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Numero do processo: 10283.901235/2015-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório.
Numero da decisão: 1302-003.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Lúcia Miceli votou pelas conclusões do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10283.901232/2015-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório.
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DCOMP. RETIFICADORA Recorrente ORIENT RELÓGIOS DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO E NÃO PAGAMENTO A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, incumbe à interessada a comprovação do erro de fato. À míngua de tal comprovação não há como reconhecer o direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. A conselheira Maria Lúcia Miceli votou pelas conclusões do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10283.901232/201504, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 12 35 /2 01 5- 30 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10283.901235/201530 Acórdão n.º 1302003.454 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1152.277, de 22/03/2016, da 4ª Turma da DRJ de Recife que, por unanimidade de votos, não conheceram da manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 DCOMP. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. INCOMPETÊNCIA O julgador administrativo não é competente para apreciar pedido de retificação de crédito informado na Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente dedicase à fabricação, ao comércio e à reparação de cronômetros e relógios. É optante do regime de tributação com base lucro real, com pagamentos por estimativas mensais. Sustenta que, em conformidade com sua DIPJ, teria efetuado pagamento indevido ou a maior de estimativa, o que teria resultado em saldo negativo de CSLL. A recorrente apresentou DCOMP para compensar débito de CSLL. A DCOMP não foi homologada, nos termos do Despacho Decisório eletrônico. A recorrente alega que teria incorrido em equívoco no momento do preenchimento da DCOMP. Pois, informou que o crédito seria decorrente de "Pagamento Indevido ou a Maior", ao passo que deveria ter sido indicado "Saldo Negativo de CSLL. Sustenta que teria sido esse o motivo da não localização de pagamento a maior. O DARF indicado na DCOMP, correspondia exatamente aos débitos declarados em DCTF. Apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente demonstrando o referido erro de preenchimento que inviabilizou a DCOMP. A DRJ/REC concluiu que "o julgador administrativo não é competente para apreciar pedido de retificação de crédito informado na Declaração de Compensação". A recorrente foi intimada do acórdão de manifestação de inconformidade e protocolou recurso voluntário tempestivamente. Em suas razões, a recorrente sustenta: · reportase à Ficha 17 de sua DIPJ, em que registra saldo negativo de CSLL de R$ R$ 325.789,59 e afirma que a empresa recorrente dispunha de saldo negativo de CSLL apto a alicerçar sua pretensão de compensação; Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10283.901235/201530 Acórdão n.º 1302003.454 S1C3T2 Fl. 4 3 · em função do equívoco ocorrido em relação à indicação da origem do referido crédito "Pagamento Indevido ou a Maior" ao invés de "Saldo Negativo de CSLL" a delegacia responsável pelo exame da DCOMP não detectou o direito creditório postulado; · não obstante o fato de que havia a possibilidade de retificar a DCOMP, a recorrente só tomou ciência do equívoco cometido no momento em que recebeu o Despacho Decisório informandoa sobre a não homologação de sua compensação; · a Delegacia de Julgamentos, ao invés de adotar conduta proativa e que promovesse a busca da verdade material, declarouse incompetente para proceder a retificação das declarações apresentadas pelo contribuinte; · ciente da existência de fortes indícios de que efetivamente a empresa recorrente teria cometido erros de preenchimento na documentação creditícia, caberia a essa autoridade julgadora, determinar o retorno do processo à origem para que a delegacia competente reapreciasse o pedido de compensação, desconsiderando o aludido erro de preenchimento da DCOMP; · a existência do direito de crédito do contribuinte advém de apuração contábil e não pode ser obstado em razão de meros erros no preenchimento do respectivo documento de compensação; · se assim fosse, haveria inaceitável sobreposição da forma administrativa ao direito material legalmente assegurado ao cidadão administrado. E, como consequência desse fato, haveria o risco de locupletamento do Fisco Federal, mediante o recebimento de receitas não previstas em lei; · os equívocos nos quais incorreu a empresa recorrente no momento de formalização da DCOMP, não tornam inexistente o seu direito creditório liquido, certo e amplamente embasado em documentação fiscal e contábil; · citou acórdãos do Carf que concluíram pelo baixa dos autos à DRF para que fosse apreciado o alegado direito creditório e o alegado erro de preenchimento, à vista das evidências e especificidades dos casos examinados; · requereu que esta Turma determinasse a remessa do feito à delegacia de origem para que lá a DCOMP seja reprocessada. Fundamentou o pedido nos acórdãos citados e nas disposições do art. 147, CTN; · invoca o princípio da verdade material; É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10283.901235/201530 Acórdão n.º 1302003.454 S1C3T2 Fl. 5 4 1302003.451, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10283.901232/2015 04, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1302003.451): Conheço do recurso voluntário, à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade. Verificase que a recorrente enviou a DCOMP n° 02826.34969.110311.1.3.048788, em 11 de março de 2011, para compensar débito de IRPJ (cód. rec. 2362) no montante de R$ 124.097,15, com crédito de R$ 326.819,73. Por equívoco, indicou que o crédito seria originário de pagamento a maior de IRPJ, por estimativa apurada no exercício findo em 31/12/2010. Na tentativa de demonstrar o equívoco, esclareceu que o crédito indicado referiase ao DARF, período de apuração de 30/10/2010, código da Receita Federal 2362, no valor de R$ 759.616,05, arrecadado em 30/12/2010. Alega que esse pagamento, em realidade, teria sido destinado à liquidação do débito confessado em DCTF. Para ilustrar suas alegações, quanto à sucessão de acontecimentos e comprovar a existência de direito creditório, a recorrente apresentou os seguintes quadros: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10283.901235/201530 Acórdão n.º 1302003.454 S1C3T2 Fl. 6 5 Em que pese o esforço da recorrente, as informações apresentadas não são suficientes para evidenciar a real existência do direito creditório invocado. A alegação de que teria havido equívoco no preenchimento da DCOMP (indicação de que teria sido pagamento indevido ou a maior ao invés de Saldo Negativo), não elide a necessidade de comprovação do crédito, por meio de documentos hábeis e idôneos. Embora a jurisprudência deste Conselho, venha admitindo a convolação do pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior em pedido de restituição de saldo negativo, quando devidamente demonstrado, a recorrente não trouxe a comprovação do erro de fato. O próprio valor informado na DIPJ não corresponde ao saldo pleiteado, o que, com mais razão, exigiria a comprovação documental. A recorrente teve a oportunidade para apresentar escrita contábil e respectivo suporte para se concluir, com certeza e precisão, sobre o valor do alegado saldo negativo e a sua disponibilidade para a utilização na DCOMP em questão. Todavia, não se desincumbiu de tal providência. Assim, à mingua da comprovação do alegado crédito, não vejo como acolher as pretensões da recorrente. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10283.901235/201530 Acórdão n.º 1302003.454 S1C3T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.008603/2006-86
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-001.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 86 03 /2 00 6- 86 Fl. 127DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2003, anocalendário de 2002, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 5.863,26 (atualizado até maio de 2009). Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de comprovação do efetivo pagamento no valor de R$8.000,00 bem como dedução indevida com dependente. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação argumentando ilegalidade na postura da autoridade fiscal pois estaria presumindo má fé do contribuinte. Colaciona diversos argumentos doutrinários para sustentar as suas afirmações. Não apresentou nenhuma impugnação quanto à glosa de dedução com dependente, o que torna a matéria incontroversa. A DRJ Recife, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não foram suficientes para comprovar as despesas, devendo, pois ser mantida a glosa das despesas médicas (não teriam sido comprovados os pagamentos, nem teria a especificação do beneficiário dos serviços médicos e nem o endereço profissional). Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação do pagamento, quando se apresenta recibos comprovando as despesas, argumenta ser ilegal a exigência de comprovação de pagamento e traz doutrina para sustentar as suas afirmações novamente. Salientese que não traz nenhuma nova documentação para tentar comprovar a efetividade das despesas glosadas. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 19647.008603/200686 Acórdão n.º 2001001.054 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos INCOMPLETOS, faltando informação de beneficiário e endereço profissional do prestador, além da efetiva comprovação de pagamento, solicitada pela autoridade fiscal.. Ou seja, a documentação apresentada levantou dúvidas na autoridade fiscal, no exercício da sua função. No entanto o contribuinte, ora Recorrente, ao invés de colaborar e apresentar, por exemplo, pelo menos uma declaração dos profissionais, contendo as informações pendentes e ratificando que recebeu a quantia em espécie, ou cheque, ficou apenas argumentando ilegalidade na atividade fiscal da autoridade lançadora. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e Fl. 129DF CARF MF 4 análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação clara e precisa da autoridade fiscal, bem como na decisão a quo, da DRJ Recife, e, por outro lado, a postura meramente argumentativa do Recorrente, sem demonstrar colaboração para comprovar a efetiva existência das despesas e esclarecer as informações faltantes nos recibos apresentados, entendo, pois, que deve ser NEGADO provimento ao Recurso Voluntário e mantida a glosa das despesas médicas em análise. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo, pois, a glosa das despesas médicas em análise. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Fl. 130DF CARF MF Processo nº 19647.008603/200686 Acórdão n.º 2001001.054 S2C0T1 Fl. 4 5 Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. A falta de indicação do nome do paciente, em recibo emitido em nome da contribuinte, sem nenhuma investigação, sem nenhuma indicação de que não se trata o contribuinte o paciente, não se afigura motivo para não aceitação do documento. Constituise prática comum a emissão de recibos dessa maneira. A recusa deve apresentar alguma indicação de falta de idoneidade no documento. Não foi o caso. A falta de endereço no documento, como motivo para recusa, prendese a formalismo que poderia a mais das vezes ser suprido por simples pesquisa. Da mesma forma não inquina o documento de nenhuma inidoneidade. A falta de indicação mais clara do profissional foi alegada pelo acórdão de impugnação, mas o próprio Despacho Decisório ao descrever a prática recorrente de dedução desse profissional o aponta como dentista. Há elementos na documentação que indicam a necessidade de verificação, investigação. O lançamento fez uma tentativa de inquinar inidoneidade por uma prática de dedução repetida de valores elevados do mesmo profissional, mas o que é um indício a investigar passou a ser um fator de recusa. No caso, afora a repetição citada, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Fl. 131DF CARF MF 6 Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; Fl. 132DF CARF MF Processo nº 19647.008603/200686 Acórdão n.º 2001001.054 S2C0T1 Fl. 5 7 VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 133DF CARF MF 8 É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.904019/2015-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.865
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 04 01 9/ 20 15 -2 6 Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13896.904019/201526 Resolução nº 3201001.865 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13896.904019/201526 Resolução nº 3201001.865 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13896.904019/201526 Resolução nº 3201001.865 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13896.904019/201526 Resolução nº 3201001.865 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13896.904019/201526 Resolução nº 3201001.865 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13896.904019/201526 Resolução nº 3201001.865 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 554DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.917743/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada.
