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Numero do processo: 35884.005943/2006-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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INTER. DE SAUDE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 88 4. 00 59 43 /2 00 6- 17 Fl. 912DF CARF MF Processo nº 35884.005943/200617 Acórdão n.º 2402007.027 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 913DF CARF MF Processo nº 35884.005943/200617 Acórdão n.º 2402007.027 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 914DF CARF MF Processo nº 35884.005943/200617 Acórdão n.º 2402007.027 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 915DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727198/2013-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
O valor referente ao décimo terceiro salário não integra o cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, uma vez que se trata de rendimento tributado exclusivamente na fonte, separado dos demais rendimentos. Por ocasião da tributação exclusiva, os rendimentos pagos de pensão alimentícia serão abatidos da base de cálculo do IRPF, que incide sobre o décimo terceiro. Em função disso, não são levados ao Ajuste Anual nem os rendimentos relacionados ao décimo terceiro salário, tampouco as deduções permitidas na determinação desta tributação em separado.
Numero da decisão: 2002-000.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de pensão judicial no valor parcial de R$41.566,49.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. O valor referente ao décimo terceiro salário não integra o cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, uma vez que se trata de rendimento tributado exclusivamente na fonte, separado dos demais rendimentos. Por ocasião da tributação exclusiva, os rendimentos pagos de pensão alimentícia serão abatidos da base de cálculo do IRPF, que incide sobre o décimo terceiro. Em função disso, não são levados ao Ajuste Anual nem os rendimentos relacionados ao décimo terceiro salário, tampouco as deduções permitidas na determinação desta tributação em separado.
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DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente JULES ALVES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. O valor referente ao décimo terceiro salário não integra o cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, uma vez que se trata de rendimento tributado exclusivamente na fonte, separado dos demais rendimentos. Por ocasião da tributação exclusiva, os rendimentos pagos de pensão alimentícia serão abatidos da base de cálculo do IRPF, que incide sobre o décimo terceiro. Em função disso, não são levados ao Ajuste Anual nem os rendimentos relacionados ao décimo terceiro salário, tampouco as deduções permitidas na determinação desta tributação em separado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 71 98 /2 01 3- 66 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10166.727198/201366 Acórdão n.º 2002000.853 S2C0T2 Fl. 77 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de pensão judicial no valor parcial de R$41.566,49. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 27/30), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$374,02 para saldo de imposto a pagar de R$12.008,51. A NL noticia dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública (fl.28). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 30/7/2013, a NL foi objeto de impugnação, em 23/8/2013, às fls. 2/19 dos autos, na qual o contribuinte defende a dedutibilidade da pensão declarada, uma vez que decorrente de decisão judicial. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 39/42): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10166.727198/201366 Acórdão n.º 2002000.853 S2C0T2 Fl. 78 3 Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 29/6/2015 (fl. 48), o contribuinte apresentou, em 17/7/2015 (fl.51), recurso voluntário (fls. 51/71), no qual alega que não fora solicita a comprovação quanto ao pagamento da pensão. Explica que a pensão é descontada de seus proventos em folha de pagamento, como comprovariam comprovante de rendimentos e contracheques juntados a sua defesa. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a pensão alimentícia judicial informada pelo recorrente. A autuação consignou que seriam dedutíveis apenas as importâncias pagas conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por escritura pública e, em se tratando de sociedade conjugal, a dedução somente se aplica quando o provimento de alimentos for decorrente da dissolução daquela sociedade (fl.28). Na apreciação do feito, o colegiado de primeira instância considerou comprovada a existência de determinação judicial para pagamento da pensão, mas apontou a inexistência de comprovação quanto ao seu efetivo pagamento, conforme se extrai do trecho a seguir reproduzido: O impugnante sustenta que faz jus à dedução e que paga pensão alimentícia por decisão judicial, sendo 12,5% para cada reclamante, sendo assim dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste essas importâncias. Acrescenta que está juntando a documentação judicial. Compulsando os autos, observase que se limitou o impugnante a apenas acostar os documentos judiciais, onde consta, de fato, a determinação para o pagamento de pensão alimentícia (fls. 0812), contudo, não se dignou a acostar qualquer comprovante que ateste a efetiva transferência dos recursos aos alimentandos. Assim, na ausência de comprovação hábil e idônea do pagamento da pensão alimentícia declarada, requisito essencial exigido pela legislação tributária, subsiste a glosa efetuada. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10166.727198/201366 Acórdão n.º 2002000.853 S2C0T2 Fl. 79 4 (destaques acrescidos) Assim, cabe analisar em grau de recurso apenas a existência de comprovação quanto ao efetivo pagamento da pensão. Nesse sentido, o recorrente junta comprovante de rendimentos de fl.59 e contracheques de fls. 60/71. Do exame desses documentos, resta comprovada a dedutibilidade da pensão no valor de R$41.566,49, consignado na linha 04 do comprovante emitido, sendo este o valor a ser restabelecido. Constatase que o recorrente deduziu o montante de R$47.386,86, computando a pensão incidente sobre o 13º salário. Ocorre que a tributação do 13º salário se distingue dos demais rendimentos, por aquele ser tributado exclusivamente na fonte, conforme preceitua o art. 638 do RIR/99. Ou seja, o 13º salário não é passível de ajuste na DIRPF, não sendo incluído em sua base de cálculo anual. Consequentemente, as retenções ocorridas sobre esse rendimento também não podem ser consideradas dedutíveis nessa mesma base de cálculo. Registrese ainda, que a pensão alimentícia judicial descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento e a utilização da dedução na Declaração de Ajuste Anual implicaria na duplicação da dedução. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a pensão judicial no valor parcial de R$41.566,49. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.720098/2014-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
Acórdão da DRJ. Exame dos Pontos Essenciais. Documentos em Língua Estrangeira. Nulidade.
A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. O órgão julgador também não está obrigado a examinar documentos em língua estrangeira desacompanhados da respectiva tradução juramentada.
Despesas. Usuais e Necessárias. Comprovação. Condição de Dedutibilidade.
São dedutíveis as despesas comprovadas documentalmente, e que sejam usuais e necessárias ao exercício da atividade econômica e à manutenção da fonte produtora.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009, 2010
Pagamento sem Causa ou a Beneficiário não Identificado. Incidência de Imposto de Renda na Fonte.
Incide Imposto de Renda na fonte tanto na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado, quanto nos casos em que, mesmo identificado o beneficiário, não seja conhecida a causa do pagamento.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010
CSLL. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-003.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Nelso Kichel; II) por unanimidade de votos: (a) rejeitar a preliminar de nulidade; (b) restabelecer a dedução de R$ 289.813,17, relativa às despesas com Armex Logística e Comércio Exterior Ltda., no ano de 2010; (c) restabelecer a dedução de R$ 1.649.831,00, relativa a material de consumo, no ano de 2010; III) por maioria de votos: (a) afastar a exigência de IRRF sobre os pagamentos realizados a Vetor Consultoria Empresarial Ltda. e Total Gás Consultoria em Energia Ltda. EPP, vencidos a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite e o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto; (b) reverter parcialmente a glosa de despesas com aluguel de equipamentos no ano de 2010, no montante de R$ 2.537.602,00, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Nelso Kichel; IV) por voto de qualidade: (a) restabelecer a dedução de despesa com Chinese Development Bank e cancelar a exigência de IRRF sobre os respectivos pagamentos, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel e Giovana Pereira Paiva de Leite, que votaram por manter a glosa e a exigência de IRRF sobre esses pagamentos; (b) restabelecer a dedução de despesas com Vetor Consultoria Empresarial Ltda e Total Gás Consultoria em Energia Ltda EPP, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel e Giovana Pereira Paiva de Leite. Os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild votaram por dar provimento parcial em maior extensão, para restabelecer a dedução de despesas relativas aos pagamentos feitos em favor de Hutton Equipamentos e Serviços Ltda. e cancelar a exigência de IRRF sobre os respectivos pagamentos, sendo vencidos nessa votação. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto manifestou interesse em apresentar declaração de voto acerca dos pagamentos para Hutton Equipamentos e Serviços Ltda. e foi também designado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 Acórdão da DRJ. Exame dos Pontos Essenciais. Documentos em Língua Estrangeira. Nulidade. A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. O órgão julgador também não está obrigado a examinar documentos em língua estrangeira desacompanhados da respectiva tradução juramentada. Despesas. Usuais e Necessárias. Comprovação. Condição de Dedutibilidade. São dedutíveis as despesas comprovadas documentalmente, e que sejam usuais e necessárias ao exercício da atividade econômica e à manutenção da fonte produtora. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2009, 2010 Pagamento sem Causa ou a Beneficiário não Identificado. Incidência de Imposto de Renda na Fonte. Incide Imposto de Renda na fonte tanto na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado, quanto nos casos em que, mesmo identificado o beneficiário, não seja conhecida a causa do pagamento. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009, 2010 CSLL. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 ACÓRDÃO DA DRJ. EXAME DOS PONTOS ESSENCIAIS. DOCUMENTOS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. NULIDADE. A decisão não está obrigada a abordar todas as questões suscitadas pelo impugnante, quando já tenha encontrado motivos suficientes para decidir, sendo dever do julgador enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. O órgão julgador também não está obrigado a examinar documentos em língua estrangeira desacompanhados da respectiva tradução juramentada. DESPESAS. USUAIS E NECESSÁRIAS. COMPROVAÇÃO. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as despesas comprovadas documentalmente, e que sejam usuais e necessárias ao exercício da atividade econômica e à manutenção da fonte produtora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009, 2010 PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Incide Imposto de Renda na fonte tanto na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado, quanto nos casos em que, mesmo identificado o beneficiário, não seja conhecida a causa do pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 CSLL. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 00 98 /2 01 4- 59 Fl. 8999DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.000 2 Quando o lançamento de IRPJ e o de CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: I) por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Nelso Kichel; II) por unanimidade de votos: (a) rejeitar a preliminar de nulidade; (b) restabelecer a dedução de R$ 289.813,17, relativa às despesas com Armex Logística e Comércio Exterior Ltda., no ano de 2010; (c) restabelecer a dedução de R$ 1.649.831,00, relativa a material de consumo, no ano de 2010; III) por maioria de votos: (a) afastar a exigência de IRRF sobre os pagamentos realizados a Vetor Consultoria Empresarial Ltda. e Total Gás Consultoria em Energia Ltda. EPP, vencidos a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite e o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto; (b) reverter parcialmente a glosa de despesas com aluguel de equipamentos no ano de 2010, no montante de R$ 2.537.602,00, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Nelso Kichel; IV) por voto de qualidade: (a) restabelecer a dedução de despesa com Chinese Development Bank e cancelar a exigência de IRRF sobre os respectivos pagamentos, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel e Giovana Pereira Paiva de Leite, que votaram por manter a glosa e a exigência de IRRF sobre esses pagamentos; (b) restabelecer a dedução de despesas com Vetor Consultoria Empresarial Ltda e Total Gás Consultoria em Energia Ltda EPP, vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel e Giovana Pereira Paiva de Leite. Os Conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild votaram por dar provimento parcial em maior extensão, para restabelecer a dedução de despesas relativas aos pagamentos feitos em favor de Hutton Equipamentos e Serviços Ltda. e cancelar a exigência de IRRF sobre os respectivos pagamentos, sendo vencidos nessa votação. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto manifestou interesse em apresentar declaração de voto acerca dos pagamentos para Hutton Equipamentos e Serviços Ltda. e foi também designado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Fl. 9000DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.001 3 Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de recurso interposto por SINOPEC PETROLEUM DO BRASIL LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1281.784, da 15ª Turma da DRJ Rio de Janeiro, que deu provimento parcial à impugnação da recorrente, mantendo contra ela parte do crédito tributário exigido. Os lançamentos têm por objeto IRPJ, CSLL e IR na fonte. A Fiscalização glosou despesas não comprovadas, bem como despesas e custos não necessários à atividade. Também foram glosadas despesas contabilizadas em desacordo com o regime de competência. Pagamentos sem causa motivaram a exigência de IR na fonte. Contra a pretensão do Fisco foi apresentada impugnação, em que se alegou nulidade do lançamento em face de erros de capitulação legal e da aplicação de multa qualificada sem motivação específica para tanto. Questionouse a glosa de despesas por ofensa ao regime de competência. A contribuinte sustentou que as despesas glosadas eram necessárias, usuais e normais. Quanto ao IR na fonte, afirmou que os pagamentos foram feitos a beneficiários identificados e com causa especificada. A DRJ RJO deu parcial provimento à impugnação, afastando a glosa das despesas contabilizadas em desacordo com o regime de competência, pois entendeu que não houve postergação de tributos, mas de despesas. Além disso, restabeleceu parte das deduções glosadas com material de uso e consumo e com aluguel de equipamentos, tendo em vista a comprovação dos respectivos pagamentos. Por fim, afastou a multa qualificada para o IRRF do período de outubro de 2010. Quanto ao restante, manteve o lançamento. A decisão foi sintetizada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 LANÇAMENTO. NULIDADE. Descritos os fatos que fundamentam a exigência fiscal e estando juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal, não há falar em ofensa aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, não se caracterizando o cerceamento do direito de defesa da contribuinte. LUCRO REAL. DESPESA. POSTERGAÇÃO. PREJUÍZO AO ERÁRIO. INEXISTÊNCIA. Em regra, a postergação de despesa na apuração do lucro real é prática insuscetível de causar prejuízo à Fazenda, cabendo à fiscalização a demonstração de efeito diverso. PRODUÇÃO DE EFEITOS LEGAIS. DOCUMENTOS REDIGIDOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO. Fl. 9001DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.002 4 Para produzirem efeitos legais no Brasil, os documentos em língua estrangeira devem ser legalizados pelo Serviço Consular no país de emissão, traduzidos para o português por tradutor juramentado e registrados no Registro de Títulos e Documentos. DESPESA. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Como corolário geral da teoria das provas do direito processual, em processo fiscal predomina o entendimento segundo o qual as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pela Fazenda, enquanto aquelas que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao sujeito passivo. Nesse mister, para se comprovar uma despesa, de sorte que ela se apresente dedutível em face da base de cálculo de determinado tributo, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve desembolso: é indispensável demonstrar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido, que é justamente o fato que torna o pagamento devido. DESPESA. DEDUÇÃO. NECESSIDADE. Somente são dedutíveis da tributação as despesas que se mostram indispensáveis à pessoa jurídica, posto que diretamente ligada à atividade econômica que desenvolve. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. TRIBUTAÇÃO. Pagamento sem causa é aquele indevido, que não guarda adequação com as finalidades sócioeconômicas da sociedade empresarial que o efetuou. Desta feita, recursos entregues a terceiros ou mesmo a sócios da pessoa jurídica fora de tal contexto finalístico estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte com emprego da alíquota de trinta e cinco por cento. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Por decorrer dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram à exigência do IRPJ, igual destino deve ter o lançamento reflexo de CSLL. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Fazse mister afastar a exigência da multa de ofício em sua forma qualificada quando a fiscalização não apresenta motivação para a imposição da penalidade mais gravosa e nem dos autos se colhem elementos fáticos para tanto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada com a decisão que lhe foi contrária, Sinopec Petroleum do Brasil interpôs recurso, arguindo questões preliminares e de mérito. Nulidade Arguiu preliminarmente nulidade da decisão recorrida, por considerar que não foram devidamente apreciados os documentos apresentados e os fundamentos da defesa, em desatenção aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório. A DRJ não considerou a vasta documentação trazida aos autos, ao argumento de estar redigida em língua estrangeira. Porém, caberia ao órgão julgador solicitar a respectiva tradução, porque, tanto quanto à recorrente, lhe incube a instrução do processo, na busca da verdade material e em respeito à legalidade. Ademais, novos documentos e provas podem ser apresentados na instância recursal, por força dos mesmos princípios citados. Fl. 9002DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.003 5 Ilegalidade da cobrança do IRRF Acusou a ilegalidade da cobrança do IRRF à alíquota de 35% e negou ter havido pagamento sem causa. A decisão recorrida manteve o crédito tributário relativo ao IRRF por entender que a situação se enquadra no disposto no § 1º do artigo 674 do Regulamento do Imposto (Decreto nº 3.000/1999), já que não estaria comprovada a causa de qualquer um dos pagamentos às empresas Hutton, China Friendship, China Development Bank, Total Gás, Vetor e Contau Contabilidade. No caso em epígrafe não se pode falar de pagamento a beneficiário não identificado, haja vista que as prestadoras de serviços beneficiadas pelos pagamentos foram claramente identificadas na contabilidade e nos documentos apresentados pela recorrente. A autoridade fiscal menciona ter feito diligências junto às pessoas beneficiárias dos pagamentos, o que seria impossível se elas não fossem identificadas. Também não se pode afirmar tratarse de pagamento sem causa, considerando que as despesas encontramse devidamente identificadas e os referidos serviços foram essenciais para as atividades da recorrente. A recorrente iniciou as atividades no Brasil em 2005, no segmento de construção e montagem de dutos terrestres. Assim, contratou serviços de agenciamento e intermediação de negócios e consultoria técnica em dutos terrestres com empresas especializadas, no intuito de demonstrar a aptidão técnica necessária para o desempenho do referido empreendimento e participar em projetos neste segmento. A recorrente foi contratada para executar o Projeto Gasoduto Gasene, composto pelos Gasodutos Gascav (Gasoduto Cabiúnas Vitória, correspondente ao trecho sul do Gasoduto Gasene) e Gascac (Gasoduto Cacimbas Catu, correspondente ao trecho norte do Gasoduto Gasene). Além disso, a recorrente também firmou com a Petrobrás contrato de cooperação estratégica, pelo qual ambas as empresas estabeleceram a cooperação em diversas áreas, incluindo exploração, produção, refino, petroquímicos e o fornecimento de bens e serviços relacionados. Está comprovado que os serviços de agenciamento, intermediação de negócios e consultoria técnica contratados tiveram o resultado esperado. As despesas, portanto, eram necessárias, usuais e normais às atividades da empresa. Afirmou a recorrente que é inconteste que a contratação de serviços de agenciamento, de intermediação de negócios e de consultoria técnica em dutos terrestres foram necessários para o desempenho de sua atividade fim, em especial no que diz respeito à construção do Gasoduto Gasene. Não houve pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Pagamento sem causa é aquele cuja razão não tenha sido divulgada pelo contribuinte, nem identificada pelo Fisco, o que não teria ocorrido no caso concreto. Não obstante, ainda que a autoridade fiscal não compreendesse a causa dos pagamentos, ou entendesse que os pagamentos não seriam necessários, nem intrinsecamente vinculados às atividades da recorrente, o que poderia ter feito, no pior cenário, é ter considerado as despesas não dedutíveis, procedendo à respectiva glosa. Entretanto, jamais poderia ter exigido IR na fonte. Até porque restou comprovado, pelas diligências realizadas, que os beneficiários dos pagamentos ofereceram as receitas à tributação. Fl. 9003DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.004 6 Ressaltou a recorrente que a DRJ afastou a cobrança da multa qualificada (150%). Porém, se o órgão julgador considerasse os pagamentos como "sem causa", "imotivados" ou "simulados", não teria afirmado a ausência dos elementos fáticos caracterizadores de sonegação, fraude ou conluio. Invocou, por fim, o art. 112 do Código Tributário Nacional CTN, segundo o qual, em caso de dúvida, a lei tributária deve ser interpretada de modo mais favorável ao contribuinte. A recorrente não se opôs apenas à exigência de IR na fonte, insurgiuse também contra as glosas das seguintes despesas: provisão de ICMS; material de uso e consumo, serviços prestados por pessoas jurídicas, aluguel de equipamentos, despesas de viagens e estadias, e despesas de alimentação. Provisão de ICMS Disse a recorrente que a despesa de R$ 71.550,67 se refere a provisão de ICMS sobre transferência de material em janeiro de 2009. Teriam sido acostados aos autos o Livro de Apuração de ICMS, pelo qual é possível verificar a escrituração das notas fiscais nº 000551 e 000552, sob o CFOP 6552, relativas à transferência de bens do ativo imobilizado para outro estabelecimento da mesma empresa (filial de Teixeira de Freitas/BA); e a nota fiscal nº 000554, sob o CFOP 6657, referente à transferência de material de uso ou consumo