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Numero do processo: 13971.907594/2009-92
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário:2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Numero da decisão: 9303-006.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial..
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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REQUISITOS. Recorrente HENNINGS VEDAÇÕES HIDRÁULICAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 75 94 /2 00 9- 92 Fl. 189DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 340300.987, de 02/06/2011, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINACIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AnoCalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Intimada da decisão, a contribuinte interpôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados pelo presidente da 3ª Turma. Irresignada, insurgiuse contra o entendimento de que a DCTF retificadora é o documento hábil para comprovar oriundo do pagamento a maior. Alega divergência com relação ao que decidido no Acórdão nº 180300.250. O exame de admissibilidade do recurso encontrase à fl. 179. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 181/185). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido consubstanciou o entendimento de que, a despeito da retificação da DCTF, a Recorrente não logrou comprovar, mediante a entrega de documentação hábil, o crédito que pretendia compensar, o paradigma concluiu que, para a mesma situação (aqui, tratase de retificação de DIPJ), mas havendo a comprovação das retenções do imposto (origem do crédito lá reclamado), as compensações vinculadas deveriam ser homologadas. Vejam os seguintes parágrafos de cada qual: Acórdão recorrido: A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A alteração dos débitos lançados em DCTF necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte argumente a ocorrência de equívoco no preenchimento da DCTF, sem apresentar provas documentais a comprovar as suas alegações. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13971.907594/200992 Acórdão n.º 9303006.261 CSRFT3 Fl. 189 3 A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do despacho decisório. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por informações constantes na DCTF. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do erro alegado. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória, não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Acórdão paradigma: A nosso juízo, portanto, o acórdão paradigma não traduz efetivamente uma interpretação divergente daquela adotada no recorrido, a ponto de permitir o conhecimento do recurso especial. Os acórdãos confrontados tratam de situações diversas: num caso, houve a comprovação do crédito mediante a análise de documentos colacionados aos autos pelo contribuinte; no outro, não. Ante o exposto, não conheço do recurso especial apresentado pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 191DF CARF MF 4 Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721881/2011-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO DE CONTRADIÇÃO COMPROVADO. CORREÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE.
Uma vez demonstrado a existência do alegados vício de contradição, acolhe-se parcialmente os embargos de declaração interpostos, para rerratificar o acórdão embargado sem efeitos infringentes.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-005.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para reconhecer o vício de contradição alegado e, sem efeitos infringentes, e rerratificar o acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO DE CONTRADIÇÃO COMPROVADO. CORREÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrado a existência do alegados vício de contradição, acolhe-se parcialmente os embargos de declaração interpostos, para rerratificar o acórdão embargado sem efeitos infringentes. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para reconhecer o vício de contradição alegado e, sem efeitos infringentes, e rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO DE CONTRADIÇÃO COMPROVADO. CORREÇÃO DO JULGADO EMBARGADO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrado a existência do alegados vício de contradição, acolhe se parcialmente os embargos de declaração interpostos, para rerratificar o acórdão embargado sem efeitos infringentes. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios, para reconhecer o vício de contradição alegado e, sem efeitos infringentes, e rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 81 /2 01 1- 73 Fl. 1625DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração, tempestivamente opostos pela Fazenda Nacional, com o objetivo de suprir vício de contradição existente no acórdão nº 3202003.607, de 20 de fevereiro de 2017. No referido recurso, a embargante alegou a existência de vício de contradição entre os fundamentos e dispositivo da decisão, uma vez que, no dispositivo do julgado, por unanimidade de votos foi restabelecido os créditos sobre “serviços de sangria”, enquanto que, no voto do vencedor do redator designado, a glosa dos créditos relativos aos referidos havia sido mantida. Para a embargante a contradição revelase evidente, porque: [...] enquanto o voto vencedor do julgado afasta a glosa dos créditos decorrentes dos “Serviço de Expedição e Armazéns”, “Serviço de Transporte de Aves” e “Serviço de Carga e Descarga”; a ementa do julgado dá provimento parcial ao julgado neste mesmo quesito, porém em maior extensão, afastando também a glosa referente aos “serviços de sangria”. Em seguida, a recorrente concluiu, in verbis: Desse modo, ou o “serviço de sangria” foi incluído no resultado do julgamento de forma equivocada ou o resultado do julgamento não foi unanime nesta parte, tendo o Cons. Redator restado vencido quanto a referida glosa. Por meio do despacho de admissibilidade de fls. 1620/1624, os embargos foram admitidos, sob o argumento de que fora comprovada a contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No mesmo despacho, este Conselheiro foi designado para proceder o saneamento do vício apontado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez cumprido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de contradição. O vício de contradição restou devidamente demonstrado nos presentes embargos. O simples cotejo entre os pertinentes excertos do voto vencedor e o dispositivo do acórdão confirma o asseverado, senão veja: Voto Vencedor: [...] Por essas razões, deve ser restabelecido o crédito, apenas para custo de prestação dos seguinte serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga. Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 11516.721881/201173 Acórdão n.º 3302005.160 S3C3T2 Fl. 1.626 3 Dispositivo do Acórdão: [...] Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário quanto aos créditos de serviços, para reconhecer os créditos sobre “Serviço de Expedição e Armazéns”, “Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga (transbordo) e “serviços de sangria”. (grifos não originais) Diante dessa constatação, a embargante indaga: “ou o ‘serviço de sangria’ foi incluído no resultado do julgamento de forma equivocada ou o resultado do julgamento não foi unanime [sic] nesta parte, tendo o Cons. Redator restado vencido quanto a referida glosa.” Não foi uma coisa nem outra. De fato, o que ocorreu foi mera omissão, por parte de Conselheiro, que, durante os debates em Sessão, convenceuse que o “serviço de sangria” era insumo produção, porque aplicado no processo produtivo da recorrente, e concordou em acrescentar o citado serviço à relação dos seguintes serviços: “Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga.” Porém, por lapso, o mencionado serviço não foi adicionado a citada relação de serviços do voto vencedor. Dessa forma, uma vez reconhecido o equívoco, propõese a seguinte correção para a conclusão do item “2 Da glosa dos Serviços Utilizados Como Insumos (Ficha 06A, Linha 03)” do voto vencedor: Onde se lê: Por essas razões, deve ser restabelecido o crédito, apenas para custo de prestação dos seguinte serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves e Serviço de Carga e Descarga. Leiase: Por essas razões, deve ser restabelecido o crédito, apenas para custo de prestação dos seguinte serviços: Serviço de Expedição e Armazenagem Gerais, Serviço de Transporte de Aves, Serviço de Carga e Descarga e Serviço de Sangria. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento dos presentes embargos declaratórios, para reconhecer o vício de contradição alegado e, sem efeitos infringentes, rerratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1627DF CARF MF 4 Fl. 1628DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900317/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/10/2004
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/10/2004 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/10/2004 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 17 /2 01 2- 73 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10865.900317/201273 Acórdão n.º 3301004.202 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.737. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900317/201273 Acórdão n.º 3301004.202 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10865.900317/201273 Acórdão n.º 3301004.202 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.732676/2015-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado e Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, em razão de irregularidades apuradas, foram lavrados 4 (quatro) Autos de Infração, em 22/12/2015, com ciência dada em 28/12/2015. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 32 67 6/ 20 15 -5 9 Fl. 2114DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 3 2 2. Por meio do Auto, foi constituído o crédito tributário do IRPJ R$70.080.088,88, em discussão no presente processo. 2.1. Foram também lavrados os seguintes Autos de Infração: (i) CSLL R$15.397.991,56 processo nº 10480 732.677/201501. Lavrado com a exigibilidade suspensa, em decorrência de ação judicial em andamento. (ii) PIS R$905.604,60 e COFINS R$4.171.269,79 – processo nº 10480732.678/201548. Matéria diversa do apurada no IRPJ e na CSLL. 2.2. Totalizaram, portanto, tais lançamentos, a importância de R$90.554.954,83, aí incluídos os valores dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora (estes calculados até 12/2015). Os enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontramse nos respectivos autos de infração. 2.3. Como já mencionado acima, no presente processo será discutida a autuação do IRPJ. 3. A fiscalização apresenta por meio do “Relatório de Auditoria Fiscal” (RAF), resumidamente, o seguinte. 4. Em decorrência da auditoria realizada, relativa aos anos calendário de 2010, 2011 e 2012 foram apuradas as seguintes irregularidades. Despesas de Juros Sobre o Capital Próprio Acima do Limite de Dedutibilidade 5. Conforme está registrado na contabilidade da empresa, nos anos calendário de 2010 e 2011, ela distribuiu Juros Sobre o Capital Próprio "JCP" a seus sócios, cujos valores foram deduzidos das bases de tributação do IRPJ desses exercícios, da seguinte forma: 5.1. Lançamento contábil em 31/12/2010 na conta DESPESAS COM JUROS (CURTO PRAZO) (código 2001OINT0001.9240.126) no valor de R$20.000.000,00, com histórico de "JCP CALCULADO 2010", em contrapartida de contas do Passivo. 5.2. Lançamentos contábeis em 31/10/2011, 30/11/2011 e 29/12/2011 na conta DESPESAS COM JUROS (CURTO PRAZO) (código 2001OINT0001.9240.126) nos valores de R$10.000.000,00, R$10.000.000,00 e R$20.000.000,00, em contrapartidas de contas do Passivo. 5.3. Considerando os valores distribuídos pela fiscalizada a título de JCP nos anos acima mencionados, foram apurados os seguintes excessos para efeito de dedutibilidade do IRPJ, conforme o previsto no artigo 9º, Lei nº 9.249/95: (i) no anocalendário de 2010 R$3.197.522,57 e (ii) no anocalendário de 2011 R$23.509.805,89. Os cálculos estão devidamente demonstrados no RAF. Tais quantias foram oferecidas à tributação de ofício. Deduções do IRPJ a Título de Redução SUDENE em valores acima do permitido Glosa de Deduções Indevidas Fl. 2115DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 4 3 6. A empresa para parte dos produtos fabricados (Bebidas) tem incentivo aplicado para atividade desenvolvida na área da SUDENE. Para estes produtos a empresa apurou o lucro de exploração, base para redução de 75% do IRPJ, apurando parte das despesas dedutíveis do lucro bruto pelo critério de rateio. 6.1. Porém, conforme previsto no artigo 549, parágrafo 1º do RIR/99, nas situações em que a empresa possua mais de uma atividade com tratamentos fiscais diferenciados e não possua contabilidade que permita chegar de per si aos "lucros da exploração" de suas atividades, está calculará os lucros da exploração das mesmas pelo critério de rateio, em função de suas respectivas RECEITAS LÍQUIDAS. 6.2. Pelo critério previsto, de apuração do lucro de exploração pela proporcionalidade da receita, foi apurado que a fiscalizada se utilizou do incentivo fiscal de redução do imposto de renda devido em valores maiores do que lhe era permitido deduzir; pelo que, procederemos às glosas das deduções utilizadas de forma indevida, que serão cobradas em Auto de Infração específico, lavrado nesta data, cujos valores estão abaixo informados: 6.3. Os cálculos realizados estão demonstrados detalhadamente no RAF. Pagamento a Menor das Estimativas Mensais do IRPJ Multas Isoladas pela Falta de Pagamento de Estimativas Mensais Devidas 7. Tendo em vista que nos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012 a empresa optou pela forma de tributação do IRPJ e da CSLL com base no lucro real anual, com pagamento das estimativas mensais, ela recolheu quantias a menor do que seriam devidas, pois não foram considerados os valores acima apurados das infrações cometidas. 7.1. Em decorrência disso, e com base no previsto no artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/97, serão cobradas as multas isoladas pela falta dos pagamentos das estimativas mensais do IRPJ, conforme apuradas nos Demonstrativos de Apuração do anocalendário de 2010, 2011 e 2012, que montam os seguintes valores: Multa Isolada pela Falta de Pagamento da Estimativa Mensal (*) (art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei 9.410/1996) Fl. 2116DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 5 4 (*) Vide "Apuração das Estimativas Mensais e da Multa Isolada" nos Demonstrativos de Apuração do IRPJ dos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, nos Anexos DOCUMENTO 11. TRIBUTAÇÃO DA CSLL Falta de Declaração e Pagamento da CSLL Tributada de Ofício 8. No preenchimento de suas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, o contribuinte não apurou a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). 8.1. Também, nas nossas pesquisas nos sistemas da RFB, não encontramos informados valores a pagar de CSLL, nas DCTF entregues pela fiscalizada nesses períodos, nem quaisquer pagamentos em DARF dessa Contribuição. 8.2. Foi constatado que a empresa é autora de Ação Judicial pleiteando a não submissão ao pagamento da CSLL, onde possui sentença judicial a eximido da exigência desta Contribuição, enquanto esta tiver como base legal a lei 7.689/1998. Esta Ação não possui trânsito em julgado, e sua tramitação, atualmente, se encontra na dependência de decisão do TRF / 3a Região. 8.3. Acontece que, da mesma forma que não informou os valores da CSLL dos anoscalendário objeto desta fiscalização (2010, 2011 e 2012) nas suas DIPJ, a empresa deixou de informar os valores dessa Contribuição nas suas DCTF entregues, vinculando esses débitos como suspensos, devido à referida Ação Judicial; como assim deveria ter feito, deixando formalizado o crédito e suspensa a sua exigibilidade. 8.4. Assim sendo, com vistas a prevenir a caducidade da RFB poder formalizar os referidos créditos tributários, mediante o disposto nos arts. 149, 151 e seu parágrafo do CTN, computamos os valores da CSLL devidos pela fiscalizada e estamos lançando, em auto de infração específico, lavrado nesta data, com a sua exigibilidade suspensa. 8.5. Com base nas memórias de cálculo apresentadas pela fiscalizada e em verificação com os seus assentamentos contábeis, apuramos as bases de cálculo e os valores das CSLL devidas nos ajustes anuais dos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, cujos resultados são os seguintes: Fl. 2117DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 6 5 8.6. Os valores devidos da CSLL acima demonstrados serão lançados, de ofício, na condição de exigibilidade suspensa, em função da ação judicial, em tramitação. Despesas de Juros Sobre o Capital Próprio Acima do Limite de Dedutibilidade, não Adicionadas na Apuração da CSLL devida Adição de Despesas Não Dedutíveis 9. Conforme foi detalhadamente narrado, a empresa distribuiu JCP nos anoscalendário de 2010 e 2011, em valores que excederam a sua dedutibilidade como despesa operacional. 