler o termo "creditado" como a escrituração contábil, o reconhecimento contábil de que determinado valor é devido, representando o pagamento e o crédito contábil momentos e fatos geradores distintos. Há de restar claro que o registro contábil dos juros ou a remessa desses valores constituem em si o fato gerador do IRRF. No presente caso, o evento que ocorreu em primeiro lugar foi o registro, vindo o pagamento a ocorrer na liquidação do contrato em 28.12.2015. (fls. 410, 678, 679, 680 e 681 do eprocesso).” Entende que a orientação constante da Solução de Consulta Cosit nº 153, de 2 de março de 2017, e da Solução de Divergência Cosit nº 23, de 23 de setembro de 2013, corroboram o entendimento abraçado pelo impugnante. Repriso trecho da ementa do primeiro ato antes referido: Da Solução de Consulta Cosit nº 153, de 2017 “EMENTA: RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS. FATO GERADOR. CRÉDITO DOS RENDIMENTOS. A hipótese de crédito de rendimentos de serviços técnicos a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior como fato gerador do imposto de renda incidente na fonte materializase por ocasião do lançamento contábil representativo da obrigação de pagar a quantia ajustada com o prestador dos serviços, realizado pela fonte pagadora em seus livros (crédito contábil), desde que caracterizada a disponibilidade econômica ou jurídica do rendimento.” O segundo ato citado diz respeito ao IRPJ, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à Contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), não fazendo referência ao IRRF. Confirase o teor da ementa da Solução de Divergência Cosit nº 23, de 2013: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: É possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativos comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Para que os valores movimentados em razão do citado rateio de custos e despesas sejam dedutíveis do IRPJ, exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.098 7 entre os intervenientes; que correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; que a empresa centralizadora da operação aproprie como despesa tãosomente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar; e, finalmente, que seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, observadas as exigências estabelecidas no item anterior para regularidade do rateio de dispêndios em estudo: a) os valores auferidos pela pessoa jurídica centralizadora das atividades compartilhadas como reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico pelo pagamento dos dispêndios comuns não integram a base de cálculo das contribuições em lume apurada pela pessoa jurídica centralizadora; b) a apuração de eventuais créditos da não cumulatividade das mencionadas contribuições deve ser efetuada individualizadamente em cada pessoa jurídica integrante do grupo econômico, com base na parcela do rateio de dispêndios que lhe foi imputada; c) o rateio de dispêndios comuns deve discriminar os itens integrantes da parcela imputada a cada pessoa jurídica integrante do grupo econômico para permitir a identificação dos itens de dispêndio que geram para a pessoa jurídica que os suporta direito de creditamento, nos termos da legislação correlata. DISPOSITIVOS LEGAIS: arts. 251 e 299, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; art. 123 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e art. 1 º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Requer a aplicação dos atos acima citados em função da força vinculante a eles emprestada por via do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396, de 16 de setembro de 2013, com a redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.434, de 30 de dezembro de 2013. Repriso a norma que consta do referido artigo 9º: “Art. 9º A Solução de Consulta Cosit e a Solução de Divergência, a partir da data de sua publicação, têm efeito vinculante no âmbito da RFB, respaldam o sujeito passivo que as aplicar, independentemente de ser o consulente, desde que se enquadre na hipótese por elas abrangida, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento.” Reclama a aplicação da interpretação constante do item 17 da Solução de Consulta Cosit nº 153, de 2017. Aduz que a disponibilidade econômica da renda não se confunde com a financeira. A última seria imediata, enquanto a primeira decorreria da simples existência do acréscimo patrimonial. O impugnante defende ter antecipado os efeitos da despesa com o IRRF, na medida em que efetuou o registro contábil do gasto e da dívida. Ataca, então, os dois alicerces do trabalho fiscal: o crédito contábil não é fato gerador do IRRF e a inexistência da remessa dos juros. Quanto ao primeiro, escudase nos termos das soluções de consulta antes referidas. Quanto ao Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.099 8 segundo, busca abrigo no princípio da competência. A despesa com os juros pode ser registrada na escrita na medida em que incorrida, não havendo óbice para a antecipação do IRRF. Reprisa posição de Hiromi Higuchi adotada pela Solução de Consulta Cosit nº 153, de 2017. Conclui, assim, que, independentemente da remessa, “a despesa com o IRRF poderia ter sido provisionada e deduzida”. No que diz respeito ao dever contratual do impugnante de arcar com o IRRF incidente sobre os juros, o interessado reprisa o contrato firmado. Reafirma, então, que registrou a despesa com os juros em estrita observância ao regime de competência. Adotou o mesmo critério relativamente ao IRRF. Tratase de provisão. A interpretação da autoridade lançadora, que só admite a incidência do IRRF no vencimento da operação de crédito, conduziria à aplicação do regime de caixa. Reafirma a existência do ônus com o IRRF em função do contrato. Por fim, traz à baila o regramento contábil em torno de encargos e despesas financeiras (Pronunciamento Técnico nº 8 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis). Colhe a definição de encargos financeiros para defender que o IRRF incidente sobre os juros, contratualmente fixado como ônus do devedor, é um encargo financeiro do tomador do empréstimo. Em nome do regime de competência, tal encargo deve ser registrado na escrita. Confirma a classificação da despesa como uma provisão e entende essa despesa como dedutível do IRPJ e da CSL. Requer o cancelamento do auto de infração. Analisando a impugnação apresentada a Delegacia de Julgamento considerou improcedente a impugnação mantendo integralmente o lançamento. Cientificada da decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual manejou os seguintes argumentos de fato e de direito. Do provisionamento do principal e dos juros Alega que os pagamentos à mutuante venciam semestralmente em abril e outubro. Depois foram feitas diversas alterações contratuais, sempre após os vencimentos, onde o prazo de pagamento era prorrogado, mas as provisões já estavam constituídas. Do Momento do Fato Gerador Alega que as soluções de consulta nº 153/2017 e 26/2013 informam que o fato gerador do IRRF surge na realização do registro contábil do creditamento, independemente do pagamento. É inclusive textual neste ponto. Vejase: Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.100 9 Sobre as soluções de Consulta nº 153/2017 e 26/2013 Volta a apresentar fundamentos no sentido de que o fato gerados do IRRF é a data do registro contábil do crédito dos juros e, assim, o IRRF relativo considerase devido nesta data. Apresenta excertos da doutrina no sentido de que os juros incorridos podem ser deduzidos em razão do regime de competência. Alega que a Decisão da Delegacia de Julgamento transcreveu incorretamente a Solução de Divergência nº 23/2013 em vez da Solução correta o que levou ao entendimento que a Solução de Consulta transcrita em nada tem a ver com o caso dos autos. Da Remessa pelo Valor Líquido Alega, neste ponto, que contratualmente a recorrente era a responsável pelo pagamento do IRRF, devendo remeter ao mutuante o valor líquido acertado em contrato, devendo eventuais tributos incidentes serem pagos pelo recorrente. Transcreve cláusula no contrato neste sentido. Assim, entende que o IRRF deve seguir o mesmo tratamento dos juros do mesmo contrato. Assim declina em seu recurso: Com isso, temse que as provisões com o IRRF questionadas pela fiscalização devem receber o mesmo tratamento dos registros ("provisões") realizadas para a remessa dos iuros incorridos, dentro de cada período de competência, sendo, pois, todas dedutíveis da base de cálculo, tal como procedido pela empresa sucedida. Da não adição das Despesas em Razão de sua Natureza Alega neste ponto que em função desta despesa tratar de encargo financeiro e que os valores foram de fato remetidos e recolhido o IRRF posteriormente. Apresenta o pronunciamento CPC 08, onde entende que o IRRF, quando suportado pelo mutuário, tornase encargo financeiro desta e deve seguir o mesmo tratamento dos juros, seguindo o regime de competência. Do recolhimento do IRRF pela recorrente Alega, por fim, que o auto deve ser considerado insubsistente tendo em vista que o recorrente realizou o pagamento dos juros e do IRRF conforme comprovante de recolhimento de fls. 681 e demais documentos de pagamento dos juros. É o relatório. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.101 10 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Temos neste processo, para simplificar o entendimento, que a discussão perpassa pela análise acerca do momento em que ocorre o fato gerador do IRRF e, assim, quando pode ser o referido valor deduzido na apuração do lucro real. A tese da empresa é que, no presente caso, o valor do IRRF é assumido pela recorrente e, assim, é dado o mesmo tratamento dos encargos de juros do empréstimo com o reconhecimento em cada vencimento, apesar de o pagamento dos juros ter sido postergado com sucessivas alterações contratuais para o final de 2015. Assim, alega que ao realizar as provisões de juros e do IRRF já estaria configurado o fato gerador do IRRF e, assim, este poderia ser deduzido da apuração do lucro real. Por seu turno, a tese defendida pela fiscalização é a de que o IRRF, devido sobre os juros contabilizados, tratamse de provisões e, desta forma, deveriam ser adicionadas ao lucro real, somente podendo ser deduzidas do lucro quando de sua efetiva realização. Das alegações do recorrente O entendimento da recorrente se baseia na hipótese de considerar o fato gerador do IRRF a data do registro contábil da provisão de juros e, assim, aberta a possibilidade de dedução destes na apuração do resultado. este entendimento, conforme dito e reiterado pela recorrente, baseiase numa Solução de Divergência COSIT nº 26/2013 que, inadvertidamente, emitiu este entendimento. Ora analisando o caso vemos que, em verdade, as alegações do recorrente mercê se basearem na referida Solução de Divergência, merecem alguns reparos. Vejamos a ementa da Solução de Divergência tratada: Solução de Divergência nº 26 Cosit Data 31 de outubro de 2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF FATO GERADOR. MOMENTO DE OCORRÊNCIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DE NATUREZA PROFISSIONAL. IMPORTÂNCIAS CREDITADAS Considerase ocorrido o fato gerador do imposto de renda na fonte, no caso de importâncias creditadas, na data do lançamento contábil efetuado por pessoa jurídica, nominal ao fornecedor do serviço, a débito de despesas em contrapartida com o crédito de conta do passivo, à vista da nota fiscal ou fatura emitida pela contratada e aceita pela contratante. A retenção do imposto de renda na fonte, incidente sobre as importâncias creditadas por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica pela prestação de serviços Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.102 11 caracterizadamente de natureza profissional, se dará na data da contabilização do valor dos serviços prestados, considerandose a partir desta data o prazo para o recolhimento. (grifamos) Dispositivos Legais: Art. 647 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); Parecer Normativo CST nº 07, de 02/04/86; Parecer Normativo CST nº 121, de 31 de agosto de 1973 e arts. 43, 114, 116, incisos I e II, e 117, incisos I e II, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). No texto da referida solução de divergência, consta a seguinte conclusão: Conclusão 22. Diante do exposto, podese concluir que: 22.1. