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Numero do processo: 13820.000431/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
NULIDADE. RAZÕES DE DECIDIR DISSOCIADAS DA IMPUGNAÇÃO. OMISSÃO DE ANÁLISE DE PONTO IMPUGNADO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Conforme o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, 70.235/72, devem ser anulados os atos que importem em preterição do direito de defesa. A ausência de análise de argumentos trazidos aos autos por meio de peça impugnatória implica nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e contraditório.
Numero da decisão: 2202-002.977
Decisão: Recurso voluntário provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular o Acórdão de primeira instância, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(Assinado digitalmente)
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente
(Assinado digitalmente)
FABIO BRUN GOLDSCHMIDT - Relator.
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: FABIO BRUN GOLDSCHMIDT
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 NULIDADE. RAZÕES DE DECIDIR DISSOCIADAS DA IMPUGNAÇÃO. OMISSÃO DE ANÁLISE DE PONTO IMPUGNADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Conforme o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, 70.235/72, devem ser anulados os atos que importem em preterição do direito de defesa. A ausência de análise de argumentos trazidos aos autos por meio de peça impugnatória implica nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e contraditório.
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RAZÕES DE DECIDIR DISSOCIADAS DA IMPUGNAÇÃO. OMISSÃO DE ANÁLISE DE PONTO IMPUGNADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Conforme o art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, 70.235/72, devem ser anulados os atos que importem em preterição do direito de defesa. A ausência de análise de argumentos trazidos aos autos por meio de peça impugnatória implica nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e contraditório. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para anular o Acórdão de primeira instância, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 00 04 31 /2 00 7- 49 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) FABIO BRUN GOLDSCHMIDT Relator. EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros, ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), SUELY NUNES DA GAMA, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FABIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Tratase de auto de lançamento (fls. 9) constituído para cobrança de multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício de 2006, no valor de R$ 9.843,95. Consta no termo de notificação de lançamento que a entrega de Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física fora do prazo enseja a aplicação de multa de um por cento ao mês ou fração de atraso, sobre o imposto de renda devido, ainda que integralmente pago, ressalvados os valores mínimo (R$ 165,74) e máximo (20% do imposto devido), fixados em lei. Impugnação Através da notificação de lançamento, o contribuinte foi intimado, em 06/01/2012, apresentando a impugnação de fls. 2/8, alegando em síntese: Refere que a auditoria fiscal não agiu acertadamente, uma vez que, ao se utilizar o sistema eletrônico e automático, notificou indevidamente o contribuinte entendendo ser devida multa incidente sobre o “imposto devido calculado”, e não sobre o saldo efetivo do “imposto a pagar”, que no caso seria inexistente. Refere que o legislador ao adotar o vocábulo “devido”, referese justamente ao valor remanescente do imposto a pagar na data da declaração e não a integralidade do valor apurado. No caso, de acordo com a declaração prestada, o contribuinte tinha direito ao recebimento de “imposto a restituir”, apurado no valor de R$ 12,88, tendo sido recolhido Fl. 49DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13820.000431/200749 Acórdão n.º 2202002.977 S2C2T2 Fl. 7 3 antecipadamente via retenção na fonte o imposto no valor de R$ 75.649,63, de modo que nada havia a pagar no momento da entrega da declaração, sendo exigível apenas a multa mínima de R$ 165,74. Tece considerações a respeito do art. 88 da Lei nº 8.981/95, segundo o qual a base de cálculo da multa deve ser o “imposto devido” e não o valor do imposto já recolhido antecipadamente. Colaciona jurisprudência do então Conselho de Contribuintes sobre a matéria. Acórdão da DRJ A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o auto de infração. (fls. 24/26), conforme ementa do acórdão que segue: ASSUNTO: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL É cabível a cobrança de penalidade, quando o sujeito passivo obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual, não o faz tempestivamente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Independentemente do início de qualquer procedimento fiscal, o descumprimento da obrigação acessória de modo tempestivo enseja a cobrança da penalidade pelo atraso, por previsão legal nesse sentido. Recurso Voluntário Intimado da decisão proferida pela DRJ, em 28/11/2007, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário às fls. 31/38, repisando os argumentos da impugnação. Acrescenta que o acórdão merece reforma, uma vez que deixou de apreciar as matérias trazidas pelo Recorrente, decidindo a questão sob prisma diverso do debate recursal, qual seja de que a denúncia espontânea de débito fiscal não afasta a incidência da multa, mantendo íntegro o lançamento. É o relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Fabio Brun Goldschmidt, Relator Tratase de lançamento para a cobrança de multa aplicada em razão do atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física, forte no art. 88 da Lei nº 8.981/95, que assim dispõe: Art. 88. A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I à multa de mora de um por cento ao mês ou fração sobre o Imposto de Renda devido, ainda que integralmente pago; (Vide Lei nº 9.532, de 1997) II à multa de duzentas Ufirs a oito mil Ufirs, no caso de declaração de que não resulte imposto devido. Em suas razões, o contribuinte não contesta a possibilidade ou não da aplicação da multa. Irresignase quanto a critério quantitativo da multa aplicada. No ponto, basicamente delimitase a discussão, a saber, se a expressão “imposto devido” compreende aquele valor fruto de cálculos de apuração realizados e retidos ao longo do ano, ou se o valor efetivamente devido ao final do exercício. Esse é o ponto que pretendia o contribuinte discutir, conforme se percebe nos trechos abaixo extraídos de sua defesa. Contudo, a Auditoria Fiscal não autuou com acerto uma vez que, ao se utilizar de sistema eletrônico e automático, notificou indevidamente o contribuinte entendendo ser devida multa incidente sobre o “IMPOSTO DEVIDO CALCULADO”, e não sobre o saldo efetivo do “IMPOSTO A PAGAR”, no caso inexistente. O legislador foi claro ao adotar o termo “devido” (i.e, à (sic) pagar, dizemos nós), pois caso assim não fosse, o termo legal teria sido “valor apurado”, ou seja, o entendimento fiscal não se coaduna com o texto legal já que o valor devido do imposto é justamente aquele que ainda remanesce para pagamento na data da declaração. (fl. 3). (...) E imposto devido é aquele ainda não pago quando da entrega da declaração, de modo que, apurandose imposto a restituir, como in casu, não há base de cálculo para a aplicação da multa lançada, devendose recolher apenas o valor da multa mínima de R$ 165,74, uma vez que não se pode exigir do contribuinte multa sobre determinado valor JÁ ANTECIPADAMENTE PAGO POR MEIO DE RETENÇÃO NA FONTE (...) (fl. 5) Todavia, analisando o acórdão a quo, tal ponto não foi objeto de manifestação. A resolução da lide deuse em razão de argumento estranho à impugnação, qual seja de que cabível a multa aplicada nos casos de descumprimento de obrigação acessória, mesmo nos casos de denúncia espontânea. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13820.000431/200749 Acórdão n.º 2202002.977 S2C2T2 Fl. 8 5 É inegável, no ponto, a omissão de julgamento do acórdão recorrido. De acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição ao direito de defesa do contribuinte. É o que se vislumbra no caso, quando a matéria impugnada não foi apreciada pela decisão singular. Conforme jurisprudência pacífica dessa Corte, a ausência de exame pelo Julgador a quo de questões jurídicas que tenham relação com os lançamentos efetuados acarreta a nulidade do ato decisório respectivo, por cerceamento de defesa e contraditório. Vejase, nesse sentido, o seguinte julgado do CARF: FALTA DE APRECIAÇÃO DE TODOS OS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. RETORNO À INSTÂNCIA “A QUO” PARA NOVO JULGAMENTO. Constatada a falta de apreciação de todos os argumentos suscitados pela parte litigante, e detendo o sujeito passivo direito ao duplo grau de jurisdição administrativa, para que não haja cerceamento do direito de defesa deve ser anulada a decisão de primeiro grau e determinado o retorno dos autos à instância “a quo” para prolação de novo julgamento com análise de todos os pontos suscitados na defesa. Decisão Recorrida Nula. Aguardando Nova Decisão (Acórdão nº 3301002.071 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2013) Conclusão Sendo assim, voto pelo PROVIMENTO do Recurso, para declarar a nulidade do acórdão nº 1721.223 da 3ª Turma da DRJ/SPOII, de 11 de outubro de 2007, devendo ser remetidos os autos para reanálise da impugnação, com a manifestação expressa acerca do ponto omitido. (Assinado digitalmente) Fabio Brun Goldschmidt Relator Fl. 52DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 11/03/20 15 por FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000299/2002-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1996
POSTERGAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE 30%
A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente (Súmula CARF nº 36).
Numero da decisão: 1401-001.397
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para ajustar o quantum devido ao valor que deve ser cobrado considerando os efeitos apenas da postergação no pagamento do imposto, nos termos do Parecer COSIT nº 2/96, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1996 POSTERGAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE 30% A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente (Súmula CARF nº 36).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-03-31T12:49:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-03-31T12:49:13Z; Last-Modified: 2015-03-31T12:49:13Z; dcterms:modified: 2015-03-31T12:49:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-03-31T12:49:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-03-31T12:49:13Z; meta:save-date: 2015-03-31T12:49:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-03-31T12:49:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-03-31T12:49:13Z; created: 2015-03-31T12:49:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2015-03-31T12:49:13Z; pdf:charsPerPage: 1629; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-03-31T12:49:13Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fl. 570 1 569 S1-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.000299/2002-29 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401-001.397 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de março de 2015 Matéria CSLL Recorrente RYDER LOGÍSTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1996 POSTERGAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE 30% A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente (Súmula CARF nº 36). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para ajustar o quantum devido ao valor que deve ser cobrado considerando os efeitos apenas da postergação no pagamento do imposto, nos termos do Parecer COSIT nº 2/96, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. . (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Fl. 570DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 571 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Karem Jureidini Dias e Antonio Bezerra Neto (Presidente em exercício). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Maurício Pereira Faro. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 572 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o Acórdão nº 4.671, da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SÃO PAULO-SP. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: “DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação de fls.38, em fiscalização empreendida junto à empresa RYDER LOGÍSTICA LTDA, CNPJ 59.109.017/0001-24, o autuante revisou a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Nº 08.1.79986-95 e verificou que o contribuinte teve a referida declaração retida pelo Sistema Malha Fazenda no parâmetro compensação de base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido superior a 30% do Lucro Líquido ajustado e no parâmetro compensação de prejuízo fiscal na apuração do Lucro Real superior a 30% do Lucro Real antes das compensações. O contribuinte foi então intimado pelo autuante, de acordo com o Termo de Intimação Nº 217 de 01/10/2001 (fls. 01), a apresentar documentação referente à Declaração de Rendimentos do IRPJ/97, ano base 1996. Atendida a Intimação, foi apresentado o despacho de fls.32 e 33, no qual o I. Juiz Federal Substituto Dr. José Marcos Lunardelli concede ao impetrante Companhia Transportadora e Comercial Translor (antigo nome empresarial do contribuinte) , em 08/08/95, uma liminar no mandado de segurança do Processo 95.0044496-8, 9ª Vara Federal de São Paulo, para “autorizar a compensação dos prejuízos fiscais apurados até 1.994 com resultados positivos apurados a partir de janeiro de 1.995, sem se submeter a restrição do art. 42 e 58 da Lei 8.981/95”. Todavia, também foi apresentada a decisão de fls.35 a 37 em que o I. Juiz Federal Dr. Eduardo Carvalho Caiuby EXTINGUE o referido mandado de segurança, em 10/04/96, sem conhecimento do mérito, para decretar a carência da ação, por inadequação da via processual eleita. Desta forma, o autuante lavrou o Auto de Infração de fls. 39, do qual o contribuinte tomou ciência em 19/02/02, fazendo a exigência do crédito tributário no total de R$976.924,64, constituído por: a) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$354.768,00, com fundamento no art. 58 da Lei 8.981/95 e art. 16 da Lei 9.065/95; Fl. 572DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 573 4 b) Multa de ofício de 75% sobre o imposto, no valor de R$266.076,00, com fundamento no art. 44, inciso I e §2º e art. 63 da Lei 9.430/96 e art. 4º, inciso I, da Lei 8.218/91; c) Juros de mora, no valor de R$356.080,64, calculados até 28/02/2002 com base na taxa Referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos Federais (SELIC), com fundamento no art. 13 da Lei 9.065/95 e art. 61, §3º da Lei 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação de fls.45 a 78, acompanhada dos documentos de fls.79 a 265, protocolizada em 20/03/2002, sendo representada por advogado, conforme procuração de fls.104, expondo, em síntese, que: DO DIREITO 1 – Da Decadência Protesta a Impugnante pelo pronto cancelamento da presente autuação, uma vez que, à luz da legislação vigente, o lançamento efetuado com base nos fatos ocorridos no ano-calendário de 1996 já havia sido tacitamente homologado no momento de sua lavratura. Com efeito, decorridos mais de cinco anos entre o momento da ocorrência do fato gerador e o do ato administrativo de lançamento tributário, tem-se que o crédito tributário encontra- se definitivamente extinto em função da homologação tácita, nos exatos termos do parágrafo 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional. O pronunciamento do Fisco sobre a hipotética falta de recolhimento dos tributos somente foi realizado através do presente Auto de Infração, do qual a Impugnante somente veio a ser notificada em 19/02/02, ou seja, após o transcurso de lapso temporal superior a cinco anos, restando, então, o crédito tributário extinto pela definitividade do lançamento, homologado tacitamente. A pretensão de cobrança de suposto crédito relativo ao período já especificado remanesce arbitrária e ilegal, motivo pelo qual a presente autuação deve ser prontamente cancelada. A decadência, “in casu”, implica a perda do direito por parte do Fisco de exigir o crédito supostamente devido, acarretando as correspondentes cominações à sua inércia pelo interregno de cinco anos consecutivos, visto tratar-se de lançamento por homologação. Ainda, vale observar que a decadência, em hipótese alguma, terá a sua fluência suspensa ou interrompida. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 574 5 Evidente, portanto, que no caso em apreço, estando os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é contado nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. Nem se alegue, então, que seria aplicável o inciso I do artigo 173 do CTN. Tal dispositivo somente se aplica aos tributos cujos lançamentos são feitos nas modalidades de declaração ou ofício, aos quais, evidentemente, não se sujeitam os tributos ora exigidos. É evidente que o direito de o Fisco exigir eventuais diferenças que entenda que sejam devidas somente pode ser exercido nos termos do parágrafo 4º do artigo 150 do CTN, ou seja, no prazo de cinco anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador. Resta, assim, totalmente demonstrado que os supostos débitos relativos aos fatos geradores de IRPJ e CSL ocorridos em 31/12/1996 não podem ser exigidos, tendo em vista a ocorrência da decadência. 2 – Do Efeito Econômico da Mera Postergação do IRPJ e da CSL Como será demonstrado abaixo, a Impugnante adquiriu o direito de compensar integralmente o montante de prejuízos fiscais apurados nos anos-calendário anteriores ao do fato gerador dos tributos exigidos. Não obstante, ainda que se admitisse não existir tal direito, o procedimento adotado pela Impugnante não significou ausência pura e simples do recolhimento dos tributos. Ao compensar integralmente os prejuízos no ano-calendário de 1996 (apurando IRPJ e CSL sobre base de cálculo menor) e, nos exercícios seguintes, efetuar a apuração destes tributos sem tal compensação (e, por conseqüência, com base de cálculo maior) a Impugnante não realizou qualquer ato que tenha prejudicado os cofres públicos, a não ser quanto aos efeitos da postergação do recolhimento. Por essa razão, ainda que se entendesse indevida a compensação de prejuízos realizada pela Impugnante, há de se considerar esse procedimento unicamente como mera postergação do pagamento dos tributos, já que como comprovam os DARFs discriminados (fls.115 a 158), a Impugnante apurou lucro e recolheu Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro nos exercícios posteriores. A Impugnante junta, ainda, sua Declaração de IRPJ relativa ao ano-calendário de 1998 (fls.159 a 224), que demonstra a apuração de resultado positivo no respectivo período, o qual foi integralmente tributado sem qualquer compensação de prejuízo fiscal. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 575 6 A mesma situação ocorreu no ano-calendário de 2000 (declaração de IRPJ anexa, fls.225 a 265) no qual também houve apuração de substancial resultado positivo, da mesma forma tributado integralmente, com exceção de pequena compensação de prejuízos fiscais apurados no ano anterior (1999). Nesse contexto, caberia apenas a exigência de juros de mora e, eventualmente, de multa, conforme disposto no Parecer COSIT nº 02/96. Desta forma, não tendo a D. Autoridade Fiscal considerado o efeito econômico de mero diferimento, exigindo de forma indevida tributos já recolhidos, deve o presente Auto de Infração ser cancelado. 3 - Da violação ao direito adquirido Deve-se também mencionar a questão da violação aos princípios da irretroatividade e do direito adquirido. De fato, verifica-se que em 1994 havia lei vigente assegurando que, verificado prejuízo fiscal, o contribuinte tinha o direito de proceder à sua compensação nos períodos subseqüentes, sem qualquer restrição quanto ao seu montante. Assim, considerando-se a apuração de prejuízo fiscal, adquiriu o contribuinte o direito à sua compensação, direito este insuscetível de modificação ou restrição por lei superveniente. É a disposição do inciso XXXVI, do artigo 5º, da Constituição Federal de 1988. Conclui-se, portanto, que é inequívoca a presença do direito adquirido do contribuinte, uma vez que este corresponde a uma prerrogativa contemplada pela lei vigente ao tempo da ocorrência do seu fato determinante, integrando-se ao patrimônio jurídico da ora Apelante. A referida limitação é manifestamente contrária à proteção constitucional, uma vez que fere o direito adquirido da ora Impugnante à compensação independente de qualquer restrição. Desta forma, considerando que pela legislação anterior, vigente à época da apuração do prejuízo, inexistia tal restrição, a Impugnante tem o direito de proceder a integral compensação sem o mencionado limite. Diante da inequívoca existência de violação ao direito adquirido através da limitação imposta pela Lei nº 8.981/95 resta comprovado, portanto, o direito da Impugnante proceder à compensação integral de seus prejuízos fiscais apurados, devendo ser cancelado o presente auto de infração. 4 – Da inconstitucionalidade das limitações à compensação dos prejuízos fiscais Fl. 575DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 576 7 A limitação à compensação de prejuízos fiscais significou, ainda, ofensa a uma série de outros princípios jurídicos constitucionais, consoante demonstrado a seguir: 4.1 – A ofensa ao princípio da capacidade contributiva O princípio da capacidade contributiva, previsto como fundamental para fins de tributação, encontra-se previsto no artigo 145, parágrafo 1º, da Constituição Federal. Para fins de análise da limitação imposta pela Lei nº 8.981/95, mais do que um direito adquirido, a compensação integral dos prejuízos fiscais é uma decorrência lógica do encontro entre o princípio da capacidade contributiva e o da periodização. Isto é, não obstante o antagonismo aparente destes dois princípios, tem-se que a harmonização é possível, e está exatamente personificada no instituto da compensação de prejuízos, a qual deverá ser interperiódica, e sem qualquer limitação quantitativa, pois que esta implicaria a não realização completa do escopo pretendido pela compensação Sendo a capacidade contributiva um princípio essencial de nosso ordenamento jurídico, a compensação de prejuízos deverá ser a mais ampla possível de forma a atenuar o quanto possível as deturpações causadas pela aplicação da periodicidade. 4.2 – A ofensa ao conceito constitucional de renda A Constituição Federal atribui à União competência para instituir imposto sobre “a renda e proventos de qualquer natureza”, em seu artigo 153, inciso III, e para criar contribuição social incidente sobre o lucro, em seu artigo 195. Assim, a União não pode miscigenar os conceitos de renda/lucro e capital/patrimônio, seja no exercício de sua competência expressa ou residual. No presente caso, quando a Lei nº 8.981/95 não autoriza a dedução dos prejuízos havidos em exercícios anteriores, está acarretando a tributação de algo que não é lucro, porque desse valor não foi deduzido o prejuízo havido anteriormente. Quando não se permite a exclusão dos prejuízos havidos em exercícios anteriores, a legislação está determinando a incidência de imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro sobre o prejuízo do exercício anterior. Não temos aí imposto de renda, mas sim imposto sobre grandes fortunas, sem respeitar a forma exigida no artigo 153, VII, da Constituição Federal. 4.3 – A caracterização do empréstimo compulsório – a ofensa ao artigo 148 da Constituição Federal De outro modo, diversamente do quanto restou decidido nestes autos, tem-se que ao estabelecer um limite de 30% à Fl. 576DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 577 8 compensação a Lei 8.981/95 criou verdadeiro empréstimo compulsório, na medida que impõe ao contribuinte a situação de, embora tendo prejuízos compensáveis, ser obrigado ao pagamento de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro sobre uma base de cálculo indevida, resguardando-se no futuro o direito de ser ressarcido deste pagamento, através da dedução dos 70% (setenta por cento) restantes a título de prejuízo fiscal. Tem-se, portanto, que ao argumento da violação aos princípios da capacidade contributiva e do conceito constitucional de renda e lucro, soma-se o da instituição de empréstimo compulsório sem obediência ao preceituado no artigo 148 da Constituição Federal, reforçando, assim, a afirmação de inconstitucionalidade da limitação à compensação de prejuízos fiscais. Assim, também no mérito o presente Auto de Infração merece ser julgado improcedente, tendo em vista o direito de a Impugnante compensar-se integralmente de seus prejuízos fiscais. 