9.1. Acontece que, da mesma forma como apurados com relação ao IRPJ, os JCP distribuídos em excesso de dedutibilidade também são indedutíveis na apuração da CSLL; por previsão já evidenciada em vários dispositivos legais, a exemplo do art. 6° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988; do art. 57 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e do art. 28 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 9.2. Visto que a empresa deixou de adicionar, serão eles adicionados de ofício, por esta fiscalização, em auto de infração específico, ora sendo constituído, a saber: 9.3. Ademais, em função da ação judicial em tramitação, os valores devidos da CSLL aqui sendo lançados, serão posicionados na condição de exigibilidade suspensa e controlados pelo processo nº 10480 732.677/201501. IMPUGNAÇÃO 10. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação protocolada em 26/01/2016 contestando a lavratura do Auto de Infração do IRPJ, nos seguintes termos, resumidamente. Distribuição de Juros Sobre o Capital Próprio “JCP” 11. Em relação a este item do Auto de Infração, a fiscalização, após solicitar diversas informações e documentos no curso do processo fiscalizatório, concluiu que a Impugnante, nos anoscalendário de 2010 e 2011, distribuiu JCP a seus sócios, deduzindo esses juros das bases de tributação do IRPJ relativo a tais anos, em valor supostamente superior ao limite estabelecido pelo artigo 9º da Lei n° 9.249/1995. 11.1. Para a lavratura do Auto de Infração, a fiscalização considerou apenas os valores das contas de Patrimônio Líquido da Impugnante e os valores da TJLP relativos aos anos de 2010 e 2011, mas ignorando o fato de que os montantes efetivamente distribuídos pela Impugnante naqueles anos referiamse também a valores de JCP relativos a períodos anteriores (2006 a 2009) e ainda não creditados ou pagos Fl. 2118DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 7 6 pela Impugnante aos seus sócios. São demonstrados os cálculos para a apuração dos limites dos Patrimônios Líquidos destes anos. 11.2. A Impugnante demonstra na impugnação que os valores de JCP distribuídos em 2010 e 2011 foram corretamente deduzidos para fins de apuração do IRPJ, não havendo que se falar em qualquer adição ao lucro líquido de tais períodos de apuração, sendo de rigor, portanto, o cancelamento do lançamento. 11.3. A legislação que trata sobre a apuração de JCP não prevê qualquer tipo de restrição aos contribuintes para o pagamento de JCP apurados em períodos anteriores (e não distribuídos em tais períodos), conforme disposto no já transcrito artigo 9º da Lei n° 9.249/95. 11.4. De acordo com referida norma, existem apenas dois tipos de limitação aplicáveis à apuração e distribuição de JCP, para que estes sejam considerados dedutíveis, quais sejam: (i) no seu cálculo, o valor de JCP do período limitase à aplicação da respectiva TJLP, pro rata die, sobre as contas de patrimônio líquido do mesmo período; e (ii) no efetivo pagamento ou crédito dos JCP, o limite deve corresponder a 50% dos lucros do próprio exercício ou a 50% dos lucros acumulados e reservas de lucros existentes no exercício. 11.5. É, portanto, inquestionável a possibilidade de distribuição dos valores apurados a título de JCP relativos a períodos anteriores. A matéria em questão, inclusive, já vem sendo devidamente discutida por diversos tribunais administrativos e judiciais, tendo a esmagadora jurisprudência sobre o tema se orientado no sentido de reconhecer a inexistência de qualquer limitação temporal para a distribuição de JCP. Apuração do Lucro da Exploração em 2010, 2011 e 2012 12. A fiscalização concluiu, de forma, equivocada, que a contabilidade da Impugnante não permitia calcular com a devida clareza o lucro da exploração auferido pela unidade industrial situada no município de Cabo de Santo Agostinho, em área incentivada pela SUDENE. 12.1. Os cálculos feitos pela Impugnante decorrem de sua escrituração contábil, a qual permite apurar, com precisão, o lucro efetivamente auferido por seu estabelecimento incentivado. 12.2. Atendendo ao previsto no artigo 549 do RIR/99, a Impugnante procede da seguinte forma para calcular o lucro da exploração de sua atividade incentivada na área da SUDENE: 1) Apura, separadamente em sua contabilidade, a receita bruta da comercialização dos bens incentivados produzidos pela unidade industrial incentivada; 2) Da receita bruta da atividade incentivada, extrai os valores relativos às devoluções de vendas e descontos incondicionais, impostos sobre as vendas, apurando, assim, a receita líquida específica e separada para a atividade incentivada; 3) Subtrai da receita líquida incentivada, de maneira detalhada e pormenorizada em seus registros contábeis, todos os custos Fl. 2119DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 8 7 decorrentes da fabricação das mercadorias objeto dos incentivos fiscais em sua unidade de Suape, apurando, desta forma, o lucro bruto decorrente das atividades incentivadas; 4) Do valor do lucro bruto apurado, com relação à sua atividade incentivada, são deduzidas as despesas incorridas para o desenvolvimento de tal atividade. A alocação destas despesas é feita de forma direta, no que concerne às despesas que se referem apenas aos produtos incentivados, como, por exemplo, despesas de frete, armazenagem (depósito). E, quanto às despesas que inevitavelmente são comuns tanto à atividade incentivada, como às demais atividades da empresa, sua alocação é feita de forma indireta, sendo definida por meio de critérios razoáveis de proporcionalização, que a Impugnante demonstrará com detalhamento no decorrer da presente defesa. Todos os valores das despesas deduzidas pela Impugnante, para o cálculo do lucro da exploração, são extraídos dos seus registros contábeis altamente sofisticados e detalhados. 12.3. De fato, a própria fiscalização parece reconhecer que a Impugnante possui contabilidade analítica suficiente para apurar os lucros brutos dos produtos comercializados. No entanto, ao analisar os lançamentos das despesas operacionais, as autoridades fiscais afirmam, sem a necessária fundamentação, que tais despesas não estão identificadas por atividade na contabilidade da empresa e, por isso, esta não teria condições de calcular seu lucro da exploração. 12.4. A fiscalização, ao fazer tal afirmação, simplesmente ignora o fato de que, a Impugnante também extrai de sua contabilidade os elementos para o lançamento das despesas operacionais atribuíveis às atividades incentivadas e às demais atividades. 12.5. Além disso, como em qualquer empresa que possua mais de uma atividade, existem despesas comuns, as quais estão devidamente contabilizadas, que se referem a todas as atividades da empresa. O fato de as despesas comuns serem consideradas no cálculo do lucro da exploração por meio de um critério absolutamente razoável de rateio, não desfigura e tampouco deslegitima a detalhada e precisa contabilidade que suporta a apuração feita pela Impugnante. 12.6. A Impugnante passa a detalhar os critérios adotados para ratear as despesas operacionais consideradas para os produtos incentivados (..............). 12.7. Informa que várias contas de despesas que a fiscalização alegou que não foram consideras para apuração do lucro de exploração se referem na realidade a contas de custo dos produtos. É apresentado quadro, detalhando as referidas contas. 12.8. Quanto à menção da fiscalização com referência a distorção entre a lucratividade do estabelecimento incentivado e os demais estabelecimentos, a Impugnante declara que, não há nenhum absurdo que a concentração do lucro da Impugnante no Brasil esteja na região da SUDENE, pois é lá onde efetivamente é produzida a maior parte dos produtos com maior lucratividade. As demais atividades não incentivadas, particularmente com relação aos produtos importados Fl. 2120DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 9 8 que a margem de lucro se concentre mais na empresa do Grupo produtora e fornecedora dos produtos. 12.9. Finalmente, a Impugnante não considerou para apuração do lucro de exploração o JCP em decorrência falta de base legal. O Parecer Normativo CST n° 102/78 diz que o lucro líquido, básico para o cálculo do lucro da exploração, seria o lucro contábil tal como definido na Lei n° 6.404/76, antes da dedução da provisão do imposto de renda. Embora legalmente os JCP sejam dedutíveis para fins de apuração do IRPJ, certamente não se tratam de despesa operacional. Multa Isolada 13. Independentemente dos argumentos acima, bem como da conclusão de que inexistem quaisquer valores devidos pela Impugnante a título de IRPJ, devera ser cancelado o lançamento da multa isolada cobrada no valor de 50% sobre o suposto IRPJ não recolhido por estimativa. Isso porque, ao exigir o pagamento de multa de ofício e de multa isolada, a acusação fiscal acaba por penalizar em duplicidade o contribuinte em razão da mesma suposta infração. 14. Na hipótese de ser mantida a exigência da multa isolada, requerse o cancelamento dos valores lançados relacionados ao período anterior a de dezembro de 2010, dado que fulminados pela decadência. Pedido de Diligência 15. Alternativamente, caso não se entenda de pronto pela improcedência do lançamento ora guerreado, requer que seja o julgamento desta Impugnação convertido em diligência, a fim de que seja realizada a apuração dos valores ora discutidos com base nos elementos extraídos dos registros contábeis da Impugnante." 2. Em sessão de 30 de janeiro de 2017, a 3ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação (fls. 1864/1930), mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão nº 1215.113 (fls. 2012/2035), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. REGIME DE COMPETÊNCIA. NÃO EXERCÍCIO. RENÚNCIA AO DIREITO À DEDUTIBILIDADE EM ANOS POSTERIORES. O pagamento ou crédito de Juros sobre Capital Próprio JCP é faculdade concedida pela lei para ser exercida no anocalendário de apuração do lucro real. O não exercício da mencionada faculdade configura renúncia ao benefício concedido na lei, ensejando a preclusão temporal que impede seu aproveitamento em períodos de apuração de lucro real posteriores. APURAÇÃO DO LUCRO DE EXPLORAÇÃO. ÁREA DA SUDENE. PROPORCIONALIDADE EM RELAÇÃO ÀS RECEITAS TOTAIS. Fl. 2121DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 10 9 Na hipótese de o sistema de contabilidade adotado pela pessoa jurídica não oferecer condições para apuração do lucro por atividade, este devera ser estabelecido com base na relação entre as receitas líquidas das atividades incentivadas e a receita líquida total da empresa. MULTAS ISOLADAS. ESTIMATIVAS. A lei estabelece que, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa exigida isoladamente, no percentual de 50%, sobre os valores devidos e não recolhidos, a título das estimativas mensais, estando o contribuinte sujeito à apuração do lucro real anual, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente. Multa mantida. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O prazo decadencial para o lançamento de multa isolada não está regrado pelo artigo 150, § 4º, do CTN, mas pelo do art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Indeferese pedido de diligência que seja prescindível para a composição da lide. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 3. A DRJ/REC não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Glosa de Juros Sobre o Capital Próprio “JCP” 3.1. Entende que, por força do comando legal do artigo 9º, da Lei 9.249/95, a contribuinte teve direito em cada anocalendário do período de 2006 a 2011, ao exercício da faculdade de deduzir despesas com JCP na apuração do lucro real do ano. Pelos demonstrativos por ela apresentados, porém, verificase que optou por não exercer a referida faculdade, tendo procedido à dedução dos JCP somente nos anoscalendário de 2010 e 2011, o que veio dar causa à glosa objeto do presente lançamento. 3.2. Em que pese o conteúdo facultativo da norma em questão, sustenta que deve ser considerado, também, que, na ordem tributária vigente, a apuração de tributos é regida pelo princípio da autonomia dos exercícios financeiros e de sua independência. 3.3. No caso do IRPJ e da CSLL, a periodicidade de apuração do lucro real é trimestral, sendo possível apenas convertêla em anual mediante antecipação mensal de recolhimento dos tributos sob a forma de pagamento de estimativas, conforme disciplinamento dado em leis e em atos normativos infralegais específicos. Cada período de apuração, trimestral ou anual, é único e independente de outro qualquer, possuindo fato gerador e bases de cálculo próprias. 3.4. As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de determinado trimestre ou ano não podem se compor, por definição, com as receitas e despesas de trimestres ou anos anteriores, salvo mediante expressa autorização legal. O lucro tributável, o lucro real, é aquele Fl. 2122DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 11 10 apurado no trimestre ou no ano, resultante do lucro líquido apurado sob o regime de competência, com as adições e exclusões autorizadas em lei. 3.5. E o regime de competência, sendo critério básico para registro das operações da pessoa jurídica, tanto na contabilidade societária como na fiscal, por força do estipulado no artigo 177 da Lei nº 6.404/76, Lei das Sociedades Anônimas, e pelo qual devem ser registradas, na apuração do Resultado do ano, as receitas e despesas incorridas no ano , é a tradução, no plano contábil, do princípio da autonomia dos exercícios financeiros e sua independência. 3.6. Portanto, se foi decidido creditar aos sócios JCP incidentes sobre PL´s de anos anteriores, tal decisão não pode ter validade para fins fiscais, visto que se referem a despesas que poderiam ser incorridas em anos anteriores, não no ano em que veio se dar a dedução, 2010 e 2011. A observância do regime de competência implica o reconhecimento, como despesas dedutíveis, apenas em relação aos juros incorridos no ano de sua contabilização. Apuração do Lucro da Exploração em 2010, 2011 e 2012 3.7. A fiscalização apurou que a contabilidade da contribuinte não permitia calcular com a devida clareza o lucro da exploração auferido pela empresa na unidade industrial situada na área da SUDENE. Em decorrência disso, a fiscalização calculou o lucro de exploração com base na relação entre as receitas líquidas das atividades incentivadas e a receita líquida total. Com tal medida foi apurado excesso de lucro de exploração considerado pela empresa, que foi motivo de lançamento de ofício dos tributos recolhidos a menor em decorrência deste excesso. 3.8. A contribuinte por sua vez, alega que os rateios das despesas operacionais foram realizados com critérios lógicos e que as despesas estavam devidamente registradas em sua contabilidade, não tendo a fiscalização analisado tais critérios. 3.9. A empresa apresentou as planilhas sintéticas, onde mostra a apuração dos lucros da exploração dos períodos em análise e o ajuste anual da sua "atividade incentivada", por critérios de rateios a partir dos lucros brutos dos produtos produzidos pela sua unidade de SuapePE (considerada a atividade incentivada com 75% de redução do imposto de renda), e os valores das reduções pleiteadas nesses períodos. 3.10. Para chegar aos seus valores informados nas suas DIPJ dos lucros da exploração dos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, se utilizou da prerrogativa de que trata o art. 549 e parágrafo 1° do RIR/99. Entendendo possuir contabilidade integrada que permitia identificar os lucros da exploração de suas diversas atividades (incentivadas ou não), deixou de preencher as informações das Fichas 08 das DIPJ desses exercícios, que calcula os valores dos lucros da exploração das diversas atividades por critérios de proporcionalidade às respectivas receitas líquidas. 3.11. Nas situações em que a empresa seja beneficiária de incentivos fiscais que se baseie em "lucro da exploração da atividade", esta deverá: i) apurar o valor do lucro da exploração decorrente de cada atividade incentivada mediante registros contábeis específicos; ou, ii) nos casos em que o sistema de contabilidade não permita apurar o lucro da exploração resultante de cada atividade incentivada (mediante registros contábeis específicos), calcular o Fl. 2123DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 12 11 lucro da exploração das diversas atividades por critérios de proporcionalidade em relação à receita líquida total. 