para outro estabelecimento da mesma empresa (filial de Vitória/ES). Portanto, comprovada a transferência de bens entre filiais da recorrente, a despesa com ICMS, reconhecida no resultado do exercício, deve ser considerada como dedutível, nos termos do art. 344 do RIR/9926. Material de uso e consumo Com relação às despesas de material de uso e consumo (ano calendário de 2010), a decisão recorrida insiste em que a recorrente não teria comprovado o efetivo desembolso de R$ 1.649.831,80, glosados pela Fiscalização, não obstante o órgão julgador reconheça que foram apresentados recibos emitidos pela Frecomex Comércio Exterior Ltda. e faturas ("invoices") em idioma estrangeiro as quais seriam imprestáveis para fins de prova. Não procede a alegação de inadmissibilidade ou imprestabilidade de faturas em língua estrangeira, sobretudo quando a lide versa sobre despesas com aquisição de mercadorias importadas. Os documentos em língua estrangeira não prejudicam o perfeito entendimento dos fatos. As faturas, aliadas aos demais papéis apresentados em sede de impugnação, servem para atestar a importação e a nacionalização de mercadorias adquiridas pela recorrente, para o desempenho de suas atividades. Não pode prosperar a alegação de que a recorrente não teria apresentado prova do efetivo desembolso de R$ 1.649.831,80, nem de que os recibos emitidos pela Frecomex não coincidiriam com as datas e os valores das notas fiscais. Os valores relativos às mercadorias importadas e aos custos de desembaraço aduaneiro foram objeto de adiantamentos realizados pela recorrente à Frecomex, conforme demonstram o razão e os extratos bancários já acostados aos autos. Os recibos e notas fiscais, de fato, não possuem os mesmos valores e datas; isso, entretanto, não desqualifica as despesas, nem impede sua dedução. Ademais, ainda que não tivesse havido o efetivo pagamento, esse fato não impediria a importação e a nacionalização dos produtos. É que o desembolso de caixa não é requisito exigido pela legislação tributária para que uma despesa seja dedutível, bastando que a despesa tenha sida incorrida. Fl. 9004DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.005 7 Resta claro, portanto, que a glosa de despesas com material de uso e consumo incorridas pela recorrente nos anos de 2009 e 2010 deve ser cancelada, já que tais despesas revestemse dos requisitos de necessidade, usualidade e habitualidade, além de serem comprovadas por documentação hábil e idônea. Tanto é verdade que a decisão recorrida afastou a glosa de despesas no montante de R$ 871.511,14 face à documentação já apresentada. Despesas com serviços prestados por pessoas jurídicas A recorrente alegou ter trazido notas fiscais, contratos e relatórios, os quais não teriam sido aceitos como prova da efetiva prestação dos serviços. Afirmou que os contratos teriam sido firmados entre partes não vinculadas, em condições de livre mercado. Porém, mesmo que as operações envolvessem partes relacionadas, a legislação que disciplina preço de transferência determina ajustes, e não a total indedutibilidade da despesa. As despesas se reportam a serviços de agenciamento, intermediação de negócios, consultoria técnica em dutos terrestres, contratados pela recorrente para a construção do Gasoduto Gasene. É evidente a necessidade da contratação desses serviços. Insistiu na afirmação de que o pagamento não é requisito legal para a dedutibilidade de despesas, mormente considerando o regime de competência adotado para reconhecimento de receitas e despesas. A decisão recorrida, de forma equivocada, deu ênfase a uma suposta inadequação entre infraestrutura e quadro de pessoal alocados a esses serviços e os valores cobrados pelos respectivos prestadores. Porém, considerando que os serviços referemse, basicamente, a consultoria técnica, agenciamento e intermediação de negócios, não têm relevância a infraestrutura e o quadro de empregados, pois o que importa é a expertise da contratada e a sua capacidade técnica para a prestação dos serviços. Despesas com aluguel de equipamentos Quanto às despesas com aluguel de equipamentos, a Fiscalização teria apontado suposta insuficiência de documentos para comprovar as despesas que totalizariam R$ 3.904.254,33. Já para a DRJ só teria sido comprovado o efetivo pagamento de despesas no montante de R$ 963.000,00 no ano calendário de 2009, não obstante ter sido apresentado contrato de locação de tais equipamentos. A autoridade fiscal glosou as despesas porque a recorrente apresentou as notas fiscais nº 0242 (R$ 1.404.254,33) e nº 0247 (R$ 2.500.000,00), emitidas por Megadrill South America Eng. e Com. Ltda., sem, contudo, ter trazido aos autos o contrato de locação dos equipamentos. Embora o contrato de locação não seja indispensável para comprovar a dedutibilidade das despesas, a recorrente acostou aos autos o contrato, a fim de sanar as dúvidas e afastar a glosa. Ainda assim, a DRJ manteve parcialmente a glosa, alegando que a recorrente só logrou comprovar o efetivo pagamento de R$ 963.000,00. Ocorre que a comprovação do pagamento não é requisito legal para a dedutibilidade de despesas, pois basta que a despesa seja incorrida (art. 299 do RIR/1999). Fl. 9005DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.006 8 Despesas com viagens e "estadias" A glosa se deve, segundo a DRJ, à precariedade da documentação apresentada; além do que as despesas se mostraram desnecessárias. A recorrente admite a indedutibilidade das despesas com passeios da delegação chinesa no Brasil, no valor de R$ 440.426,80 (R$ 114.542,90 em 2009 e R$ 380.170,90 em 2010). Afirmou que o pagamento do crédito tributário respectivo já foi efetuado. Com relação às demais despesas relativas a compras de passagens aéreas e hospedagens de colaboradores e autoridades chinesas, disse a recorrente que é incontestável a presença do requisito necessidade. Tratase de despesas intrinsecamente ligadas à atividade econômica, e à manutenção da fonte produtora. A recorrente frisou que foram apresentados relatórios pertinentes às despesas, com discriminação de nomes, destinos e valores. Despesas com alimentação de funcionários A recorrente ponderou que estava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhor PAT, e que, assim, fornecia alimentação, in natura ou mediante entrega de valerefeição, a todos os seus funcionários indistintamente. Disse também que cumpre todos os requisitos previstos no art. 369 do RIR/1999, razão pela qual as despesas incorridas com alimentação de seus funcionários devem ser deduzidas do lucro líquido. No que toca aos gastos com alimentação de funcionários, no curso da jornada de trabalho, é preciso considerar que, durante os anos de 2009 e 2010, os empregados da recorrente viajaram, com frequência, para outras localidades, a fim de participar de reuniões, bem como para construir os gasodutos do Projeto Gasene. Dessa forma, tais despesas seriam gastos com alimentação durante viagens de trabalho. Tais despesas seriam intrinsecamente vinculadas à atividade da recorrente, bem como necessárias à manutenção da fonte produtora. Frisou, por fim, que foram cumpridos os requisitos do art. 299 do RIR/1999. Ilegalidade da glosa de despesas em duplicidade Alegou a recorrente que parte das despesas com viagens e estadias fora glosada em duplicidade. As despesas nos de 2009 e 2010 estão discriminadas nos itens 56 e 64 do Termo de Constatação. Os valores contidos nas faturas 4881 (R$ 4.830,00 "Tour em Brasília") e 4887 (R$ 6.652,64 "jantar") foram glosados em duplicidade. A recorrente já tinha admitido que determinadas despesas haviam de ser adicionadas ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, pois eram relativas a passeios da delegação chinesa no Brasil. Mesmo assim, tais valores foram glosados de forma individualizada no Termo de Constatação, caracterizando a duplicidade da glosa. Fundada nessas razões, a recorrente pediu o cancelamento do auto de infração. Na Resolução nº 1301000.455 (fls. 8.923 a 8.927), determinouse o retorno dos autos à unidade de origem, para que a autoridade lançadora se manifestasse sobre os documentos apresentados no recurso. A autoridade administrativa, no relatório de fls. 8.935 a 8.937, ponderou que os documentos não alteravam as conclusões do Termo de Constatação, sobretudo, os referentes Fl. 9006DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.007 9 aos serviços de consultoria, em face das informações genéricas que os documentos continham. No entanto, admitiu que o contrato de prestação de serviços aduaneiros (referente aos itens 46 e 47 do Termo de Constatação) poderia servir como documento hábil a comprovar as respectivas despesas. A recorrente, mais uma vez ouvida no processo, disse que o relatório ignorou a documentação constante dos autos, atendose apenas aos documentos objeto da tradução juramentada, os quais, sendo complementares, não deveriam ser apreciados isoladamente, pois integram o conjunto probatório formado pelos documentos apresentados desde a impugnação. Assim, a fim de que fosse respeitado o devido processo legal em matéria tributária, impunhase à autoridade fiscal manifestarse sobre o conjunto probatório relacionado aos itens em questão. Especificamente quanto aos documentos relativos aos serviços prestados por pessoas jurídicas, aduziu que um exame mais detido das cláusulas contratuais e dos relatórios das atividades vinculadas ao contrato permitiria concluir que não são genéricos nem os serviços, nem a documentação exibida. Contestou também a referência feita pela autoridade administrativa à "Operação Lava Jato". Disse a recorrente: 29. Adicionalmente, o D. Fiscal Autuante traz uma inovação aos autos ao sustentar em seu Relatório que haveria suposta similitude entre o contrato de consultoria firmado entre a SINOPEC e a Hutton e os contratos da Petrobrás no âmbito da Operação LavaJato. Ora, Ilmo. Conselheiro, tratase de verdadeira "teoria da conspiração" criada de forma inconsequente pelo D. Fiscal Autuante em sede de diligência, na frágil tentativa de desqualificar a natureza do pagamento efetuado pela ora Requerente. 30. Isto porque, o D. Fiscal Autuante, que agora realizou a diligência requerida por este Egrégio Conselho, sequer determinou a imposição de multa de ofício qualificada de 150% quando da lavratura do Auto de Infração guerreado nestes autos, nem mesmo alegou eventual existência ou presunção de intuito de dolo, fraude, simulação ou evasão de divisas no caso concreto, seja contra a SINOPEC e, principalmente, contra a Hutton. Portanto, não pode agora, em sede de elaboração de Relatório de Diligência Fiscal, trazer aos autos alegação de que o contrato em comento se enquadraria no âmbito da Operação LavaJato. (fls. 8.948 e 8.949) Insistiu a recorrente na tese de que, na diligência, deveria ter sido examinado o conjunto probatório como um todo, a exemplo do exame das despesas com a empresa Armex. Por outro lado, relativamente à documentação comprobatória da contratação da empresa Armex Logística e Comércio Exterior Ltda. ("Armex"), correspondente aos itens 47 e 48 do Termo de Constatação Anexo ao Auto de Infração, o D. Fiscal Autuante houve por bem examinar a totalidade da documentação apresentada pela SINOPEC nestes autos, tendo afirmado o seguinte: "Foi apresentado um contrato de prestação de serviços de desembaraço aduaneiro onde constam cláusulas bem definidas acerca da obrigação da contratada, especificação clara dos serviços a serem desenvolvidos, bem como as Fl. 9007DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.008 10 atividades a serem exercidas. Ao ver desta Fiscalização, tal documentação pode servir como documentação hábil e idônea para comprovar as despesas incorridas." 43. Assim sendo, verificase, pois, que o D. Fiscal Autuante expressamente reconhece que a documentação apresentada pela SINOPEC é hábil e idônea para a devida comprovação das despesas incorridas com serviços de desembaraço aduaneiro prestados pela Armex. Logo, é incontroverso que a manutenção da glosa de tais despesas no montante de R$ 289.813,17 é totalmente equivocada, e, consequentemente, deve ser excluída do Auto de Infração por este Egrégio Conselho. (grifo da recorrente) (fls. 8.951 e 8.952) No mais, a recorrente reproduziu argumentos da impugnação e do recurso. Com a manifestação da recorrente, os autos retornaram ao CARF, onde se encontram não apenas por força do recurso voluntário, mas também pela necessidade de reexame da parte da decisão que, favorável à recorrente, excluiu parcela do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Roberto Silva Junior Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Quanto ao recurso de ofício, está presente a obrigatoriedade do reexame da decisão da DRJ, na parte contrária à Fazenda Nacional, porquanto o crédito tributário exonerado ultrapassa o limite de alçada fixado na Portaria MF nº 63/2017, que é de R$ 2.500.000,00. Nulidade da decisão recorrida De acordo com a recorrente, a nulidade da decisão da DRJ se deve a dois fatos: não ter apreciado todos os fundamentos da defesa; e não ter examinado os documentos em língua estrangeira, nem ter determinando sua tradução. É entendimento pacífico, no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça, que a decisão não precisa abordar todas as teses jurídicas suscitadas pelas partes, desde que seja fundamentada, apresentando motivos suficientes para respaldar o que foi decidido. Confirase: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA ACÓRDÃO CONDENATÓRIO. CONTRADIÇÃO, OMISSÃO E ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DA CAUSA. EMBARGOS REJEITADOS. Fl. 9008DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.009 11 1. Ausência de contradição, omissão e erro material a ser sanado pelos embargos declaratórios. 2. É firme a jurisprudência no sentido de que são incabíveis os embargos de declaração quando a parte, a pretexto de esclarecer uma inexistente situação de obscuridade, omissão ou contradição, vem a utilizálos com o objetivo de infringir o julgado e de, assim, viabilizar um indevido reexame da causa. Precedentes. 3. Não se faz necessária a manifestação do julgador sobre todas as teses jurídicas ventiladas pelas partes. Precedentes. 4. Não se constatam elementos suficientes para afastar a competência deste Supremo Tribunal Federal para o julgamento da presente ação penal, bem como para reconhecer a nulidade da ação penal, absolver o Embargante ou declarar a prescrição punitiva estatal, não cabendo aqui ser cogitada a excepcional ocorrência do efeito modificativo dos embargos declaratórios nem a concessão de habeas corpus de ofício. 5. A interrupção da prescrição da pretensão punitiva estatal nas instâncias colegiadas se dá na data da sessão de julgamento, que torna público o acórdão condenatório. 6. A jurisprudência deste Supremo Tribunal é firme no sentido de que o que se espera de uma decisão judicial é que seja fundamentada, e não que se pronuncie sobre todas as alegações deduzidas pelas partes. 7. Embargos de Declaração rejeitados. (STF Embargos de Declaração na Ação Penal 396 Rondônia, Rel. Min. Cármen Lúcia, em 26/06/2013, DJe 30/09/2013) (g.n.) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeuse pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812 80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Fl. 9009DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.010 12 Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (STJ Embargos de Declaração no Mandado de Segurança nº 21.315 DF, Rel. Min. Diva Malerbi, em 08/06/2016, DJe 15/06/2016) (g.n.) O acórdão recorrido trata de todos os pontos controversos envolvidos no lançamento. Por sua vez, a recorrente não apontou de forma objetiva a matéria ou a questão controversa que remanesceu sem exame na decisão recorrida. As questões centrais e periféricas foram decididas de forma fundamentada, a despeito da discordância quanto ao conteúdo da decisão. No tocante aos documentos em língua estrangeira, é a própria lei que determina que eles sejam traduzidos. A tradução é ônus de quem apresenta o documento, afirmando que ele faz prova de fatos controversos. Portanto, ao ter deixado de apreciar documentos em língua estrangeira, o órgão julgador não cometeu nenhuma ilegalidade que pudesse invalidar a decisão. Recurso de ofício O acórdão da DRJ exonerou uma parte do crédito tributário. Especificamente foram restabelecidas despesas que a Fiscalização glosou por terem sido contabilizadas em desacordo com o regime de competência. Afastouse a glosa de uma parcela das despesas que o órgão julgador admitiu como comprovadas. E, finalmente, foi afastada a qualificação da multa em relação ao IRRF do mês de outubro de 2010. Quanto às despesas contabilizadas fora do regime de competência, a decisão foi assim fundamentada: No caso dos autos, tratase de postergação de dedução à base de cálculo, o que, ressalvada a ocorrência de casos específicos, acarreta a antecipação de tributo. Assim, para que o lançamento com fulcro na glosa destas despesas prosperasse, seria preciso que a fiscalização demonstrasse que do confronto entre os efeitos da transposição dos respectivos valores, (i) como dedução do lucro real de 2008 e (ii) como adição ao lucro real de 2009, resultasse economia tributária indevida, conclusão que não se pode inferir desses autos. Sendo assim, sou pelo afastamento da glosa das deduções de R$ 721.513,06, referente à conta "custo dos serviços prestados", e R$ 466.372,26, relativos ao "custo com veículos". (fls. 8.439 e 8.440) É correta a decisão da DRJ. As despesas foram contabilizadas no período de apuração seguinte. Em tese, o erro foi em desfavor do contribuinte, que antecipou tributo. A Fiscalização, entretanto, glosou a despesa como se ela fosse inexistente ou não dedutível. Fl. 9010DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.011 13 É certo que a postergação do registro contábil da despesa pode, por exemplo, revelar uma burla ao limite de 30% do lucro líquido ajustado para compensar prejuízo fiscal. Pode também ser indício de apropriação em duplicidade da mesma despesa. Mas para comprovar tanto a primeira, quanto a segunda hipótese, seria necessário avançar na investigação, o que a autoridade lançadora não fez. Portanto, a glosa pura e simples, como se deu no lançamento, não pode prevalecer. Com relação às outras deduções restabelecidas pela DRJ, estes foram os fundamentos: Ainda com respeito as despesas lançadas sob o signo "material de uso e consumo" em 2009, por meio dos comprovantes bancários de fls. 3832/3833, a interessada logrou comprovar o pagamento quase que integral do valor relacionado à nota fiscal de fls. 3831 de R$ 871.511,20, já que os dois comprovantes somam R$ 871.511,14, sendo este o montante que deve ser afastado da glosa fruto da ação fiscal. (fl. 8.440) (...) Relativamente ao "aluguel de equipamentos" no anocalendário 2009, a fiscalização apontou insuficiência de documentos que comprovassem a efetiva realização da despesa de R$ 3.904.254,33 no período, mormente pela ausência do contrato de locação firmado pelas partes. A falta de tal instrumento foi suprida pela interessada com a apresentação do contrato de fls. 4842/4847. Ocorre que o pacto remete a um demonstrativo anexo, similar a um cronograma de desembolso, pelo qual seriam devidos pela interessada R$ 1.197.000,00 em 2009. Contudo, a defesa só logrou comprovar o efetivo pagamento de R$ 963.000,00, conforme os comprovantes de depósitos/transferências bancárias de fls. 4851/4857, devendo, por conseguinte, ser afastada a glosa equivalente a este montante. (fl. 8.443) Aqui a decisão da DRJ deve ser parcialmente mantida. A comprovação das despesas com material de uso e consumo se fez pela prova de que as obrigações, pelo menos em parte, foram liquidadas por pagamento. O efetivo pagamento, embora não seja uma prova inconteste da existência da despesa, é sem dúvida um forte indício nesse sentido. De resto, a própria autoridade lançadora, no Termo de Constatação, considerou, em alguns casos, a prova de pagamentos como um indicador seguro da existência da despesa. Relativamente às despesas com aluguel de equipamentos, a glosa deve ser restabelecida. A autoridade lançadora glosou a despesa pela falta de apresentação do respectivo contrato de locação, que tardiamente foi trazido aos autos. Ocorre que os valores glosados não correspondem à parcela da despesa que deveria ser apropriada mensalmente, em atenção ao regime de competência, considerados valor e tempo de duração do contrato. A discrepância entre os valores indica que o instrumento contratual apresentado não tem relação com a despesa glosada. Em suma, o contrato não prova a validade das deduções. Por conseguinte, o recurso de ofício, nessa parte, deve ser provido, para restabelecer a glosa de R$ 963.000,00. O último ponto da decisão a quo a merecer reexame é a desqualificação da multa, que foi feita sob os seguintes fundamentos: Por fim, quanto a exigência da multa de ofício qualificada, assiste razão à interessada quando aponta a desarrazoada incidência apenas sobre um lançamento de IRRF e sem qualquer justificativa. O silêncio quanto ao fato, tanto no termo de constatação fiscal, quanto no auto de infração exceto, evidentemente, na parte Fl. 9011DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.012 14 deste em que são calculados os encargos , é revelador da possibilidade de tratarse de mero erro material do lançamento. Seja como for, não se extrai dos autos nenhuma das situações previstas em lei para a imposição da penalidade de 150%: (fl. 8.447) (...) Fica mantida a exigência principal de IRRF e reduzida a multa de ofício do período de apuração de 150% para 75%, do que decorre sua diminuição de R$ 5.424.144,23 para R$ 2.712.072,11 para o período de apuração outubro/2010 e, conseqüentemente, da penalidade total de R$ 17.871.196,04 para R$ 15.159.123,92. (fl. 8.450) A imposição de multa qualificada (150%) requer a presença de dolo, do intuito de fraudar ou da prática de atos simulados visando reduzir ou suprimir tributos. A manutenção da multa depende, portanto, de descrição da conduta dolosa e da respectiva prova. No caso concreto, como bem acentuou a decisão da DRJ, não há qualquer referência expressa aos requisitos necessários à aplicação da multa qualificada, tanto é que o próprio órgão julgador cogitou ter havido inexatidão material. Seja qual for o motivo que levou à aplicação da multa qualificada, a verdade é que ela não resiste à simples leitura do Termo de Constatação e, por isso, deve ser afastada. Pelo exposto, o recurso de ofício deve ser parcialmente provido, restabelecendose a glosa de R$ 963.000,00 referente a locação de equipamentos. Despesas com serviços prestados por pessoa jurídica A Fiscalização, relativamente ao ano de 2009, glosou despesas de serviços relativos a consultoria e assessoria, porquanto não apresentada qualquer comprovação da efetividade dos serviços, apesar dos expressivos valores pagos. O mesmo ocorreu em relação aos serviços prestados por pessoa jurídica em 2010. Tais valores, depois de reajustados, sofreram incidência do IR na fonte. Em relação à empresa Armex Logística e Comércio Exterior, a despesa de R$ 289.813,17 foi glosada por falta de comprovação do efetivo pagamento. Também houve glosa da despesa de R$ 139.391,15 referente a serviço com despacho aduaneiro, visto que restou sem comprovação a despesa feita com a pessoa que teria efetuado o despacho. As duas glosas perfazem o montante de R$ 429.204,32. Em relação a elas não houve exigência de IR na fonte. A recorrente alegou ter apresentado farta documentação, que foi ignorada pela DRJ. Disse também que a jurisprudência do CARF é no sentido de que contratos e notas fiscais são suficientes para comprovar a existência de serviços. A falta de comprovação dos serviços ou de sua efetividade e necessidade, porém, não seriam os verdadeiros motivos para a manutenção da glosa pela decisão recorrida. A glosa foi mantida em razão do valor da despesa, considerado excessivo. Tal valor, entretanto, foi estabelecido em negócio envolvendo partes não relacionadas. Quanto à glosa da despesa com Armex Logística e Comércio Exterior Ltda., ponderou a recorrente que o pagamento não é requisito legal de dedutibilidade. Antes de examinar o problema, convém chamar a atenção para o detalhe de que a maioria das despesas glosadas pela Fiscalização atinge serviços de consultoria e de Fl. 