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Numero do processo: 10970.000382/2010-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/03/2007
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO.
A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão.
Numero da decisão: 3802-001.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 03 82 /2 01 0- 38 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0937.537, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra o referido contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “O presente processo originouse do auto de infração de fls. 211/224, lavrado contra o interessado, em 11/06/2010, para exigência do crédito tributário de IPI no montante de R$127.937,95, relativamente aos períodos de apuração dos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, assim discriminado: MULTA IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO (Passível de Redução)...................................................................................................R$127.937,95 TOTAL DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO...................................R$127.937,95 Os Termos de Verificação de Infração Fiscal constam das fls. 111/199 202/210, formatados para os diversos PER/DCOMP transmitidos pelo contribuinte nos períodos de apuração nos quais incidiu a autuação, e o Enquadramento Legal está descrito às fls. 223 (infração) e 218 (multa e juros de mora). A presente autuação teve sua origem na verificação da legitimidade de créditos apresentados em diversos PER/DCOMP transmitidos pelo contribuinte para os períodos de apuração compreendidos entre 1º trimestre de 2004 e o 1º trimestre de 2007, inclusive, comandada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 06109002010000273. Exemplificadamente, citase o Termo de Verificação Fiscal referente ao PER/DCOMP nº 40273.34877.250407.1.7.013878 (3º trimestre de 2005), às fls. 111/117, segundo o qual a autuação resultou de erro na alíquota aplicada e de erro da classificação fiscal, explicitados pelo autuante nos seguintes termos: [...] durante o exame das saídas (vendas e transferências), foi verificado que a interessada apesar de ter classificado corretamente os produtos relacionados no quadro abaixo, deixou de destacar o IPI nas Notas Fiscais de saída, vez que, conforme TIPI, são tributados à alíquota de 7%. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10970.000382/201038 Acórdão n.º 3802001.664 S3TE02 Fl. 112 3 Verificouse, também, que a interessada adotou a classificação fiscal 2828.90.11 da TIPI para os produtos relacionados no quadro abaixo, tributandoos à alíquota zero. Ao ser indagada do embasamento que deu suporte à classificação fiscal a empresa respondeu: “A alteração da NCM 28.28.9011 é a classificação específica mais indicada considerando as características da composição química do produto, pois a Água Sanitária e o Alvejante é a diluição do Hipoclorito de Sódio em água, sendo este o ingrediente principal ativo.” [...] esta fiscalização entende que a melhor classificação para os produtos acima é a da posição 3402.20.00 da TIPI, com tributação de IPI à alíquota de 10%. Classificação que resultará, juntamente com aqueles valores que deixaram de ser destacados, na diferença de R$21.280,85 abaixo demonstrada e que se encontra discriminada analiticamente no ANEXOIV. Da análise fiscal, resultou a apuração de débitos que, com relação à tributação de 7% (erro de alíquota) e 10% (erro de classificação fiscal), foram observados nos 3º e 4º trimestres de 2005 e 1º e 2º trimestres de 2006. Com relação apenas à tributação de 10% (erro de classificação fiscal), foram apurados débitos nos 3º e 4º trimestres de 2006 e 1º trimestre de 2007. Como os débitos apurados foram absorvidos pelos créditos, restou o lançamento de MULTA DE IPI NÃO LANÇADO COM COBERTURA DE CRÉDITO. Esse entendimento partiu da recomposição, para cada trimestre de apuração do saldo credor trimestral a que fazia jus o interessado. Lavrado o auto de infração, com ciência do autuado em 16/06/2010, segundo o Aviso de Recebimento à fl. 226, este apresentou tempestivamente, em 15/07/2010, conforme protocolo de recepção do documento, à fl. 227, a impugnação de fls. 227/233, para alegar que: Os produtos em questão, a água sanitária e o alvejante produzidos pela Requerente, apresentam a seguinte composição química: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 A Requerente tem comercializado tais produtos rotineiramente utilizandose da classificação fiscal 2828.90.11, indicada para produtos que apresentem em sua composição química predominância do Hipoclorito de Sódio, que resulta na tributação dos mesmos pelo IPI à alíquota de 0%. [...] Em ambos os casos, da água sanitária e do alvejante, sem maior dificuldade se observa a diluição dos agentes químicos em água, com a formação de uma solução aquosa. Além disso, também em ambos os casos, o elemento químico francamente predominado é o Hipoclorito de Sódio. Nesse contexto, o item 28.28.90.1, da TIPI é dedicada ao enquadramento dos Hipocloritos, sendo o item 28.28.90.11, específico para o enquadramento do Hipoclorito de Sódio. Nas notas explicativas ao enquadramento dos elementos químicos no Capítulo 28, esclarece os seguintes termos para o enquadramento dos produtos nesse Capítulo: 1 – Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: os elementos químicos isolados ou compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; as soluções aquosas dos produtos da alínea a) acima; Nas notas apresentadas como convencimento quanto ao enquadramento da água sanitária e do alvejante (dado pela Fiscalização) indicase, de forma enfática, com negritos e grifos, como característica básica dos produtos que os mesmos prestem se à limpeza de louça sanitária e contenham uma mistura de hipoclorito de sódio com ortofosfato trissódico. Em excerto seguinte, novamente apontase a condição do produto contendo hipoclorito de sódio combinado com diversos outros produtos e destinado à limpeza e desinfecção de pias e banheiros. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10970.000382/201038 Acórdão n.º 3802001.664 S3TE02 Fl. 113 5 Observase claramente das justificativas contidas nos trechos citados que a classificação conferida aos produtos em causa, água sanitária e alvejante, decorreu da finalidade conferida a tais produtos, todavia, a ela não se bastando, indicando também que os produtos deveriam resultar de uma combinação de diversos elementos químicos onde figure – e predomine – o Hipoclorito de sódio. Nesses termos segundo o entendimento fixado pela fiscalização não obstante haja uma classificação específica para os produtos a base de hipoclorito de sódio, ou seja, nos produtos onde esse elemento químico apresente predominância, preferiuse uma classificação onde esse elemento químico integre uma composição química mais ampla, tornando irrelevante a predominância desse elemento químico. Importante sublinhar que caso houvesse dúvida entre as duas classificações, situação inadmitida pela Requerente diante da existência de uma classificação específica para os produtos à base de hipoclorito de sódio, o próprio regulamento do IPI contém normas que solucionariam esse potencial conflito. De fato, no caso do potencial conflito entre duas classificações possíveis, o regulamento estabelece regra própria de harmonização do sistema: (citação das regras 1 e 3 do Sistema Harmonizado) [...] Nesses termos, entende a Requerente que a classificação por elemento químico predominante deve prevalecer sobre a classificação por finalidade do produto, tendo em conta o caráter notoriamente mais genérico da finalidade de cada produto, sendo um critério explícito da tabela que a classificação prefira o critério mais específico em detrimento do critério mais genérico. No caso da aplicação da tabela, o critério mais genérico somente deve ser utilizado caso ausente um critério específico para a classificação do produto em causa. É o relatório”. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a impugnação apresentada. Vejase: “ASSSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS ALVEJANTE E ÁGUA SANITÁRIA VALOR As preparações produzidas pelo contribuinte, alvejante e água sanitária, ambas constituídas de hipoclorito de sódio em solução aquosa e outros componentes ( para o alvejante, hidróxido de sódio (soda cáustica), carbonato de sódio e perfume floral, e para a água sanitária, hidróxido de sódio), comercialmente Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 denominados ÁGUA SANITÁRIA VALOR E ALVEJANTE VALOR FLORAL, apresentadas em garrafas plásticas de 1000ml e 2000ml, classificamse no código NCM 3402.20.00. Dispositivos Legais: RGI 1º (texto da posição 34.02) e 6ª (texto da subposição 3402.20) e RGC1 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.545, de 26 de dezembro de 2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/03/2007 LANÇAMENTO DECORRENTE DE ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Mantida a classificação fiscal em decorrência da qual foi efetuado o lançamento de ofício, mantido está o auto de infração. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEFINITIVIDADE. É definitivo o lançamento de ofício relativo aos créditos tributários não impugnados pelo autuado. Tais créditos devem ser de imediato exigidos do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário reafirmando as alegações já trazidas na impugnação e enfatizando a aplicação do critério de seletividade ínsito ao IPI para reforçar sua tese. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado unicamente a combater a classificação fiscal indicada pela autoridade administrativa com relação a dois tipos de produtos industrializados pelo Recorrente, de nomes comerciais “água sanitária valor” e “alvejante floral valor”. A composição química de ambos os produtos não é objeto de celeuma, sendo parte incontroversa da presente lide administrativa. Inclusive é de se ressaltar que a interação do hipoclorito de sódio com outros compostos químicos foi a origem de todo o imbróglio. Isso se verifica facilmente do Termo de Verificação Fiscal de fls. 111123, donde destaco o seguinte excerto constante de fl. 112: Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10970.000382/201038 Acórdão n.º 3802001.664 S3TE02 Fl. 114 7 A classificação adotada pela empresa a partir de 14/02/2004 é específica para o Hipoclorito de sódio (NaCIO.6H2O), o que não é o caso dos produtos acima, que resultam da diluição do referido produto, em forma aquosa, em água e adicionados outros produtos. A missão do Recorrente, desde então, tem sido a de defender seu ponto de vista, no sentido de que está correto em aplicar a classificação fiscal própria do hipoclorito de sódio. O Recorrente demonstra total domínio das normas sobre o caso, e discorre acerca do que entende como dois critérios possíveis de classificação fiscal, conforme o seguinte trecho de seu Recurso Voluntário: Em seguida, o Recorrente afirma que o enquadramento de certo produto “deve ser regido especialmente pela aplicação dos valores condicionais a que o mesmo está sujeito”, como intróito para uma defesa segundo a seletividade do IPI – o que acarretaria a escolha de uma classificação fiscal mais favorável. Ora, em que pesem as sensíveis alegações do Recorrente quanto ao princípio da seletividade, que possui raízes profundas na filosofia da tributação e se destina a atingir a capacidade contributiva de modo mais eficiente, combatendo o capital marginal de quem adquire produtos menos essenciais, seus argumentos não merecem acolhida em sede de Recurso Voluntário. Isso porque a classificação fiscal de mercadorias não é, em si, um princípio que permita escolhas conforme a finalidade do produto, ou mesmo a conveniência administrativa. É regra de direito, e, como tal, é de aplicação objetiva. Tanto assim que Ronald Dworkin, ao dispor sobre a diferença de consideração entre regras e princípios, foi extremamente feliz ao considerar: Denomino princípio um padrão que deve ser observado, não porque vá promover ou assegurar uma situação econômica, Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 política ou social considerada desejável, mas porque é uma exigência de justiça ou eqüidade ou alguma outra dimensão da moralidade [...]. A diferença entre princípios jurídicos e regras jurídicas é de natureza lógica. Os dois conjuntos de padrões apontam para decisões particulares acerca da obrigação jurídica em circunstâncias específicas, mas distinguemse quanto à natureza da orientação que oferecem. As regras são aplicáveis à maneira do tudoounada. Dados os fatos que uma regra estipula, então ou a regra é válida, e neste caso a resposta que ela fornece deve ser aceita, ou não é válida, e neste caso em nada contribui para a decisão. (Levando os direitos a sério. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2007, pp. 3942) A seletividade, como princípio que é, ainda que tenha forte conotação normativa por ser obrigatória para o IPI nos termos do art. 153, § 3o, da CRFB, termina por ser orientadora das normas constantes da Tabela do IPI, a qual objetivamente impõe as alíquotas e critérios de classificação fiscal próprios. Desse modo, caso o contribuinte entenda que a Tabela do IPI contraria a seletividade ínsita ao imposto, deve se valer das vias próprias para tanto. Todavia, ao CARF não compete apreciar argüições de inconstitucionalidade das normas aplicáveis, conforme seu Regimento Interno e enunciado de Súmula n. 2. Logo, a escolha feita pelo Recorrente, espelhada no excerto abaixo, de classificar os produtos objeto do presente litígio quanto à finalidade, revelase em si equivocada, porquanto a classificação fiscal de mercadorias é feita com base nos critérios objetivamente dispostos na TIPI: Igualmente equivocada, ao meu ver, a tentativa de enquadramento do caso ao precedente trazido em seu Recurso Voluntário no processo 10380.007467/9612, pois ali se discutia a classificação fiscal de sacos plásticos utilizados para acondicionar alimentos, diferentemente de outras finalidades. Sacos plásticos sempre serão sacos plásticos, enquanto a distinção traçada no caso em tela diferencia a natureza do produto em si. E ainda na seara da seletividade, a arguição de que os produtos se destinam a desinfecção termina não se mostrando de muito alento, dado que as soluções ora analisadas permanecem com a mesma destinação – desinfecção –, resultando prejudicada uma discussão sobre o critério de discrímen adotado na distribuição de cargas tributárias aos diferentes produtos. Indo mais além, a tarefa do Recorrente deveria ter se fiado em demonstrar, sim, que os compostos químicos indicados pela autoridade administrativa não desnaturam a característica dos produtos em serem um tipo – enquanto destinado para o mercado varejista – de “agentes orgânicos de superfície (exceto sabões); preparações tensoativas, preparações para lavagem (incluídas as preparações auxiliares) e preparações para limpeza, mesmo contendo sabão, exceto as da posição 34.01” (subgrupo 34.02 da TIPI, com denominação própria para Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10970.000382/201038 Acórdão n.º 3802001.664 S3TE02 Fl. 115 9 venda a retalho no item 3402.20.00), para serem simples “hipocloritos de sódio” (item 2828.90.11 da TIPI). E nesse mister em especial, restou carente o Recurso Voluntário. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, mantendo integralmente o crédito tributário formalizado contra o sujeito passivo. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 356DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 24/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 13971.000401/00-06
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — MEIO PRÓPRIO PARA SANAR OMISSÕES NO VOTO CONDUTOR DA DECISÃO EMBARGADA: Constatada a existência de omissões deve a decisão cameral ser revista nos estritos limites delas provocando aditamento de argumentos à parte expositiva do voto e, restando inalterada a decisão, mesmo que alargada em relação às matéria tratadas anteriormente, deve ser redimensionada tal decisão.