3.12. Para as situações em que não haja possibilidade de se apurar diretamente pela contabilidade os lucros da exploração, a RFB, veio disponibilizar na DIPJ, a "ficha 08 Demonstração do Lucro da Exploração PJ em Geral", para permitir o seu cálculo através do critério de rateio, institucionalizando como tal a receita líquida das diversas atividades com tratamentos fiscais diferenciados. 3.13. Como apurado pela fiscalização, a empresa não possui registros específicos que permitam identificar os lucros da exploração de suas diversas atividades, inclusive e principalmente, da atividade com incentivo de redução de 75% do IRPJ devido (atividade localizada na área da SUDENE). 3.14. A contribuinte possui contabilidade analítica que possibilita apurar os "lucros brutos" dos seus produtos produzidos na fábrica na área da SUDENE e comercializados. Porém, os lançamentos das despesas operacionais, que são muito representativas em termos de valor quando comparadas aos seus custos, não identificam as unidades a que pertencem, pois as despesas são incorridas de forma centralizada. 3.15. É evidente que a apuração do lucro de exploração, sem o critério da proporção das receitas, somente será possível quando as despesas operacionais estiverem devidamente identificadas em relação a cada unidade industrial na sua contabilidade, não havendo a necessidade de recorrer a rateios. 3.16. Independentemente do justificado pela contribuinte, considerou relevantes as seguintes ponderações prestadas pelo agente fiscalizador, são elas: (i) enquanto as despesas operacionais da empresa são da ordem de 44% das receitas líquidas, as "despesas operacionais incentivadas", como consideradas nos cálculos apresentados, comparadas com as "receitas líquidas das atividades incentivadas" representam menos da metade dessa grandeza (média de 20%); (ii) a exploração das atividades não incentivadas, que equivalia a 64% do seu faturamento, gera enormes prejuízos, enquanto que a exploração de suas atividades incentivadas (36% do faturamento) gerava lucros em montante suficiente capaz de absorver os prejuízos das demais atividades. 3.18. Concluiu que, sendo a contribuinte detentora que era, nos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, do benefício fiscal de redução em 75% do imposto de renda devido sobre a sua atividade de industrialização de bebidas pela sua unidade de SuapePE, não procedeu ao cálculo correto dos valores de seu benefício, devendo ser mantido o lançamento realizado pela fiscalização. Multa Isolada 3.19. Com fundamento no disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 (redação trazida pela Lei nº 11.488/2007), entende que após o término do períodobase, o tributo exigível é somente aquele apurado em decorrência do saldo do ajuste no final do período de apuração. Sendo constatada a falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa, somente é possível efetuar o lançamento da multa de ofício isolada sobre o valor devido e não recolhido. Fl. 2124DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 13 12 3.20. Nesses casos, sustenta que a legislação previa e prevê a multa isolada, mesmo se apurado de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, não cabendo a esfera administrativa negar a aplicação de norma prevista em lei em vigor. 3.21. Portanto, não está sendo cobrada a estimativa não recolhida (ou recolhida a menor), mas sim a multa sobre o valor que deixou de ser recolhido. Há previsão legal para o lançamento de multa isolada se for verificado recolhimento de estimativa em valor inferior ao devido. 3.22. Considera que o imposto só é cobrado uma vez e as sanções não são cumulativas. Há duas obrigações junto ao Fisco. Uma de antecipar o valor correto durante o anocalendário e outra de tributar o resultado fiscal porventura apurado no final do período de apuração. São, portanto, dois deveres independentes que podem ser descumpridos, em momentos distintos e por motivações diferentes. Assim, o não recolhimento do IRPJ ou da CSLL calculados por estimativa dá ensejo à aplicação de multa isolada. Decadência 3.23. O art. 150 do Código Tributário Nacional trata do lançamento por homologação. Dessa forma, efetuado o pagamento do tributo sujeito a esse tipo de lançamento até a data de seu vencimento, mesmo que em valor inferior ao efetivamente devido, começa a correr o prazo do § 4º do mesmo artigo. Contudo, no caso, entende tratase de multa isolada e não de tributo. E esta só pode ser cobrada mediante lançamento de ofício. 3.24. O fato motivador da multa é a falta de pagamento do tributo apurado por estimativa. Encerrado o anocalendário, considera não ser mais possível a cobrança do tributo devido por estimativa. Assim, não há que se falar em período de cinco anos para a decadência do direito de lançamento (artigo 150, §4º, do CTN). Portanto, aplicável o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 3.25. Uma vez que o vencimento da estimativa de janeiro de 2010 deuse em fevereiro do mesmo ano, o prazo decadencial começa a fluir a partir do dia 1º de janeiro de 2011, com termo final em 31 de dezembro de 2015. Como a ciência dos lançamentos das multas isoladas foi dada em 28/12/2015, não havia ainda decorrido o prazo decadencial. 3.26. Por fim, considera que no caso em exame, não há a necessidade da realização de diligência, estando nos autos todas as informações e documentos necessários para a conclusão do julgamento. 4. Cientificada da decisão (Abertura de Documento 06/03/2017, fls. 2045), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 2048/2106) em 04/04/2017, reiterando as razões já expostas em sede de impugnação (fls. 1864/1930), em especial para: retorno dos autos à origem para realização de novo julgamento da impugnação apresentada, de forma que seja realizada a devida análise de todos os argumentos e documentos apresentados pela Recorrente, os quais, como exposto, foram simplesmente ignorados pela decisão recorrida; alternativamente, caso não se entenda de pronto pela improcedência do lançamento ora guerreado, requer a Recorrente seja o presente feito convertido em diligência, a fim de que se realize a apuração dos valores ora discutidos com base nos elementos extraídos dos registros contábeis da Recorrente. É o relatório. Fl. 2125DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 14 13 Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 5. Em virtude da necessidade de baixar os autos em diligência, deixo de apreciar as demais razões suscitadas em sede de Recurso Voluntário (fls. 2048/2106) e atenho me aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela douta autoridade preparadora. 6. A fiscalização apurou que a contabilidade da contribuinte não permitia calcular com a devida clareza o lucro da exploração auferido pela empresa na unidade industrial situada na área da SUDENE. Em decorrência disso, calculou o lucro de exploração com base na relação entre as receitas líquidas das atividades incentivadas e a receita líquida total (artigo art. 549 e parágrafo 3° do RIR/99 e não com base no parágrafo 1º). Em razão desta medida foi apurado excesso de lucro de exploração considerado pela empresa, o que foi motivou o lançamento de ofício dos tributos recolhidos a menor em decorrência deste excedente. 7. O artigo 549, parágrafo 1° e 3º, do RIR/99, determinam: Demonstração do Lucro do Empreendimento Art. 549. Quando se verificar pluralidade de estabelecimentos, será reconhecido o direito à isenção de que trata esta Subseção em relação aos rendimentos dos estabelecimentos instalados na área de atuação da SUDENE (Lei n° 4.239, de 1963, art. 16, § 1°). § 1° Para os efeitos do disposto neste artigo, as pessoas jurídicas interessadas deverão demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos de que se compõem as operações e os resultados do período de apuração de cada um dos estabelecimentos que operem na área de atuação da SUDENE (Lei n° 4.239, de 1963, art. 16, § 2°). § 2° Se a pessoa jurídica mantiver atividades não consideradas como industriais ou agrícolas, deverá efetuar, em relação às atividades beneficiadas, registros contábeis específicos, para efeito de destacar e demonstrar os elementos de que se compõem os respectivos custos, receitas e resultados. § 3° Na hipótese de o sistema de contabilidade adotado pela pessoa jurídica não oferecer condições para apuração do lucro por atividade, este poderá ser estabelecido com base na relação entre as receitas líquidas das atividades incentivadas e a receita líquida total, observado o disposto no art. 544. (g.m.). (grifos nossos) 8. Este assunto também está bem detalhado no Parecer Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação PN CST n° 49 de 06/09/1979. Abaixo reproduzo o item 2 do referido PN, que suportado no DecretoLei 1.598/1977, conceitua o "Lucro da Exploração": "2. Com o advento do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, estes benefícios fiscais passaram a ser calculados sobre o lucro Fl. 2126DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 15 14 da exploração, assim conceituado no caput do art. 19, do citado diploma legal: Art. 19. Considerase lucro da exploração o lucro líquido do exercício ajustado pela exclusão dos seguintes valores: I a parte das receitas financeiras (art. 17. ) que exceder das despesas financeiras (art. 17. , parágrafo único); I I os rendimentos e prejuízos das participações societárias; e III os resultados não operacionais. I soma da receita líquida de vendas no mercado interno, correspondente à atividade incentivada, de todos os estabelecimentos beneficiados com o mesmo percentual de redução do imposto; II idem, de todos os estabelecimentos beneficiados com isenção do imposto; III soma da receita líquida de vendas nas exportações incentivadas e/ou vendas no mercado interno a estas equiparadas, de todos os estabelecimentos da empresa; e IV aplicação, sobre o total do lucro da exploração, de porcentagem igual à relação, no mesmo período, entre o valor de cada uma destas somas e o total da receita líquida de vendas da pessoa jurídica (...). (g.m.)." 9. As autoridades fiscais sustentam que é dever da empresa beneficiária de incentivos fiscais que se baseie em "lucro da exploração da atividade": (i) apurar o valor do lucro da exploração decorrente de cada atividade incentivada mediante registros contábeis específicos; ou (ii) nos casos em que o sistema de contabilidade não permita apurar o lucro da exploração resultante de cada atividade incentivada (mediante registros contábeis específicos), calcular o lucro da exploração das diversas atividades por critérios de proporcionalidade em relação à receita liquida total (§3º, do artigo 549, do RIR/99) 10. Contudo, nos autos não encontro efetiva análise da farta documentação contábil e fiscal apresentada pela Recorrente de forma a justificar a aplicação do §3º, do artigo 549, do RIR/99 em detrimento do §1º, do mesmo diploma legal. 11. A douta autoridade fiscal desconsiderou o fato de que algumas das despesas atinentes às atividades incentivadas são alocadas de forma direta e decorrem de lançamentos contábeis específicos. Este é o caso das despesas com frete e com armazenagem. 12. Como em qualquer empresa que possua mais de uma atividade e/ou mais de um estabelecimento, existem despesas comuns, as quais estão devidamente contabilizadas. O fato de as despesas comuns serem consideradas no cálculo do lucro da exploração por meio de um critério absolutamente razoável de rateio, não deslegitima a detalhada contabilidade que suporta a apuração feita pela Recorrente. 13. É exatamente por meio dessa alocação, desse rateio das despesas comuns da empresa, que a Recorrente identifica a despesa cabível a cada uma das suas atividades, inclusive à atividade incentivada. O fato de haver essa alocação das despesas comuns não é razão para que as autoridades fiscais e julgadores de 1ª instância concluam que todos os registros contábeis relativos à atividade incentivada sejam descartados para fins de apuração do lucro da exploração. Fl. 2127DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 16 15 14. A alocação das despesas comuns, por meio dos critérios razoáveis adotados pela Recorrente, os quais, não foram analisados pela fiscalização ou pelos julgadores da DRJ, pode ser suficiente para identificar as despesas aplicáveis à atividade incentivada e para permitir o cálculo do lucro da exploração com base na contabilidade da Recorrente. 15. À título meramente exemplificativo, as despesas de frete relacionadas às atividades incentivadas nos anos de 2010, 2011 e 2012 totalizaram os valores de R$ 7.154.906,56, R$ 8.116.276,42 e R$ 7.438.095,15, respectivamente, representando 23,5%, 24% e 19,8% das despesas incorridas para manutenção e desenvolvimento das atividades incentivadas em tais anos. 16. As despesas de armazenagem (depósito) relacionadas às atividades incentivadas nos anos de 2010, 2011 e 2012 totalizaram os valores de R$ 2.348.570,92, 2.187.502,02 e R$ 2.643.863,02, respectivamente, representando 7,7%, 6,4% e 7% das despesas incorridas para manutenção e desenvolvimento das atividades incentivadas em ditos anos. 17. Tratase, portanto, de despesas bastante relevantes, as quais, ao contrário do afirmado no lançamento, decorrem de alocação direta extraída dos registros contábeis da Recorrente. Ou seja, daqui concluise que a Recorrente, é capaz de apurar, através de sua contabilidade, as despesas com frete e armazenagem relativamente a cada um dos seus produtos incentivados, bem como as demais despesas alocadas de forma direta. 18. A mesma linha de raciocínio aplico as citadas despesas alocadas de forma indireta às atividades incentivadas mediante rateio (despesas de marketing, finanças, vendas, despesas de presidência, gerais de marketing, ações promocionais, etc.). 19. Um exemplo significativo que demonstra a racionalidade do critério adotado pela Recorrente é as despesas de marketing com os produtos importados não entrarem no rateio. Primeiro porque são relativas a outra atividade completamente diferente da exercida pela Recorrente (representação). Segundo, porque a linha de produtos importados (linha premium) demanda investimentos muito maiores nessa área, até mesmo em virtude do público alvo. Esse fator pode ser sim um dos grandes responsáveis pela baixa lucratividade da operação e, portanto, a piori não é cabível a acusação do fiscal de que a Recorrente faria "contabilidade de resultado". 20. In casu, as autoridades fiscais pretendem desconsiderar as provas apresentadas pela Recorrente sem antes (i) analisar de forma efetiva as documentos acostados aos autos; (ii) realizar as diligências necessárias à busca da verdade material; e (iii) apresentar motivação hábil a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente ou inapta. 21. Nos termos do artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784, de 1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente, sob pena de afronta aos valores constantes dos artigos 5º ao 8º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. 22. Notase que, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Constam do rol as provas Fl. 2128DF CARF MF Processo nº 10480.732676/201559 Resolução nº 1201000.384 S1C2T1 Fl. 17 16 "ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias", incidências que claramente fogem a realidade do presente caso. 23. Diante do exposto, VOTO por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora: (i) Analise a documentação fiscal e contábil que instruiu a impugnação da contribuinte de fls. 1864/1930, a fim de verificar se os rateios das despesas operacionais estavam devidamente registradas na contabilidade da Recorrente e apure os valores ora discutidos com base nos elementos extraídos dos registros contábeis da contribuinte. (ii) Explicite e avalie as respectivas apropriações das despesas diretas e indiretas e, no caso das últimas, o critério de rateio. (iii) Em consonância com o princípio da cooperação processual e pelo fato da Recorrente alegar ser capaz de apurar, através de sua contabilidade, as despesas com frete e armazenagem relativamente a cada um dos seus produtos incentivados, por exemplo (despesas alocadas de forma direta às atividades incentivas), bem como as despesas comuns alocadas de forma indireta às atividades, deve a contribuinte atender com prontidão eventuais intimações/solicitação do órgão fiscal. 24. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/991. 25. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa 1 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 2129DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.906898/2012-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
PROVAS. INSUFICIÊNCIA.
As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior..
