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5475536 #
Numero do processo: 10120.012399/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por MARCO ANTONIO ORTEGA GARCIA RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 3  ___________       RELATÓRIO  Em  desfavor  do  contribuinte,  MARCO  ANTONIO  ORTEGA  GARCIA,  foi  lavrado o Auto de  Infração de fls.221/234,  relativo ao  Imposto de Renda Pessoa Física, ano­ calendário 2006, que lhe exige crédito tributário no montante de R$.3.285.881,10.  A  infração apurada, que  resultou na constituição do crédito  tributário  referido,  encontra­se  relatada  no  Auto  de  Infração  e  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  e  dá  conta  dos  seguintes aspectos: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS  BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS.  Nota­se,  da  análise  cuidadosa  do  processo,  que  RMFs  foram  realizadas  a  instituições financeiras, tal como se constata de fls. 14 a 19.  É isto que interessa relatar até o momento.  Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.012399/2009­13  Resolução nº  2202­000.368  S2­C2T2  Fl. 4          3 VOTO  Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator  Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a  sobrestamento.  Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de  julgado  feito  de  ofício  pelo  relator,  nos  termos  do  art.  62­A  e  parágrafos  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis:  Art. 62­A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista pelos  artigos  543­B  e 543­C da Lei  nº  5.869,  de 11  de  janeiro  de  1973, Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito do CARF.  § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também  sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida  decisão nos termos do art. 543­B.   § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por  provocação das partes.   Ocorre  que  está  em  Repercussão  Geral  o  fornecimento  de  informações  sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º  da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314)  Recurso  extraordinário  em  que  se  discute,  à  luz  dos  artigos  5º,  X,  XII,  XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade,  ou  não,  do  art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001,  que  permitiu  o  fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  diretamente  ao  Fisco,  sem  autorização  judicial,  bem  como  a  possibilidade,  ou  não,  da  aplicação  da  Lei  nº  10.174/2001  para  apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência.  A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de  instrumentos  infraconstitucionais  ­  utilização  de  dados  da CPMF e obtenção  de  informações  junto  às  instituições  através da RMF  ­  está  sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso  Extraordinário  nº  601.314,  que  tramita  em  regime  de  repercussão  geral,  reconhecida  em  22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita:  CONSTITUCIONAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  FORNECIMENTO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA  DE  CONTRIBUINTES,  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS,  DIRETAMENTE  AO  FISCO,  SEM  PRÉVIA  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL  (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE  APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE  SUA  VIGÊNCIA.  RELEVÂNCIA  JURÍDICA  DA  QUESTÃO  CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL  Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.012399/2009­13  Resolução nº  2202­000.368  S2­C2T2  Fl. 5          4 Conforme disposto no § 1º do art. 62­A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  que  versarem  sobre matéria  cuja  repercussão  geral  tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco  referido vai ao encontro da  segurança  jurídica,  da  estabilidade  e  da  eficiência,  pois  ao  tempo  em  que  assegura  a  coerência  do  ordenamento,  confere  utilidade  à  atividade  judicante  exercida  no  âmbito  do  CARF.  Assim,  reconhecida,  pelo  STF,  a  relevância  constitucional  de  tema  prejudicial  à  validade  do  procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento  do recurso no CARF.   Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que  acolheu  o  recurso  extraordinário  interposto  pelos  contribuintes.  O  Recurso  foi  pautado  pelo  Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do  RISTF,  que  determina  que  todos  os  recursos  relacionados  ao  tema  do  caso  admitido  como  paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um  ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto  à  mecânica  processual  de  julgamento  dos  recursos  extraordinários  anteriores  à  Emenda  Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente  adstrito  à  reanálise  da  medida  cautelar  requerida  pela  parte  recorrente,  desbordou  para  enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada,  sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de  votação. A atipicidade do  caso,  entretanto,  não  indica posicionamento da Corte  afastando  as  consequências  imediatas  da  repercussão  geral,  como  o  sobrestamento  dos  processos  que  veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda.   O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE  389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos  recursos  extraordinários  que veiculam  a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº  601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas:  D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia  do  sigilo  fiscal  em face do  inciso II  do artigo 17 da Lei n° 9.393/96,  que  possibilitou  a  celebração  de  convênios  entre  a  Secretaria  da  Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura ­ CNA e a  Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a  fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais  para  possibilitar  cobranças  tributárias.  Verifica­se  que  no  exame  do  RE  n°  601.314/SP,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  foi  reconhecida  a  repercussão  geral  de  matéria  análoga  à  da  presente  lide,  e  terá  seu  mérito  julgado  no  Plenário  deste  Supremo  Tribunal  Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão  do  julgamento  do  mencionado  RE  nº  601.314/SP.  Devem  os  autos  permanecer  na  Secretaria  Judiciária  até  a  conclusão  do  referido  julgamento. Publique­se. Brasília, 9 de  fevereiro de 2011. Ministro D  IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente  (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011,  publicado em DJe­035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011)   DECISÃO  REPERCUSSÃO  GERAL  ADMITIDA  ?  PROCESSOS  VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO ­ DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ?  AFASTAMENTO  ?  ARTIGO  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  105/2001  ?  SOBRESTAMENTO.  1.  O  Tribunal,  no  Recurso  Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski,  Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.012399/2009­13  Resolução nº  2202­000.368  S2­C2T2  Fl. 6          5 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade  de  o Fisco  exigir  informações  bancárias  de  contribuintes mediante  o  procedimento  administrativo  previsto  no  artigo  6º  da  Lei  Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o  recurso  veicular  a mesma matéria,  tendo  a  intimação do  acórdão da  Corte  de  origem  ocorrido  anteriormente  à  vigência  do  sistema  da  repercussão  geral,  determino  o  sobrestamento  destes  autos.  3.  À  Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04  de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator  (AI  691349  AgR,  Relator(a):  Min.  MARCO  AURÉLIO,  julgado  em  04/10/2011,  publicado  em  DJe­213  DIVULG  08/11/2011  PUBLIC  09/11/2011)   REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI  10.174/01.  APLICAÇÃO  PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE  SUA  VIGÊNCIA.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  DA  UNIÃO  PREJUDICADO.  POSSIBILIDADE.  DEVOLUÇÃO  DO  PROCESSO  AO TRIBUNAL DE ORIGEM  (ART.  328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO  RISTF  ).  Decisão:  Discute­se  nestes  recursos  extraordinários  a  constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o  fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  diretamente  ao  Fisco,  sem  autorização  judicial;  bem  como  a  possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de  créditos  tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua  vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento  à  remessa  oficial  e  à  apelação  da  União,  reconhecendo  a  impossibilidade  da  aplicação  retroativa  da  LC  105/01  e  da  Lei  10.174/01.  Contra  essa  decisão,  a  União  interpôs,  simultaneamente,  recursos  especial  e  extraordinário,  ambos  admitidos  na  Corte  de  origem. Verifica­se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento  ao  recurso  especial  em  decisão  assim  ementada  (fl.  281):  "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA  CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ?  IMPOSTO  DE  RENDA  ?  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO  ?  PERÍODO  ANTERIOR  À  LC  105/2001  ?  APLICAÇÃO  IMEDIATA  ?  RETROATIVIDADE  PERMITIDA  PELO  ART.  144,  §  1º,  DO CTN  ?  PRECEDENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO  ?  RECURSO  ESPECIAL  PROVIDO."  Irresignado,  Gildo  Edgar  Wendt  interpôs  novo  recurso  extraordinário,  alegando,  em  suma,  a  inconstitucionalidade  da  LC  105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 .  O  Supremo  Tribunal  Federal  reconheceu  a  repercussão  geral  da  controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do  Pleno  desta  Corte,  nos  autos  do  RE  601.314,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski.  Pelo  exposto,  declaro  a  prejudicialidade  do  recurso  extraordinário  interposto  pela  União,  com  fundamento  no  disposto  no  artigo  21,  inciso  IX,  do  RISTF.  Com  relação  ao  apelo  extremo  interposto  por  Gildo  Edgar  Wendt,  revejo  o  sobrestamento  anteriormente  determinado  pelo  Min.  Eros  Grau,  e,  aplicando  a  decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n.  503.064­AgR­AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626­AgR­ AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473­ED, Rel.  Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de  origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543­B e seus  Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10120.012399/2009­13  Resolução nº  2202­000.368  S2­C2T2  Fl. 7          6 parágrafos do Código de Processo Civil). Publique­se. Brasília, 1º de  agosto  de  2011.  Ministro  Luiz  Fux  Relator  Documento  assinado  digitalmente  (RE  602945,  Relator(a):  Min.  LUIZ  FUX,  julgado  em  01/08/2011,  publicado em DJe­158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011)   DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão  em  torno  da  suposta  transgressão  à  garantia  constitucional  de  inviolabilidade  do  sigilo  de  dados  e  da  intimidade  das  pessoas  em  geral,  naqueles  casos  em que  a  administração  tributária,  sem  prévia  autorização  judicial, recebe, diretamente, das  instituições  financeiras,  informações  sobre  as  operações  bancárias  ativas  e  passivas  dos  contribuintes ­ será apreciada no recurso extraordinário representativo  da  controvérsia  jurídica  suscitada  no  RE  601.314/SP,  Rel.  Min.  RICARDO  LEWANDOWSKI,  em  cujo  âmbito  o  Plenário  desta Corte  reconheceu  existente  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional.  Sendo  assim,  impõe­se  o  sobrestamento  dos  presentes  autos,  que  permanecerão  na  Secretaria  desta  Corte  até  final  julgamento  do  mencionado recurso extraordinário. Publique­se. Brasília, 21 de maio  de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator  (RE  479841,  Relator(a):  Min.  CELSO  DE  MELLO,  julgado  em  21/05/2010,  publicado  em  DJe­100  DIVULG  02/06/2010  PUBLIC  04/06/2010)   Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao  art. 26­A, §1º, da Portaria 256/09,  ratificado pelas decisões acima  transcritas, que retratam o  quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses  termos,  voto  para  que  seja  sobrestado  o  presente  recurso,  até  o  julgamento  definitivo  do  Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF.  Diante de  todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do  julgamento do  presente  Recurso,  conforme  previsto  no  art.  62,  §1o  e  2o,  do  RICARF.  Observando­se  que  após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara  que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da  Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta  após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez      Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/12/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ

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Numero do processo: 10660.003371/2006-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 16/06/2003 a 20/10/2004 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. Nos casos de compensação considerada indevida, pela utilização de créditos de terceiros, é cabível a aplicação da multa isolada após a vigência da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (publicada no DOU de 31/10/2003), posteriormente convertida no artigo 18, da Lei 10.833, de 29/12/2003. Somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades pela prática de infrações. Em face do princípio da irretroatividade a lei não deve retroagir para atingir fatos passados, exceto nos casos de norma interpretativa ou de retroatividade benigna, o que não é o caso dos autos. Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2113; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T2  Fl. 131          1 130  S3­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10660.003371/2006­27  Recurso nº       Voluntário  Acórdão nº  3202­001.165  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de abril de 2014  Matéria  COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA  Recorrente  RODRIGUES & RODRIGUES SUPERMERCADOS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 16/06/2003 a 20/10/2004  MULTA  ISOLADA.  COMPENSAÇÃO  INDEVIDA.  CRÉDITOS  DE  TERCEIROS.  Nos casos de compensação considerada indevida, pela utilização de créditos  de terceiros, é cabível a aplicação da multa isolada após a vigência da Medida  Provisória  nº  135,  de  30/10/2003  (publicada  no  DOU  de  31/10/2003),  posteriormente  convertida  no  artigo  18,  da  Lei  10.833,  de  29/12/2003.  Somente a  lei  pode  estabelecer  a  cominação de  penalidades pela prática de  infrações.   Em face do princípio da irretroatividade a lei não deve retroagir para atingir  fatos passados, exceto nos casos de norma interpretativa ou de retroatividade  benigna, o que não é o caso dos autos.   Recurso Voluntário provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao Recurso Voluntário.   Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente  Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Irene  Souza  da  Trindade  Torres  Oliveira,  Gilberto  de  Castro  Moreira  Junior,  Luís  Eduardo  Garrossino  Barbieri,  Thiago  Moura  de  Albuquerque  Alves,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  e  Tatiana  Midori Migiyama.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 33 71 /2 00 6- 27 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES     2   Relatório  O  presente  litígio  decorre  de  auto  de  infração  (e­fls.  nº  5/ss),  lavrado  em  24/11/2006,  para  a  cobrança de multa  isolada no  valor  de R$ 219.519,95  pela  compensação  indevida caracterizada pela utilização de créditos de terceiros.   Conforme informado pela autoridade fiscal na “Descrição dos Fatos” (e­fl. nº  6),  a  empresa  efetuou  a  compensação  de  tributos  federais  com  “crédito  originário  da  ação  ordinária  nº  89.0013622­4,  impetrada  por ABC Componentes  para Calçados Ltda., Calçados  Licetti Ltda. e outros, por sua conta e risco, não se verificando tutela jurisdicional nas decisões  judiciais prolatadas nos autos da referida ação que permita tal procedimento”. Concluiu, então,  que “contribuinte efetuou compensação indevida de valores, por utilizar crédito não passível de  compensação, contrariando o disposto no caput do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996”.   Consta, ainda, a informação (e­fl. nº 9) que as DComps fora formalizadas em  16/06/2003, 18/06/2003, 31/07/2003, 15/08/2003 e 20/10/2004.   Por  bem  sintetizar  os  fatos,  transcreve­se  relatório  constante  da  decisão  de  primeira instância administrativa, verbis:  Em desfavor da contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração, de fls.  2  a  10,  no  qual  foi  constatada  compensação  indevida  efetuada  em  declaração  prestada pelo sujeito passivo.  2. Com base no Enquadramento Legal (fl. 6), restou apurado um crédito tributário  de R$ 219.519,95, exclusivamente decorrente de multas isoladas.  Da Autuação  3. De  acordo  com  a Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  (fls.  4  a  6),  a  contribuinte entregou diversas Declarações de Compensação (DCOMP) utilizando  crédito sem previsão legal.  4.  As  DCOMP  em  questão  foram  reproduzidas  no  Processo  Administrativo  nº  10660.001821/2005­66.  Em Despacho Decisório,  a Delegacia  da Receita Federal  do Brasil de origem conclui que a empresa em epígrafe efetuou compensação com  crédito originário de ação judicial impetrada por ABC Componentes para Calçados  LTDA., Calçados Licetti LTDA. E outros,por sua conta e risco, não se verificando  tutela judicial que permitisse tal procedimento.  5. Segundo a autoridade  lançadora, ao entregar essas declarações, a contribuinte  utilizou crédito não passível de compensação, contrariando o disposto no caput do  art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Conforme esse dispositivo, o  sujeito passivo não pode utilizar crédito de terceiro para quitar débitos próprios.  6. A compensação indevida sujeita a contribuinte ao lançamento de oficio previsto  no  art.  90  da Medida Provisória  n2  2.158­35,  de  24  de  agosto  de  2001,  alterado  pelo art. 18 da Lei n 10.833, de 29 de dezembro de 2003.  7. Para o presente caso, se aplicaria a multa de 150%, porém, após as alterações  do  art.  18  da  Lei  nº  10.833,  de  2003,  e  considerando  a  retroatividade  benigna  prevista no Código Tributário Nacional, deve­se aplicar a multa de 75% sobre os  débitos  indevidamente  compensados,  visto  que  a  interessada  utilizou  crédito  de  terceiro.   Da Impugnação  Fl. 132DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.003371/2006­27  Acórdão n.º 3202­001.165  S3­C2T2  Fl. 132          3 8.  Devidamente  cientificada  em  28  de  novembro  de  2006  (fl.  52),  a  contribuinte  apresenta  impugnação  (fls.  58  a  64)  em  20  de  dezembro  de  2006,  com  base  sinteticamente nos seguintes fundamentos:  a) os citados créditos decorrem de decisões  judiciais de  finitivas, nas quais houve  reconhecimento  do  direito  ao  crédito­prêmio  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados (IPI) e da possibilidade de compensação;  b)  valendo­se  dos  permissivos  legais  constantes  da  legislação  brasileira,  a  ora  recorrente adquiriu direitos creditórios das empresas autoras das ações ordinárias  e os aproveitou mediante apresentação de DCOMP;  c)  a  legislação  civil  brasileira  admite  a  livre  alienação  e  cessão  de  direitos  creditórios, pelo credor a terceiros, desde que observadas as condições legalmente  estabelecidas;  d) assim, respeitados todos os procedimentos legais relativos à cessão de créditos, a  recorrente utilizou­se de créditos próprios, não havendo compensação com crédito  de terceiro;  e)  em  vista  de  já  ter  transitado  em  julgado  o  processo  judicial  que  embasa  o  aproveitamento  dos  créditos,  qualquer  obstáculo  administrativo  compensação  pleiteada estará ferindo o principio constitucional do respeito coisa julgada;  f) há patente impropriedade técnica acerca da aplicação dos dispositivos da Lei nº  11.051, de 29 de dezembro de 2004, no que  tange à aplicação de multa  sobre as  compensações não declaradas;  g)  tal  norma  entrou  no  ordenamento  brasileiro  em  29  de  dezembro  de  2004,  enquanto que a última operação de compensação realizada data de 16 de dezembro  de 2004, atentando contra o principio da irretroatividade das leis, ainda mais para  aplicar uma sanção;  h)  além  disso,  para  considerar  como  não  declarada  a  compensação,  a  decisão  recorrida  utilizou­se  dessa  mesma  legislação  que  não  vigorava  à  época  da  compensação;  i) cita jurisprudência judicial para reforçar sua tese.  É o relatório.  A  5ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  no  Recife julgou a impugnação improcedente, proferindo o Acórdão nº 11.34.772, sessão de 26 de  agosto de 2011 (e­folhas 91/ss), o qual recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 16/06/2003 a 20/10/2004  MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS DE TERCEIROS.  Constatada, em declaração prestada pelo sujeito passivo; a compensação indevida  de  débitos  tributários  em  face  da  utilização  de  créditos  de  terceiros,  cabível  a  exigência da multa isolada nos termos da legislação de regência.  JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS  As  decisões  judiciais  fazem  coisa  julgada  às  partes,  não  beneficiando  nem  prejudicando  terceiros.  Não  sendo  parte  do  processo  judicial,  a  decisão  não  é  aplicável ao sujeito passivo.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido   Fl. 133DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES     4 A  interessada  foi  cientificada  do  Acórdão  em  23/01/2012  (e­folha  102),  apresentou Recurso Voluntário  em  17/02/2012  (e­fls.  114/ss),  onde  repisa  os  argumentos  já  trazidos na Impugnação.  O processo digitalizado  foi distribuído a este Conselheiro Relator na  forma  regimental.  É o relatório.   Voto             Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator.  O Recurso Voluntário  apresentado  é  tempestivo  e  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece.  Como  relatado,  o  auto  de  infração  foi  lavrado  para  a  cobrança  da  multa  isolada por declarações de compensação indevidas, formalizadas em 16/06/2003, 18/06/2003,  31/07/2003,  15/08/2003  e  20/10/2004,  mais  especificamente  pela  utilização  de  supostos  créditos de terceiros, obtidos pela empresa ABC Componentes para Calçados Ltda., Calçados  Licetti Ltda. e outros no bojo da ação judicial nº 89.0013622­4.   À época em que foram apresentadas as declarações de compensação, o artigo  90 da Medida Provisória (MP) n° 2.158­35 (DOU de 27.08.2001), prescrevia:  "Art.  90  ­  Serão  objeto  de  lançamento  de  ofício  as  diferenças  apuradas,  em  declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  indevidos  ou  não  comprovados,  relativamente  aos  tributos  e  as  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal." (grifei)  De outro lado, é certo que o dispositivo contido no caput do art. 74 da Lei nº  9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de  dezembro  de  2002,  apenas  autoriza  compensações  de  créditos  apurados  pelo  próprio  contribuinte,  não  havendo  previsão  para  utilização  de  créditos  apurados  por  terceiros  estranhos à relação jurídico­tributária existente entre sujeito ativo e passivo, in verbis:  "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em  julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita  Federal,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002)  (grifei)  Assim, não há dúvidas que a conduta praticada pela Recorrente, ao utilizar­se  de  créditos  de  terceiros  para  compensar  débitos  próprios,  estava  expressamente  vedada  pelo  dispositivo  legal  acima  transcrito.  E  mais,  o  art.  170,  do  CTN,  dispõe  que  a  autoridade  administrativa pode  autorizar  a compensação de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional.  Temos, portanto, que à época em que a Recorrente apresentou as declarações  de  compensação  (16/06/2003,  18/06/2003,  31/07/2003,  15/08/2003  e  20/10/2004)  já  havia  dispositivos legais proibindo a utilização de créditos de terceiros para compensar com débitos  próprios.   Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10660.003371/2006­27  Acórdão n.º 3202­001.165  S3­C2T2  Fl. 133          5 Contudo, a meu ver, a penalidade cabível pela prática da conduta vedada  pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 2002  – compensação indevida de tributo utilizando­se de crédito de terceiros – passou a ser prevista  apenas  com  a  edição  da Medida  Provisória  nº  135,  de  30/10/2003  (publicada  no DOU  de  31/10/2003), posteriormente convertida no artigo 18, da Lei 10.833, de 29/12/2003 (publicada  no DOU em 30/12/2003), verbis:  Art.  18. O  lançamento  de  ofício  de  que  trata  o  art.  90  da Medida  Provisória  no  2.158­35, de 24 de agosto de 2001, limitar­se­á à imposição de multa isolada sobre  as  diferenças  apuradas  decorrentes  de  compensação  indevida  e  aplicar­se­á  unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação  por  expressa disposição  legal,  de o  crédito ser de natureza não  tributária, ou em  que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no  4.502, de 30 de novembro de 1964.  §  1º  Nas  hipóteses  de  que  trata  o  caput,  aplica­se  ao  débito  indevidamente  compensado  o  disposto  nos  §§  6o  a  11  do  art.  74  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro de 1996.  § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º  do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso.  O caput do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 definiu as hipóteses em que seria  cabível a aplicação da multa isolada de ofício, quais sejam:  (a) quando o crédito/débito não for passível de compensação, por expressa  determinação legal;  (b) quando o crédito não tiver natureza tributária; e  (c) quando ficar caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio (arts.  71 a 73 da Lei nº. 4.502/64)  No caso em tela, portanto, podemos extrair as seguintes conclusões:   (i)  quando  formalização  das  declarações  de  compensação  realizadas  em  16/06/2003,  18/06/2003,  31/07/2003  e  15/08/2003  (prática  da  conduta  infracional),  a MP nº  135,  de  2003  (a  publicação  ocorreu  em  31/10/2003),  convertida  na  Lei  nº  10.833,  de  29/12/2003,  ainda não havia  sido publicada,  portanto, não havia norma válida  e vigente  estipulando a penalidade pela prática da conduta típica.   (ii)  quando  formalização  das  declaração  de  compensação  realizadas  em  20/10/2004 (prática da conduta infracional), a MP nº 135, de 30/10/2003, convertida na Lei  nº  10.833,  de  29/12/2003,  já  havia  sido  publicada,  portanto,  a  norma  que  estipulava  a  penalidade pela prática da conduta típica já estava válida e vigente.  Logo, assiste razão em parte à Recorrente quando afirma que a lei que prevê  a cobrança da multa isolada é posterior às compensações efetuadas pela Recorrente.   Como  todos  sabem,  o  princípio  da  irretroatividade  prescreve  que  a  lei  não  deve retroagir para atingir fatos passados (art. 150, III, “a” da CF/88 e art. 105 do CTN), exceto  nos casos de norma interpretativa ou de retroatividade benigna (art. 106/CTN), o que não é o  Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES     6 caso  dos  autos.  É  certo,  também,  que  somente  a  lei  pode  estabelecer  a  cominação  de  penalidades pela prática de infrações (art. 97, V, do CTN).   Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário nos seguintes termos:   (a)  em decorrência da ausência de norma prescrevendo a penalidade à época  da  prática  da  conduta  infracional  tipificada  no  lançamento,  deve  ser  exonerada a cobrança da multa isolada em relação às declarações de  compensação  apresentadas  em  16/06/2003,  18/06/2003,  31/07/2003  e  15/08/2003;  (b) para a declaração de compensação, formalizada em 20/10/2004, deve ser  mantida a cobrança da multa isolada.  É como voto.   Luís Eduardo Garrossino Barbieri                                Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES

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Numero do processo: 10880.684304/2009-58
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/11/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.
Numero da decisão: 3803-003.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Relator. [assinado digitalmente] Belchior de Melo Sousa – Presidente substituto. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues - Relator. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). Fez sustentação oral o Dr. Renato Faroro Pairol, OAB/SP nº 235.151.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/11/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DCTF retificadora apresentada após a ciência do despacho decisório somente produz efeitos quando acompanhada de documentação capaz de provar a redução da base de cálculo pretendida.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de  Sousa,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Jorge  Victor  Rodrigues,  Juliano  Eduardo Lirani e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). Fez sustentação oral o Dr. Renato  Faroro Pairol, OAB/SP nº 235.151.  Relatório  Peço vênia  aos pares  para  adotar o  relatório  contido na decisão vergastada,  que resume de maneira objetiva e clara os ocorridos nos autos, conforme adiante transcrito:    Trata  o  presente  processo  de  compensação  de  tributos.  De  acordo  com  a  Declaração  de  Compensação  de  fls.  01/02,  a  origem do crédito seria o recolhimento  indevido ou a maior de  COFINS, efetuado em 14/11/2003.  De  acordo  com  o  Despacho  Decisório  de  fls.  05,  não  se  constatou a existência do crédito alegado e, consequentemente,  a compensação declarada não foi homologada.  Ciente  da  decisão,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade (fls. 08/13), alegando, em síntese, que o crédito  em  questão  decorreria  do  fato  de  a  contribuição  devida  no  período relativo à out/2003 ser menor do que o montante pago.  Argumenta  que  os  documentos  carreados  aos  autos  comprovariam  o  alegado.  A  manifestante  protesta  pela  produção,  se  necessária,  de  todas  as  provas  em  direito  admitidas, notadamente a documental e a pericial.    Conclusos foram os autos encaminhados à DRJ/SPI para apreciação do feito,  onde  a  6ª  Turma  em  sessão  realizada  em  15/06/2011  (49/),  proferiu  decisão  por  meio  do  Acórdão nº 16­32.101, que se encontra sintetizada por meio da ementa transcrita abaixo:    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. PERÍCIA.  No  processo  administrativo  fiscal,  as  provas  devem  ser  apresentadas  juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no §  4º  do  artigo  16  do  Decreto  70.235/1972.  Não  é  admitida  a  realização  de  diligências  ou  perícias  quando  se  tratar  de  matéria  de  prova  a  ser  feita  mediante a  juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à  parte interessada.  Tem­se por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda  aos requisitos previstos no artigo 16,  inciso  IV, do Decreto nº 70.235/1972,  com a redação dada pela Lei nº 8.748/1993.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS  Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 10880.684304/2009­58  Acórdão n.º 3803­003.961  S3­TE03  Fl. 78          3 Ano­calendário: 2003  COFINS  APURADA.  ALTERAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.  A redução do valor da Cofins declarada em DIPJ e DCTF em razão de ajustes  no montante  das  receitas  e/ou  das  exclusões  da  base  tributável,  somente  é  admitida mediante a apresentação de provas materiais.  REGIME CUMULATIVO. GERAÇÃO DE CRÉDITO. INADMISSÃO.  Antes da entrada em vigor da Lei 10.833/2003, a Cofins era determinada com  base nas normas da incidência cumulativa, que não previa descontar, do valor  da  contribuição  apurada  no  período  créditos  relativos  a  pagamentos  da  contribuição  suportados  por  ocasião  da  compra  de  bens  e  serviços,  custos,  despesas e encargos vinculados às receitas que compõem a base de cálculo.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.  Ano­calendário: 2003  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.  Não  comprovado  o  direito  creditório  pleiteado,  não  cabe  homologar  as  compensações em litígio.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório não Reconhecido.    As razões de decidir da decisão de primeira instância se consubstanciaram no  contido no Despacho Decisório nº 849897214, de 23/10/08 (anexado com a defesa), pois após  proceder à análise da DCTF (fl.45) e consulta ao espelho da DIRPJ/2004 nos sistemas de RFB,  notadamente  na  FICHA  26A –  referente  ao  cálculo  da Cofins  – Regime Cumulativo  (fls.  ),  constatou ser a Cofins apurada em out/2003 correspondente a R$ 71.943,53 e, como este valor  equivale ao mesmo do pagamento realizado por meio de DARF, vale dizer, o crédito utilizado  na DComp não existe. Esta foi à conclusão inicial a que chegou o juízo de primeira instância  em relação ao feito.  Quanto ao mérito, na parte atinente às questões de direito,  entendeu o voto  condutor do Acórdão nº 16­32.101 que o imbróglio residiu na composição da base de cálculo  da Cofins, para inferir que a contribuinte encontrou o valor da Cofins de out/03 menor que o  declarado na DCTF, mediante a utilização da sistemática da Cofins não­cumulativa.  A partir de tal inferência deduziu o voto condutor desse acórdão que, por se  referir o crédito pleiteado a Cofins ao período de apuração de out/2003, portanto regido sob à  égide  da  Lei  nº  9.718/98,  que  dispõe  sobre  as  regras  da  Cofins  segundo  critérios  de  cumulatividade, notadamente descritos no seu artigo 3º, não poderia a contribuinte haver se  utilizado da  sistemática do regime não cumulativo na elaboração da base de  cálculo  do  referido tributo que, de acordo com o artigo 93, I, da Lei nº 10.833/03, somente teve vigência  em 01/02/04.  No que atine à pretensão da contribuinte de ver materializado o seu direito,  consubstanciado nos elementos probantes colacionados aos autos, entendeu o juízo de primeira  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA     4 instância  que  as  razões  de  defesa  aduzidas  e  os  documentos  apresentados  não  foram  o  suficientemente bastante para comprovação do alegado, havendo rejeitado, inclusive, o pedido  formulado para a realização de diligência e de perícia aventado pela interessada.  Ciente da decisão prolatada no acórdão de fls. 49/56 em 15/06/11, conforme  AR  colacionado  aos  autos,  a  contribuinte  contra  a  mesma  interpôs  recurso  voluntário  em  04/10/11, de acordo com o protocolo preenchido por servidor do órgão preparador, havendo na  oportunidade  postulado  pela  insubsistência  e  improcedência  da  ação  fiscal,  bem  assim  pela  homologação da compensação declarada, nos termos adiante sintetizados.  A decisão recorrida deve ser reformada, pois galgada em equívoco quanto à  apuração do crédito, eis que a base de cálculo da contribuinte que não foi calculado sobre as  exportações, vendas canceladas, devoluções, descontos incondicionais e tampouco e tampouco  na sistemática não cumulativa, sendo o crédito apurado calculado apenas sobre a alíquota zero  –  incidência  monofásica,  instituída  pela  Lei  nº  10.485/02,  artigo  3º,  I  e  II,  sendo  certa  a  existência do crédito alegado, como se pode verificar na cópia da DIPJ anexa (itens 3, 4, 5 e 6,  do RV).  No entendimento esposado pela contribuinte o único campo que se alterou na  base de  cálculo da DIPJ/2004,  foi  aquele  correspondente  ao 11  (onze),  que  compreende “(­)  Receitas  isentas  ou  sujeitas  à  alíquota  zero”,  o  qual  passou  de  R$  44.837,49,  para  R$  1.409.903,59,  pois  detectou  que  parte  de  suas  receitas  foram  oferecidas  à  tributação  indevidamente, pois estavam sujeitas à alíquota zero, daí a origem do crédito ora em discussão  e que foi utilizado na DCOMP realizada (itens 7 e 8, RV).  Para  a  comprovação  do  alegado  carreou  aos  autos  cópia  do DARF  com  o  recolhimento  indevido;  cópia da DCTF  retificadora;  cópia da DIPJ  com o valor  indevido do  campo 11; planilha com elaboração do novo cálculo da Cofins cumulativa, subtraindo da base  de  cálculo  apenas  as  receitas  sujeitas  à  alíquota  zero;  e  cópia  da  listagem  das  vendas  dos  produtos  monofásicos  com  especificação  dos  números  e  das  datas  de  emissões  das  notas  fiscais, com os códigos da TIPI, a qual reflete o Livro de Registro de Saídas já apresentado e  arquivado na empresa, para eventual realização de diligência (item 9, RV).  Ao  final  protesta  pela  realização  de  sustentação  oral,  pela  conversão  do  julgamento em diligência, e pela homologação da compensação declarada.  É o relatório.    Voto Vencido  Conselheiro Jorge Victor Rodrigues ­ Relator  O  recurso  interposto  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, dele conheço.    Como visto a contribuinte declarou haver realizado pagamento a maior que o  devido  de  Cofins  a  recolher  no  período  de  apuração  de  outubro/03,  lhe  restando  um  saldo  credor de R$ 40.314,58.  Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 10880.684304/2009­58  Acórdão n.º 3803­003.961  S3­TE03  Fl. 79          5 Por  sua  vez,  a  decisão  prolatada  através  do  Acórdão  de  15/06/2011,  inicialmente,  concluiu  que  o  crédito  utilizado  na  DComp  apresentada  pela  contribuinte  não  existe, pois da análise do extrato da DCTF de fl.  ,  constatou­se o  registro de que o valor do  débito apurado e do crédito a ele vinculado (pagamento de DARF) são os mesmos, o mesmo  ocorrendo em relação à análise do extrato da Declaração de IRPJ/2004.  Aduziu o voto condutor do referido acórdão que o cerne do imbróglio reside  na composição da base de cálculo elaborada pela contribuinte;que o crédito pleiteado refere­se  a Cofins referente ao período de apuração de outubro de 2003, época em que tal contribuição  era  regida  pela  Lei  9718/98,  que  trata  de  apuração  pela  incidência  cumulativa,  eis  que  as  normas atinentes à sistemática da não­cumulatividade da Cofins somente começaram a partir  de 1º/02/04, de acordo com o art. 93,  I, da Lei 10.833/03,  sendo as  regras contidas nesta  lei  adotadas pela contribuinte na composição da base de cálculo, que informou o valor da Cofins  de outubro/2003 a menor que o valor declarado na DCTF.  Finalizou  o  voto  condutor  que  os  documentos  colacionados  aos  autos  pela  contribuinte  foram  insuficientes  para  corroborar  as  razões  de  defesa  por  ela  deduzidas,  por  conseguinte  julgando  a  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade,  que  não  logrou  demonstrar a certeza e a liquidez do crédito alegado.  Opondo­se  ao  entendimento  esposado  na  decisão  de  primeira  instância  a  recorrente buscou esclarecer, consoante o seu discernimento, o equívoco cometido pelo juízo a  quo  quanto  a  apreciação  do  crédito,  ao  informar  que  o  mesmo  não  foi  calculado  sobre  as  exportações,  ou  vendas  canceladas,  devoluções,  descontos  incondicionais  e  tampouco  na  sistemática da Cofins não­cumulativa, sendo, outrossim, calculado apenas sobre a alíquota zero  – incidência monofásica, instituída pela Lei nº 10.485/02, art. 3º, I e II.  A  título  de  comprovação  do  alegado  carreou  para  os  autos  os  seguintes  documentos: a) antes da decisão de primeira instância ­ (i) o Livro de Registro de Entradas e  Saídas  onde  estão  registradas  as  vendas  canceladas,  devoluções  de  compras,  as  exportações,  fretes; (ii) a conta de energia elétrica, dentre outras. b) documentos carreados após a decisão de  primeira instância: a cópia do DARF de pagamento da Cofins apurada (doc. 1); cópia da DCTF  retificadora, 4º  trimestre/2003, p. 38, recebida pela internet em 09/11/2009 (doc. 2); cópia da  DIPJ/2004, Ficha 26ª, que trata do cálculo da Cofins pelo regime cumulativo, p. 10 (doc. 3);  além de  relação de vendas de produtos monofásicos  efetuados  em outubro/2003,  contendo a  descrição dos produtos, a classificação fiscal, os números das notas fiscais e as datas de suas  emissões, dentre outras informações.  Vê­se,  de  plano,  que  o  acórdão  recorrido  não  impugnou  o  conteúdo  dos  documentos carreados aos autos pela contribuinte, apenas alegou a insuficiência dos elementos  probantes  neles  contidos,  o  que  lhes  confere  força  probante  e  devem  refletir  os  valores  escriturados na contabilidade, e que a contribuinte não carreou aos autos provas contundentes,  tais  como  notas  fiscais  e  escrituração  de  cada  uma  das  rubricas  que  compõem  a  base  de  cálculo.  Constatou­se,  ainda,  que  a DCTF  retificadora  recebida pela via  internet  em  09/11/09, embora apresentada pela contribuinte após a decisão de primeira instância ocorrida  em  15/06/2011,  esteve  à  disposição  da  autoridade  fiscalizadora,  notadamente  nos  diversos  sistemas de cadastro e de controle tributários mantidos pela RFB, que poderiam ser consultados  a qualquer momento.   Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA     6 Entretanto  não  foi  o  referido  documento  consultado  com  a  devida  atenção  pelo juízo a quo, que registra o valor do débito apurado, que é o mesmo valor do tributo devido  pago, o mesmo ocorrendo em relação à DIPJ/2004, em sua Ficha 26ª, que trata do cálculo da  Cofins  pelo  regime  cumulativo,  p.  10,  bem  assim  aos  demais  documentos  acostados  com  a  interposição do recurso voluntário.  Outro  detalhe  revelado  nos  documentos  acima  mencionados  é  que  a  sistemática de recolhimento neles utilizadas é a da Cofins de regime cumulativo.  E  mais,  a  decisão  recorrida  não  apreciou  a  querela  sob  a  ótica  de  que  a  diferença entre o valor da Cofins apurada em maio/03 e o valor efetivamente recolhido se deu  sob o fato de utilização da alíquota zero – incidência monofásica, portanto gerando u m saldo  credor de R$ 40.314,58.   Acontece  que  a  decisão  recorrida  trouxe  à  baila  discussão  acerca  do  tema  “composição  da  base  de  cálculo”  e,  especialmente,  a  sua  composição  de  acordo  com  a  sistemática da Cofins não­cumulativa, tema este não tratado no despacho decisório e nem pela  contribuinte na exordial, ou seja, a decisão de primeira instância inovou quanto a este aspecto,  ou seja, julgou a matéria não debatida nos autos e fora do pedido formulado pela contribuinte,  dando  azo  ao  descumprimento  das  regras  processuais  informadas  nos  artigos  128  e  460  do  CPC, o que leva à sua nulidade de pleno direito.  A  decisão  hostilizada  se  revelou  incompleta,  pois  não  resolveu  todos  os  pedidos formulados, ou seja, decidiu a menos do que pleiteado.   Desta  forma  devem  retornar  os  autos  ao  juízo  a  quo,  para  que  nova  e  boa  decisão seja proferida, considerando o exame os dados constantes da DCTF retificadora, bem  assim o  contido  na Ficha 26ª  da DIPJ/2004,  como  também  se manifestando  acerca  do  valor  efetivamente devido da Cofins na competência de outubro/2003.  Não  se  pode  olvidar que  a  recorrente,  extemporaneamente,  fez  colação  aos  autos de documentação complementar, em meio físico e magnético, alegando que reflete toda a  escrituração  fiscal, o mesmo ocorrendo em relação às notas  fiscais  lançadas no SINTEGRA,  pois são espelhos de nota fiscal original emitida, tendo, inclusive, formalizado o requerimento  para que sejam reconhecidos como material legítimo para fim de prova por este colegiado.   Assim,  a  juízo  dos  julgadores  tais  documentos,  de  caráter  elucidativo,  se  encontram  à  disposição  para  exame,  com  o  fito  de  verificação  do  acerto  das  assertivas  formuladas pela recorrente, bem assim para auxiliar na formação da convicção do julgador.  Ante  o  exposto  pugno  pela  anulação  da  decisão  de  primeira  instância  por  quebra de regras processuais contidas nos artigos 128 e 460 do CPC, e pelo regresso dos autos  ao juízo a quo para a realização de novo julgamento que supra as lacunas apontadas.  É como voto.  (Assinado digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues – Relator     Voto Vencedor  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 10880.684304/2009­58  Acórdão n.º 3803­003.961  S3­TE03  Fl. 80          7 Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Redator Designado  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento.  Da retificação da DCTF posterior a emissão do Despacho Decisório.  Especificamente  em  relação  à  redução  dos  débitos  tributários,  é  oportuno  ressaltar  que  somente  nas  hipóteses  em  que  caracterizada  a  espontaneidade  a  DCTF  retificadora tem a mesma natureza da DCTF original, substituindo­a integralmente.   Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não  pode mais ser admitida com a simples retificação da dita Declaração. Corrobora o asseverado,  o  disposto  nos  §§  1°,  2º  e  3º  do  art.  9º  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.1102,  de  24  de  dezembro  de  2010,  que,  com  pequenas  alterações,  manteve  a  redação  das  Instruções  Normativas anteriores, conforme o teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos:  Art.  9  º  A  alteração das  informações  prestadas  em DCTF,  nas  hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação  de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas  normas estabelecidas para a declaração retificada.  § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração  originariamente  apresentada  e  servirá  para  declarar  novos  débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados  ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados.  §  2  º  A  retificação  não  produzirá  efeitos  quando  tiver  por  objeto:  I ­ reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições:  a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria­ Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  para  inscrição  em  DAU,  nos casos em que importe alteração desses saldos;  b)  cujos  valores  apurados  em  procedimentos  de  auditoria  interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas  prestadas  na  DCTF,  sobre  pagamento,  parcelamento,  compensação  ou  suspensão  de  exigibilidade,  já  tenham  sido  enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou  c)  que  tenham  sido  objeto  de  exame  em  procedimento  de  fiscalização.  II  ­  alterar  os  débitos  de  impostos  e  contribuições  em  relação  aos  quais  a  pessoa  jurídica  tenha  sido  intimada  de  início  de  procedimento fiscal.  § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte  em alteração do montante do débito  já  enviado à PGFN para  inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame  em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada  pela  RFB  nos  casos  em  que  houver  prova  inequívoca  da  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA     8 ocorrência  de  erro  de  fato no  preenchimento  da  declaração  e  enquanto não extinto o crédito tributário. Grifo nosso.  O contribuinte busca retificar a DCTF do período, porem o faz sem as provas  necessárias. A DCTF retificadora, neste caso, não produz efeitos.  Comprovação de Crédito.  O  reconhecimento  de  direito  creditório  contra  a  Fazenda  Nacional  exige  averiguação  da  liquidez  e  certeza  do  suposto  pagamento  a  maior  de  tributo.  A  fim  de  comprovar  a  certeza  e  liquidez  do  crédito,  a  interessada  deve  instruir  sua  manifestação  de  inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos  artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972:  “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará: (...)  III  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)”  No  caso  em  análise,  o  contribuinte  esclarece  que  teria  apurado  créditos  de  PIS/PASEP, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração  de  Compensação  é  imprescindível  que  seja  demonstrada  através  da  escrituração  contábil  e  fiscal  da  contribuinte,  baseada  em  documentos  hábeis  e  idôneos  a  diminuição  do  valor  do  débito correspondente a cada período de apuração.  A Contribuinte  não  juntou  aos  autos  nenhum documento  contábil  ou  fiscal  capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado.  Da apresentação das provas.  O  mesmo  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/72  em  seu  §  4º  determina  o  momento  processual  para  a  apresentação  de  provas  no  processo  administrativo  fiscal,  bem  como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir:  “§  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:    a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;   b) refira­se a fato ou a direito superveniente;   c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.”  A analise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento em  que  as  provas  devam  ser  carreadas  aos  autos,  ou  seja,  na  manifestação  de  inconformidade.  Provas apresentadas em sede de manifestação de inconformidade estão preclusas.  Conclusão  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA Processo nº 10880.684304/2009­58  Acórdão n.º 3803­003.961  S3­TE03  Fl. 81          9 Concluímos,  então,  que  a  retificação  da  DCTF  após  o  conhecimento  do  despacho  decisório  não  produz  efeitos,  devendo  o  contribuinte,  em  sede  de manifestação  de  inconformidade,  comprovar  seu  direito  creditório,  mediante  documentação  contábil  e  fiscal  capaz de demonstrar de forma inequívoca a redução da base de cálculo pretendida, o que não o  fez em manifestação de inconformidade e nem mesmo em sede de Recurso Voluntário.   Pelo  exposto  voto  por NEGAR PROVIMENTO e não  reconhecer  o  direito  creditório.  É como voto.   Sala das Sessões, 28 de fevereiro de 2013  (assinado digitalmente)  João Alfredo Eduão Ferreira – Redator Designado                    Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 12/ 12/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA

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Numero do processo: 10855.002378/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 SIMPLES. IMPEDIMENTO LEGAL. ATIVIDADE VEDADA. ÔNUS DE PROVA DO FISCO. Não restando devidamente comprovado nos autos que a empresa excluída do Simples exerce atividade vedada, consoante prescrito no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.316/97 deve ser a empresa reintegrada ao sistema de tributação diferenciado, favorecido e simplificado. SIMPLES. PEDIDO DE EXCLUSÃO PROMOVIDO PELA EMPRESA - EFEITOS É possível que a empresa mude a opção de tributação de seus resultados no primeiro dia do ano calendário subsquente.