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto de renda na fonte, no caso de importâncias creditadas, na data do lançamento contábil efetuado por pessoa jurídica, nominal ao fornecedor do serviço, a débito de despesas em contrapartida com o crédito de conta do passivo, à vista da nota fiscal ou fatura emitida pela contratada e aceita pela contratante. 22.2. A retenção do imposto de renda na fonte incidente sobre as importâncias creditadas por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica pela prestação de serviços caracterizadamente de natureza profissional, se dará na data da contabilização do valor dos serviços prestados, contandose a partir desta data a contagem do prazo para o recolhimento. (destaque nosso) 23. Desta forma, fica reformada a Solução de Consulta SRRF01/DISIT nº 60, de 18 de agosto de 2011, e mantida a Solução de Consulta SRRF08/DISIT nº 338, de 10 de dezembro de 2002. Destacamos os trechos para trazer à baila em razão de se verificar que o entendimento do recorrente, mesmo que se baseando em Solução de Divergência, não atendeu às determinações, na íntegra, da referida solução. Devo destacar, logo de início, que não concordo com a conclusão da referida Solução de Divergência, posto que entendo que o registro contábil das obrigações, quer sejam de pagamento, quer sejam de juros e encargos devidos constituemse em meras provisões de pagamento e, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda, somente podem ser deduzidos como despesas quando de sua realização. Além disso, o próprio Manual do Imposto Retido na Fonte MAFON 2014 estabelece que, em relação aos pagamentos de juros a residentes no exterior a data do recolhimento é a data do fato gerador, posto que este estaria vinculado ao pagamento dos valores que, novamente pedindo a devida venia aos responsáveis pela referida Solução de Divergência, deveria se restringir à efetiva disponibilidade econômica ao beneficiário que, obviamente, não ocorre na época do registro da dívida a ser paga em evento futuro. Transcrevo o trecho do MAFON para ilustrar o caso. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.103 12 RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR 0481 Juros e Comissões em Geral FATO GERADOR: Importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior, por fonte localizada no Brasil, a título de juros e comissões, inclusive os remetidos em razão de compra de bens a prazo. (RIR/1999, arts. 702 e 703) BENEFICIÁRIO: Pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior. REGIME DE TRIBUTAÇÃO: Exclusivo na fonte. RESPONSABILIDADE/RECOLHIMENTO: Compete à fonte pagadora. Compete ao procurador quando este não der conhecimento à fonte pagadora, de que o beneficiário do rendimento é residente ou domiciliado no exterior. (RIR/1999, arts. 717 e 721, II; ADE Corat nº 9, de 2002) PRAZO DE RECOLHIMENTO: Na data de ocorrência do fato gerador. (Lei nº 11.196, de 2005, art. 70, I, a.1) (grifamos) Transcrevo abaixo o dispositivo que trata do recolhimento para deixar bem claro o problema do entendimento do recorrente. CAPÍTULO XI DOS PRAZOS DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES Art. 70. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de janeiro de 2006, os recolhimentos do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF e do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF serão efetuados nos seguintes prazos: (Vigência) I IRRF: a) na data da ocorrência do fato gerador, no caso de: 1. rendimentos atribuídos a residentes ou domiciliados no exterior;(grifamos) 2. pagamentos a beneficiários não identificados; Ora, vejamos a contradição do recorrente em seus argumentos. 1 Primeiro alega que os valores contabilizados de juros e do IRRF constituem provisões para pagamento futuro que, a teor das normas do art. 335, do RIR/99, NÃO PODERIAM ser dedutíveis por não estarem autorizadas em lei; Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.104 13 2 Depois, mesmo considerando que os lançamentos são provisões e, assim, não dedutíveis, entende, com base na Solução de Divergência nº 26/2013, que o fato gerador do IRRF ocorre na data em que são contabilizados os juros devidos, mesmo que a serem pagos posteriormente e, assim, como restaram ocorridos os fatos geradores, mesmo sem o recolhimento, repito, seria possível a utilização destes valores como dedução ao lucro do exercício. 3 A contradição surge no momento em que, mesmo se baseando nas dicções da Solução de Divergência, não realiza o recolhimento dos valores do IRRF que entende serem devidos. Passo a explicar: Mesmo este relator não concordando integralmente com a solução de divergência acima tratada, no presente caso, a partir do momento em que o recorrente adota aquele entendimento tem de fazêlo por completo e não apenas na parte em que lhe interessa. Quando o recorrente alega que a dedução do IRRF pe legítima em razão de estar em conformidade com a solução de divergência e, assim, seria dedutível o valor desta posto que ocorrido o fato gerador na data do registro da obrigação de pagamento dos juros, necessário também seria que o recorrente tivesse realizado o recolhimento dos valores devidos a título de IRRF. isto porque a própria Solução de Consulta e o MAFON, assim como as normas da Lei nº 11.196/2005, art. 70, I, a, I. Isto porque se a recorrente considera ocorrido o fato gerador se encontraria obrigada ao recolhimento imediato do tributo na data deste registro. Interessante notar que nenhum recolhimento foi feito pelo recorrente nas datas dos registros contábeis. O único recolhimento realizado em relação ao contrato ocorreu apenas em 28/12/2015, quando do pagamento do total dos juros devidos pelo contrato. Ou seja, a recorrente adotou, no presente caso o seguinte procedimento: 1 Contabilizou juros e IRRF como provisões 2 Realizou a dedução do lucro do IRRF como se o fato gerador ocorresse na data do registro das obrigações de juros 3 Apenas recolheu o IRRF relativos aos juros quando realizou o pagamento. Agindo desta forma alegou que obedeceu às lições da Solução de Divergência para realizar a dedução antecipada do IRRF como se houvesse ocorrido o fato gerador e, ao mesmo tempo, descumpriu a lei ao não recolher o tributo que entendia ser devido na mesma época da ocorrência do fato gerador que entendeu ter ocorrido. Demonstrase, desta forma, a inconsistência das alegações do recorrente quanto aos seus procedimentos. Vejase que não estamos adentrando na análise do termo creditamento para fins de fixação do fato gerador do IRRF, mas apenas analisando os atos praticados de acordo com o próprio entendimento apresentado pelo recorrente. Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.105 14 Das alegações Fiscais Andou muito bem a fiscalização ao entender que o IRRF relativo aos juros devidos quando registrado contabilmente constitui apenas mera provisão de exigibilidade futura e, não havendo previsão legal de possibilidade de dedução, somente pode ser deduzida do lucro do exercício quando do cumprimento da obrigação A este respeito a de se destacar que existe uma diferença entre a possibilidade de dedução de juros incorridos, que deverão ser pagos no futuro, como o valor do IRRF incidente sobre estes juros, que somente é devido quando realizado o pagamento, ainda mais neste caso, que como demonstrado o contribuinte só realizou o recolhimento em momento bem posterior à contabilização, na data avençada nas diversas alterações contratuais. Ou seja, em verdade há de se distinguir os fatos dos registros contábeis e a incidência das normas de recolhimento na fonte. A este respeito, como se trata de assunto que já ocorreu antes no âmbito deste Conselho, transcrevo os valiosos subsídios apresentados pelo Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella no Acórdão nº 1402002.342, da 4a Câmara, da 2a Turma de Julgamento. Vejamos: Não houve desconsideração das regras do regime de competência ou qualquer tentativa de se aplicar o regime de caixa na glosa sofrida. Efetivam ente, os juros de contrato de mútuo com pessoas jurídicas, são, realmente dedutíveis, devendo ser lançados mensalmente de maneira pro rata temporis, na proporção do prazo avençado, independentemente do seu vencimento naquele período, em observância às r egras do regime de competência, nos termos do art. 374 do RIR/99. Por sua vez, a remessa de juros ao exterior é objeto de incidência do IRRF (previsto de forma ordinária no art. 702 do RIR/99,como fundamentad o no TVF), sendo, sem sombras de dúvidas, o contribuinte de tal exação o be neficiário do pagamento no exterior, nos termos do art. 682 de tal Regulamento, ficando, naturalmente, vedado qualquer aproveitamento ou dedução desse valor pela fonte pagadora que efetua reten ção. Contudo, como relatado e comprovado nos autos, existe a obrigação contratual da Recorrente reembolsar os mutuantes dos valores de tributos incidentes sobre a remessa, constituindo um suposto encargo financeiro sobre esse empréstimo. Ainda que prevista no mesmo contrato, a obrigação da recomposição do valor líquido ( gross up) através do reembolso é uma obrigação diretamente atrelada à inci dência do IRRF e não ao mútuo, per si, possuindo uma cronologia de constituição obrigacional diversa dos juros, que afeta diretamente sua classificação como despesa financeira dedutível. Nesse sentido, confirase o esclarecimento de Hiromi Higushi4 , especificamente sobre juros de mútuo entre pessoas jurídicas e a diferença entre provisão e despesa: Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.106 15 A escrituração de juros mensais na conta de Juros a Pagar não interfer e na dedutibilidade como despesa operacional porque não se trata de mera provisão mas despesas incorridas. A diferença entre mera provisão e despesa incorrida é que na primeira a despesa pode se concretizar ou não, dependendo de evento futuro. Diante disso, temos que, uma vez celebrado contratualmente o mútuo entre a s partes, aperfeiçoase de maneira válida e concreta a obrigação jurídica do mutuário, ainda que com vencimento futuro, de pagamento ao mutuante, com os respectivos juros e adicionais contratuais. Tal obrigação possui certeza e dimensões quantitativas bastantes para que seus juros sejam reconhecidos como despesa. Porém, a pactuação acessória e