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Numero do processo: 11516.722580/2011-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Conforme decisão definitiva do STF, em julgamento com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão definitiva do STF, em julgamento com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Recurso Voluntário Provido.
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INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão definitiva do STF, em julgamento com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 80 /2 01 1- 67 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11516.722580/201167 Acórdão n.º 2402004.685 S2C4T2 Fl. 346 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 08 26.623 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os Autos de Infração AI n.º 37.059.8547 e AI n.º 37.059.8539. De acordo com o relatório fiscal, o AI n.º 37.059.8547 referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A outra lavratura decorreu de descumprimento de obrigação acessória. A empresa teria deixado de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A ASSEMA apresentou impugnação que foi considerada improcedente, tendo interposto recurso ao CARF, no qual pugna pelo cancelamento do AI. Alega que não tinha que declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP os valores pagos à Cooperativa Unimed, haja vista que entende que tais pagamentos não se constituem em base de incidência de contribuições. Depois afirma que era mera repassadora dos valores à Cooperativa, a qual prestava serviços aos seus associados, que assumiam o custo integral do contrato. Assim, se alguma contribuição fosse devida, seria pelos beneficiários do plano de saúde. Por fim, afirma que a exação é inconstitucional. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Contribuição sobre faturas relativas a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho – inconstitucionalidade Em sessão plenária realizada em 23/04/2014, o Corte Constitucional, ao decidir sobre o RE n. 595.838, declarou por unanimidade a inconstitucionalidade do dispositivo questionado, em julgamento, com repercussão geral reconhecida, que teve o seguinte resultado: “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014.” Contra essa decisão a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, que foram rejeitados por unanimidade pela Corte, em julgamento com ata publicada no DJE em 20/02/2015. Segundo o inciso I do § 1.º do art. 62 do Regimento Interno RI do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, a contrário senso, esse tribunal administrativo deve afastar a aplicação de dispositivos declarados inconstitucionais por decisão definitiva do STF. Nesse sentido, cabível a declaração de improcedência dos autos de infração, haja vista que os pagamentos à Cooperativa de Trabalho não se sujeitam à incidência de contribuições, conforme decisão da Corte Constitucional, não sendo exigível também a declaração dos valores envolvidos na GFIP. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 11516.722580/201167 Acórdão n.º 2402004.685 S2C4T2 Fl. 347 5 Conclusão Voto por dar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 349DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10283.004840/2005-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3301-000.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, para a vinculação dos autos ao processo 10283.004.838/2005-10, sobrestando-se o julgamento na Câmara, até decisão definitiva relativa ao processo principal, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, para a vinculação dos autos ao processo 10283.004.838/200510, sobrestandose o julgamento na Câmara, até decisão definitiva relativa ao processo principal, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 04 84 0/ 20 05 -9 9 Fl. 643DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10283.004840/200599 Resolução nº 3301000.214 S3C3T1 Fl. 4 2 Relatório: Tratase de lançamento de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), referente a fato gerador ocorrido em março de 2002, tendo como base de cálculo "omissão de receita". Consta dos autos existir autuação de IRPJ formalizada no processo 10283.004.838/200510, que serviu de base para o presente processo. Assim, postergo seguimento do presente relatório para, antecipadamente, prolatar o voto. Voto: Conforme já dito, há reflexo processual configurandose a vinculação prevista no art. 6º, inciso III do § 1º, Anexo II do Regimento do CARF, de acordo com a redação da Portaria MF nº 343, de 2014, que assim está redigido: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter Fl. 644DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10283.004840/200599 Resolução nº 3301000.214 S3C3T1 Fl. 5 3 o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. [...] [destaquei]; Em conseqüência, devese adotar a determinação do § 5º daquele artigo 6º, suso transcrito e destacado, para converter o julgamento em diligência para vinculação dos autos ao processo 10283.004.838/200510, sobrestandose o julgamento do processo na Câmara, até decisão definitiva relativa ao processo principal, vinculado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator Fl. 645DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 21/12/2015 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 26/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 11030.720620/2010-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO.
Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado.
Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO. Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado. Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 06 20 /2 01 0- 16 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 159), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: "(...)Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em relação a restituição por meio eletrônico relativo a créditos que a interessada alega possuir, originados de valores de Cofins nãocumulativa que deveriam ser corrigidos monetariamente ou ter incidência da taxa Selic. Analisado ao pleito original da contribuinte pela DRF em Passo Fundo, foi reconhecida integralidade do direito creditório originalmente pleiteado, tendo a empresa sido cientificada da decisão em 10/11/2010, conforme AR juntado ao processo. Não obstante, a contribuinte encaminhou pelo Correio em 10/12/2010 (com carimbo de recepção em 13/12/2010 aposto pela DRF Passo Fundo) manifestação de inconformidade, encaminhada a esta DRJ para análise, pleiteando a correção monetária ou aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos administrativamente pela DRF pelos valores originais. Transcreve jurisprudência a seu favor. Nesta peça não aborda o prazo para a apresentação da inconformidade. Entendendo que a Manifestação de Inconformidade era intempestiva, haja vista a data de 13/12/2010, então considerada Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720620/201016 Acórdão n.º 3802002.306 S3TE02 Fl. 161 3 pelos elementos constantes no processo, este órgão julgador encaminhou o processo de volta à origem para que fosse lavrado o termo de revelia. Entretanto, ao tomar ciência do Despacho DRJ, a interessada compareceu novamente ao processo, apresentando solicitação de revisão do despacho, esclarecendo o engano ocorrido quanto à data correta de postagem, 10/12/2010, comprovandoo mediante documentação hábil e argumentando pela tempestividade com base no Ato Declaratório Normativo No 19, de 26/05/1997, pelo qual deve ser considerada a data de postagem da petição. Assim sendo, o processo foi remetido novamente à DRJ em 17/06/2011". Ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, restando superada a discussão acerca da sua tempestividade, a 2ª Turma da DRJ/POA entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 Face à existência de expressa vedação legal, inaceitável a correção monetária ou a incidência de juros no ressarcimento de créditos de Pis/Cofins não cumulativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário (fls. 129 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, reforçando seu argumento no sentido de que a demora na análise do pleito – não atendido até o momento da interposição do Recurso Voluntário – configura a resistência indevida do fisco, viabilizando a incidência de correção monetária sobre seu crédito a receber, desde a data do protocolo do pedido administrativo, alternativamente, a partir do primeiro dia subsequente ao término do prazo concedido pela legislação para que se julgasse o pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 159), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de pedido de restituição formulado após processo de ressarcimento, cujo deferimento somente foi proferido após decurso de prazo superior a um ano. Em sua manifestação de inconformidade original (fls. 03 e seguintes), o contribuinte afirma que, até aquele momento, não havia sido efetivamente ressarcido dos valores reconhecidos no pedido formulado em 2010. Ao ser intimado da decisão que equivocadamente considerou intempestiva a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou petição (fls. 87 e seguintes) esclarecendo o erro e afirmando que o crédito foi ressarcido pelo seu valor nominal, todavia sem especificar o momento de sua ocorrência. Dessa petição seguiuse o julgamento de mérito da DRJ, que, mesmo reconhecendo a tempestividade da manifestação de inconformidade, negou o pleito do contribuinte ante a ausência de previsão legal para correção monetária dos créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento. Contra essa decisão, o Recurso Voluntário (fls. 129 e seguintes) indica que, até o momento de sua interposição, os créditos ainda não haviam sido efetivamente ressarcidos. Estou de acordo com os fundamentos jurídicos do pedido do contribuinte, porém não percebo materialidade no direito de crédito suscitado. Explico. A causa de pedir do sujeito passivo se dá em razão do fato de que a demora injustificada no ressarcimento de tributos, configura a resistência indevida do fisco a que a jurisprudência do STJ se refere, em sede de recurso repetitivo (cuja reprodução é obrigatória por este Conselho, nos termos do artigo 62A do RICARF). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720620/201016 Acórdão n.º 3802002.306 S3TE02 Fl. 162 5 postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Além disso, entende o STJ que o raciocínio da correção monetária para os créditos de IPI decorrentes da não cumulatividade se estende para os créditos de PIS e COFINS objeto de pedidos de ressarcimento: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. CRÉDITO ESCRITURAL. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. 1. A alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2. O entendimento firmado no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, atrai conclusão no sentido de que é devida a incidência de correção monetária aos créditos escriturais que não são gozados pelo contribuinte, na forma de ressarcimento, compensação ou aproveitamento, por resistência ilegítima do Fisco ainda que a demora seja em decorrência de análise de processo administrativo. 3. "O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos dos créditos relativos à nãocumulatividade das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) art. 3º, c/c art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.637/2002 e para a Seguridade Social (COFINS) art. 3º, c/c art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.833/2003, quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. " (REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011). (...) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi indevidamente obstada pelo Fisco. REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011; EDcl nos EDcl no REsp 897.297/ES, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011. Recurso especial conhecido em parte, e parcialmente provido. (STJ. Segunda Turma. REsp 1.268.980/SC. Relator Min. Humberto Martins. Julgado em 19/06/2012. Publicado no DJe de 22/06/2012) Ainda que o segundo julgado transcrito acima não seja de reprodução obrigatória, entendo ser a melhor interpretação ao primeiro, não somente ao estender o raciocínio dos créditos de IPI para os ressarcimentos de PIS e da COFINS, como também no que diz respeito ao termo inicial do prazo para fins de aplicação da correção monetária devida. Isso porque, formulado o pedido de ressarcimento, o fisco dispõe de todo o aparato (inclusive sistêmico) para efetivação da análise do pedido. A sobrecarga de pedidos, em si, não me parece argumento razoável para justificar a negativa de correção monetária aos créditos pleiteados. Nesse sentido, para não se submeter à fluência de correção monetária, o fisco deve apresentar seus fundamentos jurídicos – e não somente fáticos e conjunturais – a justificar a demora no atendimento do pedido de ressarcimento. Frisese que, nesse caso em particular, o fisco (assim como o contribuinte nos casos de recolhimento extemporâneo de tributos) está de posse de dinheiro que não lhe pertence, sendo no mínimo razoável a aplicação de correção monetária quando, além de tudo, ainda se demora na análise e/ou no cumprimento do pedido do sujeito passivo, que restar demonstrado como procedente. Contudo, no caso em particular, o Recorrente não apresenta a materialidade do seu crédito, o que motiva concretamente a negar provimento ao seu Recurso. Isso porque, como visto no começo do voto, a empresa apresenta argumentos sinuosos quanto à efetivação do deferimento do seu pedido: ora alega que já foi ressarcido, ora alega que não o foi. Essa afirmação, de aparente sutileza e irrelevância, ao meu ver é fundamental para o deslinde de seu pedido, pois entendo que o pedido de restituição da diferença de valores decorrentes de correção monetária de montante ressarcido a desoras, depende do efetivo cumprimento do pleito originário pelo fisco. Somente nesse momento se pode verificar o quantia devida que lastreará o pedido de restituição. Tal me parece a melhor interpretação sobre a hipótese trazida a lume, até porque, enquanto o ressarcimento originário não se houver efetivado, a quantia devida (quantum debeatur) será ilíquido – dificultando a verificação das diferenças a restituir. E ainda que se diga, com relação à ilação acima, que o pedido de valor a menor não seria obstável (pois indiscutivelmente há mais valores a restituir do que os Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720620/201016 Acórdão n.º 3802002.306 S3TE02 Fl. 163 7 pleiteados), atender a pedidos parciais de restituição provocaria não somente uma eternização na relação jurídica – pois haverá o risco de sempre haver novos pedidos de restituição em decorrência da análise da parcela ainda não apreciada –, como também dificulta a análise de eventual duplo benefício pelo contribuinte (que multiplicará seus pedidos de correção monetária ao longo do tempo em diversos pedidos). Importante também esclarecer que não verifiquei nos autos qualquer documento que comprove a data em que efetivamente teria ocorrido o ressarcimento, o qual, na petição de defesa da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, foi alegado como já ter ocorrido pelos valores nominais do pedido original. Destarte, mesmo entendendo que, em tese, o contribuinte tem razão na sua causa de pedir, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, negandose o direito creditório, por ausência de materialidade no seu pleito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10880.026300/97-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 16/07/1992 a 31/05/1997
IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS.
Não há direito a crédito básico referente à aquisição de insumos isentos. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779/99, alcança exclusivamente os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999, nos termos da IN SRF nº 33/99.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS INCENTIVADOS DO IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS E COM ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS COMPROVADOS EM DILIGÊNCIA.
Os créditos incentivados, para os quais a lei expressamente assegurar a manutenção e utilização, desde que não tenham sido absorvidos no período de apuração do imposto em que foram escriturados, poderão ser utilizados em outras formas estabelecidas pela lei, inclusive o ressarcimento em dinheiro e a compensação. O valor dos créditos foi comprovado em diligência.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. OPOSIÇÃO INDEVIDA DO FISCO. INOCORRÊNCIA.
Não há oposição indevida do Fisco ao ressarcimento de IPI quando as informações iniciais apresentadas pelo contribuinte possuem incorreções.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos deu-se provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro que davam provimento parcial em maior extensão para acatar a correção monetária dos valores autorizados.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Luiz Augusto do Couto Chagas, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES DE INSUMOS ISENTOS. Não há direito a crédito básico referente à aquisição de insumos isentos. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779/99, alcança exclusivamente os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999, nos termos da IN SRF nº 33/99. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS INCENTIVADOS DO IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS E COM ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITOS COMPROVADOS EM DILIGÊNCIA. Os créditos incentivados, para os quais a lei expressamente assegurar a manutenção e utilização, desde que não tenham sido absorvidos no período de apuração do imposto em que foram escriturados, poderão ser utilizados em outras formas estabelecidas pela lei, inclusive o ressarcimento em dinheiro e a compensação. O valor dos créditos foi comprovado em diligência. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. OPOSIÇÃO INDEVIDA DO FISCO. INOCORRÊNCIA. Não há oposição indevida do Fisco ao ressarcimento de IPI quando as informações iniciais apresentadas pelo contribuinte possuem incorreções. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos deuse provimento parcial ao recurso voluntário. Vencidas as Conselheiras Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 63 00 /9 7- 47 Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10880.026300/9747 Acórdão n.º 3301002.850 S3C3T1 Fl. 1.291 2 Duro que davam provimento parcial em maior extensão para acatar a correção monetária dos valores autorizados. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Hélcio Lafetá Reis, Luiz Augusto do Couto Chagas, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, e Semíramis de Oliveira Duro. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10880.026300/9747 Acórdão n.º 3301002.850 S3C3T1 Fl. 1.292 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: A interessada acima qualificada formalizou (fl. 01) pedido de ressarcimento de créditos do IPI originados da aquisição de insumos utilizados na fabricação de máquinas e equipamentos de que trata a Lei nº 9.000/95 e MP nº 1.461/96 e reedições posteriores, no valor de R$ 570.330,34, relativamente ao período de apuração de 01/02/97 a 30/04/97. A Delegacia da Receita Federal em São Paulo, mediante Despacho Decisório de fls.521 a 532, indeferiu a solicitação de fl. 01, tendo em vista várias irregularidades, entre elas está o nãocumprimento da IN SRF nº 114/88, bem como do interesse apresentado pela requerente do ressarcimento relativo a créditos básicos. Cientificada, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade às fls.536 a 545, onde alega, entre outros argumentos, que: a) a isenção do IPI aplicável às matériasprimas adquiridas pela recorrente jamais poderia prejudicar o alcance do princípio da nãocumulatividade estatuído no artigo 153, § 3º da CF; b) quando determinado produto é beneficiado pela isenção, não tributação ou é taxado a alíquota zero, constitui incentivo fiscal porque o intuito do legislador é reduzir o valor desses produtos para que com maior facilidade possam estar presentes no mercado, ou possa nele competir; c) diante deste quadro, temse que os insumos adquiridos pela recorrente, os quais são ou isentos ou não tributados ou taxados de alíquota zero, constitui incentivo fiscal; d) corrobora a tese aventada o art. 11 da Lei nº 9.779/99, que no caso de saída de produtos sujeitos à alíquota zero, o crédito relativo a insumos é permitido desde a constituição de 1967, com reiteração da Constituição de 1988; e) tem direito de compensar seus créditos de conformidade com a Lei nº 8.383/91 e Lei nº 9.250/95; Finalmente, requer seja reformada a decisão de primeira instância. Reconhecendose, via de conseqüência, e de forma integral o direito pleiteado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP indeferiu o pleito com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 16/07/1992 a 31/05/1997 Ementa: PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10880.026300/9747 Acórdão n.º 3301002.850 S3C3T1 Fl. 1.293 4 A nãocumulatividade do IPI é exercida pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 16/07/1992 a 31/05/1997 Ementa: CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Os créditos básicos somente podem ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições. O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779/99, alcança exclusivamente os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 33/99. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS E COM ALÍQUOTA ZERO. Os créditos incentivados, para os quais a lei expressamente assegurar a manutenção e utilização, desde que não tenham sido absorvidos no período de apuração do imposto em que foram escriturados, poderão ser utilizados em outras formas estabelecidas pelo Secretário da Receita Federal, inclusive o ressarcimento em dinheiro e a compensação. CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. UFIR E TAXA SELIC. É inaplicável a atualização monetária para ressarcimento de créditos do imposto, somente prevista para os casos de restituição ou compensação de valores do imposto pagos indevidamente ou a maior. Ciente da decisão de primeira instância em 7/1/2003, fl. 577 (verso), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 6/2/2003, onde, em síntese, argumenta que: 1) o crédito pleiteado é decorrente da aquisição de insumos para a industrialização de produtos isentos, sendo um crédito incentivado, conforme consignado pelo Fiscal responsável pela diligência, portanto, passível de ressarcimento e compensação; 2) tanto os créditos incentivados como os créditos básicos compõem a "base" para o cálculo do crédito a ser ressarcido; 3) da redação do item 2 da IN SRF n 2 114/88 se conclui que tem direito ao registro desses créditos; 4) mais do que assegurar a manutenção do crédito dos insumos empregados na industrialização de determinados produtos isentos, o legislador houve por bem garantir a Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10880.026300/9747 Acórdão n.