Numero da decisão: 1102-001.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/PCA nº 50, de 25 de novembro de 2009, afastando a exclusão da empresa do Simples Nacional a partir de 01/07/2007, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 SIMPLES. IMPEDIMENTO LEGAL. ATIVIDADE VEDADA. ÔNUS DE PROVA DO FISCO. Não restando devidamente comprovado nos autos que a empresa excluída do Simples exerce atividade vedada, consoante prescrito no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.316/97 deve ser a empresa reintegrada ao sistema de tributação diferenciado, favorecido e simplificado. SIMPLES. PEDIDO DE EXCLUSÃO PROMOVIDO PELA EMPRESA - EFEITOS É possível que a empresa mude a opção de tributação de seus resultados no primeiro dia do ano calendário subsquente.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10855.002378/2009­97  Acórdão n.º 1102­001.014  S1­C1T2  Fl. 3          2 João Carlos de Figueiredo Neto ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento,  os  Conselheiros:  João  Otávio  Oppermann Thomé,  José Evande Carvalho Araújo, Alexandre  dos  Santos  Linhares, Ricardo  Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho.    Relatório  Os fatos podem ser assim descritos:  A  empresa,  em  23/09/2009,  apresenta  seu  pedido  de  exclusão  do  Simples  Nacional retroativamente a 01/09/2009 (fls. 01);  junta alteração de seu contrato social datado  de 10/08/2009, registrado em 13/08/2009 (fls. 03);  Em  folhas  de  no.  24  e  31,  recibo  de  entrega  de Declaração  de  opção  pelo  Simples em 2007 e 2008; bem como extrato de  recolhimento sob enquadramento do simples  nacional até 08/2009 (fls. 35);  A  autoridade  fiscal  (intimação  SECAT/DRF  de  Sorocaba  no.  0003/2010  ­  Processo  10855.002378/2009­97,  fls.  38)  solicita  a  apresentação  de  notas  fiscais  do  período  julho/2007 a setembro /2009 e esclarecimentos sobre desistência de tal pedido ou continuação  ao mesmo, documento este datado de 04/01/2010;  Em Fls 39, juntado AR datado de 07/01/2009 sem assinatura de recebimento  da intimação, resultando (Fls 40) em Edital no. 0003/2010 – TC – SECAT;   Verifica­se  o  Termo  de  Ciência  Pessoal  da  empresa  na  pessoa  de  seu  procurador (fls. 41 e 42) em data de 04/02/2010;  Em Fls 45, a empresa ratifica o pedido de exclusão do Simples para a data de  01/09/2009;  Em  Fls  53,  temos  o  despacho  decisório  no.  408/2010  sob  os  seguintes  dizeres:   “Cumpre  assinalar  que  a  empresa,  de  acordo  com  o  Contrato  Social,  registrado na JUCESP sob NIRE 35221394302 sessão de 07/05/2007, Artigo 3o, a  sociedade tem por objeto social: "a prestação de serviços de controle de estoque e  reposição  de  mercadorias  e  outros  serviços  auxiliares  de  administração  e  organização de gestão operacional,  elaboração de relatórios de administração de  dados e informações cadastrais".  (...)  Solicita a regularização da situação cadastral da empresa, pelo motivo de ter  tornado  a  opção  pelo  Simples  Nacional  extremamente  incompatível  com  a  atual  situação da empresa, ou seja, Comércio de Mercadorias – Supermercado  Os fatos trazidos no presente procedimento fiscal demonstram outra Situação  na Lista de Eventos "Exclusão por comunicação do contribuinte ­ Participação no  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10855.002378/2009­97  Acórdão n.º 1102­001.014  S1­C1T2  Fl. 4          3 capital  de  outra  Pessoa  Jurídica  ". Data  do  Fato Motivador  30/09/2009  e  Efeito  01/10/2009, não restando comprovado no processo, referido fatos, a fls. 14.  Cumpre  assinalar,  nesse  passo,  que  o  contribuinte  solicita  sua  exclusão  do  Simples  Nacional,  enquadrando­se  em  uma  situação  em  que  o  fato  motivador,  inclusão  no  objeto  social  da  Sociedade,  de  Comércio  de  Mercadorias  ­  SUPERMERCADO,  ensejaria  a  exclusão,  registrada  no  Portal  do  Simples  Nacional, na forma estabelecida no Inciso I, do artigo 3°, com efeitos a partir de 1o   de  janeiro  do  ano­calendário  subseqüente,  de  acordo  com  o  Inciso  I,  do  art.  6o,  ambos da Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007.  Por outro lado, entende que, simplesmente pelo fato de ter incluído no objeto  social a atividade de Comércio de Mercadorias, sem qualquer previsão legal, pode  retroagir  sua exclusão para 01/09/2009, do Simples Nacional, para regularização  da situação cadastral da empresa.  O Art. 17 da Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006, indica as vedações à  opção pela  sistemática  do  Simples Nacional. No  Inciso XI,  do  referido  artigo,  há  vedação à opção pelo Simples Nacional para a empresa, transcrevo, a seguir:”  "XI  ­  que  tenha  por  finalidade  a  prestação  de  serviços  decorrentes  do  exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística  ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste  serviços  de  instrutor,  de  corretor,  de  despachante  ou  de  qualquer  tipo  de  intermediação de negócios ".  Nesse  sentido,  a  norma  reguladora  prevista  no  inciso  XXII,  do  art.  12  da  Resolução CGSN n° 04, de 30 de maio de 2007, DOU de l°/06/2007.   Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007  Art.  12. Não  poderão  recolher  os  impostos  e  contribuições  na  forma do Simples Nacional a ME ou a EPP:  XII­ que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de  serviços  de  assessoria  creditícia,  gestão  de  crédito,  seleção  e  riscos,  administração  de  contas  a  pagar  e  a  receber,  gerenciamento  de  ativos  (asset  management),  compras  de  direitos  creditórios  resultantes  de  vendas mercantis a  prazo  ou  de prestação de serviços factoring);  A  atividade  desenvolvida  pela  empresa  é  vedada  e  a  opção  pelo  Simples  Nacional foi efetuada indevidamente, inclusa no Anexo Único da Resolução CGSN  n­ 20, de 15 de Agosto de 2007 ­ Anexo I da Resolução CGSN n­ 6, de 18 de junho  de  2007  ­  Códigos  previstos  na  CNAE  impeditivos  ao  Simples  Nacional,  com  fundamento no art. 12, inciso XXII, da Resolução CGSN n° 04, de 30/05/2007 c/c o  art. 17 inciso XI, da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006.  Ante  todo  o  exposto  e  considerando  o  inciso  XI,  do  art.  17,  da  Lei  Complementar 123/2006 c/c o inciso XXII, do art. 12 da Resolução CGSN n° 04, de  30 de maio de 2007, proponho que  seja  INDEFERIDO o pedido da  empresa, que  tem por finalidade regularizar sua situação cadastral, de EXCLUSÃO retroativa do  SIMPLES NACIONAL, desde 01/09/2009, por falta de previsão legal, e ainda, pela  exclusão por comunicação do contribuinte, por fato não comprovado.  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10855.002378/2009­97  Acórdão n.º 1102­001.014  S1­C1T2  Fl. 5          4 Considerando os  termos a  inicial, proponho mais, a expedição do Termo de  Exclusão,  "de  ofício",  desse  contribuinte  do  Simples  Nacional,  a  partir  de  01/07/2007, na  forma prevista  nos  artigos  28  e  29,  da  referida Lei Complementar  123/2006,  regulamentada  pelo  §  1o,  do  art.  4o,  da  Resolução  CGSN  n°  15  de  23/07/2007.  O  Termo  de  Exclusão  no.  002/2010  de  20/04/2010  (fls.  56)  consolida  a  exclusão  com  base  em  01/07/2007.  Em  17/05/2010,  é  citada  a  empresa  (fls.  59).  Em  07/06/2010, a empresa apresenta seu recurso (fls. 60/61).  A 2a  Turma de  Julgamento  da DRJ/BEL,  em  sessão  de  13/07/2011,  decide  conforme Acórdão  no.  01­022.304, mantém  na  integralidade  a  decisão  proferida  pelo  citado  Termo de Exclusão no. 002/2010 (fls. 93).  Em 13/12/2011 a empresa é notificada do Acórdão (fls. 99). Em 12/01/2012,  a empresa apresenta seu Recurso (fls. 131 e segs.).  É o relatório.    Voto             Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto  Conheço do recurso interposto, por tempestivo.  O  contribuinte  foi  excluído  do  SIMPLES  pelo  Termo  de  Exclusão  no.  002/2010 de 20/04/2010 (fls. 56) por exercer atividade vedada.  Pela  leitura  do  artigo  3o  do  contrato  social  da  Recorrente,  não  se  pode  estabelecer que os  trabalhos executados nos períodos  compreendidos  entre  janeiro de 2007 a  agosto de 2009 pudessem denotar serviços de habilidade técnica como aqueles compreendidos  em lei. Não há indícios sobre isto.   Neste sentido, transcrevemos entendimento do CARF:  LOCAÇÃO/CESSÃO  DE  MÃO­DE­OBRA.  INOCORRÊNCIA.  PROVA.  A  falta  de  elementos  que  evidenciem  o  exercício  da  atividade  vedada afasta a determinação contida nos atos declaratórios que  excluíram  a  pessoa  jurídica  do  SIMPLES  FEDERAL  e  do  SIMPLES NACIONAL.  (Acórdão  nº  1301­000.740,  1a  Turma  Ordinária/3a  Câmara,  sessão  de  21  de  outubro  de  2011,  relator  Conselheiro  Jaci  de  Assis Junior)  Ademais,  a  leitura  do  objeto  social  da  Recorrente  traz  a  sensação  de  organização  de  serviços  realizados  pelos  chamados  repositores  de  mercadoria  em  lojas  de  varejo,  os quais buscam, os quais  atuam para haver  a diminuição das  chamadas  rupturas  em  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10855.002378/2009­97  Acórdão n.º 1102­001.014  S1­C1T2  Fl. 6          5 prateleiras, a fim de que o produto esteja à disposição do consumidor final, vez que no Brasil  predomina o sistema do auto serviço para o varejo em geral. Podendo o ser até em relação a  organização  do  setor  de  estocagem,  estabelecendo­se  regras  de  atividades  que  seriam  desenvolvidos pelos próprios funcionários de seus clientes.  Citar  o  inciso  XI  do  artigo  17  da  Lei  Complementar  23/2006,  é  dar  entendimento  estranho  àquele  trazido  pelo  legislador,  deixando  de  reconhecer  as  diversas  Resoluções  CGSN  que  buscam  esclarecer  a  correta  utilização  desse  sistema  de  tributação.  Resta  a  leitura  do  atos  normativos  para  verificar  se  há  impedimento  legal  à  pretensão  da  Recorrente, e não há!  Superada  questão  de  exclusão  do  Simples  de  ofício,  adentremos  ao  pedido  formulado  pela  Recorrente  para  a  sua  exclusão  do  Simples  retroativamente  a  01/09/2009  e  antes de terminar o ano­calendário de 2009.  A Recorrente expõe em seu recurso seu entendimento quanto aos efeitos em  caso de não ser admitida (diga­se, excluída) uma empresa no sistema do simples nacional, ou  esta desejar excluir­se.  Com relação ao ato de exclusão do simples, a Fazenda Nacional está obrigada  a dar a publicidade necessária e,  somente após,  os efeitos poderão ocorrer. Ou seja, houve a  publicidade, a empresa teria de adequar­se a outro regime de tributação.   Não é o que estabelece a lei, nas suas diversas linhas. Novamente, o regime  de  tributação  diferenciada  de  impostos  visa  facilitar  o  procedimento  para  empresas  de  determinado porte e atividade. Pode uma empresa pedir para  ingressar em  tal  regime, mas o  direito somente lhe será conferido se atentar as premissas legais. Buscar ingressar em referido  regime  sabendo  que  sua  atividade  ou  porte  são  contrários  à  lei,  ou  é  alegar  ignorância  (em  sentido legal), ou falta de boa­fé. Logo, se o ato for contrário a lei, não se pode reivindicar tal  direito.  Nesta esteira, é de se concluir que, não lhe sendo dado o direito de estar sob  este  regime diferenciado – Simples Nacional,  a empresa deveria espontaneamente corrigir os  atos  pretéritos,  vez  que,  em  verdade,  manteve­se  em  outro  regime.  Se  não  o  fez,  cabe  a  autoridade  legal  manifestar­se  para  restabelecer  o  seu  direito,  cobrando  os  valores  devidos.  Compreender  que  somente  a  partir  do  momento  da  manifestação  da  Fazenda  Nacional  a  empresa  seria  compelida  ao  pagamento  do  correto  valor,  seria  desmerecer  todo  o  sistema  tributário  em  favor  de  um  particular.  Assim,  apontada  a  violação  legal,  cabe  retroagir  seus  efeitos até o momento da adoção do Simples Nacional pela empresa que já estava impedida de  ocupar­se desse.   Ainda sob o argumento legal da estabilidade desse regime ­ Simples Nacional  –  o  legislador  foi  prudente  em  estabelecer  que,  durante  o  exercício,  perdendo  a  empresa  o  direito de manter­se em  tal  (por exemplo, em decorrência de faturamento elevado), o  fato se  dará em ano subseqüente (como apontado no texto anteriormente). Assim, não reside razão à  Recorrente quanto ao seu pedido de exclusão do Simples dentro do ano­calendário, ou seja, por  iniciar  uma  atividade  diferenciada  –  supermercado  –  economicamente  inviável  dentro  do  sistema do Simples. A lei é precisa neste sentido, em especial por ter sido uma opção adotada  livremente pela Recorrente para o ano de 2009. ou seja, somente em 2010 poderia migrar para  outro sistema.  Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10855.002378/2009­97  Acórdão n.º 1102­001.014  S1­C1T2  Fl. 7          6 Diante  do  exposto,  voto  por  dar  provimento  ao  recurso  voluntário  para  cancelar  os  efeitos  do Ato Declaratório  Executivo DRF/PCA  nº  50,  de  25  de  novembro  de  2009 Termo de Exclusão no. 002/2010, afastando a exclusão da empresa do SIMPLES. Com  relação  ao  pedido  da  Recorrente  para  a  sua  exclusão  do  Simples,  somente  a  partir  de  01/01/2010 é possível alterar referida opção.    (assinado digitalmente)  João Carlos de Figueiredo Neto                              Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARIA CONCEICAO RODRIGUES DE FREITAS, Assinado digitalmen te em 31/07/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por JOAO OT AVIO OPPERMANN THOME

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Numero do processo: 13982.000953/2003-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori - Relatora Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANGELA SARTORI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.000953/2003­64  Resolução nº  3401­000.814  S3­C4T1  Fl. 6            2   RELATÓRIO  Trata­se de Auto de Infração de COFINS, na qual se apurou diferenças entre  os valores  considerados devidos pela  fiscalização e aqueles  confessados  pro meio de DCTF.  Referente ao período compreendido entre 01/2000 a 05/2003, a autuação importa no montante  de R$ 5.082.666,02 (cinco milhões oitenta e dois mil seiscentos e sessenta e seis reais e dois  centavos), cuja notificação se deu em 12/01/2004.  Consigna o Relatório da Atividade Fiscal,  fls. 29/62, que o contribuinte, na  qualidade de cooperativa, tem por desiderato social a venda dos produtos que lhe são entregues  pelos seus associados, podendo ainda realizar outras atividades voltadas ao seu quadro social,  tendo sido constituída em 01/10/1999.  Relata que, entre essas outras atividades, mantém dez estabelecimentos, entre  supermercados  e  lojas  agropecuárias,  um  posto  de  combustível  e  uma  fábrica  de  ração.  Em  todos eles, são realizadas vendas de produtos aos seus associados e ao público em geral.   Cabe  destacar,  ainda,  que  as  unidades  designadas  como  supermercados  e  lojas agropecuárias, embora aparentemente distintas, constituem estabelecimentos únicos com  utilização dos mesmos funcionários e dos mesmos equipamentos emissores de cupons fiscais, e  em que apenas se distinguem as vendas de um e da outra pelos códigos dos produtos vendidos.  No que concerne à atividade que deveria ser a principal (venda da produção  dos  seus  associados),  não  há  esclarecimentos  mais  precisos  dos  tipos  de  produtos  que  são  vendidos,  sendo  realizadas  tais  operações  em  outros  onze  estabelecimentos,  totalizando,  portanto, vinte e três estabelecimentos em operação.  Pelos esclarecimentos contidos na Resolução 204­00.559, fls. 1704/1711, no  que tange ao Relatório Fiscal, cabe a sua transcrição:  “Informa,  ainda,  o  referido  Relatório  que  a  autuada  incorporara,  em  01/01/2000,  duas  outras  cooperativas  e  ainda  uma  outra  em  2003.  Já  nos  tópicos  descritivos  das  infrações  apuradas –  em especial o de nº 4.4.5 –  fica­se  sabendo que as  cooperativas  incorporadas  em  2000  sua  filiação,  que  foi  aprovada  em Assembléia  da Cooperativa Central  realizada  em  15 de  junho de 2000. Em 31/5/2000 se dera a  transferência da  participação  no  capital  social  da  Cooperativa  Central  das  cooperativas incorporadas para a autuada.  No  período  da  autuação,  duas  foram  as  ‘transações’  entre  a  autuada  e  a  Cooperativa  Central:  recebeu  sobras  líquidas  apuradas  e  distribuídas  pela  Cooperativa  Central,  que  contabilizou como ‘rendimentos distribuídos’. Embora conta de  receita,  não a  incluiu no  faturamento para  efeito de  tributação  pela Cofins, o que foi reputado como incorreto pela fiscalização  que a adicionou ao faturamento.  Além disso, adquiriu da Cooperativa Central produtos agrícolas,  supostamente  comercializados  pela  Cooperativa  A1.  A  fiscalização  considerou  que  as  operações  ocorridas  entre  Fl. 2836DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.000953/2003­64  Resolução nº  3401­000.814  S3­C4T1  Fl. 7            3 01/01/2000  e  15/06/2000  não  correspondem  à  ‘compra  de  produtos  dos  cooperados’,  porque  a  filiação  à  Cooperativa  Central  somente  produziria  efeitos  a  partir  desta  última  data.  Embora seja minucioso na descrição dos motivos que levaram à  não  aceitação  dessas  operações,  não  esclarece  exatamente  em  que  consistiram,  principalmente  não  diz  quais  produtos  foram  adquiridos pela autuada.  O mesmo relatório informa que a ação fiscal se iniciou em junho  de 2003, ocasião em que a empresa ainda mantinha contencioso  judicial  contra  as  disposições  legais  que  lhe  exigem  a  Cofins  sobre  atos  cooperativos.  Nesta  ação,  não  obtivera  até  então  qualquer  decisão  favorável  e  em  07/08/2003  veio  a  desistir  do  recurso extraordinário impetrado.   A maior parte do relatório destina­se a explicar a composição da  base  de  cálculo  adotada  pela  fiscalização,  que  consistiu  no  faturamento mensal definido pela Lei nº 9.718/98, do qual foram  excluídas  parcelas  admitidas  em  caráter  geral  a  todos  os  contribuintes  bem  como  aquelas  próprias  das  Cooperativas,  ventiladas  na  IN  SRF  nº  247/2002,  além  das  sobras  líquidas  e  dos  custos  agregados  ao  produto  recebido.  Foram,  porém,  acrescidas  parcelas  ao  faturamento  reconhecido  pela  cooperativa, além de terem sido reduzidas as parcelas excluídas  em  virtude  da  desconsideração  de  alguns  valores  que  a  fiscalização explicita no termo.  No item correspondente ao Faturamento considerado, informa a  autoridade fiscal ter incluído parcela reconhecida pela autuada  como  ‘reversão  de  reserva  de  reavaliação’,  bem  assim  contas  registradas como recuperação de despesas,  indicando tratar­se,  em ambos  os  casos,  de  receita,  nos  termos  da  legislação  fiscal  (Regulamento  do  Imposto  sobre  a  Redá)  e  Societária  (Lei  6.404/76).  Avulta  informar,  de  logo,  que  a  inclusão  dessas  parcelas não foi impugnada pela autuada.  No  que  respeita  às  exclusões  gerais,  informa  que  foi  aceita  a  parcela  relativa  às  vendas  –  substituição  tributariam,  mas  rejeitada a exclusão da parcela atinente a valores recebidos da  Cooperativa Central Oeste Catarinense  como  ‘sobras  líquidas’  desta última e reconhecidas pela Cooperativa A1 como receitas  a título de ‘rendimentos de participações’.   Passando  a  discorrer  sobre  as  deduções  especificamente  deferidas às cooperativas, o AFRF responsável pelos  trabalhos  anota, em subitem próprio (4.3), as deduções previstas no artigo  33,  incisos  I  a  V  da  IN  mencionada,  a  que  se  refere  como  a  ‘previsão legal’ das exclusões. Aqui o primeiro item dis respeito  aos  ‘valores  repassados  aos  associados  decorrentes  da  comercialização...  dos  produtos...  entregues  pelos  associados’.  Sobre esse ponto se lê:  ‘Sabedores  que,  no  caso  concreto  da  fiscalizada,  tais  valores  representam  os  pagamentos  efetuados  pelos  produtos  que  a  mesma  recebe  dos  seus  associados,  ou  seja,  valores  que  Fl. 2837DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.000953/2003­64  Resolução nº  3401­000.814  S3­C4T1  Fl. 8            4 guardam  relação  com  aqueles  contabilizados  nas  contas  referentes  a  ‘compras  de  produtos  agropecuários’,  e  considerando  que  estes  valores  comporão  o  custo  do  produto  agropecuário vendido, (CPV= EI + Compras – EF), o qual será  excluído da base de cálculo da COFINS na forma explanada no  item 4.5 deste relatório (fls. 55) não foram considerados valores  dedutíveis  da  base  de  cálculo  da  COFINS  a  este  título’.  (destaques no original).  Quanto  à  exclusão  intitulada  ‘receita  da  venda  de  bens  e  mercadorias  a  associados’  afirma  ter  glosado  as  receitas  das  vendas no supermercado por ela mantido sob o entendimento de  que  não  atendem  à  exigência  da  IN  SRF  nº  247/2002  porque  ‘não  se  coadunam  diretamente  com  a  atividade  econômica  do  cooperado’. Também rejeitou as vendas praticadas em posto de  combustível  porque  não  são  ai  discriminadas  as  que  são  feitas  aos  cooperados  e  as  que  são  feitas  ao  público  em geral. Dá  a  entender  que,  sob  este  título,  aceitou  a  exclusão  das  vendas  efetuadas  na  Fábrica  de  Rações  e  na  Loja  Agropecuária  que  foram comprovadamente efetuadas aos associados.  Acerca  da  outra  exclusão  admitida  na  IN,  qual  seja,  a  das  ‘receitas decorrentes da prestação, aos associados,  de  serviços  especializados,  aplicáveis  na  atividade  rural,  relativos  à  assistência  técnica,  extensão  rural,  formação  profissional  e  assemelhadas’,  informa  que  somente  considerou  os  valores  contabilizados  a  título  de  assistência  técnica  na  conta  contábil  que especifica.  A  título  de  ‘receitas  decorrentes  do  beneficiamento,  armazenamento  e  industrialização  de  produção  do  associado’  informa que aceitou aquelas atinente a armazenagem, secagem e  pesagem, serviços fábrica de ração, serviços serraria e  fretes e  carretos.  Por  fim,  neste  subitem,  no  que  tange  às  receitas  financeiras  decorrentes  de  repasses  de  empréstimos...’  informa  não  ter  identificado  na  contabilidade  da  entidade  qualquer  valor  que  com ele se coadunasse.  No  item  4.4  –  o  mais  longo  –  descreve  minuciosamente  os  critérios  que  adotou  para  estabelecer  o  que,  em  seu  entender,  corresponde  às  ‘sobras’  que  a  legislação  permite  sejam  excluídas da tributação pela Cofins.  E  no  último  item,  relativo  aos  custos  agregados,  informa  ter  glosado a dedução do ICMS devido nas vendas praticadas pela  cooperativa e explicita os critérios para composição dos demais  custos  admitidos.  Bastante  resumidamente,  a  fiscalização  determinou,  mês  a  mês,  um  ‘índice  de  ato  cooperado’  que  aplicou sobre o custo de aquisição de cada  item que veio a ser  vendido. Este item resulta da divisão do custo de aquisição junto  a cooperados do total registrado a  título de aquisições daquele  item no mês.  Planilhas  às  fls.  80  a  83  o  demonstram. Além do  custo de aquisição, também aceitou a autoridade as despesas de  Fl. 2838DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.000953/2003­64  Resolução nº  3401­000.814  S3­C4T1  Fl. 9            5 depreciação  e  com  vendas  de  produtos  agropecuários,  proporcionalizadas por aplicação dos índices mencionados.  Nesse  item,  a  fiscalização  taxou  como  não  cooperados  atos  de  compra  de  ‘produtos  agropecuários’  à  Cooperativa  Central,  realizados  entre  1º  de  janeiro de  2000 a  15 de  junho de  2000.  Entendeu,  para  tanto,  que  a  AI  não  era,  naquele  período,  associada  da Central,  dado  que  a  assembléia  desta  ultima  que  aceitou o pedido de filiação daquela é datado de 15 de junho de  2000.  Com  essa  exclusão,  os  ‘índices’  foram  reduzidos  no  período.  Assim  composta  a  base  de  cálculo  entendida  correta  pela  fiscalização  (planilhas  à  fl.  103)  sobre  elas  determinou,  mês  a  mês,  a  contribuição  devida  e  a  comparou  com  os  valores  declarados em DCTF (fl. 104). Pelo que aí se indica, a entidade  somente  apresentou  DCTF  com  Cofins  devida  nos  meses  de  fevereiro  de  2000  e  março  de  2000,  mas  não  efetuou  o  recolhimento dos valores declarados, e em maio de 2003, em que  o recolheu. Já em janeiro de 2000, recolheu sem ter declarado.  Tanto os valores  recolhidos  (mesmo que não declarados) como  os  declarados  (mesmo  que  não  recolhidos)  foram  abatidos  do  que a fiscalização considerou devido (fl. 17).  Ofertada  a  Impugnação  pelo  contribuinte,  fls.  1267/1292,  a  3ª  Turma  da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, DRJ/FNS, proferiu o  Acórdão  nº  07­9.228,  fls.  1364/1379,  na  qual  consignou  a  procedência  do  lançamento,  mantendo incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS  Ano­calendário: 2000, 2001, 2002, 2003  OPERAÇÕES ENTRE COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO.  INÍCIO DE VIGÊNCIA.  Apenas revestem a condição de atos cooperativos as operações  entre a cooperativa singular e a cooperativa central a partir da  data de deferimento do pedido de filiação.  BASE  DE  CÁLCULO.  VEDAÇÃO  DE  EXCLUSÃO  DO  ICMS  PRÓPRIO.  Por  integrar  sua  própria  base  de  cálculo,  não  pode  o  ICMS  próprio  ser  excluído  da  base  de  cálculo  da  Cofins,  independentemente de organização societária do contribuinte.  BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS SOBRAS LÍQUIDAS.  A permissão legal para exclusão das sobras líquidas da base de  cálculo  da  Cofins  implica  a  necessidade  de  que  sejam,  previamente, excluídos dessas sobras o Lucro Líquido (CSLL) –  decorrente  de  operações  com  cooperados  e  não­cooperados  ­,  Fl. 2839DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.000953/2003­64  Resolução nº  3401­000.814  S3­C4T1  Fl. 10            6 bem  como  à  participação  de  empregados  nos  resultados  da  cooperativa.  BASE  DE  CÁLCULO.  EXCLUSÃO  DAS  SOBRAS  LÍQUIDAS.  SOBRAS  DERIVADAS  DE  PARTICIPAÇÃO  EM  COOPERATIVA CENTRAL.  Por  já  terem sido excluídas da base de cálculo da contribuição  apurada pela cooperativa central, as sobras desta recebidas pela  cooperativa singular não podem ser excluídas de suas próprias  sobras, quando da sua apuração da base de cálculo da Cofins.  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  –  PAES.  INÍCIO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  ESPONTANEIDADE  EXCLUÍDA.  O  início  do  procedimento  exclui  a  espontaneidade  do  sujeito  passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de  intimação,  a  dos  demais  envolvidos  nas  infrações  verificadas.  Destarte, a confissão parcial da dívida e a adesão ao Paes, após  o  início  do  procedimento  fiscal,  não  revestem  o  caráter  de  espontaneidade,  não  operam  qualquer  efeito  contra  o  lançamento  de  ofício,  nem  dispensam  a  contribuinte  do  pagamento da multa de ofício e dos juros moratórios lançados.  Lançamento Procedente   Irresignada,  a  empresa  interpôs  Recurso  Voluntário,  fls.  1387/1414,  requerendo  a  reforma do Acórdão da DRJ,  com os mesmos argumentos  expendidos na peça  impugnatória, a seguir sintetizados:  1.  Sua adesão, em 30/07/2003, ao Programa de Recuperação Fiscal (PAES).  Afirma que, em 28/11/2003 entregou a relação de débitos de que fala a  norma instituidora, relativamente a débitos de janeiro de 2000 a janeiro  de  2003,  em montante  de  R$  2.044.723,95,  que,  sustenta,  devem  ser  abatidos  do  principal  incluído  no  auto  de  infração.  Reconhece  que  a  adesão foi posterior ao início da ação fiscal, mas que esta se encerrou  depois. Portanto, a formalização de sua adesão se deu no curso da ação  fiscal;  2.  A  desconsideração  pelo  agente  fiscal  das  operações  realizadas  com  a  Cooperativa  Central  Oeste  Catarinense  consistentes  na  aquisição  de  produtos.  Aduz  que  o  agente  fiscal  equivocou­se  ao  considerar  que  somente a partir da assembléia da Cooperativa Central é que a autuada  passou a ser associada a ela. Além disso, defende que não se  trata de  produtos agropecuários a serem destinados a comercialização. Seriam,  em verdade, leitões para engorda, a serem distribuídos aos associados.  Assim, descabe a inclusão desses valores no cálculo do índice;  3.  A inaceitação da inclusão do ICMS pago pela cooperativa sobre os bens  por  ela  vendidos  como  um  dos  itens  de  custos  agregados  ao  produto  recebido previstos na Lei nº 10.676;  Fl. 2840DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.000953/2003­64  Resolução nº  3401­000.814  S3­C4T1  Fl. 11            7 4.  A recomposição promovida pelo agente fiscal das sobras líquidas a serem  excluídas  da  base  de  cálculo,  da  qual  aquela  autoridade  excluiu  as  participações a empregados, a Contribuição Social  sobre o Lucro e as  parcelas  recebidas  pela  Cooperativa  A1,  a  título  de  sobras,  da  Cooperativa Central Oeste Catarinense de que é associada.  Em  face  dos  argumentos  expendidos  na  peça  recursal,  foi  proferida  a  Resolução nº 204­00.488, fls. 1566/1572, na qual foi estabelecida a conversão em diligência,  na qual foram solicitados os seguintes esclarecimentos:  1.  quais eram os produtos agropecuários que a cooperativa recebia de seus  associados para comercialização;  2.  se  os  produtos  recebidos  da  Cooperativa  Central  entre  01/01/2000  e  15/06/2000  foram  adquiridos  para  revenda,  na  atividade­fim  da  cooperativa  e  devem  ser  computados  na  apuração  do  índice  de  ato  cooperativo, ou se são insumos a serem fornecidos aos associados para  engorda e posterior venda dos produtos agropecuários dos associados;  3.  caso  sejam  insumos,  explicitar  o  montante  a  que  corresponde  a  autuação,  confirmando  se  o  tratamento  dado  aos  demais  insumos  foi  mesmo o afirmado pela Recorrente.  Elaborada  a  Informação  Fiscal  de  fls.  1625/1629,  foi  dada  a  ciência  ao  contribuinte por meio de AR de fl. 1630.  Ato contínuo, sem a sua manifestação, foi proferida nova Resolução, nº 204­ 00.559,  fls.  1704/1711,  tendo  em  vista  o  entendimento  de  que  o  trabalho  da  fiscalização  resultou inconclusivo, motivo pelo qual foi determinado o retorno dos autos em diligência para  que, em respeito ao princípio da verdade material,  se dirima, definitivamente, se os produtos  recebidos  da Cooperativa Central  no  período  de  janeiro  a  junho  de  2000  foram  remetidos  a  associados ou vendidos pela Cooperativa A1.  Realizada  a  diligência,  a  autoridade  fiscal  elaborou  novo  Termo  de  Encerramento  de Diligência,  fls.  2830/2832,  sendo  em  seguida  proposto  o  encaminhamento  dos autos a este Conselho, para julgamento.  É o breve relato do necessário.    Fl. 2841DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.000953/2003­64  Resolução nº  3401­000.814  S3­C4T1  Fl. 12            8 VOTO  Conselheira Ângela Sartori    O  processo  segue  os  pressupostos  de  admissibilidade,  por  isto  dele  tomo  conhecimento.  DILIGÊNCIA E CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE  Com  a  prolação  da  Resolução  nº  204­00.559,  pela  Quarta  Câmara  do  Segundo Conselho  dos  Contribuintes,  foi  determinada,  novamente,  a  conversão  do  feito  em  diligência,  a  fim de que  se dirima, definitivamente,  se os produtos  recebidos da Cooperativa  Central no período de janeiro a junho de 2000 foram remetidos a associados ou vendidos pela  Cooperativa A1.  Para  tanto,  foi  determinada  a  produção  de  prova  pela  autuada,  que  assim  procedeu, dando­se prosseguimento à análise por parte da autoridade fiscal, que finalizou com  o Termo de Encerramento de Diligência, fls. 2830/2832.  Ato  contínuo,  através  de  despacho  de  fl.  2834,  foi  proposto  o  retorno  do  processo  a  este  Conselho  sem  que  houvesse,  contudo,  a  ciência  do  contribuinte  acerca  da  informação fiscal produzida.  É  sabido  que  o  processo  administrativo  rege­se  pelos  princípios  constitucionais do devido processo legal assim como do contraditório e da ampla defesa, razão  pela qual  aos  atos praticados pela Administração,  sob pena de  tolher direito do  contribuinte,  deve­lhe ser concedida a possibilidade de manifestação. É o que se vê:  Art. 5º (...)  LIV ­ ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o  devido processo legal;  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;  Incorporando  os  preceitos  contidos  na  Constituição  Federal,  a  Lei  do  Processo Administrativo Federal, nº 9.784/99, assim preceitua:    Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos  princípios  da  legalidade,  finalidade,  motivação,  razoabilidade,  proporcionalidade,  moralidade,  ampla  defesa,  contraditório,  segurança jurídica, interesse público e eficiência.  Foi  assim  que  ocorreu  quando  da  primeira  Resolução,  nº  204­00.488,  fls.  1566/1572, na qual foi estabelecida a conversão em diligência, elaborada a Informação Fiscal  de fls. 1625/1629, e ciência ao contribuinte por meio de AR de fl. 1630.  Fl. 2842DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13982.000953/2003­64  Resolução nº  3401­000.814  S3­C4T1  Fl. 13            9 Vê­se,pois,  o  equívoco  da  DRF  ao  propor  o  encaminhamento  do  processo  sem que houvesse a devida ciência por parte do contribuinte acerca da diligência efetuada, a  fim de que, exercendo seu direito ao contraditório, querendo, apresentasse manifestação acerca  das informações ali verificadas.  Dessa  forma, persistir  no  julgamento do mérito  em  relação ao processo  em  epígrafe, sem a devida ciência do contribuinte, fatalmente nulificaria a decisão a ser prolatada,  em razão do disposto no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, in verbis:   Art. 59. São nulos:  (...)      II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Portanto,  em  face  das  razões  fáticas  e  jurídicas  expendidas,  não  há  como  prosseguir o julgamento da autuação sem que haja a ciência do contribuinte acerca da última  informação  fiscal  elaborada,  razão  pela  qual  deve  ser  novamente  procedida  a  conversão  do  feito em diligência.  CONCLUSÃO  Pelo exposto, converto o julgamento em diligência para que seja dada ciência  ao contribuinte acerca da realização da diligência determinada pela Resolução nº 204­00.559,  para, querendo, apresente a devida manifestação no prazo de 30 dias.    Ângela Sartori      Fl. 2843DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS

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Numero do processo: 11516.003636/2010-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/11/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. INFORMAÇÕES ECONÔMICAS DO SUJEITO PASSIVO. QUEBRA DO SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O fornecimento de extratos bancários diretamente pela empresa à Fiscalização, em atendimento a Intimação Fiscal para Apresentação de Documentos regularmente formalizada, não constitui hipótese de quebra de sigilo fiscal eis que fornecida espontaneamente pelo sujeito passivo, e não pela instituição financeira onde a empresa realiza suas operações bancárias. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. SEGURADO OBRIGATÓRIO DO RGPS. Os transportadores autônomos que exercem, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não, ou que prestam serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego, são qualificados, para fins previdenciários, como segurados contribuintes individuais, nos termos das alíneas ‘g’ e ‘h’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. FRETE. BASE DE CÁLCULO. É de 11% (onze por cento) sobre remuneração que lhe for paga ou creditada, no decorrer do mês, pelos serviços prestados à empresa, a alíquota de contribuição do segurado contribuinte individual que trabalhe por conta própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar-lhe provimento parcial, para que a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do artigo 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 11.941/2009. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 243          1 242  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11516.003636/2010­08  Recurso nº  003.241   Voluntário  Acórdão nº  2302­003.241  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de julho de 2014  Matéria  OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   ­  AI CFL 68  Recorrente  INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE LACTICÍNIOS FORTUNA LTDA  Recorrida  FAZENDA  NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 18/11/2010  AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91.  Constitui  infração às disposições  inscritas no  inciso  IV do art. 32 da Lei n°  8212/91  a  entrega  de  GFIP  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases  de  cálculo,  seja  em  relação  às  informações  que  alterem  o  valor  das  contribuições,  ou  do  valor  que  seria  devido  se  não  houvesse  isenção  (Entidade  Beneficente)  ou  substituição  (SIMPLES,  Clube  de  Futebol,  produção  rural),  sujeitando  o  infrator  à  multa  prevista  na  legislação  previdenciária.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.   No  Processo  Administrativo  Fiscal,  dada  à  observância  aos  princípios  processuais da  impugnação específica e da preclusão,  todas as alegações de  defesa  devem  ser  concentradas  na  impugnação,  não  podendo  o  órgão  ad  quem  se  pronunciar  sobre  matéria  antes  não  questionada,  sob  pena  de  supressão de instância e violação ao devido processo legal.  INFORMAÇÕES ECONÔMICAS DO SUJEITO PASSIVO. QUEBRA DO  SIGILO FISCAL. INOCORRÊNCIA.  O  fornecimento  de  extratos  bancários  diretamente  pela  empresa  à  Fiscalização,  em  atendimento  a  Intimação  Fiscal  para  Apresentação  de  Documentos  regularmente  formalizada,  não  constitui  hipótese de  quebra  de  sigilo  fiscal  eis  que  fornecida  espontaneamente  pelo  sujeito  passivo,  e  não  pela instituição financeira onde a empresa realiza suas operações bancárias.  TRANSPORTADOR  AUTÔNOMO.  SEGURADO  OBRIGATÓRIO  DO  RGPS.  Os  transportadores  autônomos  que  exercem,  por  conta  própria,  atividade  econômica de natureza  urbana,  com  fins  lucrativos ou não, ou que prestam     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 36 36 /2 01 0- 08 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 serviço  de  natureza  urbana  ou  rural,  em  caráter  eventual,  a  uma  ou  mais  empresas,  sem  relação  de  emprego,  são  qualificados,  para  fins  previdenciários,  como  segurados  contribuintes  individuais,  nos  termos  das  alíneas ‘g’ e ‘h’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91.  SEGURADOS  CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS.  TRANSPORTADOR  AUTÔNOMO. FRETE. BASE DE CÁLCULO.  É de 11% (onze por cento) sobre remuneração que lhe for paga ou creditada,  no  decorrer  do  mês,  pelos  serviços  prestados  à  empresa,  a  alíquota  de  contribuição  do  segurado  contribuinte  individual  que  trabalhe  por  conta  própria, sem relação de trabalho com empresa ou equiparado.  DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO  INDIRETA.  CABIMENTO.  A  constatação,  pelo  exame  da  escrituração  contábil  ou  de  qualquer  outro  documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real  das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é  motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição  indireta,  das  contribuições  previdenciárias  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa o ônus da prova em contrário.  AUTO DE  INFRAÇÃO. GFIP.  CFL  68. ART.  32­A DA LEI Nº  8212/91.  RETROATIVIDADE BENIGNA.  As  multas  decorrentes  de  entrega  de  GFIP  com  incorreções  ou  omissões  foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o  art. 32­A à Lei nº 8.212/91.   Incidência  da  retroatividade benigna  encartada no  art.  106,  II,  ‘c’  do CTN,  sempre que a norma posterior cominar ao  infrator penalidade menos severa  que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.  Recurso Voluntário Provido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar­lhe  provimento parcial, para que a multa  aplicada seja calculada considerando as disposições do  artigo 32­A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 11.941/2009.    Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma.     Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi  (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes  (Vice­presidente de  turma),  André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e  Arlindo da Costa e Silva.   Fl. 244DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 244          3   Relatório  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007.  Data da lavratura do AIOP: 18/11/2010.  Data da Ciência do AIOP: 18/11/2010.    Tem­se  em  pauta  Recurso  Voluntário  interposto  em  face  de  Decisão  Administrativa  de  1ª  Instância  proferida  pela  DRJ  em  Juiz  de  Fora/MG  que  julgou  improcedente  a  impugnação  oferecida  pelo  sujeito  passivo  do  crédito  tributário  lançado  por  intermédio do Auto de Infração nº 37.278.060­1, decorrente do descumprimento de obrigação  tributária acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do  Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os  fatos geradores de contribuições previdenciárias,  conforme descrito no Relatório Fiscal a  fls.  135/137.  CFL ­ 68  Apresentar  a  empresa  GFIP/GRFP  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  seja  em  ralação  às  bases  de  cálculo,  seja  em  relação  às  informações  que  alterem  o  valor  das  contribuições,  ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade  Beneficente)  ou  substituição  (SIMPLES,  Clube  de  Futebol,  produção  rural)  ­  Art.  284,  II  na  redação  do  Dec.4.729,  de  09/06/2003.    De acordo com a Resenha Fiscal, o Autuado deixou de incluir em suas GFIP  os valores das  sub­rogações que  lhe  são  imputadas devido à  aquisição de produtos  rurais de  produtores  rurais pessoas físicas, bem como os valores dos serviços prestados como "Fretes"  executados por transportadores autônomos na coleta de leite, no período de 01/2006 a 12/2007,  conforme planilha anexa, a fls. 07/134.  A obrigação principal consistente nas contribuições sociais previdenciárias a  cargo  da  empresa,  destinadas  ao  custeio  da  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  incidentes  sobre  a  comercialização  de  produção  rural  adquirida  de  produtor  rural  pessoa  física,  por  sub­rogação  legal,  e  sobre  as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas  a  segurados  contribuintes  individuais  –  transportadores  autônomos  coletadores  de  leite,  houve­se  por  formalizada  mediante  o  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  nº  37.278.054­7,  objeto  do  Processo  Administrativo  Fiscal  nº  11516.003632/2010­11, de 18/11/2010.  Irresignado  com  o  supracitado  lançamento  tributário,  o  sujeito  passivo  apresentou impugnação a fls. 149/157.  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG  lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 09­38.987 – 5ª Turma da DRJ/JFA,  a  fls.  184/190,  julgando  procedente  o  lançamento,  e  mantendo  o  crédito  tributário  em  sua  integralidade.  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  08/10/2013,  conforme  Termo  de  Intimação  e  Aviso  de  Recebimento  a  fls.  198/199,  respectivamente.  Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo,  o  ora  Recorrente  interpôs  recurso  voluntário  a  fls.  201/225,  respaldando  sua  inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem:  · Que  a  fiscalização  da  receita  federal  desconsiderou  a  contabilidade  da  empresa, passando a identificar os fatos geradores presumidos a partir da  movimentação bancária ilegalmente obtida, ligada a presunções de ordem  pessoal não autorizadas em lei;   · Incompetência  do  art.  6º  da  LC  nº  105/2001  para  relativizar  ou  alterar  princípio constitucional;   · Inexistência de motivação e do fato imponível para a desconsideração da  contabilidade da empresa;   · Ausência  de  processo  regular  de  arbitramento,  anterior  ao  lançamento,  com  o  obrigatório  contraditório,  visto  que  os  dois  procedimentos  que  deveriam  ser  independentes  foram  efetuados  conjuntamente,  suprimindo  assim o contraditório no primeiro procedimento;   · Inexistência de especificação no fundamento legal para a desconsideração  da contabilidade da empresa, configurando cerceamento de defesa;   · Impossibilidade  de  exigência  da  contribuição  incidente  sobre  a  comercialização  de  produto  rural  (leite  in  natura)  com  o  produtor  rural  pessoa física, devido sua inconstitucionalidade declarada pelo STF.     Ao fim, requer o cancelamento da exigência fiscal.  Relatados sumariamente os fatos relevantes.  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 245          5   Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.    1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   1.1.  DA TEMPESTIVIDADE  O sujeito passivo  foi  válida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  no dia 08/10/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 31 de outubro do  mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto.  Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço.    1.2.  DO CONHECIMENTO DO RECURSO  Alega  o  Recorrente,  exclusivamente  em  sede  de  Recurso  Voluntário,  a  inexistência  de  motivação  e  do  fato  imponível  para  a  desconsideração  da  contabilidade  da  empresa.  Aponta  também a ausência de processo regular de arbitramento, anterior ao  lançamento, com o obrigatório contraditório, visto que os dois procedimentos que deveriam ser  independentes  foram  efetuados conjuntamente,  suprimindo assim o contraditório no primeiro  procedimento.  Alega nesta fase recursal a inexistência de especificação no fundamento legal  para a desconsideração da contabilidade da empresa, configurando cerceamento de defesa.  Ainda em sede de Recurso Voluntário, a empresa defende a impossibilidade  de  exigência  da  contribuição  incidente  sobre  a  comercialização  de  produto  rural  (leite  in  natura)  com  o  produtor  rural  pessoa  física,  devido  sua  inconstitucionalidade  declarada  pelo  STF.   Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte  Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação do Órgão  Julgador de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada.  Com  efeito,  compulsando  a  Peça  Impugnatória  ao  Auto  de  Infração  em  julgamento,  verificamos  que  as  alegações  acima postadas  inovam o Processo Administrativo  Fiscal  ora  em  apreciação.  Tais  matérias  não  foram  abordadas  pelo  Impugnante  em  sede  de  defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute.  Os  alicerces  do  Processo  Administrativo  Fiscal  encontram­se  fincados  no  Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     6 de  fato e de direito em que se  fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as  razões  e  provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe  de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante  será considerada legalmente como não impugnada.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;(Incluído  pela  Lei  nº  9.532, de 1997)  b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;(Incluído  pela  Lei nº 9.532, de 1997)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)    Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei nº 9.532, de 1997)    As  disposições  inscritas  no  art.  17  do  Dec.  nº  70.235/72  espelham,  no  Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no  art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido:  Código de Processo Civil   Art. 302. Cabe também ao réu manifestar­se precisamente sobre  os  fatos  narrados  na  petição  inicial.  Presumem­se  verdadeiros  os fatos não impugnados, salvo:  I ­ se não for admissível, a seu respeito, a confissão;  II ­ se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento  público que a lei considerar da substância do ato;  III ­ se estiverem em contradição com a defesa, considerada em  seu conjunto.  Parágrafo  único.  Esta  regra,  quanto  ao  ônus  da  impugnação  especificada  dos  fatos,  não  se  aplica  ao  advogado  dativo,  ao  curador especial e ao órgão do Ministério Público.    Deflui  da  normatividade  jurídica  inserida  pelos  comandos  insculpidos  no  Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo  art.  108  do  CTN,  que  o  impugnante  carrega  como  fardo  processual  o  ônus  da  impugnação  específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa  Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 246          7 assinalado  expressamente  no  Auto  de  Infração,  observadas  as  condições  de  contorno  assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte.  Nessa  perspectiva,  a  matéria  específica  não  expressamente  impugnada  em  sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a  oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso.  Saliente­se  que  as  diretivas  ora  enunciadas  não  conflitam  com  as  normas  perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário,  a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a  cujo respeito já se operou a preclusão.   De  outro  eito,  cumpre  esclarecer,  eis  que  pertinente,  que  o  Recurso  Voluntário consubstancia­se num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso  do  processo,  a  inconformidade  do  sucumbente  em  face  de  decisão  proferida  pelo  órgão  julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformá­la. Não exige o dispêndio de  energias  intelectuais  no  exame  da  legislação  em  abstrato  a  conclusão  de  que  o  recurso  pressupõe a  existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão  julgador postado  em  posição  processual  hierarquicamente  inferior,  a  qual  tenha  se  decidido,  em  relação  a  determinada  questão  do  lançamento,  de  maneira  que  não  contemple  os  interesses  do  Recorrente.  Não  se  mostra  despiciendo  frisar  que  o  efeito  devolutivo  do  recurso  não  implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da  decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem.  Assim,  não  havendo  a  decisão  vergastada  se  manifestado  sob  determinada  questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que  se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no  acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada.  Nesse  contexto,  à  luz  do  que  emana,  com  extrema  clareza,  do  Direito  Positivo, permeado pelos princípios processuais da eventualidade, da impugnação específica e  da  preclusão,  que  todas  as  alegações  de  defesa devem  ser  concentradas  na  impugnação,  não  podendo  o  órgão  ad  quem  se  pronunciar  sobre  matéria  antes  não  questionada,  sob  pena  de  supressão de instância e violação ao devido processo legal.  Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não  expressamente  contestadas  pelo  impugnante  em  sede  de defesa  ao  lançamento  tributário  são  juridicamente  consideradas  como  não  impugnadas,  não  se  instaurando  qualquer  litígio  em  relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para  inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que  se opera.  O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento  do  Órgão  Julgador  Primário,  representaria,  por  parte  desta  Corte,  negativa  de  vigência  ao  preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia  emergir do Poder Judiciário.  Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico,  além de outras dispersas no instrumento de Recurso Voluntário, mas não contestadas em sede  Fl. 249DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     8 de impugnação ao lançamento, não poderão ser conhecidas por este Colegiado em virtude da  preclusão.  Assim,  presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade  do  recurso,  dele  conheço parcialmente.  Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame  do mérito.    2.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte.  Também  não  serão  objeto  de  apreciação  por  esta  Corte  Administrativa  as  matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo  de  que  ora  se  cuida,  não  se  houve  por  instaurado  qualquer  litígio  a  ser  dirimido  por  este  Conselho.     2.1.  DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO   Alega  o  Recorrente  que  a  fiscalização  da  receita  federal  desconsiderou  a  contabilidade  da  empresa,  passando  a  identificar  os  fatos  geradores  presumidos  a  partir  da  movimentação  bancária  ilegalmente  obtida,  ligada  a  presunções  de  ordem  pessoal  não  autorizadas em lei;  Sem razão.    No Direito brasileiro,  o  sigilo bancário  corresponde à obrigação  imposta  às  instituições  financeiras  de  conservar  em  sigilo,  em  relação  a  terceiros,  as  operações  ativas  e  passivas  realizadas por  seus  clientes  e  correntistas,  assim como os  serviços  a  eles prestados,  cujo conhecimento detém em razão de sua atividade empresarial, nos termos do art. 1º da Lei  Complementar  nº  105/2001,  configurando  infração  penal  a  sua  quebra  injustificada  (art.  38,  caput e §7° da Lei n° 4.595/64 e artigos 1º e 10 da Lei Complementar n° 105/2001).  Autores  de  nomeada  acentuam  que  “o  sigilo  bancário  configura­se  num  concreto  dever  de  conduta  de  conteúdo  negativo,  por  parte  das  instituições  financeiras,  consistente  na  abstenção  de  revelar  a  terceiros  fatos  captados  por  ela  no  exercício  de  sua  peculiar atividade empresarial” (COVELLO, Sergio Carlos. O sigilo bancário. São Paulo: Editora  Universitária de Direito, 2001, p.89).  O sigilo bancário, no Brasil, tem sido enquadrado como expressão do direito  constitucional  à  intimidade  e  à  vida  privada,  na  expressão  do  inciso  X  do  art.  5º  da  lex  Excelsior.  Constituição Federal de 1988   Fl. 250DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 247          9 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes:  (...)  X  ­  são  invioláveis  a  intimidade,  a  vida  privada,  a  honra  e  a  imagem  das  pessoas,  assegurado  o  direito  a  indenização  pelo  dano material ou moral decorrente de sua violação;    De  fato,  a  partir  da  publicação  da  Constituição  Federal  de  1988,  parcela  amplamente  majoritária  da  doutrina,  com  reflexo  na  jurisprudência  dos  nossos  Tribunais,  especialmente  o  Supremo  Tribunal  Federal,  passou  a  fazer  um  silogismo  automático  do  instituto do sigilo bancário com as previsões constitucionais de resguardo da intimidade e da  vida privada.  Parcela  ínfima  da  doutrina,  todavia,  buscou  vincular  o  sigilo  bancário  ao  sigilo de dados previsto no inciso XII do mesmo art. 5° da Carta de 1988, advogando a tese de  que  a  quebra  do  sigilo  bancaria  deveria  sujeitar­se  à  chamada  reserva  de  jurisdição  prevista  naquele dispositivo. Contudo, tal corrente doutrinária foi perdendo a pequena força que possuía  ab  initio  à  medida  que  os  Tribunais  Superiores  foram  sedimentando  sua  jurisprudência  no  sentido  de  que  o  bem  jurídico  tutelado  pela  proteção  aviada  no  inciso  XII  acima  citado  restringe­se à comunicação dos dados e não ao conteúdo dos dados de per se considerados.  Portanto,  tem­se  que  o  preceito  proibitivo  circunscreve­se  à  intervenção  de  terceiro na ação comunicativa de dados e não ao teor dos dados de alguma forma armazenados.  Tal  compreensão  não  se  conflita  com  o  entendimento  esposado  pelo  ex  Ministro  Nelson  Jobim,  que  exortou  em  interpretação  autêntica,  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  n°  219.780/PE,  Relator  Min.  Carlos  Velloso,  DJ  de  10/09/1999,  com  a  autoridade de quem participou da Assembleia Nacional Constituinte,  relativamente ao  inciso  XII do art. 5° da Constituição Federal:  “(...) se tivesse alguém naquele momento em que discutia o tema  buscado a discussão legislativa à época da Assembleia Nacional  Constituinte,  (...)  se  disse  lá muito  claramente  o  que  se  estava  protegendo.  Estava­se  protegendo  a  comunicação,  o  ato  comunicacional  é  que  se  protegia  e  não  o  resultado  do  ato  comunicacional.  O  que  era  absolutamente  proibido  e  é  absolutamente  proibido  pelo  inciso  XII,  nem  mesmo  por  autorização  judicial,  é  a  quebra  da  comunicação  por  correspondência,  é  a  quebra  da  comunicação  telegráfica,  é  a  quebra da comunicação de dados, mas não está se protegendo o  dado, ou seja, o resultado da comunicação. O que se veda é que  alguém intercepte a correspondência, é que alguém intercepte a  comunicação  telegráfica,  é  que  alguém  intercepte  a  comunicação  de  dados. Mas  o  texto  constitucional  autorizou  a  interceptação de uma delas só, que é a interceptação telefônica.  Esta foi autorizada. Por que não autorizou as outras? Por uma  razão  muito  simples  e  muito  clara  à  época  em  que  discutia  o  texto em 1988. É porque das quatro comunicações a telefônica é  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     10 a  única  que  não  deixa  vestígios,  em  que  o  resultado  da  comunicação  desaparece  instantaneamente,  porque  não  fica  registro.  Da  comunicação  por  correspondência  fica  a  correspondência,  da  comunicação  por  telégrafo  fica  o  telegrama,  da  comunicação  de  dados  ficam  os  dados,  da  comunicação telefônica não fica nada, só fica o registro de que  Nélson  ligou  para  Everardo  e  conversou  com  ele  durante  três  minutos,  mas  do  conteúdo  da  comunicação  telefônica  não  fica  registro.  É  por  isso,  exclusivamente  por  isso  que  o  texto  constitucional autoriza e única e exclusivamente a interceptação  da  comunicação  telefônica  autorizada  pelo  juiz.  Única  e  exclusivamente  isto.  O  resto  não  há  o  que  mais  interceptar­se  porque  há  o  registro,  remanesce  o  seu  resultado,  que  é  a  correspondência, o telegrama e o dado”.    Deflui do exposto que o preceito inserto no inciso XII do art. 5° da Lei Maior  não trata de “sigilo de dados”, mas, sim, de “sigilo das comunicações de dados”, o qual não se  confunde com o sigilo bancário, garantia constitucional conexa ao direito à intimidade e à vida  privada e proveniente da liberdade de ocultar informações, encontrando respaldo constitucional  no inciso X do art. 5° da CF/88.  