Numero da decisão: 1301-000.045
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para suprir as omissões contidas no voto do Acórdão n° 105-17.004 de 27 de maio de 2008 e, ratificar a decisão estendendo seus efeitos à omissão sanada,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: José Carlos Passuello
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — MEIO PRÓPRIO PARA SANAR OMISSÕES NO VOTO CONDUTOR DA DECISÃO EMBARGADA: Constatada a existência de omissões deve a decisão cameral ser revista nos estritos limites delas provocando aditamento de argumentos à parte expositiva do voto e, restando inalterada a decisão, mesmo que alargada em relação às matéria tratadas anteriormente, deve ser redimensionada tal decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos para suprir as omissões contidas no voto do Acórdão n° 105-17.004 de 27 de maio de 2008 e, ratificar a decisão estendendo seus efeitos à omissão sanada,nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , for fr e ei *VIS ,iresidA2 ' JOSÉ • • /OS PASSUELLO Rel. or Formalizado em. 15 I MAI 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira, Waldir Veiga Rocha, Alexandre Antonio Allcmin, José Carlos Passuello e José Clóvis Alves. Processo n• 13971.000401/00-06 SI-C3TI Acórdão n." 1301-00.045 Fl. 2 Relatório Trata-se de embargos de declaração interpostos pela empresa em face do voto condutor da decisão consubstanciada no Acórdão n° 105-17.004. Proferi despacho, que recebeu a concordância do Sr. Presidente e que leio para conhecimento de todos os Conselheiros, de seguinte teor: Trata-se de embargos de declaração interpostos pela empresa Teka Tecelagem Kuehnrich s/a em face da decisão da 5' Câmara consubstanciada no Acórdão n° 105-17.004, de 27.05.2008, sob ementa: O primeiro item dos embargos assim manifestou as razões da empresa: "4. Todavia, no entender da contribuinte, o v. Acórdão embargado justifica a oposição de Embargos de Declaração, como se passa a demonstrar. 5. Em primeiro lugar, porque o v. Acórdão embargado partiu, aparentemente, de premissas equivocadas, o que configura erro de fato, autorizando a interposição dos presentes Embargos, segundo a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e da CSRF (Acórdãos es. 301-34116, 108-09262, 201-79059, 103- 19998, 03-04.168 e 03.04.167). 6. É que o v. Acórdão embargado partiu da premissa — equivocada, salvo melhor juizo — de que "A decisão recorrida excluiu a tributação relativa ao lucro inflacionário realizado (..)" (/7. 367). Diante desta premissa, concluiu que não seria necessário analisar os pedidos e fundamentos relativos ao lucro inflacionário. 7. Trata-se de premissa equivocada porque, na verdade, o v. Acórdão de primeiro grau não afastou totalmente a tributação relativa ao lucro inflacionário. Isto porque, embora sido considerados os saldos de correção monetária das empresas incorporadas, não foi afastado o valor referente ao "erro de correção monetária". Desta forma, foi mantida parcialmente a exigência de valores referentes ao saldo de correção monetária do lucro inflacionário. 8. Em decorrência do referido erro de fato, deixaram de ser analisados os argumentos da Embargante referentes ao lucro inflacionário (com exceção da consideração do saldo das empresas incorporadas), relativos: (a) à decorrência: (b) ao erro de correção monetária (itens 56 a 62 do Recurso); e (c) à inexistência de acréscimo patrimonial 9. Em relação à decadência, aliás, vale ressaltar que o próp 'o v. Acórdão de primeiro grau reconheceu se tratar de supos lucro inflacionário apurado em 1.990 (77. 351) e que poderia s objeto de lançamento em 1.993 (71 352). Comoa empresa i 2 Processo n° 13971.000401/00-06 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.045 Fl. 3 notificada do Auto de Infração somente em 2.000, fica claro que já tinha se operado a decadência (que apenas não foi reconhecida pelo v. Acórdão de primeira instáncia, ao que tudo indica, porque este incorreu em erro material na contagem do prazo). 10. Desta forma, é fácil concluir que, em razão do erro de fato, deixaram de ser analisados os argumentos da contribuinte acima expostos, tendo havido omissão, que também autoriza a oposição dos presentes Embargos de Declaração. Pelos tennos transcritos teria havido omissão na apreciação de matéria remanescente da decisão de 1° grau, qual seja parte dos lucros inflacionários realizados, já que houve afastamento apenas parcial da tributação pela autoridade de 1° grau. Revendo a decisão de 1° grau, constato que (fis. 340) efetivamente foi cancelada a tributação apenas parcialmente do item relativo ao lucro inflacionário realizado no ano-calendário de 1995. Isso se comprova do acórdão, onde consta (fls. 263): " onde se determinou o cancelamento parcial da alteração ex officio consignada no Auto de Infração com relação ao lucro inflacionário realizado ..." Devem ser acolhidos os embargos com relação a este item. O segundo aspecto oferecido pela embargante (fls. 377): li. Em segundo lugar, porque, no pensar da Embargante, o v. Acórdão embargado também deixou de se manifestar quanto a • outros pedidos/ argumentos formulados pela contribuinte, apresentando omissões que, da mesma forma, autorizam a interposição dos presentes Embargos. 12. Neste sentido, verifica-se que o v. Acórdão embargado também não se manifestou quanto aos seguintes pedidos/argumentos expostos pela Embargante: (a) nulidade do Auto de Infração por ausência de T1F e por ter expirado o prazo do Termo de Intimação; e (b) impossibilidade de se limitar a dedução de despesas. 13. Os pedidos/fundamentos que aparentemente não foram analisados, ou que foram analisados a partir de premissas equivocadas, vale frisar, representam pontos centrais da discussão e são essenciais ao julgamento do feito. Há, portanto, omissões/erro de fato no v. Acórdão, que justificam a oposição dos presentes Embargos de Declaração. 14. Aliás, as omissões/erro de fato apontadas, em tese, podem impedir que a Embargante apresente Recurso Especial abordando estes pontos. Neste sentido, cumpre notar que estes Embargos também têm o objetivo de confirmar prequestionamento da matéria. Igualmente por esta razã constata-se a necessidade dos presentes Embargos. 3 • Processo n°13971.000401/00-06 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.045 Fl. 4 15. Em face do acima exposto, requer sejam recebidos e providos estes Embargos de Declaração, para que essa E. 5° Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, sanando as omissões/erro de fato apontados, manifeste-se expressamente, inclusive para fins de prequestionamento, sobre os pedidos/argumentos, e os respectivos dispositivos legais, a que se referem os itens "5' "8" e "11", acima." Pelo Acórdão n° 105-14.264, de 03.12.2003, esta C Câmara declarou nula a decisão de 1° grau e determinou a realização de novo julgamento, o que ocorreu na forma do Acórdão n° 08- 9.365 (fis. 338 e seguintes), sendo de se buscar as razões recursais na peça de fls. 288 a 305). No recurso voluntário consta o item II acerca da nulidade do auto de infração pela ausência de MPF e TIF. O voto embargado teceu considerações acerca do MPF e, sem mencionar o TIF rejeitou a preliminar. Essa omissão também deve ser sanada. No recurso voluntário consta também, no item de fls. 298, o titulo "Impossibilidade de Limitar a dedução de despesas", versando sobre a inconstitucionalidade da dedução de despesas com remuneração de sócios ou administradores. O voto condutor da decisão embargado manteve a limitação na dedução da referida despesas, porém sem mencionar qualquer aspecto de sua constitucionalidade. Entendo que deve suprir esta omissão. Com relação à pretensão da embargante de obter pré- questionamento acerca desses aspectos, não penso ser motivo para o acolhimento dos embargos, já que seu acolhimento será na intenção de sanar as omissões e insuficiências do voto e se alguma delas originar manifestação inovadora, então sim teremos caracterizado algum pré-questionamento. Assim, Senhor Presidente, proponho o acolhimento dos embargos de declaração interpostos pelo contribuinte e inclusão do processo em pauta para deliberação acerca do saneamento das omissões apontadas. Submeto este despacho, Senhor Presidente, à sua superior deliberação. Relato as condições verificadas em cada uma das omissões que entendi merecuem saneamento. A decisão recorrida cancelou parcialmente a tributação sobre a ealiz "o do lucro inflacionário, porém não o fez pelo acolhimento de razões de mérito, mas p a reti icação do prejuízo fiscal, como consta de fls. 359 e 360: 4 Processo n° 13971.000401/00-06 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.045 Fl. 5 "INEXISTÊNCIA DE SALDO DE LUCRO INFLACIONÁ RIO (Erro de correção monetária): a contribuinte alega que a diferença entre o valor do Saldo Credor Diferença IPC/13TNF, existente em 31/12/1992, apurado por ela (Cr$ 239.907.780.659,15) e o apurado pelo fisco (Cr$ 241.526.404.652,00) se deve ao fato de o fisco ter utilizado índices de correção diferentes do previsto na legislação vigente à época. Analisemos, pois, suas alegações. A contribuinte alega que a diferença entre o valor do Saldo Credor Diferença IPC/BTNF, existente em 31/12/1992, apurado por ela (Cr$ 239.907.780.659,15) e o apurado pelo fisco (Cr$ 241.526.404.652,00) se deve ao fato de o fisco ter utilizado índices de correção diferentes do previsto na legislação vigente à época. No entanto, não tem razão a impugnante. Os indicadores utilizados na correção monetária pelo Sapli são os estabelecidos pela legislação em vigor à época, conforme resumo, CL 335, abaixo reproduzido:" "A empresa concorda com o valor de Cr$ 19.646.366.616,00 como Saldo Credor Dif IPC/BTNF Corrigido até 31/12/1991. A partir de 1992 até agosto de 1994, conforme estabelecido pela Lei 8.383/91, arts. 1° e 48, o indexador utilizado para a correção monetária é a UFIR diaria. Assim, o fator de correção para o 1° semestre de 1992, conforme adotado pelo Sapli, é de 3,4635, que corresponde ao quociente entre o valor da UF1R tharia em 30/06/1992 (Cr$ 2.067,91) e o valor da UF1R charla em 01/01/1992 (Cr$ 597,06). Já para o 2° semestre de 1992, o fator de correção é de 3,5495, também adotado pelo Sapli, que corresponde ao quociente entre o valor da UF1R diária em 31/12/1992 (Cr$ 7.340,03) e o valor da UF1R dzaria em 30/06/1992 (Cr$ 2.067,91). Assim, o Saldo Credor Dif IPC/BTIVF Corrigido até 30/06/1992 é de Cr$68.045.190.774,00 (= 3,4635x Cr$ 19.646.366.616,00) e Corrigido até 31/12/1992 é de Cr$ 241.526.404.652,00 (= 3.5495 x Cr$68.041190.774,00), tudo corretamente indicado no Sapli. Cumpre observar, ainda, que não há, no recurso de fls. 288/305, alegações diferenciadas em relação à impugnação de fls. 125/134, no que se refere à preliminar de decadência do lucro inflacionário e, no mérito, em relação à ausência de excesso de retiradas, à impossibilidade de limitar a dedução de despesas e a inexistência de acréscimo patrimonial. Ante tudo que foi aposto, julgo procedente em pane o lançamento, devendo-se alterar o valor do prejuízo fiscal declarado no ano de 1995, conforme a seguir se demonstra: Exercício de 1996, ano-calendário de 1995 Em Reais (R5) Demonstração do Lucro Real (fl. 118) Processo n° 13971.000401/00-06 SI-C3T1 Ackrclâo n.• 1301-00.045 Fl. 6 Lucro Liquido do periodo-base (11.204.897,22) Excesso de Retiradas (diferença adicionada) 425392,14 Lucro Mack:titio Realizado 47.985,92 Soma das Adições 12.390.368,23 Soma das Exclusões (7.367.079,03) Lucro Real (P/CilliZO Fiscal) (5.708.029,96) O prejuízo fiscal declarado (17.118) foi alterado conforme apurado acima, no Sistema de Acompanhamento de Prejuízos Fiscais/Compensação — SAPLI, da Receita Federal, cópia à fl. 336. As alterações ora procedidas foram registradas no SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Lucro Inflacionário Realizado e Compensação de Prejuízos Fiscais) cujo formulário correspondente fica, por cópia, anexado aos autos do presente processo às fls. 332/336. Por fim, o processo de n° 13971.000154/2001-55, em que a interessada é parte, por sofrer influência do decidido neste processo, deverá seguir junto ao presente processo nos termos do Acórdão n° 105-14.270 da 5° Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, de 03/12/2003." Segundo a recorrente, o erro de cálculo decorreria do fato de ter a empresa adotado os índices previstos pela Lei n° 8.200/91 e Decreto n° 332, enquanto o Fisco teria utilizado índices diferentes dos estabelecidos na Lei n° 8.200 e Decreto 332, o que resultaria na diferença apontada.Isso em 31.12.92 e referindo-se ao saldo credor de correção monetária de balanço. Relativamente à ausência de TIF e por ter expirado o Termo de Intimação, o item 7 (fls. 289) do recurso voluntário resume o entendimento da empresa: "7. A respeito da não lavratura do Termo de Início de Fiscalização, de acordo com o que dispõe o artigo 196 do Código Tributário Nacional e artigo 7°, I, parágrafos 1° e 2° do Decreto 70.215/72, o procedimento levado a efeito pelo Fisco é nulo, por ausência de requisito formal indispensável." Trouxe como paradigma o Acórdão n° 104-18939 (ementa), versando sobre auto de infração complementar. No que respeita à possibilidade de limitação de dedução de despesas, o recurso voluntário trouxe no seu item 51 (fls. 298) afirmativa que expressa a essência do pedido: "51. Entretanto, diante da omissão da decisão recorrida, que não apreciou os argumentos relativos à inconstitucionalidade da limitação de dedução de despesas com remuneração de sócios ou administradores, cumpre a Recorrente insistir na pretensão de que tais valores sejam deduzidos integralmente, e observância ao previsto na Constituição Federal, confo amplamente demonstrado na impugnação. 6 Processo n° 13971.000401/00-06 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.045 Fl. 7 • 52. Além disso, a atitude do Fisco, ao desvirtuar a base de cálculo do tributo, afronta a Constituição Federal (art. 153, inciso III) e também o Código Tributário Nacional (art. 44)." Assim se a. escuta • processo para julgamento. É o relatório e fIrk aralr wer • 7 Processo n°13971.000401/00-06 SI-C3T1 Acórdão n." 1301-00.045 Fl. 8 Voto Conselheiro JOSÉ CARLOS PASSUELLO, Relator Os embargos devem ser apreciados nos limites definidos no despacho, visando o saneamento do julgamento anterior pela eliminação de omissões. Inicio pela apreciação da preliminar de nulidade do lançamento "por ausência de TIF (Termo de Inicio de Fiscalização) e por ter expirado o prazo do Termo de Intimação". No recurso a empresa tratou em um único tópico da falta de MPF e de TIF, sendo que no voto condutor da decisão embargada foi tratada apenas a ausência de MPF, devendo a omissão acerca da não menção ao TIF ser sanada nesta ocasião. A autoridade julgadora de 10 grau trouxe objetiva argumentação sobre o item (fls. 348), quando assim se manifestou: DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO (Ausência de MPF e do Termo de Início de Fiscalização): segundo a impugnante, ainda que houvesse dispensa do MPF, o mesmo não se poderia admitir em relação ao Termo de Início de Fiscalização. Isso porque como o Decreto 70.235/72 exige que o procedimento de fiscalização inicie-se com ato por escrito do servidor competente, não pode norma hierarquicamente inferior (Instrução Normativa da SRF) dispensar a observância de tal procedimento. Analisemos, pois, suas alegações. Segundo a impugnante, ainda que houvesse dispensa do MPF, o mesmo não se poderia admitir em relação ao Termo de Inicio de Fiscalização. Isso porque como o Decreto 70.235/72 exige que o procedimento de fiscalização inicie-se com ato por escrito do servidor competente, não pode norma hierarquicamente inferior (Instrução Normativa da SRF) dispensar a observância de tal procedimento. Nesse sentido, pretende a impugnante que esta autoridade julgadora deixe de aplicar o disposto na Instrução Normativa SRF n.° 94, de 24/12/1997, por entender que esta contraria exigência expressa contida no Decreto 70.235/72. Ou seja, o que se verifica é que a empresa pretende invocar a ilegalidade de dispositivos normativos em pleno vigor. No entanto, como já discutido neste voto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar textos normativos legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, e observância ao art. 142, parágrafo único, do Código Tributár' Nacional que se traslada: 8 Processo n° 13971.000401/00-06 S1-C3TI Acórdão n.° 1301-00.045 Fl. 9 "Parágrafo único — A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcionaL" Temos, portanto, uma limitação de competência que, à evidência, nasce da própria natureza da atividade administrativa. Como também é cediço, o julgador de primeira instância também não se pode furtar a cumprir as determinações esculpidas em atos tributários da SRF, pois a Portaria MF n°58/2006, que é norma processual aplicável aos processos pendentes de julgamento, impôs que: Art. 70 O julgador deve observar o disposto no art. 116, Hl, da Lei N° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos normativos. (Grifei) Portanto, em razão de o lançamento ter se baseado em comandos constantes de disposições normativas que se encontram em pleno vigor, não tem o julgador competência para analisar as referidas argüições de ilegalidade. Observa-se no texto que a autoridade recorrida adota a vinculação como principal argumento em resposta ao pleito da empresa, adotando atos infra legais para justificar a ação fiscal. A ação fiscal tem se desenvolvido principalmente sob duas situações. Quando a fiscalização promove a fiscalização em ação externa, portanto no ambiente fisico do contribuinte e a executa na forma de auditoria contábil, que se inicia com o Termo de Inicio de Fiscalização, no qual informa os elementos, livros e documentos que necessita para o exame contábil das operações comerciais do contribuinte, ou mediante ação interna na repartição, quando funcionários autorizados promovem a conferência dos elementos fiscais e tributários informados pelo contribuinte. O processo se iniciou no segundo ambiente mencionado, tendo se limitado às verificações dos elementos informados na DIPJ, tanto que no doc de fls. 01 está expressamente declarado que o auto de infração refere-se à "ALTERAÇÃO DE VALORES COMPENSÁVEIS DO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA (IRPJ)" e a matéria tributada se limitou ao excesso de retirada de administradores e do lucro inflacionário realizado. Portanto toda ação fiscal desenvolveu-se no ambiente fisico da repartição, tanto que a intimação trazida no corpo do auto de infração apresenta a capitulação legal exigida, apresentando a devida descrição dos fatos e o enquadramento legal (fls. 02), constituindo-se em lançamento plenamente válido na forma do Decreto n° 70.235/72. Sem dúvida a revisão da declaração de rendimentos está autorizada e regulada pela legislação ordinária, tanto que o RIR/99, vigente à época, trouxe, com a devida menção à matriz legal de cada parágrafo, a regulação deste procedimento, como segue: Art.835.As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisa das repartições lançadoras, que exigirão os comprovant s necessários (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 74). 