9012DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.013 15 assessoria prestados por empresas privadas. Estes são os valores correspondentes aos serviços glosados: BENEFICIÁRIO DO PAGAMENTO VALOR R$ DATA HUTTON EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA 4.896.121,35 20/01/2009 HUTTON EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA 4.896.121,35 23/04/2009 HUTTON EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA 4.896.121,35 24/07/2009 HUTTON EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA 4.199.624,12 22/10/2009 HUTTON EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA 6.117.600,00 18/11/2009 CHINA FRIENDSHIP DEVELOPMENT INTERNATIONAL ENGINEERING & CONSULTING CORP 1.710.000,00 15/10/2009 CHINA FRIENDSHIP DEVELOPMENT INTERNATIONAL ENGINEERING & CONSULTING CORP 653.714,50 01/11/2010 CHINA DEVELOPMENT BANK 3.699.940,93 05/11/2009 CHINA DEVELOPMENT BANK 2.284.917,77 09/12/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 02/01/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/02/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/03/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/04/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 03/05/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/06/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/07/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 02/08/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/09/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 32.231,50 01/10/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 34.420,02 01/11/2010 TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA LTDA. EPP 34.420,02 01/12/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 33.953,40 04/01/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 36.558,60 01/02/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 35.100,00 01/03/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 34.729,50 05/04/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 33.746,70 03/05/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 35.425,65 02/06/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 35.178,00 01/07/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 34.265,40 02/08/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 34.242,00 01/09/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 33.036,90 04/10/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 33.177,30 03/11/2010 VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA 33.463,95 02/12/2010 CONTAU CONTABILIDADE EMPRESARIAL LTDA 249.500,00 24/02/2010 CONTAU CONTABILIDADE EMPRESARIAL LTDA 72.353,00 17/06/2010 ARMEX LOGÍSTICA E COMÉRCIO EXTERIOR LTDA 148.525,47 01/10/2010 ARMEX LOGÍSTICA E COMÉRCIO EXTERIOR LTDA 83.444,31 01/12/2010 ARMEX LOGÍSTICA E COMÉRCIO EXTERIOR LTDA 57.843,39 01/12/2010 SERVIÇO DE DESPACHO ADUANEIRO 139.391,15 01/12/2010 Do quadro acima, percebese que Hutton Equipamentos e Serviços Ltda. recebeu, apenas em 2009, cinco parcelas perfazendo o montante de R$ 25.005.588,17. As empresas Total Gás Consultoria e Vetor Consultoria receberam, em 2010, doze parcelas mensais, que ao final do ano totalizaram, para cada uma delas, aproximadamente R$ 400.000,00. Contau Contabilidade Empresarial auferiu em 2010 R$ 521.853,00, em duas Fl. 9013DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.014 16 parcelas. China Friendship recebeu R$ 2.363.714,50; e China Development, R$ 5.984.858,70. Tudo isso pago a título de consultoria e assessoria. Para a recorrente, a prova da prestação do serviço se faz mediante nota fiscal e contrato. É certo que a prestação de serviços, em tese, se comprova mediante a apresentação desses documentos. A obrigação que tem por objeto uma prestação de serviços se executa mediante comportamento de fazer, que é incorpóreo e, muitas vezes, não deixa nenhum sinal, marca, vestígio ou elemento palpável que possa servir de prova física de que a prestação foi efetivamente cumprida. É o que se dá, por exemplo, com os serviços de consultoria e assessoria. Não é por acaso que eles são usados amiúde para "lavagem de dinheiro" e para mascarar pagamentos de propinas e de outras vantagens ilícitas. Nos dias atuais, fraudes desse tipo vêm sendo com frequência apuradas pelo Ministério Público, pela polícia e pelo Fisco. Sem risco de exagero, podese afirmar que não passa uma semana, sem que a imprensa divulgue alguma notícia dessa natureza. Isso, entretanto, não autoriza a presunção de que todo serviço de consultoria ou de assessoria esconda uma fraude. Mas, sem perder de vista esse contexto, é preciso ponderar cada situação concreta, levando em conta as circunstâncias específicas do caso. Nesse sentido, os montantes pagos são, indiscutivelmente, um elemento que não pode ser desprezado. No caso dos autos e considerando esse aspecto, a autoridade fiscal se deteve na análise do serviço supostamente prestado pela Hutton Equipamentos, para quem foi entregue, só em 2009, quantia superior a vinte e cinco milhões de reais. Eis o que disse a autoridade fiscal no Termo de Constatação: (6) Em relação à empresa HUTTON EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS LTDA, CNPJ 08.924.836/000194, doravante HUTTON, verificase que, no ano calendário de 2009 foi efetuado um pagamento total de R$ 25.005.588,17. Em um primeiro momento, a fiscalizada foi intimada a apresentar documentação comprobatória de tais lançamentos. Em atendimento, apresentou apenas as Notas Fiscais de serviços referentes a cada lançamento. (7) As Notas Fiscais apresentadas tem sua numeração sequencial, emitidas manualmente e consignam a natureza do serviço como "agenciamento de novos negócios". Notese que a SINOPEC não angariou novo cliente através do agenciamento de HUTTON, uma vez que já havia construído outra parte do Gasoduto objeto de sua atuação. (8) Causa estranheza também, como comprovado a seguir, o fato de HUTTON não possuir qualquer funcionário, estar localizada em local acanhado (box dentro de distribuidor) situado em município diverso de seu sócio principal (e, conforme demonstraremos a seguir, único executor do contrato) ou do local de atuação de sua cliente SINOPEC, não possuir qualquer outro cliente e não possuir histórico de atuação no mercado que justificasse sua contratação em montantes tão elevados, posto que não realizou qualquer serviço anterior ao prestado à SINOPEC. (9) Intimada, em 14/05/2013, a comprovar a efetividade dos serviços prestados, a fiscalizada não apresentou qualquer contrato ou documento equivalente. Apresentou somente relatórios de serviços teoricamente prestados pela contratada, referentes aos meses de julho de 2007, agosto de 2007, outubro de 2007, novembro de 2007, dezembro de 2007, primeiro trimestre de 2008, segundo Fl. 9014DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.015 17 trimestre de 2008, terceiro trimestre de 2008, primeiro trimestre de 2009, segundo trimestre de 2009, terceiro trimestre de 2009 e quarto trimestre de 2009. Finalmente, um documento denominado "ECONOMIC SURVEY OF BRAZIL 2009". Cumpre ressaltar que cada um desses relatórios possui, contada a folha de rosto, entre duas e cinco páginas, e a documentação referente a todos os relatórios citados alcança 41 páginas. (10) Analisando tais relatórios, em inglês, verificase que as atividades a serem desenvolvidas por HUTTON são genéricas, como por exemplo, na cláusula C, do relatório de julho de 2007, "realizar seus melhores esforços para fazer da SINOPEC a empresa contratada ou pelo menos um candidato" a ganhar a concorrência, (esta tradução e todas as demais efetuadas por este AFRFB). Neste mesmo relatório, são feitas "sugestões" genéricas, tais como a do item 2, orientando a "leitura acerca da Economia Brasileira e Investimento Estrangeiro, para ajudar a SINOPEC a entender a economia brasileira, suas leis e como fazer sucesso no mercado brasileiro sendo uma empresa estrangeira". (11) No relatório de setembro de 2007, consta a informação de que a HUTTON "manteve contato com BNDES, PETROBRÁS e autoridades brasileiras para ajudar com o fluxo de informações durante o processo de negociação das condições do contrato". A dúvida que surge é: como uma empresa do porte da HUTTON tem acesso e consegue interferir na comunicação entre a maior empresa brasileira, as autoridades governamentais e o BNDES? Ademais, a construção do Gasoduto deuse através de negociações entre Governos Brasileiro e Chinês, com a participação de empresas de grande porte dos dois países. Como poderia HUTTON estar discutindo cláusulas do contrato com os contratantes, contrato este que ainda viria a ser firmado? E, tendo a SINOPEC construído a primeira parte do Gasoduto, porque necessitaria do auxilio de HUTTON no acordo entre SINOPEC e a PETROBRÁS? (12) Finalmente, a empresa contratada para construir o trecho GASCAV do Gasoduto foi SINOPEC INTERNATIONAL PETROLEUM SERVICE CORPORATION (companhia organizada e existente de acordo com as leis da República Popular da China e controladora da SINOPEC PETROLEUM DO BRASIL LTDA), a qual subcontratou a fiscalizada. Reforcese: Qual o serviço desenvolvido por HUTTON que possa ser avaliado em 25 milhões de reais? Ainda, sendo o contrato firmado com a SINOPEC chinesa, os serviços de HUTTON seriam dedutíveis em sua controlada no Brasil? Notese que não há qualquer novo negócio gerado por HUTTON para a fiscalizada. (13) No relatório de novembro de 2007, em seu item 6, HUTTON dá sugestões/conselhos à fiscalizada no sentido de "é muito difícil pedir a um empregado para trabalhar fora do horário no Brasil" ou "cada ano necessita de um mês de férias". (14) No ano calendário de 2009, HUTTON emitiu quatro relatórios trimestrais, que, juntos, totalizam oito páginas. No do primeiro trimestre, não há qualquer discriminação de serviços prestados, mas meras análises conjunturais da economia brasileira. (15) No relatório do segundo trimestre de 2009, na sua parte inicial, HUTTON diz ter visitado a China e mantido conversas com o Banco Chinês de Desenvolvimento e SINOPEC, para auxiliar a finalização de MOU (sic) entre PETROBRÁS, SINOPEC e CDB durante a visita do então Presidente do Brasil à China. Considerandose que HUTTON era uma empresa que não tinha tido Fl. 9015DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.016 18 qualquer cliente nem qualquer expressão no mercado, como poderia auxiliar em tais tratativas? (16) Finalmente, identificamse nos relatórios pouquíssimas descrições reais de serviços prestados por HUTTON, com sua área de atuação sendo definida de forma genérica, tais como tratativas, reuniões, contatos e esforços, ações estas ligadas a empresas de grande porte e autoridades públicas de Brasil e China. Considerandose que HUTTON é uma empresa pequena e sem qualquer tradição no mercado, como poderia realizar serviços dessa magnitude? E, ainda, de que forma, HUTTON conseguiria influenciar no resultado final da licitação pública da PETROBRÁS? (17) De posse de tais informações, foi lavrado Termo de Intimação com ciência efetivada em 30/08/2013, questionando diversos aspectos em relação à atuação de HUTTON, cujos principais pontos serão reproduzidos a seguir. (18) Embora, o valor total pago tenha alcançado 25 milhões de reais, SINOPEC informa que não sabe o numero de empregados de HUTTON que prestaram serviço a ela, já que todos os contatos eram feitos com o sócio HERBERT. Informa ainda que não sabe a formação acadêmica de quaisquer empregados e que HERBERT seria engenheiro. Fica evidente, portanto, que os 25 milhões de reais referemse apenas ao trabalho do sócio HERBERT de HUTTON, trabalho este desenvolvido de forma absolutamente genérica. (19) Afirmou ainda, que o que a motivou a contratar HUTTON foram informações dos Governo e Embaixada Chineses no Brasil acerca da expertise da contratada e que "era extremamente necessário e normal para uma empresa que estava iniciando operações e negócios no Brasil". Ocorre que, a SINOPEC chinesa, controladora da fiscalizada, já havia construído o trecho GASCAC do mesmo Gasoduto, de forma que a empresa já tinha não só experiência em tratar com as partes envolvidas no contrato, como de negócios no país. Qual seria a necessidade de se contratar HUTTON (sendo seu único cliente) para intermediar a continuação da obra do Gasoduto? (20) Intimado a esclarecer se tinha dado procuração para HUTTON agir em seu nome ou se HUTTON participou de reuniões com registro em Atas, informou que HUTTON não tinha procuração porque não tinha poder para tomar a decisão final do negócio, bem como que houve reuniões da alta gerência da SINOPEC, CDB, HUTTON, PETROBRÁS, BNDES e representantes dos governos brasileiro e chinês. Finalmente, afirma que "como de costume, em reuniões de alta gerência, não foram assinadas atas de reunião". Em que pese a assertiva da fiscalizada, cumpre ressaltar que é costume em reuniões envolvendo reuniões de empresas visando a contratação de negócios, a lavratura de Atas com as tratativas desenvolvidas. Tanto que, a própria fiscalizada, na continuação desta resposta afirma que "após os ponto chaves terem sido negociados e fechados, a SINOPEC e a PETROBRÁS começaram a discutir os detalhes do CONTRATO, como pode ser visto das Atas de Reunião que foram anexadas ao Contrato do PROJETO GASENE" (grifos nossos). Resumindo, em todas as reuniões em que HUTTON participou, não há qualquer ata lavrada. Finalmente, solicitada a elencar datas e representantes das empresas e autoridades participantes das reuniões em que HUTTON estivesse presente, a fiscalizada limitase a responder que foi a "alta gerência". (21) Finalmente, foi elaborado e enviado Termo de Intimação para os sócios de HUTTON solicitando informações e documentação referente aos serviços por ela desenvolvidos junto à fiscalizada. Tal procedimento foi adotado pelo fato de a HUTTON ter informado como seu domicílio um endereço sem indicação de Fl. 9016DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.017 19 numeração, o que impossibilitaria o recebimento da correspondência. Os principais elementos e esclarecimentos informados pela diligenciada serão expostos a seguir. (22) Intimada a apresentar contrato de prestação de serviços com a fiscalizada, respondeu que "firmou contrato com a SINOPEC INTERNATIONAL PETROLEUM SERVICE CORPORATION durante os anos de 2007, 2008 e 2009". Apresentou contrato, em inglês, firmado com SINOPEC do Brasil. Tal contrato, que envolveu, durante os anos calendário citados, valor próximo a 52 milhões de reais (cláusula 5 do contrato), dedica apenas seis tópicos para indicar as atribuições da contratada, que são: (i) contatar autoridades chinesas e brasileiras e fazer relações publicas, no que diz respeito à obtenção do PROJETO (Gasene); (ii) ser responsável por facilitar o financiamento do PROJETO; (iii) usar seus melhores esforços para que SINOPEC seja contratada para executar o PROJETO; iv) ajudar a dar lances, bem como ajudar na negociação e assinatura do projeto; (v) ajudar a SINOPEC a obter dados, materiais e documentos relevantes e (vi) prover análises da relação entre China e Brasil, bem como sobre o mercado de óleo brasileiro. (23) Apenas a título de comparação, SINOPEC firmou contratos com fornecedores cujos valores envolvidos eram muito menores que os pagos a HUTTON e que previam muito mais obrigações e controles que este. Ainda, verificase que todas as obrigações de HUTTON são genéricas, de difícil mensuração quanto à sua execução. Ressaltese ainda que, embora HUTTON tenha como obrigação participar de reuniões acerca de financiamento, materiais e documentos relevantes, nestas reuniões não são lavradas quaisquer atas. (24) Da análise das DIPJ de HUTTON, dos anos calendário de 2008 e 2009, constatouse que os valores distribuídos aos sócios são praticamente iguais ao valor do faturamento deduzido dos impostos incidentes, caracterizando a ausência de despesas na execução dos serviços prestados. Intimado a apresentar a Demonstração do Resultado no item 4 do Termo, a diligenciada apresentou apenas cópia da DIPJ. (25) Em resposta ao Termo de Intimação, informou que não possuía funcionários e que todos os serviços foram prestados pelo próprio presidente da empresa, HERBERT ANTONIO VON ATZINGEN PASQUINI, que, segundo a diligenciada, possui larga experiência em "atividades de administração de empresas, venda e planejamento de serviços bem como em obras de construção e montagem no setor de óleo e gás". Visando comprovar tal experiência, apresentou meramente um informativo da empresa TSL ENGENHARIA AMBIENTAL (empresa que, segundo a própria diligenciada, os sócios possuem participações) onde está escrito que foi responsável pela "execução de diversos contratos em várias refinarias da PETROBRÁS desde 1987". Tais credenciais justificariam a assinatura de contrato em valor superior a 50 milhões de reais? (26) Afirma ainda a diligenciada que não possuía clientes anteriormente ao contrato firmado com SINOPEC, não teve novos clientes posteriores à SINOPEC, exerce suas atividades no endereço indicado em Alfredo ChavesES e que "a SINOPEC Brasil soube da especialização da HUTTON para prestar os serviços contratados a partir do grande renome dos seus sócios (profissionais reconhecidos no mercado) cujos trabalhos anteriormente prestados revelavam a expertise suficiente para atender ao que foi contratado entre as partes". Finaliza dizendo que o sócio HERBERT é "amigo pessoal do exconsul da China em São Paulo, senhor Zhao Jiaping, que havia retornado para a China e que fez todos os arranjos necessários junto à SINOPEC e o CDB na China". Como fato concreto, surge que a empresa exerce suas atividades em município distante da cliente, do domicílio dos Fl. 9017DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.018 20 sócios e das autoridades com as quais se reúne; não realiza qualquer serviço que possa ter um mínimo de mensuração e não aponta qualquer prova de que tem conhecimento e expertise para justificar a assinatura de tal contrato. (27) Em relação aos relatórios que emitia para SINOPEC, a diligenciada respondeu que estes só existem em inglês; ainda, perguntado como HUTTON teria encontros com SINOPEC desde 2004 tendo sido fundada em 2007, respondeu que "por assim dizer" tais encontros estão se referindo ao sócio da diligenciada que vinha em tratativas anteriores. Ocorre que a própria SINOPEC ainda não havia sido constituída até 02/02/2005 (conforme cadastro do CNPJ). (28) Finalmente, afirmou que não possuía procuração de SINOPEC e que somente elaborava os relatórios apresentados a esta Fiscalização para a contratante. As atas de reunião eram elaboradas "pelos próprios entes". Informou ainda que não possui informações precisas sobre as referidas reuniões e, intimado a esclarecer os participantes da reunião, enumerou diversas autoridades públicas e de notória exposição pública, tal qual o Presidente da PETROBRÁS e o Presidente do Congresso Nacional. Em relação aos técnicos que participavam das reuniões, afirmou que eram "vários técnicos de diferentes áreas". Difícil imaginar que os detalhes financeiros, dados, materiais e demais aspectos do Contrato tenham sido discutidos em reuniões com o Presidente do Congresso, o presidente da PETROBRÁS e o Ministro das Minas e Energia. (29) De todo o exposto, concluise que: (i) não há provas conclusivas de que os serviços de HUTTON à SINOPEC tenham sido prestados; (ii) não ficou caracterizada a necessidade e a usualidade dos serviços supostamente prestados; (iii) se tais serviços existiram, não há prova de que tenham sido prestados à fiscalizada, e sim à sua controlada na China; (...) (32) Em relação à documentação de CHINA DEVELOPMENT BANK CORPORATION, a fiscalizada apresentou, visando comprovar a efetividade dos serviços prestados, documento em inglês denominado "FEASIBILITY STUDY REPORT" (tradução livre RELATÓRIO DE ESTUDO DE VIABILIDADE). Tal documento é, na verdade, um índice, desacompanhado do restante do estudo. (33) Da análise do índice, verificase que os serviços a serem desenvolvidos tem a mesma natureza daqueles prestados por HUTTON, descritos acima, com assuntos do tipo "uma boa oportunidade para SINOPEC ir da superfície ao fundo do mar", "gerenciamento da perfuração", "política brasileira" e similares. Notese que, embora com referências a perfuração marítima, tal documento visava comprovar a execução de serviço para uma empresa que construiu um gasoduto terrestre. (34) Não foram apresentados contrato firmado coma empresa, outros relatórios emitidos (exceto o já citado) ou quaisquer outros documentos que pudessem comprovar que os serviços tenham sido efetivamente prestados. (35) Pela mesma análise efetuada para HUTTON, os valores dos "serviços" prestados, bem como dos valores dos tributos incidentes, serão glosados por esta Fiscalização. Fl. 9018DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.019 21 (36) Em relação à documentação de CHINA FRIENDSHIP DEVELOPMENT INTERNATIONAL ENGINEERING & CONSULTING CORP, a fiscalizada apresentou, visando comprovar a efetividade dos serviços prestados, correspondência em inglês, afirmando entre outras coisas, que "ajudou muito SINOPEC na negociação e execução do GASENE", "manteve conversas com as autoridades chinesas, bancos e administradores relevantes" e similares. (37) Cabe aqui, a mesma análise feita para HUTTON e CHINA DEVELOPMENT BANK, de forma que os valores pagos a esta empresa serão glosados e tributados na forma do art. 674 do RIR/99. (fls. 3.498 a 3.506) Várias afirmações se extraem do trecho acima reproduzido, para as quais não há contestação específica: As notas fiscais emitidas manualmente pela Hutton Equipamentos indicavam como serviço o "agenciamento de novos negócios", mas a Sinopec não angariou nenhum novo cliente a partir das atividades da Hutton Equipamentos. A Hutton Equipamentos não tinha funcionários, nem clientes, além da própria Sinopec. Não tinha histórico de autuação no mercado e estava estabelecida em uma sala minúscula. Os relatórios apresentados davam notícia de atividades descritas de forma vaga e genérica. A Fiscalização pôs em dúvidas a viabilidade de uma empresa com o perfil da Hutton Equipamentos ter acesso aos dirigentes de Petrobrás e BNDES, e às autoridades do Governo do Brasil e da China. Se a Hutton Equipamentos prestou algum serviços, não foi para a recorrente, mas para a Sinopec Internacional estabelecida na China; entretanto, esta já havia construído antes um trecho do mesmo gasoduto (Gascac), o que dá a entender que a intervenção da Hutton Equipamentos, sendo inteiramente desnecessária, não existiu efetivamente. Não foi apresentada nenhuma ata indicando que algum empregado ou administrador da Hutton Equipamentos tenha participado de qualquer reunião visando à construção do gasoduto. E, por fim, os serviços descritos o foram de forma genérica, dificultando qualquer tipo de mensuração. Esses dados seriam suficientes para considerar como não demonstrada a efetiva prestação dos serviços. Não obstante, cabe reiterar que os serviços prestados foram identificados pela própria Hutton Equipamentos, nas notas fiscais de fls. 189 a 191, como "prestação de serviços de agenciamento de negócios".que é uma expressão de sentido vago. Os relatórios emitidos poderiam esclarecer o conteúdo do referido agenciamento. Mas eles não primam pela precisão e, às vezes, lembram textos de publicações especializadas em economia. Confirase: A crise econômica e financeira global não deixou o Brasil ileso. Mas a recuperação está a caminho e deve ganhar impulso na segunda metade de 2009 e em 2010. A consolidação macroeconômica continuada baseada em uma estrutura de política sólida combinada às metas de inflação, a taxa de câmbio flexível e normas baseadas na administração fiscal juntamente com uma posição muito melhor de responsabilidade externa sustentaram a resiliência da economia. Os políticos, no entanto, não devem perder de vista os desafios de longo prazo que terão de continuar a ser dirigidos para reforçar o potencial de crescimento da economia e fechar a lacuna nos padrões de vida em relação à área da OCDE a um ritmo mais rápido. Colher os benefícios da consolidação macroeconômica A resposta política a curto prazo para a crise financeira e econômica global tem sido de uma maneira geral apropriada. Medidas decisivas para reforçar a liquidez desde o início da crise têm sido importante, e pode haver espaço para mais Fl. 9019DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.020 