º 3301002.850 S3C3T1 Fl. 1.294 5 utilização desses créditos, os quais, para fins de abatimento do saldo devedor do IPI, têm o mesmo tratamento dos créditos básicos desse imposto. Essa garantia, em verdade, é o desdobramento direto do princípio da nãocumulatividade do imposto; 5) a apuração com base na proporcionalidade determinada pela IN SRF nº 114/88 leva em conta a totalidade dos créditos da empresa (básicos e incentivados) porque o valor a ser ressarcido é igual à aplicação do resultado da relação entre as saídas isentas para as quais é garantida a manutenção de crédito e o total de saídas operadas pelo estabelecimento sobre o montante total dos créditos; 6) por esta razão, apresentou no anexo V a totalidade dos créditos acumulados até maio de 1997; 7) a pretensão do ressarcimento fez com que elaborasse o Demonstrativo de Crédito a ressarcir, quando foram consideradas as proporções a que se refere o item 4 da IN SRF nº 114/88; 8) optou por apurar o crédito a ressarcir apenas em maio de 1997, porém, a origem desde remonta a períodos anteriores a este mês; 9) no tocante à alegação de insuficiência de documentos apresentados, da análise da sistemática de cálculo estabelecida pela referida instrução normativa, são necessárias à apuração do crédito a ressarcir as seguintes informações: i) o apontamento de valores, em apartado, das saídas de produtos com manutenção de créditos com incentivo, da saída de produtos com créditos básicos e das saídas de produtos sem direito a crédito; ii) valor dos créditos do período; iii) valor dos débitos do período. Sendo as três informações obtidas com a documentação acostada aos autos no Anexo X — Livro de Apuração do IPI e, mesmo que a assim não fosse, quando da diligência, o fiscal teve acesso à toda documentação; 10) quanto à apuração do crédito em desacordo com a IN SRF nº 114/88, apesar de haver falhas na apresentação do demonstrativo, o Fiscal responsável pela diligência concluiu que o valor apontado como crédito no pedido de ressarcimento é compatível com aquele apurado em conformidade com os critérios da aludida instrução normativa, enquanto as decisões que negam a observância à instrução normativa, não se suportam em documentos ou vistorias/fiscalização realizadas na empresa, mas tãosomente numa aparente irregularidade da apresentação da apuração desse crédito; 11) se deve buscar a verdade real, cabendo ao Fisco, caso não concorde com os cálculos apresentados pelo contribuinte, que indique os que acredita serem corretos; 12) o demonstrativo de cálculos proporcionais apresentado no anexo I, ao apresentar a relação percentual entre o total das saídas operadas e as saídas isentas, e também as tributadas, evidencia a existência do seu direito ao ressarcimento, na medida em que Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10880.026300/9747 Acórdão n.º 3301002.850 S3C3T1 Fl. 1.295 6 demonstra que quase todos os créditos acumulados são oriundos da aquisição de insumos para a fabricação de produtos isentos, que podem ser tomados como créditos incentivados; 13) o mínimo que se pode esperar é que seja determinada nova diligência à empresa a fim de que se determine o efetivo montante a ressarcir; e 14) no tocante à prescrição, não faz sentido algum se impor um prazo prescricional para o pedido de ressarcimento desses créditos, se não há prazo quando se abate do saldo do IPI a pagar e que o art. 168 do CTN só se aplica aos casos trazidos pelo art. 165 deste diploma legal. Por fim, pede pela reforma da decisão recorrida para que seja reconhecido seu direito ao ressarcimento e também à compensação pleiteada, determinandose, se assim for julgado necessário, nova diligência para apuração do efetivo montante a ressarcir. No julgamento do Segundo Conselho de Contribuintes, através de Resolução de Nº 20100.458, de 15 de março de 2004, foi solicitada nova diligência para a Delegacia da Receita Federal de circunscrição do contribuinte, com o seguinte texto: Entendo que é ônus do contribuinte demonstrar corretamente os valores a ser ressarcidos, entretanto, considerando que houve uma diligência inicial que aquiesceu com os valores informados pela requerente, e que somente em razão das conclusões, que salientese, bastante precisas, a que chegou a autoridade fiscal no documento de fl. 512, o pedido foi novamente analisado, porém, sem diligência, e indeferido, considero necessária nova diligência para que se verifique, observando as regras da IN SRF nº 114/88, e ainda o prazo prescricional de 5 anos, ou seja, se o pedido foi formulado em setembro de 1997, somente podem ser computados os créditos a partir de setembro de 1992, o efetivo montante de crédito incentivado passível de ressarcimento, sob a forma de compensação. A segunda diligência foi realizada em 31 de março de 2010 e o interessado foi devidamente cientificado, por via postal, do Relatório de Diligência (folhas 1.196 a 1.218). É o relatório. Fl. 1295DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10880.026300/9747 Acórdão n.º 3301002.850 S3C3T1 Fl. 1.296 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente apresenta diversos itens a serem analisados no recurso voluntário: 1) O crédito pleiteado é decorrente da aquisição de insumos para a industrialização de produtos isentos, sendo um crédito incentivado, conforme consignado pelo Fiscal responsável pela diligência, portanto, passível de ressarcimento e compensação; 2) Tanto os créditos incentivados como os créditos básicos compõem a "base" para o cálculo do crédito a ser ressarcido; 3) Da redação do item 2 da IN SRF nº 114/88 conclui que tem direito ao registro desses créditos; 4) Mais do que assegurar a manutenção do crédito dos insumos empregados na industrialização de determinados produtos isentos, o legislador houve por bem garantir a utilização desses créditos, os quais, para fins de abatimento do saldo devedor do IPI, têm o mesmo tratamento dos créditos básicos desse imposto. Essa garantia, em verdade, é o desdobramento direto do princípio da nãocumulatividade do imposto; 5) A apuração com base na proporcionalidade determinada pela IN SRF nº 114/88 leva em conta a totalidade dos créditos da empresa (básicos e incentivados) porque o valor a ser ressarcido é igual à aplicação do resultado da relação entre as saídas isentas para as quais é garantida a manutenção de crédito e o total de saídas operadas pelo estabelecimento sobre o montante total dos créditos; 6) Por esta razão, apresentou no anexo V a totalidade dos créditos acumulados até maio de 1997; 7) A pretensão do ressarcimento fez com que elaborasse o Demonstrativo de Crédito a ressarcir, quando foram consideradas as proporções a que se refere o item 4 da IN SRF n2 114/88; 8) Optou por apurar o crédito a ressarcir apenas em maio de 1997, porém, a origem desde remonta a períodos anteriores a este mês; 9) No tocante à alegação de insuficiência de documentos apresentados, da análise da sistemática de cálculo estabelecida pela referida instrução normativa, são necessárias à apuração do crédito a ressarcir as seguintes informações: i) o apontamento de valores, em apartado, das saídas de produtos com manutenção de créditos com incentivo, da saída de produtos com créditos básicos e das saídas de produtos sem direito a crédito; ii) valor dos créditos do período; iii) valor dos débitos do período, sendo as três informações obtidas com a Fl. 1296DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10880.026300/9747 Acórdão n.º 3301002.850 S3C3T1 Fl. 1.297 8 documentação acostada aos autos no Anexo X — Livro de Apuração do IPI e, mesmo que a assim não fosse, quando da diligência, o fiscal teve acesso à toda documentação; 10) Quanto à apuração do crédito em desacordo com a IN SRF nº 114/88, apesar de haver falhas na apresentação do demonstrativo, o Fiscal responsável pela diligência concluir que o valor apontado como crédito no pedido de ressarcimento é compatível com aquele apurado em conformidade com os critérios da aludida instrução normativa, enquanto as decisões que negam a observância à instrução normativa, não se suportam em documentos ou vistorias/fiscalização realizadas na empresa, mas tãosomente numa aparente irregularidade da apresentação da apuração desse crédito; 11) Se deve buscar a verdade real, cabendo ao Fisco, caso não concorde com os cálculos apresentados pelo contribuinte, que indique os que acredita serem corretos; 12) O demonstrativo de cálculos proporcionais apresentado no anexo I, ao apresentar a relação percentual entre o total das saídas operadas e as saídas isentas, e também as tributadas, evidencia a existência do seu direito ao ressarcimento, na medida em que demonstra que quase todos os créditos acumulados são oriundos da aquisição de insumos para a fabricação de produtos isentos, que podem ser tomados como créditos incentivados; 13) O mínimo que se pode esperar é que seja determinada nova diligência à empresa a fim de que se determine o efetivo montante a ressarcir; e 14) No tocante à prescrição, não faz sentido algum se impor um prazo prescricional para o pedido de ressarcimento desses créditos, se não há prazo quando se abate do saldo do IPI a pagar e que o art. 168 do CTN só se aplica aos casos trazidos pelo art. 165 deste diploma legal. Não é indispensável que a decisão se reporte pontualmente a todas as alegações apresentadas pela recorrente, não obstante o disposto no artigo 31 do Decreto nº 70.235/72. O Superior Tribunal de Justiça, bem como este Conselho, tem adotado a postura de não exigir a apreciação exaustiva de todos os argumentos aduzidos no recurso, mas isso desde que a autoridade julgadora tenha encontrado razões suficientes para fundamentar sua decisão sobre as matérias em litígio. Nesse sentido, o seguinte julgado: PAF – NULIDADE DA DECISÃO / CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O julgador não está obrigado a contestar item por item os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito, conforme decisão do STJ – Resp 652.422 – (2004/00990870) RET n 43 – maio/junho/2005, p.136:5691 – “VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – INOCORRÊNCIA – TRIBUTÁRIO – ICMS – MANDADO DE SEGURANÇA – AUTORIZAÇÃO PARA IMPRESSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS – DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA – PRINCÍPIO DO LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA – ART. 170, PARÁGRAFO ÚNICO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – SÚMULA Nº 547 DO STF – Fl. 1297DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10880.026300/9747 Acórdão n.º 3301002.850 S3C3T1 Fl. 1.298 9 MATÉRIA CONSTITUCIONAL – NORMA LOCAL – RESSALVA DO ENTENDIMENTO DO RELATOR. 1. Inexiste ofensa ao artigo 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater um a um os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (...) 6. Recurso não conhecido.” (1º CC, Acórdão 10808866, sessão de 25/06/2006, relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). Entretanto, é possível analisarmos os itens de 01 a 12 de forma consolidada. O item 13 já foi atendido pela realização da diligência em questão (folhas 1.196 a 1.218). No pedido, efetuado em 03 de setembro de 1997, a recorrente informa como crédito de IPI o valor de R$ 570.330,34, porém, nos demonstrativos de fls. 19 e 20, ao tratar da apuração do valor a ressarcir, detalha que, deste valor, apenas R$ 7.336,49 correspondem a créditos incentivados, enquanto os R$ 562.993,85 dizem respeito ao saldo de créditos não incentivados a serem transferidos para o período seguinte. Portanto, importa ressaltar que houve um erro de segregação dos tipos de créditos solicitados pelo contribuinte. De pronto, considerando o que dispõe a IN SRF n° 114/88, e os artigos 32, 52 e 82 da IN SRF nº 21/97, somente os créditos incentivados podem ser objeto de ressarcimento, sob a forma de compensação. Isto é, apenas os créditos incentivados, para os quais a lei expressamente assegurar a manutenção e utilização, e que não forem absorvidos no período de apuração do imposto em que foram escriturados, poderão ser objeto de ressarcimento em espécie e de compensação com débitos de outros tributos e contribuições. O caso em exame referese também a créditos básicos, previstos no artigo 82 do Regulamento do IPI/82, para os quais não havia o direito ao ressarcimento e à compensação com débitos de outros tributos. Contextualizando a controvérsia, a distinção entre créditos básicos e incentivados somente perdeu o sentido com o advento da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, especificamente em seu artigo 11: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Fl. 1298DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10880.026300/9747 Acórdão n.º 3301002.850 S3C3T1 Fl. 1.299 10 A Secretaria da Receita Federal publicou a Instrução Normativa SRF nº 033, de 4 de março de 1999, cujos artigos 4º e 5º seguem abaixo: Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Art. 5º Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. Portanto, somente em relação aos insumos recebidos a partir de 1º de janeiro de 1999, passouse a permitir que os créditos excedentes aos débitos, acumulados em cada trimestrecalendário, fossem objeto de ressarcimento e de compensação com outros tributos e contribuições. Não é este o caso do presente processo, já que trata de insumos recebidos no estabelecimento anteriormente a 1º de janeiro de 1999. Portanto, teremos que tratar da diferença entre ressarcimento de créditos básicos e ressarcimento de créditos incentivados. A diligência requerida pelo Segundo Conselho de Contribuintes foi realizada para que se verificasse, observando as regras da IN SRF nº 114/88, o efetivo montante de crédito incentivado passível de ressarcimento, sob a forma de compensação. Respondendo ao item 14 do relatório de pedidos do recurso voluntário, requereuse também a análise do prazo prescricional de 5 anos, ou seja, se o pedido foi formulado em setembro de 1997, somente poderiam ser computados os créditos a partir de setembro de 1992, Portanto, considero que estariam aptos a serem analisados pedidos de ressarcimento relativos aos períodos de apuração entre setembro de 1992 a setembro de 1997. Assim, a prescrição do prazo para solicitar o ressarcimento não atingiu o pedido da recorrente. Observase que o suposto crédito, objeto deste contencioso administrativo, originase de estímulos fiscais, mais especificamente de aquisições de insumos utilizados na industrialização de produtos isentos. Em relação às saídas incentivadas, a diligência constatou que, de acordo com o livro de Registro de IPI, os valores do crédito transcritos encontravamse em concordância com as informações do livro. Em relação aos registros de entradas, a diligência analisou, por amostragem, as notas fiscais de "entradas" referentes à aquisição de insumos que supostamente deram origem ao crédito ora pleiteado em ressarcimento. Fl. 1299DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10880.026300/9747 Acórdão n.º 3301002.850 S3C3T1 Fl. 1.300 11 Desta amostragem, constatou que se tratava de aquisição de insumos para industrialização do produto classificado na posição 8462.10.0000 da tabela TIPI, não tendo sido observada nenhuma irregularidade tanto no aspecto formal das notas fiscais propriamente ditas quanto nas informações nelas contidas, principalmente no que se refere à classificação fiscal dos produtos adquiridos, alíquota, valor destacado de IPI, CFOP e data de entrada. Concluiuse que o contribuinte, de fato, adquiriu no período em questão, insumos que foram empregados nos produtos que originaram créditos incentivados de IPI. O exame e a constatação da regularidade quanto à aquisição desses insumos já haviam, inclusive, sido relatados pelo Auditor Fiscal, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 495), onde afirmou que: ...de acordo com os exames realizados, em relação a aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente empregados na industrialização de produtos isentos, os quais, por força dos dispositivos legais, fazem jus à isenção de IPI Imposto sobre Produtos Industrializados, para os quais foi assegurada a sua manutenção e utilização, já que suas posições fiscais estão listadas nos dispositivos legais concessivos dos benefícios fiscais. Em relação às "saídas incentivadas" foram solicitadas as nota fiscais que geraram créditos incentivados, não tendo sido observada qualquer irregularidade que comprometesse o ressarcimento do crédito pleiteado. A diligência constatou que o cálculo do crédito guiouse pelas regras descritas na IN SRF 114 de 03/08/88. Afirmou também que, para o período em questão, não há amparo legal nem para atualização monetária nem para aplicação de juros. A diligência concluiu que o total de crédito de IPI incentivado passível de ressarcimento no período compreendido de 09/1992 a 05/1997 é de R$ 333.105,26. É importante deixar consignado que a interessada formalizou o seu pedido de acordo com a IN Nº 21/97 mas o instruiu com documentação insuficiente, sendo também o crédito apurado em desacordo com o disposto na IN/SRF nº 114/88. A recorrente, em seu demonstrativo de apuração do valor do ressarcimento pleiteado às fls. 20, fez adicionar ao valor dos créditos incentivados o período de 01 a 31 de maio de 1997, com os dizeres: “saldo do crédito apurado, conforme item 3 acima”, sendo que este último demonstra o saldo de crédito não incentivado a ser transferido para o período seguinte”, no valor de R$ 562.993,85, em violação ao item 3.1.2 da IN SRF nº 114/88. Há várias omissões e incorreções na solicitação. Como exemplo, houve a incorreta definição do início do período de origem dos créditos incentivados, que é ausente no formulário de fls. 02 e incorretamente sugerido para 01/07/92, tendo em vista a documentação acostada. Também há falta de elementos tendentes a apartar do total de créditos indicados nas cópias do RAIPI, o preciso repartimento entre créditos incentivados, básicos e Fl. 1300DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10880.026300/9747 Acórdão n.º 3301002.850 S3C3T1 Fl. 1.301 12 outros. Também há ausência de elementos relativos aos três meses anteriores aos primeiros períodos de apuração supostamente originadores de créditos incentivados incluídos no pedido, o período de 01/07/92 a 15/07/92 e seguintes. Apesar dessas omissões e incorreções presentes na solicitação, o Segundo Conselho de Contribuintes resolveu baixar o processo em diligência para que fosse apurado o crédito incentivado do IPI, e isso foi feito e calculado. Assim, considero que o próprio Segundo Conselho de Contribuintes já tornou superada a discussão sobre as informações incorretas apresentadas pelo recorrente em seu pedido, dando maior importância a apurar a verdade real dos fatos. Com relação à correção monetária relativamente aos créditos postulados, temse, à luz da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 66, caput, §§ 1º ao 3º, que a correção monetária pela UFIR era autorizada para as hipóteses de compensação, com tributos e contribuições de mesma espécie, ou restituição de pagamento indevido ou a maior de tributo. Por sua vez, a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 39, § 4º, implementou a permissão expressa para a incidência de juros equivalentes à taxa Selic, a partir de 1º de janeiro de 1996, nos casos de compensação e restituição. Entretanto, é rechaçada a atualização monetária, pela UFIR ou taxa Selic, dos créditos de IPI submetidos a pedidos administrativos de ressarcimento, por absoluta falta de previsão legal. Em relação a possibilidade de haver oposição indevida do Fisco à utilização do crédito, entendo que não se aplica ao caso em tela, já que houve uma série de inconsistências formais e materiais no pedido inicial do contribuinte. Mesmo tendo o próprio Segundo Conselho de Contribuintes tornado superada a discussão sobre as informações incorretas apresentadas pelo recorrente em seu pedido, dando maior importância a apurar a verdade real dos fatos, tal fato descaracteriza a resistência indevida do Fisco de conceder o ressarcimento. Conclusão: Estavam aptos a serem analisados os pedidos de ressarcimento relativos aos períodos de apuração entre setembro de 1992 a setembro de 1997, mas o relatório de diligência concluiu que havia créditos a serem ressarcidos entre setembro de 1992 e maio de 1997. Considerando o que dispõe o item 3 da IN SRF n° 114/88, bem assim os artigos. 32, 52 e 82 da IN SRF nº 21/97, somente os créditos incentivados podem ser objeto de ressarcimento, sob a forma de compensação. Solicitada pelo Segundo Conselho de Contribuintes, a diligência concluiu que o total de crédito de IPI incentivado passível de ressarcimento no período compreendido de 09/1992 a 05/1997 é de R$ 333.105,26. Em relação à atualização monetária, o ressarcimento não se confunde com restituição de tributo, portanto, não é lícito utilizarse da analogia para estender ao ressarcimento a atualização monetária própria da restituição, sob pena de ampliar o montante a ressarcir sem expressa previsão legal. Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 10880.026300/9747 Acórdão n.º 3301002.850 S3C3T1 Fl. 1.302 13 Em relação à possibilidade de haver oposição indevida do Fisco à utilização do crédito, o que resultaria na correção do valor a ser ressarcido, entendo que não se aplica ao caso em tela, já que houve uma série de inconsistências formais e materiais no pedido inicial do contribuinte. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao ressarcimento do crédito incentivado de IPI, nos termos e valores apurados na diligência requerida pelo Segundo Conselho de Contribuintes. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 05 /03/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 19515.003720/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 25.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (Súmula CARF nº 25).