9 Processo n° 13971.000401/00-06 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.045 Fl. 10 §12A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observáncia das disposições dos parágrafos seguintes. §22A revisão será feita com elementos de que dispuser a reparticão esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 74, §1. §320s pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n 2 3.470, de 1958, art. 19). §420 contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (Decreto-Lei n2 5.844, de 1943, art. 74, §32, e Lei n2 5.1 72, de 1966, art. 149, inciso III). Como se observa, dispondo a repartição de elementos suficientes, promoveu a revisão da declaração e, em ato formal e dotado das condições que a lei exige (Dec. 70.235/72), expediu o auto de infração contendo a intimação que representou o primeiro ato formal externo convalidador do lançamento. E tem sido reiterado esse procedimento em milhares de casos, sem qualquer vicio formal e no amparo da lei, já que o artigo 835 do RIR/99 o regulamenta. Assim, entendo como a jurisprudência dominante também, que o TIF, em se tratando de procedimento de revisão de declaração, é desnecessário, somente se justificando a sua emissão em casos de revisão de declaração, quando, a partir da constatação de inconsistências nas informações prestadas pelo contribuinte, torna-se necessário o fornecimento de informações complementares ou verificações objetivas na escrituração comercial ou fiscal, documentos ou livros do contribuinte. Ainda, a jurisprudência colacionada pela embargante, em seu recurso, dizia respeito a situação diversa desta que se trata nos autos, porquanto referia-se a caso em que fora lavrado auto de infração complementar, decorrente de necessidade de alteração do auto de infração lavrado em procedimento externo da fiscalização (auditoria no estabelecimento do contribuinte), não se ajustando à situação agora tratada. Isso acolhendo as razões de decidir recorridas, em complemento. O assunto apresenta ainda outra variação, qual seja o prazo mencionado pela embargante, que expressa no item 11 do recurso voluntário (fls. 290), assim expresso: "I 1 . Ainda, o argumento de que o transcurso de prazo estabelecido no art. 7°, § 2° do Decreto n° 70.235/72 refere-se à possibilidade de restabelecer a espontaneidade perdida com o inicio da fiscalização, apenas vem confirmar a necessidade da existência de um procedimento por escrito, a fim de que reste descaracterizada a espontaneidade do contribuinte, em relação a qualquer ato ou providência no sentido de regularizar fato anteriores, conforme estabelece o parágrafo I° do mesm artigo." atel" 10 Processo n° 13971.000401/00-06 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.045 Fl. 11 O texto legal prevê: Art. 70 O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto n° 3.724. de 2001) § I° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1°, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Penso que o texto é auto explicativo e representa a possibilidade de procedimento espontâneo do contribuinte, desde que no desenvolvimento da ação fiscal ocorra um vácuo de intimações por prazo mínimo de 60 dias, o que autorizaria a empresa a proceder às correções necessárias sem a penalização de oficio, apenas com o ônus moratória. Esse dispositivo vem sendo respeitado mas produz efeitos objetivos apenas durante o desenvolvimento da ação fiscalizatório e nunca depois da constituição (mesmo que não definitiva, como é o caso) do crédito tributário. Porém, constituído o crédito tributário, como o foi nos presentes autos, não mais se aplica este dispositivo, passando a fluir o prazo impugnatório e as etapas seguintes do processo administrativo fiscal. Quanto a este aspecto, nenhuma irregularidade é constatável por parte da Fazenda. Assim, proponho a rejeição dessa preliminar, por ambos os aspectos postulados. Sigo analisando a preliminar que versa sobre a impossibilidade constitucional de se limitar a dedução das despesas. O assunto constante do recurso voluntário sob o titulo "Impossibilidade de Limitar a dedução de despesas" abrange os itens 50 a 55 (fls. 298 a 300) e alcança diversos aspectos da constitucionalidade da ação fiscal e do IRPJ. A autoridade julgadora de 1° grau escuda-se na vinculação e não aborda os argumentos acerca da inconstitucionalidade mencionada, citando inclusive dispositivo regimental deste CARF que limita sua competência para impedir que afaste a aplicação de lei que entender inconstitucional, antes de manifestação expressa do STF acerca de sua inconstitucionalidade. Isso, porém, não impede que os órgãos administrativos apre 'em legalidade da imposição, mesmo que normas constitucionais sejam invocadas. II Processo n° 13971.000401/00-06 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.045 Fl. 12 A única limitação detectada diz respeito à limitação das retiradas de administradores, sendo que tal limitação está contemplada expressamente em texto legal, como foi explicitado na decisão de 1° grau e confirmado na decisão embargada. O questionamento de princípios constitucionais se dirigiu ao possível desvirtuamento da base de cálculo do IRPJ, do principio da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Com relação à limitação da dedutibilidade de despesas, traz como paradigma decisão do TRF acerca da limitação na compensação dos prejuízos em 30%, jurisprudência esta já superada por manifestações reiteradas dos Tribunais Superiores, segundo as quais tal limitação é constitucional e que não fere qualquer dos três princípios apontados pela embargante. Se a semelhança apontada pela embargante tiver fundamento, estabelecendo- se a semelhança entre o caso apresentado e a limitação na dedução de remuneração dos administradores, a jurisprudência final lá definida também deve ser respeitada, em seu sentido amplo no presente caso, pela conclusão de que tal limitação não fere qualquer dos três princípios apontados. Entendo deve ser também rejeitada a preliminar. Passo à apreciação dos itens "5", "8" e "11" dos embargos. O item "5" define as condições e direitos trazidos no bojo dos embargos e possibilitou seu acolhimento. Os itens seguintes dizem respeito à correção monetária de balanço, sob os aspectos trazidos no item "8" dos embargos: 8. Em decorrência do referido erro de fato, deixaram de ser analisados os argumentos da Embargante referentes ao lucro inflacionário (com exceção da consideração do saldo das empresas incorporadas), relativos: (a) à decorrência; (b) ao erro de correção monetária (itens 56 a 62 do Recurso); e (c) à inexistência de acréscimo patrimonial. Pouco explicada a indicação da letra (a) — "à decorrência", mas parece-me dizer respeito ao fato de, em decorrência do erro de fato, não foram examinados os argumentos acerca do lucro inflacionário. Procedo a essa ressalva diante da possibilidade de estar a embargante mencionando o contido no processo n° 13971.000154/2001-55, o que entendo não estar ocorrendo. Os itens 56 a 62 do recurso voluntário referem-se a erro de correção monetária do balanço. O valor constante do Sapli (fls. 277) de Cr$ 19.646.366.616,00 coincide com o valor reconhecido pela empresa em 31.12.1991. Entretanto no ano de 1992 a empresa e o fisco adotaram índices dif4ntes, o que gerou a diferença que origina a divergência. 12 Processo n° 13971.000401/00-06 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.045 Fl. 13 O recurso indica a correção monetária a partir de 31.12.90, partindo de Cr$ 3.383.146.737,99 e chega ao valor, em 31.12.92, de Cr$ 239.907.780.659,15, enquanto a decisão recorrida parte do valor calculado em 31.12.91, de saldo credor da correção monetária — dif. IPC x BTNF, igual ao valor admitido pela empresa em 31.12.91, de Cr$ 19.646.366.616,00, chegando a Cr$ 241.526.404.652,00. Tendo a autoridade fazendária adotado o índice de 3,4635 para o 1° semestre de 1992 e 3,5495 para o segundo semestre, índices esses coincidentes com as tabelas oficiais, é de se concluir que o seu cálculo está correto. Se os valores referenciados a 31.12.91 são coincidentes entre o que o fisco adota (Sapli fls. 277) e o contribuinte admite (recurso voluntário — fls. 300), de Cr$ 19646.366.616,00, basta adotarmos o cálculo utilizando os valores da UFIR de 31.12.91 — Cr$ 597,0600 e 31.12.92 — Cr$ 7.340,03 e teremos esse valor atualizado para Cr$ 241.525.006.452,35, muito próximo dos Cr$ 241.526.404.652,00 obtidos pela fiscalização com os índices de 3,4635 e 3,5495, já que admitem um arredondamento mínimo. Portanto a distorção está nos efeitos de ter a empresa adotado o BTNF de Cr$ 103,5081 em 31.12.90 e a fiscalização a Ufir de 597,06 para 31.1191. Assim, entendo estarem corretos os valores mensurados na decisão recorrida. Resta ainda apreciar os argumentos acerca da "Inexistência de Acréscimo Patrimonial" trazidos nos itens 69 a 79 (fls. 302 a 304). A argumentação entende que a correção monetária de balanço não pode, diante dos dispositivos constitucionais, ser considerada receita da empresa, por refletir meros efeitos inflacionários e não revestir qualquer forma de acréscimo patrimonial, e cita jurisprudência. A argumentação dirige-se contra o saldo credor de correção monetária de balanço — diferença IPC x BTNF, sem mencionar os efeitos contrários, quais sejam as despesas decorrentes do mesmo cálculo quando deficitário o resultado. A alegação é que não pode incidir o IRPJ sobre o lucro inflacionário já que tal tributo não pode incidir sobre acréscimo fictício de patrimônio e que incide sobre os acréscimos patrimoniais na forma do artigo 43 do CTN. O arcabouço legislativo definiu claramente a incidência do IRPJ sobre os saldos credores da correção monetária de balanço, bem como permitiu a dedução ou redução do tributo sobre seus saldos devedores, estabelecendo a necessária isonomia fiscal quanto aos efeitos do cálculo da sistemática criada pela Lei n° 8.200. O que a lei buscou não foi promover o registro de acréscimos patrimoniais decorrentes da correção monetária do balanço, senão a avaliação dos efeitos da variação do poder de compra da moeda nacional em período de acentuada inflação. É que, mesmo que a inflação não tenha efeitos econômicos, apenas financeiros, a variação dos preços pressionada pela inflação, ao ser praticada reflete legítimo efeitos econômicos e patrimoniais, porque o mesmo patrimônio monetária não mais po I • permutado por igual patrimônio econômico (elevação dos preços). Á h —792 Processo n° 13971.000401/00-06 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.045 Fl. 14 Dessa forma, entendo que o enfoque de que somente acréscimos patrimoniais sob o enfoque econômico podem gerar o IRPJ destoa da legislação pátria, bem como, o que a sistemática de correção monetária de balanço provoca não é um acréscimo patrimonial, mas sim a demonstração da variação do poder de compra da moeda nacional (enquanto durou a sistemática, hoje em desuso). Esse é o entendimento dominante na jurisprudência e que adoto, entendendo ser inadequado examinar a questão sob o enfoque da inconstitucionalidade da tributação, tanto que em tão reiterados pronunciamentos os Tribunais Superiores mantiveram a tributação em situações idênticas, não motivando esta instância administrativa a decidir em sentido contrário. Apanho ainda, nos embargos, menção à decadência relativamente ao lucro inflacionário diferido e realizado (item 9 dos embargos), constatei que tal preliminar foi tratada (fls. 371) e não se torna necessário complementar nem aditar razões, tendo-se esgotado. Assim, e por conclusão, expresso meu entendimento de que os argumentos acima expendidos respondem o pleito contido nos embargos de declaração que foram acolhidos e que devem tais termos ser inseridos na parte expositiva do voto embargado, Quanto aos efeitos infringentes que podem tais embargos provocar, limitam- se eles a alterar a extensão da negativa de provimento ao recurso especial, agora também com relação à matéria atinente ao lucro inflacionário realizado — diferença IPC x BTNF. Assim, voto por conhecer dos embargos de declaração para sanar as omissões, aditar razões à parte expositiva do voto embargado, alargar a negativa de provimento ao recurso voluntário com a inclusão dos tópicos aqui tratados e ratificar a conclusão acerca da negativa de provimento ao recur ; . ' Sala das Se , - 1 de março de 2009dfrio. 4.7 sitflecel JOSÉ C/td* LO ASSUELLO 14 Page 1 _0032700.PDF Page 1 _0032800.PDF Page 1 _0032900.PDF Page 1 _0033000.PDF Page 1 _0033100.PDF Page 1 _0033200.PDF Page 1 _0033300.PDF Page 1 _0033400.PDF Page 1 _0033500.PDF Page 1 _0033600.PDF Page 1 _0033700.PDF Page 1 _0033800.PDF Page 1 _0033900.PDF Page 1
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Numero do processo: 10640.902907/2009-70
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e a compensação objeto do PERDCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado
Numero da decisão: 1802-001.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 29 07 /2 00 9- 70 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora – RJ (DRJJFA), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: Trata o presente processo da Declaração de Compensação Eletrônica — Dcomp n° 18993.75971.310106.1.3.046542 (fls. 26 a 28), transmitida em 31/01/2006, de débito de IRRF, código 1708, período de apuração 1º Sem./julho/2004, no valor original de R$26,10, com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ (estimativa), efetuado por meio do DARF abaixo discriminado: Código da Receita Data de Arrecadação Período de Apuração Principal Multa Juros Valor Total de DARF 5993 27.02.2004 31.01.2004 800,00 800,00 O valor do crédito original utilizado nesta Dcomp é de R$25,85. A DRF/JFA/MG, em 09/04/2009, emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em virtude de o pagamento efetuado por meio do DARF indicado na Dcomp estar totalmente alocado ao débito de IRPJ, código 5993, período de apuração 31/01/2004, não restando crédito disponível para compensação ora declarada (fl. 29). A empresa contribuinte foi cientificada, em 30/04/2009, da não homologação da declaração de compensação (fl. 33), e apresentou, em 27/05/2009, a manifestação de fls. 1 e 2, na qual alega que juntou cópia do correto lançamento, demonstrando o valor real devido para o mês de janeiro de 2004, que cotejado com o pagamento, efetuado em 27/02/2004, comprova cabalmente o pagamento indevido ou a maior. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902907/200970 Acórdão n.º 1802001.745 S1TE02 Fl. 81 3 Em sua decisão, a DRJJFA houve por bem não reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte através do Acórdão n° 9 36.537, Sessão de 25 de agosto de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 27/02/2004 ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago na dedução do IRPJ ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. Comprovada a improcedência do direito creditório, deixase de homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou, em 23/12/2011, Recurso Voluntário (fls. 44/74) no qual aduziu, em síntese, que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 25.11.2011, conforme aviso de recebimento às fls. 43 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 23.12.2011, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 4 Mérito Durante a construção da sua tese de defesa o Recorrente alega que restou comprovado nos documentos apresentados perante a Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora a existência do crédito tributário, decorrente do pagamento a maior de estimativa mensal de IRPJ, referente ao período de janeiro de 2004, sendo assim, não haveria motivo para não homologação da Per/Dcomp nº 18993.75971.310106.1.3.046542. A DRJ manteve a não homologação da compensação efetuada, sob o argumento de que o pagamento efetuado a título de estimativa de IRPJ não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Em seu recurso voluntário, a Recorrente alega que a existência do recolhimento a maior da estimativa mensal de IRPJ, seria suficiente para embasar o pedido de compensação. Assim, a decisão da DRJ concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do ano calendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário. À época em que a compensação foi processada encontravase em vigor a Instrução Normativa nº 460/2004, que em seu artigo 10 previa a impossibilidade de compensação em caso de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal e, quando do julgamento se encontrava em vigor a Instrução Normativa nº 600/2005, que em seu artigo 10, reproduzia de forma integral o preceito da Instrução Normativa nº 460/2004, também vedando a possibilidade de compensação do pagamento a maior efetuado a título de estimativa. Sobre os mencionados atos normativos deve ser admitida, nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Portanto, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902907/200970 Acórdão n.º 1802001.745 S1TE02 Fl. 82 5 § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Fl. 83DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 6 Sobre essa matéria, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula no. 84, em 10.12.2012, com o seguinte teor: Súmula 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como visto, os fundamentos para o indeferimento do PERDCOMP, por si só, tanto pela DRF, quanto pela DRJ, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário NacionalCTN). Nesse sentido, ante a documentação acostada dos autos, não fora possível aferir qual valor das estimativas levado para compor o ajuste final. Desta forma, tornase inviável, nessa fase processual, a análise quanto ao crédito alegado e conseqüente compensação pleiteada. Porém, a motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da Receita Federal, quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9430/96. Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PERDCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Juiz de Fora) para análise do PERDCOMP no. 18993.75971.310106.1.3.046542 e, proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação se for o caso. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10640.902907/200970 Acórdão n.º 1802001.745 S1TE02 Fl. 83 7 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 16 /09/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 36048.001841/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004, 01/07/2005 a 31/07/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005, 01/02/2006 a 31/07/2006
RESTITUIÇÃO
Restituição é procedimento administrativo mediante o qual o sujeito passivo é ressarcido pelo Fisco no caso de recolhimento de valores indevidos ou recolhidos a maior.