Numero da decisão: 3201-004.676
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerando-se a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Recorrente ADELBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ADESIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 77 43 /2 00 9- 48 Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10830.917743/200948 Acórdão n.º 3201004.676 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Para bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório (...) emitido eletronicamente (...), referente ao PER/DCOMP (...). O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, (...). De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que a empresa tem por objeto social a fabricação de adesivos e selantes, bem como a fabricação de sabões e detergentes sintéticos, estando sujeita à apuração de IRPJ pelo lucro real e também enquadrada na sistemática não cumulativa do Pis e Cofins; que na apuração da COFINS, (...), a Manifestante incluiu errôneamente na base de cálculo dessa contribuição, créditos de IPI sobre a aquisição de insumos adquiridos e aplicados no processo produtivo, não sujeitos à tributação, [...]; que deixou de incluir receita financeira [...]; que em razão da inclusão indevida de créditos de IPI, bem como da nova apuração de COFINS (...) a Manifestante incorreu no pagamento indevido da contribuição (...); Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10830.917743/200948 Acórdão n.º 3201004.676 S3C2T1 Fl. 4 3 que procedeu à retificação do Dacon, de modo a excluir as receitas provenientes dos créditos de IPI, ocasionando o pagamento indevido desta contribuição; que realizou também a retificação da DCTF, de modo a convalidar a retificação no Dacon; que as retificações procedidas geraram para a Manifestante o direito ao crédito, sendo passível de compensação com qualquer tributo administrado pela RF. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, nos termos do Acórdão 02 058.258, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada. Repisa o que suscitou em manifestação de inconformidade: que o pagamento a maior da Contribuição decorreu de inclusão indevida, na base de cálculo da Contribuição, de valores de crédito de IPI sobre a aquisição de insumos do processo produtivo e de receita financeira, não sujeitos à tributação. Reafirma que o despacho decisório não considerou em sua análise os valores reapurados da Contribuição informados em Dacon e DCTF retificadores. No Recurso Voluntário, alega apresentar a demonstração detalhada do erro cometido e aduz a certeza do direito, uma vez que, independentemente da retificação do Dacon, o saldo credor apurado era suficiente para a quitação dos débitos a serem compensados. Junta no recurso cópias de: extratos de Dacon e DCTF originais e retificadores, DARF, folhas do Razão, e Memória de Cálculo da Cofins. Roga pela realização de diligência para a apuração da higidez do crédito que é decorrente de erro no preenchimento de Dacon e DCTF. É o relatório. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10830.917743/200948 Acórdão n.º 3201004.676 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.674, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10830.920655/200923, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.674): "Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. Inferese do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito vincendo/vencido no momento do encontro de contas o crédito decorrente de pagamento indevido em confronto com o débito confessado em DCTF. Consta no corpo do despacho decisório que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Há razão à contribuinte no tocante ausência de análise da DCTF retificadora. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10830.917743/200948 Acórdão n.º 3201004.676 S3C2T1 Fl. 6 5 À evidência do teor do despacho decisório, em sua análise automática no encontro de crédito e débito considerouse a DCTF original na qual consignada o débito de Cofins em março/2005 no valor de R$ 38.883,18. A DCTF foi retificada em 30/07/2009, declarando o valor de R$7.160,00 como devido para a Contribuição no mesmo período, e o despacho decisório emitido em 23/10/2009. Sabese que a DCTF retificadora válida e eficaz nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/20081 produz os mesmos efeitos da original. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram desconsiderados no despacho decisório. Temse como premissa que a singela retificação de DCTF, isoladamente considerada, não ampara o direito à restituição de indébito, e de outra banda, também não pode, por si só, ser obstáculo à sua devolução. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Idêntica situação foi enfrentada por este Colegiado no julgamento do processo nº 10880.919993/200927, sessão de 25/07/2018, com a prolação do Acórdão nº 3201004.069, de relatoria do Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, que por unanimidade de votos decidiu prover parcialmente o recurso voluntário para que os autos retornassem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/10/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, 1 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10830.917743/200948 Acórdão n.º 3201004.676 S3C2T1 Fl. 7 6 substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. Por tudo ante exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCTF retificadora também foi transmitida pelo contribuinte antes da data de emissão do Despacho Decisório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.904849/2012-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 17/11/2009
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito para compensação.
Numero da decisão: 3302-006.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito para compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 48 49 /2 01 2- 07 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10855.904849/201207 Acórdão n.º 3302006.565 S3C3T2 Fl. 3 2 Transcrevo e adoto como parte de meu relato o relatório do acórdão da DRJ/RPO nº 1475.040, da 14ª Turma, proferido na sessão de 27 de novembro de 2017: Tratase de Despacho Decisório, que homologou parcialmente Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: Tratase, no caso, de declaração de compensação apresentada pela Requerente, com crédito de pagamento indevido ou a maior de COFINS, do mês de Novembro/2009, supostamente relativo a um processo administrativo. Naquele período, a Requerente apurou R$ 5.926.995,62 como devido a título de COFINS, o qual foi compensado com outros débitos pela DCOMP n° 01421.27530.151209.1.03.045641, como devidamente demonstrado na DCTF do período (doc. 04). Contudo, por equívoco, a Requerente pagou um DARF no valor de R$ 276.545,80, relativo ao mesmo período, por entender que existiriam outros valores devidos naquele período. Assim é que, ao verificar que este segundo pagamento (R$ 276.545,80) era indevido, a Requerente apresentou PERDCOMP pleiteando a compensação de débitos de COFINS de Novembro/2009. ... Realmente, com a máxima vénia, ao contrário do que entendeu a r. decisão proferida, os valores devidos a título de PIS em Novembro/2009 foram integralmente compensados, como se verifica da DCTF (doc. 04), tendo sido o pagamento de R$ 60.039,54 feito indevidamente, razão pela qual o crédito de PIS existe e é suficiente para a compensação pleiteada. ... Na DCTF, entregue em 08/01/2010, consta formalmente esta informação acerca do pagamento de todo o valor de COFINS devido por meio de compensação, como se verifica das cópias Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10855.904849/201207 Acórdão n.º 3302006.565 S3C3T2 Fl. 4 3 anexas (doc. 04), em que está expressamente mencionada a DCOMP 01421.27530.151209.1.3.045641. Na sequência, a contribuinte elabora teses sobre o que entende serem violações a princípios tais como razoabilidade e proporcionalidade. Em razão dos argumentos desenvolvidos pela interessada, foi o julgamento convertido em diligência, por meio da Resolução nº 3.516, de 03 de agosto de 2015, para que a autoridade jurisdicionante juntasse aos autos os elementos do PAF 10830.919316/200902 que pudessem ter relação com os créditos reivindicados no presente processo. Os resultados do procedimento foram expostos na Informação DRF/SEORT nº 174, de 21 de agosto de 2017, os quais serão tratados no voto. Conforme se depreende do relato acima transcrito, tendo em vista a necessidade de mais elementos que pudessem esclarecer a existência do crédito pleiteado pela recorrente, a DRJ determinou a realização de uma diligência, para que se trouxesse ao presente processo as resoluções de outro (10830.919316/200902), que pudesse influir na decisão. A diligência foi realizada e apresentou as seguintes conclusões: INFORMAÇÃO DRF/SOR/SEORT nº 174, de 21 de agosto de 2017 Interessado: HUAWEI SERVIÇOS DO BRASIL LTDA CNPJ: 06.126.425/000128 Assunto: Diligência eprocesso nº 10855.904849/201207 Tratase da análise da Declaração de Compensação 15314.79323.171010.1.7.040018 vinculada a crédito oriundo de alegado pagamento indevido de COFINS – código 5856, efetuado em 17/11/2009 no montante total de R$ 276.545,80. Tal Declaração foi objeto de processamento eletrônico com Despacho Decisório emitido em 04/09/2012, o qual homologou parcialmente a compensação pretendida pelo fato do pagamento estar vinculado ao processo 10830.919316/200902. O interessado apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alega, em síntese, que apurou R$ 5.926.995,62 relativo a Cofins do Período de Apuração Novembro/2009, valor este compensado através da DCOMP 01421.27530.151209.1.3.04 5641, e que por equívoco pagou um DARF no valor de R$ 276.545,80, relativo ao mesmo período. Através da Resolução 3.516 – 14ª Turma da DRJ/RPO decidiuse por converter o julgamento em diligência para juntada aos autos de elementos contidos no PAF nº 10830.919316/200902 que possam evidenciar a vinculação do crédito pleiteado pela Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10855.904849/201207 Acórdão n.º 3302006.565 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuinte a outros débitos conforme consta no Despacho Decisório e para manifestação sobre o crédito detido pela contribuinte no âmbito deste processo. Conforme telas de fl 84, o processo 10830.919316/200902 se refere a cobrança vinculada ao processo nº 10830.917221/200946 relacionado à DCOMP 41501.81842.170108.1.3.048241. Tal DCOMP foi objeto de análise com não homologação sendo que os débitos relacionados foram extintos por pagamento. Ou seja, o DARF relativo a COFINS efetuado em 17/11/2009 e pleiteado como pagamento indevido foi efetuado para extinguir débito não compensado na DCOMP citada. Acrescentamos que o próprio contribuinte informou no DARF o número do processo de cobrança 10830.919316/200902. Acrescentamos também que é contraditória a alegação na manifestação de inconformidade de que o pagamento se refere a Cofins de novembro/2009, já que o DARF foi recolhido em 17/11/2009 antes do encerramento de tal período de apuração. Retornese à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto para prosseguimento. <assinado digitalmente> Cristina Daffre AuditoraFiscal RFB Matrícula 1.295.536 SEORT/DRF/SOROCABA A decisão da DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por entender não ter havido a comprovação da veracidade do crédito objeto da compensação, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 17/11/2009 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10855.904849/201207 Acórdão n.