5 – Da ilegalidade da adoção da Taxa SELIC para cálculo dos juros de mora A utilização de juros baseados na taxa SELIC também foi ilegal no presente caso. Constata-se de plano que os valores resultantes da aplicação de tal encargo supera substancialmente o estabelecido pelo §3º, do artigo 192, da Carta Magna, que veda a utilização de juros em percentual superior a 12% ao ano, sob pena de caracterização do crime de usura. Desta feita, visto que referida taxa SELIC utilizada como juros ultrapassa o limite de 12% ao ano estabelecido pela Constituição Federal de 1988, a lei que a estabelece é inconstitucional Pretendendo-se burlar a Constituição Federal de 1988, tem-se consubstanciada a intenção de extorquir os administrados com a aplicação de uma “taxa de juros” totalmente abusiva. 5.1 – Da fixação da Taxa Selic pelo Poder Executivo e sua inaplicabilidade em relação aos débitos fiscais A Lei nº 9.065/95 ao instituir, em seu artigo 13, a Taxa SELIC como equivalência para cálculo dos juros de mora de que trata a Lei nº 8.874/94 (artigo 14, parágrafo único, alínea “c”), outorgou, sem limites, ao Governo Federal, a possibilidade de fixar o valor aplicável a título de juros de mora, mediante a simples manipulação do mencionado índice (Taxa SELIC), o que contraria o disposto no artigo 161, parágrafo 1º, do Código Tributário Nacional. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 578 9 Dada a ilegalidade perpetrada pela Lei nº 9.065/95, artigo 13, resta induvidoso que deva ser aplicada a norma contida na Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), que estabelece que os juros de mora serão calculados à razão de 1% (um por cento) ao mês, em escala linear, não possibilitando a qualquer pessoa subsumida às suas diretrizes a menor condição para manipular o índice previamente estabelecido. DO PEDIDO Diante de todo o exposto, serve-se a Impugnante da presente para requerer seja cancelado o Auto de Infração em análise em todos os seus efeitos Protesta ainda a Impugnante por todos os tipos de provas admitidas em direito. É o relatório..” A DRJ, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: “Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1996 Ementa: CSLL. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o lançamento da CSLL é de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. POSTERGAÇÃO. FALTA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUIZOS FISCAIS. Não sendo a compensação de prejuízos caso de ajuste ao lucro líquido em virtude de inexatidão quanto ao período-base de escrituração de receita, rendimento, custo e despesa, não há que se falar em postergação do pagamento do imposto. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete às Delegacias de Julgamento o controle de constitucionalidade de Leis. Tal competência é privativa do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal, cuja verificação de constitucionalidade é de competência exclusiva do Poder Judiciário.” Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 579 10 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo já foi julgado sob a minha relatoria no que concerne apenas a uma prejudicial de mérito relacionada à decadência, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1996 Ementa: DECADÊNCIA. Independentemente de haver ou não pagamento, excetuando-se os casos de dolo, fraude ou simulação, a Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador, para promover o lançamento de tributos e contribuições sociais enquadrados na modalidade de lançamento por homologação. O Contribuinte ingressou com recurso especial à CSRF obtendo sucesso na reversão dessa matéria, tendo sido afasta da decadência anteriormente acolhida. Dessa feita, o processo retornou para o enfrentamento das demais matérias de mérito que ficaram prejudicadas com o acolhimento da decadência. Compensação de base negativa da CSLL – Trava de 30% - inconstitucionalidade A primeira matéria meritória a ser analisada diz respeito à limitação para compensação da base de cálculo negativa da CSLL A interessada traz uma série de razões pretendendo em última análise discutir a pretensa inconstitucionalidade da Lei na medida em que restringiu o direito de compensação da base negativa da CSLL ao limite de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões. Sendo assim, não deve ser acolhida tal arrazoado, primeiro em função da remansosa jurisprudência administrativa no sentido contrário a essa pretensão e, por último, mas quem sabe talvez até mais importante, tal matéria já foi inclusive sumulada pelo então Primeiro Conselho de Contribuintes, através da Súmula nº 3, em sentido contrário ao pretendido pela recorrente: Súmula 1ºCC nº 3: “Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da Fl. 579DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 580 11 compensação da base de cálculo negativa (DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006).” Afasto, portanto, essa argumentação. TRAVA DE 30% - POSTERGAÇÃO Entre outras razões de defesa, argumenta por fim que ocorreu a postergação do pagamento da contribuição exigida no ano-calendário de 1996. Pede o cancelamento da exigência fiscal, ou sua redução calculando-se os efeitos da postergação. Em seu recurso tenta provar a existência da postergação apresentado as razões e provas seguintes: Por essa razão, ainda que se entendesse indevida a compensação de prejuízos realizada pela Impugnante, há de se considerar esse procedimento unicamente como mera postergação do pagamento dos tributos, já que como comprovam os DARFs discriminados (fls.115 a 158), a Impugnante apurou lucro e recolheu Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro nos exercícios posteriores. A Impugnante junta, ainda, sua Declaração de IRPJ relativa ao ano-calendário de 1998 (fls.159 a 224), que demonstra a apuração de resultado positivo no respectivo período, o qual foi integralmente tributado sem qualquer compensação de prejuízo fiscal. A mesma situação ocorreu no ano-calendário de 2000 (declaração de IRPJ anexa, fls.225 a 265) no qual também houve apuração de substancial resultado positivo, da mesma forma tributado integralmente, com exceção de pequena compensação de prejuízos fiscais apurados no ano anterior (1999). Nesse contexto, caberia apenas a exigência de juros de mora e, eventualmente, de multa, conforme disposto no Parecer COSIT nº 02/96. Embora o caso que se cuida não trata de forma estrita de “inobservância de regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas”, mas de antecipação de compensação de base negativa da CSLL, a glosa de base negativas compensadas antecipadamente pode ter reflexos no lucro/contribuição apurados em períodos subseqüentes, o que de certa forma se conforma ao regramento estabelecido pelo artigo 6° do Decreto-lei nº 1597/77, base do Parecer Normativo COSIT nº 02/96. O artigo 6° do Decreto-lei nº 1597/77 assim dispõe: “Art. 6° - O lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 581 12 § 1° - O lucro líquido do exercício é a soma algébrica do lucro operacional (art. 11), dos resultados não operacionais, do saldo da conta de correção monetária (art. 51) e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. § 2° - Na determinação do lucro real serão adicionados ao lucro líquido do exercício: ... § 3° - Na determinação do lucro real poderão ser excluídos do lucro líquido do exercício: ... c) os prejuízos de exercícios anteriores, observado o disposto no artigo 64. § 4° - Os valores por competirem a outro período-base, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente. § 5° - A inexatidão quanto ao período-base de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento do imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) postergação do pagamento de imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer período-base. § 6° - O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período-base de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4°. § 7° - O disposto nos § 4° e 6°, não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência.” (grifei) É necessário que se interprete o § 5° e 6°, do artigo 6°, que, efetivamente, trata de inexatidão quando ao período-base de competência na escrituração de receitas, rendimento ou deduções, conjuntamente o § 4 c/c a letra “c”, do § 3°, que insere o reconhecimento de prejuízos fiscais nesse mesmo contexto. Isso implica que o contribuinte ao compensar integralmente a base negativa da CSLL em determinado ano-calendário e isso depois pelo lançamento de ofício for desfeito, haverá necessariamente aexistência de base negativa a ser utilizada nos anos-calendário subseqüentes. Se nestes anos-calendário subseqüentes o contribuinte auferiu lucro e o tributou, Fl. 581DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 582 13 então acabou por recolher a contribuição que seria devida caso não houvesse desrespeitado a trava. Ao recolher em momento posterior o tributo que deveria ser recolhido no ano-calendário em que desrespeitada a trava, está-se diante de postergação de imposto. Assim, se torna razoável o entendimento de se aplicar os efeitos da postergação nos lançamentos referentes à compensação de prejuízo fiscal ou base negativa da CSLL na apuração do lucro líquido ajustado superior a 30%, quando o contribuinte demonstra que nos anos-calendários seguintes houve lucro e foi tributado, cuja compensação, respeitado o limite para utilização, observaria o prejuízo/base negativa a maior utilizados antecipadamente. Nesse diapasão, cabe salientar que existe súmula do CARF com esse mesmo entendimento. Trata-se da Súmula CARF nº 36: “Súmula CARF nº 36: A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente.” (Diário Oficial da União de 14/07/2010) Transcrevo, ainda, a ementa de julgados deste Carf nesse mesmo sentido: “CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE POSTERGAÇÃO E NÃO DE FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. A inobservância da trava pode gerar hipótese de postergação, quando o sujeito passivo comprova o pagamento do tributo postergado em exercícios subsequentes até o lançamento. Se não demonstrada a postergação, não há como a mesma ser acatada pela fiscalização ou pelo órgão julgador.” (Acórdão nº 9101-001.840/CSRF, sessão de 10 de dezembro de 2013) “PREJUÍZO FISCAL. LIMITAÇÃO. TRAVA DOS 30%. Para a determin ação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-- calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. (Súmula nº 03 do CARF) PREJUÍZO FISCAL. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO. A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, somente quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior, caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente. (Súmula nº 36).” (Acórdão nº 1801-- 002.179, sessão de 23 de outubro de 2014) Fl. 582DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13808.000299/2002-29 Acórdão n.º 1401-001.397 S1-C4T1 Fl. 583 14 A contribuinte juntou como prova sua Declaração de IRPJ relativa ao ano- calendário de 1998 (fls.159 a 224) que demonstraria a apuração de resultado positivo e tributação em períodos subseqüentes. A mesma situação ocorrido no ano-calendário de 2000 (declaração de IRPJ anexa, fls.225 a 265) no qual também houve apuração de resultado positivo, da mesma forma tributado integralmente, com exceção de pequena compensação de prejuízos fiscais apurados no ano anterior (1999). Trouxe também aos autos DARFs de recolhimentos (fls. 115/158). Nesse contexto, caberia apenas a exigência de juros de mora e, eventualmente, de multa, conforme disposto no Parecer COSIT nº 02/96. Por todo o exposto, DOU provimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para ajustar o quantum devido ao valor que deve ser cobrado considerando os efeitos apenas da postergação no pagamento do imposto, nos termos do Parecer COSIT nº 2/96. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 583DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Relatório Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator TRAVA DE 30% - POSTERGAÇÃO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002019/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Os depósitos em conta-corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1302-001.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta-corrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumem-se advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DEPÓSITOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 20 19 /2 00 7- 81 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 504 2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 505 3 Relatório BBSC DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão nº 1418.156, de 17/01/2008, da 3 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), DRJ/RPO, recorre a este Colegiado, a fim de reformar o referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada omissão de receitas, no anocalendário de 2004, caracterizada por depósitos bancários e investimentos realizados junto a instituições financeiras, cuja origem dos recursos utilizados nessas operações a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea. O crédito tributário lançado totalizou R$ 721.756,98 (setecentos e vinte e um mil e setecentos e cinqüenta e seis reais e noventa e oito centavos), conforme demonstrativo de fl. 4, tendo sido lavrados os seguintes autos de infração: I — Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) — fls. 135/140. Imposto: R$ 57.255,16 Juros de mora: R$ 23.068,12 Multa proporcional: R$ 85.882,73 Total: R$ 166.206,01 Enquadramento legal: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 25 e 42; e Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) — Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999 —, art. 528. II — Contribuição para o PIS — fls. 141/147. Contribuição: R$ 26.195,61 Juros de mora: R$ 10.927,78 Multa Proporcional: R$ 39.293,39 Total: R$ 76.416,78 Enquadramento legal: Lei Complementar (LC) no 7, de 7 de setembro de 1970, arts. 1 ° e 3 °; Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24, § 2 °; Decreto no 4.524, de 17 de dezembro de 2002, arts. 29, I, "a" e parágrafo único, 3 0, 10, 22, 51 e 91. III — Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) — fls.148/154. Contribuição: R$ 120.903,04 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 506 4 Juros de mora: R$ 50.436,20 Multa Proporcional: R$ 181.354,53 Total: R$ 352.693,77 Enquadramento legal: Decreto n° 4.524, de 2002, arts. 3 °, II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91. IV — Contribuição social (CSLL) — fls. 155/160 Contribuição: R$ 43.525,10 Juros de mora: R$ 17.627,68 Multa Proporcional: R$ 65.287,64 Total: R$ 126.440,42 Enquadramento legal: Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2 ° e §§; Lei n° 9.249, de 1995, art. 24; Lei n° 9.430, de 1996, art. 29; Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 37. O termo de verificação, constatação e encerramento da ação fiscal (fls. 162/195) descreve o procedimento fiscal levado a efeito, apontando a apuração de três irregularidades, sendo que apenas uma delas resultou no presente lançamento, qual seja, a falta de contabilização de créditos bancários nos bancos Bradesco, Itaú e Safra, que caracteriza omissão de receitas. No quadro 04, que compõe o referido termo, o autuante constatou depósitos no montante de R$ 6.911.692, 25 contra uma receita bruta declarada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) no total de R$ 2.511.349,58. Apurou, ainda, que a autuada contabilizara apenas os extratos bancários correspondentes ao Banco do Brasil. Tendo intimado (fls. 81/89) a fiscalizada a comprovar a origem dos depósitos bancários realizados nas contascorrentes nos bancos Bradesco, Itaú e Safra, ela apresentou suas justificativas, que compõem os anexos III e IV do presente processo. As justificativas apresentadas são: transferências entre contas de mesma titularidade, reconstrução de estoque, duplicatas descontadas sem acompanhamento de saída de mercadorias e sem prestação de serviços, vendas a descoberto que devem integrar a base de cálculo, entrada referente a operação capital de giro e resumo semestral da receita de cada modelo e dos descontos semestrais de título sem acompanhamento de mercadoria ou serviços em cada banco e descontos anuais em cada banco Analisando essas justificativas, o autuante, ainda no termo de fls. 162/195, apresentou sua contraargumentação, além de demonstrar as justificativas que foram por ele aceitas, elaborando o quadro 14, apurando omissão de receitas no valor de R$ 4.030.103,16. O lançamento foi efetuado com multa qualificada, por ter entendido o autuante que a fiscalizada cometera, em tese, ilícitos que configuram crime contra a ordem tributária, por sua conduta de informar, por meio de declarações entregues ao Fl. 506DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 507 5 Fisco, valores correspondentes às respectivas receitas brutas mensais inferiores às somas dos créditos bancário apurados e não contabilizados, restando caracterizado que ela tentara impedir e/ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, o que configuraria sonegação fiscal, conforme descrito no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Notificada do lançamento em 25/06/2007, conforme autos de infração, a interessada, por seu representante legal, ingressou, em 25/07/2007, com a impugnação de fls. 198/235, alegando, em suma: • Apresentou respostas aos termos de intimação, sobre a origem dos depósitos e entradas nas contas bancárias questionadas, que compuseram os anexos III e IV do processo e foram classificadas em itens; • Com referência ao item correspondente à transferência de valores entre conta de mesma titularidade, do total de 66 transações bancárias de mesma titularidade tratadas pelo autuante, apenas 6 foram notificadas no auto de infração, e devem ser expurgadas da base de cálculo do tributo, 7 foram aceitas como transferências, e 53, embora não aceitas não foram notificadas; • No que se refere ao desconto de duplicatas sem mercadorias ou serviços, constituiu títulos de crédito contra seus clientes, por meio de seu bankline, usando deste artifício para lograr crédito mais barato em operações de capital de giro no mercado financeiro, sendo que não houve saída de produto de seu estabelecimento na maior parte das entradas de dinheiro nas contas omitidas, que não eram mantidas à margem da contabilidade em função de existência de "caixa 2", mas sim para dissimular os meios de obtenção de crédito; • Conforme doutrina e jurisprudência, tal prática não se configura fraude fiscal; • Quanto à reconstrução do estoque e o preço médio de venda, pretende discutir a definição de qual deve ser, de acordo com critérios constitucionais e legais, a base de cálculo utilizada para a determinação do montante do imposto sobre produtos industrializados (IPI) a ser recolhido pelos contribuintes a ele sujeito; • O preço médio dos modelos vendidos pela autuante, calculado levandose em conta a omissão de receitas apontada (R$ 4.030.103,16) é totalmente inviável de ser praticado, pois supera em muito o valor de venda ao revendedor, quando teria uma margem de lucro irreal, em torno de 413,95%; • O estoque fora remontado, tendo por base as notas de entrada cumuladas com os registros constantes nas declarações de importação, daí advindo o número de aquecedores comercializados no período de 2004; • No que se refere ao enquadramento legal apontado, apenas a base de cálculo pode ser arbitrada, já que a ocorrência do evento descrito no fato jurídico é passível, ao máximo, de ser presumida, tendo em vista que o evento deve ser provado direta ou indiretamente, sendo que esta última hipótese apenas diante da impossibilidade de produção de provas diretas e da constatação de graves e concordantes indícios, assegurandose sempre o direito do contribuinte de se defender da imputação que lhe está sendo feita; • O arbitramento é dotado de caráter excepcional e só deve ser exercido em casos extremos, já que a base de cálculo originária e a que deve ser utilizada por ser Fl. 507DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 508 6 a prevista na regramatriz de incidência tributária e por guardar, a princípio, relação direta com as riquezas constitucionalmente previstas; • Quando apresentados esclarecimentos e declarações, e expedida documentação na forma da lei sem vícios que a desclassifique, a prova se encontra a favor da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa a comprovação da inveracidade dos fatos informados ou registrados, o que não aconteceu nos autos em questão; • Embora tenha argumentado a impossibilidade de ter aquela receita omitida, pelo simples fato de que não haveria tantos aquecedores em seu estoque para comercialização, ou que os preços médios alcançados pelas vendas ultrapassariam em muito os praticados no mercado corrente, a fiscalização não lançou mão das ferramentas passíveis de aferição, tais quais (sic); • Existindo documentação regular, o Fisco está vinculado a adotála como base de prova, podendo socorrerse de outros meios para confirmar ou infirmar suas correspondências com a realidade e, caso constate a inveracidade de um ou mais elementos, deve proceder à retificação, recompondo a verdade material; • Não basta que se dê oportunidade formal de defesa. Fazse imperiosa a efetiva verificação dos elementos probatórios trazidos pela contribuinte; • O ato jurídico de arbitramento deve ser sempre motivado, devese entender tanto a indicação dos fundamentos legais que amparam o arbitramento como os pressupostos de fato incorridos pela contribuinte; • O contribuinte deve ser intimado para sanar, em prazo razoável, as irregularidades constantes dos documentos fiscais, conforme acórdão do Conselho de Contribuintes —CC; • Questiona a materialidade das entradas como base de cálculo; • De suma importância é o conhecimento das razões preconizadas pela fiscalização que autorizam o entendimento de que as entradas financeiras em contas bancárias são advindas de saída de mercadoria de seu estabelecimento e, portanto, aptas para servirem de base de cálculo dos tributos perseguidos; • Somente após o esgotamento das vias probantes, com elementos probatórios contrários à tese empreendida, poderia haver a negativa pelo auditor fiscal, não aceitando os indícios apontados pela impugnante; • ao longo do termo de verificação fiscal, os argumentos restringiramse basicamente à não aceitação, sem demonstrar o efetivo nexo entre conduta e norma, incorrendo, portanto, a perfeita subsunção do fato ao enunciado descritivo na legislação, mesmo porque o sustentáculo retórico e argumentativo do servidor federal abstevese de analisar as operações da pessoa jurídica, olvidandose de contraargumentar o exposto pela requerente, em sede do procedimento fiscalizatório. Requereu o cancelamento do débito fiscal reclamado e juntou os documentos que fazem as fls. 236 a 446. Devidamente cientificada em 21/02/2008, conforme AR de fl. 468, foi interposto recurso voluntário de fls. 463 a 494, em 20/03/2008, onde são repisados os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 509 7 É o relatório. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 510 8 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmo ser conhecido. Tratase de analisar lançamento relativo ao anocalendário de 2004, em que se apurou omissão de receitas da atividade, caracterizada por depósitos e investimentos realizados juntos a instituições financeiras, em que a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consoante relato fiscal, o sujeito passivo foi intimado e reintimado a apresentar os extratos bancários da empresa relativos aos anos sob fiscalização. Em face do não atendimento das intimações, emitiuse requisição de informações às instituições financeiras consoante previsto na legislação regente. A partir das informações fornecidas pela instituição financeira, a fiscalização elaborou descrição de créditos/depósitos de forma individualizada, ao que intimou o sujeito passivo a comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta corrente. Ante a omissão da intimada, efetuouse o lançamento com lastro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que prescreve: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) Alega a defesa que a quebra de sigilo bancário só poderia ser decretada por ordem judicial e que seria inconstitucional o Decreto nº 3.724, de 2001. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 511 9 Cumpre, desde logo, deixar assente que não compete à autoridade administrativa o exame de argüições quanto à legalidade e constitucionalidade de normas insertas no ordenamento jurídico, competência esta atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário. À autoridade administrativa tributária cumpre observar a norma nos termos em que editada, em conformidade com o que estatui o art. 142 do CTN. A questão também está pacificada no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em conformidade com o que estatui o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, a Receita Federal está autorizada a requisitar informações às instituições financeiras acerca da movimentação bancária dos contribuintes, independentemente de consentimento judicial, desde que, como no caso em tela, haja procedimento fiscal em curso e os exames sejam considerados indispensáveis. Nos termos dos citados diplomas, tal procedimento não configura quebra de sigilo bancário, consoante disposição expressa nesse sentido. No que se refere às transferências de mesma titularidade, o autuante deixou claro que aceitara 07 (sete) das transferências apontadas e rejeitara 6 (seis). Com relação às demais (53 transferências), diferentemente do que alega a recorrente, ficou claro que eles nem constaram do termo de intimação, pois o autuante já reconhecera que se tratava de transferências de mesma titularidade. A discussão, portanto, nesse caso, está em torno de seis transferências (5 créditos no Banco Bradesco e um no Banco Itaú), constantes dos quadros 8 e 9 do termo de verificação, para as quais, segundo o autuante, a fiscalizada não apresentou o extrato da conta de origem, além do que os valores contestados não constam dos extratos das outras contas correntes apresentadas. Em seu recurso, a contribuinte limitase a afirmar que se trata de transferências de mesma titularidade, portanto deveriam ser excluídas. No entanto, mais uma vez deixa de apresentar o extrato da conta de origem desses depósitos, tanto que em seu demonstrativo (fis. 203/205), a coluna origem dessas seis transferências encontrase em branco ou com a anotação BBSC. Logo, não há como se excluir esses valores. A requerente alegou, ainda, que teria constituído títulos de crédito contra seus clientes, usando deste artifício para lograr crédito mais barato em operações de capital de giro no mercado financeiro, sem a correspondente saída de produto de seu estabelecimento, na maior parte das entradas de dinheiro nas contas omitidas, que não eram mantidas à margem da contabilidade em função de existência de "caixa 2", mas sim para dissimular os meios de obtenção de crédito e que tal prática não se configura fraude fiscal. De plano, há que se ressaltar que a impugnante não traz nenhuma prova dessas alegações. Ademais, um dos brocardos do direito é que ninguém pode alegar em sua defesa a própria torpeza. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 512 10 Assim descabido qualquer questionamento acerca da possibilidade de utilização dos valores dos depósitos como base de cálculo dos tributos lançados. Quanto às alegações da recorrente, acerca de arbitramento, não se aplicam ao presente caso, pois não houve arbitramento, mas, sim, presunção legal de que os depósitos bancários cuja origem não restou comprovada constituem omissão de receitas. Defende a recorrente, no sentido de buscar a veracidade e a plausibilidade da base de cálculo eleita pela fiscalização, que somente após o esgotamento das vias probantes, com elementos contrários à tese empreendida, poderia haver a negativa pelo autuante, não aceitando os indícios por ela apontados. Argumenta que não aconteceu a busca pela verdade material pelo Fisco, uma vez que os seus argumentos teriam se restringido basicamente à não aceitação, sem demonstrar o efetivo nexo entre conduta e norma, inocorrendo, portanto, a perfeita subsunção do fato ao enunciado descritivo na legislação, mesmo porque o sustentáculo retórico e argumentativo do autuante teria se esquivado de analisar as operações da pessoa jurídica, olvidandose de contra argumentar o exposto pela requerente, em sede do procedimento fiscalizatório; Não merece prosperar tal alegação. Ora, a própria recorrente afirma que apenas apontou indícios. O autuante, como já visto, efetuou a prova que lhe cabia, qual seja, a de que os depósitos bancários superam a receita declarada e não foram comprovados pela autuada. Não há que se falar em prova a favor da contribuinte, pois a documentação apresentada por ela não foi capaz de justificar a origem dos valores depositados em sua conta corrente. O autuante analisou todas as provas e argumentos apresentados pela interessada. DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS – PIS, COFINS, CSLL Com relação aos autos de infração reflexos (PIS, Cofins e CSLL), sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito, até porque não foram trazidos pela impugnante argumentos específicos contra esses lançamentos. CONCLUSÃO De tudo que foi exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 03 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Fl. 512DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 11516.002019/200781 Acórdão n.º 1302001.658 S1C3T2 Fl. 513 11 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO
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Numero do processo: 11030.720430/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1301-001.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente justificadamente Valmir Sandri.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Ausente justificadamente Valmir Sandri. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 04 30 /2 01 2- 52 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Joselaine Boeira Zatorre (Suplente convocada). Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720430/201252 Acórdão n.º 1301001.807 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratamse de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido/CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social/Cofins e Programa de Integração Nacional/PIS, no montante de R$ 220.261,41, em razão da omissão de receita caracterizada pela ausência de emissão de notas fiscais e conseqüentemente não reconhecimento das receitas auferidas relativamente a serviços prestados (comissões) à COOPERCOLHEITA – Cooperativa dos Profissionais da Agricultura e Colheita Ltda. O procedimento fiscal foi empreendida junto à COOPERCOLHEITA, oportunidade em que a Fiscalização detectou a escrituração de despesas com comissões pagas a empresas em nome de administradores daquela sociedade cooperativa, dentre as quais, “Agro Colheita Ltda.”, cujos sócios são Fransciel Ribolli Largo, Nilmar Passaia Largo, Leonardo Nicola e Nilto Roque Lazzaretti, todos também participantes como associados de COOPERCOLHEITA. Segundo a autoridade fiscal “A empresa comercial, prestadora de serviços da Coopercolheita da qual recebeu rendimentos de comissões dos quais não emitiu nota fiscal, não adicionou na sua escrita fiscal, bem como omitiu os valores na sua declaração de rendimentos”. No ano calendário de 2008 a fiscalizada declarou à Receita Federal do Brasil/RFB que não auferiu receita, ao passo que as comissões percebidas perfaziam o montante de R$ 232.667,98. Já em 2009, a fiscalizada declarou à RFB não ter percebido receitas no 1º trimestre, ao passo que nos 2º, 3º, e 4º trimestres teriam recebidos receitas de, respectivamente, R$ 3.046,00, R$ 15.907,00 e R$ 21.243,00 (total de receita bruta anual de R$ 40.196,00), ao passo que as comissões recebidas nos mesmos períodos totalizou R$ 430.310,68. Salienta a Fiscalização que as comissões pagas pela COOPERCOLHEITA não compunham o montante de receitas declaradas ao Fisco. Foi aplicada multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96. O contribuinte cientificado apresenta impugnação alegando, em apertada síntese, que: A Fiscalização, de forma equivocada, não tem aceitado recibos para comprovação de despesas, glosandoas com base em opiniões subjetivas; Os recibos foram aceitos para comprovar despesas da COOPERCOLHEITA, sendo portanto, hábeis e idôneos; cita jurisprudência que reforçaria seus argumentos; A atividade administrativa é vinculada aos termos da lei e o art. 97, V, do CTN, impõe que somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 4 O art. 112 do CTN, determina que a lei que determinar a aplicação de penalidades deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado; Não ficaram caracterizados os elementos que justificariam a aplicação da multa qualificada, pois, em nenhum comprovouse sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64; Alega ainda que a autoridade fiscal não teria comprovado o dolo e, embora não tivesse emitido nota fiscal, foram emitidos recibos, o que comprovaria a ausência de intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Aduz ainda que as circunstâncias constatadas no procedimento fiscal junto à COOPERCOLHEITA não podem ser utilizadas para embasar o agravamento de sua penalidade, haja vista que a responsabilidade por infrações é pessoal. Cita doutrina e jurisprudência administrativa que embasariam seus argumentos; Requer, ao final, seja reduzida a penalidade aplicada de 150% para 75%. A DRJ/PORTO ALEGRE (RS) decidiu a matéria sintetizado no Acórdão 10 038.509, Sessão de 22 de maio de 2012, julgando improcedente a impugnação, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008, 2009 MULTA NO PERCENTUAL DE 150%. Justificase a aplicação da multa no percentual de 150% quando restar demonstrado que o contribuinte agiu de forma dolosa, com o propósito de impedir ou retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou de excluir ou modificar as suas características. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos a ensejar decisão diversa. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720430/201252 Acórdão n.º 1301001.807 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como bem salientado no voto condutor ora recorrido, a questão de fundo mostrase incontroversa: o impugnante auferiu receitas de comissão, pagas por COOPERCOLHEITA, não as escriturou, tampouco recolheu os tributos sobre elas incidentes ou os declarou à RFB. Tal fato é corroborado pelo pedido de parcelamento apresentado pelo contribuinte relativamente aos tributos lançados. Embora o impugnante argumente sobre a legalidade da emissão de recibos, e que, em razão desse fato, a falta de emissão de notas fiscais seria irrelevante, em nenhum momento questionouse a materialidade do fato apontado pela Fiscalização: o impugnante auferiu receitas, não as escriturou, tampouco declarou os tributos incidentes à RFB ou os recolheu. Isso posto, não há lide sobre a exigência dos tributos, restando a discussão sobre a correição da penalidade qualificada aplicada. Neste ponto, (QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO) compulsando os autos do presente processo, constatase de maneira cristalina, que o contribuinte assumiu de forma livre e consciente o risco de omitir à tributação as receitas ora apuradas. Portanto, o contexto revela a presença de conduta DOLOSA tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir as suas características essenciais, de modo a evitar o pagamento do imposto devido, o que caracteriza SONEGAÇÃO, nos termos do inciso I, do art. 71 da Lei 4.502/64, vejamos: Por bem descrever os fatos transcrevo os seguintes trechos extraídos do voto ora recorrido: "O contribuinte discorda da aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, pois entende não haver comprovação de fraude e/ou dolo. No caso dos autos, foi aplicadas a multa de 150% sobre o imposto de renda e contribuições apuradas com base na omissão de receita, prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, tendo em vista a intenção dolosa do contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador (multa qualificada). Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Como visto, nos termos do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007), terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720430/201252 Acórdão n.º 1301001.807 S1C3T1 Fl. 14 7 Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal de tal modo que se justifique a aplicação da penalidade de 150%, há necessidade que esteja caracterizado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, é elemento de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a subsequente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. No presente caso, o contribuinte deixou de declarar expressivos valores de receita durante o período de 01/01/2008 a 31/12/2009, sendo que, em 2008, declarou não haver auferido qualquer rendimento. Essa conduta reiterada revela, sem dúvida, a intenção dolosa com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fazendária, ou de excluir ou modificar as suas características, enquadrandose nas hipóteses previstas nos art. 71 (sonegação) e 72 (fraude) da Lei nº 4.502, de 1964. Esse "animus", vontade de querer o resultado, ou assumir o risco de produzilo, ficou evidenciado e demonstrado nos autos, não podendo serem considerados meros erros de ordem material, sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento, posto que não se tratam de atos isolados, mas reiteradamente praticados pelo contribuinte em todos os meses dos ano calendário de 2008 e de 2009. Vejase que no ano de 2008 o contribuinte declarou à RFB não ter auferido receitas, enquanto que as comissões percebidas perfazem R$ 232.667,98. Em 2009, a situação não se altera substancialmente, pois embora tenha declarado auferir receitas (R$ 40.196,00 00 durante todo o período), não escriturou o faturamento de R$ 430.310,68, relativo também a comissões. Conseqüentemente, também não declarou ou recolheu os tributos incidentes sobre esses rendimentos, caracterizando, sem sombra de dúvidas, o intuito fraudulento de ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Tanto é assim que, somente durante o procedimento fiscal junto à COOPERCOLHEITA, que possui dentre seus associados os sócios do impugnante, é que a autoridade fiscal obteve a informação de que o impugnante houvera auferido receitas de comissões. Assim sendo, os argumentos do impugnante quanto à ausência de comprovação do dolo mostramse insubsistentes diante dos elementos coligidos pela Fiscalização." Pois bem, a discussão nos autos ficou restrita à multa qualificada de 150% contra a qual insurgiu a recorrente alegando, em apertada síntese, não ter ficado provado o dolo por parte da autoridade fiscal e que a existência de omissão de receita, por si só, não é suficiente para caracterização de fraude. Aduz, que o fato da fiscalização ter constatado recebimentos de comissões sem emissão da respectiva nota fiscal, mas, em contrapartida, ter emitido recibos de quitação, não caracteriza a intenção de esconder a operação ou dificultar o conhecimento dos fatos pelo fisco. Por essas razões, requereu a redução da multa aplicada para 75%. Vêse conforme descrito acima, que a abordagem contida na decisão recorrida bem demonstra a impropriedade desta argumentação. No caso em análise entendo que não se trata simplesmente de declaração inexata ou de falta de recolhimento de tributos ou ainda de simples omissão de receita como foi alegado. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO 8 Ressaltese que, qualquer que seja a conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. No caso dos autos, não há dúvida de que a empresa autuada recebeu comissões sem emissão de nota fiscal e sem o registro contábil devido com a clara intenção de deixar de pagar ou pagar menos tributo. Notase que a recorrente, sequer tentou justificar as diferenças apuradas pelo Fisco, mesmo porque não haveria como justificar. Em sã consciência, diante dos elementos de convicção acostados aos autos, não há dúvida da intenção da contribuinte em reduzir os tributos devidos e se beneficiar indevidamente de forma dolosa, como bem destacou a autoridade fiscal. Repito, os fatos explanados caracterizam a figura da sonegação. As circunstâncias narradas nos autos evidenciam, de forma inequívoca, o intuito deliberado, por parte do contribuinte, de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu faturamento. O fato de oferecer à tributação valores inferiores aos auferidos, de forma reiterada, durante todo o período fiscalizado, obviamente, não pode ser creditada a simples erro contábil ou falta de pagamento dos tributos, o que demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Por essas razões, entendo que a qualificação da multa aplicada foi medida acertada e perfeitamente em consonância com a legislação aplicável, pelo que deve ser mantida. LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos do Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL foram lavrados em decorrência da omissão de receita apurada. Assim, como a omissão de receita foi reconhecida e parcelada pelo contribuinte, e não tendo fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa, é de se manter essas exigências, ante a íntima relação e causa e efeito. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário, salientando novamente que as peças de defesa limitouse a resignarse em relação à exigência da multa de ofício qualificada, deixando de contestar a exigência dos tributos exigidos desde já objetos de pedido de parcelamento. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11030.720430/201252 Acórdão n.º 1301001.807 S1C3T1 Fl. 15 9 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 31/ 03/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 13708.000627/2003-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
DESPACHO DECISÓRIO. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Descabe falar em nulidade de despacho decisório na circunstância em que o Parecer Conclusivo que lhe serviu de suporte é claro no sentido de apontar o fundamento tido como representativo de inovação por parte da autoridade julgadora de primeira instância. O fato de, em exame mais aprofundado acerca do efetivo crédito passível de utilização em procedimento de compensação tributária, ter sido identificada inconsistência para a qual se oportunizou prazo elástico para que fosse devidamente esclarecida, não desqualifica o fundamento inicial do qual a citada inconsistência representa mera decorrência.
DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA.
A ausência de comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, de alegado erro de preenchimento de instrumento declaratório, da mesma forma que contagia de incerteza o crédito tributário decorrente da inconsistência apontada pela autoridade tributária, contamina o direito creditório nele consignado, impedindo, assim, o seu aproveitamento em procedimento de compensação tributária.
Numero da decisão: 1301-001.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Descabe falar em nulidade de despacho decisório na circunstância em que o Parecer Conclusivo que lhe serviu de suporte é claro no sentido de apontar o fundamento tido como representativo de inovação por parte da autoridade julgadora de primeira instância. O fato de, em exame mais aprofundado acerca do efetivo crédito passível de utilização em procedimento de compensação tributária, ter sido identificada inconsistência para a qual se oportunizou prazo elástico para que fosse devidamente esclarecida, não desqualifica o fundamento inicial do qual a citada inconsistência representa mera decorrência. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. 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Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado) o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. “documento assinado digitalmente” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 06 27 /2 00 3- 04 Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.098 2 Wilson Fernandes Guimarães Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.099 3 Relatório Trata o presente processo de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, por meio das quais TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A pretende compensar débitos diversos (IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e COFINS) com crédito representado por saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado no anocalendário de 2002. O presente processo já foi submetido a uma primeira apreciação por parte desta Primeira Turma Ordinária (Resolução nº 130100.019, de 28/09/2009), motivo pelo qual reproduzo o relatório elaborado pelo Ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha. TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de JaneiroI/RJ, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro DERAT/RJ. Trata a lide de Declarações de Compensação (DCOMP), formuladas a partir de 15/04/2003, às fls. 01 e 32/65 do presente processo e à fl. 01 do processo n° 13708.000722/200308, apensado a este. Em todos os casos, a interessada traz débitos diversos de IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e COFINS, pretendendo compensálos com créditos no valor total de R$ 19.564.676,54, originados de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002 (fl. 02 deste processo). A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro DERAT/RJ) os indeferiu, mediante o Despacho Decisório de fl. 99, com base no Parecer conclusivo n° 208/05 (fls. 97/98). A Autoridade Administrativa constatou que a interessada foi submetida a procedimento de fiscalização do IRPJ sobre os fatos geradores ocorridos no ano calendário 2002, do que resultou constatada a existência de IRPJ a pagar no valor original de R$ 81.337.979,00, e não saldo negativo a compensar, conforme alegado. A exigência consta do processo administrativo fiscal n° 18471.000999/200529, ainda pendente de julgamento administrativo. Assim, concluiu aquela Autoridade que o crédito pleiteado no presente processo carece de certeza e liquidez, requisitos indispensáveis, segundo o CTN, para que se pudesse autorizar a compensação tributária. A reforçar a ausência de certeza e liquidez dos créditos, o parecerista registrou, ainda, que "não há compatibilidade de valores nem mesmo entre os dados apresentados nas planilhas trazidas pela própria interessada às fls. 03/06 e aqueles por ela declarados na DIPJ/2003, anocalendário de 2002". Com esses fundamentos, o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, e as compensações declaradas não foram homologadas. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de JaneiroI/RJ (fls. 111/114), trazendo, em resumo, os seguintes argumentos: Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.100 4 Haveria nulidade no Despacho Decisório da DERAT/RJ, por ter indeferido o pleito sem exame do mérito, ao argumento de inexistência de certeza e liquidez do crédito apresentado, em face da autuação lavrada nos autos do processo administrativo n° 18471.000999/200529. Aduz que, somente após decisão administrativa definitiva naquele outro processo é que poderiam ser avaliadas as compensações declaradas no presente processo. Por esse motivo, pede o julgamento em conjunto dos processos administrativos ou, alternativamente, que o julgamento do presente processo reste sobrestado até o julgamento final daquele outro. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante Acórdão n° 1213.181, de 31/01/2007 (fls. 151/159), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO POR AUSÊNCIA DE EXAME DO MÉRITO. INSUBSISTÊNCIA. A verificação de valores que instruem os pedidos de compensação formulados em confronto com a DIPJ regularmente entregue afasta a argüição de nulidade do Despacho Decisório por falta de exame do mérito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO REAL ANUAL. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO DO SALDO CREDOR INFORMADO NA DIPJ COM DÉBITOS DE IRPJ, CSLL, IRRF, PIS E COFINS. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO. A existência de divergência de valores entre a DIPJ e as informações prestadas nos autos pela pessoa jurídica tornam o saldo credor de IRPJ carente de certeza e liquidez, o que inviabiliza o reconhecimento do direito creditório e sua compensação com tributos. Por relevante, ressalto que na decisão de primeira instância restou consignada a inexistência de vínculo entre o presente processo e o de n° 18471.000999/200529. Isto porque, no outro processo, “... para efeito de apuração do IRPJ exigido o saldo negativo (credor) informado na DIPJ/2003 (jicha 12A,fls. 67) não foi deduzido do valor apurado do tributo, por ocasião da lavratura do auto de infração...” Ciente da decisão de primeira instância em 10/08/2007, conforme documento de fl. 166v, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 23/08/2007 (registro de recepção à fl. 168, razões de recurso às fls. 169/179), mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Insiste em que o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002 teria sido desconstituído nos autos do processo administrativo n° 18471.000999/200529, ainda pendente de decisão administrativa definitiva. Acrescenta que, se obtiver sucesso em seu recurso administrativo naquele processo, restará a seu favor o crédito de IRPJ, alegado como único óbice à homologação das compensações discutidas no presente processo. Por este motivo, reitera os pedidos de nulidade do Despacho Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.101 5 Decisório e de julgamento das compensações aqui declaradas em conjunto com o outro processo ou, alternativamente, após sua decisão definitiva. Questiona o entendimento manifestado pela Autoridade Julgadora em primeira instância, acerca da ausência de vinculação entre o presente processo e o de n° 18471.000999/200529. Ao contrário, sustenta que “... se o saldo negativo não foi deduzido do tributo apurado pelo fisco na autuação, o auto de infração também engloba no valor exigido o saldo negativo não confirmado pelo fisco". Aduz que, com esse raciocínio, a DRJ teria inovado os fundamentos da decisão da DERAT, contrariando as razões expendidas pelo próprio fisco, que buscou na autuação a título de IRPJ as suas razões de decidir contrariamente à homologação das compensações. Argumenta que, se não é no processo n° 18471.000999/200529 que se funda a não homologação das compensações, seu indeferimento carece de comprovação. Segundo afirma, as divergências entre as planilhas apresentadas (crédito de R$ 19.564.676,54) e a DIPJ (crédito de R$ 124.802.754,29) não seriam aptas a desconstituir a integralidade do crédito da recorrente, posto que em ambos os casos existe crédito a seu favor. Por sua ótica, o Fisco deveria apurar a efetiva situação fiscal da recorrente, em nome dos princípios da verdade material e da legalidade objetiva. Conclui com o pedido do cancelamento do Despacho Decisório da DERAT/RJ e a homologação das compensações declaradas. Sucessivamente, requer a reunião do presente processo ao de n° 18471.000999/200529, para julgamento conjunto, também neste caso declarando nulo o Despacho Decisório da DERAT/RJ, para que seja apreciado o mérito da compensação. Alternativamente, pede que o julgamento do presente recurso seja obstado até o julgamento final dos autos de infração do processo n° 18471.000999/200529 e, se confirmada a existência de crédito de IRPJ, seja determinado o retorno do presente processo à DERAT/RJ para apreciação do mérito das compensações aqui declaradas. Na apreciação inicial realizada por esta Primeira Turma Ordinária, o Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, nos exatos termos do voto condutor que a seguir transcrevo. Inicialmente, deve ser esclarecida a questão da vinculação, ou não, do presente processo com aquele de n° 18471.000999/200529. Compulsando os autos, encontro às fls. 69/80 cópia do Termo de Verificação lavrado naquele outro processo, em que o AuditorFiscal autuante descreve os fatos apurados que levaram à lavratura do auto de infração de IRPJ cuja cópia se encontra às fls. 81/87. No Termo de Verificação, nenhuma referência encontro ao fato de ter a interessada apurado saldo negativo de IRPJ em sua declaração de informações (DIPJ) em qualquer dos anos objeto de autuação. A fl. 82, constato que a matéria tributável apurada para o anocalendário 2002 é de R$ 325.351.916,00. A fl. 85, o demonstrativo de apuração do imposto dá conta da aplicação, sobre esse valor, da alíquota de 15%, além do adicional de 10% na forma da lei, levando ao total devido para esse ano de R$ 81.337.979,00. Esse valor não é reduzido, naquele outro processo, por qualquer meio. Especialmente, dele não é abatido o saldo negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte em sua DIPJ (ficha 12A, fl. 67). Com estes fundamentos, a DRJ concluiu pela inexistência de vinculação entre este processo e aquele. Senão vejamos. Na hipótese de declarada a improcedência da autuação no outro processo, restaria intacta a declaração apresentada, com o saído Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.102 6 negativo ali apurado. Na hipótese contrária, de procedência do lançamento, o valor exigido naquele outro processo não teria sido afetado pelo saldo negativo apurado na declaração, pelo que esse saldo negativo deveria seguir seu curso normal, cabendo ser restituído ou compensado, desde que devidamente comprovado. No entanto, vejo aqui uma incongruência. A apuração tributária somente pode levar a um resultado, em um anocalendário. Ou bem o contribuinte teve lucro e do imposto devido devem ser deduzidos os valores antecipados (estimativas, imposto retido na fonte, entre outros), antes de gerar qualquer saldo negativo, ou bem o contribuinte teve prejuízo, e os valores antecipados se convertem em saldo negativo, passível de restituição ou compensação. Não faz sentido exigir imposto com a mão direita e reconhecer direito creditório com a esquerda, sobre o mesmo tributo no mesmo período de apuração. A conclusão poderia ser outra se o direito creditório já houvesse sido definitivamente reconhecido e restituído ou compensado. No entanto, não é essa a situação dos autos, pelo que entendo que os dois processos devam ser apreciados e decididos conjuntamente. Pesquisando nos sistemas de processamento de dados do Ministério da Fazenda, constatei que o processo n° 18471.000999/200529 foi julgado na 5ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes em outubro de 2007. Mediante o acórdão n° 10516.710, a decisão de primeira instância (que exonerava o lançamento) foi declarada nula. Em novo acórdão de primeira instância, o lançamento foi considerado parcialmente procedente e o processo se encontra, atualmente, aguardando julgamento dos recursos voluntário e de oficio no CARF. Seguindo adiante, verifico que, neste processo, houve um segundo fundamento para a decisão recorrida: a Autoridade Julgadora em primeira instância deixou claro que a diferença entre o valor do crédito pleiteado e demonstrado na planilha de fl. 03 (R$ 19.564.767,54) e aquele que consta da ficha 12A, linha 18, da DIPJ apresentada (R$ 124.802.754,29) era também elemento de dúvida, a contaminar a liquidez e a certeza exigidas para a compensação tributária de que trata o art. 170 do Código Tributário Nacional. Eis o trecho que consta do acórdão recorrido, à fl. 159: Em outras palavras, não deve pairar a menor dúvida acerca do direito do sujeito passivo sobre esses créditos. Entretanto, não é o que ocorre no caso sob exame, porquanto o conflito de valores entre as planilhas elaboradas pela interessada e a DIPJ/2003 por ela própria entregue à Receita Federal tornam o crédito pleiteado, consubstanciado no saldo credor de IRPJ, carente de certeza e liquidez, sem que, também, qualquer documento tenha sido trazido aos autos para o fim de esclarecer tais divergências. Argúi a recorrente que a diferença apontada não seria motivo para a desconsideração total do crédito, posto que, em ambos os casos, existe crédito a seu favor. A diferença, de mais de cem milhões de reais, por certo é vultosa e chama a atenção. Mas o fato é que o valor pleiteado é o menor dos dois, e devese ressaltar que em nenhum momento a interessada foi intimada a esclarecer o motivo da diferença, nem a comprovar os valores que integram o alegado saldo devedor de IRPJ, seja o de R$ 19.564.767,54, seja o de R$ 124.802.754,29. Por todo o exposto, considero que o presente processo não se encontra em condições de julgamento, pelo que proponho a conversão do presente julgamento em diligência, para que a Autoridade Administrativa que jurisdiciona o contribuinte o intime, examine, se necessário, sua escrita contábil e fiscal e se manifeste em Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.103 7 relatório conclusivo acerca de qual é o valor comprovado a que faz jus o contribuinte, a título de saldo credor (negativo) de imposto de renda pessoa jurídica no anocalendário 2002, sem levar em conta os possíveis efeitos introduzidos pela autuação de que trata o processo n° 18471.000999/200529. Do relatório deve ser dada ciência à interessada, com prazo para que, desejando, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões. Na hipótese de desistência do recurso, por parte do contribuinte, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deverá ser informado. No que toca ao processo n° 18471.000999/200529, tendo em vista a conexão aqui estabelecida, proponho que seja avocado para distribuição a este relator, com vistas a julgamento conjunto, tão logo este processo retorne da diligência proposta. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – Demac/RJO, historiando os fatos retratados nos autos, informa que em 16 de janeiro de 2012 a contribuinte juntou ao processo petição (fls. 389/391), por meio da qual informou que o CARF deu provimento ao recurso voluntário interposto no processo administrativo nº 18471.000999/200529. Adiante, promovendo análise do saldo negativo apurado no anocalendário de 2002, assinala: Da análise da DIPJ 2003 apresentada pela interessada, cópia parcial juntada às fls. 520/529, verificouse a necessidade de esclarecimentos sobre alguns valores, motivo pelo qual a interessada foi intimada, através do Termo de Intimação nº 301/2012, de 21/03/2012, (fls. 398/400), a apresentar, em síntese, o seguinte: a) justificativas e documentos comprobatórios referentes aos valores constantes na ficha 06 A tanto a título receitas e quanto de despesas de Juros sobre Capital Próprio; b) justificativas e documentos comprobatórios referentes aos valores declarados na linha 24 da ficha 06 A – Outras Receitas Financeiras; c) cópia dos comprovantes de rendimentos emitidos por algumas das fontes pagadoras listadas pelo contribuinte na ficha 42, já que os valores divergiam ou não existiam nas correspondentes Dirf; d) esclarecimentos sobre a divergência entre o valor declarado na linha 20 da Ficha 06 A – Variações Cambiais Ativas e o valor excluído na linha 30 da Ficha 09 A – Variações Cambiais Ativas, declarando qual é o correto valor a se considerar para ambas as linhas, já que este deveria ser o mesmo, de acordo com as instruções de preenchimento da DIPJ constante do “Ajuda” ao programa DIPJ 2003. Por duas vezes o contribuinte solicitou prorrogação do prazo para atendimento da intimação, o que foi concedido, conforme atestam os Termos de Intimação nº 472/2012, de 17/04/2012; nº 563/2012, de 08/05/2012 (fls. 404/406 e 413). Em 01/06/2012, apresenta intempestivamente parte das respostas solicitadas (fls. 416/424) e pede novo prazo para apresentação do restante, o que foi mais uma vez concedido, conforme Termo de Intimação nº 761/2012, de 08/06/2012 (fls. 426). Ressaltese que dentre os itens não atendidos, estava questão da divergência entre os valores da variação cambial ativa lançados na linhas 20 da Ficha 06 A e linha 30 da Ficha 09 A, sobre a qual o contribuinte solicita “prazo adicional para comprovar o Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.104 8 erro de preenchimento da DIPJ realizado e a idoneidade do valor indicado na ficha 09 A”. Em 19/06/2012, faz juntar os documentos de fls. 555/667, dentre os quais não se inclui a resposta à aludida divergência entre os valores declarados a título de variação cambial. Aguardouse ainda mais 60 dias, sem que o contribuinte voltasse a se manifestar. Assim sendo, procederseá à verificação do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002 com base nos dados de que se dispõe. I Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF: a) quanto ao JCP, o contribuinte esclareceu que lançou o somatório da receita e da despesa com JCP tanto na linha 23, quanto na linha 35 da ficha 06 A, neutralizando o efeito da receita e da despesa, para cumprir norma da CVM que determina a não interferência da distribuição de JCP no resultado do exercício. Entretanto, comprovou que adicionou e excluiu, respectivamente, a receita e a despesa com JCP na Ficha 09 A, nas linhas 22 (outras adições) e 35 (outras exclusões). Além disso, declarou que o IRRF relativo à despesa com JCP foi objeto de depósito judicial, do processo nº 2002.51.01.0254852. Consulta aos sistemas da RFB indicou que a fonte pagadora do JCP, a coligada de CNPJ 33.000.118/000179, declarou o rendimento na Dirf do ano calendário 2002 (fls 485/486), e só declarou na DCTF do 1º trimestre de 2003, na situação “suspensão” por liminar em mandado de segurança, processo 2002.51010255510 (fl. 492). Pelo Despacho exarado no PAJ – Processo de Acompanhamento Judicial nº 15374.000643/200503, cópia à fl. XXX, ficase ciente de que já houve conversão do depósito em renda, de sorte que o IRRF do JCP, no valor de R$ 102.241.653,15 pode ser considerado na presente análise. b) O restante do IRRF que o contribuinte utilizou na formação do seu saldo negativo requer um pequeno ajuste. Como nem todas as retenções indicadas na ficha 43 (fls. 527/529) estavam declaradas nas Dirf das fontes pagadoras, intimouse o contribuinte para apresentar os comprovantes de rendimentos emitidos pelas mencionadas fontes pagadoras, que fariam prova a seu favor, como disposto na legislação. Entretanto, o contribuinte limitouse a apresentar cópia das Dirf, aquelas mesmas onde nem todos os valores pleiteados constam. Assim sendo, considerarse á tãosomente o IRRF comprovado pelas Dirf, no valor de R$ 42.980.091,45, conforme quadro demonstrativo abaixo. Este valor, acrescido do já analisado IRRF sobre o JCP, totaliza IRRF de R$ 145.221.744,60. Tendo sido utilizado R$ 2.433.091,70 na apuração de janeiro, fls 522, restou R$ 142.788.652,90 para dedução na linha 13 da ficha 12 A, devendo esta ser retificada. Quanto ao oferecimento das receitas correspondentes à tributação, condição para a dedutibilidade do IRRF, informase que o contribuinte foi intimado a discriminar os valores que compuseram a linha 24 da ficha 06 A (fl. 520), e os dados apresentados indicaram que o montante referente às aplicações financeiras comportavam o valor declarado na ficha 43 a título de aplicações de renda fixa. Da mesma forma, concluiuse que o montante declarado na linha 21 da ficha 06 A, comportava o valor dos rendimentos do código 5273 – operações Swap. [...] Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.105 9 II – Estimativas O contribuinte se utilizou do instituto da compensação para a quitação da estimativa de janeiro. Rastreando as Dcomp informadas na DCTF, verificouse que ambas foram analisadas no bojo do processo nº 10070.002422/200210. Da leitura do Acórdão 1224.449, proferido pela DRJ/RJ1, em 29/05/2009, (cópia às fls. 501/504), concluise que, embora já atingidas pela homologação tácita, foi reconhecido crédito suficiente para a quitação de tal estimativa, de sorte que, cumprida a exigência disposta na Norma Técnica nº 9 – Cosit, em 15/02/2012, considerarseá na composição do saldo negativo de IRPJ o valor de R$ 2.745.783,38. III – Variações Cambiais O contribuinte foi intimado a esclarecer a divergência entre o valor declarado de R$ 64.725.830,78 na linha 20 da ficha 06 A, a título de “variações cambiais ativas” e o valor bem superior excluído na linha 30 da ficha 09 A, R$ 1.084.539.596,60 (fls. 520/521). Entretanto, conforme já relatado, pediu “prazo adicional para comprovar o erro de preenchimento da DIPJ realizado e a idoneidade do valor indicado na ficha 09 A”, mas mesmo após todo o prazo concedido, não apresentou qualquer justificativa. Sabese que com o advento da MP nº 0.85810/1999, art. 30, a pessoa jurídica passou a poder fazer o reconhecimento das variações cambiais tanto pelo regime de caixa, quanto pelo de competência. Se optante pelo regime de caixa, em relação às receitas financeiras, deve o contribuinte excluir o montante da receita cambial não realizada no período, linha 30 da ficha 09 A, e deve adicionar na linha 09 da mesma ficha as variações cambiais ativas das operações liquidadas. Por certo que o limite para exclusão, na linha 30 da ficha 09 A, só pode ser a totalidade do que foi declarado como receita. Assim, ou errou o contribuinte ao declarar, na ficha 06, valor menor do que o excluído na ficha 09; ou errou ao excluir, na ficha 09, valor maior que o declarado na ficha 06. O fato é que há uma divergência de R$ 1.019.813.765,82. Deste modo, considerarseá como variação cambial ativa o valor declarado pelo contribuinte na lihha 20 da ficha 06 A, e procederseá à glosa de R$ 1.019.813.765,82 na linha 30 da ficha 09 A, que é o montante excedente à receita declarada. Mesmo que houvéssemos considerado a integralidade da dedução, na hipótese de que fosse acatada a tese não comprovada do contribuinte de que houve erro no preenchimento, necessariamente teríamos que adicionar tal diferença à receita declarada na ficha 06 A, o que, para fins de apuração do lucro real, daria no mesmo. Notese que em relação à variação cambial passiva não houve problema, visto que o valor adicionado pelo contribuinte na linha 08 da ficha 09 A coincide com o declarado na linha 32 da ficha 06 A. As instruções de ajuda ao preenchimento da DIPJ 2003, cujas cópias foram juntadas às fls. 509/519, são bastante esclarecedoras a respeito da questão. Assim sendo, os valores da DIPJ 2002 deve restar assim retificados: FICHA 09 A Valor declarado Valor retificado 01 Lucro Líq antes do IR (470.908.665,34) (470.908.665,34) 23 Soma das ADIÇÕES 3.206.006.705,14 3.206.006.705,14 Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.106 10 30 –Variações Cambiais Ativas (1.084.539.596,60) (64.725.830,78) 36 Soma das EXCLUSÕES (2.725.036.835,49) (1.705.223.069,67) 45 LUCRO REAL 10.061.204,31 1.029.874.970,13 FICHA 12 A Valor declarado Valor retificado IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01 Alíquota de15% 1.509.180,65 154.481.245,52 03 Adicional 982.120,43 15.424.124,55 DEDUÇÕES 05 PAT 17.640,55 17.640,55 13 Imp. De Renda Retido na Fonte 143.045.490,96 142.788.652,90 16 Imp. De Renda Estimativa 5.178.875,08 5.178.875,08 18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (145.750.705,51) 21.920.201,54 Em face do exposto, concluise que não há qualquer valor a título de saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário 2002. Cientificada do resultado da diligência, OI S/A, sucessora da Recorrente, apresentou a petição de fls. 700/711, por meio da qual alega: que a única retificação relevante que a diligência realizou na apuração do saldo negativo registrado na DIPJ foi em relação à exclusão de variações cambiais ativas de operações não liquidadas; que, de fato, há divergência entre os valores de variações cambiais ativas informados na Linha 20 da ficha 06 A (R$ 64.725.830,78) e na Linha 30 da Ficha 09 A (R$ 1.084.539.596,60) da DIPJ 2002, mas que isso não causou qualquer redução indevida do lucro tributável; que, como bem apontado no Termo de Diligência, a origem dessa divergência está no preenchimento das Linhas 20 e 21 da Ficha 06 A da DIPJ, visto que ela incluiu parte dos resultados positivos decorrentes da variação de taxas de câmbio na Linha 21 (renda variável) da Ficha 6 A da DIPJ; que, do total de R$ 1.070.558.921,57 informado na Linha 21 da Ficha 6 A, R$ 1.025.754.223,47 deveriam ter sido informados na linha 20 da mesma Ficha 6 A, e, posteriormente, excluídos na Linha 30 da Ficha 09 A. Adiante, a sucessora da contribuinte complementa esclarecimentos acerca do alegado erro de preenchimento da DIPJ, indica comprovantes contábeis aportados ao processo e informa que o crédito tributário constituído por meio do processo nº 18471.000999/200529 foi integralmente cancelado em segunda instância. Aduz que, como vem sustentando desde a manifestação de inconformidade, o despacho decisório proferido nestes autos padece de nulidade, vez que não apresentou fundamento autônomo para não reconhecer o direito creditório. Diz que, fora a alegação do auto de infração já desconstituído, não há nenhum outro questionamento ao saldo negativo pleiteado. Afirma que a DRJ não pode inovar na fundamentação do indeferimento da compensação, razão pela qual, comprovada a invalidade dos motivos que ensejaram o não Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.107 11 reconhecimento do crédito, devese reconhecer a nulidade do despacho decisório e, conseqüentemente, homologar as compensações. É o Relatório. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.108 12 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Como visto, o presente processo trata de DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, por meio das quais TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A pretende compensar débitos diversos (IRPJ, CSLL, IRRF, PIS e COFINS) com crédito representado por saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado no ano calendário de 2002. A contribuinte indicou, para fins do encontro de contas, o montante de R$ 19.564.676,54 como representativo do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002. Nos termos do PARECER CONCLUSIVO nº 208/05 e DESPACHO DECISÓRIO correspondente, fls. 97/99, o direito creditório pleiteado pela contribuinte não foi reconhecido por dois motivos, quais sejam: i) existência de procedimento de fiscalização em relação ao anocalendário de 2002, em virtude do qual foi apurado imposto a pagar no valor de R$ 81.337.979,00, conforme processo administrativo nº 18471.000999/200529; e ii) ausência de compatibilidade entre os valores informados nas planilhas de fls. 03/06 e os declarados na DIPJ/2003. No que diz respeito ao processo nº 18471.000999/200529, penso que não cabe mais qualquer apreciação, eis que, como registrado nos presentes autos, em sessão realizada em 20 de outubro de 2011, esta Primeira Turma Ordinária, por meio do acórdão nº 1301000.711, exonerou a totalidade do crédito tributário constituído contra a TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES S/A, cabendo registrar que as informações colhidas juntos aos sistemas de controle de processos autorizam afirmar que tal decisão não foi objeto de reforma na esfera administrativa. No que tange ao segundo dos fundamentos (incompatibilidade entre planilhas e DIPJ), de fato, assistia razão à contribuinte quando, em sede de Manifestação de Inconformidade, sustentou que a unidade administrativa de origem não poderia, com base nesse único elemento, desconstituir a integralidade do crédito pleiteado. Entretanto, tal impropriedade foi corrigida em segunda instância, vez que o procedimento de diligência requerido visou exatamente identificar o saldo negativo efetivo da requerente no anocalendário de 2002, sem levar em consideração eventuais efeitos decorrentes da autuação promovida por meio do processo administrativo nº 18471.000999/200529. Afasto, assim, a alegação de nulidade do despacho decisório de fls. 99, eis que o Parecer Conclusivo que lhe serviu de suporte é claro no sentido de apontar a divergência Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.109 13 existente entre as planilhas trazidas pela requerente para demonstrar o direito creditório pleiteado (fls. 03/06) e o que foi registrado na Declaração de Informações (DIPJ/2003). O fato de, em exame mais aprofundado acerca do efetivo crédito passível de utilização em procedimento de compensação tributária, ter sido identificada inconsistência para a qual se oportunizou prazo elástico para que fosse devidamente esclarecida, não desqualifica o fundamento inicial do qual a citada inconsistência representa mera decorrência. A solução da controvérsia que subsiste no presente processo, portanto, reside na averiguação da divergência existente entre o valor do crédito apontado na planilha de fls. 03 (R$ 19.564.676,54) e o indicado na LINHA 18 da FICHA 12A da DIPJ apresentada (R$ 124.802.754,29, conforme extrato de fls. 671), divergência essa que constituiu um dos objetivos da diligência requisitada por esta Primeira Turma Ordinária. O procedimento de diligência levado a efeito pela unidade administrativa de origem, em apertada síntese, concluiu no seguinte sentido: A – considerou o montante de R$ 142.788.652,90 como passível de dedução a título de imposto de renda retido na fonte2, tendo promovido a glosa de certos valores em virtude da ausência de comprovante de retenção; e B – não restou justificada a diferença entre o montante declarado a título de variações cambiais ativas na linha 20 da ficha 6A (R$ 64.725.830,78, conforme fls. 500) e consignado na linha 30 da ficha 9A (R$ 1.084.539.596,60, conforme fls. 501). Diante de tais constatações, a unidade administrativa de origem refez a apuração do saldo final do imposto, conforme reprodução abaixo, concluindo pela inexistência de SALDO NEGATIVO. FICHA 09 A Valor declarado Valor retificado 01 Lucro Líq antes do IR (470.908.665,34) (470.908.665,34) 23 Soma das ADIÇÕES 3.206.006.705,14 3.206.006.705,14 30 –Variações Cambiais Ativas (1.084.539.596,60) (64.725.830,78) 36 Soma das EXCLUSÕES (2.725.036.835,49) (1.705.223.069,67) 45 LUCRO REAL 10.061.204,31 1.029.874.970,13 FICHA 12 A Valor declarado Valor retificado IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01 Alíquota de15% 1.509.180,65 154.481.245,52 03 Adicional 982.120,43 15.424.124,55 DEDUÇÕES 05 PAT 17.640,55 17.640,55 13 Imp. De Renda Retido na Fonte 143.045.490,96 142.788.652,90 16 Imp. De Renda Estimativa 5.178.875,08 5.178.875,08 18 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (145.750.705,51) 21.920.201,54 1 Cumpre notar que o referido extrato diz respeito à declaração posteriormente retificada, eis que resulta de consulta efetuada em 15 de setembro de 2005 e, às fls. 506, consta cópia da FICHA 12 A da DIPJ/2003, consignando saldo negativo de R$ 145.750.705,51, em que existe existe registro de que a entrega da declaração foi efetuada em 03 de janeiro de 2007. 