Numero da decisão: 3001-000.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila (Relator) que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cássio Schappo.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Viera de Avila (Relator) que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cássio Schappo. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 68 98 /2 01 2- 08 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10380.906898/201208 Acórdão n.º 3001000.208 S3C0T1 Fl. 3 2 Cássio Schappo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório 040064675 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 24699.84531.060410.1.3.040842, enviada em 06/04/2010, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o crédito analisado corresponde ao valor original na data de transmissão do Per/Dcomp no total de R$ 967,87. A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, no caso, os constantes no Per/Dcomp 10045.95717.151007.1.3.049725 e 05687.54552.131107.1.3.043943, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp 24699.84531.060410.1.3.040842 Neste sentido, foi posto em cobrança o crédito tributário no valor de R$ 1.268,76 de principal, R$ 253,75 de multa e R$ 335,84 correspondente a juros. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a Recorrente mencionou a equivocada declaração de débito na Dcomp. Erro no preenchimento da Dcomp Aduz a Recorrente, que embora tenha sido declarado débito nos Per/Dcomps 10045.95717.151007.1.3.049725 e 05687.54552.131107.1.3.043943, tais valores não encontram respaldo nas DCTFs correspondentes, havendo, portanto, mero erro de preenchimento nas Declarações de Compensação. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1449.471 4ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2006 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DComp. RETIFICAÇÃO. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10380.906898/201208 Acórdão n.º 3001000.208 S3C0T1 Fl. 4 3 Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em Declaração de Compensação. Os débitos contidos na DComp podem ser retificados/cancelados por iniciativa da contribuinte, nos termos da norma de regência. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de PER/Dcomp de crédito da Contribuição para o PIS de setembro de 2006, no valor de R$ 967,87. A DRF em Fortaleza, por meio do despacho decisório de fl. 07, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado ter sido parcialmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte nas DComp 10045.95717.151007.1.3.049725 e 05687.54552.131107.1.3.043943, anteriormente entregue e não cancelada/retificada. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 11/12. Argumenta que: Os débitos indicados nos PER/DCOMP n° 10045.95717.151007.1.3.049725 e 05687.54552.131107.1.3.04 3943 não existem conforme se verifica na DCTF em anexo do período correspondente; Por fim, solicita a homologação da compensação apresentada. No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja, a possibilidade de autorizar a compensação quando existe divergência entre débito declarado na Dcomp, e a ausência deste débito em DCTF. o crédito indicado no PER/Dcomp já fora utilizado nas DComp nº 10045.95717.151007.1.3.049725 e 05687.54552.131107.1.3.043943. Não existe, portanto, saldo passível de restituição além daquele indicado no Despacho Decisório. Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado ou cancelado a Dcomp anteriormente até a transmissão da nova PER/Dcomp. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10380.906898/201208 Acórdão n.º 3001000.208 S3C0T1 Fl. 5 4 Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. Não o tendo feito, não cabe à autoridade da RFB suprirlhe a falta, investigando um suposto débito inexistente e sendo este confessado pela contribuinte, tendo em vista que a Dcomp é documento com conteúdo confessional Falta de Prova Indo além no voto, percebese que a autoridade de primeira instância, além de julgar inexistente o crédito alegado, pela ausência de retificação da Dcomp, entendeu que, mesmo havendo o crédito, não teria condições de demonstrálo com a parca documentação acostada a esses autos. Seguese a trechos do voto com a exposição de seu raciocínio: ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível o reconhecimento do direito creditório, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior.. não juntou qualquer documento que comprovasse os valores recolhidos indevidamente ou maior que o devido. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. para desconstituir o débito confessado, a contribuinte deveria indicar o erro, o motivo do erro e juntar toda a documentação para comprovar a argumentação. Contudo, nada foi juntado, preferindo ficar somente nas alegações Recurso Voluntário A recorrente, em sua defesa, apresentou resumo fático no qual destacou que protocolou o Per/Dcomp n.º 24699.84531.060410.1.3.040842. O motivo foi o pagamento a maior relativo à Pis competência de setembro de 2006. Contornos desta Líde Sua divergência perante a decisão de primeira instância administrativa, parte da indicação, no Despacho Decisório (DDE) e pela autoridade julgadora, aos Per/Dcomps 10045.95717.151007.1.3.049725 e 05687.54552.131107.1.3.043943, vez que o crédito pleiteado teria sido utilizado nestes procedimentos. Ainda, insurgese contra a necessidade de retificação de suas Perd/Dcomp, em que pese a argumentação oficial pela existência dos débitos tributários nelas confessados. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10380.906898/201208 Acórdão n.º 3001000.208 S3C0T1 Fl. 6 5 Possibilidade de Compensação de Créditos Advindos de DCTF Válida Antes de adentrar no mérito, a recorrente introduz breve resumo sobre a legislação que disciplina o instituto da compensação, mencionando seus requisitos, quais sejam, a. autorização legal, b. obrigações recíprocas, e c. dívidas líquidas e certas. Validade da DCTF Retificadora Traz aos autos jurisprudência deste CARF, cuja ementa indica a possibilidade de formalização de informações através de DCTF retificadora. Ausência de Débito em DCTF Neste ponto, evidenciase a insurgência da recorrente em face da exigência, exposta na decisão de primeira instância administrativa, de haver, necessariamente, a retificação da Per/Dcomp original, na qual constava a informação declarando o débito. Segundo consta, a recorrente busca legitimar seu direito no fato de a DCTF não conter a informação do débito, mas tão somente, na DComp; ainda, q ue seria a DCTF o meio para formalizar o crédito. Fundamenta seu raciocínio no artigo 8.º da IN 1.110/2010. Prescrição a partir da entrega da DCTF Por fim, a recorrente busca a declaração da prescrição da cobrança ora em curso, vez que transcorreramse mais de 05 anos da entrega da DCTF e da efetiva cobrança judicial. Alega não se tratar de decadência, justamente pelo motivo de o débito estar confessado, e, a partir daí, não se necessitar mais de lançamento para constituir o crédito tributário. Por fim, segundo a tese da recorrente, o fisco teria 5 anos para exigir o débito judicialmente. Do pedido Pugnou pela aplicação dos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. A legitimação do crédito pago a maior. Protestou por todos os meios de prova, inclusive perícia. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Mérito Ao analisar a documentação nos presentes autos, pôdese evidenciar a alegação da ocorrência de pagamento indevido, relativo ao Pis do mês de setembro de 2006. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10380.906898/201208 Acórdão n.º 3001000.208 S3C0T1 Fl. 7 6 Em 2010, a recorrente protocolizou a Dcomp 24699.84531.060410.1.3.04 0842 objeto desta análise, a qual reclamava a utilização do crédito gerado com o alegado pagamento indevido de Pis de setembro de 2006 em contraponto ao débito de Cofins, relativo ao mês Fevereiro de 2010. Possibilidade de Compensação de Créditos Advindos de DCTF Válida Em 2009, houve o envio das DCTFs n.º 1002.006.2009.2010430364 referente ao primeiro semestre de 2006, e a DCTF n.º 1002.007.2009.2070329655 relativa ao 2.º semestre de 2007, ambas acostadas a estes eautos. DCTF 1002.006.2009.2010430364 Destacase que no primeiro semestre de 2006, existe o lançamento de débito de Pis, março de 2006, no valor de R$ 3.848,44. O pagamento via DARF foi de R$ 1.813,72. Restou, portanto, em aberto, débito no valor de R$ 2.034,72. Já a DCTF em análise, tratando do segundo semestre de 2007, não apresenta débito para CSLL no mês de agosto, valendo dizer que a argumentação esposada pela recorrente, na qual a Dcomp 10045.95717.151007.1.3.049725 teria declarado débito em dissonância com a DCTF procede. Existência de débito em DCTF DCTF 1002.006.2009.2010430364 A recorrente alega que a compensação declarada na DComp 24699.84531.060410.1.3.040842 devem prevalecer sobre os débitos expostos nas DComp 10045.95717.151007.1.3.049725 e 05687.54552.131107.1.3.043943 por não estarem lançados nas respectivas DCTF. Contudo, na DCTF 1002.006.2009.2010430364 referente ao 1.º semestre de 2006, consta na ficha 'Débito Apurado e Créditos Vinculados', grupo de tributos Pis, no período de apuração março, débito apurado no valor de R$ 3.848,44. O pagamento em DARF totalizou R$ 1.813,72, restando, portanto, saldo a pagar do débito de Pis em março de 2006, montante de R$ 2.034,72. Ausência de Débito em DCTF DCTF 1002.007.2009.2070329655 Já em relação à DCTF 1002.007.2009.2070329655 2.º semestre de 2007; não consta, no período de apuração Agosto/2007, lançamento de débito de IRPJ, nem de CSL. Prescrição a partir da entrega da DCTF Não existe prescrição em favor do contribuinte conforme postulado pela recorrente. Segue acórdão: Acórdão nº 1401002.067 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10380.906898/201208 Acórdão n.º 3001000.208 S3C0T1 Fl. 8 7 COMPENSAÇÃO DCTF INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA A homologação tácita é previsão peculiar e exclusiva da compensação mediante DCOMP. Não pode ser estendida por analogia para outras formas de compensação. Desse modo, no caso de valores registrados na DCTF, assim como em outras declarações, como a DIPJ, a Fazenda Pública tem o direito de verificar as informações que julgar necessárias para reconhecer o indébito tributário e não se sujeitar a um suposto prazo decadencial não previsto em lei. Evidentemente que, esgotados os cinco anos da realização da compensação, o Fisco perde o direito de cobrar o crédito tributário, mas por força do fenômeno da prescrição do direito de cobrar. Isso não significa que tenha que acatar que a efetiva liquidação da dívida foi promovida para fins de aferir o direito de repetição do contribuinte. RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO Não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já uma suposta prescrição aquisitiva de pretenso indébito tributário geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos ilimitados de domínio público para a esfera privada. Em suma, no curso do processo administrativo de restituição, a Administração tem o poder de verificar e o particular o dever de manter todos os documentos que se referiram ao direito pleiteado. Conclusão Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10380.906898/201208 Acórdão n.º 3001000.208 S3C0T1 Fl. 9 8 Diante do exposto, conheço do recurso para darlhe parcial provimento, no sentido de homologar a compensação declarada na DCTF 1002.007.2009.2070329655 2.º semestre de 2007; não consta, no período de apuração Agosto/2007, lançamento de débito de IRPJ, nem de CSL. E, negar a homologação na na DCTF 1002.006.2009.2010430364 referente ao 1.º semestre de 2006, consta na ficha 'Débito Apurado e Créditos Vinculados', grupo de tributos Pis, no período de apuração março, débito apurado no valor de R$ 3.848,44. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Voto Vencedor Conselheiro Cássio Schappo Redator Com a devida vênia do Relator à argumentação empregada no voto, entendo não assistir razão a recorrente. O contribuinte antes qualificado apresentou sua Manifestação de Inconformidade com relação ao Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação, em razão do recolhimento indicado ter sido utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte nas PER/DCOMP 10045.95717.151007.1.3.049725 e 05687.54552.131107.1.3.043943, sem que tivesse sido canceladas ou retificadas. Argumenta que não existem os débitos indicados nas PER/DCOMP conforme se verifica na DCTF do período correspondente. Requer a compensação declarada na PER/DCOMP que instruiu o presente processo. A 4ª Turma – DRJ/RPO, através do acórdão de fls.84 julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, tendo como premissas: 1. A falta de retificação ou cancelamento das PER/DCOMP tidas como inócuas pela inexistência dos débitos compensados, iniciativa própria do contribuinte que não foi exercida, persistindo os débitos confessados com base na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 74, § 6º; 2. Que a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior do crédito pleiteado, tornando possível apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior. Não o fazendo, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972; Insatisfeita com o julgamento proferido em primeiro grau a interessada interpôs Recurso Voluntário, alinhavando questões de direito que tratam da possibilidade de compensação dos créditos advindos de DCTF válida, cujos valores informados conferem certeza e liquidez das obrigações. Ao final requer a reforma da decisão recorrida atestandose a legitimidade a compensação do crédito pago a maior. Apesar de extensa argumentação da recorrente a mesma não contempla elementos probatórios suficientes e capazes de atingir a reforma da decisão proferida em primeiro grau. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10380.906898/201208 Acórdão n.º 3001000.208 S3C0T1 Fl. 10 9 O presente processo tem como base pedido de compensação de crédito pelo pagamento a maior que o devido de PIS do Período de Apuração 30/09/2006, com débito da COFINS do Período de Apuração 02/2010, através de PER/DCOMP nº 24699.84531.060410.1.3.04 0842, não homologada por inexistência de crédito disponível. Diz a autora do Despacho Decisório que o crédito indicado teria sido utilizado em compensação de débitos de CSLL e PIS discriminados nas PER/DCOMP nº 10045.95717.151007.1.3.049725 e 05687.54552.131107.1.3.043943, respectivamente. A defesa da Contribuinte se restringe a indicar em DCTF que os débitos compensados de CSLL e PIS através das PER/DCOMP relacionadas, não existem e que a partir desse fato caberia ao fisco promover toda a pesquisa da veracidade de sua declaração em reconhecimento ao seu direito creditório. Com relação a pedido de compensação de interesse do contribuinte, cabe a esse demonstrar a origem, além da certeza e liquidez do crédito que irá contrapor ao débito que pretende ver extinto. No acórdão recorrido já ficou assentado que não cabe à fiscalização suprir eventual falta de cumprimento de obrigação acessória em relação à DCOMP retificadora, tendo em vista que a DCOMP é documento de confissão de dívida, conforme prevê a Lei nº 9.430/1996, art. 74, § 6º: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 6° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda com relação a retificação/cancelamento de PER/DCOMP, como o alegado pela recorrente, por inexistência de débitos confessados, oportuna citação do art. 82 da IN/RFB nº 900/2008: Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Portanto, é condição essencial que se desfaçam os pedidos de compensação, seguindo a forma acima descrita, para que se usem os créditos neles contidos em novo pedido, sob pena de caracterizar duplicidade de pleitos. Outro ponto relevante neste processo foi a falta de comprovação da origem que deu causa ao crédito informado na PER/DCOMP. Vimos que se refere a um DARF de PIS (cód.6912) do período de apuração 30/09/2006, mas a prova de sua disponibilidade não foi produzida. Qual seria o débito de PIS apurado e informado em DCTF para esse período de apuração 09/2006 não sabemos. Houve mudança do valor apurado/declarado via DCTF retificadora? Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10380.906898/201208 Acórdão n.º 3001000.208 S3C0T1 Fl. 11 10 Esse fato se refere ao segundo ponto da fundamentação de voto do acórdão recorrido, porém, nenhum comentário a recorrente dignouse apresentar. Com relação aos débitos de CSLL e PIS de que tratam os PER/DCOMP nº 10045.95717.151007.1.3.049725 e 05687.54552.131107.1.3.043943, se inexistentes, sua cobrança provavelmente não ocorreu, mas de qualquer forma não estariam atrelados ao presente processo. Está vinculado ao processo ora em discussão o débito da compensação praticada da COFINS do período de apuração 02/2010, que por falta de disponibilização de crédito não foi homologada. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 14098.000436/2008-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 04 36 /2 00 8- 37 Fl. 215DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de NFLD, DEBCAD: 37.184.0724, consolidado em 12/12/2008, lavrado contra a empresa supra identificada, no valor total de R$ 3.313,63 (três mil, trezentos e treze reais e sessenta e três centavos), abrangendo o período 03/2004 a 12/2004, referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social destinada a terceiros sobre a remuneração paga à título de prêmio de incentivo à produtividade. O Discriminativo Analítico do Débito DAD demonstra os valores apurados, os valores recolhidos e as diferenças devidas. O Discriminativo Sintético do Débito DSD apresenta, para cada competência, os valores devidos originários, o valor da multa, os juros aplicados e os valores finais devidos. O Relatório de Lançamentos apresenta os valores apropriados dos lançamentos considerados pela fiscalização, organizados por levantamento, estabelecimento, competência e item. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS julgado o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 14/04/2011, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 240300.520 (fls. 126/136), com o seguinte resultado: “ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2004 SALÁRIO INDIRETO PRÊMIOS DE INCENTIVO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDÊNCIA Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica salarial. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 14098.000436/200837 Acórdão n.º 9202006.610 CSRFT2 Fl. 3 3 MULTA REDUÇÃO LEI MENOS SEVERA APLICAÇÃO RETROATIVA CTN,ART. 106 Tratandose de crédito não definitivamente julgada, aplicase o disposto no art. 106 do CTN que permite a redução da multa prevista na lei mais nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, mesmo a fatos anteriores à legislação aplicada. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 02/02/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 29/02/2012, Embargos de Declaração (fls. 150/156), que foram rejeitados, conforme despacho de Informações em Embargos (fls. 157/159). Intimada da rejeição de seus embargos em 07/03/2013, interpôs tempestivamente, em 11/03/2013, Recurso Especial (fls. 163/200). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400 147/2017, da 4ª Câmara, de 10/02/2014 (fls. 201/205). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado do Acórdão nº 240300.520, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 22/04/2016, o contribuinte não apresentou Recurso Especial relativa a parte do acórdão que lhe foi desfavorável, nem contrarrazões. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 201. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, Fl. 218DF CARF MF Processo nº 14098.000436/200837 Acórdão n.º 9202006.610 CSRFT2 Fl. 4 5 mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, Fl. 219DF CARF MF 6 obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 220DF CARF MF Processo nº 14098.000436/200837 Acórdão n.º 9202006.610 CSRFT2 Fl. 5 7 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Fl. 221DF CARF MF 8 Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no Fl. 222DF CARF MF Processo nº 14098.000436/200837 Acórdão n.º 9202006.610 CSRFT2 Fl. 6 9 momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 223DF CARF MF 10 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.721747/2014-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O lançamento está claro e preciso, explicando detalhadamente os motivos e fundamentos que motivaram a exigência do imposto. A Recorrente não demonstra onde se encontra o erro na fundamentação do lançamento de oficio.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS - CABIMENTO.
Constitui hipótese de arbitramento do lucro da pessoa jurídica a falta de apresentação à autoridade tributária pela interessada de livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal.
LUCRO ARBITRADO. DESPESAS.
Sendo adotada a tributação com base no lucro arbitrado, não prospera a pretensão de deduzir da receita bruta as despesas incorridas.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - EFEITO CONFISCATÓRIO.
Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE.
Mantém-se a multa de ofício de 150% sobre a receita omitida na escrituração e nas declarações.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
Mantém-se a multa de ofício agravada, quando se encontram materializados nos autos os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO-GERENTE.
A responsabilidade solidária do sócio-gerente pelos créditos exigidos por meio de lançamento de ofício só pode ser imputada as pessoas físicas quando restar devidamente comprovado nos autos os atos praticados com infração à lei e o benefício com a redução do imposto.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
Numero da decisão: 1402-002.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os coobrigados do polo passivo da relação jurídico- tributária.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento está claro e preciso, explicando detalhadamente os motivos e fundamentos que motivaram a exigência do imposto. A Recorrente não demonstra onde se encontra o erro na fundamentação do lançamento de oficio. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS - CABIMENTO. Constitui hipótese de arbitramento do lucro da pessoa jurídica a falta de apresentação à autoridade tributária pela interessada de livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. DESPESAS. Sendo adotada a tributação com base no lucro arbitrado, não prospera a pretensão de deduzir da receita bruta as despesas incorridas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - EFEITO CONFISCATÓRIO. Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantém-se a multa de ofício de 150% sobre a receita omitida na escrituração e nas declarações. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Mantém-se a multa de ofício agravada, quando se encontram materializados nos autos os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO-GERENTE. A responsabilidade solidária do sócio-gerente pelos créditos exigidos por meio de lançamento de ofício só pode ser imputada as pessoas físicas quando restar devidamente comprovado nos autos os atos praticados com infração à lei e o benefício com a redução do imposto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplica-se às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une.