Provimento recorrente nos julgados das Cortes Constitucionais é o de que o  direito  à  privacidade  encontra  seu  limite  no  ponto  exato  onde  começa  o  legítimo  interesse  público.  Sublinhe­se  que  a  construção  de  uma  sociedade  livre,  justa  e  solidária  constitui  um dos objetivos  fundamentais do Estado Brasileiro,  tendo este  como um dos  seus  pilares a dignidade da pessoa humana, devendo, pois,  congregar  todos os esforços visando à  erradicação  da  pobreza  e  da marginalização,  ao  desenvolvimento  nacional  e  a  promoção  do  bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de  discriminação.   “O Estado tem não apenas o dever de se abster de praticar atos  que  atentem  contra  a  dignidade  humana,  como  também  o  de  promover esta dignidade através de condutas ativas, garantindo  o mínimo existencial para cada ser humano em seu território. O  homem  tem a  sua dignidade aviltada não apenas quando  se  vê  privado  de  alguma  das  suas  liberdades  fundamentais,  como  também quando não tem acesso à alimentação, educação básica,  saúde,  moradia,  etc.”  (SARMENTO,  Daniel.  A  Ponderação  de  Interesses na Constituição Federal. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2000,  pag.71)    Nesse  papel  de  garantidor  do  bem  estar  social  e  fomentador  do  desenvolvimento nacional, assume extrema relevância para o Estado o princípio da capacidade  contributiva do contribuinte, o qual, diante da questão do sigilo bancário do direito, conduz a  uma colisão entre princípios,  em que o  segundo deve ceder diante do primeiro, com base na  prevalência do interesse público sobre o privado.  Com  efeito,  se  o  Ordenamento  Jurídico  negar  efetividade  ao  princípio  da  capacidade  contributiva  estampado  no  §1º  do  art.  145  da Epístola Constitucional,  culminará  por municiar mecanismos à parcela mais rica da população para proceder à indesejável e ilegal  subtração  dos  recursos  financeiros  ao  financiamento  do  Estado,  os  quais  se  destinariam  à  Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 248          11 consolidação dos fundamentos e realização dos objetivos assentados nos artigos 1º e 3º da Lei  Soberana.  Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988   Art.  1º  A  República  Federativa  do  Brasil,  formada  pela  união  indissolúvel  dos  Estados  e  Municípios  e  do  Distrito  Federal,  constitui­se  em  Estado  Democrático  de  Direito  e  tem  como  fundamentos:  I ­ a soberania;  II ­ a cidadania;  III ­ a dignidade da pessoa humana;  IV ­ os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;  V ­ o pluralismo político.  Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por  meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta  Constituição.    Art.  3º  Constituem  objetivos  fundamentais  da  República  Federativa do Brasil:  I ­ construir uma sociedade livre, justa e solidária;  II ­ garantir o desenvolvimento nacional;  III  ­  erradicar  a  pobreza  e  a  marginalização  e  reduzir  as  desigualdades sociais e regionais;  IV ­ promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça,  sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.     Na  visão  de  Canotilho,  "A  segurança  existencial  do  Estado  é  um  bem  legitimador  de  importantes  restrições  aos  direitos  fundamentais,  que  pode  conduzir  à  flexibilização do exercício de certos direitos fundamentais, em louvor à ordem constitucional  democrática". (CANOTILHO, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional. Coimbra: ed. Almedina,  1992, pag. 633)  A doutrina do mestre lusitano não destoa do escólio de Norberto Bobbio (in  A Era dos Direitos. Rio de Janeiro, ed. Campus, 1992, pag. 2040) :   “Dois  direitos  fundamentais,  mas  antinômicos,  não  podem  ter,  um  e  outro,  um  fundamento  absoluto,  ou  seja,  um  fundamento  que  torne  um  direito  e  o  seu  oposto,  ambos,  inquestionáveis  e  irresistíveis.  Aliás,  historicamente,  a  ilusão  do  fundamento  absoluto  de  alguns  direitos  estabelecidos  foi  um  obstáculo  à  introdução  de  novos  direitos...  O  fundamento  absoluto  não  é  apenas uma ilusão; em alguns casos, é também um pretexto para  defender posições conservadoras...”    Enfim,  o  dever  de  pagar  tributos  surge  com  a  própria  noção  moderna  de  cidadania e se identifica com a concepção principiológica de Estado Democrático de Direito.  De  outro  eito,  a  cidadania  é  informada  pela  ideia  de  solidariedade  que  ampara  os  direitos  fundamentais e os sociais, os quais são usufruídos solidariamente eis que mantidos por deveres  de solidariedade, dentre os quais o de pagar tributos.  Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     12   Visando a brindar máxima efetividade aos objetivos do Estado Brasileiro, o  Congresso Nacional  editou a Lei Complementar n° 105, de 10 de  janeiro de 2001, versando  sobre  sigilo  bancário  e  instituindo  um  conjunto  de  medidas  destinadas  ao  enrijecimento  da  fiscalização tributária, fornecendo­lhe instrumentos de combate à sonegação e evasão fiscal.   Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001.  Art.  1o  As  instituições  financeiras  conservarão  sigilo  em  suas  operações ativas e passivas e serviços prestados.  §1o  São  consideradas  instituições  financeiras,  para  os  efeitos  desta Lei Complementar:  I – os bancos de qualquer espécie;  II – distribuidoras de valores mobiliários;  III – corretoras de câmbio e de valores mobiliários;  IV – sociedades de crédito, financiamento e investimentos;  V – sociedades de crédito imobiliário;  VI – administradoras de cartões de crédito;  VII – sociedades de arrendamento mercantil;  VIII – administradoras de mercado de balcão organizado;  IX – cooperativas de crédito;  X – associações de poupança e empréstimo;  XI – bolsas de valores e de mercadorias e futuros;  XII – entidades de liquidação e compensação;  XIII  –  outras  sociedades  que,  em  razão  da  natureza  de  suas  operações,  assim  venham  a  ser  consideradas  pelo  Conselho  Monetário Nacional.  (...)  §3o Não constitui violação do dever de sigilo:  (...)  V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento  expresso dos interessados; (grifos nossos)   VI  –  a  prestação  de  informações  nos  termos  e  condições  estabelecidos  nos  artigos  2o,  3o,  4o,  5o,  6o,  7o  e  9º  desta  Lei  Complementar.  §4o A quebra de sigilo poderá ser decretada, quando necessária  para  apuração  de  ocorrência  de  qualquer  ilícito,  em  qualquer  fase  do  inquérito  ou  do  processo  judicial,  e  especialmente  nos  seguintes crimes:  I – de terrorismo;  II  –  de  tráfico  ilícito  de  substâncias  entorpecentes  ou  drogas  afins;  III – de contrabando ou tráfico de armas, munições ou material  destinado a sua produção;  IV – de extorsão mediante sequestro;  V – contra o sistema financeiro nacional;  VI – contra a Administração Pública;  VII – contra a ordem tributária e a previdência social;  VIII  –  lavagem  de  dinheiro  ou  ocultação  de  bens,  direitos  e  valores;  Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 249          13 IX – praticado por organização criminosa.    Art.  5o  O  Poder  Executivo  disciplinará,  inclusive  quanto  à  periodicidade  e  aos  limites  de  valor,  os  critérios  segundo  os  quais  as  instituições  financeiras  informarão  à  administração  tributária  da  União,  as  operações  financeiras  efetuadas  pelos  usuários de seus serviços.  §1o Consideram­se operações  financeiras,  para os  efeitos deste  artigo:  I – depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança;  II – pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheques;  III – emissão de ordens de crédito ou documentos assemelhados;  IV – resgates em contas de depósitos à vista ou a prazo, inclusive  de poupança;  V – contratos de mútuo;  VI – descontos de duplicatas, notas promissórias e outros títulos  de crédito;  VII – aquisições e vendas de títulos de renda fixa ou variável;  VIII – aplicações em fundos de investimentos;  IX – aquisições de moeda estrangeira;  X – conversões de moeda estrangeira em moeda nacional;  XI – transferências de moeda e outros valores para o exterior;  XII – operações com ouro, ativo financeiro;  XIII ­ operações com cartão de crédito;  XIV ­ operações de arrendamento mercantil; e   XV  –  quaisquer  outras  operações  de  natureza  semelhante  que  venham  a  ser  autorizadas  pelo  Banco  Central  do  Brasil,  Comissão de Valores Mobiliários ou outro órgão competente.  §2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo  restringir­se­ão a informes relacionados com a identificação dos  titulares  das  operações  e  os  montantes  globais  mensalmente  movimentados,  vedada  a  inserção  de  qualquer  elemento  que  permita  identificar  a  sua  origem  ou  a  natureza  dos  gastos  a  partir deles efetuados.  §3o Não se incluem entre as informações de que trata este artigo  as operações financeiras efetuadas pelas administrações direta e  indireta  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios.  §4o  Recebidas  as  informações  de  que  trata  este  artigo,  se  detectados  indícios  de  falhas,  incorreções  ou  omissões,  ou  de  cometimento  de  ilícito  fiscal,  a  autoridade  interessada  poderá  requisitar  as  informações  e  os  documentos  de  que  necessitar,  bem  como  realizar  fiscalização  ou  auditoria  para  a  adequada  apuração dos fatos.  §5o  As  informações  a  que  refere  este  artigo  serão  conservadas  sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor.    Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     14 Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão examinar documentos, livros e registros de instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente.   Parágrafo  único. O  resultado  dos  exames, as  informações  e  os  documentos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  conservados  em  sigilo, observada a legislação tributária.    Art. 11. O servidor público que utilizar ou viabilizar a utilização  de  qualquer  informação  obtida  em  decorrência  da  quebra  de  sigilo  de  que  trata  esta  Lei  Complementar  responde  pessoal  e  diretamente  pelos  danos  decorrentes,  sem  prejuízo  da  responsabilidade  objetiva  da  entidade  pública,  quando  comprovado  que  o  servidor  agiu  de  acordo  com  orientação  oficial.    Deflui da dicção dos preceitos encartados no §3º do art. 1º e nos artigos 5º e  6º  da LC n°  105/2001 que  a prestação  regular  de  informações  à  administração  tributária,  na  forma desses dispositivos, não se configura violação ao dever de sigilo imposto às instituições  financeiras,  mas,  tão  somente,  uma  exceção  ao  manto  de  proteção  da  garantia  do  sigilo  bancário, o qual, conforme já anteriormente abordado, não possui caráter absoluto, cedendo ao  interesse  público  maior,  em  atenção  ao  princípio  da  ponderação  dos  interesses,  sendo  preservado por certo conteúdo nuclear mínimo da garantia constitucional ora flexibilizada, haja  vista  que  o  dever  de  sigilo  passa  a  alcançar,  igualmente,  as  autoridades  e  os  agentes  fiscais  tributários,  os  quais  não  podem  dele  se  descuidar,  sob  pena  de  responsabilidade  pessoal  e  funcional, a teor do §5º do art. 5º, do Parágrafo Único do art. 6º e art. 11, todos do Pergaminho  Legal em realce.  Não  procede  a  todo  ver  a  alegação  de  “impossibilidade  de  utilização  dos  extratos bancários com base na Lei Complementar nº 105/2001”.  A  uma,  porque  a  obtenção  das  informações  nas  quais  se  fundou  o  arbitramento não teve por fundamento os preceitos normativos fixados na Lei Complementar  nº 105/2001, como assim quer fazer crer, equivocadamente, o Recorrente.   Os  extratos  bancários  de  onde  foram  extraídas  as  informações  que  forneceram  esteio  à  apuração  da  base  de  cálculo  por  aferição  indireta  foram  fornecidos  espontaneamente pelo Recorrente, em atendimento aos Termos de Intimação Fiscal nº 02 e 03  a fls. 69/72, e não obtido diretamente das instituições bancárias.  A  duas,  porque  não  está  presente  no  caso  em  exame,  qualquer  quebra  de  sigilo bancário.  O  dever  de  sigilo  bancário  é  da  Instituição  Financeira  e  não  da  empresa,  inexistindo  qualquer  óbice  no  Ordenamento  Jurídico  Pátrio  que  vede  o  fornecimento  de  informações sigilosas da empresa para o Fisco.  O que as normas constitucional e legal visam a prevenir é a revelação, pelas  instituições  financeiras  a  terceiros,  de  informações  sigilosas  das  pessoas  físicas  ou  jurídicas  relativas  às  suas  operações  ativas  e  passivas  e  sobre  os  serviços  prestados,  captados  pelas  Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 250          15 referidas instituições no exercício de sua peculiar atividade empresarial. Tal circunstância não  se encontra presente no caso em exame, não havendo que se falar em quebra de sigilo bancário.  A três, porque as informações obtidas pelos agentes fiscais não ultrapassaram  as fronteiras da administração tributária, permanecendo cobertas pelo sigilo fiscal, em atenção  ao §5º do art. 5º da Lei Complementar nº 105/2001 e art. 198 do CTN.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  198.  Sem  prejuízo  do  disposto  na  legislação  criminal,  é  vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus  servidores,  de  informação  obtida  em  razão  do  ofício  sobre  a  situação  econômica  ou  financeira  do  sujeito  passivo  ou  de  terceiros  e  sobre  a  natureza  e  o  estado  de  seus  negócios  ou  atividades. (Redação dada pela LC nº 104/2001)  §1o  Excetuam­se  do  disposto  neste  artigo,  além  dos  casos  previstos  no  art.  199,  os  seguintes:  (Redação  dada  pela  LC  nº  104/2001)  I  –  requisição  de autoridade  judiciária  no  interesse da  justiça;  (Incluído pela LC nº 104/2001)  II  –  solicitações  de  autoridade  administrativa  no  interesse  da  Administração  Pública,  desde  que  seja  comprovada  a  instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na  entidade  respectiva,  com  o  objetivo  de  investigar  o  sujeito  passivo  a  que  se  refere  a  informação,  por  prática  de  infração  administrativa. (Incluído pela LC nº 104/2001)  §2o  O  intercâmbio  de  informação  sigilosa,  no  âmbito  da  Administração  Pública,  será  realizado  mediante  processo  regularmente  instaurado,  e a  entrega será  feita pessoalmente à  autoridade  solicitante,  mediante  recibo,  que  formalize  a  transferência e assegure a preservação do sigilo. (Incluído pela  LC nº 104/2001)  §3o  Não  é  vedada  a  divulgação  de  informações  relativas  a:  (Incluído pela LC nº 104/2001)  I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela LC nº  104/2001)  II  –  inscrições  na Dívida  Ativa  da  Fazenda  Pública;  (Incluído  pela LC nº 104/2001)  III – parcelamento ou moratória. (Incluído pela LC nº 104/2001)    A  quatro,  porque  o  art.  33  da  Lei  nº  8.212/91  estabelece  a  prerrogativa  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  por  intermédio  dos  seus  Auditores­Fiscais,  de  examinar a contabilidade das empresas, ficando estas obrigadas a exibir todos os documentos e  livros relacionados com as contribuições previdenciárias e a prestar todos os esclarecimentos e  informações formalmente solicitados, não tendo aplicação qualquer disposição legal excludente  ou limitativa do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos  comerciais  ou  fiscais,  dos  comerciantes  industriais  ou  produtores,  ou  da  obrigação  destes  de  exibi­los, a teor do art. 195 do CTN.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  33.  À  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  compete  planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas  Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     16 à  tributação,  à  fiscalização,  à  arrecadação,  à  cobrança  e  ao  recolhimento  das  contribuições  sociais  previstas  no  parágrafo  único do art. 11 desta Lei, das contribuições  incidentes a  título  de  substituição  e  das  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009).  §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil,  por  intermédio  dos  Auditores­Fiscais  da  Receita  Federal  do  Brasil,  o  exame  da  contabilidade  das  empresas,  ficando  obrigados  a  prestar  todos  os  esclarecimentos  e  informações  solicitados  o  segurado  e  os  terceiros  responsáveis  pelo  recolhimento  das  contribuições  previdenciárias  e  das  contribuições  devidas  a  outras  entidades  e  fundos.  (Redação  dada pela Lei nº 11.941/2009).  §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário  da  Justiça,  o  síndico  ou  seu  representante,  o  comissário  e  o  liquidante  de  empresa  em  liquidação  judicial  ou  extrajudicial  são  obrigados  a  exibir  todos  os  documentos  e  livros  relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação  dada pela Lei nº 11.941/2009).  §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou  informação,  ou  sua  apresentação  deficiente,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  pode,  sem  prejuízo  da  penalidade  cabível,  lançar  de  ofício  a  importância  devida.  (Redação  dada  pela Lei nº 11.941/2009).  (...)  §5º  O  desconto  de  contribuição  e  de  consignação  legalmente  autorizadas  sempre  se  presume  feito  oportuna  e  regularmente  pela  empresa  a  isso  obrigada,  não  lhe  sendo  lícito  alegar  omissão  para  se  eximir  do  recolhimento,  ficando  diretamente  responsável  pela  importância  que  deixou  de  receber  ou  arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.   §6º Se,  no  exame da escrituração contábil  e de qualquer outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.     Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  195.  Para  os  efeitos  da  legislação  tributária,  não  têm  aplicação  quaisquer  disposições  legais  excludentes  ou  limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos,  documentos,  papéis  e  efeitos  comerciais  ou  fiscais,  dos  comerciantes  industriais ou produtores, ou da obrigação destes  de exibi­los.  Parágrafo  único.  Os  livros  obrigatórios  de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados  serão  conservados  até  que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.    A cinco, porque mesmo que a obtenção de  informações  tivesse por amparo  jurídico  a Lei Complementar nº 105/2001, o que,  conforme  já demonstrado, não  é o  caso, o  Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 251          17 inciso V do §3º do art. 1º dessa lei estabelece que não constitui violação do dever de sigilo a  revelação de informações sigilosas com o consentimento dos interessados. No caso em debate,  a intimação para a apresentação dos extratos bancários foi dirigida, diretamente, ao Sr. Arlindo  Alves  de  Oliveira,  sócio  administrador  da  empresa,  que  providenciou  os  extratos  à  Fiscalização, circunstância que denota o consentimento do interessado.  Ademais,  a  prestação  de  informações  nos  termos  e  condições  estabelecidos  nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9º da Lei Complementar nº 105/2001 não constitui violação ao  dever de sigilo, não havendo o Recorrente produzido qualquer prova, tampouco demonstração,  de que tais condições de contorno tenham sido inobservadas pelo Fisco Federal.  Consoante  previsão  legal  assentada  no  art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001,  os  agentes  fiscais  tributários  da  União  poderão  examinar  documentos,  livros  e  registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado  ou  procedimento  fiscal  em  curso  e  tais  exames  sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente.   No  caso  em  exame,  verifica­se  que  o  exame  dos  extratos  bancários  do  Recorrente  deu­se  durante  o  desenvolvimento  de  procedimento  fiscal  regular,  formalizado  mediante Mandado  de  Procedimento  Fiscal,  conforme  identificação  registrada  no  Termo  de  Inicio de Procedimento Fiscal, regularmente recepcionado pelo sujeito passivo.  Por outro lado, a indispensabilidade da medida restou demonstrada em razão  da não contabilização da real movimentação financeira e de diversos outros fatos geradores de  contribuições previdenciárias na contabilidade do sujeito passivo.   A seis, porque os  fatos geradores das contribuições  sociais  incidentes  sobre  as  remunerações  dos  segurados  contribuintes  individuais  –  transportadores  autônomos  coletadores de  leite  ­, não foram apurados a partir dos extratos bancários do Sujeito Passivo,  mas, sim, do exame das planilhas diárias de coleta de leite e notas fiscais de produtores, onde  constavam os nomes dos transportadores autônomos coletadores de leite.  Como  tais  transportadores  não  constavam  nas  folhas  de  pagamento,  tampouco haviam sido declarados nas respectivas GFIP, o Sujeito Passivo, indagado a respeito,  apresentou a Fiscalização relação contendo o nome dos transportadores autônomos coletadores  de leite e os respectivos valores  recebidos mensalmente pelo serviço prestado. De tal  relação  nominal  foram  colhidos  os  fatos  geradores  e  a  base  de  cálculo  do  Levantamento  A1  –  Coletadores de Leite, integrante do AIOP conexo.    Adite­se  que  o  fato  de  a  empresa  apresentar  os  Livros  Contábeis  com  omissões em sua movimentação bancária representa infração objetiva às obrigações tributárias  acessórias  fixadas nos parágrafos 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91,  e configura­se como  motivo  justo,  bastante,  suficiente  e  determinante  para  o  lançamento  de  ofício,  mediante  aferição indireta da base de cálculo, revertendo em desfavor do sujeito passivo o ônus da prova  em contrário, nos termos do permissivo legal encartado nos §§ 3º e 6º do art. 33 acima citado.  Nos lançamentos conexos a este, ante a desconsideração da escrita fiscal pela  Fiscalização,  pelos  justos motivos  já  abordados  neste  voto,  outro  caminho  não  se  abriu  aos  agentes do Fisco que não a apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias então  Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     18 lançadas por aferição indireta, a partir das informações extraídas dos documentos coletados na  empresa ou por esta fornecidos, a saber, notas fiscais de produtor, livros de registro de entrada  e saída de mercadoria, relação contendo o nome e os valores recebidos pelos transportadores de  leite, dentre outros.  Registre­se  que  na  oportunidade  em  que  teve  a  empresa  de  contestar  os  lançamentos acima referidos, sua impugnação administrativa não ultrapassou a argumentação  relativa  ao  lançamento  com  utilização  de  elementos  supostamente  presumidos,  bem  como  a  ocorrência  de  violação  do  sigilo  fiscal,  as  quais,  conforme  demonstrado,  não  ocorreram  nos  caso citados, deixando de impugnar, especificamente, o mérito do lançamento, não produzindo  as provas necessárias à elisão dos lançamentos tributários que ora nos referimos.   Limitou­se o Autuado a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de  esteio  em  indício  de  prova  material,  apoiando­se  única  e  exclusivamente  na  fugacidade  e  efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor  dos reais motivos ensejadores da autuação em referência, não logrando assim desincumbir­se  do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário.   Optou,  a  seu  risco,  por  exortar  asserções  ao  vento,  as  quais  se  mostraram  insuficientes  para  elidir  as  imputações  que  lhe  foram  infligidas  pela  Fiscalização  previdenciária.   Registre­se  por  relevante  que  as  obrigações  tributárias  principais  lançadas  mediante  o  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  nº  37.278.054­7,  foram  julgadas  integralmente procedentes por esta mesma 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, nos  termos  do Acórdão  nº 2302­002.540  ­ 3ª CÂMARA/2ª Turma Ordinária,  de  19  de  junho de  2013, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11516.003632/2010­11.  Nessa  perspectiva,  assentado  formalmente  que  os  fatos  jurídicos  ora  em  debate configuram­se fatos geradores de contribuições previdenciárias, estes deveriam ter sido,  necessariamente, declarados nas GFIP correspondentes, e não o foram.    A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa  ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225,  IV do  Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.  Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada,  o §5º do art. 32 do Pergaminho Legal em foco, na  redação dada pela Lei nº 9.528/97, aviou  norma sancionatória, prevendo a punição do obrigado, em caso de entrega de GFIP contendo  incorreções  ou  omissões  relacionadas  a  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  mediante a inflição de pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor  devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do  mesmo dispositivo legal.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 32. A empresa é também obrigada a:   (...)  IV­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 252          19 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do  INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97)  (...)  §4º  A  não  apresentação  do  documento  previsto  no  inciso  IV,  independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o  infrator à pena administrativa  correspondente a multa  variável  equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no  art.  92,  em  função  do  número  de  segurados,  conforme  quadro  abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97).     0 a 5 segurados  1/2 valor mínimo  6 a 15 segurados  1 x o valor mínimo  16 a 50 segurados  2 x o valor mínimo  51 a 100 segurados  5 x o valor mínimo  101 a 500 segurados  10 x o valor mínimo  501 a 1000 segurados  20 x o valor mínimo  1001 a 5000 segurados  35 x o valor mínimo  acima de 5000 segurados  50 x o valor mínimo    §5º  A  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena  administrativa  correspondente  à  multa  de  cem  por  cento  do  valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos  valores  previstos  no  parágrafo  anterior.  (Parágrafo  acrescentado pela Lei nº 9.528/97).   (...)  §11.  Em  relação  aos  créditos  tributários,  os  documentos  comprobatórios  do  cumprimento  das  obrigações  de  que  trata  este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a  prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que  se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008)     No  mesmo  sentido,  assim  dispõem  os  artigos  225,  IV  e  284,  II  do  Regulamento da Previdência Social ­ RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.  Regulamento da Previdência Social.  Art. 225. A empresa é também obrigada a:  (...)  IV­informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  por  intermédio  da  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária  e  outras  informações de interesse daquele Instituto;    Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     20 Art.  284.  A  infração  ao  disposto  no  inciso  IV  do  caput  do  art.  225  sujeitará  o  responsável  às  seguintes  penalidades  administrativas:  (...)  II­  cem  por  cento  do  valor  devido  relativo  à  contribuição  não  declarada,  limitada  aos  valores  previstos  no  inciso  I,  pela  apresentação  da Guia  de Recolhimento  do  Fundo  de Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  com  dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação  às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem  o  valor das  contribuições, ou do valor que  seria devido  se não  houvesse  isenção ou  substituição,  quando  se  tratar  de  infração  cometida  por  pessoa  jurídica  de  direito  privado beneficente  de  assistência  social  em  gozo  de  isenção  das  contribuições  previdenciárias  ou  por  empresa  cujas  contribuições  incidentes  sobre  os  respectivos  fatos  geradores  tenham  sido  substituídas  por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003)     Art.  373.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente  referidos  neste  Regulamento,  exceto  aqueles  referidos  no  art.  288,  são  reajustados  nas  mesmas  épocas  e  com  os  mesmos  índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da previdência social.    Assentada que a obrigação de prestar informações mediante GFIP se renova  mensalmente,  dessume­se  de  forma  hialina  que  cada  apresentação  de  GFIP  com  omissões/incorreções representa uma infração independente, a qual sofrerá a punição prevista  na lei de forma isolada das demais.  Assim, ainda que a sanção a todas as  infrações representativas de cada uma  das competências apuradas pela fiscalização seja lançada mediante um único Auto de Infração,  o  valor  da  multa  a  ser  estipulada  para  cada  infração  (competência)  tem  que  ser  calculada  individualmente mediante a aplicação, na  íntegra, da memória de cálculo estabelecida no §5º  do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e, ao fim, devidamente somadas.  É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente  capaz  de  manter  sua  Moeda  Corrente  a  salvo  da  corrosão  imposta  pela  inflação.  Ante  a  iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto  legal com um mecanismo arquitetado adrede, visando a minimizar os efeitos devastadores de  tal ocorrência.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  102.  Os  valores  expressos  em  moeda  corrente  nesta  Lei  serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios  de  prestação  continuada da Previdência Social.  (Redação dada pela Medida  Provisória nº 2.187­13, de 2001).  §1º  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  às  penalidades  previstas no art. 32­A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de  2009).    Fl. 262DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 253          21 Revela­se auspicioso salientar que o CTN não  inclui em sua reserva legal a  atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais  não  se  qualificam,  por  expressa  disposição  legal,  como  majoração  de  tributos.  Nessa  perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito  por  qualquer  outro  instrumento  normativo  aquilatado  no  conceito  de  legislação  tributária  estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  I ­ a instituição de tributos, ou a sua extinção;  II  ­  a  majoração  de  tributos,  ou  sua  redução,  ressalvado  o  disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  III  ­  a  definição  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52,  e do seu sujeito passivo;  IV  ­  a  fixação de alíquota do  tributo  e da sua base de  cálculo,  ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  V  ­  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos,  ou  para  outras  infrações  nela  definidas;  VI  ­ as hipóteses de exclusão,  suspensão e extinção de créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  § 1º Equipara­se à majoração do  tributo a modificação da sua  base de cálculo, que importe em torná­lo mais oneroso.  § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto  no  inciso  II  deste  artigo,  a  atualização  do  valor  monetário  da  respectiva base de cálculo.    Art.  100.  São  normas  complementares  das  leis,  dos  tratados  e  das convenções internacionais e dos decretos:  I  ­  os  atos  normativos  expedidos  pelas  autoridades  administrativas;  II ­ as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição  administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa;  III  ­  as  práticas  reiteradamente  observadas  pelas  autoridades  administrativas;  IV ­ os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o  Distrito Federal e os Municípios.   Parágrafo  único.  A  observância  das  normas  referidas  neste  artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de  mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do  tributo.    Na  hipótese  ora  tratada,  os  índices  utilizados  para  o  reajustamento  dos  benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo  Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no  exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição  Federal.  Fl. 263DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     22 Constituição Federal de 1988   Art.  87.  Os  Ministros  de  Estado  serão  escolhidos  dentre  brasileiros  maiores  de  vinte  e  um  anos  e  no  exercício  dos  direitos políticos.  Parágrafo  único.  Compete  ao  Ministro  de  Estado,  além  de  outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei:  (...)  II  ­  expedir  instruções  para  a  execução  das  leis,  decretos  e  regulamentos;    No caso em apreço, o valor mínimo acima referido acima foi atualizado pela  Portaria Interministerial MPS/MF n° 333, de 30 de junho de 2010.  Procedente,  portanto,  o  lançamento  tributário  levado  ora  a  cabo  pela  Autoridade Fiscal Fazendária.    2.2.  DA RETROATIVIDADE BENIGNA    Mudam­se os tempos, mudam­se as vontades,   Muda­se o ser, muda­se a confiança;   Todo o mundo é composto de mudança,   Tomando sempre novas qualidades.    Continuamente vemos novidades,   Diferentes em tudo da esperança;   Do mal ficam as magoas na lembrança,  E do bem (se algum houve) as saudades.    O tempo cobre o chão de verde manto,  Que já cuberto foi de neve fria,   E enfim converte em choro o doce canto.    E, afora este mudar­se cada dia,   Outra mudança faz de mor espanto,  Que não se muda já como soia.  Luís de Camões    Preliminarmente,  deve  ser  destacado  que  no  Direito  Tributário  vigora  o  princípio  tempus  regit  actum,  conforme  expressamente  estatuído  pelo  art.  144  do  CTN,  de  modo  que  o  lançamento  tributário  é  regido  pela  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  do  fato  gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  Fl. 264DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 254          23 §1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.    Nessa  perspectiva,  dispõe  o  código  tributário,  ad  litteram,  que  o  fato  de  a  norma  tributária  haver  sido  revogada,  ou  modificada,  após  a  ocorrência  concreta  do  fato  jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o  crédito tributário correspondente.  O  princípio  jurídico  suso  invocado,  no  entanto,  não  é  absoluto,  sendo  excepcionado  pela  superveniência  de  lei  nova,  nas  estritas  hipóteses  em  que  o  ato  jurídico  tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de  ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha  sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a  novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo  da sua prática.  Ocorre, no entanto, que as normas  jurídicas que disciplinavam a cominação  de  penalidades  decorrentes  da  não  entrega  de GFIP  ou  de  sua  entrega  contendo  incorreções  foram  alteradas  pela  Lei  nº  11.941/2009,  produto  da  conversão  da  Medida  Provisória  nº  449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram  mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas.   Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da  Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32­A, ad litteris  et verbis:  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações  incorretas  ou  omitidas;  e  (Incluído  pela  Lei  nº  11.941/2009)   II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no §3º deste artigo.  (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009)  (grifos nossos)   Fl. 265DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     24 §1º Para  efeito  de  aplicação  da multa  prevista  no  inciso  II  do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não  apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  §2º Observado  o  disposto  no  §3º  deste  artigo,  as multas  serão  reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela  Lei nº 11.941/2009).  II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei  nº 11.941/2009).  §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº  11.941/2009).  I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009).  II  –  R$  500,00  (quinhentos  reais),  nos  demais  casos.  (Incluído  pela Lei nº 11.941/2009).    Originariamente, a conduta  infracional consistente em apresentar GFIP com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  era  punível  com  pena  pecuniária  correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada  aos valores previstos no parágrafo 4º do  art.  32  da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº  449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em  tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações  incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível.  A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este  ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor  do  inciso  I  do  art.  32­A  acima  transcrito,  fato  que  demonstra  tratar­se  a  ora  discutida  imputação,  de  penalidade  administrativa  motivada,  unicamente,  pelo  descumprimento  de  obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstancia­se infração e  implica  a  imposição de penalidade pecuniária,  em atenção às disposições  estampadas no  art.  113, §3º do CTN.  A Secretaria  da Receita  Federal  do Brasil  editou  a  IN RFB  nº  1.027/2010,  que assim dispôs em seu art. 4º:  Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010  Art.  4º  A  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  2009,  passa  a  vigorar acrescida do art. 476­A:  Art. 476­A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos  geradores ocorridos:  I  ­  até  30  de  novembro  de  2008,  deverá  ser  aplicada  a  penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  1966  (CTN),  cuja  Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 255          25 análise  será  realizada  pela  comparação  entre  os  seguintes  valores:  a)  somatório  das  multas  aplicadas  por  descumprimento  de  obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de  1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das  aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos  moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991,  em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e  b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35­A da Lei nº  8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009.    II ­ a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicam­se as multas  previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela  Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei  nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009.  §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no  caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta  para a qual não havia antes penalidade prevista.    Óbvio  está  que  os  dispositivos  selecionados  encartados  na  IN  RFN  nº  1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos,  que  não  podem  ultrapassar  o  âmbito  da  norma  legal  que  rege  a  matéria  ora  em  relevo,  tampouco inovar o ordenamento jurídico.  Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não  vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação  principal  e  com  aquelas  decorrentes  da  inobservância  de  obrigações  acessórias,  para,  em  seguida,  se  confrontar  tal  somatório  com  o  valor  da multa  calculada  segundo  a metodologia  descrita no art. 35­A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa  se revela mais benéfica ao infrator.   Entendo  que  o  exame  da  retroatividade  benigna  deve  se  adstringir  ao  confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória,  calculada  segundo  a  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  dos  fatos  geradores  e  a  penalidade  pecuniária  prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo  que  se  imiscuir  com  a  multa  decorrente  de  lançamento  de  ofício  de  obrigação  tributária  principal. Lé com lé, cré com cré.   A análise da lei mais benéfica não pode superar  tais condições de contorno,  pois,  como  já  afirmado  alhures,  trata­se  de  obrigação  acessória  que  é  absolutamente  independente de qualquer obrigação principal.  Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     26 Note­se que o princípio  tempus regit actum somente será afastado quando a  lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação  acessória,  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo  da  sua  prática.  Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação  entre  (a)  o  somatório  das multas  aplicadas  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  nos  moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos  moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei  nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35­A da Lei nº 8.212/91,  acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair  dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação  entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476­A da IN RFB  nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea  ‘b’ do  inciso  I do mesmo dispositivo  legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica.  De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente  a  lei  formal  pode  dispor  sobre  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos  e  tratar  de  hipóteses  de  exclusão,  suspensão  e  extinção  de  créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  I ­ a instituição de tributos, ou a sua extinção;  II  ­  a  majoração  de  tributos,  ou  sua  redução,  ressalvado  o  disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  III  ­  a  definição  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e  do seu sujeito passivo;  IV  ­  a  fixação de alíquota do  tributo  e da sua base de  cálculo,  ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  V  ­  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos,  ou  para  outras  infrações  nela  definidas;  VI  ­ as hipóteses de exclusão,  suspensão e extinção de créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.    Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.    Mostra­se  flagrante que  a  alínea  ‘a’  do  inciso  I  do  art.  476­A da  Instrução  Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela  IN RFB nº 1.027/2010, é  tendente a excluir,  Fl. 268DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 256          27 sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação  acessória  nos  casos  em  que  a  multa  de  ofício,  aplicada  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  for mais  benéfica  ao  infrator.  Tal  hipótese  não  se  enquadra,  de  forma  alguma,  na  situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106,  II, ‘c’ do CTN, pois emprega como  parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento  de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória.  Há que se  reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e  independentes  entre  si,  pois que a  aplicação de uma não afasta  a  incidência da outra  e vice­ versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa  de  penalidade  pecuniária  estabelecida  mediante  Instrução  Normativa,  favor  tributário  que  somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN.   É  mister  ainda  destacar  que  o  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91,  incluído  pela  Medida  Provisória  nº  449/2008,  apenas  se  refere  ao  lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias previstas nas alíneas  ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma  Lei, das contribuições instituídas a  título de substituição e das contribuições devidas a outras  entidades  e  fundos,  não  produzindo  qualquer  menção  às  penalidades  administrativas  decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art.  44 da Lei nº 9.430/96.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.     Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor  do  pagamento  mensal:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.488/2007)  a)  na  forma  do  art.  8o  da  Lei  no  7.713,  de  22  de  dezembro  de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário  correspondente,  no  caso  de  pessoa  jurídica.  (Incluída pela Lei nº 11.488/2007)  § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  Fl. 269DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI     28 outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)  (...)  § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007)   I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela  Lei nº 11.488/2007)   II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts.  11  a  13  da  Lei  nº  8.218,  de  29  de  agosto  de  1991;  (Renumerado  da  alínea  "b",  com  nova  redação  pela  Lei  nº  11.488/2007)   III  ­ apresentar a documentação  técnica de que  trata o art.  38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação  pela Lei nº 11.488/2007)  §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.    Assim,  em  virtude  da  total  independência  e  autonomia  entre  as  obrigações  tributárias principal e acessória, o preceito  inscrito no art. 35­A da Lei nº 8.212/91,  incluído  pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão  exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do  FGTS e Informações à Previdência Social.  Uma  vez  que  a  penalidade  pelo  descumprimento  de  obrigação  acessória  encontra­se  prevista  em  lei,  somente  o  Poder  Legislativo  dispõe  de  competência  para  dela  dispor.  A  legislação  complementar,  na  forma  de  Instrução  Normativa  emanada  do  Poder  Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a  diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu,  a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão  de  crédito  tributário,  em  flagrante  violação  às  disposições  insculpidas  no  §6º  do  art.  150  da  CF/88, o qual exige lei em sentido estrito.   Vislumbra­se inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser  flagrantemente  ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa  isolada em GFIP,  mesmo  que  o  sujeito  passivo  haja  promovido,  tempestivamente,  o  exato  recolhimento  do  tributo correspondente, conforme assentado no art. 32­A da Lei nº 8.212/91.   Nesse  contexto,  afastada  por  ilegalidade  a norma  estatuída  pela  IN RFB  nº  1.027/2010, por  representar a novel  legislação encartada no art. 32­A da Lei nº 8.212/91 um  benefício ao contribuinte, verifica­se a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso  II  do  art.  106 do CTN, devendo  ser observada a  retroatividade benigna,  sempre que  a multa  decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32­A da Lei nº 8.212/91  cominar  ao  Sujeito  Passivo  uma  penalidade  menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo da ocorrência da infração.  Fl. 270DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.003636/2010­08  Acórdão n.º 2302­003.241  S2­C3T2  Fl. 257          29 Assim,  em  relação  ao  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória  nº  37.278.060­1,  CFL  68,  tratando­se  o  caso  nele  versado  de  hipótese  de  entrega  de  GFIP  contendo  informações  incorretas  ou  com  omissão  de  informações,  deverá  ser  aplicada  a  penalidade prevista no inciso I do art. 32­A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº  11.941/2009, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente.    3.   CONCLUSÃO:  Pelos  motivos  expendidos,  CONHEÇO  PARCIALMENTE  do  Recurso  Voluntário  para,  no  mérito,  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL,  devendo  o  valor  da  penalidade  pecuniária  aplicada  mediante  o  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória  nº  37.278.060­1, CFL 68,  ser  recalculado,  tomando­se em consideração  as disposições  inscritas  no  inciso  I  do  art.  32­A  da  Lei  nº  8.212/91,  na  redação  dada  pela Lei  nº  11.941/2009,  se  e  somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção  ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva, Relator.                              Fl. 271DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI

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Numero do processo: 13656.000495/2001-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS (LEI N. 9.363/96). CONSÓRCIO CONSTITUÍDO PARA CRIAÇÃO DE PARQUE INDUSTRIAL. PREVISÃO DE PRAZO DE DURAÇÃO LONGO E POSSIBILIDADE DE PRORROGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE DESCARACTERIZAÇÃO PARA SOCIEDADE DE FATO. LEGITIMIDADE ATIVA DA PARTICIPANTE RECONHECIDA. Não é dotado de personalidade jurídica o Consórcio constituído com observância dos artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404/76, não perdendo essa condição pelo fato de seu prazo determinado ser longo e com possibilidade de prorrogação, não podendo, portanto, pleitear o ressarcimento, a restituição ou a compensação de crédito fiscal em seu nome. Por isso é descabida a desconsideração do Consórcio para qualificá-lo como sociedade de fato, devendo ser reconhecida a legitimidade ativa da participante do Consórcio para pleitear, em nome próprio, o ressarcimento, a restituição ou a compensação do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96, eis que constatado que produz em estabelecimento próprio, embora comum, e após destina seus produtos ao exterior. Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3402-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial para afastar a ilegitimidade ativa para pedido de ressarcimento e determinar o retorno dos autos a DRJ para análise do mérito. Designado conselheiro João Carlos Cassuli Junior para redigir o voto vencedor. (Assinado Digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator/Presidente em exercício. (Assinado Digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR – RELATOR DESIGNADO. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2380; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 839          1 838  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13656.000495/2001­01  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­002.218  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de outubro de 2013  Matéria  IPI  Recorrente  ABALCO SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI  COMO  RESSARCIMENTO  DE  PIS  E  COFINS  (LEI  N.  9.363/96).  CONSÓRCIO  CONSTITUÍDO  PARA  CRIAÇÃO  DE  PARQUE  INDUSTRIAL.  PREVISÃO  DE  PRAZO  DE  DURAÇÃO  LONGO  E  POSSIBILIDADE  DE  PRORROGAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DESCARACTERIZAÇÃO  PARA  SOCIEDADE  DE  FATO.  LEGITIMIDADE  ATIVA  DA  PARTICIPANTE  RECONHECIDA.  Não  é  dotado  de  personalidade  jurídica  o  Consórcio  constituído  com  observância  dos  artigos  278  e  279  da  Lei  nº  6.404/76,  não  perdendo  essa  condição pelo  fato de seu prazo determinado ser  longo e com possibilidade  de prorrogação, não podendo, portanto, pleitear o ressarcimento, a restituição  ou  a  compensação  de  crédito  fiscal  em  seu  nome.  Por  isso  é  descabida  a  desconsideração  do  Consórcio  para  qualificá­lo  como  sociedade  de  fato,  devendo  ser  reconhecida  a  legitimidade  ativa  da  participante  do Consórcio  para  pleitear,  em  nome  próprio,  o  ressarcimento,  a  restituição  ou  a  compensação  do  crédito  presumido  de  IPI  previsto  na  Lei  nº  9.363/96,  eis  que  constatado  que  produz  em  estabelecimento  próprio,  embora  comum,  e  após destina seus produtos ao exterior.  Recurso Parcialmente Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  4ª  câmara  /  2ª  turma  ordinária  da  terceira   SSEEÇÇÃÃOO   DDEE   JJUULLGGAAMMEENNTTOO,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  para  afastar  a  ilegitimidade ativa para pedido de ressarcimento e determinar o retorno dos autos a DRJ para  análise  do  mérito.  Designado  conselheiro  João  Carlos  Cassuli  Junior  para  redigir  o  voto  vencedor.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 04 95 /2 00 1- 01 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     2   (Assinado Digitalmente)  GILSON  MACEDO  ROSENBURG  FILHO  –  Relator/Presidente  em  exercício.    (Assinado Digitalmente)  JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR – RELATOR DESIGNADO.    Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros  João  Carlos  Cassuli  Junior,  Silvia  de  Brito  Oliveira,  Fernando  Luiz  da  Gama  Lobo  D’Eça,  Francisco  Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Winderley Morais Pereira.  Fl. 879DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13656.000495/2001­01  Acórdão n.º 3402­002.218  S3­C4T2  Fl. 840          3   Relatório  Como  forma  de  elucidar  os  fatos  ocorridos  até  a  decisão  da  Delegacia  da  Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis:  Trata  o  presente  processo  de  pedido  de  ressarcimento  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  IPI  formalizado  em  08/11/2001  pela  empresa  em  epígrafe,  referente  ao  crédito  presumido apurado nos termos da Lei n° 10.276/2001, por meio  do requerimento de fls. 01, no qual se pleiteia o reconhecimento  do  crédito  no  valor  de  R$  570.715,07,  correspondente  ao  1°  trimestre de 2001.  A contribuinte juntou em 19/11/2001, o Pedido de Compensação  de fls. 48, para utilização do crédito pleiteado na compensação  do IRRF e da CSL, fato gerador 09/2001.  Ainda  para  compensação  com  o  débito  de  IRPJ  e  CSL,  fato  gerador  09/2001,  o  contribuinte  utilizou  o  crédito  presumido  apurado nos  termos da Lei n° 10.276/2001, pleiteado por meio  dos  Pedidos  de  Ressarcimento  de  Crédito  Presumido  de  IPI,  datados  de  14/11/2001,  que  originaram  os  processos  de  n°  13656.000503/2001­10,  referente ao 2°  trimestre de 2001,  e de  n° 13656.000504/2001­56, referente ao 3° trimestre de 2001.  A  DRF/PCS/S/AORT  formalizou  em  14/09/2004  o  processo  n°  13656.000738/2004­46 para receber os débitos de IRPJ, código  2362,  dos períodos  de  apuração 09/2001  e 10/2001,  e  de CSL,  código  2484,  períodos  de  apuração  09/2001,  cujos  Pedidos  de  Compensação encontram­se nos processos 13656.000503/2001­ 10, 13656.000504/2001­56 e no presente processo às fls. 48.  As compensações em comento foram apreciadas pela autoridade  preparadora no processo n° 13656.000738/2004­46, formalizado  em 14/09/2004, e  foram declaradas não homologadas conforme  decisão  exarada  em  13/07/2006  (fls.  390/393).  Inconformada  com  a  decisão,  a  requerente  apresentou  manifestação  de  inconformidade face à não homologação das compensações.  Em atendimento ao disposto no art. 2° combinado com o inciso  III  do  art.  1°,  ambos  da  Portaria  n°  6.129  de  02/12/2005,  procedeu­se à anexação do processo 13656.000738/2004­46 ao  presente processo para prosseguimento do feito.  A  fim  de  iniciar  os  procedimentos  de  verificação  do  crédito  presumido de IPI, cujo ressarcimento foi solicitado, lavrou­se o  Termo de Inicio de Fiscalização, cópia às fls. 79/80, por meio do  qual se intimou a empresa a apresentar os esclarecimentos e os  documentos nele especificados.  Em  atendimento  à  intimação  a  requerente  apresentou  em  03/03/2006,  os  documentos  e  esclarecimentos  solicitados  Fl. 880DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     4 (fls.84/95).  Após  análise  da  referida  documentação,  lavrou­se,  em 20/04/2006, o Termo de Intimação Fiscal, cópia às fls. 96/97  nos seguintes termos:  "Em  03/03/06,  por  ocasião  do  atendimento  da  intimação  efetuada, através do Termo de Início, datado de 26/01/2006, essa  empresa  apresentou  à  fiscalização  o  relatório  descritivo  do  processo produtivo, desenvolvido na unidade do Maranhão, que  originou os créditos pleiteados.  No citado documento, verificamos o timbre do CONSÓRCIO DE  ALUMÍNIO  DO  MARANHÃO  ­  ALUMAR,  o  que  nos  levou  a  deduzir  que  a  produção  da  filial  dessa  empresa  no Maranhão  tem  sido  feita,  na  verdade  pelo  referido  consórcio.  Os  funcionários que atenderam a fiscalização referiram a esse fato,  afirmando  inclusive,  que  a  mencionada  filial  não  possui  um  parque  industrial próprio, estando  instalada algumas em salas,  dentro do complexo ALUMAR.  Ao verificarmos os livros apresentados, constatamos a existência  de referência, nos mesmos, do consórcio ALUMAR.  Portanto,  faz­se  necessário  que  essa  empresa  preste  algumas  informações,  no  sentido  de  esclarecer  o  papel  do  referido  consórcio  em  sua  produção,  a  fim  de  possibilitar  que  a  fiscalização  dê  continuidade  a  seu  trabalho  de  verificação  dos  créditos pleiteados.  Dessa  forma,  no  exercício  das  funções  de  auditor­Fiscal  da  Receita  Federal,  dando  continuidade  aos  trabalhos  de  investigação  da  presente  fiscalização,  INTIMAMOS,  essa  empresa,  com  base  nos  art.  428,  431,  432,  434,  443  e  444  do  Decreto n°4.544, de 26 de dezembro de 2002  (Regulamento do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  —  RIPI/02),  para  no  prazo  de  05  (cinco)  dias  úteis,  contados  do  recebimento  deste  termo,  apresentar  os  documentos/esclarecimentos  abaixo  especificado:  1.  Esclarecer  se  se  no  período  dos  créditos  pleiteados,  a  produção  foi  realizada  pela  própria  filial  da  empresa  no  Maranhão,  em  estabelecimento  industrial  próprio  ou  de  terceiros;  2. Explicar como se deu a produção do período, com relação às  compras de insumos e venda dos produtos, inclusive a forma de  contabilização adotada em relação ao consórcio;  3. Apresentar os documentos constitutivos do Consórcio Alumar,  esclarecendo  quais  as  empresas  participantes,  qual  o  objetivo  visado  pelo  mesmo  e  qual  o  prazo  de  duração  do  empreendimento;  4 Esclarecer como o referido consórcio é administrado e se tem  funcionários próprios, distintos das empresas participantes.  Atendendo a intimação datada de 20/04/2006, a requerente traz  os  documentos,  juntados  às  fls.  98/239,  com  os  devidos  esclarecimentos, parcialmente reproduzidos abaixo:  Fl. 881DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13656.000495/2001­01  Acórdão n.