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF nº 2).
JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
"A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais" (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-003.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para excluir R$ 13.000,00 da base de cálculo tributável do mês de fevereiro de 2014, referente à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, além de desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75% em relação às duas infrações.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator.
Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF nº 14). OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 25. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (Súmula CARF nº 25). MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF nº 2). JUROS - TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC - para títulos federais" (Súmula CARF nº 4).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para excluir R$ 13.000,00 da base de cálculo tributável do mês de fevereiro de 2014, referente à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, além de desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75% em relação às duas infrações. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Presidente e Relator. Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO NÃO PROVADA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14. “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” (Súmula CARF nº 14). OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 25. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 20 /2 00 8- 11 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64” (Súmula CARF nº 25). MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DO NÃOCONFISCO. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF nº 2). JUROS TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais" (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para excluir R$ 13.000,00 da base de cálculo tributável do mês de fevereiro de 2014, referente à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, além de desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75% em relação às duas infrações. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente e Relator. Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. Relatório Reproduzo o relatório do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) DRJ/SP2, que sintetiza os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Da autuação Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração de fls. 687/710, em 08/10/2008, com lançamento de imposto de renda da pessoa física relativo aos anoscalendário/exercício 2004/2005, 2005/2006 e 2006/2007, no valor de R$1.165.538,80, dos quais R$424.400,33 correspondem ao imposto; Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003720/200811 Acórdão n.º 2202003.129 S2C2T2 Fl. 1.056 3 R$636.600,49, à multa proporcional; e R$104.537,98, a juros de mora, calculados até 30/09/2008. A ação fiscal foi determinada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal n.° 08.1.90.002007023978 e teve inicio em 01/10/2007, com a ciência do Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 18/20), mediante o qual o contribuinte foi intimado a apresentar extratos bancários de todas as contas bancárias contascorrente, poupança e aplicação financeira de que era titular ou cotitular e a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados nas referidas contas. Diante da não manifestação do interessado, seguiuse reintimação emitida em 23/10/2007, com ciência em 29/10/2007 (fls. 21/23). Em 23/10/2007, por intermédio de procuradora, o contribuinte requereu prorrogação de prazo por mais trinta dias para atendimento da intimação, deferido pela autoridade fiscal. Entre 30/10/2007 e 04/12/2007, apresentou os documentos de fls. 292/431, consistentes em extratos bancários de diversas instituições financeiras, alegando que uma das contas Bradesco contacorrente n° 193704 era conjunta com a Sra. Maria Alice Bueno de Miranda (fl.s 367/431). Tendo por base os documentos apresentados e dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal elaborou planilhas que foram apresentadas ao contribuinte mediante Termo de Constatação e Intimação 01/2008, do qual foi cientificada em 06/02/2008 (fls. 33/52). No referido Termo foilhe solicitado que, além de apresentar documentos e comprovar a origem da movimentação financeira nas contas nele especificadas, no caso de contas conjuntas, apresentasse comprovação desse fato. Seguiramse dois pedidos de prorrogação de prazo, concedidos pela autoridade fiscal (fls. 432/439) e, em 28103/2008, o contribuinte apresentou extratos e informes financeiros relativos à contacorrente e extratos de contapoupança, mantidas junto ao Banco Real, bem como extrato de FGTS da Caixa Econômica Federal (fls. 442/551). Na mesma data apresentou solicitação (fls. 440/441) nos seguintes termos: 2 — Solicitar que o presente inquérito administrativo, onde constam todos os extratos já fornecidos pelo contribuinte, seja remetido ao Inquérito 54706 junto a Secretaria Federal do Brasil, Delegacia da Receita Federal de Fiscalização de Brasília, onde consta a suspensão da fiscalização ora realizada, conforme fls. 253, 362 e 2.372, conforme decisão do Ministro Otavio Fischer. 3 — Com escopo no princípio do devido processo legal e com escopo na decisão proferida, e citada no item 2, justificar a não remessa dos dados de conta corrente já solicitadas por Vossa Senhoria até a conclusão do inquérito ora referido, ou por determinação judicial DECORRENTE DO MESMO". Em 01/04/2008, o contribuinte foi cientificado, por meio de seu representante legal, do Termo de Constatação e Intimação 02/2008, por meio do qual a autoridade fiscal informa não ter noticia de suspensão, a qualquer título, da ação fiscal em questão. Mediante o citado Termo, o interessado foi também intimado a apresentar extratos bancários, em meio papel, relativos a todas as contas — correntes, poupança, investimentos — que deram origem à movimentação financeira no pais e/ou no exterior, bem como aqueles referentes a contas nele especificadas, mantidas juntos aos bancos ABN AMRO Real, BCN e Bradesco nos anos 2004 a 2006. Foi também Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 intimado a indicar, por escrito, e apresentar documentação comprobatória, identificando o(s) cotitular(es), caso as contas bancárias sejam conjuntas; a justificar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, os créditos ocorridos, durante os anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, conforme discriminado nas planilhas anexas ao Termo de Constatação e Intimação 01/2007 (fls. 55 a fls. 58). Informa o Termo de Verificação Fiscal que: Em 11/04/2008, o contribuinte, através de seu representante legal, apresentou alegações no sentido de justificar a origem de créditos ocorridos em contas bancárias de sua titularidade, apurados pela fiscalização (fls. 552 a fls. 580). Contudo, não complementou a apresentação de extratos, conforme solicitado nos itens 01, 02 e 03 do Termo de Constatação e Intimação 02/2008. Diante da não apresentação de todos os documentos solicitados pela autoridade fiscal, esta solicitou a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, que foi deferida e atendida pelas instituições financeiras (fls. 95/289). Relata a autoridade fiscal: Em 25/07/2008, lavramos Termo de Constatação e Intimação 03/2008 (fls. 63 a fls. 89), através do qual o contribuinte foi informado a respeito dos créditos cuja origem consideramos justificados, bem como foi intimado a justificar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, os créditos ocorridos, durante os anoscalendário 2004, 2005 e 2006, conforme discriminado nas planilhas anexas ao referido Termo de Constatação e Intimação (...). Cientificado em 30/07/2008, o contribuinte manifestouse em 08/08/2008 (fls. 581/585) e, diante da não justificação completa acerca da movimentação financeira, e considerando a existência de contas conjuntas com a Sra. Marialice Bueno de Miranda junto ao banco Bradesco, foi emitido o MPF 08.1.90.002008041880, e a interessada foi intimada a justificar/comprovar a origem dos créditos apurados pela fiscalização nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 (fls. 586 a fls. 607). A intimada manifestouse a fls. 608/616. Como os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil indicavam que o contribuinte sob fiscalização havia locado imóvel de sua propriedade, sem oferecer à tributação os rendimentos assim auferidos, foi emitido o MPF 08.1.90.002008 051959 e o locatário, Sr. Marcos André Costa da Silva, foi intimado a apresentar documentos que identificassem o bem locado e os valores pagos nos anos calendário 2004 a 2006 (617/620), manifestandose conforme fls. 621/651. Síntese das conclusões da autoridade fiscal: 1. Valores de movimentação financeira das contas conjuntas, e cuja origem não foi justificada, foram considerados na proporção de cinquenta por cento, em obediência ao que dispõe o art. 42 da Lei n° 9.430/96 e art. 58 da Lei no 10.637/02. 2. Os valores decorrentes de transferências entre contas de titularidade do contribuinte foram considerados de origem comprovada, bem como rendimentos pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS e Fundo de Pensão Multipatrocinado Funbep. 3. Os valores cuja origem a fiscalização considerou comprovada estão discriminados às fls. 653/656, 664/666 e 675/678. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003720/200811 Acórdão n.º 2202003.129 S2C2T2 Fl. 1.057 5 4. O contribuinte não comprovou a origem de movimentação financeira verificada entre 2004 e 2006, demonstrados as fls. 657/662, 667/673 e 679/686. Tais valores foram consolidados e constam do Termo de Verificação Fiscal (fls. 653/654) e, com base no art. 42 da lei n° 9.430/96, caracterizamse como omissão de rendimentos e foram considerados como auferidos nos meses do efetivo crédito. 5. Com base nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil e documentos apresentados pelo Sr. Marcos André Costa da Silva, locatário de imóvel de propriedade do contribuinte sob fiscalização, constatouse que os valores auferidos com a locação e consolidados às fls. 695 não foram oferecidos à tributação, configurando omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, nos anos calendário 2004 e 2005. 5.1 A autoridade fiscal ressalta que tais valores não foram identificados como créditos realizados junto as contas bancárias de titularidade do contribuinte, relacionadas às fls. 692. 6. Em razão de os fatos apurados evidenciarem intuito fraude, foi aplicada a multa prevista no art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/96 e formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, em observância ao que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 665/2008. O fundamento legal do imposto lançado, multa e juros encontramse discriminados no Auto de Infração. Da impugnação Regularmente cientificado do crédito tributário lançado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 721/744, acompanhada de cópia do Auto de Infração (fls. 745/757) e de documentos pessoais do autuado (fls. 758). Em sua defesa alega, em síntese: 1. Invocando o princípio da verdade material, que deve reger o processo administrativo fiscal, alega que continua a desconhecer as movimentações financeiras que originaram as omissões de rendimentos apontadas pela agente fiscal, e que não se lhe pode exigir tributo sobre evento que não praticou. 2. Teve seu sigilo bancário violado, em nítida afronta a dispositivos constitucionais. 3. Por se tratar de imposto sobre a renda, a autoridade fiscal deveria ter comprovado a ocorrência de acréscimo patrimonial, que não se confunde com simples movimentação financeira. 4. A autoridade fiscal não comprovou a infringência aos dispositivos legais elencados no Auto de Infração. 5. Inexistindo a obrigação tributária principal, descabida a exigência do acessório, no caso multa abusiva de 150%, também porque não restou comprovada a prática de fraude que ensejasse sua aplicação. Caso se entenda cabível a aplicação de multa, esta deve ser reduzida a parâmetros que não configurem confisco, vedado pelo art. 150, IV, da Constituição. 6. Diante da natureza remuneratória da taxa Selic, inadmissível sua utilização como juros de mora em crédito tributário. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 Tendo em vista ser parcial a impugnação, haja vista não ter sido contestada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa física (aluguel), a unidade preparadora encaminhou ao contribuinte os DARF respectivos e transferiu o crédito tributário não contestado para o processo n° 16151.000092/200981 (fls. 759/766). É o relatório. A contacorrente e a contapoupança nº 13.3704, do Banco Bradesco, são do tipo conjunta, tendo a cotitular, sra. Marialice Bueno de Miranda, sido intimada a justificar a origem dos créditos apurados pela Fiscalização (fls. 731 a 753). A resposta da intimação encontrase às fls. 755 a 763. A Décima Turma da DRJ/SP2, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi consubstanciada no Acórdão nº 1732.840, assim ementado. Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado, consolidandose administrativamente o crédito tributário a ela correspondente. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. As intimações e reintimações efetuadas, com prorrogações de prazo requeridas pelo contribuinte, e a solicitação de esclarecimentos/elementos de prova demonstram a observância do principio da verdade material e o cumprimento do dever de investigação por parte da autoridade fiscal. SIGILO BANCÁRIO. INFORMAÇÕES FINANCEIRAS. REQUISIÇÃO. Diante de procedimento fiscal regularmente instaurado e da necessidade de exame dos dados bancários indispensáveis ao andamento da fiscalização pela autoridade competente, cumpremse os requisitos exigidos em lei para a requisição de informações sobre movimentação financeira junto as instituições financeiras, sem necessidade de prévia autorização judicial. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Após 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.° 9.430, de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. O lançamento com base em acréscimo patrimonial tem fundamento legal na Lei n.° 7.713/88 e sistemática de apuração própria, distinta da que se aplica à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, origem do presente auto de infração. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. Os elementos apresentados pela autoridade lançadora demonstram a procedência do lançamento da multa qualificada, por estar evidenciada ação com o intuito de redução do montante do imposto devido. A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária. No que tange à invocação da figura do confisco, não compete Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003720/200811 Acórdão n.º 2202003.129 S2C2T2 Fl. 1.058 7 à autoridade julgadora administrativa formar juízo sobre a validade jurídica das normas vigentes, aplicadas na determinação do crédito tributário, sendolhe defeso apreciar arguições de aspectos da constitucionalidade do lançamento. Lançamento Procedente Cientificado da decisão em 16 de outubro de 2009 (sextafeira), por via postal (A.R. à fl. 943), o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 17 de novembro de 2009 (fls. 947 a 980), no qual apresenta os seguintes argumentos, em síntese: O agente fiscal limitouse aos extratos bancários, sem se preocupar em proceder o levantamento físico quantitativo da movimentação global dos extratos e sem atentar aos respectivos saldos transladados de um período para outro; a Fiscalização ignorou que no período fiscalizado, o contribuinte se encontrava com sérios problemas cardíacos, inclusive tendo se submetido a cirurgia de alto risco, ficando hospitalizado durante 30 dias e em recuperação por mais de 5 meses; a autoridade fiscal ignorou que o contribuinte detinha em 31/12/2002, em moeda nacional, a quantia de R$ 79.600,00; no demonstrativo de janeiro à fl. 697, na coluna origem se visualiza "Sacado do BCN e depositado no Itaú", sinalizando dois depósitos de R$500,00 totalizando R$1.000,00, depósitos feitos respectivamente nos dias 05 e 07. Ainda no mesmo demonstrativo de origem existem dois depósitos: R$300,00 no dia 13 e R$ 800,00 no dia 16, totalizando R$1.100,00, o que por fim perfaz os R$ 2.100,00, ao qual o fisco exige IRPF; no Extrato BCN, percebese que no dia 05 e 06 houve saques de R$ 100,00 e R$ 900,00 totalizando R$1.000,00. E neste mesmo sentido ao percorremos o mesmo extrato visualizamos que no dia 09/01/2004 realizou saque de R$ 300,00, bem como no dia 13/01/2004 efetivou mais um saque de R$ 500,00 e ainda no dia 15/01/2004 realizou mais um saque de 300,00 totalizando R$1.100,00. Que ao fim totalizam R$ 2.100,00; no extrato do Banco Bradesco onde consta o depósito em cheque como crédito no valor de R$ 99.481,00 em 11/02/2004, ao cruzarmos tal valor com o extrato BCN de fl 326 se percebe que tal cheque foi fruto de compensação da conta do mesmo titular onde figura como débito o valor de R$ 99.481,00 em 12/02/2004; ainda no mesmo extrato, a autoridade fiscal incluiu ao saldo exigido como suposto depósito, o valor de R$ 13.000,00 em 16/02/2004, que aparece na fl. 657 como sendo referente a conta Bradesco, mas se trata na verdade da conta do banco BCN, e tal valor aparece grafado no extrato como "Aplic. Hiperfundo" remanescente do saldo de aplicação, aparecendo no extrato acima citado como valor debitado, ou seja saiu o valor da conta para aplicação; no extrato da conta 35815, agência 3061, do Banco Bradesco, Em 11/01/2005 existe o valor de R$ 2.800,00, porém, diferente do apresentado pela autoridade fiscal como "Depósito em Cheque", o valor consta no extrato como "Baixa Automat Poupança"; Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 em 14/01/2005 existe o valor de R$ 1.000,00, porém, diferente do apresentado pela autoridade fiscal como "Depos CC AUTOAT", o valor consta no extrato como" Baixa Automat Poupança"; o valor de R$ 3.600,00 que deveria figurar no extrato como "Transf. Entre Agen. Cheque", surpreende ao percebermos que no extrato de fl. 259, da mesma conta na mesma agência não consta o referido valor, só constando o valor a titulo de "Baixa Automat Poupança" no valor de R$ 1.790,95; em 03/02/2006 existe o valor de R$ 12.000,00, que é fruto do valor remanescente de R$ 2.000,00 de dois saques em dinheiro de R$ 1.500,00 efetivados em 26/01/2006, acrescido ao financiamento de R$ 10.000,00 contraído com o Banco Real em 30/01/2006, o qual foi sacado em dinheiro no mesmo dia conforme ilustrado no extrato de fl. 208; em 06/02/2006 existe o valor de R$ 1.000,00, porém, diferente do apresentado pela autoridade fiscal, é o saldo remanescente de R$ 1.000,00 de dois saques em dinheiro de R$ 1.500,00 efetivados em 26/01/2006 (fl. 208); o valor de R$ 50.000,00 deriva do valor que fora sacado em dinheiro bem como referente ao empréstimo contraído junto ao Banco Real ABN (Contrato juntado ao Anexo III deste recurso), datado de 23/01/2006, no valor de R$ 32.000,00 recebido por cheque administrativo e convertido em dinheiro fruto do depósito, totalmente depositado em dinheiro e sacado em dinheiro no dia 10/02/2006 conforme se pode comprovar nas fls. 469 e 470; o depósito em dinheiro de R$ 45.000,00 constante na fl. 469, datado de 24/02/2006, é o saldo remanescente do saque de R$ 50.000,00 citado no item acima; os equívocos cometidos pela autoridade fiscal demonstram a vulnerabilidade do trabalho que embasou a autuação, gerando grande insegurança na ocorrência do fato gerador; a Fiscalização ignorou dois registros de imóveis juntados às fls. 569 e 580 que comprovam o recebimento em dinheiro da venda, que totalizaram aproximadamente R$ 200.000,00; a jurisprudência brasileira é tranquila em não admitir a mera presunção como meio de tributação e a Súmula 182 do TFR dispõe que "é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos bancários"; cita doutrina e jurisprudência sobre a tributação com base em presunções; a multa aplicada de 150% é manifestamente contrária ao princípio constitucional do nãoconfisco, devendo ser reduzida a patamares inferiores a 30% do valor do tributo exigido; A taxa SELIC não se presta à utilização como equivalente aos juros moratórios incidentes sobrem os débitos de natureza fiscal, seja por que carente de legislação que a institua ou por que as valores acumulados de tal taxa em nada coadunam com o dispositivo constitucional, ou seja ainda, porque sua natureza é de juros remuneratórios e não moratórios, contrariando uma vez mais o dispositivo da Lei Complementar (CTN). Ao final, requer: Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003720/200811 Acórdão n.