22 alguma flexibilização monetária nos próximos meses. A política fiscal foi relaxada em bases cíclicas e discricionárias, sem comprometer a sustentabilidade da dívida de longo prazo, mas o ativismo adicional seria desaconselhável, a menos que a atividade enfraqueça muito mais. Uma reforma estrutural adicional deve se concentrar na contenção do crescimento das despesas de apoio ao reajuste fiscal contínuo, bem como sobre um maior aprofundamento financeiro, com base em uma eliminação gradual das exigências de reserva compulsórias para os bancos e uma eliminação progressiva das operações de crédito direcionadas existentes. (fl. 8.733) Mesmo correndo o risco da redundância, devese dar destaque ao fato de que o serviço para o qual a Hutton Equipamentos teria sido contratada era o "agenciamento de novos negócios". Entretanto, nenhum novo negócio foi efetivamente celebrado pela recorrente em razão da alegada intermediação da Hutton Equipamentos. O grupo Sinopec já havia construído a primeira parte do gasoduto, o que lança fundadas dúvidas sobre a real existência do serviço pelo qual a Hutton Equipamentos recebera, em 2009, mais de 25 milhões de reais. Além disso, não ficou claro qual o poder ou a influência que a Hutton Equipamentos teria sobre a Petrobrás e as autoridades do Governo brasileiro, para interferir de forma decisiva na escolha da Sinopec para a construção do gasoduto. Acerca desse ponto, a autoridade lançadora chamou a atenção para o fato de que não existe registro em ata da presença de qualquer representante da Hutton Equipamentos em reuniões com diretores da Petrobrás ou com autoridades do Governo brasileiro. Por último, vale registrar que a recorrente exibiu fotos do sócio da Hutton Equipamentos, Herbert Antonio Von Atzingen Pasquini, ao lado de algumas autoridades do Governo chinês. Tais fotos não provam qualquer fato relevante para o processo. Provam apenas que uma pessoa foi fotografada ao lado de outra, como ocorre frequentemente com celebridades, artistas, atletas famosos e políticos. Por essas razões, deve ser mantida a decisão da DRJ, considerando como não comprovada a prestação de serviços pela Hutton Equipamentos. Quanto aos serviços do China Development Bank, o documento apresentado para comprovar a prestação de serviços denominase Relatório de Estudo de Viabilidade (Feasibility Study Report) de fls. 8.740 a 8.743. Ocorre que o teor do documento revela que ele se reporta a serviços de perfuração em águas profundas. O documento apresentado é apenas o sumário do trabalho e indica que seu conteúdo não tem relação alguma com a construção de gasoduto terrestre, como bem frisou a autoridade fiscal. Chama a atenção o fato de que nem impugnação, nem recurso fazem referência à atividade de perfuração de poços de petróleo em 2009 e 2010. Dessa forma, ainda que a despesa existisse, não poderia ser levada, nos anos de 2009 e 2010, imediatamente ao resultado do exercício, sem considerar o princípio do confronto entre receitas e despesas. Portanto, para fins estritamente tributários, a despesa teria de ser diferida. Contudo, remanesce a falta de comprovação de que os serviços tenham sido efetivamente prestados à recorrente, e não a outra empresa do grupo econômico. Assim sendo, deve ser mantido o lançamento nessa parte. A recorrente indicou como prova dos serviços prestados por China Friendship os documentos de fls. 8.736 a 8.739. A leitura do documento revela uma relação de negócios que remonta a 2004. Confirase: Esta carta pretende afirmar que China Friendship Development International Engineering & Consulting Corp (doravante denominada "China Friendship") Fl. 9020DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.021 23 começou sua relação de negócios com a Sinopec em 2004, ajudando a SINOPEC a buscar novas oportunidades de negócios, e conforme nosso caso, no Brasil. De 2004 a 2009, China Friendship ajudou muito durante a negociação da SINOPEC e realização do Projeto GASENE (que foi dividido em GASCAV e GASCAC durante o curso), e trabalhou principalmente nos seguintes aspectos: (fl. 8.736) No final do mesmo documento, existe um quadro cronológico (fl. 8.737), com a sucessão de etapas cumpridas na medida em que o contrato ia sendo executado. A primeira deles é de dezembro de 2004. Ocorre que a recorrente, empresa estabelecida no Brasil, é de 2005, com início de atividades no ano seguinte. Em 2004, portanto, o contrato com a China Friendship só poderia ter sido celebrado com a empresa chinesa, controladora da recorrente. Sendo assim, a esta não poderia ser imputada a despesa de prestação de serviços. Em relação aos pagamentos feitos às empresas Vetor Consultoria e Total Gás, verificamse alguns traços em comum. Foram doze pagamentos mensais, feitos sempre no início do mês, em valores girando em torno de trinta e três mil reais, para remunerar serviço feito por determinada pessoa física: Luiz Antônio Vicentini Jorente no caso da (Total Gás) e Carlos Ricardo Stenders Neto (Vetor Consultoria). Observese que, em reuniões da Sinopec com a Petrobrás, estavam presentes Luiz Antônio Jorente e Carlos Stenders, que assinaram as respectivas atas, representando a recorrente (fls. 8.835 a 8.851). Além disso, existem duas certidões emitidas pelo CREA RJ (fls. 8.830 a 8.833) para a recorrente, relativas aos anos de 2009 e 2010, nas quais figura como representante técnico o engenheiro civil Luiz Antônio Vicentini Jorente. Tudo indica que Luiz Antônio Jorente e Carlos Stenders eram dirigentes da Sinopec e prestavam serviços intuitu personae, com alto grau de fidúcia. A contratação de empresa de consultoria e assessoria era puramente formal, não correspondendo à realidade dos fatos, mas provavelmente servindo para ocultar vantagens pagas a dirigentes. Assim, na esteira desse entendimento, a glosa da despesa deve ser mantida. Mas, diante desse mesmo entendimento sucumbe a pretensão de exigir IR na fonte. É que já não se pode afirmar que os pagamentos tenham sido efetuados sem causa conhecida, ou que os valores tenham sido entregues a beneficiários não identificados. Notese que a exigência do IR na fonte está ancorada nesses dois fundamentos, os quais, como ficou demonstrado, são insubsistentes. Portanto, deve ser afastada a exigência de IR na fonte sobre R$ 804.032,44 (R$ 391.155,04 + R$ 412.877,40). Foram glosadas as despesas com pagamentos feitos à empresa Armex Logística e Comércio Exterior Ltda. Ocorre que, diante de documentos apresentados na impugnação, os autos foram remetidos à unidade de origem, para ouvir a autoridade lançadora, que se manifestou nos seguintes termos: Foi apresentado um contrato de prestação de serviços de desembaraço aduaneiro onde constam cláusulas bem definidas acerca da obrigação da contratada, especificação clara dos serviços a serem desenvolvidos, bem como as Fl. 9021DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.022 24 atividades a serem exercidas. Ao ver desta Fiscalização, tal documentação pode servir como documentação hábil e idônea para comprovar as despesas incorridas. (fl. 8.937) A par da avaliação da autoridade fiscal, reconhecendo a força probante ao documento apresentado, não se pode ignorar que a recorrente executou a construção de um gasoduto, obra de grande envergadura, que demandou seguramente grande volume de importações. Nesse contexto, fazse necessário contratar serviços especializados ligados ao desembaraço aduaneiro e ao atendimento de exigências legais e administrativas inerentes à importação. Portanto, impõese afastar a glosa de R$ 289.813,17 referente às despesas com Armex Logística e Comércio Exterior Ltda. Quanto aos pagamentos feitos em favor de Contau Contabilidade, os documentos não permitem afastar as conclusões da autoridade lançadora. O contrato de prestação de serviços de fls. 530 a 531 é vago e impreciso quanto à definição do objeto. Confirase: A CONTRADA (sic) prestará serviços de intermediação de negócios, que atendam as necessidades da CONTRATRANTE. (fl. 530) Como se percebe, a cláusula acima transcrita não chega sequer a identificar o serviço objeto da contratação. A mesma falta de clareza se verifica quanto ao preço do serviço: A CONTRATANTE pagará a CONTRATADA pelos serviços prestados de acordo com o volume do negocio a ser intermediado, tendo como base os custos que a CONTRATADA venha a ter com pesquisas profissionais especificas. (fl. 530) O contrato firmado com Contau Contabilidade, mercê da imprecisão de suas cláusulas, se presta a dar respaldo a qualquer pagamento. As notas fiscais emitidas com fulcro no referido contrato (fls. 543, 544, 588 e 590) discriminam os serviços como consultoria em gestão de negócios para novos projetos. Não há, todavia, qualquer referência ou documento indicando de forma específica o negócio que teria sido o objeto da aludida intermediação. Portanto, a glosa da despesa é correta e deve ser mantida. A glosa das despesas com serviços de despacho aduaneiro não foi contestada de forma específica. Em resumo, pelas razões expostas, deve ser restabelecida a dedução de R$ 289.813,17. Imposto de Renda na fonte Como decorrência da falta de comprovação de que serviços foram efetivamente prestados, emerge a figura do pagamento sem causa, a dar ensejo à exigência de Imposto de Renda na fonte, a alíquota de 35%. Fl. 9022DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.023 25 A recorrente afirmou que os beneficiários dos pagamentos são conhecidos. E, exatamente por isso, pode a Fiscalização realizar diligências junto às pessoas que receberam os valores. Cabe, de início, lembrar que o art. 674 do RIR/1999 tem por matriz legal o art. 61 da Lei nº 8.981/1995, assim redigido: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. (g.n.) O texto legal não deixa dúvida de que a norma contempla duas hipóteses distintas para a exigência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte. A primeira, contida no caput do artigo, se refere a pagamento a beneficiário não identificado. A segunda, alojada no parágrafo primeiro, aplicase a casos em que se desconheça a causa do pagamento, embora se saiba em favor de quem ele foi feito. Notese que o texto do parágrafo primeiro se refere a sócio, acionista ou titular. Se o pagamento for feito em favor de um sócio, não se pode dizer que o beneficiário seja pessoa não identificada. No entanto, ainda assim, de acordo com o dispositivo legal, a incidência do imposto na fonte ocorrerá se a causa do pagamento for desconhecida. Por fim, o emprego do advérbio também, no texto do parágrafo primeiro, se presta a reforçar a ideia de equivalência ou similaridade, indicando que a norma do parágrafo primeiro "equivale" à do caput. Em outras palavras, a materialização da hipótese descrita no parágrafo primeiro atrai a mesma consequência jurídica definida no caput do artigo. Esse entendimento foi adotado em decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, no Acórdão nº 9101002.564, cuja ementa, naquilo que diz respeito à discussão aqui travada, está assim redigida: IRRF SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA OU CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Mantémse a exigência de IRRF sobre pagamentos sem causa ou cuja origem não foi comprovada quando o sujeito passivo, intimado, não logra comprovar a existência dos mútuos/empréstimos a que se referiam os lançamentos contábeis, e que foram parcialmente quitados. Fl. 9023DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.024 26 Portanto, mesmo que todos os beneficiários estejam identificados e tenham sido intimados para prestar esclarecimentos ao Fisco, cabe a exigência do Imposto de Renda na fonte se remanescer não comprovado o motivo declinado pelo contribuinte para a realização do pagamento. No caso dos autos, como ficou assinalado no tópico anterior, há de ser afastada a exigência de IR na fonte sobre o valor de R$ 804.032,44 para o ano de 2010, porquanto foram afastados os pressupostos fáticos que dão ensejo a essa exigência. Provisão com ICMS A recorrente contesta a glosa de R$ 71.550,67, alegando tratarse de provisão de ICMS sobre transferência de material de uso e consumo, e transferência de bens do ativo imobilizado, para as filiais de Vitória/ES e Teixeira de Freitas/BA. A explicação não se coaduna com o ICMS, que é imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias, entendida como tal a circulação econômica e não circulação física. Nesse sentido é a Súmula 166 do E. STJ e o Recurso Especial nº 1.125.133/SP (art. 543C do antigo CPC), em cuja ementa se lê: O deslocamento de bens ou mercadorias entre estabelecimentos de uma mesma empresa, por si, não se subsume à hipótese de incidência do ICMS, porquanto, para a ocorrência do fato imponível é imprescindível a circulação jurídica da mercadoria com a transferência da propriedade. O que pode ocorrer, em se tratando de transferência de mercadorias de estabelecimentos da mesma empresa, situados em Estados diferentes, é necessidade de transferir o crédito fiscal do remetente para o destinatário. Esse ajuste, entretanto, não implica reconhecimento de despesa de ICMS, que nasce com a venda da mercadoria. Portanto, se a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa não gera despesa de ICMS, tampouco haverá despesa com esse imposto na transferência de material de uso e consumo ou de bens do ativo imobilizado. Despesas com material de uso e consumo No que toca a esse item, a DRJ já restabeleceu as despesas glosadas relativamente ao ano de 2009, exceto a provisão do ICMS. Quanto às despesas do ano de 2010, a glosa se deve à falta de comprovação de que a recorrente teria assumido o ônus financeiro das aquisições, já que tendo sido intimada a fazer prova dos respectivos pagamentos, não logrou fazêlo. Embora entendendo as razões que levaram a autoridade lançadora a glosar despesas no valor de R$ 1.649.831,80, a glosa, à luz dos documentos de fls. 3.845 a 3.946, é insustentável. As despesas se referem a operações de importação feita por Frecomex Comércio Exterior Ltda., por conta e ordem da recorrente. Referente a tais operações, consta dos autos documentação (notas fiscais, documentos de importação e de câmbio) cuja validade não foi posta em dúvida pela autoridade fiscal. Além disso, os produtos importados são inerentes à atividade econômica exercida pela recorrente. Por outro lado, se o regime de Fl. 9024DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.025 27 reconhecimento de receitas e despesas é o de competência, não se pode exigir que o pagamento coincida em data e valor com a despesa contabilizada. Não há dúvida, entretanto, de que a ausência do pagamento pode indicar a inexistência da despesa ou o cancelamento da operação. Porém, para que subsista a glosa é preciso, pelo menos, reunir indícios que enfraqueçam o valor probante dos documentos apresentados pela recorrente, em especial as notas fiscais nº 430, 394, 417, 455 e 453 (fls. 3.847, 3.867, 3.888, 3.945 e 3.946). Por essas razões, deve ser restabelecida a dedução de R$ 1.649.831. Despesas com aluguel de equipamentos A despesa com aluguel de equipamentos no montante de R$ 3.904.254,33 foi glosada pela Fiscalização em razão da falta de entrega do respectivo contrato. Com a impugnação, entretanto, foi trazido o instrumento contratual. De acordo com os termos do referido contrato (fls. 4.842 a 4.850), o valor da locação era de R$ 4.820.902,39, para o período compreendido entre 1º de novembro de 2009 e 30 de junho de 2010, ou seja, oito meses. Tal despesa, de acordo com o regime de competência, havia de ser apropriada proporcionalmente ao tempo decorrido. Dessa forma, considerando o valor e o tempo da locação, constatase que as despesas glosadas pela autoridade fiscal não guardavam relação com o contrato apresentado, razão pela qual deve ser mantida a glosa. Despesas com alimentação de funcionários A Fiscalização glosou despesas com alimentação ao argumento de que a documentação comprobatória não atendia às formalidades previstas na legislação tributária. Relatou a autoridade lançadora no Termo de Constatação: Intimado o contribuinte a apresentar a documentação comprobatória dos lançamentos nesta conta contábil, apresentou diversos tickets de caixa registradora ou outros documentos que não atendem as formalidades da legislação, tais como Notas Fiscais sem indicação do beneficiário, com descrição genérica "DESPESA"; além disso, nos cupons fiscais de supermercados e lojas de conveniência apresentados, verificavase a compra de chocolates, bebidas alcoólicas, etc. Tais documentos, em alguns casos, estavam desacompanhados de quaisquer relatórios que permitissem a individualização do funcionário que efetuou a despesa. (g.n.) (fl. 3.14) A recorrente alegou estar inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, e fornecer alimentação, in natura ou mediante vale refeição, a todos os seus funcionários, indistintamente. A par desse fato, existiriam gastos com alimentação feitos diretamente por funcionários em viagens para outras localidades, a fim de participar de reuniões referentes à construção dos gasodutos do Projeto GASENE, de responsabilidade da recorrente. Os gastos seriam intrinsecamente vinculadas à atividade econômica exercida e necessários à manutenção da fonte produtora de receitas. A glosa se deve ao fato de que os documentos nos quais as despesas estavam amparadas não serem hábeis para tanto. Eles não identificavam a coisa objeto da venda ou do Fl. 9025DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.026 28 serviço; não identificavam o destinatário; e em alguns casos se referiam a produtos que não podiam ser admitidos como alimentação do empregado, como chocolates e bebidas alcoólicas. É irrelevante, para o caso em tela, o fato de a recorrente fornecer alimentação a empregados ou estar inscrita no PAT. Portanto, a glosa deve ser mantida. Despesas com viagens e estadias A glosa das despesas com viagens e estadias se fez por dois motivos. Primeiro, pela inexistência de documento fiscal hábil a respaldar o respectivo registro contábil; depois, porque muitas delas não eram necessárias à geração de receitas ou à manutenção da fonte produtora, já que consistiam em visitas a pontos e atrações turísticas. A Fiscalização glosou R$ 775.217,40 para 2009, e R$ 937.021,30 para 2010. A recorrente reconheceu que parte dessas despesas era indedutível: R$ 114.542,90 para 2009 e R$ 380.170,90 para 2010. Quanto ao restante, insistiu na regularidade da dedução. Disse que as despesas eram necessárias, sendo intrinsecamente relacionadas à atividade e à manutenção da fonte produtora. Ressaltou que seus empregados e diretores precisavam realizar viagens nacionais e internacionais, bem como se deslocar até as obras relativas à construção dos gasodutos do Projeto Gasene. Existia a necessidade de viagens para participar de reuniões com autoridades dos governos brasileiro e chinês, além de reuniões com a Petrobrás. Por fim, aduziu que a Fiscalização não questionou o efetivo desembolso dos valores. A Fiscalização glosou despesas que não estavam acobertadas por documento fiscal hábil e aquelas não necessárias à manutenção da fonte produtora ou à obtenção das receitas. No Termo de Constatação existem dois quadros discriminando os valores glosados e os beneficiários dos pagamentos (fls. 3.512 e 3.518), todos empresas ou agências de turismo. Ademais, a Fiscalização juntou aos autos farta documentação relacionada a tal irregularidade (fls. 781 a 2.683) A recorrente admitiu que algumas despesas, embora não tivessem sido adicionadas ao lucro líquido para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, não eram efetivamente dedutíveis. Entretanto, não identificou, dentre os documentos constantes dos autos, quais se referiam a despesas inerentes à atividade empresarial. No mais, o exame dos documentos não permite saber se as despesas foram feitas com empregados ou com diretores da recorrente. Portanto é inviável restabelecer as deduções. Glosa de despesas em duplicidade A recorrente alegou que determinadas despesas de viagem e estadia foram glosadas em duplicidade, o mesmo ocorrendo com as despesas relativas a passeios com a delegação chinesa no Brasil, as quais teriam sido adicionados ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. O exame dos quadros do Termo de Constatação anexo ao auto de infração não permite identificar a duplicidade alegada pela recorrente. Além disso, às adições à base de Fl. 9026DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.027 29 cálculo do IRPJ e da CSLL, se efetivamente existiram, são posteriores ao início da ação fiscal, não produzindo, por essa razão, qualquer efeito sobre o lançamento. CSLL Quando o lançamento da CSLL recair sobre a mesma base fática que motivou o lançamento do IRPJ, como ocorre no caso em exame, há de ser dada a mesma solução a ambos, ressalvada a existência de disposições específicas da legislação da CSLL que imponham tratamento distinto. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e do recurso de ofício, para, quanto a este, dar parcial provimento, restabelecendo a glosa da despesa de locação de equipamentos, referente ao ano de 2009, no montante de R$ 963.000,00. No que concerne ao recurso voluntário, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, decidese por: a) restabelecer a dedução de R$ 289.813,17, relativa às despesas com Armex Logística e Comércio Exterior Ltda., no ano de 2010; b) restabelecer a dedução de R$ 1.649.831,00, relativa a material de consumo, no ano de 2010; e c) excluir R$ 804.032,44 (devidamente reajustado) da base de cálculo do IR na fonte do ano de 2010, referente aos pagamentos em favor de Vetor Consultoria Empresarial Ltda. e Total Gás Consultoria em Energia Ltda. EPP. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado. Peço vênia ao Ilustre relator para apresentar as razões de minha divergência parcial, com vistas a colaborar com a formação do convencimento deste Colegiado. I) Da dedutibilidade das despesas com aluguel de equipamentos O primeiro ponto que gostaria de ressaltar diz respeito à glosa perpetrada pela autoridade fiscalizadora relativa ao contrato de locação de equipamento (fls. 4842/4847). Fl. 9027DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.028 30 Ao analisar esse ponto, aduziu a DRJ, relativamente ao anocalendário de 2009: A falta de tal instrumento foi suprida pela interessada com a apresentação do contrato de fls. 4842/4847. Ocorre que o pacto remete a um demonstrativo anexo, similar a um cronograma de desembolso, pelo qual seriam devidos pela interessada R$ 1.197.000,00 em 2009. Contudo, a defesa só logrou comprovar o efetivo pagamento de R$ 963.000,00, conforme os comprovantes de depósitos/transferências bancárias de fls. 4851/4857, devendo, por conseguinte, ser afastada a glosa equivalente a este montante. O preclaro relator, analisando a matéria, entendeu que os valores glosados não correspondem à parcela da despesa que deveria ser apropriada mensalmente, em atenção ao regime de competência, considerado valor e tempo de duração do contrato. Desse modo, concluiu que o contrato não prova a validade das deduções, dando provimento ao recurso de ofício, nessa parte, para restabelecer a glosa de R$963.000,00. Pois bem, compulsemos o demonstrativo de pagamentos dos valores de aluguel do referido contrato, fl. 4848: Concordamos com a premissa adotada pelo relator, de que a despesa deveria ter sido apropriada ao longo do período que perdurasse a locação (oito meses), entretanto, alocando a despesa ao longo dos meses, chegamos ao valor de aproximadamente R$ 602.613,00, o que corresponderia ao valor de R$ 1.205.225,00 de despesa alocada no exercício de 2009 (01/11/2009 a 31/12/2009), e R$ 3.615.676,00 de despesa alocada no exercício de 2010 (01/01/2010 a 30/06/2010). Nas fls. 4851/4858 o Contribuinte logrou comprovar o pagamento de R$ 963.000,00, relacionado ao contrato de locação de equipamentos, restando comprovada a despesa. Como o valor é inferior ao montante de despesa alocada no exercício de 2009, entendo não haver qualquer vício na dedução, devendo ser mantida a decisão a quo, negandose provimento ao Recurso de Ofício nesse ponto. Quanto à despesa de locação de equipamentos no anocalendário de 2010, matéria objeto de Recurso Voluntário, houve a glosa no montante de R$ 3.904.254,33 em razão Fl. 9028DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.029 31 da falta de entrega do respectivo contrato. Com a impugnação, entretanto, foi trazido o instrumento contratual. Como aduziu o relator, "de acordo com os termos do referido contrato (fls. 4.842 a 4.850), o valor da locação era de R$ 4.820.902,39, para o período compreendido entre 1º de novembro de 2009 e 30 de junho de 2010, ou seja, oito meses. Tal despesa, de acordo com o regime de competência, havia de ser apropriada proporcionalmente ao tempo decorrido". Novamente, concordo com a premissa do relator, mas discordo da conclusão pela negativa do RV nesse ponto. Analisando os comprovantes de pagamentos para a Megadrill de fls. 4858 4865, o contribuinte logrou comprovar o montante de pagamentos de R$ 2.537.602, novamente inferior à parcela de despesas alocadas no exercício de 2010 (R$ 3.615.676,00) a partir do contrato com a Megadrill e a planilha de pagamentos. Desse modo, restando comprovado o contrato e a despesa efetuada, pertinente à atividade empresarial, voto dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nesse ponto, para reverter a glosa no montante de R$ 2.537.602, mantendo a glosa sobre o valor de R$ 1.078.074,00, por ausência de comprovação da despesa. II) Glosas de despesas prestadas por pessoas jurídicas a) Pagamentos ao Chinese Development Bank Corporation Em primeiro lugar, é preciso frisar que o referido banco é uma instituição financeira da República Popular da China, responsável pelo levantamento de fundos para grandes projetos de infraestrututura. Tratase, portanto, de uma estrutura gigantesca, reconhecida internacionalmente, e que não guarda qualquer dependência com a Recorrente. A fiscalização recebeu o "Feasibility Study Report" (Relatório de Estudo de Viabilidade), mas considerou que o serviço não teria sido prestado por dois motivos: i) o referido relatório seria apenas um índice, desacompanhado do restante; e ii) o relatório versa sobre serviços de perfuração marítima, enquanto a Sinopec construiu um gasoduto terrestre. Quanto ao primeiro fundamento, entendo que o mesmo não subsiste. O contribuinte apresentou, em fls. 8.8718.918, cópia integral do relatório, com cerca de 50 páginas. Além disso, a premissa do fiscal está equivocada. O relatório apresentado não se relaciona à operação GASENE ou GASCAC, mas sim à participação da Sinopec na perfuração de cinco poços de petróleo para a DELBA, que possui a concessão para 6 contratos de perfuração em mar profundo ("exploração do présal"), que se encontrava descapitalizada em razão da construção de outras plataformas de perfuração para os Emirados Árabes Unidos (DELBA III). A escolha pela Sinopec se deu em razão da atuação desta no gasoduto GASENE, com bons benefícios sociais e econômicos, e com desempenho reconhecido pela Petrobrás (fls.88748876). O serviço prestado pelo Banco de Desenvolvimento Chinês, portanto, nunca teve nada a ver com os gasodutos terrestres! Pelo contrário, tratase de um extenso e minucioso relatório de viabilidade da atuação da Sinopec na perfuração do présal, por meio das concessões dadas pela Petrobrás à DELBA. Fl. 9029DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.030 32 Desse modo, não subsistindo nenhuma das razões para a manutenção da glosa, voto pela sua reversão integral. b) Glosa de despesas relativas à TOTAL GÁS CONSULTORIA EM ENERGIA e VETOR CONSULTORIA EMPRESARIAL. Em relação à TOTAL GÁS, o contribuinte apresentou o contrato às fls. 4527 4541, que reflete como objeto a prestação de serviços de consultoria relacionadas ao Gasoduto GASCAC, incluindo uma série de outras atividades discriminadas em anexo. Além disso, apresentou comprovante da efetiva prestação e pagamento, por meio das Notas Fiscais e comprovantes de pagamento de fls. 44914526. Além disso, consta a participação do representante da empresa na reuniões com a Petrobrás, evidenciando que o serviço foi efetivamente prestado. Na mesma ata (fl. 88358851) consta também a participação do representante da VETOR CONSULTORIA, empresa que foi contratada para operacionalizar as atividades da Recorrente no Brasil, relativos aos contratos GASCAV e GASCAC, conforme contrato de fls. 87458752. Em relação à VETOR, as notas fiscais da prestação de serviço constam às fls. 45494581. Desse modo, nos parece foram de dúvida que os contratos tinham objetos específicos relacionados à atividade da Recorrente, e que o serviço foi efetivamente prestado, razão pela qual a glosa de despesa deve ser revertida. Quanto aos demais pontos relacionados às despesas de serviços prestados por pessoas jurídicas, acompanho o Ilustre Relator, inclusive quanto à manutenção da glosa de despesas da China Friendship e Contau Contabilidade. III) Do Imposto de Renda Retido na Fonte Sob o argumento de falta de comprovação de que serviços foram efetivamente prestados, a fiscalização entendeu configurada o pagamento sem causa, dando ensejo à exigência de Imposto de Renda na fonte, a alíquota de 35%. Com base nos mesmos argumentos que foram apresentados no item anterior, acompanho o entendimento do relator, dando provimento em maior extensão no sentido de afastar a cobrança do IR/Fonte sobre os pagamentos realizados à CHINA DEVELOPMENT BANK (em relação à VETOR e TOTAL GÁS, o IRRF já foi revertido no voto do relator). IV) Conclusão Ante o exposto, voto no seguinte sentido: a) Negar provimento ao recurso de ofício, mantendo a dedução de R$ 963.000,00, relativa a aluguel de equipamentos. b) Dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: Reverter a glosa de R$ 2.537.602 relativo ao aluguel de equipamentos no ano de 2010. Fl. 9030DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.031 33 Reverter integralmente a glosa de despesas da CHINESE DEVELOPMENT BANK, TOTAL GÁS e VETOR CONSULTORIA; Afastar a cobrança do IRRF sobre as despesas cuja glosa foi revertida; c) Acompanhar o relator nos demais pontos, com exceção aos pagamentos à HUTTON, matéria que será objeto de declaração de voto. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Apresento essa declaração de voto para me manifestar sobre a dedutibilidade de despesas e cobrança do IRRF relativo a pagamentos feitos à HUTTON. A fiscalização apontou diversos óbices ao reconhecimento do serviço prestado pela Hutton, sob diversos fundamentos, entre eles: i) a SINOPEC não angariou novo cliente através do agenciamento da Hutton, uma vez que já havia construído outra parte do Gasoduto; ii) Hutton não possui histórico de atuação no mercado que justificasse sua contratação em montantes tão elevados; iii) os serviços indicados são de natureza genérica; iv) não há provas conclusivas de que os serviços tenham sido prestados (pagamento sem causa) e não ficou caracterizado a necessidade e usualidade deles. As provas dos autos indicam o contrário, devendose fazer justiça aqui à planilha apresentada pelo patrono da recorrente, indicando as páginas de cada um dos documentos relevantes para o deslinde do feito. O contrato de agenciamento entre a SINOPEC e a Hutton (fls. 86468652) estabelece a obrigação desta de agenciar novos negócios para aquela no Brasil, em especial na negociação e contratação do Gasoduto GASCAC. Após essa contratação, a Hutton atuou na intermediação dos seguintes contratos: (i) em 27/12/2007, Contrato EPC GASCAC entre a Transportadora GASENE S.A. e a SINOPEC International Petroleum Service Corporation e a Petrobrás (fls. 39794121) (ii) em 28/12/2007, Termo de Cessão parcial de direitos e obrigações firmado entre a SINOPEC International Petroleum Service Corporation e a SINOPEC Brasil e a Transportadora GASENE S.A. (fls. 41224280) (iii) em 28/12/2007, Subcontratação (Anexo 2 do Termo de Cessão Parcial de Direitos) realizada entre a Sinopec International Petroleum Service Corporation e a Sinopec do Brasil (subcontratada) (fls. 86538715); (iv) contrato de cooperação estratégica. Fl. 9031DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.032 34 A Hutton permaneceu exercendo uma função de intermediação importante para a Sinopec, informando todos os dados relevantes, inclusive informações obtidas diretamente com representantes da Petrobrás (e dotadas de alto valor mercadológico), como na fl. 8718: Atuou também na obtenção de financiamentos através do BNDES (fl. 8719) Os "Relatórios Executivos" da Hutton (fls. 8716 e ss.) demonstram que há uma efetiva atuação no campo de agenciamento, negociação e intermediação praticados em favor da Sinopec, e não apenas manifestações sobre aspectos macroeconômicos. Tão específica foi a atuação que a Hutton inclusive que se manifesta sobre a alteração do Contrato EPC GASCAC, recomendando exclusão ou modificação de cláusulas (fls. 8722 e ss.): Fl. 9032DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.033 35 Não vejo necessidade de prosseguir apontando outros trechos, que estão integrais e traduzidos nos autos, mas me chamou a atenção exatamente a sensação de progressão ao longo das diversas tratativas. Explicome: verifico que a Hutton não chegou para atuar sobre algo pronto, mas sim sobre uma simples expectativa, e ao longo dos diversos relatórios executivos vai registrando o cumprimento de etapas necessárias de intermediação e negociação, até o momento da assinatura do contrato de EPC de GASCAC e o contrato de financiamento com o BNDES: Após o fechamento do contrato GASCAC, a Hutton permaneceu prestando consultoria à Sinopec e prospectando oportunidades de negócio juntos à Petrobrás, bem como negociações com a MKT e GDK, e outras empresas locais. Diferentemente do que o Fisco afirmou, no sentido da Hutton ser uma empresa desconhecida, a ponto de justificar a remuneração paga, devese frisar que o seu diretor, e quem prestava o serviço para Sinopec, o Sr. Herbert Pasquini, é profissional com mais de 30 anos de contratos com refinarias da Petrobrás, além de ser fundador da TSL Engenharia Ambiental, fundada em 1984, e com larga atuação na área de manutenção e engenharia ambiental até os dias de hoje. O currículo resumido do Sr. Herbert Pasquini consta à fl. 408: Fl. 9033DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.034 36 Tratase, portanto, de um profissional com uma larga expertise na área e com sólidos contatos com a Petrobrás, possuindo estofo técnico para a prestação do serviço contratado pela Sinopec. Anuir com o argumento fiscal seria o mesmo que dizer que uma empresa de informática recém criada pelo Bill Gates e outra criada por este conselheiro deveriam ser igualmente remuneradas, o que não faz sentido. Como fica claro nos relatórios executivos, e também pontuamos acima, os serviços prestados pela Hutton não eram genéricos pelo contrário, sempre foram direcionados à consolidação ou prospecção de negócios em favor da Sinopec, envolvendo desde as tratativas iniciais com representantes do Brasil e da China, até aspectos específicos como negociação de cláusulas e orientação acerca de regras trabalhistas locais. Por fim, juntou o patrono as fotos de fls. 8.2898314, que ficaram prejudicadas pela digitalização. Colaciono apenas uma delas, que mostra a cerimônia de abertura do GASCAC, em Pequim, com a presença do Sr. Herbert, da Hutton: Fl. 9034DF CARF MF Processo nº 12448.720098/201459 Acórdão n.º 1301003.753 S1C3T1 Fl. 9.035 37 Somandose a estes elementos fáticos as notas fiscais apresentadas, entendo estar completamente comprovada a prestação de serviço por parte da Hutton, razão pela qual a glosa deverá ser integralmente revertida, e o IRRF afastado. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 9035DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12326.002741/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006
INTEMPESTIVIDADE. PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
Numero da decisão: 2201-005.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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PRAZO RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de Acórdão da DRJ, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF decorrente de omissão de rendimentos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 27 41 /2 00 9- 88 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 12326.002741/200988 Acórdão n.º 2201005.006 S2C2T1 Fl. 60 2 A decisão de primeira instância de forma objetiva assim sintetizou os fatos: Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado, em 13/07/2009, a Notificação de Lançamento de fls. 20/23 dos autos, com ciência do sujeito passivo em 28/07/2009 (fl. 19), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercício 2007, ano calendário 2006, sendo apurado crédito tributário no total de R$ 48.589,74, com juros de mora calculados até 31/07/2009. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 22) motivou o lançamento de ofício a não comprovação dos valores compensados a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 33.422,58, da fonte pagadora PROFABRIL ENGENHARIA LTDA., CNPJ 03.010.567/000137. Apresentou o interessado, no dia 27/08/2009, por intermédio de procurador constituído pelo instrumento de fl. 16, a defesa de folhas 02/14, solicitando a improcedência do lançamento efetuado. Inicialmente aduz os seguintes FATOS, em síntese: afirma que uma vez intimado apresentou o comprovante do seu rendimento e a consolidação do contrato social da Profabril Engenharia Ltda., relativo ao ano calendário em questão; que no entanto foram desconsiderados os documentos apresentados, sem qualquer verificação, via intimação, da fonte pagadora, em desprezo ao princípio da verdade material; não obstante apresenta cópia da DIRF do anocalendário de 2006 emitida pela Profabril Engenharia Ltda. demonstrando de forma cabal a veracidade das informações prestadas no informe de rendimentos do impugnante; que efetivamente a fonte pagadora apresentou a DIRF de 2007 não sendo legítimo, portanto, a glosa dos valores compensados pelo Impugnante, sob pena de se estar exigindo duas vezes o IR sobre o mesmo signo de riqueza; afirma que no presente caso houve a retenção na fonte, conforme o informe de rendimentos da fonte pagadora, a qual é a responsável indicada por lei pelo recolhimento do imposto de renda aos cofres públicos; Quanto ao DIREITO traz o impugnante à colação ementa de julgados administrativos, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento e CARF, no sentido de ser a fonte pagadora a responsável pelo recolhimento do tributo. Afirma que assim sendo, não resta dúvida de que a glosa dos valores retidos na sua declaração de ajuste anual é indevida, mormente em vista das informações prestadas no informe de rendimento e DIRF. No tópico seguinte da defesa frisa o interessado que a fonte pagadora tem responsabilidade exclusiva pelo recolhimento do Fl. 60DF CARF MF Processo nº 12326.002741/200988 Acórdão n.º 2201005.006 S2C2T1 Fl. 61 3 imposto de renda, trazendo, sobre a questão, entendimento da doutrina e jurisprudência administrativa. Consoante o exposto afirma que a fonte pagadora é a única responsável pelo pagamento do imposto retido na fonte, “e que, mesmo se não houvesse sido retido o IR do Impugnante, o que se admite só para argumentar, sua responsabilidade subsiste Logo, conclui que o caso em tela está plenamente enquadrado nas definições legais, jurisprudenciais e doutrinárias, expostas na defesa, restando como única responsável pelo recolhimento do imposto retido na fonte a empresa Profabril Engenharia Ltda. Por último, contesta a multa aplicada no lançamento, suscitando aspectos relacionados à ilegalidade e inconstitucionalidade de tal cobrança. Ante ao exposto, requer o impugnante a improcedência do lançamento, ou, na remota hipótese de não restar acolhido seu pedido, a redução da penalidade aplicada. Para instrução do pleito requereu fossem juntados aos autos os seguintes elementos: “cópia da DIRF, o informe de rendimento, contrato social da Profabril Engenharia Ltda. e a declaração de imposto de renda do Impugnante”. Em síntese, é o relatório. Foi prolatado o Acórdão nº 0950.109 6a Turma da DRJ/JFA, que julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o Auto de Infração, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. SÓCIO. DIRETOR. GERENTE. Restou mantida a infração de Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, face ao fato do contribuinte, sócio, diretor e/ou gerente da pessoa jurídica responsável pela retenção do referido imposto, não ter juntado aos autos prova da retenção e do seu efetivo recolhimento. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. CARÁTER VINCULADO. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 12326.002741/200988 Acórdão n.º 2201005.006 S2C2T1 Fl. 62 4 JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. IMPOSTO APURADO NA REVISÃO DE DECLARAÇÕES. GLOSA DE COMPENSAÇÕES DO IMPOSTO. MULTA DEVIDA. O imposto apurado na revisão das Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas será acrescido de multa de mora, prevista no art. 61, caput, da Lei n° 9.430, de 1996, dentre outros, nos casos de não comprovação do valor do imposto retido na fonte ou pago. A ciência dessa decisão ocorreu em 13/05/2014 (fl. 49) e o recurso voluntário (fls. 53/55) foi intempestivamente protocolizado em 16/06/2014, tendo o contribuinte se limitado a afirmar que “a fonte pagadora apresentou a DIRF 2007, não sendo legitima, porém, foi apresentada a DIRF 2006, emitida pela Profabril Engenharia LTDA, demonstrando a total veracidade da informações prestadas no informe de rendimento do recorrente. Sendo assim, houve a retenção na fonte, conforme a exigência”. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é intempestivo. Conforme Aviso de Recebimento AR que dormita à fl. 49, o sujeito passivo foi cientificado da decisão recorrida em 13/05/2014. Em 16/06/2014 protocolizou o Recurso Voluntário (fls. 53/55), portanto, fora do trintídio legal estabelecido para a sua interposição. Os artigos 5° e 33 do Decreto 70.235, de 1972 estabelecem as regras para contagem do prazo de interposição do recurso voluntário: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 12326.002741/200988 Acórdão n.º 2201005.006 S2C2T1 Fl. 63 5 Destarte, não paira dúvida acerca da intempestividade do recurso apresentado. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907126/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.816
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre Declaração de Compensação objeto do PER/DComp que restou não homologada pela unidade de origem, consoante Despacho Decisório que instrui os autos. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: a) Apurou Cofins e PIS nos exercícios de 2010 e 2011 somente na modalidade não cumulativa, não se atentando que empresas que exercem atividades de construção civil podem apurar de forma cumulativa as receitas oriundas da execução por administração, empreitada ou subempreitada de obras de construção civil, nos temos do art. 10, inciso XX da Lei nº 10.833/2003, sendo que as despesas e custos vinculados a tais receitas não geraram créditos; e b) Após ter após ter refeito os cálculos das contribuições desses períodos, procedeu à devida RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 07 12 6/ 20 12 -2 4 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10882.907126/201224 Resolução nº 3402001.816 S3C4T2 Fl. 3 2 retificação das DCTFs, que estavam preenchidas incorretamente, para provar a existência do crédito tributário decorrente do pagamento a maior das contribuições. O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: A DCTF retificadora foi transmitida, após a ciência do despacho decisório, mas dentro do prazo legal, levandose em conta o disposto no art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). A apresentação das declarações retificadoras, com redução do valor do débito anteriormente confessado, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF e do Dacon, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante nas declarações retificadoras. Quando a situação posta se refere à restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Portanto, não tendo sido apresentados pelo contribuinte quaisquer documentos que embasem a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si sós, as declarações retificadoras, apresentadas após a ciência do despacho decisório, como sendo instrumentos hábeis, capazes de conferir certeza e liquidez ao crédito indicado na declaração de compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, que procedeu às devidas retificações das declarações a fim de provar o pagamento a maior da contribuição no mês de apuração e que acostou à peça de defesa as cópias das Notas Fiscais que deram origem ao direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.797, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.907109/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.797): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Embora a recorrente seja pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo de PIS/Cofins, ela pode, em tese, sujeitarse ao regime cumulativo dessas contribuições em relação às receitas descritas no Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10882.907126/201224 Resolução nº 3402001.816 S3C4T2 Fl. 4 3 inciso XX do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, abaixo transcrito, aplicável também ao PIS/Pasep por força do art. 15 dessa Lei. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XX – as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, até 31 de dezembro de 2015; (Redação dada pela Lei nº 12.375, de 2010) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, incorridas até o ano de 2019, inclusive; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) XX as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) Na decisão recorrida a Delegacia de Julgamento apontou a ausência de apresentação pela contribuinte de documentos comprobatórios das informações constantes nas retificações da DCTF e do Dacon, efetuadas após a ciência do despacho decisório. De outra parte, a recorrente informa ter acostado ao recurso voluntário a retificação do Dacon, com o valor a recolher calculado menor da contribuição para o período de apuração (anexo 2); bem como cópias das notas fiscais relativas aos serviços de obras de construção civil (anexo 3). Como se sabe, incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, inclusive, a prova documental que se destine a contrapor razões ou fatos aduzidos pelo julgador a quo (art. 16, §4º, "c" do Decreto nº 70.235/72). No caso, a recorrente apresentou documentos em contraposição às razões da decisão recorrida, os quais podem eventualmente representar um direito creditório em seu favor, de forma que demandam conhecimento por parte do Colegiado em referência ao princípio da verdade material e ao disposto no art. 16, §§4º, 5º e 6º do Decreto 70.235/721. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10882.907126/201224 Resolução nº 3402001.816 S3C4T2 Fl. 5 4 Conforme assentado na Resolução nº 3401000.737, de 24/07/2013, esta 3ª Seção de Julgamento do Carf tem orientado sua jurisprudência no sentido de que, em situações em que há alguns indícios de provas, o julgamento pode ser convertido em diligência para análise da nova documentação acostada. Assim, voto no sentido de determinar a realização de diligência, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e dos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem: a) Analise a suficiência da documentação apresentada pela recorrente para comprovar o direito creditório alegado e, em caso negativo, intimea a apresentar, dentro de prazo razoável, a documentação/esclarecimento que, conforme entendimento da fiscalização, falte para a referida comprovação; a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10882.907126/201224 Resolução nº 3402001.816 S3C4T2 Fl. 6 5 b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da verificação de toda a documentação juntada aos autos pela recorrente e sua habilidade para comprovar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado e em que medida; c) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e d) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento no julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.008846/2009-14
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para determinar a produção de prova técnica pericial nos termos requeridos pela recorrente, com plena participação dos assistentes técnicos indicados, para que o laudo pericial componha o arcabouço probatório dos autos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães.