º 3302006.565 S3C3T2 Fl. 6 5 Devidamente intimada da decisão acima, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. O inconformismo contra a r. decisão de piso, cingise na falta de prova da liquidez e certeza do crédito da recorrente. Segundo o despacho decisório, que utiliza o sistema da RFB para consultar as informações declaradas pelo contribuinte, não houve homologação porque os dados lançados na PER/DCOMP não correspondiam àqueles lançados em DCTF, sendo certo que os valores do DARF supostamente pago a maior era exatamente aquele lançado como dívida. Após a ciência do despacho decisório, a recorrente promoveu a manifestação de inconformidade, apresentando cópia do documento retificador, da declaração original, do DARF, em DACON retificada, do período que supostamente haveria o crédito. Entendendo haver dúvidas relacionadas à existência do crédito apontado pela recorrente, a DRJ determinou a realização de diligência, a qual apontou o seguinte resultado: Conforme telas de fl 84, o processo 10830.919316/200902 se refere a cobrança vinculada ao processo nº 10830.917221/200946 relacionado à DCOMP 41501.81842.170108.1.3.048241. Tal DCOMP foi objeto de análise com não homologação sendo que os débitos relacionados foram extintos por pagamento. Ou seja, o DARF relativo a COFINS efetuado em 17/11/2009 e pleiteado como pagamento indevido foi efetuado para extinguir débito não compensado na DCOMP citada. Acrescentamos que o próprio contribuinte informou no DARF o número do processo de cobrança 10830.919316/200902. Acrescentamos também que é contraditória a alegação na manifestação de inconformidade de que o pagamento se refere a Cofins de novembro/2009, já que o DARF foi recolhido em 17/11/2009 antes do encerramento de tal período de apuração. Ressaltase que a recorrente em momento algum do processo conseguiu infirmar as informações que noticiaram a não existência do crédito pleiteado. Vale dizer, não trouxe aos autos documentos que demonstrassem de forma cabal a existência de seu direito. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10855.904849/201207 Acórdão n.º 3302006.565 S3C3T2 Fl. 7 6 É importante frisar que a retificação das declarações pode ser feita antes ou depois do despacho, pois o critério temporal é irrelevante para fins de conhecimento do crédito. No entanto, somente a retificação das declarações não se presta a demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pela contribuinte, havendo a necessidade de apresentação de provas idôneas, como demonstrativos contábeis e documentos fiscais, que demonstrem a existência do crédito. Vale dizer, é necessário que o contribuinte demonstre por meio de provas o suposto equivoco no preenchimento das declarações originais. Pois bem. No âmbito deste Colegiado é pacífico o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do direito creditório é do contribuinte, conforme exemplificam os acórdãos trazidos abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (Acórdão 3401005.408. Relatora Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Data da Sessão 24/10/2018.) Desta forma, não há como serem atendidas as alegações da recorrente, devendo persistir na negativa do direito creditório pleiteado, mantendose a r. decisão de piso. Quanto a alegação de violação a princípios constitucionais, como a razoabilidade proporcionalidade, tais questões não são afetas e este Colegiado, que por disposição trazida por Súmula, fica impedido de analisálas, observese: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10855.904849/201207 Acórdão n.º 3302006.565 S3C3T2 Fl. 8 7 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.002956/2007-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar à DRJ que se manifeste em relação aos itens "a" e "b" da impugnação, não examinados quando de sua decisão.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar à DRJ que se manifeste em relação aos itens "a" e "b" da impugnação, não examinados quando de sua decisão. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
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ANOCALENDÁRIO 2006 As irregularidades, incorreções e eventuais omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar à DRJ que se manifeste em relação aos itens "a" e "b" da impugnação, não examinados quando de sua decisão. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 29 56 /2 00 7- 19 Fl. 51DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 0522.745, da 1a Turma da DRJ/CPS que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o Auto de Infração que exigiu a multa por atraso na entrega das DCTF relativa ao segundo semestre do ano calendário 2006, cujo crédito tributário (valor original) é de R$ 4.878,43. Transcrevo, a seguir, o relatório: Impugnando, aduz o contribuinte, de início, a entrega em atraso, contudo, antes de qualquer procedimento de ofício. Na seqüência, questiona o valor da penalidade imposto, argumentando: 6 a legislação tributária é clara ao determinar que a multa pelo atraso será aplicada à incidência de 2% sobre a fração de mês pelo atraso 7.1 o prazo final da entrega da DCTF, para o caso, era o dia 09/04/2007. 7.2 a data da entrega efetiva foi o dia 22/05/2207, portanto, 42 dias após o prazo final; 7.3 a fração ideal, portanto, a ser aplicada ao faturamento para cálculo da multa, seria de 1,39 e não 2, Com base nesse entendimento, pleiteia a nulidade do feito. Informa ter efetivado recolhimento de parte da exigência, correspondente a 50% da multa mínima (cópia de DARF juntada ã fl.5). A recorrente foi cientificada da decisão em 26/09/2008 (fl 39) e apresentou o seu recurso voluntário em 23/10/2008 ( fl 41) Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente alega: 2 A decisão de primeira instância julgou procedente o lançamento tributário, nos termos de sua fundamentação. 3 Contudo, deixou de se pronunciar expressamente acerca dos demais pedidos alternativos formulados pela parte autuada, quais fossem: ' a) não promoveu a ordem de compensação dos valores já recolhidos a titulo de pagamento da multa cominatória; b) não se manifestou acerca da devolução do prazo para pagamento da multa integral, com o desconto de 50% sobre o valor, em função da impugnação apresentada 4 Como é sabido pelo melhor direito administrativo, em especial o da esfera federal, todos os pedidos consignados em sede de impugnação administrativa devem Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10805.002956/200719 Acórdão n.º 1001001.135 S1C0T1 Fl. 3 3 ser apreciados e manifestamente apontados pelo órgão julgador, sob pena de julgamento citra perita, além de possível cerceamento de defesa 5 Ademais, a fundamentação apontada pela decisão de 1a Instância instaurouse tão somente acerca da discussão do instituto da denúncia espontânea, de modo que não se desimcumbiu a administração pública do oficio de rever seu posicionamento. Realmente, do voto da DRJ, observase que somente uma questão suscitada na impugnação foi, de fato, analisada por aquela instância. Senão vejamos: De início, é de se registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Ademais, tratase de procedimento sumário de revisão interna da declaração, permitido pela legislação. Outrossim, descabida o argumento vinculado à “suspensão do crédito”, posto que não se trata de exigência principal; tampouco, está se exigindo “multa por recolhimento em atraso”. Tratase de exigência decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Demais disso, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário aqui cogitado resultado da imposição de multa por atraso na entrega de DCTF decorre da própria interposição da impugnação. É de se ponderar, ainda, que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações Acessórias", que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. _113, § 2° do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3°, do CTN). Assirn é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazêlo no prazo previamente determinado. Portanto, havêla entregue, tão só, não exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer entendimento em contrário implicaria tomar letra morta os dispositivos legais em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular 0 cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. Quanto à alegada entrega da declaração “antes de qualquer procedimento de ofício”, inaplicável ao caso a figura da denúncia espontânea, contemplada no art. 138 do CTN, porque, juridicamente, só é possível haver denúncia espontânea de fato desconhecido pela autoridade, o que não é o caso do atraso na entrega da declaração, que se torna ostensivo com o decurso do prazo fixado para a sua entrega tempestiva. Sobre o assunto, foi o seguinte o posicionamento do STJ em decisão unânime de sua Primeira Turma provendo o RE da Fazenda Nacional n° 246.963/PR (acórdão publicado em O5/06/2000 no Diário da Justiça da União DJUe): Fl. 53DF CARF MF 4 ... Citese, ainda, Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 02 01.046, sessão de 18/O6/O1, assim ementado: ... Quanto ao valor da penalidade, essa questão está esclarecida na “descrição dos fatos/fundamentação” parte do auto de infração: “a entrega da DCTF fora do prazo enseja a aplicação de multa correspondente a 2% por mêscalendário ou fração. Ou seja, a multa é imputada não por dia de atraso, mas por mês, sendo considerado mês também a sua fração. Dessa forma, para o caso, temse: ' 1° semestre 2006: prazo final = 09/04/07; data da entrega = 22/05/07; n° de meses em atraso = 2 por conta, exatamente, da consideração das frações dos meses de abril (1° mês de atraso) e maio (mês da entrega). Nesse contexto, impertinente a alegação de nulidade do procedimento. O No mais, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Entendo como correto o posicionamento a respeito do cálculo da multa. Por outro lado, a recorrente não alegou o art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, que trata da denúncia espontânea, sendo desnecessária a análise da DRJ a este respeito. A recorrente requer (fl 03): 10 Isto posto é o presente para requerer a V. Sa.: a) em face da irregularidade na apuração do valor da multa cominatória pela entrega em atraso da DCTF, seja o presente auto de infração considerado nulo e insubsistente, para todos os fins de direito, nos termos do PAF; b) que, em assim não entendendo V. Sa., dignese a promover a correção dos valores do auto, bem como promover, em sede de oficio, a compensação da multa já efetivamente recolhida, conforme comprovante anexo; c) que, em admitindo V. Sa. a simples correção dos valores relativos à aplicação da multa pelo atraso, que seja devolvido o prazo para pagamento à empresa, bem como seja concedido o mesmo desconto legal de 50% para o valor, tendo em vista que a incorreção dos cálculos enseja nulidade dos prazos de vencimento, para todos os fins. Dispõe o artigo 59, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Entretanto, o artigo 60, do mesmo diploma legal, dispõe que: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10805.002956/200719 Acórdão n.º 1001001.135 S1C0T1 Fl. 4 5 passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Das três alegações da recorrente, de fato, apenas uma foi rebatida diretamente pela DRJ. Entretanto, esta representava exatamente o cerne da questão em discussão, ou seja a questão relativa ao valor da multa onde a recorrente alega cálculo incorreto e que a DRJ logrou êxito ao comproválo, não restando dúvida que, com base na legislação em vigor (citada no auto de infração). Dispõe o art. 7°, inciso II, da Lei 10.426/2002: Art. 7° O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; Como não houve erro na apuração do valor da multa, conforme demonstrado no acórdão da DRJ e previsto na lei (acima citada), não vejo nenhuma razão para declarar a nulidade do auto de infração. Quanto às demais alegações da recorrente, na impugnação e repetidas no presente recurso voluntário, (letras "a" e "b", da impugnação, fl. 03), é inegável que a DRJ não apreciou estes argumentos, quais sejam: b) que, em assim não entendendo V. Sa., dignese a promover a correção dos valores do auto, bem como promover, em sede de oficio, a compensação da multa já efetivamente recolhida, conforme comprovante anexo; c) que, em admitindo V. Sa. a simples correção dos valores relativos à aplicação da multa pelo atraso, que seja devolvido o prazo para pagamento à empresa, bem como seja concedido o mesmo desconto legal de 50% para o valor, tendo em vista que a incorreção dos cálculos enseja nulidade dos prazos de vencimento, para todos os fins.Em relação a letra "a", a compensação/restituição de multas pagas indevidamente ou a maior segue rito próprio (PER/DCOMP). Ou seja, nem a DRJ e nem o CARF são competentes para declarar qualquer compensação de ofício. Fl. 55DF CARF MF 6 Assim, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração, para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar à DRJ que se manifeste em relação aos itens "a" e "b" da impugnação, não examinados quando de sua decisão, devendo cientificar à recorrente e abrir novo prazo para recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18186.003781/2007-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DIPJ. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMA. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE .
Aplicação da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1003-000.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO - DIPJ. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMA. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE . Aplicação da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
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(METALURGICA ALCA LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMA. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE . Aplicação da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 37 81 /2 00 7- 11 Fl. 93DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1423.794, proferido pela 3ª Turma da DRJ/RPO, (fls 21/24), que julgou procedente o lançamento efetuado mediante o Auto de Infração, fls. 06, relativo à multa por atraso na entrega de sua Declaração de Informações da Pessoa Jurídica DIPJ, referente ao anocalendário de 2004, no valor de R$ 16.606,02. nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. Lançamento Procedente Inconformada com tal decisão, a Recorrente, apresentou recurso voluntário, destacando, em síntese, que o lançamento está eivado de inconstitucionalidades, não estabeleceu o sequer desconto previsto na legislação em vigor, que a IN 541/2005 contraria a CF , e que, se fosse o caso, deverseia aplicar a multa mínima de R$500,00 tendo em vista o principio da capacidade contributiva. Por fim, requer ser julgada a cobrança, em discussão, nula, inepta e improcedente. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Conforme detalhado no relatório, o cerne da questão é a cobrança de multa por atraso na entrega da DIPJ relativa ao anocalendário de 2004. A Recorrente alega que a multa exigida com base na IN 541/05 seria inconstitucional, além de ter desrespeitado a norma de regência ao não lhe comunicar a possibilidade de efetuar o pagamento com desconto. Reclamou, ainda, da exigência de juros de mora e encargo legal sobre a multa lançada, sem base legal. Por fim, pleiteou a aplicação da multa mínima de R$ 500,00. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 18186.003781/200711 Acórdão n.º 1003000.427 S1C0T3 Fl. 3 3 Por entender serem irretocáveis as considerações realizadas pela DRJ no acórdão de piso são irretocáveis, colaciono parte de seu texto neste voto De plano, esclareçase que, conforme se pode verificar do auto de infração (fl. 2), nele se está exigindo tãosomente a multa por atraso na entrega da DIPJ, no valor de R$16.606,02, sem qualquer incidência de juros de mora ou qualquer outro encargo legal, como afirmado pela impugnante. Ademais, o auto de infração é bastante claro na demonstração da multa, ou seja, apurouse o percentual de 2% sobre a quantidade de meses/fração de atraso (11 meses), limitado a 20%. Portanto, no caso foi aplicada a multa de 20% sobre o imposto devido apurado na declaração (R$ 166.060,27). Ainda constou que a multa devida foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude de entrega espontânea da declaração. A exigência se fez com base na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art.106, II "c", na Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 88, na Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 27, e na Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7 °. A despeito da afirmação contrária da impugnante, constou sim do auto de infração (item 6 Intimação) a possibilidade de ainda recolher a multa com redução, de 50% para pagamento à vista até o vencimento e de 40% para pedido de parcelamento. 0 próprio valor da multa indicado no item 8 (dados para preenchimento do Darf até o vencimento) já estava com a redução de 50% (R$ 8.303,01). Quanto ao pedido para que se aplique a multa mínima de R$ 500,00, como visto a aplicação da multa seguiu a legislação que rege a matéria, com seu cálculo demonstrado no auto de infração. A multa mínima só tem lugar quando a multa assim calculada resulta em valor inferior a R$ 500,00, que não foi o caso. Ademais, no tocante às questões relativas à suposta inconstitucionalidade do lançamento estas também não logram êxito, pois as autoridades administrativas de julgamento não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações à Constituição Federal/88. Esse entendimento está consolidado pela Súmula CARF nº 2, in verbis: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Desta forma, ficou claro que a decisão proferida pela DRJ não merece reforma e que a entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica Fl. 95DF CARF MF 4 (DIPJ) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a Recorrente à incidência da multa correspondente Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.901875/2013-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2012
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
ERRO DE FATO.
Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.162
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tão-somente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.901868/2013-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2012 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tão-somente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.901868/2013-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
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ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 18 75 /2 01 3- 33 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10660.901875/201333 Acórdão n.º 1401003.162 S1C4T1 Fl. 3 2 decidido no julgamento do processo 10660.901868/201331, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Tratase de Despacho Decisório, por meio do qual a Autoridade Administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu o pedido de repetição de indébito e não homologou declaração de compensação realizada pelo contribuinte. De acordo com o PER/DComp, o crédito pleiteado pelo contribuinte seria decorrente de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL. Todavia, a Autoridade Administrativa, ao exercer sua competência para examinar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, concluiu pela inexistência de crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido, tendo em vista a integral utilização para a quitação de estimativa mensal. Desta forma, no Despacho Decisório, indeferiu o pedido de repetição de indébito e não homologou as compensações realizadas pelo contribuinte. Diante da resposta negativa, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual, em síntese, alegou que houve um erro de fato no preenchimento do PER/DComp e que o crédito pleiteado referiase, em verdade, a Saldo Negativo de CSLL. Juntou documentos. Em vista do erro de fato no preenchimento do PER/DComp, o contribuinte pediu que houvesse a retificação do PER/DComp para considerar o crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL e que fosse homologada a compensação. A DRJ, na decisão ora combatida, não conheceu do pedido do contribuinte por considerarse incompetente para decidir sobre a retificação de PER/DComp, uma vez que o contencioso tem o escopo determinado pela Manifestação de Inconformidade do contribuinte em face do Despacho Decisório, que versou exclusivamente sobre crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e não de saldo negativo de CSLL. Considerou a DRJ que estaria invadindo a competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil, a quem compete os atos primários, tais como lançamentos de ofício (autos de infração e notificações de lançamento) e despachos decisórios acerca de pedidos de repetição de indébito. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10660.901875/201333 Acórdão n.º 1401003.162 S1C4T1 Fl. 4 3 Na fundamentação, a DRJ destaca que a DRF tem competência para retificar de ofício o crédito declarado, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Notificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.158 de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10660.901868/201331, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.158): O recurso voluntário é tempestivo e cumpre os requisitos legais. Passo a analisálo, ressalvandose o conhecimento parcial das matérias alegadas pelo contribuinte, conforme será exposto. No que tange às razões adotadas pela DRJ para não conhecer da Manifestação de Inconformidade, impende asseverar, de pronto, que as autoridades julgadoras não detêm competência para a realização de atos primários, como se vê na lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) É oportuno reprisar que o crédito que foi submetido pelo contribuinte à análise de liquidez e certeza por parte da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil, com fulcro no artigo 170 do CTN, derivava de pagamento a maior ou indevido de CSLL. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10660.901875/201333 Acórdão n.º 1401003.162 S1C4T1 Fl. 5 4 O pedido de repetição decorrente do direito creditório calcado em pagamento a maior ou indevido de CSLL foi corretamente indeferido pela autoridade administrativa competente. E, na esteira dos ensinamentos acima mencionados, as autoridades julgadoras são incompetentes para efetuar o exame inaugural da liquidez e certeza de um crédito diverso, qual seja, de um crédito decorrente de saldo negativo de CSLL. Todavia, na Manifestação de Inconformidade e no recurso voluntário, o contribuinte formulou dois pedidos. O primeiro deles versa sobre a retificação do erro de fato cometido no PER/DComp, de forma a se considerar o pedido de repetição de indébito de crédito decorrente de saldo negativo de CSLL. No segundo, pede o reconhecimento do direito creditório e a homologação da declaração de compensação. Os pedidos demandam uma análise detalhada, em partes. Em relação ao primeiro pedido, adoto como razão de decidir a fundamentação exarada no Acórdão nº 1301003.599, de relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Embora aquele processo tratasse de IRPJ e não de CSLL, sua lógica jurídica é perfeitamente aplicável ao presente caso: O crédito a que refere a Recorrente tratase de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a Per/DComp para declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. O ponto aqui é que a Per/DComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, inclusive na própria DCOMP, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10660.901875/201333 Acórdão n.º 1401003.162 S1C4T1 Fl. 6 5 determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. Vêse que tanto a decisão de piso sob análise, quanto o precedente acima mencionado destacam em suas fundamentações a possibilidade de retificação de ofício, por parte da autoridade da DRF, do crédito objeto do Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10660.901875/201333 Acórdão n.º 1401003.162 S1C4T1 Fl. 7 6 PER/DComp, nos termos do no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. No caso da decisão a quo, não se conheceu da Manifestação de Impugnação. Ao não tomar conhecimento, a DRJ evitou que a matéria fosse submetida ao contencioso, o que poderia redundar no afastamento da competência da DRF para realizar a revisão de ofício. Neste diapasão, havendo a comprovação do erro de fato na demonstração do crédito, a autoridade administrativa da DRF poderia, de ofício, considerar o crédito decorrente de saldo negativo e passar à análise de liquidez e certeza. No precedente da 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF supra, dáse um passo a mais ao conhecer parcialmente o primeiro pedido do contribuinte tãosomente para "afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada". Reconhece se, assim, o erro de fato que autoriza a autoridade administrativa a realizar a revisão de ofício, nos termos do Parecer COSIT já citado. É relevante ressaltar que a presente decisão não conhece do primeiro pedido do contribuinte, na parte que versa sobre a retificação de ofício do PER/DComp. Os órgãos julgadores, como asseverado alhures, são incompetentes para realizar o ato administrativo inaugural de revisão de ofício do PER/DComp do contribuinte com vistas à análise de crédito diverso, qual seja, saldo negativo de CSLL. Não se conhece, ademais, do segundo pedido, que trata do deferimento do crédito pleiteado e da homologação da compensação declarada. Desta forma, não se afasta a competência da autoridade da DRF de verificar a ocorrência da hipótese de revisão de ofício, de realizar o exame inaugural da liquidez e certeza do crédito pleiteado e, se for o caso, de homologar a compensação com débitos vencidos ou vincendos, conforme Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Conclusão Voto por conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação acima, e afastar o óbice de revisão de ofício do Per/DComp apresentado. Restituase os autos para análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10660.901875/201333 Acórdão n.º 1401003.162 S1C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907906/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/05/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO PARA PERÍODO POSTERIOR A LEI 9.718/98. . RESTITUIÇÃO. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO.