O direito creditório deve ficar cabalmente demonstrado nos autos para o total deferimento da restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi, Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente) Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-Presidente), Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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O direito creditório deve ficar cabalmente demonstrado nos autos para o total deferimento da restituição pleiteada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi, Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente) Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leonardo Henrique Pires Lopes (VicePresidente), Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 04 8. 00 18 41 /2 00 7- 10 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente processo de Requerimento de Restituição de Valores Indevidos, protocolado em 02/05/2007, referente ao período de 12/2004, 07/2005, 12/2005, 02/2006 a 07/2006, motivado pelo recolhimento de contribuições previdenciárias relativas a três vínculos empregatícios. Segundo a requerente os recolhimentos havidos foram superiores ao limite máximo de contribuição. O processo está instruído com declaração e recibos de pagamento de salário da Sociedade de Ensino Superior do Ceará, declaração e recibos de pagamento de salário da Fundação Escola de Gestão Pública, recibos de férias, RG, CPF, carteira de trabalho, comprovante de residência e rescisão do contrato de trabalho. O pedido foi indeferido, conforme documento de fls.30/31, porque a segurada não discriminou quais os valores foram recolhidos indevidamente. A requerente apresentou novo Requerimento de Restituição de Valores Indevidos, fls.32, com as diferenças das contribuições que diz indevidas, em 30/11/2007. Informação fiscal às fls.44, indefere o pedido porque não foi comprovado nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, recolhimentos acima do teto máximo de contribuição, no período solicitado, o que foi confirmado pelo DespachoDecisório de fls. 45. A requerente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 46/47, argüindo que efetuou recolhimento acima do limite máximo de contribuição e anexa documentos para comprovar o alegado. Acórdão de fls. 134/137, reconheceu parcialmente o direito creditório da requerente. Ainda inconformada, a requerente apresentou recurso voluntário onde requer a revisão do valor restituído parcialmente, porque foi anexado ao processo folhas de pagamento da empresa Fundação Escolar de Gestão Pública, fls. 103 a 109, para comprovar que neste período foram descontadas as contribuições, concomitantemente com a empresa Sociedade Ensino Superior do Ceará. É o relatório. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 36048.001841/200710 Acórdão n.º 2302002.628 S2C3T2 Fl. 152 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. A recorrente busca a restituição de valores descontados acima do limite máximo da contribuição do segurado, em virtude de múltiplos vínculos empregatícios nas competências de 12/2004, 07/2005, 12/2005, 02/2006 a 07/2006. A decisão de primeira instância recorrida, que reconheceu parcialmente o direito creditório da recorrente bem analisou o pleito e informou que após consultas aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, foi constatada a existência de declarações que ratificam em parte, os valores apontados à título de valores descontados dos segurados nos documentos acostados aos autos pela contribuinte em relação às contribuições devidas pela SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR DO CEARA – SESCE e pela FUGESP FUNDAÇÃO ESCOLA DE GESTÃO PUBLICA. Portanto, os documentos aos quais a recorrente se reporta nas razões recursais já foram sobejamente analisados pelo julgador de primeira instância, e inclusive serviram de suporte para exarar a decisão que reconheceu em parte o direito creditório da recorrente. Não há novos documentos, tampouco novas razões a serem debatidas nestes autos, motivo pelo qual a decisão recorrida deve ser mantida na sua integralidade. O Referido Acórdão expõe claramente que em relação que, em relação a Sociedade de Ensino Superior do Ceará, os valores informados estão de acordo com o pleiteado pela requerente. Entretanto, com relação à Fundação Escola de Gestão Pública a comprovação dos valores descontados é parcial, uma vez que não há GFIP para a competência de julho de 2005 e se vê compatibilidade parcial em relação a dezembro de 2005, já que enquanto o requerimento da contribuinte aponta um crédito de R$ 95,01, o valor declarado em GFIP é de R$ 49,57, que inclusive coincide com a informação constante em folha de pagamento acostada à fl. 106, devendo, portanto prevalecer tal valor, no confronto probatório. Destarte, entendo que a decisão recorrida muito bem sustentou o deferimento parcial do pleito da recorrente, frente a análise de todos os documentos acostados aos autos como GFIP’s, Folhas de Pagamento, Recibos de Pagamento e declarações das empresas envolvidas, não havendo qualquer fato novo a modificar o Acórdão exarado. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 154DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 12267.000001/2007-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente para os fatos geradores ocorridos até 11/2008, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em ratificar o dispositivo, a fim de deixar claro que o resultado foi: I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Pires Lopes Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente para os fatos geradores ocorridos até 11/2008, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, c do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em ratificar o dispositivo, a fim de deixar claro que o resultado foi: I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes Redator Designado Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente).
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ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente para os fatos geradores ocorridos até 11/2008, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) em ratificar o dispositivo, a fim de deixar claro que o resultado foi: I) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 00 01 /2 00 7- 97 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Leonardo Henrique Pires Lopes. Impedido: Adriano Gonzáles Silvério. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Pires Lopes – Redator Designado Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente). Fl. 367DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12267.000001/200797 Acórdão n.º 2301003.066 S2C3T1 Fl. 348 3 Relatório Tratase de Embargos interpostos pelo próprio Relator , tendo em vista a existência de contradição entre seu voto e o Acórdão consignado em Ata. Assim nos manifestamos nos Embargos: Ao providenciar a assinatura do Acórdão, verificamos que há omissão/contradição entre o voto do relator e o Acórdão registrado na ata de julgamento. Nosso voto apontava o afastamento da multa de mora ao passo que ficou consignado na Ata que a tese vencedora foi aquela que defendia a manutenção das multa com sua limitação. Não tendo havido redator designado, resta flagrante a omissão/contradição. Os Embargos foram acolhidos pelo Presidente da Turma e agora é submetido à análise do Colegiado. É o relatório. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva, Relator As razões para o acolhimento dos Embargos são facilmente colhidas da simples comparação entre o voto do Relator e o texto do que ficou consignado como acordado pelo Colegiado. Há uma óbvia omissão/contradição, pois o voto condutor excluiu a multa de mora, ao passo que o Acórdão apontou a limitação da referida multa. Cabenos, portando, sanar a omissão/contradição, em conformidade com o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), fazendo constar que foi designado Redator do Voto Vencedor que aponta a limitação da multa de mora. Por todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER E DAR PROVIMENTO AOS EMBARGOS de modo a sanar a contradição e fazer constar a designação de Redator do Voto Vencedor. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 369DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12267.000001/200797 Acórdão n.º 2301003.066 S2C3T1 Fl. 349 5 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes: Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 370DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 371DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 12267.000001/200797 Acórdão n.º 2301003.066 S2C3T1 Fl. 350 7 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores Fl. 372DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 6/06/2013 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por MARCELO OLIVEIR A, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10280.723010/2009-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29.
Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29. Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada.
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CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 29. Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/BEL/PA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 30 10 /2 00 9- 18 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.723010/200918 Acórdão n.º 2801003.220 S2TE01 Fl. 441 2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “O presente processo, trata de autuação contra o contribuinte acima qualificado, conforme auto de infração de fls. 374/381, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, anocalendário de 2004, no valor de R$ 217.684,07 (duzentos e dezessete mil, seiscentos e oitenta e quatro reais e sete centavos), valor já acrescido dos juros de mora e multa de ofício, calculados de acordo com a legislação de regência. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, tendo sido constatado omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovados, conforme fls. 375 e 377, descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração ora guerreado. No dia 12/01/2010, foi juntada a impugnação de fls. 390/400, cujo teor, em suma foi o seguinte: 1) A movimentação bancária não corresponde a rendas aferidas e não declaradas pelo Contribuinte, tendo em vista que tais valores correspondem a movimentação de caixa de firma na qual a esposa do Autuado compunha o quadro societário; 2) O método utilizado não levou em consideração inteiramente as informações disponibilizadas nos documentos fiscais e contábeis do contribuinte, englobando todo e qualquer depósito como origem da base de cálculo do imposto em questão; 3) Fl. 391. O levantamento fiscal foi efetuado com base no fluxo mensal de depósitos e retiradas, e não na destinação dos valores, o que inevitavelmente culminaria na correlação dos créditos da empresa, já que a conta pertencia somente ao contribuinte. (Grifei); 4) É absolutamente impossível constatar a efetiva correção dos lançamentos efetuados, pois vários valores de caixa foram englobados como uma única despesa, impossibilitando sua discriminação precisa nos fechamentos contábeis apurados pelo regime de competência; 5) O levantamento incluiu várias despesas mais de uma vez na mesma base de cálculo, gerando sua indevida majoração, aliandose o fato do valor devido ter sido apresentado somente em sua integralidade o que impossibilita de pronto a defesa do impugnante já que acaba impedindo o mesmo de combater nesta defesa individualizadamente cada valor considerado como não declarado; 6) A esposa do impugnante, Sra. Deborah Helena Oliveira Hollanda dos Santos era uma das sócias da empresa PROTECT. Mencionada empresa acabara de se ver impossibilitada de utilizar conta na qual seus créditos transitavam comumente. Visando cumprir com as obrigações pertinentes a atividade da Fl. 441DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.723010/200918 Acórdão n.º 2801003.220 S2TE01 Fl. 442 3 empresa, a cônjuge passou a utilizar suas contas pessoais para proceder o fluxo de caixa de sua empresa. Assim, acabou por se configurar o equívoco, pois tais contas seriam também de propriedade do impugnante; 7) Fls. 392/396. DA IMPERIOSIDADE DE OBTENÇÃO DE NOVOS ELEMENTOS –DECLARAÇÃO DO BANCO “HSBC BANK BRASIL S. A.”. Não foi possível verificar a exatidão dos números apurados durante a fiscalização, o que restou por dificultar o direito de ampla defesa (CF/88, art. 5º, LV), devendo ser revisto o procedimento fiscal. Encontrou no demonstrativo de fls. 122 o dobro do valor aferido na conta junto ao UNIBANCO. O auto de infração é ineficaz sobre todas as óticas; 8) Argui às fls. 395 que processo administrativo sem oportunidade de defesa ou com defesa cerceada é nulo. Requer que a Fazenda Pública diligencie junto ao banco HSBC, no intuito de intimar o mesmo a prestar as informações necessárias, qual seja, declaração informando a origem dos depósitos efetuados junto à conta nº 053231162 33, no período correspondente a apuração fiscal, propiciando que o direito de ampla defesa concedido ao contribuinte seja exercido em sua integralidade, sob pena de nulidade da notificação; 9) Fl. 397. DEMONSTRATIVO MENSAL DE EVOLUÇÃO PATRIMONIAL. Depois de realizado o levantamento correspondente aos créditos em conta corrente do contribuinte, a fiscalização de posse das Declarações de Imposto de Renda dos respectivos anoscalendário e outros documentos comprovantes de rendimentos, compôs o demonstrativo mensal de evolução patrimonial, no qual é apurado a variação patrimonial a descoberto mensais dos anoscalendário a partir do confronto entre as Origens de Recursos conhecidas decrescidas das Aplicações dos mesmos com o acréscimo dos créditos em conta corrente não levantados pela fiscalização; 10) Fls. 398/399. Requer Perícia Contábil.” A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 407/420, que restou assim ementado: INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.723010/200918 Acórdão n.º 2801003.220 S2TE01 Fl. 443 4 Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Comprovada a legitimidade do lançamento efetuado de ofício e cumpridas as formalidades legais dispostas em lei para sua efetivação, afastamse, por improcedentes, as preliminares argüidas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Regularmente cientificado daquele acórdão em 21/07/2011 (fl. 424), o interessado, representado por seus advogados (fl. 401), interpôs recurso voluntário de fl. 425/435, em 18/08/2011. Em sua defesa, alega cerceamento do direito de defesa sob a justificativa de que caberia ao Fisco a realização de diligências junto ao Banco HSBC do Brasil S/A para solicitar documentação referente à origem dos depósitos na conta corrente mantida naquela instituição financeira. No mais, repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de exigência do IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizada pela existência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo sujeito passivo, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Antes, porém, de analisar o mérito da matéria versada nestes autos, é preciso analisar uma questão preliminar. Tratase do fato de que a documentação constante dos autos demonstra que uma das contas que deram ensejo ao lançamento contacorrente n° 0532 3116133 mantida no Banco HSBC não era de titularidade somente do recorrente, haja vista os extratos anexados às fls. 25/45, que demonstram a existência de outro titular – Deborah Helena O Hollanda Santos. Entretanto, não consta de nenhum dos Termos de Intimação acostados aos autos a intimação do outro titular para que comprovasse a origem dos depósitos efetuados naquela conta, sendo certo que o recorrente foi o único intimado a fazêlo, conforme prevê a Súmula CARF nº 29: Fl. 443DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.723010/200918 Acórdão n.º 2801003.220 S2TE01 Fl. 444 5 Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Assim, em relação à conta conjunta mantida no Banco HSBC, o procedimento fiscal não está em consonância com as condições impostas pela legislação de regência. Portanto, devese excluir da exigência os correspondentes créditos bancários que correspondem aos montantes de R$ 225.014,00 e R$ 240.648,27, referentes aos anos calendários de 2004 e 2005, respectivamente, conforme demonstrativo de fl. 122. Observese que no “RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO – AÇÃO FISCAL, à fl. 383, consta assim consignado: “Considerando as alegações do contribuinte, e tendo em vista que não foram comprovados os ingressos do Banco HSBC e tendo comprovado parcialmente, os créditos do UNIBANCO, constatouse omissão de receita, decorrente de depósitos bancários comprovados parcialmente, ensejando dessa forma infringência à Legislação do Imposto de Renda c conseqüentemente a constituição do Crédito Tributário pelo Lançamento.” Resta claro, assim, que foram considerados não justificados depósitos bancários junto ao Banco HSBC, nos montantes de R$ 225.014,00 e R$ 240.648,27, referentes aos anoscalendários de 2004 e 2005, respectivamente. Ocorre que somente foram levados a efeito no presente lançamento depósitos bancários de origem não justificada nos totais de R$ 122.343,76 e R$ 234.624,04, referentes aos anoscalendários de 2004 e 2005, respectivamente (fls. 378/379), tendo em vista que foram considerados os recursos disponíveis para justificar parcela dos depósitos bancários não justificados, mediante o Fluxo Financeiro Mensal, às fls. 114/121. Neste sentido, considerando que a parcela a ser excluída é superior ao valor lançado, inexiste credito tributário remanescente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 444DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10280.723010/200918 Acórdão n.º 2801003.220 S2TE01 Fl. 445 6 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13855.721260/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. OPERAÇÕES DE COMPRA NÃO COMPROVADAS. NOTAS FISCAIS DE SAÍDA. VENDAS NÃO EFETIVADAS. OPERAÇÕES SIMULADAS. VENDA DE NOTA FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. SUJEIÇÃO.
Aplica-se a multa no valor comercial da mercadoria aos que emitirem, fora dos casos permitidos no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, nota fiscal que não corresponda à efetiva saída do produto nela descrito do estabelecimento emitente, assim como aos que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do Imposto e ainda que a nota se refira a produto isento.
Ocorre a infração sujeita à multa quando comprovada a emissão de notas fiscais que não corresponderam à venda de mercadorias e o registro de notas fiscais de entrada que não retrataram a operação de compra dos insumos utilizados na industrialização dos produtos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 23/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 NOTAS FISCAIS DE ENTRADA. OPERAÇÕES DE COMPRA NÃO COMPROVADAS. NOTAS FISCAIS DE SAÍDA. VENDAS NÃO EFETIVADAS. OPERAÇÕES SIMULADAS. VENDA DE NOTA FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. SUJEIÇÃO. Aplica-se a multa no valor comercial da mercadoria aos que emitirem, fora dos casos permitidos no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, nota fiscal que não corresponda à efetiva saída do produto nela descrito do estabelecimento emitente, assim como aos que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do Imposto e ainda que a nota se refira a produto isento. Ocorre a infração sujeita à multa quando comprovada a emissão de notas fiscais que não corresponderam à venda de mercadorias e o registro de notas fiscais de entrada que não retrataram a operação de compra dos insumos utilizados na industrialização dos produtos. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 23/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru.