Relatório
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para determinar a produção de prova técnica pericial nos termos requeridos pela recorrente, com plena participação dos assistentes técnicos indicados, para que o laudo pericial componha o arcabouço probatório dos autos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para determinar a produção de prova técnica pericial nos termos requeridos pela recorrente, com plena participação dos assistentes técnicos indicados, para que o laudo pericial componha o arcabouço probatório dos autos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Márcio Robson Costa (relator), Marcos Antonio Borges (presidente), Müller Nonato Cavalcanti Silva e Vinicius Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 28 .0 08 84 6/ 20 09 -1 4 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 150 2 Relatório Por bem relatar os fatos reproduzo o relatório do acórdão da DRJ. Tratase de autuação fiscal, através da qual foi exigida multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por classificação incorreta na NCM, prevista no art. 84, inciso I, da MedidaProvisória n° 2.15835/2001; perfazendo, na data da autuação, um total de R$ 1.255,34. Na descrição dos fatos, às fls. 67, consta: “001 MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O importador, por meio da DI de n° 05/07055122, registrada em 06/07/2005, submeteu a despacho pela adição 001, 600 QUILOGRAMA LÍQUIDO da mercadoria descrita como:"OCTOPIROX SAL MONOETANOLAMÍNICO DE 2 HIDROXI4METIL6(2,4,4TRIMETILPENTIL)2(IH) PIRIDINONA BASE QUÍMICA. : PIROCTONE OLAMINA CAS NR.: 68890664 PUREZA.: 100% QUALIDADE.: INDUSTRIAL ESTADO: FÍSICO.: SOLIDO (PO)"; classificandoa na Tarifa Externa Comum sob o código NCM 2933.39.39 "OUT.CUJA ESTR.CONT.FUNÇ.ALC.,ÁC.CARB.N HALOG."; tendo sido declarado e pago, quando devido; imposto de importação à alíquota de 2,00%, imposto sobre produtos industrializados à alíquota de 0,00%, PIS à alíquota de 1,65% e Cofins à alíquota de 7,60%. Em face do pedido de exame laboratorial n° LAB 1899/05EQCOF; foi colhida amostra da mercadoria para exame, cujo resultado se encontra descrito no laudo n° N° 1968.01, que concluiu tratarse de "Sal Monoetanolamínico de 1Hidroxi 4Metil6(2,4,4Trimetilpentil)2 (IH)Piridinona; (Octopirox)"; e, em resposta aos quesitos do pedido, informou: "1. Não se trata de Outro Composto cuja estrutura contém função Álcool, Ácido Carboxilico ou ambas, mas não contém Halogênio em ligação covalente. Tratase de Sal Monoetanolaminico de 1Hidroxi4Metil6(2,4,4 Trimetilpentil)2(IH)Piridinona; (Octopirox), Qualquer Outro Composto cuja estrutura contém um Ciclo Piridina não Condensado, Composto Heterociclico exclusivamente de Heteroátomo de Nitrogênio. 2. Tratase de composto orgânico de constituição química definida. 3. De acordo com Referência Bibliográfica, Octopirox é utilizado, principalmente, na formulação de xampus para tratamento de seborréia. 4. Prejudicada". Portanto, de acordo com o Laudo de Análise elaborado, com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs 1ª e 6ª, com a Regra Geral Complementar RGC 1; texto da posição "2933 Compostos heterociclicos exclusivamente de heteroátomo(s) de nitrogênio.", texto da subposição simples "2933.3 Compostos cuja estrutura contém um ciclo piridina (hidrogenado ou não), não condensado"; texto do item "2933.39.9 Outros"; a Fl. 150DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 151 3 mercadoria submetida a despacho, descrita na adição 001; divergente da apurada no exame laboratorial classificase no código NCM 2933.39.99 OUTS. COMP. C/ESTRUT. C/UM CICLO D/PIRID. N COND.; sujeita à incidência de alíquotas de 2,00% para o imposto de importação, 0,00% para o imposto sobre produtos industrializados, 1,65% para PIS e 7,60% para COFINS. Tendo em vista a classificação errônea efetuada pelo contribuinte, propõese a aplicação da multa estipulada pelo artigo 84, inciso I da MP n° 215835/2001." Cientificada do lançamento em 11/12/2009, fls. 7577, pelos correios, com aviso de recebimento, a interessada apresentou, em 12/01/2010, sua impugnação, às fls. 3660, onde, após discorrer sobre os fatos, em resumo, alega que: PRELIMINARES deve ser declarada a nulidade do Lançamento representado pelo Auto de Infração ora Impugnado, vez que, encontra se o mesmo eivado de vício formal insanável; o Laudo Técnico LABANA n° 1968.01, no qual foi embasada a reclassificação tarifária exigida no Auto de Infração, encontrase revestido de flagrantes irregularidades; os quesitos formulados pelos Agentes do fisco, estão incorretos, não guardando qualquer relação com a especificidade do produto importado pela Requerente do exterior; quando da realização do exame laboratorial, a impugnante teve cerceado o seu direito de defesa, na medida em que somente aos agentes do fisco, foi assegurado o direito de formular quesitos; demais disso, como se sabe, quando da edição dos atos administrativos, a administração pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (artigo 2° da Lei n° 9.784/99), o que comprovadamente não foi observado na questão ventilada nos autos; assim, o laudo elaborado pelo LABANA jamais poderia ser utilizado, como ocorreu no caso em tela e, na medida que o Laudo Técnico é nulo, também é, via de consequência, nulo o Auto de Infração lavrado; MÉRITO quanto ao aspecto classificatório, a autuação também não merece prosperar, vez que, em face das disposições contidas nas Notas Complementares ao Capitulo 29 da TECNCM, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Mercadorias, e ainda, das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, o produto importado pela Requerente do exterior classificase corretamente no Código TEC NCM 2933.39.39, tal como declarado quanto submetido a despacho aduaneiro; o entendimento da fiscalização é equivocado, conforme, em especial, a análise da Literatura Técnica do produto importado. Segundo esse material, anexado, a posição 2933.39.99 não deve ser utilizada para Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 152 4 esse produto, pois é aplicável a misturas e preparações contendo álcoois graxos ou ácidos carboxílicos e derivados destes produtos; de acordo com os esclarecimentos contidos na mencionada literatura, o produto importado não se classifica no código TECNCM 2933.39.99, mas no código 2933.39.39; as RGI 2b e 3a, bem como as NESH, demonstram que o produto importado não se classifica no código 2933.39.99, apontado pela fiscalização; verificase, assim, que sob qualquer ângulo que se analise a questão posta nos autos, não há como prosperar a reclassificação tarifária proposta pela fiscalização. Portanto, na medida em que a reclassificação tarifária proposta no Auto de Infração carece de total respaldo legal, é indevida a exigência do recolhimento da penalidade de multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.158/2.001; indevida, também, na hipótese dos autos, a exigência da penalidade de multa prevista no artigo 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.158/2.001, combinado com o artigo 69 e 81, inciso IV, da Lei n° 10.833/2.003, sob a alegação de ter ocorrido erro de classificação fiscal do produto submetido a despacho aduaneiro por meio da Declaração de Importação n° 05/08786953; com efeito, de há muito pacificouse o entendimento sobre tal questão, conforme pode ser constatado pelo teor do Ato Declaratório Normativo n° 29/80, da Coordenação do Sistema de Tributação/Secretaria da Receita Federal, e Parecer CST n º 477/1988, no sentido de que a indicação incorreta do código tarifário pelo importador, na Guia de Importação e Declaração de Importação, não enseja a aplicação das penalidades previstas no Decretolei n° 37/1966, artigos 108 e 169, este último com a redação do artigo 2º da Lei n° 6.562/1978, se verificada a exatidão da especificação da mercadoria; são nesse sentido diversas decisões do Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (ementas transcritas); fazse necessário ressaltar, também, que na questão posta nos autos, tratase de discussão do aspecto classificatório de mercadoria importada, em nível de item/subitem tarifário, sendo que em ambos os Códigos Tarifários, as alíquotas são idênticas, não havendo, assim, qualquer prejuízo ao Fisco e tampouco ao Controle Administrativo das importações; ressalta, ainda, que, a prevalecer a exigência penalidade por suposto erro de classificação tarifária, conforme constou do o Auto de Infração ora impugnado, restarão violados, também, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; indevida, também, na hipótese dos autos, a incidência de juros de mora sobre o crédito tributário de que trata o Auto de Infração em tela, encargo esse, que somente pode ser computado após a Decisão final Fl. 152DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 153 5 proferida no respectivo processo administrativo, conforme reiteradas Decisões desse órgão colegiado; e a incidência de juros de mora nos casos da espécie revestese ainda mais de flagrante ilegalidade, na medida em que computados pela Taxa SELIC, cuja inconstitucionalidade já foi reconhecida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Recurso Especial n° 215.881/PR; entende ainda a impugnante que os argumentos apresentados na presente Impugnação, bem como, os documentos que a instruem, e, ainda, as demais provas colacionadas aos autos, são suficientes para decretação da Improcedência/Insubsistência da exigência do recolhimento da penalidade de multa por erro de classificação tarifária formalizada no Auto de Infração; contudo, caso persista, ainda, qualquer dúvida por parte dessa Delegacia de Julgamento, a respeito da questão ventilada nos autos, requer a produção oportuna de todos os meios de prova destinados a comprovação dos fatos questionados na presente Impugnação, especialmente a juntada de novos documentos, perícia técnica, e em especial, a conversão do julgamento em diligência ao Instituto Nacional de Tecnologia no Rio de Janeiro. INT, a fim de que o referido órgão manifestese sobre as conclusões contidas no Laudo Técnico n° 1968.01, que embasaram a reclassificação tarifária proposta no Auto de Infração ora impugnado, a fim de que sejam respondidos os quesitos apresentados à fl. 58; protesta pela formalização de quesitos suplementares. Indica como seu Assistente Técnico, o Dr. Luis Aurélio Alonso, com endereço à Praça da República n° 37, 3º andar, SantosSP; no caso do indeferimento da produção de tais provas/diligências, restará caracterizado o cerceamento ao seu direito de defesa, em face da não observância do "Devido Processo Legal", o que ensejará, via de consequência, na decretação da nulidade do processo administrativo em tela, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações; "7. DO PEDIDO. 7.1. Diante de todo o exposto, a Requerente requer a essa Egrégia Delegacia de Julgamentos: a) Sejam acolhidas as preliminares suscitadas no item 2 (dois) da presente Impugnação, declarandose, via de consequência,, a nulidade do Auto de Infração ora impugnado, tendo em vista que anteriormente a lavratura do referido Auto, foram praticados atos administrativos que se encontram eivados de vícios formais insanáveis, com o flagrante cerceamento ao direito de defesa da Requerente e ofensa direta ao "Devido Processo Legal", ensejando, assim, a aplicação da orientação contida no artigo 59. do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97; Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 154 6 b) Caso superadas as preliminares, por força da orientação contida no parágrafo 3º do artigo 59, do Decreto n° 70.235/72, com as posteriores alterações das Leis n°s. 8.748/93 e 9.532/97, requer a essa DRFJ/SP, seja a Ação Fiscal julgada IMPROCEDENTE, TORNANDOSE TOTALMENTE INSUBSISTENTE, VIA DE CONSEQUÊNCIA, O AUTO DE INFRAÇÃO ORA IMPUGNADO, RECONHECENDOSE, ASSIM, QUE O PRODUTO DE NOME COMERCIAL "OCTOPIROX", CLASSIFICASE CORRETAMENTE NO CÓDIGO TECNCM 2933.39.39, TAL COMO DECLARADO QUANDO SUBMETIDO A DESPACHO ADUANEIRO POR MEIO DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO N° 05/07055122, REGISTRADA NO SISCOMEX EM 06.07.2005, COMO MEDIDA DE INTEIRA JUSTIÇA!". A impugnação foi julgada pelo acórdão nº. 0843.146 7ª Turma da DRJ/FOR (efls 80 a 97), que negou provimento ao recurso com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/07/2005 LAUDO TÉCNICO. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Estando o Laudo Técnico devidamente elaborado de acordo com os quesitos formulados, contendo a fundamentação de suas conclusões e atendendo aos demais requisitos previstos na legislação, não há falar em nulidade. PRODUÇÃO DE PROVA “A POSTERIORI”. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. O protesto genérico pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos não produz efeitos no processo administrativo fiscal. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a realização de diligência ou a produção de novo laudo técnico sobre o produto, uma vez que os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e consequente julgamento do feito. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/07/2005 ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. MULTA ESPECÍFICA. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/07/2005 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Os créditos da União, decorrentes de multas ou de tributos, que deixarem de ser pagos nos prazos previstos na legislação serão acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial Fl. 154DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 155 7 de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas legais. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA DE JULGAMENTO. DESCABIMENTO. A Administração Tributária deve se pautar pelo princípio da estrita legalidade, assim como pela presunção relativa de constitucionalidade das leis e atos normativos, não competindo à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, incumbindo ao Poder Judiciário tal mister. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado o impugnante apresentou Recurso Voluntário (efls 109 a 143) replicando os termos da impugnação . Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. Inicialmente cumpre deixar consignado que o acórdão recorrido abordou as matérias impugnadas, decidindo por não acolher os argumentos da recorrente. Preliminar de prescrição Preliminarmente alega a recorrente que na questão posta nos autos operouse a prescrição e fundamenta essa alegação no artigo 1º1 da lei 9873/99, que estabelece prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal, direta e indireta, e dá outras providências. No sentir da recorrente, a demora, por mais de três anos, no julgamento da impugnação resultou na prescrição do dever da administração pública de cobrar a multa estabelecida no auto de infração. Ocorre que o Nobre causídico equivocouse em não ler a legislação até o final, tendo em vista que o artigo 5º da Lei 9873/99 dispõe que: Art.5oO disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. 1 Art. 1o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1o Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 156 8 Há de se ressaltar que, no período que medeia entre a constituição do crédito e a preclusão para a impugnação administrativa ao débito (ou até que seja decidida definitivamente), não corre nenhum prazo, seja decadencial, pois o crédito já se encontra constituído, seja o prescricional, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário, artigo 151, III2, do CTN. Logo esse argumento não merece prosperar, assim, rejeitase a preliminar de prescrição suscitada pela recorrente. Nulidade do auto de infração Prosseguindo, alega a recorrente que o auto de infração é nulo, por ter cerceado o seu direito de defesa, bem como esta fundamentado em laudo técnico no qual os quesitos formulados estão incorretos. Além disso, relata que na impugnação fez requerimento de prova pericial, nos moldes do artigo 15 da Lei n.º 70.235 de 1972 que foi rejeitado pela DRJ. Compulsando os autos verifico que de fato houve pedido de produção de prova pericial na impugnação (efls 57 e 58) cumprindo todos os requisitos do artigo 15 da lei n.º70.235/72, contudo, ao tratar do requerimento a DRJ votou nos seguintes termos: PRODUÇÃO DE PROVA “A POSTERIORI”. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. O protesto genérico pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos não produz efeitos no processo administrativo fiscal. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dispensável a realização de diligência ou a produção de novo laudo técnico sobre o produto, uma vez que os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para a formação de convicção e consequente julgamento do feito. O artigo 15 da lei n.º 70.235/72 destaca os requisitos necessários para impugnação e dispõe dos termos necessários para que seja formulado pedido de perícia técnica no inciso IV, vejamos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; 2 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 156DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 157 9 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Conforme já mencionado o impugnante cumpriu com todas as exigências, não sendo, de forma alguma, os seus pedidos de produção de prova pericial genéricos. Compactuo do entendimento da DRJ quanto a possibilidade da parte recorrente juntar a sua impugnação laudo técnico produzido por ela mesmo, contudo, o artigo 15, IV da lei n.º70.235/72 é um permissivo legal para que a perícia seja realizado em diligência, após apresentada a impugnação pela Receita Federal, respeitando, assim, o direito de defesa do contribuinte. Nesse sentido, entendo por necessário retorno dos autos a origem para: Realização de perícia técnica nos termos solicitado pela Recorrente na impugnação, com a finalidade de contrapor o laudo já produzido (efls 22) com o futuro laudo a ser produzido. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11128.008846/200914 Resolução nº 3003000.017 S3C0T3 Fl. 158 10 Dispositivo Diante do exposto, rejeito a preliminar e converto o julgamento em diligência nos termos acima descritos. É o meu entendimento Márcio Robson Costa Relator Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902166/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. É válida a decisão que aprecia preliminares e argumentos de mérito suficientes para firmar a improcedência da manifestação de inconformidade. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO-HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Inexiste vício de motivação se o despacho decisório indica o dispositivo legal a partir do qual interpreta ser inadmissível compensação de direito creditório que não é passível de restituição ou ressarcimento.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa (Súmula CARF nº 84).