º 3402­002.218  S3­C4T2  Fl. 841          5 "(...)  Abalco é sediada em Poços de Caldas­MG e têm filiais em São  Luís  (MA)  e  Belém­PA.  Desde  sua  constituição  em  1995,  o  exercício  de  seu  objeto  social,  ou  seja,  a  produção  e  demais  atividades  com  o  produto  alumina  ocorre  no  âmbito  de  um  consórcio de sociedades tal como previsto nos artigos 278 e 279  da lei que dispõe sobre as sociedades por ações, Lei nº 6.404/76  ­ o Consórcio de Alumínio do Maranhão – “Consórcio Alumar”  de que a Abalco é uma das sociedades consorciadas.  Deste modo, respondendo objetivamente à questão formulada, a  produção  da  empresa  Abalco  S/A  ocorre  em  estabelecimento  fabril  (fábrica  de  Alumina)  que  pertence  à  Abalco  S/A  e  às  demais  sociedades  consorciadas  do  Consórcio  Alumar  no  específico  empreendimento  de  refinaria  de  alumina,  do  qual  Abalco  S/A  participa  com  18,9%,  sendo  portanto  esse  o  percentual da fração ideal se sua propriedade nesta fábrica.  (...)  Abalco S/A compra diretamente parte dos insumos necessários à  sua produção,  tais como energia elétrica, bauxita, carvão, soda  e  óleo  BPF  (matérias­primas  primárias).  Todo  o  processo  de  controle  de  custos  com  depreciação,  seguros  e  faturamento  é  controlado diretamente pela Abalco S/A.  No  que  diz  respeito  à  venda  do  produto  acabado  alumina,  Abalco S/A é a única responsável pela direta comercialização ou  outra  forma de disposição do percentual de alumina produzida  no âmbito do Consórcio Alumar cuja propriedade  lhe cabe por  disposição contratual (18,9%).  A  administração  do  Consórcio  Alumar  é  responsável  pelas  aquisições,  contabilização  e  escrituração  em  livros  auxiliares  próprios e subseqüente rateio entre as sociedades consorciadas  dos valores relativos a suprimentos, serviços, ativo fixo, folha de  pagamento  dos  empregados,  materiais  intermediários  e  similares. As vendas de sucatas e de ativo.  Segue  anexo  o  contrato  consolidado  do  Consórcio  Alumar  celebrado  em  01.01.1995  pelas  sociedades  consorciadas  Alcoa  Alumínio  AS,  Abalco  S/A,  Billiton  Metais  S/A,  (cuja  nova  denominação  é  BHP  Billiton  Metais  AS)  e  Alcan  Alumínio  do  Brasil S/A (em 2004 substituída por Alcan Alumina Ltda.).  As  sociedades  supra mencionadas  constituíram o Consórcio  de  Alumínio  do  Maranhão  com  o  objetivo  de  construção  e  implementação  em  São  Luís  do  Maranhão  de  complexos  industriais, porto e  instalações de apoio para empreender duas  fábricas distintas o refino de alumina e a redução de alumínio,  bem como operação dessas fábricas até o dia 31.03.2050, prazo  esse renovável por períodos de um ano.  (...)  Fl. 882DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     6 A  administração  do  consórcio  é  exercida  pela  sociedade  consorciada  nomeada Gerente  de  operações  do  consórcio  ­  in  casu  Alcoa  Alumínio  S/A.  Todas  as  regras  que  norteiam  a  administração  do  Consócio  Alumar  estão  minudentemente  previstas no artigo VI do contrato de consórcio.  (...)”  Da  verificação  da  legitimidade  e  materialidade  do  crédito  resultou o Relatório Fiscal de  fls. 240/244, no qual se concluiu  não  ser  admissível  o  pedido  de  ressarcimento  efetuado  pelo  contribuinte no presente processo, tendo em vista que a empresa  não  se  enquadra  nos  pressupostos  legais  para  fruição  do  beneficio fiscal.  Na  análise  do  pleito  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Poços de Caldas­MG, a autoridade administrativa, lastreada no  Relatório  Fiscal  de  fls.  240/244,  INDEFERIU  o  pedido  de  ressarcimento do Crédito Presumido de IPI por meio da Decisão  de  fls.  246/247,  não  reconhecendo  o  direito  ao  crédito  no  montante  de  R$570.715,07  e  DECLAROU  NÃO  HOMOLOGADAS as  compensações  efetuadas,  que  constam do  Pedido  de  Compensação  de  fls.  48,  conforme  Decisão  de  fls.390/393.  Regularmente cientificada, apresentou em 07/07/2006, por meio  de procurador habilitado pelo documento de fls. 275, 280 e verso  a manifestação de inconformidade contra decisão que  indeferiu  o pedido de  ressarcimento  (fls. 253/274),  e em 14/08/2006, por  meio de procurador habilitado pelo documento de fls. 416, 419 e  verso,  a  manifestação  de  inconformidade  contra  não  homologação  da  compensação  (fls.  395/415),  abrigando  os  mesmos pontos de defesa abaixo:  I — Cabimento e Tempestividade;  II — Os Fatos Antecedentes  Alega a requerente que ela e as empresas ALCOA Alumínio S/A  ("ALCOA"), BHP Bilinton Metais S/A ("BHP") e Alcan Alumina  Ltda.  ("ALCAN")  constituíram  um  Consórcio  no  Município  de  São  Luís,  Estado  do Maranhão,  de  acordo  com  o  disposto  nos  artigos 278 e 279 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976  ("Lei  das  sociedades  Anônimas"),  por  tempo  determinado,  no  intuito de explorar as atividades de refino de Alumina e também  de  redução  de  Alumínio  primário.  A  requerente  participa  tão  somente do refino de alumina;  III ­ Os Fatos  Afirma que toda atuação da requerente se dá exclusivamente no  Âmbito do Consórcio Alumar. Por este motivo, a receita apurada  pela  requerente  decorre  dessa  participação.  Da mesma  forma,  todos os créditos presumidos de IPI são oriundos de aquisições  no  mercado  nacional,  a  que  a  lei  confere  direito  ao  crédito,  destinadas a viabilizar a sua participação no Consórcio, com a  fabricação/produção de bens.  Fl. 883DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13656.000495/2001­01  Acórdão n.º 3402­002.218  S3­C4T2  Fl. 842          7 Afirma  ainda  que  as  receitas  sejam  apuradas  pela  requerente,  em  razão  do  Consórcio  Alumar  não  possuir  personalidade  jurídica  e  que  em  razão  dessa  ausência  de  personalidade  jurídica, o Consórcio não apura receitas, despesas ou créditos,  não apresenta declarações, enfim, não é sujeito de direitos para  efeitos  fiscais.  As  receitas  decorrentes  da  participação  no  Consórcio são da requerente e dos demais consorciados.  Diz  que  em  contrapartida,  a  requerente  também  incorre  em  despesas para  realizar a  sua atividade  e,  com  isso,  sustentar a  sua  participação  em  tal Consórcio. Da mesma  forma,  adquire,  no mercado nacional, matérias primas, produtos intermediários  e material de embalagem, para utilização no processo produtivo  Em relação a estas aquisições, que se relacionam integralmente  à  sua  participação  no  Consórcio  Alumar,  apura  crédito  presumindo de IPI, nos termos do artigo 1° da Lei n° 9.363/96.  IV — A Decisão de Primeira Instância Administrativa  Alega  que  a  D.  Autoridade  Julgadora  presume  que  todas  as  aquisições  feitas  pela  requerente  no  mercado  nacional  para  produção no processo produtivo a que a lei confere o direito ao  crédito presumido de IPI, apenas porque foram feitas no intuito  de sustentar sua participação nesse Consórcio, não podem gerar  crédito  presumido  de  IPI  a  favor  da  Requerente,  porque  o  Consórcio Alumar é uma sociedade de fato.  Assim,  o  que  se  verifica  é  que  a  r.  decisão  ora  impugnada  entende que as atividades praticadas pela Requerente no âmbito  do Consórcio Alumar, pelo  fato de  serem realizadas no parque  industrial  do  Consórcio  Alumar,  desqualificam  a  condição  da  requerente  de  empresa  produtora.  O  fato  de  a  requerente  realizar  suas  atividades  no  parque  industrial  do  Consórcio  Alumar não retira (i) sua condição de empresa produtora, já que  sua  função é  refinar a alumina dentro do âmbito do Consórcio  Alumar;  e  (ii)  o  direito  ao  crédito  presumido  de  IN,  já  que  o  consórcio  não  possui  personalidade  jurídica  e  nem  mesmo  é  sujeito  de  direito  para  efeitos  fiscais,  o  que  significa  que  a  Requerente,  da mesma  forma  que  as  demais  consorciadas,  são  independentes  e  autônomas  para  apurar  suas  receitas,  suas  despesas e seus créditos;  V — Os Motivos determinantes para a reforma da Decisão de fls.  V. 1 — Preliminar de Nulidade  Alega  que  os  julgadores  partiram  da  presunção  de  que  o  Consórcio Alumar não teria sido constituído para atender a um  empreendimento  determinado  e,  com  base  nessa  presunção,  indeferiu­se o pedido de ressarcimento dos créditos de IPI e que  somente  poderiam  ter  procedido  à  glosa  do  crédito  se,  após  realizadas  as  devidas  diligências  e  verificações  junto  ao  Consórcio  Alumar,  restasse  verificado  que  se  trata  de  uma  sociedade de fato.  Fl. 884DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     8 Entende  que  o  princípio  do  contraditório  e  a  presunção  de  inocência até a prova em contrário seriam desprezados se fosse  admitida  como  legítima  a  presunção  como  meio  de  prova  de  acusação. Ademais, é princípio basilar de Direito que o ônus da  prova cabe a quem alega. Os meios de prova de que vale para  estabelecer  o  que  é  de  direito,  em  um  determinado  caso  controvertido,  servem  para  direcionar  a  convicção  da  autoridade,  que  deve  emanar  o  provimento  administrativo  de  lançamento.  Portanto,  cabe  à  D.  Fiscalização  munir­se  das  provas necessárias à comprovação das acusações feitas em tomo  do não preenchimento dos requisitos para o creditamento.  V. 2 — O Mérito  V. 2. 1 — Os consórcios na legislação brasileira.  Declara que a lei n° 6.404, de 15.12.1976 ("Lei das S.A."), nos  artigos 278 e 279, regulamenta a matéria relativa à constituição  de  consórcios  entre  sociedades  e  que  o  consórcio  de  empresas  representa  a  comunhão  de  interesses  e  de  atividades  diversos  para  tender  a  específicos  projetos  empresariais,  servindo  para  agregar diferentes meios para a consecução de um único fim.  Referindo­se  às  características  dos  consórcios,  a  exposição  de  motivos  da  Lei  das  S.A. menciona  que  "completando  o  quadro  das  várias  formas  associadas  de  sociedades,  o  Projeto,  (...),  regula  o  consórcio  como  modalidade  de  sociedade  não  personificada  que  tem  por  objeto  a  execução  de  determinado  empreendimento".  Defende que o instituto do consórcio apresenta condições para a  participação  de  sociedades  independentes  em  empreendimento  específicos,  cuja  execução  dependa  do  conjunto  de  atributos  e  recursos  técnicos,  operacionais  e  financeiros  de  cada  um  dos  integrantes  e  que  é  esse  exatamente  o  caso  dos  autos,  a  participação  num  empreendimento  de  refino  de  alumina  e  a  redução de Alumínio primário no Maranhão.  Afirma que  os  consórcios diferem das Sociedades  de Propósito  Específico  e  demais  formas  de  associação  de  sociedades  (por  exemplo,  fusões,  incorporações,  etc.)  em  razão  do  caráter  temporário da união; ou seja, nas demais formas de associação  de  empresas  criam­se  situações  jurídicas  válidas  por  tempo  indeterminado,  ao  passo  que  o  consórcio  implica  na  união  temporária de seus integrantes. No presente caso, existe previsão  específica de prazo para o consórcio;  V. 2. 2 — Ilegitimidade do Fisco Federal.  Entende  que  não  cabe  à  D.  Autoridade  Julgadora  analisar  aspectos  societários  relacionados  ao  Consórcio  Alumar,  principalmente  quando  se  verifica  que  tal  consórcio  foi  constituído  de  forma  regular  e  não  apresenta  qualquer  irregularidade que possa desqualificá­lo. Da mesma forma, não  cabe  ao  Fisco  Federal  impor  limites  ao  sentido  do  termo  "empreendimento especifico" se a própria lei não o fez;  V.2.  3 — Finalidade do Consórcio Alumar — Empreendimento  específico.  Fl. 885DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13656.000495/2001­01  Acórdão n.º 3402­002.218  S3­C4T2  Fl. 843          9 Afirma que, no presente caso, o prazo e o empreendimento são  determinados, não existindo qualquer dúvida a esse respeito. O  prazo é até 31.3.2050 e o empreendimento é refino de Alumina e  também  a  redução  de  alumínio  primário  e  que  as Autoridades  administrativas  sempre  reconheceram  a  existência  e  a  regularidade  do  consórcio  Alumar.  Tanto  é  verdade  que,  no  diário Oficial do dia 30.3.2006, foi publicado o Ato Declaratório  nº  5/2006,  por  meio  do  qual  a  Superintendente­Substituta  da  Receita  Federal  na  3ª  Região  Fiscal  declarou  alfandegado  o  "Terminal Portuário Alumar".  V.2.4 — Direito da Requerente aos créditos presumidos de IPI  Alega  que  mesmo  possuindo  CNPJ  os  consórcios  não  estão  obrigados  a  apresentar  a  DIPJ,  tampouco  DCTFs  e  os  rendimentos decorrentes das atividades desses consórcios devem  ser  computados  nos  resultados  das  empresas  consorciadas,  proporcionalmente  à  participação  de  cada  uma  no  empreendimento.  Afirma  que  com  relação  ao  IPI,  vale  a  mesma  regra  descrita  acima:  o  imposto  deve  ser  recolhido  por  cada  uma  das  consorciadas,  levando  em  consideração  as  operações  decorrentes de sua parcela de atividades. Da mesma forma, em  razão das aquisições no mercado nacional de matérias­primas,  de  produtos  intermediários  e  de  material  de  embalagem  para  utilização no processo produtivo, as consorciadas  fazem  jus ao  crédito presumido de IPI.  V.2.5­ Inexistência de prejuízo ao erário  Alega  que  diante  da  inexistência  de  qualquer  comprovação  de  prejuízo  ao  erário  causado  pelas  atividades  do  Consórcio  Alumar  é  inviável  desconsiderá­lo  para  efeito  de  apuração  do  crédito presumido de IPI;  A  2ª  turma  da  DRJ  em  Juiz  de  Fora  (MG)  julgou  a  manifestação  de  inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 09­14720, de 09 de outubro de 2006,  cuja ementa foi vazada nos seguintes termos:  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001  Ementa: NULIDADE. INOCORRÊNCIA. No desenvolvimento da  relação processual, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto a  fato constitutivo do seu direito.  CONSÓRCIO  DE  EMPRESAS.  REQUISITOS.  EMPREENDIMENTO  DETERMINADO.  DESCARACTERIZAÇÃO.  O  objeto  do  consórcio  deve  ser  necessariamente  identificado  e  limitado,  sob  o  risco  de  configuração  de  uma  sociedade  de  fato.  A  exploração  das  atividades  de  refino  de  Alumina  e  também  de  redução  de  Alumínio  primário  não  pode  ser  caracterizada  como  um  empreendimento  determinado,  para  fins  de  respaldar  a  Fl. 886DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     10 constituição  de  um  consórcio  de  empresas  nos  termos  da  legislação  comercial.  É  necessário  que  o  empreendimento  seja  determinado  quanto  ao  contrato  ou  negócio  jurídico  especificamente envolvido.  RESSARCIMENTO  DE  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI.  INADMISSIBILIDADE DO PEDIDO.  Inadmissível  o Pedido de  ressarcimento de Crédito Presumido de IPI por empresa que não  se  enquadra  nos  pressupostos  legais  para  fruição  do  benefício  fiscal.  COMPENSAÇÃO. Na ausência do reconhecimento do direito ao  crédito  não  há  que  se  falar  em  homologação  da  compensação  efetuada.  Solicitação Indeferida.  Inconformado  com  a  decisão  de  primeiro  grau,  o  recorrente  protocolou  recurso  voluntário  valendo­se  dos  mesmos  argumentos  apresentados  na  manifestação  de  inconformidade.  É o relatório.  Fl. 887DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13656.000495/2001­01  Acórdão n.º 3402­002.218  S3­C4T2  Fl. 844          11   Voto Vencido  Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator.  A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como  dos demais requisitos de admissibilidade, de forma que tomo conhecimento do recurso e passo  a análise de mérito.  A discussão posta nos autos diz  respeito ao  indeferimento de ressarcimento  de  crédito  presumido  do  IPI  para  ressarcimento  do  PIS  e  da  Cofins  incidentes  sobre  as  aquisições  no  mercado  interno  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  utilizados  no  processo  produtivo  de  mercadorias  exportadas,  benefício  fiscal  instituído pela Lei nº 10.276/2001.  Os fundamentos jurídicos e legais apresentados neste processo são idênticos  aos  apresentados no processo nº 13656000504/2001­56 e  já  foram objeto de deliberação por  esse Colegiado. Na ocasião não participava da Turma, contudo, após fazer uma análise crítica  nos  votos  vencedores  e  vencidos,  fiquei  convencido  de  que  a  decisão  da DRJ  não  deve  ser  reformada,  pelos  didáticos  e  brilhantes  motivos  apresentados  pelo  Conselheiro  Julio  César  Alves Ramos em seu voto proferido na ocasião do julgamento do recurso voluntário interposto  no citado processo.  Peço  vênia  ao  citado  conselheiro  para  reproduzir  seu  arrazoado  e  utilizá­lo  como razão de decidir, verbis:  (...) a figura do consórcio foi mesmo, a meu sentir, utilizada em  abuso  pelas  empresas.  Assim  penso  porque  ela  se  apresenta  como  uma  alternativa  concedida  pelo  legislador  à  simples  constituição  de  uma  nova  empresa  com  personalidade  jurídica  própria.   Ela  se  aplica,  pois,  à  constituição  de  uma  unidade  econômica  nova  e  distinta  das  empresas  constituintes  porque  voltada  à  exploração de uma atividade econômica com  fins empresariais.  Em outras palavras, uma unidade que promoverá a venda de um  bem  –  previamente  produzido  ou  não  –  ou  a  prestação  de  serviços,  em  sentido  lato.  Isto  é,  uma  unidade  na  qual  se  desenvolverá  uma  atividade  econômica  geradora,  pois,  de  receitas,  custos  e  despesas,  mas  cujo  caráter  transitório  desobriga à constituição de uma unidade juridicamente capaz de  direitos e obrigações.  Essa conclusão decorre da expressão utilizada pelo legislador ­  empreendimento – o qual, a meu sentir, não se confunde com a  mera produção de uma mercadoria. Empreendimento é sinônimo  de empresa.  Outra não é, aliás, a definição de “empreendimento” dada pelo  maior de nossos lexicógrafos:  Fl. 888DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     12 empreendimento  [De empreender + imento.]  Substantivo masculino.  1.Ato de empreender; empresa.  2.Efeito  de  empreender;  aquilo  que  se  empreendeu  e  levou  a  cabo; empresa; realização; cometimento.  ________________  HOLLANDA  FERREIRA,  Aurélio  Buarque  de.  NOVO  DICIONÁRIO  AURÉLIO  DA  LÍNGUA  PORTUGUESA.  2ª  edição  revista  e  ampliada. 36ª impressão. Ed. Nova Fronteira. Rio de Janeiro.  E ela se confirma pela leitura integrada dos requisitos postos na  lei que destaco na transcrição que segue:  “Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o  mesmo  controle  ou  não,  podem  constituir  consórcio  para  executar  determinado  empreendimento,  observado  o  disposto  neste Capítulo  1º.  O  consórcio  não  tem  personalidade  jurídica  e  as  consorciadas  somente  se  obrigam  nas  condições  previstas  no  respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações,  sem presunção de solidariedade.  § 2º. A  falência de uma consorciada não se estende às demais,  subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos  que porventura  tiver a  falida serão apurados e pagos na  forma  prevista no contrato de consórcio.  Art.  279.  O  consórcio  será  constituído  mediante  contrato  aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a  alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão:  I ­ a designação do consórcio se houver;  II – o empreendimento que constitua o objeto do consórcio;  III ­ a duração, endereço e foro;  IV  ­  a  definição  das  obrigações  e  responsabilidade  de  cada  sociedade consorciada, e das prestações específicas;  V  ­  normas  sobre  recebimento  de  receitas  e  partilha  de  resultados;  VI  ­  normas  sobre  administração do  consórcio,  contabilização,  representação  das  sociedades  consorciadas  e  taxa  de  administração, se houver;  VII  ­  forma de deliberação sobre assuntos de  interesse comum,  com o número de votos que cabe a cada consorciado;  Fl. 889DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13656.000495/2001­01  Acórdão n.º 3402­002.218  S3­C4T2  Fl. 845          13 VIII  –  contribuição  de  cada  consorciado  para  as  despesas  comuns, se houver.  Parágrafo  único.  O  contrato  de  consórcio  e  suas  alterações  serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede,  devendo a certidão do arquivamento ser publicada.”  Ou  seja,  entre os  requisitos  do  contrato  do  consórcio,  além da  fixação da duração do empreendimento, consta com destaque a  fixação de regras para partilha de receitas e de resultados.  Com  as  informações  existentes  nos  autos  antes  da  diligência  proposta, podia­se talvez considerar precipitada a conclusão das  autoridades administrativas, baseada que estava unicamente na  duração  indeterminada  da  exploração  a  ser  realizada.  Note­se  que  o  argumento  contrário  da  recorrente,  enfatizando  estar  presente no contrato a duração, é bastante frágil na medida em  que embora conste ali uma data – 2050 – há também previsão de  renovação indeterminada daquele prazo final.  Ainda  assim,  entendia  que  se  houvesse  mesmo  um  empreendimento  que  atendesse  aos  demais  requisitos  legais,  poder­se­ia  superar  aquela  restritiva  interpretação,  mormente  porque,  fora  o  crédito  presumido,  nenhuma  perda  tributária  estaria sendo imposta aos sujeitos ativos.  Ocorre  que  não  há  empreendimento  algum.  Deveras,  o  que  contrataram as empresas – agora está claro – foi meramente a  constituição,  em  comum,  de  um  estabelecimento  produtivo,  em  que se realizaria a atividade de produção de alumina no Pará.  O que há de fato é isso: um estabelecimento (que funciona como  filial  de  cada  empresa)  em  que  elas,  em  conjunto,  produzem  alumina que é depois entregue a cada uma para o uso que cada  uma melhor entender.  Não é por outro motivo, aliás, que não há receita alguma a ser  partilhada.  A  receita  é  gerada  fora  daquela  unidade,  quando  cada  empresa,  agindo  isoladamente,  vende  a  produção  que  recebeu.  Essa  conclusão  se  confirma  ao  se  analisarem  os  quadros  demonstrativos  das  receitas  auferidas  por  cada  empresa, em que se vê que não há, nem de longe, o respeito às  proporções  contratualmente  estabelecidas  para  “participação  no empreendimento”.  Também reforça aquela conclusão a declaração, reiteradamente  alardeada  por  cada  uma  das  integrantes  do  estabelecimento  –  mesmo  a  gerente  de  operações  –,  de  que  não  sabe  qual  foi  a  receita obtida pelas demais.  Ora,  a  partilha  das  receitas  e  dos  resultados  gerados  pelo  empreendimento é a regra que informa todos os atos reguladores  da  espécie.  Note­se  que  as  contribuições  PIS  e  COFINS  deveriam ser  calculadas  sobre a  totalidade daquelas  receitas  e  partilhadas entre as participantes segundo a proporção de cada  uma  no  empreendimento  que  as  gerou.  Assim  se  passa  com  os  Fl. 890DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     14 consórcios que exploram concessões de serviços públicos, como  no exemplo dado pela própria recorrente em sua peça de defesa.  Também é pela partilha – agora dos resultados gerados – que se  dá a tributação, em cada empresa componente, pelo IRPJ e pela  CSLL. Note­se que esse resultado é alcançado pelos dois tributos  independente  do  que  seja  gerado  nas  demais  atividades  das  empresas integrantes do consórcio.  Em  suma,  o  consórcio  é  “uma  empresa  sem  personalidade  jurídica”.  Por isso, firmei minha convicção no sentido de que houve mesmo  abuso  da  forma  prevista  em  lei,  de  modo  a  pretender  caracterizar como consórcio o que na verdade é meramente um  estabelecimento produtor partilhado por quatro empresas. Para  isso confluem as respostas dadas aos pedidos de esclarecimento  da  fiscalização:  o  que  se  queria  era  viabilizar  técnica  e  financeiramente a exploração da bauxita existente no estado do  Maranhão, mas mantendo­se a completa autonomia (de compras  e  vendas)  de  cada  uma  das  participantes,  de  mais  a  mais  concorrentes no mesmo mercado.  A  isso, porém, não se presta o consórcio, como também não se  prestaria  a  constituição  de  uma  nova  sociedade. De  fato,  para  garantir  a  pretendida  autonomia  só  havia  uma  forma:  montar  cada uma um estabelecimento produtor além da correspondente  estrutura  de  escoamento.  Isso,  porém,  seria  técnica  e/ou  economicamente  inviável,  no  mínimo  porque  implicaria  renunciar  às  economias  de  escala  possíveis  com a  constituição  de uma única unidade produtora e escoadora.  A outra  forma possível, a meu ver, seria a constituição de uma  nova empresa, o que, no entanto, implicaria a operação conjunta  do  empreendimento  (compra,  produção,  venda,  obtenção  de  receitas  e  resultados),  desatendendo  o  requisito  de  autonomia  buscado.  O  que  se  tentou,  portanto,  foi  aplicar  a  forma  do  consórcio,  somente  disponível  para  uma unidade  econômica,  àquilo  que  é  apenas uma dependência adicional de cada empresa.  Os argumentos aduzidos pela empresa não me convenceram do  contrário. De  fato, a alegação de que a união de esforços para  viabilizar  o  “empreendimento”  é  requisito  do  consórcio  não  muda  o  fato  de  que  o  mesmo  requisito  está  presente  na  constituição de uma empresa “normal”. No que diferem os dois  é  tão  somente  a  transitoriedade  do  primeiro  e  a  relativa  –  ou  pretendida – perenidade do segundo.  Em  reforço,  a  transitoriedade  não  se  demonstra  pela  simples  aposição de uma data no contrato de constituição. É preciso que  o  empreendimento  realmente  se  conclua naquela  data,  e  há no  contrato,  como  já  dito,  cláusula  prevendo  sua  continuada  revalidação.  Por  fim, nem mesmo o argumento de que não há, em nenhuma  hipótese,  perdas  tributárias  é  inteiramente  válido.  Da  forma  como  foi  constituído  aqui  o  consórcio,  não  há  resultados  a  Fl. 891DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13656.000495/2001­01  Acórdão n.º 3402­002.218  S3­C4T2  Fl. 846          15 tributar  de  sua  operação.  Os  resultados  somente  serão  alcançados  na  operação  normal  da  empresa  como  um  todo,  podendo sofrer redução pelo que seja eventualmente gerado em  outras operações.  De  todo modo,  isso  não  se  aplica  ao  benefício  requerido.  Isso  porque  exige  ele  que  a  empresa  beneficiária  seja,  simultaneamente,  produtora  e  exportadora.  Tais  requisitos  estariam cumpridos se o estabelecimento montado no Maranhão  fosse  mero  estabelecimento  filial  da  Abalco,  ou  seja,  se  a  ela  pertencesse  integralmente.  Tendo­se  optado  pela  “constituição  partilhada”, que imporia a formação de nova empresa, o que se  dá é que esta “outra empresa” – ainda que  formalmente não o  seja  –  é  quem  de  fato  produz,  enquanto  a  Abalco  meramente  exporta a produção pronta.  Em outras palavras, apesar de incomum, a situação se aproxima  mesmo  da  integral  industrialização  por  encomenda  seguida  da  exportação  do  produto  recebido  sem  nova  operação  de  industrialização. E já é jurisprudência pacífica da Casa que tal  situação não dá direito ao benefício.  Como se pode notar, o conselheiro Júlio César Alves Ramos, mestre em IPI,  dissecou  a  operação  do  recorrente  e  demonstrou  o  verdadeiro  intuito  de  formar  o  dito  consórcio,  esconder  a  industrialização  por  encomenda. Bela  tentativa,  porém,  ao meu  sentir,  sem êxito.  Diante dos fundamentos jurídicos e legais, entendo que o recorrente não tem  legitimidade  ativa para  requerer o benefício  fiscal,  de  sorte que nego provimento  ao  recurso  voluntário.  É como voto.  Sala das Sessões, 22/10/2013.  (assinado digitalmente)  Gilson Macedo Rosenburg Filho  Relator.  Fl. 892DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     16   Voto Vencedor  Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator Designado.  Apesar  de  compreender  perfeitamente  as  razões  pelas  quais  o  Ilustre  Conselheiro  Relator  houve  por  bem  em  proferir  seu  julgamento  negando  provimento  ao  recurso,  no  caso  em  concreto  e  com  a  sua  vênia,  entendo  por  bem  reconhecer  o  direito  da  Recorrente ao pleito, dando provimento parcial ao recurso, conforme razões que passo a expor:  Dos  autos  verifica­se  tratar­se  o  processo  de  pedido  de  ressarcimento  de  Crédito Presumido de IPI nos termos do art. 1º, da Lei n° 9.363/96.  Notadamente,  a  discussão  em  voga  passou  longe  do  mérito  acerca  da  existência e suficiência do crédito pleiteado pela Recorrente, pautando­se, especificamente, na  sua legitimidade para a perseguição do crédito pretendido, uma vez que a fiscalização atestou  não  tratar­se  a  empresa  contribuinte  de  “produtora  e  exportadora”  de mercadorias  nacionais  para exterior, portanto, não se enquadrando nos termos da legislação de regência.  É  que  a  questão  em  tela  é  extremamente  singular,  tendo  em  vista  que  a  Recorrente industrializa os produtos para exportação em estabelecimento consorciado, do qual  até o  presente momento  da  contenda,  discute­se  se  regularmente  constituído,  de modo  a dar  ensejo  à  interpretação  de  que  a  Recorrente  de  fato  fabrica  o  produto  cujas  matérias­primas  (bauxita  e  soda  cáustica),  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem  trazem­lhe  o  direito ao crédito presumido de IPI.  Pois  bem,  a  decisão  recorrida  já  trouxe  à  baila  ao  entendimento  de  que  a  constituição do consórcio ALUMAR – Consórcio de Alumínio do Maranhão, composto pelas  empresas  ABALCO  (Recorrente),  ALCOA,  RIO  TINTO/ALCAN  e  BHP  BILLITON,  não  cumpria os requisitos da Lei n° 6.404/76 para a espécie, eis que sob sua ótica tratar­se­ia, na  verdade, de uma sociedade de fato.  Entendeu  a DRF  que  o Consórcio ALUMAR não  possuía  empreendimento  específico e com prazo determinado, de modo a cumprir os mandamentos contidos nos artigos  278  e  279  da  Lei  6.404/76.  Aliás,  a  DRJ  entendeu  que  o  prazo  (existente)  no  objeto  do  consórcio é obstáculo ao cumprimento dos requisitos dos artigos mencionados, sendo, portanto,  à vista da verdade, de prazo indeterminado.  Assegurou ainda  a decisão  recorrida, que o  estabelecimento onde se dava a  produção dos bens exportados, não era do da empresa postulante e que a conseqüência disto era  a ilegitimidade para o benefício concedido pela Lei n° 9.363/96, posto que à ABALCO não se  poderia atribuir a condição de estabelecimento “produtor”, mas apenas de “exportador”.  Assim,  a  questão  cinge­se  à  legitimidade  de  constituição  do  consórcio  ALUMAR,  e  na  forma  de  proporcionalidade  a  que  se  dava  o  envio  dos  insumos  para  a  industrialização  ao  referido  consórcio,  bem  como  os  totais  de  produção  do  mesmo,  a  distribuição da industrialização às consorciadas, e por fim, suas respectivas receitas bruta e de  exportação. Coloca­se em dúvida a condição de estabelecimento próprio da Recorrente, para  que atenda ao requisito de  tratar­se de “estabelecimento produtor e exportador”, exigido pela  legislação de regência do ressarcimento (art. 1º, da Lei n. 9.363/96).  Fl. 893DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13656.000495/2001­01  Acórdão n.º 3402­002.218  S3­C4T2  Fl. 847          17 Em  que  pese  o  entendimento  esposado  pelo  Relator,  entendo  que  se  deve  afastar, nesse momento em que encontra­se o processo, a análise sobre o montante do direito  creditório  a  ser  ressarcido,  pois  que  a mesma  será  feita  em um  segundo momento,  superada  primeiramente a questão quanto à legitimidade da Recorrente pleiteá­los.  Assim,  analiso  a  constituição  do  Consórcio  ALUMAR  e  o  reflexo  de  sua  existência  na  busca  da  averiguação  do  cumprimento  dos  ditames  da  Lei  n°  9.363/96  para  considerar  a  Recorrente  como  estabelecimento  produtor  e  exportador  de mercadorias  para  o  exterior.  Fato incontroverso nos autos é de que a ABALCO é empresa exportadora de  mercadorias para o exterior, na qual não há a incidência de PIS e COFINS, bem como de que a  mesma  adquire  no  mercado  interno  os  insumos  (matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais de embalagem) sobre os quais houvera o pagamento das aludidas contribuições.  Resta  assentar  se o  consórcio ALUMAR, na  forma como  constituído, pode  ser entendido como uma “extensão” da empresa Recorrente, sendo imperioso relembrar que é  este estabelecimento quem “produz” ou “industrializa” o produto final a ser exportado.  Assim,  a  guisa  do  que  compreende  o  Ilustre  Conselheiro­Relator,  entendo  que o fato de o consórcio possuir cunho operacional (estabelecimento produtivo) não lhe tira o  amparo jurídico na qual  tenha sido constituído, pois que o mesmo possui específico termo de  duração, bem como foi estabelecido para o cumprimento de um empreendimento, o qual, sabe­ se  ter  sido  aquisição  de  ativos  de  alto  custo,  indispensáveis  à  atividade  de  produção  das  consorciadas.  O  “empreendimento”  requerido  pelo  art.  278,  da  Lei  6.404/1976,  efetivamente é um estabelecimento industrial, cuja empresa é a produção de Alumina, a partir  do processamento da bauxita. Portanto, o Consórcio é de produção e não de venda conjunta.  Não identifico vedação para esse desiderato para o qual foi criado o referido Consórcio.  No  caso  em  tela,  o  Consórcio  ALUMAR  reveste­se  da  união  e  empreendimento  das  empresas  que  lhe  deram  vida,  pois  que,  apesar  de  todas  atuarem  no  mesmo ramo – e, portanto, concorrerem entre si – possuíam interesses comuns na viabilização  de seus negócios, que por sua vez demandavam grande investimento de capital e infraestrutura,  possível somente com o esforço conjunto de todas elas.  Desta feita, sob a condição jurídica de um consórcio, as empresas ABALCO  (Recorrente),  ALCOA,  RIO  TINTO/ALCAN  e  BHP  BILLITON,  angariaram  os  fundos  necessários  para  dar  vazão  ao  empreendimento  almejando,  sendo  este  “estabelecimento”  (composto  pelos  ativos  que  isoladamente  nenhuma  possuía  condições  de  adquirir)  o  industrializador do produto comercializado por cada uma delas.  Vislumbro que o Consórcio é, na proporção definida de participação de cada  consorciada,  tipicamente  um  estabelecimento  produtor  de  cada  uma  das  participantes,  e  não  uma “sociedade de fato”, como entenderam a decisão da DRJ e o Ilustre Conselheiro Relator.  Cada  participante  usa  o  estabelecimento  filial  seu,  regularmente  constituído  e  registrado  no  Cadastro  Nacional  de  Pessoas  Jurídicas  como  tal,  e  efetivamente  empregado  para  a  industrialização de produtos  tributados a alíquota zero, preenchendo, com isso, o conceito de  estabelecimento industrial previsto na legislação de regência do IPI (Lei nº 4.502, de 1964, art.  3º).  Fl. 894DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     18  Neste sentido, a diferenciação de um Consórcio e de uma sociedade de fato,  a qual se questiona se não é o caso da Recorrente, fica clara na lição de Fernando Facury Scaff  e  Daniel  Coutinho  Silveira,  no  Parecer:  Tributação  de  Consórcio  de  Empresas.  Incidência  Fiscais  Normais  e  Refis.  Repercussões  Fiscais.  Normas  Vigentes  (in,  Revista  Dialética  de  Direito Tributário nº. 153, pg. 103. Jun­2008):   [...]  Esses  são  os  elementos  principais  da  definição  do  consórcio:  trata­se  da  coordenação  de  atividades  individuais  para  a  execução  de  provimento  comum  entre  os  consorciados.  Diverge,  assim,  da  regulação própria  da  sociedade  em que  os  sócios  exercem  conjuntamente  atividade  para  repartição  dos  lucros.  Logo, não se trata de um “tipo societário”, mas de uma forma de  organização  empresarial  composta  por  sociedades  autônomas  para a realização de um objetivo específico. [...]  Nota­se  que,  diferentemente  de  uma  sociedade  de  fato,  o  objetivo  do  consórcio  não  é  a  divisão  de  lucros,  e  sim  a  união  para  a  consecução  comum  de  um  empreendimento,  exatamente  como  é  o  caso  da  Recorrente,  que  uniu  forças  com  outras  sociedades para a execução de um empreendimento específico, neste caso o refino e a redução  de alumínio, sendo o resultado de tal beneficiamento, comercializado individualmente por cada  empresa consorciada.  Destaca­se  também que não se  trata o presente caso de  industrialização por  encomenda, pois que o Consórcio ALUMAR não industrializa sequer um só produto em nome  de outras empresas que não as consorciadas, denotando assim serem tão somente as mesmas,  consorciadas,  que  têm  meios  de  industrializar  os  produtos,  para  si  próprias,  e  que  posteriormente  elas  próprias  comercializam.  E  o  fazem  em  estabelecimentos  industriais  próprios,  nos  quais  custeiam a produção e os produtos  intermediários,  como por  exemplo  (e  isso se dá com os outros produtos intermediários), a energia elétrica, que é adquirida por cada  uma das empresas, para uso especificamente em seu processo produtivo, e não em benefício  das demais consorciadas.  Faz­se  pertinente  ainda  aludir  o  voto  proferido  pelo  Ilustre  Conselheiro  Domingos de Sá Filho, que em análise ao pleito desta mesma empresa Recorrente, em outro  pedido de  ressarcimento de crédito presumido de  IPI,  de outro período, muito bem anotou a  questão:  “[...]  De modo  que,  sendo  os  insumos  adquiridos  pela  interessada  e  industrializados nas instalações que pertence ao consórcio cujos  recursos  financeiros  foram  disponibilizados  no  aviamento  do  complexo,  unidade  fabril  e  porto,  e,  sendo  certo  que,  as  exportações são realizadas por ela,  impõe em reconhecer a sua  legitimidade para pleitear o benefício, pois, a meu sentir, atende  a  contendo  à  condição  de  empresa  produtora,  consoante  a  norma do artigo 1º da Lei 10.276/01.  [...]”   Resta  assente,  por  toda  a  verificação  de  fatos  que  aqui  se  expôs,  que  o  Consórcio ALUMAR, além de constituído de forma correta (embora não sendo frequente o uso  de  Consórcios  para  a  finalidade  de  “produção”  comum),  é  a  representação,  ainda  que  proporcional,  das  instalações da própria Recorrente,  que no  intuito de viabilizar parte muito  Fl. 895DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13656.000495/2001­01  Acórdão n.º 3402­002.218  S3­C4T2  Fl. 848          19 onerosa  de  seu  processo  produtivo,  adquiriu  bens  do  ativo  em  esforço  conjunto  com  outras  empresas, industrializando assim parte de sua produção no estabelecimento consorciado.  É  certo  também  que  o  estabelecimento  gera  gastos  com  insumos  para  a  Recorrente, que trouxeram em si os custos das contribuições do PIS e da COFINS incidentes  nas  etapas  do  mercado  interno,  os  quais,  posteriormente,  passaram  a  compor  o  custo  dos  produtos por ela fabricados e exportados, de modo que, finalisticamente, se deve franquear o  acesso ao benefício do crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS, pena  de se fazer  letra morta do disposto na Lei nº 9.363/96, permitindo a “exportação de tributos”  que se deseja evitar com a referida legislação.  No que diz respeito ao fato de o prazo de duração do consórcio ser previsto  para o  longínquo de 2050, e com permissão de renovação do prazo quando chegado o  termo  final, igualmente não considero fundamento para a desconsideração do Consórcio. Inicialmente  porque não se pode confundir a “longevidade” de uma pessoa natural, com a de uma “empresa”  ou “empreendimento”, estes quais feitos e criados para durar mais do que apenas a geração de  seus fundadores. Não cessa uma “empresa” pela morte de seu fundador, ao contrário do que se  dá com as pessoas naturais, cuja existência legal encerra­se com a morte.  Além disso,  por  tratar­se de  investimentos que, de modo público  e notório,  montam quantias extraordinárias para os padrões nacionais, é crível interpretar que o prazo de  “retorno  do  investimento”  igualmente  seja  elastecido,  pois  que  em  caso  contrário,  poderia  restar  inviabilizado o  interesse da constituição do Consórcio, e com ele de  se  levar a cabo o  empreendimento, deixando­se de gerar uma indústria de uso comum com magnitude e que gera  e permite circular riquezas no local.  Ademais  disso,  especificamente  com  relação  a  necessidade  dos Consórcios  terem prazo específico, nos moldes interpretados pela decisão recorrida, não é matéria pacífica  na doutrina societária nacional. É dizer, embora tenha que prever um prazo, este não precisa ter  uma data específica, mas pode ser um termo ou uma condição, e, ainda, não há nada que proíba  a renovação do prazo de um consórcio. A contrário senso, igualmente a previsão de uma data  certa  e  determinada  para  a  existência  do  Consórcio,  igualmente  não  garante  que  se  o  tome  como uma sociedade de fato, se deturpados os demais objetivos do mesmo.  Sobre esse tema, reporto­me ao voto condutor do julgamento do Recurso de  Ofício nº 154.052, exarado pelo Conselheiro Natanael Martins, que citando juristas como Luiz  Gastão Paes de Barros Leães, Fábio Konder Comparato, Fran Martins, Rubens Requião, João  Eunápio Borges, Mauro Rodrigues Penteado, e até mesmo Pontes de Miranda, afirma que:   “(...)  A  Lei  de  fato  não  é  expressa  no  sentido  de  que  deva  necessariamente  dar  ao  contrato  uma duração determinada. O  empreendimento objetivado pela união das  sociedades pode  ter  uma amplitude muito grande, inclusive no seu aspecto temporal.  Verifique­se que o adjetivo “determinado” é empregado no art.  278 da aludida Lei no que  tange à descrição precisa do objeto  do consórcio, a qual é, de fato, imprescindível, e não com cunho  limitativo de sua duração.  Neste  sentido,  a  obrigatoriedade  de  se  prever  a  ‘duração’  do  contrato  de  consórcio  segundo  a  Lei  não  obriga,  Fl. 896DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     20 necessariamente,  a  que  tal  duração  seja  por  um  prazo  determinado, admitindo, sem qualquer óbice, a interpretação de  que é bastante a sua menção no corpo do Contrato.  A  letra  da  Lei  impõe  que  se  faça  referência  à  duração  do  contrato  quando  da  constituição  do  consórcio,  sendo  ainda  possível  que  se  estabeleça  no  mesmo  instrumento  disposições  referentes  à  renovação  ou  prorrogação  contratual,  dada  a  ausência de qualquer vedação legal neste sentido.  Necessário  destacar,  sobretudo,  que  ao  empregar  o  termo  ‘determinado’, o art. 278, da Lei das S.A. não está vedando ao  contrato de consórcio o caráter de permanência, senão impondo  que  seja  preciso  o  seu  objeto,  e,  ao  lhe  obrigar  uma  duração,  tanto ela pode ser por prazo determinado como  indeterminado.  E,  observe­se,  quando  a  Lei  se  refere  a  ‘empreendimento’,  do  termo  não  decorre  a  interpretação  lógica  de  que  o  objeto  consorcial  deva  necessariamente  ser  de  caráter  temporário.  Inexiste restrição para que se aja em consórcio numa operação  permanente.  E,  de  fato,  seria  injustificável  atribuir  interpretação  que  transformaria o instituto do consórcio nu De modo que, sendo os  insumos adquiridos pela interessada e ma espécie de sociedade  para um negócio singular e ocasional, tornando­o  incompatível  com o seu escopo principal, que é a colaboração entre empresas  para realizar um objetivo comum, a qual longe de ser eventual  ou temporária, reveste­se, cada vez mais, do caráter permanente.  Parece­nos  plenamente  admissível,  portanto,  constituir­se  consórcio  tanto  para  realizações  temporais  quando  para  atividades  permanentes,  existindo  a  imposição  legal  apenas  a  que  se  faça  precisa  descrição  da  operação  que  pretendem  realizar  as  partes  consorciadas,  por  meio  da  colaboração  interempresarial. Nesta linha de raciocínio, injustificado, ainda,  cogitar­se que desfiguraria a natureza de consórcio com base na  permanência  do  objeto,  quando  presentes  todos  os  elementos  essenciais  no  contrato  de  constituição,  nos  termos  da  lei,  sobretudo  a  especificação da  duração e  a possibilidade  de  sua  prorrogação.”  (Processo  nº  13899.000376/2004­31,  julgado  unânime  em  29/03/2007,  da  7ª  Câmara  do  1º  Conselho  de  Contribuintes). – os destaques são originais.     Nesta linha de entendimento, filio­me à corrente que entende que o fato de o  prazo de duração do Consórcio ser longo, ou mesmo de existir previsão para sua prorrogação,  não  o  transmudaria,  por  si  só,  em  sociedade  de  fato,  de modo  que  no  caso,  entendo  que  o  Consórcio  não  restou  desconfigurado,  e,  portanto,  tem  ele,  na  condição  de  estabelecimento  produtor  (em  condomínio  com  outras  indústrias)  e  exportador,  legitimidade  para  pleitear  o  benefício previsto na Lei n° 9.363/96.  Quando  ao  montante  dos  créditos,  todavia,  é  uma  matéria  que  deve  ser  avaliada  pela  autoridade  certificadora,  e,  havendo  oposição  da Recorrente  quanto  ao  crédito  eventualmente  homologado  (ou  indeferido),  aí  sim  caberia  analisar  os  critérios  de  sua  apuração. O momento, no entanto, não é esse, em que se discute a unicamente a legitimidade  do pleito, e não os seus valores. Daí porque o provimento recursal ser apenas parcial.  Fl. 897DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13656.000495/2001­01  Acórdão n.º 3402­002.218  S3­C4T2  Fl. 849          21 Concluo, então, em virtude da supressão de instância, que não há que se falar  em análise do  crédito  apurado e,  na esteira das  considerações  supra,  voto no  sentido de dar  provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos para que a DRJ, uma vez  superado  o  óbice  formal,  para  que  examine  e  decida  o  mérito  do  pedido  de  ressarcimento,  como de direito.     (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior  Relator Designado                  Fl. 898DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR

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Numero do processo: 10803.720042/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2007, 2008, 2009 IRRF. AUTO DE INFRAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA INTERPOSTA. PAGAMENTOS DE RESPONSABILIDADE DA CONTRIBUINTE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos autos o uso de empresa interposta, para efetuar pagamentos de responsabilidade da própria contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem ao contribuinte as informações relevantes para sua defesa. Resta confirmado que não ocorreu cerceamento de defesa quando o contribuinte apresenta peça de defesa, na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, impõe-se a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Na falta de pagamento ou antecipação do IRRF, deve-se aplicar o inciso I do art. 173 do CTN, contando-se o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. Para a caracterização da multa qualificada, há que estar presente a figura do dolo específico caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultam na diminuição ou retardamento da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2201-002.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Quanto ao Recurso Voluntário, pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia (Relatora), Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad; por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares; no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia (Relatora), Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao Recurso Voluntário o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Dra. Lígia Regini da Silveira, OAB/SP 174.328. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA, ODMIR FERNANDES (suplente convocado). Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2497; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10803.720042/2012­11  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  2201­002.366  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de abril de 2014  Matéria  IRRF  Recorrentes  MB OSTEOS COM E IMP DE MATERIAL MEDICO LTDA              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Exercício: 2007, 2008, 2009  IRRF.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  UTILIZAÇÃO  DE  EMPRESA  INTERPOSTA.  PAGAMENTOS  DE  RESPONSABILIDADE  DA  CONTRIBUINTE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.  Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, quando restar comprovado nos  autos  o  uso  de  empresa  interposta,  para  efetuar  pagamentos  de  responsabilidade da própria contribuinte.  CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Não há cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da  autuação oferecem ao contribuinte as informações relevantes para sua defesa.  Resta  confirmado  que  não  ocorreu  cerceamento  de  defesa  quando  o  contribuinte  apresenta  peça  de  defesa,  na  qual  demonstra  conhecer  plenamente os fatos que lhe foram imputados.  IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.  Por  força  do  art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF,  impõe­se  a  observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543­C  do  Código  de  Processo  Civil.  No  Recurso  Especial  nº  973.733/SC  restou  pacificado que a aplicação do prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, está  condicionada  à  realização  do  pagamento  antecipado  do  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação.  Na  falta  de  pagamento  ou  antecipação  do  IRRF, deve­se  aplicar o  inciso  I  do  art.  173 do CTN,  contando­se o dies a  quo  a  partir  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado.  IRRF.  PAGAMENTO  SEM  CAUSA.  MULTA  QUALIFICADA.  INOCORRÊNCIA.  Para a caracterização da multa qualificada, há que estar presente a figura do  dolo  específico  caracterizado  pela  intenção  manifesta  do  agente  de  omitir     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 42 /2 01 2- 11 Fl. 630DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     2  dados,  informações  ou  procedimentos  que  resultam  na  diminuição  ou  retardamento da obrigação tributária.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  negar  provimento  ao  Recurso  de  Ofício.  Quanto  ao  Recurso  Voluntário,  pelo  voto  de  qualidade,  rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva, vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia  (Relatora), Odmir Fernandes (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad; por unanimidade  de votos,  rejeitar  as demais  preliminares;  no mérito,  pelo voto de qualidade, dar provimento  parcial  ao  recurso  para  desqualificar  a  multa  de  ofício,  reduzindo­a  ao  percentual  de  75%,  vencidos  os  Conselheiros  Nathalia  Mesquita  Ceia  (Relatora),  Odmir  Fernandes  (Suplente  convocado)  e Gustavo Lian Haddad,  que  deram  provimento  integral  ao Recurso Voluntário.  Designado para redigir o voto vencedor quanto ao Recurso Voluntário o Conselheiro Eduardo  Tadeu Farah. Fez sustentação oral pelo contribuinte a Dra. Lígia Regini da Silveira, OAB/SP  174.328.    Assinado Digitalmente  MARIA HELENA COTTA CARDOZO ­ Presidente.       Assinado Digitalmente  NATHÁLIA MESQUITA CEIA ­ Relatora.      Assinado Digitalmente  EDUARDO TADEU FARAH ­ Redator designado.      EDITADO EM: 18/07/2014    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  MARIA  HELENA  COTTA  CARDOZO  (Presidente),  EDUARDO  TADEU  FARAH,  GUSTAVO  LIAN  HADDAD,  FRANCISCO  MARCONI  DE  OLIVEIRA,  NATHALIA  MESQUITA  CEIA,  ODMIR  FERNANDES  (suplente  convocado).  Presente  aos  julgamentos  o  Procurador  da  Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.    Relatório  Por meio Auto de Infração de fls. 03 a 12, lavrado em 19/09/2012, exige­se do  contribuinte MB OSTEOS COM E IMP DE MATERIAL MEDICO LTDA, o montante de R$  6.510.781,10 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), R$ 3.600.780,38 de juros  de  mora  e  R$  9.766.171,81  de  multa  de  ofício  qualificada,  totalizando  R$  19.877.733,29  (atualizados até a data da autuação) referente aos exercícios de 2007, 2008 e 2009.     O  lançamento  decorreu  de  pagamentos  efetuados  pelo  Contribuinte  sem  causa a beneficiário não identificado.    Fl. 631DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.720042/2012­11  Acórdão n.º 2201­002.366  S2­C2T1  Fl. 3          3 De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 13 a 16), o Contribuinte é  signatário  de  um  contrato  de  prestação  de  serviços  de marketing,  relacionamento,  incentivo  técnico,  vendas  e  fidelização  com  a  empresa  Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda.  Dos  pagamentos  efetuados  a  essa  empresa,  restou  apurado  com  base  em  notas  fiscais  e  registros  contábeis, que havia valores destinados à aquisição de cartões para pagamentos de prêmios a  beneficiários que  eram  indicados pelo Contribuinte,  não havendo comprovação da  causa dos  referidos  pagamentos,  bem  como  sem  identificação  dos  beneficiários.  Tais  valores  foram  contabilizados  como  despesa  decorrente  dos  serviços  prestados  pela  Expertise Comunicação  Total S/C Ltda.    Assim,  a  fiscalização  lançou  o  IRRF  –  Beneficiário  não­identificado  à  alíquota de 35% (art. 674 do Decreto nº 3.000/99) sobre os pagamentos efetuados a Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda.  referentes  aos  cartões  para  pagamento  de  prêmios  a  terceiros  não­identificados.  Adicionalmente,  qualificou  a  multa  de  ofício  em  150%  (art.  957,  II  do  Decreto  nº  3.000/99),  por  entender  que  o  Contribuinte  se  valeu  de  registros  contábeis  para  ocultar a causa e os beneficiários dos referidos cartões.    Encontra­se apensado ao presente processo administrativo fiscal, o processo  nº 10803.720048/2012­98 referente à representação para fins penais.    O  Contribuinte  foi  cientificado  do  lançamento  em  24/09/2012  (fls.  330)  e  apresentou Impugnação (fls. 335 a 365) tempestiva em 24/10/2012, alegando, em suma:    Em preliminares:    ·  A  improcedência  do  auto  de  infração  em  face  do  mesmo  ter  sido  lavrado  com  base  em  presunção, sem a efetiva comprovação de que os valores pagos à Expertise Comunicação Total  S/C  Ltda.  não  tiveram  a  mesma  como  beneficiária  e  que  a  causa  decorreu  dos  serviços  de  marketing  e  adiantamento/reembolso  dos  valores  gastos  em  campanhas  e  eventos,  desrespeitando o princípio da verdade material.    ·  A  improcedência  do  auto  de  infração  em  razão  da  precariedade  fática  e  probatória  do  lançamento  que  acaba  por  impedir  que  o  Contribuinte  exerça  seu  direito  à  ampla  defesa.  Argumenta que a fiscalização não motivou e comprovou o lançamento, acabando por incumbir  o Contribuinte do ônus da prova negativo, qual seja, de comprovar que não efetivou pagamento  a beneficiários não identificados.     ·  Por  hipótese  de  os  cartões  terem  sido  pagos  a  beneficiários  não  identificados,  alega  o  Contribuinte  sua  ilegitimidade  passiva.  Isso  porque  o  Contribuinte  efetuava  pagamentos  à  Expertise Comunicação Total S/C Ltda. para que então essa sociedade efetuasse a aplicação nas  campanhas de marketing  (cartões). Logo, argumenta que a Expertise Comunicação Total S/C  Ltda. que deve ser alvo do lançamento, pois ao final, foi essa empresa que efetuou o pagamento  (fonte  de  pagamento)  e  não  identificou  a  causa  e  os  beneficiários.  Portanto,  o  Contribuinte  entende ser nulo o lançamento por erro de sujeição passiva.    ·  Ainda que não considerada a improcedência do lançamento em face dos argumentos acima, o  Contribuinte  pugna  pelo  reconhecimento  da  decadência  para  o  período  compreendido  entre  10/01/2006 a 13/09/2007. Isso porque, tendo em vista que o Contribuinte efetuou recolhimentos  a  título  de  IRRF  nesse  período,  resta  aplicável  a  regra  disposta  no  art.  150,  §  4º  do Código  Tributário Nacional (CTN), ou seja, que a contagem do prazo decadencial se inicia quando da  ocorrência do fato gerador.     Fl. 632DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     4  No mérito:    ·  A beneficiária dos pagamentos efetuados pelo Contribuinte era a Expertise Comunicação Total  S/C  Ltda.  Essa  empresa  que  efetuava  a  distribuição  dos  recursos  disponibilizados  pelo  Contribuinte  entre  as  ações  de  marketing  e  os  cartões,  em  face  de  critérios  previamente  definidos pelo Contribuinte.    ·  A  improcedência  do  lançamento,  tendo  em  vista  que  a  fiscalização  não  comprovou  os  pagamentos  que  foram  feitos  aos  beneficiários  não­identificados,  pois  os  pagamentos  foram  feitos pela Expertise Comunicação Total S/C Ltda. e não pelo Contribuinte.    ·  A  improcedência  do  lançamento,  pois  a  fiscalização  argumenta  que  o  pagamento  foi  a  beneficiário não identificado, enquadrado no art. 674 do Decreto nº 3.000/99. Porém, a própria  fiscalização  conclui  que  “com  os  documentos  apresentados,  o  contribuinte  fez  comprovar  o  pagamento do valor total das notas fiscais a Expertise Comunicação Total S/C Ltda.” Logo, o  beneficiário dos pagamentos restou identificado, devendo ser cancelado o lançamento.    ·  Em  tese  eventual,  no  caso  de  não  serem  aceitos  os  argumentos  expostos  anteriormente,  o  Contribuinte argumenta o fato de que a fonte pagadora apenas mantém a responsabilidade pelo  recolhimento do IRPF até o momento de entrega da Declaração de Ajuste Anual (DAAs) pelas  pessoas  físicas  beneficiárias.  Desta  feita,  quando  do  lançamento,  as  DAAs  dos  períodos  em  questão,  já  haviam  sido  entregues  pelas  pessoas  físicas  beneficiárias  do  cartão,  não  mais  existindo  a  responsabilidade  do  Contribuinte  ou  da  fonte  pagadora  pelo  recolhimento  do  referido imposto (inteligência do Parecer Normativo nº 01/2002). Acrescenta que não deve ser  alegada a não aplicação do referido Parecer Normativo, pois que as pessoas físicas não foram  identificadas, pois a ausência de individualização dos beneficiários cabia à fiscalização junto à  Expertise Comunicação Total S/C Ltda.    ·  Desqualificação da multa de ofício, tendo em vista que a autoridade fiscal não logrou êxito em  comprovar  o  dolo  específico  na  conduta  do  Contribuinte.  A  fiscalização  argumenta  que  o  Contribuinte  se  valeu  dos  registros  contábeis  para  ocultar  a  causa  e  o  beneficiário  dos  pagamentos, mas não comprova a manifesta intenção do Contribuinte em fazê­lo.    