A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não-cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 3402-006.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração interpostos para dar-lhe provimento com efeitos infringentes e, com isso, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado),Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO PARA PERÍODO POSTERIOR A LEI 9.718/98. . RESTITUIÇÃO. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da nãocumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração interpostos para darlhe provimento com efeitos infringentes e, com isso, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 79 06 /2 01 1- 71 Fl. 121DF CARF MF 2 de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado),Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Por bem retratar o caso, emprego como meu o relatório desenvolvido no acórdão recorrido de n. 0641.511 (fls. 38/42), da lavra da DRJ de Curitiba/PR, o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 09915.71783.210705.1.2.049069, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013473097). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 21/07/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 11.586,17, referente ao pagamento efetuado em 20/05/2004, de Cofins, código de receita 5856, no valor total de R$ 11.586,17. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de Cofins, 5856, do período de apuração de 30/04/2004, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10930.907906/201171 Acórdão n.º 3402006.412 S3C4T2 Fl. 122 3 por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso. 2. Devidamente processada, a manifestação de inconformidade do contribuinte foi julgada improcedente, por intermedio do citado acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 20/05/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 46/49, oportunidade em que repisou as alegações anteriormente desenvolvidas. Aludido recurso, por seu turno, foi julgado procedente pelo acórdão n. 3802004.188 (fls. 92/99), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/05/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das Fl. 123DF CARF MF 4 turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. 4. Devidamente intimada, a União apresentou os embargos de declaração de fls. 101/103, o qual foi admitido pelo r. despacho de fls. 105/108. 5. Diante do potencial efeito infringente do mencionado recurso, foi dada oportunidade para que o contribuinte se manifestasse a respeito (despacho de fls. 109/111). Devidamente intimado (fl. 114), o contribuinte ficou silente. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 7. Os embargos de declaração interpostos são tempestivos e preenchem os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual deles tomo conhecimento. I. Da omissão 8. A União alega que o acórdão embargado seria omisso uma vez que: (...). Pela análise do acórdão nº 3802004.188, verificase a existência de uma omissão/obscuridade, pois o presente processo envolve pagamentos de COFINS realizados sob código de receita 5856, que se refere ao regime não cumulativo, regido pela Lei nº 10.833/03, já em vigor à época do seu período de apuração (30/04/2004). Assim, mesmo em face da fundamentação adotada pelo acórdão, não devem ser excluídas da base de cálculo as receitas Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10930.907906/201171 Acórdão n.º 3402006.412 S3C4T2 Fl. 123 5 financeiras no período de vigência da Lei nº 10.833/03, vez que esta não foi alcançada pela declaração de inconstitucionalidade pelo STF, sendo compatível com o art. 195, I, “b” da Constituição Federal. (...). 9. Com razão a embargante, já que o período do crédito aqui vindicado referese ao mês de maio de 2004, ou seja, quando já vigente o regime nãocumulativo da COFINS. Aliás, essa questão não é nova para o recorrente, que teve casos análogos julgados por esse tribunal sob o rito de recursos paradigmáticos. Nesse sentido, transcrevo a ementa do acórdão paradigmático n. 3201004.371, in verbis: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diferentemente da compensação, por ausência de compensação legal, não será considerada tacitamente homologada a restituição, objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, após o prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESCABIMENTO. A decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. 10. Nesta oportunidade o Conselheiro Pedro Rinaldi assim se manifestou em seu voto: (...). Com relação ao mérito, como bem exposto na decisão de primeira instância, a mencionada inconstitucionalidade do denominado "alargamento da base de cálculo do Pis e Cofins" não se aplica ao regime não cumulativo, isto porque a Lei n.º 9718/98, que foi objeto do mencionado julgamento no STF, trata somente do Pis e Cofins no regime cumulativo. Assim, a decisão judicial, proferida pelo Supremo Tribunal Federal sob a sistemática de repercussão geral, que reconhece a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS Fl. 125DF CARF MF 6 e da Cofins, promovido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718, de 1998, não possui influência nas solicitações de restituição de PIS ou de Cofins calculados no regime da não cumulatividade, com base nas Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. (...). 11. Assim, empregando como meu tais fundamentos acima transcritos, o que faço com fundamento no art. 50, § 1o A da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para reconhecer a omissão ventilada pela embargante. Dispositivo 12. Ante o exposto, voto por conhecer os embargos de declaração interpostos para darlhe provimento com efeitos infringentes e, com isso, negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 13. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 11829.720004/2017-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que se faça o confronto entre o estoque existente à época e as importações realizadas no período, para que se verifique, conclusivamente, se havia mercadorias que poderiam ter sido apreendidas.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Relatório
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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PERDIMENTO. Recorrentes TENNIS SPORTS COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA E FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que se faça o confronto entre o estoque existente à época e as importações realizadas no período, para que se verifique, conclusivamente, se havia mercadorias que poderiam ter sido apreendidas. Rosaldo Trevisan Presidente. (Assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa TENNIS SPORTS COMERCIO, EXPORTACAO E IMPORTACAO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA, doravante denominada TENNIS, referente à pena de perdimento por dano ao erário das mercadorias importadas pelas Declarações de Importação listadas nos autos, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de sua apreensão, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 29 .7 20 00 4/ 20 17 -4 7 Fl. 2732DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.733 2 nos termos do art.23, IV, V e §3º do DecretoLei n° 1.455/1976, com crédito tributário no valor total R$ 17.497.135,44 (dezessete milhões, quatrocentos e noventa e sete mil, cento e trinta e cinco reais e quarenta e quatro centavos). Foram arrolados como responsáveis solidários as empresas SPORTING PRODUCTS DO BRASIL LTDA, CNPJ 02.989.949/000191, aqui denominada SPORTING, RAQUETES COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS EIRELI, CNPJ 10.656.208/000117, doravante denominada RAQUETES, e FLORSOF ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA ME, CNPJ 08.846.874/000176, doravante denominada FLORSOF, e os sócios FABIAN GUSTAVO PALMIERI (sócio administrador da SPORTING e exsócio da TENNIS), doravante Sr. FABIAN, e sua esposa SILVIA MARIA CARMEN TOYAA PALMIERI (sócia administradora da TENNIS e exsócia da SPORTING), doravante Sra. SILVIA. O acórdão DRJ excluiu do pólo da solidariedade tributária a empresa FLORSOF ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA ME, CNPJ 08.846.874/000176, e por isso recorreu de ofício ao CARF. Existe um Auto de Infração apartado (nº 11829.720003/201701) de aplicação de multa de 10% do valor das importações contra a empresa Sporting Products por cessão de nome. Por bem descrever os fatos reproduzo o relatório que consta no Acórdão DRJ: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos (folhas 21/95), parte integrante e indissociável do Auto de Infração, destacamos o que se segue: 1. A empresa SPORTING PRODUCTS DO BRASIL LTDA, CNPJ 02.989.949/000191, aqui denominada SPORTING, é pessoa fraudulentamente interposta nas operações em que figurou como importadora e adquirente de produtos esportivos das marcas BABOLAT e ARENA, no período de 2012 a 2016. 2. A real adquirente ocultada do Fisco é a empresa TENNIS SPORT COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA, única cliente da SPORTING. 3. O esquema fraudulento foi gerenciado por FABIAN GUSTAVO PALMIERI (sócio administrador da SPORTING e exsócio da TENNIS), doravante Sr. FABIAN, e sua esposa SILVIA MARIA CARMEN TOYAA PALMIERI (sócia administradora da TENNIS e ex sócia da SPORTING), doravante Sra. SILVIA, com o objetivo de obter vantagens tributárias relativas ao recolhimento do ICMS e do IPI na importação e comercialização dos produtos esportivos das marcas BABOLAT e ARENA, lesando o erário e gerando concorrência desleal. 4. A SPORTING possui matriz com endereço declarado à Rua Antônio Galizia, 105, Cambui, Campinas/SP, CEP 13024510 (imagens obtidas junto ao Google Street View remetem a um condomínio residencial); E filial localizada à Rua Olegário Maciel, 531, Passo/MG (imagens do Google Street View apontam casa sem qualquer identificação de empresa). A matriz declarou em GFIP no máximo 2 (dois) funcionários por mês, sendo um deles sempre o sócio SR. FABIAN. A filial em Fl. 2733DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.734 3 Passos/MG, importadora declarada na maioria das DIs, não registrou funcionários no período fiscalizado. 5. A empresa TENNIS tem matriz com endereço declarado à Rua Astolfo Pio, 250, Machado/MG, cujas imagens obtidas junto ao Google Street View remetem a uma pequena loja não compatível com o porte esperado para esse estabelecimento a partir do volume de suas notas fiscais (fl.26), e para esta matriz foram declarados em GFIP no máximo 2 funcionários por mês, sendo um deles sempre a sócia Sra. SILVIA. A filial da TENNIS apresentou endereço declarado à Rua James Clerk Maxwell, 170, Condomínio Techno Park condomínio de empresas com características condizentes com suas operações. A filial em Campinas/SP chegou a declarar mais de 20 (vinte) funcionários por mês no período. 