genérica do reembolso de tributos e outros ônus alheiros ao contrato, incidentes no pagamento ao mutante, não se aperfeiçoa e se incorpora, de forma automática e instantânea, àquela obrigação principal do empréstimo de numerário. O termo que deflagra a relação obrigacional contida nesta cláusula não é o negócio particular celebrado entre as partes pelo instrumento firmad o, mas, sim, uma eventual exigência fiscal, indeterminada, incerta e futura, dos Entes Tributantes. Em outras palavras, para que o mutuário fique, efetivamente, obrigado a reembolsar o mutuante é necessário que se verifique o nascimento da obrigação tributária, fenômeno jurídico que ocorre apenas com a ocorrência do fato gerador; in casu, a efetiva remessa dos juros ao exterior. Até porque, entre a data da contração da dívida e a efetiva remessa dos juro s, podem acontecer mudanças legislativas que afetem o vencimento, o prazo de recolhimento, o montante (alíquotas e base de cálculo), assim como a própria incidência tributária pode ser revogada, provando ser absolutamente incerta tal obrigação de reembolso até o momento da verificação do fato gerador do tributo. Corroborando com esse entendimento e em continuação ao esclarecimento, o Autor supracitado acrescenta mais comentários, especificamente sobre o IRRF incidente nas remessas de juros de mútuo ao exterior: Nem todo crédito contábil faz nascer o fato gerador. Se uma empresa brasileira toma empréstimo de dinheiro a prazo de cinco anos e juros exigíveis somente no vencimento daquele prazo, a empresa brasileira poderá apropriar os juros mensalmente pelo regime de competência, como despesa dedutível, creditando a contrapartida na conta de juros a pagar. Nesse caso a despesa é dedutível em cada mês por tratarse de despesa incorrida e não mera provisão. O fato gerador do imposto de renda na fonte não ocorre mensalmente porque os juros não são exigíveis. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.107 16 O mesmo entendimento também está presente na jurisprudência administrativa recente, como ilustra o Acórdão nº 9202.003120, proferido pe la C. 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, publicado em 20 de maio de 2014, de relatoria do I. Conselheiro Elias Samp aio Freire, ementado da seguinte maneira: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Data do fato gerador: 30/11/2001, 31/12/2001 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. REMESSAS PARA O EXTERIOR. IMPOSTO CALCULADO TENDO COMO DATA DO FATO GERADOR A DATA DOS CRÉDITOS CONTÁBEIS. IMPOSSIBILIDADE. A hipótese de incidência exige que as importâncias sejam pagas, credit adas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários domiciliados no exterior, por fonte situada no País. As dicções "pagas", "creditadas", "entregues", "empregadas" ou "reme tidas" não deixam dúvidas de que o beneficiário não residente tem que ter tido a aquisição de disponibilidade jurídica ou ec onômica do rendimento, conforme disciplina contida no art. 43 do CTN. "A disponibilidade econômica decorre do recebimento do valor que se vem a acrescentar ao patrimônio do contribuinte. Já a disponibilidade jurídica decorre do simples crédito desse valor, do qual o contribuinte passa a juridicamente dispor, embora este não l he esteja ainda nas mãos." (Hugo de Brito Machado. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Malheiros Editores, 2000, p. 243) Não há fato gerador do imposto incidente na fonte quando as importâncias são contabilmente creditados ao beneficiário do rendimento em data anterior ao vencimento da obrigação, consoante os prazos ajustados em contrato. O simples crédito contábil, antes da data aprazada para seu pagamento, não extingue a obrigação nem antecipa a sua exigibilidade pelo credor. O fato gerador do imposto de renda na fonte, pelo crédito dos rendimentos, relacionase, necessariamente, com a aquisição da respectiva disponibilidade econô mica ou jurídica. Por si só, o fato de a fonte pagadora lançar contabilmente o acréscimo do valor de sua obrigação na respectiva conta de passivo não torna devido o imposto de renda na fonte, por não importar na aquisição de qualquer disponibilidade econômica ou jurídica de renda pelo beneficiário. No caso dos autos, os rendimentos só passaram a ser devidos quando do vencimento previsto no contrato. Ora, por dedução lógica, o simples registro contábil, nos períodos questionados, não tem, por si só, o condão de modificar o prazo de vencimento da obrigação contratual. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.108 17 Recurso especial negado. (destacamos) O conjunto fáticoprobatório apresentado no presente caso se coaduna perfeitamente com tal comentário e com o julgado colacionado. Pelo fato de a Recorrente, no período de 2009 a 2011, ter contratualmente postergado os pagamentos de seu mútuo, inclusive dos juros e, principalmente, constatando se cabalmente a inocorrência de quaisquer remessas dessa natureza aos mutuantes, fica clara a total incerteza e inexigibilidade de obrigação do reembolso, que acabou por ser indevidamente deduzido como despesa. Ainda que permitido e louvável o provisionamento de tais valores, diante do Princípio da Prudência, norteador da contabilidade nacional, estes não pode m ser considerados despesas e, sem a autorização legal expressa, fica vedada a sua dedução, confirmando a correção da glosa efetuada e da posiç ão adotada no v. Acórdão recorrido Concordo com os fundamentos apresentados pelo acórdão acima transcrito. Vejase que em verdade o recorrente está confundindo a possibilidade de dedução dos juros devidos com a possibilidade de dedução do IRRF como se acaso este fosse devido na mesma data do registro dos juros. Deveria, desta forma, votar este relator pela manutenção integral do recurso, como se depreende do até agora apresentado. No entanto, à luz dos melhores princípios de justiça e da verdade material, devo fazer um senão quanto a esta conclusão. Da Inobservância do Regime de Escrituração Por fim, em relação ao fato de o contribuinte, no final de seu recurso, alegar que houve o pagamento integral dos juros em momento posterior, entende assim que, em caso de se admitir que houve a dedução indevida do IRRF em 2012, 2013 e 2014, que seja cancelada a autuação tendo em vista que o recolhimento realizado em 2015 neutralizou os efeitos da antecipação tida como indevida pela fiscalização. Neste ponto, embora não expressamente constando estes termos do recurso voluntário, trazendo numa linguagem popular, em verdade o que o recorrente está contestando é a necessidade de realização do lançamento na forma apresentada, tendo em vista que, embora a fiscalização tenha entendido pela realização indevida da dedução do IRRF e a consequente não adição ao lucro real, ao realizarse o pagamento em momento posterior (28/12/2015) os efeitos das deduções restaram por anulados. O que se põe à baila neste ponto e que não foi objeto de análise no acórdão précitado é um problema que este relator visualizou desde o início da análise deste processo. Ora, todo o lançamento baseiase no fato de a recorrente ter realizado a dedução do IRRF a ser pago nos anos de 2012, 2013 e 2014 quando a recorrrente, nestes períodos apenas apropriou os juros devidos, somente realizando o pagamento em 2015 e, neste ato, recolhendo o IRRF devido. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.109 18 O que se demonstra, em meu singelo entendimento, podendo estar relator estar sendo levado a equívoco, é um caso típico de inobservância do Regime de Competência regulado pelos artigo 273, do RIR/99, conforme abaixo: Seção VIII Inobservância do Regime de Competência Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). (destaques nossos) Vejase que toda a discussão do processo, tanto por parte da fiscalização, quanto por parte do recorrente, baseouse na época correta de reconhecimento das despesas com o pagamento do IRRF, ou seja, se a dedução do IRRF ocorreu nos períodos corretos ou se somente poderiam ser devidas em período posterior, quando do efetivo recolhimento. Resta claro, no meu entender que, apesar de o lançamento dever ter sido realizado, tendo em vista que a inobservância do regime de escrituração se demonstrou patente, o caso na verdade não se tratava apenas da possibilidade ou não de dedução do IRRF incidente sobre o pagamento dos juros. Tal dedução é permitida, apenas havendo o questionamento do momento em que pode ser utilizada para redução do lucro real. Por isso, no meu entender o lançamento cabível não seria o de impossibilidade de dedução do IRRF devido no futuro, mas sim o da sua utilização em momento anterior ao que deveria ter sido efetivado pelo recorrente. Em verdade, conforme alegado pelo recorrente e demonstrado às fls. 681 do processo, o recolhimento do IRRF foi realizado em 28/12/2015, ou seja, antes do início da Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 16682.721130/201744 Acórdão n.º 1401003.311 S1C4T1 Fl. 1.110 19 fiscalização, que somente ocorreu em julho/2016. Ou seja, quando da realização do procedimento de fiscalização a agente tributante já tinha o conhecimento de que o IRRF foi efetivamente recolhido em 2015. Infelizmente, compulsando o TVF não identifiquei sequer menção às normas do art. 273. Todo o TVF trata apenas da indedutibilidade destas despesas nos anos de 2012 a 2014. Vejase que sequer houve análise por parte da fiscalização acerca da apuração realizada em 2015 com vistas a apurar os pagamentos a maior realizados em face da escrituração incorreta. Assim, diante de todo o demonstrado, embora concorde com as alegações apresentadas pela fiscalização, não tenho como concordar com a forma de lançamento realizada, posto entender que o lançamento deveria ter considerado o valor do imposto e contribuições que foram pagos a maior no ano de 2015, já que, neste ano, os valores do IRRF retidos e contabilizados anteriormente não puderam ser levados à resultado. Assim, em conclusão, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para considerar improcedente o lançamento em razão de não ter sido realizado em obediência às normas do art. 273 e parágrafo, do RIR/99. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.906218/2013-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.985