º 2202003.129 S2C2T2 Fl. 1.059 9 o retorno dos autos à autoridade fiscal para que nomeie auditor estranho à lide e que lhe seja proporcionado o direito de justificar todos os valores apostados no referido procedimento, uma vez provado que foi vítima de cardiopatia grave e não pode exercer plenamente o seu direito de defesa; que se julgue improcedente a autuação fiscal pelas inúmeras mazelas que instruem o procedimento e a verdade real, gerando grande insegurança acerca da ocorrência ou não dos fatos geradores. Como a impugnação ao lançamento foi parcial, por não ter sido contestada a infração de omissão de rendimentos recebidos de aluguéis, parte do crédito tributário foi transferido para o processo nº 16151.000092/200981 (fls. 906 a 912). Ressaltese que as folhas referenciadas pelo contribuinte em seu recurso são da numeração do processo físico (em papel), enquanto as referências por mim efetuadas são do processo digitalizado (em PDF). É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento foi efetuado em virtude das seguintes infrações: a) omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas físicas, nos anoscalendário de 2004 e 2005; b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, em relação aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Em relação ao imposto lançado, a presente discussão está limitada à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, uma vez que a outra infração não foi impugnada e encontrase fora do litígio. Porém, quanto à aplicação da multa de ofício, permanece a controvérsia em relação às duas infrações, a ser debatida nesta instância. Preliminar Inicialmente cabe analisar o pedido do Recorrente para que os autos retornem à autoridade fiscal para que seja nomeado auditor estranho à lide, para lhe proporcionar o direito de justificar todos os valores lançados, uma vez provado que foi vítima de cardiopatia grave e não pode exercer plenamente o seu direito de defesa. Não há que se falar em retorno dos autos, posto que não ocorreu nenhuma nulidade do lançamento. Encontramse preenchidos os preceitos estabelecidos no artigo 142 do Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 CTN, assim como não se identificou violação das disposições contidas nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF). CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Também não ocorreu cerceamento de defesa, pois foram dadas ao contribuinte todas as oportunidades para sua manifestação, seja durante a ação fiscal, seja nas fases de impugnação e de recurso voluntário. Observase que foi concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito de defesa. Ele apresentou impugnação e recurso voluntário ao Auto de Infração, exercendo o seu direito ao contraditório, perfeitamente amparado pelo Decreto n.º 70.235/72, tendo revelado conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, as quais rebateu mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só questão preliminar como também razões de mérito. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003720/200811 Acórdão n.º 2202003.129 S2C2T2 Fl. 1.060 11 Dessarte, rejeitase a preliminar suscitada. Depósitos bancários de origem não comprovada A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. O Recorrente faz as seguintes alegações sobre a justificativa da origem dos depósitos: a) a autoridade fiscal ignorou que ele detinha em 31/12/2002 a quantia de R$ 79.600,00, em moeda nacional. Entendo que o contribuinte quis dizer que possuía o montante de R$ 79.600,00 em 31/12/2003 e não em 31/12/2002, conforme se observa da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004 (anocalendário 2003) fl. 998. Entretanto, a disponibilidade de Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 moeda em espécie no final do anocalendário anterior não é suficiente para justificar os depósitos bancários efetuados. A existência de saldo em espécie torna possível justificar depósitos em dinheiro, mas de forma isolada não prova individualmente depósito algum. O presente lançamento teve como objeto os depósitos bancários sem origem justificada e, diferentemente do acréscimo patrimonial a descoberto, não mensura fluxo financeiro, não levando em conta necessariamente a existência de saldo em dinheiro no início do ano. Aqui, o que importa é a comprovação da origem de cada depósito individualizadamente, conforme exige o texto legal. E essa vinculação não foi estabelecida pelo recorrente. Assim, não há como acolher a pretensão do contribuinte de abater dos valores depositados a quantia que ele possuía em espécie. b) Os depósitos efetuados em janeiro de 2004, em um total de R$ 2.100,00, foram provenientes de saques do Banco BCN e de dinheiro em caixa, conforme explicado na planilha de fl. 697. No entanto, ao se analisar o extrato do BCN (fl. 454), observase que não existem saques nessas datas que sejam hábeis a justificar os depósitos efetuados, assim como não há como aceitar a justificativa de que a origem dos demais depósitos foi dinheiro em caixa. c) O depósito em cheque de R$ 99.481,00 em 11/02/2004, no banco Bradesco, foi fruto de compensação da conta do mesmo titular onde consta o débito de R$ 99.481,00 em 12/02/2004, conforme extrato do BCN (fl. 458). Não procede o argumento do contribuinte, pois se observa pelos extratos (fls. 366 e 458) que o débito é relativo a uma aplicação financeira efetuada no dia 12, a partir do crédito de R$ 99.481,00 efetuado no dia 11. Ressaltese que a conta do BCN em referência é a mesma conta do Bradesco, pois a partir de fevereiro de 2004 as contas mantidas junto ao BCN foram migradas para o Bradesco, conforme informado pelo Bradesco (fl. 417), explicado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 839) e constatado pela verificação dos extratos (fls. 370 e 458). A conta na qual foi depositado o cheque de R$ 99.481,00 no dia 11 é uma conta de poupança vinculada à contacorrente, tendo sido transferido da poupança para a conta corrente o valor de R$ 98.066,60 no dia 12. Em seguida, na contacorrente, foi debitado o valor de R$ 99.481,00 para aplicação financeira, resultado da soma do crédito oriundo da poupança de R$ 98.066,60 com o crédito de R$ 1.414,40 oriundo da utilização do cheque especial (fl. 458). Desse modo, não assiste razão ao Recorrente nesse ponto. c) Ainda no mesmo extrato, o valor de R$ 13.000,00 em 16/02/2004, que aparece na fl. 804 como sendo da conta Bradesco, é na verdade da conta do banco BCN e tal valor aparece grafado no extrato como "Aplic. Hiperfundo" remanescente do saldo de aplicação. Conforme visto no item anterior, a conta do BCN em referência é a mesma conta do Bradesco, pois a partir de fevereiro de 2004 as contas mantidas junto ao BCN foram migradas para o Bradesco. Em relação ao crédito de R$ 13.000,00 no dia 16/02/2004, o contribuinte tem razão em afirmar que se trata na realidade de uma aplicação financeira, de acordo com o que consta nos extratos bancários (fls. 370, 420 e 458). Assim, deve ser excluído da base de cálculo tributável do mês de fevereiro de 2004 o valor de R$ 13.000,00. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003720/200811 Acórdão n.º 2202003.129 S2C2T2 Fl. 1.061 13 d) No extrato da conta 35815, agência 3061, do Banco Bradesco, em 11/01/2005 existe o valor de R$ 2.800,00, porém, diferente do apresentado pela autoridade fiscal como "Depósito em Cheque", o valor consta no extrato como "Baixa Automat Poupança". No extrato do Bradesco da conta de poupança (fl. 367), consta o depósito em cheque efetuado no dia 11/01/2005, no valor de R$ 2.800,00 e em seguida uma baixa automática para a conta corrente. O lançamento referido pelo contribuinte como "Baixa Automat Poupança" é na verdade da contacorrente (fl. 385), sendo a contrapartida da baixa automática da poupança para a contacorrente, por serem contas vinculadas. Portanto, não tem razão o contribuinte nesse item. e) Em 14/01/2005 existe o valor de R$ 1.000,00, porém, diferente do apresentado pela autoridade fiscal como "Depos CC AUTOAT", o valor consta no extrato como "Baixa Automat Poupança". Da mesma forma que o item anterior, o lançamento referido pelo contribuinte é na verdade da contacorrente (fl. 385), porém existe um crédito na conta de poupança desse valor na mesma data (fl. 367), estando correta a autoridade fiscal em tributálo. f) Em janeiro de 2005, o valor de R$ 3.600,00 que deveria figurar no extrato como "Transf. Entre Agen. Cheque", não consta no extrato de fl. 385, da mesma conta e agência, só constando o valor a título de "Baixa Automat Poupança" no valor de R$ 1.790,95. O contribuinte novamente faz confusão entre os extratos da contacorrente e da poupança. Pelo extrato da poupança (fl. 369), verificase que existe o crédito de R$ 3.600,00 no dia 28/01/2005 com o histórico "Transf. Entre Agen. Cheque", devendo ser tributado. g) Em 03/02/2006, o valor de R$ 12.000,00 é fruto do valor remanescente de R$ 2.000,00 de dois saques em dinheiro de R$ 1.500,00 efetivados em 26/01/2006, acrescido ao financiamento de R$ 10.000,00 contraído com o Banco Real em 30/01/2006, o qual foi sacado em dinheiro no mesmo dia conforme ilustrado no extrato de fl. 314. Não há como acolher a justificativa do Recorrente. Primeiro, porque não foram dois saques de R$ 1.500,00, mas apenas um no dia 26/01/2006. Segundo, visto que não há como vincular o saque efetuado no dia 30/01/2006 no valor de R$ 10.000,00, fruto de um financiamento, com o valor de R$ 12.000,00 depositado no dia 03/02/2006, ainda mais quando ambos foram feitos na mesma conta de poupança. Ademais, não é comum que se obtenha recursos de um financiamento para se aplicar na caderneta de poupança. h) Em 06/02/2006 existe o valor de R$ 1.000,00, porém, diferente do apresentado pela autoridade fiscal, é o saldo remanescente de dois saques em dinheiro de R$ 1.500,00 efetivados em 26/01/2006 (fl. 314). Aqui o contribuinte pretende justificar o crédito de R$ 1.000,00 realizado em 06/02/2006, com os mesmos saques que ele afirma ter feito em 26/01/2006 e que foram também utilizados para justificar o crédito de R$ 12.000,00, conforme item anterior. Portanto, não lhe assiste razão. i) O valor de R$ 50.000,00 depositado em dinheiro e sacado em dinheiro no dia 10/02/2006, conforme se pode comprovar nas fls. 603 e 604, deriva do que fora sacado em Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 dinheiro bem como referente ao empréstimo contraído junto ao Banco Real ABN (Contrato juntado ao Anexo III deste recurso), datado de 23/01/2006, no valor de R$ 32.000,00, recebido por cheque administrativo e convertido em dinheiro. Não há como fazer a vinculação dos saques efetuados e do recebimento do empréstimo com o depósito realizado. Ademais, analisando o extrato do Banco Real (fls. 603 e 604), verificase que no mesmo dia do depósito efetuado, 10/02/2006, foi feito um saque no mesmo valor. Caso o depósito tivesse sido pelo próprio contribuinte com recursos que ele alega que possuía em espécie, não teria por que ele mesmo fazer um depósito e um saque logo em seguida. Assim, não procede a argumentação do Recorrente. j) O depósito em dinheiro de R$ 45.000,00 constante na fl. 604, datado de 24/02/2006, é o saldo remanescente do saque de R$ 50.000,00 citado no item acima. Assim como no item anterior, no mesmo dia do depósito há um saque no mesmo valor de R$ 45.000,00. Dessa forma, pelas mesmas razões, não se acolhe a justificativa do Recorrente para esse crédito. k) A Fiscalização ignorou dois registros de imóveis juntados às fls. 569 e 580 que comprovam o recebimento em dinheiro da venda, que totalizaram aproximadamente R$ 200.000,00. O contribuinte não demonstrou nenhuma vinculação dos valores recebidos pela venda dos imóveis com os depósitos efetuados em suas contas bancárias. Ressaltese que ele próprio afirmou (fls. 711 e 718) que os valores recebidos foram declarados como dinheiro em caixa. Ou seja, o próprio contribuinte admitiu que tais valores não haviam sido depositados em suas contas. Outrossim, a comprovação da origem dos depósitos deve ser feita individualizadamente, sendo, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe atestar, de maneira inequívoca, a motivação dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. É regra geral no Direito que o ônus da prova é uma conseqüência do ônus de afirmar e, portanto, cabe a quem alega. Nesse caso, o recorrente apenas alegou e nada provou e, segundo brocardo jurídico por demais conhecido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". O artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece as regras gerais relativas ao ônus da prova, partindo da premissa básica de que cabe a quem alega provar a veracidade do fato. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...] Aduz o contribuinte que a simples existência de depósitos nas suas contas correntes não significa, necessariamente, a aquisição de renda ou qualquer outro tipo de provento. Argumenta que o Fisco contrariou o disposto na súmula nº 182 do TFR, que Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003720/200811 Acórdão n.º 2202003.129 S2C2T2 Fl. 1.062 15 consolidou entendimento segundo o qual “é ilegitimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em depósitos bancários”. No entanto, essa tese já se encontra superada, não se sustentando desde a vigência da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42 determinou que recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos. A autoridade fiscal não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a demonstrar sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Esse entendimento já se encontra pacificado nesse Conselho, conforme enunciado nº 26 da Súmula CARF: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Dessa forma, deve ser mantida parcialmente a exigência relativa à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, com a exclusão do valor de R$ 13.000,00 da base de cálculo tributável do mês de fevereiro de 2004. Multa de ofício aplicada O lançamento foi efetuado com a multa qualificada de 150% em relação às duas infrações, pois a autoridade fiscal entendeu que ocorreu evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. A penalidade aplicada teve como fundamento o artigo 44, I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96, assim redigido: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Verificase que as condutas acima descritas exigem do sujeito passivo o dolo, em razão de uma ação ou omissão tendente a causar dano à Fazenda Pública, tendo como objetivo a subtração total ou parcial de uma obrigação tributária. Na presente situação, entendo que não restou comprovada uma conduta do contribuinte que caracterize evidente intuito de fraude, como pretende a autoridade lançadora, tratandose de um caso de simples omissão de receitas, ressaltando que em relação à infração de omissão de rendimentos por falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, o lançamento ocorreu por presunção legal. Assim, não restando demonstrada a existência de dolo por parte do sujeito passivo, descabe a qualificação da multa de oficio em 150%, devendo ser reduzida para 75% nas duas infrações, nos termos do artigo 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. É o caso, portanto, de se aplicar as seguintes Súmulas do CARF: Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Quanto à pretensão do Recorrente de que a multa de ofício deva ser reduzida ao limite máximo de 30%, em virtude do princípio constitucional de vedação ao confisco, não há como acolher, posto que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Juros de mora taxa Selic Por fim, quanto à improcedência da aplicação da taxa Selic como juros de mora, também não lhe assiste razão, porquanto deve ser adotado o conteúdo da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir R$ 13.000,00 da base de cálculo tributável do mês de fevereiro de 2014, referente à infração de omissão de rendimentos Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.003720/200811 Acórdão n.º 2202003.129 S2C2T2 Fl. 1.063 17 caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, além de desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75% em relação às duas infrações. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000733/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2007
FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL.
Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e correspondente declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, deve-se cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte.
FALTA DE DECLARAÇÃO NA GFIP. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADAS. MULTA MAIS BENÉFICA.