6. Informações obtidas na internet indicam que a TENNIS e a SPORTING constituem um GRUPO que opera de fato em Campinas/SP. Primeiro, o contato BABOLAT no site apresenta o endereço da filial da TENNIS em Campinas e email com domínio @arenababolat. Segundo, entrevista de Sr. FABIAN à revista ISTOÉ Dinheiro, quando se apresenta como sendo da Babolat Arena (imagens às fls. 27/28). 7. Concluiu a fiscalização o seguinte cenário: Só existe uma empresa de fato, localizada no endereço do site da BABOLAT na internet que coincide com o endereço da filial da TENNIS declarado, qual seja, Rua James Clerk Maxwell, 170, Condomínio Techno Park – Galpão 03, Rodovia Anhanguera – KM 105,5, CEP 13069380 – Campinas/SP, local este objeto de diligência. 8. As Notas Fiscais de vendas de mercadorias importadas pela SPORTING para a TENNIS não traduzem a realidade das operações comerciais. Elas seriam apenas instrumentos de simulação de operações. 98% das importações chegaram por Campinas/SP, sendo que 91% (em valor) das mercadorias foram importadas pela filial da SPORTING em Passos/MG, emissora das NFe de Entrada para desembaraço das mercadorias. Estas mercadorias foram vendidas para a TENNIS, principalmente para a matriz em Machado/MG. 64% das vendas da TENNIS são para o Estado de SP e atendidas pela matriz de Machado/MG. Os clientes da TENNIS de MG são atendidas pela filial de Campinas/SP. 9. Indícios apontam que, na realidade, todas as operações ocorreram materialmente no Estado de SP, não circulando mercadorias no estado de Minas Gerais, sendo improvável que as mercadorias tenham sido armazenadas na filial SPORTING em Passos/MG ou na matriz da TENNIS em Machado/MG, dada a estrutura física observada naqueles endereços e a condição logística absurda que a situação exigiria. 10. Os transportadores que constam nas Notas Fiscais de venda da TENNIS de MG são, na maioria, da região de Campinas/SP. Nos Conhecimentos de Transporte Eletrônicos (CTe) vinculados às Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) de entrada das importações realizadas pela SPORTING de MG, é possível observar que as mercadorias são transportadas de Campinas/SP (local de desembaraço) para Fl. 2734DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.735 4 Valinhos/SP (município de residência de SR. FABIAN e SILVA e que já foi endereço da SPORTING/SP). Verificase, ainda, que nas NFe de venda das mercadorias importadas pela SPORTING de Passos/MG para a TENNIS de Machado/MG não há transportador registrado e, portanto, inexistem CTe vinculados. 11. Verificouse a existência do Processo Administrativo Fiscal (PAF) nº 10611.000041/201122 que consiste na autuação em nome da TENNIS/MG em 2011, pela Inspetoria da RFB em Belo Horizonte, por fraude no comércio exterior praticada em conjunto com a SPORTING, ação fiscal iniciada em 02/09/2010. Neste processo observouse que a TENNIS, em função de restrições impostas por sua modalidade de habilitação, registrou importações no regime de entreposto aduaneiro de mercadoria com cobertura cambial (vedada à época), nacionalizadas pela SPORTING. Na ocasião a TENNIS era representante da BABOLAT. 12. Em 2009 foi constituída a empresa RAQUETES, tendo como dirigente/acionista de 99% das cotas a FLORENCIA TOUYAA PALMIERI, filha mais velha do casal Sr. FABIAN e Sra. SILVIA e menor de idade à época. Após autuação fiscal da TENNIS em 2011 a RAQUETES solicitou habilitação para operar no comércio exterior, concedida em 2012 na modalidade limitada a 150 mil dólares por semestre, e realizou importações da marca ARENA. Da coincidência de datas, entendeu a fiscalização que uma possível motivação seria ter uma empresa de backup em caso de complicações junto ao fisco. 13. Em 2013 a RAQUETES foi transformada em Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) em nome de FLORÊNCIA. Destaquese que neste tipo de empresa o sócio não responde com seus bens pessoais pelas dívidas da empresa. O patrimônio declarado pela RAQUETES não representa o patrimônio do grupo, mas é esta empresa que se apresenta juridicamente como BABOLAT. 14. A RAQUETES optou pelo regime do SIMPLES em 2015. Em março de 2016 houve demissão de quase todos os funcionários da TENNIS em Campinas, os quais foram readmitidos na empresa RAQUETES. 15. Ainda em março de 2016, a RAQUETES se habilitou na modalidade ilimitada e passou a importar produtos para tênis de mesa da marca CORNILLEAU. A empresa encerrou a filial em MG e manteve o estabelecimento de Campinas (mesmo endereço da TENNIS). 16. Em junho de 2016, a TENNIS igualmente se habilitou na modalidade ilimitada. 17. A FLORSOF foi constituída em 2007 com Sr. FABIAN e Sra. SILVIA com 49% do capital (R$392.000,00) cada, e as filhas FLORENCIA e SOFIA com 1% (R$8.000,00) cada. Menos de 4 meses depois Sr. FABIAN e Sra. SILVIA redistribuem a totalidade do capital para as filhas (à época com 15 e 11 anos, respectivamente) e omitem essa "doação" da Receita Federal. 18. No campo DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS da declaração de IRPF 2011/2012 da Sra. SILVIA, constatouse que a mesma Fl. 2735DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.736 5 “empresta” recursos próprios para a FLORSOF e se “credita”, postura que demonstra um vínculo que ultrapassa a simples administração da empresa das filhas (fl.48). O mesmo ocorreu com a RAQUETES na DIRPF 2012/2013. 19. De igual modo, na DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS da DIRPF 2015/2016, SR. FABIAN "vende" o veículo de sua empresa SPORTING para a FLORSOF no ano de 2015 e se credita do valor de R$74.900. 20. Da análise das DIRPF de SR. FABIAN, observouse que não recebeu nenhum lucro/dividendo da SPORTING em 2015, apenas R$12 mil de prólabore anual. Do patrimônio de R$3.004.364,36 declarado em 2015, R$597.000,00 são referentes às quotas da SPORTING, R$ 2.047.655,05 de créditos da SPORTING e, ainda R$74.900,00 de crédito referente à venda de veículo à FLORSOF. 21. Já SILVA declarou R$2.114.493,23 de lucros/dividendos recebidos da TENNIS para o mesmo ano de 2015, o que comprovaria que a TENNIS era efetivamente a BABOLAT e, portanto, real adquirente das mercadorias importadas pela SPORTING, concentrando o lucro do GRUPO. Outro ponto foi a declaração de um crédito de R$1.137.587,41 referente a um empréstimo feito a RAQUETES e outro crédito de R$30.500,00 com a FLORSOF. Créditos com empresas em nome das filhas, porém controladas pelo casal indicariam tentativa de ocultação de bens por meio de operações simuladas, pelo receio dos bens pessoais do casal serem arrolados para garantia do crédito tributário, em função da responsabilidade pessoal dos sócios resultante de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, prevista no art.135, II do CTN. 22. Parte das receitas da FLORSOF, empresa administradora de bens próprios, são oriundos de aluguéis dos imóveis onde funcionam de fato a SPORTING, TENNIS e a RAQUETES, conforme documento datado de 10/06/2016 de título "SALDO DE CONTAS", rubrica Florsoft Aluguel conta Florsoft (fl. 48). 23. No processo de revisão de habilitação da RAQUETES em 2016, foi apresentado contrato de locação de imóvel já utilizado pelas empresas do grupo. Neste processo a RAQUETES afirmou ser representante das marcas ARENA (produtos de natação) e CORNILLEAU (produtos de tênis de mesa), mas se omitiu em relação à marca BABOLAT, mesmo sendo o seu CNPJ o apresentado no site da marca no Brasil. 24. Em 06/07/2016, foram diligenciadas a RAQUETES, a TENNIS e a SPORTING. Todas três verificadas no mesmo endereço declarado pela RAQUETES e TENNIS em Campinas. Os três Termos foram assinados pelo funcionário FRANCISCO MEDEIROS ROCHA MATTOS, CPF 402.267.41800, doravante FRANCISCO, designado pelo SR. FABIAN para acompanhar os procedimentos da fiscalização. No momento da diligência ficou claro que quem dava as ordens em todas as empresas era de fato SR. FABIAN, assim como a relação de emprego entre funcionários e as empresas tornouse mera formalidade, pois de fato existia apenas um estabelecimento empresarial atendendo a todas as empresas do GRUPO (fls.55/57). Fl. 2736DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.737 6 25. Confusão operacional entre as empresas RAQUETES, SPORTING e TENNIS. Mesmos funcionários, mesmo local físico e gastos controlados de forma unificada (fl.48). Na fachada da empresa existem alusões às marcas ARENA e BABOLAT. A funcionária TATIANE DE PAULA SOUZA, Analista Financeira, realiza emissões das notas fiscais da SPORTING para a TENNIS e o pagamento da TENNIS para a empresa SPORTING são realizados pela funcionária THALITA LOPES GUIMARÃES CORREA, igualmente Analista Financeira, ambas funcionárias lotadas formalmente na RAQUETES. 26. Foram tiradas fotos e lavrados termos de constatação e entrevistas. Foram retidos arquivos digitais, correspondências, computadores, entre outros. A Sra. SILVIA e o Sr. FABIAN, como representantes das empresas e em atendimento à intimação fiscal, compareceram à sala da Fiscalização em Viracopos, presenciaram a abertura do material retido e prestaram depoimentos tomados via Termo de Declaração nº03/2016 (fls. 58/63) do qual foram extraídos os seguintes trechos: FABIAN respondeu que a representante da marca Arena é a empresa RAQUETES desde 2009, mas que devido à limitação do RADAR da empresa RAQUETES [...] realizou as importações das mercadorias da marca Arena pela empresa SPORTING[...]a função da empresa RAQUETES é realizar as vendas no varejo utilizando exclusivamente a internet para pessoas físicas [...] que a SPORTING funciona como uma trading, isto é, quando sai da alfândega já é transferida a mercadoria para a empresa TENNIS, no mesmo dia, e são armazenadas no depósito da empresa TENNIS na cidade de Campinas [...]da empresa RAQUETES as mercadorias da marca Cornilleau não são transferidas para nenhuma outra empresa [...]que não há contrato comercial entre a empresa SPORTING e a empresa TENNIS [...] FABIAN respondeu que é a própria funcionária Tatiane de Paula Souza, Analista Financeira, que realiza as emissões das notas fiscais da empresa e que a funcionária Thalita Lopes Guimarães Correa, também Analista Financeira, realiza os pagamentos da empresa TENNIS para a empresa SPORTING [...]FABIAN respondeu que a SPORTING vende para TENNIS com lucro com base de uma trading, isto é, em leis de mercado com margens menores, ressalvou que a TENNIS não teve durante a sua vida habilitação ilimitada no sistema RADAR.