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Numero do processo: 10909.000098/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004
MULTA ISOLADA. CRÉDITO INDEVIDO OU INDEFERIDO UTILIZADO EM COMPENSAÇÃO. CABIMENTO.
Enseja o lançamento da multa isolada de ofício nos casos de compensação indevida e os créditos se referirem a crédito-prêmio de IPI instituído pelo art. 1º do Decreto-lei nº 491, de 5 de março de 1969.
RETROATIVIDADE BENIGNA. INOCORRÊNCIA.
Não há de se falar em retroatividade benigna quando a ação praticada pelo infrator permanece tipificada como conduta infracional, consideradas todas as alterações promovidas na redação original da norma punitiva.
Numero da decisão: 3401-005.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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CRÉDITO INDEVIDO OU INDEFERIDO UTILIZADO EM COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. Enseja o lançamento da multa isolada de ofício nos casos de compensação indevida e os créditos se referirem a créditoprêmio de IPI instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969. RETROATIVIDADE BENIGNA. INOCORRÊNCIA. Não há de se falar em retroatividade benigna quando a ação praticada pelo infrator permanece tipificada como conduta infracional, consideradas todas as alterações promovidas na redação original da norma punitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 00 98 /2 00 9- 71 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 299 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase do auto de infração, que visa formalizar cobrança da multa isolada de 75% prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 decorrente de compensação efetuada indevidamente, utilizando créditoprêmio de IPI, conforme se constatou no Processo nº 11543.003943/0074, no valor histórico de R$ 243.486,30. 2. A contribuinte apresentou impugnação na qual argumentou, em síntese: (i) as compensações que deram origem à autuação foram efetuadas nos meses de julho a dezembro de 2004. É a legislação vigente àquela época que deve nortear a atividade do lançamento, em razão do contido no art. 144, caput, do CTN; (ii) o dispositivo legal que fundamenta a autuação admitia a imposição de multa isolada, apenas nos casos em que o crédito ou o débito não fossem passíveis de compensação por expressa disposição legal, em que o crédito fosse de natureza nãotributária e, quando fosse caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio. O rol é taxativo, em razão da referência ao termo “unicamente”, afastando, assim, qualquer interpretação ampliativa. Na situação em exame, nenhum dos requisitos encontrase presente; (iii) não se trata de caso envolvendo crédito ou débito não passível de compensação por expressa disposição legal. Primeiro, porque a compensação foi autorizada judicialmente; segundo, porque, a par de toda a controvérsia ligada à subsistência do créditoprêmio e à validade ou não das compensações dele decorrentes, apenas em 29/12/2004 sobreveio a Lei n° 11.501, de 2004, que inseriu o parágrafo 12 no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, para vedar expressamente a compensação com créditos apurados na forma do Decretolei n° 491, de 1969; (iv) em que pesem as discussões doutrinárias quanto à natureza do crédito prêmio, tratase de tema que tem relevância apenas quanto a alguns aspectos, tais como prescrição, correção monetária e juros aplicáveis. Quanto à utilização do créditoprêmio na compensação com o IPI e, em havendo saldo, com outros tributos federais, havia previsão no próprio Decretolei n° 491, de 1969 (art. 1º, §2°), o que afasta qualquer possibilidade de se aplicar, ao caso, a vedação prevista na redação original do caput do art. 18, da Lei n° 10.833/03; (v) quanto à ocorrência de sonegação, fraude ou conluio, em nenhum momento o auto de infração aponta quaisquer dessas figuras em causa, até porque a multa aplicável seria aquela agravada, de 150%, e não os 75% lançados pela fiscalização. Em todos os casos, de qualquer forma, exigese, para sua configuração, o elemento doloso; (vi) embora a legislação faça referência a “tributo”, temse por certo a restrição de aplicação por analogia ou interpretação extensiva da penalidade “isolada”, seja porque as multas tributárias igualmente estão sujeitas aos mesmos princípios que regem a obrigação tributária, seja porque a obrigação acessória, em especial nos casos em que é constituída isoladamente, “convertese em obrigação principal”, conforme dicção do art. 113, § 3°, do CTN; (vii) nos termos da atual redação legal, o lançamento da multa de ofício de que trata o art. 90 da MP n° 2.15835 somente é cabível quando se comprove falsidade da declaração prestada pelo contribuinte. A compensação efetuada não envolve qualquer falsidade – as declarações são legítimas e o indeferimento da compensação deveuse a outros motivos. Tem aplicação ao caso, quando menos, o princípio da retroatividade previsto no art. 106, II, “a”, do CTN; (viii) a liminar e a sentença concedidas no Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 300 3 writ impetrado pela matriz asseguraram, expressamente, a cessão de créditos a terceiros, ao determinar a aplicação da disciplina prevista na IN SRF n° 21, de 1997. O acórdão proferido pelo TRF2ª Região, por seu turno, manteve na íntegra a sentença proferida; (ix) a própria decisão administrativa quanto ao pedido de ressarcimento, citada no auto de infração pela autoridade lançadora, reconhece a legitimidade da cessão de créditos a terceiros, em razão da medida judicial vigente, muito embora tenha entendido que a compensação seria indevida por falta de saldo a ser transferido; e (x) foi interposta manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa proferida no processo n° 11543.003943/0074, referente ao pedido de ressarcimento originário, efetuado pelo estabelecimento matriz. É sabido que os recursos interpostos em matéria tributária, quando previstos legalmente, têm efeito suspensivo, nos termos do art. 151, III, do CTN, motivo pelo qual, antes do julgamento da manifestação de inconformidade, não há como se imputar insuficiência dos créditos compensados. 3. Em 08/05/2012, a 8ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1437.543, situado às fls. 259 a 267, de relatoria do AuditorFiscal Celso Toshio Sakamoto, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2004 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. É cabível a imposição de multa de ofício isolada nos casos de compensação indevida e os créditos se referirem a créditoprêmio de IPI instituído pelo art. 1º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969. RETROATIVIDADE BENIGNA. INOCORRÊNCIA. Não há de se falar em retroatividade benigna quando a ação praticada pelo infrator permanece tipificadora de conduta infracional, consideradas todas as alterações promovidas na redação original da norma punitiva. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4. A contribuinte, intimada da decisão em 08/09/2012 pelo decurso de prazo da disponibilização arquivos por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização dos documentos correspondentes na Caixa Postal no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), passíveis de consulta por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 269, interpôs, em 08/10/2012, em conformidade com o carimbo aposto pela unidade, situado à fl. 273, recurso voluntário, situado às fls. 273 a 281 no qual reiterou as razões de sua impugnação. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 301 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. A contribuinte efetuou compensações amparada por decisão judicial não transitada em julgado obtida no Mandado de Segurança nº 2001.50.01.0018128, que tramita na 5ª Vara Federal da Seção Judiciária de Vitória/ES referentes a débitos de IPI da filial da contribuinte, e, do outro lado, créditosprêmio do IPI contabilizados pelo estabelecimento matriz, localizado em Vitória/ES. A inflição da multa isolada teve por fundamento, em primeiro lugar, que a decisão judicial proferida não alcança o estabelecimento da filial (CNPJ 72.891.955/001916, situada em Itajaí/SC) e, mesmo que alcançasse o estabelecimento, não haveria saldo suficiente de créditos para cobrir os seus débitos. 7. A inflição da multa de ofício é, portanto, irreprochável diante de tal quadro fático, não havendo que se falar, no caso em apreço, de retroatividade benigna. 8. Isto porque a exação aplicada é aquela prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, conforme preceitua o § 2º do art.18 da Lei n° 10.833/2003, também em sua redação original, de vez que, por aplicação do princípio tempus regit actum, o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e se rege pela lei então vigente, ainda que posteriormente alterada (art. 144, caput, do CTN). No caso de sanção com conteúdo penal, há de se analisar, por evidente, se a legislação superveniente é mais benigna, o que justificaria de pronto a sua retroatividade em virtude da aplicação da alínea 'a' do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional. No entanto, ao se analisar o caso concreto, o que se verifica é que, mesmo após as sucessivas alterações da redação da Lei nº 10.833/2003, em momento algum deixou de se caracterizar como infração a utilização do créditoprêmio de IPI. Como aponta com irreprochável clareza a decisão recorrida, "(...) o impedimento existia antes e continua existindo atualmente". Assim, não merece provimento o recurso voluntário neste particular. 9. Por outro lado, uma vez verificada com hialina clareza a compensação com créditoprêmio de IPI como indevida, há de se concordar com a decisão recorrida no sentido de que a fundamentação legal para a imposição da multa isolada está capitulada no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, em sua redação original, vez que as compensações que originaram a autuação foram efetuadas nos meses de julho a dezembro de 2004. Assim, afirma com correção a decisão a quo: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 302 5 Assiste razão à impugnante ao rechaçar as hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal ou de prática de sonegação, fraude ou conluio. Frisese que o afastamento da primeira hipótese não se dá por conta da ação judicial, mas porque a utilização do crédito prêmio foi incluída como expressa vedação legal somente na Lei nº 11.501, de 29 de dezembro de 2004, posteriormente à ocorrência das compensações em questão. Contudo, enganase a impugnante quanto à natureza do créditoprêmio. Neste ponto, há que se aquiescer com o entendimento da fiscalização. É que, a partir de 1981, houve mudanças radicais na forma de utilização do benefício. Uma delas, com a publicação da Portaria MF nº 89, de 8 de abril de 1981, foi que passou a ser pago sempre em dinheiro, direto na conta da empresa no Banco do Brasil, ficando totalmente desvinculado da escrita fiscal do IPI, ao contrário do que poderia sugerir a denominação, que continuou sendo mantida como “créditoprêmio de IPI”. De então, o referido crédito assumiu a feição de crédito financeiro. A vedação da escrituração do créditoprêmio em livros fiscais decorreu da revogação dos §§ 1º e 2º do art. 1º do Decretolei nº 491, de 5 de maio de 1969, pelo art. 5º do Decretolei nº 1.722, de 3 de dezembro de 1979. Decretolei nº 491, de 1969: Art. 1º. (...) § 1º Os créditos tributários acima mencionados serão deduzidos do valor do Imposto sobre produtos industrializados sobre as operações no mercado interno. § 2º Feita a dedução, e havendo excedente de crédito, poderá o mesmo ser compensado no pagamento de outros impostos federais, ou aproveitado nas formas indicadas por regulamento. Decretolei nº 1.722, de 1979: Art.5º. Este DecretoLei entrará em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 1980, data em que ficarão revogados os parágrafos 1º e 2º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969, o § 3º, do art.1º do DecretoLei nº 1.456, de 7 de abril de 1976, e demais disposições em contrário. Portanto, está bastante claro que o créditoprêmio de IPI, há muito, não tem natureza tributária, pela conjugação da revogação dos dispositivos do Decretolei nº 491, de 1969, transcritos acima, com a norma proibitiva do crédito na escrita fiscal, da Portaria MF nº 89, de 1981. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 303 6 Portaria MF nº 89, de 1981: I – O valor do estímulo fiscal de que trata o artigo 1º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, será creditado a favor do beneficiário, em estabelecimento bancário. (...) I.2 – Fica vedada a escrituração do estímulo fiscal a que se refere este item em livros previstos na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. Observese que a compensação com utilização de crédito prêmio de IPI, há bom tempo, é considerada indevida. Ato Declaratório do Senhor Secretário da Receita Federal, publicado em 01/04/1999, cuidou de explicitar o entendimento: Ato Declaratório SRF nº 31, de 30 de março de 1999: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, declara que não se enquadra nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação, previstas na Instrução Normativa SRF n° 021, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF n° 073, de 15 de setembro de 1997, o “créditoprêmio” instituído pelo Decretolei No 491, de 1969. As sucessivas instruções normativas tratando de compensação, todas com lastro no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, seguiram o mesmo entendimento, tendo em vista que o créditoprêmio não é crédito de natureza tributária e não é administrado pela Receita Federal desde 1981. Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997: Art. 1º Os pedidos de restituição, de ressarcimento e de compensação de tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, bem assim os procedimentos administrativos a eles relacionados, serão efetuados de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. (grifouse) Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 304 7 ou contribuições sob administração da SRF. (grifou se) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da “Declaração de Compensação”. Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (grifouse) (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) VI – o débito e o crédito que não se refiram aos tributos e contribuições administrados pela SRF; Com o advento da Lei nº 10.833, de 2003, tipificouse a infração – o crédito ser de natureza não tributária – como passível de multa de ofício. Tida a compensação com créditoprêmio de IPI como indevida, concretizouse a hipótese prevista na lei. 10. De fato, encaminhavase este aplicador no sentido de propor a suspensão do presente feito, em virtude de nele vislumbrar a existência de prejudicialidade externa, vez que, como se sabe, eventual decisão favorável à manifestação de inconformidade tratada no Processo nº 11543.003943/0074, julgando procedentes as compensações consideradas indevidas inicialmente, descaracterizariam de plano o fato gerador da multa. Contudo, conforme aponta a decisão recorrida à fl. 267, a contribuinte desistiu do recurso voluntário interposto contra a decisão de primeira instância daquele processo para se aproveitar dos benefícios da Lei nº 11.941/2009, e da Medida Provisória nº 470/2009, operandose, portanto, o instituto da confissão e, logo, afastado o óbice preliminar ao prosseguimento do presente feito, devendo, portanto, ser negado provimento ao pleito recursal de acordo com as razões acima vertidas. Assim, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10909.000098/200971 Acórdão n.º 3401005.345 S3C4T1 Fl. 305 8 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910744/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/02/2000
DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/02/2000 DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, em especial, quando o contribuinte não colaciona aos autos nenhuma prova ou indício do seu direito. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 44 /2 00 8- 95 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.910744/200895 Acórdão n.º 3201004.115 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório FARGON ENGENHARIA E INDÚSTRIA LTDA. apresentou Declaração de Compensação (DCOMP) relativa a pagamento a maior da contribuição (Cofins/PIS), declaração essa que restou não homologada pela repartição de origem. Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a anulação do despacho decisório, ou sua reforma, bem como a realização de diligência para se comprovar o direito creditório, alegando que recolhera aos cofres públicos valores superiores aos efetivamente devidos, pois desconsiderara os termos do art. 3º, inciso III, § 2º da Lei nº 9.718/1998. Arguiu, também, que o Fisco concluíra pela inexistência do crédito sem ao menos solicitar qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do valor compensado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 031.905, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, em razão da não comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, afastandose o pedido de realização de diligência por falta de apresentação de qualquer documento indicativo do direito alegado. Cientificado da decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário de forma hábil e tempestiva, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacandose os seguintes argumentos: (i) a Delegacia de Julgamento invocou a ausência da prova de liquidez e certeza dos créditos para rejeitar a manifestação de inconformidade, sendo que, se tivesse ocorrido a intimação para se demonstrar o crédito, o Fisco teria tido acesso às planilhas de apuração e poderia ter verificado a regularidade do encontro de contas efetuado; (ii) enquanto não for realizada a efetiva mensuração dos créditos utilizados é precipitada qualquer consideração a respeito da existência ou não de créditos passíveis de compensação; (iii) se a autoridade responsável pelo exame da declaração de compensação tivesse cumprido o dever de fiscalizar a existência do crédito declarado e não simplesmente glosado mecanicamente o encontro de contas teria verificado que o Requerente é legitimo credor da União Federal; e (iv) não se permitiu a produção de provas necessárias e, com base nessa decisão, julgouse pela improcedência por falta de provas. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.910744/200895 Acórdão n.º 3201004.115 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.096, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.910725/200869, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.096): No caso em apreço há a imperiosa necessidade de se comprovar a existência do direito creditório de modo inconteste, o que, pela análise dos elementos probatórios não ocorreu. Da decisão recorrida temse: "No caso em apreço, o Contribuinte declarou em débito de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que não foi localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito. De fato, tal constatação decorre da não localização do DARF indicado pelo Contribuinte no PER/DCOMP nos sistemas da Secretaria da Receita Federal. Observase que antes do Despacho Decisório, de 12/08/2008, o Contribuinte foi informado da não localização do DARF e intimado, em 15/12/2006 conforme A.R., às fls. 07, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados no PER/DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado na mesma oportunidade que a consequência da falta de saneamento no prazo poderia acarretar o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP em análise. Portanto, ao contrário do alega a Manifestante, foi lhe dado a oportunidade para comprovar ou não a existência e suficiência do crédito compensado. No entanto, antes da ciência do despacho decisório, o interessado conservouse silente e inerte no tocante à integralidade das informações declaradas perante a RFB, as quais acabaram servindo de parâmetro para a continuidade da análise da matéria e respaldando a referida decisão administrativa. Pelo exposto, resta devidamente demonstrado que não procede o argumento da requerente de que recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos por não ter considerado os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da lei 9.718/98, quando apurou a base de Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.910744/200895 Acórdão n.º 3201004.115 S3C2T1 Fl. 5 4 cálculo das contribuições do PIS/COFINS, para o período de apuração constante neste PER/DCOMP, pois o contribuinte não conseguiu comprovar a existência do alegado indébito neste período, ou seja, o DARF supra mencionado que poderia demonstrar que de fato teria ocorrido "o pagamento indevido ou a maior" gerandolhe crédito, não foi localizado, e a empresa quando intimada a sanar tal irregularidade não se manifestou, e consequentemente, a compensação declarada não foi homologada. Cabe observar ainda que, mesmo se o referido DARF tivesse sido localizado, o art. 170 do CTN fixa como pressuposto para que possa ser feito o encontro de contas com a Fazenda Nacional: que os créditos estejam revestidos de liquidez e certeza comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. No entanto, a interessada não trouxe aos autos documentos que pudessem vir a comprovar a apuração incorreta nas bases de cálculo do COFINS, para o período em que alega o direito creditório, motivo pelo qual não se operaria, mesmo nesta hipótese, a liquidez e certeza desses pretensos créditos." Temse, então, que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório em face de a recorrente, não ter comprovado a existência e liquidez do crédito apontado, mesmo tendo sido oportunizada a produção de prova. Não logrou êxito a recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto. Mesmo em sede recursal não trouxe a recorrente qualquer elemento de prova válido a confirmar suas alegações. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a autorização de compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.910744/200895 Acórdão n.º 3201004.115 S3C2T1 Fl. 6 5 dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) A própria recorrente confessa que não trouxe elementos probatórios aos autos para confirmar sua pretensão, tanto que, solicita a realização de diligências. Ocorre que, conforme já referido, sequer indícios do seu direito foram colacionados ao processo administrativo, razão pela qual não há como se converter o julgamento em diligência. Sobre a necessidade de se provar o direito creditório em pedidos de restituição ou compensação, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/06/2006 COFINS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. COFINS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10930.903684/201206; Acórdão 3402003.651; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 13/12/2016) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.910744/200895 Acórdão n.º 3201004.115 S3C2T1 Fl. 7 6 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Correta decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito está integral e validamente alocado para a quitação de outro débito." (Processo nº 11080.930940/201160; Acórdão 3201003.499; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; Sessão de 01/03/2018) Ademais, a Recorrente, em casos análogos, teve seus recursos julgados improcedentes conforme decisões a seguir transcritas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.910744/200895 Acórdão n.º 3201004.115 S3C2T1 Fl. 8 7 nº 10880.950624/200821; Acórdão 3803003.786; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte à apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de acatamento do ato administrativo realizado, em momento processual previsto em lei. DILIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis." (Processo nº 10880.950622/200831; Acórdão 3803003.785; Relator Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira; sessão de 29/11/2012) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11624.720151/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DAA. COMPENSAÇÃO. IRRF. AÇÃO JUDICIAL.
Apresentada pelo contribuinte documentação que comprova a retenção e recolhimento do imposto de renda retido na fonte, deve ser deferida a compensação feita na Declaração de Ajuste Anual - DAA.
VALORES INCORRETAMENTE DECLARADO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DO VALOR A RESTITUIR. PN COSIT nº 8/2014.
Não instaurado litígio acerca da ficha em que os rendimentos foram declarados, cabe à unidade de origem, de ofício, efetuar as correções necessárias de modo a evitar restituição indevida.
Numero da decisão: 2201-004.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DAA. COMPENSAÇÃO. IRRF. AÇÃO JUDICIAL. Apresentada pelo contribuinte documentação que comprova a retenção e recolhimento do imposto de renda retido na fonte, deve ser deferida a compensação feita na Declaração de Ajuste Anual - DAA. VALORES INCORRETAMENTE DECLARADO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DO VALOR A RESTITUIR. PN COSIT nº 8/2014. Não instaurado litígio acerca da ficha em que os rendimentos foram declarados, cabe à unidade de origem, de ofício, efetuar as correções necessárias de modo a evitar restituição indevida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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COMPENSAÇÃO. IRRF. AÇÃO JUDICIAL. Apresentada pelo contribuinte documentação que comprova a retenção e recolhimento do imposto de renda retido na fonte, deve ser deferida a compensação feita na Declaração de Ajuste Anual DAA. VALORES INCORRETAMENTE DECLARADO. RETIFICAÇÃO. ALTERAÇÃO DO VALOR A RESTITUIR. PN COSIT nº 8/2014. Não instaurado litígio acerca da ficha em que os rendimentos foram declarados, cabe à unidade de origem, de ofício, efetuar as correções necessárias de modo a evitar restituição indevida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 62 4. 72 01 51 /2 01 4- 71 Fl. 144DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase da análise de recurso de ofício em face do Acórdão nº 0959.690, da 6ª Turma da DRJ/JFA (fls. 134/140), pelo qual foi dado provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração pelo qual foi exigido Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF decorrente de suposta compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF na declaração de ajuste anual. O contribuinte informou em sua declaração, na ficha de Rendimentos Recebidos Acumuladamente, valor decorrente de ação judicial movida contra o Governo do Estado do Paraná, bem como a quantia que teria sido retida no levantamento do precatório. A fiscalização entendeu não haver comprovação do recolhimento do IRRF, razão pela qual glosou a compensação pretendida. Em sede de impugnação, foi juntada a Guia de Recolhimento do Estado do Paraná acompanhada do comprovante bancário (fl. 125), além de certificação da retenção fornecida pelo Poder Judiciário (fl. 119). A DRJ deu provimento à impugnação, por entender comprovada a alegada retenção e recolhimento do imposto de renda, e recorreu de ofício em razão do valor exonerado. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Conforme foi relatado, a autuação foi motivada pela ausência de comprovação da retenção e recolhimento do IRRF, omissão que foi suprida satisfatoriamente pela documentação juntada na impugnação. Portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida quanto a esse aspecto. Pela redação do Acórdão, vêse que a celeuma que dividiu os julgadores de primeira instância diz respeito à revisão de ofício da declaração, uma vez que o contribuinte teria declarado os rendimentos recebidos de forma equivocada no ficha RRA, o que afetaria o valor a ser restituído. Quanto a essa questão, manifesto minha concordância com o voto vencedor, no sentido de que essa matéria não integra o contencioso deste processo e deve ser avaliada pela unidade de origem, de forma a evitar restituição em valor superior ao devido. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11624.720151/201471 Acórdão n.º 2201004.709 S2C2T1 Fl. 145 3 Nesse sentido, extraise do PN Cosit nº 8, de 2014: Não ocorre preclusão administrativa para fins de aferir o valor correto do crédito pleiteado pelo contribuinte, em fase de execução de julgado favorável a este, o qual não contenha manifestação sobre o aspecto quantitativo, quer seja por ser esta fase o momento processual oportuno, quer seja pelo princípio da indisponibilidade do interesse público. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso de ofício e lhe negar provimento. Dione Jesabel Wasilewski Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.920082/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS.
Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
Numero da decisão: 1401-002.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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PERCENTUAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO COM EMPREGO DE MATERIAIS. Demonstrada a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, uma vez que há nos autos elementos de prova, que permitiram verificar que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 00 82 /2 00 9- 42 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.920082/200942 Acórdão n.º 1401002.858 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar não comprovado o valor confessado na DCTF não é o correto, mediante prova material da existência do direito pleiteado. Conforme despacho decisório mantido DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado no valor de R$ 6.271,48 e, conseqüentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n° 07829.66244.090506.1.3.040004, uma vez que o pagamento discriminado como indébito, de Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, no valor de R$ 8.361,97, código 2089, recolhido em 31/07/2003, encontravase integralmente utilizado para quitação de débito correspondente. Mesmo após a Manifestação de Inconformidade, restou mantido integralmente o Despacho Decisório. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade com o objetivo de ver convalidadas as compensações realizadas. É o relatório do essencial. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.920082/200942 Acórdão n.º 1401002.858 S1C4T1 Fl. 4 3 Tabela do plano Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.851, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.693171/2009 19, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.851): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Temos que o acórdão recorrido indeferiu o pleito da recorrente considerando que ela não apresentou esclarecimento ou justificativa para a retificação da DIPJ, porém analisando as declarações entregues, constatouse a retificação da DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%. De acordo com as declarações originais, a receita bruta da contribuinte auferida no período em questão seria oriunda unicamente de prestação de serviços, sem o emprego de materiais. A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais. Na decisão de piso foi considerado que tão somente a discriminação do objeto social constante do Contrato Social da empresa construtora ("ramo da construção civil, reformas, execução de projetos e atividades afins") não é suficiente para identificar a(s) atividade(s) que originara auferidas no período alcançado pelas declarações retificadoras, posto que era necessária apresentação de documentos que pudessem demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 8%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2° do artigo 15 da Lei n° 9.249/95. Em sede de Voluntário, a Recorrente aduz ser sua faculdade a compensar crédito que possuía junto ao Fisco decorrente de pagamento a maior com débitos a recolher que autorizavam nos moldes previstos no art. 170 do CTN e que a necessidade de reforma do Despacho Decisório está justamente no fato de que não homologação da compensação se deu por conta da análise pela Secretaria da Receita Federal do Brasil das informações constantes da DIPJ e DCTF ORIGINAIS e não Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.920082/200942 Acórdão n.º 1401002.858 S1C4T1 Fl. 5 4 das informações constantes nas declarações RETIFICADORAS, tendo o breve entendimento de que o sistema do referido órgão não havia processado as informações retificadas. Esclarece a Recorrente que preocupouse em relatar que as informações relativas ao cálculo do IRPJ em questão foram retificadas, sem detalhar com precisão o cálculo utilizado por entender que não era o objeto questionado no Despacho Decisório, que digase de passagem foi processado de modo eletrônico. A DRJ, reconheceu que a justificativa da alteração do cálculo foi a verificação de que foi utilizado percentual INCORRETO de presunção de lucro, visto que, como a Recorrente emprega materiais em TODAS as obras que realiza, o percentual correto de presunção de lucro é de 8% em conformidade com o Ato Declaratório Normativo Cosit n.° 6 de 13 de janeiro de 1997 e não de 32% como efetuado anteriormente por contabilista que prestava serviços Recorrente na época, contudo indeferiu o crédito pleiteado, dada a ausência de comprovação por parte da Recorrente de que fazia jus ao percentual de presunção de lucro de 8%. Notase que a Recorrente só foi possível saber o real motivo do indeferimento da compensação do crédito pleiteado, após ciência do resultado do julgamento da DRJ, tendo apresentado Recurso Voluntário precisamente para demonstrar a legitimidade das retificações implementadas na DIPJ e DCTF para reduzir o percentual utilizado no cálculo do lucro presumido de 32% para 8%, trazendo para os autos os seguintes elementos de prova, que permitiram verifica que efetivamente havia o emprego de materiais na atividade de construção civil. Com base na análise dos documentos juntados, resta demonstrado que a Recorrente, atendeu ao critérios para que pudesse ter sua base de cálculo para o imposto de renda determinada pela aplicação do percentual de 8% sobre sua receita bruta, especificamente em relação ao ramo da construção civil, atendeu ao Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997 e seus critérios: "I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais." A retificação implementada, assim, demonstra que a contribuinte passou a entender que aquelas mesmas atividades teriam incluído o emprego de materiais, visto que o percentual de 8% que passou a utilizar é aplicável para a prestação de serviços de construção com emprego de materiais, razão pela qual lhe era possível refazer o cálculo do IRPJ levando em Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.920082/200942 Acórdão n.º 1401002.858 S1C4T1 Fl. 6 5 consideração a base de cálculo de presunção de 8%, bem como de compensar o valor do tributo recolhido a maior, adotando os procedimentos legais de retificação das obrigações acessórias e apresentação de PER/DCOMP. Por estas razões, dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720352/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação do PIS e da COFINS não-cumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
PIS. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
Tratando-se de empresa prestadora de serviços de pesquisa, desenvolvimento, inovação e de novos produtos cosméticos, de higiene, perfumaria, fitoterápicos, farmacêuticos, homeopáticos, saneantes domissanitários, alimentícios, dietéticos, embalagens e materiais correlatos, constituem insumos: as consultorias específicas em relação a tais atividades (empresas Market Analytics, Alexandria, Mandalah, Instituto Harris, CO-R Estratégias, Millward, GAD, Mind, Teko, Cunalli e Moretti, Higher & Higher, Indigo, Edelman, Fundação Arthur Bernardes, Fundação Biominas e Biomimicry); as assessorias específicas (contratos com a empresa VAA); e propaganda e marketing. Por outro lado, não constituem insumos: locação de veículos; locação de toalhas; turismo; gestão e digitalização de documentos; massagem; conferência; advocacia; hotelaria; gestão predial e vigilância; programação e controle de solicitações de café para reuniões; conhecimento (sem especificação); serviços de backoffice, inclusive recrutamento e seleção, treinamento e locação de equipamentos para treinamento, alocação de estagiários e despesas com mão-de-obra temporária; assistência médica; internet/comunicação; inspeção (sem especificação); e consultoria (em relação a determinadas empresas/atividades: Integration, Inobi, O-Think, Altran e IX Consultoria e Representações LTDA; produção/organização de eventos/produção de vídeo; impressão de revista; impressão de material institucional; palestra; organização de eventos; e tradução.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
COFINS NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE.
A legislação do PIS e da COFINS não-cumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ.
Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico.
COFINS. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
Tratando-se de empresa prestadora de serviços de pesquisa, desenvolvimento, inovação e de novos produtos cosméticos, de higiene, perfumaria, fitoterápicos, farmacêuticos, homeopáticos, saneantes domissanitários, alimentícios, dietéticos, embalagens e materiais correlatos, constituem insumos: as consultorias específicas em relação a tais atividades (empresas Market Analytics, Alexandria, Mandalah, Instituto Harris, CO-R Estratégias, Millward, GAD, Mind, Teko, Cunalli e Moretti, Higher & Higher, Indigo, Edelman, Fundação Arthur Bernardes, Fundação Biominas e Biomimicry); as assessorias específicas (contratos com a empresa VAA); e propaganda e marketing. Por outro lado, não constituem insumos: locação de veículos; locação de toalhas; turismo; gestão e digitalização de documentos; massagem; conferência; advocacia; hotelaria; gestão predial e vigilância; programação e controle de solicitações de café para reuniões; conhecimento (sem especificação); serviços de backoffice, inclusive recrutamento e seleção, treinamento e locação de equipamentos para treinamento, alocação de estagiários e despesas com mão-de-obra temporária; assistência médica; internet/comunicação; inspeção (sem especificação); e consultoria (em relação a determinadas empresas/atividades: Integration, Inobi, O-Think, Altran e IX Consultoria e Representações LTDA; produção/organização de eventos/produção de vídeo; impressão de revista; impressão de material institucional; palestra; organização de eventos; e tradução.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
ART. 142 DO CTN. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O art. 142 do CTN define que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Efetuadas tais tarefas pela autoridade competente do fisco, e respeitada a ampla defesa, não há lugar para capitulação de nulidade, sendo possível cogitar apenas eventual improcedência do lançamento, diante de divergência manifestada por parte do autuado.
CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. AÇÃO JUDICIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ISS. SÚMULA CARF 1.
Conforme Súmula CARF no 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE.
É legítima a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada.
Numero da decisão: 3401-005.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para afastar a alegação de violação ao artigo 142 do CTN, vencido o relator (Cons. André Henrique Lemos), em março de 2018, com a presença dos Cons. Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Marcos Roberto da Silva e Renato Vieira de Ávila; (b) por unanimidade de votos, para afastar a alegação de alteração de critério jurídico na decisão de piso; (c) por unanimidade de votos, para manter as glosas sobre: (c.1) locação de veículos; (c.2) locação de toalhas; (c.3) turismo; (c.4) gestão e digitalização de documentos; (c.5) massagem; (c.6) conferência; (c.7) advocacia; (c.8) hotelaria; (c.9) gestão predial e vigilância; (c.10) programação e controle de solicitações de café para reuniões; (c.11) "conhecimento"; (c.12) serviços de backoffice, inclusive recrutamento e seleção, treinamento e locação de equipamentos para treinamento, alocação de estagiários e despesas com mão-de-obra temporária; (c.13) assistência médica; (c.14) internet/comunicação; (c.15) "inspeção"; e (c.16) consultoria em relação às empresas "Integration", "Inobi", "O-Think", "Altran", "IX Consultoria e Representações LTDA"; (d) por unanimidade de votos, para afastar as glosas sobre consultoria em relação às empresas "Market Analytics", "Alexandria", "Mandalah", "Instituto Harris", "CO-R Estratégias", "Millward", "GAD", "Mind", "Teko", "Cunalli e Moretti", "Higher & Higher", "Indigo", "Edelman", "Fundação Arthur Bernardes", "Fundação Biominas", e "Biomimicry"; e (e) por maioria de votos, para manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos o relator (Cons. André Henrique Lemos) e os Cons. Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. No que se refere ao recurso de ofício, acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer a concomitância de objeto em relação à inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições, não conhecendo do recurso apresentado em relação à matéria, e destacando que, na execução do julgado, a unidade preparadora deve excluir das parcelas referentes ao ISS na base de cálculo a multa de ofício correspondente, em função de existir medida judicial vigente afastando tal inclusão ao tempo da autuação; (b) por unanimidade de votos, para manter as glosas sobre: (b1) produção/organização de eventos/produção de vídeo; (b.2) impressão de revista; (b.3) impressão de material institucional; (b.4) palestra; e (b.5) organização de eventos; (c) por unanimidade de votos, para afastar as glosas sobre: assessoria com relação aos contratos com a empresa "VAA"; (d) por unanimidade de votos, para afastar as glosas sobre propaganda e marketing; e (e) por maioria de votos, para manter as glosas sobre tradução, vencidos o relator (Cons. André Henrique Lemos) e o Cons Cássio Schappo. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Rosaldo Trevisan.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para afastar a alegação de violação ao artigo 142 do CTN, vencido o relator (Cons. André Henrique Lemos), em março de 2018, com a presença dos Cons. Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Marcos Roberto da Silva e Renato Vieira de Ávila; (b) por unanimidade de votos, para afastar a alegação de alteração de critério jurídico na decisão de piso; (c) por unanimidade de votos, para manter as glosas sobre: (c.1) locação de veículos; (c.2) locação de toalhas; (c.3) turismo; (c.4) gestão e digitalização de documentos; (c.5) massagem; (c.6) conferência; (c.7) advocacia; (c.8) hotelaria; (c.9) gestão predial e vigilância; (c.10) programação e controle de solicitações de café para reuniões; (c.11) "conhecimento"; (c.12) serviços de backoffice, inclusive recrutamento e seleção, treinamento e locação de equipamentos para treinamento, alocação de estagiários e despesas com mão-de-obra temporária; (c.13) assistência médica; (c.14) internet/comunicação; (c.15) "inspeção"; e (c.16) consultoria em relação às empresas "Integration", "Inobi", "O-Think", "Altran", "IX Consultoria e Representações LTDA"; (d) por unanimidade de votos, para afastar as glosas sobre consultoria em relação às empresas "Market Analytics", "Alexandria", "Mandalah", "Instituto Harris", "CO-R Estratégias", "Millward", "GAD", "Mind", "Teko", "Cunalli e Moretti", "Higher & Higher", "Indigo", "Edelman", "Fundação Arthur Bernardes", "Fundação Biominas", e "Biomimicry"; e (e) por maioria de votos, para manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos o relator (Cons. André Henrique Lemos) e os Cons. Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. No que se refere ao recurso de ofício, acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer a concomitância de objeto em relação à inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições, não conhecendo do recurso apresentado em relação à matéria, e destacando que, na execução do julgado, a unidade preparadora deve excluir das parcelas referentes ao ISS na base de cálculo a multa de ofício correspondente, em função de existir medida judicial vigente afastando tal inclusão ao tempo da autuação; (b) por unanimidade de votos, para manter as glosas sobre: (b1) produção/organização de eventos/produção de vídeo; (b.2) impressão de revista; (b.3) impressão de material institucional; (b.4) palestra; e (b.5) organização de eventos; (c) por unanimidade de votos, para afastar as glosas sobre: assessoria com relação aos contratos com a empresa "VAA"; (d) por unanimidade de votos, para afastar as glosas sobre propaganda e marketing; e (e) por maioria de votos, para manter as glosas sobre tradução, vencidos o relator (Cons. André Henrique Lemos) e o Cons Cássio Schappo. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Rosaldo Trevisan. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PIS NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação do PIS e da COFINS não-cumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. PIS. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratando-se de empresa prestadora de serviços de pesquisa, desenvolvimento, inovação e de novos produtos cosméticos, de higiene, perfumaria, fitoterápicos, farmacêuticos, homeopáticos, saneantes domissanitários, alimentícios, dietéticos, embalagens e materiais correlatos, constituem insumos: as consultorias específicas em relação a tais atividades (empresas Market Analytics, Alexandria, Mandalah, Instituto Harris, CO-R Estratégias, Millward, GAD, Mind, Teko, Cunalli e Moretti, Higher & Higher, Indigo, Edelman, Fundação Arthur Bernardes, Fundação Biominas e Biomimicry); as assessorias específicas (contratos com a empresa VAA); e propaganda e marketing. Por outro lado, não constituem insumos: locação de veículos; locação de toalhas; turismo; gestão e digitalização de documentos; massagem; conferência; advocacia; hotelaria; gestão predial e vigilância; programação e controle de solicitações de café para reuniões; conhecimento (sem especificação); serviços de backoffice, inclusive recrutamento e seleção, treinamento e locação de equipamentos para treinamento, alocação de estagiários e despesas com mão-de-obra temporária; assistência médica; internet/comunicação; inspeção (sem especificação); e consultoria (em relação a determinadas empresas/atividades: Integration, Inobi, O-Think, Altran e IX Consultoria e Representações LTDA; produção/organização de eventos/produção de vídeo; impressão de revista; impressão de material institucional; palestra; organização de eventos; e tradução. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 COFINS NÃO-CUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação do PIS e da COFINS não-cumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não-cumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. COFINS. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratando-se de empresa prestadora de serviços de pesquisa, desenvolvimento, inovação e de novos produtos cosméticos, de higiene, perfumaria, fitoterápicos, farmacêuticos, homeopáticos, saneantes domissanitários, alimentícios, dietéticos, embalagens e materiais correlatos, constituem insumos: as consultorias específicas em relação a tais atividades (empresas Market Analytics, Alexandria, Mandalah, Instituto Harris, CO-R Estratégias, Millward, GAD, Mind, Teko, Cunalli e Moretti, Higher & Higher, Indigo, Edelman, Fundação Arthur Bernardes, Fundação Biominas e Biomimicry); as assessorias específicas (contratos com a empresa VAA); e propaganda e marketing. Por outro lado, não constituem insumos: locação de veículos; locação de toalhas; turismo; gestão e digitalização de documentos; massagem; conferência; advocacia; hotelaria; gestão predial e vigilância; programação e controle de solicitações de café para reuniões; conhecimento (sem especificação); serviços de backoffice, inclusive recrutamento e seleção, treinamento e locação de equipamentos para treinamento, alocação de estagiários e despesas com mão-de-obra temporária; assistência médica; internet/comunicação; inspeção (sem especificação); e consultoria (em relação a determinadas empresas/atividades: Integration, Inobi, O-Think, Altran e IX Consultoria e Representações LTDA; produção/organização de eventos/produção de vídeo; impressão de revista; impressão de material institucional; palestra; organização de eventos; e tradução. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 ART. 142 DO CTN. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O art. 142 do CTN define que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Efetuadas tais tarefas pela autoridade competente do fisco, e respeitada a ampla defesa, não há lugar para capitulação de nulidade, sendo possível cogitar apenas eventual improcedência do lançamento, diante de divergência manifestada por parte do autuado. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. AÇÃO JUDICIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ISS. SÚMULA CARF 1. Conforme Súmula CARF no 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. “Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. PIS. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de empresa prestadora de serviços de pesquisa, desenvolvimento, inovação e de novos produtos cosméticos, de higiene, perfumaria, fitoterápicos, farmacêuticos, homeopáticos, saneantes domissanitários, alimentícios, dietéticos, embalagens e materiais correlatos, constituem insumos: as consultorias específicas em relação a tais atividades (empresas “Market Analytics”, “Alexandria”, “Mandalah”, “Instituto Harris”, “COR Estratégias”, “Millward”, “GAD”, “Mind”, “Teko”, “Cunalli e Moretti”, “Higher & Higher”, “Indigo”, “Edelman”, “Fundação Arthur Bernardes”, “Fundação Biominas” e “Biomimicry”); as assessorias específicas (contratos com a empresa “VAA”); e propaganda e marketing. Por outro lado, não constituem insumos: locação de veículos; locação de toalhas; turismo; gestão e digitalização de documentos; massagem; conferência; advocacia; hotelaria; gestão predial e vigilância; programação e controle de solicitações de café AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 52 /2 01 4- 11 Fl. 2512DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.513 2 para reuniões; “conhecimento” (sem especificação); serviços de backoffice, inclusive recrutamento e seleção, treinamento e locação de equipamentos para treinamento, alocação de estagiários e despesas com mãodeobra temporária; assistência médica; internet/comunicação; “inspeção” (sem especificação); e consultoria (em relação a determinadas empresas/atividades: “Integration”, “Inobi”, “OThink”, “Altran” e “IX Consultoria e Representações LTDA”; produção/organização de eventos/produção de vídeo; impressão de revista; impressão de material institucional; palestra; organização de eventos; e tradução. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 COFINS NÃOCUMULATIVIDADE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE E NECESSIDADE. A legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos estabelecem critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de tomada de créditos, não se adotando os critérios do IPI e do IRPJ. “Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS nãocumulativos é todo o custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda (critério da essencialidade), e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada segmento econômico. COFINS. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de empresa prestadora de serviços de pesquisa, desenvolvimento, inovação e de novos produtos cosméticos, de higiene, perfumaria, fitoterápicos, farmacêuticos, homeopáticos, saneantes domissanitários, alimentícios, dietéticos, embalagens e materiais correlatos, constituem insumos: as consultorias específicas em relação a tais atividades (empresas “Market Analytics”, “Alexandria”, “Mandalah”, “Instituto Harris”, “COR Estratégias”, “Millward”, “GAD”, “Mind”, “Teko”, “Cunalli e Moretti”, “Higher & Higher”, “Indigo”, “Edelman”, “Fundação Arthur Bernardes”, “Fundação Biominas” e “Biomimicry”); as assessorias específicas (contratos com a empresa “VAA”); e propaganda e marketing. Por outro lado, não constituem insumos: locação de veículos; locação de toalhas; turismo; gestão e digitalização de documentos; massagem; conferência; advocacia; hotelaria; gestão predial e vigilância; programação e controle de solicitações de café para reuniões; “conhecimento” (sem especificação); serviços de backoffice, inclusive recrutamento e seleção, treinamento e locação de equipamentos para treinamento, alocação de estagiários e despesas com mãodeobra temporária; assistência médica; internet/comunicação; “inspeção” (sem especificação); e consultoria (em relação a determinadas empresas/atividades: “Integration”, “Inobi”, “OThink”, “Altran” e “IX Consultoria e Representações LTDA”; produção/organização de eventos/produção de Fl. 2513DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.514 3 vídeo; impressão de revista; impressão de material institucional; palestra; organização de eventos; e tradução. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 ART. 142 DO CTN. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O art. 142 do CTN define que compete “privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Efetuadas tais tarefas pela autoridade competente do fisco, e respeitada a ampla defesa, não há lugar para capitulação de nulidade, sendo possível cogitar apenas eventual improcedência do lançamento, diante de divergência manifestada por parte do autuado. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. AÇÃO JUDICIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ISS. SÚMULA CARF 1. Conforme Súmula CARF no 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. É legítima a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para afastar a alegação de violação ao artigo 142 do CTN, vencido o relator (Cons. André Henrique Lemos), em março de 2018, com a presença dos Cons. Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Marcos Roberto da Silva e Renato Vieira de Ávila; (b) por unanimidade de votos, para afastar a alegação de alteração de critério jurídico na decisão de piso; (c) por unanimidade de votos, para manter as glosas sobre: (c.1) locação de veículos; (c.2) locação de toalhas; (c.3) turismo; (c.4) gestão e digitalização de documentos; (c.5) massagem; (c.6) conferência; (c.7) advocacia; (c.8) hotelaria; (c.9) gestão predial e vigilância; (c.10) programação e controle de solicitações de café para reuniões; (c.11) "conhecimento"; (c.12) serviços de backoffice, inclusive recrutamento e seleção, treinamento e locação de equipamentos para treinamento, alocação de estagiários e despesas com mãodeobra temporária; (c.13) assistência médica; (c.14) Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.515 4 internet/comunicação; (c.15) "inspeção"; e (c.16) consultoria em relação às empresas "Integration", "Inobi", "OThink", "Altran", "IX Consultoria e Representações LTDA"; (d) por unanimidade de votos, para afastar as glosas sobre consultoria em relação às empresas "Market Analytics", "Alexandria", "Mandalah", "Instituto Harris", "COR Estratégias", "Millward", "GAD", "Mind", "Teko", "Cunalli e Moretti", "Higher & Higher", "Indigo", "Edelman", "Fundação Arthur Bernardes", "Fundação Biominas", e "Biomimicry"; e (e) por maioria de votos, para manter a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos o relator (Cons. André Henrique Lemos) e os Cons. Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. No que se refere ao recurso de ofício, acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos, para reconhecer a concomitância de objeto em relação à inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições, não conhecendo do recurso apresentado em relação à matéria, e destacando que, na execução do julgado, a unidade preparadora deve excluir das parcelas referentes ao ISS na base de cálculo a multa de ofício correspondente, em função de existir medida judicial vigente afastando tal inclusão ao tempo da autuação; (b) por unanimidade de votos, para manter as glosas sobre: (b1) produção/organização de eventos/produção de vídeo; (b.2) impressão de revista; (b.3) impressão de material institucional; (b.4) palestra; e (b.5) organização de eventos; (c) por unanimidade de votos, para afastar as glosas sobre: assessoria com relação aos contratos com a empresa "VAA"; (d) por unanimidade de votos, para afastar as glosas sobre propaganda e marketing; e (e) por maioria de votos, para manter as glosas sobre tradução, vencidos o relator (Cons. André Henrique Lemos) e o Cons Cássio Schappo. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Rosaldo Trevisan. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) André Henrique Lemos – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versam os autos sobre Autos de Infração o aproveitamento de créditos de insumos (lançamento sob a glosa "créditos descontados indevidamente"), no regime não Fl. 2515DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.516 5 cumulativo das Contribuições para o PIS e COFINS, referentes aos períodos de apuração de janeiro de 2011 a dezembro de 2012, acrescidos da multa de ofícios de 75% e dos juros de mora (efls. 1.131 a 1.146). Apurou a fiscalização que a contribuinte, empresa eminentemente prestadora de serviços, teria descontado créditos indevidos de PIS e da Cofins sobre despesas com serviços de assessorias, consultorias, backoffice (serviços administrativos em geral, incluindo serviços contábeis, fiscais, de auditoria, recursos humanos, planejamento econômico, contas a pagar, tesouraria, tecnologia de informação, administração de dados e processamento de informações), propaganda e marketing, gestão predial, plano de saúde, hotelaria, traduções, recrutamento e seleção, treinamentos, conferências, organização de conferências e eventos comemorativos, locação de veículos, gestão de documentos, locação de toalhas, bem como mão de obra temporária e alocação de estagiários (vide parágrafo 12 do Termo de Verificação Fiscal TVF, efl. 1.032). Entendeu a fiscalização que tais créditos somente têm reflexo indireto na atividadefim da contribuinte. Desafiando a atuação, às efls. 1.165 e seguintes, impugnou a contribuinte defendendo: 1. A fiscalização não investigou com profundidade os fatos, de maneira que pudesse fazer o correto juízo acerca dos serviços glosados e sua relação com os serviços prestados pela Contribuinte. 2. Não foram investigadas (I) as atividades empresariais da Reclamante, (II) a materialidade e as particularidades dos serviços contratados e, ainda, (III) a relação dos serviços contratados com os diversos serviços prestados pela Contribuinte, não havendo, a rigor, prova da acusação fiscal. 3. O procedimento fiscal foi realizado por amostragem, sem que houvesse intimação da empresa para apresentar documentos e informações específicas quanto à atividade empresarial exercida e quanto aos serviços contratados (principalmente os relacionados às áreas de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia e de novos produtos da marca Natura). 4. Conforme o art. 142 do CTN, a fiscalização tem o dever de investigar pormenorizadamente a ocorrência do fato gerador e identificar corretamente a matéria tributável, não sendo admitido o lançamento pautado em mera presunção simples, como o ora examinado (feito mediante procedimento de amostragem e sem examinar os contratos e a natureza dos serviços tomados e prestados). 5. A jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes é pacífica quanto à insubsistência do lançamento nos casos em que a fiscalização não teve o cuidado de investigar pormenorizadamente a ocorrência do fato gerador e identificar corretamente a matéria tributável. 6. A autoridade lançadora pautase na premissa de que somente geram direito de crédito os serviços consumidos diretamente na prestação do serviço, mas essa definição de insumos aplicase ao IPI (que pressupõe um industrial como contribuinte), não à prestação de serviços. A adoção desse critério jurídico impróprio ao caso da Autuada torna insubsistente o trabalho fiscal. Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.517 6 7. A inaplicabilidade da definição de "insumo", prevista na legislação do IPI, no contexto da não cumulatividade das contribuições sociais incidentes sobre a receita é matéria pacificada na jurisprudência da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 8. Além disso, o inc. II do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é expresso ao determinar o direito aos créditos da nãocumulatividade do Pis e da Cofins, nas aquisições de bens e serviços utilizados na prestação de serviços pelos Contribuintes, independentemente de serem consumidos direta ou indiretamente. 9. Não há, no texto constitucional, quaisquer restrições à apuração de créditos na sistemática de apuração nãocumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins. Por isso é vedado ao legislador infraconstitucional, e ao aplicador da Lei, restringir o seu alcance. 10. A nãocumulatividade do Pis e da Cofins é bem mais ampla que a prevista para o IPI e para o ICMS, pois na sua análise o intérprete deve levar em consideração a relação entre as despesas incorridas e as receitas auferidas. Nesse cenário, o conceito de insumo, para efeitos de apuração de créditos do Pis e da Cofins não pode ser o mesmo desenvolvido pela doutrina e pela jurisprudência (administrativa e judicial) para efeito de apuração dos créditos de IPI e ICMS. 11. Os créditos permitidos para o Pis e a Cofins devem refletir todos os gastos (custos, despesas e encargos) que colaboram direta ou indiretamente na atividade empresarial geradora das receitas, não se limitando às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem ou, então, aos serviços adquiridos e consumidos diretamente na prestação de serviços, como consignado no Termo de Verificação Fiscal. 12. No caso, os créditos glosados são insumos e foram tomados exatamente porque estão relacionados à consecução do objeto social da Impugnante, vez que tais serviços viabilizam a produção de receitas da empresa, ou seja, são despesas relacionadas à aferição da receita tributável pelo Pis e pela Cofins. 13. Tece longa explanação sobre os serviços prestados, no período fiscalizado, e sua relação com os serviços contratados (que foram objeto de glosa pela autoridade fiscal). 14. Os dados registrados na contabilidade da Recorrente e destacados nas notas fiscais de entrada nada dizem a respeito da materialidade e das particularidades dos serviços contratados, bem como da sua relação com os serviços prestados pela Contribuinte. Por conseguinte, não podem sustentar a ilação da autoridade administrativa de que teriam "reflexo somente indireto na atividadefim do fiscalizado". 15. Os dados extraídos do SPED e das notas fiscais indicam a existência de gastos incorridos com a contratação dos serviços, mas não permitem aferir a materialidade e as particularidades dos serviços contratados, bem como sua relação com os serviços prestados pela Contribuinte. De forma que o SPED e as notas fiscais de entrada não podem, per si, ser havidos como elementos de prova das ilações empreendidas pela autoridade fiscal. Sendo assim, não há motivação adequada e específica nos lançamentos tributários, o que compromete os autos de infração lavrados. Fl. 2517DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.518 7 16. Entretanto, sem aprofundar as investigações, a autoridade administrativa optou pela utilização da presunção simples, encerrando prematuramente o trabalho fiscal, em total afronta ao disposto no art. 142 do CTN. 17. A apuração das contribuições devidas ignora ordem judicial, vez que a Postulante está albergada por sentença e por acórdão exarado pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, nos autos do MS 2007.61.00.0119310, que determinou a não inclusão do ISS nas bases de cálculo do Pis e da Cofins. Assim sendo, ao menos parte do crédito tributário em discussão deveria ter sido constituída com exigibilidade suspensa e, por decorrência, sem o acréscimo de juros de mora e sem a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. 18. O trabalho de "reapuração" das contribuições, levandose em conta o decidido no MS 2007.61.00.0119310, alcança também a quantificação dos créditos a serem descontados em todo o período alcançado pelo provimento jurisdicional, incluindo os anos de 2011 e 2012, objeto da autuação. 19. A inobservância do decidido nos autos do MS 2007.61.00.0119310 na quantificação e formalização dos créditos tributários lançados dá origem a exigências fiscais ilíquidas e incertas, o que enseja o cancelamento dos autos de infração. Ou, ao menos, que seja determinado que a quantificação do crédito tributário deve ficar condicionada à decisão final a ser prolatada nos autos do MS 2007.61.00.0119310. 20. Insurgese contra a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício de 75%, face à inexistência de fundamentação legal. As disposições contidas no CTN somente autorizam a cobrança de juros de mora sobre tributos (obrigação tributária principal) ou penalidade pecuniária consubstanciada ou convertida em obrigação principal (por exemplo, multa isolada por insuficiência do recolhimento de estimativas). Posteriormente os autos foram baixados em diligência por meio de Resolução 02001.921, da 1a Turma da DRJ/BHE (efl. 2.190 e seguintes), a fim de que fossem esclarecidas as despesas com: 1) serviços de marketing e propaganda; 2) produção e organização de conferências; 3) produção e organização de eventos comemorativos; 4) impressão de revistas e de material institucional; 5) palestras; 6) assessoria; 7) consultoria; 8) tradução. Às efls. 2.283/2.289, consta o Relatório de Diligência Fiscal, no qual, em resumo informa: Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.519 8 1) Que a Contribuinte apresentou relatório contendo vários prestadores de serviços que contrata, referente às assessorias e/ou consultorias relacionadas às glosas dos PIS e da COFINS. 2) Ratificou que foram juntados com a peça impugnatória, por amostragem, contratos com as referidas prestadoras de serviços (DOC. 04 e 11, efls. 1.329 a 1.366, efls. 1.776 a 2.174, respectivamente), a saber: (1) Natura Cosméticos S.A.; (02) Gets Assessoria Empresarial; (3) Market Analytics Internacional Consultoria; (4) Integration Consultoria Empresarial S/C Ltda.; (5) Inobi Participações e Consultoria Ltda.; (6) OThink Soluções Empresariais Ltda.; (7) Altran Consultoria em Tecnologia Ltda.; (9) The Gensight e (10) Sap Brasil Ltda. 2.1) Por meio da diligência, outros 19 (dezenove): (1) Martinelli Produções Fotográficas, Cinematográficas e Editora Ltda.; (2) Alexandria Land Of Ideas; (3) Mandalah Empresa de Comportamento de Inovação Ltda.; (4) Instituto Harris ME; (5) COR Estratégias de Inovação Ltda.; (6) VAA Assessoria Ltda.; (7) Millward Brown do Brasil Ltda.; (8) GAD Innovation Consultoria e Projetos Ltda.; (9) Mind Consultoria Empresarial Ltda.; (10) Teko Antropologia Ltda.; (11) Cunali e Moretti Consultoria em Planejamento e Pesquisa Ltda.; (12) Higler & Higler Produções Ltda.; (13) Indigo Consultoria e Inteligência de Mercado Ltda.; (14) Edelman do Brasil Consultoria e Comunicação Ltda.; (15) Fundação Arthur Bernardes; (16) Fundação Biominas; (17) 1. Mil Publicita Ltda.; (18) IX Consultoria e Representações Ltda. e (19) Biomimicry Group. 3) Apresentou cópias de pareceres da Gaiarsa, Ferreira & Meyer Propriedade Intelectual Ltda. 4) Apresentou proposta comercial referente a Booz & Company. À efl. 2.289, concluiu o Relatório de Diligência Fiscal: De fato, os serviços de assessoria e de consultoria utilizados pelo contribuinte são essenciais e relevantes para a realização de sua atividade econômica (pesquisa e desenvolvimento de produtos) e também não há dúvida de que foram contratados no contexto da necessidade de CAPACITAÇÃO E BUSCA DE CONHECIMENTO. (sublinhado do relator). Todavia, como bem esclareceu o contribuinte no item 18 do documento apresentado em resposta ao Termo de Diligência Fiscal, “os necessários e essenciais serviços de consultoria” se concretizam por meio de “emissão de opiniões verbais e/ou recomendações para a prática de determinada conduta ou forma de atuação no mercado e desenvolvimento de produto”. Portanto, tratamse sim de serviços necessários, relevantes e essenciais às atividades de inovação do contribuinte, mas seguramente de efeitos indiretos sobre o resultado final. (grifos do Relator). Assim, tais serviços de assessoria e de consultoria não se amoldam ao conceito de insumo estabelecido pela legislação de regência, uma vez que NÃO SE CONSOMEM DIRETAMENTE nos serviços prestados pelo contribuinte. O Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.520 9 mesmo se pode afirmar quanto aos serviços contratados de propaganda, marketing, produção e organização de conferências, produção e organização de eventos comemorativos, impressão de revistas e de material institucional, palestras, traduções, tecnologia da informação, informática, “backoffice” e de gestão.(sublinhado do Relator). Cabe ainda ser relatado que os serviços prestados à impugnante pela empresa Natura Logística e Serviços Ltda. não envolvem assessoria ou consultoria, mas referemse ao chamado “back office”, isto é, “serviços administrativos em geral, incluindo serviços contábeis, fiscais, de auditoria, recursos humanos, planejamento econômico, contas a pagar, tesouraria, tecnologia da informação, administração de dados e processamento de informações”, que também são essenciais às atividades do contribuinte, mas igualmente de efeito indireto na atividade econômica de inovação.(sublinhado do Relator). Às efls. 2.318 e seguintes sobreveio acórdão da DRJ de Belo Horizonte/MG, no qual, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. REGIME NÃO CUMULATIVO. ALUGUEL DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente geram direito ao desconto de créditos, para fins de determinação dos valores devidos da contribuição, nos moldes da legislação de regência, as despesas com aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, pagos a pessoa jurídica, não se enquadrando no dispositivo as despesas com aluguéis de veículos automotores. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS. MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Apenas o trabalho executado por empregado temporário pode ser considerado como consumido ou aplicado no processo produtivo/prestação de serviços mas, sendo esse trabalho realizado por pessoa física (art.2º da Lei nº6.019, de 1974, retrotranscrito), não é passível de gerar créditos das Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.521 10 contribuições para o Pis e da Cofins, face à vedação contida no art.3º, §2º, I, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº10.833, de 2003. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeito da apuração de créditos na sistemática de apuração não cumulativa, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. REGIME NÃO CUMULATIVO. ALUGUEL DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Somente geram direito ao desconto de créditos, para fins de determinação dos valores devidos da contribuição, nos moldes da legislação de regência, as despesas com aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, pagos a pessoa jurídica, não se enquadrando no dispositivo as despesas com aluguéis de veículos automotores. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS. MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Apenas o trabalho executado por empregado temporário pode ser considerado como consumido ou aplicado no processo produtivo/prestação de serviços mas, sendo esse trabalho realizado por pessoa física (art.2º da Lei nº6.019, de 1974, retrotranscrito), não é passível de gerar créditos das contribuições para o Pis e da Cofins, face à vedação contida no art.3º, §2º, I, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº10.833, de 2003. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 Fl. 2521DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.522 11 PROCEDIMENTO POR AMOSTRAGEM. PRESUNÇÃO. DESCABIMENTO. A escolha do critério para proceder a investigação fiscal situase na competência da autoridade administrativa. O termo “por amostragem” apenas ressalva que não foram verificadas todas as operações realizadas pelo contribuinte, não implicando em presunção por parte da auditoria. Não cabe falar em presunção quando há nos autos provas suficientes e concretas dos fatos apurados. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. DETALHAMENTO DA GLOSA. O Termo de Verificação Fiscal e seus anexos constituem fundamento da autuação e representam detalhamento à glosa dos créditos, não havendo que se falar em nulidade. DECISÃO JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. EFICÁCIA. DEVER DE OBSERVÂNCIA. Por tratarse de ação de natureza mandamental, as decisões de mérito exaradas em sede de mandado de segurança traduzemse em ordens de cumprimento imediato, devendo ser observadas pela Administração Tributária. DELEGACIAS DE JULGAMENTO. SUSTENTAÇÃO ORAL. IMPOSSIBILIDADE. A legislação que rege o processo administrativo tributário federal não prevê que as partes possam oferecer sustentação oral nas sessões de julgamento da primeira instância administrativa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em suas conclusões a e. relatora arrematou, seguindose à unanimidade de votos: Ante o exposto, voto por julgar PARCIALMENTE procedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: 1) Sejam reconhecidos, nas apurações realizadas pela fiscalização, os efeitos da suspensão de exigibilidade do Pis e da Cofins incidentes sobre o Imposto Sobre Serviços – ISS, em cumprimento ao decidido nos autos do MS 2007.61.00.0119310. 2) Sejam restabelecidas as glosas referentes às seguintes despesas: Propaganda e Marketing. Produção e organização de conferências e eventos comemorativos. Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.523 12 Impressão de revistas e de material institucional. Palestras. Tradução. Serviços de Assessoria. Nos termos discutidos no Item V deste Voto, se após a implementação desta decisão restar constatada uma exoneração acima do limite previsto na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, os autos devem retornar a esta Primeira Turma da DRJ/Belo Horizonte, para a interposição de recurso de ofício. Irresignada com a referida decisão, interpôs recurso voluntário (fls. 2.396/2.499), praticamente repisando o que foi asseverado em sua impugnação, requerendo o seu provimento, cancelandose integralmente as exigências fiscais, ou alternativamente, o seu provimento parcial para determinar que a quantificação dos créditos tributários fique condicionada à decisão final proferida no mandado de segurança 2007.61.00.0119310 no qual se discutiu a inconstitucionalidade da inclusão do ISS nas bases de cálculo do PIS e da COFINS, inclusive com relação aos reflexos decorrentes da reapuração das contribuições, considerandose os efeitos sobre todos os períodos de apuração alcançados pelo provimento jurisdicional. Demais disso, merece ser destacado alguns argumentos invocados no seu recurso voluntário: 1. A 1a Turma da DRJ/BHE alterou os critérios jurídicos adotados originalmente nos lançamentos tributários, refazendo os autos de infração, afrontando os artigos 142 e 146, ambos do CTN. Criticou que a fiscalização glosou, indistintamente, todos os créditos da não cumulatividade do PIS e da COFINS, sob uma única motivação, qual seja, que tais serviços contratados teriam reflexo somente indireto nos serviços prestados pela Recorrente. O Relatório de Diligência Fiscal atestou a necessidade, relevância e essencialidade dos serviços contratados pela Recorrente (principalmente os serviços de consultoria, assessoria e backoffice) para o desempenho de suas atividades empresariais (prestação de serviços), legitimando a tomada de créditos. Por outro lado, a decisão recorrida de maneira inovadora vez que o lançamento o fez apenas com uma única motivação: os serviços contratados teriam reflexo somente indireto nos serviços prestados pela Recorrente , separou os gastos incorridos pela Recorrente na contratação de serviços em 6 (seis) grupos distintos: (1) despesas com serviços diversos; (2) despesas com propaganda, marketing e serviços de tradução; (3) despesas com locação de veículos; (4) despesas com mãodeobra temporária; (5) despesas com serviço de consultoria e (6) despesas com serviços de assessoria, o que releva novos critérios jurídicos, violando os artigos 142 e 146, ambos do CTN, corroborando a improcedência dos autos de infração. Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.524 13 Citou precedentes deste E. Tribunal, no sentido da proibição da inovação do lançamento pela DRJ, bem como, do E. STF e enfatizou que a própria decisão recorrida menciona que: "É certo que tal medida implicará no refazimento dessas apurações" (fl. 2.330, destaques do original). 2. Todos os serviços contratados são utilizados nos serviços prestados pela Recorrente, legitimando o direito ao crédito. À efl. 2.510 houve a interposição de recurso de ofício. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Henrique Lemos, Relator I. Do conhecimento e admissibilidade dos recursos voluntário e de ofício O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente fora cientificada da decisão da DRJ em 06/07/2016 (efl. 2.393), interpondo seu recurso voluntário em 04/08/2016 (efls. 2.395/2.504), o que, aliás, fora atestado à efl. 2.509. Assim, preenchido os requisitos formais de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Já o recurso de ofício foi interposto em 11/08/2016 (efl. 2.510), sendo que a partir da Portaria MF 63, de 9/02/2017, fora aumentado o limite de alçada para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso dos autos, há "Extrato do Processo" (efls. 2.505/2.508), o qual, somandose os autos de infração dos PIS e da COFINS, relativo aos valores objeto do recurso de ofício, a quantia supera R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos reais), razão pela qual, preenchido os requisitos formais da admissibilidade e dele tomo conhecimento. Ressalva seja feita, em relação à admissibilidade, sobre a existência de concomitância de objeto em ação judicial interposta pela empresa, como se verá adiante. II. Do mérito II. 1. Da prejudicial de mérito. Da arguição de violação ao artigo 142 do CTN Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.525 14 A partir da efl. 1.176, a Recorrente advoga que os lançamentos tributários violaram o artigo 142 do CTN, pois (1) não motivou de forma adequada e específica a glosa de créditos da nãocumulatividade do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita; (2) não aprofundou o trabalho fiscal; (3) não apurou os efeitos da decisão judicial proferida nos autos do MS 2007.61.00.01196310, e por tais argumentos, os autos de infração são manifestamente insubsistentes, devendo ser cancelados, colacionando jurisprudências deste E. Tribunal em seu favor. O Termo de Verificação Fiscal TVF (efl. 1.026 e seguintes), traz o procedimento adotado pela fiscalização, destacandose que "foram analisados por amostragem os documentos e a escrituração contábil e fiscal do contribuinte, com vistas à verificação da regularidade de apuração e declaração do IRPJ, PIS e da Cofins nos anoscalendários de 2011 e 2012". (parágrafo 2, efl. 1.026). Mais a frente, no tocante ao PIS e a COFINS, informou: 10. Conforme se depreende da leitura dos dispositivos legais acima mencionados, o legislador, para fins de utilização de crédito na modalidade da nãocumulatividade, optou por listar de forma exaustiva os bens e serviços capazes de gerar crédito e os atrelou a determinada atividade. Assim, a aquisição de um bem ou serviço, mesmo que listado, poderá ou não gerar crédito a ser descontado da contribuição, dependendo da situação concreta do emprego ou aplicação do bem ou serviço na respectiva atividade econômica. 11. Em relação à atividade econômica realizada pelo contribuinte, a legislação definiu que, além dos bens e serviços adquiridos e consumidos diretamente na prestação de serviços, geram direito a crédito das contribuições os dispêndios com energia elétrica consumida em seus estabelecimentos, aluguéis de prédios utilizados nas atividades da empresa, armazenagem e fretes na operação de vendas, bem como encargos de depreciação sobre os imóveis e equipamentos.(grifo do original). 12. No decorrer dos trabalhos de fiscalização, constatouse que o contribuinte descontou valores a título de créditos de PIS e da Cofins sobre despesas com serviços de assessorias, consultorias, backoffice (serviços administrativos em geral, incluindo serviços contábeis, fiscais, de auditoria, recursos humanos, planejamento econômico, contas a pagar, tesouraria, tecnologia de informação, administração de dados e processamento de informações), propaganda e marketing, gestão predial, plano de saúde, hotelaria, traduções, recrutamento e seleção, treinamentos, conferências, organização de conferências e eventos comemorativos, locação de veículos, gestão de documentos, locação de toalhas, bem como mão de obra temporária e alocação de estagiários, o que está em desacordo com o disposto no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 15, § 3º da Lei nº 10.865/2004, tendo em vista que tais dispêndios tem reflexo somente indireto na atividadefim do fiscalizado. (grifo do Relator). Fl. 2525DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.526 15 Percebese que o trabalho da fiscalização se pautou pela conceituação de insumos ligados diretamente à produção, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI. Como se verá ao longo do presente voto, tal interpretação é dita como a mais restritiva, dentre as 3 (três) correntes que cercam o tema. Apenas para ilustrar, ao longo destes 15 (quinze) últimos anos, no qual veio ao mundo jurídico o instituto da nãocumulatividade para o PIS e ano seguinte para a COFINS, os debates têm sido intensos, a fim de saber o que vem a ser insumos, e ainda, quais são eles para fins da indústria, serviços e o comércio, diante da vagueza legislativa, cabendo ao intérprete construir. Voltando as correntes interpretativas, surgiu uma segunda, elastecida, conceituando insumos, por meio da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. Por fim, a terceira, conhecida como intermediária, a qual entende há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas sim da "essencialidade"1, "necessidade" deste bem ou serviço para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens ou serviços sejam úteis e necessários ao processo produtivo e à prestação de serviços e que participem da universalidade das receitas tributáveis. Pois bem, após estas brevíssimas considerações, cumpre adentrar no lançamento, verificar se foi ou não motivado adequadamente; se foi ou não aprofundado e se excluiu ou não o ISS da base de cálculo do PIS e da COFINS, conforme a aludida decisão judicial. Esta última situação fora decidida pela DRJ/BHE, dizendo, em síntese que o lançamento deveria ter seguido a ordem judicial, e com base nisto, acatou o argumento da Recorrente, de modo que, entendese não merece reparos. Quanto à motivação, com respeito ao trabalho da fiscalização, temse que fora superficial, vez que partiu da conceituação restritiva da tomada de créditos e até aqui, sem problema técnico, afinal, fora o entendimento desta. A assertiva se confirma pelo parágrafo 11 do TVF (efl. 1.032) citado acima, dizendo que os bens e serviços adquiridos teriam que consumidos diretamente na prestação de serviços. Somandose a isto, lista o parágrafo 12, os contratos de serviços que a Recorrente tomou outros serviços para atingir seus objetos sociais, dizendo que "tais dispêndios tem reflexo somente indireto na atividadefim do fiscalizado". Aqui, para este relator, o ponto nodal neste tópico, vez que a fiscalização deveria ter aprofundado, contrato a contrato, dizendo o porquê e assim, motivar seu ato tais dispêndios teriam apenas reflexos indiretos na atividadefim da Recorrente. Dizer que o reflexo 1 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.527 16 é indireto, mas não explicar o motivo, ao meu sentir viola o direito do sujeito passivo à ampla defesa, o contraditório e vai de encontro a exegese do artigo 142 do CTN. Corrobora tal verificação, ao se analisado como foi elaborado o "DEMONSTRATIVO DAS GLOSAS DO PIS/COFINS PERÍODOS DE APURAÇÃO JAN/2011 A DEZ/2012" (efl. 1.042 e seguintes), o qual pegou Notas Fiscais, Fornecedores dos Serviços, a descrição destes, seus valores e os recolhimentos de PIS e da COFINS. Além dos contratos de prestação de serviços, estas foram, por amostragem, as provas carreadas pela fiscalização. Por meio delas, deveria o trabalho ser minudente, repetese, caso a caso, afinal, o assunto guarda especificidades de cada setor, aliado, a vagueza da conceituação de insumos, a extensão da materialidade destas duas contribuições e ainda, esta, diante da realidade do caso concreto, exercício chamado atenção pela doutrina , o que só aumenta a necessidade de aprofundamento da prova, a fim de que a causa viesse madura para este Tribunal poder julgar, aliás, não sendo exagero mencionar que, em sede de autuação, tal ônus cabe à fiscalização, ou seja, vindo ao encontro da redação do artigo 142, do CTN. Importante consignar que foi bastante refletida esta conclusão, passandose primeiramente pela hipótese de se baixar os autos em diligência, a fim de que tais minúcias fossem esclarecidas, como por exemplo, elaborar um laudo que dissesse se os serviços contratados têm a ver com atividadefim da Recorrente; se eles são importantes para atingir os objetos sociais da Recorrente; seus padrões