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos propostos pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência. O Conselheiro Waldir Navarro Bezerra acompanhou a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo Conselheiro no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência. O Conselheiro Waldir Navarro Bezerra acompanhou a diligência sem a indicação da cooperação sugerida pelo Conselheiro no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito, conforme ementa parcialmente transcrita abaixo: (...) CRÉDITO. Somente dão direito a apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa os gastos expressamente previstos na legislação de regência. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 06 21 8/ 20 13 -7 6 Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 11080.906218/201376 Resolução nº 3402001.985 S3C4T2 Fl. 3 2 CRÉDITO. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito apuração de créditos no regime de incidência nãocumulativa se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, desde que não incorporados ao ativo imobilizado. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA OU EM OPERAÇÕES NÃO VENDAS. Inexiste previsão legal para apuração de crédito sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos ou insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, ou de transferências de produtos que não se enquadram em operações de venda CRÉDITO. LOCAÇÃO E/OU ARMAZENAGEM. Paletes e contentores correspondem a embalagem de transporte caracterizando dispêndio com acessórios utilizados em etapas posteriores à fabricação dos produtos destinados à venda, não se enquadrando como insumo e, portanto, não conferindo direito a crédito a título de armazenagem, nem como locação de máquinas e equipamentos. CRÉDITO NA AQUISIÇÃO DE BENS À ALÍQUOTA ZERO E SUJEITOS A CRÉDITO PRESUMIDO. É incabível desconto de crédito em relação aos dispêndios com frete suportados pelo adquirente na compra de bens, pois tais dispêndios devem ser apropriados ao custo de aquisição dos bens. E a possibilidade de creditamento, quando cabível, deve ser aferida em relação aos correspondentes bens adquiridos. CRÉDITO NA DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. NÃO CABIMENTO. É passível a utilização do crédito sobre devoluções de venda apenas no desconto de débitos, desde que a receita de venda tenha integrado o faturamento do mês ou de mês anterior e tributada conforme a Lei. RATEIO PROPORCIONAL. Feita a opção pelo rateio proporcional, aplicamse aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. O rateio deve ser aplicado quando a pessoa jurídica auferir receitas tributadas concomitantemente com receitas não tributadas no mercado interno e/ou com exportação, para se determinar quais são os créditos passíveis de ressarcimento ou compensados com outros tributos. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: Da Preliminar i Do erro material do Acórdão pela inclusão de glosas estranhas ao processo ii Do erro material do Despacho Decisório por ausência de fundamentação iii Da nulidade da decisão face à contradição envolvendo o rateio proporcional Do Direito I Do conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos II Combustíveis e Lubrificantes Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 11080.906218/201376 Resolução nº 3402001.985 S3C4T2 Fl. 4 3 III Materiais auxiliares de consumo IV Produtos de Limpeza V Das despesas de locação de paletes e contentores (despesas de armazenagem e embalagem de mercadoria) VI Despesas com fretes na compra de insumos tributados com alíquota zero e de insumos com crédito presumido VII Despesas com fretes de transferência de matériaprima e de embalagens VIII Despesas com fretes de devoluções IX Do crédito das devoluções de mercadorias tributadas X Do rateio proporcional dos créditos da contribuição para o PIS e da Cofins XI Da correção monetária pela taxa Selic aos créditos não reconhecidos pelo despacho decisório É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.975, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.906181/201386. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.975): "1. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 2. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 11080.906218/201376 Resolução nº 3402001.985 S3C4T2 Fl. 5 4 caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 3. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 11080.906218/201376 Resolução nº 3402001.985 S3C4T2 Fl. 6 5 Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 4. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 5. Assim, retornando aos autos e acompanhado por maioria expressiva do Colegiado, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) produtos de limpeza; e(d) locação de paletes e contentores. 6. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 7. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. 8. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 11080.906218/201376 Resolução nº 3402001.985 S3C4T2 Fl. 7 6 9. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 10. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 11. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. 12. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) produtos de limpeza; e(d) locação de paletes e contentores. Ato contínuo, deverá a fiscalização 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 11080.906218/201376 Resolução nº 3402001.985 S3C4T2 Fl. 8 7 (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 11080.906218/201376 Resolução nº 3402001.985 S3C4T2 Fl. 9 8 (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2402DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.002447/98-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997
CRÉDITO PRESUMIDO IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOA FÍSICA.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (recurso repetitivo), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. Súmula 494 do STJ.
Recurso especial da Fazenda negado.
Numero da decisão: 9303-008.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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score : 1.0
Numero do processo: 13896.908087/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.932
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, que foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: (...) APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 08 08 7/ 20 12 -1 1 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13896.908087/201211 Resolução nº 3402001.932 S3C4T2 Fl. 3 2 débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, bem como cópias de livros contábeis, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Tendo em vista a aludida decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, acompanhado de documentos fiscais, oportunidade em que reiterou a alegação de retificação da sua DCTF original e que os documentos acostados com o recurso fariam prova da correição do quantum vindicado a título de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.925, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13896.908078/201221. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.925): "5. Primeiramente, insta destacar que o despacho denegatório da compensação perpetrada (fl. 87) pautouse pelo fato do crédito utilizado pelo contribuinte ter sido supostamente utilizado para saldar outro débito apontado pelo próprio recorrente em DCTF. 6. Ciente deste despacho, o contribuinte retificou a DCTF sobredita, acostando documentos fiscais com sua manifestação de inconformidade e informando em suas razões que o débito para o qual o crédito foi originalmente utilizado era inexistente. 7. O acórdão recorrido, por seu turno, entendeu que o contribuinte não fez prova suficiente do seu direito, uma vez que a simples retificação da Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13896.908087/201211 Resolução nº 3402001.932 S3C4T2 Fl. 4 3 DCTF não seria suficiente para atestar seu direito, a qual deveria ser acompanhada dos documentos fiscais aptos a demonstrar a devida apuração do pretenso crédito. 8. Assim, em sede de recurso voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia de farta documentação fiscal (fls. 126/357) que comprovaria a correição do quantum vindicado a título de crédito. 9. Embora não se olvide do disposto no art. 16, §4o do Decreto n. 70.235/72, também não é demais frisar que no processo administrativo fiscal vige o princípio da verdade material1 que, por sua vez, reforça a existência de outro princípio que ganhou novo fôlego com o advento do CPC/2015: o princípio da primazia da decisão de mérito, que visa prestigiar a decisão que resolva definitivamente a lide posta para julgamento. 10. Assim, no presente caso, parecenos que a simples chancela da tecnicamente adequada decisão da DRJ de Brasília resultaria em um convite para que o contribuinte continuasse discutindo a presente demanda pelos mesmos fundamentos aqui expostos, só que agora em outro palco, i.e., no âmbito do Poder Judiciário. 11. Tal postura, pura e simples, implicaria em uma sobrecarga do já assoberbado Poder Judiciário, bem como da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, além de poder redundar, em ultima ratio, em uma condenação da Fazenda Pública em honorários advocatícios que, diante do CPC/2015, pode ter impacto significativo aos cofres públicos em razão do disposto no art. 85, §3o da novel legislação2. Em suma, tal postura se demonstraria assaz afrontosa a ideia de interesse público primário3, bem como ao princípio da moralidade, que devem nortear a Administração Pública. Ademais, também conflitaria contra os 1 O princípio da verdade material é valor normativo que aqui se convoca não como uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir fatos sociais no universo jurídico por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá, preponderantemente, em razão da relevância do valor jurídico do fato social que se pretende provar juridicamente. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em tais processos. 2 "Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. (..). § 3o Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o e os seguintes percentuais: I mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) saláriosmínimos; II mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) saláriosmínimos até 2.000 (dois mil) saláriosmínimos; III mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) saláriosmínimos até 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos; IV mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) saláriosmínimos até 100.000 (cem mil) saláriosmínimos; V mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) saláriosmínimos." 3 O qual se configura como interesse de toda uma coletividade e não da Administração Pública enquanto parte (no caso, enquanto parte litigante). Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13896.908087/201211 Resolução nº 3402001.932 S3C4T2 Fl. 5 4 desígnios da própria existência do processo administrativo, i.e., de promover um controle de legalidade do crédito tributário e evitar, sempre que possível,.a judicialização de demandas. 12. Diante de tais razões, entendo por bem converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora: (i) analise os documentos acostados aos autos e, sem prejuízo de outros que possam ser solicitados, verifique se o contribuinte faz ou não jus ao crédito vindicado, apresentando, inclusive, planilha analítica a fundamentar suas considerações. 13. Uma vez realizada a diligência acima (ii) o Recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. 14. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: (i) analise os documentos acostados aos autos e, sem prejuízo de outros que possam ser solicitados, verifique se o contribuinte faz ou não jus ao crédito vindicado, apresentando, inclusive, planilha analítica a fundamentar suas considerações. 13. Uma vez realizada a diligência acima (ii) o Recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 368DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13739.000310/2006-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
RECURSO VOLUNTÁRIO. NEGATIVA DE PROVIMENTO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. CARACTERIZAÇÃO. INAUGURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCEDÊNCIA.