[...] Sobre a logística da filial da SPORTING em MG importar por Viracopos em CampinasSP e vender para a matriz da TENNIS em MG SR. FABIAN explana sobre dados de tributação de ICMS (fl. 62) e finaliza: [...] hoje as empresas localizadas em Minas Gerais não existem mais fisicamente, apenas juridicamente, porque a TENNIS e a SPORTING tem processos na Receita Federal e por isso não consegue fechar as respectivas empresas[...]. Sobre o endereço da SPORTING: FABIAN respondeu que por motivos pessoais transferiu as atividades da respectiva empresa para o mesmo lugar em que residia, contudo há mais de um ano retornou as atividades para a Rua James Clerk Maxwell, 170, Techno Park, mesmo endereço da empresa TENNIS; respondeu, também que a empresa TENNIS apresenta endereço um pouco diferente da RAQUETES, porque o cadastro foi realizado utilizando a conta de luz, que é referente ao uso comum da energia elétrica dos três galpões que se Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.738 7 encontram neste endereço; Respondeu que toda parte operacional das empresas atualmente funciona no endereço do Techno Park, local da diligência.[...] que os funcionários realizam atividades das 3 (três) empresas e que transferiu os funcionários para a empresa RAQUETES, porque a atividade da RAQUETES tinha uma expectativa de crescimento alto, pelo motivo de comercializar pela internet e também por estar registrada no Simples, existindo um recolhimento mais simplificado. 27. A fiscalização conclui que as empresas de MG nunca existiram de fato, servindo apenas para emitir notas fiscais e perpetuar fraude fiscal. 28. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº01/2016 da SPORTING, foram apresentados contratos comerciais de uso ou representação de marca, firmados junto a fornecedores de mercadorias no exterior, das marcas ARENA e BABOLAT. No primeiro SR. FABIAN assina pela RAQUETES como representante da marca e no segundo SR. FABIAN assina pela SPORTING. 29. Ainda em atendimento ao citado Termo, foi informado que SR. FABIAN é quem negocia pessoalmente as importações, que Babolat e Arena são os principais fornecedores e a TENNIS a única cliente. Alegouse que não existem contratos formalizados com clientes, tampouco pedidos escritos. Informouse ainda que não se dispõe de contrato de locação dos armazéns/recintos utilizados pela empresa para armazenagem de estoque, pois eram contratos muito antigos e as mercadorias são armazenadas no destino (ou seja, na TENNIS em Campinas/SP). 30. Sobre a solicitação de documentos que comprovem o financiamento das atividades da empresa, respondeuse que pelas receitas próprias, empréstimos bancários e aporte do sócio. Alegouse que a empresa não teria disponíveis os documentos que comprovam a integralização de seu capital social, em função do tempo transcorrido (1999). 31. Para corroborar sua tese, a auditoria fiscal organiza os documentos e conclusões obtidos via diligência da seguinte forma (fls.78/85): 1 autorizações do SR. FABIAN para permitir despachantes aduaneiros debitarem da conta corrente da RAQUETES valores relativos ao despacho de mercadorias importadas. 2 Boletos de pagamentos encontrado juntos, com mesmo endereço da SPORTING, TENNIS e RAQUETES em Campinas. 3 Planilhas para controle contábil conjunto das três empresas. 4 Conhecimentos de transporte emitidos pelo GRUPO ETTORI que confirmam que as empresas de MG são de fachada. A importadora (filial da SPORTING em MG) envia a mercadoria para a destinatária SPORTING Campinas. 5 Contrato comercial firmado entre a RAQUETES e um cliente, onde se observa que a RAQUETES é chamada de BABOLAT e quem assina como representante é o Sr. FABIAN. 6 Envio conjunto da contabilidade do GRUPO para o escritório de contabilidade, comprovando que a administração das empresas é centralizada na mesma estrutura localizada em Campinas SP. 7 CERTIFICADOS DIGITAIS. Embora Florência seja titular do certificado digital da RAQUETES, nomeou sua mãe Fl. 2738DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.739 8 Sra. SILVIA como responsável pelo uso do mesmo. 8 Instruções realizadas a mão com as regras de faturamento: 1º Minas fatura p/ São Paulo. 2º São Paulo fatura p/ todos os estados, exceto MG. 9 3 (três) termos de autorização para a a funcionária TATIANE movimentar contas bancárias da SPORTING, TENNIS e RAQUETES no Banco do Brasil, todas assinadas pelo Sr. FABIAN. 10 Planilhas com margens diferenciadas em função da alíquota do IPI: margem de 270% para IPI 0%, margem de 50% quando IPI é de 5% e margem de 30% quando IPI é 10% ou 20% (fl.81). 11 Agenda do Sr. Fabian confirmando a administração conjunta das três empresas. 12 Email para uma empresa de logística onde Sr. FABIAN admite que a RAQUETES foi criada por uma questão fiscal, a fim de conseguir a mesma condição comercial das demais empresas do grupo (fl.82). 13 Email do Sr. FABIAN para funcionário do Banco do Brasil, solicitando cadastro de funcionárias para obter saldos e extratos das contas da SPORTING, RAQUETES e TENNIS. 14 Email tratando do fechamento de filial da RAQUETES em MG com a Sra. SILVIA e o Sr. FABIAN, sem ao menos copiar a filha FLORÊNCIA (única sócia formal da empresa). 32. A fiscalização concluiu pela impossibilidade da aplicação da pena de perdimento das mercadorias em estoque no momento da diligência em função da resposta da TENNIS ao Termo de Intimação Fiscal n° 01/2016, segundo a qual foi destacado que “O registro das notas fiscais no controle de estoque permitem conhecer a quantidade e qualidade de mercadorias, todavia não há vínculo com as Declarações de Importação...” 33. Por todo exposto, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação da pena de perdimento por dano ao erário das mercadorias importadas pelas Declarações de Importação listadas nos autos, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias pela impossibilidade de sua apreensão, face às mesmas terem sido revendidas, nos termos do art.23, IV, V e §3º do DecretoLei n° 1.455/1976 Foram responsabilizados solidariamente os sócios, nos termos dos artigos 135, III e 124, I do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172/66, a empresa SPORTING nos termos do Artigo 95, I e V do DecretoLei nº 37/66, as empresas FLORSOF e RAQUETES, art.124,I do CTN. SPORTING PRODUCTS DO BRASIL LTDA, CNPJ 02.989.949/0001 91. Endereço de cadastro à Rua Antônio Galizia, 105, Cambuí, CampinasSP, CEP 13024510; Endereço constatado à Rua James Clerk Maxwell, 170, AD, Techn Park, CampinasSP, CEP 13069380. Importadora de fachada sob controle de FABIAN. Utilizase da estrutura física e de pessoal da TENNIS e RAQUETES, declarando seu endereço em um condomínio de apartamentos sem ao menos indicar o número do apartamento, em outras palavras a empresa não existe fisicamente, mas é quem sempre possuiu a habilitação para importar de forma ilimitada. Entendemos que a SPORTING era a BABOLAT e que a constituição da TENNIS só ocorreu para sonegar tributos, pois se os clientes do GRUPO são os mesmos, não existe razão para se ter uma empresa entreposta nessa relação. Concorreu para a prática das infrações por ser a ocultante. Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.740 9 RAQUETES COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS EIRELI, CNPJ 10.656.208/000117. Endereço de cadastro à Rua James Clerk Maxwell, 170, Bloco 1, Techn Park, CampinasSP, CEP 13069380. Conforme já analisado no tópico 2.5 deste termo, constatamos que este CNPJ representa a BABOLAT atualmente. Também verificamos em uma troca de emails copiados já apresentada no tópico 5.9 que a criação desta empresa foi motivada por “uma questão fiscal”. Apresentamos, ao longo deste termo, diversas provas que demonstram que FABIAN e SILVIA gerenciam a empresa, embora a mesma seja uma EIRELI em nome da filha mais velha do casal. Por toda a confusão estrutural e de pessoal constatada, resta claro que a RAQUETES é mais uma criação dos gerentes do GRUPO para perpetuar fraudes e dificultar a fiscalização. Tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. FLORSOF ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA ME, CNPJ 08.846.874/000176. Endereço de cadastro à Rua José Pinto da Silva, 326, Vale do Itamaracá, ValinhosSP, CEP 13278406. Empresa criada pelo Sr. FABIAN e a Sra. SILVIA para ocultar patrimônio e transferida pouco tempo depois para as filhas do casal (menores de idade a época). Desde sempre foi representada e administrada por SILVIA. Encontramos um contrato de aluguel onde a FLORSOF aluga o imóvel onde o GRUPO realiza suas atividades para a RAQUETES. Analisando as declarações de Imposto de Renda de FABIAN, SILVIA, FLORÊNCIA, SOFIA e FLORSOF, encontramos diversas relações entre os primeiros e a última, demonstrando que este CNPJ, também é utilizado para perpetuar fraudes do grupo e ocultar o patrimônio gerado com o comércio das mercadorias importadas. Tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. FABIAN GUSTAVO PALMIERI, CPF 119.222.51801. Endereço de cadastro Rua Armando Corvini, 130, Vilage V Itamaracá, CEP 13278 364, Recreio dos Cafezai, Valinhos SP. Por arquitetar a simulação empregada e concorrer para sua prática, agindo com excesso de poderes e infração à lei. SILVIA MARIA CARMEN TOUYAA PALMIERI, CPF 119.222.618 66. Endereço de cadastro Rua Armando Corvini, 130, Vilage V Itamaracá, CEP 13278364, Recreio dos Cafezai, Valinhos SP. Tem conhecimento da simulação empregada, concorreu para sua prática e se beneficiou da mesma. Operacionou grande parte da ocultação do patrimônio junto à empresa FLOSORF. Agiu com excesso de poderes e infração à lei. Concluiu a fiscalização que a tentativa de FABIAN e SILVIA de apresentar uma estrutura que visa esconder a realidade de suas operações de importação e comercialização no mercado interno, constituiu um abuso doloso de forma por meio de artifícios simulatórios já comprovados ao longo deste termo e, por essa razão, os mesmos se enquadram tanto no inciso I do artigo 124 do CTN como no inciso III do artigo 135 do referido código, respondendo com seu patrimônio pessoal pelo crédito tributário proveniente das infrações ora autuadas e sem benefício de ordem. Assim sendo, também concluímos que todas as empresas do GRUPO responsabilizadas, Fl. 2740DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.741 10 possuem papéis bem definidos que viabilizam a simulação orquestrada devendo ser enquadradas no inciso I do artigo 124 do CTN. As empresas SPORTING, TENNIS e