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OPERAÇÕES DE COMPRA NÃO COMPROVADAS. NOTAS FISCAIS DE SAÍDA. VENDAS NÃO EFETIVADAS. OPERAÇÕES SIMULADAS. VENDA DE NOTA FISCAL. MULTA REGULAMENTAR. SUJEIÇÃO. Aplicase a multa no valor comercial da mercadoria aos que emitirem, fora dos casos permitidos no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, nota fiscal que não corresponda à efetiva saída do produto nela descrito do estabelecimento emitente, assim como aos que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do Imposto e ainda que a nota se refira a produto isento. Ocorre a infração sujeita à multa quando comprovada a emissão de notas fiscais que não corresponderam à venda de mercadorias e o registro de notas fiscais de entrada que não retrataram a operação de compra dos insumos utilizados na industrialização dos produtos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 12 60 /2 01 1- 74 Fl. 6693DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 23/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de exigência de multa isolada por utilização e emissão de notas fiscais inidôneas, formalizada no Auto de Infração de fls. 6537/6574, cientificado em 06/07/2011 (fl. 6539) totalizando o crédito tributário de R$ 26.836.660,17. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Segundo o exposto no Termo de Verificação Fiscal (fls. 6575/6607), na execução de procedimento de fiscalização, foi identificada a utilização e a emissão de notas fiscais inidôneas, cuja multa correspondente foi lançada por meio do auto de infração originário do presente processo. O estabelecimento da contribuinte adquiriu insumos e comercializou produtos por ela industrializados, nos anos de 2006 a 2008, utilizandose, respectivamente, de notas fiscais de entrada e de saída consideradas inidôneas pela fiscalização que, em resultado, lançou a multa correspondente. A fundamentação legal para o lançamento consta dos autos às fls. 6557 e 6572. Inconformada com a autuação, a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, protocolizou, em 03/08/2011, a impugnação de fls. 6626/6637 e documentos anexos aduzindo em sua defesa as razões que se seguem. 1. Alega que todas as notas fiscais de entrada e saída correspondem a efetivas transações de compra e venda de couros, tendo o ingresso das mercadorias no estabelecimento e os correspondentes registros fiscais sido confirmados pelo próprio agente do Fisco, bem como as vendas de produtos também estariam comprovadamente destacadas nas notas, depósitos e pagamentos, dentre outros. 2. Ressalta a regularidade formal das notas fiscais atacadas por conterem todos os requisitos previstos no Regulamento do ICMS e na legislação tributária federal. 3. Argumenta que não pode ser responsabilizado por irregularidade de outros, quando realiza, de sua parte, todas as exigências da operação mercantil, atuando com lisura e transparência. Salienta que nada havia de irregular contra as empresas em referência no cadastro do Fisco ou que pudesse ser de conhecimento público no momento das operações. Afirma que as empresas supostamente inidôneas operaram como se regulares fossem por ineficiência da fiscalização e que a impugnante não pode ser penalizada por essa incapacidade fiscalizadora do Estado. A responsabilidade do contribuinte na verificação da idoneidade da parte com quem negocia não pode ir além da verificação formal e só poderia ser estendida no caso de Fl. 6694DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13855.721260/201174 Acórdão n.º 3102001.938 S3C1T2 Fl. 3 3 conivência ou participação voluntária na fraude, o que dependeria de comprovação. Insiste na aparência de regularidade formal dos documentos e das empresas, reforçando que o próprio Fisco permitiu a sua inscrição. Traz jurisprudência. Finaliza pedindo a acolhida da impugnação para a anulação ou improcedência da autuação. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. REFUTAÇÃO POR TERCEIRO INTERESSADO. ÔNUS DA PROVA. A ineficácia jurídicotributária da documentação comprovadamente inidônea somente é elidida pelo terceiro interessado com a comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições. MULTA REGULAMENTAR. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. EMISSÃO OU UTILIZAÇÃO. Infligese a multa correspondente ao valor atribuído à mercadoria ou produto na nota fiscal inidônea, recebida e utilizada pela adquirente para reduzir saldos devedores do imposto ou emitida pelo estabelecimento industrial. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assevera que todas as notas fiscais de entrada e saída referemse a efetivas transações de compra e venda de couros, e o ingresso das mercadorias e correspondentes registros ficais confirmados pela Fiscalização Federal, tanto quanto o foi o efetivo pagamento “mediante depósitos e transferências bancárias”. Explica, [...] as datas de entradas estão em perfeita harmonia com as datas de emissão das notas fiscais, o que constitui prova cabal do recebimento dos produtos, no tempo e condições registrados nos livros da empresa. [...] Que as notas fiscais são, do ponto de vista formal, regulares. Argumenta que não pode ser atribuída responsabilidade tributária ao contribuinte regular, “que comprovadamente realiza, de sua parte, todas as exigências da operação, agindo com inteira lisura e transparência do que lhe compete no negócio”. Que não tem obrigação de diligenciar, fazer buscas e levantamentos para ver se os documentos, aparentemente regulares, foram emitidos por estabelecimentos fisicamente existentes e regulares. Ainda mais, que na data de realização das operações, nada havia de irregular com as empresas no cadastro do Fisco. Que a Fazenda Pública admitiu a inscrição dos contraventores e foi incapaz de impedir a continuidade da impressão dos documentos fiscais. Fl. 6695DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 Advoga, A idoneidade do contribuinte na realização de negócios, a ser verificada pelo outro contribuinte partícipe da operação, restringese à forma. Inexiste obrigação legal de verificação da existência material do vendedor das mercadorias. Nem seria possível que a lei contivesse tal exigência, uma vez que significaria o emperramento completo das atividades comerciais, cada vez mais marcadas pela celeridade. Basta imaginar se a cada negócio que fosse realizar, tivesse o contribuinte que empreender verdadeira investigação prévia acerca da outra parte, examinando in loco a existência de estabelecimento, dos sócios e seus endereços, pesquisando junto aos postos fiscais antes de cada operação. Nem o comércio jurídico, nem o fisco, resistiriam a tal imaginária possibilidade. Por fim, que “a única possibilidade de caracterizar um ilícito da representada seria demonstrando a conivência ou participação voluntária desta na fraude fiscal”. Cita e transcreve jurisprudência favorável. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Em linhas gerais, a defesa está baseada na ausência de responsabilidade da pessoa jurídica que atua na condição de adquirente de boafé. Advoga que, tendo recebido as notas fiscais e as mercadorias correspondentes em perfeitas condições, do ponto de vista formal, não poderia o Fisco, até por ser inviável, lhe atribuir a obrigação de diligenciar, fazer buscas e levantamentos para ver se os documentos, aparentemente regulares, foram emitidos por estabelecimentos fisicamente existentes e regulares. Olhado por este ângulo, parece, mesmo, que à Recorrente assistem fortes razões de insurgência. Com efeito, ainda que seja assunto, até certo ponto, controvertido (pelo menos na esfera administrativa), haverá de se reconhecer que, ao adquirente de boafé, é legítimo manifestar a mais veemente repulsa à responsabilização por aquilo a que não deu causa. Contudo, acho que não seja esse o caso. Às generalidades teóricas apresentadas em sede de Recurso Voluntário pela Recorrente, fazem frente constatações materiais demonstradas pelo Fisco de irrecusável valor probatório, indicando que a empresa não estava situada na posição em que se declara. Em lugar disso, ocupavase de orquestrar, ela própria, a simulação de operações de compra e venda de mercadorias. Com efeito, é de chamar a atenção os valores e características das operações desvendadas pela Fiscalização. Enquanto o contribuinte declarou para o Fisco Estadual, para os anos de 2006, 2007 e 2008, operações de venda da monta de quase 44 milhões de reais, informou ao Fisco Federal um pouco mais do que 110 mil reais para o mesmo período, sem Fl. 6696DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13855.721260/201174 Acórdão n.º 3102001.938 S3C1T2 Fl. 4 5 qualquer justificativa para tanto, mesmo depois de intimada. O fluxo financeiro não informado e confirmado nos extratos bancários examinados pelo Fisco envolve diversos segmentos de uma mesma operação fraudulenta identificada. Dentre eles, aquisições de couro de pessoas físicas não declaradas e, como adiante se demonstrará, acobertadas pelas notas fiscais de entrada fraudulentamente emitidas. O item 4 do Termo de Verificação Fiscal faz menção a essas aquisições. Conforme exposto acima, diversos contribuintes pessoas físicas e jurídicas receberam valores da fiscalizada, diretamente da sua conta corrente ou por intermédio dos seus sócios. Ressaltamos que estas pessoas não estão na lista de fornecedores constantes dos Livros Registro de Entrada de 2006 à 2008 do contribuinte. Estes valores indicam, principalmente, transações de gados/couros com pessoas físicas e pagamento a intermediários pela compra de couros. A seguir, o Termo relaciona cerca de onze pessoas físicas intimadas pela Fiscalização Federal a esclarecer o recebimento de valores da Cap Way (sempre lembrando, sem qualquer registro nos assentamentos contábeis da empresa). A respostas deram conta da venda ou intermediação da venda de gado ou couro. Como diversas das pessoas físicas intimadas fizeram menção a um Frigorífico com o nome de Franca Boi, esse foi também intimado pelo Fisco, que respondeu tratarse de pagamentos de empréstimos, mas não apresentou qualquer prova disso, tanto quanto não apresentou os registros contábeis dos mais de R$ 650.000,00 recebidos da Cap Way. A Fiscalização rastreou e descreveu uma das operações no Termo. O Frigorífico vendia couros sem a emissão de notas fiscais à fiscalizada que serviase de notas fiscais inidôneas para acobertar a entrada em seu estabelecimento. Verificamos o trânsito financeiro de uma destas vendas. A Cap Way emitiu a nota fiscal nº 2700, no valor de R$ 118.182,96 para a Free Way em 12/03/2008. A Free Way pagou o valor de R$ 118.183,00 em 16/05/2008. A Cap Way repassou estes valor para o Frigorífico Franca Boi através dos cheques nº 6994 e 6995 nos valores de R$ 60.000,00 e R$ 58.182,93 em 19/05/2008. A empresa Free Way, citada acima, é, também, parte importante do esquema. A Fiscalização constatou que a Autuada vendia notas fiscais à Free Way por 7% do seu valor de face, como consta detalhado às folhas 6.594 do Processo. Também houve simulação de compras, com o retorno do valor artificialmente pago à fonte pagadora, como descrito às folhas 6.597, nos seguintes termos. As Notas Fiscais nº 2575 e 2576 nos valores de R$ 119.347,41 e R$ 106.438,50 de 21/09/2007 e 25/09/2007 respectivamente, foram “pagas” pela Free Way à Cap Way por meio de transferência bancária no valor de R$ 225.786,00 no dia 14/09/2007. No mesmo dia, a Cap Way efetuou uma transferência bancária no valor de R$ 224.900,00 para a conta corrente nº 17.5009, agência 0414, da Nossa Caixa de titularidade do sócio administrador da Free Way, Jânio Machado Rodrigues Silva. No que diz respeito à emissão das notas fiscais para acobertamento das compras realizadas de pessoas físicas, oportuno reproduzir o relato dos fatos descrito no Voto condutor da decisão recorrida. Fl. 6697DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 Notas fiscais de entrada: 1. Amostra das notas fiscais de entrada apontou que foram todas datilografadas em somente duas máquinas, apesar das 13 supostas empresas emitentes distintas localizaremse em cidades diferentes, conforme laudo técnico da Polícia Federal (fl. 444). 2. O responsável pela Aracouro informou que a empresa não comercializou produtos com a Cap Way no período (fl. 1220) e apresentou notas fiscais com a mesma numeração e conteúdo totalmente distinto (fls. 1224/1231 e 6586). Em paralelo, a inscrição da Aracouro na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (SEFAZSP) foi declarada nula em virtude da simulação da existência do estabelecimento ou da empresa, por meio de declaração do seu Delgado Regional Tributário de Araraquara, publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOESP) em 10/03/2010 (fl. 626). 3. A empresa Beto Com. e Exp. de Couros Ltda (também referenciada nos autos como Leoberto Garçoa) consta como inativa no sistema CNPJ de 2004 a 2008. No cadastro da SEFAZSP, a empresa consta como não habilitada desde 30/04/2007 e a Delegacia Regional Tributária de Bauru desse mesmo órgão verificou que o estabelecimento está fechado desde 2007. O responsável pela empresa confirma essas informações e não reconheceu a emissão das notas fiscais para a Cap Way, sendo que do talonário constam em branco os impressos fiscais de nº 353 até 1.000, intervalo que contém a numeração das notas fiscais supostamente emitidas. 4. O responsável pela Francouro de Araraquara Com. Ltda informou que não efetuou vendas para a Cap Way e apresentou cópia de publicação em jornal noticiando o extravio das notas fiscais nº 1.511 a nº 1.650. A Delegacia Regional Tributária de Araraquara da SEFAZSP declarou nula a inscrição da Francouro por simulação de existência do estabelecimento ou da empresa, conforme publicado no DOESP em 28/10/2009. 5. Em 31/01/2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto fez publicar no Diário Oficial da União o Ato Declaratório Executivo n° 24, de 29/01/2008, que declarou INAPTA a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) a empresa Geil Comércio de Couros Ltda e considerou inidôneos os documentos emitidos por este contribuinte, a partir de 06/09/2003. A Delegacia Regional Tributária de São José do Rio Preto da Secretária da Fazenda do Estado de São Paulo que declarou inidôneos os documentos fiscais supostamente emitidos por Geil Comércio de Couros, a partir de 27/06/2005, em virtude da inexistência do estabelecimento. 6. Em 26/01/2010, foi efetuada diligência à rua Barão do Rio Branco, 4615, em Votuporanga/SP, domicilio da JC Comércio de Couros, mas o local encontrava se fechado. O responsável pela empresa declarou têla fechado em maio de 2007 ou 2008 e que acredita que foram falsificadas notas fiscais de sua empresa (pelo quantitativo de notas que estão aparecendo), que vendeu couro para Cap Way, mas não no valor de R$ 3,5 milhões, pois a empresa não tinha recurso financeiro e movimento para tanto. Não foram apresentadas as notas fiscais de venda para Cap Way e os respectivos lançamentos em 2006 e 2007. A Delegacia Regional Tributária de São José do Rio Preto da Secretária da Fazenda do Estado de São Paulo que declarou nula a inscrição da empresa JC, desde a sua concessão, em virtude da inexistência do estabelecimento. 7. No dia 02/02/2010, foi efetuada diligência à Rua dos Rizzo, 218, na cidade de Boa Esperança do Sul/SP, domicilio tributário da Máximo's Couros, e constatou se que a empresa fechou aproximadamente em setembro de 2009, conforme declaração de trabalhador de empresa vizinha. A Sra. Ângela Elizabeth Thomaz Servidoni, CPF 031.835.81860, contadora da Máximo's, informou que a empresa Fl. 6698DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13855.721260/201174 Acórdão n.