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de 1ª instância e do despacho decisório de não-homologação da compensação e dar provimento parcial ao recurso voluntário com retorno à DRF de origem.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. É válida a decisão que aprecia preliminares e argumentos de mérito suficientes para firmar a improcedência da manifestação de inconformidade. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO-HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Inexiste vício de motivação se o despacho decisório indica o dispositivo legal a partir do qual interpreta ser inadmissível compensação de direito creditório que não é passível de restituição ou ressarcimento. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa (Súmula CARF nº 84). RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. É válida a decisão que aprecia preliminares e argumentos de mérito suficientes para firmar a improcedência da manifestação de inconformidade. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Inexiste vício de motivação se o despacho decisório indica o dispositivo legal a partir do qual interpreta ser inadmissível compensação de direito creditório que não é passível de restituição ou ressarcimento. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa (Súmula CARF nº 84). RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de 1ª instância e do despacho decisório de não homologação da compensação e dar provimento parcial ao recurso voluntário com retorno à DRF de origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 21 66 /2 01 0- 77 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Relatório REXAM AMAZÔNIA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/MA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação de recolhimento a maior de estimativa de IRPJ promovido em 30/11/2007. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 02.03.2009, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com crédito de IRPJ referente a pagamento indevido a titulo de estimativa do mês de outubro de 2007, no valor original de R$ 1.296.312,99. 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 05), indeferiu o pedido de restituição e considerou “não homologada” a referida compensação, sob o seguinte argumento: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” 3. Cientificada em 17.09.2010 (fl. 08) a interessada apresentou, tempestivamente, em 19.10.2010, manifestação de inconformidade (fl. 09/21) na qual alega, em síntese: a) Nulidade da decisão pela falta de fundamentação, uma vez que “a autoridade fiscal não indicou o fundamento legal que impede a compensação pleiteada, utilizandose de premissas que não encontram respaldo no ordenamento jurídico ora vigente”; b) Sendo beneficiária da redução do imposto com base no lucro da exploração de que trata a Medida Provisória nº 2.19914, de 2001, com ato de reconhecimento publicado no DOU de 16.07.2008, com validade a partir do ano calendário de 2007, argumenta: Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 4 3 “Como se percebe a apuração do lucro real é distinta da apuração do lucro da exploração, servindo o primeiro como base de cálculo para a tributação do Imposto de Renda e o segundo para aplicação dos benefícios fiscais regionais. No caso destes autos o pagamento indevido não decorre de pagamentos feitos com base no regime de estimativa mensal, mas sim por conta da impossibilidade de se utilizar o benefício fiscal no momento do pagamento, haja vista que o Ato Declaratório Executivo n. 54 só foi publicado no ano seguinte, embora em seu texto garanta a redução de 75% do imposto de renda sobre o lucro da exploração desde o exercício de 2007. Assim, não se pleiteia no caso em tela a compensação de valores pagos no regime de estimativa, mas sim, o que se pleiteia é a compensação de IRPJ pago a maior em razão da não aplicação do benefício fiscal. Em outras palavras, houve um pagamento 75% maior do que o devido, no que tange à parcela do Lucro de Exploração, que configura para todos os fins, pagamento indevido, devendo este valor ser objeto de compensação.” c) Conclui: “Nesse sentido concluindo a presente exposição de argumentos, têmse como certo que a origem do crédito não é os pagamentos mensais feitos por estimativa no lucro real anual, mas sim possui a natureza de isenção fiscal condicionada e onerosa, que reduz o IRPJ em 75% (calculada sobre o lucro da exploração) que não pode ser utilizada mês a mês, como de direito, em razão do fato de o ato declaratório concessivo do benefício ter sido publicado apenas no exercício fiscal seguinte (2008), de modo que as razões utilizadas pela Autoridade Fiscal para não homologar a compensação não podem prosperar, por haver erro quanto à natureza jurídica do crédito levado à compensação.”; d) Contesta a aplicação ao caso do art. 74, §3º, inciso IX, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (incluído vela Medida Provisória n° 449, de 2008), que veda a compensação de os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, uma vez que na época da transmissão do PER/DCOMP referido dispositivo inexistia e, no momento da análise, já havia sido excluído do ordenamento jurídico com a conversão para a Lei nº 11.941, de 2009; e) Acrescenta que, ainda que seja considerado o crédito decorrente de estimativa mensal, hipótese com a qual não concorda, o dispositivo acima citado não seria aplicável por ser a vedação referente aos débitos e não aos créditos de estimativa; f) Lembra que na Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não há proibição para a utilização do crédito decorrente de estimativa; g) “Caso a autoridade julgadora refute os argumentos lançados na presente manifestação de inconformidade, o que se admite apenas por amor ao argumento, não há como se afastar a efetiva existência de crédito decorrente da isenção condicionada noticiada acima, devendo a Autoridade manifestarse expressamente sobre o seu aproveitamento.”; h) Ao final, requer: “Por todo exposto requer seja a presente manifestação de inconformidade recebida, distribuída e processada para julgamento, sendo que ao final deverá ser dado INTEGRAL PROVIMENTO aos argumentos ora expostos a fim de declarar nula a decisão recorrida, por ausência de indicação do fundamento legal para a não homologação da compensação, ou ainda deve a Nobre Autoridade Julgadora modificar a decisão recorrida para o fim de HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO, na medida em que o crédito utilizado decorre de benefício fiscal da SUDAM não utilizado no Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 5 4 momento do pagamento do imposto, bem como que a regra constante do inciso IX, do parágrafo 3º do artigo 74 da Lei n. 9.430/96 não mais subsiste no ordenamento jurídico pátrio. Caso assim não entenda, o que se admite apenas por amor ao debate, deve a Autoridade Administrativa se manifestar expressamente acerca da existência do crédito e a forma de seu aproveitamento, posto não ter indicado o fundamento legal para a não homologação da compensação.” A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, afirmando a validade do despacho decisório porque devidamente motivado e confirmando os seus fundamentos, em decisão assim ementada: RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS. LUCRO REAL. Na vigência das Instruções Normativas SRF n° 460, de 2004 e nº 600, de 2005, os valores pagos a título de estimativa somente poderiam ser utilizados na dedução imposto devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/07/2011 (fl. 59), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 25/08/2011 (fls. 60/77), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Discorda da decisão recorrida quanto à nulidade do despacho decisório porque este não indica os preceitos legais e a própria autoridade julgadora de 1ª instância reconhece que a vedação incluída no art. 74 da Lei nº 9.430/96 não se aplica à compensação em questão. Entende, assim, que pela ausência e contradição de indicação do fundamento legal em que se baseia a Autoridade Fiscal para não homologar a compensação pleiteada, deve a decisão recorrida ser considerada nula, por cerceamento de defesa, ou, então, alternativamente, que seja o presente julgamento convertido em diligência para que a Autoridade Administrativa explique o uso do art. 74 da Lei 9.430/96 no presente caso, sob pena de ficar caracterizado o cerceamento de defesa. No mais, reitera seus esclarecimentos acerca da natureza de seu crédito, decorrente do benefício de redução a que tem direito, asseverando que o crédito objeto de compensação não decorre dos pagamentos feitos pelo regime de estimativa, mas sim, pela redução diretamente do imposto do benefício fiscal concedido, aplicável ao imposto devido, e que assim não pode ter o mesmo tratamento jurídico dado aos pagamentos ordinários de IRPJ pelo regime de estimativa. Reafirma, também, a impossibilidade de aplicação da vedação instituída apenas pela Medida Provisória nº 449/2008, não só porque a DCOMP foi apresentada em 2007, bem como porque referida vedação não foi recepcionada na conversão da Medida Provisória na Lei nº 11.941/2009. Ademais, a Instrução Normativa RFB nº 900/2008 também não mais veicula a vedação em questão. Pede, assim, o integral provimento de seu recurso voluntário, para que seja declarada a nulidade do despacho decisório ou, ainda, sua modificação e consequente homologação da compensação, na medida que o crédito utilizado decorre de benefício fiscal da SUDAM não utilizado no momento do pagamento do imposto, bem como que a regra constante do inciso IX, do parágrafo 3º do artigo 74 da Lei n. 9.430/96 não mais subsiste no ordenamento jurídico pátrio. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 6 5 Em 09/03/2014 a interessada juntou petição aos autos na qual reafirma seu direito à redução a partir do anocalendário 2007, reportase a retificação de sua DIPJ, e reitera que a vedação em questão não mais subsiste na Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora A recorrente argúi a nulidade da decisão de primeira instância por não enfrentar as questões de direito colocadas para apreciação, bem como do despacho decisório por não indicar o fundamento legal que impede a compensação pleiteada, utilizandose de premissas que não encontram respaldo no ordenamento jurídico ora vigente. A decisão recorrida, porém, apreciou não só a arguição de nulidade do despacho decisório, como também os argumentos de mérito até o ponto em que suficientes para firmar a improcedência da impugnação, especialmente porque os julgadores se pautaram na validade da vedação à compensação de indébito formado em recolhimento de estimativas, o que os dispensa, naquela ocasião, de apreciar o mérito do recolhimento afirmado como indevido. O despacho decisório, por sua vez, enuncia que a nãohomologação está fundamentada, dentre outros, no art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada a circunstância de que o pagamento indevido se refere a recolhimento que somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Considerando que o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, reportase especificamente a crédito passível de restituição ou de ressarcimento, clara está a motivação legal para a objeção veiculada no despacho decisório, o que dispensaria a indicação do inciso IX do §3º do mesmo dispositivo legal, invocado pela interessada para questionar sua aplicabilidade à compensação sob análise. Assim, devem ser REJEITADAS as arguições de nulidade da decisão de 1ª instância e do despacho decisório de nãohomologação da compensação. Quanto ao mérito descabe, neste momento, apreciar as justificativas da recorrente acerca do indevido recolhimento da estimativa recolhida em 30/11/2017. Isto porque a interpretação adotada no despacho decisório, e na decisão de 1ª instância, a partir do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 restou superada pela edição da Súmula CARF nº 84 (É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa). Aliás, antes mesmo da edição da referida súmula, esta Conselheira já se manifestava favoravelmente à possibilidade de compensação de indébito de IRPJ formado em recolhimento de estimativas, nos termos do voto vencedor encartado no Acórdão nº 1101 00.329: Divirjo do I. Relator quanto à eficácia dos atos normativos que vedaram a compensação de estimativas, pois neles não vislumbro a regulamentação de Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 7 6 procedimentos para utilização de indébitos de estimativas, mas sim a interpretação das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 8 7 utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei nº 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 9 8 nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (negrejouse) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 10 9 sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo anocalendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 11 10 § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do anocalendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 12 11 Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimento. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. No presente caso, foi analisada DCOMP transmitida em 02/03/2009 para utilização de indébito de IRPJ apurado em recolhimento 30/11/2007, e a não homologação resultou, apenas, da impossibilidade de formação de direito creditório a partir de recolhimento de estimativas, sendo referida decisão cientificada à contribuinte em 17/09/2010. Assim, o litígio circunscrevese àquele aspecto preliminar, o que dispensa a apreciação da defesa dirigida aos demais aspectos da formação do indébito. Assim, o presente voto é no sentido de, além de REJEITAR as preliminares de nulidade da decisão de 1ª instância e o despacho decisório de nãohomologação da compensação, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à Unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905173/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/02/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.735
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/02/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/02/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 51 73 /2 01 2- 89 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10675.905173/201289 Acórdão n.º 3201004.735 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09053.142, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Cofins. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09053.142. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10675.905173/201289 Acórdão n.º 3201004.735 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10675.905173/201289 Acórdão n.º 3201004.735 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10675.905173/201289 Acórdão n.º 3201004.735 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.167) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720476/2018-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2001-001.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira (Relator).
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira (Relator).
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 76 /2 01 8- 89 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.720476/201889 Acórdão n.º 2001001.035 S2C0T1 Fl. 3 2 Relatório Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de relatório inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF: Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2014, anocalendário de 2013, em que foi apurada omissão de rendimentos. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Rio de Janeiro. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 39/47. Em síntese, informa que apresenta Laudo, subscrito por médico pertencente ao Serviço Oficial de Saúde, comprovando a moléstia grave. Solicita que seja reconhecida a isenção. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora ad hoc Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento adotado não necessariamente tem a aquiescência desta Conselheira: O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.720476/201889 Acórdão n.º 2001001.035 S2C0T1 Fl. 4 3 estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10830.720476/201889 Acórdão n.º 2001001.035 S2C0T1 Fl. 5 4 Com o recurso voluntário, foi apresentado Laudo Médico Oficial, atestando a moléstia grave e suprindo falhas apontadas pelas autoridades lançadoras e julgadora. . Com base nestes fundamentos, devese reconhecer o direito à isenção pleiteado pela recorrente, haja vista que foi feita prova neste processo. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo (voto de José Ricardo Moreira) Fl. 75DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.720050/2016-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CUSTO. COMPROVAÇÃO. REQUISITO PARA DEDUTIBILIDADE.
Correta a glosa de valores computados como custo quando o contribuinte não comprova a efetividade das operações enquadradas como aquisição de insumos.
Por outro lado, uma vez comprovado que a empresa celebrou contrato de parceria comercial, demonstrando haver pagamentos parciais e compensações de valores provenientes de vendas, incabível a glosa fundamentada na idoneidade do fornecedor em momento posterior ao período objeto de autuação.
SIMULAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Aplicável a multa qualificada na hipótese de aquisição de mercadorias registradas como custo a partir de operações simuladas.
SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES.
Correta a sujeição passiva dos sócios administradores quando restar demonstrada a prática de atos simulados que geraram redução indevida de tributos.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de exigência reflexa, realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de IRPJ aplica-se à CSLL.
PIS E COFINS. GLOSA DE CRÉDITOS.
Correta a glosa de créditos de PIS e COFINS calculados em face de lançamentos contábeis de custos decorrentes de operações simuladas.
Numero da decisão: 1201-002.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em DAR PARCIAL PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, mantendo a tributação, as responsabilizações solidárias e qualificação da multa de ofício, mas afastando a glosa das operações praticadas com a empresa AGL Comércio de Condutores Elétricos Ltda., por unanimidade de votos.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CUSTO. COMPROVAÇÃO. REQUISITO PARA DEDUTIBILIDADE. Correta a glosa de valores computados como custo quando o contribuinte não comprova a efetividade das operações enquadradas como aquisição de insumos. Por outro lado, uma vez comprovado que a empresa celebrou contrato de parceria comercial, demonstrando haver pagamentos parciais e compensações de valores provenientes de vendas, incabível a glosa fundamentada na idoneidade do fornecedor em momento posterior ao período objeto de autuação. SIMULAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada na hipótese de aquisição de mercadorias registradas como custo a partir de operações simuladas. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. Correta a sujeição passiva dos sócios administradores quando restar demonstrada a prática de atos simulados que geraram redução indevida de tributos. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa, realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de IRPJ aplica-se à CSLL. PIS E COFINS. GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de PIS e COFINS calculados em face de lançamentos contábeis de custos decorrentes de operações simuladas.
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CUSTO. COMPROVAÇÃO. REQUISITO PARA DEDUTIBILIDADE. Correta a glosa de valores computados como custo quando o contribuinte não comprova a efetividade das operações enquadradas como aquisição de insumos. Por outro lado, uma vez comprovado que a empresa celebrou contrato de parceria comercial, demonstrando haver pagamentos parciais e compensações de valores provenientes de vendas, incabível a glosa fundamentada na idoneidade do fornecedor em momento posterior ao período objeto de autuação. SIMULAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada na hipótese de aquisição de mercadorias registradas como custo a partir de operações simuladas. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. Correta a sujeição passiva dos sócios administradores quando restar demonstrada a prática de atos simulados que geraram redução indevida de tributos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 50 /2 01 6- 19 Fl. 3008DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa, realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de IRPJ aplicase à CSLL. PIS E COFINS. GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de PIS e COFINS calculados em face de lançamentos contábeis de custos decorrentes de operações simuladas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em DAR PARCIAL PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, mantendo a tributação, as responsabilizações solidárias e qualificação da multa de ofício, mas afastando a glosa das operações praticadas com a empresa AGL Comércio de Condutores Elétricos Ltda., por unanimidade de votos. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração de IRPJ/CSLL (fls. 1.993/2.013) e de PIS/COFINS (fls. 2.015/2.036 e 2.267/2.285), referentes ao anocalendário de 2012, em razão da glosa (i) de custos e despesas não comprovados; e (ii), como conseqüência, de créditos descontados indevidamente na apuração das aludidas contribuições. De acordo com o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais (fls. 1.965/1.987): 6. O contribuinte foi intimado, conforme Termo de Intimação Fiscal de nº 001, datado de 29/05/2014, a apresentar os comprovantes de pagamentos de notas fiscais dos seguintes fornecedores, indicando a forma de pagamento (em dinheiro, depósito em conta corrente, transferência bancária, pagamento de boletos, etc,), e os dados das pessoas responsáveis pelo Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 3 3 fornecimento e contato, além dos comprovantes de pedidos de compra e os meios utilizados (telefone, email, etc): FORNECEDORES CNPJ S & S INDUSTRIA E COMERCIO LTDA 03.950.155/000187 EBF COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA 12.498.261/000162 DETROIT COM DE METAIS FERROSOS E NAO FERROSOS LTDA 10.462.538/000171 G & R COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA 26.082.198/000193 LINHACOS COMERCIO DE METAIS LTDA 08.665.297/000116 KOBBER METAIS INDUSTRIA E COM DE COND EL LTDA 00.191.726/000159 AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA 04.294.094/000100 ASRNER COMERCIO DE METAIS LTDA 09.374.476/000167 NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMP E EXPORTACAO LTDA 10.633.340/000103 ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME 10.630.795/000175 MAQMETAIS COMERCIAL LTDA 05.302.172/000133 7. Em resposta, apresentou o contribuinte somente parte dos comprovantes de pagamentos efetuados, deixando de apresentar as documentações relativas às efetivas operações realizadas; 8. Tendo em vista o atendimento parcial ao Termo de Intimação Fiscal de nº 001, foi o contribuinte reintimado, conforme Termo de Reintimação Fiscal nº 002, datado de 12/09/2014, a apresentar todos os elementos faltantes solicitados naquele Termo, e também todos os comprovantes de entradas de mercadorias no estabelecimento, identificando os veículos de transporte dos materiais, pesagem de mercadorias nas entradas, e demais controle de recebimento de mercadorias; 9. Em resposta, apresentou o contribuinte cópias simples dos contratos de parceria comercial, firmados com as empresas ASRNER COMERCIO DE METAIS LTDA, EBF COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA, KOBBER METAIS INDUSTRIA E COM DE COND ELETRICOS LTDA e AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA, bem como planilhas de Notas Fiscais emitidas no período de 2011 e 2012, deixando de apresentar as documentações comprobatórias relativas ao efetivo ingresso das mercadorias, tais como identificação dos veículos de transporte dos materiais, pesagem de mercadorias nas entradas, e demais controle de recebimento de mercadorias. 10. Por outro lado, tendo em vista que o contribuinte não apresentou as planilhas de apuração de PIS e COFINS Não cumulativo, foi o contribuinte novamente intimado, conforme Termo de Reintimação Fiscal nº 003, datado de 05/11/2014, a apresentar as referidas planilhas; 11. Em resposta datada de 20/02/2015, o contribuinte novamente discorreu sobre a legislação de PIS e COFINS, e repetiu os argumentos utilizados anteriormente, informando ainda que o resumo de entradas e saídas, foram extraídos dos arquivos do Livro Registro de Entradas; Fl. 3010DF CARF MF 4 12. Posteriormente, foram apresentados uma planilha com os créditos de PIS e COFINS calculados sobre as notas fiscais de entradas; 13. Da análise das notas fiscais de entrada/aquisição apresentadas, foram constatadas que 02 (duas) das empresas emitentes de notas fiscais, a MAQMETAIS COMERCIAL LTDA, CNPJ 05.302.172/000133 e LINHACOS COMÉRCIO DE METAIS LTDA, CNPJ 08.665.297/000116, já estão com situação cadastral INAPTA, conforme abaixo: 14. E ainda como subsídio, foram efetuadas pesquisas no Cadastro da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (CADESP), tendo sido constatadas diversos fornecedores com situação cadastral inapto, nulo e baixado, pelas ocorrências fiscais diversas, conforme abaixo: Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 4 5 15. Paralelamente, foram efetuadas diligências em busca das empresas emitentes e seus responsáveis, cujos resultados foram os seguintes: [...] 15.4) G & R COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA (atual BUGRE COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA), CNPJ 26.082.198/000193, tem seu Fl. 3012DF CARF MF 6 endereço de cadastro na Receita Federal, à AL SEGUNDO SARGENTO ANDIRAS NOGUEIRA DE ABREU, 471, PARQUE NOVO MUNDO, São Paulo, SP, e em diligência realizadas, foi constatado o seguinte: A correspondência enviada a BUGRE COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA voltou com a informação ”mudouse” emitida pelos correios. Igualmente foi enviada intimação ao sócio PAULO SERGIO MARQUEZINI, cuja ciência ocorreu em 17/02/2014. Em 03/09/2014, foram feitas diligências no endereço da empresa que consta no cadastro da Receita Federal e constatamos que o contribuinte não se encontra domiciliado naquele endereço. Verificamos que o local indicado como sede da empresa se encontra fechado, e não encontramos ninguém no imóvel, que pudesse prestar informações sobre a empresa. Segundo informações colhidas junto a vizinhança, o imóvel estava desocupado há pelo menos 06 (seis) meses, e afirmaram desconhecer a empresa BUGRE COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA e/ou G & R COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA. Posteriormente, foram publicadas, em 04/09/2014 o Edital Eletrônico de nº 000649037, com data de ciência: 19/09/2014; [...] 