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento está claro e preciso, explicando detalhadamente os motivos e fundamentos que motivaram a exigência do imposto. A Recorrente não demonstra onde se encontra o erro na fundamentação do lançamento de oficio. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS CABIMENTO. Constitui hipótese de arbitramento do lucro da pessoa jurídica a falta de apresentação à autoridade tributária pela interessada de livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. DESPESAS. Sendo adotada a tributação com base no lucro arbitrado, não prospera a pretensão de deduzir da receita bruta as despesas incorridas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO EFEITO CONFISCATÓRIO. Não há de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa de ofício de 150% sobre a receita omitida na escrituração e nas declarações. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Mantémse a multa de ofício agravada, quando se encontram materializados nos autos os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 17 47 /2 01 4- 84 Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.489 2 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOGERENTE. A responsabilidade solidária do sóciogerente pelos créditos exigidos por meio de lançamento de ofício só pode ser imputada as pessoas físicas quando restar devidamente comprovado nos autos os atos praticados com infração à lei e o benefício com a redução do imposto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os coobrigados do polo passivo da relação jurídico tributária. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.490 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa autuada e as duas pessoas jurídicas responsáveis solidárias, face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil do que decidiu por manter integralmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração (anocalendário 2011), relativas a omissão de receita, constatada por meio de cruzamento da DIPJ/DACON (Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON) com o Livro Registro de Notas Fiscais de Prestação de Serviços e as DIRFs com valores do IRRF retido pelas empresas que tomaram o serviço. Segundo a fiscalização, como a autuada era obrigada à tributação com base no lucro real, foi arbitrado o lucro do anocalendário de 2011 com base no critério da receita bruta conhecida, conforme dispõe os incisos I e III do art. 530 do RIR/99, devido a Recorrente não ter mantido a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, bem como não ter entregue os documentos solicitados pelo Agente Fiscal (demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, escrituração contábil e fiscal), impossibilitando a apuração do lucro real. Relatou o autuante que, de acordo com a DIPJ, a Recorrente estava sujeita à tributação do imposto de renda pelo lucro real e estava obrigada a adotar a ECD, de acordo com o art. 3º da IN RFB nº 787/2009. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), o procedimento compreendeu em verificar o correto valor de receitas auferidas pela empresa Recorrente no anocalendário de 2011, uma vez que a empresa apresentou DIPJ sem movimentação (zerada) e o DACON com receita de apenas R$4.582.888,07 (receita reduzida), sem coerência com as informações prestadas em Dirf pelas fontes pagadoras (R$ 28.547.763,24, código de receita 1708) e no livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados (R$ 29.742.966,57). A fiscalização intimou a Recorrente para justificar a divergência de valores de receita declarados em DIPJ, DACON e DIRF e a apresentar os livros LALUR, Registros de Apuração do ISS, Demonstrativos de Apuração da CSLL, Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, Registro de Inventário e Registro de Empregados. A Recorrente também foi intimada a apresentar o recibo de entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD) e os arquivos digitais de notas fiscais de serviço por ela emitidas no anocalendário de 2011, mas apresentou apenas o Livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados, devidamente assinado pelo contador e pelo representante legal, e informou que estava sob fiscalização municipal, o que teria impedido a apresentação dos arquivos digitais de notas fiscais. Devido a não entrega da documentação solicitada e a incoerência entre o declarado na DIPJ e DACON com as DIRFs e o Livro Registro de Notas Fiscais de Serviços, a fiscalização fez circularização nas quatro empresas responsáveis que pagaram os serviços prestados pela Recorrente (código de retenção 1708), no valor total de R$ 26.176.323,46, sendo solicitados, dentre outros documentos, os contratos de prestação de serviços celebrados com a empresa autuada, as notas fiscais emitidas pela contribuinte e os comprovantes do efetivo pagamento dessas notas fiscais. Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.491 4 Depois da análise dos documentos entregues pelas quatro empresas diligenciadas, verificouse que de fato existiu, no anocalendário de 2011, a prestação dos serviços pela Recorrente, correspondente a R$ 26.176.323,46, conformando as informações das Dirf. A Base de Cálculo dos tributos foi formada pela receita omitida e pela receita declarada, onde foi realizada a comparação da receita auferida no Livro de Registros de Notas Fiscais e Dirf, com a receita declarada na DACON pela própria Recorrente. Do total apurado de Imposto de Renda e CSLL, fezse a dedução do Imposto de Renda e da CSLL retidos na fonte informados por terceiros na DIRF. Dos valores de PIS e Cofins apurados, foram deduzidos os valores retidos na fonte (informados pelas empresas tomadoras de serviços) e os valores recolhidos antes do início da ação fiscal, respectivamente de cada contribuição. Foram encontrados valores retidos e pagos referentes a tais contribuições e, portanto, foram realizadas as devidas deduções. A CSLL e o PIS/COFINS são decorrentes da infração de omissão de receita para a Receita Federal do Brasil. Foi aplicada multa de ofício de 75% qualificada e gravada. A Fiscalização justifica a qualificação da multa devido a Recorrente ter reiteradamente entregue DIPJ original zerada e DACON com receitas reduzidas em relação aos serviços constatados por outros meios e por não ter mantido as demonstrações financeiras e a escrituração fiscal e contábil, bem como por não ter entregue os documentos solicitados pela fiscalização, impedindo e retardando o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sonegando assim, possível receita tributável. Também de forma muito parecida, fundamenta o agravamento da multa no fato de a Recorrente não ter entregue toda a documentação solicitada, apenas o Livro Registro de Notas Fiscais de Serviços, prejudicando o trabalho da fiscalização. Também foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária para os sócios administradores Alberto e Reinaldo Pereira, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN. Intimado da lavratura do Auto de Infração, a Recorrente, juntamente com os responsáveis solidários, apresentaram impugnação de fls. 1665/1678 alegando e requerendo o seguinte: Cerceamento no direito de defesa, devido a necessidade da correta descrição do ato administrativo e sua fundamentação, o que não ocorreu na presente autaução. Em relação ao arbitramento, alega que tem que obrigatoriamente ser suportado com elementos fáticos, tanto as receitas quanto as despesas. Destaca que a fiscalização dispõe de todos os recolhimentos efetivados por antecipação à titulo de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, vez que se trata de empresa prestadora de serviços, sendo portanto credora e não devedora dos referidos tributos. Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.492 5 Restou claramente demonstrado que a autoridade lançadora deixou de deduzir todas as despesas, inclusive aquelas com folhas de pagamentos de salários conforme GFIP anexo. Afirma que os livros contábeis, ainda que não registrados nos órgãos competentes, descrevem todos os atos e fatos factíveis de conferência conforme disponibilizados os documentos que deram suporte aos referidos lançamentos. Aduz que a fiscalização deixou de deduzir recolhimentos referentes ao PIS conforme documentos em anexo, e aproveitadas parcialmente as retenções de IRRF sobre o faturamento bruto, CSLL, PIS, COFINS e que a Recorrente apresentou integralmente o faturamento, bem como os registros contábeis ainda que não autenticados, porém com suporte em documentos idôneos. Em relação a responsabilidade solidária dos sócios, alega que conforme disposto no art. 135, III, do CTN, combinado com o art. 158 da Lei n° 6.404/76, que rege as Sociedades Anônimas, que somente é passível de se atribuir responsabilidade pessoal aos sócios se estivesse provado mediante a apuração em procedimento fiscal que os referidos tivessem praticado condutas que ensejaram a tributação em comento, e que praticaram com culpa ou dolo. Como no presente caso, não há registro de ocorrência de quaisquer dos requisitos mencionados na legislação que autorizariam atribuirlhes a responsabilidade, os sócios devem ser excluídos da exigência fiscal. Afirma que não procede a imposição da multa qualificada, uma vez que intimada, a Recorrente apresentou todos os documentos solicitados e que a ausência de declarações sobre as receitas auferidas no período de apuração do ano calendário 2011 e a apresentação da DIPJ não ensejam o agravamento da penalidade. Por fim, alega que a multa aplicada seria confiscatória. Em seguida a DRJ de Ribeirão Preto, proferiu v. acórdão (fls. 2440/2452) mantendo integralmente o Auto de Infração e a responsabilidade solidária, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOCUMENTOS. Constitui hipótese de arbitramento do lucro da pessoa jurídica a falta de apresentação à autoridade tributária pela interessada de livros e documentos da sua escrituração comercial e fiscal. LUCRO ARBITRADO. DESPESAS. Sendo adotada a tributação com base no lucro arbitrado, não prospera a pretensão de deduzir da receita bruta as despesas incorridas. Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.493 6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa de ofício de 150% sobre a receita omitida na escrituração e nas declarações. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Mantémse a multa de ofício agravada, quando se encontram materializados nos autos os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOGERENTE. É solidária a responsabilidade do sóciogerente pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração à lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão exarada no v. acórdão, a Recorrente interpõe Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.494 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual deve ser admitido. Em relação à nulidade no lançamento: Resumidamente, a Recorrente alega cerceamento do direito de defesa devido a falta de clareza e motivação dos fatos geradores, bem como dos fundamentos jurídicos que ensejaram a exigência fiscal, impossibilitando o exercício da ampla defesa. Entendo que tal alegação de nulidade não merece ser acolhida, eis que tanto os Autos de Infração, como o TVF, são claros e precisos ao descrever as infrações imputadas à Recorrente. O fato de o contribuinte não concordar com a descrição da infração constante na acusação (TVF e AI) bem como que a fiscalização deixou de apontar argumento ou documento que o autuado entende ser importante e necessário no TVF, não significa que tal atitude gere cerceamento ao direito de defesa. Este direito poderá ser plenamente exercido durante o processo administrativo tributário, caso a contribuinte opte por refutar o lançamento de oficio. Sendo assim, afasto a alegação de nulidade do lançamento e adoto os fundamentos do v. acórdão "a quo" para melhor motivar minha decisão em relação a este preliminar. Cerceamento do Direito de Defesa. Legalidade. A contribuinte alega que a constituição do crédito tributário, frente ao princípio da legalidade, deve descrever com clareza a motivação da eleição dos fatos geradores e fundamento jurídico, possibilitando assim sua identificação e o exercício da ampla defesa na esfera administrativa e obrigatoriamente todos os recolhimentos efetivados e disponíveis nos arquivos do próprio órgão arrecadador. Quanto a essa alegação, cumpre registrar que o autuante não somente indicou os dispositivos legais aplicados na constituição do crédito tributário, mas também descreveu todos os acontecimentos que o levaram a efetuar o lançamento de ofício. Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.495 8 Observase que os autos de infração foram lavrados cumprindo se as formalidades legais essenciais, tal como determinado no art. 142 do CTN, descrevendo os fatos dados como infringidos, a multa aplicada e correspondente fundamento legal. Eles se fizeram acompanhar do TVF, no qual consta a descrição clara dos fatos e dos motivos que ensejaram a lavratura dos autos de infração e os demonstrativos de apuração da matéria tributável. Relatou o autuante no citado termo: VI DAS INFRAÇÕES APURADAS OMISSÃO DE RECEITA 31. Caracterizase omissão de receitas da atividade a apresentação de declarações à Receita Federal do Brasil informando valores inferiores àqueles apurados pela Fiscalização. 32. Como se pode ver anteriormente, o contribuinte evidentemente omitiu receitas. A seguir, descrição dos fatos ocorridos no anocalendário de 2011: • O Livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados (apuração do ISS) com Receita Bruta de R$ 29.742.966,57. Este livro foi entregue pelo contribuinte, devidamente assinado pelo contador e pelo representante legal, o que caracteriza confirmação de receitas, uma vez que a DIPJ foi entregue sem movimentação; • Rendimento Bruto no valor de R$ 28.547.763,24 em DIRF do sujeito passivo como beneficiário (valor muito próximo do apurado no Livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados); • Confirmação por parte de terceiros de pagamento no valor de R$ 26.176.323,46 ao contribuinte pela prestação de serviços. Este valor correspondente a 92% do total encontrado em DIRF e 88% do total apurado no Livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados; • Valor de R$ 84.602,47 (referente à Nota Fiscal n° 1892), informado pela SAMARCO MINERAÇÃO S/A, porém não escriturado no Livro de Registros de Notas Fiscais. 33. Observese que as diligências com terceiros foram realizadas para confirmar a veracidade das informações presentes no Livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados do ano calendário 2011. Uma vez que essas informações foram confirmadas, foi lavrado, em 02/04/2014, o Termo de Intimação Fiscal n° 01/2014 para a apresentação, no prazo de 20 dias, do arquivo digital do demonstrativo dos registros contábeis no layout definido no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo da CoordenaçãoGeral de Fiscalização da RFB n° 25/2010. Constam no processo os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Temse, assim, que o lançamento atende Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.496 9 todos os requisitos legais, não existindo, portanto, qualquer violação ao princípio da legalidade. Ademais, a autuada foi regularmente cientificada dos autos de infração, lavrados com observância das formalidades legais, e foilhe assegurado o direito de questionar as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. Verificase, assim, que a contribuinte teve conhecimento do procedimento fiscal contra ela dirigido e ingressou tempestivamente com a impugnação, na qual demonstrou conhecer todas as exigências a ela impostas. Rejeitamse, portanto, as alegações de ofensa à ampla defesa e de ilegalidade. Ou seja, o lançamento está claro e preciso, tanto foi assim que a Recorrente conseguiu se defender de todos os pontos constantes no TVF e nos AIs, apresentando argumentos para refutar todos os pontos da acusação, restando assim comprovado nos autos que os princípios do devido processo legal e o da ampla defesa foram respeitados tanto no momento da fiscalização/autuação, como no curso deste processo, inexistindo o alegado cerceamento ao direito de defesa. Desta forma, não verifico caracterizado o alegado cerceamento do direito de defesa, motivo pelo qual, afasto a alegação de nulidade no lançamento apontada pela Recorrente. Da infração de omissão de receita: A Recorrente não conseguiu demonstrar e explicar nos autos os motivos das incoerências/diferenças encontradas pela fiscalização entre: 1 a DIPJ (zerada) e a DACON com receita reduzida, 2 entre as declarações feitas pelas fontes retentoras e tomadoras dos serviços nas DIRFs com a escrituração constante no Livro Registro de Notas Fiscais de Prestação de Serviços entregue pela própria autuada, 3 bem como comprovar o oferecimento à tributação de tais valores relativos a diferença da receita encontrada. Vejamos a documentação apresentada pela Recorrente para verificar se realmente ocorreu omissão de receita. De acordo com a (DIPJ) do anocalendário de 2011, a Recorrente está sujeita à tributação do imposto de renda com base no Lucro Real e, segundo o contribuinte, esta DIPJ foi entregue sem nenhum movimento devido à realização (por parte do sujeito passivo) de toda a reclassificação, escrituração e conciliação das contas contábeis. A (DACON) apresentou receita total declarada de apenas R$ 4.582.888,07 no anocalendário 2011. Ressaltese que as sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real estão obrigadas a adotar a Escrituração Contábil Digital, de acordo com o art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 787/2009. Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.497 10 A fiscalização, ao realizar a consulta nos sistemas da Receita Federal do Brasil constatou que a Recorrente não transmitiu a Escrituração Contábil Digital, mesmo após ter sido notificada à entregar a ECD. Assim, sem saída, a fiscalização extraiu do Livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços a receita auferida pela empresa, mensalmente, no anocalendário de 2011, conforme pode se verificar às fls. 6 do TVF. Também constatou nas DIRFs da Recorrente, o rendimento bruto para o ano calendário de 2011 no montante de R$ R$28.547.763,24, em código de receita 1708 (Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por Pessoa Jurídica) e retenções de tributos federais, por parte de terceiros, nas quais o sujeito passivo em questão é o beneficiário, de acordo com os quadros constantes as fls. 7 do TVF. Frente aos estes fatos extraídos dos documentos, a fiscalização entendeu ser necessário realizar diligências com as empresas tomadoras dos serviços para confirmar as informações extraídas no Livro Registro de Notas Fiscais de Serviços. Após a entrega dos documentos pelas quatro empresas diligênciadas, tomadoras dos serviços, a fiscalização verificou que realmente a Recorrente prestou os serviços correspondentes ao valor de R$ 26.176.323,46. Ou seja, foi confirmado as informações encontradas em DIRF do contribuinte como beneficiário, no referido anocalendário de 2011. Desta forma, devido a entrega da DIPJ zerada e a DACON com receita bem inferior à apurada, a fiscalização entendeu que teria ocorrido omissão de receita. Para deixar claro a constatação da fiscalização, colaciono abaixo parte do TVF (fls. 10/ ) onde expõe a infração de omissão de receita. VI – DAS INFRAÇÕES APURADAS – OMISSÃO DE RECEITA 31. Caracterizase omissão de receitas da atividade a apresentação de declarações à Receita Federal do Brasil informando valores inferiores àqueles apurados pela Fiscalização. 32. Como se pode ver anteriormente, o contribuinte evidentemente omitiu receitas. A seguir, descrição dos fatos ocorridos no anocalendário de 2011: · O Livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados (apuração do ISS) com Receita Bruta de R$29.742.966,57. Este livro foi entregue pelo contribuinte, devidamente assinado pelo contador e pelo representante legal, o que caracteriza confirmação de receitas, uma vez que a DIPJ foi entregue sem movimentação; · Rendimento Bruto no valor de R$28.547.763,24 em DIRF do sujeito passivo como beneficiário (valor muito próximo do apurado no Livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados); · Confirmação por parte de terceiros de pagamento no valor de R$26.176.323,46 ao contribuinte pela prestação de serviços. Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.498 11 Este valor correspondente a 92% do total encontrado em DIRF e 88% do total apurado no Livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados; · Valor de R$84.602,47 (referente à Nota Fiscal nº 1892), informado pela SAMARCO MINERACAO S/A, porém não escriturado no Livro de Registros de Notas Fiscais. 33. Observese que as diligências com terceiros foram realizadas para confirmar a veracidade das informações presentes no Livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados do ano calendário 2011. Uma vez que essas informações foram confirmadas, foi lavrado, em 02/04/2014, o Termo de Intimação Fiscal nº 01/2014 para a apresentação, no prazo de 20 dias, do arquivo digital do demonstrativo dos registros contábeis no layout definido no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo da CoordenaçãoGeral de Fiscalização da RFB nº 25/2010. Assim, entendo que a infração de omissão de receita ocorreu e a acusação deve ser mantida. Do arbitramento do lucro: Pare este item, inicialmente é importante ressaltar que tanto por intermédio do Termo de Início de Fiscalização, quanto ao Termo de Intimação Fiscal, a Recorrente foi intimada a apresentar a escrituração dos registros contábeis relativos ao período de janeiro a dezembro de 2011 e deixou de responder tal solicitação da fiscalização. A Recorrente foi intimada e reintimada a comprovar a transmissão da ECD e à apresentar os arquivos digitais de notas fiscais de serviço por ela emitidas no anocalendário de 2011, entretanto, apenas informou que estava sob fiscalização municipal, o que teria impedido a apresentação dos citados arquivos digitais de notas fiscais. Também foi intimada a apresentar os livros Lalur, Registros de Apuração do ISS, Demonstrativos de Apuração da CSLL, Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, Registro de Inventário e Registro de Empregados, mas apenas apresentou o livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados. Computado o tempo passado entre o recebimento do primeiro e do último desses termos de intimação, o sujeito passivo teve mais de quatro meses para providenciar a Escrituração Contábil Digital ECD. Inclusive, até a presente data, a escrituração não foi entregue. Assim, de acordo com a legislação tributária federal, se o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, será arbitrado o lucro conforme preceituam os incisos I e III do artigo 530 do RIR/99. Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.499 12 Face tais ocorrências acima apontadas, como a Recorrente é regida pela tributação com base no lucro real e não atendeu as intimações e notificações, a fiscalização utilizou o Livro de Registros de Notas Fiscais de Serviços Prestados, as informações confirmadas por meio de diligência constantes na DIRF e o DACON como base para o arbitramento do lucro. Ademais, como a Recorrente deixou de declarar no Livro de Registros de Notas Fiscais o valor de R$ 84.602,47 (referente à Nota Fiscal nº 1892), informado pela SAMARCO MINERACAO S/A em resposta a diligência, esse valor também será incluído na base de cálculo dos tributos para o arbitramento do lucro. Assim, a base de cálculo do período de janeiro a dezembro do anocalendário de 2011 dos tributos foi formada pela receita omitida e pela receita declarada, conforme quadro demonstrativo de fl. 12 do TVF, onde foi realizado a comparação da receita auferida no Livro de Registros de Notas Fiscais e DIRF com a receita declarada em DACON pela própria Recorrente. (como a DIPJ foi transmitida sem movimentação zerada, a fiscalização, por obvio não à utilizou). O lucro arbitrado resultou da aplicação de percentuais específicos sobre o valor da receita bruta trimestral, onde para as atividades de prestação de serviços em geral, o percentual será de 38,4%, de acordo com os arts. 519 e 532 do RIR/99 e os tributos foram apurados conforme exposto às fls. 13/14 do TVF. Ou seja, o arbitramento do lucro se deu devido a ausência da escrita fiscal da Recorrente, que impediu a Fiscalização de determinar a movimentação financeira e o lucro da empresa. Assim, como a Fiscalização não tinha outra opção, senão arbitrar o lucro, utilizando o critério de receita bruta, nos termos do artigo 530 do RIR/99. Quanto alegação da Recorrente de que a fiscalização deixou de deduzir todas as despesas, inclusive aquelas com folhas de pagamentos de salários, conforme GFIPs acostadas a impugnação às fls. 1783 a 2021, 2025 a 2282, 2286 a 2417, entendo que não merece prosperar. A Recorrente foi intimada e reintima a apresentar a documentação necessária durante o trabalho de fiscalização e não o fez, deixando o agente autuante sem alternativa senão arbitrar o lucro, não podendo agora, no curso do processo, apresentar posteriormente ao lançamento, documentos que entende ser importante para a apuração do imposto, nos termos da Súmula 59 do CARF. Quanto à alegação de que a fiscalização deixou de deduzir recolhimentos referentes ao PIS conforme documentos em anexo, e aproveitou parcialmente as retenções de IRRF sobre o faturamento bruto, CSLL e PIS, temse que a Recorrente, apesar de afirmar nos autos, não juntou ao processo qualquer comprovante dessa alegação. Ademais, consta no TVF que do IRPJ e da CSLL apurados no lançamento, foram deduzidos somente os valores retidos na fonte, uma vez que não houve valores pagos antes do início da fiscalização. Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.500 13 Quanto ao PIS e à Cofins, o TVF também esclareceu que, dos valores apurados, deduziu os valores retidos na fonte (informados pelas empresas tomadoras de serviços) e os valores recolhidos antes do início da ação fiscal. Acrescentou que foram encontrados valores retidos e pagos referentes a tais contribuições e, portanto, foram realizadas as devidas deduções. Assim, não verifico qualquer alegação da Recorrente que possa enfraquecer o lançamento de ofício. Desta forma, entendo que agiu corretamente o Agente Fiscal de Rendas ao arbitrar o lucro utilizando o critério de receita bruta. Da alegação de confiscatoriedade da multa aplicada: A multa foi corretamente capitulada e aplicada de acordo com a infração praticada prevista na legislação. Da forma, deixo de acolher a alegação de confiscatoriedade da multa aplicada ao Auto de Infração, por estar impedido de analisar constitucionalidade de lei no processo administrativo tributário federal, nos termos da Súmula 2 deste E. CARF/MF. Da multa qualificada e agravada: Para fundamentação da qualificação da multa, utilizo as palavras da fiscalização descritas no TVF, onde demonstram o intuito doloso da Recorrente, que ensejou a majoração da multa. 58. Os encaminhamentos da Declaração e Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) original “zerada”, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) com Receita reduzida, a falta de escrituração contábil e a ausência de manifestação por parte do sujeito passivo objetivaram, entre outras coisas, a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza e circunstâncias materiais (auferimento de receitas). 59. Fica evidente, principalmente, quando verificamos que, no anocalendário 2011, o contribuinte obteve um faturamento de R$29.827.569,04 (informações confirmadas através de diligências com terceiros), escriturou um livro de apuração do imposto municipal (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza), mas omitiu tais informações à Receita Federal do Brasil. Esta conduta do sujeito passivo caracteriza o crime de Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.501 14 sonegação fiscal, posto que a Receita Federal do Brasil somente pôde tomar conhecimento do fato gerador após o início do procedimento fiscal. 60. Assim, como não se pode admitir que um número tão grande de omissões, de forma reincidente, seja decorrente de mero erro, então, não se vislumbra possível a descaracterização da conduta dolosa do contribuinte autuado. Concluise, por conseguinte, que não se trata de infração pontual e eventual e sim de prática reiterada e atuação dolosa tendente a suprimir o pagamento de tributos, o que justifica a aplicação da multa qualificada. 61. Há, pois, neste processo, por tudo que foi exposto, presença inegável do elemento subjetivo do ilícito, o dolo, a respaldar o procedimento da fiscalização em aplicar a multa qualificada prevista no §1, do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Em relação ao agravamento da multa para 225%, devido a falta de entrega de documentos solicitados pela fiscalização, também entendo que deve ser mantida. A Recorrente deixou de atender as notificação e intimações da fiscalização para entrega de documentos fiscais e contábeis, quedandose inerte, obrigando o autuante a obter informações junto aos assentamentos da Receite Federal e a confirmálas com terceiros tomadores dos serviços. Sendo assim, não resta alternativa senão manter o agravamento da multa. Da responsabilidade solidária das sócios: Em relação a responsabilidade dos sócios administradores Alberto e Reinaldo Pereira, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, entendo que não deve prosperar. A responsabilização solidária com base apenas no fato de constarem no contrato social como administradores da empresa Recorrente não é suficiente para caracterizar os requisitos previstos no dispositivo acima citado. Devese comprovar o proveito financeiro por parte das pessoas físicas administradoras e a participação na conduta que tentou se esquivar de pagar o imposto. A responsabilização deve estar devidamente fundamentada e demonstrada nos autos, como por exemplo a pratica de atos com excesso de poderes, extrapolando os limites do contrato social/estatuto da empresa; fatos que não restaram comprovados nos autos e não foram incluídos no tópico do TVF para fundamentar a responsabilidade solidária dos sócios administradores. A inclusão das duas pessoas físicas no pólo passivo da exigência fiscal, apenas devido ao fato de serem administradores da Recorrente, não é suficiente para manter e Fl. 2501DF CARF MF Processo nº 10882.721747/201484 Acórdão n.º 1402002.788 S1C4T2 Fl. 2.502 15 constatar a responsabilidade solidária do imposto que se pretende receber por meio do lançamento de ofício. A fiscalização deveria fundamentar e demonstrar a participação, o benefício e o intuito doloso dos administradores de se esquivar de pagar o imposto. Sendo assim, face a ausência de demonstração específica da conduta dos sócios administradores e a fraca fundamentação para incluílos no pólo passivo da exação tributária, entendo que deve ser excluída a responsabilidade solidária do Sr. Alberto Pereira e Reinaldo Pereira. Tributação Reflexa: Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido para a obrigação matriz, dada a íntima relação de causa e efeito que os une. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou parcial provimento para excluir a responsabilidade solidária do Sr. Alberto Pereira e a do Sr. Reinaldo Pereira. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 2502DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.723290/2015-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2012
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
Para o contribuinte individual, entende-se por salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal.
Numero da decisão: 2401-005.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2012 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Para o contribuinte individual, entende-se por salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal.
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Recorrente ARTECOLA QUÍMICA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2011 a 28/02/2012 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Para o contribuinte individual, entendese por salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 32 90 /2 01 5- 10 Fl. 521DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 11065.723290/201510 Acórdão n.º 2401005.375 S2C4T1 Fl. 522 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI lavrado contra a empresa em epígrafe, referente à contribuição social previdenciária correspondente à contribuição da empresa incidente sobre valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados PLR a diretores não empregados, nas competências 02/11 e 02/12. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 400/411), a partir das DIPJs e dos arquivos digitais das folhas de pagamento foram identificados pagamentos de PLR aos beneficiários listados na tabela 1, diretores da empresa autuada, que são contribuintes individuais. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão 0370.194 5ª Turma da DRJ/BSB, fls. 480/489, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETOR NÃO EMPREGADO DE SOCIEDADE ANÔNIMA. São segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), na qualidade de contribuintes individuais, os diretores não empregados de sociedade anônima. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. PAGAMENTO A DIRETOR NÃO EMPREGADO. Os pagamentos relativos à participação nos resultados aos diretores nãoempregados não se enquadram na hipótese de isenção prevista no artigo 28, §9°, alínea “j”, da Lei n° 8.212/1991, uma vez que não se trata de pagamentos regulamentados pela Lei nº 10.101/2000. MULTA DE OFICIO . PREVISÃO LEGAL. NÃO CONFISCO. A utilização da multa de oficio amparada legalmente nos artigos 35A da Lei 8.212/91, combinado o art. 44 da Lei nº 9.430/96, não caracteriza o efeito confiscatório. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. As contribuições previdenciárias em atraso estão sujeitas à incidência de juros moratórios equivalentes à taxa Selic, em virtude de previsão legal expressa. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. INEFICÁCIA NORMATIVA. Fl. 523DF CARF MF 4 Decisões administrativas, mesmo proferidas por órgãos colegiados, como o Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, somente vinculam as respectivas partes e no limite das próprias decisões. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. As Convenções Coletivas de Trabalho comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 19/4/16 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 494), a autuada apresentou recurso voluntário em 19/5/16, fls. 496/511, que contém, em síntese: Afirma que a CR/88 é clara ao dispor que o direito à participação nos lucros e resultados é dos trabalhadores, sem distinção se exercem suas atividades com ou sem vínculo empregatício, e o valor pago não integra a remuneração nos termos da Lei 8.212/91, art. 22, § 2º e art. 29 § 9º, 'j'. Acrescenta que a Lei 10.101/2000 regulamentou a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, deixando claro que referida participação não caracteriza fato gerador da contribuição previdenciária. Entende que os diretores não empregados são trabalhadores, sendo possível a participação nos programas de PLR. Alega que devese fazer uma interpretação teleológica e que o objetivo da legislação foi conceder direito ao recebimento da PLR a todos os trabalhadores, empregados ou contribuintes individuais. Cita doutrina sobre o conceito de trabalho. Diz que a expressão "empregado" foi utilizada na Lei 10.101/2000 sem intenção de distinguir trabalhadores. Afirma que a PLR paga a contribuintes individuais também está abrangida pela isenção. Cita Acórdãos do CARF e doutrina. Menciona o artigo 110 do CTN, afirmando que o entendimento de que se a CF/88 prevê o PLR como um direito dos trabalhadores, não pode a lei tributária, muito menos a autoridade fiscal, modificar este conceito de trabalhador, para restringir o alcance desta norma apenas aos trabalhadores empregados. Defende que o conceito de trabalhador independe de vínculo empregatício. Alega que caso se entenda que os pagamentos feitos a diretores não possuem natureza de PLR, tais pagamentos somente poderão ter natureza de ganhos eventuais, pois foram pagos uma vez por ano. Acrescenta que os ganhos eventuais também são excluídos do salário de contribuição nos termos da Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, 'e', item 7. Cita acórdão do CARF. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 11065.723290/201510 Acórdão n.º 2401005.375 S2C4T1 Fl. 523 5 Requer seja reconhecida a improcedência do auto de infração. É o relatório. Fl. 525DF CARF MF 6 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DIRETORES NÃO EMPREGADOS Para os diretores, segurados contribuintes individuais, o lançamento teve por base o disposto na Lei 8.212/91, artigo 28, inciso III, abaixo transcrito: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição [...] III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º. Para os contribuintes individuais, o salário de contribuição equivale à remuneração auferida, não lhes aplicando o disposto na Lei 8.212/91, artigo 28, § 9o, que exclui determinadas verbas inerentes a segurados empregados do conceito de salário de contribuição. Assim, quanto aos valores pagos aos diretores, segurados contribuintes individuais, a título de participação nos lucros, tais parcelas integram o saláriodecontribuição destes segurados, conforme dispõe a Lei 8.212/91, artigo 28, inciso III, acima transcrito. Nesse caso não se aplica a Lei 10.101/2000, que trata da participação nos lucros e resultados de empregados. A participação nos lucros de administradores está prevista na Lei 6.404/76, a qual regulamenta também a sua forma de pagamento. O pagamento ou crédito de participação nos lucros de administradores, regida pela Lei 6.404/76, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias em qualquer caso, por falta de previsão legal de nãoincidência. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 11065.723290/201510 Acórdão n.º 2401005.375 S2C4T1 Fl. 524 7 A nãoincidência prevista na legislação (Lei nº. 8.212/91, art. 28, §9º, ‘j’) é aplicável tãosomente às participações dos empregados, quando distribuídas em conformidade com a Lei 10.101/2000. Assim, independentemente de constar na Lei 6.404/76 os critérios que tornam possível o pagamento a administradores de participação no lucro, tal verba integra a remuneração de contribuinte individual, não havendo previsão legal que a isente da base de cálculo das contribuições sociais para a seguridade social. Na lição de Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 2011), a isenção é técnica por meio da qual a lei tributária, ao descrever o gênero de situações sobre as quais impõe o tributo, pinça uma ou diversas espécies e as declara isentas, ou seja, excepcionadas da norma de incidência. Nos termos do § 6º do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, é necessário que exista lei específica para a definição de qualquer isenção relativa a impostos, taxas ou contribuições. O CTN, art. 110, foi observado, não havendo que se falar que a fiscalização alterou o conceito de trabalhador, dentre os quais se enquadram o empregado, o trabalhador avulso, o contribuinte individual e o empregado doméstico. Da leitura do recurso, vêse que é o recorrente que pretende alterar o conceito de empregado, querendo expandir seu conceito para que alcance os contribuintes individuais. Aliás, observandose o CTN, cumpre citar o art. 111: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; Sobre a alegação de que os pagamentos foram eventuais, o sujeito passivo sequer apresentou tal argumento em sua impugnação, ocorrendo a preclusão. De qualquer forma, como dito acima, para os contribuintes individuais, o salário de contribuição equivale à remuneração auferida, não havendo que se falar em ganho eventual quando se trata de remuneração paga a tais segurados. Portanto, correto o procedimento fiscal que apurou as contribuições previdenciárias devidas incidentes sobre os valores pagos aos diretores a título de participação nos lucros. Quanto às decisões administrativas citadas no recurso, elas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Fl. 527DF CARF MF 8 CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 528DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.005348/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 21/12/2003 a 10/12/2004
CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01.