A impugnação apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar, o que não ocorreu no caso concreto.
Não prospera recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação por flagrante intempestividade.
Numero da decisão: 2402-007.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999 RECURSO VOLUNTÁRIO. NEGATIVA DE PROVIMENTO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. CARACTERIZAÇÃO. INAUGURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCEDÊNCIA. A impugnação apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar, o que não ocorreu no caso concreto. Não prospera recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação por flagrante intempestividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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NEGATIVA DE PROVIMENTO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. CARACTERIZAÇÃO. INAUGURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO OCORRÊNCIA. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROCEDÊNCIA. A impugnação apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar, o que não ocorreu no caso concreto. Não prospera recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação por flagrante intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 9. 00 03 10 /2 00 6- 45 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13739.000310/200645 Acórdão n.º 2402007.264 S2C4T2 Fl. 131 2 Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 124/125) em face do Acórdão n. 13 27.241 7ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) DRJ/RJ2 (efls. 115/119), que não conheceu da impugnação (efls. 02/03), apresentada em 04/04/2006, que enfrentou o lançamento constituído em 21/12/2005, conforme Edital n. 107/2005 (efls. 23/24), mediante o Auto de Infração Imposto de Renda Pessoa Física no valor total de R$ 30.090,07 (efls. 95/102) com fulcro em compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Cientificada do teor da decisão de piso em 25/01/2010 (efl. 123), a impugnante, agora Recorrente, interpôs recurso voluntário em 22/02/2010 com as seguintes alegações: [...] Conforme se infere dos termos da Intimação multicitada e dos documentos, ora insertos, por via do venerando Acórdão. no 13 27.241, de lavra da 7ª Turma da. DRJ/RJ2, relativamente ao processo n° 13739.000310/20645, esse órgão fazendário, entendeu intempestiva a defesa apresentada pela Requerente que, em síntese, asseverava ser de responsabilidade da tomadora dos serviços, Aldeia Coop, o pagamento dos IRRF, sobre os seus rendimentos no exercício de2000, ano base:1999. Ora, para comprovar as suas assertivas, fazse a juntada do incluso Comprovante de .Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Ano Calendário de 1999, de lavra da AldeiaCoop. Cooperativa Transp. SPA, com o CNPJ n° 02.852.966/000182, que declara, peremptoriamente ter pago a esta: contribuinte o valor de R$ 64.800,00 (Sessenta e quatro mil e oitocentos reais), lhe retendo a importância de R$ 11.103,00 (Onze mil, cento e três reais). [...] Premissa venia,, em se havendo a retenção a responsabilidade do recolhimento é transferida para a empresa ou órgão retentor, desobrigando ao contribuinte da repetição do indébito. Concessa venia. DO DIREITO A legislação vigente e as decisões proferidas são unânimes, em declarar, devedor o ente retentor do Imposto de Renda(Tomador do Serviço), exonerando o prestador dos serviços de repetir o pagamento, o que ensejaria a enriquecimento sem causa. Diante do exposto e com a juntada do incluso documento, requer se digne V.S.ª julgar totalmente improcedente o lançamento do Imposto de Renda na importância histórica de R$ 11.103,00 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13739.000310/200645 Acórdão n.º 2402007.264 S2C4T2 Fl. 132 3 (Onze mil, cento e três reais) tornando insubsistente todo o procedimento até.então adotado por este órgão fazendário, relativamente do imposta em comento. [...] Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Inicialmente, é oportuno resgatar o pronunciamento da instância de piso em face da impugnação apresentada pela impugnante, agora Recorrente: [...] Examinadas as peças dos autos, verificase que a Interessada informara um endereço através da Declaração de Ajuste Anual Exercício 2000, Anocalendário 1999, transmitida pela internet em 28/11/2000, conforme cópia apresentada na Impugnação e ainda cópia arquivada na então Secretaria da Receita Federal sob número 21.196.999 (fl. 63), porém, posteriormente, conforme consta do sistema informatizado do MF/RFB (fl. 96) nos Exercício 2003 e 2004, declarou em conjunto com o cônjuge Cezar Luiz Vidal Vieira, e a partir do Exercício 2004 passou a constar como dependente nas Declarações de Ajuste Anual do Cônjuge (fls. 97 e 98), cujo endereço informado é o mesmo endereço constante do Auto de Infração. Assim sendo, o Auto de Infração foi devidamente remetido à Interessada, para o endereço constante das Declarações, que ela admite ser o correto, e a informação: "Mudouse", constante no registro da postagem, não muda o fato de que a correspondência foi devolvida (fl. 100). Oportuno salientar que relativamente ao Exercício 2000, a Interessada já recebera, em 17/08/2002 (fl. 99), no mesmo endereço acima mencionado, o Pedido de Esclarecimento emitido em 17/04/2002, e que consta às fls. 74. O Auto de Infração cuja impugnação ora se aprecia, foi lavrada em 24/02/2005, conforme fl. 88verso, e enviado para o endereço da Interessada constante do sistema informatizado do MF/RFB, em 23/06/2005, mesmo endereço aposto na impugnação apresentada em 04/04/2006, tendo sido devolvido em 08/07/2005, de acordo com consulta de fl. 100. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13739.000310/200645 Acórdão n.º 2402007.264 S2C4T2 Fl. 133 4 Frustrada a ciência por via postal, a Contribuinte foi cientificada do lançamento, por meio de edital conforme fls. 19 a 21, publicado em 06/12/2005, na dependência da Agência da Receita Federal em são Gonçalo/DRF Niterói RJ, considerandoa intimada em 20/01/2006, de acordo com o art. 23,§§ 1° e 2°, IV, do Decreto 70.235/72. Conforme se pode depreender do art. 23, do Decreto 70.235/72, anteriormente transcrito, a autoridade lançadora pode optar irrestritamente, sem ordem de preferência, por uma das formas de ciência: pessoal, por via postal, ou por meio eletrônico. Diz o referido dispositivo legal que, resultando frustrada a ciência na forma eleita, poderá ser adotado o edital, publicado este por qualquer uma das formas prescritas nos incisos do §2° do mesmo art. 23 do Decreto 70.235/72. Correta portanto a adoção pela Agência da Receita Federal em São Gonçalo/DRF Niterói RJ, da publicação através de afixação do edital em sua dependência franqueada ao público. Também não há que se questionar a justificativa dos Correios para a frustração da entrega postal, pois a entrega frustrada, uma vez ocorrida, permite legalmente a notificação por edital. A Lei não prevê procedimentos distintos quando a entrega se frustra por motivo da mudança, recusa de recebimento ou ausência do Interessado. Tampouco impõe que a Autoridade lançadora repita a remessa postal antes da adoção da notificação por edital, em caso de devolução. Também não há que se questionar a justificativa dos Correios para a frustração da entrega postal, pois a entrega frustrada, uma vez ocorrida, permite legalmente a notificação por edital. A Lei não prevê procedimentos distintos quando a entrega se frustra por motivo da mudança, recusa de recebimento ou ausência do Interessado. Tampouco impõe que a Autoridade lançadora repita a remessa postal antes da adoção da notificação por edital, em caso de devolução. Ante o exposto, concluise que a impugnação apresentada em 04/04/2006 é intempestiva e, portanto, não instaura a fase litigiosa, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem é objeto de decisão, de acordo com o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 15, de 12/07/1996, publicado no DOU em 16/07/1996, não podendo a autoridade julgadora examinar as razões de mérito. Pelo exposto, voto pelo não conhecimento da impugnação. [...] De plano, não há nenhum reparo a fazer na decisão recorrida no que diz respeito à intempestividade da impugnação, vez que inquestionável, ressalvandose, tãosomente, que a ciência do lançamento ocorreu em 21/12/2005, décimosexto dia a contar da afixação do Edital n. 107/2005 e não em 20/01/2006, como afirma a decisão de piso, a teor do art. 23, § 2°., inciso IV, do Decreto n. 70.235/1972. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13739.000310/200645 Acórdão n.º 2402007.264 S2C4T2 Fl. 134 5 De se observar que no recurso voluntário a Recorrente não enfrenta a intempestividade denunciada na decisão recorrida, esgrimindo, todavia, argumentos relativos ao mérito da lide. Da leitura sistêmica dos arts. 14 e 15 do Decreto n. 70.235/72, concluise que a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal iniciase com a impugnação tempestiva exigência do crédito tributário, observado o prazo de 30 (trinta) dias a contar da constituição do lançamento. Na espécie, resta comprovado nos autos que a contribuinte tomou ciência do lançamento por via editalícia na data de 21/12/2005 (quartafeira), iniciandose o prazo para impugnação em 22/12/2005 (quintafeira) e vencendose o prazo em 20/01/2006 (sextafeira). Todavia, a contribuinte só veio apresentar impugnação em 04/04/2006 (terça feira), cerca de três meses após o transcurso do prazo legal. Nessa perspectiva, não havendo impugnação tempestiva não há litígio ou fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal. Esclarece o Ato Declaratório Cosit n. 15/96, que integra a legislação tributária (art. 96 do CTN) como norma complementar das leis e dos decretos (art. 100, caput e inciso I, do CTN), apresentada defesa fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade como preliminar. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para NEGAR LHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.003971/2006-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
AUXÍLIO MORADIA.