Quando ocorrer falta de declaração na GFIP com recolhimento mesmo que parcial das contribuições, há de se aferir a multa mais benéfica comparando-se a multa aplicada com aquela prevista no inciso I do art. 32-A da Lei n. 8.212/1991 combinada com o inciso II do § 3. do mesmo artigo.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-004.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para retificar o Acórdão n.º 2401-003.665, de modo que o seu resultado seja pelo provimento parcial do recurso voluntário, aplicando-se a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias na NLFD n. 37.131.7266, exceto para as competências 09/2003; 01/2004; 02/2004 e 04/2004, onde o limite será definido pela regra do inciso I do art. 32-A da Lei n. 8.212/1991 combinado com o inciso II do § 3o do mesmo artigo.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiro: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ERRO MATERIAL NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a existência de erro material no acórdão guerreado, na forma suscitada pelo embargante, impõese o acolhimento dos embargos inominados para sanar o erro apontado. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2007 FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL. Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e correspondente declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, devese cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) com a atual multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte. FALTA DE DECLARAÇÃO NA GFIP. RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO DECLARADAS. MULTA MAIS BENÉFICA. Quando ocorrer falta de declaração na GFIP com recolhimento mesmo que parcial das contribuições, há de se aferir a multa mais benéfica comparando se a multa aplicada com aquela prevista no inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991 combinada com o inciso II do § 3. do mesmo artigo. Embargos Acolhidos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 07 33 /2 00 7- 61 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para retificar o Acórdão n.º 2401003.665, de modo que o seu resultado seja pelo provimento parcial do recurso voluntário, aplicandose a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias na NLFD n. 37.131.7266, exceto para as competências 09/2003; 01/2004; 02/2004 e 04/2004, onde o limite será definido pela regra do inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991 combinado com o inciso II do § 3o do mesmo artigo. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiro: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10932.000733/200761 Acórdão n.º 2402004.814 S2C4T2 Fl. 196 3 Relatório Cuidase de embargos inominados interpostos pela Delegacia da RFB em São Bernardo do Campo/SP desafiando o Acórdão n.º 2401003.665 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 09/09/2014. O processo em questão contempla o Auto de Infração n.º 37.138.7465, lavrado para aplicação de multa em razão da empresa não haver declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. A Turma do CARF decidiu por maioria dar provimento parcial ao recurso, determinando de ofício o recálculo da multa para que ficasse limitada ao percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei n.º 9.430/1996 (75% da contribuição não recolhida), deduzida a multa aplicada às contribuições previdenciárias na NFLD n.º 37.131.7266. Na liquidação do acórdão, a DRF de origem deparouse com a impossibilidade técnica, a qual relatou na sua peça de fls. 190/191. Ali informase que, em parte das competências, estaria impossibilitada de cumprir a decisão do CARF, uma vez que ou não há contribuições lançadas ou os valores lançados são inferiores aqueles que deixaram de ser declarados na GFIP. Para demonstrar suas alegações, apresenta a tabela de fl. 188/189, na qual faz um comparativo entre os valares não declarados e os valores lançados na NFLD n.º 37.131.7266. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade De fato, a circunstância apontada pela DRF afeta a forma de aplicação da multa para as competências em que não há lançamento de contribuições, bem como naquelas onde o valor não declarado suplanta a quantia lançada. Assim, por tratar de evidente equívoco no acórdão que impede o seu integral cumprimento, o despacho do órgão da RFB deve ser tratado como embargos inominados previstos no "caput" do art. 66 do Regimento Interno do CARF, na forma do Anexo II da Portaria MF n.º 343/2015, verbis: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Assim, devemos apreciar os embargos interpostos de modo a decidir se há efetivamente necessidade de saneamento da suposta irregularidade constante no Acórdão n.º 2401003.665 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 09/09/2014. Mérito No aresto embargado prevaleceu o entendimento de que a aplicação do dispositivo mais benéfico deveria se dar pelo cotejo entre a soma da multa da obrigação principal e da obrigação acessória previstas na legislação vigente na ocorrência dos fatos geradores (art. 35 + § 5. do art. 32, ambos da Lei n. 8.212/1991) com a multa vigente atualmente (art. 35A da Lei n. 8.212/1991, na redação dada pela Lei n. 11.941/2009). Nesta toada a parte dispositiva do acórdão foi assim redigida: "ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão recorrida. II) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzidas as multas aplicadas sobre contribuições previdenciárias na NLFD n. 37.131.7266. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares,Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que aplicavam a regra do art. 32A da Lei nº 8.212/91." Durante o procedimento de liquidação do julgado, percebeuse a ocorrência de competências em que não havia como aplicar o que ficou decidido, haja vista que nestas inexistia lançamento da obrigação principal (NFLD) ou a contribuição lançada era inferior ao valor não declarado. Apresentamos abaixo as competências onde a DRF vislumbrou a impossibilidade de cumprimento do acórdão: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10932.000733/200761 Acórdão n.º 2402004.814 S2C4T2 Fl. 197 5 COMP VLR NÃO DECLARADO R$ VLR LANÇADO R$ 09/2003 11.053,73 0,00 01/2004 17.198,80 0,00 02/2004 15.110,56 118,02 04/2004 15.877,76 135,15 Isso certamente ocorreu pelo fato de parte das contribuições terem sido recolhidas/parceladas sem que os fatos geradores correspondentes tenham sido declarados na GFIP. Observo que a solução que foi encaminhada pela turma do CARF para se chegar a multa mais benéfica partiu do pressuposto de que todas as contribuições que haviam sido omitidas na GFIP teriam sido objeto de lançamento, todavia, a DRF identificou na espécie outras situações. Diante disso, a solução a ser dada para as competências em que não há lançamento ou o lançamento foi parcial, para fins de comparação, é a aplicação do inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991 combinado com o inciso II do § 3. do mesmo artigo, redigidos nos seguintes termos: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos." Essa conclusão fundase no fato de que não há como se aplicar conjuntamente numa mesma competência as regras do art. 35A e do 32A. Neste caso, diante da dúvida sobre qual dispositivo deve ser usado há de se lançar mão do inciso IV do art. 112 do CTN para impor a penalidade menos severa ao contribuinte. Eis o dispostivo: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...) Fl. 199DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Conclusão Voto por retificar o Acórdão n.º 2401003.665, dando provimento parcial ao recurso de modo que se aplique a multa mais benéfica ao contribuinte, a qual terá como limite o valor calculado nos termos do art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996 (75% do tributo a recolher), deduzida a multa aplicada sobre contribuições previdenciárias na NLFD n. 37.131.7266, exceto para as competências 09/2003; 01/2004; 02/2004 e 04/2004, onde o limite será definido pela regra do inciso I do art. 32A da Lei n. 8.212/1991 combinado com o inciso II do § 3. do mesmo artigo. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13830.720898/2011-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, exercício de 2008, ano calendário de 2007, onde foi exigido o montante de R$ 4.213,85 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 75%, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na "descrição dos fatos" (fl. 11), narra a Autoridade Fiscal responsável pelo feito que, confrontando o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .7 20 89 8/ 20 11 -7 6 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.720898/201176 Resolução nº 2202000.662 S2C2T2 Fl. 47 2 declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF, constatou a omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 123.151,52, com retenção de imposto na fonte de R$ 23.765,32. Inconformado com o lançamento, o Contribuinte apresentou primeiro uma SRL (solicitação de retificação de lançamento – fl. 6/8), que foi indeferida, e, posteriormente, Impugnação, onde alega ser portador de moléstia grave (cegueira) definida em lei e por isso beneficiário de isenção tributária. O problema residiria na consideração do que é “cegueira” para fins da isenção pretendida, uma vez que o Laudo Médico aponta que o mesmo tem “cegueira” em apenas um dos olhos e visão normal no outro. O contribuinte aponta que, em caso semelhante, o STJ deferira a pretensão de outro litigante, anexando cópia da decisão. Ao julgar a manifestação da contribuinte, a DRJ São Paulo I/SP disse que a legislação tributária enumera de forma taxativa as patologias que dão ensejo à isenção em questão, sendo incabível estender esse benefício a situações diversas. Esclareceu que a cegueira referida na legislação como moléstia grave para determinar isenção dos proventos de aposentadoria ou reforma, se atendidos os requisitos legais, é a cegueira efetiva do indivíduo, ou seja, aquela pessoa que não é capaz de enxergar, porém, neste caso, conquanto apresente deficiência visual significativa, o contribuinte não é portador de cegueira, já que apresenta perda completa da visão do olho esquerdo e visão normal no olho direito, segundo o código CID apontado no laudo. Acrescentou que quanto à decisão judicial invocada, aplicase sobre as questões sob análise e aos sujeitos envolvidos no processo a que se refere, não alcançando os demais sujeitos. Somente as decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e das que foram objeto de Súmula Vinculante, nos termos da Lei nº 11.417/2006, são extensivas a todos. Cientificado dessa decisão em 18/06/2012 (AR na folha 31), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/07/2012 (protocolo na folha 32) onde, em suma, repisa as mesmas alegações da Impugnação. REQUER que seja acolhido seu recurso, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.720898/201176 Resolução nº 2202000.662 S2C2T2 Fl. 48 3 Nestes autos, não se discute que os rendimentos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão, mas, tanto na Solicitação de Retificação de Lançamento quanto no Acórdão de 1ª instância, a argumentação atevese apenas à questão da cegueira atestada em apenas um dos olhos dar ou não direito à isenção. O próprio contribuinte bateu apenas neste ponto, em sua impugnação. Contudo, vejamos que ainda que seja reconhecido o direito à isenção do imposto de renda aos portadores da cegueira monocular a questão é controversa neste CARF, conforme se pode constatar a partir dos Acórdãos 2102001.301, 2102002.782 e 2802002.795 , o benefício apenas alcança proventos percebidos em razão de aposentadoria, reforma ou pensão. Não encontro nestes autos, com segurança, a data da aposentadoria ou reforma do contribuinte. A cópia do Diário Oficial, anexada na folha 15, não se refere a sua aposentadoria ou reforma, mas ao reconhecimento do direito de deixar de ter imposto retido na fonte, a partir de 11/02/2011. Existe uma referência à data de sua reforma (o contribuinte é Coronel Reformado da Polícia Militar) apenas na SRL (fl. 08), onde se lê: “militar reformado (ref a contar de 29/06/2009). Contraiu doença de natureza grave em 25/10/2005”. Ora, se somente foi reformado em 2009, os rendimentos recebidos em 2007, que estão em caso neste processo (Notificação de Lançamento que respeita ao exercício de 2008, ano calendário de 2007, referindose a rendimentos pagos pela Polícia Militar do Estado de São Paulo) não estão abrangidos pela norma isentiva, porque naquele ano o contribuinte não era reformado. Entretanto, observo que a SRL não está assinada pelo contribuinte ou seu representante legal, constando apenas um carimbo de recepção da Unidade preparadora, e a informação acima debatida será crucial para o deslinde da questão, como explicado. Pelo exposto, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade responsável pela autuação intime o contribuinte a apresentar, no prazo legal, documentação inequívoca da data de sua passagem para a reforma/reserva remunerada e para, querendo, manifestarse sobre as considerações feitas nesta resolução. Também, deve a Unidade providenciar a anexação das cópias das DIRPF/2008 do contribuinte, que não localizei nestes autos. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 48DF CARF MF Impresso em 15/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /03/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 13963.000188/2003-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 06/05/2003
Ementa:
DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. FORÇA DE LEI NOS LIMITES DA LIDE.
Transitada em julgado a ação judicial, cabe ao ente administrativo cumpri-la nos estritos termos em que foi formulada, sob pena de descumprimento da ordem judicial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a vedação imposta pela IN SRF 210/02 e pela alteração do artigo 49 da MP nº 66/2002 quanto à utilização de créditos de terceiros.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 06/05/2003 Ementa: DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. FORÇA DE LEI NOS LIMITES DA LIDE. Transitada em julgado a ação judicial, cabe ao ente administrativo cumpri-la nos estritos termos em que foi formulada, sob pena de descumprimento da ordem judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a vedação imposta pela IN SRF 210/02 e pela alteração do artigo 49 da MP nº 66/2002 quanto à utilização de créditos de terceiros. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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TRÂNSITO EM JULGADO. FORÇA DE LEI NOS LIMITES DA LIDE. Transitada em julgado a ação judicial, cabe ao ente administrativo cumprila nos estritos termos em que foi formulada, sob pena de descumprimento da ordem judicial. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a vedação imposta pela IN SRF 210/02 e pela alteração do artigo 49 da MP nº 66/2002 quanto à utilização de créditos de terceiros. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 01 88 /2 00 3- 19 Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.019 S3C3T2 Fl. 3 2 Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de processo de declaração de compensação de débtios de IPI com crédito de terceiro, no caso, de Nitriflex S/A Indústria e Comércio, CNPJ 42.147.496/000170. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório da decisão recorrida: "O estabelecimento acima qualificado apresentou, em 06 de maio de 2003, a Declaração de Compensação (DCOMP), da fl. 1, e seu anexo, "Créditos decorrentes de decisão judicial", de fl. 2, para compensar seus débitos do IPI, no valor total de R$ 560.649,89, com crédito de terceiro, no caso, de Nitriflex S/A Indústria e Comércio, estabelecimento inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob o nº 42.147.496/0001 70. Segundo consta na fl. 2, o crédito oferecido em compensação decorreria do Mandado de Segurança n 99.00.605420, da 4º Vara Federal de São Joao de Meriti/RJ, sem informação relativa ao transito em julgado da decisão favorável ao terceiro citado, bem como inexistindo, nos autos, qualquer documento de cessão desse crédito, ao requerente. Nos autos constam cópias de peças da Apelação em Mandado de Segurança nº 40852 e dos Embargos de Declaração em Embargos de Declaração na Apelação em Mandado de Segurança (sic) nº 40852, Processo nº 2001.02.01.0352326, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2 Regido, no Rio de Janeiro/RJ. Tais documentos revelam a existência de decisão judicial, contra a Unido Federal/Fazenda Nacional, autorizando o estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio a compensar créditos, sem a restrição, julgada ilegal, da Instrução Normativa SRF n' 41, de 7 de abril de 2000, a qual se contrapunha ao direito do referido estabelecimento, de compensação de créditos do IPI, reconhecidos em ação judicial, com débitos de terceiros, não optantes pelo Programa de Recuperação Fiscal (Refis). Em 2 de agosto de 2004, foi proferido o despacho decisório de fls. 29 a 32, com ciência em 3 de março de 2005, pelo qual a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC não homologou a compensação declarada neste Processo, encaminhandoo para cobrança dos débitos indevidamente compensados, bem como para lançamento da multa isolada, por compensação indevida, a que alude o art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.019 S3C3T2 Fl. 4 3 A ementa do referido despacho decisório diz que, a partir de 1º de outubro de 2002, a legislação de regência das compensações, relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, veda, expressamente, a compensação de débitos de um contribuinte, com créditos de terceiros, dizendo, também, a ementa do mesmo despacho, que perde o objeto a decisão proferida em mandado de segurança, quando baseada em legislação que veio a ser revogada e substituída por outra. 0 despacho decisório citou o Mandado de Segurança nº 98.00166580, em que o estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio realmente conquistou créditos, bem como citou o Mandado de Segurança n' 2001.51100010250, impetrado pelo mesmo estabelecimento, para compensar os seus créditos, decorrentes de decisão judicial, com débitos de terceiros, ação que subiu para o TRF da V Regido, onde foi julgada favoravelmente ao impetrante, tendo sido invalidada, no caso concreto, a IN SRF n' 41, de 2000, que vedava a compensação de débitos, com créditos de terceiros, por falta de suporte legal que lhe desse amparo, conforme entendimento daquela corte. 0 mesmo despacho decisório esclareceu que, a par da decisão judicial, favorável ao estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, no sentido de autorizar a compensação de débitos, com créditos de terceiros, a compensação, com essa particularidade, declarada neste Processo, não pode ser homologada, como, de fato, não foi, pela superveniência de legislação contrária à pretensão do declarante, no caso, a Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei n ° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Explica o despacho decisório que o art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002, deu a seguinte redação ao caput do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, impossibilitando, a partir de 1 ° de outubro de 2002, a compensação de créditos apurados pelo sujeito passivo, com débitos de terceiros: "0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão". Contra os termos da decisão da DRFFlorianópolis/SC insurgiu se a contribuinte. Em decorrência da instauração de litígio nos termos do Processo Administrativo Fiscal, exarou a DRJPorto Alegre, em 23/06/2005, o Acórdão n° 5.901/2005, que manteve a não homologação das compensações levadas a termo pela Interessada. Em seqüência, optou a Interessada por apresentar recurso voluntário ao Segundo Conselho de Contribuintes no qual, Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.019 S3C3T2 Fl. 5 4 dentre outros argumentos, alegou, com base em dispositivo previsto na IN SRF n° 460/2004, incompetência da DRF Florianópolis/SC para decidir acerca das compensações em questão, uma vez que os créditos oferecidos como lastro provinham de terceiro cujo domicilio tributário pertencia à jurisdição da DRFNova Iguaçu/RJ. 0 colendo Segundo Conselho de Contribuintes, fazendo uso do Acórdão 201 79.429 anulou o presente processo a partir do despacho decisório da DRFFlorianópolis/SC para que outro fosse proferido pela DRF em Nova Iguaçu/RJ. Em submissão à decisão supra, a DRFNova Iguaçu/RJ proferiu o Despacho Decisório n°227/2007 (fls.317 a 326), que assim vai sumariado: "No presente caso, como o crédito do contribuinte provém de sentença judicial que já transitou em julgado ele deveria preencher os requisitos de "certeza", "liquidez", "restituibilidade" e "habilitação" junto a SRF. Acontece que o consumo de grande parte do crédito que originalmente foi reconhecido par a sociedade Nitriflex S.A. quando da realização de inúmeras compensações de débitos próprios e de terceiros, a utilização de uma parcela do crédito da ordem de R$ 4.291.283,55 e a sentença proferida na ação rescisória reduziram muito o seu valor a ponto de existir a possibilidade de o mesmo Ft estar totalmente exaurido, o que lhe afastou o requisito de "certeza" que, por estar ligado a própria existência do referido crédito, também lhe afastou os demais requisitos que gravitam em torno deste, ou seja, afastou também os requisitos de "liquiidez" e de "restituibilidade", inclusive o de "habilitação". Contudo, o ponto nevrálgico deste ato decisório referese à possibilidade ou não de o contribuinte utilizar em suas pretensas compensações tributárias o crédito que lhe foi cedido pela Nitriflex SA, pois numa época em que não havia lei, mas apenas uma norma infralegal (IN SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado proferida no MS 2001.51100010250 reconhecendo