º 3102001.938 S3C1T2 Fl. 5 7 encerrou a sua movimentação em 10/2008 e que as notas fiscais ficaram com os sócios. O sócio Waldir Antonio Barreira informou que não conhece a Cap Way e encaminhou cópias das notas fiscais solicitadas, que eram distintas das retidas em poder da Cap Way, apresentavam caracteres diferentes e foram emitidas para outros clientes e com valores e produtos distintos. 8. A empresa Miracouros não entregou Declarações de Imposto de Renda desde a sua abertura, 19/06/2008. A Delegacia Regional Tributária de Bauru da Secretária da Fazenda do Estado de São Paulo publicou no Diário Oficial do Estado de São Paulo a decisão do processo 1000627252104/2009, que declarou a nulidade da Inscrição Estadual da Miracouros, em razão da simulação de quadro societário mediante a admissão de pessoas interpostas, bem como de simulação de existência da empresa. 9. A empresa Peniel Couros Ltda, CNJ 02.707.389/000135, não está ativa no seu endereço à rua dos Rizzo, 260. A sócia Maria Selma Brito Alcântara (mesma sócia da SANGAL, outra fornecedora da Cap Way) não foi localizada e seu endereço é inexistente. A contadora Elizabeth Thomaz Servidoni, CPF 051.835.818 60, informou que prestou serviços para a empresa até junho de 2008, devolvendo parte da documentação para a sócia Delma Brito Alcantara, CPF n° 070.498.98406 e parte ao Fisco Estadual. A Delegacia Regional Tributária de Araraquara da Secretária da Fazenda do Estado de São Paulo publicou do Diário Oficial do Estado de São Paulo, do dia 19/09/2008, o Despacho do Delegado, de 18/09/2009, que declarou nula a inscrição da PENIEL em virtude de simulação da existência do estabelecimento. 10. Em 13/11/2009, intimamos a empresa Plis couros Ltda ME, CNPJ 03.471.631/000187, informou que não efetuou nenhuma venda a referida empresa e que as notas fiscais emitidas no período de 01/2006 à 12/2008 tem numerações diferentes das solicitadas pela fiscalização, de numeração n° 4.630 a 12.583. Os impressos das notas fiscais retidas em poder da Cap Way e as encaminhadas pela Plis Couros são totalmente diferentes. A Delegacia Regional Tributária de Araçatuba da Secretária da Fazenda do Estado de São Paulo considerou inidôneos os documentos fiscais de saída de mercadorias modelo 1 impressos com os dados cadastrais de PLIS COUROS LTDA, com numeração de 000001 a 001000, com data de emissão 2007 ou 2008. 11. Não existe o endereço à rua Maria Carlota, n° 04, cidade de São Paulo, domicilio da empresa REAL COUROS COMERCIAL LTDA (fotos nos autos), tampouco os endereços dos sócios Osmar José Moreira, CPF 973.326.23820, e Djalma de Almeida Mano, CPF 047.730.41846. A Delegacia Regional Tributária da Capital I da Secretária da Fazenda do Estado de São Paulo declarou nula a inscrição da REAL COUROS em virtude da inexistência do estabelecimento para o qual foi obtida a inscrição. 12. Diversas diligências efetuadas pela fiscalização não foram capazes de localizar a empresa Sangal do Brasil, no seu domicílio à Rua 4, n° 265, no Recanto dos 18 em Ipiguá/SP, fotos nos autos, tampouco a sócia administradora da empresa, Maria Selma Brito Alcântara, à Avenida Fortunato Ernesto Vetorazzo, n° 800, apartamento n° 22. O Sistema CNPJ e a DIPF apontam que a Sra. Maria Selma passou a ser Sócia Administradora em 19/01/2006, em substituição a Sandra Aparecida Silva Dias, CPF n° 102.787.32860, que é esposa do Sr. Anselmo Busquette Júnior, CPF n° 006.232.39866, proprietário do imóvel no endereço registrado da sócia e, segundo informações de vizinhos, seu empregador. A Sangal do Brasil entregou Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos Fl. 6699DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 calendário de 2001 à 2007 como inativa. Embora tenha sido declarada inativa efetuou mudança do quadro societário e de endereço em 2006. A Sangal do Brasil não possui movimentação financeira no período de 2006 à 2009 e a da sócia Maria Selma Brito Alcântara não é representativa. Diante disso, a fiscalização concluiu que a contribuinte não existe de fato desde 19/01/2006, quando mudou a sua sede da cidade de São José do Rio Preto. A Delegacia Regional Tributária de São José do Rio Preto da Secretária da Fazenda do Estado de São Paulo considerou inidôneos todos os documentos fiscais atribuídos a este contribuinte pela inexistência do estabelecimento para o qual foi obtida a inscrição em 07/11/2006. 13. A Delegacia Regional Tributária de Baurú da Secretária da Fazenda do Estado de São Paulo constatou a falsificação de documentos fiscais com utilização dos dados cadastrais de estabelecimento em situação regular da empresa V. Marostica (Couros Bocaina), CNPJ 04.269.141/000165. As notas fiscais supostamente emitidas para a Cap Way estão fora da faixa de numeração que teria sido aprovada pela AIDF 235094295408, descrita no próprio documento como sendo de "04 talões de 003.601 a 003.800", indicando que os impressos destas notas fiscais não são autênticos. A emissão das referidas notas fiscais não obedece ordem cronológica (exemplo: as notas fiscais entre o n° 3456 e o nº 3488 foram emitidas em maio/2008, enquanto que as notas fiscais de n° 3463 e 3469 em abril/2008). 14. A ZVC Couros Ltda informou que nunca vendeu couros para a Cap Way, que produz e comercializa luvas, aventais, perneiras, magotes, blusões, tocas, calças em raspa e calças em raspa de couro ou vaqueta, que já houve constatação de falsificações de suas notas fiscais por uma empresa do Paraná e que não reconhece a Nota Fiscal n° 1009, no valor de R$ 81.000,00, emitida para a Cap Way em 15/07/2008. A ZVC encaminhou notas fiscais completamente diferentes das retidas em poder da Cap Way. Os caracteres das Notas fiscais são diferentes. As notas fiscais originais são do ano de 2004 e foram emitidas para outros clientes, em valores e produtos distintos. Diante de todas as evidências acima descritas, o Delegado Substituto da DRF FRANCA, em 29/06/2011, atendendo ao processo de representação instaura para esse fim, emitiu o Ato Declaratorio Executivo n° 23, publicado no DOU do dia 30/06/2011, declarando inidôneas todas as notas fiscais listadas no anexo "Relação de Notas Fiscais de Saída Inidôneas emitidas pela Cap Way" do processo administrativo n° 13855.720752/201142. A par das informações obtidas pelo Fisco Federal e das conclusões nelas respaldadas, não vejo quem possa se sensibilizar com os argumentos apresentados pela defesa, escudados em formalidades oportunamente transformadas na prova de que a fraude por elas dissimulada não ocorreu, como faz bom exemplo o argumento de que “as datas de entradas estão em perfeita harmonia com as datas de emissão das notas fiscais no tempo e condições registrados nos livros da empresa. Não será demais, também, rememorar a intenção (o pelo menos uma delas) por de traz da prática delituosa, conforme descreve o Termo de Verificação Fiscal. [...] A fraude revelada pela Operação Escalpo consistia na simulação de operações comerciais, com o objetivo de gerar e transferir créditos frios do ICMS. Nessa modalidade de golpe, empresas criadas exclusivamente para esse fim em nome de laranjas são registradas como comércio atacadista e passam a comprar mercadorias de fornecedores de couro por valores declarados baixos, fazendo com que o fornecedor pague menos imposto na origem. Fl. 6700DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13855.721260/201174 Acórdão n.º 3102001.938 S3C1T2 Fl. 6 9 Após isso, vendem a mesma mercadoria – que muitas vezes fisicamente já seguiu direto para o destino – para a indústria, por um preço bem maior, fazendo com que a fábrica receba, junto com o produto, um crédito alto de ICMS para ser compensado. Essa diferença de valores fabricada artificialmente no intermediário com se fosse uma agregação de valor ao produto, gera um imposto alto a ser pago nesse ele da cadeia, mas como as empresas são de fachada, quase sempre em nome de terceiros, esse imposto nunca será pago, lesando o Fisco Estadual. Vigente à época dos fatos, o Decreto nº 4.502/02, Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, assim determinava. Art. 322. É considerado inidôneo, para os efeitos fiscais, fazendo prova apenas em favor do Fisco, sem prejuízo do disposto no art. 353, o documento que: I não seja o legalmente previsto para a operação; II omita indicações exigidas ou contenha declarações inexatas; III esteja preenchido de forma ilegível ou apresente emendas ou rasuras que lhe prejudiquem a clareza; ou IV não observe outros requisitos previstos neste Regulamento. (…) Art. 353. Serão consideradas, para efeitos fiscais, sem valor legal, e servirão de prova apenas em favor do Fisco, as notas fiscais que (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª): I não satisfizerem as exigências das alíneas a até e, h, m, n, p, q, s, e t, do quadro "Emitente", de que trata o inciso I do art. 339 e das alíneas a até d, f, h, e i, do quadro "Destinatário/Remetente", de que trata o inciso II do mesmo artigo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª); II não contiverem, dentre as indicações exigidas nas alíneas b, f até h, j, e l, do quadro "Dados do Produto", de que trata o inciso IV do art. 339, e nas alíneas e, i, e j, do quadro "Cálculo do Imposto", de que trata o inciso V do mesmo artigo, as necessárias à identificação e classificação do produto e ao cálculo do imposto devido (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª); III não contiverem, no campo "Informações Complementares" do quadro "Dados Adicionais", do inciso VII do art. 339, a indicação do preço de venda no varejo ou no atacado, quando o cálculo do imposto estiver ligado a este (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª); ou IV não contiverem a declaração referida no inciso VIII do art. 341. Parágrafo único. No caso do inciso IV, considerarseá o produto como saído do estabelecimento emitente da nota fiscal, para efeito de exigência do imposto e acréscimos legais exigíveis, sem prejuízo de novo pagamento do tributo por ocasião da efetiva saída da mercadoria. (...) Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for Fl. 6701DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, e Decreto lei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª); e II os que emitirem, fora dos casos permitidos neste Regulamento, nota fiscal que não corresponda à saída efetiva, de produto nela descrito, do estabelecimento emitente, e os que, em proveito próprio ou alheio, utilizarem, receberem ou registrarem essa nota para qualquer efeito, haja ou não destaque do imposto e ainda que a nota se refira a produto isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 83, inciso II, e Decretolei nº 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª). Certeiro o criterioso procedimento levado a efeito pela Fiscalização Federal. Nenhum reparo a fazer na decisão vergastada. VOTO POR NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 25 de julho de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 6702DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/10/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 25/09/2013 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.937254/2008-36
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2001
ÔNUS DO CONTRIUINTE. PROVA. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário.
Numero da decisão: 3803-004.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/05/2001 ÔNUS DO CONTRIUINTE. PROVA. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário.
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PROVA. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 72 54 /2 00 8- 36 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.937254/200836 Acórdão n.º 3803004.347 S3TE03 Fl. 61 2 Cuidase de indeferimento de compensação transmitida em 29/06/2004, com o objetivo de extinguir débito no valor de R$ 867,51, com crédito proveniente do “suposto” pagamento indevido de COFINS, comprovado por meio de DARF, referente ao PA de 31/10/2002 e recolhido em 14/11/2002, no valor total de R$ 667,11. O Despacho Decisório está anexo à fl. 01, deferiu parcialmente o pleito sob o argumento de que foram encontrados outros pagamentos para quitação de débitos do contribuinte, a partir do DARF indicado, razão pela qual foi não foi homologada a compensação. Já a Manifestação de Inconformidade foi apresentada à fls. 11, sendo alegado pelo contribuinte que o crédito indicado em DARF é suficiente para implementar a compensação pretendida. Afirma ainda que o crédito em exame encontrase declarado em DCTF. Às fls. 38/43 a DRJ de São Paulo proferiu o Acórdão 1635.746 13ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa segue abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2001 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. DESPACHO DECISÓRIO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Os julgadores de piso se manifestaram pela manutenção do despacho decisório, tendo em vista que o contribuinte não comprovou a existência do pretenso crédito e neste sentido deixou de atender ao art. 170 do CTN, bem como o art. 74 da Lei nº 9.430/96. A decisão de primeiro grau ainda fundamente o indeferimento do pedido no fato de que em se tratando de PER/DCOMP o ônus probatório do direito creditório pertence ao contribuinte. Em seu recurso voluntário, o contribuinte insiste no argumento de que apresentou, com a Manifestação de Inconformidade, cópia da DCTF e a correta vinculação Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.937254/200836 Acórdão n.º 3803004.347 S3TE03 Fl. 62 3 com o DARF informado no PER/DCOMP. Reclama que a DRJ não realizou diligências para apurar a existência do crédito em seu banco de dados, nem encaminhou os autos para a DRF, a fim de que esta se manifestasse a respeito do caso em exame. Advoga ainda que não lhe foi oportunizado ter conhecimento a respeito de qual prova deveria ter sido juntada aos autos e ressalta que enviou as DCTFs retificadoras antes de qualquer procedimento de fiscalização por parte da RFB. O contribuinte faz ainda questão de destacar que o valor do débito declarado é inferior ao valor do DARF e que o saldo não utilizado resultou no pagamento indevido de COFINS. Por fim, com fulcro no princípio da verdade material, requer a anulação da decisão proferida pela DRJ para que a DCOMP seja analisada pela DRF de Florianópolis, bem como que seja declarada a nulidade da cobrança do débito em questão. Subsidiariamente, caso não prospere o pedido de cancelamento dos débitos, requer que estes sejam parcelados, com fundamento na Lei 11.941/99 e da Portaria Conjunta PFN/RFB 002/2011, uma vez que é optante do parcelamento regulado por esta legislação. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O contribuinte afirma ter direito a compensação realizada, sendo que os seus principais argumentos são os de que no PER/DCOMP foi vinculado DARF para extinguir o débito, bem como que enviou a DCTF retificadora antes de iniciado qualquer procedimento de fiscalização. Em que pese os argumentos de defesa, é preciso esclarecer que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. Desta forma, com o propósito e demonstrar a certeza e liquidez do crédito, o contribuinte precisa instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.937254/200836 Acórdão n.º 3803004.347 S3TE03 Fl. 63 4 No caso em exame, o contribuinte esclarece que teria apurado créditos de COFINS na sistemática da não cumulatividade. Entretanto, é seu dever comprovar o direito alegado, pois é imprescindível que seja demonstrado a existência do crédito através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos capaz de promover a diminuição do valor do débito declarado em DCTF, que por sua vez por sua vez possui caráter de confissão de dívida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 23 de julho de 2013 (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 22/08/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.724372/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA.