A  13ª  Turma  da  DRJ/SP1,  em  27/03/2013,  em  decisão  de  fls.  527  a  552,  julgou a  Impugnação procedente  em parte,  com a  exclusão dos  fatos  geradores ocorridos  no  período 01/01/2006 a 31/12/2006 alcançados pela decadência. A decisão resta resumida em sua  ementa. Confira­se.     CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Não  há  que  se  falar  em  cerceamento  do  direito  de  defesa  quando  os  relatórios  integrantes da autuação oferecem à Impugnante  todas as  informações relevantes  para sua defesa, confirmada por meio de impugnação na qual demonstra conhecer  plenamente os fatos que lhe foram imputados.    DECADÊNCIA.  Nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, por expressa ressalva  legal  plasmada  no  §  4º  do  art.  150  do  CTN,  a  regra  para  contagem  do  prazo  decadencial  será  aquela  estabelecida  pelo  art.  173,  inciso  I.  No  caso  de  lançamento de ofício referente a Imposto de Renda retido exclusivamente na fonte,  na  forma do prevista no art.  61 da Lei nº8.981/95,  considera­se ocorrido o  fato  gerador no dia do pagamento a beneficiário não identificado. Consequentemente,  o prazo decadencial para que a Administração Tributária proceda ao lançamento,  considerando a regra do art. 173,  inciso I, do CTN, se inicia no primeiro dia do  exercício seguinte ao que ocorreu o referido pagamento.    MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO.  Fl. 633DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.720042/2012­11  Acórdão n.º 2201­002.366  S2­C2T1  Fl. 4          5 A  imposição  da  multa  qualificada  mostra­se  justificada  quando  demonstrados  suficientes  indícios  da  ação  dolosa  do  contribuinte,  tendente  a  impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  tributo  devido,  ou  a  evitar  ou  diferir  o  seu  pagamento.    FONTE  PAGADORA.  PREMIAÇÃO  REALIZADA  POR  EMPRESA  INTERPOSTA. “EXCHANGE CARD”.  Caracterizado  que  a  autuada  pagava,  por  meio  de  empresa  interposta  que  realizava  a  distribuição  dos  denominados  “Exchange  Card”,  valores  a  beneficiários não identificados, aquela se reveste da condição de fonte pagadora  dos  rendimentos.  A  interposição  de  empresa  na  relação  jurídica  como  mera  intermediária para a  realização dos pagamentos não descaracteriza as  relações  tributárias  existentes  entre  o  beneficiário  (contribuinte)  e  a  fonte  pagadora  (responsável tributário).    IRRF.  PAGAMENTOS  A  BENEFICIÁRIOS  NÃO  IDENTIFICADOS.  RETENÇÃO EXCLUSIVA  NA  FONTE.  RESPONSABILIDADE DA  FONTE  PAGADORA.  Constatado o pagamento a beneficiário não identificado, será apurado o Imposto  de  Renda  incidente  exclusivamente  na  fonte,  nos  termos  do  art.61  da  Lei  nº  8.981/95,  cuja  responsabilidade  pela  retenção  e  recolhimento  é  da  fonte  pagadora,  não  mais  se  lhe  aplicando  as  disposições  referentes  ao  regime  de  antecipação previstas no Parecer Normativo CST nº 01/2002.    IRRF.  BENEFICIÁRIOS  NÃO  IDENTIFICADOS.  BASE  DE  CÁLCULO.  REAJUSTAMENTO.  Sujeita­se à  incidência do  imposto de  renda  retido na  fonte,  à alíquota de 35%,  todo pagamento efetuado ou recurso entregue a terceiros, contabilizados ou não,  quando  não  forem  identificados  os  beneficiários.  O  rendimento  pago  é  considerado  líquido,  cabendo  o  reajustamento  da  base  de  cálculo  para  fins  de  incidência do imposto.    O  Contribuinte  foi  notificado  da  decisão  por  decurso  de  prazo  (processo  eletrônico)  em  25/04/2013  (fls.  565),  tendo  apresentado  Recurso  Voluntário  tempestivo  em  25/05/2013 (fls. 566) requerendo, em síntese, os mesmos pleitos apresentados na Impugnação.     Em razão da parcela de crédito tributário exonerada, há encaminhamento de  recurso necessário.    É o relatório.  Voto Vencido  Conselheira Nathália Mesquita Ceia.    O  recurso  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto dele conheço.    O Contribuinte apresenta como preliminares a serem enfrentadas:    Fl. 634DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     6  ·  Ofensa ao Princípio da Verdade Material   ·  Cerceamento do direito de defesa  ·  Erro na sujeição passiva  · Decadência (período de 01/07/2007 a 13/09/2007)    E, quanto ao mérito alega:     ·  Inexistência do dever de retenção do IRRF   ·  Observância do Parecer Normativo nº 01 de 2002  ·  Redução da multa de ofício para 75%    Por  força de recurso necessário  é devolvido a esse Colegiado a análise da  preliminar de decadência em relação ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006.    Analisando os fatos trazidos aos autos pela fiscalização e pelo Contribuinte,  bem como considerando o disposto no Termo de Verificação Fiscal lavrado pela fiscalização e  a  peça  de  defesa  apresentada  pelo Contribuinte,  acabo  por  concluir  que  restou  caracterizada  ilegitimidade passiva.    Desta feita, por se tratar de causa de nulidade do auto de infração (art. 142 do  CTN), meu voto, inicialmente, se pautará neste tópico.    Portanto, passo a análise da preliminar de erro de sujeição passiva.      1.  Erro de Sujeição Passiva    O  Contribuinte  alega  ter  ocorrido  erro  de  sujeição  passiva,  pois  os  pagamentos  foram  feitos  à  Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda.  para  que  então  essa  sociedade efetuasse a aplicação dos recursos nas campanhas de marketing (cartões).     Logo,  o  Contribuinte  argumenta  que  a  Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda.  que  deve  ser  alvo  do  lançamento,  pois  ao  final,  foi  essa  empresa  que  efetuou  o  pagamento (fonte pagadora). Assim, o Contribuinte entende ser nulo o lançamento por erro de  sujeição passiva com base no art. 142 do CTN.    Conforme se verifica dos autos, há 02  (duas)  relações  jurídicas distintas no  caso sob análise. A primeira trata dos serviços de marketing, relacionamento, incentivo técnico,  vendas  e  fidelização  prestados  pela  empresa  Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda.  ao  Contribuinte.  Para  execução  dos  serviços,  as  partes  firmaram  contrato  de  prestação  de  serviços, onde restou consignado que a Expertise Comunicação Total S/C Ltda. viabilizaria o  pagamento  e  recebimento  da premiação,  com créditos  pré­definidos  a  serem  fornecidos  pelo  Contribuinte  para  os  indicados  como  recebedores  dos  prêmios,  a  título  de  incentivo  profissional, cultural, técnico e de vendas e como meio de publicidade interna do Contribuinte.     Para  tanto,  o  Contribuinte  creditaria  à  Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda., no prazo de 03 (três) dias úteis de antecedência, o valor relativo aos prêmios e despesas  decorrentes da prestação de  serviços. E, a Expertise Comunicação Total S/C Ltda. emitiria  a  nota fiscal de prestação de serviços no valor correspondente ao total premiação, acrescido do  preço dos serviços prestados. A responsabilidade pela definição dos critérios de premiação e do  valor dos prêmios a serem distribuídos é do Contribuinte.  Fl. 635DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.720042/2012­11  Acórdão n.º 2201­002.366  S2­C2T1  Fl. 5          7   Assim,  o  Contribuinte  efetua  o  pagamento  à  Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda.  para  que  essa  sociedade,  então,  efetue  o  pagamento,  em  linha  com  os  critérios  estabelecidos pelo Contribuinte, para os terceiros beneficiários e aqui surge a segunda relação  jurídica sob análise, qual seja, o pagamento do prêmio (cartões) pela Expertise Comunicação  Total S/C Ltda. os terceiros beneficiários.    Logo,  para  fins  de  aferição  da  responsabilidade  tributária  de  cada  parte,  é  importante que se verifique o papel que cada uma exerce na operação.    Conforme  se  verifica,  o  Contribuinte  paga  à  Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda.  pelos  serviços  prestados  (incluído  aqui  os  recursos  a  serem  destinados  aos  beneficiários  do  prêmio).  Tal  procedimento  resta  comprovado  nos  autos  pelas  notas  fiscais  emitidas e registros contábeis do Contribuinte.    Por  sua vez,  a Expertise Comunicação Total S/C Ltda.  efetua o pagamento  aos beneficiários dos prêmios (cartões), atuando como fonte pagadora desses rendimentos.    Para fins de clareza, o Manual de Imposto de Renda na Fonte (MAFON 2012  define fonte pagadora, conforme a seguir:    Considera­se  fonte  pagadora  a  pessoa  física  ou  pessoa  jurídica  que  pagar  rendimentos.  No  caso  de  PJ,  o  recolhimento  e  a  informação  na  Dirf  devem  ser  feitos no nome e CNPJ do estabelecimento matriz.   (http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/dirf/Mafondirf2012/Mafon2012.pdf)  (página 121)  (grifos nossos)    Ainda, o MAFON 2012 determina que a  fonte pagadora é  responsável pelo  recolhimento do IRRF – Beneficiário não identificado. Confira­se:    RESPONSABILIDADE/RECOLHIMENTO  Compete à fonte pagadora.  (RIR/1999, art. 717; ADE Cosar nº 20, de 1995)  (http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/dirf/Mafondirf2012/Mafon2012.pdf)  (página 64)    Assim,  tendo  em  vista  que  a  Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda.  que  efetuou  o  pagamento  dos  rendimentos  (prêmio)  aos  terceiros  beneficiários,  resta  claro  que  a  Expertise Comunicação Total S/C Ltda. é fonte pagadora e, portanto, sujeito passivo da relação  tributária em questão.    Entretanto,  é  possível  o  afastamento  da  sujeição  passiva  da  Expertise  Comunicação Total S/C Ltda. em caso de simulação ou fraude. Fato que passo a analisar.    A Expertise Comunicação Total S/C Ltda.  atua  na presente operação  como  intermediária  do  Contribuinte  para  consecução  de  objetivos  relacionados  ao  marketing  e  promoção do seu negócio, aí incluídos o pagamento de prêmios a terceiros.    Note­se que a atividade de intermediação não deve ser entendida como ilícita  ou fraudulenta. Pelo contrário, a atividade de intermediação é o cerne de contratos tipificados  Fl. 636DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     8  no Código Civil (CC) como o contrato de corretagem (art. 722 do CC) e contrato de agência  (art. 710 do CC).     A  atividade  de  intermediação  apenas  deve  ser  considerada  ilícita  ou  fraudulenta quando não encontrar um propósito em si ou quando utilizada para simular conduta  com vistas à supressão ou redução no pagamento de tributo.    Para que reste caracterizada a simulação é preciso que haja comprovação pela  fiscalização de que o contribuinte se valeu da intermediação de pessoa com vistas a suprimir ou  reduzir  o  pagamento  de  tributo. Nesse  caso,  a  pessoa  é  interposta  na  operação  com  o  único  propósito de economia tributária e, portanto, deve ser desconsiderada da operação.    No caso em questão, o Termo de Verificação Fiscal não apresenta menção à  desconsideração da Expertise Comunicação Total S/C Ltda. da operação, com vistas a atribuir  a responsabilidade tributária ao Contribuinte.    Além  de  a  fiscalização  não  argumentar  a  desconsideração  da  Expertise  Comunicação Total S/C Ltda.,  a  fiscalização não buscou comprovar a existência  (ou não) da  Expertise Comunicação Total S/C Ltda., sua capacidade operacional, seu propósito negocial e  o seu objeto do seu Estatuto Social. Também não efetuou diligências com vistas a aferir se a  Expertise Comunicação Total S/C Ltda. efetuou a  retenção e  recolhimento de eventual  IRRF  devido quando do pagamento dos prêmios aos terceiros beneficiários.    A Fiscalização não  se valeu de diligências  com  vistas  a angariar provas  no  sentido de provar que a Expertise Comunicação Total S/C Ltda. atuava como uma interposta  pessoa. A Fiscalização efetuou o  lançamento  tributário  tomando como base nas notas  fiscais  emitidas  pela  Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda.,  os  lançamentos  contábeis  do  Contribuinte e o contrato de prestação de serviços firmado pelas partes.    A  Fiscalização  presumiu  que  a  Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda.  estava  sendo  utilizada  como  interposta  pessoa,  porém  não  logrou  êxito  em  comprovar  tal  presunção.    Neste  sentido,  entendo que  não  restou  comprovada  fraude  ou  simulação  na  operação em questão. Portanto, Expertise Comunicação Total S/C Ltda. permanece como fonte  pagadora  dos  rendimentos  (prêmios)  a  terceiros  beneficiários,  devendo  ser  afastado  o  Contribuinte do pólo passivo da relação tributária.    Em  que  pese  meu  entendimento  acerca  da  ilegitimidade  passiva  do  Contribuinte, o Colegiado decidiu por voto de qualidade, afastar a  referida preliminar, sendo  nomeado para redigir o voto vencedor o Ilmo. Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.    Desta feita, passa­se à análise do objeto do Recurso de Ofício, bem como a  análise das demais preliminares e das questões de mérito trazidas pelo Contribuinte.      2. Recurso de Ofício    O Recurso de Ofício visa devolver ao Colegiado a apreciação da decadência  em relação ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006 que fora reconhecida pela decisão da DRJ.    Fl. 637DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.720042/2012­11  Acórdão n.º 2201­002.366  S2­C2T1  Fl. 6          9 Entendo  que  os  fatos  geradores  ocorridos  no  período  de  01/01/2006  a  31/12/2006 já se encontram fulminados pela decadência.     Isso porque em se considerando o prazo decadencial disposto no art. 173, I do  CTN,  norma  mais  restrita  no  tocante  à  contagem  do  prazo  decadencial,  o  prazo  para  a  fiscalização efetuar o lançamento se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao que ocorreu  o referido pagamento. Como o fato gerador do imposto de renda a beneficiário não identificado  ou sem causa ocorre na data do pagamento e tendo em vista que o Contribuinte foi cientificado  da autuação em 24/09/2012 (fls. 330), os fatos geradores (pagamentos) ocorridos no período de  01/01/2006 a 31/12/2006 restam alcançados pela decadência.     Mantenho o entendimento da DRJ e afasto a preliminar, negando provimento  ao Recurso de Ofício.      3. Recurso Voluntário    3.1. Preliminares    3.1.1. Ofensa ao Princípio da Verdade Material     O  Contribuinte  pleiteia  a  improcedência  do  auto  de  infração  em  face  do  mesmo ter sido lavrado com base em presunção, sem a efetiva comprovação de que os valores  pagos à Expertise Comunicação Total S/C Ltda. não tiveram a mesma como beneficiária e que  a causa decorreu dos serviços de marketing e adiantamento/reembolso dos valores gastos em  campanhas e eventos, desrespeitando o princípio da verdade material.    Entendo que não se  trata de violação ao princípio da verdade material, mas  sim de entendimento diverso dos  fatos da autoridade fiscal. Quando da  lavratura do Auto de  Infração,  a  autoridade  entendeu  que  restou  comprovada  a  sua  tese.  A matéria  acaba  por  se  confundir com o mérito e outras preliminares.    Rejeito essa preliminar.      3.1.2. Cerceamento do direito de defesa    O  Contribuinte  pleiteia  a  improcedência  do  auto  de  infração  em  razão  da  precariedade  fática  e  probatória  do  lançamento  que  acaba  por  impedir  que  o  Contribuinte  exerça seu direito à ampla defesa. Argumenta que a fiscalização não motivou e comprovou o  lançamento,  acabando por  incumbir o Contribuinte do ônus da prova negativo, qual  seja,  de  comprovar que não efetivou pagamento a beneficiários não identificados.     Rejeito  essa  preliminar  por  entender  que  o  fato  de  o  Contribuinte  ter  conseguido  se  defender  adequadamente,  tanto  em  sede  de  Impugnação  quanto  em  sede  de  Recurso Voluntário supre eventual vício, se existente, quanto às razões fáticas e probatórias do  Auto de Infração.      3.1.3. Decadência (período de 01/01/2007 a 13/09/2007)  Fl. 638DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     10    Ainda  que  não  considerada  a  improcedência  do  lançamento  em  face  das  preliminares acima, o Contribuinte pugna pelo reconhecimento da decadência para o período  compreendido entre 01/01/2007 a 13/09/2007.     Com vistas a analisar o pleito de decadência do Contribuinte, é necessária a  análise acerca da manutenção da qualificação da multa de ofício, matéria também trazida pelo  Contribuinte em sua peça recursal.    Desta  feita,  anteciparemos  a  análise  dessa  questão  de  mérito  para  então  adentrarmos no pleito da decadência do período de 01/01/2007 a 13/09/2007.    A  autoridade  tributária  qualificou  a  multa  de  ofício  por  entender  que  o  Contribuinte  se  valeu  de  procedimento  contábil  para  ocultar  a  causa  e  os  beneficiários  dos  pagamentos.    Em que pese o entendimento da fiscalização, acredito que a multa de ofício  deve  ser  desqualificada  por  não  restar  configurada  intermediação  fraudulenta,  mas  sim  a  contratação  de  serviços  de  forma  ordinária  pelo  Contribuinte.  Ademais,  não  entendo  que  o  Contribuinte não se valeu de procedimento contábil para ocultar a causa e os beneficiários dos  pagamentos, como argumenta a fiscalização, isso porque a própria autoridade fiscal demonstra  no  Termo  de  Verificação  Fiscal  que  o  Contribuinte  registrou  os  pagamentos  efetuados  à  empresa Expertise corretamente em sua contabilidade.    Desta feita, em restando desqualificada a multa de ofício, entendo que para  fins  de  determinação  do  prazo  decadencial  aplica­se  o  disposto  no  art.  150,  §  4º  do Código  Tributário Nacional (CTN), tendo em vista não restar configurada fraude, conluio ou simulação  que justifiquem a aplicação da multa qualificada (item meritório, já enfrentado).    Neste  sentido,  no  tocante  à  preliminar  de  decadência,  o  pagamento  apto  a  atrair  o  §  4º  do  art.  150  do  CTN  é  apenas  aquele  que  tenha  conexão  com  o  fato  gerador,  consoante os julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nesse passo, a inexistência de  pagamento  antecipado,  impõe­se  a  aplicação  do  inciso  I  do  art.  173  do CTN,  contando­se  o  dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado,  conforme  dispõe  o  Recurso  Especial  nº  973.733/SC,  julgado  sob  a  sistemática  do  art.  543­C  do Código  de  Processo Civil  (art.  62­A  do Regimento  Interno  do  CARF).  Assim,  embora  tenha  o  Colegiado  desqualificado  a  penalidade,  como  não  houve comprovação do pagamento ou antecipação do  IRRF, os  fatos geradores ocorridos no  período de 01/01/2007 a 13/09/2007 não se encontram alcançados pela decadência.    3.2. Mérito    3.2.1. Inexistência do dever de retenção do IRRF     O Contribuinte defende a improcedência do lançamento, tendo em vista que  a  fiscalização  não  comprovou  que  os  pagamentos  foram  feitos  a  beneficiários  não­ identificados.  Isso  porque  os  pagamentos  foram  feitos  à  Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda.  Complementa  que  a  fiscalização  argumenta  que  o  pagamento  foi  a  beneficiário  não  identificado, enquadrado no art. 674 do Decreto nº 3.000/99.     Fl. 639DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.720042/2012­11  Acórdão n.º 2201­002.366  S2­C2T1  Fl. 7          11 Porém,  a  própria  fiscalização  conclui  que  “com  os  documentos  apresentados,  o  contribuinte  fez  comprovar  o  pagamento  do  valor  total  das  notas  fiscais  a  Expertise Comunicação Total S/C Ltda.” Logo, o beneficiário dos pagamentos do Contribuinte  restou identificado, devendo ser cancelado o lançamento.    Entendo  ser  procedente  o  argumento  do  Contribuinte.  De  acordo  com  os  livros  contábeis  e  demais  documentação,  o  pagamento  do  Contribuinte  foi  efetuado  para  a  Expertise.  Logo,  a  Expertise  é  a  beneficiária  de  tais  pagamentos.  Para  que  a  fiscalização  imputasse  os  pagamentos  do  Contribuinte  a  beneficiário  não­identificado,  deveria  ter  que  desconsiderado a personalidade jurídica da Expertise, fato que não ocorreu.    Logo,  entendo que o  recurso deve  ser provido, por  entender que a própria  fiscalização  comprovou  quem  foi  o  beneficiário  do  pagamento  pelos  serviços,  qual  seja,  a  Expertise, não havendo que se perquirir a tributação com base em beneficiário não identificado  ou sem causa.      3.2.2. Observância do Parecer Normativo nº 01 de 2002    O  Contribuinte  em  tese  eventual,  no  caso  de  não  serem  aceitos  os  argumentos expostos anteriormente, argumenta o fato de que a fonte pagadora apenas mantém  a  responsabilidade  pelo  recolhimento  do  IRPF  até  o momento  de  entrega  da  Declaração  de  Ajuste Anual (DAAs) pelas pessoas físicas beneficiárias.     Assim,  quando  do  lançamento,  as  DAAs  dos  períodos  em  questão,  já  haviam  sido  entregues  pelas  pessoas  físicas  beneficiárias  do  cartão,  não  mais  existindo  a  responsabilidade do Contribuinte ou da fonte pagadora pelo recolhimento do referido imposto  (inteligência  do Parecer Normativo  nº  01/2002). Acrescenta que  não  deve  ser  alegada  a  não  aplicação do referido Parecer Normativo, pois que as pessoas físicas não foram identificadas,  pois  a  ausência  de  individualização  dos  beneficiários  cabia  à  fiscalização  junto  à  Expertise  Comunicação Total S/C Ltda.    Entendo que o argumento do Contribuinte deve ser acatado. O Contribuinte  entende que o beneficiário do seu pagamento é a Expertise. Se a fiscalização entende que há  outros beneficiários, deveria diligenciar junto à Expertise para averiguar quem os são e efetuar  o  lançamento  em  cada  pessoa  física,  se  tais  beneficiários  fossem  pessoas  físicas,  pois  se  pessoas jurídicas não caberia nem o lançamento, tendo em vista que tais valores deveriam ser  tributados na sua apuração de imposto de renda.      Assinado Digitalmente  Nathália Mesquita Ceia    Voto Vencedor  Conselheiro Eduardo Tadeu Farah – Redator Designado.  Fl. 640DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     12  Não obstante o entendimento da ilustre Conselheira Nathália Mesquita Ceia,  peço vênia para discordar do acolhimento da preliminar de ilegitimidade passiva.   Antes de se analisar a questão, cumpre registrar que a preliminar se confunde  com o mérito e, portanto, com ele será analisada.  De  início,  verifica­se  que  a  recorrente  contratou  a  empresa  Expertise  Comunicação Total S/C Ltda. para a implantação e condução do programa de gerenciamento  de  campanhas  de marketing  de  incentivo  visando,  essencialmente,  viabilizar  pagamentos  de  prêmios a pessoas indicadas pela recorrente. Transcreve­se parte do Contrato de Prestação de  Serviços e Outras Avenças nº 28511 (fls. 42/44):  QUADRO RESUMO:  02  –  OBJETO  DO  CONTRATO:  Prestação  de  serviços  de  marketing  de  relacionamento,  incentivo  técnico  e  de  vendas  e  fidelização.  (...)  1.  Pelo  presente  instrumento  particular,  EXPERTISE  COMUNICAÇÃO TOTAL S/C LTDA, ..., doravante denominada  CONTRATADA,  obriga­se  a  prestar  à  CONTRATANTE,  qualificada  no  item  01  do  quadro­resumo,  os  serviços  especificados no item 02 do mesmo quadro, que compreendem:  (...)  b) a viabilização pagamento e recebimento da premiação, com  créditos predefinidos a serem fornecidos pela CONTRATANTE  para  os  indicados  como  recebedores  dos  prêmios,  a  título  de  incentivo  profissional,  cultural,  técnico  e  de  vendas  e  como  meio de publicidade interna da CONTRATANTE.  (...)  3. São obrigações da CONTRATADA:  a)  prestar  os  serviços  descritos  na  cláusula  1  com  técnica  adequada;  b)  emitir  a  nota  fiscal  de  prestação  de  serviços  no  valor  correspondente ao  total  da premiação, acrescido do preço dos  serviços prestados, estabelecido no item 03 do quadro resumo;  (..)  5. São obrigações da CONTRATANTE:  a) creditar à CONTRATADA, no prazo de 03 (três) dias úteis de  antecedência,  o  valor  relativo  aos  prêmios  e  despesas  decorrentes da prestação de serviços pela CONTRATADA;  (...)  7.  É  de  exclusiva  responsabilidade  da  CONTRATANTE  a  definição dos  critérios de premiação e do  valor dos prêmios a  serem  distribuídos,  não  respondendo,  a  CONTRATADA,  por  nenhum desvio de finalidade do presente contrato. (grifei)  Fl. 641DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.720042/2012­11  Acórdão n.º 2201­002.366  S2­C2T1  Fl. 8          13 Da análise do contrato, constata­se que a definição dos critérios de premiação  e do valor dos prêmios distribuídos era de exclusiva responsabilidade da recorrente, até porque  se o prêmio não fosse distribuído aos beneficiários, a contratada estaria obrigada a restituí­lo à  contratante, sob pena de pagamento de multa e juros.  Nesse  passo,  verifica­se  que  a  empresa  Expertise  Comunicação  Total  S/C  Ltda.,  atuou  apenas  como  mera  intermediária  da  contribuinte  para  consecução  de  objetivos  relacionados  ao  marketing  e  promoção  do  seu  negócio,  ou  seja,  os  pagamentos  foram  realizados  por  conta  e  ordem  da  própria  autuada,  MB  Osteos  Comércio  e  Importação  de  Material  Médico  Ltda,  ora  recorrente.  Assim,  o  lançamento  do  IRRF  ocorreu  em  razão  da  ausência  efetiva  da  causa  do  pagamento,  bem  como  pela  não  identificação,  nos  registros  contábeis da contribuinte, dos beneficiários dos valores recebidos.  Não se pode perder de vista que a falta de indicação dos beneficiários pode  levar  a  conclusão  de  que,  dentre  os  agraciados  dos  “Exchange  Cards”,  estariam  sócios,  diretores e administradores da recorrente. Portanto, não se trata de simples produção de prova  negativa,  como  faz  crer  a  recorrente,  mas  fundamentalmente,  que  não  houve  a  efetiva  identificação dos reais beneficiários dos valores pagos a título de “Exchange Cards”.  Portanto, a alegação de que não tinha qualquer relação direta e pessoal com o  fato gerador do IRRF, na forma do art. 121 do CTN, é um argumento totalmente inconsistente,  pois  os  pagamentos  efetuados  pela  intermediaria,  só  ocorreram  por  conta  e  ordem  da  recorrente.  Sobre  a  alegação  de  que  na  data  do  lançamento,  já  haviam  sido  entregues  pelas  pessoas  físicas  beneficiárias  do  cartão  a  Declaração  de  Ajuste,  não  mais  existindo  a  responsabilidade da contribuinte ou da fonte pagadora pelo recolhimento do imposto, conforme  Parecer Normativo  nº  01/2002,  não  lhe  socorre,  pois  a  tributação  perpetrada  pela  autoridade  fiscal,  não  foi  com  base  nas  situações  em  que  o  imposto  não  retido  é  exigível  da  fonte  pagadora, na forma Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, mas essencialmente, em razão da não  identificação,  nos  registros  contábeis  da  recorrente,  dos  beneficiários  dos  pagamentos  efetuados por meio de cartões, bem como da efetiva causa dos citados pagamentos, conforme  determina o art. 674 e §§ do RIR/1999 (Decreto nº 3000/1999).   Quanto  ao  argumento  de  que  o  pagamento  foi  efetuado  para  a  Expertise,  logo, é a Expertise beneficiária dos pagamentos e, portanto, para que a fiscalização imputasse  os  pagamentos  a  beneficiário  não­identificado  deveria  ter  desconsiderado  a  personalidade  jurídica da Expertise, verifica­se que a hipótese ensejadora da exigência fiscal, foi o fato de que  o  efetivo  pagamento  não  teve  seu  beneficiário  identificado  e/ou  a  operação  que  ensejou  o  pagamento  não  foi  efetivamente  comprovada.  Portanto,  não  se  trata  de  desconsideração  de  personalidade jurídica, mas unicamente, de que a Expertise, mera intermediária do pagamento,  não é efetivamente a beneficiária dos recursos, fato este comprovado pelo próprio contrato de  prestação de serviços, a teor da cláusula 1ª, alínea b, supracitada.  O fato de não haver a identificação de quais foram os reais beneficiários dos  recursos pagos pela suplicante, por si só, enseja a aplicação das hipóteses previstas no artigo 61  da Lei n° 8.981/1995. Nesse sentido, também não procede a alegação da Conselheira Relatora  de  que  a  fonte pagadora  é  a Expertise Comunicação Total  S/C Ltda,  em  razão  dos  registros  contábeis  das  notas  fiscais,  pois,  repise­se,  a  citada  empresa  funcionou  apenas  como  intermediária,  na  intenção  clara  da  recorrente  em  omitir  os  verdadeiros  beneficiários  dos  recursos.   Fl. 642DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO     14  Da mesma forma, penso que não há como acolher a alegação da Relatora de  que  seria obrigação da  fiscalização diligenciar  junto  à Expertise para  averiguar quem  são os  beneficiários e efetuar o lançamento em cada pessoa física, pois, repise­se, o art. 61 da Lei nº  8.981/1995 traz uma presunção legal da existência de rendimentos, cujo fato a ser provado pelo  fisco  é  apenas  a  ocorrência  de  efetivo  pagamento,  em  que  a  causa  ou  o  beneficiário  não  é  identificado.  Portanto,  a  comprovação  da  licitude  da  causa  e/ou  a  identificação  do  real  beneficiário é legalmente da contribuinte.  Portanto, correto o entendimento da autoridade lançadora, quando tributou os  pagamentos efetuados à empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda., à alíquota de 35%,  exclusivamente na fonte, considerando os pagamentos líquidos, ou seja, reajustando a base de  cálculo para incidência, conforme determina o art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995.  No que tange à imposição da multa de ofício de 150%, embora entenda pela  regularidade da exigência com base no o art. 61 da Lei nº 8.981/1995, contudo, penso que a  mesma deve ser afastada. Com efeito, o que se vê dos argumentos despendidos pela autoridade  lançadora, nada mais é do que o próprio pressuposto da autuação, ou seja, falta de identificação  da causa e/ou dos beneficiários dos pagamentos na contabilidade da empresa.  Além  do  mais,  o  lançamento  só  foi  efetuado  em  razão  da  análise  da  escrituração contábil da autuada colocada à disposição do fisco.  Portanto, penso que a ausência de indicação dos beneficiários e/ou causa dos  pagamentos  foi  determinante  para  a  incidência  do  Imposto  de  Renda  na  Fonte  sobre  Pagamentos  sem  Causa  ou  de  Operação  não  Comprovada,  conforme  arts.  674  e  675  do  RIR/1999, mas, a meu ver, entendo que não pode ser indicativo de evidente intuito de fraude.  Incomprovada  a  fraude  ensejadora  da  multa  qualificada,  esta  não  pode  subsistir. Dessa forma, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%.  Por fim, deve ser rejeitada a alegação de bis in idem, pois, segundo se colhe  dos autos, não houve aplicação de dupla penalidade sobre o mesmo fato, mas basicamente, da  cobrança  do  IRRF  e  da multa  de  ofício  correspondente. No mesmo  sentido,  é  inaplicável  à  espécie  a  alegação  de  confisco,  já  que  a  vedação  constitucional  ao  confisco  aplica­se  tão  somente  à  instituição  do  tributo,  em  nada  limitando  a  instituição  das  sanções  de  caráter  eminentemente repressivo. Ademais, o exame da obediência das leis tributárias aos princípios  constitucionais  é  matéria  que  não  deve  ser  abordada  na  esfera  administrativa,  conforme  se  infere da Súmula CARF nº 2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.  Ressalte­se que, em relação às demais preliminares, o Colegiado acompanhou  os fundamentos da relatora no sentido de rejeitá­las.  Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar  parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo­a ao percentual  de 75%.      Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah  Fl. 643DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10803.720042/2012­11  Acórdão n.º 2201­002.366  S2­C2T1  Fl. 9          15                 Fl. 644DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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Numero do processo: 10730.900910/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/06/2004 CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar, na hipótese em estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado.
Numero da decisão: 3302-002.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. O conselheiro Walber José da Silva apresentará declaração de voto. (Assinado Digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno – OAB/RJ 117908.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10730.900910/2009­40  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­002.603  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de maio de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Recorrente  CIEN COMPANHIA DE INTERCONEXÃO ENERGÉTICA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 15/06/2004  CONTRATO DE FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. ENERGIA  ELÉTRICA. PREÇO PREDETERMINADO.  O  preço  predeterminado  em  contrato  não  perde  sua  natureza  simplesmente  pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do  legislador,  a  partir  da  Lei  10.833/03,  fosse  não  abarcar,  na  hipótese  em  estudo, os contratos com preço preestabelecido e cláusula de reajuste, o termo  apropriado  seria  preço  fixo,  que  não  se  confunde  com  o  preço  predeterminado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber  José  da  Silva  e  Maria  da  Conceição  Arnaldo  Jacó.  O  conselheiro  Walber  José  da  Silva  apresentará declaração de voto.    (Assinado Digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA ­ Presidente.     (Assinado Digitalmente)  GILENO GURJÃO BARRETO ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 09 10 /2 00 9- 40 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA     2   EDITADO EM: 16/07/2014  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva,  Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Mônica Elisa de Lima, Fabiola  Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.  Sustentação Oral: Luis Felipe Krieger Moura Bueno – OAB/RJ 117908.    Relatório  Adota­se o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda.  “Trata­se  de  Declaração  de  Compensação  Eletrônica  –  não­ homologada de  débito  de PIS/Pasep  (cód.  691201),  relativo  ao  período  de  apuração  de  dez/05,  com  crédito  oriundo  de  pagamento  considerado  indevido,  a  título  de  PIS/Pasep  (cód.  8109)  do  período  de  05/04,  recepcionada  pela  RFB  em  13/01/2006,  tudo  conforme  se  verifica  na  cópia  da  Perd/Comp  constante dos autos (fls. 266 e seguintes).  A  autoridade  fiscal  decidiu  não  homologar  a  compensação  efetuada,  pois  entendeu  inexistir  o  direito  creditório  declarado  (fl. 271).  Cientificada  da  decisão  (fl.  275),  em  04/03/09,  a  contribuinte  apresentou,  em 03/04/09, Manifestação  de  Inconformidade  (fls.  03/10) alegando, em resumo, que:  1. reconhece que parte da compensação que efetuou foi indevida,  pois usou Taxa SELIC acumulada em percentual  incorreto, por  este motivo recolherá a diferença;  2. quanto ao restante da compensação declarada, a incorreção é  do despacho decisório;  3.  contribuiu  involuntariamente  para  o  equívoco  do  despacho  decisório,  pois  prestou  informações  incorretas  em  documentos  fiscais;  4. firmou contratos a preços predeterminados, antes de 31/10/03,  com  FURNAS,  GERASUL/TRACTEBEL,  CERJ/AMPLA  e  SAMARCO,  aprovados  pela  ANEEL,  e  com  prazo  de  duração  superior a um ano;  5.  as  receitas  decorrentes  de  tais  contratos  estavam  sujeitas  à  Cofins cumulativa (art. 10, Lei nº 10.833/03);  6.  na  mesma  direção  opinou  a  ANEEL  pelo  ofício  nº  1.431/2006SFF/ ANEEL, juntado ao presente recurso;  7.  equivocadamente,  as  referidas  receitas  foram  declaradas  como sujeitas à Cofins não­cumulativa;  Fl. 435DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900910/2009­40  Acórdão n.º 3302­002.603  S3­C3T2  Fl. 3          3 8. ao perceber a falha retificou a contabilidade, mas olvidou de  retificar a DCTF;  9.  ao  constatar  a  situação  apresentou  PER/DCOMP´s,  mas  cometeu  novo  equívoco,  ensejando  compensação  parcialmente  indevida, cujo débito será quitado como já exposto;  10. ao não retificar a DCTF, induziu a Autoridade a quo a supor  que inexistia crédito a restituir/compensar;  11.  não  obstante  os  erros  que  estão  sendo  corrigidos,  é  indubitável seu direito de reaver o valor recolhido a maior.  A  contribuinte  requer  a  homologação  da  compensação  declarada.  Os  autos  foram  baixados  em  diligência  (fls.  328/329)  para  a  Autoridade a quo: (1) confirmar as receitas decorrentes de cada  contrato  no  período  de  apuração  do  crédito;  (2)  discriminar  e  quantificar  em  tabela  específica,  quando  houver,  o  crédito  relativo a cada contrato.  A Delegacia de origem, então, informou (fl. 430 e seguintes) que  a  receita  bruta  (decorrentes  dos  contratos)  somada  à  receita  recebida no mês em exame (02/04) diminuída da receita diferida  resultava no total de R$ 50.081.795,33 equivalendo ao que fora  informado  pela  contribuinte  como  submetida  ao  regime  cumulativo.  A  Delegacia,  porém,  registrou  que  o  valor  retido  efetivo não correspondia ao considerado pela contribuinte.  Cientificada,  a  contribuinte  aditou  sua  Manifestação  de  Inconformidade, onde alegou, em resumo, que:  1.  a  diligência  constatou  que  as  receitas  vinculadas  aos  contratos  no  período  equivalem  ao  valor  das  receitas  consideradas no regime cumulativo;  2.  divergiu,  porém,  do  total  retido,  pois  a  requerente  não  conseguiu localizar os documentos comprobatórios;  3. optou por desprezar a citada diferença na composição do seu  direito creditório.  Requereu aofim o reconhecimento do direito creditório no valor  remanescente, homologando sua compensação.”  Vistos,  relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 5ª Turma  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  em  julgar  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade.  Intimada  do  acórdão  supra  em  11.06.2012,  inconformada  a  Recorrente  interpôs recurso voluntário em 11.07.2012.  Voto             Fl. 436DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA     4 Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator  O presente  recurso  preenche os  requisitos  de  admissibilidade,  por  isso  dele  conheço.  Inicialmente,  faço  referência  às  duas  causas  de  nulidade  invocadas  pelo  contribuinte.  A  primeira,  quanto  aos  termos  da  IN  no.  21/79,  conquanto  interessante  a  observação do conceito de contrato pré­determinado com entidades governamentais, não creio  que afete esse julgamento, posto que a questão aqui decidida o será por força da própria Lei.  A segunda, quanto à inobservância do art. 30 do RPAF, não creio também ser  aplicável in casu, uma vez que os pareceres mencionados e que são de vinculação obrigatória  são  os  proferidos  pelo Ministério  da  Fazenda  e  seus  órgãos,  e  ainda  assim  dentro  de  certos  parâmetros.   Afasto portanto as preliminares de nulidade.  Quanto  ao  mérito,  a  recorrente  alega  que,  equivocadamente  apurou  a  contribuição do PIS/COFINS com incidência não­cumulativa, quando o correto, segundo seu  entendimento, seria com incidência cumulativa.   Ao ser julgada sua manifestação, a autoridade julgadora de primeira instância  entendeu  de  forma  contrária,  ou  seja,  que  estava  correta  a  apuração  da  base  de  cálculo  do  PIS/COFINS com incidência não cumulativa, e manteve a não homologação da compensação  do débito fiscal, inexistindo, portanto, o direito creditório da Recorrente.  Nos termos do artigo 10 da Lei nº 10.833/03, combinado com o artigo 109 da  Lei  nº  11.196/05,  as  receitas  provenientes  de  contratos  predeterminados  estão  sujeitas  ao  regime cumulativo, no seguinte sentido:  “Art.  10.  Permanecem  sujeitas  às  normas  da  legislação  da  COFINS,  vigentes  anteriormente  a  esta  Lei,  não  se  lhes  aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito)  (...)  XI  ­  as  receitas  relativas a  contratos  firmados  anteriormente  a  31 de outubro de 2003:  a)  com  prazo  superior  a  1  (um)  ano,  de  administradoras  de  planos  de  consórcios  de  bens  móveis  e  imóveis,  regularmente  autorizadas a funcionar pelo Banco Central;  b)  com  prazo  superior  a  1  (um)  ano,  de  construção  por  empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens  ou serviços;  c)  de  construção  por  empreitada  ou  de  fornecimento,  a  preço  predeterminado,  de  bens  ou  serviços  contratados  com  pessoa  jurídica  de  direito  público,  empresa  pública,  sociedade  de  economia  mista  ou  suas  subsidiárias,  bem  como  os  contratos  posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas,  em processo licitatório, até aquela data;  (...)  Lei nº 11.196/05  Fl. 437DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900910/2009­40  Acórdão n.º 3302­002.603  S3­C3T2  Fl. 4          5 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do  caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o  reajuste  de  preços  em  função  do  custo  de  produção  ou  da  variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos  dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27  da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado  para fins da descaracterização do preço predeterminado.  Parágrafo único. O disposto  neste  artigo  aplica­se  desde 1o  de  novembro de 2003.”    Tal  determinação  aplica­se  ao  PIS,  conforme  redação  dada  pela  Lei  nº  10.865/04:  “Art.  15.  Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­ cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de  2002, o disposto:  (...)  V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10  desta Lei;  (...)”    No  mesmo  sentido,  são  as  prerrogativas  prescritas  nos  artigos  2º  e  3º  da  IN/SRF nº 658/2006:  “Do Regime de Incidência   Art.  2  º  Permanecem  tributadas  no  regime  de  cumulatividade,  ainda  que  a  pessoa  jurídica  esteja  sujeita  à  incidência  não­ cumulativa  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  as  receitas  relativas  a  contratos  firmados  anteriormente  a  31  de  outubro de 2003:   I  ­  com  prazo  superior  a  1  (um)  ano,  de  administradoras  de  planos  de  consórcios  de  bens  móveis  e  imóveis,  regularmente  autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil;   II  ­  com  prazo  superior  a  1  (um)  ano,  de  construção  por  empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens  ou serviços;   III ­ de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço  predeterminado,  de  bens  ou  serviços  contratados  com  pessoa  jurídica  de  direito  público,  empresa  pública,  sociedade  de  economia  mista  ou  suas  subsidiárias,  bem  assim  os  contratos  posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas  em processo licitatório até aquela data; e   Fl. 438DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA     6 IV  ­  com prazo  superior  a  1  (um)  ano,  de  revenda de  imóveis,  desmembramento  ou  loteamento  de  terrenos,  incorporação  imobiliária e construção de prédio destinado à venda.   Do Preço Predeterminado   Art.  3  º  Para  efeito  desta  Instrução  Normativa,  preço  predeterminado  é  aquele  fixado  em  moeda  nacional  como  remuneração da totalidade do objeto do contrato.   § 1 º Considera­se também preço predeterminado aquele fixado  em moeda nacional  por unidade  de produto  ou  por período  de  execução.   § 2 º Ressalvado o disposto no § 3 º , o caráter predeterminado  do  preço  subsiste  somente  até  a  implementação,  após  a  data  mencionada  no  art.  2  º  ,  da  primeira  alteração  de  preços  decorrente da aplicação:   I ­ de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou   II  ­  de  regra  de  ajuste  para  manutenção  do  equilíbrio  econômico­financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e  65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993.   § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003,  em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo  dos  custos  de  produção  ou  à  variação  de  índice  que  reflita  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados,  nos  termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de  junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.”    Pois bem, conforme exposto no acórdão recorrido, para ser possível a adoção  do regime cumulativo, deve­se preencher alguns requisitos, sendo dentre eles os seguintes:    1. receita auferida com o fornecimento de bens e/ou serviços;  2. o contrato tenha sido firmado antes de 31/10/03;  3. contrato para um período superior a 1(um) ano;  4. o preço dos bens e/ou serviços fornecidos seja predeterminado.    Também,  conforme  relatado  no  acórdão  proferido  pela  DRF  do  Rio  de  Janeiro,  consta  dos  autos  que  o  Recorrente  firmou  contratos  de  fornecimentos  de  energia  elétrica  com  05  (cinco)  empresas,  sendo  que  da  análise  desses  contratos  os  i.  julgadores  elaboraram o seguinte quadro:    CONTRATO  FURNAS  GERASUL  (Tractebel)  CERJ (Ampla)  SAMARCO  COELCE  Fl. 439DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900910/2009­40  Acórdão n.º 3302­002.603  S3­C3T2  Fl. 5          7 (fl. dos autos)  (43)  (101)  (160)  (240)  (254)  Bem / serviço  En. elétrica  En. elétrica  En. elétrica  En. elétrica  En. elétrica  Data  05/05/98  20/10/99  26/06/02  30/09/03  14/10/02  Prazo  20 anos  20 anos  20 anos  30/09/03 a 31/12/06  01/01/03  a  31/12/04  Preço  PRÉ p/u  PRÉ p/u  PRÉ p/u  PRÉ p/u  PRÉ p/u    De  todo  exposto,  o  ponto  crucial  para  dirimir  a  controvérsia,  provém  da  definição de contrato a preço predeterminado.  O  parágrafo  3º  do  art.  3º  da  IN  658/2006,  supracitado  prescreve  que  “O  reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele  correspondente  ao  acréscimo  dos  custos  de  produção  ou  à  variação  de  índice  que  reflita  a  variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art.  27 da Lei nº 9.069, de29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado”.  Nesse mesmo sentido é o artigo 109 da Lei n 11.196/06 acima mencionada.  Vimos  que  dispor  acerca  dos  “reajustes  de  preços”  o  legislador  refere­se,  apenas  a  reajustes  comuns  aplicados  a  quaisquer  contratos,  de  forma  genérica,  de  forma  a  melhor  refletir  a  variação  dos  custos  de  produção  e  custos  dos  insumos  utilizados.  Assim,  aplicando­se  os  índices  do  mercado,  caracterizado  está  o  atendimento  da  exigência  do  parágrafo 3º da IN nº 658/06, onde está determinado que o reajustes não pode ultrapassar essa  variação prescrita na legislação.  Todavia, de forma equivocada ao julgar a manifestação de inconformidade da  ora  Recorrente,  os  i.  julgadores  entenderam  que,  devido  aos  contratos  serem  ajustados  anualmente,  pelos  reais  índices  inflacionários,  no  caso  o  IGPM,  a  partir  desse  reajuste  a  Recorrente deveria computar suas receitas através do regime da não­cumulatividade, pois teria  ocorrido neste caso a alteração no preço do fornecimento, o que impõe a exclusão do regime  cumulativo.  Não  compartilho  desse  entendimento,  pois  o  reajuste  de  preços  realizados  anualmente, não descaracteriza os contratos a “preço predeterminado”.  Conforme  exposto  pelo  i.  Conselheiro  relator  Ivan Allegretti,  em  seu  voto  proferido no acórdão nº 3403­002.248:  “Quanto ao cerne da aplicação do parágrafo 3º do art. 3º da IN  658/2006  e  do  art.  109  da  Lei  nº  11.196/2005,  entendo  que  se  destinam deliberadamente a  impedir que se possa  interpretar a  simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar  o contrato a “preço predeterminado”.  Isto,  aliás,  justifica  a determinação do  parágrafo  único  do art.  109  da  Lei  nº  11.196/2005,  de  que  tal  interpretação  deve  ser  tomada em conta desde 1º novembro de 2003, ou seja, tal como  se  imprimisse  efeito  declaratório  à  interpretação  do  que  seja  Fl. 440DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA     8 contrato  por  preço  predeterminado,  previsto  no  art.  10,  XI,  da  Lei nº 10.833/03.  Esta nova Lei, portanto,  teve a finalidade de  integrar o  sentido  da Lei anterior.  A  intenção,  ao  que  tudo  indica,  foi  a  de  alinhar­se  à  interpretação que os Tribunais  já vinham pronunciando para o  dispositivo  da  Lei  nº  10.833/05,  antes  da  Lei  nº  11.196/05  ter  vindo à lume.”  (CARF – Acórdão nº 3403­002.248. Rel. Ivan Allegretti. Sessão  23.05.2013)  Neste  sentido,  o  Judiciário  sem  exceção,  tem  reconhecido  o  direito  dos  contribuintes nessa situação. Citemos os seguintes julgados:  “TRIBUTÁRIO.  PIS/COFINS.  LEI  10833/2003.  NÃOCUMULATIVIDADE.  EXCEÇÃO  À  REGRA  ESTABELECIDA  PELO ARTIGO 10, INCISO XI, CC. ARTIGO 15, INCISO V, DA  LEI  N°  10.833/03.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  468/04.  ILEGALIDADE. REVOGADA PELA LEI No 11.196, DE 21 DE  NOVEMBRO DE 2005.  1.  Discute­se  a  validade  da  tributação  na  forma  preconizada  pelo  artigo  10,  inciso  XI,  cc.  artigo  15,  inciso  V,  da  Lei  n°  10.833/03, diante do contrato de concessão firmado com o Poder  Público,  antes  de  31  de  outubro  de  2003,  por  período  certo,  superior a um ano, e a preço determinado, não se sujeitando a  ilegal  INSRF  n°  468/04,  que,  desbordando  do  texto  legal  e  alterando os critérios de  tributação  traçados pela  lei, definiu o  que vem a ser preço determinado.  2.  A  INSRF  n°  468/04  conferiu  interpretação  equivocada  ao  inciso XI, alínea “c” do artigo 10 da Lei 10.833/03.  3. A Lei 11.196, de 21 de novembro de 2005, tratou de dissipar  eventual dúvida de interpretação nesse sentido, dispondo sobre o  tema, em seu artigo 109, que: “Art. 109. Para  fins do disposto  nas  alíneas  b  e  c  do  inciso  XI  do  caput  do  art.  10  da  Lei  no  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  o  reajuste  de  preços  em  função do custo de produção ou da variação de índice que reflita  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados,  nos  termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de  junho  de  1995,  não  será  considerado  para  fins  da  descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O  disposto neste artigo aplica­se desde 1o de novembro de 2003.”  4. Apelação e remessa oficial improvidas.”  (TRF  3ª  Região.  Rel.  ELIANA  MARCELO.  MAS  200561000030246. DJ 06/12/2007)  “TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  PERMANÊNCIA  NO  REGIME  DA  CUMULATIVIDADE.  CONTRATO  DE  FORNECIMENTO  DE  BENS  E  SERVIÇOS.  ENERGIA  ELÉTRICA.  PREÇO  PREDETERMINADO.  Fl. 441DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900910/2009­40  Acórdão n.º 3302­002.603  S3­C3T2  Fl. 6          9 CLÁUSULA DE REAJUSTE. REQUISITOS DO ART. 10, XI, B,  DA  LEI  10.833/03.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  658/06.  INADEQUAÇÃO. COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC.  1. A Secretaria da Receita Federal, ao editar as INs SRF 468/04  e  658/06,  impediu  que  contratos,  embora  se  subsumindo  as  hipóteses  previstas  na  Lei  10.833/03,  usufruam  o  regime  da  cumulatividade,  uma  vez  que  alterou  o  conceito  de  preço  predeterminado, ao entender que a mera atualização monetária  acarreta mudança no preço.  2. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza  simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção  monetária.  Se  a  pretensão  do  legislador,  a  partir  da  Lei  10.833/03,  fosse  não  abarcar,  na  hipótese  em  estudo,  os  contratos  com  preço  preestabelecido  e  cláusula  de  reajuste,  o  termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o  preço predeterminado.  3. Essa desclassificação da natureza jurídica dos contratos com  preço  preestabelecido  pela  Receita  Federal  encontra  óbice  na  inadequação do veículo utilizado: a instrução normativa.  4. Diante da evolução da legislação reguladora da compensação  tributária,  resta  autorizada  a  compensação  de  créditos  decorrentes do recolhimento indevido a título de PIS e COFINS  na  sistemática  da  não­cumulatividade,  corrigidos  monetariamente  pela  taxa  SELIC,  com  qualquer  tributo  arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal,  ainda que o destino das arrecadações seja outro, nos termos do  art. 74 da Lei 9.430/96.  5. Remessa oficial a que se nega provimento.”  (TRF 1ª Região. Rel. Des. Fed. MARIA DO CARMO CARDOSO.  REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007) grifos nossos  A Secretaria da Receita Federal, de forma equivocada, bem como utilizando­ se de norma inadequada para a alteração da legislação, no caso a Instrução Normativa, tentou  impedir  que  os  contratos  por  preços  predeterminados  usufruíssem  do  regime  da  cumulatividade,  por  entender  que  a  mera  atualização  monetária  acarretaria  a  mudança  no  preço, entendimento do qual não compartilho.   O  preço  predeterminado  em  contrato  não  perde  sua  natureza  simplesmente  pela  previsão  de  reajuste  decorrente  da  correção monetária.  Se  a  pretensão  do  legislador,  a  partir da Lei 10.833/03,  fosse não abarcar, os contratos com preço preestabelecido e cláusula  de  reajuste,  o  termo  apropriado  seria  preço  fixo,  que  não  se  confunde  com  o  preço  predeterminado.   Ademais,  conforme  exposto  pela  Recorrente,  a  APINE  –  Associação  Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica – protocolou consulta com fins de  averiguar  a possibilidade do “enquadramento dos  índices utilizados para  reajuste de preços  dos contratos de compra e venda de energia elétrica celebrados anteriormente a 31/10/2003,  nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art.  Fl. 442DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA     10 109  da  Lei  nº  11.196/05  e  no  §  3º  da  IN  SRF  nº  658/06,  sejam  eles  o  IGPM ou  quaisquer  previstos nos contratos padronizados, nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL  ou  contratos  celebrados  com  condições  específicas,  com  base  na  regulamentação  vigente  à  época”, cuja resposta provém do Ofício nº 1431/2006­SFF/ANEEL, no seguinte sentido:  “ (...)  Resta, portanto, hialino que o IGPM é índice que se amolda ao  comando  legal  do  art.  27  da  Lei  nº  9.069/95  e,  consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da  instrução Normativa SRF nº 658, de 04 de julho de 2006.  (...)”  De outra parte,  resta  ainda  esclarecer que,  conquanto  tais  fatos não  tenham  sido objeto da Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL, de 16 de junho de 2006, os demais  índices  previstos  nos  contratos  aprovados  e/ou  homologados  pela  ANEEL,  bem  como  nos  contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época,  na  medida  em  que  visam  exatamente  refletir  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados, mantendo o poder de compra da moeda, enquadram­se nas disposições do inciso II  do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e consequentemente, nas disposições do art. 109 da Lei nº  11.196/05 e no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/06.  Assim,  a  correção  do  preço  por  índices  previstos  nos  contratos  aprovados  e/ou  homologados  pela  ANEEL,  bem  como  nos  contratos  celebrados  com  condições  específicas,  com  base  na  regulamentação  vigente  à  época,  não  descaracteriza  o  preço  predeterminado.  Por fim, salientamos que o Ofício supracitado foi expedido pela ANEEL que  é  agência  do  governo  competente  para  homologar  as  tarifas  e  seus  reajustes,  segundo  as  respectivas naturezas e fundamentos econômicos, sendo que, uma resposta oficial proveniente  dessa agência do Governo sobre a natureza do reajuste não pode ser descartada por outro órgão  do governo, em face da segurança jurídica que sustenta o direito pátrio.  Finalizando,  considerando  que  o  Despacho  Decisório  na  sua  origem  não  analisou os valores dos créditos, importante que a Delegacia de origem apure os respectivos, e  que lhe seja concedido o direito sobre os valores ao final calculados.   Por  todo  exposto,  conheço  do  recurso,  e  dou­lhe  provimento  parcial  para  autorizar  a  compensação  de  créditos  decorrentes  do  recolhimento  indevido  a  título  de  PIS  e  COFINS  na  sistemática  da  não­cumulatividade,  sujeita  à  devida  valoração  do  crédito  efetivamente existente.  É como voto.  Sala das Sessões, em 28 de maio de 2014.    (Assinado Digitalmente)  GILENO GURJÃO BARRETO ­ Relator             Fl. 443DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10730.900910/2009­40  Acórdão n.º 3302­002.603  S3­C3T2  Fl. 7          11   Declaração de Voto    Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA    Como  relatado,  a  empresa  Recorrente  apresentou  Pedido  Eletrônico  de  Restituição de valor tido por ela como pagamento indevido ou a maior de PIS, efetuado no dia  15/03/04.  Processado  o  pedido,  o  Delegado  da  DRF  em  Niterói  constatou  que  o  DARF  informado no PER foi integralmente utilizado para liquidar débito regularmente declarado em  DCTF, não existindo pagamento indevido. Por esta razão, e somente por esta razão, o pedido  de restituição foi indeferido.  Portanto, o Delegado da DRF em Niterói, única autoridade competente para  reconhecer  originalmente  o  direito  ao  crédito  pleiteado,  fundamentou  sua  decisão  exclusivamente no  fato  do DARF estar  integralmente  alocado a débito  declarado em DCTF.  Para  tomar  essa decisão,  a  autoridade  competente da RFB não precisou conhecer das  razões  que  levaram  a  empresa Recorrente  a  pleitear  a  restituição. O  fato  de  não  existir  pagamento  disponível para restituição foi o suficiente para a autoridade competente tomar a sua decisão. E  assim o fez.  Não  se  conformando  com  a  decisão,  a  empresa  interessada  apresentou  manifestação de inconformidade reconhecendo que não efetuara a retificação da DCTF. Expõe  as razões que a levaram a cometer referido erro.  Além  disso,  e  principalmente,  aduz  a  empresa  interessada  as  razões  que  a  levaram  a  efetuar  recolhimento  a maior  de PIS. Diz  a  recorrente  que o  pagamento  indevido  ocorreu porque foi incluído, indevidamente, na base de cálculo do PIS não cumulativo, receitas  sujeitas à tributação cumulativa do PIS, pelas razões que cita.  Tendo  em  vista  as  razões  que  levaram  ao  indeferimento  do  pedido,  essas  alegações da recorrente não podem integrar a lide porque o Despacho Decisório atacado pela  Manifestação de Inconformidade nada disse sobre esta matéria e nela não se fundamentou.  Sendo  único  o  fundamento  fático  para  o  indeferimento  do  pedido  (Darf  alocado  a  débito  regularmente  declarado),  qualquer  outro  fato  que  eventualmente  tenha  acontecido com a Recorrente não pode integrar a lide estabelecida neste processo.  Portanto, engana­se a decisão recorrida quando afirma que a questão central  do contencioso é a definição do regime (cumulativo ou não­cumulativo) a que se submetem as  receitas apuradas.  O resultado da diligência, com o qual concorda a Manifestante,  limitou­se apenas a apurar as receitas vinculadas aos contratos  no PA (do crédito), mas nada informou quanto ao segundo item  da  diligência  pedida  relativo  ao  crédito.  Tal  item  basicamente  Fl. 444DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA     12 traduzia­se em enfrentar a questão central do contencioso, a de  definir  o  regime  (cumulativo  ou  não­cumulativo)  a  que  se  submetem as receitas apuradas  Tal  matéria  não  foi  apreciada  e  nem  decidida  pelo  Delegado  da  DRF  em  Niterói, autoridade da RFB competente para decidir pedido de restituição.  Ao apreciar e decidir tal matéria, que foi alegada em sede de Manifestação de  Inconformidade, a Turma de Julgamento da DRJ ultrapassou os limites de sua competência.  Além  de  ter  decidido,  originalmente,  pedido  de  restituição,  a  Turma  de  Julgamento  deixou  de  apreciar  as  razões  da  empresa  interessada  sobre  os  motivos  que  a  levaram a pedir a restituição sem antes retificar a DCTF. Deveria a Turma de Julgamento ter  decidido se é possível ou não apresentar pedido eletrônico de restituição sem retificar a DCTF  onde consta o débito que o pagamento foi alocado.  Porventura entendesse a Turma de Julgamento da DRJ que o pedido poderia  ser realizado sem a prévia retificação da DCTF, o processo deveria retornar à DRF de Niterói  para  o  Delegado  apurar  a  existência  de  indébito,  à  luz  das  alegações  trazidas  pela  empresa  interessada  e  das  providencias  que  entendesse  necessárias.  Ou  seja,  afastado  o  óbice  do  Despacho Decisório, apurar­se­ia a eventual existência de pagamento indevido.  Alias,  esse entendimento é pacífico nesta Turma de Julgamento,  a exemplo  dos Acórdãos nº 3302­002.365, de 26/11/2013  (Processo nº 10650.900486/2009­23)  e 3302­ 002.210, de 27/06/2013 (Processo nº 10166.908050/2009­44).  Portanto,  o  entendo  que  dever­se­ia  afastar  o  motivo  de  indeferimento  do  pedido de restituição (DARF alocado a débito declarado em DCTF) e determinar que a DRF  apure  a  eventual  existência  de  pagamento  indevido.  Havendo  pagamento  indevido,  seria  o  mesmo restituído à empresa interessada ou utilizado em compensação regularmente declarada,  conforme o caso.  Estas  são  as  razões  pelas  quais  não  posso  acompanhar  o  Ilustre Relator,  já  que conduzo meu voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar  a  razão do  indeferimento do pedido de  restituição  e determinar que o Delegado da DRF  em  Niterói apure a existência de indébito e, se for o caso, proceda a restituição.  Fl. 445DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/201 4 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA

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Numero do processo: 19515.004257/2007-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento à luz do Art. 62-A do Anexo II, do RICARF e do § único do Art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo Neto. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Sétima Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I - SP assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática reiterada de não registrar na contabilidade conta corrente bancária e sua movimentação evidencia o intuito doloso de ocultar a obrigação tributária principal, caracterizando evidente intuito de fraude, que implica na qualificação da multa de ofício. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. Valores não contabilizados, creditados em conta de depósito, mantida junto a instituição financeira, são caracterizados como receitas omitidas, justificando o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto. NOTIFICAÇÃO POSTAL. DATA DE CIÊNCIA. O contribuinte toma ciência de ato administrativo ao receber, via postal, a correspondência, datando e assinando o aviso de recebimento. PAGAMENTO ANTECIPADO: FALTA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A falta de pagamento antecipado de tributo ou atividade de verificação tributária e de avaliação do montante da exação impede o lançamento por homologação. IRPJ. CSLL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DOLO. Constatado o dolo, o direito de constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ, calculado com base em apuração anual, decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PIS. COFINS. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Ocorre a decadência com o decurso de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO. Dispensável a complementar produção de provas, quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e conseqüente deslinde do feito. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIAS. A autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligências ou perícias requeridas. Tais pedidos somente são deferidos quando entendidos necessários à formação de convicção por parte do julgador. Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos em lei. CONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida, e amplamente exercida pela autuada, a oportunidade de defesa, pois, tempestiva, abrangente e copiosa a impugnação apresentada, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO E CAPACIDADE ECONÔMICA. A multa de ofício não possui natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias. A capacidade econômica da contribuinte é respeitada, na medida em que a exigência é feita mediante aplicação de percentual sobre o tributo que deixou de ser recolhido. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. LANÇAMENTOS DECORRENTES. REPERCUSSÃO. Caracterizada a omissão de receita, o decidido quanto ao principal, relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, repercute seus efeitos nos lançamentos reflexos dos outros tributos - CSLL, PIS e COFINS - em função de estarem sendo lançados em razão de mesmo fato contábil-empresarial. Lançamento Procedente em Parte”. O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata-se de impugnação (fls. 1056 a 1160) apresentada por FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. , supra qualificado, contra Autos de Infração (fls. 959 a 985) relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, relacionados a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2002. 2. No "Termo (26) de Verificação Fiscal de 14/12/07" (fls. 760 a 762), parte integrante dos Autos de Infração, o Auditor Fiscal autuante informa, inicialmente, que o contribuinte fora intimado a justificar a origem dos créditos registrados nas contas bancárias por ele mantidas junto a instituições financeiras, no valor total de R$ 17.342.189,20. Juntamente com a intimação, entregou ao contribuinte relações individualizando os créditos que deveriam ser justificados e cópia dos extratos que deram origem às relações. 2.1. Acrescenta que, aquele valor total (R$ 17.342.189,20), era um valor líquido, pois já tinham sido excluídos estornos, créditos decorrentes de financiamentos e devolução de cheques depositados. Assevera que o ora impugnante apresentou justificativas em várias etapas, cujos conteúdos compõem 5 (cinco) volumes deste processo (Anexos 2 ao 6) e podem ser assim resumidos: "3.1) - Transferências entre contas do mesmo titular, que, uma vez comprovados débitos coincidentes em data e valor em outra conta do próprio contribuinte, foram considerados como justificados; 3.2.) - Recebimentos de duplicatas em carteira de cobrança bancária. Apesar do contribuinte escriturar o Livro Saída de Mercadorias e os recebimentos de duplicatas por totais mensais, o que impossibilita identificar qual a NF que se encontra escriturada por qual valor, consideramos justificados os casos em que o contribuinte comprovou, através de avisos de cobrança com relações detalhadas por duplicata, coincidentes em data e valor com o crédito a que se propunha justificar e mediante a apresentação das Notas Fiscais mencionadas nos respectivos avisos de cobrança, até o limite dos valores escriturados, que foram inferiores aos valores de recebimentos de cobrança de títulos constantes dos extratos bancários. 3.3) — Ressaltamos que foram apresentadas, em várias ocasiões, Notas Fiscais de Simples Remessa e de Vendas de Ativo Imobilizado, compondo os valores recebidos através de cobrança bancária, casos que foram consideradas NÃO justificadas suas origens uma vez que não foram compuseram a receita oferecida à tributação. Conforme acima mencionado, os registros contábeis de receitas foram feitos por totais mensais,- remetendo ao livro de saídas de mercadorias, e os registros de recebimentos de duplicatas também foram efetuados por totais, fato que não possibilita individualização dos valores recebidos, sendo os recebimentos de valores correspondentes às Notas Fiscais de Simples Remessa e de Vendas de Ativo Imobilizado considerados não escriturados na contabilidade da empresa. 3.4) — Justificou os créditos decorrentes de descontos bancários, grande parte, como sendo de duplicatas emitidas "SEM LASTRO" e que teriam sido debitados posteriormente. Apresentou planilhas para justificar essa situação, sendo que nesses casos não apresentou comprovantes hábeis e idôneos que comprovassem que os valores debitados posteriormente, realmente tratavam-se dessas duplicatas "SEM LASTRO". Além disso, não existe na contabilidade, registro de ingressos de recursos decorrentes de duplicatas descontadas, sendo referidas operações consideradas à margem da contabilidade. 3.5) - Para justificar o ingresso de créditos decorrentes de "CAMBIO FINANCEIRO", relativos aos itens 186, 187 e 231 do ANEXO 18 do referido TERMO (09) DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL de 19101107 — Banco Bradesco — Conta 86.5004-4 da Agência 504-5 a que fora intimado a justificar a origem, nos valores de R$ 16617,12, R$ 150.617, 28 e R$ 94.520, 40, o contribuinte informou tratar-se de repatriamento de antecipações a fornecedor estrangeiro (Cia DEMOR S.A — Uruguai) pelo fato de não ter ocorrido as importações relativas a essas antecipações. Entretanto, além de não apresentar comprovantes de que os valores ora creditados referiam-se às remessas efetuadas anteriormente, não consta no livro diário do ano calendário 2002, qualquer registro de lançamentos dos referidos créditos o que confirma que não havia qualquer valor pendente de recebimento a título de adiantamento por conta de importações. 3.5) — No Livro Diário / Razão apresentado pelo contribuinte não constam registros de operações financeira dos Bancos do Brasil, BMC, Pine e Rural, motivo pelo qual, todos os créditos nas contas desses bancos foram considerados à margem da contabilidade e portanto, sem origem comprovada.” (destaques do original) 2.2. O Auditor Fiscal declara que o detalhamento da análise feita consta das planilhas dos Anexos I.1 a I.14 do citado Termo 26, tendo obtido como resultado a justificativa aceita de R$ 2.179.204,63, restando R$ 15.462.984,57 sem comprovação da origem, sujeitos, portanto, à presunção legal de omissão de receita. Informa, também, que, para facilitar o manuseio,-transformou o Anexo II do Termo (9) de 19/01/2001 no "Anexo 1" deste processo e os Livros Registro de Entradas/Saídas de Mercadorias, Razão e Diário, todos do ano calendário de 2002, ficaram sendo os Anexos 7, 8 e 9, respectivamente. 2.3. Encerra, afirmando que aplicou a multa de 150 %, conforme previsto no § 1°, do artigo 44, da Lei n°. 9.430/96, pelo fato do contribuinte ter omitido em sua escrituração contábil os registros abaixo, o que configura a hipótese de, em tese, ocorrência de crime tributário: - operações realizadas nos bancos do Brasil, BMC, Pine e Rural; - recebimentos em moeda estrangeira, reportados no "Termo (9) de Constatação e de Intimação Fiscal de 19/01/07"; (estes valores também constam do primeiro item 3.5 do "Termo (26) de Constatação e de Intimação Fiscal de 14/12/07"); - vendas de ativo imobilizado, conforme NF's apresentadas; - descontos de duplicatas, conforme consta dos extratos bancários e relações de duplicatas descontadas apresentadas; - depósitos bancários, DOCs e. créditos em suas contas bancárias por transferências bancárias, escriturados em valores inferiores aos constantes dos extratos bancários e de maneira englobada, isto é, sem individualizar cada depósito/crédito recebido, impossibilitando a sua identificação. 2.4. Em vista do exposto, foram lavrados os seguintes Autos de Infração (que fazem parte do Volume 5 deste processo): IRPJ: R$ 11.551.522,70 (fls. 959 a 962) CSLL: R$ 4.184.764,33 (fls. 979 a 985) PIS: R$ 349.310,34 (fls. 963 a 970) COFINS: R$ 1.531.164,52 (fls. 971 a 978) CRÉDITO TRIBUTÁRIO TOTAL: R$ 17.587.790,64 (fls. 002) 2.5. Todos os valores acima indicados incluem a multa de ofício e os Juros de mora, calculados até 30/11/2007. E a base legal, em complementação aos dispositivos transcritos no Termo de Verificação Fiscal, indicada nos Autos de Infração é: IRPJ: art. 24, da Lei n° 9.249/95; art. 42, da Lei n°. 9.430/96; arts. 279, 287 e 288, do RIR/99 (fls. 962). CSLL: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; arts. 19 e 24, da Lei n° 9.249/95; art. 1°, da Lei n°. 9.316/96 e art. 28, da Lei n° 9.430/96; art. 6% da Medida Provisória n°. 1.858/99 e reedições. (fls. 984). PIS: arts. 1o e 3°, da Lei Complementar n° 7/70; art. 24, § 2°, da Lei n 9.249/95; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I e 9°, da Lei n°. 9.715/98; arts. 2° e 3°, da Lei n°. 9.718/98; arts. 1°, 3° e 4°, da Lei n° 10.637/2002 (fls. 969 e 970). COFINS: art. 1% da Lei Complementar n°. 70/91; art. 24, § 2% da Lei n°. 9.249/95; arts. 2% Y e 8% da Lei n°. 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n°. 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n°. 1.858/99 e suas reedições; artigos 2% inciso II e parágrafo único, 3% 10, 22, 51 e 91, do Decreto n°. 4.524/2002. (fls. 978). 3. Há duas observações manuscritas apostas nos Autos de Infração (fls. 960, 968, 976, 982 e 985) assinadas pelo Auditor Fiscal autuante: "Tendo em vista o não comparecimento do procurador, Dr. Wanderley Benventi, enviamos o Auto de Infração pelo correio com AR em 17112107" "No dia 19/12/07 foi afixado o Edital n°. 17112007 para ciência do Auto de Infração ao contribuinte porque a entrega via postal não logrou êxito. " 3.1. A fls. 755 encontra-se um documento onde o ora impugnante informa que está providenciando a nomeação de um advogado como procurador `para comparecer e atender, em nosso nome, a intimação verbal dessa Fiscalização que agendou para o próximo dia 19 de Dezembro de 2007, período da manhã, encontro para a necessária conferência final da documentação constante do Processo acima." O extrato do SEDEX, contendo as informações sobre as tentativas de entrega, está a fls. 988. No Edital n°. 171/2007 (fls. 989) constam as informações sobre a data de afixação e de retirada do mesmo: 19/12/07 e 09/01/08, respectivamente. 3.2. Tendo tomado ciência destes lançamentos, nos seus próprios termos, em 03/01/2008, o contribuinte, por intermédio de seus advogados (docs. a fls.009, 997, 1012 e 1013 interp6s impugnação (fls 1060 a 1080), remetida em 06 /02/08 (capa de caixa dos Correios a fls. 1055), relatando e alegando o que segue. 3.3. Inicia pugnando pela tempestividade da impugnação já que tomou ciência dos lançamentos em 03/01/08, conforme artigo 23, III e § 2% III do Decreto n°. 70.235/72. Em seguida, relaciona os Termos de Constatação e Intimação Fiscal, com as respectivas datas de ciência. Afirma, em continuação, em um tópico denominado "111 - GRITANTE ERRO MATERIAL" que o Auditor Fiscal, no item VI, da Representação Fiscal para Fins Penais, menciona como sendo sócios gerentes à época dos fatos os senhores Wanderley Venere Bonventi e Bruno Venere Bonventi, utilizando como base a 8' alteração contratual registrada na JUCESP. Afirma que nem no contrato de constituição da empresa e nem em nenhuma outra alteração contratual constou que o sócio minoritário Sr.Bruno Venere Bonventi tinha poderes de gestão ou de administração. 3.4. Após dizer: "Outrossim, é de extrema estranheza, para dizermos o mínimo, a falta de cautela e acuidade do Auditor Fiscal em utilizar a referida "8a alteração contratual " ou qualquer outra que fosse, eis que nenhuma delas subsidia o fato, para tentar informar que o ex-sócio da empresa, Sr. Bruno Venere Bonventi, tinha poderes de SÓCIO GERENTE a época, incluindo-o como responsável na "Representação Fiscal para Fins Penais", sabendo ademais que em tal procedimento busca-se a mais lídima verdade real. " , pleiteia a imediata retirada do nome do ex-sócio Sr. Bruno Venere Bonventi da "Representação Fiscal para Fins Penais". (os destaques na transcrição são do original) 3.5. Passa, então, a alegar a ocorrência da decadência, principiando por: "Embora no mérito fático estejamos procedendo à sólida argumentação embasadora desta peça IMPUGNATIVA, que certamente desaguará na anulação das autuações combatidas, ou no mínimo na redução significativa das autuações incorridas e desenquadramento da multa agravada de 150 %, não podemos nos olvidar do instituto da DECADÊNCIA, que insofismavelmente fulmina "in totum " a presente autuação de IRPJ e suas autuações ditas reflexas compreendendo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Contribuição para a Seguridade Social e o PIS — Programa de Integração Social, decorrentes de, na ótica fiscal, "depósitos bancários não justificados ocorridos no Ano-Calendário de 2002 ", a saber... " 3.6. Afirma que, "conforme se demonstrará, o IRPJ é um lançamento por homologação e, permeia ente os fatos geradores ensejadores das autuações mês a mês, de janeiro a dezembro de 2002, até que ocorreu a intimação em 03 de Janeiro de 2008, o lapso temporal de 5 (cinco) anos, opera-se a toda evidência a DECADÊNCIA, nos termos do Art. -150 — § 4° do CTN; ou mesmo em se considerando,- o que se admite apenas "ad argumentandum ", a ocorrência do preconizado na parte "in fine " do citado § 4° (..... comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação), o que deslocaria o prazo para operar a Decadência para o ART. 173 — I do CTN (I- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado), ainda assim, a toda evidência e adiante provado, o instituto da Decadência fulminaria os Autos de Autuação em tela, eis que, o lapso temporal iniciar-se-ia em 1 'de Janeiro de 2003, fluindo os 5 (cinco) anos em 1 'de janeiro de 2008, e a intimação ocorreu em 03 de Janeiro de 2008. " 3.7. Após transcrever legislação referente aos temas lançamento por homologação e decadência, textos de juristas e ementas de acórdãos, encerra: "Portanto, forçoso concluir-se que a "Lei 9.430196", além de consolidar o "IRPJ" como sendo um imposto por homologação, com antecipações mensais ou trimestrais, ainda recepcionou em seu bojo a "lei 8.98111995", com as modificações introduzidas pela "Lei n° 9.065195 ", que conforme artigos transcritos seguem a mesma linha de ser o "IRPJ" um imposto por homologação e pago em bases mensais ou trimestrais, com ajuste anual na DIRPJ; ademais recepcionou ainda como FORMA DE DETERMINAÇÃO DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL DA PESSOA JURÍDICA, ser esta procedida com base em Balancetes de Suspensão ou Redução do IRPJ; balancetes mensais estes procedidos e que compõem a DIRPJ do Ano-Calendário de 2002, Exercício de 2003, desta Impugnante, tempestivamente entregues à Receita Federal e, na qual são explicitados os Balancetes mensais, nos termos da legislação retro citada, demonstrando a exaustão que a IMPUGNANTE procedia ao levantamento do IRPJ apagar, em bases mensais, através dos citados Balancetes. " 3.8. Prossegue, transcrevendo o artigo 42 da Lei n°. 9.430/96, para afirmar que, nos termos desse dispositivo, os depósitos bancários relacionados pelo Auditor autuante como não justificados, deverão ser considerados no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. No entanto, continua, "inexplicavelmente e ilegalmente, eis que, afrontou diretamente a Lei 9.430196 (art. 42 — §§ 1 ° 2° e 3°), e saliente-se que a Autoridade tem competência vinculada, o Sr. Auditor Fiscal, as fls. 961 do Processo escreveu: ... " e transcreveu a tabela onde constam a data dos fatos geradores (31/12/2002), o valor tributável respectivo e a multa aplicável. Diz, ainda, í que a s. 958 e 959 "sob o título AUTO DE INFRAÇÃO do IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA, inseriu como FATO GERADOR O ANO DE "2002" e VENCIMENTO DO IMPOSTO que encontrou em data de 31103/2003, em ilegal procedimento, pelo que requer a sua ANULAÇAQ nos termos do Decreto 70.235172 e da Lei 9.784/99, além de afrontar o Princípio dá Legalidade do Direito Administrativo esculpido no Art. 5° da Constituição Federal". 3.9. Da mesma forma ataca o artigo 24, da Lei n°. 9.249/95 que também foi apontado pelo Auditor Fiscal como dando base à autuação. É seu entendimento que os dispositivos citados "arrasam o ilegalmente pretendido pelo Sr. Auditor que, ao invés de considerar as receitas omitidas (sob a sua ótica) decorrentes de depósitos bancários, mês a mês, ou seja dentro do período de Janeiro a Dezembro de 2002, cada mês com seus depósitos, considerou todas como ocorridas em 3111212002, a Lei n° 9.430196 que preceitua em seu § 1' que, os valores das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado junto a instituição financeira, como ainda o ART. 24 da Lei n° 9.249195 preceitua que o valor do imposto e do adicional serão lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período em que corresponder a omissão. E, a ora IMPUGNANTE, conforme consta de sua DIRPJ do ano-calendário de 2002 — exercício de 2003, procedia a BALANCETES MENSAIS, nos termos da legislação vigente, para apuração do IRPJ. " 3.10. Alega que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado é o dia 1° de janeiro de 2003, já que tinha optado pela utilização de balancetes mensais para a apuração do IRPJ. Assim, teria se operado a decadência, mesmo que prevalecesse a ótica do Auditor autuante (existência de dolo). Dá por encerrado este tópico, transcrevendo legislação referente aos temas lançamento por homologação e decadência, textos de juristas e extensa lista de ementas de acórdãos administrativos. 3.11. O próximo tópico abordado pelo impugnante foi por ele denominado de "Preliminar de Nulidade", onde ele argumenta que tomou ciência do "Termo (12) de Apreensão de Livros Contábeis e Fiscais", em 16/02/2007, e, com a apresentação de sua impugnação, protocolada em 22/03/2007, abriu-se a possibilidade de imediata instalação do processo administrativo fiscal. Após transcrever textos de juristas e artigos de normas legais, diz: "Constata-se assim que o objetivo único do Auditor Fiscal para a precipitada, prematura e intempestiva apreensão dos livros contábeis e fiscais descritos, era anexá-los ao "Processo de Representação Fiscal Para Fins Penais ", ("Art 915 — § 1 ° do RAR " em consonância com o "Art. 35 — § 1 ° da Lei n° 9.430/96). 3.12. Passa, então, a elencar e discorrer sobre alguns princípios citados por doutrinadores que seriam comuns ao procedimento e ao processo administrativo tributário,como por exemplo: da legalidade objetiva, da vinculação, da verdade material, da oficialidade, do dever de colaboração, do dever de investigação. Conclui:"Isto posto, requer-se a anulação das fases subseqüentes à "Apreensão", inclusive do "Auto de Infração", por não terem sido observados em sua lavratura as garantias processuais do Administrado. " (destaque do original) 3.13. Após mais transcrições de textos e de dispositivos legais, discorre sobre princípios de Direito Administrativo que teriam sido afrontados pelo Auditor Fiscal, que seriam: da legalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório. 3.14. Alguns trechos de sua peroração merecem transcrição: "Destaque-se que, na hipótese de decisão administrativa, ainda que parcial, ser proferida sem respeitar os "Princípios" do "Contraditório" e da "Ampla Defesa", bem como os demais "Princípios" atinentes ao "Processo Administrativo", em especial o da "Legalidade", ela está eivada de nulidade, por falta de elemento essencial a sua formação." (destaques do original) ................................................. "Assim, este Contribuinte detém o direito líquido e certo de que, a lavratura do "Auto de Infração", e os seus atos precedentes, desde a deflagração do "Processo Administrativo Fiscal ", o que ocorreu no presente processo com a tempestiva Impugnação à lavratura do "Termo 12 de Apreensão de Livros Contábeis e Fiscais", ocorram rigorosamente nos termos da lei infra-constitucional, da Constituição (Ampla Defesa e Contraditório) e dos Princípios do Direito Administrativo e Tributário, . sem olvidar nenhum deles, sob pena dos atos subseqüentes serem considerados nulos de pleno direito, inclusive e principalmente o "Termo de Autuação Fiscal"; não anuláveis, mas NULOS. " (destaques do original) .................................................................... "Julgadores: é o caso dos Autos, à perfeição, eis que no momento em que lavrou o "Auto de Apreensão de Livros" (Termo 12), abriu-se o trintídio legal para a Impugnação, o que ocorreu, pelo que os fatos subseqüentes e a própria "Autuação Fiscal", estariam sob a égide do "Processo Administrativo"; pelo que se requer o reconhecimento de ser NULO o "Auto de Infração " lavrado, bem como todos os fatos subseqüentes à IMPUGNAÇÃO (Doc. 6), os quais também não observaram as normas do Processo Administrativo. " (destaques do original) 3.15.-Passa- á alegar a preliminar -de cerceamento ao direito constitucional à ampla defesa: "E, no caso em tela, o "Processo Administrativo", só e somente foi encaminhado ao DERA — SPO, em data de 17101105 (Doc. 7), e só e somente foi disponibilizado para "VISTA" pela AUTUADA e seus Advogados, em data de 29/Janeiro12008, para um prazo de trintídio que vencia-se em 02/fevereiro/2008, ou seja, 4 (quatro) dias após; o fato narrado pode ser perfeitamente comprovado, através dos Controles Internos do DERAT-SPO, que instados pessoalmente em 23/01/08 a apresentarem o Processo Administrativo da presente autuação, só e somente o disponibilizaram em data de 29/Janeiro/08. " 3.16. E continua: "Assim, ao exposto requer-se que seja disponibilizado à Impugnante, o prazo ilegalmente suprimido, bem em respeito ao Direito Constitucional à Ampla Defesa, possibilitando eventual aditando a presente peça impugnativa que, pela premência de tempo, pode conter erros e imperfeições eis que, em superficial análise, constatamos que o Sr. Auditor Fiscal, teve 365 dias, para fiscalização e, ao lavrar os Autos cometeu absurdos erros e mesmos abusos, conforme expostos e criticados. " 3.17. O próximo tema a ser combatido está no item "VI- Da Omissão de Registro de Operações Bancárias — Receita de Venda de Direitos Creditórios não Contabilizada", onde o impugnante alega que a operação na qual alienou, pelo valor de R$ 60.000,00, em 16/09/2002, para a empresa Visão Habitacional Ltda., por meio de instrumento particular de cessão e transferência de direitos creditórios, tendo realizado uma transferência de dinheiro entre agências bancárias, foi devidamente explicada e comprovada. (Doc. 8, 8-A e 9) 3.18. Diz que tal operação não é receita tributável, por já ter sido tributada. em 1995, pois se refere a uma escritura pública de confissão de dívida com garantia hipotecária, lavrada em 26/09/95, em garantia de venda mercantil, conforme notas fiscais listadas na própria escritura. 3.19. Prossegue: "Ante o não pagamento da venda mercantil, a ora Impugnante tratou de executar a hipoteca e, seguindo as normas da Receita Federal vigentes, só e somente poderia levar o valor não recebido à conta de prejuízo, após exauridos todos os meios de cobrança, ou seja, término da Execução Judicial; assim, ao alienar para terceiros o crédito e o direito de ação, pelo valor original, não procedeu a uma operação tributável, sob pena de acolher-se a bi-tributação da mesma operação, ou "bis in idem ". " 3.20. Argumenta que, ao contrário do que alega ó Auditor Fiscal, a operação relacionada à omissão de registro de operações bancárias como os créditos de vendas de divisas não contabilizados (caso Beacon Hills), está comprovada como sendo repatriação de divisas antecipadas a fornecedor estrangeiro, anexando, com o intuito de ver corroborada sua afirmativa, o documento 10-A. 3.21. Alega que o Auditor Fiscal, "sob critérios próprios", ignorando uma lei em que se baseou e 'fazendo letra morta " de outra, lavrou o Auto de Infração por omissão de receitas. Reafirmando que declarou o IRPJ/2003 pelo regime de Lucro Real, com o cálculo do imposto sendo feito mensalmente por balancete, apresenta alguns valores que constam de sua DIPJ/2003. Diz que valores do Ativo, como Cliente, Caixa e do Passivo, como Financiamentos a curto prazo deveriam ser considerados para a perfeita adequação do fluxo de caixa e que "a não consideração dos valores de depósitos em sistema de "Fluxo de Caixa" dia a dia, mês a mês, contraria, a ciência contábil, bem como os princípios e procedimentos contábeis, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Doc. a), e a própria "Lei n° 9.430196 — Art. 42 ", além de se constituir na prática em uma verdadeira "bis in idem ". 3.22. Argumenta que o Auditor Fiscal autuante não considerou os depósitos decorrentes de transferências entre contas do próprio contribuinte, que representam "conforme adiante se demonstrará e provará um montante de altíssima monta, a contemplar a quase totalidade da autuação por omissão de depósitos bancários". Insiste na citação do § 1o do artigo 42, da Lei 9.430/96 para afirmar que as receitas devem ser consideradas auferidas no mês do crédito efetuado pela instituição financeira e que procedimento diverso contraria a jurisprudência do Conselho de Contribuintes 3.23. Assevera: "Pelo que, a denominada "omissão de receitas de Pessoas Jurídicas adveniente de depósitos bancários", repise-se, há de ser considerada "mês a mês", em um conta-corrente, num verdadeiro `fluxo de caixa", eis que, por óbvio, o valor lançado e tributado pelo "Auto de Infração" lavrado pelo Auditor Fiscal em, um mês, passa a se constituir saldo líquido disponível no mês subseqüente, deduzindo-se do montante de depósitos desse mês, e assim subseqüentemente, dentro do ano-calendário, num procedimento dentro das normas e princípios contábeis e da própria Lei n°. 9.430146 (sic), o que aliás é amplamente referendado pela Jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes; ademais, em não sendo assim, aconteceria a bi-tributação de lançamentos, o que é vedado pela lei. " 3.24. Assegura que o lançamento estribado apenas na soma de depósitos bancários é procedimento inconsistente, que não retrata a situação necessária e suficiente definida em lei para a ocorrência do fato gerador, conforme prevê o artigo 43, do Código Tributário Nacional. Também diz que a Lei n°. 9.430/96 não fala em "soma', ao se referir aos depósitos bancários não justificados e, no seu entendimento, a "soma" contraria a legalidade, como disposto no inciso III, do artigo 97 do CTN. Acredita que é com base nesses fundamentos que a jurisprudência tem confirmado a ilegitimidade do IRPJ lançado com apoio apenas em depósitos bancários. 3.25. Entende que o lançamento seria legítimo apenas se "além dos depósitos bancários cuja origem não tiver sido identificada pela fiscalização, ocorresse a disponibilidade jurídica e econômica em favor do Contribuinte, com conseqüente acréscimo patrimonial (o que definitivamente não ocorreu no caso presente). " 3.26. E encerra este tópico de sua impugnação: "Ainda que se admitisse a possibilidade do lançamento do "Imposto de Renda" ser baseado exclusivamente nos depósitos bancários, presumidos como receitas omitidas, depois de saneados, ou seja, excluídos os depósitos de mesma titularidade, os cheques depositados e devolvidos, os créditos decorrentes de empréstimos bancários e de Contas Garantidas, os empréstimos comprovados e outros assemelhados seria indispensável o "arbitramento "para determinar a base de cálculo do Imposto de Renda; nesse sentido o "Acórdão da 12° Câmara do 1 ° Conselho de Contribuintes (Recurso Voluntário n° 116.724) ". Com efeito, a "Lei n° 8.981195", prevê o arbitramento da base de cálculo em casos em que a contabilidade não tenha registrado a total movimentação bancária (art. 47, inciso II, “a”).~ Mas, a Impugnante refuta (sic) num primeiro momento, a conveniência de qualquer arbitramento, eis que esta apresentando 'justificativas" aos depósitos bancários elencados (e saneados), o maior volume decorrente de transferências bancárias de MESMA TITULARIDADE; somente requer o "Arbitramento", nos termos do "Art. 530, do RIR199 ", se vencidas as preliminares e as justificativas elencadas, o que se admite "Ad Argumentandum ". Ademais, o "Art. 288, do RIR199 ", adotado pelo Auditor, somente se aplica às receitas efetivas e não às receitas consideradas como tais, por presunção da lei. Com efeito, as receitas efetivas resultam de ingressos reais e inquestionáveis, que tenham sido omitidos pelo contribuinte, não contemplando as receitas por mera presunção, como no caso do Art. 42 — Lei n° 9.430196. " ( destaque do original) 3.27. Ataca a aplicação da multa agravada de 150 % pelo evidente intuito de fraude, como definido no artigo 71, da Lei n°. 4.502/64, porque, no seu entender, o ponto caracterizador desse agravamento é o dolo e 'foi autuado açodadamente em astronômico montante, unicamente pela não entrega tempestiva de documentação que respaldasse o seu movimento bancário de depósitos e créditos. " Cita juristas e acórdãos administrativos com o objetivo de ver corroborada sua argumentação. 3.28. Diz: "Com efeito a "autuação fiscal " por "Omissão de Receitas ", decorrente de "depósitos bancários não comprovadas a origem pelo Contribuinte", conforme o constante do "Art. 42 — Lei n°. 9.430/96", que inverteu o "ônus da prova", imputando-o ao Contribuinte, ocorre por mera presunção, eis que presume-se que ocorreu "omissão", ante a eventual não comprovação de origens por parte do Contribuinte, como no caso em análise dos presentes Autos, onde constata-se fatores materiais (falta de funcionários) aliado a fatores temporais (exigüidade de tempo) para que a Impugnante, em precária situação econômica e administrativa, procedesse a uma verdadeira auditoria contábil a relacionar, explicar, justificar e relatar, milhares e milhares de documentos, a serem copilados em relatório, a ser produzido pela empresa e acompanhado dos originais e cópias, para satisfação do Fisco. 3.29. Termina este tema afirmando que está impugnando a "astronômica e absurda autuação, nos termos em que ela foi lavrada, ou seja, pendências de justificativas sobre os "DEPÓSITOS BANCÁRIOS" constantes nos EXTRATOS BANCÁRIOS, QUE, RESSALTE-SE, FORAM APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. " ( destaques do original) 3.30. No item denominado "XI — QUADRO CONJUNTURAL" confessa que utilizou operações de desconto de duplicatas sem lastro e que, `por serem pouco ortodoxas, não encontravam adequado espaço na contabilização ". Afirma, também, do relatórios, para cada banco, com as justificativas e com documentos 3.31. Diz que os julgadores deverão considerar 9 (nove) elementos (que especifica, a fls. 1138 e 1139) na formação de sua convicção e enfatiza o disposto no artigo-3o, da IN SRF- n°. 246/2002, que traz, em seu § 1o a assertiva de não ser necessário considerar o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00. 3.32. Requer a realização de perícias e diligências, nomeando peritos e formulando 8 quesitos, como: confecção de fluxo de caixa; diligência nos bancos, ..., se dúvida houver por parte dos julgadores; diligência para sanar qualquer dúvida dos julgadores quanto à idoneidade de qualquer documento apresentado; se os elementos e documentos constantes do processo administrativo em tela são suficientes para atender ao princípio da justiça tributária, princípio da verdade material, princípio do dever de investigação, princípio da ampla instrução probatória; outras perícias e diligências que os senhores julgadores ou os peritos achem necessárias; identificação nos depósitos bancários das operações pouco ortodoxas. 3.33. Alega o efeito confiscatório da multa, por atingir o direito constitucional à propriedade e investe contra a aplicação da taxa SELIC, por ser uma taxa criada por circular do Banco Central, poder ser modificada a qualquer tempo por este e visar, apenas, remunerar o capital investido na compra e venda de títulos públicos. Entende que deve ser aplicada a taxa de 1 % (artigo 161, § V). 3.34. Antes de encerrar sua extensa exposição, afirma que o enquadramento utilizado pelo Auditor Fiscal na Representação para Fins Penais (artigo 1o da Lei n°. 8.137/90) não é o mais adequado. No seu entender, "como medida da boa doutrina jurídica", requer a retificação para o tipo penal descrito no inciso I, do artigo 2° da referida Lei. 3.35. A título de conclusão afirma que não houve qualquer aumento de patrimônio, nem do impugnante e nem de seus sócios. Requer o acolhimento da presente, com o cancelamento do Auto de Infração. 3.36. Na seqüência dos Autos, consta um documento entregue pelo ora impugnante intitulado "MEMORIAL - CONSIDERAÇÕES", no qual salienta e enfatiza argumentos já expendidos na impugnação, não trazendo documentação nova. 4. Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos do artigo 1% da Portaria SRF n°. 326/05, que ganhou o n°. 19515.004307/2007-92 e foi apensado aos presentes autos. É o Relatório.” O acórdão recorrido rejeitou preliminares de nulidade suscitadas pela Contribuinte e, no mérito, manteve integralmente os lançamentos de IRPJ e CSLL e parcialmente os autos de infração de PIS e COFINS, pelas razões sintetizadas na ementa acima transcrita (fls. 1701 e ss – vol. 9). O cancelamento parcial dos autos de infração deveu-se exclusivamente pela aplicação ao caso do disposto no art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial para lançamento das citadas contribuições (ciência do lançamento ocorrida em 03.01.2008 e fatos geradores ocorridos entre 31.01.2002 a 31.12.2002). Às fls. 1834 consta o AR referente à intimação da Contribuinte em relação ao acórdão acima referido. De citada intimação consta o endereço Avenida Washington Luis, 3050, Fundos, Sala 01, Santo Amaro, que é o endereço da Contribuinte constantes dos registros da Receita Federal do Brasil. Tal intimação foi recebida em 29.04.2009 pelo Sr. “André S. C.”. Em sede de recurso voluntário (fls. 1851 e ss – vol. 10), a Recorrente requer o improvimento do recurso de ofício interposto, suscita preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mais, reproduz as alegações de impugnação, especificamente no que se refere a: (i) nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido, por alegada inobservância à liminar proferida no citado mandado de segurança e pelo fato de o ato decisório ter se silenciado quanto à aplicação respectiva no caso concreto; (ii) nulidade do auto de infração por afronta aos princípios da ampla defesa e contraditório; (iii) a tributação realizada na forma do art. 42 da Lei n. 9.430/96 é ilegítima, conforme precedentes judiciários; (iv) haveria decadência do Fisco do direito de lançar IRPJ e CSLL em relação ao ano de 2001 em vista dos recolhimentos mensais por estimativa; (v) ilegítima a imposição de multa de ofício qualificada, em vista da ausência de conduta dolosa no caso concreto e do seu nítido caráter confiscatório; (vi) seria ilegal a exigência de juros moratórios equivalentes à taxa selic; (viii) ainda que a acusação de omissão de receitas subsistisse, o que se admite para argumentar, o lançamento deveria ter sido lavrado com base no arbitramento de lucro, em vista da relevância dos valores apontados, jamais pelo regime de lucro escolhido pela Contribuinte. No citado recurso voluntário e às fls. 2136/2137, a Contribuinte noticia liminar concedida em mandado de segurança (MS n. 2008.61.00.000011-5), segundo a qual restou determinado que a D. Autoridade Coatora “AGUARDE a apreciação da impugnação administrativa da impetrante FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, somente após, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Criminais e a lavratura do auto de infração, se for o caso, garantida à impetrante a partir do TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a garantia de contraditório e da ampla defesa, bem como tomar as providências cabíveis” (fls. 889/898 – destaques do original).Citada liminar foi confirmada por meio de sentença de primeira instância e acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região, por meio de acórdão assim ementado (fls. 2136 e ss), verbis: TRIBUTÁRIO - PROCESSO ADMINISTRATIVO – PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO - NÃO APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA - IMPOSSIBILIDADE DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO - AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO PREJUDICADOS – IMPROVIMENTO 1- Contrariando o conjunto de regras que disciplina o processo administrativo, a autoridade coatora lavrou o auto de infração sem proceder apreciação da impugnação interposta. Dessa forma, a impetrada extrapolou o due process of law que, mesmo em esfera administrativa, deve ater-se a prazos e ritos dos quais tanto à União como aos contribuintes não é facultado eximir-se, em atendimento ao principio da legalidade. 2- Já a Constituição Federal em seu artigo 50 , inciso LV, assegura a todos, ainda que em procedimento administrativo, o devido processo legal, a fim de garantir a ampla defesa, o contraditório, a publicidade e o impulso oficial. 3- A impugnação arguida pela apelada no procedimento fiscalizatório visava rebater as informações acusativas baseadas na apreensão dos livros e documentos fiscais da empresa. 4- Escorreita a sentença monocrática, de rigor sua manutenção,'aguardando a apreciação da impugnação administrativa formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo, para depois se cogitar acerca da Representação Fiscal para Fins Criminais e da lavratura do Auto de Infração, com o devido resguardo do direito da apelada ao contraditório e à ampla defesa. 5- Estabelecida que fora a litigisiosidade com o ato de apreensão fez a administração incidir, para si, o dever insculpido no regramento da lei 9.784/99 em seu art. 20, o de obedecer aos princípios de legalidade e sobretudo de ampla defesa, entre outros. Ao não processar o também direito da parte de impugnar o ato, descortinou-se, em face da administração a perspectiva de nulidade dos atos subseqüentes, a teor do art. 59 II do decreto no 70.235/72. 6- Apelação e à remessa oficial improvidas. (AMS n. 2008.61.00.000011-5, Rel.: Desembargador Federal Nery Júnior, publicado em 27.11.2009). Às fls. 2.155, a D. Autoridade Preparadora noticia a intempestividade do recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Às fls. 2165 há cópia da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em exame à impugnação apresentada pela Contribuinte contra o termo de apreensão de livros contábeis e fiscais de fls. 272, assim ementada, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO EM CUMPRIMENTO A DECISÃO JUDICIAL. Nos termos da legislação de regência, é cabível a retenção de livros e documentos do contribuinte, mediante termo escrito lavrado pela autoridade fiscal, quando ficar configurada, em tese, a ocorrência de ilícito penal. A apreensão não implica considerar provado o ilícito penal, mas tão-somente visa instruir o processo de representação fiscal para fins penais, o qual será encaminhado ao Ministério Público somente após a constituição definitiva do crédito tributário. Impugnação Improcedente. Sem Crédito em Litígio.” Às fls. 2.183, a Contribuinte peticiona novamente a este Conselho, a fim de que seja dado cumprimento ao acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região acima citado e, por conseguinte, sejam tidos como “nulos todos os atos subseqüentes ao “termo de apreensão de livros e documentos”, principalmente, a lavratura do auto de infração, como medida de respeito à superior decisão judicial”. Verbis: O "Mandado de Segurança" foi impetrado em data de 20 de dezembro de 2007, perante a 16a Vara Cível da Seção Judiciária de São Paulo, o qual em 02 de abril de 2008 teve a segurança deferida em liminar de antecipação de tutela : (doc. III do Recurso Voluntário) e, posteriormente, confirmada por sentença (doc. IV do Recurso Voluntário), ordenando a autoridade impetrada, in casu o Delegado de Fiscalização da Receita Federal em São Paulo, aguardar a apreciação da Impugnação Administrativa ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos" que a ora Requerente então havia formulado perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, "somente após, garantindo o direito constitucional ao contraditório e a ampla defesa, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Penais e a lavratura do Auto de Infração, se fosse o caso de eventual autuação ". Em que pese à superior existência do referido Mandado de Segurança, o Processo Administrativo foi objeto do Auto de Infração e, somente no Acórdão n° 16-19.948 da 7a Turma da DRJ/SPO1, a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a Impugnação ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos", após superficial apreciação, atacada preliminarmente no Recurso Voluntário dirigido a esse Colendo Tribunal. A liminar, a sentença e o Acórdão do Tribunal Regional Federal da 31 Região, ora anexado, fazem letra morta e eivado de plena nulidade o Auto de Infração lavrado e, em decorrência, todo o Processo Administrativo que se sucedeu, adstrito ao contraditório e a ampla defesa. No Mandado de Segurança não se discutiu ou se impugnou a exigência de qualquer tributo, mas sim, se ocorreu no curso do Processo Administrativo em tela, alguma ilegalidade. A manutenção pela autoridade impetrada da autuação incorrida, face à presença maior de uma ordem judicial (liminar e sentença do mandamus), eivou de NULIDADE a mesma e, em consequência, o Acórdão n° 16-19.948 da 7a Turma da DRJ/SPO1, discutido no Recurso Voluntário dirigido a esse respeitável Conselho. Diante do exposto, serve a presente para requerer a esta Colenda Corte de Justiça Tributária que o Acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região seja integralmente cumprido, no sentido de tornar NULOS todos os atos subsequentes ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos principalmente, a lavratura do Auto de Infração, como medida de respeito à superior decisão judicial.” Às fls. 2.190, a Contribuinte apresenta memoriais para refutar a afirmação de intempestividade do recurso voluntário, nos quais sustenta, em síntese, que: (i) não haveria que se falar em intempestividade do recurso na hipótese em que o lançamento não poderia ter sido lavrado em observância a expressa determinação judicial; (ii) o mandado de intimação do acórdão recorrido “procedeu-se irregular e ilegalmente, não respeitando seus requisitos de validade”, já que este “foi recebido por pessoa totalmente estranha e desconhecida ao rol de funcionários da Requerente e de seu contrato social”. Sobre esse último item, assim justificou a Contribuinte, verbis: “A Receita Federal do Brasil ignorou que o MANDADO DE INTIMAÇÃO do acórdão exarado pela 8 a Turma da DRJ/SPO I -, enviado via correio com aviso de recebimento, FOI RECEBIDO POR PESSOA TOTALMENTE ESTRANHA E DESCONHECIDA AO ROL DE FUNCIONÁRIOS DA REQUERENTE E DE SEU CONTRATO SOCIAL. A Requerente, conforme é do pleno conhecimento da RFB, está sediada A. Avenida Washington Luis, número 3.050, FUNDOS, sala 01 (doc. 01). A pessoa que recebeu o "mandado de intimação", posteriormente direcionando A. Requerente, conforme pesquisamos, é funcionário da empresa CHACARA FLORA FITNESS COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS DE GINÁSTICA LIMITADA (doc. 11), que está situada à Avenida Washington Luis, número 3.050, FRENTE (docs. 12 e 13), a qual nenhuma ligação e/ou relação detém com a ora Requerente. Para complicar, somente cinco dias após o recebimento da intimação, o tal funcionário da Chácara Flora Fitness Comércio de Equipamentos de Ginástica Limitada, transmitiu 'a. Requerente, Fitness do Brasil Comercial Limitada, o mandado de intimação anotado como recebido em 04 de Maio de 2009, quando FATICAMENTE ACONTECEU NO DIA 29 DE ABRIL DE 2009, o que somente agora logramos saber. Caros Julgadores, não se sabe qual o motivo do tal funcionário da Chácara Flora Fitness ter recebido o mandado intimatório em nome da Requerente e, muito menos, em omitir a verdadeira data do recebimento e anotar outra. Provavelmente descaso, ignorância quanto a seriedade e responsabilidade de receber uma intimação da RFB, ou simplesmente confusão, face a existência da expressão "Fitness", na denominação societária desta Requerente e da empresa supra citada. Conforme os ilustres julgadores podem constatar, na declaração produzida pela empresa Chácara Flora (doc. 11),o SUJEITO QUE RECEBEU 0 MANDADO DE INTIMAÇÃO por carta com aviso de recebimento, à época do recebimento da missiva, INTEGRAVA 0 QUADRO DE FUNCIONÁRIOS HA APENAS 02 (DOIS) MESES E 17 (DEZESSETE) DIAS; portanto é plausível que o mesmo tenha imaginado que a referida carta devesse ser recebida e repassada a um "responsável", em razão das denominações societárias serem "parecidas", é razoável que o senhor André Salvador Crisafulli, tenha, ante o seu recém ingresso na "Chácara Flora", se equivocado e recebido uma correspondência destinada a outra pessoa jurídica, esta, porém, com DENOMINAÇÃO SOCIETÁRIA SIMILAR DA EMPRESA QUE 0 EMPREGAVA, quanto ao nome "Fitness". Não se pode olvidar que a intimação via postal no processo administrativo fiscal NÃO PODE SER VIOLADA, pois trata-se de um dos alicerces processuais, cuja função é dar ciência de ordem feita pela Autoridade Publica, para que alguém faça ou deixe de fazer algo. Considerar válida uma intimação que fora recebida por um sujeito que não a Requerente ou um dos seus prepostos é AVILTAR, além do devido processo legal, a AMPLA DEFESA DA REQUERENTE.” (Grifos do Original) É o relatório.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, para sobrestar o julgamento à luz do Art. 62-A do Anexo II, do RICARF e do § único do Art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03/01/2012. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo Neto. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Sétima Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I - SP assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A prática reiterada de não registrar na contabilidade conta corrente bancária e sua movimentação evidencia o intuito doloso de ocultar a obrigação tributária principal, caracterizando evidente intuito de fraude, que implica na qualificação da multa de ofício. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. Valores não contabilizados, creditados em conta de depósito, mantida junto a instituição financeira, são caracterizados como receitas omitidas, justificando o lançamento de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto. NOTIFICAÇÃO POSTAL. DATA DE CIÊNCIA. O contribuinte toma ciência de ato administrativo ao receber, via postal, a correspondência, datando e assinando o aviso de recebimento. PAGAMENTO ANTECIPADO: FALTA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A falta de pagamento antecipado de tributo ou atividade de verificação tributária e de avaliação do montante da exação impede o lançamento por homologação. IRPJ. CSLL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DOLO. Constatado o dolo, o direito de constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ, calculado com base em apuração anual, decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PIS. COFINS. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. Ocorre a decadência com o decurso de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO. Dispensável a complementar produção de provas, quando os documentos integrantes dos autos revelam-se suficientes para formação de convicção e conseqüente deslinde do feito. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIAS. A autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligências ou perícias requeridas. Tais pedidos somente são deferidos quando entendidos necessários à formação de convicção por parte do julgador. Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixe de atender aos requisitos previstos em lei. CONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida, e amplamente exercida pela autuada, a oportunidade de defesa, pois, tempestiva, abrangente e copiosa a impugnação apresentada, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO E CAPACIDADE ECONÔMICA. A multa de ofício não possui natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias. A capacidade econômica da contribuinte é respeitada, na medida em que a exigência é feita mediante aplicação de percentual sobre o tributo que deixou de ser recolhido. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. LANÇAMENTOS DECORRENTES. REPERCUSSÃO. Caracterizada a omissão de receita, o decidido quanto ao principal, relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, repercute seus efeitos nos lançamentos reflexos dos outros tributos - CSLL, PIS e COFINS - em função de estarem sendo lançados em razão de mesmo fato contábil-empresarial. Lançamento Procedente em Parte”. O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Trata-se de impugnação (fls. 1056 a 1160) apresentada por FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. , supra qualificado, contra Autos de Infração (fls. 959 a 985) relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, relacionados a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2002. 2. No "Termo (26) de Verificação Fiscal de 14/12/07" (fls. 760 a 762), parte integrante dos Autos de Infração, o Auditor Fiscal autuante informa, inicialmente, que o contribuinte fora intimado a justificar a origem dos créditos registrados nas contas bancárias por ele mantidas junto a instituições financeiras, no valor total de R$ 17.342.189,20. Juntamente com a intimação, entregou ao contribuinte relações individualizando os créditos que deveriam ser justificados e cópia dos extratos que deram origem às relações. 2.1. Acrescenta que, aquele valor total (R$ 17.342.189,20), era um valor líquido, pois já tinham sido excluídos estornos, créditos decorrentes de financiamentos e devolução de cheques depositados. Assevera que o ora impugnante apresentou justificativas em várias etapas, cujos conteúdos compõem 5 (cinco) volumes deste processo (Anexos 2 ao 6) e podem ser assim resumidos: "3.1) - Transferências entre contas do mesmo titular, que, uma vez comprovados débitos coincidentes em data e valor em outra conta do próprio contribuinte, foram considerados como justificados; 3.2.) - Recebimentos de duplicatas em carteira de cobrança bancária. Apesar do contribuinte escriturar o Livro Saída de Mercadorias e os recebimentos de duplicatas por totais mensais, o que impossibilita identificar qual a NF que se encontra escriturada por qual valor, consideramos justificados os casos em que o contribuinte comprovou, através de avisos de cobrança com relações detalhadas por duplicata, coincidentes em data e valor com o crédito a que se propunha justificar e mediante a apresentação das Notas Fiscais mencionadas nos respectivos avisos de cobrança, até o limite dos valores escriturados, que foram inferiores aos valores de recebimentos de cobrança de títulos constantes dos extratos bancários. 3.3) — Ressaltamos que foram apresentadas, em várias ocasiões, Notas Fiscais de Simples Remessa e de Vendas de Ativo Imobilizado, compondo os valores recebidos através de cobrança bancária, casos que foram consideradas NÃO justificadas suas origens uma vez que não foram compuseram a receita oferecida à tributação. Conforme acima mencionado, os registros contábeis de receitas foram feitos por totais mensais,- remetendo ao livro de saídas de mercadorias, e os registros de recebimentos de duplicatas também foram efetuados por totais, fato que não possibilita individualização dos valores recebidos, sendo os recebimentos de valores correspondentes às Notas Fiscais de Simples Remessa e de Vendas de Ativo Imobilizado considerados não escriturados na contabilidade da empresa. 3.4) — Justificou os créditos decorrentes de descontos bancários, grande parte, como sendo de duplicatas emitidas "SEM LASTRO" e que teriam sido debitados posteriormente. Apresentou planilhas para justificar essa situação, sendo que nesses casos não apresentou comprovantes hábeis e idôneos que comprovassem que os valores debitados posteriormente, realmente tratavam-se dessas duplicatas "SEM LASTRO". Além disso, não existe na contabilidade, registro de ingressos de recursos decorrentes de duplicatas descontadas, sendo referidas operações consideradas à margem da contabilidade. 3.5) - Para justificar o ingresso de créditos decorrentes de "CAMBIO FINANCEIRO", relativos aos itens 186, 187 e 231 do ANEXO 18 do referido TERMO (09) DE CONSTATAÇÃO E DE INTIMAÇÃO FISCAL de 19101107 — Banco Bradesco — Conta 86.5004-4 da Agência 504-5 a que fora intimado a justificar a origem, nos valores de R$ 16617,12, R$ 150.617, 28 e R$ 94.520, 40, o contribuinte informou tratar-se de repatriamento de antecipações a fornecedor estrangeiro (Cia DEMOR S.A — Uruguai) pelo fato de não ter ocorrido as importações relativas a essas antecipações. Entretanto, além de não apresentar comprovantes de que os valores ora creditados referiam-se às remessas efetuadas anteriormente, não consta no livro diário do ano calendário 2002, qualquer registro de lançamentos dos referidos créditos o que confirma que não havia qualquer valor pendente de recebimento a título de adiantamento por conta de importações. 3.5) — No Livro Diário / Razão apresentado pelo contribuinte não constam registros de operações financeira dos Bancos do Brasil, BMC, Pine e Rural, motivo pelo qual, todos os créditos nas contas desses bancos foram considerados à margem da contabilidade e portanto, sem origem comprovada.” (destaques do original) 2.2. O Auditor Fiscal declara que o detalhamento da análise feita consta das planilhas dos Anexos I.1 a I.14 do citado Termo 26, tendo obtido como resultado a justificativa aceita de R$ 2.179.204,63, restando R$ 15.462.984,57 sem comprovação da origem, sujeitos, portanto, à presunção legal de omissão de receita. Informa, também, que, para facilitar o manuseio,-transformou o Anexo II do Termo (9) de 19/01/2001 no "Anexo 1" deste processo e os Livros Registro de Entradas/Saídas de Mercadorias, Razão e Diário, todos do ano calendário de 2002, ficaram sendo os Anexos 7, 8 e 9, respectivamente. 