Correta a decisão recorrida que não conheceu da impugnação da contribuinte na parte submetida à apreciação judicial (Súmula CARF nº 01).
IPI. INCIDÊNCIA. SAÍDAS DE PRODUTOS. BONIFICAÇÕES DESVINCULADAS DE VENDAS. DESCONTOS INCONDICIONAIS.
Nos termos do art. 2º, II e §2º e do art. 16 da Lei nº 4.502/64, o IPI é devido na saída do estabelecimento produtor, independentemente da onerosidade da operação.
Os descontos incondicionais, cuja inclusão na base de cálculo do IPI foi afastada pelo STF no RE nº 567.935, são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. No caso, como não foi comprovado pela recorrente, como elemento extintivo ou modificativo da decisão recorrida, que a bonificação na saída dos produtos estaria vinculada a alguma venda mercantil efetivamente realizada pela contribuinte não está configurado o desconto incondicional.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-004.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 21/12/2003 a 10/12/2004 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. Correta a decisão recorrida que não conheceu da impugnação da contribuinte na parte submetida à apreciação judicial (Súmula CARF nº 01). IPI. INCIDÊNCIA. SAÍDAS DE PRODUTOS. BONIFICAÇÕES DESVINCULADAS DE VENDAS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Nos termos do art. 2º, II e §2º e do art. 16 da Lei nº 4.502/64, o IPI é devido na saída do estabelecimento produtor, independentemente da onerosidade da operação. Os descontos incondicionais, cuja inclusão na base de cálculo do IPI foi afastada pelo STF no RE nº 567.935, são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. No caso, como não foi comprovado pela recorrente, como elemento extintivo ou modificativo da decisão recorrida, que a bonificação na saída dos produtos estaria vinculada a alguma venda mercantil efetivamente realizada pela contribuinte não está configurado o desconto incondicional. Recurso Voluntário negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 21/12/2003 a 10/12/2004 CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. Correta a decisão recorrida que não conheceu da impugnação da contribuinte na parte submetida à apreciação judicial (Súmula CARF nº 01). IPI. INCIDÊNCIA. SAÍDAS DE PRODUTOS. BONIFICAÇÕES DESVINCULADAS DE VENDAS. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Nos termos do art. 2º, II e §2º e do art. 16 da Lei nº 4.502/64, o IPI é devido na saída do estabelecimento produtor, independentemente da onerosidade da operação. Os descontos incondicionais, cuja inclusão na base de cálculo do IPI foi afastada pelo STF no RE nº 567.935, são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. No caso, como não foi comprovado pela recorrente, como elemento extintivo ou modificativo da decisão recorrida, que a bonificação na saída dos produtos estaria vinculada a alguma venda mercantil efetivamente realizada pela contribuinte não está configurado o desconto incondicional. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 53 48 /2 00 8- 62 Fl. 1303DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de processo de auto de infração, lavrado em 04/12/2008, para a exigência de IPI, juros de mora e multa proporcional de 75% sobre o valor do imposto, no montante total de R$6.046.011,45. Conforme consta na autuação, a contribuinte utilizou créditos indevidos relativamente a: a) bonificações nas saídas de produtos; b) entradas de insumos tributados com alíquota zero; c) entradas de insumos isentos; e d) entradas imunes de energia elétrica (com alíquota de 60%, correspondente à saída do produto aguardente). A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2003.61.09.0014998, mediante o qual requereu o reconhecimento do direito de aproveitamento de créditos de IPI relativamente aos insumos não tributados ou tributados a alíquota zero, além da compensação desses créditos com o mesmo tributo. A liminar foi indeferida e a segurança denegada, bem como foi negado seguimento à apelação da impetrante, com fundamento no art. 557, caput do anterior CPC. Posteriormente também o agravo foi improvido e os embargos de declaração foram rejeitados, tendo sidos os autos arquivados. A contribuinte também impetrou o mandado de segurança nº 2003.61.09.0065600, o qual foi extinto sem exame do mérito em face da litispendência com o mandado de segurança nº 2003.61.09.0014998. Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese: a) nulidade do procedimento fiscal; b) direito ao crédito sobre entradas desoneradas em face do princípio da não cumulatividade; c) impossibilidade de o desconto incondicional integrar a base de cálculo do imposto. Mediante o Acórdão nº 1432.297 2ª Turma da DRJ/RPO, de 26 de janeiro de 2011, decidiu o julgador de primeira instância, em síntese, por: Não conhecer da matéria relativa ao aproveitamento de créditos relativos a insumos imunes, isentos e não tributados, vez que objeto de discussão judicial. Não conhecer da questão acerca da possibilidade de atualização monetária pela aplicação da taxa Selic dos créditos referentes a insumos desonerados, eis que não abordada no processo administrativo e nem judicialmente. Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 13888.005348/200862 Acórdão n.º 3402004.890 S3C4T2 Fl. 1.304 3 Manter a glosa relativa às bonificações/descontos incondicionais, em face da inexistência do direito à exclusão de descontos e abatimentos da base de cálculo do imposto. Tendo sido cientificada dessa decisão em 22/02/2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/03/2011. Em face de problemas na digitalização desse documento, os autos retornaram à Unidade RFB de Origem para o saneamento, tendo sido juntada nova via do recurso voluntário, que consta nas fls. 707/739. Alega a contribuinte em seu recurso voluntário, em síntese, que: 1. Entradas desoneradas: Não houve, na decisão recorrida, a comprovação da identidade de objetos entre os processos administrativo e judicial, além do que o processo judicial é anterior a constituição do crédito tributário. O art. 38 da Lei nº 6.830/80 não é aplicável ao presente caso. Faz jus à tomada de créditos em face do princípio da não cumulatividade. O art. 153 da CF referese às operações anteriores, e não tão somente à última operação. O crédito tributário não advém da cobrança ou do efetivo pagamento do tributo, mas sim da existência deste na operação anterior. Além do que a obrigatoriedade do estorno dos créditos de entrada nem mais está em vigor, tendo em vista o art. 11 da Lei nº 9.779/99. 2. Crédito de Descontos Incondicionais: O Superior Tribunal de Justiça em reiteradas decisões afirmou que os descontos incondicionais ou bonificações não integram a base de cálculo do IPI, inclusive em sede de recurso repetitivo (vide Recurso Especial nº 1.161.208SP e AgRg nº 1.254.140SP). As expressões "bonificação" e "descontos incondicionais" são semelhantes. As "bonificações" nada mais são do que gratificações dadas por mera liberalidade da contribuinte a seus clientes, que se efetivam por meio da concessão de um abatimento de 100% do valor da operação. Em conformidade com o disposto no art. 14, II, parágrafo único da Lei nº 4.502/64, apenas era exigida a inclusão dos descontos concedidos sob condição na base de cálculo do IPI, estando, portanto, expressamente excluídos da base de cálculo os descontos incondicionais. A Lei nº 7.798/89, que alterou o art. 14 da Lei nº 4.502/64, proibindo a dedução do valor da operação dos descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente, não poderia alterar o CTN, uma lei complementar. Assim, o que se submete ao crivo do órgão julgador administrativo não é a inconstitucionalidade da Lei nº 7.798/89, mas apenas sua inaplicabilidade ao caso concreto ou, no máximo, sua ilegalidade. Somente a lei complementar poderia alterar a base de cálculo do IPI, a teor do art. 146, III, "a" da CF. O valor da operação na base de cálculo do IPI é o preço, mas nas bonificações não há preço. Não podem os descontos incondicionais, inclusive os de 100%, Fl. 1305DF CARF MF 4 incidir na base de cálculo do IPI, uma vez que não integram o valor da operação. Assim, é incorreto e ilegal o estorno dos créditos respectivos. O julgamento foi convertido em diligência, mediante a Resolução nº 3402 000.802, de 19 de julho de 2016, nos seguintes termos: (...) Da leitura do Termo de Verificação Fiscal, observase que, embora a principal motivação para a glosa tenha sido mesmo o entendimento da fiscalização de que o IPI incidiria também sobre as bonificações, razão pela qual não haveria o direito ao correspondente creditamento; a fiscalização já havia também alertado sobre a falta de comprovação pela contribuinte das alegadas bonificações. Como não consta intimação para tal comprovação pela contribuinte, depreendese que a fiscalização deixou de apurar a questão fática por entender prejudicada pela questão de direito. Na impugnação e no recurso voluntário, a contribuinte nada acrescentou acerca da efetiva comprovação de que as bonificações teriam efetivamente ocorrido nas quantias informadas nas planilhas. Diante da ausência dos correspondentes documentos fiscais, não se tem, até o presente momento nos autos, a efetiva comprovação de que os créditos pleiteados pela contribuinte seriam efetivamente as bonificações, como qualificadas pela requerente/contribuinte, que dariam em tese o direito ao creditamento. Assim, embora fosse incumbência da própria contribuinte comprovar o direito creditório alegado sobre as bonificações, há que se ponderar que a fiscalização também não direcionou a fiscalização nesse sentido, razão pela qual trará maior equilíbrio entre as partes sob litígio a conversão do julgamento em diligência para que seja oferecida oportunidade à recorrente para apresentar os documentos fiscais que comprovariam as bonificações alegadas. Na oportunidade, auxiliaria também na resolução da lide a juntada aos autos de cópia da petição inicial do mandado de segurança nº 2003.61.09.0014998, para a verificação da concomitância com o presente processo relativamente às entradas desoneradas. Assim, pelo exposto, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para solicitar à DRF/PiracicabaSP que: a) Intime a recorrente a apresentar os documentos fiscais e lançamentos contábeis correspondentes que comprovem as alegadas bonificações; b) Analise a documentação acostada pela recorrente e sua potencialidade para comprovar as alegadas bonificações; c) Junte aos autos cópia da petição inicial do mandado de segurança nº 2003.61.09.0014998, seja por intermédio da própria recorrente ou da Procuradoria da Fazenda Nacional; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 13888.005348/200862 Acórdão n.º 3402004.890 S3C4T2 Fl. 1.305 5 e) Por fim, após decorrido o prazo de manifestação da interessada, devolva os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (...) A fiscalização na diligência juntou a cópia da inicial do Mandado de Segurança nº 2003.61.09.0014998 nas fls. 1253/1272 e informou no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1279/1294) o que se segue: (...) Analisadas, por amostragem, as seguintes notas fiscais (cópias digitalizadas das originais, fls. 1198 a 1204; a digitalização foi feita da melhor forma possível, considerando que as notas estão encadernadas): Para todos os documentos relacionados acima, foi constatado o seguinte: as notas fiscais originais foram apresentadas (fls. 1198 a 1204); as notas fiscais foram emitidas com CFOP 5910 ou 6910 REMESSA EM BONIFICAÇÃO; os valores das notas fiscais conferem; consta destaque do IPI nas notas fiscais; as notas fiscais estão relacionadas no Livro Registro de Saídas com destaque do imposto (fls. 1205 a 1225); o valor do imposto destacado nas notas fiscais foi lançado no Livro de Apuração do IPI (fls. 1226 a 1243); valor total de débito do imposto de cada decêndio do Livro de Apuração do IPI confere com o valor de débito total do imposto do decêndio do Livro Registro de Saídas; valor da bonificação foi contabilizado, conforme Livro Diário (fls. 1244 a 1252), nas contas 3130101 BONIFICAÇÕES (conta de receita) e contrapartida em 3360504 BONIFICAÇÕES (conta de despesa). Verificase, portanto, que o valor não foi lançado em clientes (ativo), aguardando pagamento, mas sim em despesas, o que veio a comprovar que a mercadoria constante das notas não foi vendida, mas sim dada em bonificação; o valor lançado como receita foi anulado pelo mesmo valor lançado como despesa, na apuração do lucro. Conclusão: tratase de saída de produto em bonificação, devidamente contabilizada, com destaque do imposto, sendo este considerado no somatório de impostos debitados no decêndio. Verificado, ainda, que todos os débitos apurados no LAIPI foram declarados em DCTF (fls. 1273 a 1276). Destaquese que os julgamentos do REsp e RE citados no voto da Relatora do CARF são posteriores à emissão do Auto de Infração, que ocorreu em 2008. À época de emissão do Auto, foi observada a Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, Art. 2º, II, e §2º: (...) Fl. 1307DF CARF MF 6 A recorrente tomou ciência do Relatório de Diligência Fiscal em 20/06/2017, por meio eletrônico, tendo sido informada do direito de se manifestar no prazo de trinta dias, mas não apresentou nenhum documento nesse sentido. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. 1. Entradas desoneradas: Não pairam dúvidas de que a questão acerca do direito ao aproveitamento do crédito relativamente aos insumos não tributados ou tributados a alíquota zero foi matéria discutida no mandado de segurança nº 2003.61.09.0014998, como se vê nos trechos abaixo da sua petição inicial: Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 13888.005348/200862 Acórdão n.º 3402004.890 S3C4T2 Fl. 1.306 7 A concomitância do processo judicial com o presente processo nessa parte também restou confirmada ao julgador da DRJ nos excertos da sua sentença, cuja cópia consta nas fls. 402/408. Determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979 que a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". Também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz disposição semelhante em relação às ações judiciais de mandado de segurança, repetição do indébito ou anulatória do ato declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, regulamentou a matéria no mesmo sentido, sendo irrelevante se a ação judicial foi proposta antes ou depois do lançamento: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Assim, nada há a reparar na decisão recorrida na parte que não conheceu da matéria que estava sub judice, restando prejudicados os demais argumentos da recorrente no sentido de que faria jus ao referido creditamento. Ademais, no presente momento, conforme nas informações processuais no sítio do TRF 3ª Região, o processo transitou em julgado sem qualquer resultado favorável à impetrante no que concerne às saídas desoneradas. 2. Crédito de Descontos Incondicionais: Nos termos do art. 2º, II e §2º e do art. 16 da Lei nº 4.502/64, o imposto é devido na saída do estabelecimento produtor, independentemente da onerosidade da operação: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: (...) II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. (...) § 2º O impôsto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor. Fl. 1309DF CARF MF 8 (...) Art . 16. Se a saída do produto do estabelecimento produtor ou revendedor se der a título de locação ou decorrer de operação a título gratuito, assim considerada também aquela que, em virtude de não transferir a propriedade do produto, não importe em fixarlhe o preço, o impôsto será calculado sôbre o valor tributável definido nos incisos I e II do artigo anterior, consideradas as hipóteses nêles previstas. Ao contrário do alegado pela recorrente, "descontos incondicionais" e "bonificações" são conceitos diversos, não obstante algumas vezes as "bonificações" possam, conforme o caso, também ter a característica de "descontos incondicionais". Essa questão foi tratada na Solução de Consulta nº 130 SRRF08/Disit, de 3 de maio de 2012, da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª RF, que, embora se referisse às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, seus conceitos podem também ser aproveitados para o IPI, nos seguintes termos: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. (...) 2. Em preliminar, devese definir o conceito, para efeitos tributários, de bonificação, uma vez que o cerne da questão apresentada se relaciona diretamente a tal conceito, e nos efeitos Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 13888.005348/200862 Acórdão n.º 3402004.890 S3C4T2 Fl. 1.307 9 que tal conceito podem fazer repercutir em matéria tributária, mais especificamente, na determinação da base de cálculo das Contribuições ao PIS/Pasep e ‘a Cofins. 3. Bonificações são entendidas no campo do direito comercial como a concessão feita pelo vendedor ao comprador, ao diminuir o preço do produto ou serviço vendido ou ao entregar quantidades maiores do que as avençadas em contrato comercial. As bonificações, dentro deste contexto, podem ser concessões recebidas tanto em dinheiro como em mercadorias. 