Para caracterizar a denúncia espontânea o art. 138 do CTN exige a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Não se afasta a exigência da multa de mora quando a extinção do crédito tributário confessado é efetuada por meio de declaração de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez. A conselheira Fábia Regina Freitas declarou-se impedida.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina freiras e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. Para caracterizar a denúncia espontânea o art. 138 do CTN exige a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Não se afasta a exigência da multa de mora quando a extinção do crédito tributário confessado é efetuada por meio de declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez. A conselheira Fábia Regina Freitas declarou-se impedida. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina freiras e Andrada Márcio Canuto Natal.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. Para caracterizar a denúncia espontânea o art. 138 do CTN exige a extinção do crédito tributário por meio de seu pagamento integral. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário. Não se afasta a exigência da multa de mora quando a extinção do crédito tributário confessado é efetuada por meio de declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez. A conselheira Fábia Regina Freitas declarouse impedida. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina freiras e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 43 72 /2 01 0- 57 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.724372/201057 Acórdão n.º 3301002.001 S3C3T1 Fl. 175 2 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos adoto o relatório da DRJ/Belo HorizonteMG, abaixo transcrito: Contra a contribuinte precitada foi emitido o Despacho Decisório à fl. 39, por meio do qual foi parcialmente homologada a compensação efetuada por meio de PER/Dcomp. A homologação parcial foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar integralmente os débitos informados. O crédito utilizado se refere a pagamento indevido ou a maior de Cofins, código de receita 5856. A contribuinte declarou que pretende compensar referido crédito com débitos de Cofins, código de receita 2172, relativos aos meses de dezembro de 2005 a fevereiro de 2006. Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts. 165 e 170 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 20/09/2010, fl. 69, em 20/10/2010 a interessada apresenta a manifestação de inconformidade às fls. 2 a 13, acompanhada dos documentos às fls. 14 a 67, alegando, em síntese, que a cobrança de multa de mora é indevida, posto que não houve ausência de recolhimento mas tão somente pagamento em modalidade distinta. Acrescenta que, ainda que assim não fosse, houve denúncia espontânea da infração nos termos do art. 138 do CTN, de modo que o débito merece ser cancelado. Ao longo de seu recurso, transcreve doutrina, jurisprudência e julgados administrativos que entende virem ao encontro de seus argumentos. Ao julgar referida manifestação de inconformidade a DRJ proferiu Acórdão cuja ementa, transcrevese abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 01/06/2005 COMPENSAÇÃO E ACRÉSCIMOS LEGAIS. A compensação total ou parcial de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil deverá ser acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Nesta decisão, o julgador da DRJ esclarece em que situações são aplicáveis o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138, em face dos Atos Declaratórios PGFN nº 4 e 8/2011, nos casos da multa moratória, constatando que a situação do presente auto não se configura em uma dessas hipóteses, pois o contribuinte já havia confessado anteriormente os débitos em DCTF. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.724372/201057 Acórdão n.º 3301002.001 S3C3T1 Fl. 176 3 Não concordando com a citada decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em síntese os seguintes pontos: que no período de junho/2005 a recorrente apurou e recolheu a Cofins pela modalidade não cumulativa (código 5856); que em 03/10/2007, considerando o crédito (Cofins recolhida na modalidade não cumulativa), efetuou compensação com débitos da Cofins na modalidade cumulativa correspondente às competências de 12/2005, 01/2006 e 02/2006, por meio do PER/DCOMP nº 00619.32838.031007.1.7.041819; que a DRF/Belo Horizonte emitiu despacho decisório homologando parcialmente a compensação pleiteada, pois imputou aos débitos compensados multa por atraso no pagamento; que a DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade, uma vez que não considerou denúncia espontânea o procedimento realizado pela recorrente; que o que ocorreu na compensação foi, tão somente, uma realocação de pagamentos de Cofins (código 5856) e não um pagamento em atraso da contribuição a ensejar a aplicação da multa; que mesmo que se admita a incidência de multa sobre os débitos constituídos por recolhimento equivocado, esta deve ser afastada em face da denúncia espontânea; que o caso se encaixa perfeitamente no instituto da denúncia espontânea nos termos previstos no art. 138 do CTN; que o art. 138 estabelece somente dois requisitos para configuração da denúncia espontânea: a) o recolhimento ou depósito da importância principal acrescida de juros de mora e b) a inexistência de processo de fiscalização anterior ao pagamento; que não é correta a afirmação constante do acórdão recorrido de que os débitos de Cofins declarados já haviam sido confessados por meio de DCTF apresentada anteriormente, pois as DCTF retificadoras, com o aumento dos débitos da Cofins cumulativa, foram apresentadas em outubro de 2008 e janeiro de 2009, e o PER/DCOMP foi enviado em 03/10/2007, portanto em data anterior à confissão dos débitos na DCTF; por fim, argumenta que a situação dos presentes autos encaixase perfeitamente nos Atos Declaratórios PGFN nº 4 e 8/2011, sendo aplicável no caso a denúncia espontânea para afastar a incidência da multa moratória. Transcreve acórdãos do STJ a respeito da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.724372/201057 Acórdão n.º 3301002.001 S3C3T1 Fl. 177 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais, por isto dele tomo conhecimento. No presente caso o que tem que ser verificado é se a situação fática apresentada nos autos encaixase no instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN em consonância com a Súmula STJ nº 360 e ainda verificado o disposto nos Atos Declaratórios PGFN nº 4 e 8/2011. Uma das razões pela qual a DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade, foi o fato apontado pelo relator do acórdão recorrido, de que o contribuinte já havia confessado os débitos objeto da compensação, por meio de DCTF, em data anterior à apresentação do PER/DCOMP, situação esta que já afastaria de plano a aplicação da Súmula STJ nº 360, pois de acordo com ela o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos declarados pagos a destempo. Súmula STJ nº 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. No meu entender esta razão deve ser afastada, pois o contribuinte demonstra em seu recurso voluntário que efetivamente os débitos objeto do PER/DCOMP somente foram confessados em DCTF apresentadas em outubro/2008 e janeiro/2009 e, por sua vez, o PER/DCOMP foi apresentado em 03/10/2007. Assim indubitável concluir que a extinção do crédito tributário pela apresentação da compensação foi efetuada concomitantemente com sua confissão (neste caso, confessados por meio da apresentação do próprio PER/DCOMP). Também deve ser afastado o entendimento esposado pelo contribuinte que esta compensação foi somente uma forma de correção do pagamento efetuado por meio de DARF no código 5856 (Cofins nãocumulativa) com DARF do código 2172 (Cofins cumulativa). Este entendimento não pode prevalecer pois o DARF pago a maior (código 5856) referese à Cofins do fato gerador de junho/2005 e os débitos compensados são de 12/2005, 01/2006 e 02/2006. Portanto não é uma mera correção de DARF e sim a utilização do procedimento de compensação em seus estritos termos. Quando da apresentação do PER/DCOMP, em 03/10/2007, os débitos compensados já estavam vencidos, sendo indubitável que o contribuinte os confessou nesta data. Assim há que se verificar, nesta situação, se é aplicável a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Para se ter uma melhor visualização desta questão, transcrevo abaixo o teor dos Atos Declaratórios PGFN nº 4 e 8/2011 e também do art. 138 do CTN: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.724372/201057 Acórdão n.º 3301002.001 S3C3T1 Fl. 178 5 Ato Declaratório PGFN nº 4/2011 DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva , nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional”. Ato Declaratório PGFN nº 8/2011 DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a caracterização de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente”. Art. 138 do CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No presente caso não resta dúvida de que a extinção do crédito tributário foi concomitante à sua confissão, porém a extinção se deu por meio de compensação e não por meio de pagamento, sendo que o instituto da denúncia espontânea exige o pagamento do tributo devido acompanhado dos juros de mora. Esta exigência advém de disposição expressa do art. 138 do CTN, não afastada pela Súmula STJ nº 360 e nem pelos citados atos declaratórios da PGFN. Pagamento e compensação são formas distintas de extinção do crédito tributário, pois para o pagamento a extinção do crédito tributário não está vinculada a nenhuma condição e o art. 74, § 2º da Lei nº 9.430/96 estabelece que a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10680.724372/201057 Acórdão n.º 3301002.001 S3C3T1 Fl. 179 6 Art. 156 do CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; (...) Art. 74 da Lei nº 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Dessa forma, no caso de apresentação de declaração de compensação, sempre é devida a multa de mora. Isso ocorre por que a extinção do crédito tributário eficaz para caracterizar a denúncia espontânea não pode ser condicionada, por meio de declaração de compensação. Tanto é assim que, no caso de dúvidas sobre o montante devido, a legislação exige o depósito do montante arbitrado pela autoridade fiscal. Portanto, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 09/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10980.725706/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta quando, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, invertendo-se o ônus da prova para o contribuinte.
Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta quando, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, invertendose o ônus da prova para o contribuinte. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 06 /2 01 0- 25 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TRANSVALTER LIMITADA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2008. 2. Em conformidade com informações trazidas aos autos, o presente lançamento referese “às Contribuições Previdenciárias de outras entidades e fundos, denominadas terceiros (Serviço Social do transporte – SEST e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – SENAT), incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais, referente a serviço de transporte rodoviário de cargas”. (f. 449) 3. Depreendese do relatório fiscal, o auto de infração foi constituído em decorrência dos seguintes levantamentos: “MA – MOTORISTA AUTÔNOMO INFORMADO, MA1 – MOTORISTA AUTÔNOMO INFORMADO E MA2 – MOTORISTA AUTÔNOMO INFORMADO – referente a pagamentos a transportadores rodoviários autônomos, obtidos através da apresentação de recibos de pagamento intitulados como ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’ – com cópias, por amostragem, em anexo – e informações extraídas do livro razão – nas contas nº: 3201030015 – ‘FRETEIROS – P.F. – CURITIBA’; 3203030008 – ‘FRETEIROS – P.F.’; 3204030006 – ‘FRETEIROS P.F. – CHAPECÓ’; 3206030010 – ‘FRETEIROS P.F. – CARAZINHO’; Fl. 489DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725706/201025 Acórdão n.º 2301003.044 S2C3T1 Fl. 489 3 3207030007 – ‘FRETEIROS – P.F. – JUNDIAÍ’; com cópias das páginas do livro razão, em anexo. Além do mais, a empresa apresentou a relação dos transportadores e os valores pagos (em anexo), os quais foram conferidos, por amostragem, com os ‘contratos de transporte rodoviário de cargas’. (...) NT – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ. NT1 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ E NT2 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ – referentes a pagamentos a transportadores rodoviários autônomos, obtidos através da apresentação de recibos de pagamento intitulados como ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’ – com cópias, por amostragem, em anexo – e informações extraídas do livro razão – nas contas nº: 320103014 – ‘FRETEIROS P.J. – CURITIBA’; 3203030007 – ‘FRETEIROS – P.J.’; 3204030005 – ‘FRETEIROS P.J. – JUNDIAÍ’; com cópias das páginas do livro razão, em anexo. Além do mais, a empresa apresentou a relação dos transportadores e os valores pagos (em anexo), os quais foram conferidos, por amostragem, com os ‘contratos de transporte rodoviário de cargas’. A empresa declarou em livros contábeis razão e diário como sendo despesas pagas a pessoa jurídica em decorrência de subcontratação de serviços de transporte. E, também, apresentou os referidos recibos, assinados apenas pelos motoristas autônomos, como sendo de pessoas jurídicas subcontratadas para prestação destes serviços. Entretanto, como se observa através das cópias por amostragem em anexo, estes documentos são recibos preenchidos pela empresa Transvalter Ltda e assinados por condutores autônomos de veículo rodoviário. De fato, a empresa não apresentou qualquer nota fiscal ou recibo preenchido por suposto prestador de serviço pessoa jurídica. Ou seja, só foram apresentados recibos assinados por pessoas fiscais. E, quanto às empresas que, supostamente, prestam os serviços de transporte, de fato não são empresas de transporte. Foram verificadas cada uma de suas atividades e nenhuma delas presta serviço de transporte; como por exemplo: ABN AMRO ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, BAMERINDUS LEASING, BANCO FINASA S.A., BANCO ITAU LEASING S/A, BB LEASING SA ARRENDAMENTO MERCANTIL, BV FINANCEIRA S/A. A planilha ‘ANEXO 5’, apresentada em anexo, demonstra este fato, onde para cada prestação de serviço, há o nome da empresa, seu CNPJ e a descrição de sua atividade econômica. Os campos desta planilha são, nesta ordem: CNPJ do estabelecimento tomador do serviço, data, nome do condutor autônomo de veículo rodoviário, valor bruto recebido, base de cálculo da contribuição previdenciária equivalente a 20% do valor bruto, nome da empresa declarada como subcontratada, CNPJ da empresa declarada como subcontratada, descrição da atividade da empresa declarada como subcontratada. Através do TIF nº 11, foi solicitado à empresa que apresentasse notas fiscais de serviço, referente s às prestações de serviços de ‘Freteiros Pessoa Jurídica’. Porém, até o encerramento deste auto de infração nada foi entregue. Portanto, verificase que de fato houve prestação de serviço de transporte por pessoa física, condutor autônomo de veículo rodoviário, contribuinte individual. (...) TR – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANP, TR1 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANSP E TR2 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ Fl. 490DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 TRASNP – referentes a pagamentos a transportadores rodoviários autônomos, obtidos através da apresentação de recibos de pagamento intitulados como ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’ e informações extraídas do livro razão – nas contas nº: 3201030014 – ‘FRETEIROS P.J. – CURITIBA’; 3203030007 – ‘FRETEIROS P.J.’; 3204030005 – ‘FRETEIROS P.J. – CHAPECÓ’; 3206030009 – FRETEIROS P.J. – CARAZINHO’; 3207030006 – ‘FRETEIROS – P.J. – JUNDIAÍ’; com cópias das páginas do livro razão, em anexo. Além do mais, a empresa apresentou a relação dos transportadores e os valores pagos (em anexo), os quais foram conferidos, por amostragem, com os ‘contratos de transporte rodoviário de cargas’. A empresa declarou em livros contáveis razão e diário como sendo despesas pagas a pessoa jurídica em decorrência de subcontratação de serviços de transporte. E, também, apresentou os referidos recibos como sendo de pessoas jurídicas subcontratadas para prestação destes serviços. Entretanto, como se observa através das cópias por amostragem em anexo, estes documentos são recibos preenchidos apenas pela empresa Transvalter Ltda e assinados por condutores autônomos de veículo rodoviário, não havendo prova de que os serviços foram prestados de fato por pessoa jurídica. Através do TIF nº 11, foi solicitado à Transvalter Ltda que apresentasse notas fiscais de serviço, referentes às prestações de serviços de ‘Freteiros Pessoa Jurídica’. Porém, até o encerramento deste auto de infração nada foi entregue. De fato, a empresa não apresentou qualquer nota fiscal ou recibo preenchido por suposto prestador de serviço pessoa jurídica. Ou seja, só foram apresentados recibos assinados por pessoas físicas. Portanto, verificase que de fato houve prestação de serviço de transporte por pessoa física, condutor autônomo de veículo rodoviário, contribuinte individual. (...) TT – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANSVALT E TT1 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANSVALT – referente a pagamentos a transportadores rodoviários autônomos, obtidos através da apresentação de recibos de pagamento intitulados como ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’ e informações extraídas do livro razão – nas contas nº: 3201030014 – ‘FRETEIROS P.J. – CURITIBA’; 3203030007 – ‘FRETEIROS – P.J.’; 3204030005 – ‘FRETEIROS P.J. – CHAPECÓ’; 3206030009 – ‘FRETEIROS P.J. – CARAZINHO’; 3207030006 – ‘FRETEIROS – P.J. – JUNDIAÍ’; com cópias das páginas do livro razão, em anexo. Além do mais, a empresa apresentou a relação dos transportadores e os valores pagos (em anexo), os quais foram conferidos, por amostragem, com os ‘contratos de transporte rodoviários de cargas’. A empresa declarou em livros contábeis razão e diário como sendo despesas pagas a pessoa jurídica em decorrência de subcontratação de serviços de transporte. E, também, apresentou os referidos recibos como sendo de pessoas jurídicas subcontratadas para prestação destes serviços. Entretanto, consta como a empresa prestadora de serviços com sendo a própria Transvalter Ltda, empresa fiscalizada e tomadora dos serviços. Além do mais, os documentos apresentados pela empresa são recibos preenchido pela empresa e assinados por condutores autônomos de veículo rodoviário. Portanto, verificase que de fato houve prestação de serviço de transporte por pessoa física, condutores autônomo de veículo rodoviário, contribuinte individual.” 4. A decisão do colegiado de primeira instância restou ementada nos termos que seguem: Fl. 491DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725706/201025 Acórdão n.º 2301003.044 S2C3T1 Fl. 490 5 “RELATÓRIO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São listadas no Relatório de Vínculo todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração, em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente, não implicando automaticamente em responsabilidade solidária. JUROS SELIC. LEGALIDADE. É lícita a utilização da Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pela Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91, vigente na época da ocorrência do fato gerador e da lavratura do lançamento. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER DO AGENTE FISCAL. O agente fiscal tem, por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei 3.688 de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o deve de formalizar Representação Fiscal para Finas Penais (RFFP), sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de crime de ação penal pública incondicionada ou contravenção penal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” (ff. 448 a 449) 5. Buscando reverter o lançamento, o contribuinte apresentou suas razões aduzindo, em síntese: a) preliminarmente, a tempestividade do recurso apresentado, sendo inexigível depósito ou arrolamento de bens para o seguimento do processo; b) pugna pela anulação do lançamento devido à falta de clareza na fundamentação da infração, o que viola o princípio da ampla defesa e do contraditório; c) no mérito, aduz que é uma empresa que possui por objeto social a exploração do ramo de transporte rodoviário de cargas secas e granel Fl. 492DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 em âmbito nacional, e subcontrata, eventualmente empresas do ramo para melhor cumprir com suas atividades regulares; d) tais subcontratações se dão diretamente mediante o deslocamento de funcionários das subcontratadas até as dependências da empresa para repasse dos dados necessários ao transporte, bem como a realização de contratos de transporte rodoviário, mediante a apresentação do documento de veículo que será utilizado para a realização do seguro de carga; e) afirma ainda que “como a recorrente tem ciência que está subcontratando outras empresas de transportes, entendese por consequência lógica que os representantes encaminhados pelas mesmas são funcionários destas, e que (...) referidas transportadoras realizam a retenção das parcelas referentes à contribuição previdenciária, não havendo que se falar em falta de arrecadação das contribuições dos segurados contribuintes individuais”; f) por fim, a impossibilidade da cobrança de juros (com aplicação da taxa SELIC) sobre a multa de ofício. 6. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 2. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 3. Inicialmente, pugna o contribuinte pela anulação do processo sob o fundamento de que o fisco teria violado os princípios do contraditório e da ampla defesa: “em relação à presente infração, a recorrente persiste quanto a falta de clareza na fundamentação dos fatos que ensejaram a autuação, o que dificulta sua defesa, uma vez que não há suficiente fundamentação legal à suposta violação apontada”. (ff. 1927 a 1928) Fl. 493DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725706/201025 Acórdão n.º 2301003.044 S2C3T1 Fl. 491 7 4. Contudo, o inconformismo do recorrente não encontra guarida, tendo em vista que os fundamentos legais para o arbitramento encontramse plasmados nas ff. 74 a 75. Vale salientar também que foram devidamente demonstrados nos autos a descrição dos fatos e a respectiva capitulação legal que fundamentou a exigência tributária. 5. Por fim, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal, no que rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. DA AFERIÇÃO INDIRETA 6 . Narra corretamente o relatório fiscal que constituíram fatos geradores lançados os pagamentos feitos pela empresa a transportadores rodoviários autônomos. A informação fiscal também detalha, pormenorizadamente, os procedimentos adotados pela recorrente no sentido de justificar o lançamento do débito por intermédio da aferição indireta: “3.1.1. – Levantamentos: MA – MOTORISTA AUTÔNOMO INFORMADO, MA1 – MOTORISTA AUTÔNOMO INFORMADO e MA2 – MOTORISTA AUTÔNOMO INFORMADO (...) 3.1.1.3. No presente levantamento, para se aferir os valores pagos a contribuintes individuais freteiros (transportadores rodoviários autônomos), foram utilizados os valores apresentados em documentos denominados ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’, cujo salário de contribuição (campo: base de cálculo da contribuição previdenciária) é de 20% do valor bruto recebido. Esta redução para vinte por cento do valor bruto recebido está prevista no §4º, do artigo 201, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/99. (...) 3.1.2.: NT – MOTORISTA AUT^NOMO PJ, NT1 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ e NT2 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ (...) 3.1.2.3. No presente levantamento, paras se aferir os valores pagos a contribuintes individuais, transportadores autônomos de veículos rodoviários, foram utilizados os valores apresentados em recibos denominados ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’, cujo salário de contribuição (campo: base de cálculo) é de 20% do valor bruto recebido, conforme demonstrado na planilha ‘ANEXO 5’. Esta redução, para vinte por cento do valor bruto recebido, está prevista no §4º, do artigo 201, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/99. (...) 3.1.3. Levantamentos: TR – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANP, TR1 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANSP e TR2 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANP (...) 3.1.3.4. No presente levantamento, para se aferir os valores pagos a contribuintes individuais, transportadores autônomos de veículos rodoviários, foram utilizados os valores apresentados em recibos denominados ‘Contrato de Transporte Rodoviário Fl. 494DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 de Cargas’, cujo salário de contribuição (campo: base de cálculo) é de 20% do valor bruto recebido, conforme demonstrado na planilha ‘ANEXO 6’. Esta redução, para vinte por cento do valor bruto recebido, está prevista no §4º, do artigo 201, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/99. (...) 3.1.4. Levantamento: TT – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANSVALT e TT1 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANVALT (...) 3.1.4.4. No presente levantamento, para se aferir os valores pagos a contribuinte individuais, transportadores autônomos de veículos rodoviários, foram utilizados os valores apresentados em recibos denominados ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’, cujo salário de contribuição (campo: base de cálculo) é de 20% do valor bruto recebido, conforme citada planilha ‘ANEXO 7’. Esta redução, paga vinte por cento do valor bruto recebido, está prevista no §4º, do artigo 201, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/99.” (ff. 417 a 423) 7. E conforme dispõe a legislação, utilizada para justificar o débito conforme demonstrado no FLD às fls. 74 a 75, o fisco se valerá da aferição indireta sempre que houver a recusa na apresentação de documentos, ou quando a apresentação se der de forma deficiente, e se no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento for constatado que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, nos termos do artigo 33, parágrafos 3º e 6º, da Lei 8.212/91: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” (g.n.) Fl. 495DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725706/201025 Acórdão n.º 2301003.044 S2C3T1 Fl. 492 9 8. No mesmo sentido, foi o acórdão prolatado na 1ª Turma, da 4ª Câmara, deste Conselho, que restou ementado nos seguintes termos: “PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. NORMAS PROCEDIMENTAIS. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (1ª Turma, 4ª Câmara, CARF, Recurso 251.960, Processo n.º 11474.000055/200744, Acórdão 240100619, Relator Marcelo Freitas de Souza Costa)” 9. Dessa forma, depreendese das normas legais transcritas, bem como dos elementos que instruem o processo, que de fato, o presente lançamento se justifica nos termos em que declarado pelo auditor fiscal. DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A CONTRATAÇÃO DE TRANSPORTADOR AUTÔNOMO 10. Conforme narrado no relatório, o auto de infração foi constituído com base nos seguintes levantamentos: “MA – MOTORISTA AUTÔNOMO INFORMADO, MA1 – MOTORISTA AUTÔNOMO INFORMADO E MA2 – MOTORISTA AUTÔNOMO INFORMADO – referente a pagamentos a transportadores rodoviários autônomos, obtidos através da apresentação de recibos de pagamento intitulados como ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’ – com cópias, por amostragem, em anexo – e informações extraídas do livro razão – nas contas nº: 3201030015 – ‘FRETEIROS – P.F. – CURITIBA’; 3203030008 – ‘FRETEIROS – P.F.’; 3204030006 – ‘FRETEIROS P.F. – CHAPECÓ’; 3206030010 – ‘FRETEIROS P.F. – CARAZINHO’; 3207030007 – ‘FRETEIROS – P.F. – JUNDIAÍ’; com cópias das páginas do livro razão, em anexo. Além do mais, a empresa apresentou a relação dos transportadores e os valores pagos (em anexo), os quais foram conferidos, por amostragem, com os ‘contratos de transporte rodoviário de cargas’. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 (...) NT – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ. NT1 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ E NT2 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ – referentes a pagamentos a transportadores rodoviários autônomos, obtidos através da apresentação de recibos de pagamento intitulados como ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’ – com cópias, por amostragem, em anexo – e informações extraídas do livro razão – nas contas nº: 320103014 – ‘FRETEIROS P.J. – CURITIBA’; 3203030007 – ‘FRETEIROS – P.J.’; 3204030005 – ‘FRETEIROS P.J. – JUNDIAÍ’; com cópias das páginas do livro razão, em anexo. Além do mais, a empresa apresentou a relação dos transportadores e os valores pagos (em anexo), os quais foram conferidos, por amostragem, com os ‘contratos de transporte rodoviário de cargas’. A empresa declarou em livros contábeis razão e diário como sendo despesas pagas a pessoa jurídica em decorrência de subcontratação de serviços de transporte. E, também, apresentou os referidos recibos, assinados apenas pelos motoristas autônomos, como sendo de pessoas jurídicas subcontratadas para prestação destes serviços. Entretanto, como se observa através das cópias por amostragem em anexo, estes documentos são recibos preenchidos pela empresa Transvalter Ltda e assinados por condutores autônomos de veículo rodoviário. De fato, a empresa não apresentou qualquer nota fiscal ou recibo preenchido por suposto prestador de serviço pessoa jurídica. Ou seja, só foram apresentados recibos assinados por pessoas fiscais. E, quanto às empresas que, supostamente, prestam os serviços de transporte, de fato não são empresas de transporte. Foram verificadas cada uma de suas atividades e nenhuma delas presta serviço de transporte; como por exemplo: ABN AMRO ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, BAMERINDUS LEASING, BANCO FINASA S.A., BANCO ITAU LEASING S/A, BB LEASING SA ARRENDAMENTO MERCANTIL, BV FINANCEIRA S/A. A planilha ‘ANEXO 5’, apresentada em anexo, demonstra este fato, onde para cada prestação de serviço, há o nome da empresa, seu CNPJ e a descrição de sua atividade econômica. Os campos desta planilha são, nesta ordem: CNPJ do estabelecimento tomador do serviço, data, nome do condutor autônomo de veículo rodoviário, valor bruto recebido, base de cálculo da contribuição previdenciária equivalente a 20% do valor bruto, nome da empresa declarada como subcontratada, CNPJ da empresa declarada como subcontratada, descrição da atividade da empresa declarada como subcontratada. Através do TIF nº 11, foi solicitado à empresa que apresentasse notas fiscais de serviço, referente s às prestações de serviços de ‘Freteiros Pessoa Jurídica’. Porém, até o encerramento deste auto de infração nada foi entregue. Portanto, verificase que de fato houve prestação de serviço de transporte por pessoa física, condutor autônomo de veículo rodoviário, contribuinte individual. (...) TR – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANP, TR1 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANSP E TR2 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRASNP – referentes a pagamentos a transportadores rodoviários autônomos, obtidos através da apresentação de recibos de pagamento intitulados como ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’ e informações extraídas do livro razão – nas contas nº: 3201030014 – ‘FRETEIROS P.J. – CURITIBA’; 3203030007 – ‘FRETEIROS P.J.’; 3204030005 – ‘FRETEIROS P.J. – CHAPECÓ’; 3206030009 – FRETEIROS P.J. – CARAZINHO’; 3207030006 – ‘FRETEIROS – P.J. – JUNDIAÍ’; com cópias das páginas do livro razão, em anexo. Além do Fl. 497DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725706/201025 Acórdão n.º 2301003.044 S2C3T1 Fl. 493 11 mais, a empresa apresentou a relação dos transportadores e os valores pagos (em anexo), os quais foram conferidos, por amostragem, com os ‘contratos de transporte rodoviário de cargas’. A empresa declarou em livros contáveis razão e diário como sendo despesas pagas a pessoa jurídica em decorrência de subcontratação de serviços de transporte. E, também, apresentou os referidos recibos como sendo de pessoas jurídicas subcontratadas para prestação destes serviços. Entretanto, como se observa através das cópias por amostragem em anexo, estes documentos são recibos preenchidos apenas pela empresa Transvalter Ltda e assinados por condutores autônomos de veículo rodoviário, não havendo prova de que os serviços foram prestados de fato por pessoa jurídica. Através do TIF nº 11, foi solicitado à Transvalter Ltda que apresentasse notas fiscais de serviço, referentes às prestações de serviços de ‘Freteiros Pessoa Jurídica’. Porém, até o encerramento deste auto de infração nada foi entregue. De fato, a empresa não apresentou qualquer nota fiscal ou recibo preenchido por suposto prestador de serviço pessoa jurídica. Ou seja, só foram apresentados recibos assinados por pessoas físicas. Portanto, verificase que de fato houve prestação de serviço de transporte por pessoa física, condutor autônomo de veículo rodoviário, contribuinte individual. (...) TT – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANSVALT E TT1 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANSVALT – referente a pagamentos a transportadores rodoviários autônomos, obtidos através da apresentação de recibos de pagamento intitulados como ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’ e informações extraídas do livro razão – nas contas nº: 3201030014 – ‘FRETEIROS P.J. – CURITIBA’; 3203030007 – ‘FRETEIROS – P.J.’; 3204030005 – ‘FRETEIROS P.J. – CHAPECÓ’; 3206030009 – ‘FRETEIROS P.J. – CARAZINHO’; 3207030006 – ‘FRETEIROS – P.J. – JUNDIAÍ’; com cópias das páginas do livro razão, em anexo. Além do mais, a empresa apresentou a relação dos transportadores e os valores pagos (em anexo), os quais foram conferidos, por amostragem, com os ‘contratos de transporte rodoviários de cargas’. A empresa declarou em livros contábeis razão e diário como sendo despesas pagas a pessoa jurídica em decorrência de subcontratação de serviços de transporte. E, também, apresentou os referidos recibos como sendo de pessoas jurídicas subcontratadas para prestação destes serviços. Entretanto, consta como a empresa prestadora de serviços com sendo a própria Transvalter Ltda, empresa fiscalizada e tomadora dos serviços. Além do mais, os documentos apresentados pela empresa são recibos preenchido pela empresa e assinados por condutores autônomos de veículo rodoviário. Portanto, verificase que de fato houve prestação de serviço de transporte por pessoa física, condutores autônomo de veículo rodoviário, contribuinte individual.” (ff. 417 a 422) 11. Dessa forma, verificase que a controvérsia trazida à análise deste Conselho cingese à incidência de contribuições sociais sobre os pagamentos feitos pela empresa a transportadores rodoviários autônomos. 12. Os trabalhadores autônomos, como o caso dos transportadores, são incluídos na categoria dos contribuintes individuais. Vejamos a definição do termo adotado pelo Ministério da Previdência Social: Fl. 498DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 “Contribuinte individual: Nesta categoria estão as pessoas que trabalham por conta própria (autônomos) e os trabalhadores que prestam serviços de natureza eventual a empresas, sem vínculo empregatício. São considerados contribuintes individuais, entre outros, os sacerdotes, os diretores que recebem remuneração decorrente de atividade em empresa urbana ou rural, os síndicos remunerados, os motoristas de táxi, os vendedores ambulantes, as diaristas, os pintores, os eletricistas, os associados de cooperativas de trabalho e outros.” 13. Sobre a questão, a legislação previdência determina que a empresa que contratar transportador autônomo, contribuinte individual do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), deverá recolher: a) 20% (contribuição patronal) – calculado sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao transportador autônomo; (artigo 22, III, Lei 8.212) b) 11% descontada do transportador autônomo e calculada sobre o valor da remuneração a ele paga, devida ou creditada, observado o limite máximo do saláriodecontribuição; (artigo 4º, da Lei 10.666/2003 e artigo 33, §5º, da Lei 8.212/91) c) 1,5% e 1,0% (contribuições devidas ao Serviço Social do Transporte (SEST) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT), respectivamente – descontadas ao transportados autônomo e calculadas sobre o valor do saláriodecontribuição destes. (art. 1º, I, ‘b’, II, ‘b’; art. 2º, II e §3º, ‘a’, art. 3º e §1º do Decreto 1.007/93 e art. 7º, II, §1º e 2º da Lei 8.706/93) 14. Assim, verificada a adequação entre a natureza do fato gerador e da correspondente contribuição lançada, todas demonstradas com clareza pelo agente fiscal em seu relatório, devese concluir que o lançamento tem fundamentos e que a contribuição é devida. 15. Dessa forma, mantenho o lançamento com relação às contribuições devidas e não recolhidas referentes ao pagamento feito a transportadores autônomos, em consonância com o Colegiado a quo. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 16. A recorrente afirma que aplicação de juros não pode ser feita em conjunto com a multa de ofício, pois tal imposição contraria o ordenamento jurídico. 17. Ocorre que, no caso concreto, houve a aplicação de uma multa de ofício em decorrência do não recolhimento de contribuição previdenciária, assim, a multa de ofício constitui, ao lado do tributo propriamente devido, a obrigação tributária principal, conforme dispõe o artigo 113, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” (g.n.) Fl. 499DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725706/201025 Acórdão n.º 2301003.044 S2C3T1 Fl. 494 13 18. Dessa forma, verificase que a obrigação principal é formada tanto pelo tributo cobrado quanto pela penalidade pecuniária aplicada (multa). Portanto, o crédito tributário, o qual decorre da obrigação tributária, é composto pelo tributo a ser recolhido e pela correspondente multa de ofício, sendo que ambos estão sujeitos à incidência de juros de mora quando não pagos no vencimento estipulado pela lei, conforme assevera o art. 161, do CTN: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” 19. Além disso, o artigo 43 da Lei n.º 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, in verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. 20. Além disso, o artigo 43 da Lei n.º 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, in verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. 21. E a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, reza que as contribuições sociais arrecadadas e outras importâncias arrecadadas pelo INSS (como é o caso das multas) estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34, verbis: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho Fl. 500DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) 22. Nesse sentido, sito ementa de acórdão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO – APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão n.º 920201.806. Recurso especial negado” 23. Assim, tenho como certo que a aplicação de juro sobre a multa de ofício não ofendem ao ordenamento jurídico pátrio e que sua imposição é devida. DA MULTA APLICADA 24. Por fim, sobre a multa aplicada, tornase importante apreciar, de ofício, a matéria, tendo em vista se tratar de questão de ordem. Dessa forma, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 25. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 26. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: Fl. 501DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10980.725706/201025 Acórdão n.º 2301003.044 S2C3T1 Fl. 495 15 “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 27. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 28. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 29. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando a redução da multa aplicada conforme determina o artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 502DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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