PERCENTUAL FIXO, INTEGRANTE DA REMUNERAÇÃO.
São tributáveis as verbas que integram, mensalmente, a remuneração de Magistrado, a título de auxílio moradia e representam um percentual fixo do subsídio, sendo pagas, inclusive, sobre o 13º salário.
Numero da decisão: 2101-001.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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PERCENTUAL FIXO, INTEGRANTE DA REMUNERAÇÃO. São tributáveis as verbas que integram, mensalmente, a remuneração de Magistrado, a título de auxíliomoradia e representam um percentual fixo do subsídio, sendo pagas, inclusive, sobre o 13º salário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 39 71 /2 00 6- 68 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado, no anocalendário de 2004, exercício 2005, imposto sobre a renda de pessoa física suplementar, no montante de R$ 4.310,95, sujeito a multa de ofício, e imposto sobre a renda sujeito a multa de mora no valor de R$ 2.452 44 (fls. 5). Segundo relato da Fiscalização (fls. 6 e 7), foi glosada a compensação de R$ 6.842,89, pleiteada indevidamente a titulo de imposto complementar (código de receita 0246) e omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, no montante de R$ 43.232,16. Em 24.10.2006, o contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 a 4), argumentando, em síntese, que o valor considerado omitido pela Fiscalização foi subtraído dos rendimentos tributáveis porque referese a auxíliomoradia que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso declarou indevidamente como sendo valor tributável. Complementa que o valor glosado de R$ 6.482,89, lançado como imposto suplementar na declaração de ajuste, corresponde ao imposto de renda pago no exercício, conforme fotocópias dos DARF que anexa. A 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou a impugnação procedente, por meio do Acórdão n.º 0414.508, de 16 de julho de 2008, que contou com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTO. AUXÍLIOMORADIA. Os valores recebidos a título de auxíliomoradia, desprovidos de comprovação da sua destinação ou de prestação de contas, configuram acréscimo patrimonial da pessoa física e sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda. MUDANÇA DE ENTENDIMENTO. A Administração pode adotar novo critério jurídico, em relação ao mesmo sujeito passivo, desde que incida sobre fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. IMPOSTO COMPLEMENTAR. GLOSA. É glosado o imposto complementar quando não comprovado o seu pagamento. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 56 a 61, no qual alega que o valor glosado de R$ 6.482,89 referese ao imposto apurado em sua declaração de ajuste anual do exercício 2005, na qual foi apurado imposto a pagar, recolhido sob o código de receita 0211, em duas quotas de R$ 3.421,44, no próprio exercício 2005, conforme documentos que diz anexar. Explica que, em decorrência da retificação de sua declaração, na qual apurou resultado mais favorável, foi orientado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a lançar o imposto recolhido como imposto complementar, o que, de fato, fez. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10183.003971/200668 Acórdão n.º 2101001.925 S2C1T1 Fl. 70 3 Sustenta que o Estado de Mato Grosso não disponibiliza aos seus Magistrados moradias oficiais, o que torna legítimo o auxílio moradia que lhes é pago a título de indenização, sendo certo, a seu ver, que sobre esse valor não deve incidir qualquer espécie de tributação, conforme preceitua o artigo 25 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001. Sendo assim, o Ato Declaratório n.º 87/99, como medida posta a regulamentar o referido dispositivo, não possui mais efeitos no ordenamento jurídico, haja vista ser o auxílio moradia atualmente concedido através da MP n.º 2.15835, de 2001 e através da Lei Complementar n.º 35, de 1979 (Lei Orgânica da Magistratura Nacional LOMAN). Nesse esteio, ao exigir do contribuinte comprovação de pagamento de alugueis ou contrato de locação para que ele possa usufruir do direito que lhe é garantido pela Medida Provisória e pela LOMAN, a RFB está afrontando o princípio da reserva legal. Por fim, informa que foram solicitadas ao Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso informações sobre a disponibilidade de residência oficial aos magistrados integrantes do Poder Judiciário do Estado, e a resposta veio informando que não há imóveis que sirvam a essa finalidade, demonstrando, assim, que a percepção do auxílio moradia possui caráter indenizatório. Além disso, o Tribunal de Justiça retificou sua DIRF, a fim de excluir da tributação do imposto sobre a renda o valor percebido a título de auxílio moradia, inclusive sobre o valor do 13.º salário. Pede seja desconstituído o Auto de Infração, procedendose à restituição do Imposto de Renda no valor de R$ 11.888,85, corrigidos monetariamente, nos mesmos índices adotados pela RFB para correção de seus créditos. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. 1. Do auxíliomoradia A Fiscalização procedeu ao lançamento de imposto sobre a renda suplementar, entendendo ter havido omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, no montante de R$ 43.232,16. Em sua impugnação, o contribuinte alegou que o valor considerado omitido foi subtraído dos rendimentos tributáveis porque referese a auxíliomoradia que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso declarou indevidamente como sendo valor tributável. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande (MS) considerou o lançamento procedente, por entender que o caráter indenizatório do auxíliomoradia, que lhe confere a não incidência do IRPF, não é automático, uma vez que depende da comprovação da sua aplicação para suprir a correspondente despesa. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Com supedâneo no Ato Declaratório SRF n.º 87, de 1999, a Relatora do voto condutor da decisão a quo sustenta que, para a outorga da isenção, é necessário que haja o direito de uso de imóvel funcional e ainda que o beneficiário comprove à pessoa jurídica de direito público o valor das despesas efetuadas em substituição a esse direito, mediante apresentação do contrato de locação ou recibo comprovando os pagamentos efetuados, ou seja, as despesas efetivamente incorridas é que são ressarcidas. Fundamenta ainda seu posicionamento no artigo 43 do Código Tributário Nacional, na Lei n.º 7.713, de 1988, nos artigos 215 e 216 da Lei (Estadual –MT) n.º 4.964, de 1985, Código de Organização e Divisão Judiciária do Estado de Mato Grosso Coje e nos Recursos Especiais 553.941/AL e 509.872/MA, que decidiram pela incidência de imposto de renda sobre verba paga a parlamentares estaduais, em caráter permanente, quantia fixa e que pode ser usada pelo contribuinte de acordo com suas necessidades e conveniências, sem necessidade de comprovação, e ainda no REsp 695.499/RJ, no sentido que "as indenizações que geram acréscimo patrimonial dão ensejo à incidência do imposto de renda" A defesa rebate esses argumentos, salientado, em sede de recurso, que o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso não disponibiliza moradias oficiais aos seus Magistrados, o que torna legítimo o auxíliomoradia que lhes é pago a título de indenização, não sujeito a qualquer espécie de tributação, nos termos do artigo 25 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, que não impõe condição à fruição do direito, tampouco confere à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder de regulamentar o benefício, tal como o fez ao editar o Ato Declaratório n.º 87, de 1999. Além disso, o recorrente alega que o auxíliomoradia tem fulcro no artigo 65 da Lei Complementar n.º 35/79 (Lei Orgânica da Magistratura Nacional – Loman). Antes de discorrer sobre o assunto, cabe transcrever o artigo 215 da Lei Estadual nº 4.964, de 1985, que trata do Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado de Mato Grosso: Art. 215 Nas Comarcas em que não houver residência oficial para Juiz é concedida ajuda de custo, para moradia, de 30% (trinta por cento) do subsídio do Magistrado. Ainda sobre o tema, o artigo 65 da Lei Complementar nº 35, de 1979 (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), assim prescreve: Art. 65 Além dos vencimentos, poderão ser outorgadas aos magistrados, nos termos da lei, as seguintes vantagens: I ajuda de custo, para despesas de transporte e mudança; II ajuda de custo, para moradia, nas localidades em que não houver residência oficial à disposição do Magistrado. (Redação dada pela Lei nº 54, de 22.12.1986) [...] Finalmente, o texto do artigo 25 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, trazido à baila pelo recorrente: Art.25. O valor recebido de pessoa jurídica de direito público a título de auxíliomoradia, não integrante da remuneração do beneficiário, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, considerase como da mesma natureza deste direito, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10183.003971/200668 Acórdão n.º 2101001.925 S2C1T1 Fl. 71 5 não se sujeitando à incidência do imposto de renda, na fonte ou na declaração de ajuste. Com base no artigo 25 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, acima transcrito, e nos demais dispositivos legais citados, o recorrente alega que, devido ao fato de a lei não estipular qualquer condição para a fruição do direito ao auxíliomoradia e por não haver, no Estado do Mato Grosso, disponibilização de moradias oficiais aos Magistrados, não há, a seu ver, necessidade de prova do pagamento de aluguel, dentre outras, pois, a aplicação da verba é destinada de acordo com a necessidade daquele que a recebe. Por esses motivos, complementa, o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso até mesmo procedeu à retificação da DIRF, a fim de que fosse excluído, da tributação do imposto sobre a renda, o valor percebido a título de auxíliomoradia, inclusive sobre o valor do 13.