RAQUETES tomaram ciência dos autos em 30/01/2014 pela abertura dos arquivos digitais disponibilizados em Caixa Postal, seu Domicílio Tributário Eletrônico, através de seu procurador MACC CONTABILIDADE S/S (fls. 1513, 1519 e 1516, respectivamente). Sr. FABIAN e Sra. SILVIA (fls. 1522 e 1530), ciência postal em 02/02/2017. FLORSOF, ciência pelo eEdital 002001376 em 02/03/2017 (fl.1540), devido ao retorno da correspondência recebida em 02/02/2012 (fl. 1526, 1537 a 1539) com o status "mudouse". Impugnações apresentadas: Todos os responsáveis autuados, devidamente cientificados, apresentaram impunações: Sra. SILVIA, em 24/02/2017 (fls. 1545/ 1575); Sr. FABIAN, em 24/02/2017 (fls. 1581/ 1612); Empresa TENNIS, em 25/02/2017 (fls. 1618/ 1679 e anexos); Empresa FLOSOFT, em 25/02/2017 (fls. 1817/ 1847, 1953/1983 e 2129/2159); Empresa RAQUETES, em 25/02/2017 (fls. 1852/ 1882, 1986/2016 e 2240/2272). Empresa SPORTING, em 25/02/2017 (fls. 1887/1948, 2019/2080 e 2168/2231). As empresas TENNIS SPORTS COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA e SPORTING PRODUCTS DO BRASIL LTDA apresentaram defesas semelhantes. ... Os argumentos de defesa apresentados pelos sócios SILVIA MARIA CARMEN TOUYAA PALMIERI e FABIAN GUSTAVO PALMIERI, e pelas empresas FLORSOF ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA ME e RAQUETES COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS EIRELI versam sobre fatos expostos na defesa da TENNIS e SPORTING, adicionando o que se segue: As impugnações foram julgadas pela DRJ Recife, Acórdão nº 11057.594, em 13/09/2017: Acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade, julgar PROCEDENTE em parte a impugnação apresentada, devido à exclusão da empresa FLORSOF ADMINISTRAÇÃO DE BENS PRÓPRIOS LTDA ME do pólo de solidariedade tributária, com MANUTENÇÃO TOTAL do crédito tributário lançado e da responsabilidade tributária das empresas SPORTING PRODUCTS DO BRASIL LTDA e TENNIS SPORTS COMERCIO EXPORTACAO E IMPORTACAO DE ARTIGOS ESPORTIVOS LTDA, e das pessoas físicas FABIAN GUSTAVO PALMIERI e SILVIA MARIA CARMEN TOUYAA PALMIERI. Acordam ainda, por maioria, pela manutenção da responsabilidade tributária da empresa RAQUETES COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS EIRELI. Vencido o julgador Eni Sávio Nunes dos Santos, que apresentou declaração de voto. Intimemse os autuados para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.742 11 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pela legislação vigente. O Presidente de Turma recorre de ofício ao egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em razão da decisão excluir sujeito passivo da lide, conforme preconizado no art.1º, §2º da Portaria MF nº 63/2017. Regularmente cientificadas as interessadas apresentaram Recurso Voluntário em que repetem basicamente as razões da impugnação. Resumidamente podemos afirmar que os recursos se referem a: Recurso Voluntário TENNIS Sports Comércio Exportação e Importação, fls. 2353 e sgs., SPORTING Products do Brasil Ltda., fls. 2432 e sgs.: Cerceamento do direito de defesa. Houve indicação vaga sobre em qual modalidade de importação incorreu na autuação. Nulidade da aplicação da multa substitutiva de 100% do valor das mercadorias relativamente as existentes em estoque. O fiscal poderia fazer a correlação das mercadorias pelo método PEPS (primeiro que entra primeiro que sai) e chegar a conclusão para quais mercadorias poderiam ser aplicada a pena de perdimento. Existência fática e jurídica da empresa Sporting. Discorre sobre a possibilidade de funcionamento da empresa no endereço residencial do sócio. Inexistência de adiantamento de recursos que poderiam caracterizar a importação por conta e ordem de terceiros. Recolhimento do IPI pela importadora na revenda para o mercado interno. A venda das mercadorias no mercado interno ocorreu com margens de lucro compatíveis com o praticado pelo mercado. Não existiu documento falsificado ou adulterado no embarque ou desembaraço das mercadorias. Não existe falsificação de fatura comercial, sendo fato confirmado pela DRJ que cancelou a autuação nesse item. Não há falsidade ideológica na Declaração de Importação. Não responsabilidade solidária na pena de perdimento, só autoria ou coautoria. A pena de perdimento não é tributária e deve ser aplicada ao dono do bem. Em matéria de infrações não existe solidariedade, apenas autoria e coautoria. Solicita o cancelamento do auto de infração. Os Recursos Voluntários da empresa RAQUETES Comércio de Artigos Esportivos Eireli, fls. 2511 e sgs., SILVIA Maira Carmen Touyaa Palmieri, fls. 2567 e sgs., e FABIAN Gustavo Palmieri, fls. 2619 e sgs., restringemse a se defender a respeito da solidariedade imputada, nos mesmos termos apresentado nos outros Recursos Voluntários. É o relatório. Voto Fl. 2742DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.743 12 Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. Os Recursos Voluntários são tempestivos e preenchem as demais condições de admissibilidade por isso deles tomo conhecimento. Existe Recurso de Ofício da DRJ por ter exonerado da autuação a empresa FLORSOF. Em juízo de admissibilidade da remessa necessária verifico, pelos elementos disponíveis nos autos, nos termos do art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 e do art. 70, caput, do Decreto 7.574/2011, que o valor exonerado ultrapassa o limite de alçada estabelecido pela superveniente Portaria MF 63/2017, fixado em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Conforme Súmula CARF nº 103 deve ser aplicado o valor de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância administrativa: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Sendo assim conheço do recurso de ofício interposto. Preliminarmente entendo que deve ser verificada a alegação da recorrente que existiam mercadorias em estoque que poderiam ter sido apreendidas, ao invés da aplicação da multa de conversão da pena de perdimento. No Relatório fiscal, fls. 86, a fiscalização informa que não foi possível a apreensão das mercadorias por não ser possível fazer o vínculo entre as Declarações de Importação e o estoque: Por ocasião de sua resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 01/2016, a TENNIS informou, ao ser questionada sobre as mercadorias objeto da presente fiscalização, que “grande parte foi revendida e que alguns itens ainda permanecem no estoque”. Quanto as mercadorias que permanecem em estoque a mesma esclareceu que “O registro das notas fiscais no controle de estoque permitem conhecer a quantidade e qualidade de mercadorias, todavia não há vínculo com as Declarações de Importação...” Em razão do exposto no parágrafo anterior, concluímos pela impossibilidade da aplicação da pena de perdimento pelo fato de as mercadorias terem sido revendidas ou, no caso das que permanecem em estoque, não poderem ser localizadas com a precisão necessária a aplicação do perdimento, portanto a referida pena será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias nos termos da legislação supramencionada. A DRJ enfrentou a argumentação discorrendo sobre o momento de apresentação de provas: Na fase inquisitória da fiscalização, a empresa TENNIS foi intimada através do Termo de Intimação n° 01/2016 a informar se as Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.744 13 mercadorias adquiridas junto a SPORTING foram consumidas, revendidas ou encontravamse em estoque. A empresa informou que grande parte da mercadoria foi revendida e que alguns itens permaneciam em estoque, porém esclareceu que, por se tratar de compra realizada no mercado interno o registro das notas fiscais no controle de estoque permitiam conhecer a qualidade e quantidade de mercadorias, mas que não havia vínculo com as declarações de importação. Esse cenário de impossibilidade de identificação das mercadorias no estoque com a precisão requerida motivaram a conversão do perdimento em multa de 100% do valor das mercadorias. A empresa defendese alegando que seria possível a fiscalização fazer a correlação do estoque com as mercadorias importadas, em razão das quantidades e descrições, uma vez que todas as importações foram vendidas da SPORTING para a TENNIS e que nos termos do art.23, §3º do DL nº1455/76, seria nula a aplicação da multa substitutiva de 100% do valor das mercadorias existente no estoque e, por tanto, localizadas e não consumida. Sobre essa questão, observase dos autos, em especial a resposta da TENNIS ao Termo de Intimação n° 01/2016, que a empresa não apresentou os valores em estoque no momento oportunizado, tampouco ofereceu condições para que a fiscalização o fizesse com a precisão requerida. Em virtude do contencioso administrativo, nova oportunidade foi aberta para apresentação de provas que comprovassem que as mesmas mercadorias pelo Fisco consideradas como não localizadas, revendidas ou consumidas ainda permaneceriam em estoque e, portanto, se sujeitariam à pena de perdimento. O momento adequando para apresentação de provas é juntamente com a impugnação, conforme art.16, § 4º do do Decreto nº70.235/1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997, na falta de uma das três hipóteses ressalvadas no mencionado dispositivo, está precluso o direito de apresentar provas nesta fase processual. Não foram anexados aos autos nenhum documento nesse sentido. Resta, portanto, prejudicado o argumento. Apesar do parecer da DRJ entendo que deve ser verificado o alegado pelas recorrentes. Por isso proponho a conversão do julgamento em diligência para que se faça o confronto entre o estoque existente à época e as importações realizadas no período para se concluir se existiam mercadorias que poderiam ter sido apreendidas. Não entendo que deve ser juntada provas ao processo, momento esse não mais oportuno para tanto, mas sim analisar as provas e documentos que já estão acostadas ao processo. Como a alegação é das recorrentes, as mesmas deverão ser intimadas pela unidade de origem para apresentar a tabela confrontando o estoque com as importações, conforme solicita em seu Recurso Voluntário. Fl. 2744DF CARF MF Processo nº 11829.720004/201747 Resolução nº 3401001.824 S3C4T1 Fl. 2.745 14 Pelo exposto conheço dos Recursos Voluntários e voto pela conversão em diligência, para que se faça o confronto entre o estoque existente à época e as importações realizadas no período, para que se verifique, conclusivamente, se havia mercadorias que poderiam ter sido apreendidas. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 2745DF CARF MF
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