15.7) AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA, CNPJ 04.294.094/000100, tem seu endereço de cadastro na Receita Federal, à AV NOVE DE JULHO 3229 SALA: 912, JARDIM PAULISTA, São Paulo, SP, e em diligência realizadas, foi constatado o seguinte: A correspondência enviada a AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA voltou com ciência datada de 17/02/2014. Igualmente foi enviada intimação aos sócios LUIZ FERNANDO DA SILVA E JOSE ROBERTO DA SILVA, cujas ciências ocorreram em 17/02/2014. Em 10/04/2014, compareceu o sócio LUIZ FERNANDO DA SILVA, que apresentou parte dos documentos solicitados na intimação fiscal. Em 13/09/2014 foram feitas diligências no endereço da empresa que consta no cadastro da Receita Federal e constatamos que o contribuinte não se encontra domiciliado naquele endereço. A Sra. Solange Vegas, CPF 271.401.70886, encarregada da administração do condomínio SP Business Center (Av. Nove de Julho,3229), informou que a empresa GLX desocupou a sala 912 entre janeiro e fevereiro de 2014, e não informaram ao condomínio seu novo endereço; [...] 15.9) NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMP E EXPORTACAO LTDA, CNPJ 10.633.340/000103, tem seu endereço de cadastro na Receita Federal, à R VOLUNTARIOS DA PATRIA 1145, SANTANA, São Paulo, SP, e em diligência realizadas, foi constatado o seguinte: A correspondência enviada a NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMP E EXPORTACAO LTDA voltou com a informação ”mudouse” emitida pelos correios. Igualmente foi enviada intimação ao sócio JOCIMAR ROGERIO DOS SANTOS, cuja ciência ocorreu em 27/02/2014. Em 02/09/2014, foram feitas diligências no endereço da empresa que consta no cadastro da Receita Federal e constatamos que o Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 5 7 contribuinte não se encontra domiciliado naquele endereço. Foi constatado que na Rua Voluntários da Patria não existe o nº 1145, sendo que o número mais próximo do endereço indicado pelo contribuinte é o de nº 1141, que se encontra fechado, e o número seguinte é o de nº 1151, onde funciona um estacionamento. Segundo informações colhidas junto ao proprietário da “Auto Escola Santana”, Sr. André Gonçalves, vizinho do lado esquerdo de nº 1139, ele afirmou estar instalado no local há muitos anos, e nunca ouviu falar da empresa NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA – ME, e nunca presenciou movimentação de caminhões e mercadorias no imóvel vizinho. Informou ainda que no imóvel de nº 1141, funcionou um bar e hoje está fechado. Posteriormente, foram publicadas, em 04/09/2014 o Edital Eletrônico de nº 000649047, com data de ciência: 19/09/2014; 15.10) ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME, CNPJ 10.630.795/000175, tem seu endereço de cadastro na Receita Federal, à R MARAGOJIPE 26A, SALA 1, JD PRESIDENTE DUTRA, Guarulhos, SP, e em diligência realizadas, foi constatado o seguinte: A correspondência enviada a ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME voltou com a informação ”não existe o nº indicado” emitida pelos correios. Igualmente foi enviada intimação aos sócios MARCOS MENDONCA DA COSTA, cuja ciência ocorreu em 19/02/2014 e JOILSON ALMEIDA DOS SANTOS, cuja ciência ocorreu em 18/02;2014. Nenhum dos sócios atendeu à intimação. Em 26/06/2014, foram feitas diligências no endereço da empresa que consta no cadastro da Receita Federal e constatamos que o contribuinte não se encontra domiciliado naquele endereço. No local encontramos o Sr. Francisco do Nascimento, CPF 116.307.25838, que se identificou como funcionário da empresa VM BETEL TRANSPORTES LTDAME, CNPJ 04.858.529/000282, ali instalada, cujo endereço cadastrado é Rua Maragojipe, 26 – Galpão 1. Informou que a empresa está estabelecida neste endereço há aproximadamente 2 (dois) anos, e que atualmente não existe o número 26A, e desconhece a empresa ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA – ME. Posteriormente, foram publicadas, em 04/09/2014 o Edital Eletrônico de nº 000649042, com data de ciência: 19/09/2014; [...] 16. Desta forma, foi constatado que a empresa CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA, registrou aquisições de mercadorias das empresas emitentes de notas fiscais inidôneas, cujas notas fiscais apresentaram outras irregularidades, conforme demonstramos a seguir: a) em pelo menos 161 notas fiscais emitidas pelas empresas S & S INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ME, LINHAÇOS COMERCIO DE METAIS LTDA, DETROIT COMERCIO DE Fl. 3014DF CARF MF 8 METAIS FERROSOS E NAO FERROSOS LTDA. ME, KOBBER METAIS INDUSTRIA E COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA ME, NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA ME, ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME, foram indicadas no campo “Transportador placa do veículo”, os seguintes veículos de transporte de passageiros, camionetas, microonibus, e motociclos, que não se prestam ao transporte de mercadorias e nem comportam as quantidades de mercadorias constantes das notas fiscais: [...] b) os “modus operandi” adotadas pelas empresas acima, indicam que todas elas são emitentes de notas fiscais inidôneas, cuja efetiva circulação de mercadorias não ocorreu, visto que é impossível transportar as quantidades citadas nas notas fiscais com os veículos indicados nas respectivas notas fiscais. E a prova de fraude ocorre também ao se constatar que em várias notas fiscais é citado as placas com o mesmo número final, a exemplo das placas DKL7433, DRL7433 e DRK7433, o que sugere que os dados não correspondem à realidade e foram criados aleatoriamente; c) verificamos ainda, que há clara conexão entre as empresas acima citadas, visto que a maioria das “placas de veículos indicadas nas notas fiscais”, foram utilizadas por mais de uma empresa, o que reforça a caracterização das fraudes; 17. Desta forma, tendo sido o contribuinte intimado a apresentar as documentações relativas a aquisição de insumos/mercadorias, nos anoscalendários 2011 e 2012, o contribuinte se limitou a apresentar alguns comprovantes de pagamentos, deixando de apresentar os demais elementos, especialmente os dados das pessoas responsáveis pelo fornecimento e contato, os comprovantes de pedidos de compra, e os comprovantes de entrada das mercadorias, tais como identificação dos veículos de transporte dos materiais, pesagem de mercadorias nas entradas, e demais controle de recebimento de mercadorias. Os referidos valores de aquisições de insumos/mercadorias, de empresas inidôneas acima relacionadas, cujas efetivas transações não foram comprovadas, no valor de R$ 134.713.029,21, no ano de 2011, já foram objeto de glosa e autuação, conforme processo administrativo nº 16095720.152/201545. Da mesma forma, os valores de aquisições de insumos/mercadorias, de empresas inidôneas acima relacionadas, cujas efetivas transações não foram comprovadas, no valor de R$ 27.078.028,90, no ano de 2012, serão objeto de glosa a autuação, por serem consideradas inidôneas, nos termos da legislação em vigor. As empresas identificadas como emitentes de notas fiscais inidôneas, no ano de 2012, foram as seguintes: FORNECEDORES CNPJ G & R COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA 26.082.198/000193 AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA 04.294.094/000100 NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMP E EXPORTACAO LTDA 10.633.340/000103 ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME 10.630.795/000175 Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 6 9 18. Assim, relativamente ao anocalendário de 2012, os valores de IRPJ e CSLL devidos sobre valores de glosa de créditos da aquisição de insumos/mercadorias de empresas inidôneas, conforme documentos acostados ao processo, e demonstrativo anexo I, serão objeto de autuação, nos termos da legislação vigente. 19. Igualmente, no anocalendário de 2012, os valores devidos de PIS e COFINS NãoCumulativos, foram recalculados levandose em consideração os valores das bases de cálculo de créditos de PIS e COFINS declaradas, deduzidas de valores de glosa de créditos calculadas sobre a aquisição de insumos/mercadorias de empresas inidôneas, conforme documentos acostados ao processo, e demonstrativo anexo I. Os valores de PIS e COFINS a Pagar apuradas, conforme demonstrativos Anexos II e III, serão objeto de autuação, nos termos da legislação vigente. B) – DO DIREITO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] D) – DOS VALORES DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS D1) APURAÇÃO DE IRPJ E CSLL 34. Desta forma, os valores de CUSTOS NÃO COMPROVADOS, no ano de 2012, no valor de R$ 27.078.028,90, serão objeto de glosa, para efeito de apuração de IRPJ e CSLL, conforme demonstrativo anexo I, e resumida abaixo: [...] D2) APURAÇÃO DE GLOSA DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO 35. Os valores de PIS e COFINS glosados, decorrente de compras não comprovadas, abaixo relacionados, foram objeto de compensação de ofício com os créditos em seu favor, até o limite de saldo disponível, informados na DACON. Após a reconstituição da escrita, foram apurados PIS e COFINS a Pagar nos meses de 07/2012 a 11/2012, conforme demonstrativos anexos II e III, e resumida abaixo: [...] Como resultado dessa fiscalização, a multa exigida foi qualificada para 150%, bem como os sócios da empresa foram considerados responsáveis solidário (fls. 2;042/2.051), sob a seguinte motivação: E) DA FRAUDE PENAL E MULTA DE OFÍCIO 36. Conforme exaustivamente demonstrado ao longo deste termo, restou comprovado que os dirigentes do CORDEIRO FIOS E CABOS ELETRICOS LTDA, mediante aquisições de Fl. 3016DF CARF MF 10 mercadorias de empresas inidôneas, cujas efetivas transações não foram comprovadas, modificaram as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante dos impostos e contribuições devidas. Portanto, restou flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei nº 9.430 de 1996, que assim dispõe: [...] 40. No presente trabalho, as condutas dos dirigentes se amoldam perfeitamente ao tipo legal capitulado no art. 72 supra, razão pela qual será aplicada a multa qualificada, prevista no art. 44, inciso I, § 1°, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: [...] G) SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS G1) – SÓCIOSADMINISTRADORES DA CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA: 49. Conforme cláusula 6° dos contratos sociais vige ntes no ano de 2012, a administração e a gerência da sociedade estavam a cargo de CARLOS ALBERTO CORDEIRO e MARIA ISABEL DE MELO CORDEIRO. E no exercício das funções de administrador, praticou atos com infração de lei, conforme relatado nos itens anteriores, sendo responsável solidário nos termos do art. 135 da Lei nº 5.172/66. CARLOS ALBERTO CORDEIRO, CPF 854.839.90820 MARIA ISABEL DE MELO CORDEIRO, CPF 029.773.94842 50. Em razão da imputação da responsabilidade solidária, relativas às infrações praticadas pela empresa CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA, todos os sujeitos passivos solidários serão cientificados das infrações imputadas, para exercerem o direito constitucional da ampla defesa e do contraditório. Cientificados dos Autos de Infração, a empresa e seus administradores apresentaram impugnações (fls. 2.104/2.139 e 2.065/2.093, respectivamente). Alegam, em síntese, que: (i) o lançamento é nulo por falta de motivação da conduta dos solidários, bem como ausência de comprovação de dolo; (ii) não se extrai dos autos uma indicação sequer acerca de quais atos, praticados pessoalmente pelos administradores, teriam conduzido à conclusão pela responsabilização com base no artigo 135 do CTN; (iii) houve aplicação indevida da teoria da desconsideração da pessoa jurídica e violação ao contraditório e ampla defesa; Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 7 11 (iv) á época dos fatos geradores, os fornecedores citados estavam devidamente regulares; (v) a efetividade das operações teria sido comprovada por meio da idoneidade das empresas no período, escrita fiscal e notas fiscais; (vi) a boa fé e ausência de dolo se demonstram pelo fato da empresa ter vendido sucata para tais fornecedores em quantidades substanciais, o que ensejou a apuração de receitas tributadas. Nesse ponto, aduz que "imperioso observar o equívoco da D. Fiscalização ao optar pela desconsideração das operações de aquisição de materiais pela empresa autuada, em razão da suposta irregularidade dos seus fornecedores, sem que, na mesma medida, desconsiderasse as operações de venda de sucata para as mesmas pessoas jurídicas... Ainda que por amor ao debate se admita a desconsideração das operações de aquisição, neste caso, se faz necessária a desconsideração da venda para as mesmas pessoas jurídicas"; (vii) deixouse de considerar o custo líquido de aquisição de insumos pela Defendente, incluindo, indevidamente, os créditos de PIS, COFINS e ICMS na base de cálculo do IR e CS; (viii) na linda do que já decidiu o STJ, o fisco não possui competência para exigir tributos do comerciante de boa fé, ainda que na aquisição de empresas consideradas inidôneas em momento posterior; (ix) insta relembrar que a Defendente firmou com seus fornecedores contratos de parceria comercial, segundo os quais estes lhes forneceriam os vergalhões de cobre e esta, por sua vez, fornecerlhesia sucata de cobre. De acordo com os referidos contratos, a liquidação das operações deveria ser feita mediante compensação financeira e encontro de contas entre débitos e créditos recíprocos, o que, digase de passagem, é muito comum no mercado empresarial; (x) as informações obtidas pelo fisco federal em 2014 não se prestam para validar a inexistência das empresas à época das operações. A propósito, com relação á empresa AGL, o TITSP reputou válidas as operações firmadas, conforme Doc. 6 juntado; (xi) a exigência de multa qualificada é descabida, desproporcional, não razoável e confiscatória. Em Sessão de 25 de maio de 2017 a DRJ/BHE julgou as defesas improcedentes por meio de Acórdão (fls. 2.289/2.301), que restou assim ementado: RESPONSABILIDADE GERENCIAL Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Fl. 3018DF CARF MF 12 LANÇAMENTOS CONEXOS Mantido o lançamento de IRPJ, igual sorte aguarda aqueles que dele decorrerem, em face da relação causal que os vincula e dos fundamentos de fato que compartilham. CUSTOS Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. PENALIDADES PECUNIÁRIAS Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, percentual este que será duplicado em caso de fraude, sonegação ou conluio. A contribuinte principal foi intimada da decisão em 14/06/2017 (fl. 2.316) e interpôs recurso voluntário (fls. 2.507/2.551) em 14/07/2017 (fl. 2.316). Já os solidários foram cientificados em 20/06/2017 (fls. 2.317 e 2.318) e interpuseram recurso voluntário (fls. 2.554/2.591) em 20/07/2017 (fl. 2.552). Ambos reiteram os argumentos de defesa, aduzem que a decisão de DRJ é nula por omissão quanto ao erro da base de cálculo e questionam pontos específicos do acórdão recorrido. Por meio de petição datada de 12/07/2017, a Recorrente anexa Razões analíticos (fls. 2.639/2.963) de pagamentos e tributos a recuperar que, no seu entender, deveriam ter sido excluídos da base de cálculo. Em seguida nova petição foi apresentada pelo contribuinte (fls. 2.967/2.977), a qual: (i) reitera a existência de precedente vinculante do STJ, no sentido de impossibilitar a responsabilização de contribuinte de boa fé, (ii) atesta que, no tocante à empresa AGL, obteve decisão, em 15/09/2017, que reconheceu válidas as operações com ela firmadas; e (iii) pede a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço e passo a apreciálos. Nulidade A Recorrente inicia seu recurso argüindo vícios do procedimento de fiscalização que acarretariam a nulidade dos Autos de Infração. Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 8 13 Razão, porém, não lhe assiste. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. Os Autos de Infração foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional abaixo transcrito. Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Fl. 3020DF CARF MF 14 Tal como determinado nesse dispositivo legal, os lançamentos têm como motivação a glosa de custos deduzidos fiscalmente e escriturados com base na alegação de uso de notas fiscais inidôneas. Como se sabe, para que as despesas e custos sejam dedutíveis na apuração do lucro tributável, devem ser apresentados elementos convincentes da efetividade das operações a que se referem, constantes da escrituração contábil e fiscal da empresa. Nesses termos, a fiscalização entendeu que a Recorrente não teria cumprido seu ônus de comprovar as aquisições de insumos formalizadas nas referidas notas fiscais e daí não reconheceu o direito de dedução dos dispêndios, assim como a tomada de créditos de PIS e COFINS dali decorrentes. No exercício, então, de sua atividade plenamente vinculada, a fiscalização cumpriu seu dever de, após identificar esses fatos, exigir os tributos que deixaram de ser pagos pelo contribuinte. A descrição dos motivos de fato e de direito caracterizadores das infrações, ademais, está clara, explícita e congruente no TVF, permitindo o pleno conhecimento da lide e o julgamento do recurso voluntário, sem qualquer prejuízo a ampla defesa ou a busca pela verdade material. No tocante ao alegado erro de base de cálculo, que não teria deduzidos os tributos incidentes nas aquisições, nenhum reparo cabe ao cálculo da fiscalização, uma vez que as operações foram consideradas inexistentes, ou melhor, simuladas, o que afasta eventual direito a crédito de tributos. Além disso, não há provas de que houve recolhimento dos tributos ou seu não aproveitamento, o que torna o próprio pleito carente de liquidez e certeza. Especificamente quanto ao argumento de que, a prevalecer a tese fazendária, teriam ocorrido vendas às empresas inexistentes, a meu ver essa alegação deve ser enfrentada quando da análise do mérito, não implicando em nenhum vício no lançamento propriamente dito. A propósito, cumpre observar que eventuais vendas pela contribuinte não suprem a necessidade de provar as operações de compras que geraram a dedutibilidade na forma de custos, ainda que com identidade da outra parte da operação. Feitas essas considerações, afasto os vícios de nulidade apontados pelo contribuinte. Inconstitucionalidade Na defesa e no recurso voluntário, os Recorrentes invocam argumentos que implicam análise de constitucionalidade, especialmente o suposto caráter confiscatório das multas e violação de princípios constitucionais, mas não custa lembrar que esta análise é vedada no âmbito do CARF em face da Súmula n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 9 15 Mérito A controvérsia gira em torno da legitimidade ou não de operações de aquisição de insumos escrituradas e deduzidas como custo pela Recorrente, proveniente de 4 (quatro) empresas: NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMP E EXPORTACAO LTDA., ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME, G & R COMERCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA. e AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA.. É importante notar, nessa introdução, que embora o termo fiscal mencione 11 (onze) diferentes fornecedoras, o anocalendário ora autuado diz respeito a apenas 4 (quatro) listadas acima. E de acordo com o TVF, a glosa ora em exame deriva da falta de comprovação de compras de mercadorias computadas nos custos (insumos), tendo em vista que a empresa não logrou indicar nem a forma como se teria dado o correspondente pagamento, nem as circunstâncias em que teriam ocorrido tais aquisições. Mais precisamente, a fiscalização se valeu de 4 (quatro) indícios para formar sua convicção de que as operações seriam fraudulentas ou simuladas: (i) ausência de comprovação da totalidade dos pagamentos; (ii) ausência de apresentação de pedidos de compras e dados dos responsáveis do fornecedor e transporte; (iii) pesquisa no CADESP que atestaria a inidoneidade das empresas fornecedoras; e (iv) resultado de diligência no endereço de cada empresa, o qual teria ratificado a inexistência de fato dos estabelecimentos comerciais. Em relação às empresas Nossa Laminação e Eletrocel, o fisco ainda colocou em evidência o fato de que os veículos informados nos registros não teriam capacidade para o transporte. Para todas as operações, a Recorrente, além de questionar pontualmente os resultados da diligência e de fazer ponderações específicas que serão analisadas a seguir, comprova (fls. 2.175/2.178) que as 4 (quatro) empresas referidas foram declaradas inaptas apenas em momento posterior aos fatos geradores objeto das presentes cobranças, o que prejudicaria todo o trabalho fiscal, na linha do seguinte precedente do STJ, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, Fl. 3022DF CARF MF 16 porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (...) 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136. , segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). (...) 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. (...)” (STJ. REsp n. 1.148.444. Data de publicação: 27/04/2010) Como se percebe, o STJ, em decisão que vincula o CARF, estabeleceu que deve ser resguardada a boafé do adquirente cujos fornecedores foram declarados inidôneos desde que a declaração de inidoneidade seja posterior às operações e desde que seja comprovada a efetiva ocorrência da operação por meio dos respectivos pagamentos. Pois bem. Nesse caso concreto, ainda que as empresas NOSSA LAMINAÇÃO COMERCIO IMP. E EXPORTACAO LTDA. e ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME tenham sido declaradas inidôneas posteriormente aos fatos, a Recorrente não logrou êxito em comprovar os pagamentos, ao passo que a fiscalização conseguiu reunir indícios que, somados, levam a convicção de que de fato as empresas seriam inexistentes e, conseqüentemente, as notas fiscais simulariam as operações de compras, sendo correta a glosa. Relativamente à empresa G&R COMERCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA. (cuja razão social passou a ser BUGRE COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA.), também entendo que o conjunto probatório leva a conclusão favorável à glosa, afinal também não houve qualquer comprovação de pagamentos. Nesse ponto, concordo com a DRJ quando afirma que mesmo que comprador e vendedor se confundissem, isto não elidiria a necessidade de fazer prova robusta da efetividade de pagamentos ou, no mínimo, de eventuais encontros de contas com coincidência de valores e justificativas de datas. O argumento de encontro de contas ou compensação de valores, nesta situação, realmente até mesmo revelase inconsistente, tendo em vista que, para que isso fosse verdade, seria necessário que o valor das sucatas vendidas fosse rigorosamente igual aos dos respectivos insumos, o que não restou demonstrado. Finalmente, no caso do fornecedor AGL COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA., a Recorrente juntou contrato de parceria comercial (fls. 2.335/2.339), comprovantes de pagamentos parciais (2.352/2.397), notas fiscais de vendas de sucatas (fls. 2.187/2.248 e 2.340) para esta empresa devidamente escrituradas (fls. 2.397/2.471) e cópia de decisão proferida pelo Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo (TITSP) que reputou Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 10 17 válidas as operações firmadas entre a AGL e a Recorrente no período de junho de 2010 a dezembro de 2011 (fls. 2.250/2.255). Outro fato que chama atenção é que a AGL possuiria filial (cf. extrato de fl. 2.180) que não foi contemplada na investigação pelo auditor fiscal responsável, bem como que a própria diligência (vide item 15.7 do TVF) atesta que os sócios dessa empresa, ao contráriosa das demais, foram localizados, responderam intimações e informaram que a empresa teria desocupado o local de sua sede apenas no início de 2014. Nesse contexto, e sopesando as provas apresentadas pela Recorrente (inclusive a petição juntada em momento posterior ao voluntário) com os indícios colhidos pelo fisco, entendo que, em relação à AGL, a Recorrente comprovou sua boa fé na aquisição dos insumos, devendo a glosa ser afastada. Multa qualificada Restou demonstrado que a Recorrente registrou como custo operações simuladas de aquisições de insumos, bem como, mesmo intimada, não apresentou maiores detalhes do contato e responsáveis dos fornecedores e do transporte. O que se tem no caso, pois, é a formalização de operações inexistentes, ou melhor, simuladas, deduzidas como custo sem amparo jurídico, o que a meu ver constitui ação dolosa tendente a reduzir os tributos federais devidos, razão pela qual considero correta a qualificação da multa, na linha do artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, combinado com o artigo 71, I, da Lei n. nº 4.502/1964, verbis: Artigo 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Responsabilidade solidária A qualificação da responsabilidade solidária dos sócios administradores, Srs. CARLOS ALBERTO CORDEIRO e MARIA ISABEL DE MELO CORDEIRO ocorreram com base no artigo 135, III, do CTN. O silogismo empregado pela autoridade autuante foi o seguinte: como referidas pessoas físicas detinham, no período autuado, poderes de administração e representação da Recorrente, e considerando que elas, mesmo intimadas, não atenderam ou indicaram quem teria "fechado" os negócios com as empresas inidôneas, elas possuiriam responsabilidade pessoal por tais atos empresariais. Nesse caso específico, notadamente em face da omissão na resposta à fiscalização, entendo que a autoridade fiscal agiu corretamente na sujeição passiva por Fl. 3024DF CARF MF 18 solidariedade em face da infração apontada, devendo a decisão da DRJ ser mantida nesse ponto. Conclusão Pelo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO aos RECURSOS VOLUNTÁRIOS, para afastar a glosa das operações praticadas com a empresa AGL Comércio de Condutores Elétricos Ltda.. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 3025DF CARF MF
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