o seu direito de cede10 a terceiros para utilização em compensação tributária. Ocorre que, antes que as declarações de compensação sob análise fossem entregues ou transmitidas à SRF, o art. 74 da Lei n° 9.430/96 sofreu alteração que lhe foi introduzida pelo art. 49 da MP n° 66, de 29.08.2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/2002, no sentido de que os créditos do sujeito passivo podem utilizados apenas para compensar débitos tributários próprios. Ao dispor que o crédito do sujeito passivo pode ser utilizado para compensar débitos tributários próprios, a nova norma contida no caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96 acabou por vedar Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.019 S3C3T2 Fl. 6 5 a compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro. No entendimento da DRF/FNSSC, após a nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96 que lhe foi dada pelo art.49 da Lei n°9.430/96 passou a existir previsão legal vedando a compensação de débitos de um contribuinte mediante utilização de crédito de terceiros, tanto é assim que resolveu formalizar consulta junto a PFN em Santa Catarina, senda que esta se manifestou no sentido de que "perde objeto a decisão proferida em mandado de segurança quando baseada em legislação que veio a ser revogada ou substituída por outra". Assim, adotase, nesse despacho, o entendimento da douta PFN segundo o qual as compensações tributárias entre débitos de um contribuinte e crédito de outro somente podem ser efetivadas em relação aos pedidos ou as declarações apresentadas antes do dia 29.08.2002, data da publicação da MP n° 66/02, posteriormente convertida na Lei n°10.637/02. Logo, seguindose o entendimento da PFN, concluo que o fato de que todas as declarações de compensação em que se pretende compensar débito tributário de Maximiliano Gaidzinski SA com crédito de terceiro, sociedade empresária Nitriflex SA, terem sido apresentadas após o dia 29.08.2002, data da publicação no DOU da MP 66/02, as compensações tributárias nelas declaradas não podem ser homologadas. ". Às fls.335/368 encontrase a manifestação de inconformidade dirigida a esta DRJ e deduzida contra o despacho decisório acima referenciado. Diz a requerente que em 21 de julho de 1998 o estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio impetrou o Mandado de Segurança n 98.00166580 para, em nome do principio constitucional da nãocumulatividade do IPI, obter o reconhecimento de créditos desse imposto nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem isentos, não tributados ou tributados à aliquota zero, nos dez anos anteriores impetração, tendo transitado em julgado, em 18 de abril de 2001, acórdão do TRF da 2º Regido, favorável à pretensão do citado impetrante. Entende a interessada que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei nº 10.637, de 2002, que limita a disponibilidade do crédito do IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Alega que a limitação legal apontada no despacho decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à sua entrada em vigor, acrescentando que, admitir o contrário, resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis. Ressalta a requerente que também foi proposto o Mandado de Segurança nº 2001.51.10.0010250, em 26 de março de 2001, Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.019 S3C3T2 Fl. 7 6 para impedir que a IN SRF n" 41, de 2000, obstasse a livre disposição do crédito do IPI, conquistado, em juízo, pelo estabelecimento Nitriflex S/A Indústria e Comércio, acrescentando que as disposições da citada IN foram repetidas no art. 30 da Instrução Normativa n' 210, de 30 de setembro de 2002. Diz, ainda, que, em 12 de setembro de 2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da 2 Regido, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente de decisão judicial, em causa. Traz a interessada ainda o argumento no sentido de que mesmo tendo o Delegado de Nova Iguaçu trazido para si o deverpoder da homologação das compensações em questão, restandolhe portanto, prazo legal para reconhecer tal homologação, temse que a homologação tácita ocorreu por decurso de prazo no dia 06.09.2005, já que o processo de homologação de n° 13746.000474/200501 foi instruído em 5 de julho de 2005 e ainda se encontra sem decisão. Por último, o interessado requer a reforma do despacho decisório das fls. 317 a 326, para que sejam homologadas as compensações insertas na Declaração de Compensação de fls.1, com a conseqüente extinção e baixa dos débitos por eles compensados, com respeito aos quais requer a suspensão da exigibilidade, enquanto tramitar a sua manifestação de inconformidade. A Terceira Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0920.141, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 06/05/2003 a 31/05/2003 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. As compensações declaradas a partir de 1 de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo com crédito de terceiro, esbarram em inequívoca disposição legal, impeditiva de compensações da espécie. É descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos do requerente, com crédito de terceiro, declaradas após 12 de outubro de 2002, pretensão essa fundada em decisão judicial, que afastou a vedação, outrora existente, em instrução normativa. Compensação não Homologada Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. Que os créditos utilizados foram reconhecidos no MS nº 98.00166580, transitado em julgado favoravelmente à recorrente, cujo decisório tornara líquido e certoa possibilidade jurídica de a empresa Nitriflex dispor livremente de seu crédito (crédito gerado Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.019 S3C3T2 Fl. 8 7 entre 08/1988 a 07/1998), de forma a assegurar a plena efetividade do princípio da não cumulatividade do IPI; 2. Que para resguardar seu direito, a Nitriflex impetrou o MS nº 2001.51.10.0010250, transitado em julgado favoravelmente à impetrante, visando impedir a aplicação da vedação prevista na IN SRF 41/2000, repetida na IN SRF 210/2002, quanto à possíbilidade de compensação com débitos de terceiros, por aplicação do princípio da irretroatividade das leis; 3. Que a limitação da nova redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 dada pela MP nº 66/2002 apenas atingiria os créditos gerados a partir de 29/08/2002; 4. Que a inexistência nos autos de demonstração de saldo credor não é condição impeditiva da compensação. Ao final, pede o provimento do recurso voluntário e a consequente homologação da compensação declarada. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Os autos tratam de declaração de compensação entregue em 06/05/2003, de débitos de IPI da recorrente com créditos de Nitriflex S/A Indústria e Comércio, CNPJ 42.147.496/000170, decorrentes dos provimentos judiciais obtidos nos MS nº 98.00166580 e MS nº 2001.51.10.0010250. O despacho decisório fundamentou, essencialmente, a nãohomologação da compensação declarada na alteração promovida pelo artigo 491 da Mp nº 66/2002 no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, permitindo a compensação apenas de débitos próprios, adotando entendimento da Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Nova Iguaçu/RJ no sentido de que a coisa julgada não pode ser invocada quando direito superveniente repercute na relação jurídica sobre a qual a coisa julgada se operou. O excerto abaixo esclarece: "Contudo, o ponto nevrálgico deste ato decisório referese à possibilidade ou não de o contribuinte utilizar em suas pretensas compensações tributárias o crédito que lhe foi cedido pela 1 Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.019 S3C3T2 Fl. 9 8 Nitriflex SA, pois numa época em que não havia lei, mas apenas uma norma infralegal (IN SRF n° 41/2000) vedando a utilização de crédito de um contribuinte para compensar débito de outro, a pessoa jurídica cedente do crédito obteve sentença transitada em julgado proferida no MS 2001.51100010250 reconhecendo o seu direito de cedelo a terceiros para utilização em compensação tributária. Ocorre que, antes que as declarações de compensação sob análise fossem entregues ou transmitidas à SRF, o art. 74 da Lei n° 9.430/96 sofreu alteração que lhe foi introduzida pelo art. 49 da MP n° 66, de 29.08.2002, posteriormente convertida na Lei n° 10.637/2002, no sentido de que os créditos do sujeito passivo podem utilizados apenas para compensar débitos tributários próprios." A decisão recorrida manteve a nãohomologação sob mesmo fundamento, acrescentando ainda a inexistência de demonstrativo do saldo de crédito reconhecido em favor da Nitriflex S/A Indústria e Comércio. Esta turma apreciou a questão relativa ao alcance das decisões contidas nos referidos mandados de segurança na sessão de 27/01/2015, ao julgar diversos processos da Nitriflex S/A Indústria e Comércio, bem como de diversos estabelecimentos da recorrente, inclusive do específico de que trata o presente processo, nos quais decidiuse pelos provimentos parciais dos recursos voluntários. Em breve relato, a Nitriflex obteve decisão transitada em julgado favorável, em 18/04/2001, no MS nº 98.00166580, para se creditar de IPI sobre aquisições isentas e ou sujeitas à alíquota zero, adquiridos no período de julho de 1989 a julho de 1998, conforme certidão de efls. 908. A União ajuizou as Ações Rescisórias nº 1.788DF e nº 2003.02.01.005675 8, com o intuito de rescindir decisões proferidas no MS 98.00166580, tendo a primeira sido extinta sem julgamento do mérito, com trânsito em julgado em 13/05/2009 (efls. 986). Relativamente à segunda ação, a União obteve decisão parcialmente favorável, o que motivou o ajuizamento da Reclamação nº 9.790 no STF pela recorrente. Em 28/03/2012, o Pleno do STF julgou procedente a reclamação para cassar as decisões proferidas pelo TRF da 2º Região na Ação Rescisória nº 2003.02.01.0056758, com trânsito em julgado ocorrido em 19/10/2012. Assim, inexiste incerteza quanto à aplicação da coisa julgada no MS 98.00166580, sendo legítimos os créditos de IPI decorrentes das aquisições isentas e de alíquota zero no período referido no mandado de segurança e, conforme informado no despacho decisório, já reconhecidos nos processos 10735.000001/9918 e 10735.000202/99 70, o que afasta a afirmação feita no despacho decisório de que a decisão na ação rescisória teria reduzido significativamente o crédito pleiteado, embora tal afirmação tenha sido apenas genérica, não havendo comprovação no despacho da demonstração de insuficiência de saldo credor. De outro giro, o MS nº 2001.51.10.0010250 objetivou o afastamento da vedação imposta pela IN SRF 41/2000 de compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, decisão transitada em julgado em 12/09/2003 (efls. 1102). O entendimento defendido pela recorrente é de que a coisa julgada alcançaria não apenas o direito Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.019 S3C3T2 Fl. 10 9 creditório em si, mas também a forma como a Nitriflex poderia dispor deste direito, o que não poderia ser afastado por legislação superveniente, em decorrência do princípio da irretroatividade e da segurança jurídica. Este posicionamento se coaduna com o esposado no OfícioIntimação nº 289/2002 SUB (efls. 22), de 13/11/2002, mediante o qual o Delegado da Receita Federal fora intimado do seguinte: "Senhor Delegado, Comunico a V. Sª que, nos autos da APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA N.° 2001.02.01.0352326 (Origem: 200151100010250), em que figuram como APELANTE: N1TRIFLEX S/A INDUSTRIA E COMÉRCIO e, como APELADO: UNIAO; FEDERAL / FAZENDA NACIONAL, foi proferido despacho às fls. 253, do seguinte teor: '...2 Intimese a digna autoridade impetrada para ciência e cumprimentei do v. acórdão que invalidou limitação a compensação de créditos da impetrante com débitos de terceiros, tal conto previsto nu INSRF n° 41/00, repetida na 1NSRF n° 210 de 30 de setembro de 2002, sob as penas previstas no art. 14 do CPC...". Em 11/11//200Z ROGERIO CARVALHO —Relator. [...] ROGÉRIO VIEIRA DE CARVALHO Desembargador Federal Relator Presidente da 4º Turma TRF 2º Região Verificase que a comunicação informou estar invalidada a limitação à compensação de créditos da Nitriflex com débitos de terceiros, tal como prevista na IN SRF 41/2000, bem como na IN SRF nº 210/2002, a qual foi editada já sobre a vigência da MP nº 66/2002. Posteriormente, a recorrente peticionou nos autos do MS nº 2001.51.10.0010250 informando o descumprimento de ordem judicial e ofensa à coisa julgada por parte da Receita Federal, sob o argumento de que a partir de 29/08/2002, em razão da alteração do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 pelo artigo 49 da MP nº 66/2002, estaria vedada a compensação de créditos de um sujeito passivo com débitos de outro. Em 25/03/2014, foi proferida decisão no seguinte teor (efls. 1107, 1224 a 1226): "Por conseguinte, considerando que a impetrada não trouxe aos autos qualquer alegação capaz de relativizar os efeitos da coisa julgada, DEFIRO O PEDIDO de fls. 1272/1279, para determinar que cumpra imediatamente a r. decisão transitada em julgado, adotando todas as providências necessárias nos autos dos processos administrativos relativos às compensações objeto da ação n° 98.00166580 (PA 10735.000001/9918 e apensos), efetuando em definitivo a análise dos pedidos de compensação com débitos de terceiros não optantes do REFIS, conforme limites objetivos do título judicial exequendo, atentando para o fato de que o advento da Lei n. 10.637/02 não Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.019 S3C3T2 Fl. 11 10 pode ser óbice à homologação do pedido de compensação da impetrante." Depreendese, pois, que a discussão travada nos autos quanto à aplicação ou não da nova redação do artigo 74, alterado pela MP nº 66/2002, no sentido de vedar a entrega de declaração de compensação após 29/08/2002 com utilização de créditos de terceiros tornou se desnecessária ante a decisão proferida no processo 2001.51.10.0010250 em 25/03/2014, determinando o cumprimento da coisa julgada, afastando qualquer óbice trazido pela Lei nº 10.637/2002 (conversão da MP nº 66/2002). Tratase, de fato, de mero cumprimento de decisão judicial cujo alcance foi definido nos próprios autos e prevalece sobre qualquer entendimento administrativo, em observância do princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Constituição Federal. Neste sentido, transcrevese a ementa do Acórdão 30236.713, de lavra do ilustre Conselheiro Walber José da Silva, nos autos do processo nº 13678.000114/200128, a saber: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREVALENÇA DA DECISÃO JUDICIAL. Pelo principio constitucional da unidade de jurisdição (art. 5°, XXXV da CF/88), a decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa, passando o julgamento administrativo não mais fazer nenhum sentido. Somente a decisão do Poder Judiciário faz coisa julgada. Assim, o fundamento utilizado pelo despacho decisório que não homologou a compensação se revela improcedente. Concernente à inexistência de demonstração do saldo credor do direito creditório, esclareçase que no despacho decisório lançouse a suspeita de existência ou não de saldo remanescente de saldo credor e, que, no dispositivo, o despacho foi fundamentado, principalmente, na vedação de utilização de créditos de terceiros após 29/08/2002 e, de forma secundária, na inexistência do deferimento da habilitação do crédito. Inicialmente, frisese que a habilitação de crédito foi instituída pela IN SRF nº 517/2005, publicada em 24/02/2005, em seu artigo 3º, portanto, quase dois anos depois da entrega da Dcomp em 06/05/2003 e há mais de cincos anos após o protocolo dos processos 10735.000001/9918 e 10735.000202/9970, o que, por si só, afasta o fundamento da despacho. Além disso, destacase que o próprio despacho informou que os créditos foram reconhecidos nestes últimos processos, inclusive quanto ao montante, o que tornaria desnecessário o procedimento de habilitação o qual se destina, segundo o §2º do artigo 3º da IN SRF nº 517/2005, a confirmar: I o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II a ação tem por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; e IV houve a homologação pela Justiça Federal da desistência da execução do título judicial ou da renúncia à sua execução, bem Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.019 S3C3T2 Fl. 12 11 assim a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios, no caso de ação de repetição de indébito. A homologação do montante requerido é procedimento que ultrapassa a finalidade do procedimento de habilitação. Ressaltase, ainda, que consta nas efls. 96 em diante, planilha de controle das compensações não homologadas dos diversos estabelecimentos da MAXIMILIANO GAIDZINSKI S/A INDÚSTRIA DE AZULEJOS ELIANE, elaborada pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis, para lançamento de ofício de multa isolada. Além disso, consta da efls. 483 do recurso voluntário interposto em face da primeira decisão de primeira instância, posteriormente anulada, as seguintes informações: "V PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E HOMOLOGAÇÃO ADMINISTRATIVA. Em face, da resposta do Delegado da Receita Federal de Nova Iguaçu/RJ, o Contribuinte notificado, para se prevenir contra todo e qualquer ato abusivo futuro por parte da Receita Federal, efetuou os seguintes procedimentos'. 1 — Protocolizou todas as declarações de compensações e de transferências de créditos decorrentes de decisão judicial, cujos processos estão alocados na SEORT de Nova Iguaçu/RJ, sendo que todas as transferências foram originadas do processo administrativo n° 13746.0005331200117 (ANEXO 1) e, portanto, após protocoladas ficam anexadas ao processo. 2 Foram protocoladas todas as transferências junto ao processo n° 98.00166580 da 19° Vara Federal do Rio de Janeiro cujo autor é N1TRIFLEX S/A e que deu origem ao crédito tributário federal de 1P1, garantindo a habilitação judicial do mesmo, pois foram os únicos créditos habilitados, podendo ser verificados junto ao processo acima, valores estes no montante de R$ 52.861.141,53 (Cinqüenta e dois milhões, oitocentos e sessenta e um mil, canto e quarenta e um reais e cinqüenta eum centavos) (ANEXO 2). 3 Foram protocoladas as homologações dos valores junto a Receita Federal de Duque de Caxias/RJ, na data de 05.07.2005, os quais foram remetidos para a SEORT de Nova Iguaçu/RJ em 15.07.2005 conforme se observa pelos extratos de homologação ora anexados (ANEXO 3). 4— Conforme transcrito acima, o oficiointimação n° 289/2002/SUB/4T, (ANEXO 4) e despacho do juiz no processo 98.00166580, (ANEXO 5), o delegado da Receita Federal de Nova lguaçu/RJ assumiu o compromisso de fazer, as compensações e homologações das transferências alegando, não caber intervenção judicial no procedimento administrativo da Receita Federal. A par do exposto, constatase que a recorrente prestou informações suficientes e que a Receita Federal possui as informações necessárias ao controle de utilização Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13963.000188/200319 Acórdão n.º 3302003.019 S3C3T2 Fl. 13 12 do referido crédito obtido pela Nitriflex e cedido à recorrente. Ademais, não seria razoável exigir do cessionário do crédito o controle de sua utilização, uma vez que este não possui o controle da utilização do direito creditório pela própria cedente ou por outro eventual cessionário. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a vedação imposta pela IN SRF 210/2002 e pela alteração do artigo 49 da MP nº 66/2002 quanto à utilização de crédito de terceiros, conforme decisão judicial, devolvendose os autos à delegacia de origem para aferição do quantum do direito creditório passível de ser utilizado neste processo, tendo em vista as diversas compensações pleiteadas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 15983.000198/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2003
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FALTA DE COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO AO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS). COMPETÊNCIA PARA A LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITOR-FISCAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.
Constatada, em procedimento de fiscalização no ano de 2003, a ausência da comunicação ao INSS de acidente de trabalho ocorrido com segurado empregado, competia ao Auditor-Fiscal da Previdência Social a lavratura do correspondente auto de infração em nome da empresa, por infração à legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a declaração de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, quando atendidos os requisitos formais e materiais exigidos pela legislação para a sua formalização, incluindo a adequada descrição dos fatos e capitulação legal.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PREVIDENCIÁRIA. COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO (CAT).
A obrigação de comunicar acidente de trabalho típico ou doença profissional equiparada a acidente do trabalho existe mesmo nas hipóteses em que não acarrete afastamento ou incapacidade para o trabalho, porquanto a emissão da CAT destina-se não só para eventual concessão de benefícios previdenciários, mas também para controles estatístico e epidemiológico, além do trabalhista e social.
OCORRÊNCIA OU AGRAVAMENTO DE DOENÇAS PROFISSIONAIS. DOCUMENTOS INTERNOS DA EMPRESA. ÔNUS DA PROVA.
Deixando de demonstrar a empresa, por meio da linguagem de provas, que a ocorrência ou o agravamento de doença profissional ocorrido com segurado empregado, identificado em documentos internos fornecidos pela própria fiscalizada, está excluído da tipificação legal de acidente de trabalho, deve ser mantida a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória de comunicar a ocorrência de acidente de trabalho.
COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO (CAT). ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Caracteriza-se denúncia espontânea, não cabendo a lavratura de auto de infração, relativamente às ocorrências de acidente de trabalho em que comprovada a entrega da CAT fora do prazo estabelecido na legislação previdenciária, porém anteriormente ao início do procedimento de fiscalização.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2401-003.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para reduzir a multa aplicada no AI nº 35.558.386-0, dele excluindo o valor de R$ 25.920,00 (108 x R$ 240,00), em expressão monetária original, correspondente a 108 (cento e oito) ocorrências de acidente de trabalho. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins votaram por negar provimento ao recurso diante da inaplicabilidade da denúncia espontânea ao caso em comento.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO (CAT) Recorrente COMPANHIA SIDERÚRGICA PAULISTA COSIPA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/2003 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FALTA DE COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO AO INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (INSS). COMPETÊNCIA PARA A LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. AUDITORFISCAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Constatada, em procedimento de fiscalização no ano de 2003, a ausência da comunicação ao INSS de acidente de trabalho ocorrido com segurado empregado, competia ao AuditorFiscal da Previdência Social a lavratura do correspondente auto de infração em nome da empresa, por infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. ADEQUADA DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, quando atendidos os requisitos formais e materiais exigidos pela legislação para a sua formalização, incluindo a adequada descrição dos fatos e capitulação legal. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PREVIDENCIÁRIA. COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO (CAT). A obrigação de comunicar acidente de trabalho típico ou doença profissional equiparada a acidente do trabalho existe mesmo nas hipóteses em que não acarrete afastamento ou incapacidade para o trabalho, porquanto a emissão da CAT destinase não só para eventual concessão de benefícios previdenciários, mas também para controles estatístico e epidemiológico, além do trabalhista e social. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 01 98 /2 00 7- 67 Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.487 2 OCORRÊNCIA OU AGRAVAMENTO DE DOENÇAS PROFISSIONAIS. DOCUMENTOS INTERNOS DA EMPRESA. ÔNUS DA PROVA. Deixando de demonstrar a empresa, por meio da linguagem de provas, que a ocorrência ou o agravamento de doença profissional ocorrido com segurado empregado, identificado em documentos internos fornecidos pela própria fiscalizada, está excluído da tipificação legal de acidente de trabalho, deve ser mantida a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória de comunicar a ocorrência de acidente de trabalho. COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO (CAT). ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Caracterizase denúncia espontânea, não cabendo a lavratura de auto de infração, relativamente às ocorrências de acidente de trabalho em que comprovada a entrega da CAT fora do prazo estabelecido na legislação previdenciária, porém anteriormente ao início do procedimento de fiscalização. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, darlhe provimento parcial para reduzir a multa aplicada no AI nº 35.558.3860, dele excluindo o valor de R$ 25.920,00 (108 x R$ 240,00), em expressão monetária original, correspondente a 108 (cento e oito) ocorrências de acidente de trabalho. Os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Maria Cleci Coti Martins votaram por negar provimento ao recurso diante da inaplicabilidade da denúncia espontânea ao caso em comento. (ASSINADO DIGITALMENTE) André Luís Mársico Lombardi Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.488 3 Relatório Cuidase de voluntário interposto em face da decisão da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1648.897 (fls. 2.425/2.454): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/08/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. COMUNICAÇÃO DE ACIDENTE DE TRABALHO. Deixar a empresa de comunicar acidente de trabalho ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência, e em caso de morte, de imediato, constitui infração à legislação previdenciária. AUDITOR FISCAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. COMPETÊNCIA PARA A LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. O Auditor Fiscal da Previdência Social tinha competência para efetuar a lavratura de Auto de Infração, quando constatasse a ocorrência de descumprimento de obrigação acessória prevista na legislação previdenciária. LANÇAMENTO FISCAL. ATO VINCULADO E OBRIGATÓRIO. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE E VERACIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Constatada a ocorrência de descumprimento de obrigação acessória prevista na legislação, cumpre à autoridade administrativa lavrar o respectivo auto de infração, impondo a multa correspondente, sendo o lançamento um ato vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional. O lançamento fiscal regularmente emitido goza da presunção de legalidade e veracidade, cabendo ao sujeito passivo comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo Auditor Fiscal. 2. Extraise do relatório fiscal da infração, bem como do relatório fiscal da aplicação da multa, às fls. 9/15, que a fiscalização aplicou penalidade, por meio do Auto de Infração (AI) nº 35.558.3860, por ter a empresa deixado de comunicar a ocorrência de acidentes de trabalho, mediante emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência, no período de 01/1998 a 06/2003 (Código de Fundamentação Legal CFL 53). Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.489 4 2.1 Segundo a fiscalização, a autuada não comunicou um total de 3.681 (três mil seiscentos e oitenta e um) acidentes, sendo que: i) 3.511 (três mil quinhentos e onze), eram provenientes de ocorrência ou agravamento de doenças profissionais; e ii) 170 (cento e setenta), relativos a acidentes do trabalho não comunicados, ocorridos na unidade CNPJ nº 02.790.893/0002 22. 2.2 No caso da doenças ocupacionais, a relação nominal de segurados foi fornecida pela empresa, conforme fls. 20/76, ao passo que para os acidentes de trabalho em sentido estrito a listagem com os nomes dos trabalhadores faz parte do corpo do relatório fiscal da infração (fls. 9/14). 3. Cientificado pessoalmente da autuação em 29/8/2003, às fls. 8, o contribuinte apresentou impugnação da exigência fiscal (fls. 106/113). 4. Antes de apreciar os argumentos de defesa, a instância de julgamento retornou os autos para o agente fiscal manifestarse sobre os diversos documentos juntados pela impugnante (fls. 2.062). A manifestação fiscal deuse às fls. 2.064/2.069, com proposta de retificação do valor inicial do débito. 5. Na sequência, a unidade responsável pela fiscalização, por meio do Despacho Decisório nº 21.433.4/0013/2005, de 6/6/2005, procedeu a revisão de ofício do débito, nos termos do inciso III do art. 145 e do 149 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), excluindo não só a circunstância agravante da infração, como também a multa incidente sobre o quantitativo de 122 (cento e vinte e dois) acidentes de trabalho (fls. 2.122/2.128). 6. Ao ser cientificada da retificação do crédito tributário, a autuada aditou a impugnação (fls. 2.131/2.139). 7. Tendo em conta a especialidade da matéria contida nos autos, a instância julgadora entendeu oportuno solicitar parecer prévio de um perito médico do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), conforme despacho de fls. 2.143/2.144. A perícia do INSS prestou as informações às fls. 2.146/2.148. 8. Instruídos os autos, o colegiado de primeira instância emitiu o Acórdão nº 17 21.777, julgando procedente o lançamento, acompanhando os termos do despacho decisório (fls. 2.153/2.163). 9. Ao não concordar com a decisão emitida pelo órgão fazendário, a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 2.319/2.329). 10. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho, apreciando o recurso voluntário, por meio do Acórdão nº 230201.524, decidiu por anular a decisão de primeira instância, porque ausente a intimação da recorrente para manifestarse quanto às informações prestadas pelo perito do INSS, as quais foram utilizadas pelo relator "a quo" para fundamentar o seu voto (fls. 2.391/2.393). Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.490 5 11. Então, retornando os autos à unidade de origem, foi dada ciência à autuada do resultado da diligência, tendo o contribuinte manifestadose por escrito sobre a opinião da perícia do INSS às fls. 2.361/2.375. 12. Formalizado o novo acórdão, em substituição ao anterior, a recorrente foi intimada em 9/8/2013, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância que manteve o crédito tributário (fls. 2.458/2.460). Na sequência, apresentou recurso voluntário no dia 9/9/2013, cujos argumentos de contrariedade ao Acórdão nº 1648.897 estão resumidos a seguir (fls. 2.461/2.469): i) incompetência da autoridade previdenciária para a lavratura do auto de infração, e sim das Delegacias Regionais do Trabalho; ii) nulidade do auto de infração por falta de especificidade da autuação, ante a ausência de demonstração da prática do fato jurídico que enseja a aplicação da penalidade; iii) para mensurar o número de acidentes de trabalho ocorridos no período fiscalizado, a auditoria utilizou indevidamente relação de segurados extraída do Relatório anual do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO); iv) não houve descumprimento de obrigação acessória, pois os casos apontados pela fiscalização dizem respeito à audiometria alterada sem a necessidade de comunicação, dada que a alteração identificada é inferior ao estabelecido na Norma Regulamentadora (NR) nº 15, que trata das atividades e operações insalubres; v) exigese a emissão da CAT somente quando a alteração da saúde do trabalhador tenha decorrido do ambiente de trabalho, diagnosticada pela área técnica da empresa e mediante prévio laudo médico confirmando a sua origem ocupacional; e vi) ainda que os acidentes de trabalho não tenham sido comunicados no prazo legal, a CAT entregue a destempo, mas anteriormente ao início de qualquer procedimento fiscal, caracteriza a denúncia espontânea, não cabendo a lavratura de auto de infração. É o relatório. Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.491 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de Admissibilidade 13. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminares a) Incompetência da autoridade autuante 14. No que toca à obrigação de comunicar acidente de trabalho, bem como à infração prevista na legislação para o seu descumprimento, o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, c/c arts. 286, 293 e 336 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, na redação vigente à época dos fatos narrados, assim dispunham: Lei nº 8.213, de 1991 Art. 22. A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do saláriodecontribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada pela Previdência Social. (...) RPS, de 1999 Art. 286. A infração ao disposto no art. 336 sujeita o responsável à multa variável entre os limites mínimo e máximo do saláriode contribuição, por acidente que tenha deixado de comunicar nesse prazo. (...) Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.492 7 lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (...) Art. 336. Para fins estatísticos e epidemiológicos, a empresa deverá comunicar à previdência social o acidente de que tratam os arts. 19, 20, 21 e 23 da Lei nº 8.213, de 1991, ocorrido com o segurado empregado, exceto o doméstico, e o trabalhador avulso, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena da multa aplicada e cobrada na forma do art. 286. (...) § 2º Na falta do cumprimento do disposto no caput, caberá ao setor de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social comunicar a ocorrência ao setor de fiscalização, para a aplicação e cobrança da multa devida. (grifouse) (...) 15. A toda a evidencia, a exigência de comunicar acidente de trabalho, embora guarde correlação com as normas de segurança e medicina do trabalho, revelase uma nítida obrigação instrumental decorrente da legislação previdenciária, que inobservada convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3º, do CTN). 15.1 Não deixa dúvidas a literalidade da Lei nº 8.213, de 1991, visto que reservou à Previdência Social, como órgão destinatário da comunicação escrita, e não ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a incumbência para aplicar e cobrar a multa em virtude do descumprimento da obrigação legal imposta à empresa. 16. Ao tratar de constituição do crédito tributário proveniente do descumprimento de obrigação acessória, a competência para o lançamento na época da lavratura do auto de infração, ocorrida no ano de 2003, era exercida privativamente pelo AuditorFiscal da Previdência Social (AFPS), nos termos das alíneas "a" e "b" do inciso I do art. 8º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, transcritos na sequência: Art. 8º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS: I em caráter privativo: a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados; b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação legal e de Auto de Apreensão e Guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades; Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.493 8 (...) 17. De verse que em face da Lei nº 8.213, de 1991, e de seu regulamento, são descabidos os argumentos quanto à extrapolação da competência da fiscalização previdenciária para a lavratura do AI nº 35.558.3860. 18. Em consequência, não merece acolhimento a nulidade arguida pela recorrente na sua petição. b) Nulidade do auto de infração por falta de especificidade da autuação 19. Nesse ponto, as razões expostas pela recorrente para a nulidade do lançamento confundemse com o mérito da autuação, porquanto defende a inexistência do fato gerador da obrigação acessória, na medida em que a emissão da CAT só deveria ocorrer quando confirmada a origem ocupacional da disfunção do órgão, como recomendaria o item 7.7.4.8 da NR7. 20. O auto de infração lavrado atende aos requisitos formais exigidos pela legislação, contendo a capitulação legal da infração e adequada descrição dos fatos, com suporte em linguagem de provas, mediante listagem das datas e dos nomes dos segurados empregados para os quais a empresa autuada não teria realizado a comunicação escrita do acidente de trabalho, típico ou por equiparação, propiciandolhe o pleno conhecimento das irregularidades apontadas e permitindo o exercício do direito de defesa. 21. Por sua vez, o contribuinte demonstrou conhecer as infrações que lhe foram imputadas, refutando as acusações que dão suporte à autuação e expondo seu ponto de vista contrário nas peças de defesa. 22. A suficiência ou insuficiência do conjunto fáticoprobatório acostado aos autos pela fiscalização para comprovar o descumprimento da obrigação acessória é matéria afeta ao exame do mérito da autuação, dada que relacionada à procedência ou improcedência da penalidade aplicada, em seu montante integral ou apenas de forma parcial. 23. Desse feita, rejeito a preliminar ventilada pela recorrente. Mérito 24. Antes de mais nada, ressalto que a fiscalização apontou inicialmente a falta de comunicação de acidente de trabalho em duas situações distintas: i) no conceito geral, equivalente a 170 ocorrências; e ii) no conceito por equiparação, como doença ocupacional, num total de 3.511 casos. 24.1 Como mencionado alhures, a revisão de ofício do lançamento acabou afastando um total de 122 casos, correspondendo a 88 (oitenta e oito) acidentes típicos e a 34 (trinta e quatro) acidentes por equiparação. 24.2 Esses números são obtidos pela simples comparação entre os nomes dos trabalhadores excluídos da autuação (fls. 2.123/2.126) e as listagens nominais carreadas aos autos pela fiscalização (fls. 9/14 e 20/76). Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.494 9 25. Pois bem. Quanto aos acidentes típicos remanescentes, em número de 82 (oitenta e duas) ocorrências [170 88], o apelo recursal não contém contraposição específica à exigência fiscal. 25.1 Mesmo as cópias das CATs às fls. 723/1.084, as quais poderiam indicar que a empresa informou os acidentes ocorridos ao INSS, não são aptas a desconstituir as penalidades aplicadas, na medida em que não se localizou documentos em nome dos trabalhadores indicados pela fiscalização, à exceção daquelas situações previamente excluídas quando da revisão de ofício (fls. 9/14 e 2.122/2.128). 26. Já no que diz respeito aos exames audiométricos alterados, relacionados a doenças ocupacionais, a recorrente insiste que o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), que foi utilizado pela fiscalização, não serve para mensurar o número de acidentes ocorridos no período auditado. 26.1 Acontece que a relação de segurados que embasou o auto de infração, acostada às fls. 20/76, não foi extraída do PCMSO, mas fornecida pela empresa, com base em dados de controle interno, em atendimento ao solicitado por Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (fls. 82). 27. Nos esclarecimentos prestados pela autoridade lançadora, há a informação de que havia uma significativa quantidade de exames audiométricos alterados, realizados no período de 1998 a 2002, motivo pelo qual foi solicitado à empresa a interpretação dos resultados desses exames, tal como previsto no item 4 do Anexo I do Quadro II da NR7 do MTE (fls. 2.064/2.069). 27.1 Em resposta, consta dos autos que a recorrente entregou os diagnósticos apenas do período de março a dezembro de 2002, em que se verificou, nesses meses, a quase totalidade das análises como evidenciando suspeita de perda auditiva ou desencadeamento/agravamento da perda auditiva. 27.2 Quanto aos demais meses, de janeiro de 1998 a fevereiro de 2002, a empresa deixou de entregar os documentos pedidos pela fiscalização, o que ocasionou a lavratura do AI nº 35.558.3852 por não atendimento à intimação (fls. 2.068/2.069). 28. Diante disso, pareceme que a recorrente optou por uma linha argumentativa de defesa convenientemente contraditória. 28.1 É que, de um lado, sustenta que a CAT deverá ser emitida somente após a conclusão do diagnóstico firmado de doença profissional por médico do trabalho da empresa, médico assistente ou médico responsável pelo PCMSO. 28.2 Contudo, não apresenta, para os casos em que houve alteração nos exames audiométricos, os tais relatórios médicos preenchidos pelo médico habilitado, interpretando os resultados obtidos e demonstrando objetivamente que as alterações ocorridas não ensejariam a obrigatória emissão de CAT, tal como na hipótese da perda de audição por origem não ocupacional. 29. Por sua vez, conquanto afirme no recurso que a maior parte dos segurados empregados listados pela fiscalização nunca trabalhou em áreas com exposição a níveis de pressão sonora elevados, capaz de causar diagnóstico ou uma disfunção de origem ocupacional, Fl. 2494DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.495 10 as "Avaliações de Exposição Ocupacional a Ruído", anexadas na fase de impugnação, apontam exatamente para o contrário e revelam que os trabalhadores ali indicados, na sua grande maioria, se ativaram ao longo dos anos em locais onde os níveis de ruído podiam atingir valores acima dos limites de tolerância previstos na legislação (fls. 1.497/2.059). 30. Vale não perder de vista que a multa pelo descumprimento da obrigação acessória é fixada por acidente que tenha o responsável deixado de comunicar no prazo legal, consistindo o auto de infração lavrado pela fiscalização no conjunto das penalidades impostas na ação fiscal, em decorrência de todos os acidentes de trabalho não comunicados ao INSS ocorridos no período auditado, na forma e prazo estabelecidos pela legislação. 31. Por isso, a juntada de uma massa desordenada de documentos, como fez a recorrente, os quais supostamente atestariam a sua versão dos fatos, sem preocupação em correlacionálos um a um com os trabalhadores listados pela fiscalização na autuação, acaba por reduzir a força probante desse material, pois a falta de vinculação com o acidente de trabalho não comunicado descrito pelo agente fiscal dificulta o convencimento do julgador no que pertine à presença das circunstâncias concretas que invoca como fundamento à sua pretensão. 32. Nesse sentido, resume Fabiana Del Padre Tomé: 1 Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o 'animus' de convencimento. 33. Não me convence, igualmente, a alegação da recorrente de que "várias vezes as mesmas pessoas são incluídas [no auto de infração lavrado pela fiscalização], inclusive até por uma simples inflamação de ouvido", pois a autuada não só omitese quanto aos nomes dos tais trabalhadores em duplicidade, como também deixa de anexar os documentos que atestariam a causa não ocupacional da doença. 34. De mais a mais, a legislação relativa à emissão da CAT deve ser analisada e compreendida de forma sistemática para se evitar condutas contrárias ao que ela própria determina. 35. Como preceitua o art. 22 da Lei nº 8.213, de 1991, a obrigação de comunicar acidente de trabalho típico ou doença profissional equiparada a acidente do trabalho existe mesmo nas hipóteses em que não acarrete afastamento ou incapacidade para o trabalho. Copio novamente o dispositivo: Art. 22. A empresa deverá comunicar o acidente do trabalho à Previdência Social até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena de multa variável entre o limite mínimo e o limite máximo do saláriodecontribuição, sucessivamente aumentada nas reincidências, aplicada e cobrada pela Previdência Social. (...) 