de qualidade seriam atingidos sem determinado serviço que fora contratado; com os serviços contratados há melhor qualidade no serviço a ser entregue e exigido por sua contratante; se tais dispêndios são inerentes ao processo formativo do serviço do objeto social desenvolvido pela Recorrente. Vejase que o "DEMONSTRATIVO DAS GLOSAS DO PIS/COFINS PERÍODOS DE APURAÇÃO JAN/2011 A DEZ/2012" (efl. 1.042 e seguintes), listou os serviços de (1) consultoria; (2) tradução; (3) propaganda e marketing; (4) locação de veículos; (5) locação de toalhas; (6) mão de obra temporária; (7) administrativos; (8) produção de vídeos; (9) turismo; (10) gestão de documentos; (11) treinamento; (12) produção de eventos; (13) impressão de revista; (14) impressão de material institucional; (15) internet; (16) apoio administrativo; (17) comunicação; (18) assessoria médica; (19) alocação de estagiários; (20) assessoria em gestão; (21) backoffice; (22) palestra; (23) organização de eventos; (24) massagem; (25) conferência; (26) advocacia; (27) hotelaria; (28) inspeção; (29) gestão predial; (30) locação de equipamentos para treinamento. Estes portanto, os serviços que a Recorrente tomou para que pudesse prestar serviços para empresa do Grupo Natura, conforme comprova o "Contrato de Prestação de Serviços de Pesquisa e Desenvolvimento", figurando como Contratante, Natura Cosméticos S.A. (tomadora dos serviços, efl. 1.329 e seguintes), cujo objeto é: Fl. 2527DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.528 17 Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.529 18 À mão de ilustrar, este Contrato permite a subcontratação, como se viu do item 1.5, da Cláusula 1a. Além disso, tal circunstância é reforçada pela Cláusula 5a, alínea "d": Contrato este que obteve 10 (dez) aditivos ao longo do período objeto da fiscalização (2011, efls. 1.336/1.347), e depois, mais um, com as mesmas partes e objeto, referente ao ano de 2012, contendo 12 (doze) aditivos (efls. 1.348/1.366). Entendese que este cotejo entre os contratos estabelecidos entre a Recorrente e sua Tomadora (Natura Cosméticos S.A.), analisandose seus objetos, somado à verificação dos Contratos que a Recorrente tomou os serviços objeto das glosas; a avaliação dos objetos sociais da Recorrente com a investigação criteriosa de cada caso contratado por ela e seu vínculo ou não relacional era a missão primordial da fiscalização. Um trabalho árduo por certo, porém imprescindível na busca de conhecer os negócios desenvolvidos pela Recorrente complexos e multifacetados, digase de passagem e suas contratações; enfim, achar a verdade. Acrescentase, por fim que, o Direito Tributário, neste particular se assemelha com o Direito Penal. Neste, o bem protegido é a liberdade, e ao se acusar alguém de algum crime, por exemplo, há se ter elementos mínimos para isto autoria e materialidade , possibilitando defesa ao processado. Naquele, o bem protegido é a propriedade, permitindose Fl. 2529DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.530 19 uma ampla defesa ao sujeito passivo, desde que a acusação pelo suposto débito (lançamento), cumpra os requisitos do artigo 142 do CTN. Assemelhamse porque, depois da vida, liberdade e propriedade têm uma importância grandiosa para o Estado de Direito, para a Constituição Federal. Acrescentese que, diante das peculiaridades de cada contrato, entendese que a baixa em diligência não implicou, no caso, como alega a defesa, refazimento da autuação, mas esclarecimentos sobre algumas das rubricas autuadas, o que, digase, não afronta os artigos 146 e 149, ambos do CTN. No entanto, já se concluiu aqui pelo cancelamento dos lançamentos fiscais, diante da carência de motivação e aprofundamento, violando o artigo 142 do CTN. E, vencido em relação à preliminar de nulidade por violação ao art. 142 do CTN, na sessão de julgamento de março de 2018, segui na análise de mérito do contencioso. II. 2. Da delimitação do caso concreto Versam os autos sobre recurso de ofício (efl. 2.510) e voluntário, referente a autos de infração do PIS e da COFINS, em razão de o sujeito passivo ter descontado, na apuração das referidas contribuições, créditos da nãocumulatividade, não permitidos pela legislação correlata, o que fora ressalvado no TVF: 12. No decorrer dos trabalhos de fiscalização, constatouse que o contribuinte descontou valores a título de créditos de PIS e da Cofins sobre despesas com serviços de assessorias, consultorias, backoffice (serviços administrativos em geral, incluindo serviços contábeis, fiscais, de auditoria, recursos humanos, planejamento econômico, contas a pagar, tesouraria, tecnologia de informação, administração de dados e processamento de informações), propaganda e marketing, gestão predial, plano de saúde, hotelaria, traduções, recrutamento e seleção, treinamentos, conferências, organização de conferências e eventos comemorativos, locação de veículos, gestão de documentos, locação de toalhas, bem como mão de obra temporária e alocação de estagiários, o que está em desacordo com o disposto no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 15, § 3º da Lei nº 10.865/2004, tendo em vista que tais dispêndios tem reflexo somente indireto na atividadefim do fiscalizado. Esta é a delimitação do caso concreto, repitase: tomada de créditos pelo sujeito passivo, no âmbito do PIS e da COFINS no regime nãocumulativo na atividade unicamente de prestação de serviços, afinal, como atestado pela fiscalização: 3. O contribuinte tem por atividade econômica: “a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e de novos produtos cosméticos, de higiene, de perfumaria em geral, fitoterápicos, farmacêuticos e homeopáticos em geral, saneantes domissanitários, alimentícios e dietéticos, assim como embalagens, matériaprima e correlatos pertinentes ao ramo Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.531 20 declarado”; “prestação de serviços relacionados ao objeto social, inclusive pesquisas e análises técnicas”; e “participação e administração, sob qualquer forma, da Sociedade em negócios de qualquer natureza, na qualidade de sócia quotista oi acionista”. II. 3. Do PIS e a da COFINS nãocumulativos e o conceito de insumos Antes de se adentrar na conceituação de insumos, e mais especificamente, nos insumos no segmento da prestação de serviços, importante contextualizar o assunto, principiando por breves considerações acerca dos 2 (dois) tributos no ordenamento jurídico, objeto dos autos de infrações sob julgamento. O PIS fora criado pela Lei Complementar LC 7/70, tendo como base de cálculo, o faturamento, assim entendido como sendo a receita de venda de bens e serviços. Já a COFINS fora instituída pela LC 70/91, tendo como base de cálculo, receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e serviços de qualquer natureza. A Constituição da República, por seu turno, até o dia 15 de dezembro de 1998 estabelecia: • 01) Hipótese de incidência, o ato de faturar; • 02) Base de cálculo, o valor faturado; • 03) Contribuinte, o empregador. A partir da Emenda Constitucional EC 20/98, o art. 195 da CF, ficou da seguinte forma: • 01) Hipótese de incidência, auferir receita ou faturamento; • 02) Base de cálculo, receita ou faturamento; • 03) Contribuinte, o empregador, a empresa e a entidade a ela equiparada. Já EC 42/2003, introduziu o § 12, no art. 195, da CF: A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (negrito nosso). Por meio deste dispositivo, visou o legislador a desoneração do faturamento dos contribuintes, pelo chamado método de "base contra base" ou "subtrativo indireto", na medida em que o crédito deve ser calculado sobre uma base determinada pela legislação (art. 3° das Leis 10.637/02 e 10.833/03), descontandose do tributo calculado sobre uma base de débito, também disposta pela lei (o faturamento). Fl. 2531DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.532 21 Neste ponto cabe um parêntese, fazendo um corte diferenciador quanto à não cumulatividade do IPI e do ICMS. No que tange ao IPI, diz o artigo 153, § 3º, II, CF: “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores.” (negrito nosso). O texto constitucional visou a desoneração da industrialização e circulação de produtos, sob o método “imposto contra imposto”, ou seja, o contribuinte que receber insumos lança essa entrada no Livro de Registro de Entradas LRE, bem como o IPI destacado na nota fiscal de aquisição como um crédito escritural. Em seguida, havendo saída tributável, deverá ser registrada no Livro de Registro de Saídas LRS, debitandose o IPI devido na operação. Por meio do Livro de Apuração do IPI, confrontarseá créditos (LRE) com os débitos (LRS), e em havendo saldo credor, este será transportado para o mês seguinte; do contrário, existindo débito, deverá o contribuinte efetuar o pagamento do Imposto. Tocante ao ICMS, dispõe o artigo 155, § 2º, I, CF: “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal;” (negrito nosso) Neste particular, objetivouse a desoneração da circulação de mercadorias, pelo denominado método “imposto contra imposto”. Por seu turno, o direito ao crédito para os casos do IPI e do ICMS está relacionado ao bem ou serviço que integre o produto final, objeto da industrialização ou comercialização. Fechando este parêntese, percebese, já de início que há diferença entre os dois impostos em relação às duas contribuições. Como se viu, o crédito do IPI advém do valor do imposto destacado na nota fiscal de aquisição, ao passo que o direito ao crédito das contribuições será calculado pela soma de suas alíquotas (9,25%), não importando o montante do PIS e da COFINS incidente na etapa anterior. Vêse que a materialidade do IPI é a industrialização e circulação do produto e que a materialidade do PIS e da COFINS é a universalidade das receitas auferidas. Volvendo às duas contribuições, os traços principais da nãocumulatividade encontramse nos artigos 1° ao 4°, da Lei 10.637/02 (para o PIS), e os artigos 1° ao 5°, da Lei 10.833/03 (para a COFINS), da seguinte forma: • Fato Gerador FG, como sendo o faturamento mensal, entendido como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. • Base de Cálculo BC, o valor do faturamento. Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.533 22 • Alíquota do PIS = 1,65% • Alíquota da COFINS = 7,6% • Créditos autorizados: bens de revenda, insumos e despesas relacionados. • Créditos vedados: mãodeobra, bens e insumos não submetidos às contribuições, como regra geral. Já no que se refere à apuração de crédito de insumos no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, dispõem os artigos 3°, II e § 3°, III das Leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS): Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) III aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Regulamentando as aludidas Leis as quais, digase de passagem, não trouxeram o conceito de insumos , sobrevieram as Instruções Normativas 247/02 (art. 66, § 5°, para a apuração do PIS) e 404/04 (art. 8º, § 4°, para a apuração da COFINS), dispondo que somente dará direito ao crédito quando o insumo seja utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda; matérias primas, produtos intermediários, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas; os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, desde que aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Diante deste cenário, formouse praticamente 3 (três) correntes sobre o assunto, em longos e acalorados debates, como dito alhures, pedindo vênia para se repetir, a fim de se dar ordem às idéias. A primeira, tida como mais restritiva na utilização dos créditos, conceituando insumos que estivesse ligados diretamente à industrialização dos produtos, aproximandose, portanto, da conceituação dada pelo IPI, dentre outras, Solução de Divergência 12/07, COSIT; Solução de Divergência 14/07, COSIT; Solução de Consulta 7/2008, 10a Região Fiscal; Solução de Consulta 136/09, 8a Região Fiscal; Solução de Consulta 39/2010, 7a Região Fiscal; Solução de Divergência 10/2011, DOU 10/05/2011; Solução de Divergência 9/2011, DOU 10/05/2011. Fl. 2533DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.534 23 A segunda, mais ampliativa, conceituando insumos, advindos da legislação do IRPJ (artigos 289 a 291 e 299, todos do Decreto 3.000/99), assim entendido como todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. A terceira, conhecida como intermediária, entende que há de se ter uma relação entre o bem ou serviço, a fim de nascer o direito à tomada de crédito. Noutras palavras, construiuse um critério próprio, nem advindo do IPI, tampouco do IRPJ, mas sim da "essencialidade"2, "necessidade", "pertinência", "inerência" deste bem ou serviço para a atividadefim do contribuinte, ou seja, que tais bens ou serviços sejam úteis e necessários ao processo produtivo e à prestação de serviços e que participem da universalidade das receitas tributáveis. Este tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. (Acórdão nº 930301.740, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). *** CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.“ Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo 2 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à legislação de PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário. Edidora Fórum. N. 34. Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.535 24 comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado.No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. (Acórdão nº 9303003.069, m.v., para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional). Neste norte também navega a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART.535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. (...) 2. (...) 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Fl. 2535DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.536 25 Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015). (grifouse). Há ainda no E. STJ, Recurso Especial 1.221.170/PR, afetado à sistemática dos "recursos repetitivos", sob o tema 779 (22/04/2104) à competência da 1a Seção, no qual se discute o conceito de insumo, disposto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Ao que se veiculou na mídia, dia 22/02/2108, houve julgamento do feito, sendo vencedora a tese defendida pelo contribuinte, por 5 votos a 3 (http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI274961,61044 STJ+define+conceito+de+insumo+para+creditamento+de+PIS+e+Cofins e https://www.conjur.com.br/2018fev22/insumocreditopiscofinstudoforessencialstj ), prevalecendo, bom se diga, a corrente chamada "intermediária", cabendo gizar, leva em consideração os critérios de essencialidade, relevância e inerência. Ao que se vê, a interpretação dada às Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 é de que a "lista" de créditos nelas contidas é apenas exemplificativa. Este parece ser o conceito mais adequado e que vai ao encontro do disposto nas referidas Leis, e mais, alinhase à materialidade e a universalidade das receitas destas duas contribuições3 que, diferentemente da materialidade do IPI a qual afeta os produtos industrializados, 3 "Não se pode olvidar que estamos perante contribuições cujo pressuposto de fato é a "receita", protanto, a não cumulatividade em questão existe e deve ser vista como técnica voltada a viabilizar a determinação do montante a recolher em função da receita. Fl. 2536DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.537 26 "algo fisicamente apreensível"4 , aqui, alcança todo o universo de receitas auferidas pela pessoa jurídica que tenha grau de relevância ("em que medida um é efetivamente importante para o outro, ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências"), inerência ("um tem a ver com o outro"5), pertinência, enfim, relação de vínculo de elementos. II.3. Dos créditos de insumos do PIS e COFINS na prestação de serviços no caso concreto Partindo do entendimento exposto acima, adotandose a terceira corrente "intermediária" , ou seja, da essencialidade, necessidade e relevância dos serviços contratados, passase a analisar o caso dos autos. À época das autuações, a Recorrente tinha por objeto social: “a pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e de novos produtos cosméticos, de higiene, de perfumaria em geral, fitoterápicos, farmacêuticos e homeopáticos em geral, saneantes domissanitários, alimentícios e dietéticos, assim como embalagens, matériaprima e correlatos pertinentes ao ramo declarado”; “prestação de serviços relacionados ao objeto social, inclusive pesquisas e análises técnicas”; e “participação e administração, sob qualquer forma, da Sociedade em negócios de qualquer natureza, na qualidade de sócia quotista ou acionista”. Diz a Recorrente que, para atingir estes desideratos e auferir receitas, incorreu em diversas despesas necessárias e essenciais, e, por conseguinte, apurou créditos para fins de abatimento do PIS e da COFINS, no regime da nãocumulatividade. Por outro lado, a autoridade fiscal entendeu que os serviços contratados pela Recorrente somente teriam reflexo indireto em sua atividadefim. Já a DRJ/BHE entendeu que (1) insumo é tão somente os bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado; (2) despesas com aluguéis de veículos automotores não geram direito ao desconto de créditos; (3) despesas com mãodeobra temporária, realizado por pessoa física não gera direito ao crédito; (4) às apurações realizadas pela autoridade fiscal (efls. 1.122/1.129), devem observar a concessão da segurança proferida no MS 2007.61.00.0119631 0, excluindose o ISS da base de cálculo do PIS e da COFINS; (5) sejam restabelecidas as glosas referente às despesas de (a) propaganda e marketing; (b) produção e organização de conferências e eventos comemorativos; (c) impressão de revistas e de material institucional; (d) Esta afirmação, até certo ponto óbvia, traz em si o reconhecimento de que o referencial das regras legais que disciplinam a nãocumulatividade de PIS e COFINS são eventos que dizem respeito ao processo formativo que culmina com a receita, e não apenas eventos que digam respeito ao processo formativo de um determinado produto. Realmente, enquanto o processo formativo de um produto aponta no sentido de eventos de caráter físico a ele relativos, o processo formativo de um receita aponta na direção de todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes para a sua obtenção. Vale dizer, o universo de elementos captáveis pela nãocumulatividade de PIS e COFINS é mais amplo do que aquele, por exemplo, do IPI (...)." GRECO, Marco Aurélio. Nãocumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord.). Nãocumulatividade de PIS/PASEP e da COFINS. São Paulo : IOB Thompson. Porto Alegre : Instituto de Estudos Tributários. 2004, p. 101122. 4 GRECO, Marco Aurélio. Conceito de insumo à luz da legislação do PIS/COFINS. Revista Fórum de Direito Tributário RFDT. Belo Horizonte, ano 6, n. 34, jul/ago. 2008. Biblioteca Digital Fórum de Direito Público cópia da versão digital. 5 GRECO, Marco Aurélio. Ibidem. Fl. 2537DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.538 27 palestras; (e) tradução; (f) serviços de assessoria; e que (6) incidem juros de mora sobre a multa de ofício. De início, percebese que, tanto a autoridade fiscal, quanto o órgão julgador de piso, adotaram a primeira corrente a mais restritiva , àquela afeita ao creditamento advindo do IPI, razão pela qual, de plano, a afasto, ao menos em tese, até que se analise as glosas, caso a caso. O artigo 3°, II, §§1° ao 3° e §§7° e 8°, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, os quais possuem a mesma redação, dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação Fl. 2538DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.539 28 apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Dos dispositivos acima elencados percebese que a finalidade é de conceder créditos à parcela referente aos custos, despesas e encargos vinculados à obtenção de receitas, não cabendo ao intérprete mormente pelo que dispõe o § 12, do artigo 195 da CF, ou seja, a nãocumulatividade do PIS e da COFINS, tendo sua matriz constitucional , impor limitações inexistentes nas Leis de regência. A propósito, disse a DRJ/BHE (efls. 2.335/2.336): Ao se cotejar os Contratos de Prestação de Serviços (e Aditivos) – firmados entre a Impugnante e a Natura Cosméticos S.A (fls. 1.329/1.366) – com as informações da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral dos anoscalendário 2011 e 2012 percebese que a receita de prestação de serviços auferida naqueles anoscalendário decorreu exclusivamente desses contratos, os quais tinham por objeto: (grifo do original) 1) Pesquisa e desenvolvimento de matériasprimas, produtos cosméticos, de higiene, de perfumaria em geral, fitoterápicos, farmacêuticos e homeopáticos, saneantes, domissanitários, alimentícios e dietéticos. 2) Desenvolvimento de novas tecnologias e novas metodologias de testes de eficácia de produtos e componentes de embalagens. 3) Assessoria médica para os conteúdos científicos dos produtos e meios de divulgação: indicação, posologia, reações adversas, "claims", bulas, memorandos, folhetos técnicos, material para visitação médica, monografias, conteúdos para sites na Internet e outros serviços relacionados a esse gênero. 4) Respaldo médico para consultas feitas ao SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor). 5) Assessoria na implantação de novos produtos desenvolvidos e na definição da melhor metodologia para sustentação dos apelos dos produtos. Fl. 2539DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.540 29 6) Pesquisa de mercado, a fim de identificar tendências, posição da concorrência, novas práticas e testes de produtos. 7) Desenvolvimento de pesquisa básica em tecnologia de conceitos avançados, a serem empregados no desenvolvimento de produtos. 8) Realizar a documentação técnica visando a preparação de novos processos de registros de produtos na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e de registros de marcas e patentes no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) Percebese, portanto, que a receita de prestação de serviços da autuada fora auferida exclusivamente de contratos com a Natura Cosméticos S.A., e, que para tanto, a empresa firmou outros contratos com prestadoras de serviço. No que se refere aos contratos de assessoria (matéria de recurso de ofício, em função do afastamento das glosas pela instância de piso) e de consultoria (matéria de recurso voluntário), após análise individualizada dos textos, disponíveis nos autos, à luz do conceito de insumos aqui estabelecido, concluí, com acordância unânime, no colegiado, o seguinte: (a) recurso voluntário (consultoria): não são essenciais e necessários à atividadefim da empresa, em geral, as atividades descritas nos contratos de consultoria com as empresas "Integration", "Inobi", "OThink", "Altran", "IX Consultoria e Representações LTDA". E, por outro lado, revelamse essenciais e necessárias, devendo ser afastadas as glosas correspondentes, em relação aos seguintes contratos de consultoria: "Market Analytics", "Alexandria", "Mandalah", "Instituto Harris", "COR Estratégias", "Millward", "GAD", "Mind", "Teko", "Cunalli e Moretti", "Higher & Higher", "Indigo", "Edelman", "Fundação Arthur Bernardes", "Fundação Biominas", e "Biomimicry". (b) recurso de ofício (assessoria): revelamse essenciais e necessárias, devendo ser afastadas as glosas correspondentes, em relação aos contratos de assessoria com a empresa “VAA”. Ainda no que se refere ao recurso de ofício, cabe informar que a DRJ/BHE, afora os serviços de assessoria, restabeleceu as glosas de (efl. 2.349/2.350): a) Propaganda e Marketing. b) Produção e organização de conferências e eventos comemorativos. c) Impressão de revistas e de material institucional. d) Palestras. e) Tradução. Às efls. 2.339/2.339, entendeu a DRJ/BHE, cujos fundamentos adoto como razão de decidir em relação aos itens “a” e “e”: Os documentos acostados aos autos dão conta que os serviços prestados pela Impugnante envolvem, não só as atividades de pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, matériasprimas Fl. 2540DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.541 30 e novas tecnologias, como também o estudo da viabilidade econômica desses novos produtos, definição da estratégia de lançamento no mercado e validação de resultados. Portanto, é incontroverso que o escopo dos serviços prestados pela Recorrente envolve, diretamente, atividades de marketing, propaganda, bem como outras atividades relacionadas à promoção e ao lançamento dos produtos desenvolvidos. Outrossim, é de se supor que a atividade de pesquisa e desenvolvimento de matériasprimas, produtos cosméticos, de higiene, de perfumaria em geral, fitoterápicos, farmacêuticos e homeopáticos, saneantes, domissanitários, alimentícios e dietéticos demande a tradução de artigos e estudos científicos, em face da incipiente produção de pesquisa no País. Divirjo, no entanto, do julgador de piso, no que se refere aos itens “b”, “c” e “d”, que não considero nem parte dos programas de propaganda e marketing, e nem essenciais e necessários à atividadefim da empresa, ainda mais quando por ela descritos genericamente, conforme se percebe nos registros de efls. 1.043 e seguintes. A partir da efl. 1.043 e seguintes, a fiscalização fez uma Planilha, denominada Demonstrativo das Glosas dos PIS/COFINS Períodos de Apuração Jan/2011 a dez/2012. Nela está informado ainda o fornecedor, ou seja, o prestador dos serviços tomados pela empresa. Tomase esta Planilha para fins de considerar o que seja insumo no caso concreto, levandose em consideração o posicionamento adotado de que serviços que lhes sejam essenciais, necessários e guardem uma relação para que a empresa aufira receita, atingindo seus objetivos sociais, já adentrando na matéria de recurso voluntário. Deste modo, temse que casos como: (1) locação de veículos; (2) locação de toalhas; (3) turismo; (4) gestão e digitalização de documentos; (5) massagem; (6) conferência; (7) advocacia; (8) hotelaria; (9) gestão predial e vigilância; (10) programação e controle de solicitações de café para reuniões; (11) "conhecimento"; (12) serviços de backoffice, inclusive recrutamento e seleção, treinamento e locação de equipamentos para treinamento, alocação de estagiários e despesas com mãodeobra temporária; (13) assistência médica; (14) internet/comunicação; e (15) "inspeção"; não estão contidos na conceituação de essencialidade, de vínculo relacional direto com a atividadefim da Recorrente relembrese, empresa prestadora de serviços de pesquisa, desenvolvimento, inovação e de novos produtos cosméticos, de higiene, perfumaria, fitoterápicos, farmacêuticos, homeopáticos, saneantes domissanitários, alimentícios, dietéticos, embalagens, materiais correlatos. Portanto, todas estas glosas devem ser mantidas. Demais disso, importante consignar o entendimento deste E. Tribunal, nos autos do processo 19311.720354/201401 (acórdão 3402003.989), cujas Recorrentes foram a Fazenda Nacional e Natura Logística e Serviços Ltda., de relatoria da conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, no qual acordaram os membros do Colegiado, na oportunidade, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, entre outros, para cancelar as glosas referentes a serviços de assessoria; e para excluir a aplicação da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa, vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Fl. 2541DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.542 31 A ementa possui o seguinte teor: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. (...) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.” Por fim, quanto ao mandado de segurança impetrado pela Recorrente, relembrese que seu pedido foi no seguinte sentido: 1) Sejam reconhecidos, nas apurações realizadas pela fiscalização, os efeitos da suspensão de exigibilidade do Pis e da Cofins incidentes sobre o Imposto Sobre Serviços – ISS, em cumprimento ao decidido nos autos do MS 2007.61.00.0119310. Optou, assim, a empresa, pela discussão da matéria na via judicial, não cabendo ao julgador administrativo conhecer da questão, em face da Súmula CARF n.1. Cabe apenas destacar, em face da alegação recursal de eventual descumprimento do decidido em juízo, que, na execução do julgado, a unidade preparadora deve excluir das parcelas referentes ao ISS na base de cálculo a multa de ofício correspondente, em função de existir medida judicial vigente afastando tal inclusão ao tempo da autuação. III. Dos juros sobre a multa de ofício Sustenta a recorrente a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre os valores referentes a multa, no lançamento de ofício. Sobre o assunto, já decidiu este Tribunal (3403002.367) e também diz Súmula no 4 do CARF: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Fl. 2542DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.543 32 Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Há discussão se a expressão “débitos tributários” abrange as penalidades, ou apenas os tributos. Pela leitura dos acórdãos que fundamentaram a edição da Súmula, não se tem resposta sobre a questão, vez que tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Já o art. 161 do Código Tributário Nacional dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades e restaria ilógica a leitura de que a expressão "créditos" no início do caput contemplaria as penalidades. Tal interpretação equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 9.430/1996, por sua vez, determina, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Aqui, também ilógica interpretação de a expressão “débitos” ao início do caput abrangeria as multas de ofício. Se assim o fizesse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Fl. 2543DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.544 33 Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Ao que parece o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Diante da carência de base legal, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre as multas aplicadas no lançamento de ofício. Dispositivo Com estas considerações, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário, para (a) reconhecer o cancelamento da autuação, por violação ao art. 142 do CTN, e, tendo sido vencido em relação a tal preliminar; (b) afastar a alegação de alteração de critério jurídico na decisão de piso; (c) manter as glosas sobre: (c.1) locação de veículos; (c.2) locação de toalhas; (c.3) turismo; (c.4) gestão e digitalização de documentos; (c.5) massagem; (c.6) conferência; (c.7) advocacia; (c.8) hotelaria; (c.9) gestão predial e vigilância; (c.10) programação e controle Fl. 2544DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.545 34 de solicitações de café para reuniões; (c.11) "conhecimento"; (c.12) serviços de backoffice, inclusive recrutamento e seleção, treinamento e locação de equipamentos para treinamento, alocação de estagiários e despesas com mãodeobra temporária; (c.13) assistência médica; (c.14) internet/comunicação; (c.15) "inspeção"; e (c.16) consultoria em relação às empresas "Integration", "Inobi", "OThink", "Altran", "IX Consultoria e Representações LTDA"; (d) afastar as glosas sobre consultoria em relação às empresas "Market Analytics", "Alexandria", "Mandalah", "Instituto Harris", "COR Estratégias", "Millward", "GAD", "Mind", "Teko", "Cunalli e Moretti", "Higher & Higher", "Indigo", "Edelman", "Fundação Arthur Bernardes", "Fundação Biominas", e "Biomimicry"; e (e) afastar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. No que se refere ao recurso de ofício, voto por dar provimento parcial para: (a) reconhecer a concomitância de objeto em relação à inclusão do ISS na base de cálculo das contribuições, não conhecendo do recurso apresentado em relação à matéria, e destacando que, na execução do julgado, a unidade preparadora deve excluir das parcelas referentes ao ISS na base de cálculo a multa de ofício correspondente, em função de existir medida judicial vigente afastando tal inclusão ao tempo da autuação; (b) manter as glosas sobre: (b1) produção/organização de eventos/produção de vídeo; (b.2) impressão de revista; (b.3) impressão de material institucional; (b.4) palestra; e (b.5) organização de eventos; (c) afastar as glosas sobre: assessoria com relação aos contratos com a empresa "VAA"; propaganda e marketing; e tradução. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.546 35 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Designado Externo no presente voto minhas divergências em relação ao entendimento esposado pelo relator no que se refere a três temas: (a) inexistência de violação às normas que regem o lançamento, como o art. 142 do CTN; (b) configuração de despesas de “tradução” como insumo; e (c) incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. 1. Do art. 142 do CTN Em relação ao primeiro tema, argumentou a empresa, conforme relatado, que os lançamentos tributários teriam violado o artigo 142 do CTN, pois o autuante: (1) não motivou de forma adequada e específica a glosa de créditos da nãocumulatividade do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita; (2) não aprofundou o trabalho fiscal; e (3) não apurou os efeitos da decisão judicial proferida nos autos do MS 2007.61.00.01196310, e por tais argumentos, os autos de infração seriam manifestamente insubsistentes, devendo ser cancelados, colacionando jurisprudência em seu favor. É de se destacar, inicialmente, que nenhuma dessas razões é motivo de nulidade da autuação, conforme se percebe facilmente do art. 59 do Decreto no 70.235/1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário, restrito à questão da incompetência e da restrição à ampla defesa. No máximo, as circunstâncias relacionadas nos numerais 1 a 3, acima, se existentes, seriam razões de eventual improcedência do lançamento. O art. 142 do CTN simplesmente define que compete “privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível”. Efetuadas tais tarefas pela autoridade competente do fisco, e respeitada a ampla defesa, não há lugar para capitulação de nulidade, devendose seguir na análise de mérito. E é exatamente isso que ocorre no presente caso, em que a autoridade competente, responsável pelo lançamento, identifica detalhadamente as situações que, a seu ver, não ensejam o direito ao crédito das contribuições, glosando os créditos, de forma motivada, e oferecendo à defesa a possibilidade de contrapor, individualmente, as razões fiscais. O fato de a recorrente discordar da motivação fiscal, por certo, não se confunde com ausência de motivação. E o fato de considerar pouco profunda a fiscalização, que também não tem vínculo com nulidade (no máximo, com eventual improcedência), se comprovado, só operaria em favor da defesa, bastando a essa atestar a falsidade dos argumentos que considera pouco profundos. No entanto, o que se vê no trabalho fiscal é o Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.547 36 detalhamento das glosas em planilhas, só não havendo aprofundamento naquilo que era absolutamente irrelevante à fiscalização, que adotava o conceito de insumos derivado da legislação do IPI, e presente nas Instruções Normativas da Receita Federal (IN RFB) que regem as contribuições, de cumprimento obrigatório pela fiscalização. Como esclarece o relator, no entanto, o órgão julgador de piso pediu esclarecimentos sobre determinadas rubricas, não por entender a autuação insuficiente, mas por discordar dos argumentos adotados pelo autuante, no mérito. E isso foi suficiente para que a instância de piso afastasse algumas glosas, digase, no mérito, e não por entender nula a autuação. E também este colegiado, rotineiramente, ao analisar autuações referentes a insumos, na legislação que rege as contribuições, discorda do conceito restritivo adotado pela fiscalização (certamente compelida pelas referidas IN RFB), necessitando de maiores informações (afora as referentes a “contato físico” com o produto) e/ou afastando lançamentos ou glosas. Não se pode, no entanto, repitase, confundir tais procedimentos, que são de análise de mérito, com capitulação de nulidade. Por fim, em relação a este primeiro tema, cabe salientar que o fato de eventualmente a autoridade fiscal não ter tomado em conta decisão judicial sobre exclusão de ISS da base de cálculo das contribuições, igualmente não eiva de nulidade o lançamento. Basta, como restou consignado na ata de julgamento, que, na execução do julgado, a unidade preparadora exclua das parcelas referentes ao ISS na base de cálculo a multa de ofício correspondente, em função de existir medida judicial vigente afastando tal inclusão ao tempo da autuação. Novamente, não se pode atribuir a erro de cálculo em item da autuação (tema de mérito) a nulidade integral do lançamento. Não vislumbro, assim, no contexto exposto, vestígio de nulidade por eventual violação ao art. 142 do CTN. E as demais nulidades, inclusive a referente a alteração de critério jurídico, foram unanimemente rechaçadas pelo colegiado. 2. Dos serviços de tradução No que se refere ao segundo tema, temse a comum discussão travada neste colegiado, sobre a abrangência do conceito de insumos, já assentada administrativamente em tese, tanto que influenciou a edição de julgado do STJ na sistemática dos recursos repetitivos. A aplicação prática do conceito adotado em tese, no entanto, ainda suscita algumas discussões, como ocorreu em relação ao item “tradução”. No caso em análise, há que se entender que a empresa é prestadora de serviços, como descrito pelo relator. E isso, indubitavelmente, deve ser tomado em conta pelo julgador. O autuante entendeu que as despesas de tradução tinham apenas relação indireta com a atividadefim da empresa (fl. 1032). Além das traduções em festas e confraternização (que, a nosso ver, estão longe de constituir “insumos” na atividade da empresa), presentes na planilha de glosas à fl. 1038, há registros de glosas de serviços de “tradução” (fls. 1043 a 1111) prestados por “BERLITZ CENTRO DE IDIOMAS SA”, “CLL CENTRO DE LÍNGUAS LATINAS LTDA”, “LINGUA FRANCA CRIAÇÃO DE Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.548 37 TEXTOS”, “CENTRAL DE TRADUÇÕES LTDA”, “CENTRAL DE TRADUÇÕES LTDA ME”, “BERLIM CONSULTORIA EM COM”, “BUREAU DE TRADUCOES S/C L”, “CAREWARE MULTIMIDIA”, “ELISA CORBETT”, “EXCEÇÃO EDITORIAL E EVENT”, “FIDELITY” e “LIONBRIDGE”, entre outros, todos sem detalhamento, descritos apenas como “tradução”. Em sua impugnação, a empresa propugnou por um conceito amplo de insumo na legislação que rege as contribuições, defendendo que seriam insumos todos os gastos (custos, despesas e encargos) que “contribuíram” para o desempenho dos serviços prestados e para auferir receita tributável (fl. 1207), sustentando que seria compatível com o assentado nesta corte administrativa e nas decisões do STJ. Há algumas aparas a fazer, principalmente na expressão entre aspas. Estou certo de que a “massagem” ou a “locação e toalhas”, para citar dois itens presentes nestes autos, e que foram unanimemente afastados do conceito de insumos pelo colegiado, de alguma forma “contribuíram”, ainda que indiretamente (pois ligados à satisfação pessoal), para o desempenho dos serviços prestados, mas isso não lhes atribui o caráter de insumos. Ademais, não encontro, na impugnação, as razões específicas pelas quais teria a empresa defendido justificadamente que os serviços de “tradução” constituiriam insumo, havendo apenas argumentação em relação marketing, eventos, backoffice, assessoria e consultoria, não se sabendo exatamente em qual desses itens teria a empresa incluído o item “tradução”. Na diligência determinada pela instância de piso, esta inclui a “tradução” em serviços de backoffice (fl. 2191): “Conforme demonstrativo de fls. 1.043/1.121, foram glosados créditos relativos às seguintes despesas: a) Despesas com serviços de assessorias e consultorias; b) Despesas com serviços de backoffice (serviços administrativos em geral, incluindo serviços contábeis, fiscais, de advocacia, de auditoria, recursos humanos, planejamento econômico, contas a pagar, tesouraria, tecnologia de informação, administração de dados e processamento de informações); gestão, Internet, traduções; inspeção e digitalização de documentos. c) Despesas com propaganda e marketing; impressão de revistas; impressão de material institucional e comunicação. (...)” Após a realização da diligência, houve a juntada de diversos contratos pela empresa, mas nenhum deles especificamente relacionado a tradução. E as manifestações da empresa (fls. 2252 a 2272, e fls. 2296 a 2311) também não trataram especificamente do tema. A DRJ apreciou o processo, destacando o relator, ao início de seu voto (fls. 2326/2327), que não enquadrava como backoffice os serviços de “tradução” (o que se confirma nos itens à fl. 2334): “Os fatos estão suficientemente descritos no Termo Verificação Fiscal (fls. 1.026/1.035), do qual se pode concluir que os Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.549 38 créditos tributários lançados decorrem da glosa de despesas com serviços de assessorias, consultorias, backoffice (serviços administrativos em geral, incluindo serviços contábeis, fiscais, de auditoria, recursos humanos, planejamento econômico, contas a pagar, tesouraria, tecnologia de informação, administração de dados e processamento de informações), propaganda e marketing, gestão predial, plano de saúde, hotelaria, traduções, recrutamento e seleção, treinamentos, conferências, organização de conferências e eventos comemorativos, locação de veículos, gestão de documentos, locação de toalhas, bem como mão de obra temporária e alocação de estagiários.” Ao subdividir os itens glosados, no entanto, a DRJ agrupa a tradução com despesas de propaganda e marketing (fls. 2237/2338): “II.1.b – Despesas com Propaganda, Marketing e Serviços de Tradução. Foram também glosadas as seguintes despesas que, a teor da peça impugnatória, se relacionam às atividades de marketing e propaganda: 1) Propaganda e Marketing. 2) Produção e organização de conferências e eventos comemorativos. 3) Impressão de revistas e de material institucional. 4) Palestras. 5) Tradução.” Vejase que nem a defesa enquadra especificamente a “tradução” em tal grupo, como se percebe na narrativa que se segue, no voto do relator, na instância de piso (ainda à fl. 2338): “Em sua defesa, a Interessada alega que os dispêndios relacionados com propagada e marketing referemse à contratação de serviços de confecção de mockup, criação de textos de rótulos, criação de marca, elaboração de filmes publicitários, produção gráfica, entre outros. Aduz que as despesas assumidas com publicidade e marketing guardam intrínseca relação com os serviços prestados em favor da divulgação e da pesquisa de novos produtos desenvolvidos. Ao fim acrescenta que despesas como (a) organização de eventos, (b) comunicação, (c) impressões de revistas, (d) produção de eventos, (e) produção de vídeos, (f) palestras, (g) locações de veículos, (h) vigilância e (i) locação de toalhas, estão inseridas no contexto das despesas de propaganda e marketing.” Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.550 39 Conclui o julgador de piso, então, que não há elementos na autuação para afastar do conceito de “insumos” os 5 itens agrupados, dispondo, em relação à “tradução” (fls. 2339/2340), somente que “: “Outrossim, é de se supor que a atividade de pesquisa e desenvolvimento de matériasprimas, produtos cosméticos, de higiene, de perfumaria em geral, fitoterápicos, farmacêuticos e homeopáticos, saneantes, domissanitários, alimentícios e dietéticos demande a tradução de artigos e estudos científicos, em face da incipiente produção de pesquisa no País.” Nossa divergência em relação à DRJ se refere tanto ao agrupamento quanto à conclusão. No que se refere ao agrupamento, basta recordar que este colegiado de segunda instância, unanimemente, afastou as glosas, mantendo a decisão da DRJ, em relação a propaganda e marketing, tendo em vista a atividade desenvolvida pela empresa, mas reverteu a decisão de piso, de forma também unânime, no que se refere a produção e organização de conferências e eventos comemorativos, impressão de revistas e de material institucional, e palestras, considerando igualmente a atividade desenvolvida pela empresa. Revelase, assim, impróprio agrupar itens absolutamente distintos, a nosso ver, cabendo a análise de forma individualizada, e à luz dos argumentos de autuação e de defesa. E a conclusão do julgador de piso, alegadamente com fundamento em suposição, além de não nos convencer, não encontra guarida nos argumentos de defesa. Ademais, em nenhum item glosado identifica a empresa se de que tradução se estaria tratando. Diante do caráter genérico do cômputo dos créditos, sem qualquer argumentação plausível que justifique a tomada, entendo que, da forma como descritos os serviços (simplesmente “tradução”), não há como afirmar que se amoldam ao conceito de insumo adotado pelo colegiado, mesmo diante da atividade da empresa. Pelo exposto, voto por manter a glosa referente a serviços de “tradução”. 3. Dos juros sobre a multa de ofício Sobre o último tema, sustentei, reiteradamente, neste colegiado, que não havia incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, em diversos acórdãos, como o de no 3403002.367, de agosto de 2013, do qual se extrai a argumentação a seguir. O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula no 4 do CARF: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.551 40 se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3o Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.552 41 “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob o risco de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre as multas aplicadas no lançamento de ofício. Tenho, no entanto, analisado com atenção tanto a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais quanto do Poder Judiciário sobre o tema, não por simples subserviência ou acolhida cega a seus fundamentos, mas para verificar até que ponto é sustentável, jurídica e até logicamente cada um dos posicionamentos. Fl. 2552DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.553 42 Ciente de que a Câmara Superior de Recursos Fiscais aprecia a matéria de forma diversa, fui buscar, inicialmente, os fundamentos que levaram à conclusão daquele colegiado, para examinar me demoviam do entendimento que vinha sustentando. Verifiquei, para tanto, de início, acórdão recente da CSRF, que usou como fundamentos os artigos 113, 139 e 161 do CTN, e os artigos 43, 44 e 61 da Lei no 9.430/1996: “Esta matéria não é nova no âmbito deste colegiado e reitero as razões que venho utilizando a tempos nos processos de minha relatoria. De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, em decisão de 04/12/2012, assim ementada: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE Fl. 2553DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.554 43 SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Para confirmar este entendimento é relevante apresentar algumas recentes decisões da CSRF, abaixo transcritas: (...)” (sic) (grifos nossos) (Acórdão no 9303005.042, maioria, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, sessão de 12 abr. 2017) Os ingredientes anexados à discussão no referido acórdão apontam para algo importante, a nosso ver, ainda que o argumento seja usado apenas por analogia: o artigo 43 da Lei no 9.430/1996. Não consideramos em nossa análise inicial o referido artigo 43, por entender que não se aplicava à multa de ofício. Recordese como é desmembrada a Seção V (“Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições”) do Capítulo IV (“Procedimentos de Fiscalização”) da lei: em “Auto de Infração sem Tributos” (art. 43); “Multas de Lançamento de Ofício” (arts. 44 a 46); e “Aplicação de Acréscimos de Procedimento Espontâneo” (art. 47). No art. 43 (geograficamente fora das “Multas de Lançamento de Ofício”) dispõese que: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (grifo nosso) Desse artigo, concluo que a RFB não precisa mais realizar “imputações” de pagamento proporcionais para os pagamentos em atraso, desmembrandoos em principal, multa e juros de mora, pois cada uma dessas quantias pode ser objeto de exigência isolada. Vejase, por exemplo, um pagamento em atraso de R$ 1.000.000,00 (aos quais, v.g., o fisco “imputaria”, à revelia do pagador – que poderia estar a discordar dos acréscimos moratórios –, R$ 200.000,00 a título de multa e R$ 100.000,00, a título de juros de mora, restando R$ 700.000,00 a título de principal). A multa e os juros que deixaram de ser pagos em função do atraso poderiam, após o art. 43, ser exigidos com juros de mora, ainda que a integralidade dos R$ 1.000.000,00 fosse considerada como pagamento do principal. Isso Fl. 2554DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.555 44 simplificaria a autuação, que não se referiria mais ao principal, mas apenas ao que deixou de ser pago em função do atraso. Tal disposição é absolutamente incompatível com a multa de ofício de que trata o artigo seguinte da lei, e permite tãosomente a incidência de juros de mora sobre a multa de mora, e de juros de mora sobre os próprios juros de mora. No item 23 da Mensagem no 990/96, do Poder Executivo, que acompanha o Projeto de Lei (PL) no 2.448/1996, do qual se origina a da Lei no 9.430/1996, encontramse as razões para a redação do artigo: “23 . O art. 43 possibilita a constituição de crédito tributário relativo apenas aos encargos de multa ou de juros, permitindo sua cobrança administrativa ou judicial e dando materialidade às normas contidas nos artigos subseqüentes (arts. 44 a 46).” (disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra ?codteor=1132081&filename=Dossie+PL+2448/1996) Claro está, aí, que trata o artigo de encargos. Aliás, isso foi bem percebido pelo relator do projeto, na Câmara dos Deputados, Deputado Roberto Brant: “8.7. O art. 43 cobre lacuna existente na legislação federal. Prevê a formalização da exigência de crédito tributário, através de auto de infração ou notificação de lançamento, exclusivamente para cobrança de multa e juros de mora, nos casos em que o tributo ou contribuição social sejam pagos após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. No caso será exigida multa de ofício, como consta do artigo seguinte do projeto. A proposta, além de incutir nos contribuintes maior respeito para com as normas tributárias, simplifica procedimentos operacionais da administração fiscal, já que a lacuna existente vem sendo contornada, administrativamente, por um complexo mecanismo de “imputação de pagamentos”. (sic) (idem) Assim, não se tem dúvidas de que está o artigo 43 a tratar de lançamento de ofício de multa de mora e de juros de mora. E isso nos afastava de seu teor, na análise de juros incidentes sobre multa de ofício. Entretanto, reconhecemos que ao se lançar valores correspondentes a multa de mora não paga e a juros de mora não pagos, estáse a exigir tais valores de ofício. E que sobre ditos encargos exigidos de ofício incidem indubitavelmente juros de mora. Não se presta o artigo 43 da Lei no 9.430/1996, assim, a afirmar que incidem juros de mora sobre qualquer exigência de multa de ofício, mas tãosomente daquela referida na lei, decorrente de recolhimento a destempo. Isso poupou um bom trabalho da RFB na complexa tarefa de imputação de pagamentos. Também desse artigo 43 se afastou o recente entendimento da COSIT sobre a matéria (Solução de Consulta no 47, de 4/5/2016), que preferiu (corretamente, a nosso ver), efetuar leitura sistemática de dispositivos do CTN, embora limitada aos artigos 113, 139 e 161. Fl. 2555DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.556 45 A análise sobre o que se abrangeria na expressão “crédito tributário”, no CTN (incluindo penalidades), encontra obstáculos lógicos de intelecção em diversos dispositivos do próprio Código (v.g., arts. 97, 161 e 164), como mencionamos em nosso recorrente entendimento: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 157. A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) “Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: (...) § 2o Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobrase o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis. Entretanto, devese ler sistematicamente o CTN, não se entendendo que ao usar a mesma expressão “crédito tributário”, esteja às vezes o legislador a tratar de uma coisa e às vezes de outra. Eis um pressuposto básico da hermenêutica, bem contemplado na lei brasileira que dispõe sobre o processo de elaboração das leis (art. 11 da Lei Complementar no 95/1998): “Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) II para a obtenção de precisão: (...) b) expressar a idéia, quando repetida no texto, por meio das mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia com propósito meramente estilístico; c) evitar o emprego de expressão ou palavra que confira duplo sentido ao texto;” Cabe ao exegeta corrigir as imperfeições terminológicas da lei, na interpretação dos dispositivos, buscando sua inserção lógica e coerente no sistema normativo. E, com esse escopo, passo aqui a realizar trabalho diametralmente oposto, no mesmo Código Fl. 2556DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.557 46 Tributário Nacional, buscando artigos nos quais não faça qualquer sentido que a expressão crédito tributário exclua as penalidades, tarefa que é, lamentavelmente (para a precisão do texto), igualmente executada com sucesso. Vejamse, v.g., os artigos 113, 139, 142, 168, 173, 174 e 175: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. (...) Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. (...) (grifo nosso) Fl. 2557DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.558 47 O artigo 175 é a demonstração mais clara da utilização imperfeita da expressão “crédito tributário”, que deve ser sanada pelo exegeta. Por certo que se a exclusão do crédito tributário abrange a isenção (de tributos em sentido estrito, sem penalidades) e a anistia (abrangendo obviamente as penalidades), “crédito tributário” não se refere inequivocamente só a tributos. Admitir o contrário teria um efeito devastador sobre as restituições (art. 168), que não incluiriam as penalidades indevidamente pagas. Há que se aparar a imperfeição de redação com a adequação dos conteúdos ao sistema. Não tenho dúvidas de que a restituição do “crédito tributário” se aplica indistintamente a tributos e a penalidades, e que qualquer de tais rubricas, se indevidamente recolhidas, enseja restituição com atualização pela Taxa SELIC. Entender que o tributo indevidamente pago deve ser restituído a tal taxa é absolutamente coerente com exigir dita taxa dos tributos devidos a partir de seu vencimento. Da mesma forma, entender que a multa indevidamente paga deve ser restituída a tal taxa é absoluta e logicamente coerente com exigir dita taxa da multa devida a partir do lançamento. Não se afigura plausível, então, a manutenção do posicionamento que vinha externando, no sentido de serem indevidos juros de mora sobre a multa de ofício (por não ser esta “crédito tributário”), ao mesmo passo em que reconheço a atualização nas restituições de multas pagas consideradas indevidas (que também são “crédito tributário”). Forçome, assim, a rever, em nome da lógica, e da própria leitura sistêmica dos dispositivos aqui mencionados, tal posicionamento, entendendo serem devidos juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Alinhome, por consequência dos argumentos aqui externados, à conclusão presente na jurisprudência majoritária da corte superior deste tribunal administrativo, e do STJ. Na Primeira Seção do CARF, aliás, a matéria foi apreciada unanimemente, recentemente (v.g., Acórdão no 9101002.501, de 12 dez. 2016). São diversos os acórdãos, nas três Seções de Julgamento deste tribunal administrativo, que, no último ano, entenderam pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (v.g., no 9101002.180, no 9202003.821 e no 9303003.385). E no STJ, assentase que tal posicionamento reflete o entendimento de ambas as turmas que compõem a Primeira Seção da corte (que trata de matéria tributária): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Fl. 2558DF CARF MF Processo nº 19311.720352/201411 Acórdão n.º 3401005.291 S3C4T1 Fl. 2.559 48 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) (grifo nosso) Pelo exposto, passei a entender, em interpretação sistemática dos dispositivos que regem a matéria, que incidem, legitimamente, juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Por fim, noticio que já venho externando esse novo entendimento desde o Acórdão no 3401004.011, de outubro de 2017, no qual atuei como redator designado em relação à matéria, e que a conclusão aqui externada foi, após o presente julgamento, mas antes da feitura deste voto vencedor, sumulada neste tribunal administrativo, dispondo a nova Súmula CARF no 108 que: “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 2559DF CARF MF
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Numero do processo: 10803.000087/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA
O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. LUCRO ABITRADO.