º salário. Examinando os autos, verificase que o Comprovante de Rendimentos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, referente ao anocalendário 2004, emitido, em nome do contribuinte, pelo Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso (fls. 11), informa como rendimentos tributáveis o montante de R$ 256.524,65, e não de R$ 213 292,49, tal como consta da declaração de ajuste anual retificadora do contribuinte (fls. 13 e 25). A DIRF retificadora entregue, em 14.7.2006, por aquela pessoa jurídica de direito público também declara que os rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual, pagos ao recorrente naquele ano calendário, foram da ordem de R$ 256.524,65 (e não R$ 213 292,49). No ATESTADO 1647/2005/PAGTO.MAG, emitido pela Subcoordenadoria da Folha de Pagamento de Magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, acostado às fls. 10, não existe manifestação quanto a qualquer entendimento daquele órgão no sentido de considerar isentas do imposto sobre a renda as verbas recebidas pelos Magistrados a título de auxíliomoradia. Diante dessas constatações, sem razão a parte recorrente ao alegar que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso retificou a DIRF, a fim de que fosse excluído, da tributação do imposto sobre a renda, o valor percebido pelos Magistrados a título de auxílio moradia, tendo em vista que não é isso o que se conclui da apreciação das provas dos autos. Pelo contrário, conforme anteriormente ressaltado, todos os documentos produzidos pelo Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, anexados aos autos, dão conta que o montante auferido a título de “auxíliomoradia” integra os rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte, no ano calendário 2004. Por outro lado, salientase que naquele ATESTADO 1647/2005/PAGTO.MAG (fls. 10) consta que a verba de auxíliomoradia é paga sobre o 13º salário dos magistrados (vide item “b”). Nos termos do artigo 3.º, §1.º, da Lei nº 7.713, de 1988, constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. O § 4.º do mesmo artigo estipula que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Vejamos o texto legal: Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. [...]. Dos dispositivos transcritos acima, depreendese que toda a renda percebida pelo particular está sujeita ao imposto sobre a renda, independentemente da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. No caso vertente, a verba em discussão corresponde a um percentual do subsídio auferido pelo Magistrado do Estado de Mato Grosso. Verificase, da legislação pertinente e dos documentos acostados, que a ajuda de custo consubstanciada no denominado “auxíliomoradia” é um percentual fixo sobre o subsídio pago, sem levar em consideração, ao menos, o custo da moradia em cada região do Estado. Ademais, incide, inclusive, sobre o 13.º salário. Sendo assim, apesar da denominação a ela atribuída, não se pode entender que tal verba vise a ressarcir um dispêndio com moradia. A uma, porque representa um percentual fixo da remuneração do Magistrado, integrandoa; a duas, porque não leva em consideração, nem mesmo, o custo da moradia na região ou o valor efetivamente despendido pelo beneficiário a esse título; a três, porque também incide sobre o 13.º salário, o que só reforça a sua desvinculação com a despesa correspondente. De ver está que não existe qualquer correlação do denominado “auxílio moradia” com uma despesa efetivamente realizada, pelo beneficiário, a esse título. Não há que se falar, portanto, de caráter indenizatório de tal verba, não só pelas razões anteriormente suscitadas, mas também porque, conforme o próprio recorrente admite, em sua peça recursal, e podese concluir, da legislação pertinente e das provas dos autos, o montante recebido a esse título pode ser utilizado da maneira que melhor convier ao beneficiado. Forçoso concluir, do exposto, que o “auxíliomoradia” ao qual faz jus o recorrente, Magistrado do Estado de Mato Grosso, tem natureza salarial, com todas as características de acréscimo patrimonial. Integra o rendimento mensal auferido pelo Magistrado como um percentual de seu subsídio, sem qualquer vínculo com eventual despesa incorrida com moradia, e pode ser gasto com qualquer outra finalidade, a critério daquele que a aufere. Não tem, assim, natureza indenizatória e, por esse motivo, inegável a característica de Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10183.003971/200668 Acórdão n.º 2101001.925 S2C1T1 Fl. 72 7 rendimento tributável, independentemente da denominação a ele atribuída pela lei que o instituiu. Ressaltase que, para que não haja a incidência do imposto sobre a renda, o artigo 25 da Medida Provisória n.º 2.15835, de 2001, exige, entre outros requisitos, que o auxíliomoradia não integre a remuneração do beneficiário. Como visto, na hipótese sob análise, tal requisito não fica atendido, pois tratase de verba integrante do rendimento mensal do contribuinte. Tem sido entendimento deste Colegiado que são tributáveis as verbas pagas a título de “auxíliomoradia”, quando integram a remuneração mensal do beneficiário e não estão vinculadas ao efetivo gasto feito a esse título, a exemplo do Acórdão n.º 2101001.183, de 28.7.2011 (Relator: Conselheiro José Evande Carvalho Araujo), cuja ementa, a seguir, transcrevese: RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIOMORADIA. São tributáveis as verbas recebidas mensalmente, em percentual fixo do subsídio, por magistrado como auxíliomoradia, sem que exista qualquer controle sobre os gastos efetuados. Neste ponto, portanto, sem razão o recorrente. Entendese que a verba auferida a título de auxíliomoradia, na hipótese, tem natureza de renda. 2. Dos pagamentos a título de imposto complementar e da restituição pleiteada A Fiscalização glosou a compensação de R$ 6.842,89, pleiteada indevidamente a título de imposto complementar (código de receita 0246) (vide fls. 6 e 7) pelo contribuinte, em sua declaração retificadora do exercício 2005. Em preliminar, o recorrente alega que o valor glosado referese ao imposto calculado em sua declaração de ajuste anual original correspondente àquele exercício, na qual foi apurado imposto a pagar, posteriormente recolhido sob o código de receita 0211, em duas quotas de R$ 3.421,44, no próprio exercício 2005. Todavia, esclarece, ao retificar sua declaração, apurou resultado mais favorável, e foi orientado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil a lançar o imposto recolhido como imposto complementar. Do exame da declaração de ajuste anual original, correspondente ao exercício 2005, constatase que foi apurado imposto a pagar no total de R$ 6.842,89, a ser recolhido em duas quotas de R$ 3.421,44 (fls. 19). Já na declaração retificadora, foi apurado imposto a restituir de R$ 11.888,84, e nela o contribuinte informou imposto complementar pago de R$ 6.842,89, além de imposto retido na fonte e carnêleão (fls. 25). No cômputo do valor a restituir, o recorrente considerou o imposto retido na fonte declarado, o pago a título de carnê leão e mais o valor de R$ 6.842,89, chegando àquele total de R$ 11.888,84 a ser restituído. A DRJ em Campo Grande, ao analisar o pleito, constatou que os autos não haviam sido instruídos com os alegados DARF e, conforme consignado no Auto de Infração, não constava, nos sistemas informatizados da Receita Federal, a arrecadação desses valores no anocalendário 2004. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Em sede de recurso voluntário, o recorrente anexa aos autos cópias de dois DARF (fls. 64 e 65), cujo principal corresponde a duas vezes R$ 3.421,44 e pede que o montante correspondente a esses pagamentos (R$ 6.842,89) lhe seja restituído, pois integram o montante de R$ 11.888,85 aos quais entende fazer jus, em decorrência da retificação de sua declaração de ajuste do exercício 2005. Da análise dos documentos de arrecadação apresentados, é possível verificar que os respectivos recolhimentos foram feitos a título de quotas do imposto sobre a renda do exercício 2005 (código de receita 0211), e não de imposto complementar, tal qual consta da declaração retificadora do contribuinte. Foram recolhidos em 2005 e sob o código de receita 0211; por isso, a DRJ em Campo Grande não conseguiu localizar os recolhimentos no ano calendário 2004. No entanto, muito embora tenha ficado comprovado que os pagamentos informados como imposto complementar na declaração retificadora são aqueles feitos na forma de quotas, no exercício 2005, tal como alegado, a declaração retificadora apresentada às fls. 25 a 28 não prevaleceu. Por essa razão, os montantes recolhidos por meio dos DARF apresentados não podem ser restituídos ao recorrente. Muito menos se pode, pelos mesmos motivos, proceder à restituição do valor integral de R$ 11.888,85, corrigidos monetariamente, tal como solicitado. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 80DF CARF MF Impresso em 29/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 22/ 10/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11020.005002/2007-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1991 a 31/10/1995
COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS.
Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese.
Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação.
Ademais, na forma da Nota COSIT n.º 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS.