1 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário. 3 ed. São Paulo : Editora Noeses, 2011, p. 369. Fl. 2495DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.496 11 36. É que a CAT serve não só para eventual concessão de benefícios previdenciários, mas também para controles estatístico e epidemiológico, além do trabalhista e social, conforme disposto no art. 336 do RPS: Art. 336. Para fins estatísticos e epidemiológicos, a empresa deverá comunicar à previdência social o acidente de que tratam os arts. 19, 20, 21 e 23 da Lei nº 8.213, de 1991, ocorrido com o segurado empregado, exceto o doméstico, e o trabalhador avulso, até o primeiro dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato, à autoridade competente, sob pena da multa aplicada e cobrada na forma do art. 286. (...) 37. A seu turno, extraise da NR7 do MTE, em seu item 7.4.8, que a comunicação de acidente de trabalho deve ser realizada quando constatada a ocorrência ou o agravamento de doenças profissionais ou mesmo quando verificadas alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, ainda que sem sintomatologia: 7.4.8 Sendo constatada a ocorrência ou agravamento de doenças profissionais, através de exames médicos que incluam os definidos nesta NR; ou sendo verificadas alterações que revelem qualquer tipo de disfunção de órgão ou sistema biológico, através dos exames constantes dos Quadros I (apenas aqueles com interpretação SC) e II, e do item 7.4.2.3 da presente NR, mesmo sem sintomatologia, caberá ao médicocoordenador ou encarregado: a) solicitar à empresa a emissão da Comunicação de Acidente do Trabalho CAT; (grifouse) b) indicar, quando necessário, o afastamento do trabalhador da exposição ao risco, ou do trabalho; c) encaminhar o trabalhador à Previdência Social para estabelecimento de nexo causal, avaliação de incapacidade e definição da conduta previdenciária em relação ao trabalho; d) orientar o empregador quanto à necessidade de adoção de medidas de controle no ambiente de trabalho. 37.1 Segundo o normativo reproduzido, é obrigatória a emissão da CAT ao menor sinal de alteração biológica do empregado, mesmo que assintomática e ainda que não tenha se configurado hipótese de afastamento do trabalho. 37.2 O indicativo de perda auditiva neurossensorial, constada a partir de exames audiométricos alterados, implica a emissão da CAT, seja para fins de notificação de registro, quando não interfere na capacidade laborativa, seja para evitar a subnotificação, nos casos de perda auditiva mínima. 38. Cabe enfatizar que a realização de exames periódicos tem por objetivo identificar, qualificar e quantificar a perda auditiva do trabalhador exposto a níveis elevados de pressão sonora, com vistas à prevenção do seu agravamento e à adoção de medidas efetivas de proteção. Fl. 2496DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.497 12 39. Não raro, contudo, às empresas não lhes interessa a emissão da CAT, entre outros motivos, porque estariam assumindo, na sua visão, uma confissão de culpa de que a perda auditiva originouse ou mesmo agravouse no ambiente ocupacional. 40. Quanto às comunicações de acidente de trabalho, por doença ocupacional, apresentadas fora do prazo estipulado pela Lei nº 8.213, de 1991, porém antes do início do procedimento fiscal, os atos normativos vigentes à época da autuação, mais especificamente os arts. 310 e 311 da Instrução Normativa (IN) INSS/DC nº 70, de 10 de maio de 2002, bem como o art. 224 da IN INSS/DC nº 84, de 17 de dezembro de 2002, determinavam o impedimento da lavratura do auto de infração: IN INSS/DC nº 70, de 2002 Art. 310. Não será lavrado Auto de Infração no caso de denúncia espontânea da infração. Art. 311. Considerase denúncia espontânea o procedimento, adotado pelo infrator, que regularize a situação que tenha configurado a infração, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, dispensada a comunicação da correção da falta ao INSS. IN INSS/DC nº 84, de 2002 Art. 224. A CAT entregue fora do prazo estabelecido no art. 336 do RPS e anteriormente ao início de qualquer procedimento administrativo ou de medida de fiscalização caracterizase como denúncia espontânea, não cabendo a lavratura de Auto de Infração. 41. Não obstante, com relação às CATs acostadas às fls. 1.120/1.495, verifico que muitas delas foram desprezadas pela fiscalização, assim como pela decisão de piso, ora recorrida. 41.1 Pelo que se nota, a justificativa é que não eram pertinentes às relações de acidentes identificadas na autuação ou estavam sem protocolo de recepção no INSS (fls. 2.065/2.067) 42. Ao compulsar a documentação acostada pela recorrente ainda na fase de impugnação, é possível identificar a existência de diversas comunicações, em nome de trabalhadores listados pela fiscalização, em que a data do acidente registrada no documento não corresponde exatamente ao dia em que teria sido realizado o diagnóstico médico, segundo a listagem entregue pela empresa. 42.1 Porém, entendo que a rigidez da análise dessas situações realizada até então pode ser suavizada, não só pela possibilidade de denúncia espontânea, mas também porque envolvem doença ocupacional resultante da exposição continuada a níveis elevados de pressão sonora, diagnosticada por meio de exames periódicos e que, na grande maioria dos casos, não acarreta a incapacidade para o trabalho. 42.2 Em outras palavras, quero afirmar que a divergência de poucos meses entre as datas não é motivo para julgar que a comunicação do acidente por equiparação efetuada pela Fl. 2497DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.498 13 empresa a destempo refirase a um evento distinto da doença profissional verificada a partir dos exames audiométricos listados pela fiscalização. 42.3 Nesse cenário, sou favorável que os formulários preenchidos, e comprovadamente protocolados no INSS, relacionados a segurados empregados incluídos na listagem da fiscalização, noticiando a ocorrência de acidentes de trabalho por equiparação no período de 1998 a 2002, cuja descrição da situação geradora da doença está nitidamente associada à perda auditiva neurossensorial verificada em exames periódicos e/ou exposição ocupacional em níveis de pressão sonora elevada, são suficientes para atestar o cumprimento da obrigação acessória pela empresa. 43. Exposto nesses termos, identifiquei as seguintes CATs, dentre aquelas juntadas às fls. 1.120/1.495, que caracterizam a denúncia espontânea, totalizando 108 (cento e oito) documentos: Trabalhador CAT (fls.) Trabalhador CAT (fls.) Ademir Cândido Ribeiro 1.445 Jorge Quirino 1.143 Afonso Valente Filho 1.123 José Alberto Pereira Gomes 1.189 Agnaldo Batista de Araújo' 1.218 José Aristeu F da Silva 1.202 Alberto Gandra de Moraes 1.277 José Claudemir da Rocha 1.204 Alberto Vitório de Oliveira 1.481 José Eribaldo Menezes 1.479 Antônio Alberto Pires 1.335 José Francisco de Lima 1.283 Antônio de Ornelas 1.299 José Hermes Antoniasse 1.313 Antônio Fátima F da Silva 1.467 José Luiz Ribeiro Mateus 1.193 Antônio Jorge Vieira 1.121 José Luiz Rosa 1.147 Antônio Mineto Gasque 1.311 José Marques 1.289 Antônio Pereira Silva 1.190 José Medeiros da Silva 1.329 Antônio R Batista Júnior 1.279 José Pereira de Souza Neto 1.493 Ayrton Guilherme Cardoso 1.192 José Policarpo de Oliveira 1.216 Carlos H de Campos Oliveira 1.455 José Roberto de Melo 1.122 Carlos José Fernandes 1.207 José Roberto Teles 1.152 Carlos Juarez Silles 1.126 José Saulo Bezerra 1.176 Carlos Pedral 1.439 Lúcio Inácio de Araújo 1.413 Carlos Roberto S Oliveira 1.209 Luiz Carlos Baptista 1.297 Cláudio Cardozo Júnior 1.427 Luiz Carlos de Souza 1.353 Cláudio Francisco da Silva 1.357 Luiz Carlos T do Nascimento 1.195 Cláudio Santiago dos Santos 1.223 Luiz Fernando Ramos 1.361 Cláudio Vieira da Silva 1.181 Luiz Ferreira da Silva 1.375 Cosmo Simões dos Santos 1.321 Luiz Queiroga 1.443 Daniel de Oliveira Souza 1.159 Manoel Sebastião de Souza 1.222 Denilson Encinoso Gomes 1.210 Marcelo João dos Santos 1.491 Edimundo Raimundo da Silva 1.369 Márcio de Araújo 1.475 Fl. 2498DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.499 14 Trabalhador CAT (fls.) Trabalhador CAT (fls.) Edison Boscoli 1.198 Marco Antônio Duarte 1.367 Edson de Oliveira 1.365 Marco Aurélio Cardoso 1.120 Edson Souza Ferraz 1.461 Maria de Fátima O E Silva 1.379 Eliezer Lopes Barbosa 1.315 Mário Galvão Bueno 1.127 Elizeu Rosa Santana 1.453 Mário Tavares 1.125 Erivaldo dos Santos 1.249 Neilton Calixto Bezerra 1.285 Eudino Luis Fidelis 1.168 Nelson dos Santos Júnior 1.215 Flaviano Nei da Silva 1.307 Nilson Silva Farias 1.349 Flávio Pereira da Silva 1.174 Oswaldo Sérgio dos Santos 1.291 Francisco Carlos Gonçalves 1.124 Paulo Sérgio Nóbrega 1.153 Francisco de Assis P Omena 1.363 Pedro Francisco dos Santos 1.221 Francisco Pereira 1.373 Pedro Henrique M da Cunha 1.417 Gelson Bizerra Romão 1.477 Raimundo Agustinho da Silva 1.391 Genivaldo Francisco C Silva 1.333 Reginaldo Alvares Salvado 1.171 Genivaldo Santos 1.199 Roberto Aparecido Santos 1.188 Geraldo Tressoldi Filho 1.177 Rogério Simões 1.303 Getúlio José de Almeida 1.146 Romildo Barnabé 1.327 Jaime Fernandes Neto 1.186 Sandoval da Silva Ferreira 1.381 João Alves de Souza 1.403 Sérgio dos Santos Marinho 1.409 João Carlos A da Cruz 1.170 Sérgio Nóbrega 1.359 João Carlos da Cruz 1.273 Sidney da Silva 1.383 João Evangelista Nascimento 1.205 Valdir Maria Gualberto 1.211 João Osvaldo da Silva 1.339 Valter Nunes de Oliveira 1.133 João Paulo Lamim Brum 1.128 Vanderlei Ferreira Santos 1.201 João Pereira da Costa 1.429 Wagner Teixeira Marianni 1.485 João Rodrigues de Oliveira 1.355 Waldomiro Ferreira 1.389 Jobes Augusto Lisboa 1.317 Walter Eudócio Agostinho 1.200 Jorge Luiz Batista 1.471 Wolney José Pinto 1.325 44. Dessa feita, deverá ser excluído do total da multa aplicada no auto de infração o valor de R$ 25.920,00 (108 x R$ 240,00)2, correspondente a 108 CATs provenientes de doenças profissionais. 2 Na época da autuação, o limite mínimo do salário de contribuição era R$ 240,00 (duzentos e quarenta reaisi), valor utilizado pela fiscalização para o cálculo da penalidade. Fl. 2499DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 15983.000198/200767 Acórdão n.º 2401003.956 S2C4T1 Fl. 2.500 15 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reduzir a multa aplicada no AI nº 35.558.3860, dele excluindo o valor de R$ 25.920,00 (108 x R$ 240,00), em expressão monetária original, correspondente a 108 (cento e oito) ocorrências de acidente de trabalho. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Relator Fl. 2500DF CARF MF Impresso em 15/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 08/01/201 6 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, As sinado digitalmente em 08/01/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10935.003443/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA FEDERAL. FONTE PAGADORA INSS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 - B e 543 - C do CPC. Art. 62, § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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JUSTIÇA FEDERAL. FONTE PAGADORA INSS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 B e 543 C do CPC. Art. 62, § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 34 43 /2 00 7- 40 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 48 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, por bem descrever os fatos (fl. 25), complementandoo ao final: Tratase de Notificação de Lançamento lavrada contra o contribuinte acima mencionado, para exigência de R$ 5.106,81 de imposto suplementar e R$ 3.830,10 de multa de oficio (75%), além de juros de mora no montante de R$ 1.640,30 (calculados até 29/06/2007). Segundo consta na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" de fls. 03, a notificação foi lavrada porque o contribuinte omitiu os seguinte rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF relativa ao Exercício de 2005, AnoCalendário 2004: R$ 15.945,76, informados em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte—DIRF pela Caixa Econômica Federal (CNPJ 00.360.305/000104); R$ 100,00, informados em DIRF pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS (CNPJ 29.979.038/000140); R$ 7.957,46, informados em DIRF pela Universidade Estadual Oeste do Paraná (CNPJ 78.680.337/000184). O contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 06 e 07), com as alegações a seguir sintetizadas: Afirma que o valor de R$ 15.945,76 não foi pago pela Caixa Econômica Federal, e sim pela União, em decorrência de ação proposta contra o INSS para recebimento de valores atrasados, relativos a mais de 100 meses de valores pagos a menor, desde a aposentadoria do contribuinte em 1995 (Autos n° 2003.70.05.0058232/PR, da 1ª Vara Federal de Cascavel). Alega que o fato gerador não se refere ao mês do efetivo pagamento, mas sim aos meses em que os valores deveriam ter sido pagos, e como o valor recebido a título de aposentadoria está isento de imposto de renda, por não alcançar o valor Fl. 48DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 49 3 tributável, não há imposto a ser lançado, nem omissão de lançamento. Acrescenta que o referido valor foi inclusive informado pelo contribuinte na ficha "Bens e Direitos", com o código 41. Afirma que seria absurdo o Estado — que se omitiu em pagar corretamente a aposentadoria do contribuinte por 10 anos e só o fez após ser compelido por sentença judicial — lançar imposto sobre o valor a que deu causa. Entende que, ao agir assim, o Estado está burlando a sentença que estabeleceu o valor atrasado a ser pago ao contribuinte. Alega que o valor recebido pelo contribuinte caracterizase como indenização pelo descaso da União/INSS em reajustar de forma correta o seu salário de beneficio. Assim, com base em ensinamento de Roque Antônio Carrazza, conclui que não se trata de rendimentos, pois não houve geração de rendas ou acréscimos patrimoniais de qualquer espécie. Quanto aos valores de R$ 7.957,46 e R$ 100,00, afirma que as omissões decorreram, respectivamente, de falta de atenção e de erro de digitação. Ao analisar a manifestação de inconformidade do contribuinte, conforme acima resumido, a DRJ em Curitiba/PR concentrouse em assentar que o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, determinava que no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas necessárias à sua percepção. Completou que não mereceria acolhida a tese de que o fato gerador teria ocorrido nos meses em que os valores deveriam ter sido pagos pelo INSS; que os rendimentos não têm caráter indenizatório; que o fato de têlos informado como "bens e direitos" é irrelevante, no cálculo do tributo devido e destacou ainda que também deveriam ser mantidos no lançamento os valores informados em DIRF pelas fontes pagadoras INSS (R$ 100,00) e Universidade Estadual do Oeste do Paraná (R$ 7.957,46), pois o próprio contribuinte confessa que esses valores estão corretos e foram omitidos na declaração de ajuste anual. Assim, reputou improcedente a Impugnação. Cientificado dessa Decisão em 26/05/2009 (AR na folha 31), o Contribuinte, ainda inconformado, apresentou recurso voluntário em 02/06/2009, com protocolo na folha 40, onde repete os mesmos argumentos da Impugnação e mais uma vez PEDE que seja provido seu recurso, reformandose o Acórdão recorrido. O recurso foi apreciado por este Conselho em Sessão de 18 de setembro de 2012, tendo a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara decidido pelo sobrestamento do julgamento, uma vez que versa sobre incidência de imposto sobre rendimentos recebidos acumuladamente, matéria então submetida à "repercussão geral" pelo STF, no RE 614.406, e observandose disposição regimental interna. É o relatório. Voto Fl. 49DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 50 4 Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Bem, a Notificação de Lançamento considerou a omissão de rendimentos provenientes de três fontes, das quais apenas uma é objeto da presente lide, especificamente o valor de R$ 15.945,78, pagos pela Caixa Econômica Federal, em decorrência de ação judicial movida pelo recorrente contra o INSS, para fins de revisão de benefício previdenciário. As demais fontes e valores considerados omitidos estão, portanto, fora do litígio e de apreciação, como já assentara a DRJ. O Recorrente diz que os rendimentos teriam caráter indenizatório, o que não é o caso, mas independentemente dessa questão, verifico que o lançamento foi feito sobre rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de sentença judicial que condenou o INSS ao pagamento de correções de proventos de aposentadoria ao Recorrente, conforme documentos de folhas 11 a 14. DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REVISÃO/IMPLANTAÇÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Mais especificamente, o lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação judicial de revisão de benefício previdenciário, em face do INSS. Tais rendimentos, que se referem a períodos pretéritos, foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, em setembro de 2004, como se depreende da Notificação de Lançamento. Observase que a tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de Fl. 50DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 51 5 caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Em 23/10/2014, a Suprema Corte assim decidiu, em relação à matéria: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em negar provimento ao recurso extraordinário, por maioria, vencida a relatora, Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Voto. Ministra Ellen Gracie Relatora: O Acórdão recorrido considerou inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/88, que determinou a incidência do imposto por ocasião do recebimento dos valores, sobre a sua totalidade. Entendeu violados os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, nos termos do que restou sintetizado na ementa do acórdão relativo à argüição de inconstitucionalidade julgada pela Corte Especial daquele Tribunal Regional Federal da 4ª Região: (...) Voto Ministro Marco Aurélio Redator do Acórdão: Fl. 51DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 52 6 Não passa pela minha cabeça que o sistema possa apenar o contribuinte duas vezes. Explico melhor: o contribuinte não recebe as parcelas na época devida. É compelido a ingressar em Juízo para ver declarado o direito a essas parcelas e, recebendo as posteriormente, há a junção para efeito de incidência do Imposto de Renda, surgindo, de início, a problemática da alíquota, norteada pelo valor recebido. (...) Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva... (...) Ou seja, o fato de o direito haver sido resistido e de se ter que acionar garantia inerente à cidadania, que é a do ingresso em Juízo, implicaria a majoração da alíquota. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também já havia se manifestado sobre a matéria, como lembraramse os Ministros do STF, inclusive atribuindo aos recursos a sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1.118.429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ Fl. 52DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 53 7 JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Fl. 53DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 54 8 Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) O que os Tribunais Superiores ratificam, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Observo assim a aplicação do artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF: Artigo 62, § 2º. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando que a jurisprudência do STJ já havia se posicionado pela forma como deveria ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 e, mais recentemente, o STF entendeu pela sua inconstitucionalidade do dispositivo, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da fórmula para apuração do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) e observo a determinação contida no Art. 62, § 2º caput do Regimento Interno do CARF, como fundamento para decidir. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 55 9 Vinhamse verificando, na jurisprudência deste CARF, decisões no seguinte sentido, no tocante a esta matéria: Acórdão 2201002.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente a tabela progressiva vigente à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, nos termos do voto do relator. Transcrevo e destaco daquele Voto: Releva tratarse de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. Pois bem, a autuação levou em consideração o rendimento total recebido, de forma acumulada, sem separar o período de cada competência. Por essa razão é necessário provimento parcial ao recurso para o recalculo da autuação. Pois bem, como se observa aqui, neste Voto, concordo em parte com o entendimento lá proferido pela Colenda Turma Ordinária, contudo, peço vênia para divergir em relação à parte que entende ser cabível devolver à Receita Federal os autos, para que se faça novo cálculo do tributo devido, aplicando as tabelas progressivas vigentes à época de cada competência (mês) dos rendimentos recebidos. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome mais uma vez na doutrina de REGINA HELENA COSTA: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(Op. Cit. p. 205) Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, Fl. 55DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10935.003443/200740 Acórdão n.º 2202003.043 S2C2T2 Fl. 56 10 "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo, por aplicação equivocada de alíquotas indevidas sobre bases de cálculo acumuladas. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como por exemplo a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) E, em ordem prática, suponhase que efetuada nova apuração e encaminhada a cobrança o sujeito passivo dela discorde. Como se darão a impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal? Recomeça a fase litigiosa do procedimento? De forma análoga, se o Fisco identifica incorretamente o sujeito passivo, cobrando de Tício quando o contribuinte ou responsável é Mélvio, não se pode simplesmente alterar a ficha de identificação do Auto de Infração e exigir o tributo, agora corretamente, encaminhando a notificação de cobrança, após o julgamento de recurso daquele, a esse. É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial em face do INSS e pagos pela pessoa jurídica Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 15.945,78, consubstanciada na Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 56DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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