2 O instrumento declaratório que serviu de suporte para análise da Delegacia da Receita Federal foi o juntado às fls. 500/509. Nele, a contribuinte deduziu, para fins de apuração do imposto de renda a pagar (FICHA 12A), o valor de R$ 143.045.490,96, a título de IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.110 14 Relativamente à redução do imposto de renda retido na fonte, a Recorrente não traz qualquer consideração. No que diz respeito à variação cambial ativa, entretanto, afirma que, de fato, há divergência entre o valor informado na Linha 20 da ficha 06 A (R$ 64.725.830,78) e o consignado na Linha 30 da Ficha 09 A (R$ 1.084.539.596,60) da DIPJ 2003, mas que isso não causou qualquer redução indevida do lucro tributável. Argumenta que a origem dessa divergência está no preenchimento das Linhas 20 e 21 da Ficha 06 A da DIPJ, visto que ela incluiu parte dos resultados positivos decorrentes da variação de taxas de câmbio na Linha 21 (renda variável) da Ficha 6 A da DIPJ. Alega que, do total de R$ 1.070.558.921,57 informado na Linha 21 da Ficha 6 A, R$ 1.025.754.223,47 deveriam ter sido informados na linha 20 da mesma Ficha 6 A, e, posteriormente, excluídos na Linha 30 da Ficha 09 A. Diz que “para a composição da Linha 30 da Ficha 09A da DIPJ, ... somou os valores referentes às receitas de variação cambial reconhecidas por competência..., mas que não foram liquidadas no anocalendário 2002..., tendo chegado ao seguinte resultado: Resultado da Variação Cambial Fundos Exterior – (V.C.A – V.C.P.) 58.785.373,13 Resultado da Variação Cambial SWAP 1.025.743.967,54 Valor Total da variação cambial do período 1.084.529.340,67 Esclarece a Recorrente que o montante de R$ 58.785.373,13 corresponde a uma parcela do total declarado na linha 20 da ficha 06 A, e reflete o ganho cambial líquido apurado sobre aplicação financeira em moeda estrangeira realizada no curso do anocalendário de 2002. Afirma que o saldo a maior, no valor de R$ 5.940.457,65, corresponde a variações cambiais apuradas sobre outros ativos e passivos liquidados no curso do exercício de 2003, registradas sem observância ao regime de competência. Com o intuito de comprovar o alegado, a contribuinte aportou aos autos os seguintes documentos: 1. planilhas denominadas VAR CAMBIAIS SOBRE ATIVOS C. PRAZO; PRÊMIO DE OPERAÇÕES DE OPÇÕES; INTERMEDIAÇÃO DE SWAP CAMBIAL BRASIL – CP; RECEITA DE CONTRATO DE OPÇÕES; INTERMEDIAÇÃO SWAP CAMBIAL BRASIL – LP; e RECEITA OPER. TÍTULOS CAMBIAIS – LP; (fls. 821/835); 2. planilhas denominadas QUADRORESUMO DO ANOCALENDÁRIO 2002 COMPETÊNCIA – CAIXA – TODOS AO CONTRATOS; e QUADRO DE ACOMPANHAMENTO DAS OPERAÇÕES DE SWAP DA TNL (fls. 838/840); 3. cópia de correspondências relativas à liquidação de operações de SWAP (fls. 841/842); 4. planilha denominada QUADRO DE ACOMPANHAMENTO DAS OPERAÇÕES DE SWAP DA TNL (fls. 843, 852, 855, 858, 861, 864, 868, 871, 881, 884, 889, 896, 898, 903/911 e 914/924); 5. cópia de documentos diversos (NOTA DE NEGOCIAÇÃO – SWAP; BOLETO DE CONTROLE DE DERIVATIVOS – GRUPO TELEMAR; AVISO AO CLIENTE; EMAILS) fls. 844/923; 6. planilha denominada RESUMO LIQUIDAÇÕES OPERAÇÕES SWAP (fls. 926/936); Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.111 15 7. planilhas denominadas RESUMO LIQUIDAÇÃO EMPRÉSTIMOS – GANHO/PERDA CAIXA; e QUADRO DE ACOMPANHAMENTO POR OPERAÇÃO – CONTROLE VARIAÇÃO CAMBIAL EMPRÉSTIMO PRINCIPAL (fls. 938/941; 947; 957; 967; 977; 987; 997; 1.002; 1.007/1.011; 1.020; 1.029; 1.034; 1.039/1.045; 1.055/1.058; 1.061/1.063; 1.074; 1.078/1.084; 1.088/1.092); 8. cópia de CONTRATOS DE CÂMBIO (a maior parte ILEGÍVEL) – fls. 942/944; 948/950; 953/955; 958/960; 963/965; 968/970; 973/975; 978/980; 983/985; 988/990; 993/995; 998/1.000; 1.003/1.005; 1.012/1.017; 1.021/1.023; 1.026/1.028; 1.030/1.032; 1.035/1.037; 1.046; 1.049; 1.059/1.060; 1.065/1.066; 1.069/1.071; 1.075/1.077; 1.085/1.087; 1.093/1.094; 9. correspondências diversas (fls. 945/946; 951/952; 956; 961/962; 966/967; 971/972; 976; 981/982; 986/ 991/992; 996; 1.001; 1.006; 1.018/1.019; 1.024/1.025; 1.033; 1.038; 1.050/1.054; 1.067/1.068; 1.072/1.073); 10. planilha denominada APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA TELE NORTE LESTE S/A – ANOCALENDÁRIO 2002 (fls. 1.048). Com a devida vênia, a documentação acima referenciada, embora guarde relação com operações sujeitas a variação cambial, em nada contribui para explicar o erro de preenchimento alegado pela Recorrente, seja porque não se encontra acompanhada dos registros contábeis e extracontábeis pertinentes, seja porque carece de elementos que possibilitem vincular os citados registros contábeis e extracontábeis à respectiva documentação de suporte e aos montantes consignados na declaração de informações. Releva notar ainda que, em conformidade com o registro feito pelo responsável pela diligência fiscal, a contribuinte foi reiteradamente intimada a prestar esclarecimentos acerca da divergência de informações que ora se aprecia, senão vejamos: a) Termo de Intimação nº 301/2012, cientificado em 23 de março de 2012 (fls. 400/403); b) Termo de Intimação nº 472/2012, datado de 17 de abril de 2012 (fls. 406/408); c) Termo de Intimação nº 563/2012, cientificado em 10 de maio de 2012 (fls. 413/414). Em 16 de abril de 2012, foi recepcionada correspondência da contribuinte, na qual ela informou que “o prazo dado inicialmente não foi suficiente para identificarmos as informações solicitadas”. Em virtude disso, solicitou prorrogação de vinte dias para atendimento (fls. 404). Em correspondência protocolizada em 07 de maio de 2012, a contribuinte requereu, mais uma vez, prorrogação do prazo para atendimento das intimações (fls. 409). Em documento datado de 29 de maio de 2012, a contribuinte, não obstante apresentar esclarecimentos acerca de outros questionamentos levantados pela autoridade tributária, solicitou prazo adicional para comprovar o erro de preenchimento da DIPJ (fls. 416/424). Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13708.000627/200304 Acórdão n.º 1301001.404 S1C3T1 Fl. 1.112 16 Por meio de Termo de Intimação cuja ciência se deu em 12 de junho de 2012 (fls. 425/426), a autoridade fiscal concedeu prazo até o dia 19 de junho de 2012 para que a contribuinte apresentasse os esclarecimentos antes requisitados e que não haviam sido prestados. Em correspondência dirigida ao Relator antes designado para apreciar a presente lide, recepcionada neste Colegiado em 17 de julho de 2012, a contribuinte requereu a juntada de atos societários diversos (fls. 429/451). Na linha do sustentado pela autoridade diligenciante, não identifico nos autos elementos que possibilitem afirmar que a contribuinte, embora tenha sido reiteradamente intimada, tenha apresentado, no curso da diligência requisitada por este Colegiado, qualquer explicação acerca da divergência detectada na declaração de informações. Diante de tais circunstâncias, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/0 8/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 15504.724371/2013-18
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA.
O vale-transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89.
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda.
SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide contribuições previdenciárias sobre os serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal ao analisar o RE n. 595.838.
LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada.
Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-004.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I- por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Oseas Coimbra Junior, para excluir as contribuições previdenciárias e seus reflexos sobre os valores pagos em pecúnia como auxílio transporte e os valores pagos a cooperativas de trabalho. Vencido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti quanto ao vale alimentação em peúnia e Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Gustavo Vettorato e Amilcar Barca Teixeira Junior quanto à PLR.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
(assinatura digital)
Oseas Coimbra Junior Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA . VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O vale-transporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. - INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuições previdenciárias sobre os serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal ao analisar o RE n. 595.838. LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada. Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitam-se às contribuições devidas à seguridade social. Recurso Voluntário Provido em Parte
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VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO IN NATURA. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA. O valetransporte pago pela empresa não integra o salário de contribuição, mesmo que pago em pecúnia, vez que não possui natureza salarial. Súmula CARF n.º 89. FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O valor referente ao fornecimento de alimentação pago em espécie aos empregados integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVAS DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuições previdenciárias sobre os serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho, conforme já decidiu o Supremo Tribunal Federal ao analisar o RE n. 595.838. LEI 10.101/00. PARTICIPAÇÃO DOS TRABALHADORES NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. A lei 10.101/00 determina ampla capacidade negocial quando das tratativas acerca das regras que nortearão a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, mas também exige critérios claros e objetivos quando da negociação firmada. Valores pagos a título de Plano de Participação nos lucros ou resultados em desacordo com o art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c lei 10.101/00 sujeitamse às contribuições devidas à seguridade social. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 43 71 /2 01 3- 18 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto vencedor redator designado Oseas Coimbra Junior, para excluir as contribuições previdenciárias e seus reflexos sobre os valores pagos em pecúnia como auxílio transporte e os valores pagos a cooperativas de trabalho. Vencido o Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti quanto ao vale alimentação em peúnia e Vencidos os Conselheiros Ricardo Magaldi Messetti, Gustavo Vettorato e Amilcar Barca Teixeira Junior quanto à PLR. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator (assinatura digital) Oseas Coimbra Junior – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.002 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pela contribuinte Transportes Niquini Ltda em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. O valor do auxíliotransporte pago pela empresa em pecúnia e não sob a forma de vales, como estabelecido na legislação específica, integra o saláriodecontribuição do trabalhador. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM DINHEIRO. SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. A parcela paga pela empresa em dinheiro a título de auxílioalimentação, sem observância da legislação do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, tem natureza salarial, incorporandose à remuneração para todos os efeitos legais, constituindo base de incidência das contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. As verbas pagas a título de participação nos lucros e resultados em desacordo com a legislação própria, integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. COOPERATIVA DE TRABALHO. SERVIÇOS PRESTADOS NA ÁREA DA SAÚDE. NOTA FISCAL. NÃO DISCRIMINAÇÃO DE MATERIAL. BASE DE CÁLCULO MÍNIMA. Se os valores dos materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura de serviços prestados na área da saúde, a base de cálculo não poderá ser inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura. REMUNERAÇÃO A SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS/PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTO. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. LANÇAMENTO. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 4 A remuneração paga, creditada ou devida aos segurados empregado e contribuinte individual integra o salário de contribuição. Pelo que a empresa está obrigada ao recolhimento das contribuições sociais/previdenciárias sobre ela incidentes, na forma e no prazo estabelecidos em lei, sob pena de lançamento. PERÍCIA. PRESCINDÍVEL. AUTORIDADE JULGADORA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá a perícia que considerar prescindível. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, quando regularmente intimada para esse fim. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão. INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. Dentre as modalidades de intimação do contribuinte, previstas no Decreto que regulamenta o processo administrativo fiscal, não se encontra o seu procurador. Requerimento nesse sentido há de ser indeferido, por ausência de previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O processo ora em apreço originouse da lavratura pela fiscalização dos seguintes autos de infração: a) Debcad n. 37.397.3438, relativo às contribuições previdenciárias, de que tratam o art. 22 da Lei nº 2.212, de 24/7/1991, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados (incisos I e II) e contribuintes individuais (inciso III) e sobre os valores pagos por serviços prestados por cooperativa de trabalho (inciso IV), nas competências de 01/2008 a 12/2008, e tal crédito, consolidado em 22/05/2013, importa em R$ 115.689,11 (cento e quinze mil, seiscentos e oitenta e nove reais e onze centavos); já incluídos aí os juros e a multas de mora e de ofício incidentes sobre o débito originário; b) Debcad nº 37.397.3446, relativo às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, de que tratam os artigos 20 e 21 da Lei nº 2.212, de 24/7/1991, incidentes sobre as remunerações e valores pagos a esses segurados, nas competências de 01/2008 a 12/2008, e tal crédito, consolidado em 22/05/2013, importa em R$ 42.345,91 (quarenta e dois mil, trezentos e quarenta e cinco reais e noventa e um centavos); já incluídos aí os juros e as multas de mora e de ofício incidentes sobre o débito originário; c) Debcad nº 37.397.3454, relativo às contribuições destinadas aos Terceiros (Entidades Fundos: FNDE, SEST/SENAT, INCRA e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, nas competências de 01/2008 a 12/2008, e tal Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.003 5 crédito, consolidado em 22/05/2013, importa em R$ 14.515,80 (quatorze mil, quinhentos e quinze reais e oitenta centavos); já incluídos aí os juros e as multas de mora e de ofício incidentes sobre o débito originário. Devidamente notificada da autuação fiscal, a contribuinte apresentou impugnação aduzindo, em apertado escorço: a) a contribuição previdenciária não incide sobre o transporte; b) a eventual substituição do ticket de vale transporte por montante em dinheiro não possui o condão de conferir caráter salarial ao benefício; c) o STF declarou a inconstitucionalidade da cobrança de contribuições sociais sobre o valor pago em espécie a título de valetransporte; d) da mesma forma, o pagamento ofertado a título de alimentação em dinheiro não constitui salário, não podendo ser integrado ao saláriodecontribuição; e) quase a totalidade de seus empregado trabalha na cidade de Betim/MG, às margens da Rodovia BR 381, sendo que certo que os pouquíssimos estabelecimentos comerciais que servem alimentação são de difícil acesso; f) compulsando os Acordos e Convenções acostados ao processo fiscal, se observa o atendimento a todos os requisitos da legislação vigente, restando devidamente caracteriza como participação nos resultados a natureza dos pagamentos aos empregados, por isso, não incidindo contribuições sociais; g) o plano de saúde contratado junto à UNIMED, não se apresenta como de grande risco, sendo, portanto, incabível a tentativa do agente fiscal de aplicar a alíquota de 30% sobre os pagamentos realizados; h) cumpriu como todas as suas obrigações fiscais, concernentes ao recolhimento das contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados aos transportadores autônomos, prestadores de serviços. Ao analisar as alegações apresentadas pela contribuinte, a DRJ de origem entendeu por bem em manter na integralidade o lançamento efetuado pela fiscalização, não acolhendo as ponderações trazidas na impugnação. Irresignada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos trazidos em sede de impugnação, reiterando a total improcedência do lançamento. Sem contrarrazões por parte da Procuradoria da Fazenda, os autos foram encaminhados a este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 6 Voto Vencido Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Realizando o juízo de prelibação, observase que o recurso voluntário apresentado pela contribuinte é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Do Vale Transporte No tocante ao pagamento feito a título de valetransporte em pecúnia, ainda que as razões apresentadas pela recorrente sejam frívolas e genéricas, não posso deixar de dar provimento neste ponto nos termos da Súmula 89 deste Conselho. Com a devida venia ao entendimento do fisco, tenho como certo que o fato de a empresa ter pago o valetransporte em pecúnia não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba. Sendo assim, a origem da verba paga tem natureza jurídica indenizatória, pois foi assim que a norma, que criou o benefício, deixou consignada. Vejase que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: “Art. 28 Entendese por salário de contribuição: (...) Parágrafo 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) f) a parcela recebida a título de vale transporte, na forma da legislação própria; (...)” (negritamos e sublinhamos) Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9º, alínea “f”, da Lei nº 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de valetransporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados é imprescindível para a execução do trabalho, e não pode compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.004 7 § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. E sobre a natureza indenizatória do benefício o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o vale transporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 8 ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) Dito isso, verificase que a exigência tributária pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros. No mesmo diapasão, posicionouse a Advocacia Geral da União, nos termos do art. 4º, inc. XII, 28, inc. II, e 43, caput, § 1º, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ao promulgar a Súmula 60 no seguinte sentido: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Por fim, ressalto que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em reunião extraordinária do Pleno e das Turmas da CSRF realizada em 10 de dezembro de 2012, aprovou, por unanimidade, o enunciado de Súmula nº 89, com o seguinte teor: “A contribuição social previdenciárias não incide sobre os valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnica” Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário neste tópico. Dos Valores Pagos como Auxílio Alimentação Aponta o relatório fiscal (fl. 26), que constituem fatos geradores das contribuições apuradas as remunerações contidas em FP, a título de pagamento de alimentação e pecúnia, bem como que a empresa deixou de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP os valores pagos aos segurados empregados, a titulo de "vale alimentação", (considerados como parcelas integrantes do salário de contribuição pela não adesão da empresa ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT). Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.005 9 E não obstante o bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o auto de infração neste ponto não merece prosperar. Isso porque a respeito da matéria tenho entendimento no sentido de que o pagamento do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. Assim, entendo que não há que se falar, também, em obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação. Fato esse que torna improcedente a multa aplicada pelo Fisco por descumprimento desta obrigação acessória. Corroborando o posicionamento ora exposto, temse a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificando o entendimento no sentido de que o pagamento do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). Segue recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 10 Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...) 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.) Nesse momento fazse mister a referência ao acórdão de relatoria do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.006 11 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente. Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo nosso] Inclusive, a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. E reforçando o entendimento que vem se pacificando no STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou o Parecer PGFN/CRJ/n.º 2117/2011 sobre a não incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação pago in natura: “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n.º 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso e a desistir dos já interpostos.” No mesmo sentido, cito o Ato declaratório n.º 03/2011 no qual a PGFN declarou que “fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Além disso, pelo que se indica nestes casos, a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 12 Assim, acolho as razões recursais neste ponto, afastando a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pela recorrente aos seus funcionários a título de auxílio alimentação, bem como, por consectário, entendo que não há que se falar em obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação. Da Não Incidência de Contribuições Sobre os Serviços Prestados por Cooperativas de Trabalho O Egrégio Supremo Tribunal Federal, ao analisar o Recurso Extraordinário n. 595.838, de relatoria do Ministro Dias Toffoli, com repercussão geral reconhecida, declarou inconstitucional o inciso IV, do art. 22, da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 9.876/99, o que, em tese, vincularia esta Colenda Turma Especial, nos termos do art. 62A do RICARF. Ocorre que, salvo melhor juízo, a vinculação determinada no RICARF somente pode ser exigida após o trânsito em julgado do recurso extraordinário, o que, consultando o sítio virtual do STF, ainda não ocorreu. Não obstante isso, penso que o entendimento exarado pelo Plenário da Suprema Corte já está pacificado, uma vez que os embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional com o objeto de modular os efeitos da decisão foram rejeitados, encontrandose os autos, hodiernamente, na Procuradoria Geral da República para, após, ser confirmado seu trânsito em julgado. Ademais, não vislumbro qualquer razão para somente após o trânsito em julgado adotarmos o posicionamento do STF em julgamento proferido por unanimidade, até porque, se assim agíssemos, poderíamos privilegiar aqueles recursos que, por qualquer razão, tramitaram por mais tempo na esfera administrativa. Assim sendo, trago à colação a ementa do RE n. 595.838 para fundamentar o presente voto. EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.007 13 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Destarte, entendo que provimento merece o recurso voluntário da contribuinte, para afastar a incidência de contribuições sociais incidentes sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho e seus reflexos. Da PLR No tocante à incidência de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente a seus empregados sob a rubrica de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), cumpre esclarecer que a PLR visa a disposição das estratégias organizacionais com a participação dos empregados no ambiente de trabalho, pois só será feita a distribuição dos lucros aos funcionários segundo o cumprimento de metas. O programa PLR é uma ferramenta de gestão que permite a motivação dos empregados na produtividade da empresa, proporciona a atração de melhores resultados, regulada pela lei 10.101/2000. Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, no inc. XI do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregadores. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Eis o teor do dispositivo: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei.” Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 14 Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” Posta a norma resta saber se o procedimento adotado pela empresa afrontou ou não tal regulamentação. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Relator Min. Menezes Direito, Primeira Turma, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado em 25/11/2008) É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância de requisitos mínimos estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000. Uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. Conforme consta no Relatório Fiscal da exação, a fiscalização autuou a recorrente pois "da análise das Convenções Coletivas de Trabalho apresentadas, constatamos que as mesmas, ao tratarem da Participação dos empregados nos Lucros ou Resultados (nem todos os instrumentos apresentados abordaram o assunto) não contemplaram regras claras e objetivas quanto à fixação de metas e objetivos a serem alcançados, inclusive a forma e mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, de forma a respaldar os pagamentos efetuados pela empresa a este título, com efeitos financeiros nos exercícios de 2008 e 2009." Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.008 15 Ocorre que, ao analisar as Convenções Coletivas arrimadas pela própria fiscalização, a Cláusula Décima prevê as metas específicas e claras, ainda que de forma frívola, que cada funcionário deva alcançar, razão pela qual aqui transcrevo: "CLÁUSULA DÉCIMA PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NO RESULTADO PPR As empresas pagarão, a título de PPR Participação nos Resultados do exercício de 2009, na forma da Lei nº 10.101/00, a cada um dos seus empregados, o valor de R$ 212,00 (duzentos e doze reais), e duas parcela iguais e semestrais de R$ 106,00 (cento e seis reais) cada uma, nas seguintes datas e condições. Parágrafo primeiro O Programa de Participação nos Resultados contém dois indicadores de metas que serão apurados a cada semestre no período de janeiro a dezembro/2009. I Não terá direito a seu recebimento o empregado que nos seis meses anteriores ao pagamento de cada parcela possuir mais de cinco faltas injustificadas ou três atestados médicos com determinação de afastamento; II Cada parcela será paga proporcionalmente ao número de meses efetivamente trabalhados, no período antecedente a seu pagamento, considerando inteiro o mês em que houver trabalhado mais de quatorze dias. Ademais, as Convenções Coletivas de Trabalho carreadas aos autos demonstram a existência de um programa de participação nos lucros ou resultados na empresa, com o acompanhamento dos trabalhadores, a base procedimental trazida pelo contribuinte na distribuição dos lucros é suficiente para o cumprimento das formalidades legais. Assim, entendo que a estrutura montada pela empresa é satisfatória para determinar a natureza dos pagamentos excluindoos da base de cálculo do tributo. A preocupação do legislador, constante na Lei 10.101/00, é no sentido de salvaguardar o direito do trabalhador. Devese verificar, portanto, a existência de um procedimento bilateral, firmado entre empregadores e empregados, a fim de delinear uma estrutura normativa interna com o escopo de dar a máxima efetividade ao texto constitucional (art. 7º, inc. XI da CF/88). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é neste sentido, verbis: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 16 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos ( arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratarse de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. [...] 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. [...] Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes: AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.009 17 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido” [g.n.] (REsp 865.489/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 24/11/2010). Urge ressaltar que a regulamentação normativa tem o escopo de proteger o trabalhador, para que sua participação nos lucros se efetive. Assim, podese concluir que os documentos trazidos aos autos indicam que houve uma negociação prévia entre as partes, que possuem o condão de retificar a autuação fiscal. Diante desses elementos, deve ser provido o recurso neste tópico, com a invalidação da exação lançada sobre a distribuição dos lucros e resultados para os empregados da recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, afastando a incidência de contribuições previdenciárias e seus reflexos sobre os valores pagos em pecúnia como auxílio transporte e auxílio alimentação, bem como os valores pagos a cooperativas de trabalho e como PPR. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Voto Vencedor Conselheiro Oseas Coimbra Júnior Sr Presidente, Com as vênias de estilo, divirjo do e. Relator em relação ao vale alimentação em pecúnia as verbas referentes à Participação nos Lucros, somente. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 18 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Acerca da matéria – pagamento de alimentação em dinheiro, reproduzo trecho do parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011: Por outro lado, quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Referido parecer foi aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda, consoante despacho publicado no DOU de 24.11.2011, seção 01, pág 72. Do relatório fiscal temos que a recorrente pagava a seus segurados, em pecúnia, verbas a título de auxílioalimentação. A lei 8.212/91 traz: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976;” Esclarecemos que o referido parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 também entende que a parcela in natura entregue ao empregado não se configura salário de contribuição, estando ou não a empresa inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador, mas esta não é o caso dos autos. Nessa linha, o STJ, em voto condutor Min Luiz Fux: EMENTA: TRIBUTÁRIO. FGTS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. NÃO INSCRIÇÃO. TICKETS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO RELATIVA AO FGTS. Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.010 19 1. O auxílio alimentação, quando pago em espécie e com habitualidade, passa a integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, assumindo, pois, feição salarial, afastandose, somente, de referida incidência quando o pagamento é efetuado in natura, ou seja, quando o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, estando ou não inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. Aplicação ao Enunciado n° 241, do TST. Há incidência da contribuição social, do FGTS, sobre o valor representado pelo fornecimento ao empregado, por força do contrato de trabalho, de vale refeição. 3. Recurso Especial desprovido. (STJ, REsp 433.230/RS, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ 17/2/2003) (grifo não consta no original) No caso presente, com pagamento em dinheiro, não há que falar na excepcionalidade da retrocitada alínea “c” do § 9º do art. 28 da lei 8.212/91, sendo tais verbas consideradas como salário de contribuição. O Programa de Alimentação do Trabalhador está disciplinado pela Portaria Secretaria de Inspeção do Trabalho/Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho Nº 3 de 01.03.2002. Tal norma não prevê o pagamento em dinheiro, a corroborar com o entendimento explanado no parecer. Vejamos as modalidades previstas: III das Modalidades de Execução do Pat Art. 8º Para a execução do PAT, a pessoa jurídica beneficiária poderá manter serviço próprio de refeições ou distribuição de alimentos, inclusive não preparados, bem como firmar convênios com entidades que forneçam ou prestem serviços de alimentação coletiva, desde que essas entidades sejam credenciadas pelo Programa e se obriguem a cumprir o disposto na legislação do PAT e nesta Portaria, condição que deverá constar expressamente do texto do convênio entre as partes interessadas. Art. 9º As empresas produtoras de cestas de alimentos e similares, que fornecem componentes alimentícios devidamente embalados e registrados nos órgãos competentes, para transporte individual, deverão comprovar atendimento à legislação vigente. Nota Nova nova redação dada a este Artigo pelo Artigo 2º da Portaria SIT/DSST nº 61 de 28.10.2003. Tal portaria está em consonância com o art. 3º da lei Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976: Art.3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ‘in natura’ pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. (Grifamos). Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 20 Dessa feita, pagamento a título de auxílioalimentação, pago em dinheiro, deve ser considerado base de cálculo de contribuições à seguridade social, nos termos do art. 28,I da lei 8.212/91. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A lei 10.101/00 veio a efetivar a previsão constitucional trazida no art. 7º, XI, referente à participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. Complementando, a lei 8.212/91 em seu art. 28 § 9º, exclui a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga de acordo com a lei 10.101/00, do conceito de salário de contribuição. A lei 8.212/91 informa: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; O art. 2º da lei 10.101/00, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, assim traz: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (...) Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.011 21 Art. 3º ... § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. O arcabouço normativo citado traz as linhas gerais que devem ser obedecidas pelas empresas quando da implementação de participações nos resultados ou lucros. O Min Luiz Fux, relator do REsp 865489 (2006/00747495 24/11/2010), transcreve excerto do acórdão hostilizado que resume o que se espera quando da formalização de planos de participação. "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados No RESP º 856.160 PR (2006/01182238) da Ministra Eliana Calmon traz elucidativa manifestação sobre o tema. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legítima a incidência da contribuição previdenciária mesmo no período anterior à regulamentação do art. 7º, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido. Vejamos seu voto. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 22 O cerne da controvérsia discutida nos autos reside em se definir se o pagamento realizado pela empresa, a título de participação nos lucros ou resultados, em desacordo com as normas da MP 794/94, convertida na Lei 10.101/00, tem como consequência a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores. (...) Com efeito, a isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora, no caso a MP 794/94 e a Lei 10.101/00, por força da expressa previsão do art. 7º, XI, da Constituição Federal, cuja redação é a seguinte: (...) Também a Lei 8.212/91 possui idêntica previsão no art. 28, § 9º, "j", condicionando a fruição do benefício fiscal em questão à observância da legislação específica. Confirase(...) À luz da previsão legal acima, portanto, não se sustenta o argumento de que não existe lei determinando a incidência da contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a lei específica, pois, em tal situação, elas perdem essa característica e são tratadas como remuneração, assim entendida como a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título durante o mês, ou seja, a regra é a tributação, afastada apenas se cumpridas as exigências da lei isentiva. Em outras palavras, para o gozo do benefício fiscal pretendido pela recorrente, tornase indispensável a observância da disciplina da lei específica acerca da forma que deve ser creditada a participação nos lucros, como bem decidiu o Tribunal de origem. (...) Diante disso, tenho por devida a contribuição previdenciária se o creditamento da participação dos lucros ou resultados não observou as disposições legais específicas, como estabelece o art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/91, e conforme bem decidiu o acórdão recorrido que, por isso mesmo, não merece quaisquer reparos A cláusula 10, transcrita pelo relator original, traz simplesmente uma gratificação por assiduidade travestida de participação nos lucros. Como bem trazido pela recorrente, o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais de nº 920200.503, de relatoria do Conselheiro Elias Sampaio, aponta importantes considerações, que transcrevo. O artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal, ao desvincular a participação nos lucros da remuneração, estabeleceu a exigência de lei que disciplinasse a forma desta participação. Assim, as parcelas relativas à participação nos lucros posteriores à edição da Medida Provisória n° 794/94 devem observar os requisitos por ela impostos. Sobretudo porque o art. 28, inciso I, § 9°, da Lei n° 8.212, condiciona a exclusão de tais valores do saláriodecontribuição à observância da legislação de regência.(...) A objetividade e clareza exigida pelo § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/00, nada mais representam do que uma forma de se Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.012 23 garantir que não hajam dúvidas que impeçam ou dificultem a qualquer das partes envolvidas o direito a observar o quanto fora acordado. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: há uma integração entre o capital e o trabalho, pela recompensa com a participação nos lucros ou resultados por parte do trabalhador e a empresa ganha em aumento da produtividade. (...) Assim, para a PLR ser paga de acordo com a legislação especifica deve,cumulativamente: a) Resultar de negociação entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; e/ou por convenção ou acordo coletivo; b) Do resultado dessa negociação deverão constar regas claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos e quanto a fixação das regras adjetivas, onde deverão constar, nas regras, mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado; periodicidade da distribuição; período de vigência e prazos para revisão do acordo; c) O resultado da negociação deve ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; d) Não substituir, nem complementar a remuneração devida a qualquer empregado; e) Ser paga em periodicidade superior a um semestre civil, ou, no máximo, em duas vezes no mesmo ano civil; f) Por fim, a legislação determina formas de resolução de impasses quanto a PLR: a mediação ou a arbitragem de ofertas finais. (...) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constam regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, ni verbis: Resta patente que as regras devem ser claras e objetivas, devendo também constar elementos efetivos de aferição que comprovem o alcance ou não do que proposto e nada disso consta do PLR acostado, nem regras claras, tampouco critérios objetivos de aferição. Vejamos jurisprudência deste Conselho. Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 24 PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DE EMPREGADOS NOS LUCROS (PLR). DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade dos valores pagos à título de Programa de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), depende da adoção de regras claras e objetivas, consignadas em acordo/convenção coletiva do sindicato da categoria ou acordo particular adotado através de prévia negociação com comissão de trabalhadores, contando com a participação do respectivo sindicato da categoria. (...) Processo n° 13808.000154/200228. Acórdão n' 180300.467. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Sessão de 08 de julho de 2010. Temos assim que a Participação nos Lucros e Resultados, na forma pactuada, se desvirtua do que preconizado em lei. O PLR firmado não contém a objetividade e clareza necessárias ao instrumento, bem como a ausência de elementos efetivos de aferição. A legislação confere ampla autonomia negocial quando da implementação de PLR, mas há que existir parâmetros, seja quais forem, e sempre explanados de forma clara e objetiva, o que não ocorre in casu. Vejamos o disposto no art. 28,I da lei 8.212/91, que versa sobre o conceito de salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Percebese a abrangência do conceito, traduzindo a preocupação do legislador com a amplitude da base de cálculo de importante receita previdenciária. Mesmo que tais verbas remuneratórias não sejam pagas mês a mês, estão abarcadas pela norma, uma vez que esta alcança todo e qualquer rendimento pago, a qualquer título, à pessoa física que preste serviço, nos exatos termos da Constituição e da Lei 8.212/91, posto que atreladas ao efetivo exercício da atividade laboral, comprovando sua natureza salarial, inclusive na linha dos precedentes jurisprudenciais já transcritos REsp 865489 (2006/00747495 24/11/2010) e RESP º 856.160 PR (2006/01182238) e ainda em recente decisão também da Corte Superior: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA. POSSIBILIDADE. OMISSÃO QUANTO À LEI DE REGÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. RETORNO DOS AUTOS.NECESSIDADE. (...) 2. A isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI Processo nº 15504.724371/201318 Acórdão n.º 2803004.215 S2TE03 Fl. 1.013 25 da lei regulamentadora; no caso, a Medida Provisória 794/94 e a Lei n. 10.101/00, e também o art. 28, § 9º, "j", da Lei n. 8.212/91, possuem regulamentação idêntica. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas.(...) REsp 1264410 / PR. Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS. DJe 11/05/2012 Tudo de acordo com o parágrafo 10 do artigo 214 do Decreto 3.048/1999, que aprovou o Regulamento da Previdência Social. Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Por certo que a mera celebração de acordo entre empregados e empregador não é suficiente a validar a participação nos lucros como parcela não incidente de contribuição previdenciária. A lei 10.101/00 elenca os elementos necessários para que a regular celebração da PLR. A inobservância do que prevê a lei no tocante a distribuição de lucros ou resultados afasta tais verbas da regra excepcional prevista na lei 8.212/91, art. 28, §9º, "j", devendo ser consideradas como fato gerador de contribuição previdenciária. É o que se extrai do próprio texto legal. Em razão das irregularidades citadas, onde se demonstrou que não foram obedecidos os critérios determinados pelo art. 28 § 9º da lei 8.212/91 c/c a lei 10.101/00, tenho que as importâncias distribuídas se enquadram no conceito de salário de contribuição, sujeitos assim à contribuição previdenciária. CONCLUSÃO Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI 26 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para excluir as contribuições previdenciárias e seus reflexos sobre os valores pagos em pecúnia como auxílio transporte e os valores pagos a cooperativas de trabalho, somente. (assinado digitalmente) Oseas Coimbra Júnior – Redator Designado Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/04/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assi nado digitalmente em 06/04/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI
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Numero do processo: 36266.005301/2003-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 30/11/1994, 01/01/1995 a 31/08/1995, 01/10/1995 a 31/12/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. INTERESSE.
Considerando-se que a parte do acórdão que reconheceu o vício formal do lançamento não foi objeto de recurso do contribuinte, torna-se definitiva administrativamente a questão, aplicando-se ao eventual lançamento substitutivo o prazo do art. 173, II do CTN. Entretanto, a aplicação do art. 18, § 3º do Decreto 70.235, de 1972, está sujeita aos prazos dos arts. 150, §4o., ou 173, I do CTN, conforme o caso. Isso traria situação pior da que foi decidida no acórdão recorrido, carecendo a Recorrente de interesse recursal.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka - Relator
EDITADO EM: 17/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka - Relator EDITADO EM: 17/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
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RECURSO ESPECIAL. INTERESSE. Considerandose que a parte do acórdão que reconheceu o vício formal do lançamento não foi objeto de recurso do contribuinte, tornase definitiva administrativamente a questão, aplicandose ao eventual lançamento substitutivo o prazo do art. 173, II do CTN. Entretanto, a aplicação do art. 18, § 3º do Decreto 70.235, de 1972, está sujeita aos prazos dos arts. 150, §4o., ou 173, I do CTN, conforme o caso. Isso traria situação pior da que foi decidida no acórdão recorrido, carecendo a Recorrente de interesse recursal. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 26 6. 00 53 01 /2 00 3- 15 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 36266.005301/200315 Acórdão n.º 9202003.566 CSRFT2 Fl. 596 2 EDITADO EM: 17/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Tratase de recurso especial por contrariedade interposto pela Fazenda Nacional em 31 de agosto de 2011 (efls. 579/585), em face do Acórdão n° 20501.531 (efls. 563/576), do qual a Recorrente teve ciência em 31 de agosto de 2011 (efl. 577) e que teve a seguinte conclusão: “ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, acatar a preliminar de nulidade por vício formal na indicação do dispositivo legal de arbitramento para anular o lançamento, vencidos o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que entendeu não se tratar de arbitramento e o Conselheiro Marco André Ramos Vieira que entendeu pela impossibilidade de conhecimento de ofício da matéria.” O acórdão teve a seguinte ementa: “Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 30/11/1994, 01/01/1995 a 31/08/1995, 01/10/1995 a 31/12/1998 NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do Débito FLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício insanável. Processo anulado.” O voto vencido do Conselheiro Marco André Ramos Vieira foi, basicamente, no sentido de não se poder conhecer de ofício a nulidade declarada pela maioria do Colegiado. Como restou vencido, votou pela anulação da decisão da DRJ, para que fosse complementado o relatório fiscal “indicando o dispositivo para o arbitramento, bem como complementando em relação às rubricas de incidência, tanto do lançamento sobre as remunerações dos segurados empregados, como dos contribuintes individuais. ... Anulando a decisão de primeiro grau é reaberta toda a discussão sobre os dados que porventura sejam acrescidos aos autos, o que favorece o contraditório e a ampla defesa.” Fl. 596DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 36266.005301/200315 Acórdão n.º 9202003.566 CSRFT2 Fl. 597 3 O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 587/588, não tendo apresentado a Recorrida contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso especial não deve ser conhecido. Como se extrai do relatório, tratase de recurso especial por contrariedade, interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão n° 20501.531, que teve a seguinte conclusão: “ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, acatar a preliminar de nulidade por vício formal na indicação do dispositivo legal de arbitramento para anular o lançamento, vencidos o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que entendeu não se tratar de arbitramento e o Conselheiro Marco André Ramos Vieira que entendeu pela impossibilidade de conhecimento de ofício da matéria.” O contribuinte não interpôs qualquer recurso em face da parte do acórdão que reconheceu o vício formal do lançamento, tornandose definitiva administrativamente a questão. Em hipóteses como a presente, aplicase ao eventual lançamento substitutivo o prazo decadencial previsto no art. 173, II do CTN. Já no caso de aplicação do art. 18, § 3º do Decreto 70.235, de 1972, o lançamento estaria sujeito aos prazos dos arts. 150, §4o., ou 173, I do CTN, conforme o caso. O recurso da Fazenda pretende fazer prevalecer o voto vencido do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, cuja conclusão foi, basicamente, no sentido de não se poder conhecer de ofício a nulidade declarada pela maioria do Colegiado. Como restou vencido, votou pela anulação da decisão da DRJ, para que fosse complementado o relatório fiscal “indicando o dispositivo para o arbitramento, bem como complementando em relação às rubricas de incidência, tanto do lançamento sobre as remunerações dos segurados empregados, como dos contribuintes individuais. ... Anulando a decisão de primeiro grau é reaberta toda a discussão sobre os dados que porventura sejam acrescidos aos autos, o que favorece o contraditório e a ampla defesa.” No entender deste Relator, isso traria situação pior da que foi decidida no acórdão recorrido, carecendo a Recorrente, portanto, de interesse recursal. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator Fl. 597DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 36266.005301/200315 Acórdão n.º 9202003.566 CSRFT2 Fl. 598 4 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905658/2009-60
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
Per/Dcomp. Retificação do Crédito Pleiteado. Estimativas/IRRF para Saldo Negativo.