Numero da decisão: 9303-008.519
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS. Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese. Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. Ademais, na forma da Nota COSIT n.º 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 50 02 /2 00 7- 58 Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 391 2 PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 330100.367 de (fls. 296 a 301 do processo eletrônico), proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, retificado pelo acórdão nº decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. Por meio do processo judicial MS 2001.71.07.0040494 o Contribuinte requereu provimento para compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS na vigência dos DecretosLei nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988. A referida ação transitou em julgado e lhe foi favorável quanto à possibilidade de compensação, restringindo, todavia, o encontro de contas dos alegados créditos de PIS com débitos do próprio PIS. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 392 3 Analisando o pedido, a DRFB Caxias do Sul indeferiuo sob a alegação de desrespeito à coisa julgada, fundamentada no art. 472 do Código de Processo Civil vigente à época, uma vez que o provimento judicial que transitou em julgado atendeu ao pedido que limitavase à compensação e restringindoa aos débitos do próprio PIS. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade defendendo seu direito ao ressarcimento em moeda corrente, bem como a possibilidade de compensálo com outros tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. Seu direito decorreria da própria legislação regente à matéria, já que, uma vez reconhecido seu direito creditório, poderia dele dispor "do modo que bem lhe aprouver". Argui que o artigo 74 da Lei n.º 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n.º 10.637/2002 resguarda seu pleito, além de pronunciamento da Superintendência Regional da Receita Federal da 10ª Região, manifestado através da Solução de Consulta n.º 54, de 08 de março de 2004 e do art. 26 da IN SRF n.º 600/2005. A DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial, conforme acordão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1991 a 31/10/1995 PIS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIFERENTES. Na forma da Nota COSIT n° 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Recurso Voluntário Não Conhecido. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 393 4 A DRJ de Caxias do Sul opôs embargos de declaração. Houve despacho de fls. 303 retificando o acordão apenas para constar como Recurso Voluntário Parcialmente Provido. O Contribuinte também apresentou embargos de declaração de fls 323, que foi acolhido conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1991 a 31/10/1995 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539), razão pela qual retificase o Acórdão nº 330100.367 3 ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, cuja ementa e decisório passam a ter a seguinte redação: PIS. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO COM TRIBUTOS DIFERENTES. POSSIBILIDADE. Na forma da Nota COSIT nº 141/03, é possível, no processo administrativo, assegurar ao contribuinte a compensação de seus créditos de PIS com débitos de quaisquer outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, não obstante a decisão judicial tenha se adstrito a possibilitar a compensação de PIS com parcelas do próprio PIS. Recurso Voluntário Provido. Embargos Acolhidos. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 344) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito a compensação de créditos do PIS com quaisquer tributos administrados pela RFB, não obstante direito creditório estar alicerçado em decisão judicial transitada em julgado que reconhecera aludido direito à compensação, mas somente do PIS com o próprio PIS. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 394 5 Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma os acórdãos de nº 0202.839 e 20402.901 A comprovação do julgado firmouse pela juntada de cópia de inteiro teor do acórdão. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 363/365. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 372 manifestando pelo não conhecimento e provimento e que seja mantido v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 363/365. Do Mérito O caso em tela diz respeito a acórdão em que foi reconhecido o direito à compensação de créditos do PIS com quaisquer tributos administrados pela RFB, não obstante o direito creditório estar alicerçado em decisão judicial transitada em julgado que reconhecera aludido direito à compensação, mas somente do PIS com o próprio PIS. A contribuinte obteve o direito à restituição/compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de PIS, na vigência dos DecretosLei n.° 2.445/88 e Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 395 6 2.449/88, através do Mandado de Segurança n.° 2001.71.07.0040494, inclusive já transitado em julgado em 10/09/2004 O Superior Tribunal de Justiça, que se manifestou em sede de repetitivo, no Resp. 1.137.738, no sentido de que o Contribuinte pode proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, de acordo com as normas posteriores. Ou seja, foi consolidado que em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios. No presente caso a decisão judicial proferida na Ação Ordinária n.º 2001.71.07.004049, foi em 04 de julho de 2002, e teve o trânsito em julgado em 10/09/2004, fl.108 e 130 (volume I) Relevante destacar que a sentença, foi proferida em data anterior a entrada em vigor da Lei n.º 10.637/02 (01/10/2002), que alterou o art. 74 da Lei n.º 9.430/96 para permitir a compensação com tributos diversos. O art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n.º 10.637/02 regula o instituto da compensação tributária nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Se o trânsito em julgado ocorreu na vigência da redação original do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, e a implementação da compensação (a entrega da Dcomp) vier a ser Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 396 7 realizada após a entrada em vigor da Medida Provisória n.º 66, de 2002, mesmo que a decisão judicial tenha limitado o direito à compensação a tributos de mesma espécie, o Contribuinte tem o direito a compensar débito referente a qualquer tributo administrado pela RFB vez que o legislador reafirmou este seu direito em uma nova lei posterior. A Lei n.º 10.637/2002 sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei n.º 9.4300/96, a qual não mais albergava esta limitação. A Receita Federal do Brasil desde 2003 vem se posicionando no sentido que o Contribuinte pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. Segue abaixo várias Soluções de Consulta e de Divergência sobre o tema: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 244, DE 28 DE NOVEMBRO DE 2003. ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA. LEI SUPERVENIENTE FAVORÁVEL. O sujeito passivo pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. A compensação deverá ser efetuada por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Não é admitida, entretanto, a compensação desses créditos com débitos de terceiros, a exemplo dos débitos dos fabricantes e dos importadores de veículos, oriundos da obrigação, relativamente às vendas Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 397 8 que fizerem, de cobrar e recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas, ainda que o detentor dos créditos seja o contribuinte substituído. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966, arts. 128 170 e 170A; Lei nº 8.383, de 1991, art. 66; Lei nº 9.250, de 1995, art. 39; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74; Lei nº 10.637, de 2002, art. 49; Lei nº 10.677, de 2003; Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 43; Medida Provisória nº 135, de 2003, art. 17; IN SRF nº 210, de 2002, art. 30; IN SRF nº 360, de 2003. VERA LÚCIA RIBEIRO CONDE Chefe da Divisão de Tributação SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 2 de 22 de setembro de 2010 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002, RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 279, DE 07 DE OUTUBRO DE 2014 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DE CRÉDITO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 398 9 ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. As restrições à compensação da nova legislação devem ser observadas. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002; POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 399 10 EXECUÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. PRAZO PRESCRICIONAL. Tendo o contribuinte iniciado a execução na via judicial e posteriormente dela desistido, o direito de compensar prescreve no prazo de cinco anos contados a partir da homologação da desistência pelo Juízo da execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. As decisões judiciais que reconheçam o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativo, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB). DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 100 da CRFB/88; art. 108, I, arts. 168 a 170, e art. 174, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); arts. 460 e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 11, de 2014. SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF06 Nº 6035, DE 12 DE JULHO DE 2017 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 400 11 SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB – exceção feita às contribuições previdenciárias e aos tributos apurados na sistemática do Simples Nacional – quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As decisões judiciais que reconhecem o indébito tributário não podem ser objeto de pedido administrativo de restituição, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal de 1988. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014. DISPOSITIVOS LEGAIS: CF, de 1988, art. 100, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74 e IN RFB nº 1.300, de 2012, arts. 41, 81 e 82. Também através da Nota COSIT n.º 141, de 23 de maio de 2003, a Receita Federal entendeu pela possibilidade de aplicação da legislação ulterior mais benéfica ao Contribuinte que aquelas definidas em decisão judicial transitada em julgado. A Receita Federal publicou, também, a Solução de Consulta n.º 29/COSIT/SRF, segundo a qual “como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie”. Solução de Consulta nº 29 Cosit Data 30 de março de 2016 Processo Interessado CNPJ/CPF Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 401 12 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS A LEI Nº 10.637/2002. RESTRIÇÕES. Como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela RFB reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie. Entre as referidas restrições da legislação em vigor citase, exemplificativa, mas não exaustivamente, a impossibilidade de compensar débitos relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/1991 com créditos relativos aos demais tributos administrados pela RFB. Dispositivos Legais: CTN, 170; Lei nº 11.457/2007, arts. 2º e 26, parágrafo único; Lei nº 8.383/1991, art. 66; Lei nº 8.212, art. 89, caput; IN RFB nº 1.300/2012, arts. 41, caput, e 56, caput. Como se pode ver todos os casos acima se aplicam perfeitamente ao presente caso. Sobre o tema ainda, encontrei diversos posicionamentos esclarecendo que as sentenças transitadas em julgado posteriormente à Lei n.º 10.637/2002 — mesmo na hipótese de terem autorizado apenas a compensação entre tributos da mesma espécie — poderiam ser utilizadas pelos contribuintes para a compensação com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Prevaleceu, assim, a aplicação da norma contida em lei a despeito de restrição eventualmente estabelecida em sentença. Tal se justifica na medida em que o Contribuinte pode ter requerido o reconhecimento do seu indébito em juízo de forma mais restritiva antes da alteração legislativa que veio a permitir a compensação ampliada. A alteração na legislação e no procedimento de compensação poderia, portanto, ser aplicada posteriormente. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 402 13 Ademais, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão n.º 9303 002.458, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Possas, manifestouse no mesmo sentido: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 30/04/2002 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO. É permitida a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se apenas permitido à compensação de COFINS com parcelas da própria COFINS. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Verificase que, no âmbito administrativo, há entendimento consolidado no sentido de que os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Por conseguinte, se a decisão judicial transitada em julgado não tiver sido proferida com base na legislação posterior, esta poderá ser aplicada, possibilitando o contribuinte de efetuar compensação com débitos de outra espécie. Quanto ao teor do título judicial em favor da Contribuinte, ressaltese que o mesmo, de fato, se restringe ao direito de compensação das parcelas pagas a maior a título do PIS com o próprio PIS. Contudo, o reconhecimento apenas parcial do direito pela Justiça, frente à legislação restritiva do direito de compensação à época vigente, não impede seja aludido título judicial aproveitado para a quitação de outros débitos da recorrente, como autorizado pela legislação superveniente, não sendo razoável exigir que a decisão judicial admitisse hipótese de compensação ainda não albergada pela legislação vigente à época da autuação do processo. Logo, o deferimento administrativo do direito de compensar o crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal não importa em desobediência à Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11020.005002/200758 Acórdão n.º 9303008.519 CSRFT3 Fl. 403 14 decisão judicial, mas tão somente uma justa adequação do direito da interessada às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. A vista do exposto voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 403DF CARF MF
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