4. Por ser relevante, a Administração Tributária Federal pacificou seu entendimento ao conceituar bonificação no Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, do qual transcrevemos o seguinte excerto, para esclarecimento do tema (observamos que o padrão monetário citado é o vigente á época da edição do texto administrativo) : “ Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento, são definidas pela Instrução Normativa SRF nº 51/78 como descontos incondicionais. Isto pode ser feito computandose, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias.” (destacouse) 4.1. Seguindo este parâmetro, a Administração Tributária á época da emissão do Parecer retro, já havia editado a Instrução Normativa SRF nº 51, de 03/11/1978, onde, em seu item 4.2 disciplina o conceito de desconto incondicional, no âmbito tributário : 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.2. Portanto, conjugandose a disciplina normativa de tais atos, concluíse que, para a Administração Tributária, bonificação, cujo valor conste da Nota Fiscal de venda, quando não vinculado ‘a operação ou evento futuro, tem a natureza jurídica de desconto incondicional, assumindo assim a condição de redutor do valor bruto da operação de venda. (...) Nessa mesma linha foi o voto vencedor do Ilustre Conselheiro Júlio César Alves Ramos, no Acórdão nº 9303003.515 – 3ª Turma, de 15 de março de 2016, abaixo transcrito: Fl. 1311DF CARF MF 10 (...) Há uma segunda parcela dos tais descontos que não comporta, efetivamente, nenhuma contraprestação por parte do supermercado que possa ser tachada de prestação de serviço. Para essas, concordo que a discussão é realmente bem mais complexa, mas não as diviso na relação elaborada pelo relator da decisão recorrida. De fato, além dos descontos contraprestacionais, ali só identifico as pretensas bonificações, que passo a tratar. Quanto a elas nada tenho a acrescer ao que foi argumentado pelo n. relator que me precedeu: apenas se podem considerar bonificadas as mercadorias recebidas em quantidade maior do que aquela objeto de uma específica e vinculada operação de compra e venda. E para que tal ocorra, há de estar isso registrado na nota fiscal correspondente àquela operação. Esse é, aliás, o próprio significado econômico da expressão bonificação1: "Vantagem concedida pelo vendedor ao comprador, seja pela diminuição do preço da mercadoria vendida, seja pela entrega de uma quantidade maior que a estipulada. No mercado de ações, bonificação é a distribuição gratuita de ações novas aos acionistas (na proporção da quantidade de ações já possuídas por cada acionista) em virtude da incorporação ao capital de reservas ou lucros acumulados ou da realização do ativo de uma empresa". Quase com as mesmas palavras, as define o nosso maior lexicógrafo2: bonificação (...) 3. concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior do que a estipulada. E é por se referirem a uma dada operação de compra, na qual encontram sua razão de ser, que podem ser tratadas como se fossem um desconto incondicional: o vendedor está entregando uma quantidade maior do que estaria obrigado, o que equivale a cobrar menos por cada uma das efetivamente entregues. (...) Quando, entretanto, as mercadorias são recebidas em operações isoladas, isto é, descasadas de uma concomitante operação de compra e venda, de bonificações não se trata, mas meramente de doações. (...) (...) Dessa forma, para a aplicação do entendimento do STF, proferido em sede de repercussão geral no RE 567.9351, ou pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos2, 1 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS –VALORES DE DESCONTOS INCONDICIONAIS – BASE DE CÁLCULO – INCLUSÃO – ARTIGO 15 DA LEI Nº 7.798/89 –INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL – LEI COMPLEMENTAR – EXIGIBILIDADE. Viola o artigo 146, inciso III, alínea “a”, da Carta Federal norma ordinária segundo a qual hão de ser incluídos, na base de cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, os valores relativos a descontos incondicionais concedidos quando das operações de saída de produtos, prevalecendo o disposto na alínea “a” do inciso II do artigo 47 do Código Tributário Nacional. 2 PROCESSUAL CIVIL TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR DA OPERAÇÃO DEDUÇÃO DE DESCONTOS Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 13888.005348/200862 Acórdão n.º 3402004.890 S3C4T2 Fl. 1.308 11 importa saber se as denominadas "bonificações" pela recorrente, seriam ou não verdadeiros "descontos incondicionais". Conforme se observa nas notas fiscais das fls. 1198/1204, as bonificações concedidas pela recorrente foram acobertadas por notas fiscais autônomas, não estando vinculadas a outra venda, de forma que não se tratam de um desconto incondicional, assim considerado uma parcela redutora do preço de venda que consta na nota fiscal de venda dos bens e independem de evento posterior à emissão desse documento. Além da inexistência de nota fiscal única para amparar conjuntamente a bonificação e a venda, a recorrente também não demonstrou, por outros meios, que a INCONDICIONAIS ILEGITIMIDADE DA DISTRIBUIDORA PARA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO POSSIBILIDADE. AFETAÇÃO DO RECURSO À SISTEMÁTICA DE JULGAMENTO DE RECURSOS REPETITIVOS (ART. 543C DO CPC). 1. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp. 903.394/AL (julgado em 24.3.2010, DJ de 26.4.2010) submetido à sistemática dos recursos repetitivos, alterou a sua jurisprudência considerando a distribuidora de bebidas, intitulada de contribuinte de fato, parte ilegítima para pleitear repetição de indébito. 2. A base de cálculo do IPI, nos termos do art. 47, II, "a", do CTN, é o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria. 3. A Lei 7.798/89, ao conferir nova redação ao § 2º do art. 14 da Lei 4.502/64 (RIPI) e impedir a dedução dos descontos incondicionais, permitiu a incidência da exação sobre base de cálculo que não corresponde ao valor da operação, em flagrante contrariedade à disposição contida no art. 47, II, "a", do CTN. Os descontos incondicionais não compõem a real expressão econômica da operação tributada, sendo permitida a dedução desses valores da base de cálculo do IPI. 4. A dedução dos descontos incondicionais é vedada, no entanto, quando a incidência do tributo se dá sobre valor previamente fixado, nos moldes da Lei 7.798/89 (regime de preços fixos), salvo se o resultado dessa operação for idêntico ao que se chegaria com a incidência do imposto sobre o valor efetivo da operação, depois de realizadas as deduções pertinentes. 5. Recurso especial não provido. Sujeição do acórdão ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1149424/BA, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 07/05/2010) Fl. 1313DF CARF MF 12 bonificação seria vinculada a alguma outra venda mercantil efetivamente realizada, inclusive, sequer foi apresentada alegação nesse sentido no recurso voluntário. Como se sabe, aquele que pleiteia um direito tem o dever de provar os fatos que geram esse direito. Assim, diante da ausência de demonstração, a cargo da recorrente, da existência de operação de venda vinculada às bonificações, essas não podem ser consideradas descontos incondicionados, não sendo o caso de aplicação obrigatória pelo CARF dos entendimentos do STJ e STF acima referidos. Dessa forma, as saídas de produtos com bonificação do estabelecimento produtor da recorrente são tributadas pelo IPI, tendo sido corretas as glosas efetuadas pela fiscalização no indevido creditamento desses valores efetuado pela contribuinte na sua escrita. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1314DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.917233/2009-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que anexe aos autos os documentos constantes do processo de n. 10783.917232/2009-39 que se mostrarem necessários à análise do crédito nestes autos e reintime o contribuinte, se necessário, a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF, juntando os documentos requeridos, em especial aos que se referem ao mês de julho de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1870; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 473 1 472 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.917233/200983 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1001000.048 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Ordinária Data 07 de março de 2018 Assunto CSLL RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO Recorrente CINTYA IMPORTACAO E EXPORTACAO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que anexe aos autos os documentos constantes do processo de n. 10783.917232/200939 que se mostrarem necessários à análise do crédito nestes autos e reintime o contribuinte, se necessário, a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF, juntando os documentos requeridos, em especial aos que se referem ao mês de julho de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. RELATÓRIO A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 29.06.2007, fls. 3033, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$ 29.140,74 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 29.09.2006, fl. 04. O julgamento foi convertido em diligência através da Resolução 180100.140 da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (efls. 78/82) para esclarecer a situação fática, qual seja, a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 17 23 3/ 20 09 -8 3 Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10783.917233/200983 Resolução nº 1001000.048 S1C0T1 Fl. 474 2 efetiva existência do suscitado pagamento a maior (no valor total de R$ 29.140,74 de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, referente ao fato gerador ocorrido em 31.07.2006, fl. 04). Entre outros comandos , foi requerido da recorrente: A Recorrente deve ser intimada a juntar a escrituração completa mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior Por bem descrever todos os fatos, transcrevo a seguir as razões daquele resolução: Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 03, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. A Recorrente foi cientificada em 19.10.2009, fls. 29, e apresentou a manifestação de inconformidade em 10.11.2009, fls. 0102, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. (...) Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1239.358, de 11.08.2011, fls. 3536:“ Manifestação de Inconformidade Improcedente”.”. Conta no Voto condutor: "Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim. A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O Darf foi alocado conforme DCTF. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito." (...) Notificada em 31.08.2011, fl. 41, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.09.2011, fls. 4358, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que os atos administrativos são nulos, uma vez que houve preterição do seu direito de defesa, haja vista que a DCTF retificadora deve ser considerada para fins de compensação, porque ela tem a mesma natureza daquela originalmente apresentada e a substitui integralmente. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10783.917233/200983 Resolução nº 1001000.048 S1C0T1 Fl. 475 3 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. (...) Voto Compulsando os presentes autos, constato que não se encontram em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A Recorrente suscita que houve erro na indicação dos valores dos débitos em DCTF e para correção do engano apresentou o documento retificador em 23.10.2009 com os valores corretos, os quais são coincidentes com aqueles constantes na Per/DComp e na DIPJ originalmente apresentadas. (...) Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática, qual seja, a efetiva existência do suscitado pagamento a maior. Em face desta questão e com a observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do julgamento na realização de diligência para que sejam tomadas as seguintes providências em relação ao alegado pagamento a maior no valor total de R$ 29.140,74 de CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada, código nº 2484, efetuado em 29.09.2006, referente ao fato gerador ocorrido em 31.07.2006, fl. 04: 1) A autoridade preparadora deve instruir os autos com: 1.a) as cópia das DCTF, original e retificadoras, se houver; 1.b) as cópias das DIPJ, original e retificadoras, se houver. 2) A Recorrente deve ser intimada a juntar a escrituração completa mantida com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal sobre os fatos apurados. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10783.917233/200983 Resolução nº 1001000.048 S1C0T1 Fl. 476 4 A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. A Unidade de Origem respondeu através do Despacho SEORT/DRF/VIT/ES nº 0780/2017 (efls. 460/461) em que aduz que a Recorrente respondeu a intimação no prazo, mas não juntou os elementos necessários ao cumprimento da Diligência impossibilitando assim a análise conclusiva em sua escrituração fiscal. A Recorrente alegou que figura como parte em outro caso (10783.917232/200939), no qual esta mesma E. Primeira Seção houve por decidir de modo favorável aos interesses da contribuinte , devendo a "r. decisão funcionar neste caso que ora se prima como prova emprestada". Transcrevo a seguir os principais relatos do Despacho SEORT/DRF/VIT/ES nº 0780/2017: "2. Em atendimento a Resolução de fls 78/82 em que nos é solicitado em Diligência a juntada de Declarações do contribuinte e para a elaboração de Relatório Fiscal após a conclusão das intimações para que o contribuinte junte escrituração completa mantida “com observância das disposições legais para fazer prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, com vista a comprovar o suscitado pagamento a maior” encaminhamos resposta conforme segue abaixo. 3. Em resposta a intimação o contribuinte atravessou a petição de fls. 86/87, e em síntese argumenta que: “Peticionante figura como parte em outro caso, em muito semelhante ao que neste se prima, estáse falando dos autos do processo administrativo autuado sob o n. 10783.917232/200939, o qual, esta mesma E. Primeira Seção, houve por decidir de modo favorável aos interesses da contribuinte no último dia 07 de agosto de 2013 (…) Portanto, em homenagem ao primado da verdade real, a r. decisão acima colacionada deve funcionar neste caso que ora se prima como prova emprestada, de maneira que o seu desfecho venha a correr no mesmo sentido daquele, ie, com o julgamento de modo favorável às colocações e perpetrações ventiladas pela contribuinte.” 4. Contudo, apesar de responder a intimação no prazo, não juntou os elementos necessários ao cumprimento da Diligência de modo a não atender a intimação impossibilitando assim a nossa análise conclusiva em sua escrituração fiscal. 5. Em tempo, informamos que paralelamente juntamos as Declarações DCTF e DIPJ às fls. 104/459 conforme solicitado. 6. Por fim, sem mais a fazer para o momento, encaminhamos o presente processo para adoção das providências sob sua alçada. VOTO Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10783.917233/200983 Resolução nº 1001000.048 S1C0T1 Fl. 477 5 Juntamos (efls. 465/472) cópia do acórdão 1801001.554, processo n. 10783.917232/200939, e verificamos que o crédito pleiteado do valor de IRPJ foi reconhecido com base em documentos lá anexados em sua maioria referentes ao mês de julho/2006, quais sejam: Diário, Razão, DCTF, Livro de Apuração de ICMS, Livro Razão de Receita de Venda de Mercadorias e de Custo de Mercadorias. Como nos presentes autos o Recorrente requer o reconhecimento de crédito relativo ao pagamento a maior de CSLL do mesmo mês (julho de 2006, efl. 04) presumo ser possível a análise do pleito do contribuinte com base nos documentos acostados no processo n. 10783.917232/200939, como afirma a Recorrente. Desta forma, voto por converter o julgamento em diligência através da qual: a) cientifique o contribuinte do teor desta resolução; b) Anexe aos autos os documentos constantes do processo de n. 10783.917232/200939 que se mostrarem necessários à análise do crédito nestes autos. c) reintime o contribuinte, se necessário, a fim de que atenda aos termos da Resolução da 1ª Turma Especial 3ª Câmara /CARF (efls. 78/82), juntando os documentos requeridos, em especial os que se referem ao mês de julho de 2006, e desta forma possibilite a análise de seu pleito. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da diligência solicitada deverá elaborar Relatório Fiscal sobre a procedência e suficiência do crédito frente aos documentos anexados e débitos a serem compensados, e ao final cientificar o contribuinte daquele Relatório. (Assinado digitalmente). Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 477DF CARF MF
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