Comprovado nos autos que a contribuinte equivocou-se ao preencher o Per/Dcomp no que respeita à espécie do direito creditório pleiteado, vale dizer, IRRF e/ou estimativas, quando pretendia o Saldo Negativo daquele mesmo tributo, no mesmo período e valor, admite-se a retificação, por manifesto lapso de denominação do crédito pleiteado.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentou-se na impossibilidade de admitir-se o Per/Dcomp retificador, quando este deveria ter sido analisado. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
Numero da decisão: 1801-002.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp retificador, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Restituição. Compensação. Admissibilidade. Per/Dcomp. Retificação do Crédito Pleiteado. Estimativas/IRRF para Saldo Negativo. Comprovado nos autos que a contribuinte equivocou-se ao preencher o Per/Dcomp no que respeita à espécie do direito creditório pleiteado, vale dizer, IRRF e/ou estimativas, quando pretendia o Saldo Negativo daquele mesmo tributo, no mesmo período e valor, admite-se a retificação, por manifesto lapso de denominação do crédito pleiteado. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentou-se na impossibilidade de admitir-se o Per/Dcomp retificador, quando este deveria ter sido analisado. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp retificador, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO. ESTIMATIVAS/IRRF PARA SALDO NEGATIVO. Comprovado nos autos que a contribuinte equivocouse ao preencher o Per/Dcomp no que respeita à espécie do direito creditório pleiteado, vale dizer, IRRF e/ou estimativas, quando pretendia o Saldo Negativo daquele mesmo tributo, no mesmo período e valor, admitese a retificação, por manifesto lapso de denominação do crédito pleiteado. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação fundamentouse na impossibilidade de admitirse o Per/Dcomp retificador, quando este deveria ter sido analisado. É necessário que a autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte analise o pedido de restituição/compensação (Per/Dcomp) à luz da existência, suficiência e disponibilidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para a análise do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp retificador, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 56 58 /2 00 9- 60 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Trata de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1246.433/12, proferido pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ 1, efls. 372 a 375, pelo qual mantevese Despacho Decisório de efls. 116, que indeferiu Pedido de Restituição e Declarações de Compensação Per/Dcomp, objetos de análise nestes autos. O Per/Dcomp foi indeferido, inicialmente, porque pleiteou Saldo Negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2006 no valor de R$ 369.362,07, quando constou na DIPJ/07 Saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 4.830.433,97. A recorrente, em sede de manifestação de inconformidade, esclarece que antes de haver sido cientificada do Despacho Decisório (ciência em 18/05/09 efls. 117), em 16/02/09, flagrouse que cometera erro de preenchimento do Per/Dcomp, pois o crédito solicitado não era relativo a Saldo Negativo de IRPJ apurado ao final do anocalendário, mas pagamento a maior do que o valor devido do IRPJ relativo ao 4º trimestre de 2006. Entregou Per/Dcomp retificador em papel, haja vista o programa gerador de Per/Dcomp não haver aceitado a retificação efls. 52 a 54. A Turma de Julgamento de Primeira Instância, em face ao silêncio da autoridade a quo sobre o Per/Dcomp retificador, determinou o retorno dos autos para que novo Despacho Decisório fosse emitido, apreciando o Per/Dcomp retificador. Assim, o Despacho Decisório nº 568/11 (efls. 146 a 157), não obstante tenha reconhecido que a contribuinte entregou o Per/Dcomp retificador em resposta à Intimação enviada para que ajustasse os valores incompatíveis entre a DIPJ e o Per/Dcomp, indeferiu o Per/Dcomp retificador com fulcro no teor de Instruções Normativas que estabelecem a possibilidade de retificação somente nos casos de inexatidões materiais, e não de direito, como entendeu a autoridade a quo ser desta natureza, o erro cometido pela contribuinte. Diz ser inadmissível a retificação do Per/Dcomp, quer por meio eletrônico, quer por papel, quando há alteração do crédito pleiteado, no caso, de Saldo Negativo de IRPJ, anocalendário de 2006, para pagamento indevido ou a maior de IRPJ relativo ao quarto trimestre do referido ano calendário (2006). Declara, ainda, o Despacho decisório: "É de se observar, ainda que, por hipótese, fosse autorizada pela legislação mencionada a retificação pretendida pelo contribuinte (troca de tipo de crédito), o pagamento indicado pelo mesmo (fls. 53 e 98), a título de crédito a amparar as compensações na DCOMP apresentada em papel, já foi praticamente todo utilizado pelo contribuinte na DCOMP nº 03763.86499.211107.1.3.048659, a qual foi transmitida em 21/11/2007 (já homologada), não havendo o montante disponível indicado pelo interessado (R$ 369.362,07). Nesse particular, constatase também que, embora o contribuinte tenha retificado o valor do IRPJ a pagar apurado no quarto trimestre de 2006 em DIPJ (inicialmente declarou o valor a pagar de R$ 5.072.596,50; após retificou para R$ Fl. 423DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.905658/200960 Acórdão n.º 1801002.306 S1TE01 Fl. 3 3 4.776.651,47; depois para R$ 4.830.433,97) (fl. 114), em DCTF (que é confissão de dívida) foi mantido o valor de R$ 5.199.796,04 (fl. 94). Do exposto, opino pela NÃO ADMISSÃO da retificação apresentada em papel, mantendose ativa a DCOMP nº 27190.38647.300807.1.3.020645." Manteve o indeferimento do Per/Dcomp original. A recorrente ofereceu nova manifestação de inconformidade reiterando que cometeu erro formal no preenchimento do Per/Dcomp original e que a retificação não é vedada por norma tributária. Acrescenta que não utilizou o crédito em outro Per/Dcomp, conforme inferiu a autoridade a quo. Requer que o seu direito creditório seja reconhecido, em face ao princípio da verdade material dos fatos. A Turma Julgadora de Primeira Instância adotou ipsis litteris o fundamento do Despacho Decisório, entendendo ser insanável o erro quanto ao tipo de crédito pleiteado no Per/Dcomp. Assim restou ementado o acórdão: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 280 a 396, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que o erro cometido por si não pode ser óbice para reaver o indébito tributário estando fartamente comprovado nos autos que o valor informado em DCTF, relativo ao IRPJ do 4º trimestre de 2006, da ordem de R$ 5.199.796,04, devidamente quitado, na verdade corresponde a R$ 4.830.433,97, consoante identificado no preenchimento da DIPJ do anocalendário em questão, 2006. A diferença exata deste valor é que constou do Per/Dcomp, R$ 369.362,07, sendo notório e evidente o erro cometido pela recorrente, em face à DIPJ/07, que ao invés de preencher o campo pertinente ao direito creditório com "IRPJ relativo ao 4º trimestre de 2006" informou erroneamente "Saldo de IRPJ, anocalendário de 2006). Aduz de forma veemente que este indébito tributário não foi utilizado para compensar outros débitos no Per/Dcomp nº 03763.86499.211107.1.3.048659, restando manifestamente equivocada a conclusão da autoridade a quo. Cita remansosa jurisprudência administrativa em favor da possibilidade de retificação do Per/Dcomp por erro na classificação do crédito, quando evidente o erro cometido. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Em sessão, fez sustentação oral pela recorrente, Dra. Alessandra De Simone, OAB/SP nº 316.062. 1 AR – 22/06/12, efls. 379; Recurso – 18/07/12, efls. 280 Voto Fl. 424DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. De plano, por força do princípio da indisponibilidade do crédito tributário, não comungo da tese esposada no Despacho Decisório de que a recorrente não pode retificar a classificação do crédito pleiteado, quando esta retificação atémse, na verdade, ao período dentro do mesmo anocalendário, não havendo mudança do tributo ou do valor inicialmente requerido. No presente caso, o erro é facilmente identificável em face à inconsistência entre os valores informados na DIPJ/07 entregue pela recorrente. Há ainda que se chamar à responsabilidade da Administração Tributária o fato de haver intimado a recorrente a retificar o Per/Dcomp, ou a DIPJ, em 03/12/08, o que levou a recorrente a apresentar a retificação com o conserto do 'nome' do crédito, e antes de emitir o Despacho Decisório, original, em 18/05/09 (data de ciência). Ora, se a Administração Tributária houvesse atentado para o Per/Dcomp retificador e para as razões da retificação requerida, poderia ter desempenhado o seu papel maior de orientação aos contribuintes e cientificadoo que a retificação não seria possível, em face ao entendimento que se tratava de erro de direito e não erro material, mas que a contribuinte deveria fazer um pedido de cancelamento daquele Per/Dcomp e a emissão de novo Per/Dcomp. Mas esta informação só foi fornecida à contribuinte pelo fisco, formalmente, em 01/02/12, quando não mais seria possível reaver o indébito tributário, por fulminado o direito de agir pela prescrição temporal. Assim a recorrente não pode ser prejudicada pela inércia da Administração Tributária em, primeiro, solicitar a retificação do Per/Dcomp e, em segundo, não esclarecer o porquê não seria possível no presente caso retificar o Per/Dcomp e não esclarecer à contribuinte qual a forma correta, a seu entendimento, para reaver o que recolheu aos cofres públicos a maior, sem a devida justificação tributária. De qualquer forma, a confusão cometida pela recorrente não se trata de inexatidão de direito pleiteado, mas sim de erro de preenchimento, identificável facilmente, haja vista não ter havido alteração nem de tributo, nem de anocalendário, nem de valor informado. Na verdade, somente o período foi retificado. Não obstante, por haverem permanecido nesta premissa, mister para que se reconheça o crédito tributário pleiteado como pago a maior que o devido é que analisese o motivo da restituição do valor de R$ 369.362,07, que a recorrente alega haver recolhido a maior, junto à contabilidade da contribuinte. A recorrente esclarece que o IRPJ relativo ao 4º trimestre é da ordem de R$ 4.830.433,97, quando equivocadamente preencheu a DCTF relativa ao período com o valor de R$ 5.199.796,04, mas não há nos autos os elementos contábeis que comprovem a redução do valor do IRPJ apurado inicialmente, ainda que na DIPJ/07 tenha informado o valor que entende correto. Deve ser esclarecido à recorrente que a DIPJ possui natureza meramente informativa, diferentemente dos dados inseridos em DCTF, cuja natureza é de confissão de débito tributário, sendo admissível a retificação de valores informados em DCTF somente com a prova irrefutável de haver incorrido em erro. Se houve efetivamente erro no cálculo do IRPJ devido, relativo ao 4º trimestre de 2006, é direito da recorrente reaver o indébito tributário, ainda que tenha confessado anteriormente qualquer outro valor, em razão do já mencionado princípio da indisponibilidade do crédito tributário. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13888.905658/200960 Acórdão n.º 1801002.306 S1TE01 Fl. 4 5 A norma tributária veda a retificação da Declaração de Compensação e Pedido de Restituição (Per/Dcomp) após o despacho decisório, mas não alcança as retificações de DIPJ (meramente informativa) ou DCTF. Determina o artigo 11 da Instrução Normativa RFB nº 903/08: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. (grifos não pertencem ao original) Para comprovar o erro mister é a apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos. A recorrente desde o início deste procedimento, antes ainda do Despacho Decisório ter sido emitido, explicitou a origem do crédito pleiteado e demonstrou o porquê de estar solicitando a devolução de valor que pagou a maior, todavia, em nenhum momento foi Fl. 426DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 lhe requerida prova da redução do valor de IRPJ pago/quitado. Em assim sendo deve ser intimada a propiciar o exame da contabilidade completa (balancetes registrados no Diário e verificação da possível existência de outras contas de receitas auferidas no período em comento, Lalur, para apuração da base de cálculo e do IRPJ trimestral devido 4º trimestre de 2006). Voto em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário, para que: a) o Per/Dcomp retificador seja admitido pela autoridade a quo; b) o crédito veiculado no Per/Dcomp retificador seja analisado em face à contabilidade da Recorrente, para verificarse ser ou não devida a repetição do indébito solicitada (o efetivo valor da base de cálculo do IRPJ relativo ao 4º trimestre de 2006); Por economia e celeridade processual, propõese que, ao emitir o novo Despacho Decisório, cujo objeto é o Per/Dcomp retificador, a autoridade a quo verifique, em face às contestações da recorrente (efls. 392), se o indébito tributário objeto destes autos de fato já foi aproveitado no Per/Dcomp 03763.86499.211107.1.3.048659, o qual foi transmitido em 21/11/2007 (e já homologadas as compensações), consoante prévia afirmação no Despacho Decisório às efls. 154, fazendo juízo, com fulcro nos dados dos sistemas que controlam os Per/Dcomp emitidos pela contribuinte, se realmente há duplicidade e/ou se há ainda algum saldo a restituir. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 427DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10580.728027/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
IRREGULARIDADE NO PROCEDIMENTO - INOCORRÊNCIA - CONTRIBUIÇÃO NÃO MENCIONADA NO MPF.
Descabe pretender discutir nulidade de auto de infração alegando suposto vício que não se concretizou. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF-F ou no MPF-E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa.
NULIDADE DOS LANÇAMENTOS - FORMALIZAÇÃO EM AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS PARA O SÓCIO OSTENSIVO E PARA AS SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO - DESCABIMENTO.
Não é nulo o auto de infração que formaliza, num mesmo instrumento, e em nome do sócio ostensivo, a diferença de tributo devido pela sócia ostensiva, decorrentes de suas operações regulares e das operações das sociedades em conta de participação.
SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO - APURAÇÃO.
A Sociedade em Conta de Participação é uma sociedade não personificada, equiparadas às pessoas jurídicas para fins de tributação. Como o Sócio Ostensivo é o único que exerce objeto social, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, cabe a ele apurar os resultados da SPC, sendo também responsável pela declaração de rendimentos e pelo recolhimento dos tributos e contribuições por ela devidos. O lucro da SCP é informado e tributado na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo.
RECEITA BRUTA DA SCP - COMPROVAÇÃO.
É dever do sócio ostensivo, quando intimado, comprovar sua receita, com base em sua escrituração e documentos que a lastreiam, bem a composição da parte referente às sociedades em conta de participação de que é sócia ostensiva. Da mesma forma, é seu dever comprovar a origem dos recursos depositados em contas de sua titularidade, presumindo-se oriundos de receitas omitidas aqueles que não forem comprovados. Se o contribuinte, atendendo intimação, presta declaração identificando a origem dos depósitos como de receitas da SCP, o Fisco só tem o ônus de desconstituir a declaração do contribuinte se suspeitar de sua inveracidade.
SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA - A perícia só se justifica se os fatos litigiosos não puderem ser comprovados pelos meios ordinários de prova.
Numero da decisão: 1301-001.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas, indeferido o pedido de perícia, e negado provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IRREGULARIDADE NO PROCEDIMENTO INOCORRÊNCIA CONTRIBUIÇÃO NÃO MENCIONADA NO MPF. Descabe pretender discutir nulidade de auto de infração alegando suposto vício que não se concretizou. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS FORMALIZAÇÃO EM AUTOS DE INFRAÇÃO DISTINTOS PARA O SÓCIO OSTENSIVO E PARA AS SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO DESCABIMENTO. Não é nulo o auto de infração que formaliza, num mesmo instrumento, e em nome do sócio ostensivo, a diferença de tributo devido pela sócia ostensiva, decorrentes de suas operações regulares e das operações das sociedades em conta de participação. SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO APURAÇÃO. A Sociedade em Conta de Participação é uma sociedade não personificada, equiparadas às pessoas jurídicas para fins de tributação. Como o Sócio Ostensivo é o único que exerce objeto social, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, cabe a ele apurar os resultados da SPC, sendo também responsável pela declaração de rendimentos e pelo recolhimento dos tributos e contribuições por ela devidos. O lucro da SCP é informado e tributado na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo. RECEITA BRUTA DA SCP COMPROVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 80 27 /2 00 9- 87 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728027/200987 Acórdão n.º 1301001.789 S1C3T1 Fl. 3 2 É dever do sócio ostensivo, quando intimado, comprovar sua receita, com base em sua escrituração e documentos que a lastreiam, bem a composição da parte referente às sociedades em conta de participação de que é sócia ostensiva. Da mesma forma, é seu dever comprovar a origem dos recursos depositados em contas de sua titularidade, presumindose oriundos de receitas omitidas aqueles que não forem comprovados. Se o contribuinte, atendendo intimação, presta declaração identificando a origem dos depósitos como de receitas da SCP, o Fisco só tem o ônus de desconstituir a declaração do contribuinte se suspeitar de sua inveracidade. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA A perícia só se justifica se os fatos litigiosos não puderem ser comprovados pelos meios ordinários de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitadas as preliminares suscitadas, indeferido o pedido de perícia, e negado provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Em face de CEEMA Construção e Meio Ambiente Ltda. foram lavrados autos de infração com lançamento de ofício de IRPJ e CSLL reflexa, com base no lucro presumido, alcançando fatos geradores ocorridos em 2003. Descreve o Relatório de Fiscalização que: “(...) após análise dos elementos apresentados, relativos ao ano calendário de 2005, constatei que o mesmo recolheu e/ou declarou em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributos Federais) a menor o Imposto de Renda e contribuições conforme descrito abaixo e demonstrativos anexos. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728027/200987 Acórdão n.º 1301001.789 S1C3T1 Fl. 4 3 As diferenças apuradas tiveram como base os dados escriturados nos livros RAZÃO, considerando o regime de caixa, segundo opção feita pelo contribuinte, que apresentou DIPJ pelo sistema do Lucro Presumido. Foram considerados os valores constantes da conta CLIENTES (códigos 112.10.116 a 112.10.999), referidos valores constam também dos balancetes e dos livros DIÁRIO números 16 e 17 (autenticação JUCEB números 06/0094869 e 06/00994877 de 28/04/2006, respectivamente) e do DIÁRIO AUXILIAR AO N° 17 (autenticação JUCEB n° 08/0507182 de 30/09/2008), relativo aos dados da Sociedade em Conta de Participação Barreiras (SCP2), cópias de folhas anexas, referidos valores foram utilizados para os cálculos das diferenças do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, conforme demonstrativos anexos. Em relação às sociedades em conta de participação (SCP) ABRANTES e (SCP) MORADAS, tendo em vista que, embora tenha sido intimado, o contribuinte não apresentou livro CAIXA ou qualquer outro tipo de escrituração, as receitas tiveram por base os créditos em conta corrente, segundo os extratos bancários, cujos valores foram confirmados pelo representante do contribuinte e foram utilizadas para cálculo do PIS e COFINS, conforme planilhas e demais documentos anexos. E, quanto ao IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), a apuração se fez pelo sistema do Lucro Arbitrado, conforme DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO, cujo resumo e consolidação encontramse no DEMONSTRATIVO DE DIFERENÇAS APURADAS – ANO CALENDÁRIO 2005, quadros 1 a 7 anexos.” Em impugnação tempestiva a empresa não contesta os números apurados pela fiscalização. Suscitou preliminar de nulidade do lançamento e, caso não acolhida requereu a realização de perícia para deslinde da controvérsia e ainda, caso não acolhidas ambas as preliminares, seja deferida a impugnação em homenagem ao direito e como medida de justiça. A 1ª Turma de Julgamento da SRJ em Salvador, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Descabe a arguição de nulidade nos casos em que os Autos de Infração foram lavrados por autoridade fiscal competente e que o procedimento fiscal foi realizado em total consonância com a legislação vigente. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. Restando comprovado que o contribuinte e os responsáveis tiveram acesso a todos os documentos e elementos de prova constantes dos autos do processo, proporcionandolhes o pleno Fl. 316DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728027/200987 Acórdão n.º 1301001.789 S1C3T1 Fl. 5 4 direito ao contraditório e à ampla defesa, consideramse irrelevantes as alegações de cerceamento de defesa. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. LITÍGIO. Devem ser negadas as solicitações de diligência e perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. APURAÇÃO. As sociedades em conta de participação são equiparadas às pessoas jurídicas. Na apuração dos resultados dessas sociedades, assim como na tributação dos lucros apurados e dos distribuídos, serão observadas as normas aplicáveis às pessoas jurídicas em geral. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL LANÇAMENTOS. MESMOS PROCEDIMENTOS. IRPJ. Em se tratando de lançamento decorrente dos mesmos procedimentos que ensejaram o lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, no que couber, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao lançamento relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Impugnação Improcedente Ciente da decisão em 18 de julho de 2012, a interessada ingressou com recurso em 03 de agosto, no qual levanta os seguintes pontos: 1 Nulidade do lançamento da CSLL por irregularidade no MPF. A Recorrente diz que o MPF compreendia a fiscalização de IRPJ referente ao período de apuração de 01/01/2005 a 31/12/2005 e que, após diversas prorrogações de validade, em 16/11/2009 teve seu objeto ampliado para incluir os tributos CSLL, PIS e COFINS. Alega que, sem que lhe fosse dada ciência da ampliação do objeto, em 18/11/2009 foi lavrado o auto de infração, o quê, no seu entendimento, eivou de nulidade o lançamento da CSLL. Afirma, ainda, que o lançamento foi praticado por quem ainda não detinha legitimidade específica para tanto, pois a ampliação do objeto ainda não era eficaz, face à sua não comunicação ao contribuinte fiscalizado. 2 Nulidade dos lançamentos de IRPJ e CSLL. Necessidade de constituição em autos de infração distintos. Alega que o regime de responsabilidade fiscal do sócio ostensivo em relação à Sociedade em Conta de Participação não leva à conclusão de que as receitas da SPC se confundem com as do sócio ostensivo. Afirma que o agente fiscalizador formalizou em um único auto de infração os créditos de IRPJ e da CSLL constituído do somatório dos tributos Fl. 317DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728027/200987 Acórdão n.º 1301001.789 S1C3T1 Fl. 6 5 supostamente devidos pelo sócio ostensivo (CEEMA) e pelas SCP Barreiras, Abrantes e Moradas. Argumenta que o fato de ser atribuído ao sócio ostensivo da sociedade em conta de participação o dever de efetuar o pagamento dos tributos a cargo da SPC, não pode levar à conclusão de que tudo pode ser reunido como se se tratasse de uma única sociedade. Defende que a obrigação principal do IRPJ e da CSLL da CEEMA não poderia ser apurada no mesmo auto de infração em que se apurou obrigação tributária das SPC Barreiras, Abrantes e Moradas. 3 Vícios no lançamento do PIS e da COFINS. Destaca que a autoridade fiscal não se desincumbiu do ônus probatório que lhe incumbe, contestando a omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários. Diz não haver a mais tênue vinculação das receitas ditas omitidas com as transações da autuada ou mesmo das SCP de que é sócia ostensiva. 