2.3. Encerra, afirmando que aplicou a multa de 150 %, conforme previsto no § 1°, do artigo 44, da Lei n°. 9.430/96, pelo fato do contribuinte ter omitido em sua escrituração contábil os registros abaixo, o que configura a hipótese de, em tese, ocorrência de crime tributário: - operações realizadas nos bancos do Brasil, BMC, Pine e Rural; - recebimentos em moeda estrangeira, reportados no "Termo (9) de Constatação e de Intimação Fiscal de 19/01/07"; (estes valores também constam do primeiro item 3.5 do "Termo (26) de Constatação e de Intimação Fiscal de 14/12/07"); - vendas de ativo imobilizado, conforme NF's apresentadas; - descontos de duplicatas, conforme consta dos extratos bancários e relações de duplicatas descontadas apresentadas; - depósitos bancários, DOCs e. créditos em suas contas bancárias por transferências bancárias, escriturados em valores inferiores aos constantes dos extratos bancários e de maneira englobada, isto é, sem individualizar cada depósito/crédito recebido, impossibilitando a sua identificação. 2.4. Em vista do exposto, foram lavrados os seguintes Autos de Infração (que fazem parte do Volume 5 deste processo): IRPJ: R$ 11.551.522,70 (fls. 959 a 962) CSLL: R$ 4.184.764,33 (fls. 979 a 985) PIS: R$ 349.310,34 (fls. 963 a 970) COFINS: R$ 1.531.164,52 (fls. 971 a 978) CRÉDITO TRIBUTÁRIO TOTAL: R$ 17.587.790,64 (fls. 002) 2.5. Todos os valores acima indicados incluem a multa de ofício e os Juros de mora, calculados até 30/11/2007. E a base legal, em complementação aos dispositivos transcritos no Termo de Verificação Fiscal, indicada nos Autos de Infração é: IRPJ: art. 24, da Lei n° 9.249/95; art. 42, da Lei n°. 9.430/96; arts. 279, 287 e 288, do RIR/99 (fls. 962). CSLL: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; arts. 19 e 24, da Lei n° 9.249/95; art. 1°, da Lei n°. 9.316/96 e art. 28, da Lei n° 9.430/96; art. 6% da Medida Provisória n°. 1.858/99 e reedições. (fls. 984). PIS: arts. 1o e 3°, da Lei Complementar n° 7/70; art. 24, § 2°, da Lei n 9.249/95; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I e 9°, da Lei n°. 9.715/98; arts. 2° e 3°, da Lei n°. 9.718/98; arts. 1°, 3° e 4°, da Lei n° 10.637/2002 (fls. 969 e 970). COFINS: art. 1% da Lei Complementar n°. 70/91; art. 24, § 2% da Lei n°. 9.249/95; arts. 2% Y e 8% da Lei n°. 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n°. 1.807/99 e suas reedições, com as alterações da Medida Provisória n°. 1.858/99 e suas reedições; artigos 2% inciso II e parágrafo único, 3% 10, 22, 51 e 91, do Decreto n°. 4.524/2002. (fls. 978). 3. Há duas observações manuscritas apostas nos Autos de Infração (fls. 960, 968, 976, 982 e 985) assinadas pelo Auditor Fiscal autuante: "Tendo em vista o não comparecimento do procurador, Dr. Wanderley Benventi, enviamos o Auto de Infração pelo correio com AR em 17112107" "No dia 19/12/07 foi afixado o Edital n°. 17112007 para ciência do Auto de Infração ao contribuinte porque a entrega via postal não logrou êxito. " 3.1. A fls. 755 encontra-se um documento onde o ora impugnante informa que está providenciando a nomeação de um advogado como procurador `para comparecer e atender, em nosso nome, a intimação verbal dessa Fiscalização que agendou para o próximo dia 19 de Dezembro de 2007, período da manhã, encontro para a necessária conferência final da documentação constante do Processo acima." O extrato do SEDEX, contendo as informações sobre as tentativas de entrega, está a fls. 988. No Edital n°. 171/2007 (fls. 989) constam as informações sobre a data de afixação e de retirada do mesmo: 19/12/07 e 09/01/08, respectivamente. 3.2. Tendo tomado ciência destes lançamentos, nos seus próprios termos, em 03/01/2008, o contribuinte, por intermédio de seus advogados (docs. a fls.009, 997, 1012 e 1013 interp6s impugnação (fls 1060 a 1080), remetida em 06 /02/08 (capa de caixa dos Correios a fls. 1055), relatando e alegando o que segue. 3.3. Inicia pugnando pela tempestividade da impugnação já que tomou ciência dos lançamentos em 03/01/08, conforme artigo 23, III e § 2% III do Decreto n°. 70.235/72. Em seguida, relaciona os Termos de Constatação e Intimação Fiscal, com as respectivas datas de ciência. Afirma, em continuação, em um tópico denominado "111 - GRITANTE ERRO MATERIAL" que o Auditor Fiscal, no item VI, da Representação Fiscal para Fins Penais, menciona como sendo sócios gerentes à época dos fatos os senhores Wanderley Venere Bonventi e Bruno Venere Bonventi, utilizando como base a 8' alteração contratual registrada na JUCESP. Afirma que nem no contrato de constituição da empresa e nem em nenhuma outra alteração contratual constou que o sócio minoritário Sr.Bruno Venere Bonventi tinha poderes de gestão ou de administração. 3.4. Após dizer: "Outrossim, é de extrema estranheza, para dizermos o mínimo, a falta de cautela e acuidade do Auditor Fiscal em utilizar a referida "8a alteração contratual " ou qualquer outra que fosse, eis que nenhuma delas subsidia o fato, para tentar informar que o ex-sócio da empresa, Sr. Bruno Venere Bonventi, tinha poderes de SÓCIO GERENTE a época, incluindo-o como responsável na "Representação Fiscal para Fins Penais", sabendo ademais que em tal procedimento busca-se a mais lídima verdade real. " , pleiteia a imediata retirada do nome do ex-sócio Sr. Bruno Venere Bonventi da "Representação Fiscal para Fins Penais". (os destaques na transcrição são do original) 3.5. Passa, então, a alegar a ocorrência da decadência, principiando por: "Embora no mérito fático estejamos procedendo à sólida argumentação embasadora desta peça IMPUGNATIVA, que certamente desaguará na anulação das autuações combatidas, ou no mínimo na redução significativa das autuações incorridas e desenquadramento da multa agravada de 150 %, não podemos nos olvidar do instituto da DECADÊNCIA, que insofismavelmente fulmina "in totum " a presente autuação de IRPJ e suas autuações ditas reflexas compreendendo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, a Contribuição para a Seguridade Social e o PIS — Programa de Integração Social, decorrentes de, na ótica fiscal, "depósitos bancários não justificados ocorridos no Ano-Calendário de 2002 ", a saber... " 3.6. Afirma que, "conforme se demonstrará, o IRPJ é um lançamento por homologação e, permeia ente os fatos geradores ensejadores das autuações mês a mês, de janeiro a dezembro de 2002, até que ocorreu a intimação em 03 de Janeiro de 2008, o lapso temporal de 5 (cinco) anos, opera-se a toda evidência a DECADÊNCIA, nos termos do Art. -150 — § 4° do CTN; ou mesmo em se considerando,- o que se admite apenas "ad argumentandum ", a ocorrência do preconizado na parte "in fine " do citado § 4° (..... comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação), o que deslocaria o prazo para operar a Decadência para o ART. 173 — I do CTN (I- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado), ainda assim, a toda evidência e adiante provado, o instituto da Decadência fulminaria os Autos de Autuação em tela, eis que, o lapso temporal iniciar-se-ia em 1 'de Janeiro de 2003, fluindo os 5 (cinco) anos em 1 'de janeiro de 2008, e a intimação ocorreu em 03 de Janeiro de 2008. " 3.7. Após transcrever legislação referente aos temas lançamento por homologação e decadência, textos de juristas e ementas de acórdãos, encerra: "Portanto, forçoso concluir-se que a "Lei 9.430196", além de consolidar o "IRPJ" como sendo um imposto por homologação, com antecipações mensais ou trimestrais, ainda recepcionou em seu bojo a "lei 8.98111995", com as modificações introduzidas pela "Lei n° 9.065195 ", que conforme artigos transcritos seguem a mesma linha de ser o "IRPJ" um imposto por homologação e pago em bases mensais ou trimestrais, com ajuste anual na DIRPJ; ademais recepcionou ainda como FORMA DE DETERMINAÇÃO DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA MENSAL DA PESSOA JURÍDICA, ser esta procedida com base em Balancetes de Suspensão ou Redução do IRPJ; balancetes mensais estes procedidos e que compõem a DIRPJ do Ano-Calendário de 2002, Exercício de 2003, desta Impugnante, tempestivamente entregues à Receita Federal e, na qual são explicitados os Balancetes mensais, nos termos da legislação retro citada, demonstrando a exaustão que a IMPUGNANTE procedia ao levantamento do IRPJ apagar, em bases mensais, através dos citados Balancetes. " 3.8. Prossegue, transcrevendo o artigo 42 da Lei n°. 9.430/96, para afirmar que, nos termos desse dispositivo, os depósitos bancários relacionados pelo Auditor autuante como não justificados, deverão ser considerados no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. No entanto, continua, "inexplicavelmente e ilegalmente, eis que, afrontou diretamente a Lei 9.430196 (art. 42 — §§ 1 ° 2° e 3°), e saliente-se que a Autoridade tem competência vinculada, o Sr. Auditor Fiscal, as fls. 961 do Processo escreveu: ... " e transcreveu a tabela onde constam a data dos fatos geradores (31/12/2002), o valor tributável respectivo e a multa aplicável. Diz, ainda, í que a s. 958 e 959 "sob o título AUTO DE INFRAÇÃO do IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA, inseriu como FATO GERADOR O ANO DE "2002" e VENCIMENTO DO IMPOSTO que encontrou em data de 31103/2003, em ilegal procedimento, pelo que requer a sua ANULAÇAQ nos termos do Decreto 70.235172 e da Lei 9.784/99, além de afrontar o Princípio dá Legalidade do Direito Administrativo esculpido no Art. 5° da Constituição Federal". 3.9. Da mesma forma ataca o artigo 24, da Lei n°. 9.249/95 que também foi apontado pelo Auditor Fiscal como dando base à autuação. É seu entendimento que os dispositivos citados "arrasam o ilegalmente pretendido pelo Sr. Auditor que, ao invés de considerar as receitas omitidas (sob a sua ótica) decorrentes de depósitos bancários, mês a mês, ou seja dentro do período de Janeiro a Dezembro de 2002, cada mês com seus depósitos, considerou todas como ocorridas em 3111212002, a Lei n° 9.430196 que preceitua em seu § 1' que, os valores das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado junto a instituição financeira, como ainda o ART. 24 da Lei n° 9.249195 preceitua que o valor do imposto e do adicional serão lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período em que corresponder a omissão. E, a ora IMPUGNANTE, conforme consta de sua DIRPJ do ano-calendário de 2002 — exercício de 2003, procedia a BALANCETES MENSAIS, nos termos da legislação vigente, para apuração do IRPJ. " 3.10. Alega que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado é o dia 1° de janeiro de 2003, já que tinha optado pela utilização de balancetes mensais para a apuração do IRPJ. Assim, teria se operado a decadência, mesmo que prevalecesse a ótica do Auditor autuante (existência de dolo). Dá por encerrado este tópico, transcrevendo legislação referente aos temas lançamento por homologação e decadência, textos de juristas e extensa lista de ementas de acórdãos administrativos. 3.11. O próximo tópico abordado pelo impugnante foi por ele denominado de "Preliminar de Nulidade", onde ele argumenta que tomou ciência do "Termo (12) de Apreensão de Livros Contábeis e Fiscais", em 16/02/2007, e, com a apresentação de sua impugnação, protocolada em 22/03/2007, abriu-se a possibilidade de imediata instalação do processo administrativo fiscal. Após transcrever textos de juristas e artigos de normas legais, diz: "Constata-se assim que o objetivo único do Auditor Fiscal para a precipitada, prematura e intempestiva apreensão dos livros contábeis e fiscais descritos, era anexá-los ao "Processo de Representação Fiscal Para Fins Penais ", ("Art 915 — § 1 ° do RAR " em consonância com o "Art. 35 — § 1 ° da Lei n° 9.430/96). 3.12. Passa, então, a elencar e discorrer sobre alguns princípios citados por doutrinadores que seriam comuns ao procedimento e ao processo administrativo tributário,como por exemplo: da legalidade objetiva, da vinculação, da verdade material, da oficialidade, do dever de colaboração, do dever de investigação. Conclui:"Isto posto, requer-se a anulação das fases subseqüentes à "Apreensão", inclusive do "Auto de Infração", por não terem sido observados em sua lavratura as garantias processuais do Administrado. " (destaque do original) 3.13. Após mais transcrições de textos e de dispositivos legais, discorre sobre princípios de Direito Administrativo que teriam sido afrontados pelo Auditor Fiscal, que seriam: da legalidade, da proporcionalidade e da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório. 3.14. Alguns trechos de sua peroração merecem transcrição: "Destaque-se que, na hipótese de decisão administrativa, ainda que parcial, ser proferida sem respeitar os "Princípios" do "Contraditório" e da "Ampla Defesa", bem como os demais "Princípios" atinentes ao "Processo Administrativo", em especial o da "Legalidade", ela está eivada de nulidade, por falta de elemento essencial a sua formação." (destaques do original) ................................................. "Assim, este Contribuinte detém o direito líquido e certo de que, a lavratura do "Auto de Infração", e os seus atos precedentes, desde a deflagração do "Processo Administrativo Fiscal ", o que ocorreu no presente processo com a tempestiva Impugnação à lavratura do "Termo 12 de Apreensão de Livros Contábeis e Fiscais", ocorram rigorosamente nos termos da lei infra-constitucional, da Constituição (Ampla Defesa e Contraditório) e dos Princípios do Direito Administrativo e Tributário, . sem olvidar nenhum deles, sob pena dos atos subseqüentes serem considerados nulos de pleno direito, inclusive e principalmente o "Termo de Autuação Fiscal"; não anuláveis, mas NULOS. " (destaques do original) .................................................................... "Julgadores: é o caso dos Autos, à perfeição, eis que no momento em que lavrou o "Auto de Apreensão de Livros" (Termo 12), abriu-se o trintídio legal para a Impugnação, o que ocorreu, pelo que os fatos subseqüentes e a própria "Autuação Fiscal", estariam sob a égide do "Processo Administrativo"; pelo que se requer o reconhecimento de ser NULO o "Auto de Infração " lavrado, bem como todos os fatos subseqüentes à IMPUGNAÇÃO (Doc. 6), os quais também não observaram as normas do Processo Administrativo. " (destaques do original) 3.15.-Passa- á alegar a preliminar -de cerceamento ao direito constitucional à ampla defesa: "E, no caso em tela, o "Processo Administrativo", só e somente foi encaminhado ao DERA — SPO, em data de 17101105 (Doc. 7), e só e somente foi disponibilizado para "VISTA" pela AUTUADA e seus Advogados, em data de 29/Janeiro12008, para um prazo de trintídio que vencia-se em 02/fevereiro/2008, ou seja, 4 (quatro) dias após; o fato narrado pode ser perfeitamente comprovado, através dos Controles Internos do DERAT-SPO, que instados pessoalmente em 23/01/08 a apresentarem o Processo Administrativo da presente autuação, só e somente o disponibilizaram em data de 29/Janeiro/08. " 3.16. E continua: "Assim, ao exposto requer-se que seja disponibilizado à Impugnante, o prazo ilegalmente suprimido, bem em respeito ao Direito Constitucional à Ampla Defesa, possibilitando eventual aditando a presente peça impugnativa que, pela premência de tempo, pode conter erros e imperfeições eis que, em superficial análise, constatamos que o Sr. Auditor Fiscal, teve 365 dias, para fiscalização e, ao lavrar os Autos cometeu absurdos erros e mesmos abusos, conforme expostos e criticados. " 3.17. O próximo tema a ser combatido está no item "VI- Da Omissão de Registro de Operações Bancárias — Receita de Venda de Direitos Creditórios não Contabilizada", onde o impugnante alega que a operação na qual alienou, pelo valor de R$ 60.000,00, em 16/09/2002, para a empresa Visão Habitacional Ltda., por meio de instrumento particular de cessão e transferência de direitos creditórios, tendo realizado uma transferência de dinheiro entre agências bancárias, foi devidamente explicada e comprovada. (Doc. 8, 8-A e 9) 3.18. Diz que tal operação não é receita tributável, por já ter sido tributada. em 1995, pois se refere a uma escritura pública de confissão de dívida com garantia hipotecária, lavrada em 26/09/95, em garantia de venda mercantil, conforme notas fiscais listadas na própria escritura. 3.19. Prossegue: "Ante o não pagamento da venda mercantil, a ora Impugnante tratou de executar a hipoteca e, seguindo as normas da Receita Federal vigentes, só e somente poderia levar o valor não recebido à conta de prejuízo, após exauridos todos os meios de cobrança, ou seja, término da Execução Judicial; assim, ao alienar para terceiros o crédito e o direito de ação, pelo valor original, não procedeu a uma operação tributável, sob pena de acolher-se a bi-tributação da mesma operação, ou "bis in idem ". " 3.20. Argumenta que, ao contrário do que alega ó Auditor Fiscal, a operação relacionada à omissão de registro de operações bancárias como os créditos de vendas de divisas não contabilizados (caso Beacon Hills), está comprovada como sendo repatriação de divisas antecipadas a fornecedor estrangeiro, anexando, com o intuito de ver corroborada sua afirmativa, o documento 10-A. 3.21. Alega que o Auditor Fiscal, "sob critérios próprios", ignorando uma lei em que se baseou e 'fazendo letra morta " de outra, lavrou o Auto de Infração por omissão de receitas. Reafirmando que declarou o IRPJ/2003 pelo regime de Lucro Real, com o cálculo do imposto sendo feito mensalmente por balancete, apresenta alguns valores que constam de sua DIPJ/2003. Diz que valores do Ativo, como Cliente, Caixa e do Passivo, como Financiamentos a curto prazo deveriam ser considerados para a perfeita adequação do fluxo de caixa e que "a não consideração dos valores de depósitos em sistema de "Fluxo de Caixa" dia a dia, mês a mês, contraria, a ciência contábil, bem como os princípios e procedimentos contábeis, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes (Doc. a), e a própria "Lei n° 9.430196 — Art. 42 ", além de se constituir na prática em uma verdadeira "bis in idem ". 3.22. Argumenta que o Auditor Fiscal autuante não considerou os depósitos decorrentes de transferências entre contas do próprio contribuinte, que representam "conforme adiante se demonstrará e provará um montante de altíssima monta, a contemplar a quase totalidade da autuação por omissão de depósitos bancários". Insiste na citação do § 1o do artigo 42, da Lei 9.430/96 para afirmar que as receitas devem ser consideradas auferidas no mês do crédito efetuado pela instituição financeira e que procedimento diverso contraria a jurisprudência do Conselho de Contribuintes 3.23. Assevera: "Pelo que, a denominada "omissão de receitas de Pessoas Jurídicas adveniente de depósitos bancários", repise-se, há de ser considerada "mês a mês", em um conta-corrente, num verdadeiro `fluxo de caixa", eis que, por óbvio, o valor lançado e tributado pelo "Auto de Infração" lavrado pelo Auditor Fiscal em, um mês, passa a se constituir saldo líquido disponível no mês subseqüente, deduzindo-se do montante de depósitos desse mês, e assim subseqüentemente, dentro do ano-calendário, num procedimento dentro das normas e princípios contábeis e da própria Lei n°. 9.430146 (sic), o que aliás é amplamente referendado pela Jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes; ademais, em não sendo assim, aconteceria a bi-tributação de lançamentos, o que é vedado pela lei. " 3.24. Assegura que o lançamento estribado apenas na soma de depósitos bancários é procedimento inconsistente, que não retrata a situação necessária e suficiente definida em lei para a ocorrência do fato gerador, conforme prevê o artigo 43, do Código Tributário Nacional. Também diz que a Lei n°. 9.430/96 não fala em "soma', ao se referir aos depósitos bancários não justificados e, no seu entendimento, a "soma" contraria a legalidade, como disposto no inciso III, do artigo 97 do CTN. Acredita que é com base nesses fundamentos que a jurisprudência tem confirmado a ilegitimidade do IRPJ lançado com apoio apenas em depósitos bancários. 3.25. Entende que o lançamento seria legítimo apenas se "além dos depósitos bancários cuja origem não tiver sido identificada pela fiscalização, ocorresse a disponibilidade jurídica e econômica em favor do Contribuinte, com conseqüente acréscimo patrimonial (o que definitivamente não ocorreu no caso presente). " 3.26. E encerra este tópico de sua impugnação: "Ainda que se admitisse a possibilidade do lançamento do "Imposto de Renda" ser baseado exclusivamente nos depósitos bancários, presumidos como receitas omitidas, depois de saneados, ou seja, excluídos os depósitos de mesma titularidade, os cheques depositados e devolvidos, os créditos decorrentes de empréstimos bancários e de Contas Garantidas, os empréstimos comprovados e outros assemelhados seria indispensável o "arbitramento "para determinar a base de cálculo do Imposto de Renda; nesse sentido o "Acórdão da 12° Câmara do 1 ° Conselho de Contribuintes (Recurso Voluntário n° 116.724) ". Com efeito, a "Lei n° 8.981195", prevê o arbitramento da base de cálculo em casos em que a contabilidade não tenha registrado a total movimentação bancária (art. 47, inciso II, “a”).~ Mas, a Impugnante refuta (sic) num primeiro momento, a conveniência de qualquer arbitramento, eis que esta apresentando 'justificativas" aos depósitos bancários elencados (e saneados), o maior volume decorrente de transferências bancárias de MESMA TITULARIDADE; somente requer o "Arbitramento", nos termos do "Art. 530, do RIR199 ", se vencidas as preliminares e as justificativas elencadas, o que se admite "Ad Argumentandum ". Ademais, o "Art. 288, do RIR199 ", adotado pelo Auditor, somente se aplica às receitas efetivas e não às receitas consideradas como tais, por presunção da lei. Com efeito, as receitas efetivas resultam de ingressos reais e inquestionáveis, que tenham sido omitidos pelo contribuinte, não contemplando as receitas por mera presunção, como no caso do Art. 42 — Lei n° 9.430196. " ( destaque do original) 3.27. Ataca a aplicação da multa agravada de 150 % pelo evidente intuito de fraude, como definido no artigo 71, da Lei n°. 4.502/64, porque, no seu entender, o ponto caracterizador desse agravamento é o dolo e 'foi autuado açodadamente em astronômico montante, unicamente pela não entrega tempestiva de documentação que respaldasse o seu movimento bancário de depósitos e créditos. " Cita juristas e acórdãos administrativos com o objetivo de ver corroborada sua argumentação. 3.28. Diz: "Com efeito a "autuação fiscal " por "Omissão de Receitas ", decorrente de "depósitos bancários não comprovadas a origem pelo Contribuinte", conforme o constante do "Art. 42 — Lei n°. 9.430/96", que inverteu o "ônus da prova", imputando-o ao Contribuinte, ocorre por mera presunção, eis que presume-se que ocorreu "omissão", ante a eventual não comprovação de origens por parte do Contribuinte, como no caso em análise dos presentes Autos, onde constata-se fatores materiais (falta de funcionários) aliado a fatores temporais (exigüidade de tempo) para que a Impugnante, em precária situação econômica e administrativa, procedesse a uma verdadeira auditoria contábil a relacionar, explicar, justificar e relatar, milhares e milhares de documentos, a serem copilados em relatório, a ser produzido pela empresa e acompanhado dos originais e cópias, para satisfação do Fisco. 3.29. Termina este tema afirmando que está impugnando a "astronômica e absurda autuação, nos termos em que ela foi lavrada, ou seja, pendências de justificativas sobre os "DEPÓSITOS BANCÁRIOS" constantes nos EXTRATOS BANCÁRIOS, QUE, RESSALTE-SE, FORAM APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. " ( destaques do original) 3.30. No item denominado "XI — QUADRO CONJUNTURAL" confessa que utilizou operações de desconto de duplicatas sem lastro e que, `por serem pouco ortodoxas, não encontravam adequado espaço na contabilização ". Afirma, também, do relatórios, para cada banco, com as justificativas e com documentos 3.31. Diz que os julgadores deverão considerar 9 (nove) elementos (que especifica, a fls. 1138 e 1139) na formação de sua convicção e enfatiza o disposto no artigo-3o, da IN SRF- n°. 246/2002, que traz, em seu § 1o a assertiva de não ser necessário considerar o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00. 3.32. Requer a realização de perícias e diligências, nomeando peritos e formulando 8 quesitos, como: confecção de fluxo de caixa; diligência nos bancos, ..., se dúvida houver por parte dos julgadores; diligência para sanar qualquer dúvida dos julgadores quanto à idoneidade de qualquer documento apresentado; se os elementos e documentos constantes do processo administrativo em tela são suficientes para atender ao princípio da justiça tributária, princípio da verdade material, princípio do dever de investigação, princípio da ampla instrução probatória; outras perícias e diligências que os senhores julgadores ou os peritos achem necessárias; identificação nos depósitos bancários das operações pouco ortodoxas. 3.33. Alega o efeito confiscatório da multa, por atingir o direito constitucional à propriedade e investe contra a aplicação da taxa SELIC, por ser uma taxa criada por circular do Banco Central, poder ser modificada a qualquer tempo por este e visar, apenas, remunerar o capital investido na compra e venda de títulos públicos. Entende que deve ser aplicada a taxa de 1 % (artigo 161, § V). 3.34. Antes de encerrar sua extensa exposição, afirma que o enquadramento utilizado pelo Auditor Fiscal na Representação para Fins Penais (artigo 1o da Lei n°. 8.137/90) não é o mais adequado. No seu entender, "como medida da boa doutrina jurídica", requer a retificação para o tipo penal descrito no inciso I, do artigo 2° da referida Lei. 3.35. A título de conclusão afirma que não houve qualquer aumento de patrimônio, nem do impugnante e nem de seus sócios. Requer o acolhimento da presente, com o cancelamento do Auto de Infração. 3.36. Na seqüência dos Autos, consta um documento entregue pelo ora impugnante intitulado "MEMORIAL - CONSIDERAÇÕES", no qual salienta e enfatiza argumentos já expendidos na impugnação, não trazendo documentação nova. 4. Foi formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos do artigo 1% da Portaria SRF n°. 326/05, que ganhou o n°. 19515.004307/2007-92 e foi apensado aos presentes autos. É o Relatório.” O acórdão recorrido rejeitou preliminares de nulidade suscitadas pela Contribuinte e, no mérito, manteve integralmente os lançamentos de IRPJ e CSLL e parcialmente os autos de infração de PIS e COFINS, pelas razões sintetizadas na ementa acima transcrita (fls. 1701 e ss – vol. 9). O cancelamento parcial dos autos de infração deveu-se exclusivamente pela aplicação ao caso do disposto no art. 173, I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial para lançamento das citadas contribuições (ciência do lançamento ocorrida em 03.01.2008 e fatos geradores ocorridos entre 31.01.2002 a 31.12.2002). Às fls. 1834 consta o AR referente à intimação da Contribuinte em relação ao acórdão acima referido. De citada intimação consta o endereço Avenida Washington Luis, 3050, Fundos, Sala 01, Santo Amaro, que é o endereço da Contribuinte constantes dos registros da Receita Federal do Brasil. Tal intimação foi recebida em 29.04.2009 pelo Sr. “André S. C.”. Em sede de recurso voluntário (fls. 1851 e ss – vol. 10), a Recorrente requer o improvimento do recurso de ofício interposto, suscita preliminar de nulidade do acórdão recorrido e, no mais, reproduz as alegações de impugnação, especificamente no que se refere a: (i) nulidade do auto de infração e do acórdão recorrido, por alegada inobservância à liminar proferida no citado mandado de segurança e pelo fato de o ato decisório ter se silenciado quanto à aplicação respectiva no caso concreto; (ii) nulidade do auto de infração por afronta aos princípios da ampla defesa e contraditório; (iii) a tributação realizada na forma do art. 42 da Lei n. 9.430/96 é ilegítima, conforme precedentes judiciários; (iv) haveria decadência do Fisco do direito de lançar IRPJ e CSLL em relação ao ano de 2001 em vista dos recolhimentos mensais por estimativa; (v) ilegítima a imposição de multa de ofício qualificada, em vista da ausência de conduta dolosa no caso concreto e do seu nítido caráter confiscatório; (vi) seria ilegal a exigência de juros moratórios equivalentes à taxa selic; (viii) ainda que a acusação de omissão de receitas subsistisse, o que se admite para argumentar, o lançamento deveria ter sido lavrado com base no arbitramento de lucro, em vista da relevância dos valores apontados, jamais pelo regime de lucro escolhido pela Contribuinte. No citado recurso voluntário e às fls. 2136/2137, a Contribuinte noticia liminar concedida em mandado de segurança (MS n. 2008.61.00.000011-5), segundo a qual restou determinado que a D. Autoridade Coatora “AGUARDE a apreciação da impugnação administrativa da impetrante FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, somente após, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Criminais e a lavratura do auto de infração, se for o caso, garantida à impetrante a partir do TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a garantia de contraditório e da ampla defesa, bem como tomar as providências cabíveis” (fls. 889/898 – destaques do original).Citada liminar foi confirmada por meio de sentença de primeira instância e acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região, por meio de acórdão assim ementado (fls. 2136 e ss), verbis: TRIBUTÁRIO - PROCESSO ADMINISTRATIVO – PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO - NÃO APRECIAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA - IMPOSSIBILIDADE DE LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO - AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO PREJUDICADOS – IMPROVIMENTO 1- Contrariando o conjunto de regras que disciplina o processo administrativo, a autoridade coatora lavrou o auto de infração sem proceder apreciação da impugnação interposta. Dessa forma, a impetrada extrapolou o due process of law que, mesmo em esfera administrativa, deve ater-se a prazos e ritos dos quais tanto à União como aos contribuintes não é facultado eximir-se, em atendimento ao principio da legalidade. 2- Já a Constituição Federal em seu artigo 50 , inciso LV, assegura a todos, ainda que em procedimento administrativo, o devido processo legal, a fim de garantir a ampla defesa, o contraditório, a publicidade e o impulso oficial. 3- A impugnação arguida pela apelada no procedimento fiscalizatório visava rebater as informações acusativas baseadas na apreensão dos livros e documentos fiscais da empresa. 4- Escorreita a sentença monocrática, de rigor sua manutenção,'aguardando a apreciação da impugnação administrativa formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo, para depois se cogitar acerca da Representação Fiscal para Fins Criminais e da lavratura do Auto de Infração, com o devido resguardo do direito da apelada ao contraditório e à ampla defesa. 5- Estabelecida que fora a litigisiosidade com o ato de apreensão fez a administração incidir, para si, o dever insculpido no regramento da lei 9.784/99 em seu art. 20, o de obedecer aos princípios de legalidade e sobretudo de ampla defesa, entre outros. Ao não processar o também direito da parte de impugnar o ato, descortinou-se, em face da administração a perspectiva de nulidade dos atos subseqüentes, a teor do art. 59 II do decreto no 70.235/72. 6- Apelação e à remessa oficial improvidas. (AMS n. 2008.61.00.000011-5, Rel.: Desembargador Federal Nery Júnior, publicado em 27.11.2009). Às fls. 2.155, a D. Autoridade Preparadora noticia a intempestividade do recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Às fls. 2165 há cópia da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em exame à impugnação apresentada pela Contribuinte contra o termo de apreensão de livros contábeis e fiscais de fls. 272, assim ementada, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. IMPUGNAÇÃO. JULGAMENTO EM CUMPRIMENTO A DECISÃO JUDICIAL. Nos termos da legislação de regência, é cabível a retenção de livros e documentos do contribuinte, mediante termo escrito lavrado pela autoridade fiscal, quando ficar configurada, em tese, a ocorrência de ilícito penal. A apreensão não implica considerar provado o ilícito penal, mas tão-somente visa instruir o processo de representação fiscal para fins penais, o qual será encaminhado ao Ministério Público somente após a constituição definitiva do crédito tributário. Impugnação Improcedente. Sem Crédito em Litígio.” Às fls. 2.183, a Contribuinte peticiona novamente a este Conselho, a fim de que seja dado cumprimento ao acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região acima citado e, por conseguinte, sejam tidos como “nulos todos os atos subseqüentes ao “termo de apreensão de livros e documentos”, principalmente, a lavratura do auto de infração, como medida de respeito à superior decisão judicial”. Verbis: O "Mandado de Segurança" foi impetrado em data de 20 de dezembro de 2007, perante a 16a Vara Cível da Seção Judiciária de São Paulo, o qual em 02 de abril de 2008 teve a segurança deferida em liminar de antecipação de tutela : (doc. III do Recurso Voluntário) e, posteriormente, confirmada por sentença (doc. IV do Recurso Voluntário), ordenando a autoridade impetrada, in casu o Delegado de Fiscalização da Receita Federal em São Paulo, aguardar a apreciação da Impugnação Administrativa ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos" que a ora Requerente então havia formulado perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo para, "somente após, garantindo o direito constitucional ao contraditório e a ampla defesa, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Penais e a lavratura do Auto de Infração, se fosse o caso de eventual autuação ". Em que pese à superior existência do referido Mandado de Segurança, o Processo Administrativo foi objeto do Auto de Infração e, somente no Acórdão n° 16-19.948 da 7a Turma da DRJ/SPO1, a Delegacia de Julgamento julgou improcedente a Impugnação ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos", após superficial apreciação, atacada preliminarmente no Recurso Voluntário dirigido a esse Colendo Tribunal. A liminar, a sentença e o Acórdão do Tribunal Regional Federal da 31 Região, ora anexado, fazem letra morta e eivado de plena nulidade o Auto de Infração lavrado e, em decorrência, todo o Processo Administrativo que se sucedeu, adstrito ao contraditório e a ampla defesa. No Mandado de Segurança não se discutiu ou se impugnou a exigência de qualquer tributo, mas sim, se ocorreu no curso do Processo Administrativo em tela, alguma ilegalidade. A manutenção pela autoridade impetrada da autuação incorrida, face à presença maior de uma ordem judicial (liminar e sentença do mandamus), eivou de NULIDADE a mesma e, em consequência, o Acórdão n° 16-19.948 da 7a Turma da DRJ/SPO1, discutido no Recurso Voluntário dirigido a esse respeitável Conselho. Diante do exposto, serve a presente para requerer a esta Colenda Corte de Justiça Tributária que o Acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região seja integralmente cumprido, no sentido de tornar NULOS todos os atos subsequentes ao "Termo de Apreensão de Livros e Documentos principalmente, a lavratura do Auto de Infração, como medida de respeito à superior decisão judicial.” Às fls. 2.190, a Contribuinte apresenta memoriais para refutar a afirmação de intempestividade do recurso voluntário, nos quais sustenta, em síntese, que: (i) não haveria que se falar em intempestividade do recurso na hipótese em que o lançamento não poderia ter sido lavrado em observância a expressa determinação judicial; (ii) o mandado de intimação do acórdão recorrido “procedeu-se irregular e ilegalmente, não respeitando seus requisitos de validade”, já que este “foi recebido por pessoa totalmente estranha e desconhecida ao rol de funcionários da Requerente e de seu contrato social”. Sobre esse último item, assim justificou a Contribuinte, verbis: “A Receita Federal do Brasil ignorou que o MANDADO DE INTIMAÇÃO do acórdão exarado pela 8 a Turma da DRJ/SPO I -, enviado via correio com aviso de recebimento, FOI RECEBIDO POR PESSOA TOTALMENTE ESTRANHA E DESCONHECIDA AO ROL DE FUNCIONÁRIOS DA REQUERENTE E DE SEU CONTRATO SOCIAL. A Requerente, conforme é do pleno conhecimento da RFB, está sediada A. Avenida Washington Luis, número 3.050, FUNDOS, sala 01 (doc. 01). A pessoa que recebeu o "mandado de intimação", posteriormente direcionando A. Requerente, conforme pesquisamos, é funcionário da empresa CHACARA FLORA FITNESS COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS DE GINÁSTICA LIMITADA (doc. 11), que está situada à Avenida Washington Luis, número 3.050, FRENTE (docs. 12 e 13), a qual nenhuma ligação e/ou relação detém com a ora Requerente. Para complicar, somente cinco dias após o recebimento da intimação, o tal funcionário da Chácara Flora Fitness Comércio de Equipamentos de Ginástica Limitada, transmitiu 'a. Requerente, Fitness do Brasil Comercial Limitada, o mandado de intimação anotado como recebido em 04 de Maio de 2009, quando FATICAMENTE ACONTECEU NO DIA 29 DE ABRIL DE 2009, o que somente agora logramos saber. Caros Julgadores, não se sabe qual o motivo do tal funcionário da Chácara Flora Fitness ter recebido o mandado intimatório em nome da Requerente e, muito menos, em omitir a verdadeira data do recebimento e anotar outra. Provavelmente descaso, ignorância quanto a seriedade e responsabilidade de receber uma intimação da RFB, ou simplesmente confusão, face a existência da expressão "Fitness", na denominação societária desta Requerente e da empresa supra citada. Conforme os ilustres julgadores podem constatar, na declaração produzida pela empresa Chácara Flora (doc. 11),o SUJEITO QUE RECEBEU 0 MANDADO DE INTIMAÇÃO por carta com aviso de recebimento, à época do recebimento da missiva, INTEGRAVA 0 QUADRO DE FUNCIONÁRIOS HA APENAS 02 (DOIS) MESES E 17 (DEZESSETE) DIAS; portanto é plausível que o mesmo tenha imaginado que a referida carta devesse ser recebida e repassada a um "responsável", em razão das denominações societárias serem "parecidas", é razoável que o senhor André Salvador Crisafulli, tenha, ante o seu recém ingresso na "Chácara Flora", se equivocado e recebido uma correspondência destinada a outra pessoa jurídica, esta, porém, com DENOMINAÇÃO SOCIETÁRIA SIMILAR DA EMPRESA QUE 0 EMPREGAVA, quanto ao nome "Fitness". Não se pode olvidar que a intimação via postal no processo administrativo fiscal NÃO PODE SER VIOLADA, pois trata-se de um dos alicerces processuais, cuja função é dar ciência de ordem feita pela Autoridade Publica, para que alguém faça ou deixe de fazer algo. Considerar válida uma intimação que fora recebida por um sujeito que não a Requerente ou um dos seus prepostos é AVILTAR, além do devido processo legal, a AMPLA DEFESA DA REQUERENTE.” (Grifos do Original) É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 3          2 Ano­calendário: 2002  Ementa:  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE.  A  prática  reiterada  de  não  registrar  na  contabilidade  conta  corrente  bancária e sua movimentação evidencia o  intuito doloso de ocultar a  obrigação  tributária  principal,  caracterizando  evidente  intuito  de  fraude, que implica na qualificação da multa de ofício.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  FALTA  DE  CONTABILIZAÇÃO  DE  CONTAS  CORRENTES  BANCÁRIAS.  Valores  não  contabilizados,  creditados em conta de depósito, mantida junto a instituição financeira,  são  caracterizados como  receitas  omitidas,  justificando o  lançamento  de ofício sobre as parcelas subtraídas ao crivo do imposto.  NOTIFICAÇÃO POSTAL. DATA DE CIÊNCIA.   O  contribuinte  toma  ciência  de  ato  administrativo  ao  receber,  via  postal,  a  correspondência,  datando  e  assinando  o  aviso  de  recebimento.  PAGAMENTO  ANTECIPADO:  FALTA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  INOCORRÊNCIA.  A  falta  de  pagamento  antecipado  de  tributo  ou  atividade  de  verificação  tributária  e  de  avaliação  do  montante  da  exação  impede  o  lançamento  por  homologação.  IRPJ. CSLL. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DOLO. Constatado  o dolo, o direito de constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ,  calculado com base em apuração anual, decai em 5 anos contados do  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter  sido constituído.  PIS. COFINS. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.  Ocorre a  decadência  com o  decurso  de  5 anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  crédito  poderia  ter  sido  constituído.   PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO.  Dispensável  a  complementar  produção  de  provas,  quando  os  documentos  integrantes  dos  autos  revelam­se  suficientes  para  formação de convicção e conseqüente deslinde do feito.  PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSÁRIAS.  A  autoridade  julgadora  não  está  obrigada  a  deferir  pedidos  de  realização de diligências ou perícias requeridas. Tais pedidos somente  são deferidos quando entendidos necessários à formação de convicção  por parte do julgador. Considera­se não formulado o pedido de perícia  que deixe de atender aos requisitos previstos em lei.  CONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE.  Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 4          3 O  controle  de  constitucionalidade  da  legislação  que  fundamenta  o  lançamento  é  de  competência  exclusiva  do  Poder  Judiciário  e,  no  sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF.  CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  Tendo  sido  regularmente  oferecida,  e  amplamente  exercida  pela  autuada,  a  oportunidade  de  defesa,  pois,  tempestiva,  abrangente  e  copiosa  a  impugnação  apresentada,  restam  descaracterizadas  as  alegações de cerceamento de direito de defesa.  MULTA  DE  OFÍCIO.  EFEITO  CONFISCATÓRIO  E  CAPACIDADE  ECONÔMICA.  A  multa  de  ofício  não  possui  natureza  confiscatória,  constituindo­se  antes  em  instrumento  de  desestímulo  ao  sistemático  inadimplemento  das  obrigações  tributárias.  A  capacidade  econômica  da  contribuinte  é  respeitada,  na  medida  em  que  a  exigência  é  feita  mediante  aplicação  de  percentual  sobre  o  tributo  que  deixou  de  ser  recolhido.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no  vencimento  é  acrescido  de  juros  de  mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição  das  penalidades  cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em  lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de  mora  decorre  de  lei,  sobre  cuja  aplicação  não  cabe  aos  órgãos  do  Poder Executivo deliberar.  LANÇAMENTOS DECORRENTES. REPERCUSSÃO. Caracterizada a  omissão de receita, o decidido quanto ao principal, relativo ao Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica,  repercute  seus  efeitos  nos  lançamentos reflexos dos outros tributos ­ CSLL, PIS e COFINS ­ em  função de  estarem sendo  lançados  em  razão de mesmo  fato  contábil­ empresarial.  Lançamento  Procedente  em  Parte”.  O  caso  foi  assim  relatado  pela  instância a quo, verbis:  “Trata­se de impugnação (fls. 1056 a 1160) apresentada por FITNESS  DO  BRASIL  IMPORTAÇÃO  E  EXPORTAÇÃO  LTDA.  ,  supra  qualificado,  contra  Autos  de  Infração  (fls.  959  a  985)  relativos  ao  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Jurídica  ­  IRPJ,  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  —  CSLL,  à  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  —  PIS  e  à  Contribuição  para  Financiamento da Seguridade Social — COFINS, relacionados a fatos  geradores ocorridos no ano calendário de 2002.  2. No "Termo (26) de Verificação Fiscal de 14/12/07" (fls. 760 a 762),  parte  integrante  dos  Autos  de  Infração,  o  Auditor  Fiscal  autuante  informa,  inicialmente,  que  o  contribuinte  fora  intimado  a  justificar  a  origem dos créditos registrados nas contas bancárias por ele mantidas  junto  a  instituições  financeiras,  no  valor  total  de  R$  17.342.189,20.  Juntamente  com  a  intimação,  entregou  ao  contribuinte  relações  individualizando os créditos que deveriam ser justificados e cópia dos  extratos que deram origem às relações.  Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 5          4 2.1.  Acrescenta  que,  aquele  valor  total  (R$  17.342.189,20),  era  um  valor  líquido,  pois  já  tinham  sido  excluídos  estornos,  créditos  decorrentes  de  financiamentos  e  devolução  de  cheques  depositados.  Assevera  que  o  ora  impugnante  apresentou  justificativas  em  várias  etapas,  cujos  conteúdos  compõem  5  (cinco)  volumes  deste  processo  (Anexos 2 ao 6) e podem ser assim resumidos:  "3.1)  ­  Transferências  entre  contas  do  mesmo  titular,  que,  uma  vez  comprovados  débitos  coincidentes  em  data  e  valor  em outra conta do próprio contribuinte,  foram considerados  como justificados;  3.2.)  ­ Recebimentos  de  duplicatas  em  carteira  de  cobrança  bancária. Apesar do contribuinte escriturar o Livro Saída de  Mercadorias  e  os  recebimentos  de  duplicatas  por  totais  mensais,  o  que  impossibilita  identificar  qual  a  NF  que  se  encontra  escriturada  por  qual  valor,  consideramos  justificados  os  casos  em  que  o  contribuinte  comprovou,  através  de  avisos  de  cobrança  com  relações  detalhadas  por  duplicata, coincidentes em data e valor com o crédito a que  se propunha  justificar  e mediante a apresentação das Notas  Fiscais mencionadas nos respectivos avisos de cobrança, até  o  limite  dos  valores  escriturados,  que  foram  inferiores  aos  valores de recebimentos de cobrança de títulos constantes dos  extratos bancários.  3.3)  —  Ressaltamos  que  foram  apresentadas,  em  várias  ocasiões, Notas Fiscais de Simples Remessa e de Vendas de  Ativo Imobilizado, compondo os valores recebidos através de  cobrança  bancária,  casos  que  foram  consideradas  NÃO  justificadas suas origens uma vez que não foram compuseram  a  receita  oferecida  à  tributação.  Conforme  acima  mencionado,  os  registros  contábeis  de  receitas  foram  feitos  por  totais  mensais,­  remetendo  ao  livro  de  saídas  de  mercadorias,  e  os  registros  de  recebimentos  de  duplicatas  também  foram efetuados  por  totais,  fato  que  não  possibilita  individualização  dos  valores  recebidos,  sendo  os  recebimentos de valores correspondentes às Notas Fiscais de  Simples  Remessa  e  de  Vendas  de  Ativo  Imobilizado  considerados não escriturados na contabilidade da empresa.  3.4)  —  Justificou  os  créditos  decorrentes  de  descontos  bancários,  grande parte,  como  sendo de duplicatas emitidas  "SEM LASTRO" e que teriam sido debitados posteriormente.  Apresentou planilhas para justificar essa situação, sendo que  nesses casos não apresentou comprovantes hábeis e  idôneos  que comprovassem que os valores debitados posteriormente,  realmente  tratavam­se  dessas  duplicatas  "SEM  LASTRO".  Além disso, não existe na contabilidade, registro de ingressos  de  recursos  decorrentes  de  duplicatas  descontadas,  sendo  referidas  operações  consideradas  à  margem  da  contabilidade.  3.5)  ­  Para  justificar  o  ingresso  de  créditos  decorrentes  de  "CAMBIO FINANCEIRO", relativos aos itens 186, 187 e 231  Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 6          5 do ANEXO 18 do referido TERMO (09) DE CONSTATAÇÃO  E DE INTIMAÇÃO FISCAL de 19101107 — Banco Bradesco  — Conta 86.5004­4 da Agência 504­5 a que fora intimado a  justificar a origem, nos valores de R$ 16617,12, R$ 150.617,  28  e  R$  94.520,  40,  o  contribuinte  informou  tratar­se  de  repatriamento de antecipações a fornecedor estrangeiro (Cia  DEMOR  S.A —  Uruguai)  pelo  fato  de  não  ter  ocorrido  as  importações relativas a essas antecipações. Entretanto, além  de  não  apresentar  comprovantes  de  que  os  valores  ora  creditados  referiam­se  às  remessas  efetuadas  anteriormente,  não consta no livro diário do ano calendário 2002, qualquer  registro de lançamentos dos referidos créditos o que confirma  que  não  havia  qualquer  valor  pendente  de  recebimento  a  título de adiantamento por conta de importações.  3.5)  —  No  Livro  Diário  /  Razão  apresentado  pelo  contribuinte  não  constam  registros  de  operações  financeira  dos Bancos do Brasil, BMC, Pine e Rural, motivo pelo qual,  todos  os  créditos  nas  contas  desses  bancos  foram  considerados  à  margem  da  contabilidade  e  portanto,  sem  origem comprovada.” (destaques do original)  2.2.  O  Auditor  Fiscal  declara  que  o  detalhamento  da  análise  feita  consta das planilhas dos Anexos I.1 a I.14 do citado Termo 26,  tendo  obtido  como  resultado  a  justificativa  aceita  de  R$  2.179.204,63,  restando  R$  15.462.984,57  sem  comprovação  da  origem,  sujeitos,  portanto,  à  presunção  legal  de omissão  de  receita.  Informa,  também,  que, para facilitar o manuseio,­transformou o Anexo II do Termo (9) de  19/01/2001  no  "Anexo  1"  deste  processo  e  os  Livros  Registro  de  Entradas/Saídas  de  Mercadorias,  Razão  e  Diário,  todos  do  ano  calendário de 2002, ficaram sendo os Anexos 7, 8 e 9, respectivamente.  2.3.  Encerra,  afirmando  que  aplicou  a  multa  de  150  %,  conforme  previsto  no  §  1°,  do  artigo  44,  da  Lei  n°.  9.430/96,  pelo  fato  do  contribuinte  ter  omitido  em  sua  escrituração  contábil  os  registros  abaixo,  o  que  configura  a  hipótese  de,  em  tese,  ocorrência  de  crime  tributário:  ­  operações  realizadas  nos  bancos  do  Brasil,  BMC,  Pine  e  Rural;  ­ recebimentos em moeda estrangeira, reportados no "Termo  (9) de Constatação e de Intimação Fiscal de 19/01/07"; (estes  valores também constam do primeiro item 3.5 do "Termo (26)  de Constatação e de Intimação Fiscal de 14/12/07");  ­ vendas de ativo imobilizado, conforme NF's apresentadas;  ­  descontos  de  duplicatas,  conforme  consta  dos  extratos  bancários  e  relações  de  duplicatas  descontadas  apresentadas;  ­  depósitos  bancários,  DOCs  e.  créditos  em  suas  contas  bancárias  por  transferências  bancárias,  escriturados  em  valores inferiores aos constantes dos extratos bancários e de  maneira  englobada,  isto  é,  sem  individualizar  cada  Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 7          6 depósito/crédito  recebido,  impossibilitando  a  sua  identificação.  2.4.  Em  vista  do  exposto,  foram  lavrados  os  seguintes  Autos  de  Infração (que fazem parte do Volume 5 deste processo):  IRPJ:    R$ 11.551.522,70 (fls. 959 a 962)  CSLL:   R$ 4.184.764,33 (fls. 979 a 985)  PIS:     R$ 349.310,34 (fls. 963 a 970)  COFINS: R$ 1.531.164,52 (fls. 971 a 978)  CRÉDITO TRIBUTÁRIO TOTAL: R$ 17.587.790,64 (fls. 002)  2.5. Todos os valores acima  indicados  incluem a multa de ofício e os  Juros  de  mora,  calculados  até  30/11/2007.  E  a  base  legal,  em  complementação aos dispositivos transcritos no Termo de Verificação  Fiscal, indicada nos Autos de Infração é:  IRPJ:  art.  24,  da  Lei  n°  9.249/95;  art.  42,  da  Lei  n°.  9.430/96;  arts.  279, 287 e 288, do RIR/99 (fls. 962).  CSLL:  art.  2°  e  §§,  da  Lei  n°  7.689/88;  arts.  19  e  24,  da  Lei  n°  9.249/95; art. 1°, da Lei n°. 9.316/96 e art. 28, da Lei n° 9.430/96; art.  6% da Medida Provisória n°. 1.858/99 e reedições. (fls. 984).  PIS: arts. 1o e 3°, da Lei Complementar n° 7/70; art. 24, § 2°, da Lei n  9.249/95; arts. 2°, inciso I, 8°, inciso I e 9°, da Lei n°. 9.715/98; arts.  2° e 3°, da Lei n°. 9.718/98; arts. 1°, 3° e 4°, da Lei n° 10.637/2002  (fls. 969 e 970).  COFINS: art. 1% da Lei Complementar n°. 70/91; art. 24, § 2% da Lei  n°. 9.249/95; arts. 2% Y e 8% da Lei n°. 9.718/98, com as alterações  da Medida Provisória n°. 1.807/99 e suas reedições, com as alterações  da Medida Provisória n°. 1.858/99 e suas reedições; artigos 2% inciso  II e parágrafo único, 3% 10, 22, 51 e 91, do Decreto n°. 4.524/2002.  (fls. 978).  3. Há duas observações manuscritas apostas nos Autos de Infração (fls.  960, 968, 976, 982 e 985) assinadas pelo Auditor Fiscal autuante:  "Tendo  em  vista  o  não  comparecimento  do  procurador, Dr.  Wanderley  Benventi,  enviamos  o  Auto  de  Infração  pelo  correio com AR em 17112107" "No dia 19/12/07 foi afixado o  Edital  n°.  17112007  para  ciência  do  Auto  de  Infração  ao  contribuinte porque a entrega via postal não logrou êxito. "   3.1.  A  fls.  755  encontra­se  um  documento  onde  o  ora  impugnante  informa que  está  providenciando a  nomeação de  um advogado  como  procurador `para comparecer e atender, em nosso nome, a  intimação  verbal  dessa  Fiscalização  que  agendou  para  o  próximo  dia  19  de  Dezembro  de  2007,  período  da  manhã,  encontro  para  a  necessária  conferência  final  da  documentação  constante  do Processo  acima." O  extrato  do  SEDEX,  contendo  as  informações  sobre  as  tentativas  de  entrega, está a  fls. 988. No Edital n°. 171/2007  (fls. 989) constam as  Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 8          7 informações  sobre  a  data  de  afixação  e  de  retirada  do  mesmo:  19/12/07 e 09/01/08, respectivamente.  3.2.  Tendo  tomado  ciência  destes  lançamentos,  nos  seus  próprios  termos,  em  03/01/2008,  o  contribuinte,  por  intermédio  de  seus  advogados (docs. a fls.009, 997, 1012 e 1013 interp6s impugnação (fls  1060 a 1080), remetida em 06 /02/08 (capa de caixa dos Correios a fls.  1055), relatando e alegando o que segue.  3.3. Inicia pugnando pela tempestividade da impugnação já que tomou  ciência dos lançamentos em 03/01/08, conforme artigo 23, III e § 2%  III  do  Decreto  n°.  70.235/72.  Em  seguida,  relaciona  os  Termos  de  Constatação e  Intimação Fiscal,  com as  respectivas datas de ciência.  Afirma, em continuação, em um tópico denominado "111 ­ GRITANTE  ERRO MATERIAL" que o Auditor Fiscal, no item VI, da Representação  Fiscal para Fins Penais, menciona como sendo sócios gerentes à época  dos  fatos  os  senhores  Wanderley  Venere  Bonventi  e  Bruno  Venere  Bonventi, utilizando como base a 8' alteração contratual registrada na  JUCESP.  Afirma  que  nem  no  contrato  de  constituição  da  empresa  e  nem  em  nenhuma  outra  alteração  contratual  constou  que  o  sócio  minoritário  Sr.Bruno  Venere Bonventi  tinha  poderes  de  gestão  ou  de  administração.  3.4. Após dizer: "Outrossim, é de extrema estranheza, para dizermos o  mínimo, a falta de cautela e acuidade do Auditor Fiscal em utilizar a  referida "8a alteração contratual " ou qualquer outra que fosse, eis que  nenhuma delas subsidia o fato, para tentar informar que o ex­sócio da  empresa,  Sr.  Bruno  Venere  Bonventi,  tinha  poderes  de  SÓCIO  GERENTE a época,  incluindo­o como responsável na "Representação  Fiscal  para Fins Penais",  sabendo ademais  que  em  tal  procedimento  busca­se a mais lídima verdade real. " , pleiteia a imediata retirada do  nome do ex­sócio Sr. Bruno Venere Bonventi da "Representação Fiscal  para Fins Penais". (os destaques na transcrição são do original)  3.5. Passa, então, a alegar a ocorrência da decadência, principiando  por:  "Embora  no  mérito  fático  estejamos  procedendo  à  sólida  argumentação  embasadora  desta  peça  IMPUGNATIVA,  que  certamente  desaguará  na  anulação  das  autuações  combatidas,  ou  no  mínimo  na  redução  significativa  das  autuações incorridas e desenquadramento da multa agravada  de  150  %,  não  podemos  nos  olvidar  do  instituto  da  DECADÊNCIA, que insofismavelmente fulmina "in totum " a  presente  autuação  de  IRPJ  e  suas  autuações  ditas  reflexas  compreendendo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido,  a  Contribuição  para  a  Seguridade  Social  e  o  PIS  —  Programa  de  Integração  Social,  decorrentes  de,  na  ótica  fiscal,  "depósitos  bancários  não  justificados  ocorridos  no  Ano­Calendário de 2002 ", a saber... "   3.6. Afirma que,  "conforme  se demonstrará, o  IRPJ é um  lançamento  por homologação e,  permeia ente os  fatos geradores  ensejadores das  autuações mês a mês, de janeiro a dezembro de 2002, até que ocorreu  a intimação em 03 de Janeiro de 2008, o lapso temporal de 5 (cinco)  anos, opera­se a toda evidência a DECADÊNCIA, nos termos do Art. ­ Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 9          8 150 — § 4° do CTN; ou mesmo em se considerando,­ o que se admite  apenas  "ad  argumentandum  ",  a  ocorrência  do  preconizado na  parte  "in fine " do citado § 4° (..... comprovada a ocorrência de dolo, fraude  ou  simulação),  o  que  deslocaria  o  prazo  para  operar  a  Decadência  para o ART. 173 — I do CTN (I­ do primeiro dia do exercício seguinte  àquele em que o lançamento poderia ser efetuado), ainda assim, a toda  evidência  e adiante provado, o  instituto da Decadência  fulminaria os  Autos de Autuação em tela, eis que, o lapso temporal iniciar­se­ia em 1  'de Janeiro de 2003, fluindo os 5 (cinco) anos em 1 'de janeiro de 2008,  e a intimação ocorreu em 03 de Janeiro de 2008. "   3.7.  Após  transcrever  legislação  referente  aos  temas  lançamento  por  homologação e decadência,  textos de  juristas e ementas de acórdãos,  encerra: "Portanto, forçoso concluir­se que a "Lei 9.430196", além de  consolidar  o  "IRPJ"  como  sendo  um  imposto  por  homologação,  com  antecipações mensais ou trimestrais, ainda recepcionou em seu bojo a  "lei  8.98111995",  com  as  modificações  introduzidas  pela  "Lei  n°  9.065195 ", que conforme artigos transcritos seguem a mesma linha de  ser o "IRPJ" um imposto por homologação e pago em bases mensais ou  trimestrais,  com  ajuste  anual  na DIRPJ;  ademais  recepcionou  ainda  como  FORMA DE DETERMINAÇÃO DE  CÁLCULO DO  IMPOSTO  DE RENDA MENSAL DA PESSOA JURÍDICA, ser esta procedida com  base  em  Balancetes  de  Suspensão  ou  Redução  do  IRPJ;  balancetes  mensais estes procedidos e que compõem a DIRPJ do Ano­Calendário  de  2002,  Exercício  de  2003,  desta  Impugnante,  tempestivamente  entregues à Receita Federal e, na qual são explicitados os Balancetes  mensais,  nos  termos  da  legislação  retro  citada,  demonstrando  a  exaustão  que  a  IMPUGNANTE  procedia  ao  levantamento  do  IRPJ  apagar, em bases mensais, através dos citados Balancetes. "   3.8.  