A pessoa jurídica que houver se submetido ao regime de tributação pelo lucro presumido ou arbitrado e apurar o lucro efetivo, com base na escrituração contábil, inferior àquele, poderá distribuir, sem incidência de imposto, o valor correspondente ao lucro presumido ou arbitrado, diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita. No entanto, se houver parcela de lucro excedente a este valor, esta só será isenta para o beneficiário se a empresa demonstrar, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior do que o presumido ou arbitrado.
LIVRO DIÁRIO. AUTENTICAÇÃO.
Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
A partir da edição da Lei n.º 9.430, de 1996, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa preceituada no artigo 42.
Numero da decisão: 2401-005.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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NULIDADE. INEXISTÊNCIA O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. LUCRO ABITRADO. A pessoa jurídica que houver se submetido ao regime de tributação pelo lucro presumido ou arbitrado e apurar o lucro efetivo, com base na escrituração contábil, inferior àquele, poderá distribuir, sem incidência de imposto, o valor correspondente ao lucro presumido ou arbitrado, diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita. No entanto, se houver parcela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 87 /2 01 0- 11 Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 728 2 de lucro excedente a este valor, esta só será isenta para o beneficiário se a empresa demonstrar, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior do que o presumido ou arbitrado. LIVRO DIÁRIO. AUTENTICAÇÃO. Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. A partir da edição da Lei n.º 9.430, de 1996, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa preceituada no artigo 42. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar o relatório já elaborado em ocasião anterior, pela 19ª Turma da DRJ/RJ1 e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 623/639): Inicialmente, o contribuinte foi intimado, por meio do Termo de fl. 33, a apresentar, dentre outras solicitações, os extratos bancários de todas as contas mantidas pelo contribuinte, cônjuge e dependentes no ano de 2005, com as respectivas comprovações de origem de créditos efetuados nas contas. Foi também intimado a comprovar o efetivo ingresso de lucros de pessoa jurídica, nos anos de 2006 e 2007, mediante extratos bancários, identificando tais montantes e relacionandoos em planilha, em ordem cronológica. Além disso, a autoridade fiscal Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 729 3 exigiu a apresentação de documentos contábeis da pessoa jurídica que comprovassem a distribuição de lucros. Em resposta às fls. 37/39, o intimado informou que juntava os extratos bancários das contas mantidas no Banco Real (fls. 43 a 64) e Caixa Econômica Federal (fls. 65 a 73) relativos ao ano de 2005, além das planilhas com identificação dos respectivos créditos para comprovação de origem (fls. 74 e 75). Com relação aos anos de 2006 e 2007, discriminou os montantes recebidos e afirmou que os valores mais expressivos se referiam a lucros distribuídos e empréstimos tomados a pessoa jurídica. Juntou planilhas às fls. 76 e 77 e o Razão por conta da pessoa jurídica Protec Prestação de Serviços Ltda, doravante denominada Protec. (fls. 78/79). Por intermédio do Termo de fls. 81/83, o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos de todas as contas bancárias mantidas no ano de 2005 e reintimado a comprovar a origem dos créditos efetuados nas contas bancárias mantidas no Real e na CEF no ano de 2005, já que as planilhas elaboradas pelo mesmo somente demonstravam a movimentação bancária das contas. Com relação aos anos de 2006 e 2007, como o contribuinte informou que parte predominante da distribuição de lucros foi efetuada em espécie, este foi intimado a comprovar, mediante cópia de extratos bancários da pessoa jurídica, tais distribuições em valores e datas compatíveis com os alegados montantes pagos em espécie. Foi determinada, ainda, a elaboração de planilha contendo a relação de saques (datas e valores), e vinculação destes com os respectivos montantes recebidos a título de distribuição de lucro. Além disso, o contribuinte foi reintimado, dentre outras solicitações, a comprovar o efetivo ingresso dos valores relativos a empréstimos tomados junto a Protec, mediante extratos bancários, destacando tais montantes e relacionandoos em planilha em ordem cronológica. Cientificado da intimação, o contribuinte manifestouse às fls. 97 a 99, afirmando que além das contas mantidas no Banco Real e CEF no ano de 2005, possuía também contas no Unibanco (que não teve movimentação no período indicado) e Itaú (movimentação oriunda de remuneração da Polícia Militar do Estado do Rio e Janeiro). Juntou extratos do Unibanco (fls. 100 a 111) e Itaú (fls. 112 a 114). Em complemento, o intimado manifestouse às fls. 119/121, informando que a origem dos depósitos em suas contas decorria de transferências da empresa Protec, conforme listagem anexada (fls. 122/124) e extratos às fls. 125 a 266. Na sequência, a fiscalização intimou o contribuinte a comprovar a origem dos créditos bancários relacionados na planilha de fl. 270, a apresentar os extratos bancários da CEF, já que os anteriormente apresentados estavam incompletos, e a justificar os créditos realizados pela pessoa jurídica Protec mediante documentação hábil e idônea, especialmente contábil. O Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 730 4 contribuinte manifestouse à fl. 272, informando que todos os cheques sacados pela Protec, utilizados para pagamentos de lucros e empréstimos nos anos de 2005 a 2007, encontravamse relacionados na planilha de fls. 273 a 282. Além disso, afirmou às fls. 285/286 que apresentava documentação referente à identificação da origem dos recursos que possibilitaram os depósitos em suas contas, que todos os créditos realizados pela pessoa jurídica no ano de 2005 estavam identificados na relação anexada e que juntava os extratos da CEF e cópia do contrato social da Protec. Os documentos constam das fls. 287 a 328. No prosseguimento da ação fiscal, foram efetuadas as intimações de fls. 329/330, 332/334, entre as quais figura a solicitação para o contribuinte apresentar escrituração contábil (Livro Diário e/ou Razão) da Protec, que demonstre o registro dos lucros distribuídos ao contribuinte nos anos de 2005 a 2007. Em resposta às fl. 336, o contribuinte apresentou o extrato da CEF às fls 337 a 347, e, nas fls. 350/352, informou que apresentava declaração fiscal assinada pelo contador da Protec (fl. 353), discriminação mensal dos lucros e empréstimos, alterações contratuais, o Razão de 2005 a 2007, dentre outros documentos. A documentação apresentada consta das fls. 353 a 450. A Fiscalização efetuou reintimações às fls. 453/454, 472/473 e 486/487 e o contribuinte informou às fls. 456/457 que já havia reiterado junto aos bancos a solicitação feita pela Fiscalização, conforme correspondências juntadas às fls. 458 a 463. Na fl. 465, o contribuinte informou que juntava mais documentos às fls. 466 a 468 e na fl. 475 informou que cópias dos cheques emitidos em valor superior a R$5.000,00 nos anos de 2006 e 2007 (fls. 477 a 484). Por fim, reiterou os esclarecimentos já prestados anteriormente e informou que não conseguiu obter junto ao Banco Santander os documentos requeridos pela fiscalização (fl. 489). Em vista das irregularidades apuradas, a fiscalização emitiu o Termo de Verificação Fiscal de fls. 12/29 e lavrou o auto de infração de fls. 02/11 com a descrição das infrações de rendimentos excedentes ao lucro arbitrado pagos a sócio nos exercícios de 2006, 2007 e 2008 e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada no exercício de 2006. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 24/12/2010 (fl. 518) e apresentou a impugnação de fls. 519 a 532 em 14/01/2011, por intermédio de mandatário. A procuração consta da fl. 544. A seguir, síntese das alegações oferecidas pelo impugnante: na quantificação dos valores considerados distribuídos, a autoridade fiscal abandonou os lucros contábeis passíveis de distribuição, encontrando diferenças distribuídas a maior que Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 731 5 foram submetidas à tributação na pessoa física do impugnante, a pretexto de rendimentos excedentes ao lucro arbitrado; a autoridade fiscal desprezou inteiramente os esclarecimentos prestados na fase probatória, fazendo prevalecer, em relação ao item 1, os efeitos do arbitramento de lucro da pessoa jurídica. Para provar a veracidade dos esclarecimentos prestados no decorrer da fiscalização, requer o impugnante sejam apreciadas também as provas agora acostadas aos autos que demonstram claramente, sob qualquer ângulo, que não procede a tributação da pessoa física do impugnante, não tendo se verificado qualquer acréscimo patrimonial a descoberto, nem omissão de rendimentos; o certo é que a Protec, conquanto tenha optado pelo lucro presumido teve o seu lucro arbitrado, mas continua mantendo contabilidade regular nos termos do art. 527 do RIR, revestido de todas as formalidades legais, e poderia, como o fez, distribuir o seu lucro contábil sem qualquer incidência fiscal na conformidade do art. 48 e §§ da IN./SRF n° 093 de 24.12.1997, e IN./SRF n°11/96, art. 51 § 2°; a Protec mantém sua contabilidade regular tendo submetido o seu lucro à tributação pelo critério de lucro presumido. A prova da contabilidade regular é feita neste momento através da apresentação dos termos de abertura e de encerramento dos Diários dos anos de 2005, 2006 e 2007 e bem assim dos balanços correspondentes, cuja escrituração encontrase absolutamente em ordem conforme será comprovado através de perícia/diligência que ora se requer, caso o nobre Julgador entenda insuficientes as provas ora acostadas. Esclareçase que, com isto, não se busca atacar aqui a desclassificação da escrita da Pessoa Jurídica, mas se comprovar o efetivo recebimento dos valores declarados pelo impugnante. Uma vez comprovada a existência regular da escrituração, terá o julgador condições suficientes para atestar a efetiva distribuição do lucro contábil; no que concerne ao item 2 do auto de infração, o impugnante apresenta as provas de que todos os recursos depositados em suas contas bancárias foram decorrentes de lucros e empréstimos tomados pela pessoa jurídica Protec Prestação de Serviços Ltda; objetivamente podese afirmar que todos os depósitos bancários informados analiticamente no "Anexo I do Termo de Verificação Fiscal" e quantificados no item 2 do Auto de Infração tem a sua origem devidamente comprovada, entre outros, com os valores que o Impugnante recebeu, provindos da Protec, conforme destacado nas folhas do Diário de 2005 de n°s. 31, 32, 33, 44, 51, 54, 58, 66, 68, 72, 73, 92, 94, 95, 99, 105, 106 e 109, que se encontram aqui anexados conforme documentos anexos sob os n°s. 5, 6, 7, 9, 11, 12, 13, 15, 16, 17, 18, 19, 21, 22, 25, 26, 27 e 28; não obstante as provas impactantes que demonstram a saciedade, a contabilização de todos os seus assentamentos, e a Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 732 6 existência de livros e documentos contábeis e fiscais da Protec o Impugnante requer perícia/diligência, caso o Julgador não se convença, com as provas aqui trazidas aos autos, da não tributação dos recursos auferidos por ele. Apresenta quesitos para perícia. Nas fls. 494 a 504, o contribuinte apresentou um aditamento à impugnação, com as seguintes considerações: houve cerceamento do direito de defesa do contribuinte, acarretando nulidade do lançamento, em razão da ausência de informação, por parte do órgão fiscalizador, quanto à fiscalização da pessoa jurídica Protec; o entendimento jurisprudencial é no sentido de que, para se ter ditos valores como omissão de rendimentos não basta a simples presunção de que os depósitos constituem renda tributável. É imprescindível que seja comprovado e evidenciado qualquer sinal de riqueza, visto que só depósitos bancários não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento fiscal com fundamento nessa presunção legal só é admissível, segundo entendimento pacificado na área administrativa, quando ficar comprovado o nexo causal entre o depósito e o fato que represente omissão de rendimentos — e isso não aconteceu no caso presente; o impugnante já comprovou a origem de parte substancial dos depósitos bancários através de saques e transferências por intermédio da pessoa jurídica Protec e agora, apesar de decorridos mais de 6 anos, está trazendo aos autos mais as provas das importâncias decorrentes de transferência interbancária de contas da Protec para a conta pessoal do impugnante no valor de R$10.500,00; deve ser excluído o valor de R$5.000,00 (25/05/2005) porque não existe movimentação da conta corrente bancária de tal valor; restaram para comprovar somente depósitos bancários no montante de R$35.661,81. No entanto, tais valores estão dispensados de comprovação por se enquadrarem nos requisitos do art. 849, § 2°, II do RIR, visto que os valores de cada depósito não ultrapassam a R$12.000,00, e o somatório dos depósitos não ultrapassa a R$80.000,00. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (DRJ/RJ1), por meio do Acórdão nº 1256.122 (fls. 623/639), de 23/05/2013, cujo dispositivo considerou Procedente em Parte a Impugnação, com a manutenção do crédito tributário em parte. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 733 7 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. O contribuinte foi regularmente cientificado do Auto de Infração e exerceu plenamente seu direito de defesa por meio de impugnação, dentro do prazo assegurado pela legislação, inexistindo, portanto, cerceamento do direito de defesa. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. LUCRO ARBITRADO. A pessoa jurídica que houver se submetido ao regime de tributação pelo lucro arbitrado e apurar o lucro efetivo, com base na escrituração contábil, inferior àquele, poderá distribuir, sem incidência de imposto, o valor correspondente ao lucro arbitrado, diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita. No entanto, se houver parcela de lucro excedente a este valor, esta só será isenta para o beneficiário se a empresa demonstrar, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior do que o arbitrado. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. DEFICIÊNCIAS. PARTIDAS MENSAIS. LIVROS AUXILIARES. INEXISTÊNCIA. A constatação de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela inexistência de livros auxiliares que possam suportar os lançamentos resumidos em partidas mensais, tornaa imprestável para determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do lucro real. LIVRO DIÁRIO. AUTENTICAÇÃO. Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio dentro do prazo estabelecido na legislação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 734 8 1. O auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas previstas na legislação tributária, não restando configurado qualquer vício procedimental em sua constituição que ensejasse a nulidade do lançamento, conforme alegou o impugnante. O fato de a autoridade fiscal não haver comunicado ao contribuinte que a pessoa jurídica da qual era sócio estava sob procedimento fiscal não implica nulidade do lançamento, conforme argumentou o impugnante. 2. A realização de perícia se justificaria na hipótese de necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos que não ficaram suficientemente demonstrados pelas provas aportadas ao processo. Entretanto, essa não é a hipótese presente nos autos, visto que não se faz necessária a apreciação técnica de especialista para subsidiar o julgamento da lide. 3. Quanto à diligência, cabe esclarecer que os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deixam qualquer dúvida quanto ao momento em que as alegações do impugnante, devidamente acompanhadas dos pertinentes elementos de prova, devem ser apresentadas, ou seja, na impugnação. Portanto, não cabe ao impugnante se valer de pedido de diligências para apresentar provas não trazidas aos autos no momento oportuno, quando esse ônus lhe cabia. 4. Lucros Distribuídos: a. De acordo com o artigo 10 da Lei n° 9.249/1995, condição imposta para concessão do benefício é a de que os lucros sejam “apurados”, o que, por decorrência lógica, pressupõe existência de escrituração contábil realizada com estrita observância dos princípios e normas contábeis. b. Assim, com o intuito de regulamentar o disposto no art. 10 da Lei nº 9.249, de 1995, a Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, que dispôs sobre a apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas a partir do ano calendário de 1996, em seu art. 51. No mesmo sentido dispôs o Ato Declaratório Normativo nº 4, de 29 de fevereiro de 1996. Da mesma forma, a Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, que dispôs sobre a apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas a partir do ano calendário de 1997, estabeleceu no art. 48. c. O lucro da pessoa jurídica da qual o impugnante era sócio, nos anos objeto da autuação, foi apurado pelo regime de tributação de lucro arbitrado. Tal fato encontrase consolidado administrativamente, uma vez que não houve impugnação no processo referente ao arbitramento do lucro. d. Para que o excedente de lucros pudesse ser considerado como isento de tributação, seria imprescindível que o contribuinte Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 735 9 demonstrasse, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto, ou seja, o lucro arbitrado. e. No entanto, a escrituração contábil apresentada pelo contribuinte tanto no curso da fiscalização (Livro Razão fls. 384/394), como na impugnação (Livro Diário – fls. 550 a 614) não observa determinações da legislação pertinente, conforme a seguir descrito. f. Os livros ou fichas do Livro Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio no prazo estabelecido, conforme determina expressamente o art. 258, § 4º, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR – Decreto nº 3.000, de 1999). Entretanto, o Diário apresentado em sede de impugnação não contém sequer o termo de autenticação no registro competente, conforme se observa nas fls. 550 a 614, o que desatende ao comando da legislação citada. g. Cabe destacar que o limite temporal à autenticação do Livro Diário encontrase regulamentado pela Instrução Normativa SRF n.º 16, de 10 de março de 1984, que determina que o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. h. Portanto depreendese que, em relação ao lucro arbitrado, a parcela excedente ao valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, deverá ser reconhecida somente com base em escrituração contábil idônea da empresa, devidamente autenticada anteriormente à entrega da declaração de rendimentos, o que não restou demonstrado na presente situação. i. Além disso, em relação ao Livro Diário referente aos anos de 2006 (fls. 580/598) e 2007 (fls. 599/614), as operações da empresa foram agrupadas em partidas mensais e não havia referência a lançamentos em livros auxiliares, conforme determina o art. 258 do RIR/99. j. Registrese que tal fato representa causa de desclassificação da escrituração da pessoa jurídica, tornandoa imprestável para a determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do lucro real. k. Além de todas as situações já descritas, que por si só, já são suficientes para desclassificar a escrita fiscal apresentada pelo contribuinte, há, ainda, outros vícios e irregularidades identificados que permitem concluir pela impossibilidade de Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 736 10 demonstração da condição imposta na legislação para considerar a totalidade de lucros distribuídos como isentos de tributação. São eles: 1. Os valores informados no Livro Diário a título de ‘Distribuição Antecipada de Lucros’ para o ano de 2005 (fls. 550/579) são totalmente distintos dos constantes do Livro Razão do mesmo ano (fls. 384 a 387); 2. O Livro Diário apresentado não contém as informações relativas aos meses de agosto de 2006 e outubro de 2007; 3. O mês de setembro de 2006 não apresenta registro de distribuição de lucros no Livro Diário (fls. 590/591), ao passo que o Livro Razão aponta o valor de R$36.595,41 de lucros distribuídos para o impugnante (fl. 390); 4. Os valores informados a título de distribuição de lucros para os sócios da pessoa jurídica no mês de abril de 2007 são totalmente distintos nos Livros Diário (fl. 604) e Razão (fl. 392). 5. Depósito Bancário: a. Os depósitos bancários de origem não comprovada efetuados a partir do anocalendário de 1997, por presunção legal, caracterizam omissão de rendimentos, estando, por conseguinte, sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda. Incabíveis as alegações do impugnante de que o depósito bancário por si só não constituiria prova da existência de rendimentos tributáveis e que seria necessária a comprovação do nexo causal entre o depósito e o fato que representasse omissão de rendimentos. O efeito da presunção legal é de justamente inverter o ônus da prova. Assim, a presunção favorável ao Fisco transfere para o contribuinte o ônus de rechaçar a imputação, mediante comprovação da origem dos recursos. Tratase, pois, de uma presunção relativa, passível de prova em contrário. b. Da mesma forma, não merece acolhimento a alegação do impugnante de que haveria necessidade de comprovação, pelo Fisco, da revelação de sinais exteriores de riqueza, para proceder ao lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Tratase de argumento absolutamente incabível para fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 1997. A base legal acerca da necessidade de demonstração de sinais exteriores de riqueza estava contida no art. 6º da Lei nº 8.021, de 1990. Notese, entretanto, que, para o ano em análise, a lei aplicável ao lançamento com base em depósitos bancários é a Lei nº 9.430, de 1996. Essa lei não exige a existência de sinais exteriores de riqueza para caracterizar omissão de rendimentos, visto que estabelece a presunção relativa de que depósitos bancários, sem a respectiva comprovação de origem, efetuados a partir do anocalendário de 1997, constituem elementos suficientes para tal caracterização, estando, por conseguinte, sujeitos à tributação pelo Imposto de Renda. O Contribuinte foi regularmente intimado, no decorrer da ação fiscal, a comprovar a origem dos depósitos que foram objeto deste lançamento, Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 737 11 conforme Termos de Intimação às fls. 33/35, 81/83 e 268/270. Assim, restou plenamente atendido o comando do caput do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. c. No que se refere à materialidade da exação, o contribuinte alegou, basicamente, que a maior parte dos depósitos seria decorrente de lucros distribuídos e empréstimos tomados junto à pessoa jurídica Protec Prestação de Serviços Ltda. Com relação ao restante não comprovado, invocou o disposto no art, 42, §3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. d. A alegação de que parte dos depósitos seria decorrente de lucros distribuídos pela pessoa jurídica não merece acolhida, tendo em vista que tal fato não restou devidamente comprovado pelo contribuinte, quando o ônus lhe cabia. A escrituração da pessoa jurídica apresentada nos autos não se revela hábil a comprovar as informações ali descritas, em razão de existência das irregularidades já descritas neste voto, suficientes para desclassificala. e. Com relação ao fato de o contribuinte trazer documentos bancários comprobatórios de que houve transferências de recursos entre conta bancária da pessoa jurídica e a sua, há de se esclarecer que tal fato não é suficiente para comprovar a origem dos créditos, conforme determina o legislador. Entendase origem como a natureza da percepção dos recursos e não simplesmente o nome do depositante. Caberia ao contribuinte comprovar a que título recebera tais valores, o que tornaria possível a identificação da natureza do rendimento como tributável ou não. Portanto, não restou comprovada nos autos a alegação de que parte dos créditos efetuados na conta bancária do contribuinte se referia, de fato, à distribuição de lucros da pessoa jurídica Protec. f. A outra alegação apresentada pelo contribuinte foi de que parte dos depósitos decorria de empréstimos tomados junto a mesma pessoa jurídica, da qual era sócio. g. Juntou o contrato de mútuo relativo ao anocalendário de 2005 à fl. 448 e planilha de fl. 354. h. De acordo com o contrato de mútuo juntado à fl. 448, a pessoa jurídica da qual o contribuinte era sócio teria lhe disponibilizado, para o ano de 2005, uma “linha de crédito” no montante de R$251.973,27 e o contribuinte discriminou tal quantia na planilha de fl. 354. No entanto, tais documentos, por si sós, sem respaldo em escrituração contábil regular da pessoa jurídica, não se revelam suficientes a comprovar a operação pretendida. i. Frisese, ainda, que não consta dos autos qualquer documento hábil a comprovar que o contribuinte tenha quitado parcial ou integralmente os supostos empréstimos no ano de 2005 ou nos Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 738 12 anos subseqüentes, efetuados junto à empresa da qual era sócio, fato importante para a caracterização da natureza da operação como empréstimo. Nos contratos apresentados, há somente a informação de que a quantia a ser restituída seria determinada em “data a ser definida”, mas não consta qualquer outro documento que defina esta data. j. Por fim, o contribuinte alegou que deveria ser excluído do lançamento o valor de R$5.000,00 como depósito de origem não comprovada realizado em 25/05/2005, por ausência de movimentação da conta corrente bancária de tal valor. De fato, neste item, assiste razão ao impugnante. k. A autoridade lançadora discriminou o crédito de R$5.000,00, com data de 25/05/2005, na planilha de fls. 27/28, como correspondente a 50% do depósito efetuado na conta corrente do contribuinte mantida no Banco Real, em conjunto com sua companheira. No entanto, em análise ao extrato à fl. 50, constata se que inexiste tal crédito na conta bancária do contribuinte, devendo, pois, ser excluído do lançamento. Assim, a infração relativa ao mês de maio de 2005 fica reduzida de R$25.112,10 para R$20.112,10. l. Como o valor mantido relativo à infração de depósitos bancários de origem não comprovada foi superior a R$80.000,00, não cabe a alegação do impugnante acerca do disposto no art. 42, §3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência integral do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 644/653), apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: a. Preliminarmente, a r. decisão recorrida proferida no sentido de não ser necessária a produção de prova pericial, para deslinde de parte da controvérsia, carece, data vênia, de correta fundamentação, estando a merecer reforma, para que outra seja dada, uma vez que o esclarecimento dos fatos que se deseja provar deve ser realizado por profissional com conhecimento técnico para tal. b. A fiscalização da pessoa jurídica e do recorrente foi feita pelos mesmos agentes fiscais que, em nenhum momento, embora sabendo que a fiscalização da Protec renderia consequências para seus sócios, informaram ao recorrente que tal fiscalização havia ocorrido ou que estava ocorrendo, de modo que se pudesse tomar as medidas cabíveis. c. Uma vez que a perícia requerida foi recusada, em nítido cerceamento de sua defesa, vem ele juntar ao processo os livros da empresa Protec, para comprovar a regularidade de sua escrituração (docs. 2, 3 e 4). Da mesma forma, anexa parecer e análise crítica (doc. 01) da mesma escrituração, parecer este elaborado pelo Contador José Cruz da Silva, CRC/RJ 078538/O9. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 739 13 d. A empresa Protec, embora tenha optado pelo lucro presumido, teve seu lucro arbitrado, mas, nem por isso, deixou de ter contabilidade regular nos termos da legislação fiscal, revestida de todas as formalidades requeridas pela lei, podendo, na forma do artigo 48 e parágrafos da IN n° 93 de 24.12.1997 e IN/SRF n° 11/96, artigo 51, § 2°, distribuir lucros que excedam o lucro presumido/arbitrado sem a incidência de qualquer imposto. e. O arbitramento decorreu do fato da empresa Protec não ter respondido às intimações para apresentação da escrituração. Sabese, todavia, que isso só veio a acontecer, porque a Protec havia se mudado para novo endereço não recebendo a correspondência que foram encaminhadas aos antigos endereços. f. Finalmente, há de se considerar a contradição existente na decisão que dá como existente o lucro distribuído em excesso ao recorrente, para efeitos de tributação, mas não o considera para servir como origem dos depósitos bancários realizados na conta corrente do recorrente. g. O recorrente apresentou como origem dos depósitos realizados em sua conta corrente as seguintes provas: (i) lucros distribuídos pela sociedade Protec; (ii) empréstimos tomados junto à mesma sociedade. O julgador de primeira instância entendeu que, por não haver escrituração regular não haveria como se comprovar a distribuição dos lucros ao recorrente, entretanto, manteve a tributação sobre o excesso de lucros a ele distribuído. Ou seja, o lucro, para o julgador, existe no momento em que deve ser tributado, mas não existe no momento em que serve para comprovar a sua distribuição ao recorrente. h. Tal lucro foi expressamente reconhecido pela autoridade lançadora no momento em que o tributou, em assim sendo, a presunção existente a favor desta não mais existe. A alegação de que a escrituração não está regular não é mais pretexto para desconsiderar a origem dos depósitos realizados a título de lucros distribuídos. i. Com relação aos empréstimos realizados, que serviriam de base para comprovação de parte dos depósitos bancários, também não foram considerados pela decisão de primeira instância, haja vista que “os documentos apresentados pelo impugnante não são suficientes para comprovar a natureza dos créditos efetuados em suas contas bancárias”. j. Ora, o recorrente apresentou os contratos de empréstimos, demonstrou a coincidência de datas dos valores depositados com os valores emprestados, bem como a sua origem, o que mais se faz necessário para demonstrar sua existência? Como apresentar mais provas? Se a autoridade julgadora entendesse serem necessárias mais provas, que autorizasse a realização da perícia contábil, para que o assunto ficasse esclarecido de vez, e, então emitir sua decisão com base nas provas trazidas ao processo. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 740 14 k. Diante do exposto, requer: (i) preliminarmente, a anulação da decisão de primeira instância para que seja autorizada a realização da perícia solicitada, face sua primordial importância para o deslinde da questão; (ii) ad argumentandum, requer seja dado provimento ao seu recurso para a improcedência do lançamento com relação a tributação do lucro excedente ao lucro arbitrado e ao alegado acréscimo patrimonial não justificado, uma vez que restou demonstrada a origem dos recursos aplicados. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Considerações iniciais. O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 741 15 para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). 3. Preliminares. Preliminarmente, alega o recorrente a nulidade da decisão proferida, por ter negado a produção de prova pericial, bem como a nulidade do lançamento, por entender que deveria ter sido intimado da fiscalização ocorrida na Protec, pessoa jurídica da qual é sócio, para tomar as medidas cabíveis. Contudo, sem razão ao recorrente. De início, entendo que agiu com acerto a decisão de piso ao assentar o entendimento no sentido de que a realização de perícia somente se justificaria na hipótese de necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos que não ficaram suficientemente demonstrados pelas provas aportadas ao processo, não sendo essa a hipótese dos autos. Nesse desiderato, destaco que a conversão do julgamento em diligência ou eventual pedido de produção de prova pericial não serve para suprir ônus da prova que pertence ao próprio contribuinte, dispensandoo de comprovar suas alegações. O presente feito não demanda maiores investigações e está pronto para ser julgado, dispensando, ainda, a produção de prova pericial técnica, por não depender de maiores conhecimentos científicos, podendo a questão ser resolvida por meio da análise dos documentos colacionados nos autos, bem como pela dinâmica do ônus da prova, conforme se verá. Prosseguindo na análise das alegações preliminares, o fato de a autoridade fiscal não haver comunicado ao contribuinte que a pessoa jurídica da qual era sócio estava sob procedimento fiscal não implica nulidade do lançamento, conforme argumentou o recorrente. Nesse aspecto, há de se esclarecer que a condução das investigações por parte da autoridade lançadora é de exclusiva competência desta. Antônio da Silva Cabral, in “Processo Administrativo Fiscal”, Ed. Saraiva – São Paulo, 1993, diferencia, com propriedade, dois momentos dentro do procedimento fiscal; o procedimento oficioso e o procedimento contencioso: O procedimento fiscal pode ser encarado sob duplo ângulo: como procedimento oficioso e como procedimento contencioso. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 742 16 O procedimento oficioso é específico da Administração. Uma vez ocorrido o fato gerador, a autoridade lançadora procede ao lançamento de ofício, isto é, procede oficiosamente. (...). O procedimento contencioso se inicia mediante a impugnação do sujeito passivo. Enquanto a fase oficiosa é de iniciativa da autoridade administrativa, o contencioso é de iniciativa do contribuinte. (p. 194). A atividade de lançamento, que vai desde a verificação do fato gerador até a intimação para que o sujeito passivo pague determinada quantia, instaura o processo fiscal, embora não implique a instauração de contencioso fiscal. O contribuinte pode conformarse com a exigência e pagar o que está sendo exigido. Não surge qualquer lide. (p. 190). O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo a contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo, hipótese que não se verifica in casu. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. Na fase oficiosa, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. O princípio do contraditório é garantido pela fase litigiosa do processo administrativo (fase contenciosa), a qual se inicia com o oferecimento da impugnação. Nesse sentido, vale ressaltar que a oportunidade de manifestação do impugnante não se exaure na etapa anterior à efetivação do lançamento. Pelo contrário, na busca da preservação do direito de defesa do contribuinte, o processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235/72, estendese por outra fase, a fase litigiosa, na qual o autuado, inconformado com o lançamento que lhe foi imputado, instaura o contencioso fiscal mediante apresentação de impugnação ao lançamento, quando as suas razões de discordância serão levadas à consideração dos órgãos julgadores administrativos, sendolhe facultado pleno acesso à toda documentação constante do presente processo. O Superior Tribunal de Justiça, em situação análoga, assim já se manifestou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ARBITRAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. IRREGULARIDADE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou, com base na prova dos autos, que "o procedimento administrativo tributário, antes da consumação do lançamento fiscal, é eminentemente inquisitório, já que o contribuinte deve apenas suportar os poderes de investigação do fisco e colaborar com a prestação de informações e documentos, justamente para que a verdade material seja alcançada. Após a notificação do contribuinte acerca do lançamento, abrese a possibilidade de contraditório e de ampla defesa, o que de fato foi oportunizado à empresa embargante. Conquanto esse momento seja próprio Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 743 17 para que o contribuinte apresente as provas e os documentos hábeis a refutar os vícios e as falhas na contabilidade que ensejaram o arbitramento, a empresa, na via administrativa, não cumpriu com o seu ônus a contento. Tentou suprir a falha na via judicial, juntando a este processo balancetes mensais e GRPS, contudo, não é possível, pelo simples exame desses elementos de prova, constatar que a desconsideração da contabilidade da empresa resulta da simples escrituração errônea de alguns fatos contábeis" (fl. 627, eSTJ). 2. A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (STJ AgRg no REsp: 1445477 SC 2014/00697732, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 27/05/2014, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 24/06/2014) E, ainda, cabe pontuar que o autuado é sócio da sociedade Proetc, não sendo terceiro totalmente estranho ao seu conhecimento, como parece querer levar a crer. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Ante o exposto, destaco que não vislumbro qualquer nulidade na hipótese dos autos, seja do lançamento tributário a que se combate ou mesmo da decisão proferida, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa. 4. Mérito. Conforme informações contidas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 12/29), foram apuradas as seguintes infrações e que serão analisadas separadamente: (i) rendimentos excedentes ao lucro arbitrado pagos a sócio; (ii) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. 4.1. Rendimentos excedentes ao lucro arbitrado pagos a sócio. Segundo a acusação fiscal (fls. 12/29), diante do arbitramento do lucro da Protec, pessoa jurídica da qual o contribuinte autuado é sócio, foi procedida a apuração do lucro passível de distribuição, que corresponde ao lucro arbitrado, diminuído de todos os impostos e contribuições (inclusive adicional do IR, CSLL, Cofins, PIS/Pasep) a que estiver sujeita a pessoa jurídica (art. 51, § 4° da IN SRF n° 11/96; art. 3°, § 4° da Lei n° 7.713/88; art. 10 da Lei n° 9.249/95; art. 51 da IN SRF n° 11/96 e ADN CST n° 4/96). Ato contínuo, foram apurados rendimentos excedentes ao lucro arbitrado pagos ao contribuinte autuado, os quais foram sujeitos ao lançamento de ofício do IRPF. Segundo consta na acusação fiscal, parte predominante dos lucros foram distribuídas em espécie (R$ 98.864,94 em 2005; R$ 439.395,17 em 2006; R$ 632.878,85 em 2007). Alega o recorrente que a Protec, conquanto tenha optado pelo lucro presumido, teve o seu lucro arbitrado, mas possui contabilidade regular nos termos do art. 527 Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 744 18 do RIR, revestida de todas as formalidades legais, restando legítimo o procedimento de distribuir o seu lucro contábil sem qualquer incidência fiscal, conforme previsto no art. 48 e §§, da IN/SRF n° 93/97 e art. 51 § 2°, da IN/SRF n°11/96. Pois bem. Antes de adentrar ao mérito da discussão posta, examinando as provas dos autos, necessário fazer uma breve explanação sobre a legislação pertinente à matéria. Nesse desiderato, cumpre pontuar que a isenção dos lucros distribuídos está prevista no art. 10, da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Em suma, a empresa enquadrada no regime de Lucro Presumido está autorizada a distribuir lucros excedentes, desde que demonstrados através de escrituração contábil com observância das normas legais, que o lucro efetivo é maior. O quadro abaixo elucida, didaticamente, a evolução do tratamento legislativo da matéria e que deve ser observado quando da ocorrência dos fatos geradores nos anos respectivos: IN RFB n° 11/1996 IN RFB n° 93/1997 IN RFB n° 1.515/2014 IN RFB n° 1.397/2013 IN RFB n° 1.700/2017 Art. 51. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou créditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. (...) § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, a parcela dos lucros ou dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, também poderá ser distribuída sem a incidência do imposto, Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. (...) § 2o No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: (...) II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita Art. 141. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, observado o disposto no Capítulo III da Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 16 de setembro de 2013. (...) § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: (...) Art. 28. A parcela excedente de lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados entre 1º de janeiro de 2008 e 31 de dezembro de 2013 não ficará sujeita à incidência do IRRF, nem integrará a base de cálculo do Imposto sobre a Renda e da CSLL do beneficiário, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliado no País ou no exterior. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1492, de 17 de setembro de 2014) Parágrafo único. A parcela excedente de lucros ou dividendos Art. 238. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, observado o disposto no Capítulo III da Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 16 de setembro de 2013. (...) § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderão ser pagos ou creditados sem incidência do IRRF: (...) Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 745 19 desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de período base não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputado aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº 9.250, de 1995. (...) § 6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de período base ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. § 7º A distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos, que não tenham sido com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3o A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4o Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3o, § 4o, da Lei No 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3o da Lei No 9.250, de 1995. (...) § 8o Ressalvado o disposto no inciso I do § 2o, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4o. II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de período base não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto sobre a renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos dos incisos I a IV do parágrafo único do art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 2013. (...) § 8º Ressalvado o disposto no inciso I do § 2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido calculados com base nos resultados apurados no ano de 2014 deverá: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1492, de 17 de setembro de 2014) I estar sujeita à incidência do IRRF calculado de acordo com a Tabela Progressiva Mensal e integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, no caso de beneficiário pessoa física residente no País; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1492, de 17 de setembro de 2014) II ser computada na base de cálculo do Imposto sobre a Renda e da CSLL, para as pessoas jurídicas domiciliadas no País; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1492, de 17 de setembro de 2014) III estar sujeita à incidência do IRRF calculado à alíquota de 15% (quinze por cento), no caso de beneficiário residente ou domiciliado no exterior; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1492, de 17 de setembro de 2014) IV estar sujeita à incidência do IRRF calculado à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), no caso de beneficiário residente ou domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida a que se refere o art. 24 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” (NR) (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1492, de 17 de setembro II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no inciso I, desde que a empresa demonstre, com base em escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado. § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder o valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto sobre a renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995. (...) § 7º O disposto no § 3º não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme previsto no inciso I do § 2º, após o encerramento do trimestre correspondente. § 8º Ressalvado o disposto no inciso I do § 2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 746 20 apurados em balanço, sujeitase à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4º. apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto sobre a renda na forma prevista no § 4º. de 2014) em balanço sujeitase à incidência do imposto sobre a renda na forma prevista no § 4º. Em suma, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, a parcela dos lucros ou dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, também poderá ser distribuída sem a incidência do imposto, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior. Mesmo que o lucro contábil apurado no exercício não seja suficiente, a pessoa jurídica pode ainda distribuir lucros acima desse valor, com a condição de que possua saldo na conta lucros acumulados ou reserva de lucros. No entanto, para esses últimos casos a empresa deve possuir escrituração regular, baseada em registros permanentes e seguindo as estritas formalidades exigidas em relação aos livros obrigatórios. O art. 258 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (Regulamento do Imposto de Renda), dispõe sobre essas formalidades, da seguinte forma: Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 747 21 O dispositivo em referência tratase, para efeitos de apuração do imposto sobre a renda das pessoas jurídicas, das formalidades intrínsecas e extrínsecas de escrituração do Livro Diário, inclusive a sua obrigatoriedade de registro no órgão competente. A exigência de autenticação do Livro Diário também consta do Código Civil, conforme abaixo: Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. Nesse sentido, para distribuição de lucros acima do lucro presumido ou arbitrado, há a necessidade de existir lucro contábil que possibilite tal distribuição, que se faz conhecido a partir da sua apuração (do lucro), mediante o levantamento de demonstrativos à época própria e com observância das exigências da legislação comercial. Se há distribuição de lucro acima do montante presumido ou arbitrado, essa parcela excedente deve ser efetivamente demonstrada e essa demonstração deve se revestir de formalidades. As escriturações contábeis, apesar de não obrigatórias para as optantes pelo lucro presumido ou sujeitas ao lucro arbitrado, são necessárias para que seja permitida a distribuição de valores superiores ao lucro presumido ou arbitrado com isenção do imposto de renda. Portanto, verificado qualquer vício, erro ou deficiência que a torne imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira do contribuinte, tal escrituração contábil deve ser considerada inapta a demonstrar a apuração do lucro efetivo. Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos controversos, a fim de solucionar a lide. Pois bem. De início, destacase que estamos diante de isenção1 relativa a distribuição de lucros excedentes que possui condições para sua fruição, inclusive formalidades intrínsecas e extrínsecas que devem ser observadas. Mais do que a existência das escriturações contábeis, essas devem regulares, além de guardarem harmonia entre as informações prestadas, sob pena de se desqualificar sua força probante. Não se trata de formalismo vazio, pois a autenticidade dos livros contábeis e a confiabilidade das informações que ali constam, é condição para a fruição da isenção. 1 Sobre a isenção, vale as seguintes observações: “(i) há inúmeros fenômenos que ocasionam a não incidência tributária, estando a imunidade tributária e a isenção, incluídas nesse rol; (ii) nesse sentido, o resultado da isenção, isenção heterônoma, imunidade, definição limitada de critério normativo e criação normativa reduzida é a própria não incidência tributária; (iii) isenção não é dispensa legal de pagamento de tributo devido, pois admitir isso implica em ferir o princípio da não contraditoriedade das normas jurídicas, dado que não é possível admitir certo descompasso de normas no tempo, ou seja, uma norma que tribute e uma outra que logo em seguida realiza a dispensa do pagamento do tributo; (ii) dessa forma, tanto na isenção, quanto na imunidade tributária, ocorre a não incidência; (iii) a diferença da imunidade tributária para a isenção, enquanto técnicas utilizadas pelo legislador, é eminentemente formal, pois a imunidade tributária possui assento em norma constitucional de competência, sendo que a isenção opera no plano da legislação infraconstitucional, voltada à construção da norma tributária. A isenção, portanto, decorre de enunciados que informarão a norma (de conduta) tributária. A imunidade, por sua vez, está contida, integra a norma constitucional de competência”. LEITE, Matheus Soares. Teoria das Imunidades Tributárias. São Paulo. PerSe, 2016. p. 105/106. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 748 22 A propósito, cumpre pontuar que a finalidade da isenção em comento é no sentido de se estabelecer a completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. Nesse contexto, cabe destacar os seguintes trechos da exposição de motivos do Projeto de Lei n° 913, de 1995 (convertido na Lei n° 9.249/95, disponível em http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1995/lei924926dezembro1995349062exposicaod emotivos149781pl.html), do então Ministro Pedro Malan, dirigindose ao Presidente da República: 2. A reforma objetiva simplificar a apuração do imposto, reduzindo as vias de planejamento fiscal, uniformizar o tratamento tributário dos diversos tipos de renda, integrando a tributação das pessoas físicas e jurídicas, ampliar o campo de incidência do tributo, com vistas a alcançar os rendimentos auferidos no exterior por contribuintes estabelecidos no País e, finalmente, articular a tributação das empresas com o Plano de Estabilização Econômica. [....] 