4 Vícios no lançamento de IRPJ e de CSLL Alega vício no procedimento de arbitramento do lucro em relação às SPC Abrantes e Moradas que, segundo afirma, encontrase na composição das receitas brutas conhecidas das SCPs. Alega que, afora os créditos em contacorrente, a forma de composição da receita não aponta nenhum outro elemento de fato relevante e bastante para certificar e corroborar a ocorrência do fato tributário. Contesta o procedimento do autuante, de tomar como receitas conhecidas das SPC as informadas pelo sócio ostensivo, alegando que a declaração feita pelo contribuinte não tem o condão de comprovar a obtenção de receita, muito menos quantificar a receita bruta auferida pelas SPC. Invoca o art. 368 do CPC, cujo parágrafo único dispõe que, “(...) quando contiver declaração de ciência relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus da prova”. 5 Vícios no PAF nº 10580.728031/100945 Necessidade de realização de perícia. Repudia a motivação da decisão recorrida para indeferimento da perícia, verbis: “ (...) verificase incabível o pedido que visa a produzir prova documental que deveria ter sido apresentada no decorrer do procedimento fiscalizatório ou no momento da impugnação, especialmente quando não foi demonstrada a impossibilidade de produzila por motivo de força maior, não se refira a fato ou direito superveniente e não se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) No caso sob análise, o pedido de perícia apenas transfere para terceiros a comprovação das alegações de defesa, questão de mérito a ser apreciada no decorrer deste voto. No caso específico, além dos prazos anteriores ao lançamento, poderia a Impugnante, até a data do julgamento, juntar qualquer Fl. 318DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728027/200987 Acórdão n.º 1301001.789 S1C3T1 Fl. 7 6 documento que entendesse apto a comprovar as suas alegações, documentos estes que em função do princípio da verdade material, seriam acolhidos e analisados no julgamento. Assim, no presente caso a perícia revelase inteiramente desnecessárias para o deslinde da questão a ser apreciada neste PAF, que envolve a comprovação da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, que ensejaram o lançamento.” Argumenta que a perícia contábil tem como objetivo precípuo demonstrar a formação da receita bruta conhecida das SPC Abrantes e Morada para fins de arbitramento. E que, diferentemente do afirmado pela decisão recorrida, não visa a produzir prova documental, mas elucidar fatos que demandam a intervenção de agente dotado de conhecimentos técnicos. Requer a nulidade do acórdão por indeferimento injustificado da perícia contábil, prejudicando irremediavelmente o direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. I Nulidade do lançamento da CSLL por irregularidade no MPF Não procede a alegação de nulidade do lançamento da CSLL por ter sido lavrado o auto de infração sem que lhe tivesse sido dada ciência da inclusão desse tributo no objeto do procedimento e fiscalização, originalmente alcançando apenas o IRPJ. O Mandado de Procedimento Fiscal é um documento instituído pela Portaria SRF nº 1.265/1999, que estabeleceu normas para a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal deverão ser promovidos em conformidade com a ordem específica – Mandado de Procedimento Fiscal expedida por uma das autoridades relacionadas em seu art. 6°, e dentro do prazo nela estipulado (artigos 12 e 13). As normas de regência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foram sucessivamente alteradas, e o instrumento hoje é regido pela Portaria SRF nº 3014, de 2011. De acordo com as normas que o disciplinam, o Mandado de Procedimento deve ser emitido sempre que for necessária a instauração de procedimento fiscal de fiscalização (MPFF) e a efetivação de diligência (MPFD). Há, ainda, previsão de emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Especial (MPFE), a ser expedido nos casos em que o procedimento fiscal tenha se iniciado antes da emissão de MPF em razão da necessidade de preservação dos interesses da Fazenda Nacional, Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo (MPFEx), para realizar diligência para coletar informações e documentos destinados a subsidiar procedimento de fiscalização relativo a outro sujeito passivo, e Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC), que deve ser utilizado para proceder às alterações no MPF, decorrentes de substituição, inclusão ou exclusão de AFRF responsável pela sua execução, ou Fl. 319DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728027/200987 Acórdão n.º 1301001.789 S1C3T1 Fl. 8 7 pela supervisão, bem assim as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, ou, ainda, para constituição de crédito tributário relativo a período diverso do fixado, e deve ser emitido pela autoridade outorgante do MPF originário. A Portaria SRF nº 11.371/2007, vigente quando da emissão do MPF, dispõe: Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência do MPF, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de novembro de 1997 pelo sujeito passivo darseá por intermédio da Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. (...) Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Art. 9º. As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou pela supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração.” Portanto, conforme expressamente previsto no art. 8º acima transcrito, não havia necessidade de alteração do MPF originário para inclusão da CSLL no objeto do procedimento, uma vez que as infrações apuradas em relação ao IRPJ também configuraram, com base nos mesmos elementos de prova, infração às normas da CSLL e, portanto, esse tributo é considerado incluído no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Posto isto, rejeito a preliminar suscitada. II Nulidade dos lançamentos de IRPJ e CSLL. Necessidade de constituição em autos de infração distintos. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728027/200987 Acórdão n.º 1301001.789 S1C3T1 Fl. 9 8 Alega a Recorrente que os autos de infração são nulos porque o agente fiscalizador formalizou em um único auto de infração os créditos de IRPJ e da CSLL constituído do somatório dos tributos supostamente devidos pelo sócio ostensivo (CEEMA) e pelas SCP Barreiras, Abrantes e Moradas. Defende que a obrigação principal do IRPJ e da CSLL da CEEMA não poderia ser apurada no mesmo auto de infração em que se apurou obrigação tributária das SPC Barreiras, Abrantes e Moradas. A Sociedade em Conta de Participação é uma sociedade não personificada, equiparadas às pessoas jurídicas para fins de tributação (Decretolei nº 2.303/86). Como o Sócio Ostensivo (ou Sócio Administrador) é o único que exerce objeto social, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, e somente ele se obriga perante terceiros (art. 991 do Código Civil), cabendo a ele apurar os resultados da SPC, sendo também responsável pela declaração de rendimentos e pelo recolhimento dos tributos e contribuições por ela devidos. O art. 7º do Decretolei nº 2.303/87, que, para fins da legislação do imposto de renda, equiparou as sociedades em conta de participação às pessoas jurídicas, foi regulamentado pela Instrução Normativa SRF º 179/87, mais tarde complementada pela Instrução Normativa SRF 31/2001, que admitiu às SCP a opção pelo lucro presumido. A disciplina tributária prevista compreende as seguintes regras: Compete ao sócio ostensivo a responsabilidade pela apuração dos resultados, apresentação da declaração de rendimentos e recolhimento do imposto devido pela sociedade em conta de participação. A escrituração das operações da SCP poderá, à opção do sócio ostensivo, ser efetuada nos livros deste ou em livros próprios da referida sociedade. Quando forem utilizados os livros do sócio ostensivo, os registros contábeis deverão ser feitos de forma a evidenciar os lançamentos referentes à SCP. Os resultados e a base de cálculo do tributo correspondentes à SCP deverão ser apurados e demonstrados destacadamente dos resultados e da base de cálculo do tributo do sócio ostensivo, ainda que a escrituração seja feita nos mesmos livros. Nos documentos relacionados com a atividade da SCP, o sócio ostensivo deverá fazer constar indicação de modo a permitir identificar sua vinculação com a referida sociedade. Antes da Instrução Normativa SRF nº 1470, de 30/05/2014 (publicação 03/06/2014) não era exigida a inscrição da SCP no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ. A partir da edição da Instrução nº 1470/2014, com a revogação do item 4 da IN 179/87, a inscrição tornouse obrigatória. Os resultados e base de cálculo dos tributos das Sociedades em Conta de Participação – SCP, deverão ser apurados, em cada anocalendário, com observância das normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O lucro da SCP é informado e tributado na mesma declaração de rendimentos do sócio ostensivo, conforme determina o item 5 da Instrução Normativa 179/87. Em caso de opção de tributação da SPC pelo lucro real, eventual prejuízo apurado pela SCP não será incluído na declaração de rendimentos do sócio ostensivo, podendo ser compensado com prejuízos futuros da própria SCP, de acordo com as regras vigentes para as pessoas jurídicas em geral. Não é permitida a compensação de prejuízos e lucros entre duas ou mais SCP, nem entre estas e o sócio ostensivo. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728027/200987 Acórdão n.º 1301001.789 S1C3T1 Fl. 10 9 O recolhimento dos demais tributos e contribuições devidos pela sociedade em conta de participação deve ser efetuado mediante a utilização de Darf específico, em nome do sócio ostensivo. Portanto, não procede a alegação de nulidade dos lançamentos por necessidade de constituição em autos de infração distintos para cada SCP. As sociedades em conta de participação não têm personalidade jurídica nem se sujeitavam, à época, à inscrição no CNPJ, não havendo como lavrar em seu nome autos de infração. E o procedimento fiscal obedeceu às normas vigentes: A autoridade fiscal apurou separadamente o lucro de cada uma das SCP de que a Recorrente é sócia ostensiva, a adicionouos ao seu próprio, tal como determinam as normas vigentes. III Vícios no lançamento do PIS e da COFINS Embora se referindo, nesse item do recurso, ao PIS e à Cofins, na realidade, a Recorrente questiona a apuração de omissão de receitas. Alega que “não há a mais tênue vinculação das ditas receitas omitidas com as transações da autuada ou mesmo das SCP’s de que ela é sócia ostensiva, de sorte a infirmar, irremediavelmente, a exigência fiscal combatida. Mais que isso, o agente fiscal sequer enquadrou a situação existente em alguma das hipóteses legais de omissão de receitas.”. A acusação fiscal é de que os valores recolhidos e/ou confessados em DCTF são inferiores aos apurados pela fiscalização com base nos dados escriturados no Razão. O auto de infração deixa bem claro que foram considerados os valores constantes da conta CLIENTES, e que esses valores constam também dos balancetes e dos livros DIÁRIO números 16 e 17, e do DIÁRIO Auxiliar ao n° 17, no qual constam os dados relativos a SCP Barreiras (SPC2). Na DIPJ do anocalendário de 2005 (Lucro Presumido, Regime de Caixa) o contribuinte informou os seguintes valores de receita bruta: 1º Trimestre: R$ 4.679.928,15 2º Trimestre; R$ 4.042.208,25 3º Trimestre : R$ 1.077.884,51 4º Trimestre: R$ 2.2111.836,42 Esses valores divergem dos que constam como recebidos de clientes no Razão e nos balancetes analíticos. Para averiguar a consistência dos valores ofertados à tributação, foi empreendida a investigação que assim se desenvolveu: O procedimento fiscal teve início em 13 de agosto de 2008, quando o contribuinte foi intimado a apresentar livros e extratos bancários (fls. 190). Em 20 de agosto o contribuinte apresentou livros Diário, Razão e de ISS. Foi lavrado termo de retenção do qual constam dois livros Diário (16 e 17) e dois volumes do Razão relativos ao ano de 2005 (fls. 191). Fl. 322DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728027/200987 Acórdão n.º 1301001.789 S1C3T1 Fl. 11 10 Em 25/08/2008 o contribuinte foi intimado a esclarecer como foi apurada a receita bruta declarada na DIPJ, apresentar demonstrativos com memória de cálculo dos valores mensais “(intimação datada de 25/08/2008, fl. 192)”. Em resposta datada de 27 de agosto (fl. 199) o contribuinte esclareceu que: “Receita Bruta é composto de recebimento de notas fiscais de serviços, emitidos pela empresa, com execução da obra Hospital de Barreiras, cujo contratante é a SUCAB Superintendência de Construções Administrativas, a qual foi executada como SCP – sociedade em cota de participação. (sic) Segue anexo memória de cálculo dos valores mensais.” (obs. Não consta dos autos a memória referida). Em 09 de setembro de 2008, o contribuinte foi reintimado (fls. 193) a apresentar os extratos bancários (art. 845 do RIR/00). Em 06 de outubro de 2008 o contribuinte encaminhou o Diário auxiliar, referente à SCP – Obra Barreiras (fl. 200). Em 24 de abril de 2009, o contribuinte foi intimado a apresentar esclarecimentos e documentação comprobatória relativos aos valores creditados em suas contas correntes em diversas instituições financeiras durante o anocalendário de 2005, no montante de R$ 93.299.932,42, conforme discriminado em planilha anexa, tendo em vista a divergência entre esse montante dos valores creditados e a Receita Bruta declarada (DIPJ) no valor de R$ 12.011.857,34, e tributada pelo regime de caixa, no mesmo anocalendário (fl. 194). Em 02 de maio de 2009 o contribuinte prestou os esclarecimentos a respeito dos valores creditados em suas contas correntes (fls. 201), parte dos quais foi atribuída a receitas, conforme a seguir: R$ 17.516.605,50 – Receitas clientes diversos R$ 12.430.297,96 Receitas SCP Obra Barreiras R$ 1.668,253,16 – Receitas SCP Obra Abrantes R$ 26.135,52 – Receitas SCP Moradas do litoral. Em 08 de julho de 2009 o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos relativos às divergências verificadas em relação aos valores de sua Receita Bruta declarada em DIPJ e DCTF, os valores apurados conforme sua movimentação financeira e valores escriturados no Razão e balancetes (fls. 195). Não consta atendimento. Em 12 de agosto de 2009 foi intimado a apresentar documentação contábil fiscal relativa às Sociedades em Conta de Participação e esclarecimentos relativos às mesmas (fl. 196). Não tendo atendido, em 13 de outubro de 2009 foi intimado a esclarecer como foram apurados os valores dos tributos devidos pelas SCP Barreiras, Abrantes e Moradas constantes da DIPJ e a apresentar escrituração ou livro Caixa das mesmas. Não consta atendimento, razão pela qual o lucro das SCP Abrantes e Moradas foi com base no lucro arbitrado (para SCP Barreiras, em 06/10/2008 fora apresentado o Diário Auxiliar). Fl. 323DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728027/200987 Acórdão n.º 1301001.789 S1C3T1 Fl. 12 11 Portanto, totalmente improcedente a alegação de que não há a mais tênue vinculação das ditas receitas omitidas com as transações da autuada ou mesmo das SCP’s de que ela é sócia ostensiva. As receitas da Recorrente constantes do Quadro 1 do Anexo ao auto de infração correspondem aos valores recebidos de Clientes, registrados no Razão e nos balancetes mensais. Os valores das receitas das SCP de que é sócia ostensiva, constantes dos quadros 2, 3 e 4 do anexo ao auto de infração, correspondem a valores creditados em suas contas correntes em instituições financeiras, e que foram por ela própria identificados como oriundos de receitas de cada uma das SCP, exceto os relativos à SCP Barreiras, que foi obtido no Livro Diário dessa sociedade. Vícios no Lançamento de IRPJ e CSLL Aqui a Recorrente busca invalidar o levantamento da receita bruta das SPC feito pela autoridade fiscal, para fins de arbitrar o lucro a elas correspondente. Contudo, o procedimento do autuante encontra respaldado legal. O contribuinte tem o dever de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos que serviram de base à apuração dos tributos de que é sujeito passivo, bem como de prestarlhe os esclarecimentos demandados. Em caso de não atendimento, a lei faculta à autoridade fiscal arbitrar o rendimento tributável com base nos elementos de que dispuser (Lei 5.844/43, art. 79). Além disso, o contribuinte foi intimado a esclarecer e comprovar a origem dos valores creditados em contas correntes de sua titularidade. Em atendimento, identificou a origem dos recursos creditados, parte dos quais como oriundos de receitas das sociedades em conta de participação. Não há, pois, o que questionar. Equivocase, pois, a Recorrente quando alega que o fato de ter declarado que aqueles créditos têm origem em receita das SCP não tem o condão de comprovar a obtenção de receita. Se não o houvesse feito, a autoridade fiscal estaria autorizada a considerálos omissão de receitas, com base em presunção legal erigida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96. Contudo, não houve necessidade de recorrer à presunção legal, porque o contribuinte identificou a origem dos recursos creditados, apontando os montantes correspondentes a cada sociedade em conta de participação. Impertinente a menção ao parágrafo único do art. 368 do CPC para sua declaração como suficiente para identificar a origem dos créditos como receita das SCPs. Referido dispositivo estabelece que “(...) quando contiver declaração de ciência relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus da prova.”. Se não suspeita de inveracidade da declaração do contribuinte, o Fisco não tem interesse em provar que ela é verdadeira. Ao contrário, cabe ao contribuinte, caso tenha cometido erro na declaração, proválo. V Vícios no PAF nº 10580.728031/100945 Necessidade de realização de perícia. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728027/200987 Acórdão n.º 1301001.789 S1C3T1 Fl. 13 12 Embora fazendo referência ao processo administrativo relativo ao PIS e à Cofins, esse item relacionase com o pedido de perícia, indeferido pela decisão recorrida. Argumenta a Recorrente que a perícia contábil tem como objetivo precípuo demonstrar a formação da receita bruta conhecida das SPC Abrantes e Morada para fins de arbitramento. E requer a nulidade do acórdão por indeferimento injustificado da perícia contábil, prejudicando irremediavelmente o direito de defesa. A perícia só se justifica quando o exame do fato litigioso não puder ser feito pelos meios ordinários de convencimento, dependendo de conhecimentos técnicos especializados. E esse não é o caso, sendo nítida é a intenção do contribuinte de atribuir ao fisco a prova que lhe cabe. De fato, é dever do contribuinte, quando intimado, comprovar, com base em sua escrituração (mesmo que não completa, como lhe assegura a condição de optante pelo lucro presumido) e documentos que a lastreiam demonstrar sua receita, bem a composição d parte referente às sociedades em conta de participação de que é sócia ostensiva. Da mesma, é seu dever comprovar a origem dos recursos depositados em contas de sua titularidade, presumindose oriundos de receitas omitidas aqueles que não forem comprovados. O fisco de desincumbiu das atribuições cujo ônus lhe cabia: demonstrou que as receitas ofertadas à tributação divergiam das apuradas com base nos livros apresentados e estavam em desacordo com a movimentação financeira, e intimou o contribuinte a esclarecer. A partir da identificação feita pelo sujeito passivo, alocou as receitas a cada uma das sociedades em conta de participação. Não cabe ao julgador deferir perícia para demonstrar a receita bruta conhecida das SPC Abrantes e Morada, cujo ônus é do contribuinte. Repetindo: se o contribuinte, não tendo apresentado os livros e documentos das SPCs, identificou os créditos em suas contas correntes que correspondiam a receitas das referidas sociedades em conta de participação, a menos que duvidasse dessa informação, não cabe ao fisco questionála. Naturalmente, poderia o contribuinte, em impugnação, contestar a receita tomada pela fiscalização com base em sua informação. Contudo, teria que fazêlo mediante apresentação da prova documental, descabendo transferir para o fisco esse ônus. Pelas razões expostas, rejeito as preliminares suscitadas, indefiro o pedido de perícia, e nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de março de 2014 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 325DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 10580.728027/200987 Acórdão n.º 1301001.789 S1C3T1 Fl. 14 13 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por AD RIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13005.900792/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
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Numero da decisão: 3301-002.019
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INDÉBITO DO CONTRIBUINTE INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não existe crédito para homologar, alegação de que débito foi compensado em outro processo. Mantémse o indeferimento da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ de Santa Maria RS (fl. 22/25), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 05 .9 00 79 2/ 20 06 -1 0 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13005.900792/200610 Resolução nº 3301002.019 S3C3T1 Fl. 3 2 pelo contribuinte (fl. 2) em face de despacho decisório (fl. 8) que não homologou o crédito de COFINS informado pela contribuinte, relativo a 31/07/2003. Através do Despacho Decisório (fl.8), ficou claro que o contribuinte não teve o seu pedido de compensação homologado, tendo vista a análise da PER/DCOMP n. 33138.43168.130803.1.3.048062 (fls.9/15), no qual foi constatada a inexistência do crédito informado. Ao tomar ciência da decisão prolatada pela Delegacia de origem, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, mediante a qual informou ter ocorrido equívoco no uso do crédito relativamente ao pagamento indevido ou a maior. Isso porque, segundo afirmado pelo próprio contribuinte, não teria havido o recolhimento do DARF informado, donde inexistente o crédito pleiteado. Como decorrência, foi cancelado o pedido de compensação inserto na PER/DCOMP n. 33138.43168.130803.1.3.048062 (fls.9/15). Ocorre que, a despeito de haver informado o não recolhimento do DARF, o contribuinte esclareceu que o crédito no valor de R$ 4.154,63 decorreria do PA n° 13052.000311/9991. Para tanto, anexou aos autos, uma comunicação feita pela DRF/SCS com o intuito de confirmar esse fato (fl.16). Com base nessas informações, consta às fls. 22/25 que na sessão de 04/12/2008, a 2º Turma da DRJ/STM proferiu o acórdão nº 1810.019 cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 31/07/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COBRANÇA DE DÉBITOS. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. No tocante à compensação, a competência das DRJ limitase ao julgamento de manifestação de inconformidade contra a nãohomologação de compensação, não se estendendo a questões atinentes à cobrança de eventuais débitos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do Fato Gerador: 31/07/2003 COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Não existindo o pagamento apontado como sendo a origem do crédito vinculado ao débito, ambos informados em PER/DCOMP, não há como homologarse a compensação pretendida. Solicitação Indeferida. Irresignado, o contribuinte, devidamente cientificado, interpôs Recurso Voluntário às fls. 28/29 por meio do qual contesta o referido Acórdão, repisando os mesmos argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade, insistindo em afirmar ter ocorrido um equívoco na utilização do crédito. É o relatório. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13005.900792/200610 Resolução nº 3301002.019 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. A questão central para o deslinde deste litígio fiscal reside na questão sobre a existência ou inexistência nos autos de provas suficientes para demonstrar o direito creditório pleiteado pela Recorrente. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu que fosse avaliada a situação do débito que em tese, teria sido compensado em outro processo. Juntou o relatório da PROFICS (fl.31) e a comunicação da DRF/SCS (fl. 16), entretanto, não foi possível verificar indícios de créditos existentes em outro processo. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com base em todas as análises que a DRJ e a Delegacia de origem, fizeram sobre as alegações e as provas que por consequência foram consideradas insuficientes. Conclusão Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 22 de agosto de 2013 Fábia Regina Freitas Relatora. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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