Prossegue,  transcrevendo  o  artigo  42  da  Lei  n°.  9.430/96,  para  afirmar  que,  nos  termos  desse  dispositivo,  os  depósitos  bancários  relacionados pelo Auditor autuante como não justificados, deverão ser  considerados  no  mês  do  crédito  efetuado  pela  instituição  financeira.  No  entanto,  continua,  "inexplicavelmente  e  ilegalmente,  eis  que,  afrontou  diretamente  a  Lei  9.430196  (art.  42  —  §§  1  °  2°  e  3°),  e  saliente­se que a Autoridade tem competência vinculada, o Sr. Auditor  Fiscal,  as  fls.  961  do Processo  escreveu:  ...  "  e  transcreveu  a  tabela  onde  constam  a  data  dos  fatos  geradores  (31/12/2002),  o  valor  tributável  respectivo  e a multa aplicável. Diz,  ainda,  í  que a  s.  958 e  959 "sob o título AUTO DE INFRAÇÃO do IMPOSTO DE RENDA DA  PESSOA  JURÍDICA,  inseriu  como  FATO  GERADOR  O  ANO  DE  "2002"  e  VENCIMENTO  DO  IMPOSTO  que  encontrou  em  data  de  31103/2003,  em  ilegal  procedimento,  pelo  que  requer  a  sua  ANULAÇAQ nos termos do Decreto 70.235172 e da Lei 9.784/99, além  de  afrontar  o  Princípio  dá  Legalidade  do  Direito  Administrativo  esculpido no Art. 5° da Constituição Federal".  3.9.  Da  mesma  forma  ataca  o  artigo  24,  da  Lei  n°.  9.249/95  que  também foi apontado pelo Auditor Fiscal como dando base à autuação.  É seu entendimento que os dispositivos citados "arrasam o ilegalmente  pretendido  pelo  Sr.  Auditor  que,  ao  invés  de  considerar  as  receitas  omitidas  (sob a  sua ótica) decorrentes de depósitos bancários, mês a  mês, ou seja dentro do período de Janeiro a Dezembro de 2002, cada  mês  com  seus  depósitos,  considerou  todas  como  ocorridas  em  Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 10          9 3111212002,  a  Lei  n°  9.430196  que  preceitua  em  seu  §  1'  que,  os  valores  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitidos  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  junto  a  instituição  financeira, como ainda o ART. 24 da Lei n° 9.249195 preceitua que o  valor  do  imposto  e  do  adicional  serão  lançados  de  acordo  com  o  regime  de  tributação  a  que  estiver  submetida  a  pessoa  jurídica  no  período  em  que  corresponder  a  omissão.  E,  a  ora  IMPUGNANTE,  conforme consta de sua DIRPJ do ano­calendário de 2002 — exercício  de  2003,  procedia  a  BALANCETES  MENSAIS,  nos  termos  da  legislação vigente, para apuração do IRPJ. "   3.10. Alega que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ser efetuado é o dia 1° de janeiro de 2003, já que  tinha optado pela utilização de balancetes mensais para a apuração do  IRPJ. Assim, teria se operado a decadência, mesmo que prevalecesse a  ótica do Auditor autuante (existência de dolo). Dá por encerrado este  tópico,  transcrevendo  legislação  referente  aos  temas  lançamento  por  homologação e decadência, textos de juristas e extensa lista de ementas  de acórdãos administrativos.  3.11.  O  próximo  tópico  abordado  pelo  impugnante  foi  por  ele  denominado  de  "Preliminar  de  Nulidade",  onde  ele  argumenta  que  tomou  ciência  do  "Termo  (12)  de  Apreensão  de  Livros  Contábeis  e  Fiscais",  em  16/02/2007,  e,  com  a  apresentação  de  sua  impugnação,  protocolada  em  22/03/2007,  abriu­se  a  possibilidade  de  imediata  instalação do processo administrativo fiscal. Após transcrever textos de  juristas  e  artigos  de  normas  legais,  diz:  "Constata­se  assim  que  o  objetivo  único  do  Auditor  Fiscal  para  a  precipitada,  prematura  e  intempestiva  apreensão  dos  livros  contábeis  e  fiscais  descritos,  era  anexá­los ao "Processo de Representação Fiscal Para Fins Penais  ",  ("Art 915 — § 1 ° do RAR " em consonância com o "Art. 35 — § 1 ° da  Lei n° 9.430/96).  3.12.  Passa,  então,  a  elencar  e  discorrer  sobre  alguns  princípios  citados  por  doutrinadores  que  seriam  comuns  ao  procedimento  e  ao  processo  administrativo  tributário,como  por  exemplo:  da  legalidade  objetiva, da vinculação, da verdade material, da oficialidade, do dever  de colaboração, do dever de investigação. Conclui:"Isto posto, requer­ se  a  anulação  das  fases  subseqüentes  à  "Apreensão",  inclusive  do  "Auto de Infração", por não terem sido observados em sua lavratura as  garantias processuais do Administrado. " (destaque do original)  3.13. Após mais transcrições de textos e de dispositivos legais, discorre  sobre princípios de Direito Administrativo que teriam sido afrontados  pelo Auditor Fiscal, que seriam: da legalidade, da proporcionalidade e  da razoabilidade, da ampla defesa e do contraditório.  3.14. Alguns trechos de sua peroração merecem transcrição:  "Destaque­se  que,  na  hipótese  de  decisão  administrativa,  ainda que parcial, ser proferida sem respeitar os "Princípios"  do  "Contraditório"  e  da  "Ampla  Defesa",  bem  como  os  demais  "Princípios" atinentes ao  "Processo Administrativo",  em especial o da  "Legalidade",  ela  está eivada de nulidade,  por  falta de elemento essencial a sua  formação."  (destaques  do original)  Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 11          10 .................................................  "Assim,  este Contribuinte  detém o  direito  líquido  e  certo  de  que,  a  lavratura  do  "Auto  de  Infração",  e  os  seus  atos  precedentes,  desde  a  deflagração  do  "Processo  Administrativo Fiscal ", o que ocorreu no presente processo  com a  tempestiva  Impugnação à  lavratura do "Termo 12 de  Apreensão  de  Livros  Contábeis  e  Fiscais",  ocorram  rigorosamente  nos  termos  da  lei  infra­constitucional,  da  Constituição (Ampla Defesa e Contraditório) e dos Princípios  do Direito Administrativo e Tributário, . sem olvidar nenhum  deles,  sob  pena  dos  atos  subseqüentes  serem  considerados  nulos de pleno direito, inclusive e principalmente o "Termo de  Autuação Fiscal"; não anuláveis, mas NULOS.  "  (destaques  do original)   ....................................................................  "Julgadores:  é  o  caso  dos  Autos,  à  perfeição,  eis  que  no  momento  em  que  lavrou  o  "Auto  de  Apreensão  de  Livros"  (Termo 12), abriu­se o trintídio  legal para a Impugnação, o  que  ocorreu,  pelo  que  os  fatos  subseqüentes  e  a  própria  "Autuação  Fiscal",  estariam  sob  a  égide  do  "Processo  Administrativo"; pelo que se requer o reconhecimento de ser  NULO  o  "Auto  de  Infração  "  lavrado,  bem  como  todos  os  fatos  subseqüentes  à  IMPUGNAÇÃO  (Doc.  6),  os  quais  também  não  observaram  as  normas  do  Processo  Administrativo. " (destaques do original)  3.15.­Passa­  á  alegar  a  preliminar  ­de  cerceamento  ao  direito  constitucional  à  ampla  defesa:  "E,  no  caso  em  tela,  o  "Processo  Administrativo", só e somente  foi encaminhado ao DERA — SPO, em  data  de  17101105  (Doc.  7),  e  só  e  somente  foi  disponibilizado  para  "VISTA"  pela  AUTUADA  e  seus  Advogados,  em  data  de  29/Janeiro12008,  para  um  prazo  de  trintídio  que  vencia­se  em  02/fevereiro/2008, ou seja, 4  (quatro) dias após; o  fato narrado pode  ser  perfeitamente  comprovado,  através  dos  Controles  Internos  do  DERAT­SPO, que  instados pessoalmente em 23/01/08 a apresentarem  o  Processo  Administrativo  da  presente  autuação,  só  e  somente  o  disponibilizaram em data de 29/Janeiro/08. "   3.16. E continua: "Assim, ao exposto requer­se que seja disponibilizado  à  Impugnante,  o  prazo  ilegalmente  suprimido,  bem  em  respeito  ao  Direito  Constitucional  à  Ampla  Defesa,  possibilitando  eventual  aditando a presente peça  impugnativa que, pela premência de  tempo,  pode  conter  erros  e  imperfeições  eis  que,  em  superficial  análise,  constatamos que o Sr. Auditor Fiscal, teve 365 dias, para fiscalização  e,  ao  lavrar  os  Autos  cometeu  absurdos  erros  e  mesmos  abusos,  conforme expostos e criticados. "  3.17. O próximo tema a ser combatido está no  item "VI­ Da Omissão  de Registro de Operações Bancárias — Receita de Venda de Direitos  Creditórios  não  Contabilizada",  onde  o  impugnante  alega  que  a  operação na qual alienou, pelo valor de R$ 60.000,00, em 16/09/2002,  para  a  empresa  Visão  Habitacional  Ltda.,  por  meio  de  instrumento  particular  de  cessão  e  transferência  de  direitos  creditórios,  tendo  Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 12          11 realizado uma transferência de dinheiro entre agências bancárias,  foi  devidamente explicada e comprovada. (Doc. 8, 8­A e 9)  3.18.  Diz  que  tal  operação  não  é  receita  tributável,  por  já  ter  sido  tributada. em 1995, pois se refere a uma escritura pública de confissão  de dívida com garantia hipotecária, lavrada em 26/09/95, em garantia  de  venda  mercantil,  conforme  notas  fiscais  listadas  na  própria  escritura.  3.19.  Prossegue:  "Ante  o  não  pagamento  da  venda  mercantil,  a  ora  Impugnante  tratou  de  executar  a  hipoteca  e,  seguindo  as  normas  da  Receita  Federal  vigentes,  só  e  somente  poderia  levar  o  valor  não  recebido  à  conta  de  prejuízo,  após  exauridos  todos  os  meios  de  cobrança,  ou  seja,  término  da  Execução  Judicial;  assim,  ao  alienar  para  terceiros  o  crédito  e o  direito de  ação,  pelo  valor  original,  não  procedeu  a  uma  operação  tributável,  sob  pena  de  acolher­se  a  bi­ tributação da mesma operação, ou "bis in idem ". "  3.20.  Argumenta  que,  ao  contrário  do  que  alega  ó Auditor  Fiscal,  a  operação  relacionada  à  omissão  de  registro  de  operações  bancárias  como os créditos de vendas de divisas não contabilizados (caso Beacon  Hills),  está  comprovada  como  sendo  repatriação  de  divisas  antecipadas a fornecedor estrangeiro, anexando, com o  intuito de ver  corroborada sua afirmativa, o documento 10­A.  3.21. Alega que o Auditor Fiscal,  "sob critérios próprios",  ignorando  uma lei em que se baseou e  'fazendo letra morta " de outra,  lavrou o  Auto de Infração por omissão de receitas. Reafirmando que declarou o  IRPJ/2003 pelo regime de Lucro Real, com o cálculo do imposto sendo  feito mensalmente por balancete, apresenta alguns valores que constam  de sua DIPJ/2003. Diz que valores do Ativo, como Cliente, Caixa e do  Passivo,  como  Financiamentos  a  curto  prazo  deveriam  ser  considerados para a perfeita adequação do fluxo de caixa e que "a não  consideração dos valores de depósitos em sistema de "Fluxo de Caixa"  dia  a  dia,  mês  a  mês,  contraria,  a  ciência  contábil,  bem  como  os  princípios e procedimentos contábeis, a jurisprudência do Conselho de  Contribuintes (Doc. a), e a própria "Lei n° 9.430196 — Art. 42 ", além  de se constituir na prática em uma verdadeira "bis in idem ".  3.22.  Argumenta  que  o  Auditor  Fiscal  autuante  não  considerou  os  depósitos  decorrentes  de  transferências  entre  contas  do  próprio  contribuinte,  que  representam  "conforme  adiante  se  demonstrará  e  provará  um  montante  de  altíssima  monta,  a  contemplar  a  quase  totalidade da autuação por omissão de depósitos bancários". Insiste na  citação  do  §  1o  do  artigo  42,  da  Lei  9.430/96  para  afirmar  que  as  receitas devem ser consideradas auferidas no mês do crédito efetuado  pela  instituição  financeira  e  que  procedimento  diverso  contraria  a  jurisprudência do Conselho de Contribuintes   3.23.  Assevera:  "Pelo  que,  a  denominada  "omissão  de  receitas  de  Pessoas Jurídicas adveniente de depósitos bancários", repise­se, há de  ser considerada "mês a mês",  em um conta­corrente,  num verdadeiro  `fluxo de caixa", eis que, por óbvio, o valor  lançado e  tributado pelo  "Auto de Infração" lavrado pelo Auditor Fiscal em, um mês, passa a se  constituir  saldo  líquido  disponível  no  mês  subseqüente,  deduzindo­se  do montante de depósitos desse mês, e assim subseqüentemente, dentro  Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 13          12 do ano­calendário, num procedimento dentro das normas e princípios  contábeis e da própria Lei n°. 9.430146 (sic), o que aliás é amplamente  referendado  pela  Jurisprudência  dos  Conselhos  de  Contribuintes;  ademais,  em  não  sendo  assim,  aconteceria  a  bi­tributação  de  lançamentos, o que é vedado pela lei. "  3.24.  Assegura  que  o  lançamento  estribado  apenas  na  soma  de  depósitos  bancários  é  procedimento  inconsistente,  que  não  retrata  a  situação necessária e  suficiente definida  em  lei  para a ocorrência do  fato  gerador,  conforme  prevê  o  artigo  43,  do  Código  Tributário  Nacional. Também diz que a Lei n°. 9.430/96 não fala em "soma', ao se  referir aos depósitos bancários não justificados e, no seu entendimento,  a "soma" contraria a legalidade, como disposto no inciso III, do artigo  97  do  CTN.  Acredita  que  é  com  base  nesses  fundamentos  que  a  jurisprudência  tem  confirmado  a  ilegitimidade  do  IRPJ  lançado  com  apoio apenas em depósitos bancários.  3.25.  Entende  que  o  lançamento  seria  legítimo  apenas  se  "além  dos  depósitos  bancários  cuja  origem  não  tiver  sido  identificada  pela  fiscalização, ocorresse a disponibilidade jurídica e econômica em favor  do  Contribuinte,  com  conseqüente  acréscimo  patrimonial  (o  que  definitivamente não ocorreu no caso presente). "  3.26. E encerra este tópico de sua impugnação:  "Ainda  que  se  admitisse  a  possibilidade  do  lançamento  do  "Imposto  de  Renda"  ser  baseado  exclusivamente  nos  depósitos  bancários,  presumidos  como  receitas  omitidas,  depois de saneados, ou seja, excluídos os depósitos de mesma  titularidade, os cheques depositados e devolvidos, os créditos  decorrentes  de  empréstimos  bancários  e  de  Contas  Garantidas,  os  empréstimos  comprovados  e  outros  assemelhados  seria  indispensável  o  "arbitramento  "para  determinar  a  base  de  cálculo  do  Imposto  de  Renda;  nesse  sentido  o  "Acórdão  da  12°  Câmara  do  1  °  Conselho  de  Contribuintes (Recurso Voluntário n° 116.724) ".  Com  efeito,  a  "Lei  n°  8.981195",  prevê  o  arbitramento  da  base de cálculo em casos em que a contabilidade não  tenha  registrado a total movimentação bancária (art. 47,  inciso II,  “a”).~  Mas,  a  Impugnante  refuta  (sic)  num  primeiro  momento,  a  conveniência de  qualquer  arbitramento,  eis  que  esta  apresentando  'justificativas"  aos  depósitos  bancários  elencados  (e  saneados),  o  maior  volume  decorrente  de  transferências  bancárias  de  MESMA  TITULARIDADE;  somente requer o "Arbitramento", nos termos do "Art. 530, do  RIR199  ",  se  vencidas  as  preliminares  e  as  justificativas  elencadas, o que se admite "Ad Argumentandum ". Ademais,  o  "Art.  288, do RIR199 ", adotado pelo Auditor,  somente  se  aplica  às  receitas  efetivas  e  não  às  receitas  consideradas  como  tais,  por  presunção  da  lei.  Com  efeito,  as  receitas  efetivas  resultam  de  ingressos  reais  e  inquestionáveis,  que  tenham sido omitidos pelo contribuinte, não contemplando as  receitas por mera presunção, como no caso do Art. 42 — Lei  n° 9.430196. " ( destaque do original)  Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 14          13 3.27.  Ataca  a  aplicação  da  multa  agravada  de  150  %  pelo  evidente  intuito  de  fraude,  como  definido  no  artigo  71,  da  Lei  n°.  4.502/64,  porque, no seu entender, o ponto caracterizador desse agravamento é o  dolo  e  'foi  autuado  açodadamente  em  astronômico  montante,  unicamente  pela  não  entrega  tempestiva  de  documentação  que  respaldasse o seu movimento bancário de depósitos e créditos. " Cita  juristas e acórdãos administrativos com o objetivo de ver corroborada  sua argumentação.  3.28. Diz: "Com efeito a "autuação fiscal " por "Omissão de Receitas ",  decorrente  de  "depósitos  bancários  não  comprovadas  a  origem  pelo  Contribuinte", conforme o constante do "Art. 42 — Lei n°. 9.430/96",  que inverteu o "ônus da prova",  imputando­o ao Contribuinte, ocorre  por mera presunção, eis que presume­se que ocorreu "omissão", ante a  eventual não comprovação de origens por parte do Contribuinte, como  no  caso  em  análise  dos  presentes  Autos,  onde  constata­se  fatores  materiais (falta de funcionários) aliado a fatores temporais (exigüidade  de tempo) para que a Impugnante, em precária situação econômica e  administrativa,  procedesse  a  uma  verdadeira  auditoria  contábil  a  relacionar,  explicar,  justificar  e  relatar,  milhares  e  milhares  de  documentos,  a  serem  copilados  em  relatório,  a  ser  produzido  pela  empresa  e  acompanhado  dos  originais  e  cópias,  para  satisfação  do  Fisco.  3.29.  Termina  este  tema  afirmando  que  está  impugnando  a  "astronômica e absurda autuação, nos termos em que ela foi lavrada,  ou  seja,  pendências  de  justificativas  sobre  os  "DEPÓSITOS  BANCÁRIOS"  constantes  nos  EXTRATOS  BANCÁRIOS,  QUE,  RESSALTE­SE, FORAM APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. "  ( destaques do original)  3.30.  No  item  denominado  "XI  —  QUADRO  CONJUNTURAL"  confessa que utilizou operações de desconto de duplicatas sem lastro e  que,  `por  serem pouco ortodoxas,  não encontravam adequado espaço  na contabilização ". Afirma,  também, do relatórios, para cada banco,  com as justificativas e com documentos  3.31.  Diz  que  os  julgadores  deverão  considerar  9  (nove)  elementos  (que  especifica,  a  fls.  1138  e  1139)  na  formação  de  sua  convicção  e  enfatiza o disposto no artigo­3o, da IN SRF­ n°. 246/2002, que traz, em  seu § 1o a assertiva de não ser necessário considerar o crédito de valor  individual igual ou inferior a R$ 12.000,00.  3.32. Requer a realização de perícias e diligências, nomeando peritos e  formulando 8 quesitos, como: confecção de  fluxo de caixa; diligência  nos bancos,  ..., se dúvida houver por parte dos  julgadores; diligência  para  sanar  qualquer  dúvida  dos  julgadores  quanto  à  idoneidade  de  qualquer  documento  apresentado;  se  os  elementos  e  documentos  constantes  do  processo  administrativo  em  tela  são  suficientes  para  atender  ao  princípio  da  justiça  tributária,  princípio  da  verdade  material,  princípio  do  dever  de  investigação,  princípio  da  ampla  instrução  probatória;  outras  perícias  e  diligências  que  os  senhores  julgadores  ou  os  peritos  achem  necessárias;  identificação  nos  depósitos bancários das operações pouco ortodoxas.  Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 15          14 3.33.  Alega  o  efeito  confiscatório  da  multa,  por  atingir  o  direito  constitucional  à  propriedade  e  investe  contra  a  aplicação  da  taxa  SELIC, por ser uma taxa criada por circular do Banco Central, poder  ser modificada a qualquer tempo por este e visar, apenas, remunerar o  capital  investido  na  compra  e  venda de  títulos  públicos. Entende  que  deve ser aplicada a taxa de 1 % (artigo 161, § V).  3.34.  Antes  de  encerrar  sua  extensa  exposição,  afirma  que  o  enquadramento  utilizado  pelo  Auditor  Fiscal  na  Representação  para  Fins Penais (artigo 1o da Lei n°. 8.137/90) não é o mais adequado. No  seu  entender,  "como  medida  da  boa  doutrina  jurídica",  requer  a  retificação  para  o  tipo  penal  descrito  no  inciso  I,  do  artigo  2°  da  referida Lei.  3.35. A título de conclusão afirma que não houve qualquer aumento de  patrimônio,  nem  do  impugnante  e  nem  de  seus  sócios.  Requer  o  acolhimento da presente, com o cancelamento do Auto de Infração.   3.36. Na seqüência dos Autos, consta um documento entregue pelo ora  impugnante  intitulado  "MEMORIAL  ­  CONSIDERAÇÕES",  no  qual  salienta  e  enfatiza  argumentos  já  expendidos  na  impugnação,  não  trazendo documentação nova.  4.  Foi  formalizado  processo  de  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais,  nos  termos  do  artigo  1%  da  Portaria  SRF  n°.  326/05,  que  ganhou  o  n°.  19515.004307/2007­92  e  foi  apensado  aos  presentes  autos. É o Relatório.”  O  acórdão  recorrido  rejeitou  preliminares  de  nulidade  suscitadas  pela  Contribuinte  e,  no  mérito,  manteve  integralmente  os  lançamentos  de  IRPJ  e  CSLL  e  parcialmente os autos de infração de PIS e COFINS, pelas razões sintetizadas na ementa acima  transcrita  (fls.  1701  e  ss  –  vol.  9).  O  cancelamento  parcial  dos  autos  de  infração  deveu­se  exclusivamente pela aplicação ao caso do disposto no art. 173, I do CTN para fins de contagem  do  prazo  decadencial  para  lançamento  das  citadas  contribuições  (ciência  do  lançamento  ocorrida em 03.01.2008 e fatos geradores ocorridos entre 31.01.2002 a 31.12.2002).  Às fls. 1834 consta o AR referente à  intimação da Contribuinte em relação ao  acórdão  acima  referido.  De  citada  intimação  consta  o  endereço  Avenida Washington  Luis,  3050, Fundos, Sala 01, Santo Amaro, que é o endereço da Contribuinte constantes dos registros  da Receita Federal do Brasil. Tal intimação foi recebida em 29.04.2009 pelo Sr. “André S. C.”.   Em sede de recurso voluntário (fls. 1851 e ss – vol. 10), a Recorrente requer o  improvimento  do  recurso  de  ofício  interposto,  suscita  preliminar  de  nulidade  do  acórdão  recorrido e, no mais, reproduz as alegações de impugnação, especificamente no que se refere a:  (i)  nulidade do  auto de  infração e do  acórdão  recorrido, por  alegada  inobservância  à  liminar  proferida  no  citado  mandado  de  segurança  e  pelo  fato  de  o  ato  decisório  ter  se  silenciado  quanto à aplicação  respectiva no caso concreto;  (ii) nulidade do auto de  infração por afronta  aos princípios da ampla defesa e contraditório; (iii) a tributação realizada na forma do art. 42  da Lei  n.  9.430/96  é  ilegítima,  conforme precedentes  judiciários;  (iv)  haveria  decadência  do  Fisco do direito de lançar IRPJ e CSLL em relação ao ano de 2001 em vista dos recolhimentos  mensais por estimativa; (v)  ilegítima a imposição de multa de ofício qualificada, em vista da  ausência de  conduta dolosa no  caso  concreto  e  do  seu nítido  caráter  confiscatório;  (vi)  seria  ilegal a exigência de juros moratórios equivalentes à taxa selic; (viii) ainda que a acusação de  Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 16          15 omissão de receitas subsistisse, o que se admite para argumentar, o lançamento deveria ter sido  lavrado  com  base  no  arbitramento  de  lucro,  em  vista  da  relevância  dos  valores  apontados,  jamais pelo regime de lucro escolhido pela Contribuinte.  No citado recurso voluntário e às fls. 2136/2137, a Contribuinte noticia liminar  concedida  em  mandado  de  segurança  (MS  n.  2008.61.00.000011­5),  segundo  a  qual  restou  determinado  que  a  D.  Autoridade  Coatora  “AGUARDE  a  apreciação  da  impugnação  administrativa da impetrante FITNESS DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA.  formulada  perante  a  Delegacia  de  Julgamento  da  Receita  Federal  em  São  Paulo  para,  somente após, deliberar sobre a instauração da Representação Fiscal para fins Criminais e a  lavratura do auto de infração, se for o caso, garantida à impetrante a partir do TERMO DE  APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a garantia de contraditório e da ampla defesa,  bem  como  tomar  as  providências  cabíveis”  (fls.  889/898  –  destaques  do  original).Citada  liminar foi confirmada por meio de sentença de primeira instância e acórdão proferido pelo E.  Tribunal Regional Federal da 3a Região, por meio de acórdão assim ementado (fls. 2136 e ss),  verbis:   TRIBUTÁRIO ­ PROCESSO ADMINISTRATIVO – PROCEDIMENTO  FISCALIZATÓRIO  ­  NÃO  APRECIAÇÃO  DE  IMPUGNAÇÃO  ADMINISTRATIVA  ­  IMPOSSIBILIDADE  DE  LAVRATURA  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  ­  AMPLA  DEFESA  E  CONTRADITÓRIO  PREJUDICADOS – IMPROVIMENTO  1­  Contrariando  o  conjunto  de  regras  que  disciplina  o  processo  administrativo,  a  autoridade  coatora  lavrou  o  auto  de  infração  sem  proceder  apreciação  da  impugnação  interposta.  Dessa  forma,  a  impetrada  extrapolou  o  due  process  of  law  que,  mesmo  em  esfera  administrativa,  deve ater­se a prazos  e  ritos dos quais  tanto à União  como aos contribuintes não é  facultado eximir­se,  em atendimento ao  principio da legalidade.  2­ Já a Constituição Federal em seu artigo 50 , inciso LV, assegura a  todos,  ainda  que  em  procedimento  administrativo,  o  devido  processo  legal, a fim de garantir a ampla defesa, o contraditório, a publicidade e  o impulso oficial.  3­ A impugnação arguida pela apelada no procedimento fiscalizatório  visava  rebater as  informações  acusativas  baseadas  na  apreensão  dos  livros e documentos fiscais da empresa.  4­  Escorreita  a  sentença  monocrática,  de  rigor  sua  manutenção,'aguardando a apreciação da  impugnação administrativa  formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em  São  Paulo,  para  depois  se  cogitar  acerca  da  Representação  Fiscal  para Fins Criminais e da lavratura do Auto de Infração, com o devido  resguardo do direito da apelada ao contraditório e à ampla defesa.  5­ Estabelecida que  fora a  litigisiosidade com o ato de apreensão  fez a  administração incidir, para si, o dever insculpido no regramento da lei  9.784/99 em seu art. 20, o de obedecer aos princípios de legalidade e  sobretudo de ampla defesa, entre outros. Ao não processar o também  direito  da  parte  de  impugnar  o  ato,  descortinou­se,  em  face  da  administração a perspectiva de nulidade dos atos  subseqüentes, a  teor  do art. 59 II do decreto no 70.235/72.  Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 17          16 6­  Apelação  e  à  remessa  oficial  improvidas.  (AMS  n.  2008.61.00.000011­5,  Rel.:  Desembargador  Federal  Nery  Júnior,  publicado em 27.11.2009).  Às  fls.  2.155,  a  D.  Autoridade  Preparadora  noticia  a  intempestividade  do  recurso voluntário interposto pela Contribuinte.   Às fls. 2165 há cópia da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de  Julgamentos  em  exame  à  impugnação  apresentada  pela  Contribuinte  contra  o  termo  de  apreensão de livros contábeis e fiscais de fls. 272, assim ementada, verbis:  “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2002  TERMO  DE  APREENSÃO  DE  LIVROS  CONTÁBEIS  E  FISCAIS.  IMPUGNAÇÃO.  JULGAMENTO  EM  CUMPRIMENTO  A  DECISÃO  JUDICIAL.  Nos termos da legislação de regência, é cabível a retenção de livros e  documentos  do  contribuinte,  mediante  termo  escrito  lavrado  pela  autoridade  fiscal, quando  ficar configurada, em tese, a ocorrência de  ilícito  penal.  A  apreensão  não  implica  considerar  provado  o  ilícito  penal, mas tão­somente visa instruir o processo de representação fiscal  para  fins  penais,  o  qual  será  encaminhado  ao  Ministério  Público  somente após a constituição definitiva do crédito tributário.  Impugnação Improcedente.  Sem Crédito em Litígio.”   Às fls. 2.183, a Contribuinte peticiona novamente a este Conselho, a fim de que  seja dado cumprimento ao acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região  acima citado e, por conseguinte, sejam tidos como “nulos todos os atos subseqüentes ao “termo  de apreensão de livros e documentos”, principalmente, a  lavratura do auto de infração, como  medida de respeito à superior decisão judicial”. Verbis:   O "Mandado de Segurança" foi impetrado em data de 20 de dezembro  de 2007, perante a 16a Vara Cível da Seção Judiciária de São Paulo, o  qual em 02 de abril de 2008 teve a segurança deferida em liminar de  antecipação  de  tutela  :  (doc.  III  do  Recurso  Voluntário)  e,  posteriormente,  confirmada  por  sentença  (doc.  IV  do  Recurso  Voluntário), ordenando a autoridade impetrada, in casu o Delegado de  Fiscalização da Receita Federal em São Paulo, aguardar a apreciação  da  Impugnação  Administrativa  ao  "Termo  de  Apreensão  de  Livros  e  Documentos"  que  a  ora Requerente  então  havia  formulado perante a  Delegacia  de  Julgamento  da  Receita  Federal  em  São  Paulo  para,  "somente após, garantindo o direito constitucional ao contraditório e a  ampla defesa, deliberar  sobre a  instauração da Representação Fiscal  para fins Penais e a lavratura do Auto de Infração, se fosse o caso de  eventual autuação ".  Em que pese à superior existência do referido Mandado de Segurança,  o Processo Administrativo foi objeto do Auto de Infração e, somente no  Acórdão  n°  16­19.948  da  7a  Turma  da  DRJ/SPO1,  a  Delegacia  de  Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 18          17 Julgamento  julgou  improcedente  a  Impugnação  ao  "Termo  de  Apreensão  de  Livros  e  Documentos",  após  superficial  apreciação,  atacada  preliminarmente  no  Recurso  Voluntário  dirigido  a  esse  Colendo Tribunal.  A liminar, a sentença e o Acórdão do Tribunal Regional Federal da 31  Região, ora anexado,  fazem letra morta e eivado de plena nulidade o  Auto  de  Infração  lavrado  e,  em  decorrência,  todo  o  Processo  Administrativo  que  se  sucedeu,  adstrito  ao  contraditório  e  a  ampla  defesa.  No Mandado de Segurança não se discutiu ou se impugnou a exigência  de  qualquer  tributo,  mas  sim,  se  ocorreu  no  curso  do  Processo  Administrativo em tela, alguma ilegalidade.  A manutenção pela autoridade impetrada da autuação incorrida,  face  à  presença  maior  de  uma  ordem  judicial  (liminar  e  sentença  do  mandamus),  eivou  de  NULIDADE  a  mesma  e,  em  consequência,  o  Acórdão  n°  16­19.948  da  7a  Turma  da  DRJ/SPO1,  discutido  no  Recurso Voluntário dirigido a esse respeitável Conselho.  Diante  do  exposto,  serve  a  presente  para  requerer  a  esta  Colenda  Corte  de  Justiça  Tributária  que  o  Acórdão  prolatado  pelo  Tribunal  Regional  Federal  da  3a  Região  seja  integralmente  cumprido,  no  sentido  de  tornar  NULOS  todos  os  atos  subsequentes  ao  "Termo  de  Apreensão  de  Livros  e  Documentos  principalmente,  a  lavratura  do  Auto  de  Infração,  como  medida  de  respeito  à  superior  decisão  judicial.”  Às  fls.  2.190,  a Contribuinte  apresenta memoriais  para  refutar  a  afirmação  de  intempestividade do recurso voluntário, nos quais sustenta, em síntese, que: (i) não haveria que  se falar em intempestividade do recurso na hipótese em que o lançamento não poderia ter sido  lavrado  em  observância  a  expressa  determinação  judicial;  (ii)  o  mandado  de  intimação  do  acórdão  recorrido  “procedeu­se  irregular  e  ilegalmente,  não  respeitando  seus  requisitos  de  validade”,  já que este “foi  recebido por pessoa  totalmente estranha  e desconhecida ao  rol de  funcionários da Requerente e de seu contrato social”. Sobre esse último item, assim justificou a  Contribuinte, verbis:  “A  Receita  Federal  do  Brasil  ignorou  que  o  MANDADO  DE  INTIMAÇÃO do  acórdão  exarado  pela  8  a  Turma da DRJ/SPO  I  ­,  enviado via correio com aviso de recebimento, FOI RECEBIDO POR  PESSOA  TOTALMENTE  ESTRANHA  E  DESCONHECIDA  AO  ROL  DE  FUNCIONÁRIOS  DA  REQUERENTE  E  DE  SEU  CONTRATO SOCIAL.  A Requerente, conforme é do pleno conhecimento da RFB, está sediada  A. Avenida Washington Luis,  número 3.050, FUNDOS,  sala 01  (doc.  01). A pessoa que recebeu o "mandado de intimação", posteriormente  direcionando A. Requerente,  conforme pesquisamos, é  funcionário da  empresa  CHACARA  FLORA  FITNESS  COMÉRCIO  DE  EQUIPAMENTOS DE GINÁSTICA LIMITADA  (doc. 11), que está  situada à Avenida Washington Luis, número 3.050, FRENTE (docs. 12  e  13),  a  qual  nenhuma  ligação  e/ou  relação  detém  com  a  ora  Requerente.  Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 19          18 Para complicar, somente cinco dias após o recebimento da intimação,  o tal funcionário da Chácara Flora Fitness Comércio de Equipamentos  de  Ginástica  Limitada,  transmitiu  'a.  Requerente,  Fitness  do  Brasil  Comercial Limitada, o mandado de intimação anotado como recebido  em 04 de Maio de 2009, quando FATICAMENTE ACONTECEU NO  DIA 29 DE ABRIL DE 2009, o que somente agora logramos saber.  Caros  Julgadores,  não  se  sabe  qual  o  motivo  do  tal  funcionário  da  Chácara Flora Fitness ter recebido o mandado intimatório em nome da  Requerente  e,  muito  menos,  em  omitir  a  verdadeira  data  do  recebimento e anotar outra. Provavelmente descaso, ignorância quanto  a seriedade e responsabilidade de receber uma intimação da RFB, ou  simplesmente  confusão,  face  a  existência  da  expressão  "Fitness",  na  denominação societária desta Requerente e da empresa supra citada.  Conforme  os  ilustres  julgadores  podem  constatar,  na  declaração  produzida  pela  empresa  Chácara  Flora  (doc.  11),o  SUJEITO  QUE  RECEBEU 0 MANDADO DE INTIMAÇÃO por carta com aviso de  recebimento,  à  época  do  recebimento  da  missiva,  INTEGRAVA  0  QUADRO DE FUNCIONÁRIOS HA APENAS 02 (DOIS) MESES E  17  (DEZESSETE)  DIAS;  portanto  é  plausível  que  o  mesmo  tenha  imaginado que a referida carta devesse ser recebida e repassada a um  "responsável",  em  razão  das  denominações  societárias  serem  "parecidas", é razoável que o senhor André Salvador Crisafulli, tenha,  ante  o  seu  recém  ingresso  na  "Chácara  Flora",  se  equivocado  e  recebido uma correspondência destinada a outra pessoa jurídica, esta,  porém,  com  DENOMINAÇÃO  SOCIETÁRIA  SIMILAR  DA  EMPRESA QUE 0 EMPREGAVA, quanto ao nome "Fitness".  Não  se  pode  olvidar  que  a  intimação  via  postal  no  processo  administrativo fiscal NÃO PODE SER VIOLADA, pois trata­se de um  dos  alicerces  processuais,  cuja  função  é  dar  ciência  de  ordem  feita  pela Autoridade Publica, para que alguém faça ou deixe de fazer algo.  Considerar válida uma intimação que fora recebida por um sujeito que  não  a  Requerente  ou  um  dos  seus  prepostos  é  AVILTAR,  além  do  devido  processo  legal,  a  AMPLA  DEFESA  DA  REQUERENTE.”  (Grifos do Original)  É o relatório.    VOTO  Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO   O  recurso de ofício  atende aos pressupostos de  admissibilidade, pelo que dele  tomo conhecimento.  Entendo que  exame do  recurso  de  ofício  em  referência merece  ser  sobrestado  por dois fundamentos distintos.   Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 20          19 O  primeiro  deles  refere­se  ao  fato  de  estar  em  curso  o  MS  n.  2008.61.00.000011­5,  cujas  decisões  judiciais  nele  proferidas  determinaram à D. Autoridade  Coatora que “AGUARDE a apreciação da impugnação administrativa da impetrante FITNESS  DO  BRASIL  IMPORTAÇÃO  E  EXPORTAÇÃO  LTDA.  formulada  perante  a  Delegacia  de  Julgamento  da  Receita  Federal  em  São  Paulo  para,  somente  após,  deliberar  sobre  a  instauração da Representação Fiscal para fins Criminais e a lavratura do auto de infração, se  for  o  caso,  garantida  à  impetrante  a  partir  do  TERMO  DE  APREENSÃO  DE  LIVROS  E  DOCUMENTOS  a  garantia  de  contraditório  e  da  ampla  defesa,  bem  como  tomar  as  providências cabíveis” (fls. 2140 e ss – destaques do original).  Conforme  consta  de  informação  do  sitio  do  TRF­3a  Região  (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?NumeroProcesso=20086 1000000115), os autos do processo judicial encontram­se conclusos no Gabinete do Exmo. Sr.  Vice­Presidente  do  Tribunal  para  exame  dos  requisitos  de  admissibilidade  dos  recursos  excepcionais apresentados pela União Federal naquele caso.   Com  a  devida  vênia,  a  par  de  constar  menção  expressa  deste  processo  administrativo na parte do relatório da r. decisão judicial de fls. 2141 (quando a Exma. Juíza  faz  menção  à  manifestação  da  própria  Fazenda  Nacional  naquele  caso),  a  generalidade  do  comando proveniente do ato  judicial  sugere que  citado mandamus  tem expressa  relação com  este  processo,  visto  que,  reitere­se:  determinou­se  que  se  “AGUARDE  a  apreciação  da  impugnação  administrativa  da  impetrante  FITNESS  DO  BRASIL  IMPORTAÇÃO  E  EXPORTAÇÃO LTDA. formulada perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal em  São Paulo para,  somente após, deliberar  sobre a  instauração da Representação Fiscal para  fins Criminais e a lavratura do auto de infração, se for o caso, garantida à impetrante a partir  do TERMO DE APREENSÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS a garantia de contraditório e da  ampla defesa, bem como tomar as providências cabíveis”. Não parece haver dúvida de que os  lançamentos  em  referência  têm  relação  direta  com  os  fatos  e  informações  contidas  nos  documentos  relacionados  no  termo de  apreensão  objeto  de  impugnação  administrativa  a  que  alude as decisões em judiciais em referência.   Assim, no meu entender, apenas com o exame detalhado das peças processuais  correspondentes (petição inicial, sentença, acórdão, ato decisório final e certidão de trânsito em  julgado) e com o encerramento do processo judicial em referência é que será possível analisar  o  pedido  de  nulidade  formulado  pela  Contribuinte  neste  processo  (cujo  conhecimento  me  parece  obrigatório  ao  menos  por  força  do  efeito  traslativo  do  recurso  de  ofício  objeto  de  julgamento).   O  segundo  deles  refere­se  à  legitimidade  (ou  não)  de  lançamentos  tributários  lavrados  com  base  em  informações  obtidas  pela  Fiscalização  diretamente  com  instituições  financeiras.   Conforme  salientado  linhas  acima,  versa  o  caso  dos  autos  sobre  lançamento  tributário  fundamentado  exclusivamente  em  informações  financeiras  da  pessoa  jurídica  contribuinte e dos responsáveis tributários pessoas físicas obtidas pela Fiscalização por meio de  mero RMF, sem prévia autorização judicial. Nesse sentido, veja­se informação fiscal contida a  Termo de  Intimação 09  (fls. 463, v.g.), no qual a Fiscalização afirma  ter obtido  informações  bancárias da Contribuinte diretamente perante instituições financeiras e ter entregue os extratos  bancários obtidos por essa via à Contribuinte.   Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 21          20 Sobre o tema, este Colegiado, por maioria de votos de seus membros, vencido  apenas este Relator, no  julgamento de recurso voluntário  interposto nos autos do Processo n.  10630.720364/200721  (Resolução n. 1102­00.088), decidiu  sobrestar o andamento dos  feitos  que versassem sobre a matéria citada, em decorrência do quanto disposto .Verbis:  “Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que  diz  respeito  ao  princípio  da  legalidade  do  qual  a  autoridade  administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos  dados bancários por parte da autoridade fiscal, que, no presente caso,  se deu, ao menos parcialmente, por meio da emissão de Requisições de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  –  RMF  às  instituições  financeiras, sem ordem judicial.  Neste  aspecto,  sirvo­me  das  preciosas  considerações  feitas  pelo  conselheiro  Moisés  Giacomelli  Nunes  da  Silva  em  excelente  estudo  sobre o tema, as quais abaixo transcrevo:  “Em 15 de dezembro de 2010, ao  julgar o Recurso Extraordinário nº  389.808/PR,o  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  por  maioria,  proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita,  publicada no DJe086em 10052011.  Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto  no  inciso  XII  do  artigo  5º  da  Constituição  Federal,  a  regra  é  a  privacidade  quanto  à  correspondência,  às  comunicações  telegráficas,  aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida  ao  crivo  de  órgão  equidistante  –  o  Judiciário  –  e, mesmo  assim,  para  efeito  de  investigação  criminal  ou  instrução  processual  penal.  SIGILO  DE  DADOS  BANCÁRIOS  –  RECEITA  FEDERAL.Conflita  com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal –  parte na relação jurídico tributária– o afastamento do sigilo de dados  relativos ao contribuinte.  À  luz  do  artigo  26A,§  6º,  I,  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  com  a  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009,  a  seguir  transcrito,  os  Conselheiros  do  Carf  somente  podem  deixar  de  aplicar  lei  sob  o  fundamento  de  inconstitucionalidade  após  o  Supremo  Tribunal  Federal,  por  seu  Plenário,  em  controle  concentrado  ou  difuso,  por  decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma.  Art. 26A.  No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de  julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  ....  §  6o  O  disposto  no  caput  deste  artigo  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei  nº 11.941, de 2009).  Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 22          21 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva  plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de  2009).  Ocorre  que  o  acórdão  exarado  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº389.808/PR,  com  a  ementa  acima  transcrita,  foi  desafiado por embargos de declaração,com pedido de modificação da  decisão.  Pelo  que  apurei  em  pesquisa  realizada  em  28/01/2012,  os  citados  embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda  encontram­se pendentes de julgamento.  Assim,  por  estarmos  diante  de  acórdão  do  Plenário  do  Supremo  Tribunal Federal que não  transitou em  julgado, com base na decisão  resultante  do  RE  389.808/PR,  não  é  possível,  nesta  instância  administrativa,  deixar  de  aplicar  as  disposições  constantes  na  Lei  Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001.  A  questão  relacionada  à  alegação  de  impossibilidade  de  acesso  aos  dados bancários  também está em pauta no Recurso Extraordinário nº  601.314/MG.  Em  20/11/2009,  ao  examinar  o  Recurso  Extraordinário  nº  601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo  Tribunal  Federal  reconheceu,  quanto  à  matéria,  a  existência  de  repercussão geral, nos termos do artigo 542B,do Código de Processo  Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão:  EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de  informações  sobre  movimentação  bancária  de  contribuintes,  pelas  instituições  financeiras,  diretamente  ao  fisco,  sem prévia  autorização  judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei  10.174/2001  para  apuração  de  créditos  tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua  vigência.  Relevância  jurídica  da  questão constitucional. existência de repercussão geral.  O  tratamento  a  ser  dispensado  aos  processos  com  repercussão  geral  encontra­seno artigo 543B,do CPC, o qual transcrevo:  Art. 543B.  Quando  houver  multiplicidade  de  recursos  com  fundamento  em  idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada  nos  termos  do  Regimento  Interno  do  Supremo  Tribunal  Federal,  observado o  disposto  neste  artigo.  (acrescentado  pela  Lei  11.418,  de  2006).  §  1º Caberá  ao  Tribunal  de  origem  selecionar  um  ou mais  recursos  representativos da controvérsia e encaminhá­los ao Supremo Tribunal  Federal,  sobrestando  os  demais  até  o  pronunciamento  definitivo  da  Corte. (grifei).  § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados  considerar­se­ão automaticamente não admitidos.  Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 23          22 §  3º  Julgado  o  mérito  do  recurso  extraordinário,  os  recursos  sobrestados  serão  apreciados  pelos  Tribunais,  Turmas  de  Uniformização  ou  Turmas  Recursais,  que  poderão  declará­los  prejudicados ou retratar­se.  §  4º  Mantida  a  decisão  e  admitido  o  recurso,  poderá  o  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  termos  do  Regimento  Interno,  cassar  ou  reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada.  § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre  as  atribuições  dos  Ministros,  das  Turmas  e  de  outros  órgãos,  na  análise da repercussão geral.   Observo  que  reconhecida  a  repercussão  geral,  à  luz  do  parágrafo  único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos  tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais  estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo  representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em  relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam  sobrestados.   O  sobrestamento  decorre  da  lei.  Não  se  pode  confundir  o  ato  de  selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF  tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos  demais processos.  São duas  situações distintas  tratadas no parágrafo  único do artigo 543B.  O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais  estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo  543B,  parágrafo  único  e,  no  caso  do  STJ,  do  art.  543C,  parágrafo  único, do CPC.   Conforme  observado  anteriormente,  cabe  aos  tribunais  de  origem  suspender o processamento dos  recursos especiais ou extraordinários  quando  versarem  sobre  matéria  com  repercussão  geral  reconhecida.  Porém,  não  adotada  tal  providência,  o  relator  poderá  determinar  formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo  543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já  expediu atos neste sentido.   Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos  543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e  no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a  estes  processos  ou  a  todos  quanto  chegarem  ao  STF  tratando  de  matéria em relação a qual  for reconhecida repercussão geral, aplica­ se o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito:  Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível  de  reproduzir­se  em  múltiplos  feitos,  o  Presidente  do  Tribunal  ou  o  Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará  o  fato  aos  tribunais  ou  turmas  de  juizado  especial,  a  fim  de  que  observem  o  disposto  no  art.  543B  do  Código  de  Processo  Civil,  podendo  pedir­lhes  informações,  que  deverão  ser  prestadas  em  5  (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica.   Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 24          23 Parágrafo  único.  Quando  se  verificar  subida  ou  distribuição  de  múltiplos  recursos  com  fundamento  em  idêntica  controvérsia,  o  Presidente  do  Tribunal  ou  o  Relator  selecionará  um  ou  mais  representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos  tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos  parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei).  Quando  do  reconhecimento  de  repercussão  geral  no  Recurso  Extraordinário  nº  601.314/MG,  não  identifiquei  pronunciamento  do  relator  ou  do  Presidente  da  Corte  determinando  a  devolução  de  processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do  citado Recurso Extraordinário. Quanto ao  sobrestamento,  na origem,  dos  processos  com  a  mesma  matéria,  esta  decorre  do  disposto  na  segunda parte do § 1o., do artigo 543B,CPC, que ao se  reportar aos  tribunais  de  origem  usa  as  expressões  “sobrestando  os  demais  processos até o pronunciamento definitivo da corte.”  (grifei).  Há que se perceber a diferença entre:a) sobrestar os demais processos  na  origem  (art.  543B,parágrafo  único,  do  CPC)  e;b)  determinar  a  devolução  dos  demais  aos  tribunais  de  origem,para  aplicação  dos  parágrafos  do  art.  543Bdo  Código  de  Processo  Civil  (art.  328,  parágrafo único, do Regimento Interno do STF).  O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não  foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno  do STF dá­se quando os processos já estiverem no STF e este entender  que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação  ao qual foi reconhecida repercussão geral.  Importante  observar  que  o  sobrestamento  é  para  os  processos  ainda  não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF  podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela  Corte.  Foi  o  que  aconteceu,  por  exemplo,  com  o  Recurso  Extraordinário  nº  389.808/PR,  que  inobstante  tratar  sobre  matéria  para  a  qual  já  havia  sido  reconhecido  repercussão  geral  (RE  601.314/MG), foi julgado pela (sic) em 15122010.  Ainda  sobre  o  tema,  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  relator  do  processo acercado sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida  repercussão  geral,  em19/10/2010,  quando  do  exame  do  Agravo  de  Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo:  “Trata­sede  agravo  de  instrumento  contra  decisão  que  negou  seguimento  a  recurso  extraordinário  interposto  de  acórdão,  cuja  ementa segue transcrita:  “TRIBUTÁRIO.  SIGILO  BANCÁRIO.  LEI  COMPLEMENTAR105/2001.  CONSTITUCIONALIDADE.  VEDAÇÃO  DA  LEI  9.311/96(ART.  11,  §  3º).  APROVEITAMENTO  DE  DADOS  PARACONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE.  1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes  fiscais  tributários de  documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse  processo  instaurado  e  quando  tais  documentos  fossem  considerados  Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 25          24 indispensáveis  pela  autoridade  competente.  A  jurisprudência  se  manifestou, afirmando que o processo seria o  judicial  e a autoridade  competente seria a judiciária.   2.  Em  2001,  essa  matéria  foi  alterada,  tendo  sido  editada  a  Lei  Complementar  105.  Não  há  inconstitucionalidade  nessa  legislação,  pois,  na  coexistência  de  dois  bens  ou  valores  protegidos  constitucionalmente, deve­se sobrepor o que visa atender ao interesse  público e não ao  interesse privado. Os direitos  fundamentais não são  absolutos  e  podem  sofrer  abalo  se  colocados  em  conflito  com  outro  valor que deva ter preferência.   3.  A  fiscalização  pela  autoridade  administrativa  é  instrumento  de  arrecadação  tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao  princípio  da  capacidade  contributiva  (tributando  quem  capacidade  detém)  e  ao  da  isonomia  (tributando  todos  aqueles  que  podem  ser  tributados),  corolários  dos  objetivos  da  República  de  construção  de  uma  sociedade  justa  e  solidária  e  de  redução  das  desigualdades  sociais.   4.  Diante  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis,  a  utilização  dos  dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo  a  tributos  diversos  é  vedada para  anos  anteriores  ao  de  2001. Fatos  ocorridos e  já consumados não se  regem por  lei nova, mas sim pelas  leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro.  5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o  legislador  impunha  à  Secretaria  da  Receita  Federal  “o  sigilo  das  informações  prestadas”  e  vedava  sua  utilização  para  a  constituição  de  crédito  relativo a outros tributos. Tratava­se de norma que impunha o sigilo e  vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da  CPMF,  resguardando  um  direito  do  contribuinte,  e  sendo,  portanto,  norma material  ou  substantiva  e  não  processual  ou  adjetiva  sobre  a  qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional.   6. Apelação provida em parte” (fls. 4950).   No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegou­se ofensa,  em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta.   No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário,  quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária  de  contribuintes  diretamente  ao  Fisco,  sem  autorização  judicial  (Lei  complementar  105/2001,  art.  6º).  Aplicação  retroativa  da  Lei  10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou  que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser  utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no  tocante a exercícios anteriores a  sua vigência cuja  repercussão geral  já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP,  de  minha  relatoria).  Isso  posto,  preenchidos  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dou  provimento  ao  agravo  de  instrumento  para  admitir  o  recurso  extraordinário  e,  com  fundamento  no  art.  328,  parágrafo  único,  do RISTF,  determino  a  devolução  destes  autos  ao  Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B  do  CPC,  visto  que  no  recurso  extraordinário  discute­se  questão  idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei).  Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 26          25 A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a  decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é  do  que  o  sobrestamento,  atribuição  que  nos  termos  do  artigo  328,  parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal,  é do relator ou do Presidente da Corte.   Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, §  1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe:  Art. 62A.  ( ...)  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da  mesma  matéria,  até  que  seja  proferida  decisão  nos  termos  do  art.  543B, do CPC.  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes.  O  artigo  328,  parágrafo  único,  do  Regimento  Interno  do  Supremo  Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou  distribuição  de  múltiplos  recursos  com  fundamento  em  idêntica  controvérsia,  tanto  o  relator  quanto  o Presidente  do  Tribunal  podem  determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem,  para  aplicação  dos  parágrafos  do  art.  543B  do  Código  de  Processo  Civil.   No  caso  do  AI  765714/SP,  o  relator  do  Recurso  Extraordinário  nº  601.314/MG,  processado  pelo  regime  da  repercussão  geral,  determinou  o  retorno  à  origem  para  que  os  autos  do  AI  765714/SP  ficasse  sobrestado,  observando­se  o  disposto  no  art.  543B  do  CPC,  visto  que  no  recurso  discute­se  questão  idêntica  à  apreciada  no  RE  601.314RG/SP.   No momento em que o Ministro­relator do Recurso Extraordinário nº  601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o  retorno  dos  autos  à  origem  para  observar­se  o  disposto  no  artigo  543B,  do  CPC,  a  conclusão  a  que  chego  é  que  tal  procedimento  corresponde  ao  sobrestamento  previsto  no  artigo  62A,  §  1º,  do  Regimento Interno do Carf.”  A  Portaria  CARF  no  1,  de  03  de  janeiro  de  2012,  determinou  os  procedimentos  a  serem  observados  no  caso  de  sobrestamento  de  processos de que trata o artigo 62AdoRegimento Interno do CARF.  Uma vez que esta Turma ainda não apreciou, até o momento, nenhum  caso  envolvendo  esta  questão,  e  que  outras  Turmas  de  Julgamento  deste  Conselho  possuem  entendimento  diverso  do  aqui  exposto,  foi  colocado em pauta o presente processo para a devida manifestação dos  conselheiros que a integram.  Tendo  em  vista  que  o  sobrestamento,  nesses  casos,  deve  ser  feito  de  ofício  pelo  próprio  relator,  nos  termos  do  artigo  62Ado  Regimento  Interno  do  CARF,  acima  transcrito,  a  proposta  que  ora  submeto  à  apreciação de meus pares é de que o julgamento do presente feito seja  Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 27          26 sobrestado até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo  STF  nos  termos  do  art.  543B,do  CPC  a  respeito  do  acesso,  pela  autoridade  fiscal,  aos  dados  bancários  dos  contribuintes,  sem  ordem  judicial.”  Nada obstante discorde do entendimento supra ­, por entender que (a) os casos  apreciados  pelo  C.  STF  acima  citados  não  se  referem  direta  e  especificamente  à  questão  versada neste processo (inconstitucionalidade da quebra sigilo bancário de contribuinte pessoa  jurídica em geral, e, notadamente, nos anos­calendários de 2002 e seguintes, em particular), o  que, por princípio e definição, impediria no meu sentir a mera reprodução no caso do quanto  decidido  pela  Suprema  Corte  nos  citados  paradigmas  (causa  única  da  conveniência  e  obrigatoriedade  da  suspensão  do  processo  administrativo)  e  (b)  não  apresentam  o  requisito  específico  previsto  na  Portaria  CARF  n.  1/2012  (decisão  proferida  pelo  Plenário  do  STF  determinando  a  suspensão  dos  feitos),  ­  curvo­me  à  orientação  do  Colegiado  e  proponho  a  conversão do julgamento em diligência para que seja sobrestado o andamento desta  lide “até  que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo STF nos termos do art. 543B, do CPC a  respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem  judicial”.  Diga­se,  ainda,  que  o  fato  de  a  Contribuinte  não  ter  tratado  especificamente  desta questão em sede de recurso voluntário não impede o reconhecimento da necessidade de  sobrestamento nesta instância, porquanto se trata de vício de origem insanável do lançamento  passível de conhecimento de ofício pelo julgador administrativo.  Por todo o exposto, oriento meu voto no sentido de converter o julgamento deste  processo em diligência para:  (i)    que  sejam  juntados  aos  autos  as  peças  processuais  relevantes  do  MS  n.  2008.61.00.000011­5,  notadamente  a  petição  inicial  e  as  informações  prestadas pela União Federal,  as petições de  apelação  e  contra­razões  ao  recurso  de  apelação  e  as  petições  de  recursos  excepcionais  e  respectivas  contra­razões;  (ii)  após a realização da diligência acima, a Unidade de Origem deverá sobrestar o  andamento  deste  processo  administrativo  até que  transite  em  julgado  (a)  a  decisão judicial final a ser proferida no MS n. 2008.61.00.000011­5, cujo  traslado deve ser feito a este processo; e, cumulativamente.  (iii)  Após a diligência do item (ii) supra, encaminhar estes autos ao CARF para  que,  se  o  caso,  o  processo  seja  sobrestado  até  o  trânsito  em  julgado  da  decisão  a  ser  proferida  pelo  STF  nos  termos  do  art.  543B,  do  CPC  a  respeito  do  acesso,  pela  autoridade  fiscal,  aos  dados  bancários  dos  contribuintes, sem ordem judicial.   O exame da admissibilidade do recurso voluntário deverá ser procedido quando  do julgamento do recurso de ofício acima referido.  É como voto.  (assinado digitalmente)  ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO   Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.004257/2007­43  Resolução nº  1102­000.106  S1­C1T2  Fl. 28          27   Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/10/2013 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO

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