12. Com relação à tributação dos lucros e dividendos, estabelecese a completa integração entre a pessoa física e a pessoa jurídica, tributandose esses rendimentos exclusivamente na empresa e isentandoos quando do recebimento pelos beneficiários. Além de simplificar os controles e inibir a evasão, esse procedimento estimula, em razão da equiparação de tratamento e das alíquotas aplicáveis, o investimento nas atividades produtivas. No caso dos autos, a fiscalização, diante do arbitramento do lucro da Protec, pessoa jurídica da qual o contribuinte autuado é sócio, procedeu à apuração do lucro passível de distribuição, que corresponderia ao lucro arbitrado, diminuído de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, de modo que foram apurados rendimentos excedentes ao lucro arbitrado pagos ao contribuinte autuado e que foram sujeitos ao lançamento de ofício do IRPF. A decisão de piso, ao apreciar a documentação acostada aos autos, concluiu que a escrituração contábil apresentada pelo contribuinte, tanto no curso da fiscalização (Livro Razão fls. 384/394), como na impugnação (Livro Diário – fls. 550 a 614) não teria observado as determinações da legislação pertinente. Vale destacar as seguintes observações: (i) Os livros ou fichas do Livro Diário, bem como os livros auxiliares, devem ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio no prazo estabelecido, conforme determina expressamente o art. 258, § 4º, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR – Decreto nº 3.000, de 1999). Entretanto, o Diário apresentado em sede de impugnação não contém sequer o termo de autenticação no registro competente, conforme se observa nas fls. 550 a 614, o que desatende ao comando da legislação citada. Cabe destacar que o limite temporal à autenticação do Livro Diário encontrase regulamentado pela Instrução Normativa SRF n.º 16, de 10 de março de 1984, que determina que o registro e a autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 749 23 (ii) Além disso, em relação ao Livro Diário referente aos anos de 2006 (fls. 580/598) e 2007 (fls. 599/614), as operações da empresa foram agrupadas em partidas mensais e não havia referência a lançamentos em livros auxiliares, conforme determina o art. 258 do RIR/99. Registrese que tal fato representa causa de desclassificação da escrituração da pessoa jurídica, tornandoa imprestável para a determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do lucro real. (iii) Os valores informados no Livro Diário a título de ‘Distribuição Antecipada de Lucros’ para o ano de 2005 (fls. 550/579) são totalmente distintos dos constantes do Livro Razão do mesmo ano (fls. 384 a 387). (iv) O Livro Diário apresentado não contém as informações relativas aos meses de agosto de 2006 e outubro de 2007. (v) O mês de setembro de 2006 não apresenta registro de distribuição de lucros no Livro Diário (fls. 590/591), ao passo que o Livro Razão aponta o valor de R$ 36.595,41 de lucros distribuídos para o impugnante (fl. 390). (vi) Os valores informados a título de distribuição de lucros para os sócios da pessoa jurídica no mês de abril de 2007 são totalmente distintos nos Livros Diário (fl. 604) e Razão (fl. 392). Com o objetivo de refutar os argumentos do decisum, o recorrente colacionou aos autos, parecer crítico, elaborado pelo Contador José Cruz da Silva, CRC/RJ 078538/O9, atestando que toda a escrituração contábil se encontra em ordem e de acordo com a legislação pertinente. Vale destacar as seguintes observações: (i) O Livro Diário e Razão referente aos anos de 2005, 2006, e 2007 foram devidamente escriturados de forma idônea, contendo lançamentos feitos dia a dia, e encadernados com folhas numeradas, seguidamente, de acordo com a determinação do DecretoLei n° 486, de 1969, Art. 5°, tendo sido apresentado a fiscalização cópias de todas as páginas onde contam lançamentos de Antecipação de Lucros e Empréstimos concedidos, com o objetivo de comprovar a veracidade destes rendimentos auferidos aos sócios. (ii) Os valores informados no Livro Diário a título de “Distribuição Antecipada de Lucros” para o ano de 2005 foram devidamente lançados às folhas 31, 32, 33, 40, 44, 51, 54, 58, 65, 66, 68, 72, 73, 92, 94, 95, 96, 98, 99, 105, 106, 109, 111, e estão rigorosamente de acordo com os respectivos registros do Livro Razão. (iii) Os meses de Agosto/2006 e Outubro/2007, a exemplo dos demais, foram devidamente escriturados, com lançamentos efetuados dia a dia, porém suas folhas não foram juntadas às provas anexadas por não haver, nos meses mencionados, lançamentos de Lucros distribuídos e Empréstimos pagos aos sócios. (iv) Não houve distribuição de Lucros no mês de 09/2006, de modo que não poderia haver registro no Livro Diário e no Razão de tal lançamento. O valor registrado no razão deste mês é de R$ 61.221,53 e referese ao pagamento de um dos empréstimos concedidos aos sócios no exercício de 2006, e está rigorosamente de acordo com o lançamento de n° 79, escriturado em 30/09/2006, à folha n° 084 do Livro Diário. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 750 24 (v) Não há qualquer divergência referente aos valores informados à título de distribuição de lucros para os sócios no mês de 04/2007, a saber: (a) Livro Diário – Lançamento n° 36 – dia 30/04/2007 – Folha n° 40 – R$ 107.427,20; (b) Livro Razão – Lançamento n° 36 – dia 30/04/2007 – Folha n° 01 – R$ 107.427,20. Em complemento, o recorrente, em seu apelo recursal, juntou aos autos os seguintes documentos: (a) Termos de Abertura e Encerramento Diário 2005/2006/2007 – Balanços Patrimoniais; (b) Livro Diário 2005/2006/2007 – Folhas com Lançamentos: Lucros e Empréstimos; (c) Razão 2005/2006/2007 – Folhas c/ contas – Lucros Antecipados – Empréstimos. Apesar de o recorrente argumentar que sua escrita contábil é regular e está de acordo com a legislação pertinente, da análise das provas dos autos, verifico que não restara comprovado que os livros ou fichas do Livro Diário, bem como os livros auxiliares, foram submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, conforme determina expressamente o art. 258, § 4º, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR – Decreto nº 3.000, de 1999). Conforme assentado pela decisão de piso, os livros ou fichas do Livro Diário apresentados em sede de impugnação não possuem o termo de autenticação no registro competente (fls. 550 a 614). Ademais, os valores informados no Livro Diário a título de “Distribuição Antecipada de Lucros” para o ano de 2005 (fls. 550/579) são distintos dos constantes do Livro Razão do mesmo ano (fls. 384 a 387). E a constatação em nada se altera com os Livros Diários juntados pelo contribuinte em grau de recurso, eis que ausente diversas páginas sequenciais, não sendo possível atestar, por esse motivo, a existência ou não de demais lançamentos contábeis a título de antecipação de lucros. E nas páginas juntadas em grau recursal, verificase que os valores informados no Livro Diário a título de “Distribuição Antecipada de Lucros” permanecem distintos dos constantes do Livro Razão do ano 2005. Em relação ao Livro Diário referente aos anos de 2006 (fls. 580/598) e 2007 (fls. 599/614), como bem pontuado pela decisão de piso, as operações da empresa foram agrupadas em partidas mensais e não havia referência a lançamentos em livros auxiliares, conforme determina o art. 258 do RIR/99. Registrese que tal fato representa causa de desclassificação da escrituração da pessoa jurídica, tornandoa imprestável para a determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do lucro real. No tocante ao ano de 2007, ao contrário do que argumenta o recorrente, consta no documento “Razão por Conta” (24501 – Lucros Acumulados 2.4.03.01), no mês de abril, os seguintes lançamentos e que totalizam R$ 116.639,45 e não R$ 107.427,20 (fls. 391/392): PAGO LUCRO ATRIBUÍDO A SÓCIA GLAUCIA COSTA ALVES CONFORME RECIBO N/DATA R$ 62.957,35 PAGO LUCRO ATRIBUÍDO AO SÓCIO EPAMINONDAS DE QUEIROZ MEDEIROS JÚNIOR CONFORME RECIBO N/DATA R$ 53.682,10 TOTAL DIA: R$ 116.639,45 Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 751 25 É de se ressaltar, ainda, que os Balanços Patrimoniais juntados em sede de recurso também não cumprem as formalidades legais, estando, inclusive, ausente a assinatura do técnico contábil e do sócio administrador. Os fatos elencados acima corroboram o acerto da decisão de piso, pois demonstram que a contabilidade da empresa era defeituosa e irregular, havendo diversas inconsistências materiais e formais. Nesse sentido, a ausência de confiabilidade das informações constantes nos demonstrativos contábeis da empresa faz prova contrária aos interesses do recorrente, lembrando que a análise da prova é livre ao julgador. As constatações acima, relativas à escrituração comercial da pessoa jurídica que promoveu a distribuição de "lucros" ao contribuinte fiscalizado, convergem no sentido de comprometer a idoneidade probatória dos livros e demonstrativos com que ele pretendeu comprovar a existência, no patrimônio da empresa da qual efetivamente recebera rendimentos em valores superiores ao lucro arbitrado, deduzido dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal naqueles anos, de lucros contábeis em montantes suficientes para amparar o pagamento de rendimentos excedentes do lucro arbitrado sem incidência do Imposto de Renda de Pessoa Física. Portanto, na ausência de escrituração contábil regular, feita com observância da lei comercial, a distribuição de lucros isenta limitase ao valor da base de cálculo do imposto (lucro arbitrado), diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, nos exatos termos definidos no art. 48, § 2º, inciso I, da IN SRF nº 93, de 1997. Dessa forma, sem razão ao recorrente, estando hígido, neste ponto, o lançamento que ora se combate. 4.2. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A segunda parte da acusação fiscal diz respeito à apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no ano calendário de 2005, com fundamento no disposto no art. 42, da Lei n° 9.430/96. O recorrente alega que teria apresentado como origem dos depósitos realizados em sua conta corrente as seguintes provas: (i) lucros distribuídos pela sociedade Protec; (ii) empréstimos tomados junto à mesma sociedade. Dessa forma, questionou a decisão de piso, alegando que o lucro, para o julgador, existiria no momento em que deveria ser tributado, mas não existiria no momento em que serviria para comprovar a sua distribuição ao recorrente. No seu entendimento, o lucro foi expressamente reconhecido pela autoridade lançadora no momento em que o tributou, em assim sendo, a presunção existente a favor desta não mais existe. Ademais, alega que apresentou os contratos de empréstimos, demonstrando a coincidência de datas dos valores depositados com os valores emprestados, bem como a sua origem, o que já seria suficiente para afastar a acusação fiscal. Pois bem. No tocante à justificativa apresentada de que parte dos depósitos seria decorrente de lucros distribuídos pela sociedade Protec, compartilho do entendimento Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10803.000087/201011 Acórdão n.º 2401005.778 S2C4T1 Fl. 752 26 adotado pela decisão de piso, no sentido de que a escrituração contábil da fonte pagadora, em face das irregularidades apontadas, não merece credibilidade para fins de apuração do lucro contábil escriturado pela pessoa jurídica. Prosseguindo na análise, no tocante à segunda justificativa, entendo que os documentos apresentados pelo recorrente são insuficientes, ao meu vez, para comprovar a natureza dos créditos efetuados em suas contas bancárias como empréstimos tomados junto à pessoa jurídica Protec, anocalendário 2005, eis que o contrato de mútuo relativo ao período em questão à fl. 448, prevê que a quantia a ser restituída seria determinada em "data a ser definida", não havendo, inclusive, nos autos, comprovação da quitação deste "empréstimo", ainda que parcial. Assim, devese indagar o seguinte: Quando foi classificado como "empréstimo"? Quando foi pago o “empréstimo”? Qual a data do vencimento ("em data a ser definida")? Quantas prestações? A documentação apontada pela recorrente apenas demonstra que houve uma transferência de valores entre a empresa e a contribuinte, não se comprovando que a sua natureza seja de empréstimo, sempre lembrando que o julgador é livre para apresentar suas convicções na apreciação da prova (art. 29, do Decreto n° 70.235, de 1972). Conforme esclarece Fabiana Del Padre Tomé2, “(...) provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o animus de convencimento”. Vale novamente destacar que a escrituração da pessoa jurídica apresentada nos autos não se revela hábil a comprovar as informações ali descritas, em razão de existência das irregularidades já descritas. E, ainda, destaco o entendimento segundo o qual a conversão do julgamento em diligência, com fundamento no princípio da busca da verdade material, não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir, sob pena de se inverter o ônus da prova. Dessa forma, entendo que merece subsistir, na integralidade, a acusação fiscal acerca da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no anocalendário de 2005, estribada no art. 42, da Lei n° 9.430/96. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator 2 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no direito tributário: de acordo com o código de processo civil de 2015. 4. Ed. Rev. Atual. São Paulo: Noeses, 2016. p. 405. Fl. 752DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000032/2010-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 03 2/ 20 10 -0 8 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 12571.000032/201008 Resolução nº 3301000.734 S3C3T1 Fl. 167 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 168DF CARF MF Processo nº 12571.000032/201008 Resolução nº 3301000.734 S3C3T1 Fl. 168 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002542/2009-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP ALIMENTOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras (GLP e manutenção), vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 25 42 /2 00 9- 41 Fl. 494DF CARF MF Processo nº 11020.002542/200941 Acórdão n.º 9303007.323 CSRFT3 Fl. 3 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.988, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 23 e maio de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 INSUMOS. ALCANCE DO TERMO. São insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços que viabilizam ou que são pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, que neles possam ser diretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço dela resultantes. CREDITAMENTO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Somente os gastos expendidos com combustível que efetivamente foi consumido no processo produtivo darão direito ao creditamento da contribuição. CREDITAMENTO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. CUSTO DE VENDA DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Se o serviço de transporte das mercadorias faz parte da operação de venda, tendo seus custos suportados pelo produtor, as embalagens de transporte serão necessárias para a preservação da integridade dos bens durante o transporte, e geram direito a crédito. CREDITAMENTO. PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 11020.002542/200941 Acórdão n.º 9303007.323 CSRFT3 Fl. 4 3 O crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004 somente pode ser utilizado para dedução dos débitos apurados na sistemática da não cumulatividade aplicável na apuração das contribuições sociais, não sendo passível de utilização em procedimentos de compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 ART. 62A DO RICARF. REPRODUÇÃO PELOS CONSELHEIROS QUANDO DO JULGAMENTO DE RECURSOS NO ÂMBITO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. [...] O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: (a) despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); (b) despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes desde que efetivamente comprovada pela Contribuinte sua participação no processo produtivo e feita a segregação do lançamento de combustível/lubrificante que foi contabilizado no ativo imobilizado da empresa (conta contábil 11701009); (c) despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores quanto às máquinas que comprovadamente foram essenciais ao processo de produção; e (d) despesas com embalagem de transporte (material de transporte). Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou, dentre outros, o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Fl. 496DF CARF MF Processo nº 11020.002542/200941 Acórdão n.º 9303007.323 CSRFT3 Fl. 5 4 Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.318, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.002522/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.318): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de Fl. 497DF CARF MF Processo nº 11020.002542/200941 Acórdão n.º 9303007.323 CSRFT3 Fl. 6 5 créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 498DF CARF MF Processo nº 11020.002542/200941 Acórdão n.º 9303007.323 CSRFT3 Fl. 7 6 Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 11020.002542/200941 Acórdão n.º 9303007.323 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Fl. 500DF CARF MF Processo nº 11020.002542/200941 Acórdão n.º 9303007.323 CSRFT3 Fl. 9 8 Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Fl. 501DF CARF MF Processo nº 11020.002542/200941 Acórdão n.º 9303007.323 CSRFT3 Fl. 10 9 Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " Fl. 502DF CARF MF Processo nº 11020.002542/200941 Acórdão n.º 9303007.323 CSRFT3 Fl. 11 10 (...)3 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; e 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que analisou o direito de crédito de insumos cujos entendimentos foram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.318. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 11020.002542/200941 Acórdão n.º 9303007.323 CSRFT3 Fl. 12 11 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não Fl. 504DF CARF MF Processo nº 11020.002542/200941 Acórdão n.º 9303007.323 CSRFT3 Fl. 13 12 necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, Fl. 505DF CARF MF Processo nº 11020.002542/200941 Acórdão n.º 9303007.323 CSRFT3 Fl. 14 13 que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 4) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) combustíveis e lubrificantes (ii) embalagem de transporte, e (iii) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial para restabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) combustíveis e lubrificantes (ii) embalagem de transporte, e (iii) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 506DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.925303/2016-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.928
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 03 /2 01 6- 54 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10680.925303/201654 Acórdão n.º 3301004.928 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.509. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10680.925303/201654 Acórdão n.º 3301004.928 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10680.925303/201654 Acórdão n.º 3301004.928 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10680.925303/201654 Acórdão n.º 3301004.928 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10680.925303/201654 Acórdão n.º 3301004.928 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 296DF CARF MF
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Numero do processo: 10315.000948/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/10/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CFL 38.
Constitui infração à legislação previdenciária a falta de apresentação, à fiscalização, de quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social.
MULTA. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Tratando-se de multas por descumprimento de obrigação tributária distintas, descabe considerar que houve bis in idem.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.684
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CFL 38. Constitui infração à legislação previdenciária a falta de apresentação, à fiscalização, de quaisquer documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social. MULTA. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURAÇÃO. Tratandose de multas por descumprimento de obrigação tributária distintas, descabe considerar que houve bis in idem. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 09 48 /2 00 9- 11 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10315.000948/200911 Acórdão n.º 2202004.684 S2C2T2 Fl. 101 2 Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10315.000948/200911, em face do acórdão nº 1050.600, julgado pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), em sessão realizada em 27 de junho de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Do Auto de Infração AI Tratase de Auto de Infração AI Debcad nº 37.215.2023, lavrado em 08/09/2009, no código de Fundamento Legal 38, decorrente do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, na redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. O Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 07/08, esclarece que o contribuinte teve ciência da Ação Fiscal por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF de 09 de outubro de 2008, enviado por via postal e recebido pelo contribuinte em 14 de outubro de 2008, sendo que a empresa também foi intimada a apresentar os documentos de interesse da fiscalização por meio dos Termos de Intimação Fiscal nº 01 de 04/12/2008, nº 02 de 16/03/2009 e nº 03 de 02/06/2009. Foi solicitada, no TIPF, a apresentação das Folhas de Pagamento de todas as obras matriculadas, Alvarás de Licença e Habitese para construção, Plantas de Construções Prediais, Anotações de Responsabilidade Técnica ART, Contratos de Empreitada e Subempreitadas, Comprovantes de matrículas de obras de construção civil e Livros Diário e Razão. O contribuinte não apresentou o Livro Diário e o Razão, como também deixou de apresentar todos os demais documentos acima enumerados referentes às seguintes matrículas: 05.056.01610/77, 05.056.01611/79, 05.056.01628/72, 32.130.00018/75, 32.130.00242/78, 32.130.00297/73, 32.130.00322/78, 32.130.00323/71, 32.130.00357/70, 32.130.00358/72, 38.680.07389/71, 41.880.00018/70, Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10315.000948/200911 Acórdão n.º 2202004.684 S2C2T2 Fl. 102 3 41.880.00149/76, 50.005.08847/75 e 50.006.46535/71, motivo pelo qual infringiu ao disposto no artigo 33, parágrafos 2º e 3º da Lei n° 8.212/1991, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do RPS. Foi aplicada a multa prevista nos artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91, e no artigo 373 e 283, inciso II, alínea "b", do RPS, no valor de R$ 13.291,66 (treze mil e duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos) atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF Ministério da Previdência Social/Ministério da Fazenda nº 48 de 12 de fevereiro de 2009. Da Impugnação A empresa foi cientificada do AI, por via postal, em 28/09/2009, fl. 25. Tempestivamente, em 20/10/2009, apresentou impugnação, por meio do instrumento de fls. 32/34, cujos argumentos estão a seguir sintetizados. Apresenta breve arrazoado no sentido de que a exigência não atendida configurase como exagero da Administração Pública. Isso porque o AI em referência trata exclusivamente de “suposto descumprimento” de obrigação acessória e a impugnante ofereceu diversos mecanismos para que a Receita Federal do Brasil tenha pleno conhecimento de toda a sua movimentação contábil e financeira. Também porque no período fiscalizado contratou exclusivamente com entes da Administração Pública, tendo os seus impostos retidos na fonte, de forma que não houve prejuízo ao Erário Público. Ante os fatos externados, roga pela improcedência do Auto de Infração. É o relatório.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 61/77, reiterando, as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O Auto de Infração AI Debcad nº 37.215.2023, lavrado em 08/09/2009, no código de Fundamento Legal 38, decorre do descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 33, parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, na redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10315.000948/200911 Acórdão n.º 2202004.684 S2C2T2 Fl. 103 4 Conforme se verifica nos autos, pelo relatório acima realizado, a empresa, devidamente intimada, deixou de apresentar Folhas de Pagamento de diversas obras matriculadas, Alvarás de Licença e Habitese para construção, Plantas de Construções Prediais, Anotações de Responsabilidade Técnica ART, Contratos de Empreitada e Subempreitadas, Comprovantes de matrículas de obras de construção civil e Livros Diário e Razão. Dessa forma, não pode ser acatado o pedido da contribuinte no sentido da improcedência do presente auto de infração, devendo ser mantida a multa por descumprimento de obrigação acessória. Inexistência de bis in idem. Ademais, importa referir que inocorre bis in idem, o auto de infração nº 37.215.2015 (CFL 35) tratase de descumprimento de obrigação acessória diversa da exigida nestes autos (CFL 38). Alegações de inconstitucionalidade. Quanto a alegação de "constrangimento ao princípio da legalidade" e de caráter confiscatório da multa, ocorre que nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Ônus da prova. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 103DF CARF MF
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